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WILLIAM CEREJA THEREZA COCHAR

8

o ano

PORTUGUÊS

LINGUAGENS

COMPONENTE CURRICULAR

LÍNGUA PORTUGUESA 8O ANO

MANUAL DO PROFESSOR

Capa-PL8-PNLD 2017-LP-Boneco.indd 1

30/03/15 14:15


WILLIAM ROBERTO CEREJA Professor graduado em Português e Linguística e licenciado em Português pela Universidade de São Paulo Mestre em Teoria Literária pela Universidade de São Paulo Doutor em Linguística Aplicada e Análise do Discurso na PUC-SP Professor da rede particular de ensino em São Paulo, capital

THEREZA COCHAR MAGALHÃES Professora graduada em Português e Francês e licenciada pela FFCL de Araraquara, SP Mestra em Estudos Literários pela Unesp de Araraquara, SP Professora da rede pública de ensino em Araraquara, SP

Autores também de:

Obras para o ensino fundamental: Português: linguagens (1º ao 5º ano) Gramática – Texto, reflexão e uso (6º ao 9º ano) Gramática reflexiva (6º ao 9º ano) Todos os textos (6º ao 9º ano)

PORTUGUÊS L I N G UAG E N S

8

MANUAL DO PROFESSOR

Obras para o ensino médio: Português: linguagens Literatura brasileira Literatura portuguesa Gramática reflexiva – Texto, semântica e interação Texto e interação Interpretação de textos

COMPONENTE CURRICULAR

LÍNGUA PORTUGUESA 8O ANO

9ª edição reformulada São Paulo, 2015

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Português: Linguagens – 8º ano (Ensino Fundamental) © William Roberto Cereja / Thereza Cochar Magalhães, 2015 Direitos desta edição: Saraiva S.A. – Livreiros Editores, São Paulo, 2015 Todos os direitos reservados

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Cereja, William Roberto Português linguagens, 8º ano / William Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 9. ed. reform. – São Paulo : Saraiva, 2015. ISBN 978-85-02-63229-5 (Manual do Professor Digital)

Suplementado pelo manual do professor. Bibliografia. ISBN 978-85-02-62856-4 (aluno) ISBN 978-85-02-62857-1 (professor)

ISBN 978-85-02-63227-1 (PDF aluno)

1. Português (Ensino fundamental) I. Magalhães, Thereza Cochar. II. Título.

15-02773

CDD-372.6 Índices para catálogo sistemático: 1. Português : Ensino fundamental

Gerente editorial Editor responsável Editores Preparação de texto Propostas de textos e atividades Coordenador de revisão Revisores Coordenador de iconografia Pesquisa iconográfica Gerente de artes Coordenador de artes Design

372.6

M. Esther Nejm Noé G. Ribeiro Mônica Rodrigues de Lima, Paula Junqueira, Caroline Zanelli Martins, Fernanda Carvalho Célia Tavares Norberto Lourenço Nogueira Júnior, Carolina Assis Dias Vianna Camila Christi Gazzani Ana Marson, Cesar G. Sacramento, Felipe Toledo, Sueli Bossi Cristina Akisino Camila Losimfeldt, Rodrigo Souza, Ana Szcypula, Juliana Prado Ricardo Borges José Maria de Oliveira Homem de Melo & Troia Design

Fotos de capa

Spring, Giuseppe Arcimboldo, 1573., Diomedia/Maskot RF/Maskot, Garfield, Jim Davis © Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick, Ikon Images/SuperStock/Glow Images

Diagramação Edição de arte Ilustrações

Marcia Sasso Marcos Zolezi Alexandre Camanho, Estúdio Brx, Jefferson Galdino, Filipe Rocha, Estúdio Brambilla, Ricardo Dantas, Roberto Weigand, Rico

Produtor gráfico

Robson Cacau Alves

732.474.009.001   Impressão e acabamento O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo utilizado apenas para fins didáticos, não representando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.

Rua Henrique Schaumann, 270 – Cerqueira César – São Paulo/SP – 05413-909

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5/12/15 4:13 PM


Apresentação Caro estudante: Este livro foi escrito para você. Para você que é curioso, gosta de aprender, de realizar coisas, de trocar ideias com a turma sobre os mais variados assuntos, que não se intimida ao dar uma opinião... porque tem opinião. Para você que gosta de trabalhar às vezes individualmente, às vezes em grupo; para você que leva a sério os estudos, mas gosta de se descontrair, porque, afinal, ninguém é de ferro. E também para você que, “plugado” no mundo, viaja pela palavra, lendo livros, jornais ou revistas; viaja pelo som, ouvindo música ou tocando um instrumento; viaja pela imagem, apreciando uma pintura, lendo quadrinhos, assistindo à tevê ou a um vídeo, ou navega pela Internet, procurando outros saberes e jovens de outras terras para conversar. Para você que às vezes é pura emoção, às vezes sentimental, às vezes bem-humorado, às vezes irrequieto, e muitas vezes tudo isso junto. E também para você que, dinâmico e criativo, não dispensa um trabalho diferente com a turma: visitar um museu, entrevistar uma pessoa interessante, encenar uma peça de teatro para outras classes, discutir um filme, montar um livro com poemas seus e de seus amigos, desenhar uma história em quadrinhos, tornar o mural da escola um espaço de divulgação de assuntos de interesse geral, participar de um seminário, de um debate público, etc., etc. Para você que transita livremente entre linguagens e que usa, como um dos seus donos, a língua portuguesa para emitir opiniões, para expressar dúvidas, desejos, emoções, ideias e para receber mensagens. Para você que gosta de ler, de criar, de falar, de rir, de criticar, de participar, de argumentar, de debater, de escrever. Enfim, este livro foi escrito para você que deseja aprimorar sua capacidade de interagir com as pessoas e com o mundo em que vive. Um abraço, Os Autores.

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Acesse aqui o Manual do Professor Multimídia

CAPÍTULO 1

unidade 1 Humor: entre o riso e a crítica Infância perdida

s/Folhapress

O menino, Chico Anysio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

Fabio M. Salle

Compreensão e interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 A linguagem do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 Leitura expressiva do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

15

Cruzando linguagens. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 O texto teatral escrito (I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Para escrever com expressividade

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

23

O discurso citado (I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Alexandre Camanho

O texto, o contexto e o discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 O discurso citado

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

24

A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 O sujeito indeterminado

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

O sujeito indeterminado na construção do texto

. . . . . . . . . . . . .

28 32

Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

CAPÍTULO 2

O humor vai à mesa Sopa de macarrão, Domingos Pellegrini

. . . . . . . . . . . . . . .

35

Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Compreensão e interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Roberto Weigand

A linguagem do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Leitura expressiva do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

39

Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Ler é diversão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Roberto Weigand

O texto teatral escrito (II). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Para escrever com expressividade

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

43

O discurso citado (II) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43 A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 A oração sem sujeito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Verbos impessoais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 A oração sem sujeito na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Semântica e discurso. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

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De olho na escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Emprego da letra s (I). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

CAPÍTULO 3 Riso e humor Cartum, Quino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 um Cinema/Latinstock

Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 A crítica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62

100 BARES/Album/Alb

Vozes do verbo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62 As vozes verbais na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 De olho na escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Emprego da letra s (II) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73

Passando a limpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

INTERVALO

Projeto: Fazendo cena. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

unidade 2 Adolescer ges n Images/Getty Ima Stuart Kinlough/Iko

CAPÍTULO 1

Na porta da vida Porta de colégio, Affonso Romano de Sant’Anna . . . 82 Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Compreensão e interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 A linguagem do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 Leitura expressiva do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

85

Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 A crônica (I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86

Alamy/Glow Images

A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 . . . . . . . . . .

88

. . . . . . . . . . . . .

92

O predicativo do objeto e o predicado verbo-nominal O predicativo do objeto na construção do texto

Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 De olho na escrita e na pronúncia

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

93

Ortoepia e prosódia (I). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

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CAPÍTULO 2

É difícil crescer! O cérebro em nova transformação, revista Superinteressante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

97

Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

98

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

100

tty Images

Compreensão e interpretação A linguagem do texto

Thinkstock/Ge

Leitura expressiva do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Cruzando linguagens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 Ler é diversão

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Produção de texto A crônica (II)

103

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

103

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

103

Para escrever com expressividade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Estúdio BRx

Denotação e conotação

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

106

A língua em foco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 O modo imperativo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

109

Formação do modo imperativo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 110 O modo imperativo na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

113

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

115

Semântica e discurso De olho na escrita

Ortoepia e prosódia (II)

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

115

Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117

CAPÍTULO 3

A descoberta Fotos

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Produção de texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

119

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

119

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

123

A crônica argumentativa A língua em foco

118

Figuras de linguagem

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

123

Comparação e metáfora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124 Estúdio BRx

Metonímia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 125 Personificação ou prosopopeia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 128 Hipérbole . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 Eufemismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 Ironia

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

133

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

134

As figuras de linguagem na construção do texto Semântica e discurso

131

Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135

Passando a limpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136

INTERVALO

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Projeto: Retratos do cotidiano

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

140

3/24/15 4:32 PM


unidade 3 Consumo CAPÍTULO 1

O inútil necessário

al Geographic © Richard Nowitz/Nation Society/Corbis/Latinstock

A cara vida moderna, Walcyr Carrasco

. . . . . . . . . . . . . . . .

144

Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

145

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

146

Compreensão e interpretação A linguagem do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

147

Trocando ideias

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

147

Produção de texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

147

Leitura expressiva do texto

O anúncio publicitário

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Para escrever com coerência e coesão A conectividade

147

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

150

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

150

A língua em foco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 Ricardo Dantas

O complemento nominal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 153 . . . . . . . . . .

156

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

157

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

160

O complemento nominal na construção do texto Semântica e discurso De olho na escrita

Emprego da letra z

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

160

Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162

CAPÍTULO 2

Templos de consumo Ao shopping center, José Paulo Paes

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

163

Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

163

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

164

Compreensão e interpretação A linguagem do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

164

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

165

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

167

o/Folha Imagem Charles Silva Duarte/O Temp

Estúdio BRx

Leitura expressiva do texto

001-009-U1-Iniciais-PL8-PNLD2017.indd 7

Cruzando linguagens Trocando ideias

Ler é reflexão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Produção de texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

168

A carta de leitor

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

168

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

173

A língua em foco

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

173

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

174

O aposto e o vocativo Aposto

Vocativo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

176

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

178

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

180

O aposto e o vocativo na construção do texto Semântica e discurso De olho na escrita: x ou ch?

175

Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 181

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CAPÍTULO 3

Compro, logo existo! Quadrinhos, Caco Galhardo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 182 Cartum, Andy Singer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 183

Thinkstock/Getty Images

As cartas argumentativas de reclamação e de solicitação

. . . . . .

183

A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187 A pontuação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187 A vírgula entre os termos da oração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 190 A pontuação na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195

Passando a limpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 196

INTERVALO

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 200 Projeto: Consumo adolescente

unidade 4 Ser diferente CAPÍTULO 1

Alto risco O assalto, Luis Fernando Verissimo

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

204

Estudo do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 Jefferson Galdino

Compreensão e interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206 A linguagem do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 Leitura expressiva do texto

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

208

Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 208 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 O texto de divulgação científica (I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209 A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214

Thinkstock/Getty Images

A conjunção (I). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 214 Classificação das conjunções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 216 As conjunções coordenativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218 A conjunção na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 220 Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 221 De olho na escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 Emprego da palavra porque (I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224

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CAPÍTULO 2

Preconceito invisível?

xtra/Agência O Glo

bo

Daniel Alves: É hipocrisia negar racismo e criticar #somostodosmacacos, Liana Aguiar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 225 Um casal inter-racial ainda passa por constrangimentos em 2014?, Izabela Moi, revista Trip . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226 Estudo dos textos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227

Marcelo Theobald/E

Compreensão e interpretação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227 A linguagem dos textos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 228 Cruzando linguagens

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

229

Trocando ideias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231 Ler é reflexão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231

DIOMEDIA/Cultura RM/Peter Muller

Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232 O texto de divulgação científica (II) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232 Para escrever com expressividade

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

236

Avaliação apreciativa e recursos gráficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 236 A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 A conjunção (II) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 As conjunções subordinativas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 243 De olho na escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245 Emprego da palavra porque (II) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 245 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 247

CAPÍTULO 3

Sociedade plural

Fernando Favoretto/ Criar Imagem

Cartum, Santiago . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 Produção de texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 250 O seminário

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

250

A língua em foco. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 O período simples e o período composto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 257 Ricardo Dantas

Período composto por coordenação e período composto por subordinação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 259 O período simples e o período composto na construção do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 261 Semântica e discurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 262 Divirta-se . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 264

Passando a limpo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 265

INTERVALO

Projeto: Viver com saúde! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 270

BIBLIOGRAFIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 272 MANUAL DO PROFESSOR – ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 273

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OVNI

La

2008 Oli Verlag N.V.

Humor: entre o riso e a crítica Está todo mundo vendo Disco voador. Mas Eu que é bom Ninguém repara.

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do

r

(Ulisses Tavares. Diário de uma paixão!. São Paulo: Geração, 2003.)

Snif Amar não devia ser assim: Devia ter só começo e meio, Nunca também o fim. (Mordillo. Para las vacaciones. Barcelona: Glénat, 1995.)

(Idem.)

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1

Imprensa Oficial do Esta

do

UNIDADE

Miramax/Strizzi, Sergio/Album/Latinstock

LIVROS

FILMES FILMES

As cem melhores crônicas de humor, seleção de Sandro Villar (Alta Life Books); Comédias da vida privada — Edição especial para escolas, de Luis Fernando Verissimo (L&PM); Histórias divertidas, vários autores (Ática); Ozzy, de Angeli, volumes 1, 2, 3 e 4 (Cia. das Letras); Os cem melhores contos de humor da literatura universal, seleção de Flávio Moreira da Costa (Ediouro); A palavra é... humor, de Machado de Assis e outros (Scipione); Laertevisão — Coisas que não esqueci, de Laerte (Conrad); Piracicaba — 30 anos de humor (Imprensa Oficial do Estado e Instituto do Memorial de Artes Gráficas do Brasil); Antologia brasileira de humor, de Adail e outros, em 2 volumes (L&PM); História em quadrões, de Mauricio de Sousa (Globo).

A Pantera Cor-de-Rosa, de Shawn Levy; A vida é bela, de Roberto Benigni; Motoqueiros selvagens, de Walt Becker; Os irmãos cara de pau, de John Landis; Jamaica abaixo de zero, de John Tuterltaub; O garoto e Em busca do ouro, de Charlie Chaplin; O professor aloprado, de Jerry Lewis; os filmes da dupla O Gordo e o Magro.

Cena do filme A vida é bela (1997).

INTERVALO INTERVALO Projeto

SITES

www.piadas.com.br www.charges.uol.com.br http://humor.uol.com.br www.uol.com.br/laerte

Fazendo cena

Produção e montagem de uma mostra de teatro, com leitura dramática e encenação dos textos produzidos na unidade.

Professor: É conveniente que já no início do bimestre sejam organizadas e distribuídas as atividades propostas no projeto do capítulo Intervalo.

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CAPÍTULO

1

Infância perdida Uma criança vai para a escola, descalça. Outra criança vende balas no semáforo de uma cidade grande. Outra acorda às 4 h da madrugada para trabalhar na lavoura. Outra, jogando bola no campinho, sonha ser jogador de futebol. O que é ser criança no nosso país?

O menino

Estúdio BRx

Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido. Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos. É um menino normal, ou seja: subnutrido, desses milhares de meninos que não pediram pra nascer; ao contrário: nasceram pra pedir. Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade. É, como a maioria, um desses meninos de 11 anos que ainda não tiveram infância. Parece ser menor carente, mas, se é, não sabe disso. Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo de aprender a ser criança-problema. Anda descalço por amor à bola. Suas roupas são de segunda mão, seus livros são de segunda mão e tem a desconfiança de que a sua própria história alguém já viveu antes. Do amor não correspondido pela professora, descobriu que viver dói. Viveu cada verso de “Romeu e Julieta”, sem nunca ter lido a história. Foi Dom Quixote sem precisar de Cervantes e sabe, por intuição, que o mundo pode ser um inferno ou uma badalação, dependendo se ele é visto pelo Nelson Rodrigues ou pelo Gilberto Braga. De seu, tinha uma árvore, um estilingue zero quilômetro e um pássaro preto que cantava no dedo e dormia em seu quarto. Tímido até a ousadia, seus silêncios gritavam nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de sua alma. Trajava, na ocasião em que desapareceu, uns olhos pretos muito assustados e eu não digo isso pra ser original: é que a primeira coisa que chama a atenção no menino são os grandes olhos, desproporcionais ao tamanho do rosto. Mas usava calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca e um estranho boné que, embora seguro pelas orelhas, teimava em tombar pro nariz. Foi visto pela última vez com uma pipa na mão, mas é de todo improvável que a pipa o tenha empinado. Se bem que, sonhador do jeito que ele é, não duvido nada.

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Fabio M. Salles/Folhapress

Sequestrado, não foi, porque é um menino que nasceu sem resgate. Como vocês veem, é um menino comum, desses que desaparecem às dezenas todos os dias. Mas se alguém souber de alguma notícia, me procure, por favor, porque... ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim. (Chico Anysio. Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/um-autorre trato-inedito-de-chico-anysio-4428439. Acesso em: 27/6/2014.) caroá: tecido rústico. Dom Quixote: personagem da obra do escritor espanhol Miguel de Cervantes, caracterizada como sonhadora e delirante. Febem: sigla de Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor; hoje, Fundação Casa (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente). Nelson Rodrigues: escritor e dramaturgo brasileiro. Gilberto Braga: autor de telenovelas brasileiro. Romeu e Julieta: peça teatral de William Shakespeare em que dois adolescentes são impedidos de viver o amor em razão da inimizade entre suas famílias.

Estudo do texto

Quem é Chico Anysio? Chico Anysio (1931-2012) nasceu em Maranguape, Ceará. Foi humorista, ator e escritor. Ficou conhecido em todo o país pelos programas de humor que fazia na TV Globo, na qual trabalhou por quarenta anos. Entre seus livros estão O enterro do anão, Carapau e O fim do mundo.

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO 1. O texto é construído como se fosse um anúncio de busca de pessoa desaparecida. a) Em que trecho isso fica explícito? “Vou fazer um apelo. É o caso de um menino desaparecido.” b) Em geral, o que caracteriza um texto desse tipo?

A identificação da pessoa desaparecida, seguida da descrição dela, incluindo-se: vestuário e traços físicos e psicológicos.

2. No texto em estudo: a) Quais são as características do menino?

Tem 11 anos, 30 quilos, é brasileiro, olhos pretos de tamanho desproporcional ao tamanho do rosto.

b) Como se trajava? Faça um levantamento do que o menino usava como vestuário. Estava descalço, usava roupas de segunda mão, calças curtas de caroá, suspensórios de elástico, camisa branca, boné.

c) O que fazia quando foi visto pela última vez? Tinha uma pipa na mão.

d) Deduza: Qual era a condição social do menino? Era um menino pobre.

3. O texto faz outras caracterizações do menino, além das físicas. a) Que elementos dizem respeito:

• ao mundo infantil do menino? árvore, estilingue, pássaro preto, pipa, bola • ao romantismo precoce?

O amor pela professora não correspondido.

• à concepção do mundo? A ideia de que o mundo pode ser um lugar de sofrimento ou um lugar de prazeres (inferno ou badalação). b) Referindo-se ao menino, o narrador diz: “sonhador do jeito que ele é”. Qual personagem citada no texto também é um sonhador? Dom Quixote.

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4. Observe estas referências feitas ao menino:

Estúdio BRx

“é brasileiro”, “desses milhares de meninos”, “como a maioria”, “que desaparecem às dezenas”, “sua própria história alguém já viveu antes”. a) As palavras e expressões destacadas nesses trechos singularizam a figura do menino desaparecido, facilitando seu reconhecimento? Não. Elas correspondem a informações genéricas, que situam o menino em um grupo amplo, coletivo.

b) Que efeito esse tipo de referência ao menino produz no leitor? Produz um estranhamento inicial,

seguido pelo reconhecimento de que a situação de um garoto (estar perdido sem família ou sem orientação) diz respeito a parte significativa da infância do país.

5. O narrador também faz referências ao menino utilizando expressões como estas: “subnutrido”, “nasceram pra pedir”, “ainda não tiveram infância”, “sem resgate”. Que visão da infância se depreende desses trechos: feliz, bem-cuidada ou desprotegida e carente? Trata-se de uma visão de infância marcada pela carência, “desaparecida” tanto no espaço quanto na visão das autoridades e das famílias, responsáveis pelo bem-estar das crianças.

6. Aos poucos, vai ficando claro o tema do texto e sua verdadeira intencionalidade.

O tema do texto é a pouca atenção que se dá à infância no Brasil, pois há no país grande número de crianças pobres,

a) Qual é o tema do texto?desnutridas, sem escola e sem receber os cuidados necessários.

b) Apesar de o texto abordar um grave problema da realidade brasileira, ele não perde o humor. Explique como se constrói o humor nestes trechos:

“pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos” “com idade demais pra sua idade”

O paralelismo de termos quantificáveis (anos, quilos) é quebrado por um termo não quantificável: brasileiro.

Não é possível alguém ter uma idade diferente da que tem na realidade.

“é de todo improvável que a pipa o tenha empinado” Inversão de expectativa: a ideia de a pipa empinar o menino, e não o inverso.

8a. Professor: Sugerimos abrir a discussão com a classe. Entre outras possibilidades, parece que a infância sofrida foi a base de tudo o que narrador se tornou. Reencontrar-se com o passado é uma forma de reafirmar seus próprios caminhos e confirmar sua identidade.

7. No último parágrafo há uma revelação importante para o desfecho do texto.

a) Qual é a revelação?A de que o menino procurado é o menino que o narrador do texto foi um dia e que ele perdeu. b) Nesse sentido, o menino procurado se perdeu no espaço ou no tempo? Explique. O menino se perdeu no tempo, pois ficou no passado do narrador.

8. O narrador aponta todas as carências do menino que ele foi, mas, no final do texto, diz: “ou eu encontro de novo esse menino que um dia eu fui, ou eu não sei o que vai ser de mim”. a) Interprete: Por que o narrador deseja encontrar o menino que ele foi? b) O desaparecimento do menino deve ser visto como um fato concreto ou ele pode representar um desaparecimento no sentido figurado? Explique. Ele pode representar um desaparecimento no sentido figurado, pois o menino pode ter desaparecido dentro do adulto que o narrador se tornou.

9. O texto “O menino” contém humor e lirismo. Contudo, além de provocar o riso e a emoção, ele também cumpre outra finalidade. Qual é ela?

A finalidade de fazer uma crítica ao descaso com que as crianças são tratadas por certas famílias e pelas autoridades no país.

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A LINGUAGEM DO TEXTO 1. Releia estes trechos do texto: “Ele tem 11 anos, mas parece menos; pesa 30 quilos, mas parece menos; é brasileiro, mas parece menos.” “Calado demais pra sua idade, sofrido demais pra sua idade, com idade demais pra sua idade.” Observe os termos menos e demais, em destaque. a) A que classe gramatical pertencem?À classe dos advérbios. b) O sentido dos dois termos é antagônico. No entanto, pode-se dizer que, no contexto em que aparece, o advérbio demais apresenta sentido equivalente ao sentido do advérbio menos? Justifique sua reposta. Sim, pois os adjetivos calado e sofrido e a locução adjetiva com idade (idoso) implicam carência. Assim, correspondem a menos expansivo, menos feliz e menos jovem, ou seja, ao oposto do que deveria ser todo menino.

2. A palavra mas é empregada várias vezes no primeiro dos dois trechos reproduzidos na questão anterior. a) Que ideia essa palavra expressa: de adição, de oposição, de explicação ou de causa?De oposição. b) Considerando o contexto, como você justifica o emprego dessa palavra? Ela inicia orações que expressam a ideia de que a criança não tem o que seria normal ela ter nessa idade, quanto a peso e nacionalidade, pois é pouco desenvolvida na aparência física e na cidadania.

3. Compare: O menino era tímido, calado e choroso. “Tímido até a ousadia, seus silêncios gritavam nos cantos da casa e seus prantos eram goteiras no telhado de sua alma.” Nos dois enunciados, há, essencialmente, a mesma informação. Contudo, um deles apresenta recursos próprios da literatura, como a expressividade e o uso de imagens. a) Qual deles é mais expressivo?O segundo enunciado, que faz parte do texto. b) Identifique as imagens empregadas no enunciado que é mais expressivo. “silêncios gritavam” e “goteiras no telhado de sua alma”.

LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO

Adir Mera/Agência O Globo

Com a orientação do professor, junte-se a um colega e escolham para fazer uma leitura expressiva um destes trechos do texto:

• os 4 primeiros parágrafos; • os 4 últimos parágrafos. Leiam várias vezes, procurando dar às frases, de acordo com a passagem, um tom mais emotivo, ou mais irônico, ou mais humorístico, assim como a entonação mais adequada. Procurem valorizar as pausas, dando tempo ao ouvinte para assimilar a mensagem. Leiam um para o outro e, quando a leitura estiver bem expressiva, apresentem-na para a classe.

Chico Anysio interpretando a personagem Salomé no programa televisivo Chico City.

Professor: Sugerimos convidar alguns alunos para ler o texto. A leitura poderá ser feita sequencialmente, ou seja, um aluno lê os parágrafos iniciais, e outro, os parágrafos finais. Comente e reforce os resultados positivos da leitura.

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Cruzando linguagens Coleção particular

Observe esta pintura, de Norman Rockwell:

O fugitivo (1958).

1. Há, na pintura, três personagens. a) Quem são elas? O dono ou responsável pelo bar ou lanchonete, um policial e um garoto. b) Onde estão? Estão em um bar ou lanchonete. c) O que estão fazendo? Estão conversando. d) Os adultos parecem estar sendo amigáveis com o menino? Ou não? Parecem estar sendo amigáveis.

2. Observe o menino. a) Ele está com roupa de ficar em casa ou com roupa de sair? Justifique a resposta com elementos da pintura. Ele está com roupa de sair, pois tem um blusão no colo e está de sapatos, meias e cinto. b) Levante hipóteses: De quem é a trouxa que está embaixo do banco em que o menino está sentado? Do menino.

c) Por que o menino está nesse lugar? Que elemento nos leva a essa conclusão? O menino fugiu de casa, pois leva consigo uma trouxa. Além disso, a pintura é intitulada O fugitivo.

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3. Levante hipóteses: Qual é o assunto da conversa dos adultos com o menino?

Resposta pessoal. Possivelmente os motivos da fuga e as consequências dela: a preocupação dos pais, a fome, a falta de um lugar para residir, a necessidade de pessoas para cuidar dele, etc.

4. Compare a situação do menino retratado no texto de Chico Anysio com a do menino mostrado na pintura. a) Em que elas se assemelham?

Ambas as situações dizem respeito a meninos que supostamente se afastaram da família.

b) Na sua opinião, em que elas são diferentes?

Trocando ideias

A situação do menino retratado no texto de Chico Anysio diz respeito a um grande número de meninos pobres, sem família e desprovidos de orientação adequada; a situação do menino mostrado na pintura indica que ele está adequadamente vestido, saiu de casa por vontade própria e está recebendo um tratamento atencioso de adultos e provavelmente sendo orientado a voltar para casa. Além disso, o menino do texto pode ser apenas uma representação do menino que o narrador foi.

1. “Nunca esteve na Febem, portanto, não teve tempo de aprender a ser criança-problema.” O que você acha desse comentário do autor do texto? As instituições que acolhem os menores podem educá-los e dar-lhes esperança de um futuro melhor?

2. Dizer que alguém está perdido pode significar que ele está “sumido, desaparecido” ou que está “desencaminhado”. No seu modo de entender, em qual dos casos se enquadra parte importante da infância do país?

Junião

3. Leia esta tira:

(Junião. “Dona Isaura”. Central de Tiras. São Paulo: Via Lettera, 2003. p. 29.)

Dê sua opinião: O diálogo das personagens está de acordo com o modo de pensar de grande parte da população ou rompe com essa expectativa? O que significa, no seu modo de entender, a fala da avó no 3º quadrinho?

Produção de texto O TEXTO TEATRAL ESCRITO (I) Você já foi ao teatro alguma vez? Neste capítulo, você vai estudar o texto teatral. Leia, a seguir, um fragmento da peça teatral Um fantasma camarada, de Helen Louise Miller, adaptação de Margarita Schulman. A peça conta a história do casal Jorge e Emília. Eles têm um filho adolescente, Roberto, e moram em uma casa alugada, cujo proprietário é o sr. Souza, pai da jovem Margarida (Margô), com quem Roberto tem saído. Na cena reproduzida, o sr. Souza telefona para Jorge.

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PAI (ao telefone) – Mas se eu já lhe disse mil vezes que temos procurado casa, sim. Parece que não existem casas para alugar ou vender nesta cidade. (Pausa) Já sei que a lei lhe faculta, como proprietário, o direito de ocupar a casa em seis meses. Mas que posso fazer? Seja razoável. Se ao menos você nos vendesse a casa. (Pausa) Está bem, está bem. Já sei que falamos nesse assunto, mas às vezes mesmo um homem tão decidido como você pode mudar de ideia. Escute, Souza, por que você não passa por aqui logo mais, para conversarmos pessoalmente? (Pausa) Então está resolvido. Estaremos a sua espera. (Pausa) Sim, creio que veremos a sua filha antes disso. [...] Até logo. (Desliga) ROBERTO (entrando) – Olá papai, que tal? Estou irreconhecível? Eu e Margô vamos a um baile de máscaras. Ela vai trazer a minha fantasia logo mais. PAI – Ela virá, com certeza com o pai dela. Ele insiste para que nós mudemos logo que expirar o prazo de seis meses. ROBERTO – Não sei como aquele velho ranzinza conseguiu ter uma filha tão boazinha como a Margarida. E por que não nos vende logo este “barraco”, e acaba duma vez com toda esta história? Eles têm uma casa para morar, não precisam da nossa. PAI – Não adianta discutir comigo. A culpa é do Souza. Você já imaginou o trabalho que vamos ter para mudar daqui todos estes trastes? Mesmo se conseguirmos a casa, por milagre? ROBERTO – Sim, se mamãe continuar ganhando todos os concursos do rádio e da TV, teremos que nos mudar para um museu... PAI – Isto aqui já está parecendo um. Olhe só para esta sala. [...] ROBERTO – E este armário? PAI – Este sua mãe comprou ontem. [...] ROBERTO – Não me diga que mamãe comprou este armário? Se ela esperasse um pouco certamente daria um jeito de ganhá-lo em algum concurso. PAI – Melhor seria se ela concentrasse sua habilidade em ganhar uma casa. ROBERTO – Eu já me contentaria com um “reboque”. Mas onde está a minha genial mãezinha? Gostaria que viesse logo pois estou morto de fome. O que é que há para o jantar? [...] (Entra a senhora MEIRELLES, bonita e muito enérgica) MÃE – Será que ouvi falar em comida? Aposto que os homens da minha vida estão famintos. AMBOS – É verdade. MÃE – Bem, aguentem mais um pouco que já vou preparar um salmão delicioso e uma salada de feijão. [...] MÃE – [...] Não chegou alguma carta para mim? ROBERTO – Aqui tem uma porção. MÃE (olhando as cartas) – Só queria saber se já veio a resposta daquele concurso da fábrica de aveia. Não, nada. Talvez amanhã. Vejam só este envelope. Não parece esquisito? ROBERTO – Não diga que entrou num concurso de propaganda de agentes funerários, mamãe! MÃE – Não diga tolices, meu filho (lendo). Me acudam! PAI – O que foi? [...] MÃE – Alguém está tentando se divertir à minha custa. Veja você, Jorge (passa a carta para o PAI). PAI (lendo) – Da Sociedade Sobrenatural das Américas. Hummm. Nunca pensei que existisse

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Interfoto/Latinstock

tal sociedade: temos o prazer de informar que o seu artigo “Porque não acredito em fantasmas” recebeu o primeiro prêmio. Por conseguinte vai a senhora receber um fantasma totalmente equipado e pronto para servi-la. ROBERTO – O quê? Leia de novo. Você disse um fantasma? [...] PAI – Imagine só! Ganhar um fantasma! ROBERTO – Até que seria divertido. MÃE – Bem, agora chega de fantasma. Vamos todos para a cozinha e esqueçamos esta carta idiota. PAI – De acordo. (Quando estão saindo) Espere um pouco, Emília: Você vai deixar este armário plantado no meio da sala? MÃE – É mesmo, eu... eu nem tinha reparado nele. Que bom que entregaram tão depressa. Nós vamos levá-lo para cima depois do jantar. ROBERTO – Isto significa que eu vou levá-lo para cima. Toda vez que você diz Nós, sei que se refere a este burro de carga. MÃE – Esperem um momento. Acho melhor veO teatro no cinema rificar se este é o armário que comprei. Eu disse que queria que fosse desmontável. Venham me ajudar! É comum a adaptação para o cinema PAI – É bem grande. Podemos guardar nele uma de textos teatrais famosos. A mudança de veículo pode modificar profundaporção de coisas. Emília, você promete não ganhar mente a obra. Se, por um lado, o cinema mais nada pelo menos enquanto não nos mudarmos? dispõe de mais recursos para explorar o MÃE – Mudarmos? Não me diga que o Souza não deslocamento espacial e temporal, por concorda em nos vender esta casa? (Experimenta o arexemplo, por outro a exibição da obra mário) Veja só que beleza. É exatamente o que queria. na tela nunca tem o mesmo impacto E as portas se abrem facilmente. Vejam. (Abre a porta e que sua representação no palco. aparece o Fantasma) (Está todo vestido de branco, inclusiSe você gosta de tea­tro e cine­ma, não deixe de assis­tir aos fil­mes Sha­kes­peare ve gravata, sapatos, meias e luvas, e tem o rosto pintado de apai­­xo­na­do, de John Madden; A úl­ti­ma branco também) bor­bo­le­ta, de Karel Kachyna; Cy­rano TODOS (gritando) – É o fantasma! Acudam!... de Bérgerac, de Jean-Paul Rappe­neau; MÃE – Jorge, me ajude, não posso segurar a Ama­deus, de Milos Forman; Ro­meu porta! Ele quer sair! e Julieta, de Franco Zeffire­lli; Sonho FANTASMA (calmo) – É claro que quero sair. Esde uma noite de verão, de Michael tou muito surpreso com a senhora, dona Emília. A seHof­fman. São fil­mes que retra­tam de ma­nei­ra muito inte­res­san­te um pouco nhora tem medo de mim? da his­tó­ria do tea­tro. MÃE (batendo os dentes) – É claro que não! Você não existe! PAI – Quem é o senhor? Algum truque para nos matar de susto? FANTASMA – Não julgo necessário explicar a minha presença. (Mostra a carta) Vejo que foram avisados da minha chegada. (para a MÃE) Meus cumprimentos, minha senhora. Seu artigo foi o mais convincente de todos. Quase que comecei a não acreditar mais em Cena do filme Romeu + Julieta (1996), de Baz mim mesmo. Luhrmann. MÃE – Quer dizer que eu o ganhei num concurso?

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FANTASMA – Sim, senhora, e embora nós discordemos em alguns pontos fundamentais, peço que aceite os mais sinceros parabéns do fundo do meu espírito. Onde posso deixar a minha mala? ROBERTO – Você veio para ficar? FANTASMA – Naturalmente. MÃE – Nós temos muito pouco lugar e receio que não vá se sentir muito confortável. FANTASMA – De modo algum, minha senhora. O meu lugar é no sótão. Suponho que a senhora tenha um sótão. [...] PAI – O senhor vai pensar que sou um pouco curioso, Senhor Fantasma, mas... FANTASMA – Ora, nada de cerimônias. Agora que somos todos da mesma família, pode me chamar de Espeque, que é o diminutivo de espectro, e eu o chamarei de Jorge. [...] ROBERTO – Perdoe-me, Espeque, mas que roupa é essa? Parece enfermeiro. FANTASMA – Ora, é a minha roupa. Afinal de contas, você não esperava que eu andasse por aí vestindo só o meu ectoplasma. Não seria decente. E agora eu gostaria de ir ao sótão; preciso experimentar a minha sonoplastia. MÃE – Sonoplastia? FANTASMA – Sim, os efeitos de som. Eu os trago sempre comigo. Gemidos, gritos, uivos de cães, ranger de correntes, tudo completo e bem gravado. ROBERTO – Papagaio! Que organização! MÃE – Isto é demais para mim. Acho que vou desmaiar. (Vai cair, o FANTASMA faz menção de a ajudar, ela grita) – Afaste-se de mim! Jorge, obrigue-o a ir embora! PAI – Realmente, Espeque! Você está passando da conta. Não vê que está assustando minha mulher? FANTASMA – Não se preocupe comigo. Com o tempo ela vai se acostumar e me atrevo a dizer que seremos muito bons amigos. Podemos nos ajudar mutuamente. PAI – Ajudar? Como pode um fantasma ajudar um ser humano? FANTASMA – Espere e verá, Jorge. Roberto, não quer me mostrar o caminho?

1. O texto apresenta um confronto de interesses entre Jorge e o sr. Souza, revelado pela conversa ao telefone. a) Souza está intransigente, insiste que Jorge e a família se mudem logo que expirar o prazo de seis meses.

a) Como Souza se posiciona diante do problema?

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(Teatro da Juventude. São Paulo: Secretaria de Estado dos Negócios do Governo/Comissão Estadual de Teatro,1967. p. 61-8.)

b) Que argumento Jorge utiliza para tentar convencer Souza a mudar de ideia? Jorge argumenta que não existem casas para alugar ou vender na cidade. Propõe mais uma vez comprar-lhe a casa.

c) “Está bem, está bem. Já sei que falamos nesse assunto, mas às vezes mesmo um homem tão decidido como você pode mudar de ideia”, diz Jorge em certo momento. Levante hipóteses: Pela reação de Jorge, o que você acha que Souza provavelmente disse a Jorge que já tinham falado muitas disse a ele? Souza vezes sobre o assunto, não tinham mais o que discutir sobre isso. d) Qual �� a última proposta que Jorge faz a Souza? Jorge propõe a Souza que venha a sua casa naquela noite para tratarem do assunto pessoalmente.

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2. O texto teatral tem semelhanças com o texto narrativo: apresenta fatos, personagens, tempo e lugar. a) Onde ocorre essa cena? Na casa de Jorge e Emília. b) Qual é, aproximadamente, o tempo de duração dessa cena? Quinze minutos.

3. Comparando a estrutura do texto teatral com a de outros textos narrativos ficcionais, como, por exemplo, o conto, o mito e a fábula, observamos que o texto teatral se constrói de forma diferente. a) Há, no texto teatral, um narrador que conta a história? Não.

b) De que maneira, então, tomamos conhecimento dela? Por meio da ação das personagens e do diálogo entre elas.

4. O diálogo entre as personagens constitui o elemento essencial de um texto teatral. Numa fábula ou conto, a fala das personagens aparece geralmente depois de verbos como dizer, perguntar, afirmar, chamados dicendi. No texto teatral escrito, como é introduzida a fala das personagens? Antes da fala de cada personagem aparece o nome dela, geralmente escrito com letras maiúsculas.

5. O texto teatral escrito apresenta alguns trechos em letras de tipo diferente, em geral conhecido por itálico. Veja:

“MÃE (batendo os dentes) – É claro que não! Você não existe!” “MÃE – Isto é demais para mim. Acho que vou desmaiar. (Vai cair, o FANTASMA faz menção de a ajudar, ela grita) – Afaste-se de mim! Jorge, obrigue-o a ir embora!” Esses trechos, chamados rubricas, têm uma função especial. Qual é ela? Indicar como as personagens devem se movimentar e falar em cena.

6. Observe a linguagem empregada pelas personagens. Que tipo de variedade linguística predomina: uma variedade de acordo com a norma-padrão formal ou com a norma-padrão informal? Justifique.

Uma variedade de acordo com a norma-padrão informal. As marcas de informalidade são palavras e expressões como trastes, a minha genial mãezinha, carta idiota, armário plantado, burro de carga, papagaio!, passando da conta.

7. Quando um texto teatral é lido, o leitor é o interlocutor da história vivida pelas personagens. Quando ele é encenado, quem é o interlocutor?O público (a plateia) que assiste ao espetáculo.

8. Troque ideias com os colegas de grupo e, juntos, concluam: Quais são as características do texto

É um texto que serve à representação teatral. Normalmente não apresenta narrador e contém os outros elementos principais de um texto narrativo. O diálogo é sua estrutura básica de construção e é por meio dele que se dá o desenvolvimento das ações. Apresenta rubricas de interpretação e de movimento. A linguagem é adequada às personagens e ao contexto. Professor: Com as conclusões dos grupos, sugerimos montar coletivamente na lousa um quadro com as características do texto teatral escrito.

teatral escrito?

Imagine essa cena se desenvolvendo num palco. Haveria um cenário, que seria uma sala de estar de família de classe média; a sala estaria cheia de rádios, televisores, liquidificadores, aspiradores, etc., e haveria um armário bem no meio dela. E a conversa entre as personagens não seria contada por um narrador, mas mostrada pelos atores, que, representando as personagens, se movimentariam e falariam. Quando o texto teatral é encenado, ele exige outros elementos, como cenário, música, luz, figurino, maquiagem, gestos, movimentos, etc. No texto teatral escrito, esses elementos estão presentes nas rubricas, que aparecem em letras de tipos diferentes (no texto em estudo, em itálico). As rubricas indicam como as personagens devem falar (rubricas de interpretação) e como devem se movimentar em cena (rubricas de movimento), dando ao leitor informações sobre aquilo que, na representação, se vê no palco. Quando a peça teatral é longa, ela é normalmente dividida em partes, chamadas atos.

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AGORA É A sua

vez

Reúna-se com seus colegas de grupo e, juntos, escrevam uma continuação para a cena da peça teatral Um fantasma camarada retratada no texto lido. Se quiserem, encenem o texto para os colegas de sua classe e de outras, professores e funcionários da escola, parentes e amigos, na mostra teatral proposta no capítulo Intervalo desta unidade.

Planejamento do texto Baseiem-se nos seguintes fatos:

1. Roberto, meio assustado, vai para o sótão com o Fantasma. Explica que está esperando sua garota para irem juntos a um baile de máscaras e que não quer que ela morra de medo. O fantasma promete não assustá-la. Diz querer conhecê-la, mas ficará invisível.

Quirky images of people and places N. America and Europe/Moment/Getty Images

Para você aprofundar seus conhecimentos sobre teatro e técnicas teatrais, sugerimos: O teatro explicado aos meus filhos, de Barbara Heliodora (Agir); O que é teatro?, de Fernando Peixoto (Brasiliense); Teatro brasileiro do século XX, de Samira Youssef Campedelli (Scipione); 200 exercícios e jogos para o ator e o não ator com vontade de dizer algo através do teatro, de Augusto Boal (Civilização Brasileira); Iniciação ao teatro,, de Sábato Magaldi (Ática); O livro do ator, ator de Flavio de Souza (Companhia das Letrinhas); O teatro no mundo, de Pierre Marchand (Melhoramentos).

Companhia das Letrinhas

Teatro: quer saber mais?

2. Jorge e Emília conversam na sala, tentando achar uma forma de se livrar do fantasma. A campainha toca. Margô chega e o casal vai cuidar do jantar.

3. Roberto e o Fantasma voltam para a sala. O Fantasma, invisível, senta-se em uma poltrona. 4. Roberto diz a Margô que a fantasia dela está ótima e pergunta se ela trouxe a dele. Margô diz que a fantasia de esqueleto que queria lhe trazer já tinha sido alugada e, então, trouxe um lençol para ele ir fantasiado de fantasma. O Fantasma cai do sofá, exclamando “Que coincidência!”. Roberto começa a discutir com Margô sobre a fantasia, dizendo-lhe que lençol não é fantasia adequada para um fantasma. Margô lhe pergunta desde quando ele virou uma autoridade no assunto. Roberto lhe responde que desde que viu um. Ela lhe diz para não ser bobo e vai se sentar na poltrona onde está o Fantasma. Roberto, agoniado, lhe diz para não sentar lá. Ela quer saber por quê, e ele lhe pergunta se ela gostaria de ver um fantasma. Ela diz que sim e que não tem medo de nada quando está junto dele. O Fantasma fica visível. Margô se lança nos braços de Roberto com um grito. O Fantasma se apresenta a Margô.

5. Jorge e Emília voltam à sala. Jorge pergunta a Margô sobre o pai, dizendo-lhe que travarão uma batalha definitiva pela casa. Margô diz que o pai logo virá e que sente muito pelo fato de o pai estar sendo tão teimoso em relação à casa. O Fantasma diz a Margô que agora a casa também é o lar dele, que ele gosta do lugar e não tem a menor intenção de se mudar. O Fantasma convida Roberto para irem ao sótão a fim de verificar se a sonoplastia está funcionando. O Fantasma diz ao Jorge que ele e Margô vão ser bons amigos e poderão se ajudar mutuamente.

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6. A campainha toca. Jorge vai atender à porta. Entra em cena o sr. Souza. • Imaginem outros fatos que possam acontecer no contexto da história, a partir da entrada do sr. Souza em cena.

• Comecem a continuação da cena, reproduzindo a última fala do texto lido. Coloquem o nome das personagens antes de suas falas e procurem dar ao diálogo um dinamismo que mostre o clima da situação em que estão as personagens. Se possível, insiram nas rubricas de movimento e de interpretação informações que tornem engraçados alguns momentos da cena. O desfecho pode se dar por meio de um fato inesperado. Observem se a variedade linguística empregada é adequada às personagens e ao contexto.

Revisão e reescrita Antes de passarem o texto a limpo, releiam-no, observando:

• se o diálogo mostra o desenvolvimento das ações e seu desfecho; • se há indicação de cenário e se as rubricas de movimento e de interpretação estão indicadas com letras de tipo diferente;

• se a linguagem está adequada às personagens e ao contexto.

Para escrever com expressividade O DISCURSO CITADO (I) Volkswagen/AlmapBBDO

Leia este anúncio:

(http://www.putasacada.com.br/wp-content/uploads/2013/09/kombi_despedida_almap.jpg)

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1. Releia o enunciado principal do anúncio: “Vai aí a Kombi. Em breve, em nenhuma concessionária perto de você.” a) Lido isoladamente, o enunciado é diferente dos que em geral se encontram em anúncios publicitários que visam promover veículos. Reescreva-o, deixando-o parecido com o que se espera ver em anúncios publicitários desse tipo. Vem aí a Kombi. Em breve, em uma concessionária perto de você. b) Após ler o texto que está em letras menores na parte inferior do anúncio, compreende-se o motivo do inesperado enunciado. Qual é esse motivo? O fato de a Kombi estar em sua última versão, isto é, ela não será mais fabricada.

2. Releia este trecho: “já vai sair sem computador de bordo, sem airbag, sem freios ABS, sem painel touchscreen” Tendo em vista que se trata de um anúncio publicitário, responda: Que ela não tem computador de bordo, nem airbag, nem freios ABS, nem painel touchscreen. b) É possível considerar que o anúncio depõe contra o produto que anuncia?Não.

a) Quais características da Kombi são salientadas?

c) Levante hipóteses: Qual a relação entre a finalidade do anúncio e o destaque dado a essas características da Kombi? O anúncio pretende ressaltar as características antigas da Kombi a fim de salientar que se trata de um veículo histórico, que atravessou décadas e que foi um marco na história do automobilismo.

3. Os anúncios publicitários têm, em grande parte, finalidade comercial. Levando em conta que não é a Kombi que o anunciante pretende promover, levante hipóteses: O que o anúncio promove? O anúncio promove a marca do fabricante, Volkswagen, procurando transmitir a ideia de que seus veículos têm muita qualidade e, por isso, são aceitos há décadas.

4. Como se vê, os sentidos dos enunciados não dependem apenas de elementos internos ao texto, isto é, das palavras e da ordem sintática em que elas são dispostas, mas também de fatores externos. Considerando o anúncio lido, conclua: Que fatores externos contribuem para construir o sentido dos enunciados?O enunciador, o destinatário, o momento histórico em que o enunciado chega ao destinatário e a sua finalidade, entre outros.

O texto, o contexto e o discurso Toda vez que pro­du­zi­mos um texto, oral ou escri­to, não o faze­mos de modo auto­má­ti­co. Sempre leva­ mos em conta a situa­ção ou con­tex­to em que ele é pro­du­zi­do. Dessa situa­ção, além da pes­soa que fala ou escre­ve, par­ti­ci­pam fato­res como: a quem se fala ou se escre­ve, com que fina­li­da­de, qual o gêne­ro mais ade­qua­do a essa fina­li­da­de, qual a varie­da­de lin­guís­ti­ca mais ade­qua­da ao gêne­ro e ao inter­lo­cu­tor, etc. A esse con­jun­to de fato­res que com­põem a situa­ção na qual é pro­du­zi­do o texto cha­ma­mos con­tex­ to dis­cur­si­vo. E ao con­jun­to da ati­vi­da­de comu­ni­ca­ti­va, ou seja, o texto e o con­tex­to dis­cur­si­vo, juntos, cha­ma­mos dis­cur­so.

Discurso é a ati­vi­da­de comu­ni­ca­ti­va — cons­ti­tuí­da de texto e con­tex­to dis­cur­si­vo — capaz de gerar sen­ti­do desenvol­vi­da entre inter­lo­cu­to­res. O discurso não pode ser compreendido apenas como uma junção de palavras e frases; faz parte dele todo o contexto discursivo, isto é, quem fala, para quem, com que finalidade, etc.

O discurso citado Geralmente supomos que nossos textos são originais e únicos e que expressam apenas a nossa voz. Na verdade, não há texto inteiramente original, pois as palavras que utilizamos já foram utilizadas anteriormente por outras pessoas em outros textos, com sentidos diversos, e fazem parte de uma rede de discursos que se cruzam a todo momento nas interações em nossa sociedade.

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Ao falar ou escrever, ainda que não percebamos, estamos sempre dialogando com outras vozes e outros discursos com os quais temos ou tivemos contato. Em uma conversa cotidiana, por exemplo, quando damos um conselho que julgamos ser nosso, estamos quase sempre reproduzindo o que ouvimos de nossos pais ou amigos ou lemos em um livro, jornal, revista, etc. O discurso citado em linguagens não verbais

Fernando Gonsales

O discurso citado pode ocorrer também em linguagens não verbais ou mistas. Na tira de Fernando Gonsales, por exemplo, o conto maravilhoso Branca de Neve é citado por meio da pergunta feita pela coruja ao espelho mágico.

(Folha de S. Paulo, 8/1/2014.)

O discurso citado nos textos ficcionais

Leia o texto a seguir, observando nele a presença e a convivência de vários discursos.

Alexandre Camanho

Dois velhinhos Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo. Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora. Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro: — Um cachorro ergue a perninha no poste. Mais tarde: — Uma menina de vestido branco pulando corda. Ou ainda: — Agora é um enterro de luxo. Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela. Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo. Cochilou um instante — era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo. (Dalton Trevisan. Mistérios de Curitiba. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 110.)

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1. Nesse texto, notamos a presença de três vozes explícitas: a do narrador e as falas de dois velhinhos. As falas de um dos velhinhos são reproduzidas integralmente. Identifique essas falas e os sinais de pontuação utilizados para introduzi-las. — Um cachorro ergue a perninha no poste. / — Uma menina de vestido branco pulando corda. / — Agora é um enterro de luxo. / Todas as falas são introduzidas por travessão.

2. Observe estes trechos: “Com inveja, perguntava o que acontecia.” “Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.” Neles, a voz da personagem não aparece integralmente. No primeiro trecho, o narrador é quem conta como foi o diálogo e, no segundo, ele parece saber o que se passa no pensamento da personagem. Dê uma ou mais sugestões de reescrita para os dois trechos, utilizando a forma direta. Entre outras possibilidades: — O que está acontecendo lá fora?, perguntava com inveja. / “Aposto que ele não revela tudo”, pensava desconfiado.

3. O comportamento do segundo velhinho, em relação ao companheiro de quarto, mostra que alguns discursos comuns em nossa sociedade povoavam seu imaginário. Quais são esses discursos? Quem tem privilégios não quer abrir mão deles. A informação pode assegurar vantagens e, portanto, deve ser valorizada e não pode ser compartilhada. A situação alheia é sempre melhor do que a nossa. É preciso ver para crer.

4. A reprodução integral de diálogos no texto lido não ocorre por acaso; ela tem uma função. a) Faça uma experiência: reconte essa história a um colega, passando para a forma indireta as falas que estão na forma direta. Você, fazendo o papel de narrador, é quem contará ao colega o que as personagens disseram. b) Compare o texto original com o texto que você produziu. Qual deles é mais expressivo? Espera-se que os alunos percebam que o texto original é mais expressivo.

c) Conclua: Qual é a finalidade de reproduzir integralmente as falas das personagens em um texto ficcional? A reprodução integral das falas das personagens torna a narrativa mais viva, permitindo ao leitor sentir de forma mais intensa os fatos narrados.

No dis­cur­so dire­to, a fala das per­so­nagens é reproduzida inte­gral­men­te no dis­cur­so nar­ra­ti­vo, conservan­do a forma de expres­são empregada por elas: tempo ver­bal, pronomes, etc. Ele é geral­men­te intro­du­zi­do por tra­ves­são ou delimitado por aspas. No dis­cur­so indi­re­to, a fala das per­so­na­gens é repro­duzi­da pelo nar­ra­dor, o que pro­vo­ca nela alte­ra­ções quan­to a pes­soa, tem­pos ver­bais e pro­no­mes e o empre­go das pala­vras que ou se.

A esco­lha de um tipo de dis­cur­so ou de outro depen­de do tipo de texto que se pro­duz e da fina­li­da­de que o autor tem em vista. Em ane­do­tas, por exem­plo, o uso do dis­cur­so dire­to torna a nar­ra­ção mais dinâ­mi­ca e viva e, assim, mais diver­ti­da. Por outro lado, quan­do con­ta­mos oral­men­te a ­alguém uma con­ver­sa que tive­mos com outra pes­soa, geral­men­te ten­de­mos a empre­gar o dis­cur­so indi­re­to, pois repro­du­zir todo o diá­lo­go pode tor­nar a nar­ra­ção longa e can­sa­ti­va.

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EXERCÍCIOS 1. Indique o tipo de discurso, direto ou indireto, empregado nos textos: a)

‘Estrago à imagem do Brasil já foi feito’, afirma britânico

No título, há discurso direto em “Estrago à imagem do Brasil já foi feito”; no texto que vem na sequência, há discurso indireto no trecho “Copa expõe ao mundo [...] projetos de infraestrutura”.

Repórter da revista `Economist´ diz que Copa expõe ao mundo a falta de habilidade do país para grandes projetos de infraestrutura. (Folha de S. Paulo, 15/6/2014.)

b)

O homem trocado O homem acorda da anestesia e olha em volta. Ainda está na sala de recuperação. Há uma enfermeira do seu lado. Ele pergunta se foi tudo bem. — Tudo perfeito — diz a enfermeira, sorrindo. — Eu estava com medo desta operação... — Por quê? Não havia risco nenhum. — Comigo, sempre há risco. Minha vida tem sido uma série de enganos... [...]

discurso direto: as falas antecedidas por travessões; discurso indireto: “Ele pergunta se foi tudo bem.” (Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 27.)

c) Ricardo Dantas

— Foi duro aprender a andar de bicicleta? — Andar de bicicleta, não. Duros eram os muros e as árvores. discurso direto: as duas falas do texto (Fabrice Lelarge. 365 piadas — Para crianças a partir de 7 anos. Barueri-SP: Girassol, 2006.)

2. O emprego do discurso direto nas anedotas, além de tornar o ato de contar mais dinâmico, direto e engraçado, faz a situação relatada ficar mais parecida com situações reais. Na anedotinha a seguir, o trecho em discurso direto foi transformado em discurso indireto. Reescreva-a, empregando o discurso direto. Para isso, isole a fala do narrador e use o travessão para introduzir as falas das personagens.

Um homem compra ingressos para o teatro. O homem da bilheteria pergunta se é para “Romeu e Julieta”. O comprador responde que não, não, e diz que é para a mulher dele e para ele mesmo. (Fabrice Lelarge, op. cit.) Um homem compra ingressos para o teatro. / — É para “Romeu e Julieta”? — pergunta o homem da bilheteria. / — Não, não! É para a minha mulher e para mim mesmo.

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A língua em foco O SUJEITO INDETERMINADO CONSTRUINDO O CONCEITO

Fernando Gonsales

Leia esta tira, de Fernando Gonsales:

(Disponível em: http://alehand.wordpress.com/tag/niquel-nausea/. Acesso em: 17/6/2014.)

1. Nas frases “Fui abduzido” e “Seres estranhos injetaram substâncias em mim”: a) Qual é o sujeito da forma verbal fui?eu (desinencial) b) Em que pessoa está a forma verbal injetaram? A qual termo da oração ela se refere? Qual é a função sintática desse termo na oração da tirinha?3ª pessoa do plural. / Ela se refere a Seres estranhos. / Sujeito.

2. Na frase “Me colocaram numa nave vermelha”: a) Em que pessoa está a forma verbal colocaram?3ª pessoa do plural. b) Esse verbo se refere a um sujeito já mencionado anteriormente?Não. c) Nesse contexto, é possível determinar o sujeito da ação verbal?Não.

3. No 2º quadrinho da tira, é possível identificar os responsáveis pela “abdução” do cachorro. a) Quem são eles?Os donos do cachorro. b) Além da fala da personagem, há no 2º quadrinho um elemento não verbal que permite deduzir o que o cachorro identificou como “nave vermelha”. Qual é esse elemento?O carro vermelho. c) Conforme se deduz da fala do homem no 2º quadrinho, quem seriam os “seres estranhos” a que o cachorro se refere no 1º quadrinho?Os funcionários da clínica veterinária que aplicaram vacina nele.

4. Levante hipóteses: Por que o cachorro, ao contar como foi levado à clínica, emprega uma frase em que o sujeito é indeterminado? Porque ele ficou tão traumatizado com a vacinação, que se esqueceu de que quem o levou para a clínica foram seus próprios donos.

CONCEITUANDO Na tira, o cachorro, transtornado, não lembra quem o levou à clínica. Assim, ao relatar o que ocorreu, emprega o verbo na 3ª pessoa do plural, ou seja, sem fazer referência a uma pessoa determinada. Veja:

“Me colocaram numa nave vermelha!”

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Fernando Gonsales

Nesse caso, o sujeito do verbo é indeterminado.

Sujeito inde­ter­mi­na­do é aque­le que não apa­re­ce expres­so na ora­ção nem pode ser iden­ti­fi­ca­do, ou por­que não se quer ou por se des­co­nhe­cer quem pra­ti­ca a ação. Na lín­gua por­tu­gue­sa, inde­ter­mi­na-se o sujei­to de duas for­mas:

• colo­can­do-se o verbo (ou o auxi­liar, se hou­ver locu­ção ver­bal) na 3ª pes­soa do plu­ral: Telefonaram para você hoje cedo.

Estão tele­fo­nan­do para você desde cedo.

• empre­gan­do-se o pro­no­me se junto com ver­bos intran­si­ti­vos, tran­si­ti­vos indi­re­tos e de liga­ção na 3ª pes­soa do sin­gu­lar:

Fala-se muito dos efei­tos dos raios infraver­me­lhos. (verbo intran­si­ti­vo) Precisa-se de pro­fis­sio­nais com­pe­ten­tes. (verbo tran­si­ti­vo indi­re­to) Era-se mais calmo anti­ga­men­te. (verbo de liga­ção) O pro­no­me se, nesse caso, rece­be o nome de índi­ce de inde­ter­mi­na­ção do sujei­to.

Não confunda sujeito desinencial com sujeito indeterminado A moldura deste retrato em vão prende suas personagens. Estão ali voluntariamente, saberiam — se preciso — voar.

Thinkstock/Getty Images

Os versos a seguir são do poema “Retrato de família”, de Carlos Drummond de Andrade. Leia-os.

Poderiam sutilizar-se no claro-escuro do salão, ir morar no fundo de móveis ou no bolso de velhos coletes  [...] O retrato não me responde, ele me fita e se contempla nos meus olhos empoeirados. (Reunião. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. p. 118. © Granã Drummond.)

Observe que, nas duas primeiras estrofes, o sujeito das formas verbais estão, saberiam e poderiam é desinencial, e não indeterminado. Isso porque elas se referem a personagens, elemento mencionado no verso “em vão prende suas personagens”. Já em enunciados como “Estão procurando você” ou “Chamarão você para uma entrevista”, sem outras informações complementares, o sujeito não é desinencial, e, sim, indeterminado, uma vez que o locutor não sabe ou não quer identificar quem realiza as ações.

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EXERCÍCIOS Leia o poema a seguir, de Affonso Romano de Sant’Anna, e responda às questões de 1 a 3.

Texto futuro O que vão descobrir em nossos textos, não sabemos. Temos intenções, pretensões inúmeras. Mas o que vão descobrir em nossos textos, não sabemos. Desamparado o texto, desamparado o autor, Alexandre Camanho

se entreolham, em vão. Órfão, o texto aguarda alheia paternidade. Órfão, o autor considera entre o texto e o leitor — a desletrada solidão. (Intervalo amoroso e outros poemas escolhidos. Porto Alegre: L&PM, 1999.)

1. Identifique e classifique os sujeitos das seguintes formas verbais presentes no poema: a) sabemos nós – desinencial

c) aguarda o texto – simples

b) temos nós – desinencial

d) considera o autor – simples

2. Há, no poema, dois verbos na 3ª pessoa do plural. a) Quais são eles? vão, entreolham(-se) b) Identifique, se possível, e classifique o sujeito de cada um deles. vão: sujeito indeterminado; entreolham(-se): o texto e o autor – sujeito composto

3. Explique o papel do sujeito indeterminado na construção de sentidos no poema. O poema faz referência a uma leitura que será feita no futuro. Assim, a opção do eu lírico pela indeterminação do sujeito é coerente, uma vez que não está ao alcance dele saber quem serão, no futuro, esses leitores.

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4. Reescreva as fra­ses a ­seguir, inde­ter­mi­nan­do o sujei­to das ora­ções. Empregue o verbo na 3ª pes­soa do plu­ral. Veja o exem­plo:

Saí com meu irmão hoje. Saíram com meu irmão hoje. a) A aluna ganhou prê­mios no sor­teio. Ganharam prê­mios... b) Contei o que acon­te­ceu comi­go no colé­gio. Contaram o que acon­te­ceu... c) Minha amiga ras­gou a minha cami­sa no jogo. Rasgaram a minha cami­sa... d) Eu tro­pe­cei na esca­da rolan­te. Tropeçaram na esca­da...

5. Reescreva as fra­ses a seguir, empre­gan­do o verbo na 3ª pes­soa do sin­gu­lar + o pro­no­me se. Veja o exem­plo: Neste colé­gio, os alu­nos estu­dam em dois tur­nos. Neste colé­gio, estu­da-se em dois tur­nos. a) Nesta situa­ção, ela pre­ci­sa de cola­bo­ra­ção. Nesta situação, precisa-se de cola­bo­ra­ção. b) Os pro­fes­so­res acre­di­tam na edu­ca­ção do país. Acredita-se na edu­ca­ção do país. c) As pes­soas falam muito sobre a vio­lên­cia no mundo. Fala-se muito sobre... d) Os alu­nos pen­sam muito nas f­ érias. Pensa-se muito nas f­érias.

Ziraldo

Leia a tira a s­ eguir, de Ziraldo, e res­pon­da às ques­tões de 6 a 8.

(O Menino Maluquinho – As melho­res tiras. Porto Alegre: L&PM, 1995. p. 42.)

6. O Menino Maluquinho e seus ami­gos vão ao cine­ma. No 2º qua­dri­nho, eles opi­nam sobre o filme visto. Na fala das per­so­na­gens apa­re­cem três for­mas ver­bais: ado­rei, morri, cho­rei. Qual é o tipo de sujei­to des­sas for­mas ver­bais? sujei­to desi­nen­cial (eu)

7. Há, na tira, duas ora­ções cujos sujei­tos são inde­ter­mi­na­dos. Quais são elas? “quan­do afo­ga­ram ele” e ”e ainda dizem que é filme de ter­ror!”

8. A situa­ção mos­tra­da na tira é infor­mal e, por isso, as per­so­na­gens uti­li­zam uma lin­gua­gem colo­quial. Como fica­riam as fra­ses a ­seguir caso a situa­ção exi­gis­se o empre­go da norma-­padrão for­mal? a) Cê viu o Jason? Você viu o Jason?

b) “Quase cho­rei quan­do afo­ga­ram ele!” Quase cho­rei quan­do o afo­ga­ram!

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O SUJEITO INDETERMINADO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO

Jean Galvão

Leia esta tira, de Jean Galvão:

1. O 1º quadrinho da tira retrata uma sala de aula. Levante hipóteses: Qual era o assunto da aula? Justifique sua resposta. Provavelmente Tipos de sujeito, porque há conhecidas frases usadas como exemplo nas aulas que abordam esse tópico. Além disso, no último quadrinho a personagem emprega a expressão sujeito indeterminado.

2. Observe as orações que estão no quadro-negro. a) Qual é a predicação dos verbos precisar e assistir no contexto? Ambos são transitivos indiretos. b) Caso o professor quisesse analisar a função sintática dos termos de empregados e a bons filmes, o que deveria anotar no quadro? Por quê? Os dois termos desempenham a função de objeto indireto dos verbos a que se ligam,

3. Observe que a oração “Vende-se casas” está riscada e sobre ela há uma seta. Com base em seus conhecimentos gramaticais, interprete as anotações do quadro-negro e responda:

Jean Galvão

pois complementam verbos transitivos indiretos.

Provavelmente porque ela não está de

a) Por que a expressão está riscada? acordo com a norma-padrão, já que há um problema de concordância.

b) Caso essa construção fuja à norma-padrão, que alterações deveriam ser feitas para que ficasse de acordo com ela? Vendem-se casas. c) Com a seta, o professor chamava a atenção dos alunos para qual aspecto gramatical? Provavelmente para a concordância que deveria haver entre o verbo e o sujeito (casas).

d) Em que tipo de voz verbal está a 3ª oração? Voz passiva.

4. Se a aula tratava de tipos de sujeito da oração, responda: As três orações apresentam o mesmo ti­po de sujeito? Justifique sua resposta. Não, pois nas duas primeiras orações o sujeito é indeterminado e, na última, o sujeito é determinado simples (casas).

5. Observe o 2º e o 3º quadrinhos. a) O que a aparência do rapaz sugere quanto ao seu estado? Por que ele teria ficado desse jeito? Sugere que a aula foi pesada, difícil, cheia de conceitos e que ele está cansado.

b) Por que o garoto, ao chegar em casa, se identifica como “sujeito indeterminado”? Provavelmente porque queria fazer uma brincadeira com a mãe e porque estava com a cabeça cheia dos conceitos que aprendeu.

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SEMÂNTICA E DISCURSO Subaru

Leia o anúncio abaixo e responda às questões de 1 a 4.

(Disponível em: http://www.putasacada.com.br/wp-content/uploads/2014/01/zmais-subaru2.jpg. Acesso em: 30/5/2014.)

1. No trecho “Dizem que no futuro os homens vão viajar por teletransporte”, identifique: a) o sujeito da forma verbal dizem; indeterminado b) o sujeito da forma verbal vão viajar. os homens

2. A finalidade do anúncio publicitário é, geralmente, promover um produto. a) Que produto esse anúncio promove? Um automóvel. b) A quem é atribuída a autoria da afirmação de que no futuro as viagens acontecerão por teletransporte? Justifique sua resposta. A ninguém especificamente, uma vez que o sujeito da forma verbal dizem é indeterminado. c) Qual é a opinião do anunciante sobre viajar por teletransporte? A de que será “muito chato”.

3. A parte não verbal do anúncio mostra a imagem bem nítida de um carro em uma paisagem ligeiramente embaçada. Quais efeitos de sentido são construídos por essa diferença de nitidez entre a sentido é o de que o carro é muito veloz e, conforme ele corre, a paisagem é vista de imagem do carro e a da paisagem? Um relance. Outro é o destaque dado ao design do modelo, que é o foco do anúncio.

4. Considerando as partes verbal e não verbal do anúncio, responda: a) Por que, na opinião do anunciante, viajar por teletransporte seria “muito chato”?

Porque com um bom carro, rápido e confortável como o anunciado, viajar não é um problema e, sim, uma situação prazerosa e sem desperdício de tempo.

b) Levante hipóteses: Por que o anunciante optou pela indeterminação do sujeito na frase em que há a forma verbal dizem? Professor: Pode haver mais de uma resposta adequada. Sugestão: Talvez para sugerir que há grande possibilidade de a afirmação não ser verdadeira; que pode se tratar de um “boato” ou de uma utopia. Com a afirmação iniciada por dizem, a ideia de que o teletransporte pode acontecer fica enfraquecida.

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5. O emprego do sujeito indeterminado é muito comum em situações em que o falante tem, por algum motivo, a intenção de não se referir a uma pessoa específica. Por exemplo, se um dos moradores de uma casa diz a seus familiares “Usaram a minha toalha de banho”, ele espera que alguém assuma o que fez ou se justifique. Há, a seguir, alguns textos com sujeito indeterminado. Considerando cada contexto, identifique a intenção do falante ao empregar esse tipo de sujeito. a)

Um amigo seu chega, no meio da turma toda, e diz a você com ar misterioso:

Seu amigo quis deixar a turma curiosa e você constrangido.

— Mandaram dizer que é pra você esperar no lugar de sempre. Os alunos estão jogando bola no pátio da escola. De repente, começa uma discussão. Dois meninos se atracam e os outros ficam incentivando a briga. Um dos que assistiam ao jogo corre para avisar o inspetor de alunos.

Ricardo Dantas

b)

— Seu Marcos, estão brigando lá no pátio. — Quem está brigando?

O garoto não quer se comprometer diante dos colegas, não quer ser “dedo-duro”.

— Não sei, não. Só sei que virou uma confusão. c)

Um grupo de meninas está conversando. A Gisele faz parte do grupo. De repente, chega mais uma menina e diz com ar maroto:

Santiago

— Estão querendo saber o número do celular da Gisele. Digo qual é? A intenção é provocar suspense.

(Santiago. Tinta Fresca. Porto Alegre: L&PM, 2004. p. 42.)

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CAPÍTULO

2

O humor vai à mesa Durante muitos anos, os pais determinam o que os filhos podem e não podem comer. Mas chega uma hora em que os filhos querem alforria, querem decidir sozinhos como se alimentar. É nesse momento que nascem conflitos, que só podem ser contornados com muita compreensão e... muito humor.

Sopa de macarrão

Roberto Weigand

O filho olha emburrado o prato vazio, o pai pergunta se não está com fome. — Com fome eu tô, não tô é com vontade de comer comida de velho. Lá da cozinha a mãe diz que decretou — De-cre-tei! — que ou ele come legumes e verduras, ou vai passar fome. — Não quero filho meu engordando agora para ter problemas de saúde depois. Só quer batata frita e carne, carne e batata frita! Ela vem com a travessa de bifes, o pai tira um, ela senta e tira outro, o filho continua com o prato vazio. — Nos Estados Unidos — continua ela — um jornalista passou um mês só comendo a tal fast-food, engordou mais de seis quilos! — E como é que ele aguentou um mês comendo isso?! — pergunta o pai, o filho responde: — Porque ele é gostoso! — E pega com nojo uma folhinha de alface, põe no prato e fica olhando como se fosse um bicho. A mãe diz que é preciso ao menos experimentar para saber o que é ou não gostoso, e o pai diz que, quando era da idade dele, comia cenoura crua, pepino, manga verde com sal, comia até milho verde cru. — E devorava o cozido de legumes da sua avó! E essa alface? Pra comer, é preciso botar na boca... O filho enfia a alface na boca, mastiga fazendo careta, pega um bife, a mãe pula na cadeira, pega o bife de volta: — Não-senhor! Só com salada pra valer, arroz, feijão, tudo! Ele continua olhando o prato vazio, até que resmunga: — Se vocês sempre comeram tão bem, como é que acabaram barrigudos assim? O pai diz que isso é da idade, o importante é ter saúde. — E você, se continuar comendo só fritura, carne, doce e refrigerante, na nossa idade vai pesar mais de cem quilos! — No Japão — resmunga ele — podia ser lutador de sumô e ganhar uma nota.

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Album Cinema/Latinstock

— E no Natal — cantarola a mãe — vai ser Papai Noel, né? E A dieta do palhaço Rei Momo no carnaval... Morgan Spurlock, dire— Não tripudie — diz o pai. — Ele ainda vai comer de tudo. tor do filme Super Size Me, Quando eu era menino, detestava sopa. Aí um dia minha mãe a dieta do palhaço, decide fez sopa com macarrão de letrinhas, passei a gostar de sopa! ser a cobaia de uma experiO filho pergunta o que é macarrão de letrinhas, o pai exência: alimentar-se apenas em restaurantes da rede plica. Ele põe na boca uma rodela de tomate, o pai e a mãe troMcDonald’s, realizando neles cam um vitorioso olhar. O pai faz voz doce: três refeições ao dia por um — Está descobrindo que salada é gostoso, não está? mês. Durante a realização da — Não, peguei tomate pra tirar da boca o gosto nojento de experiência, documentada alface, mas acabo de descobrir que tomate também é nojento. no filme, o diretor fala sobre a cultura do fast-food nos Es— Mas catchup você come, não é? Pois é feito de tomate! tados Unidos, além de mos— E ele também não come ovo — emenda a mãe — mas trar em si mesmo os efeitos come maionese, que é feita de ovo! físicos e mentais que os aliO filho continua olhando o prato vazio. mentos servidos nesse tipo — Coma ao menos feijão com arroz — diz o pai. de restaurante provocam. Ele pega uma colher de feijão, outra de arroz, dizendo que viu um filme onde num campo de concentração só comiam assim pouquinho, só o suficiente pra sobreviver... Mastiga tristemente, até que o pai lhe bota o bife no prato de novo, mas a mãe retira novamente: — Ou salada ou nada! Sem chantagem sentimental! O pai come dolorosamente, a mãe come furiosamente, o filho olha o prato tristemente. Depois a mãe retira a comida, ele continua olhando a mesa vazia. Na cozinha, o pai sussurra para ela: — Mas ele comeu duas folhas de alface, não pode comer dois pedaços de bife?!... Ela diz que de jeito nenhum, desta vez é pra valer; então o pai vai ler o jornal mas, de passagem pelo filho, pergunta se ele não quer um sanduíche de bife – com salada, claro. Não, diz o filho, só quer saber uma coisa da tal sopa de letras. O pai se anima: — Pergunte, pergunte! — Você podia escrever o que quisesse com as letras no prato? — Claro! Por que, o que você quer escrever? — Hambúrguer, maionese e catchup. É teimoso que-nem o pai, diz a mãe. Teimoso é quem teima comigo, diz o pai. O filho vai para o quarto, só sai na hora da janta: sopa de macarrão. Então vai escrevendo e engolindo as palavras: escravidão, carrascos, nojo, e enfim campo de concentração: campo de prisioneiros de guerra. escreve amor, o pai e a mãe lacrimejam, mas rosbife: carne bovina bem-tostada por fora e malcozida ele explica: na parte central, servida em fatias. — Ainda não acabei, tá faltando letra pra tripudiar: mostrar alegria por uma vitória, desmerecendo o adversário. escrever: amo rosbife com batata frita... (Domingos Pellegrini. Crônica brasileira contemporânea. São Paulo: Salamandra, 2005. p. 210-3.)

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Estudo do texto COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO 1. O texto apresenta uma família à mesa, na hora do almoço. Porém, há um conflito: o filho está com fome, mas não tem vontade de comer “comida de velho”. a) O que ele chama de “comida de velho”? Legumes e verduras. b) Qual é a comida preferida dele? Batata frita e carne.

2. Cada uma das personagens assume uma atitude diante do conflito, o que revela muito sobre elas. Leia o que elas dizem e caracterize-as com um dos adjetivos a seguir. a) a mãe: “— Não-senhor! Só com salada pra valer, arroz, feijão, tudo!” inflexível b) o pai: “— Não tripudie [...] Ele ainda vai comer de tudo.” conciliador c) o filho: “— Não, peguei tomate pra tirar da boca o gosto nojento de alface, mas acabo de descobrir que tomate também é nojento.” teimoso

conciliador(a)   inflexível   teimoso(a)   condescendente

3. Releia este trecho, do início do texto: “Lá da cozinha a mãe diz que decretou — De-cre-tei! — que ou ele come legumes e verduras, ou vai passar fome.” Decretar equivale a promulgar lei, ordenar, mandar. Logo, na situação do

a) O que o verbo decretar expressa nessa situação? texto, o verbo expressa uma atitude impositiva ou autoritária da mãe, que assume a posição de autoridade máxima na resolução do problema.

b) O emprego desse verbo nessa situação confirma ou nega sua resposta no item a da questão anterior? Por quê? Confirma, porque decretar é uma atitude que revela falta de flexibilidade.

4. A mãe não quer que o filho engorde e tenha problemas de saúde mais tarde. Para convencê-lo, ela usa diferentes recursos, entre eles a informação, a ironia e a ação direta. Observe estes trechos:

•  “a mãe pula na cadeira, pega o bife de volta” •  “­— E no Natal [...] vai ser Papai Noel, né? E Rei Momo no carnaval...” •  “um jornalista passou um mês só comendo a tal fast-food, engordou mais de seis quilos!” Qual dos trechos exemplifica a tentativa de convencer: a) pela informação? O trecho em que a mãe cita a experiência do jornalista. b) pela ironia? O trecho em que a mãe cita o Papai Noel e o Rei Momo. c) pela ação direta? O trecho em que o narrador descreve o gesto da mãe de tirar o bife do prato do menino.

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5. Diante da pressão que recebe, o filho também se vale de diferentes recursos para convencer os pais. Observe estes argumentos:

•  “— Se vocês sempre comeram tão bem, como é que acabaram barrigudos assim?” •  “— No Japão [...] podia ser lutador de sumô e ganhar uma nota.” •  “— Porque ele é gostoso!” •  “num campo de concentração só comiam assim pouquinho, só o suficiente pra sobreviver...” a) Desses argumentos, qual é o único que tem relação direta com as preferências alimentares do menino? Porque ele é gostoso! b) Qual deles procura esvaziar o forte argumento da preocupação com a saúde? Se vocês sempre comeram tão bem, como é que acabaram barrigudos assim?

c) Qual deles tenta provocar remorso nos pais? O último.

6. O pai, por duas vezes, relembra hábitos alimentares de sua infância. a) Como eram esses hábitos? Com que finalidade ele os cita?O pai comia todo tipo de legume e de sopa com macarrão de letrinhas. Ele cita esses hábitos para tentar convencer e seduzir o filho.

b) Um dos hábitos do pai atraiu o interesse do menino. Qual foi ele? Por que o menino ficou interessado? A sopa de macarrão de letrinhas; o menino ficou interessado não porque pretendesse comer a sopa, mas porque pretendia escrever com as letras o nome dos alimentos de que gostava: hambúrguer, maionese e catchup.

comer, oferecendo-lhe sopa de macarrão de letriA mensagem de que os pais estão agindo como carrascos e nhas. de que ele se sente um escravo, sem liberdade para optar.

a) Que mensagem o filho tenta transmitir aos pais com as palavras que escreve?

Roberto Weigand

7. No jantar, os pais tentam novamente fazer o filho

b) Uma das palavras formadas pelo menino no prato parece ser uma tentativa de trégua e reconciliação com os pais. Qual é essa palavra? amor

c) Por que a complementação dessa palavra provoca humor no final do texto? Porque se percebe que a

atitude do menino não se altera, ou seja, ele insiste em comer comidas que engordam.

8. O texto “Sopa de macarrão” é uma crônica humorística. Quase sempre, além de provocar o riso, o texto de humor também faz críticas. Que críticas Critica a falta de diálogo ou de comunicação entre pais o texto lido faz? e filhos ou a dificuldade que gerações diferentes têm de compreender uma à outra.

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A LINGUAGEM DO TEXTO 1. Observe este enunciado do texto: “O pai come dolorosamente, a mãe come furiosamente, o filho olha o prato tristemente.” O enunciado é formado por três orações, que apresentam estrutura sintática semelhante: sujeito + verbo + advérbio de modo (dolorosamente, furiosamente, tristemente). Considerando a situação vivida pelas personagens, explique o efeito de sentido que essa construção e o emprego dos advérbios produzem no enunciado. A semelhança das orações propicia a comparação quanto ao modo como cada uma das personagens reage diante da situação.

2. A expressão fast-food é de origem inglesa e designa a alimentação de preparo e consumo rápidos, principalmente lanches. a) Que outras palavras de origem estrangeira aparecem no texto para designar elementos da culinária?catchup, hambúrguer e rosbife, do inglês, e maionese, do francês b) De que país, principalmente, vem, na atua­lidade, a influência sobre nossos hábitos alimentares? Dos Estados Unidos.

3. A palavra mas é empregada várias vezes no texto. a) Que sentido essa palavra expressa: de adição, de oposição, de explicação ou de causa?

De oposição.

b) Considerando o assunto do texto e o diálogo mantido entre as personagens, como você justifica tantas repetições dessa palavra? A palavra mas marca a oposição de ideias e, como há na situação retratada um choque de interesses, é natural que ela seja empregada muitas vezes.

4. A expressão que-nem, utilizada em “É teimoso que-nem o pai”, é bastante empregada na linguagem coloquial. a) Que sentido ela tem nessa situação? Comparação. b) Que outra palavra ou expressão poderia substituí-la? como, tal qual

LEITURA EXPRESSIVA DO TEXTO Junte-se a três colegas e façam a leitura expressiva do texto. Um deve ler as falas do narrador, outro as do pai, outro as da mãe e outro as do filho. Deem uma entonação adequada à voz das personagens, a fim de caracterizá-las psicologicamente e expressar a maneira autoritária da mãe, a conciliatória do pai, a triste ou irônica do filho. Professor: Se não dispuser do tempo necessário para a leitura do texto todo, sugerimos promover a leitura de parte dele. Feita a leitura em grupo, convide um ou dois grupos para ler para toda a classe.

Trocando ideias 1. No texto “Sopa de macarrão”, o filho diz que não quer comer “comida de velho”. Você também acha que existe comida de velho e comida de jovens?

2. Para convencer o filho, a mãe cita a experiência de um jornalista americano que passou um mês comendo lanches e engordou seis quilos (leia o boxe “A dieta do palhaço”). a) Você considera esse tipo de informação eficaz para mudar o comportamento alimentar dos jovens? b) O menino contra-argumenta, alegando que esse tipo de alimento, o fast-food, é gostoso. O que fazer para conciliar o alimento saudável com o alimento gostoso?

3. Algumas iniciativas oficiais têm procurado impedir que lanchonetes escolares ofereçam aos alunos alimentos excessivamente gordurosos e buscado incentivar a substituição deles por alimentos mais saudáveis, como, por exemplo, frutas. O que você acha disso?

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ler é diversão

Um grupo de mulheres numa festa. Uma delas propõe: — Se vocês fossem dar notas, de um a dez, a cada homem nesta festa, que notas vocês dariam? — Bom, para aquele ali eu daria um três... — Espere um pouquinho. Aquele é meu marido. — Ai, desculpe. — Ele merece pelo menos um quatro. — E aquele ali? — Aquele eu conheço. É muito bonito. Nota sete. — Eu conheço melhor que você. Além de bonito, é simpático. Nota oito. — Esperem. Eu conheço melhor do que vocês duas. Além de bonito, é simpático, e inteligente. Nota dez. [...] — E aquele? Tem um carro que é uma beleza. Uma Mercedes. Nota dez! — Olha, ele vem vindo pra cá. — Alô, meninas! — Oi, nós estávamos falando em você. Naquela sua Mercedes bárbara... — Não tenho mais a Mercedes. — Ah, não? — Com o preço da gasolina, resolvi trocar por um carro menor e mais econômico. O homem se afasta. — Você tem razão. Ele é um dez. — Dez, nada. É dois. — Mas você disse dez! — Dez era o conjunto. Dois ele, oito a Mercedes. [...]

Estúdio BRx

Coquetel

(Luis Fernando Verissimo. Novas comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: L&PM, 1999. p. 160-1.)

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Produção de texto O TEXTO TEATRAL ESCRITO (II) Reúna-se com seus colegas de grupo e escolham uma das seguintes propostas para a produção de um texto teatral.

1. Há, a seguir, duas descrições de cenário. Escolham uma delas e escrevam uma cena de texto teatral. Introduzam personagens no cenário ou caracterizem melhor as que já aparecem. Façam indicações de interpretação e de movimentação em cena, de cenário, de figurino, etc. Ilustrações: Estúdio BRx

Cenário 1 Noite. É o aniversário de dez anos de Kal e todos vão dormir na casa dele. Kal, Mal, Boff, Ro, Tilly e Jaz sentam-se em semicírculo de frente para a plateia. [...] A luz está apagada, mas cada um tem uma lanterna acesa. Os raios de luz brilham no quarto. (Caco Barcellos, David Farr, Marcelo Rubens Paiva, Judith Johnson. Conexões 2007 – Nova dramaturgia para jovens. São Paulo: Célia Helena Teatro Escola. p. 182.)

Cenário 2 O cenário é o interior do “Refúgio” do papai, um escritório espaçoso com biblioteca, poltrona do papai, talvez um barzinho discreto, bergère, etc., um lugar agradável, em suma. Folhinha na mesa marca 31 de outubro – sábado. Personagens: papai (seu Felipe); mamãe (dona Lídia); Hilda (cozinheira supersticiosa); Davi (jovem de uns 17 anos); Su (jovem de uns 16 anos); Zequinha (menino de uns 9-10 anos). (Ao abrir o pano estão em cena apenas Davi e Su. Davi está no alto duma escada, acabando de pendurar um cordão com “decorações” para “o dia das bruxas”: máscaras dentudas, bruxas montadas em vassouras, abóboras recortadas – tudo em papelão pintado. Su o observa, segurando na mão um gato preto de papelão, de tamanho maior que o natural, sem rabo – vários rabos para o gato estão na sua outra mão, junto com uma caixinha de percevejos.) (“Isola”. In: Teatro da Juventude. São Paulo: Secretaria da Cultura, Esportes e Turismo/Comissão Estadual de Teatro, 1968. p. 47.)

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2. O roteiro a seguir inclui fatos, personagens, lugar e tempo. Criem uma cena de texto teatral com base nesses elementos e acrescentem outros que julgarem necessários.

• Fato: entrevista de emprego. • P ersonagens: uma moça de uns 25 anos, alegre e educada; uma babá de mais ou menos 40 anos, com um tique qualquer, que se veste com elegância e fala carregando nos esses; uma senhora esnobe, elegantemente vestida, de uns 60 anos, mãe da moça.

• Lugar: uma sala com móveis modernos. • Tempo: época atual; à tarde. 3. Criem uma cena teatral com cenário, personagens, fatos, tempo e lugar imaginados por vocês.

Planejamento do texto • Planejem o que vão escrever: que novas personagens podem ser incluídas, como as ações vão se encaminhar para criar um conflito entre as personagens e prender a atenção da plateia, como encaminhar o conflito para um desfecho triste ou alegre, etc.

• Procurem dar dinamismo ao diálogo, criando um clima de tensão crescente entre as personagens. Insiram rubricas de movimento e de interpretação. Lembrem-se de observar se a variedade linguística empregada é adequada às personagens e ao contexto.

• Revisem e reescrevam a cena teatral que criaram, seguindo as orientações que se encontram na página 23.

• Depois de concluído, façam a leitura dramática da cena para a classe, acompanhando as orientações apresentadas a seguir. Se quiserem, encenem depois o texto na mostra Fazendo cena, proposta no capítulo Intervalo.

PantherMedia/Design Pics/Glow Images

Revisão e reescrita

Leitura dramática 1. Formem um grupo com um núme­ro de inte­ gran­tes igual ao núme­ro de per­so­na­gens do texto. Cada com­po­nen­te do grupo deve ler o texto indi­vi­dual­men­te pelo menos uma vez.

2. Façam, em grupo, uma segun­da lei­tu­ra do texto, em voz alta, cada aluno lendo as falas de uma per­so­na­gem. Leiam pro­cu­ran­do ter uma com­preen­são mais ampla do texto e um domí­nio maior da his­tó­ria.

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3. A par tir da terceira leitura, comecem a buscar a representação, isto é, comecem a transformar a leitura em ação. Lembrem-se: o ator é um fingidor, alguém que cria ilusões. a) Para uma boa inter pre ta ção, ana li sem e debatam o comporta mento psi co ló gi co de cada perso na gem: quais são seus desejos; que fatos ou que perso na gens se contrapõem a eles; como ela reage, etc. b) Em seguida, cada um deve buscar a melhor forma de interpretar sua personagem. c) Considerem a pontuação do texto e as rubricas de interpretação. d) Não deixem cair a entonação no final das frases. Observem como falam os locutores de rádio e televisão e procurem imitá-los. e) Se julgarem necessário, marquem o texto com pausas para respiração e destaquem os verbos das frases para dar um apoio maior à inflexão de voz. f) Para ajudar no volume da voz, imaginem — como fazem no meio teatral — que na última fileira do teatro há uma velhinha meio surda e que vocês devem representar para ela.

4. Depois que cada um dos integrantes do grupo tiver encontrado a expressão própria de sua personagem, façam a leitura dramática do texto para uma plateia convidada.

Para escrever com expressividade O DISCURSO CITADO (II)

A complicada arte de ver

Filipe Rocha

No capítulo anterior, você viu que os discursos direto e indireto são importantes recursos para a organização das vozes no interior de um texto narrativo e para a criação de certos efeitos de sentido. Agora vamos conhecer mais a fundo esses tipos de discurso, examinando-os do ponto de vista gramatical. Leia este texto, de Rubem Alves:

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões — é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

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Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver”. (www.pensador.info/autor/Rubem_Alves/2/. Acesso em: 3/5/2010.)

1. O texto apresenta a voz do narrador e as vozes das personagens. a) Em que tipo de discurso são reproduzidas as falas das personagens? No discurso direto. b) Nesse discurso, quem são os locutores? A paciente e o psicanalista, que também é o narrador. c) Quais são os elementos do texto que permitem identificar as personagens? paciente: “deitou-se no divã”; psicanalista/narrador: “esperando o meu diagnóstico”

2. Veja agora outra forma, em discurso indireto, em que poderia estar a fala inicial de uma das personagens:

Ela entrou, deitou-se no divã e disse que achava que estava ficando louca. a) Na passagem do discurso direto para o discurso indireto, que alteração sofreu o verbo achar? O verbo passou do presente do indicativo para o pretérito imperfeito do indicativo.

b) O que aconteceu com o verbo achar, quanto à pessoa gramatical? Passou da 1ª pessoa do singular (eu) para a 3ª pessoa do singular (ela).

c) Que palavra nova foi introduzida na frase? A conjunção integrante que.

Na passagem do discurso direto para o discurso indireto, ocorrem alterações gramaticais importantes. Os verbos apresentados no presente do indicativo, por exemplo, passam para o pretérito im­perfeito, os pronomes na 1ª pessoa são substituídos por pronomes da 3ª pessoa e torna-se ne­cessária a utilização de um novo verbo, do tipo chamado dicendi, para introduzir a fala do locutor. Verbos dicendi são os verbos que indicam o ato de falar e o modo como se fala: dizer, pedir, exclamar, su­plicar, esbravejar, etc. Veja, no quadro a seguir, as principais transformações que ocorrem na passagem do discurso di­reto para o indireto, e vice-versa. VERBOS Discurso direto

Discurso indireto

Verbo no presente do indicativo O impostor afirmou: — Suspeito de todos.

Verbo no imperfeito do indicativo O impostor afirmou que suspeitava de todos.

Verbo no pretérito perfeito do indicativo A esposa confirmou: — Meu marido não esteve em casa ontem.

Verbo no mais-que-perfeito do indicativo A esposa confirmou que seu marido não estivera (tinha estado) em casa no dia anterior.

Verbo no futuro do presente O rapaz garantiu: — Eu levarei as compras para o senhor daqui a pouco.

Verbo no futuro do pretérito O rapaz garantiu que levaria as compras para ele dali a pouco.

Verbo no presente do subjuntivo — Não quero que venha mais aqui, em minha casa — disse-lhe o vizinho.

Verbo no imperfeito do subjuntivo O vizinho disse-lhe que não queria que ele viesse mais ali, em sua casa.

Verbo no imperativo — Faça-me um favor. Não espalhe — pediulhe a vítima.

Verbo no imperfeito do subjuntivo A vítima pediu-lhe que ele lhe fizesse um favor. Não espalhasse.

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PRONOMES Discurso direto

Discurso indireto

eu, nós, você(s), senhor(a)(s) O rapaz sussurrou: — Eu sei de tudo.

ele(s), ela(s) O rapaz sussurrou que ele sabia de tudo.

meu(s), minha(s), nosso(a)(s) — Minha mãe vai gostar deste livro — disse o garoto, entusiasmado.

seu(s), sua(s), dele(a)(s) O garoto, entusiasmado, disse que sua mãe iria gostar daquele livro.

este(a)(s), isto, isso — Eu vivo nesta casa! — gritou.

aquele(a)(s), aquilo Ele(a) gritou que vivia naquela casa. ADVÉRBIOS

Discurso direto

Discurso indireto

hoje, ontem, amanhã — Ontem não nos encontramos no horário de sempre — disse eu.

naquele dia, no dia anterior, no dia seguinte Ela disse que no dia anterior não se encontra­ram no horário de sempre.

aqui, cá, aí — Não volto mais aqui — disse a criança.

ali, lá A criança disse que não voltava mais lá.

EXERCÍCIOS Leia a anedota:

Ricardo Dantas

O cara chegou à bilheteria do cinema, apontou o revólver e disse: — O filme é péssimo. Me devolve o dinheiro. — Não precisa disso, abaixe o revólver. Eu devolvo seu dinheiro. E o assaltante: — Não, senhora. O filme é ruim demais. Me devolve o dinheiro de todo mundo.

(Ziraldo. As últimas anedotinhas do Bichinho da Maçã. São Paulo: Melhoramentos, 1988. p. 10.)

1. O humor da anedota é construído a partir da associação entre a qualidade do filme e a devolução do dinheiro. Explique como se dá essa associação. O assaltante usa a qualidade do filme como pretexto para assaltar o cinema e, apoiado nesse pretexto, chama o assalto de devolução de dinheiro.

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2. O diálogo entre a bilheteira do cinema e o homem está transcrito em discurso direto. Reescreva o texto em discurso indireto.

... cinema, apontou o revólver e disse que o filme era péssimo e, por isso, queria que lhe devolvessem o dinheiro. A bilheteira disse que não precisava daquilo e pediu que ele abaixasse o revólver, pois lhe devolveria o dinheiro. O homem disse que não, pois o filme era ruim demais e, por isso, queria de volta o dinheiro de todo mundo.

3. Leia o texto a seguir e depois reescreva-o, passando os trechos que estão em discurso indireto para discurso direto e vice-versa.

O doutor Buarque puxou meu tio pelo braço, pra eu não escutar. Não adiantou nada, eu cheguei mais perto. Ele disse que a vó estava inconsciente há dois dias. A única coisa que ele podia fazer era dar uma injeção pra ela não sofrer mais. Uma beata levantou e falou que ele fizesse isso, então, pra ela poder descansar em paz, se era isso que Deus queria. Intrometi: — Não, doutor, pede pra Deus esperar um tiquinho, que eu ainda quero perguntar uma coisa pra ela. ... mais perto. Ele disse: — A vó está inconsciente há dois dias. A única coisa que eu posso fazer é dar uma injeção pra ela não sofrer mais. (Leo Cunha. Pela estrada afora. 17. ed. São Paulo: Atual, 2004. p. 30.) Uma beata levantou e falou: — Faça isso, então, pra ela poder descansar em paz, se é isso que Deus quer. Eu me intrometi, dizendo que não e que o doutor pedisse a Deus pra esperar um tiquinho, que eu ainda queria perguntar uma coisa pra ela.

4. Leia o texto a seguir. Depois, reescreva o último parágrafo, passando o discurso indireto para o discurso direto. Faça as adaptações necessárias.

Atire a primeira pedra quem nunca passou horas em frente ao espelho ensaiando como se declarar para o grande amor. Ou quem nunca usou o pobre cachorrinho da vizinha como desculpa para puxar papo. Para evitar possíveis vexames e melhorar seu repertório, o livro “Eu preciso dizer que te amo” pode ajudar com boas dicas de como se declarar para alguém. [...].

Ricardo Dantas

O cachorrinho tem telefone?

O autor Paulo Tadeu diz que ao selecionar as citações sua ideia era a de fazer um livro para quem namora — mas os apaixonados que não namoram (ainda) também podem fazer bom uso delas. Disse que queria transmitir uma mensagem sobre o amor e achou que há bons exemplos no cinema e na literatura, por isso resolveu reuni-los.

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(Samia Mazzucco. Folha de S. Paulo, 3/5/2010. Folhateen, p. 10.) O autor Paulo Tadeu diz: — Ao selecionar as citações, minha ideia era a de fazer um livro para quem namora — mas os apaixonados que não namoram (ainda) também podem fazer bom uso delas. Diz ainda: — Queria transmitir uma mensagem sobre o amor e acho que há bons exemplos no cinema e na literatura, por isso resolvi reuni-los.

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A língua em foco A ORAÇÃO SEM SUJEITO CONSTRUINDO O CONCEITO Cedraz

Leia este cartum:

(Cedraz. “A turma do Xaxado”. Central de tiras. São Paulo: Via Lettera, 2003. p. 64.)

1. A tira mostra atitudes diferentes diante do mesmo fenômeno. A que se deve essa diferença de atitudes? Ao fato de o fenômeno ocorrer em regiões diferentes, com climas diferentes, e de as pessoas terem expectativas diferentes com relação à chuva.

2. Há, na tira, uma palavra que está grafada de uma forma em um quadrinho e de outra forma no outro quadrinho. Qual é essa palavra? O que explica a diferença de grafia?

É a palavra que. Ela está grafada na forma qui no segundo quadrinho para indicar um traço de pronúncia de uma variedade linguística regional.

3. No 1º quadrinho, a personagem diz: “vem chuva!!”. a) Escreva, no caderno, uma expressão equivalente ao que a personagem disse, empregando:

• uma locução verbal; vai chover • apenas um verbo. choverá b) Na expressão empregada pela personagem, qual é o sujeito? chuva c) Nas expressões equivalentes à usada pela personagem, a ação indicada pelos verbos refere-se a algum sujeito? Não.

4. O verbo correr, empregado nos dois quadrinhos da tira, tem dois sentidos diferentes. Quais são esses sentidos? correr da chuva (para não se molhar) / correr na direção da chuva (para recolher água)

CONCEITUANDO Ao responder às questões anteriores, você pôde constatar que:

• há orações em que a declaração expressa pelo predicado é atribuída ao sujeito: Aí vem chuva! / A chuva vem aí!

• há orações em que a declaração expressa pelo predicado não pode ser atribuída a nenhum ser: Vai chover! / Choverá! Nesse último caso, trata-se de oração sem sujeito. Observe que o verbo é impessoal, isto é, ele não se refere a nenhum sujeito, e é empregado na 3ª pessoa do singular.

Oração sem sujeito é aquela em que a declaração expressa pelo predicado não é atribuída a nenhum ser.

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Verbos impessoais Os verbos impessoais, como não têm sujeito, são sempre usados na 3ª pessoa do singular. Os principais são:

• o s que indicam fenômenos da natureza: chover, nevar, trovejar, anoitecer, fazer (frio, calor), entardecer, etc.

Trovejou o dia inteiro.

• o verbo haver com o sentido de “existir”: Havia alunos por toda a escola. (havia = existiam)

Faz tempo que ele passou por aqui. Há meses fiz um curso de inglês. Vai para um mês que ele viajou para o sul.

Dave Zubraski/Alamy/Glow Images

• os verbos fazer, haver e ir, quando indicam tempo decorrido:

• o verbo ser, quando indica tempo: Já era muito tarde quando ele chegou do trabalho.

EXERCÍCIOS

Qual é a diferença entre biscoito “cream cracker” e biscoito “água e sal”? A mais criativa: Nenhuma, os dois biscoitos enganam o consumidor. O cream cracker não é cremoso, e o água e sal também não é só feito de água e sal!

Thinkstock/Getty Images

Todos os meses, a revista Mundo Estranho faz uma pergunta aos seus leitores. Aqueles que enviam a resposta considerada a mais correta e a mais criativa ganham um ano de assinatura da revista e têm sua resposta publicada. Leia a seguir as melhores respostas de leitores a uma dessas perguntas. Depois responda às questões 1 e 2.

(L. D., Santo André, SP.)

A mais correta: Tecnicamente, não há diferença alguma, já que apresentam exatamente os mesmos ingredientes e as informações nutricionais coincidem em cada grama. (V. S. A., Belo Horizonte, MG.) (Mundo Estranho, nº 80.)

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1. Na resposta considerada “a mais correta”, há uma oração sem sujeito. a) Identifique essa oração. Tecnicamente, não há diferença alguma b) Nessa oração, qual é o termo que funciona como objeto direto? diferença alguma

2. Em relação à oração “Tecnicamente, não há diferença alguma”, responda: a) Como ela ficaria, caso substituíssemos o verbo haver por existir?

... não existe diferença alguma

b) Na nova oração, que função sintática a expressão diferença alguma passaria a ter? A função de sujeito.

© 2014 King Features Syndicate/Ipress

3. Leia a tira:

(Folha de S. Paulo, 19/1/2014.)

a) Imagine que Helga, ao tentar acordar Hagar, tivesse dado a ele outras razões. Complete as seguintes possíveis falas dela, fazendo a concordância adequada do verbo indicado.

•  Já  oito horas. (ser) são

•  Já  meio-dia. (ser) é

•  Agora  muito frio. (fazer) faz

b) Reescreva a fala de Hagar, do 2º quadrinho, substituindo o verbo ter:

•  pelo verbo existir; Não existe alguma mobília...

•  pelo verbo haver. Não há alguma mobília...

c) Passando-se para o plural, na fala de Hagar, a expressão alguma mobília velha, como ficariam os verbos existir e haver, se fossem empregados no lugar da forma verbal tem? Respectivamente, existem e há.

Garfield, Jim Davis © 2013 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick

4. Leia a tira:

(Folha de S. Paulo, 31/12/2013.)

a) Reescreva a frase que aparece no balão do 3º quadrinho da tira, substituindo a forma verbal há pelo verbo fazer. Eu já devia ter feito isso faz anos. b) Complete adequadamente o seguinte enunciado, empregando há ou a. a / Com expressão indicativa de tempo futuro, em vez de empregar o verbo Farei isso novamente daqui  dois anos. haver, emprega-se a preposição a. c) Autoavaliação é uma avaliação que alguém faz de si mesmo, considerando seus erros e acertos em certo período da vida. Pela conclusão a que a personagem chega no 2º quadrinho, pode-se considerar que ela fez realmente uma autoavaliação? Resposta pessoal.

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A ORAÇÃO SEM SUJEITO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia este poema, de Chacal:

rápido e rasteiro aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida.

Alexandre Camanho

vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar.

(In: Italo Moriconi, org. Os cem melhores poemas brasileiros do século.. São Paulo: Objetiva, 2001. p. 271.)

1. No primeiro verso do poema, observa-se um uso particular do verbo ter. a) Qual é esse uso? O emprego de ter com o sentido de haver. b) Reescreva o verso, substituindo a locução vai ter pelo verbo haver no futuro. haverá uma festa c) Passe para o plural a oração que você escreveu no item anterior. Depois responda:

• O verbo haver sofre modificação? Haverá festas. / Não, o verbo permanece como estava. • O verbo haver concorda com algum termo dessa oração? Não. • Logo, há sujeito nessa oração? Não. 2. Observe as formas verbais da segunda estrofe do poema: paro

tiro

danço

a) Elas concordam com algum termo das orações a que pertencem? Em caso de resposta afirmativa, com qual termo? Sim. / Concordam com o sujeito eu. b) Há sujeito nas orações em que as formas verbais estão? Em caso de resposta afirmativa, classifiO uso de que no verso “que que os sujeitos. Sim. / aí eu paro: eu – sujeito simples / tiro o sapato: eu – sujeito desineneu vou dançar” em vez de cial / e danço o resto da vida: eu – sujeito desinencial

3. O poema lido tem uma linguagem simples, muito próxima da de uma conversa. a) Que palavras e expressões empregadas no poema comprovam essa afirmação?

na qual; a grafia pra em vez de para no terceiro verso; o uso do conectivo temporal aí no primeiro verso da segunda estrofe.

b) Explique a relação entre o emprego do verbo ter, e não de haver, no primeiro verso, e esse tipo de linguagem. O emprego de ter com o sentido de haver não é recomendado pela norma-padrão, mas é de uso corrente no cotidiano, em situações informais.

4. A simplicidade do poema não está só na linguagem, mas também no assunto. O eu lírico afirma que vai dançar “até o sapato pedir pra parar”. a) No contexto do poema, a expressão empregada pelo eu lírico significa dançar muito ou pouco? Por quê? Significa dançar muito, pois o sapato “pedir pra parar” indica que ele ficaria acabado com a dança. b) No verso “aí eu paro”, qual expectativa é criada? Essa expectativa se confirma? c) Certas características do eu lírico ficam evidenciadas nos dois últimos versos do poema. Quais são elas? X • animado X • bem-resolvido

• triste • influenciável

X • radiante • cabisbaixo 4b. É criada a expectativa de que o eu lírico iria parar de X • feliz dançar, o que não se confirma, pois ele promete continuar dançando, mesmo sem sapato.

5. Observe agora o título do poema. A quem podem ser atribuídas as qualidades correspondentes aos adjetivos rápido e rasteiro? Justifique sua resposta.

Ao eu lírico, pois ele mostra disposição para resolver rapidamente uma dificuldade (o “pedido do sapato” para parar) e retomar logo os passos da dança.

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Ogilvy

SEMÂNTICA E DISCURSO Leia o anúncio ao lado e responda às questões 1 e 2.

1. O anúncio promove uma marca de desodorante. a) Em destaque, vemos uma pirâmide, com vários objetos. Quais são esses objetos? Um desodorante, um sapato, um perfume, um pente, um batom, um delineador, um relógio, um anel ou brinco.

b) Na sua opinião, o anúncio é voltado ao público masculino ou feminino? Por quê? Ao público feminino, pois os

objetos que fazem parte da pirâmide são utilizados por mulheres. Professor: Comente com os alunos que a revista Estilo Natural,, na qual foi publicado o anúncio, é voltada ao público feminino.

2. Em relação ao enunciado verbal que está no centro do anúncio: a) Qual é o sujeito da oração “não há produção”? Justifique sua resposta. É uma oração sem sujeito, pois o verbo haver, quando empregado com o sentido de “existir”, é impessoal.

b) Explique a relação entre esse enunciado e a posição do desodorante na pirâmide. c) Você acha que o argumento do anunciante é convincente, principalmente para o público feminino?Resposta pessoal.

2. b) O desodorante é a base da pirâmide. Se o tirarmos da base, tudo vem abaixo. Com isso, o anunciante dá a entender que não adianta a mulher caprichar na produção da aparência se não tiver a proteção que o desodorante dá.

(Estilo Natural, out. 2003.)

3. Leia estes versos:

Mas sob o sono dos séculos Como uma chuva de pétalas Como se o céu vendo as penas Morresse de pena

Jefferson Galdino

amanheceu o espetáculo

E chovesse o perdão. (Chico Buarque. Marola Edições Musicais, 1969.)

Como você sabe, os verbos que exprimem fenômenos da natureza são impessoais e, portanto, as orações em que são empregados não têm sujeito. Há casos, entretanto, em que esse princípio é desrespeitado. Observe o emprego dos verbos amanhecer e chover no texto. a) Qual é a predicação deles? Ambos são verbos intransitivos. b) Qual é o sujeito a que cada um deles se refere? o espetáculo (de amanhecer); o perdão (de chover) c) Por que, nesse contexto, esses verbos deixaram de ser impessoais? Porque eles estão empregados em sentido figurado.

4. Crie frases empregando como pessoais, isto é, com sujeito, os verbos trovejar, orvalhar, anoitecer e garoar.

Resposta pessoal.

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de OLHO na escrita

EMPREGO DA LETRA S (I) Leia este poema, de Elias José:

Tem tudo a ver A poesia tem tudo a ver com tua dor e alegrias, com as cores, as formas, os cheiros, os sabores e a música do mundo. A poesia tem tudo a ver com o sorriso da criança, o diálogo dos namorados, as lágrimas diante da morte, os olhos pedindo pão. A poesia tem tudo a ver com a plumagem, o voo e o canto, a veloz acrobacia dos peixes, as cores todas do arco-íris, o ritmo dos rios e cachoeiras, o brilho da lua, do sol e das estrelas, a explosão em verde, em flores e frutos. A poesia — é só abrir os olhos e ver — tem tudo a ver com tudo.

and Weig erto Rob

(Disponível em: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_infantil/elias_jose.html. Acesso em: 2/5/2014.)

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1. Identifique no poema palavras que apresentam o som /s/ (“sê”).

alegrias, as, cores, formas, cheiros, dos, namorados, lágrimas, olhos, todas, arco-íris, rios, cachoeiras, estrelas, flores, frutos, sol, só, sabores, criança, acrobacia, explosão

2. Em qual(is) dessas palavras o som /s/ (“sê”) é representado, na escrita, pela letra: a) x? explosão b) c/ç? acrobacia, criança c) s? alegrias, as, cores, formas, cheiros, dos, namorados, lágrimas, olhos, todas, arco-íris, rios, cachoeiras, estrelas, flores, frutos, sol, só, sabores

3. Em algumas palavras, a letra s possui som /z/ (“zê”). Identifique essas palavras no texto. poesia, explosão, sorriso

4. Leia as palavras: dissabores

alunissagem

pisciano

velocidade

a) Identifique no texto palavras da mesma família que as palavras acima. Respectivamente: sabores, lua, peixes, veloz.

b) Nas palavras acima, quais são as letras que representam o som /s/ (“sê)? Respectivamente: ss e s, ss, sc, c.

5. O poema fala da própria poesia. Considerando esse contexto, explique o sentido que a expressão tudo a ver tem no título e no decorrer do texto.

Não há assunto preferencial para a poesia, que pode abordar qualquer tema. Assim, todo aspecto da realidade tem afinidade com a poesia, ou seja, a poesia diz respeito a tudo.

Ao responder às questões anteriores, você notou que, no sistema ortográfico da língua portuguesa, o som /s/ (“sê”) pode ser representado, na escrita, por diferentes letras, entre outras x, c, s, sc, sç, ss, e o som /z/ (“zê”) pode ser representado, na escrita, pelas letras s e z, entre outras. Assim, conforme você observou, emprega-se a letra s:

• q  uando a palavra é formada com os sufixos -oso, -osa, que indicam qualidade em abundância, intensidade:

atenciosa

cheiroso

charmosa

furiosa

• nas formas verbais dos verbos pôr e querer e seus derivados: puser

quiser

supusermos

quisermos

Também se emprega a letra s:

• nos sufixos -ês, -esa, que indicam origem, procedência: tailandês

tailandesa

japonês

japonesa

• no sufixo -ense, que indica origem, naturalidade: amapaense

espírito-santense

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EXERCÍCIOS 1. As imagens que seguem são representativas de alguns países. Identifique os países e indique, no caderno, a nacionalidade de seus habitantes. França, francesa

b)

Portugal, portuguesa

c)

Inglaterra, inglesa

Thinkstock/Getty Images

Japão, japonesa

Thinkstock/Getty Images

d)

Thinkstock/Getty Images

DeAgostini/W. Buss/Getty Images

a)

2. No mapa do Brasil abaixo, os pontos destacados correspondem às cidades onde houve jogos na Copa de BIS

2014. Depois de identificar os Estados em que se situam as cidades, responda: Entre os adjetivos pátrios correspondentes a esses Estados, quais terminam em -ense? Escreva-os no caderno. 50° O

EQUADOR

amazonense, cearense, brasiliense, riograndense-do-­ norte, mato-grossense, fluminense, paranaense, sulrio-grandense

Manaus Fortaleza Natal Recife

BRASIL

Salvador Cuiabá

OCEANO ATLÂNTICO

Brasília

OCEANO PACÍFICO E TRÓPICO D

Belo Horizonte

CAPRICÓRNIO

São Paulo

Rio de Janeiro

Curitiba

N

Porto Alegre 0

435 km

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3. Leia cada um dos fragmentos a seguir e complete as frases, flexionando, de acordo com o contexto, o verbo que está destacado. I.

Se você quisesse morar na minha palhoça Fica lá na roça à beira do riachão E à noite tem violão Uma roseira cobre a banda da varanda E ao romper da madrugada

Ilustrações: Estúdio BRx

Lá tem troça, se faz bossa

Vem a passarada abençoar nossa união. [...]

(J. Cascata. ”Minha palhoça”. CD Sílvio Caldas em pessoa. Columbia, 1960.)

• Quando você  morar na minha palhoça, ficarei feliz. quiser • Anos atrás, eu  morar na sua palhoça. quis • Nós nunca  morar na palhoça de meu tio. quisemos II.

Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar; — depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar. [...]

(Cecília Meireles, “Canção”. In: Eliane Zagury. Cecília Meireles. Petrópolis: Vozes, 1973. p. 107.)

• Nós  o nosso sonho em um navio. pusemos • Eles  os seus sonhos em um navio. puseram • Você  o seu sonho em um navio. pôs

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4. Os versos a seguir são do poema “Passeio bacana”, de Tatiana Belinky. Leia-os e substitua os substantivos que estão entre parênteses por adjetivos terminados em oso.

[...] Pesadão e (volume), volumoso Sou (feiura) e não reclamo: feioso Na água me sinto (gosto)! gostoso Estúdio BRx

Hipopótamo eu me chamo. Sou Leão, o (majestade), majestoso Belo Rei dos Animais — Mas também sou (perigo) perigoso E feroz — até demais! Sou enorme, (grandeza), grandioso Mais pareço um mastodonte. Mesmo assim sou (graça): gracioso Eu sou dom Rinoceronte! (Um caldeirão de poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 2007. v. 2. p. 60.)

Disputa acirrada

Venceu 4 partidas. (Se João ganhou 3 partidas, Maria perdeu 3 dos 5 pontos e ficou com 2. Se, no final, ela tinha 10 pontos, isso quer dizer que Maria ganhou 8 pontos, ou seja, venceu 4 partidas.)

Maria e João brincaram de um jogo em que cada vitória valia 2 pontos e 1 ponto era retirado por derrota. Os dois iniciaram a brincadeira com 5 pontos cada um. Depois, João ganhou 3 partidas. No final, Maria tinha 10 pontos. Quantas partidas ela venceu?

Tempo!

Ro be rto We iga nd

Um homem leva 80 minutos para dar uma volta no parque, em sentido horário. No sentido contrário, leva 1h e 20min. Qual é a conclusão? Que ele leva o mesmo tempo nos dois sentidos: (Recreio, nº 625, p. 8-9.) 80 minutos é o mesmo que 1h e 20min.

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CAPÍTULO

3

Riso e humor Muita gente confunde humor com riso, mas são coisas diferentes... Normalmente, nós não rimos de tudo o que é engraçado e nem sempre achamos engraçadas as coisas que nos fazem rir. Às vezes, o humor é descoberta; às vezes, é surpresa; às vezes, é crítica...

Quino Joaquín Salvador Lavado (QUINO).

Leia este cartum, de Quino:

(Potentes, prepotentes e impotentes. Buenos Aires: Ediciones de la Flor, 2011. p. 12.)

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1. O cartum é dividido em três cenas. a) As mesmas personagens aparecem nas três cenas. Quem são elas? Três jardineiros.

b) Em qual das três cenas as personagens exercem sua profissão? Apenas na terceira.

2. Observe os jardins. a) Há diferença na sua preservação?

Sim. Os dois primeiros, ao contrário do terceiro, estão malcuidados, com lixo e com os monumentos deteriorados.

b) Os monumentos da primeira e da segunda cenas representam princípios, valores e virtudes. Identifique-os. Justiça, liberdade, maternidade (ou piedade), amor e pensamento (o pensador).

3. Observe agora o monumento da terceira cena. a) O que ele representa?

A prepotência, a truculência, o poder pela força.

b) Que elementos da estátua indicam o que ela representa? O porte físico, a clava na mão direita, o pé sobre o globo terrestre e o aspecto ameaçador.

c) Na sua opinião, por que apenas o terceiro jardim é bem-cuidado?

A força e a prepotência têm mais importância em nossa sociedade do que os princípios e as virtudes essenciais.

4. Cartum é um tipo de desenho humorístico. No caso do cartum lido, você diria que ele visa apenas provocar o riso? Justifique sua resposta.

Espera-se que os alunos reconheçam que não, pois, além de promover o riso, o cartum lido também leva a uma reflexão crítica acerca dos valores escolhidos pelo ser humano e do abandono dos princípios que devem orientar uma sociedade civilizada.

Produção de texto A CRÍTICA

Um time show de bola Juan José Campanella traz sua nostalgia para o futebol em animação Marcelo Hessel O cinema de nostalgia do diretor argentino Juan José Campanella aceita prontamente o futebol como tema, porque boa parte do mundo da bola vive do memorialismo — o velho terrão e a bola de meia versus o profissionalismo dos craques cosmopolitas e seus megaempresários — da mesma forma que filmes como O Filho da Noiva e Clube da Lua, respostas de Campanella à crise financeira que tirou da Argentina a ilusão da bonança dos tempos do menemismo.

100 BARES/Album/Album Cinema/Latinstock

O texto a seguir é uma crítica, ou resenha crítica, e se refere a um filme de animação do diretor argentino Juan José Campanella. Leia-o.

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Film Factory Entertainment/Courtesy Everett

No início da animação Um Time Show de Bola (Metegol), parece que estamos num bairro tradicional de Buenos Aires parecido com o de O Filho da Noiva, em um daqueles cafés antigos com janela de vitrais na porta. Lá dentro há uma mesa de pebolim (ou totó, ou fla-flu...), cujo campeão inconteste é o jovem introvertido Amadeo. Anos depois de derrotar no jogo o garoto mais metido da vizinhança, Amadeo vê o rival retornar à cidade, agora como um astro mundial do futebol de campo determinado a destruir o café e a mesa de pebolim e construir no lugar um gigantesco estádio para uso próprio. Não deixa de ser irônico ver o longa de Campanella, com sua posição contrária à mercantilização, estrear no Brasil em meio às polêmicas de superfaturamento das obras da Copa do Mundo, mas de qualquer forma Um Time Show de Bola é o tipo de história atemporal como toda peça de nostalgia: numa equipe os mercenários e oportunistas, na outra os defensores de tradições (de família, de cultura). Se Amadeo, seu rival e os demais personagens humanos são pobremente desenvolvidos, em parte é porque têm dificuldade de fugir desses papéis que lhes reservaram. (E desenhar personagens com olhos gigantes para forçar na emotividade é um cacoete de animação dos mais baratos.) A grande graça do filme são os jogadores do pebolim, que ganham vida para ajudar Amadeo em sua aventura. Esses, sim, têm personalidade, embora algumas das piadas façam mais sentido para os argentinos do que para os brasileiros, como a do atacante “Sansão” que perde seu grande trunfo, a cabeleira. Para usar um chavão de boleiro, os personagens-jogadores mostram ter entrosamento suficiente para carregar o filme, e Campanella filma as cenas de ação como um virtuose, em planos sem cortes, que ele havia mostrado justamente na cena de futebol menemismo: referência ao político Carlos Menem, que de seu O Segredo dos Seus Olhos. No mais, há sempre governou a Argentina no período de 1989-99. um charme muito particular nessas animações de mercantilização: dar caráter comercial a certa atividade, aventureiros em miniatura — de Toy Story a Pequepriorizando o lucro. nos Guerreiros — e Um Time Show de Bola se esforça nostalgia: saudade, evocação melancólica do passado. para se filiar a essa linhagem. Só não precisava peSansão: personagem bíblica que extraía sua força extraordinária de seus cabelos. sar tanto a mão nos olhos gigantes. (Disponível em: http://omelete.uol.com.br/cinema/um-time-show-de-bola-critica. Acesso em: 2/6/2014.)

1. A crítica é um gênero textual que tem como finalidade orientar o leitor de um jornal, revista ou site, estimulando-o ou desestimulando-o a consumir um objeto cultural, isto é, um livro, um filme, uma peça de teatro, um concerto de música clássica, um show de rock ou de outro tipo de música, uma exposição de artes plásticas, etc. a) Qual é o objeto cultural em exame nessa crítica?O filme de animação Um time show de bola, de Juan José Campanella. b) Qual foi o objetivo do cineasta Juan José Campanella ao fazer o filme comentado no texto?

Contar, a partir da rivalidade entre dois jogadores de pebolim, uma história em que ocorre uma disputa entre defensores da tradição cultural e adeptos de sua substituição pela cultura da mercantilização.

2. A crítica apresenta uma estrutura relativamente livre, que varia muito, dependendo do autor, do

público e do veículo em que é publicada. Apesar disso, apresenta alguns elementos essenciais, como a descrição do objeto cultural em exame, sua situação no conjunto das obras do autor, diretor ou

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músico, ou das obras de mesma característica, a opinião sobre a qualidade da obra, etc. Em relação à crítica em estudo, responda: a) Animação, em cinema, é uma técnica que permite produzir imagens em movimento a partir de uma série de imagens fixas. Assim, as personagens de uma animação são representadas por atores ou são criadas e desenhadas por uma equipe de profissionais? O mais comum é que as personagens sejam criadas e desenhadas por uma equipe de profissionais.

b) Na introdução do texto, há a afirmação de que o cinema de nostalgia do diretor Juan José Campanella aceita bem o futebol como tema. Como boa parte dos adeptos do futebol, do que o diretor tem nostalgia, ou saudade? Do modo como o futebol era praticado no passado, quando os craques eram despreocupados com o lucro e não estavam, como os de hoje, envolvidos em negócios milionários, internacionais.

3. Em que parágrafo, especificamente, é apresentado um resumo do enredo do filme? No segundo parágrafo, com uma complementação feita no quarto parágrafo.

4. Na descrição do objeto cultural em avaliação, é comum serem destacadas as qualidades e apresentados os possíveis defeitos dele.

O momento em que os jogadores de pebolim ganham

a) Segundo o crítico, qual é o ponto alto da animação? Por quê? vida para ajudar Amadeo em sua aventura. b) O que o crítico aponta como negativo do filme?

O fato de as personagens humanas serem pouco desenvolvidas e os grandes olhos das personagens, característica que o crítico considera pouco original como recurso para provocar emoção.

5. No último parágrafo, além de elogiar a direção do filme, o crítico, empregando a linguagem do futebol, elogia também o roteiro. Quais são esses elogios?

O de que Campanella filma as cenas de ação como um virtuose, o que já fizera em outro filme, e o de que os personagens-jogadores mostram ter entrosamento suficiente para carregar o filme.

6. Uma crítica costuma também contextualizar o objeto cultural em avaliação, situando-o no conjunto das obras do autor ou em relação a outras obras. A crítica lida faz isso quanto à produção do diretor Juan José Campanella? Justifique. Sim, o autor da crítica cita outros filmes de Campanella — O filho da noiva, Clube da Lua, O

7. Observe a linguagem empregada no texto lido. a) Em que tempo estão as formas verbais, predominantemente? No presente do indicativo. b) Que tipo de variedade linguística foi empregada? Uma variedade de acordo com a norma-padrão.

8. A que tipo de público se destina a crítica lida?

©Weinstein Company/Courtesy Everett

segredo dos seus olhos —, estabelecendo alguns pontos de contato entre eles, e também outras animações que lembram o filme criticado — Toy story e Pequenos guerreiros.

A jovens e adultos leitores do site no qual o texto foi publicado originalmente.

9. Uma crítica expressa a opinião do crítico que avalia o objeto cultural. Assim, esse gênero pode ser mais pessoal, o que ocorre quando seu autor se coloca no texto de forma explícita, empregando expressões como Na minha opinião, Eu acho que, Eu penso que, etc., ou pode ser impessoal, o que acontece quando o autor se coloca de forma indireta, empregando a 3ª pessoa. A crítica em estudo é pessoal ou impessoal?Impessoal.

10. A finalidade de uma crítica é avaliar um objeto cultural e orientar a escolha do leitor, estimulando-o a consumir ou não esse objeto. Pelos argumentos apresentados em “Um time show de bola”, você assistiria à animação criticada? Por quê? Resposta pessoal. Professor: Sugerimos comentar com os alunos a importância da crítica, pois, pela divulgação que faz de determinado objeto cultural, ela pode levá-lo ao sucesso ou insucesso.

11. Troque ideias com os colegas e, juntos, concluam: Quais são as características da crítica?

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Trata-se de um texto que informa sobre um objeto cultural, destacando aspectos positivos e negativos dele, com a finalidade de orientar o leitor a consumi-lo ou não. Tem estrutura relativamente livre. Descreve o objeto e avalia seus aspectos mais significativos. Apresenta verbos predominantemente no presente do indicativo e linguagem geralmente impessoal, de acordo com a norma-padrão, mas que pode variar conforme o veículo em que é publicada e o público a que se destina. Professor: Com as conclusões dos grupos, sugerimos montar coletivamente na lousa um quadro com as características da crítica.

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AGORA É A sua

vez

Reúna-se com seus colegas de grupo e escolham uma das seguintes propostas para a produção de uma crítica. Ela será depois publicada no mural ou no jornal da escola, no mural da classe ou no jornal Professor: Se houver tempo, sugerimos propor aos alunos as duas produções. Você poderá trocar entre os grupos os textos produzidos pelos on-line da classe. alunos no capítulo anterior, de modo que todos os textos sejam criticados. Sugerimos também propor a produção de uma crítica coletiva sobre um filme visto na escola ou um livro lido por todos.

1. Façam a crítica de um objeto cultural da preferência de todos: uma peça de teatro em cartaz na cidade, um livro, um filme, um CD, um jogo em CD-ROM, um show musical, um programa de TV, uma exposição de arte.

Paris Filmes

2. Façam a crítica de um dos textos teatrais produzidos pelos colegas nos capítulos anteriores.

Planejamento do texto • Decidam com o professor o suporte em que a crítica será publicada e, considerando a escolha feita, pensem no público para o qual vão escrever.

• Antes de iniciarem a produção do texto, procurem conhecer bem o objeto cultural que será alvo da crítica. Para isso assistam à peça, ao filme, ao show, ao programa de TV, leiam o livro, ouçam o CD, joguem o jogo no computador, visitem a exposição.

• Anotem os dados técnicos do objeto cultural: título, autor(es), diretor(es), atores e outros dados que julgarem importantes.

• Façam também outras anotações que possam ajudar na descrição do objeRCA

to cultural. Por exemplo, caso se trate de livro, anotem trechos interessantes, pensando na possibilidade de citá-los na crítica. Caso seja um filme, observem a atuação de um ou outro ator e estendam sua crítica a esse aspecto. Às vezes, um filme medíocre é salvo por uma atuação excepcional de determinado ator.

• Com base nos dados coletados e sem perder de vista o público-alvo, escrevam uma crítica que estimule o leitor a conhecer ou consumir o objeto analisado.

• Procurem ajustar a linguagem de seu texto ao suporte, ao perfil dos interlocutores e à situação. • Agreguem ao texto imagens (fotografias, ilustrações, reproduções) que o enriqueçam, identifiquem cada uma com legenda e mencionem referências relativas a sua autoria e à obra ou site de onde ela foi extraída.

Antes de finalizarem a crítica e passá-la para o suporte final, releiam-na, observando:

• se o texto apresenta uma descrição do objeto cultural analisado e se destaca seus pontos positivos e negativos;

• se estimula o leitor a conhecer ou consumir o objeto analisado; • se os verbos estão predominantemente no presente do indicativo; • se a linguagem está adequada ao gênero, ao veículo e ao público em vista; • se as imagens estão identificadas e acompanhadas por legendas;

Vergara & Riba

Revisão e reescrita

• se as imagens contribuem para enriquecer o conteúdo da crítica. Façam as alterações necessárias e publiquem a crítica.

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A língua em foco VOZES DO VERBO CONSTRUINDO O CONCEITO

Fernando Gonsales

Leia esta tira, de Fernando Gonsales:

(Níquel Náusea — A perereca da vizinha. São Paulo: Devir, 2005. p. 21.)

1. A tira cita uma fábula conhecida, estabelecendo com ela uma relação de intertextualidade. a) Qual é a fábula citada? A lebre e a tartaruga, de Esopo. b) Na fábula citada, por que a tartaruga vence a corrida?

Porque a lebre, durante o percurso, estando bem à frente da tartaruga, resolve dormir e, quando acorda, a tartaruga já havia vencido a corrida.

A realização de um exame antidoping. Professor: Pergunte aos alunos o que é esse tipo de exame e para que ele é realizado em competições esportivas. d) Por que a tartaruga manifesta surpresa? Professor: Abra a discussão com a classe. Ela pode estar surpresa porque fazer exame antidoping não faz parte da história em que, com a lebre, ela é personagem; ou porque ela de fato pode ter usado algum tipo de droga e, por isso, vai perder o primeiro lugar.

c) Que fato surpreendente e atual modifica a fábula citada?

2. Em relação à frase “Você foi sorteado para o exame antidoping”:

a) Indique o sujeito e o predicado. sujeito: você; predicado: foi sorteado para o exame antidoping b) Quem recebe a ação verbal expressa em foi sorteado? A tartaruga, representada pelo pronome você.

É provável que seja a comissão julgadora, embora essa informação não apareça

c) Levante hipóteses: Quem pratica a ação verbal? na frase. Professor: Chame a atenção dos alunos para o fato de que, no 2º quadrinho, o homem usa uma camiseta com a inscrição “Comissão”. A comissão sorteou você para o exame antidoping.

d) Reescreva a frase, empregando a expressão a comissão como sujeito da oração.

CONCEITUANDO Observe esta oração:

A tartaruga foi sorteada pela comissão para o exame antidoping. Nela, a tartaruga desempenha a função de sujeito, mas não é ela quem realiza a ação verbal. Como a tartaruga é quem sofre a ação expressa pela forma verbal foi sorteada, dizemos que esse termo desempenha função de sujeito paciente. Contudo, se tivéssemos “A comissão sorteou a tartaruga”, o sujeito seria a comissão e se trataria de um sujeito agente. O sujeito ainda pode ser, ao mesmo tempo, agente e paciente da ação verbal. Isso se verifica em orações como “A tartaruga feriu-se”, em que o sujeito pratica e recebe a ação expressa pela forma verbal.

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Veja outros exemplos:

A chuva provocou inundações no centro da cidade. sujeito agente

sujeito paciente

As crianças machucaram-se naqueles brinquedos velhos. sujeito agente e paciente

Fernando Gonsales

As joias foram encontradas no porta-malas do carro pela polícia.

Voz é a forma tomada pelo verbo para indicar a relação entre a ação expressa por ele e o sujeito. Essa relação pode ser de atividade, de passividade ou de atividade e passividade ao mesmo tempo. Assim, as vozes verbais são três: ativa, passiva e reflexiva.

Voz ativa Indica que a ação expressa pelo verbo é praticada pelo sujeito:

A comissão sorteou a tartaruga para o exame antidoping. sujeito agente voz ativa

Voz passiva Indica que a ação expressa pelo verbo é recebida pelo sujeito:

A tartaruga foi sorteada pela comissão para o exame antidoping. sujeito paciente

voz passiva

Como nessa oração o sujeito é paciente, o termo que representa quem realiza a ação verbal (aquele que age) — a comissão — é o agente da passiva.

Agente da passiva é o termo da oração que, na voz passiva, corresponde ao ser que realiza a ação recebida pelo sujeito. Esse termo é sempre introduzido pela preposição por (ou per) e, em alguns casos, por de. Veja outro exemplo:

Os ladrões estavam cercados de policiais. sujeito paciente

agente da passiva

Contraponto O conceito de voz verbal está relacionado com critérios semânticos, ou seja, para determinar a voz, é necessário saber quem realiza a ação verbal: se o sujeito (caso de voz ativa) ou se o agente da passiva (caso de voz passiva). Alguns linguistas, entretanto, têm questionado esses critérios. Por exemplo, a gramática normativa entende que em frases como “O navio afundou” ou “O feijão queimou” existe voz ativa. No entanto, está claro que semanticamente o sujeito mais sofre do que realiza a ação verbal. Apesar dessas divergências, em exames ou outras situações formais, em que esse conhecimento é avaliado, convém adotar a análise tradicional, de acordo com a gramática normativa.

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A voz passiva pode ser:

analítica: formada pelos verbos ser ou estar + particípio do verbo principal + agente da passiva:

A tartaruga foi sorteada pela comissão para o exame antidoping. sujeito paciente

verbo auxiliar + particípio

agente da passiva

s intética: formada por verbo transitivo direto na 3ª pessoa + se (pronome apassivador ou partícula apassivadora) + sujeito paciente:

Sorteou-se a tartaruga. verbo + partícula sujeito apassivadora paciente

Morfossintaxe do agen­te da pas­si­va

Voz reflexiva Indica que a ação expressa pelo verbo é praticada e recebida pelo sujeito:

A garo­ta foi acei­ta pelo grupo. As f­ ichas foram entre­gues por ambos. Sua suges­tão foi rejei­ta­da por todos.

A tartaruga se lava no lago. sujeito

O agen­te da pas­si­va pode ser repre­sen­ta­do por um subs­tan­ti­vo ou uma pala­vra subs­tan­ti­va­da, por um pro­no­me ou por um nume­ral:

voz reflexiva

Atenção Para admitir flexão de voz, o verbo precisa ser transitivo direto ou transitivo direto e indireto. Observe as transformações que ocorrem em uma oração quando há mudança da voz ativa para a voz passiva: Voz ativa

A comissão sorteou a tartaruga.

OD

sujeito agente

Voz passiva analítica

A tartaruga foi sorteada pela comissão.

Voz passiva sintética

Sorteou-se a tartaruga.

sujeito paciente pronome apassivador

agente da passiva sujeito paciente

Conforme se vê, acontecem as seguintes transformações:

• O objeto direto da voz ativa passa a sujeito da voz passiva. • O  tempo do verbo principal (no caso, sorteou, pretérito perfeito do indicativo) é transferido para o verbo auxiliar ser (foi), ao passo que o verbo principal vai para o particípio (sorteada).

• O  verbo no particípio concorda com o sujeito em gênero e número: “A tartaruga foi sorteada” (feminino, singular).

• A  preposição por (ou per) se junta ao sujeito da voz ativa para formar o agente da passiva. • O sujeito é paciente tanto na voz passiva analítica quanto na voz passiva sintética. • O verbo, na voz passiva, concorda com o sujeito paciente. • Na voz passiva sintética nunca há agente da passiva.

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EXERCÍCIOS Leia as manchetes de jornal abaixo para responder às questões de 1 a 4. I.

“Cambistas estrangeiros são detidos em jogo no Maracanã” II.

“Moradores de rua queimam bonecos de Alckmin e Haddad em ato em SP” Nelson Antoine/AP Photo/Glow Images

III.

“Plano Diretor será votado sem pontos polêmicos” (Folha de S. Paulo, 16/6/2014.)

1. Cada manchete é constituída por uma oração. Indique a voz verbal em que está cada oração e identifique seus sujeitos.

I. voz: passiva; sujeito: cambistas estrangeiros / II. voz: ativa; sujeito: moradores de rua / III. voz: passiva; sujeito: Plano Diretor

2. Em relação às orações I e III:

a) O sujeito é responsável pela ação verbal? Não. b) O agente da passiva não está explícito, mas pode ser inferido. Qual poderia ser ele, em cada oração? I. por fiscais ou por policiais – III. por vereadores ou pelas autoridades municipais

c) Passe as orações para a voz ativa, empregando como sujeito o possível agente da passiva de cada uma. Fiscais / Policiais detêm cambistas estrangeiros em jogo no Maracanã / Vereadores / Autoridades municipais votarão Plano Diretor sem pontos polêmicos

3. Em relação à oração II: a) O sujeito é o responsável pela ação verbal? Sim. b) Passe a oração para a voz passiva:

• analítica, transformando o sujeito em agente da passiva; •

Bonecos de Alckmin e Haddad são queimados por moradores de rua em ato em SP analítica, sem agente da passiva; Bonecos de Alckmin e Haddad são queimados em ato em SP

• sintética.

Queimam-se bonecos de Alckmin e Haddad em ato em SP

Professor: Sugerimos chamar a atenção dos alunos para as diferenças de sentido que decorrem da mudança de voz e da explicitação ou omissão do agente da passiva.

4. Discuta com o professor e os colegas e conclua: Quais efeitos de sentido podem ser criados pelo uso da voz ativa ou da voz passiva? A opção pela voz passiva permite que se omita o sujeito e, portanto, o ser ou os seres responsáveis pela ação verbal.

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Leia a notícia a seguir e responda às questões de 5 a 7.

No interior do Amazonas, jogo do Brasil foi assistido em telão de cinema

De uma tela com mais de 10 m² foi que os moradores da cidade de Envira, na Calha do Juruá, no interior do Amazonas, assistiram a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014. O evento foi organizado pela prefeitura municipal e reuniu centenas de torcedores de várias gerações. Eloá, de 13 anos, foi levada pela mãe, Veriam Nascimento, para dar sorte à seleção brasileira. [...]

Dona Antônia Gomes da Silva, de 81 anos, é de outros tempos: antigamente, jogo de Copa do Mundo

Omar Martinez/Mexsport/Fotoarena

Jairo Carioca - da cidade de Envira Amazonas

era ouvido pelo rádio. Ela lembrou que nos anos 70 a geração do futebol foi liderada por Pelé.

(Disponível em: http://www.ac24horas.com/2014/06/12/no-interior-do-amazonas-jogo-e-transmitido-em-telao-de-cinema/. Acesso em: 2/6/2014.)

5. Identifique no texto as orações que estão na voz passiva.

... jogo do Brasil foi assistido em telão de cinema / O evento foi organizado pela prefeitura municipal / Eloá, de 13 anos, foi levada pela mãe... à seleção brasileira. / antigamente, jogo de Copa do Mundo era ouvido pelo rádio. / nos anos 70 a geração do futebol foi liderada por Pelé.

6. Releia as frases a seguir:

• “jogo do Brasil foi assistido em telão de cinema” • “os moradores da cidade de Envira [...] assistiram a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2014.” a) Qual o sentido do verbo assistir nas duas situações? ver b) E qual é sua predicação? Justifique sua resposta com trechos das orações.

Ele foi empregado como verbo transitivo direto, visto que forma voz passiva na 1ª oração (“foi assistido”) e é completado por um objeto direto (“a estreia”) na 2ª oração.

7. Apesar de o verbo assistir, em muitas situações da língua oral e da língua escrita, já estar sendo empregado como transitivo direto, a gramática normativa e muitos dicionários ainda o classificam como verbo transitivo indireto quando apresenta o sentido de ver. a) Troque ideias com o professor e a classe: Se o jornalista quisesse escrever rigorosamente de acordo A primeira frase não com a norma-padrão, como ficariam as duas frases observadas na questão anterior?

seria possível, pois não se forma voz passiva a partir de verbo transitivo indireto, e na segunda deveria haver o sinal indicador da crase: “assistiram à estreia do Brasil”.

b) Você acha que, dado o uso atual do verbo assistir, com sentido de “ver”, as gramáticas deveriam rever a predicação desse verbo?

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Resposta pessoal. É provável que os alunos concluam que sim, pelo fato de ser o uso mais corrente. Professor: Aproveite para chamar a atenção dos alunos para o fato de que essas mudanças são comuns, pois fazem parte da evolução da língua em uso.

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AS VOZES VERBAIS NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia este poema, de Ferreira Gullar:

O açúcar O branco açúcar que adoçará meu café nesta manhã de Ipanema não foi produzido por mim nem surgiu dentro do açucareiro por milagre. Vejo-o puro e afável ao paladar como beijo de moça, água na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar não foi feito por mim.

Roberto Weigand

Este açúcar veio da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira dono da mercearia. Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco ou no Estado do Rio e tampouco o fez o dono da usina. Este açúcar era cana e veio dos canaviais extensos que não nascem por acaso no regaço do vale. Em lugares distantes, onde não há hospital nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome aos 27 anos plantaram e colheram a cana que viraria açúcar. Em usinas escuras, homens de vida amarga e dura produziram este açúcar branco e puro com que adoço meu café esta manhã em Ipanema. (Toda poesia. 18. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. p. 165.)

Para que servem as vozes verbais? As vozes verbais estão diretamente relacionadas à intenção do falante. Quando dizemos “O homem cortou a árvore”, damos destaque ao ho­mem e à sua ação. Quando dizemos “A árvore foi cortada”, o destaque é dado à árvore e à ação que ela sofreu. Assim, se queremos acentuar a ideia de ação, empregamos a voz ativa; se queremos acentuar a ideia de passividade do sujeito em relação à ação, empregamos a voz passiva.

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1. O poema retrata inicialmente uma situação cotidiana: uma pessoa (o eu lírico) vai tomar um café e começa a fazer uma reflexão social sobre o açúcar que adoçará sua bebida. Assim, nasce uma contraposição entre duas realidades: de um lado, o espaço em que é produzido o açúcar e quem o produz; de outro, onde e por quem é consumido esse produto. Se­gundo o texto: a) quem produz e de onde vem o açúcar?É produzido pelos trabalhadores rurais numa usina de Pernambuco ou do Rio de Janeiro. b) onde vive o eu lírico, consumidor desse açúcar, e qual é provavelmente sua classe social? Ele vive em Ipanema (Rio de Janeiro) e provavelmente é um indivíduo da classe média, que predomina nesse bairro carioca.

2. O poema apresenta o emprego tanto da voz ativa quanto da voz passiva. Observe estes versos: “O branco açúcar [...] / não foi produzido por mim” “Mas este açúcar / não foi feito por mim.” a) Em que tipo de voz estão essas orações?voz passiva b) Identifique nelas o agente da passiva. por mim, em ambas c) O termo que é agente da passiva nas orações corresponde a quem produz o açúcar, na vida real? Não; na vida real, o produtor é o trabalhador rural. Professor: Chame a atenção dos alunos para o fato de que o agente da passiva está negado: “não foi produzido por mim”.

3. Observe, agora, estes versos: “homens que não sabem ler e morrem de fome / plantaram e colheram a cana” “homens de vida amarga / e dura / produziram este açúcar” a) Identifique o sujeito das formas verbais plantaram, colheram e produziram e, em seguida, verifique se se trata de sujeito agente ou paciente. plantaram: homens; colheram: eles (desinencial); produziram: homens de vida amarga e dura / São todos sujeito agente.

b) Identifique o tipo de voz em que essas orações estão. voz ativa

4. Observe o sujeito e o verbo destes versos:

“Este açúcar veio / de uma usina de açúcar em Pernambuco” a) Essas orações estão na voz ativa ou passiva?

voz ativa

b) O verbo dessas orações confere ao sujeito uma ideia de agente (o sujeito realiza a ação) ou de paciente (ele sofre a ação que alguém realiza)?

Roberto Weigand

“Este açúcar veio / da mercearia da esquina”

Semanticamente, o sujeito é paciente (o açúcar foi trazido por alguém), apesar de formalmente ser classificado como sujeito agente.

5. Compare a 2ª estrofe com a última. A delicadeza do açúcar, apontada na 2ª estrofe, contrasta com a vida difícil dos trabalhadores dos canaviais. Que palavra(s) da última estrofe contrasta(m) com: a) a ideia de delicadeza da 2ª estrofe?vida dura b) a ideia de doçura do açúcar?vida amarga c) a ideia de claridade do açúcar?usinas escuras

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6. Indique as afirmativas corretas quanto ao papel das vozes verbais na construção do texto: X

a) O eu lírico se coloca às vezes como sujeito agente para indicar que ele é apenas o consumidor do açúcar: “(eu) adoço meu café”.

X

b) O eu lírico diz: “[o açúcar] não foi produzido por mim”. Apesar de o eu lírico desempenhar na oração a função sintática de agente da passiva, sua condição de agente, de transformador da cana, é negada.

X

c) O eu lírico considera o trabalhador das usinas o verdadeiro agente transformador da natureza e lhe dá o papel de sujeito agente: “homens de vida amarga / e dura / produziram este açúcar”. d) Os trabalhadores rurais, por não saberem ler nem escrever, são incapazes de, na vida real, transformar a natureza ou a sociedade.

7. Em “não foi produzido por mim”, o eu lírico se coloca fora do processo de produção do açúcar, pois ele não é um trabalhador rural. Apesar disso, também realiza um trabalho, com o qual de­nuncia a triste realidade dos trabalhadores rurais brasileiros. a) Qual é o provável trabalho do eu lírico?Ele é poeta, pois fez esse poema. b) Apesar de seu trabalho não interferir diretamente nos problemas sociais, o eu lírico pode contribuir para as transformações sociais? De que forma? Sim, por meio da denúncia, da crítica social, das reflexões sobre as injustiças sociais.

SEMÂNTICA E DISCURSO Havaianas/AlmapBBDO

Leia o anúncio a seguir e responda às questões de 1 a 4.

(Disponível em: http://www.putasacada.com.br/wp-content/uploads/2013/09/havaianas_007.jpg. Acesso em: 2/7/2014.)

1. Na parte de baixo do anúncio, lê-se este enunciado:

“A pedra-sabão é usada por nossos escultores. E agora vai ser usada por nossas esculturas. Havaianas. Inspirada no artesanato brasileiro.” Há, no enunciado, duas orações na voz passiva analítica. Quais são elas? A pedra-sabão é usada por nossos escultores. — E agora vai ser usada por nossas esculturas.

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2. Em uma das duas orações que estão na voz passiva, no enunciado, o sujeito não é explicitado, mas pode ser inferido pelo contexto. a) Qual é esse sujeito? a pedra-sabão

O produto anunciado é uma coleção de sandálias inspirada no artesanato brasileiro e a pedra-sabão é uma matéria-prima muito utilizada na produb) Qual é a relação entre ele e o produto anunciado? ção desse artesanato.

3. Nas orações que estão na voz passiva, no enunciado, os termos correspondentes aos agentes da passiva aparecem explícitos. a) Identifique-os. por nossos escultores / por nossas esculturas b) A quem eles se referem?

O termo nossos escultores se refere aos artesãos brasileiros; o termo nossas esculturas se refere às mulheres brasileiras.

4. Ao modificar apenas o agente da passiva das duas orações, o enunciado dá destaque a esse termo. a) Quem é o público-alvo do anúncio?As mulheres em geral. b) Que sentido o anunciante atribui ao público-alvo por meio do emprego da palavra que tem a função de agente da passiva na segunda oração? Ao chamar as mulheres brasileiras de esculturas, o anunciante sugere que elas são muito bonitas, perfeitas como esculturas.

c) Conclua: Qual estratégia o anúncio utiliza para persuadir seu público-alvo a comprar o produto anunciado? A estratégia de conquistá-lo por meio do agrado, do elogio, sugerindo que o produto anunciado tornará as mulheres brasileiras ainda mais bonitas.

Hyundai

Hyundai

O anúncio a seguir compõe-se de duas partes. Leia-o e responda às questões de 5 a 8.

(Folha de S. Paulo, 11/5/2010.)

5.  Esse anúncio foi publicado em 2010, no dia em que o técnico da seleção brasileira, Dunga, iria divulgar o nome dos jogadores convocados para a Copa do Mundo da África do Sul. Observe este enunciado:

“Não importa quem seja convocado. A Hyundai está com o Brasil.” a) Explique o sentido do enunciado, no contexto relativo ao momento da publicação do anúncio. 5. a) Vivia-se um momento de expectativa sobre quais jogadores poderiam ser convocados para integrar a seleção. Como patrocinador da Copa, o anunciante manifesta total apoio ao Brasil, independentemente da lista de convocados que seria anunciada. Professor: Lembre aos alunos que a Hyundai é uma empresa sul-coreana.

b) Identifique dois sentidos possíveis para a frase “A Hyundai está com o Brasil.” A Hyundai apoia a seleção brasileira na Copa; e a Hyundai está no Brasil, ou seja, suas fábricas estão instaladas aqui.

6. A segunda parte do anúncio complementa a primeira e evidencia a intencionalidade do anúncio. Explique como se dá a relação entre as partes e comente o sentido construído a partir do jogo de palavras e imagens feito no anúncio. Na primeira parte, a empresa informa que é patrocinadora e apoia o Brasil na Copa, independen temente de quais sejam os jogadores convocados; na segunda parte, a empresa apresenta sua seleção de carros escolhidos. O jogo discursivo cria o sentido de que, assim como na seleção somente os melhores seriam escolhidos, a sua escalação de melhores carros já estava definida.

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7. Observe estas frases: “Não importa quem seja convocado.” “Esta seleção já está escalada.” a) Em que voz elas estão?Na voz passiva analítica. b) Nas frases, não há agentes da passiva expressos. De acordo com o contexto, indique os possíveis agentes da passiva. 1ª frase: pelo treinador / pelo técnico; 2ª frase: pelo fabricante c) Na sua opinião, por que o anunciante não explicita os agentes da passiva?

Porque o próprio contexto (enunciados verbais, imagens e o momento de Copa do Mundo) sugere os possíveis agentes. Só pode convocar a seleção o seu treinador/técnico, e somente a própria Hyundai pode apresentar seus melhores veículos.

8. Compare estas frases: “Esta seleção já está escalada.” Escalou-se esta seleção. a) Qual delas demonstra maior formalidade? Por quê?

A segunda frase. Porque a voz passiva sintética é mais utilizada em textos que pretendem criar um efeito de sentido formal.

b) A primeira delas, empregada no anúncio, está mais adequada ao tipo de anúncio e ao público que o anunciante pretendia atingir? Por quê? Sim, pois um anúncio visa se comunicar com o público de forma direta; logo, nessa situação, a informalidade é mais adequada.

de OLHO na escrita

EMPREGO DA LETRA S (II) Leia a letra de uma canção do grupo musical Pato Fu:

Emília! Faz o que ninguém mais faria E é diferente a cada dia Fez uma confusão Um circo no meu coração Marquesa! Falando com toda franqueza Tô bobo com tua beleza Perto de você Eu sou um pano de chão Emília, Emília! Como faço pra ser Alguém como você

Emília, Emília! Um só remendo seu Me mostra que eu Posso tudo alcançar Emília!

Ricardo Dantas

Emília

Boneca! Cada dia mais esperta Mesmo errando, ela tá certa Pirlimpimpim Faz de conta que eu sou assim (http://letras.terra.com.br/pato-fu/1278050/)

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1. Quais são os substantivos que apresentam o som /z/ (“zê”)?confusão, marquesa, franqueza, beleza 2. Desses substantivos, quais são concretos? Quais são abstratos?concreto: marquesa; abstratos: confusão, franqueza, beleza 3. Em todas as estrofes, o eu lírico manifesta admiração por Emília. Pode ser a mulher amada; pode ser também Emília, personagem de O sítio do picapau amarelo,

a) Quem você acha que é Emília? obra de Monteiro Lobato.

b) Como o eu lírico se sente quando comparado a ela? Comprove sua resposta com um verso da canção. Ele se sente inferior a ela, conforme o verso “Eu sou um pano de chão”.

Na letra da canção, há palavras com o som /z/ e escritas com a letra s e há palavras com o mesmo som mas escritas com a letra z. As palavras franqueza e beleza, por exemplo, são substantivos abstratos, formados a partir de adjetivos com o acréscimo do sufixo -eza. Veja:

franco + -eza → franqueza

belo + -eza → beleza

Já a palavra marquesa é escrita com s. Veja a regra em que se baseia o emprego de s nessa palavra:

• Emprega-se s nos substantivos concretos e títulos de nobreza terminados em -ês ou -esa: marquês   burguês   camponês   princesa   duquesa Exceções: xadrez, tez. Além dessa e das regras vistas no capítulo anterior, há também as seguintes regras para o emprego de s. Emprega-se s:

• nos adjetivos derivados de substantivos: cortês (de corte) montês (de monte)

• após ditongos: lousa   maisena

• nas palavras derivadas de outras que contêm s: analisar (de análise) casebre (de casa)

Unilever

EXERCÍCIOS 1. Faça como no exemplo: pesquisa → pesquisar a)  liso→

alisar

b)  catálise→ catalisar

c)  friso→ frisar d)  atraso→ atrasar

2. Observe o rótulo ao lado. A palavra maizena está grafada com a letra z, o que está em desa­ cordo com uma das regras de emprego do s. a) Com que regra essa grafia está em desacordo?

Depois de ditongo emprega-se a le­tra s para representar o som /z/.

b) Levante hipóteses: O que justifica essa grafia no rótulo do produto? Maizena, com z, é uma marca. O nome do produto, en­tretanto, escreve-se com s: maisena.

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3. Identifique entre as palavras a seguir as que estão grafadas em de­sacordo com as regras ortográficas vistas. Justifique sua resposta.

causa e náusea: som /z/ após ditongo é representado por s; atrasado: adjetivo derivado de substantivo (atraso) é grafado com s.

virose     defesa     cauza     invés     atrazado atrás    tesoura    tesouro    náuzea gostoso     vaidoso     aviso     diversão     pouso

Garfield, Jim Davis © 2013 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick

4. Leia esta tira:

(Folha de S. Paulo, 11/12/2013.)

a) De acordo com a regra ortográfica, por que a palavra reviso é grafada com s? Porque se emprega s nas palavras derivadas de outras que contêm s; no caso, reviso deriva do verbo revisar.

b) Assinale a frase em que o verbo revisar tem o mesmo sentido do empregado por Jon no 1º quadrinho:

• Após errar a flechada, o arqueiro revisou o alvo para atirar a segunda seta. • Na fronteira, o policial revisou a bagagem dos viajantes. • O funcionário da alfândega revisou meu passaporte. X

• Antes de expor seu texto no jornal mural da escola, Murilo revisou-o cuidadosamente.

c) A carta escrita por Garfield indica que ele quer ganhar um presente em especial? Não; indica que ele quer ganhar muitos presentes, não importa o quê.

Jefferson Galdino

Qual é o provérbio popular oculto nas formas abaixo?

Casa de ferreiro, espeto de pau.

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Passando a limpo ••• Leia um trecho de uma crônica de Antonio Prata e responda às questões 1 e 2.

[...] O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu lhe fazia. Explicou que a perna fora cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só dava em velho. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque no hospital você fica pelado e te dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la, médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não acorda nem se pularem na sua barriga. Os doutores pegaram facas e um serrote e serraram – veja bem, serraram – a perna do seu Duílio. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a perna, não puseram um band-aid enorme, nem vários, nem esparadrapo, não: eles o costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse. Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista, mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras crianças. [...] (“A perna do seu Duílio”. Nu, de botas. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p. 82-3.)

1. O texto, embora trate de assunto sério, apresenta humor, que decorre da: X a) curiosidade do menino diante de um fato inesperado para ele.

b) narrativa que a personagem faz de sua cirurgia. c) comparação entre a cirurgia e a costura que sua mãe fazia nos seus moletons. d) ordem da mãe para ir brincar com as outras crianças.

Descritores: 4 – Inferir uma informação implícita em um texto. 16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

2. É possível identificar, em todas as passagens a seguir, marcas indicativas de respostas a um entrevistador, com exceção de uma. Qual? a) “A cor da linha era preta e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.” X b) “[...] médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu [...]”

c) “Não, ele não precisou ir de bermuda [...]” d) “Sim, uma camisola, mesmo para os homens.”

Descritor: 13 – Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.

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Gilmar

Observe as linguagens visual e verbal do cartum a seguir, de Gilmar, e responda às questões 3 e 4.

3. Além de entreter o leitor, o cartum tem por finalidade: a) mostrar que, após o início das aulas, os pais ficam tristes com a ausência dos filhos. b) denunciar o peso do carrinho de compras com todo o material escolar. X c)

denunciar o peso elevado do material escolar no orçamento familiar.

d) informar que os pais são obrigados a faltar ao trabalho para providenciar o material escolar e levar os filhos à escola. Descritores: 5 – Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc.). 12 – Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

4. Releia a fala da personagem. Da forma como está redigida, com sinal indicador de crase em às aulas, entende-se que a dor é sentida pela personagem quando: a) as aulas voltam. b) a criança do carrinho de compras volta para a escola. c) as aulas são retomadas após o período de férias. X d) alunos em geral iniciam suas aulas.

Descritores: 4 – Inferir uma informação implícita em um texto. 5 – Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc.). 19 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.

Leia o texto a seguir, de Luis Fernando Verissimo, e responda às questões 5 e 6.

O incrível e o inacreditável “Incrível” e “inacreditável” querem dizer a mesma coisa — e não querem. “Incrível” é elogio. Você acha incrível o que é difícil de acreditar de tão bom. Já inacreditável é o que você se recusa a acreditar de tão nefasto, nefário e nefando — a linha média do Execrável Futebol Clube. Incrível é qualquer demonstração de um talento superior, seja o daquela moça por quem ninguém dá nada e abre a boca e canta como um anjo, o do mirrado reserva que entra em campo e sai driblando tudo, inclusive a bandeirinha do corner, o do mágico que tira moedas do nariz e transforma lenços em pombas brancas, o do escritor que torneia frases como se as esculpisse.

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[...] Incrível é a graça da neta que sai dançando ao som da Bachiana nº 5 do Villa-Lobos como se não tivesse só cinco anos, é o ator que nos toca e a atriz que nos faz rir ou chorar só com um jeito da boca, é o quadro que encanta e o pôr de sol que enleva. Inacreditável é, depois de dois mil anos de civilização cristã, existir gente que ama seus filhos e seus cachorros e se emociona com a novela e mesmo assim defende o vigilantismo brutal, como se fazer justiça fosse enfrentar a barbárie com a barbárie, e salvar uma sociedade fosse embrutecê-la até a autodestruição. Incrível, realmente incrível, é o brasileiro que leva uma vida decente mesmo que tudo à sua volta o chame para o desespero e a desforra. [...] (Disponível em: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,o-incrivel-e-o-inacreditavel-imp-,1129823. Acesso em: 15/6/2014. © by Luis Fernando Verissimo.)

5. Com a leitura do texto, entende-se que as palavras incrível e inacreditável: X

a) são empregadas, respectivamente, como aprovação diante de um fato e como reprovação diante de um fato. b) são derivadas de palavras com sentidos opostos, como crer e acreditar. c) são utilizadas, respectivamente, como censura e como elogio. d) têm o mesmo sentido, podendo ser usadas indiferentemente.

Descritores: 4 – Inferir uma informação implícita em um texto. 18 – Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão.

6. Entende-se, pelos dois últimos parágrafos do texto, que a população do país: a) comporta-se de maneira uniforme diante dos problemas que a cercam. X

b) apresenta reações distintas diante das questões sociais que a afligem. c) reage de forma agressiva diante dos problemas que a afetam. d) em sua minoria, leva uma vida decente, sem desespero e sem revolta.

Descritor: 4 – Inferir uma informação implícita em um texto.

Adão Iturrusgarai

Leia a tira abaixo, de Adão Iturrusgarai, e responda às questões 7 e 8.

(Folha de S. Paulo, 3/12/2013.)

7. O humor da tira está: a) no livro com páginas em branco. b) no título do livro. X

c) no balão em branco como resposta do crítico. d) no fato de o crítico ler o livro que está em branco.

Descritores: 5 – Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc.). 16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

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8. Nas falas do autor do livro, os pontos de exclamação reforçam a ideia de: a) surpresa com a crítica. b) desinteresse por sua obra. c) expectativa com a crítica. X

d) entusiasmo por ter lançado seu livro.

Descritores: 5 – Interpretar texto com o auxílio de material gráfico diverso (propagandas, quadrinhos, fotos, etc.). 17 – Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

Leia o texto a seguir, de Liana John, e responda às questões 9 e 10.

Amazônia – Planeta Verde [...]

A NARRAÇÃO QUE EMPOBRECE A decisão de incluir voz na versão brasileira do excelente filme Amazônia rompe a conexão entre o espectador e o macaquinho protagonista. Rompe não, nem deixa que ela se estabeleça do modo como ocorre na versão original, exibida na Europa. A narração é excessiva e desnecessária e quebra o encanto de descobrir a selva com os mesmos receios e surpresas do animalzinho perdido. O sentido da audição se acomoda, não é aguçado. Em diversos momentos, inclusive, a narração encobre a ótima trilha sonora e o som ambiente caprichado.  O resultado é uma inversão empobrecedora da experiência: enquanto na versão original a tendência é do público entrar na pele do macaquinho e vivenciar a floresta por meio da observação (em um 3D de verdade!), na versão brasileira é o macaquinho que se transveste de humano e faz uma leitura tagarela da selva. Em seus “pensamentos”, ele chega inclusive a identificar diversas espécies com as quais se depara, com base no que teria visto na TV, em seu tempo de cativeiro.  Em resumo, a narração atrapalha a imersão. E subestima a imaginação de nossas crianças. Uma pena mesmo... (Disponível em: http://viajeaqui.abril.com.br/materias/amazonia-resenha-do-filme. Acesso em: 15/6/2014.)

9. Uma opinião da autora em relação ao objeto cultural criticado está presente em: a) “a narração encobre a ótima trilha sonora e o som ambiente caprichado”. b) “na versão brasileira é o macaquinho que se transveste de humano”. c) “ele chega inclusive a identificar diversas espécies [...] com base no que teria visto na TV, em seu tempo de cativeiro.” X

d) “a narração [...] subestima a imaginação de nossas crianças. Uma pena mesmo...” Descritor: 14 – Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.

10. O uso de aspas na palavra pensamentos se justifica porque: a) pretende ressaltar essa palavra no interior da frase. X

b) a narração que acompanha as ações simula a reflexão do macaquinho. c) sendo irracional, o animal do filme não pensa. d) se trata da citação das palavras de outra pessoa.

Descritor: 17 – Identificar o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

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INTERVALO Jim West/ImageBroker/Keystone Brasil

Fazer teatro é muito divertido e você pode exercer diferentes funções. Pode ser ator ou atriz, pode criar e montar cenário, escolher as músicas que servirão de fundo para a peça, pode ser o sonoplasta (a pessoa que cuida dos sons) e pode também dirigir a peça, orientando os atores e toda a montagem do espetáculo. Vamos participar de uma mostra teatral? Professor: As apresentações podem ser marcadas para uma noite especial, ou para uma tarde de sábado ou, ainda, para um dia em que os pais estarão na escola para reunião de pais.

Projeto •• Fazendo cena 1.  Selecionando a peça Nesta unidade, você produziu com seus colegas de grupo vários textos teatrais:

• uma continuação para a história da peça Um fantasma camarada; • cenas teatrais produzidas a partir da descrição de cenários; •  uma peça criada livremente. Com a orientação do professor, escolham ao menos um desses textos para apresentar para um público maior. Professor: Sugerimos que cada grupo fique responsável por pelo menos uma apresentação teatral. Os alunos poderão

2.  Preparando e ensaiando a peça • Primeiramente, façam a leitura dramática do texto teatral. Vejam nas páginas 42 e 43 como realizá-la.

• Decorem as falas das personagens, imaginando as situações vividas por elas, o modo de falar de cada uma, as roupas que usam, os cenários, etc.

• Fiquem atentos às rubricas de interpretação e às de mo-

Diomedia / DeAgostini / G. DAGLI ORTI

também ter outro tipo de participação em peças dos demais grupos, atuando, por exemplo, como sonoplastas.

vimento.

• Criem o cená­rio, a sono­plas­tia (o som que acom­pa­nha todo o texto), os figu­ri­nos. Para isso, con­tem com a cria­ ti­vi­da­de de todos.

• Ensaiem quan­tas vezes forem neces­sá­rias. • Para aju­dar, caso ­alguém se esque­ça de uma parte do texto duran­te os ­ensaios ou na apre­sen­ta­ção, recor­ram ao ponto. Ponto é uma pes­soa que, no tea­tro, vai lendo o que os ato­res devem dizer, para lhes aju­dar a lembrar.

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Tudo pronto, montem o espetáculo e preparem a apresentação. Durante os ensaios e a apresentação, coloquem-se naturalmente no lugar das personagens e vivam-nas, ou seja, comecem a fazer teatro.

Caso gostem muito dessa atividade, formem um grupo de teatro com seus colegas e, seguindo as mesmas orientações, encenem outros textos e, quem sabe, uma peça de teatro completa.

3. Preparando o convite Criem coletivamente um convite para amigos e familiares, informando o dia, o local e o horário das apresentações. Façam uma pequena ilustração teatral nele. Reproduzam o convite e entreguem-no aos seus convidados. Se quiserem, poderão digitalizá-lo e enviá-lo por e-mail. Na escola, divulguem com cartazes o dia das apresentações e convidem outras classes, professores e funcionários.

4.. Apresentando as peças Hill Street Studios/Easypix

Se possível, façam as apresentações no auditório da escola. No dia combinado, preparem o local das apresentações para receber os convidados. Na decoração, utilizem cartazes ilustrados com máscaras de teatro, fotos de grandes atores brasileiros, cartazes de peças famosas, etc. Vocês podem escolher um dos alunos para fazer o papel de mestre de cerimônias. Caberá a ele receber e cumprimentar o público, falar rapidamente sobre como nasceram os trabalhos que serão apresentados e, a cada apresentação, dizer o nome da peça e o nome dos atores. Ele poderá usar uma roupa diferente, como um chapéu, uma casaca, e maquiar-se de modo especial.

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Tormento Estas espinhas todas na testa, no nariz, no queixo, será que não vão mais sumir? Será que deixarão crateras na minha cara?

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Meu pai diz que espinha é problema de má alimentação. Mesmo assim me recuso a virar coelho pra comer cenoura e capim. O verde é adorável pra se ver, mas pra comer...

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Minha mãe diz que vai me levar numa dermatologista, mas nunca arranja tempo pra mim. Acho que a vó tem razão: espinha é vontade de casar. (Elias José. Cantigas de adolescer. 7. ed. São Paulo: Atual, 1992. p. 30.)

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AMOSTRA - Portugues linguagens 8 ano