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Sistemas de Trocas – imagens e objetos simbólicos

RENATA CRUZ 19 de outubro>>>29 de novembro 2013

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Depois do Espaço t, surge a Quase Galeria Espaço t, espaço de integração pela arte, numa perspectiva de inclusão total, sem tabus, estereótipos, preconceitos e tudo aquilo que segrega o valor humano. Valorizamos apenas a aceitação incondicional do outro. Numa perspectiva transversal da sociedade, dos ricos dos pobres, dos coxos aos esteticamente intitulados de belos, todos cabem no conceito. Num mundo cada vez mais desumanizado, solitário, onde todos são “colocados em gavetas”, verificamos que o homem apenas representa o papel que lhe é dado, e quase nunca mostra o seu verdadeiro interior. Com o Espaço t, aqueles que por ele passam ou passaram, crescem e entendem que o verdadeiro homem não é o do “gaveta” mas o do seu interior e entenderam também o que há na sua verdadeira essência, quer ela seja arte bruta, naife ou apenas arte de comunicar, é por si só a linguagem das emoções, a linguagem da afirmação do maior valor humano. O pensar e o libertar esse pensamento crítico sobre uma forma estética. Esse produto produz uma interacção entre o produtor do objecto artístico e o observador desse mesmo objecto; promovendo assim sinergias de identidade e afirmação melhorando dessa forma a auto estima e o auto conceito daqueles que interagem neste binómio e se multiplica de uma forma exponencial. Este é o Espaço t, E apesar de sempre termos vivido sem a preocupação de um espaço físico, pois sempre tivemos uma perspectiva dinâmica, e de elemento produtor de ruído social positivo, ruído esse que queremos que possa emergir para além das paredes de um espaço físico. Apesar de não priorizarmos esse mesmo espaço físico, pois ele é limitador e castrador foi para esta associação importante conseguirmos um espaço adaptado às necessidades reais e que fosse propriedade desta associação que um dia foi uma utopia. Com a ajuda do Estado, mecenas, e muitos amigos do Espaço t, ele acabou por naturalmente surgir. Com o surgir do espaço do Vilar, outros projectos surgiram tendo uma perspectiva de complementaridade e crescimento desse espaço, que apesar de real o queremos também liberto desse conjunto de paredes, fazendo do espaço apenas um ponto de partida para algo que começa nesse espaço e acaba onde a alma humana o quiser levar. Surgiu assim a ideia de nesse lugar criarmos outro lugar, também ele figurativo embora real, chamado Quase Galeria. Uma galeria de arte contemporânea com um fim bem definido: apresentar arte contemporânea Portuguesa nesse espaço, dentro de outro espaço, onde cada exposição será uma fusão de espaços podendo mesmo emergir num só espaço. Com este conceito pretendemos criar uma nova visão do Espaço t, como local onde outros públicos, outros seres podem mostrar a sua arte, desta vez não terapêutica mas sim uma arte no sentido mais real do termo que forçosamente será também terapêutico, pois tudo o que produz bem estar ao individuo que o cria é terapêutico.

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Com o apoio das galerias: Carpe Diem – Arte e Pesquisa, Graça Brandão, Presença, Filomena Soares, Nuno Centeno, Modulo, 3 +1, Galeria Ratton, Ateliê Fidalga (São Paulo, Brasil), Waterside (Londres, UK), Jorge Shirley, Anita Schwartz (Rio de Janeiro, Brasil), Progetti (Rio de Janeiro, Brasil), Vera Cortês – Art Agency, Alecrim 50, Blau Projects (São Paulo, Brasil) e com a Comissária e amiga Fátima Lambert, temos o projecto construído para que ele possa nascer de um espaço e valorizar novos conceitos estéticos contribuindo para a interacção de novos públicos no espaço com os públicos já existentes promovendo assim, e mais uma vez a verdadeira inclusão social, sem lamechices, mas com sentimento, estética e cruzamentos sensoriais humanos entre todos. Queremos que com esta Quase Galeria o Espaço t abra as portas ainda mais para a cidade como ponto de partida para criar sinergias de conceitos, opiniões e interacções entre humanos com o objectivo com que todos sonhamos – A Felicidade. Jorge Oliveira O Presidente do Espaço t

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Sistemas de Trocas – imagens e objetos simbólicos [de Renata Cruz]

"Dall'immagine alla voce la via può essere breve, se i sensi rispondono. La rètina comunica col timpano e "parla" all'orecchio di chi guarda; e per chi scrive la parola scrita è sonora: prima la sente nella testa." Antonio Tabucchi, "Racconti con figure". “I drank the silence of God From a spring in the woods.” Georg Trakl Trocas simbólicas, Pierre Bourdieu dixit, demonstram as idiossincrasias de uma sociedade, assim sendo denunciando um espaço e um tempo configurado por padrões e cânones éticos, económicos, políticos e culturais – advindos de todas as demais congruências de atuação e pensamento que a epistemologia nos ensinou, por conta dos modelos e preconceitos (gnose)lógicos ocidentais. O Sistema de Trocas proposto por Renata Cruz, ocupa-se de situações potencializadas com escopo estético, artístico em campos de ação e intervenção nas comunidades, grupos e pessoas que a instituem enquanto tal. Os episódios isolados que integram este projeto, até agora, sempre em aberto, pode nalguns casos possuir uma incidência maioritariamente pedagógica, sociológica ou artística (como objetivo ou para atribuir competência) mas compartilha sempre uma poética incontornável. O processo glosa a esquematização do que se entende ser a “comunicação”: existe um emissor, uma recetor e uma mensagem. Neste caso a mensagem é uma transação e, simultaneamente, um objeto matérico, tanto quanto simbólico. Assim: o emissor é toda e qualquer pessoa que entrega um objeto que é por si mesma escolhido, tendo

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como consciência que o vai oferecer/dar à artista; o recetor +e a artista que recolhe e aceita a oferta desse objeto. A norma estabelecida e cumprida impõe que a artista oferece/dê à pessoa com quem interage um “caderno de desenhos” seu, tendo este momento/ ato a 1ª definição conclusiva do processo. Toda esta designação atuante decorre num espaço em que ambas as pessoas estão presentes ou pode ser mediado por uma via de correspondência, prioritariamente por email. Nesse caso, o emissor envia para a artista, um attch que consiste na fotografia do objeto escolhido e, posteriormente, entregar-lhe-á esse mesmo objeto (na sua integridade física). Situações excecionais dizem-nos que a troca pode fechar-se – em concordância mútua – na imagem do objeto, atendendo a circunstâncias que assim se consignam como as mais convenientes e/ou adequadas. Mas, a simbologia do projeto ab initio, mantém-se incorrupta. Numa fase sequente, Renata Cruz desenhará os objetos recolhidos (que lhe foram entregues) estruturando séries que num destino expositivo sejam apresentadas em contexto diraístico/documental – situando-se numa poética instaurada por seus princípios – antropológicos, quanto societários e portanto identitários. Dão origem a séries que se pautam por uma indexação temporal, espacial ou poiética, traduzida em titulações e terminologias adstrita a catalogações singulares e que lhe são intrínsecas embora dirigidas a todos aqueles que as possam recolher/rececionar – mediante a perceção estética em aberto: “Cada um de nós é uma sociedade inteira.” 1 A metodologia de trabalho direciona a produção artística de Renata Cruz, associandose a uma consciência intrínseca do poético e plasmando uma vocação intimista extrema. Não muito frequente se associam em tanta harmonização e consentaneidade as exigências do procedimento, o impulso continuado e a persistência das dinâmicas substantivas – demonstrativas da identidade do autor. Os desenhos estão em quietude, nesse silêncio da descontaminação, dentro de um espaço que os recebe e manifesta – em simultâneo. Alguns encontram-se num diálogo, decorrente das possíveis associações a objetos estrangeiros, igualmente presentes na mostra. 3 conceitos, entre tantos outros que se podem assinalar, atravessam e sustentam as obras apresentadas na 1ª exposição individual da artista brasileira Renata Cruz – Sistema de trocas – imagens e objetos simbólicos, em Portugal. São eles: memória, silêncio e viagem (talvez não por esta ordem mas vamos ver…). Todos são partilhados e coincidem nos meandros de cada pessoa sendo, exatamente, a razão e sentimento nítidos de suas diferenças irreversíveis e identificadoras. Os trabalhos organizam-se, esparsos e (talvez suspiradamente sozinhos) nas paredes da Sala da Galeria, pese embora também pontuem locais inesperadas, como que conduzindo o visitante para uma caminhada de descoberta, onde cada detalhe ou pormenor, nunca é descuidado ou fortuito. A exposição pode ser abordada como se de uma cartografia diarística se tratara, compilando dias, dias, dias – lembrando-me o poema visual de Augusto de Campos, pois, à sua semelhança, cada um poderá iniciar a leitura (entenda-se) a sua visita por onde decida. É, portanto um percurso em aberto, evocativo da situação de abertura e processo que nos falou Umberto Eco. A polissemia é transfigurativa e seduz, propiciando uma fruição estética que, para alguns, atingirá estádios de deleite e quase alienação. Por analogia ao que a artista vem empreendendo no projeto de parceria 1

Bernardo Soares, “Estética da Indiferença”, Livro do Desassossego, p.95

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CruzCappeletti, somos induzidos para a vivência de um “estado de desenho”. No caso, o que o visitante disponível saberá usufruir, situa-se numa plataforma de consciência identitária que o faz fluir numa levitação estética que, em paralelo, se articula com a conceitualização husserliana de “suspensão” (époche). O estado de desenho será, numa certa aceção, um estado de suspensão. E esse estado de desenho poderá ser percecionado pela via (da analogia empática), pela consonância de alguns estrangeiros/ exteriores ao processo privado, quando da sua contemplação/experienciação psico-sócio-visual dos desenhos presentificados. O espectador depara-se, assim – em genuína propriedade – com o “eu e suas circunstâncias”, numa efetividade que celebra o pensamento de Ortega y Gassett. Quer se pense no que seja a condicionalidade identitária da autora, quer se anuncie a pluralidade inquantificável de todos aqueles que visitem a exposição. Entre a identidade pessoal e a razão de alteridade que a consolida e expande, situam-se elementos visuais que são espaços de intermediação, onde se parece haja isenção de tempo, a planificação de olhares hieráticos é motor ou impulso para dinamismos internos que se projetam e introjetam, de forma incessante. Memória

“Já sobre a cabeça não há cúpulas, mas algures Num surdo subúrbio a casa solitária, Onde faz frio no Inverno e no verão calor, Onde há uma aranha e a poeira em tudo pousa, Onde se decompõem cartas ardentes, Onde pela calada mudam os retratos, (…) Mas o relógio faz tiquetaque, uma primavera substitui A outra, o céu vai ficando róseo, Mudam-se os nomes de cidades, E não há já testemunhas dos acontecimentos,

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E não há com quem chorar, não há com quem recordar. (…)”2 As sucessivas entradas de pequenos momentos vividos, em estatuto de acumulo, configuram uma personalidade em movimento que, todavia, persiste nos tópicos singulares que lhe auferem a distinção e causa única. Refiro-me à decifração de instantes – que nunca estão sozinhos porque não sabem onde se iniciam ou finalizam. Santo Agostinho soube determinar essas marcas indiciadoras de que existem – em plenitude – zonas de sobreposicionalidade, de intersecção e onde as fronteiras perigosa e belamente tendem a dissipar-se. Tudo, se direciona e reside nas caixas da memória individuada que aglutina as extensões do societário e do coletivo – que se sabe possuir consequências e ascendentes arquetípicos – Jung dixit... As gavetas onde se guardam lembranças no nosso pensamento mais claro, tanto quanto no mais obscuro, reflectem sobre as indiferenciações casuais e episódicas em que os reino do imaginário socializam com as sistematizações do (suposto) real e/ou fatual. Por outro lado, talvez que a memória seja – de algum modo e em certa percentualidade – uma caixa de Pandora apropriada a gostos e necessidades múltiplas. As efabulações da memória – que aliás se sabe não ser (de todo) uma causa singular – projetam-se e materializam-se, correspondendo a auspícios e solicitações de diferente origem e matéria. “120 A memória é essa claridade fictícia das sobreposições que se anulam. O significado é essa espécie de mapa das intervenções que se cruzam como cicatrizes de sucessivas pancadas. Os nossos sentimentos. A intensidade do sentir é intolerável. Do sentir ao sentido do sentido ao significado: o que resta é impacto que substitui impacto – eis a invenção.”3 A memória individual escolhe os seus alvos, seleciona os dados imagéticos, as sensações, enfim… tudo aquilo que lhe é mais necessário tornar imediato nas razões da evocação mas reserva-se a possibilidade de acionar quando prioritário elementos decorrentes de vivências anteriores supostamente olvidadas e bloqueadas. Todas as pequenas lembranças integradas exalam um perfume de “madalena” e xícara de chá à la Marcel Proust e, de fato, essa carga intensa, atualiza-se em objetos simbólicos que pertencendo, de certa forma à memória do diurno/consciente transportam toda uma infindável incondicionalidade associativa do noturno/inconsciente lavrado em obra conceitualizada, por parte da Renata Cruz. Múltiplos estádios e tipologias subjazem à afirmativade da memória, que seja arquivo, lembrança e recordação ativados consoante os estímulos e as decisões.

Silêncio “…Cada coisa está isolada ante os meus sentidos, que a aceita impassível: um ciclo de silêncio. Cada coisa na escuridão posso sabê-la, como sei que o meu sangue circula nas veias.”4

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Anna Akhmatova, “Elegias do Norte - Quarta”Poemas, Lisboa, Relógio d’Água, 2003, pp.82-83 Ana Hatherly, 351 tisanas, Lisboa, Quimera, 1997, p.62 4 Cesare Pavese – “Mania da solidão”, Trabalhar cansa, Lisboa, Ed. Cotovia, 1997, pp. 71-73 3

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O silêncio é uma condição imprescindível para o desenrolar do processo de desenho que Renata Cruz desenvolve. A duração está implícita na anunciação desse ato, comprovando que a fala de Goethe no Fausto é ainda e sempre da maior acuidade e pertinência, quando associada à assunção de pensamento e para a criação da obra. Cada obra é parte constitutiva de um todo que engloba o processo, quanto os produtos finalizados e estado de disponibilização (quase ousaria dizer dádiva) aos demais. Talvez que, nesse entendimento em relação de alteridade, o primado de silêncio impere – em termos de receção estética e se institua como a categoria privilegiada. “O que é o espaço senão o intervalo por onde o pensamento desliza imaginando imagens? O biombo ritual da invenção oculta o espaço intermédio o interstício onde a percepção se refracta Pelas imagens entramos em diálogo com o indizível”5 A vertigem que o silencia supõe é uma espécie de mergulho em luz. O silencia também é essa luz que inunda um espaço e dissolve as existências, cativando-as num estado de aposentação de sentidos preconceituados e, assim, as transporta para uma assunção simbólica mais plena. Diga-se que é imprescindível essa aceitação do vazio, da luz que desconfigura a racionalidade e o visível para se aceder à evidência. Por evidência entendo a conformação das coisas a ver mas que são possuídas pelo âmago da sua substância. Momentos aristotélicos de conciliação que ultrapassam as formatações matéricas simples e adquirem uma razoabilidade lúcida de pactos intimistas e comunitários. O silêncio viabiliza, pois dele surge o destaque daquela existência sonora que não está mergulhada no nosso quotidiano – por isso não ouvimos a “música das esferas” que os pitagóricos nos atribuíram em herança cosmogónica. À semelhança desta argumentação, veja-se que os objetos desenhados – fruto de relacionalidades afetivas ou de encontros fortuitos e deliberados com as pessoas que integram um público (que nunca é abstrato), adquirem uma carga (cumulativa) a partir do momento em que emergem do silêncio que seja o desconhecimento do outro. O outro, os outros, mediante o ato de apresentação do objeto escolhido, presentifica(m)-se como pessoa, saindo do silêncio societário.

Viagem Talvez que, como afirmou Michel Mafesolli em Sobre o Nomadismo, seja necessário por vezes, desligar-se para melhor saborear a proximidade das coisas. Assim, se poderá igualmente admitir que a pessoa que entrega o seu objeto (simbólico, de afeto ou ódio) a Renata Cruz, melhor dele se alimentará pois que, num primeiro o designa, o apresenta e, portanto, o celebra, dele se ausentando definitivamente. Então, esse objeto para quem o possuiu passa a ser a imagem mental que internalizou (tendo-a 5

Ana Hatherly, “O que é o espaço?”, O Pavão Negro, p.37

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elaborado como mental e não mais somente como visual) e, por outro lado, poderá, um dia, acontecer que o veja como imagem dentro de um desenho do artista. Eis, pois a viagem efetiva do objeto, a sua deslocação intrínseca e extrínseca, em paralelo. A questão da viagem aglutina a memória e o silêncio, sabe-se: “…o silêncio eterno desses espaços infinitos apavora-me”, escreveu Blaise Pascal. A viagem é denotativa da ideia de infinito que se pensa delimitar e circunscrever num tmpo e espaço. Embora, na realidade a viagem seja algo expansível e, muito frequente, se é incapaz de fechar, de concluir. Ao conceito de viagem associa-se habitualmente a paisagem e o retrato de alguém nessa paisagem. Como assinalou Bernardo de Carvalho em Mongólia, na realidade nunca se estará à procura da paisagem mas antes de alguém na paisagem. Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como afinal as paisagens são.6 Quando o heterónimo de Fernando Pessoa afirmava que somente quem fosse fraco de imaginação precisava de se deslocar para viajar, sustentava uma convição pregante que facilmente se entende e não é impedimento da pretensão quanto a se mover. Envolve uma sabedoria quanto ao que seja a perceção do corpo próprio no espaço e no tempo; a razão do seu contorno e peso ontológico quanto antropológico e a afetação de variantes psicossociais distintivas.

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Bernardo Soares, Op.cit., p.409

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A viagem na cabeça, quanto através do corpo efetivo a deslocar-se nos espaços que perceciona e antecipa, para depois afirmar (ou assegurar), não é somente caso de paisagem e retrato mas muito destacadamente de objetos. A mobilidade, a passagem dos objetos – em termos do que se consignaria em “mito de posse” será mais para afirmar no plural e apreender como situação transacional. O sistema de trocas é de ordem do transacional, elaborando certas fantasmasias e proporcionando extrapolações íntimas materializadas. A associação que a artista desenvolve, de modo recorrente, com a escrita e atendendo ao desenho em sua composição, propõe uma polissemia (como se vem anunciando) dirigida. O que significa que ao escrever, a artista configura-se numa caligrafia precária (em aparência de recuperada inocência, bem ao jeito romântico e modernista da recuperação da inocência e genuinidade – Schiller até Miro ou Almada Negreiros). Essa caligrafia leve e quase inconsequente, carrega uma intencionalidade que recupera excertos de textos, frases de poemas ou ensaios diversificados, cuja autoria direta é anulada. O autor de quem proceda essa frase ou frases não é indicado. As referências literárias dos autores que Renata Cruz privilegia – Jorge Luís Borges, Ian McEawn ou Coetze…, entre tantos outros, alimentam-se – pois adquirem novas aceções semânticas transfiguradas e sozinhas – quando escolhidos e apropriados pela artista que promove a conversão (e posse) dos referidos autores em outros pensamentos paritários e compartilhados. Essas frases, fragmentos, procedendo de outrem, convertem-se em desígnios impositivos de sua autoridade psico-afetiva pois foram mastigados e saboreados por si mesma. Os objetos deslocados e que viajam (algo nómadas…) que sedentarizam na compulsividade do desenho ocupam-se de si mesmos e afastam-se das identidades, tornam-se independentes portanto. No ato de desenhar converge uma ação de autonomia do objeto desenhado por relação ao sujeito que os destinava. Na posse transposicionada de Renata Cruz, os objetos (isolados e em parceria) comungam da eventualidade de uma asserção identitária que é retentiva mas também – em certa aceção – de neutralidade. Pois, os tantos e inúmeros sujeitos que os possam contemplar serão incapazes de os paralisar ou cercear fronteiras.

Maria de Fátima Lambert S.Paulo/Porto, outubro 2013

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1 Renato, Bia, Bettina e eu aguarela s/papel

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2 A carta aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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2.1.

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2.2.

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2.3.

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2.4.

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2.5.

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3 As quatro operações básicas da matemática aguarela s/papel, dimensões variáveis

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4 catalogação de instantes oferecidos aguarela s/papel, dimensões variáveis

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1.1.

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1.2.

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1.3.

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1.4.

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1.5.

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5 Thomas More, Danilo e Valente aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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6 Dias avulsos aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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7 Objetos simbólicos 1 aguarela s/papel, dimensões variáveis

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8 Objetos simbólicos 2 aguarela s/papel, dimensões variáveis

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9 mobiliário para classificações e edições

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10 Edições

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11 Catalogação de Conversas Portuguesas

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Na sala de fora

1 agosto de 2011 aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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2 junho de 2011 aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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3 avulsas aguarela s/papel, dimensĂľes variĂĄveis

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Na escada

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Exposição ALUGA-SE Primeira exposição do Grupo numa casa Modernista em São Paulo – SP com a participação de 33 artistas | de 10 de Abril a 08 de julho de 2010

Quem somos? •Uma plataforma aberta de artistas. •Que se encontra em um estúdio semanalmente para discutir arte contemporânea. •Busca a itinerância expondo em diferentes espaços e cidades, visando a interação com artistas locais.

Por que o nome aluga-se? A nossa primeira exposição aconteceu em uma casa que estava para alugar há muito tempo. Um grupo de artistas se instalou durante seis meses, planejando, reformando a casa e montando a exposição que durou 3 meses. Onde? Avenida São Gualter, 1941 - Alto de pinheiros | São Paulo - residência característica dos anos 1950. Quando? De 10 de abril a 12 de junho de 2010. www.grupoalugase.wordpress.com

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CruzCappeletti - Estado de desenho

CruzCappeletti é uma parceria que nasceu pela vontade conjunta em descobrir e investigar os mecanismos do ato de desenhar. Nossa proposta é construir uma trajetória pelo trabalho, que nos leve a compreender um pouco, e quem sabe alcançar mais vezes, o que chamamos de “estado de desenho”. Estado de desenho significa para nós, a capacidade que uma pessoa pode adquirir, de conseguir sair de um tempo coletivo e se dispor a entrar em um tempo interno e pessoal, que é o tempo do desenho de cada um. Traduzimos essa capacidade, esta forma de presença, como um lugar para se estar. Para chegarmos a esse estado/lugar ou lugar/estado, criamos propostas de trabalho. As propostas são diversas e variam de acordo com o assunto que tratamos no momento ou dos acordos que fazemos. Desenhamos conjuntamente para sermos instrumento de pesquisa um do outro, desenhamos para ter uma referência, um espelho, um “feedback” e podermos discutir experiências diversas em situações comuns a ambos. Para isso abordamos um mesmo objeto em várias sessões, em lugares e tempos distintos, filmamos enquanto desenhamos, trabalhamos em um mesmo desenho, trabalhamos em um mesmo assunto muitas vezes, nos tornamos um o modelo do outro. O resultado são muitos desenhos e também a compreensão de que a dupla, o espelhamento, a pressão da presença e do olhar do outro, o tempo do outro no ato de desenhar a crítica direta, as conversas, os acordos, as ausências da fala, são as oportunidades para entender o que nos escapa. São situações que favorecem as descobertas desse lugar/estado ainda indefinido que pretendemos mapear. CruzCappeletti http://cruzcappeletti.tumblr.com

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FÁBRICAS de CULTURA (SÃO PAULO / ZONA LESTE)

O programa Fábricas de Cultura é uma política pública do Governo do Estado de São Paulo com o objetivo de ampliar o conhecimento cultural do jovem, por meio da interação com a sua própria comunidade e da realização de diversas oficinas e atividades artísticas. São oferecidos ateliês de formação cultural de dança, teatro, circo, música, multimeios, literatura e capoeira, entre outros, para crianças e jovens de 8 a 21 anos. Em cada unidade há também uma biblioteca, além de um laboratório de pesquisa disponíveis para todos. As Fábricas de Cultura também estão abertas aos finais de semana apresentando shows, peças de teatro, espetáculos de dança, entre as mais diversas manifestações artísticas. A Secretaria de Estado da Cultura e a Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura, à Língua e à Literatura – são parceiras na gestão e execução das atividades e serviços nas áreas de iniciação, formação e difusão cultural, que são desenvolvidas pelas Fábricas de Cultura Jardim São Luís, Capão Redondo, Jaçanã e Vila Nova Cachoeirinha. Nas Fábricas de Cultura, todos os cursos, a utilização da biblioteca, o uso da internet e a programação cultural são gratuitos!

http://www.fabricasdecultura.org.br/programa-fabricas-de-cultura/

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Renata Cruz Araçatuba, SP, 1964 Vive e trabalha em São Paulo, Brasil

Formação: 2011/2013 - Acompanhamento de projetos com Josué Mattos 2004/2013 - Ateliê Fidalga, acompanhamento de projetos com Sandra Cinto e Albano Afonso, SãoPaulo SP 2010/2011 - Pintura com Hildebrando de Castro, São Paulo SP 2002/2003 - Pós-graduação em Arte Integrativa, Anhembi Morumbi, São Paulo SP 1997 - Acompanhamento de projetos com Osmar Pinheiro, São Paulo SP 1994/1995 - Ateliê de Gravura - MAC, São Paulo SP 1991/1993 – cursos como aluna estrangeira na Facultad de Bellas Artes de la Universidad Autónoma de Madrid, Espanha 1989/1990 - Educação Artística, UNAERP, Ribeirão Preto SP 1981/1984 - Comunicação Visual, UNESP, Bauru SP Exposições: 2013 - Desenho ação.estado.acontecimento – Sesc São Carlos, São Carlos, SP - Aluga-se Casa Selvática - Paralela à Bienal de Curitiba – Casa Selvática, Curitiba, PR - Exhibition Opening - Projecto Correspondencia - E/L STUDIO, Washington, USA - “A lua no bolso” –Paço das Artes –Rio de Janeiro, RJ - “DeslocamentoBrasília” –Casa da Cultura da América Latina da UnB – Brasília, DF 2012 “-40 Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto” – Santo André, SP - “Individuais simultâneas” - Museu de Arte de Goiania – Goiania, GO - “Classificação por espécies” - DConcept Escritório de Arte – São Paulo, SP - “Sobrelivros e o projeto brochura” - Centro Cultural da Espaha, SP – São Paulo, SP - “DConcept hospeda Aluga-se” - DConcept Escritório de Arte – São Paulo, SP - “Arterix hospeda Aluga-se” – Arterix Galeria – São Paulo, SP - “Livres Trocas” – Sesc Ipiranga – São Paulo, SP - “Aluga-se Ville” – Central Galeria de Arte – São Paulo, SP 2011 – “20 e poucos anos: Portfólio” -Baró Galeria- São Paulo-SP - “Até meio quilo” - Pinacoteca de Santos- Santos, SP - “Até meio quilo” - Museu de Arte Contemporânea, Campinas, SP - “Até meio quilo” - Museu de Arte Contemporânea, Ribeirão Preto, SP - “Boite Invalidem” – Galerie Invaliden, Berlin, Alemanha - “Grupo Aluga-se” – SAK Kunstbygning, Dinamarca - “16 Bienal de Cerveira” – Cerveira, Portugal - “Conhecendo artistas Ateliê Fidalga” – Banco Santander, São Paulo, SP - “43 Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba” - Piracicaba, SP

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2010 – “Programa de exposições” - Museu de Arte Contemporânea do Paraná – Curitiba, PR - “Site specific” - SP Arte – São Paulo, SP - “Sobre livros” - Casa Contemporânea – São Paulo, SP - “Ateliê Fidalga no Paço das Artes” – São Paulo, SP - “Marco alugado” - Museu de Arte Contemporânea – Campo Grande, MS - “Photo Fidalga” - Quase galeria- Porto, Portugal 2009 – “Em torno de-Nos limites da Arte” - Funarte - São Paulo, SP - “15 Salão Unama de Pequenos Formatos” – Belém, PA - “Ateliê Fidalga” – Carpe Diem Arte e Pesquisa – Lisboa, Portugal - “Ateliê Fidalga” – Galeria Carlos Carvalho – Lisboa, Portugal 2008 - Galeria Pop – São Paulo SP - Casa do Olhar – Santo André SP - “Presente Fidalga” – SESC- Ribeirão Preto SP. - “33º SARP, Museu de Arte de Ribeirão Preto” – Ribeirão Preto SP - “36° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto” – Santo André SP - Marp - Programa Anual de Exposições - Ribeirão Preto SP - Coletiva de Sketch Books. Galeria Pop 2006 – “12 Salão UNAMA de Pequenos Formatos”- Belém-PA

Rua Tutóia, 839 ap. 13 / 04007004 São Paulo – SP (11) 998 42 94 77 cruz.renata839@gmail.com CPF: 21356004822 RG: 4 618 176-3 http://renatacruzportfolio.blogspot.com/

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QUASE GALERIA Rua do Vilar, 54 4050-625 Porto dci@espacot.pt | www.espacot.pt Seg. a Sexta das 10:00h às 13:00h e das 14:00h às 18:00h

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Brochura renata cruz