Issuu on Google+

8ยบ ano - Ensino Fundamental - Anos Finais - Arte

ARTE

BEร MEIRA, SILVIA SOTER, RICARDO ELIA E RAFAEL PRESTO

Mosaico_Arte_8ano_PNLD2017_Capa_AL_PR.indd 2

8

6/2/15 8:30 AM


8º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais - Arte

ARTE Beá Meira

Formada pela FAU-USP Foi professora-assistente da PUC-Santos e do curso de Multimeios da PUC-SP Trabalhou como ilustradora, artista gráfica e cenógrafa em projetos na área de Educação e Teatro Atualmente é coordenadora pedagógica na Universidade das Quebradas, curso de extensão da UFRJ, e autora de livros didáticos e paradidáticos na área de Arte

Silvia Soter

Graduada em Artes pela PUC-RJ e em Dança pela Universidade de Paris 8 Mestre em Teatro pela Unirio Doutoranda em Educação da UFRJ Dramaturgista, crítica de dança e professora da Faculdade de Educação da UFRJ Organizadora e autora de diversas publicações na área de Corpo e Dança

ricardo elia

Formado em Cinema pela PUC-RJ Ministrou oficinas de criação artística em locais diversos, como o sertão de Alagoas, a Amazônia paraense e a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro É escritor e músico, com diversas obras publicadas na área de Música

rafael PreSto

Formado em Artes Cênicas pela ECA-USP Atuou como professor de teatro e percussão em escolas públicas e particulares Realizou oficinas no Caps do SUS e no Serviço de Medida Socioeducativa em São Paulo Atualmente, é teatrista do Coletivo de Galochas e membro do Coletivo DAR Autor e ilustrador de livros na área de Arte e Teatro

São Paulo 2015 1ª edição

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 1

8

6/23/15 4:26 PM


Diretoria de conteúdo e inovação pedagógica Mário Ghio Júnior Diretoria editorial Lidiane Vivaldini Olo Gerência editorial Luiz Tonolli Editoria de Língua Estrangeira e Arte Mirian Senra Edição André Fernandes, Teresa Porto e Barbara Manholeti (estag.) Arte Ricardo de Gan Braga (superv.), Andréa Dellamagna (coord. de criação) , Catherine Saori Ishihara (editora de arte), Rafael Vianna Leal e Erik TS (program. visual), oak studio (diagram.) Revisão Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula Chabaribery Malfa, Vanessa de Paula Santos, Patrícia Travanca e Brenda Morais, Barbara Molnar e Gabriela Lubascher Miragaia (estagiárias) Iconografia Sílvio Kligin (superv.), Evelyn Torrecilla (pesquisa), Cesar Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem) Ilustrações Andrea Ebert, Bel Falleiros e Joana Resek Foto da capa: guy harrop/Alamy/Latinstock Protótipos Magali Prado Título original da obra: Projeto Mosaico Arte – 8 o ano Copyright © Beá Meira, Silvia Soter, Ricardo Elia e Rafael Presto Direitos desta edição cedidos à Editora Scipione S.A. Av. Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor D Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902 Tel.: 4003-3061 www.scipione.com.br / atendimento@scipione.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Projeto mosaico : arte : ensino fundamental / Beá Meira...[et al.]. -- 1. ed. -- São Paulo: Scipione, 2015. Outros autores: Silvia Soter, Ricardo Elia, Rafael Presto Obra em 4 v. para alunos do 6o ao 9o ano. 1. Artes (Ensino fundamental) I. Meira, Beá. II. Soter, Silvia. III. Elia, Ricardo. IV. Presto, Rafael. CDD-372.5

15-03962

Índice para catálogo sistemático: 1. Artes : Ensino fundamental 372.5 2015 ISBN 978 85 262 9700 5 (AL) ISBN 978 85 262 9701 2 (PR) Código da obra CL 713215 CAE 544781 (AL) / CAE 544782 (PR) 1a edição 1a impressão Impressão e acabamento

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 2

6/23/15 4:26 PM


APRESENTAÇÃO João Fávero/Fotoarena

Estudante, seja bem-vindo! Nos quatro volumes desta coleção, você será convidado a trocar ideias com os colegas e o professor sobre obras, artistas, processos criativos e técnicas que fazem parte do mundo da arte. Dessa maneira, vai ampliar seu repertório em diversas linguagens e descobrir que convivemos com a arte diariamente em todos os lugares, mas, acima de tudo, vai perceber que podemos, por intermédio dela, transformar nosso cotidiano. Cada capítulo da obra foi concebido pensando em fortalecer seu envolvimento com a arte, estimular sua criatividade e promover debates por meio dos quais você possa ampliar sua visão de mundo, se expressar e trazer para a escola seu universo cultural. As propostas de atividades, que podem ser feitas individualmente ou em grupo, vão enriquecer sua forma de expressão nas linguagens da dança, da música, do teatro, das artes visuais e audiovisuais. A coleção é composta de quatro livros, e cada um deles aborda um tema transdisciplinar: o corpo, a cidade, o planeta e a ancestralidade. Tendo um deles como fio condutor, em cada ano você vai se aprofundar em uma das linguagens artísticas. O livro do corpo explora a dança, o livro da cidade trata das artes visuais e audiovisuais, o livro do planeta se conecta com a música e o livro da ancestralidade mergulha no teatro. Mas, como poderá perceber, a música e as artes visuais atravessam todos eles. Esperamos que esta viagem pelo universo da arte, algumas vezes prazerosa, outras vezes incômoda, desafie você a conhecer melhor o mundo e a si mesmo, possibilitando novas formas de investigação e de ação em seu dia a dia.

Os autores 3

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 3

6/23/15 4:26 PM


por dentro da obra

introdução ao volume

Conjunto de obras de épocas e culturas diferentes que se relaciona com o tema central do volume, conjugado à proposta de construção de um mapa.

Cada volume desta coleção é composto de 6 capítulos e 2 projetos

Painel

abertura de caPítulo

Uma imagem e algumas questões introduzem o tema central que será tratado no capítulo.

Obras, de lugares e épocas diferentes, agrupadas em torno do tema que será trabalhado no decorrer de todo o capítulo. O conjunto convida os estudantes a estabelecer relações entre elas.

começando Por você

Um texto aborda a relação dos estudantes com o tema e suscita questões que partem de conhecimentos prévios da turma.

Fala o artista

Uma afrmação feita por um artista, acompanhada de imagem, propõe uma discussão coletiva em torno dos temas tratados.

Pensando com a História

Um texto discorre sobre uma questão histórica ligada ao tema do capítulo.

Hora da troca

Com base em um recorte do tema trabalhado, os estudantes são convidados a trazer para a sala de aula suas referências. Para subsidiar o trabalho, são oferecidos endereços de sites em que se pode obter informação, ouvir música ou assistir a vídeos.

4 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 4

6/23/15 4:26 PM


debate

Um conjunto de obras é oferecido aos estudantes, e são lançadas algumas provocações para despertar um debate, que, na maioria das vezes, extrapola o caráter estético das propostas artísticas.

atividades

Atividades práticas, em linguagens variadas, orientadas com instruções precisas a fm de que os estudantes possam experimentar a linguagem estudada.

teoria e técnica

Seção que, além de ensinar técnicas a fm de preparar os estudantes para a experimentação artística, apresenta conceitos teóricos sobre os temas estudados.

Este ícone indica que há conteúdo digital disponível no Manual do Professor multimídia.

caderno de ProJetos ProJeto 1 – corPo (interdisciPlinar) Sugestão de leitura e propostas para um trabalho interdisciplinar coletivo.

Jeitos de mudar o mundo

Exemplos de pessoas e ações que transformaram o mundo e apontaram caminhos para o futuro.

ProJeto 2 – dança (de linguagem)

Instruções detalhadas acompanhadas de ilustrações e dicas para que a turma possa realizar um projeto de uma das linguagens que predominaram no volume.

Seções especiais

exPlore também

Dicas de livros, flmes, sites, festivais, museus e exposições relacionadas aos temas estudados em cada capítulo.

5 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 5

6/23/15 4:27 PM


A ARTE E O PLANETA

CAPÍTULO

1

A REPRESENTAÇÃO DA NATUREZA

Natureza

12

Uma chance para a paz

13

Dinheiro

13

Diversidade

14

Clima

14

Rede mundial

15

Migrações

16

População

16

Uma só voz

17

Energia

17

Consumo

18

Água

18

O fim do mundo?

19

Mapa do planeta

Rogerio Reis/Tyba

Andre Penner/Associated Press/Glow Images

SUMÁrIo ABERTURA

19

Começando por Você Painel Paisagem natural Fala o Artista Sebastião Salgado Pensando com a História Artistas viajantes no Brasil Hora da Troca Paisagismo Debate Olhares sobre a natureza Teoria e Técnica 1. A pintura 2. Luz e sombra Atividades 1. Natureza-morta 2. Desenho e pintura de paisagem

21 22 30 31 32 34 36 37 38 39

6 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 6

6/23/15 4:27 PM


OBJETOS PARA O FUTURO

2

Começando por Você Painel Reciclar, reutilizar e reduzir o consumo Fala a Artista Rosângela Rennó Pensando com a História Assemblage e combinações Hora da Troca Feito no Brasil Debate Consumismo Teoria e Técnica Reciclagem no artesanato e na indústria Atividades 1. Escultura de sucata 2. Objeto de papel machê

41 42 50 52 54 56 58 60 61

Ralf Falbe/Demotix/Corbis/Latinstock

Simone Marinho/Agência O Globo

CAPÍTULO

CAPÍTULO LUZ E SOM Começando por Você Painel A luz e o som na arte Fala o Artista Carlos Cruz-Diez Pensando com a História 1. A cor e a pintura 2. Pesquisadores do som Debate 1. O poder da cor 2. O som da escola Hora da Troca 1. Experiências com a cor 2. Sons experimentais Teoria e Técnica 1. Características das cores 2. Características dos sons Atividades 1. Mistura e círculo das cores 2. Gravando os sons

3 63 64 72 73 75 77 79 80 82 84 85 86 87

7 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 7

6/23/15 4:27 PM


MÚSICA DO MUNDO Começando por Você Painel Música e culturas Fala o Artista Ravi Shankar Pensando com a História O chorinho Hora da Troca A música e seu tempo Debate A beleza das misturas Teoria e Técnica Elementos da música: ritmo, melodia e harmonia Atividades 1. O ritmo e os sons do corpo 2. Identidade

89

Tim Platt/Iconica/Getty Images

Dani Gurgel/Acervo da fotógrafa

4

CAPÍTULO

CAPÍTULO PALAVRA CANTADA Começando por Você

5 103

Painel 90

Som e mensagem

104

Fala o Artista 94

Luiz Gonzaga

108

Pensando com a História 95 96 98

Microfones

109

Hora da Troca Canto e performance

110

Debate Música e idioma

112

Teoria e Técnica 99

Características da voz

114

Atividades 101

1. Uma voz para você

115

101

2. Cantando o cantar

115

8 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 8

6/23/15 4:27 PM


MÚSICA INSTRUMENTAL Começando por Você Painel Música erudita Fala o Artista Heitor Villa-Lobos Pensando com a História Pitágoras e a harmonia Hora da Troca Música e orquestra Debate O evento musical Teoria e Técnica 1. Notas musicais 2. A escrita musical Atividades 1. Nossa orquestra 2. Um cartaz para uma orquestra

JEITOS DE MUDAR O MUNDO EXPLORE TAMBÉM BIBLIOGRAFIA

6 117 118 122

J. Duran Machfee/Futura Press

Joel Silva/Folhapress

CAPÍTULO

CADERNO DE

PROJETOS PROJETO 1 O PLANETA

134

Pensando sem Fronteiras Levantamento de Informações Como organizar o trabalho Temas para o projeto

135

123

PROJETO 2

124

MÚSICA

126 128 129

Ensaio e Apresentação de Música de Coral O coral e as técnicas vocais Entendendo as canções Os ensaios Apresentação para o público

138 139

144 145 150 153 154

130 131 156 158 160

9 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_IN_001a009.indd 9

6/23/15 4:27 PM


Andre Penner/Associated Press/Glow Images

10 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 10

6/23/15 4:27 PM


A ARTE E O PLANETA A arte é produzida por todos os grupos humanos ao redor do mundo. Reúne gente de diferentes lugares em produções coletivas, atravessa fronteiras e alcança outras pessoas por meio de suas múltiplas linguagens. Mas será que ela pode nos ajudar a construir uma nova relação com o planeta? Sabemos que isso se faz necessário diante desse grande desafio que são os problemas ambientais. Neste ano, o tema da disciplina Arte é o planeta. Durante as aulas, vamos imaginá-lo e representá-lo. Por meio da arte, podemos nos relacionar com ele de muitas maneiras. Veja nesta foto como o artista chinês Qiu Zhijie mapeou um mundo imaginário. Vamos conhecer artistas que se interessam por temas como a natureza, o mercado internacional e os direitos humanos. Partilhar das reflexões dos artistas sobre o futuro do planeta nos permite avaliar o tipo de relação que temos hoje com o meio ambiente e imaginar que relação poderemos estabelecer no futuro. Prepare-se para pensar sobre isso! 11 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 11

6/23/15 4:27 PM


O

planeta é um assunto transdisciplinar, que reúne saberes de todas as áreas do conhecimento. O que vamos estudar neste livro, ou seja, como a arte aborda temas tão variados chamando nossa atenção e nos fazendo pensar sobre o planeta, certamente terá relação com o que você vai estudar em outras disciplinas.

Reprodução/Museu Van Gogh, Amsterdã, Holanda.

Que temas você imagina que estão relacionados com o planeta? Antes de explorar as próximas páginas, faça um desenho esquemático dele e anote ao redor os temas que ocorreram a você.

Pintura • Holanda • Século XIX

Natureza

Estimule os estudantes a falar sobre os dias de tempestades, de suas sensações e memórias. Questione se eles se sentiam ameaçados ou aconchegados nesses dias.

Vincent van Gogh, Wheatfields under Thunderclouds, 1890. (Óleo sobre tela, 50,4 cm × 101,3 cm. Museu Van Gogh, Amsterdã, Holanda.)

Ao longo do tempo, a natureza foi tema e fonte de inspiração de diversos artistas. Para os pintores que viveram no final do século XIX, como Vincent van Gogh (1853-1890), representar a natureza era um modo de expressar um estado de espírito. Observe a pintura Wheatfields under Thunderclouds [Nuvens carregadas sobre campos de trigo] (1890) e perceba na linha do horizonte que uma sombra escura se aproxima. Que sensações você tem quando uma tempestade está chegando?

12 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 12

6/23/15 4:27 PM


Em 1969, o músico John Lennon (1940-1980) e a artista visual Yoko Ono (1933) chamaram a atenção do mundo com a performance pacifista Bed in [Na cama]. Naquele momento, muitos jovens norte-americanos e toda a população do Sudeste Asiático estavam sofrendo os efeitos devastadores da guerra do Vietnã. Lennon e Yoko hospedaram-se em hotéis em vários países e ficaram na cama, dia e noite (sem cortar o cabelo), recebendo a imprensa e os curiosos, para falar sobre suas posições políticas. John Lennon compôs a música Give Peace a Chance [Dê uma chance à paz], que se tornou símbolo de todos aqueles que queriam o fim da guerra. Você já ouviu falar em pacifismo?

A guerra do Vietnã foi uma das consequências da Guerra Fria, que, nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, dividiu o mundo em áreas de influência capitalista, lideradas pelos Estados Unidos, e comunista, lideradas pela União Soviética. Toda guerra gera desordem, destruição, perdas e traumas Fotografia de Bed in [Na cama], para os soldados e para a população em geral. performance de John Lennon e Existem organizações civis em todo Yoko Ono, em 1969. mundo que trabalham em prol de soluções pacíficas para problemas políticos.

Keystone-France/Gamma-Keystone/Getty Images

uma chaNce para a paz

Performance • Inglaterra • Japão • Século XX

DiNheiro

Crédito da foto

Reprodução/AKG-Images/Album/Latinstock/© The Andy Warhol Foundation for the Visual Arts, Inc./AUTVIS, Brasil, 2015/Museu Ludwig, Köln, Alemanha.

Gravura • EUA • Século XX

No início da década de 1960, o artista norte-americano Andy Warhol (1928-1987) voltou seu interesse para as mercadorias que consumimos diariamente. Ele chamou a atenção para o valor do dinheiro na sociedade de consumo em uma série de pinturas em que representou notas de dólar. No trabalho Oitenta notas de dois dólares (1962), Warhol reproduziu sobre uma tela, usando a técnica da serigrafia, oitenta notas de 2 dólares, metade delas representadas de frente e metade representadas pelo verso. Ao pintar e vender obras em que representou esses pedaços de papel, que são o símbolo do mercado financeiro mundial, Warhol tratou de forma irônica o valor da obra de arte. Em sua opinião qual é a ironia desta obra de arte? A ironia do trabalho está no fato de que ele vale muitas vezes o valor representado. Recentemente um dos trabalhos dessa série, em que o artista representa duzentas notas de 1 dólar, alcançou em leilão valor acima de 40 milhões de dólares. Andy Warhol começou a trabalhar com a técnica de serigrafia quando decidiu representar notas de dólar. Ele chegou a fazer desenhos detalhados de notas e de um maço de dólares, mas como queria trabalhar com um método rápido, que pudesse reproduzir todos os detalhes da nota em repetições não variadas, ele experimentou a serigrafia, que adotou como linguagem. Seus trabalhos sempre foram bem-aceitos pelo mercado de arte, assim como as mercadorias e os símbolos da cultura de massa eram avidamente consumidos pelo público.

Andy Warhol, Oitenta notas de dois dólares, 1962. (Serigrafia, 210 cm × 96 cm. Museu Ludwig, Colônia, Alemanha.)

13 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 13

6/23/15 4:27 PM


Reprodução/Tangolomango

DiversiDaDe Tangolomango, assim como outros projetos culturais contemporâneos, tem o objetivo de valorizar a diversidade cultural. O festival reúne grupos artísticos populares de duas cidades, a fim de que possam trocar seus saberes. Baseado nessa experiência intensa e emocionante, os artistas produzem um espetáculo juntos. Em 2014, o festival reuniu grupos de circo, música e dança de Lima (Peru) e Salvador (Brasil). Por que a diversidade deve ser valorizada? Valorizar a diversidade significa reconhecer as diferenças de valores e saberes de grupos distintos. Nesse caso, a seleção dos grupos valoriza a diversidade, porque reconhece as diferenças e cria condições favoráveis para a troca. Num primeiro momento, evidenciam-se os pontos de diferença e de contato, depois há um tempo de trocas e finalmente acontece a produção de algo novo. Você pode conhecer um pouco mais desse trabalho ao ver os vídeos Tangolomango 2014, a respeito da experiência de 2014. Disponível em: <www.tangolomango.com.br>. Acesso em: 29 mar. 2015.

Festival Tangolomango de Diversidade Cultural, Salvador, BA, 2014. Dança • Circo • Brasil-BA • Século XXI

clima

O aquecimento global é um dos maiores desafios que o planeta enfrenta. Se a temperatura da Terra continuar aumentando, teremos um clima cada vez mais inóspito. Enchentes, secas, furacões e degelo, entre outros fenômenos, ameaçam a vida humana. O problema poderia ser enfrentado se países poluidores participassem de acordos internacionais que limitam a emissão de poluentes e os cumprissem. De que modo o trabalho The One World [O único mundo], de 2008, realizado pelo artista suíço Thomas Hirschhorn (1957), permite pensar sobre o aquecimento global?

uu

Inóspito:uqueu nãouapresentau condiçãouparauau vida.

Reprodução/Coleção particular

Escultura • Suíça • Século XXI O trabalho nos faz pensar que o problema afeta a todos igualmente. Uma das formas que a sociedade civil pode atuar, por exemplo, é pressionando os governos para que participem de tratados internacionais para redução da emissão de gases poluentes.

Thomas Hirschhorn, The One World [O único mundo], 2008. (Papelão, madeira, fotografia a cores, braços de resina, pintura cor de carne, pintura vermelha, tecido, espuma de poliuretano, cavaletes, impressões, 310 cm × 220 cm × 190 cm.)

14 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 14

6/23/15 4:27 PM


reDe muNDial Em 2012, o fotógrafo Cássio Vasconcelos (1965) realizou a obra Aeroporto, montando centenas de fotografias tiradas de aeroportos do Brasil e do mundo. O artista comentou que a forma dos aeroportos, com suas pontes de embarque, parece a forma dos neurônios. Os aeroportos por sua vez estão conectados por linhas aéreas que formam uma rede ao redor do planeta. O que mais no mundo pode ser representado por esse modelo de rede? Fotografia • Colagem • Brasil-SP • Século XXI

Reprodução/Cássio Vasconcelos/Acervo do fotógrafo

Hoje, o modelo de rede está muito presente no cotidiano. A internet, as redes sociais, o comércio de mercadorias, os saberes interdisciplinares são alguns exemplos.

Cássio Vasconcelos, Aeroporto (detalhe), 2012. (Colagem fotográfica, 200 cm × 500 cm.)

15 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 15

6/23/15 4:27 PM


Por causa de guerras, epidemias, secas ou cheias intensas e outros desastres naturais, populações inteiras precisam deixar seu lugar de origem para viver em outras regiões. Na escultura Retirantes (2012), o pernambucano Ednaldo Vitalino, continuando a arte tradicional do avô, Mestre Vitalino, mostra uma família em migração. O artista retratou pessoas que viajavam a pé de um lugar para outro em busca de melhores condições de vida, para fugir da seca que assola de maneira cíclica o Nordeste do Brasil. Essas pessoas foram chamadas de retirantes. A realidade das populações que são obrigadas a migrar é de grande miséria. Atualmente, muitas pessoas vivem essas dificuldades no planeta. Em sua opinião, quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos migrantes?

população

Marco Antônio Sá/Pulsar Imagens

migrações

Escultura • Brasil-PE • Século XXI Ednaldo Vitalino, Retirantes, 2012. (Argila, Caruaru, PE.) Migrantes e imigrantes enfrentam todo tipo de dificuldade no lugar de origem e podem não conseguir se adaptar à cultura do lugar de chegada. Enfrentam, inclusive, preconceitos; muitas vezes não conseguem posto de trabalho de acordo com sua formação e têm de aceitar colocações inferiores. No trabalho de Ednaldo Vitalino, artista que vive em Caruaru, vemos sete membros de uma família. Exceto por uma senhora idosa que viaja montada em um burrico, os outros viajam a pé, carregando poucos pertences.

O trabalho tem sido apresentado em várias cidades e a cada apresentação pode se utilizar uma quantidade diferente de arroz. Todo o projeto se tornou um dispositivo educacional, que tem inclusive orientações no site do grupo Stan’s Cafe (em inglês). Disponível em: <www.stanscafe.co.uk/help fulthings/stanpeople.html>. Acesso em: 4 abr. 2015. Com auxílio de uma balança, o projeto pode ser feito na escola, e os estudantes podem ser convidados a anotar as informações numéricas, organizando as pilhas e colocando as legendas. Na apresentação de 2008, havia um grupo de apenas quatro grãos com a legenda ‘The Beatles’.

Na performance De todas as pessoas em todo o mundo, o grupo inglês Stan’s Cafe usou grãos de arroz para dar uma forma concreta às informações numéricas abstratas das estatísticas. O ponto de partida do trabalho foi a equação: um grão de arroz é igual a uma pessoa e 1 grama de arroz é igual a sessenta pessoas. O total da população mundial é de mais de 100 toneladas de arroz. Os artistas organizam pequenos ou grandes montes de arroz e colocam etiquetas em cada um deles de acordo com os dados da cidade: número de habitantes, de pessoas nascidas a cada dia, de pessoas mortas a cada dia, de médicos, de soldados, de refugiados, etc. Você já se imaginou como um grão de arroz? William West/Agência France-Presse

Performance • Reino Unido • Século XXI

De todas as pessoas em todo o mundo, do grupo britânico Stan’s Cafe, dirigido por James Yaker e apresentado no Festival Internacional de Arte de Melbourne, Austrália, 2006. (Performance.)

16 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 16

6/23/15 4:28 PM


Bettmann/Corbis/Latinstock

uma só voz

Música • EUA • Século XX Gravação da música We Are the World, de autoria de Michael Jackson e Lionel Richie, em 1985. Pergunte aos alunos se já usaram a letra de uma música como forma de comunicar algo para alguém. Ou se já usaram formas melódicas em suas próprias falas. O vídeo oficial com os artistas gravando a música pode ser visto na internet. Disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=rZ26DMkMFks>. Acesso em: 29 mar. 2015.

Já houve muitas experiências bem-sucedidas de agregar pessoas do mundo da música em torno de uma mesma causa. A música tem essa capacidade por ser uma linguagem que está presente em todas as regiões e épocas da humanidade. Em 1985, o projeto USA for Africa reuniu 45 artistas para gravar a música de Michael Jackson (1958-2009) e Lionel Richie (1949) We Are the World [Nós somos o mundo]. O dinheiro arrecadado com a venda do fonograma foi destinado a países africanos cuja população era vítima da fome e de doenças. A letra da música fala de mudança de atitude para ajudar pessoas em situação de miséria absoluta. Você já usou uma música para falar de alguma causa?

Quando as cidades passaram a ter iluminação pública, no final do século XIX, as pessoas ficaram deslumbradas. Os artistas que se denominavam futuristas, como o italiano Giacomo Balla (1871-1958), enalteciam as máquinas e os avanços tecnológicos em suas pinturas, como em The Street Light [Poste de iluminação], de 1910. Cem anos depois, a energia é tão essencial em nossa vida que estamos buscando fontes inesgotáveis, como o vento e o Sol, para alimentar nossas máquinas. Você consegue imaginar um mundo sem energia elétrica?

Crédito da foto

eNergia

Reprodução/Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA.

Pintura • Itália • Século XX

Solicite aos alunos que contem quantos equipamentos elétricos usam por dia. Televisão, rádio, computador, aparelho celular, modem de acesso a internet, chuveiro elétrico, elevador, iluminação das salas de aula, sinal de intervalo – esses são apenas alguns dispositivos alimentados por energia elétrica. Pergunte quanto tempo imaginam que conseguiriam ficar sem eles? Note que parte dos estudantes pode não dispor de energia elétrica o tempo todo, procure mostrar que criamos dependências que podem ser supridas de outras formas.

Giacomo Balla, Street Light, 1910. (Óleo sobre tela, 174,7 cm × 114,7 cm. Museu de Arte Moderna, MoMA, Nova York, Estados Unidos.)

17 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 17

6/23/15 4:28 PM


Reprodução/Coleção particular

Nelson Leirner, Assim é... se lhe parece, 2003. (Colagem.) Colagem • Brasil-RJ • Século XXI

coNsumo Cildo Meireles, Marulho, 2007. (Instalação. Bienal do Mercosul.)

A distribuição do personagem Mickey Mouse no mapa sugere a influência da cultura norte-americana, principalmente da cultura de massa. As caveiras podem indicar que os países do hemisfério sul são vistos como lugares perigosos.

Na colagem Assim é... se lhe parece, de 2003, Nelson Leirner foi irônico ao mostrar a influência de fatores econômicos, geográficos e populacionais, nas relações entre os países. Sobre um mapa-múndi, o artista aplicou inúmeras cabeças do personagem Mickey Mouse nos países do hemisfério norte e Austrália e caveiras no hemisfério sul. A obra pode sugerir a divisão do mundo em relação ao consumo: hemisfério norte e Austrália como o bloco dos países ricos, hemisfério sul como bloco dos países pobres. Que outro significado esses elementos podem ter?

Reprodução/Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre, RS.

Instalação • Brasil-RJ • Século XXI

Água

Converse com os alunos sobre formas de economizar água e de cuidar dela para que não se contamine. Questione se há falta de água na cidade ou região em que vivem e como as pessoas lidam com esse problema.

O artista carioca Cildo Meireles (1948) apresentou a instalação Marulho na 6ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Sob um deck de madeira, o chão foi forrado com várias reproduções da mesma fotografia de água, formando um tapete ondulado de texturas azuis. O som ambiente que completava a instalação também propõe a presença da água e sugere um mergulho. Só faltou a água. Cildo nos provoca a pensar que, para alguns, a água é apenas um desejo. A água é o bem mais precioso da Terra? Como você avalia a presença de água potável em sua região?

18 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 18

6/23/15 4:28 PM


Gravura • EUA • Século XXI

o fim Do muNDo?

Verifique com os estudantes se eles conhecem a série; se costumam jogar RPG ou outros jogos em que haja uma narrativa aberta, que pode ser construída à medida que o jogo avança; que tipo de mundo eles imaginam nos jogos; e quanto dessa fantasia pode ser trazida e partilhada na realidade. Por fim, investigue como eles imaginam o mundo no futuro.

Everett Collection/Keystone/Cartoon Network

Atualmente, muitos filmes e séries apresentam enredos que abordam o fim do mundo. Na série Hora de aventura, de 2010, o personagem Finn é o único humano sobrevivente da Grande Guerra dos Cogumelos, que aconteceu mil anos antes na terra de Ooo. O personagem perambula por um mundo mágico acompanhado de seu irmão adotivo Jake, o cão. Você não acha que narrativas como essa nos fazem pensar que, enquanto pudermos sonhar com mundos melhores, haverá um futuro?

Pendlenton Ward, Hora de aventura, 2010. (Série de desenho animado. Filme em cor.)

O objetivo dessa atividade é avaliar o que os alunos conhecem do planeta e conscientizá-los de quanto conhecem ou não. Eles podem desenhar as massas de terra, os continentes, com formas aproximadas a um mapa se assim desejarem. Mas, atenção, este não é um trabalho de Geografia, que exigiria precisão cartográfica. Os alunos não precisam desenhar as fronteiras de cada país. A representação pode tomar um viés imaginário ou um caminho mais científico se os alunos, por exemplo, quiserem pintar áreas com cores diferentes, numa referência à temperatura. Deixe-os à vontade se isso acontecer. Essa atividade não deve ser avaliada em grupo com a classe. Deixe isso claro para os alunos, pois quanto mais se sentirem à vontade para desenhar, mais vão arriscar em suas representações. Não é fácil desenhar o mapa do mundo, mas essa experiência é muito importante nessa primeira atividade. De posse dos mapas você terá um bom levantamento sobre o que os estudantes conhecem da Terra. Funicionará como uma espécie de diagnóstico, para começar o trabalho deste ano, que deve Faça um desenho do planeta Terra, com tudo o que conhece a respeito dele. girar em torno das questões que envolvem o planeta.

MAPA DO PLANETA

Situe os continentes, os oceanos, os países, algumas cidades. Inclua em seu desenho florestas, matas, desertos, montanhas e rios que você conheça, pessoalmente ou por meio dos livros. Se quiser, pode colar imagens para compô-lo. Assinale também as cidades em que vivem pessoas que você admira, o lugar em que se passou um filme que o tenha impressionado ou um país que gostaria de conhecer. Ao lado desses marcos, anote outras informações que sejam importantes para você. Para esta atividade, você não deve consultar mapas geográficos, mas sim desenhar o mundo como o imagina. Não tenha medo de inventar nem de errar.

MAtERIAl: lápis 6B, lápis de cor, caneta hidrográfica.

19 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C0_010a019.indd 19

6/23/15 4:28 PM


1

CAPÍTULO

a representação da natureza

1 2 3 20 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 20

Vocêucostumauobservaruaunatureza? Resposta pessoal. Procure estimular os estudantes a exercitar a observação de como a natureza está presente em sua localidade.

Ouqueuobservaunaunatureza?

Resposta pessoal. Valorize as respostas dos estudantes e ofereça subsídios para enriquecer o olhar sobre a natureza.

Vocêurepresentauaquilouqueuvê?

Resposta pessoal. Alguns estudantes podem ter o hábito de desenhar ou fotografar animais ou plantas, procure mostrar os diferentes contextos em que estes elementos podem ocorrer.

6/23/15 4:28 PM


Tema

objeTo

conceiTo

Representação

Natureza

Visões da natureza

Tema Transversal

Técnica

Habilidade

Pintura

Luz e sombra

Meio ambiente

Rogerio Reis/Tyba

Começando por voCê

uu

Espírito romântico:u

sentimentoueuinteresses,u comouliberdade,u expressãoudosu sentimentos,uatraçãoupelou desconhecidoueupelau natureza,uqueu arrebataramuosuartistasu nouinícioudouséculouXIX.u uu Impressionista:uu pintoruadeptoudou impressionismo.uEsseufoiu umumovimentoudeupinturau queuocorreuunauFrançaunou séculouXIX.uCaracterizou-seu pelaupinturauaouarulivreuu eupelouinteresseudosu pintoresuemurepresentaru osuefeitosudauluz.

Ao longo do tempo, os seres humanos imitaram a natureza. Folhas e flores, por exemplo, foram largamente usadas como modelo decorativo em estampas de tecidos, objetos, relevos arquitetônicos de colunas e fachadas desde a Antiguidade. Para algumas culturas no oriente, um jardim é tão valorizado quanto uma obra de arte, e muitos artistas se dedicam a criar esses espaços de contemplação da natureza. Na cultura ocidental o interesse pela paisagem como tema central na arte, entretanto, só surgiu com o espírito romântico do começo do século XIX. Na pintura, estabeleceu-se como tema central quando alguns artistas passaram a considerar a natureza um lugar privilegiado, representando-a de modo idealizado. Pouco depois, os artistas impressionistas exploraram ainda mais o tema em seus trabalhos. Hoje, a maior parte das pessoas vive em centros urbanos e está afastada da natureza. Mesmo assim, algumas procuram ainda manter essa relação ao frequentar parques, cultivar hortas ou criar animais.

Jardim do sítio de Burle Marx em Guaratiba, Rio de Janeiro, 2012.

A relação do ser humano com a natureza é importante para a vida no planeta. Beatrix Boscardin/Opção Brasil Imagens

Reflita sobre estas questões e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. 1

Você se interessa por plantas e animais?

2

Tem contato com eles em seu cotidiano?

Valorize as respostas dos estudantes e procure conduzir o debate fazendo-os perceber as vantagens e desvantagens de viver nas cidades. Além disso, mostre que a relação do ser humano com a natureza pode ser estabelecida em gestos simples, no modo de observar uma árvore, de se relacionar com animais, se interessando pela origem e a história deles ao lado do homem.

capítulo 1 • 21 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 21

6/23/15 4:28 PM


painel paisagem natural A seguir, vamos conhecer alguns artistas que representaram ou interagiram com a natureza. Em suas obras, eles refletiram sobre a relação do ser humano com outras espécies e com o planeta de modo geral.

Reprodução/Museu Nacional de Arte Ocidental, Tóquio, Japão.

Pintura • França • Século XX

Claude Monet, Ninfeias, 1916. (Óleo sobre tela, 200,5 cm × 201 cm, Museu Nacional de Arte Ocidental, Tóquio.) Os estudantes costumam usar apenas azul e verde para representar a paisagem. A pintura de Monet nos ajuda a perceber as nuanças de cores que existem no jogo de luzes, sombras e reflexos que compõem uma paisagem natural.

O pintor francês Claude Monet (1840-1926), um dos mais importantes artistas impressionistas, cultivava plantas de espécies variadas no jardim de sua casa em Giverny, no interior da França. A obra apresentada nesta página pertence a uma série de pinturas em que representou as ninfeias, um tipo de planta aquática que existia no lago de sua propriedade. Nessas pinturas, não há linha do horizonte e as manchas de cores e pinceladas chamam mais a atenção do que a própria paisagem. Você observou quantas cores diferentes Monet usou para representar a água e as plantas?

22 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 22

6/23/15 4:28 PM


Pintura • Brasil-AC • Século XX

Hélio Melo (1926-2001) nasceu no Acre e passou muitos anos vivendo e trabalhando num seringal. O artista é conhecido como o pintor da floresta. Seus desenhos e pinturas, algumas vezes feitos com o sumo das folhas, mostram a Floresta Amazônica pela perspectiva de quem caminhou por entre árvores de 30 metros de altura e trabalhou extraindo a borracha das seringueiras. Nessa pintura, ele fez um mapa que marca seu percurso pela floresta para sangrar as seringueiras. Você já andou em algum tipo de mata ou numa floresta?

Se você estiver em uma região de Mata Atlântica ou Floresta Tropical, aproveite para conversar com os estudantes sobre o contato que eles têm com a mata, questionando se já fizeram um percurso dentro dela. Reforce que a atividade econômica de extração do látex da seringueira é sustentável. O seringalista não derruba a floresta para obter seu sustento, a seringueira só cresce no meio da mata e pode ser sangrada por muitos anos. A atividade econômica entrou em decadência a partir da produção da borracha sintética. Nas orientações específicas, no fim deste livro, há um texto de José Roca sobre a extração de borracha no Acre.

Reprodução/Coleção Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansur, Rio Branco, AC.

Hélio Melo, Entrada da Floresta, 1983. (PVA sobre compensado, 102 cm × 197 cm, Coleção Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansur, Rio Branco, AC.)

capítulo 1 • 23 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 23

6/23/15 4:29 PM


Instalação • Fotografia • Reino Unido • Século XX Reprodução/Chris Hellier/Corbis/Latinstock

Andy Goldsworthy, Installation [Instalação], 2000. (Asse Valley, França.)

O artista escocês Andy Goldsworthy (1956) costuma trabalhar com o que está disponível na natureza. Durante o outono, utiliza folhas secas caídas das árvores, empilhando grande quantidade delas para formar composições visuais. No inverno, faz esculturas com neve. Em alguns parques, empilha pedras, concebendo esculturas. O artista registra suas obras por meio da fotografia, pois uu Efêmero:ualgou seu trabalho é efêmero. Ou seja, as folhas, as pedras, os galhos e o gelo que queuduraupouco. reúne e com os quais organiza suas montagens aos poucos se espalham novaComente com os estudantes que fazer buracos e castelos na areia são formas de mente no ambiente. construir estruturas efêmeras com Você já fez algum tipo de trabalho efêmero usando elementos da natureza? elementos da natureza. Chame a atenção deles para o fato de que, neste caso, o artista trabalha com objetos que estão dispersos no chão. Não se trata de colher flores, arrancar folhas nem quebrar os galhos das árvores.

24 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 24

6/23/15 4:29 PM


Reprodução/Scala Images/Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA.

Pintura • Brasil-RJ • Século XX

Beatriz Milhazes, Suculentas berinjelas, 1996. (Acrílica sobre tela, 189,9 cm × 245,1 cm, Museu de Arte Moderna, MoMA, Nova York.)

Para criar a obra Suculentas berinjelas, a artista carioca Beatriz Milhazes (1960) sobrepôs guirlandas de flores, mandalas e padrões ornamentais circulares inspirados em trabalhos artesanais de renda e crochê. Ela pinta separadamente os elementos em filmes de acetato e depois os aplica, decalcando as formas sobre a tela, justapondo os elementos como em uma colagem. Por que você acha que a artista chamou essa pintura de Suculentas berinjelas? Que elementos naturais você identifica nesta composição?

uu

Mandala: formaucomu desenhougeométricou organizadouemucírculos.uOu termoutemuorigemunou sânscritoueurepresentauau relaçãouharmônicaudoucosmo.

A artista carioca entende que sua pintura carrega a beleza natural da cidade do Rio de Janeiro, em que a presença da Mata Atlântica, das formações rochosas e das praias e lagoas pode ser sentida cotidianamente. Beatriz elabora as formas exuberantes das flores, folhas, frutos de maneira imaginária e sintética. A pintura lembra uma toalha ou um bordado, mas o conjunto evoca uma árvore, que produz elementos inconciliáveis na natureza, tais como o caju, a berinjela e a rosa.

capítulo 1 • 25 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 25

6/23/15 4:29 PM


Fotografia • Brasil-MG • Século XXI

Reprodução/Sebastião Salgado/Amazonas Images

Um dos mais conhecidos fotógrafos da atualidade é o mineiro Sebastião Salgado (1944). Depois de cobrir acontecimentos mundiais por alguns anos como fotojornalista, Salgado passou a trabalhar em projetos próprios que retratam a diversidade da Terra e dos povos que nela habitam. A fotografia acima faz parte do projeto Gênesis (2013), composto de 250 fotografias em preto e branco, nas quais registrou lugares onde a natureza ainda está intocada, como desertos, terras geladas, vulcões, selvas e cadeias de montanhas. Este iceberg, segundo Sebastião Salgado, tem mais de oitocentos anos e se parece com um castelo medieval. Você já brincou de encontrar formas conhecidas nos elementos da natureza, como nuvens, por exemplo?

Sebastião Salgado, Gênesis, 2013. Iceberg entre a ilha Paulet e as ilhas Shetland do Sul, no mar de Weddel, que banha uma baía da Antártica. Além de ser expostas em diferentes partes do mundo, as imagens desse projeto formam o livro de mesmo nome. (Fotografia em preto e branco, Taschen.) Mostre aos estudantes que é possível reconhecer desenhos e formas estabelecidas pela cultura em elementos naturais e que a prática do desenho estimula o desenvolvimento desse olhar. Olhar para nuvens e imaginar suas formas como objetos cotidianos estimula o desenvolvimento da imaginação e da compreensão de escalas de grandeza.

26 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 26

6/23/15 4:29 PM


Escultura • Austrália • Século XXI

As esculturas que representam corujas foram feitas por Patrick Freddy Puruntatameri, um artista descendente dos povos aborígines que vivem há milhares de anos na região nordeste da Austrália. Esses povos se nomeiam Yolngu, que significa ‘pessoa’. Eles empregam pigmentos naturais para fazer pinturas sobre casca de árvore, sempre representando a diversidade ecológica do ambiente em que vivem. Que materiais estão disponíveis na região onde você vive? Como esses materiais podem ser usados para produzir uma obra?

uu

Aborígine:uhabitanteudeuumu país;uindígena.

Patrick Freddy Puruntatameri, Tjurukukuni (Coruja), 2014. (Esculturas em madeira, 60 cm × 15 cm, à direita, e 58 cm × 16 cm, à esquerda. Museu Australiano, Sydney, Austrália.)

Fotos: Reprodução/Jilamara Arts and Craft, The Artist and Alcaston Gallery, Melbourne, Austrália.

Mostre aos estudantes que na maior parte dos lugares há diversos tipos de material disponível, tanto natural quanto artificial. Estimule-os a coletar e produzir algum objeto com esses materiais.

CAPÍTULO 1 • 27 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 27

6/23/15 4:29 PM


Instalação • Suíça • Século XXI Reprodução/Scala Images/Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA.

Pipilotti Rist, Ponha seu corpo para fora, 7 354 metros, 2008. (Vídeo, 25 metros, Museu de Arte Moderna, MoMa, Nova York.)

Na década de 1990, a artista suíça Pipilotti Rist (1962) passou a explorar a linguagem do vídeo, associada ao som, ao espaço e aos objetos do ambiente, criando uma atmosfera imersiva, na qual as pessoas podiam vivenciar uma experiência sensível completa. No trabalho Ponha seu corpo para fora, 7 354 metros, ela projetou imagens em movimento com 25 metros de altura. Algumas sequências foram captadas de dentro de um jardim, do ponto de vista das formigas. Para assistir às imagens, o público se acomodava em um colchão coletivo de forma circular e podia ouvir a música composta pela artista. Você gosta de deitar na grama? Já imaginou o mundo da perspectiva dos insetos? Será que o ambiente criado pela artista tem relação com a natureza?

Os estudantes devem perceber que a mudança de perspectiva pode alterar muito o modo de encarar o mundo e de representá-lo. Sugira que eles se abaixem ou subam numa cadeira para observar o ambiente e pergunte o que mudou na percepção deles.

28 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 28

6/23/15 4:29 PM


Reprodução/OGPTB/Global Editora

Ilustração • Brasil-AM • Século XX

Dino Geraldo Alexandre, A samaumeira que escurecia o mundo. (Desenho, caneta hidrográfica, 21 cm × 29,7 cm.)

uu

Igarapé:upequenouriou queupodeuserunavegado.u Outermouéutupiueusignificau ‘caminhoudaucanoa’.

Procure direcionar as respostas de modo que os estudantes percebam que cada cultura tem um modo de se relacionar com a natureza. Procure mostrar a importância de se proteger a natureza e em que medida o ser humano depende dela para viver.

A imagem desta página, de Dino Geraldo Alexandre, ilustra uma lenda do povo Ticuna. Segundo essa lenda, a terra era coberta por uma árvore enorme, cujo nome era samaumeira, e tudo era frio e escuro. Os irmãos Yo’I e Ipi chamaram todos os animais da floresta para derrubá-la. Do tronco da samaumeira caída formou-se o rio Solimões, e de seus galhos surgiram outros rios e os igarapés. Observe no desenho que os elementos árvore e rio são representados como uma coisa única. Para os povos indígenas, a natureza é extremamente importante. Muitas de suas lendas tratam da diversidade das espécies e da relação entre o céu, os rios, as árvores, os animais e a humanidade. Você conhece alguma história sobre a origem do lugar em que vive? Que relação essa história estabelece com o ambiente?

2. A pintura de Monet, a fotografia de Goldsworthy, a instalação de Rist e o desenho de Dino Geraldo representam algum tipo de vegetação. A pintura de Monet, a fotografia de Salgado e o 1 De qual dessas obras você mais gosta? Por quê? Resposta pessoal. desenho de Dino Geraldo representam a água. A pintura de Melo e a fotografia de Goldsworthy representam a relação do 2 Como você descreveria os trabalhos vistos nessa seção quanto à representação? homem com a natureza. A pintura de 3 E como classificaria essas obras quanto à linguagem? Monet, Milhazes e Melo trabalharam com a pintura. Milhazes é uma representação imaginária Dino Geraldo usou a técnica de desenho. Goldsworthy construiu esculturas e instalações com os elementos da natureza. Salgado e Goldswor- de natureza. A escultura de Freddy representa um animal. thy usaram a fotografia. Freddy usou a escultura em madeira. Rist usou vídeo, música e objetos para criar um ambiente imersivo.

Reflita sobre as imagens do Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os estudantes.

capítulo 1 • 29 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 29

6/23/15 4:29 PM


fala o artista sebastião salgado u EstauéuumaufotografiaudouriouNegrouentreuaucidadeudeuManausueuaucidadeudeuBarcelos,unouestadoudouAmazonas,unouBrasil.u Éuinteressanteudeuaugenteuveruauescala,uporqueuéuumauescalaumonstruosa.uOuriouNegrouéuumurioubastanteuprofundo,ueleu temuumaumédiaudeuprofundidadeudeu80umetros.uEleuseujuntauaouSolimões,uemuManaus,ueuaupartirudaí,uosubrasileirosuchamamu esteurioudeuAmazonas.u[...]uAquiunósutemosuauflorestauAmazônicaucomuárvoresudeu40uau50umetrosudeualtura.uEuuestouuaumaisu ouumenosu3umilumetrosudeualturaunumuhelicóptero,ueuaugenteuvêuousistemaudeuformaçãoudeuchuvaunauAmazônia.uAquiunósu temosuumuenormeucumulusunimbus,uqueuéuumaunuvemuextremamenteuperigosa,ucomuventosuqueusobemuatéu120ueu130u quilômetrosuporuhora,uqualqueruaviãouqueuentraruaquiunãousai.uÉuextremamenteuperigoso. Euaugenteuvêuauprecipitação,uauchuvaucaindo.uEstaunuvemuvaiuseudesfazeruemuágua.uE,unououtroudia,useuaugenteu vemuaquiudeumanhã,unósuvamosuterumilharesudeupequenasunuvens,uque,unaurealidade,uéuauumidadeuqueuvaiusubiru dousolo,udaufloresta,udosuriosueucomeçaruauseutransformaruemunuvens,uemupequenasunuvens,umuitoumenoresuqueu estas,uporumilhares. [...]uNósutemosuqueuprotegeruauAmazônia,uporque,useuaugenteuterminarucomuesteusistemaudeuárvores,uvamosuterminarucomuousistemaudeuáguaueuromperuumuequilíbriounouplaneta,uqueuaugenteunãoupodeusaberuasuconsequências. Sebastião Salgado falando em vídeo no site do projeto. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=Icjpoe7QaBU>. Acesso em: 8 mar. 2015.

Reprodução/Sebastião Salgado/Amazonas Images

Fotografia • Brasil-MG • Século XXI uu

Cumulus nimbus:unuvemu baixa,udeuformatouvertical,u normalmenteuassociadauau fenômenosumeteorológicosu extremos,ucomoutempestadesu volumosasucomumuitosuraios.

Sebastião Salgado, Gênesis, 2013. (Fotografia em preto e branco, do Parque Nacional Anavilhana. Taschen.) O projeto Gênesis, de Sebastião Salgado, publicado em 2013, retrata regiões pouco tocadas pelo ser humano, onde algumas comunidades ainda vivem de acordo com tradições antigas. O fotógrafo levou oito anos para concluir o projeto. Um dos intuitos da obra é conscientizar as pessoas da importância da natureza para a vida no planeta.

Converse com os colegas de turma sobre o olhar de Sebastião Salgado, revelado em sua Embora algumas respostas sejam pessoais, oferefotografia e também em seu depoimento. cemos sugestões de diálogo com os estudantes. Resposta pessoal. Procure valorizar os comentários dos estudantes, mostrando as relações entre a obra do fotógrafo e a conscientização do valor desse ecossistema. 2 Qual é a importância do sistema de formação de chuva da Amazônia? Segundo o texto, o sistema de formação de chuva se relaciona com o equilíbrio ecológico no planeta, não conhecemos as consequências de romper esse equilíbrio.

1

O que diz o fotógrafo a respeito da Amazônia?

30 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 30

6/23/15 4:29 PM


pensando com a história artistas viajantes no brasil uu

Maurício de Nassau (1604-1679):uholandêsuresponsávelupelau

CompanhiaudasuÍndiasuOcidentaisuqueu governouuouBrasiluholandês. uu Missão Artística Francesa:ugrupoudeu artistas,uartesãosueutécnicosufranceses,u lideradosuporuJoachimuLebreton,uqueuveiou aouBrasiluparauimplantaruouensinou superiorudeuArte. uu Litografia:uprocessoudeuimpressãou comumatrizuplanauqueuutilizaupedrau calcáriaucomousuporte.uPoruextensão,u estampauobtidaupeloumesmouprocesso. Johann Moritz Rugendas, Paisagem da selva tropical brasileira, 1830. (Óleo sobre tela, 62,5 cm × 49,5 cm, coleção Príncipe Thurn und Taxis, Ratisbona, Palácios e Jardins Estatais, Potsdam, Sanssouci, Alemanha.)

Reprodução/Coleção particular

No século XVI, o encontro dos conquistadores europeus com os povos que viviam nas Américas influenciou fortemente a arte, a ciência e a cultura europeias. As primeiras imagens desse mundo até então desconhecido foram feitas na Europa apenas com base nos relatos dos viajantes que estiveram em terras americanas. Essas produções consistiam de mapas e gravuras que ilustravam esses relatos, cujas representações eram bastante fantasiosas, povoadas de monstros e outros seres imaginários. Em 1637, Maurício de Nassau chegou a nosso país acompanhado por uma comitiva de cientistas e artistas. Entre eles, estavam os pintores Frans Post (1612-1680) e Albert Eckhout (c. 1610-c. 1666), que realizaram importantes representações pictóricas da paisagem, das plantas, dos animais e dos homens que aqui viviam. No século XVIII, muitas expedições seguiram para a América do Sul, interessadas em registrar e catalogar a natureza exótica que tanto aguçava a curiosidade europeia. Algumas delas avançaram pelo interior do Brasil, através de rios, enfrentando adverPintura • Alemanha • Século XIX sidades naturais e, inclusive, entrando em conflito com grupos indígenas locais. No início do século XIX, com a instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro, muitos artistas europeus chegaram ao Brasil. Em 1816, os pintores Jean-Baptiste Debret (1768-1848) e Nicolas Antoine Taunay (1755-1830) integraram a Missão Artística Francesa, que veio ao Rio de Janeiro, a convite do príncipe regente dom João VI, para fundar a Academia de Belas-Artes. Esses artistas produziram imagens significativas da vida cotidiana e da natureza brasileira. Também o alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858) deu um importante testemunho do modo de vida da sociedade brasileira por meio de seus registros. Após a primeira viagem ao Brasil, Rugendas publicou o livro Viagem pitoresca através do Brasil, composto de cem litografias que mostravam cenas de trabalho, festa, tipos humanos, costumes e paisagens. O artista também realizou na Europa uma série de pinturas a óleo em que representou de forma idealizada a floresta tropical.

capítulo 1 • 31 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 31

6/23/15 4:29 PM


hora da troca paisagismo

Exploreuauobrau paisagísticaudeu BurleuMarxunouu siteudouParqueu BurleuMarx.u Disponíveluem:u <parqueburlemarx. com.br/>.uAcessou em:u19umar.u2015.

Paisagismo é a arte de conceber e criar espaços agradáveis ao ar livre, usando elementos naturais como plantas, pedras, água e terra. Os paisagistas fazem projetos de jardins, praças e parques. Para isso, precisam conhecer as plantas, saber quanto tempo levam para crescer, que espaço vão ocupar após se desenvolver e a quantidade de luz, umidade e calor de que precisam para viver. No Brasil, a história do paisagismo está ligada à obra mundialmente conhecida de Roberto Burle Marx (1909-1994). Ele iniciou seu trabalho na década de 1930, projetando jardins nos quais misturava as plantas tropicais e a estética da pintura abstrata. Muitas vezes seus jardins eram concebidos inicialmente em desenhos e pinturas compostos de formas e cores. Burle Marx interessou-se especialmente pela flora brasileira, isto é, pelo conjunto das espécies vegetais existente em nosso país. Para conhecer mais sobre jardins especiais no Brasil e no mundo, recomendamos alguns links (acessados em: 19 mar. 2015).

Global

Paisagismo • Inglaterra • Século XVIII

Os Reais Jardins Botânicos de Kew são um dos maiores e mais antigos do mundo. Eles foram criados em 1751 e estão situados a sudoeste de Londres, Inglaterra. Ali se cultivam 40 mil espécies botânicas, originárias de diversas partes do planeta. Disponível em: <www.kew.org/visit-kew-gardens>.

Peter Langer/Design Pics/Corbis/Latinstock

Para conhecer as dez maiores atrações do parque, sugerimos um vídeo em inglês, também disponível no site oficial da instituição: <www.kew.org/discover/ videos/top-10-attractions-kew> (acesso em: 19 mar. 2015). Pode ainda obter outras informações em um vídeo da Unesco, em espanhol, disponível em: <http://whc.unesco.org/en/list/1084/ video> (acesso em: 19 mar. 2015).

Reais Jardins Botânicos de Kew, Londres, 2012.

32 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 32

6/23/15 4:29 PM


nacional O Instituto Inhotim abriga em um jardim botânico obras de artistas contemporâneos nacionais e internacionais. O instituto, localizado em Inhotim, Minas Gerais, foi fundado em 2004. Disponível em: <www.inhotim.org.br/JardimBotanico>.

Paisagismo • Brasil-MG • Século XX

Ronaldo Almeida/Shutterstock/Glow Images

Jardins do Instituto Inhotim, Brumadinho, MG, 2010.

Considerando as imagens que você viu, reflita sobre as características da vegetação da região em que vive, aprofunde o assunto com um levantamento e compartilhe seus conhecimentos com os colegas e o professor. 1

Você conhece as espécies botânicas de sua região? Como é a vegetação dela? Que tipo de árvore é comum ali? Pesquise em livros, revistas, jornais e sites. Outra boa fonte de informação são os familiares, amigos e professores. Resposta pessoal. Incentive os estudantes a pesquisar e a conhecer mais da natureza que os rodeia.

2

Escolha uma espécie vegetal característica de sua região para conhecer melhor. Por exemplo, você pode escolher uma árvore e pesquisar qual é seu nome, como é sua flor e seu fruto, em que época do ano ela floresce, quanto tempo leva para crescer e em que locais da cidade aparece (se nos jardins das casas ou nos canteiros da rua). Resposta pessoal.

3

Faça um desenho dessa espécie e, na mesma folha, escreva tudo o que descobriu sobre ela. Organize as informações de modo que interajam com o desenho no papel. Depois, compartilhe com os colegas.

Verifique se foram incluídas as informações mais relevantes sobre o objeto representado. Proponha aos estudantes que organizem um mural com o resultado da pesquisa. Se houver um jardim botânico ou um parque em seu bairro ou município, proponha aos estudantes uma visita.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 33

capítulo 1 • 33 6/23/15 4:29 PM


debate olhares sobre a natureza A natureza pode ser definida como o conjunto de tudo o que existe no universo: a terra, os grupos humanos, as pedras, os mares, os rios, as plantas e os bichos, entre tantos outros elementos. E, no decorrer dos tempos, as pessoas se relacionaram com ela de inúmeras maneiras diferentes. Para os colonizadores, a natureza era um obstáculo para a conquista e o controle do território, devido ao enfrentamento que tiveram com rios, florestas e animais. Nos últimos dois séculos, ela foi estudada, catalogada e vista pelo ser humano como fonte de recursos a ser explorados como mercadoria. Assim, a natureza tem sustentado o que chamamos de crescimento econômico da sociedade. Observe as seguintes imagens, prestando atenção em quando foram feitas e em quem as realizou.

Reprodução/Museu Nacional da Dinamarca, Copenhague, Dinamarca.

Pintura • Holanda • Século XVII

Albert Eckhout, Bananas, goiaba e outras frutas. (Óleo sobre tela, 91 cm × 91 cm. Nationalmuseet, Copenhague, Dinamarca.) Durante oito anos, o artista pintou doze naturezas-mortas no Brasil, com caráter documental. Note que, nesta pintura, as frutas foram dispostas em um arranjo harmonioso para ser retratadas. O artista explorou o que havia de exótico nas características das frutas, porém com técnicas e perspectiva europeias.

34 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 34

6/23/15 4:29 PM


Pintura • Inglaterra • Século XIX Reprodução/Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, SP.

Reprodução/Coleção particular

Desenho • Brasil-AC • Século XXI

Joseph Jung, Os principais insetos nocivos do Brasil, 1832. (Aquarela e água-forte sobre papel, 45,1 cm × 56,7 cm. Coleção Brasiliana.) Ilustração para o livro Viagem ao interior do Brasil, de 1832, do médico e botânico Johann Emanuel Pohl, que fez parte da missão austríaca, composta de cientistas e artistas que acompanharam a princesa dona Leopoldina quando ela veio ao Brasil para se casar com dom Pedro I. A gravura apresenta insetos classificados e organizados de acordo com sua morfologia (taxonomia).

Cleiber Pinheiro Sales, O espírito da floresta, 2011. (Desenho, Terra indígena Alto Rio Jordão, Acre.) Cleiber Pinheiro Sales promove encontros para estimular e fortalecer a prática artística entre jovens kaxinawá. Em seu desenho, a natureza é representada como um sistema em que homem, plantas, águas e animais aparecem conectados e envoltos pela floresta.

Converse com os colegas e o professor sobre as diferentes visões da natureza representadas nas obras que acabaram de observar. A seguir, oferecemos um roteiro para ajudá-lo na reflexão. w O que essas representações revelam sobre a visão de mundo das pessoas que as realizaram? w Como cada uma das representações mostra a natureza? w Olhares diferentes podem ampliar nosso entendimento da natureza? w Que elementos da natureza você costumava usar em seus desenhos quando criança? w Atualmente, como você costuma representar a natureza?

As obras apresentadas têm diferença temporal de até duzentos anos. São representações feitas por um artista barroco europeu, um europeu iluminista e um artista indígena contemporâneo, que buscam expressar em suas representações a beleza daquilo que é exótico, o conhecimento científico e uma visão mítico-religiosa, respectivamente. Apontar essas intensões e outras que podem surgir no debate possibilita que os estudantes percebam a pluralidade expressa nos diferentes olhares sobre a natureza.

capítulo 1 • 35 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 35

6/23/15 4:29 PM


teoria e técnica 1. a pintura Corante:u substânciauqueu misturadauau outraudáucoruau esta. uu Aglutinante:u substânciauqueu aglutina,uouuseja,u queufixauautintau aousuporte. uu Aguada:ugrandeu superfícieu cobertaucomu tintaubemu diluída.

uu

Em cada uma das técnicas de pintura são utilizados diferentes tipos de tinta e de instrumento. As tintas são compostas de corantes e aglutinantes. De composição variada (algumas são mais pastosas; outras, mais líquidas), aderem às mais diversas superfícies. Para cada tipo de tinta, existe um solvente, isto é, um líquido capaz de dissolvê-la. Para estudantes, recomendam-se tintas preparadas à base de água, boas para diluir e aplicar, além de facilitar a limpeza dos instrumentos utilizados durante a pintura – que podem simplesmente ser lavados em água corrente. Algumas dessas tintas: v

A aquarela: uma tinta transparente, que deve ser diluída em água e sobreposta em camadas. Dependendo da maneira como é usada, pode produzir manchas e aguadas. O ideal é aplicá-la sobre papel absorvente, poroso e áspero, como o papel Canson, com pincéis de pelo macio.

v

O guache: uma tinta pastosa, que pode ser utilizada em vários graus de diluição em água. Por ser opaca, é excelente para cobrir superfícies uniformes com uma só cor, sem manchar.

v

O nanquim: uma invenção chinesa, é excelente para escrever e desenhar. Pode ser usado com pincéis de ponta fina e com as antigas penas de tinteiro.

v

A tinta acrílica: composta de pigmentos e resinas plásticas, é de secagem rápida e pode ser diluída em água. É usada em vários graus de diluição e pode ser aplicada sobre diversas superfícies, como tela, madeira, tecido e chapa metálica, entre outras. Deve ser usada com pincéis duros, como os de cerdas de porco ou de fibras artificiais.

Reprodução/Coleção Sérgio Fadel, Rio de Janeiro, RJ.

Pintura • Brasil-RJ • Século XX

Alberto da Veiga Guignard, Floresta ao amanhecer, 1943. (Óleo sobre tela, 240 cm × 493 cm. Coleção Sérgio Fadel, Rio de Janeiro, RJ.)

36 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 36

6/23/15 4:29 PM


Já alguns pintores profissionais costumam utilizar tinta a óleo, pois esse tipo de tinta, devido a sua base oleosa, leva muito tempo para secar. Isso dá ao artista a chance de trabalhar na obra por vários dias, modificando a pintura como quiser. Também pode ser usada em camadas grossas, para criar relevos na superfície da tela, ou diluída em camadas, para criar um efeito de transparência. Com a tinta a óleo é possível compor imagens bem detalhadas, pintando-se camada por camada. Outros artistas, porém, preferem experimentar elementos não convencionais e adicionam pigmentos a materiais inusitados, como cera, gesso, cimento e areia. A pintura, enfim, oferece inúmeras técnicas e possibilidades para todos aqueles que estiverem dispostos a usá-las.

2. luz e sombra A sombra e a luz são dois lados do mesmo fenômeno. Sem a luz, não há sombra. Existem dois tipos básicos de sombra: a sombra projetada e a sombra própria. A sombra projetada é aquela que cobre uma superfície, quando a luz é bloqueada por um objeto. Essa sombra tem a mesma forma do objeto que a projeta, mas pode ser deformada de acordo com o ângulo, a proximidade e a intensidade da luz. Por exemplo, se o foco de luz está no alto, a sombra é pequena. Se o foco está embaixo, a sombra projetada é longa. Quanto mais forte e dirigida é a fonte de luz, mais bem delimitada é a sombra projetada. Em um dia nublado, a luz é distribuída por igual no céu, portanto não se formam sombras projetadas. Já no amanhecer ou entardecer dos dias de sol, formam-se longas sombras na calçada. A sombra própria é a região mais escura de um objeto observado sob uma fonte de luz. A face do objeto voltada para a luz torna-se mais clara e a face oposta, mais escura. Em objetos cilíndricos e esféricos, a sombra própria vai se acentuando suavemente até a região oposta à luz. Ela resErich Lessing/Album/Latinstock/Tate Gallery, Londres, Inglaterra. salta o volume e nos ajuda a ver a profundidade das coisas. Em suas obras, alguns artistas usam sombras para criar atmosferas misteriosas ou dramáticas. Outros abusam do brilho e da luz, com a finalidade de reproduzir na pintura materiais, como metais e pedras preciosas.

Giorgio Morandi, Natureza-morta, 1946. (Óleo sobre tela, 37,5 cm × 45,7 cm, Tate Gallery, Inglaterra.) Grande parte do trabalho desse artista italiano (1890-1964) consiste em representações de garrafas, jarros, potes e outros utensílios cotidianos. Observe como ele usa os efeitos de luz e sombra para ressaltar o volume dos objetos.

capítulo 1 • 37 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 37

6/23/15 4:29 PM


atividades 1. natureza-morta

Cada estudante deve ser orientado previamente a trazer algum objeto para o arranjo. Junte algumas mesas e ajude os grupos na montagem da natureza-morta. Ajude os estudantes a perceber as possibilidades oferecidas pelo arranjo e a encontrar uma boa posição ao redor dele. Quem acabou o desenho pode preparar a tinta. Cada integrante do grupo pode preparar uma variação da cor para que todos a utilizem de forma compartilhada, e assim haverá menos desperdício de tinta. Estimule-os a ocupar toda a folha A3 com o desenho. Depois de finalizada a atividade, incentive-os a observar a pintura dos colegas de grupo e comparar os diferentes pontos de vista do mesmo arranjo.

Nesta atividade você vai fazer uma natureza-morta, que é um gênero de pintura no qual se representam objetos, frutas e animais mortos, organizados num arranjo harmonioso.

Material: objetos para o arranjo (frutas, flores e alguns objetos, como garrafas e potes); papel Canson A3; lápis 6B ou integral; potes plásticos reciclados; tinta guache (preta, branca e uma cor qualquer); pincéis de ponta redonda no 8 e no 14; paninho para limpeza. Reúna-se em grupo para montar o arranjo, que servirá de modelo para a pintura. Para aquecer, cada integrante do grupo deve fazer um desenho do arranjo de um ponuu Monocromático:u to de vista diferente. Observe a luz e as sombras do conjunto. Repare o que está à deuumaucoruapenas. frente e o que está atrás. Depois, faça uma pintura monocromática do mesmo arranjo. Nessa técnica, é possível trabalhar as variações entre o preto, nas áreas de sombra total, e o branco, nas áreas de luminosidade máxima. Isso ajuda a definir o volume do objeto. Use a cor escolhida e prepare algumas variações misturando-a com branco e preto.

Depois, numa folha de papel Canson A3, cada integrante do grupo vai fazer um desenho leve a lápis, demarcando a forma geral do arranjo. Se for possível, coloque o objeto sob uma fonte luminosa intensa – a luz pode ser artificial ou natural. Com o pincel, faça uma pintura observando a incidência da luz nos elementos do arranjo. Pinte as áreas de cor média, depois com tons mais escuros as áreas de sombra e com tons mais claros as áreas de luz. Guarde o branco para reforçar algum brilho, se houver.

Perceba se existe sombra projetada do objeto sobre a superfície da mesa e se ela é difusa ou bem definida. Reserve uma cor para a pintura do fundo. Os tons mais claros devem ser usados nas regiões de luz e os mais escuros nas regiões de sombra. Os tons médios devem ser usados nas áreas de transição.

Com os colegas de turma, organize um painel para expor os trabalhos realizados, separando-os por cores. Depois, siga o roteiro para fazer uma avaliação coletiva. w Que pinturas ocuparam toda a folha? w Em quais delas são aparentes os efeitos de luz e sombra dos objetos? w Que obras tiveram mais êxito em mostrar o volume do objeto? w Quais delas apresentaram mais variações de claro e escuro? w Em que obras os objetos são apresentados com mais detalhes? w Qual é o arranjo mais interessante? w Qual foi o objeto mais difícil de representar? w Será que alguém exagerou e criou uma luz que não existia?

38 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 38

6/23/15 4:29 PM


2. desenho e pintura de paisagem Nesta atividade, você vai observar uma paisagem, desenhá-la e depois pintá-la. O desenho individual: Material: folha de sulfite A3; lápis 6B; lápis de cor Faça um desenho de um trecho de uma praça ou de um jardim próximo da escola. Neste trabalho, a ideia é enfrentar as dificuldades de um desenho de paisagem: observar com atenção os elementos, escolher o nível de detalhamento do desenho e saber que informações são indispensáveis a ele. Escolha um enquadramento e reflita sobre como representar pequenos elementos, como as folhas; como desenhar nuvens; como traduzir superfícies em linhas; como localizar a linha do horizonte; que elementos estão mais próximos e quais deles estão distantes. Depois de concluir o desenho básico, use lápis de cor para fazer os detalhes. A pintura coletiva de uma paisagem: Material: papel Kraft de metro; tinta látex branca; pigmento líquido para tinta de parede de várias cores; copos descartáveis; concha para servir a tinta branca; pincéis de ponta redonda, finos e grossos; pincéis chatos de 4 cm de largura; pano para limpeza

Em trabalhos em grupo, o professor tem papel importante na administração de conflitos. Por isso, fique atento para a dinâmica de cada grupo, observando se existem estudantes que não estão participando em razão de alguma dificuldade, se existe um desacordo que está impossibilitando o andamento do trabalho, etc. Mostre aos estudantes que é possível criar uma composição com a multiplicidade de olhares.

Reúna-se com mais três colegas para fazer uma pintura coletiva. Cada grupo receberá um pedaço de papel Kraft de mais ou menos 1,5 m. Defina com os componentes do grupo o que será representado, como isso será feito e como serão divididas as tarefas. Com os colegas, prepare as tintas antes de começar. Todos no grupo devem fazer esboços rápidos a lápis para determinar a composição. Terminada a preparação, mãos à obra, e não se preocupe em fazer uma representação realista, até porque, no trabalho coletivo, a convivência de vários olhares propicia uma visão múltipla da realidade.

Com os colegas, organize um painel com os desenhos individuais realizados. Depois, siga o roteiro para fazer uma avaliação coletiva dos resultados.

w Em que trabalhos a paisagem é representada com mais detalhes? w Que trabalhos mostram recortes maiores do espaço? w Quanto ao ângulo escolhido para retratar a paisagem, existem enquadramentos parecidos? w O uso da cor ajuda a representar a paisagem? Agora, para avaliar as pinturas coletivas, discutam as seguintes questões. w Qual é a composição que mais chama sua atenção? w Em que trabalhos aparecem representações em escalas diferentes evidenciando a multiplicidade de olhares?

capítulo 1 • 39 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C1_020a039.indd 39

6/23/15 4:29 PM


2

CAPÍTULO

objetos PaRa o FutuRo

1 2 3

Vocêusabeuouqueuéucoletauseletiva?uResposta pessoal. Vocêuseupreocupauemusepararuoulixouqueuproduz?uResposta pessoal. Quandouvocêucomprauumuproduto,upensauemuondeuvãoupararuasu embalagens?uResposta pessoal.u

40 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 40

6/23/15 4:30 PM


TEMA

OBJETO

CONCEITO

Lixo

Design e artesanato

Consumo

TEMA TRANSVERSAL

TÉCNICA

HABILIDADE

Reciclagem

Confecção de objetos

Simone Marinho/Agência O Globo

comeÇando PoR Você

uu

Reciclar:uaçãoudeu recuperarueuusarualgumu materialudescartado.u

Alerte os estudantes quanto aos perigos de se recolher determinados objetos e oriente para que eles utilizem apenas materiais que ainda não foram para o lixo. Procure lembrá-los de materiais acessíveis do dia a dia que podem ser reaproveitados, como caixas de ovos, embalagens de iogurte e de manteiga. Procure conscientizá-los também de que o sistema de coleta seletiva, disponível em muitos lugares, pode ajudar no reaproveitamento do lixo.

As sociedades contemporâneas têm produzido cada vez mais objetos e bens industrializados. Depois de utilizados, esses materiais, parcial ou integralmente, tornam-se lixo. A grande quantidade de lixo é um problema para a maioria das cidades do mundo. Por isso, é importante consumir de modo consciente e fazer o descarte adequado do lixo para que seja possível reciclá-lo. Um descarte adequado cria condições de sustentabilidade, gera desenvolvimento social e ainda ajuda a preservar os recursos naturais. A sacola plástica e as garrafas PET são alguns dos produtos mais numerosos e nocivos para o ambiente, devido ao longo tempo de decomposição desses materiais. Colecionar objetos descartados pode ser divertido. Com esse material, você pode construir algo novo ou apenas entregar sua coleção para reciclagem. Você já experimentou reutilizar embalagens?

João Fávero/Fotoarena

Meio ambiente

Objeto • Brasil-SP • Século XXI

Luminária confeccionada por Coopa-Roca e TT Leal, Rocinha, Rio de Janeiro, RJ, 2007.

Instrumento de percussão feito com tampinhas de garrafa PET, São Paulo, 2013.

Reflita sobre estas questões iniciais e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Você tem o hábito de reaproveitar objetos descartados?

2

O que faz para diminuir a quantidade de lixo no planeta? Você conversa sobre esse problema mundial com seus familiares e amigos?

CAPÍTULO 2 • 41 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 41

6/23/15 4:30 PM


painel ReciclaR, ReutilizaR e ReduziR o consumo Designer:uprofissionalu especializadouemuprojetaru objetosuutilitáriosuparauau indústria.

Nas próximas páginas, vamos conhecer artistas e designers que reaproveitaram objetos descartados e recuperaram máquinas antigas na produção de suas obras a fim de divulgar a ideia de redução do consumo e de provocar a reflexão sobre a questão do lixo.

Scala Images/

Escultura • Espanha • Século XX

Museu Picass o, Paris, Fra nça.

uu

A escultura Cabeça de touro é apreciada pela simplicidade e força sintética de representação do animal. As primeiras esculturas usando montagem de objetos (assemblage) foram feitas por Picasso ainda na década de 1910. Muitos outros artistas usaram essa técnica, entre eles, o suíço Jean Tinguely (1925-1991).

Pablo Picasso, Cabeça de touro (1942). (Assemblage, 33,5 cm × 43,5 cm × 19 cm. Museu Picasso, Paris.)

Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o artista espanhol Pablo Picasso (1881-1973) vivia em Paris. Naquele momento, em que a cidade estava ocupada pelas forças alemãs e havia escassez de bens materiais de todo tipo, o artista passou a desenvolver um trabalho de montagem usando objetos descartados. Essa técnica recebe o nome de assemblage. Assim, ele olhou para algumas peças de uma bicicleta quebrada e construiu uma escultura cujo tema sempre esteve presente em sua obra: o touro. Ela foi chamada Cabeça de touro. Essa escultura é muito apreciada em todo o mundo. Você poderia dizer por quê? Você já fez alguma escultura usando objetos descartados?

42 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 42

6/23/15 4:30 PM


Reprodução/Coleção Lina Bo Bardi

Diante do desafio de reciclar lixo e reaproveitar materiais descartados por nossa sociedade, muitos designers absorveram soluções criativas de outros grupos sociais. A arquiteta Lina Bo Bardi foi pioneira na valorização do design popular brasileiro. Tendo vivido os tempos difíceis da Segunda Guerra Mundial na Itália, logo percebeu o valor da economia inteligente praticada nos povoados do interior do sertão nordestino, que aproveita o lixo para produzir objetos funcionais, como as lamparinas. Objeto • Brasil-BA • Século XX O conceito de arte popular, que será abordado na seção Hora da troca, neste capítulo, é objeto de debate atualmente, pois, ao chamarmos um tipo de arte de popular, estamos associando valores socioeconômicos a um trabalho artístico, e não critérios artísticos.

Fifós, pequenos lampiões a querosene com pavio, são alguns dos objetos coletados pela arquiteta Lina Bo Bardi em sua passagem pela Bahia entre o final da década de 1950 e início da de 1960. Coleção Lina Bo Bardi.

Os fifós são pequenos lampiões, feitos com diversos materiais descartados, como latas de origens variadas e barbantes. Eram usados, na década de 1950, para iluminar as casas na zona rural do estado da Bahia. Esses objetos fazem parte da coleção da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), que concebeu o Museu de Arte Popular da Bahia, inaugurado no início da década de 1960, com uma grande mostra que colocava em evidência a qualidade do artesanato e da arte popular feitos na região Nordeste do Brasil. Você conhece algum outro objeto que tenha se originado do reaproveitamento de uma lata?

Artesanato:uéuautécnicaudeuproduziru objetosuàumãoue,utambém,uouconjuntou dessesuobjetos. Emumuitosucasos,usãou utilitários,uouuseja,uobjetosuqueu usamosuemunossoucotidiano,ucomou vasos,uroupasueubrinquedos. uu Arte popular:utemuorigemururalueu forteuconexãoucomutradiçõesu regionais.uEmugeral,uutilizaumateriaisu disponíveisunoulocal,ucomoubarro,u madeira,uentreuoutros. uu

capítulo 2 • 43 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 43

6/23/15 4:30 PM


Instalação • EUA • Século XX Fernando Moraes/Arquivo da editora

Gordon Matta-Clark, Parede de lixo, 1970. (Reconstrução de obra, feita com sucata e concreto, 35,04 cm × 23,36 cm. 27a Bienal Internacional de Arte de São Paulo, SP.)

Comente que um dos desafios na reciclagem do lixo é separar os materiais. Eles só podem ser reutilizados se separados segundo suas qualidades físicas (densidade, peso, composição química). Para trabalhar os conceitos de reciclagem e verificar o que os alunos sabem sobre a separação do lixo, você pode sugerir o teste que está no final do documento especial Inimigo invisível. Disponível em: <http:// tab.uol.com.br/inimigo-invisivel>. Acesso em: 28 mar. 2015.

Em 1970, o arquiteto norte-americano Gordon Matta-Clark (1943-1978) fez uma parede de concreto e sucata. A instalação, chamada Parede de lixo, é uma parede pouco resistente, construída de materiais incapazes de sustentar uma edificação. Com obras como essa, Matta-Clark procurou chamar a atenção para a questão do lixo. Hoje, no entanto, enfrentamos esse problema de modo muito mais acentuado. Em 2006, a obra foi reapresentada na 27ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo. O projeto de montagem foi orientado pela viúva do artista, Jane Crawford. Você já pensou em formas de reaproveitar material descartado?

44 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 44

6/23/15 4:30 PM


Reprodução/Coleção particular

Objeto • Inglaterra • Século XXI

Stuart Haygarth, Tide, 2004. (Material reciclado, suporte de 152 cm × 152 cm, diâmetro da esfera de 150 cm, Inglaterra.)

O designer inglês Stuart Haygarth coleta objetos descartados em um trecho específico do litoral da Inglaterra. Esses objetos são limpos, classificados e reunidos para a produção de suas peças. O lustre Tide [Maré] foi feito com diversos tipos de plástico, claros e translúcidos. Os objetos que o compõem têm formatos diferentes, mas são organizados para criar uma grande esfera. Quando visita a praia, você repara no lixo acumulado na areia? Já pensou que esse lixo foi trazido pelo mar? Alguma vez recolheu o lixo que se acumulou em seu entorno? De que tipo eram os materiais descartados?

Procure mostrar aos estudantes que o lixo é um problema do dia a dia e mesmo em situações de lazer devemos pensar em como recolher e descartar os objetos. No site do artista, <www.stuarthaygarth.com> (acesso em: 28 mar. 2015), há outras luminárias e diversos objetos construídos com material descartado, como escovas de dentes e óculos.

capítulo 2 • 45 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 45

6/23/15 4:30 PM


Fotografia • EUA • Século XXI Reprodução/Coleção particular

02_f07_8RAbS: Fotografia Albatrosses filed with plastic (2009), Chris Jordan.

Crédito da foto

Albatrosses filed with plastic, 2009. O fotógrafo Chris Jordan flagrou filhotes de albatrozes mortos por ter ingerido uma grande quantidade de lixo plástico, no atol de Midway.

Albatrosses filled with Plastic, 2009. O fotógrafo Chris Jordan flagrou filhotes de albatrozes mortos por ter ingerido uma grande quantidade de lixo plástico, no atol de Midway.

O trabalho de Chris Jordan sobre os albatrozes do atol de Midway torna visível um grave problema ambiental: o descarte inadequado de lixo plástico no ambiente e sua consequência imediata, a ameaça à vida. Essas fotografias buscam conscientizar as pessoas sobre a necessidade de diminuir o consumo no mundo e fazer a coleta seletiva do lixo para tentar evitar que esse tipo de catástrofe continue a ocorrer. Sugira aos estudantes que contem quantos objetos plásticos eles jogam no lixo durante a semana e que observem o tipo de lixo em que são descartados (coleta seletiva ou lixo comum).

O fotógrafo norte-americano Chris Jordan (1963) viajou ao atol de Midway, no norte do oceano Pacífico, onde encontrou milhares de albatrozes mortos. Os pássaros tinham ingerido grande quantidade de lixo plástico, disperso no oceano Pacífico. Na fotografia Albatrosses Filled with Plastic [Albatrozes cheios de plástico], de uma série realizada nessas ilhas, o fotógrafo alerta para a ameaça que o lixo industrial representa para o ambiente, os animais e o próprio homem. Em um vídeo, ele afirmou: “Tal como o albatroz, os seres humanos não têm mais capacidade de discernir o que é nutritivo do que é tóxico para nossas vidas e nossos espíritos”. O que podemos fazer para modificar essa situação?

46 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 46

6/23/15 4:30 PM


Eduardo Fraipont/Coleção particular

Instalação • Brasil-MG • Século XXI

Esse trabalho parte dos pressupostos de que precisamos produzir menos bens materiais e de que nem todas as inovações criadas pela indústria são de fato necessárias. Muitos dos produtos industriais das últimas décadas mostraram-se menos eficientes e menos duráveis em relação a seus correlatos mais antigos. Os exemplos são muitos e variados, de eletrodomésticos a carros e materiais de construção. No projeto Menos-valia, a artista também chama a atenção para dois aspectos dos objetos: a memória social e a relação entre valor e preço dos objetos. Eles foram adquiridos pela artista em feiras de antiguidades e tiveram seu preço multiplicado ao ser exibidos na 27a Bienal Internacional de Arte de São Paulo. O Álbum do bebê, incompleto, lote 67 foi adquirido por 10 reais e vendido a 4 mil reais.

Rosângela Rennó, Álbum do bebê, incompleto, lote 67, 2010, projeto Menos-valia. (Recortes e memórias textuais, incompleto emoldurado, 39 cm × 37 cm × 9 cm.)

A artista mineira Rosângela Rennó (1962), no projeto Menos-valia, reuniu 73 objetos antigos pertencentes ao universo da fotografia, encontrados ou adquiridos em feiras de antiguidade. Ela os recuperou e associou imagens antigas a cada uma das peças. Depois, organizou uma exposição que foi apresentada e leiloada na 27ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 2010. O projeto é uma ação em favor do aumento do tempo de utilização dos objetos que se opõe ao consumo excessivo e procura valorizar a memória. A artista defende a ideia de recuperar objetos antigos em vez de simplesmente substituí-los. A respeito da obra Álbum do bebê, incompleto, lote 67, a artista faz o seguinte comentário: “tão clássico quanto o álbum propriamente dito é o hábito de não dar continuidade a seu preenchimento pouco depois do nascimento do bebê, deixando-o incompleto”. Você já foi a alguma feira de antiguidades? Há objetos antigos em sua casa? Há algum álbum de bebê em sua casa?

CAPÍTULO 2 • 47 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 47

6/23/15 4:30 PM


Reprodução/Coleção particular

Escultura • Brasil-MG • XXI

Getúlio Damado, Zeferino abismado com o conforto da cidade grande, 2014. (Escultura com objetos reciclados, 28 cm × 9 cm × 20 cm. Coleção particular. Rio de Janeiro, RJ.)

O mineiro Getúlio Damado (1955) é um artista que trabalha com sucata. Getúlio recolhe todo tipo de objeto descartado pela população, como tampas plásticas, pedaços de madeira, brinquedos. A partir desse universo variado, recria objetos cheios de significado. Seu ateliê é um bondinho estacionado numa ladeira de Santa Teresa, bairro da cidade do Rio de Janeiro. A foto mostra a obra Zeferino abismado com o conforto da cidade grande (2014), que, segundo Damado, representa ele mesmo, há 45 anos, quando pôde usar, pela primeira vez, um vaso sanitário ligado à rede de esgoto. O trabalho, feito de embalagens de plástico, leva-nos a refletir sobre o preço pago pelo conforto da vida moderna. O que é conforto para você?

Note que o vaso sanitário dessa escultura é feito com uma embalagem de amaciante de roupa. Getúlio reaproveita objetos e materiais descartados, não para fazer novos objetos utilitários, mas em construções simbólicas, como essa pequena escultura que pode nos ajudar a pensar no uso indiscriminado do plástico e seus efeitos nocivos para o meio ambiente.

48 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 48

6/23/15 4:30 PM


Objeto • Brasil-MS • Século XXI Lena Trindade/Acervo da fotógrafa

Flores de couro de peixe, empregadas em acessórios produzidos por comunidades artesãs de Mato Grosso do Sul. Catálogo Sebrae, 2006. uu

Piracema:upalavraudeu origemutupiuqueudesignau ouperíodoudaumigraçãou dosupeixes,uquandouau pescauéuabundante.

Por meio do projeto Talentos do Brasil, as associações de artesanato das cidades de Coxim, Corumbá e Miranda, em Mato Grosso do Sul, desenvolveram bolsas, bijuterias, vestuário e acessórios, utilizando o couro de peixes da região. Durante a piracema, o couro do peixe era descartado como lixo pelos pescadores. Agora, os objetos feitos com esse material são comercializados por suas famílias. O coordenador do projeto é o designer carioca Renato Imbroisi. Ele tem estimulado o desenvolvimento do artesanato em diversas comunidades no Brasil e em países africanos, como Moçambique e Tanzânia. Você tem peças de artesanato? De que material elas são feitas? Procure valorizar os objetos apresentados pelos estudantes e estimule a curiosidade deles pelos processos de produção.

2. Reciclagem: as flores de couro de peixe são uma forma de reciclagem. O couro do peixe que seria descartado tornou-se matéria-prima para um processo de produção de objetos. Reutilização: a obra Cabeça de touro, de Picasso, as lamparinas recolhidas por Lina Bo Bardi, a luminária Tide, de Haygarth, a escultura Zeferino, de Damado, a Parede de lixo, de Matta-Clark, o Álbum, de Rennó, são projetos que reutilizam objetos que haviam deixado de ser usados. Redução do consumo e reciclagem: a fotografia de Jordan expõe albatrozes mortos em consequência da ingestão de lixo plástico. Essa realidade chama a atenção para o consumo excessivo e o descarte inadequado de lixo plástico. O Álbum, de Rennó, também alerta para o processo de consumo e descarte.

Reflita sobre as imagens do Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos.

1

Dos trabalhos apresentados no Painel, qual é o mais interessante? Por quê? Resposta pessoal.

2

Quais dos trabalhos você associa à reciclagem, ao reuso e à redução do consumo?

3

Que materiais foram usados nos trabalhos apresentados? Ferro, alumínio, vidro, plástico, papel, madeira e couro de peixe.

capítulo 2 • 49 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 49

6/23/15 4:30 PM


Fala a artista RosÂngela RennÓ u Atualmente,uperceboumudançasuóbviasunoucomportamentoudouseruhumano,uqueupareceuacharu queuéumuitoudifíciluseudedicarusimplesmenteuauobservarualgo,usemuumuinstrumento.uRecentemente,uemuumaufesta,uviuumugrupoudeuquatroumulheres,uqueudançavam,ucadauumaucomuumu smartphone.u[...]uHoje,utiram-seufotografiasuaufimudeunãouvoltaruatrásueuolharuparauelas,uasu pessoasunemusequerufazemumaisuálbunsu–uelasuarmazenamuasuimagensuapenasuparauperdê-lasuemumídiasuobsoletas.uNemusequeruéunecessáriouadotarucritériosudeuarmazenamento,u umauvezuqueuaumaioruparteutorna-seuirrecuperável,udevidouàuprópriaunaturezaudouarquivo. Asuperguntasutornam-seumaisufilosóficas,uquantoumaisurápidounósutodosusubmergirmosuemu umumarudeutecnologias,uqueuseusobrepõemuumasuàsuoutras,uemuumauespiraludeuimagensu incompletasuemucirculaçãoueterna.uOutempouparaudesfrutarudasucoisasutornou-seumuitou reduzido,uporqueuestamosutodosucomupressa.uHáumuitouqueufazer,uparaudocumentar,uparau seucomunicar,uparautransmitir.uHoje,uháuumaufebreudocumentalumuitouevidenteuqueupareceu colocaruoufocounoulugaruerrado:uasuexperiênciasucomeçamuauserudocumentadasunãoudeumodou queuousujeitouenvolvidounelasupossauaprender,umasuparauqueuelasupossamuserumostradasu parauoumaiorunúmeroudeupessoas.uOuesvaziamentoudousignificadoudauexperiênciauvemucomu auilusãoudeuseuumaiorualcance.

u

uu

Díptico:u conjuntoudeudoisu elementosuqueu fazemuparteudau mesmauobra.

Rosângela Rennó em entrevista à Luísa Duarte. PEDROSA, A.; DUARTE, L. ABC, Arte brasileira contemporânea. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

Ding Musa/Coleção particular

Fotografia • Brasil-RJ • Século XXI

Dani Soter, Brownie Reflex, para o projeto A última foto, de Rosângela Rennó, 2006. (Díptico, fotografia em cor e câmera Brownie Reflex, Synchro Model, emolduradas, 78 cm × 78 cm × 7,8 cm.)

50 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 50

6/23/15 4:30 PM


Fotografia • Brasil-RS • Século XXI Ding Musa/Coleção particular

Rochelle Costi, Mercury II, para o projeto A última foto, de Rosângela Rennó, 2006. (Díptico, fotografia com câmera Mercury II, emolduradas, 92,9 cm × 71,9 cm e 14,3 cm × 7,9 cm.)

Para o projeto A última foto, Rosângela Rennó convidou 43 fotógrafos profissionais para registrar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Esses fotógrafos usaram câmeras mecânicas de diversos formatos. Após o último uso, as câmeras foram lacradas. O resultado foi a produção de 43 obras semelhantes a essas que se mostram nestas páginas, em que são apresentados o registro da paisagem carioca e, ao lado, a câmera. Procure entender a motivação daqueles que já fazem a representação de seu entorno e estimule os demais a experimentar essa prática, mostrando que o desenho, a fotografia e a pintura ajudam a estabelecer um olhar pessoal. 2. Nos dois trabalhos, a artista procura valorizar tecnologias antigas, que já foram substituídas, e refletir sobre a memória. Em Menos-valia, a artista procura dar novo uso a objetos descartados, valorizando o aspecto simbólico da memória individual, e, em A última foto, a atenção está voltada para a memória do próprio meio, a câmera fotográfica, o filme e os processos fotográficos.

Converse com os colegas de turma sobre os projetos e o depoimento da artista RosânA artista faz uma crítica à relação das pessoas com o tempo na sociedade contemporânea e ao uso dos meios fotográficos gela Rennó. 1.para simplesmente se autopromover, e chama a atenção para alguns aspectos da fotografia convencional que podem ser recuperados.

1

Qual é a relação entre a fala da artista e o significado de seus projetos?

2

O que os dois trabalhos de Rosângela Rennó que você conheceu têm em comum?

3

Qual é a importância da fotografia para a memória das sociedades?

Se houver possibilidade, os alunos podem conhecer as outras 42 obras que fazem parte desse projeto no site da artista. Disponível em: <www.rosangelarenno.com.br/obras/exibir/21/1>. Acesso em: 16 mar. 2015.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 51

3. A fotografia cumpre a função de registrar pessoas, situações, acontecimentos, paisagens, etc., e assim preservar a memória das sociedades. A artista chama a atenção para a manutenção desses registros e para a necessidade de observar aquilo que a superfície fotográfica revela. Preservar os arquivos, portanto, é uma necessidade, independentemente de qual seja o suporte, a extensão do arquivo e as transformações por que passa a tecnologia.

CAPÍTULO 2 • 51 6/23/15 4:30 PM


pensando coM a histÓria ASSEMBLAGE e combinaÇÕes

uu

Arte pop:u

De Agostini Picture Library/The Bridgeman Art Library/Keystone/ © Robert Rauschenberg/Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles

propostau artísticauqueu utilizouu elementosu ligadosuaou consumoueuaou cotidianouparau produziruobras.

O termo assemblage foi usado pelo francês Jean Dubuffet (1901-1985) para se referir a alguns de seus trabalhos que não se restringiam à colagem, nos quais agregava objetos à pintura. A palavra francesa assemblage significa montagem. As obras classificadas por essa técnica caracterizam-se pela justaposição de elementos sobre o suporte tradicional da pintura. Ao abrigar elementos retirados da realidade no espaço do quadro, os artistas estavão transpondo os limites entre a pintura e a escultura. O trabalho com assemblage interessou os jovens ligados à arte pop, um movimento que aconteceu nos Estados Unidos durante a década de 1960, quando se exaltava o sucesso de uma sociedade de consumo gerada pelo progresso econômico do pós-guerra. Alguns artistas desse movimento ironizavam os produtos comerciais, como os aparelhos eletrodomésticos, a comida industrializada e as latas de refrigerante – símbolos da nova época –, demonstrando em seu trabalho a superficialidade dos valores dessa sociedade. Um dos artistas norte-americanos ligados ao movimento de arte pop, Robert Rauschenberg (1925-2008), deu o nome de ‘combinação’ aos trabalhos feitos entre 1954 e 1964, em que adicionava inicialmente objetos à pintura. Aos poucos o artista foi privilegiando os objetos, na maioria das vezes de natureza utilitária, tais como travesseiros, guarda-chuvas e pedaços de móveis, sobre os quais ele aplicava tinta, colava fotografias e material gráfico. Estabelecia dessa forma uma dinâmica entre coisas da existência cotidiana e os valores estéticos. Objeto • EUA • Século XX

Robert Rauschenberg, Coca-Cola Plan, 1958. (Montagem com materiais diversos. 67,9 cm × 64,1 cm × 14 cm. (Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos.)

52 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 52

6/23/15 4:30 PM


As combinações de Rauschenberg logo passaram a ser tridimensionais. O trabalho Coca-Cola Plan nos coloca diante de objetos que poderiam estar no lixo: garrafas de refrigerante vazias, uma esfera de madeira que decorava um corrimão e duas asas de metal fundido em uma estrutura de madeira. Na maioria das vezes não havia temas predeterminados que organizassem os conjuntos, mas alguns elementos dessa combinação evocam o consumo desenfreado do pós-guerra nos Estados Unidos. No Brasil o artista mineiro Farnese de Andrade (1926-1996) construiu assemblages com antigas peças de madeira desgastadas, cabeças de bonecas, gamelas e outros pedaços de objetos recolhidos em suas caminhadas pelas praias da cidade do Rio de Janeiro. O artista reúne restos de brinquedos com objetos de caráter religioso, fazendo associações inesperadas que podem provocar variadas reações.

Museu de Arte Contemporânea da Prefeitura de Niterói (RJ)

Escultura • Brasil-MG • Século XX

Farnese de Andrade, Barriga, coração, memória, 1976-1982. (Gamela com fragmentos de madeira, ex-voto, fotografia resinada, 90 cm × 60 cm × 35 cm. Museu de Arte Contemporânea de Niterói, RJ.)

capítulo 2 • 53 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 53

6/23/15 4:30 PM


hora da troca Feito no bRasil O que se costuma chamar de arte popular consiste em inúmeras manifestações, entre elas, pinturas, esculturas e objetos realizados muitas vezes de forma coletiva por comunidades populares. Essa produção, em geral, tem origem rural. O conceito de arte popular é muito debatido atualmente. Os estudiosos encontram dificuldade em delimitar o que é a arte popular e questionam: Podemos dizer que só um tipo de arte é feito pelo povo? Podemos dividir a produção artística entre arte erudita e arte popular? A arte popular e o artesanato estão, em geral, ligados aos aspectos físicos de uma região. Por exemplo, onde há barro em abundância é provável que exista a produção de objetos de cerâmica e onde há fibra natural de coqueiro pode ocorrer artesanato de cestaria. Para conhecer melhor essas atividades, vamos visitar dois museus brasileiros e fazer um levantamento da produção local (links acessados em: 28 mar. 2015).

Arte popular

Rômulo Fialdini/Museu Casa do Pontal, Rio de Janeiro, RJ.

Chamamos de “arte popular” pinturas, esculturas e objetos que são a expressão artística autêntica da cultura de um povo. Muitas vezes o artista popular é anônimo, e a produção artística pode ser feita por uma família ou um grupo que domina uma técnica artesanal e desenvolve uma forma particular de trabalhar com ela. O conhecimento é passado de geração a geração, e com isso a cultura desse grupo é preservada. O Museu Casa do Pontal, no Rio de Janeiro, tem um grande acervo de arte popular. Com objetos feitos por artistas de diversas regiões, o museu apresenta uma visão abrangente da cultura brasileira. Disponível em: <www.museucasadopontal.com.br/pt-br/museu>. Escultura Brasil-GO Século XXI

Lunildes, Mascarados. (Escultura, 32 cm × 20 cm × 70 cm. Pirenópolis, GO. Museu do Pontal, Rio de Janeiro, RJ.)

54 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 54

6/23/15 4:30 PM


Artesanato Como vimos, chamamos artesanato à técnica de produzir objetos utilitários à mão, e também ao conjunto desses objetos. O artesão, indivíduo habilidoso que faz esse tipo de trabalho, aprendeu, em geral, com um parente, um mestre ou uma pessoa mais velha da comunidade. O que mantém a produção de determinado tipo de artesanato pode ser uma motivação de ordem religiosa, social ou de mercado. Se um trabalho não é vendido, o objeto deixa de ser produzido, e o artesão passa a se dedicar à produção de outras peças e até mesmo a outra atividade. Ao contrário dos bens de consumo que são produzidos pela indústria em grande escala, as peças de artesanato são feitas uma a uma, em geral, em pequena escala. A Casa, Museu do Objeto Brasileiro, atua com a finalidade de valorizar a produção artesanal e o design brasileiro de comunidades tradicionais promovendo o prêmio Objeto Brasileiro e apoiando ações socioambientais. Ali, você pode conhecer coleções de objetos e criadores de todas as regiões do Brasil. Disponível em: <www.acasa.org.br/colecoes>.

Objeto Brasil-PA Século XXI

Avener Prado/Folhapress

Bolsa confeccionada com fibra natural, na exposição Mãos do meu Brasil: Artesanato sustentável, promovida por A Casa, Museu do Objeto Brasileiro, São Paulo, SP.

É hora de aumentar seu repertório cultural, resgatar memórias e compartilhar conhecimentos sobre arte popular e artesanato. 1

Em casa ou na escola, fora do horário de aula, faça um levantamento sobre os artistas e artesãos de sua região. Você pode recorrer a revistas, jornais e sites. Outras fontes de Se houver algum artista, cooperativa ou grupo que produza artesanato em sua região, informação são familiares, amigos e professores.mostre algum exemplo de seu trabalho aos estudantes e, se houver algum museu de arte

2

Procure descobrir se esses artistas usam algum tipo de matéria-prima que seja abundante na região.

3

Escolha um artista da sua região que faça parte do acervo do Museu do Pontal para aprofundar a pesquisa. Você também pode buscar informações sobre uma obra pelo tema, como trabalho, religião, festa.

4

Verifique de que material são feitos os trabalhos do artista escolhido e que temas eles o site do Museu do Pontal para fazer um levantamento do acervo por abordam. Anote tudo o que você descobrir sobre ele. Aproveite localidade. Infelizmente, este museu não possui obras da região Norte.

5

Em seguida, escolha também um artista ou um objeto no site de A Casa, Museu do Objeto Brasileiro. No site de A Casa, Museu do Objeto Brasileiro, é possível pesquisar objetos feitos em todas as regiões.

6

Verifique de que material é feita a obra escolhida, que técnicas são utilizadas em sua elaboração e onde foi produzida.

popular ou um mercado de artesanato, promova uma visita a esses locais.

capítulo 2 • 55 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 55

6/23/15 4:30 PM


debate consumismo Consumismo é o hábito de adquirir bens ou serviços de que não se necessita. Resulta de uma distorção de percepção da necessidade individual, ou seja, a pessoa é levada a comprar o que os setores produtivos da sociedade querem vender e não aquilo de que realmente precisa. No final da década de 1950, o consumismo tornou-se um tema recorrente na arte. A arte pop foi um dos primeiros movimentos a tematizar o consumo ao questionar o modo de vida norte-americano. O tema tem sido constante na arte desde então. Observe algumas obras que trataram desse tema e faça um debate com os colegas sobre o assunto.

The Bridgeman Art Library/Keystone/© R. Hamilton/AUTVIS/Galeria de Arte de Tubingen, Alemanha.

Colagem • Inglaterra • Século XX

Muitos dos trabalhos de artistas ligados à arte pop tomam o consumismo como tema das obras – como Andy Warhol, na obra Caixa brilho. No entanto, é difícil afirmar se esses artistas estavam celebrando a abundância ou criticando a sociedade. É interessante comentar com os estudantes que na década de 1950 as pessoas passaram a conviver com equipamentos eletroeletrônicos que modificaram seu modo de vida.

Richard Hamilton (1922-2011), O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes, tão atraentes?, 1956. (Colagem, 26 cm × 23,5 cm. Kunsthalle, Tübingen, Alemanha.) Nesta colagem, o artista inglês montou um ambiente com imagens de objetos e personagens retirados de diferentes páginas de revistas. Trabalhou como se estivesse fazendo um quebra-cabeça. Com esse título, Hamilton fez uma crítica à sociedade de consumo.

uu

Sociedade de consumo:uexpressãou usadauparaudesignaruausociedadeunau qualuoucidadãouéuconstantementeu estimuladouauconsumiruserviçosueu produtos.

56 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 56

6/23/15 4:30 PM


A fotografia 99 centavos, de Andreas Gursky, ficou conhecida por ter sido vendida pelo valor de 3,3 milhões de dólares no mercado de arte. O fotógrafo dedica-se a produzir fotografias de grandes dimensões com excelente qualidade técnica e resolução gráfica. Em suas imagens, cada objeto aparece com toda sua qualidade visual de cores e texturas. A Fotografia • Alemanha • Século XX imagem chama a atenção para a infinidade de produtos que estão à venda no supermercado, sugerindo como é difícil fazer as escolhas de forma consciente sem se deixar atrair pelas embalagens e ceder ao impulso de compra.

Andreas Gursky, 99 centavos, 1999. (Cópia colorida, 207 cm × 337 cm. Galeria Monika Sprüth. Nova York, EUA.) Na fotografia 99 centavos, o fotógrafo alemão aborda o universo do consumo no final da década de 1990. A imagem de grande dimensão mostra em detalhes um supermercado com sua grande quantidade de produtos e ao fundo cartazes com ofertas de 99 centavos. Repare que a fotografia foi manipulada com o objetivo de corrigir as deformações produzidas pelo equipamento fotográfico e ficar o mais próximo possível da realidade observada, mantendo as linhas das gôndolas paralelas.

Reprodução/© Courtesy: Monika Sprüth Galerie, Köln/AUTVIS/The Broad Art Foundation. Reprodução/Bitsflmes

Cinema • Brasil-SP • Século XXI

Marcelo Masagão, 1,99, um supermercado que vende palavras, 2003. (Filme colorido. 70 min.) Esse filme apresenta uma crítica à sociedade contemporânea. A ação se passa no interior de um supermercado cujas prateleiras estão tomadas por embalagens brancas que contêm apenas palavras. O desenvolvimento das cenas consiste na interação dos consumidores com as palavras, que expressam conceitos promovidos pela publicidade e pela sociedade de consumo. Se for possível, apresente a primeira parte do filme à classe. Como ele é composto de pequenas cenas, assistir a algumas delas, de pouco mais de um minuto, é suficiente para compreender a proposição do diretor.

Converse com os colegas e o professor sobre os trabalhos apresentados e sobre as críticas que estabelecem ao consumismo. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto.

w Que tipo de produtos você costuma consumir? w Você considera seu consumo excessivo? w O que estimula você a comprar? w Você já se arrependeu de comprar algum produto? w Conhece pessoas que compram mais do que necessitam? w Você já percebeu alguma influência da propaganda em seus hábitos de consumo? w Você lê as informações que constam nas embalagens de produtos vendidos no supermercado? w Alguma vez você já se sentiu manipulado como consumidor?

O objetivo deste debate é levar a turma a refletir sobre como cada pessoa lida com o próprio consumo; a questionar o poder da propaganda e da mídia no estímulo ao consumo; a chamar a atenção para a complexidade que existe no ato de comprar; a conhecer os produtos e avaliar o poder de atração das embalagens; e a fazer escolhas conscientes. É importante que fique claro nesse debate que o consumo para necessidades primordiais precisa ser universalizado; que o combate ao consumismo envolve reflexão e atenção sobre o que estamos consumindo e como utilizamos e descartamos esses bens; que a arte pode ajudar a estabelecer um juízo crítico a respeito das situações cotidianas, como o consumo, e trazer à tona questões que parecem superadas ou que muitas vezes são naturalizadas e que passam despercebidas.

capítulo 2 • 57

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 57

6/23/15 4:31 PM


teoria e técnica Reciclagem no aRtesanato e na indústRia Ao reaproveitar materiais, um artesão pode economizar na compra da matéria-prima que utiliza para confeccionar seus produtos. Em contrapartida, para reutilizar um material, na maioria das vezes, é preciso prepará-lo, executando várias tarefas, como limpeza, prensagem e corte, o que pode acarretar novos custos.

Reprodução/Coleção particular

Objeto • Argentina • Século XXI

Satorilab, Naturito, 2007. (Reciclagem de descartes da indústria de cosméticos.)

uu

Linha de produção:u conjuntoudeumáquinasu organizadasudeumodou sequencialuparauproduziru umuobjetouemulargauescalau numaufábricauouuindústria.

Para que a indústria passe a utilizar material reciclado em larga escala é preciso que, antes, se façam mudanças na linha de produção das fábricas, como a implantação de novas máquinas e a adoção de novos processos. Hoje em dia, o papel reciclado já é feito industrialmente, as latas de alumínio são recicladas e a indústria têxtil obtém tecido de poliéster a partir da reciclagem de garrafas PET, por exemplo. E o trabalho de recolher esses materiais para a reciclagem é fonte de renda para muitas pessoas.

58 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 58

6/23/15 4:31 PM


Marcelo Justo/Folhapress

Tapetes feitos da reciclagem de garrafas PET por tecelagem manual em São Paulo, SP.

Atualmente, reduzir o desperdício, reutilizar material descartável e reciclar matéria-prima são preocupações das indústrias, dos artesãos e de toda a sociedade. Por isso, antes de jogar algum objeto no lixo, pense se ele realmente não pode ser reaproveitado ou se você pode descartá-lo em postos de coleta de lixo reciclável. Experimente olhar para esses materiais com curiosidade e interesse. É muito provável que você vá encontrar formas de reutilizar vários daqueles que aparentemente não têm mais utilidade. Leia um roteiro de procedimentos para trabalhar com material descartado.

Colecionar objetos O primeiro passo para construir um objeto ou escultura com sucata é selecionar o material. Você pode escolher um objeto para colecionar, uma embalagem de produto que você ou sua família consuma com frequência. Outro critério é escolher um material: papelão, plástico ou tecido. Você pode também optar por uma característica física dos objetos. Por exemplo, colecionar objetos vermelhos.

Limpar e estocar Antes de guardar o material é preciso prepará-lo. Isto é, lavar, dobrar, desmontar para ocupar pouco espaço. Pense num local para o armazenamento que seja seco e protegido do Sol. Um caixote ou um saco plástico grande pode servir.

Recriar o mundo Organize sua coleção. Separe os objetos, avalie o que você conseguiu reunir. Descarte o que não está no padrão. Estude as formas de conectar os elementos. Reflita: o que é possível construir com essas sucatas?

capítulo 2 • 59 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 59

6/23/15 4:31 PM


atividades 1. escultuRa de sucata Nesta atividade, você produzirá um objeto ou escultura, reutilizando a sucata colecionada. Material w Coleção de objetos reunidos e preparados w Arame w Barbante Modo de fazer Os estudantes podem usar resina epóxi para colar peças de plástico ou cola quente para associar tecido ou borracha. Você deve ajudar nas operações mais difíceis, como manipular o estilete ou a cola quente. Sugira uma avaliação do objeto que estão formando ao combinar cada parte. Solicite aos estudantes que verifiquem o equilíbrio do objeto ou se a peça terá melhor solução pendurada como um móbile. Questione se eles gostam dela ou não e por quê. Se eles se interessarem pelo som, podem usar baquetas para tocá-lo, ou mesmo usar o movimento do vento, como em um sino, para que o objeto emita um som. O objeto feito pode ser vestido por alguém? Ser usado para guardar coisas? Atenção: os estudantes não precisam usar todos os objetos que coletaram.

Traga os objetos que você reuniu em casa para a sala de aula. Você pode trazer também outros materiais que possam ser utilizados, como brinquedos antigos, objetos quebrados, utensílios domésticos que não são mais utilizados, objetos de cozinha descartados, acessórios e bijuterias.

Reúna-se com mais dois colegas e apresente a eles os objetos que você preparou. Depois, o grupo vai estudar as possibilidades de associação dos materiais. w Observe as semelhanças e diferenças entre os objetos. Eles se combinam? Encaixam-se? w Considere todos os lados dos objetos. Note, por exemplo, se existe algum objeto que cabe dentro de outro. w Atente para a sonoridade dos materiais coletados. É possível extrair som desses objetos? É possível fazer uma escultura sonora? w Estude se é preciso cortar ou pregar alguma coisa, ou usar barbante e o arame para amarrar uma peça na outra. w Verifique se o objeto que está sendo construído será uma escultura ou um objeto utilitário. w Verifique se os objetos criaram ritmos diferentes entre cheios e vazios, se tomam novas formas quando são manipulados, se ficam em pé ou devem ser pendurados. Quando o objeto estiver pronto, cada aluno do grupo escolhe um ponto de vista para fazer um desenho e documentar essa experiência. Terminada a atividade, reúna os objetos no centro da sala. Se houver esculturas que não têm sustentação suficiente para permanecer de pé, você pode pendurá-las, como móbiles. Depois, faça com os colegas e o professor uma avaliação do processo, seguindo o roteiro abaixo. w Em que objetos foram empregados materiais inusitados? w Em quais deles foram usadas partes de brinquedos? w Quais são as mais interessantes quanto à forma? w Com quais objetos é possível produzir som? w Quais são os objetos de maior porte? w Em quais deles foram usados encaixes? w Em quais deles as partes foram amarradas com arame ou barbante? w Que objetos são utilitários? Para que servem? w Converse com a classe sobre as dificuldades encontradas na construção dos objetos.

60 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 60

6/23/15 4:31 PM


2. objeto de PaPel machê A expressão papel machê vem do francês papier maché e significa ‘papel mastigado’ ou ‘papel triturado’. Isso porque, para fazer esse tipo de papel, é preciso picar papel em pedaços bem pequenos. Nesta atividade, você fará um objeto de papel machê, reciclando papel e jornal velho. Material w Meio balde grande de papel usado w Jornal picado em pedaços de aproximadamente 2 cm × 2 cm w Um pote grande de cola branca w Um pedaço de filme plástico w Um objeto para a moldagem w Tinta acrílica branca e outras duas cores a sua escolha Modo de fazer O papel machê resulta de uma técnica usada para recobrir superfícies. Utilize uma estrutura pronta para servir de forma. Você pode usar um prato ou uma tigela como base. w Pique o papel (o suficiente para encher metade de um balde ou bacia) em pedaços de mais ou menos 2 cm × 2 cm e deixe-o de molho em um pouco de água durante uma noite. w Amasse o papel com a mão até que ele se desmanche, formando uma massa de consistência homogênea. w Jogue o excesso de água fora. w Junte a cola branca na proporção de 90 gramas de cola para 500 gramas de polpa de papel. A mistura deve ficar macia e bem pastosa. w Forre o objeto que vai servir de forma com filme plástico. Depois, espalhe uma camada fina da massa de papel machê. Deixe secar em lugar quente por um dia. Desenforme. w Para um bom acabamento, o objeto deve ser pintado. A tinta adere com facilidade à superfície do papel reciclado. w Lixe a superfície do objeto para que fique lisa e bem-acabada. w Para pintar o fundo, use tinta acrílica branca. Depois de seco, você pode pintá-lo na parte externa com uma cor e na parte interna com outra. Para esta atividade, solicite aos estudantes que tragam o papel já picado. Antes da aula, deixe o papel de molho por 24 horas. Se o clima estiver úmido, coloque uma gota de desinfetante no balde para que a massa não embolore. Depois de moldado, o objeto precisa secar bem antes do acabamento e da pintura, que devem ser feitos em outra aula. Para ser usado e lavado, o objeto deve ser pintado com tinta acrílica.

AutoAvALiAção Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo. Depois, compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

O que você descobriu de novo a respeito de reciclar, reutilizar objetos e reduzir o consumo?

2

Quais foram as reflexões mais importantes ao longo deste capítulo?

3

Após os debates, levantamentos e atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto? Fale sobre isso.

Procure conduzir a autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os estudantes se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente. Portanto, o ideal é que eles leiam as questões previamente, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

capítulo 2 • 61 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C2_040a061.indd 61

6/23/15 4:31 PM


3

CAPÍTULO

luz e som

1 2 3

Vocêucostumauobservaruauvariaçãoudauluzunoudecorrerudoudia?uResposta pessoal. Quantouaosusonsucotidianos,uvocêureparaunelesucomufrequência? u

Resposta pessoal.

Queucomparaçõesupoderiamuserufeitasuentreuousomueuauluz?uResposta pessoal.

62 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 62

6/23/15 4:31 PM


objeTo

conceiTo

Luz e som

Cor e música experimental

Visão e audição

Procure estimular a curiosidade dos estudantes a respeito da luz e do som. Em um ambiente a céu aberto, chame atenção para a variação da luz natural durante o dia. Chame atenção também para a variação do som em diferentes ambientes. Som e luz se propagam pelo espaço de maneira diferente e com velocidade diferente. Ambos são elementos fundamentais para a arte. Em geral, os artistas visuais se preocupam com a luz e os músicos se interessam pelo som. Entretanto, hoje, muitos artistas trabalham com elementos visuais associados ao som, ou com elementos sonoros associados aos objetos e ao espaço. Procure mostrar aos estudantes com essa associação que, em arte, as definições e os limites entre as linguagens são frequentemente extrapolados.

Tema Transversal Ciência

Técnica

Habilidade

Percepção das cores e dos sons

Mistura das cores e gravação de sons

Começando por voCê Há séculos, cientistas e artistas estudam os fenômenos e os efeitos da luz e do som. Alguns artistas visuais estudaram o comportamento da luz, procurando entender como os fenômenos luminosos interferem na percepção das cores. Por sua vez, alguns músicos interessaram-se pela propagação do som e pelas diferenças entre a música e os sons que ouvimos no cotidiano. Hoje, vários artistas estão interessados em explorar a relação entre o som e as formas ou em trabalhar com a luz e o som associados. Instalação • Venezuela • Século XXI Rune Hellestad/Corbis/Latinstock

Ralf Falbe/Demotix/Corbis/Latinstock

Tema

Adolescente observa a projeção de luzes coloridas na exposição de Carlos Cruz-Diez, Londres, Inglaterra, 2013.

Videojokey projeta imagens durante apresentação musical em uma festa, Utrecht, Holanda, 2015.

Neste momento não há respostas certas nem erradas, deixe os estudantes à vontade para responder às questões livremente. Se quiser, volte a elas quando terminar o capítulo para que constatem se suas hipóteses permanecem valendo ou não.

Reflita sobre as questões a seguir e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Você já fez alguma brincadeira com luz usando uma lanterna?

2

Alguma vez você ficou de olhos fechados prestando atenção aos ruídos da rua?

3

Em que tipo de trabalho você imagina que os artistas usam a luz? E em que tipo utilizam o som?

capítulo 3 • 63 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 63

6/23/15 4:31 PM


painel a luz e o som na arte Nesta e nas próximas páginas, vamos conhecer algumas obras em que som e luz são ponto de partida para experiências estéticas, reflexões e pesquisas artísticas. Escultura • Hungria • Século XX Britta Pedersen/dpa/Corbis/Latinstock

Esclareça para os estudantes que plexiglas é um tipo de material plástico (polimetacrilato de metila) transparente, duro, deformável sob calor, muito usado como substituto para o vidro na indústria automobilística.

László Moholy-Nagy, Light-space modulator, 1922-1930. (Placa de aço cromada, alumínio, vidro, plexiglas e madeira, 151,1 cm × 69,9 cm × 69,9 cm. Bauhaus-Archiv Museum für Gestaltung, Berlim, Alemanha, 2015.)

uu

Bauhaus:uescolaualemãu deuarquiteturaueuartesu aplicadas,ufundadauporu WalteruGropius,uemu1919,u eufechadaupelouregimeu nazista,uemu1933.uNela,u foramuestabelecidosu padrõesudoudesignu modernoueutécnicasudeu produçãouindustrial.

64

A obra Light-Space Modulator [Modulador de luz-espaço] foi apresentada em 1930, em Paris, pelo artista húngaro László Moholy-Nagy (1894-1946). O artista começou a construir o objeto, quando era professor na Bauhaus, escola alemã de arquitetura e artes aplicadas. Esta escultura é uma máquina giratória. Entre outros elementos de destaque, há uma luz que atravessa vários tipos de superfície metálica, projetando sombras em movimento no espaço. Trata-se de um dos primeiros objetos chamados de cinético – palavra derivada do grego kinésis, que significa ‘mover-se’. A movimentação autônoma, isto é, que não é conduzida por uma pessoa, foi uma grande novidade na época. Você conhece algum tipo de máquina que projeta luz?

Os estudantes podem mencionar o projetor do cinema, um lustre de luz estroboscópica, um projetor de slides. Destaque a novidade que esse objeto trouxe na década de 1930. Para saber mais sobre a Bauhaus, que contribuiu para o estabelecimento de certa estética moderna, propondo valores racionais, econômicos e coletivos para produção da arte, do design e da arquitetura, conheça o site oficial da instituição (em inglês). Disponível em: <http://bauhaus-online.de/en/atlas/das-bauhaus>. Acesso em: 27 mar. 2015.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 64

6/23/15 4:31 PM


Escultura • Argentina • Século XX Pierre Verdy/Agência France-Presse

Julio le Parc, Continuel-lumière cylinder, 1962. (Madeira, aço inoxidável, motor, lâmpadas, 280 cm × 280 cm × 50 cm. Daros Latinoamerica Collection, Zurique, Suíça.)

Para explorar um fenômeno semelhante, se você tiver como trabalhar em uma sala totalmente escura, providencie um ou mais espelhos e solicite aos estudantes que tragam de casa uma lanterna. Apague as luzes e peça que acendam as lanternas, projetando seu foco nos espelhos. Nesse caso, a experiência será estática, e não cinética, mas pode ajudar a entender o princípio usado pelo artista.

Cada uma das obras do argentino Julio le Parc (1928) explora de maneira diferente os efeitos de luz e o movimento. No trabalho Continuel-lumière cylinder [Contínuo-luz cilindro], de 1962, o artista usou mecanismos que fazem com que fachos de luz em movimento sejam refletidos, em ritmos variados, sobre uma superfície em forma de circunferência espelhada. Assim, Le Parc explora as possibilidades do uso do fenômeno luminoso associado ao movimento no espaço. Você consegue imaginar o efeito desse trabalho em uma sala bem escura?

ExploreuoutrabalhoudeuLeuParc,uporumeiou deuumuvídeouqueupodeuseruencontradounau internet.uDisponíveluem:u<http://vimeo.com/u 104383160>.uAcessouem:u1ºuabr.u2015.

capítulo 3 • 65 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 65

6/23/15 4:31 PM


Desenho • Brasil-RJ • Século XXI

O carioca Carlos Contente (1977) criou um personagem de si mesmo. Ele usou um carimbo para se representar em seus trabalhos. O personagem Contente pode aparecer em diversas situações: em um muro da cidade, em uma camiseta ou em sequências de desenhos criados pelo artista. As duas cenas apresentadas nesta página fazem parte de uma sequência em que o personagem Contente entrevista a cor verde. Leia com atenção a pergunta de Contente e a resposta da cor verde. E, então, o verde existe independentemente do observador? Fotos: Reprodução/Galeria A Gentil, Rio de Janeiro, RJ.

O Sol emite uma luz composta de um espectro de cores. Esse fenômeno foi demonstrado em uma experiência por Isaac Newton no século XVII. As cores se diferenciam em função dos diferentes comprimentos de onda. Quando a luz do Sol bate num objeto verde, ele absorve todas as outras cores em forma de calor e reflete a cor verde, que é percebida pelo olho humano. Os seres humanos têm número variável de células sensíveis às diferenças cromáticas, chamadas de cones, em suas retinas. Assim, alguns têm maior sensibilidade e podem distinguir com mais facilidade essas variações e outros, os daltônicos, têm mais dificuldade em distinguir alguns tons, como marrons e verdes-escuros. Se houver daltônicos ou deficientes visuais na sala, peça a eles que descrevam o que pensam ou sentem a respeito do verde.

Exploreuoutrabalhou deuCarlosuContente.u Disponíveluem:u <carloscontente. com.br>.uAcessou em:u19ujun.u2015.

Carlos Contente, Entrevista com o verde, 2003. (Grafite, acrílica e tinta de carimbo sobre papel. Aproximadamente 15 cm × 30 cm, Galeria A Gentil. Rio de Janeiro, RJ.)

66 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 66

6/23/15 4:32 PM


Pintura • Venezuela • Século XXI The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu de Belas Artes, Houston, EUA.

O venezuelano Carlos Cruz-Diez (1923) explora desde a década de 1960 o comportamento das cores baseado em variados procedimentos. Muitos de seus trabalhos, como Addition Chromatique [Adição cromática], de 2010, são construídos de filetes de alumínio justapostos, nos quais linhas de cor são impressas de tal maneira que o espectador enxerga cores que não estão presentes na pintura. Cruz-Diez realiza suas experiências explorando a mistura óptica das cores, a reflexão de uma cor sobre uma superfície, a sobreposição de superfícies transparentes coloridas e a projeção de luzes no espaço. Como você acha que o artista consegue criar a sensação de transparência nessa pintura?

Carlos Cruz-Diez, Chromointerference, 2008. [Serigrafia em plexiglas e plástico, 50,2 cm × 60 cm, Museu de Belas Artes, Houston, EUA.) O efeito de círculos transparentes é obtido pela variação da espessura das linhas e da composição cromática. Quando um filete de determinada cor toca outro, uma linha vertical escura aparece no ponto de contato. Esta linha virtual contribui para que o observador enxergue uma terceira cor, que não está no suporte.

uu

Mistura óptica das cores:umisturau queuseudáunouolhoudouobservador.uOu observadoruvêuumauterceiraucor,uqueuéu resultadoudausomaudeuduasucoresuqueu estãoutãoupróximas,uouuemuáreasutãou pequenas,uqueusãousomadasuvisualmente.

capítulo 3 • 67 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 67

6/23/15 4:32 PM


Reprodução/Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA.

Escultura • Suíça • Brasil • Século XX

Destaque os dois aspectos do instrumento, o plástico e o musical. A partir desse momento, o estudante deve ficar atento à sonoridade dos materiais, pois vamos trabalhar com esses elementos em diversas atividades nos próximos capítulos.

Walter Smetak, Pindorama, 1973. (Técnica mista. Bambu, cabaças, cano de PVC, mangueiras, apitos, 220 cm. Universidade Federal da Bahia. Salvador, Bahia.)

uu

Tropicália:umovimentou culturaluqueuocorreuunou finaludaudécadaudeu1960unou Brasil.uEnvolveuuartistasu visuais,uatores,umúsicosueu cineastasuqueupropunhamu experimentalismoueuau misturaudeuelementosu populares,ueruditosueudau culturaudeumassauemusuasu obras.

Pindorama (1973) é um instrumento não convencional, que foi desenvolvido pelo suíço-brasileiro Walter Smetak (1913-1984) quando lecionava na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Feito para ser tocado por vários músicos ao mesmo tempo, o instrumento é também um objeto visual. Além desse instrumento, o maestro produziu outros 150 objetos – aos quais deu o nome de plásticas sonoras –, usando cabaças, ferro-velho, tubos plásticos, cordas e bocais de pistom. Para tocá-los, Smetak e seus estudantes do Conjunto dos Mendigos aplicavam as técnicas que eles mesmos haviam desenvolvido. Nesse período, Smetak influenciou uma geração de jovens músicos, como Tom Zé, Gilberto Gil e Caetano Veloso, que depois participaram da tropicália. Você acha que o Pindorama se parece mais com uma escultura ou com um instrumento musical?

68 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 68

6/23/15 4:32 PM


ARTExplorer/Flickr

Escultura interativa • Brasil-RJ • Século XXI

Chelpa Ferro, Totó treme terra, 2006. (Mesa de pebolim, microfones, amplificadores, caixas de som, mesa de som sampler, circuito eletrônico, caixa de luz, madeira e fórmica, 225 cm × 300 cm × 160 cm. Museu de Arte Moderna, MAM. São Paulo, SP.) Solicite aos estudantes que emitam sons. Para isso devem considerar onomatopeias, ruídos e sons relacionados com o futebol.

uu

Multimídia:u obrasuqueu combinamu imagens,utextos,u sonsueuvídeos.

ExploreuoutrabalhoudeuChelpauFerrounousiteudau GaleriauVermelho.uDisponíveluem:uu <www.galeriavermelho.com.br/pt/artista/65/ chelpa-ferro>.uAcessouem:u19ujun.u2015.

Chelpa Ferro é um grupo de artistas multimídia, composto pelos cariocas Luiz Zerbini (1959), Barrão (1959) e Sérgio Mekler (1963). Uma das características dos trabalhos desse grupo é apresentar algum tipo de sonoridade. No trabalho Totó treme terra, o objeto depende da manipulação de alguém para emitir sons. O objeto convida o espectador a uma partida de futebol entre as seleções do Brasil e da Argentina numa mesa de pebolim. Note que foram acopladas ao brinquedo caixas acústicas e uma iluminação que amplificam a sensação lúdica de estar num estádio de futebol. Conforme a bola corre e bate, sensores conectados à mesa são acionados, ativando um dispositivo eletrônico com sons pré-gravados. O Chelpa Ferro realiza experiências com música eletrônica, gravação de sons não musicais, esculturas sonoras e performances. O que você achou dessa ideia? Que sons você colocaria nesta escultura?

capítulo 3 • 69 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 69

6/23/15 4:32 PM


David Santos Jr/Fotoarena

Instalação • EUA • Brasil • Século XXI

Exploreuoutrabalhou AltereduEarthu[Terrau alterada],uapresentadou poruDouguAitkenuemu Arles,unauFrança,uemu 2012.uDisponíveluem:u <doug-aitken-arles. com/alteredearth.html>.u Acessouem:u19ujun.u 2015.

Doug Aitken, Sonic Pavilion [Pavilhão sônico], 2009. (Pavilhão de vidro e aço, revestido de película plástica. Possui um poço tubular de 202 metros de profundidade e microfones e equipamento de amplificação sonora. Instituto Inhotim, Brumadinho, Minas Gerais.) uu

Geológico:uqueuvemu dauterra.

Sugira aos estudantes sons naturais, tais como o do movimento das formigas e de outros animais pequenos ou ainda sons de água e do interior do corpo humano.

A instalação Sonic Pavillion [Pavilhão sônico] (2009), do norte-americano Doug Aitken (1968), é uma construção cilíndrica de vidro, dentro da qual o espectador pode ouvir os sons vindos do interior da Terra. No centro da sala foi feita uma perfuração de 202 metros de profundidade e foram instalados sensores em diversas profundidades que captam e amplificam os sons. A obra estabelece uma relação entre o espaço arquitetônico e os sons geológicos, transmitindo a sensação de que a Terra está respirando. Conhecido por trabalhos que investigam o espaço, o som e o tempo, Aitken concebeu esse pavilhão especialmente para o Instituto Inhotim, em Minas Gerais. Que sons você imagina que podem vir do interior da Terra? Que sons você gostaria de amplificar?

70 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 70

6/23/15 4:32 PM


Jack Vartoogian/Getty Images

Música • Brasil-AL • Século XXI

Hermeto Pascoal, compositor e músico brasileiro, tocando berrante no Damrosch Park, Nova York, 2010.

Músico popular instrumental, Hermeto Pascoal (1936) é muito conhecido no mundo todo por sua curiosidade em relação ao som. Desde criança, foi sensível aos sons do cotidiano – de animais, plantas e objetos – para compor suas músicas. Entre 1960 e 1990, elaborou instrumentos com elementos inusitados trazidos de ambientes rurais e urbanos, a fim de criar sonoridades novas. Em seu trabalho, combina música com sons da natureza. Suas apresentações são repletas de improvisos cheios de criatividade. O músico já produziu mais de seiscentas gravações e possui milhares de músicas inéditas. Você conhece a música feita por Hermeto Pascoal? Já experimentou fazer música com água ou com algum elemento da natureza?

Hermeto Pascoal é um multi-instrumentista reconhecido no mundo inteiro por seu trabalho. Para saber mais sobre ele, pesquise os artigos escritos por Luiz Costa-Lima Neto. Como o artista decidiu liberar as suas gravações da lei de direitos autorais, você pode ouvir todas elas sem nenhum custo em seu site oficial. Disponível em: <www.hermetopascoal.com. br>. Acesso em: 2 abr. 2015.

Reflita sobre as obras do Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. 1

Que trabalho mais interessou a você? Por quê? Resposta pessoal.

2

Você se interessou em fazer um levantamento a respeito da luz ou do som?Resposta pessoal.

3

Classifique os trabalhos apresentados até aqui em cinéticos, ópticos e sonoros.

4

Se você fosse entrevistar uma cor, qual seria? O que perguntaria a ela?

Embora a resposta seja pessoal, oferecemos uma sugestão. Cinéticos e ópticos: Moduladora de luz e de espaço, de Moholy-Nagy, e Continuel-lumière cylinder, de Julio le Parc. Óptico: Addition Chromatique, Cruz-Diez. Sonoros e visuais: Pindorama, de Walter Smetak, Totó treme terra, do grupo Chelpa Ferro e Sonic Pavillion, de Doug Aitken. Resposta pessoal.

capítulo 3 • 71 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 71

6/23/15 4:32 PM


fala o artista Carlos Cruz-diez u Sempreufaleiudeurealidades,unãouparauimitá-las,umasuparauprovocá-las.uInventeiuasu“fisiocromias”uparaumeu expressarucomuaualegriaudeuumupintoruemuação,udeucriaruumaupinturaudespojadaudeuconceitosueutécnicasutradicionais.uNaupinturautradicional,uoutrabalhoudouartistaulogouseutornauparteudoupassado,ueuouqueuouespectadoru contemplaueudecifrauéuoupassadoudeuumauação.uAucoruqueuosuolhosudouobservadoruenxergamu“foiupintada”ucongelou-seunoutempo.uComuasu“fisiocromias”,uaoucontrário,udesfrutamosuouaparecimentoudeuumaucorunoumomentou exatouemuqueuelauseuproduz,usemupassadounemufuturo.uSóuqueusouudefinitivamenteuumupintor,ueunumau“fisiocromia”uaupinturauestáuemutodauausuaupureza.uTodosuosuefeitosueuouprazerudeupintaruestãoulá,unasuharmonias,unau velatura,unasutransparências...uTudouestáupresente,ulongeudeutodaurelaçãoucomuaupinturaudoupassado,uevoluindoucontinuamenteunoutempoueunouespaço. JIMÉNEZ, Ariel. Carlos Cruz-Diez conversa com Ariel Jiménez. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

Velatura:utécnicaudeu pinturauemuqueuouartistau criauefeitosudeuluzueusombrau sobrepondoucamadasudeu tintautransparente.

The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu de Belas Artes, Houston, EUA.

uu

Exploreuousiteudouartista.uDisponíveluem:u <www.cruz-diez.com>.uAcessouem:u19u jun.u2015.

Carlos Cruz-Diez, Indução cromática 39, 1971. (Silkscreen sobre papel colado na madeira, 80 cm × 80 cm × 3,8 cm.) Gravura • Venezuela • Século XX

Converse com os colegas e o professor sobre a obra e a fala de Cruz-Diez.

72

1

Você entendeu o que acontece quando um espectador está diante de uma “fisiocromia”?

2

Por que o artista diz que nas “fisiocromias” não há passado nem futuro? Porque as cores que o

Conforme o espectador se movimenta, vê as cores se modificando.

observador enxerga se produzem em seu olho no momento em que se dá a observação. Se houver possibilidade, conheça mais do trabalho do artista e verifique o funcionamento de outras fisiocromias no site do artista. Disponível em: <www.cruz-diez.com>. Acesso em: 1o abr. 2015.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 72

6/23/15 4:32 PM


pensando com a história 1. a Cor e a pintura Ao longo da História, muitos artistas se interessaram em compreender o fenômeno luminoso em diversos contextos e encontrar maneiras de produzir seus efeitos por meio da pintura. Para isso, pesquisaram como o olho humano percebe a cor, o efeito que a luz do Sol exerce sobre as cores dos objetos e a relação entre as cores. No final do século XIX, um grupo de artistas franceses, os impressionistas, deixaram seus ateliês e passaram a realizar suas pinturas de paisagens ao ar livre, diante do tema. Eles pretendiam assim captar a luz e a atmosfera da vida. Para que a pintura apresentasse essas características, eles precisavam finalizá-la rapidamente, antes que a luz natural se modificasse. Adotaram, então, uma técnica baseada na justaposição de pinceladas rápidas e aparentes. Até aquele momento, os pintores costumavam fazer esboços ao ar livre, mas concluíam a pintura no ateliê. Claude Monet notou que a variação de luz, ao longo do tempo, parecia mudar também as cores dos objetos. Para estudar a relação entre a luz e as cores, fez várias pinturas de um mesmo lugar, em diferentes horas do dia e em diferentes estações do ano. Monet fez várias telas representando os álamos às margens do rio Epte, em Giverny, na França. Em cada uma delas representou as árvores e o céu com cores diferentes. Nesses trabalhos, Monet retratou a mesma paisagem, porém produziu pinturas totalmente diferentes. Pintura • França • Século XIX The Bridgeman Art Library/Keystone/Coleção particular

The Bridgeman Art Library/Keystone/Coleção particular

Pintura • França • Século XIX Claude Monet, Poplars on the Banks of the Epte, Autumn [Álamos nos bancos do rio Epte no outono], 1891. (Óleo sobre tela, 101 cm × 66 cm. Coleção particular.)

Claude Monet, Les Peupliers [Álamos], 1891. (Óleo sobre tela, 116,7 cm × 72,7 cm. Coleção particular.)

capítulo 3 • 73 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 73

6/23/15 4:32 PM


AKG-Images/Album/Latinstock/Museu Paul Klee, Berna, Suíça.

No início do século XX, quando lecionava a disciplina Teoria Elementar do Design, na Bauhaus, o artista suíço Paul Klee (1879-1940) sistematizou um método para o estudo das cores. Suas obras desse período também apresentam esse tipo de preocupação. Em pequenas aquarelas, ele construiu variações de claro e escuro e utilizou misturas de cores por sobreposição de camadas. Aquarela • Suíça • Século XX

Paul Klee, Polyphon Gefasstes Weiss [Branco envolto em polifonia], 1930. (Caneta e aquarela sobre papel-cartão, 33,3 cm × 24,5 cm. Museu Paul Klee, Berna, Suíça.)

Reprodução/Museu de Arte da Filadélfa, Filadélfa, EUA.

Aquarela • Suíça • Século XX

Paul Klee, Tomb in Three Parts [Tumba em três partes], 1923. (Aquarela e grafite sobre papel, 33 cm × 45,1 cm, Museu de Arte da Filadélfia, Filadélfia, Estados Unidos.)

74 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 74

6/23/15 4:32 PM


2. pesquisadores do som Ao longo da História, muitos artistas se interessaram por pesquisar a relação entre música e ruído. No início do século XX, um grupo de artistas italianos se reuniu em torno do Movimento Futurista. Por trazer muitas inovações o movimento foi chamado de arte de vanguarda. O grupo, liderado pelo poeta Filippo Marinetti (1876-1944), viajou por vários países europeus para divulgar sua nova estética. Suas obras eram inspiradas na sociedade industrial de seu tempo: exaltavam as máquinas, a eletricidade e a velocidade. As propostas dos futuristas abrangiam várias formas de expressão. Fazia parte do grupo Luigi Russolo (1885 -1947), que realizou pinturas usando elementos abstratos para evocar a ideia de movimento e também se interessou por pesquisar o som. Ele chamou atenção para os sons da cidade industrial e escreveu um texto sobre a arte do ruído, em 1913, em que afirmou:

u [...]uPercorremosuumaugrandeucapitalumodernaucomuosuouvidosumaisualertasuqueuosuolhosueu teremosuouprazerudeudistinguiruaucontracorrenteudauágua,udouarueudougásunasutubulaçõesudeu metal,uourumoruqueupulsaueurespiraucomuindisputáveluanimalidade,uoupalpitarudasuválvulas,uou vaivémudosupistões,uouuivarudasuserrasumecânicas,uoubalançarudeuumubondeunosutrilhos,uouchiaru dasucorreiasunasupolias,uouvibrarudasucortinasueudasubandeiras. HUMPHREYS, Richard. Futurismo. São Paulo: Cosac Naify, 2001.

Russolo concebeu uma nova forma de notação musical e inventou máquinas que reproduziam ruídos, que ele classificou como zumbidores e arranhadores, entre outros. Hulton Archive/Getty Images

Música • Itália • Século XX

Luigi Russolo e seu assistente Ugo Piatti ao lado dos entoadores de ruído, 1914.

capítulo 3 • 75 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 75

6/23/15 4:32 PM


Ben Martin/The LIFE Images Collection/Getty Images

Mais tarde, nos Estados Unidos, o músico e compositor John Cage (1912-1992) realizou um trabalho experimental que pregava a necessidade de a arte assimilar informações da cidade e da vida cotidiana.

Música EUA Século XX

John Cage toca a Suíte para piano de brinquedo, 1948.

Entre muitos de seus experimentos, John Cage escreveu uma Suíte para piano de brinquedo em 1948. Na década de 1960, John Cage participou de um movimento internacional que reuniu artistas interessados em explorar música experimental, poesia e arte performática, que se chamou Fluxus. A palavra fluxu em latim significa ‘movimento’. O Fluxus procurava, por meio de suas performances, explorar elementos do cotidiano presentes na natureza, na cidade e na tecnologia. Suas realizações reuniam objetos, luzes e sons com o propósito de estimular a visão, a audição, o olfato e o tato.

76 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 76

6/23/15 4:32 PM


1. o poder da Cor

O pintor realizou uma pintura para expressar seus sentimentos, usando a cor para reforçar o sentimento exacerbado que mantinha em relação à vida.

debate

As pessoas associam a cor a significados simbólicos e culturais, assim costumam utilizá-la para provocar emoções, expressar sentimentos e transmitir ideias. A emoção causada por uma cor pode variar de uma pessoa para outra. Muitas vezes o vermelho é tomado como uma cor quente, que pode ser associada ao fogo e ao sangue. Já as tonalidades de azul, esverdeadas ou arroxeadas, são consideradas frias e associadas ao gelo e à água. As cores resultantes da mistura de vermelho e amarelo, os tons de laranja e amarelo-ouro, são vivas, fortes, e podemos vê-las a grande distância, por isso muitas vezes são usadas para chamar a atenção, como na sinalização de estradas. O objetivo desta seção é levar você e sua turma a refletir sobre como as cores podem adquirir significados simbólicos distintos ao longo do tempo. Cada cultura, e até mesmo cada artista, pode associar sentidos diferentes a cada uma delas. Então, observem algumas obras que tomaram a cor como tema e façam um debate sobre o assunto.

Reprodução/Museu Van Gogh, Amsterdã, Holanda.

Pintura • Holanda • Século XIX Escultura • França • Século XX Ch

ris

tie 's

Im

e ag

atin is/L orb s /C

/© Yves Klein/AUTVIS , Br a stock sil, 201 5/C ole ç ão

pa rti

r la cu

Yves Klein, RP7-A Terra azul, 1957 (Escultura, 35 cm × 18 cm × 18 cm.) O artista francês Yves Klein (1928-1962) definiu um tom específico de azul que chamou de Internacional Blue Klein (IBK). Considerava essa a mais espiritual das cores, capaz de libertar o espectador da materialidade e evocar o infinito. Sua visão da Terra foi confirmada quatro anos mais tarde, quando o cosmonauta russo Yuri Gagarin, ao orbitar o planeta pela primeira vez, afirmou: “Vista do espaço, a Terra é azul!”.

Vincent van Gogh, Castanheiro em flor, 1887. (Óleo sobre tela, 55,8 cm × 46,5 cm. Museu Van Gogh. Amsterdã, Holanda.) Essa pintura do holandês Vincent van Gogh (1853-1890) traduz a ideia do verde como uma força vital e fértil da natureza. O artista reflete a cor predominante do castanheiro no céu e na terra, de modo que tudo nessa imagem parece emanar da verdura viçosa da árvore florida.

O mesmo azul, o IBK, aparece em muitas outras obras do artista.

capítulo 3 • 77 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 77

6/23/15 4:32 PM


Escultura • Índia • Século XX Toby Melville/Reuters/Latinstock

Anish Kapoor, Yellow [Amarelo], 1999. [Fibra de vidro e tinta, 6 m × 6 m × 3 m.] A escultura do indiano Anish Kapoor (1954) – que aparece na foto na frente de sua obra – foi coberta com doze camadas de tinta amarela, e só quando o observador se aproxima percebe que se trata de um buraco na parede. O que parecia sólido é, na verdade, um vazio. A cor é um elemento fundamental para o trabalho de Anish Kapoor. Em seus primeiros trabalhos, ele cobriu sólidos geométricos com pigmento em pó. Suas experiências com a forma e com as diferentes matérias, sempre estão fortemente marcadas pelo uso da cor. Ele diz que a cor é uma “coisa em si” não uma superfície. Muitos dos seus trabalhos têm nomes de cores como este: Yellow. A construção do trabalho Yellow/Sari para uma exposição na Turquia pode ser vista em seu site. Disponível em: <http://vimeo. com/83996888>. Acesso em: 2 abr. 2015.

É importante mostrar para o estudante que a cor é um elemento extremamente poderoso em arte, que a cor pode ter um valor subjetivo e impactar de forma diferente cada pessoa e também que podemos contestar certas convenções. Quanto à harmonia entre as cores, muitos artistas propuseram fórmulas de combinações que envolvem relações matemáticas e teóricas, mas

Converse com os colegas e o professor sobre o uso da cor nos trabalhos apresentados. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto. w Qual é sua cor preferida? w Que valores simbólicos você atribui ao azul? w Você concorda que o azul IBK é uma cor espiritual? w Por que associamos valores simbólicos às cores? w Em sua opinião, há alguma relação entre cor e humor?

sabemos que essas combinações variam de acordo com o contexto social, com o valor simbólico e a intensão emocional. Para verificar a questão da nomenclatura, você pode fazer uma lista na lousa de nomes diferentes que a turma pode dar para a cor amarela. Por exemplo: amarelo-limão, amarelo-ouro, amarelo-canário, creme, ocre, areia, etc.

w Você acha que algumas cores combinam melhor com outras?

w Escolha uma cor a qual você associa um sentimento e pergunte aos colegas que sentimentos eles associam a essa mesma cor.

78 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 78

6/23/15 4:32 PM


2. o som da esCola Escolha um local da escola para se colocar e ficar em silêncio. Feche os olhos e escute a paisagem sonora do local, por pelo menos um minuto. De volta à sala, debata o assunto.

Autor desconhecido/Coleção particular

Fotografia • Canadá • Século XX

Aula de R. Murray Schaffer, que concebeu o conceito de paisagem sonora. O músico e professor canadense R. Murray Schaffer (1933) propôs o conceito de paisagem sonora, no início da década de 1990. Ele apontou a possibilidade de expandir a percepção do ouvido humano para a realidade sonora que nos cerca. Murray sugere que podemos observar e analisar cotidianamente os ruídos urbanos e naturais e reelaborá-los em composições musicais.

Converse com os colegas e o professor sobre os sons que você ouviu. Oferecemos, a seguir, um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto. O objetivo do debate é problematizar a questão do que é w Que sons agradaram e quais deles incomodaram? w Os sons que você escutou poderiam estar presentes em uma música? w Que sentimentos você associa aos sons que ouviu?

ruído em música. É importante mostrar para o estudante: que cada sociedade, no tempo e no espaço, seleciona os sons que considera musicais e os que considera ruído. Não se trata de conceitos estanques. O que é ruído para um grupo social pode ser música para outro, e, ao longo do tempo, o que era ruído passa a ser música. Um bom exemplo para ilustrar essa questão é a música eletrônica, que para alguns é considerada ruído e para outros, não.

capítulo 3 • 79 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 79

6/23/15 4:32 PM


hora da troca 1. experiênCias Com a Cor Muitos artistas no século XX se interessaram por pesquisar os efeitos da cor relacionados a formas geométricas. Eles realizavam composições com o objetivo de evidenciar os contrastes ou variações sutis entre as cores. A seguir, você vai conhecer dois pintores que se dedicaram a essas experiências, o brasileiro Luiz Sacilloto e o alemão Josef Albers (links acessados em: 15 abr. 2015).

nacional O artista paulista Luiz Sacilotto (1924-2003) realizou uma série de pinturas chamadas de ‘concreção’, em que criava ilusões espaciais. Ele construiu esses efeitos com linhas diagonais e gradações entre as cores, de modo a sugerir sombras. Você pode conhecer um dos trabalhos de Sacilotto, comentado por ele mesmo, assistindo a um programa da TV Cultura, disponível em: <http://mais.uol.com.br/ view/xiddtuwnvlqs/14488020?types=&>.

Luiz Sacilotto, Concreção 9978, 1999. Têmpera acrílica sobre tela, 90 cm × 90 cm. Coleção particular.

Reprodução/Coleção particular

Pintura Brasil Século XX

80 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 80

6/23/15 4:32 PM


Global Pintura • Alemanha • Século XX Andrea Jemolo/AKG-Images/Album/Latinstock/© The Josef and Anni Albers Foundation/AUTVIS, Brasil, 2015/Museus Estatais de Berlim, Alemanha.

O artista e professor alemão Josef Albers (1888-1976) realizou uma série de pinturas em que dispõe uma cor e a cerca de outra, e esta última de outra cor ou tonalidade, de maneira a evidenciar características como a luminosidade, por exemplo. Para conhecer as experiências com efeitos de cor realizadas por Albers, visite o site da fundação que reúne os trabalhos realizados por ele e sua esposa, a Josef & Anni Albers Foundation: <http://albersfoundation. org/>.

Josef Albers, Homenagem ao quadrado: visão aberta, 1967. (Óleo sobre compensado, 121,5 cm × 121,5 cm. Museu Estatal de Berlim, Alemanha.)

A melhor maneira de conhecer as cores é comparando pequenas amostras de tonalidades diferentes. Josef Albers recomendava a seus alunos que fizessem uma coleção de cores, recortando amostras de papéis, tecidos e plásticos. Com essa coleção o aluno poderia aumentar seu repertório e se acostumar a perceber as pequenas diferenças entre os tons. Vamos fazer o mesmo e compartilhar os resultados com os colegas? 1

Em casa, faça uma busca por superfícies coloridas, recortando amostras de papel de embalagens, revistas, tecidos, plásticos, etc. A medida do recorte deve ser de aproximadamente 4 cm × 4 cm.

2

Traga sua coleção de cores para sala de aula. Amostras de cores repetidas podem ser trocadas com os colegas.

3

Reúna o maior número de amostras diferentes que você conseguir e cole sobre uma folha de papel branca ou preta. Estabeleça algum tipo de relação entre elas, como: cores claras, escuras, de mesmo tom, etc.

capítulo 3 • 81 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 81

6/23/15 4:32 PM


2. sons experimentais Há uma dimensão sensível em todos nós que nos coloca em contato com a audição e a produção de sons. Os músicos, em geral, têm essa percepção muito desenvolvida, mas todos podem ficar atentos aos sons do ambiente cotidiano. O conceito de paisagem sonora é usado para caracterizar e estudar o ambiente por meio do som. A paisagem sonora de determinado lugar é composta de sons da natureza, humanos e tecnológicos. Todo ambiente pode ser definido por uma paisagem sonora. No ambiente rural, a paisagem sonora pode ser composta de sons de animais e do vento na vegetação. Numa cidade grande, a paisagem sonora pode ser formada pelo som de máquinas, carros, sirenes. Ficar atento à paisagem sonora ajuda a desenvolver a sensibilidade e a compreender as mudanças ambientais da sociedade. A seguir, você vai conhecer um pouco dos experimentos musicais de Hermeto Pascoal e de Anton Smetak e refletir sobre as infinitas possibilidades do som (links acessados em: 3 abr. 2015).

exposição

Lígia Rizério/Acervo da fotógrafa

Música • Brasil • Suíça • Século XX

A exposição Smetak imprevisto, realizada em 2008, faz parte do projeto que preserva a memória da vida e obra do artista. Nela, pode-se conhecer boa parte de seu acervo digitalizado. São objetos plásticos e sonoros, textos, fotografias e gravações. Você pode visitar o site e conhecer mais. Disponível em: <www.smetakimprevisto.com.br/>.

Exposição Smetak imprevisto, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2007.

82 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 82

6/23/15 4:32 PM


Performance

Leonardo Soares/Agência Estado

Hermeto Pascoal considera que todas as pessoas possuem potencial musical e, se estimuladas, podem fazer música “tirando sons” de qualquer objeto. No documentário Hermeto Pascoal, ato de criação, de 2008, você pode ver e ouvir o músico tocando diferentes instrumentos, convencionais e não convencionais, e ainda outros músicos dando depoimentos a respeito dele. Disponível em: <www.dailymotion.com/ video/x24blwj_hermeto-pascoal-ato-de-criacao_shortfilms>. Música • Brasil-AL Século XX

Hermeto Pascoal toca chaleira – entre outros instrumentos não convencionais.

Levando em conta as experiências musicais que você ouviu e o conceito de paisagem sonora, agora é a sua vez de fazer levantamentos dos sons de sua cidade para compartilhar com a turma. 1

Reflita sobre como é a paisagem sonora de seu bairro e sobre os tipos de som mais comuns em cada horário do dia.

2

Escolha um lugar e sente-se ali em silêncio para ouvir os sons a sua volta e montar sua paisagem sonora. Fique bem atento aos sons. Se preferir, feche os olhos. O que está ouvindo? w Se houver na escola ou no bairro alguma característica sonora predominante, como uma fábrica, praia ou obra em construção, você pode preparar um material coletivo. Documente a maneira como esses sons interferem em suas ações cotidianas. w A própria escola costuma ter uma paisagem sonora muito interessante, constituída de vozes de crianças e jovens, passos, sinal do recreio. Você pode registrar essa variação ao longo do dia.

3

4

Faça anotações, grave e memorize essa experiência. Você pode associar palavras ou desenhos. Grave ao menos um minuto da paisagem sonora em momentos diferentes do dia. Leve para escola o material de sua paisagem sonora e compartilhe.

Reúna e organize desenhos, notações e sons de acordo com os bairros. Peça aos estudantes que apresentem suas gravações para toda a turma.

capítulo 3 • 83 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 83

6/23/15 4:32 PM


teoria e técnica 1. CaraCterístiCas das Cores

Magnia/Shutterstock/ Glow Images

Esquema do sistema aditivo das cores-luz.

A soma das três cores-luz (vermelho, verde e azul) é o branco. É a composição dessas cores que vemos nos monitores e nos celulares, por exemplo. As cores básicas das tintas de impressão são ciano, magenta e amarelo. Com essas cores, associadas ao branco e ao preto, é possível reproduzir as cores da natureza e criar grande quantidade de tonalidades. Nas tintas transparentes, a cor preta é obtida com a soma de todas as cores, porque, a cada camada de tinta sobreposta, a cor torna-se mais escura. Quando usamos tintas transparentes, o branco é o fundo do papel ou da tela, ou seja, a ausência de tinta. Nas tintas opacas, como o guache ou as tintas de pintura de parede, a cor cinza é a soma de todas as cores misturadas. Quando pintamos com tintas opacas, usamos a tinta branca para cobrir as áreas que queremos clarear.

Esquema do sistema subtrativo das cores-tinta. Neste caso, pode-se trabalhar com exemplo de uma técnica que utiliza o esquema do somatório aditivo das cores: a impressão em offset. Nesse sistema, imprimem-se alguns tipos de revistas, livros e outdoors. Se os estudantes tiverem possibilidade de observar uma folha de outdoor bem de perto, perceberão que os pontos são grandes e que a imagem se forma de longe. Em revistas ou livros impressos nessa tecnologia, com auxílio de uma lupa ou um conta-fios, é possível ver os pontos coloridos que formam a imagem. Hoje, nem todas as revistas ou livros são impressos em offset.

Esquema do círculo das cores com três pares de cores opostas.

Peter Hermes/Furian/Shutterstock/ Glow Images

Espectro de luz:u faixaudeuemissõesu eletromagnéticasu queusãouvisíveisuaou olhouhumanoueuqueu variaudouvermelhou aouvioleta.

Ruhrgebiet/ Shutterstock/ Glow Images

uu

A luz branca do sol contém todas as outras cores. Ela pode ser percebida de forma diferente, a depender da hora do dia ou da época do ano. No entardecer, percebemos uma luz avermelhada e, numa manhã de inverno, ela parece azulada. Essas variações também acontecem com a luz artificial. A lâmpada fluorescente emite luz esverdeada, e a lâmpada incandescente, amarelada. Se percebemos um objeto branco é porque houve reflexão de todo o espectro de luz e, se ocorreu a percepção do preto, o objeto absorveu todas as cores. Esse fenômeno também é compreendido como ausência de luz. Portanto, a cor que percebemos depende da luz que ilumina o objeto e da forma como ele a reflete para nossos olhos.

Costuma-se organizar as cores em um modelo circular contínuo – o círculo das cores. Para formar o círculo, em geral, são usadas cores em números pares, organizadas de maneira que as cores opostas sejam as de maior constraste.

84 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 84

6/23/15 4:33 PM


2. CaraCterístiCas dos sons O som é a vibração de um corpo que se propaga no ar, nos líquidos e nos sólidos, em forma de ondas. Os ouvidos captam essa vibração, e o cérebro a transforma em informação e reação. Os sons têm quatro características principais: v

Altura é a característica que determina se um som é grave ou agudo. Definimos matematicamente um som pela quantidade de vibrações por segundo que ele produz (frequência). Quanto maior for o número de vibrações, mais agudo será o som. Quanto menor for o número de vibrações, mais grave será o som. O ouvido humano é capaz de perceber sons muito graves e muito agudos, numa faixa de frequência que vai de 20 a 20 mil ciclos por segundo (ou hertz por segundo).

v

Duração é o período durante o qual o som é captado pelo ouvido. Uma nota tocada no piano pode ter um som longo ou breve, dependendo do tempo que o pianista mantém a tecla apertada. É justamente o tempo de vibração de um som.

v

Intensidade representa a quantidade de energia gasta para produzir um som. É interpretada pelo ouvido por meio da sensação de volume. Quanto mais força um pianista usa para tocar uma nota, maior será a sensação de volume produzida por ela. A relação entre as diferentes intensidades dos sons em uma música é chamada de dinâmica.

v

Timbre é a identidade de um som. Assim como cada pessoa tem um timbre de voz específico, cada instrumento musical possui uma personalidade sonora única. A flauta e o violino, por exemplo, podem gerar uma grande quantidade de notas musicais, porém, a mesma nota tocada por ambos apresenta timbres diferentes, pois cada instrumento gera um som diferente.

Para fazer um arranjo musical utilizam-se principalmente essas quatro características dos sons – que são capazes de criar infinitas relações entre os instrumentos. Assim, podemos estabelecer: v

relação de altura: quando um som grave é sobreposto a um som agudo;

v

relação de duração: quando um som contínuo, uma tecla do piano tocada por um período longo, é sobreposto a um som curto, outra tecla tocada de maneira breve, por exemplo.

v

relação de intensidade: quando um instrumento é tocado com mais força que outro;

v

relação de timbre: quando o arranjador faz um jogo de pergunta e resposta entre dois instrumentos.

uu

Arranjo:uoumodoudeu execuçãoudeuumau composiçãoumusical.u Inclui,uporuexemplo,uau escolhaudosuinstrumentosu euaudefiniçãoudoujogoudeu intensidades.

2 Ouça exemplos sonoros dos conceitos de altura, duração, intensidade e

timbre em um podcast do áudio que acompanha este volume. Promova a audição deste podcast que apresenta os conceitos por meio de exemplos sonoros.

capítulo 3 • 85 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 85

6/23/15 4:33 PM


atividades 1. mistura e CírCulo das Cores Nesta atividade, você vai experimentar um trabalho de mistura de cores. Material w Papel-cartão A4 w Tinta guache (amarelo, azul, magenta ou vermelho) w Pincel w Copo de água w Potinhos para misturar a tinta w Pano para limpeza Use pequenas quantidades das tintas, pois só irá precisar delas para fazer as amostras. A proporção também não é precisa. Pode-se usar o pincel para gotejar a tinta no potinho, usando a quantidade de tinta que escorre dele como parâmetro para a mistura.

Faça três amostras de 2 cm × 2 cm de cada cor pronta. Ao todo, serão nove amostras. Depois, misture as cores nas proporções a seguir: w 1/2 porção de amarelo + 1/2 de azul O objetivo desta atividade é vivenciar a mistura das cores, proporcionando aos estudantes a descoberta das variações relacionadas com a proporção das cores primárias na mistura. Outro aspecto interessante é fazê-los refletir sobre o nome das cores, ao tentar nomear a resultante da mistura. Os guaches escolares não são feitos com grande concentração de pigmento, e essa concentração pode variar de acordo com a marca utilizada, o que pode acarretar variações no resultado das misturas dos estudantes. O ideal é usar guache magenta, cor mais clara e mais pura que o vermelho que vai proporcionar misturas menos acinzentadas e escuras. No entanto, a atividade também pode ser feita com vermelho, obtendo-se misturas ligeiramente diferentes.

w 1/2 de azul + 1/2 de vermelho ou magenta w 1/2 de vermelho ou magenta + 1/2 de amarelo w 1/4 de amarelo + 3/4 de azul w 1/4 de azul + 3/4 de vermelho ou magenta w 1/4 de vermelho ou magenta + 3/4 de amarelo Faça duas amostras de 2 cm × 2 cm de cada cor resultante. Na folha de papel-cartão, monte uma tabela com uma das amostras de cores prontas e com uma das amostras de cores resultantes, usando um sinal de “+” para indicar qual foi a mistura. Sob as amostras de cores resultantes escreva os nomes das cores.

Verde, roxo, roxo-escuro, amarelo-esverdeado ou amarelo-limão, roxo ou vermelho-escuro ou vinho, laranja ou amarelo-ouro ou laranja-claro.

Em outra folha de papel, faça um círculo com seis cores, usando as amostras de cores puras e as amostras de cores resultantes que sobraram, que você preparou nos itens anteriores desta atividade. Cole as amostras em forma de círculo: amarelo, laranja, vermelho, roxo, azul e verde. Coloque os nomes das cores puras e das misturas. Depois, assinale no círculo as cores que se posicionam de forma oposta. Elas são os três pares de cores opostas no círculo: vermelho/verde, roxo/amarelo e laranja/azul.

86 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 86

6/23/15 4:33 PM


2. Gravando os sons Com um gravador de som (celular, gravador digital, mp4, etc.), registre diferentes tipos de som na escola. w Um som grave e um agudo (altura). w Um som forte e um fraco (intensidade). w Um som contínuo e um descontínuo (duração). Se for necessário, ouça novamente com os estudantes o podcast “Altura, duração, intensidade e timbre”, para exemplificar quais w Um som abafado e um estridente (timbre). são as características dos sons. Apresente aos colegas o material sonoro coletado, oito sons no total. Com um gravador de som, registre o som de diferentes instrumentos musicais.

Converse com a turma sobre a classificação dos instrumentos. Veja abaixo uma possível classificação: w Cordofones são os instrumentos de cordas. Neles o som é provocado pela vibração de cordas tensas. Exemplos: violão e violino. w Aerofones são os instrumentos de sopro. Neles o som é produzido pela circulação de ar. Exemplos: flauta e saxofone. w Membrafones e idiofones são os dois grupos de instrumentos de percussão. Nos membrafones, o som é produzido por uma membrana esticada, como uma pele de animal. Exemplos: tambores da bateria e tamborim. Nos idiofones, o som é produzido pelo próprio corpo do instrumento, feito de materiais naturalmente sonoros, sem ser submetidos a tensão. Exemplos: pratos da bateria e chocalho. w Eletrofones é a categoria de instrumentos sonoros eletrônicos capazes de produzir novos sons. Exemplos: computador e sintetizador. Verifique se há instrumentos musicais na escola, em sua casa, na casa de um parente ou de um amigo e faça um levantamento dos diferentes sons dos intrumentos musicais aos quais você teve acesso. Antes de gravar o som, identifique o instrumento, gravando seu nome. Apresente o sons dos instrumentos musicais que conseguiu reunir. Promova a audição dos sons gravados pela turma na sala de aula. Ela pode ser realizada por meio do próprio aparelho usado para a gravação ou de um computador ligado a caixas de som.

Com base nos sons apresentados, vamos refletir coletivamente sobre a atividade. w Sabemos que a música pode despertar sentimentos. Isso também vale para os sons em podemos associar estados de espírito ou humores aos sons. Dê o exemplo do som de uma sirene da ambulância: em geral? Sim, geral, esse som causa um estado de atenção, mas, se foi você que a chamou, o som da sirene pode causar alívio.

w Com os colegas e o professor, analise os sons coletados e aponte os que provocam algum sentimento em você. w Será que o sentimento em relação ao som pode variar dependendo do contexto? Com base no levantamento de instrumentos, verifique juntamente com os colegas: w Que instrumentos apareceram nos levantamentos da turma? w Como podemos classificá-los?

capítulo 3 • 87 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C3_062a087.indd 87

6/23/15 4:33 PM


4

CAPÍTULO

Música dO MundO

1 2 3

Vocêugostaudeumúsica?uResposta pessoal. Queuestilosumusicaisucostumauouvir?uResposta pessoal. Vocêuprefereuouvirumúsicaunacionaluouuestrangeira?u Resposta pessoal.

88 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 88

6/23/15 4:34 PM


TEMA

OBJETO

CONCEITO

Diversidade

Música

Multiculturalismo

TEMA TRANSVERSAL Identidade

TÉCNICA

HABILIDADE

Elementos da música

Sons com o corpo

cOMeÇandO pOr vOcÊ

Jam session do Festival de Música de Trancoso, na Bahia, em 2013.

Ouvir música com fones de ouvido é um hábito comum entre os jovens.

/Glow tterstock pio3/Shu

Images

Dani Gurgel/Acervo da fotógrafa

Desde os tempos mais remotos, escutar e fazer música são práticas comuns a todos os povos do planeta. Ao longo da história, os especialistas encontraram vestígios de que a música foi importante tanto para os rituais religiosos, as celebrações sociais e a transmissão da cultura oral como em momentos de deleite e diversão. Ouvir composições de diferentes lugares é uma forma de experimentar variadas maneiras de sentir o mundo. Cada pessoa, como cada povo, tem um jeito específico de se expressar e de compreender a música. Você já percebeu que costumamos associar músicas a experiências importantes? Por exemplo, a canção que marcou uma viagem ou uma música que faz você se lembrar de alguém.

Reflita sobre estas questões e compartilhe as respostas com os colegas e o professor. 1

Algum dia desta semana você ficou sem ouvir música? Resposta pessoal.

2

Que tipo de música tem escutado nos últimos dias? Resposta pessoal.

3

Você conhece muitas músicas de outros países? Resposta pessoal.

CAPÍTULO 4 • 89 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 89

6/23/15 4:34 PM


painel Música e culturas Nesta seção vamos conhecer um pouco sobre a música brasileira e a de outros povos.

Paulo Namorado/O Cruzeiro/EM/D.A Press

Música • Brasil-RJ • Século XX

Tom Jobim tocando violão. Foto da década de 1950. Promova a audição de “Garota de Ipanema”, uma das músicas brasileiras mais tocadas no mundo que se tornou um símbolo do Brasil – muitas vezes, visto de forma estereotipada como um país com muitas praias, sol e mulheres bonitas. Converse com os alunos sobre essa ideia e sobre as imagens que eles associam à canção. Peça-lhes que reparem na forma como as palavras são cantadas pelo músico e estimule-os a marcar o pulso da música.

“Chega de saudade” (1959), composta por Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980), é considerada a primeira música da bossa nova. Antes de se fixar como um estilo musical, a bossa nova era uma maneira intimista e rebuscada de samba. Era considerada uma leitura particular do samba, feita por músicos como Tom Jobim, cuja forma de compor foi influenciada por Pixinguinha, Noel Rosa e Dorival Caymmi, e também pela música erudita de compositores europeus como Claude Debussy e Maurice Ravel. Na bossa nova, em geral, os arranjos são tocados com violão, baixo, piano, flauta transversal e bateria. O estilo de cantar baixinho faz com que a voz se misture ao som dos instrumentos musicais, rompendo com a tradição de destacar a voz em relação a eles. A dicção do cantor enfatiza o som das palavras, cantadas sílaba a sílaba, divididas de forma ousada em relação ao pulso da música. “Garota de Ipanema” (1962) é um ícone da bossa nova e uma das canções brasileiras mais conhecidas e gravadas no exterior. Ela também foi composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. 3 No CD de áudio que acompanha este livro, você poderá ouvi-la. Você conhece essa música? O que ela representa para você? Que imagens você associa a essa canção?

90 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 90

6/23/15 4:34 PM


Mehner/ullstein bild/Getty Images

Música • Nigéria • Século XX

Em geral, a música africana é conhecida por sua força rítmica e pela variedade de instrumentos de percussão, como berimbau, agogô, afoxé e atabaque. A África, porém, é um continente com um vasto território e uma imensa diversidade de culturas. Cada povo africano, portanto, tem sua musicalidade própria. Na Nigéria, por exemplo, Fela Kuti (1938-1997) e a banda Afrika 70 misturaram ritmos tradicionais da cultura ioruba com funk e soul, estilos dançantes norte-americanos. O resultado foi um gênero musical envolvente conhecido como afrobeat. A música “Zombie” (1976) é um exemplo de composição nesse gênero. Além de músico, Fela Kuti foi um ativista. Por meio de composições musicais, confrontou o racismo e os abusos do colonialismo britânico em seu país. Fela Kuti dizia: “Africanos, ouçam-me como africanos. Não africanos, ouçam-me com a mente aberta”. 4 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro a música “Zombie”, de Fela Kuti, interpretada pelo músico. Você conhece outro artista que procura combater o preconceito racial por meio da música? Depois de ouvir com a turma a música “Zombie”, um exemplo de afrobeat, mencione músicos brasileiros que atuam no combate ao preconceito racial, como Fabiana Cozza, Criolo, Racionais MC’s, entre outros.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 91

Fela Kuti no Festival de Jazz de Berlim, Alemanha, em 1978.

uu

Ativista:upessoau queuatuau combativamenteu nautentativaudeu transformaruau realidadeuemuqueu vive.

capítulo 4 • 91 6/23/15 4:34 PM


Express Newspaper/Getty Images

Música • Índia • Século XX

Ravi Shankar tocando sitar em 1966.

ExploreuumauapresentaçãoudeuRaviuShankar.u Disponíveluem:u<www.thebeatles.com/ search?title=ravi+shankar>.uAcessouem:u 5umaiou2015.

O sitar é um instrumento de cordas típico da Índia que tem o braço largo e produz um som metálico. O músico indiano Ravi Shankar (1920-2012) notabilizou-se tocando esse instrumento em canções como, por exemplo, Hari om (1997) e compondo concertos para sitar e orquestra. A música indiana apresenta características muito especiais. Os indianos entendem a música como um princípio que rege a vida e o universo. Eles usam o batimento do coração como referência para o andamento de suas composições, ou seja, para definir em que velocidade elas serão tocadas. A improvisação é muito utilizada, e cada música pode durar cerca de vinte minutos ou mais. Você já ouviu música indiana? Promova a audição de uma música indiana. Há dois estilos principais de música clássica indiana: o estilo do norte, chamado música hindustâni, em que o cantor improvisa livremente sobre a linha melódica, chamada de raga, tocada com a tabla e o sitar; e o do sul, chamado música carnática, em que a estrutura é mais rígida e o canto é acompanhado por instrumentos como o violino e a vina. O cantor interpreta raga criando várias linhas melódicas. Deixe claro para o estudante que a música indiana, em geral, está associada aos rituais religiosos, que, nela, são comuns o improviso e a repetição e que não tem clímax nem refrão, apenas flui.

92 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 92

6/23/15 4:34 PM


Rosa Gauditano/Studio R

Música • Brasil-MT • Século XX

Indígenas da aldeia Xavante de Pimentel Barbosa, durante a cerimônia wa’i, cantando com arcos e flechas, Mato Grosso, 1994.

Em geral, para os indígenas brasileiros a música não é a expressão isolada de uma pessoa, mas um elemento de unidade e coesão da tribo. Em seu universo, a música está fortemente associada ao ritual – momento em que a espiritualidade é invocada por meio de canto e dança. Apesar de haver alguns pontos comuns na música de todas as nações indígenas – como música predominantemente cantada e escala melódica de cinco notas musicais –, cada uma delas tem sua forma própria de fazer música. Na tribo Xavante, por exemplo, o compositor sonha com as melodias e, ao acordar, entoa a música para si, para não esquecer. Quando os demais acordam, ele transmite a música sonhada, geralmente por meio do canto. Para os indivíduos dessa tribo, a música é transmitida pelos espíritos dos antepassados. Ela aparece nos sonhos dos meninos solteiros que já passaram pelo ritual de furação de orelhas – ritual que marca a passagem para a vida adulta. 5 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro, “Dapraba” (1994), um exemplo de canção xavante cantada nesse ritual. Você já sonhou com música?

uu

Escala melódica:u sequênciaudeu notasumusicais.uu Auescalauorganizau aurelaçãouentreu asunotas.

Converse com os estudantes sobre sonhos com música e como os Xavante extraem suas canções. Mencione que o sonho pode ocorrer com músicas conhecidas ou com músicas novas. Lembre-se de que a música é sempre um poderoso instrumento de sociabilização entre os membros de um grupo.

Reflita sobre as obras do Painel e compartilhe opiniões com os colegas e o professor. 1

Entre as músicas apresentadas, de qual você mais gostou? Por quê? Resposta pessoal.

2

Quais são as características comuns a todos os exemplos apresentados? E o que é Semelhanças: música como forma de expressar sentimentos e experiências e como forma de diferente nos quatro exemplos mostrados? relacionar diferentes membros de uma comunidade, entre outras. Diferenças: os instrumentos

3

Que gêneros musicais de outros países você conhece? Resposta pessoal.

musicais utilizados, a duração das músicas, a relação de autoria das composições, entre outras.

capítulo 4 • 93 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 93

6/23/15 4:34 PM


fala o artista ravi shankar Leia a seguir um depoimento de Ravi Shankar em que ele fala da habilidade comunicativa da música.

Giraudon/The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu Nacional da Índia, Nova Délhi, Índia.

Música • Pintura • Índia • Século XVIII

u Comoualguémupodeucolocaruousignificadouespiritualu daumúsicaunoupapel?uAumúsicautranscendeutodasuasu línguasueubarreiras,ueuéuaumaisubelauhabilidadeucomunicativauqueuseupodeuter.uElaunosufazuexperimentarudiferentesuemoçõesuouuounavarasa,ucomounósu chamamos.uDiferentesutiposudeumúsicau–unãouimportauseuvocaluouuinstrumental,uocidentaluouuoriental,uclássica,upop,ufolclóricau–,udeudiferentesupartesu dou mundo,u podemu seru espirituaisu seu tiveremu ou poderudeuavivaruaualmaudeuumaupessoaueutranscenderuoumomento.uUmaumúsicaudesseutipoucausauarrepiosunoucorpoueunaumente.uEquivaleu[...]uàuliberaçãoudeulágrimasudeugratidão. SHANKAR, R. A quote in music. Disponível em: <www. ravishankar.org/reflections>. Acesso em: 16 mar. 2015. No site da instituição The Ravi Shankar Foundation, pode ser ouvida a música “Raga Malgunji – The living room sessions” (parte 1). Disponível em: <www. ravishankar.org/gallery.html>. Acesso em: 16 abr. 2015.

uu

Príncipe e princesa indianos ouvem música, c. século XVIII. (Guache sobre papel. Museu Nacional da Índia, Nova Délhi, Índia.)

Navarasa:unava,uemu sânscrito,uquerudizeru‘nove’,ueu rasausignificau‘sentimento’.uOu termo,uportanto,urefere-seuau noveudiferentesusentimentosu (amor,ualegria,umaravilha,upaz,u raiva,ucoragem,utristeza,umedou eunojo)uqueuouobservadorupodeu experimentaruaouentraruemu contatoucomuumauobraudeuarte.

Converse com os colegas e o professor sobre a afirmação do músico indiano. Respostas pessoais.

94

1

Você concorda que a música é a mais bela habilidade comunicativa que pode haver?

2

Por que Ravi Shankar considera a música a mais bela das habilidades comunicativas?

3

Se você não concorda com Ravi Shankar, que outras habilidades comunicativas podem ser mais belas do que a música?

4

Para você, que tipo de música causa “arrepios no corpo e na mente”?

Reforce que as palavras de Ravi Shankar expressam uma visão pessoal a respeito da arte musical. Conhecer, respeitar e valorizar outras concepções é um dos objetivos do ensino de Arte. Importante, neste capítulo, é mostrar que existem concepções diferentes a respeito da música, a depender da cultura em que está inserida. Se for possível, toque a música indicada de Ravi Shankar. Depois, converse sobre as músicas eleitas pelos alunos.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 94

6/23/15 4:34 PM


pensando com a história No final do século XIX, o Brasil passou por mudanças intensas. A abolição da escravatura em 1888 e a proclamação da República no ano seguinte fizeram com que homens, mulheres e crianças recém-libertos abandonassem o campo, em busca de empregos nas cidades. Nos centros urbanos, os ritmos apreciados nos salões da elite e da classe média eram valsas, polcas e mazurcas – músicas para dançar ao som de pequenas orquestras. Esses ritmos foram importados da Europa, assim como grande parte dos costumes. A música negra e mestiça ficava do lado de fora dos salões. Nas ruas, podiam ser ouvidos ritmos como o lundu, por exemplo, acompanhado de percussão, palmas, coro e viola. Foi do encontro desses estilos musicais que surgiu o choro. Um jeito abrasileirado de tocar polcas, valsas e mazurcas, em que o músico local adicionava seu tempero e malícia. Com o tempo, o gênero ganhou identidade própria e foi chamado de chorinho. O músico Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha (1897-1973), foi um dos maiores expoentes desse gênero musical. Música • Brasil-RJ • Século XX Estimulante e sentimental, o chorinho uniu, no Brasil, heranças musicais africanas e europeias. O resultado foi um gênero em que as improvisações são muito comuns e que exige um alto nível técnico para ser executado. A maioria dos choros é instrumental. Flauta, violão, cavaquinho, bandolim e pandeiro são instrumentos muito utilizados pelos conjuntos que produzem esse gênero musical.

Arquivo O Cruzeiro/EM/D.A Press

O chOrinhO

Pixinguinha tocando saxofone. Foto de 1961.

capítulo 4 • 95 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 95

6/23/15 4:34 PM


hora da troca a Música e seu teMpO Como vimos no decorrer do capítulo, cada povo tem uma forma própria de fazer e ouvir música. Alguns gêneros musicais têm forte identificação com uma cultura e com uma época. Vamos conhecer um pouco mais sobre o afrobeat da década de 1970 e a bossa nova da década de 1950 (links acessados em: 6 maio 2015).

Global – Anos 1970

Reprodução/Celluloid Records

Em 2013, o Museu Afro Brasil, em São Paulo, promoveu uma exposição com as 41 capas dos discos de Fela Kuti, realizadas pelo designer Lemi Ghariokwu. As capas dos discos, assim como a música, expressam a luta política e social do músico nigeriano. No link fornecido a seguir, você pode assistir a um vídeo sobre essa exposição e saber mais sobre os anos 1970 na Nigéria. Disponível em: <http://tvuol.uol.com.br/video/museu-exibe-capas-de-discos-de-felakuti-o-rei-do-afrobeat-04028C9A3162DCA14326/>.

Design • Música • Nigéria Século XX

Capa de disco do músico nigeriano Fela Kuti, design gráfico de Lemi Ghariokwu, 1976.

96 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 96

6/23/15 4:34 PM


Nacional – Anos 1950 No vídeo Roberto Menescal – 50 anos de Bossa Nova, realizado em 2008, você pode ouvir o depoimento do músico carioca, que foi um dos fundadores desse movimento musical. Menescal conta como a turma da bossa nova se formou, fala das referências musicais que influenciaram o grupo e de como o movimento cresceu a partir do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, para o mundo. Disponível em: <http://novo.itaucultural.org.br/canal-video/ roberto-menescal-50-anos-de-bossa-nova/>. Ainda sobre a bossa nova, confira o site da Bossa na Oca. Disponível em: <www.miniestudio.net/Bossa-naOca>. Acesso em: 9 jun. 2015.

Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=jCrV0RWf7ks>

Música • Brasil-RJ Século XX

Imagem do depoimento de Roberto Menescal sobre os 50 Anos de Bossa Nova.

Levando em conta o que você aprendeu sobre o afrobeat e a bossa nova, faça um levantamento das composições de sua região para compartilhar com a turma. 1

Fora do horário de aula, procure obter o máximo de informação sobre o assunto. Você pode recorrer a livros, revistas, jornais e sites de internet. Outra fonte de informação sempre interessante são os familiares e amigos mais velhos.

2

Procure descobrir a que estilos musicais as composições de sua região pertencem ou de que mistura de estilos elas resultam, quando foram produzidas e por quem. Resposta pessoal.

3

Eleja uma composição de sua região para aprofundar o trabalho. Transcreva a letra da música escolhida e traga para a sala de aula a fim de compartilhar com os colegas. Organize um mural com as letras das

4

Se puder, faça também uma gravação da canção, ou de parte dela, para compartilhar com a classe. Caso não possa gravar, cante pelo menos um trechinho dela para que os colegas a conheçam ou reconheçam.

5

Escreva também um breve texto a respeito dessa composição, respondendo à seguinte questão: Nessa música existem elementos que se relacionam com sua região?

canções trazidas pelos estudantes.

Verifique se, nos textos, os estudantes contemplaram a linguagem da letra, o ritmo, a melodia e outros elementos técnicos da canção.

capítulo 4 • 97 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 97

6/23/15 4:34 PM


debate a beleza das Misturas Na arte musical, é comum o encontro entre músicos de tradições diferentes. Em geral, o trabalho de um músico costuma influenciar ou transformar o de outro. Desses encontros, pode surgir algum tipo de novidade, resultado da mistura de estilos. A seguir, vamos conhecer dois exemplos de encontros musicais que aconteceram entre artistas com bagagens culturais bem diferentes.

Michael Ochs Archives/Getty Images

Música • Inglaterra • Índia • Século XX George Harrison e Ravi Shankar, em Los Angeles (EUA), 1975. O beatle e o músico indiano trabalharam juntos nos anos 1960, e a música de Ravi Shankar influenciou algumas das composições dos Beatles, especialmente “Love You Do”, “Within You without You” e “Norwegian Wood”. Você pode apresentar aos estudantes essas canções. “Norwegian Wood”, por exemplo, está disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=KkcRZSdc8us>. Acesso em: 6 maio 2015.

Música • Brasil-MG-MT • Século XX

Banda Sepultura e indígenas Xavante durante sessão musical. Em 1996, os integrantes da banda Sepultura, criada pelos irmãos mineiros Igor e Max Cavalera, viajaram para a aldeia Pimentel Barbosa, em Mato Grosso, para conviver e produzir música com os Xavante. O resultado desse trabalho está no álbum Roots [Raízes]. Nele, duas músicas, “Itsari” e “Jasco”, foram gravadas com os Xavante. Você pode apresentar aos estudantes uma das faixas do disco, “Itsari”. Disponível em: <www.kboing.com.br/sepultura/1-1129368>. Acesso em: 29 abr. 2015.

Reprodução/CineMauro Produções

Converse com os colegas e o professor sobre os exemplos musicais apresentados. Oferecemos, a seguir, um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a pensar sobre o assunto. w Por que a mistura é uma característica tão presente na música? Respostas pessoais. w Será que a mistura é mais aceita na música do que em outros campos artísticos? w Como você imagina que se dá o processo criativo na música? w Por que se costuma dizer que a música une as pessoas?

98

A ideia de mistura está presente na própria constituição de uma música, soma de diferentes sons, com diferentes timbres. Uma apresentação musical suscita o encontro de diversas pessoas, com distintas bagagens culturais. O processo criativo não tem origem, tampouco finalidade e, quando ocorre, sofre influência de diferentes fontes. Sobre este tema, leia o texto “Atlântico negro”, de Hermano Vianna, disponível no fim deste livro.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 98

6/23/15 4:34 PM


teoria e técnica eleMentOs da Música: ritMO, MelOdia e harMOnia Tecnicamente, a música pode ser dividida em três elementos: ritmo, melodia e harmonia. Você sabe o que significa cada um deles?

ritmo Em música, o ritmo tem relação com a maneira como as batidas são combinadas a fim de criar, na maioria das vezes, uma regularidade. O ritmo organiza as batidas dentro de um intervalo de tempo. O pulso marca a velocidade da música, que também chamamos de andamento. Nosso coração também pulsa, rápido ou devagar, dependendo da situação. Qualquer um que já tenha presenciado a apresentação de uma escola de samba conhece a emoção que o som da percussão provoca. A bateria de uma escola de samba pode ter mais de duzentos componentes, que tocam variados instrumentos de percussão. Esses músicos são chamados ritmistas. O ritmo é a base de uma música. Por essa razão, na gravação de uma composição, geralmente os primeiros instrumentos a ser captados são os de percussão. 6 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro o podcast “O pulso da música”.

Wagner Meier/Fotoarena

Música • Brasil-RJ • Século XXI

Bateria da escola de samba São Clemente, durante desfile no Carnaval, Rio de Janeiro, RJ, 2012.

capítulo 4 • 99 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 99

6/23/15 4:34 PM


Reprodução/Daniel Duchenes/Acervo do artista

Melodia A música é feita de alguns sons definidos, chamados de notas musicais. Essas notas podem ser agrupadas em escalas, que organizam a relação entre os sons. Com uma escala de notas musicais, pode-se criar uma melodia. Quando tocamos uma nota depois da outra, elas criam uma relação. A melodia geralmente é composta da sucessão de notas musicais, com diferentes alturas e durações. A melodia é a parte mais fácil de identificar em uma canção. Ao ouvir uma canção, você percebe que o intérprete canta as palavras em cima de uma melodia. Por meio do canto, a voz emite a melodia de uma canção.

harmonia uu

Acorde:u combinaçãoudeu trêsuouumaisu notasumusicaisu queusoamuaou mesmoutempo.

De forma simples, podemos definir harmonia como a combinação de notas musicais soando ao mesmo tempo, para produzir acordes. Uma canção pode muito bem ser cantada sozinha, sem o auxílio de instrumentos musicais. No entanto, ela fica bem mais completa quando acompanhada por um instrumento, com um violão, por exemplo. Nesse caso, o violonista dita a harmonia da música por meio dos acordes. Enquanto isso, a voz canta a melodia. Na música, os sons acontecem um depois do outro, mas também de forma simultânea. Quem regula esse acordo entre os sons que soam juntos é a harmonia. 7 Para concretizar essas ideias, ouça no CD de áudio que acompanha este livro o podcast “Ritmo, harmonia e melodia”. Promova a audição em sala do podcast, que demonstra auditivamente os conceitos aqui descritos.

Siemoneit/ullstein bild/Getty Images

Música • Brasil-RS • Século XX

Baden Powell durante uma apresentação, 1983.

100 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 100

6/23/15 4:34 PM


atividades 1. O ritMO e Os sOns dO cOrpO A melhor forma de entender e de vivenciar o ritmo de uma música é marcar o pulso com o corpo: batendo palmas, por exemplo. Então, nesta atividade, vamos testar diferentes formas de experimentar o ritmo, utilizando o próprio corpo como instrumento. 8 Antes de começar, ouça “Andando pela África”, do grupo Barbatuques, no CD de áudio que acompanha este livro.

A música do Barbatuques é feita de sons produzidos por percussão corporal. Você já experimentou fazer esse tipo de som? Para extrair som do corpo, você pode também: v

estalar os dedos;

v

batucar nas bochechas, formando com a boca diferentes aberturas;

v

bater com os pés no chão;

v

batucar nas costelas.

Forme uma roda de quatro integrantes – nessa roda, todos devem se olhar durante toda a atividade. Um dos integrantes do grupo produz um som com alguma parte do corpo e repete esse som algumas vezes, buscando criar um ritmo. Um segundo integrante da roda produz outro som, baseando-se no som do primeiro. E, assim por diante, até o último integrante, quando teremos quatro sons que, soando juntos, vão criar uma frase musical.

Repita o exercício com os colegas de grupo alterando a ordem da sequência de sons criados. Um colega de outro grupo ou o professor pode se encarregar de gravar – com um celular, por exemplo – o arranjo de percussão corporal criado por seu grupo.

Esta atividade requer um clima despretensioso em sala, mas é preciso concentração para não perder o foco: o corpo como produtor de som. Se possível, no momento da construção das frases musicais, espalhe os grupos por diferentes ambientes da sala, para que possam se concentrar apenas nos próprios sons.

2. identidade Pense nas canções de que mais gosta, selecione aquela que, em sua concepção, poderia defini-lo e grave a canção selecionada. Então, escreva um texto explicando que sensações essa canção provoca em você e “para onde ela o transporta quando você a ouve”, ou seja, em que pensa quando a ouve. Considere aquilo que mais o atrai nela; se a letra, a voz ou algum instrumento em particular. Por fim, compartilhe a música com os colegas e, depois disso, leia seu texto.

Os estudantes podem trazer as músicas gravadas de casa e ouvi-las no próprio celular, mas, se for possível, reserve a sala de computação para a atividade a fim de garantir a qualidade da audição.

AutoAvAliAção 1

O que você descobriu de novo a respeito da música?

2

O que aprendeu sobre a mistura das culturas na linguagem musical?

3

Quais são as reflexões mais importantes que você fez ao longo deste capítulo?

4

Você formou novas ideias a respeito da música?

5

Você ficou à vontade nas atividades práticas? Experimentou sons que nunca tinha feito com o corpo?

Procure conduzir essa autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os estudantes se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente. O ideal é que os estudantes leiam antes as questões, reflitam e então exponham o que têm a dizer.

capítulo 4 • 101 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C4_088a101.indd 101

6/23/15 4:34 PM


5

CAPÍTULO

paLavra cantada

1 2 3

Que cantor ou cantora você costuma ouvir? Resposta pessoal.

Você possui o hábito de cantar? Resposta pessoal. Alguma vez já compôs uma canção? Resposta pessoal.

102 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 102

6/23/15 4:35 PM


TEMA

OBJETO

CONCEITO

Canção

Música

Voz e linguagem

TEMA TRANSVERSAL

TÉCNICA

HABILIDADE

Elementos da voz

Canto

Identidade

st

Todos os dias, escutamos muitas vozes: além de nossa própria, a de pessoas da família, de professores e amigos da escola, de pessoas desconhecidas na rua, de cantores em canções, de jornalistas e atores na televisão, entre muitas outras. Todas diferentes entre si. A voz de cada pessoa tem um timbre único, uma combinação de sons que a caracteriza e diferencia de todas as outras, e é produzida pelas cordas vocais – duas fibras elásticas que vibram quando empurramos o ar para fora, produzindo o som. Neste capítulo, vamos conhecer o universo da palavra cantada e ouvir diferentes maneiras de usar a voz para fazer música, pois a forma mais direta e simples de fazer isso é cantando.

k oc

Rebeca Emery/Photodisc/Getty Images

in at

comeÇando por você

Ja co pin /

SP L/ L

Tim Platt/Iconica/Getty Images

Peça aos estudantes que experimentem a própria voz pronunciando seu nome de diferentes maneiras: sussurrando, cantando, gritando, sustentando uma vogal, quebrando em fragmentos.

res (Co fantasia.)

Com o canto é possível transmitir sentimentos. Isso se dá por meio do som da voz.

A voz produz som e significado, por meio do canto e das palavras.

Reflita sobre essas questões e compartilhe as respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais.

1

Você gosta de sua voz? Poderia descrevê-la?

2

De que tipo de voz você mais gosta? Por quê?

Essas e outras questões no decorrer do capítulo sugerem aos alunos reflexões acerca da música.

CAPÍTULO 5 • 103 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 103

6/23/15 4:35 PM


painel Som e menSagem Neste Painel, vamos conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra de quatro cantores que marcaram a música popular brasileira. Música • Brasil-PE • Século XX

Promova a audição da música “Qui nem jiló”. Reproduza-a novamente e estimule os alunos a cantar junto. Depois, incentive-os a conhecer outras canções de Luiz Gonzaga, como “Assum preto”, outra parceria com Humberto Teixeira, e “Pau de arara”, parceria com Guio de Moraes.

Luiz Gonzaga (1912-1989) foi um compositor, cantor e sanfoneiro que ficou conhecido, na década de 1950, por popularizar o ritmo do baião. Nascido em Exu, no interior de Pernambuco, divulgou o universo do homem do sertão nordestino Brasil afora. Compôs inúmeros sucessos, como “Asa branca” (1947), em parceria com Humberto Teixeira, que se transformou numa espécie de hino do Nordeste do país. Em seus shows gostava de se vestir com trajes de vaqueiro, em homenagem à figura do cangaceiro Lampião, por quem tinha grande admiração. Em suas composições, Luiz Gonzaga cantou com simplicidade a vida cotidiana do povo brasileiro. Sua forma de cantar foi influenciada pela tradicional cultura de cantadores nordestinos. Figuras populares nos povoados onde vivem, esses cantadores registram as histórias desses lugares em forma de canção, com doses de humor e malícia. Recheada de termos locais, a linguagem é direta e facilmente entendida por quem é da comunidade. 9 No áudio que acompanha este livro, você pode ouvir a música “Qui nem jiló”, da qual Luiz Gonzaga é coautor juntamente com Humberto Teixeira. Que outras músicas de Luiz Gonzaga você conhece? Já teve a oportunidade de dançar baião?

Luiz Gonzaga com o tradicional chapéu nordestino de vaqueiro. Foto de 1953.

Qui

nem jiló

Se a gente lembra só por lembrar O amor que a gente um dia perdeu Saudade inté que assim é bom Pro cabra se convencer Que é feliz sem saber Pois não sofreu Porém se a gente vive a sonhar Com alguém que se deseja rever Saudade, entonce, aí é ruim Eu tiro isso por mim, Que vivo doido a sofrer

Ai quem me dera voltar Pros braços do meu xodó Saudade assim faz roer E amarga qui nem jiló Mas ninguém pode dizer Que me viu triste a chorar Saudade, o meu remédio é cantar Saudade, o meu remédio é cantar

“Qui nem jiló”. Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1950. Disponível em: <www.luizluagonzaga.mus.br>. Acesso em: 28 abr. 2015. Acervo UH/Folhapress

104 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 104

6/23/15 4:35 PM


Música • Brasil-BA • Século XX Promova a audição da música “Cérebro eletrônico”, presente no CD que acompanha este volume. Reproduza-a novamente e estimule os alunos a cantar junto. Converse com os alunos sobre a reflexão proposta por Gil em 1969, perguntando: O computador é mudo? Faz tudo? Comanda nossa vida?

u

Afoxé: ritmo africano originado de conjunto vocal e instrumental de mesmo nome, que sai em cortejo nas ruas durante o Carnaval na Bahia. Conhecido como candomblé de rua, geralmente é cantado em dialetos africanos e tocado com atabaques, agogôs e chocalhos. Renato Luiz Ferreira/Folhapress

O compositor, cantor e muti-instrumentista baiano Gilberto Gil (1942) é símbolo de ousadia e criatividade. Suas composições passeiam por ritmos do mundo todo, como reggae, rock e funk, mas principalmente por ritmos brasileiros como baião, samba, bossa nova e afoxé. A riqueza melódica de suas canções é realçada por sua voz suave, de poderosos agudos. As letras de suas canções abrangem temas diversos, como desigualdade social, ciência e religião. Hábil em associar tradição e modernidade, Gil tem Luiz Gonzaga como uma de suas principais influências. Nos anos 1960, esteve à frente do tropicalismo, ao lado de Caetano Veloso. O movimento propunha a mistura de diferentes musicalidades a fim de construir uma nova. Perseguido pela ditadura militar, exilou-se em Londres, na Inglaterra. Na volta ao Brasil, em 1972, gravou álbuns marcantes como Expresso 2222 e Refavela. Leia a seguir a letra da canção “Cérebro eletrônico”, composta por Gilberto Gil, em 1969. Procure também ouvi-la: a obra completa do artista, que defende o software livre, pode ser ouvida na internet gratuitamente. Disponível em: <www.jobim.org/gil/>. Acesso em: 14 maio 2015. Você acha que as questões levantadas na canção, como a relação do homem com o computador, ainda são atuais? Gilberto Gil em show da turnê “Gilbertos Samba”, São Paulo, 2014.

Cérebro

eletrônico

O cérebro eletrônico faz tudo Faz quase tudo Faz quase tudo Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda Manda e desmanda Ele é quem manda Mas ele não anda

Só eu posso pensar se Deus existe Só eu Só eu posso chorar quando estou triste Só eu Eu cá com meus botões de carne e osso Hum, hum Eu falo e ouço Hum, hum Eu penso e posso

Eu posso decidir se vivo ou morro Porque Porque sou vivo, vivo pra cachorro E sei Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro Em meu caminho inevitável para a morte Porque sou vivo, ah, sou muito vivo E sei Que a morte é nosso impulso primitivo E sei Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro © Gege Edições Musicais Ltda. (Brasil e América do Sul) / Preta Music (resto do mundo). Disponível em: <www.gilbertogil.com.br>. Acesso em: 22 abr. 2015.

capítulo 5 • 105 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 105

6/23/15 4:35 PM


Música • Brasil-RJ • Século XX

u

Bamba: sambista virtuoso que se destaca. Do quimbundo, língua falada em Angola, mbamba, ‘proeminente’.

As

Reprodução/RCA Victor

Assim como já sugerimos para as canções de Luiz Gonzaga e Gilberto Gil, promova a audição de “As rosas não falam”. Reproduza novamente a canção e estimule os estudantes a cantar junto. Pergunte-lhes se têm algum parente ou conhecido que toca ou compõe sambas. Peça que falem sobre os instrumentos musicais que essa pessoa toca ou sobre as canções que compõe.

Cartola (1908-1980), nascido Angenor de Oliveira, foi um importante compositor de samba e um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, em 1928. Tocando e cantando, ficou conhecido pela delicadeza e profundidade de suas canções. Algumas delas foram interpretadas, na década de 1930, por vozes como Francisco Alves e Carmen Miranda. Depois desse sucesso, Cartola passou por dificuldades e desapareceu do cenário musical. Voltou a atuar como músico profissional no final da década de 1950. Em 1964, o compositor e sua segunda esposa, Zica, abriram um restaurante no centro do Rio, o Zicartola, onde boa comida e apresentações musicais atraíram a juventude da zona sul carioca e os sambistas do morro. O bar tornou-se centro de renovação e fortalecimento do samba. Reuniu bambas como Nelson Cavaquinho e o jovem Paulinho da Viola, considerado pelo próprio Cartola seu sucessor. O músico chamava a atenção pelo cuidado com as letras e melodias que compunha, tocadas principalmente com o violão. Gravou o primeiro disco, Cartola, aos 66 anos de idade, cantando seus próprios sambas. Compôs também “O sol nascerá” e “Alvorada”. 10 No áudio que acompanha este livro, você pode ouvir “As rosas não falam”, composta por Cartola, em 1976, em uma interpretação do próprio artista. Você conhece pessoalmente alguém que componha, toque ou cante samba?

rosas não falam

Bate outra vez Com esperanças o meu coração Pois já vai terminando o verão enfim

Volto ao jardim Com a certeza que devo chorar Pois bem sei que não queres voltar para mim

Queixo-me às rosas, mas que bobagem As rosas não falam Simplesmente as rosas exalam O perfume que roubam de ti, ai...

Devias vir Para ver os meus olhos tristonhos E, quem sabe, sonhavas meus sonhos Por fim...

Na capa do disco Cartola 70 anos, de 1979, o compositor brinca o Carnaval vestido com as cores da escola de samba Mangueira.

Extraído de MORIM, Júlia. Cartola. Pesquisa Escolar On-line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 28 abr. 2015.

106 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 106

6/23/15 4:35 PM


Música • Brasil-RS • Século XX

Ponta

Promova a audição de “Ponta de areia”, interpretada por Elis Regina. Reproduza-a novamente e estimule os estudantes a cantar junto. Incentive-os a procurar outras músicas e vídeos com apresentações musicais de Elis Regina.

Luís Pinto/Agência O Globo

A cantora gaúcha Elis Regina (1945-1982) desde muito cedo cantava em programas de rádio, mas foi na televisão, durante o Primeiro Festival Nacional de Música Popular Brasileira, que ela ganhou projeção nacional. Pimentinha, como era chamada em razão de sua personalidade forte, venceu esse festival cantando a música “Arrastão” (1965), composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Elis Regina reuniu um conjunto de qualidades que fazem dela uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Técnica vocal apurada, ousadia, emoção à flor da pele e domínio de palco foram algumas delas. Uma de suas características mais marcantes era brincar com o tempo das melodias cantadas, criando novas relações com o ritmo. Suas interpretações eram autênticas. A cantora fazia questão de deixar sua marca pessoal nas canções que interpretava. Fizeram parte de seu repertório obras de diversos compositores da música brasileira, como “Águas de março”, de Tom Jobim, e “Como nossos pais”, de Belchior, entre muitas outras. 11 No áudio que acompanha este livro, você pode ouvir Elis Regina interpretando “Ponta de areia”, composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, em 1974. Você já ouviu alguma canção interpretada por Elis Regina? Já teve oportunidade de ver alguma apresentação dela na televisão ou na internet?

de areia

Ponta de areia, ponto final Da Bahia–Minas, estrada natural Que ligava Minas ao porto, ao mar Caminho de ferro mandaram arrancar Velho maquinista com seu boné Lembra o povo alegre que vinha cortejar Maria-fumaça não canta mais Para moças, flores, janelas e quintais Na praça vazia um grito, um ai Casas esquecidas, viúvas nos portais. Site Milton Nascimento. Disponível em: <www.miltonnascimento.com.br/site/letras.php>. Acesso em: 8 maio 2015.

Elis Regina durante o VI Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, RJ, em 1971.

Reflita sobre as obras do Painel e compartilhe opiniões com os colegas e o professor. 1

Por qual das músicas apresentadas no Painel você se interessou mais? Resposta pessoal.

2

Que canção você considera melhor para dançar? E qual delas considera que foi criada possível: melhor para dançar: “Cérebro eletrônico”, de Gilberto Gil. apenas para ouvir? Resposta Melhor só para ouvir: “Ponta de areia”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

3

Dê exemplo de um cantor, cantora ou banda que tem no figurino um de seus diferenciais artísticos, como é o caso de Luiz Gonzaga. Respostas possíveis: Ney Matogrosso, Carmen Miranda, Clara Nunes, Raul Seixas, Carlinhos Brown.

4

Além de “Asa branca”, você conhece outras canções sobre a caatinga? Quais?

Respostas possíveis: “Luar do sertão” (João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense), “Lamento sertanejo” (Dominguinhos e Gilberto Gil), “O último pau de arara” (Venâncio, Corumba e J. Guimarães), entre outras.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 107

capítulo 5 • 107 6/23/15 4:35 PM


fala o artista Muitas vezes, vozes ou ritmos musicais representam um povo ou uma região específica. Por meio do baião, Luiz Gonzaga expressou o modo de vida da população do sertão nordestino. 12 Leia, a seguir, a declaração de Luiz Gonzaga, feita durante uma de suas apresentações musicais, e ouça o podcast “Baião” no CD de áudio que acompanha este livro.

Luiz gonzaga Isto é baião. Baião é gado. Baião é vaqueiro. Baião é agricultura. É carne de sol com feijão-verde e cuscuz de milho, meu filho. Baião é cangaceiro. É cabra valente. É cabra mole. É valentão sem controle. É, mas no Nordeste não dá cabra mole, não senhor. Tudo isso é baião. É romeiro. É meu padre Cícero, é frei Damião. Baião é cantiga de gente que trabalha. É algodão. O baião é pra cantar nas fábricas, nos quartéis, nos colégios, nas retretas, nas praças públicas, em cima dos caminhões. Cantando livremente para o povo desse Brasil. O baião não é pra ser cantado em qualquer lugar não, ele se dá respeito. Baião é raça, é lágrima, é suor, é aventura. Baião é tudo isso, minha gente. Reprodução/RCA Victor

Declaração de Luiz Gonzaga presente no documentário As sanfonas do Lua. Direção e roteiro: Mário Rezende. 2002. Companhia de Vídeo (38 min 4 seg). Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=54UpU1tsdn0>. Acesso em: 8 maio 2015.

Música • Brasil-PE • Século XX

Luiz Gonzaga na capa do disco O reino do baião, de 1957.

Após a leitura do texto e a audição do podcast, converse com os colegas e o professor sobre a fala do músico. Embora algumas respostas sejam pessoais, oferecemos sugestões de diálogo com os estudantes. 1

O que você sentiu ao ouvir o podcast? Resposta pessoal.

2

Que elementos sonoros desse podcast você associou à fala do músico?

3

Escolha outro ritmo de sua preferência e faça um texto semelhante ao de Luiz Gonzaga, com palavras-chave que definam esse ritmo. Resposta pessoal.

Resposta possível: o som da viola remete ao ambiente rural: agricultura, gado, vaqueiro.

108

Sugira aos estudantes que escolham ritmos de que gostem. A proposta é que esse seja um exercício de síntese. A escolha das palavras-chave ajuda a ter mais consciência do ritmo escolhido.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 108

6/23/15 4:35 PM


pensando com a história Arthur Siegel/The Life Images Colection/Getty Images

microfoneS Antes da invenção dos microfones, os cantores precisavam de uma técnica vocal apurada para ser ouvidos em meio aos instrumentos das orquestras, às vezes com mais de cem componentes. Desse modo, a técnica não era apenas valorizada, era fundamental. A cantora norte-americana de ascendência grega Maria Callas (1923-1977) é considerada a maior soprano de todos os tempos. De personalidade forte, “a divina”, como era chamada, emocionou gerações de amantes da música, com a potência e a beleza de sua voz. Música • EUA • Século XX

Maria Callas cantando, Estados Unidos, 1954.

Arquivo/Agência Estado

Os microfones mudaram nossa maneira de ouvir o mundo. A amplificação elétrica da voz permitiu o surgimento de cantores com vozes menos potentes e mais próximas da fala comum. Os ruídos e as impurezas da voz, como rouquidão, gritos e sussurros, passaram a ser incorporados à música. Cantar com microfone não é a mesma coisa que cantar sem ele. Quando ele surgiu, os cantores precisaram se acostumar com essa ferramenta de trabalho, adquirindo novas habilidades, além da técnica vocal. O músico baiano João Gilberto (1931) sempre usou o microfone com muita sabedoria. Inclusive, sua inovadora forma de cantar, sutil, pouco potente e tão próxima da fala, que nasceu com a bossa nova, só se tornou possível graças a essa ferramenta.

Música • Brasil-BA • Século XX

João Gilberto cantando e tocando violão em show, Brasil, 1966.

capítulo 5 • 109 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 109

6/23/15 4:35 PM


hora da troca canto e performance Cantar não se resume a emitir o som da voz com técnica e precisão. É também o ato de sentir a música, expressar sentimentos com o corpo e saber se comunicar por meio dele. Os cantores, em geral, têm um forte carisma, isto é, têm o poder de contagiar as pessoas com suas emoções. Entretanto, cada intérprete tem uma personalidade diferente. Alguns têm suavidade e outros se impõem por uma presença cativante. A seguir, vamos conhecer alguns exemplos, que você poderá ouvir acessando os links recomendados (acessos em: 15 maio 2015).

Global

Maurício Santana/Corbis/Latinstock

Música • Nova Zelândia • Século XXI

Lorde (1996), cantora e compositora da Nova Zelândia, recebeu uma série de prêmios importantes a partir de 2013, quando se tornou conhecida com apenas 17 anos. Embora muito jovem, ela inspira adolescentes em todo o mundo, com sua voz grave e sua atitude confiante. Assista na internet a um vídeo da neozelandesa Lorde interpretando “Royals”, canção de sua autoria de 2013. Disponível em: <www.vevo.com/ watch/lorde/Royals-Stripped-%28VEVO-LIFT%29/NZUV71300053>.

Lorde é o nome artístico adotado pela cantora neozelandesa Ella Marija Lani Yelich-O’Connor. Nesta imagem, a artista está no palco do Lollapalooza Brasil, em São Paulo, 2014.

110 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 110

6/23/15 4:35 PM


Nacional A gaúcha Elis Regina e o paulista Jair Rodrigues (1939-2014) conheceram-se no início da década de 1960. Logo se tornaram parceiros e lançaram um disco, gravado ao vivo, Dois na bossa. Com o sucesso do disco, a dupla foi convidada, em 1965, para comandar um programa na TV Record, O fino da bossa. Explore o trecho do programa Uma música, um perfil, com Elis e Jair Rodrigues, na Rádio e Televisão Portuguesa (RTP), em 1968. Realização Luiz André. Disponível em: <www.elisregina.com.br/Por-Elis/Videos>.

Música • Brasil-RS/SP Século XX Arquivo/Agência do Estado

Chame a atenção dos estudantes para a forma como Elis Regina e Jair Rodrigues cantam e se comunicam entre si e com o público. Converse com os estudantes sobre que tipo de emoções eles transmitem.

Elis Regina e Jair Rodrigues durante um show em São Paulo, em 1968.

Considerando os vários recursos que um músico dispõe ao se apresentar para o público (voz, banda, roupas, letras das canções, expressão corporal, expressão facial, etc.), faça um levantamento para avaliar como os músicos de que você mais gosta utilizam esses recursos. Depois, compartilhe as informações com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Para começar, reflita sobre estas questões: w Que músico ou banda você ouve e que músicos seus familiares ouvem? w Que tipo de música as pessoas que você conhece gostam de ouvir? Por que acredita que elas gostam desse tipo de música? w Você conhece músicos na região onde vive? Que tipo de música eles tocam? Resposta pessoal.

2

Pesquise em discos, CDs e vídeos na internet o modo como os músicos de que mais Incentive os estudantes a pesquisar e a conhecer gosta usam a voz e o corpo durante uma apresentação. mais da música que os rodeia.

3

Anote as informações obtidas e suas impressões, e compartilhe-as com os colegas de sala.

capítulo 5 • 111 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 111

6/23/15 4:35 PM


debate múSica e idioma

Manchete/Pictorial Parade/Getty Images

Uma canção comunica por meio de suas palavras, mas também pela melodia e pelo timbre da voz de quem a canta. Uma música em outro idioma pode nos tocar pelo som, mesmo quando não podemos entender as palavras. Mas, quando dominamos o idioma, além de sentir o som, podemos compreender os significados das palavras. 13 Leia os exemplos abaixo e ouça o podcast “Música e idioma”, no áudio que acompanha este livro.

Música • EUA • Século XX

Federico Balestrero/Acervo do fotógrafo

O cantor e ator norte-americano Frank Sinatra (1915-1998) cantava como se contasse uma história, pronunciando as palavras com cuidado. Em 1967, ele lançou, com Tom Jobim, o disco Francis Albert Sinatra e Antônio Carlos Jobim, no qual cantam canções da bossa nova. Você já ouviu “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, em sua versão em inglês, “Girl from Ipanema”?

Música • Argentina • Século XXI

Almafuerte é uma banda argentina de heavy metal (metal pesado). Esse é um estilo de música que surgiu nas décadas de 1960 e 1970. Embora a maioria das bandas componha em inglês, também existem bandas que cantam em outras línguas, como o grupo argentino Almafuerte, que compõe em espanhol.

112 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 112

6/23/15 4:36 PM


Reprodução/<grupo-yno.cocolog-nifty.com>

Música • Japão • Século XXI

Reprodução/Reis Design

Música • Brasil-RJ • Século XXI

Muitos músicos ao redor do mundo estudam a língua portuguesa para poder cantar a música brasileira. Os integrantes do grupo de pagode Y-no compõem e cantam suas canções em português. Essa banda japonesa de oito integrantes mistura instrumentos, como contrabaixo, banjo, cavaquinho, teclado e repique. Seu maior sucesso é “Querido meu amor”.

O reggaeton surgiu em Porto Rico, na América Central. O ritmo, com uma batida eletrônica contagiante, é uma mistura de reggae com hip-hop e salsa. Cantado em espanhol, a partir de 2004, o reggaeton deixou os bairros latinos e acabou sendo adotado em outras partes do planeta. Hoje existe reggaeton malaio, japonês e senegalês. No Brasil, o DJ Rhuivo, da baixada fluminense, foi um dos primeiros a gravar músicas nesse estilo em português.

Converse com os colegas e o professor sobre a música em diferentes idiomas e sobre os músicos que você conheceu nesta seção. A seguir, oferecemos um roteiro para ajudá-lo na reflexão. w Você costuma ouvir canções em diferentes idiomas? Quais? De que banda ou músico são essas canções? w Você canta músicas mesmo sem saber o significado do que está cantando? w O grupo Y-no faz o maior esforço para compor músicas e cantar em português. Por que as pessoas em geral têm essa paixão pela cultura do outro? w Você já aprendeu novas palavras em outro idioma ouvindo música? w É possível associar um idioma a um ritmo específico? Por exemplo, a bossa nova combina com o português? w Você ouve música brasileira? Qual é seu intérprete ou banda brasileira preferida?

A ideia do debate é levar os estudantes a pensar e argumentar para defender suas ideias. Procure manter o debate num plano de troca de ideias, e não de afirmações de verdades absolutas. Se achar interessante, leve para a sala de aula canções em que artistas de determinada nacionalidade cantam em outro idioma. Os alunos também podem ser convidados a cantar trechos que sabem de músicas em outras línguas. Problematizar a relação entre música e idioma é importante para alunos dessa faixa etária. Muitos deles se sentem atraídos em conhecer outras culturas. A partir da escuta do podcast “Ritmo e idioma”, é possível propor também outros padrões musicais na aula de música. Promover uma escuta variada, sem preconceitos, e aumentar o repertório dos adolescentes são expectativas de aprendizado no ensino de música.

capítulo 5 • 113 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 113

6/23/15 4:36 PM


teoria e técnica caracteríSticaS da voz Cada pessoa tem um som de voz diferente – o que é o mesmo que dizer que cada pessoa tem um timbre de voz diferente. Como vimos no Capítulo 3, o timbre é a identidade de um som, o que o diferencia dos outros. Palavras como abafado, estridente ou aveludado servem para tentar definir os timbres. Quando duas pessoas cantam ao mesmo tempo a mesma nota musical, podemos diferenciar a voz de cada uma delas pelo timbre. Além da voz, cada instrumento musical possui também um timbre único. Entonação é a variação do tom (altura) da voz. É a interpretação sonora da pontuação gráfica do texto. Uma mesma frase pode ser uma pergunta ou afirmação, dependendo da entonação. Por exemplo: “Você gosta de cantar?” e “Você gosta de cantar.”. Para cada uma dessas frases, usa-se uma entonação diferente. O som da voz está muito ligado à emoção. Basta comparar a voz embargada de uma pessoa que acabou de chorar com a voz empolgada de quem ganhou um prêmio. Esse é um exemplo de que os sons têm sentidos além dos significados das palavras. Altura, ao contrário do senso comum, na linguagem musical, não quer dizer intensidade, e sim a qualidade do som que permite diferenciar graves e agudos. Em termos físicos, o som é uma onda. Sons graves têm ondas mais gordas e frequências mais baixas. Sons agudos têm ondas magras e frequências mais altas. Compare os gráficos: Os gráficos representam o comportamento de ondas sonoras graves e agudas. Som baixo (grave)

Som alto (agudo)

Os sons são produzidos por vibrações. Os mais agudos apresentam maior quantidade de vibrações por segundo e os sons mais graves têm menos vibrações por segundo. O ouvido humano é mais sensível a sons na faixa de 250 a 6 mil vibrações por segundo (hertz), que é justamente a faixa de frequência da voz. Ou seja, nossos ouvidos escutam melhor a voz humana do que outros sons da natureza. Apesar de cada voz ter um timbre especial, podemos separá-las em grupos. Essa divisão leva em conta a altura das vozes: se são mais graves (grossas) ou mais agudas (finas). Geralmente os homens têm a voz mais grave do que as mulheres. Existem três tipos de voz masculina e três tipos de voz feminina. As vozes infantis são classificadas como vozes femininas, por serem mais agudas.

14

Tipos de voz

Vozes masculinas

Vozes femininas

Mais aguda

tenor

soprano

Intermediária

barítono

mezzosoprano

Mais grave

baixo

contralto

Ouça no CD de áudio que acompanha este livro o podcast “Tipos de voz”.

114 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 114

6/23/15 4:36 PM


atividades 1. uma voz para você Você deve gostar da voz de muitos cantores e cantoras, mas existe sempre uma que é especial. Então, junte-se a um colega com quem tenha afinidade musical e eleja com ele uma voz com a qual ambos se identifiquem. Em seguida, com o colega, selecione uma canção interpretada por esse cantor ou cantora – o exercício fica mais interessante se a dupla já estiver familiarizada com a música. Depois, a dupla vai ouvir a canção e, na sequência, pesquisar a letra e memorizá-la. O próximo passo é procurar um lugar calmo e silencioso da escola para cantar e gravar a música escolhida. A gravação pode ser em vídeo ou em áudio. A música pode ser cantada a capela (sem o acompanhamento de instrumentos), acompanhada de algum instrumento (caso alguém da dupla toque) ou cantada por cima de uma gravação. Neste último caso, é necessário ter um aparelho para reproduzir a música e outro para que você e seu colega cantem a canção com a execução da reprodução. Para um melhor resultado, a dupla deve cantar perto do aparelho que está gravando a música, para que a voz não seja abafada pela música reproduzida. Se na primeira tentativa não ficar muito bom, não desanime. Repita a gravação até que fique como você gostaria. Compartilhe com a classe o resultado do trabalho.

2. cantando o cantar Você conhece alguma canção em que a letra tematize o ato de cantar? Esse é um tema comum, que pode ser encontrado, por exemplo, em “Muito romântico”, de Caetano Veloso, “Canta, canta, minha gente”, de Martinho da Vila, “Canções e momentos”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, entre outras. Com mais dois colegas, faça um levantamento de letras de música com essa temática. Procure em CDs, discos, rádio e internet. Depois do levantamento, escolha com os colegas de grupo uma das canções e faça uma apresentação para os colegas e o professor. O trio deve ler a letra da música em voz alta e reproduzir o áudio, além de explicitar os motivos da escolha. Se quiser, também pode cantar a canção enquanto ela for reproduzida.

AutoAvAliAção Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo. Depois, compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. Respostas pessoais. w O que você descobriu a respeito do canto na música? w Quais foram as reflexões mais importantes para você no decorrer deste capítulo? w Após os debates, pesquisas e atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto? Fale sobre isso.

Procure conduzir a autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os estudantes se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente. Portanto, o ideal é que eles leiam as questões previamente, reflitam e só então exponham o que têm a dizer a respeito.

capítulo 5 • 115 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C5_102a115.indd 115

6/23/15 4:36 PM


6

CAPÍTULO

músiCa instrumental

1 2 3

Vocêuconheceumúsicauinstrumental?uResposta pessoal. Vocêutocaualgumuinstrumentoumusical?uResposta pessoal. Jáuassistiuuauumuconcertoudeuorquestra?uResposta pessoal.

116 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 116

6/23/15 4:36 PM


Tema

objeTo

conceiTo

Música instrumental

Instrumento musical

Música ao vivo

Tema Transversal Linguagem

Técnica

Habilidade

Notação musical

Som e audição

A palavra grega orkhestra designa ‘lugar para dançar’. Na Grécia antiga, dançarinos e cantores se apresentavam no mesmo espaço do palco que os instrumentistas. Esse espaço comum era chamado orkhestra. uu Forma-sonata: músicau Atualmente, chamamos de orquestra o conjunto de instrumentos tocados composta,uemugeral,udeu trêsumovimentosu–u para interpretar música. Muitas vezes as orquestras tocam a chamada música exposição,u erudita ou clássica. desenvolvimentoueu Essa música teve origem nos países europeus e, com o processo de colonizarecapitulação.uAu exposiçãouapresentauou ção, espalhou-se por todo o mundo. Em geral, é criada na forma-sonata. tema,uoudesenvolvimentou Pode-se ouvir música erudita em teatros e salas de concerto, mas também indicauoudesdobramentou no rádio, em videogames, nos filmes e nos desenhos animados. euaurecapitulaçãouéuau Um dos instrumentos fundamentais em uma orquestra é o violino. Juntaretomadaudoutemauinicialu paraufinalização. mente com a viola, o violoncelo e o contrabaixo, pertence à família das cordas. AAron Ontiveroz/The Denver Post/Getty Images

Joel Silva/Folhapress

Começando por voCê

Adolescentes aprendendo a tocar violino, em uma escola norte-americana, 2011.

Concerto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo na Sala São Paulo, sua sede, em 2011.

Reflita sobre essas questões e compartilhe as respostas com os colegas e o professor.

Respostas pessoais.

1

Você já assistiu a uma apresentação de orquestra?

2

Lembra-se de algum desenho animado ou jogo eletrônico que apresente trechos de música clássica?

Essas e outras questões no decorrer do capítulo sugerem aos alunos reflexões acerca da música instrumental. Verifique se algum estudante toca um instrumento.

capítulo 6 • 117 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 117

6/23/15 4:36 PM


Painel músiCa erudita Maestro:u aqueleuque,uporu meioudeugestos,u indicauaosu músicosudeuumau orquestrau quandoueucomou interpretaruau músicauduranteuau execução.

Neste Painel vamos conhecer um pouco sobre alguns compositores e maestros. Música • Gravura • Áustria • Século XVIII Stefano Bianchetti/Corbis/Latinstock/Coleção particular

uu

Mozart jovem compõe ao lado do pai e um amigo em 1762, 1882. (Gravura em metal. Coleção particular.)

uu

uu

118

Solo: parte deu umaucomposiçãou musicaluauseru executadauporu umuúnicou instrumentista.

Ópera:uobrau artísticauqueu reúneuteatroueu músicauemuumu mesmou espetáculo.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) foi uma criança prodígio. Por seu talento e criatividade, excursionava pela Europa tocando para a nobreza desde os 6 anos de idade. No século XVIII, compositores europeus passaram a criar formas musicais elaboradas, como sinfonias e concertos. Sinfonia designa a música composta para orquestra. Já o concerto é uma composição para orquestra que contém um solo. Chama-se sonata a composição instrumental para um ou para poucos instrumentos – por exemplo, para um dueto. Foi também nessa época que a estrutura do piano aperfeiçoou-se e esse instrumento prevaleceu sobre outros semelhantes, como o cravo. Nas composições, intensificou-se o uso da dinâmica, ou seja, a variação das intensidades sonoras dos instrumentos em uma frase musical. Mozart compôs vinte e sete concertos para piano, oito para violino, quatro para trompa e vários para outros instrumentos, como flauta, clarineta e harpa. Também compôs mais de vinte óperas, entre elas, A flauta mágica (1791). 15 Ouça no CD de áudio que acompanha o livro a abertura da ópera A flauta mágica, de Mozart. Você conhece o som do piano, do violino, da harpa ou da trompa? Consegue imitá-los com a voz? Ópera em dois atos, A flauta mágica estreou no Freihaus-Theater auf der Wieden, em Viena, em 30 de setembro de 1791. Comente que desde sua estreia a obra foi sempre muito bem recebida pelo público. Marcada pelo humor, o enredo apresenta uma história de amor em que Tamino e Papageno lutam para conquistar seus pares, usando instrumentos mágicos.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 118

6/23/15 4:36 PM


Música • Pintura • Polônia • Século XIX

O polonês Frédéric Chopin (1810-1849) compôs peças para piano. Conhecido por suas melodias sentimentais, tinha a delicadeza como qualidade musical. Certamente, você já ouviu alguma de suas composições, no cinema ou na televisão, como, por exemplo, Grand valse brillante, trilha sonora do desenho animado Tom e Jerry. Identificado com o Romantismo, movimento artístico do século XIX, Chopin usou como matéria-prima musical danças folclóricas de seu país, como a mazurca. Em suas performances, sabia utilizar muito bem os recursos do piano, como os pedais que sustentam ou abafam o som. A pausa era outra de suas armas muito empregadas, acentuando a expectativa do ouvinte e criando suspense. Você costuma ouvir o som do piano? Já experimentou tocar esse instrumento?

uu

Romantismo: movimentou artísticouqueuocorreuunoufinalu douséculouXVIIIueuinícioudou séculouXIX.uOsuartistasu românticosuexaltavamuau subjetividade,uistoué,uaquilou queuháudeumaisupessoaluemu cadauumudeunós.uInteressavam-seupelauculturaupopularueuporu lugaresuexóticos.

Peça aos estudantes que façam um levantamento na internet de composições de Frédéric Chopin e escolham uma para reproduzir para os colegas em sala de aula. Pergunte, por exemplo: Vocês conseguem identificar o uso dos pedais e as pausas? Alguém da sala já experimentou tocar piano? The Bridgeman Art Library/Keystone/Coleção particular

Henrik Siemiradzki, Chopin tocando piano em um salão do príncipe Radziwill, 1887. (Óleo sobre tela, 150 cm × 220 cm. Coleção privada, Knokke-Zoute, Bélgica.)

capítulo 6 • 119 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 119

6/23/15 4:36 PM


Música • Brasil-RJ • Século XX

Fotos: Emmerich Gara/Pix Inc./The LIFE Images Collection/Getty Images

Heitor Villa-Lobos regendo orquestra energicamente.

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) é o compositor brasileiro de música erudita mais conhecido fora do país. Grande parte de suas composições foram feitas para violoncelo e violão. Villa-Lobos criou um tipo de música em que dialogam as raízes brasileiras e a tradição da música erudita. Ainda adolescente, viajou pelo Nordeste e Norte do Brasil, onde enriqueceu seu repertório musical com ritmos locais como lundus, cocos, emboladas e maracatus. Apaixonado pela música nacional, o maestro teve entre suas influências musicais as rodas de choro que frequentou desde cedo e a música erudita de compositores como os franceses Claude Debussy (1862-1918) e Maurice Ravel (1875-1937). Suas composições chamadas Choros são exemplos de obras inspiradas em cantos populares. “Choros nº 3 (Pica-pau)”, por exemplo, é inspirado em um canto dos índios Pareci, de Mato Grosso. O texto cantado pelo coro é formado por palavras da língua dos Pareci, palavras da língua portuguesa e várias onomatopeias cantadas repetidamente. 16 Ouça no CD de áudio que acompanha o livro essa composição.

120

Você conhece alguma composição de Villa-Lobos? “Choros nº 3 (Pica-pau)” foi composto por Villa-Lobos em 1925, para grupo instrumental (clarinete, saxofone-alto, fagote, três trompas e trombone) e coro masculino. Pergunte aos alunos que sentimentos a música desperta neles. Procure mostrar-lhes a importância de Villa-Lobos para a música erudita brasileira e estimule-os a conhecer outras obras do compositor.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 120

6/23/15 4:36 PM


Hiroyuki Ito/Getty Images

Música • Venezuela • Século XXI

Maestro venezuelano Gustavo Dudamel regendo a Filarmônica de Los Angeles, em 2010.

Desde criança, a música estava no caminho do venezuelano Gustavo Dudamel (1981). Pelo fato de ter braços curtos para tocar trombone, o instrumento de seu pai, ganhou um violino dos professores de música. Foi estudante do projeto El Sistema, que ensina música gratuitamente para crianças de todas as classes sociais na Venezuela. Por isso, um dos intuitos desse maestro é facilitar o acesso das pessoas à música, não importando a idade ou a origem. Entende a música como uma forma de transformação social. Regeu diversas orquestras pelo mundo, como a Orquestra Filarmônica de Berlim. É diretor musical da Orquestra Filarmônica de Los Angeles e da Orquestra Sinfônica Simón Bolívar, formada por estudantes que se destacam no projeto El Sistema, do qual fez parte. Em suas apresentações, frequentemente o maestro apresenta obras do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911), como a Sinfonia nº 9. Carismático, tem facilidade para transmitir alegria, além da capacidade de alimentar uma sensação de colaboração entre os músicos.

Quando toca música, você está no momento – não mais no tempo. Há um elemento que é utópico. É real. E é a beleza. Tradução livre de afirmação de Gustavo Dudamel. Disponível em: <www.gustavodudamel.com/ve-es/acerca#article2>. Acesso em: 18 maio 2015.

Você já ouviu Gustavo Dudamel regendo? Já presenciou ao vivo algum outro maestro regendo?

Se algum aluno já tiver assistido a uma apresentação de orquestra com a regência de um maestro estimule-o a compartilhar a experiência com os colegas, contando como foi e o que sentiu na ocasião. Solicite aos alunos um levantamento de vídeos na internet sobre Gustavo Dudamel regendo. Se possível, assista com eles em sala de aula aos vídeos encontrados.

Reflita sobre os artistas apresentados no Painel e, depois de conhecer um pouco da música de cada um deles, compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. 2. Há muitas respostas possíveis – Beethoven, Bach, Liszt, Puccini, Verdi, entre outros –, a depender do universo dos alunos. Caso não conheçam, cite outros Quais? exemplos de compositores para os alunos e incentive-os a ouvir algumas de suas obras para conhecê-los.

1

Com que música você mais se identificou? Por quê? Resposta pessoal.

2

Você conhece outros maestros, compositores de música erudita?

3

Após ouvir mais uma vez a música “Choros nº 3 (Pica-pau)”, de Heitor Villa-Lobos, escreva um parágrafo sobre a sensação que ela desperta em você. Depois, compare o Respostas possíveis: familiaridade, estranheza, indiferença, tranquilidade. Destaque que as texto com o dos colegas. respostas devem ser pessoais, portanto subjetivas. Não há um sentimento único despertado por

4

Que instrumentos mencionados no texto você conhece? Faça um pequeno levantamento, em livros, revistas, jornais e internet, sobre a aparência, os sons e a origem de um instrumento. Tente descobrir especialmente como se produz o som nesse instrumento.

uma composição.

Resposta pessoal.

capítulo 6 • 121 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 121

8/18/15 4:49 PM


fala o artista Heitor villa-lobos Nas composições denominadas Choros, Villa-Lobos inspirou-se em cantos populares brasileiros. Leia, a seguir, a declaração do maestro sobre essa obra. Exploreuouvídeoudou CorouMadrigaleu executandouaupeçau inteira.uDisponívelu em:u<www. madrigale.com.br/ modules/ xoopstube/ singlevideo.php?u cid=16&lid=119>.u Acessouem:u 11umaiou2015.

u Chorosurepresentamuumaunovauformaudeucomposiçãoumusical,unauqualusãousintetizadasuasu diferentesumodalidadesudaumúsicaubrasileirauindígenaueupopular,utendouporuelementosu principaisuouritmoueuqualquerumelodiautípicaudeucaráterupopularuqueuapareceuvezuporuoutra,u acidentalmente,usempreutransformadausegundouaupersonalidadeudouautor.u[...]uosu Chorosu sãouconstruídosu“segundouumauformautécnicauespecial,ubaseadaunasumanifestaçõesusonorasudosuhábitosueucostumesudosunativosubrasileiros,uassimucomounasuimpressõesupsicológicasuqueutrazemucertosutiposupopularesuextremamenteumarcantesueuoriginais”. Extraído de: LATERZA FILHO, Moacyr. “Choros nº 6”. Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Disponível em: <www.filarmonica.art.br/educacional/obras-e-compositores/obra/choros-no-6/>. Acesso em: 10 maio 2015.

Reprodução/Coleção particular

Música • Brasil-RJ • Século XX

16 Reprodução de trecho da primeira página da partitura de “Choros nº 3 (Pica-pau)”, de Villa-Lobos. A partitura é um sistema de escrita da música, em que os símbolos correspondem aos sons.

Converse com os colegas de turma sobre o que levou Heitor Villa-Lobos a compor os Choros e sobre suas impressões ao ouvir o trecho da música. 1

Que elementos da música remetem aos costumes dos povos indígenas?

2

Em que momento da música esses elementos aparecem?

3

Que elementos dessa composição, em sua opinião, se relacionam com a música erudipossível: toda a estrutura da música, o som do ta? Em que momento do trecho eles aparecem? Resposta piano e a melodia se relacionam com a música erudita.

4

Dê exemplos de músicas que o transportam para outros ambientes. Eleja uma delas e fale sobre ela – se possível, reproduza-a em sala. Depois, descreva em uma frase o ambiente para o qual ela o transporta. Resposta pessoal. Estimule os estudantes a falar sobre músicas que são refe-

Resposta possível: a língua e alguns sons cantados pelo coro.

Resposta possível: durante o transcorrer de toda a música.

rências para eles.

122 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 122

6/23/15 4:36 PM


Pensando com a história pitágoras e a Harmonia Na música, nenhum elemento sobrevive sozinho. O que faz a música acontecer é o encadeamento das notas, o efeito que é gerado pelo encontro entre elas e sua relação com o ritmo. A música é criada por meio de combinações de sons e silêncios durante um intervalo de tempo. Essas combinações provocam sensações difíceis de racionalizar – e aí está grande parte do encanto dessa arte. As palavras são incapazes de gerar o mesmo efeito que a música provoca em nós. Ela suscita sentimentos de uma forma muito própria. Podemos entender a música como uma tentativa de ordenar os sons do mundo. Para isso, os compositores buscam organizar esses sons de modo que tenham harmonia. Harmonia não é uma coisa concreta, que possamos pegar com as mãos, mas podemos tentar entender seu sentido por meio de um exemplo bem simples: quando um time começa a ganhar todos os jogos de maneira fácil, podemos dizer que ele está em harmonia. Todos os significados desse conceito apontam para uma só ideia: ‘junção’. Harmonia, então, é aquilo que aproxima e mantém unido um grupo de pessoas, um time, uma ideia, um grupo de sons, uma música. Martin Probert/Alamy/Latinstock Em uma composição musical, a harmonia verifica-se na sequência dos acordes, que são três ou mais notas musicais que soam ao mesmo tempo. Imagine apenas duas notas musicais tocadas ao mesmo tempo no violão. O som resultante pode provocar relaxamento ou tensão. Dizemos que estão em consonância se derem a sensação de relaxamento. Estarão em dissonância se derem a sensação de tensão. Na música, a harmonia ordena e dá sentido ao jogo entre o caos (dissonância) e a ordem (consonância). Para Pitágoras (c. 571 a.C-495 a.C), pensador grego que traduziu esse conceito em números, a harmonia também estava no movimento dos planetas que giram ao redor do Sol. Ele acreditava que esse movimento produzia música, só que fora do alcance de nossos ouvidos. Tocando um monocórdio – instrumento de uma corda parecido com o berimbau –, Pitágoras investigou a relação entre o tamanho das cordas e os sons gerados. Ele descobriu algumas relações básicas de consonância. Imagine uma corda soando sozinha. Se a dividirmos em pedaços de meia corda, dois terços de corda, três quartos de corda ou quatro quintos de corda, teríamos cordas menores que emitiriam sons consonantes com a corda inteira. Essas descobertas permitiram um grande avanço na estrutura dos instrumentos de corda. 17 Ouça o podcast “Consonância e dissonância” no CD de áudio que acompanha o livro.

Ainda hoje o monocórdio está presente em algumas culturas, como a vietnamita.

Com a audição do podcast “Consonância e dissonância”, espera-se que os estudantes entendam auditivamente os conceitos.

capítulo 6 • 123 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 123

6/23/15 4:36 PM


hora da troca músiCa e orquestra A música para orquestra tem séculos de história. Uma orquestra pode ter até cem membros, que tocam instrumentos de percussão, de sopro e de cordas. Vamos conhecer um pouco mais sobre orquestras, compositores e instrumentistas (links acessados em: 6 maio 2015).

orquestra

Dorling Kindersley/Getty Images

A distribuição de músicos e instrumentos no palco é um fator importante para a difusão do som de uma orquestra. Geralmente cada naipe – cordas, madeiras, metais e percussão – fica em uma altura diferente, com os músicos posicionados em semicírculo de frente para o maestro. O posicionamento dos instrumentos em diferentes alturas equilibra o som para os ouvintes. 18 No podcast “Sons da orquestra”, presente no CD de áudio que acompanha este livro, você poderá ouvir um instrumento de cada naipe, além dos naipes soando juntos.

Esquema de uma orquestra com a disposição dos músicos, dos instrumentos e do maestro no palco. Música • Brasil-RJ • Século XX

compositor No Brasil, Heitor Villa-Lobos foi um dos compositores de maior destaque no cenário da música erudita. Ele procurou dar a suas composições uma sonoridade brasileira, introduzindo elementos da música popular e das culturas indígenas. Explore textos, músicas e fotografias no site do museu em homenagem a Villa-Lobos. Disponível em: <www.museuvillalobos.org.br>.

Imagem de Villa-Lobos da abertura do site do museu em sua homenagem. Reprodução/<www.museuvillalobos.org.br>

124 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 124

6/23/15 4:36 PM


Música • Brasil-MG • Século XXI Paulo Giandalia/Agência Estado

instrumentista Para executar música erudita é preciso que o músico tenha sensibilidade artística, conhecimento e disposição para ensaiar repetidamente. No Brasil, o pianista Nelson Freire (1944) se destacou desde cedo, quando ainda morava em Minas Gerais. Hoje, é conhecido no mundo inteiro por suas excelentes interpretações. Visite a página sobre o pianista no site da Sociedade de Cultura Artística de São Paulo e assista ao documentário Nelson Freire, dirigido por João Moreira Salles. Disponível em: <www.culturaartistica.com.br/ espetaculos-2014-nelson-freire-piano/ #prettyPhoto>. Se possível, explore vídeos com outras interpretações de Nelson Freire na internet e apresente aos alunos.

Nelson Freire tocando piano, em apresentação no Teatro Municipal de São Paulo, SP, 2007.

Considerando o que estudou neste capítulo, faça um levantamento de músicos eruditos e instrumentos de orquestra. Depois, compartilhe as informações com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Há algum músico erudito em sua região? Que instrumento ele toca? Você conhece o timbre desse instrumento? Pode reconhecê-lo quando ouve uma composição?

2

Ouça novamente o podcast “Sons da orquestra” e responda: Qual é o timbre de que você mais gosta? De que instrumento ele é?

3

Pesquise sobre esse instrumento na internet e, numa próxima aula, compartilhe com os colegas as respostas para as seguintes perguntas.

Se não houver orquestra ou instrumentista de música erudita na região dos alunos, sugira a eles que busquem informações sobre músicos no Brasil. O importante é que reflitam sobre diferentes timbres.

w Como é o instrumento? w De que material é feito? w Como ele é tocado? w Como é o som que ele produz? w Que sentimentos você associa ao som desse instrumento? 4

Por meio de um computador ou celular, promova a audição coletiva de uma música em que o instrumento escolhido esteja presente.

capítulo 6 • 125 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 125

6/23/15 4:36 PM


debate o evento musiCal Compor ou interpretar músicas com outras pessoas é uma das experiências mais gratificantes que pode haver para um músico. Ao tocar em conjunto, cada instrumentista precisa encontrar uma sintonia com os demais. Ouvir música em grupo também é uma experiência muito enriquecedora, pois podemos compartilhar inclusive corporalmente nossas impressões. Um show, um concerto ou um desfile de escola de samba são eventos dos quais a plateia participa, embora de forma diferente. Nas apresentações musicais, temos uma relação mais intensa com a música do que quando ouvimos sua gravação. Além de ouvir os sons (os timbres dos instrumentos e das vozes, refletidos na acústica do local), ainda podemos apreciar os gestos dos músicos, as luzes, o cenário e o figurino.

Hulton Archive/Getty Images

Música • EUA • Século XX

Festival de Woodstock, nos Estados Unidos, em 1969. Nos shows de rock há um clima eletrizante que contagia as pessoas, que se posicionam de frente para o palco em busca de um bom local para ver e ouvir a apresentação dos artistas. De tão próximas umas das outras, as pessoas formam uma massa unificada.

126 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 126

6/23/15 4:37 PM


Celso Pupo/Shutterstock/Glow Images

Música • Festa popular • Brasil-RJ • Século XXI Desfile da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel no Rio de Janeiro, RJ, 2014. Durante os desfiles, a plateia canta, samba e vibra com a escola que está desfilando na avenida. A participação do público acontece durante todo o espetáculo.

Música • Brasil-BA • Século XXI

Apresentação da Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia em Berlim, 2011. Nos concertos, a plateia fica sentada, em silêncio. No ritual de apresentação de concertos, sinfonias e sonatas, a música pode ter vários movimentos, com períodos de pausa entre cada um deles, mas há uma convenção, com o intuito de não atrapalhar a percepção da música: o aplauso acontece apenas no final.

Crédito da foto

Reprodução/<neojiba.blogspot.com>

Converse com os colegas e o professor sobre como se comporta a plateia diante das diversas formas de apresentação. A seguir, oferecemos um roteiro para ajudá-lo na reflexão. Respostas pessoais.

w Você já esteve presente em algum evento semelhante aos apresentados nesta seção? Compartilhe sua experiência com os colegas. w Em sua opinião, qual é a diferença entre ouvir música ao vivo e reproduções gravadas? w Por que uma música pode nos levar a dançar? w Por que uma música emociona? w Num espetáculo, você aplaude quando se emociona ou segue a reação da plateia? w Para você, qual é a diferença entre ouvir uma música, pelo fone de ouvido, sozinho, e acompanhado de outras pessoas, sem o fone? O objetivo deste debate é discutir sobre a diferença que faz a presença física do ouvinte em uma apresentação musical. A música demanda interação entre as pessoas para acontecer. Uma composição pode ser feita por uma só pessoa, mas não atinge o objetivo se não for escutada por outros ouvintes. Aqui não interessa chegar a uma conclusão sobre o que é melhor, se é a apresentação ou a gravação, já que cada uma dessas modalidades se presta a um momento específico e tem particularidades, mas levar o estudante a avaliar a relação entre presença e música.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 127

capítulo 6 • 127 6/23/15 4:37 PM


teoria e tÉcnica 1. notas musiCais

DÓ RÉ

Com a audição do podcast “Sustenidos e bemóis” os alunos podem concretizar a explicação dada.

Representação de uma escala musical do piano, no caso, uma oitava de Dó, com destaque no Sol sustenido.

RÉ MI

FÁ SOL

MI

SOL LÁ

SOL

Ilustrações: Banco de imagens/ Arquivo da editora

Da mesma forma que é necessário um alfabeto para formar palavras, para compor música é necessário um alfabeto musical. Esse alfabeto musical é formado pelas notas musicais, entre as quais Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si são as mais conhecidas. Entre elas existe também outro tipo de nota musical, chamado de sustenido ou bemol. Essas notas correspondem às teclas pretas do piano. LÁ SI

SI

Repare que o sustenido ou bemol está presente entre cada uma das notas musicais, exceto entre Mi e Fá e entre Si e Dó. O som dessas notas é intermediário entre o som da nota que vem antes e o da nota que vem depois. Assim, o Sol sustenido, por exemplo, destacado na imagem acima, tem um som que não é de Sol nem de Lá; é um som intermediário entre Sol e Lá. 19 Ouça o podcast “Sustenidos e bemóis”, no CD de áudio que acompanha o livro. Cada uma dessas teclas pretas pode ter dois nomes: além de Sol sustenido, a nota destacada pode ser chamada de Lá bemol. Dessa forma, falamos em sustenido, representado pelo símbolo #, quando usamos como referência a nota que vem antes (no exemplo, Sol) e falamos em bemol, representado pela letra b, minúscula, quando usamos como referência a nota que vem depois (no exemplo, Lá). A distância entre duas notas – que corresponde à diferença de altura – é chamada de intervalo. Assim como podemos usar o metro para medir a distância no espaço, na música, a distância é contada em tons e semitons. O intervalo entre Sol e Lá e entre Dó e Ré, por exemplo, é de um tom. Já o intervalo entre Sol e Sol sustenido é de um semitom, bem como o intervalo entre Si e Dó e entre Mi e Fá. Observe na imagem a seguir que não existem teclas pretas entre essas notas. DÓ RÉ

Oitava de Dó no piano, com destaque nas notas Mi e Fá, Si e Dó.

RÉ MI

FÁ SOL

MI

SOL LÁ

SOL

LÁ SI

SI

128 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 128

6/23/15 4:37 PM


2. a esCrita musiCal

Ilustrações: Banco de imagens/ Arquivo da editora

Observe novamente a figura da página anterior. Você reparou que, depois do Si, vem outro Dó? Chamamos de ‘uma oitava’ o intervalo entre um Dó e outro, pois são oito teclas brancas ao todo. Essa sequência de notas também é chamada de escala de Dó maior. 20 Ouça o podcast “Dó”, no CD de áudio que acompanha o livro. Apesar do mesmo nome, o primeiro Dó é mais grave do que o segundo. Isso se explica porque o segundo Dó vibra numa frequência duas vezes maior do que o primeiro, soando, então, mais agudo. Vejamos como se representa a escala de Dó maior na escrita musical:

A audição do podcast “Dó” vai ajudar os alunos a entender a explicação dada.

Escrita de notas musicais em pentagrama.

Você percebeu que um conjunto de cinco linhas é usado para escrever as notas musicais? Esse conjunto de linhas é chamado de pentagrama ou pauta. Lemos a pauta como lemos um texto escrito com palavras de nosso idioma: da esquerda para a direita. As notas mais graves ficam nas linhas mais baixas e as notas mais agudas ficam nas linhas mais altas. Repare que o Dó mais grave e o Ré foram escritos abaixo das cinco linhas da pauta. Uma escala musical é uma sequência de sete notas, sendo a oitava nota uma repetição da primeira. Podemos começar uma escala musical a partir de qualquer nota, não apenas do Dó. Dizemos escala de Dó maior porque uma escala maior apresenta sempre o mesmo intervalo entre as notas que a compõem. Os intervalos entre cada nota, nas escalas maiores, são os seguintes: tom

tom

semitom

tom

tom

tom

semitom

Repare que esses são justamente os intervalos entre as notas da escala de Dó maior: Intervalo entre as notas na escala de Dó maior. T = tom s = semitom

Ré Mi

Dó T

T

Fá s

Sol Lá T

T

Si T

Dó s

Assim, podemos tocar a mesma música na escala de Dó maior ou na de Ré maior, por exemplo. Quando tocamos uma música na escala de Ré maior, dizemos que o tom da música está em Ré maior. Nesse caso, usamos as teclas pretas para manter os intervalos da escala maior. A escrita musical também usa o alfabeto comum. Cada nota musical é representada por uma letra: Lá

Si

Mi

Sol

A

B

C

D

E

F

G

CAPÍTULO 6 • 129 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 129

6/23/15 4:37 PM


atividades 1. nossa orquestra Nesta atividade você vai construir um instrumento musical e acompanhar uma música com ele.

Material: w potes de vidro de vários tamanhos (de conserva, maionese, geleia, etc.) w latas de alumínio w corda de violão w palitos de churrasco w dois pregos w duas baquetas de madeira ou dois lápis w punhado de arroz w panela velha 21 Para inspirar o trabalho, ouça a música “Japurá river”, composição de Philip Glass, interpretada pelo grupo Uakti, no CD que acompanha este livro – os integrantes dessa banda constroem instrumentos musicais não convencionais e utilizam-nos em suas músicas. Confira.

Quando um dispositivo qualquer é utilizado para produzir som, e esse som tem a função de expressar algo, um novo instrumento musical está sendo criado. Com um pote de vidro vazio, por exemplo, podemos criar um instrumento de percussão. Na aula que antecede esta atividade, peça aos estudantes que tragam de casa para a escola materiais diversos, que possam ser usados para a construção de instrumentos musicais. Potes de vidro, latas de alumínio, arroz, panelas velhas, tampas de panelas, baquetas de madeira, etc. O objetivo desta atividade é ampliar as possibilidades de criação sonora dos estudantes. Mostre a eles que instrumento musical é tudo aquilo que o ser humano utiliza para produzir som como forma de expressão. Com os instrumentos musicais prontos, incentive os alunos a testá-los. Você pode colocar uma música no aparelho de som para que eles acompanhem batucando. Depois, sem fundo musical, sugira que todos os instrumentistas sigam um mesmo ritmo, tocando seus instrumentos.

A fim de conseguir um som melhor, retire o papelão que fica embaixo da tampa do pote. Para afinar esse instrumento, basta desenroscar pouco a pouco a tampa até atingir a sonoridade desejada. O segredo é fazer experimentos com potes de vidro de tamanhos diferentes, pois alguns emitem um som mais definido do que outros. O instrumento deve ser tocado com a ponta dos dedos ou com objetos que sirvam de baquetas, como dois lápis, por exemplo. Faça experimentações em busca de um timbre que o agrade.

Com uma lata de alumínio com um punhado arroz dentro você pode ter um chocalho. Uma panela velha, percutida com duas baquetas de madeira, vira um tipo de tambor. Para fazer um berimbau de sucata, prende-se uma corda de violão sobre um pedaço de madeira com dois pregos, um em cada ponta. Para tensionar a corda, coloca-se uma lata de alumínio por baixo dela, em uma das extremidades. Com um palito de churrasco, toca-se o instrumento. Uma vez que tenham ficado prontos os instrumentos, reúna-se com os colegas para testá-los, tentando criar frases musicais em conjunto.

Com os instrumentos criados por vocês, tentem acompanhar uma música reproduzida num aparelho de som.

130 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 130

6/23/15 4:37 PM


2. um CartaZ para uma orquestra Nesta atividade você vai elaborar com os colegas um cartaz para promover um espetáculo de música. Material: w folha de papel A4 para rascunho w folha de papel A3 (pode ser papel kraft) w folhas de papel espelho colorido, escolhidos pelo grupo, de acordo com a música w canetas coloridas grossas

Com mais dois colegas, escolha uma das músicas apresentadas no capítulo, de preferência o “Choros nº 3 (Pica-pau)”, de Heitor Villa-Lobos, e elabore um cartaz para divulgar a apresentação de um grupo musical ou orquestra em um teatro. O trabalho começa com um levantamento sobre quantos e quais músicos fariam a apresentação. Para a composição de Villa-Lobos, por exemplo, seria necessário um maestro, um coro e instrumentistas de sopro. Faça com os colegas um esboço da divulgação do espetáculo. Para fazer o cartaz de divulgação do espetáculo, pesquise artistas conhecidos para elaborar a ficha técnica que vai aparecer no cartaz. O próximo passo é escolher um local, de preferência um teatro conhecido em sua região ou uma praça muito frequentada, e uma data especial.

Depois, ouça com eles a música escolhida e procure transportar as emoções e impressões que lhe ocorrer, traduzidas em cores e imagens, para o esboço do cartaz. Para isso, considere a relação que pode haver entre as cores e formas e as emoções despertadas pelos sons. Vocês podem optar livremente por fazer imagens ilustrativas ou apenas trabalhar com planos de cores, criando ritmos e construções geométricas, ou formas gestuais compatíveis com a música.

O texto da ficha técnica, com local, horário e a definição do programa que será apresentado, deve aparecer na composição do cartaz. Quanto às letras a ser utilizadas nesse texto (ou seja, as fontes), o grupo pode escolher entre desenhá-las e pintá-las ou recortá-las de revistas e jornais, colando uma por uma. As letras manuscritas podem ser ampliadas por fotocópia e depois recortadas e coladas no cartaz.

Uma outra possibilidade é utilizar o computador para escrever o texto. Nesse caso, o grupo deve escolher a fonte que achar mais adequada no menu de fontes, escrever todo o texto, imprimi-lo e colá-lo no cartaz.

Faça inicialmente um esboço a lápis das ideias discutidas pelo grupo, em uma folha A4, para depois realizar o cartaz final.

Terminada a atividade, é hora de fazer uma avaliação oral dos resultados com os colegas e o professor. Siga o roteiro abaixo. Respostas pessoais. Promova uma exibição dos trabalhos juntamente com a audição da w Que cartazes se relacionam melhor com a música? Por quê? w As cores e as formas usadas têm relação com a música? Qual? w Quais foram os textos mais legíveis?

música que se relaciona com cada um deles. O designer Kiko Farkas realizou durante anos os cartazes da Osesp. No livro Cartazes Musicais há dezenas deles. Você pode sugerir aos seus estudantes que pesquisem alguns destes cartazes para que sirvam de inspiração para esta atividade. Quatro deles estão comentados pelo artista no site da editora: <http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?tag=osesp>.

w Quais foram as imagens mais apropriadas? w Qual foi a imagem mais inesperada? Por quê? w Quais foram os cartazes que ficaram mais bem-acabados?

capítulo 6 • 131 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_C6_116a131.indd 131

6/23/15 4:37 PM


Bel Falleiros/Arquivo da editora

132 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 132

6/23/15 4:53 PM


CADERNO DE

PROJETOS

133 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 133

6/23/15 4:53 PM


1 O PLANETA PROJETO

1 2 3

Observe a imagem desta página. O que ela representa?

Um disco de vinil, numa capa transparente com foto de paisagem do Rio de Janeiro.

Mencione algumas relações entre arte e sustentabilidade da vida no 3. A resposta é pessoal, no entanto, após planeta, estudadas neste ano. Resposta pessoal. ouvir as impressões dos alunos com base na imagem, diga-lhes que, no projeto da obra Rio oír, Cildo Meireles capta o som de algumas das bacias hidrográficas do Brasil para a construção a de uma escultura sonora. Depois disso, o artista gravou um

O que você imagina que pode ser esse projeto de Cildo Meireles? disco de vinil, com o som das águas num dos lados e de risadas no outro.

134 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 134

6/23/15 4:53 PM


Pensando sem fronteiras

Edouard Fraipont/Galeria Luisa Strina, São Paulo, SP.

Ao longo deste livro, você estudou vários temas da arte relacionados ao planeta. Você e seus colegas observaram, leram, debateram, refletiram e ouviram sons e músicas de diferentes lugares ao redor do mundo. Agora é sua vez de escolher um assunto para fazer um levantamento e se aprofundar em um tema que tenha despertado sua curiosidade. Antes de começar o trabalho, leia a seguir o texto, publicado no jornal O Globo.

a

Explore o trailer do documentário que registrou o processo de produção da obra Rio oír. Disponível em: <http://vimeo. com/49270987>. Acesso em: 12 maio 2015.

Comente que oír é uma palavra em língua espanhola e significa ‘ouvir’.

Biosfera: conjunto de todos os ecossistemas da Terra. u Bioma: conjunto de seres vivos que habitam determinado ambiente e suas interações.

u

Na obra Rio oír, de 2012, o artista carioca Cildo Meireles realizou uma escultura sonora, com sons de rios, que foram reunidos em um disco de vinil.

aurora do “antropoceno”, a era dos humanos

Estudos mostram como a ação da humanidade pode ter iniciado novo período geológico, alterando os sistemas naturais da Terra que dão suporte à vida no planeta. Cunhado pelo biólogo norte-americano Eugene F. Stoermer no início dos anos 1980, o termo “antropoceno” passou a ser usado informalmente para destacar os impactos das atividades humanas sobre a Terra, numa referência à maneira como os geólogos nomeiam as várias eras, períodos, épocas e idades pelas quais nosso planeta passou nos seus cerca de 4,6 bilhões de anos de existência. Agora, um novo estudo, publicado na última edição da revista Science, reforça a ideia de que ele deve ser adotado oficialmente para definir o atual período que vivemos. […] No estudo na Science, um grupo internacional de dezoito pesquisadores, liderado por Will Steffen, professor da Universidade Nacional da Austrália e do Centro sobre Resiliência de Estocolmo, na Suécia, analisou o estado de nove sistemas naturais de escala global considerados fundamentais para a manutenção da vida na Terra e revelou que quatro deles já ultrapassaram a chamada “fronteira planetária” para continuar a fornecer os “serviços ecossistêmicos” dos quais nossa sociedade depende, como o suprimento de água fresca, solos férteis e estabilidade climática. Além disso, desses quatro sistemas, dois são tão essenciais e estão sofrendo alterações tão grandes que ameaçam a própria futura sobrevivência da humanidade: o clima, afetado principalmente pelas crescentes emissões de gases e outras substâncias causadoras do efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2), com exemplos de poluição tão densa como o que levou o governo chinês a emitir ontem o primeiro alerta de saúde relacionado a ela em 2015; e a perda da integridade da biosfera, traduzida por um ritmo cada vez mais rápido de extinção de espécies e redução da biodiversidade. Já os outros sistemas que também passaram do limite apontado como “seguro” para a estabilidade do planeta são as mudanças no uso do solo, com as florestas, savanas e outros biomas que ajudam a regular os processos climáticos e biofísicos da Terra dando lugar a plantações e áreas urbanas, e os ciclos bioquímicos globais do nitrogênio e do fósforo, elementos que compõem boa parte dos fertilizantes usados na agricultura e que acabam nos oceanos, onde criam as chamadas “zonas mortas” ao reduzir a concentração de oxigênio dissolvido na água. “As atividades humanas podem levar a Terra a se tornar um lugar bem menos hospitaleiro, e nesta pesquisa avaliamos com mais exatidão o risco disso acontecer”, diz Steffen. “Estamos começando a desestabilizar nosso próprio sistema planetário

caderno de projetos • 135 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 135

6/23/15 4:53 PM


Daniel Duchenes/Arquivo do artista

de suporte à vida. Nas mudanças climáticas, por exemplo, o risco para os humanos começa a aumentar quando as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera passam de 350 partes por milhão (ppm). No momento, estamos próximos de 400 ppm e estamos aguentando até agora, mas já estamos observando eventos climáticos extremos ficando piores, a perda de gelo nos polos e outros impactos preocupantes. Nossa análise mostra que em 450 ppm os riscos são de fato muito sérios.” Um artigo que será apresentado no Fórum Econômico Mundial na semana que vem, quando também vai ser publicado no recém-criado periódico científico Anthropocene Review, montou uma espécie de “placar” com 24 indicadores – doze das atividades humanas e doze dos principais componentes ambientais do chamado “Sistema Terra”, a soma das interações de todos os processos físicos, químicos e biológicos do planeta – para ilustrar como a ação da humanidade os alterou desde 1750, início da Revolução Industrial, até 2010. Com isso, os pesquisadores identificaram o que chamaram de “grande aceleração” dessas mudanças a partir de 1950, época que propõem para marcar o começo do Antropoceno [e fim] do atual Holoceno, período geológico oficial iniciado após o fim da última Idade do Gelo, há cerca de 12 mil anos. “Esperávamos já começar a ver grandes alterações desde 1750, mas o que nos surpreendeu foi que o dramático aumento (nos indicadores) só ocorreu a partir de 1950” – conta Steffen, também um dos autores do artigo no Anthropocene Review e integrante do grupo de trabalho criado pela Comissão Internacional de Estratigrafia (ICS) para avaliar a possível adoção do Antropoceno. “Entramos em uma nova época geológica, batizada Antropoceno, em que o sistema econômico global é o principal motor por trás das mudanças que a Terra vem sofrendo. É difícil superestimar a escala e a velocidade dessas alterações. No tempo de uma única vida a humanidade se tornou uma força geológica em escala planetária.” Segundo os pesquisadores, de todas as opções para datar o início do Antropoceno, a Grande Aceleração é a que faz mais sentido do ponto de vista científico, já que foi apenas a partir dela que as marcas deixadas pela humanidade na Terra superaram a variabilidade natural observada no Holoceno. Além disso, a escolha traria ainda próxima dela uma data específica que seria facilmente reconhecível pelos cientistas do futuro: segunda-feira, 16 de julho de 1945, dia da explosão da primeira bomba atômica no deserto do Novo México, EUA, que espalhou elementos radioativos específicos na atmosfera que depois se depositaram na sua superfície, acabando assim incorporados aos sedimentos e ao registro geológico do planeta. Mas mesmo com os sistemas terrestres sob pressões inéditas causadas pela humanidade, nem tudo está perdido, pelo menos ainda. No artigo na Science, os pesquisadores desta-

136 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 136

6/23/15 4:53 PM


Daniel Duchenes/Arquivo do artista

cam o caso da camada de ozônio da estratosfera, que protege a vida na Terra de boa parte da ação danosa dos raios ultravioleta do Sol e é apontada como outro desses sistemas planetários essenciais. Nos anos 1980, os cientistas identificaram o aparecimento sazonal de um enorme buraco nessa capa protetora sobre a Antártica e seu afinamento em diversas outras regiões do planeta, principalmente devido às emissões humanas dos clorofluorcarbonos (CFC). Estáveis, não inflamáveis, pouco tóxicos e baratos de produzir, os CFC foram inicialmente apontados como compostos “milagrosos” e eram utilizados em diversas aplicações industriais, na refrigeração e como solventes. Estes compostos, porém, acabavam liberados no ar e com o tempo migravam para a estratosfera, onde reagiam com o ozônio e destruíam essa camada de proteção. Diante disso, vários países começaram a banir seu uso, até que um tratado internacional, assinado em 1987, determinou a quase completa interrupção da produção e utilização de CFC desde os anos 1990. Assim, nos últimos quinze anos as concentrações de ozônio têm se mantido acima do limite mínimo de segurança sobre boa parte do planeta, com exceção da Antártica na primavera austral, e a camada apresenta seguidos sinais de recuperação. “Este é um exemplo em que, depois de a fronteira ter sido ultrapassada regionalmente, a humanidade tomou medidas efetivas para levar o sistema de volta à margem de segurança”, diz o estudo. Para Steffen, viver dentro das margens de segurança dos sistemas planetários não irá necessariamente comprometer a prosperidade e o conforto da humanidade. Segundo ele, especialistas e engenheiros afirmam ser possível a Terra sustentar uma população global de 9 bilhões de pessoas dentro desses limites. BAIMA, C. A aurora do “antropoceno”, a era dos humanos. O Globo. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/a-aurora-do-antropoceno-era-dos-humanos-15065680#ixzz3PYuz3ytb>. Acesso em: 12 maio 2015.

Após ler o artigo do jornal, converse com os colegas e o professor sobre as questões a seguir. 1

Você já havia pensado sobre como os homens estão afetando as condições geológicas da Terra? Resposta pessoal.

2

Qual é o principal motor das mudanças que o planeta Terra vem sofrendo? O sistema econômico global.

3

Em que momento a humanidade precisou tomar medidas para levar um sistema natural de escala global década de 1980, quando se descobriu que os clorofluorcarbonos (CFC) estavam causando danos na camada de de volta à margem de segurança? Na ozônio que recobre o planeta; na década seguinte, os CFC deixaram de ser produzidos em escala global.

4

O que podemos fazer individualmente para contribuir para a diminuição dos efeitos que causam as mudanças climáticas? Respostas possíveis: diminuir o consumo de energia elétrica, reduzir o uso de transporte motorizado individual e usar transporte público,

reduzir o consumo de água, diminuir a produção de lixo, evitar o consumo de plásticos, consumir produtos locais, de modo que não precisem ser transportados por longas distâncias, entre outras medidas.

caderno de projetos • 137 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 137

6/23/15 4:53 PM


Levantamento de informações Como organizar o trabalho Leia, a seguir, algumas orientações para o levantamento que você vai realizar. Esse trabalho será feito em grupo e consiste em um levantamento de informações sobre um tema seguido de uma síntese que será apresentada para a turma.

aproximar-se do tema e definir o rumo do projeto v

Forme o grupo de trabalho com os colegas, reunindo-se pelo interesse comum por algum dos temas propostos nas próximas páginas. Os grupos não devem ter mais de oito estudantes.

v

Debata com os colegas de grupo as razões pelas quais escolheram esse tema. Verifique o que cada pessoa do grupo já sabe sobre o assunto.

v

Decida com o grupo como o levantamento será feito. Juntos, determinem o foco do trabalho e, se for preciso, modifiquem a proposta de levantamento sugerido.

v

Divida com os colegas as tarefas para o levantamento. Faça uma lista de pessoas que você conhece que podem trazer informações sobre o tema.

v

Discuta com o grupo a forma como vocês pretendem apresentar as informações obtidas para a turma. O grupo deve definir uma linguagem para essa apresentação: escrita, visual ou cênica.

aprofundar as informações v

Reúna o máximo de informação que encontrar em livros, revistas, jornais, imagens e sites, e apresente aos colegas de grupo.

v

Com eles, reflita sobre o material levantado e avalie que tipo de problemas o grupo enfrenta para realizar o trabalho e que informações faltam. Converse com os professores para solicitar ajuda para problemas específicos.

v

Reveja com o grupo se o formato de apresentação dos resultados continua sendo o mais adequado. Se não for, o grupo deve definir a nova forma. Em seguida, liste os materiais necessários para preparar a apresentação.

Preparar a apresentação v

Selecione o que realmente é essencial para abordar o tema que vai apresentar e proponha uma conclusão.

v

Divida a apresentação em começo, meio e fim. Procure formas interessantes para atrair a atenção dos colegas.

v

Ensaie o que vai dizer ou fazer. Verifique quanto tempo você vai precisar. Seja sucinto e preciso, isto é, não fale demais nem de menos. Pense que todos os grupos vão apresentar trabalhos.

138 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 138

6/23/15 4:53 PM


temas para o projeto Veja a seguir uma série de sugestões para um levantamento de informações sobre temas interdisciplinares.

rePresentação da natureza na arte e nas CiênCias v

Disciplinas: Arte e Ciências.

v

Formato: levantamento da botânica local a ser apresentado em uma exposição de desenhos.

v

Proposta: o grupo vai descobrir quais são as principais espécies vegetais do bairro em que vive e representá-las com clareza e método, descrevendo cada parte delas (o fruto, a flor, a folha, o tronco, a semente).

v

Objetivo: conhecer as espécies vegetais do local em que vive, por meio da observação e do desenho de suas características, e compartilhar esse conhecimento.

v

Encaminhamento: consultar estudos de ilustradores botânicos para ter parâmetros de como realizar o próprio trabalho. Em seguida, observar a vegetação existente nas redondezas da escola e da casa a fim de definir as espécies. Cada elemento do grupo pode escolher uma espécie diferente para estudar e ilustrar.

v

Dica: trailler de Margaret Mee e a flor da lua (Malu de Martino, Brasil, 2012), sobre a ilustradora botânica inglesa. Na internet pode ser encontrada também a interessante taxonomia (classificação) que o artista colombiano Alberto Bayara (1968) faz de flores artificiais. Disponíveis, respectivamente, em: <http:// mais.uol.com.br/view/a56q6zv70hwb/ trailer-do-documentario-margaret-meee-a-flor-da-lua-04020C193760C8A14326? types=A> e <http://entretenimento.uol. com.br/27bienal/artistas/alberto_ baraya.jhtm>. Acesso em: 12 maio 2015.

Instituto de Botânica de São Paulo (SP)

Ao professor de Ciências cabe indicar fontes de pesquisa (sites da internet e livros existentes na biblioteca da escola) e apresentar a função da ilustração botânica no estudo das espécies, sobretudo em locais com grande diversidade de vida como a Amazônia. Ele pode colaborar também na escolha das espécies a ser estudadas, orientando no estabelecimento de um critério para esta decisão. Ao professor de Arte cabe indicar fontes de pesquisa e apontar artistas, como Carl Friedrich von Martius (Missão Austríaca, século XIX), que se interessou pela representação científica da natureza. Também é responsável por orientar o aproveitamento e A ilustradora botânica inglesa Margaret organização dos elementos na folha, Mee (1909-1988) dedicou-se a desenhar tipo de papel, uso ou plantas. Ela morou no Rio de Janeiro e não de cores e indicação esteve na Amazônia brasileira, em cujas de informações que devem ser registradas plantas se especializou, especialmente na prancha. Finalmente nas bromélias. Bromélia, de Margaret o professor de Arte colabora na organização Mee, c. 1962. Aquarela, 80 cm × 60 cm. da exposição final dos Instituto de Botânica de São Paulo (SP). trabalhos.

caderno de projetos • 139 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 139

6/23/15 4:53 PM


O professor de Matemática pode sugerir composições geométricas mais complexas usando triângulos, se os estudantes já tiverem estudado o cálculo da área do triângulo; os valores das cores podem ser atribuídos pelo grupo de forma arbitrária, mas é importante que o valor final (a somatória dos números obtidos com a multiplicação do valor da cor pelo valor da área) de cada cor do par oposto seja igual; esse professor pode estimular construções mais complexas e variadas quando os estudantes dominarem melhor as regras de equilíbrio numérico; também pode acompanhar a construção geométrica do desenho em uma folha grande para exposição. O professor de Arte ajuda na preparação da escala de cores que será usada e na escolha de uma dimensão para o trabalho final; colabora também na concepção de legendas para apresentar as relações matemáticas preestabelecidas nos trabalhos; no final, pode propor uma conversa questionando os estudantes sobre a existência ou não de harmonias das composições.

Harmonias numériCas das Cores v

Disciplinas: Arte e Matemática.

v

Formato: trabalho de construção geométrica e pintura apresentado em forma de exposição.

v

Proposta: estudar a relação entre as cores para projetar um esquema geométrico, baseado em quadrados e retângulos. O esquema deverá ser pintado com variações tonais de um par de cores opostas, buscando um equilíbrio numérico entre as duas cores.

v

Objetivo: aumentar o repertório de cores dos estudantes, compreender as variações tonais e traduzi-las numericamente, além de desenvolver a capacidade de trabalhar com relações matemáticas e geométricas, inclusive com a proposição de problemas.

v

Encaminhamento: cada membro do grupo escolhe um par de cores opostas para neutralizar em uma composição; prepara as tintas, usando guaches, as duas cores puras e suas variáveis, clareando ou escurecendo a cor pura com adição de preto ou branco. O grupo projeta um esquema geométrico simples, constituído de quadrados e retângulos e calcula as áreas. Cada um dos integrantes do grupo pinta uma cópia desse esquema, de acordo com relações matemáticas preestabelecidas, a fim de equilibrar o uso das duas cores (por exemplo: cor pura vale 2; misturada com branco ou preto, vale 1; multiplica-se o valor da cor pela área a ser pintada; as duas cores opostas devem obter números iguais na composição). Cada integrante do grupo vai elaborar, portanto, uma composição diferente. As pinturas serão exibidas em uma exposição.

v

Dica: estudar os pares opostos no círculo das cores na seção Teoria e Técnica do Capítulo 3. Usar papel quadriculado para elaborar esquemas geométricos possíveis. Fazer as contas e equilibrar as áreas antes de começar a pintar (para escurecer a cor pura, adicionar preto na proporção 1 para 10; para clarear, acrescentar branco na proporção 2 para 1). Experimentar amostras das cores antes de fazer a pintura.

cor + branco = 1 área = 1

cor + pura = 2 área = 1

cor + preto = 1 área = 2

cor + pura = 2 área = 1

1

2

1

1×1

1×2

2×1

1

Total vermelho 2+1+2=5

2×1

1×2

1×1

1

Total verde 2+1+2=5

cor + branco = 1 área = 2

cor + preto = 1 área = 1

140 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 140

6/23/15 4:53 PM


Divulgação/WWF

O professor de Português pode acompanhar a criação do slogan e das frases de 140 toques, trabalhando a ideia de concisão. O professor de inglês e o de espanhol podem acompanhar a tradução dos textos e ajudar se for necessário. Por exemplo, podem sugerir uma lista de palavras que são geralmente associadas ao tema. O professor de Arte, por sua vez, acompanha a criação da imagem e estimula a criação da canção; acompanha a produção da música e da imagem, verificando e orientando a relação entre imagem, texto e música. Além de discutir com os alunos as peças (texto, slogan, imagem e música) que devem ser postadas no site da escola e estimulá-los a pensar em formas de verificar a eficácia da comunicação.

A World Wide Fund for Nature (WWF) [Fundo Mundial para a Natureza] é uma organização não governamental internacional que promove ações para preservar o meio ambiente e espécies em risco de extinção. Em 2015, a WWF-Brasil promoveu a campanha “Adote uma espécie”.

saLvar o mundo em muitas Línguas v

Disciplinas: Arte, Português, Inglês e Espanhol.

v

Formato: campanha para defender a sustentabilidade do planeta nos três idiomas indicados, a ser divulgada nas redes sociais, ou fisicamente na escola e na comunidade; os resultados da ação devem ser apresentados em um seminário.

v

Proposta: o grupo deve criar uma frase, forte e curta, ou seja, um slogan, que transmita a ideia de preservação do meio ambiente. Em seguida, escrever um texto de até 140 caracteres e conceber uma imagem, que pode ser ilustração ou fotografia, para acompanhar o slogan. Depois, traduzir para espanhol e inglês e publicar em redes sociais nas três línguas. Por fim, deve monitorar o efeito nas redes sociais e apresentar os resultados da ação para os colegas de classe.

v

Objetivo: conceber formas sintéticas para a linguagem verbal, articular as linguagens verbal e visual, trabalhar processos de tradução entre idiomas e verificar a capacidade de comunicação das formas propostas.

v

Encaminhamento: refletir sobre o que se deseja transmitir como mensagem e elaborar o texto em português para, em seguida, fazer a tradução para inglês e espanhol. O texto pode ser transformado em uma canção, ou apenas ter uma forma sonora especial. Para acompanhar o texto, criar uma imagem, com colagem ou desenho. Publicar em redes sociais e acompanhar a reação à divulgação.

v

Dica: há boas propagandas que defendem o meio ambiente e a sustentabilidade do planeta, mas a dica aqui é tentar fazer uma rodada de ideias, antes de buscar o que já existe.

caderno de projetos • 141 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 141

6/23/15 4:53 PM


músiCas e biomas

O professor de Ciências pode sugerir fontes de pesquisa para o bioma escolhido (livros, revistas e sites) e conversar sobre as características do bioma e especificidades de fauna e flora de cada região brasileira. Cabe ao professor de Geografia abordar a região em que determinado bioma é encontrado, qual é a relação da atividade econômica das cidades com o bioma, como isso se reflete na criação dos artistas, etc. O professor de Arte, por sua vez, colabora na organização do material, em forma de projeção, vídeo ou apresentação musical.

v

Disciplinas: Arte, Ciências e Geografia.

v

Formato: levantamento da relação entre canções e biomas brasileiros com apresentação dos resultados em linguagem musical ou em uma projeção de imagens e sons.

v

Proposta: cada grupo escolhe um artista que tenha forte relação com um bioma de sua região (por exemplo: Luiz Gonzaga e o sertão, Vitor Ramil e os Pampas, Tom Jobim e a Mata Atlântica, Elomar e a Caatinga, Helena Meirelles e o Pantanal, entre outros) e faz um levantamento das letras das composições desse artista, apontando a relação das canções com biomas brasileiros. Apresenta as músicas para os colegas, reproduzidas em aparelhos ou interpretadas pelo próprio grupo, se houver instrumentistas entre seus integrantes, e conversa com os colegas de turma sobre os elementos característicos que aparecem nas letras.

v

Objetivo: detectar a relação da obra de alguns músicos brasileiros com os biomas de nosso país.

v

Encaminhamento: o grupo pode escolher músicos de projeção nacional ou artistas locais, mestres e cantadores que abordam o ambiente de sua região (por exemplo, a Banda Cabaçal e o sertão do Cariri, no Ceará). Pode trabalhar apenas com uma única música ou reunir vários exemplos de um mesmo artista. Em seguida estudar a relação entre o artista e o bioma. Uma vez definidos o artista e a(s) música(s), elaborar uma apresentação de slides que acompanhe a(s) canção(ões). Seria interessante desenvolver um glossário visual para nomes específicos do bioma estudado.

v

Dica: no site da Revista Escola há sugestões para pesquisa sobre os diferentes biomas do Brasil. Também se pode pesquisar na internet sobre o músico paulista Paulo Bira, um artista que compôs músicas para os bichos de todos os ecossistemas do Brasil. Disponíveis, respectivamente, em: <http://revistaescola.abril.com. br/geografia/pratica-pedagogica/serie-biomas-brasileiros-586536.shtml> e <www.radio.uol. com.br/#/album/paulo-bira/brasileirinhosmusica-para-os-bichos-do-brasil/93068>. Acesso em: 28 maio 2015.

Lili Martins/AGE/AE

Helena Meirelles (1924-2005) tocando violão. Em 1993, foi eleita por uma revista especializada como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo.

142 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 142

6/23/15 4:53 PM


v

Disciplinas: Arte e Ciências.

v

Formato: construção de objetos sonoros e apresentação musical.

v

Proposta: procurar materiais descartados que tenham propriedades sonoras e construir com eles uma escultura que pode ser tocada por todos do grupo, ou então um objeto para cada integrante. Depois, explorar possibilidades rítmicas e, por fim, ensaiar uma vinheta percussiva e apresentá-la para os colegas.

v

Objetivo: construir objetos com material descartado, explorar timbres não convencionais e realizar composição musical.

v

Encaminhamento: fazer um levantamento de grupos que constroem instrumentos musicais com sucata. Procurar objetos em casa (potes de vidro, latas, objetos de madeira, etc.) que possam ser utilizados na elaboração da escultura percussiva. Experimentar ritmos, percutindo baquetas nos materiais encontrados para testar as possibilidades sonoras. Ensaiar uma apresentação percussiva coletiva em que todos os grupos toquem no mesmo ritmo, depois um instrumento por vez no mesmo ritmo e em seguida todos juntos novamente.

v

Dica: no site do grupo musical Uakti, que pesquisa instrumentos musicais não convencionais, pode-se conhecer os instrumentos construídos pelo grupo. Visite também o site do grupo Patubatê, de Brasília, que realiza oficinas musicais com lixo. Disponíveis, respectivamente, em: <www.uakti.com.br> e <http://patubate.com>. Acesso em: 28 maio 2015.

Reprodução/Acervo do artista

esCuLtura sonora

O professor de Ciências pode conversar com os estudantes sobre a importância da reciclagem do lixo para o meio ambiente e sobre como fazê-lo, além de dar dicas de novos usos para objetos descartados. O professor de Arte, por sua vez, orientará a confecção dos instrumentos e ajudará no ensaio de uma apresentação percussiva com o material produzido.

Narcelio Grud, Bus Stop Sound [Som de um ponto de ônibus], 2012. (Dimensões variáveis. Objetos musicais. Fortaleza, CE.)

caderno de projetos • 143 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P1_132a143.indd 143

6/23/15 4:53 PM


2 MÚSICA PROJETO

1 2 3

Nesteuprojetoudeumúsica,uvocêuvaiuseuaprofundarunouestudoudoucanto.uVocêu gostaudessaulinguagemuartística?uOuqueuconheceusobreuela?uResposta pessoal. Observeuauimagemuacima.uComouvocêuimaginauqueuéucantaruemuumucoral? Resposta pessoal.

u

Seufosseucantaruemuumucoral,uqualuseriauseuupontoudeupartida?u Resposta pessoal.

144 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 144

6/23/15 4:54 PM


Ensaio E aprEsEntação dE música dE coral O projeto deste livro é uma atividade de música de coral. Para isso, é preciso saber como usar a voz e conhecer as músicas. Cantar em grupo é uma experiência que, além de dar prazer, exercita a disciplina e a concentração dos envolvidos. É uma forma de expressão acessível a todos, dos mais extrovertidos aos mais tímidos. Participar de um coral traz autoconfiança e também alarga repertórios, diafragmas e conhecimentos. O cantor é um comunicador. Sua voz toca e desperta sensações no ouvinte. O canto é ao mesmo tempo uma forma de interação e autoconhecimento. Edu Chaves/Futura Press

J. Duran Machfee/Futura Press

Durante os ensaios do coral, conceitos como equilíbrio, conjunto, disciplina, tempo e autonomia devem ser trabalhados com os estudantes. Durante os seis encontros preparatórios para a apresentação do coral, procure fomentar em sala um ambiente de leveza e de abertura para as diferentes formas de cantar. Canta com desenvoltura quem está à vontade e relaxado. Esta atividade será uma ótima oportunidade para estimular a sensibilidade musical dos estudantes. As práticas em sala vão proporcionar mais interação entre eles, além de ser um estímulo para que os mais tímidos se expressem.

O projeto proposto neste livro se concentra na linguagem do canto coral. A intenção é que os estudantes ensaiem um repertório musical e ao final do processo apresentem o resultado para alunos de outras turmas, professores e funcionários da escola. O ponto de partida para o canto coral é a conscientização corporal.

Coral da ONG Espro em apresentação natalina, nas escadarias do Theatro Municipal, São Paulo, SP.

Apresentação da cantora Céu, na Virada Cultural de São Paulo, SP, 2010. Você presta atenção à interpretação de seus cantores preferidos?

o coral e as técnicas vocais Acredita-se que o ser humano canta em conjunto desde a Pré-História. A palavra ‘coro’ vem do grego khoros, lugar onde os figurantes cantavam coletivamente, acompanhando a dança nas tragédias gregas. O ato de cantar em grupo também está ligado à religiosidade. O local onde as pessoas cantam os hinos religiosos, em diferentes igrejas, chama-se coro. O papa Gregório, que liderou a Igreja católica no final do século VI, contribuiu para um significativo desenvolvimento dos corais. Ele queria que as missas fossem celebradas da mesma forma em todas as igrejas do Ocidente. Para isso,

caderno de projetos • 145 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 145

6/23/15 4:54 PM


criou uma escola onde se ensinavam os cantos a ser entoados durante a missa, padronizando a celebração em todo o mundo cristão. O canto gregoriano é uma espécie de reza cantada, sem o acompanhamento de instrumentos musicais. Nesse tipo de música, a referência sonora para a criação musical é a extensão da voz humana. Os corais trabalham a interação entre vozes, com timbres e extensões diferentes. As diferentes vozes podem cantar juntas a mesma melodia ou cada uma cantar uma melodia própria, sobrepondo-se e criando uma polifonia. No coral, o trabalho em equipe é muito importante. Cada integrante deve fazer seu papel e confiar que os outros façam o mesmo.

Extensão:u alcanceudauvozuouu deuumu instrumentou musical,udaunotau maisuagudauatéuau maisugrave.u uu Polifonia:u músicaucompostau poruvozesu simultâneasucomu diferentesu melodias.

uu

The Bridgeman Art Library/Keystone/Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra.

Missa Papae Marcelli foi composta no século XVI por Giovanni Pierluigi da Palestrina (1526-1594). Esse compositor contribuiu para o desenvolvimento da música sacra do período renascentista na Itália. A obra é dividida em seis partes (intituladas em latim): ‘Kyrie’, ‘Gloria’, ‘Credo’, ‘Sanctus’, ‘Benedictus’ e ‘Agnus Dei’. Do CD que acompanha esta obra, consta a primeira parte, o ‘Kyrie’, um exemplo de música sacra polifônica em seis vozes.

Frades cantando no coro. Ilustração do Livro de Salmos de Henrique VI, Paris, c. 1400. [Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra.]

Ouça no CD de áudio que acompanha este livro Missa Papae Marcelli, “I. Kyrie” e preste atenção na polifonia criada entre as vozes do coral. 22

Depois de ouvir a música, responda às questões que estão a seguir. Respostas pessoais. 1

Você já esteve presente em uma apresentação de coral?

2

Em caso afirmativo, descreva sua experiência para os colegas e o professor.

3

Descreva também a sensação que lhe provocou a audição de Missa Papae Marcelli, “I. Kyrie”.

146 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 146

6/23/15 4:54 PM


O som produzido por um instrumento musical não depende apenas da técnica e da intenção do músico, mas também da matéria-prima e da forma como o instrumento foi produzido. Em um coral, os instrumentos musicais são os corpos humanos. Postura e respiração são elementos fundamentais para a emissão da voz. Além disso, beber muita água e ter alimentação e repouso equilibrados são essenciais para uma boa performance na hora de cantar. A seguir, vamos ler um texto sobre como o ato de cantar faz parte de nossa vida mesmo antes de nascer.

S.Borisov/Shutterstock/Glow Images

o instrumento musical chamado corpo

Antes de nascer, já se pode escutar a voz da mãe.

u solte

a voz

Poruqueuousimplesuatoudeucantarudeveriaunosuencherudeuconfiançaueualegria?uAchouqueuvemu doufatoudeuqueutodouadultoujáufoiuumubebêuacalantadoupelousomudeuumauvozufeminina.uQuandou aindauéramosuumufeto,uouvíamosuumauserenatauconstanteutocadauporuumausinfoniauininterruptaudeusonsuproduzidosunouventreudeunossaumãe,uoufluxoudeuseuusangue,uoubaterudouseuu coração.uOusomudauvozudaumãeuéudeufatouaunossaumaisuantigaucomunicaçãoucomuoumundoualému dounossouprimeirouninho.uEmuquaseutodasuasuculturas,ucançõesudeuninarusurgemuespontaneamenteuparausatisfazeruumuinstintouprimárioudasumãesuemuseucomunicaremucomuseusubebês.u Talvezutenhamosutidousorteudeuteruumaumãeuqueucantarolavauparaunósuaindaunouútero.uDeu qualqueruforma,uauvozuhumana,uespecialmenteuauvozucantada,upodeuteruumuefeitouprofundamenteucalmanteuqueurelembrauauvozudaumãeu[…]. NAKKACH, Silvia; CARPENTER, Valerie, Solte a voz. Trad. Alba Lirio. Rio de Janeiro: Lirioê, 2012.

Após ler o texto, responda às perguntas a seguir e compartilhe as respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Você se lembra de canções cantadas para você na infância? Quais?

2

Qual foi a primeira canção que você aprendeu a cantar?

3

Você costuma cantar, mesmo que seja no chuveiro?

4

Mencione para os colegas uma música que gosta de cantar. Cantarole um trecho dela.

caderno de projetos • 147 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 147

6/23/15 4:54 PM


Preste atenção na ocupação do espaço pelos alunos. Quando você dá o sinal de parada, o que vê? Em geral, os cantos da sala são ocupados e o centro fica vazio. Alerte os estudantes a fim de que ocupem o espaço de maneira equilibrada. Se possível, promova o exercício em uma sala ampla, com pouco ruído externo. Esta atividade tem o objetivo de iniciar o relaxamento corporal dos alunos para as atividades de respiração. A sugestão é que ela tenha a duração de aproximadamente dez minutos.

ocupando o espaço Para soltar a voz, é necessário fazer exercícios corporais aplicando algumas técnicas vocais. Com os colegas, siga as etapas descritas abaixo. Levante-se, afaste cadeiras e mesas para os cantos da sala. Ao sinal do professor, comece a andar pela sala de aula livremente. Quando o professor der um novo sinal, pare. Depois, volte a caminhar relaxado, na velocidade que quiser, soltando os braços e os ombros. Ao sinal do professor, pare novamente. Agora, repita o exercício de alongamento e de respiração.

alongando v

Com as cadeiras e mesas afastadas para os cantos da sala, você e seus colegas vão se espalhar pelo espaço disponível.

v

Fique de pé, com os pés paralelos.

v

Alongue o corpo. Alinhe a coluna e estique os braços para cima, como se quisesse tocar o teto com os dedos.

v

Respire cinco vezes, pausadamente.

v

Depois, lentamente, abaixe os braços até o chão, tentando manter as pernas esticadas.

v

Respire cinco vezes, pausadamente. Volte para a posição inicial: pés paralelos, braços relaxados ao longo do corpo.

v

Olhe para a frente, alinhe a coluna, abra bem os dedos dos pés, sinta o contato com o chão.

v

Respire cinco vezes, pausadamente.

MShev/S hutters

tock/Glo w

Images

v

O alongamento ajuda a relaxar e prepara o corpo para os exercícios vocais.

148 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 148

6/23/15 4:54 PM


v

Fique de pé, com a cabeça reta. Abra o peito. Relaxe costas, ombros, pescoço e abdome.

v

Coloque as duas mãos no diafragma.

v

Inspirando pelo nariz, encha o abdome de ar. Imagine que você está enchendo um balão.

v

Mantenha o abdome estufado por cinco segundos. Solte o ar pela boca e repare como a barriga vai murchando.

v

Repita esse exercício dez vezes.

Maya2008/Shutterstock/Glow Images

sentindo o diafragma

O diafragma é um músculo largo que separa a cavidade torácica da abdominal. [Cores fantasia.]

respirando Agora, vamos deixar o exercício mais complexo. Inspirando pelo nariz, encha o abdome de ar, o máximo que conseguir.

v

Em vez de soltar o ar de uma vez, o desafio agora é soltá-lo aos poucos pela boca, contraindo a barriga a cada expiração, e emitindo um chiado curto com a voz, como um pneu que esvazia: “shh”, “shh”, “shh”, “shh”, “shh”.

v

Repita esse exercício dez vezes.

Clicker/iStock/Getty Images

v

Esses exercícios têm como objetivo promover consciência corporal e equilíbrio. É preciso conscientizar o estudante de que seu corpo é um meio de expressão. Na primeira atividade, “Ocupando o espaço”, o objetivo é proporcionar relaxamento aos estudantes e estimulá-los a ocupar o espaço da sala de aula. Na segunda atividade, “Alongando”, os objetivos são relaxar e alongar os músculos que serão requisitados na terceira atividade de respiração atenta ao diafragma. Os exercícios devem ser praticados de maneira leve, sem pressão ou cobranças, para que os estudantes se sintam à vontade e encontrem mais conforto ao respirar, cada um a sua maneira. A regra é ser gentil consigo mesmo. Destaque que, ao cantar, a relação entre postura e respiração é um elemento-chave. Virtudes a ser valorizadas nessas atividades: coragem, desprendimento, entrega, flexibilidade. Barreiras a ser superadas: excesso de timidez, vaidade, apatia, deboche.

O movimento do diafragma durante a respiração é constante, expandindo ou reduzindo a cavidade torácica.

caderno de projetos • 149 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 149

6/23/15 4:54 PM


Entendendo as canções Sugerimos três canções para compor o repertório da apresentação: “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “As rosas não falam”, de Cartola, e “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro. Antes de exercitar o canto, é preciso exercitar os ouvidos, grandes aliados de um cantor. No CD que acompanha este livro você encontra as canções “Qui nem jiló”, interpretada por Luiz Gonzaga, “As rosas não falam”, interpretada por Cartola, e “Carinhoso”, interpretada por Pixinguinha. Recorde que as duas primeiras você já ouviu quando estudou os Capítulos 4 e 5 deste livro, respectivamente. Ouça as três canções. Numa primeira audição, escute-as em silêncio. Na segunda, de pé, cante-as com os colegas acompanhando a letra, que damos a seguir. Fique atento aos movimentos do diafragma e procure imitar a melodia ouvida na gravação.

canção 1 nem jiló

9

Seuaugenteulembrausóuporulembrar Ouamoruqueuaugenteuumudiauperdeu Saudadeuintéuqueuassimuéubom Proucabrauseuconvencer Queuéufelizusemusaber Poisunãousofreu Porémuseuaugenteuviveuausonhar Comualguémuqueuseudesejaurever Saudade,uentonce,uaíuéuruim Euutirouissouporumim, Queuvivoudoidouausofrer Aiuquemumeuderauvoltar Prosubraçosudoumeuuxodó Saudadeuassimufazuroer Euamargauquiunemujiló Masuninguémupodeudizer Queumeuviuutristeuauchorar Saudade,uoumeuuremédiouéucantar Saudade,uoumeuuremédiouéucantar

Aiuquemumeuderauvoltar Prosubraçosudoumeuuxodó Saudadeuassimufazuroer Euamargauquiunemujiló Masuninguémupodeudizer Queumeuviuutristeuauchorar Saudade,uoumeuuremédiouéucantar Saudade,uoumeuuremédiouéucantar Disponível em: <www.luizluagonzaga.mus.br>. Acesso em: 28 abr. 2015. Nem de Tal/Agência Estado

u Qui

Luiz Gonzaga foi cantor, compositor e sanfoneiro. Foto de 1987.

150 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 150

6/23/15 4:54 PM


canção 2 u as

rosas não falam

10

Bateuoutrauvez Comuesperançasuoumeuucoração Poisujáuvaiuterminandououverãouenfim Voltouaoujardim Comuaucertezauqueudevouchorar Poisubemuseiuqueunãouqueresuvoltaruparaumim Queixo-meuàsurosas,umasuqueubobagem Asurosasunãoufalam Simplesmenteuasurosasuexalam Ouperfumeuqueuroubamudeuti,uai... Deviasuvir Parauveruosumeusuolhosutristonhos E,uquemusabe,usonhavasumeususonhos Porufim... Bateuoutrauvez Comuesperançasuoumeuucoração Poisujáuvaiuterminandououverãouenfim

Voltouaoujardim Comuaucertezauqueudevouchorar Poisubemuseiuqueunãouqueresuvoltaruparaumim Queixo-meuàsurosas,umasuqueubobagem Asurosasunãoufalam Simplesmenteuasurosasuexalam Ouperfumeuqueuroubamudeuti,uai... Deviasuvir Parauveruosumeusuolhosutristonhos E,uquemusabe,usonhavasumeususonhos Porufim... Deviasuvir Parauveruosumeusuolhosutristonhos E,uquemusabe,usonhavasumeususonhos Porufim...

Acervo UH/Folhapress

Extraída de MORIM, Júlia. Cartola. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 28 abr. 2015.

Cartola foi cantor, compositor e instrumentista. Foto de 1978.

caderno de projetos • 151 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 151

6/23/15 4:54 PM


canção 3 23

Meuucoração,unãouseiuporuquê, Bateufelizuquandouteuvê Euosumeusuolhosuficamusorrindo Eupelasuruasuvãouteuseguindo, Masumesmouassimufogesudeumim. Meuucoração,unãouseiuporuquê, Bateufelizuquandouteuvê Euosumeusuolhosuficamusorrindo Eupelasuruasuvãouteuseguindo, Masumesmouassimufogesudeumim.

Luís Paulo/Agência O Globo

u carinhoso

Ah,useutuusoubessesucomousouutãoucarinhoso Euoumuito,umuito,uqueuteuquero Eucomouéusincerououmeuuamor, Euuseiuqueutuunãoufugiriasumaisudeumim. Vem,uvem,uvem,uvem, Vemusentiruoucalorudosulábiosumeus Àuprocuraudosuteus. Vemumataruestaupaixão Queumeudevorauoucoração Eusóuassimuentãousereiufeliz Bemufeliz Disponível em: <www.radio.uol.com.br/#/ letras-e-musicas/pixinguinha/carinhoso/2497384>. Acesso em: 24 maio 2015.

Pixinguinha foi flautista, saxofonista, compositor e arranjador. Foto de 1972. Promova a audição das músicas mais uma vez e convide os estudantes a cantar, interpretando cada verso e tentando imitar a melodia cantada na gravação. Em caso de dúvida em relação à melodia correta, use a gravação como referência. Repita a audição do trecho em que há dúvida e peça a eles que cantem repetidas vezes apenas esse trecho, para fixar a melodia. Alerte-os também para continuar prestando atenção aos movimentos do diafragma. Em um segundo momento, a fim de incrementar o canto, você pode dividir a turma em vozes femininas e masculinas. E, com as músicas divididas em partes, intercalar o canto dos grupos. Sugestão: em “Carinhoso”, apenas o grupo das meninas canta a primeira parte, a segunda parte é cantada apenas pelos meninos e todos juntos cantam a parte final. Crie com os estudantes alternâncias de vozes desse tipo em “Qui nem jiló” e em “As rosas não falam”.

Depois de ouvir as canções, converse com os colegas e o professor sobre elas. A letra de “Carinhoso” trata de um amor não correspondido; a letra de

1

O que diz a letra de cada uma das canções? “Qui nem jiló” trata da saudade de um amor; e a de “As rosas não

2

Em sua opinião, que sentimentos cada uma delas transmite? Resposta pessoal.

3

Nas gravações que você ouviu, a letra é cantada apenas uma vez ou há repetição de Em “Qui nem jiló”, canta-se a letra toda e repetem-se apenas os sete versos finais mais uma vez. Em “As rosas não falam”, trechos? canta-se duas vezes toda a letra e repete-se ainda mais uma vez a última estrofe. Em “Carinhoso”, canta-se duas vezes a

4

Em grupos de três integrantes, escolha uma dessas canções e converse com os colegas sobre o que diz a letra. Depois, compartilhe com toda a turma as conclusões de seu grupo. Cuide para que as três músicas sejam escolhidas pelos grupos, que assim aprofundarão a leitura inicial da canção.

falam” trata de um amor perdido.

primeira parte e uma vez a segunda parte.

152 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 152

6/23/15 4:54 PM


os ensaios Agora é chegada a hora de ensaiar as músicas do repertório, utilizando instrumentos musicais para acompanhar ou cantando sem o auxílio de instrumentos, somente com a voz (chamado canto a capela). Se optar pela utilização de instrumentos, uma sugestão é aproveitar os que foram criados na Atividade 1 do Capítulo 6. Será importante manter o pulso de cada música enquanto canta, sem acelerar ou atrasar o andamento. Para isso, pode-se cantar com a ajuda das palmas, que marcarão o pulso de cada canção. 6 Relembre o que é pulso musical escutando mais uma vez o podcast “O pulso da música”, que você já ouviu no Capítulo 4. Depois, escolha com a turma uma das três canções do repertório, ouça a gravação no CD e marque o pulso musical, batendo palmas.

Caso seja possível e considere adequado, acompanhe os estudantes tocando um instrumento musical. O foco dessa atividade é trabalhar o canto dos estudantes, mas, se achar conveniente, encoraje-os a acompanhar as vozes com os instrumentos criados na atividade do Capítulo 6, ou com outros, trazidos de casa.

Exercício de pulso Depois de marcar o pulso ouvindo a música, vamos fazer um exercício, sem o auxílio da gravação. Para tanto, a turma escolhe uma das três músicas e se divide em dois grupos. O primeiro grupo bate palmas no pulso da música, enquanto o segundo canta a letra, com melodia. Depois os grupos trocam de função. Use o pulso musical das gravações. Ouça a música escolhida quantas vezes for necessário para a realização da atividade. É importante conhecer bem a melodia e manter o pulso da música. Para fixar a letra e a melodia, ouça as gravações diversas vezes fora do horário da aula.

posicionamento

Igor Bulgarin/Shutterstock/Glow Images

Para que as vozes soem bem no espaço e para que os cantores também se ouçam bem, é importante que o coral se mantenha agrupado. As meninas podem ficar na frente e os meninos atrás, de modo que todos possam ver o regente (o professor), que indicará o início e o fim da música.

Para obter melhor resultado sonoro, as meninas ficam à frente e os meninos atrás. Todos devem visualizar bem o professor, que será o regente.

153 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 153

6/23/15 4:54 PM


aquecimento da voz e ensaio Antes de começar a cantar, é preciso aprender algumas técnicas básicas de aquecimento da voz. O canto é um exercício corporal, e se consegue melhor performance fazendo algumas práticas como as descritas a seguir.

Quanto mais vezes a turma ensaiar as canções, melhor será a apresentação. O cenário ideal é: máximo de rendimento (afinação, emoção, intensidade) com o mínimo de desgaste (desconforto, rouquidão, conflitos). Oriente os estudantes a cantar em um volume moderado. Estimule os mais tímidos e dê limites para os mais agitados. Cantar envolve o conhecimento de si diante das mais variadas situações, além de autoaceitação, conhecimento dos próprios limites e dificuldades. Identifique os estudantes mais interessados e participativos e posicione-os no centro do coral, para que suas vozes inspirem os posicionados nas beiradas.

A performance dos alunos melhora com a prática. Se for possível, promova mais ensaios, até que todos estejam confiantes em relação à letra, à melodia e ao pulso de cada canção.

Marque a apresentação do coral no auditório ou na quadra da escola. Ou seja, em um local acessível a outros estudantes, professores e funcionários. Procure dar confiança e tranquilidade aos estudantes nessa etapa do processo.

v

Fique de pé. Comece alongando os músculos da face. Dê um bocejo longo, abrindo bem a boca.

v

Uma forma simples de aquecimento vocal é bufar: encher os pulmões de ar, juntar os lábios e emitir o som “buuufff”, fazendo tremer lábios e bochechas até o ar acabar. O som emitido lembra uma turbina (tal como se costuma fazer quando se brinca com bebês).

Repita esse aquecimento no mínimo dez vezes. Ao final, você pode sentir dormência nos lábios e na face. Isso é um bom sinal. Seus músculos foram ativados. Feito isso, cante com os colegas as três músicas do repertório, sem o auxílio da gravação, repetidas vezes. Comece a cantar ao sinal do professor, que pode contar “um, dois, três, quatro”, no pulso da música, antes do início. Procure cantar em uma intensidade moderada: nem gritando nem sussurrando. As batidas dos pés no chão ou palmas marcam o pulso e evitam acelerações ou atrasos no andamento. A articulação das sílabas deve ser clara, para que o ouvinte possa entender a letra da canção. Procure transmitir o que a letra da música diz. Lembre-se de que cantar é uma forma de comunicação muito poderosa. O cantor é também um ator. Lembre-se também de que o coral depende do esforço e da participação de todos. A repetição é o caminho para uma boa apresentação. Num segundo ensaio, a turma vai se agrupar da mesma forma que fez no encontro passado. Encha seu peito de ar e repita os exercícios de aquecimento vocal. Agora, a cantar! O professor conta até quatro e depois o coral começa. A turma vai cantar as músicas diversas vezes. Com os ensaios, a letra e a melodia serão memorizadas. v

apresentação para o público A apresentação marca o fim de um processo e o compartilhamento do trabalho com um número maior de pessoas, mas é preciso ter em mente que o mais importante desta atividade é a vivência de cada etapa. Discutir qual é o papel das canções para cada um, conhecer um pouco mais o próprio corpo a partir dos exercícios de técnica vocal, ouvir e analisar as canções do repertório, ensaiar com os companheiros. Na apresentação, tem-se a chance de perceber a reação dos outros em relação a todo o trabalho realizado. Caso seja oportuno, a turma pode combinar um figurino para a apresentação, que pode ou não ter relação com as músicas cantadas. Uma cor específica de roupa ou a utilização de algum adereço, por exemplo. Lembre-se de que, além de ouvido, o coral também será visto pela plateia. Peça a um colega para gravar a apresentação do coral. Antes de o coral se apresentar, faça uma roda com a turma, na qual todos os integrantes possam se olhar, e deem um grito de guerra.

154 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 154

6/23/15 4:54 PM


Aqueça a voz. Agrupe-se com os colegas da mesma forma que foi feito nos ensaios. Após a contagem do professor, comece a cantar. Lembre-se de ficar atento aos movimentos do diafragma. Caso alguma coisa não saia como o previsto, não se afete, continue cantando. O show não pode parar! Reprodução/Museu Villa-Lobos, Rio de Janeiro, RJ.

Villa-Lobos implantou o ensino do canto orfeônico nas escolas do Rio de Janeiro no início da década de 1930. O maestro chegou a reger 13 mil vozes em uma apresentação que reuniu crianças, jovens e professoras de escolas públicas. Nessa fotografia, de 1942, Villa-Lobos ensaia estudantes.

Depois da apresentação, compartilhe com os colegas e o professor, em uma conversa final, todas as suas impressões. Respostas pessoais. 1

Como foi a experiência de cantar em um coral?

2

O que você sentiu no momento da apresentação?

3

O que mais gostou na apresentação? O que poderia ter ficado melhor?

4

Qual foi a etapa do processo de que mais gostou? Por quê?

Solicite a participação dos estudantes mais tímidos. Tente evitar que apenas alguns deles respondam às perguntas. Estimule a turma a continuar desenvolvendo atividades musicais de maneira autônoma mesmo após o término do ano letivo. Por exemplo, formando corais ou bandas para apresentações na escola em datas comemorativas ou eventos culturais.

caderno de projetos • 155

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_P2_144a155.indd 155

6/23/15 4:54 PM


jeitOs de mudar o mundO Consumo e problemas ambientais No século XX, após a Primeira Guerra Mundial, o processo industrial começou a disseminar-se por todo o mundo, alterando profundamente o modo como nos relacionamos com o meio ambiente. No decorrer do século, com o aumento da produção industrial, foi possível baixar o custo unitário dos produtos. Esse fato, somado aos novos empregos na indústria, acarretou o aumento do consumo. As populações, então, passaram a se tornar consumidoras de todo tipo de produto industrializado, de eletrodomésticos a automóveis. O princípio baseado na expansão contínua do consumo passou a orientar a economia. O modelo, porém, tem se mostrado danoso para o planeta. Leia a seguir um trecho do historiador de design Rafael Cardoso a esse respeito:

Não resta dúvida que o modelo consumista da prosperidade pela expansão contínua da produção e das vendas é insustentável a longo prazo. Em alguns aspectos, já atingimos há muito tempo os limites do equilíbrio e ingressamos na contagem regressiva para o esgotamento deste ou daquele recurso natural. CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgar Blücher, 2008.

Esse modelo de crescimento contínuo da produção e do consumo acarretou três consequências graves: aumento da produção de objetos descartáveis, esgotamento de recursos naturais e consequente surgimento e agravamento de problemas ambientais.

C. Briandle/Universidade de Artes de Zurique, Alemanha

evite plástiCo Nos últimos cem anos os plásticos dominaram a produção de utensílios domésticos, brinquedos e embalagens, entre outros objetos. Esse material, porém, pode levar mais de quatrocentos anos para se decompor no meio ambiente e ser reintegrado à natureza. Em 2014, uma exposição em Zurique, na Suíça, encheu o espaço do museu dedicado ao design com resíduos plásticos retirados dos oceanos e fez um apelo aos profissionais envolvidos na criação e no desenvolvimento de novos produtos: “Não projetem para o lixo!”.

156

Instalação Flotsam plastic (Plástico flutuante), 2014. (Instalação. Museu do Design. Zurique, Suíça.)

O estudante holandês Boyan Slat coordena um projeto que tem o objetivo de limpar os oceanos, livrando-os do plástico. Há um TED, com legendas em português, em que ele explica a dimensão do problema e as soluções propostas pelo projeto The Ocean Cleanup. Disponível em: < http://gizmodo.uol.com.br/plano-oceano-se-limpe/>. Acesso em : 19 jun. 2015.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_JM_156a157.indd 156

6/23/15 4:52 PM


Reprodução/Arquivo da editora

Cartaz do filme Plastic Bag [Sacola plástica], do diretor iraniano-norte-americano Ramin Bahrani (1975). O curta-metragem tem a sacola plástica como personagem central, e sua história é narrada como se ela fosse um ser com vida e sentimentos, 2009, 18 min.

overcrew/Shutterstock/Glow Images

ações que podem ajudar Os movimentos ambientalistas, desde a década de 1970, têm reunido ideias e pessoas em torno de propostas para enfrentar os problemas ambientais. Pela ação desses movimentos, fóruns internacionais são realizados e acordos para diminuir o impacto do excesso de consumo – e consequentemente do excesso de lixo – no planeta são firmados. Uma das mudanças urgentes que se propõem está relacionada justamente à produção e ao consumo de objetos plásticos. Gigantescas quantidades de lixo plástico têm se acumulado nos oceanos e se agrupado em ilhas imensas formadas por toneladas de resíduos. Vítimas diretas desse descalabro, os animais que ingerem plástico nos oceanos estão perdendo a fertilidade. Por ano, 1,5 milhão deles morrem por esse mesmo motivo! Cada um de nós pode tomar atitudes cotidianas com o objetivo de diminuir a poluição, evitando o consumo de objetos e embalagens de plástico e ajudando a reciclá-los. Comece observando como os alimentos e objetos que você compra são embalados. Você já pensou se seria possível comprar alimentos com menos embalagens ou embalados com produtos menos nocivos ao meio ambiente? Após o consumo, onde você, sua família e conhecidos descartam a embalagem? Num lixo comum ou em recipientes próprios para reciclagem? Com alguma reflexão e pequenas ações, cada pessoa pode ajudar muito o planeta em que todos vivemos. Pense nisso!

Faça um levantamento do consumo de plástico em seu cotidiano. Depois, compartilhe com os colegas e o professor essas informações e algumas ações que estão ao alcance de todos e que poderiam beneficiar o meio ambiente. 1

Quantos sacos plásticos entram em sua casa por dia? Resposta pessoal.

2

Quantos objetos de plástico você consome por semana? Quais são eles? Resposta pessoal.

3

Quantos objetos de plástico você descarta por dia? Resposta pessoal.

4

Como evitar o uso do plástico? Não usar sacolas plásticas nas compras, utilizando sacolas reutilizáveis trazidas de casa. Recusar as embalagens

5

O que cada um de nós pode fazer para difundir a ideia de evitar o uso intenso de plásticos?

Não embalar alimentos vendidos a granel em sacos plásticos. Reaproveitar sacos plásticos para embalar alimentos. nas lojas. Substituir objetos de plástico por objetos feitos de outros materiais menos nocivos ao meio ambiente.

Algumas propostas possíveis: recusar as embalagens plásticas nas lojas é um ato-manifesto e ajuda a alertar os vendedores para esse uso indiscriminado. Explicar essas razões nas lojas é uma estratégia simples e efetiva. Fazer camisetas, cartazes e flyers virtuais que comuniquem essa ideia, para ser divulgados no site da escola, da comunidade e em redes sociais. Realizar vídeos e entrevistas com pessoas falando sobre o tema e sugerindo ações. Reunir os plásticos descartados por uma família, um edifício, um quarteirão, numa instalação para chamar a atenção sobre a questão.

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_JM_156a157.indd 157

157 6/23/15 4:53 PM


Peça teatral Espetáculo de dança

Casa­Museu Mestre Vitalino (Rua Mestre Vitalino, s/n, Alto do Moura, Caruaru, PE). Fundado em 1866, em Belém, no estado do Pará, o Museu Goeldi é uma instituição voltada para o estudo científco dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia. Além das atividades de pesquisa e produção de conhecimento, o museu possui um acervo museológico e um parque zoobotânico.

Museu

Capítulo 1 • A representAção dA nAturezA BURNIE, David. Fique por dentro da Ecologia. São Paulo: Cosac Naify, 2001.

Veetmano/ Agência JCM/Fotoarena

Música

Delfm Martins/Pulsar Imagens

Filme

Reprodução/Cosac Naify

Alto do Moura é um bairro da cidade de Caruaru, onde se concentra uma comunidade tradicional de artistas que trabalham com barro. Mestre Vitalino alcançou fama internacional com sua obra em barro. Sua morada foi transformada em museu, onde é possível encontrar a obra típica do mestre.

Capítulo 2 • objetos pArA o futuro MARTINS, Eliana. O bonequeiro de sucata. São Paulo: Saraiva, 2013. (Coleção Jabuti) Esse livro conta a história de Zeca, um menino que trabalha em um lixão, no Rio de Janeiro, para ajudar a família. Zeca descobre que tem talento para a arte e começa a construir objetos de sucata para vender aos turistas.

Esse livro explica questões fundamentais sobre Ecologia e como se processam as interações entre os seres vivos e o ambiente. WENDERS, Wim; SALGADO, Ju­ liano Ribeiro. O sal da terra. Bra­ sil/França/Itália, 2014 (110 min).

Conservação Internacional. Dis­ ponível em: <www.conservation. org.br>. Acesso em: 29 maio 2015. A Conservação Internacional foi criada em 1988. No portal da organização, você vai encontrar um mapa com os seis principais biomas brasileiros. Entre no menu “Onde trabalhamos” para obter informações sobre cada um dos biomas e como conhecer os projetos ambientais da organização.

PEDROSO, Marcelo. Lixão sai, a gente fica. Brasil, 2010 (22 min). Reprodução/Símio Filmes

O flme conta a trajetória profssional do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, sua aproximação com a miséria e o sofrimento humano por meio do trabalho. Registra ainda seu interesse pelo meio ambiente e o projeto fotográfico Gênesis (expedição com objetivo de registrar, a partir de imagens, civilizações ainda inexploradas).

Curta-metragem que mostra o processo de fechamento do lixão de Maceió, Alagoas, e da luta pela criação da coleta seletiva, com a fnalidade de fornecer emprego para aqueles que viviam do lixão. O curta é realizado por meio de depoimentos dos envolvidos nesse processo. WWF­Brasil. Disponível em: <www.wwf.org.br>. Acesso em: 29 maio 2015. No site da WWF-Brasil, organização brasileira participante de uma rede internacional com-

Capítulo 3 • Luz e som LOSSANI, Chiara. Vincent van Gogh e as cores do vento. São Paulo: SM, 2012. Reprodução/Edições SM

explore também

Livro Site

prometida com a conservação da natureza, você vai encontrar informações sobre como enfrentar o desafio de tratar os resíduos sólidos do planeta.

Museu Paranaense Goeldi (Av. Perimetral, 1901, Terra Firme, Belém, PA).

O livro, escrito a partir da correspondência entre Van Gogh e seu irmão Theo, conta a vida conturbada do artista e sua relação emocional com a pintura. FORSLIND, Ann. Cores, jogos e experiências. São Paulo: Callis, 2009. Esse livro, por meio de um passeio pelo mundo das cores, busca responder a diversas questões, como “De onde vêm as cores?”, “O que acontece quando se misturam?”, “Como explicar certas ilusões de óptica?”. Museu da Imagem e do Som, MIS (Av. Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo, SP).

158 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_PF_158a160.indd 158

6/23/15 4:55 PM


Museu AfroBrasil (Av. Pedro Álva­ res Cabral, parque Ibirapuera, São Paulo, SP).

O Museu AfroBrasil destaca a importância africana na formação da sociedade brasileira. No museu, você encontra um rico acervo de arte africana e afro-brasileira.

Capítulo 5 • pALAvrA cAntAdA

Reprodução/Sony Pictures

JOBIM, Dora; SANTOS, Nelson Pereira dos. A música segundo Tom Jobim. Brasil, 2012 (84 min).

KOSCIELNIAK, Bruce. A incrível história da orquestra. São Paulo: Cosac Naify, 2003.

Reprodução/ <www.museuafrobrasil. org.br>

Esse livro traz muitas informações sobre a música no mundo todo. Você vai encontrar textos, fotografas e sons (um CD de áudio acompanha o livro) sobre instrumentos, gêneros musicais, artistas e história da música em todas as regiões do planeta.

Capítulo 6 • músicA instrumentAL

VIANA, Arievaldo. O rei do baião, do Nordeste para o mundo. São Paulo: Planeta Jovem, 2014. Nesse livro, o poeta cearense Arievaldo Viana conta a vida de Luiz Gonzaga em forma de cordel. O livro ganha cores, formas e texturas pelas gravuras de Jô Oliveira.

A música das cachoeiras. Disponível em: <www.musicadascachoeiras. com.br>. Acesso em: 29 maio 2015. Nesse site, você vai ouvir e conhecer a música que se produz na Amazônia ocidental. Em uma expedição que saiu da foz do rio Içana, perto da fronteira com a Colômbia, e chegou à comunidade Kumarakapay, na Venezuela, foram feitos registros audiovisuais dos trabalhos de mestres das culturas popular e tradicional, assim como o de jovens compositores.

FERREIRA, Lírio; LACERDA, Hilton. Cartola, música para os olhos. Bra­ sil, 2007 (88 min). Reprodução/Quanta Filmes

Esse documentário apresenta a trajetória musical de Antonio Carlos Jobim por meio de imagem e som, fotografas e documentos do maestro.

De linguagem acessível e ricamente ilustrado, esse livro reúne informações sobre os instrumentos, a constituição das orquestras e as composições sinfônicas de todos os tempos.

No site do projeto Afreaka, você vai encontrar reportagens sobre a música contemporânea produzida em diversos países do continente africano.

Capítulo 4 • músicA do mundo Música para crianças. São Paulo: Dorling Kindersley/Publifolhinha, 2011.

zados diversos programas de rádio de cantores e compositores da música brasileira. No episódio indicado no link, você vai ouvir um repertório da cantora Elis Regina.

O flme conta, por meio de arquivos documentais e depoimentos, a vida do sambista carioca Cartola. Rádio Batuta. Disponível em: <www. radiobatuta.com.br/Episodes/view/ 788>. Acesso em: 29 maio 2015. No site da Rádio Batuta, do Instituto Moreira Salles, são disponibili-

FORMAN, Milos. Amadeus. Estados Unidos/França, 1984 (160 min). Reprodução/Orion Pictures

A trajetória do Museu da Imagem e do Som em São Paulo refetiu as transformações pelas quais a cultura brasileira e as do mundo passaram. Em seu acervo há uma vasta documentação em arquivos fotográfcos, sonoros e audiovisuais da produção musical, fotográfica e cinematográfca brasileira.

Reprodução/<www.afreaka.com.br>

Rubens Chaves/ Pulsar Imagens

Música da África Contemporânea. Disponível em: <www.afreaka. com.br>. Acesso em: 29 maio 2015.

Esse flme conta a história do compositor Wolfgang Amadeus Mozart sob a óptica de seu colega e rival secreto Antonio Salieri. Osesp. Disponível em: <www.osesp. art.br>. Acesso em: 29 maio 2015. Esse site reúne informação, programação, textos e documentos sobre a Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp), criada em 1954. Orquestra Petrobras Sinfônica. Dispo­ nível em: <http://petrobrasinfonica. com.br>. Acesso em: 29 maio 2015. Fundada em 1972, a Orquestra Sinfônica Petrobras (Opes) tem como objetivo interpretar a tradição sinfônica sob uma perspectiva brasileira. Esse site reúne informação, programação, textos e documentos sobre a orquestra do Rio de Janeiro. Música em Trancoso. Disponível em: <http://musicaemtrancoso. org.br>. Acesso em: 29 maio 2015. Na cidade de Trancoso, Bahia, acontece um festival internacional anual de música instrumental. O projeto foi criado para fazer das artes e da educação artística fontes constantes de desenvolvimento pessoal e social.

159 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_PF_158a160.indd 159

6/23/15 4:55 PM


bibliografia ARTES VISUAIS ALBERS, Josef. A inteiração da cor. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. ALVES, José Francisco. Transformações do espaço público. Porto Alegre: Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, 2006. ARAÚJO, Emanuel. A mão afro-brasileira: signifcado da construção artística e histórica. São Paulo: Tenege, 2010. ARGAN, Giulio Carlo. História da Arte italiana; Da Antiguidade a Duccio. V. 1. São Paulo: Cosac Naify, 2003. BOSUALDO, Carlos (Org.). Tropicália: uma revolução na cultura brasileira (1967-1972). São Paulo: Cosac Naify, 2007. CARDOSO, Rafael. A arte brasileira em 25 quadros (1790-1930). Rio de Janeiro: Record, 2008. . Uma introdução à história do design. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2008. DIENER, Pablo. A América de Rugendas: Obras e documentos. São Paulo: Estação Liberdade/Kosmos, 1999. EISNER, Will. Quadrinhos e a arte sequencial. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GASPAR, Maria Dulce. A arte rupestre no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. GOMBRICH, E. H. História da Arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. HOLLANDA, Heloísa Buarque de (Org.). Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991. KRAUSS, Rosalind E. Caminhos da escultura moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1998. LAGNADO, Lisette; PEDROSA, Adriano (Ed.). 27ª Bienal de São Paulo: como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal, 2006. LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil. Belo Horizonte: C/Arte, 2009. LUCIE-SMITH, Edward. Os movimentos artísticos a partir de 1945. São Paulo: Martins Fontes, 2006. MANCO, Tristan; NEELSON, Caleb. Grafti Brasil. Londres: Thames and Hudson, 2005. MEGGS, Philip B. História do design gráfco. São Paulo: Cosac Naify, 2009. OITICICA, Helio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. O Aleijadinho e o santuário de Congonhas. Brasília: Iphan/Monumenta, 2006. ROGERS, Richard. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Gustavo Gilli, 1997. SCHWARCZ, Lilia; PEDROSA, Adriano (Org.). Histórias mestiças: antologia de textos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2014. TASSINARI, Alberto. Espaço moderno. São Paulo: Cosac Naify, 2001.

MÚSICA BENNET, Roy. Uma breve história da música. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986. CAGE, J. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985. FONTERRARA, Marisa. De tramas e fos – Um ensaio sobre música e educação. 2. ed. São Paulo: Unesp, 2008. SCHAFER, Murray R. Educação sonora. São Paulo: Melhoramentos, 2009. . O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991. SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. SOUZA, Jusamara. Aprender e ensinar música no cotidiano. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2009. SWANWICK, Keith. Música, mente e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

DANÇA ANDRADE, Mario de. Danças Dramáticas no Brasil. Rio de Janeiro: Itatiaia, 2002. BOGÉA, In��s (Org.). Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. Fotografas José Luiz Pederneiras. São Paulo: Cosac Naify, 2001. BOUCIER, Paul. História da dança no Ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 1978. CANONGIA, Ligia. O legado dos anos 60 e 70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. GOLDEBERG, RoseLee. A arte da performance – Do futurismo ao presente. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

LABAN, Rudolf. O domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978. MATOS, Lucia. Dança e diferença – Cartografa de múltiplos corpos. Salvador: EDUFBA, 2012. MONTEIRO, Marianna. Dança popular: espetáculo e devoção. São Paulo: Terceiro Nome, 2011. NORA, Sigrid (Org.). Temas para a dança brasileira. São Paulo: Sesc, 2010. PEREIRA, Roberto (Org.). Ao lado da crítica – 10 anos de crítica de dança: 1999-2009. Rio de Janeiro: Funarte, 2009. 2 v. Disponível em: <www.funarte.gov. br/edicoes-on-line/>. Acesso em: 5 jun. 2015.

TEATRO BRECHT, Bertolt. Teatro completo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 12 v. BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. São Paulo: Cosac Naify, 2013. CARVALHO, Sérgio de; MARCIANO, Márcio. Cia do Latão: 7 peças. São Paulo: Cosac Naify, 2008. COSTA, I. C. A. Hora do teatro épico no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. São Paulo: Papirus, 2001. KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2006. MAGALDI, Sábato. Iniciação ao teatro. São Paulo: Ática, 2006. RODRIGUES, Nelson. Teatro completo – Peças psicológicas. V. 1. São Paulo: Nova Fronteira, 2004. SHAKESPEARE, William. Shakespeare – Obras escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 2008. SPOLIN, Viola. Jogos teatrais para a sala de aula: um manual para o professor. São Paulo: Perspectiva, 2007.

AUDIOVISUAL FRESQUET, Adriana. Cinema e educação. Belo Horizonte: Autêntica editora, 2013. MARCEL, Martin. A linguagem cinematográfca. Belo Horizonte: Itaiaia/ Melhoramentos, 1993. REIS, Joari. Breve história do cinema. Pelotas: Educat, 2002.

160 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_PF_158a160.indd 160

6/23/15 4:55 PM


manual do

professor o

arte - 8 ano

Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 161

6/23/15 6:32 PM


sumário

ApresentAção

163

Explore

orientAçõespedAgógicAs gerAis

164

O ensino de Arte na escola brasileira: algumas referências

164

Percursos teóricos e metodológicos

165

O ensino da Arte

166

Interculturalidade

167

6o ano – Corpo (Identidade)

168

7o ano – Cidade (Cidadania)

169

8o ano – Planeta (Meio ambiente)

169

9o ano – Ancestralidade (Diversidade cultural)

170

Transdisciplinaridade Organização da obra Estrutura geral dos volumes e estratégia pedagógica Abertura

Seis temas de arte

Abertura de capítulo Começando por Você Painel

Fala o/a Artista

Pensando com a História Hora da Troca Debate

Teoria e Técnica Atividades

Autoavaliação

170

Caderno de Projetos

Projeto 1 (interdisciplinar) Projeto 2 (de linguagem) Jeitos de Mudar o Mundo Explore Também CD de áudio

Estrutura de conteúdos de cada volume 6 ano – Identidade o

7o ano – Cidadania

8o ano – Meio ambiente

173 173 173 173 173 174 174 174 174 174 175 175

9o ano – Diversidade cultural

176

As linguagens artísticas na coleção

176

171

O ensino da linguagem visual e audiovisual 177 no Ensino Fundamental II

171

O ensino da linguagem música no Ensino Fundamental II

179

O ensino da linguagem dança no Ensino Fundamental II

181

O ensino da linguagem teatro no Ensino Fundamental II

182

172 172 172 172 172

Autonomia do professor

184

172

Avaliação em Arte

185

Museus, exposições, espetáculos, filmes e shows

186

orientAçõesespecíficAs

187

bibliogrAfiA

232

172 172 173 173 173

162 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 162

6/23/15 6:32 PM


ApresentAção A música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares querem nos dizer algo, ou algo disseram que não deveríamos ter perdido, ou estão a ponto de dizer algo; essa iminência de uma revelação que não se produz é, quem sabe, o fato estético. BORGES, Jorge Luis. La muralla y los libros. Buenos Aires, la nación, 22 oct. 1950. [Tradução dos autores.] Esta coleção para o ensino da Arte foi concebida com o objetivo de apoiar a atividade didática dos professores. Para isso, reunimos e organizamos os temas relacionados à disciplina de modo a abranger conteúdos que contemplem principalmente a diversidade cultural brasileira e as linguagens da dança, da música, do teatro, das artes visuais e das audiovisuais. Disponibilizamos imagens, textos, músicas e sugestões de onde encontrar material para o aprofundamento dos conteúdos tratados. Preocupamo-nos em proporcionar aos alunos a experiência de pensar, interpretar, formular hipóteses e ampliar a visão de mundo em linguagens variadas. Procuramos fornecer também subsídios para uma formação mais abrangente dos estudantes, que envolva, entre outros aspectos, a capacidade de analisar criticamente a realidade. Atualmente, a arte está cada vez mais presente na vida cotidiana, daí a urgência de trazê-la para o ambiente escolar como um dispositivo capaz de envolver os adolescentes e colocá-los em estado de alerta, preparados para a experiência estética, que muitas vezes nos interroga. Quando nos aproximamos desse universo nos vemos entre o conhecido e o desconhecido, e estamos sujeitos a encontrar novos modos de perceber a vida. Nesse sentido, ao se apropriar da coleção, os professores são convidados a mediar esse diálogo, entre os estudantes e a arte, acompanhando os debates, orientando as atividades e trazendo sua bagagem cultural para enriquecer a troca de saberes que deve ocorrer na escola. A fm de auxiliá-los nessa mediação, elaboramos estas Orientações Pedagógicas, que trazem informações complementares, como notas biográfcas, textos que subsidiam os temas propostos nos debates e sugestões de atividades extra. Com isso, pretendemos oferecer, acima de tudo, um incentivo à pesquisa, ao questionamento e à refexão em relação ao processo de ensino-aprendizagem da Arte. Os autores

manual do professor • 163 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 163

6/23/15 6:32 PM


orientAções pedAgógicAs gerAis O ensinO de Arte nA escOlA brAsileirA: AlgumAs referênciAs O ensino formal de Arte no Brasil iniciou-se com a vinda da Missão Artística Francesa, no começo do século XIX. Esse empreendimento patrocinado pelo governo português em 1816 levou à fundação, dez anos mais tarde, da Escola de Belas-Artes na cidade do Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. A partir do século XX, as linguagens da arte apareceram na escola regular em disciplinas como desenho, música e ginástica. Seus princípios se baseavam em aprendizado técnico, apoiando-se em cópia de modelos por meio do desenho, no caso das artes visuais, ou técnicas de solfejo, no caso da música. Dança e teatro apareciam como práticas eventuais, associadas, sobretudo, à comemoração de datas festivas. Nos Liceus de Artes e Ofícios, criados a partir da segunda metade do século XIX, o ensino de arte tinha um caráter utilitário. Estes estabelecimentos se destinavam a formar mão de obra da classe operária para o artesanato e a indústria, em fase de crescimento principalmente na primeira metade do século XX. A arte na escola ganha novo impulso com o acolhimento no Brasil das proposições da Escola Nova, fruto da aproximação da psicologia com a pedagogia. Influenciada por pensadores como John Dewey (1859-1952) e Herbert Read (1893-1968), esta corrente metodológica valoriza a expressão do estudante, o desenvolvimento da criatividade e os processos experimentais, sendo a arte um meio de atingir esses objetivos. Destaca-se nesse momento o movimento Escolinhas de Arte do Brasil, centros de formação em arte que tiveram início no Rio de Janeiro por iniciativa de Augusto Rodrigues (1913-1993) e Lucia Valentim (1921). Posteriormente, elas se

tornaram modelo na formação de professores de artes em todo o país. Além disso, a experiência das escolas-parque de Salvador, idealizadas por Anísio Teixeira (1900-1971), puseram as artes em posição de destaque na formação do estudante em tempo integral, passando o foco da repetição da técnica para a realização de projetos. Em Belo Horizonte, destaca-se o trabalho de Guignard (1896-1962) à frente da escola de arte, que manteve cursos livres de desenho, pintura, escultura e artes decorativas nas décadas de 1940 e 1950. Na década de 1960, alguns grupos ligados à arte adotaram uma pedagogia crítica, inspirada nas ideias de Paulo Freire (1921-1997), que valorizavam a cultura popular e local e os saberes do estudante. Entre outras iniciativas importantes estão os Centros Populares de Cultura (CPC) propostos por Oduvaldo Viana Filho (1936-1974) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), em que as linguagens artísticas eram entendidas como um modo de conscientizar as classes populares a respeito de sua posição social e de fomentar a revolução. Embora o golpe militar de 1964 tenha posto fm a essa e outras iniciativas, ainda houve espaço para projetos como o do Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal (1931-2009), buscando igualmente aproximar arte e formação política. No início dos anos 1970, os Domingos de Criação promovidos pelo crítico de arte Frederico Morais (1936) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) foram momentos de experimentação e de democratização da arte. Com a Lei n. 5 692, de 1971, a Educação Artística passa a ser obrigatória no currículo da educação básica, entendida como atividade escolar. Essa Educação Artística se dava pela abordagem de conteúdos de música, teatro, dança e

164 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 164

6/23/15 6:32 PM


artes plásticas, em geral sem o aprofundamento adequado, por um professor que deveria ser polivalente. A Lei n. 9 394, de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, institui a obrigatoriedade do ensino de Arte, agora como disciplina, nos diversos níveis da educação básica. Com o fortalecimento de organizações dos arte-educadores e o aumento das pesquisas acadêmicas na área nas últimas décadas, se aprofundam diversas propostas metodológicas para o ensino de Arte. No Brasil, a educadora Ana Mae Barbosa (1941) baseou-se na sistematização realizada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) para propor a Abordagem Triangular para o ensino da Arte. A proposição, que orienta muitas ações educativas em Arte na atualidade, sugere três eixos de trabalho para o educador: apreciar, contextualizar e fazer. A Abordagem Triangular foi adotada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicados em 1997, que estipulam a necessidade do ensino de quatro linguagens na disciplina de Arte: artes visuais, música, dança e teatro. Na década de 1990, passou-se a questionar também a posição central que as culturas europeia e norte-americana ocupavam tanto nas premissas de ensino de Arte como no repertório apresentado aos estudantes. Pensar o ensino da Arte a partir de uma perspectiva multicultural transformou o currículo escolar de modo a contemplar as diversas culturas que compuseram e compõem nossa sociedade e trouxe para o centro do trabalho discussões étnico-raciais, etárias, de classe, de gênero e de orientação sexual,

assim como as necessidades das pessoas com defciência. Nesse sentido, foi importante a aprovação da Lei n. 10 639, de 2003, que prevê o ensino obrigatório de história e cultura africana e afro-brasileira, e da Lei n. 11 645, de 2008, que estabelece o ensino de história e cultura indígena na Educação Básica. Em 2010, uma nova redação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determinou uma ênfase nas expressões regionais ao conteúdo da disciplina. As diferentes linguagens artísticas são um território privilegiado para a abordagem desses temas: não apenas são meios de expressão da herança cultural dos povos africanos e indígenas e de seus descendentes, como também são o meio pelo qual essa herança é transformada em matéria de investigação para a arte contemporânea. Nestas primeiras décadas do século XXI, diante de grandes desafos na educação, o ensino de Arte ganha maior importância nas variadas vertentes pedagógicas. As novas tecnologias levaram os processos de ensino-aprendizagem para além do espaço escolar e da oferta restrita de fontes de pesquisa e estudo. Nesse sentido, surge um novo papel para o professor: o de mediador desse processo. Mais do que nunca, fca evidente também a necessidade de reconhecer e valorizar o repertório que o estudante traz ao ambiente escolar e pode compartilhar com seus colegas e professores. Acreditando-se na potência da arte para tratar de temas de relevância ética e estética junto aos jovens, torna-se fundamental enfatizar propostas de caráter transdisciplinar para o ensino da disciplina.

PercursOs teóricOs e metOdOlógicOs Diante desse cenário de complexas demandas pedagógicas, sociais e de formação do estudante/cidadão, a proposta conceitual que apresentamos para o ensino de Arte nos quatro anos do Ensino Fundamental II contempla

a interculturalidade. Para isso, adota uma abordagem curricular transdisciplinar que abarca as diferentes linguagens artísticas, tomando sempre o ensino de Arte como objetivo primeiro.

manual do professor • 165 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 165

6/23/15 6:32 PM


U A

a

ni

da

da

6

o

ARTE T

RA

E

identidade

8o

AD NS VERSALID

9o

TRALIDA CES DE AN

am m e bi io en te

C I

DE A D ci

CORPO

SI M Ú

PL AN ET A

7o

DANÇA

CA

S PREDOMINAN UAGEN TES LING

S IS AI A U SU IS I V IOV D

Reprodução/Arquivo dos autores

Nesta coleção, os distintos saberes são conectados por quatro grandes temas transdisciplinares, de modo a construir a complexidade do conhecimento contemporâneo de forma progressiva. Propomos como eixos de refexão: a identidade, no volume Corpo (6º ano); a cidadania, no volume Cidade (7º ano); o meio ambiente, no volume Planeta (8º ano); e a diversidade cultural, no volume Ancestralidade (9º ano), segundo o esquema abaixo:

diversidade cultural

TEATRO

O ensino da Arte Consideramos que a Arte, como uma área de conhecimento, está associada ao desenvolvimento cognitivo (BARBOSA, 2010). Desse modo, a proposta metodológica desta coleção se apoia na convicção de que por meio das várias linguagens artísticas é possível provocar o estudante para formas de pensar, interpretar, construir, formular hipóteses e produzir visões de mundo diferenciadas. Através da arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a capacidade criadora de maneira a mudar a realidade que foi analisada. BARBOSA, Ana Mae (Org.). Arte/Educação contemporânea. São Paulo: Cortez, 2010.

166 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 166

6/23/15 6:32 PM


Os quatro livros foram organizados de modo que o estudante possa, a cada capítulo, se aproximar das poéticas artísticas. Para isso, são apresentados exemplos de arte contemporânea mundial e do cânone ocidental, assim como das variadas formas artísticas produzidas em todas as regiões do Brasil, tanto em contextos tradicionais como urbanos. Cada livro é acompanhado por um CD com músicas e gravações relacionadas a obras e textos abordados ao longo do volume: • No CD do 6º ano, predominam exemplos retirados ou inspirados nas culturas tradicionais brasileira, portuguesa e afro-brasileira.

• No CD do 7º ano, as músicas compõem um panorama de expressões contemporâneas das diversas regiões do Brasil.

• No CD do 8º ano, as gravações apoiam os temas tratados nos capítulos dedicados à linguagem música (paisagem sonora, música do mundo, música vocal e música instrumental).

• No CD do 9º ano, as músicas reunidas representam alguns gêneros e ritmos brasileiros. Os livros propõem analisar e discutir exemplos visuais e sonoros, refetir sobre os contextos históricos e sociais das manifestações artísticas, comparar e diferenciar trabalhos artísticos e as abordagens envolvidas em sua produção, ler sobre temas relacionados e fazer levantamentos sobre cultura regional e local. Assim, os estudantes poderão trazer sua bagagem cultural para escola, debater e trocar repertório com os colegas e professores, aprender técnicas e teorias específcas de cada linguagem artística e produzir experiências nas diversas linguagens. Por fm, poderão encerrar cada etapa com a avaliação coletiva da produção da turma e a autoavaliação sobre o processo de ensino-aprendizagem em Arte.

interculturalidade Até o fnal do século XX a chamada cultura ocidental canônica, predominantemente europeia e norte-americana, ocupou o ponto central no ensino de Arte na escola brasileira.

Recentemente, a abordagem multicultural trouxe uma visão mais democrática e inclusiva para a educação, propondo valorizar as singularidades das diversas culturas e respeitar suas diferenças. No entanto, reunir exemplos diversifcados num panorama em que todas as minorias possam se reconhecer não garante a realização de uma educação democrática. Os novos estudos em arte-educação sugerem que é preciso igualmente oferecer ao estudante possibilidades de compreender as relações de força entre as culturas ditas minoritárias e as ditas dominantes, bem como as trocas que ocorrem entre elas. Para esse debate, o conceito de interculturalidade (BARBOSA, 2010; RICHTER, 2007; CANDAU, 2007) cumpre um importante papel, pois propõe uma perspectiva de respeito às diferenças e identidades culturais, e uma atitude integradora, que acolha a singularidade de cada estudante. A cultura é entendida como um contínuo processo de elaboração e trocas, sempre atravessado por relações de poder. A educação multicultural e intercultural deve familiarizar os alunos com as realizações de culturas não dominantes, de maneira a colocá-lo em contatos com outros mundos, e levando-o a abrir-se para a riqueza cultural da humanidade. RICHTER, Ivone Mendes. Multiculturalidade e interdisciplinaridade. In: BARBOSA, Ana Mae (Org). Inquietações e mudanças no ensino da Arte, São Paulo: Cortez, 2007. p. 101.

Esse ponto de partida ético orientou o projeto da coleção, levando-nos a contemplar discussões de gênero, étnico-raciais, de classe e de particularidades socioespaciais nos quatro livros. Buscamos apresentar as manifestações artísticas de grupos culturais de diversas partes do mundo. Entendemos também que o estudante é detentor e produtor de cultura e saberes que devem ser trazidos para o ambiente escolar. Dessa forma, tomamos a diversidade como um dispositivo que pode propiciar uma dinâmica potente para o processo de ensino-aprendizagem. Veja a seguir como as diferentes questões aparecem em cada volume:

manual do professor • 167 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 167

6/23/15 6:32 PM


6º ano – Corpo (Identidade) Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

Pensando com a História – Pintura corporal nos povos indígenas

Refexão com base nas tradições culturais de povos indígenas brasileiros.

Debate – Adorno corporal e identidade

Debate sobre a importância de adornos, tradições culturais e características do cabelo na constituição da identidade individual.

4 – Performance

Debate – Performance, política e diversidade

Debate sobre a performance Dois ameríndios não descobertos visitam o Ocidente, de Coco Fusco e Guillermo Gómez-Peña.

5 – Danças populares

Painel – A dança popular no Brasil

Apresentação do jango e refexão sobre a importância da preservação dos rituais da cultura negra tradicional no Brasil.

Jeitos de Mudar o Mundo

O racismo no Brasil

Refexão sobre a trajetória de Abdias do Nascimento e as motivações que o levaram a fundar o Teatro Experimental do Negro (TEN).

2 – A arte e o corpo

Painel – O corpo fala

Discussão sobre o direito à expressão da sexualidade com base em canção do grupo Secos e Molhados e apresentação cênica de seu vocalista, Ney Matogrosso.

3 – A roupa e a arte

Painel – Histórias do vestuário e da moda Teoria e Técnica

Incentivo aos estudantes do sexo masculino a realizar trabalhos manuais em moda e vestuário, mostrando os exemplos de Lampião e Bispo do Rosário e trazendo as orientações da seção Teoria e Técnica.

3 – A roupa e a arte

Painel – Histórias do vestuário e da moda

Com base na obra de Yinka Shonibare, refexão sobre relações assimétricas no campo da cultura entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, criadas por fatores geopolíticos.

Painel – A dança popular no Brasil

Abordagem de danças populares de várias regiões: dança do pau de ftas, festas de bumba meu boi, ciranda, jongo, maracatu nação e maracatu rural.

Debate – Danças urbanas

Debate sobre danças urbanas, como os “passinhos”, que se originaram nas comunidades do Rio de Janeiro.

Abertura

Levantamento de ideias e discussão sobre limites do corpo e expressão artística com base em imagem de apresentação de Marcos Abranches.

Pensando sem fronteiras

Leitura e discussão do texto “Defciência e autoestima“, de Priscylla Piucco.

Deficiência física

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

2 – A arte e o corpo

5 – Dança popular

Projeto 1 – O corpo

168 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 168

6/23/15 6:32 PM


7º ano – Cidade (Cidadania)

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

3 – A arte e a cidade

Painel – Arte pública e Hora da Troca – Cultura musical urbana

Refexão com base no trabalho de resgate da cultura africana e afro-brasileira feita pelo grupo Olodum a partir da década de 1980, em Salvador.

4 – Intervenção urbana

Painel – Arte de intervir na cidade

Refexão com base na performance Juventude marcada para viver, que chama atenção para a violência contra o jovem negro.

5 – Hip-hop

Debate – Cultura da periferia

Discussão sobre a proposta da Ação Educativa com relação ao protagonismo das mulheres no grafte.

4 – Intervenção urbana

Hora da Troca – Arte na periferia das cidades

Apresentação do trabalho de artistas em áreas periféricas das cidades, tais como a brasileira Mônica Nador e o fotógrafo francês JR, dando visibilidade para esse contexto social.

Painel – Os elementos do hip-hop

Discussão sobre a força estética da cultura hip-hop: o rap, o break e o grafte.

Debate – Cultura da periferia

Debate sobre a importância da cultura da periferia na sociedade contemporânea, com foco em sua capacidade de articular ações solidárias e criar circuitos de troca de conhecimento.

Debate – A favela no cinema brasileiro

Debate sobre os diferentes olhares dirigidos à favela ao longo do tempo.

5 – Hip-hop

6 – A cidade e o audiovisual

8º ano – Planeta (Meio ambiente) Abordagem Capítulo

Classe e particularidades socioespaciais

Étnico-racial

1 – Representação da natureza

Seção

Estratégia

Debate – Olhares sobre a natureza

Refexão sobre a representação da foresta por um artista indígena contemporâneo.

Painel – Música e culturas

Discussão sobre a música dos Xavante e sobre a música e o ativismo do nigeriano Fela Kuti.

Pensando com a História – O chorinho

Leitura e discussão sobre a música produzida pela população afro-brasileira urbana na virada do século XIX para o século XX no Rio de Janeiro.

Hora da Troca – Feitos no Brasil

Refexão sobre arte popular e artesanato no Brasil.

4 – Música do mundo

2 – Objetos para o futuro

manual do professor • 169 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 169

6/23/15 6:32 PM


9º ano – Ancestralidade (Diversidade cultural) Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

Painel – Patrimônio material e imaterial

Debate e discussão sobre as origens afro-brasileiras do samba de roda e do frevo, e sobre a arte kusiwa dos índios Waiãpi. Apresentação e debate da sofsticação técnica da arquitetura moura.

Fala o Artista

Apresentação e discussão sobre texto de mestre de capoeira.

Pensando com a História

Refexão sobre a origem do samba urbano e a infuência da cultura africana nesse contexto.

Debate – Ritos e festas

Debate e discussão sobre o ritual do kuarup dos povos do Xingu e dos rituais mascarados dos povos Dogon, do Mali.

Jeitos de Mudar o Mundo

Valorizar a mulher

Refexão sobre a trajetória de Chiquinha Gonzaga no meio musical do Rio de Janeiro no fnal do século XIX. Sugestão de pesquisa sobre as mulheres brasileiras pioneiras no cenário artístico.

3 – Diálogo com o passado

Painel – Arte e História

Refexão a respeito da valorização da cultura popular pelo movimento tropicalista. Discussão e audição de música da Banda de Pífanos de Caruaru.

Projeto 1 – A ancestralidade

Pensando sem fronteiras

Leitura e discussão do texto de Hermano Vianna, Música do Brasil, em que se valoriza a fgura do palhaço nos folguedos populares e se propõe refexões sobre ele.

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

2 – Patrimônio cultural

transdisciplinaridade A coleção lança mão da transdisciplinaridade como base para a organização curricular da disciplina Arte. Diferentemente da interdisciplinaridade, em que conhecimentos de diferentes áreas se sobrepõem, pela transdisciplinaridade (MORIN, 2000) os conteúdos são abordados por meio de temas que perpassam as diferentes áreas de Volume

Tema

conhecimento. Alguns são também chamados de temas transversais. Em nosso projeto elegemos quatro temas de grande relevância para o século XXI: identidade, cidadania, meio ambiente e diversidade cultural. Eles nos orientaram nos enfoques de cada volume e nas escolhas das obras, e podem ser assim defnidos de forma sintética:

Tema transversal

Objetivo

6º ano

Corpo

Identidade

Refetir sobre identidade e diferença.

7º ano

Cidade

Cidadania

Estimular práticas coletivas no espaço público.

8º ano

Planeta

Meio ambiente

Questionar o consumismo e o desperdício de recursos na sociedade.

9º ano

Ancestralidade

Diversidade cultural Reconhecer e valorizar a diversidade cultural da humanidade.

170 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 170

6/23/15 6:32 PM


Na escolha das obras, imagens e músicas, dos artistas e de suas falas, reunimos um conjunto visual, sonoro e textual que nos parece capaz de alertar os sentidos e colocar em discussão, de forma poética, questões relacionadas a esses temas. Como afrma Michael Parsons (2003), é preciso explorar o caráter transdisciplinar da arte: Desde a década de 1960, arte/educadores vêm tentando descrever arte como algo único, diferente de outras disciplinas na escola. Tentam identifcar o que faz o pensamento artístico diferir do científco, do linguístico ou do senso comum. Minha sugestão é que aceitemos o caráter menos estruturado da arte e tiremos proveito disso. O que é mais importante em Arte não é como ela se diferencia de outras disciplinas, mas como podem todas elas ser pensadas em conjunto. É bem verdade que Arte tem características próprias de técnicas, meios, qualidades, princípios e histórias, mas o que realmente conta é o signifcado que as obras carregam e as ideias que expressam. Mesmo que estas ideias sejam encontradas na vida comum e possam ser entendidas de diferentes perspectivas. Precisamos aceitar o fato de que as ideias mais importantes de Arte requerem mais do que arte para serem entendidas.

Por fm, ao optar por organizar o currículo com base em temas transdisciplinares, visamos propiciar ao professor e ao estudante uma atitude interdisciplinar (FAZENDA, 2012) em seu trabalho cotidiano na escola. Entendemos por atitude interdisciplinar uma atitude diante de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera ante os atos consumados, atitude de reciprocidade que impele à troca, que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo –, atitude de humildade diante da limitação do próprio saber, atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio – desafio perante o novo, desafio em redimensionar o velho –, atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas, atitude, pois, de compromisso em construir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade, mas, sobretudo, de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida. FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 2012.

PARSONS, Michael. Currículo, arte e cognição integrados. In: BARBOSA, Ana Mae (Org.). Arte/Educação contemporânea. São Paulo: Cortez, 2010.

OrgAnizAçãO dA ObrA estrutura geral dos volumes e estratégia pedagógica

Reprodução/Arquivo dos autores

AbertUrA mapa do corpo

N

E AN T

LINGUAGE

M PR

E DO

MI

transdisciplinaridade

A estrutura de cada livro é composta de três diferentes formatos pedagógicos: Abertura do volume, Temas sobre arte (em seis capítulos) e Projetos (dois projetos). Em cada uma dessas partes, prática e teoria se complementam em diferentes proporções, tanto com propostas que podem ser feitas em um tempo de aula quanto com outras a ser desenvolvidas ao longo de um bimestre ou mesmo um semestre, por exemplo. Essas propostas podem ser apropriadas pelo professor com autonomia. Elas estão estabelecidas conforme o esquema ao lado:

temA

Arte

proJetos interdisciplinar

Linguagem

manual do professor • 171 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 171

6/23/15 6:32 PM


Abertura Para inteirar o estudante do tema do livro, a abertura traz exemplos que suscitam refexões sobre múltiplos aspectos do tema transdisciplinar. Reunimos treze obras de diferentes linguagens, produzidas em épocas e lugares variados, para aguçar os sentidos do estudante e prepará-lo para ver a arte por uma perspectiva integrada do ser humano e sua ação na sociedade. Ao fnal da abertura, há uma proposta de construção de mapa sobre o tema daquele livro (6º ano: Corpo; 7º ano: Cidade; 8º ano: Planeta; 9º ano: Ancestralidade). Trata-se de um convite para que o estudante realize um trabalho visual relacionando seus saberes e percepções sobre o tema.

Seis temas de arte Os assuntos que articulam a linguagem artística e o tema transdisciplinar são tratados nos seis capítulos centrais de cada livro. Os capítulos têm uma estrutura interna fxa, composta de diversas seções, cada uma delas concebida para um propósito pedagógico. Conheça a seguir essa estrutura.

Abertura de capítulo Uma imagem e algumas questões provocam o estudante a pensar no tema que será tratado no capítulo.

Começando por Você Um texto introdutório busca contextualizar o tema a ser estudado e mostrar como ele se relaciona com a vida do estudante. A página se encerra com algumas questões para debate e refexão. Em geral, as imagens nessa seção representam adolescentes e sua vivência cotidiana com a arte.

Painel Nessa seção, uma seleção de obras de arte, fotografas de espetáculos e letras de canções foi agrupada em torno do tema trabalhado ao longo do capítulo. Organizado como uma mostra, esse conjunto convida o estudante a estabelecer

relações entre as obras, com o apoio de textos sucintos e questões que incitam à refexão. As perguntas que fecham a seção podem ser feitas oralmente para turma. Cada uma das obras de arte referidas nessa e nas demais seções do livro recebeu uma “etiqueta” que resume três informações: linguagem (uma ou mais, dependendo da obra), local de nascimento do autor e época de produção (século). Esta sinalização gráfca ajuda o estudante e o professor a localizar rapidamente a obra em seu universo referencial.

Fala o/a Artista Momento em que o estudante pode tomar contato mais direto com o discurso de um dos artistas que tiveram sua obra tratada na seção Painel. Uma afrmação ou uma conjectura, quase sempre extraída de um depoimento, é acompanhada de uma imagem ou uma música a fm de ser analisadas e discutidas pelos estudantes em pequenos grupos. Algumas questões são sugeridas para orientar o trabalho.

Pensando com a História Oferece um texto claro e acessível sobre um tema histórico de alguma forma relacionado às obras apresentadas no Painel. O texto é acompanhado de uma ou mais imagens e, em geral, fornece elementos para o debate proposto mais à frente.

Hora da Troca Essa seção propõe o acesso a sites em que se pode ler, ouvir música, assistir a um vídeo ou apenas percorrer um acervo de imagens relacionado ao tema do capítulo. Depois desse percurso digital por referências internacionais e nacionais, o estudante é convidado a trazer para a sala de aula as próprias referências familiares, locais ou regionais. O professor também é estimulado a contribuir com referências pessoais e da cultura local para esse momento de troca cultural. Por meio desse intercâmbio de referências, estudantes e professor têm a oportunidade de aumentar seu repertório.

172 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 172

6/23/15 6:32 PM


Debate

Projeto 1 (interdisciplinar)

Com base num conjunto de obras visuais ou musicais com relações nem sempre evidentes, são propostas algumas provocações com a intenção de instaurar um debate na classe. O objetivo dessa seção é deixar aforar opiniões contraditórias, evidenciar as diferenças, enfm, abrir espaço para a pluralidade de opiniões e a troca de ideias, sem a obrigação de buscar respostas consensuais. O professor encontra nas Orientações Específcas deste Manual do Professor textos de intelectuais e acadêmicos que podem apoiá-lo em suas refexões sobre os temas tratados nessa seção.

Como atividade de aquecimento, é apresentada uma sugestão de leitura e debate sobre um tema relacionado com o volume, mas ainda não trabalhado em sala. No projeto interdisciplinar em si, os estudantes encontram seis opções de tema para trabalhar em grupos, bem como indicações precisas de procedimento, dicas e estímulos variados. Essas propostas podem ser realizadas em parceria com professores de diferentes disciplinas, de acordo com o tema escolhido pelos grupos. Os temas sugeridos encontram-se, em geral, em territórios fronteiriços, de interesse de diferentes áreas do conhecimento – por exemplo, a representação do corpo de acordo com a Arte e a Ciência, o uso das formas geométricas pela Arte e pela Matemática ou a representação de determinada região de acordo com descrições históricas ou geográfcas e de acordo com a obra de um músico.

Teoria e Técnica Essa seção apresenta ao estudante técnicas, materiais e procedimentos que vão ajudá-lo a desenvolver habilidades em linguagens variadas. Às vezes, os textos também abordam conceitos teóricos sobre o que foi tratado no capítulo.

Atividades Atividades práticas, em linguagens variadas, encerram cada capítulo. Com instruções precisas, abrem um grande leque de possibilidades de trabalhos em grupo e individuais. A maioria das atividades é acompanhada de roteiro de avaliação coletiva.

Autoavaliação Boxe que encerra cada capítulo com perguntas sucintas para estimular o estudante a refetir sobre seu aprendizado.

Explore Boxe que traz indicação de flmes, livros, músicas e sites relacionados ao conteúdo estudado.

Caderno de Projetos A terceira parte de cada livro reúne duas propostas diferentes: um projeto interdisciplinar e um projeto com a linguagem-eixo do volume.

Projeto 2 (de linguagem) O projeto de linguagem consiste num roteiro com instruções precisas para a turma desenvolver um trabalho prático coletivo na linguagem-eixo do volume: Volume

Tema

Linguagem predominante

Projeto disciplinar

6º ano

Corpo

Dança

Projeto dança

7º ano

Cidade

Visual e audiovisual

Projeto audiovisual

8º ano

Planeta

Música

Projeto música

9º ano

Ancestralidade Teatro

Projeto teatro

Além das instruções detalhadas para as diferentes etapas do trabalho, há também ilustrações e dicas. O projeto de linguagem pode ser desenvolvido em diversos encontros, em quantidade que pode variar de acordo com o programa proposto pelo professor. Cada uma das propostas traz referenciais bastante diversos, tais como produções norte-americanas e europeias de vanguarda, contos populares regionais, músicas populares brasileiras e dramaturgia contemporânea brasileira.

manual do professor • 173 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 173

6/23/15 6:32 PM


Jeitos de Mudar o Mundo

A Organização das Nações Unidas (ONU) promove, desde 1990, conferências internacionais para discutir e analisar temas de grande importância para a humanidade, como meio ambiente, gênero, direitos humanos e desenvolvimento social. A educação baseada no respeito ao meio Volume

Tema

Tema transversal

ambiente e às pessoas é fundamental para transformar o mundo num lugar mais justo e sustentável, com qualidade de vida para todos. Essa seção relaciona esses grandes temas com o tema central de cada volume, mostrando exemplos de pessoas que transformaram o mundo com suas ações e apontaram caminhos para o futuro.

Capítulo a que está relacionado

Jeitos de mudar o mundo

6º ano

Corpo

Identidade

4. Performance

Racismo

7º ano

Cidade

Cidadania

4. Intervenção urbana

Cidadania

8º ano

Planeta

Meio ambiente

2. Objetos para o futuro

Meio ambiente

9º ano

Ancestralidade Diversidade cultural 2. Patrimônio cultural

Explore Também Para encerrar cada volume, oferecemos indicações de livros, filmes, sites, festivais, museus, centros culturais e exposições que podem complementar o estudo dos assuntos abordados em cada capítulo. As escolhas foram selecionadas de acordo com as recomendações

Gênero

para a faixa etária correspondente ao Ensino Fundamental II.

cd de áudio Cada um dos livros é acompanhado por uma seleção de músicas e arquivos em podcasts, que são peças centrais no trabalho com a linguagem música.

estrutura de conteúdos de cada volume

Reprodução/Arquivo dos autores

Veja a seguir como é formado cada livro-texto do projeto.

174 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 174

6/23/15 6:32 PM


Ilustrações: Reprodução/Arquivo dos autores

manual do professor • 175 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 175

6/23/15 6:32 PM


Reprodução/Arquivo dos autores

As linguAgens ArtísticAs nA cOleçãO A linguagem pode ser entendida como sistema simbólico constituído de signos. Como linguagem, a arte é um modo singular pelo qual o ser humano refete sobre o mundo e se relaciona com ele. Assim, cada artista opera a seu modo esse jogo simbólico, articulando os elementos sempre de uma maneira singular, construindo uma poética própria. Concebemos esta coleção levando em consideração as discussões que envolvem o ensino das linguagens artísticas e seus códigos e as questões colocadas no cotidiano do professor de Arte. Veja a seguir como articulamos conteúdos teóricos e práticos de modo a enfrentar esses desafos: Como conseguir promover análise, discussão, contextualização, teoria, técnica e produção nas diferentes linguagens artísticas no ensino Fundamental ii? Cada um dos seis capítulos temáticos de cada livro se estrutura da mesma maneira. Após

uma breve atividade de aquecimento com base no repertório dos estudantes, a seção Painel serve de porta de entrada para o tema do capítulo, permitindo leitura, análise e discussão de um conjunto de obras visuais e musicais, e também a leitura de textos acompanhados de imagens no caso da dança e do teatro. No desenvolver do capítulo há textos históricos, propostas que possibilitam troca de repertório entre os estudantes e professores, temas para debate, referências teóricas e informações técnicas. Cada capítulo se encerra com duas atividades em linguagens artísticas predominantes em cada livro. Como trabalhar com as artes visuais, o audiovisual, a música, a dança e o teatro sem caracterizar a polivalência do professor de arte? Os conteúdos e as atividades foram organizados de modo que em cada livro o professor vai identifcar uma linguagem predominante. Em conformidade com isso, o projeto de linguagem

176 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 176

6/23/15 6:32 PM


permite aprofundar a prática em dança no 6º  ano (Corpo), audiovisual no 7º ano (Cidade), música no 8º ano (Planeta) e teatro no 9º ano (Ancestralidade). Entretanto, o universo da arte não pode ser tratado com limites estanques. Como disse o crítico brasileiro Mario Pedrosa (1900-1981): “A arte é exercício experimental da liberdade”. As linguagens artísticas se conectam, se conversam, de modo que também é necessário abordar trabalhos realizados em linguagens híbridas, cada vez mais frequentes na arte contemporânea, como a performance e os objetos plásticos e sonoros, por exemplo. Ana Mae Barbosa comenta a diferença entre o trabalho dos artistas em colaborações que resultam em produções híbridas e o trabalho dos arte-educadores com as linguagens artísticas: Nós, arte-educadores, fcamos perplexos com a riqueza estética das hibridizações de códigos e linguagem operadas pela arte hoje, pois fomos obrigados a combater no Brasil a polivalência na Educação Artística decretada pelo governo ditatorial na década de 1970. A polivalência consistia em um professor ser obrigado a ensinar música, teatro, dança, artes visuais e desenho geométrico, tudo junto, da 5ª série do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, sendo preparado para tudo isso em apenas dois anos nas faculdades e universidades. Combatemos este absurdo epistemológico. Contudo, mesmo naquele tempo, já defendíamos a interdisciplinaridade das artes. Nosso mote era: “Polivalência não é interdisciplinaridade”. A interdisciplinaridade era desejada, embora ainda fosse uma utopia para nós. Agora a arte contemporânea trata de interdisciplinarizar, isto é, pessoas com suas competências específcas interagem com outras pessoas com diferentes competências e criam, transcendendo cada uma seus próprios limites ou simplesmente estabelecendo diálogos. São exemplos o happening, a performance, a body art, a arte ambiental, a video art, a arte computacional, as instalações, a arte na web, etc. BARBOSA, Ana Mae. Arte na educação: interterritorialidade, interdisciplinaridade e outros inter. In: BARBOSA, Ana Mae; AMARAL, Lilian. Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. São Paulo: Sesc-SP/Senac-SP, 2008. p. 23-24.

Em capítulos com temas híbridos, as seções foram duplicadas de modo a oferecer mais de um caminho possível. Assim, por exemplo, no capítulo sobre luz e som (8º ano), o professor licenciado em música pode aprofundar o estudo da linguagem musical e o professor licenciado em artes visuais, o estudo da cor. Em outros capítulos, a temática impõe a interdisciplinaridade. É o caso dos que trabalham com patrimônio cultural (9º ano) e hip-hop (7º ano), em que música, dança e artes visuais precisam ser tratadas de forma conjunta. Como o professor pode trabalhar com temas e linguagens artísticas de acordo com suas competências individuais? No material reunido nessa coleção o professor e o estudante vão encontrar situações variadas de ensino-aprendizagem. Isso permite que se apropriem delas com autonomia, decidindo que linguagens, debates e projetos querem explorar, criando um diálogo com os vastos territórios da arte e da cultura.

O ensino da linguagem visual e audiovisual no ensino fundamental ii Levando em consideração o impacto das novas tecnologias e da mídia no cotidiano dos jovens nesse século, diversos educadores passaram a defender a abordagem para o ensino de Arte denominada cultura visual. De forma geral, essa vertente, frequentemente vinculada à antropologia e à sociologia, propõe eliminar as diferenças conceituais entre arte e cultura, valorizar o repertório do estudante e entender os aspectos visuais como fonte de cultura. Independentemente da abordagem metodológica, a linguagem das artes visuais ocupou papel central e dominante na disciplina de Arte nas últimas décadas. Acreditamos que na atualidade é necessária uma abertura de espaço e um maior acolhimento às outras linguagens artísticas. Assim, é fundamental reformular os conteúdos de artes visuais – antes apoiados principalmente na ruptura modernista e no cânone da cultura europeia – e priorizar a arte contemporânea, as linguagens híbridas e sua diversidade.

manual do professor • 177 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 177

6/23/15 6:32 PM


Na coleção, buscou-se equilibrar a presença de artes visuais em relação ao que acontecia antigamente, fazendo com que essa linguagem, por um lado, aparecesse nos capítulos iniciais em todos os volumes e, por outro, não tivesse um projeto específco ao fnal do volume. Os conteúdos específcos de artes visuais ocupam os primeiros capítulos dos quatro livros. Buscamos trabalhá-los em três eixos temáticos: representação visual (representação do corpo, da cidade, da paisagem e das narrativas), arte visual na sociedade (a roupa, o abrigo, o design de objetos, o estudo da cultura) e arte visual e os temas transversais (corpo, cidade, meio ambiente e patrimônio). No trabalho com a linguagem visual, além da leitura dos textos, o estudante precisa ser estimulado a olhar as imagens buscando apreender os discursos visuais, a fm de dialogar com as criações. Cabe ao professor propor constantemente a interpretação e a discussão dessas imagens, permitindo que o estudante tenha tempo de elaborar discursos sobre elas. As imagens precisam ser interrogadas: a arte muitas vezes nos coloca mais no rumo das perguntas do que no das respostas. Nas atividades de artes visuais há uma preocupação em explorar o desenho, que é a forma mais direta na elaboração do pensamento visual. É preciso incentivar o estudante a usar o desenho de forma cotidiana: realizando desenhos transitórios, fazendo gráfcos, anotações visuais, experimentando formas de lidar com os diversos materiais. O desenho é a base da linguagem visual. Não se trata de trabalhar apenas suas qualidades estéticas, mas de tornar os estudantes aptos a raciocinar usando elementos gráfcos. É desenhando que se projetam cartazes, objetos, instalações, fgurinos, arquitetura. A pintura também é proposta em suas múltiplas possibilidades, incluindo a lúdica. Sobrepor cores e manchas ajuda a despertar o universo emocional e poético dos jovens. Já a colagem permite a construção elaborada de signifcados e harmonias por meio da associação de imagens prontas e materiais diversos, e pode apoiar a concepção de projetos visuais. Em várias atividades propomos o trabalho com a fotografia, não apenas por meio da prática

de fotografar (registro), mas também da seleção de imagens (documentação e composição) para compor uma síntese com novos signifcados. O trabalho com fotografa contribui para o processo de ensino-aprendizagem porque desenvolve a capacidade de lançar um olhar atento a um aspecto no mundo que nos cerca. Há diversas propostas de construção de objetos tridimensionais. Esse tipo de atividade desenvolve a imaginação espacial e as habilidades construtivas. O estudante vai deparar com as difculdades na construção de objetos tridimensionais e enfrentar o desafo de lidar com os limites da realidade física, como a força da gravidade, o atrito e as propriedades físicas de cada material. Em todos os capítulos de artes visuais os estudantes vão experimentar materiais, suportes e instrumentos, e serão apresentados a informações técnicas variadas. Nas atividades do 9º ano o estudante é convidado a exercer sua capacidade de escolha dos materiais e das técnicas em trabalhos individuais e em grupo. A linguagem do audiovisual é especialmente tratada no Capítulo 6 do livro de 7º ano, que propõe flmes de gêneros e épocas diferentes para ser assistidos pela turma. Todos os flmes têm em sua temática a cidade, seja ela própria como personagem (Os pássaros, de Alfred Hitchcock), seja como elemento de transformação na vida dos personagens humanos (Os dois filhos de Francisco, de Breno Silveira), seja como pano de fundo para uma situação dramática (5× favela – agora por nós mesmos, de diversos diretores). Nesse capítulo são apresentados conceitos e técnicas cinematográfcas, como movimentos de câmera, que vão colaborar na elaboração mais aprimorada de narrativas audiovisuais. O Projeto Audiovisual propõe a execução coletiva de uma narrativa audiovisual com base em um roteiro original ou em uma adaptação de um conto popular brasileiro. Sob orientação do professor, os grupos atravessarão as várias etapas de concepção, produção e fnalização que conduzirão a realização de um vídeo. Os trabalhos fnais poderão ser apresentados em sessão pública na escola, aberta aos colegas, aos familiares e à comunidade.

178 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 178

6/23/15 6:32 PM


O ensino da linguagem música no ensino fundamental ii Formas de ensino musical estavam presentes na vida cotidiana dos povos indígenas que já viviam no Brasil desde antes da colonização. No entanto, foi com a vinda dos jesuítas, no século XVI, que formas propriamente escolares de ensino de música passaram a ser adotadas, inicialmente com a fnalidade de catequisar os indígenas e persuadi-los a adotar outros aspectos da cultura portuguesa. Durante todo o período colonial o ensino de música esteve predominantemente associado aos pressupostos da Igreja católica. A primeira instituição de ensino de música desvinculada da igreja foi o Imperial Conservatório de Música, fundado em 1841, no Rio de Janeiro. Em 1854, um decreto institui ofcialmente o ensino de música nas escolas públicas brasileiras, focado no canto e no aprendizado de noções elementares. Nos anos 1930, a implantação do canto orfeônico pelo compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959) nas escolas do Rio de Janeiro resultou numa proposta ofcial de educação musical para crianças e para as grandes massas. Nas décadas seguintes, o ideário da Escola Nova ganhou espaço, por meio de nomes como Anita Guarnieri, Liddy Chiafarelli Mignone (1891-1961) e Antônio Sá Pereira (1888-1966). A defesa da vinculação do ensino de instrumentos à educação musical deu lugar à valorização de aspectos da linguagem musical, como a experimentação e a composição. Com a instituição da disciplina de Educação Artística pela Lei de Diretrizes e Bases de 1971, observou-se um predomínio do trabalho com as artes visuais na escola. A música fcou relegada a atividades como animação para festividades ou instrumento de controle e exaltação cívica. Com o aumento das pesquisas na área do ensino de música a partir dos anos 1980, surgem propostas apoiadas nas ideias pedagógicas do canadense R. Murray Schafer (1933), que prioriza a qualifcação da escuta e a criação musical; do inglês Keith Swanwick (1937), baseada no desenvolvimento sensorial, expressividade pessoal e experiências compositivas conforme a faixa

etária; e do alemão radicado no Brasil H. J. Koellreutter (1915-2005), baseada na improvisação musical. Em 2005, forma-se um movimento com o objetivo de tornar a educação musical conteúdo curricular obrigatório. O “Quero Educação Musical na Escola” buscou mobilizar a sociedade para que se instituísse a obrigatoriedade do ensino de música, especifcamente. O movimento resultou na aprovação da Lei n. 11.769, em 2008, que altera a LDB de 1996, acrescendo ao artigo 1º o seguinte parágrafo: “A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o parágrafo 2 deste artigo”. Dessa forma o ensino de música passou a ser conteúdo obrigatório na escola em todos os anos do Ensino Fundamental. Nesta coleção, a proposta é aproximar a arte musical da vida dos estudantes, apresentando-a como uma expressão acessível a todos. A música aglutina experiências. É registro imaterial, impalpável e invisível de vidas e impressões, além de uma poderosa forma de transmitir sensações. Cada povo tem uma forma própria de fruir e produzir música. Na coleção, ela é entendida como produto cultural e histórico; portanto, deve ser contextualizada para melhor entendimento do estudante. Sendo o multiculturalismo um de nossos princípios norteadores, diferentes formas de fruição e produção musical são investigadas. No Capítulo 4 do volume de 8º ano, por exemplo, a seção Painel mostra a forma de compor dos índios Xavante, de Tom Jobim, do músico nigeriano Fela Kuti e do indiano Ravi Shankar. Sociabilidade, poesia, ativismo e religião são explorados em conjunto com as produções musicais. A relação entre música e identidade é um eixo norteador dos capítulos. A coleção enfatiza a música brasileira e sua pluralidade, valendo-se das letras das canções e das trajetórias dos artistas para auxiliar na compreensão da identidade brasileira e das matrizes que a formaram, notadamente as indígenas, africanas e europeias. Também o ambiente é tomado como campo de interesse do ensino-aprendizagem musical, em exercícios de percepção e gravação da paisagem sonora da escola. Por meio deles,

manual do professor • 179 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 179

6/23/15 6:32 PM


exploram-se os quatro elementos do som: altura, intensidade, timbre e duração. O corpo é abordado com sua potência musical: imitar, bater em si, estalar, assoprar e cantar são algumas das ações sugeridas ao estudante como experimentação em atividades musicais. Na atividade “O ritmo e os sons do corpo”, por exemplo, os estudantes são convidados a criar em conjunto um arranjo de percussão corporal após ouvir a música “Andando pela África”, do grupo Barbatuques. Nos capítulos em que a música é a linguagem principal, diferentes concepções musicais são exploradas na seção Painel. Após debate em sala para aproximar o assunto estudado e a realidade dos estudantes, são propostas atividades de audição, refexão e produção musical. Os CD que acompanham os quatro livros trazem músicas estudadas nos capítulos, para ser ouvidas em sala. Há também faixas com locuções que propõem uma escuta analítica, permitindo aos estudantes perceber auditivamente os conceitos musicais tratados nos textos. O trabalho com os capítulos dedicados à linguagem música fca incompleto sem a audição do CD. Neste momento da aprendizagem, acreditamos que, mais do que ler textos com refexões prévias sobre música, é importante que os estudantes desenvolvam sua escuta crítica. Juntos, o texto do livro e o áudio do CD têm o propósito de ampliar o repertório dos estudantes, convidando-os a desenvolver suas percepções musicais e instigando-os a uma escuta ativa não só em relação à música, mas também aos sons de forma geral. Em todos os capítulos, a arte musical é entendida como uma forma de relação. A música em si se constitui com base em uma teia de relações. Música é a sensação de união que os sons de determinada obra passam para o ouvinte. A palavra harmonia vem do grego e signifca, justamente, ‘união’. Além dos elementos técnicos da música, os capítulos exploram as relações entre essa arte e os rituais, a política, a religião, a poesia, a dança, o teatro e as demais artes. Como Lia Tomás observa, a música é um fato social total:

Como é sabido, o século XIX – sobretudo suas últimas décadas – caracterizou-se pelo ocaso de sistemas sedimentados. [.] No que se refere à música, observou-se a queda de fórmulas que se encontravam em seu limite de saturação, pois não tinham forças para reagir à própria crise. Assim, a ruptura com a tonalidade e com as formas, a liberação da dissonância (e mesmo a abolição do critério consonância-dissonância), o emprego de tonalidades diversas justapostas e da polirritmia, a infltração oriental e o uso de escalas não temperadas, a absorção do ruído, da improvisação e do aleatório, o advento da música eletroacústica, a inserção de materiais extramusicais e todo tipo de experimentação começam a se instalar, confgurando, gradativamente, experiências e paisagens musicais diferenciadas. Nessa perspectiva, pode-se dizer que a introdução gradativa desses elementos fez que a música voltasse a ser compreendida (menos veladamente) como uma complexa rede de relações com características bem diferentes: intrínsecas, internas, sociológicas, estéticas, psicológicas, antropológicas, pedagógicas, etc. Como aponta Jean Molino (s.d., p. 114), “o fato musical aparece, sempre, não apenas ligado mas estreitamente misturado com o conjunto de fatos humanos. Não há, pois, uma música, mas músicas. Não há a música, mas um fato musical. Este fato musical é um fato social total.”. TOMÁS, Lia. Ouvir o lógos: música e flosofa. São Paulo: Ed. da Unesp, 2002. p. 112-113.

Ao fnal de cada capítulo, as atividades convidam o estudante a vivenciar música, por meio de exercícios práticos de composição, marcação de pulso, audição e análise. Atividades como essas buscam desenvolver tanto a capacidade motora dos jovens como sua percepção musical. O Projeto Música propõe o ensaio e a execução coletivos de um repertório musical pelos estudantes. Nas aulas, serão trabalhadas técnica vocal e consciência corporal, necessárias para o canto. Disciplina, equilíbrio, conjunto e tempo serão outros pontos trabalhados durante os ensaios, que promoverão maior interação entre os estudantes e maior estímulo para que os mais tímidos se expressem.

180 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 180

6/23/15 6:32 PM


O professor precisa permanecer uma criança (grande), sensível, vulnerável e aberto a mudanças. A melhor coisa que qualquer professor pode fazer é colocar na cabeça dos alunos a centelha de um tema que faça crescer, mesmo que esse crescimento tome formas imprevisíveis. SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. Tradução de M.T. de O. Fonterrada et al. São Paulo: Ed. da Unesp, 1991. p. 282.

O ensino da linguagem dança no ensino fundamental ii Diferentemente de linguagens artísticas como as artes visuais e a música – que, apesar das difculdades, garantiram presença no ensino básico –, a dança tem histórico pouco relevante na educação escolar no Brasil. Em 1997, com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a dança é tratada pela primeira vez em documento de orientação curricular nacional como uma das linguagens que compõem o componente curricular Arte. Esta, por sua vez, se tornou obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. 9 394/96. O trecho dos PCN relativo à Arte apresenta o estado geral do ensino da dança nas escolas do Brasil em meados dos anos 1990, e já destacava que: Embora em muitos países ela [a dança] já faça parte do currículo escolar obrigatório há pelo menos dez anos, no Brasil, a sua presença ofcial (curricular) nas escolas, na maioria dos Estados, apresenta-se como parte dos conteúdos de Educação Física (prioritariamente) e/ ou de Educação Artística (quase sempre sob o título de Artes Cênicas, juntamente com Teatro). No entanto, a Dança é ainda predominantemente conteúdo extracurricular, estabelecendo-se de formas diversas: grupos de dança, festivais, campeonatos, centros comunitários de arte. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: Ministério da Educação, 1997. p. 27.

A situação apresentada pelo texto, em alguns aspectos, parece não ter se modifcado muito durante os anos que separam a publicação dos PCN dos dias de hoje. No entanto, se em 2002

havia no Brasil quinze cursos superiores de Dança (MORANDI; STRAZZACAPPA, 2012, p. 12), em 2015 esse número havia aumentado para 35, entre bacharelados e licenciaturas. Isso indica o crescimento do interesse pela dança como carreira e signifca um maior contingente de licenciados em dança no país, aptos a trabalhar com essa linguagem na educação básica. Assim, trata-se de um ambiente mais favorável para que se encare a tarefa urgente de pensar a dança na escola com base em concepções de corpo, de dança e de ensino que não reforcem ideais e valores incompatíveis com a escola brasileira atual. A dança na escola não se restringe à recreação, atividade que não requer investimento de conhecimentos específcos. Também não deve ser tomada como mera prática física que se perde na reprodução acrítica de modelos, que desconhece a relação entre o fazer da dança e as questões da criação artística, que desconsidera a cena nacional e internacional da criação da dança e seus múltiplos contextos. Acima de tudo, a experiência de dançar não deve ser exclusiva das meninas ou daqueles que possuem determinadas características físicas e habilidades motoras, os ditos “privilegiados”. Mais do que nunca, a dança na escola deve ser entendida como forma de conhecimento no campo da arte, com conteúdos e questões próprias; como experiência acessível a todos os estudantes, independentemente de habilidade física, etnia e gênero. No entanto, para que isso seja possível, é necessário abordar em sala de aula a riqueza da produção atual da dança e da performance, e considerar a diversidade de estudantes e contextos. A dança e a performance – consideradas, com o teatro físico, como artes do corpo – são o eixo do livro de 6º ano (Corpo). Buscamos abordá-las a partir do presente, construindo pontes entre as questões atuais da performance (Capítulo 4), das danças populares (Capítulo 5) e da dança contemporânea (Capítulo 6) e seus aspectos estéticos, históricos e políticos. Assim, visamos estimular a curiosidade dos estudantes para que compreendam a dança em sua complexidade dentro do campo das artes e na sua relação com a vida e a sociedade.

manual do professor • 181 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 181

6/23/15 6:32 PM


Na seção Painel, os estudantes terão contato com obras, manifestações e artistas representativos da pluralidade da criação no panorama nacional e internacional das artes do corpo, identifcando suas questões principais e suas visões de mundo. No Capítulo 5, a seção traz manifestações populares representativas da riqueza e da vitalidade da dança popular produzida em diferentes regiões do Brasil. As experiências propostas no livro de 6º ano procuram integrar os elementos técnicos relativos à linguagem da dança e a criação, seja individual, seja coletiva. As atividades visam ampliar a consciência corporal dos estudantes e apoiá-los na construção de suas identidades, sempre os conduzindo a descobrir novas possibilidades expressivas e a respeitar seus limites e os dos outros. Entendemos a identidade, tema transversal desse volume, como processo dinâmico, como algo que se constrói na relação com o outro e ao longo de toda a vida. Abordar questões relativas ao corpo com base na arte pode trazer esses processos à tona e levar à problematização de visões cristalizadas sobre o diferente. A escola é um lugar privilegiado para essas discussões, uma vez que, como aponta Hall (2006, p. 38), “a identidade é algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento”. A discussão sobre identidade permite desconstruir preconceitos e posturas discriminatórias. No livro de 6º ano, a trajetória de Abdias Nascimento será ponto de partida para a proposta da seção Jeitos de Mudar o Mundo. A dança permite estimular o convívio com a diferença em várias dimensões. Por exemplo, a participação de estudantes com defciências nas aulas deve ser sempre incentivada, uma vez que cada corpo constrói sua experiência em dança a partir de sua identidade própria. Para além da evidente necessidade de integrar a pessoa com defciência no conjunto das práticas artísticas na escola, a aceitação e a valorização das singularidades enfatiza a ideia de que corpos diferentes criam diferentes danças. Como lembra Matos:

[.] para a dança contemporânea, a quebra do unívoco e a busca pelo múltiplo abriram espaço para que se investigue novas confgurações sobre o corpo que dança, que não estejam sustentadas pelos sistemas universalizantes do pensamento ocidental, como o pensamento cartesiano. O corpo dançante hoje não é mais visto apenas em termos de sua relação cinética ou expressiva. Alguns coreógrafos procuram trabalhar/pesquisar o movimento, a sensação sinestésica, a fsicalidade, as ideias, a singularidade e as identidades daquele corpo específco que dança para que se possa reconhecer e incluir as diferenças, ressignifcando, na dança, representações e metáforas construídas no/sobre o corpo. MATOS, Lúcia. Dança e diferença: cartografa de múltiplos corpos. Salvador: Edufa, 2012. p. 26.

O Projeto Dança se inspira nos procedimentos de composição da dança pós-moderna norte-americana, em especial nas Accumulation Pieces, de Trisha Brown. Partindo da exploração de gestos simples e cotidianos, a turma atravessará várias etapas de pesquisa, improvisação e criação até elaborar uma peça coletivamente, sob orientação do professor. Considerando as muitas difculdades que os professores de dança encontram para desenvolver propostas de dança, as etapas podem ser adaptadas às condições físicas da escola.

O ensino da linguagem teatro no ensino fundamental ii Podemos traçar pontos de contato entre o teatro e a educação desde o período colonial brasileiro, se pensarmos na ação dos padres jesuítas. No entanto, no campo da pedagogia formal tradicional brasileira, o teatro ocupava até o início do século XX um lugar marginal, sendo mais usado como ferramenta para organizar comemorações de datas cívicas e solenidades. Esse panorama começa a mudar com o movimento escolanovista na década de 1940: com a criação das Escolinhas de Arte, pela primeira vez, planeja-se e põe-se em prática a interface entre o teatro e a educação.

182 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 182

6/23/15 6:32 PM


A inclusão ofcial do ensino da linguagem teatral nas escolas brasileiras acontece depois, em plena ditadura militar. A reforma educacional de 1971 institui o conceito de formação polivalente, pelo qual o mesmo professor deveria ensinar todas as linguagens artísticas no Ensino Fundamental. Para cobrir as vagas que surgem com essa regulamentação, o Estado estabelece cursos universitários de dois anos em Educação Artística, uma preparação evidentemente apressada. Apesar de todas as ressalvas, foi essa regulamentação que trouxe a necessidade de formar arte-educadores, levando à expansão dos campos de pesquisa e de ensino das linguagens artísticas, entre as quais a teatral. Assim, se antes o teatro na escola vinha a reboque das questões gerais colocadas pela pedagogia, nos dias atuais questões próprias e novas aparecem graças ao vínculo com a área de formação específca dos educadores. Com a articulação de questões históricas e estéticas específcas do teatro, cria-se um novo campo de conteúdos e metodologias para a prática educacional em geral. O teatro é a arte da presença, em um mundo com relações cada vez mais intermediadas por contatos virtuais e a distância. Em uma sociedade regida pela produção industrial, o teatro é artesanal, especialmente aquele feito na escola. O teatro é coletivo, numa sociedade em que a superação e a prosperidade individuais se tornaram valores hegemônicos. Em um momento em que os estudantes passam por uma transição social, marcada institucionalmente pelo encerramento do Ensino Fundamental, o ensino-aprendizagem de teatro traz grandes contribuições: auxilia o estudante a apreender os processos simbólicos do mundo, a tomar a realidade como coisa em mutação, a desenvolver meios de percepção e atuação no mundo. Outra característica da linguagem teatral é sua efemeridade, a impossibilidade de ser registrada integralmente. Podemos registrar diversos de seus aspectos – a dramaturgia, os desenhos dos cenários e fgurinos, as partituras com as músicas da peça, fotografas e flmagens –, mas a linguagem teatral não pode ser fxada. Isso coloca o estudo do teatro em terreno pouco estável,

em um permanente estado investigativo. Não existe possibilidade de certeza quando falamos do teatro medieval, por exemplo; o que temos são rastros, que devem ser encenados na imaginação de cada turma no decorrer dos encontros. Por fm, a prática teatral das atividades de cada capítulo permite vivenciar, de formas inusitadas, as relações que compõem o cotidiano da turma. Muito pode ser experimentado: a investigação do corpo e da voz na construção física dos personagens; a ocupação dos espaços da escola com as instalações cênicas; a relação entre os estudantes pelo esforço coletivo de composição das cenas. Essa experimentação prática dos aspectos do dia a dia da turma permite ampliar a sensibilidade e o repertório de atuação dos estudantes diante da realidade da qual fazem parte. O trabalho com a linguagem do teatro no volume de 9º ano foi dividido da seguinte forma: o Capítulo 4 investiga as origens da linguagem teatral e a relação entre religião, educação social e o teatro; o Capítulo 5 explora duas formas da linguagem teatral contemporânea, o teatro dramático e o teatro épico, relacionando-as a contextos de transformação social; por fm, no Capítulo 6, tem-se um apanhado técnico-teórico de elementos que compõem a linguagem da encenação teatral contemporânea, da fgura do encenador aos muitos eixos expressivos que formam o todo do fenômeno teatral – interpretação, cenografa, fgurino, iluminação e sonoplastia. Embora se apoie em uma perspectiva histórica, a abordagem no decorrer dos capítulos não se baseia numa visão evolucionista do teatro, historicista, como se o espetáculo teatral fosse uma tecnologia que foi melhorada ao longo do tempo. O teatro atual não é mais evoluído que o teatro grego clássico, por exemplo. O que se transforma, com o desenrolar da história, são os próprios parâmetros que defnem socialmente o que é recebido como espetacular. Isso quer dizer que os regimes estéticos são compostos historicamente, ou seja, que cada tempo e cada local produzem suas defnições do que é arte e do que não é. Não existe uma forma ideal para cada linguagem artística: elas sempre serão porosas e maleáveis, em constante relação com seu tempo histórico.

manual do professor • 183 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 183

6/23/15 6:32 PM


Toda forma de linguagem é também um acordo social. Por isso, na seção Painel de cada capítulo exploramos, antes de tudo, o acontecimento teatral, os elementos concretos que compõem aquele gesto cênico. O que se propõe com isso é uma aprendizagem que recorta, de um momento histórico determinado, os modos de fazer do processo teatral. As atividades de cada capítulo, por sua vez, se apoiam no conceito de jogos teatrais. Nessa perspectiva pedagógica, o princípio lúdico é tomado como motor do processo de ensino-aprendizagem e experimentação. Em um jogo teatral todas e todos participam de forma engajada e dinâmica na realização de um objetivo comum, artístico. Para atingi-lo é necessário se colocar em estado de jogo, um estado extracotidiano de concentração e expressão. Esse princípio lúdico deve ser mantido, sobretudo nas atividades de leitura de dramaturgia e improviso de cena. O objetivo dos jogos é sempre a matéria teatral, testar as regras e limites da composição cênica. Uma abordagem prazerosa de um texto teatral pode modifcar a relação de um estudante com o ato da leitura como um todo. O Projeto Teatro, ao fm do volume de 9º ano, promove a materialização da linguagem teatral

com a apresentação de um espetáculo. Na encenação teatral, o teatro contemporâneo articula diversos elementos artísticos (interpretação, iluminação, cenografa, fgurino, sonoplastia, etc.) em torno de um acontecimento efêmero, fruto do encontro entre a obra de muitos teatristas e o público. O dia da apresentação teatral é sempre um dia especial: é quando toda a comunidade escolar acolhe a peça ensaiada e produzida pela turma. No momento da apresentação, um processo até então íntimo ganha um aspecto público. No entanto, ela é apenas a síntese de um processo artístico-pedagógico bem maior. O foco do aprendizado está na elaboração do espetáculo teatral, em seu processo de pesquisa e montagem. Da escolha da dramaturgia às soluções teatrais da encenação, cada passo dado coletivamente é um exercício de observação e crítica da realidade específca da turma. A ideia é que, ao montar uma peça de teatro, o ambiente escolar geste a própria cultura teatral, produza um espetáculo que seja inconfundivelmente daquela turma, com suas particularidades, questões, segredos e processos. O objetivo é remexer a camada simbólica dos envolvidos com a montagem da peça e estreitar laços com a comunidade local.

AutOnOmiA dO PrOfessOr Reconhecendo as diferentes formações dos professores que assumem a disciplina Arte e as constantes transformações que advêm da prática e da pesquisa no processo de ensino-aprendizagem, acreditamos que um material didático para esse componente disciplinar deve ser adaptável a diversas realidades. Sabemos que a carga horária, as condições de trabalho, os recursos materiais, a disponibilidade de espaço e o perfl das turmas variam nas escolas de Ensino Fundamental II em todo o país. Assim, concebemos esta coleção de forma que o professor possa escolher um percurso adequado a sua realidade específca. O professor pode optar por dar maior ênfase à linguagem artística que norteia o trabalho

do volume daquele ano, desenvolvendo o Projeto de linguagem de forma aprofundada. Pode igualmente se demorar mais nas discussões em sala de aula a respeito das obras, dos artistas e de seus contextos, apoiando-se nas atividades de Debate e Hora da Troca. Ou, ainda, propor que a turma se debruce nos levantamentos e pesquisas em grupo no Projeto interdisciplinar. Para ampliar as possibilidades metodológicas de cada professor, também são sugeridas Atividades Complementares nesse Manual do Professor. Somadas às Atividades oferecidas em cada um dos seis capítulos temáticos no livro do estudante, compõem um conjunto amplo de atividades em linguagens variadas para cada livro.

184 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 184

6/23/15 6:32 PM


AvAliAçãO em Arte Existe muito preconceito por parte dos próprios estudantes quanto às habilidades artísticas. Aqueles que se sentem seguros com sua produção fcam mais à vontade na aula de Arte, ao passo que ela pode se transformar em uma péssima experiência para os que são inseguros. Qualquer estudante pode realizar as atividades práticas, isto é, desenhar, pintar, colar, construir, dançar, representar, produzir sons, obtendo resultados satisfatórios: basta que se sinta motivado para enfrentar o desafo. O professor deve dar atenção àqueles que têm mais difculdades, identifcando qualidades que não percebem a princípio em seus trabalhos, como expressividade, rigor, conceituação, organização e uso harmonioso dos elementos de determinada linguagem. Dessa forma, estimula-se que eles desenvolvam autoconfança e tornem-se aptos a explorar seu potencial. A grande difculdade em fazer a avaliação dos trabalhos de arte se deve ao grau de subjetividade que se estabelece na relação entre o professor, o trabalho e o estudante. Ao propor uma atividade, o professor cria expectativas quanto ao resultado. O mesmo pode acontecer com os estudantes. Essas expectativas podem decorrer do universo estético referencial do professor, que em geral é muito diferente do universo referencial do jovem. Este tem intenções e ideias que deseja passar por meio de técnicas e materiais que ainda não domina plenamente. No processo surgem imprevistos e mudanças de propósitos. Na atividade artística é comum que o processo atue no resultado de um trabalho. Com tantos percalços, fca difícil estabelecer objetivos precisos para as atividades práticas. Por essas razões, sempre que possível, recomenda-se ao professor fazer a avaliação coletiva. Essa é uma forma de contornar alguns desses problemas e colocar os critérios adotados em debate. O momento da avaliação coletiva é uma oportunidade de conversar com os estudantes sobre o que se pretendia e o que se alcançou com um trabalho. É também uma maneira de legitimar diante da turma as

qualidades e os problemas dos trabalhos apresentados, ajudando cada estudante a formular uma autoavaliação. É muito importante que na hora da avaliação coletiva o estudante se coloque, desenvolvendo a habilidade de criar um discurso verbal a partir de sua produção nas linguagens variadas. O professor vai encontrar nessa coleção sugestões de encaminhamento para essas avaliações, com algumas perguntas que podem ser feitas à turma em cada atividade. Não é preciso se restringir às questões sugeridas; os estudantes também podem participar desse momento explicitando seus critérios e opiniões, e falando de suas difculdades. Na avaliação coletiva o professor pode elogiar as qualidades do trabalho de um estudante que tem maior difculdade e cobrar maior rigor em um trabalho descuidado de um colega habilidoso. As avaliações coletivas tomam tempo da aula, por isso nem sempre será possível recorrer a elas. Por outro lado, em algumas atividades, especialmente aquelas que solicitam ao estudante que expresse seus sentimentos e emoções, esse tipo de avaliação não é recomendável. Nesses casos, é preferível recorrer à avaliação individual, apontando os pontos mais frágeis e elogiando as qualidades do trabalho do estudante. Nas avaliações, preste atenção se o estudante:

• participa dos debates, discussões e conversas em sala de aula;

• faz os levantamentos sugeridos na seção Hora da Troca;

• realiza os trabalhos propostos com rigor e empenho, em conformidade com o que foi pedido;

• busca explorar todo o seu potencial nos trabalhos realizados. O professor que faz avaliações coletivas e individuais periódicas conhece seus alunos e pode associar conceitos numéricos para quantifcar sua participação, seu empenho e seu desenvolvimento durante as aulas.

manual do professor • 185 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 185

6/23/15 6:32 PM


museus, exPOsições, esPetáculOs, filmes e shows Parte importante do processo de ensinar e aprender arte se dá na vivência com a obra. É preciso ter um contato profundo com uma obra de arte, emocionar-se com ela, olhá-la com interesse, buscar desvendar a forma como ela foi feita, os sentidos que ela abarca e as intenções do artista que a criou. No livro Obra aberta, Umberto Eco aponta para as possibilidades de interpretação presentes em uma obra de arte. O que se observa é que algumas obras, com o passar do tempo, podem ser interpretadas de novas maneiras, mantendo-se vivas para outras gerações. Por isso, são recomendáveis visitas a museus e exposições e idas a espetáculos sempre que possível. Para fazer uma visita é preciso prepará-la. Muitas instituições oferecem programa de visita guiada para escolas, mas esse serviço precisa ser agendado com antecedência. A melhor maneira de o professor preparar uma visita para os estudante é ver a exposição ou assistir ao espetáculo antecipadamente, ler os textos e programas que acompanham as obras e pesquisar informações sobre o(s) artista(s) nos meios de comunicação. Mais importante que saber dados biográfcos dos artistas é buscar informações sobre a obra, técnicas e contexto em que ela foi produzida. Ao visitar uma exposição ou ao assistir a um espetáculo sem os estudantes, inicialmente o professor deve se deixar levar por seu interesse natural, tentando descobrir que trabalhos o atraem e por que isso acontece. O componente subjetivo da apreciação permeia a relação do professor com o estudante no ensino de Arte. É comum que o professor revele suas paixões e seus interesses ao conduzir a turma por esse universo. Na visita a uma exposição pequena, o professor pode determinar o tempo para o grupo

circular livremente entre os trabalhos, explorando com liberdade o contato com as obras e o espaço museográfco. Os estudantes devem ler as legendas dos trabalhos, observando o nome do artista, o ano do trabalho e a técnica. É importante orientá-los a anotar dados apenas das obras que lhes despertaram algum interesse. Depois o professor pode, por exemplo, marcar um encontro diante de uma obra que queira apresentar para o grupo. A análise pode começar com perguntas, para em seguida conduzir a leitura visual e fazer uma breve explanação sobre o artista e a obra (por isso a importância de visitar, ler e pesquisar previamente). Em seguida, os estudantes podem eleger um ou mais trabalhos a ser analisados por toda a turma. Uma leitura visual demorada de duas ou três obras é sufciente numa visita. No caso de um show, espetáculo musical, teatral ou de dança, o professor pode sugerir antes do início da apresentação alguns aspectos que devem ser observados, como: atenção à luz em uma cena, ao som de determinado instrumento em uma música, ao gestual de um ator. Deve-se evitar, no entanto, revelar detalhes ou partes importantes do enredo. Ao fnal do espetáculo, é interessante marcar um encontro para que os estudantes conversem sobre suas impressões. Eles devem ser estimulados a formular verbalmente a experiência vivida e evitar comentários categóricos sobre o que viram. Antes de assistir a um flme com a turma, também se pode propor pontos de atenção, especialmente em relação aos elementos específcos da linguagem cinematográfca: enquadramentos, duração das sequências, iluminação, movimentos da câmera. Ao fnal do flme, a turma pode se reunir para conversar sobre esses elementos.

186 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP1_161a186.indd 186

6/23/15 6:32 PM


Orientações específicas AberturA – A Arte e o plAnetA A proposta desta abertura é apresentar a abordagem temática e transdisciplinar de cada livro da coleção. Ao percorrer os capítulos no livro do 8o ano, estamos propondo trabalhos para a disciplina de Arte articulados com o tema planeta. A abordagem desta abertura e dos seis capítulos do livro trazem questões relacionadas principalmente ao meio ambiente. Acreditamos que a melhor forma para iniciar este trabalho é mostrar ao estudante que é possível construir diferentes perspectivas para olhar o planeta, e que as várias disciplinas devem oferecer subsídios para que isso ocorra, numa abordagem adequada a cada momento da vida escolar. Ao solicitar que o estudante faça uma lista de conceitos que se referem ao planeta, estamos preparando esse adolescente para pensar em rede e compreender que todos os saberes estão relacionados. Em seguida, apresentamos treze obras de arte em linguagens variadas, como escultura, desenho animado, música, dança, fotografa, performance, entre outras, realizadas por artistas de épocas e lugares diferentes. Verifque se os trabalhos se relacionam com alguns dos conceitos listados pelos estudantes, e, se isso acontecer, comente. Ao ler os textos e ver as imagens, o estudante vai perceber que os artistas estão acostumados a lidar com a transdisciplinaridade em seu trabalho. O brasileiro Cildo Meireles, por exemplo, está sempre refetindo sobre nossa sociedade. Sua obra apresenta um conjunto de linguagens: instalação, vídeo e intervenções. Ele procura explicitar o que nem sempre enxergamos em nosso cotidiano. A atividade Mapa do Planeta abre espaço para o estudante expressar o que sabe sobre o planeta. A atividade deve funcionar como uma espécie de síntese do universo de cada aluno. A escolha dos elementos que entram nessa representação é uma forma de discurso imaginário e muito pessoal. De posse destes mapas, você pode

avaliar como os estudantes imaginam o planeta que habitamos. Essa introdução consolida o conceito de transdisciplinaridade e prepara o estudante para as variadas atividades que serão desenvolvidas durante o ano. Dá também o pontapé inicial para o trabalho que ele vai fazer em grupo, proposto no Projeto Planeta.

Sobre obras e autores Vincent van Gogh

Vincent van Gogh (1853-1890), pintor holandês de formação marcada pelo pensamento religioso, foi infuenciado pelas obras dos pintores franceses impressionistas, que conheceu por intermédio do irmão Theo van Gogh, que era marchand. Durante estadia em Paris, entre 1886 e 1887, sua pintura passou por transformações, deixando o realismo da obra Os comedores de batatas para se deter no valor simbólico das cores. Em suas palavras: “Em vez de tentar reproduzir exatamente o que tenho à frente dos meus olhos, uso a cor de modo mais arbitrário, a fm de me expressar com mais vigor”. Teve vida atormentada e suicidou-se aos 37 anos. Sua obra só foi valorizada anos após sua morte.

John Lennon Músico e compositor inglês, John Lennon (1940-1980) formou, juntamente com Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison, uma das bandas de rock mais conhecidas e infuentes do século XX, The Beatles. Em oito anos, a banda gravou 22 compactos (discos de vinil com duas ou quatro faixas) e treze álbuns, que marcaram fortemente uma geração de jovens. A parceria Lennon e McCartney produziu mais de 150 canções que se tornaram grandes sucessos. “Love me do” (1963), “Yesterday” (1965), “All you need is love” (1967) e “Let it be” (1970) são algumas delas. Em 1969, Lennon casou-se com a artista japonesa Yoko Ono. Depois

manual do professor • 187 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 187

6/23/15 6:34 PM


da dissolução da banda em 1970, seguiu carreira solo, na qual se destacaram os álbuns Imagine (1971) e Walls and bridges (1974). Foi assassinado em Nova York em 1980.

Yoko Ono

Tangolomango funciona em três etapas: primeiro, os grupos se conhecem; depois, reúnem-se para intercâmbio e troca de saberes; e, no momento fnal, apresentam para o público o resultado dessa experiência.

Yoko Ono (1933) é artista visual, compositora e cantora japonesa. Estudou canto e piano clássico no Japão. Sua obra, provocativa, caracteriza-se pelo pacifsmo e a introspecção. No fnal dos anos 1950, passou a realizar obras conceituais, entre as quais se destacam as performances Lightning piece (1955) e Painting to see the skies (1961) e participou do movimento vanguardista Fluxus, no início dos anos 1960. No fnal dessa década, Yoko Ono e John Lennon passaram a atuar juntos, e de forma política, em alguns trabalhos artísticos. Yoko Ono é uma das precursoras do rock experimental. Em 2009, lançou o álbum Between the sky and my head.

Thomas Hirschhorn

Andy Warhol

O fotógrafo paulista Cássio Vasconcelos (1965) trabalhou inicialmente com publicidade e para revistas e jornais de grande circulação na década de 1980. Começou a realizar projetos pessoais em 1983 e na década de 1990 iniciou experiências de manipulação de fotografas. Publicou livros como Panorâmicas (DBA, 2012), Aéreas (Terra Virgem Editora, 2010) e Noturnos São Paulo (2002). Ganhou vários prêmios como o Conrado Wessel de Arte (2011) e suas imagens fazem parte das principais coleções no Brasil, como Museu de Arte de São Paulo (Masp, São Paulo), e no exterior, na Biblioteca Nacional de Paris (França) e no Museum of Fine Arts (Houston, EUA).

Andy Warhol (1928-1987) – um dos principais expoentes da pop art norte-americana –, também produziu obras como artista gráfco e cineasta. Suas obras mais conhecidas talvez sejam os multicoloridos retratos de personalidades em serigrafa e as telas retratando as latas de sopa Campbell’s ou embalagens de Coca-Cola, valendo-se do mundo da publicidade. Montou estúdio em Nova York – The Factory –, onde reunia artistas e tinha um grupo de assistentes que produzia as matrizes e impressões de serigrafa. O método era rápido e impessoal e Andy escolhia apenas as imagens e as combinações de cores. Agenciou a banda de rock Velvet Underground e, como cineasta, dirigiu os flmes Sleep (1963), Empire (1964) e Chelsea Girls (1966).

Tangolomango Realizado pela produtora Mil e Uma Imagens, o festival latino-americano da diversidade cultural Tangolomango, que começou em 2002, tem como proposta promover a diversidade cultural e ocorre em diversas cidades brasileiras. Seus organizadores seguem uma metodologia que promove intercâmbios para a troca de experiências, culturas e linguagens. Cada edição do

O suíço Thomas Hirschhorn (1957) estudou desenho gráfco em Zurique e mudou-se para Paris, onde vive e trabalha. Integrou o coletivo de designers Graphus, que revolucionou as artes gráfcas, mostrando seu potencial de transformação social. Nas esculturas e instalações recentes, utilizou materiais comuns, como fta adesiva, fotocópias, papel-cartão e manequins, na representação de situações universais. Entre suas principais exposições, destacam-se: Jeu de Paume (Paris, 1994), Museu de Arte Moderna de Nova York (2001), Bienal Internacional de São Paulo (2007).

Cássio Vasconcelos

Família Vitalino Ednaldo Vitalino é neto do Mestre Vitalino (1909-1963), artista que viveu no Alto do Moura, em Caruaru. Ele, assim como outros descendentes do mestre, deu continuidade à produção artística do avô. As peças que o clã realiza no Alto do Moura retratam o cotidiano do homem sertanejo: Os imigrantes, Casamento no mato, Enterro na rede, Enterro no carro de boi, Boi transportando cana, A luta do homem com o Lobisomem, Boi transportando o vivo e o morto, Lampião e Maria Bonita.

188 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 188

6/23/15 6:34 PM


Stan’s Cafe

Nelson Leirner

Stan’s Cafe é uma companhia britânica formada por artistas de diferentes disciplinas, que se reuniram inicialmente como um grupo de teatro, trabalhando sobre a direção artística de James Yaker. Um de seus trabalhos interdisciplinares, Of all the people in all the world [De todas as pessoas em todo o mundo], é uma performance que proporciona refexões que podem contribuir para o entendimento das questões mais complexas do mundo contemporâneo. O diretor explica que a ideia surgiu porque o grupo queria identifcar quantas pessoas existem no mundo, não apenas saber que o número era 7 bilhões de habitantes. Então, eles pensaram em reunir 7 bilhões de objetos que pudessem ser observados.

O paulistano Nelson Leirner (1932) integrou o Grupo Rex, com Geraldo de Barros e Wesley Duke Lee, entre outros. Em 1966, realizou trabalhos importantes como Adoração, em que já deixava evidente um questionamento dos signos religiosos e culturais. Professor de várias gerações de artistas no curso universitário de Artes Plásticas, em São Paulo, Leirner tem como marca de seus trabalhos a ironia. Sabe como escolher objetos e relacioná-los de forma a criar novos contextos.

Michael Jackson O norte-americano Michael Jackson (1958-2009) foi cantor, compositor, dançarino, produtor musical e ator. Em 1968, ainda menino, participou do grupo The Jackson Five, montado pelo pai e composto pelos irmãos, que gravou discos pela renomada gravadora Motown. Em 1982, lançou o álbum Thriller, disco mais vendido de todos os tempos. Em parceria com Lionel Richie (1945), compôs a música “We Are the World”, em 1985, para um projeto visando arrecadar fundos para o combate à fome no continente africano. Jackson foi um dos principais responsáveis pela popularização da linguagem do videoclipe.

Giacomo Balla O artista italiano Giacomo Balla (1871-1958) foi um dos líderes do futurismo italiano e idealizador do Manifesto Técnico da Pintura Futurista. Balla pesquisou formas de representação do movimento na pintura em obras como Dinamismo de um cão em uma coleira (1912). Foi um dos precursores da arte abstrata. Reunindo interesses científcos, místicos e físicos com o poder emocional das cores, em 1912, produziu numa série geométrica que chamou de Interpenetração iridescente, uma espécie de estudo cromático, com o qual ele intencionava provocar sensações espirituais no espectador.

Cildo Meireles O carioca Cildo Meireles (1948) trabalha conceitualmente com fatos históricos e políticos. Um de seus trabalhos mais conhecidos são as Inserções em circuitos ideológicos (1969), em que o artista usou, como suporte para textos que dialogam com o público, objetos que normalmente circulam pela sociedade e atingem um grande número de pessoas. No Projeto Coca-Cola (1970), por exemplo, estampou nas garrafas de vidro retornáveis o texto “Yankees, go home”, e no Projeto Cédula (1970-1976), estampou sobre notas de dinheiro o questionamento sobre a morte na prisão do jornalista Vladimir Herzog durante o período militar.

Hora de aventura Criada pelo cartunista norte-americano Pendleton Ward, Hora de aventura é baseada na animação de curta-metragem Hora de aventura. É uma série norte-americana de desenho animado que estreou em 2010, no canal infantil Cartoon Network. Conta a história do humano Finn e do cão Jake, que atravessam a terra de Ooo enquanto se envolvem em aventuras fantásticas, ajudando quem precisa e salvando princesas em apuros. A série surpreendeu pela audiência em todo o mundo e até 2015 possuía seis temporadas exibidas. Hora de aventura ganhou o prêmio Annie Award duas vezes e o Prêmio Primetime Emmy.

manual do professor • 189 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 189

6/23/15 6:34 PM


CApítulo 1 – A repreSentAÇÃo DA nAtureZA Neste capítulo, a proposta é explorar a observação da natureza e também conhecer como, em diferentes períodos, o ser humano percebeu a natureza segundo diferentes perspectivas: a da civilização ocidental contemporânea, a dos colonizadores europeus do século XVI, a da ciência do século XVIII, a do grupo dos impressionistas do século XIX e, fnalmente, a dos grupos indígenas Ticuna e Kaxinauá. Iniciamos a aproximação do tema com a representação, experimentando formas de imaginar, descrever e retratar os elementos naturais. As primeiras imagens colocam o estudante em contato com formas variadas de representação da natureza e artistas que a tematizaram. Em seguida, propõe-se um debate sobre os diferentes olhares acerca da natureza e uma sugestão de pesquisa sobre parques, jardins e espécies botânicas. Então, na seção Teoria e Técnica, é apresentado o tema luz e sombra, fundamental nas práticas de pintura.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado da Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

Sobre obras e autores

Hélio Melo Hélio Holanda Melo (1926-2001) foi pintor, instrumentista e escritor acreano. Viveu dos 12 aos 41 anos num seringal. De formação autodidata, tocava violão, cavaquinho e violino. Escreveu livros sobre lendas e histórias reais da cultura amazônica. Nas últimas duas décadas de sua vida, dedicou-se profssionalmente à pintura, quando morava no Rio de Janeiro.

Andy Goldsworthy O inglês Andy Goldsworthy (1956) é escultor e fotógrafo. Desde o fnal dos anos 1970, dedicou-se a produzir obras com elementos dispersos na natureza (pedra, argila, folhas, gelo, etc.). O artista realiza com as mãos intervenções de curta duração e pela fotografa mantém o registro. Procura assim dar forma a esses elementos estabelecendo relações com o ambiente.

Beatriz Milhazes A artista carioca Beatriz Milhazes (1960) problematizou em sua pintura a relação entre fgura e fundo, entre representação e ornamentalismo, com o uso luminoso das cores. Em muitas de suas imagens, trabalha motivos circulares, por meio de colagens. Prepara as imagens sobre plástico transparente e depois as transfere por decalque para a tela, com ou sem retoque posterior.

Claude Monet

Sebastião Salgado

O pintor impressionista francês Claude Monet (1840-1926) teve especial interesse pela pintura de paisagens, que praticava ao ar livre. Procurou compreender as teorias a respeito dos fenômenos da luz e aplicou-as em suas obras. Durante a década de 1890, fez 15 séries de pinturas, cada uma sobre um determinado tema (montes de feno no campo, catedral gótica de Rouen, o nascer do sol, por exemplo), sempre a partir do mesmo ângulo e sob diferentes condições de luz e de clima. As séries completas foram apresentadas em exposições na época, mas os quadros foram vendidos separadamente e hoje encontram-se espalhados pelo mundo.

O fotógrafo mineiro Sebastião Salgado (1944) é economista por formação. Começou a trabalhar com fotografa em 1973, trabalhando para agências internacionais, cobrindo acontecimentos mundiais. Após um período, dedicou-se a grandes projetos pessoais, onde documentou, por exemplo, processos de migração no mundo, para o projeto Êxodos, as péssimas condições dos trabalhadores, para o projeto Trabalhadores, e os lugares menos tocados pelo homem, para o projeto Gênesis. As imagens produzidas por Salgado, em preto e branco, procuram evidenciar difculdades de sobrevivência e a opressões sofridas por diversos grupos humanos no mundo.

190 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 190

6/23/15 6:34 PM


Aborígenes australianos O povo Yolngu usou a arte em suas diferentes expressões – música, dança, pintura e escultura – para manter sua história social e a intrincada relação entre seus mitos e o meio ambiente. O Museu de Arte Contemporânea de Sydney, na Austrália, possui em seu acervo uma coleção de pinturas desse povo que estão agrupadas pelos aspectos ambientais em seis seções: mangues, praias, oceanos, lagos, planícies, e forestas e selvas.

Pipilotti Risk Pipilotti Risk (1962) é musicista e videoartista suíça. Ficou conhecida internacionalmente no fm dos anos 1980, quando integrou a banda musical e performática Les Reines Prochaines. A artista produz videoinstalações associadas a outras linguagens (escultura, música, poesia) com temas existenciais (vida, morte, amizade, sexualidade).

• Na internet é possível conferir grande parte de seu trabalho de vídeo, imagem e som. Disponível em site: <www.pipilottirist.net>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Dino Geraldo Alexandre Desenhos de Dino Geraldo Alexandre estão no Livro das árvores, que faz parte do projeto A Natureza Segundo os Ticuna, um levantamento feito sobre a fora e a fauna da região amazônica. O livro serve como material didático para apoiar as aulas de Ciências e Educação Ambiental na formação de professores bilíngues. As ilustrações mostram a intensa relação dos índios com as árvores da foresta, bem como o valor e o signifcado das várias espécies arbóreas para a sua sobrevivência.

Johann Moritz Rugendas Pintor, desenhista e gravador alemão, Rugendas (1802-1858) veio ao Brasil pela primeira vez em 1821, para documentar a expedição Langsdorf. Nessa ocasião, esteve em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Pernambuco e Bahia. Três anos depois deixou a expedição, mas permaneceu alguns meses fazendo retratos de pessoas, paisagens, fauna e fora. O resultado dessa viagem pode ser visto na obra Viagem pitoresca no Brasil, de 1828 – um dos mais importantes documentos iconográfcos a respeito do

Brasil no século XIX. Em 1845, retornou ao país pela segunda vez e esteve na capital, Rio de Janeiro, onde retratou membros da família real brasileira.

Albert Eckhout Albert Eckhout (1610-1666), pintor holandês, veio ao Brasil na comitiva de Maurício de Nassau em 1637 e permaneceu até 1644. Realizou cerca de 400 desenhos da fauna e da fora nativas e 21 pinturas a óleo, sendo nove de pessoas e 12 naturezas-mortas. Em 1654 as pinturas foram doadas por Maurício de Nassau a seu primo, o rei da Dinamarca, onde permanecem até hoje.

Johann Emanuel Pohl O austríaco Johann Emanuel Pohl (1782-1834) foi médico, geólogo e botânico. Esteve no Brasil com a Missão Austríaca de 1817 a 1822. Durante a missão, foi encarregado de pesquisar mineralogia e botânica. Posteriormente, explorou por quatro anos o interior do Brasil, passando por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Na Áustria, publicou Viagem no interior do Brasil e Ícones e descrições de plantas do Brasil.

Cleiber Pinheiro Sales Cleiber Pinheiro Sales é professor e pesquisador brasileiro. Atua como membro de um coletivo de pesquisadores-artistas do povo indígena Huni Kuin (Kaxinauá). Seu projeto procura preservar e valorizar as tradições desse povo, ameaçadas pela cultura seringalista. Por meio do desenho e da pintura, ele traduz visualmente seus cantos e danças. Algumas de suas produções foram reunidas no livro Nixi Pae, o espírito da foresta (2006), de autoria de Ibã Huni Kuin.

Alberto Guignard Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) teve uma infância tranquila. Após a morte do pai, sua mãe casou-se com um nobre alemão e a família mudou-se para a Europa. Lá, apesar dos desentendimentos com o padrasto, desfrutou de sólida formação artística. Em 1929, após a morte de sua mãe e de sua irmã, e depois de viver uma grande desilusão amorosa, voltou ao Brasil. Guignard fcou deslumbrado com as belas paisagens do Rio

manual do professor • 191 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 191

6/23/15 6:34 PM


de Janeiro e as cores tropicais. Suas pinturas dessa fase se caracterizam por um lirismo nacionalista. Guignard foi sempre muito solitário, morava em pensões e cultivava paixões platônicas. Em 1944, foi convidado para dirigir uma escola de arte em Belo Horizonte. Nos anos vividos em Minas Gerais, o artista produziu suas obras mais conhecidas: as Paisagens imaginárias de Minas. Toda uma geração de artistas brasileiros iniciou-se na arte com seus ensinamentos: Iberê Camargo, Waldemar Cordeiro, Ligia Clark, Amilcar de Castro e Farnese de Andrade, entre outros.

Giorgio Morandi O artista italiano Giorgio Morandi (1890-1964), depois de ter se interessado pelo cubismo, pelo futurismo e pela arte metafísica entre 1910 e o início de 1920, acabou se dedicando, durante toda sua carreira, principalmente ao tema da natureza-morta. Nesse gênero, no qual a fgura humana é propositalmente evitada, ele desenvolveu uma rica poética pessoal pesquisando possibilidades de representação de garrafas, latas e caixas.

Fala o Artista Peça aos estudantes que leiam o texto de Sebastião Salgado e observem o desenho, a pintura e a fotografa que representam a paisagem amazônica no capítulo. Sugira aos grupos uma refexão sobre a Amazônia. Um dos objetivos deste capítulo é chamar a atenção para o delicado ecossistema da região amazônica, responsável por um equilíbrio no regime de águas do planeta. Divida os estudantes em pequenos grupos para que conversem sobre essas questões. A seguir, os grupos devem apresentar suas conclusões.

pensando com a História Nesta seção, um breve texto mostra como o olhar europeu produziu um imaginário sobre o Brasil colonial e apresenta alguns artistas dos séculos XVII, XVIII e XIX.

Hora da troca Reserve metade de uma aula, em que os estudantes tenham acesso a computadores, para

realizar um levantamento a respeito de um jardim botânico. Se for possível visitar um parque ou jardim com variedades botânicas, opte pela visita. O contato com a natureza é fundamental para a vivência do que se discutiu neste capítulo. Após os levantamentos, solicite aos estudantes que montem um grande painel dos elementos naturais de sua região. Nos Reais Jardins Botânicos de Kew, em Londres (Inglaterra), há 40 mil espécies botânicas, originárias de diversas partes do planeta. Uma série de estufas construídas ao longo de quase três séculos reproduzem as condições climáticas desses lugares. No Palácio de Cristal, uma das mais belas estufas do parque, é possível ver a vegetação de forestas tropicais. O Instituto Inhotim (MG) abriga um extenso e rico jardim botânico com mais de 4 mil espécies, com especial ênfase na coleção de palmeiras. Há também um viveiro onde são cultivadas plantas de variados lugares do mundo.

Debate As primeiras representações artísticas da natureza brasileira foram feitas pelos indígenas. Mais tarde, artistas europeus realizaram pinturas, ilustrações científcas e anotações botânicas que seguiam os padrões de conhecimento europeu da época. Esse imaginário forjado no Velho Continente contribuiu sobremaneira para a formação de uma certa ideia de brasilidade. Outro fator que contribuiu para estabelecer a ponte entre os dois mundos foi a vinda da Missão Artística Francesa em 1816, a convite de dom João VI. Ela instalou no Rio de Janeiro o ensino da escola neoclássica, na Academia de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, que passou a se chamar Escola Nacional de Belas-Artes, após a Proclamação da República, infuenciando de maneira defnitiva as primeiras gerações de artistas brasileiros. Com o movimento modernista no início do século XX, ocorre a primeira infexão dessa visão europeizada. Houve preocupação em se investigar a cultura tradicional local, as manifestações populares (festas, músicas, comidas, etc.), indígenas e o passado colonial, a fm de refetir sobre o que seria uma arte nacional.

192 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 192

6/23/15 6:34 PM


A ideia desse Debate é mostrar ao estudante de que modo o olhar europeu infuenciou a arte brasileira nos primeiros séculos após a colonização. Pretende também apresentar como a diversidade da natureza brasileira ajudou na elaboração científca dos sistemas de classifcação das espécies no século XVIII. Além disso, visa a que os alunos compreendam como um artista indígena contemporâneo representa a foresta, na qual interagem seres vivos e seres míticos. Para aproximar essa refexão do cotidiano escolar, nas questões dessa seção Debate, pode-se pedir com antecedência que os estudantes tragam para a aula desenhos que representem elementos da natureza, feitos por eles durante o Ensino Fundamental I. Reunir esses trabalhos, conversar sobre como desenhavam com mais frequência e naturalidade e refetir sobre as intenções que motivaram as representações da natureza na primeira infância são estratégias que podem deixá-los mais à vontade em sua produção visual. Uma abordagem interessante para esse Debate é desfazer os julgamentos que os adolescentes têm em relação ao que é um bom ou um mau desenho, apontando que a elaboração técnica não signifca necessariamente uma qualidade da representação. Para ressaltar a importância do tema, seguem dois textos sobre as diferentes concepções de natureza:

Diferentes concepções de “natureza”

Muitas vezes somos levados a pensar que as sociedades indígenas que vivem nas forestas tropicais são povos isolados, intocados, e que vivem “em harmonia” com os seus ambientes. A difculdade em se compreender as concepções e as práticas indígenas relacionadas ao “mundo natural” e a tendência em aprisionar estes modos de vida extremamente complexos e elaborados na imagem idealizada de uma relação harmônica homem-natureza são exemplos de etnocentrismo. A visão dos índios como homens “naturais”, defensores inatos da natureza, deriva de uma concepção de natureza que é própria ao mundo ocidental moderno: a natureza como algo que

deve permanecer intocado, alheio à ação humana. Mas o que os povos indígenas têm a dizer sobre o assunto é bem diferente. As concepções indígenas de “natureza” variam bastante, pois cada povo tem um modo particular de conceber o meio ambiente e de compreender as relações que estabelece com ele. Porém, se algo parece comum a todos eles, é a ideia de que o “mundo natural” é antes de tudo uma ampla rede de inter-relações entre agentes, sejam eles humanos ou não humanos. Isto signifca dizer que os homens estão sempre interagindo com a “natureza” e que esta não é jamais intocada. Os yanomami, por exemplo, utilizam a palavra urihi para se referir à “terra-foresta”: entidade viva, dotada de um “sopro vital” e de um “princípio de fertilidade” de origem mítica. Urihi é habitada e animada por espíritos diversos, entre eles os espíritos dos pajés yanomami, também seus guardiões. A sobrevivência dos homens e a manutenção da vida em sociedade, no que diz respeito, por exemplo, à obtenção dos alimentos e a proteção contra doenças, depende das relações travadas com esses espíritos da foresta. Dessa maneira, a natureza, para os yanomami, é um cenário do qual não se separa a intervenção humana. Instituto Socioambiental. Índios e o meio ambiente. Diferentes concepções da natureza. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/c/no-brasil-atual/modosde-vida/indios-e-o-meio-ambiente>. Acesso em: 7 abr. 2015.

A ideia de natureza Um tema tão extenso como a contribuição dos viajantes não poderia ser proposto à discussão sem demarcação mais precisa. Outro partido adotado de início para enfrentar tão amplo universo de representações visuais foi restringi-las, na medida do possível, a uma seleção de obras que apontassem para a construção da ideia de natureza. Nas descrições do país encontrado tardiamente pelos europeus, não faltam ícones da “natureza” e é grande a frequência com que os viajantes observadores da quarta parte do mundo, ainda desconhecido, mencionam as “coisas da natureza” e se sentem atraídos pelos animais e vegetação estranha e exótica.

manual do professor • 193 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 193

6/23/15 6:34 PM


Como um sentido não se explicita sem o seu oposto, essa vertente naturalista, predominante, não pode induzir a enganos. Lembro que os processos simbólicos em uso no seiscentos não estão balizados por conteudos naturalistas. Vários exemplos atestam que a fguração de indígenas é valorizada por convenções clássicas emprestadas dos antigos e revelam a esperança de um Novo Mundo, pelo renascimento dos antigos nas imagens dos índios americanos. Trata-se, sobretudo, de crença nas formas de civilização e não em conteudos primordiais do universo. Ainda assim, não faltam idealizações da vida na foresta e do bom selvagem, em perfeita harmonia com o universo. No século XIX, as idealizações paradisíacas, visões da foresta frequentada pelo homem “natural”, são novamente revividas por artistas romanticos, em reedições dos mitos de origem. No curso de quatro séculos, a visão territorial e a paisagem impõem-se como representações privilegiadas. O assunto não se restringe a sua dimensão simbólica. O prestígio do tema natural se deve, principalmente, à reconstrução da ideia de natureza a partir do século XVI, através da arte e da ciência, quando tem início o projeto enciclopédico. Ao longo dos séculos XVII e XVIII, os viajantes buscam agrupar os seres da natureza, em ordens científcas de conhecimento do universo. O domínio natural é constituído com ajuda de um inventário de fguras recortadas dos três reinos naturais, desenhadas de modo a serem discernidas por suas formas matematicamente proporcionadas e passíveis de comparação, uma com a outra, num grande quadro cumulativo. A importancia que adquirem as informações sobre espécies naturais, território e paisagem pode ser estimada pela sua valorização artística, traduzindo-se em preceitos e cuidados na prática de desenhos sobre o tema, assim como na qualidade da impressão dos resultados obtidos em viagens exploratórias. Albuns que eram, sobretudo, evidências do poder das nações que patrocinavam as missões e possuíam conhecimento de recursos das terras americanas, ainda mal conhecidas. Atrás do interesse pelo assunto estava, sem duvida, o interesse econômico na exploração dos recursos da terra visitada. No campo das artes, notadamente da pintura, a representação da natureza fca sujeita a

demarcações de gênero, a poéticas, a técnicas e a outras convenções artísticas. O motivo impõe o modo e exclui outros tantos assuntos e maneiras. Desenhos e pinturas de costumes, retratos, pinturas históricas também praticados pelos artistas viajantes não seriam contemplados nos limites deste trabalho. Finalmente, o tema indissociável da experiência do viajante do século XIX é a paisagem. Com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, especialmente após a independência, chegam ao país artistas profssionais, diletantes com domínio do desenho. Ancoram no Rio de Janeiro passageiros de viagens turísticas pelo mundo. Possuem uma visão educada na estética do pitoresco e buscam desfrutar paisagens características. Mais do que a descrição naturalista, predominam entre eles a abordagem romantica do passeio pelos arredores e pelos jardins, a visão do homem “original” na foresta virgem ou a forte sensação da grandiosidade do universo. Não se pode, portanto, adotar um conceito a priori de paisagem. Seria melhor indagar o que o Brasil do século XIX pode dar a ver e quais modelos apreciativos teriam possibilitado o recorte do mundo sensível e a confguração daquilo a que se convencionou chamar paisagem. Em outras palavras, perguntar como é que determinados modos de apreciação dos europeus do século XIX se juntaram com estímulos da topografa, da geografa, da vegetação e da vida humana no Brasil, passando a tipifcar uma paisagem brasileira. BELLUZZO, Ana Maria. A propósito do Brasil dos viajantes. Revista USP, São Paulo (30): 8-19, jun./ago. 1996.

teoria e técnica O texto aborda pintura, técnica, diferenças entre tintas e a questão da luz e sombra, elemento fundamental na pintura. É através dos efeitos de luz e da sombra que é possível defnir os volumes dos objetos, os espaços e os climas da pintura. Aprender a ver as regiões de luz e sombra pode ajudar muito na representação de objetos e espaços. Para que os estudantes vivenciem o fenômeno da sombra, divida a sala em grupos de três e leve-os para o pátio num dia de sol. Peça a cada grupo que escolha objetos com formas

194 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 194

6/23/15 6:34 PM


interessantes e os coloquem sobre uma folha de cartolina branca. Oriente-os a desenhar o contorno da sombra projetada pelos objetos no papel. Se for possível, mantenha os objetos e os papéis no pátio e volte com a classe uma ou duas horas depois para observar a mudança da sombra. Peça então aos estudantes que desenhem novamente a sombra projetada para registrar a diferença. Essa experiência também pode ser feita em casa, anotando a variação da sombra ao longo de um dia inteiro de sol.

Atividades Pintura monocromática de uma natureza-morta Essa atividade envolve inicialmente um trabalho de organização, de arranjo, que já pode trazer uma conversa sobre beleza. Como organizar os objetos? O que pode ser belo, diferente, interessante? Depois vem a etapa do desenho, uma aproximação com os objetos. Deixe claro para os estudantes que o desenho é sempre uma tentativa! Nunca se sabe o que vai acontecer num desenho. E, nesse caso, é um aquecimento, um ensaio, um estudo, uma forma de sistematizar o olhar. Por último, vem a realização da pintura. Oriente os estudantes a trabalhar com massas de cor, atendo-se aos tons e não aos detalhes dos objetos.

Observar e representar uma paisagem Tudo é aprendizado num passeio pela natureza: olhar para as plantas com interesse, comparar as espécies, experimentar o contato com a grama, a sombra, os cheiros. Deixe os estudantes vivenciarem um pouco o lugar antes de começar o trabalho. Peça que escolham o que querem desenhar e escolham um lugar cômodo para sentar. Na pintura coletiva, veja o melhor lugar para os estudantes trabalharem com tinta. Verifque se há alguma torneira próxima para limpar o material após o uso.

para ampliar o conhecimento Sobre os artistas europeus no Brasil A exposição O Brasil dos viajantes, que aconteceu no Masp (São Paulo), em 1996, marcou as

pesquisas sobre esse tema. Um artigo na Revista USP, de junho/agosto de 1996, escrito por Ana Maria Belluzzo, pode ser acessado pela internet: “A propósito d’O Brasil dos viajantes”.

• Disponível em: <www.usp.br/revistausp/30/01beluzzo.pdf>. Acesso em: 1º jun. 2015.

Sobre o impressionismo Uma análise completa sobre o impressionismo realizada pelo renomado historiador da arte Meyer Schapiro foi lançada no Brasil em 2002. O livro Impressionismo: refexões e percepções foi produzido a partir de uma série de conferências, nas quais o autor aborda o trabalho dos artistas. O livro mostra e comenta obras de Monet, Manet, Degas, Renoir e Pissarro, entre outros:

• SCHAPIRO, Meyer. Impressionismo: refexões e percepções. São Paulo: Cosac Naify, 2002.

Sobre Hélio Mello No catálogo da 27ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo, Como viver junto, realizada em 2006, há um texto sobre Hélio Mello do curador colombiano José Roca: “O Acre cabe todo em uma só árvore”.

• ROCA, José. Catálogo da 27a Bienal de São Paulo: como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal, 2006. p. 128-131.

• Os catálogos da Bienal Internacional podem

ser consultados na internet. Disponíveis em: <http://issuu.com/bienal/docs/namec7f24>. Acesso em: 1º jun. 2015.

Atividades complementares A seguir, reunimos mais duas atividades para este capítulo. Veja qual atividade cabe melhor no seu planejamento. Se for possível, faça mais de uma delas com a turma.

Flores de papel O objetivo desta atividade é que os próprios estudantes inventem uma forma de fazer fores. Material: diferentes tipos de papel, fta adesiva, arame fno, cola, tinta guache. É bom lembrar que, para cada tipo de papel, há uma técnica apropriada. Se o papel for grosso e fácil de rasgar, é possível fazer flores

manual do professor • 195 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 195

6/23/15 6:34 PM


apenas amassando uns pedaços em forma de espiral e colando pedacinhos de fita adesiva em pontos estratégicos para fixar. O papel-jornal pode ser usado para cobrir pétalas feitas, previamente, de arame. A estrutura de arame deve ser feita antes de se colar o papel, que pode estar embebido em cola. O acabamento pode ser dado com uma mistura de cola e guache, que serve para colorir, fixar e proteger a flor. Para fazer flores de papel crepom é preciso cortar aproximadamente 3 centímetros do próprio rolo. Desenrola-se a tira e vai-se amassando o papel em espiral para formar a flor, usando uma fita adesiva para fixar embaixo. Podem-se usar duas tiras de papel crepom de cores diferentes para fazer uma única flor. Pode-se também recortar papelão para fazer pétalas. Antes da atividade, os estudantes podem fazer um levantamento sobre flores, para que tenham referência das formas. É fundamental que eles pensem na forma da flor a ser representada e escolham o tipo de material mais adequado. Monte uma exposição com todas as fores de papel. Os estudantes podem ajudar fazendo os arranjos sobre as carteiras. Quando a técnica é livre, como neste caso, podem surgir muitas soluções diferentes.

Estimule a troca de experiências sobre as técnicas, perguntando aos estudantes:

• Como você fez? • Como você fxou? • Por que escolheu esse papel e essa cor? Paisagem imaginária

Aproveite a ocasião para discutir as propriedades de cada trabalho.

Solicite aos estudantes que façam uma paisagem imaginária. Eles devem inventar um lugar ou pensar em um planeta do Sistema Solar. Pergunte: Como você imagina a natureza de Marte ou de Mercúrio? Eles podem usar lápis de cor e colagem de papéis coloridos para ajudar a representar a paisagem que imaginaram. Material: lápis 6B, lápis coloridos, canetas hidrográfcas, papéis coloridos, tesoura, cola. Essa atividade deve ser feita em sala de aula. A ideia é confrontar o real e o imaginário. Os estudantes devem ter total liberdade para representar seres exóticos, cidades imaginárias, paisagens insólitas. E devem usar a cor para reforçar essas singularidades. A sugestão de imaginar a natureza de outro planeta serve para simular a situação dos gravadores alemães dos séculos XVII, XVIII, que retratavam as cenas de um mundo desconhecido (Américas, por exemplo), apenas pela descrição de viajantes. É natural que os estudantes reproduzam na atividade o imaginário das histórias em quadrinhos, do cinema e dos desenhos animados.

• Quais são as fores maiores? • Quais são as que mais se parecem com fores

Avaliação dos resultados

• Quais são as formas mais abstratas, que ape-

Reúna os trabalhos e conversem sobre os resultados.

Avaliação dos resultados

reais?

nas sugerem a possibilidade de “ser fores”?

• Quanto à espécie, quais são as fores mais representadas?

• Quais são as mais originais? • Quais usaram arame? • Quais estão mais bem acabadas e provavelmente vão durar mais?

• Quais são frágeis como as fores reais?

• Qual é a paisagem mais exótica? • Alguma paisagem se assemelha a um sonho? • Que elementos foram usados nas paisagens para criar um ambiente de outro planeta?

• Quanto às cores, qual é a paisagem mais irreal? • Em que fontes cada um se inspirou para criar sua paisagem?

196 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 196

6/23/15 6:34 PM


CApítulo 2 – obJetoS pArA o Futuro Neste capítulo, a proposta é trabalhar com o tema do lixo. Apresentar a relação do lixo com design, descarte, reciclagem e reutilização e colocar em discussão a questão do consumo e suas consequências para o meio ambiente. Apresentamos esculturas, objetos da cultura popular, artesanato e designers que propõem uma relação mais consciente com a sustentabilidade do planeta. Vamos debater sobre o consumismo, tema que atinge o comportamento dos adolescentes de todas as classes sociais. Oferecemos uma sugestão de levantamento sobre arte popular e artesanato no Brasil. A seção Teoria e Técnica dá suporte à atividade prática para a reutilização de sucata e reciclagem de papel.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e apresentação de Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, resultado da Hora da Troca e Debate Aula 3: Teoria e Técnica, Atividade 1 e preparação do material para Atividade 2 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

Sobre obras e autores Pablo Picasso

O artista espanhol Pablo Picasso (1881-1973) foi aceito com 14 anos na Academia de Artes de Barcelona e era percebido como menino-prodígio. Em 1900, Picasso estabeleceu-se em Paris e no ano seguinte fez sua primeira exposição individual na cidade. A partir de 1905, retratou a vida boêmia e cenas circenses. Infuenciado pela arte de vanguarda francesa, em 1907 Picasso pintou Les demoiselles d’Avignon, considerado um marco na pintura cubista. Nos anos seguintes, num diálogo com o artista francês Georges Braque (1882-1963), desenvolveu o cubismo analítico e o cubismo sintético, realizando colagens, pinturas e esculturas. No início dos anos 1930, estreitou laços com artistas surrealistas. Em 1937, pintou o painel Guernica, no qual representa o bombardeio nazista à

cidade espanhola de Guernica. Foi um dos poucos artistas que permaneceu em Paris durante a Segunda Guerra, envolvendo-se nas campanhas pacifstas que ocorreram com o fnal do confito. Muito produtivo, deixou uma das obras mais numerosas espalhadas por museus e coleções particulares do mundo todo.

Lina Bo Bardi No início de sua carreira no Brasil, Lina Bo Bardi (1914-1992) montou o estúdio Palma, onde desenvolveu uma série de projetos de cadeiras. Trabalhou como arquiteta projetando espaços de cultura como o Museu de Arte de São Paulo (Masp), e o Sesc Pompeia, entre outros. Lina montou o Museu de Arte Popular em Salvador e fez uma grande exposição, em 1963, que chamou de Civilização do Nordeste. Foi a primeira iniciativa no sentido de valorizar o artista popular brasileiro como criador. Lina acreditava que o Brasil só encontraria seu lugar no mundo quando se voltasse para suas origens.

Gordon Matta-Clark Artista e arquiteto nova-iorquino, Gordon Matta-Clark (1943-1978), apesar dos poucos anos de produção, deixou um legado expressivo e infuente na arte contemporânea. Inventou o conceito de Anarquitetura, soma de anarquia e arquitetura, nos anos 1960. Foi visionário ao propor, em 1970, a construção de habitações com paredes de concreto feitas com materiais descartados pela sociedade. Realizou trabalhos em várias mídias: vídeo, intervenção e performance. Suas obras mais signifcativas são as incisões em construções abandonadas. Nesses trabalhos, o artista fez recortes em prédios, casas e galpões, abrindo novos espaços que criavam conexões entre os pavimentos, entre o interior e o exterior.

Stuart Haygarth Designer e escultor inglês, desde 2003 Stuart Haygarth (1966) trabalha com esculturas e iluminação. Estudou arte e design e cursou fotografa e design gráfco em Devon, no Reino Unido. Depois de se dedicar ao design gráfco por algum tempo,

manual do professor • 197 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 197

6/23/15 6:34 PM


passou gradualmente para o design de produto. Entre 2003 e 2006, Stuart produziu Sharp Project, com objetos confscados de passageiros de uma companhia aérea britânica. Em outro segmento, chamado de Tide Chandelier, de 2005, coletou detritos e objetos plásticos na praia de Dungeness, na Inglaterra.

Chris Jordan O foco do trabalho do fotógrafo californiano Chris Jordan (1953) está no desequilíbrio causado pelo consumismo desenfreado. Ele próprio defne seu trabalho como: “imagens de beleza intolerável”. Utiliza objetos e resíduos, como cartuchos de munição e bitucas de cigarros, para construir imagens. No documentário intitulado Midway (2012), Chris Jordan retrata sua experiência em uma ilha no oceano Pacífco, onde fotografou diversos flhotes de albatrozes mortos e seus corpos cheios de lixo plástico ou contaminados por outros detritos.

Rosângela Rennó Rosângela Rennó (1962), fotógrafa e artista visual mineira, estudou arquitetura na UFMG e artes plásticas na Escola Guignard. Começou seu trabalho de fotografa na década de 1980, dedicando-se a imagens de álbuns e arquivos fotográfcos de sua família, em vez de produzir novas fotos. Após sua mudança para o Rio de Janeiro, Rennó passou a trabalhar com centenas de negativos de retratos 3 × 4, recolhidos em estúdios populares da cidade. Entre outros projetos reuniu fotos e textos sobre fotografa de jornais e construiu o Arquivo Universal.

Getúlio Damado Getúlio Damado (1955) é artista visual e artesão mineiro. Começou com uma ofcina de concerto de panelas no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, de onde podia observar o trânsito do bonde. Sem experiência em desenho, montou seu primeiro modelo de bonde em escala, apenas com sucata, pregos e martelo. Com o tempo e a prática, tentou novas escalas, maiores e menores, sempre aproveitando materiais reciclados e passou a fazer carros, caminhões, casinhas, mobiliadas de boneca e bonecos.

Renato Imbroisi É tecelão e designer de artesanato. Desenvolve pesquisa, criação e produção de peças com grupos de artesãos da área têxtil em diferentes pontos do Brasil. Tecelagem manual, crochê, tricô, cestaria, renda, bordado e costura, com técnicas muitas vezes passadas de mãe para flha há gerações, renovam-se com a interferência do designer, sem perder o traço regional característico. Renato sugere a introdução de novas cores, formas e materiais, procurando encontrar o que cada artesão pode fazer de melhor. Seu objetivo é aumentar a qualidade da produção, tornando-a diferenciada, criativa, bem-acabada e, portanto, comercializável, gerando renda para esses grupos.

Robert Rauschenberg O norte-americano Robert Rauschenberg (1925-2008) estudou com o artista alemão Josef Albers. Durante viagem à Europa produziu uma série de pequenas colagens, assemblages feitas à mão e pequenas caixas cheias de elementos recolhidos, que exibiu em Roma e Florença. De volta a Nova York, Rauschenberg começou a criar esculturas e pinturas com material encontrado na rua e algumas obras conceituais. Em 1954, Rauschenberg criou o termo ‘Combinações’ para seus trabalhos, que integravam pintura e escultura e utilizavam objetos como animais empalhados, pedaços de móveis e sinais de rua. Na década de 1960 Rauschenberg iniciou o uso de serigrafa, uma forma de incorporar suas fotografas à pintura. Recebeu o Grande Prêmio de Pintura na Bienal de Veneza em 1964. Realizou uma série de trabalhos de coreografa, cenografa e performance. Em 1966 trabalhou em colaboração com engenheiros em projetos de arte e tecnologia.

Farnese de Andrade O escultor mineiro Farnese de Andrade (1926-1996) teve sua vida marcada por acontecimentos trágicos, como a morte de dois irmãos gêmeos em uma enchente antes de seu nascimento. Iniciou sua carreira como aluno do pintor Alberto da Veiga Guignard. Passou a realizar assemblages, ou montagens, no início dos anos 1960. Usando pedaços de madeira, oratórios, gamelas, fotografas,

198 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 198

6/23/15 6:34 PM


bonecas de louça, objetos marinhos e resina, Farnese realizou uma obra única e cheia de simbolismo.

Richard Hamilton Richard Hamilton (1922-2011) foi artista plástico inglês. Sua obra O que exatamente torna os lares de hoje tão diferentes (1956) é considerada uma das primeiras experiências da arte pop realizada na Inglaterra. Foi feita para exposição This Is Tomorrow (Isto é amanhã) (Whitechapel Art Galllery, Londres, 1956). Hamilton influenciou inúmeros artistas e muito contribuiu para a difusão da obra de Marcel Duchamp.

Andreas Gursky Andreas Gursky (1955) é artista visual e fotógrafo alemão. Seus primeiros trabalhos fotográfcos em pequeno formato relacionavam o homem e o meio ambiente. A partir de 1988, passou a preferir as reproduções em grande formato. Entre os temas recorrentes, multidões, arquitetura, paisagens naturais e interiores. Gursky é o autor da foto mais cara já vendida, uma panorâmica do rio Reno, na Alemanha, intitulada Rhein II, que foi arrematada num leilão por 4,3 milhões de dólares. Em 2002, no Brasil, fotografou o Edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer e um dos símbolos de São Paulo.

Marcelo Masagão Marcelo Masagão (1958) é um cineasta paulista. Na década de 1980, antes de ingressar no campo cinematográfco, trabalhou na TV Cubo e na rádio Xilik. Seu primeiro longa-metragem foi Nós que aqui estamos, por vós esperamos (1999). O documentário recebeu 16 prêmios nacionais e internacionais. Em 2001, fundou o Festival do Minuto, uma mostra competitiva com produções cinematográfcas de no máximo um minuto.

Satorilab Satorilab é um laboratório de Design Experimental criado em 2007 pelos designers argentinos Alejandro Sarmiento e Luján Cambariere. Cerca de 170 brinquedos foram criados durante as ofcinas, entre 2007 e 2013. Participaram delas mais de oitocentos estudantes de arquitetura

e design da Argentina, Brasil, Chile e Colômbia. Os brinquedos foram feitos com resíduos industriais de grandes fabricantes de roupas e cosméticos e reunidos numa mostra, a Satorilab – A infância em jogo, onde vemos embalagens de cosméticos transformadas em robôs, mariposas feitas com lentes de um par de óculos escuros, ou uma nave espacial feita a partir dos restos da fabricação de um tênis. Os brinquedos foram testados e aprovados por um júri composto de crianças.

Fala a Artista Peça aos estudantes que leiam o texto de Rosângela Rennó e observem os objetos propostos por ela nos dois projetos: Menos-valia (2010) e A última foto (2006). Sugira aos grupos uma refexão sobre novas tecnologias e memória. Um dos objetivos deste capítulo é chamar a atenção para o aumento da vida útil dos objetos de consumo em nossas vidas. O que fazer para preservar objetos antigos em funcionamento? Rosângela Rennó mostrou ser possível obter bons resultados com ações de recuperação destes objetos descartados. Divida os estudantes em pequenos grupos para conversarem rapidamente sobre essas questões. Se for possível, os estudantes podem pesquisar na internet outros dípticos do projeto A última foto no site da artista. Disponível em: <www.rosangelarenno.com.br/obras/exibir/ 21/1>. Acesso em: 28 maio 2015. Depois os grupos apresentam suas conclusões.

pensando com a História Nesta seção, um breve texto aborda o conceito de assemblage e apresenta a obra de artistas que, no século XX, extrapolaram a pintura agregando objetos tridimensionais aos seus trabalhos, como o norte-americano Robert Rauschenberg e o mineiro Farnese de Andrade.

Hora da troca Se houver possibilidade de visitar um museu ou uma ofcina de artesanato em sua região, dê prioridade para o contato direto com os objetos. Na primeira aula, apresente a proposta de

manual do professor • 199 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 199

6/23/15 6:34 PM


levantamento, de modo que os estudantes tenham tempo de descobrir artistas e artesãos em sua cidade. • Se for preciso, pode-se entrar no site do Museu do Pontal, onde há muitos objetos no acervo digital. A busca pode ser por região, por temas (incluindo festas e religiões) e pelos nomes dos artistas. Nessa busca, verifque quem são os artistas de sua região presentes no acervo do museu. Disponível em: <www.museucasadopontal.com.br>. Acesso em: 2 jun. 2015. • No site de A Casa – Museu do Objeto Brasileiro, pode-se conhecer a coleção de objetos do acervo e encontrar links para artesãos e designers de várias regiões. O estudante pode conhecer a cestaria Baniwa, confeccionada com fbra de arumã, no rio Negro na Amazônia, cerâmica feita no Vale do Jequitinhonha, ou as luminárias de lã feitas por artesãs em Pedras Altas, no Rio Grande do Sul, entre muitos outros itens. Disponível em: <www.acasa.org.br/>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Debate Consumismo – o tema proposto para este Debate – permeia o comportamento de adolescentes de todas as classes sociais. O consumo estimulado pela indústria e pela publicidade veiculada nos meios de comunicação pode ser nocivo, se não houver consciência no ato da escolha. Algumas das consequências do consumismo são a ilusão de que determinados produtos trazem consigo algum tipo de felicidade intrínseca e a produção de grande quantidade de lixo no meio ambiente. A ideia deste Debate é promover a conscientização e o posicionamento crítico dos estudantes a respeito do tema. A seguir, para apoiar as discussões, apresentamos o texto de Francisco Fernandes Ladeira, que apresenta uma refexão sobre o consumismo. O texto foi escrito no Natal de 2014, para o site Observatório de Imprensa, na edição 830.

reflexões sobre o consumismo Nesta época do ano, em que comprar compulsivamente é a principal preocupação de boa parte da população, é imprescindível refetirmos

sobre a importancia da mídia na propagação de determinados comportamentos que induzem ao consumismo exacerbado. No clássico livro O capital, Karl Marx apontava que no capitalismo os bens materiais, ao serem fetichizados, passam a assumir qualidades que vão além da mera materialidade. As coisas são personifcadas e as pessoas são coisifcadas. Em outros termos, um automóvel de luxo, uma mansão em um bairro nobre ou ostentar objetos de determinadas marcas famosas são alguns dos fatores que conferem maior valorização e visibilidade social a um indivíduo. Lembrando um poema de Drummond, na sociedade de consumo a essência do “eu” está intrinsicamente associada à “etiqueta” que o sujeito usa. Nesse sentido, como bem afrmou o sociólogo Herbert Marcuse, o papel da publicidade é propagar hábitos e valores consumistas, fomentando assim “falsas necessidades” e desejos ilusórios na população em geral. Segundo a Constituição Federal, as redes de televisão, que são concessões publicas, teriam como principal função a difusão da cultura nacional para o grande publico. Entretanto, ao contrário do recomendado pela nossa Carta Magna, as emissoras comerciais brasileiras estão exclusivamente a serviço de seus poderosos anunciantes, concebendo os telespectadores apenas como bons consumidores em potencial. Praticamente toda a programação, direta ou indiretamente, é voltada para vender determinados produtos. Durante os intervalos comerciais dos programas infantis, a persuasiva publicidade feita para crianças garante que desde a mais tenra idade os brasileiros introjetem hábitos inerentes à sociedade de consumo. Ou seja: “Você vale pelo que você possui, não pelo que você realmente é.” Ter várias bonecas Barbies ou se tornar uma princesa da Disney é o sonho de toda menina. Para os meninos, os videogames de ultima geração e outros tipos de jogos eletrônicos. É o processo de socialização para o mercado. Já os adolescentes formam o publico mais vulnerável à propaganda. Em uma fase da vida em que a adesão ao grupo é mais importante do que a afrmação da individualidade, a publicidade oferece aos jovens a ilusória possibilidade de aceitabilidade social ao envergar a roupa da moda ou utilizar um tênis de marca. Lembrando as ideias de Zygmunt Bauman, o consumismo

200 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 200

6/23/15 6:34 PM


dos dias hodiernos é uma “festa” onde todos são convidados, pois praticamente toda a população está exposta aos mecanismos persuasivos da publicidade, mas poucos podem efetivamente entrar. Sendo assim, a tentativa de jovens negros da periferia em participar da “festa do consumo”, ao frequentarem shopping centers em bairros nobres, como foi o caso do famoso “rolezinho”, causa grande mal-estar para as elites econômicas. Em situações mais radicais, o grande desejo por consumo faz com que muitos jovens ingressem no mundo do crime. Se em outras épocas a ansiedade de suprir necessidades básicas como alimentação e abrigo levava indivíduos às atitudes mais radicais e a atividades ilícitas, em nossa sociedade de consumidores o desejo de suprir “necessidades sociais” (um celular ultramoderno, o melhor vestuário, frequentar os lugares da moda) parece ser o principal motivo que leva adolescentes para a criminalidade. [.] Por outro lado, é importante salientar que o consumismo pode causar danos ambientais e sociais irreversíveis. É consenso entre a comunidade científca mundial que o nosso planeta não possui recursos sufcientes para sustentar a crescente demanda por matéria-prima. Não obstante, atrelar o bem-estar individual ao poder de compra faz com que o indivíduo deposite toda a sua esperança de felicidade em mecanismos alheios ao seu controle, fato que pode vir a trazer graves transtornos psicológicos, pois é praticamente impossível seguir todos os modismos impostos pelo mercado. Já o Natal, festa criada pelos cristãos para substituir antigos rituais pagãos relacionados ao solstício de inverno, ao invés de promover a solidariedade entre os povos, transformou-se na maior celebração do consumismo mundial. É o sistema capitalista com sua grande capacidade de mercantilizar todas as esferas da existência. LADEIRA, Francisco Fernandes. Refexões sobre o consumismo. Disponível em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/news/ view/_ed830_refexoes_sobre_o_consumismo>. Acesso em: 28 maio 2015.

teoria e técnica O texto aborda o conceito de reciclagem, diferenciando-a quando realizada pela indústria ou pelo artesanato. Há ainda um roteiro para o trabalho com sucata orientando o estudante a

juntar, armazenar e selecionar o material antes de executar a atividade proposta.

escultura – orientações especiais

Para os estudantes do 8º ano talvez não seja novidade fazer trabalhos com potes de iogurte. É provável que muitos façam isso desde os primeiros anos de sua vida escolar e podem associar a escultura de sucata a atividades infantis. Procure mostrar a eles que, dessa vez, o objetivo e a abordagem são diferentes. Eles devem olhar para esses objetos e fcar atentos à forma, pensando em construir estruturas que privilegiem os aspectos estéticos ou sonoros do material. Uma das alternativas é a busca por itens interessantes e inusitados, como objetos quebrados (brinquedos, bolsas, guarda-chuvas, cabides, pés de cadeira, por exemplo). O maior desafo dessa atividade é juntar essas coisas e transformá-las em um objeto único. Neste momento, procure valorizar e desenvolver habilidades psicomotoras que ajudem os estudantes a usar adequadamente uma ferramenta, a obter um bom encaixe entre duas peças ou objetos, ou a ver um objeto de um jeito novo. São habilidades que podem ser úteis mais tarde. Por causa dos computadores, videogames e outros dispositivos eletrônicos, muitos estudantes têm pouco contato com esse tipo de situação. Apresente situações que permitem estimular mais a criatividade.

Atividades

Escultura de sucata Essa atividade envolve inicialmente um trabalho de observação sobre o consumo em cada família.

• O que pode ser colecionado? • Que tipo de sucata pode ser utilizada numa escultura?

A seguir, começa a etapa de negociação e experimentação com os colegas. Deixe claro para os estudantes que não é preciso usar todo o material que foi trazido para a escola. Ajude a pensar em soluções construtivas. Com um preguinho pequeno e um martelo,

manual do professor • 201 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 201

6/23/15 6:34 PM


podem-se fazer furos nas peças de plástico e um pedacinho de arame fno pode servir para amarrar as peças. Encaixar pode ser uma solução simples. Usar ftas adesivas também pode ajudar. Mas use essa solução em último caso, pois ftas adesivas não são recicláveis e atrapalham o trabalho de seleção do lixo nas usinas. Oriente os estudantes a criar objetos interessantes do ponto de vista da forma. Sugira também uma pesquisa sonora com os materiais. Os objetos não precisam ser grandes ou estáveis, mas experimentais. Para serem interessantes, basta que nos façam pensar no lixo.

Papel machê Essa atividade pode exigir um pouco mais de atenção quanto aos procedimentos. No fnal, será gratifcante obter bons resultados na confecção de objetos e na vivência da transformação dos materiais. A possibilidade de transformar papel usado em uma tigela é muito interessante. Uma vez apreendida a técnica, o papel machê pode ser usado para fazer máscaras, bonecos e vários tipos de objetos.

para ampliar o conhecimento Sobre o conceito de arte popular No site do Museu do Pontal você vai encontrar uma seção de artigos com textos que discutem, entre outros temas, o conceito de arte popular. A seguir, indicamos dois bons exemplos, que põem em cheque a pertinência desse conceito, ao questionar se é possível classifcar a arte a partir de um critério socioeconômico: arte de elite e arte popular. • O texto de Angela Mascelani, “A Casa do Pontal e suas coleções de arte popular brasileira” (2012), propõe uma refexão sobre arte popular a partir da coleção do Museu do Pontal. Disponível em: <www.museucasadopontal.com. br/sites/default/files/artigos/pdf/Artigo% 201%20%20Angela%20Mascelani.pdf>. Acesso em: 1º jun. 2015. • O texto da historiadora carioca Martha Abreu, “Cultura popular, um conceito e várias histórias”, também de 2012, está disponível em: <www. museucasadopontal.com.br/sites/default/fles/

artigos/pdf/Artigo%203%20%20Martha%20 Abreu.pdf>. Acesso em: 1º jun. 2015.

Sobre a história do design Um livro do historiador brasileiro Rafael Cardoso aborda a imbricada história do design, que se desenrola a partir de questões econômicas, tecnológicas, ambientais e estéticas. Os capítulos abordam as questões no âmbito mundial e estudos de casos brasileiros. • CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo: Edgard Blücher, 2008.

Sobre Rosângela Rennó O projeto Menos-valia, de Rosângela Rennó, é apresentado e discutido em detalhes nesse livro, que tem textos da artista e de Moacir dos Anjos (“De lixo e poesia”), Lucia Capanema Alvares (“Valor de uso, valor de troca e ressignifcações”), Maria Angélica Melendi (“Modelos para armar”) e Cauauhtémoc Medina (“Mitologias e marteladas”). • RENNÓ, Rosângela. Menos. São Paulo: Edgard Blücher, 2008.

Atividades complementares A seguir, há duas atividades propostas para este capítulo. Veja qual delas cabe melhor no seu planejamento.

Papel artesanal Reciclar papel é uma forma de reduzir desperdícios e desmatamentos. O papel reciclado é feito de material já utilizado e, por essa razão, signifca menos árvores derrubadas. Para ser reutilizado, o papel precisa estar limpo, seco e separado do resto do lixo. O papel reciclado pode ser feito de forma artesanal, resultando em papéis diferentes e interessantes. Pode ter múltiplas aplicações e alguns artesãos o empregam em objetos, como luminárias, embalagens, fores e até tapetes e divisórias. O papel artesanal também pode ser obtido com fbras naturais trituradas e transformadas em pasta. As fbras mais utilizadas no Brasil são as de bagaço de cana, sisal, bananeira, bambu e as da palha de cereais, como trigo, aveia, arroz e milho.

202 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 202

6/23/15 6:34 PM


Material: papel velho picado (o suficiente para encher um balde grande); uma bacia retangular grande e funda para cada grupo; paninho; liquidificador (se tiver copo de metal, melhor); bastidor de madeira com tela de náilon esticada; bastidor de madeira; grampeador ou tachinhas para prender a tela no supor te; cola em pó CMC; pano de prato; jornais velhos; varal e prendedor; tanque com água. Rasgue o papel a ser reciclado em pedaços de aproximadamente 3 cm × 3 cm. Deixe-o de molho de um dia para o outro. Prepare os bastidores. Em um deles, é preciso esticar a tela. O outro servirá apenas de moldura. Bata no liquidifcador o papel que fcou de molho. Comece com 15 pedaços de papel para meio litro de água. Aos poucos, você será capaz de julgar quanto papel pode ser batido ao mesmo tempo. Cuidado: muito papel difculta o funcionamento do aparelho e as fbras não fcam bem trituradas. Em uma bacia, misture a massa liquefeita com o dobro de água e uma colher de sopa de cola em pó CMC (previamente diluída em meio copo de água) para cada balde de papel. Nesse momento você pode adicionar elementos para textura, como cascas de cebola, folhinhas, chá ou pétalas de fores.

Misture bem a massa com as mãos e, depois, mergulhe a moldura e o bastidor com tela juntos, movendo-os delicadamente para assegurar que

a massa se distribua por igual. A modura serve para deixar o papel com a borda reta. Deixe escorrer o excesso de água dos bastidores por cima da bacia.

Tire a moldura e coloque o bastidor, invertido (com a massa de papel voltada para baixo), em cima de um pano de prato, estendido sobre algumas folhas de jornal dobradas. Produção: Cintia Viana/Fotos: Sérgio Dotta Jr./The Next

Você também pode reciclar papel. É só seguir estes passos, que podem variar de acordo com a técnica utilizada.

Prense com cuidado um paninho sobre a massa de papel, para que seja absorvido o máximo de água. Levante o bastidor pelas bordas. A massa de papel vai fcar “colada” no pano. Embrulhe a massa, dobrando o pano sobre ela, e pendure-a no varal. O tempo de secagem pode variar de acordo com a umidade do dia (no mínimo doze horas). Descole com cuidado o papel seco do pano de prato. Para essa atividade é essencial ter um tanque e muita água por perto. Papéis com superfícies

manual do professor • 203 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 203

6/23/15 6:34 PM


brilhantes devem ser evitados. Atente para que clipes, grampos, adesivos e resíduos de cola do papel a ser usado sejam retirados. Um balde cheio de papel picado produz de 6 a 10 folhas de papel artesanal. Para fazer o bastidor, use uma moldura de madeira com espaço interno de cerca de 20 cm × 30 cm. Estique o náilon e prenda-o na moldura com um grampeador.

Avaliação dos resultados Depois de secos, coloque os papéis produzidos pela turma sobre uma mesa para que todos possam manuseá-los. Questione:

• Alguns fcaram grossos demais? • Quais os mais delicados? • O que foi feito de diferente para obter folhas mais fnas?

• Foi usada alguma substância para dar uma textura diferente?

• O que ocorreu quanto à cor? • Há predominância de algum material usado na massa?

• Os papéis parecem resistentes?

A textura dos materiais Quão variadas são as texturas dos materiais com que lidamos em nosso cotidiano? Nessa atividade, a proposta é investigar algumas texturas e fazer um inventário. Material: folha de papel manteiga A3, lápis 6B. Para obter texturas de materiais, deve-se usar a técnica da frottage. A palavra vem do francês e quer dizer ‘esfregar’. A técnica consiste em colocar uma folha de papel-manteiga sobre uma superfície com algum tipo de relevo e esfregar sobre ele um lápis com grafte mole, 6B, fazendo a textura aparecer no papel. Experimente a técnica em várias superfícies, como madeira, pedra, tecido de veludo, tapete, bandeja de isopor, superfície de um pneu, entre outros. Solicite aos estudantes que façam uma tabela com o nome do objeto na primeira coluna, o material de que ele é feito na segunda coluna, e na terceira ele deve colar o pedaço de papel-manteiga com a frottage da textura. Esta atividade vai estimular os estudantes a fcar atentos aos materiais usados nos objetos do cotidiano.

CApítulo 3 – luZ e Som Neste capítulo, a proposta é trabalhar com a luz, a cor, o som e a música instrumental, apresentando a relação entre arte e ciência. Vamos trabalhar os temas luz e som de forma introdutória. A proposta é mostrar que a arte se relaciona com a ciência e que emoção e racionalidade podem fazer parte do processo artístico. O capítulo serve como introdução para o estudo da música e aborda trabalhos artísticos que operam de forma híbrida com as duas linguagens, como os do grupo Chelpa Ferro. Apresentamos esculturas, máquinas, desenhos, espaços e artistas que compõem repertórios de experiências muito variadas e, muitas vezes, foram resultado de procedimentos investigativos, como os de pesquisadores e cientistas. Neste capítulo todas as seções foram duplicadas para propor dois percursos pedagógicos possíveis; um para o professor especialista em música e um para o professor especialista em

artes visuais. Apesar de ser questão aparentemente leve, há uma proposta de discussão sobre cor, que ajuda a refetir sobre escolhas, signifcados e convenções. Há também uma abordagem do conceito de paisagem sonora com o objetivo de ampliar a sensibilidade auditiva dos adolescentes. A seção Teoria e Técnica dá suporte às Atividades que propõem gravação de sons e trabalho com transparência.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e apresentação de Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado de Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica (sons) e Atividade 1 Aula 4: Teoria e Técnica (cores), Atividade 2 e Avaliação

204 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 204

6/23/15 6:34 PM


Sobre obras e autores Laslo Moholy-Nagy Laslo Moholy-Nagy (1895-1946) foi artista gráfco, fotógrafo e professor húngaro. Iniciou-se nas artes quando estava convalescendo de um ferimento ocorrido em combate na Primeira Guerra Mundial. Em uma exposição em Berlim, em 1923, apresentou seus primeiros objetos cinéticos. Eles chamaram atenção do arquiteto alemão Walter Gropius, um dos fundadores da prestigiosa escola Bauhaus de design, arquitetura e arte moderna. Foi convidado para ser professor e dirigir o laboratório de trabalho em metal na Bauhaus.

Julio Le Parc O artista visual argentino Julio Le Parc (1928) formou-se na Escuela de Bellas Artes em Buenos Aires. Conheceu a arte concreta ainda adolescente. Fixou-se em Paris, onde foi cofundador do Groupe de Recherche d’Art Visuel (GRAV), em 1963. As obras dos artistas desse grupo propunham uma participação visual democrática e não elitista da arte. Muitos dos trabalhos de Julio Le Parc são interativos, frutos de pesquisas que ele desenvolveu a vida toda, voltando aos mesmos experimentos com soluções diferentes anos depois. Seu trabalho, apesar de extremamente sofsticado, utiliza materiais e técnicas simples.

Carlos Contente Carlos Contente (1977), artista visual carioca, ficou conhecido por repetir inúmeras vezes um carimbo/estêncil com a simplificação do próprio rosto. Em 2002, adotou o grafite e começou a aplicá-lo em diversas superfícies: telas, muros, papéis. Na exposição Contente tende ao infinito, que realizou em 2005 no Paço Imperial, Rio de Janeiro, o artista ocupou paredes e preencheu a sala com desenhos e carimbos.

Carlos Cruz-Diez O artista franco-venezuelano Carlos Cruz-Diez (1923) começou sua carreira na década de 1950, trabalhando com desenho gráfico. Mudou-se para a França em 1956, onde lecionou por mais de 20 anos na École Supérieure

des Beaux-Arts, em Paris. Participou de inúmeras exposições em seus 64 anos de carreira. Durante muitas décadas, Cruz-Diez procurou materiais e técnicas que possibilitassem conhecer melhor os efeitos da cor. Projetou e desenvolveu máquinas que pudessem cortar, dobrar e auxiliar na pintura do alumínio, com a precisão necessária para obter os efeitos que pretendia. Trabalhando como um cientista, ele obteve resultados estéticos que emocionam. Sua obra faz parte do acervo de museus por todo o mundo, entre eles o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, e a Tate Gallery, em Londres. Em 2014, realizou a exposição Black & White, na galeria Americas Society, em Nova York, EUA. Ganhou diversos prêmios na Venezuela, França e Argentina. • Para conhecer mais do trabalho do artista, visite seu site ofcial. Disponível em: <www. cruz-diez.com>. Acesso em: 1º abr. 2015.

Walter Smetak

O artista suíço-brasileiro Walter Smetak (1913-1984) foi músico, compositor e luthier. Especialista em violoncelo, veio ao Brasil em 1937 para trabalhar numa orquestra em Porto Alegre, mas, quando chegou, ela havia encerrado suas atividades. Passou algum tempo tocando em cassinos, na rádio, em orquestras, até receber o convite de Hans-Joachim Koellreuter para lecionar na Universidade Federal da Bahia, em Salvador. Na universidade, iniciou pesquisas sonoras e criou um laboratório, onde produziu cerca de 150 instrumentos a que chama de “plástica sonora”. Deixou dois discos gravados, três peças de teatro e cerca de trinta livros inéditos. Seus instrumentos encontram-se reunidos na Biblioteca Reitor Macedo Costa, no campus de Ondina (Salvador) da UFBA.

Chelpa Ferro O grupo Chelpa Ferro foi criado pelos artistas plásticos Barrão e Luiz Zerbini, o editor de imagens Sergio Mekler e o produtor musical Chico Neves, em 1995. Por duas décadas, o grupo tem desenvolvido pesquisas e trabalhos que exploram os limites entre a música e as artes plásticas. São considerados arqueólogos do som. Gravam

manual do professor • 205 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 205

6/23/15 6:34 PM


CD, fazem performances e criam instalações sonoras que já foram apresentadas em várias exposições no Brasil e no mundo.

Doug Aitken Doug Aitken (1968) é um artista multimídia californiano. Sua obra é versátil, pois inclui mídia impressa e escultura, fotografa e instalação, vídeo-arte e performance ao vivo. Já expôs seus flmes em minas de diamantes da África e em Bollywood (estúdios da maior indústria cinematográfca indiana). Suas instalações criam cenários onde tempo e espaço, imagem e som, memória e realidade virtual, são representadas. Em 2007, sua instalação Sleepwalkers no MoMA, em Nova York, transformou uma quadra da cidade numa experiência cinematográfca, com projeções nas paredes externas do museu. Entre seus diversos prêmios e condecorações está o Prêmio Internacional da Bienal de Veneza, em 1999.

Hermeto Pascoal Hermeto Pascoal (1936) é um músico, compositor e multi-instrumentista alagoano. Na década de 1950, mudou-se para o Recife, onde trabalhou na Rádio Tamandaré. A seguir, foi convidado pelo músico Sivuca a integrar o trio O Mundo Pegando Fogo. Depois de passar pelo Rio de Janeiro na década de 1960, foi para os Estados Unidos, onde gravou dois LPs, com Flora Purim e Airto Moreira, como arranjador, instrumentista e compositor. A carreira internacional ganhou forte repercussão e o artista foi convidado a participar várias vezes do festival de jazz de Montreaux, na Suíça. Atualmente, Hermeto Pascoal se apresenta com cinco diferentes formações: solo, com seu grupo, com Aline Morena, com a Big Band e com a Orquestra Sinfônica.

Paul Klee Foi artista plástico e professor suíço e viveu entre 1879 e 1940. Teve sólida formação como artista e músico. Em 1912, participou do grupo Der Blau Reiter [O Cavaleiro Azul], do qual o pintor russo Wassily Kandinsky também era membro. Em 1920, foi convidado a lecionar na Bauhaus, onde permaneceu até 1931. Klee dedicou-se especialmente ao desenho e à aquarela.

Além de toda a obra gráfca e pictórica, Klee publicou diversos artigos sobre arte e um diário com anotações de viagens e das aulas na Bauhaus.

Luigi Russolo O artista italiano Luigi Russolo (1885-1947) foi pintor, músico e pesquisador. Participou do movimento futurista contribuindo com propostas inovadoras para música. Sua pesquisa sonora foi inspirada pela Revolução Industrial e trouxe os ruídos da vida contemporânea para a música: ruídos dos carros, multidões, máquinas e motores. Além de desenvolver novos instrumentos musicais, publicou o tratado Manifesto L’arte dei rumori [Arte dos ruídos]. É considerado um dos pais da música eletrônica.

John Cage O norte-americano John Cage (1912-1992) foi músico, compositor e escritor. Deixou a universidade em 1932 e mudou-se para a Europa onde começou a pintar e compor. Mais tarde, de volta aos Estados Unidos, Cage trabalhou em parceria com a escritora Gertrude Stein, compondo músicas para o texto e o coro da tragédia Os persas, de Ésquilo. Mudou-se para Los Angeles, onde foi aluno do compositor austríaco de música erudita Arnold Schönberg, criador do revolucionário dodecafonismo. Fundou uma orquestra de percussão em 1938. Em 1951, reuniu 24 aparelhos de rádio ligados simultaneamente para a peça Paisagem imaginária n. 4. John Cage escreveu dois livros, Silêncio e Um ano desde segunda-feira, onde expõe suas concepções musicais. Seus livros causaram impacto na tradição musical.

Yves Klein Artista plástico norte-americano, Yves Klein (1928-1962), na década de 1950, exibiu grandes telas de uma única cor e fcou conhecido por um tom forte de azul, o International Klein Blue (IKB). Em 1958, causou grande escândalo exibindo uma galeria vazia com as paredes pintadas de branco, que chamou de The Void [O vácuo]. Klein foi muito criticado, mas teve grande infuência na arte conceitual desde então.

206 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 206

6/23/15 6:34 PM


Anish Kapoor O artista plástico indiano radicado na Inglaterra Anish Kapoor (1954) notabilizou-se por produzir discussões e refexões sobre as percepções humanas. São esculturas marcadas pela forte presença da cor e por formas com capacidade de permear os sentidos. As dimensões podem variar de 10 centímetros a 10 metros de altura. No Brasil, o Centro Cultural Banco do Brasil promoveu exposições no Rio de Janeiro e em São Paulo, em 2006. O artista foi laureado, em 1991, com o Turner Prize. Tem trabalhos nos Estados Unidos e Inglaterra, entre outros. É dele a conhecida escultura Cloud gate [Portão das nuvens], em Chicago (EUA).

R. Murray Schafer O canadense R. Murray Schafer (1933) é músico, compositor e escritor de destaque em seu país e no mundo. Escreveu centenas de partituras musicais e dezenas de livros. Murray é ambientalista e um preocupado defensor da ecologia acústica. Concebeu o conceito de “paisagem sonora” e de “esquizofonia”, em que diferencia a produção de um som e sua reprodução por meio de equipamentos eletroacústicos.

Luiz Sacilotto Luiz Sacilotto (1924-2003) nasceu em Santo André, no estado de São Paulo, onde viveu e trabalhou toda a sua vida. Estudou em escola técnica e foi projetista de esquadrias metálicas. Em 1952, participou, com Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros, da Exposição Ruptura, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que marcou o início do movimento concretista brasileiro. Participou também da Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo, em 1956, e no Rio de Janeiro, em 1957. Expôs na Konkrete Kunst, exposição nacional de arte concreta, em Zurique, em 1960, organizada por Max Bill. Participou de várias edições da Bienal de Arte de São Paulo e da Bienal de Veneza, em 1952. Em seu trabalho sempre manteve grande rigor formal sem renunciar à sensibilidade.

Josef Albers Norte-americano nascido na Alemanha, Josef Albers (1888-1976) sempre pesquisou a relação

entre as cores e escreveu trabalhos com propostas pedagógicas para o ensino de teoria e prática das cores. Foi professor da escola alemã Bauhaus entre 1923 e 1933, e depois da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Lançou em 1963 o livro A interação das cores, que trata, por meio de experiências práticas, das infuências das cores vizinhas sobre determinada cor.

Fala o Artista Peça aos estudantes que leiam o texto de Cruz-Diez e observem seus trabalhos. Divida-os em pequenos grupos que conversem rapidamente sobre essas questões. Um dos objetivos deste capítulo é aproximar os estudantes de alguns temas científcos, por meio de vivências que estimulem sua curiosidade. Depois os grupos apresentam suas conclusões.

pensando com a História A cor e a pintura

Nessa seção, um breve texto aborda as experiências de dois artistas europeus que trouxeram novas formas de pensar e trabalhar com a cor: Claude Monet e Paul Klee. Muitos outros artistas pesquisaram e contribuíram com novas descobertas durante toda história, tais como Johann Wolfgang von Goethe, no século XVIII, e Johanes Itten e Josef Albers, que também foram professores da Bauhaus. Há uma atividade complementar neste manual para aprofundar as questões ligadas à teoria da cor. São propostas de trabalho com transparência, para experimentar o caminho de pesquisa de Paul Klee e Josef Albers.

Pesquisadores do som Nessa seção um texto aborda dois personagens e suas experiências sonoras que ampliaram a nossa compreensão sobre os conceitos de música e ruído. Tanto o italiano Luigi Russolo como o norte-americano John Cage trabalharam as questões ligadas ao som de forma experimental e interdisciplinar. Você pode comentar que a banda mineira Pato Fu lançou um disco inteiro gravado com instrumentos de brinquedo ou miniaturas. Também

manual do professor • 207 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 207

6/23/15 6:34 PM


foram utilizados instrumentos ligados à musicalização infantil como fauta, xilofone, kalimba e escaleta. O disco Música de brinquedo foi lançado em 2010.

Hora da troca Experiências com a cor Solicite aos estudantes que pesquisem o trabalho de Josef Albers e Luiz Sacilotto, que se debruçaram sobre o estudo da cor e suas relações. Estimule os estudantes a organizarem uma coleção de amostras de cores. Deixe que eles experimentem formas diferentes de organizá-las. No trabalho de comparar as amostras reside o aprendizado e o refnamento da sensibilidade para o uso de cores. Você pode também trazer papéis de embrulho colorido e compartilhar com a turma.

Debate O poder da cor Nesse debate, o objetivo é mostrar que há muito que estudar e aprender sobre as cores. E também revelar como, por trás de uma escolha às vezes intuitiva, há signifcados simbólicos, comerciais e até espirituais. Para a maior parte dos artistas visuais, a cor é um elemento fundamental, que precisa ser trabalhada com critério. A seguir, apresentamos um pequeno excerto do livro Cromofobia (2007), do artista escocês David Bachelor (1955), no qual faz refexões sobre a cor.

Cromofobia Quando refratou a luz branca através de um prisma de vidro e produziu um espectro cromático, Newton estava fazendo ciência. Mas quando dividiu o resultado em sete cores distintas, o que hoje chamamos as cores do arco-íris, ele estava fazendo outra coisa. Vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta: há algo de errado com a parte fnal dessa lista; logo ali não soa direito; confunde crianças e adultos. [.] Na verdade, sabe-se que Newton tinha um grande interesse pela musica, e que dividiu o espectro em sete cores com o intuito de estabelecer

uma correspondência com as sete notas da escala musical. Para Charles Blanc, fazia mais sentido dividir a paleta de Deus em seis cores, tal como fez o designer do logotipo da Apple, a espectral maçã mordida que me encara sempre que abro o computador para escrever. Essa maçã tem barras horizontais que começam em cian com o verde e terminam com o azul; quando Ellsworth Kelly produziu a série de pinturas intitulada Spectrum, ele usou treze barras verticais com um amarelo (diferente) em cada ponta. O arguto John Constable, por sua vez, muitas vezes, se limitou ao espectro de três cores: vermelho, branco e azul. Newton, tal como observou John Cage, pensou em se limitar a cinco cores; desde a Idade Média, a pintura tem representado o espectro ora em duas cores, ora em quatro, ora em mais cores. Para mim, as cores do arco-íris se esparramam continuamente pelas duas metades do espectro, mas entre elas se dá um salto abrupto, lá onde o amarelo encontra o verde. Embora o arco-íris seja um fenômeno natural universalmente observável e consistente, suas representações, tanto verbais como visuais, são bastante inconsistentes. Os arco-íris sempre são vistos através do prisma de uma cultura; são marcados pelos hábitos da linguagem ou pelas convenções da cultura. O espectro de Kelly e da Apple são altamente esquemáticos; reduzem uma vasta e indivisa gama analógica a seis ou treze unidades distintas. Essas unidades não são necessariamente nomeadas, mas se encontram isoladas umas das outras. Elas se referem a um sistema. Newton fez mais que nomear as cores do arco-íris; também pegou a barra de raios diferentemente refrangíveis e juntou as duas pontas. Ao fazê-lo, desenhou o primeiro círculo cromático, o primeiro diagrama de cor e de cores. Um diagrama brilhante conciso e de diversos modos, muito prático. Pelo menos uma versão posterior do círculo de Newton, mais simétrica e bem ordenada, tem sido imensamente util. Trata-se do círculo de seis cores baseado nas três primárias (vermelho, amarelo e azul), aquele que tem sido disseminado nas aulas de Arte Ocidente afora. É util para os pintores, ou pelo menos para alguns pintores, de quando em quando. Mas esse círculo

208 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 208

6/23/15 6:34 PM


em especial não é de grande utilidade para os impressores, nem para os que misturam suas cores por meio do tubo de raios cátodos, nem para os que operam as máquinas de misturar tintas das lojas de material de construção. As primárias dos impressores são o amarelo, o ciano, o magenta e o preto; as televisões misturam luz vermelha, verde e azul; o círculo de cores das tintas comerciais contém quatro primárias: vermelho, amarelo, azul e verde. Temos diferentes cores primárias para diferentes fins; diferentes cores primárias para diferentes tipos de pintura; cores primárias para mistura de tintas e para mistura de luz. BATCHELOR, David. Cromofobia. São Paulo: Senac, 2007. p. 112-114.

O problema da memória e do nome das cores O maior problema que temos com as cores é o da memória. Nossa memória visual é bem menor que nossa memória auditiva, por exemplo. Se ouvimos uma música duas vezes, já podemos sair por aí cantarolando a melodia. No caso das cores, é muito mais difícil repeti-las. Podemos até pensar que guardamos a cor na memória, mas, diante de três amostras com pequenas variações, surgem dúvidas. Essa difculdade de gravar as nuances é responsável pelo fato de enxergarmos quase 10 milhões de cores diferentes e existirem apenas umas poucas dezenas de nomes para elas. Isso aumenta as incertezas a respeito de uma cor. Por exemplo, se você pedir para toda a classe pensar num verde-limão, será que todos estarão pensando na mesma cor? Devemos pensar no verde da casca ou da polpa do limão? E de que tipo de limão? Isso sem falar que cada um de nós tem uma sensibilidade diferente para perceber as cores. A quantidade de células sensíveis a determinada cor pode causar defciências na visualização das cores, como ocorre com os indivíduos que chamamos de daltônicos. Para resolver esse tipo de confusão, foram criados as tabelas e os sistemas de cores, com um tipo de nomenclatura baseado na medição precisa da proporção de pigmentos ou do comprimento de onda da luz emitida. É o caso do Sistema

Munsell, utilizado como referência na nomenclatura de tintas profssionais. Josef Albers, que foi professor do estudo de cores na Bauhaus, recomendava aos estudantes que fzessem uma coleção de amostras. Com essa coleção, o estudante poderia aumentar seu repertório e se acostumar a perceber as pequenas diferenças entre os tons.

O problema da combinação das cores A cor traz uma questão permanente para artistas e estudantes: a harmonia. Assim como na música existe a harmonia de sons, os chamados acordes, muito já se discutiu sobre a existência de séries harmônicas na pintura. Será que um grupo de cores usadas juntas pode ser mais ou menos agradável à percepção humana? Artistas e cientistas como Leonardo da Vinci, Goethe e Munsell, entre outros, construíram modelos teóricos com o objetivo de pesquisar e sistematizar as combinações de cor. O Sistema Munsell tornou-se o mais utilizado e encontramos a classifcação proposta por ele nos tubos das tintas artísticas profssionais. Munsell foi um pintor que viveu no início do século XX e começou sua pesquisa porque estava preocupado com a harmonia das cores. Construiu um sólido em que cada cor tem três valores numéricos: um para matiz (variação de tons), um para luminosidade (variação de claros e escuros) e um para a cromaticidade (variação da pureza da cor). Depois criou também equivalências matemáticas para determinar as áreas proporcionais em que as cores deveriam ser usadas num trabalho e acabou escrevendo um manual com regras que partem do princípio de que as cores opostas se neutralizam, devendo ser usadas em quantidades iguais. Essas ideias, baseadas em padrões matemáticos, foram usadas pelos artistas racionalistas suíços Karl Gerstner e Richard Paul Lhoose, entre outros, para construir pinturas geometricamente harmônicas. Os estudos de Munsell sobre a cor foram tão importantes que até hoje existe uma fundação, onde cientistas continuam pesquisando, medindo e fornecendo amostras de cores e pigmentos para todo o mundo.

manual do professor • 209 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 209

6/23/15 6:34 PM


Entretanto, suas propostas harmônicas baseadas em padrões matemáticos foram abandonadas, pois não levavam em conta questões culturais, emocionais e simbólicas, tão importantes na criação de um trabalho artístico. Desse modo, a melhor resposta para os questionamentos dos estudantes sobre as combinações de cores é deixar claro que não existem regras. Cada combinação sugere efeitos diferentes, e por isso a experimentação é o melhor caminho para conhecer as possibilidades harmônicas.

O som da escola Nesse debate, o objetivo é mostrar que é possível expandir nossa capacidade auditiva, melhorando nossa percepção do som em nosso cotidiano. O conceito de paisagem sonora concebido por R. Murray Schafer orienta essa atividade. Encontrar palavras para nomear os sons, conceber imagens para relacionar aos sons, comparar sons, buscar formas de imitar e repetir o que ouvimos, todos esses procedimentos devem ser estimulados de forma cotidiana na vida escolar. A seguir, apresentamos algumas questões propostas no livro Educação sonora (2009), do artista canadense R. Murray Schafer, no qual ele sugere cem exercícios de refnamento da escuta.

Qual foi o som mais forte que você ouviu hoje? Qual foi o som mais bonito que você ouviu hoje? SCHAFER, Murray R. Educação sonora. São Paulo: Melhoramentos, 2009. p. 34, 35 e 39.

Sons experimentais Solicite aos estudantes que façam a atividade de sintetizar a paisagem sonora da rua em que moram, ou do bairro. Depois reserve metade de uma aula, em que os estudantes tenham acesso a computadores para ouvir música com eles. Ouvir e assistir às apresentações de Hermeto Pascoal é algo muito interessante e vai ajudá-los a se relacionar melhor com a diversidade da música brasileira. Há diversos sites com vídeos de suas apresentações, documentários e entrevistas.

teoria e técnica Característica das cores O texto apresenta os dois tipos de síntese de cores: a aditiva, que se dá com a síntese da luz, e a subtrativa, que se dá com sobreposição de tinta ou de superfícies transparentes como o papel de seda que será usado na Atividade 2.

Característica dos sons 11. Agora, ande por várias lojas, até que encontre a que tem o ambiente mais silencioso. Que tipo de loja é essa? Quantas lojas têm rádios ligados, ou tocam musica? Que outros tipos de sons podem ser ouvidos que são específcos de certos estabelecimentos? 12. Encontre um lugar em que as pessoas estejam subindo e descendo escadas. As que sobem fazem o mesmo som daquelas que descem? Qual som é mais forte? [.] 15. Aqui estão algumas questões rápidas para seu diário: Qual foi o primeiro som que você ouviu esta manhã, ao acordar? Qual foi o ultimo som que você ouviu ontem à noite, antes de dormir?

O texto aborda as quatro principais características dos sons (altura, duração, intensidade e timbre) e exemplifca como essas características são utilizadas pelo compositor ao criar um arranjo para uma música. A leitura do texto é subsídio para a atividade proposta. Para trabalhar com o texto As características dos sons há no CD de áudio que acompanha este livro uma faixa gravada com exemplos de cada uma destas variações. É fundamental que os estudantes ouçam a faixa no CD uma ou mais vezes. Na faixa “Altura, duração, intensidade e timbre”, do podcast presente no CD, ouviremos exemplos de sons graves e agudos, contínuos e descontínuos, fortes e fracos, abafados e estridentes. A escuta comparada desses pares de sons propiciará a compreensão dos conceitos expostos no livro.

210 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 210

6/23/15 6:34 PM


Atividades Mistura e círculo das cores Nessa atividade, o objetivo é fxar os conceitos da síntese subtrativa e a mistura das cores. O estudante deve construir o círculo com as cores feitas por ele mesmo e perceber as relações de vizinhança e de oposição entre as cores. Complemente a atividade explicando que as cores que ocupam lugares opostos no círculo são as que causam o efeito de maior contraste e são chamadas de cores complementares ou cores opostas. Não é preciso avaliar essa experiência, basta fcar atento ao rigor que cada estudante teve durante a execução da tarefa.

Gravando os sons Nessa atividade, o objetivo é sensibilizar o estudante por meio da audição, buscando fxar a noção das quatro características básicas do som: altura, duração, intensidade e timbre. Ao requisitar a gravação dos sons no ambiente escolar, o objetivo é colocar o estudante em uma postura ativa e analítica em relação aos sons que o cercam. A questão que relaciona sons e sentimentos busca justamente estimular a “escuta crítica” por parte do estudante. Aprender a ouvir, de certa forma, também é aprender a aprender.

para ampliar o conhecimento Sobre o estudo da cor

Um livro que pode ajudar muito no processo de ensino e aprendizagem da teoria da cor consiste no registro das atividades propostas por Josef Albers em seus cursos sobre o tema na Bauhaus e no Black Mountain College, na Universidade de Yale. O livro, fruto e refexo de sua atividade docente, propõe uma série de experiências para serem feitas predominantemente com amostras de papel colorido.

• ALBERS, Josef. A inteiração da cor. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009.

Sobre o estudo do som Os livros de R. Murray Schafer são uma contribuição importante para o ensino da linguagem

sonora. Alguns de seus livros foram traduzidos para o português. O mais completo é O ouvido pensante, em que o autor aborda a escuta, a composição, o conceito de paisagem sonora e o canto, além de destinar uma das partes para as questões pedagógicas.

• SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 2011.

Sobre Cruz-Diez O artista venezuelano Carlos Cruz-Diez realizou um trabalho de pesquisa coerente em toda sua obra. Num dos títulos da coleção Conversas, da editora Cosac Naify, há uma longa entrevista do artista com o crítico de arte Ariel Jiménez.

• JIMÉNEZ, Ariel. Carlos Cruz-Diez conversa com Ariel Jiménez. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

Atividades complementares A seguir, reunimos duas atividades propostas para este capítulo. Veja que atividade é mais adequada a seu planejamento.

Transparência e falsa transparência Nessa atividade, os estudantes devem experimentar os efeitos de transparência das cores. Material: duas folhas A4 brancas, duas folhas de papel de seda em cores diferentes, tesoura, cola de bastão, papel de três cores: azul, amarelo e verde. Os alunos vão experimentar os efeitos da transparência recortando quadrados de 8  cm  ×  8 cm de papéis de seda de cores claras (branco, amarelo, cor-de-rosa, azul-claro, verde-claro). Depois, vão experimentar sobrepor apenas partes deles, colocando sempre o mais claro por cima. Farão uma composição sobre uma folha branca, usando cola de bastão na borda dos papéis. Para produzir um efeito de falsa transparência usando papéis opacos avulsos, os alunos podem recortar dois quadrados iguais, um azul e um amarelo, de 8 cm × 8 cm e um, verde, de 4 cm  ×  4 cm. Devem sobrepor uma área de 4 cm × 4 cm do amarelo sobre o azul e

manual do professor • 211 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 211

6/23/15 6:34 PM


colar sobre a área de sobreposição o quadrado verde. O conjunto deve ser colado em outra folha. Por fm, os alunos devem observá-los de longe e conferir o resultado. Poderão experimentar outras formas de sobreposição com as mesmas cores e verifcar se o efeito de transparência também acontece. Nesse trabalho, para conseguir efeitos de transparência, é preciso deixar a folha mais clara por cima da mais escura. Os estudantes podem recortar quadrados de tamanhos diferentes e até mesmo usar outras formas, desde que façam sobreposições e experimentem a transparência do papel. Podem experimentar diversas combinações para escolher a melhor e colá-la na folha. Depois de entender como funciona a falsa transparência, os estudantes podem tentar fazer o efeito usando outras formas. Se quiser explorar mais essa atividade, você pode pedir a eles que experimentem fazer o efeito com outros papéis. No entanto, o efeito só funciona se a cor da transparência (a que vai ser usada sobre a área de sobreposição das duas primeiras) corresponder, em relação a luminosidade e cromaticidade, à cor resultante da sobreposição das duas primeiras.

Avaliação dos resultados Reúna as composições dos alunos e questione: • Em que composições a transparência está mais evidente? • Em quais delas foram usadas formas geométricas sobrepostas? • Que trabalhos apresentam imagens fgurativas?

Aquarela livre Se for possível trabalhar com aquarela, faça uma atividade agora com tinta transparente. Material: folha de papel cartonado A4 (Canson), aquarela de cores variadas, pincéis, copo com água, paninho, esponja. Os estudantes devem molhar com uma esponja uma folha de papel Canson A4, esfregando suavemente a esponja sobre toda superfície. Depois dão 3 pinceladas usando um pincel largo, cada uma de uma cor, deixando a tinta se expandir e se misturar. Em seguida, aguarda até a próxima pincelada e mancham, criando uma fusão entre as cores. Depois de algum tempo, questione os estudantes sobre o que seria preciso acrescentar na pintura para transformá-la em uma paisagem imaginária. O objetivo é levar os estudantes a perceber que no trabalho com o papel molhado as manchas se misturam livremente.

CApítulo 4 – mÚSICA Do munDo Nenhuma tradição musical é fechada em si mesma. Neste capítulo, o foco é explorar a mistura na arte musical. Vamos ver como ela aconteceu em diferentes lugares do mundo: no Brasil, na Nigéria, na Índia. E entender como essa característica da música favorece a troca de experiências e de infuências. No texto inicial, é lembrada a presença constante da música no cotidiano de todos os povos. No Painel, procurou-se evidenciar a diversidade. Em Fala o Artista, Ravi Shankar apresenta sua visão sobre a música como uma habilidade comunicativa, ampliando a noção dessa arte. Na seção Teoria e Técnica, apresenta-se a explicação de ritmo, melodia e harmonia.

É fundamental que os estudantes ouçam as faixas do CD de áudio uma ou mais vezes. A audição das faixas, vinculada à leitura do texto no livro, propiciará uma compreensão mais abrangente do conteúdo, além de desenvolver a percepção musical dos alunos.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado da Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

212 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 212

6/23/15 6:34 PM


Sobre obras e autores Tom Jobim Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994), carioca, foi maestro, compositor, arranjador e instrumentista. Infuenciado pelo samba e pela música clássica, foi um dos principais responsáveis pela internacionalização da bossa nova, estilo musical brasileiro cuja novidade essencial consistiu em inovações melódicas. Sua primeira canção a fcar conhecida foi “Teresa da praia” (1954). Trabalhou ao lado de Vinicius de Moraes, parceiro mais constante, em “Orfeu da Conceição” (1956) e “Chega de saudade” (1959), entre outros. Por meio da música também procurou expressar seu grande afeto pela cidade do Rio de Janeiro e era preocupado com a conservação do meio ambiente, quando ainda era incomum que os artistas tratassem do tema. Em muitas de suas músicas o maestro fala sobre a diversidade da fauna e fora brasileiras, em especial do canto dos pássaros. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a canção “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Essa versão da música está incluída no álbum Tom canta Vinicius, gravado ao vivo em 1990. Reparem na maneira de cantar e na dicção de Tom Jobim e Paula Morelenbaum.

Fela Kuti O músico nigeriano Fela Kuti (1938-1997) criou o gênero musical afrobeat. Em 1958, mudou-se para Londres (Inglaterra) para estudar medicina, mas acabou ingressando na faculdade de música e voltando à Nigéria após concluí-la. Durante a Guerra Civil nigeriana, Fela Kuti excursionou pelos Estados Unidos com sua banda, onde entrou em contato com o movimento Black Power. Durante toda a sua vida profssional, teve um papel importante na defesa dos direitos do povo nigeriano, o que despertou contrariedade às autoridades de seu país. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a música “Zombie”, composta e cantada por Fela Kuti. A versão original da

música foi gravada no álbum de mesmo nome, em 1976. Atente para o arranjo que propõe na primeira parte da música um “diálogo” entre o canto de Fela Kuti e o coro feminino. Na segunda parte, instrumental, Fela Kuti toca saxofone. Você pode perguntar aos alunos se eles sentiram vontade de dançar ao ouvi-la.

Ravi Shankar Ravi Shankar (1920-2012), instrumentista e compositor indiano, começou a interessar-se por música ainda criança, por infuência de seus pais. Escolheu o sitar como seu principal instrumento e com ele viajou pelo mundo tocando a música tradicional indiana. Seu intercâmbio com outras musicalidades foi constante. Foi considerado por George Harrison (1943-2001), guitarrista dos Beatles, como o “padrinho da música do mundo”.

Sepultura Banda brasileira de heavy metal, fundada pelos irmãos Max Cavalera e Igor Cavalera, de Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1984. Com um som pesado e letras em inglês, é uma das bandas brasileiras mais conhecidas no exterior.

Xavante Em 2007, o grupo indígena Xavante contava com aproximadamente 13 mil pessoas vivendo em terras descontínuas no leste do Mato Grosso, região Centro-Oeste do Brasil. Nesta região eles faziam expedições de caça ao pé da serra do Roncador. Esse grupo faz parte do grupo linguístico jê e tem uma visão de mundo dualista, para a qual a vida como sistema é formado por duas metades opostas e complementares. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a canção “Daprabá”, cantada pela tribo Xavante durante o ritual de furação das orelhas dos meninos. Observe as sílabas raízes, esses sons aspirados ‘Há’, ‘He’, ‘Ho’, ‘Hei’, que os Xavantes usam em seus cantos. Você pode pedir que os alunos fechem os olhos e imaginem como se estivessem presenciando o momento em que a música foi cantada.

manual do professor • 213 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 213

6/23/15 6:34 PM


Pixinguinha Pixinguinha, ou Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), foi um dos mais importantes músicos brasileiros. Sua vida coincide com um período fértil de nossa música, que fixou as bases do que viria a ser chamado música popular brasileira, ou MPB. Filho de um músico que promovia reuniões musicais em sua casa, Pixinguinha aprendeu a tocar cavaquinho com os irmãos, porém a flauta não demorou a se tornar seu instrumento preferido. Por volta dos 11 anos, compôs sua primeira música; aos 13, já estava gravando (o ano era 1911 e a gravação sonora era uma novidade); aos 15 anos, era um dos maiores flautistas brasileiros. Em 76 anos de vida, Pixinguinha compôs mais de mil músicas e participou de inúmeros conjuntos, como o Grupo Caxangá, com inspiração na música nordestina. Em 1922, tocando saxofone, liderou Os Oito Batutas, que se tornou o primeiro grupo brasileiro a excursionar pelo exterior.

Roberto Menescal Nascido em Vitória, no Espírito Santo, Roberto Menescal (1937) foi um dos criadores da bossa nova, ao lado de Nara Leão, Carlos Lyra, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Além de músico com diversas composições conhecidas, como “O barquinho”, “Nós e o mar” e “Rio”, entre outras, é produtor musical, tendo gerenciado novos grupos e muitos projetos musicais em sua duradoura carreira artística.

Fala o Artista Solicite aos estudantes que leiam o texto de Ravi Shankar e conversem sobre as questões propostas na seção. Sugira uma refexão sobre os limites dos gêneros musicais e a capacidade da música de sensibilizar as pessoas. Divida os estudantes em pequenos grupos para que conversem e, em seguida, os grupos devem apresentar suas conclusões.

• Você também pode explorar outras declarações no site do músico (em inglês). Disponível

em: <www.ravishankar.org/refections>. Acesso em: 2 jun. 2015.

pensando com a História Nessa seção, um breve texto conta como ocorreu a formação do gênero musical chorinho, no contexto da passagem do século XIX para o XX no Brasil, quais foram suas principais infuências, e introduz um de seus principais representantes, Pixinguinha.

Hora da troca A proposta é sensibilizar os estudantes para produções musicais que tiveram grande repercussão em tempos e lugares específcos, para que sejam capazes de reconhecer em seu entorno produções que sejam relevantes. Se possível, reserve metade de uma aula, em que os estudantes tenham acesso aos computadores, para que possam visitar o site do Museu Afro Brasil e ver as capas dos discos de Fela Kuti. Também é valioso assistir a alguns vídeos com importantes personalidades musicais ligadas à bossa nova, como o de Roberto Menescal, um dos principais compositores da primeira fase da bossa nova.

Debate Estimule os estudantes a emitir seu ponto de vista em relação à mistura na música. Evite que um ou dois estudantes dominem o debate e estimule os mais calados a expressar seus pontos de vista. Ao propor esse debate, o objetivo pedagógico é discutir a questão da mistura na música e fazer uma analogia com a miscigenação da sociedade brasileira. Conceitos como pureza podem ser abordados e questionados. A música necessita da interação para acontecer, interação entre sons e entre pessoas. Sons isolados são apenas ruídos. O que faz a música é a relação que se estabelece entre eles. Em relação à união de pessoas em torno da música, você pode mencionar o Carnaval de rua, em que bastam alguns poucos tambores

214 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 214

6/23/15 6:34 PM


soando para reunir uma multidão, que vibra em um mesmo ritmo. Para ressaltar a importância do tema segue um texto do antropólogo Hermano Vianna:

o Atlântico negro A novidade da batucada do Olodum, como a do jungle, não pode ser compreendida com base em argumentos musicais nacionalistas. Tanto que a totalidade de seus ritmos fcou conhecida como samba-reggae, um termo ostensivamente híbrido, entre o Brasil e o mundo, com um pé no nacional popular e outro no pop internacional. Mas é preciso deixar logo claro que os hibridismos inventados pelos tambores do Pelourinho, como também aqueles inventados nos samplers do drum’n’bass, não são produtos de uma globalização qualquer: os parceiros rítmicos do Olodum e de Roni Size se movem num ambiente preciso, aquele da diáspora negra, criada pelos escravos africanos, pelos africanos que escaparam da escravidão, e pelos seus descendentes. Paul Gilroy, sociólogo inglês, divulgou o termo que hoje é mais empregado por quem tenta refetir sobre a dinamica cultural dessa diáspora: Black Atlantic. Não é apenas um novo rótulo para um fenômeno antigo. É também uma nova maneira de entendê-lo. Até recentemente, a maioria dos estudos sobre “tradições negras” era prisioneira da ideia de “raízes”. Os pesquisadores tentavam encontrar no continente americano, e onde mais que comunidades negras se estabelecessem as “sobrevivências” de costumes de povos africanos, que seriam julgadas autênticas ou não a partir do grau de fidelidade com que a “origem” era preservada. O conceito Black Atlantic deixa de lado a procura da “raiz original” e cai no fluxo e refluxo intercontinental. Inspirado na desterritorialização deleuziana e na não linearidade da física contemporanea, Paul Gilroy defne o Black Atlantic como uma formação rizomática e fractal, colocando-se em luta contra a “trágica popularidade das

ideias sobre a integridade e a pureza das culturas”, e também contra aquilo que chama de absolutismo étnico. O rizoma – por exemplo, a grama – não tem uma raiz central, mas sim é alimentado por uma rede descentralizada de microrraízes. A musica afro-americana também não possui uma unica raiz fncada em algum descampado subsaariano, mas sim criou uma malha de tradições interconectadas de tantas maneiras, e com tantos curto-circuitos internos, que faz com que qualquer ritmo seja simultaneamente pai, flho, mãe, primo de todos os outros ritmos. Essa situação não é novidade. Desde que o primeiro navio negreiro saiu da Africa, o Black Atlantic se formou, violentamente. O antropólogo J. Lorand Matory, de Harvard, mostra em estudos – polêmicos, mas fascinantes (ver seu artigo sobre a identidade jeje, publicado no numero 5.1 da excelente revista Mana, do Museu Nacional) – conduzidos nas costas ocidentais e orientais do Atlantico, como é complicado falar de iorubás ou de jejes antes da escravidão. A moderna identidade iorubá, por exemplo, foi inventada não em um local preciso da Nigéria, mas no transito entre Lagos e Salvador, entre Ifé e Havana. Os ex-escravos que depois da libertação voltaram da América para a Africa, e os outros proto-iorubás que atravessaram o oceano várias vezes, foram fundamentais para a criação das identidades étnicas que são forças políticas e culturais na Africa de hoje. Assim como não é mais possível dizer se determinada musica, da maneira como ela é atualmente tocada na Africa, foi inventada no continente “negro” ou na América. A tarefa se torna ainda mais vã para o pop africano. As guitarras elétricas de Kinshasa, por exemplo, são herdeiras da rumba cubana dos anos 1940 e do zouk antilhano (na verdade, inventado em Paris) dos anos 1980. Todos os ritmos e todas as identidades estão conectadas. O Atlantico é a grande rede. VIANNA, Hermano. O Atlântico Negro. Folha de S.Paulo, São Paulo, 14 nov. 1999, Caderno Mais!, p. 3. Disponível em: <www1.folha. uol.com.br/fol/brasil500/dc_7_3.htm>. Acesso em: 4 jun. 2015.

manual do professor • 215 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 215

6/23/15 6:34 PM


teoria e técnica Caso toque algum instrumento, leve-o para sala nesta aula. Tente ilustrar os conceitos de ritmo, harmonia e melodia de forma prática, tocando e cantando. Caso você não toque, peça a algum estudante que toque violão, por exemplo, para levar o instrumento para a sala de aula e encoraje-o a tocar e cantar uma canção. Reproduza em sala o podcast “Ritmo, harmonia e melodia”, que cristaliza os conceitos trabalhados. No podcast, ouviremos separadamente, no arranjo de um baião, os instrumentos que marcam o ritmo, produzem a harmonia e a melodia desta música. Propiciar esta escuta direcionada facilitará o processo de entendimento dos alunos acerca desses conceitos, abordados no Capítulo 4. No podcast “O pulso da música”, presente no CD, ouviremos um trecho da música “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga, com o pulso musical marcado. A escuta dessa faixa permitirá a melhor compreensão desse conceito.

Música e musicalidade – Orientações específcas É fundamental que, além de ler os textos e ver as imagens, os estudantes tenham a oportunidade de ouvir as músicas apresentadas, para analisar as diferenças e as semelhanças entre elas. Trabalhando com este capítulo, os estudantes certamente se interessarão em compartilhar suas paixões musicais em classe. Promova a audição coletiva de sons trazidos pelos estudantes. Outro objetivo do estudo de música é criar uma oportunidade para os estudantes trazerem para a escola os saberes de sua comunidade. Nesse sentido, verifque se há na classe estudantes que toquem instrumentos e organize uma apresentação. Tente identifcar as seguintes possibilidades: um estudante que saiba tocar violão pode apresentar um samba; um estudante que toque guitarra ou baixo elétrico pode apresentar o instrumento aos colegas, suas possibilidades musicais e os principais acordes do rock; um

estudante que toque fauta pode explicar qual a diferença entre melodia e ritmo; um estudante que toque pandeiro ou qualquer outro instrumento de percussão pode demonstrar a diferença entre duas batidas diferentes. A apresentação de sons com a voz, a boca ou as mãos, sem a necessidade do domínio de instrumentos musicais ou de instrução musical formal constitui ainda uma das possibilidades do capítulo. Frise para os estudantes que os primeiros passos para a música são desenvolver a audição, fcar atento aos sons mais sutis, ao silêncio e aos diferentes sons produzidos pelos instrumentos.

Atividades O ritmo e os sons do corpo Esta atividade relaciona corpo e música. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz “Andando pela África”, música executada por meio de percussão corporal. Interpretada pelo grupo Barbatuques, essa faixa servirá para inspirar os alunos na realização da atividade. Depois da audição do podcast solicite que todos fquem em pé, dispostos em círculo. Peça que relaxem ombros, braços, abdome e pernas. Estale os dedos em um ritmo constante e peça que todos façam o mesmo. Depois desse aquecimento, solicite aos estudantes que se reúnam em grupos de quatro pessoas e comecem a atividade. Será muito importante que os estudantes estejam relaxados e descontraídos para um melhor resultado. Desafe-os a buscarem sons não óbvios a partir do corpo. Estimule os mais tímidos a participarem ativamente. Sorrisos e brincadeiras podem ajudar. O corpo é o bem mais precioso que possuímos e precisamos aprender a aceitá-lo sem restrições.

Identidade Deixe os estudantes à vontade para essa atividade. Cada um terá liberdade para escolher uma música que defna a si mesmo e escrever sobre ela. A música é uma arte que nos toca intimamente e

216 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 216

6/23/15 6:34 PM


o objetivo dessa atividade é estimular que os estudantes racionalizem a ligação deles com a música, através de um exemplo específco. Para descontrair, você mesmo pode falar sobre uma música que o emocione, explicando o motivo. Se possível, a atividade deve ser feita em uma sala com computadores, para que os estudantes possam pesquisar na internet a música escolhida e reproduzi-la para os colegas, antes de lerem para a turma o texto produzido, que pode ser escrito à mão ou no computador. Outro objetivo da atividade é promover a troca de infuências musicais entre os estudantes, já que todos escutarão pelo menos um trecho das músicas escolhidas por cada estudante.

para aprofundar o conhecimento Sobre o som e a música Você pode ampliar seus conhecimentos sobre som e música lendo o livro O som e o sentido, do musicólogo brasileiro José Miguel Wisnik.

• WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

Sobre música indígena no Brasil O site da Funai tem uma página sobre sons indígenas, em que apresenta gravações e textos sobre a música de indígenas Tukano, Xavante, Krenak, Ashaninka e Guarani.

• Disponível em: <www.funai.gov.br/index.php/ indios-no-brasil/sons-indigenas>. Acesso em: 4 jun. 2015.

Sobre a história da música brasileira Um livro que marca o estudo da música no Brasil é a Pequena história da música, de Mario de Andrade. O texto escrito, originalmente em 1929, foi publicado com esse nome pela primeira vez em 1942. Os três últimos capítulos falam de música erudita e popular brasileira.

• ANDRADE, Mario de. Pequena história da música. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987.

Atividades complementares A seguir, reunimos mais duas atividades para este capítulo. Veja qual atividade cabe melhor no

seu planejamento. Se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Notação musical experimental Material: papel kraft com proporções horizontais (80 cm × 20 cm), duas canetas hidrográfcas (se possível, com espessuras diferentes) ou pincel com tinta nanquim. Nessa atividade proponha que seus estudantes façam uma notação musical, isto é, desenhem símbolos, rabiscos ou marcas que representem visualmente a música ouvida. Explique o objetivo da atividade. Escolha um chorinho, por exemplo, “Naquele tempo”, de Pixinguinha e Bendito Lacerda, de 2 min 49 s.

• Disponível em: <www.radio.uol.com.br/#/letras-

e-musicas/benedicto-lacerda-pixinguinha/na quele-tempo/2349439>. Acesso em: 2 jun. 2015. Ouça em sala com seus estudantes, inicialmente de olhos fechados. Coloque a música novamente e sugira aos estudantes que trabalhem no compasso da música. Como o chorinho é uma música rápida, vai ser preciso agilidade para realizar a atividade, que propõe também um trabalho gestual. Toque pelo menos mais uma vez para os estudantes completarem suas notações.

Autoavaliação Reúna as partituras experimentais e comente.

• Qual é mais gestual? • Qual é mais organizada e qual é mais emaranhada?

• Que partituras traduziram melhor o ritmo da música?

Mistura e manda Solicite que os estudantes se reúnam em grupos de três para realizar um levantamento na internet. Eles devem eleger um exemplo de gênero musical que surgiu do encontro entre duas ou mais tradições musicais distintas. Cada grupo deve exibir um vídeo com uma música desse gênero e apresentar para a turma um pouco da história do gênero, focando na

manual do professor • 217 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 217

6/23/15 6:34 PM


mistura de infuências que o originou. Deve ser um ritmo do qual eles gostem. Exemplos: choro, rap, mangue beat, samba. Sugestões de roteiro para que os estudantes pensem na apresentação do ritmo:

• Quais os locais em que ele está presente?

• Existem temas recorrentes nas letras das músicas?

• Quais os instrumentos musicais mais utilizados? • Como o ritmo se originou? • Como é a dança?

CApítulo 5 – pAlAvrA CAntADA O canto é a expressão musical mais acessível ao ser humano. No Painel, a proposta é relacionar o contexto em que vivem os artistas à música que produzem. Nos quatro exemplos mostrados, relacionam-se música e identidade. As canções devem ser lidas em voz alta em sala, ouvidas e se possível cantadas pelos estudantes. Em Fala o Artista, Luiz Gonzaga trata do baião. Em Pensando com a História há uma refexão sobre como a tecnologia muda nossa forma de ouvir e de cantar. No Debate, é questionada a relação entre música e idiomas. Na seção Hora da Troca, o estudante terá a oportunidade de ver e ouvir performances musicais em vídeos. Em Teoria e Técnica, conceitos musicais básicos são trabalhados: timbre, entonação, altura e tipos de voz.

Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gonzaguinha e Milton Nascimento. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a música “Qui nem jiló”, composta por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e interpretada por Luiz Gonzaga. Após a audição, você pode perguntar aos alunos se eles já conheciam o som da sanfona. Observe o som estridente do triângulo que é tocado num tempo descompassado da zabumba. Na faixa “Baião”, podcast presente no CD, ouviremos separadamente os instrumentos musicais que interpretam um baião: zabumba, triângulo, agogô, chocalho, viola e sanfona. Depois, escute os instrumentos musicais soando em conjunto. Esse podcast permitirá aos alunos identifcarem o som de cada instrumento musical presente no arranjo.

Sugestão de planejamento

Gilberto Gil

Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado da Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Autoavaliação

Sobre obras e autores Luiz Gonzaga Conhecido como Rei do Baião, Luiz Gonzaga (1912-1989) nasceu na cidade de Exu, em Pernambuco. Foi cantor, compositor e sanfoneiro. No início da carreira, apresentou-se na rua e em bares do Rio de Janeiro, antes de fcar conhecido nacionalmente. A partir dos anos 1970, teve sua obra regravada por artistas, como

Nascido em Salvador, Bahia, Gilberto Gil (1942) passou a infância em Ituaçu, interior baiano. Aprendeu a tocar acordeom ainda criança. Em 1961, ganhou de sua mãe um violão, instrumento com que criou uma relação intensa ao longo da vida. Em 1964, formou-se em Administração de Empresas na Universidade Federal da Bahia. Mudou-se para São Paulo, onde trabalhou em uma empresa multinacional. Nessa época, cantava em bares nos fins de semana. Em 1967, participou do III Festival da Música Popular Brasileira, organizado pela TV Record, apresentando a canção de sua autoria “Domingo no parque”, acompanhado dos Mutantes. Ficou em segundo lugar. Depois de ser exilado pelo regime militar, voltou ao Brasil e consolidou a sua

218 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 218

6/23/15 6:34 PM


carreira ao gravar discos de sucesso. Foi também Ministro da Cultura na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cartola Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980), nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, e mudou-se para o morro da Mangueira aos 11 anos. Aprendeu a tocar cavaquinho com o pai. Ainda jovem, empregou-se como pedreiro e foi dessa época que veio o apelido de Cartola, devido ao chapéu que usava para proteger a cabeça do cimento. Em 1925, fundou com Carlos Cachaça o Bloco dos Arengueiros. Em 1928, o bloco serviu de embrião para a criação da Estação Primeira de Mangueira. Seus sambas começaram a fazer sucesso na década de 1930, mas ele se afastou da música profssional um longo período, sendo redescoberto pelo cronista Sergio Porto, em 1956, lavando carros e trabalhando como vigia de um edifício. Em 1974, gravou o primeiro disco solo, cantando as suas canções. Morreu em 1980, aos 72 anos, deixando uma infnidade de sambas que se integraram ao cancioneiro popular brasileiro. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a canção “As rosas não falam”, composta e interpretada por Cartola. Preste atenção ao acompanhamento da fauta e do violão e ao timbre grave do cantor.

Elis Regina Elis Regina (1945-1982), cantora brasileira, fcou conhecida pela sensibilidade e pela emoção com que interpretou canções como “Falso brilhante”, “Fascinação”, “Como nossos pais”, “O bêbado e a equilibrista”, “Transversal do tempo”, entre tantas outras. Surgiu para o grande público nos festivais de música brasileira na década de 1960. Participou do espetáculo O Fino da Bossa. Ao longo de sua carreira teve parceiros importantes como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Aldir Blanc, João Bosco. Como intérprete, destacam-se “Disparada”, ao lado de Jair Rodrigues, e “Águas de março”, com Tom Jobim. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a música “Ponta de areia”,

composta por Milton Nascimento e interpretada por Elis Regina. Observe o arranjo elaborado da música que começa com um pulso da percussão, em seguida entra a voz da cantora e aos poucos outros instrumentos vão preenchendo a música com sua presença.

Frank Sinatra Francis Albert Sinatra (1915-1998) foi um cantor e ator norte-americano. Iniciou carreira na década de 1940, na época das big bands, e encantou a todos com sua voz. Suas interpretações das canções “My Way” e “Strangers in the Night” fcaram célebres. Em 1967, gravou um disco com Tom Jobim, no qual estão presentes clássicos da bossa nova: “Quiet Nights of Quiet Stars” (versão em língua inglesa de “Corcovado”) e “Girl from Ipanema” (versão de “Garota de Ipanema”). Como ator, participou de inúmeros flmes, recebeu duas indicações ao Oscar, em 1954 e 1956, sendo vencedor em 1954, pelo flme The Man with Golden Arm [O homem do braço de ouro], de 1955.

Almafuerte Banda argentina de heavy metal, criada em 1995. Tem oito álbuns de estúdio lançados, com composições cantadas em espanhol.

Y-no Grupo de pagode formado em Tóquio (Japão), em 2007. Seus integrantes eram estudantes da Sophia University que se conheceram em um bar especializado em música brasileira. Contam com formação instrumental típica de uma banda de pagode e criam as músicas em português.

Lorde Ella Marija Lani Yelich-O’Connor (1996), mais conhecida como Lorde, é uma compositora e cantora neozelandesa, nascida na cidade de Auckland. Aos 12 anos, participou de um concurso artístico promovido pela escola em que estudava. Uma gravação de sua apresentação foi parar nas mãos de um agente, que acabou tornando-se empresário da cantora, conseguindo

manual do professor • 219 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 219

6/23/15 6:34 PM


um contrato com a Universal Music. Em 2013, foi eleita a jovem mais infuente do mundo pela revista Time, dos Estados Unidos.

Jair Rodrigues Cantor brasileiro, revelado num programa de calouros da rádio Cultura de São Paulo, Jair Rodrigues (1939-2014) gravou seu primeiro disco em 1962. Em 1965, faz parceria com Elis Regina no show do Teatro Paramount e gravou o LP Dois na bossa. Devido ao sucesso, participou também do programa O fno da bossa, produzido pela emissora de televisão Record. Foi indicado a diversos prêmios, entre eles o Grammy Latino (2006), sendo laureado com Prêmio Visa (2006). Gravou 45 discos durante a carreira.

Fala o Artista Peça aos alunos que leiam o texto de Luiz Gonzaga sobre o baião e o sertão. Em seguida, solicite que se reúnam em grupos e conversem sobre as afrmações do artista. Verifque se eles concordam com as defnições feitas pelo músico. Sugira que confram a época em que viveu o artista e questione sobre as afrmações que não condizem com as concepções contemporâneas.

pensando com a História Nessa seção, um breve texto expõe a relação do cantor com seu instrumento, a voz. A amplifcação produzida pelo microfone mudou a relação do cantor com a voz e permitiu que intérpretes com vozes menos potentes se apresentassem em público.

Hora da troca Reserve metade de uma aula, em que os estudantes tenham acesso a computadores, para que possam assistir e ouvir esses exemplos de musicalidades. Peça que prestem atenção na forma como as cantoras emitem a voz e se expressam com o corpo. Estimule os estudantes a mostrarem para a turma seus talentos artísticos, mostrando vídeos com eles próprios cantando ou apresentando-se para a turma. Uma alternativa é que os

estudantes pesquisem na internet e selecionem vídeos de cantores locais para exibição em sala.

Debate Provoque os estudantes para que comentem sobre a emoção que é transportada pela voz. Evite que um ou dois estudantes dominem o debate e estimule os mais calados a expressar seus pontos de vista. Ao propor esse debate, o objetivo pedagógico é discutir a relação entre música e idioma. Por um lado, o som comunica por si só. Isso explica gostarmos de uma canção mesmo sem compreender o idioma no qual ela é cantada. Sentimos a música e os seus efeitos, mesmo sem racionalizar conceitos por intermédio da palavra. Por outro lado, quando entendemos o idioma, além de sentirmos o som, conseguimos assimilar a mensagem transmitida pelas palavras – o signifcado. No podcast “Música e idioma”, presente no CD, ouve-se uma bossa nova em inglês: Art Garfunkel interpreta “Águas de março”, de Tom Jobim. Em seguida, um rock em espanhol: Almafuerte interpreta a canção “Niño jefe”. Há ainda um reggaeton em português: DJ Rhuivo e Muamba Bitt interpretam a música “Beira do mar”. A audição do podcast ajudará os alunos a refetir sobre as relações entre ritmos variados e idiomas.

Da importância de cantar em português O Brasil já teve períodos em que a musica de matriz roqueira era quase que obrigatoriamente cantada em inglês. No início dos anos 1970, musicos da segunda ou terceira divisão da Jovem Guarda adotaram pseudônimos anglóflos como Dave Maclean, Mark Davis, Dave Dee & Mea Cat e enfleiraram diversos hits soft-rock nas trilhas de novela e nas rádios da época. Quem viveu naquele tempo lembra que, nos bailinhos, musica em português era considerada cafona e “para trás” – com exceção, talvez, de Tim Maia. Duas décadas depois, na ressaca do rock brasileiro dos anos 80, com

220 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 220

6/23/15 6:34 PM


o mercado fechado para novos nomes e com o Sepultura como unica luz no fm do tunel, aconteceu de novo, e veio toda uma geração grunge-alternativa pisando forte nos pedais fuzz e amarrando as camisas de fanela na cintura, cantando, ou tentando cantar, na língua de Eddie Vedder. A atual safra de bandas-brasileiras-cantando-em-inglês começou a surgir a partir da virada do século e não parou mais. Em parte, porque o mercado nacional para a musica gravada foi sendo esmigalhado em cacos cada vez menores, em parte porque a internet possibilitou um circuito realmente global, em que, por exemplo, o Wannabe Jalva lança suas musicas na revista do New York Times ou na rádio KCRW. Enquanto isso, entre as dez musicas mais pedidas na rádio Cidade do Rio, aparece apenas o Suricato como rosto nacional surgido no atual milênio. Na 89 FM de São Paulo, nem isso. Ou vivemos tempos estranhos quando havia Raimundos, Legião, Paralamas, Titãs, Planet Hemp e Chico Science fazendo rock de pretensões internacionais e cantado em português, ou vivemos tempos estranhos agora. Do ponto de vista de quem escreve sobre musica, como eu, tendo a acreditar que estranho é não haver rock em português. Porque, veja bem, por melhores que sejam as bandas, a matéria-prima do meu trabalho não é musica, ou efciência musical. E por mais que estejam se virando no circuito internacional, minha matéria-prima também não é o mercado. Jornalistas trabalham com comunicação. E musica que não comunica, não é assunto para mim. Comunicar-se, os casados sabem bem disso, é colocar-se no lugar do outro. E, a menos que uma banda esteja interessada em virar as costas para o Brasil, fixar residência no exterior e tentar a vida como artista gringo, nunca se comunicará em um país que está em 38º lugar no ranking da Education First de proficiência em inglês. Mas há uma outra razão para cantar em português, desta vez mais artística:

Apesar de juridicamente signifcar 50% de seu valor, a parte lírica de uma musica, no caso do rock, signifca muito mais. Não porque estejamos interessados em transmitir “mensagens”, mas porque o rock, musicalmente, é limitado por defnição. Pense em quantos clássicos do rock brasileiro foram salvos da banalidade graças a sua letra: “Que país é este”, “Inutil”, “Eu quero ver o oco”, “Anna Julia”. a lista é longa e reveladora. Rock é atitude, e a parte lírica denota, por exemplo, a nossa ironia em relação ao brasileiro (“Inutil”), nosso niilismo juvenil (“Que país é este”), nossa capacidade de fazer metal nordestino (“Eu quero ver o oco”), nossa disposição em injetar romance em um rock misógino e truculento (“Anna Julia”). Acontece no mundo todo: A moça Lorde ganhou o VMA de artista de rock por causa da postura que transmitiu na letra de “Royals” – que aqui no Brasil, como não falamos inglês, passa por um groovezinho R&B bacana como os da Miley Cyrus ou Rihanna. A letra defne quem você é e aonde você quer chegar. E, em se tratando de rock, a letra mais do que duplica o campo de comunicação artística de quem faz musica. O que, naturalmente, não fecha as portas da carreira internacional, como podem testemunhar os Boogarins (que acabaram de voltar da Itália, Bélgica, França, Portugal, Espanha, EUA, etc.) ou os Autoramas (em turnê anual pela Europa há sete anos), ambas cantando em português. Além disso, há a saída honrosa das versões para mercados locais. O capixaba Silva, que assinou com o selo americano Six Degrees, preparou versões em inglês de duas de suas musicas, para puxar o álbum January, previsto para sair este mês de agosto. Foi o que os Mutantes fzeram em 1970 com seu malfadado disco francês Tecnicolor, e o que o Skank e Paralamas fzeram nos anos 1990, de olho no mercado latino. Aliás, mercado global por mercado global, é de se espantar que a segunda língua das bandas brasileiras não seja o espanhol, o que lhes garantiria turnês mundiais e um circuito de rádios e casas noturnas nos Estados Unidos e vários outros países, incluindo nossos vizinhos Argentina e Uruguai (ironicamente mais bem colocados no ranking da Education First).

manual do professor • 221 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 221

6/23/15 6:34 PM


É fato que a fagulha original do rock se dá em inglês. “Inutil” surgiu no chuveiro como “Why don’t you” até que alguém se debruçasse sobre ela e ali transformasse inspiração em trabalho duro. É fato também que, para aqueles incapazes de escrever poesia, o inglês, com suas palavras curtas e monossilábicas, ajuda a compor em simples busca pelo som dos fonemas. Mas para estes, eu recomendaria a busca por um bom parceiro letrista, como os já citados Skank e Silva, ou como Ed Motta, Elton John, Ivan Lins, Brian Wilson e muitos outros costumam fazer. Por tudo isso, por mais natural que seja o rock em inglês, e por brilhantes que sejam muitos casos (como os três lá em cima, queria reforçar), quando encontro brasileiros cantando em inglês em palcos brasileiros, sempre me soa como algo premeditado e antinatural, como se alguém agraciado com um talento tão belo quanto o da musica, estivesse o escondendo atrás da muralha da timidez. Era o grande pesadelo de Edgar Roquete Pinto, não por acaso o pai da radiodifusão no Brasil: pior do que termos o que dizer e ninguém para nos escutar, seria um mundo em que quiséssemos ouvir, mas não encontrássemos ninguém disposto a falar conosco. De forma que pudéssemos entender, de preferência. ALEXANDRE, R. Disponível em: <http://entretenimento.r7.com/ blogs/ricardo-alexandre/da-importancia-decantar-em-portugues-20140909/>. Acesso em: 3 jun. 2015.

teoria e técnica Nessa seção estão defnidos conceitos básicos da voz tais como timbre, entonação e altura. O timbre e as pausas constroem uma intenção de quem fala ou canta. Por ser conceitos aplicáveis tanto à fala quanto ao canto, você pode ler em voz alta os exemplos sugeridos e criar novos para uma melhor assimilação da turma. No podcast “Tipos de voz”, presente no CD, ouviremos trechos da música “This Nearly Was Mine”, interpretada pelo cantor de ópera italiano Ezio Pinza (1892-1957), e um trecho do Ato I da ópera Norma: Casta diva, interpretado pela cantora norte-americana Maria Callas (1923-1977). A contraposição dessas duas vozes pretende

ressaltar de maneira audível a diferença de altura de um baixo em relação a uma soprano.

Atividades Uma voz para você

Deixe os estudantes à vontade para essa atividade. Reforce que a música escolhida deve ser um consenso entre a dupla. Incentive os estudantes a escolherem canções que já conheçam e de que gostem muito. Promova em sala uma exibição dos áudios ou vídeos gravados, enaltecendo a diferença e cobrando dos estudantes uma postura respeitosa com o material dos colegas.

Cantando o cantar

Realize essa atividade em uma sala em que haja computadores conectados à internet disponíveis aos estudantes. Peça que pesquisem as letras das canções “Muito romântico”, de Caetano Veloso e “Canta, canta minha gente”, de Martinho da Vila. Esse tipo de atividade amplia o repertório de música brasileira dos alunos. Estimule os estudantes a cantar as letras escolhidas, juntos ou cada um cantando um trecho. Se preferir, peça que leiam a letra em voz alta.

para aprofundar o conhecimento Sobre a música brasileira Para conhecer um panorama da música brasileira, o livro de Jairo Severiano trata dos duzentos anos de história da música popular brasileira. Em sua síntese organizou a obra em quatro tempos: formação (1770-1928), consolidação (1929 -1945), transição (1946-1957) e modernização (de 1958 até os dias de hoje).

• SEVERIANO, Jairo. Uma história da música po-

pular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. Uma boa fonte de informações sobre músicos brasileiros, suas músicas e álbuns é o site do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Com cerca de 12 mil verbetes, esse site é atualizado constantemente. Disponível em: <www.dicionariompb.com. br/>. Acesso em: 4 jun. 2015.

222 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 222

6/23/15 6:34 PM


Sobre a voz e o canto O livro Palavras que cantam foi organizado a partir de trabalhos realizados com estudantes dos cursos de música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Traz 39 parlendas, rimas e ditados que viraram peças para vozes com diferentes níveis de difculdade. Nesse livro, as vocalizações são representadas por meio da escrita musical.

• SOUZA, Jusamara. Palavras que cantam. Porto

Alegre: Sulina, 2013. Para aprender mais sobre a emissão da voz e o canto, e se sentir estimulado a cantar em seu cotidiano, recomendamos o livro Solte a voz.

• NAKKACH, Silvia; CARPENTER, Valerie. Solte a voz. Trad. de Alba Lirio. Rio de Janeiro: Lirioê, 2012.

Atividades complementares A seguir, reunimos mais duas atividades propostas para este capítulo. Veja qual atividade cabe melhor no seu planejamento. Se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Ouvir e refetir Faça um levantamento de uma apresentação de beatbox na internet e apresente aos estudantes em sala de aula. Sugerimos como exemplo a apresentação Beatbox Brilliance, com Tom Thum, para o TED × Sydney.

• Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=

GNZBSZD16cY>. Acesso em 3 jun. 2015. Após a exibição do vídeo, faça as seguintes perguntas aos alunos:

eletrônicos ou não, abrindo muitas possibilidades para o uso da voz na música.

Pintura, música e sentimento Você pode sugerir aos estudantes que façam uma interpretação da música por meio da pintura. Material: lápis 6B, guache de várias cores, pincéis, copo de água, potes para misturar as tintas, paninho. Divida a turma em duas partes, cada grupo fca numa sala. O primeiro grupo vai ouvir “Qui nem Jiló”, de Luiz Gonzaga, e o segundo grupo ouve “As rosas não falam”, de Cartola. Cada grupo começa escolhendo e preparando as cores de que vão precisar. Questione que cores cada uma das músicas sugere? Os estudantes podem retratar uma imagem figurativa em uma cena ou fazer uma pintura abstrata, mas que expresse o clima da música. Se preferirem, os estudantes podem fazer um esboço a lápis para depois trabalhar com as cores das tintas. Deixe os estudantes à vontade para essa atividade. Se possível, coloque as duas músicas para cada turma ouvir em salas diferentes.

Avaliação dos resultados Nessa atividade, seria recomendável fazer uma avaliação coletiva da pintura triste e da alegre. Esse é o tipo de trabalho que gera boas discussões. Disponha no chão, no centro da sala, as pinturas e faça as perguntas a seguir aos estudantes.

• O som que você ouviu é produzido de que

• Quais são os trabalhos que transmitem

• Quem sabe explicar o que é o beatbox? • Você já viu e ouviu um beatbox ao vivo? • Conhece alguém que saiba fazer?

• Quais são as cores desses trabalhos? • As cores ajudam a reforçar o sentimento? • Há trabalhos abstratos que sugerem tristeza?

maneira?

No beatbox, a voz, em vez de cantar palavras, imita o som de instrumentos de percussão,

tristeza?

Depois, reúna as pinturas alegres e faça as mesmas perguntas.

CApítulo 6 – mÚSICA InStrumentAl A música precisa ser escutada e sentida para “fazer sentido”. Mas, ao apreciar uma obra, o

ouvinte difcilmente alcançará todos os objetivos traçados pelo compositor no momento da

manual do professor • 223 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 223

6/23/15 6:34 PM


criação. Por isso, ele reinterpreta o material musical de acordo com sua vivência, seus valores e seu estado emocional no momento. Isso acontece não apenas com a música, mas com qualquer tipo de expressão artística. Essa característica da música é positiva. Permite milhares de interpretações diferentes a partir de um mesmo “material sonoro”. E não é somente isso. Escutando uma música várias vezes, temos a possibilidade de encontrar novas interpretações, novos sentidos para ela. Quanto mais aprendemos a ouvir, mais nos tornamos capazes de aprender. Na seção Painel, apresentamos quatro músicos de diferentes períodos históricos. Em Fala o Artista, Villa-Lobos relaciona uma de suas obras com a cultura popular brasileira e sua infuência indígena. Na seção Pensando com a História, conheceremos as bases da música ocidental através de Pitágoras. Na seção Hora da Troca, vamos conhecer um pouco mais sobre a orquestra, um compositor e um instrumentista. No Debate, em tempos de excesso de virtualidade, discutiremos o papel da presença na música. Em Teoria e Técnica, veremos notas musicais e introdução à escrita musical.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado da Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

Sobre obras e autores Mozart Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasceu em Salzburg, Áustria. Desde cedo, foi estimulado a tocar e compor por seu pai, Leopold, compositor e instrumentista. Ainda criança, excursionava em viagens pela Europa, apresentando-se ao piano para a nobreza. Já adulto e famoso, ocupou o cargo de músico da corte de Salzburgo. Morreu aos 35 anos, meses depois da estréia de sua ópera A fauta mágica.

No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a abertura da ópera A flauta mágica, K. 620, composta por Mozart. Essa ópera, em dois atos, estreou em Viena, na Áustria, em 1791. A história consiste na aventura de um príncipe e seu amigo para resgatar as mulheres que amam, usando instrumentos musicais mágicos.

Chopin Frédéric Chopin (1810-1849) nasceu em Zelazowa Wola, na Polônia. Adorava a obra de Mozart, e como ele, criou um estilo pessoal de tocar piano, desde criança. Em 1825, apresentou-se para o czar russo Alexandre I. Viveu grande parte da sua vida em Paris, onde foi muito requisitado como professor e concertista. Morreu na capital francesa, aos 39 anos. Conforme pedido, seu coração foi colocado dentro de um dos pilares da igreja de Santa Cruz, em Varsóvia, Polônia.

Villa-Lobos Heitor Villa-Lobos (1887-1959) nasceu no Rio de Janeiro. Com seis anos, começou a tocar clarinete e violoncelo, ensinados por seu pai. Sua música atingiu um caráter universal, recombinando células rítmicas e melódicas da música popular – compassos da embolada, melodias das rodas de choro – dentro da linguagem da música erudita. Na década de 1930, original e provocador, ele assumiu a Superintendência de Educação Musical e Artística, do governo de Getúlio Vargas, tornando obrigatório o ensino de canto nas escolas. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a música “Choros no 3 (Pica-Pau)”, composta por Heitor Villa-Lobos em 1925 e interpretada pelo coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência do maestro John Neschling. A composição associa clarinete, fagote, saxofone, três trompas, trombone e um coral masculino a quatro vozes. No “Choros no 3” o compositor, assim como os escritores e pintores modernistas, busca incorporar à sua criação a cultura indígena. Villa-Lobos

224 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 224

6/23/15 6:34 PM


emprega reiteradamente os temas Nozani Ná e Noalanauê dos índios Parecis. Ouça as palavras indígenas e as onomatopeias que imitam o pássaro pica-pau bicando na madeira.

Dudamel Gustavo Dudamel (1981) nasceu em Barquisimeto, Venezuela, em uma família pobre e se iniciou na música por causa de El Sistema, um método de ensino público de música que foi instaurado na Venezuela na década de 1970. Sua forma de comunicação é a música erudita. O maestro foi regente convidado de importantes orquestras pelo mundo, como a Filarmônica de Viena, Orchestra e Coro do Teatro alla Scala de Milão, Filarmônica de Israel, entre outras.

Nelson Freire Para o pianista mineiro Nelson Freire (1944), o contato com o piano é familiar. Aos três anos já executava peças de memória e aos cinco fez seu primeiro recital. No Brasil, estudou com Nise Obino e Lúcia Branco. Quando era adolescente, recebeu uma bolsa de estudos do governo brasileiro para estudar em Viena, Áustria. Em 1959, iniciou sua carreira internacional e fez concertos nos principais teatros da Europa, Estados Unidos, América Central, América do Sul, Japão e Israel. Trabalhou com regentes como Pierre Boulez, Eugen Juchum, Kurt Masur, André Previn, entre outros. Foi convidado a tocar com as mais prestigiadas orquestras, entre elas, Filarmônica de Berlim, Filarmônica de Munique e Orquestra Sinfônica de Londres.

Fala o Artista Peça aos estudantes que leiam a declaração de Villa-Lobos e ouçam o “Choros no 3”. Em seguida, solicite que se reúnam em grupos e conversem sobre as questões propostas. A música tem a característica de evocar “espaços” e “tempos”. A conversa se concentra no uso da música para evocar espaços. Apesar de ser uma arte sonora, a música tem a capacidade de sugerir cenas visuais, característica bastante explorada por Heitor Villa-Lobos.

pensando com a História Nesta seção, o texto “Pitágoras e a harmonia” apresenta a Matemática na composição musical, nos acordes, no ritmo e na melodia. Explica como Pitágoras reconheceu algumas relações num instrumento monocórdio. No podcast “Consonância e dissonância”, presente no CD, ouviremos no piano duas notas musicais que, ao soar juntas, produzem um som consonante e duas notas musicais que, ao soar juntas, produzem um som dissonante. A faixa apresenta de maneira audível o conteúdo tratado no texto.

Hora da troca Reserve metade de uma aula, em que os estudantes tenham acesso a computadores, para que possam assistir aos vídeos e visitar os sites. Caso haja instrumentos musicais na escola, este é um bom momento para trazê-los para a sala de aula. Caso você saiba tocar algum instrumento, toque uma música para os estudantes. No podcast “Sons da orquestra”, presente no CD, ouviremos o som de um instrumento musical de cada naipe de uma orquestra: violino (cordas) na música “Rainy day”; clarineta (madeiras) em “Clarinet Trio 3”; trompete (metais) em “Concerto para trompete e orquestra em mi bemol maior e bombo”. Em seguida, escutaremos o trecho inicial de “The Young Person’s Guide to the Orchestra” [Guia da orquestra para os jovens] de Benjamin Britten, com os naipes soando em conjunto.

• No site da Orquestra Sinfônica do Estado de

São Paulo (Osesp), há mais informações sobre o “Guia da orquestra para os jovens”. Disponível em: <www.osesp.art.br/concertoseingressos/ concerto.aspx?IdApresentacao=5764>. Acessso em: 4 jun. 2015.

Debate Estimule os estudantes para que opinem em relação às questões sugeridas. Não permita que um ou dois estudantes dominem o debate.

manual do professor • 225 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 225

6/23/15 6:34 PM


Estimule os mais calados a expressar seu ponto de vista. Ao propor esse debate, o objetivo pedagógico é discutir a relação entre música e presença.

Ninguém jamais verá um peixinho dourado retorcendo-se ao compasso de uma valsa, porque não são as notas de uma valsa, mas as relações entre essas notas, que fazem o corpo querer dançar. Essas relações – imponderáveis, resistentes à observação, difíceis de descrever e classifcar – é que são musica, não as vibrações atmosféricas que os instrumentos musicais provocam. JOURDAIN, Robert. Música, cérebro e êxtase. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.

teoria e técnica A audição dos podcasts no momento da leitura dessa seção é de extrema importância. Os estudantes poderão escutar os conceitos explicados, que dessa maneira serão melhor assimilados. Caso você toque algum instrumento musical, use-o para ilustrar os conceitos apresentados na seção. No podcast “Sustenidos e bemóis”, presente no CD, ouviremos o som das notas sol, sol sustenido e lá, tocadas no piano. A faixa apresenta de maneira audível o conteúdo tratado no texto. No podcast “Dó”, presente no CD, ouviremos a escala de dó maior tocada no piano. A faixa apresenta de maneira audível o conteúdo tratado no texto.

Atividades

grupo, formado em 1978, propõe ir além do repertório de sons existentes e buscar novas possibilidades de timbres e sensações. Com materiais simples como tubos de PVC, vidro, borracha, pedra e água, o Uakti faz uma verdadeira viagem pelo universo sonoro. A música “Japurá River” faz parte do disco Águas da Amazônia que foi concebido entre 1993 e 1999. O rio Japurá nasce na Colômbia e encontra o rio Amazonas no Brasil. O interesse pelos sons das águas em movimento nos rios brasileiros está presente também no trabalho do artista visual Cildo Meireles, Rio oír, de 2012, que aparece na abertura do Projeto Planeta.

Atividades Um espetáculo de música A proposta de transposição da música para um objeto gráfco precisa ser tomada com muita liberdade, pois se trata de lidar com algo muito sutil e bastante pessoal. Nessa atividade, no entanto, há particularidades concretas; é preciso informar o público sobre o evento. Provoque os estudantes antes de começar o trabalho:

• Como representar algo imaterial como a música?

• Que elementos vão atrair o interesse do público?

• Que informações precisam estar com maior destaque?

para aprofundar o conhecimento

Nossa orquestra

Sobre a orquestra e a música instrumental

Estimule a criatividade dos estudantes ouvindo no CD que acompanha este volume a faixa que traz a música “Japurá River” (Rio Japurá), interpretada pelo grupo Uakti e composta pelo compositor norte-americano Philip Glass (1937). A composição é um exemplo de música tocada com instrumentos musicais não convencionais e serve de referência e inspiração para a atividade. Ouça os timbres diferentes nessa música tocada pelo grupo Uakti. Além de tocar, os integrantes do Uakti produzem seus próprios instrumentos musicais. O

• BENNET, Roy. Instrumentos da orquestra. Trad.

Para ampliar seus conhecimentos sobre os instrumentos musicais de uma orquestra, leia Instrumentos da orquestra, de Roy Bennet. O livro traz informações, imagens e indicações de músicas a serem ouvidas. de Luiz Carlos Csëko. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

Para ouvir a variada música instrumental feita no Brasil e no mundo em todas as épocas, ouça a rádio MEC FM. A emissora apresenta os

226 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 226

6/23/15 6:34 PM


maiores nomes da história da música nacional ou internacional, com interpretação das grandes orquestras, solistas, grupos de música de câmara e corais. A rádio tem dispositivo para ser ouvida no computador e no celular.

• O site da emissora traz a programação e muita informação sobre música. Disponível em: <http://radios.ebc.com.br/mecfmrio>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre instrumentos musicais Dois autores acadêmicos escreveram sobre a construção de instrumentos musicais na educação básica:

• TORRES, M. C. A. R. Construção de instrumen-

tos musicais a partir de objetos do cotidiano. In: SOUZA, J. (Org.). Música cotidiano e educação. Porto Alegre: UFRGS, 2002.

• BRITO, Teca Alencar de. Construção de instru-

mentos musicais e objetos sonoros. In: SANTOS, Welington Tavares dos. Música na educação infantil. São Paulo: Peirópolis, 2003.

Sobre música e flosofa Para aprofundar os seus conhecimentos acerca da relação entre música e flosofa, leia o livro Ouvir o lógos: música e flosofa.

• TOMÁS, Lia. Ouvir o lógos: música e flosofa. São Paulo: Unesp, 2002.

Atividades complementares

a seguir, reunimos mais duas atividades propostas para este capítulo. Avalie a atividade mais adequada a seu planejamento. Se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Animação e música clássica Sugira que o trabalho seja feito em dupla. Comente com os estudantes que nos flmes

de animação, as músicas clássicas são muito utilizadas. Sugira que os estudantes procurem em um site buscador de vídeos uma cena de um flme de animação conhecido, que tenha uma música clássica como trilha sonora. No máximo cinco minutos de duração. Os grupos devem escutar o trecho e escrever o nome de dois instrumentos musicais que conseguiram identifcar. Em seguida, podem exibir para a turma a cena e depois dizer o nome dos instrumentos presentes no trecho (violino e piano). Exemplo: música “Mundo ideal”, animação: Aladdin.

• Disponível em: <www.youtube.com/watch?v= H8vyokO_FMw>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Compositores Solicite aos estudantes que se reúnam em grupos de quatro. Cada grupo escolherá um compositor brasileiro de música instrumental que não aparece neste capítulo para pesquisar. Cada integrante do grupo vai escolher uma música do mesmo compositor para ouvir. Depois, o grupo se reúne para trocar impressões sobre as músicas ouvidas e escreve um comentário sobre esse compositor.

• Qual é seu principal instrumento musical? • Qual é o gênero musical do compositor? • Quais são as principais características das músicas?

• Que sensações as músicas despertaram em

você? Fale um pouco sobre as curiosidades do compositor escolhido. Exemplos: Ernesto Nazareth, Paulo Moura, Carlos Malta, Victor Assis Brasil.

CADerno De proJetoS – proJeto plAnetA O projeto interdisciplinar sugere temas ligados ao planeta para ser estudados em grupo pela turma.

pensando sem fronteiras

Um trecho do texto “A aurora do antropoceno, a era dos humanos”, de Cesar Baima, publicado no

manual do professor • 227 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 227

6/23/15 6:34 PM


jornal O Globo, em 2015, aborda o conceito geológico que foi criado para defnir a era em que a Terra foi impactada pelas atividades humanas. O trecho descreve algumas dessas marcas e fala sobre a possibilidade de tomar medidas efetivas para retornar algumas ações para uma margem segura.

temas para o projeto Aqui, trata-se de estimular uma ação dos estudantes frente ao saber. São sugeridos cinco temas. Em cada um deles uma ilustração colabora para que o estudante tenha uma apreensão rápida das propostas, de modo que possa escolher o assunto que mais o atrai. Temas

Os temas dos cinco projetos relacionam-se com o planeta; isto é, pensar, fazer levantamentos e propor ações que promovam maior entendimento de questões socioeconômicas e científcas. Alguns projetos sugerem uma busca pessoal, outros apontam para temas nacionais. Os temas podem ser trabalhados com a colaboração de outras disciplinas. Todos os projetos podem ser adaptados pelo professor e modifcados, pelos grupos, em seus objetivos ou linguagens. Cada um dos projetos propõe a síntese em uma linguagem diferente. Três deles propõem a linguagem da música, que é o eixo deste volume. Veja a seguir como os projetos foram propostos:

Disciplinas envolvidas

Linguagem artística da síntese estética

Representação da natureza na arte e na ciência

Ciências e Arte

Arte visual

Harmonia numérica das cores

Arte e Matemática

Arte visual

Salvar o mundo em muitas línguas

Arte, Português, Inglês e Espanhol

Arte visual e música

Músicas e biomas

Arte, Ciências e Geografa

Música

Escultura sonora

Arte e Ciências

Arte visual e música

proJeto mÚSICA Lembre-se sempre de compartilhar com a turma a responsabilidade do Projeto Música. Em um coral, é fundamental o trabalho coletivo. Incentive os alunos a participar ativamente, imponha limites quando a turma estiver dispersa. Nos ensaios, ouça as gravações das músicas repetidas vezes com os alunos para assimilação das melodias e do pulso musical. Cante com os alunos as músicas do repertório, quantas vezes forem necessárias para um desempenho satisfatório do coral. Cantar em conjunto diverte e também desenvolve a concentração. Busque fomentar em sala um ambiente propício para o desenvolvimento da percepção musical dos alunos. Deixe claro que esta atividade precisa do envolvimento de todos os presentes. Solicite a participação dos alunos mais tímidos. Para cantar com desenvoltura, é preciso estar à vontade em sala de aula. Cultive um clima de abertura em

sala para as vozes participantes e exija que todos os alunos respeitem os colegas e o professor. Harmonize possíveis situações de confito entre os alunos. No dia da apresentação, procure transmitir tranquilidade e confança para a turma. Divida o coro em vozes masculinas e femininas. Nessa fase da adolescência, os alunos estão passando pela muda vocal, fase em que a voz, especialmente dos meninos, mas também das meninas, torna-se mais grave. Esse fenômeno natural pode trazer instabilidade no tom dos alunos. No CD que acompanha este volume há cinco faixas para ser usadas na atividade de coral. São elas o podcast “O pulso da música”, para fxar este conceito entre os alunos; a música “Missa Papae Marcelli – I. Kyrie”, composta no século XVI por Giovanni Pierluigi da Palestrina, exemplo de música sacra polifônica em seis vozes. Além das músicas a ser cantadas pela turma: “Carinhoso”, de

228 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 228

6/23/15 6:34 PM


Pixinguinha e João de Barro, interpretada por Elizeth Cardoso, “Qui nem jiló”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, cantada por Luiz Gonzaga, e “As rosas não falam”, composta e cantada por Cartola.

para aprofundar o conhecimento Sobre a palavra cantada Com abordagem multidisciplinar, Ao encontro da palavra cantada reúne artigos que investigam a interação entre as dimensões verbais, musicais e vocais da palavra cantada. A maior parte dos textos reunidos na obra foi apresentada durante o I Encontro de Estudos da Palavra Cantada, na Universidade Federal Fluminense, no ano 2000. O encontro teve realização conjunta da Pós-Graduação em Letras dessa instituição e da Pós-Graduação em Música da Universidade do Rio de Janeiro.

• MATOS, Cláudia Neiva de; MEDEIROS, Fernan-

da Teixeira de; TRAVASSOS, Elizabeth (Org.). Ao encontro da palavra cantada – poesia, música e voz. Rio de Janeiro: 7Letras, 2001. Na revista Música na Educação Básica, publicada no site da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem), há um trabalho que refete sobre o coral.

• COSTA, Patrícia. Coro juvenil nas escolas sonho

ou possibilidade? Música na Educação Básica, n.1, Abem, 2009. Disponível em: <http://abem educacaomusical.com.br/revista_musica/ ed1/pdfs/7_coro_juvenil_nas_escolas.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2015. O texto Cantar e conviver relata experiências com coros juvenis.

• SCHMELING, A. Cantar e conviver, uma expe-

riência com um grupo coral de adolescentes. Curitiba: Associação Brasileira de Educadores Musicais (Abem), 1999. (Anais 11).

JeItoS De muDAr o munDo Consumo e problemas ambientais – os plásticos Este apêndice deve ser preferencialmente abordado depois do Capítulo 2, em que se apresentam questões relativas a lixo, reciclagem e consumo. Muitos dos problemas ambientais que enfrentamos na atualidade ocorrem em consequência da poluição do ar, das águas e do solo. O aumento da poluição refete o crescimento da atividade industrial. Por essa razão alguns pensadores sugerem que �� preciso enfrentar o modelo do crescimento econômico contínuo, para reverter esse quadro. O uso intensivo de plásticos nos últimos cem anos é um dos problemas que afetam o meio ambiente. Segundo o jornalista de ciência Cesar Baima, 270 milhões de toneladas de resinas termoplásticas foram fabricadas em 2010, a maior parte descartada em lixões. Porém, pelo menos 10% de todo plástico descartado acaba nos oceanos. Carregados pelas correntes marítimas, transformados pela ação do tempo em microplásticos,

eles se acumulam em ilhas de detritos nos oceanos Pacífco, Atlântico e Índico, locais onde essas correntes adquirem um movimento rotativo.

para aprofundar o conhecimento Há vários projetos de pesquisa internacionais que tentam entender melhor esse fenômeno e suas consequências. Para se informar mais sobre o tema há um site em português. • Disponível em: <www.globalgarbage.org.br/ portal/>. Acesso em: 4 jun. 2015. Sobre a grande ilha de lixo no Pacífco há uma série de conferências em inglês, com legenda em inglês. • Disponível em: <www.tedxgreatpacifcgarbagepatch.com/category/watch-our-videos/>. Acesso em: 4 jun. 2015. No site do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), instituição norte-americana que administra questões ligadas aos oceanos, há uma entrevista com uma especialista, Dianna Parker, sobre o que sabemos e não sabemos sobre a o lixo no oceano.

manual do professor • 229 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 229

6/23/15 6:34 PM


• Disponível em: <http://oceanservice.noaa.gov/

podcast/june14/mw126-garbagepatch.html>. Acesso em: 4 jun. 2015. O Museu do Amanhã, a ser inaugurado no Rio de Janeiro, manterá o Observatório do Amanhã, um centro de informações que vai captar e repercutir temas pesquisados por produtores de conhecimento

em ciência, cultura e tecnologia em todo mundo. O observatório terá a incessante missão de questionar quais são as grandes oportunidades e ameaças para a sociedade nos próximos cinquenta anos. • Você pode fcar em contato com o Observatório pelo seu site. Disponível em: <http://museudoamanha.org.br/>. Acesso em: 4 jun. 2015.

áuDIo que ACompAnHA o volume O CD de áudio que acompanha este livro contém faixas musicais, que tornam signifcativos para os estudantes a teoria da música e os exemplos tratados nos capítulos dedicados ao estudo da linguagem musical. Reúne exemplos importantes de música africana, indígena e brasileira, além da música instrumental de origem europeia, na forma sonata. Há músicas populares brasileiras, como samba e baião, além de música coral, música composta para orquestra e uma música instrumental contemporânea.

Especialmente neste livro é importante que os estudantes tenham a oportunidade de ouvir as músicas propostas, pois a linguagem musical se aprende ouvindo e não lendo. Ouvir é uma ação pedagógica. Promover o silêncio da turma, manter a atenção de todos para escutar cada uma das faixas, acompanhar o ritmo, distinguir os timbres dos instrumentos, entender a composição musical, com suas repetições e variações, perceber a melodia, compreender a letra, acompanhar a cadência das rimas, tudo isso é aprendizado musical.

Faixas de áudio Faixa

Capítulo

Página

Conteúdo da faixa

Fonte

Duração (em min.)

1

Apresentação

0:07

2

3

85

Podcast “Altura, duração, intensidade e timbre”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 1:05

3

4

90

“Garota de Ipanema”

JOBIM, Antonio Carlos; MORAES, Vinicius de. “Garota de 2:17 Ipanema”. In: Tom Jobim canta Vinicius. Jobim Biscoito Fino, 1990.

4

4

91

“Zombie”

KUTI, Fela. “Zombie”. The Fela! Band (intérpretes). In: 3:53 Finding Fela: Original Motion Picture Soundtrack. FAK, 2014.

5

4

93

“Dapraba”

“Dapraba”. Povo Xavante da Serra do Roncador (intérpretes). 1:22 In: Etenhiritipá: Cantos da tradição Xavante. Núcleo de Cultura Indígena, Quilombolo Música e Warner Music Brasil, 1994.

6

4

99

Podcast “O pulso da música”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 1:30

7

4

100

Podcast “Ritmo, harmonia e melodia”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 1:39

8

4

101

“Andando pela África”

BARBA, Fernando. “Andando pela África”. Barbatuques (intérpretes). In: Corpo do som. MCD, 2004.

4:16

230 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 230

6/23/15 6:34 PM


9

5

104

“Qui nem jiló”

GONZAGA, Luiz; TEIXEIRA, Humberto. “Qui nem jiló”. In: 50 anos de chão. BMG Ariola Discos, 1996.

2:50

10

5

106

“As rosas não falam”

OLIVEIRA, Angenor de. “As rosas não falam”. In: Cartola. EMI Records, 2014.

2:57

11

5

107

“Ponta de areia”

NASCIMENTO, Milton. “Ponta de areia”. Intérprete: Elis Regina. In: Elis. Universal Music, 1974.

3:00

12

5

108

Podcast “Baião”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 3:58

13

5

110

Podcast “Música e idioma”: “Niño jefe” (trecho); “Waters of March” (trecho); “Beira do mar” (trecho)

GONZÁLEZ, Ricardo. “Niño jefe” (trecho). In: Almafuerte. 3:23 PolyGram Discos, 1998.

Podcast “Tipos de voz”: “This Nearly Was Mine” (trecho) e “Norma, Ato I: Casta diva” (trecho)

HAMMERSTEIN II, Oscar; RODGERS, Richard. “This Nearly Was Mine” (trecho). Ezio Pinza (intérprete). In: South Pacifc (Original Broadway Cast Recording). Sony BMG Music Entertainment, 1998.

14

5

114

JOBIM, Antônio Carlos. “Waters of March” (trecho). Art Garfunkel (intérprete). In: Breakaway. Sony Music, 1975. DJ Rhuivo; TCHECO; DJ Renatinho; PINHEIRO, Joyce. “Beira do mar” (trecho). DJ Rhuivo e Muamba Bitt (intérpretes). In: Mundo do funk: Vol. 2. Dash Funk, 2014. 2:45

BELLINI, Vincenzo. “Norma, Ato I: Casta diva” (trecho). Maria Callas (intérprete). Musopen. Disponível em: <https://musopen.org/music/1306/various/mariacallas-by-various-artists/>. Acesso em: maio de 2015.

15

6

118

A fauta mágica, K. 620: Abertura

MOZART, Wolfgang Amadeus. A fauta mágica, K. 620: Abertura. Musopen Symphony. Musopen. Disponível em: <https://musopen.org/music/1574/wolfgangamadeus-mozart/overture-to-the-magicfute-k-620/>. Acesso em: maio de 2015.

16

6

120

“Choros no 3, (Pica-pau)”

VILLA-LOBOS, Heitor. “Choros no 3 (Pica-pau)”. Coro e 3:35 Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, John Neschling, Alexandre Silveiro, Dante Yenque, Samuel Hamzem, Sérgio Burgani, Marcos Pedroso, Wagner Polistchuck e Luciano Amaral. In: Villa-Lobos: Choros 2, 3, 10, 12. BIS, 2009.

17

6

123

Podcast “Consonância e dissonância”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 1:22

18

6

124

Podcast “Sons da orquestra”:

Rainy Day (Violin Solo). Violin_maestro (intérprete). Solo violin from instrumental piece the “Rainy Day” D-moll,107,4/4.

“Rainy Day” D-moll,107,4/4; Concerto para trompete e orquestra em mi bemol maior, Hob. VIIe/1 (trecho); “The Young Person’s Guide to the Orchestra” (trecho).

6:43

3:49

Clarinet Trio 3. The Safron Gulf (intérprete). Piece for three clarinets. 1 minute version of Clarinet Trio 1. HAYDN, Franz Joseph. Concerto para trompete e orquestra em mi bemol maior, Hob. VIIe/1 (trecho). Matt Dempsey. Musopen. Disponível em: <https://musopen.org/ music/2694/franz-joseph-haydn/trumpet-concerto-in-efat-major-hob-viie-1/>. Acesso em: maio de 2015. Composição de 1796. BRITTEN, Benjamin. “The Young Person’s Guide to the Orchestra” (trecho). Willian Boughton e English Simphony Orchestra. In: Spirit of England II. Nimbus Records, 1997.

manual do professor • 231 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 231

6/23/15 6:34 PM


19

6

128

Podcast “Sustenidos e bemóis”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 1:07

20

6

129

Podcast “Dó”

Composto pelos autores exclusivamente para esta obra. 0:50

21

6

130

“Japurá River”

GLASS, Philip. “Japurá River”. Uakti (intérpretes). In: Philip Glass: Águas da Amazônia. Point Music, 1999.

4:47

22

Projeto Música

146

Missa Papae Marcelli: PALESTRINA, Giovanni Pierluigi da. Missa Papae I. Kyrie. Marcelli: I. Kyrie. Musopen. Disponível em: <https:// musopen.org/music/1312/giovanni-palestrina/ missa-papae-marcelli/>. Acesso em: maio de 2015.

3:29

23

Projeto Música

150

“Carinhoso”

2:34

BARRO, João de; PIXINGUINHA. “Carinhoso”. Pixinguinha e Elizeth Cardoso (intérpretes). In: Carinhoso. EMI Records, 2013.

bibliOgrafia BARBOSA, Ana Mae (Org.). Inquietações e mudanças no ensino de arte. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2012. ; AMARAL, Lilian (Org.). Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. São Paulo: Sesc-SP/Senac-SP, 2008. BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. São Paulo: Cosac Naify, 2013. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: Ministério da Educação, 1997. CANDAU, Vera Maria. Direitos humanos, educação, interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação. v. 13, n. 37, Rio de Janeiro: ANPEd, 2008. DEWEY, John. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010. DIDI-HUBERMAN, Georges. Atlas ou a gaia ciência inquieta. Lisboa: KKYM, 2013. FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas, São Paulo: Papirus, 2012. HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. São Paulo: Papirus, 2001. KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2006. MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Mediação cultural para professores andarilhos na cultura. São Paulo: Arte por Escrito/Rizoma Cultural, 2010. MATOS, Lúcia. Dança e diferença: cartografia de múltiplos corpos. Salvador: Edufba, 2012. p. 63-82. MORANDI, Carla; STRAZZACAPPA, Márcia. Entre a arte e a docência: a formação do artista da dança. Campinas: Papirus, 2012. MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. . Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo/Brasília: Cortez/Unesco, 2000. SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. Tradução de M. T. de O. Fonterrada et al. São Paulo: Ed. da Unesp, 1991. SPOLIN, Viola. Jogos teatrais para a sala de aula: um manual para o professor. São Paulo: Perspectiva, 2007. SWANWICK, Keith. Música, mente e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. TOMÁS, Lia. Ouvir o lógos: música e filosofia. São Paulo: Ed. da Unesp, 2002. WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

232 Novo_Radix_Arte8_PNLD2017_MP2_187a232.indd 232

6/23/15 6:34 PM


Mosaico_Arte_8ano_PNLD2017_Capa_AL_PR.indd 1

6/2/15 8:30 AM


Mosaico Arte 8° Ano