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IRINNEWSBLOG.WORDPRESS.COM - EDIÇÃO 2 - SEXTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2011 - 4 PÁGINAS Foto: Assessoria do CS/ Isabel Filgueiras

UNSC debate possível independência de Caxemira Delegadas britânicas oferecem apoio financeiro ao Jammu e à Caxemira diante da possibilidade de se tornarem independentes Página 3

Delegado alemão propõe uma privatização gradual

Consilium discute políticas de crédito para países abalados pela crise

OMC abre discussões com o tema poluição Página 4

AGNU discute metas previstas na Declaração do Milênio Delegação alemã afirma que privatização pode ajudar países pobres Página 2

França e Alemanha encabeçam discussão sobre políticas de crédito Países levantam o debate sobre as políticas de crédito para conter a crise Página 4

Ministro brasileiro deixa sala de sessão Página 4 Acesse http://irinnewsblog.wordpress.com/ http://youtube.com/tvsonu2011/


2 DAWN

SEXTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2011

AGNU

Impasse cultural e ideológico marcou o primeiro dia de reunião da AGNU Alemanha propõe políticas de privatização como solução para países em desenvolvimento e acusa países árabes de negligenciarem igualdade entre sexos por Aline Moura Nova Iorque

Divergências culturais e ideológicas marcaram o primeiro dia de discussão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), realizada ontem. Com a participação de 24 delegações, a assembleia teve como pauta o cumprimento das metas estabelecidas na Declaração do Milênio, acordo que prevê melhorias em áreas como educação, saúde, direitos humanos, igualdade de gêneros e meio ambiente. Muitas delegações declararam não poder atingir as metas até 2015, prazo final estabelecido no acordo, por conta de crises que atingem seus países, herdadas de fatores históricos como a exploração econômica por parte de países europeus. A delegação alemã, após o recorrente pedido de outras delegações por ajuda internacional, declarou-se a favor de uma reestruturação da política interna dessas nações, como primeiro passo de uma solução. “A Alemanha prioriza o capital social porque paga impostos, gera emprego

e renda. O Estado, da maneira como está em alguns países, está cheio de funções. Quando tem muita coisa para fazer, acaba não fazendo nada. A Alemanha propõe que haja uma privatização de maneira gradual para que o Estado possa investir em educação, saúde e segurança”, disse Carlos Magno Gomes Rocha, representantes da delegação alemã. O delegado alemão disse ainda que a obrigação do cumprimento dos Objetivos do Milênio não pode ficar somente sobre países

EXPEDIENTE

EDITORIAL

Editora

Aline Lima

Diagramação Aline Lima

Repórteres

Aline Moura Nina Ribeiro Rochelle Guimarães

Delegado da Alemanha propõe uma privatização gradual como solução aos países subdesenvolvidos

desenvolvidos, e acusou os países árabes, principalmente o Irã, de não respeitarem os direitos das mulheres e a igualdade entre os sexos, um dos temas principais propostos pela Declaração do Milênio. “A Alemanha respeita a cultura árabe, mas também advoga os direitos humanos. Deve haver uma vontade política e social para que as mulheres aglutinem direitos humanos e igualdade entre sexos”, disse Carlos. Em resposta, a delegação da Liga Árabe declarou ser inviável

uma mudança drástica na cultura de seus países membros, principalmente por conta do apoio que a população dá a essas práticas. “As mulheres árabes não participaram da revolução feminista ocidental e não possuem esse discernimento de revolução. Muitas defendem a pena de morte por apedrejamento, a submissão e o uso do véu e da burca”, explica Gabriela Cavalcante, membro da delegação árabe. A delegação acusou os países ocidentais e orientais sem tradição islâmica de negligenciarem seus problemas internos de gêneros, dando visibilidade somente a questões intrínsecas da cultura muçulmana. “É comum no Brasil mulheres serem assassinadas por ciúme. No Japão, existe a política do filho único e, geralmente, existe preferência por meninos. As meninas são abandonadas ou sacrificadas. Isso também é um tipo de violência que eles não colocam em evidência”, afirma Marina Lima, delegada da Liga Árabe.

Direito de Escolha O Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC) abordou, em sua primeira reunião, a disputa entre o Paquistão e a Índia pelo domínio da região da Caxemira. O conflito existente entre os dois países iniciou logo após a emancipação do subcontinente indiano e a consequente formação dos dois Estados. Essa situação resultou em diversas lutas armadas como a Guerra de Kargil, em 1999, marcada como conflito nuclear. O fato de a Caxemira possuir uma população predominante-

mente muçulmana é utilizado pelo Paquistão para justificar seu interesse na região. Por outro lado, a Índia afirma que tem direito ao território pelo fato de este ter sido inicialmente governado por um líder hindu. Embora tenham sido realizadas algumas discussões na tentativa de resolver a situação, em momento algum permitiram que o povo da região pudesse escolher o destino de sua terra. A recente afirmação da delegada britânica durante a sessão do UNSC causou alvoroço não

só pelo fato de disponibilizar a ajuda financeira para o país, mas também por mostrar outra possibilidade para o destino de Jammu e Caxemira: a independência. Para se chegar a um consenso, é fundamental haver debates sobre o assunto, analisando, junto aos caxemires a melhor solução, seja ela se unir ou não à Índia ou ao Paquistão, ou mesmo a independência . Um povo tem o direito de decidir sobre o destino da sua comunidade e não há razão para agir diferente no caso de Jammu e Caxemira.


DAWN 3

SEXTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2011

ARTIGO

UNSC

Reino Unido propõe suporte econômico à Caxemira Diante de um possível processo de independência de Jammu e Caxemira, a delegada britânica manifestou seu interesse em apoiar economicamente a nova nação por Nina Ribeiro Nova Iorque

Nas primeiras discussões do Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC), realizadas ontem, as delegadas do Reino Unido, Renata Baltar e Camila Silveira, colocaram seu país a disposição para ajudar a Caxemira em sua economia. A independência de Jammu e Caxemira foi uma das possibilidades consideradas pelas delegacias entre as discussões. O futuro da nação pareceu incerto a alguns, pois a área não é desenvolvida e dispõe majoritariamente de atividades rurais como economia. “Será mais um país pobre no mundo”, disse Nadja Nogueira, delegada do Paquistão. Este contexto bastou para o Reino Unido se manifestar: “Apesar de nossas diferenças culturais e religiosas, podemos dar um bom suporte aos caxemires”, disse Renata Baltar, delegada britânica. A Índia reinvindica seu direito total sobre a região e não acredita que a intervenção dos britânicos possa ser positiva. “Será mais uma colonização”, afirma a delegada Priscilla Saraiva. Os representantes de Portugal apoiaram a frente de proteção indiana e se referiram à proposta feita pela delegada Baltar como uma “regressão” histórica e política. A disputa pelas terras da Caxemira, que há mais de 60 anos vem sendo mantida por paquistaneses e indianos, culminou em baixas historicamente reconhecidas. Ainda no debate da SONU, a atmosfera de hostilidade percebida atualmente na Caxemira foram preocupações de países

Foto: Assessoria do CS/ Isabel Filgueiras

Delegadas chinesa e britânica debatem sobre o conflito entre Paquistão e Índia.

como Colômbia, Portugal e Brasil. “Esta já é uma situação de guerra. Devemos fazer algo”, refletiu o delegado brasileiro João Lucas Carneiro. Retirar as tropas presentes na região da Caxemira, tanto do Paquistão, como da Índia, foi considerada pelos delegados como primeira e urgente ação a ser colocada em prática para que os danos sejam minimizados. No entanto, a Índia disse que suas tropas se retiram em metade sob a condição de que a Organização das Nações Unidas (ONU) utilize tropas dos países membros para realizar as missões de paz, garantindo assim segurança aos indianos na ocorrência de novos conflitos. A Índia também se manteve contra o plebiscito, através do qual a população decidiria o futuro destas terras. A delegada indiana Priscilla Saraiva argumentou que os resultados recairiam a favor dos

paquistaneses, uma vez que 95% dessas pessoas são muçulmanas. O Paquistão argumentou que as terras de maioria muçulmana devem ser de sua posse, seguindo regra utilizada no ano de 1947, quando o subcontinente indiano foi dividido em Índia e Paquistão. Alysson Bezerra, delegado do país, teme que uma divisão do território em duas ou mais partes pode descaracterizar a identidade do povo caxemire. Por fim, os representantes concluíram que a aplicação de um plebiscito entre a população da Caxemira se faz necessária. “O plebiscito dará as pessoas a chance de votar pela decisão de seu futuro”, disse o delegado Maurício de Oliveira Neto, da Colômbia. Os aspectos relativos ao caráter das perguntas que irão compor esta ferramenta de consulta ainda serão definidos.

Tempo rei por Andreza Galdino Advogada

O marco alemão e o franco francês foram mortos e sepultados com a promessa de integração e centralização européia e o sonho de bater a libra inglesa e o dólar americano, mas nem tudo são flores. Bastou pouco mais de dez anos para os primeiros, mas graves, problemas aparecerem, vide as recentes cenas de violência na Grécia para todo o mundo ver. Em suma, a crise na Grécia é resultado de problemas fiscais, já que gastou mais dinheiro do que conseguiu arrecadar com os impostos. Assim, a relação do endividamento sobre PIB ultrapassou significativamente o limite de 60% estabelecido no Tratado de Maastricht de 1992, que criou a zona do euro. A desconfiança de que os governos da região teriam dificuldade para honrar as dívidas fez com que os investidores temessem por suas ações, títulos públicos e privados europeus, eclodindo a crise. Como sabemos a crise não é fardo apenas da Grécia, mas também de Portugal, Irlanda, Itália. E o que fazer com um País que desvirtua as regras do Tratado que criou a Zona do Euro? Alguns mencionam a exclusão destes do bloco, será? Muito improvável, excluindo esses países seria impossível alcançar uma das aspirações, a de criar organismos de centralização para superar a libra inglesa e o dólar americano, mas convenhamos que na atual circunstância torna-se ainda mais penoso. Por ora, Grécia, Irlanda e Portugal receberam pacotes de ajuda, parcialmente financiadas pelo FMI e precisam ser fiéis às medidas de austeridade adotadas. Contudo, indubitavelmente este cenário serviu para distanciar ainda mais os países mais fortes dos mais fracos. E essa tensão representa risco, com possíveis implicações regionais e globais, mas isso só o tempo dirá.


4 DAWN

SEXTA-FEIRA, 2 DE SETEMBRO DE 2011

CONSILIUM

Países discutem políticas de crédito

Consilium levanta o debate sobre as políticas de crédito para conter a crise por Rochelle Guimarães Bruxelas

Consilium discute políticas de crédito para países em crise

“Não somos instituição filantrópica”, declarou a França, ontem, no primeiro dia de discussões do Conselho da União Européia (Consilium), enquanto debatia sobre os pacotes econômicos, propostos pelo Banco Central Europeu (BCE), para os países que estão em uma situação financeira deficitária. Uma das propostas sugeridas pelo BCE consistia em conceder crédito aos países que estão em uma posição econômica extremamente frágil, a exemplo da Grécia, de Portugal e da Irlanda. A medida tem como finalidade amenizar a crise que assola a maioria dos países europeus. França, Alemanha e outros países que forneceram crédito àqueles mais prejudicados pela crise exigem garantias de que essa ajuda financeira será ressarcida. Alemanha questionou se os países que solicitaram empréstimos estão realmente aplicando medidas, como corte de gastos, para manter a economia estável. O ministro alemão, Lauro Campos, defendeu que os pacotes econômicos devem ser bem utilizados. A ministra francesa, Juliana Cavalcante, afirmou que seu país encontra-se prejudicado financeiramente, pois precisa

retirar recursos de suas próprias reservas para prestar assistência econômica àqueles mais prejudicados como a Grécia. Os países encabeçados pela França e pela Alemanha exigem esclarecimentos sobre a real situação financeira daqueles que receberam auxílio. Grécia e Espanha, países em grave crise, concordam que as garantias devam ser dadas e que precisam ser adotadas medidas para manter a economia sólida. A Grécia foi acusada, por alguns integrantes do bloco, de sonegar informações fiscais, a fim de esconder a sua real situação financeira. O ministro grego, Rahym Costa, por outro lado, afirmou que o país adota sérias medidas de austeridade e rigorosos métodos de fiscalização. Declarou que a Grécia segue normas para evitar a evasão fiscal, como o aumento da faixa etária para a concessão da aposentadoria. Até o momento, nenhum representante se posicionou categoricamente a favor da exclusão de países da zona do euro. Porém alguns ministros reiteraram que é necessário haver medidas rígidas que evitem a evasão fiscal e que assim os recursos sejam utilizados com responsabilidade.

OMC

OMC abre discussões com o tema poluição por Rochelle Guimarães Genebra

Estados Unidos da América (EUA) e Brasil, principais interessados na problemática do etanol, debateram sobre as barreiras ambientais impostas ao produto brasileiro pelo mercado norte-americano. O delegado brasileiro, Haylton de Souza, acusou os EUA de poluírem e desperdiçarem seus lençóis freáticos durante a produção de etanol a base de milho e beterraba. Em resposta, Erick Esmeraldo, representante da delegação norte-americana, argumentou que as queimadas praticadas pelos cultivadores de canade-açúcar no Brasil são mais

prejudiciais ao meio-ambiente que os problemas encontrados no seu país. Durante a sessão, os delegados ainda discutiram sobre as condições de trabalho nos canaviais brasileiros e milharais americanos, ressaltando o desrespeito aos direitos humanos dos trabalhadores. A delegação norte-americana propôs parceria entre os dois países para o intercâmbio de práticas e técnicas em torno da produção de biocombustíveis. Como feito no desenvolvimento de motores com tecnologia flex, que funciona com álcool e gasolina.

UNASUL

Ministro brasileiro deixa sala de sessão por Nina Ribeiro Quito

Os ministros brasileiros Arthur Carneiro e Felipe Soares relembraram a Guerra do Paraguai durante o primeiro debate da União das Nações Sul-americanas (Unasul). De acordo com a assessoria de imprensa do Comitê, o ministro argentino Pedro Eufrásio avaliou como contraditório o posicionamento do Brasil sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), comparado à opinião expressa em 2008. A avaliação argentina foi concebida a partir do docuAPOIO

mento de trabalho elaborado pelo Brasil sobre o tema “Defesa das Fronteiras da América do Sul”. No escrito, estão presentes como estratégias o combate cooperativo ao tráfico de drogas sul-americano e o reconhecimento das FARC como grupo terrorista. O Brasil respondeu a versão dos argentinos lembrando-os de sua parceria pela derrota do Paraguai. Após isso, os representantes do Paraguai rebateram a fala do Brasil, o que culminou na saída dos brasileiros da sessão.


Edição 2_Dawn