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Setembro, 13 - 2013

SOUTH AFRICA

www.issuu.com/sonuimpresso

UNSC

Situação do povo curdo é foco de debate do Conselho de Segurança P. 02

ECOSOC

Para diminuir a corrupção, Ecosoc propõe transparência P. 03

P.03

Foto: Diego Sombra

União Africana propõe meio de combate à fome ADIS ABEBA, ETIÓPIA Ministros propõem criação de agenda para agilizar proposta de combate à fome. P.03

CPCJC

ACNUR Encontro da ACNUR avalia o destino dos refugiados P. 02

Foto: Diego Sombra

Foto: Diego Sombra

Estados Unidos pretendem liderar as investigações sobre crime de identidade P. 04

G-20 Objetivos do Grupo são esclarecidos aos representantes P.03 OTAN A falta de apoio à Otan é tema de discurso P.04


Edição 02. Setembro, 13 - 2013 - Mail & Guardian

Produção: Mail & Guardian Editores: João Paulo Freitas e Nathanael Filgueiras Repórteres: Paulo Jefferson, RebecaRamos, Eduardo oliveira Impressão: Euro Cópias

O ofício de reportar atravessa as barreiras do silêncio e do comodismo. As dificuldades dessa árdua tarefa vão além de veracidade nas informações, imparcialidade, ética, etc. Isso porque o envolvimento de um repórter com seu material identifica a correlação das partes. Um “eu repórter”, um “eu reportagem”. Ambos entrelaçados vivendo a dependência do “ser o outro”. A história conjunta, porém, é muitas vezes destruída pela incompreensão e pelo egoísmo daqueles que não consideram a informaçao noticiosa uma parte ativa da sociedade. Nesta edição, o Mail & Guardian abordará os temas em andamento que circulam no cotidiano de comitês da ONU, como os refugiados, corrupção e a fome que deixa sua marca na África. Nathanael Filgueiras Editor M£G

| ACNUR

ACNUR ainda não define conceito para refugiados

Dúvidas e indagações marcam o primeiro dia do 64º encontro do Comitê Executivo da Comissão Foto: Eduardo Oiveira

EXPEDIENTE

Eduardo Olivera Enviado a Genebra

A

s perguntas vinham de todas as direções. “Quem são os refugiados ambientais?”, disparava a delegada Letícia Ribeiro, da República Democrática do Congo para as delegações presentes no 64º encontro do Comitê Executivo do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), ocorrido ontem, dia 12, em Genebra. Após um dia de discussões e negociações evasivas, pouco foi acordado. “É um absurdo que a figura do refugiado ambiental ainda não seja albergada oficialmente pelo órgão.”, exclamou o delegado Ernani Soares, da Fundação Liser (Living Space for Environmental Refugees).

Comissariado debate as muitas dúvidas do caso de refugiados

O representante concluiu que os migrados precisam ser reconhecidos nos locais de refúgio. Decisões postergadas A proposta sugerida pela delegada da França, Rebeca Soares é que a definição prevista pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) seja amplamente aceita. O Programa acredita que o conceito abranja também as pessoas que são obrigadas a abandonar seus lares por situações

| UNSC

de declínio ambiental ocasionadas pela interferência do homem. Contudo, a sessão foi adiada antes de o acordo ser efetivado. Outra questão a ser discutida nas próximas sessões é a criação de um Conselho Especializado, pertencente ao ACNUR. Este escritório especializado examinaria as peculiaridades de cada caso de desastre ambiental e foi proposto pelo delegado dos Países Baixos, Bruno Razante.

Conselho de Segurança discute questão Curda Primeiro dia de discussões é marcado por troca de acusações

M

embros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) estiveram reunidos na última quintafeira 12, em Nova Iorque, para discutir a situação do povo Curdo. A reunião contou com a

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presença de representantes do governo da Turquia, onde vivem cerca de 15 milhões de curdos. A relação entre os dois países é marcada por conflitos políticos e étnicos há décadas. O representante da Turquia, Rodrigo Damasio, acusou o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK)

de promover atentados terroristas contra alvos turcos ao Conselho de Segurança. O governo dos Estados Unidos, no entanto, acusou o governo turco de não estar disposto a cooperar com a pacificação. O impasse continua enquanto nenhuma resolução foi aprovada ainda.


G-20 busca cooperação em suas ações Grupo pretende atuar mais unificado ponto principal da primeira sessão do G-20 foi a questão da cooperação. Os ministros representantes demonstravam em suas falas a necessidade de um trabalho mais unido, devido a economia interligada que desempenham. O ministro americano fez indagações acerca das medidas protecionistas tomadas pela economia de seu país, a sua política cambial de desvalorização do dólar e a crise gerada pelos créditos imobiliários cedidos aos chamados subprime. Além disso, discutiu-se também a concessão de crédito visando a solução de futuras crises.

| UNIÃO AFRICANA

Edição 02. Setembro, 13 - 2013 - Mail & Guardian

Negociações avançam em ritmo lento

Foto: Diego Sombra

| GRUPO DOS 20

Ministros propõem criação de agenda para agilizar proposta de combate à fome

O

| CIDH

Provas sobre caso são apresentadas Morte de Herzog contrapôs opiniões

Os agentes do Estado questionaram a necessidade da discussão do caso, alegando que a questão já era uma ferida curada, uma cicatriz na história do país. A Corte produziu provas sobre o caso. Para Alexandre Lai, advogado da defesa, o Brasil já admitiu a responsabilidade pela morte de Herzog, tendo mudado o atestado de óbito do jornalista.

Paulo Jefferson

Enviado a AdisAbeba

A

XXIV reunião do conselho executivo da União Africana (UA) começou na manhã da última quinta-feira, 12, com 24 representantes do órgão presentes na cidade de Adis Abeba, capital da Etiópia. O encontro reuniu líderes locais e representantes da França, Reino Unido e Brasil. Na pauta das discussões estão os desafios para ampliar a modernização da agricultura no continente, o combate à subnutrição e a resolução de conflitos internos que assolam diversas regiões do continente africano. Durante o encontro, o ministro francês, Daniel Colom, propôs a criação de uma agenda com prioridades a serem discutidas.

A proposta francesa prevê o fomento à técnicas de manejo agrícola e o desenvolvimento da infraestrutura de transporte na região como metas a longo prazo. Colom afirmou que a França pode promover o intercâmbio científico de pesquisadores para garantir o acesso ao conhecimento necessário para promover as medidas sugeridas. A proposta recebeu apoio do Reino Unido, que se comprometeu a participar, e de outros países presentes no encontro, mas recebeu ressalvas. A representante da África do Sul, Jordana Arrais, lembrou que, caso não seja bem administrada, a medida pode promover a desigualdade social e

econômica no continente. “Se toda essa transferência for destinada apenas aqueles que já têm acesso a algum conhecimento técnico na agricultura, corremos o risco de aumentar a concentração de renda nesses países”, afirmou a ministra. O documento, que deve basear a formulação da resolução ministerial, foi assinado pela França, Egito, Serra Leoa, África do Sul e Guiné Bissau, adiciona à proposta inicial a contenção da inflação, a redução dos impostos sobre o setor alimentício e a promoção do intercâmbio científico e técnico direcionado aos pequenos agricultores de subsistência.

| ECOSOC

Transparência pode diminuir corrupção Educação também pode ser aliada no combate

Em reunião realizada ontem, dia 12, em Genebra, delegações do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC)

defenderam a fiscalização dos gastos no setor público como solução majoritária para diminuir práticas corruptas. A educação também foi vista como peça

importante. Ministros sugeriram a inclusão da disciplina de ciência política, na grade escolar, a fim de complementar o programa educativo das nações.

03


| OTAN

| CPCJC

O peso da crise econômica de alguns países recai sobre FMI

Interpol é reconhecida como órgão para investigações no mundo

OTAN: países sentem falta de contribuição

As dificuldades financeiras da União Europeia parecem afetar o fundo de arrecadação da OTAN (Organização Tratado do Atlântico Norte). No encontro da Reunião de Cúpula realizado ontem, dia 12, em Cabul, crises econômicas e medidas de austeridade marcaram o debate acerca da revisão das receitas orçamentárias militares do órgão. Para o presidente Marwil Praciano, da Grécia, a revisão dos gastos militares pode ser corroborada tendo em vista o uso destes como forma de garantir a manutenção da paz nos países membros.

PARCEIROS

Liderar investigações sobre crime de identidade é meta para EUA Redação Mail & Guardian

Foto: Diego Sombra

Edição 02. Setembro, 13 - 2013 - Mail & Guardian

De Vienna

A

segunda sessão da Comissão para Prevenção de Crimes e Justiça Criminal (CPCJC), que aconteceu no dia 12 de setembro, em Viena, ganhou destaque devido às discussões sobre as recentes acusações de espionagem. A delegação da Alemanha, buscando uma solução para os crimes de identidade, sugeriu a criação de um Tribunal Internacional, que fará o julgamento destes crimes. Representantes do Brasil acreditam que o aumento do número de aparelhos telefônicos com internet contribuiu para que a ação criminosa neste âmbito se tornasse mais fácil de acontecer. A intenção deste Tribunal é determinar as normas de direito internacional que regulamentem os crimes de identidade e suas punições. A Interpol foi

OPINIÃO O alimento que não chega à população Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7 bilhões.

Comitê discute questões de crimes de identidade e outros

indicada pela delegação norte-americana como órgão autorizado para as investigações no mundo. Alguns brasileiros acreditam que o posicionamento norteamericano agride os outros países, os quais também são capazes de exercer tal função. As delegações do Reino Unido, Paquistão e Turquia repudiaram o representante norteamericano. Delegados do Reino Unido e Itália concordaram com a Interpol à frente das investigações, porém não concordaram com a sugestão dos Estados

Comida existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome? A situação de fome no Chifre da África não é novidade. A Somália vive uma situação de insegurança alimentar há 20 anos. E, periodicamente, os meios de comunicação nos atingem em nossos confortáveis sofás e nos recordam o impacto dramático da

Unidos , pois acham perigoso ceder tanto poder a um só Estado. A delegação norteamericana sugere a criação de uma comissão com cinco representantes de países diferentes para seguirem nas discussões de como aplicar a legislação em apoio a Interpol. Com isso, a CPCJC entra em discordância, alegando que o número de representações é irrelevante, pedindo a abrangência da comissão para todos os países.

fome no mundo. Se queremos acabar com a fome no mundo, é urgente apostar em outras políticas agrícolas e alimentares que coloquem no seu centro as pessoas, as suas necessidades, aqueles que trabalham a terra e o ecossistema. Esther Vivas Escritora

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Mail&Guardian - Segunda Edição  
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