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especial mães por verena paranhos FOTOS solange rossini e ivan baldivieso

O momento de descoberta do talento de famosos é narrado por quem botou filhos no mundo

ORGULHO de mãe “Mãe é tudo igual, só muda o endereço”. Bem que tentamos fazer diferente, mas não tem jeito. Quando o assunto é o talento dos filhos, elas são idênticas: enchem os olhos de lágrimas, abrem o sorriso mais largo do mundo e falam sem parar... Rememoram os detalhes de histórias que aconteceram há muitos anos e se surpreendem com a inventividade de suas crias.

Mesmo sabendo o quanto é difícil fazer com que elas contem em poucas palavras as histórias dos filhos, convidamos algumas mães para que narrassem como descobriram os talentos de seus filhos – a cantora Alinne Rosa; o cantor e compositor Magary Lord; o modelo e árbitro Diego Pombo; os artistas plásticos André e Gustavo Moreno e sua irmã, a atriz Paula; os atores Edlo e Elisa Mendes (também diretora). O resultado? Belas e emocionantes histórias, que você confere nos depoimentos das próximas páginas.

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Caminhos das artes “Os meus três filhos cresceram em um ambiente em que se falava muito de arte e se fazia também. Eu me formei em Artes Plásticas na Escola de Belas Artes, pintava, participava de salões, exposições. O pai deles (Tati Moreno) era bancário, mas foi tomando gosto pela arte, principalmente pela escultura, começou a fazer aulas com Mario Cravo e foi em frente. Aos 9 anos André me surpreendeu ao fazer uma escultura sozinho. Na época, o pai fazia máscaras grandes e ele veio com uma máscara pequeninha, uma esculturinha de uns 10 cm e me trouxe dizendo ‘Olhe, minha mãe, o que eu fiz’. Gustavo demorou mais para mostrar o interesse pelas artes plásticas. Na infância ele era mais dispersivo, mas deu um pulo quando tinha uns 12, 13 anos... Só queria saber de pintar, de aprender. Pedia que eu ensinasse as técnicas. Eu fui ensinando e ele fazendo cada vez melhor. Por incrível que pareça, Paula, que escolheu ser atriz e não artista plástica, era quem mais desenhava e pintava quando criança. Sou muito orgulhosa dos três”.

LHO Rosângela Pombo, administradora, mãe do juiz de futebol e modelo Diego Pombo

Mimi Fonseca, artista plástica, mãe dos artistas Gustavo, André e Paula Moreno

Paixão pela bola “Quando criança, Diego gostava muito de futebol e dizia que queria ser jogador. Porém, ele não sabia jogar bola e tinha consciência disso, porque sempre ficava na reserva. Mas na infância o desejo falava mais alto. Quando tinha uns 9 ou 10 anos, nós estávamos em Dias D’Ávila, em um sítio, e ele e os irmãos foram jogar bola em um campo próximo. De repente, ele voltou com um rapaz que se dizia técnico de um time e que queria levar Diego para jogar futebol fora da Bahia. Ele enxergou um potencial que até então a gente não conhecia. E obviamente, por ser uma pessoa desconhecida, eu tratei de desconversar o assunto, disse que não podia, que ele era muito pequeno. Diego ficou muito frustrado na época e chorando disse: ‘Mãe, a oportunidade não bate na porta duas vezes’. Eu achei tão engraçado no momento: ele tão pequeno, já falar em oportunidade. Depois ele conheceu um árbitro, que infelizmente não está mais com a gente, Lourival Dias Lima, de quem ficou muito amigo. Ele o incentivou a ser juiz de futebol. Diego desempenhou um bom trabalho e graças a Deus se apaixonou pela atividade. Hoje ele atua com muita competência e responsabilidade, virou modelo ‘por acidente’. Foi eleito o galã do Baianão 2011, uma surpresa para todos nós. Depois começaram as especulações se ele seria modelo, as revistas vindo atrás... e quando a gente menos esperou lá estava ele. Foram tantas as revistas, que eu estou com um armário cheio, estou colecionando...” WWW . L E T S G O B A H I A . C O M . B R

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Primeiras dublagens “Alinne foi uma criança muito ativa, pra não dizer levada! Sempre tinha um machucado, uma reclamação de vizinho, enfim... Como morávamos no interior, ela teve uma infância bem vivida: soltava pipa, subia em árvore, fazia brincadeiras bem típicas da época como jogar baleado, pular elástico e brincar de pique esconde. Nessa fase ainda não dava sinais da carreira que seguiria, a não ser pela personalidade forte, típica da maioria dos artistas. Acho que seu gosto pela música começou mesmo na pré-adolescência, quando começou a apreciar músicos como Renato Russo, Roberto Carlos e outros.

Nete Oliveira, dona de casa, mãe da cantora Alinne Rosa

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Alinne passava horas do dia ouvindo as canções, dublando e dançando em frente ao espelho. Tinha que pegar no pé dela para que fizesse tarefas simples, como comer, estudar etc. O primeiro contato de verdade com a música foi quando começou a frequentar o grupo de jovens da igreja. Tocava percussão no coral, até que perceberam que ela cantava. Acredito que quando as coisas têm que dar certo, tudo conspira a favor. Ela lutou muito para chegar até aqui. E sei que vai muito mais longe ainda, porque ela sabe o que quer, é persistente e tem muito talento! Corujices à parte...”


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Edvalda Chagas, mãe do cantor revelação do Carnaval, Magary Lord

bateria na panela “Magary sempre foi muito musical, desde muito pequeno ele se sentia atraído por tudo que gerava som. Ele me acompanhava à igreja e às vezes ficava do lado de fora brincando com as outras crianças. Mas sempre que começavam os cânticos ele entrava e ficava atento, principalmente perto dos músicos que acompanhavam os hinos. Depois, mais crescidinho, eu percebia que toda brincadeira dele tinha música pelo meio, tanto que quando ele fez 10 anos de idade eu fiz um bolo confeitado em forma de tambor. Foi uma luta pra convencê-lo a cortar o bolo, ele ficou encantado com aquilo! Muitas vezes ele pegava as panelas da cozinha e arrumava como se fosse uma bateria e tocava até eu chegar e obviamente acabar com a brincadeira com as minhas panelas. Lembro que ele ficava horas em cima da lage de nossa casa no Acupe de Brotas vendo os trios elétricos arrumando o som no Ogunjá, antes de irem para a concentração no Carnaval. Ele ficava radiante com aquela potência de som. O primeiro instrumento de verdade que ganhou foi uma conga que o irmão mais velho deu, mas com medo de represálias em casa ele guardava na casa de uma vizinha nossa. Certa vez, uma tia dele arrumou um emprego de menor aprendiz na Caixa Econômica. Quando meu filho fez 18 anos, o contrato foi rescindido e ele pegou todo o dinheiro que recebeu e comprou tudo de instrumentos para formar uma banda com os primos e amigos. Eu fiquei zangada porque à época entendia que ele teria outras prioridades. Hoje reconheço que ele fez o certo e era aquilo que queria de verdade e por isso buscava realizar seu sonho”. 74

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Especial Mães  

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