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Desejos em design

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM JUM NAKAO

Um novo olhar ao processo de democratização e qualificação do design

MILANO & SHARISE, NUOVE FORME DI VIVERE Uma viagem ao universo décor e das multifacetadas formas contempôraneas de mobiliar

CONEXÃO É FUNDAMENTAL UMA MORADA CRIATIVA E COSMOPOLITA Muita luz natural, espaços integrados para bem receber e paleta de cores naturais. O projeto revela as delícias em viver o clima de Florianópolis, que oferece verão quente e o inverno fresco e úmido

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CARTA DA EDITORA

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elicidade! Este sentimento invadiu a nossa redação nos últimos meses. As pautas. Conteúdos desenvolvidos. As entrevistas. É sensacional trocar conhecimento! Este intercâmbio de experiências, viveres e emoções mesclaram de ciência escondida, a nossa edição de maio. Desde o início, a visão antropológica da USE DESIGN traz à tona, o homem e tudo o que o envolve. No sentido mais lato, o que engloba origens, evolução, desenvolvimentos material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais e crenças. Todas estas coisas vêm ao encontro deste movimento mundial em busca da beleza e espiritualidade no design das coisas. Do design biofílico, o que nos leva mais próximos as nossas origens, a nossa condição humana. Então, com muito carinho, trouxemos exclusivamente um espetacular tour por Milão. O diário de bordo de Sharise. A profissional que é apaixonada por design, relata as delícias de ver, ouvir, sentir e saborear Milão, desfrutando de todo o DNA inovador da terra da ressignificação. Logo, se há evolução no jeito de criar as coisas, percebemos também uma movimentação no varejo. E se formos observar de perto, vemos um novo consumidor. Com gostos e hábitos peculiares, especialmente na forma de comprar. Então, sobre a evolução e soluções que influenciam no jeito de comprar, você acompanha no artigo de Rose Radke, na sessão inovação, sob o tema: Consumidor omnishopper, produtos ou valores? Falando de Brasil, nossa equipe visitou a bela e inspiradora Roma Negra – em virtude dos seus 468 anos de história, comemorados recentemente. Nossa singela homenagem a Salvador, berço cultural do Brasil. Escolhido a dedo, a matéria sobre o uso da madeira na construção, que aparece como uma das tendências apontadas por arquitetos norte-americanos. E aplicando a nossa realidade, o desenvolvimento da norma para sistema construtivo wood frame, que avança e promete dar escala para casas com madeira em nosso país. E, quando o assunto é Brasil, logo lembramos das mais recentes transformações dos cenários políticos e econômicos, e da fragilidade do sistema, que reflete pontualmente no cotidiano de cada um de nós. Esse momento ao qual passamos, acreditando ou não, está no cronograma da evolução de nosso país: não faltará oportunidades para enfrentarmos dificuldades, e nem mesmo para resgatarmos a nossa dignidade, que há tempos desprendeu-se de nossas mãos. Portanto, oportunamente, entrevistamos um dos maiores guardiões dos segredos do design mundial: Jum Nakao, sua história, aprendizados e ousadia; quando permitiu-se entender seu caminho e tomar novas direções para poder realmente compartilhar seus aprendizados. Sem dúvida, uma das mais impactantes entrevistas já registradas na história do setor. A essência real do design.

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Muitas novidades como a Curadoria realizada a partir de maio pelo renomadíssimo Chef Bruno Stippe em nossa deliciosa sessão Bravo!, e as memórias de Diego Oliveira; o mais jovem artista plástico entrevistado da sessão Novos Rumos. Fechando com chave de ouro, o artigo sobre Cocriação, uma atitude do design sustentável, com Vânia Lúcia Slaviero, nossa colunista da Chiq & Saudável. Com tanta informação, o convite está feito: vire as páginas e desvende os mistérios da edição Especial Decora Santa Catarina! Sol Andreassa Editora

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MILANO & SHARISE, NUOVE FORME DI VIVERE CONSUMIDOR OMNISHOPPER, PRODUTOS OU VALORES? JUM NAKAO: DESCONSTRUIR, ENTENDER, RESSIGNIFICAR E COMPARTILHAR

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25 Chef Bruno Stippe é nomeado Curador da sessão Bravo!

Roma Negra completa 468 anos

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#NAREDE

Stinco de porco com cogumelos salteados

isaloniofficial A daring garden for a green thumb #SalonedelMobile

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ConexĂŁo ĂŠ fundamental: uma morada criativa e cosmopolita

hiroshi_nakamura_naparchitects #nakamurahiroshi #nap #ribbonchapel #onomichi

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A expressĂŁo do mundo, por Diego Oliveira

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missanadesign Looking to spice up your projects? The Oslo chair will definitely do the trick. #Missana #MissanaDesign #TheNovelties #Oslo

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use. EDITOR

SOLANGE ANDREASSA sol@grupomultimidia.com.br

JORNALISMO

jornalismo@grupomultimidia.com.br

ASSINATURAS

assinaturas@grupomultimidia.com.br

PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

ROBERTA BLONKOWSKI

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COLUNISTAS CONVIDADOS

REVISÃO CURADORIA BRAVO!

ADILSON ALVES DA CRUZ ÂNGELO DUVOISIN AURÉLIO SANT’NNA IVO CANSAN CAROL MAGER EDVALDO GOMÉIA JULIANE FERREIRA LUCIANA DE MORAES MARIANA BORO PAULO SERGIO SOUZA RAFAELLA MALUCELLI SHARISE GULIN UILER COSTA ROSE RADKE VÂNIA SLAVIERO SIRLEY BISCAIA BRUNO STIPPE

GRUPO

MULTIM IDIA comunicação corporativa

EDITORA GRUPO MULTIMÍDIA R. Raul Obladen, 939 - São José dos Pinhais - CEP 83020-500 - PR - Brasil Tel: +55(41) 3235-5015 | +55(41) 3058-0880 Ano III - Nº 5 - Maio 2017 A Revista USE é uma publicação com versão impressa e digital. O Grupo Multimídia Comunicação Corporativa Ltda não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos por conteúdos das empresas. Proibida a reprodução.

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Filiada a


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INTERNACIONAL

MILANO & SHARISE, NUOVE FORME DI VIVERE Uma viagem ao universo décor e das multifacetadas formas contemporâneas de mobiliar, desfrutando de todo o DNA inovador de Milão

Curitiba

Rio de JaneirGIoG

Milão

BGY

Por Sol Andreassa

CWB

Fotos: Sharise Gulin

Em busca de novas experiências para sua carreira profissional, a arquiteta e urbanista, Sharise Gulin, curitibana apaixonada por design, viaja a Itália também em 2017. A especialista em ambientes corporativos, desbravou uma infinidade de possibilidades do design, criatividade e da reinvenção do mobiliário mundial durante o Isaloni. A reconstrução do conceito, um verdadeiro revival dos anos 60 e 70, com foco no conforto e sustentabilidade. Tendências das formas, cores, tecidos, multifuncionalidade e sustentabilidade. Em primeira mão, decidimos então, compartilhar através de um diário de bordo, a reflexão sobre o momento ao qual o mundo está passando, com o olhar aguçado de Sharise, influenciando para sempre o seu jeito de viver. 

SALONE DEL MOBILE 21 Pavilhões 200.000 m² 2.400 expositores Sharise Gulin

Arquiteta e Urbanista

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FUORISALONE Incontáveis eventos 06 regiões


Poltrona com encosto revestido de material com alta absorção acústica buscando maior privacidade na realização de pequenas conversas em um open space. Assento em tom Greenery.

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Foto: Divulgação.

Dia 1 – Curitiba & Rio de Janeiro Era dia 04 de abril de 2017, e as belezas da capital paranaense ficavam para trás. A ansiedade em participar da feira e especialmente do Workplace 3.0 e a instalação conceitual sobre os escritórios do futuro, a “A Joyful Sense at work” era evidente. Parada estratégica no Aeroporto Tom Jobim para gravar um vídeo sobre a viagem.

Dia 2 – A cosmópole No trajeto ao hotel, pude perceber o agito de Milão, que exala inovação, especialmente nestes dias de Isaloni. A capital mundial do design está tomada por arquitetos, decoradores e designers entre outros profissionais do mundo todo, nos eventos espalhados pela influente cosmópole. A energia é fantástica! • Uau! A primeira peça superinteressante que vi, foi a “Standing Desk”. Com altura regulável através de acionamento elétrico, possibilita a alteração do trabalho sentado e em pé durante o expediente. Peça desenvolvida pela empresa Fantoni. E então, entre os demais visitantes, gravei um novo vídeo. • O stand que atraiu muitos olhares foi da Donar, por ter peças que unem design, sustentabilidade, tecnologia, conforto acústico e privacidade em open spaces. • Após visitar grande parte dos stands, registrando os insights e produtos que se destacavam, fiz uma breve pausa para o café. Finalmente cheguei a “Joyful Sense at work”. Selecionados por curadoria, quatro arquitetos de diferentes partes do mundo apresentaram suas instalações de como serão os escritórios do futuro. Analisei cada proposta com calma. Trocar ideias com dois destes arquitetos foi incrível! • Rapidamente passei pelos stands do SaloneSatellite que apresenta jovens profissionais e seus produtos. Encerrei as visitas do primeiro dia na feira realmente muito feliz. Junto a outros profissionais fui saborear massas e vinhos! 

Poltrona Beatnik, premiada pelo Reddot Design Award, é um Cocoon para que cada indivíduo fique imerso na sua trilha sonora. O encosto é formado por caixas de som que se conectam facilmente ao laptop, celular ou tablete.

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Mesas com altura regulável através de acionamento elétrico, possibilitando a alteração do trabalho sentado e em pé durante o dia. Peça desenvolvida pela empresa Fantoni.


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Dia 3 – Tendências 2017 • Como quem busca por um tesouro, meu dia esteve conectado aos pavilhões 16 e 20 de design, que é onde ficaram as grandes marcas de design como Kartell, Missoni, Edra, Kettal, Emeco, Vitra, Maggis, Knoll, Moldeni & C | Dada. Foi durante essa visita que comecei a perceber as tendências para o mobiliário: tecidos, cores, formas e a multifuncionalidade dos móveis. O encantamento ficou por conta do móvel Pack da Edra. Descobri então a Offecct, empresa sueca que fabrica painéis acústicos belíssimos feitos de Pet reciclado. • Pausa para um encontro com duas amigas arquitetas. Contamos e ouvimos sobre as marcas mais interessantes e as tendências foram apresentadas, aumentando o repertório. Em seguida visitei os pavilhões 9, 11, 13 e 15 da Euroluce. Muita arte e emoção nas peças apresentadas em LED. Saí novamente só quando a feira fechou.

Ambientação no estande da Snowsound Acoustic Fibers, que desenvolve tecidos e painéis para a absorção acústica. Sobre o sofá podemos observar uma instalação com as placas de tratamento acústico.

• A convite da arquiteta Cris Paola do blog Mil Ideias por metro quadrado, nos deslocamos até a Região de Brera, explorar um pouco do Fuorisaloni. Estivemos em três eventos, que mostravam novas coleções de metais, móveis para a área externa e luminárias. Eram ao ar livre: um deles em um container de OSB ocupando uma vaga de carros. A música e a iluminação nos eventos open air imprimem uma atmosfera inusitada. Experiências fantásticas!

Painel para conforto acústico desenvolvido pela empresa sueca OFFECCT. Sustentável por ser produzido a partir de fibras de poliéster de garrafas PET recicladas e apelo estético.

Dia 4 - Explorando o Fuorisaloni • Fui até a Milano Centrale onde comprei passagens para Basel na Suíça, com o objetivo de visitar o Vitra Campus. Segui para a Tortona, nas ruas é possível cruzar com jovens designers apresentando ideias bastante experimentais. O almoço foi a convite da Ibiza Revestimentos no badalado hotel Nhow Milano, cujo design de interiores do café é projeto do Karim Rashid. Delicioso intercâmbio de informações com outros profissionais e fornecedores italianos. • Caminhando fui ao SuperStudio Pio, pavilhões independentes que promovem o Superdesign Show, que abrange criações independentes de designers do mundo todo até instalações conceituais de grandes marcas como PEPSICO E LG. E em seguida visitei a concorrida exposição da MOOOI, A Life Extraordinary! Via metrô, visitei a exposição da Louis Vuitton – Objetos Nômades - no Palazzo Bocconi. Banco Stool, design de Atelier Oi para a coleção objetos nômades da Louis Vuitton.

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• A noite começou no badaladíssimo lançamento da Elle Decor Itália. Os mais conceituados designers e representantes de marcas italianas reunidos em um Coquetel open air alto astral, regado a música eletrônica.


Dia 5 – Um rio para recordar Último dia visitando o Isaloni 2017. Explorei os pavilhões de mobiliário contemporâneo 6, 8,10 e 12. Ali expunham marcas como Flexform, Porada, Fendi, Bentley, Rolf Benz, Andreu World, Sahrai e Flou. Almocei, e parti para a Milano Centrale. Peguei o trem para Basel na Suíça no final da tarde. Recebida por um amigo que mora lá, circulamos rapidamente e ali fotografei o Rio Reno (lindo também a noite) e consegui visitar Messe Basel, dos arquitetos suíços Herzog & de Mueron.

Dia 7 – Um longo retorno Já com saudades dessa atmosfera do design, um delicioso café da manhã com visita guiada pelo Campus da Google em Zurich. O escritório é o maior da empresa fora dos EUA. Retornei ao Brasil cansada fisicamente, mas renovada conceitualmente. Processando e alinhando as tendências e com toda essa bagagem para lapidar ainda mais meu trabalho e projetos corporativos. 

Dia 6 – O laboratório dos desejos em design Bem cedo parti para o Vitra Campus, na Alemanha. Fui de tram até Weil am Rhein e segui caminhando por um quilômetro até o Vitra Campus, fiz uma visita guiada em todos os edifícios da fábrica. E um tour exclusivo no Vitra Schaudepot, uma aula sobre a história do design. Finalizando, visita a Vitra Haus, que é onde se encontra o showroom da marca. No fim do dia, segui para Zurich de trem.

“O design do mobiliário e as configurações espaciais se manifestam nestes novos conceitos, focados no conforto psicológico, acústico e ergonômico”.

Mobiliário da Boss. Cores fortes, formas orgânicas e espaldar alto, buscando privacidade no open space.

Pixel by Bono – Um produto em módulos, extremamente adaptável. Para espaços de reuniões, innovation areas, áreas de descompressão, áreas de convenções e outros.

Formas orgânicas e design biofílico no mobiliário e no estande da empresa italiana OFFICINE TAMBORRINO

Luminárias de mesa da Humanscale. Cor e conforto visual individuais sobre a bancada de trabalho.

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Highlights MOBILIDADE

Os mobiliários adaptáveis foram evidenciados durante o Workplace. Como resposta às demandas do consumidor, o reflexo destas soluções traduziu-se em sofás, divisórias, bancadas, mesas, camas, bancos, cadeiras e outros móveis que se transformam de acordo com a necessidade de mudança do ambiente, corporativo ou residencial.

TRATAMENTO ACÚSTICO

Devido aos espaços integrados e móveis adaptáveis, observou-se uma grande quantidade de fornecedores disponibilizando materiais que promovem tratamento e o isolamento acústico, aumentando o conforto em coworkings. As divisórias são estofadas e recebem tecidos com eficiência acústica. Há também sofás com encostos prolongados que isolam o ambiente, dando mais privacidade. Além disso, pude observar cabines com isolamento acústico que formam os chamados “focus rooms”: pequenas salas de reuniões, áreas para calls, e células com mais privacidade em meio ao espaço comunitário.

Linha Millepiedi modulável da empresa italiana True Design. Multiuso para áreas comuns, pequenas reuniões e trabalhos rápidos. Formas orgânicas e adaptáveis.

CORES FORTES E AMBIENTES ACONCHEGANTES

Pelo que constatamos, é o fim dos escritórios estéreis, com luz branca e ambientes muito claros. A maioria dos fornecedores mostrou espaços de trabalho extremamente aconchegantes, tendência que aparece nas cores, materiais utilizados e também na iluminação. A cor do momento Greenery, o azul, o Candy Pink, variações do Marsala, alaranjado (terra ou em tons telúricos), aparecem em tecidos como lãs (textura parecida com o feltro) e também o veludo em painéis e na composição dos móveis. Para ficar mais aconchegante há uma gama de tapetes com fibras que lembram o artesanal, passando a sensação de conforto. A iluminação aparece mais indireta e com tons mais suaves.

Poltrona com encosto revestido de material com alta absorção acústica buscando maior privacidade na realização de pequenas conversas em um open space. Pode-se também observar a conectividade (entrada USB) e a mobilidade da peça que tem rodízios.

FORMAS ORGÂNICAS & DESIGN BIOFÍLICO

As pesquisas científicas sobre os benefícios do Design Biofílico, aquele que responde à necessidade humana de se conectar com a natureza, apontam para a maior produtividade da equipe quando o ambiente construído traz elementos que lembram a natureza. Assim, destacaram-se as formas orgânicas, menos definidas. As cadeiras, mesas e sofás chegam com formas arredondadas, almofadadas. Luminárias com formas que imi- 

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Linha C-SS da Citterio. Focus rooms, com fechamento em vidro e excelente isolamento acústico, para a realização de calls, reuniões e atividades que exigem extrema concentração.


Instalação do arquiteto iraniano Arash Ahmadi.

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tam a natureza, extremamente delicadas e sensíveis, tapetes com estampas que a reproduzem entre outras peças. Fortaleceu-se também a utilização de plantas, e elementos que possam reduzir o nível de stress. Um exemplo bastante interessante exposto no Pavilhão Workplace 3.0, foi a mesa fabricada pela empresa Zieta: com alteração em seu sistema paramétrico de fabricação, bem como a natureza produz, suas formas são perfeitamente irregulares e exclusivas.

CONFORTO INDIVIDUAL

Mesas que se adaptam na altura para a necessidade de cada indivíduo, cadeiras que se moldam ao corpo de quem está sentado e até mesmo propostas novas de como se sentar no ambiente de trabalho, mostram a constante preocupação com o bem estar e saúde dos colaboradores no ambiente de trabalho. Por ser atualmente considerada mais saudável, a “Standing Desk” com altura ajustável entre a posição sentada e em pé, é uma realidade que foi apresentada por muitas empresas. Mesas de reuniões, também podem ser ajustadas para que os encontros sejam realizados em pé, respondendo às necessidades de reuniões mais rápidas e produtivas. Outro exemplo interessante é a cadeira com assento como se fosse uma sela de cavalo, da marca finlandesa Salli. Também se destacam aqui as mesas produzidas pela Humanscale, completamente adaptáveis com sistemas envolvendo contrapesos internos.

ARQUITETURA PARA FECHAR NEGÓCIOS

Um dos pontos observados foi a transformação dos ambientes de negociação, para espaços mais informais. Se, como vimos acima, cada vez mais os escritórios estão sendo pensados para promover a produtividade e o bem estar dos colaboradores, a sala do CEO ou a de reuniões não deve ser diferente. O ambiente onde serão realizadas as mais importantes negociações na empresa deve ser projetado com a intenção correta. Hoje nos meus projetos desenvolvo estes espaços em formato lounge. No Irã, como mostrado na instalação do arquiteto iraniano Arash Ahmadi, os negócios são fechados em rodas de conversas, sentados em tapetes. Arash foi um dos quatro arquitetos selecionados em todo o mundo para trazer tendências para o escritório do futuro no Workplace. O encontro com Ahmadi foi uma inspiração. 

Acesso ao Workplace 3.0

Nome completo: Sharise Gulin Radtke Avila Formação: Arquitetura e Urbanismo e Administração de Empresas Melhor período: o ano que estudei no Master in Advanced Architectural Design na Oxford Brookes University O coração bate forte quando: vivencio uma arquitetura que emociona! Definição de design: necessário para permitir e aprimorar a vida. Percepção de moda x mobiliário: intimamente ligados, visam responder e antecipar os anseios humanos contemporâneos.

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EXPANSÃO

REVISTA USE DESIGN NOMEIA CHEF BRUNO STIPPE COMO CURADOR DA SESSÃO BRAVO! Uma das mais conceituadas publicações dirigidas de design do Brasil, a Revista USE DESIGN, através de sua Diretoria e Conselho, nomeia o Presidente fundador da Federação Italiana de Chefs no Brasil como curador gastronômico na sessão Bravo! Foto: Divulgação

A Revista USE DESIGN fortalece os laços que envolvem o mundo do design e a gastronomia mundial. Esse trabalho iniciou-se há três anos, quando trouxe como diferencial a sessão Bravo!, em seu editorial. A gastronomia muda a vida das pessoas, pois abrange a culinária, as bebidas, os materiais usados na alimentação, seus profissionais, o mobiliário e arquitetura em geral, e todos os aspectos culturais a ela associados. “Buscávamos por um profissional completo, com conhecimento, vivência nacional e internacional no setor, capaz de revolucionar a forma com que as pessoas vivem a culinária, uma vez que um dos maiores prazeres humanos está em saborear um bom prato”, ressalta Marcelo Colaço, diretor fundador do Grupo Multimídia. O paulista Bruno Stippe é o responsável por indicar os pratos e profissionais da cozinha mundial para cada nova edição da Revista USE DESIGN a partir deste mês de maio. Profissional em cozinha há mais de 30 anos, casado e pai de dois filhos, empresário tradicional da gastronomia paulista, professor e apresentador de TV, Stippe é ainda Presidente da Federazione Italiana Cuochi Brasile (Federação Italiana de Chefs) e Supervisor Geral para toda América Latina, entre outras importantes nomeações. “Esta é uma maravilhosa forma de valorizar o setor e os profissionais. O mundo da gastronomia é fantástico e deve ser amplamente difundido. Que possamos juntos ampliar as divisas criando oportunidades, negócios e conhecimento para todos”, MAESTRO reforça Bruno Stippe.

Bruno Stippe - Curador Bravo!

Para saber mais sobre o Chef Bruno Stippe, acesse o portal revistause.com. br na sessão Bravo! 

DI CUCINA

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EXPRESSO

CASAS DO FUTURO Uso da madeira aparece como uma das tendências apontadas por arquitetos norte-americanos. No Brasil, desenvolvimento da norma para sistema construtivo wood frame avança e promete dar escala para casas com madeira Por Juliane Ferreira O Instituto Americano de Arquitetos realizou uma pesquisa, no ano passado, sobre as tendências de design para casa com um grupo de mais de 500 arquitetos. O objetivo era saber deles quais serão as principais mudanças nos projetos das casas na próxima década. As respostas apontaram que a indústria terá que lidar com mudanças globais demográficas e de meio ambiente de longo prazo. Eles incluíram que a tendência é focar na utilização de materiais que não são prejudiciais à saúde e que utilizem recursos que tragam qualidade de vida aos idosos. Em alguns casos, as tendências do futuro podem parecer como uma volta ao passado, com o aumento do uso de materiais naturais – incluindo a madeira – e utilizando menos materiais sintéticos. No Brasil, onde a aplicação da madeira para uso na construção ainda é baixo quando comparado ao mercado norte-americano - segundado dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o consumo de madeira para a construção civil é de 0,11 por aqui, contra 0,57 nos Estados Unidos – o tema vem ganhando fôlego.

A partir da instalação da Comissão de Estudos, foi criado um grupo de trabalho para sistematizar a força-tarefa e dar celeridade às discussões. Os coordenadores de cada tema previsto na norma – projeto, execução e desempenho - orientaram a estruturação de cada um desses pontos. Em 2017, houve evolução nas propostas para as partes Projeto e Execução da norma, abrangendo questões como requisitos gerais, componentes, projetos estruturais, projetos complementares e execução, entre outros. Para complementar o trabalho que vem sendo realizado, foi definida a criação de um novo grupo específico, para avaliar as informações referentes a materiais previstos para uso nesse sistema. Os textos produzidos foram concluídos e posteriormente serão validados pelos membros da Comissão e, então, colocados para consulta nacional. 

Na avaliação das entidades envolvidas nessa discussão, a norma está diretamente relacionada com a qualidade de processos, representando benefícios para fabricantes, construtores e os clientes. “Além de estabelecer parâmetros técnicos, a norma permitirá avanços em questões relacionadas à viabilidade da utilização do sistema construtivo, como os financiamentos imobiliários. Com isso, haverá mais recursos para a implantação de projetos, resultando também em garantias para as empresas e para os clientes e consequente aumento do consumo de madeira no mercado nacional”, avalia o superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) e secretário da Comissão de Estudos, Paulo Pupo.

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Foto: Divulgação

A principal ação na qual os setores da madeira e da construção estão envolvidos passa pelo desenvolvimento da norma técnica do wood frame, que utiliza painéis e perfis de madeira. Desde o ano passado, com a instalação da Comissão de Estudos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o trabalho tem avançado. Na última reunião, realizada em abril, os participantes aprovaram o escopo da norma, que pretende contemplar edificações de até dois pavimentos.


EXPRESSO

ROTEIRO EM SANTA CATARINA

Foto: Mariana Boro.

Santa Catarina encanta o ano inteiro. Em maio encanta ainda mais. Diversos eventos relacionados a arquitetura e design de interiores acontecem neste período no estado. Em destaque, e em primeira mão, trouxemos a Sala da Adega da edição 2017 da CASACOR Balneário Camboriú. Assinada pela arquiteta Ana Cláudia Guerra e o designer de interiores Phillippe Siarcos, do escritório Guerra Siarcos Arquitetura. A dupla aposta na integração e conforto do espaço, com área de 105m2 dividida em adega, bar de apoio, lounge dos degustadores e um amplo living. A composição faz bom uso de peças do design global, obras de arte, materiais naturais e uma paleta de cores suaves. Com o tema "Design mais perto das pessoas" a mostra será realizada de 14 de maio a 25 de junho, no Marina Beach Towers, em Balneário Camboriú (SC).

Outro evento que promete badalar o setor é a tradicional feira de móveis e decoração, Móvel Brasil, que acontece em São Bento do Sul-SC entre os dias 16 a 19 de maio. A região do planalto norte catarinense é considerada um dos mais importantes polos moveleiros do Brasil, berço de grandes nomes do design como Bruno Faucz e Ângelo Duvoisin. Na capital dos negócios do estado, temos a Feira Casa Sul, que acontecerá de 18 a 21 de maio. Evento reúne lojistas e profissionais para explorar novas formas de decorar, com um super bônus de receptividade que vem embalados no turismo e lazer de Florianópolis.

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EXPRESSO

Foto: Uiler Costa

ROMA NEGRA COMPLETA 468 ANOS

Forte de São Marcelo

Seguindo os passos de Edvaldo Goméia, um dos mais fantásticos Guias de turismo de Salvador, começamos nossa breve jornada na capital baiana. A redação da Revista USE viajou neste último mês de abril, 2.434 quilômetros para desvendar os segredos desta cidade que em cada detalhe revela sua história e personagens. Situada na Zona da Mata da Região Nordeste do Brasil, Salvador é reconhecida nacional e internacionalmente por sua gastronomia, música e arquitetura. Primeira sede da administração colonial portuguesa do Brasil, a cidade é uma das mais antigas da América e uma das primeiras cidades planejadas, ainda no período do Renascimento. Foi fundada em março

Largo do Pelourinho

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de 1549 por Tomé de Sousa através da implantação do Governo-Geral do Brasil pelo Império Português. “Neste Largo do Pelourinho, coração da Bahia e do Brasil e de sua obra fiel a nossa gente e ao amor à liberdade, Tenda dos Milagres para o zelo da criação literária e o estudo da ficção baiana e brasileira. Seja bem-vindo se for de paz, pode entrar”. Fundação Casa de Jorge Amado

A expressão "Roma Negra" é uma derivação de "Roma Africana", cunhada por Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé Opó Afonjá. Nos anos 1940, em depoimento

Cruzeiro de São Francisco

à antropóloga cultural Ruth Landes. Segundo Mãe Aninha, assim como Roma é o centro do catolicismo, Salvador seria o centro do culto aos orixás. Posteriormente, em seu livro Cidade das Mulheres, Landes traduziu a expressão como “Negro Rome”. Posteriormente, quando o livro foi traduzido para o português, Negro Rome transformou-se em Roma Negra. Encerramos nossa visita provando a Lasanha de Banana da Terra, entre outros pratos típicos, que deixaram um gostinho de quero mais. Um salve aos 468 anos de Salvador, berço cultural do Brasil! 

Igreja e Convento de São Francisco

A Fita do Senhor do Bonfim, é um souvenir e amuleto típico de Salvador


Fotos: Sol Andreassa

Igreja da Ordem Terceira de SĂŁo Francisco

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Fotos: Divulgação.

“ ALÔ DESIGN!

BRILHANTISMO AO REINVENTAR O designer inglês Thomas Heatherwick (47), ficou famoso por suas criações originais, como o caldeirão Olímpico das Olimpíadas de 2012 em Londres. Com frequência ele busca inspiração em processos de fabricação, como no caso de sua formidável cadeira Spun. Thomas entrou em contato com a técnica ao saber que os tímpanos - tambores de origem árabe que integram orquestras são produzidos desta forma. Na posição vertical, a cadeira parece uma urna escultural, mas quando se inclina apoiando-se na base e rebordo inferior, a parte oca fica no ângulo ideal para funcionar como um assento. Quem sentar pode girar, balançar de um lado para o outro ou ficar parado. Trata-se da reinvenção com brilhantismo de objetos tradicionais.

Combinar ideias e materiais modernos com valores e ofícios tradicionais pode gerar um design excelente. Um exemplo fascinante é o banco Butterfly, criado em 1954 pelo designer japonês Sori Yanagi (1915-2011). Extremamente simples, o banco foi desenvolvido com duas partes idênticas de compensado vergado, unidas em um ponto e reforçadas com uma haste de metal. Esta matéria prima foi escolhida por ser forte e atraente, possível de ser vergado e moldado sob pressão para produzir formas interessantes. A forma criada por ele, era moderna em sua pureza e economia.

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“CASAS SÃO COMO MÁQUINAS HABITÁVEIS E MÓVEIS SÃO NOSSOS EQUIPAMENTOS DOMÉSTICOS.” LE CORBUSIER, ARQUITETO SUÍÇO (1887-1965)

SHIRO KURAMATA (1934-1991) O designer japonês Shiro Kuramata iniciou sua carreira projetando interiores refinados, na época em que as roupas arrojadas de estilistas japoneses, como Rei Kawakubo estavam começando chamar atenção. Tendo respeito profundo pela elegância minimalista dos interiores japoneses tradicionais, Kuramata empregou seu subversivo senso lúdico na criação de alguns dos móveis mais idiossincráticos e originais dos anos 70 e 80. O profissional era formado em marcenaria e design de interiores em Tóquio e teve seu primeiro emprego em uma fábrica moveleira. Nos anos 60 abriu um escritório e projetou os interiores de cerca de 300 lojas e restaurantes no Japão. Em 1970 já ganhava fama por seu mobiliário original.

“Ao projetar algo, sempre leva em conta o contexto maior ao qual o objeto se insere”. Eero Saarinen (1910 - 1961)

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Contando tudo

Foto: AndrĂŠ Batista

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JUM NAKAO:

DESCONSTRUIR, ENTENDER, RESSIGNIFICAR E COMPARTILHAR

Poucas são as histórias que resistem ao tempo. Mais raras são aquelas que com toda tecnologia disponível ainda conseguem ver a beleza e o significado de suas criações. Negócios são importantes, ampliação de mercados, expansão de atividades, mas acima de todas estas coisas está a importância da reinvenção. O design transformou-se ao longo do tempo, resistindo a crises, adaptando-se as alterações de cenários políticos e econômicos, com flexibilidade para provocar mudanças no cotidiano das pessoas. Por isso, acreditamos que não há momento mais oportuno para entrevistar Jum Nakao. Resiliente e ousado, com espírito empreendedor, permitiu-se entender seu caminho e tomar novas direções para que tudo o que já havia aprendido pudesse ser efetivamente compartilhado. Um dos maiores guardiões dos segredos do design do mundo todo, revela como a essência norteia seus feitos, sustenta e abre as portas para o sucesso, preservando suas raízes. Dividimos com vocês, uma das mais impactantes entrevistas já registradas na história do setor. Por Sol Andreassa

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REVISTA USE: conte-nos sobre as influências que recebeu durante a formação, suas memórias e expansão do conhecimento

REVISTA USE: como foi o início de sua carreira? NAKAO: comecei minha formação nos anos 80, época em que não haviam faculdades de moda no Brasil. Os cursos relacionados eram apenas corte, costura e modelagem. Cursei, mas achei superficial. Descobri o CIT, Coordenação Industrial Têxtil, uma instituição que organizava cursos com professores e profissionais do Brasil e do exterior. Estes cursos capacitavam os profissionais das empresas associadas. Por telefone obtive algumas informações e fui convidado para assistir algumas aulas. A pessoa com quem eu havia falado ao telefone me recebeu no primeiro dia de aula, era na época o diretor do CIT, Carlos Mauro Fonseca Rosas. Durante uma semana assisti todos os cursos e ao final deste contato inicial com as disciplinas tinha uma convicção maior de minha escolha. Mas, como não era funcionário de nenhuma empresa associada, não poderia participar dos cursos. Escrevi uma carta e consegui um estágio e uma bolsa na Rhodia, empresa associada ao CIT e passei então a frequentar os cursos. Posteriormente trabalhei com um alfaiate para compreender a relação da geometria dos traçados com o corpo humano e na sequência trabalhei com um joalheiro para estudar os acessórios e complementos da roupa. Ainda assim sentia a necessidade de um fundamento acadêmico. Fui estudar artes plásticas na FAAP. 

Foto: Jorge Bischoff

NAKAO: nasci e cresci no Brasil. Respiro profundamente o meu país. Considero brasileiro tudo o que nasce ou é produzido aqui. Acredito no “Made in Brazil”. Precisamos apenas de valores e não nos valorizar, temos que trabalhar duro para obter sucesso! Na infância desmontava brinquedos, aparelhos eletrônicos, tudo que estivesse ao meu alcance na sede de compreender os mecanismos ocultos atrás dos movimentos, da imagem, do som, da mágica! Queria compreender como as coisas ganhavam vida. Sempre com muito cuidado e respeito por aqueles frágeis mecanismos que se abriam para revelar seus segredos. Era também muito importante fazê-los funcionar novamente. Passaram-se os anos e eu continuava a desconstruir o mundo. No seu devido tempo, a vida soprou a pergunta: o que vou ser quando crescer? Hora de expandir ou limitar fronteiras? Optei pelo caminho do meio, continuar a brincar, trabalhando! Decidi estudar eletrônica e computação, pois almejava interagir com o observador e expandir sua compreensão, propiciar novas relações com o entorno. O que de fato ocorre naturalmente hoje em dia, onde a influência das novas tecnologias como a internet, a eletrônica nas artes, e o mundo virtual mudaram as formas como as pessoas se relacionam e expandiram as possibilidades de compreensão do mundo exponencialmente. Mas os estudos acadêmicos de eletrônica eram distantes destas possibilidades. O ambiente acadêmico no Brasil era um terreno estéril para “Jobs e Zuckebergs” brasileiros. Decidi então, abandonar o curso para interagir através de algo mais real e próximo: a moda. O que me atraiu foi a acessibilidade da linguagem: todos se vestem de alguma forma. Uma linguagem - forma de se expressar - muito simples, dinâmica e democrática, o oposto da complexidade formal da eletrônica. Moda é uma das ferramentas mais poderosas de identificação de um tempo, ideologias, estéticas, pensamentos e mudanças. Não se

veste um corpo. Se vestem intenções. A roupa é somente uma interface. Uma conexão entre o meio interior e o exterior. Um avatar que escolhemos. Passaram-se os anos, e a curiosidade e os meus objetivos continuam os mesmos, desconstruir, desmontar, entender, ressignificar, compartilhar. Sobre referências dessa área na família, meu avô materno desenvolvia cosméticos e minha mãe montou um salão de cabelereiros quando chegou em São Paulo. Em seguida quando montei minha primeira empresa, ela se tornou minha costureira.

MESA DE CENTRO RENDA

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Fotos: Jorge Bischoff

MESA LATERAL CUBO

REVISTA USE: nesta fase, o que pensava, quais suas referências e como vê sua evolução profissional. NAKAO: Sempre pensei em mudar o mundo. Migrei para a moda e em 2004, realizei aquele que foi o meu último desfile no SPFW, “A Costura do Invisível”, o desfile de roupas de papel, que recebeu o título de desfile da década pelo SPFW e foi reconhecido como um dos maiores do século pelo Museu de Moda da França. É referência nas mais importantes publicações sobre moda e design do mundo e integra acervos internacionais de museus de arte e moda. A Costura do Invisível encanta porque modela sonhos e possibilidades, costura visível e invisível, borda permanência na efemeridade e ao revelar possibilidades de uma simples folha de papel, das quais todas as roupas do desfile foram feitas, que o encantamento encontra-se nos olhos de quem vê e crê, que não importa do que é feito, mas, sim, como é feito, que sonhos, mesmo que frágeis e delicados como os escritos ou feitos de papel, podem sobre-existir para sempre. Costura visível e invisível ao revelar através do rasgo, no final do desfile todas as roupas foram rasgadas e deixaram de existir, que além da forma deve haver conteúdo, que atrás de cada palavra deve existir um pensamento, pois o conteúdo sobrevive mesmo depois que a forma desaparece e os pensamentos reverberam em nossa memória, mesmo depois de pronunciadas as palavras. Borda permanência na efemeridade ao vestir sem existir, veste pessoas em seus pensamentos, a coleção de papel foi inteira rasgada em seu lançamento sem uma roupa sequer posteriormente ter sido produzida, e perdura através dos tempos como referência maior de moda. Assim como estrelas que morrem, mas deixam rastros de luz pelo espaço, precisamos compreender que nossos atos são como efêmeras centelhas no infinito, brilham para sempre, tem permanência no tempo e espaço. Após este desfile, encerrei as atividades da

CADEIRA RENDA

minha confecção. Não tinha planos e interrompia 25 anos dedicados à indústria da moda. Uma assistente que contratara na época, viu frustrada sua expectativa de continuar seu aprendizado e me disse: “acabei de entrar e você vai parar? Você ainda tem muito para me ensinar. O que você vai fazer com todo este seu conhecimento?”. Respondi que simplesmente não tinha planos e pedi desculpas. Logo após, fui convidado pela diretoria da Faculdade de Artes Plásticas da FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado - onde fui aluno, para realizar uma palestra sobre a minha trajetória. Logo ao término da palestra, o diretor da faculdade de Artes Plásticas me cumprimentou e confidenciou: “geralmente fico apenas no início das palestras para voltar às atividades da diretoria, mas sua fala me cativou e permaneci o tempo todo encantado com a sua aula, você nunca pensou em ser professor?”. Fiquei lisonjeado e internamente iniciei uma reflexão. Depois de 25 anos dedicados à indústria de moda, percebia que minha atuação como estilista pouco tinha transformado a sociedade. A decisão de interromper as atividades decorria deste fato e da constatação do efeito reverso: a minha sobrevivência como empresário e estilista implicava numa renúncia e num embrutecimento de afetos. O mundo não precisa de pessoas mais bem vestidas, o mundo precisa de pessoas melhores. Conclui que a educação seria o próximo passo do meu caminho. Atenderia os anseios da minha ex-assistente e o ensejo do diretor: compartilhar conhecimento, vivências, saberes. Para transformar uma sociedade é necessário transformar o indivíduo. Uma pessoa transformada vale a empreitada. Às vezes é bom mudar a estratégia, a abordagem, mas continuar no caminho. Chegaremos num lugar, ou no mínimo sairemos transformados deste percurso. Além da academia, passamos a desenvolver projetos internacionais de grande porte, como forma de alcançar mais pessoas. É importante fazer o que acreditamos, dia após dia, insistentemente, lapidando nossa alma. 

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REVISTA USE: qual o seu envolvimento com o mundo décor?

DPOT, 2009 Em 2009, recebi o convite para desenhar um móvel conceito para a Dpot. Havia recém chegado de uma exposição e ainda estava impregnado da exaustiva função de encaixotar, desencaixotar e instalar as obras. A sinapse foi imediata: facilitar. Propus uma linha de memórias transportáveis, sonhos encaixotados. O móvel comporia uma espécie de intervenção privada, onde a própria estrutura da caixa seria a moldura do trabalho. Uma estrutura vazada formando uma espécie de portal para a nova relação do olhar com o espaço onde a obra estivesse instalada. Uma abertura através de um vazado repleto de fantasias de nossas memórias e de sonhos, agora possíveis. TOK STOK, 2010 Totem com módulos cúbicos giratórios que possibilitam o direcionamento individual da face dos módulos para atender e integrar ambientes permitindo ajustes de acordo com variados ângulos de visão. Os módulos possuem o fundo em diferentes cores de acrílicos que substituem as portas. Ao invés de fechar, giramos as costas dos módulos para o ambiente onde se deseja eclipsar o conteúdo através destes filtros acrílicos. Proposta de flexibilidade expositiva e interatividade lúdica com o usuário. A LOT OF, 2010 A convite da A Lot Of desenvolvi uma coleção de móveis em chapa metálica recortada a laser com pintura eletrostática. As linhas estéticas dos móveis buscaram conferir leveza ao material e o mesmo aspecto de fragilidade do papel. A referência utilizada para o corte a laser foi o mesmo padrão de renda de um dos vestidos de papel do desfile a costura do invisível. O design simples e lúdico das peças remete a seres egressos de um universo de pictogramas.

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Foto: Fernando Delfini

NAKAO: especificamente se tratando de design industrial, iniciei no design de objetos através de um convite da Dominici em 2007, onde desenhei a luminária Risca de Luz, um projeto onde a luminosidade é controlada através da rotação de uma cúpula preta com riscos por onde vaza a luz. A densidade dos riscos é em dégradé, o que permite direcionar e ajustar a luminosidade. O nome Risca de Luz é uma adaptação poética do tecido clássico de alfaiataria Risca de Giz, uma homenagem direta à moda de onde sou egresso.

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LINHA ÁGUA-VIVA, 2011 Inspirado na delicadeza dos tentáculos da água-viva, o metacrilato é cortado e fragmentado em finas tiras para conferir flexibilidade e leveza. Os traços de flutuação e sustentação de um corpo no espaço são desconstruídos e reconstruídos, nasce assim a linha de peças assinadas “O Invisível, por Jum Nakao”. “Ao desenhar uma roupa, pensamos na espacialidade de um corpo no espaço; ao pensar em um móvel, desenhamos uma suspensão do movimento deste corpo no espaço.” HOMENAGEADOS CASA COR SÃO PAULO, 2012 Mais do que realizar um ambiente dentro da Casa Cor, nesta nossa participação a proposta foi transportar o visitante para um outro espaço: um bosque com duas estações, outono e inverno. Uma para repousar e outra para revigorar. Para realizar os móveis deste lugar, recorremos a mais conceituada indústria de móveis, ou marcenaria industrial, como preferem seus proprietários, a Schuster. Desta parceria nasceu a linha de móveis Jum Nakao com a filosofia: “Consideramos fundamental propiciar através do design um momento de introspecção no dia a dia das pessoas, um estado de solitude, não no sentido de estar só, mas inteiro”. Desenhamos através do design: harmonia, bem estar e felicidade. 


BAR JUM NAKAO – VIVA! Assim como os pássaros reúnem gravetos para formar seus ninhos, o Bar Viva! tem seu design concebido em camadas sobrepostas de madeira sobre uma base de galhos retorcidos. Os ovos nos ninhos guardam uma vida, o Bar Viva! nos convida a celebrá-la!

MESINHA LATERAL JUM NAKAO – ENCANTO! Com suas pernas desenhadas em movimento, parece ter vontade própria em querer caminhar para nos servir e encantar.

POLTRONA JUM NAKAO – ACONCHEGO! Tem seu design inspirado na concha da palma da mão e almofadas dos dedos, referência à acolhimento e segurança, como a mão que segura a cabeça de um bebê.

LUMINÁRIA DE PISO JUM NAKAO – EQUILÍBRIO! As copas que reinam soberanas ao alto das árvores e resistem aos ventos e tempestades são inspiração para o design e a reflexão proposta pela Luminária Equilíbrio! A cúpula pode ser em versão branca ou em versão desenhada para projetar sombras de um pequeno bosque.

MESA JUM NAKAO – HARMONIA! A mesa é o local onde compartimos mais do que alimentos, ideias, afetos, é onde buscamos o espírito da harmonia.

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Contando tudo REVISTA USE: o que mais gosta de criar? Como acontecem seus processos criativos? NAKAO: criar exige clareza de princípios, valores éticos e morais, sabedoria para sonhar, entendimento para realizar, humildade para construir, generosidade para compartilhar. Sem princípios não temos fim, podemos acabar em qualquer lugar ou chegar a lugar nenhum. Onde tudo serve, qualquer destino é lugar. Sem princípios, mesmo chegando, sentimos que não alcançamos. Valores éticos e morais são a base da dignidade. O fim não justifica os meios. De nada adianta alcançar com o vazio do merecimento. O valor da recompensa é a lisura da conquista. Sabedoria para decidir quais sonhos sonhar. O princípio é apenas um norte. Para construir um sólido caminho, precisamos de sabedoria para não cair. Sonhos são a pavimentação desta nossa jornada. Entendimento para não desperdiçar a oportunidade de construir. A ferramenta em si não é nada. Ela apenas significa o poder de construir ou destruir. O poder corrompe através do ego e da vaidade. O entendimento esvazia o ego e a vaidade para justo e correto uso do poder. Humildade para construir. Quando criamos servimos a matéria. Lapidamos e polimos para que a matéria apresente o seu máximo valor. Em nossa entrega descobrimos que servimos por servir. Ao conferir visibilidade ao que era invisível, manifestamos a significância da vida humana. Generosidade para compartir princípios, valores, sonhos, entendimento, ensinamentos e transformações através da entrega pessoal e da criação para o outro. Criar não é fácil nem difícil, é o desígnio natural de todos. Nos sentimos criativamente confortáveis, quer seja na subida ou descida, quando encontramos nosso caminho. A pergunta que devemos nos fazer é: qual o meu caminho?

A máquina é capaz de produzir em série modelos, é capaz de produzir em série comportamentos, produzir em qualquer lugar aquele produto. A capacidade de reprodução de um modelo de forma perfeita é um atributo de máquinas. A sociedade se tornou uma máquina, e cabe ao homem humanizar as máquinas.

REVISTA USE: em sua opinião, quando a arte se mistura com o design? E que impacto essa mistura traz para os consumidores? NAKAO: o design de objetos e a arte atribui valor e sentido além da pele. Ambos significam para o observador mesmo na ausência do usuário. O design de objetos emoldura a existência humana. É arte em si como uma instalação artística. O impacto é a transformação, o despertar de percepções adormecidas.

REVISTA USE: a internet das coisas tem mudado o processo de criação de produtos no Brasil? Qual sua percepção? NAKAO: a maior mudança percebida nos últimos anos foi o acesso através da inclusão econômica, social e virtual. Arte, design e moda se tornaram acessíveis em algum formato para uma maior parcela da sociedade. Após a democratização, o próximo passo natural, e esperado, é a qualificação. 

REVISTA USE: é possível aliar a natureza e customização, oferecendo reconstrução ou construção criativa dos objetos do dia a dia? NAKAO: considero fundamental aliar a natureza e customização, desconstruir mitos, decodificar as inspirações, para se tornar uma referência. Somente através da desconstrução de referências é que é possível responder ao enigma: decifra-me ou devoro-te! Recentemente, fiz uma palestra que falava sobre a questão do reuso, da reciclagem, do repensar e da reflexão. São os quatro “erres”. A palestra se chama motainai, que significa desperdício em japonês, e se referia ao desperdício não apenas da materialidade, mas o desperdício das diferenças entre as potencialidades humanas, que é o maior desperdício que nós estamos enfrentando, o desperdício da humanidade. A humanidade se tornou uma máquina.

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POLTRONA ÁGUA VIVA


Fotos: Divulgação

REVISTA USE: é possível encontrar novas matérias-primas, formas e formatos para revolucionar a indústria moveleira nacional? NAKAO: a beleza. Minha última descoberta foi perceber que buscamos sempre a beleza, no intuito de alcançarmos elevação espiritual. Através dela nos elevamos e nos sentimos bem. Neste estado todo o nosso interior se transforma e consequentemente nossa percepção do exterior, também. Emanamos do interior para o exterior uma transformação proativa. O mundo ao nosso redor passa a espelhar o nosso estado de espírito. Nos transformamos na mudança que queremos no mundo. Muitos projetos de design carecem deste conceito. Buscam somente aspectos sensacionalistas e perdem a essência da beleza.

REVISTA USE: para você, quando o artesanato brasileiro é valorizado? É possível "ganhar o mundo" com estas técnicas, produtos e resultados? NAKAO: em sociedades emergentes, grifes e marcas se tornam símbolos de poder e ostentação em detrimento do valor do design. Ainda temos um longo caminho para criar tradição, cultura e valorização do design e artesanato nacional, internamente e no exterior. Além da questão cultural, enfrentamos um grave problema estrutural no Brasil que inviabiliza a produção e competitividade do produto “Made in Brazil”. Nossa “marca” precisa ser melhor trabalhada para gerar uma nova percepção das potencialidades do país no exterior. O consumidor internacional pouco ou nada afere de valor ao design, artesanato brasileiro, comparativamente aos outros players internacionais (design italiano, francês, japonês, países nórdicos, etc.). Sem a aceitação do consumidor internacional, o design brasileiro e a cultura estão predestinados à clausura e ao desaparecimento. Um projeto que merece menção, principalmente pela forma como foi construída e legado, é a coleção “A Hora do Brasil”. Pela primeira vez na história uma coleção foi desenvolvida em tempo real durante uma semana de moda. Concebemos o formato “Reality Project” e implantamos em Fortaleza, o resgate de tradições e saberes locais de forma transversal com o design e a tecnologia. O Reality Project é um sonho que se tornou realidade em 2012, graças à parceria com o SENAC. Sempre sonhei em compartilhar o processo, o saber e o fazer, de forma irrestrita. Realizamos o Reality Project ao vivo durante uma das mais importantes semanas de moda do Brasil, o Dragão Fashion, para que a abrangência do projeto fosse a maior possível. A partir da resposta ao edital, a redescoberta do paraíso brasileiro, convidamos 20 participantes entre estudantes de moda, rendeiras, seleiros, artistas plásticos, joalheiros, designers gráficos, designers têxteis,

POLTRONA ÁGUA VIVA - DETALHE costureiras, modelistas entre outros para compartilhar saberes e experiências. Em nossa primeira reunião elencamos as tipologias e saberes locais que embalariam o nosso projeto: a rendaria, xilogravura, selaria e a rede. Criamos um ateliê aberto, sem segredos industriais, com paredes transparentes para que todos visitantes do evento pudessem acompanhar ao vivo e pela internet o nascimento, o crescimento e a apresentação final no formato de desfile de uma coleção. Pela primeira vez na história uma coleção completa foi desenvolvida e apresentada em tempo real durante uma semana de moda. Reunimos num só lugar a jovialidade dos mais velhos com a sabedoria dos mais jovens, propiciamos a integração de linguagens e o rompimento das fronteiras do saber, experimentamos e revelamos novas possibilidades das matérias. Hierarquias humanas e das matérias foram liquefeitas durante a primeira etapa do processo de trabalho e assim descobrimos juntos, o novo. A partir destas novas alquimias, começamos a construir nossa coleção. As maiores dificuldades foram as de ordem prática. Trazer um sonho para o mundo real implica em praticar a diplomacia com o possível. Reordenamos as pedras do caminho para que elas se tornassem pavimento para as etapas seguintes e não obstáculos em nossa caminhada. Ao final fomos todos recompensados, rendeiras se descobriram escultoras, seleiros se perceberam como arquitetos, designers desvelaram desejos dos recônditos das matérias, costureiras alinhavaram pontes entre saberes, modelistas moldaram o imaginário e por fim compartilhamos a redescoberta do paraíso brasileiro. 

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Contando tudo REVISTA USE: o setor da moda realiza grandes eventos, e a exposição destas criações muda o dia a dia de todas as pessoas, classes e níveis sociais. Isso também acontece no mundo da decoração? Existe um caminho a ser trilhado? NAKAO: até 2004, havia um descompasso entre a ascensão dos eventos e a desaceleração do setor moda em nosso país. A efervescência gerada pelos eventos não refletia a crise de longa data instaurada no setor que chegava neste ano ao seu ápice. A crise atual das semanas de moda, agora em sintonia com a realidade do setor, revela a “bolha fashion” que atinge desde a educação, a indústria, o comércio e todo o segmento. O foco da análise não deve ser os eventos de moda, mas a falta de estrutura do país em gerar conteúdo e investimentos em todos os setores produtivos. Para o Brasil ser competitivo, precisamos repensar e reformá-lo, ter sonhos dignos e lutar por eles. O caminho é a moralização através da fiscalização, denúncia e conscientização pelas redes sociais, iniciativas e concepção de modelos de negócios em novas plataformas.

REVISTA USE: quando a tecnologia torna-se fundamental para o processo criativo e a expansão das fronteiras da criatividade e reconhecimento? NAKAO: é fundamental o domínio da tecnologia. Através dela surgem novas formas de abordagem e construção de pensamentos, mas sem conteúdo se tornam apenas ornamentos sem significância. O design pode e deve fazer uso das novas tecnologias para expandir as construções de linguagem. Existem saberes fantásticos que não podem ser perdidos, conhecimentos de técnicas que precisam ser resgatados, preservados e valorizados. O vetor cultura e tradição deve dialogar com o vetor inovação e tecnologia. A base de qualquer expressão construtiva começa pelo domínio técnico. Investir em inovação tecnológica, em design é a mais rápida forma de inserção e diferenciação do Brasil no mundo. Ao dominar uma nova tecnologia, produziríamos conteúdo material e imagético globalmente reconhecidos, os quais abririam portas para um leque maior de produtos nacionais. 

REVISTA USE: qual o maior desafio do designer de produtos moderno?

Fotos: Jorge Bischoff

NAKAO: no mundo todo, percebemos um anestesiamento geral. Uma indiferença generalizada sobre processos e essência. Cada vez mais necessidades cavalares de efeitos especiais e culto ao ego para sensibilizar o público. Não se vive mais a própria história, terceirizamos nossa existência para avatares personificados por terceiros. Os desejos do mundo moderno substituíram os sonhos individuais por modelos reproduzidos sem limite de cópias. Não se sonha mais, se consome produtos sem autenticidade e incapazes de nos reconectar com nossa humanidade. Acreditamos no design dos afetos. É imprescindível resgatar a capacidade das pessoas sonharem, se sentirem dignas e merecedoras do melhor. A cura nos parece ser através da reconexão com a dignidade. O mundo precisa de vocês designers, façam um mundo melhor!

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CADEIRA NUVENS Revista USE.

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Nome Completo: Jum Nakao O que faz logo ao acordar: arrumo a cama Descendência: japonesa Profissão: artista multimídia, designer e diretor de criação Visão do mundo: emanamos do interior para o exterior uma transformação proativa. O mundo ao nosso redor passa a espelhar o nosso estado de espírito. Nos transformamos na mudança que queremos no mundo. Visão da Arte: a experiência artística pressupõe diálogo e troca entre as partes, obra e observador. Sem que ocorra este fluxo e alteração de estados, a arte não existe. Visão da Moda: a moda assim como todo e qualquer design que nos cercam são extensões de nosso corpo, nossa segunda, terceira, quarta pele. Resumo de criatividade: a natureza humana é criativa e não executora. Não somos máquinas. Como seres humanos procuramos sentido no que fazemos. Relação de mundo e arte: o criador deve estar conectado com o entorno, fora da redoma, criar para o mundo em interação com a sociedade e estabelecer diálogos abertos e multiplicadores, e assim propiciar o crescimento das pessoas, para que elas possam aprender e aprimorar suas referências O que o silêncio representa para você: o silêncio é como um imenso vazio. Espaço para voos. O que é o sucesso para você: disciplina constante para não desvirtuar a sua glória O que representa "surpreender" as pessoas? Revelar suas próprias potencialidades Amores: família Fé: esperança inabalável Desejos: trilhar o bom caminho

Contando tudo MINI BIOGRAFIA Jum Nakao é mundialmente reconhecido por seus impactantes trabalhos nas mais diversas áreas. Nakao é famoso pela sua performance realizada em 2004 no SPFW. Ao final modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel, “A Costura do Invisível”; considerado um dos maiores desfiles do século pelo Museu de Moda de Paris. Na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos em Londres em 2012, Nakao foi o designer de Apresentação do Brasil. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, delegou a Jum Nakao uma instalação inspirada no filme “Marie Antoinette” de Sofia Coppola.

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NOSSA CAPA

Fotos: MARIANA BORO

CONEXÃO É FUNDAMENTAL:

UMA MORADA CRIATIVA E COSMOPOLITA Projeto Arquitetônico: Robson Nascimento Projeto de Interiores: Cristiana Delpizzo

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Muita luz natural, espaços integrados para bem receber e paleta de cores naturais. O projeto revela as delícias em viver o clima de Florianópolis, que oferece verão quente, e o inverno fresco e úmido

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A conexão entre os usuários, a arquitetura, e o projeto de interiores é uma realidade nos espaços que estampam a sessão nossa capa desta edição. A dupla Cristiana Delpizzo e Robson Nascimento teceram vida em movimento ao desenvolver e executar o projeto de interiores e arquitetura para uma família com três filhos. O projeto desenvolvido e executado em 2016, trata com muito cuidado o dia a dia dos usuários, uma vez que recebem com frequência seus familiares e amigos e prezam por uma vida descomplicada e prática. Reflexo deste perfil é revelado pela integração dos ambientes. Sala de jantar, estar, living social e área gourmet permeiam juntos à área externa, com bela piscina e paisagismo pictórico, porém presente.

NOSSA CAPA - HALL DE ENTRADA Há um equilíbrio formal, exaltado nas linhas retas e cores sóbrias neste hall. Foram utilizados acabamentos mais aconchegantes como o couro, madeira natural e pedras com textura. Logo ao entrar, nos deparamos com o revestimento da parede, um ripado de MDF da Evviva Bertolini, um belíssimo tapete de pele natural, e as linhas retas do

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aparador via Adresse, Bella Catarina. Quebrando a hegemonia das peças mais escuras, o vaso vietnamita aproxima dos moradores e visitantes, à natureza. O ambiente contou ainda com o charme da luminária com lâmpadas de filamento carbono da Santa Rita, e as poltronas Oxo, em couro, da Studio Ambiente do designer Marcelo Ligieri. Ao centro, uma bela mesinha em madeira natural rústica, com valorização das formas e texturas naturais. E a direita, foram utilizadas cortinas em voal de linho com trilho suíço da Sofistique. Completando o estilo, a dupla de banquinhos de apoio em couro natural, via Bella Catarina.

A FACHADA A obra foi executada em um período de 3 meses (fachada externa), devido ao uso de estruturas metálicas e revestimentos em placas de ACM. Destaque para as aberturas, onde todas as esquadrias foram elaboradas em PVC com formatos de grandes proporções. 


LAVABO INSTIGANTE Composto por um belo lavatório Deca, as paredes são revestidas em pedras laminadas Skinner via Palimanan, naturais. Espelhos e outros materiais nobres enriquecem o ambiente. 

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AREA EXTERNA

SOBRE ELES

Destaque para a utilização de materiais naturais também na área externa, como a mesa rústica em Ipê. Completo ainda por cadeiras em corda náutica Tidelli Outdoor Living. Neste ambiente super acolhedor, vê-se um integrante da família, a cachorrinha Lua que esbanja charme ao caminhar ao lado da piscina.

Arquiteta e Urbanista Cristiana Delpizzo reproduz nos ambientes residenciais que elabora, as memórias afetivas de cada indivíduo, dos momentos mais felizes, e de sua cultura; uma vez que a conexão com cada cliente é fundamental para traduzir seus anseios em novas formas de morar. A junção entre o racional e o sentimental é a grande sacada desta profissional, atendendo como Arquiteta Senior do setor de interiores desde 1998.

TEXTURAS E COMPOSIÇÕES Na área interna, temos piso porcelanato cimentado fosco, pedra fosca bege Bahia, vidros pintados, marcenaria mais escura e sofisticada. Couros nos revestimentos dos sofás Natuzzi e tapetes. De forma geral, a sofisticação está pincelada nos vidros coloridos dos grandes fechamentos de portas, revestimentos nobres nas bancadas da cozinha gourmet e demais peças do mobiliário escolhido. O jardim foi projetado por Robson Nascimento, com assessoria e execução efetuada pelo paisagista Luiz Paulo.

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Robson Nascimento atua no mercado de arquitetura residencial, comercial, urbanismo, e interiores desde 1996. Concentra suas principais atividades em Florianópolis e região, e possui obras em vários estados do Brasil além de grandes projetos no Paraguai e Grécia. A Robson Nascimento Arquitetos já participou de mais de 25 mostras de decoração e interiores, instalações efêmeras incluindo vitrines e eventos direcionados. 


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FICHA DECOR Pedras e silestones: Pedecril Pisos e revestimentos: Portobello Mobiliário externo: Bella Catarina | Tidelli Móveis planejados: Evviva Bertolini Mobiliário interno: Bella Catarina

Cadeiras internas: Moad Mesa de sinuca: Seven Ball Poltronas em couro: Sierra Portas de correr: Cinex Objetos: Roka 

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10H ÀS 20H SÃO PAULO EXPO

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A FORÇA DO DESIGN DE MÓVEIS DO BRASIL Feira de mobiliário de alto padrão e soluções para projetos de arquitetura e design de interiores.

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Foto: Vitor Ebel

NOVOS RUMOS

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Uma viagem à região Sul do Brasil. Construída no encontro do Rio Itajaí-Açu com o mar, a cidade situa-se no litoral norte de Santa Catarina. Colonizada por portugueses no século XVIII e alemães no século XIX, apresenta desde sua colonização, forte ligação com a navegação e a pesca, abrigando atualmente um dos maiores complexos portuários do país. É inegável a importância das influências culturais e do ambiente para o pulsar das artes, a valorização das pessoas, do tempo e do cotidiano. Banhada pelo oceano Atlântico, Itajaí tem belas praias cercadas por morros, com vegetação subtropical da Mata Atlântica. Em sua história recente, construiu-se o único píer turístico do sul do país que possui alfândega e, portanto, permite a atracação de cruzeiros marítimos internacionais. E, é nesta cidade de clima temperado que mora o mais jovem artista plástico já entrevistado pela Revista USE Design. Diego Oliveira, o catarinense das telas, com as mais variadas cores e expressões, revela suas faces. São 31 anos de vida, e na construção da personalidade artística com características marcantes, próprias de um indivíduo bem-humorado, jovial, que valoriza às belezas da vida e sabe aproveitá-las. Na edição especial “Decora Santa Catarina”, Diego é o entrevistado da sessão “Novos Rumos” da Revista USE Design. Impossível não embarcar na sensibilidade de cada pincelada.

A EXPRESSÃO DO MUNDO

REVISTA USE: para entender como surgiram seus insights e processos criativos, gostaríamos de voltar no tempo: o ano é de 1996, quando você havia completado 10 anos. Quais suas melhores lembranças deste período em Itajaí? DIEGO: os dias eram longos, e cheios de expectativas. Lembro-me dos fins de tarde no alto do Morro da Cruz, observando o sol se pôr e as luzes urbanas surgindo aos poucos. Eu ficava ali, sentado no letreiro gigante do nome da cidade, vendo o céu e o mar, ao mesmo tempo, embarcações gigantes que acessavam o canal dos Molhes da Barra. Olhava lá de cima e tentava imaginar quantas histórias aconteciam em cada casa, escritório e campinho de futebol. As vezes levava um bloco de desenhos e tentava escrever algumas dessas histórias e parava apenas quando estava escuro a ponto de não poder enxergar. Voltava pedalando “leve” pelas ruas... bons tempos! REVISTA USE: e então, nesse mundo criativo e transitório, quando iniciou o seu contato com as artes plásticas? DIEGO: comecei a produzir muito cedo. Aos 13 anos saí com uma pasta repleta de desenhos em baixo do braço, todos feitos no verso de folhas de promoção de supermercado, (na época não tinha dinheiro nem para comprar papel sulfite). Bati na porta de um jornal local que me atendeu, e me deu a vaga de chargista. Logo descobri 

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NOVOS RUMOS que eu não entendia muito bem a função, sabia desenhar, mas para ser um chargista isso não basta, é preciso ter opinião, embasamento político e cultural. Conheci alguns jornalistas na época que me indicavam alguns livros aqui e ali, e então despertei em busca do conhecimento. Logo era possível ver uma evolução sutil na mensagem que eu passava nas charges, e aos 14 anos, ganhei o Prêmio Acadêmico Profissionais da Imprensa, oferecido pela Univali (universidade do Vale do Itajaí), na categoria “charge”. Naquele momento senti que eu tinha algo a dividir com as pessoas. Busquei diversas formas de aplicar meu talento com uma ferramenta que me trouxesse satisfação: tentei quadrinhos, desenhos de moda, desenho digital, até que em 2015 cheguei na pintura com tinta acrílica em tela. Meti a cara, tentei sozinho, errei, desperdicei materiais,

sentia que o resultado era péssimo, uma cópia “barata” de alguma outra coisa vista em algum lugar. Até que em um momento de extrema sensibilidade interior, resolvi experimentar. Comecei a pintar, dessa vez sem me preocupar com o resultado, jogando tudo que me angustiava na tela, as cores eram cruas, sem técnica alguma, mas os traços eram verdadeiros. Com o tempo, a tristeza foi diminuindo conforme eu pintava, as pessoas comentavam que se sentiam tocadas e queriam ver mais coisas. Tudo isso serviu de motivação. Quando percebi, voltei a me sentir bem, e estava totalmente apaixonado e envolvido com a pintura. REVISTA USE: existe alguém que o incentivou na carreira como artista plástico? DIEGO: sempre pude contar com o apoio e incentivo da 

O MENSAGEIRO

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Foto: Alfabile Fine Art Photography

PRAIA DA SOLIDÃO

minha mãe. Mesmo com tantas dificuldades, nunca se abalou. É o meu maior exemplo de persistência. Tive outras pessoas importantes que sempre me apoiaram, com palavras e gestos, e isso é um motivador poderoso para quem trilha um caminho tão solitário como o da arte. Gostaria de citar cada um, e contar suas histórias, mas me prolongaria por dias. Sou grato a todos! REVISTA USE: quando você percebeu que havia se tornado um artista? DIEGO: acho que você já nasce com isso, mas é algo que desperta aos poucos. Apontando para um momento específico, certamente foi quando superei a depressão através da arte. Ali ficou claro qual era o meu propósito nessa vida e pelo que meu coração verdadeiramente pulsava. REVISTA USE: o que realmente importa para você quando está pintando? DIEGO: nesse momento busco me entender. Compreender meus movimentos internos, e ver que tudo o que sinto e vivo, outras pessoas também sentem, e isso nos torna semelhantes. Busco de alguma forma criar uma ponte que me conecte com o observador e poder levar ele a uma experiência pessoal, como se ele olhasse em um espelho e contemplasse sua verdade abstrata.

REVISTA USE: você já pensou no que faz as pessoas sentirem com sua arte? DIEGO: penso que quando uma pessoa se depara com uma obra de arte que magnetiza seus olhos e fisga seu coração, ela vê a si própria, despida e sem resistência. Acontece em um segundo mágico em que sua mente se silencia e você se torna só emoção e contemplação, num espaço pessoal e intocável. REVISTA USE: durante nossa vida, passamos por muitas transformações. A arte te fez melhor? DIEGO: só consigo pintar aquilo que trago dentro de mim, uma exposição íntima de todos os meus anseios. É um exercício constante, e às vezes pintar não é estar com o pincel na mão, trancado em um ateliê. Na maior parte do tempo, pintar é pisar descalço na grama, é dar gargalhadas com minha filha, é o abraço da mulher que eu amo. A arte é um exercício de transformação. REVISTA USE: a música, a internet e as tecnologias do mundo moderno influenciam em suas obras? DIEGO: minha relação com a música vem de longe, para criar estou sempre com fones, ouvindo alguma coisa. Tive um período roots/zen, fiquei 2 anos sem celular e nesse período me desliguei um pouco do mundo “online”. Com 

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NOVOS RUMOS Fotos: Divulgação

o tempo, senti a necessidade de divulgar meus trabalhos então topei ter uma vida digital ativa. Hoje utilizo também o Instagram com bastante frequência. REVISTA USE: qual o maior desafio do artista moderno? DIEGO: viver da sua própria arte é um grande desafio. Estudos recentes relatam que os artistas modernos são valorizados em vida, e não depois de mortos, como os mestres do passado. Contudo existem artistas grandiosos surgindo o tempo todo, e destacar-se no meio desse “oceano de artistas” é um desafio e tanto. Mas não existem atalhos, trabalhar muito e focar no objetivo, essa é a melhor forma de superar qualquer obstáculo. REVISTA USE: existe alguma técnica em que se especializou? Faz outras experimentações? DIEGO: nunca tive orientação profissional. Na pintura, comecei sozinho e fui arriscando aqui e ali, creio que isso tenha sido uma dádiva: poder criar sem regras, aprender a identificar um erro como um efeito, e não um defeito. Acho que essa pode ser considerada uma técnica, né? (risos). Gosto muitíssimo de pintar com acrílica, gosto também de usar gizes em tons pastéis e carvão. A aplicação do giz e spray nas minhas obras são sempre soltas e intuitivas, sempre me dão uma ideia de caos, ou de inocência, talvez por remeter aos desenhos da infância. REVISTA USE: a arte traz reflexão, especialmente do contexto social da sua época, através dos olhos e habilidades do artista. Quais heranças culturais influenciam sua arte, e como ela reflete o mundo em que vivemos? DIEGO: percebo constantemente a presença da ansiedade e da inquietação nesse mundo em que nada é feito para durar. Vivemos em tempos de avanço tecnológico e do apego ao que se é material, e cada vez menos espirituais. Me inspiro e me realizo no fato de minhas pinturas não serem “certinhas”, todas elas, mesmo que figurativas, são abstratas, mostrando também a beleza da imperfeição, da impermanência, então não me apego ao perfeccionismo, já que uma nova mudança virá, e depois outra e outra. REVISTA USE: qual obra mais marcou sua vida? DIEGO: a pintura surgiu de uma conversa que tive com minha filha no caminho da creche. Na ocasião ela tinha dois anos, e no trajeto, o balão foi tragado pelo ar que entrava e saía pelas janelas. Voou pelo céu, sem que suas mãozinhas pudessem segurá-lo. Chorando, perguntou; “Pai, por que meu balão foi embora? Eu gostava tanto dele, ele era meu amigo”. Eu precisava dar um jeito de curar aquele coraçãozinho que estava triste, e então falei: filha, os balões as vezes são como as pessoas: são bonitos, coloridos e alegram nossa vida e assim como os

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BANA | BELL'ARTE (todos os direitos reservados) balões, as pessoas podem explodir a qualquer momento; podem simplesmente se esvaziar e perder a graça ou até mesmo voar pela janela e ir embora, e a única coisa que você pode fazer é vê-los se afastando e sentir saudades. Ela entendeu, e eu entendi também. Deste acontecimento nasceu “O Mensageiro”. A obra mostra um balão que flutua, e seu barbante está sobre uma cadeira. Há uma chave sobre o barbante, que é a única coisa que o segura para que não voe, dando a ideia de que a chave que te mantém, é a mesma que liberta. REVISTA USE: nem só de salários e saltos na carreira são feitas as buscas por um ofício. Para muitos, encontrar atividades que causem impacto positivo no mundo é a meta principal. Como você enxerga isso? DIEGO: a ideia de felicidade é muito relativa, a forma ao qual nos dedicamos a busca dela é que faz a diferença. Algumas pessoas focam em ter antes de ser, e se realmente batalharem por essa ideia de certa forma terão êxito, mas a troco de quê? Se as verdadeiras riquezas são aquelas que levamos conosco no coração, e ladrão nenhum pode tomar. Ter a percepção de que a existência precede a essência, nos leva a considerar quais os verdadeiros valores que realmente devem ser mantidos e qual a verdadeira herança que deixaremos para nossos filhos. 


KARO | BELL'ARTE (todos os direitos reservados)

MUSTANG | BELL'ARTE (todos os direitos reservados)

REVISTA USE: como você divide o seu tempo entre família, trabalho e lazer? DIEGO: passo a maior parte do meu dia como diretor de criação em uma agência de publicidade em balneário Camboriú. A noite normalmente é o horário que costumo pintar. Intercalo os períodos de pintura com brincadeiras e desenhos animados com a minha filha Sofia - meu sol, de 5 anos. O ateliê fica em minha casa em Itajaí, onde vivo com minha namorada Marília. Nossa rotina é bastante corrida, ela passa longas horas em plantões no hospital enquanto eu crio em casa. Divido meu tempo livre também entre livros, meditação e corrida. Já corri bastante, fazia 8 ou 9 km por dia, hoje estou mais devagar, mais ainda me supervisiono para não ficar enferrujado. Sou caseiro, e me aventuro em algumas festas de tempos em tempos. Marília me inspira muito e sempre me incentiva à fazer o meu melhor. Hoje Sofia e Marília são as maiores jóias da minha vida.

sar um tempo sozinho. Para chegar lá você precisa pular um muro, subir a trilha na mata, depois outra de cascalho, descer um paredão imenso de pedras, para então chegar nesse lugar único e de beleza incomparável. É um desafio e tanto, mas entendo que parte dessa magia está no caminho, na superação e finalmente na contemplação. REVISTA USE: qual a lembrança de sua primeira tela? DIEGO: Foi há muito tempo. Criei uma série de 5 telas pequenas, tinham 20x20 centímetros cada. Todas traziam imagens que remetiam a um pseudo autoconhecimento e uma mensagem escrita “ilumine-se”. Feliz, saí com todas pela cidade, na época eu morava em Blumenau. Pendurei as telas pelas ruas, postes, paredes e elevados. Queria levar uma mensagem boa para as pessoas. Horas depois passei pelos mesmos lugares e todas haviam sido levadas embora. Pelo jeito devem ter gostado bastante. Tanto, que até levaram para suas casas (risos)!

REVISTA USE: qual o seu lugar preferido em Itajaí? DIEGO: tenho diversos locais que amo aqui na cidade, quando criança os chamava de “lugares secretos”. Praia de Cabeçudas, Morro da Cruz, Praia Brava... mas sem dúvida o mais importante para mim é a Praia da Solidão. Como o nome já sugere, ela é o melhor lugar para refletir e pas-

REVISTA USE: fale sobre suas paixões, amores e a maior emoção de sua vida. DIEGO: a maior emoção da minha vida, foi me tornar pai. Foi um momento em que meus olhos abriram e eu senti todo o amor do mundo me envolver, no exato segundo em que ouvi o choro de Sofia pela primeira vez. Me vi não 

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YANOMANI | BELL'ARTE (todos os direitos reservados) 60

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mais como um ser só, mas agora um homem responsável por uma vida que tem tanto para aprender, que busca carinho e compreensão. Com certeza mudou minha vida e me fez descobrir que o que mais amo nessa vida é ser pai. Minhas paixões são como uma pluma no vento, em constante movimento, observando as pequenas coisas, a sutileza da vida e a grandeza da humildade. Não apenas na paixão e o amor físico, mais aquele amor que vai além, que transpassa a “casca dura” criada pela rotina. É importante estar aberto e ver a vida como ela é, temos a tendência do pré-julgamento, mesmo quando mal conhecemos, por isso é importante olharmos sem essa lente que distorce a realidade, e deixar que o amor se revele, principalmente em nós como seres únicos. REVISTA USE: onde deseja buscar inspiração? DIEGO: quero muito conhecer o Solar do Uyuni, e vivenciar um momento sublime do “encontro entre o céu e a terra”. Também Nova Iorque, conhecer aquelas imensas e diversificadas galerias de arte, respirando toda aquela atmosfera de inovação e poder criativo. REVISTA USE: quais os seus maiores sonhos? DIEGO: 1) ter meu ateliê na Guarda do Embaú, todo de madeira e vidro, perto do mar e do amor, andar descalço e me inspirar naquela natureza tão deslumbrante, 2) Poder criar uma escola de arte, e atuar com crianças e adolescentes e, claro, viajar muito. 

Foto: Divulgação

Entrevistamos: Diego Oliveira (Di) Inspiração: livros, filmes, silencio, filha e namorada Fé: tolerância e aceitação Estilo musical: todos os ritmos; do rock ao samba, do eletrônico ao erudito. Tatuagem: muitas! Braços tatuados, peito e pernas Rompimento: Passado Melhor sorriso: Sofia Melhor abraço: Marília Guerra: retrocesso Sentimento atual: contemplação Sobre eternizar suas obras: poder passar tudo aquilo que vivi verdadeiramente por gerações e mostrar que somos capazes de vencer. Sobre a fama: não penso muito nisso, mas deve ser legal né? Risos... Sobre o mundo atual: conturbado, mas há esperança! Crianças: aprendizado Idosos: sabedoria Paisagem: Solar do Uyuni Livro de cabeceira: O Velho e o mar (Ernest Hemingway) Referências artísticas: o grafiteiro Jean Michel Basquiat, Francis Bacon, Elly Smallwood e Andrew Salgado.

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#NAREDE

herzogdemeuron The Beirut Terraces lies in the heart of the capital of Lebanon. Standing at 119 meters tall, the multilayered residences protrude and pull back to create a play of light and shadows for each of the unique interiors. Image © @iwanbaan

modern.architect Check out @topdezigners for amazing design ideas ... --Le Monde designed by Alessandro Isola, #Italy [photo] courtesy of Alessandro Isola

angeloduvoisin Pintura ou foto? Espaço Moooi 2017 Milão. A exposição estava "animal"

mrosenbaum Chegamos ao terceiro episódio da série #RibeiraEssencial mostrando nosso momento de criação. Como aprendemos com o Quilombo Ivaporunduva, com seu material humano e sensível. (...) Vem ver todos os episódios, conhecer o Vale do Ribeira e assinar a petição na plataforma www.ribeiravale.org.br #AGenteTransforma #ORibeiraVale #Socioambiental Fotos do @loirocunha

#fuorisalone #moooi #salonedelmobile2017 #moora #designweekmilano2017 #isalone

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#NAREDE

tecverdeengenharia Você viu?! O Patch22, edifício mais alto da Holanda, construído em madeira, recebeu o prêmio o melhor edifício de 2016 no importante prêmio “World Architecture News Residential Award”! #tecverde #construçãoemmadeira #woodframe #predioemmadeira #holanda (...)

planetdecorhq Orange for spring celebration with beautiful Teak plates from Blue Pheasant to match all color palette. #PlanetDecor

d.signers_in Love the Industrial style! Design by Golovach Tatiana and Andrey Kot. _________ #Budapest #Hungary #d_signersIn #loft #color #steel #glass #stair #home #residence #home #house #architect #architecture #light #Lighting #sofa #interior #instadesign #art #artist #furniture

inhotim "A Amazônia é um lugar que ainda habita um espaço obscuro na mentalidade das pessoas, como se fosse muito remoto, muito distante. (...) Ailton Krenak, líder indígena e escritor, durante a inauguração da Galeria Claudia Andujar no Inhotim, em 2015. Krenak integrou uma das mesas do seminário "Visão Yanomami", que você pode assistir na íntegra em: inhot.im/ yanomami #DiadoÍndio

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INOVAÇÃO

CONSUMIDOR OMNISHOPPER, PRODUTOS OU VALORES? Por Rose Radke

Há um novo consumidor no mercado, com gostos e hábitos adquiridos com muita agilidade que, até então, o mundo não conhecia. A evolução constante de novas tecnologias tratou de sofisticar a forma de comprar dos consumidores. O OMNISHOPPER é um consumidor que graças aos benefícios trazidos pela tecnologia e ao fácil acesso à comunicação, apresenta uma visão global das marcas e dos pontos de contato que deseja utilizar. Com isso, busca informações disponíveis nas mídias sociais para fazer suas escolhas, para fins de obter, variedade de produtos, base de preços, qualidade dos produtos, condições de pagamentos, prazos de entrega e, também pesquisar quantas estrelinhas sua empresa tem nos quesitos: atendimento, entrega de produtos, soluções de problemas. O consumi-

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dor educou-se com muita rapidez sobre as formas disponíveis que tem para comprar, como deseja comprar e onde comprar. E você almeja que sua empresa esteja na opção “onde comprar” de seu cliente. Correto? Uma pesquisa realizada em 2017, pela Mastercard com 12 mil consumidores de 11 países, incluindo o Brasil, apontou que 80% dos consumidores em todo o mundo são compradores OMNI (usam diversos canais disponibilizados pela tecnologia para decidir suas compras), e que estes números aumentam a cada dia. Porém, um dado que chama a atenção é que, apesar do mobile estar cada vez mais presente na hora da compra, o consumidor ainda prefere o contato que só a loja física é capaz de oferecer. No entanto, outra pesquisa realizada recentemente pelo SEBRAE, demonstra que aproximadamente 30% dos varejistas reclamam pela falta de clientes em suas lojas. Então o que está errado? 


Você lembra da música “Bate Coração”, interpretada por Elba Ramalho, que parte da letra diz: Bate, bate, bate coração, Dentro desse velho peito, Você já está acostumado a ser maltratado A não ter direitos... Parece familiar, essa canção para você? Traz a sua mente algum momento de frustração na condição de cliente? Você pesquisou, pesquisou, e pronto. Tomou a decisão de comprar, saiu de onde estava todo feliz, foi direto para a loja escolhida, cheio de sonhos, e ao chegar, já no primeiro momento, sua alegria foi substituída por tristeza, porque a loja escolhida não estava preparada para recebê-lo da forma como você esperava, não deu a mínima para sua presença, nem tão pouco se importou com o que você buscava. Já passou por essa situação? A diferença está justamente aí. Frustrar ou encantar. Procure encantar sempre, para que sua empresa esteja na lista de onde comprar de seu cliente. O ato de encantar deve ser algo automático, percebido por ele, durante todo o processo de compra até o pós-venda, e muito depois dele. A relação não acaba nunca, se sua empresa estiver convicta que é para o cliente que ela vive. É preciso conhecer os valores de seus clientes. O que para ele importa no momento em que ele escolheu a sua empresa para adquirir o que ele precisa, pode ser a realização de um sonho tão esperado, e foi a sua empresa que ele buscou, entrou, e entregou seu coração. A empresa toda deve estar integrada para oferecer um atendimento de excelência ao cliente, e jamais frustrar a realização deste sonho. Não é apenas sua “comissão de frente” que deve estar com um sorriso estampado no rosto, e também de nada adianta sorrisos forçados, porque o cliente percebe. A cultura da empresa, seus valores, sua missão devem ser praticadas por todos os setores, por todos os integrantes da equipe, e não apenas uma placa pendurada na parede. Devemos ter atitude, comprometimento. Oferecer treinamento para equipe focado apenas no quesito "Bom Atendimento" não é o suficiente. Toda empresa deve assumir um compromisso velado com o "Cliente", porque é ele, e somente ele, que movimenta toda a engrenagem do início

ao fim de qualquer empresa, é o motivo de sua existência em qualquer segmento. Adianta ter uma bela empresa, recepção cortês, bons profissionais de vendas, quando outros setores em sua empresa deixam a desejar? Vamos para alguns exemplos: telefone que toca, e que ninguém atende; falta de agilidade nos retornos solicitados pelos clientes; falta de posição de entrega para o produto que não chega na data marcada; falta de agilidade para apresentar soluções quando o produto que o cliente comprou apresenta defeitos; entregador e montador que entram na casa dos clientes e que não tem a mesma conduta de respeito, atenção e cordialidade recebidos em loja no primeiro atendimento. Você já vivenciou alguma destas situações na condição de cliente? E sua empresa, como ela trata o cliente? Lembre-se: Os clientes estão circulando, em busca de atendimento eficaz, de comprometimento, porém vão escolher para voltar e fidelizar suas compras somente nas empresas que praticam diariamente 24/7 a cultura de devoção ao cliente, porque só ela servirá de alavanca para seu crescimento. É preciso entender a diferença entre vender produtos e vender valores para seus clientes. Produtos e serviços podem ser copiados, mas a cultura de atendimento não tem como ser copiada se estiver no DNA da empresa. A empresa desde a sua constituição deve estar voltada para aquele que é a grande razão de sua existência: o cliente. Como clientes sabemos exatamente o que desejamos, ou seja, queremos um atendimento do início ao fim que faça nosso coração bater... “Tum, tum, tum, bate coração, bate coração com muito prazer”. Nada supera a excelência de um atendimento, quando toda engrenagem funciona voltada ao cliente, e não ao lucro da empresa. Não há lucro, onde o coração do cliente não vibra, não pulsa de alegria. Cliente feliz, volta, indica, divulga, independente da evolução da tecnologia, ele se torna fiel. Para conquistarmos o "Nirvana", além da cultura do atendimento eficaz, devemos reforçar nossa performace com programas atualizados que vão nos auxiliar e dinamizar a tomada de decisões, ou seja é necessário possuir um sistema de ERP completo voltado para a gestão, que inclui um CRM com foco no cliente, processos e tarefas de forma organizada, quadro funcional integrado, e a presença da tecnologia como ferramenta para incrementar a experiência de compra do cliente, com certeza você estará preparado para atender o novo consumidor, e ainda almejar um final feliz!  Rose Radke Gestão no Varejo. rose@resultaplus.com.br (11) 98209-7994

Foto: Divulgação.

Créditos: Mastercard, Sebrae, Endeavor Brasil, Senac.

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VITRINE DE LUXO O DESIGN DAS MÃOS Com elegância estratégica, a nova Linha de salas de jantar da Cosmo é bastante eclética. As peças se adaptam aos mais variados estilos: do rústico ao moderno, perfeita para todas as ocasiões. A Mesa Holbox é fabricada com lâmina de madeira natural, apresenta linhas leves, e sofisticação. Pontualmente, a Cadeira Laos, forma uma perfeita composição entre a madeira e a palha natural, que é fixada manualmente, de altíssima qualidade. Mercado nacional e exportação.

MESA HOLBOX

CADEIRA LAOS

UM CHEIRO PARA CHAMAR DE SEU O despertar dos sentidos através de aromas exclusivos reforça a identidade da marca, uma vez que está ligada aos valores e emoções individuais. O marketing olfativo é uma solução inovadora e eficaz, que estimula a vontade de retornar espontânea. Saúde para o corpo e mente com exclusividade, uma especialidade Chantrêe.

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VITRINE DE LUXO LADY EM SUA VIDA Com espaldar alto, a Poltrona Lady faz parte da Coleção 2017 da tradicional Bell Design. Com uma paleta incrível de cores e revestimentos variados como veludos, linhos e couros naturais, traz as tendências mundiais para o Brasil. Possui estrutura interna em madeira multilaminada de eucalipto tratado e várias opções de bases: giratória em aço carbono cromado ou madeira, e também em pés palito. Perfeita para quem merece conforto!

POLTRONA LADY

DESIGN, UM ALIADO À SUSTENTABILIDADE

ARMÁRIO LUNA

O Armário Luna atende perfeitamente a demanda dos novos consumidores que buscam um mundo melhor em todas as suas ações. Seguindo um estilo retrô, é também um aliado da organização. Fabricado no polo de São Bento do Sul – SC, com reaproveitamento de madeira maciça de eucalipto fingado, o resultado é simplesmente apaixonante!

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Fotos: Divulgação.

VITRINE DE LUXO PALAVRAS MÁGICAS Fabricado em fibra sintética e estrutura em alumínio, o Conjunto Prime reúne beleza e autenticidade. Aliando alta resistência, oferece durabilidade e conforto para as reuniões entre amigos e familiares. Tecido em couro náutico, é habitualmente utilizada como mobiliário residencial ou corporativo, palavras mágicas para quem quer versatilidade.

COM A CORDA TODA Um lindo trançado de cordas náuticas abre possibilidades de desenho, textura e cores na decoração. A matéria-prima, conquistou o coração dos brasileiros por conta da resistência à exposição ao sol e chuva. A Poltrona Quadrada, com estrutura em alumínio, tem seus tecidos do encosto e assento impermeáveis o que permite sua utilização em áreas internas ou externas.

DUO DE ALMOFADAS PESPONTADAS Em perfeita harmonia entre o rústico e o contemporâneo, o duo de Almofadas Pespontadas é perfeito para garantir o calor de uma peça em linho misto, com detalhes diferenciados em couro ecológico. Os pespontos garantem um ar descolado para as peças. Destaque para os ilhoses e as amarrações laterais que finalizam o conjunto cheio de estilo. Ideal para compor ambientes sofisticados e luxuosos.

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&saudável

Foto: Sol Andreassa

CHIQ

COCRIAÇÃO, UMA ATITUDE DO DESIGN SUSTENTAVEL Por Vânia Lucia Slaviero

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O design é parte fundamental do cotidiano. Em nossa realidade, quase todos os objetos de nossa casa e trabalho foram projetados. A mesa, cadeiras, computador, televisão ou até mesmo a geladeira. Tudo começa em um desenho, em um projeto. Alguém, em algum lugar, pensou com exatidão na aparência deste artefato, seu funcionamento e com quais materiais ele seria fabricado. Neste sentido, a atividade do designer é uma das mais influentes do mundo. Esta profissão evoluiu especialmente nos séculos XVIII e XIX, com o surgimento da indústria, onde até então a maioria das casas e artigos de utilização diária eram produzidos à mão por artífices. Já na Revolução Industrial, um número crescente de utensílios passou a ser fabricados em massa em fábricas e usinas, onde os designers eram contratados para desenhar ou criar produtos que em seguida eram moldados, e finalizados por máquinas. A classe média tornava-se cada vez mais próspera e então houve um aumento da demanda por móveis, luminárias, louças e talheres entre outros. Fato é que percebe-se que a fruição do design é uma experiência subjetiva e que de certa forma, estamos rodeados de designers bons e acessíveis, mas a reflexão sobre um mundo melhor, parte deste ponto em específico: da interdependência da humanidade, para assimilar e utilizar itens que sejam sustentáveis, e que vem das mentes e mãos destes profissionais e que vão impactar no coletivo. Palavra da moda, a sustentabilidade. Mas, o que significa este termo no mundo moderno? Para que? Porque? É possível ter ou ser de forma sustentável?

Tudo está conectado, não podendo ser desprezado os aspectos sociais envolvidos na produção desde a embalagem. Não basta estudar novas tecnologias que impactem menos o meio ambiente, é necessário estudar as pessoas envolvidas no ciclo de vida de cada produto que já existe ou que ainda será desenvolvido. Segundo a Professora Doutora em design de produtos Ana Veronica Pazmino (2007), Design Sustentável é um processo mais abrangente e complexo que contempla que o produto seja economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente equitativo. O design deve satisfazer as necessidades humanas básicas de toda a sociedade. Pode incluir uma visão mais ampla de atendimento a comunidades menos favorecidas. SOCIALMENTE EQUITATIVO DESIGN SUSTENTÁVEL

ECOLOGICAMENTE BENÉFICO ECONOMICAMENTE VIÁVEL

...quando design e sustentabilidade se fundem em uma solução para determinada demanda imediata, ela será projetada, sendo a melhoria e longevidade as características mais privilegiadas, ecoando nos âmbitos econômico, social e ambiental.

Onde uso ao máximo e descarto quando não me serve mais, sem avaliar a durabilidade ou o equilíbrio sistêmico deste material?

Segundo Thierry Kazazian, design e desenvolvimento sustentável, “a interdependência é um precioso revelador de sentido e direção, que se trate da biosfera ou de organizações humanas: qualquer fenômeno repercute no conjunto, que, por sua vez, mais ou menos tarde e de forma mais ou menos intensa, acaba repercutindo na fonte do fenômeno. Um produto interdependente pode ser considerado um poluidor nômade. A cada etapa do seu ciclo de vida (extração das matérias primas, fabricação, distribuição, utilização, valorização), fluxos de entrada (matérias e energias) e de saída (resíduos, emissões liquidas e gasosas) produzem impactos negativos sobre o meio ambiente (poluições, resíduos, nocividades…) em diferentes lugares do planeta”.

A cultura do supérfluo, do crescer a qualquer preço, e que muitas vezes desvaloriza o meio ambiente, arrasta a humanidade para crises existenciais. O vazio cresce dentro de cada um.

Ou seja, além dos aspectos já considerados tradicionalmente pelo Design, os aspectos ambientais, sociais e econômicos são tão importantes quantos todos os outros.

E é aí que entra a cocriação. Que nada mais é do que uma forma de inovação que acontece quando os fornecedores, colaboradores e clientes de uma determinada empresa associam-se com o negócio ou produto agregando inovação de valor, recebendo em troca os benefícios de sua contribuição.

A busca é por construir.

Como o profissional, a sociedade, a cultura, o meio ambiente se conectam nesta criação? Todos os materiais de criação vêm da natureza e por isso devemos a todo momento questionar, o quanto estamos fazendo a nossa parte nesta relação? Ou ainda se a concepção de escravidão impera só que com nuances camufladas e diferentes?

"O Homem é enquanto age."

Dr. Leocádio Correia

Vânia Lúcia Slaviero Ministra Formações e Pós Graduações em PNL. www.educacionaldebemcomavida.com.br vanialuciaslaviero@gmail.com whatsapp: (41) 99903.8519 receba áudios de autoconhecimento gratuitos.

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Fotos: Divulgação

BRAVO!

STINCO DE PORCO COM COGUMELOS SALTEADOS A sessão Bravo desta edição traz Roberto Ravioli, considerado um dos mais importantes defensores da cozinha italiana de raiz no Brasil. O chef de cozinha e restaurateur é um ícone da gastronomia paulistana. Vice-presidente da Federazione Italiana Cuochi Brasile (Federação Italiana de Chefs para o Brasil) e tem a Toscana, dos avós, como principal inspiração para compor seus saborosíssimos pratos.

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INGREDIENTES 1 canela de porco com 450/500gr sem pele Sal, pimenta, alecrim e alho a gosto 1 batata 1 tomate 150 g. cogumelo 1 cálice vinho

MAESTRO

DI CUCINA

PREPARO Temperar a canela de porco com sal, pimenta, alecrim e alho. Importante deixar marinar por uma noite com um cálice de vinho. Coloque dentro de um saco plástico para melhor absorver os temperos. Assar em forno com óleo de milho a 130ºC por 1h30, até ficar macio. Sirva com batatas e tomates assados. Pode fazer um molho com o fundo da assadeira, juntando cogumelos e vinho tinto para soltar o que ficou grudado na assadeira. RENDIMENTO: 1 pessoa TEMPO DE PREPARO: 1 hora (mais 1h30 de forno) Chef Roberto Ravioli | Casa Ravioli 

CASA RAVIOLI Revista USE.

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BRAVO!

“Um restaurante onde as pessoas possam se sentir em casa de verdade. Um lugar para reunir amigos e pessoas queridas, com uma cozinha de origem, sem excessos. Com receitas que remetem aos sabores da infância e bons momentos. A sua casa”. Chef Roberto Ravioli 74

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CASA RAVIOLI Em mais de 25 anos de carreira, Roberto Ravioli está à frente da Casa Ravioli, sempre frequentado por importantes empresários, intelectuais e artistas. Ele já participou de programas de TV, festivais gastronômicos e ministrou cursos de culinária italiana nos principais eventos do setor. O projeto minimalista do Casa Ravioli é assinado pelo escritório italiano de arquitetura Archea e idealizado para receber 76 pessoas. Salão envidraçado, garrafas que formam uma moldura no alto das paredes, pôster do chef ao lado do cantor Luciano Pavarotti, toalhas a cobrir as mesas embelezadas por flores frescas são alguns dos destaques do ambiente do restaurante. 

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abd.org.br Revista USE.

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AGENDE-SE

2017 IMM COLOGNE AND DWELL ON DESIGN Local: Centro de Convenções de Los Angeles - Califórnia – EUA Data: 23 a 25 de Junho

ABUP SHOW Local: Pró Magno -São Paulo - SP Data: 02 a 06 de agosto

HIGH DESIGN - HOME & OFFICE EXPO Local: São Paulo Expo - São Paulo - SP Data: 08 a 10 de agosto

ABCASA FAIR Local: Anhembi São Paulo - SP Data: 04 a 08 de agosto

EQUIPOTEL SÃO PAULO Local: São Paulo Expo - São Paulo - SP Data: 11 a 14 de setembro

55ª HOUSE & GIFT FAIR Local: Expo Center Norte - São Paulo - SP Data: 05 a 08 de agosto

HIGH POINT MARKET FALL 2017 Local: High Point, Carolina do Norte - EUA Data: 14 a 18 de outubro

CASACOR ALAGOAS Local: Maceió - AL Data: 21 de julho a 17 de setembro

CASACOR ESPÍRITO SANTO Local: Vitória - ES Data: 20 de setembro a 05 de novembro

CASACOR MINAS GERAIS Local: Belo Horizonte - MG Data: 12 de agosto a 17 de setembro

CASACOR PERNAMBUCO Local: Recife - PE Data: 23 de setembro a 12 de novembro

CASACOR RIO GRANDE DO NORTE Local: Rio Grande do Norte - RN Data: 30 de agosto a 15 de outubro

CASACOR CEARÁ Local: Fortaleza - CE Data: 05 de outubro a 15 de novembro

CASACOR PARANÁ Local: Curitiba - PR Data: 04 de junho a 16 de julho

CASACOR SANTA CATARINA FLORIANÓPOLIS Local: Florianópolis - SC Data: 03 de setembro a 15 de outubro

CASACOR PERÚ Local: Lima Data: 26 de setembro a 01 de novembro

CASACOR RIO GRANDE DO SUL Local: Porto Alegre - RS Data: 20 de junho a 13 de agosto

CASACOR BRASÍLIA Local: Brasília - DF Data: 14 de setembro a 08 de novembro

PARALELA Local: Fundação Bienal de São Paulo - SP Data: 24 a 27 de julho ABIMAD DE INVERNO Local: São Paulo Expo - SP Data: 25 a 28 de julho

CASACOR SANTA CATARINA CAMBORIÚ Local: Balneário Camboriú - SC Data: 14 de maio a 25 de maio CASACOR GOIÁS Local: Goiânia – GO Data: 12 de maio a 21 junho CASACOR SÃO PAULO Local: São Paulo - SP Data: 23 de maio a 23 de julho

CASACOR BAHIA Local: Salvador - BA Data: 22 de setembro a 29 de outubro

2018 ABIMAD Local: São Paulo Expo - São Paulo - SP Data: 30 de janeiro a 02 de fevereiro

IMPORTANTE: As datas e locais das feiras, eventos e mostras podem ser alteradas por seus organizadores sem aviso prévio.

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Revista USE.

FEIRA CASA SUL Local: Pavilhão Centro Sul Florianópolis - SC Data: 02 a 05 de maio


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Revista USE.

REVISTA USE MAIO 2017  
REVISTA USE MAIO 2017  
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