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AGNU aprova resolução Documento apresenta sugestões para o cumprimento das metas PÁG. 3 do milênio

DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

4ª Edição  São Paulo

Governo brasileiro é pressionado na Unasul

Denúncia feita pela editora da Folhapress causa polêmica na discussão PÁG. 2 sobre intervenção do Estado aos meios de comunicação THAMIRES OLIVEIRA/ FOLHAPRESS

Crise no Consilium Conselho não entra em consenso e posterga a PÁG. 4 resolução

OPINIÃO

Jornalismo responsável Vivemos em busca de furos jornalísticos que nos rendam audiência e comentários do público. Em alguns momentos, somos chamados até mesmo de sensacionalistas ou de imprensa-marrom. No entanto muitos se esquecem do nosso esforço para equilibrar as notícias divulgadas para que elas não tragam danos à sociedade. PÁG. 3

Mordaças veladas

A imprensa tem o papel de mediar a relação entre o Estado e a sociedade. Como um quarto poder, o jornalismo fiscaliza as ações do governo e as noticia para a PÁG. 2 população

PRESSÃO. Ministros exigem explicações do governo brasileiro sobre denúncia feita por editora da Folhapress

UNSC entra em crise após ataque

Hackers zeraram as dívidas bancárias do Brasil, de Portugal e da Alemanha em ataque ao Banco Mundial PÁG. 3

VAZOU. Delegados americanos divulgaram informações sigilosas à rede de televisão

“Crime contra a humanidade!”

O perito Francisco Tarcísio Rocha fez fortes declarações relacionadas à apreensão de genéricos vindos da Índia na OMC ontem, 03 PÁG. 4


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DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

UNASUL Produção Folhapress Editora-chefe Yohanna Pinheiro Repórteres Cláudio Abreu, Pedro Bruno Trigueiro, Thamires Oliveira Projeto gráfico Yohanna Pinheiro Fale conosco cii.sonu2011@gmail.com issuu.com/ sonuimpresso

@sonufortaleza

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

ERRATA: Na matéria sobre o UNSC da 3ª edição da Folha de S. Paulo, pág. 4, foi veiculado na chamada da matéria que a maioria das delegações teriam voltado-se contra o plebiscito. Na realidade, a maioria das delegações posicionaram-se a favor do mesmo.

EDITORIAL

Atentado à democracia Ontem mesmo a Folha de S. Paulo divulgou a censura do jornal venezuelano Tal Cual pelo governo daquele país. Enquanto a União de Países Sul-Americanos (Unasul) discutia a questão, outro acontecimento foi revelado: a editora da Folhapress denunciou a intervenção do Estado brasileiro sobre a agência. A imprensa tem o papel fundamental de mediar a relação entre o Estado e a sociedade. Como um quarto poder, o jornalismo fiscaliza as ações do governo e as noticia para a população. Não há democracia sem essa intermediação. Decisões tomadas pelos representantes da sociedade, se não se tornarem públicas, seriam equivalentes a decisões arbitrárias. A intervenção do Estado nos meios de comunicação é, dessa forma, um crime contra a democracia, excluindo os cidadãos de participarem das decisões políticas. A Folha de S. Paulo afirma mais uma vez seu repúdio a tal prática e mantém o seu posicionamento em favor de uma imprensa livre.

Governo brasileiro é pressionado na Unasul

Denúncia feita pela editora da Folhapress causou polêmica na discussão sobre intervenção do Estado aos meios de comunicação THAMIRES OLIVEIRA/ FOLHAPRESS

THAMIRES OLIVEIRA DE QUITO

O pronunciamento da editora-chefe da Folhapress, Yohanna Pinheiro, interrompeu a 8ª sessão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) no sábado, 03. A editora acusou o governo brasileiro de impedir a publicação de orçamentos públicos que teriam sido adulterados intencionalmente. Os ministros brasileiros se retiraram da sala antes de ela se pronunciar. O impasse aconteceu em decorrência de um ataque cracker ao Banco Mundial. Segundo o documento apresentado no Conselho de Segurança (UNSC), Brasil, Portugal e Alemanha estariam envolvidos no atentado realizado pela Democracia Real Já (DRJ). A fundação catalã Carilam Para el Desarollo de la Democracia teria sido financiada pelas três nações e seria responsável por custear as ações do DRJ. No ataque, as dívidas dos países financiadores do Carilam foram zeradas, o que aumentou a suspeita sobre essas nações. Os representantes venezuelanos afirmaram que os ministros brasileiros tiveram uma postura contraditória ao defenderem a liberdade de imprensa na discussão e receberem uma acusação de censura e de financiamento a grupos de cyberterrorismo. A expulsão do Brasil das discussões da cúpula chegou a ser considerada, devido à gravidade das acusações feitas. A posição oficial do gover-

FRASES DO DIA

Você está propondo uma volta temporária à Idade da Pedra.” Delegado colombiano na UNSC, sobre a possibilidade de cancelamento da internet

DENÚNCIA. Ministros pressionam o Brasil por explicações sobre o caso

no esclareceu que não houve financiamento ao grupo terrorista, e que o Estado brasileiro teria sido alvo de ataque de um grupo anarco-cyber-terrorista – as alterações aos valores do Banco Mundial não teriam sido aprovada pelas autoridades. “Eu acredito que a população brasileira não deva se mostrar preocupada com esse fato, tendo em vista que se trata de uma organização não reconhecida pelo nosso governo”, afirmou Felipe Veras, ministro do Brasil. Além da questão brasileira, foram discutidos temas

A França é a semente do mal da espionagem industrial.” LUDMILA IPIRANGA, delegada da Finlândia co Consilium, referindose às violações de informações sigilosas na Françao em seu país

referentes à publicação de documentos provisórios. Eles contemplaram a proibição da propriedade cruzada dos meios de comunicação, o estabelecimento de cotas obrigatórias de programação cultural independente e a elaboração de um tratado de cooperação em favor da proteção das comunicações. Devido à quantidade de informações surgidas no decorrer da sessão, a cúpula decidiu adiar o debate. Os ministros prosseguirão hoje, 04, com a devida análise dos fatos para fazer suas deliberações na próxima reunião.

Se você quiser dar liberdade àquelas pessoas, primeiro você deve forneça-las conhecimento” NADJA NOGUEIRA, delegada do Paquistão na UNSC, em seu discurso sobre a opção de independência da Caxemira


DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

UNSC

UNSC entra em crise após ataque

Hackers zeraram as dívidas bancárias do Brasil, de Portugal e da Alemanha em ataque ao Banco Mundial ISABEL FILGUEIRAS/ ASSESSORIA UNSC

CLÁUDIO ABREU DE NOVA YORK

O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) foi surpreendido pela notícia de um ataque ciberterrorista ao Banco Mundial no sábado, 03. Os hackers, que atacaram na madrugada do dia 03, zeraram as dívidas bancárias do Brasil, de Portugal e da Alemanha. Após receber esta informação, o Conselho de Segurança entrou em crise, que só encerrou duas horas depois, com a aprovação unânime de um projeto de resolução. Até o momento, as cláusulas do projeto não foram divulgadas pela assessoria do Conselho de Segurança. No entanto, a delegação dos Estados Unidos comentou sobre o projeto a uma rede de televisão. A matéria, que seria televisionada, não foi ao ar por causa da confidencialidade das cláusulas. Mais tarde, durante uma coletiva de imprensa, a delegação se desculpou por ter quebrado a confidencialidade do projeto e afirmou que a atitude foi impensada Após a resolução da crise, o Conselho discutiu o envolvimento dos três países que foram beneficiados pelo ata-

VIGILÂNCIA. Os delegados propõe a criação de uma agência que controle a internet

que. O blog Irin News divulgou uma matéria apontando Brasil, Portugal e Alemanha como patrocinadores do ataque ciberterrorista. Até o momento, não se sabe ao certo se os países estão envolvidos no ataque. A delegação dos Estados Unidos propôs a criação de uma agência internacional que controle a internet. Todas as delegações foram favoráveis ao projeto, com exceção da russa. Fernando Feitosa, representante do país no Conselho, declarou à Folha de S. Paulo que a

agência agiria sob jurisdição russa, o que ia contra a soberania de seu Estado. O delegado ainda afirmou que os ataques partem de um país específico e que os Estados Unidos têm a tendência a tomar controle das organizações internacionais. No fim do dia, a diretoria do Conselho de Segurança encorajou aos delegados a trazerem projetos de resolução para que o andamento das discussões. Espera-se que hoje, 04, o Conselho elabore uma medida que solucione a questão.

AGNU

AGNU aprova resolução

Documento apresenta sugestões para o cumprimento das metas do milênio Documento sobre as Metas do Milênio foi aprovado na Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). O projeto apresenta particularidades ligadas aos países que sofrem com a crise econômica mundial. O documento aprova a criação de um Fundo Internacional de estímulo à segurança alimentar e ao desenvolvimento da educação, juntamente com uma Comissão de Fiscalização dos investimentos propostos e

revisões periódicas ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Projeto de resolução ressalta que nações como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul sejam estimulados a fazer maiores contribuições financeiras. No entanto, não devem ser prejudicados por causa desses investimentos. O documento sugere ainda a criação de um programa de assistência social aos países que

CRISE. O secretário-geral das Nações Unidas anuncia a crise na AGNU

tenham condições favoráveis e de um fundo de pesquisa ligado a Organização Mundial da Saúde (OMS), para a elaboração de vacinas e de medicamentos.

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OPINIÃO

Jornalismo responsável JÉSSICA WELMA EDITORA DE TELEJORNALLISMO DA AGÊNCIA EURONEWS

Vivemos em busca de furos jornalísticos que nos rendam audiência e comentários do público. Em alguns momentos, somos chamados até mesmo de sensacionalistas ou de imprensa-marrom. No entanto muitos se esquecem do nosso esforço para equilibrar as notícias divulgadas para que elas não tragam danos à sociedade. No sábado, 03, durante discussão e posterior decisão sobre a invasão de hackers ao Banco Mundial, uma repórter da agência Euronews foi orientada a manter sigilo sobre o que tinha registrado no Conselho de Segurança (CS). Segundo a assessoria, as informações poriam em risco a vida de pessoas, caso se tornassem públicas A agência de notícias norte-americana CNN, em entrevista com os delegados dos EUA, teve acesso às decisões do Conselho. Criou-se uma questão: era válido divulgar as informações sigilosas e ganhar o furo jornalístico contra a Euronews ou convencer-se do perigo em transformar essas informações em produto jornalístico? Após debates entre diretores, editores e jornalistas, foi decidido que as informações seriam mantidas em segredo por questão de segurança. Nossa responsabilidade como detentores de informações sobressai-se à disputa pela audiência. A CNN mostrou que tem compromisso com a atividade jornalística e respeito à Euronews ao compartilhar da obrigação de manter sob sigilo informações que trariam riscos para a sociedade.


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DOMINGO, 4 DE SETEMBRO DE 2011

OMC

“Crime contra a humanidade!”

O perito Francisco Tarcísio Rocha fez fortes declarações relacionadas à apreensão de genéricos vindos da Índia na OMC ontem, 03 CAMILA MAGALHÃES/ASSESSORIA OMC

PEDRO BRUNO TRIGUEIRO

DE BRUXELAS

O farmacêutico André Araújo e o especialista em Direitos Humanos Francisco Tarcísio Rocha se pronunciaram na reunião do Tribunal Arbitral da Organização Mundial do Comércio (OMC) na tarde de ontem, 03. Eles comentaram o caso da apreensão de medicamentos genéricos no porto de Roterdã. Os remédios vinham da Índia e tinham o Brasil como destino final. O professor Francisco Tarcísio defendeu os direitos fundamentais da pessoa humana. “Toda barreira aos remédios genéricos é também uma barreira aos Direitos Humanos”, afirma. Ele enfatizou que a apreensão dos remédios genéricos no porto holandês é um crime contra a humanidade, pois impossibilita que pessoas mais humildes tenham acesso à saúde.

IMPASSE. Para o farmacêutico André Araújo, Brasil e índia não participarem do acordo comercial dificulta a resolução do caso

O perito em medicamentos André Araújo explicou sobre os tratados comerciais internacionais que regem a indústria farmacêutica. Segundo o especialista, o fato de os países em desenvolvimento não participarem dos mesmos acordos comercias das nações mais ricas dificulta a resolução do caso, já

que cada grupo é regido por uma legislação. Os medicamentos apreendidos foram encaminhados para análises laboratoriais, como prevê a legislação vigente na Europa. Atestado que os remédios retidos eram genéricos, a carga foi reencaminhada para o país de origem, a Índia.

Brasil e Índia expiraram a patente intelectual de remédios, podendo comercializar entre si versões genéricas dos medicamentos. A União Europeia e os EUA ainda reconhecem as patentes dos laboratórios, impossibilitando a entrada de medicamentos genéricos em seus territórios.

CONSILIUM

Crise no Consilium

Conselho não entra em consenso e posterga a resolução O site da Irin News divulgou um documento oficial com informações que revelaram que Brasil, Alemanha e Portugal apoiam financeiramente a Carilam Para el Desarollo de la Democracia, que custeou os ataques da DRJ. Um trecho deste documento ratifica: “Carilam

PARCEIROS

possui, entre sua lista de colaboradores, Brasil, Alemanha e Portugal, que estão entre os países que tiveram suas dívidas zeradas hoje pela manhã. O dinheiro público dos três estaria financiando ataques como o ocorrido hoje no site do Banco Mundial.”

Após o debate agitado, o Reino Unido apresentou um projeto de resolução afirmando que o Consilium “resolve considerar ideologicamente falsos os documentos divulgados por entidades que não detém a legitimidade de atestar tais informações, em que se perce-

be a clara intenção de desestabilizar a economia da União Europeia.” O documento provisório foi colocado em votação. Após três votos contra o Projeto de Resolução, ele foi invalidado. O Conselho postergou a resolução para hoje, 04.

REALIZAÇÃO

Folha de S. Paulo  

Folha de S. Paulo 4ed

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