A LENDA DO TESOURO DO PADRE SEM CABEÇA DA ILHA DO MEL - O Filme

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A A Lenda

do

padre sem cabeça da

Ilha do Mel - O Filme -

Solange Pizzatto



N N

a Ilha do Mel,

a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres foi construída em 1769 para proteger a Baía de Paranaguá no Estado do Paraná. Nesta época, o império brasileiro havia assinado acordos internacionais no combate à pirataria e o tráfico de escravos. Por volta de 1831 promulgouse uma lei que previa a libertação dos escravos desembarcados no Brasil e punia com a prisão os responsáveis pelos seus transportes e comércio. Mesmo assim o comércio não parou e os escravos continuavam a ser trazidos de forma clandestina. A fiscalização era precária e muitas das autoridades que deveriam fiscalizar estavam envolvidas com o comércio dos escravos.


O

Parlamento

inglês

em

1845

promulgou uma lei que possibilitava ingleses de perseguir e aprisionar qualquer navio negreiro que porventura fosse encontrado, inclusive na costa brasileira. A Inglaterra mantinha uma frota em águas brasileiras autorizada pelo império do Brasil. Mas apesar da implementação desta lei, criou-se um grande conflito entre Brasil e Inglaterra. Em 1849 chega ao Brasil uma frota inglesa que atuou sob o comando do contra-almirante Barrington Reynolds. A frota era composta de seis navios de guerra, mais dois navios de apoio para ressuprimentos.


-1847 -


O

s ingleses ainda contavam com o

apoio de espiões infiltrados entre os comerciantes de escravos, que repassavam as informações ao comandante Reynolds a lista das embarcações que trariam os escravos ao Brasil. Então os navios ingleses abordavam diretamente as embarcações que constavam na lista como sendo navios negreiros. Os brasileiros que traficavam escravos, sabendo disso antecipadamente, desembarcavam os escravos, não diretamente no porto de Paranaguá mas de forma clandestina nas diversas ilhas ao redor da baía de Paranaguá. Os navios, depois, rumavam ao porto para acertarem as suas documentações. Os ingleses tinham conhecimento dessa informação mas não podiam fazer muita coisa. Comandada pelo capitão Herbert Schomberg, no dia 29 de junho de 1850, a corveta HMS Cormorant adentrou a baía de Paranaguá, utilizando os serviços de um guia brasileiro e na região da Ilha da Cotinga, abordou os navios brasileiros ali ancorados e que já haviam descarregados as cargas de escravos nas ilhas vizinhas.




O

comandante de um dos navios, o

Astro, para não ser pego com a carga que ainda carregava, afundou o próprio navio, o que era uma prática habitual nessas ocasiões e o navio ficou apenas com os mastros para fora da água. Vários escravos assim morriam afogados em seus porões. Mesmo não encontrando escravos, o capitão Schomberg aprisionou as duas embarcações sob suspeitas.


M

uitas das autoridades brasileiras eram

coniventes com o tráfico e quando o capitão inglês apresentou o termo de apreensão dos navios, os brasileiros não o aceitaram. Então o capitão do navio inglês Cormorant apreendeu mais um outro navio, rebocando-os e começou a se preparar para partir de volta à Inglaterra em direção à Serra Leoa. Diante dessa apreensão e atitude, os brasileiros se indignaram. Houve então um grande embate que resultou num confronto entre os brasileiros que queriam defender seus navios e os ingleses que por ordem da Coroa Inglesa e pela suposta não colaboração brasileira, teriam que os prender. Um grupo de quase cem homens, a maioria tripulantes dos navios confiscados, vendo que não teriam como recuperar seus navios por meios legais, e que obrigatoriamente os navios apreendidos teriam que passar pelo canal em frente a Fortaleza, foram até ela e solicitaram o apoio do capitão comandante da guarnição da Ilha do Mel para defenderem a honra do Brasil. Juntos, colocaram os doze canhões, que não estavam em boas condições para funcionar.




A A

Fortaleza da Ilha do Mel foi então

usada para bombardear o navio "Cormoran" que estava partindo para a Inglaterra com os navios brasileiros apreendidos e que passaria em frente a Fortaleza. No navio inglês Cormoran havia um marinheiro surdo mudo que havia aprendido Libras com um professor francês que havia sido chamado ao Brasil por Dom Pedro II. Por volta de 1850, D. Pedro II que era um homem adiante do seu tempo, havia convidado para o Brasil um professor francês que se chamava Ernest Huet, que também era surdo e que por sua vez havia aprendido a língua de sinais com um abade francês. O convite era para que o francês iniciasse a educação de surdos aqui. O marinheiro surdo era alvo de muitas chacotas por tentar se comunicar assim com os outros marinheiros. Ninguém sabia do que se tratava aquele gestual todo. No navio havia também um padre brasileiro que havia sido pego de refém pelos ingleses para que o navio pudesse retornar á Inglaterra com mais tranquilidade sem que pudesse ser importunado. O padre era um dos únicos amigos deste marinheiro surdo pois também havia conhecido o abade francês que o havia ensinado um pouco de Libras portanto conseguiam se comunicar.


Q

uando o capitão inglês percebeu que

os brasileiros estavam se mobilizando na Fortaleza e de que seria bombardeado, antes disso acontecer, foi até a costa com um barquinho levar todo o ouro dentro de um baú que estava no navio e que também havia sido confiscado do tráfico de escravos, para enterrá-lo na praia para depois futuramente voltar a buscá-lo. Levou junto com ele então, o padre brasileiro que estava sendo feito de refém e o marinheiro atrapalhado que era surdo. O capitão fez o Padre enterrar o tesouro e depois vendo que o padre e o marinheiro conseguiam se comunicar e ele não entendia o que estavam falando, para se precaver o decapitou e matou também o marujo surdo que o acompanhava. Voltou para o navio e conseguiu fugir, mesmo com o "Cormoran" avariado. Mas nunca mais voltou para buscar o tesouro pois na volta para a Inglaterra o barco avariado afundou numa tormenta e todos morreram. Passa-se o tempo e a Lenda de que o Padre sem cabeça vaga pelas noites na praia da Fortaleza da Ilha do Mel em busca da sua cabeça e a procura de alguém que seja merecedor do tesouro permanece.



U U

m pescador morador da Ilha do Mel

encontrando-se já em avançada idade e quase cego tem inúmeras estórias para contar, inclusive essa. Mora precariamente num velho abrigo de canoas e para que possa sobreviver recebe ajuda e doações de pessoas da sua família e das pessoas que vão passar as férias na Ilha. Certo dia ele tem um sonho muito nítido com o próprio Padre sem Cabeça, o famoso personagem lendário e responsável pela guarda do suposto tesouro enterrado na Ilha. O padre conta a ele onde o tesouro está. Através da linguagem de Libras, pois está sem acabeça. Mas o pescador não entende o que ele quer dizer. Não quer contar aos seus parentes esta estória pois não acredita serem eles bem intencionados.


P P

ara que possa realizar essa busca o

pescador então conta e pede ajuda aos únicos amigos em quem ele confia. As crianças que levam diariamente comida para ele, uma menininha surda que sabe Libras e seus amigos. A menininha surda sabedora de Libras então o ajuda a desvendar o mistério e a descobrir onde o tesouro está enterrado. Mas quando a menina está contando ao pescador contador de estórias onde o tesouro está, não percebem que há outras pessoas ouvindo o segredo. Os parentes então se aproveitando do descuido voltam para roubá-lo. No dia seguinte ao roubo todos ficam indignados. Mas o padre retorna para tranquilizá-los e depois de muita confusão tudo acaba bem. Para quem?



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