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Jornal da

SOGIBA

Impresso Especial Nº 9912260030/DR/BA

SOGIBA

CORREIOS

Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia

“Imagem extraída da http://www.silviobromberg.com.br”

Ano 20 – no 116 – Dezembro de 2015

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sta edição do Jornal da Sogiba traz mais uma vez temas variados. Interessantes textos sobre mortalidade materna, fechamento de leitos obstétricos, sexualidade, ações da Sogiba e dicas para o Natal e Final de ano. Felizes festas e aproveite a leitura!


Editorial

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Associação de Obstetrícia e Ginecologia e demais entidades médicas vêm a público manifestar sua posição de extrema preocupação e receio com os rumores de fechamento (ainda não oficialmente confirmado) da emergência obstétrica do Hospital Santo Amaro- Fundação José Silveira. Em audiência realizada dia 26/11/15, no Ministério Público, a direção do hospital Santo Amaro informou que vem estudando uma mudança no modelo de atendimento na sua emergência obstétrica sem contudo detalhar que modelo deverá ser adotado. Temos constatado, nas últimas décadas, em Salvador, a desativação de leitos obstétricos em importantes hospitais como o São Rafael, Santa Izabel, Salvador, Espanhol, Agenor Paiva, Pró-Hope (antigo Jaar Andrade) e Evangélico, o que implicou sobrecarga para outras unidades privadas, mas também para a rede pública. O fechamento de mais uma emergência, desta vez em um Hospital/Maternidade da relevância do Santo Amaro, com seu histórico de prestação de serviços de excelente qualidade para a comunidade baiana, acarretará um aumento da peregrinação das pacientes, comprometendo a qualidade da assistência obstétrica. O retardo do atendimento às demandas obstétricas é um dos determinantes imediatos da morbimortalidade materna no nosso Estado, que têm se mantido em níveis inaceitavelmente elevados, por causas, na maioria das

vezes, plenamente evitáveis. No nosso Estado, temos observado, tanto na rede pública quanto privada, como este retardo tem se constituído em um dos principais fatores associados à ocorrência de casos de morbidade e morte maternas. Atualmente muitos obstetras realizam o pré-natal em clínicas e ambulatórios e, no momento do parto, as gestantes são assistidas por médicos plantonistas dos hospitais. Isto já é uma realidade do nosso estado. Com o fechamento da emergência do Hospital Santo Amaro, estas gestantes serão privadas deste atendimento e apenas partos programados poderão ser realizados no Hospital, o que se traduzirá na elevação do número de partos cesáreas. Isto contraria as políticas e ações recentes do Ministério da Saúde de incentivo ao parto vaginal, elaboradas face às evidências científicas que têm demonstrado os efeitos deletérios das cesarianas sem indicação técnica para as mulheres e seus recém-nascidos. Apelamos para o comprometimento das autoridades de saúde do Estado e do município, da gestão do Hospital Santo Amaro, assim como a responsabilização de planos de saúde na garantia de contratação de leitos obstétricos e alertamos toda a sociedade para os danos decorrentes desta medida, ao tempo em que nos colocamos à disposição para, juntos, buscarmos uma solução de modo a evitar uma catástrofe anunciada. Haverá ainda, segundo o Ministério Público, um esforço conjunto na tentativa de resgatarmos alguns leitos desativados ao longo do tempo como demonstrado acima. Carlos C. Lino Presidente da Sogiba

Expediente SOGIBA - ASSOCIAÇÃO DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA DA BAHIA Av. ACM, 2.487, Edf. Fernandez Plaza, sala 2304, CEP 40280-000 Salvador - Bahia Telefax: (71) 3351-5907 – E-mail: sogiba@sogiba.com.br site: www.sogiba.com.br DIRETORIA DA SOGIBA – Triênio 2015-2017 Presidente: Carlos Augusto Pires Costa Lino Vice-presidente: Clodoaldo Cadete Fernandes Costa Secretário Geral: Tatiana Magalhães Aguiar Primeira Secretária: Mara Valéria Pereira Mendes Tesoureiro: Dina Rita Perez Cervino Diretora Científica: Márcia Sacramento Cunha Machado Diretora Cultural: Márcia Maria Pedreira da Silveira Diretora de Divulgação: Carla Kruschewsky Sarno COMISSÃO CIENTÍFICA - Presidente: Denise dos Santos Barata; Membros: Antonio Carlos Vieira Lopes; Cláudia Margareth Smith; Joaquim Roberto Costa Lopes; Hilton Pina COMISSÃO DE ÉTICA E DEFESA PROFISSIONAL - Presidente: Caio Nogueira Lessa; Membros: José Carlos de Jesus Gaspar; D’Cerqueira Lyrio; Ilmar Cabral de Oliveira; Luiz Carlos Calmon Teixeira Filho COMISSÃO DE ENSINO E RESIDÊNCIA MÉDICA - Presidente: Renata Lopes Brito; Membros: Adenilda Lima Lopes Martins; Amado Nizarala de Ávila; Sylvia Vianna Pereira Aragão; Fábio Agnelo Vieira Miranda Rios

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COMISSÃO DE EVENTOS - Presidente: Maria José Andrade Carvalho; Membros: Maria das Graças de Mello Cunha; Margarida Silva Nascimento; Valdeci Lima Maldonado; Altacir Rebouças Campos D Oliveira– Comitês: Medicina Fetal: Luiz Eduardo Machado; Mastologia: Augusto Tufi Hassan; Ultra--sonografia: Kleber Chagas

CONSELHO FISCAL - Maria da Conceição Farani de Santana; Licia de Fatima de Amorim Simões; Karen dos Santos Abbehusen Dorea; Suplente: Ana Maria de Souza Terencio

REGIONAIS DA SOGIBA Regional Sertão – Feira de Santana Presidente: Dr. Francisco Mota Regional Sul – Itabuna/Ilhéus Presidente: DR. Viriato Luiza Corrêa Neto Vice–Presidente: Antonio Augusto Monteiro Primeira Secretária: Dóris Marta Vilas Boas L. Reis Tesoureiro: Jose Slaib Filho COMISSÃO CIENTÍFICA - Karen Freire, Eduardo Leahy e Ernesto Silveira Regional Sudeste – Vitória da Conquista Presidente: Dr. Absolon Duque dos Santos Regional Nordeste – Paulo Afonso Representante: Francisco Pereira de Assis Regional Oeste – Barreiras Representante: Peres Embiruçu Barreto Junior Regional Chapada – Jacobina Representante: Cilmara Melo Nunes de Souza Regional Recôncavo – Santo Antonio de Jesus Representante: Luiz Christian Darwim Ferraz Souto JORNAL DA SOGIBA - Maria del Carmen González Azevêdo DRT-BA 3335 Editoração e Arte - Bárbara Almeida - (71) 9983 1578 Impressão - GENSA Gráfica (71) 3503-3555 vendas@gensagrafica.com.br


Poesia

Carlos Drummond de Andrade Vacina de ano novo Muitos me desejaram paz e amor em 75. Mas havendo amor, haverá paz? Amor é o contrário radioso dela. É inquietação, agitação, vontade de absorver o objeto amado, temor de perdê-lo, sentimento de não merecê-lo, ânsia de dominá-lo, masoquismo de ser dominado por ele, dor de não o haver conhecido antes, dor de não ocupar seu pensamento 24 horas por dia, e mais dias a pedir ao dia para ocupá-lo, brasa de imaginá-lo menos preso a mim do que eu a ele, desespero de o não guardar no bolso, junto ao coração, ou fisicamente dentro deste, como sangue a circular eternamente e eternamente o mesmo. Amor é isso e mais alguma triste coisa. E a tristeza incurável do tempo não passa fora de nós, passa é dentro e na pele marcada da gente, lembrando que eternidade é ilusão de minutos e o ato de amor deste momento já ficou mergulhado em ter sido. Amor é paz?

Sumário Entrevista com Dr. Ricardo Cavalcanti, médico e sexólogo...................................................................4 Mortalidade Materna: Brasil é o 4º país que menos reduz no mundo.............................,,,............6 Microcefalia e infecção por Zika Vírus. Estamos diante a algo muito novo e assustador. Será que existe a Síndrome da Zika Congênita?................................................................................7 Dicas: Saiba quais são as tendências de decorações natalinas para este ano...........................8 Notícias da Sogiba.................................................................................................................................11 Atividades Científicas da SOGIBA do 1º semestre de 2016 ...............................................................12

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Entrevista

Dr. Ricardo Cavalcanti, médico e sexólogo 1 - Como se dá a abordagem ginecologista/paciente sobre as questões sexuais no consultório? Talvez fosse interessante ressaltar um pouco da história da Sexologia Clínica no Brasil. Pode-se dizer que o ano de 1970 foi um marco na história da abordagem de assuntos sexuais no consultório do ginecologista. Antes de 1970 havia uma conspiração de silêncio entre o médico e a paciente. Sexo era tabu. Ninguém falava nisso no consultório do ginecologista. Certos transtornos, que, hoje sabemos, têm causa nitidamente sexual, eram mascarados com nomes aceitáveis social e cientificamente. Congestão pélvica era um desses. A sintomatologia era evidente: dores no baixo ventre, encurtamento dos ligamentos redondos, útero aumentado de volume e ovários facilmente palpáveis e dolorosos. Não raro a vulva apresentava-se tumefacta. O diagnóstico era relativamente fácil e o nome congestão pélvica já dizia que o fenômeno se devia a um afluxo de sangue para os órgãos pélvicos. O problema estava na explicação etiológica desse fato. Dezenas de teorias foram levantadas para explicar esse afluxo de sangue e a subsequente estase venocapilar no território pélvico. Em medicina, quando o mesmo quadro é explicado por várias teorias, é sinal de que não sabemos o que ela é. O fato é que, depois dos trabalhos de Masters e Johnson ficou evidente que a fase de excitação era marcada por uma intensa vasodilatação para o território pélvico. Se a mulher tinha orgasmo, o fluxo arterial se reduzia e a circulação de retorno dava conta de seu trabalho. Mas se o orgasmo não se produzia, havia uma estase sanguínea e e este estado de congestão se instalava. Lá pelos idos de 1970, chegou ao Brasil, junto com o movimento feminista, a chamada revolução sexual e, com ela, o direito das mulheres de terem uma vida sexual sadia. O orgasmo não era mais um direito das prostitutas, como se dizia na era vitoriana, mas um direito a ser conquistado por todas as mulheres. Com a chegada do orgasmo praticamente desapareceu a congestão pélvica.

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De 1970 para cá, no começo, de um modo indireto e tímido, e depois, explicitamente, as mulheres passaram a relatar ao ginecologista seus problemas sexuais.

2 - Algumas mulheres não se sentem à vontade para abordar questões sexuais com o ginecologista. Como o médico pode contribuir para mudar esse quadro? Algumas mulheres realmente não se sentem à vontade para abordar essas questões. Não só elas no entanto. Muitos ginecologistas também temem falar sobre este assunto. A razão das mulheres é nitidamente cultural. À medida que elas vão se aculturando, vão ficando mais abertas para tocar nestes pontos. No caso dos médicos alguns têm dificuldades culturais para abordar os temas sexuais em consultório, mas a grande maioria foge de discutir o tema porque não sabem como tratar de dificuldades sexuais de suas pacientes. Maquilam a ignorância alegando que o tempo da consulta sexológica é demasiado longo em relação ao da consulta ginecológica. Isto não é verdade. Kaplan afirmava que, se você só tem 20 minutos, pode fazer terapia sexual; se só dispõe de 10 minutos, ainda pode fazer terapia sexual. Nós mesmos já testamos este fato atendendo pacientes do SUS. É claro que o tratamento é mais longo, mas os resultados são satisfatórios.’ Na verdade, é que o ginecologista não considera a sexologia como uma obrigação do atendimento ginecológico. “É coisa para psicólogo”, afirmam, para se desvencilhar da paciente. Não adianta fugir. É obrigação do ginecologista atender casos sexológicos, assim como todo ginecologista deve fazer exame de mama, por exemplo. Quem afirma isso não somos nós. É o CFM, a AMB e a FEBRASGO quando colocam a sexologia como uma área de atuação da ginecologia. Mas não se culpe o médico por isso. A culpa é do ensino médico que prepara o profissional altamente qualificado para atender questões complicadíssimas, algumas raras, e não dão nenhuma formação para que o ginecologista saiba o que fazer diante de uma paciente com disfunção sexual. O pior é que o médico, vendo o sofrimento de sua cliente, muitas vezes intenta tratá-la sem conhecimento, incorrendo no crime de charlatanismo, podendo piorar a condição da paciente. Nossas Faculdades de Medicina deviam se preocupar – não digo em formar grandes especialistas - mas profissionais que


tivessem os conhecimentos básicos para atender uma das queixas mais freqüentes da clínica diária, que são os problemas sexuais. Esperamos que um dia isso ocorra. 3 - Qual deveria ser a abordagem ideal? Nós seguimos a terapia comportamental cognitiva que é uma orientação terapêutica breve e diretiva. Sua eficácia tem sido amplamente comprovada e seus efeitos são a curto prazo. Acredito que essa é a abordagem ideal e a seguida pela maioria dos sexólogos do mundo. É uma terapia de reestruturação cognitiva que não temos como explicá-la nos pequenos limites deste texto. Uma coisa necessita, porém, ser esclarecida: Terapia sexual é Psicoterapia + Farmacoterapia. Há alguns cursos de Pós graduação em Terapia Sexual que são aceitos como pré-requisitos para o concurso de qualificação da FEBRASGO em sexologia. Na falta de uma disciplina acadêmica, esses cursos, reconhecidos pelo MEC, procuram suprir o defeito da ausência de uma disciplina curricular na formação médica. 4 - Quais as questões mais levadas pelas mulheres aos consultórios?

orgasmo. São dois transtornos que se inter-relacionam. Quem não tem orgasmo tende a não ter desejo. O orgasmo é o maior reforçador do desejo. Por outro lado quem não tem desejo está perdendo uma das coisas mais significativas da vida: a relação sexual. É através da relação sexual que a espécie se perpetua. E a natureza, ciente disso, dá o orgasmo como um prêmio, por se ter praticado a relação sexual. A mesma coisa que ocorre com um garoto a quem damos um chocolate como prêmio por uma boa ação praticada. 5 - Como a mulher pode melhorar sua vida sexual? Não temos como responder a essa pergunta porque isso depende basicamente de cada pessoa. 6 - Quando é o momento de procurar um sexólogo? Quando houver qualquer transtorno no relacionamento do casal e, quanto mais cedo melhor, afinal os transtornos que se cristalizam com o tempo tornam mais difícil a solução definitiva dos desencontros.

Os transtornos sexuais mais freqüentes das mulheres são as disfunções do desejo e as disfunções do

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Reportagem

Mortalidade Materna: Brasil é o 4º país que menos reduz no mundo

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Brasil não conseguirá cumprir a meta de reduzir a mortalidade materna em 2015, conforme preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo prevê que o País diminua em 75% as mortes maternas entre 1990 e este ano. A redução de casos envolve mães que morrem no período da gestação até a oitava semana após o parto. A observação do não cumprimento da meta é de uma pesquisa que faz parte do relatório de monitoramento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw, na sigla em inglês) da ONU. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil reduziu sua taxa de mortes maternas em 43% de 1990 a 2013, menos que Peru (64%), Bolívia e Honduras (61% cada). Para o ginecologista e obstetra, vice-presidente da região nordeste da FEBRASGO, Olímpio Barbosa Moraes Filho, os dados fazem referência à atual realidade do sistema de saúde. “Houve um avanço na cobertura pré-natal, pois as gestantes têm tido acesso às consultas recomendáveis pela FEBRASGO, que são no mínimo seis, no período de nove meses. Porém, a qualidade do atendimento piorou, gradativamente, nos últimos 10 anos. Isso está relacionado a qualidade de resolução de problemas relacionados à saúde da gestante pelos profissionais, sejam enfermeiras ou médicos além dos institucionais”, afirma. Dr. Olímpio justifica a sua opinião na prática diária. “A maior parte dos especialistas não está preparada para fazer o diagnóstico e rastreamento de complicações da gestação. O que acontece é que muitos profissionais de saúde não sabem dar seguimento, acompanhamento e rastreamento de um caso específico de saúde da gestante. Assim, a conduta incorreta traz complicações irreversíveis”, pontua.

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Por outro lado, a mortalidade materna no Brasil não deve estar associada especificamente ao médico, mas ao sistema de saúde que é falho. Dr. Olímpio considera que os dados de não redução de morte

de gestante está intrinsecamente ligado ao Estado, que não investe em qualificação, em medicamentos e estrutura para receber as gestantes. O perfil das mulheres que morrem em decorrência da gestação, conforme o relatório de monitoramento da Cedaw são as pardas e negras. Entre 2009 e 2011, por exemplo, morreram 1.757 mães brancas e 3.034 mães negras e pardas, 73% a mais. Pior taxa de redução - De 2000 até 2013, o país teve a quarta pior taxa de redução dessas ocorrências no mundo, ao lado de Madagascar e atrás apenas da Guatemala, África do Sul e Iraque. A meta da ONU integra os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), assinados em setembro de 2000 por 189 nações. “O que acontece é que as mulheres procuram assistência ao parto, mas como boa parte dos leitos estão ocupados ou sem médicos, elas têm que buscar em outras unidades de saúde para o atendimento e com isso, sofrem complicações de saúde. Estamos falando da perda de ¼ de leitos de obstetrícia nos últimos anos. Com as maternidades superlotadas, ficamos nessa colocação vergonhosa, de não conseguirmos reduzir a morte das gestantes”, enfatiza Dr. Olímpio Moraes. Fonte: Febrasgo


Microcefalia e infecção por Zika Vírus. Estamos diante a algo muito novo e assustador. Será que existe a Síndrome da Zika Congênita?

Prof. Dr. Manoel Sarno Professor Adjunto de Obstetrícia da Universidade Federal da Bahia Especialista em Medicina Fetal

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stamos vivendo um momento muito delicado de aumento dos casos de Microcefalia no Nordeste. O estado de Emergência que o governo decretou ocorreu na última vez em 1917, quando houve a epidemia da gripe espanhola. A gravidade do problema de saúde pública não tem precedentes. Estou vendo estes casos desde julho de 2015 nos dois serviços de Medicina Fetal em que sou responsável, na Maternidade Climério de Oliveira e no Hospital Geral Roberto Santos, além do atendimento privado. Comentei com alguns colegas sobre a frequência destes casos com a infecção por Zika, mas não sabíamos se era uma coincidência ou algo real. A maioria dos médicos fetais e infectologistas não acreditavam nesta relação. Passei a perguntar sistematicamente para as gestantes atendidas com Microcefalia ou outras malformações sobre sintomas de doença exantemática na gestação. Para minha surpresa, cerca de 85% das gestantes com Microcefalia relatavam histórico de sintomas relacionados com Zika Vírus no primeiro trimestre da gravidez, contra menos de 20% do grupo com outras malformações fetais. Por que comparar com gestantes com outras malformações fetais? Porque estas gestantes estão sensibilizadas a buscar na memória qualquer fato ocorrido durante a gestação que possa ter causado algum proble-

ma ao seu filho e assim reduzimos o viés de memória. Resultados mais consistentes desta análise serão divulgados em 3 a 4 semanas. Em 04/08/2015, nosso grupo de pesquisas no Hospital Universitário Professor Edgar Santos montou um projeto de pesquisa para pesquisar esta associação. O cronograma está rigorosamente dentro do previsto e as respostas definitivas devem ser dadas em final de 2016, por esta pesquisa a longo prazo que irá avaliar as gestantes expostas ao vírus durante a gestação. Até lá, devemos ter calma e orientar bem a população. Temos que ter mais seriedade no combate ao Aedes aegypti e este não é um papel apenas do governo, mas também do cidadão comum. Deixar água parada é crime. Individualmente, as gestantes podem usar qualquer repelente disponível e se proteger com roupas compridas, deixar portas e janelas fechadas, usar spray de inseticida em mosquiteiro e chamar a Prefeitura sempre que perceber focos do mosquito em sua casa ou vizinhança. Estamos acompanhando as gestantes com sintomas de Zika durante a gestação, mas precisamos colher os exames na fase inicial da doença, até 5 dias do início do aparecimento dos sintomas. Caso uma gestante apresente os sintomas em qualquer fase da gestação, sugerimos procurar imediatamente um médico obstetra para avaliação clínica e realização de exames laboratoriais pertinentes.

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Saiba quais são as tendências de decorações natalinas para este ano

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á estamos nos aproximando do final de ano, e o que não falta são novidades e tendências de decoração para o Natal 2015. Nada como preparar a nossa casa para esperar essa data tão importante com elegância e sofisticação. Velas, bolas, guirlandas de mesa e ursos de pelúcia são peças-chave para a decoração deste ano. Quando o assunto são as cores, o vermelho, branco e dourado ganham destaque. No Beiramar Shopping as lojas Camicado, Americanas e Imperatriz já têm uma grande variedade de artigos para a data. Na Camicado, por exemplo, entre as novidades estão as bolas diferenciadas: crochê, crunch, rattan, gift e crispy.

Confira algumas dicas que separamos: Louças As louças vermelhas, brancas ou douradas personalizadas com o tema natalino podem ser até mesmo consideradas enfeites de tão lindas quando utilizadas para a decoração da ceia. Toucas de Natal decorativas também são excelentes opções de enfeites para a casa. As flores vermelhas também podem conferir detalhes especiais ao seu ambiente.

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Árvore de Natal Na árvore pode-se utilizar um mix de bolas (grandes, médias e pequenas) tons sobre tons. Além disso, podem incluir bonecos e ursos de pelúcia intercalando com os demais enfeites. Não existe um tamanho ideal de árvore. O importante é verificar o espaço em que ela ficará. Além de enfeites, você pode decorar todo o seu entorno com luzes brancas criando um ambiente clean.

Velas Se a sua decoração de Natal é simples, você pode usar velas decorativas nas cores branco e dourado para lhe dar um ar mais sofisticado. Além disso pode usar castiçais, ou improvisar um suporte com

algum objeto disponível em casa, como copos decorados ou coloridos, pires ornamentados ou suportes baixos específicos para velas.

Bolas Além de decorar a árvore, as bolas natalinas podem ser usadas para montar guirlandas e centros de mesa. Uma ideia interessante é colocá-las dentro de um recipiente transparente com algumas pinhas. As cores para 2015 são brancas, vermelhas e douradas. Podem ser lisas ou com detalhes. Fonte: http://www.shoppingbeiramar.com.br/saiba_quais_ sao_as_tendencias_de_decoracoes_natalinas_para_este_ ano.html

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R.T.: Dra. Tatiana Ferraz Stival, CRF 3437-BA

VACINA HPV

O câncer de colo de útero é um sério problema de saúde pública, com cerca de 500 mil novos casos diagnosticados a cada ano no mundo. No Brasil, é o segundo tipo de câncer mais comum entre as mulheres, superado apenas pelo câncer de mama. Seu risco estimado é de 18 casos a cada 100 mil mulheres. A transmissão do vírus do HPV (Papilomavírus) é sexual e está relacionado com o desenvolvimento de aproximadamente 98% dos casos dessa neoplasia. Foram identificados aproximadamente 140 tipos de HPV e destes cerca de 40 infectam o epitélio escamoso e/ou glandular do trato genital inferior e da mucosa genital, sendo que 15 são classificados como oncogênicos, ou seja, alto risco por estarem associados ao câncer cervical, vaginal, vulvar e anal. Os principais tipos de alto risco, os 16 e 18, são responsáveis por 70% de dos casos de câncer cervical e os tipos 6 e 11, de baixo risco ou não oncogênicos, estão relacionados diretamente na gênese do condiloma genital em mais de 90% dos casos. Quanto ao câncer de vulva, explica-se a carcinogênese em duas vias distintas: uma delas é decorrente da infecção por HPV, sobretudo o 16 e o 18; e a outra é emergente dos subtipos 6 e 11, para formação dos condilomas acuminados (verrugas genitais). Existem duas vacinas contra o HPV que impedem as neoplasias intraepiteliais cervicais, vaginais, vulvar e anal, como também previne os cânceres de colo do útero, da vagina, da vulva e do ânus, causados pelos tipos de 16 e 18. Uma das vacinas evita também as verrugas genitais causadas pelos HPVs 6 e 11 em aproximadamente 90% dos casos. Além das vacinas para evitar os tipos 16 e 18, é importante o diagnóstico precoce por meio de análise microscópica do esfregaço cervical (exame de Papanicolau), que permitirá detectar lesões precursoras em diferentes estágios ou o próprio câncer instalado (carcinoma in situ). A vacina não substitui o programa de rastreamento, mas ambos são complementares para prevenção. As vacinas foram recomendadas pelo órgão regulador brasileiro (ANVISA) inicialmente para meninas e mulheres entre 9 e 26 anos, indicadas preferencialmente entre os 11 e 13 anos de idade, o ideal antes da primeiro contato sexual. Mesmo com Papanicolau anormal, com verrugas genitais e presença viral positivo, a vacina protegerá contra os outros tipos de HPVs ainda não adquiridas. A vacina quadrivalente (16, 18, 6 e 11) foi licenciada para mulheres até 45 anos. Essa vacina pode ser prescrita para mulheres imunodeprimidas, pois é uma vacina inativada e não está contraindicada na vigência de uso de imunossupressores; espera-se uma menor resposta imune. O esquema é de três doses e, se a vacinação for interrompida, o esquema não deverá se reiniciado, completando as doses. O uso em gestantes ainda está contraindicado, apesar de não haver indícios de teratogenicidade. No caso da mulher engravidar ao longo do esquema vacinal, o esquema deve ser adiado até concluída a gestação. Caso uma dose tenha sido administrada inadvertidamente durante a gravidez, nenhuma intervenção é necessária. Não está contraindicada a vacina quadrivalente recombinante contra HPV 6,11,16,18 em mulheres que estejam amamentando ou que pretendem amamentar. Os eventos adversos decorrentes da vacinação podem ser classificados como locais ou sistêmicos. Na maioria dos indivíduos, houve uma boa tolerância e as queixas mais relatadas são: dor local, de intensidade leve ou moderada (94%), com ou sem edema ou eritema. Na composição da vacina HPV tem como adjuvante o fungo Saccharomyces cerevisiae, o que poderia ser um risco teórico de reação alérgica e mínimo risco de anafilaxia. Referências Harper DM. Prophylatic human papillomavirus vaccines to prevent cervical cancer: review of the Phase II and III trials. Therapy. 2008;5(3):313-24. Toki T, Kurman RJ, Park JS, Kessis T, Daniel RW, Shah KV. Probable nonpapillomavirus etiology of squamous cell carcinoma of the vulva in older women: a clinicopathologic study using in situ hybridization and polymerase chain reaction. Int J Gynecol Pathol.1991;10(2):107-25. Wilkinson EJ, Kneale B, Lynch PJ. Report of the ISSVD terminology committee. J Reprod Med. 1986;31:973-4. Rowhani-Rahbar A, Mao C, Hughes JP, Alvarez FB, Bryan JT, Hawes SE, et al. Longer term efficacy of a prophylactic monovalent human papillomavirus type 16 vaccine. Vaccine. 2009;27(41):5612-9. CDC. MMWR. 2010 May 28;59(20). Disponível em: http://www.cdc. gov/mmwr/pdf/wk/mm5920.pdf. Olsson S, Villa LL, Costa RLR, Petta CA, Andrade RP, Malm C, et al. Induction of immune memory following administration of a prophy- lactic quadrivalent human papillomavirus (HPV) types 6/11/16/18 virus-like-particle (VLP) vaccine. Vaccine. 2007;25(26):4931-9. Stanley M. Immune responses to human papillomavirus. Vaccine. 2006;24 Suppl 1:S16-22. McCormack PL, Joura EA. Quadrivalent human papillomavirus (types 6, 11, 16, 18) vaccine (Gardasil®): a review of its use in the prevention of premalignant genital lesions, genital cancer and genital warts in women. Drugs. 2010;70(18):2449-74. FUTURE II Study Group. Prophylactic efficacy of a quadrivalent human papillomavirus (HPV) vaccine in women with virological

ISO 9001: 2008

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Central de atendimento:

71 3261-1314

Dr. Claudilson Bastos Médico Infectologista CRM-BA 10647 Responsável pelo serviço de vacinas do Laboratório Sabin em Salvador


Notícias da Sogiba

Sogiba faz balanço positivo do ano de 2015

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primeiro ano de gestão da nova diretoria da Sogiba foi repleto de ações e eventos, com balanço bastante positivo. O Presidente da Associação, Dr. Carlos Lino, destacou, entre as ações do período, as assembleias que discutiram as condições das maternidades públicas e privadas e os debates sobre a formação de uma cooperativa da especialidade. Outros temas também foram lembrados pelo gestor. Em 13 de outubro, a Sogiba em parceria com o Sindimed, realizou coletiva de imprensa, na sede do Sindimed, para denunciar o fechamento das emergências obstétricas especialmente as privadas, entre elas a do Hospital Santo Amaro. A Sogiba, junto com outras entidades da área, denunciou que as instituições privadas de saúde fecham esses leitos para ampliar serviços da área que sejam mais lucrativos. Eles mostraram, ainda, que o fechamento das emergências obstétricas nessas maternidades vai sobrecarregar o serviço público, como nas maternidades públicas como a Tsylla Balbino e a Climério de Oliveira, cujos atendimentos se comparam ao do Santo Amaro. Além desse, os hospitais que possuem a emergência são: Português, Jorge Valente, Sagrada Família. O hospital Tereza de Lisieux não receberá as pacientes que deixarão de ser assistidas no hospital porque atua como unidade de rede própria de um único plano de saúde. Foi explicado ainda que o hospital Santo Amaro é responsável por boa parte dos partos realizados na rede de saúde suplementar em Salvador, com 27 leitos. A instituição realiza cerca de 300 partos por

mês, maior número de partos realizados entre as instituições privadas em Salvador. O fato gera sérias consequências também para os médicos, uma vez que 60% da composição salarial é decorrente de produtividade. O problema também foi comunicado à Assembleia Legislativa, à Câmara Municipal de Salvador, à OAB e aos Ministérios Públicos do Estado e do Trabalho. Já em parceria com o Laboratório Sabin, a Sogiba promoveu campanha de vacinação contra Câncer – HPV. O público-alvo foi formado de médicos, residentes e estudantes de qualquer área, e seus parentes e amigos na faixa etária entre 9 e 45 anos (mulheres) e 9 a 26 anos (homens). A vacina é a quadrivalente tipos 6, 11, 16 e 18. Os tipos 6 e 11 são responsáveis por 90% dos casos de verrugas genitais. Já os tipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero. A campanha, que teve início no dia 1º de novembro, foi encerrada no dia 30 do mesmo mês. O desconto só foi válido mediante preenchimento de termo de adesão dentro desse prazo. A 1ª dose da vacina será ministrada em dezembro de 2015, a segunda em fevereiro de 2016, e a terceira, em maio de 2016. Os interessados fizeram a adesão através do e-mail sogiba@sogiba.com.br, pelos telefones (71) 33515907 ou (71) 98622.3664; e aguardaram o contato do Sabin para agendar o atendimento. A vacinação contra o HPV é recomendada pela Organização Mundial de Saúde!

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Diversos

Aos nossos atuais e futuros parceiros A SOGIBA – Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia pretende continuar em 2016 realizando sua função primordial de educação continuada visando o aprimoramento permanente dos nossos associados. Contamos para isso com a sua parceria. Teremos 09 sessões científicas, 04 cafés da manhã e 01 Congresso Baiano. Abaixo segue a programação para o 1º semestre. Contamos com o apoio de todos.

Atividades Científicas da SOGIBA do 1º semestre de 2016 MAIO

MARÇO

Hemorragia do 3º trimestre

Contracepção LARC Dra. Milena Bastos Brito

Dr. João Alberto Batista Medina Hemorragia Puerperal

ABRIL Calendário Vacinal Feminino Dra. Nilma Antas Neves

Dr. David da Costa Nunes Junior

JUNHO DST: Condutas Ginecologista: Dra. Ana Gabriela Travassos Proctologista: Dra. Eda Vinhaes

Tipos de repelentes que grávidas e crianças podem utilizar Repelentes tópicos:

-DEET-N, N-dietil - 3 – metatoluamida

-Óleo natural de eucalipto - limão

-Icaridina

-Óleo de citronela

(tempo de ação estimado de 2 a 6 horas) (tempo de ação estimado 5 a 10 horas)

(tempo de ação até 2 horas) (tempo de ação até 2 horas)

Fonte: SIAT/UFBA Divulgado por Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia

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Jornal Sogiba 116  
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