Issuu on Google+

6ยบ ano - Ensino Fundamental - Anos Finais - Arte

ARTE

BEร MEIRA, SILVIA SOTER, RICARDO ELIA E RAFAEL PRESTO

Mosaico_Arte_6ano_PNLD2017_Capa_AL_PR.indd 2

6

6/2/15 8:26 AM


6º ano - Ensino Fundamental - Anos Finais - Arte

ARTE Beá Meira

Formada pela FAU-USP Foi professora-assistente da PUC-Santos e do curso de Multimeios da PUC-SP Trabalhou como ilustradora, artista gráfica e cenógrafa em projetos na área de Educação e Teatro Atualmente é coordenadora pedagógica na Universidade das Quebradas, curso de extensão da UFRJ, e autora de livros didáticos e paradidáticos na área de Arte

Silvia Soter

Graduada em Artes pela PUC-RJ e em Dança pela Universidade de Paris 8 Mestre em Teatro pela Unirio Doutoranda em Educação da UFRJ Dramaturgista, crítica de dança e professora da Faculdade de Educação da UFRJ Organizadora e autora de diversas publicações na área de Corpo e Dança

ricardo elia

Formado em Cinema pela PUC-RJ Ministrou oficinas de criação artística em locais diversos, como o sertão de Alagoas, a Amazônia paraense e a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro É escritor e músico, com diversas obras publicadas na área de Música

rafael PreSto

Formado em Artes Cênicas pela ECA-USP Atuou como professor de teatro e percussão em escolas públicas e particulares Realizou oficinas no Caps do SUS e no Serviço de Medida Socioeducativa em São Paulo Atualmente, é teatrista do Coletivo de Galochas e membro do Coletivo DAR Autor e ilustrador de livros na área de Arte e Teatro

São Paulo 2015 1ª edição

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 1

6

6/23/15 3:37 PM


Diretoria de conteúdo e inovação pedagógica Mário Ghio Júnior Diretoria editorial Lidiane Vivaldini Olo Gerência editorial Luiz Tonolli Editoria de Língua Estrangeira e Arte Mirian Senra Edição André Albert (Shiraz Serviços SS) e Barbara Manholeti (estag.) Arte Ricardo de Gan Braga (superv.), Andréa Dellamagna (coord. de criação) , Catherine Saori Ishihara (editor de arte), Rafael Vianna Leal e Erik TS (program. visual), oak studio (diagram.) Revisão Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula Chabaribery, Gabriela Macedo de Andrade, Luís Maurício Bôa Nova e Brenda Morais, Barbara Molnar e Gabriela Lubascher Miragaia (estagiárias) Iconografia Sílvio Kligin (superv.), Carlos Luvizari e Evelyn Torrecilla (pesquisa) , Cesar Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem) Ilustrações Andrea Ebert, Bel Falleiros e Joana Resek Foto da capa: Aleksandr Markin/Shutterstock/Glow Images Protótipos Magali Prado Título original da obra: Projeto Mosaico Arte – 6 o ano Copyright © Beá Meira, Silvia Soter, Ricardo Elia e Rafael Presto Direitos desta edição cedidos à Editora Scipione S.A. Av. Nações Unidas, 7221, 3o andar, Setor D Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902 Tel.: 4003-3061 www.scipione.com.br / atendimento@scipione.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Projeto mosaico : arte : ensino fundamental / Beá Meira...[et al.]. -- 1. ed. -- São Paulo: Scipione, 2015. Outros autores: Silvia Soter, Ricardo Elia, Rafael Presto Obra em 4 v. para alunos do 6o ao 9o ano. 1. Artes (Ensino fundamental) I. Meira, Beá. II. Soter, Silvia. III. Elia, Ricardo. IV. Presto, Rafael. 15-03962

CDD-372.5

Índice para catálogo sistemático: 1. Português : Ensino fundamental 372.5 2015 ISBN 978 85 262 9696 1 (AL) ISBN 978 85 262 9697 8 (PR) Código da obra CL 713213 CAE 544761 (AL) / CAE 544762 (PR) 1a edição 1a impressão Impressão e acabamento

2 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 2

6/23/15 3:38 PM


APRESENTAÇÃO Ali Meyer/The Bridgeman Art Library/Keystone/ Naturhistorisches Museum, Viena, Áustria.

Estudante, seja bem-vindo! Nos quatro volumes desta coleção, você será convidado a trocar ideias com os colegas e o professor sobre obras, artistas, processos criativos e técnicas que fazem parte do mundo da arte. Dessa maneira, vai ampliar seu repertório em diversas linguagens e descobrir que convivemos com a arte diariamente em todos os lugares, mas, acima de tudo, vai perceber que podemos, por intermédio dela, transformar nosso cotidiano. Cada capítulo da obra foi concebido pensando em fortalecer seu envolvimento com a arte, estimular sua criatividade e promover debates por meio dos quais você possa ampliar sua visão de mundo, se expressar e trazer para a escola seu universo cultural. As propostas de atividades, que podem ser feitas individualmente ou em grupo, vão enriquecer sua forma de expressão nas linguagens da dança, da música, do teatro, das artes visuais e audiovisuais. A coleção é composta de quatro livros, e cada um deles aborda um tema transdisciplinar: o corpo, a cidade, o planeta e a ancestralidade. Tendo um deles como fio condutor, em cada ano você vai se aprofundar em uma das linguagens artísticas. O livro do corpo explora a dança, o livro da cidade trata das artes visuais e audiovisuais, o livro do planeta se conecta com a música e o livro da ancestralidade mergulha no teatro. Mas, como poderá perceber, a música e as artes visuais atravessam todos eles. Esperamos que esta viagem pelo universo da arte, muitas vezes prazerosa, outras vezes incômoda, desafie você a conhecer melhor o mundo e a si mesmo, possibilitando novas formas de investigação e de ação em seu dia a dia.

Os autores 3

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 3

6/23/15 3:38 PM


por dentro da obra

introdução ao volume

Conjunto de obras de épocas e culturas diferentes que se relaciona com o tema central do volume, conjugado à proposta de construção de um mapa.

Cada volume desta coleção é composto de 6 capítulos e 2 projetos

Painel

abertura de caPítulo

Uma imagem e algumas questões introduzem o tema central que será tratado no capítulo.

Obras, de lugares e épocas diferentes, agrupadas em torno do tema que será trabalhado no decorrer de todo o capítulo. O conjunto convida os estudantes a estabelecer relações entre elas.

começando Por você

Um texto aborda a relação dos estudantes com o tema e suscita questões que partem de conhecimentos prévios da turma.

Fala o artista

Uma afrmação feita por um artista, acompanhada de imagem, propõe uma discussão coletiva em torno dos temas tratados.

Pensando com a História

Um texto discorre sobre uma questão histórica ligada ao tema do capítulo.

Hora da troca

Com base em um recorte do tema trabalhado, os estudantes são convidados a trazer para a sala de aula suas referências. Para subsidiar o trabalho, são oferecidos endereços de sites em que se pode obter informação, ouvir música ou assistir a vídeos.

4 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 4

6/23/15 3:38 PM


debate

Um conjunto de obras é oferecido aos estudantes, e são lançadas algumas provocações para despertar um debate, que, na maioria das vezes, extrapola o caráter estético das propostas artísticas.

atividades

Atividades práticas, em linguagens variadas, orientadas com instruções precisas a fm de que os estudantes possam experimentar a linguagem estudada.

teoria e técnica

Seção que, além de ensinar técnicas a fm de preparar os estudantes para a experimentação artística, apresenta conceitos teóricos sobre os temas estudados.

Este ícone indica que há conteúdo digital disponível no Manual do Professor multimídia.

caderno de ProJetos ProJeto 1 – corPo (interdisciPlinar) Sugestão de leitura e propostas para um trabalho interdisciplinar coletivo.

Jeitos de mudar o mundo

Exemplos de pessoas e ações que transformaram o mundo e apontaram caminhos para o futuro.

ProJeto 2 – dança (de linguagem)

Instruções detalhadas acompanhadas de ilustrações e dicas para que a turma possa realizar um projeto de uma das linguagens que predominaram no volume.

Seções especiais

exPlore também

Dicas de livros, flmes, sites, festivais, museus e exposições relacionadas aos temas estudados em cada capítulo.

5 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 5

6/23/15 3:38 PM


A ARTE E O CORPO

CAPÍTULO

1

A REPRESENTAÇÃO DO CORPO

Afeto

12

Beleza

12

Anatomia

13

O corpo pensa?

13

Movimento

14

Saúde

15

Esporte

15

Consciência

16

Diferença

16

O corpo ama?

17

O som do corpo

18

Gesto

18

Morte

19

Mapa do meu corpo

Avener Prado/Folhapress

Márcia Farias/Imagens do Povo

SUMÁrIo ABERTURA

19

Começando por Você Painel Representações do corpo humano Fala o Artista Ernesto Neto Pensando com a História O belo grego Hora da Troca Retrato e autorretrato Debate A beleza, o corpo e a arte Teoria e Técnica O desenho Atividades 1. Desenho de modelo 2. Vamos sentir o corpo?

21 22 22 30 30 31 31 32 32 34 34 36 36 38 38 39

6 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 6

6/23/15 3:38 PM


O CORPO NA ARTE

2

Começando por Você Painel O corpo fala Fala o Artista Sobre o trabalho de Lygia Pape Pensando com a História Pintura corporal nos povos indígenas Hora da Troca Pintura corporal e adornos Debate Adorno corporal e identidade Teoria e Técnica Pintura do corpo Atividades 1. Pintura corporal 2. Pegadas

41 42 42 50 50 51 51 52 52 54 54 56 56 58 58 59

Rimagine Group Limited/Cultura RF/Getty Images

Celia Peterson/Getty Images

CAPÍTULO

CAPÍTULO A ROUPA E A ARTE Começando por Você Painel Histórias do vestuário e da moda Fala a Artista Zuzu Angel Pensando com a História Tendência versus invenção Hora da Troca Design de adereços Debate Roupa, conforto e elegância Teoria e Técnica A linha e o bordado Atividades 1. Customização 2. Enfeite para o corpo

3 61 62 62 70 70 71 71 72 72 74 74 76 76 77 77 78

7 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 7

6/23/15 3:38 PM


A PERFORMANCE

Ubirajara Machado/Olhar Imagem

André Vante/Acervo do fotógrafo

4

CAPÍTULO

CAPÍTULO DANÇAS POPULARES

5

Começando por Você

81

Começando por Você

97

Painel

82

Painel

98

O que é performance? Fala a Artista Eleonora Fabião Pensando com a História Corpo, performance e festa Hora da Troca Ver e entender performances Debate

Performance, política e diversidade Teoria e Técnica

Performance Atividades

82 88 88 89 89 90 90 92 92 94 94 95

A dança popular no Brasil Fala o Artista Antonio Nóbrega Pensando com a História O bumba meu boi Hora da Troca Danças e músicas populares no Brasil Debate Danças urbanas Teoria e Técnica Partitura de passos e palmas Atividades

98 104 104 105 105 106 106 108 108 110 110 111

1. Performance

95

1. Dançar uma ciranda

111

2. Relato

95

2. Entrar na roda para improvisar

111

8 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 8

6/23/15 3:38 PM


DANÇA CONTEMPORÂNEA

6

Começando por Você Painel Dança contemporânea no plural Fala a Artista Lia Rodrigues Pensando com a História A dança pós-moderna norte-americana Hora da Troca Usos de gestos e lugares cotidianos na dança Debate Plágio ou inspiração? Teoria e Técnica Corpo e espaço Atividades 1. O espaço na dança 2. Dançar a dois sem se tocar

JEITOS DE MUDAR O MUNDO EXPLORE TAMBÉM BIBLIOGRAFIA

Eduardo Knapp/Folhapress

Fredy Vieira/Folhapress

CAPÍTULO

CADERNO DE

PROJETOS PROJETO 1

113

O CORPO

130

114

Pensando sem Fronteiras

131

114

Projeto de Pesquisa

134

120

Como organizar o trabalho

120

134

Temas para o projeto

135

121 121 122

PROJETO 2 DANÇA

138

Levantamento de Dados e Exercícios de Observação

139

126

Experimentar o Princípio da Acumulação

142

126

Explorar Movimentos

144

127

Compor a Sequência

145

127

Ensaiar e Organizar a Dança no Espaço

147

127

Apresentar a Dança

147

122 124 124

148 150 152

9 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_IN_001a009.indd 9

6/23/15 3:38 PM


Mรกrcia Farias/Imagens do Povo

10 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 10

6/23/15 3:39 PM


A ARTE E O CORPO A arte está presente em nossa vida mesmo quando não nos damos conta disso. Convivemos com ela nas festas de que participamos, nas novelas que vemos, nas ruas que percorremos. Estamos em contato com ela quando cantamos, dançamos ou apreciamos objetos em museus. Você imagina um mundo sem música nem dança, sem história nem imagem? Neste ano, o corpo está no centro da disciplina Arte. Prepare-se para pesquisar e pensar sobre ele! A exemplo dos dançarinos no baile desta imagem, você vai representar, sentir, imaginar, expressar e movimentar muito seu corpo! 11 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 11

6/23/15 3:39 PM


O

corpo se expressa na dança, na performance, no teatro. Além de fonte de som e movimento, é tema constante nas artes visuais e audiovisuais. Como suporte para pinturas, roupas e acessórios, comunica muito sobre quem somos. Por isso, estudar as questões da arte relacionadas com o corpo nos leva a pensar em como somos e em quem somos. Ou seja, nos leva a refletir sobre nossa identidade.

AKG-Images/Album/Latinstock/Alte Pinakothek, Munique, Alemanha.

Que temas podem ser estudados com base no corpo? Antes de explorar as próximas páginas, faça um desenho simples do corpo humano em uma folha à parte e anote ao redor dele os temas que ocorreram a você.

BelezA No campo da moda o corpo é o suporte da arte na busca pela beleza. A variedade étnica e cultural sempre foi inspiração para estilistas e designers de acessórios. Note os elementos que compõem a figura desta garota da etnia Fulani que vive no Níger, fotografada pelo britânico John Kenny (1957), em 2009. Você considera esta fotografia bela? Que elementos contribuem para isso?

Fotografia • Reino Unido • Níger • Século XXI

John Kenny/Acervo do fotógrafo

John Kenny, menina da etnia Fulani, 2009. (Fotografia. West African Society.)

Pintura • Península Itálica • Século XVI Rafael Sanzio, A virgem e o menino, c. 1505 (Óleo sobre madeira, 77 cm × 53 cm. Alte Pinakothek, Munique, Alemanha.)

Afeto O corpo é fonte de afeto. O pintor Rafael Sanzio (1483-1520) mostra o amor entre mãe e filho na pintura A virgem e o menino (1505), que representa Maria e Jesus. A mãe amamenta seu filho, compartilha seu corpo e seu tempo com o bebê que acaba de chegar ao mundo. De que formas o corpo demonstra afeto?

12 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 12

6/23/15 3:39 PM


A anatomia humana é a parte da Biologia que estuda a estrutura do nosso corpo. Para essa área da ciência, o corpo é dividido em sistemas, como respiratório, digestório, ósseo, muscular, entre outros. O artista britânico Damien Hirst (1965) tem interesse pelo mistério da vida e da morte. Muitos de seus trabalhos tratam dessas questões em formas visuais. Hino, produzida originalmente em 1999, é uma enorme escultura de bronze pintada como se fosse um brinquedo educativo desmontável. O que você conhece sobre anatomia?

Marion Kalter/AKG-Images/Album/Latinstock/Tate Modern, Londres, Inglaterra.

AnAtomiA

Damien Hirst, Hino, 1999. (Escultura em bronze, 848 cm × 335 cm × 206 cm.) Escultura • Reino Unido • Século XXI

o corpo pensA?

Everett Collection/Keystone

O corpo toma atitudes e faz movimentos, às vezes de forma involuntária. Ele tem memória e aprende todo dia. Sentir, pensar e agir são mecanismos que compõem um sistema complexo que envolve todo o corpo. Esta imagem mostra uma cena de 2001: uma odisseia no espaço, filme lançado em 1968 pelo norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999). Nele o capitão de uma viagem espacial trava com um computador uma disputa pelo controle da nave. Quem você acha que vence essa luta? Por quê? Cinema • EUA • Século XX

Stanley Kubrick, 2001: uma odisseia no espaço, 1968. (Ficção científica, 160 min.)

13 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 13

6/23/15 3:39 PM


MoviMento O corpo é dotado de vida – e vida é movimento, transformação. Você já notou a quantidade de movimentos diferentes que fazemos em nossas tarefas diárias? Já percebeu que cada pessoa tem uma forma diferente de se movimentar? Observe estas imagens que compõem um dos estudos do fotógrafo britânico Eadweard Muybridge (1830-1904). Anos antes da invenção do cinema, ele criou um sistema que lhe permitiu fazer fotos sucessivas. Em Homem correndo, de 1885, vemos como o corpo se movimenta numa corrida. E você, tira os pés do chão quando corre? Eadweard Muybridge/Getty Images

Fotografia • Reino Unido • Século XIX Eadweard Muybridge, Homem correndo, c. 1885. (Sequência de fotografias.)

14 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 14

6/24/15 3:14 PM


sAúde Ter um corpo saudável depende de vários fatores, como alimentação balanceada, boas horas de sono, atividade física regular e exposição ao sol em horários adequados. A alegria também é fundamental na luta que travamos contra as doenças. O coletivo de atores Doutores da Alegria ajuda na recuperação de crianças hospitalizadas promovendo momentos de muita diversão. Você gosta de palhaçadas? Como se sente depois de dar boas risadas?

Nacho Doce/Reuters/Latinstock

Teatro • Brasil • Século XXI

Atriz integrante do grupo Doutores da Alegria a entreter uma criança em hospital de São Paulo, SP. Foto de 2010.

esporte As atividades esportivas reúnem o prazer lúdico do jogo e a disciplina, e ajudam a desenvolver o corpo e a melhorar a forma física. Muitas culturas praticam jogos rituais corporais. Os Jogos Olímpicos nasceram na Grécia antiga e eram originalmente um ritual em homenagem a Zeus, rei dos deuses. Os vencedores dessas competições eram celebrados pelos poetas, e suas imagens foram eternizadas em esculturas como esta, que representa um discóbolo (atirador de discos). A imagem é de uma réplica, ou seja, uma cópia da obra de bronze que havia sido feita pelo escultor Míron no século IV a.C. O que você sente quando participa de uma competição esportiva?

Jeff Overs/BBC News & Current Affairs/Getty Images/Museu Britânico, Londres, Inglaterra.

Escultura • Roma • Grécia • Século II

Autor desconhecido, réplica romana de O discóbolo, de Míron, c. 140 d.C. (original de c. 450 a.C.). (Escultura em mármore, 1,7 m. British Museum, Londres, Inglaterra.)

15 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 15

6/23/15 3:39 PM


Para manter o equilíbrio, é preciso ter concentração e domínio sobre o corpo. O francês Philippe Petit (1949) se sustentou durante uma hora, em 1974, numa corda estendida a mais de 400 metros de altura. O feito ocorreu entre as torres do antigo World Trade Center, conhecidas como Torres Gêmeas, em Nova York, nos Estados Unidos. Esses edifícios eram, na época, os mais altos do mundo. Você consegue se concentrar durante uma hora em uma coisa só?

Bill Stahl Jr./NY Daily News Archive/Getty Images

consciênciA

James Marsh, O equilibrista, 2008. (Documentário, 94 min.) Na imagem, o equilibrista Philippe Petit durante sua célebre travessia, em 1974. Cinema • França • EUA • Século XX Diane Arbus/Fraenkel Gallery

Fotografia • EUA • Século XX

diferençA Os seres humanos são diferentes. Cada um de nós tem suas particularidades. Conhecer essas diferenças e respeitá-las é fundamental para a vida social. Conviver com pessoas diferentes enriquece nosso cotidiano com perspectivas variadas. Pessoas com síndrome de Down, por exemplo, têm uma forma diferente de se relacionar com o mundo e costumam demonstrar muito afeto. A fotógrafa norte-americana Diane Arbus (1923-1971) se interessou por retratar todos os tipos de pessoa, apontando, nos anos 1960, para a diversidade das formas de beleza e comportamento. Você sabe respeitar as diferenças? Diane Arbus, Down, 1971. (Fotografia.)

16 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 16

6/23/15 3:39 PM


Reprodução/Editora Panini Comics

HQ • Brasil • Século XXI Fábio Moon e Gabriel Bá, Daytripper, 2011. (História em quadrinhos.)

o corpo AmA? Quando sentimos desejo de estar perto de alguém, é como se nosso corpo falasse bem alto: “Eu te amo!”. Algumas pessoas combinam umas com as outras, seus corpos dialogam. Até mesmo o cheiro que exalamos pode atrair ou repelir outra pessoa. No desenho delicado dos gêmeos quadrinistas brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá (1976), dois adolescentes se descobrem apaixonados num beijo, em meio a uma perigosa aventura. Você já pensou em como seu corpo responde aos diferentes sentimentos?

17 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 17

6/23/15 3:39 PM


Crianças da etnia Guarani Mbyá cantam em Parelheiros, São Paulo, 2011. Ritual • Brasil • Século XXI Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

O SOM DO CORPO

GESTO O gesto é a linguagem do corpo – por meio de uma infinidade de gestos, nosso corpo se comunica com o universo. A coreógrafa brasileira Dani Lima (1965) fez uma pesquisa para levantar cem gestos importantes na história do século XX. Após entrevistar especialistas e realizar um trabalho corporal com seis bailarinos, ela preparou um espetáculo de dança e um livro sobre sua pesquisa. Pense você também no que ela se perguntou: O que em nossos gestos é fruto da memória da infância? O que aprendemos ao conviver com amigos e colegas? O que copiamos, sem perceber, do que vemos na mídia ou no lugar onde vivemos?

Fabio Seixo/Editora Cobogó

Com o corpo, fazemos som e produzimos música. Ele pulsa num ritmo de vida, e a voz nos permite cantar. A música, em geral, é um acontecimento coletivo. Na imagem vemos crianças indígenas da aldeia Temondé Porã, do povo Guarani Mbyá, que vivem na região de Parelheiros, em São Paulo. As crianças reunidas cantam ao som do ritmo marcado pelos pés. Para esse povo, o canto é uma forma de entrar em contato com os espíritos da natureza. Que tipos de som você sabe fazer com seu corpo?

Dança • Brasil • Século XXI

Fotografia de Fabio Seixo para o livro Gesto: práticas e discursos, de Dani Lima, 2013.

18 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 18

6/24/15 3:15 PM


Reprodução/Museu Munch, Oslo, Noruega.

morte A morte é o grande mistério. Sabemos que depois de morto o corpo se decompõe. Mas será que a vida se resume ao corpo? Na gravura Harpia, o norueguês Edvard Munch (1863-1944) representa um corpo que acaba de ter a vida roubada por uma criatura mítica.

Edvard Munch, Harpia, c. 1900. (Litografia, Munchmuseet, Oslo, Noruega.) Gravura • Noruega • Século XIX

Nesta atividade, a ideia é que os alunos percebam e avaliem quanto conhecem de si mesmos. Você pode até mesmo sugerir-lhes que usem a imaginação e se representem da forma como gostariam de ser. Também pode aproveitar esse momento para discutir com a turma as questões colocadas no enunciado: O que somos? Como gostaríamos de ser? Como somos vistos pelos outros? Esta atividade não deve ser avaliada em grupo com a classe. Deixe isso claro para os alunos, pois quanto mais sentirem que sua individualidade será preservada, mais poderão se expressar de forma autêntica. Esse é um dos pontos mais importantes nesta primeira atividade. De posse desses mapas, você terá um bom diagnóstico de seus alunos para começar o trabalho deste ano, que vai girar em torno das questões que envolvem o corpo.

MAPA DO MEU CORPO Para todos nós é difícil fazer a separação entre o que somos e o que gostaríamos de ser. Nem sempre também conseguimos diferenciar a visão que temos de nós e a forma como outras pessoas nos veem. Você se conhece? Conhece seu corpo? Percebe que ele está em constante transformação? O que você pode dizer sobre si mesmo em um mapa de seu corpo? Em uma folha à parte, procure expressar tudo isso! Desenhe seu corpo todo sem se olhar no espelho, apenas como você se imagina. Represente elementos que se relacionem com sua personalidade para dar mais significado a seu mapa. Por exemplo: uma menina que joga basquete pode colocar uma bola na mão. Na imagem, você pode expressar suas fragilidades e forças. Não tenha receio de representar uma dor física ou mesmo emocional. MATERIAL: Folha A3 ou maior, lápis 6B e lápis de cor.

19 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C0_010a019.indd 19

6/23/15 3:39 PM


1

CAPÍTULO

a repreSenTaçÃo do corpo

1 2 3

u Observeuauimagem.uOuqueuvocêuachauqueuessasupessoasuestãoufazendo? Elas estão esculpindo figuras humanas de grandes dimensões.

Vocêujáufezurepresentaçõesudeucorposuhumanos?uQueupessoasurepresentou?

Resposta pessoal.

Comourepresentouuessesucorpos?uEmuqueuposições? Resposta pessoal.

20 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 20

6/23/15 3:40 PM


Tema

ObjeTO

COnCeiTO

Representação

Corpo humano

Beleza

Tema Transversal

TéCniCa

Habilidade

Retrato

Consciência corporal

começando por você

Todos os capítulos deste livro se iniciam com questões de exploração do tema a ser trabalhado. Os alunos devem ficar à vontade para responder livremente a essas questões. Verifique se todos compreendem o significado de representação e dê exemplos, se achar necessário. Na última pergunta, estimule a turma a listar todos os aspectos envolvidos no ato de representar o corpo humano visualmente.

Ao longo da História, as pessoas sempre se interessaram por representar a figura humana. Os objetivos eram variados: narrar histórias, atribuir significados mágicos e religiosos ou mesmo investigar o funcionamento do corpo. O corpo humano aparece representado em pinturas, fotografias, filmes, esculturas e grafites. As figuras humanas criadas pelos artistas podem ser, por exemplo, retratos de pessoas ou personagens inspirados em textos literários. Podem ainda representar deuses ou um valor abstrato, como o amor e a liberdade. Atualmente existem também os personagens virtuais, chamados de avatares, que podem nos representar em um jogo ou até mesmo numa reunião de negócios. Ina Fassbender/Reuters/Latinstock

Avener Prado/Folhapress

Saúde

Confecção de detalhes de carros alegóricos da escola de samba Mancha Verde, em São Paulo, para o desfile do Carnaval de 2013.

Personagens disponíveis nas galerias de jogos e aplicativos com os quais é possível criar narrativas ou atuar em redes sociais e de trabalho.

Reflita sobre estas questões e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Você já usou avatares? Você se identifica com algum deles?

2

Os avatares têm alguma influência em sua vida?

3

Você sabe quem são os criadores desses personagens?

É provável que os alunos respondam negativamente à última questão. Procure trabalhar com eles a questão da autoria desconhecida: muitas pessoas produziram e produzem arte, mas poucos têm o nome reconhecido amplamente.

capítulo 1 • 21 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 21

6/23/15 3:40 PM


Painel repreSenTaçÕeS do corpo humano Nas páginas deste Painel vamos conhecer as diferentes formas como artistas de épocas e culturas variadas representaram o corpo humano e refletir sobre elas.

Para alguns estudiosos, a Vênus de Willendorf poderia ser uma mulher grávida. Para outros, suas formas volumosas remeteriam à ideia de fartura, em um período em que a alimentação era mais escassa – a Europa passava por um período de glaciação quando a escultura foi produzida. Independentemente das interpretações que os alunos possam fazer, o importante é que eles percebam, nesta e em outras imagens deste capítulo, as transformações no padrão físico das representações do corpo. Incentive a turma a refletir também sobre questões técnicas da produção desta obra. Os alunos conhecem a textura da pedra calcária? (Ela é suave, fácil de ser esculpida.) Imaginam como são as possibilidades de trabalhar com ela? (É possível, por exemplo, desbastar e polir com facilidade, tomando cuidado com gestos mais bruscos.) Como deviam ser os instrumentos para esculpir na época em que a escultura foi produzida? (Provavelmente instrumentos de pedra lascada ou polida, que poderiam trabalhar com um material pouco rígido como é o calcário.)

Ali Meyer/The Bridgeman Art Library/Keystone/ Naturhistorisches Museum, Viena, Áustria.

Escultura • Europa ocidental • 24000-22000 a.C.

Autor desconhecido, Vênus de Willendorf, c. 24000-22000 a.C. (Escultura em pedra, 11 cm de altura, Museu de História Natural de Viena, Áustria.)

Explique aos alunos que, quando não sabemos a data exata de uma obra, usamos “c.” antes da data aproximada.

As primeiras representações do corpo que conhecemos são pequenas figuras esculpidas em pedra, ossos, chifres e marfim há cerca de 20 mil anos. A mais conhecida delas é a Vênus de Willendorf, encontrada na Áustria. Essa escultura, feita de pedra calcária, tem 11 centímetros de altura, e suas formas são volumosas e arredondadas. Essas esculturas femininas antigas, sobre as quais sabemos muito pouco, foram chamadas de maneira geral de Vênus, o nome da deusa romana do amor e da beleza. Para alguns estudiosos, a Vênus de Willendorf poderia ter relação com cultos à fartura ou à fertilidade. Ao ver essa escultura, o que passa por sua cabeça?

22 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 22

6/23/15 3:40 PM


Escultura • Roma • Século I a.C.

Não há uma interpretação única para esta imagem; por isso, os alunos devem ficar à vontade para refletir. Podemos supor, por exemplo, que o garoto representado, de aproximadamente 12 anos, fosse filho de um homem poderoso, que pode ter encomendado a escultura, ou filho do escultor, que o representara por simples deleite ou para treinar sua técnica. Ainda podemos imaginar uma história em que o personagem, por inexperiência, ao andar descalço pela mata, teria sido contaminado com o veneno do espinho, e esse fato teria mudado para sempre sua vida. Se achar pertinente, proponha uma comparação com a imagem da página anterior no que diz respeito aos aspectos técnicos e estéticos da representação: que diferenças os alunos veem na forma de representar o corpo? A turma acha que os materiais utilizados fazem diferença no resultado final? Que diferenças seriam essas? Se for preciso, explique que Roma fica na atual Itália. Na época em que a escultura foi feita, Roma era a capital de uma República que se estendia por quase toda a região do mar Mediterrâneo.

Autor desconhecido, Espinário, c. século I a.C. (Escultura romana em bronze, 73 cm de altura, Museus Capitolinos, Roma, Itália.) , Ro linos apito seus C stock/Mu n i t a L / m u b l Oronoz/A

Esta pequena escultura, que representa um jovem tirando um espinho do pé, tem sido muito apreciada desde que passou a ser exposta num importante museu em Roma, em 1471. A escultura chama a atenção por representar uma cena cotidiana, coisa rara na época e na cultura em que foi feita. Em geral, na arte da Antiguidade clássica, as figuras humanas apareciam em gestos heroicos ou em posições dignas, que expressassem valores como poder e sabedoria. Por que um artista se interessaria por representar um adolescente executando uma ação tão banal?

uu

. lia , It á ma

Antiguidade clássica:u nomeuqueuseudáuàsusociedadesu euculturasugregaueuromanaunou períodouanterioruaouséculouV.u AuculturaudauAntiguidadeuclássicau influenciouuartistasuemudiversosu períodosuposteriores.

CAPÍTULO 1 • 23 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 23

6/23/15 3:40 PM


The Bridgeman Art Library/Keystone/Royal Collection Trust, Londres, Inglaterra.

Desenho • Florença • Século XVI

É interessante observar que os desenhos de anatomia feitos por Leonardo da Vinci são estudados atualmente tanto pelas preocupações científicas do autor (a busca por compreender o funcionamento do corpo) como pelas características estéticas e pela técnica artística. As imagens que usamos atualmente para investigar o interior do corpo são, em geral, mais abstratas. Os instrumentos tecnológicos permitem, por exemplo, localizar especificidades que não são perceptíveis a olho nu e representá-las usando convenções (cores e linhas, por exemplo). Representam uma “fatia”, uma secção de uma parte do corpo ou órgão, como no caso de uma tomografia, ou um detalhe, como no caso do ultrassom. Muitas vezes, apenas médicos e outros profissionais de saúde são capazes de interpretar essas imagens. Se julgar necessário, explique aos alunos que Florença é uma cidade que hoje faz parte da Itália.

Leonardo da Vinci, Estudos da anatomia do ombro, 1510. (Pena e tinta sobre papel, 29,2 cm × 19,8 cm. Coleção Real, Londres, Inglaterra.)

uu

Dissecar:usepararuosu diferentesuelementosu queucompõemuumucorpou aufimudeuestudá-losuumu poruum.

O artista florentino Leonardo da Vinci (1452-1519) queria conhecer e entender o corpo humano. O interesse científico levou-o a dissecar cadáveres para estudar a forma e a função dos músculos e dos órgãos. Leonardo da Vinci empregou técnicas simples, como a observação e o desenho, para tentar desvendar o funcionamento do corpo. Desenhos como os desse estudo da anatomia do ombro foram usados como ilustração nos primeiros livros de Medicina. Como são as imagens que usamos hoje para investigar o interior do corpo humano? Podemos dizer que elas são belas?

24 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 24

6/23/15 3:40 PM


Reprodução/Catálogo da exposição Negras memórias, memórias de negros.

Escultura • Brasil • Século XX

O que nos chama a atenção na figura deste ex-voto é o coração pendurado no pescoço, como uma medalha. Seria um pedido de um jovem apaixonado ou de alguém que sofre de uma doença cardíaca? No que diz respeito à representação do corpo, trata-se de um ex-voto entalhado em duas peças de madeira – uma maior, para o corpo, e uma menor, para a cabeça –, complementado por uma terceira peça, pendurada, em forma de coração. Os ex-votos são sempre figurativos, isto é, buscam representar uma parte do corpo ou o corpo inteiro, mas variam quanto ao material, à técnica e ao acabamento. No caso desta obra, não se busca reproduzir à perfeição as formas do corpo humano, e um órgão interno do corpo (o coração) aparece representado propositalmente. Isso não significa que não haja apuro técnico em sua elaboração: note-se, por exemplo, que a obra foi polida, de modo que a madeira tomou um aspecto lustroso e arredondado.

Autor desconhecido, sem título (ex-voto), século XX. (Escultura em madeira, coleção particular. Apresentada na exposição Negras memórias, memórias de negros, realizada em Belo Horizonte, MG, em 2003.)

Os ex-votos são um tipo de representação encontrado no interior do Brasil, ligado ao universo religioso e mágico. Essas pequenas esculturas de madeira ou cera representam o corpo de uma pessoa doente ou parte dele. Elas são feitas com a intenção de capturar a doença, transferindo-a do corpo para a representação. Os ex-votos são deixados junto a cruzeiros, grutas e igrejas católicas, acompanhados de pedidos de cura. Qual seria o pedido que acompanhava essa escultura?

uu

Cruzeiro:ucruzuerguidauemu igrejas,ucemitérios,uestradasu ouunoualtoudeumorros,ujuntouàu qualuosudevotosurezamueu acendemuvelasupelasualmasu dosufinados,uentreuoutrosu rituaisupopulares.

CAPÍTULO 1 • 25 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 25

6/23/15 3:40 PM


Pintura • Brasil-RJ • Século XX © Elisabeth di Cavalcanti/Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, SP.

Di Cavalcanti, Os pescadores, 1951. (Óleo sobre tela, 114 cm × 162 cm. Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo, SP, Brasil.)

Di Cavalcanti ficou conhecido por valorizar a beleza das brasileiras negras e pardas, em uma época em que o padrão europeu ocidental de beleza ainda era hegemônico nas escolas de belas-artes e nas exposições de artes plásticas. Nessa pintura ele exagera no tamanho das mãos dos personagens. Talvez quisesse chamar a atenção para a importância do trabalho manual realizado pela dupla. Procure também perguntar aos alunos o que eles notam a respeito do uso das cores na tela. Que tons predominam? Como o artista usou a luz e as sombras na representação?

A figura humana predomina na obra do artista carioca Di Cavalcanti (1897-1976). Os personagens de suas pinturas são representados frequentemente com corpos fortes, como os pescadores que você vê na tela. O artista foi um dos organizadores da Semana de Arte Moderna, que ocorreu em São Paulo, em 1922. Di Cavalcanti, assim como outros artistas de sua época, preocupou-se em representar os tipos físicos dos trabalhadores brasileiros. Observe a proporção das figuras: que partes do corpo dos personagens aparecem em destaque?

uu

Semana de Arte Moderna de 1922:ufestivaluorganizadou nouTeatrouMunicipaludeuSãouPaulou comuobrasueuapresentaçõesudeu diferentesulinguagensuartísticas.u Emucomum,uosutrabalhosu propunhamutemasueuformasu diferentesudosuqueucostumavamu serupraticadosupelasuescolasudeu arteubrasileirasunouinícioudou séculouXX.

26 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 26

6/23/15 3:40 PM


Fotografia • Escultura • Brasil-RJ • Século XX

Desde seus primeiros trabalhos, o escultor carioca Ernesto Neto (1963) explorou as possibilidades da escultura com formas orgânicas feitas com tecidos elásticos. Em 1998, ele concebeu a Nave Deusa, uma escultura feita de tecido flexível e transparente, que pode ser percorrida pelo espectador. E, a partir daí, criou muitos objetos nos quais tecidos elásticos e tramas de crochê envolvem porções de bolinhas de chumbo, de plástico, de isopor, especiarias e pigmentos, como se fossem bolsas de texturas e cheiros. Essas obras, em geral, são esculturas de grandes dimensões nas quais podemos entrar a fim de percorrê-las ou de abandonar o corpo dentro delas por algum tempo, apenas para sentir o prazer do conforto e o estímulo aos sentidos oferecido pelos materiais. Elas são macias, moles, flexíveis, movediças e, às vezes, cheirosas, e nos fazem pensar sobre o corpo. Na obra O tempo e o sono vazio, apresentada nesta página, o artista elaborou uma escultura que acolhe e emoldura o próprio corpo. O trabalho final, porém, consiste em um díptico com duas fotos coloridas: na primeira imagem, contemplamos o artista envolto pela forma orgânica e, na segunda, a forma vazia. Para Ernesto, o corpo é nosso planeta! E para você, o que é o corpo?

ExploreuoutrasuobrasudeuErnestouNetounosu sitesudauGaleriauFortesuVillaçaueudouArmoryu Park.uDisponíveisuem:uu<www.fortesvilaca. com.br/artistas/ernesto-neto>ueuu <www.armoryonpark.org/index.php/ programs_events/detail/ernesto_neto_in_ the_wade_thompson_drill_hall/>.uu Acessouem:u20ujun.u2015.

Os adolescentes da turma estão em uma fase de transições rápidas e podem ver o corpo como um problema, mas ele pode ser também fonte de prazer e alegria. Estimule os alunos a falar sobre como percebem o corpo sensorialmente e com que objetos ou superfícies se sentem confortáveis ou acolhidos. Procure propor uma conversa a respeito do título da obra e suas características. Como os alunos interpretam esse título após observar a imagem? A estrutura mole que envolve o artista lhes remete a algum objeto? uu

Díptico:uconjunto de dois elementos que fazem parte da mesma obra.

Fotos: Reprodução/Galeria Fortes Vilaça/Museu de Arte Moderna, São Paulo, SP.

Ernesto Neto, O tempo e o sono vazio, 2000. (Fotografia em cores de escultura, 100 cm × 216 cm, Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP, Brasil.)

capítulo 1 • 27 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 27

6/23/15 3:40 PM


Grafite • Brasil-SP • Século XXI

No século XXI, o grafite tomou conta de algumas cidades no mundo todo. A cidade de São Paulo se destaca no cenário mundial de arte de rua: circulando por entre muros, vielas, avenidas e viadutos, é possível se surpreender com grandes painéis de artistas anônimos e conhecidos, como OSgEMEOS, Magrela, Speto, Titi Freak e Chivitz. Nesta enorme pintura vemos a figura de um skatista. Esta imagem faz com que você se lembre de outras linguagens artísticas? Quais?

Paulo Taman/Acervo do fotógrafo

Vários personagens de histórias em quadrinhos e desenhos animados têm pernas e braços grandes, entre outras alterações nas proporções das partes do corpo, o que acaba causando acidentes ou rendendo vantagens em suas aventuras. Os alunos também podem notar a referência ao universo hip-hop nos trajes do personagem e no aparelho sonoro que ele carrega. Pergunte aos alunos se eles já viram grafites como esse na cidade em que moram ou em outros lugares. Qual é a opinião deles a respeito desse tipo de arte?

Chivitz, sem título, 2011-2013. (Grafite, São Paulo, SP, Brasil.) Foto de 2014.

28 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 28

6/23/15 3:40 PM


Roberto Filho/FotoArena

Escultura • Reino Unido • Século XXI

Ron Mueck, Casal debaixo do guarda-sol, 2013. (Técnica mista, 300 cm × 400 cm × 350 cm, em exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM-RJ, em 2014.) uu

Chame a atenção dos alunos para as dimensões da obra, apontadas na legenda. É importante que eles comecem a se familiarizar com esse tipo de informação e percebam sua utilidade na compreensão de aspectos da obra.

Ron Mueck (1958) é um artista australiano radicado no Reino Unido que faz parte de um grupo conhecido como YBAs, ou Young British Artists [Jovens Artistas Britânicos]. Na década de 1990, esses artistas chamaram a atenção no mundo das artes com uma exposição que mostrou obras feitas com animais mortos, sangue e até excremento de elefante. Muitos desses trabalhos partiam de questões ligadas ao corpo para refletir sobre a sociedade. Usando borracha moldada, Ron Mueck desenvolveu uma técnica para representar figuras de forma muito realista, porém fora de escala. O público costuma ficar fascinado com a aparência dos personagens. Você gostaria de vê-los de perto?

Escala:urelaçãouentreuasu dimensõesudeuumuobjetououuseru euasudeusuaurepresentação.u Dizemosuqueuumaurepresentaçãou estáuforaudeuescalauquandouau reproduçãouéumaioruouumenoru queuouobjetourepresentado. 2. A Vênus pode estar de pé ou deitada, com os braços sobre os seios, e os pés podem ter se quebrado. Na escultura romana um jovem sentado tira um espinho do pé. O corpo desenhado por Da Vinci está morto e foi manipulado pelo artista. O ex-voto está em posição de alerta, mas carrega um coração. Na obra de Di Cavalcanti, a mulher observa e o homem limpa um peixe. Ernesto Neto parece dormir de pé, ou apenas sente a massa mole que o envolve. O garoto do grafite vai se divertir com um skate e um aparelho de som, mas seus pés estão em desacordo com a situação. O casal debaixo do guarda-sol pode estar em férias: o homem parece ter o pensamento distante e o corpo da mulher o acolhe.

Reflita sobre as imagens do Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos.

1

Qual das representações do corpo apresentadas aqui você achou mais interessante? Por quê? Resposta pessoal.

2

O que se pode dizer a respeito da atitude de cada corpo na representação que se fez dele?

3

Verifique nas legendas das imagens que técnicas e materiais foram utilizados para a elaboração de cada uma dessas obras.

4

É possível pensar em semelhanças entre essas obras de arte, produzidas em tempos e lugares tão difeA Vênus, o ex-voto e Ernesto Neto estão de pé, vistos de frente, os dois últimos com os braços ao longo do corpo. Di Cavalcanti e Mueck representaram pessoas que rentes? parecem manter uma relação. O Espinário e o grafite representam jovens diferentes entre si. O ex-voto e o desenho de anatomia mostram partes internas do corpo. As

5

Que outras reflexões podem ser feitas a respeito dessas representações do corpo? Resposta pessoal.

obras de Neto e Mueck dão a ideia de relaxamento.

3. A Vênus foi esculpida em pedra. A escultura romana foi fundida em bronze. O trabalho de Da Vinci é um desenho sobre papel. O ex-voto é uma escultura de madeira em três partes. A pintura de Di Cavalcanti usa tinta a óleo sobre tela. Ernesto Neto confeccionou um grande objeto mole, e sua atuação performática com ele foi registrada em fotografia. O grafite é um grande desenho de cores chapadas num pilar de concreto. A escultura de Ron Mueck é de látex moldado e pintado, tecidos e técnicas mistas.

capítulo 1 • 29

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 29

6/23/15 3:40 PM


fala o artista erneSTo neTo Circleprototemple...! é uma escultura concebida por Ernesto Neto para que várias pessoas entrem ao mesmo tempo em um espaço esférico, onde é possível sentar em roda e tocar um tambor. Leia uma declaração do artista sobre esta obra:

u Euusintoumeuucorpoucomouumaunaveuespacial,ueuumaunaveuespacialuéuumuespaçouqueuproporcionauumusentimentoudeuautossuficiência.uEvocauouestágioudeuumufetounouútero,uestau“mágica”uouu“milagrosa”urealidadeuqueutodosu nósujáuexperimentamosuaousermosutrazidosuàuvida.uEstaufaseuéufrutoudeuumaurelaçãousexual,uumuelevadounívelu deuintimidadeuentreuduasupessoas,uaupoderosauenergiauqueufazucomuqueuduasupessoasudesejemuumauauoutra. Leon Neal/Agência France-Presse

Adaptado de: NETO, Ernesto. Catálogo da exposição Dengo. São Paulo: Museu de Arte Moderna de São Paulo, 2010. p. 45.

Ernesto Neto, Circleprototemple...!, 2010. (Escultura de madeira, malha de poliamida e tambor, 285 cm × 310 cm.) A obra fez parte da mostra The Edges of the World [As bordas do mundo], em Londres, Reino Unido, durante o Festival Brasil. Escultura • Brasil-RJ • Século XXI Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos.

Converse com os colegas de turma sobre a escultura de Ernesto Neto.

30

Espera-se que os alunos digam que gostariam de entrar nela. Essa escultura foi

1

O que você faria ao deparar com ela? concebida para que o espectador seja um participador da obra, pois ele vai dar a

2

A que parte do corpo humano a escultura remete?

pulsação do ritmo e vivenciar a experiência de estar dentro de um espaço sanguíneo.

O nome dado pelo artista, que está em inglês, sugere a ideia de um templo circular ancestral (proto é um prefixo de origem grega, usado para designar algo em estado primitivo). 3 Como ela se relaciona com o que diz o artista? A forma da obra e o som dos tambores remetem ao coração, mas o aluno pode sugerir um útero ou qualquer outro órgão do corpo. O artista fala em seu texto que cada corpo é uma nave, e que uma nave espacial nos remete a um feto no útero. Ele também nos lembra de que todos nós somos fruto de uma relação de intimidade entre os corpos. Assim, a escultura de Ernesto Neto pode representar um coração, um útero, uma nave ou apenas uma célula, o início da vida.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 30

6/23/15 3:40 PM


Pensando coM a histÓria o belo GreGo O objetivo da arte nem sempre é produzir beleza. Muitas vezes os artistas querem, ao contrário, expor o lado desagradável da vida, mostrar o que as pessoas consideram terrível ou incômodo. Outras vezes, os artistas podem estar interessados em divulgar uma ideia, evocar uma força, estabelecer uma relação entre coisas diferentes. Nessas situações, eles podem não estar preocupados com o belo. Entretanto, a questão da beleza está próxima da arte há muitos séculos e em muitas culturas. Os gregos antigos, que influenciaram a formação da cultura ocidental, preocuparam-se em definir e discutir o que era a beleza. Para os gregos do século V a.C., beleza era sinônimo de bem. Para o filósofo Platão a beleza não está naquilo que vemos: ela só existiria no mundo das ideias e exprimiria a perfeição e a verdade. Por sua vez, Pitágoras, outro importante filósofo e matemático da Antiguidade, dizia: “O belo é feito de muitos números”. Já os escultores gregos daquela época estavam preocupados em definir um ideal de beleza para suas representações do corpo humano.

uu

Cultura ocidental:uassimu chamamosuau culturauherdeirau deutrabalhoueu pensamentoudosu povosudouoesteudau Europa.uEssau cultura,uqueutemu origemunau Antiguidadeugregau euromana,ufoiu disseminadaupelou mundouquandou povosueuropeusu colonizaramuterrasu nauAmérica,u Oceania,uÁfricaueu Ásia.

Eles propuseram diversas regras, tais como manter a proporção entre as partes do corpo, escolher posições que expressassem movimento, observar a exatidão das medidas e buscar a verdade. Hoje sabemos que ideias como as de perfeição, harmonia e beleza variam em cada época e em cada sociedade.

Escultura • Grécia • Século IV a.C.

Autor desconhecido, Poseidon, c. 460 a.C. (Escultura em bronze, 2,09 m de altura. Museu Arqueológico Nacional de Atenas, Grécia.)

The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu Arqueológico Nacional, Atenas, Grécia.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 31

CAPÍTULO 1 • 31 6/23/15 3:40 PM


hora da troca reTraTo e auTorreTraTo

Erich Lessing/Album/Latinstock/Nicholas Murray Collection, Harry Ransom Humanities Research Center, Universidade do Texas, Austin, EUA.

Durante muito tempo, uma das principais atividades dos artistas foi reproduzir imagens de reis, chefes de Estado ou pessoas influentes na sociedade. Para que o artista pintasse esses retratos, os modelos deviam ficar imóveis por várias horas. Entretanto, com o aparecimento da fotografia, por volta de 1850, passou a ser possível obter um retrato em poucos minutos. A técnica da fotografia popularizou o retrato, e os álbuns de família tornaram-se um hábito na classe média durante o século XX. No século XXI, após a invenção e a popularização das câmeras digitais, a imagem fotográfica tornou-se instantânea e acessível à grande maioria das pessoas. Retratar a si mesmo constitui o tema central da obra de muitos artistas. Por meio do autorretrato, esses artistas encontraram uma forma para expressar seus sentimentos e mostrar características de sua sociedade e de sua época. graças à facilidade com que hoje fazemos e divulgamos as chamadas selfies, o autorretrato tomou outro sentido: compartilhar instantaneamente nossas aventuras cotidianas. Saiba um pouco mais sobre algumas obras em que se exploraram as possibilidades do retrato e do autorretrato (links acessados em: 13 jun. 2015).

Pintura • México • Século XX

Global Em consequência de um acidente sofrido na adolescência, a mexicana Frida Kahlo (1907-1954) foi obrigada a ficar muito tempo em repouso, isolada de seus amigos. Seu pai teve a ideia de colocar um espelho perto dela e dar-lhe telas e tintas. Frida começou então uma série de autorretratos. A partir daí, dedicou-se a esse gênero de pintura pelo resto de sua vida. Conheça o Museu Frida Kahlo. Disponível em: <www.museofridakahlo.org.mx>.

Frida Kahlo, Autorretrato com colar de espinhos e beija-flor, 1940. (Óleo sobre tela, 63,5 cm × 49,5 cm. Coleção de Arte do Centro de Pesquisa em Humanidades Harry Ransom, Universidade do Texas, Austin, Estados Unidos.)

32 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 32

6/23/15 3:40 PM


nacional O brasileiro Vik Muniz (1961) constrói imagens explorando materiais pouco comuns no universo da arte. Ele já utilizou açúcar, calda de chocolate, arame e diamantes, entre outros materiais, para refazer pinturas históricas ou apenas para retratar pessoas comuns. Na série Retratos de lixo ele representou pessoas que trabalhavam em um aterro sanitário em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro, fotografando enormes montagens de rostos e corpos feitas com objetos encontrados no lixo. Visite o site do artista para obter mais informações sobre sua obra. Disponível em: <vikmuniz.net/pt/>.

© Muniz, Vik/Licenciado por AUTVIS, Brasil, 2015.

Fotografia • Brasil-SP • Século XXI

Titus Riedl/Coleção particular

Vik Muniz, The Gipsy (Magna), 2008. (Fotografia de instalação com sucata e lixo, da série Retratos do lixo.) Fotografia • Brasil-CE • Século XX

local As fotopinturas eram uma tradição no interior do Brasil quando a fotografia ainda era pouco acessível às pessoas. Com base em retratos fotográficos em formato três por quatro em preto e branco, o fotopintor reunia as imagens dos membros de uma família ou de um casal em uma composição fotográfica e depois a pintava. Há fotopinturas disponíveis em: <www.fotografiaveruacular.com>. Fotopintura sem data da coleção de Titus Reidl. Morador do Crato, no Ceará, ele possui 5 mil retratos produzidos com essa técnica entre 1950 e 1990.

Você conhece alguma obra de arte que represente as pessoas do lugar onde você vive? Pode ser um livro, um filme, uma pintura, uma escultura, etc. 1

Caso não conheça nenhuma obra que retrate sua comunidade, faça uma pesquisa sobre o assunto. Em casa ou na escola, fora do horário de aula, você pode consultar livros, revistas, jornais e sites. Outra boa fonte de informação são os familiares e amigos mais velhos. Se houver, no município de sua escola, um museu histórico (do município, da região ou do estado), você pode propor

2

Definida a obra, aprofunde a pesquisa e procure descobrir mais informações sobre ela: quando foi produzida, qual foi a técnica utilizada, quem foi o realizador, como ele retratou a comunidade, etc.

3

Escreva uma legenda com as principais informações sobre a obra. Na aula seguinte, apresente a obra, acompanhada da legenda, aos colegas.

aos alunos uma visita.

Você pode organizar um mural com as imagens trazidas pelos alunos. Verifique se eles incluíram as informações mais relevantes sobre a obra na legenda. Outro trabalho possível é pedir aos alunos que pesquisem e tragam retratos fotográficos produzidos em diferentes épocas, incluindo retratos produzidos por seus familiares. Eles podem levar as imagens para apresentar em sala oralmente aos colegas.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 33

capítulo 1 • 33 6/23/15 3:40 PM


debate a beleza, o corpo e a arTe Como vimos, o conceito de belo e os padrões de beleza variam de cultura para cultura e mudam com o tempo. Na grécia antiga, homens jovens e atléticos eram considerados mais próximos da forma ideal de beleza. Já na Europa do século XVI, o referencial de beleza eram as mulheres gordas – à época, isso garantia prestígio por ser sinal de uma boa condição financeira, capaz de garantir uma alimentação farta. Observe as seguintes imagens e reflita sobre esta citação do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917): Na escultura Inverno, Auguste Rodin buscou representar e levar o espectador a perceber a delicadeza e a beleza que estão presentes no corpo de uma mulher velha.

u Emusuma,uaubelezauestáuemutodauparte.uNãouéuelauqueufaltauaosunossosu olhos,umasunossosuolhosuqueufalhamuaounãoupercebê-la. RODIN, Auguste. Rodin, a arte. Conversas com Paul Gsell. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990. p. 92.

Hervé Lewandowski/RMN/Other Images/Musée d'Orsay, Paris, França.

Hervé Lewandowski/RMN/Other Images/Musée d'Orsay, Paris, França.

Escultura • França • Século XIX

Auguste Rodin, Inverno, c. 1890. (Escultura em mármore, 51 cm × 34 cm × 19 cm. Musée d’Orsay, Paris, França.)

34 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 34

6/23/15 3:40 PM


A pintura de Rubens representa um tema da mitologia grega tratado por muitos artistas: as três Graças. Nesse caso, como em outras obras de arte e outras mitologias, o corpo é usado para representar ideias. Embora o tema da obra seja da Antiguidade clássica, o padrão de beleza usado para representar as mulheres foi o da época em que a pintura foi realizada. A figura central é a jovem esposa do pintor. A região de Flandres, onde Rubens nasceu, hoje faz parte da Bélgica.

Reprodução/Museu do Prado, Madri, Espanha.

Pintura • Flandres • Século XVII

uu

Fotografia • Brasil-RS • Século XXI

Jacques Dequeker/Acervo do fotógrafo

Peter Paul Rubens, As três Graças, c. 1635. (Óleo sobre madeira, 221 cm × 181 cm. Museu do Prado, Madri, Espanha.) Na mitologia grega, as Graças representavam as melhores coisas da vida, respectivamente, a festa, a alegria e o amor.

Na fotografia de Jaques Dequeker vemos o padrão de beleza hegemônico no mundo da moda na atualidade. De acordo com esse padrão, as mulheres que apresentam as criações dos estilistas em desfiles e ensaios fotográficos devem ser altas e magras. Emanuela representa esse padrão de beleza associado a outro padrão, especificamente brasileiro, em que se valorizam determinadas características físicas que foram herdadas de indígenas, africanos e europeus.

Mitologia:uconjuntoudeumitosueulendasudeuumupovo.

A modelo pernambucana Emanuela de Paula (1989) em ensaio subaquático para editorial de moda fotografado pelo gaúcho Jacques Dequeker (1970) em 2010.

Se achar interessante, leve para a sala de aula outras imagens extraídas de revistas de moda e de comportamento, além de anúncios publicitários, e questione os alunos: como são as pessoas representadas nessas imagens? São semelhantes ou diferentes entre si? Elas são fisicamente parecidas com seus parentes, amigos e conhecidos? Ao final, eles podem produzir coletivamente um mural de imagens acompanhadas de textos de produção própria debatendo o tema “A beleza, o corpo e a arte”. Problematizar a relação entre saúde e beleza é importante para alunos dessa faixa etária, cujos corpos estão passando por muitas transformações. Falar sobre beleza e atitude também interessante, na medida em que Converse com os colegas e o professor sobre a relação entre beleza, corpo e arte. Ofere- étraz à tona outros aspectos da cemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto. construção da autoestima.

w Existe em nossa sociedade um padrão de beleza? Como ele é determinado? w Quais podem ser os efeitos nocivos da tentativa obstinada de alcançar a qualquer custo esse padrão de beleza? w A beleza tem alguma relação com a saúde? w O que você acha da afirmação de que a beleza está na atitude? w Quais das representações apresentadas neste capítulo você considera belas? Por quê? w Como você representaria o amor, a festa e a alegria?

capítulo 1 • 35 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 35

6/23/15 3:40 PM


teoria e técnica Todos devem ser estimulados ao trabalho com o desenho e a pintura, mesmo aqueles que julgam desenhar “mal” ou que têm dificuldades. Os alunos devem perceber a importância dessas linguagens para a expressão daquilo que eles pensam e sentem. Pessoas com deficiência devem receber um incentivo especial nesse sentido. Aquelas com restrições motoras ou problemas de formação nos membros podem ser estimuladas a usar outras partes do corpo para manusear o lápis ou o pincel. No caso de pessoas com deficiência visual, você pode propor adaptações à atividade, como um desenho tátil ou o trabalho com massa de modelar. Há uma atividade complementar no fim deste volume, Desenho tátil, adequada para essa situação.

o deSenho O desenho é uma das formas mais diretas de comunicação. Toda criança desenha naturalmente, antes mesmo de aprender a escrever. Usamos o desenho para registrar e expor ideias, fazer mapas e entender o mundo. E, quando desenhamos, usamos nossa imaginação para criar um mundo novo, expressar sentimentos e nos divertir. Todas as pessoas podem desenhar, mas cada uma tem sua maneira própria de fazer isso. Alguns usam uma linha forte e única. Outros vão aos poucos descobrindo os caminhos, traçando linhas fracas e imprecisas, até chegar a uma forma final. O desenho é uma linguagem. Para dominá-la é preciso treinar. Quanto mais desenhamos, mais à vontade ficamos com o lápis e o papel. Para começar, não se pode ter medo. Solte-se, experimente o prazer de ver o lápis correr livre sobre a folha. E lembre-se de que não existe desenho certo nem errado!

desenho de observação

Rue des Archives/Album/Latinstock/Coleção particular

Fazer desenhos de observação é uma maneira de aprender a olhar o mundo. Nossos olhos veem tudo o que se passa a nossa frente. Porém, não enxergamos tudo o que vemos. Para enxergar, é preciso tempo e atenção. Experimente percorrer o espaço com os olhos, procurando perceber as cores, as sombras, as luzes, as texturas, os detalhes e o tamanho dos objetos na sala de aula. Como eles se relacionam? O que está na frente? O que está atrás? Existe uma luz na sala? De onde ela vem? Depois, imagine uma forma de representar o que está vendo, passando esses elementos para o papel. Comece definindo o enquadramento, isto é, que objetos serão desenhados. Que tamanho e que posição eles ocuparão na folha? Aos poucos, modifique o desenho. Não hesite em refazer uma linha sobre outra, sem apagá-la, nem deixe de buscar harmonia em sua composição. Agora, note com que simplicidade o artista francês Henri Matisse (1869-1954) realizou este desenho. Desenho • França • Século XX

Você pode sugerir aos alunos que façam, em uma folha branca avulsa, um desenho de observação da sala de aula, acompanhando as instruções que foram dadas aqui.

Henri Matisse, Jeanne Duval, 1944. Ilustração para edição francesa do livro As flores do mal, de Charles Baudelaire.

36 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 36

6/23/15 3:40 PM


desenho cego Ao praticar o desenho cego, experimentamos desenhar sem olhar para a folha de papel, mantendo a atenção fixa no objeto ou na pessoa que está sendo representada. Quando não olhamos para o próprio desenho, a mão corre livremente, sem autocrítica. Em geral, o desenho feito dessa maneira adquire proporções mais próximas da realidade e tem uma forma mais bem definida. O desenho cego, além de ser um ótimo aquecimento, é uma maneira eficiente de “quebrar o gelo” diante de uma folha em branco. Veja alguns desses desenhos e constate com que liberdade eles foram traçados:

Fotos: Reprodução/Acervo da autora

Desenho • Brasil • Século XXI

Exemplos de desenhos cegos.

capítulo 1 • 37 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 37

6/23/15 3:40 PM


atividades 1. deSenho de modelo Verifique se há candidatos a posar. Caso ninguém se ofereça, escolha um aluno e uma aluna para fazer isso. Aqueles que vão desenhar devem sentar-se em volta dos modelos. Se não houver espaço para dispor as cadeiras em círculo, os alunos também poderão sentar-se no chão.

Nesta atividade, propõe-se aos alunos que façam desenhos cegos e de observação de dois colegas, que posarão como modelos.

Divida a atividade em duas partes: enquanto a primeira dupla posa, os outros alunos desenham; depois, para que todos tenham a oportunidade de desenhar, substitua a dupla que está posando. Peça aos modelos que adotem posições incomuns. É muito mais interessante desenhar um corpo sentado, dobrado, com os braços levantados, do que um corpo em pé, rígido, que não possibilita muitas formas. Entretanto, lembre os modelos que eles devem escolher uma pose na qual permaneçam confortáveis durante o tempo exigido. Se tiver meios para isso, coloque uma música suave de fundo e procure criar um ambiente em que todos se sintam à vontade, evitando que um ou outro ironize a situação.

Caso prefira desenhar, faça alguns desenhos cegos para aquecer. Inicialmente, quatro poses rápidas, de um minuto. Nesses desenhos não se preocupe com detalhes. Tente apreender apenas a forma geral dos corpos.

Com os colegas, arraste os móveis da sala, deixando duas cadeiras no centro e dispondo o restante em círculo. Material: lápis 6B e papel sulfite formato A4.

Para esta atividade, é ainda mais proveitoso usar carvão ou lápis integral em folha A3. Papel-jornal também pode ser usado, pois dá um caráter mais descontraído à atividade.

Você gostaria de posar? Manter-se na mesma posição por alguns minutos sem se mexer enquanto os colegas desenham é um desafio e tanto!

Depois faça outro desenho em cinco minutos, com mais detalhes. Atente para as mãos e os pés. Para encerrar, desenhe duas poses de oito minutos. Nesses desenhos mais demorados, tente representar o rosto, o cabelo e alguns detalhes da roupa que o colega está usando. Em todos os desenhos procure ocupar ao máximo o espaço da página. Se o desenho extrapolar o papel, você pode emendar outra folha com fita adesiva ou apenas deixá-lo interrompido. Desenhar com traços grandes é mais fácil e fazer gestos maiores ajuda a soltar a mão. Não se preocupe em “acertar” o desenho. Nesta atividade o objetivo é experimentar as possibilidades do desenho. Varie também o traço nos desenhos: use um traço forte e escuro e outro mais delicado com a linha clara, por exemplo. Por fim, seria interessante reunir todos os desenhos e formar com eles um grande painel coletivo. Marque o tempo com precisão e avise quando ele estiver se esgotando.

Depois de observar o conjunto de desenhos com atenção, faça com os colegas e o professor uma avaliação oral da atividade, seguindo o roteiro abaixo. w É difícil desenhar um corpo partindo apenas da observação do modelo? w Que desenhos ocuparam melhor o espaço do papel? w Que desenhos conseguem mostrar melhor a pose do modelo? w Que desenhos apreenderam melhor a posição do corpo? Aqueles que foram feitos com rapidez ou os que levaram mais tempo para ser concluídos? Por quê? w Que desenhos apresentam melhor resultado: os cegos ou os de observação? w Apareceram desproporções entre as partes do corpo nos desenhos? w Existem desenhos em que não aparecem pés, mãos ou cabeça? w Qual foi a pose mais interessante de desenhar? Por quê?

38 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 38

6/23/15 3:40 PM


2. vamoS SenTir o corpo? Nesta atividade, a proposta é experimentar um estado de consciência corporal. Você sabe o que é isso? Material: uma folha de papel grande e lápis de cera ou canetas de cores variadas. Com os colegas, arraste as cadeiras e mesas para os cantos da sala, abrindo espaço no centro. Em dupla: enquanto um aluno deita sobre uma grande folha de papel estendida no chão, de barriga para cima ou para baixo, o outro desenha no papel o contorno do corpo de quem está deitado.

Observação: você pode usar várias folhas de jornal coladas ou duas folhas grandes de papel pardo. Caso não haja papel disponível, os alunos podem deitar-se diretamente no chão e realizar a proposta com giz.

Em seguida, troque de lugar com seu par: desta vez, aquele que estava desenhando deve deitar sobre uma nova folha de papel e seu par deve fazer o contorno. Traçados os contornos, volte a deitar-se sobre o seu e fique nessa posição por alguns minutos, em silêncio. Tente relaxar, de modo que todo o corpo esteja em contato com o chão, da cabeça aos calcanhares. Enquanto isso, preste atenção no que está acontecendo com seu corpo: w De que modo o peso do corpo se distribui sobre o papel? Lembre-se de que não há um modo certo ou errado de entregar o peso ao chão. w Como está sua respiração nesse instante? Tente percebê-la, mas não procure controlá-la. w Que partes do corpo parecem pesar mais no chão? Acolha suas impressões com tranquilidade e guarde-as para si. w Que segmentos parecem não tocar o papel? Que outros o tocam de leve? w A distribuição de seu peso no papel sobre o chão lhe parece simétrica? Não busque se corrigir. w Como você descreveria as sensações relativas a seu estado geral e também a cada uma das partes de seu corpo? São sensações de prazer? De desconforto? w Alguma lembrança vem a sua mente? Depois dessa experiência, espreguice-se com tranquilidade, saia de cima da folha de papel e preencha o contorno de seu corpo com desenhos, linhas, palavras e cores que remetam às sensações que você experimentou enquanto estava deitado. Esse é o registro de um momento único: é possível que, da próxima vez que você fizer essa experiência, tudo se passe de forma muito diferente. Para encerrar, passeie entre os desenhos para observá-los.

AutoAvAliAção Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo, reflita sobre elas e depois compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

O que você descobriu a respeito das representações do corpo neste capítulo?

2

Quais foram as reflexões mais importantes que você fez no decorrer desse estudo?

3

Após os debates, as pesquisas e as atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto?

Procure conduzir esta autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente, portanto, o ideal é que os alunos leiam antes as questões, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C1_020a039.indd 39

Leia as questões e os conselhos ao lado para os alunos enquanto estiverem deitados. Use um tom de voz baixo, que transmita tranquilidade, para não atrapalhar o relaxamento.

O ideal é desenvolver esta atividade em um espaço amplo, como o pátio ou a quadra da escola, desde que o piso permita que se desenhe. Durante o passeio entre os desenhos, os alunos podem observar e conversar sobre a experiência com base nos desenhos. Se houver possibilidade, exponha os trabalhos realizados nas paredes da classe ou da escola. Repetir essa proposta em outro dia pode ser interessante para que os alunos percebam como as sensações de apoio se modificam o tempo todo. Você pode propor também, em outra oportunidade, que os alunos identifiquem e marquem em seus desenhos ossos, músculos e articulações que eles conheçam.

capítulo 1 • 39 6/23/15 3:40 PM


2

CAPÍTULO

1 2 3

o corpo na arte

uu Vocêuusauadornosueuenfeites?uQuais? Resposta pessoal.

Poruqueuasupessoasuadornamuoucorpo?

uu

Respostas possíveis: Para se sentir mais bonitas, para participar de rituais e cerimônias, porque essa ação tem um significado para elas.

Nossoucorpoucomunicaumensagensuoutempoutodo.u Ouqueuvocêuexpressaucomuseuucorpo?uResposta pessoal.

40 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 40

6/23/15 3:41 PM


Tema

ObjeTO

COnCeiTO

Mensagem

Corpo humano

Ornamentação

Tema Transversal Identidade

Simbólico:utudou aquilouqueutemurelaçãou comuosusignificadosu queuinterpretamos.u Assim,uumuobjetou simbolizaualgouporqueu eleuremeteuaualgumau coisa,usensaçãououu acontecimento.

Incentive a turma a pensar nos exemplos mais variados possíveis. Você pode formar uma roda com os alunos e propor a cada um que cite uma forma pela qual o corpo se comunica, começando por você. Pode-se mencionar a forma como vestimos, os gestos que fazemos, a postura corporal que adotamos, a forma como direcionamos o olhar, as marcas e os vestígios que o corpo deixa nos objetos e na paisagem, a maneira como reagimos ao ouvir uma música ou ao tomar contato com qualquer outro estímulo, entre muitas outras possibilidades.

Habilidade

Pintura corporal

Execução de padrões

começando por você Cada povo e cada grupo humano têm seu jeito de se vestir e de se enfeitar. Nas culturas tradicionais, marcas, adornos e pinturas feitas no corpo podem indicar o papel de cada pessoa na sociedade. Podem também simbolizar a passagem de uma época da vida do indivíduo para outra, ou ainda o pertencimento dele a um grupo determinado. Algumas formas de pintura corporal estão presentes no dia a dia e são feitas para embelezar. É o caso da maquiagem em nossa sociedade. Porém, há também enfeites reservados para ocasiões especiais, como rituais, festas e até batalhas. Hoje em dia muitas pessoas marcam sua pele para sempre com tatuagens. Outras se pintam por apenas algumas horas para se juntar a uma torcida durante uma partida de futebol. O corpo é portador de mensagens. Pintar o corpo e usar adereços de alguma forma expressa o que somos e pensamos. Mesmo quem se veste de uma maneira simples está comunicando algo: por exemplo, que quer ser discreto e passar despercebido.

Adrian Dennis/Agência France-Presse

Celia Peterson/Getty Images

uu

TéCniCa

Família pintada e pronta para torcer pela equipe masculina de futebol do Brasil na Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, MG.

A tatuagem é uma forma de pintura corporal. No caso desta imagem, ela não é permanente, pois é feita de hena.

Reflita sobre estas questões e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. 1. Resposta possível: Com pinturas 1 Que tipos de mensagem os torcedores costumam expressar com o corpo du­ faciais e corporais, vestindo camisas e adereços e empunhando bandeiras, os rante uma partida de sua equipe? torcedores expressam visualmente seu apoio ao time. A torcida também se 2 Por que as pessoas usam tipos parecidos de enfeites corporais? Cite alguns expressa por gestos individuais e coletivos (como a chamada “ola” ou exemplos. Resposta pessoal. “onda”) e manifestações sonoras (gritos, Estas e outras questões ao longo do capítulo sugerem reflexões dos alunos acerca do tema identidade, que perpassa todo o cantos, buzinas, palmas). volume.

capítulo 2 • 41

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 41

6/23/15 3:41 PM


Painel o corpo fala Neste Painel vamos refletir sobre pintura corporal, tatuagens, adornos e outras formas de expressão em que a arte se une ao corpo.

Autor desconhecido, Guerreiro maori com moko no rosto, século XIX.

Verifique a diversidade que essa definição pode abarcar e aponte isso para a classe: a palavra ‘tribal’ costuma ser associada a diferentes povos não europeus ao redor do mundo. Além disso, muitos padrões inspirados pelos motivos tribais foram criados por pessoas que não se consideram vivendo em tribos. Verifique também se aparece algum elemento comum nos desenhos da turma. Se for possível, peça à turma que pesquise os padrões de desenho dos Maori.

Prismatic Pictures/The Bridgeman Art Library/Keystone/Coleção particular

Tatuagem • Nova Zelândia • Século XIX

O povo Maori, formado pelos primeiros habitantes das ilhas da Nova Zelândia, desenvolveu padrões de desenho constituídos de linhas curvas e espirais. Esses padrões aparecem em sua pintura corporal permanente, o moko, e na decoração de objetos usados no dia a dia. Os antigos chefes Maori tinham o rosto coberto por tatuagens com esses padrões. Quanto mais nobres se tornavam, mais tatuagens recebiam. Depois que a Nova Zelândia foi colonizada pelos ingleses, a tatuagem facial se tornou menos comum e chegou a ser proibida. Atualmente, porém, muitos Maori voltaram a praticá-la para demonstrar sua identificação com a cultura dos antepassados. Alguns padrões de desenho se difundiram pelo mundo em tatuagens corporais e estampas de roupas. Eles costumam ser chamados de “motivos tribais”, embora tenham sido modificados por pessoas dos lugares mais variados. Você já viu algum desses motivos tribais? Como eles são? Em uma folha à parte, faça, à caneta, um desenho que você chamaria de tribal.

42 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 42

6/23/15 3:41 PM


Asian Art & Archaeology, Inc./Corbis/Latinstock/Coleção particular

Gravura • Japão • Século XIX

Aponte para a turma as características das xilogravuras japonesas, chamadas ukiyo-e. Elas se distinguem pelo desenho delicado, de linhas definidas e cores chapadas. O enquadramento pode apresentar elementos cortados, como a janela redonda que está ao fundo da cena. Textos são associados às imagens em composições harmoniosas. Detalhes como as estampas do tecido colaboram para a representação do volume, já que não se usam sombras. A tatuagem no Japão tem uma longa história, ora como algo valorizado, ora como algo proibido. Minorias étnicas que viviam em regiões como Okinawa e Hokkaido tatuavam as mãos ou o rosto, pois acreditavam que essas imagens tinham poderes sagrados. Pouco tempo depois do sucesso das edições ilustradas de Suikoden, o governo japonês proibiu oficialmente a tatuagem, com receio de que os países ocidentais considerassem o hábito “atrasado”. Embora a tatuagem seja permitida no Japão hoje em dia, exibir publicamente tatuagens em determinados contextos, como termas e clubes, ainda pode ser malvisto.

Tsukioka Yoshitoshi, Tatuagem de Kumonryu Shishin, 1868. (Xilogravura.)

As xilogravuras são uma forma tradicional de arte na cultura japonesa. Com essa técnica, artistas como Tsukioka Yoshitoshi (1839-1892) representavam paisagens, cenas de viagem, atores de teatro e personagens de contos e romances populares. Nesta gravura, Tsukioka Yoshitoshi representou um personagem do Suikoden, romance de origem chinesa em que os heróis lutavam a favor do povo. Na cena ilustrada, o guerreiro Shishin está sendo tatuado com a imagem de um dragão. As edições ilustradas do Suikoden tornaram-se tão populares que muitos trabalhadores japoneses daquela época passaram a se tatuar como seus heróis. Observe os detalhes desta gravura. Como é o enquadramento da cena? O que diferencia a pele e os tecidos representados na imagem?

Xilogravura:utipoudeugravurau emuqueuauimagemuéuescavadau emublocosudeumadeira.uEssesu blocosusãouentãouentintadosueu pressionadosusobreuasufolhasu deupapeluparauproduziruváriasu cópiasudaumesmauimagem. uu Romance:utextoudeuficçãouemu prosa,udeumédiauouugrandeu extensão. uu

capítulo 2 • 43 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 43

6/23/15 3:41 PM


Performance • Brasil-RJ • Século XX Tyrone Siu/Reuters/Latinstock

Lygia Pape, Divisor, de 1968. Nesta imagem podemos observar uma performance da obra realizada em Hong Kong, em 2013. (Tecido recortado.)

Na década de 1960, a artista fluminense Lygia Pape (1927-2004) realizou projetos em que experimentava linguagens diversificadas e questionava o comportamento das pessoas. Divisor é uma obra que só toma forma quando várias pessoas se dispõem a experimentar uma vivência coletiva, passando a cabeça por um dos recortes feitos em um enorme tecido branco. O tecido unifica o grupo, transformando-o em um corpo único. Como o coletivo consegue se deslocar com o Divisor? Por que a artista teria escolhido esse nome para seu trabalho?

Participar da experiência Divisor é vivenciar a prática da negociação corporal. Um elemento simples como um grande tecido branco modifica totalmente nossa relação com o espaço e com os outros. O Divisor é um dispositivo que transforma os indivíduos em um coletivo e os leva a vivenciar corporalmente as regras, negociações e coerções que já experimentamos na vida social.

44 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 44

6/23/15 3:41 PM


Paulo Salomão/Arquivo da editora

Fotografia • Pintura corporal • Brasil-MS • Século XX

O vídeo original da canção “O vira” pode ser assistido no site oficial do artista. <www2.uol.com.br/neymatogrosso/videos.htm#>. Acesso em: 10 fev. 2015. Secos & Molhados, 1974. No centro, Ney Matogrosso, O grupo Secos & Molhados, e seu vocalista Ney Matogrosso especificamente, chamou a atenção à época na época, vocalista da banda. (Fotografia.) tanto pela mistura do rock com outros gêneros musicais como pela apresentação cênica. Era a primeira vez que se dava projeção nacional a um grupo musical masculino de visual extravagante, com maquiagem e roupas ousadas e uma forma de dançar solta, em que se destacavam a gestualidade e os movimentos de quadris. Isso acontecia contemporaneamente aos primeiros trabalhos pop internacionais com posturas semelhantes, como o alter ego Ziggy Stardust do Em 1973, a banda de rock Secos & Molhados revolucionou a forma de colocar o músico britânico David Bowie.

uu

Vira:ugênerou musicalu portuguêsu dançadouemu grupo,unouqualuasu pessoasugiramu oraudeuumuladou parauoutro,uorau emutornoudeusiu mesmasucomuasu mãosuparauoualto.

corpo no palco no contexto musical brasileiro. Os músicos apresentavam-se com maquiagem e adereços extravagantes numa linguagem cênica inovadora e misturavam solos de guitarra, elementos de outros gêneros musicais e poesia. A composição “O vira”, em que o vocalista Ney Matogrosso (1941) cantava um vira em ritmo de rock, conquistou o público infantil ao falar de personagens míticos como pirilampos e fadas. Porém, era também um modo de questionar o que se pode considerar masculino ou feminino, como nos versos do refrão:

uuuuuuuuuuuuVira,uvira,uvirauhomem,uvira,uvira u vira,uviraulobisomem.u Ouça a canção no CD de áudio que acompanha este livro e confira. Por meio de sua forma de se apresentar no palco, o artista ampliava as fronteiras do que era considerado “ser homem”. Juntava-se, assim, às primeiras ações que buscavam afirmar o direito à expressão da sexualidade. Que elementos nesta fotografia desafiam aquilo que estamos habituados a ver? 2

Em sua carreira solo, Ney Matogrosso – que se declara bissexual e tem uma tessitura rara, de contratenor – continuou desafiando tabus e visões preconcebidas a respeito de orientação sexual e identidade de gênero. Sua interpretação para a canção “Homem com H”, por exemplo, ironiza as expectativas sobre o que é ser homem, afirmando esta identidade de gênero independentemente da orientação sexual e dos hábitos. Leia mais sobre orientação sexual e identidade de gênero nas orientações específicas para o capítulo, ao final do livro.

capítulo 2 • 45

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 45

6/23/15 3:41 PM


Fotografia • Brasil-RS • Século XX

uu

Cacique:unomeudadou porudiferentesupovosu indígenasudoutroncou Tupiuaouchefeupolíticou deucadautribo.

Carlos Vergara, Poder, da série Cacique de Ramos, 1972-1976. (Fotografia, 100 cm × 150 cm.) Carlos Vergara/Acervo do fotógrafo

A força da imagem está exatamente no fato de não apresentar de forma explícita o Carnaval. A fotografia fora de seu contexto parece gritar “Poder ao povo!”. Isso faz ainda mais sentido se considerarmos o caráter horizontal da organização do bloco Cacique de Ramos. Chame a atenção para a força da palavra, pintada em branco sobre a pele preta desses membros do bloco. Você pode ressaltar ainda que um gesto simples como pintar uma palavra sobre o corpo pode causar uma reflexão importante.

O artista gaúcho Carlos Vergara (1941) fotografou o Carnaval carioca em 1975. Ele documentou o mais tradicional bloco carnavalesco do subúrbio, o Cacique de Ramos. Nesse bloco, os foliões saem com fantasias iguais, inspiradas em adornos de povos indígenas do Brasil e também dos Estados Unidos. Todos são considerados caciques – ou seja, ninguém é visto como superior a ninguém. As imagens de Carlos Vergara mostram que a suspensão das regras cotidianas que acontece no Carnaval permite às pessoas manifestar seus desejos. Você acha que esta imagem é forte? Por quê?

46 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 46

6/23/15 3:41 PM


Art Resource/Scala/The Solomon R. Guggenheim Foundation, Nova York, EUA.

Fotografia • Performance • Cuba • EUA • Século XX

Ana Mendieta, sem título, da série Silhuetas, 1978. (Fotografia.)

Muitas crianças já brincaram de enterrar parte do corpo na areia ou de cobri-lo de barro na beira de um rio. Essa experiência é muito prazerosa e nos faz vivenciar uma situação diferente com o corpo. Por outro lado, o trabalho de Ana Mendieta também remete a momentos de tristeza e perda, como quando enterramos os mortos.

A artista cubana Ana Mendieta (1948-1985) viveu desde a adolescência nos Estados Unidos como exilada. Em suas obras, o corpo e a relação dele com a terra evidenciam essa condição. Ana Mendieta realizou mais de cem fotografias que registram a forma de seu corpo marcada no ambiente. A silhueta aparece no chão gramado, escavada na terra batida, na areia, em meio a uma vegetação rasteira ou desenhada com pólvora queimada pelo fogo. Que outra relação pode haver entre a terra e o corpo?

uu

Exilada:upessoauqueuviveu longeudeusuaucasa,ucidadeuouu nação,uporuvontadeuprópriauouu poruterusidouobrigadauaupartir.u Sinônimoudeu‘desterrada’.

capítulo 2 • 47 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 47

6/23/15 3:41 PM


Fotografia • Performance • Brasil-MG • Século XXI

performanceupodeu serurealizadau dianteudoupúblicou ouuregistradauemu fotografiasuouu filmagens.uAu palavra,udeuorigemu inglesa,upodeuseru traduzidaucomou ‘atuaçãououu sequênciaudeu gestosu desenvolvidosuporu umuartista’.

Paulo Nazareth/Acervo do artista

O artista Paulo Nazareth (1977) nasceu em Governador Valadares. Essa cidade de Minas Gerais se tornou conhecida pela grande quantidade de habitantes que emigraram para os Estados Unidos nas últimas décadas. Paulo Nazareth também decidiu viajar para os Estados Unidos, mas de uma maneira diferente: em um ato simbólico, foi andando da capital mineira, Belo Horizonte, até a cidade de Miami. Fonte: NAZARETH, Paulo. Seu trabalho mostra que o corpo não é apenas matéria física, mas também aquilo Paulo Nazareth Arte Contemporânea/LTDA. Rio de que ele vivencia. Nas palavras dele: “Sou parte de cada terra por onde pisaram meus Janeiro: Cobogó, 2012. pés [...] não há como separar estas terras com uma linha imaginária chamada fronteira”. uu Performance:u Na performance aqui apresentada, ele se fotografou usando folhagens para se formaudeuarteuemu proteger do sol. Paulo Nazareth é um viajante que coleta histórias, imagens e objetos queuoutemauéuou e registra suas ações. Seu trabalho mostra que arte é algo que pode ser feito por qualpróprioucorpoueuasu quer um, a toda hora. experiênciasudou artista.uAu O que vem a sua cabeça olhando esta foto de Paulo Nazareth?

A escolha de Miami como destino da viagem de Paulo Nazareth é simbólica não apenas por essa ser uma cidade com grande contingente de imigrantes brasileiros, mas também por ser o endereço de uma das mais importantes feiras de arte do mundo. O trabalho do artista aponta para questões de estranhamento, exclusão, identidade. Ele se fotografa ao lado de pessoas que vai conhecendo em suas andanças ou carregando pequenas placas com frases ou ainda se envolvendo com objetos e elementos naturais. Nazareth produz panfletos impressos em papel-jornal com mensagens emolduradas na série Aqui é arte e publica tudo isso em seu blog: <http:// artecontemporanealtda.blogspot.com. br> (acesso em: 19 nov. 2014).

Paulo Nazareth, Objetos para tampar o sol de seus olhos, 2010. [Impressão fotográfica sobre papel algodão, 92 cm × 63 cm.]

48 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 48

6/23/15 3:41 PM


Edson Sato/Pulsar Imagens

Perfurações • Brasil-RR-AM • Século XXI

Menina Yanomami da aldeia Ahima, no município de Barcelos, Amazonas. [Fotografia, 2010.] Peça à turma para pesquisar o significado da palavra Yanomami, que quer dizer ‘seres humanos’. Verifique se os alunos sabem o que são lóbulo da orelha e septo nasal. Se achar conveniente, promova com eles uma exploração tátil dessas partes do corpo, para que percebam a textura e a constituição delas.

Os Yanomami são um grupo indígena que habita a floresta Amazônica, na região da fronteira do Brasil com a Venezuela. Assim como outros indígenas brasileiros, eles realizam pinturas e perfurações corporais. Além disso, enfeitam-se com braceletes confeccionados com plumas de pássaros. Os Yanomami perfuram o lóbulo da orelha, o septo nasal e os lábios inferiores para inserir lascas de bambu. Nesta imagem vemos uma menina com várias perfurações. No ritual de passagem da infância para vida adulta, todos os adornos são removidos e recolocados apenas ao final da transição. O que você sabe sobre os Yanomami? Você conhece outros povos indígenas que fazem perfurações corporais?

2. As fotografias do chefe Maori e dos Yanomami e a gravura de Yoshitoshi mostram marcas gravadas permanentemente no corpo, como a tatuagem e a perfuração. Também as fotografias de Carlos Vergara, Ana Mendieta, Paulo Nazareth e Secos & Molhados registram o corpo como elemento capaz de transmitir uma mensagem, seja como suporte, seja por meio de seus vestígios. Reflita sobre as imagens do Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. O Divisor de Lygia Pape é um trabalho interativo, no qual o Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos. espectador participa da obra 1 Dos trabalhos apresentados no Painel, qual é o mais interessante? Por quê? Resposta pessoal. coletivamente.

2

Como você classificaria esses trabalhos quanto à diversidade de ações relacionadas com o corpo?

3

Que outras reflexões podem ser feitas sobre a relação entre arte e corpo com base nas imagens apresen­ tadas nessa seção? Resposta pessoal.

4

Pense em uma palavra para ser escrita numa placa que você seguraria em uma fotografia. Qual seria a palavra? Que título você daria a essa fotografia? Resposta pessoal.

Peça a cada um dos alunos que escreva a palavra escolhida em uma folha de papel, observando o tamanho e a distribuição das letras no espaço da folha. Depois, em duplas, os alunos podem se fotografar segurando suas palavras. Esta atividade pode ser feita rapidamente em sala de aula com qualquer tipo de máquina fotográfica, inclusive a do telefone celular. O que importa aqui é a possibilidade de expressar uma mensagem, e não a qualidade da resolução da imagem.

capítulo 2 • 49

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 49

6/23/15 3:41 PM


fala o artista Sobre o trabalho de lygia pape No filme Trio do embalo maluco, de 1968, a fluminense Lygia Pape (1927-2004) mostra três cubos de cores diferentes dos quais saem subitamente três sambistas tocando seus instrumentos. O filme é um desdobramento da obra OVO, em que a própria artista sai de dentro de um cubo branco. Leia um texto do artista carioca Hélio Oiticica (1937-1980) sobre esta obra:

[...]uouOVOucomouobjetouéuumucubousuficientementeuespaçado parauqueudentroucaibauumucorpo entra-seuouumelhorupassa-seudouespaço-ambienteudeufora parauoudeudentroucolocando-seuoucubo encubandououespaçouondeuseuestá: levanta-seueuseucabeudentroudoucubo cujououúnicouladouabertouéuoudouchão: passa-seudeudentrouparauforaufurandouumuouumaisuladosueupor umudelesusaindo:usemuduraçãoupredeterminadaudeutempo deuexecução:utantoudeuimediatouquantouficando ouqueuseuqueru[...]

Exploreuoutrasuobrasu douartista,udisponíveisu em:u<www.lygiapape. org.br>.uAcessouem:uu 13ujun.u2015.

Filme • Brasil-RJ • Século XX

Arquivo/Projeto Lygia Pape

Texto do artista Hélio Oiticica sobre a obra OVO, de Lygia Pape. Em: PAPE, Lygia. Gávea de tocaia. São Paulo: Cosac Naify, 2000.

Lygia Pape, cena de Trio do embalo maluco, 1968. (Filme.)

Converse com os colegas de turma sobre esse trabalho de Lygia Pape. Respostas pessoais.

50

1

O que há de interessante nele?

2

Qual é a relação entre o filme Trio do embalo maluco e a obra OVO, descrita por Hélio Oiticica?

3

Por que você acha que a artista deu esse nome ao objeto?

4

Que elementos ela mescla nessa obra?

A artista desenvolveu esse trabalho pensando no funcionamento do ovo na natureza, o qual se rompe de dentro para fora no momento do nascimento de animais como pássaros e répteis. Lygia Pape construiu uma estrutura cúbica de arestas de madeira forradas com um plástico frágil, exceto na face de baixo, que fica aberta. Um dos três sambistas que quebram a “casca” do ovo para tocar é o próprio Hélio Oiticica, amigo de Lygia e também artista. Em suma, essa performance mescla construção de objetos, encenação, música e cinema.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 50

6/23/15 3:41 PM


Pensando com a história pintura corporal noS povoS indígenaS Mais de trezentos povos indígenas, com culturas bastante diversas, vivem hoje no Brasil. Muitos desses grupos praticam a pintura corporal há séculos – o que chamou a atenção dos viajantes e estudiosos europeus que vieram à América. Os grafismos aparecem não só nos corpos, mas também em objetos utilitários e rituais, nas casas e, atualmente, no papel. Essas pinturas não são apenas ornamentações feitas para embelezar, mas integram a dinâmica da vida dos grupos indígenas. Elas exprimem o lugar ocupado pelos indivíduos na sociedade ou uma situação, e se referem à natureza e à ordem cósmica. Povos como os Kadiwéu, que vivem na Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul, realizavam no passado uma pintura facial composta de arabescos e delicadas e complexas espirais. Esse costume, porém, caiu em desuso. Por outro lado, muitos grupos indígenas de nosso continente continuam criando e recriando as tradições de seu povo para afirmar sua identidade cultural. É o caso da pintura que as mulheres Kayapó, que vivem no Pará, fazem nos filhos para marcar as etapas de crescimento e dar proteção mágico-religiosa. Outro exemplo é a arte kusiwa dos índios Waiãpi, do Amapá, um repertório de desenhos acompanhados de narrativas que sintetizam a visão de mundo desse povo. Os diferentes grupos indígenas que praticam a pintura corporal utilizam materiais e técnicas variadas. As tintas mais comuns são a preta, a vermelha e a branca. Guido Boggiani/Coleção particular

Fotografia • Brasil-MS Século XIX

Ordem cósmica:u formaucomouumau culturauacreditau queuoumundou naturalueu sobrenaturaluu éuorganizado.uu Emugeral,uéu apresentadauemu umuconjuntoudeu narrativasuqueu descrevemuau origemudoumundo. uu Arabescos:u ornamentosuricosu emulinhasucurvasuu euentrecruzadas,u alémudeudesenhosu queuremetemuau elementosudeu plantasueuanimais,u comouramosueuasasu deuinsetos. uu Identidade:u conjuntoudeu característicasuu queudiferenciamu umaupessoauouuu umugrupo,u tornando-osu únicos. uu

Mulher Kadiwéu, 1902. (Fotografia, Museu do Índio, Rio de Janeiro, RJ.)

capítulo 2 • 51 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 51

6/23/15 3:41 PM


hora da troca pintura corporal e adornoS Entre diversas populações ao redor do mundo a pintura corporal e o uso de adornos são práticas cotidianas. Para outras, porém, eles se restringem a cerimônias e rituais específicos. Cada tradição de pintura corporal tem características técnicas e estéticas próprias. Isso significa que varia não só a matéria-prima usada na pintura, mas também as formas e combinações dos desenhos realizados. O mesmo vale para a produção dos adornos. Como estamos falando de manifestações culturais vivas, elas podem se transformar ao longo do tempo. Saiba mais sobre o assunto (links acessados em: 10 dez. 2014).

Embora este povo se denomine Huni Kuin (‘pessoas verdadeiras’), o termo Kaxinawá ainda é bastante utilizado, porque outros povos da região também se denominam Huni Kuin, o que pode gerar confusão.

O kene kuin (‘desenho verdadeiro’) é uma marca da identidade Kaxinawá, povo que vive no Acre e que se autodenomina Huni Kuin. Ele é aplicado tanto na pintura corporal quanto em objetos como redes, cestos e vasos. Para os Kaxinawá, o desenho é um elemento fundamental na beleza da pessoa e das coisas. Mais informações em: <pib. socioambiental.org/pt/povo/kaxinawa/400>.

Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=JxaP8WFyBqo>

Grafismo • Vídeo • Brasil-AC • Século XXI

nacional

Cena do documentário Bimi – Mestra de kenes, de Zezinho Yube, 2009. (Vídeo, 4:27 min., Vídeo nas Aldeias.)

52 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 52

6/23/15 3:41 PM


Pintura corporal • Etiópia • Século XX

Global

Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=TkMP0il-VsQ>

Muitos povos do continente africano também praticam a pintura corporal. Os Mursi, que vivem na Etiópia, utilizam ocre, caulim, calcário, barro e carvão em pinturas rituais, decorativas e de prevenção contra insolação e doenças. Eles também colocam discos de madeira ou cerâmica no lábio inferior das mulheres em rituais de iniciação. Conheça “As vaidosas mulheres do povo Mursi”, texto do site português Repórter Sombra sobre as mulheres Mursi: <http://reportersombra. com/2014/09/as-vaidosas-mulheres-do-povo-mursi>. Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=TkMP0il-VsQ>

Angela Fisher e Carol Beckwith, crianças da etnia Mursi (Surma), com pintura corporal no sudoeste da Etiópia. O vídeo Corpos pintados da África pode ser encontrado no seguinte endereço (áudio em inglês, sem legendas): <http://video.nationalgeographic.com/video/ng-live/beckwith-fisherpainted-lecture-nglive>. Acesso em: 20 nov. 2014. Embora provavelmente não compreendam as falas, os alunos podem se interessar pelas imagens, que em si já são plenas de significado.

É hora de pesquisar, aumentar seu repertório cultural, resgatar memórias e compartilhar conhecimentos.

Se necessário, estimule os alunos a recordar ocasiões como festas juninas (e respectivos 1 Você gostaria de conhecer um pouco mais sobre a pintura e os adornos corporais dos adornos, como lenço, chapéu e Kaxinawá e dos Mursi? maquiagem), Carnaval, festas à fantasia, cerimônias religiosas a. Fora do horário de aula, pesquise sobre o assunto na internet, em livros, revistas e (nas quais pode haver acessórios, adornos ou pinturas com funções outros materiais. Você pode começar pelos links oferecidos nas notas. rituais). Você pode perguntar aos o que eles sentem ou b. Anote as informações mais importantes e providencie cópias de imagens relacionadas. alunos sentiam ao usar esses ornamentos que significado tem, para eles, c. No início da aula seguinte, você poderá compartilhar o que descobriu com sua turma. eessa ação. Assim, o aspecto afetivo da memória também é trabalhado. 2 O que você conhece sobre a pintura corporal, a maquiagem e os adornos usados atual­ Se você dispuser de tempo, proponha aos alunos que reflitam mente? Pense em como eles estão presentes em sua vida. sobre suas lembranças e peça-lhes que tragam imagens e objetos que a. Você pode começar conversando com os colegas sobre estas questões: estejam relacionados a elas na aula ww Em seu dia a dia, você costuma usar pintura corporal, maquiagem e adornos? E seguinte. Ajude-os a organizar as informações: Que tipos de adorno e em ocasiões especiais, como festas, comemorações e cerimônias? Resposta pessoal. pintura apareceram com maior frequência? Quais eram os mais ww Que tipos de adorno e pintura as pessoas que você conhece usam? Em que situa- inusitados? Quais deles estão presentes na região e quais deles ções essas pessoas os usam ou os revelam? Resposta pessoal. são mais comuns em outros Cuide para que os alunos b. Compartilhe com os colegas links e outras referências que você tenha sobre esse lugares? respeitem o material trazido pelos assunto. Procure reservar a sala de informática nesta aula. Assim, os alunos podem ter acesso aos links que compartilharem ali mesmo. colegas. Faça com que os alunos percebam que há muitos exemplos possíveis aqui: palhaços e atores usam maquiagem e pintura para compor personagens, e militares podem passar maquiagem para se camuflar na mata; do mesmo modo, em profissões como a de comissária de bordo é comum a exigência de se maquiar. Por outro lado, muitas pessoas só podem usar adornos fora do local de trabalho – por exemplo, quem trabalha manipulando alimentos ou em alguns tipos de escritório e fábrica. Os alunos podem mencionar também pessoas conhecidas que usam adornos e pinturas corporais permanentes ou que deixam marcas ao ser retirados, como tatuagens e alargadores. Nesses casos, em que situações essas pessoas deixam esses ornamentos à mostra? Por quê?

capítulo 2 • 53

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 53

6/23/15 4:12 PM


debate Carmen Miranda concebeu esta indumentária para criar uma identidade que fosse reconhecida como tipicamente brasileira, associando sua imagem às tradições afrodescendentes. Apesar de ser nascida em Portugal, ela cantava marchinhas e sambas e se apresentava com um traje inspirado nas baianas de tabuleiro, com cesta de frutas na cabeça, saia rodada de renda e colares rituais, como os do candomblé.

adorno corporal e identidade Como vimos, o adorno corporal varia de uma cultura para outra e também dentro de uma mesma cultura. Entretanto, todo tipo de adorno – seja pintura corporal, seja ornamento, seja maquiagem, ou até mesmo um corte de cabelo ou penteado – carrega mensagens. E o corpo fala uma linguagem potente, capaz de modificar valores, preservar a memória e renovar tradições. Observe as seguintes imagens e reflita sobre elas.

Fotografia • Adorno • Brasil-RJ • Século XX

No Japão há um grande interesse das novas gerações em preservar as tradições culturais. As gueixas se dedicam a praticar com perfeição os sofisticados rituais de dança, canto e teatro, de modo a manter vivos os saberes de seus ancestrais.

Bettmann/Corbis/LatinStock

Michael Chandler/Acervo do fotógrafo

Fotografia • Maquiagem • Japão • Século XXI

A cantora luso-brasileira Carmen Miranda (1909-1955) aparece nesta foto de 1940 com um traje que ela mesma criou, inspirado em roupas e adornos afro-brasileiros. O turbante com a cesta de frutas brasileiras e os balangandãs (um conjunto de colares, pulseiras e brincos) tornaram-se uma marca pessoal da artista. Ouça no CD que acompanha este livro a música “O que é que a baiana tem”, composta por Dorival Caymmi e interpretada por Carmen Miranda. 3

Gueixa, foto de Michael Chandler, 2013. No Japão, as gueixas são mulheres que estudam as artes tradicionais da dança e do canto. Elas chegam a levar duas horas para aplicar a maquiagem, em que rosto, pescoço e peito são totalmente cobertos com um pó branco.

54 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 54

6/23/15 3:41 PM


Art Acquisition Fund/The Bridgeman Art Library/Keystone/Davis Museum and Cultural Center, Wellesley College, EUA.

Instalação • Gravura • EUA • Século XX

Lorna Simpson, Perucas (detalhe), 1994. (Litografia em feltro, 248,9 cm × 685,8 cm, Walker Art Center, Minneapolis, Estados Unidos.) Neste trabalho, a artista afrodescendente norte-americana Lorna Simpson (1960) chama a atenção para o cabelo como uma marca de identidade social. Ela fotografou apliques e perucas e reproduziu 21 imagens em litografias sobre feltro. Na montagem, fez um catálogo de tipos de cabelo relacionando gênero, idade e raça. Note que apenas uma das perucas da série é loira – trata-se de um aplique de boneca.

uu

Litografia:utipoudeu gravurauemuqueuasu imagensusãou reproduzidasuporu meioudeuumaumatrizu deupedra.

A artista Lorna Simpson, ao exibir as imagens de perucas de vários tipos de cabelo, chama a atenção para os padrões de beleza na sociedade ocidental. Até o final do século XX, predominava na publicidade e nas indústrias cultural e da moda o ideal da mulher branca, magra e loira. A artista aponta também para o costume de se julgar as mulheres, principalmente as negras, com base em atributos físicos.

Converse com os colegas e o professor sobre a relação entre adorno corporal e identidade. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o Chame a atenção dos alunos para o fato de que, embora as três imagens assunto. trabalhem com poucas cores, elas documentam adornos, maquiagem e cabelo w Você já havia pensado no corpo como fonte de linguagem? w w w w w w w

com grande força estética. Neste debate, é importante que fique claro que o adorno tem a função de embelezar, mas o conceito de beleza varia de cultura cultura e de pessoa para pessoa; preservar tradições é importante, mas O que Carmen Miranda queria comunicar com esses adereços? para nenhuma cultura é estanque e imutável; a linguagem do corpo expressa a identidade do indivíduo e sua relação com a sociedade; a autoestima não se Qual é a importância de preservar tradições? deve pautar por padrões hegemônicos, mas pela afirmação e pelo orgulho da identidade da pessoa. Qual é a relação entre beleza e adorno corporal? Quanto ao último ponto, a questão do cabelo é particularmente sensível para muitas garotas. Veja mais questões implicadas no debate e como conduzi-lo Qual é a relação entre linguagem do corpo e identidade? nas orientações no fim deste livro. Se achar pertinente, proponha como atividade de encerramento um mural com As identidades podem mudar com o tempo? Por quê? o tema “Adorno: um pedaço de minha identidade”. Os alunos podem desenhar ou fotografar adornos que considerem representativos de sua identidade e Ser fiel a sua identidade é ser belo? escrever uma frase a respeito. Outra possibilidade é uma atividade lúdica de comparação entre fios de cabelos dos alunos da turma. Sob sua supervisão, Como você se relaciona com seu cabelo? cada aluno pode cuidadosamente cortar alguns poucos fios de seu próprio cabelo; então, todos podem comparar entre si, sobre uma superfície branca, de modo a evidenciar a variedade.

capítulo 2 • 55

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 55

6/23/15 3:41 PM


teoria e técnica pintura do corpo

uu

Macerar:u amassaruouumoeru algousólido,u adicionandou águauouuoutrou solvente,uparau extrairu determinadasu substâncias.

Em diversas culturas tradicionais, a pintura corporal é feita com tintas preparadas com diferentes substâncias. Na Índia e no Nepal, por exemplo, as mulheres enfeitam os pés e as mãos com pinturas em ocasiões especiais, como o casamento. Elas empregam um pigmento marrom avermelhado chamado hena, extraído de uma árvore de mesmo nome. A tinta é preparada em forma de pasta e aplicada com um funil de plástico fino ou uma seringa sem agulha. Esse tipo de pintura pode permanecer na pele por até uma semana. Os povos indígenas elaboram as tintas com frutas e sementes. Em geral, usam apenas duas cores: com o pó da semente do urucum fazem a tinta vermelha e fervendo ou macerando a polpa do jenipapo verde com um pouco de água fazem uma tinta transparente, que após algumas horas se torna preta. Esse tipo de tinta desaparece depois de alguns banhos. Aprenda a fazer tintas que podem ser usadas na pele com anilina comestível nessas duas cores.

Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Pintura corporal • Brasil-MT • Século XXI

Pintura corporal do povo Kalapalo, na aldeia Aiha, Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso, 2011.

56 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 56

6/23/15 3:42 PM


tinta para pintar o corpo Há duas formas de preparar tinta para pintar o corpo: uma usando loção e outra com farinha de trigo. Se tiver uma loção cremosa para pele, coloque pequenas porções dela em copinhos diferentes. Num deles acrescente uma gota de anilina alimentícia preta e em outro, uma gota da anilina vermelha. Misture bem. Se, em vez de usar loção, quiser preparar a base, junte uma xícara de farinha de trigo a 1 litro de água fria. Vá misturando aos poucos para dissolver a farinha. Com a supervisão de um adulto, leve a mistura ao fogo brando e mexa sem parar até obter um creme homogêneo. Separe uma porção do creme em cada um dos recipientes e coloque o corante. Cuidado: o corante é forte. Coloque as gotas uma a uma, até alcançar a cor desejada. Use um pincel de ponta bem fina e outro de ponta mais grossa para fazer a pintura. Assim, você pode Se possível, sugira aos alunos que preparem a tinta em casa, com o traçar linhas com duas espessuras diferentes. auxílio de um adulto, na véspera da aula, e tragam-na para a escola em Paulo Amorim/Getty Images

potes ou copos de plástico.

Pintura corporal • Brasil-MT-PA • Século XXI

Indígena Kayapó pinta sua filha para cerimônia, 2001.

É preciso atentar para os cuidados que devem ser tomados em relação ao uso de adornos corporais. Lá vão algumas dicas. w A aplicação de tatuagens permanentes e a colocação de piercings estão proibidas para menores de 18 anos. w Furar e tatuar a pele são procedimentos em que há risco de transmissão de vírus causadores de doenças como hepatite tipo C e Aids. Por isso, devem ser realizados apenas por profissionais especializados e com a utilização de equipamentos descartáveis. w Existe um tipo de tatuagem industrial aplicada com água sobre a pele que pode ser removida com algodão e álcool. Porém, não deve ser aplicada nas pálpebras, mucosas e peles sensíveis. w A pintura corporal também não deve ser feita nas pálpebras, mucosas e peles sensíveis. w Não esfregue os olhos ou os cabelos pintados! w Antes de dormir, lave bem as áreas pintadas com água e sabão.

capítulo 2 • 57 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 57

6/23/15 3:42 PM


atividades 1. pintura corporal Nesta atividade, a proposta é pintar algumas partes do corpo com a tinta corporal previamente preparada. Forme dupla com um colega e prepare com ele as tintas vermelha e preta (que aprendeu a fazer na seção anterior).

Oriente a pesquisa dos alunos. Na internet, eles poderão encontrar diversas referências de grafismo indígena. Inclusive, o livro citado na dica poderá ser encontrado ali em versão digital.

Exploreuouassunto:uGrafismouindígena,u deuLuxuVidal,uEstúdiouNobel/Fapesp/ Edusp,uSãouPaulo,u1992.

Material: w Folha de papel A4. w Tintas preparadas com loção cremosa ou farinha de trigo. w Dois pincéis de espessuras diferentes. w Um chumaço de algodão ou lenço de papel. Para começar, pesquise em livros, revistas e na internet padrões usados pelos povos indígenas do Brasil. Escolha um padrão para fazer a pintura e copie um trecho numa folha de papel usando os pincéis e as tintas. Treine mais de uma vez para ficar seguro. Escolha a parte do corpo (mão, braço, perna, pé) em que você quer fazer a pintura. Você vai realizar a pintura no colega e vice-versa. Procure ficar imóvel enquanto ele pinta você para evitar borrões.

Reprodução/Edusp

Combine com seu parceiro de trabalho que os desenhos devem ser pequenos e discretos.

Cuide para que não ocorram desentendimentos. As duplas devem se formar por afinidade, pois esse tipo de atividade demanda confiança. Reforce que a pintura deve se restringir ao braço, mão, perna ou pé e que os alunos devem treinar antes no papel. Caso algum aluno não queira pintar o corpo, permita que faça a atividade apenas no papel.

Para encerrar, se possível, fotografe a pintura. Faça uma selfie! Assim, além de registrar o trabalho, você poderá exibi-lo para os familiares e amigos.

Terminada a atividade, faça com os colegas e o professor uma avaliação oral do processo, seguindo o roteiro abaixo. Respostas pessoais. w É muito difícil lidar com tintas e pincéis? w Quem usou loção e quem usou farinha? Explique a preferência. w Como ficou o aspecto da pintura no corpo? w A tinta demora muito tempo para secar? w Alguém precisou apagar? A tinta saiu facilmente com água? w Que padrões foram usados? Geométricos, curvos, espiralados? w É difícil repetir um padrão? Ou seja, é difícil manter a mesma distância entre as linhas e certa regularidade na espessura delas? w Que tipo de padrão deu melhor resultado sobre a pele?

58 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 58

6/23/15 3:42 PM


2. pegadaS Nesta atividade, além de observar e refletir sobre nossa forma de andar, vamos também registrá-la. Material: w Tinta corporal previamente preparada. w Papel-kraft grande. w Pano para limpeza. Tire sapatos e meias. Sente-se diante de uma folha de papel grande e passe a tinta lavável em toda a sola de um dos pés, homogeneamente. Não se esqueça de colorir os artelhos.

uu

Artelhos:upopularmenteu chamadosudeudedosudou pé.

Depois, pise na folha de papel e deixe impressa sua pegada. Tente pisar do modo mais natural possível. Em seguida, limpe o pé.

Fique em pé e procure perceber como seus pés se apoiam no chão. Caminhe pela sala e repare em como eles realizam a marcha. Verifique se você usa os dedos dos pés para caminhar e se algum pé parece fazer mais força contra o chão do que outro. Acelere a marcha, como se estivesse andando com pressa e constate se os pés trabalham do mesmo modo que quando andamos lentamente. Encontre um ritmo agradável para sua marcha e tente perceber se você parece mais lento ou mais rápido do que os colegas. Agora, eleve o calcanhar do chão e caminhe apenas com o apoio do antepé e dos artelhos. Ande primeiro lentamente e depois mais rápido, por alguns segundos. Volte a caminhar normalmente e tente perceber a diferença. Em seguida, deixe apenas o calcanhar apoiado no chão e caminhe sem que a parte da frente do pé toque o chão. É difícil? Como fica seu equilíbrio? Caminhe normalmente. Como está sua respiração? Volte a se sentar e pinte novamente o mesmo pé que pintou no início da proposta. Em outro pedaço da folha de papel, deixe uma nova pegada.

Note se há diferença entre a primeira e a segunda. O que mudou? Observe também as pegadas dos colegas. No final da atividade proponha um desafio para a turma. Espalhe as folhas com as pegadas de todos os alunos no chão, com o nome deles escrito apenas no verso, de modo que não possam identificá-lo durante a atividade. Peça que observem o formato de seus próprios pés e o dos pés dos colegas e tentem achar o “dono” de cada pegada. Ao final, eles podem conferir o nome no verso das folhas.

AutOAVALIAçãO Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo, reflita sobre elas e depois compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

Quais foram as reflexões mais importantes que você fez no decorrer do deste estudo?

2

Após os debates, as pesquisas e as atividades, você formou novas opiniões a respei­ to de algum assunto?

3

O que aprendeu a respeito das possibilidades que o corpo tem de expressar mensagens?

Procure conduzir a autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente; portanto, o ideal é que os alunos leiam as questões previamente, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C2_040a059.indd 59

capítulo 2 • 59 6/23/15 3:42 PM


3

CAPÍTULO

a roupa e a arte

1 2 3

Asupessoasuescolhemuouqueuvestiruouuaumodauéuumauimposição?

u

Resposta pessoal.

Asupessoasuseuvestemudeumodouparecidououufazemuescolhasumuitou diferentesuentreusi?uPoruquê?uResposta pessoal. Comouasuroupasueramuproduzidasuantigamenteueucomouelasusãoufeitasuhojeu emudia? Resposta pessoal.

60 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 60

6/23/15 3:42 PM


ObjeTO

COnCeiTO

Roupa e mensagem

Indumentária

Tendência

As questões de abertura visam mapear o conhecimento prévio que os alunos possuem a respeito dos principais temas tratados no capítulo. Com base em suas diferentes experiências, eles podem perceber, por exemplo, a coexistência de formas diferentes de vestir e de produzir roupas em nossa sociedade.

uu

Sári:ulongaupeçaudeu

tecidouenroladauemu voltaudoucorpoudeu modouaucobriruou bustoueuformaruumau saia. uu Bubu:utúnicaulongaueu largauusadauemu algunsupaísesudau Áfricauocidental,u especialmenteuemu cerimônias. uu Globalização:u processouemuqueuosu paísesuseutornamu maisudependentesu unsudosuoutrosunau culturaueunau economia.uParau alguns,uissoufezucomu queuauculturaudeu paísesuricos,uemu especialuaudosu EstadosuUnidos,useu impusesseuàsu demais.

Tema Transversal

TéCniCa

Habilidade

Bordado

Projeto e confecção

Identidade

Começando por voCê No mundo todo, homens e mulheres se vestem de acordo com as convenções de sua cultura. Assim, algumas indianas vestem sáris, algumas japonesas trajam quimonos e alguns africanos muçulmanos usam o bubu. No entanto, com a globalização, há peças do vestuário específico de um e outro povo que se tornaram comuns em todo lugar. Calças jeans e camisetas, por exemplo, são produzidas e vendidas tanto no Brasil como no Quênia, tanto na China como na Alemanha. A indústria da moda influencia a maneira como as pessoas do mundo todo se vestem. Ano a ano, estilistas e empresas criam tendências para estimular a compra de seus produtos. Como a moda aposta naquilo que é passageiro, há quem a veja como algo desimportante, apenas um reflexo do consumismo. Entretanto, a indumentária e o vestuário também comunicam mensagens. A moda é popular porque todos nós participamos desse processo de transformação. Ao escolher uma peça para vestir, você faz opções pela cor, pelo tecido e pelo modelo, contribuindo para confirmar tendências ou renovar ideias.

Alfaiate tirando medidas para confecção de vestuário.

Phyllis Leibowitz/Taxi/Getty Images

Rimagine Group Limited/Cultura RF/Getty Images

Tema

Garoto de tênis de cano alto preto e branco e jeans rasgado.

Reflita sobre estas questões e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. 1

Como você se veste no dia a dia? E para uma festa? Resposta pessoal.

2

Rasgar o jeans já foi uma forma de deixar uma marca pessoal na roupa que se veste. Hoje em dia, há calças que já são fabricadas com rasgos. O que isso revela sobre a moda? Resposta pessoal. Este tema será abordado com mais profundidade na

3

Você costuma dar um toque pessoal a suas roupas? Como? Resposta pessoal.

seção Pensando com a história deste capítulo.

capítulo 3 • 61 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 61

6/23/15 3:42 PM


Painel Histórias do vestuário e da moda Indumentária:u auarteu relacionadauaou vestuário,unasu diferentesu épocasueu sociedades.u Diferencia-seudau moda,uqueuseu relacionaucomuau criaçãoudeu tendênciasupelau indústriaudou vestuário.

Nas próximas páginas deste Painel vamos estudar o universo da moda e da indumentária e conhecer o trabalho de artistas que se interessam pela forma como as pessoas se vestem. Ilustração • Artes gráficas • Brasil-RJ • Século XX Fotos: Reprodução/Acervo J.Carlos em Revista

uu

J. Carlos, capas da revista Para Todos..., que foi publicada entre 1919 e 1932. (Ilustrações para impressão em off-set.)

Exploreuasucapasu dasurevistasuu OuMalhoueuParau Todos…uilustradasu poruJ.uCarlos,udeu 1922uau1931.u Disponíveluem:u <www.jotacarlos. org>.uAcessouem:u 8udez.u2014.

uu

Esguias:ualtasueu magras.

Hoje em dia estamos cercados por produtos das artes gráficas, pois inúmeros cartazes, sites e logomarcas de empresas são produzidos diariamente pelos designers gráficos – que são os profissionais que criam formas de comunicar uma ideia por meio de elementos visuais. O designer carioca J. Carlos (1884-1950) foi um pioneiro das artes gráficas no Brasil. De 1926 a 1931, ele foi o responsável pela elaboração das capas da revista Para Todos..., voltada para o público jovem feminino que vivia nas cidades. Um dos principais temas dessa revista era a moda, e a maioria das capas ilustradas por ele tinha a figura feminina como elemento central. J. Carlos influenciou os costumes e a moda brasileira da época com suas delicadas melindrosas: mulheres esguias que usavam cabelo curto, chapéu-coco e vestido ou saia de cintura baixa. Veja como esses desenhos combinam traços simples e poucas cores. Você já viu um filme ou uma novela ambientada nos anos 1920?

62 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 62

6/23/15 3:42 PM


Bordado • Brasil-PE • Século XX

Nas imagens mostradas nesta página é possível ver a riqueza de detalhes dos trajes usados pelos cangaceiros do Sertão nordestino. Na imagem menor, feita em 1936 por Benjamin Abrahão, Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), conhecido como Lampião, aparece manipulando uma máquina de costura. A maioria dos cangaceiros do bando liderado por Lampião costurava e bordava as próprias roupas, feitas de couro. Com a permissão de mulheres no bando, a partir de 1930, os cangaceiros adotaram novas técnicas, como a de aplicar recortes de couro branco sobre chapéus, bolsas, peitorais e cinturões. Os bordados variavam de um para outro integrante do grupo, sinalizando o poder de cada um. Além de decorar seus trajes com bordados, os cangaceiros usavam lenços floridos e outros adereços para se enfeitar, como moedas costuradas nas roupas e anéis. Você acredita que mesmo pessoas violentas como os cangaceiros têm desejo de arte? Homens e mulheres têm o mesmo potencial para bordar e costurar?

nt in

o

F

ol i/C in ld ia eç

rt pa ão

la icu e r, R

cife, b uc Pernam o.

Na foto menor, de Benjamin Abrahão, Lampião aplica ornamentos em sua vestimenta, 1936. Na imagem maior, um grande chapéu de couro de chefe de cangaceiro. [Coleção de Frederico Pernambuco.]

Cangaceiros:uhomensu fortementeuarmadosu queupercorriamuou Sertãounordestinouemu gruposunouinícioudou séculouXX,usaqueandou cidadesueuparticipandou deuoutrosucrimes.uDeu origemupobre,ueramu vistosupelaupopulaçãou dauregiãouoraucomou heróis,uoraucomou bandidos.

O trabalho com estas imagens é de fundamental importância tanto para aproximar os alunos do tema do capítulo quanto para desestabilizar concepções maniqueístas sobre apreciação estética. A indumentária criada pelos cangaceiros tornou-se icônica de sua presença e posteriormente ganhou reinterpretações na cultura popular. Na seção Hora da Troca, a turma terá mais contato com essas reinterpretações e com o trabalho masculino de confecção de roupas e acessórios ao ver a produção de Espedito Seleiro. O fotógrafo de origem libanesa Benjamin Abrahão emigrou para o Brasil em 1915. Anos depois, conquistou a confiança de Lampião e registrou, em uma série de fotografias e filmes, o cotidiano do grupo dançando, lendo, bordando e exibindo suas armas.

Benjamin Abrahão/Sociedade do Cangaço, Aracaju, Sergipe.

Va le

uu

capítulo 3 • 63 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 63

6/23/15 3:42 PM


Moda • Brasil-MG • Século XX

Reprodução/Itaú Cultural

A cultura popular brasileira e suas técnicas também são fonte de inspiração para estilistas da chamada alta-costura. É o caso da mineira Zuzu Angel (1921-1976), que muitas vezes utilizou tecidos, estampas e temas populares em suas coleções. Nestas peças da linha Candomblé, ela usou turbantes, rendas e objetos de prata que representam símbolos da religião afro-brasileira. Em outras criações, utilizou renda renascença feita no Nordeste do país e aplicou bordados de papagaios, borboletas e outros animais brasileiros. Zuzu Angel começou a trabalhar como estilista no Rio de Janeiro, em 1957, e logo passou a desenhar roupas para a alta sociedade da então capital brasileira e para artistas estrangeiros. Suas criações estiveram em desfile nos Estados Unidos e à venda em lojas de departamento internacionais. Foi uma das primeiras estilistas brasileiras a produzir roupas prontas para ser vendidas nas lojas. Em 1971, seu filho de 26 anos foi assassinado por agentes da ditadura militar. A partir de então, Zuzu Angel usou o trabalho para expressar sua dor, denunciando a tortura e a morte de presos políticos no Brasil. Você já tinha ouvido falar de Zuzu Angel? O que chama a atenção neste vestido de noiva criado por ela?

Explique aos alunos que antigamente os estilistas em geral faziam as roupas sob medida, ou seja, cada peça era confeccionada com base nas medidas do corpo do cliente. Com a fabricação em escala industrial, as lojas passaram a comercializar roupas em tamanhos padronizados, produzidas muito mais rapidamente e a um custo menor. Zuzu Angel inspirou-se em diversos temas da cultura e do imaginário brasileiros, como os trajes das baianas afrodescendentes e dos cangaceiros, a fauna e a flora locais. Outro motivo recorrente era o anjo (uma referência ao sobrenome Angel, adotado de seu marido canadense), que posteriormente passou a simbolizar seu filho morto por agentes da ditadura militar.

Modelos vestem peças da linha Candomblé. Zuzu foi a primeira estilista a usar a cultura brasileira como tema de suas criações.

64 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 64

6/23/15 3:42 PM


Bordado • Brasil-SE • Século XX

Arthur Bispo do Rosário, Fardão Luta e Fardão Eu vi Cristo, s.d. (Museu Bispo do Rosário/Secretaria de Saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro, RJ.)

/Coleção

produção Fotos: Re

uu

Inventário:ulistauouu descriçãouminuciosau deubens.

Estimule os alunos a fazer uma relação dos elementos bordados por Bispo do Rosário e, em seguida, formule questões como: O que vocês acham que esses elementos significam? Como se sentiriam vestindo uma peça dessas?

particular

O sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989) viveu recluso em um hospital psiquiátrico no Rio de Janeiro de 1938 até o fim de sua vida. Segundo Bispo do Rosário, Deus havia lhe ordenado que fizesse o inventário do universo. Desde então, utilizou todos os materiais a seu alcance para relatar o que conhecia do mundo, reunindo e organizando objetos diversos. Bispo do Rosário desfiava lençóis e uniformes que haviam pertencido aos internos do hospital para conseguir a matéria-prima para bordar palavras e ornamentos em roupas velhas, produzindo mantos, estandartes e fardões. Com habilidade, emendava golas e mangas longas, aplicava medalhas de honra e insígnias inventadas, transformando vestimentas comuns em trajes repletos de significado. Seu trabalho é reconhecido em todo o mundo e tem influenciado estilistas e artistas desde a década de 1980. Além de trajes como mantos e fardões, Bispo do Rosário realizava instalações com objetos da colônia psiquiátrica, como colheres, vassouras, pedaços de madeira e papéis. Você sabe bordar? Conhece alguém que faça essa atividade? Você pode imaginar quanto tempo Bispo do Rosário passou bordando estas peças?

CAPÍTULO 3 • 65 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 65

6/23/15 3:42 PM


Moda • Japão • Século XXI

De acordo com Issey Miyake, a ideia desta coleção era fazer roupas universais e fáceis de vestir. Peça aos alunos que comentem as formas que a roupa adquire ao ser vestida. Informe-lhes também que o tecido de poliéster pode ser produzido com a reciclagem de garrafas PET. Se algum aluno da turma souber fazer origami, peça-lhe que mostre aos colegas como é. Nas atividades complementares que estão no fim do livro você vai encontrar o passo a passo de um origami de estrela.

Arquivo/Issey Miyake

O designer de moda japonês Issey Miyake (1938) criou uma coleção de roupas inspiradas nas dobraduras tradicionais de papel de seu país, chamadas origami. Apresentados em 2010, esses vestidos, camisas, saias e calças são vendidos como uma folha de tecido dobrada que se desenrola para vestir o corpo. Dez dobraduras feitas de tecido de poliéster reciclado compõem a coleção. O projeto foi concebido por uma equipe de engenheiros e designers em um laboratório que pesquisa novos modos de projetar e produzir objetos. Você já viu um origami? Já fez uma dobradura de papel desse tipo? Acredita que seja prático usar esta roupa?

Issey Miyake, Vestidos-origamis da coleção 132.5, 2010. (Tecido de poliéster reciclado.)

66 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 66

6/23/15 3:42 PM


Moda • Brasil-BA • Século XXI

Boa parte das roupas produzidas atualmente baseia-se em moldes de papel, que tornam o trabalho mais rápido: um molde serve de base para uma série de peças. No entanto, alguns estilistas mantêm vivas técnicas de modelagem que exigem um trabalho mais artesanal. A estilista Lena Santana (1969) utiliza o moulage, técnica em que a roupa é modelada e cortada diretamente no manequim. Com isso, é possível avaliar e ajustar o caimento da peça enquanto ela é produzida, como os elegantes vestidos floridos da coleção Floração, de 2011. Lena nasceu na favela Alto das Pombas, em Salvador, viveu no Rio de Janeiro e estudou design de moda em Londres, capital do Reino Unido. Lá, seu trabalho foi selecionado para receber apoio de um programa governamental que estimula a produção de artesanato. A cultura popular brasileira, especialmente a de origem africana, influencia as estampas, padrões e modelagens criados por Lena. Você gosta das roupas criadas por ela? O que teria levado suas criações a ser tão bem-sucedidas?

Fotos: Lena Santana/Acervo da artista

Embora tenha surgido em um contexto regional específico e por muito tempo tenha sido utilizada com conotação negativa, a palavra ‘favela’ adquiriu um valor positivo para quem vive nestes “aglomerados subnormais”, segundo os termos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nacionalmente, o termo tornou-se conhecido pelos meios de comunicação de massa e pela produção cultural. Internacionalmente, em especial nos campos das artes e do urbanismo, a palavra passou a ser associada a soluções criativas e originais para lidar com adversidades utilizando recursos limitados e a relações de solidariedade comunitária. A estilista respondeu em uma entrevista que, para ela, suas roupas fazem sucesso no Reino Unido porque apresentam a estética da cultura popular com acabamento técnico de alta qualidade. Esta é uma boa oportunidade para falar sobre padrões de beleza e valorização das identidades étnicas. Lena Santana privilegia a contratação de modelos afrodescendentes para desfilar suas criações. Recentemente, estilistas brasileiros que participam dos mais prestigiados desfiles de moda têm sido criticados por preferir modelos com características físicas similares às das modelos europeias. Em declaração dada em 2013, Lena Santana disse que “O problema das marcas brasileiras é que elas não querem vincular seus produtos aos negros. E depois somos nós que compramos”. Ela ainda comenta o fato de que algumas marcas se inspiram em temas africanos e afro-brasileiros, mas não contratam modelos negros para apresentar as peças nas passarelas: “Servimos de referência, mas não servimos como modelos”. (Disponível em: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/ noticia/2013/11/fashion-rio-adota-cota-de-modelos-negros-apostermo-de-compromisso.html>. Acesso em: 8 dez. 2014.)

Lena Santana, peça da coleção Floração, apresentada por modelo, em 2011.

capítulo 3 • 67 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 67

6/23/15 3:42 PM


Escultura • Reino Unido • Nigéria • Século XXI

Yinka Shonibare, Ballerina with violin (Giselle) [Bailarina com violino], 2013. (Manequim de fibra de vidro em tamanho real, algodão estampado com wax print, violino, globo, sapatilhas e base de a��o, 140 cm × 94 cm × 70 cm.)

Yinka Shonibare/Coleção particular

Yinka Shonibare (1962) nasceu no Reino Unido e foi criado na Nigéria. O artista é conhecido por vestir esculturas humanas em tamanho natural com tecidos estampados, como os produzidos nos países da África ocidental. Seus personagens, frequentemente mestiços e sem cabeça, propõem reflexões sobre os efeitos do colonialismo e da globalização nos países em desenvolvimento. A escultura Bailarina com violino (Giselle) mostra uma moça parda dançando enquanto toca o instrumento mais conhecido da música erudita: o violino. O segundo título da obra, Giselle, é uma referência a uma famosa coreografia francesa de balé apresentada pela primeira vez em 1840. Na história dessa peça, uma camponesa pobre se apaixona por um nobre disfarçado de aldeão e se decepciona ao descobrir a verdade. Por que Shonibare vestiu a bailarina desta maneira? Você arrisca um motivo para a escultura ter um globo no lugar da cabeça? Como você descreve a posição da bailarina? Como será dançar balé e tocar violino ao mesmo tempo?

A técnica do wax print (também conhecida como Dutch wax ou African wax) é similar à do batique, em que o tecido é estampado de ambos os lados, utilizando cera para impermeabilizar as áreas que receberão cores diferentes a cada aplicação de tintura. uu

Colonialismo:usistemauemu queualgumasunaçõesuocupamu eugovernamuterritóriosuàu força,usemuconsideraruou desejoudasupopulaçõesuqueu láuvivem.uAssimucomouou Brasilufoiucolôniaudeu Portugaluporumuitosuséculos,u quaseutodauauÁfricaufoiu colonizadauporupaísesu europeusuentreuosuséculosu XIXueuXX.

Shonibare questiona a estética europeia da bailarina clássica (que costuma vestir uma roupa clara e esvoaçante) trajando sua escultura com roupas e sapatilhas estampadas e coloridas. A referência ao encantamento e à decepção da personagem Giselle também é interessante, por fazer um paralelo da relação entre a camponesa e o nobre na obra com a relação entre África e Europa na geopolítica. A substituição da cabeça nas esculturas de Shonibare pode ser vista como uma forma de tratar do coletivo, e não do individual. Além de o formato do globo remeter à Terra, nele está impresso trecho da partitura da trilha do balé. Dessa forma, a obra remete ao fato de que o balé e a música erudita europeia, assim como toda a cultura ocidental, difundiram-se pelo mundo por causa do colonialismo e costumam ser vistos como formas de arte universal – embora tenham uma origem definida. Chame a atenção dos alunos para a posição do corpo da bailarina-musicista – tanto a flexão da perna e o pé em ponta como o apoio do violino entre o ombro e o queixo costumam gerar desconforto. Além disso, a sugestão de que as duas atividades estão sendo feitas simultaneamente pela mesma pessoa traz a ideia de algo tão difícil que se torna impossível.

68 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 68

6/23/15 3:42 PM


Sebastien Berda/Agência France-Presse

Yoshikazu Tsuno/Agência France-Presse

Performance • Desenho • Espanha • Japão • Século XXI

Fã da “cantora” virtual Hatsune Miku veste-se como o personagem e imita seu gestual, durante Semana de Games de Madrid, em 2014. Pergunte aos alunos qual é o aspecto mais importante a ser levado em conta quando se quer incorporar um personagem. Eles devem perceber que não basta usar um traje que replique muito bem o do personagem ou uma maquiagem impecável para que a fantasia seja convincente. Fantasiar-se e participar de um concurso envolve também aspectos performáticos – tema que será mais explorado nos próximos capítulos.

Atualmente, as fantasias estão sendo incorporadas à forma cotidiana de vestir de alguns jovens. Na primeira foto, vemos uma garota fantasiada de Hatsune Miku, “cantora” virtual criada por sintetizador que aparece na segunda foto. Esse costume foi adotado por jovens do mundo inteiro e é chamado de cosplay – forma abreviada da expressão inglesa costume play, que significa ‘brincar com fantasia’. O cosplay envolve fãs de todo tipo de personagens da cultura pop, desde aqueles que protagonizam filmes norte-americanos de ficção científica, como os da série Guerra nas estrelas, até os do mangá japonês. Alguns jovens confeccionam as próprias fantasias, com as quais incorporam seus personagens prediletos em concursos e apresentações. De que personagem você se vestiria para um encontro como esse?

uu

Mangá:uestiloudeurevistauemu quadrinhosucriadounouJapãoueuhojeu popularuemuváriasupartesudoumundo.u Osupersonagensudessasuhistóriasu desenhadasuemulinguagemu cinematográficaucostumamuteruolhosu grandesueucabelosuespetados.uOsu mangásupodemuterulongasusequênciasu sóudeuimagens,ucomumudançasusutisu entreuasucenasuparausimularuou movimentoudaucâmeraunoucinema.

2. Respostas possíveis: Entre outras coisas, J. Carlos foi ilustrador, e pode-se dizer que seu trabalho divulgou uma forma de vestir de sua época. Zuzu Angel, Lena Santana e Issey Miyake são estilistas ou designers de moda: trabalham criando roupas tanto para desfiles como para ser usadas no dia a dia. Bispo do Rosário e Yinka Shonibare são artistas visuais que criaram objetos usando tecidos e refletiram sobre os aspectos simbólicos da indumentária. Os fãs de histórias em quadrinhos, filmes e desenhos animados confeccionam ou compram fantasias para usá-las em dias especiais: os eventos de cosplay, nos quais incorporam personagens de que gostam. Lampião bordava e costurava para si próprio, assim como os cangaceiros de seu bando; era um passatempo que envolvia deleite estético, e também uma forma de criar uma identidade de grupo e de simbolizar sua hierarquia.

Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos.

Reflita sobre as obras apresentadas no Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. 3. J. Carlos: ilustrações feitas para impressão em off-set. Lampião e seus cangaceiros: trajes de couro com apliques diversos e bordados, adereços feitos com metais e pedras preciosas e semipreciosas. Zuzu Angel: vestido confeccionado com renda renascença, organza e ponto cruz. Bispo do Rosário: casacos bordados e com apliques.

1

Que roupa você achou mais interessante? Por quê? Resposta pessoal.

2

Que tipo de trabalho cada um dos criadores apresentados realiza?

3

Verifique nos textos e nas legendas das imagens que técnicas e materiais foram empregados em cada Issey Miyake: roupas produzidas em forma de dobraduras bidimensionais com poliéster reciclado. Lena Santana: vestidos de tecido estampado um desses trabalhos. modelados com a técnica de moulage. Yinka Shonibare: manequim, globo, violino e roupas de algodão estampado colorido (wax print). Cosplay:

4

É possível pensar em semelhanças entre obras produzidas em contextos tão diferentes?

5

fantasia do personagem Hatsune Miku composta de roupa, maquiagem e peruca.

Você se interessa por roupas? Por quê?

Resposta pessoal.

4. Respostas possíveis: As roupas da coleção Floração, de Lena Santana, têm alguma semelhança em seu colorido e sua modelagem com o vestido da bailarina de Yinka Shonibare. O vestido de noiva de Zuzu Angel tem um aplique de renda feito a mão, como os bordados do Bispo do Rosário e os trajes dos cangaceiros. Tanto Lena Santana como Zuzu Angel se inspiram na moda popular brasileira em suas criações – por sua vez, os trajes dos cangaceiros são uma das inspirações para Zuzu. Os fardões de Bispo do Rosário e a fantasia de cosplay não são roupas de uso cotidiano.

capítulo 3 • 69

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 69

6/23/15 3:42 PM


Fala a artista zuzu anGel

O catálogo completo da exposição Ocupação Zuzu pode ser lido na internet. Disponível em: <http://novo.itaucultural.org.br/explore/literatura/projetos/hotsite/?id=75197>. Acesso em: 8 dez. 2014.

Em 1971, Zuzu Angel lançava em Nova York, nos Estados Unidos, a coleção International Dateline Collection III – Holiday and Resort. Leia o que ela escreveu a respeito:

u Quatroumesesuatrás,uquandoucomeceiuaupensarunestaucoleção,umeuinspireiunasufloresucoloridasueunosulindosupássarosu deumeuupaís.uMasudepois,uváriosutiposudeupesadelouentraramu repentinamenteunauminhauvidaue,uclaro,uasufloresumurcharam,uosupássarosuficaramuloucosueueuuproduziuumaucoleçãou comuumauhistóriaupolítica.uÉuauprimeirauvezunauhistóriaudau modauqueuissouacontece.uEntão,utenhoucertezaudeuqueuestau tardeudareiualgousobreuqueupensar,ucomuestaucoleção...

Reprodução/Itaú Cultural

Carta de Zuzu Angel ao secretário Thomas Dines, 13 de setembro de 1971. In: Zuleika: catálogo da exposição Ocupação Zuzu. São Paulo: Itaú Cultural, maio 2014.

Zuzu Angel, bordado de tanque de guerra. Detalhe de um vestido da coleção International Dateline Collection III – Holiday and Resort, 1971. A apresentação da coleção se encerrou com vestidos brancos de modelagem ampla em que foram bordadas figuras de tanques, canhões, soldados e casinhas infantis. Moda • Brasil-MG • Século XX

1. Os bordados artesanais dos vestidos mesclavam figuras inocentes, como anjos e casinhas, com uniformes militares, quepes, canhões e o sol atrás das grades. Os desenhos, de aspecto infantil, são delicados e, ao mesmo tempo, muito violentos. No ano de 1971, Zuzu estava muito abalada pelo desaparecimento de seu filho, o ativista político Stuart Angel, mas não deixou de produzir suas coleções. Ela usou o poder de comunicação de seu trabalho para denunciar ao mundo a situação política do Brasil e as violações dos direitos humanos por agentes do governo brasileiro. O desfile teve repercussão na mídia internacional, mas nada foi mostrado no Brasil, pois todo tipo de informação passava pelo controle da censura oficial. Posteriormente, descobriu-se que Stuart havia sido assassinado.

Relembre o que já viu sobre Zuzu Angel e converse com os colegas sobre esse trabalho e Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas informações para que o texto da artista. se estabeleça um diálogo com os alunos.

1

O que a artista quis expressar com as imagens bordadas nos vestidos?

2

De que outras formas a moda pode ser política? Caso os alunos tenham dificuldade em chegar a respostas para esta questão, incentive-os a listar problemas do Brasil e do mundo e, então, pensar quanto a moda e a indumentária têm a ver com eles.

70 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 70

6/23/15 3:42 PM


Pensando com a história tendênCia versus invenção

ExploreuModa:uumau históriauparaucrianças,u deuKátiauCanton,uCosacu Naify,uSãouPaulo,u2005.

uu

Marketing:uáreau profissionaluqueu pesquisauasu preferênciasudosu consumidoresuparau auxiliaruasu empresasuaucriaru seusuprodutos.u

Cores, padrões e influências culturais que compõem tendências previstas pela indústria da moda para 2016.

Chelsea Lauren/Tide/Getty Images

A cada estação do ano, a indústria da moda propõe novas combinações de cores, texturas e formas que caracterizem a coleção. Essas propostas são chamadas tendências. Para os consumidores, as tendências são sempre uma novidade. Porém, na realidade, elas são planejadas com muita antecedência, pois há várias etapas entre a produção de fios que vão compor o tecido e a confecção das roupas que serão vendidas nas lojas. Existem empresas especializadas em colher informações entre os consumidores para descobrir suas preferências de vestuário e a relação delas com seu estilo de vida. Será com base nessas pesquisas e em análises de marketing que a indústria da moda proporá novas tendências. Alguns estilistas são inventores consagrados, capazes de criar inovações que serão adotadas no mundo inteiro, mas nem tudo que eles apresentam nas passarelas é para ser usado cotidianamente. Algumas dessas propostas são feitas apenas para ser apreciadas. Os estilistas não são os únicos a ditar tendências. Desde 1950, os jovens passaram a decidir o que vestir, inventando sua própria moda. Metaleiros, hippies, punks, grunges, rappers, entre outros, usam o vestuário para sinalizar o grupo com o qual se identificam. Por isso, nas últimas décadas, a moda das ruas passou a influenciar também o trabalho dos estilistas. A diversificada maneira de vestir das chamadas “tribos urbanas” foi incorporada pelas coleções de alta-costura e pela grande indústria. Com isso, peças como tênis e short passaram a ser usadas por gente de todas as idades nas mais variadas situações sociais. Também nas últimas décadas, veio se somar à cultura das ruas a possibilidade de misturar estilos de outras épocas. Os brechós se espalharam pelo mundo com a proposta de reutilizar roupas, em conformidade com a ideia de consumo sustentável. Hoje, de certa forma, as pessoas têm grande liberdade para se expressar por meio do que vestem. Cada pessoa pode interferir em roupas prontas, rasgando, bordando, aplicando acessórios. É a era da chamada “customização”. Customizar ou personalizar uma roupa pode ser apenas mais uma moda, mas muda o que se entende por tendência.

Moda • Mundo • Século XXI

capítulo 3 • 71 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 71

6/23/15 3:43 PM


hora da troca Design de adereços

Anita Quansah/Acervo da artista

Designers de moda não trabalham apenas com roupas. Muitos deles produzem sapatos, bolsas, cintos, chapéus, turbantes, bijuterias e outros acessórios. Conheça a seguir o trabalho de dois designers de acessórios (links acessados em: 23 dez. 2014).

Design • Gana Nigéria • Século XXI

Anita Quansah, adereços para cabeça e pescoço exibidos por modelo.

Global Nascida em 1981 em Gana e criada na Nigéria, Anita Quansah desenha adereços e tecidos inspirados em diferentes tradições africanas. Ela também trabalha sobre peças antigas recuperadas. Conheça suas criações no site <www.anitaquansahlondon.com/collection.html>.

72 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 72

6/23/15 3:43 PM


Design • Brasil-RJ • Século XXI

nacional Mauro Kury/Coleção particular

A designer carioca Mana Bernardes (1981) transforma garrafas PET em joias e objetos sofisticados. Conheça seu trabalho no site <http://manabernardes.com/arquivos/ joias>.

Rogerio Reis/Tyba

Mana Bernardes, autorretrato em formato de camafeu com turbante feito de papel jornal, 2006.

nacional Espedito Seleiro (1939) especializou-se no trabalho com uma matéria-prima tradicional do Sertão nordestino: o couro. O designer cearense começou a criar peças aos 8 anos na oficina de seu pai, que era seleiro e vaqueiro e chegou a fazer peças para Lampião. Conheça o trabalho do artista no site <www.acasa.org.br/consulta/espedito+seleiro>.

Design • Brasil-CE • Século XXI

Espedito Seleiro, Gibão Gonzagão.

É hora de pensar sobre os adereços e acessórios que são produzidos onde você vive e são usados pelos personagens de seu universo. Respostas pessoais. 1

Você conhece alguém que produz adereços? Que tipo de acessório essa pessoa faz? Que materiais ela utiliza?

2

Você conhece personagens de jogos eletrônicos ou de HQs que usem adereços interessantes? Mostre essa referência aos colegas.

3

Compartilhe com os colegas links e outras referências que você tem sobre esse assunto.

O objetivo principal desta atividade é levar os alunos a recuperar e ampliar seu repertório para se preparar para realizar as atividades práticas.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 73

capítulo 3 • 73 6/23/15 3:43 PM


deBate roupa, Conforto e eleGÂnCia

uu

Espartilho:u coleteu estruturadou usadouporubaixou dauroupauparau afinaruaucintura.u Foiumodauentreu asumulheresuemu períodosudosu séculosuXIXueuXX.

Durante séculos o modo de vestir de mulheres e homens foi pautado pela tradição de seus antepassados ou por padrões de beleza e de comportamento da sociedade em que viviam. Muitas pessoas passaram e ainda passam por desconforto físico por causa das roupas que usam. Sapatos apertados, saltos altíssimos, paletó e gravata são alguns exemplos de roupas que podem desafiar o conforto e são ou eram exigidas em algumas situações sociais. Outros itens, como os espartilhos, chegam até mesmo a alterar a forma do corpo de quem os usa e a prejudicar o funcionamento de órgãos. Apesar de a moda tentar estabelecer o “certo” e o “errado” do vestir, muitas pessoas preferem usar a criatividade ao combinar peças, adereços e complementos. Alguns especialistas em moda defendem que a elegância está relacionada com o fato de a pessoa se sentir bem com determinada roupa. Desse modo, elegância também está relacionada à liberdade de cada um expressar aquilo com que se identifica. Observem as seguintes imagens e discutam.

Andy Warhol, December Shoe [Sapato de dezembro], 1955. (Litografia em off-set, colorida a mão.) O artista norte-americano Andy Warhol (1928-1987) tornou-se conhecido por reproduzir em suas obras símbolos da cultura pop, como o rosto de celebridades e latas de sopa. Antes da carreira de artista visual, ilustrava propagandas de moda – e era obcecado por desenhar sapatos.

The Bridgeman Art Library/Keystone/Museu de Arte da Filadélfa, Filadélfa, Pensilvânia, EUA.

Christie's Images/The Bridgeman Art Library/Keystone/Coleção particular/Licenciado por AUTVIS, Brasil, 2015.

Escultura • Japão • Século XX

Este sapato desenhado por Warhol apresenta uma profusão de detalhes decorativos e um salto bastante alto.

Desenho • EUA • Século XX

74 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 74

Issey Miyake, Bustier [Espartilho], 1980. (Escultura em resina de fibra de vidro e feltro, 39 cm × 34 cm × 18 cm, National Gallery of Victoria, Melbourne, Austrália.) Esta peça do estilista Issey Miyake faz referência às cintas e aos corpetes usados antigamente para esculpir o corpo das mulheres. A obra é feita em resina de fibra de vidro, um material rígido. Em vez de moldar, ela foi moldada com base no corpo de uma mulher. Além de inverter a relação entre o que molda e o que é moldado, Issey propôs este bustiê como uma peça a ser usada por cima da roupa – e não por baixo, como ocorria antes. Apesar de alguns acessórios (como os corpetes) terem sido abolidos da vestimenta feminina cotidiana, ainda é muito comum ver mulheres usando sapatos e roupas que consideram desconfortáveis, os quais podem até acarretar problemas de saúde.

6/23/15 3:43 PM


Acervo UH/Folhapress

A performance de Flávio de Carvalho problematizava a utilização, em um país tropical como o Brasil, de um traje criado em países de clima temperado, nos quais o frio é mais rigoroso. Seu passeio causou escândalo em São Paulo, que na época ainda não era um centro econômico e cultural de alcance global. Carvalho quis testar a reação das pessoas e gerar uma reflexão sobre as convenções sociais. O uso de terno e gravata tem um valor simbólico no mundo do trabalho capitalista contemporâneo: é associado a seriedade, responsabilidade, confiança, etc. Uma consequência do costume de usar esse traje em escritórios de países de clima quente, ou durante o verão nos países Fotografia • Performance • Brasil • Século XX de clima temperado, é o gasto de energia com os pouco ecológicos sistemas de ar condicionado, a fim de manter a temperatura mais baixa.

Esta foto registra uma das primeiras performances feitas no Brasil, 1956. O artista plástico Flávio de Carvalho (1899-1973) passeou pelo centro da cidade de São Paulo vestido com este traje que ele chamou de New Look (‘novo visual’ em inglês), uma roupa para o “novo homem dos trópicos”. Tratava-se de uma proposta para substituir o terno, que naquela época era traje masculino obrigatório nas cidades brasileiras, apesar de ser pouco adequado ao clima do país.

Trópicos:uregiõesudeuclimau quenteusituadasuentreuosutrópicosu deuCâncerueudeuCapricórnio. uu Terno:uconjuntoumasculinou compostoudeupaletó,ucamisaueu calçausocial. uu

Converse com os colegas e o professor sobre a relação entre roupa, conforto e elegância. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que podem ajudá-lo a refletir sobre o assunto: w Você costuma seguir as tendências da moda? w Você se considera criativo em seu jeito de vestir? w Você repara na roupa que as pessoas usam? w A roupa pode modificar o corpo? w Por que algumas mulheres usam saltos tão altos e alguns homens usam terno e gravata? w O que você privilegia ao se vestir: conforto ou elegância? w O que você considera elegante? Você se sente elegante quando se veste de acordo com os valores em que acredita? w Qual é a relação entre moda e criatividade? w Você pode imaginar a confusão que Flávio de Carvalho provocou pelas ruas de São Paulo em 1956 ao desfilar com seu New Look?

Neste debate, é importante que fique claro para os alunos que: a moda expressa um pouco do que somos e, ao mesmo tempo, revela como somos influenciados pelo restante da sociedade; seguir ou não uma tendência da moda deve ser sempre uma decisão pessoal, baseada no gosto, e não deve ser encarada como obrigação; alguns trajes considerados belos ou elegantes podem causar desconforto; vivemos em um tempo e em uma sociedade em que há mais espaço para a criatividade e menos exigências em relação ao vestuário, embora ainda haja expectativas relacionadas às situações e posições sociais; a autoestima não se deve pautar por padrões hegemônicos, mas pela afirmação e pelo orgulho da identidade da pessoa.

capítulo 3 • 75 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 75

6/23/15 3:43 PM


teoria e técnica a linHa e o bordado

Coleção Regina

lo (SP) Boni, São Pau

Exploreuousiteudou ProjetouLeonilsonu parauconheceruoutrosu trabalhosudouartista.u Disponíveluem:u<www. projetoleonilson. com.br>.uAcessouem:u 13ujun.u2015.

A linha é a soma de infinitos pontos. Uma linha pode ser fina ou grossa, mas toda linha descreve uma trajetória em um movimento contínuo de um ponto a outro. O ponto e a linha são elementos básicos para a elaboração de um desenho. A maneira como eles são usados em conjunto pode definir o movimento e a aparência geral de um trabalho artístico. Para fazer um bordado usamos uma linha que liga os pontos para definir o desenho que queremos construir. Você já fez um bordado? Gostaria de tentar? Se você é iniciante, use linha grossa de bordado e agulha grande. Para não se perder, antes de iniciar o bordado, marque pequenos pontos no tecido usando giz de costura ou lápis. Dê um nó na ponta da linha e pode começar! Experimente bordar as letras de seu nome numa camiseta. O bordado feito à mão tem a riqueza da imperfeição, que não existe no bordado feito a máquina. As chamadas “imperfeições” na realidade são as características que revelam a maneira como cada pessoa realiza um trabalho manual. Embora o trabalho feito à mão traga essa marca individual, que lhe confere uma identidade única, é importante manter a proporção, a direção e a delicadeza no conjunto do trabalho. Com a linha de bordado você também pode aplicar um recorte de tecido, dando pontos grandes aparentes ao redor do retalho. Tente fazer os pontos mais ou menos do mesmo tamanho. Arremate seu bordado com um nó no avesso do tecido. Bordar, pregar botão e fazer crochê são atividades que tanto os homens como as mulheres podem realizar, pois os trabalhos manuais ajudam a manter a concentração, relaxam e são muito divertidos!

Bordado • Brasil-CE • Século XX

O artista cearense Leonilson (1957-1993) usou linha e agulha para bordar as palavras e o desenho desta obra. Em muitos de seus trabalhos, Leonilson explorou as possibilidades da costura e do bordado associadas à pintura.

Leonilson, Pescador de pérolas, 1991. (Bordado em voal, 36 cm × 31 cm. Coleção Regina Boni, São Paulo, SP.)

76 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 76

6/23/15 3:43 PM


atividades 1. Customização Que tal dar um toque pessoal a uma roupa sua? Nesta atividade, você vai customizar uma camiseta. Material: w camiseta branca (usada ou nova) w tesoura w agulha w papel de transferência w pincel w linha w tinta para tecido w aviamentos Em primeiro lugar, planeje o tipo de intervenção que você vai fazer na camiseta branca: w você pode cortá-la, diminuindo seu comprimento ou tirando sua manga, por exemplo; w também pode estampar uma frase, fazer uma pintura com tinta para tecido ou, ainda, imprimir uma imagem digital em um papel de transferência; w outras possibilidades são bordar, costurar pedaços de tecidos ou pregar adereços e aviamentos.

O importante é que você tente, com essa atitude, expressar algo com que se identifique. Uma vez planejada a intervenção e separado todo o material necessário, inicie o trabalho prático. Para que toda a turma possa apreciar o trabalho realizado, pode-se organizar um desfile rápido das peças customizadas: cada aluno coloca sua camiseta por cima da roupa que está vestindo e vai até a frente da sala explicar sucintamente a técnica e a intenção de sua intervenção. Para finalizar, alguém poderia se encarregar de fotografar as camisetas em desfile e posteriormente compartilhar com os colegas.

É importante que os alunos planejem o que vão fazer e providenciem o material necessário com antecedência. Você pode sugerir a eles que façam as intervenções em casa e tragam as camisetas já customizadas, mas o ideal é sempre trabalhar na escola, para que você possa acompanhar de perto todo o processo. Se algum aluno não quiser fazer uma intervenção porque gosta de sua camiseta em uma só cor, você pode sugerir que faça um bordado ou aplicação pequena na mesma cor da camiseta.

Terminada a atividade, faça com os colegas e o professor uma avaliação oral dela, seguindo o roteiro abaixo.

w Que técnicas você utilizou? w O que saiu como havia planejado e o que não saiu? w Por que você se identifica com esta intervenção? w Em que ocasiões você usaria esta camiseta? w As camisetas ficaram interessantes? Foram bem executadas? w Dentre as técnicas sugeridas (pintura, bordado, recortes, etc.), quais foram as mais utilizadas?

capítulo 3 • 77 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 77

6/23/15 3:43 PM


2. enfeite para o Corpo Nesta atividade, você vai fazer um adereço e apresentá-lo em um desfile. Escolha os acessórios que vai criar. Pode ser uma capa, uma coroa, um chapéu, um turbante, um cinturão, um colar, entre outras possibilidades. Pense em como vai confeccionar o objeto, na cor que ele terá e nos materiais necessários para sua elaboração. Copie na folha de papel vegetal as figuras esquemáticas da página ao lado para fazer estudos do objeto em escala humana. Antes de realizar esta atividade, os alunos já devem necessariamente ter passado pela seção Hora da Troca. Quando definirem que acessórios vão produzir, verifique os desenhos e cuide para que escolham peças diferentes. Você pode sugerir mais algumas opções: colar, cocar, peruca, máscara, asa, bracelete, cetro, anel, perneira, bota, escudo, etc. O desafio deste trabalho é a execução, portanto o aluno deve escolher objetos simples de construir.

O desfile é uma etapa importante para que os alunos possam avaliar as peças que produziram. Ajude-os na organização da passarela e quanto à ordem de entrada dos modelos. Se possível, coloque música para que o ambiente tenha um clima animado e descontraído. Os mais tímidos podem deixar que os colegas desfilem com suas peças. Você pode convidar outros professores para assistir e ajudar na avaliação.

Material básico: w Papelão; papel colorido; papel laminado; retalhos de tecido; TNT (tecido não tecido); latas de alumínio; embalagens em geral; bijuterias quebradas; garrafas PET. Material complementar: w Barbante; fio de náilon; grampeador; alfinete de segurança; fita adesiva; cola; linha de costura; agulha; tinta para tecido; pincel. Escolha um dos objetos que desenhou na figura esquemática copiada para executar. Separe o material necessário para produzir o objeto escolhido – prefira aqueles com os quais seja fácil trabalhar. Por exemplo: objetos de cartolina podem ser revestidos de papel laminado ou colorido, o que proporciona bom efeito visual. No desfile, você pode tanto usar apenas o adereço que criou como também pedir emprestado aos companheiros de turma outros adereços. Por exemplo: pode avaliar que o colar que fez combina com o chapéu de um colega. Lembre-se de que o objetivo do desfile é expor o adereço criado. Para isso, a forma de caminhar na passarela é muito importante. Você já assistiu a algum desfile? Reparou que os modelos procuram ser discretos para que a roupa se destaque? Pense na postura, no modo como posiciona a cabeça, no olhar e no ritmo da caminhada para valorizar o acessório a ser exibido. Por exemplo, se sua peça for uma capa, faça com que o público possa perceber o movimento dela, variando a velocidade dos passos e dando um giro final.

Ao longo do trajeto você pode fazer algumas pausas, parando em diferentes poses, para que o público observe os detalhes do adereço. Não se esqueça de que, em um desfile, o corpo em movimento é o suporte da roupa.

Depois do desfile, faça com os colegas e o professor uma avaliação oral da atividade, seguindo o roteiro abaixo. Durante a avaliação coletiva do desfile, verifique se os alunos se lembram de que a desinibição do modelo importa menos que sua habilidade em mostrar as características do objeto.

w Qual foi o adereço mais inusitado? w Quais foram os acessórios de maior efeito visual? w Que objetos ou acessórios foram mais bem executados? w Que alunos se destacaram mais no desfile? Por quê? w O que você achou da atividade?

78 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 78

6/23/15 3:43 PM


Banco de imagens/Arquivo da editora

AUTOAVALIAÇÃO Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo, reflita sobre elas e depois compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

Quais foram as mais importantes reflexões que você fez no decorrer deste estudo?

2

Após os debates, as pesquisas e as atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto?

3

O que aprendeu a respeito das possibilidades da moda e da indumentária?

Procure conduzir esta autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente; portanto, o ideal é que os alunos leiam antes as questões, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

CAPÍTULO 3 • 79 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C3_060a079.indd 79

6/23/15 3:43 PM


4

CAPÍTULO

a performance

1 2 3

Deuqueumaneirauauarteupodeunosufazerurefletirusobreuoucotidiano?

u

Resposta pessoal.

Momentosudauvidaupodemuseruconsideradosuacontecimentosuartísticos?u Poruquê?uResposta pessoal. Neste momento, aceite todas as respostas dos alunos. Ajude-os a levantar e registrar

Comousepararuouqueuéuarteudouqueunãoué? Resposta pessoal.

u hipóteses e possibilidades para que, depois de explorar este capítulo sobre performance, possam rever as respostas dadas.

80 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 80

6/23/15 3:43 PM


Tema

ObjeTO

COnCeiTO

Cotidiano

Performance

Ação

Tema Transversal

TéCniCa

Habilidade

Performance

Problematização

Começando por voCê

Todos os capítulos deste livro são abertos com questões de exploração do tema a ser trabalhado. Os alunos devem ficar à vontade para responder livremente a estas questões. Verifique se todos compreendem o significado de representação e dê exemplos, se achar necessário. Na última pergunta, estimule a turma a elencar todos os aspectos envolvidos no ato de representar o corpo humano visualmente.

Muitos artistas e estudiosos da performance se interessam por explorar as fronteiras entre a vida e a arte. Levam gestos e atos do dia a dia para museus e teatros, criam situações inesperadas nas ruas e praças, e executam ações que questionam certezas, podendo registrá-las em fotografias e vídeos. A performance quebra a rotina, atrai o espectador a participar da obra e transforma o modo como ele vê os lugares e as situações com os quais está habituado. Essa forma de arte alerta para aquilo que nos cerca e propõe uma mudança de ritmo e uma maior reflexão sobre questões da vida.

Fotos: Sergio Dotta Jr/Arquivo da editora

André Valente/Acervo do artista

Política

Encerando a chuva, performance do grupo brasiliense Corpos Informáticos.

Adolescente escova os dentes. O que separa cotidiano e arte?

Reflita sobre estas questões e compartilhe as respostas com os colegas e o professor. 1

O que pode transformar um gesto banal, como escovar os dentes, em uma expressão artística? Resposta pessoal.

2

A imagem desta página representa uma situação cotidiana. Ao observá-la, você repara em algo que não costuma chamar sua atenção enquanto executa essa mesma ação? O quê? Resposta pessoal.

O importante, neste momento, é que os alunos comecem a perceber a sensação de estranhamento que a performance instaura.

capítulo 4 • 81 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 81

6/23/15 3:44 PM


painel o que é performance ? Nas próximas páginas deste Painel, você vai conhecer performances que chamaram a atenção para temas que costumam passar despercebidos no dia a dia.

Claudio Oiticica/Projeto Hélio Oiticica

Performance • Brasil-RJ • Século XX

Hélio Oiticica, Parangolé P15 Capa 11 (Incorporo a revolta), 1967. (Técnica mista, série Parangolés.) Nesta imagem, a obra está sendo usada, ou "vestida", por Nildo, um morador da comunidade da Mangueira. O parangolé P15 Capa 11, feito dois anos depois do episódio no MAM-RJ, trazia bordada a frase “Incorporo a revolta”. A mensagem tinha vários destinatários: a ditadura vigente à época, a crítica de arte, os museus brasileiros e os responsáveis pela manutenção da desigualdade social e da discriminação racial e de classe no Brasil. As obras dessa série promoviam o espectador a participador e proporcionavam uma ocupação ativa do espaço, em especial da rua. É preciso considerar que elas foram feitas em uma época em que: as artes visuais eram muito elitizadas e pouco abertas à participação ativa do público; a divisão social e racial era ainda mais marcada que atualmente, o que levava a população afro-brasileira e sua cultura a sofrer os efeitos da discriminação; o Brasil vivia sob um regime ditatorial, que restringia a liberdade de expressão e atuava para coibir reuniões públicas e ações que incentivassem o pensamento crítico.

Criados na década de 1960 pelo artista carioca Hélio Oiticica (1937-1980), os parangolés são compostos de camadas de estandartes, bandeiras e capas coloridos. Para se tornar objetos artísticos, os parangolés precisam ser vestidos pelo espectador, que assim se torna “participador”. A obra não é a capa em si, mas a experiência de vestir a capa e dançar. A inspiração para os parangolés veio da vivência do artista com os sambistas e passistas da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira. Esse encontro fez Hélio Oiticica perceber que muitas de suas questões artísticas eram também políticas. Ele queria repensar a relação da arte com as pessoas e a cidade, enfrentando as barreiras criadas pelas desigualdades sociais e pelos preconceitos raciais. Em 1965, Hélio convidou integrantes da Mangueira a desfilar com parangolés em uma exposição que aconteceria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), mas a direção do museu impediu sua entrada. Os artistas ficaram do lado de fora, porém, realizaram no gramado do museu uma das performances mais conhecidas da arte brasileira. Você se considera questionador? Já teve o desejo de enfrentar as desigualdades? O que é mais questionador nessa obra de Oiticica?

82 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 82

6/23/15 3:44 PM


Performance • Sérvia • EUA • Século XXI

uu

Vulnerável:ufrágil,usemu defesa,uexposto.

Muitas obras de Marina Abramovic´, em especial as criadas nos anos 1970, causaram polêmica pelas condições extremas (físicas e psicológicas) em que colocavam a artista. Embora possa ser difícil para os alunos desta idade compreender por que alguém se sujeitaria a isso, o mais importante é que percebam o que isso representa e reflitam sobre a capacidade de um performer explorar os limites da existência e levar o espectador a compartilhar seus sentimentos, se colocar no lugar do outro e perceber como o artista busca fazer isso. Ao comentar os motivos que a levaram a criar esta obra, Abramovic´ relembrou a tragédia de 11 de setembro de 2001, em que terroristas sequestraram aviões e arremeteram-nos contra as torres do World Trade Center, em Nova York, provocando a morte de centenas de pessoas e a queda dos dois edifícios. A artista se inspirou no sentimento de vulnerabilidade que tomou conta da cidade nesse período. Você pode ouvir esse depoimento em inglês (sem legendas) em: <www.moma.org/explore/multimedia/ audios/190/1996> (acesso em: 4 jan. 2015).

Timothy A. Clary/Agência France-Presse

As performances da artista sérvia Marina AbramoviĆ (1946) trazem situações em que seu próprio corpo ou sua vida íntima são expostos. Com isso, ela fica em uma posição vulnerável em relação ao espectador. Por vezes, suas criações expõem seu corpo e sua consciência a riscos – foi o caso de Rhythm 4, de 1974, quando desmaiou após aspirar ar em excesso de uma bomba pneumática. Em A casa com a vista para o oceano, a artista morou durante doze dias em uma galeria em Nova York, nos Estados Unidos. Lá, recriou três cômodos de uma casa, sem qualquer barreira que protegesse sua intimidade do olhar do público. Bebendo somente água e sem comer nada, a performer explorou os limites de seu corpo e de suas emoções. O espectador, por sua vez, deixa de apenas contemplar a obra e é induzido a pensar em sua posição diante da fragilidade do outro. Por que a artista se expôs dessa maneira para o público? Como você reage diante da fragilidade de alguém?

Marina Abramovic´, A casa com a vista para o oceano, 2002. (Performance, Sean Kelly Gallery, Nova York, Estados Unidos.)

capítulo 4 • 83 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 83

6/23/15 3:44 PM


Performance • Brasil-RJ • Século XXI

Felipe Ribeiro/Acervo do fotógrafo

Eleonora Fabião, Converso sobre qualquer assunto, 2008. (Performance, série Ações cariocas.)

Estimule os alunos a pensar em outros aspectos relacionados à situação da performance. Como eles reagiriam ao ver uma cena como esta na rua? Como se sentiriam expondo algo para uma pessoa desconhecida, em um ambiente público, em que qualquer um pode observar ou interferir? Ao trabalhar esta obra com a turma, procure buscar semelhanças e diferenças entre o contexto urbano e de interação social de sua cidade e do Rio de Janeiro. A capital fluminense é uma metrópole populosa, com uma região central movimentada, na qual é raro encontrar pessoas conhecidas na rua ou interagir com desconhecidos sem uma finalidade prática.

Em 2008, Eleonora Fabião (1968) levou duas cadeiras de sua cozinha para um largo no centro da cidade do Rio de Janeiro. A performer sentou-se descalça em uma delas e escreveu em um cartaz a seguinte frase: “Converso sobre qualquer assunto”. Com essa ação, a artista propôs outra relação entre os habitantes daquela cidade, aproximando pessoas que não se conhecem. Conversar na praça com uma desconhecida é também um convite para olhar de um modo diferente os lugares pelos quais passamos todos os dias. Eleonora Fabião diz criar seus trabalhos pensando em ações que “geram o mundo em que quero viver” e ações que “impedem o desenvolvimento desse mundo”. Ela fez a mesma performance em outras cidades do Brasil e do mundo. Sobre que assunto você conversaria com Eleonora?

84 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 84

6/23/15 3:44 PM


Performance • Fotografia • Brasil-PA • Século XXI

Nas performances de Berna Reale (1965), situações cotidianas ganham uma aparência fantástica e situações bizarras parecem reais. A violência é um dos temas frequentes da obra da artista, que também trabalha como perita criminal em Belém, capital do Pará. Muitas de suas performances são criadas para se tornar fotografias ou vídeos, misturando realidade com ficção e tendo o corpo como elemento central. Na fotografia Os jardins Pensus da América, ela sugere que as ações militares disseminam a morte pelo mundo. Berna Reale denuncia a violência cotidiana cultivada pelas guerras com ironia ao compor uma representação em que uma pessoa usa uma roupa que remete, ao mesmo tempo, a um vestido infantil e a um uniforme militar, enquanto rega um jardim de plantas negras, aparentemente já mortas. Você acha esta foto bizarra? O que nela chama sua atenção? Alguma coisa nela parece inadequada à situação representada?

uu

Bizarra:uestranha,uincomum,u

uu

Perita criminal:uprofissionalu

espantosaueugrotesca. queuauxiliaunauinvestigaçãou científicaudeuumucrime,u analisandouvestígiosu encontradosunaucenauemuqueu eleuocorreu.

Janduari Simões/Acervo do fotógrafo

A garota, interpretada pela própria Berna na imagem, lembra uma personagem de história infantil. Pode ser inspirada em Alice no país das maravilhas no jardim das flores. As flores negras, no entanto, remetem a um cemitério, aos mortos. A imagem concebida pela artista trata da guerra e da morte, mas a garota segura apenas um regador de lata. Essa aparente ambiguidade incomoda, alerta e chama a atenção. No dia a dia, somos tantas vezes expostos a cenas de violência, por meio de imagens veiculadas pela mídia, que não nos comovemos mais com elas – e a indiferença também pode ser uma maneira de cultivar a violência. Converse com os estudantes sobre os jogos que simulam a guerra e que permitem aos adolescentes vivenciar a violência a partir do ponto de vista do opressor. Esses jogos, em geral, associam guerra a entretenimento e não apresentam o sofrimento imposto aos envolvidos nos conflitos. A ideia é que os alunos percebam que a guerra provoca perdas irreversíveis.

Berna Reale, Os jardins Pensus da América, 2012. (Fotografia da série Retratos.)

capítulo 4 • 85 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 85

6/23/15 3:44 PM


Ricardo Teles/Pulsar Imagens

Performance • Festa • Brasil-MG • Século XXI

Muitas manifestações culturais populares também são vistas como performances, porque reúnem pessoas para reinventar coletivamente o cotidiano. Nesses casos, a performance mantém uma tradição, porque tem data e regras predefinidas. Além disso, é uma forma de resistência cultural, por renovar tradições ameaçadas de desaparecer. Em geral, essas performances usam a dança, a música, os adereços e a palavra para reencenar conflitos que existem nas relações sociais de uma comunidade. Um exemplo disso é a congada, festa criada entre os séculos XVII e XVIII pelos africanos escravizados trazidos ao Brasil. As congadas misturam temas da história dos povos africanos com mitos portugueses e crenças da tradição cristã. Nas congadas, encena-se a escolha e a coroação dos reis do Congo antes da realização de uma missa em homenagem a algum santo católico. Músicas e instrumentos de origem africana convivem com rituais do catolicismo, enquanto as letras fazem referência a ambas as tradições. Até hoje acontecem congadas em diferentes estados brasileiros, sobretudo em Minas Gerais, no mês de outubro, quando se homenageia Nossa Senhora do Rosário. 4 Ouça um terno de congada no CD de áudio que acompanha este livro. Você já participou de uma congada ou de um festejo semelhante? Que sentimentos uma festa como essa pode despertar?

Grupo de Congada na Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Serro, Minas Gerais, 2013. As congadas são em geral realizadas por irmandades ou confrarias, em diferentes partes do Brasil. Dependendo da época em que é realizada, essa festa popular não só reencena a coroação dos reis do Congo, como também homenageia santos católicos de devoção tradicional entre a população afrodescendente (por exemplo, Nossa Senhora do Rosário e São Benedito) e relembra eventos do passado (como a abolição da escravatura). Veja mais informações sobre a origem do festejo, o papel das irmandades e as características da festa nas orientações específicas para o capítulo, ao final do livro.

86 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 86

6/23/15 3:44 PM


Instalação • Brasil-RJ • Século XXI

Em 2014, o coletivo carioca Opavivará criou uma instalação para a Bienal de Taipei, em Taiwan, na qual o público podia deitar-se em redes apoiadas em uma estrutura de madeira. Os artistas se inspiraram na importância que as culturas dos povos indígenas dão ao “fazer nada” – diferentemente da cultura ocidental cristã, que vê o ócio como desperdício de tempo ou mesmo como um pecado (a preguiça). No centro da obra havia uma bandeja com ervas medicinais, garrafas térmicas, xícaras e também informações sobre as propriedades de cada erva, para que cada pessoa pudesse preparar seu próprio chá. A ideia era desacelerar, diminuir o ritmo das atividades e dar valor ao tempo livre. É o público que faz a performance, deitando-se na rede, tomando chá e lembrando que muitas ideias boas surgem quando estamos descansando. Você já teve uma boa ideia enquanto estava deitado numa rede?

uu

Coletivo:ugrupou

queuseureúneuparau produzirutrabalhosu emuconjunto. uu Instalação:uformau deuarteuemugrandeu escala,uqueu geralmenteuocupau umuambienteuinteiro.u Paraufruirudau instalação,uoupúblicou precisaupercorreruou ambienteuouu interagirucomuau obra.

Arquivo/Coletivo Opavivará!

Explique aos alunos que Formosa é o nome dado no século XVI por navegadores portugueses à ilha principal de Taiwan. Diga-lhes também que a palavra inglesa decelerator significa ‘desacelerador’. Verifique se a turma compreende o significado de instalação. Pergunte aos alunos: o que faz desta instalação uma obra de arte? Embora reúna objetos cotidianos e proponha uma situação prosaica, ela o faz em um contexto específico e leva o espectador a refletir a respeito daquela situação.

Coletivo Opavivará, Formosa Decelerator, 2014.

Reflita sobre as obras apresentadas no Painel e compartilhe opiniões com os colegas e o as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas professor. Embora sugestões para que se estabeleça um diálogo com os alunos. 1

Qual das performances você achou mais interessante? Por quê? Resposta pessoal.

2

Quais delas fizeram com que você se incomodasse e quais fizeram com que você pensasse em algo que nunca havia passado por sua cabeça? Resposta pessoal.

Respostas possíveis. Todas elas nos obrigam a parar para refletir sobre aspectos da vida. As criações de Marina Abramovic, Eleonora Fabião e Opavivará confundem o espectador, misturando o que é íntimo com o que é público. Os parangolés de Hélio Oiticica, a congada e a fotografia de Berna Reale trabalham, de 4 Pense na pergunta que orienta o trabalho da artista Eleonora Fabião. Que ações geram diferentes maneiras, com a identidade coletiva e com temas do imaginário o mundo em que você quer viver e que ações impedem o desenvolvimento desse mundo? popular. As obras de Oiticica, Fabião e Opavivará dependem da Resposta pessoal. participação ativa do público 5 Que outras reflexões você fez a respeito dessas obras? Resposta pessoal. espectador para se realizar plenamente.

3

Há alguma característica comum entre elas?

capítulo 4 • 87 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 87

6/23/15 3:44 PM


fala a artista eleonora Fabião Leia a seguir um depoimento da artista Eleonora Fabião a respeito de sua performance Converso sobre qualquer assunto, da série Ações cariocas.

u ParaurealizaruauprimeirauAçãoucarioca,ulevouparauoulargou[dauCarioca,uumaudasupraçasumaisumovimentadasudouRiou deuJaneiro]uduasucadeirasudaucozinhaudauminhaucasa,uumublocouformatouA2ueuumaucanetau[...].uQuandouchegounou localuescolhidoudoulargo,utirouousapato,ucolocouumaucadeiraudianteudauoutra,uescrevounoublocou“conversousobreu qualqueruassunto”,ulevantououcartazueuespero.uNouprimeiroudiaunãoufaziauideiaudouqueuiriauacontecer.uMinhau motivaçãoueraumuitouclara:udialogarucomumeusuconcidadãos,utentarurecuperarumeuuinteresseueuamorupelaucidadeuondeucresciueuque,uporucontaudaucorrupçãoupolíticaueudautruculênciaucriminosa,utornou-seuumauviolentauculturaudoumedo.uParaureagirucontrauminhauprostraçãoueufrustraçãouresolviuiruparauaurua,uconversarucomuquemu quisesseuconversarucomigou[...].uFatouéuque,ulogoudepoisudeuergueruoucartaz,uquaseuimediatamenteudepois,uumau pessoausentou-seucomigo.uEuassimusucessivamente.uVáriasupessoas,utodoutipoudeugente,utantasuconversasueu assuntosuqueuprecisariaudeupáginasueupáginasuparaudescrever.uNoufinaludeucadaudiau–upermaneciaucercaudeu quatrouhorasunauruaueuporuvezesumaisudeuumauhoraucomucadaupessoau–uestavaueufórica,utotalmenteueletrizadau [...]upelauaberturaudeuumaudimensãouperformativa;uenergizadaupeloureencontroucomuaucidadeueucomuauminhau própriaucidadania;uenergizadauporupodermosucriarujuntos,uatravésudoudiálogo,u[...]unovasupossibilidadesuparau nós,uauarteueuaucidade. Adaptado de: “Definir performance é um falso problema”. Diário do Nordeste. Fortaleza, 9 jul. 2009. Caderno 3. Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/definir-performance-e-um-falso-problema-1.281367>. Acesso em: 2 jan. 2015. uu

Concidadão:uqueuéudau

uu

Prostração:u

Niki Kekos/Hemispheric Institute

mesmaucidade. abatimento,udesânimo.

Performance • Brasil-RJ • Século XXI

Eleonora Fabião, na performance Os dois jarros: água do barro para a prata para o barro da prata, que foi realizada na praça Bolívar, em Bogotá, Colômbia, em 2009.

1. A artista desejava dialogar com as pessoas que moravam ou transitavam pelo Rio de Janeiro para se interessar novamente por sua cidade. Ela ficou eufórica porque as pessoas aceitaram conversar com ela e, assim, construir uma nova dimensão artística e de cidadania.

Reúna-se com alguns colegas e converse sobre a ação de Eleonora Fabião. Embora as respostas sejam pessoais, oferecemos algumas informações para que se estabeleça um diálogo com os alunos.

1

Qual foi a motivação da artista para realizar a série Ações cariocas? Por que ela ficou eufórica com os desdobramentos de sua ação?

2

Você se sente atraído pelo convite de sentar e conversar com Eleonora? Por quê?

3

Conversar com um desconhecido na rua é algo comum onde você mora? Por quê?

Resposta pessoal.

Resposta pessoal. Espera-se que a resposta varie dependendo do tamanho da cidade ou do bairro e dos tipos de atividade predominantes neles.

88 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 88

6/23/15 3:44 PM


pensando com a história Corpo, performance e Festa A palavra inglesa performance quer dizer ‘atuação ou sequência de gestos ou atitudes desenvolvidos pelo artista’. Ela começou a ser utilizada no mundo das artes nos anos 1960. É difícil definir o termo, uma vez que as performances são sempre diferentes entre si e não se limitam a uma só linguagem artística. Talvez esse seja um dos objetivos desse tipo de arte: embaralhar as definições, tirar as coisas do lugar e nos levar a experimentar o mundo que nos rodeia de outra maneira. Nela, o corpo tem um lugar muito importante: é ao mesmo tempo o espetáculo a ser visto e o espaço em que aquilo que temos de mais íntimo se transforma. Quando já não sabemos com certeza se uma expressão é arte ou vida, podemos falar em performance. Os rituais e as festas de uma comunidade também podem ser considerados performances. No Carnaval e nas festas juninas, por exemplo, música, dança e artes visuais se encontram, e a comunidade participa ativamente vestindo fantasias e trocando de papéis. Festa • Brasil-SP • Século XXI

Itaci Batista/Agência Estado

O Ilu Obá de Min é um dos exemplos da vitalidade e da reinvenção das tradições populares. O bloco promove anualmente um cortejo com enredo homenageando mulheres afrodescendentes e as culturas e religiões afro-brasileiras e conta exclusivamente com instrumentistas e cantoras mulheres. Esse aspecto questiona o veto tradicionalmente imposto às mulheres de tocar tambores nos terreiros de candomblé brasileiros, baseando-se no protagonismo feminino que ocorre em algumas culturas africanas.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 89

Bloco Ilu Obá de Min percorre as ruas de São Paulo (SP) durante o Carnaval, em 2010. Desde 2005 o grupo apresenta anualmente cantos e danças inspirados nas tradições afro-brasileiras.

capítulo 4 • 89 6/23/15 3:44 PM


hora da troca ver e entender performances Agora que você já conheceu um pouco sobre o universo variado da performance, é hora de assistir a algumas ações e pensar sobre elas (links acessados em: 6 jan. 2015).

Global

Reprodução/Fotograma do flme Walking in an Exaggerated Manner Around the Perimeter at a Square/<www.youtube.com/watch?v=oDhuZ2Ya2wM>

Performance • Filme • EUA • Século XX

Neste filme experimental, o artista americano Bruce Nauman (1941) usa o próprio corpo em movimento para refletir sobre a condição humana. Ele questiona o que seria uma forma “normal” de andar “na linha”, seguindo o trajeto regular e aprisionador de um quadrado traçado no chão com fita adesiva. Disponível no site da revista artforum: <http://artforum.com/video/mode=large&id=20235>.

Bruce Nauman, Walking in a Exaggerated Manner around the Perimeter of a Square [Andando de forma exagerada em volta do perímetro de um quadrado], 1967/1968. (Filme 16 mm, 10min30s.)

90 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 90

6/23/15 3:44 PM


Instalação • Vídeo • Brasil-MG • Século XXI

nacional A instalação consiste em uma mesa posta para o café da manhã, encostada a uma parede. O artista começa a performance fazendo a refeição de forma cotidiana, até que uma ação inesperada altera totalmente a situação. Versão resumida disponível no site: <www.galeriavermelho.com.br/pt/artista/97/ marco-paulo-rolla/videos>. Marco Paulo Rolla/Acervo do artista

Marco Paulo Rolla, Café da manhã, 2001-2003. (Vídeo, 10min.)

nacional Como tela de fundo para os movimentos da performer está a cidade de São Paulo. Em seus trabalhos, a artista Lia Chaia revela, de forma poética, a relação do ser humano com os elementos naturais presentes nas cidades. Disponível no site da artista: <http://liachaia.com/filter/trabalhos/ALEPH>. Performance • Vídeo • Brasil-SP • Século XXI Não deixe de mostrar à turma alguma performance de que você goste, atentando para a adequação dela à compreensão de alunos dessa faixa etária.

Lia Chaia, O Aleph, 2013. (Vídeo, 2min50s.) Fernanda Tanaka/Coleção particular

É hora de pesquisar, aumentar seu repertório cultural, resgatar memórias e compartilhar conhecimentos. 1

Após assistir aos vídeos das performances, escolha uma delas e faça as seguintes atividades: w Anote em uma folha à parte o que o artista demonstrou no que se refere a: movimento do corpo; expressão de emoções; relação com o entorno; e mensagem. w Compartilhe suas impressões com um colega.

2

Como você viu, as performances baseiam-se em acontecimentos, hábitos e gestos cotidianos, modos de entender e de se relacionar com o mundo e as pessoas. Pense na experiência de assistir às performances e faça as atividades a seguir. w Que descobertas você já fez ao tentar realizar algo de modo diferente do habitual? Diga como foi essa necessário, solicite aos alunos que assistam novamente aos vídeos e façam esta parte da atividade fora do horário de aula. Eles não precisam escrever experiência. Se um texto dissertativo, basta que listem os elementos que observaram. Esta atividade também pode ser feita com o vídeo que você levar para aula. w Você já tinha visto uma performance antes de estudar este capítulo? Em caso afirmativo, conte para a turma como foi. w Compartilhe com os colegas algum vídeo que tenha mudado a forma como você vê um acontecimento, lugar ou hábito. Os vídeos trazidos pelos alunos não precisam ser, formalmente, performances. A ideia aqui é estimular o estranhamento diante da realidade cotidiana e preparar um repertório de base que permita aos alunos pensar nas atividades práticas a ser desenvolvidas no capítulo.

capítulo 4 • 91

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 91

6/23/15 3:44 PM


debate performance, polítiCa e diversidade Entre 1992 e 1994, a artista norte-americana Coco Fusco (1960) e o artista mexicano Guillermo Gómez-Peña (1955) apresentaram-se como se fossem indígenas de uma tribo isolada, de uma ilha imaginária na América. Na performance, chamada Dois ameríndios não descobertos visitam o Ocidente, os artistas ficavam expostos ao público dentro de uma jaula. A performance percorreu museus de história natural e praças de cidades europeias e norte-americanas a partir do aniversário de quinhentos anos da chegada de Cristóvão Colombo à América. O objetivo era criticar o fato de a cultura ocidental (a cultura do ponto de vista dos homens brancos europeus) muitas vezes tratar pessoas de outras origens culturais como objetos, ignorando sua humanidade. Até o início do século XX, era comum que indígenas americanos e negros africanos fossem levados à Europa e expostos ao público como objetos de interesse científico e artístico. A performance acabou tendo muita repercussão: apesar da ironia, muitos espectadores acreditaram que os artistas eram de fato indígenas de uma tribo isolada. Alguns se indignaram com o fato de o museu permitir esse tipo de exposição, enquanto outros tiravam fotos com os performers sem saber que se tratava de uma encenação.

Coco Fusco e Guillermo Gómez-Peña, Dois ameríndios não descobertos visitam o Ocidente, 1992-1994.

Fotos: Coco Fusco/Acervo da artista

Performance • México • EUA • Século XX

92 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 92

6/23/15 3:44 PM


Reprodução/Biblioteca Nacional da França

Fotografia • França • Século XIX

Cartaz de exposição realizada em Paris, França, em 1882. Os dizeres podem ser traduzidos como: “Jardim Zoológico de aclimatação – Índios Galibi”. No final do século XIX, indivíduos de povos não europeus foram levados à força para a França e o Reino Unido e exibidos ao público como atrações de um zoológico. Além de ter sido privados de sua liberdade e dignidade, muitos adoeceram e até faleceram por causa das condições a que foram submetidos.

Neste debate, é importante que fique claro que: o respeito à diferença é fundamental para a convivência entre os indivíduos e entre os povos; o combate aos preconceitos e ao etnocentrismo envolve também a promoção da reflexão sobre as diferenças; a arte tem uma enorme potência crítica e traz à tona questões que parecem superadas ou que passam despercebidas; a ironia é um recurso possível para expressão e crítica, embora, por seu caráter ambíguo, nem sempre seja compreendida. A prática racista de apresentar seres humanos em feiras, palcos e exposições foi frequente na Europa entre o fim do século XIX e o início do século XX. O objetivo deste debate é levar a turma a: refletir sobre como cada cultura lida com o outro, com aquele que é diferente, e questionar o racismo e o etnocentrismo presentes nos dias de hoje.

Converse com os colegas e o professor sobre a relação entre performance, política e diversidade. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto. w Que ideia você faz de pessoas que têm origens e culturas diferentes da sua? Como costuma tratá-las? w Como os indígenas são vistos atualmente na sociedade brasileira? E, segundo essa visão, como costumam ser representados?

w Parece válido não contar para o espectador do que trata uma obra? w Em sua opinião, uma performance pode causar alguma transformação política?

capítulo 4 • 93 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 93

6/23/15 3:44 PM


teoria e técnica performance Conceber, elaborar e realizar uma performance é trabalhoso. É preciso ter um propósito, preparar o corpo para os desafios, realizar a ação com concentração e estar atento para lidar com eventualidades. Lembre-se: a performance está sempre aberta ao inesperado. Leia a seguir um roteiro para apoiar o desenvolvimento de uma performance.

Problematizar o debate Uma performance pode ser inventada com base na discussão de um grupo sobre alguma questão de seu entorno. O primeiro passo seria identificar o que você e os colegas gostariam de denunciar, problematizar ou transformar em relação à escola, à rua, ao bairro, ao município, ao estado ou à região em que vivem. O grupo debate até chegar a um acordo a respeito de algo que incomoda a todos. Don Mason/Blend Images/Getty Images

enfrentar a questão Depois, o grupo deve pensar em formas de chamar a atenção para o fato escolhido. Além disso, deve considerar o tipo de ação que despertaria o interesse das pessoas. O que seria preciso para criar uma performance e apresentá-la à comunidade?

Preparar a situação O grupo, então, deve criar um roteiro para a performance, prevendo a sequência esperada de ações. Para começar, é preciso selecionar o material necessário e escolher o local mais adequado para a realização dela. Depois, o grupo deve ensaiar sua performance e, antes de realizá-la para um público maior, procurar uma oportunidade de apresentá-la a pequenos grupos a fim de testá-la. Em seguida, deve discutir as impressões causadas nesse primeiro público. Na elaboração de uma performance coletiva, é preciso chegar a um consenso a respeito do assunto abordado.

Hora da ação O grupo não deve deixar de registrar o evento em vídeo e fotografia.

94 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 94

6/23/15 3:44 PM


atividades

1. performance

Na elaboração da performance procure ajudar os alunos na escolha de materiais acessíveis e sugerir estratégias corporais, visuais e vocais que já tenham sido usadas durante o curso. Separe os grupos para o ensaio da performance e peça a cada um deles que apresente sua proposta ao resto da turma e promova um debate sobre as performances. Verifique se a intenção das equipes está realmente se cumprindo e proponha formas de melhorar o impacto da ação. Para encerrar a atividade, convide os alunos a comentar as performances dos colegas. Para isso, fornecemos um roteiro, que pode ser modificado ou completado por você, segundo a necessidade da turma ou as características das performances.

Com a turma, siga as instruções dadas no roteiro da seção anterior para pensar, preparar e realizar uma performance. Se não for possível chegar a um consenso, você e os colegas podem se dividir em grupos menores.

Terminada a atividade, faça com os colegas e o professor uma avaliação oral do processo, seguindo o roteiro abaixo. w Que performance trouxe um conteúdo crítico ou político? w Qual delas causou maior surpresa? w Qual delas teve maior impacto visual? w Qual deles usou o som de forma diferente? w Que grupo administrou melhor o tempo da performance? w Que grupo usou o corpo de maneira mais interessante? w Que grupo se destacou quanto ao uso de objetos e equipamentos? w Algum grupo enfrentou alguma situação inesperada? w Algum deles levou o público a participar ativamente da performance?

2. relato Nesta atividade, vamos trabalhar com a linguagem verbal fazendo um relato. Escreva um pequeno texto relatando uma das performances apresentadas. Você pode descrever em detalhes a relação do público com essa ação, os objetos utilizados, os locais escolhidos, a atuação dos performers, de forma que o leitor possa compreender a experiência dos espectadores/participantes. Apresente também sua impressão sobre a performance e exponha as questões levantadas por ela. Escolha as palavras com precisão. Em casa, leia o relato em voz alta, buscando uma boa entonação. Por fim, grave-o.

autoaValIação Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo, reflita sobre elas e depois compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

Quais foram as reflexões mais importantes que você fez no decorrer desse estudo?

2

Após os debates, as pesquisas e as atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto?

3

O que aprendeu a respeito das possibilidades da performance?

Se achar mais produtivo, você pode pedir a todos os alunos que façam o relato da mesma performance. Os textos podem ser compartilhados para mostrar as diferentes reações que as pessoas têm diante de uma mesma ação performática. Você também pode sugerir aos alunos que pesquisem outras performances de Marina Abramovic ou de outros artistas apresentados no capítulo e, então, escrevam textos sobre elas. Pode ser interessante ainda pedir a um grupo que primeiro entre em contato com determinada performance por meio do relato de um aluno e só depois veja o registro dela em filme, vídeo ou fotografia. Procure conduzir a autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente; portanto, o ideal é que os alunos leiam as questões previamente, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

capítulo 4 • 95 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C4_080a095.indd 95

6/23/15 3:44 PM


5

CAPÍTULO

danças populares

1 2 3

Queudançasupopularesubrasileirasuvocêuconhece?uResposta pessoal. Alémudoumovimentoudoucorpo,uqueuoutrosuelementosuestãoupresentesu quandouasupessoasuseureúnemuparauesseutipoudeudança?u Respostas possíveis: música, trajes tradicionais, canto (letra em verso), cerimônias, etc.

Vocêugostaudeudançaruemuroda?uResposta pessoal.

96 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 96

6/23/15 3:45 PM


Tema

objeTo

conceiTo

Tradição

Dança

Cultura popular

Tema Transversal Identidade coletiva

Técnica

Habilidade

Notação de gestos

Improviso em dança

Começando por voCê

Paulo Giovani/Futura Press

Ubirajara Machado/Olhar Imagem

Costumamos chamar de danças populares aquelas que ocorrem em festas e outros acontecimentos importantes de uma comunidade. Por meio da dança, as pessoas se unem e demonstram que fazem parte de um mesmo grupo. Basta pensar, por exemplo, na roda, formação muito comum em várias danças populares. Muitas dessas danças têm forte ligação com a identidade de um povo, de uma região ou de um país, pois são passadas de geração em geração. Mas é importante lembrar que essas tradições e identidades são vivas e, por isso, se transformam com o passar do tempo. O Brasil é riquíssimo em danças populares e cada uma de suas cinco regiões tem uma expressiva variedade de danças e festas comemorativas. Por exemplo, a chimarrita e o fandango no Sul, o jongo e a catira no Sudeste, o frevo e o coco no Nordeste e o carimbó no Norte e o cururu no Centro-Oeste. E você, já dançou alguma dança popular do Brasil? Encontro de Catira e Viola em Anápolis, Goiás, em 2010. [Dança.]

Grupo de dança típica Marabaixo, Macapá, Amapá, 2015. [Dança.]

Neste momento, os alunos poderão apresentar diferentes opiniões a esse respeito e não devem ser corrigidos. No entanto, saiba que danças e gêneros musicais constituídos a partir da segunda metade do século XX, como o funk carioca, o samba-rock e o arrocha, bebem de fontes diversas – tanto tradicionais como da indústria cultural internacional. Esse tema será aprofundado na seção Debate deste capítulo.

Reflita sobre estas questões e compartilhe as respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Sua família costuma participar de danças populares da comunidade de que faz parte?

2

O que a palavra tradição representa para você?

3

Para você, as danças tradicionais influenciam de algum modo nas danças criadas atualmente?

capítulo 5 • 97 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 97

6/23/15 3:45 PM


painel a dança popular no Brasil

uu

Posições de base:uauposiçãou dosupésunouchãou euauformaudeu organizaruou corpoumaisu adequadasuparau iniciaruaudança.

A seguir, você vai conhecer mais sobre algumas danças populares brasileiras e sobre outras criações inspiradas nelas. As danças populares são fonte de inspiração para novas criações. Muitos artistas estudam passos, gestos e movimentos de danças tradicionais para reinventá-los em obras originais. Na aula-espetáculo Naturalmente: teoria e jogo de uma dança brasileira, o dançarino e coreógrafo Antonio Nóbrega (1952) sintetiza suas investigações sobre as danças populares brasileiras. Ao longo de décadas de pesquisa sobre a cultura popular, ele identificou atitudes, posições de base e usos do ritmo que são comuns a várias danças do Brasil. Outra característica que o espetáculo explora é o fato de que música e dança são intimamente ligadas na cultura popular tradicional. Nóbrega também é músico e utiliza esse conjunto de gestos e movimentos pesquisados em experiências com elementos de diferentes gêneros musicais. Que tipo de música você imagina ao ver o passo que aparece na fotografia? Essa música é lenta ou rápida? Explore com os alunos a posição, a postura, os passos e o gestual do artista na imagem. É possível sustentar-se naquela posição? Ou é mais provável que ela faça parte de um movimento?

Antonio Nóbrega, no Espaço Brincante, mostrando passos de frevo, em São Paulo, SP, em 2006.

Fotos: Fernando Moraes/Folhapress

Dança • Brasil-PE • Século XXI

98 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 98

6/23/15 3:45 PM


G. Evangelista/Opção Brasil Imagens

Dança • Brasil-GO • Século XXI

Dança do pau de fitas na Festa do Divino, em Pirenópolis, Goiás, em 2013. [Dança.]

A dança do pau de fitas é uma das muitas danças de roda que existem no Brasil. Além de ser comum em Portugal e na Espanha, ela está presente em outros países da Europa. Por isso, há comunidades de descendentes de alemães e de italianos no Brasil que também praticam essa dança. Perceba que a dança do pau de fitas, como outras danças populares, apresenta um desafio: os atos de trançar e destrançar precisam ser resolvidos pela ação conjunta e coordenada dos participantes.

Integradas em festas e comemorações, as danças populares vão muito além da movimentação do corpo ao som de música. É o caso da dança do pau de fitas, muito comum em várias regiões do Brasil. O pau que dá nome à dança é um mastro com aproximadamente 3 metros de comprimento. Os participantes da dança se organizam em pares em volta do mastro, e cada dançarino segura uma das fitas coloridas presas a ele. À medida que eles se movem ao redor do mastro em zigue-zague, as fitas formam desenhos com um belo efeito visual. Em certo momento, elas ficam tão trançadas que é impossível seguir com a coreografia, obrigando os pares a rodar na direção contrária. A dança do pau de fitas é comum em várias partes da Europa, mas foram os imigrantes açorianos os principais responsáveis por difundi-la no Brasil. 5 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro um exemplo de música do pau de fita, com o grupo Pau de Fita de Ribeirão da Ilha, de Santa Catarina. Você já viu ou participou de uma dança de fita? Ela é difícil de dançar?

Exploreunauinternetuvídeosudau dançaudoupauudeufitasu utilizandouumusiteudeubuscaueu compareuasudiferentesuformasu deudançá-la.

uu

Açoriano:uqueuéudosu Açores,uarquipélagou portuguêsunouoceanou Atlântico.uNouséculouXVIII,u ougovernoudeuPortugalu incentivouuauimigraçãoudeu açorianosuparauou povoamentoudauatualu regiãouSuludouBrasil.

capítulo 5 • 99 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 99

6/23/15 3:45 PM


Alexandre Belem/JC Imagem/Folhapress

Dança • Brasil-PE • Século XXI

Público fazendo a ciranda, em show de lançamento do CD Ciranda de ritmo, de Lia de Itamaracá, no Recife, PE, 2008.

uu

Cadenciado:u queutemuouritmou bemumarcadoueu maisulento.

Exploreunauinternetu vídeosueuáudiosudeu cirandauutilizandou umusiteudeubusca.

100

A ciranda é dançada em roda, com os integrantes de mãos dadas. O ritmo é cadenciado, com acompanhamento de canto, percussão e, às vezes, outros instrumentos. Embora tenha origem portuguesa, a ciranda ganhou outras características no Brasil. Em muitos lugares do país, faz parte das brincadeiras de criança, mas em Pernambuco e na Paraíba é dançada por gente de todas as idades. O mestre-cirandeiro é aquele que guia a ciranda, cantando as canções que embalam a roda e conduzindo a cadência do grupo. Uma das mestras-cirandeiras mais conhecidas atualmente é Lia de Itamaracá, que comanda cirandas na ilha que deu origem a seu nome. 6 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro duas cirandas de Lia, “Minha ciranda” e “Preta cirandeira”. Você já participou de uma ciranda? Para você, os movimentos de uma ciranda remetem a quê? As mãos dadas em roda são comuns a danças do mundo inteiro e constituem um símbolo de comunhão. É possível pensar no movimento dos braços (para frente e para o alto, depois para trás e para baixo) e dos corpos (projetando-se para dentro e para fora da roda) como semelhante ao movimento das ondas no mar. Do mesmo modo, a marcação do tempo forte remete ao ritmo do quebrar das ondas.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 100

6/23/15 3:46 PM


Luciana Whitaker/Folhapress

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

Grupo Jongo da Serrinha, em Madureira, Rio de Janeiro, em 2005. [Dança.]

As danças populares reúnem e divertem a comunidade, mas também podem ser instrumento de resistência. O jongo ou caxambu teve origem nas tradições dos africanos que foram escravizados na região em que atualmente se localizam os países Congo e Angola e foram trazidos para trabalhar nas fazendas de café do Sudeste do Brasil. Os participantes dançam em roda e batem palma, geralmente perto de uma fogueira, na qual os tambores são afinados. Os dançarinos que improvisam ao centro se cumprimentam com a chamada umbigada, projetando a barriga um em direção ao outro. A roda de jongo é animada pelos “pontos”, canções com letras enigmáticas que, antigamente, desafiavam alguém da roda a responder ou zombavam dos fazendeiros sem que eles notassem. Por meio da dança, do toque dos tambores e dos pontos, a memória da África e a resistência se mantinham vivas no corpo e na voz dos jongueiros. Atualmente, os pontos de jongo têm diferentes temas. 7 Ouça no CD de áudio que acompanha este livro “Caxinguelê”, com o grupo Jongo da Serrinha, do Rio de Janeiro. Além de estar presente em várias comunidades quilombolas, o jongo influenciou a formação do samba no Rio de Janeiro e é atualmente considerado patrimônio imaterial brasileiro. Você gosta de decifrar letras enigmáticas de canções? Converse com a turma sobre algumas estratégias encontradas pelos negros escravizados para preservar a memória da África e sua cultura, por meio da dança, do jogo e da música. Pergunte à turma se há alguém que conheça o jongo. Se for possível, conte com a colaboração do professor de História.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 101

ExploreuousiteudouPontãoudeuCulturauJongo/ Caxambu,ucomuvídeosueuinformaçõesusobreu diferentesucomunidadesuondeuoujongouéu praticado.uDisponíveluem:uu <www.pontaojongo.uff.br>.uAcessouem:uu 16umar.u2015.

uu

Quilombolas:ucomunidadesuformadasu pelosudescendentesudeuafricanosu escravizadosuque,uàuépocaudauescravidão,u conseguiramuescaparudoucativeirououu comprarusuaualforria.

capítulo 5 • 101 6/23/15 3:46 PM


Rogerio Reis/Olhar Imagem

Festa • Brasil-PE • Século XXI Apresentação de maracatu rural em Nazaré da Mata, Pernambuco, em 2013.

Maracatu nação no Carnaval, em Recife, Pernambuco, em 2014.

A congada, uma das festas populares em que ocorre a coroação dos reis do Congo, foi vista no Capítulo 4.

Hans Von Manteuffel/Opção Brasil Imagens

O maracatu foi criado nas fazendas de cana-de-açúcar em Pernambuco na época em que o Brasil era colônia portuguesa. Nessa festa popular, misturam-se elementos indígenas, africanos e europeus. Um dos tipos de festa que leva esse nome é o maracatu nação (ou de baque virado), que encena um cortejo semelhante ao da coroação dos reis do Congo. Com música e movimentos de dança mais próximos aos das culturas africanas, seus rituais homenageiam tanto os santos católicos como os orixás do candomblé. Já o maracatu rural (ou de baque solto, ou, ainda, maracatu de orquestra) mistura outras tradições rurais pernambucanas, como o cavalo-marinho e o bumba meu boi. O personagem mais conhecido do cortejo é o caboclo de lança, que se apresenta com uma enorme e brilhante cabeleira colorida e uma lança comprida enfeitada com fitas. As figuras do arreia-mar, com plumagens e arco e flecha, e da baiana, com saias rodadas, são testemunho do encontro de tradições. Você já fez um traje para participar de uma festa? Como será dançar usando os trajes do caboclo de lança?

Explore o portal Maracatu.org.br, que faz um levantamento das nações e grupos de maracatu de baque virado. Você pode encontrar links para os sites de diferentes nações de maracatu em <http://maracatu.org. br/as-nacoes>. Acesso em: 18 mar. 2015.

102

Além de ser muito elaborado, o traje do caboclo de lança é volumoso, tornando-se ainda mais pesado pela presença do surrão, um conjunto de chocalhos em número ímpar. Além disso, a lança costuma medir mais de 2 metros. Todo esse conjunto, mais a expectativa de uma coreografia elaborada por parte de quem incorpora o caboclo, exige grande desenvoltura e resistência física. Hoje em dia, homens, mulheres e crianças podem participar do maracatu, e há até mesmo um grupo composto apenas de mulheres em Nazaré da Mata – até poucas décadas atrás, porém, as personagens femininas eram interpretadas por homens.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 102

6/24/15 3:19 PM


Festa • Dança • Brasil-MA • Século XXI

Marcelo Fernandes/Brasilimagens.com

Leo Drumond/Nitro

Festa • Dança • Brasil-SC • Século XXI

Festa do boi de mamão, em Santa Catarina, 2011. [Dança.] uu

Dança dramática:u celebraçãoupopularuemuqueu umauhistóriauéureencenadau porumeioudaudança.

Exploreuoucurta-metragemu Todauqualidadeudeubicho,udeu AngelauGomesueuCezaru Moraes,ucomuimagensudau festaudouboiuemuSãouCaetanou deuOdivelasu(PA)ueuumu depoimentoudeuumuartesãou queuconstróiuouboi.uu Disponíveluem:u<http:// curtadoc.tv/curta/artes/ toda-qualidade-de-bicho>.u Acessouem:u18umar.u2015.

Grupo de bumba meu boi Fé em Deus, em São Luís, Maranhão, em 2012. [Dança.]

Uma simples história é capaz de ser encenada e ritualizada de diferentes maneiras pelo Brasil afora. Boi-bumbá, bumba meu boi, boi de mamão, boi-calemba: esses são alguns nomes dados a uma dança dramática que se repete anualmente tendo o boi como protagonista. O animal, feito de madeira ou vime, revestido de tecidos coloridos e adornado com enfeites, ganha vida ao ser “vestido” por um dançarino. A festa é tradicional em grande parte do Pará e do Maranhão, onde costuma ser realizada no mês de junho. Algumas celebrações do boi apresentam mais de cinquenta personagens e centenas de brincantes. 8 Ouça no CD de áudio que acompanha este volume algumas toadas para boi com o grupo Cupuaçu, fundado pelo maranhense Tião Carvalho (1955) em São Paulo. Na cidade de Parintins, no estado do Amazonas, a festa do boi transformou-se em uma grande competição entre dois grupos: o Boi Garantido (de cor vermelha) e o Boi Caprichoso (de cor azul). Existem comemorações do boi na sua região? Como as pessoas participam nas orientações específicas no fim do volume, mais informações sobre as possíveis origens da festa dessa comemoração? do Veja, boi, a diversidade de datas em que é realizada pelo Brasil e a variedade de instrumentos que realizam a parte musical. O enredo das festas do boi será visto na seção Pensando com a História deste capítulo.

Reflita sobre as danças e festas apresentadas no Painel e compartilhe opiniões com os colegas e o professor. 1

Quais das danças e festas apresentadas você já conhecia? Já participou de alguma delas? Resposta pessoal.

2

Por que podemos dizer que as danças populares são manifestações vivas? Como elas se relacionam com Porque elas passam por transformações ao longo do tempo e de acordo com o espaço e o meio social em que ocorrem, e outras criações artísticas? também porque influenciam o trabalho de outros artistas, como Antonio Nóbrega.

3

Que danças e festas deste Painel apresentam movimentos ou formas de organização semelhantes? Que Respostas possíveis: a formação em roda aparece na dança do pau de fitas, na ciranda e no jongo; na dança do pau de fitas e no semelhanças são essas? jongo há também movimentos que acontecem ou são organizados apenas entre duas pessoas; o maracatu e as festas do boi são

4

cortejos em que muitos brincantes tomam as ruas ou o espaço de apresentação. Antonio Nóbrega inspira-se em movimentos de várias delas, como o maracatu, para compor sua criação. O maracatu e a festa do boi, pois apresentam personagens caracterizados e uma espécie de enredo.

Quais dessas danças e festas parecem exigir competências teatrais?

capítulo 5 • 103 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 103

6/23/15 3:46 PM


fala o artista antonio nóBrega

u

u AchouqueunouterritórioudauCulturautemosuumauunidadeudesuniforme.uOsuespetáculosupopulares,uporuexemplo,u têmupresençauemutodoupaísucomuelementosuqueudãouunidadeuaueles.uReparemuqueueuudisseuunidadeueunãouuniformidade,uouqueufazumuitaudiferença.uOuboi-bumbáudouMaranhão,uoucavalo-marinhoudauZonaudauMataupernambucana,uoureisadoucarirense,uouboiudeumamãoudeuSantauCatarinausãouespetáculosuqueufazemuparteudeuumau mesmaufamíliaudeumanifestaçõesuculturaisudasuartesudoutempo.uEmborauguardemudiferençasueusotaquesulocaisu ouuregionais,uessesuespetáculosutêmuemucomumuasu suasucaracterísticasuessenciais:ubrincantesuqueu dançam,utocam,ucantam,uqueurepresentamuseuutilizandoudeumáscaras,uetc.u[...] Masuouqueueuutenhoudeumaisuimportanteuparaudizeru éuqueu[a]uculturaucorporalu[brasileira]unãoufoiuconstruídaudaunoiteuparauoudia.uTemosuqueupensaruqueu asunossasudançasueumanifestaçõesunasuquaisuou corpoutemuumaumarcanteupresençauseuformaramuau partirudouencontroudosuestoquesuculturaisudasuváriasufamíliasuculturaisuindígenas,uafricanasueuibero-populares.u[...]uBem,uéudaujunção,ufusãououusincretismou dessesu estoquesu –u ouu dau colagemu dosu fragmentosudessesuestoquesu–uqueuvaiusurgiruesteu caleidoscópioudeudançasueumanifestaçõesucorporaisu deuumauriquezauextraordinária.

Carlos Delagusta/Tyba

No texto a seguir, Antonio Nóbrega trata das diferenças e semelhanças entre danças e espetáculos populares brasileiros e sobre o corpo nessas manifestações culturais.

LIMA, Dani. Gesto: práticas e discursos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2013.

uu

Sincretismo:u fusãoudeu elementosudeu culturasueu sociedadesu diferentes.

Folião durante apresentação do bumba meu boi, em São Luís, Maranhão, em 2013. Dança • Brasil-MA • Século XXI

Converse com os colegas sobre a declaração do artista e as imagens que você viu até aqui no capítulo. Depois, reflita sobre estas questões. 1

Por que Nóbrega afirma que há uma unidade entre diferentes manifestações culturais populares brasileiras? Porque os brincantes que delas participam cantam, dançam, tocam e usam fantasias. Além

2

Como essa unidade pode ter se formado? Para Nóbrega, a origem está na fusão de elementos de diferentes culturas:

disso, música e dança têm características semelhantes.

várias famílias indígenas, africanas e a ibéricas.

104 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 104

6/23/15 3:46 PM


pensando com a história o BumBa meu Boi Você conhece a história do boi? Com poucas variações, o enredo é um só no Brasil inteiro: um fazendeiro compra um boi para o aniversário da esposa e recomenda a todos que tomem conta dele com o maior cuidado. Por coincidência, Catarina, a esposa grávida de um empregado chamado Pai Francisco (ou Mateus, dependendo da região), desejava comer uma língua de boi. Ao deparar com o novo animal, o empregado o mata para atender o desejo da esposa. Quando dá falta do boi, o fazendeiro fica furioso e manda procurar o responsável pelo sumiço. Uma vez descoberto, o empregado é castigado até que convoca um pajé para ressuscitar o animal. Com seus encantos, o pajé consegue o feito, e, então, todos cantam e dançam com o boi, que se lança em direção aos atores e àqueles que assistem à encenação. As danças populares, muitas vezes, narram uma história com vários personagens. Nas festas do boi, a história costuma ser contada e cantada em versos. Leia a seguir um trecho de um canto de boi.

Reprodução/Coleção particular

Pintura • Brasil-SP • Século XX

u u u u u u u u u u u u u u u

u Oumeuuboiumorreu Ouqueuseráudeumim? Mandaubuscáuoutro, LáunouPiauí Ó,uMateus,ucadêuouboi? Sinhô,uouboioumorreu… Ó,uMateus,uváuchamar Oudoutoruparaucurar Oumeuuricouboi; QuerousaberudouFidélis Parauondeufoi Ó,uSebastião,uváuautodauaupressa Chameuoucapitãoudoumato Dêuasuprovidências, QueutragauouFidélis Nauminhaupresença

Festa do Boi-Bumba, D. Vanni. [Pintura, 40 cm × 60 cm.]

Compilado por ROMERO, Silvio. Cantos populares do Brasil. Reproduzido em: Revista Jangada Brasil, n. 16. dez. 1999. Disponível em: <www.jangadabrasil.com. br/dezembro16/cn16120b.htm>. Acesso em: 26 jan. 2015.

capítulo 5 • 105 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 105

6/23/15 3:46 PM


hora da troca danças e músiCas populares no Brasil

Reprodução/Pontão de Cultura Jongo/Caxambu

Para conhecer mais sobre algumas das danças estudadas neste capítulo, recomendamos que assista a vídeos que desvendam passos e gestos de duas delas: o jongo da região Sudeste e o coco do estado de Alagoas (links acessados em: 18 mar. 2015). Na página ao lado, indicamos duas faixas do CD de áudio deste volume: um arranjo de maracatu e um coco cantado e tocado por Antonio Nóbrega.

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

dança – jongo Nesse pequeno filme, vemos o jongo que é dançado em comunidades rurais e urbanas de vários lugares do Sudeste do Brasil. Repare nos aspectos destacados anteriormente: a roda de jongueiros, a dança e os movimentos do par no centro da roda. Disponível em: <www.pontaojongo.uff.br/danca>.

Participantes do jongo em Barra do Piraí, Rio de Janeiro, em cena de vídeo produzido pelo Pontão de Cultura Jongo/Caxambu. (Filme, 2min50s.)

Dança • Brasil • Século XXI

Oficina de coco alagoano, em São Paulo, 2012. [Filme, 2min58s.]

dança – coco Nesse vídeo da Companhia Antonio Nóbrega de Dança, a professora Telma Cesar ensina o sapateado do coco alagoano e fala sobre como entrou em contato com ele. Repare nos passos e na movimentação de corpo dos dançarinos. Disponível em: <http://antonionobrega.com.br/ciadedanca/ ?page_id=79>. Reprodução/Companhia Antonio Nóbrega de Dança

106 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 106

6/23/15 3:46 PM


Cesar Diniz/Pulsar Imagens

Música • Brasil-SP • Século XXI

música – maracatu Você já ouviu a percussão característica do maracatu? 9 No CD de áudio que acompanha este livro, você vai ouvir um trecho de uma canção interpretada por uma voz feminina. Em seguida, vai ouvir cada instrumento ou voz separadamente.

Reprodução/Eldorado

Música • Brasil-PE • Século XX Grupo Maracatu Baque do Vale, em São José dos Campos, São Paulo, em 2014. [Música.]

música – coco 10 Ao ouvir o “Coco da lagartixa”, no CD de áudio

que acompanha este livro, interpretado por Antonio Nóbrega, perceba o ritmo do coco e preste atenção ao som da rabeca e do pandeiro.

Capa do CD Madeira que cupim não rói, de Antonio Nóbrega, 1997, do qual foi extraída a gravação do “Coco da lagartixa”.

É hora de pensar nas danças de que gosta, pesquisar sobre elas e compartilhar conhecimentos com os colegas. 1

Você já havia assistido a algum vídeo ou visto ao vivo o jongo e o coco? Já dançou alguma dessas danças?

2

Ouça novamente o “Coco da lagartixa” e experimente o movimento de bater os pés à frente, como mostrado no vídeo de Telma Cesar. Se preferir, você pode bater palmas para acompanhar o ritmo.

3

Fora do horário de aula, em casa ou nos computadores da escola, procure um vídeo que mostre uma dança de que você goste.

4

Mostre para um colega o vídeo de dança que você escolheu. Se souber, mostre alguns Sua mediação é importante neste momento, para organizar as apresentações de modo que todos que passos dessa dança para os colegas em sala. queiram dançar possam se apresentar rapidamente. Se for possível, coloque uma música. Estimule aqueles

5

Essa dança tem algo parecido com as que você viu neste capítulo? Quais são as origens dela? Fora do horário de aula, procure essas informações na internet e em revistas, jornais e livros. Se achar interessante, peça aos alunos que entreguem uma resposta escrita para esta atividade na aula seguinte.

alunos mais tímidos ou com alguma dificuldade de coordenação motora e agilidade a se expressar também e a ter ajuda de colegas com maior facilidade.

capítulo 5 • 107 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 107

6/23/15 3:46 PM


debate danças urBanas Neste capítulo, você viu que um grupo ou uma comunidade pode expressar aspectos de sua identidade por meio da festa e da dança. Viu também que as danças populares brasileiras foram influenciadas pelos diferentes grupos que formaram a cultura local.

Fotos: Daniel Marenco/Folhapress

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

A Batalha do Passinho, evento que, em 2011, promoveu, em algumas favelas cariocas, uma competição de duelos de dança.

Hoje em dia a maior parte da população brasileira vive em áreas urbanas e tem acesso aos meios de comunicação de massa. Como as identidades são vivas, novas danças tornam-se expressão dos jovens geração após geração. Por isso, a dança de que você gosta pode ser diferente daquela de que gostam seus pais ou avós.

108 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 108

6/23/15 3:46 PM


Bruno Fonseca/Acervo do fotógrafo

Dança • Angola • Século XXI Crianças dançando kuduro em Sambizanga, distrito de Luanda, em Angola. [Dança.]

Na dança do passinho, desenvolvida nas favelas cariocas há mais de dez anos, misturam-se referências de várias danças e manifestações culturais, como o hip-hop, o stiletto, o kuduro, a capoeira e até o frevo. Ela é dançada com muita energia por crianças, rapazes e moças, que organizam competições chamadas ‘batalhas’.

uu

Hip-hop:uconjuntoudeumanifestaçõesu culturaisuqueuseuformouuemuNovauYorkunosu anosu1970ueudepoisuseudifundiuupelou mundo.uOuMCuouumestreudeucerimônia,uou grafiteu(arteuvisual),uourapu(música)ueuou breaku(dança)usãoualgunsudosuelementosu queucompõemuessauformaudeuculturau urbana.

uu

Stiletto:uestiloudeudançausobreucalçadosu deusaltoualto,ucaracterizadouporuseusu movimentosusinuososudoutroncoueudosu quadris.uÉumuitoupresenteuemuvideoclipesu recentes.

uu

Kuduro:ugêneroudeudançaueumúsicau surgidounosuanosu1980,uemuAngola,uqueu misturaureferênciasudauculturaupopularu daqueleupaísucomuelementosudaumúsicau eletrônicaueudouhip-hop.

Converse com os colegas e o professor sobre as danças urbanas. Oferecemos a seguir um roteiro de questões que poderão ajudá-lo a refletir sobre o assunto.

Essa proposta pode trazer para o centro da discussão as danças urbanas e também as danças populares do momento, “da moda”, difundidas por meio da televisão e de outros meios de comunicação de massa ou da indústria cultural, ou ainda pela internet e pelas redes sociais. Você conhece a dança do passinho? Em um primeiro momento, ajude os alunos a identificar as várias danças existentes em sua comunidade: as que acontecem nas festas, nos bailes ou nas ruas; as que acontecem Conhece algum outro tipo de dança urbana? cotidianamente e aquelas restritas a datas festivas. Oriente-os a reconhecer as principais características dessas danças – por exemplo, o modo como o grupo se articula em torno dessa Que danças são praticadas no lugar em que você vive? Quais são suas características dança (se todos dançam ou se uma do grupo dança e outra quanto aos movimentos, à ocupação do espaço, à música que as acompanha e à forma parte assiste), as influências que marcam cada dança, entre outras. Depois, estimule o debate, fazendo com que os alunos reflitam sobre como os participantes se relacionam? o que há em comum e o que há de diferente entre as danças que descreveram. As danças urbanas podem ser consideradas danças populares? Veja mais informações nas orientações específicas para este capítulo, ao final do livro.

w Você e seus colegas gostam das mesmas danças? w w w

w

w Existem danças melhores que outras? Por quê?

capítulo 5 • 109 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 109

6/23/15 3:46 PM


teoria e técnica partitura de passos e palmas A dança depende principalmente dos passos, mas não apenas. Para trabalhar a coordenação dos passos com outros gestos, é possível criar uma partitura. De início, podemos combinar alguns movimentos: dar uma pisada firme e sonora no chão, bater palmas e fazer uma pausa (ou seja, ficar em silêncio). Pense em uma sequência de quatro tempos: tempo A, tempo B, tempo C e tempo D. Na partitura, a letra P designará o movimento de bater com o pé no chão; a letra M, as palmas; e a letra S marcará o silêncio. Agora é só combinar esses três elementos nos quatro tempos. O quadro a seguir é um exemplo de como uma sequência pode ser organizada: A

B

C

D

M

M

S

P

A leitura da partitura acima indica: palma, palma, silêncio (pausa) e pé no chão. Que tal realizar a sequência de A a D uma vez com o resto da turma? Tente repeti-la duas vezes. Antes, é importante encontrar uma pulsação comum, que o professor vai indicar. Marque a pulsação algumas vezes antes de começar. Agora a turma se dividirá em grupos e cada grupo criará quatro diferentes combinações de P, M e S, em quatro tempos. O quadro a seguir pode ajudar a organizar a sequência (copie-o em uma folha). A

B

C

D

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

/////////////////////////

Realize com seu grupo a sequência que criaram e depois troque a sequência com os outros grupos. Veja algumas sugestões para variar: v

Introduza outros elementos na combinação – por exemplo, um giro (G), um salto (L) ou outro gesto que o grupo escolher. Experimente diferentes combinações desses gestos.

v

Crie pequenas sequências coreográficas usando diferentes encadeamentos desses gestos.

v

Faça a sequência uma vez sem sair do lugar e uma vez em deslocamento.

v

Experimente diferentes andamentos, ora mais lento, ora mais rápido. Qual é o efeito da mudança de velocidade?

Você pode convidar o professor de Música para introduzir a noção de pulsação, ritmo e notação com base na partitura criada.

110 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 110

6/23/15 3:46 PM


atividades 1. dançar uma Ciranda Vamos fazer uma roda e dançar uma ciranda? Você sabe cantar alguma ciranda? Faça com os colegas uma roda em que todos fiquem virados para o centro, de mãos dadas. De modo ritmado, comece a se deslocar para a esquerda. Você consegue se deslocar cantando? A música ajuda os integrantes da roda a encontrar um mesmo ritmo para os passos? Em seguida faça o mesmo se deslocando para a direita. Qual dos dois sentidos parece mais fácil? De mãos dadas com os colegas, fique por alguns instantes parado com os pés paralelos. Recomece a se deslocar para a esquerda: dê o primeiro passo com o pé direito, cruzando-o pela frente do outro pé. Pare e volte a deixar os pés paralelos. Então recomece: dê o primeiro passo, ainda para a esquerda, com o pé direito cruzando pela frente; em seguida, dê um passo para a esquerda com o pé esquerdo, de modo que os pés voltem a ficar paralelos. O próximo passo será com o pé direito, que desta vez cruzará o esquerdo por trás. Em seguida, dê um passo com o pé esquerdo, e os pés voltarão a ficar paralelos. O peso do corpo será alternado de um pé para o outro, continuamente, como acontece quando você caminha.

Repita a sequência que você experimentou várias vezes. Pronto, você e seus colegas estão dançando uma ciranda! O tempo forte deve ser marcado com o pé direito, quando este cruzar pela frente.

2. entrar na roda para improvisar Em muitas danças populares coletivas, uma ou duas pessoas podem ir ao centro da roda para dançar, jogar, improvisar e depois voltar a integrar o grupo. Forme uma grande roda com os colegas e marque o ritmo com palmas. Encontre uma pulsação comum com o grupo e crie variações rítmicas com base nela. Além das palmas, o grupo pode usar a voz também. Enquanto o grupo mantém o ritmo, um ou dois alunos se dirigem ao centro da roda para dançar, improvisando por alguns minutos. Não há movimento certo ou errado, o importante é explorar o que sabe e gosta de fazer com o corpo e ter prazer em dançar. O aluno que está no centro pode voltar à roda no momento em que quiser ou sair quando outro aluno ou dupla entrar para ocupar o centro. Este é um momento alegre, em que a turma vai estimular com palmas e voz a dança de um colega ou de uma dupla.

AutoAvAliAção

Caso a turma seja muito grande para o espaço disponível, você pode dividi-la em dois ou mais grupos. Porém, é importante que cada grupo seja composto de mais de oito pessoas. O grupo pode cantar a ciranda do CD de áudio que acompanha o volume ou usar outra música gravada. Se houver alunos com dificuldades com os passos da ciranda, sugira que tentem executá-los em linha reta, de frente para uma das paredes da sala – se possível, acompanhando um colega que esteja mais à vontade –, antes de fazê-los em roda.

Certifique-se de que os alunos se sentem à vontade para ir ao centro da roda e incentive o revezamento deles. Se achar conveniente, participe da roda também e estimule a participação de todos, eventualmente convidando alunos para ser sua dupla no improviso.

Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, reflita sobre as questões abaixo e compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

Quais foram as reflexões mais importantes que você fez no decorrer deste estudo?

2

Após os debates, as pesquisas e as atividades, formou novas opiniões a respeito de algum assunto?

3

O que aprendeu a respeito das danças populares?

Procure conduzir esta autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente; portanto, o ideal é que os alunos leiam antes as questões, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C5_096a111.indd 111

capítulo 5 • 111 6/23/15 3:46 PM


6

CAPÍTULO

dança Contemporânea

1 2 3

Já pensou em expressar suas ideias por meio da dança? Resposta pessoal.

Gosta de assistir a espetáculos de dança? De que tipo de dança você gosta? Resposta pessoal. Você acha que existem alguns corpos mais adequados à dança do que outros? Por quê? Resposta pessoal.

112 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 112

6/23/15 4:00 PM


Tema

objeTo

ConCeiTo

Arte contemporânea

Dança

Processo criativo

Tema Transversal

Teoria

Habilidade

Corpo e espaço

Improvisação

Respeito à diferença

Fredy Vieira/Folhapress

Começando por voCê

Com a formação do campo da dança contemporânea, como ocorreu com as demais linguagens artísticas, ampliaram-se enormemente as fronteiras para a criatividade na elaboração de obras e espetáculos. Ainda assim, é possível que muitos alunos tenham em seu repertório apenas manifestações e criações regidas por regras formais ou fixas. Nesse sentido, a espontaneidade das brincadeiras dos jovens é interessante porque traz em si o germe da curiosidade e da exploração de novas possibilidades também no campo artístico. Procure ampliar a reflexão proposta pelas perguntas aqui apresentadas, para que os alunos não só estejam abertos à produção contemporânea como também lancem um novo olhar sobre aquilo que já conhecem.

Algumas danças têm códigos bem definidos, que informam como o bailarino deve se movimentar, que passos deve fazer e até como deve ocupar o espaço da cena. É o caso, por exemplo, do balé clássico, em que muitas vezes uma história é contada por meio da dança e da música, seguindo regras precisas. A chamada dança contemporânea não é assim. Desde o início do século XX, vários artistas procuraram ampliar as possibilidades do que se entende por dança, criando novas formas de se movimentar e de se expressar usando o corpo. Para essa exploração, investigaram profundamente as articulações e a musculatura, e pensaram também Dança • Áustria • Século XXI em como esse corpo da anatomia se relaciona com o corpo das emoções e das sensações. Um dos pontos de partida da dança contemporânea é a ideia de que não existe um corpo igual a outro e que essas diferenças devem ser valorizadas. Por meio da pesquisa e da improvisação, os artistas da dança contemporânea realizam, por exemplo, encontros do corpo com o teatro, com as artes visuais, com a literatura e com a música. A dança contemporânea às vezes nos espanta justamente por trazer para a cena possibilidades de movimento e modos de apresentá-lo que não estamos acostumados a ver.

Willi Dorner, Bodies in urban spaces [Corpos no espaço urbano], em Londres, Inglaterra, em 2009.

Apresentação da companhia de dança David Parsons, em Porto Alegre, 2006.

Carl de Souza/Agência France-Presse

Reflita sobre estas questões e compartilhe suas respostas com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Para você, o que faz uma dança ser boa ou interessante?

2

Por que consideramos alguns movimentos e posições bonitos e outros feios?

capítulo 6 • 113 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 113

6/23/15 4:00 PM


Painel

A apresentação de gestos considerados “femininos” por meio de sua repetição mecânica e em séries minimalistas levou parte da crítica a fazer uma interpretação feminista desta obra. No entanto, Keersmaeker negou em diversas ocasiões que se tratasse de uma peça pensada politicamente, embora aprovasse essa interpretação (ver mais sobre isso na seção Debate deste capítulo). Para ela, era uma coreografia composta para um grupo de mulheres e que trabalhava com movimentos com os quais ela se sentia confortável. Isso traz à tona a questão do coreógrafo que produz obras com base em sua própria experiência. Enquanto alguns coreógrafos criam apenas para outros bailarinos, há também aqueles que participam do espetáculo em cena – caso de Keersmaeker, que tinha apenas 22 anos quando criou Rosas danst Rosas. Assista ao vídeo da peça no site da companhia Rosas – se possível, com a turma. O vídeo pode ser aberto clicando na imagem abaixo do título “The film”. Disponível em: <www.rosasdanstrosas.be/background>. Acesso em: 31 jan. 2015.

dança Contemporânea no plural

Neste Painel, você vai conhecer alguns espetáculos e refletir sobre a dança contemporânea.

Jean-Luc Thange/Acervo do fotógrafo

Dança • Bélgica • Século XX

Anne Teresa de Keersmaeker e grupo Rosas, Rosas danst Rosas, 1983.

Em nosso cotidiano, repetimos inúmeros gestos sem perceber. Essa repetição forma nossos hábitos e, de certa maneira, nos ajuda a criar uma identidade. Por outro lado, também impede que possamos experimentar o corpo de maneiras diferentes e criativas. Pensando nisso, a coreógrafa belga Anne Teresa de Keersmaeker (1960) criou, em 1983, uma peça de dança que expõe e transforma essas repetições que o corpo realiza diariamente. Gestos associados à feminilidade, como os de cruzar as pernas, jogar o cabelo ou arrumar o decote, eram repetidos pelas quatro bailarinas que na época compunham o grupo Rosas. A coreografia recebeu o singelo nome Rosas danst Rosas [Rosas dança Rosas]. Por que é importante questionar ações às quais não prestamos atenção? Que gestos de seu cotidiano têm potencial coreográfico?

114 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 114

6/23/15 4:00 PM


Dança • Brasil-MG • Século XXI Anderson Gomes/Futura Press

Uma das marcas do Grupo Corpo, criado em 1975, é a íntima relação entre e música. Desde 1992, o grupo estreia um espetáculo a cada dois anos Abertura do 32°- Festival de Dança de Joinville, com o Grupo Corpo, Parabelo, coreografia com trilha sonora composta especialmente para a peça – à exceção de Lecuona em Santa Catarina, 2014. (2004), criada sobre obras do cubano Ernesto Lecuona (1895-1963). Procure conversar com os alunos sobre a relação entre dança contemporânea e música, mostrando que nem todos os coreógrafos se apoiam na música como Rodrigo Pederneiras. Em muitos casos, a dança pode até prescindir da trilha sonora. Procure perceber que características os alunos associam à brasilidade e que movimentos eles veem como tipicamente brasileiros. Aspectos trabalhados no Capítulo 5, sobre danças populares, podem ser retomados neste momento.

Parabelo (1997), criado pelo coreógrafo mineiro Rodrigo Pederneiras (1955) para o Grupo Corpo, integra movimentos de quadril, ondulações de tronco e marcações de pé típicos de muitas danças populares brasileiras. A coreografia se baseou na trilha sonora composta pelos músicos Tom Zé (1936) e José Miguel Wisnik (1948) para o espetáculo, inspirada em gêneros musicais brasileiros e canções de outras épocas. O Grupo Corpo tem uma maneira própria de misturar dança contemporânea e cultura brasileira. Os movimentos nas coreografias são muitas vezes vigorosos, como nas danças populares. A propósito desse espetáculo, o coreógrafo disse que buscou uma forma brasileira de escrever a palavra balé. Para você, o que seria uma forma brasileira de dançar?

Explore os espetáculos do Grupo Corpo. Disponíveis em: <www.grupocorpo.com. br/obras/parabelo#videos>. Acesso em: 31 jan. 2015.

capítulo 6 • 115 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 115

6/23/15 4:00 PM


Rubens Cerqueira/Acervo do fotógrafo

Dança • Brasil-GO • Século XXI

Quasar Cia. de Dança, Uma história invisível, em Goiânia, GO, 2006.

Abordar a proposta desta coreografia da Quasar Cia. de Dança revela aos alunos uma característica de muitas das peças de dança contemporânea: a intenção de refletir a respeito de um tema por meio da expressão artística. Nesse aspecto, a experiência de assistir a um espetáculo de dança contemporânea pode diferir substancialmente da do espetáculo de balé clássico, que costuma ter como inspiração um enredo ficcional linear. Para que os alunos se aproximem da reflexão proposta pelo espetáculo, você pode pedir-lhes que fechem os olhos para uma experiência tátil. Pode também propor que alguns deles vendem os olhos e, com cuidado, se desloquem pelo espaço, experimentando o que é não poder depender da visão para andar. Em seguida, eles devem descrever as sensações dessa experiência para os colegas. Caso haja pessoas com deficiência auditiva ou visual na sala, estimule-as a relatar à turma como é a rotina delas sem a audição ou a visão, explorando como o uso dos demais sentidos contrabalança a deficiência. Procure na internet registros fotográficos ou em vídeo do espetáculo, para ter maior contato com a obra.

Algumas histórias não podem ser contadas nem com palavras nem com imagens. Elas falam de coisas imperceptíveis ao olhar. Pensando nisso, o coreógrafo da Quasar Cia. de Dança, Henrique Rodovalho (1964), criou em 2006 o espetáculo Uma história invisível. Os cinco artistas em cena são personagens de uma história diferente, que não tem começo nem meio nem tampouco fim. Cada bailarino representa um dos nossos cinco sentidos: o tato, a visão, o olfato, o paladar e a audição. As sensações que esses sentidos nos trazem muitas vezes não podem ser expressas em palavras nem ser compreendidas racionalmente, mas o corpo que dança é capaz de se conectar com elas. Na última parte do espetáculo, os bailarinos encenam um combate entre os sentidos da visão e do tato. Em uma sociedade que privilegia as imagens, muitas vezes o reconhecimento do espaço por meio do toque e de uma percepção interna que não precisa do olhar fica em segundo plano. O que é despertado em nossos sentidos para além do que se pode ver ou escutar?

116 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 116

6/23/15 4:00 PM


Dança • Brasil-SC • Século XXI Val Lima/Acervo da fotógrafa

No espetáculo Embodied Voodoo Game, o Grupo Cena 11 explora as possibilidades proporcionadas pela interação com o público, que participa ativamente da criação da coreografia a ser executada. Os bailarinos entram em cena vestindo camisetas estampadas com o próprio nome, imitando personagens de um jogo eletrônico. Os integrantes da plateia podem lhes ordenar comandos chamando-os pelo nome, como se estivessem controlando um joystick. O Cena 11 sempre se interessou pela relação entre dança e tecnologia. A companhia também é conhecida por criar novos movimentos, como fortes quedas, presentes em muitas de suas coreografias. Você jogaria um jogo de videogame de dança? Como se sentiria comandando os movimentos de personagens de carne e osso?

Apresentação do Grupo Cena 11, Embodied Voodoo Game, no 14°- Festival Internacional de Dança do Recife, Pernambuco, 2009. Muitos personagens de videogames realizam proezas e atravessam situações que seriam arriscadas se fossem reais sem que os jogadores que os controlam tenham consciência disso, pois tais personagens são ficcionais e imateriais. Aproveite este exemplo para discutir sobre como as imagens que vemos na televisão, em filmes e em jogos afetam a forma como percebemos o mundo e nos relacionamos com as pessoas. Este espetáculo do Grupo Cena 11 também permite abordar a questão da interatividade do público com o espetáculo de dança, possibilidade inaugurada pela dança contemporânea. Na seção Debate deste capítulo, também se fala mais sobre o conceito de ‘remix’, de certa forma presente na proposta de Embodied Voodoo Game.

capítulo 6 • 117 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 117

6/23/15 4:00 PM


Sammi Landweer/Acervo do fotógrafo

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

Lia Rodrigues Companhia de Danças, Pororoca, 2009. A pororoca não é um fenômeno exclusivo da região Norte do Brasil. Você pode pedir aos alunos que pesquisem em que outros lugares do mundo esse fenômeno ocorre e quais são suas características e consequências ambientais. Outro exercício lúdico e produtivo é solicitar aos alunos que relembrem ou pesquisem palavras de origem tupi e incentivá-los a pensar em imagens poéticas que possam ser associadas a elas. Procure na internet registros fotográficos ou em vídeo do espetáculo, para ter maior contato com a obra.

Em Pororoca, a Lia Rodrigues Companhia de Danças aborda por meio da dança o convívio das diferenças. O grupo tem sua sede na Favela da Maré, no Rio de Janeiro. Os onze bailarinos em cena ficam em contato físico uns com os outros durante praticamente toda a peça, atravessando alegrias, tensões e disputas. De modo poético, a obra trata das negociações necessárias para o convívio em grupo. ‘Pororoca’ é uma palavra de origem tupi que designa o violento fenômeno natural que ocorre na foz do rio Amazonas, quando o encontro de suas águas com as do mar forma uma grande onda. Nas palavras da coreógrafa Lia Rodrigues (1956), em um texto no programa do espetáculo:

Pororoca é encontro de correntes contrárias. Forma ondas e altera as margens, provoca ruídos e calmaria. É arrastão, mistura, choque, invasão. O que você acha que pode se originar do encontro de forças contrárias?

118 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 118

6/24/15 3:21 PM


Fotos: Marcelo Evelin/Grupo Núcleo do Dirceu

Dança • Brasil-PI • Século XXI

Marcelo Evelin e Núcleo do Dirceu, 1000 casas, 2011.

Procure na internet registros fotográficos ou em vídeo do espetáculo, para ter maior contato com a obra. A estratégia de levar a dança ao encontro de diferentes espectadores, inclusive em domicílio, já havia sido usada, por exemplo, pela artista Claudia Müller, em 2004, no projeto Dança contemporânea em domicílio. Mais informações em: <www.claudiamuller.com/danca.htm>. Acesso em: 7 fev. 2015.

O Núcleo do Dirceu levou a dança para fora do galpão onde trabalha e ocupou as ruas de Dirceu Arcoverde, na periferia de Teresina, capital do Piauí. Em 2011 e 2012, o grupo dirigido pelo coreógrafo Marcelo Evelin (1962) mexeu com o cotidiano desse bairro populoso com o projeto 1000 casas. A ideia, como o nome indica, era que os artistas ligados ao grupo realizassem ações performáticas em mil casas do bairro. Depois da ação, os integrantes do Núcleo do Dirceu conversavam com os moradores sobre suas impressões a respeito do acontecimento. Toda a atividade foi registrada em vídeos e se transformou também em uma instalação-espetáculo. Você gostaria de ter o pessoal do Núcleo do Dirceu em sua casa? Como seria apresentar um espetáculo em uma sala de estar?

2. Rosas: movimentos do cotidiano. Grupo Corpo: uma forma brasileira para a dança contemporânea. Quasar: os cinco sentidos. Cena 11: relações entre dança e videogame. Lia Rodrigues: o convívio das diferenças. Núcleo do Dirceu: levar a dança até os moradores do bairro.

Reflita sobre as obras apresentadas no Painel e compartilhe suas opiniões com os colegas e o professor. 1

Qual dos trabalhos apresentados você achou mais interessante? Por quê? Resposta pessoal.

2

De que reflexões os grupos ou coreógrafos partiram para criar essas obras?

3

Que outras reflexões podemos fazer a respeito da dança contemporânea? Resposta pessoal. Algumas possibilidades: tem códigos menos rígidos que outras formas de dança; procura mais o suporte do público; está mais aberta para a diversidade de tipos físicos e experiências dos bailarinos.

capítulo 6 • 119 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 119

6/23/15 4:00 PM


fala a artista lia rodrigues No depoimento a seguir, a coreógrafa Lia Rodrigues trata do processo criativo de sua companhia de dança.

Meus trabalhos são construídos em colaboração muito estreita com os artistas bailarinos da companhia. [...] Eu os provoco e eles me provocam com leituras, conversas, improvisações. A cada vez que começamos um processo de criação nos lançamos perguntas e problemas. E as nossas experiências vão se organizando em torno disso. [...] Eu me sinto pescando num mar cheio de ideias. E somos nós que povoamos esse mar de ideias-peixes: peixes-livros, peixes-textos, peixes-imagens, peixes-conversas, peixes-sonhos. Depois é jogar a vara e pescar. O processo de criação é bastante caótico. Ou, melhor dizendo, ele é extremamente organizado dentro de uma lógica própria e única a cada vez. [...] Usamos todos os recursos necessários para colocar uma ideia em cena, sem nos preocupar se eles são do universo do teatro, da literatura, da filosofia, da política, da música ou da dança. Cada criação pede uma maneira específica de trabalhar. É sempre novo: partir de novas inquietações, experimentar maneiras de se mover e pensar. [...] E é preciso tempo para entender o corpo do outro, entender a língua que estamos falando e construir uma língua em comum, sem que se aplainem as ricas diferenças de cada um dos artistas envolvidos. Os artistas que dançam na companhia precisam ter muito desejo, inquietação, empenho para se lançar no desconhecido. Além de estar abertos para uma convivência em grupo que é sempre intensa, com suas delícias e dificuldades.

Reprodução/Lia Rodrigues Companhia de Danças

“Lia Rodrigues: o lugar do corpo”. Entrevista concedida a Alfons Hug. Disponível em: <www.goethe.de/ins/br/lp/kul/dub/bku/pos/pt12469484.htm>. Acesso em: 29 jan. 2015.

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

Cartaz do espetáculo Pororoca, da Lia Rodrigues Companhia de Danças.

Converse com os colegas sobre o processo criativo da Lia Rodrigues Companhia de Danças.

120

1

Como é a relação entre a coreógrafa e os bailarinos durante o processo de criação de Os bailarinos colaboram com a construção do espetáculo e trocam experiências. A coreógrafa descreve a um espetáculo? convivência em grupo como “intensa” e reforça a necessidade de que os bailarinos entendam os corpos uns dos

2

De que forma aquilo que a coreógrafa relatou se expressa no cartaz de Pororoca reproduzido acima? Na peça, a companhia abordou o encontro, as diferenças e as negociações entre diferentes. No cartaz, o grupo parece

outros e construam algo em comum sem apagar suas particularidades.

muito coeso e integrado, numa única massa humana. Porém, não parece que há apenas harmonia, pois uns estão puxando o cabelo de outros e a situação não parece confortável.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 120

6/23/15 4:00 PM


Pensando com a história a dança pós-moderna norte-ameriCana

Robert R. McElroy/Getty Images

Caminhar normalmente, como quando andamos pela rua, é um movimento de dança? Para um grupo de artistas norte-americanos dos anos 1960, sim. O Judson Dance Theater recebeu esse nome porque seus integrantes ensaiavam e se apresentavam na Judson Church, uma igreja batista em Nova York. Os artistas que o formaram se dedicaram a ampliar todos os limites do que se entendia por dança. Para começar, artistas plásticos, músicos e psicólogos também integravam o grupo e se apresentavam em cena com os bailarinos profissionais. Os movimentos da dança se distanciavam bastante de saltos, piruetas e outros passos virtuosos do balé e da dança moderna. Para o grupo, gestos e ações do cotidiano, como caminhar, sentar, levantar e empurrar objetos, eram apresentados como movimentos de dança. Outra diferença era a realização das obras fora das salas de espetáculo: a coreógrafa Trisha Brown (1936), por exemplo, criou uma peça exibida em cima de um telhado. O Judson Dance Theater durou poucos anos, de 1963 a 1970. Porém, sua experiência revolucionou a dança norte-americana e ecoou em todo o mundo. Alguns artistas que dele participaram tornaram-se coreógrafos fundamentais da segunda metade do século XX, como Steve Paxton (1939), Trisha Brown e Yvonne Rainer (1934). Essa busca por liberdade de criação marcou as décadas de 1960 e 1970 não apenas na dança como também nos demais campos artísticos. Greenwich Village, bairro onde fica a Judson Church, era um dos centros difusores desse movimento. As diversas artes interagiam entre si, e a performance consolidou-se como meio de expressão desse desejo de rompimento de fronteiras.

u

Virtuosos: que exigem uma habilidade técnica extraordinária.

Dança EUA Século XX

Judson Dance Theater, Nova York, 1962.

capítulo 6 • 121 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 121

6/23/15 4:00 PM


hora da troca usos de gestos e lugares Cotidianos na dança Quando falamos em pós-modernidade, em geral, pensamos na busca pelo fim das fronteiras e na desconstrução de padrões e formas já existentes. Assim, o pensamento e a arte pós-modernos procuram questionar as formas de criar e de refletir para alcançar novas possibilidades. As obras produzidas pelos artistas que faziam parte do Judson Dance Theater costumam ser classificadas como pós-modernas. A seguir, você vai conhecer duas delas (links acessados em: 11 fev. 2015).

Fotogramas do flme Hand Movie/Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=CuArqL7r1WQ>

Dança • Filme • EUA • Século XX

Gestos O que um bailarino pode fazer em uma situação em que o corpo encontra-se quase impossibilitado de se mover? No filme Hand Movie [Filme da mão], Yvonne Rainer compôs uma dança com pequenos e precisos gestos da mão, enquanto se recuperava de uma cirurgia no hospital. Disponível em: <http://fan.tcm.com/video/hand-movie1966-yvonne-rainer>.

Yvonne Rainer, Hand Movie [Filme da mão], 1966. (Filme dirigido por William Davis, 6 min10s.)

122 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 122

6/23/15 4:00 PM


lugares

Mario Tama/Getty Images

Roof Piece [Peça do telhado] é uma das mais conhecidas obras de Trisha Brown, criada para um espaço não convencional de dança. Em 2011, ela foi reencenada por bailarinos da Trisha Brown Company em prédios ao redor de um trecho do High Line, parque construído sobre uma via expressa desativada em Nova York, Estados Unidos. Fotos disponíveis em: <http://art.thehighline.org/ project/trishabrown>.

Trisha Brown Company, High Line Roof Piece, 2011.

Dança • EUA • Século XXI

Pensando no filme e nas imagens que você viu, recorde as próprias experiências e converse sobre as questões abaixo com os colegas e o professor. Respostas pessoais. 1

Uma peça que trabalha com movimentos limitados é capaz de prender a atenção? Por quê?

2

Qual foi o local mais inusitado onde você viu uma apresentação artística? Como foi essa experiência?

3

Que lugares inusitados já explorou por conta própria? Descreva um lugar onde gostaria de fazer uma apresentação de dança.

capítulo 6 • 123 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 123

6/23/15 4:00 PM


debate plágio ou inspiração? Verifique se os alunos sabem que plágio significa cópia parcial ou integral de obra intelectual (livro, espetáculo, filme, artigo científico, etc.).

Na coreografia Rosas danst Rosas, de Anne Teresa de Keersmaeker, quatro jovens mulheres realizam algumas sequências de movimentos repetitivos – primeiro, deitadas no chão; depois, sentadas em cadeiras; e, finalmente, caminhando pela cena. Em 1997, o compositor e cineasta Thierry de Mey (1956), autor da trilha sonora da obra, filmou a coreografia. O cenário era uma antiga escola técnica, com ambientes amplos que lembravam os de um hospital, de uma prisão ou de uma fábrica. O figurino das bailarinas remetia também aos uniformes usados nesses lugares. Muitos críticos de arte e espectadores viram Rosas danst Rosas como uma dança feminista, por chamar a atenção para gestos associados a determinada ideia do que é ser mulher. Em 2011, descobriu-se que cenas do videoclipe da canção “Countdown”, de Beyoncé (1981), eram inspiradas em trechos do filme. Na época, Anne Teresa de Keersmaeker criticou a cantora norte-americana não só por não ter pedido autorização para utilizar partes de sua obra, mas principalmente por ter transformado uma coreografia questionadora em um objeto de consumo. Por outro lado, esse acontecimento foi o ponto de partida para um novo projeto da companhia belga Rosas, o Re: Rosas!. Em 2013, no aniversário de trinta anos da peça, mulheres do mundo inteiro foram convidadas a recriá-la. O resultado foi mais de 1,5 mil vídeos, com pessoas de todas as idades e dos mais diversos países reinventando a coreografia. Crédito da foto

Fotogramas do flme Rosas danst Rosas/Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=82pqDvbPtx4>a

Dança • Filme • Bélgica • Século XX Cenas de Rosas danst Rosas, de Thierry de Mey, 1997. (Filme 35 mm, 57 min.)

124 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 124

6/23/15 4:00 PM


Fotogramas do videoclipe Countdown/Reprodução/<www.youtube.com/watch?v=2XY3AvVgDns>

Dança • Videoclipe • EUA • Século XXI

Cenas de “Countdown”, clipe da canção de Beyoncé lançada no álbum 4, 2011. [videoclipe, 3min32s.]

Converse com a turma sobre plágio e inspiração em arte. Embora o texto e as imagens forneçam uma base para a Antes do debate, procure assistir aos vídeos (links acessados em: 30 jan. 2015): discussão, assistir ao videoclipe de Beyoncé e a trechos do filme do espetáculo é O vídeo pode ser encontrado em meio a w Videoclipe “Countdown”: <www.beyonce.com/video>.uma longa lista de filmagens de Beyoncé. importante para que a turma identifique e aponte semelhanças e diferenças. w Trecho do filme Rosas danst Rosas: <www.rosasdanstrosas.be/background>. Neste debate, é importante que fique claro O vídeo pode ser aberto clicando na imagem abaixo do título “The film”. w Vídeos do projeto Re: Rosas!, da companhia Rosas, em que pessoas do mundo todo envia- que: • não existe produção artística ram recriações da peça Rosas danst Rosas: <www.rosasdanstrosas.be/en-videos>. completamente original, pois os artistas (assim como as pessoas em geral) repertórios culturais que os Converse com os colegas e o professor sobre as diferenças entre plágio e inspiração. Ofe- constroem influenciam e também têm indagações que recemos a seguir um roteiro de questões que podem ajudá-lo a refletir sobre o assunto. são comuns a outras pessoas. • atualmente, é comum o uso de w Há semelhanças e diferenças entre os trabalhos de Anne Teresa de Keersmaeker e Beyon- procedimentos artísticos que declaradamente aproveitam trechos ou elementos de obras já existentes para constituir uma nova cé? Quais? obra. No entanto, ainda não há um consenso sobre o limite entre inspiração e plágio. • a internet e as novas tecnologias ampliaram as possibilidades de entrar em contato com outras obras w Qual é o limite entre plágio e inspiração? de arte e de usá-las tanto como matéria-prima quanto como referência para novas obras. Você pode ler nas orientações específicas w Você sabe o significado da palavra ‘remix’? Qual é sua opinião sobre isso? para o capítulo, no final deste volume, um w Você conhece outros exemplos de artistas que se inspiraram ou plagiaram trabalhos texto sobre o conceito de remix e outros procedimentos contemporâneos de mais antigos? reutilização de produção artística.

w Qual é o papel da internet na relação entre artista e público?

capítulo 6 • 125 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 125

6/23/15 4:00 PM


teoria e técnica Corpo e espaço Uma das grandes preocupações da dança é o espaço. O corpo que dança sempre ocupa um lugar no espaço e é ocupado por ele. Esse espaço pode ser o da cena, do palco ou mesmo da cidade em que vivemos. Ao observar as atitudes corporais humanas, o coreógrafo húngaro Rudolf Laban (1879-1958) identificou quatro fatores básicos para o movimento: a fluência, o tempo, o peso e o espaço. Pensemos neste último: um movimento pode ser feito ocupando um espaço pequeno ou pode ser projetado em todo o espaço, buscando alcançar, por exemplo, alguém que o esteja observando a distância. Na cena de Falam as partes do todo?, da Cia. Dani Lima, apresentada nesta página, os artistas estão tão próximos uns dos outros que parecem querer ocupar o mesmo lugar, como se o espaço tivesse se compactado. Pode-se perceber também a proximidade do público com os artistas, o que sugere que, nessa peça, não há intenção de separar quem está “em cena” de quem está “fora da cena”.

Mauro Kury/Acervo do fotógrafo

Dança • Brasil-RJ • Século XXI

Cia. Dani Lima, Falam as partes do todo?, 2003.

O modo como Dani Lima organiza o espaço nesta apresentação leva a algumas reflexões.

w Qual é a diferença entre artistas e público? w Será que o espectador consegue ver a totalidade da cena quando está tão próximo? w O que está no centro da cena, que em muitos casos é o mais importante a ser visto? O que está à margem, que poderia ser ignorado? w Qual é o melhor ponto de vista para o espectador?

126 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 126

6/23/15 4:00 PM


atividades 1. o espaço na dança Nesta atividade vamos observar o uso do fator espaço na dança.

A turma vai selecionar peças de dança a ser analisadas em conjunto. Vocês podem escolher videoclipes, filmes, registros de espetáculos ou, quando for possível, apresentações de dança ao vivo. Assista a essas danças prestando atenção no fator espaço: w Como a coreografia se organiza no espaço? w Ela acontece no teatro ou em outro lugar? Como os artistas ocupam o espaço? w Seus gestos se projetam longe ou ocorrem em um espaço restrito?

Cuide para que, pelo menos em um primeiro momento, os exemplos observados possuam situações contrastantes quanto ao uso do espaço. Desta maneira, a análise será mais fácil.

A turma deve buscar analisar danças bem distintas umas das outras, para que o debate seja mais interessante.

2. dançar a dois sem se toCar Escolha um colega para formar uma dupla. Você deve manter contato visual com ele durante toda a proposta. Dance explorando o espaço, improvisando movimentos, sempre mantendo contato visual. Experimente se afastar e se aproximar de seu par sem tocá-lo. É possível manter o contato visual quando se está mais distante?

Em seguida, explore os diferentes níveis durante a improvisação, experimentando dançar no nível baixo (no chão), em nível médio (perto do chão) e em nível alto.

Neste último caso, você pode projetar o corpo para o teto, mas sempre mantendo contato visual com seu par. Esteja atento ao apoio dos pés quando estiver no alto e aos apoios das várias partes do corpo quando estiver mais perto do chão (nível médio) ou completamente no chão (nível baixo). Lembre que o chão pode ser um bom “companheiro” para a dança. Neste momento não é importante se afastar e se aproximar, mas o contato visual deve ser mantido. Agora, uma nova variável vai entrar na proposta: cada aluno da dupla deve dançar em um nível diferente. Quando o que estiver dançando em nível baixo subir, o outro deve descer.

Esta proposta de improvisação trabalha o olhar, a escuta do outro, a percepção do espaço e a cooperação. Caso não haja espaço na sala para que todos realizem a proposta simultaneamente, divida a turma em dois grupos. Uma metade vai assistir enquanto a outra vai realizar a improvisação em duplas. Em seguida, inverta as posições. Ao final, faça o grupo partilhar suas impressões e descobertas. Propomos que a atividade seja realizada com música ao fundo. Você pode escolher a que considerar mais adequada — tomando o cuidado de evitar músicas de andamento muito acelerado.

Você não vai combinar essa mudança oralmente, mas sim trocando olhares com seu par. A transição de um nível a outro deve acontecer progressivamente, para que o outro aluno da dupla tenha tempo de percebê-la e de se preparar para subir ou descer.

autoaValiação Para fazer um balanço do estudo deste capítulo, leia as questões abaixo, reflita sobre elas e depois compartilhe sua opinião com os colegas e o professor. 1

Quais foram as reflexões mais importantes que você fez no decorrer desse estudo?

2

Após os debates, as pesquisas e as atividades, você formou novas opiniões a respeito de algum assunto?

3

O que aprendeu a respeito das possibilidades da dança contemporânea?

Procure conduzir esta autoavaliação como uma conversa informal, deixando que os alunos se sintam à vontade para se manifestar. A atividade não deve ser encarada mecanicamente; portanto, o ideal é que os alunos leiam antes as questões, reflitam e então exponham o que têm a dizer a respeito.

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_C6_112a127.indd 127

capítulo 6 • 127 6/23/15 4:00 PM


Bel Falleiros/Arquivo da editora

128 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 128

6/23/15 4:02 PM


CADERNO DE

PROJETOS

129 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 129

6/23/15 4:02 PM


1 O CORPO PROJETO

1 2 3

Como a pessoa que aparece na imagem desta página está se expressando? Uma resposta possível: está dançando e pintando o próprio corpo e outros suportes.

Relembre e mencione algumas relações entre o corpo e a arte. Resposta pessoal. Nosso corpo tem limites para se expressar? Resposta pessoal.

130 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 130

6/23/15 4:02 PM


Eduardo Knapp/Folhapress

Pensando sem fronteiras Após a discussão dessas perguntas, comente com os alunos que o coreógrafo e dançarino Marcos Abranches tem uma deficiência física desde criança, decorrente de uma paralisia cerebral. Sua obra Corpo sobre tela é inspirada no trabalho do pintor irlandês Francis Bacon (1909-1992). Você pode ler um depoimento de Marcos Abranches em: <http:// transform.britishcouncil. org.br/pt-br/content/ depoimento-dodancarino-marcosabranches-noseminario-arte-semlimites>. Acesso em: 4 dez. 2014.

Explore vídeos que documentam coreografias em que participam pessoas com alguma deficiência. Disponível em: <www. numeridanse.tv/FR/ themas/108_danse-ethandicap>. Acesso em: 18 jun. 2015.

u

Sororidade: união e irmandade entre mulheres para defender seus direitos.

Marcos Abranches, Corpo sobre tela, 2013. (Coreografia para solo.)

No decorrer dos capítulos deste volume, você estudou vários temas da arte que estão relacionados com o corpo. Você e seus colegas de turma observaram, leram, levantaram dados, debateram e refletiram sobre o corpo em sua relação com a arte. Além disso, colocaram os próprios corpos em ação dentro dessa perspectiva. Agora a proposta é que você escolha um tema que tenha despertado especialmente sua curiosidade para aprofundar o assunto. Você pode começar o trabalho lendo o artigo a seguir, publicado na revista on-line Capitolina.

deficiência física e autoestima Todos temos defeitos, porém alguns são escondidos. E quando o seu “defeito” é aparente, bem visível aos olhos de todos? Aí o julgamento alheio fica menos disfarçado – e eu sei bem do que estou falando. Talvez não seja a regra, talvez as pessoas com deficiência física não tenham demorado tanto pra passarem pelo processo de aceitação própria quanto eu – e eu realmente torço por isso –, mas eu sei que há pessoas que vão se identificar com a minha experiência. Eu sou cadeirante desde pequena e tenho escoliose. Sofri muito, grande parte da minha vida, com isso. Se for completamente sincera, ainda não me aceitei totalmente. Se, pra quem anda, a imposição do padrão de beleza já incomoda e, por muitas vezes, afeta a autoestima, pra quem não anda isso vem ainda pior. Eu tinha problemas para escolher roupa. Eu ficava caçando o que menos revelaria minha escoliose; quanto menos eu mostrasse meus defeitos, melhor. Eu me sentia estúpida usando salto alto. Eu me sentia forçando a barra ao me arrumar para sair porque… bem, de que adiantava? O que eu esquecia é que havia uma cadeira de rodas embaixo das minhas pernas e isso não tem como ser disfarçado. E daí vieram todos os meus problemas, por anos e anos da minha vida. Enquanto eu não me aceitasse, pouca diferença faria se os outros aceitavam ou não. Eu nunca tive segurança alguma em relação a minha aparência, principalmente na fase da adolescência, onde tudo é mais dramático. Talvez se as meninas da minha idade, na época, soubessem o que era sororidade, eu teria sofrido menos. Vivia tentando esconder, sempre tentando disfarçar. Eu passei a me vestir de forma diferente. Eu usava apenas preto, minha maquiagem era pesada nos olhos, eu usava peças rasgadas, meu cabelo era colorido e sempre bagunçado. Tudo o que as meninas consideradas bonitas não usassem, eu usava. Dessa forma, eu sentia que se, por exemplo, o menino de que eu gostava não me queria, não rq t/A er

ea

ui

vo

da

ra

ito

ed

Eb

dr

An

caderno de projetos • 131 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 131

6/23/15 4:02 PM


era pela cadeira de rodas e sim pelo meu jeito. Era uma forma de tentar amenizar. Funcionou por um tempo. Para piorar, eu ouvia coisas sobre como nenhum cara iria querer casar comigo porque seria o mesmo que casar com um problema; sobre como eu não poderia dar filhos; sobre como talvez eu nem sequer pudesse ter relações; sobre como se eu pudesse ter filhos, poderiam vir igual a mim – um horror, imagine só!; sobre como eu não era gostosa, mas era oh-tão-inteligente; sobre como onde me levassem, teriam que levar a cadeira junto; sobre como a minha saúde é frágil, então pensa no problema que eu vou forçar meu companheiro a passar; sobre como era melhor eu não usar nada muito colado, nem cabelo curto, porque aparecia a escoliose. Eu já ouvi de tudo que podem imaginar, inclusive de pessoas que me “amavam”, tudo que poderia me afundar e destruir qualquer tentativa de autoestima. E destruiu por um bom tempo. Somente após começar a estudar o feminismo – e isso tem cerca de um ano e meio – é que percebi que eu não deveria passar por nada disso. Eu não tenho que ouvir ninguém. Sabe por quê? Essas pessoas têm reais defeitos e são no caráter. São pessoas vazias, que vivem de aparências e eu não queria ser assim. E eu comecei a então notar que, mesmo que eu não siga um padrão, eu tenho tanto a oferecer! Se ninguém me quiser, não tem problema, eu me quero assim como sou. Não acredito mais em “metade”, eu sou completa sozinha, não vou esperar uma vida por alguém que me preencha. E foi aí que a liberdade começou. Eu me liber-

132 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 132

6/23/15 4:02 PM


tei de tudo que ouvi a vida inteira. Eu me libertei de tudo que me impuseram até então. Se eu gostar de uma saia, pode ter certeza que eu vou usar. Eu passei a me aceitar, ainda que aos poucos. [...] Basicamente, o padrão de beleza é algo inventado e somente entre nós humanos (os “racionais”). Então, por que segui-lo? Se podem inventar que aqui cintura fina e peitos grandes é o bonito, lá podem inventar que pés pequenos são atraentes, acolá inventam que peitos caídos são sensuais, eu posso inventar que o padrão é ter peitos pequenos e usar cadeira de rodas. Certo? Certo. Mas eu não faria isso justamente porque a criação de um padrão significa excluir todas as outras irmãs de gênero (não de sexo) do que identifico como belo. Melhor é desconstruir qualquer padrão e abraçar todas as belezas. Absolutamente nada no mundo pode te fazer menos bonita. Quem você é, a sua essência, reflete a sua beleza. Se você usa uma cadeira de rodas, prótese, se você não tem uma parte do corpo, dane-se o que pensam, se aceite! Por favor, se aceite e enxergue o quão linda você é. Se aceite e não deixe que a desaprovação de ninguém pese em ti. Ninguém está na sua pele e nem todo mundo saberia estar, pois você está e sabe o quão difícil é em muitos momentos da vida. Então faça essa pele valer a pena, faça essa vida valer a pena e se aceite.

Gênero: identidade que cada pessoa assume para si e para os outros, em geral ou como mulher ou como homem. Não é a mesma coisa que sexo biológico, determinado pelas características físicas no momento do nascimento. Assim, há pessoas que nascem com características do sexo masculino, mas podem se identificar com o gênero feminino (ou mesmo com ambos), e vice-versa.

Andrea Ebert/Arquivo da editora

PIUCCO, Priscylla. Deficiência e autoestima. Revista Capitolina, 19 jun. 2014. Disponível em: <www.revistacapitolina.com.br/deficiencia-fisica>. Acesso em: 4 dez. 2014. O trecho do artigo original que foi suprimido, e indicado por [...], é uma citação que tornaria o texto demasiadamente extenso e complexo para a faixa etária. A supressão não prejudica a compreensão da narrativa principal. Alternativamente, pode-se acessar o site indicado na referência para ler a versão na íntegra.

u

Depois de ler o texto publicado na revista Capitolina, converse com os colegas e o professor sobre as questões a seguir. 1

Você já havia pensado sobre como os padrões de beleza afetam as pessoas com algum tipo de deficiência?

2

Será que as questões que afetam a autora do texto também podem afetar garotos? Resposta pessoal.

3

Como você lida com os padrões de moda e beleza? Resposta pessoal.

4

O que a visão de Priscylla sobre moda e beleza tem de diferente?

5

Por que Priscylla afirma que a sororidade mudou sua vida?

6

Você conhece alguém com algum tipo de deficiência física? Procure saber a opinião dessa pessoa sobre esse tema. Resposta pessoal.

Resposta pessoal.

Uma resposta possível: ela traz uma visão crítica sobre moda e beleza com base na perspectiva de quem viveu uma experiência difícil. Porque, após conhecer os valores éticos defendidos pelo feminismo, ela deixou de competir com outras mulheres.

CADERNO DE PROJETOS • 133 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 133

6/23/15 4:02 PM


Projeto de Pesquisa Como organizar o trabalho Este trabalho deve ser feito em grupo e consiste em um levantamento sobre um tema, seguida de uma síntese a ser apresentada para a turma toda. Leia na sequência algumas orientações que podem contribuir para sua realização.

aproximar-se do tema e definir o rumo do projeto v

Reúna-se com alguns colegas para formar um grupo de trabalho de, no máximo, oito integrantes. O critério para a formação da equipe deve ser o interesse comum por um dos temas propostos no item "Temas para o projeto".

v

Debata com os companheiros as razões pelas quais escolheram esse tema. Depois, cada integrante do grupo deve relatar o que sabe sobre o assunto.

v

Decida com os colegas como o trabalho será feito. O grupo deve determinar o foco do levantamento e, se for preciso, modificar a proposta de pesquisa sugerida.

v

Você e os demais integrantes do grupo vão dividir as tarefas do levantamento, mas cada um de vocês deve fazer uma lista própria de pessoas conhecidas que poderiam fornecer informação sobre o tema.

v

Discuta com a equipe como o material levantado sobre o tema será apresentado para a turma. A apresentação pode ser em linguagem escrita, visual ou cênica.

aprofundar o levantamento v

Reúna o máximo de informação que obtiver das conversas com as pessoas conhecidas e dos livros, revistas, jornais, imagens e sites que encontrar. Apresente o material aos colegas de equipe.

v

O grupo deve refletir sobre o material reunido, verificar a confiabilidade da fonte, avaliar o tipo de problema que enfrenta para realizar o trabalho e verificar se faltam informações. Também pode consultar o professor de Arte, além dos de outras disciplinas, para ter ajuda em problemas específicos.

v

Finalmente, verifique com os demais integrantes da equipe se o formato de apresentação dos resultados continua sendo adequado. É importante fazer uma lista do material de que o grupo vai necessitar para preparar a apresentação.

Preparar a apresentação v

O grupo vai começar pela seleção das informações realmente essenciais para abordar o tema a ser apresentado e vai tentar começar a construir uma conclusão, isto é, fazer uma reflexão sobre o que foi estudado.

v

Depois de dividir a apresentação em começo, meio e fim, o grupo vai buscar formas produtivas para atrair a atenção da turma.

v

Por fim, o grupo deve ensaiar o que vai dizer e fazer para garantir uma boa apresentação e também para calcular o tempo necessário para executá-la. É bom lembrar que, como muitos grupos vão mostrar seu trabalho, todas as apresentações devem ser sucintas e precisas – isto é, não se deve falar demais nem de menos.

134 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 134

6/23/15 4:02 PM


temas para o projeto

O professor de Ciências pode colaborar indicando fontes de pesquisa (sites da internet e livros existentes na biblioteca da escola) e apresentando as diferentes maneiras de produzir imagens científicas do corpo e de suas funções (desenho, fotografia, raios X, tomografia, ultrassonografia, reprodução de imagem de microscópio eletrônico). Ao professor de Arte cabe indicar fontes de pesquisa e apontar artistas que se destacaram na representação do corpo, como Michelangelo, Matisse, Picasso e Tarsila do Amaral, além de representações do corpo nas Ciências de tradições culturais, como a chinesa e a persa. Também é responsável por orientar a elaboração de critérios para a escolha das imagens e por colaborar na construção das legendas das imagens, indicando o tipo de informação que deve ser levantada (nome do artista, da obra, técnica e dimensão).

Veja nas páginas seguintes uma série de sugestões para um trabalho interdisciplinar.

The Bridgeman Art Library/Keystone/Biblioteca Chester Beatty, Dublin, Irlanda.

rePresentações do CorPo v v v v

v

Renato Soares/Pulsar Imagens

v

Disciplinas: Arte e Ciências. Formato: levantamento de imagens do corpo humano, organizada como exposição ou seminário. Proposta: uma curadoria, ou seja, uma seleção de obras para uma exposição. Objetivo: fazer um levantamento das diversas formas de representação do corpo na Arte e na Ciência. Encaminhamento: buscar desenhos, pinturas e esculturas que representem uma parte do corpo, bem como radiografias e tomografias dessa mesma parte. Dica: os desenhos que ilustram as pesquisas do médico Andreas Vesalius (1514-1564) e as imagens da exposição Spectacular Bodies [Corpos espetaculares], que aconteceu no Reino Unido em 2000.

Pintura CorPoral v v v v v

v

Menina da etnia Kayapó, da aldeia Moykarokô, com pintura corporal, em São Félix do Xingu, Pará, em 2015.

Tashrih Al-Badan, The Human Internal Organs and Circulatory System [��rgãos internos e sistema circulatório do ser humano], século XV. [Ilustração.]

Disciplinas: Arte, Geografia e História. Formato: levantamento bibliográfico e iconográfico apresentado como trabalho escrito, seminário ou exposição corporal. Proposta: o grupo vai fazer um levantamento dos povos indígenas brasileiros que se valem da pintura corporal em seus ritos e práticas culturais. Objetivo: descobrir como são essas práticas, qual é seu significado simbólico e que materiais e técnicas são utilizados pelos diferentes povos. Encaminhamento: fazer um levantamento dos grupos indígenas Kayapó, que vivem no Mato Grosso e no Pará; Wajãpi, do Amapá, que fazem a pintura kusiwa; e Huni Kuin (Kaxinawá), do Acre, que praticam o kene kuin. Em caso de optar pela exposição, o grupo pode apresentar os grafismos pesquisados desenhando-os em cartazes ou no próprio corpo, com tinta adequada para a pele. Dica: Os padrões geométricos adotados pelos indígenas em geral têm origem em desenhos que cobrem a pele de animais, como a cobra. Vários deles podem ser encontrados no site do Instituto Socioambiental (ISA): <http://pib.socioambiental.org/pt>. Acesso em: 5 dez. 2014.

Os professores de Geografia e de História podem colaborar com o projeto indicando fontes de pesquisa e explicando as diferenças entre as etnias dos indígenas brasileiros. O professor de Arte atuará na escolha de critérios para seleção de imagens mais significativas, orientando tecnicamente o trabalho de pintura e a forma de apresentação do projeto.

caderno de projetos • 135

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 135

6/23/15 4:02 PM


J. Duran Machfee/Futura Pressa

danças brasileiras v

Disciplinas: Arte, Geografia e História.

v

Formato: levantamento bibliográfico com entrevistas, apresentado como trabalho escrito, seminário ou apresentação de dança.

v

Proposta: o grupo vai buscar danças populares no Brasil, partindo de uma lista das danças que existem em sua região e passando pelas danças de outras regiões que conhece.

v

Objetivo: ampliar seu conhecimento sobre danças populares brasileiras e procurar descobrir a relação que as pessoas estabelecem com a dança e a música em sua comunidade ou região.

v

Encaminhamento: levantar gêneros musicais que começaram como manifestações regionais e depois foram se difundindo pelo país inteiro, como samba, forró e frevo.

v

Dica: programa de televisão Danças Brasileiras, apresentado por Antonio Nóbrega na TV Futura.

Os professores de Geografia e de História podem colaborar indicando fontes de pesquisa e promovendo uma discussão sobre diferentes concepções de cultura. O professor de Arte, por sua vez, deve demonstrar as diferenças entre as danças e orientar a escolha de critérios para seleção de imagens e vídeos, bem como a realização de uma apresentação de dança.

sistema ósseo v

Disciplinas: Arte, Ciências e Educação Física.

v

Formato: levantamento com base em textos e imagens científicas, em atlas do corpo humano, organizada como trabalho escrito ou apresentação cênica.

v

Proposta: o grupo vai fazer um levantamento do sistema ósseo humano.

v

Objetivo: identificar os principais ossos do corpo e suas articulações. Além disso, procurar identificar a relação dessas articulações com os movimentos que fazemos.

v

Encaminhamento: selecionar um conjunto de articulações entre ossos e apresentar movimentos que explorem suas possibilidades.

v

Dica: Atlas ilustrado de anatomía, Susaeta, 2002 (em espanhol). Anatomia humana, Ática, 1998. Atlas do corpo humano, Moderna, 1995.

136 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 136

Sebastian Kaulitzki/Shutterstock/Glow Images

Casais dançam forró na avenida Paulista, Projeto Arte na Rua.

Modelo ósseo do pé humano. O professor de Ciências poderia indicar as principais articulações do corpo e sugerir fontes de pesquisa sobre o assunto. O professor de Educação Física poderia demonstrar o uso dessas articulações. Já o professor de Arte é o responsável por sugerir e orientar uma apresentação cênica para os conceitos estudados pelo grupo.

6/23/15 4:02 PM


O professor de Educação Física poderia auxiliar no projeto orientando como e o que observar. O professor de Arte se encarrega de sugerir e orientar formas de notação e registro, indicando como referência artistas que trabalharam com o tema. Pode também ajudar na escolha de critérios para a apresentação dessas imagens ou na preparação de uma apresentação cênica dos gestos.

Garotos conversando descontraidamente no intervalo da escola. Monkey Business Images/Shutterstock/Glow Images

gestos e atitudes v

v

v v

v

Disciplinas: Arte e Educação Física. Formato: trabalho de observação e registro dos gestos e das posturas de colegas da escola. Pode ser apresentado como exposição de fotografias (impressas ou projetadas em sala), painel de desenhos ou, ainda, como interpretação corporal. Proposta: os alunos do grupo vão observar discretamente, na hora do intervalo, como os colegas gesticulam com as mãos, ficam de pé, caminham, se sentam, se cumprimentam e se relacionam uns com os outros em momentos de descontração e registrar tudo isso. Objetivo: fazer um inventário dos gestos e das posturas adolescentes. Encaminhamento: escolher um recorte para este levantamento e pensar numa estratégia para documentar os gestos observados. Pode-se optar por fazer desenhos esquemáticos dos gestos ou por fotografá-los e filmá-los com uma câmera ou um telefone celular. Dica: site da coreógrafa carioca Dani Lima, que pesquisou os gestos emblemáticos do século XX. Ela produziu um livro, um espetáculo e um blog com o material de sua pesquisa. Disponível em: <www.ciadanilima. com.br/a-companhia/espetaculos/100-gestos> e <http://100gestos.blogspot.com.br>. Acesso em: 5 dez. 2014.

moda e beleza v v

v

v v

v

O professor de História poderia colaborar indicando fontes de pesquisa e esclarecendo costumes da época e da cultura pesquisada. Já ao professor de Arte cabe ajudar indicando pinturas e esculturas famosas em que moda e beleza podem ser observadas. Também pode ajudar na escolha de critérios para a apresentação das imagens e para a ilustração do blog. Por fim, o professor de Língua Portuguesa poderia orientar a elaboração dos textos para o blog, pensando em sua estrutura e na apresentação das ideias principais a ser expostas.

Disciplinas: Arte, História e Língua Portuguesa. Formato: levantamento bibliográfico e de imagens em sites de museus especializados, livros e revistas de moda antigas e atuais. O trabalho pode ser apresentado em uma exposição ou em um blog com um texto de cada membro do grupo abordando diferentes aspectos do mesmo tema. Proposta: o grupo vai escolher uma época passada para fazer o levantamento como determinado grupo de pessoas se vestia e que padrão de beleza era esperado das mulheres e dos homens daquele local. O trabalho pode se voltar também para a forma de se vestir atualmente e os padrões de beleza que vigoram em nossa sociedade. Objetivo: conhecer diferentes padrões de beleza vigentes no decorrer da história. Encaminhamento: ao trabalhar com moda e beleza na atualidade, deve-se fazer uma observação sistemática da comunidade local. Os integrantes do grupo podem observar e anotar como as pessoas do seu bairro se vestem durante a semana e nos fins de semana, por exemplo. Dica: revista Capitolina, categoria moda e beleza. Disponível em: <www.revistacapitolina.com.br/moda-beleza>. Acesso em: 5 dez. 2014.

Antiga peruca de advogado feita com crina branca de cavalo. Anneka/Shutterstock/Glow Images

v

caderno de projetos • 137 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P1_128a137.indd 137

6/23/15 4:02 PM


2 DANÇA PROJETO

1 2 3

Vocêugostaudeudança?uOuqueuvocêuconheceusobreuessaulinguagemuartística?

u

Respostas pessoais.

Observeuaufotografiaudestaupágina.uComouvocêuimaginauqueusãouosu movimentosudessaucoreografia?uRespostas pessoais. Seutivesseudeucomporuumaucoreografia,uqualuseriauseuupontoudeupartida? Respostas pessoais.

138 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 138

6/23/15 4:03 PM


Este projeto se concentra na linguagem dança. Sugere-se que ele seja desenvolvido ao longo de seis encontros. A intenção é que os alunos criem uma coreografia por acumulação com base em Accumulation [Acumulação] (1971), a primeira de uma série de obras (conhecidas como Accumulation Pieces) da coreógrafa norte-americana Trisha Brown que trabalha com esse princípio. Os alunos já tiveram um primeiro contato com o trabalho dessa artista no Capítulo 6 deste volume. Se houver possibilidade, amplie esse contato, mostrando a seus alunos vídeos da coreógrafa. Você poderá encontrar muitos deles na internet.

Neste projeto você vai se aprofundar no estudo e na prática da dança. Para começar o projeto, vamos conhecer o trabalho da artista norte-americana Trisha Brown, que fez parte do Judson Church Theater, e, em seguida, conversar sobre ele. O estudo vai se concentrar em obras criadas pela artista, com destaque para as da série Accumulation Pieces [Peças de acumulação]. Sob orientação do professor, faça um levantamento na internet sobre o trabalho de Trisha Brown. Se possível, assistam a um vídeo da peça Accumulation, de 1971, ou de outra obra da série Accumulation Pieces. A studio in covent garden/Flickr

Jack Mitchell/Getty Images

levantamento de dados e exercícios de observação

Trisha Brown, em coreografia de Set and Reset, 1983.

Trisha Brown, Accumulation, de 1971, apresentada pelo grupo Primary Accumulation na Tate Modern, em Londres, em 2010.

Após fazer a pesquisa, reflita sobre estas questões e compartilhe as respostas com os

5. Deixe que a turma colegas e o professor. As respostas são apenas para sua referência. Neste momento, deixe que os alunos levantem hipóteses responda livremente às livremente. perguntas, em especial esta, 1 O que você achou das danças da série Accumulation Pieces? Resposta pessoal. que busca chamar a atenção deles para um aspecto em que provavelmente não 2 Você consegue descobrir se há uma regra que serve de base para a construção das repararam durante a Há uma regra de acumulação de movimentos. Primeiro, a artista executa um sequências? Se houver, que regra é essa? movimento algumas vezes; depois, repete o movimento e acrescenta um novo; em primeira exibição do vídeo. seguida, ela repete os dois anteriores e faz mais um; e assim sucessivamente. Depois dessa conversa, relembre o que foi estudado 3 O nome da peça dá uma pista para entender como a artista organiza os movimentos? no Capítulo 6 a respeito do Sim, pois fala em acumulação. trabalho de Trisha Brown e 4 Os movimentos parecem suaves ou vigorosos? Resposta pessoal. da dança pós-moderna americana, destacando 5 É possível perceber de que parte do corpo cada movimento se origina? algumas características importantes desse movimento artístico. Por fim, se houver tempo, exiba novamente o(s) vídeo(s) para que a turma possa observar melhor os movimentos, agora que o princípio da acumulação já está mais claro.

caderno de projetos • 139

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 139

6/23/15 4:03 PM


A studio in covent garden/Flickr

trisha brown e a composição por acumulação

Trisha Brown, Accumulation, de 1971, apresentada pelo grupo Primary Accumulation na Tate Modern, em Londres, em 2010. uu

Artes vivas:u manifestaçõesu artísticasuemuqueu artistasueu espectadoresu participamuaou vivo.uSãou exemplosudissou asupeçasudeu teatroueudeudançau euosuconcertosu musicais.

Trisha Brown é uma das representantes do que hoje se conhece como dança pós-moderna norte-americana. A coreógrafa buscou sair do espaço teatral para invadir as ruas, incluir dançarinos não profissionais e integrar movimentos cotidianos à dança. Estas atitudes ampliaram o lugar das artes vivas para além dos espetáculos. Nos anos 1970, Trisha Brown criou as suas “peças de acumulação”. Essas peças seguem um princípio de composição bem simples: começam com um único movimento, que se repete algumas vezes; então, outro gesto é adicionado após esse primeiro, gerando uma sequência. Pouco a pouco, uma frase de movimentos é construída e expandida, sempre voltando aos gestos adicionados anteriormente. Para entender melhor como Trisha Brown realizava essas peças, vamos chamar de A o primeiro movimento, de B o segundo, e assim por diante. O esquema a seguir mostra como as frases são construídas e dançadas:

A A+B A+B+C A+B+C+D A+B+C+D+E [...]

140 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 140

6/23/15 4:03 PM


Fotograma do vídeo Accumulation/<www.youtube.com/watch?v=86I6icDKH3M>

criando ações corporais

Sequência dos seis primeiros movimentos da coreografia Accumulation, 1971, de Trisha Brown.

Vamos fazer um exercício? A turma será dividida em grupos de cinco alunos. Cada aluno vai criar uma ação corporal, que será representada por uma das letras de A a E. Por exemplo, o movimento A pode ser “saltar com os pés paralelos”; o B, “apontar com a mão direita para o teto”, etc. Cada grupo terá, então, uma sequência como esta:

É importante enfatizar alguns pontos que devem ser lembrados ao longo do projeto: 1. Trisha Brown parte de gestos cotidianos como andar, correr, balançar-se, cair, pegar algo, torcer o corpo, sacudi-lo de um jeito relaxado, etc. Procure solicitar aos alunos que explorem uma larga gama de gestos cotidianos e depois construam as Você e seus colegas de grupo vão começar a montar a sequência descrevendo as sequências com base em alguns 2. Cada novo gesto pode se ações oralmente. Depois, vão registrar a ordem das ações por escrito, em uma folha de deles. iniciar por uma parte específica do corpo ou por uma articulação. Embora papel, para, por fim, realizar os movimentos da sequência que criaram. sejam despojados e sem tensão, Vamos afastar as cadeiras e nos mover? Lembre-se de que, a cada vez, é preciso devem ser bem precisos. Procure ser rigoroso e exija precisão na realização das ações: elas devem ser simples, adequadas às possibilidades da turma, mas também claras. repetir os movimentos anteriores. Busque deixar evidente como cada movimento se inicia para que seja realizado com precisão. Por exemplo, se um movimento de levantar o braço partir do cotovelo, insista para que esta sempre seja a parte do corpo que primeiro se move na ação de erguer o braço. 3. Assim como outros artistas ligados ao Judson Church Theater, Trisha Brown levou a dança para espaços não convencionais, como a rua, os parques, o topo e a fachada dos prédios da cidade. Busque aplicar esse princípio na escola e proponha que os alunos realizem a dança no pátio, nos corredores e, quando possível, na calçada em frente à escola.

A, A + B, A + B + C, A + B + C + D, A + B + C + D + E

Depois de praticar algumas vezes com os colegas de grupo, junte-se ao restante da turma para fazer estas atividades. 1

Faça com os colegas e o professor uma avaliação oral do exercício: Respostas pessoais. w Seu grupo encontrou dificuldades? w Existem ações que “combinam” mais com outras? w Ao repetir um movimento pela terceira vez, a sensação do movimento é a mesma? Descreva-a.

2

Com seu grupo, apresente a sequência para o restante da turma.

Por exemplo, na última aula, a apresentação da atividade de dança poderá acontecer no pátio, e os espectadores poderão assisti-la das janelas das salas de aula, se isto for possível. É interessante solicitar aos alunos que pesquisem previamente os espaços mais interessantes da escola para a apresentação final, lembrando que a dança muitas vezes pode “arrastar” o público, fazendo-o se deslocar no decorrer da apresentação de modo a mudar seu ponto de vista.

caderno de projetos • 141 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 141

6/23/15 4:03 PM


experimentar o princípio da acumulação aquecimento: busca na memória Vamos nos espalhar pela sala e experimentar nos movimentar livremente. Busque na memória os movimentos que o grupo criou durante o exercício de compor a sequência de gestos na etapa anterior e aqueles movimentos que apareceram nos vídeos assistidos. Então, procure executá-los. Não se preocupe caso não consiga se lembrar dos detalhes de cada movimento. Neste momento, mais importante do que reproduzir exatamente cada ação é brincar com o que ficou na memória. De quantos movimentos você conseguiu se lembrar? Você se lembra de detalhes ou não? Uma dica: você também pode aproveitar a memória de outros colegas da turma, reproduzindo movimentos que eles estejam fazendo. Copiar o movimento dos outros não é um problema nesta experiência.

encadear movimentos A turma vai se organizar em círculo para trabalhar com o encadeamento de cinco gestos de cada vez. Retome o modelo trabalhado anteriormente.

A A+B A+B+C A+B+C+D A+B+C+D+E

Escreva este modelo matemático no quadro para que os alunos possam se organizar melhor.

Se não houver espaço para um círculo com todos os alunos ou se a turma tiver Um aluno propõe um movimento que chamaremos de A. O aluno realiza dificuldade em observar e repetir as sequências, divida-a em círculos menores esse movimento uma segunda vez, enquanto os demais observam. Depois, toda com no mínimo oito alunos. Nesta primeira experiência de acumulação, a turma executa o movimento A. encadeamento e repetição de sequências Em seguida, o aluno que está à direita do que começou a sequência deverá já é possível observar quais são as maiores habilidades e dificuldades dos repetir o primeiro movimento e propor um segundo, que chamaremos de B. O alunos. Peça que busquem ser precisos na execução de cada gesto, preservando sua segundo movimento será uma continuação do primeiro. Esse aluno repetirá os particularidade, que tentem encadeá-los com fluência. É importante também que movimentos (A + B), e, em seguida, a turma toda fará o mesmo, algumas vezes. eles se observem e colaborem com os Um terceiro aluno vai propor um terceiro movimento (C) e o processo se colegas. Embora não haja gestos certos ou errados na proposta, avalie se alguma repetirá até a proposta do quinto aluno (seguindo sempre para a direita da roda). ação proposta por um aluno parece inadequada, ou por exigir competências Teremos ao final uma sequência de cinco gestos encadeados. físicas exageradas, ou por provocar algum Este exercício será realizado uma segunda vez, com movimentos criados por tipo de constrangimento para o grupo. Sinta-se a vontade para orientar a outros cinco alunos e repetidos por toda a turma. experiência e solicitar que algum gesto seja adaptado às possibilidades do grupo ou até substituído por outro que lhe parecer mais adequado.

Você e seus colegas conseguiram executar a sequência seguindo as orientações e criando novos gestos? Agora, tente outros desafios. 1

Com os colegas, realize essa proposta com um maior número de ações.

2

Aumente o número de movimentos da sequência para seis ou mais. Quantos movimentos você e os colegas conseguem aprender e guardar de memória?

142 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 142

6/23/15 4:03 PM


Joana Resek/Arquivo da editora

Para entender como os movimentos devem ser encadeados, veja este exemplo, que se baseia nos dois primeiros movimentos de Accumulation, de Trisha Brown.

O aluno 1 cria o movimento A, enquanto os demais observam.

Todos repetem o movimento A.

O aluno 2 repete o movimento A e, em seguida, cria o movimento B. Os demais observam.

Todos repetem o movimento A.

Todos repetem o movimento B.

CADERNO DE PROJETOS â&#x20AC;˘ 143 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 143

6/23/15 4:03 PM


Nesta proposta é importante usar como trilha sonora uma música que tenha uma sonoridade repetitiva (ou que trabalhe com o princípio de acumulação) e uma pulsação clara, que sustente os movimentos criados. Essa música pode servir apenas para esta atividade ou ser aproveitada também na apresentação final. Veja algumas sugestões nas orientações específicas para este projeto, ao final do volume.

O tempo necessário para realizar esta atividade pode variar de acordo com o grupo. Observe os movimentos dos alunos e encoraje-os com sugestões que os ajudem a explorar novas possibilidades e a obter maior clareza em seus gestos. É importante que os alunos sejam estimulados a mudar a posição de início de cada ação, assim como o modo como estão instalados, experimentando variantes. Por exemplo, se estiverem no chão, lembre-os de que podem experimentar deitar de costas, sobre o lado, com as pernas dobradas ou alongadas, etc. Ao longo da atividade, esta posição pode ir se transformando de acordo com a improvisação, levando o estudante a transitar por outros níveis do espaço, do mais baixo ao mais alto ou vice-versa. Diga aos alunos que eles podem começar sentados e descer ao chão, ou do chão chegar à posição vertical, por exemplo; o mais importante é que realizem as mudanças de nível sem interromper a dança. São os gestos que os alunos realizam que os levarão a mudar de nível. Para estimular o trabalho de experimentação, você pode enunciar as partes do corpo que deverão iniciar as ações, sempre dando o tempo necessário para que cada aluno descubra um modo próprio de fazer o movimento. Você pode também convidar um aluno a conduzir oralmente a atividade, sugerindo partes do corpo para iniciar os movimentos. Proponha ainda que o grupo explore e alterne gestos cotidianos como designar, acenar, abanar-se, saltar, andar, etc. com outros movimentos. Não é preciso ter pressa. Preste atenção para que os gestos não sejam todos feitos sempre em um mesmo tempo ou velocidade, ou em uma mesma amplitude espacial. É importante que os alunos percebam que podem igualmente variar as partes do corpo engajadas, começando pela metade superior ou inferior. Podem também variar a energia empregada em cada movimento (movimentos leves ou fortes, lentos ou rápidos, em trajetória ou súbitos, com trajetos diretos ou indiretos, etc.).

explorar movimentos Uma peça de dança por acumulação pode associar movimentos originados em diferentes partes do corpo, um de cada vez. Vamos descobrir as diferentes possibilidades que cada parte do corpo nos permite? Você pode fazer esta atividade em pé, sentado ou deitado. Escolha um lugar na sala com espaço suficiente para abrir braços e pernas, caso tenha vontade.

movimentos com a parte superior do corpo Em um primeiro momento, vamos explorar movimentos iniciados em regiões e articulações da metade superior do corpo, como os braços, cotovelos, punhos, mãos, dedos, cabeça, ombros ou alto do peito. Tente descobrir que movimentos cada uma dessas partes do corpo pode fazer, realizando um movimento de cada vez. Por exemplo, de pé, com os braços relaxados ao longo do tronco, leve o dedo indicador direito para frente, deixando que ele carregue o antebraço e o braço, como se você apontasse para um ponto que está a sua frente, até que o braço fique paralelo ao chão. Sustente essa posição por alguns segundos, sempre apontando com o dedo, e depois baixe o braço até que ele volte a ficar relaxado junto ao tronco. Perceba todo o trajeto que o dedo faz para apontar para a frente, desde a posição de partida até a de chegada desse movimento. Como o resto do corpo reage a essa ação iniciada pelo dedo? Então, você vai experimentar distintos movimentos, buscando iniciá-los por diferentes partes ou articulações da metade superior do corpo. Busque também variar a posição do seu corpo. Se você começou em pé, experimente fazer esses movimentos sentado ou deitado.

movimentos com a parte inferior do corpo Em um segundo momento, você vai realizar a mesma proposta explorando movimentos que se iniciam com partes e articulações da metade inferior do corpo: pélvis, quadris, coxas, joelhos, pernas, tornozelos, pés e artelhos. Não deixe de variar sua posição inicial: experimente fazer movimentos em pé, sentado e deitado.

Reflita sobre a atividade com base no roteiro oferecido a seguir. w Você se lembrou de explorar movimentos à direita e à esquerda? w Qual foi a parte do corpo que você mais utilizou? w Você preferiu trabalhar em pé, sentado ou deitado? w Ao realizar os movimentos com a metade inferior, como ficou seu equilíbrio? w Partir da posição deitada auxiliou você a explorar outros movimentos das pernas? Por quê?

144 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 144

6/23/15 4:03 PM


compor a sequência Agora que você já teve várias experiências corporais e explorou diferentes movimentos e possibilidades de encadeamento, é hora de compor uma peça de dança e memorizá-la. A turma se dividirá em grupos de seis alunos, que vão criar uma sequência de dança composta de seis gestos. Cada integrante do grupo deve propor um gesto. Como no exercício feito na primeira etapa, cada um será responsável por um movimento e saberá em que momento da sequência seu gesto vai entrar. Esta sequência de seis movimentos deve ter ao menos: v

um gesto muito lento;

v

um gesto originado da parte inferior do corpo;

v

um gesto originado da parte superior do corpo;

v

um gesto cotidiano.

Que tal se um dos grupos experimentasse criar uma dança de acumulação que começasse na ‘posição deitada no chão’ ou ‘sentada na cadeira’? Se houver condições na sala para isso, pode ser uma ideia interessante a explorar.

encontre seu movimento Primeiro defina com seu grupo em que momento da sequência seu movimento entrará. Em seguida, encontre um lugar confortável no espaço e explore alguns gestos, buscando na memória movimentos que você gostou de fazer nas propostas anteriores. Faça-os algumas vezes e escolha um. Então, repita esse movimento algumas vezes, buscando fazê-lo com precisão e clareza. Observe como o resto do corpo se organiza enquanto faz o movimento. Como estão seus pés? Qual é sua posição de base? Experimente mudar a velocidade. Você consegue acelerar o movimento sem perder a precisão? Como é executar o movimento lentamente, como se estivesse em câmera lenta?

componha a sequência com o grupo

É importante acompanhar cada grupo em seu processo para garantir que a composição seja rica e diversificada. Estimule os alunos a variar as partes do corpo que são colocadas em ação, alternando movimentos da metade superior e da metade inferior do corpo. Encoraje-os também a realizar movimentos que possam se diferenciar quanto à energia e à velocidade empregadas – alguns movimentos serão mais suaves, outros mais vigorosos, ou ainda feitos lenta ou rapidamente –, de modo que o conjunto de gestos de cada grupo seja bem variado.

Agora você vai se reunir com seu grupo para apresentar o gesto que escolheu e buscar juntá-lo aos demais. É importante lembrar que, a cada vez que um movimento é apresentado, é preciso repetir os anteriores. Os exemplos a seguir são algumas das possibilidades de se posicionar no espaço.

Todos em linha, voltados na mesma direção e sentido, um ao lado do outro.

Joana Resek/Arquivo da editora

v

caderno de projetos • 145 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 145

6/23/15 4:03 PM


Em forma de triângulo.

v

Em semicírculo.

v

Na diagonal, como uma escada.

v

Três alunos atrás e três na frente, intercalados (de costas ou de frente).

Ilustrações: Joana Resek/Arquivo da editora

v

Avalie com os colegas de grupo a construção da sequência seguindo o roteiro abaixo. Com base nisso, será possível fazer ajustes na sequência. w Foi difícil juntar um gesto ao outro? w A ordem escolhida facilitou o encadeamento dos movimentos? w A sequência ficaria mais interessante caso a ordem dos movimentos mudasse? w A sequência cumpre o requisito de ter ao menos um gesto muito lento, um gesto da parte inferior do corpo, um gesto da parte superior do corpo e um gesto cotidiano? w O grupo vai usar alguma música como trilha sonora? Qual? w Como o grupo pode se distribuir no espaço para dançar?

146 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 146

6/23/15 4:03 PM


ensaiar e organizar a dança no espaço Você participará agora de uma aula ensaio para acertar alguns detalhes, melhorar a precisão de certos movimentos e aprimorar a consciência dos espaços ocupados. Agora que a sequência está pronta, repita-a com os colegas de grupo várias vezes até que a ordem dos movimentos, o ritmo e as direções espaciais estejam bem claras. Lembre-se de que, ao final do último movimento, é preciso voltar ao primeiro e recomeçar a dança. Se o grupo achar apropriado, é possível escolher um colega para observar de fora apenas algumas vezes, atuando de ensaiador. Em seguida, outro colega assume essa função. Todos os grupos vão dançar as suas sequências ao mesmo tempo, e cada grupo deve ocupar bem o seu espaço.

Se possível, esta etapa deve acontecer no local da apresentação.

compartilhe com a turma Durante os ensaios, cada grupo vai mostrar sua sequência ao restante da turma. Ajude os colegas de outros grupos, sugerindo correções e possibilidades de melhoria. Você pode comentar se algum gesto poderia ficar mais preciso, se o espaço está sendo bem ocupado na configuração escolhida, entre outros aspectos. Em seguida, converse com o professor e a turma sobre o local para apresentação dessa dança por acumulação que vocês criaram. Lembre-se de que Trisha Brown levava a dança para fora dos teatros.

apresentar a dança A apresentação do resultado do trabalho para o público é um momento muito importante. É preciso que o grupo esteja aquecido e concentrado. Se possível, combine com a turma que todos venham com um figurino próprio para a apresentação. Para manter o espírito do trabalho de Trisha Brown, ele deve ser bem simples e confortável. Busque vestir calça e camiseta ou blusa que permitam movimentos amplos. Uma possibilidade é que cada grupo se identifique usando camisetas de uma mesma cor. Depois da apresentação, convide o público para uma conversa. Ouça os comentários e as impressões dos espectadores e aproveite para contar um pouco a respeito do processo de trabalho e da inspiração nas obras de Trisha Brown. Você pode também fazer perguntas ao público, por exemplo: perguntar se os espectadores já tinha assistido a esse tipo de dança; se alguém percebeu o princípio de organização das sequências; etc.

Há algumas alternativas de apresentação das sequências para o público. Você é a pessoa mais indicada para saber o que será mais interessante e viável para a turma. É possível, por exemplo, distribuir os grupos pelo espaço e sugerir que todos comecem as sequências ao mesmo tempo, repetindo-a no mínimo dez vezes, sem pressa. Como cada sequência tem uma duração própria, a turma iniciará junta, mas cada grupo terminará em um momento diferente. Cada grupo que termina pode se retirar do espaço ou permanecer parado, até que a última sequência se encerre. Outra possibilidade é fazer com que os grupos comecem em cânone. Por exemplo, o grupo 1 inicia sua sequência sozinho; quando for repeti-la, o grupo 2 começa sua sequência, e assim por diante. Os grupos entram “por acumulação”, assim como a composição dos movimentos. Essas alternativas, assim como outras que você e a turma criarem, podem ser repetidas mudando a posição no espaço – por exemplo, com os alunos voltados de costas depois de ter se apresentado de frente. Defina como a apresentação terminará e, caso haja palmas, como a turma fará o agradecimento (todos juntos, grupo por grupo, etc.). Se vocês optarem por trabalhar com música, faça um teste para se certificar de que o volume da reprodução está adequado ao espaço.

Caso a apresentação seja filmada, reserve um momento para que a turma assista junta ao trabalho realizado.

caderno de projetos • 147 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_P2_138a147.indd 147

6/23/15 4:03 PM


jeitOs de mudar o mundO O racismO nO Brasil Confira, nas orientações no fim do volume, algumas indicações de bibliografia complementar a respeito de racismo, relações raciais, movimentos sociais negros e ações afirmativas no Brasil.

Membros do Educafro em protesto contra o baixo número de modelos negros no Rio Fashion Week, no Rio de Janeiro, em 2012.

Em meados do século XX, o Brasil era visto pela comunidade internacional como um exemplo de nação sem racismo. Dentro do país, o governo, intelectuais e parte da imprensa difundiam a ideia de que não havia discriminação porque o povo brasileiro era fruto da “miscigenação de raças”. Em 1949, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) financiou pesquisas para entender melhor esse fato e comprová-lo. Porém, os estudos apontaram o contrário: havia racismo no Brasil, mas ele era dissimulado. Ou seja, as pessoas tinham atitudes racistas no cotidiano, embora não o reconhecessem. Naquela época já havia pessoas e entidades combatendo o racismo. A Frente Negra Brasileira (FNB), criada em 1931, foi um importante marco na luta pela igualdade de direitos e por uma maior participação dos negros na sociedade brasileira. Mais tarde, o Movimento Negro Unificado (MNU), fundado em 1978, alimentou o orgulho da herança negra e possibilitou importantes conquistas para a população afrodescendente nas décadas seguintes. Entre elas, a criminalização do racismo, o direito à posse das terras dos remanescentes dos quilombos, a política de cotas para negros nas universidades públicas e a obrigatoriedade do estudo da história e da cultura dos povos africanos e afro-brasileiros nas escolas de ensino básico. Em 2003, o dia 20 de novembro foi oficialmente instituído como Dia da Consciência Negra. Marcelo Cortes/Fotoarena

148 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_JM_148a149.indd 148

6/23/15 4:02 PM


Reprodução/Irish Charity Trócaire

Desinventar O racismO Sabe-se que ao menos desde o século XVII foram inventados argumentos racistas para tentar justificar atos como a escravidão e a dominação de um povo por outro. Leia a seguir o trecho de um texto do geneticista Sergio Pena a esse respeito:

O conceito das diferenças biológicas das “raças” se infiltrou paulatinamente em nossa cultura, assumindo quase uma qualidade de elemento fundamental e indispensável da mesma. Estava criado o solo fértil onde germinariam as calamitosas ideologias do nazismo [na Alemanha] e do apartheid [na África do Sul]. O genial poeta Chico Buarque de Holanda sugere na canção “Apesar de você”: “Você que inventou a tristeza, / ora, tenha a fineza / de desinventar...” Parafraseando-o, podemos dizer que, se a cultura ocidental inventou o racismo e as raças, temos, agora, o dever de desinventá-los!

Cartaz pelo fim do apartheid na África do Sul, século XX. Enquanto vigorou, o apartheid negou diversos direitos à população negra.

u

Fernando Rabelo/Folhapress

PENA, Sergio. O DNA do racismo. Revista Ciência Hoje, [S.l.]: 2008. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/deriva-genetica/o-dna-do-racismo>. Acesso em: 9 mar. 2015.

Nazismo: ideologia que, entre outras coisas, defendia que a suposta raça ariana era superior às outras. A ditadura nazista alemã matou e usou o trabalho forçado de milhões de pessoas nos anos 1930 e 1940.

O teatrO DO negrO Uma das figuras mais notórias do movimento negro no Brasil foi o ativista político, ator, diretor e dramaturgo Abdias do Nascimento (1914-2011). Nos anos 1940, Abdias se incomodava por não ver atores negros nos palcos brasileiros. Até mesmo os papéis de personagens negros de destaque eram representados por atores brancos com o rosto pintado. Ele se perguntava: não seria esse um sinal de que o Brasil não era uma democracia racial? Para enfrentar essa questão, Abdias do Nascimento fundou em 1944, no Rio de Janeiro, o Teatro Experimental do Negro (TEN). Abdias do Nascimento, Rio de Janeiro, 2010. Além de militante da causa negra, foi senador, pintor, escritor, dramaturgo e poeta.

Sob orientação do professor, reúna-se com alguns colegas de turma e realize as atividades a seguir. 1

Faça um levantamento sobre a cena cultural atual do Brasil. Que atores, cineastas, modelos, dançarinos, músicos e artistas visuais negros você conhece? Resposta pessoal.

2

Pesquise canções, poemas e performances realizados no Brasil que denunciam atos de racismo ou que defendem de alguma forma a igualdade racial.

3

Organize com seu grupo uma performance na escola que chame a atenção para o combate ao racismo.

2. Alguns exemplos: as canções “A mão da limpeza”, de Gilberto Gil, que trata de estereótipos sobre o negro no Brasil; “Manhatã”, de Caetano Veloso, que fala da questão indígena; “Canto das três raças”, de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, interpretada por Clara Nunes, sobre a opressão de indígenas e africanos durante a formação da sociedade brasileira; “A carne”, de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Wilson Cappellette, interpretada por Elza Soares, sobre violência e disparidade salarial; o poema “Navio negreiro”, de Castro Alves; a maior parte da obra poética de Solano Trindade; os vídeos da campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional.

149 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_JM_148a149.indd 149

6/23/15 4:02 PM


Filme Música Peça teatral Espetáculo de dança Museu

CANTON, Katia. Espelho de artista. São Paulo: Cosac Naify, 2009. (Coleção Mundo de artista.)

Este livro mostra uma seleção de diferentes formas de autorretrato com o intuito de refetir sobre como os artistas visuais registram e compreendem sua presença no mundo. WALKER, Lucy. Lixo extraordinário. Brasil/Reino Unido, 2010 (99 min.). O flme acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Com o objetivo de retratar os catadores de lixo que trabalham no aterro, Vik coordena um trabalho de construção de imagens com base em objetos recolhidos no próprio local. Saatchi Gallery. Disponível em: <www.saatchigallery.com>. Acesso em: 25 mar. 2015. Na página virtual (em inglês) desta galeria britânica, é possível encontrar imagens de outras esculturas de Ron Mueck. Procure o menu “Artists A-Z” e selecione o nome do artista.

Esse museu em São Paulo tem dez esculturas do artista francês Auguste Rodin em seu acervo – entre elas, L’Homme qui marche sur colonne [O homem que caminha sobre coluna], de 1877 (bronze, 354 cm × 40 cm × 59 cm). Algumas delas fcam em exposição em qualquer época do ano. Mais informações no site: <www.pinacoteca.org.br>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Capítulo 2 • o corpo nA Arte ARAUJO, Leusa. Tatuagem, piercing e outras mensagens do corpo. São Paulo: Cosac Naify, 2006. Reprodução/Editora Cosac Naify

Capítulo 1 • A representAção do corpo

casa com um homem bem mais velho, cheio de mistérios. SOLBERG, Helena; MEYER, David. Bananas is my business. Brasil, 1995 (92 min.). Reprodução/Orion Home Video

Site

Daniel Cymbalista/Pulsar Imagens

Livro

Reprodução/Editora Cosac Naify

explore também

Pinacoteca do Estado de São Paulo (Praça da Luz, 2, Luz, São Paulo, SP).

O livro aborda a história da tatuagem e do piercing de cinco mil anos atrás até os dias de hoje, em que aparece não só como marca distintiva de grupos étnicos ou sociais, mas também como moda. No apêndice há um glossário visual com o signifcado de alguns símbolos tradicionais. BARBOSA, Rogério Andrade. O segredo das tranças e outras histórias africanas. São Paulo: Scipione, 2008. O livro reúne contos de cinco países de língua portuguesa na África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O conto “O segredo das tranças”, de Angola, narra a história de uma jovem viúva que se

O flme narra a vida e a carreira da cantora Carmen Miranda misturando flmagens da época e cenas de fcção. A obra mostra o sucesso da artista nos teatros da Broadway e nos filmes de Hollywood, nos Estados Unidos, nos anos 1940, e a importância de Carmen para uma geração de brasileiros e norte-americanos. Enciclopédia dos Povos Indígenas do Brasil. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/ pt>. Acesso em: 25 mar. 2015. Site com informações diversas sobre centenas de povos indígenas que vivem no Brasil, incluindo suas manifestações artísticas e formas de pintura corporal. Museu do Índio (Rua das Palmeiras, 55, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ). O Museu do Índio, da Fundação Nacional do Índio (Funai), tem como objetivo preservar e promover o patrimônio cultural indígena. Seu acervo é constituído de mais de quinze mil peças de diferentes sociedades indígenas. Além disso, o museu tem uma biblioteca especializada e promove eventos. Mais informações pelo site: <www. museudoindio.gov.br>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Capítulo 3 • A roupA e A Arte CANTON, Katia; CARVALHO, Flávio de. Fantasias. São Paulo: Martins Fontes, 2004. (Coleção Poesia Brasileira.) A autora deste livro criou poemas para acompanhar os dese-

150 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_PF_150a152.indd 150

6/23/15 4:04 PM


Capítulo 4 • A performance RIBEIRO, Marcelo. Gente de Minas – Itamogi e a congada, 2013 (62 min.). Depois de apresentar a cidade de Itamogi, em Minas Gerais, e seus moradores, o flme traz imagens e depoimentos a respeito da congada ali realizada. Enciclopédia Itaú Cultural, verbete Hélio Oiticica. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa48/hélio-oiticica>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Reprodução/Rioflme

A enciclopédia virtual do Itaú Cultural traz biografas, obras e textos críticos sobre importantes nomes das artes visuais, do teatro e da dança no Brasil. Neste link, você encontra um verbete detalhado sobre o artista carioca Hélio Oiticica, além de imagens de suas obras.

Todo o material educativo da exposição "Ocupação Zuzu" Angel, realizada pelo Itaú Cultural em 2014, está disponível neste site. Entre os itens, pode-se encontrar o catálogo da mostra em versão digital.

Fernando Bueno/Tyba

Museu da Moda (MUM) (Avenida Ernani Kroeff Fleck, 1810, Canela, RS).

Fernando Zamora/Futura Press

Ocupacão Zuzu Angel. Disponível em: <http://sites.itaucultural.org. br/ocupacao/#!/pt/artistas/471/ zuzu-angel/1/inicio>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Terra Comunal – Marina Abramović + MAI

Encontroteca. Disponível em: <www.encontrodeculturas.com. br/encontroteca>. Acesso em: 25 mar. 2015. O site Encontroteca é uma biblioteca virtual que reúne material audiovisual de manifestações culturais populares de diversas regiões do Brasil. Você pode pesquisar histórias e tradições em risco de desaparecer, bem como músicas, danças e festas que continuam fazendo parte da vida de milhares de brasileiros.

Capítulo 6 • dAnçA contemporâneA Em 2015, o Sesc Pompeia, em São Paulo (SP), realizou uma mostra retrospectiva da performer sérvia Marina Abramović.Você pode pesquisar mais informação sobre esta exposição no site: <http://terracomunal.sescsp. org.br>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Capítulo 5 • dAnçAs populAres LOPES, Fabiana Ferreira. Maracatu nação. São Paulo: SM, 2013.

Neste museu é possível entrar em contato com quatro mil anos da história do vestuário feminino. As peças em exposição foram confeccionadas seguindo os parâmetros de cada época, com base em pesquisa realizada pela estilista Milka Wolff e pela curadora Débora Elman. Mais informações no site: <www.museudamodadecanela. com.br>. Acesso em: 25 mar. 2015.

Neste musical sobre a obra de Antônio Nóbrega, fcção e documentário se misturam. Os personagens João Sidurino e Rosalina – das peças Brincante e Segundas histórias – conduzem o espectador em uma apresentação de diversas expressões culturais brasileiras.

O livro trata do maracatu nação no carnaval do Recife (PE). Ao som de bumbos, tambores e chocalhos, brincantes vestidos de reis, rainhas e damas do paço saem pelas ruas encenando um cortejo de coroação. LOPES, Fabiana Ferreira. Bumba-boi. São Paulo: SM, 2013. A brincadeira de bumba-boi no Nordeste do país é o tema deste livro. Leia para conhecer a história do boi desejado, perseguido, morto e ressuscitado. CARVALHO, Walter. Brincante. Brasil, 2014 (92 min.).

WENDERS, Wim. Pina. Alemanha, 2011 (103 min.).

Reprodução/Midas Filmes

FERREIRA Lírio; CALDAS, Paulo. Baile perfumado, 1997 (93 min.).

O flme conta a história de Virgulino Ferreira (Luiz Carlos Vasconcelos), o Lampião, pelo ponto de vista do imigrante libanês Benjamin Abrahão (Duda Mamberti). Comerciante e jornalista, Abrahão fotografou e flmou o cangaceiro e seu bando.

Reprodução/Espaço Filmes

nhos feitos pelo artista Flávio de Carvalho, em 1953, para os fgurinos do balé A cangaceira. Juntos, texto e imagem compõem fguras alegóricas como o político, o farmacêutico, a feiticeira, o homem santo, o fantasma da horta e outros seres mitológicos.

O flme presta uma homenagem à coreógrafa alemã Pina Bausch, com trechos de suas obras apresentados pela sua companhia de dança e pequenas peças criadas pelos próprios bailarinos. Filmado em tecnologia 3D. Idanca. Disponível em: <http://idanca. net/>. Acesso em: 25 mar. 2015. Este site reúne informação, programação, textos e documentos sobre a dança contemporânea e as artes do movimento. BOGÉA, Inês. O livro da dança. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002. Com base em suas experiências de juventude, a autora apresenta neste livro fundamentos e fguras importantes da ginástica olímpica, da capoeira e do balé.

151 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_PF_150a152.indd 151

6/23/15 4:04 PM


bibliografia ARTES VISUAIS ALBERS, Josef. A inteiração da cor. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. ALVES, José Francisco. Transformações do espaço público. Porto Alegre: Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, 2006. ARAÚJO, Emanuel. A mão afro-brasileira: signifcado da construção artística e histórica. São Paulo: Tenege, 2010. ARGAN, Giulio Carlo. História da Arte italiana; Da Antiguidade a Duccio. V. 1. São Paulo: Cosac Naify, 2003. BOSUALDO, Carlos (Org.). Tropicália: uma revolução na cultura brasileira (1967-1972). São Paulo: Cosac Naify, 2007. CARDOSO, Rafael. A arte brasileira em 25 quadros (1790-1930). Rio de Janeiro: Record, 2008. . Uma introdução à história do design. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2008. DIENER, Pablo. A América de Rugendas: Obras e documentos. São Paulo: Estação Liberdade/Kosmos, 1999. EISNER, Will. Quadrinhos e a arte sequencial. São Paulo: Martins Fontes, 1999. GASPAR, Maria Dulce. A arte rupestre no Brasil. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. GOMBRICH, E. H. História da Arte. 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. HOLLANDA, Heloísa Buarque de (Org.). Pós-modernismo e política. Rio de Janeiro: Rocco, 1991. KRAUSS, Rosalind E. Caminhos da escultura moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1998. LAGNADO, Lisette; PEDROSA, Adriano (Ed.). 27ª Bienal de São Paulo: como viver junto. São Paulo: Fundação Bienal, 2006. LAGROU, Els. Arte indígena no Brasil. Belo Horizonte: C/Arte, 2009. LUCIE-SMITH, Edward. Os movimentos artísticos a partir de 1945. São Paulo: Martins Fontes, 2006. MANCO, Tristan; NEELSON, Caleb. Grafti Brasil. Londres: Thames and Hudson, 2005. MEGGS, Philip B. História do design gráfco. São Paulo: Cosac Naify, 2009. OITICICA, Helio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1986.

OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. O Aleijadinho e o santuário de Congonhas. Brasília: Iphan/Monumenta, 2006. ROGERS, Richard. Cidades para um pequeno planeta. Barcelona: Gustavo Gilli, 1997. SCHWARCZ, Lilia; PEDROSA, Adriano (Org.). Histórias mestiças: antologia de textos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2014. TASSINARI, Alberto. Espaço moderno. São Paulo: Cosac Naify, 2001.

MÚSICA BENNET, Roy. Uma breve história da música. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986. CAGE, J. De segunda a um ano. São Paulo: Hucitec, 1985. FONTERRARA, Marisa. De tramas e fos – Um ensaio sobre música e educação. 2. ed. São Paulo: Unesp, 2008. SCHAFER, Murray R. Educação sonora. São Paulo: Melhoramentos, 2009. . O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991. SEVERIANO, Jairo. Uma história da música popular brasileira: das origens à modernidade. São Paulo: Editora 34, 2008. SOUZA, Jusamara. Aprender e ensinar música no cotidiano. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2009. SWANWICK, Keith. Música, mente e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. VIANNA, Hermano. O mistério do samba. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

DANÇA ANDRADE, Mario de. Danças Dramáticas no Brasil. Rio de Janeiro: Itatiaia, 2002. BOGÉA, Inês (Org.). Oito ou nove ensaios sobre o Grupo Corpo. Fotografas José Luiz Pederneiras. São Paulo: Cosac Naify, 2001. BOUCIER, Paul. História da dança no Ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 1978. CANONGIA, Ligia. O legado dos anos 60 e 70. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. GOLDEBERG, RoseLee. A arte da performance – Do futurismo ao presente. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

LABAN, Rudolf. O domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978. MATOS, Lucia. Dança e diferença – Cartografa de múltiplos corpos. Salvador: EDUFBA, 2012. MONTEIRO, Marianna. Dança popular: espetáculo e devoção. São Paulo: Terceiro Nome, 2011. NORA, Sigrid (Org.). Temas para a dança brasileira. São Paulo: Sesc, 2010. PEREIRA, Roberto (Org.). Ao lado da crítica – 10 anos de crítica de dança: 1999-2009. Rio de Janeiro: Funarte, 2009. 2 v. Disponível em: <www.funarte.gov. br/edicoes-on-line/>. Acesso em: 5 jun. 2015.

TEATRO BRECHT, Bertolt. Teatro completo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 12 v. BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. São Paulo: Cosac Naify, 2013. CARVALHO, Sérgio de; MARCIANO, Márcio. Cia do Latão: 7 peças. São Paulo: Cosac Naify, 2008. COSTA, I. C. A. Hora do teatro épico no Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. São Paulo: Papirus, 2001. KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2006. MAGALDI, Sábato. Iniciação ao teatro. São Paulo: Ática, 2006. RODRIGUES, Nelson. Teatro completo – Peças psicológicas. V. 1. São Paulo: Nova Fronteira, 2004. SHAKESPEARE, William. Shakespeare – Obras escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 2008. SPOLIN, Viola. Jogos teatrais para a sala de aula: um manual para o professor. São Paulo: Perspectiva, 2007.

AUDIOVISUAL FRESQUET, Adriana. Cinema e educação. Belo Horizonte: Autêntica editora, 2013. MARCEL, Martin. A linguagem cinematográfca. Belo Horizonte: Itaiaia/ Melhoramentos, 1993. REIS, Joari. Breve história do cinema. Pelotas: Educat, 2002.

152 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_PF_150a152.indd 152

6/23/15 4:04 PM


manual do

professor o

arte - 6 ano

Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 153

6/23/15 5:37 PM


sumário

ApresentAção

155

Explore

orientAçõespedAgógicAs gerAis

156

O ensino de Arte na escola brasileira: algumas referências

156

Percursos teóricos e metodológicos

157

O ensino da Arte

158

Interculturalidade

159

6o ano – Corpo (Identidade)

160

7o ano – Cidade (Cidadania)

161

8o ano – Planeta (Meio ambiente)

161

9o ano – Ancestralidade (Diversidade cultural)

162

Transdisciplinaridade Organização da obra Estrutura geral dos volumes e estratégia pedagógica Abertura

Seis temas de arte

Abertura de capítulo

Começando por Você Painel

Fala o/a Artista

Pensando com a História Hora da Troca Debate

Teoria e Técnica Atividades

Autoavaliação

162

Caderno de Projetos

Projeto 1 (interdisciplinar) Projeto 2 (de linguagem) Jeitos de Mudar o Mundo Explore Também CD de áudio

Estrutura de conteúdos de cada volume 6 ano – Identidade o

7o ano – Cidadania

8o ano – Meio ambiente

165 165 165 165 165 166 166 166 166 166 167 167

9o ano – Diversidade cultural

168

As linguagens artísticas na coleção

168

163

O ensino da linguagem visual e audiovisual 169 no Ensino Fundamental II

163

O ensino da linguagem música no Ensino Fundamental II

171

O ensino da linguagem dança no Ensino Fundamental II

173

O ensino da linguagem teatro no Ensino Fundamental II

174

164 164 164 164 164

Autonomia do professor

176

164

Avaliação em Arte

177

Museus, exposições, espetáculos, filmes e shows

178

orientAçõesespecíficAs

179

bibliogrAfiA

216

164 164 165 165 165

154 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 154

6/23/15 5:37 PM


ApresentAção A música, os estados de felicidade, a mitologia, os rostos trabalhados pelo tempo, certos crepúsculos e certos lugares querem nos dizer algo, ou algo disseram que não deveríamos ter perdido, ou estão a ponto de dizer algo; essa iminência de uma revelação que não se produz é, quem sabe, o fato estético. BORGES, Jorge Luis. La muralla y los libros. Buenos Aires, la nación, 22 oct. 1950. [Tradução dos autores.] Esta coleção para o ensino da Arte foi concebida com o objetivo de apoiar a atividade didática dos professores. Para isso, reunimos e organizamos os temas relacionados à disciplina de modo a abranger conteúdos que contemplem principalmente a diversidade cultural brasileira e as linguagens da dança, da música, do teatro, das artes visuais e das audiovisuais. Disponibilizamos imagens, textos, músicas e sugestões de onde encontrar material para o aprofundamento dos conteúdos tratados. Preocupamo-nos em proporcionar aos alunos a experiência de pensar, interpretar, formular hipóteses e ampliar a visão de mundo em linguagens variadas. Procuramos fornecer também subsídios para uma formação mais abrangente dos estudantes, que envolva, entre outros aspectos, a capacidade de analisar criticamente a realidade. Atualmente, a arte está cada vez mais presente na vida cotidiana, daí a urgência de trazê-la para o ambiente escolar como um dispositivo capaz de envolver os adolescentes e colocá-los em estado de alerta, preparados para a experiência estética, que muitas vezes nos interroga. Quando nos aproximamos desse universo nos vemos entre o conhecido e o desconhecido, e estamos sujeitos a encontrar novos modos de perceber a vida. Nesse sentido, ao se apropriar da coleção, os professores são convidados a mediar esse diálogo, entre os estudantes e a arte, acompanhando os debates, orientando as atividades e trazendo sua bagagem cultural para enriquecer a troca de saberes que deve ocorrer na escola. A fm de auxiliá-los nessa mediação, elaboramos estas Orientações Pedagógicas, que trazem informações complementares, como notas biográfcas, textos que subsidiam os temas propostos nos debates e sugestões de atividades extra. Com isso, pretendemos oferecer, acima de tudo, um incentivo à pesquisa, ao questionamento e à refexão em relação ao processo de ensino-aprendizagem da Arte. Os autores

manual do professor • 155 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 155

6/23/15 5:37 PM


orientAções pedAgógicAs gerAis O ensinO de Arte nA escOlA brAsileirA: AlgumAs referênciAs O ensino formal de Arte no Brasil iniciou-se com a vinda da Missão Artística Francesa, no começo do século XIX. Esse empreendimento patrocinado pelo governo português em 1816 levou à fundação, dez anos mais tarde, da Escola de Belas-Artes na cidade do Rio de Janeiro, à época capital do Brasil. A partir do século XX, as linguagens da arte apareceram na escola regular em disciplinas como desenho, música e ginástica. Seus princípios se baseavam em aprendizado técnico, apoiando-se em cópia de modelos por meio do desenho, no caso das artes visuais, ou técnicas de solfejo, no caso da música. Dança e teatro apareciam como práticas eventuais, associadas, sobretudo, à comemoração de datas festivas. Nos Liceus de Artes e Ofícios, criados a partir da segunda metade do século XIX, o ensino de arte tinha um caráter utilitário. Estes estabelecimentos se destinavam a formar mão de obra da classe operária para o artesanato e a indústria, em fase de crescimento principalmente na primeira metade do século XX. A arte na escola ganha novo impulso com o acolhimento no Brasil das proposições da Escola Nova, fruto da aproximação da psicologia com a pedagogia. Influenciada por pensadores como John Dewey (1859-1952) e Herbert Read (1893-1968), esta corrente metodológica valoriza a expressão do estudante, o desenvolvimento da criatividade e os processos experimentais, sendo a arte um meio de atingir esses objetivos. Destaca-se nesse momento o movimento Escolinhas de Arte do Brasil, centros de formação em arte que tiveram início no Rio de Janeiro por iniciativa de Augusto Rodrigues (1913-1993) e Lucia Valentim (1921). Posteriormente, elas se

tornaram modelo na formação de professores de artes em todo o país. Além disso, a experiência das escolas-parque de Salvador, idealizadas por Anísio Teixeira (1900-1971), puseram as artes em posição de destaque na formação do estudante em tempo integral, passando o foco da repetição da técnica para a realização de projetos. Em Belo Horizonte, destaca-se o trabalho de Guignard (1896-1962) à frente da escola de arte, que manteve cursos livres de desenho, pintura, escultura e artes decorativas nas décadas de 1940 e 1950. Na década de 1960, alguns grupos ligados à arte adotaram uma pedagogia crítica, inspirada nas ideias de Paulo Freire (1921-1997), que valorizavam a cultura popular e local e os saberes do estudante. Entre outras iniciativas importantes estão os Centros Populares de Cultura (CPC) propostos por Oduvaldo Viana Filho (1936-1974) e pela União Nacional dos Estudantes (UNE), em que as linguagens artísticas eram entendidas como um modo de conscientizar as classes populares a respeito de sua posição social e de fomentar a revolução. Embora o golpe militar de 1964 tenha posto fm a essa e outras iniciativas, ainda houve espaço para projetos como o do Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal (1931-2009), buscando igualmente aproximar arte e formação política. No início dos anos 1970, os Domingos de Criação promovidos pelo crítico de arte Frederico Morais (1936) no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ) foram momentos de experimentação e de democratização da arte. Com a Lei n. 5 692, de 1971, a Educação Artística passa a ser obrigatória no currículo da educação básica, entendida como atividade escolar. Essa Educação Artística se dava pela abordagem de conteúdos de música, teatro, dança e

156 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 156

6/23/15 5:37 PM


artes plásticas, em geral sem o aprofundamento adequado, por um professor que deveria ser polivalente. A Lei n. 9 394, de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, institui a obrigatoriedade do ensino de Arte, agora como disciplina, nos diversos níveis da educação básica. Com o fortalecimento de organizações dos arte-educadores e o aumento das pesquisas acadêmicas na área nas últimas décadas, se aprofundam diversas propostas metodológicas para o ensino de Arte. No Brasil, a educadora Ana Mae Barbosa (1941) baseou-se na sistematização realizada no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) para propor a Abordagem Triangular para o ensino da Arte. A proposição, que orienta muitas ações educativas em Arte na atualidade, sugere três eixos de trabalho para o educador: apreciar, contextualizar e fazer. A Abordagem Triangular foi adotada nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), publicados em 1997, que estipulam a necessidade do ensino de quatro linguagens na disciplina de Arte: artes visuais, música, dança e teatro. Na década de 1990, passou-se a questionar também a posição central que as culturas europeia e norte-americana ocupavam tanto nas premissas de ensino de Arte como no repertório apresentado aos estudantes. Pensar o ensino da Arte a partir de uma perspectiva multicultural transformou o currículo escolar de modo a contemplar as diversas culturas que compuseram e compõem nossa sociedade e trouxe para o centro do trabalho discussões étnico-raciais, etárias, de classe, de gênero e de orientação sexual,

assim como as necessidades das pessoas com defciência. Nesse sentido, foi importante a aprovação da Lei n. 10 639, de 2003, que prevê o ensino obrigatório de história e cultura africana e afro-brasileira, e da Lei n. 11 645, de 2008, que estabelece o ensino de história e cultura indígena na Educação Básica. Em 2010, uma nova redação na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determinou uma ênfase nas expressões regionais ao conteúdo da disciplina. As diferentes linguagens artísticas são um território privilegiado para a abordagem desses temas: não apenas são meios de expressão da herança cultural dos povos africanos e indígenas e de seus descendentes, como também são o meio pelo qual essa herança é transformada em matéria de investigação para a arte contemporânea. Nestas primeiras décadas do século XXI, diante de grandes desafos na educação, o ensino de Arte ganha maior importância nas variadas vertentes pedagógicas. As novas tecnologias levaram os processos de ensino-aprendizagem para além do espaço escolar e da oferta restrita de fontes de pesquisa e estudo. Nesse sentido, surge um novo papel para o professor: o de mediador desse processo. Mais do que nunca, fca evidente também a necessidade de reconhecer e valorizar o repertório que o estudante traz ao ambiente escolar e pode compartilhar com seus colegas e professores. Acreditando-se na potência da arte para tratar de temas de relevância ética e estética junto aos jovens, torna-se fundamental enfatizar propostas de caráter transdisciplinar para o ensino da disciplina.

PercursOs teóricOs e metOdOlógicOs Diante desse cenário de complexas demandas pedagógicas, sociais e de formação do estudante/cidadão, a proposta conceitual que apresentamos para o ensino de Arte nos quatro anos do Ensino Fundamental II contempla

a interculturalidade. Para isso, adota uma abordagem curricular transdisciplinar que abarca as diferentes linguagens artísticas, tomando sempre o ensino de Arte como objetivo primeiro.

manual do professor • 157 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 157

6/23/15 5:37 PM


U A

a

ni da

da o

6

ARTE T

RA

E

identidade

8o

AD NS VERSALID

9o

TRALIDA CES DE AN

am m e bi io en te

C I

DE A D ci

CORPO

SI Ú M

PL AN ET A

7o

DANÇA

CA

S PREDOMINAN UAGEN TES LING

S IS AI A U SU IS I V IOV D

Reprodução/Arquivo dos autores

Nesta coleção, os distintos saberes são conectados por quatro grandes temas transdisciplinares, de modo a construir a complexidade do conhecimento contemporâneo de forma progressiva. Propomos como eixos de refexão: a identidade, no volume Corpo (6º ano); a cidadania, no volume Cidade (7º ano); o meio ambiente, no volume Planeta (8º ano); e a diversidade cultural, no volume Ancestralidade (9º ano), segundo o esquema abaixo:

diversidade cultural

TEATRO

O ensino da Arte Consideramos que a Arte, como uma área de conhecimento, está associada ao desenvolvimento cognitivo (BARBOSA, 2010). Desse modo, a proposta metodológica desta coleção se apoia na convicção de que por meio das várias linguagens artísticas é possível provocar o estudante para formas de pensar, interpretar, construir, formular hipóteses e produzir visões de mundo diferenciadas. Através da arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a capacidade criadora de maneira a mudar a realidade que foi analisada. BARBOSA, Ana Mae (Org.). Arte/Educação contemporânea. São Paulo: Cortez, 2010.

158 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 158

6/23/15 5:37 PM


Os quatro livros foram organizados de modo que o estudante possa, a cada capítulo, se aproximar das poéticas artísticas. Para isso, são apresentados exemplos de arte contemporânea mundial e do cânone ocidental, assim como das variadas formas artísticas produzidas em todas as regiões do Brasil, tanto em contextos tradicionais como urbanos. Cada livro é acompanhado por um CD com músicas e gravações relacionadas a obras e textos abordados ao longo do volume: • No CD do 6º ano, predominam exemplos retirados ou inspirados nas culturas tradicionais brasileira, portuguesa e afro-brasileira.

• No CD do 7º ano, as músicas compõem um panorama de expressões contemporâneas das diversas regiões do Brasil.

• No CD do 8º ano, as gravações apoiam os temas tratados nos capítulos dedicados à linguagem música (paisagem sonora, música do mundo, música vocal e música instrumental).

• No CD do 9º ano, as músicas reunidas representam alguns gêneros e ritmos brasileiros. Os livros propõem analisar e discutir exemplos visuais e sonoros, refetir sobre os contextos históricos e sociais das manifestações artísticas, comparar e diferenciar trabalhos artísticos e as abordagens envolvidas em sua produção, ler sobre temas relacionados e fazer levantamentos sobre cultura regional e local. Assim, os estudantes poderão trazer sua bagagem cultural para escola, debater e trocar repertório com os colegas e professores, aprender técnicas e teorias específcas de cada linguagem artística e produzir experiências nas diversas linguagens. Por fm, poderão encerrar cada etapa com a avaliação coletiva da produção da turma e a autoavaliação sobre o processo de ensino-aprendizagem em Arte.

interculturalidade Até o fnal do século XX a chamada cultura ocidental canônica, predominantemente europeia e norte-americana, ocupou o ponto central no ensino de Arte na escola brasileira.

Recentemente, a abordagem multicultural trouxe uma visão mais democrática e inclusiva para a educação, propondo valorizar as singularidades das diversas culturas e respeitar suas diferenças. No entanto, reunir exemplos diversifcados num panorama em que todas as minorias possam se reconhecer não garante a realização de uma educação democrática. Os novos estudos em arte-educação sugerem que é preciso igualmente oferecer ao estudante possibilidades de compreender as relações de força entre as culturas ditas minoritárias e as ditas dominantes, bem como as trocas que ocorrem entre elas. Para esse debate, o conceito de interculturalidade (BARBOSA, 2010; RICHTER, 2007; CANDAU, 2007) cumpre um importante papel, pois propõe uma perspectiva de respeito às diferenças e identidades culturais, e uma atitude integradora, que acolha a singularidade de cada estudante. A cultura é entendida como um contínuo processo de elaboração e trocas, sempre atravessado por relações de poder. A educação multicultural e intercultural deve familiarizar os alunos com as realizações de culturas não dominantes, de maneira a colocá-lo em contatos com outros mundos, e levando-o a abrir-se para a riqueza cultural da humanidade. RICHTER, Ivone Mendes. Multiculturalidade e interdisciplinaridade. In: BARBOSA, Ana Mae (Org). Inquietações e mudanças no ensino da Arte, São Paulo: Cortez, 2007. p. 101.

Esse ponto de partida ético orientou o projeto da coleção, levando-nos a contemplar discussões de gênero, étnico-raciais, de classe e de particularidades socioespaciais nos quatro livros. Buscamos apresentar as manifestações artísticas de grupos culturais de diversas partes do mundo. Entendemos também que o estudante é detentor e produtor de cultura e saberes que devem ser trazidos para o ambiente escolar. Dessa forma, tomamos a diversidade como um dispositivo que pode propiciar uma dinâmica potente para o processo de ensino-aprendizagem. Veja a seguir como as diferentes questões aparecem em cada volume:

manual do professor • 159 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 159

6/23/15 5:37 PM


6º ano – Corpo (Identidade) Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

Pensando com a História – Pintura corporal nos povos indígenas

Refexão com base nas tradições culturais de povos indígenas brasileiros.

Debate – Adorno corporal e identidade

Debate sobre a importância de adornos, tradições culturais e características do cabelo na constituição da identidade individual.

4 – Performance

Debate – Performance, política e diversidade

Debate sobre a performance Dois ameríndios não descobertos visitam o Ocidente, de Coco Fusco e Guillermo Gómez-Peña.

5 – Danças populares

Painel – A dança popular no Brasil

Apresentação do jango e refexão sobre a importância da preservação dos rituais da cultura negra tradicional no Brasil.

Jeitos de Mudar o Mundo

O racismo no Brasil

Refexão sobre a trajetória de Abdias do Nascimento e as motivações que o levaram a fundar o Teatro Experimental do Negro (TEN).

2 – A arte e o corpo

Painel – O corpo fala

Discussão sobre o direito à expressão da sexualidade com base em canção do grupo Secos e Molhados e apresentação cênica de seu vocalista, Ney Matogrosso.

3 – A roupa e a arte

Painel – Histórias do vestuário e da moda Teoria e Técnica

Incentivo aos estudantes do sexo masculino a realizar trabalhos manuais em moda e vestuário, mostrando os exemplos de Lampião e Bispo do Rosário e trazendo as orientações da seção Teoria e Técnica.

3 – A roupa e a arte

Painel – Histórias do vestuário e da moda

Com base na obra de Yinka Shonibare, refexão sobre relações assimétricas no campo da cultura entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, criadas por fatores geopolíticos.

Painel – A dança popular no Brasil

Abordagem de danças populares de várias regiões: dança do pau de ftas, festas de bumba meu boi, ciranda, jongo, maracatu nação e maracatu rural.

Debate – Danças urbanas

Debate sobre danças urbanas, como os “passinhos”, que se originaram nas comunidades do Rio de Janeiro.

Abertura

Levantamento de ideias e discussão sobre limites do corpo e expressão artística com base em imagem de apresentação de Marcos Abranches.

Pensando sem fronteiras

Leitura e discussão do texto “Defciência e autoestima“, de Priscylla Piucco.

Deficiência física

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

2 – A arte e o corpo

5 – Dança popular

Projeto 1 – O corpo

160 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 160

6/23/15 5:37 PM


7º ano – Cidade (Cidadania)

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

3 – A arte e a cidade

Painel – Arte pública e Hora da Troca – Cultura musical urbana

Refexão com base no trabalho de resgate da cultura africana e afro-brasileira feita pelo grupo Olodum a partir da década de 1980, em Salvador.

4 – Intervenção urbana

Painel – Arte de intervir na cidade

Refexão com base na performance Juventude marcada para viver, que chama atenção para a violência contra o jovem negro.

5 – Hip-hop

Debate – Cultura da periferia

Discussão sobre a proposta da Ação Educativa com relação ao protagonismo das mulheres no grafte.

4 – Intervenção urbana

Hora da Troca – Arte na periferia das cidades

Apresentação do trabalho de artistas em áreas periféricas das cidades, tais como a brasileira Mônica Nador e o fotógrafo francês JR, dando visibilidade para esse contexto social.

Painel – Os elementos do hip-hop

Discussão sobre a força estética da cultura hip-hop: o rap, o break e o grafte.

Debate – Cultura da periferia

Debate sobre a importância da cultura da periferia na sociedade contemporânea, com foco em sua capacidade de articular ações solidárias e criar circuitos de troca de conhecimento.

Debate – A favela no cinema brasileiro

Debate sobre os diferentes olhares dirigidos à favela ao longo do tempo.

5 – Hip-hop

6 – A cidade e o audiovisual

8º ano – Planeta (Meio ambiente) Abordagem Capítulo

Classe e particularidades socioespaciais

Étnico-racial

1 – Representação da natureza

Seção

Estratégia

Debate – Olhares sobre a natureza

Refexão sobre a representação da foresta por um artista indígena contemporâneo.

Painel – Música e culturas

Discussão sobre a música dos Xavante e sobre a música e o ativismo do nigeriano Fela Kuti.

Pensando com a História – O chorinho

Leitura e discussão sobre a música produzida pela população afro-brasileira urbana na virada do século XIX para o século XX no Rio de Janeiro.

Hora da Troca – Feitos no Brasil

Refexão sobre arte popular e artesanato no Brasil.

4 – Música do mundo

2 – Objetos para o futuro

manual do professor • 161 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 161

6/23/15 5:37 PM


9º ano – Ancestralidade (Diversidade cultural) Abordagem Capítulo

Seção

Estratégia

Painel – Patrimônio material e imaterial

Debate e discussão sobre as origens afro-brasileiras do samba de roda e do frevo, e sobre a arte kusiwa dos índios Waiãpi. Apresentação e debate da sofsticação técnica da arquitetura moura.

Fala o Artista

Apresentação e discussão sobre texto de mestre de capoeira.

Pensando com a História

Refexão sobre a origem do samba urbano e a infuência da cultura africana nesse contexto.

Debate – Ritos e festas

Debate e discussão sobre o ritual do kuarup dos povos do Xingu e dos rituais mascarados dos povos Dogon, do Mali.

Jeitos de Mudar o Mundo

Valorizar a mulher

Refexão sobre a trajetória de Chiquinha Gonzaga no meio musical do Rio de Janeiro no fnal do século XIX. Sugestão de pesquisa sobre as mulheres brasileiras pioneiras no cenário artístico.

3 – Diálogo com o passado

Painel – Arte e História

Refexão a respeito da valorização da cultura popular pelo movimento tropicalista. Discussão e audição de música da Banda de Pífanos de Caruaru.

Projeto 1 – A ancestralidade

Pensando sem fronteiras

Leitura e discussão do texto de Hermano Vianna, Música do Brasil, em que se valoriza a fgura do palhaço nos folguedos populares e se propõe refexões sobre ele.

Classe e particularidades socioespaciais

Gênero e sexualidade

Étnico-racial

2 – Patrimônio cultural

transdisciplinaridade A coleção lança mão da transdisciplinaridade como base para a organização curricular da disciplina Arte. Diferentemente da interdisciplinaridade, em que conhecimentos de diferentes áreas se sobrepõem, pela transdisciplinaridade (MORIN, 2000) os conteúdos são abordados por meio de temas que perpassam as diferentes áreas de Volume

Tema

conhecimento. Alguns são também chamados de temas transversais. Em nosso projeto elegemos quatro temas de grande relevância para o século XXI: identidade, cidadania, meio ambiente e diversidade cultural. Eles nos orientaram nos enfoques de cada volume e nas escolhas das obras, e podem ser assim defnidos de forma sintética:

Tema transversal

Objetivo

6º ano

Corpo

Identidade

Refetir sobre identidade e diferença.

7º ano

Cidade

Cidadania

Estimular práticas coletivas no espaço público.

8º ano

Planeta

Meio ambiente

Questionar o consumismo e o desperdício de recursos na sociedade.

9º ano

Ancestralidade

Diversidade cultural Reconhecer e valorizar a diversidade cultural da humanidade.

162 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 162

6/23/15 5:37 PM


Na escolha das obras, imagens e músicas, dos artistas e de suas falas, reunimos um conjunto visual, sonoro e textual que nos parece capaz de alertar os sentidos e colocar em discussão, de forma poética, questões relacionadas a esses temas. Como afrma Michael Parsons (2003), é preciso explorar o caráter transdisciplinar da arte: Desde a década de 1960, arte/educadores vêm tentando descrever arte como algo único, diferente de outras disciplinas na escola. Tentam identifcar o que faz o pensamento artístico diferir do científco, do linguístico ou do senso comum. Minha sugestão é que aceitemos o caráter menos estruturado da arte e tiremos proveito disso. O que é mais importante em Arte não é como ela se diferencia de outras disciplinas, mas como podem todas elas ser pensadas em conjunto. É bem verdade que Arte tem características próprias de técnicas, meios, qualidades, princípios e histórias, mas o que realmente conta é o signifcado que as obras carregam e as ideias que expressam. Mesmo que estas ideias sejam encontradas na vida comum e possam ser entendidas de diferentes perspectivas. Precisamos aceitar o fato de que as ideias mais importantes de Arte requerem mais do que arte para serem entendidas.

Por fm, ao optar por organizar o currículo com base em temas transdisciplinares, visamos propiciar ao professor e ao estudante uma atitude interdisciplinar (FAZENDA, 2012) em seu trabalho cotidiano na escola. Entendemos por atitude interdisciplinar uma atitude diante de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera ante os atos consumados, atitude de reciprocidade que impele à troca, que impele ao diálogo – ao diálogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo –, atitude de humildade diante da limitação do próprio saber, atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes, atitude de desafio – desafio perante o novo, desafio em redimensionar o velho –, atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e com as pessoas neles envolvidas, atitude, pois, de compromisso em construir sempre da melhor forma possível, atitude de responsabilidade, mas, sobretudo, de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida. FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas: Papirus, 2012.

PARSONS, Michael. Currículo, arte e cognição integrados. In: BARBOSA, Ana Mae (Org.). Arte/Educação contemporânea. São Paulo: Cortez, 2010.

OrgAnizAçãO dA ObrA estrutura geral dos volumes e estratégia pedagógica

Reprodução/Arquivo dos autores

AbertUrA mapa do corpo

N

E AN T

LINGUAGE

M PR

E DO

MI

transdisciplinaridade

A estrutura de cada livro é composta de três diferentes formatos pedagógicos: Abertura do volume, Temas sobre arte (em seis capítulos) e Projetos (dois projetos). Em cada uma dessas partes, prática e teoria se complementam em diferentes proporções, tanto com propostas que podem ser feitas em um tempo de aula quanto com outras a ser desenvolvidas ao longo de um bimestre ou mesmo um semestre, por exemplo. Essas propostas podem ser apropriadas pelo professor com autonomia. Elas estão estabelecidas conforme o esquema ao lado:

temA

Arte

proJetos interdisciplinar

Linguagem

manual do professor • 163 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 163

6/23/15 5:37 PM


Abertura Para inteirar o estudante do tema do livro, a abertura traz exemplos que suscitam refexões sobre múltiplos aspectos do tema transdisciplinar. Reunimos treze obras de diferentes linguagens, produzidas em épocas e lugares variados, para aguçar os sentidos do estudante e prepará-lo para ver a arte por uma perspectiva integrada do ser humano e sua ação na sociedade. Ao fnal da abertura, há uma proposta de construção de mapa sobre o tema daquele livro (6º ano: Corpo; 7º ano: Cidade; 8º ano: Planeta; 9º ano: Ancestralidade). Trata-se de um convite para que o estudante realize um trabalho visual relacionando seus saberes e percepções sobre o tema.

Seis temas de arte Os assuntos que articulam a linguagem artística e o tema transdisciplinar são tratados nos seis capítulos centrais de cada livro. Os capítulos têm uma estrutura interna fxa, composta de diversas seções, cada uma delas concebida para um propósito pedagógico. Conheça a seguir essa estrutura.

Abertura de capítulo Uma imagem e algumas questões provocam o estudante a pensar no tema que será tratado no capítulo.

Começando por Você Um texto introdutório busca contextualizar o tema a ser estudado e mostrar como ele se relaciona com a vida do estudante. A página se encerra com algumas questões para debate e refexão. Em geral, as imagens nessa seção representam adolescentes e sua vivência cotidiana com a arte.

Painel Nessa seção, uma seleção de obras de arte, fotografas de espetáculos e letras de canções foi agrupada em torno do tema trabalhado ao longo do capítulo. Organizado como uma mostra, esse conjunto convida o estudante a estabelecer

relações entre as obras, com o apoio de textos sucintos e questões que incitam à refexão. As perguntas que fecham a seção podem ser feitas oralmente para turma. Cada uma das obras de arte referidas nessa e nas demais seções do livro recebeu uma “etiqueta” que resume três informações: linguagem (uma ou mais, dependendo da obra), local de nascimento do autor e época de produção (século). Esta sinalização gráfca ajuda o estudante e o professor a localizar rapidamente a obra em seu universo referencial.

Fala o/a Artista Momento em que o estudante pode tomar contato mais direto com o discurso de um dos artistas que tiveram sua obra tratada na seção Painel. Uma afrmação ou uma conjectura, quase sempre extraída de um depoimento, é acompanhada de uma imagem ou uma música a fm de ser analisadas e discutidas pelos estudantes em pequenos grupos. Algumas questões são sugeridas para orientar o trabalho.

Pensando com a História Oferece um texto claro e acessível sobre um tema histórico de alguma forma relacionado às obras apresentadas no Painel. O texto é acompanhado de uma ou mais imagens e, em geral, fornece elementos para o debate proposto mais à frente.

Hora da Troca Essa seção propõe o acesso a sites em que se pode ler, ouvir música, assistir a um vídeo ou apenas percorrer um acervo de imagens relacionado ao tema do capítulo. Depois desse percurso digital por referências internacionais e nacionais, o estudante é convidado a trazer para a sala de aula as próprias referências familiares, locais ou regionais. O professor também é estimulado a contribuir com referências pessoais e da cultura local para esse momento de troca cultural. Por meio desse intercâmbio de referências, estudantes e professor têm a oportunidade de aumentar seu repertório.

164 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 164

6/23/15 5:37 PM


Debate

Projeto 1 (interdisciplinar)

Com base num conjunto de obras visuais ou musicais com relações nem sempre evidentes, são propostas algumas provocações com a intenção de instaurar um debate na classe. O objetivo dessa seção é deixar aforar opiniões contraditórias, evidenciar as diferenças, enfm, abrir espaço para a pluralidade de opiniões e a troca de ideias, sem a obrigação de buscar respostas consensuais. O professor encontra nas Orientações Específcas deste Manual do Professor textos de intelectuais e acadêmicos que podem apoiá-lo em suas refexões sobre os temas tratados nessa seção.

Como atividade de aquecimento, é apresentada uma sugestão de leitura e debate sobre um tema relacionado com o volume, mas ainda não trabalhado em sala. No projeto interdisciplinar em si, os estudantes encontram seis opções de tema para trabalhar em grupos, bem como indicações precisas de procedimento, dicas e estímulos variados. Essas propostas podem ser realizadas em parceria com professores de diferentes disciplinas, de acordo com o tema escolhido pelos grupos. Os temas sugeridos encontram-se, em geral, em territórios fronteiriços, de interesse de diferentes áreas do conhecimento – por exemplo, a representação do corpo de acordo com a Arte e a Ciência, o uso das formas geométricas pela Arte e pela Matemática ou a representação de determinada região de acordo com descrições históricas ou geográfcas e de acordo com a obra de um músico.

Teoria e Técnica Essa seção apresenta ao estudante técnicas, materiais e procedimentos que vão ajudá-lo a desenvolver habilidades em linguagens variadas. Às vezes, os textos também abordam conceitos teóricos sobre o que foi tratado no capítulo.

Atividades Atividades práticas, em linguagens variadas, encerram cada capítulo. Com instruções precisas, abrem um grande leque de possibilidades de trabalhos em grupo e individuais. A maioria das atividades é acompanhada de roteiro de avaliação coletiva.

Autoavaliação Boxe que encerra cada capítulo com perguntas sucintas para estimular o estudante a refetir sobre seu aprendizado.

Explore Boxe que traz indicação de flmes, livros, músicas e sites relacionados ao conteúdo estudado.

Caderno de Projetos A terceira parte de cada livro reúne duas propostas diferentes: um projeto interdisciplinar e um projeto com a linguagem-eixo do volume.

Projeto 2 (de linguagem) O projeto de linguagem consiste num roteiro com instruções precisas para a turma desenvolver um trabalho prático coletivo na linguagem-eixo do volume: Volume

Tema

Linguagem predominante

Projeto disciplinar

6º ano

Corpo

Dança

Projeto dança

7º ano

Cidade

Visual e audiovisual

Projeto audiovisual

8º ano

Planeta

Música

Projeto música

9º ano

Ancestralidade Teatro

Projeto teatro

Além das instruções detalhadas para as diferentes etapas do trabalho, há também ilustrações e dicas. O projeto de linguagem pode ser desenvolvido em diversos encontros, em quantidade que pode variar de acordo com o programa proposto pelo professor. Cada uma das propostas traz referenciais bastante diversos, tais como produções norte-americanas e europeias de vanguarda, contos populares regionais, músicas populares brasileiras e dramaturgia contemporânea brasileira.

manual do professor • 165 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 165

6/23/15 5:37 PM


Jeitos de Mudar o Mundo

A Organização das Nações Unidas (ONU) promove, desde 1990, conferências internacionais para discutir e analisar temas de grande importância para a humanidade, como meio ambiente, gênero, direitos humanos e desenvolvimento social. A educação baseada no respeito ao meio Volume

Tema

Tema transversal

ambiente e às pessoas é fundamental para transformar o mundo num lugar mais justo e sustentável, com qualidade de vida para todos. Essa seção relaciona esses grandes temas com o tema central de cada volume, mostrando exemplos de pessoas que transformaram o mundo com suas ações e apontaram caminhos para o futuro.

Capítulo a que está relacionado

Jeitos de mudar o mundo

6º ano

Corpo

Identidade

4. Performance

Racismo

7º ano

Cidade

Cidadania

4. Intervenção urbana

Cidadania

8º ano

Planeta

Meio ambiente

2. Objetos para o futuro

Meio ambiente

9º ano

Ancestralidade Diversidade cultural 2. Patrimônio cultural

Explore Também Para encerrar cada volume, oferecemos indicações de livros, filmes, sites, festivais, museus, centros culturais e exposições que podem complementar o estudo dos assuntos abordados em cada capítulo. As escolhas foram selecionadas de acordo com as recomendações

Gênero

para a faixa etária correspondente ao Ensino Fundamental II.

cd de áudio Cada um dos livros é acompanhado por uma seleção de músicas e arquivos em podcasts, que são peças centrais no trabalho com a linguagem música.

estrutura de conteúdos de cada volume

Reprodução/Arquivo dos autores

Veja a seguir como é formado cada livro-texto do projeto.

166 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 166

6/23/15 5:37 PM


Ilustrações: Reprodução/Arquivo dos autores

manual do professor • 167 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 167

6/23/15 5:37 PM


Reprodução/Arquivo dos autores

As linguAgens ArtísticAs nA cOleçãO A linguagem pode ser entendida como sistema simbólico constituído de signos. Como linguagem, a arte é um modo singular pelo qual o ser humano refete sobre o mundo e se relaciona com ele. Assim, cada artista opera a seu modo esse jogo simbólico, articulando os elementos sempre de uma maneira singular, construindo uma poética própria. Concebemos esta coleção levando em consideração as discussões que envolvem o ensino das linguagens artísticas e seus códigos e as questões colocadas no cotidiano do professor de Arte. Veja a seguir como articulamos conteúdos teóricos e práticos de modo a enfrentar esses desafos: Como conseguir promover análise, discussão, contextualização, teoria, técnica e produção nas diferentes linguagens artísticas no ensino Fundamental ii? Cada um dos seis capítulos temáticos de cada livro se estrutura da mesma maneira. Após

uma breve atividade de aquecimento com base no repertório dos estudantes, a seção Painel serve de porta de entrada para o tema do capítulo, permitindo leitura, análise e discussão de um conjunto de obras visuais e musicais, e também a leitura de textos acompanhados de imagens no caso da dança e do teatro. No desenvolver do capítulo há textos históricos, propostas que possibilitam troca de repertório entre os estudantes e professores, temas para debate, referências teóricas e informações técnicas. Cada capítulo se encerra com duas atividades em linguagens artísticas predominantes em cada livro. Como trabalhar com as artes visuais, o audiovisual, a música, a dança e o teatro sem caracterizar a polivalência do professor de arte? Os conteúdos e as atividades foram organizados de modo que em cada livro o professor vai identifcar uma linguagem predominante. Em conformidade com isso, o projeto de linguagem

168 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 168

6/23/15 5:37 PM


permite aprofundar a prática em dança no 6º  ano (Corpo), audiovisual no 7º ano (Cidade), música no 8º ano (Planeta) e teatro no 9º ano (Ancestralidade). Entretanto, o universo da arte não pode ser tratado com limites estanques. Como disse o crítico brasileiro Mario Pedrosa (1900-1981): “A arte é exercício experimental da liberdade”. As linguagens artísticas se conectam, se conversam, de modo que também é necessário abordar trabalhos realizados em linguagens híbridas, cada vez mais frequentes na arte contemporânea, como a performance e os objetos plásticos e sonoros, por exemplo. Ana Mae Barbosa comenta a diferença entre o trabalho dos artistas em colaborações que resultam em produções híbridas e o trabalho dos arte-educadores com as linguagens artísticas: Nós, arte-educadores, fcamos perplexos com a riqueza estética das hibridizações de códigos e linguagem operadas pela arte hoje, pois fomos obrigados a combater no Brasil a polivalência na Educação Artística decretada pelo governo ditatorial na década de 1970. A polivalência consistia em um professor ser obrigado a ensinar música, teatro, dança, artes visuais e desenho geométrico, tudo junto, da 5ª série do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, sendo preparado para tudo isso em apenas dois anos nas faculdades e universidades. Combatemos este absurdo epistemológico. Contudo, mesmo naquele tempo, já defendíamos a interdisciplinaridade das artes. Nosso mote era: “Polivalência não é interdisciplinaridade”. A interdisciplinaridade era desejada, embora ainda fosse uma utopia para nós. Agora a arte contemporânea trata de interdisciplinarizar, isto é, pessoas com suas competências específcas interagem com outras pessoas com diferentes competências e criam, transcendendo cada uma seus próprios limites ou simplesmente estabelecendo diálogos. São exemplos o happening, a performance, a body art, a arte ambiental, a video art, a arte computacional, as instalações, a arte na web, etc. BARBOSA, Ana Mae. Arte na educação: interterritorialidade, interdisciplinaridade e outros inter. In: BARBOSA, Ana Mae; AMARAL, Lilian. Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. São Paulo: Sesc-SP/Senac-SP, 2008. p. 23-24.

Em capítulos com temas híbridos, as seções foram duplicadas de modo a oferecer mais de um caminho possível. Assim, por exemplo, no capítulo sobre luz e som (8º ano), o professor licenciado em música pode aprofundar o estudo da linguagem musical e o professor licenciado em artes visuais, o estudo da cor. Em outros capítulos, a temática impõe a interdisciplinaridade. É o caso dos que trabalham com patrimônio cultural (9º ano) e hip-hop (7º ano), em que música, dança e artes visuais precisam ser tratadas de forma conjunta. Como o professor pode trabalhar com temas e linguagens artísticas de acordo com suas competências individuais? No material reunido nessa coleção o professor e o estudante vão encontrar situações variadas de ensino-aprendizagem. Isso permite que se apropriem delas com autonomia, decidindo que linguagens, debates e projetos querem explorar, criando um diálogo com os vastos territórios da arte e da cultura.

O ensino da linguagem visual e audiovisual no ensino fundamental ii Levando em consideração o impacto das novas tecnologias e da mídia no cotidiano dos jovens nesse século, diversos educadores passaram a defender a abordagem para o ensino de Arte denominada cultura visual. De forma geral, essa vertente, frequentemente vinculada à antropologia e à sociologia, propõe eliminar as diferenças conceituais entre arte e cultura, valorizar o repertório do estudante e entender os aspectos visuais como fonte de cultura. Independentemente da abordagem metodológica, a linguagem das artes visuais ocupou papel central e dominante na disciplina de Arte nas últimas décadas. Acreditamos que na atualidade é necessária uma abertura de espaço e um maior acolhimento às outras linguagens artísticas. Assim, é fundamental reformular os conteúdos de artes visuais – antes apoiados principalmente na ruptura modernista e no cânone da cultura europeia – e priorizar a arte contemporânea, as linguagens híbridas e sua diversidade.

manual do professor • 169 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 169

6/23/15 5:37 PM


Na coleção, buscou-se equilibrar a presença de artes visuais em relação ao que acontecia antigamente, fazendo com que essa linguagem, por um lado, aparecesse nos capítulos iniciais em todos os volumes e, por outro, não tivesse um projeto específco ao fnal do volume. Os conteúdos específcos de artes visuais ocupam os primeiros capítulos dos quatro livros. Buscamos trabalhá-los em três eixos temáticos: representação visual (representação do corpo, da cidade, da paisagem e das narrativas), arte visual na sociedade (a roupa, o abrigo, o design de objetos, o estudo da cultura) e arte visual e os temas transversais (corpo, cidade, meio ambiente e patrimônio). No trabalho com a linguagem visual, além da leitura dos textos, o estudante precisa ser estimulado a olhar as imagens buscando apreender os discursos visuais, a fm de dialogar com as criações. Cabe ao professor propor constantemente a interpretação e a discussão dessas imagens, permitindo que o estudante tenha tempo de elaborar discursos sobre elas. As imagens precisam ser interrogadas: a arte muitas vezes nos coloca mais no rumo das perguntas do que no das respostas. Nas atividades de artes visuais há uma preocupação em explorar o desenho, que é a forma mais direta na elaboração do pensamento visual. É preciso incentivar o estudante a usar o desenho de forma cotidiana: realizando desenhos transitórios, fazendo gráfcos, anotações visuais, experimentando formas de lidar com os diversos materiais. O desenho é a base da linguagem visual. Não se trata de trabalhar apenas suas qualidades estéticas, mas de tornar os estudantes aptos a raciocinar usando elementos gráfcos. É desenhando que se projetam cartazes, objetos, instalações, fgurinos, arquitetura. A pintura também é proposta em suas múltiplas possibilidades, incluindo a lúdica. Sobrepor cores e manchas ajuda a despertar o universo emocional e poético dos jovens. Já a colagem permite a construção elaborada de signifcados e harmonias por meio da associação de imagens prontas e materiais diversos, e pode apoiar a concepção de projetos visuais. Em várias atividades propomos o trabalho com a fotografia, não apenas por meio da prática

de fotografar (registro), mas também da seleção de imagens (documentação e composição) para compor uma síntese com novos signifcados. O trabalho com fotografa contribui para o processo de ensino-aprendizagem porque desenvolve a capacidade de lançar um olhar atento a um aspecto no mundo que nos cerca. Há diversas propostas de construção de objetos tridimensionais. Esse tipo de atividade desenvolve a imaginação espacial e as habilidades construtivas. O estudante vai deparar com as difculdades na construção de objetos tridimensionais e enfrentar o desafo de lidar com os limites da realidade física, como a força da gravidade, o atrito e as propriedades físicas de cada material. Em todos os capítulos de artes visuais os estudantes vão experimentar materiais, suportes e instrumentos, e serão apresentados a informações técnicas variadas. Nas atividades do 9º ano o estudante é convidado a exercer sua capacidade de escolha dos materiais e das técnicas em trabalhos individuais e em grupo. A linguagem do audiovisual é especialmente tratada no Capítulo 6 do livro de 7º ano, que propõe flmes de gêneros e épocas diferentes para ser assistidos pela turma. Todos os flmes têm em sua temática a cidade, seja ela própria como personagem (Os pássaros, de Alfred Hitchcock), seja como elemento de transformação na vida dos personagens humanos (Os dois filhos de Francisco, de Breno Silveira), seja como pano de fundo para uma situação dramática (5× favela – agora por nós mesmos, de diversos diretores). Nesse capítulo são apresentados conceitos e técnicas cinematográfcas, como movimentos de câmera, que vão colaborar na elaboração mais aprimorada de narrativas audiovisuais. O Projeto Audiovisual propõe a execução coletiva de uma narrativa audiovisual com base em um roteiro original ou em uma adaptação de um conto popular brasileiro. Sob orientação do professor, os grupos atravessarão as várias etapas de concepção, produção e fnalização que conduzirão a realização de um vídeo. Os trabalhos fnais poderão ser apresentados em sessão pública na escola, aberta aos colegas, aos familiares e à comunidade.

170 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 170

6/23/15 5:37 PM


O ensino da linguagem música no ensino fundamental ii Formas de ensino musical estavam presentes na vida cotidiana dos povos indígenas que já viviam no Brasil desde antes da colonização. No entanto, foi com a vinda dos jesuítas, no século XVI, que formas propriamente escolares de ensino de música passaram a ser adotadas, inicialmente com a fnalidade de catequisar os indígenas e persuadi-los a adotar outros aspectos da cultura portuguesa. Durante todo o período colonial o ensino de música esteve predominantemente associado aos pressupostos da Igreja católica. A primeira instituição de ensino de música desvinculada da igreja foi o Imperial Conservatório de Música, fundado em 1841, no Rio de Janeiro. Em 1854, um decreto institui ofcialmente o ensino de música nas escolas públicas brasileiras, focado no canto e no aprendizado de noções elementares. Nos anos 1930, a implantação do canto orfeônico pelo compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959) nas escolas do Rio de Janeiro resultou numa proposta ofcial de educação musical para crianças e para as grandes massas. Nas décadas seguintes, o ideário da Escola Nova ganhou espaço, por meio de nomes como Anita Guarnieri, Liddy Chiafarelli Mignone (1891-1961) e Antônio Sá Pereira (1888-1966). A defesa da vinculação do ensino de instrumentos à educação musical deu lugar à valorização de aspectos da linguagem musical, como a experimentação e a composição. Com a instituição da disciplina de Educação Artística pela Lei de Diretrizes e Bases de 1971, observou-se um predomínio do trabalho com as artes visuais na escola. A música fcou relegada a atividades como animação para festividades ou instrumento de controle e exaltação cívica. Com o aumento das pesquisas na área do ensino de música a partir dos anos 1980, surgem propostas apoiadas nas ideias pedagógicas do canadense R. Murray Schafer (1933), que prioriza a qualifcação da escuta e a criação musical; do inglês Keith Swanwick (1937), baseada no desenvolvimento sensorial, expressividade pessoal e experiências compositivas conforme a faixa

etária; e do alemão radicado no Brasil H. J. Koellreutter (1915-2005), baseada na improvisação musical. Em 2005, forma-se um movimento com o objetivo de tornar a educação musical conteúdo curricular obrigatório. O “Quero Educação Musical na Escola” buscou mobilizar a sociedade para que se instituísse a obrigatoriedade do ensino de música, especifcamente. O movimento resultou na aprovação da Lei n. 11.769, em 2008, que altera a LDB de 1996, acrescendo ao artigo 1º o seguinte parágrafo: “A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o parágrafo 2 deste artigo”. Dessa forma o ensino de música passou a ser conteúdo obrigatório na escola em todos os anos do Ensino Fundamental. Nesta coleção, a proposta é aproximar a arte musical da vida dos estudantes, apresentando-a como uma expressão acessível a todos. A música aglutina experiências. É registro imaterial, impalpável e invisível de vidas e impressões, além de uma poderosa forma de transmitir sensações. Cada povo tem uma forma própria de fruir e produzir música. Na coleção, ela é entendida como produto cultural e histórico; portanto, deve ser contextualizada para melhor entendimento do estudante. Sendo o multiculturalismo um de nossos princípios norteadores, diferentes formas de fruição e produção musical são investigadas. No Capítulo 4 do volume de 8º ano, por exemplo, a seção Painel mostra a forma de compor dos índios Xavante, de Tom Jobim, do músico nigeriano Fela Kuti e do indiano Ravi Shankar. Sociabilidade, poesia, ativismo e religião são explorados em conjunto com as produções musicais. A relação entre música e identidade é um eixo norteador dos capítulos. A coleção enfatiza a música brasileira e sua pluralidade, valendo-se das letras das canções e das trajetórias dos artistas para auxiliar na compreensão da identidade brasileira e das matrizes que a formaram, notadamente as indígenas, africanas e europeias. Também o ambiente é tomado como campo de interesse do ensino-aprendizagem musical, em exercícios de percepção e gravação da paisagem sonora da escola. Por meio deles,

manual do professor • 171 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 171

6/23/15 5:37 PM


exploram-se os quatro elementos do som: altura, intensidade, timbre e duração. O corpo é abordado com sua potência musical: imitar, bater em si, estalar, assoprar e cantar são algumas das ações sugeridas ao estudante como experimentação em atividades musicais. Na atividade “O ritmo e os sons do corpo”, por exemplo, os estudantes são convidados a criar em conjunto um arranjo de percussão corporal após ouvir a música “Andando pela África”, do grupo Barbatuques. Nos capítulos em que a música é a linguagem principal, diferentes concepções musicais são exploradas na seção Painel. Após debate em sala para aproximar o assunto estudado e a realidade dos estudantes, são propostas atividades de audição, refexão e produção musical. Os CD que acompanham os quatro livros trazem músicas estudadas nos capítulos, para ser ouvidas em sala. Há também faixas com locuções que propõem uma escuta analítica, permitindo aos estudantes perceber auditivamente os conceitos musicais tratados nos textos. O trabalho com os capítulos dedicados à linguagem música fca incompleto sem a audição do CD. Neste momento da aprendizagem, acreditamos que, mais do que ler textos com refexões prévias sobre música, é importante que os estudantes desenvolvam sua escuta crítica. Juntos, o texto do livro e o áudio do CD têm o propósito de ampliar o repertório dos estudantes, convidando-os a desenvolver suas percepções musicais e instigando-os a uma escuta ativa não só em relação à música, mas também aos sons de forma geral. Em todos os capítulos, a arte musical é entendida como uma forma de relação. A música em si se constitui com base em uma teia de relações. Música é a sensação de união que os sons de determinada obra passam para o ouvinte. A palavra harmonia vem do grego e signifca, justamente, ‘união’. Além dos elementos técnicos da música, os capítulos exploram as relações entre essa arte e os rituais, a política, a religião, a poesia, a dança, o teatro e as demais artes. Como Lia Tomás observa, a música é um fato social total:

Como é sabido, o século XIX – sobretudo suas últimas décadas – caracterizou-se pelo ocaso de sistemas sedimentados. [.] No que se refere à música, observou-se a queda de fórmulas que se encontravam em seu limite de saturação, pois não tinham forças para reagir à própria crise. Assim, a ruptura com a tonalidade e com as formas, a liberação da dissonância (e mesmo a abolição do critério consonância-dissonância), o emprego de tonalidades diversas justapostas e da polirritmia, a infltração oriental e o uso de escalas não temperadas, a absorção do ruído, da improvisação e do aleatório, o advento da música eletroacústica, a inserção de materiais extramusicais e todo tipo de experimentação começam a se instalar, confgurando, gradativamente, experiências e paisagens musicais diferenciadas. Nessa perspectiva, pode-se dizer que a introdução gradativa desses elementos fez que a música voltasse a ser compreendida (menos veladamente) como uma complexa rede de relações com características bem diferentes: intrínsecas, internas, sociológicas, estéticas, psicológicas, antropológicas, pedagógicas, etc. Como aponta Jean Molino (s.d., p. 114), “o fato musical aparece, sempre, não apenas ligado mas estreitamente misturado com o conjunto de fatos humanos. Não há, pois, uma música, mas músicas. Não há a música, mas um fato musical. Este fato musical é um fato social total.”. TOMÁS, Lia. Ouvir o lógos: música e flosofa. São Paulo: Ed. da Unesp, 2002. p. 112-113.

Ao fnal de cada capítulo, as atividades convidam o estudante a vivenciar música, por meio de exercícios práticos de composição, marcação de pulso, audição e análise. Atividades como essas buscam desenvolver tanto a capacidade motora dos jovens como sua percepção musical. O Projeto Música propõe o ensaio e a execução coletivos de um repertório musical pelos estudantes. Nas aulas, serão trabalhadas técnica vocal e consciência corporal, necessárias para o canto. Disciplina, equilíbrio, conjunto e tempo serão outros pontos trabalhados durante os ensaios, que promoverão maior interação entre os estudantes e maior estímulo para que os mais tímidos se expressem.

172 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 172

6/23/15 5:37 PM


O professor precisa permanecer uma criança (grande), sensível, vulnerável e aberto a mudanças. A melhor coisa que qualquer professor pode fazer é colocar na cabeça dos alunos a centelha de um tema que faça crescer, mesmo que esse crescimento tome formas imprevisíveis. SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. Tradução de M.T. de O. Fonterrada et al. São Paulo: Ed. da Unesp, 1991. p. 282.

O ensino da linguagem dança no ensino fundamental ii Diferentemente de linguagens artísticas como as artes visuais e a música – que, apesar das difculdades, garantiram presença no ensino básico –, a dança tem histórico pouco relevante na educação escolar no Brasil. Em 1997, com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), a dança é tratada pela primeira vez em documento de orientação curricular nacional como uma das linguagens que compõem o componente curricular Arte. Esta, por sua vez, se tornou obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. 9 394/96. O trecho dos PCN relativo à Arte apresenta o estado geral do ensino da dança nas escolas do Brasil em meados dos anos 1990, e já destacava que: Embora em muitos países ela [a dança] já faça parte do currículo escolar obrigatório há pelo menos dez anos, no Brasil, a sua presença ofcial (curricular) nas escolas, na maioria dos Estados, apresenta-se como parte dos conteúdos de Educação Física (prioritariamente) e/ ou de Educação Artística (quase sempre sob o título de Artes Cênicas, juntamente com Teatro). No entanto, a Dança é ainda predominantemente conteúdo extracurricular, estabelecendo-se de formas diversas: grupos de dança, festivais, campeonatos, centros comunitários de arte. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: Ministério da Educação, 1997. p. 27.

A situação apresentada pelo texto, em alguns aspectos, parece não ter se modifcado muito durante os anos que separam a publicação dos PCN dos dias de hoje. No entanto, se em 2002

havia no Brasil quinze cursos superiores de Dança (MORANDI; STRAZZACAPPA, 2012, p. 12), em 2015 esse número havia aumentado para 35, entre bacharelados e licenciaturas. Isso indica o crescimento do interesse pela dança como carreira e signifca um maior contingente de licenciados em dança no país, aptos a trabalhar com essa linguagem na educação básica. Assim, trata-se de um ambiente mais favorável para que se encare a tarefa urgente de pensar a dança na escola com base em concepções de corpo, de dança e de ensino que não reforcem ideais e valores incompatíveis com a escola brasileira atual. A dança na escola não se restringe à recreação, atividade que não requer investimento de conhecimentos específcos. Também não deve ser tomada como mera prática física que se perde na reprodução acrítica de modelos, que desconhece a relação entre o fazer da dança e as questões da criação artística, que desconsidera a cena nacional e internacional da criação da dança e seus múltiplos contextos. Acima de tudo, a experiência de dançar não deve ser exclusiva das meninas ou daqueles que possuem determinadas características físicas e habilidades motoras, os ditos “privilegiados”. Mais do que nunca, a dança na escola deve ser entendida como forma de conhecimento no campo da arte, com conteúdos e questões próprias; como experiência acessível a todos os estudantes, independentemente de habilidade física, etnia e gênero. No entanto, para que isso seja possível, é necessário abordar em sala de aula a riqueza da produção atual da dança e da performance, e considerar a diversidade de estudantes e contextos. A dança e a performance – consideradas, com o teatro físico, como artes do corpo – são o eixo do livro de 6º ano (Corpo). Buscamos abordá-las a partir do presente, construindo pontes entre as questões atuais da performance (Capítulo 4), das danças populares (Capítulo 5) e da dança contemporânea (Capítulo 6) e seus aspectos estéticos, históricos e políticos. Assim, visamos estimular a curiosidade dos estudantes para que compreendam a dança em sua complexidade dentro do campo das artes e na sua relação com a vida e a sociedade.

manual do professor • 173 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 173

6/23/15 5:37 PM


Na seção Painel, os estudantes terão contato com obras, manifestações e artistas representativos da pluralidade da criação no panorama nacional e internacional das artes do corpo, identifcando suas questões principais e suas visões de mundo. No Capítulo 5, a seção traz manifestações populares representativas da riqueza e da vitalidade da dança popular produzida em diferentes regiões do Brasil. As experiências propostas no livro de 6º ano procuram integrar os elementos técnicos relativos à linguagem da dança e a criação, seja individual, seja coletiva. As atividades visam ampliar a consciência corporal dos estudantes e apoiá-los na construção de suas identidades, sempre os conduzindo a descobrir novas possibilidades expressivas e a respeitar seus limites e os dos outros. Entendemos a identidade, tema transversal desse volume, como processo dinâmico, como algo que se constrói na relação com o outro e ao longo de toda a vida. Abordar questões relativas ao corpo com base na arte pode trazer esses processos à tona e levar à problematização de visões cristalizadas sobre o diferente. A escola é um lugar privilegiado para essas discussões, uma vez que, como aponta Hall (2006, p. 38), “a identidade é algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo inato, existente na consciência no momento do nascimento”. A discussão sobre identidade permite desconstruir preconceitos e posturas discriminatórias. No livro de 6º ano, a trajetória de Abdias Nascimento será ponto de partida para a proposta da seção Jeitos de Mudar o Mundo. A dança permite estimular o convívio com a diferença em várias dimensões. Por exemplo, a participação de estudantes com defciências nas aulas deve ser sempre incentivada, uma vez que cada corpo constrói sua experiência em dança a partir de sua identidade própria. Para além da evidente necessidade de integrar a pessoa com defciência no conjunto das práticas artísticas na escola, a aceitação e a valorização das singularidades enfatiza a ideia de que corpos diferentes criam diferentes danças. Como lembra Matos:

[.] para a dança contemporânea, a quebra do unívoco e a busca pelo múltiplo abriram espaço para que se investigue novas confgurações sobre o corpo que dança, que não estejam sustentadas pelos sistemas universalizantes do pensamento ocidental, como o pensamento cartesiano. O corpo dançante hoje não é mais visto apenas em termos de sua relação cinética ou expressiva. Alguns coreógrafos procuram trabalhar/pesquisar o movimento, a sensação sinestésica, a fsicalidade, as ideias, a singularidade e as identidades daquele corpo específco que dança para que se possa reconhecer e incluir as diferenças, ressignifcando, na dança, representações e metáforas construídas no/sobre o corpo. MATOS, Lúcia. Dança e diferença: cartografa de múltiplos corpos. Salvador: Edufa, 2012. p. 26.

O Projeto Dança se inspira nos procedimentos de composição da dança pós-moderna norte-americana, em especial nas Accumulation Pieces, de Trisha Brown. Partindo da exploração de gestos simples e cotidianos, a turma atravessará várias etapas de pesquisa, improvisação e criação até elaborar uma peça coletivamente, sob orientação do professor. Considerando as muitas difculdades que os professores de dança encontram para desenvolver propostas de dança, as etapas podem ser adaptadas às condições físicas da escola.

O ensino da linguagem teatro no ensino fundamental ii Podemos traçar pontos de contato entre o teatro e a educação desde o período colonial brasileiro, se pensarmos na ação dos padres jesuítas. No entanto, no campo da pedagogia formal tradicional brasileira, o teatro ocupava até o início do século XX um lugar marginal, sendo mais usado como ferramenta para organizar comemorações de datas cívicas e solenidades. Esse panorama começa a mudar com o movimento escolanovista na década de 1940: com a criação das Escolinhas de Arte, pela primeira vez, planeja-se e põe-se em prática a interface entre o teatro e a educação.

174 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 174

6/23/15 5:37 PM


A inclusão ofcial do ensino da linguagem teatral nas escolas brasileiras acontece depois, em plena ditadura militar. A reforma educacional de 1971 institui o conceito de formação polivalente, pelo qual o mesmo professor deveria ensinar todas as linguagens artísticas no Ensino Fundamental. Para cobrir as vagas que surgem com essa regulamentação, o Estado estabelece cursos universitários de dois anos em Educação Artística, uma preparação evidentemente apressada. Apesar de todas as ressalvas, foi essa regulamentação que trouxe a necessidade de formar arte-educadores, levando à expansão dos campos de pesquisa e de ensino das linguagens artísticas, entre as quais a teatral. Assim, se antes o teatro na escola vinha a reboque das questões gerais colocadas pela pedagogia, nos dias atuais questões próprias e novas aparecem graças ao vínculo com a área de formação específca dos educadores. Com a articulação de questões históricas e estéticas específcas do teatro, cria-se um novo campo de conteúdos e metodologias para a prática educacional em geral. O teatro é a arte da presença, em um mundo com relações cada vez mais intermediadas por contatos virtuais e a distância. Em uma sociedade regida pela produção industrial, o teatro é artesanal, especialmente aquele feito na escola. O teatro é coletivo, numa sociedade em que a superação e a prosperidade individuais se tornaram valores hegemônicos. Em um momento em que os estudantes passam por uma transição social, marcada institucionalmente pelo encerramento do Ensino Fundamental, o ensino-aprendizagem de teatro traz grandes contribuições: auxilia o estudante a apreender os processos simbólicos do mundo, a tomar a realidade como coisa em mutação, a desenvolver meios de percepção e atuação no mundo. Outra característica da linguagem teatral é sua efemeridade, a impossibilidade de ser registrada integralmente. Podemos registrar diversos de seus aspectos – a dramaturgia, os desenhos dos cenários e fgurinos, as partituras com as músicas da peça, fotografas e flmagens –, mas a linguagem teatral não pode ser fxada. Isso coloca o estudo do teatro em terreno pouco estável,

em um permanente estado investigativo. Não existe possibilidade de certeza quando falamos do teatro medieval, por exemplo; o que temos são rastros, que devem ser encenados na imaginação de cada turma no decorrer dos encontros. Por fm, a prática teatral das atividades de cada capítulo permite vivenciar, de formas inusitadas, as relações que compõem o cotidiano da turma. Muito pode ser experimentado: a investigação do corpo e da voz na construção física dos personagens; a ocupação dos espaços da escola com as instalações cênicas; a relação entre os estudantes pelo esforço coletivo de composição das cenas. Essa experimentação prática dos aspectos do dia a dia da turma permite ampliar a sensibilidade e o repertório de atuação dos estudantes diante da realidade da qual fazem parte. O trabalho com a linguagem do teatro no volume de 9º ano foi dividido da seguinte forma: o Capítulo 4 investiga as origens da linguagem teatral e a relação entre religião, educação social e o teatro; o Capítulo 5 explora duas formas da linguagem teatral contemporânea, o teatro dramático e o teatro épico, relacionando-as a contextos de transformação social; por fm, no Capítulo 6, tem-se um apanhado técnico-teórico de elementos que compõem a linguagem da encenação teatral contemporânea, da fgura do encenador aos muitos eixos expressivos que formam o todo do fenômeno teatral – interpretação, cenografa, fgurino, iluminação e sonoplastia. Embora se apoie em uma perspectiva histórica, a abordagem no decorrer dos capítulos não se baseia numa visão evolucionista do teatro, historicista, como se o espetáculo teatral fosse uma tecnologia que foi melhorada ao longo do tempo. O teatro atual não é mais evoluído que o teatro grego clássico, por exemplo. O que se transforma, com o desenrolar da história, são os próprios parâmetros que defnem socialmente o que é recebido como espetacular. Isso quer dizer que os regimes estéticos são compostos historicamente, ou seja, que cada tempo e cada local produzem suas defnições do que é arte e do que não é. Não existe uma forma ideal para cada linguagem artística: elas sempre serão porosas e maleáveis, em constante relação com seu tempo histórico.

manual do professor • 175 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 175

6/23/15 5:37 PM


Toda forma de linguagem é também um acordo social. Por isso, na seção Painel de cada capítulo exploramos, antes de tudo, o acontecimento teatral, os elementos concretos que compõem aquele gesto cênico. O que se propõe com isso é uma aprendizagem que recorta, de um momento histórico determinado, os modos de fazer do processo teatral. As atividades de cada capítulo, por sua vez, se apoiam no conceito de jogos teatrais. Nessa perspectiva pedagógica, o princípio lúdico é tomado como motor do processo de ensino-aprendizagem e experimentação. Em um jogo teatral todas e todos participam de forma engajada e dinâmica na realização de um objetivo comum, artístico. Para atingi-lo é necessário se colocar em estado de jogo, um estado extracotidiano de concentração e expressão. Esse princípio lúdico deve ser mantido, sobretudo nas atividades de leitura de dramaturgia e improviso de cena. O objetivo dos jogos é sempre a matéria teatral, testar as regras e limites da composição cênica. Uma abordagem prazerosa de um texto teatral pode modifcar a relação de um estudante com o ato da leitura como um todo. O Projeto Teatro, ao fm do volume de 9º ano, promove a materialização da linguagem teatral

com a apresentação de um espetáculo. Na encenação teatral, o teatro contemporâneo articula diversos elementos artísticos (interpretação, iluminação, cenografa, fgurino, sonoplastia, etc.) em torno de um acontecimento efêmero, fruto do encontro entre a obra de muitos teatristas e o público. O dia da apresentação teatral é sempre um dia especial: é quando toda a comunidade escolar acolhe a peça ensaiada e produzida pela turma. No momento da apresentação, um processo até então íntimo ganha um aspecto público. No entanto, ela é apenas a síntese de um processo artístico-pedagógico bem maior. O foco do aprendizado está na elaboração do espetáculo teatral, em seu processo de pesquisa e montagem. Da escolha da dramaturgia às soluções teatrais da encenação, cada passo dado coletivamente é um exercício de observação e crítica da realidade específca da turma. A ideia é que, ao montar uma peça de teatro, o ambiente escolar geste a própria cultura teatral, produza um espetáculo que seja inconfundivelmente daquela turma, com suas particularidades, questões, segredos e processos. O objetivo é remexer a camada simbólica dos envolvidos com a montagem da peça e estreitar laços com a comunidade local.

AutOnOmiA dO PrOfessOr Reconhecendo as diferentes formações dos professores que assumem a disciplina Arte e as constantes transformações que advêm da prática e da pesquisa no processo de ensino-aprendizagem, acreditamos que um material didático para esse componente disciplinar deve ser adaptável a diversas realidades. Sabemos que a carga horária, as condições de trabalho, os recursos materiais, a disponibilidade de espaço e o perfl das turmas variam nas escolas de Ensino Fundamental II em todo o país. Assim, concebemos esta coleção de forma que o professor possa escolher um percurso adequado a sua realidade específca. O professor pode optar por dar maior ênfase à linguagem artística que norteia o trabalho

do volume daquele ano, desenvolvendo o Projeto de linguagem de forma aprofundada. Pode igualmente se demorar mais nas discussões em sala de aula a respeito das obras, dos artistas e de seus contextos, apoiando-se nas atividades de Debate e Hora da Troca. Ou, ainda, propor que a turma se debruce nos levantamentos e pesquisas em grupo no Projeto interdisciplinar. Para ampliar as possibilidades metodológicas de cada professor, também são sugeridas Atividades Complementares nesse Manual do Professor. Somadas às Atividades oferecidas em cada um dos seis capítulos temáticos no livro do estudante, compõem um conjunto amplo de atividades em linguagens variadas para cada livro.

176 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 176

6/23/15 5:37 PM


AvAliAçãO em Arte Existe muito preconceito por parte dos próprios estudantes quanto às habilidades artísticas. Aqueles que se sentem seguros com sua produção fcam mais à vontade na aula de Arte, ao passo que ela pode se transformar em uma péssima experiência para os que são inseguros. Qualquer estudante pode realizar as atividades práticas, isto é, desenhar, pintar, colar, construir, dançar, representar, produzir sons, obtendo resultados satisfatórios: basta que se sinta motivado para enfrentar o desafo. O professor deve dar atenção àqueles que têm mais difculdades, identifcando qualidades que não percebem a princípio em seus trabalhos, como expressividade, rigor, conceituação, organização e uso harmonioso dos elementos de determinada linguagem. Dessa forma, estimula-se que eles desenvolvam autoconfança e tornem-se aptos a explorar seu potencial. A grande difculdade em fazer a avaliação dos trabalhos de arte se deve ao grau de subjetividade que se estabelece na relação entre o professor, o trabalho e o estudante. Ao propor uma atividade, o professor cria expectativas quanto ao resultado. O mesmo pode acontecer com os estudantes. Essas expectativas podem decorrer do universo estético referencial do professor, que em geral é muito diferente do universo referencial do jovem. Este tem intenções e ideias que deseja passar por meio de técnicas e materiais que ainda não domina plenamente. No processo surgem imprevistos e mudanças de propósitos. Na atividade artística é comum que o processo atue no resultado de um trabalho. Com tantos percalços, fca difícil estabelecer objetivos precisos para as atividades práticas. Por essas razões, sempre que possível, recomenda-se ao professor fazer a avaliação coletiva. Essa é uma forma de contornar alguns desses problemas e colocar os critérios adotados em debate. O momento da avaliação coletiva é uma oportunidade de conversar com os estudantes sobre o que se pretendia e o que se alcançou com um trabalho. É também uma maneira de legitimar diante da turma as

qualidades e os problemas dos trabalhos apresentados, ajudando cada estudante a formular uma autoavaliação. É muito importante que na hora da avaliação coletiva o estudante se coloque, desenvolvendo a habilidade de criar um discurso verbal a partir de sua produção nas linguagens variadas. O professor vai encontrar nessa coleção sugestões de encaminhamento para essas avaliações, com algumas perguntas que podem ser feitas à turma em cada atividade. Não é preciso se restringir às questões sugeridas; os estudantes também podem participar desse momento explicitando seus critérios e opiniões, e falando de suas difculdades. Na avaliação coletiva o professor pode elogiar as qualidades do trabalho de um estudante que tem maior difculdade e cobrar maior rigor em um trabalho descuidado de um colega habilidoso. As avaliações coletivas tomam tempo da aula, por isso nem sempre será possível recorrer a elas. Por outro lado, em algumas atividades, especialmente aquelas que solicitam ao estudante que expresse seus sentimentos e emoções, esse tipo de avaliação não é recomendável. Nesses casos, é preferível recorrer à avaliação individual, apontando os pontos mais frágeis e elogiando as qualidades do trabalho do estudante. Nas avaliações, preste atenção se o estudante:

• participa dos debates, discussões e conversas em sala de aula;

• faz os levantamentos sugeridos na seção Hora da Troca;

• realiza os trabalhos propostos com rigor e empenho, em conformidade com o que foi pedido;

• busca explorar todo o seu potencial nos trabalhos realizados. O professor que faz avaliações coletivas e individuais periódicas conhece seus alunos e pode associar conceitos numéricos para quantifcar sua participação, seu empenho e seu desenvolvimento durante as aulas.

manual do professor • 177 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 177

6/23/15 5:37 PM


museus, exPOsições, esPetáculOs, filmes e shows Parte importante do processo de ensinar e aprender arte se dá na vivência com a obra. É preciso ter um contato profundo com uma obra de arte, emocionar-se com ela, olhá-la com interesse, buscar desvendar a forma como ela foi feita, os sentidos que ela abarca e as intenções do artista que a criou. No livro Obra aberta, Umberto Eco aponta para as possibilidades de interpretação presentes em uma obra de arte. O que se observa é que algumas obras, com o passar do tempo, podem ser interpretadas de novas maneiras, mantendo-se vivas para outras gerações. Por isso, são recomendáveis visitas a museus e exposições e idas a espetáculos sempre que possível. Para fazer uma visita é preciso prepará-la. Muitas instituições oferecem programa de visita guiada para escolas, mas esse serviço precisa ser agendado com antecedência. A melhor maneira de o professor preparar uma visita para os estudante é ver a exposição ou assistir ao espetáculo antecipadamente, ler os textos e programas que acompanham as obras e pesquisar informações sobre o(s) artista(s) nos meios de comunicação. Mais importante que saber dados biográfcos dos artistas é buscar informações sobre a obra, técnicas e contexto em que ela foi produzida. Ao visitar uma exposição ou ao assistir a um espetáculo sem os estudantes, inicialmente o professor deve se deixar levar por seu interesse natural, tentando descobrir que trabalhos o atraem e por que isso acontece. O componente subjetivo da apreciação permeia a relação do professor com o estudante no ensino de Arte. É comum que o professor revele suas paixões e seus interesses ao conduzir a turma por esse universo. Na visita a uma exposição pequena, o professor pode determinar o tempo para o grupo

circular livremente entre os trabalhos, explorando com liberdade o contato com as obras e o espaço museográfco. Os estudantes devem ler as legendas dos trabalhos, observando o nome do artista, o ano do trabalho e a técnica. É importante orientá-los a anotar dados apenas das obras que lhes despertaram algum interesse. Depois o professor pode, por exemplo, marcar um encontro diante de uma obra que queira apresentar para o grupo. A análise pode começar com perguntas, para em seguida conduzir a leitura visual e fazer uma breve explanação sobre o artista e a obra (por isso a importância de visitar, ler e pesquisar previamente). Em seguida, os estudantes podem eleger um ou mais trabalhos a ser analisados por toda a turma. Uma leitura visual demorada de duas ou três obras é sufciente numa visita. No caso de um show, espetáculo musical, teatral ou de dança, o professor pode sugerir antes do início da apresentação alguns aspectos que devem ser observados, como: atenção à luz em uma cena, ao som de determinado instrumento em uma música, ao gestual de um ator. Deve-se evitar, no entanto, revelar detalhes ou partes importantes do enredo. Ao fnal do espetáculo, é interessante marcar um encontro para que os estudantes conversem sobre suas impressões. Eles devem ser estimulados a formular verbalmente a experiência vivida e evitar comentários categóricos sobre o que viram. Antes de assistir a um flme com a turma, também se pode propor pontos de atenção, especialmente em relação aos elementos específcos da linguagem cinematográfca: enquadramentos, duração das sequências, iluminação, movimentos da câmera. Ao fnal do flme, a turma pode se reunir para conversar sobre esses elementos.

178 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP1_153a178.indd 178

6/23/15 5:37 PM


Orientações específicas AberturA – Arte e Corpo A abertura do volume tem como objetivo apresentar a abordagem temática e interdisciplinar do livro. O corpo é o tema que vai percorrer todos os capítulos no livro do 6º ano da coleção. Acreditamos que a melhor forma para iniciar o trabalho é mostrar aos alunos que esse tema não pode ser abordado por uma única disciplina e que deve reaparecer em outros momentos de sua vida escolar. Quando se solicita ao aluno que faça uma lista de conceitos que se referem ao corpo, ele é levado a pensar em rede e, assim, se prepara para compreender que todos os saberes estão intimamente conectados. Em seguida, são apresentadas treze obras de arte realizadas em linguagens e técnicas variadas, como pintura, escultura, cinema, dança, teatro, fotografia, história em quadrinhos, entre outras. Essas obras foram produzidas em diferentes épocas e lugares e se relacionam com alguns desses conceitos. Neste rápido percurso o aluno vai perceber que os artistas estão acostumados a lidar com a interdisciplinaridade em seu trabalho. O artista inglês Damien Hirst, por exemplo, tinha curiosidade com o universo médico e

científico e costumava visitar o departamento de anatomia da universidade para desenhar cadáveres e partes do corpo em sua juventude. Essa experiência o aproximou do tema da morte, mas também o ensinou muito sobre a constituição do corpo humano, o que aparece na escultura Hino. Já a fotógrafa norte-americana Diane Arbus voltou seu olhar para a questão da diferença. Fotografando pessoas com síndrome de Down e outras variações fisiológicas nos anos 1960, ela refletiu de forma precursora sobre essa questão. Em seguida, a atividade “Mapa do meu corpo” abre espaço para o aluno expressar o que sabe sobre seu corpo e sobre si mesmo. A atividade revela a relação do corpo com a questão da identidade, tema transversal do volume. Quem somos nós? A que grupos religiosos, étnico-raciais, culturais e sociais pertencemos? Que tradições preservamos? A atividade deve funcionar como uma espécie de apresentação do aluno para o professor. Em suma, esta introdução propicia uma base para o trabalho interdisciplinar e prepara o aluno para as atividades variadas que serão desenvolvidas durante todo o ano. Além disso, dá o pontapé inicial para que ele faça o trabalho em grupo proposto no fim do livro.

CApítulo 1 – A representAção do Corpo Nesse capítulo, a proposta é focar em aspectos específicos do tema que será tratado durante todo o ano: o corpo. Trata-se do começo de um trabalho de sensibilização e conscientização sobre o corpo com os alunos. Iniciamos com a representação, experimentando formas de descrever, retratar, imaginar e figurar o nosso corpo e partes dele. As primeiras imagens colocam o aluno em contato com formas variadas de representação do corpo e artistas que trabalham exaustivamente com este tema. Há uma proposta de discussão sobre padrões de

beleza e uma sugestão de levantamento de retratos e autorretratos. A seção Teoria e Técnica dá suporte à atividade prática de desenho de modelo proposta no fim do capítulo.

Sugestão de planejamento Aula1: Abertura, Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Apresentação dos resultados de Hora da Troca, Pensando com a História e Debate Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

manual do professor • 179 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 179

6/23/15 5:39 PM


sobre obras e autores Esculturas femininas do Paleolítico Tradicionalmente, arqueólogos agrupavam sob o nome Vênus representações femininas produzidas no período Paleolítico em todo o continente europeu nas quais a mulher aparece com seios e barriga fartos e quadris largos. As figuras eram em geral esculpidas em calcário, marfim ou osso.

Esculturas romanas Com a conquista das cidades da Grécia antiga, no século II a.C., os romanos passaram a produzir cópias das esculturas gregas de personagens mitológicas e divindades, que eram muito apreciadas pelos povos que viviam no entorno do mar Mediterrâneo. Mas, a partir do século I, os escultores romanos passam a retratar também a vida cotidiana em seus trabalhos.

Leonardo da Vinci Leonardo da Vinci (1452-1519) aprendeu técnicas de desenho, pintura, fundição, óptica da perspectiva e teoria das cores trabalhando como aprendiz em Florença (atual Itália). Sua curiosidade o levou a pesquisar o funcionamento do corpo humano, o voo dos insetos e dos pássaros, a reflexão produzida pelos espelhos curvos, o crescimento das plantas, a harmonia dos sons, o comportamento dos líquidos e o movimento dos corpos e do universo. Durante sua vida trabalhou como engenheiro, arquiteto e urbanista, construindo canais, fortificações, dispositivos bélicos e engenhocas mecânicas. Da Vinci produziu também mais de duzentas pranchas com desenhos e explicações sobre o funcionamento de órgãos e músculos.

Ex-votos Do ponto de vista cultural, os ex-votos estão inseridos na tradição católica, isto é, aparecem nas igrejas, cruzeiros, lapas e outros lugares considerados sagrados. No entanto, não se podem classificar essas peças estritamente como arte católica, por se tratar de objetos de tradição popular revestidos de função mágica. Até o século XIX, tanto na Europa como na América Latina, consistiam principalmente em pinturas em tábuas, folhas ou telas pintadas com milagres ou temas religiosos. Desde então, tornaram-se mais comuns,

especialmente no Brasil e em países latino-americanos como o México e a Argentina, a representação em cera ou madeira de partes do corpo que tenham sido objeto de cura.

Di Cavalcanti O carioca Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976), articulador e idealizador da Semana de Arte Moderna de 1922, iniciou sua carreira artística trabalhando como ilustrador e caricaturista para revistas da época. O conjunto de sua obra conciliou as novidades artísticas do modernismo – com o qual o artista teve contato em viagens para a Europa – e um repertório bem pessoal. A arte para ele era uma forma de participação social. Dedicou-se aos temas inspirados na cultura e na formação étnico-racial brasileira, como a representação de mulheres mestiças e do Carnaval.

Ernesto Neto O carioca Ernesto Neto (1964) parte do corpo e explora materiais simples e de aparência frágil para elaborar esculturas que convidam ao prazer sensitivo. De formas moles, essas obras muitas vezes são interativas e podem ser adentradas pelo público. O artista realizou grandes projetos internacionais, tais como: Leviatã Thot, no Panthéon de Paris, França, 2006; Antropodino, para o Armory Park, em Nova York, Estados Unidos, 2009; e a mostra O corpo que me carrega, no Guggenheim de Bilbao, Espanha, 2014.

Chivitz Chivitz (1976) é um grafiteiro que interfere na paisagem urbana de São Paulo. Em suas obras aparecem temas como o skate, a tatuagem, o hip-hop, entre outros elementos das chamadas culturas de rua. Nos últimos anos, o grafite ganhou as ruas de diversas cidades brasileiras, mas o reconhecimento do trabalho dos grafiteiros de São Paulo ampliou-se em escala mundial. Se antes o poder público apagava as obras produzidas por esses artistas, hoje há editais públicos que incentivam artistas a grafitar grandes avenidas, túneis e viadutos – em 2015, a cidade ganhou o maior mural de grafite da América Latina, com mais de cinco quilômetros de extensão.

Ron Mueck O australiano Ron Mueck (1958) vive e trabalha no Reino Unido. Sua escultura hiper-realista

180 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 180

6/23/15 5:39 PM


reconstrói a figura humana em todos os detalhes, alterando apenas a escala. Inicialmente Ron Mueck confeccionava marionetes, modelos para a televisão e filmes infantis. Sua carreira foi impulsionada nos anos 1990 pelo publicitário e colecionador inglês Charles Saatchi, e sua obra Dad dead [Pai morto] foi incluída na exposição Sensation na Royal Academy of London, em 1997.

Peter Paul Rubens Rubens (1577-1640) foi um dos artistas mais influentes da arte barroca europeia. Nascido na região de Flandres (atual Bélgica), ele viveu em cidades da atual Itália de 1600 a 1608, onde foi influenciado pela arte clássica e pelos pintores renascentistas. De volta a Antuérpia, foi nomeado pintor oficial da corte, para a qual prestou serviço como artista e diplomata. Rubens trabalhava com rapidez, e sua obra abrangia uma ampla gama de motivos: retratos para a nobreza, paisagens, pinturas históricas, temas sacros católicos e da mitologia grega. Porém, para cumprir o grande número de encomendas, o artista empregava em seu estúdio muitos assistentes.

Auguste Rodin O francês Auguste Rodin (1840-1917) começou sua carreira fazendo ornamentação nos edifícios elegantes de Bruxelas, na Bélgica. Sua primeira encomenda importante foi a monumental porta de bronze para o Museu de Artes Decorativas, com o tema A divina comédia, inspirado na obra de Dante. A porta permaneceu inacabada, mas foi fonte de inspiração para toda sua obra. Rodin foi o primeiro escultor a expor esculturas inacabadas. Dizia que isto ressaltava a oposição entre matéria inanimada e figura viva. Seus movimentos ágeis na feitura do modelo ficaram impressos no bronze fundido, assim como as pinceladas rápidas de Monet ficaram à mostra em sua pintura.

Jacques Dequeker e Emanuela de Paula Jacques Dequeker (1970) nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo desde 1998. Autodidata, começou a fotografar em 1997, e atualmente realiza ensaios de moda para importantes revistas do Brasil e do mundo. Em 2002, ganhou o prêmio da Associação Brasileira da Indústria Têxtil como melhor fotógrafo da área no Brasil.

A modelo Emanuela de Paula (1989) é natural de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Começou a carreira de modelo em 2005 e é atualmente uma das mais disputadas profissionais da área no mundo.

Frida Kahlo Frida Kahlo (1907-1954) desenvolveu uma forma de trazer suas impressões a respeito do mundo que a cercava por meio de seu próprio retrato. Em cada um deles, como num quebra-cabeça, ela nos conta um pouco de suas paixões, suas dores, sua história. Em sua pintura há também um pouco da história e da cultura populares do México, pois ela gostava de se retratar usando roupas tradicionais, ao lado de animais, frutas e flores de seu país.

Vik Muniz O artista paulistano Vik Muniz (1961) estudou publicidade na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e passou a morar nos Estados Unidos em 1983. Tornou-se conhecido a partir da década de 1990, com os registros fotográficos de seu trabalho de reconstrução de imagens usando materiais inusitados, tais como açúcar, macarrão e calda de chocolate. Em 2010, o trabalho de Vik Muniz em conjunto com catadores de lixo no aterro sanitário do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), foi registrado no documentário Lixo extraordinário.

Fala o Artista Peça aos alunos que leiam o texto de Ernesto Neto e olhem com atenção o trabalho Circleprototemple...! Divida-os em pequenos grupos para que conversem rapidamente sobre as questões. Se for possível, eles podem pesquisar na Internet outros trabalhos de Ernesto Neto. Depois, os grupos devem apresentar rapidamente suas conclusões.

pensando com a História Nessa seção, um texto breve comenta como o conceito de beleza era ponto importante de debate entre os pensadores gregos. Verifique se os estudantes compreenderam os diferentes pontos de vista expostos, bem como a ideia de que a beleza não é um conceito absoluto e imutável.

manual do professor • 181 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 181

6/23/15 5:39 PM


Hora da troca Reserve metade de uma aula em que os estudantes tenham acesso a computadores para que possam pesquisar mais sobre retrato e autorretrato e realizar a atividade proposta. Quanto a esta última, eles também podem antes perguntar a parentes e amigos sobre obras que representem pessoas do local. Se for possível e você achar pertinente, aproveite para assistir com os alunos ao filme Lixo extraordinário (Reino Unido/Brasil, 2010, direção de Lucy Walker), que mostra o trabalho de Vik Muniz e dos catadores de lixo no aterro sanitário de Jardim Gramacho.

• Mais informações disponíveis em: <www. lixoextraordinario.net/filme-sinopse.php>. Acesso em: 18 nov. 2014.

debate Provoque os alunos para que eles se posicionem com relação às questões sugeridas. Procure evitar que um ou dois dominem o debate, estimulando os mais calados a expressar seus pontos de vista. O objetivo pedagógico do debate proposto é discutir padrões de beleza e a questão do preconceito. A intenção é de: mostrar como é importante respeitar as diferenças; chamar a atenção para o fato de que a beleza da juventude é fugaz; mostrar que a beleza pode estar onde não estamos preparados para vê-la; comentar que o olhar do artista tem o poder de tornar algo que em nossa cultura é considerado feio em algo que consideramos belo; destacar que a busca sem limites por atingir ideais de beleza pode levar a outros problemas, como distúrbios alimentares (anorexia, bulimia) e desgastes físicos em função de excessos nas atividades físicas; e ressaltar que a beleza na arte é um tema discutido e debatido há muito tempo por filósofos, pensadores e críticos. Ao refletir sobre o belo, não devemos nos limitar às regras e sim ampliar nosso olhar, porque a beleza pode ser encontrada mesmo em formas inesperadas. O pensador italiano Umberto Eco (1932) escreveu o livro A história da feiura com o intuito de demonstrar que a feiura também sempre foi tratada pela arte. Ao reunir exemplos de representações feitas durante 3 mil anos, ele nos leva a concluir como é bela a feiura!

O autor escreve na introdução de seu livro História da beleza: “Belo” – junto com “gracioso”, “bonito” ou “sublime”, “maravilhoso”, “soberbo” e expressões similares – é um adjetivo que usamos frequentemente para indicar algo que nos agrada. Parece que, nesse sentido, aquilo que é belo é igual àquilo que é bom, e de fato, em diversas épocas históricas criou-se um laço estreito entre o Belo e o Bom. Se, no entanto, julgarmos com base em nossa experiência cotidiana, tendemos a defnir como bom aquilo que não somente nos agrada, mas que também gostaríamos de ter. Infnitas são as coisas que consideramos boas: um amor correspondido, uma honesta riqueza, um quitute refnado, e em todos estes casos desejaríamos possuir tal bem. É um bem aquilo que estimula o nosso desejo. Mesmo quando consideramos boa uma ação virtuosa, gostaríamos de tê-la realizado nós mesmos, ou nos propomos a realizar uma outra tão meritória quanto aquela, incitados pelo exemplo daquilo que consideramos ser um bem. ECO, Umberto. História da beleza. Rio de Janeiro: Record, 2010. p. 8.

teoria e técnica Estimule os alunos a pensar na importância de olhar de forma atenta para o mundo. Peça-lhes que descrevam como é a calçada em frente de suas casas, por exemplo. Como muitos terão dificuldade de responder, oriente-os a observar como ela é para que façam uma descrição na aula seguinte.

orientações especiais A complexa função de desenhar Desenhar é uma forma de expressão direta e, ao mesmo tempo, muito complexa. Envolve uma série de operações simultâneas ou consecutivas num curto espaço de tempo: imaginar, transformar a imaginação em símbolo, manusear um instrumento, fazer um movimento com determinada força e precisão para gerar um registro o mais próximo possível daquilo que foi imaginado, o qual vai se articular com outros gestos e registros.

182 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 182

6/23/15 5:39 PM


Durante todos esses procedimentos, o olho capta imagens do que estamos fazendo e as envia para o cérebro, que as avalia e, com base nisso, comanda novas operações. Assim, olho, cérebro e mão trabalham de forma integrada para fazer um simples desenho. Quando uma criança na Educação Infantil faz um rabisco e diz “Isto é uma moto” ou “Isto é um leão”, ela transforma esse desenho em uma moto ou um leão, soma a imaginação ao seu gesto. Já os alunos do 6º ano buscam outros resultados: querem ter a habilidade de representar de uma determinada maneira, que está sujeita a julgamentos estéticos e de valores. Cabe ao professor demonstrar aos estudantes a complexidade da operação envolvida no ato de desenhar e valorizar o gesto pessoal, que imprime a personalidade de cada um no desenho. Nessa fase também é bom mostrar a importância do universo simbólico, associando palavras, texturas, materiais, ruídos no contexto da imagem produzida pelo desenho, de forma a aumentar sua capacidade de significação.

Atividades Desenho de modelo O desenho de modelo é uma atividade clássica muito prazerosa. Coloque uma música para ajudar na concentração. Deixe claro para a turma que desenhar modelo exige prática. Quanto mais o aluno desenhar, melhor vai ficar o desenho dele. Nesta primeira aula, o desafio é grande, por isso deve ser enfrentado sem muita exigência. Preste atenção em quem tem dificuldade em fazer um desenho grande: incentive que experimente aumentar o desenho, de modo que ocupe a folha toda. Nos primeiros desenhos de modelo alguns alunos não enfrentam a dificuldade de representar as mãos, os pés e o rosto. Estimule-os a tentar encontrar soluções para completar o desenho. Observe se há alunos usando muito a borracha. É natural que eles se sintam inseguros com seus desenhos e tentem desfazer o que consideram “erro”. Neste momento, porém, é importante que deixem a borracha de lado e façam o desenho sem se preocupar em “acertar”. A borracha gasta o papel e acaba sujando definitivamente o desenho. O ideal é que eles tentem encontrar a linha “certa” do desenho, sobrepondo traços leves.

Depois, usando um pouco de força, devem traçar uma linha final sobre as tentativas mais bem-sucedidas. As linhas fracas que ficam por trás do desenho vão ajudar o aluno a entender suas tentativas. Elas podem ser incorporadas como sombras e elementos de composição que vão enriquecer o trabalho. Deixe claro que não se deve procurar um resultado “perfeito”: ele precisa apenas ser grande e ter o máximo de detalhes.

Vamos sentir o corpo? Todos temos consciência de nosso corpo. De olhos fechados, sabemos se estamos sentados ou em pé, se nossos joelhos estão dobrados ou não, se nossos membros estão parados ou em movimento. A propriocepção é o sentido que nos informa sobre a posição do nosso corpo no espaço. Podemos afinar e ampliar essa consciência. Consciência corporal se aprende e pode ser desenvolvida com base em atividades físicas e esportivas, mas também por meio da ioga, da meditação, das diversas danças, entre outras práticas. Faça um teste. Fique exatamente na posição em que está, feche os olhos e tente perceber como estão os seus apoios nesse instante. Você está sentado? Em pé? Os seus apoios parecem simétricos ou não?

Atividades complementares A seguir reunimos mais três propostas de atividade para este capítulo, sendo uma delas mais adequada para realização em casa. A segunda atividade é particularmente interessante caso haja pessoas com deficiência visual na turma. Veja qual delas cabe melhor no seu planejamento. Se possível, faça duas ou três.

Por dentro do corpo Nessa atividade, os estudantes farão primeiro um exercício de consciência corporal para, em seguida, registrar visualmente suas impressões. Para isso, providencie lápis 6B, lápis de cor e papel sulfite A4. Procure afastar todas as carteiras da sala ou busque um ambiente que seja mais espaçoso. Peça aos estudantes que se deitem no chão, soltem seus corpos e relaxem, permanecendo em silêncio e de olhos fechados por alguns minutos. Durante a atividade, oriente-os a imaginar como é o corpo por dentro. Eles devem prestar

manual do professor • 183 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 183

6/23/15 5:39 PM


atenção no caminho que o ar percorre durante a respiração, tentar ouvir a pulsação do sangue que circula pelo corpo, ditada pelo coração, imaginar o funcionamento do sistema digestório. Estimule-os a pensar no funcionamento de cada parte do corpo, da ponta do dedo do pé até o couro cabeludo. Depois de alguns minutos, oriente-os a voltar a mexer o corpo lentamente, abrir os olhos e se espreguiçar. Em seguida, eles deverão devolver as mesas a seus lugares e fazer o desenho de uma ou de várias partes do interior do corpo, usando o lápis de cor para diferenciar as partes e dar mais informações ao desenho. Nessa atividade, podem surgir desenhos muito interessantes e variados, pois a criação é livre. Note que podem ser feitas representações de partes do corpo que eles percebem mais por alguma razão física ou emocional. Nessa idade, o enfoque pode recair também nas partes sexuais, e isso deve ser tratado com naturalidade. Você pode sugerir aos alunos que pesquisem desenhos de anatomia em livros na biblioteca ou na internet, caso queiram representar detalhes que lhes pareçam importantes.

Desenho tátil Para essa atividade, cada estudante deve trazer de casa um objeto interessante do ponto de vista tátil, como bichos de pelúcia, objetos de plástico ou de madeira que tenham relevo ou textura, ou objetos com saliências e reentrâncias, e entregue-o ao professor. Os objetos devem ser pequenos. Para o desenho, reserve papel sulfite A4 e lápis 6B ou caneta hidrográfica preta. Providencie ou peça aos alunos que tragam uma venda ou outro objeto que sirva para vedar os olhos (elástico largo, pedaço de tecido escuro, etc.). Junte os objetos levados pela turma e coloque-os em uma sacola enquanto cada estudante coloca sua venda. Misture os objetos e distribua-os novamente. Deixe os alunos sentirem esses objetos por um tempo, orientando-os a prestar atenção a reentrâncias, relevos, saliências, proporções e outras características. Recolha os objetos antes de os alunos retirarem a venda para fazer o desenho na folha avulsa. Eles provavelmente vão sentir grande dificuldade para realizar a tarefa; incentive-os a usar a imaginação para completar o objeto.

O objetivo dessa atividade é mostrar aos alunos como não estamos acostumados a reconhecer o mundo que nos rodeia por meio de outros sentidos que não sejam a visão. Caso haja um estudante com deficiência visual na turma, proponha que, em vez de desenhar, ele reproduza o objeto com massinha de modelar ou outro material moldável. Ele provavelmente terá mais facilidade nisso do que os demais jovens no desenho.

Autorretrato no espelho Essa atividade deve ser feita em casa, com o máximo de concentração possível. Para ela, os alunos precisarão apenas de lápis 6B, papel sulfite A4 e um espelho. É um momento de intimidade e pode ser inicialmente difícil para jovens que se encontram num momento de transição do corpo. É importante que eles se acostumem com sua própria presença física diante do espelho e aprendam a valorizar suas características e a ganhar consciência corporal. Oriente-os a se observar no espelho atentando para cada detalhe a ser representado no autorretrato: o formato dos olhos e a distância entre eles; o pescoço; as orelhas; as sobrancelhas; o nariz; a boca. Sugira que façam um aquecimento numa folha avulsa antes do desenho definitivo, com linha fraca, começando pelo contorno da cabeça. Eles não devem se esquecer de reparar nas sombras e no volume. Para finalizar o retrato, eles podem usar lápis, tinta ou outro material de colorir. Para os alunos que têm mais dificuldade com a técnica do desenho, você pode sugerir que façam o autorretrato com base em uma fotografia.

Avaliação dos resultados Em classe, reúna os autorretratos para uma avaliação coletiva. Proponha como desafio ver se os estudantes conseguem descobrir quem é quem.

para ampliar o conhecimento Sobre representação do corpo e a escultura Recomendamos dois livros que abordam de formas diferentes o corpo humano na escultura: um que reproduz uma entrevista com o escultor Auguste Rodin e outro que analisa representações do corpo humano e esculturas abstratas.

• RODIN, Auguste. Rodin, a arte. Conversas com Paul Gsell. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

184 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 184

6/23/15 5:39 PM


• TUCKER, William. A linguagem da escultura. São Paulo: CosacNaify, 1999.

Sobre Ernesto Neto A obra de Ernesto Neto tem sido bastante estudada e debatida nos meios acadêmicos. A edição número 16 da revista Arte&Ensaios, do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), publicou uma entrevista em que o artista discorre sobre diferentes assuntos:

• NETO, Ernesto. A gente vai para o que ama.

Revista Arte&Ensaios, Rio de Janeiro, n. 16, jul. 2008. Disponível em: <www.ppgav.eba.ufrj.br/

wp-content/uploads/2012/01/ae16_entrevista_ernesto_neto.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre ensino de desenho O artista paulista Paulo von Poser (1959) é conhecido por seu trabalho como professor de desenho, tendo formado várias gerações de arquitetos e designers nessa linguagem. Paulo também promove eventos para desenhar coletivamente na cidade. Em seu site é possível ver um pouco de suas atividades ligadas ao ensino.

• Disponível em: <http://paulovonposer.com.br/ ensino/>. Acesso em: 3 jun. 2015.

CApítulo 2 – o Corpo nA Arte Nesse capítulo, a proposta é mostrar que o corpo é suporte para diferentes formas de linguagem e que ele é também uma forma de linguagem em si. Trata-se de uma continuação do trabalho de sensibilização e conscientização com os alunos: o corpo fala e carrega mensagens. O capítulo apresenta variadas formas em que se dá a relação entre arte e corpo: em alguns – tatuagem, pintura corporal, adorno – como suporte; e em outros trabalhos, é ele mesmo transmissor de mensagens, por meio de seus atos e vestígios. Nas atividades propostas experimentamos formas de decorar o corpo, mas também de associar significados a ele. Há uma proposta de discussão sobre a relação entre o adorno corporal e a identidade, além de uma sugestão de pesquisa sobre adorno e pintura corporal que parte das populações tradicionais para chegar ao universo do aluno. A seção Teoria e Técnica dá suporte à atividade prática de pintura corporal.

sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Resultados de Hora da Troca, Pensando com a História e Debate Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

sobre obras e autores Maori

Os Maori vivem na Nova Zelândia e são um dos muitos povos que habitam as milhares de ilhas da Oceania. O isolamento geográfico e a

particularidade desse território possibilitou a formação de grande variedade cultural entre esses povos. Mesmo assim, os Maori têm algumas características comuns com os habitantes dos arquipélagos da Melanésia, Micronésia e Polinésia, como uma considerável similaridade linguística e um profundo respeito pela natureza. Creem que todas as formas da natureza, inclusive os minerais, possuem alma e agem intencionalmente.

Yoshitoshi Tsukioka Yoshitoshi (1839-1892) foi um artista gravador japonês que viveu no final do período Edo e no início da era Meiji, quando o Japão se abriu para o comércio com o Ocidente. Ele é conhecido como o último grande mestre do ukiyo-e, gênero de xilogravura voltado para a representação do cotidiano, da nobreza e da vida artística da época. Como muitos japoneses que viveram a transição ocorrida no período Meiji, Yoshitoshi interessou-se em conhecer as culturas ocidentais. No entanto, a chegada dos processos industriais de reprodução de imagens levou a uma crise da xilogravura local, o que o fez se preocupar em preservar essa técnica tradicional.

Lygia Pape Nascida em Nova Friburgo (RJ), Lygia Pape (1927-2004) integrou, na década de 1950, o grupo Frente, com Hélio Oiticica e Lygia Clark. Dedicou-se inicialmente à xilogravura, realizando trabalhos abstrato-geométricos, mas ao longo de sua trajetória realizou um trabalho diversificado, incluindo objetos, gravuras, obras interativas,

manual do professor • 185 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 185

6/23/15 5:39 PM


performances e cinema. Em 1959, assinou o Manifesto Neoconcreto, que valorizava a experiência pessoal do espectador e sua participação no processo da obra. No mesmo ano, realizou o Livro da criação, composto de 118 “unidades” de várias formas e cores que devem ser manuseadas pelo leitor. Desenvolveu trabalhos nos quais a participação do público é essencial, como Divisor, de 1968. Em outros, elaborou ideias relacionadas a questões sociais como a fome e os direitos dos povos indígenas.

Carlos Vergara Carlos Vergara (1941) nasceu em Santa Maria (RS) e mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1950. Participou das mostras Opinião 65 e 66, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), que deram destaque ao novo movimento figurativo nas artes visuais do Brasil e do mundo. Em 1967, foi um dos organizadores da importante mostra Nova objetividade brasileira, que reuniu artistas de diferentes vanguardas sob as ideias da liberdade artística e da reflexão crítica. Durante a década de 1970, o Carnaval tornou-se foco de suas fotografias e filmes em super-8. Desde o fim dos anos 1980, voltou a privilegiar a pintura e a técnica mista, usando materiais como pigmentos naturais e minérios sobre lona crua.

Secos & Molhados Grupo musical formado em São Paulo no início dos anos 1970, os Secos & Molhados chamaram a atenção após realizar uma temporada de show em um teatro adotando um visual extravagante, com maquiagem e adereços. Em menos de um ano, lançaram seu primeiro álbum, Secos & Molhados (1973), que obteve grande sucesso de público graças à mistura de rock com outros gêneros, em canções como “O vira”, “Rosa de Hiroshima” e “Sangue latino”. Em 1974, o grupo se desfez; embora viesse a ter outras formações, sob a liderança do guitarrista João Ricardo, o mais reconhecido de seus integrantes passou a ser o vocalista Ney Matogrosso, em carreira solo. No CD que acompanha este volume é possível ouvir a música “O vira”, de João Ricardo e Luhli, interpretada pelo conjunto. A canção foi lançada em 1973 e tem influência do vira, uma tradição portuguesa que consiste em música acompanhada por dança com movimentos de braços levantados, giros e batidas dos pés no

chão. Nesta faixa você pode escutar a mistura de instrumentos tradicionais, como a sanfona, com outros modernos para a época da gravação, como a guitarra.

Ana Mendieta Ana Mendieta (1948-1985) nasceu em Havana, Cuba. Como seus pais se opuseram ativamente ao governo instalado pela Revolução Cubana, aos 12 anos Ana foi mandada com sua irmã mais velha para os Estados Unidos, onde viveram em orfanatos e instituições. Estudou na Universidade de Iowa, onde entrou em contato com a vanguarda artística do início dos anos 1970 e com o movimento feminista. Em 1972, Mendieta começou a fazer performances que traziam questões como o corpo feminino e os símbolos a ele associados, o exílio e a relação com a terra. Seu trabalho mais conhecido é a série Silhueta, com registros fotográficos de performances feitas no México e no estado de Iowa, nos Estados Unidos, de 1973 a 1980.

Yanomami As aldeias Yanomami localizam-se em uma região montanhosa na fronteira do Brasil (estados de Amazonas e Roraima) com a Venezuela, em uma reserva com mais de 9,6 milhões de hectares. Trata-se do maior território indígena coberto por floresta em todo o mundo. Os Yanomami são pouco mais de 35 mil indivíduos, sendo que 19 mil deles estão em território brasileiro. O líder Davi Kopenawa Yanomami, que é xamã e porta-voz de seu grupo étnico, conheceu os brancos ainda criança, quando houve os primeiros contatos com sua gente. Ele conta que tinha muito medo do homem branco:

[.] pouco depois, uma primeira epidemia, seguida de outra, matou quase toda a gente de nossas aldeias. Mais tarde, muitos outros Yanomami morreram de novo quando abriram a estrada em nossa terra e mais ainda quando os garimpeiros chegaram ali com sua malária. Porém, dessa vez eu tinha me tornado adulto e sabia de verdade o que os brancos queriam ao penetrar em nossa foresta: desmatá-la e tomar nosso lugar. Depoimento de Davi Kopenawa com tradução de Bruce Albert. In: PEDROSA, Adriano; SCHWARCZ, Lilia Moritz (Org.). Histórias mestiças: antologia de textos. Rio de Janeiro: Cobogó, 2014.

186 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 186

6/23/15 5:39 PM


Paulo Nazareth Paulo Nazareth (1977) nasceu em Governador Valadares (MG) e estudou Artes Visuais e Linguística na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O artista despontou no cenário internacional das artes visuais a partir de 2010, quando realizou a pé o percurso de Minas Gerais até Miami, nos Estados Unidos. Ao longo do trajeto, fotografou-se com cartazes e anúncios para compor a performance Notícias da América (2011-2012). Ao fim da viagem, apresentou na Feira de Arte de Miami a instalação Banana Market, com uma van cheia de bananas que visava provocar uma reflexão sobre a ideia de exótico que costuma ser atribuída ao Brasil pelo mercado internacional de arte. Nazareth participou de programas de residência em países como Argentina, Indonésia e Índia e integrou diversas exposições internacionais. Esta e outras viagens, como as residências artísticas que realizou, são narradas no livro Paulo Nazareth, Arte Contemporânea Ltda., publicado em 2012.

Kadiwéu Os Kadiwéu são uma nação indígena nômade que habitava a região do sul do Pantanal e hoje vive numa reserva indígena no município de Porto Murtinho (MS), entre o Pantanal e a serra da Bodoquena. Esse povo de tradição guerreira usou sua habilidade e seu repertório em pinturas corporais na decoração de peças de cerâmica, por meio das quais seu trabalho se tornou conhecido. Em 1998 suas pinturas foram utilizadas por arquitetos brasileiros em azulejos feitos especialmente para a reurbanização de um bairro em Berlim, na Alemanha.

Carmen Miranda Nascida em Portugal, Carmen Miranda (1909-1955) se tornou símbolo internacional da cultura brasileira durante os anos 1930 e 1940. Nesse período, o país se industrializava fortemente e a indústria fonográfica, o rádio e o cinema ganhavam espaço. Carmen foi uma espécie de embaixadora cultural do Brasil nos Estados Unidos, tendo participado de vários musicais em Hollywood, nos quais cantava e dançava. Com seu estilo marcante, difundiu a música popular brasileira e símbolos tropicais. Seus turbantes e balangandãs foram copiados e expostos em vitrines de lojas americanas, e a cantora ganhou o título Brazilian Bombshell (algo como ‘granada’ ou ‘explosão brasileira’).

O CD que acompanha este volume traz a música “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymmi, interpretada por ele e Carmen Miranda. A canção foi composta para o filme Banana da terra, de 1939, e tornou-se uma das gravações mais conhecidas de Carmen. Incentive os estudantes a reparar na letra da canção, que enumera uma série de objetos relacionados à cultura afro-brasileira (como o pano da costa), usados como adorno pelas baianas que frequentavam a igreja do Bonfim, em Salvador.

Lorna Simpson Lorna Simpson (1960) nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, onde estudou fotografia. A partir de sua pós-graduação em San Diego, iniciou um trabalho com fotografia conceitual. Lorna Simpson ficou conhecida em meados dos anos 1980 por produzir obras em grande escala, misturando fotografia e texto, que desafiavam visões convencionais de gênero, identidade, cultura, história e memória. Tomando a mulher afrodescendente norte-americana como ponto de partida, o trabalho de Simpson investiga os relacionamentos e experiências na sociedade contemporânea multirracial. Recentemente, ela se interessou pela linguagem do cinema e vídeo.

Fala o Artista Peça aos alunos que leiam o texto de Hélio Oiticica e olhem com atenção a reprodução da cena do filme Trio do embalo maluco, produzido em 1967 por Lygia Pape. Se achar mais proveitoso, solicite que façam uma leitura silenciosa e depois proceda a uma leitura coletiva, auxiliando-os na interpretação do texto. O artista Hélio Oiticica será estudado no Capítulo 4, sobre performance. O foco desta atividade é a obra de Lygia Pape descrita por ele. O filme Trio do embalo maluco foi feito com base na obra OVO, que consiste em um cubo coberto por papel ou plástico fino em todas as faces à exceção de uma. A intenção é de que as pessoas possam entrar nele e, ao romper o material para sair, tenham a sensação de um nascimento. Divida os alunos em pequenos grupos para conversarem rapidamente sobre as questões propostas. Se for possível, você pode pedir aos alunos que pesquisem na internet outros trabalhos de Lygia Pape.

manual do professor • 187 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 187

6/23/15 5:39 PM


• Disponíveis em: <www.lygiapape.org.br/pt>.

Acesso em: 21 nov. 2014. Por fim, os grupos devem apresentar rapidamente suas conclusões.

Hora da troca Se possível, reserve metade de uma aula em que os alunos tenham acesso a computadores para que assistam aos vídeos e acessem as imagens e textos recomendados nas orientações da página. O vídeo Bimi – mestra de kenes, produzido em uma aldeia Kaxinawá, tem apenas 4:27 minutos. Ele mostra a relação imbricada entre os padrões usados na pintura corporal e na tecelagem. Bimi conta como aprendeu a realizar esses padrões, num relato que retoma hábitos tradicionais e rituais de sua sociedade. O vídeo Corpos pintados na África, indicado no comentário ao professor, tem 24 minutos e é falado em inglês. Ainda assim, você pode achar pertinente exibi-lo, pois as imagens mostram uma diversidade muito grande na arte corporal de dois povos da Etiópia.

debate Provoque os alunos para que eles se coloquem com relação às questões sugeridas. Se perceber que um ou alguns alunos tendem a dominar a discussão, estimule os mais calados a expressar seus pontos de vista. Ao propor este debate, o objetivo pedagógico é discutir a relação entre o adorno, a maquiagem, o cabelo e a identidade. Os alunos podem levantar diferentes motivos para justificar a importância de preservar tradições. A questão de fundo, neste debate, é a da identidade. No entanto, deve-se evitar a ideia de cultura estanque: todas as culturas mudam com o tempo, seja entrando em contato umas com as outras, seja em função de modificações dentro da própria sociedade em que cada uma delas se insere. A linguagem do corpo é expressão da identidade individual e também dos pertencimentos: por exemplo, uma jovem pode ser brasileira, descendente de asiáticos e admiradora da cultura hip-hop; sua identidade é construída com base nesses diferentes pertencimentos. Mais uma vez, trata-se de um debate que trabalha com a autoestima do jovem ao desnaturalizar os valores aos quais ele está acostumado cotidianamente. A questão do cabelo é

particularmente sensível para muitas garotas, em razão de preconceitos construídos historicamente no Brasil e também de padrões de beleza reforçados pela indústria cultural. Portanto, deve ficar claro a todos que noções expressas em termos pejorativos (como “cabelo ruim”) não são naturais: não nascemos achando determinado tipo de cabelo “melhor” ou “pior”, mas sim somos ensinados a ter essa visão. Portanto, são preconceitos que podem ser desconstruídos. Sobre os trabalhos apresentados:

• A cantora e atriz portuguesa Carmen Miranda

já era a maior estrela da música, do rádio e dos cassinos no Brasil quando adotou a indumentária da baiana afrodescendente, na esteira do sucesso de um musical que protagonizou em Nova York, nos Estados Unidos. Essa foi uma oportunidade de criar uma personagem identificada com a cultura brasileira no final da década de 1930. Nessa época, os Estados Unidos buscaram pôr em prática a chamada política da boa vizinhança, que consistia em usar a diplomacia, as relações econômicas e principalmente a cultura para garantir influência sobre os países da América Latina. Entre as várias ações patrocinadas para fortalecer os laços entre o Brasil e os Estados Unidos, esteve o estímulo à carreira cinematográfica de Carmen Miranda em Hollywood. Em pouco tempo, ela se tornou símbolo da cultura latino-americana para o público americano.

• As jovens que optam por ser gueixas se dedi-

cam ao aprendizado de rituais minuciosos da cultura tradicional japonesa. Elas são incentivadas pelos mais velhos, para que este conjunto de práticas e saberes seja preservado de geração em geração.

• O trabalho de Lorna Simpson reflete sobre

questões raciais e identidade ao distanciar o cabelo do corpo, isolando um dos aspectos físicos pelos quais os afrodescendentes costumam sofrer discriminação. Ao comparar os apliques de cabelos de afrodescendentes com um aplique da boneca loira, ela chama atenção para os padrões de beleza vigentes na década de 1990.

Refletindo sobre a globalização e identidade no pensamento do sociólogo jamaicano Stuart Hall (1932-2014), Dani Lima escreve:

188 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 188

6/23/15 5:39 PM


teoria e técnica Alguns teóricos acreditam que o processo de “identifcação global” gerado pela globalização não só desloca como apaga as identidades culturais locais, levando ao que conhecemos como “pós-moderno global”: fragmentação e multiplicidade de estilos e culturas, em que reinam o pluralismo, a diferença, mas também o efêmero e o impermanente. Dentro desse quadro, o consumo global torna-se vínculo partilhado por todos os habitantes do globo, o elo maior dessa interconexão. As culturas nacionais se abrem e se expõem ao bombardeamento externo, perdendo parte de suas características tradicionais. As identidades culturais tornam-se então cada vez mais deslocadas – “desalojadas de tempos, lugares, histórias e tradições específcas”. Hall alerta para o fato de que o que aparece sob o efeito da globalização é a antiga tensão entre o “local” e o global, uma visão mais “particularista” ou mais “universalista” da ideia de pertencimento. [.] Hall chama a atenção para o fato de que a globalização parece não estar encaminhando as identidades culturais nem para o triunfo do global, nem do local, mas de formas mais variadas e contraditórias de recombinação desses aspectos. Ele enumera três possíveis consequências do impacto da globalização sobre identidades culturais: 1. As identidades nacionais se desintegram dando lugar à homogeneização (ou ocidentalização, como preferem alguns críticos) e ao “pós-moderno global”; 2. As identidades nacionais e/ou locais se fortalecem na resistência ao processo de homogeneização, dando lugar aos nacionalismos, racismos e fundamentalismos de toda natureza; 3. As identidades nacionais como conhecemos na modernidade desaparecem dando lugar a novas formas – híbridas – de identidade cultural. LIMA, Dani. Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. In: BARBOSA, Ana Mae; AMARAL, Lilian (Org.). Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. São Paulo: Senac-SP: Sesc-SP, 2008. p. 163 e 164.

A proposta deste capítulo é apresentar as possibilidades do corpo na arte ao longo da história humana e na sociedade contemporânea. Não se trata, portanto, de estimular práticas como a tatuagem ou perfuração, de modo que é importante advertir os adolescentes da proibição dessas práticas para menores de idade. A tinta caseira da proposta pode ser feita na escola, se houver um fogão para apurar a pasta. Você pode também preparar a pasta em casa e compartilhá-la com os alunos.

Atividades Pintura corporal A pintura corporal é uma atividade lúdica. As garotas e os garotos podem se divertir e vivenciar várias questões nesta atividade: a feitura da tinta, a pesquisa dos padrões, a habilidade com os pincéis, a diluição ideal da tinta para trabalhar na pele, a transposição do desenho feito em superfície plana e regular para a superfície curva do corpo, a negociação com o parceiro sobre o trabalho conjunto e a prática afetiva de pintar o outro. Cuide apenas para que os estudantes decidam e estejam de acordo com a pintura que vão fazer um no outro.

Pegadas Essa atividade pode fazer um pouco de sujeira. Procure um lugar na escola que possa ser limpo com facilidade e no qual os estudantes também possam se limpar. No 6º ano, com a pré-adolescência, o corpo dos estudantes está começando a se transformar. Nesse momento, mesmo que de forma camuflada, o corpo é o foco de atenção em suas vidas. As diferenças sexuais e as novas dimensões precisam ser conhecidas; é a época de se olhar no espelho e de olhar também para o outro. Por isso é um bom momento para eles ficarem à vontade para fazer algo que anseiam: olhar seu corpo, o rosto, as diferenças. Você pode sempre que possível estimulá-los a perceber os gestos que fazem inconscientemente e a forma como se movimentam. Nessas atividades, cabe ao professor ficar atento para as dificuldades de cada um em se expor.

manual do professor • 189 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 189

6/23/15 5:39 PM


Preserve os tímidos e não faça avaliações e discussões em grupo que possam gerar constrangimento.

Atividades complementares A seguir reunimos mais duas propostas de atividades para este capítulo. Veja qual cabe melhor no seu planejamento. Sempre que possível, procure realizar mais de uma atividade com a turma.

Retrato fotográfico com um objeto Essa atividade pode ser feita com câmeras simples como as do celular. O ideal é realizá-la em dia de sol, ao ar livre, ou em lugar bem iluminado, com luz natural. Os alunos devem formar duplas para que todos possam fotografar e ser fotografados. Peça às duplas que improvisem um estúdio, com um banquinho ou uma cadeira e um fundo neutro, que pode ser uma parede, um muro ou um pano grande. Esse anteparo deve ficar voltado para o sol, recebendo sua luz frontalmente ou levemente na diagonal. Os alunos devem trazer de casa um adereço para usar na cabeça, no pescoço ou no tronco. Peça-lhes que escolham objetos que não são usados tradicionalmente na cabeça. Lembre-os, por exemplo, da personagem Menino Maluquinho, de Ziraldo, conhecido por usar uma panela na cabeça. É interessante que o objeto, no entanto, tenha algum significado importante para o aluno. A pergunta que ele deve se fazer é: Que objeto pode acrescentar algo a minha identidade? Será necessário ter um espelho por perto para que todos possam se preparar. Cuide para que todas as fotos sejam tiradas de forma bem parecida, com o mesmo tipo de luz e enquadramento (busto e cabeça).

Avaliação dos resultados Reúna um retrato de cada aluno numa pasta de um computador. Projete as imagens para a turma e chame a atenção para alguns pontos:

• Que fotos foram tiradas em ambientes bem iluminados?

• Quais delas apresentam cores mais vivas? • Estão todas em condições técnicas similares? • Que objetos foram mais inesperados? • Que objeto se relacionou melhor à personalidade do fotografado?

• Quem gostou e quem não gostou de seu retrato?

• Quanto à expressão, pode-se dizer apenas

olhando as fotografias quem está alegre ou triste, nervoso ou tranquilo?

Amostra de cores e pigmentos naturais Para essa atividade, será preciso utilizar a base de tinta já preparada com farinha de trigo, conforme orientações da seção Teoria e Técnica deste capítulo. Além dela, os estudantes precisarão de pigmentos preto, vermelho e amarelo, uma folha de papel Kraft, pincel, copo com um pouco de água para lavar o pincel, pano e potes de plástico para a mistura. Se for possível, leve um pote de tinta branca para uso compartilhado – deste modo, os alunos poderão fazer amostras mais claras também. Quanto aos pigmentos, há várias opções acessíveis. Você pode sugerir aos alunos que misturem em suas tintas várias tonalidades de terra, colorau (corante vermelho feito de sementes de urucum) ou carvão moído. Eles podem usar, ainda, pó xadrez vermelho e amarelo misturado com a base de farinha de trigo. O pó xadrez rende muito, por isso é provável que toda a turma use apenas uma caixa. Para fazer o suporte para as amostras, os alunos devem cortar quadrados de papel com cerca de 4 cm de lado e pintar, primeiramente, com as tintas preparadas usando as cores puras: vermelho, amarelo e preto. Depois eles vão misturar essas cores, procurando fazer o máximo de variações, criando tons cada vez mais escuros. A ideia é que pintem uma amostra com cada cor que foi preparada. Finalmente, a turma deve fazer um painel coletivo com todas as amostras de cores preparadas. O objetivo é propiciar experimentos com a mistura das cores, observando a variação das quantidades para a obtenção de tons médios — nem puros, nem muito cinza. É muito importante que o aluno, num primeiro momento, registre de maneira organizada todas as variações de tonalidades que conseguir criar. Em seguida, com os colegas, ele deve ser capaz de montar o painel geral das amostras numa sequência lógica. Por exemplo: do mais claro ao mais escuro, do mais amarelo ao mais vermelho ou do mais puro ao mais acinzentado.

190 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 190

6/23/15 5:39 PM


para ampliar o conhecimento

Sobre pintura corporal e tatuagem O Museu do Quai Branly, em Paris, França, promoveu uma exposição chamada Tatuadores e tatuados entre 2014 e 2015. No site do museu há um vasto material sobre a mostra, que teve um recorte antropológico. A página tem textos em inglês ou francês, entrevistas em francês, fotos e vídeos.

• Tatoueurs, tatoués. Disponível em:

<www.quaibranly.fr/en/programmation/ exhibitions/currently/tatoueurs.html>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre Paulo Nazareth

Para conhecer mais sobre a obra de Paulo Nazareth, recomendamos um livro lançado em 2012 pela editora Cobogó e um texto publicado na revista portuguesa Buala em 2013:

processo de seu trabalho. Na plataforma digital há vídeos com vários trechos dos depoimentos e imagens de obras.

• Um artista viajante. Revista Mesa, n. 2, abr.

2015. Disponível em: <http://institutomesa.org/ RevistaMesa_2/um-artista-viajante>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre orientação sexual e identidade de gênero Para trabalhar questões relacionadas à diversidade sexual (orientação sexual e identidade de gênero), recomendamos os seguintes materiais, disponíveis na Internet.

• HENRIQUES, Ricardo et al (Org.). Gênero e di-

lo Nazareth: Arte Contemporânea Ltda. Rio de Janeiro: Cobogó, 2012.

versidade sexual na escola: reconhecer diferenças e superar preconceitos. Cadernos Secad, Brasília: Secad-MEC, n. 4, 2007. Disponível em: <http://pronacampo.mec.gov.br/images/pdf/ bib_cad4_gen_div_prec.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2015.

• ESPINOSA, Joanna. O homem com solas de poei-

• BARRETO, Andreia et al (Org.). Gênero e diversi-

• NAZARETH, Paulo. Textos de Janaína Melo. Pau-

ra. Revista Buala, 31 mar. 2013. Disponível em: <www.buala.org/pt/corpo/o-homem-com-solasde-poeira>. Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre Carlos Vergara A revista Mesa, do Instituto Mesa, publicou uma entrevista com Carlos Vergara sobre o

dade na escola: formação de professoras/es em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais. Versão 2009. Rio de Janeiro: Cepesc; Brasília: SPM, 2009. Disponível em: <http:// estatico.cnpq.br/portal/premios/2014/ig/pdf/ genero_diversidade_escola_2009.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2015.

CApítulo 3 – A roupA e A Arte Este capítulo propõe ao aluno refletir sobre a roupa e a invenção na área da indumentária, mas também sobre a forma como nos vestimos. Primeiramente, são apresentadas criações de estilistas e artistas brasileiros e internacionais, a fim de explorar a relação desses objetos com questões de identidade, invenção e trabalho manual ou artesanal. Roupas, acessórios e adereços são mostrados não como simples objetos utilitários, mas como portadores de mensagens e conhecimentos, elaborados por profissionais ou não graças a um conjunto de técnicas. Essas mensagens aparecem em manifestações das mais diversas: da hierarquia expressa nos trajes dos cangaceiros à valorização de tradições culturais, passando pelo olhar crítico da arte contemporânea e por modos de diversão como o cosplay.

O capítulo propõe também leituras e debates sobre tendências da moda, definições de gosto, conforto e elegância, e o potencial expressivo e político da criação de roupas. Desta maneira, o aluno deparará com novos pontos de vista e problematizações a respeito de coisas que fazem parte de seu cotidiano. As atividades práticas se centram na produção manual e exibição de bordados e adereços.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, resultado da Hora da Troca, Debate, Teoria e Técnica e planejamento da Atividade 1

manual do professor • 191 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 191

6/23/15 5:39 PM


Aula 3: Atividade 1 e planejamento da Atividade 2 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

sobre obras e autores J. Carlos Além de caricaturista, chargista e ilustrador, o carioca J. Carlos (1884-1950) foi um dos grandes designers gráficos de sua época. Projetou revistas, livros e cartazes, trabalhando com as novas tecnologias gráficas da época e com a fotografia. Em sua prolífica produção, chegou a fazer cenários e figurinos para teatro e até esculturas. Colaborou com as revistas mais importantes de seu tempo: O Tagarela, A Careta, O Malho e Para Todos..., entre outras.

Lampião Lampião era a alcunha de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), figura polêmica que se tornou um símbolo controverso de identidade regional no Sertão nordestino. Nascido na cidade de Serra Talhada (PE), Lampião teria entrado no cangaço com dois irmãos para vingar a morte de seu pai. Em 1922, tornou-se chefe do bando que integrava, e a partir daí revolucionou o modo de vida dos cangaceiros, instaurando códigos próprios de conduta para seu grupo. Temido pelos saques e assassinatos que promovia, era, por outro lado, admirado por seu poder e liderança. Conseguiu afirmar-se como “rei do cangaço” e exercer poder sobre uma vasta região ao utilizar modos de comunicação da modernidade, distribuir retratos e moedas, e exibir-se vestido e adornado de forma extravagante.

Zuzu Angel Zuleika Angel Jones (1921-1976) nasceu em Curvelo (MG), mas mudou-se com a família na infância para Belo Horizonte. Casou-se com um canadense naturalizado americano e mudou-se para Salvador e, mais tarde, para o Rio de Janeiro. Durante o mandato presidencial do mineiro Juscelino Kubitschek (1956-1960), passou a costurar para seus conterrâneos que se mudaram para a então capital federal, inclusive a primeira-dama. Aos poucos projetou-se socialmente e profissionalizou-se, conseguindo penetrar no mercado dos Estados Unidos. Produziu roupas para atrizes famosas, participou de feiras internacionais de moda, criou coleções para magazines norte-americanos

e abriu uma loja no Rio de Janeiro. Depois do desaparecimento de seu filho Stuart Jones, atribuído a agentes da ditadura militar, Zuzu passou a atuar politicamente, denunciando os abusos do governo brasileiro. Apresentava-se publicamente sempre vestida de preto, como sinal de luto. Em 1976, morreu em um acidente rodoviário causado pela sabotagem de seu carro.

Bispo do Rosário Arthur Bispo do Rosário (1911?-1989) nasceu em Japarapatuba (SE), mas mudou-se ainda adolescente para o Rio de Janeiro, onde foi marinheiro e pugilista. Em 1938 alegou ter tido uma visão, na qual Cristo descia no quintal da casa onde morava. Transferido de vários hospitais psiquiátricos com diagnóstico de esquizofrenia paranoide, passou os últimos 50 anos de sua vida na Colônia Juliano Moreira, onde realizou sua impressionante obra. Seu trabalho é de um cartógrafo intuitivo e um colecionador paciente, que registra cada passagem, lugar, pessoa ou instrumento encontrado em sua vida.

Lena Santana Nascida em Salvador (BA), a estilista brasileira Lena Santana (1969) trabalhou como figurinista no Rio de Janeiro. Convidada para morar e trabalhar em Londres, no Reino Unido, estudou moda no conceituado The Surrey Institute of Art & Design, onde se aprimorou na técnica do moulage. De acordo com a artista, foi menos uma opção do que uma necessidade – por ser disléxica, ela tinha dificuldade em lidar com moldes de papel, que dependem de cálculos. Mais tarde, se inscreveu e conseguiu uma vaga para montar seu estúdio no disputado Cockpit Arts, uma incubadora londrina de artistas que trabalham exclusivamente de forma artesanal (sem produção em série).

Issey Miyake Issey Miyake (1939) nasceu em Hiroxima, Japão, e formou-se em design gráfico. Trabalhou com costureiros franceses antes de criar o Miyake Design Studio (MDS), em 1970. Sua produção mistura a referência dos tecidos e do artesanato asiáticos tradicionais com a tecnologia aplicada a materiais modernos, como resinas e plásticos. Além de sua pesquisa com tecidos plissados e estruturados, Miyake criou uma linha de roupas coloridas e de caimento leve, que teve centenas

192 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 192

6/23/15 5:39 PM


de milhares de peças vendidas em todo o mundo. Colaborou com artistas como o escultor Isamu Nogushi, o pintor Anselm Kiefer e o arquiteto Tadao Ando, entre outros, e em muitos momentos se apropriou da linguagem das artes plásticas em suas criações.

Yinka Shonibare Yinka Shonibare – MBE (1962) é um artista britânico de ascendência nigeriana. Nascido em Londres, mudou-se ainda criança com sua família para Lagos, na Nigéria, mas voltou à Inglaterra aos 17 anos. Pouco tempo depois foi diagnosticado com mielite transversa, uma inflamação da medula espinhal que resultou na paralisia de um lado de seu corpo. Estudou Belas-Artes na University of London, onde se graduou como parte da geração posteriormente conhecida como YBA (jovens artistas britânicos). Quase toda sua obra – que inclui vídeos, esculturas, pinturas, instalações e fotografias – parte de um viés pós-colonialista, problematizando as relações culturais e econômicas entre África e Europa. Expôs na Bienal de Veneza, na Documenta XI e em importantes museus em todo o mundo, e foi condecorado com a Ordem do Império Britânico (MBE) em 2004, título que ele faz questão de usar após seu nome.

Anita Quansah Anita Quansah (1981) nasceu em Londres, Reino Unido, e foi criada na Nigéria, terra natal de sua mãe. De volta a Londres, formou-se em design têxtil pelo Chelsea College of Art and Design. Em 2006, criou sua grife de joias e acessórios de inspiração africana, utilizando materiais como penas, sementes, tecidos e metais. Desde então, colaborou com estilistas renomados de alta-costura e teve suas criações vestidas em editoriais de moda das principais revistas internacionais da área.

Mana Bernardes Mana Bernardes (1981) nasceu no Rio de Janeiro e formou-se em Desenho Industrial pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Em suas joias, mistura materiais convencionais a outros obtidos da reciclagem e do reaproveitamento, como as escamas de garrafa PET. Os adereços indígenas são uma de suas influências na hora de projetar seus trabalhos. Além de designer de joias e objetos, desenvolve atividades pedagógicas e de arteterapia.

Espedito Seleiro Nascido em Nova Olinda (CE), Espedito Veloso de Carvalho, o Espedito Seleiro (1939), aprendeu ainda criança, com seu pai, o ofício com o couro. Além dos tradicionais gibões e chapéus sertanejos, produz bolsas, cintos e calçados coloridos e finamente recortados e costurados. Pela relevância e qualidade de seu trabalho, foi escolhido como Tesouro Vivo do estado do Ceará em 2008. Em 2015, lançou uma coleção de móveis com os premiados designers paulistas Fernando e Humberto Campana.

Andy Warhol Andy Warhol (1928-1987) foi um artista pop americano que revolucionou o mercado de arte. Trabalhando como publicitário e ilustrador no final dos anos 1950, tornou-se reconhecido primeiramente por sua série de ilustrações de sapatos, projetando-se em seguida com obras em série que faziam referência à cultura de massa. Com o sucesso, montou um galpão em Nova York – a “Fábrica” – onde assistentes faziam as matrizes e impressões de serigrafia para as imagens e combinações de cor que Andy escolhia. Depois de produzir a obra Ethel Scull 36 vezes (1963), em que representava uma colecionadora de arte, Warhol fez inúmeros retratos por encomenda. Transformou todas as suas produções em negócios rentáveis, montou uma revista, foi empresário de bandas, fez filmes e patrocinou outros artistas.

Flávio de Carvalho Nascido em Barra Mansa (RJ), Flávio de Carvalho (1899-1973) foi um artista múltiplo: engenheiro, arquiteto, escultor, pintor, desenhista e escritor. Seu trabalho foi revolucionário e questionador em todas essas áreas. Em sua primeira performance, Experiência no 2 (1931), percorreu uma procissão de Corpus Christi no sentido oposto usando chapéu. A transgressão e a ironia marcaram sua obra, que desafiou o conservadorismo da burguesia paulista, as instituições religiosas e os dogmas que limitavam a ação artística. Foi a conjugação da irreverência do artista com o interesse pela moda que o levou a propor o traje masculino da performance New Look, apresentado como mais adequado para o clima tropical. Flávio de Carvalho é considerado hoje um precursor dos artistas multimídia. Suas experiências

manual do professor • 193 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 193

6/23/15 5:39 PM


abriram caminho para procedimentos artísticos que só se desenvolveram no Brasil ao final da década de 1960.

Leonilson O artista fortalezense Leonilson (1957-1993) cresceu e fez seus estudos artísticos em São Paulo, tendo sido posteriormente classificado como um dos principais artistas da chamada Geração 80. Em 1989, apresentou pela primeira vez obras em que a costura e o bordado eram as principais técnicas utilizadas, sob influência dos trabalhos de Arthur Bispo do Rosário e de memórias de infância. Em sua obra, o desenho, a pintura, o bordado e o uso de textos curtos se unem para expressar um universo pessoal. Em 1991, descobriu-se portador do vírus do HIV; a partir daí, os temas da fragilidade da vida e da doença dominaram por completo sua obra.

Fala a Artista Peça aos estudantes que leiam o texto de Zuzu Angel e observem com atenção o bordado do vestido branco da estilista. Divida-os em pequenos grupos para conversarem rapidamente sobre as questões. Se for possível, eles podem pesquisar na Internet outros trabalhos de Zuzu Angel que questionem a situação política do Brasil à época da ditadura. Em seguida, os grupos devem apresentar rapidamente suas conclusões.

pensando com a História Estimule os alunos a pensar na importância de pesquisar nas ruas e, com base nisso, interpretar o que é a estética de nosso tempo. Peça-lhes que observem como são as roupas vendidas nas lojas e como as pessoas se vestem nas ruas. Há diferenças nas formas de vestir em uma mesma área da cidade? Há diferenças entre áreas da cidade, ou, ainda, entre diferentes tipos de lugar? O que eles reuniriam para fazer uma cartela de tendências? Enfim, inicialmente espera-se que eles percebam a diversidade nas formas de vestir-se; posteriormente, você pode verificar se os jovens notam quais fatores condicionam essas diferenças. Tanto essa seção como a seção Debate proporcionam discussões e reflexões favoráveis a aproximar garotos mais resistentes ao tema deste capítulo, fazendo-os perceber que a preocupação com o vestuário não se restringe a questões estéticas e que estas, por sua vez, não são exclusivamente femininas.

Hora da troca A seção traz três referências na produção de adereços e acessórios, uma internacional e duas nacionais. A ideia é que os alunos entrem primeiro em contato com artistas consagrados por sua originalidade no uso de matérias-primas e de referências culturais para que depois busquem identificar soluções criativas em sua própria comunidade e em sua própria bagagem cultural. Com essa atividade, pretende-se constituir um repertório de referências para que os jovens executem a segunda atividade prática do capítulo com mais desenvoltura. Não deixe de incentivar os garotos a pensar em referências costumeiramente associadas ao gênero masculino.

debate Provoque os alunos para que eles se coloquem com relação às questões sugeridas. Não deixe que um ou dois dominem o debate: estimule os mais calados a expressar seus pontos de vista. Esse debate propõe discutir a influência da moda e a questão do conforto; mostrar como é importante pensar criticamente sobre os padrões e comportamentos dominantes, de modo que os jovens reflitam sobre suas decisões; chamar a atenção para o fato de que a forma como nos vestimos é uma forma de comunicação e, portanto, é sempre uma escolha. Espera-se, por fim, que os estudantes vejam que a criatividade pode fazer parte do cotidiano e deve considerar aquilo com que nos sentimos confortáveis (não apenas fisicamente, mas também quanto à identidade). Novamente o que está em discussão no debate são os padrões de beleza e de comportamento hegemônicos na sociedade. Por um lado, a exigência de usar determinados trajes em situações sociais específicas (ou a coerção) pode ser fator de descontentamento e incômodo – e, em caso de desacordo, pode levar a repreensões e punições intencionais ou não (a perda de prestígio no emprego, por exemplo); por outro, a questão não tem resposta correta quando entramos na esfera do gosto: conceitos como o de elegância são relativos, e há quem prefira parecer belo segundo seus próprios conceitos a sentir-se confortável e seguro. Ao refletir sobre o modo como nos vestimos e nos apresentamos socialmente, estamos também descobrindo quem somos, num processo de autoconhecimento.

194 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 194

6/23/15 5:39 PM


Opcionalmente, você pode propor aos alunos após o debate a realização de um editorial de moda da turma, com o tema “Conforto ou elegância?”. Peça-lhes para pensar no tema e levar à escola roupas que tenham a ver com o que foi discutido em sala. Então, eles podem registrar imagens usando esses trajes com câmeras fotográficas ou celulares, sob sua orientação. Ajude-os a prestar atenção a fatores como a luz (se está favorável, se não há formação de sombras indesejadas) e o plano de fundo (se valoriza o traje, se não interfere demasiadamente na imagem, etc.). Outra possibilidade de trabalho é um compartilhamento de fotografias antigas de parentes e recortes de jornais e revistas antigos, para que os estudantes percebam as mudanças da moda com o passar do tempo.

Uma possibilidade interessante é que os alunos levem apenas materiais usados, roupas, bijuterias e tecidos para realizar esta atividade. Os materiais mais acessíveis prestam-se a uma grande diversidade de usos: com pedaços de TNT (tecido não tecido), por exemplo, é possível fazer belos turbantes. Durante a realização da atividade, você pode estimular os alunos a se auxiliarem, conforme suas habilidades.

teoria e técnica

Cartela de tendências

O desafio deste capítulo como um todo e desta seção em especial é despertar o interesse dos meninos. Se eles resistirem à ideia de fazer um bordado, podem simplesmente cortar ou pintar suas camisetas. Por outro lado, fique atento para evitar que aqueles que aceitarem realizar a atividade integralmente sejam alvo de constrangimentos. Sabemos que muitos rapazes gostam do tema, mas que por pressão social e preconceito não admitem. Tente criar um ambiente propício para que os estudantes expressem seus desejos, buscando debater e pôr em questão, de forma cuidadosa, o porquê de suas resistências.

Atividades

Customização Os estudantes podem trazer uma camiseta usada para realizar esta atividade. Estimule a turma a pensar antes no que vai fazer e, se possível, testar primeiro em tecidos e roupas que não estejam mais sendo utilizados. Experimentar em uma roupa velha que não serve mais ou que está manchada – ou, ainda, em um lençol rasgado – pode ser bom, especialmente no caso de cortes radicais. Pregar um objeto, uma bijuteria, um recorte de outro tecido pode ser algo simples e de grande efeito. Procure levar linha e agulha para colaborar com os alunos.

Enfeite para o corpo Se por alguma razão não for possível construir os objetos e realizar o desfile, peça apenas o projeto.

Atividades complementares A seguir, reunimos mais duas propostas de atividade para este capítulo. Veja qual delas cabe melhor no seu planejamento e, se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

As pessoas que trabalham com design de moda costumam preparar cartelas de tendência, nas quais reúnem o material pesquisado, como amostras de cores, tecidos, padrões e texturas, além de fotografias e outras referências que vão inspirar a criação de uma coleção. Esse tipo de pesquisa visual é uma base importante para o processo de criação em várias atividades profissionais. Peça aos estudantes que comecem por uma pesquisa visual, inicialmente observando como as pessoas se vestem nas ruas, como são as cores e texturas de construções, embalagens e propaganda. Se possível, eles devem fotografar o que chamou a atenção. Em seguida, devem analisar as imagens e o material recolhido, verificando a predominância de cores, texturas e estampas, bem como aquelas que mais lhes interessaram. Organize, então, a atividade prática. Peça-lhes que reúnam retalhos de tecidos, pedaços de papel ou papelão e outras superfícies com texturas interessantes que encontrarem e tragam na aula seguinte. Eles também podem procurar amostras de cores, letras e desenhos que poderiam ser transformados em padrões ou estampas. Na aula seguinte, a turma deve selecionar no material coletado amostras que se harmonizem (por exemplo, cores que combinem, ou então amostras que tenham um tema em comum). Os estudantes podem pensar em um tema para essa combinação, associando uma palavra ou expressão que sintetize a ideia visual, e, assim, inventar uma cartela intuitiva. Os elementos devem ser recortados e colados em uma folha de papel.

manual do professor • 195 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 195

6/23/15 5:39 PM


Ao final, disponha as cartelas no chão, no centro da sala, e organize uma avaliação coletiva com base neste roteiro: • As cartelas estão harmônicas? Sugerem algum tema? • Para que estação as cartelas são mais apropriadas? • Que colagem apresenta maior variedade de materiais? • Qual é a colagem mais bem-feita tecnicamente? • Quais trabalhos apresentam texturas mais interessantes? • E quanto à combinação de cores, qual cartela parece mais interessante?

Origami de estrela O origami, inspiração do estilista Issey Miyake no projeto da coleção 132 5, é um tipo de dobradura de papel desenvolvida há séculos no Japão. Antes privilégio do imperador e dos nobres, é atualmente praticada por japoneses de todas as idades e classes sociais e conhecida no mundo todo. Para realizar esta atividade de dobradura, o ideal é que os estudantes utilizem duas folhas quadradas (20 cm × 20 cm) de papel-espelho de qualquer cor. A dobradura proposta, em formato de estrela, é relativamente simples. Procure reproduzir o esquema do passo a passo abaixo para a turma, de modo que todos possam recorrer a ele conforme seu próprio ritmo. Antes da aula, pratique a dobradura, para poder exemplificar aos estudantes antes da atividade. Ressalte que as dobras devem ser feitas com cuidado, passando a unha para acentuar o vinco. Quanto mais precisas forem as dobras, melhor vai ficar a dobradura. Passo a passo: 3

2

1

7

8

para ampliar o conhecimento Sobre a técnica de costura

O livro Um pedaço de tecido, da estilista Lena Santana, apresenta quinze projetos de costura simples que podem ser feitos por iniciantes. Com apenas um pedaço de tecido aprende-se a fazer uma bolsa, um vestido e uma saia, entre outras peças.

• SANTANA, Lena. Um pedaço de tecido. Rio de Janeiro: Cobogó, 2010.

Sobre Bispo do Rosário A historiadora e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Marta Dantas é uma das principais pesquisadoras da obra de Arthur Bispo do Rosário. Indicamos um livro de sua autoria que discute a relação entre arte e loucura deste personagem emblemático e um texto sobre o estudo publicado na revista Carta na Escola, acompanhado de um guia de atividades didáticas.

• DANTAS, Marta. Arthur Bispo do Rosário: a poética do delírio. São Paulo: Ed. da Unesp, 2009.

• _____. As visões de Arthur Bispo do Rosário. Revista Carta na Escola, n. 71, nov. 2013. Disponível em: <http://cartanaescola.com.br/single/ show/112> . Acesso em: 3 jun. 2015.

Sobre o cangaço No livro Cangaceiros, a historiadora francesa Élise Jasmin analisa o conjunto de fotografias que Benjamin Abrahão fez do cotidiano do bando de Lampião.

• JASMIN, Élise. Cangaceiros. São Paulo: Terceiro Nome, 2006.

5

4

6

9 10

11

12

Banco de imagens/Arquivo da editora

Avaliação dos resultados

196 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 196

6/23/15 5:39 PM


CApítulo 4 – A performance Neste capítulo, a proposta é aproximar os jovens da performance. Essa forma artística, assim como a dança e o teatro físico, faz parte do que podemos chamar de artes do corpo. Nelas, o corpo não funciona como meio para a representação, mas sim manifesta em si a arte e as questões dos artistas. A performance pode envolver todas as linguagens artísticas e é sempre nova, isto é, se atualiza a cada vez que ocorre. A seção Painel apresenta artistas do Brasil e de outros países que realizaram propostas questionadoras e formas variadas de performance. As imagens e textos fornecem um rápido panorama das possibilidades dessa linguagem: fotografias, ações, objetos, instalações, ações coletivas e propostas de interação entre pessoas. As relações da performance com a vida cotidiana e as celebrações são aprofundadas, respectivamente, nas seções Fala a artista e Pensando com a História, para serem retomadas posteriormente em Hora da Troca. O capítulo propõe também um debate sobre o potencial político de uma performance e os limites éticos na relação entre o artista performador e o público, com base na reflexão sobre uma ação bastante perturbadora. Após ter entrado em contato com essa gama de referências, os estudantes estarão preparados para planejar e realizar uma performance de criação própria, com base nas instruções da seção Teoria e Técnica.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala a Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, Debate e resultado de Hora da Troca Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

sobre obras e autores Hélio Oiticica Nascido no Rio de Janeiro, Hélio Oiticica (1937 -1980) estudou pintura com Ivan Serpa e privilegiou essa linguagem até o final dos anos 1950. Participou em meados dessa década do grupo Frente, que criticava a pintura modernista brasileira. Em 1959, foi um dos artistas do Frente que, insatisfeitos com a racionalidade matemática da arte concreta, assinou o Manifesto Neoconcreto.

Esses artistas se interessavam por pensar a relação da arte com o espaço-tempo, colocando em questão a própria ideia de objeto de arte e voltando-se para o ato da experiência. Para Oiticica isso significou o abandono do quadro e a busca por criações com as quais o espectador pudesse interagir. O resultado disso foram séries como a dos bólides (caixas e objetos preenchidos com materiais manipuláveis pelo público), a dos parangolés e a dos penetráveis (ambientes compartimentados em que o público pode entrar em contato com diferentes estímulos sensoriais). Entre esses últimos, um dos mais conhecidos é a obra Tropicália, que serviu de inspiração para batizar o movimento tropicalista criado por músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e poetas como Torquato Neto e Rogério Duarte. Em 1964 passou a frequentar a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, tornando-se posteriormente passista da escola. Viveu em Nova York entre 1970 e 1978 como bolsista da Fundação Guggenheim. Atualmente Oiticica é considerado um dos mais importantes artistas brasileiros, e suas obras e instalações são apresentadas nos principais museus de arte moderna e contemporânea do mundo.

Marina Abramović Marina Abramović (1946) nasceu em Belgrado, na Sérvia, então parte da antiga Iugoslávia socialista. O regime comandado pelo general Tito, aliás, foi tema de muitas de suas ações. Começou a fazer suas primeiras performances em 1970, quando ainda estudava na Escola de Belas-Artes de Belgrado, já explorando a dor e os limites do corpo. Em 1976, conheceu Ulay, que se tornou seu companheiro e parceiro de criação durante doze anos. Entre as performances criadas pela dupla está Imponderabilia (1977), na qual os dois colocam-se nus na porta de entrada de um museu, fazendo com que os visitantes tenham de se espremer entre seus corpos para conseguir entrar. Em 1988, Abramović e Ulay resolvem ritualizar o término de sua relação na obra The Lovers: The Great Wall Walk [Os amantes: a caminhada pela Grande Muralha], em que caminharam pela muralha da China a partir de suas extremidades opostas, encontrando-se no meio do trajeto para uma despedida. Desde então, Marina apresentou novas performances

manual do professor • 197 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 197

6/23/15 5:39 PM


ao vivo e em vídeo nos principais museus do mundo, incluindo A artista está presente (2010), em que voltou a se encontrar com Ulay.

Eleonora Fabião A carioca Eleonora Fabião (1968) é atriz, performer e teórica da performance, professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nos anos 1990, atuou em grupos permanentes de pesquisa e experimentação teatral no Rio de Janeiro. Desde 2006 realiza peças e ações performáticas em centros culturais e no espaço público, além de ter lecionado e publicado livros em países como Brasil, Estados Unidos, Peru, México, Cuba, Colômbia, França, Noruega, Inglaterra e Alemanha.

Berna Reale Berna Reale (1965) nasceu em Belém, capital do Pará. Artista e perita criminal, nos últimos anos desenvolveu trabalhos na área da performance, quase sempre registrando-os em vídeo ou fotografias. Sua pesquisa tem como foco a violência e suas várias formas de manifestação. Ficou conhecida em 2009 com a performance Quando todos calam, em que passou uma tarde deitada nua em frente ao mercado Ver-o-Peso, em Belém, enquanto urubus das redondezas interagiam com seu corpo coberto por carne crua. Berna foi vencedora do Prêmio Pipa Online 2012. No site da instituição há entrevistas com a artista e uma galeria de fotos de seu trabalho.

• Disponível em: <www.pipa.org.br/pag/berna. reale/>. Acesso em: 20 jun. 2015.

Congadas Há muitas controvérsias a respeito da origem do festejo, mas sabe-se que foi principalmente no século XVIII que ele se difundiu pelo Brasil entre africanos escravizados católicos. Muitos deles haviam se convertido ao catolicismo já no continente africano, na medida em que alguns reis bantos das regiões do Congo, de Angola e de Moçambique adotaram essa religião. Características da festa como a música (com canto polifônico e importante presença de percussão), a lembrança aos antepassados falecidos e a oferta de comidas à coletividade remontam a tradições culturais de diferentes povos dessas regiões africanas. A preservação e a transformação dessas expressões culturais no Brasil foi possível graças à mediação das irmandades.

Por um lado, por meio das irmandades, negros escravizados e libertos reuniam-se e auxiliavam-se em situações como enterros, pagamentos por cuidados médicos e compra de alforrias; por outro, elas funcionavam como canal de negociações com instituições oficiais portuguesas e tinham um papel de controle social, pois faziam o registro de mortes e nascimentos dessas comunidades negras, por exemplo. No CD que acompanha este volume há uma gravação de música de congada interpretada pelo grupo Tenda de Umbanda Caboclo Caramã e Pai Cesário, de Olímpia (SP). Dá-se o nome terno de congada a cada grupo que compõe esse cortejo, com suas diferentes funções cênicas e musicais. No caso deste terno, escute o ritmo dos instrumentos de percussão e a sanfona que acompanha o canto da congada. A letra louva os santos negros São Benedito e Santa Ifigênia.

Opavivará Opavivará é um coletivo formado em 2005 por jovens artistas, no Rio de Janeiro. As instalações e performances do grupo têm como característica a intervenção no espaço urbano e o estímulo à relação entre o público e a obra de arte. Exemplo disso é Opavivará! Ao vivo! (2012), em que montaram em uma praça uma cozinha com a qual os passantes podiam contribuir com ingredientes, receitas, histórias e o preparo.

Coco Fusco Nascida em Nova York, filha de cubanos, Coco Fusco (1960) é artista, pesquisadora e professora universitária. Autora de diversos livros sobre a relação entre performance, corpo e feminismo, seus trabalhos misturam vídeo e ação investigando situações-limite. Em uma delas, Field Guide for Female Interrogators [Guia de Campo para Interrogadoras Mulheres] (2008), Fusco convocou um grupo de mulheres para participar de um workshop de treinamento de soldados do exército americano para interrogar presos por terrorismo. O vídeo da experiência causou grande choque ao ser exposto, por misturar realidade e ficção em um cenário de violência.

Guillermo Gómez-Peña Performer nascido na Cidade do México, Guillermo Gómez-Peña (1955) vive e trabalha nos Estados Unidos desde 1978. Em sua trajetória

198 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 198

6/23/15 5:39 PM


artística, explora os assuntos interculturais por meio da performance, da poesia multilíngue, do jornalismo, do vídeo, do rádio e de instalações. É também diretor artístico do grupo performático La Pocha Nostra, e publicou oito livros com contribuições para debates sobre diversidade cultural e identidade nas relações Estados Unidos-México.

Bruce Nauman Nascido nos Estados Unidos, Bruce Nauman (1941) iniciou seus trabalhos artísticos na pintura. Ainda nos anos 1960, passou a dedicar-se à escultura e à performance, em obras que privilegiam a reflexão sobre a linguagem e o comportamento em situações de limitação e frustração. Exemplo é Henry Moore Bound to Fail, Back View (1967) [Henry Moore prestes a fracassar, visto de trás], um molde de seus próprios braços atados vistos de costas. Instalações com neons coloridos e jogos de palavras são outro motivo recorrente em sua obra.

Lia Chaia A paulistana Lia Chaia (1978) trabalha com fotografia, vídeo, performance, instalação e intervenções urbanas. Suas criações tratam de questões que envolvem o corpo e a relação entre natureza e cultura urbana. Além de ter realizado diversas exposições individuais na Galeria Vermelho, em São Paulo, participou da 10ª Istambul Biennial, na Turquia, e da exposição Futuro do Presente, no Instituto Itaú Cultural, São Paulo (SP). A artista já foi contemplada com bolsas e residências em diversos países, como a do Currents – Art & Music (Pequim, China), a Bolsa Iberê Camargo (Porto Alegre, RS, Brasil), a Bolsa para a Sala de Arte Publico Siqueiros (Cidade do México, México) e o Programa de Residência da Cité des Arts (Paris, França).

Marco Paulo Rolla Nascido em São Domingos da Prata (MG), Marco Paulo Rolla (1967) realiza pinturas, desenhos, fotografias, objetos e principalmente performances. É criador, coordenador e editor do Centro de Experimentação e Informação de Arte (CEIA), em Belo Horizonte. Em sua obra performática, busca investigar os limites do corpo e confrontá-lo com o cotidiano. Muitas de suas performances questionam a tentativa de construir um sentimento de conforto em relação à vida.

Fala a Artista O relato de Eleonora Fabião é interessante de ser explorado com os alunos porque é pleno das vivências da artista, cobrindo todo o processo de criação – desde o fator motivador da obra até as consequências de sua execução. Você pode ler em voz alta ou pedir a algum aluno que o faça pausadamente. A fala da artista aponta para o potencial transformador que o indivíduo tem no cotidiano da cidade. Ela também relata sua experiência como artista e mostra que uma performance não apenas afeta o público, mas também transforma o artista.

pensando com a História Leia a seguir um texto que fala mais sobre a definição de performance:

Interdisciplinar, transformadora, transgressiva, a performance, além de se cunhar como linguagem artística, apresenta-se, mais do que como uma disciplina artística, como uma indisciplina que amplia fronteiras, abre horizontes, rompendo com códigos representacionais preestabelecidos, afrmando-se como linguagem artística independente, não comercial e não comercializável, gerando consciência política e fomentando desejos de transformação social.  O trabalho artístico nas ruas em suas formas mais tradicionais foi impulsionado por essa onda transformadora e ativista, gerando estéticas híbridas em forma de intervenções urbanas inovadoras, que misturam as linguagens do teatro em suas manifestações tradicionais com técnicas de composição teatral contemporâneas e utilizam a cidade e os transeuntes como dramaturgia e elemento de composição, mesclando linguagens oriundas das manifestações circenses de rua e elementos da dança contemporânea, trazendo poesia para espaços urbanos funcionalizados, gerando percepções diferenciadas sobre esses espaços e abrindo para a possibilidade de participação dos transeuntes. ALICE, Tânia. Diluição das fronteiras entre linguagens artísticas: a performance como (r)evolução dos afetos. In: Catálogo Palco Giratório: Circuito Nacional 2014. Rio de Janeiro: SESC Serviço Social, mar. 2014.

manual do professor • 199 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 199

6/23/15 5:39 PM


Assim, manifestações culturais populares também podem ser enquadradas nessa definição ampliada de performance.

Hora da troca Os três registros audiovisuais apresentados na seção formam um painel variado das possibilidades de uma performance. Temos um trabalho histórico da década de 1960, do artista Bruce Nauman em colaboração com a performer e compositora Meredith Monk. Na época, os artistas estavam pesquisando estas possibilidades e buscando um espaço no cenário das artes para este tipo de obra em que a ação importa mais que o material. Já no trabalho de Lia Chaia, mais recente, a preocupação com o enquadramento e a qualidade da imagem é central: o efeito da bola de vidro em movimento no braço da artista com a cidade em segundo plano só é possível porque a performance é filmada. Por fim, o trabalho de Marco Paulo Rolla apresenta uma simulação de uma situação cotidiana, que é súbita e bruscamente interrompida pelo artista. Com base nessas ações diversificadas, espera-se que os alunos rememorem outras experiências de quebra de expectativas e de descoberta do novo em suas vidas – matérias-primas fundamentais para a performance.

debate A performance apresentada na seção despertou polêmica na época, mas também desvelou a persistência de manifestações etnocêntricas no público dos países ocidentais – as quais, em casos extremos, levam a atitudes preconceituosas e ao racismo. No final do século XIX, países como a França e o Reino Unido competiam pelo domínio de terras e povos ao redor do mundo e pela supremacia na produção de avanços tecnológicos industriais. Com isso, tornou-se comum a realização de grandes eventos em que podiam dar demonstrações de seu poderio. Não só objetos e obras de arte dos territórios conquistados eram exibidos como curiosidades para o público dessas nações, mas também indivíduos levados da África, da América, da Ásia e da Oceania eram mostrados como “exóticos”, “atrasados” ou “selvagens”. Este e outros cartazes revelam uma atitude de desumanização desses povos, como fica claro no uso do termo “Jardim Zoológico”, que também denota

a adoção, por parte dos colonizadores, de uma visão baseada na hierarquia entre povos diferentes. Os eventos mais vultosos eram as Exposições Universais, sendo a de 1889, em Paris, França, a de maior repercussão. Nessas exposições, o público entrava em contato com invenções tecnológicas, ousadias arquitetônicas e relíquias e pedras preciosas pilhadas dos territórios colonizados. Outros países tinham suas representações, nas quais buscavam fazer réplicas arquitetônicas e levar manifestações culturais. Porém, a transformação da diferença cultural em exotismo e objetificação acontecia principalmente no setor de “Exposição colonial”, em que seres humanos levados das colônias eram enjaulados com animais, plantações e utensílios em um contexto que se propunha a simular as condições de vida em suas terras de origem. Embora ações como estas estejam proibidas e sejam condenadas como violações aos direitos humanos, o racismo persiste no mundo. O texto a seguir foi publicado em um jornal português em março de 2014, quando houve manifestações racistas em estádios de futebol na Europa e no Brasil. Ele levanta questões importantes para aprofundar a discussão sobre o racismo e identificar as formas em que ele se manifesta no mundo de hoje:

[.] O racismo não só não desapareceu como reaparece carregado de ódio. Utiliza os epítetos insultuosos de antigamente, de quando os europeus descobriram que havia gente noutros continentes, e utiliza também mensagens mais ou menos veladas, que alguns dirão serem de mau gosto mas que são nitidamente racistas pois têm o mesmo objetivo que os epítetos: aviltar os que são considerados não brancos. [.] questão central é que a própria ideia de raça é, em si, racista. Numa formulação simples dir-se-á que raça só existe uma: a humana. No plural, “as raças” são uma construção cultural nascida da incapacidade de lidar com o outro, com aquele que é diferente na cor da sua pele, no lugar da sua origem. Esta construção revela e exprime o medo que radica em velhos fantasmas sobre os atributos de força, engenho, pujança corporal e, muito em particular, sexual que o outro eventualmente tem – e que são ameaçadores para o racista.

200 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 200

6/23/15 5:39 PM


Esta construção cultural racista impregnou o imaginário coletivo dos ex-colonizadores. Foi também – por meio da repetição de discursos – incorporada por muitos dos excluídos, por muitas das vítimas do racismo. A escola, a literatura de uma certa época e a própria Ciência encarregaram-se de servir de instrumentos ideológicos desta construção. As narrativas sobre os negros associam-nos, desde o início, à escravatura, como se a história dos negros correspondesse, fosse paralela à condição de escravo. O negro em particular mas, depois, o chinês e o indiano foram vítimas de uma relação de confronto singular com os brancos. A Ciência do século XIX, bem como as teorias criacionistas, encarregaram-se de criar hierarquias baseadas na cor da pele. Para tanto, utilizaram a artimanha das medições de crânios e da confguração de perfs com as quais classifcaram os gêneros de homens e os hierarquizaram. A Ciência não foi neutra – nunca o é. Pelo contrário, foi racista ao estabelecer essa hierarquia de raças e correspondências entre determinados atributos e a cor. Depois, esta violência tornou-se popular, reforçando aquela condição de sub-homem, quando a sociedade do espetáculo e os ideólogos do Império colonial criaram espetáculos, zoos humanos, onde negros eram apresentados em jaulas ou em salões das cortes e da burguesia como entretenimento. Afnal, um simples detalhe do gênero humano – a sua capacidade de adaptação ao meio ambiente (que é o que faz com que a cor da pele seja branca no norte, como defesa do organismo que assim absorve a vitamina D, e mais escura no sul, para proteção solar) – nunca foi matéria de educação e entendimento das várias cores de pele. [.] Os insultos de “Macaco!” ou “Selvagem!”, a vontade de expulsão (“Volta para a tua terra!”) e a banana como o objeto predileto de arremesso também não surgem por acaso. Como parte desses atributos do negro está associada à natureza, eles são seres próximos da natureza, ou seja, seres inferiores como os animais são. A discriminação não recai, portanto, apenas na cor. A discriminação vem de se pensar que a natureza, que inclui negros e todos os outros homens de pele de cor diferente, é propriedade exclusiva do homem branco, um recurso seu a explorar. O racista olha para a

natureza com a violência e a arrogância da posse e considerando-a uma criação ao seu dispor e não uma entidade da qual faz parte. [.] O fundamental é que, como dizia Franz Fanon, psiquiatra e independentista, antes de o racismo ser uma questão de pele ele é uma construção da linguagem, sendo esta portadora de toda a violência no momento em que pronuncia o plural “raças”. RIBEIRO, António Pinto. O racismo irrompendo no meio de nós. Público, Lisboa: 21 mar. 2014. Disponível em: <www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/o-racismo-irrompendono-meio-de-nos-332140>. Acesso em: 21 jan. 2015.

teoria e técnica A seção traz orientações práticas para auxiliar os alunos no planejamento e execução da performance. No entanto, é importante não perder de vista a necessidade de alargar o entendimento da performance como gênero. Este texto de Eleonora Fabião aponta para as inúmeras possibilidades da performance.

Enquanto gênero, a performance não fxa formas espaciais ou temporais, não utiliza mídias ou materiais específcos, nem estabelece modos de recepção ou critérios de documentação. Alguns performers trabalham em espaços públicos, outros em galerias ou demais espaços destinados à fruição artística, outros em seus próprios estúdios ou casas, enquanto outros preferem espaços rurais. O mesmo sobre a temporalidade da performance: há peças com duração de um ano enquanto outras duram horas, minutos ou mesmo segundos. Quanto às mídias e materiais utilizados pelos artistas, a diversidade também é grande. Quanto à recepção da performance, também impera a indeterminação: alguns artistas performam para espectadores (que tornam-se cúmplices ou testemunhas de seus feitos), outros com os espectadores (que tornam-se assistentes e até mesmo correalizadores do evento), e outros sem espectadores (e optam por documentar ou não as ações realizadas). Há também aqueles artistas que criam proposições para serem realizadas não por eles, mas pelos próprios “espectadores”. Ou ainda, numa versão radicalmente diferente, aqueles que contratam e pagam pessoas para performar suas propostas. Trocando em miúdos: tentar

manual do professor • 201 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 201

6/23/15 5:39 PM


defnir a performance não é apenas contraditório ou redutor, é mesmo impossível. Defnir performance é um falso problema.” Defnir performance é um falso problema. Diário do Nordeste. Fortaleza, 9 jul. 2009. Caderno 3. Disponível em: <http:// diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/ defnir-performance-e-um-falso-problema-1.281367>. Acesso em: 2 jan. 2015.

Atividades Performance Uma performance pode levar os alunos a se colocar diante de temas polêmicos, que despertam opiniões diferentes entre o grupo. Essas diferentes opiniões são bem-vindas e devem ser acolhidas. Busque servir de mediador desse debate necessário e garanta que cada um argumente de forma respeitosa, ainda que eventualmente não se chegue ao consenso. Convidar os jovens a refletir e a se posicionar sobre algumas questões da arte e da sociedade é condição para que possam desenvolver uma performance interessante.

Relato Não deixe de reunir os textos produzidos pelos alunos em um pequeno catálogo que sirva de registro da atividade. Esse catálogo pode ser ilustrado por fotos ou desenhos realizados com base nas performances (ver segunda atividade complementar).

Atividades complementares Apresentamos a seguir mais duas propostas de atividade para este capítulo. Veja qual delas cabe melhor no seu planejamento e, se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Uma casa para o corpo Essa atividade propõe a construção de um objeto para envolver o corpo. Peça aos alunos que tragam materiais com apelo tátil, tais como: retalhos de tecidos, TNT (tecido não tecido), roupas velhas, meias de náilon, malhas, balões de festa, bolinhas de isopor, gelatina, objetos de plástico maleáveis, palha seca, papelão, garrafas PET, luvas de borracha, espuma, bichos de pelúcia, entre outros.

Avaliação dos resultados Reúna-os em grupos e peça que experimentem os materiais. Questione:

• O que é possível fazer para envolver o corpo? Uma capa, uma caixa, uma casca?

• O que fica dentro do objeto? • O que fica para fora do objeto? • Quantos corpos estarão envoltos nesta “casa”?

Peça-lhes que discutam as ideias, juntem os materiais e pensem em como agregar os objetos. Estimule os grupos a pensar no corpo dentro do objeto. Os alunos devem fazer a construção de forma colaborativa, buscando soluções técnicas e dividindo as tarefas. Depois, você pode escolher um ou mais membros do grupo para vestir o objeto.

Documentação visual de uma performance A turma vai agora confeccionar um relato visual dos trabalhos de performance criados na atividade 1 do Livro do estudante. A valorização da ideia como centro da criação artística, a partir da década de 1970, levou alguns artistas a mudar o foco de seus trabalhos, desmaterializando o objeto de arte – isto é, passando a arte de um suporte inanimado para a execução pelo próprio corpo. No entanto, artistas conceituais e performáticos às vezes produzem algo físico, como uma lista de procedimentos ou uma documentação fotográfica, que podem até mesmo ser vendidas no mercado de arte ou para museus. Cada grupo vai pensar em uma forma de documentação visual das performances que serão executadas. Há diversas possibilidades: realizar um inventário com tudo que foi discutido antes da apresentação; redigir um passo a passo do que aconteceu; fazer desenhos esquemáticos do que foi previsto realizar; registrar uma ou mais fotografias da ação ou mesmo um vídeo dela. Depois que a documentação for realizada, reúna o material de todos os grupos para montar um catálogo.

para ampliar o conhecimento Sobre performance Este livro escrito nos anos 1970 é uma obra de referência para aqueles que querem conhecer a história da performance e seus artistas mais reconhecidos:

• GOLDBERG, RoseLee. A arte da performance: do

futurismo ao presente. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

202 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 202

6/23/15 5:39 PM


Sobre Marina Abramović Recomendamos o volume 6 da série Entrevista, do curador suíço Hans Ulrich Obrist, com duas entrevistas com Abramović; e o documentário originado a partir da retrospectiva da artista sérvia no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 2010:

• OBRIST, Hans Ulrich. Entrevistas. v.6. Rio de Janeiro: Cobogó, Belo Horizonte: Instituto Cultural Inhotim, 2012.

• AKERS, Matthew. Marina Abramović – A artista está presente. Estados Unidos, 2012, 106 min.

CApítulo 5 – dAnçA populAr Neste capítulo a proposta é apresentar aos estudantes distintas manifestações da dança popular brasileira, buscando identificar algumas de suas características. Comunidades do norte ao sul do Brasil se reúnem pela dança, que tem origens em diferentes matrizes da cultura brasileira. A experiência com as danças populares pode ser uma boa estratégia para incentivar a participação de alguns alunos mais resistentes à dança. As imagens e textos da seção Painel fornecem um breve panorama das danças e das festas brasileiras. Em seguida, há um texto em que o coreógrafo e pesquisador de cultura popular Antônio Nóbrega defende a tese de uma origem comum para grande parte das danças populares brasileiras. Um exemplo de festa que ganha diferentes formatos em todo o Brasil – a festa do boi – é tratado na seção Pensando com a História. O capítulo também mobiliza discussões e o levantamento do repertório pessoal dos alunos quanto ao tema das relações entre dança popular de origem rural e danças urbanas. Por fim, a seção Teoria e Técnica apresenta uma forma de organizar e sistematizar uma criação de dança por meio de uma partitura de gestos, enquanto nas atividades finais os estudantes terão a oportunidade de praticar a harmonia do conjunto e a improvisação.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala o Artista e Hora da Troca Aula 2: Teoria e Técnica + Atividade 1 Aula 3: Pensando com a História, resultados da Hora da Troca e Debate Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

sobre obras e autores Antonio Nóbrega Antonio Nóbrega nasceu em Recife (1952). Participou como violinista da Orquestra de

Câmara da Paraíba e da Orquestra Sinfônica do Recife. Em 1971, foi convidado pelo dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) a integrar o Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara inspirada em gêneros populares brasileiros. A partir do final da década de 1970 desenvolve diversos espetáculos que fundem artes cênicas e música. A partir de 2007, passou a se dedicar também a espetáculos de dança, como Passo (2008) e Nove de Frevereiro (2007). Em 2004, ele e sua esposa, Rosane Almeida (1964), iniciaram, em parceria com o cineasta Belisário Franca, a série Danças brasileiras, apresentada no Canal Futura. Nóbrega e Rosane dirigem, em São Paulo, o Instituto Brincante, no qual também desenvolvem um trabalho educativo. O CD que acompanha este volume traz a música O coco da lagartixa, uma adaptação de música popular feita por Antônio Nóbrega e Wilson Freire, e interpretada por Nóbrega no disco Madeira que cupim não rói, de 1997. Escute a cadência ritmada da música, que é acompanhada de rabeca, instrumento de cordas tradicional em algumas regiões do Brasil. Busque trabalhar com a turma a letra cômica da canção, que fala de uma lagartixa.

Dança do pau de fitas Segundo Câmara Cascudo, foram os portugueses e espanhóis que trouxeram ao Brasil a dança do pau de fitas, conhecida também como dança das fitas, dança do mastro, engenho de fita e dança do trancelim. Embora seja mais popular atualmente nos estados da região Sul, principalmente nas regiões que receberam migrantes açorianos, o pau de fitas também é encontrado em estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte e Ceará. Eventualmente, aparece associada a festejos de meio do ano, como a festa do divino ou a festa do boi. O CD que acompanha este volume traz uma música de acompanhamento de pau de fitas,

manual do professor • 203 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 203

6/23/15 5:39 PM


interpretada pelo grupo Pau de Fita de Ribeirão da Ilha, de Santa Catarina. A música faz parte da coleção Música Popular do Sul, da gravadora Marcus Pereira, lançado em 1975. Além do caráter dançante conferido pela sanfona, chame a atenção dos estudantes para o ritmo estabelecido pelos versos cantados, que conduz a movimentação dos bailarinos no ziguezaguear em torno do mastro.

Ciranda e Lia de Itamaracá A ciranda, assim como o coco, costumava ser dançada em pontas de rua, praias e terreiros da zona rural de Pernambuco. Posteriormente, a dança ganhou as praças, ruas e clubes sociais, reunindo pessoas de todas as idades. A ciranda pode começar com uma roda pequena, que vai aumentando à medida que as pessoas se juntam à dança. Quando a roda atinge um tamanho que dificulta a movimentação, forma-se outra menor no interior dela. Chama a atenção o fato de que a ciranda do litoral de Pernambuco e da Paraíba é dançada de forma bastante diferente da ciranda (ou seranda) portuguesa. Esta última, de andamento mais veloz, é bailada por pares – que, no entanto, também se movimentam em roda. Lia de Itamaracá (1944) é a mais conhecida mestra-cirandeira de Pernambuco, conduzindo rodas de ciranda desde a adolescência. Teve dois álbuns lançados, Rainha da ciranda (1977) e Eu sou Lia (2000), com canções de autoria própria, de domínio público e de compositores como Capiba e Mestre Baracho. No CD que acompanha este volume, há uma faixa em que Lia reúne três composições: Eu sou Lia, de Paulinho da Viola, Minha Ciranda, de Capiba, e Preta cirandeira, de Neres e Saúde. Escute o diálogo entre a voz da cantora e o saxofone no decorrer da música, em que este “responde” a cada verso.

Jongo e o Jongo da Serrinha O jongo formou-se entre os africanos escravizados que trabalhavam nas fazendas do Sudeste brasileiro, e ainda hoje é cantado e dançado em comunidades das zonas rurais fluminense e paulista. Com o fim da escravidão, em 1888, muitos negros libertos que trabalhavam no vale do Paraíba (entre o leste de São Paulo e o oeste do Rio de Janeiro) buscaram melhores condições de vida nas cidades, em especial no Rio de Janeiro. Com

isso, o jongo chegou aos bairros mais pobres da então capital brasileira. Pesquisadores acreditam que foi do contato do jongo com o samba de roda dos afrodescendentes vindos da Bahia que se formou o samba, no início do século XX. Essas famílias negras continuaram a dançar o jongo em seus novos redutos, como os morros de São Carlos, Salgueiro, Mangueira e na Serrinha. Mas, com a intensificação da urbanização, a vinda de gêneros musicais da Europa e dos Estados Unidos, a formação da indústria cultural brasileira e a morte dos velhos jongueiros, o jongo foi aos poucos desaparecendo de muitas comunidades cariocas. Assim, o Jongo da Serrinha foi organizado na década de 1960 por alguns dos fundadores da escola de samba carioca Império Serrano com o objetivo de preservar a tradição do jongo. O CD que acompanha este volume traz a música Caxinguelê, interpretada pelo grupo cultural Jongo da Serrinha. Ouça o clima de suspense na abertura da música, composto pela percussão e pelas onomatopeias do coro, que imitam os sons de animais. Chame a atenção da turma também ao jogo entre a voz da cantora e a percussão de atabaques, de um lado, e a resposta das palmas e do coro de vozes femininas, de outro.

Maracatu O cortejo do maracatu de baque virado ou nação é composto por personagens da corte do rei e da rainha, como o príncipe, a princesa, o duque, a duquesa, o embaixador e o escravo, que leva um grande guarda-sol para proteger os reis. Uma boneca de pano chamada calunga, que representa uma divindade do mundo sobrenatural, é levada pelas damas de paço. Os músicos tocam instrumentos de percussão, como zabumbas, caixas de guerra, gonguê, tambores e atabaques, e cantos de origem africana são entoados pelos participantes. O maracatu rural ou de baque solto é considerado de formação mais recente. De acordo com pesquisadores, teria sido criado na segunda metade do século XIX pelas comunidades que surgiram próximas aos engenhos de açúcar. Os integrantes do maracatu rural fazem uma peregrinação pelas cidades e vilas da vizinhança na época do Carnaval. Com sua vestimenta bordada com vidrilhos e lantejoulas e sua cabeleira de papel celofane, o caboclo de lança vai abrindo espaço na multidão

204 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 204

6/23/15 5:39 PM


entre saltos e malabarismos. Além disso, carrega lanças de mais de dois metros de comprimento, e o surrão, bolsa com chocalhos fixada junto às nádegas para fazer barulho. O maracatu rural se espalhou da Zona da Mata pernambucana para a capital desse estado, Recife, e para outras partes do país com a migração de milhares de trabalhadores durante o século XX. Os conjuntos das características dos maracatus os tornam manifestações culturais únicas. No entanto, é possível também identificar aproximações deles com outras manifestações populares brasileiras: o maracatu nação, por exemplo, segue um rito semelhante ao das congadas mineiras, vistas no Capítulo 4; por outro, o maracatu rural toma emprestado de outros festejos diferentes personagens, como os das festas do boi. O maracatu voltou a ganhar popularidade em todo o Brasil nos anos 1990 por intermédio da banda Chico Science e Nação Zumbi. O grupo foi um dos criadores do movimento mangue beat, que misturava ao rock a parte percussiva do maracatu, além de elementos do coco e da embolada. No CD que acompanha este volume, há uma faixa que traz a música Chegou Cambinda Elefante. Veja mais informações sobre o trabalho com essa canção no texto da seção Hora da Troca.

Bumba meu boi e o Grupo Cupuaçu O bumba meu boi é uma espécie de auto em que se misturam teatro, dança, música e circo. Ele é representado sob os mais diferentes nomes em localidades que vão do Rio Grande do Sul (como boizinho) e Santa Catarina (boi de mamão) aos estados do Nordeste (boi de reis ou bumba meu boi) e o Amazonas (boi-bumbá). Pode ter surgido nas fazendas do Nordeste do Brasil no final do século XVIII, onde os negros escravizados teriam misturado tradições africanas (como a do boi geroa) à dos colonizadores europeus (como a tourada espanhola e as tourinhas portuguesas). A figura do boi (ou do touro) é central há séculos em celebrações populares da Península Ibérica. Para alguns pesquisadores, trata-se também de um animal ritualizado nas culturas dos povos bantus do centro-sul da África. Embora a história do boi seja muito parecida em todo o Brasil, há diversas variações de instrumentos, ritmos e rituais. Na região Norte e no Maranhão, é comum que o boi seja batizado antes de sair à rua e que se encene a distribuição de

sua carne e de seu sangue entre os populares. Ainda no Maranhão, é comum que o boi seja dedicado tanto a São João, santo católico, como a Xangô, orixá do candomblé, e a diferentes entidades (encantados) dos terreiros de tambor de mina. Em outros estados, até mesmo a época do cortejo é outra, podendo ser realizado entre o Natal e o dia de Reis ou durante o Carnaval. De modo geral, os instrumentos de percussão predominam no Norte e Nordeste, enquanto a sanfona ou gaita é mais presente no Sul, mas a variedade é enorme: instrumentos de sopro no boi de orquestra do Maranhão, rabecas e violas no boi-calemba de Pernambuco, etc. Apenas no Maranhão, há cinco “sotaques” (nome dado aos ritmos e combinações de instrumentos) reconhecidos formalmente; em todos, o tambor-onça (uma cuíca ou puíta de timbre grave) faz as vezes do mugido do boi. No CD que acompanha este volume há uma faixa que traz a música O meu maracá, de Graça Reis, interpretada pelo Grupo Cupuaçu. O grupo se organizou em São Paulo em torno da figura de Tião Carvalho (1955), a partir da reunião de migrantes do Maranhão que promovem a festividade do bumba meu boi na cidade. Durante a audição, escute o jogo de vozes criado entre o cantor e o coro. O ritmo desta música de boi tem sotaque conhecido como “de matraca”.

Fala o Artista Peça aos alunos para identificar no texto de Nóbrega como o artista caracteriza os aspectos semelhantes de manifestações culturais espalhados pelo país. Aproveite para aprofundar a discussão sobre a importância das culturas de matrizes africana e indígena para a dança popular brasileira. Para mais informações sobre o trabalho de Antonio Nóbrega, busque o registro de suas pesquisas e espetáculos em filmes, DVD e programas de televisão.

pensando com a História A história do boi possui versões um pouco distintas em cada região. Aproveite a leitura para levantar junto à classe diferentes variações dessa história e converse sobre como a festa do boi se dá em sua região.

manual do professor • 205 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 205

6/23/15 5:39 PM


Hora da troca Reserve metade de uma aula para acessar os vídeos indicados na sala de informática e ouvir as faixas do CD que acompanha este volume. Se houver tempo, faça em sala de aula o levantamento de vídeos proposto, buscando apenas organizar como os alunos vão mostrar, uns aos outros, as danças de que gostam. Ao trabalhar especificamente com a faixa de maracatu, é fundamental que os estudantes ouçam-na uma ou mais vezes, pois, além do arranjo com todos os instrumentos, será possível escutar cada um deles separadamente. A escuta dos diferentes timbres dos instrumentos e da forma como eles são tocados em determinado ritmo faz parte de um aprendizado, que amplia o repertório e a sensibilidade auditiva do aluno. A faixa começa com um trecho cantado por uma voz feminina. Depois, apresenta separadamente cada um dos instrumentos: alfaia, caixa, xequerê e gonguê. Em seguida, apenas a voz feminina. Por fim, o arranjo com todos os instrumentos novamente.

debate As fronteiras entre cultura popular, cultura erudita e cultura de massa podem ser tratadas como pano de fundo deste debate, ainda que aprofundar essa discussão com alunos do 6o ano não deva ser o objetivo. Esse debate deve ser conduzido de maneira leve, e sua riqueza depende essencialmente do compartilhamento das experiências dos próprios alunos – mais do que nos debates dos demais capítulos. Mesmo assim, é importante que fique claro que:

• Atualmente, os contatos e trocas entre diferen-

tes manifestações culturais são mais intensos e acelerados, por uma série de fatores: a urbanização e as migrações (processos que põem mais pessoas de origens diferentes em convívio), a expansão dos meios de comunicação de massa e também da internet e das redes sociais, etc.

• Nas danças populares tradicionais, em geral

a participação das diferentes faixas etárias e gêneros é prescrita pela tradição: ou todos participam juntos, ou então, ao contrário, há restrições expressas à participação de algumas faixas etárias ou gêneros, conforme tradições locais. No caso das danças urbanas, embora

não haja uma prescrição formal, tende a haver maior aceitação em faixas etárias ou grupos sociais específicos, seguindo uma lógica estimulada pelo próprio formato de circulação cultural para além da comunidade.

• As danças têm características distintas e, em-

bora possam ter maior ou menor grau de dificuldade, não podem ser colocadas numa hierarquia de “melhor” ou “pior” no que diz respeito a manifestar expressões culturais e de identidade. O texto a seguir pode servir de apoio para levantar algumas questões que estimulem a discussão.

A separação desses dois polos [cultura popular e cultura erudita] foi uma invenção dos intelectuais europeus, na segunda metade do século XVIII. Por meio do conceito de folclore (“saber do povo”), eles demarcaram a fronteira das manifestações culturais das camadas sociais abastadas em relação àquelas mais amplamente difundidas. Nos séculos XIX, o povo – não os setores marginalizados das cidades, e sim os habitantes das zonas rurais – foi idealizado, com sua produção cultural tendo sido retratada como “pura”, “natural” e “resíduo” do passado. Essa idealização serviu de base para a elaboração do mito fundador de várias nações, bem como desencadeou o início de muitas pesquisas folclóricas que se empenharam em descobrir uma cultura “primitiva”. Segundo essas pesquisas, as manifestações folclóricas, herdadas do mundo rural, estavam condenadas à morte, devido ao seu crescente contato com infuências “deletérias” dos centros urbanos [.]. Entretanto, ao longo do século XX, após uma série de estudos que se debruçou sobre as manifestações populares “sobreviventes”, essa concepção foi se tornando cada vez mais insustentável. Batizou-se, então, a categoria “cultura popular” no lugar da restritiva “folclore”. Com efeito, uma questão controversa ainda permaneceu. O que seria “popular”? O termo popular é derivado de povo. E o que seria um “povo”? Não há consenso na resposta; a acepção mais comum é considerar povo como o conjunto dos cidadãos de um país, excetuando-se os dirigentes e os membros da elite socioeconômica. Se não há consenso em torno do termo

206 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 206

6/23/15 5:39 PM


“povo”, o que dizer do conceito de “cultura”? Peter Burke julga que esse conceito parece ser ainda mais controverso. Antes, era usado para se referir à “alta” cultura, mas o uso do termo foi ampliado, incorporando a “baixa” cultura, ou cultura popular. Em outras palavras, o termo cultura geralmente se relacionava à literatura (acadêmica), música (clássica) e ciência. Depois, ele passou a ser empregado para caracterizar os seus correspondentes populares – literatura de cordel, canções folclóricas e medicina popular. Atualmente, o conceito de cultura tem um sentido bastante dilatado, abrangendo praticamente tudo que pode ser apreendido em uma sociedade – desde uma variedade de artefatos (imagens, ferramentas, casas e assim por diante) até práticas cotidianas (comer, beber, andar, falar, ler, silenciar)[.]. Durante muito tempo existiu uma visão dominante – e limitadora – do campo de atuação da história da cultura. Ela se interessava pelos autores e pelas obras, ou seja, por um repertório mais ou menos canônico de obras que era preciso levar a sério, conhecer, apreciar, conservar e transmitir de geração em geração, uma cultura legítima e, de certa maneira, obrigatória. Vários especialistas assumiram a tarefa de estudá-la: a história das ideias, a da literatura, a das artes, a das ciências etc. Essa defnição limitadora foi substituída por outra que, no decorrer da última geração, ocupou o centro das atenções. [.] A partir do momento em que a ofcina da história passou a se interessar pelos anônimos em detrimento de personagens “ilustres”, reis, heróis e tramas palacianas, o pesquisador viu-se no dever de dar voz à arraia-miúda. A mudança de paradigmas (e utensilagens) foi acelerada na medida em que as sociedades ocidentais conheceram, mais cedo ou mais tarde, uma espetacular experiência de massifcação da cultura: do livro de bolso à televisão, uma nova circulação de práticas culturais, de transferência de valores, produtos e saberes, convidava, por sua vez, a questionamentos sobre as formas das “partilhas culturais, sobre as resistências à difusão e sobre as hipóteses de uma cultura de massas”. Assistiu-se, então, a um amplo (e polêmico) debate, com os autores muitas vezes tomando posições díspares. Na visão tradicional, cultura popular consiste em todos os valores

materiais e simbólicos (música, dança, festas, literatura, arte, moda, culinária, religião, lendas, superstições etc) produzidos pelos extratos inferiores, pelas camadas iletradas e mais baixas da sociedade, ao passo que cultura erudita (ou de elite) é aquela produzida pelos extratos superiores ou pelas camadas letradas, cultas e dotadas de saber ilustrado. No entanto, esta divisão rigorosa não se confirma empiricamente, pelo menos é o que as pesquisas no terreno da história cultural, antropologia, sociologia e teoria literária vêm demonstrando ultimamente. DOMINGUES, Petrônio. Cultura popular: as construções de um conceito na produção historiográfca. Revista História, São Paulo, v. 30, n. 2, ago.-dez. 2011, p. 401-419. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/his/v30n2/a19v30n2.pdf>. Acesso em: 3 jun. 2015.

teoria e técnica Para entrar na dança, é necessário possuir competências motoras e rítmicas que nem sempre os alunos dispõem nessa idade. Por isso, é importante estimular a boa e precisa coordenação de movimentos dos membros superiores e inferiores. Procure representar a partitura graficamente no quadro, para que os alunos com dificuldades possam recorrer ao suporte visual durante a atividade. Além de compreender os movimento, é importante que eles também apreendam a importância dos tempos de pausa no desenvolvimento da dança e da música.

Atividades

Dançar uma ciranda Antes de propor a atividade, faça um levantamento de algumas cirandas que possam ser aprendidas e cantadas pelo grupo. Nesta atividade, a dança e a música precisam estar juntas. Se perceber que o contexto é propício, identifique um aluno que possa fazer a primeira voz, puxando a ciranda e dançando com o grupo.

Entrar na roda para improvisar Estimule todos os alunos a entrar, pelo menos uma vez, no centro da roda. Alguns deles se sentirão mais à vontade para improvisar e se apresentar do que outros, mas é importante que mesmo os mais tímidos sejam encorajados pelo grupo a dançar no centro. Evidentemente, eles não devem se sentir

manual do professor • 207 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 207

6/23/15 5:39 PM


obrigados a isso, mas é importante que percebam a possibilidade de ter vez no centro da roda, independentemente de desinibição ou facilidade para dançar.

• Que alunos se sentiram mais à vontade com o

Atividades complementares

A seguir reunimos mais duas propostas de atividades para este capítulo. Veja qual cabe melhor no seu planejamento. Se possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Para dançar e desenhar

público? Como eles respeitaram ou não o ritmo da música e o da dança? As músicas escolhidas foram apropriadas para as danças? O que foi mais difícil realizar e o que foi mais agradável? Com relação às notações do movimento, que tipos de desenho foram feitos? Quais representações traduziram um aspecto forte da dança?

Convide os alunos a fazer uma apresentação de dança. Divida a classe entre os que querem se apresentar e os que vão desenhar os movimentos. Os que vão dançar devem se agrupar de forma espontânea para combinar e ensaiar a apresentação para a turma. Deixe as possibilidades em aberto: baile de forró em pares, uma batalha de break ou passinho, uma improvisação, uma coreografia elaborada em grupo ou uma apresentação solo. Para essa atividade, é necessário levar opções variadas de música para que os grupos possam escolher qual vão utilizar em sua apresentação, ou solicitar que cada grupo traga o que preferir. A apresentação deve ser curta, durando no máximo três minutos. A turma vai precisar de um espaço amplo na escola para o ensaio, como uma sala maior, um auditório, quadra ou pátio coberto. Além disso, será necessário um aparelho de som, que deve ser revezado entre os grupos: enquanto uns combinam sua apresentação, outros ensaiam com a música. Organize a ordem das apresentações e o som. Você pode começar com os grupos menores, deixando os maiores para o final. Os estudantes que não estiverem se apresentando devem assistir aos colegas. Os alunos que vão desenhar devem se acomodar no chão com bloco de papel, lápis e caneta hidrográfica. O desafio será criar uma maneira de representar o movimento, repetindo, sobrepondo os desenhos, simplificando as linhas, fazendo rastros ou apenas marcas rítmicas.

Nessa atividade, os alunos representarão o corpo, ou uma parte dele, numa escultura de barro. Peça-lhes que forrem a carteira com jornal e depois distribua o barro (aproximadamente 500 g para cada um). É preciso pedir aos estudantes que amassem bem o material com as duas mãos, antes de começar a escultura, para evitar bolhas de ar, que causam rachaduras durante a secagem. Depois disso, sugira aos alunos que olhem para o barro amassado e vejam se já existe uma parte do corpo insinuada. Eles podem, então, amassar mais um pouco e olhar novamente. Faça perguntas sugerindo partes que poderiam ser vistas nesse material. A partir desse ponto, solicite que comecem a trabalhar com mais intenção, de modo a definir melhor a forma. Palitos de sorvete podem ser usados para alisar a superfície da peça. Se for preciso mais de uma aula para finalizar o trabalho, guarde as esculturas bem úmidas, cobertas com sacos plásticos. Depois de pronta e seca, a peça deve diminuir cerca de 15% em todas as direções. Peças de barro que não são queimadas são muito frágeis e quebram com facilidade. Para colar peças de barro quebradas, faça uma massinha misturando pó de barro com cola branca. Os estudantes podem finalizar a escultura pintando-a com tinta guache.

Avaliação dos resultados

Avaliação dos resultados

Reúna os desenhos no chão para observar as diferentes soluções dadas para representar o movimento. Nessa atividade, podem-se avaliar também outras habilidades: • Que grupos tiveram maior facilidade de trabalho e entrosamento?

Escultura de barro: o corpo

Por fim, proponha uma avaliação coletiva com base neste roteiro:

• É mais fácil fazer o corpo moldando o barro ou desenhando?

• Quais esculturas apresentam vários lados bem definidos?

208 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 208

6/23/15 5:39 PM


• Quais peças apresentam mais detalhes do corpo

Sobre Antonio Nóbrega

• As peças têm formas proporcionais? • Em relação às que são desproporcionais, foi in-

Antonio Nóbrega apresenta sua teoria sobre a dança popular brasileira no filme Naturalmente, produzido para tevê.

e quais privilegiam a representação de gestos?

tencional fazê-las assim?

para ampliar o conhecimento

Sobre a dança popular no Brasil O livro Dança popular: espetáculo e devoção traz importantes reflexões sobre o lugar das danças populares na sociedade brasileira e propõe uma visão interessante sobre a relação entre cultura erudita e cultura popular no Brasil:

• MONTEIRO, Marianna. Dança popular: espetácu-

• REBESCO, Antonio Carlos. Naturalmente. Teoria e jogo de uma dança brasileira – Antonio Nóbrega. Brasil, 2011. 76 min.

Sobre o Grupo Cupuaçu O grupo desenvolve uma série de atividades culturais, que podem ser acompanhados em seu site:

• <http://grupocupuaçu.org.br> . Acesso em: 3 jun. 2015.

lo e devoção. São Paulo: Terceiro Nome, 2011.

CApítulo 6 – dAnçA ContemporâneA Neste capítulo a proposta é mostrar a riqueza e a variedade do que entendemos como dança contemporânea. Apesar de não ter códigos fixos, ela partilha algumas questões comuns. Laurence Louppe, autora do livro Poética da dança contemporânea, destaca alguns valores comuns à dança contemporânea. Entre eles, estão “a individualização de um corpo e de um gesto sem modelo, que exprime uma identidade ou um projeto “insubstituível”, “a ‘produção’ (e não a reprodução) de um gesto” e “a importância da gravidade como impulso do movimento”. Somam-se ainda valores “morais”, como “a autenticidade pessoal, o respeito pelo corpo do outro” e também “a transparência e o respeito por diligências e processos empreendidos” (LOUPPE, Laurence. Poética da dança contemporânea. 1. ed. portuguesa. Lisboa: Orfeu Negro, 2012. p. 45.). Assim, em vez de aderir à clivagem usual entre dança contemporânea e dança moderna, este capítulo propõe o estudo de obras e criadores considerando esses valores e preocupações comuns à dança contemporânea. Toda esta riqueza aparece na seção Painel com o trabalho de companhias brasileiras de Minas Gerais, Goiás, Piauí, Santa Catarina e Rio de Janeiro. O capítulo também propõe aos jovens conhecer mais sobre a dança pós-moderna norte-americana, por meio de textos e registros de criações dos artistas oriundos do Judson Dance Theater. Com isso, pretende-se trazer para a sala de aula uma visão ampliada da dança, que vá além da sala de espetáculos

e da coreografia e considere todo o repertório possível de gestos e movimentos. Há também uma discussão sobre os limites entre inspiração e plágio. As atividades práticas levam o aluno a trabalhar com uma das principais dimensões da dança – o espaço –, analisando o uso que artistas fazem dele e experimentando-o por conta própria, em sintonia com um colega.

Sugestão de planejamento Aula 1: Painel, Fala a Artista e Hora da Troca Aula 2: Pensando com a História, resultado da Hora da Troca e Debate. Aula 3: Teoria e Técnica e Atividade 1 Aula 4: Atividade 2 e Avaliação

sobre obras e autores Anne Teresa de Keersmaeker A primeira coreografia da belga Anne Teresa de Keersmaeker (1960), Fase, de 1982, sobre a música do compositor minimalista Steve Reich (1936), já chamou a atenção para seu modo de criação. No ano seguinte, Keersmaeker formou a companhia Rosas, da qual é diretora até hoje. A relação entre música e dança é fundamental em todos os seus trabalhos: atualmente, a coreógrafa pesquisa estilos musicais europeus do Renascimento e da Idade Média, criando seus espetáculos com base neles. Além disso, Keersmaeker vem

manual do professor • 209 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 209

6/23/15 5:39 PM


estabelecendo parcerias com jovens criadores, repensando a relação entre dança, espaço e palavra.

Grupo Corpo O Grupo Corpo foi fundado em 1975, em Belo Horizonte, com direção artística de Paulo Pederneiras (1951). Seu primeiro espetáculo, Maria Maria, com música original assinada por Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia do argentino Oscar Araiz (1940), foi um enorme sucesso no Brasil e no exterior. Em 1981, Rodrigo Pederneiras (1955) assume o posto de coreógrafo residente. Com Paulo Pederneiras, seu irmão, que assina os cenários e os figurinos, cria a linguagem artística pela qual o grupo se notabilizou. Em 1992, o espetáculo 21 marca a trajetória do grupo ao explicitar o desejo de relacionar os estilos popular e contemporâneo, criando movimentos que aliam a técnica do bale clássico e moderno aos movimentos das danças populares brasileiras.

Quasar A Quasar Cia. de Dança foi criada em Goiânia em 1988 por Vera Bicalho (1964) e Henrique Rodovalho (1964). A pesquisa de movimento realizada pelo grupo, desde então, levou ao desenvolvimento de uma linguagem própria. Seus espetáculos são marcados por essa pesquisa de movimento e pelo humor.

Lia Rodrigues Companhia de Danças A Lia Rodrigues Companhia de Danças foi criada no Rio de Janeiro em 1990 pela coreógrafa paulistana Lia Rodrigues (1956). Além de suas criações e apresentações no Brasil e no exterior, essa companhia desenvolve ações artísticas e pedagógicas no bairro carioca da Maré, em parceria com a associação Redes de Desenvolvimento da Maré. Juntas criaram e administram o Centro de Artes da Maré. Pororoca (2009), Piracema (2011), Pindorama (2013) e Aquilo de que somos feitos (2000) são alguns dos trabalhos desse grupo.

Cena 11 O Grupo Cena 11 foi fundado em Florianópolis, em 1993, sob a direção de Alejandro Ahmed (1971), tornando-se uma referência nacional em formação e pesquisa em dança. Suas criações dialogam com o universo das histórias em quadrinhos (HQ), dos videogames, do mundo digital e da tecnologia. O movimento corporal desenvolvido

pelos artistas do grupo é marcado pelo risco, pelas quedas livres e pela singularidade da pesquisa de cada bailarino em relação a seu próprio corpo.

Núcleo do Dirceu e Marcelo Evelin O Núcleo do Dirceu é composto de um grupo de artistas e produtores que se reuniram em Teresina a partir do encontro com o coreógrafo Marcelo Evelin (1962). Desde 2009, o grupo possui uma sede própria – o Galpão Núcleo do Dirceu –, no bairro Dirceu Arcoverde, onde desenvolvem projetos de criação que depois circulam pelo Brasil e pelo exterior.

Yvonne Rainer Formada na escola de Martha Graham, Yvonne Rainer (1934) pediu em 1962, com mais dois bailarinos, permissão para usar a Judson Church como espaço para apresentação, dando início ao Judson Dance Theater. Sua obra inicial baseava-se na repetição e no diálogo com outras linguagens, como Ordinary Dance [Dança banal] (1962). Posteriormente, buscou criar peças que davam maior liberdade ao movimento, sem seguir coreografias. Rainer também produziu filmes, inclusive para uso em suas peças de dança.

Trisha Brown Trisha Brown (1936) mudou-se para Nova York em 1961, onde colaborou com vários artistas, tornando-se uma das artistas centrais do movimento chamado de dança pós-moderna americana. Algumas de suas peças foram realizadas em espaços não convencionais, como Man Walking Down the Side of a Building [Homem descendo pela lateral de um edifício] (1970), Roof Piece [Peça do telhado] (1971), e outras em palcos, como Set and Reset (1983), com música original de Laurie Anderson (1947) e design visual de Robert Rauschenberg (1925-2008), e o solo If you couldn’t see me [Se você não pudesse me ver] (1994). Trisha Brown também atua em criação de óperas e como artista visual.

Beyoncé Beyoncé Knowles (1981) projetou-se no cenário da música pop no grupo de rhythm ‘n blues Destiny’s Child, no final da década de 1990. A partir de 2003, iniciou carreira solo, com canções como “Crazy in Love” [Louca de amor], e desde então é uma das artistas de maior sucesso comercial no mercado da música. Seus videoclipes em geral trazem coreografias; em alguns, como o

210 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 210

6/23/15 5:39 PM


de “Single Ladies” [Mulheres solteiras], a dança faz referência a trabalhos de outros coreógrafos, como Bob Fosse (1927-1987).

Rudolf Laban Rudolf Laban (1879-1958) nasceu em Bratislava (atual capital da Eslováquia), na época parte do antigo Império Austro-Húngaro. É considerado, ao lado de Mary Wigman (1886-1973), um dos nomes mais importantes da dança moderna alemã, tendo criado obras coreográficas representativas da dança expressionista. Entre outras atividades, desenvolveu um importante e complexo sistema de análise e notação do movimento, que ainda é utilizado em diversos países do mundo.

Fala a Artista Peça aos alunos que leiam o texto de Lia Rodrigues e reflitam sobre processos de criação. Pergunte-lhes se já tiveram contato com algum processo de criação em arte, podendo ser nas artes visuais, no teatro, na música, na literatura ou em dança, e peça-lhes que os descrevam. É importante trazer para a discussão as possibilidades de criação partilhada, originada no trabalho em equipe.

Hora da troca A dança pós-moderna americana alargou ainda mais as possibilidades da linguagem dança. Felizmente, muitas das experiências dos artistas que participaram desse importante movimento foram registradas em filmes e vídeos de fácil acesso na internet. Se possível, reserve metade de uma aula em que os alunos tenham acesso a computadores para tomar contato com esse material e depois partilhar as impressões com o grupo.

debate Para alimentar a discussão sobre autoria em arte, o texto abaixo pode ser útil. Ele introduz outras perspectivas de colaboração criativa possibilitadas pela tecnologia.

remix e reciclagem Outra vertente da investigação de novos conceitos teóricos de análise da arte contemporânea estabelece-se na produção criada no ambiente da internet. O termo que defne as novas formas de colaboração artística possibilitadas pela tecnologia digital – e desenvolvidas,

inicialmente, no âmbito da música eletrônica, por volta dos anos 1960-70 – é ‘remix’. Este procedimento difundiu-se amplamente pelo uso dos samplers, máquinas de edição de som que permitem gravar, manipular e combinar ruídos e trechos de música. Na música eletrônica, remixar signifca reinterpretar uma música existente e manter seus elementos originais, como explica Eduardo Navas: “[.] o material que é mixado, ao menos por uma segunda vez, deve ser reconhecido. Do contrário poderia ser entendido como algo novo e se tornaria plágio. Sem história, o remix não pode ser remix”. Para Lev Manovich, o termo ‘remix’ poderia ser estendido a outras práticas culturais, como as artes visuais e a literatura. Nas artes visuais, observa, há similaridades entre ‘remix’ e o termo ‘apropriação’. Na literatura, ‘citação’ seria o conceito mais próximo. Manovich vê ainda uma ligação entre as práticas de colagem e montagem, do intertexto, paratexto e hyperlink, e as técnicas de sampler. Apesar de propor essas correlações, o autor ressalta que essas operações funcionam com lógicas distintas, e enfatiza a necessidade de criar um vocabulário que permita estabelecer uma relação mais precisa entre as novas formas de autoria nas diversas áreas culturais. Em suas palavras: “Um vocabulário crítico, que possa ser aplicado a todas as mídias, nos ajudaria a fnalmente aceitar essas operações como casos legítimos de autoria, e não exceções”. PATO, Ana. Literatura expandida: arquivo e citação na obra de Dominique Gonzalez-Foster. São Paulo: Sesc SP/Associação Cultural Videobrasil, 2013. p. 190-192.

teoria e técnica

Segundo Rudolf Laban, as relações particulares entre os aspectos dinâmicos e espaciais do movimento podem ser reveladoras de diferenças individuais e também coletivas. Assim, ajudam a dar visibilidade, por exemplo, às diferenças entre culturas, podendo servir de pistas para melhor identificar como dança e sociedade podem entrelaçar-se. A análise dos aspectos espaciais relativos ao corpo em movimento pode se basear tanto no corpo que dança como também no corpo que se desloca na cidade, que trabalha, que brinca, etc. Ajude os alunos a perceber essa relação entre dança e sociedade.

manual do professor • 211 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 211

6/23/15 5:39 PM


Atividades

O espaço na dança Caso não seja possível assistir a filmes ou vídeos, proponha ao grupo realizar essa observação em danças propostas por eles próprios e até em situações cotidianas – por exemplo, observando como os diversos grupos se organizam espacialmente nas salas de aula, nos momentos do intervalo nos pátios e corredores, etc.

Dançar a dois sem se tocar Além de cuidar para que haja espaço suficiente para desenvolver a atividade, observe se os estudantes se sentem confortáveis no trabalho com a dupla. Jovens mais tímidos podem ter maior dificuldade em estabelecer contato visual com seu par na dança. Deixe claro que possíveis falhas de comunicação podem acontecer, por se tratar de uma primeira experiência com esse tipo de atividade, de modo que se evite o constrangimento entre colegas.

Atividades complementares A seguir reunimos mais duas propostas de atividade para este capítulo. Veja qual cabe melhor no seu planejamento. Sempre que possível, faça mais de uma atividade com a turma.

Desenho esquemático do corpo Nessa atividade, a proposta é de que os estudantes desenhem o corpo em posições diferentes usando lápis 6B, pintando-os ao final com caneta hidrográfica colorida. Em primeiro lugar, eles devem fazer o desenho esquemático de um corpo em pé visto de frente, preocupando-se apenas com o essencial: cabeça, corpo, pernas, braços, pés e mãos. Os que têm mais dificuldades podem fazer uma linha para o corpo e uma bolinha para a cabeça. Cada desenho deve ter mais ou menos 10 cm de altura. Em seguida, podem tentar desenhar a mesma figura com pequenas variações: primeiro, com uma perna em outra posição, por exemplo; então, no desenho seguinte, com essa perna e um braço em outra posição; e assim por diante. Estimule os estudantes a experimentar algumas modificações para esse corpo simplificado antes de começar a alterar as posições. Eles podem tentar desenhar um corpo feminino e um corpo masculino, por exemplo, antes de fazer a escolha.

Por fim, peça-lhes que tentem fazer desenhos do corpo em posições bastante diferentes da inicial, como de cabeça para baixo, depois deitado e, finalmente, sentado.

Avaliação dos resultados Ao final, reúna os desenhos dos estudantes para uma avaliação coletiva, seguindo este roteiro: • Em quais desenhos o corpo está em movimento? • Em quais trabalhos o desenho do corpo é mais esquemático e em quais ele apresenta algum detalhe interessante? • Qual é a posição mais difícil de desenhar? • Quem fez mais variações de posição para o corpo?

Corpo animado Essa atividade deve ser feita com base na proposta anterior, dos desenhos esquemáticos do corpo. O material mais indicado é: lápis 6B, caneta hidrográfica colorida, uma folha de papel-manteiga para desenho ou papel vegetal, cola branca e um livro velho, no qual serão colados os desenhos para compor um flipbook. Caso não haja papel vegetal ou papel-manteiga disponível, deve-se buscar outro com algum grau de translucidez. Os estudantes se basearão nos desenhos já realizados para fazer diversos desenhos intermediários entre uma posição e outra. Para isso, devem sobrepor o papel vegetal ao desenho original e copiá-lo, modificando-o. Lembre-os de que, quanto mais desenhos forem feitos entre uma posição e outra, melhor ficará o efeito de transição no flipbook. Depois de prontos, o ideal é fazer algumas fotocópias desses desenhos. Os estudantes devem recortá-las e colar cada desenho no canto inferior direito das páginas ímpares de um livro velho, usando cola branca. Uma vez seca a cola, peça-lhes que testem o flipbook passando o dedo rapidamente pela borda do livro.

para ampliar o conhecimento Sobre dança contemporânea

É possível encontrar agendas de apresentação, textos e críticas sobre dança contemporânea disponíveis em: <http://idanca.net>. Acesso em: 4 jun. 2015.

Sobre o ambiente em que emergiu a dança pós-moderna americana Para conhecer o importante movimento denominado dança pós-moderna americana e os artistas que dele participaram, vale a pena ler:

212 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 212

6/23/15 5:39 PM


• BANES, Sally. Greenwich Village. Rio de Janeiro:

• LABAN, Rudolf. Domínio do movimento. São

Sobre Rudolf Laban

• RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. São Paulo:

Rocco, 2000.

Paulo: Summus Editorial, 1978.

Annablume, 2003.

Recomendamos um livro e um dicionário para aqueles que desejarem se familiarizar com os conceitos de Rudolf Laban:

CAderno de projetos projeto 1 – o corpo Este capítulo sugere temas ligados ao corpo para serem estudados em grupo pela turma, relacionando Arte e outras disciplinas.

pensando sem fronteiras Um trecho do texto Deficiência física e autoestima, de Priscylla Piucco, aborda a moda e as concepções de beleza pelo olhar de uma jovem que tem uma deficiência física. Ela conta sobre o processo de aceitação, as dificuldades sociais que enfrentou na adolescência e a importância do feminismo nesse processo. Caso haja estudantes com deficiências em alguma turma, é interessante criar um ambiente de debate propício para que eles se sintam à vontade para se manifestar sobre suas experiências pessoais. Evite, porém, constrangê-los a se pronunciar: em vez de aumentar a autoestima e Temas

incentivar a aceitação das diferenças, a exposição pública pode ser um fator a mais de inibição.

temas para pesquisar A pesquisa proposta no projeto interdisciplinar visa estimular uma ação dos estudantes diante do saber. Os seis temas sugeridos propõem pensar sobre o corpo, fazer levantamentos a partir de fontes e movimentar o corpo, para, ao final, realizar uma síntese em uma linguagem. É possível trabalhá-los com a colaboração de professores de outras disciplinas. Alguns projetos sugerem uma busca pessoal ou no cotidiano, outros apontam para temas artísticos e científicos. Todos podem ser adaptados pelo professor e modificados, pelos grupos, em seus objetivos ou linguagens. Veja a seguir um resumo das disciplinas e linguagens envolvidas nas propostas deste volume:

Disciplinas envolvidas

Linguagem artística da síntese estética

Representação do corpo na arte e na ciência

Arte e Ciências

Arte visuais

Pintura corporal dos diversos povos indígenas

Arte, Geografa e História

Artes visuais

Danças populares no Brasil

Arte, Geografa e História

Dança

O sistema ósseo

Arte, Ciências e Educação Física

Dança

Inventários de gestos e atitudes adolescentes

Arte e Educação Física

Arte visual ou Audiovisual

Moda e Beleza

Arte, História e Língua Portuguesa

Arte visual

projeto 2 – dança Tenha em mente que muitos preconceitos ainda cercam a prática da dança, o que leva vários jovens a pensar que se trata de uma atividade exclusiva para meninas ou restrita a quem tem

aptidões físicas específicas. Busque desconstruir as visões sexistas e lembre ao grupo que as aulas de dança na escola não têm os mesmos objetivos, por exemplo, que as de um grupo profissional de dança. Estimule a participação de todos, mostrando que cada um vai construir seu próprio

manual do professor • 213 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 213

6/23/15 5:39 PM


caminho na dança, contribuindo dentro de suas possibilidades e trazendo suas singularidades para o grupo. Os debates, as pesquisas e a análise crítica de obras são tão importantes quanto as experiências de dança mais práticas. O conhecimento em dança se constitui dessas diferentes possibilidades de acesso à linguagem. Alguns estudantes se sentirão mais à vontade em movimento e outros nos momentos de pesquisa e debate. Respeite essas afinidades, mas não deixe de incentivá-los a se exercitar nas variadas proposições.

Orientações adicionais para a Parte 3 A música pode ajudar os estudantes na descoberta de uma pulsação comum, na transição de um gesto a outro, e pode ainda inspirá-los a criar novos gestos. Seguem algumas sugestões de músicas que podem ser tocadas durante a atividade:

• Ballaké Sissoko e Vincent Segal, “Ma-ma- FC” (álbum Chamber Music, 2009).

• Caetano Veloso, “Gua” ou “Joia” (álbum Joia, 1975).

• Arnaldo Antunes, “Momento 1” (álbum O corpo,

2000, trilha sonora do espetáculo Corpo, 1999, do Grupo Corpo) – bom exemplo de acumulação musical e poética.

• Bilja Krstic i Bistrik Orchestra, “Kalajdzisko kolo”

(álbum Bistrik, 2001). Outra sugestão de suporte sonoro, caso haja meios para tal, é construir uma trilha sonora com base em sons registrados no espaço da escola e em seu entorno, que podem ser mixados com alguma das músicas sugeridas acima. Na atividade, não se esqueça de:

• Ser exigente quanto à parte do corpo que inicia o movimento.

• Afirmar com clareza a direção e o sentido do movimento: o movimento é em direção ao alto? Ao chão, atrás do corpo? À frente?

• Propor variações para a duração dos movimen-

tos, explorando tempos rápidos, tempos lentos ou muito lentos. A lentidão permite que o jovem se conscientize do movimento, de modo que tenha maior retorno sensorial de sua ação.

• Finalizar cada etapa cuidando para que o mo-

vimento não se interrompa e cada aluno encerre sua exploração numa posição de silêncio corporal.

• Dar tempo suficiente para esta exploração.

para aprofundar o conhecimento Sobre dança na escola

• Barbatuques, “Dubauru” (álbum O seguinte é esse, 2005) – trabalha com acumulação de barulhos feitos com o corpo.

A pesquisadora Isabel Marques tem se debruçado sobre as potencialidades da dança em contexto escolar. Neste livro, ela trata de vários temas relativos à presença da dança como linguagem na Educação Básica:

• Bobby McFerrin, “Circlesong six” (álbum Circle-

• MARQUES, Isabel A. Dançando na escola. São

songs, 1997).

Paulo: Cortez, 2003.

jeitos de mudAr o mundo Neste volume, o tema trabalhado na seção Jeitos de Mudar o Mundo é o racismo. Ao longo do livro, são apresentadas a luta contra a discriminação racial e étnica e diferentes obras que tratam de suas consequências, como as de Lorna Simpson, Coco Fusco e Guillermo Gómez-Peña. Sugerimos que a seção seja trabalhada após o Capítulo 4, para aproveitar os conhecimentos sobre performance na atividade prática e o repertório de debates acumulado nesse capítulo.

para ampliar o conhecimento Sobre racismo

Indicamos a seguir três materiais com diferentes discussões sobre discriminação e desigualdade racial: um livro que resultou do seminário “Ação afirmativa em perspectiva comparada”, realizado em junho de 2012; uma apostila on-line que trata da questão do gênero e temas afins, como sexualidade e relações étnico-raciais, na escola;

214 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 214

6/23/15 5:39 PM


e um livro, também disponível na Internet, sobre ações afirmativas nas Américas:

• PAIVA, Angela Randolpho (org.). Ação afirmati-

va em questão: Brasil, Estados Unidos, África do Sul e França. Rio de Janeiro: Pallas, 2013.

• BARRETO, Andreia et al (org.). Gênero e diversi-

dade na escola: formação de professoras/es em Gênero, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais. Versão 2009. Rio de Janeiro: Cepesc; Brasília: SPM, 2009. Disponível em: <https://drive.google.com/file/ d / 0 B 8 - b K B 7 w P G b m S U t S b 0 F W Y k 5 y O F h rTF9DOU9GQzNpSVltNHdv/edit>. Acesso em: 3 jun. 2015.

• SANTOS, Sales Augusto dos. Ações afirmativas

e combate ao racismo nas Américas. Brasília: MEC/Unesco, 2007. (Coleção Educação para Todos.) Disponível em: <http://etnicoracial.mec. gov.br/images/pdf/publicacoes/acoes_afirm_ combate_racismo_americas.pdf>. Acesso em: 9 mar. 2015.

Sobre movimento negro no Brasil Para um histórico sucinto da organização do movimento negro no século XX e início do XXI, recomendamos a leitura de:

• DOMINGUES, Petrônio. Movimento Negro Bra-

sileiro: alguns apontamentos históricos. Revista Tempo, Niterói: 2007, v. 12, n. 23, p. 100-122. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/tem/v12n23/ v12n23a07>. Acesso em: 10 mar. 2015.

Sobre sociologia das relações raciais No Brasil, a chamada sociologia das relações raciais teve Roger Bastide e Florestan Fernandes como precursores. Eles foram incumbidos de dar prosseguimento à pesquisa da Unesco após a morte do antropólogo e psicólogo Arthur Ramos. Ao final dos trabalhos, porém, refutaram a tese

proposta por Ramos e pela entidade, explicitando as diferentes formas como a discriminação racial se manifestava no contexto da cidade de São Paulo em meados do século XX. Para saber mais, recomendamos a leitura dos seguintes textos:

• BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan. Brancos e negros em São Paulo. São Paulo: Global, 2008.

• FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. São Paulo: Globo, 2008. 2 v.

• KERN, Gustavo da Silva. Gilberto Freyre e Florestan Fernandes: o debate em torno da democracia racial no Brasil. Revista Historiador, n. 6, jan. 2014.

• TURRA, Cleusa; VENTURI, Gustavo. Racismo cordial. São Paulo: Ática, 1995.

Sobre Abdias do Nascimento e o Teatro Experimental do Negro Abdias do Nascimento foi um ativista importante na luta contra o racismo no Brasil. Em 1981, fundou com sua esposa, a pesquisadora Elisa Larkin, o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). A entidade, sediada no Rio de Janeiro desde 1985, atua na recuperação da história e dos valores culturais negros no Brasil, promovendo cursos, pesquisas, exposições, publicações, memória e patrimônio. Para saber mais sobre o Ipeafro, visite:

• <http://ipeafro.org.br/>. Acesso em: 3 jun. 2015. • Para um relato detalhado a respeito do Teatro Experimental do Negro feito por seu fundador, conheça:

• NASCIMENTO, Abdias do. Teatro experimental do

negro: trajetória e reflexões. Revista Estudos Avançados. São Paulo: v. 18, n. 50, jan.-abr. 2004. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?pid=S010340142004000100019&script=sci_arttext>. Acesso em: 15 mar. 2015.

áudio que ACompAnHA o volume O CD de áudio que acompanha este livro contém faixas musicais que exemplificam e tornam significativos para os estudantes os ritmos e gêneros tratados no livro. Ele reúne principalmente gravações recentes de músicas de gêneros populares tradicionais brasileiros, tais como congada, jongo, maracatu e ciranda.

Há ainda um rock inspirado no vira, ritmo tradicional português, e um samba de Dorival Caymmi. É importante que os estudantes tenham a oportunidade de ouvir as músicas propostas, porque pode ser o primeiro contato de muitos deles com esses sons.

manual do professor • 215 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 215

6/23/15 5:39 PM


Faixas de áudio Faixa Capítulo Página Conteúdo da faixa Fonte

Duração (em min.)

1

Apresentação

0:07

2

2

45

“O vira”

João Ricardo e Luhli (compositores). Secos & Molhados (intérpretes). In: Warner 30 anos: Secos & Molhados. Warner Music Brazil, 2006.

2:18

3

2

54

“O que é que a baiana tem?”

Dorival Caymmi e Carmen Miranda (intérpretes). In: Dorival Caymmi: 100 anos. EMI Records Brasil, 2014.

3:15

4

4

86

Terno de congada

Tenda de umbanda Caboclo Caramã e Pai Cesário, com Gêise e Mãe Gertrudes (intérpretes). In: Vamos saravá!. Tenda de umbanda Caboclo Caramã e Pai Cesário, 2009.

2:17

5

5

99

Pau de fta

Pau de fta de Ribeirão da Ilha (intérpretes). In: Música popular do Sul, vol. 3. Discos Marcus Pereira, 1975.

2:17

6

5

100

“Minha ciranda”; “Preta cirandeira”

Capiba (compositor de “Minha ciranda”). Saúde Neres (compositor de “Preta cirandeira”). Lia de Itamaracá (intérprete). In: Eu sou Lia. Arion, 2010.

1:37

7

5

101

Caxinguelê

Grupo Cultural Jongo da Serrinha (intérprete). In: Jongo da Serrinha. Grupo Cultural Jongo da Serrinha, 2002.

4:33

8

5

103

“O meu maraca”

Grupo Cupuaçu (intérprete). In: Grupo Cupuaçu. Toadas de 4:38 bumba meu boi. Núcleo Contemporâneo, 2003.

9

5

107

Podcast: “Maracatu”

CAMPANER, Laura. “Maracatu chegou Cambinda Elefante”. 4:21 Cedida por Borage Produtora Ltda.

10

5

107

“Coco da lagartixa” Adaptação de Antonio Nóbrega e Wilson Freire. In: NÓBREGA, Antonio. Madeira que cupim não rói: Na pancada do ganzá II. Brincante Produções, 1997.

4:14

bibliOgrafia BARBOSA, Ana Mae (Org.). Inquietações e mudanças no ensino de arte. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2012.

KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2006.

; AMARAL, Lilian (Org.). Interterritorialidade, mídias, contextos e educação. São Paulo: Sesc-SP/Senac-SP, 2008.

MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Mediação cultural para professores andarilhos na cultura. São Paulo: Arte por Escrito/Rizoma Cultural, 2010.

BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. São Paulo: Cosac Naify, 2013. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília: Ministério da Educação, 1997. CANDAU, Vera Maria. Direitos humanos, educação, interculturalidade: as tensões entre igualdade e diferença. Revista Brasileira de Educação. v. 13, n. 37, Rio de Janeiro: ANPEd, 2008. DEWEY, John. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010. DIDI-HUBERMAN, Georges. Atlas ou a gaia ciência inquieta. Lisboa: KKYM, 2013. FAZENDA, Ivani. Interdisciplinaridade: história, teoria e pesquisa. Campinas, São Paulo: Papirus, 2012. HALL, Stuart. Identidade cultural na pós-modernidade. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guaracira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2006.

MATOS, Lúcia. Dança e diferença: cartografia de múltiplos corpos. Salvador: Edufba, 2012. p. 63-82. MORANDI, Carla; STRAZZACAPPA, Márcia. Entre a arte e a docência: a formação do artista da dança. Campinas: Papirus, 2012. MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000. . Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo/Brasília: Cortez/Unesco, 2000. SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. Tradução de M. T. de O. Fonterrada et al. São Paulo: Ed. da Unesp, 1991. SPOLIN, Viola. Jogos teatrais para a sala de aula: um manual para o professor. São Paulo: Perspectiva, 2007. SWANWICK, Keith. Música, mente e educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.

HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

TOMÁS, Lia. Ouvir o lógos: música e filosofia. São Paulo: Ed. da Unesp, 2002.

JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino de teatro. São Paulo: Papirus, 2001.

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. São Paulo: Cia. das Letras, 2006.

216 Novo_Radix_Arte6_PNLD2017_MP2_179a216.indd 216

6/23/15 5:39 PM


Mosaico_Arte_6ano_PNLD2017_Capa_AL_PR.indd 1

6/2/15 8:26 AM


Mosaico arte 6° Ano