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Impresso Especial

Jornal da

SOGIBA

Nº 9912260030/DR/BA

SOGIBA

CORREIOS

Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia Ano 20 – no 117 – Março de 2016

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8 de Março dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher.

Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. “Imagem extraída da https://pixabay.com/pt/nude-nascer-mulher-nuas-adulto-379097/”

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women´s Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan Pão e Rosas, em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

E

sta edição do jornal da Sogiba traz um texto sobre o vírus da zika, ações recentes e futuras da Sogiba. Também traz dicas referentes à Semana Santa e uma linda poesia para a mulher. Não perca!


Editorial

Expediente

C

om uma proposta diferente, utilizamos este editorial para parabenizar os funcionários que fizeram parte da Comissão responsável por escrever o relatório sobre as maternidades públicas. Tendo como base uma pesquisa realizada após visitas as 11 maiores unidades de obstetrícia do Sistema Único de Saúde (SUS) de Salvador e de Lauro de Freitas entre os meses de abril e agosto de 2015, o documento produzido por Marcia Silveira, Caio Lessa, Claudia Smith, Gaspar, João Paulo, Luiz Américo, Monica Bahia, Nelson Lourenzo, Roberta Karina, Vera Nossa e Sandra Renata transmite com clareza e abrangência a importante questão.

Diversas fragilidades foram identificadas nos diferentes serviços do setor, sendo a falta de Recursos Humanos a falta mais grave. Nenhuma maternidade apresentou equipes médicas de plantonistas completas com falta de anestesistas e outros profissionais. O relatório final mostrou que a carência de profissionais nas emergências obstétricas não só resulta no cansaço físico, mental e emocional desses profissionais da área de saúde, como também na restrição de internamentos nas unidades. Bloqueios de leitos, equipamentos desvirtuados para as áreas de depósito ou neonatologia, por exemplo, além do descumprimento da Política Vaga Sempre foram questões recorrentes nos hospitais. Soma-se a essas falhas, os plantões de emergências obstétricas superlotadas e não há garantia de atendimento humanizado. É fundamental desenvolvermos um trabalho como este na avaliação dos serviços de ginecologia, pois acreditamos que a situação é ainda mais dramática, embora não se configure como emergência e, portanto, não consiga a devida atenção. Avaliado como um “divisor de águas” na atuação da nossa Associação, o relatório pode ser atualizado periodicamente para que, dessa forma, seja criado um mecanismo de cobrança permanente e efetivo às autoridades competentes. A atuação de vocês jamais será esquecida. Carlos C. Lino

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Presidente da Sogiba

SOGIBA - ASSOCIAÇÃO DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA DA BAHIA Av. ACM, 2.487, Edf. Fernandez Plaza, S/2304, CEP 40280-000 Salvador - Bahia Telefax: (71) 3351-5907 – E-mail: sogiba@sogiba.com.br - site: www.sogiba.com.br DIRETORIA DA SOGIBA – Triênio 2015-2017 Presidente: Carlos Augusto Pires Costa Lino Vice-presidente: Clodoaldo Cadete Fernandes Costa Secretário Geral: Tatiana Magalhães Aguiar Primeira Secretária: Mara Valéria Pereira Mendes Tesoureiro: Dina Rita Perez Cervino Diretora Científica: Márcia Sacramento Cunha Machado Diretora Cultural: Márcia Maria Pedreira da Silveira Diretora de Divulgação: Carla Kruschewsky Sarno COMISSÃO CIENTÍFICA - Presidente: Denise dos Santos Barata; Membros: Antonio Carlos Vieira Lopes; Cláudia Margareth Smith; Joaquim Roberto Costa Lopes; Hilton Pina COMISSÃO DE ÉTICA E DEFESA PROFISSIONAL - Presidente: Caio Nogueira Lessa; Membros: José Carlos de Jesus Gaspar; D’Cerqueira Lyrio; Ilmar Cabral de Oliveira; Luiz Carlos Calmon Teixeira Filho COMISSÃO DE ENSINO E RESIDÊNCIA MÉDICA - Presidente: Renata Lopes Brito; Membros: Adenilda Lima Lopes Martins; Amado Nizarala de Ávila; Sylvia Vianna Pereira Aragão; Fábio Agnelo Vieira Miranda Rios COMISSÃO DE EVENTOS - Presidente: Maria José Andrade Carvalho; Membros: Maria das Graças de Mello Cunha; Margarida Silva Nascimento; Valdeci Lima Maldonado; Altacir Rebouças Campos D Oliveira– Comitês: Medicina Fetal: Luiz Eduardo Machado; Mastologia: Augusto Tufi Hassan; Ultra--sonografia: Kleber Chagas CONSELHO FISCAL - Maria da Conceição Farani de Santana; Licia de Fatima de Amorim Simões; Karen dos Santos Abbehusen Dorea; Suplente: Ana Maria de Souza Terencio REGIONAIS DA SOGIBA Regional Sertão – Feira de Santana Presidente: Dr. Francisco Mota Regional Sul – Itabuna/Ilhéus Presidente: DR. Viriato Luiza Corrêa Neto Vice–Presidente: Antonio Augusto Monteiro Primeira Secretária: Dóris Marta Vilas Boas L. Reis Tesoureiro: Jose Slaib Filho COMISSÃO CIENTÍFICA - Karen Freire, Eduardo Leahy e Ernesto Silveira Regional Sudeste – Vitória da Conquista Presidente: Dr. Absolon Duque dos Santos Regional Nordeste – Paulo Afonso Representante: Francisco Pereira de Assis Regional Oeste – Barreiras Representante: Peres Embiruçu Barreto Junior Regional Chapada – Jacobina Representante: Cilmara Melo Nunes de Souza Regional Recôncavo – Santo Antonio de Jesus Representante: Luiz Christian Darwim Ferraz Souto JORNAL DA SOGIBA Maria del Carmen González Azevêdo DRT-BA 3335 Editoração e Arte - Bárbara Almeida - (71) 99983 1578 Impressão - GENSA Gráfica (71) 3503-3555 vendas@gensagrafica.com.br


Canção das mulheres

Poesia

Lya Luft

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ‘’Olha que estou tendo muita paciência com você!’’ Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa uma mulher.

Sumário Impacto do surto de Zika Vírus no processo reprodutivo: uma reflexão ...........................................4 Superlotação, migração do interior e falta de estrutura: caos nas maternidades de Salvador e RMS...6 Dicas: Passeio Religioso Paixão de Cristo 2016. e Sobremesas para a Semana Santa........................8 Notícias da Sogiba.................................................................................................................................11 Atividades Científicas da SOGIBA do 1º semestre de 2016 ................................................................12

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Opinião de especialista:

Impacto do surto de Zika Vírus no processo reprodutivo: uma reflexão Karina Adami CRM 13372

Especialista em Reprodução Humana pela USP Ribeirão Preto/ Mestre em Medicina e Saúde Humana pela EBMSP Médica MCO-UFBA EBSERH / CEDAPSESAB / CENAFERTINSEMINA

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o segundo semestre de 2015, o nordeste brasileiro chamou a atenção do Brasil e do Mundo para um fenômeno. Um surto de bebês microcéfalos foi detectado em Pernambuco, ao passo que especialistas da Bahia já vinham detectando um aumento do mesmo evento em seus consultórios públicos e privados. Médicos passaram a questionar modelos de diagnóstico e notificação, buscando seguir um padrão que permitisse rigor científico nas investigações dos casos. Os pesquisadores começaram a descrever casos e sequelas associadas como defeitos ósseos, alterações oftalmológicas e hepáticas, além do temido dano neurológico, descrito com requintes e atrelado a altas chances de danos psicomotores definitivos que exigiriam investimento de reabilitação e apoio a estas crianças e seus familiares. Cada grupo ia colhendo informações junto a essas família atingidas pelo evento da microcefalia e um relato começou a aparecer com muita frequência: “Eu tive Zika nesta gestação”. Os especialistas identificaram um surto concomitante entre os dois eventos Microcefalia e relato de doença viral por Zika vírus.

Em outubro, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco fez o primeiro alerta em órgãos oficiais, sendo seguida pelo Ministério da Saúde em novembro de 2015. O fato foi eleito como situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional com alto potencial de impacto na morbimortalidade neonatal infantil. Estávamos sendo palco de um processo de saúde e doença novo, sem evidências científicas claras de causalidade, com uma nova pergunta agitando pesquisadores e equipes de Saúde em todo o mundo: O Zika Vírus causa Microcefalia? Todos ficaram estupefatos com a agressividade da lesão supostamente atribuída à ação do vírus, investindo em ações de prevenção e elucidação diagnóstica. Pesquisadores locais iniciaram publicações científicas inéditas e meritosas.

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Mas o olhar que trago hoje vai além do cenário

epidemiológico do surto e da prevenção, bem como extrapola a academia em sua visão científica. Levanto aqui uma nova hipótese: Protelar a gestação frente ao surto de microcefalia/danos fetais possivelmente associados ao Zika vírus tem fundamento? A aflição que tomou conta da população trazendo pânico de estar grávida ou engravidar neste momento de incertezas estabeleceu nas pessoas o uso de “tapa” (viseira usada para que os animais de montaria não olhem para os lados). Pacientes e médicos se uniram na ignorância dizendo que gestar agora seria impróprio. E foram seguidos pelos órgãos regulatórios da saúde no país e no mundo. Não resisto em fazer algumas perguntas: Para quem? Será que as decisões reprodutivas das pessoas e seus contextos pessoais de saúde e doença ou ainda os seus direitos sexuais e reprodutivos deveriam ser suplantados por uma processo em fase de esclarecimento? Se haveria exceções clínicas, quais os parâmetros? E se a recomendação técnica se coloca como favorável à Contracepção, não seria a hora de retomar essa ação de saúde há muito tempo relegada, construindo estratégias de Planejamento Familiar e Aconselhamento Reprodutivo acessíveis neste país? Ampliar a oferta de insumos com opções mais seguras e duradouras de Contracepção efetiva como os métodos de longa duração? Levantar a bandeira da dupla contracepção com uso de camisinha e métodos hormonais seguros para cada perfil de usuária? Afinal, o vírus já foi encontrado no sêmen e continuou identificado por 5 meses num relato cientifico recente. A transmissão horizontal do vírus pelo sexo já foi aventada por um relato de caso de 2011, em que um indivíduo afetado pelo Zika vírus teria sido o vetor de contaminação de uma mulher nos EUA. Seria uma nova DST emergindo? A Secretaria Estadual de Pernambuco apresentou em seu “Protocolo clínico e Epidemiológico: Microcefalia” 2015 uma visão louvável ao valorizar a autonomia das pessoas para recomendar estratégias e apontar a abordagem para pacientes que busquem atendimento: “não há uma recomendação formal para evitar a gravidez, sendo a decisão por uma gestação questão de foro pessoal de cada mulher e sua família”, e recomendou o uso de repelentes (Ministério da Saúde link recomendado: j.mp/nota_repelentes). Atenta ainda para e a idade feminina: “Para mulheres em idade reprodutiva avançada (e que, por isso, não podem esperar) que desejem postergar a gravidez por não se sentirem seguras, existe a possibilidade do uso de técnicas de congelamento de óvulos ou embriões, que são


seguras e permitem conservar as chances atuais de gravidez para um momento futuro”. Quem vai subsidiar estes custos? A Medicina Reprodutiva não tem sido valorizada como estratégia de saúde pública, havendo poucos centros nacionais afiliados ao SUS, restringindo assim, a busca deste caminho para pessoas com recursos pessoais disponíveis, num pais em franca crise econômica. Além do mais, qual será o aproveitamento real de congelar óvulos em mulheres mais velhas por causa do Zika? Seria ético comentar que a vitrificação de óvulos nesta idade apresenta resultados tímidos de sucesso com “bebê em casa”. Ao menos, ofereçamos vitrificar embriões, cujo resultado compensa. Falar de “idade reprodutiva avançada” em tempos modernos é ser reducionista. Sejamos pragmáticos como foi a Organização Mundial da Saúde, pois ainda carece de confirmação a causalidade. As notas técnicas acerca do assunto comentam: abaixo de 30 anos não gestar; entre 31-34 anos orientar os casais sobre o surto, riscos potenciais e deixá-los decidirem; e acima de 35 anos recomendar a vitrificação (limites práticos já comentados). A capacidade reprodutiva hoje é avaliada, não só pela idade feminina mas por seu potencial reprodutivo como um todo. São analisados na história médica aspectos como: ser portadora de endometriose, miomas uterinos volumosos, tireoidopatias e doenças autoimunes, cirurgias uterinas e ovarianas prévias que possam impactar negativamente no sucesso reprodutivo dos casais em curto e médio prazo. Como postergar nestes casos? Atualmente, existe a consulta pré-concepcional, o antigo “pré-nupcial”, quando estas perspectivas clinicas são discutidas com o casal para que possam julgar se é oportuno ou não gestar naquele momento de suas vidas. Nesta abordagem, são solicitados exames de rastreio para DST e doenças infecciosas como rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus, que podem afetar a formação fetal, permitindo intervenções vacinais quando cabíveis e orientação quanto ao prazo seguro para gestar após infecções agudas. Passamos a incluir entre os fatores de retardo no projeto parental dos casais o Zika vírus. Como orientar? Até quando protelar? Existe imunidade definitiva para o vírus após aquisição natural? Teremos

vacina? Recentemente a FIOCRUZ lançou um kit laboratorial para identificação de anticorpos IgG (infecção no passado) IgM (infecção aguda) para o Zika vírus, permitindo, ao menos, identificar casos agudos assintomáticos para o aconselhamento. Se forem negativos, ainda não temos vacinação e só nos resta o uso de repelentes e medidas preventivas. E se forem positivos? Não temos ainda qual é o prazo seguro para liberar para engravidar. Não conhecemos a história natural da doença e as curvas de evolução sorológica ao longo do tempo. Se faz necessário alertar sobre perdas e ganhos com a atitude de não gestar. Quando se protela gestar, há o impacto negativo na capacidade reprodutiva inexorável com o avançar da idade feminina e ainda incorporamos outros riscos de desfechos negativos maternos e perinatais, além de anomalias fetais associadas a idade materna avançada que são muito mais prevalentes do que a proporção atual estimada da Microcefalia possivelmente associada ao Zika vírus, a exemplo das cardiopatias, Síndrome de Down e outras cromossomopatias. A parceria saudável preconizada hoje no exercício de nossa profissão prevê que as tomadas de decisões não podem ser arbitrárias e em sentido vertical. Temos o papel de nos atualizar e levar aos casais esclarecimento concreto da realidade e não manchetes midiáticas. Somos médicos, temos uma enorme responsabilidade com a formação de conceitos diante da opinião pública. Até que a verdade científica se configure, prefiro acreditar que os eventos atrelados ao Zika vírus precisam ser monitorados, com linhas de pesquisa bem desenhadas e com atitudes preventivas cotidianas de combate ao seu vetor, vigilância epidemiológica e uso de repelentes pela população. Quanto a gestar, melhor individualizar o aconselhamento reprodutivo. Aos médicos cabe continuar pesquisando, esclarecendo, identificando riscos e ofertando opções seguras. A escolha final continua sendo do casal. adami.karina@uol.com.br. Salvador, 05 de março de 2016 Publicações para consultas técnicas e leigas sobre assuntos correlatos de interesse frente ao Zika vírus, acesse www.sogiba.com.br.

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Reportagem Superlotação, migração do interior e falta de estrutura: caos nas maternidades de Salvador e RMS

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o intuito de promover a melhoria no cuidado da mulher durante a gravidez, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia (Sogiba) traçou diagnóstico com o consentimento da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), após visitas realizadas às 11 unidades de obstetrícia que atendem SUS, em Salvador e Lauro de Freitas, no período de abril a agosto de 2015. A comissão, criada pela Sogiba, foi composta por 11 médicos obstetras da rede SUS. A falta de Recursos Humanos, nos plantões de obstetrícia, foi a maior das fragilidades encontradas. Todas as maternidades apresentaram equipes médicas de plantonistas incompletas. O impacto da carência de profissionais nas emergências obstétricas não resulta apenas no cansaço físico-mental e emocional dos profissionais pela sobrecarga de trabalho, mas compromete a qualidade da assistência obstétrica. Em várias unidades foi identificado bloqueio de leitos, caso da Maternidade Tsylla Balbino. Alguns equipamentos foram desvirtuados para área de depósito ou para neonatologia. É o caso também dos hospitais João Batista Caribé e Menandro de Faria (Lauro de Freitas). O descumprimento da Política Vaga Sempre foi flagrado na maioria dos serviços. Na Maternidade Professor José Maria de Magalhães Neto, apenas as pacientes de fichas classificadas como vermelhas (alto risco) eram atendidas pelo médico plantonista. Com isso ocorreu diminuição do quantitativo de partos assistidos: de 900/mês para cerca de 400 partos/ mês. Na maternidade Albert Sabin, foi flagrada uma gestante esperando por mais de 24 horas. Na Maternidade Climério de Oliveira há deficiência de local para o primeiro atendimento médico. Pacientes internadas em poltronas em trabalho de parto, mulheres recém paridas internadas e mantidas nas salas de parto ou mesmo em macas em corredores são casos comuns. Gestantes do interior do estado migram para Salvador em busca de assistência obstétrica mais efetiva. A pesquisa identificou que a peregrinação da mulher grávida neste período é um dos principais determinantes da morbimortalidade materna e perinatal. Diante do exposto e da superlotação testemunhada, evidencia-se a deficiência de leitos para Assistência ao Parto e Nascimento na Cidade de Salvador.

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Algumas unidades dividem o atendimento com ginecologia, gerando diminuição de leito para a paciente obstétrica e promovendo uma má assistência ginecológica também. Os visitadores foram surpreendidos com uma mulher com abscesso de glându-

la de Bartholin, que esperava por mais de 10 horas para ser atendida. Histórico - Em abril de 2015, havia um desequilíbrio entre oferta e demanda de leitos obstétricos na capital baiana. Não foi identificada melhora do cenário no restante do ano. No mês de outubro, houve corte em 32 leitos de obstetrícia da unidade da Sagrada Família com o fechamento da obstetrícia no Hospital Salvador. Documento - Após as visitas, foi elaborado um documento já entregue ao Secretário de Saúde, Dr. Fábio Vilas Boas, em janeiro de 2016. Ele afirmou que averiguaria todas as inconformidades relatadas. Foi pactuado que ocorreria uma reunião a cada 15 dias na Sesab, com a presença de representantes da SOGIBA. As maternidades visitadas em Salvador foram: Maternidade Tsylla Balbino (MTB), Maternidade Albert Sabin (MAS), Instituto de Perinatologia da Bahia (IPERBA), Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Geral João Batista Caribé (HGJBC), Hospital Sagrada Família - Bonfim (HSF Bonfim), Hospital Sagrada Família – Salvador (HSF Salvador), Maternidade de Referência Professor José Maria de Magalhães Neto (MRPJMMN), Maternidade Climério de Oliveira (COM), Centro de Parto Natural Marieta de Souza Pereira (CPN). Em Lauro de Freitas, foi realizada visita ao Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF).


Prática intensiva com duração de 3 meses e dedicação de 2 turnos semanais

PÓS-GRADUAÇÃO

PRÁTICA INTENSIVA

Prática intensiva com duração de 1 mês e dedicação de 11 turnos semanais

Programa de Treinamento Profissional em Ultrassonografia Geral (Nos moldes de Pós-Graduação)

Programa de Treinamento Profissional em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia

Programa de Aperfeiçoamento ç em Ultrassonografia onografia Geral Credenciadoo pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnósticoo por Imagem em

(Nos moldes de Pós-Graduação)

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Dicas

Passeio Religioso Paixão de Cristo 2016

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espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, na verdade, teve sua origem nas encenações do Drama do Calvário, realizadas nas ruas da vila de Fazenda Nova, Pernambuco, no período de 1951 a 1962, graças à iniciativa do patriarca da família Mendonça, o comerciante e líder político local Epaminondas Mendonça. Depois de ter lido em uma revista de variedades como os habitantes da cidade de Oberammergau, na Baviera alemã, encenavam a Paixão de Cristo, Mendonça teve a idéia de realizar um evento semelhante durante a Semana Santa a fim de atrair turistas e, assim, movimentar o comércio do lugar. Os primeiros espetáculos da pequena vila contavam com a participação apenas de familiares e amigos dos Mendonça. Com o passar dos anos, as encenações começaram a atrair atores e técnicos de teatro do Recife e a Paixão começou a ganhar fama e notoriedade em todo o estado. Fazenda Nova, vila do município do Brejo da Madre de Deus, onde aconteceram essas primeiras encenações, fica bem próxima ao local onde hoje se situa a cidade teatro de Nova Jerusalém.

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A idéia de construir um teatro que fosse como que uma pequena réplica da cidade de Jerusalém para que nela ocorressem as encenações da Paixão foi de Plínio Pacheco que chegou a Fazenda Nova em 1956. Mas o plano só veio a se concretizar em 1968, quando foi realizado o primeiro espetáculo na cidade teatro de Nova Jerusalém. Desde então, já são 45 anos de apresentações ininterruptas dentro das muralhas, atraindo espectadores de todo o Brasil e do mundo. O maior teatro ao ar livre do mundo é uma cidade teatro com 100 mil metros quadrados, o que equivale a um terço da área murada da Jerusalém original, onde Jesus viveu seus últimos dias. É cercada por uma muralha

de pedras de quatro metros de altura e com 70 torres de sete metros cada uma. No seu interior, nove palcos-platéias reproduzem cenários naturais, arruados e palácios além do Templo de Jerusalém, constituindo obras monumentais, concebidas por vários arquitetos e cenógrafos nordestinos e pelo gênio do seu fundador Plínio Pacheco. A Sociedade Teatral de Fazenda Nova (STFN) iniciou as vendas dos ingressos da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém desde 1º de dezembro no site oficial www.novajerusalem.com.br. O espetáculo será realizado de 19 a 26 de março.


Sobremesas para a Semana Santa

A

prenda receitas para encerrar as refeições do feriado mais doce do ano, sem precisar atacar os ovos de chocolate das crianças

Os almoços em família da Semana Santa são sempre fartos. Bacalhau, cordeiro e grandes travessas enfeitam as mesas. No fim da comilança, as crianças correm para desembrulhar os ovos de Páscoa. É comum o chocolate ser dividido por todos e virar a sobremesa da refeição. Mas isso não precisa ser regra: veja uma ideia bacana de doces que todo mundo gosta, e libere as guloseimas da molecada.

Rocambole rápido de chocolate INGREDIENTES

coloque-o em uma travessa. Cubra com o creme reservado e sirva em seguida.

•1 bolo simples (pode ser comprado pronto) sabor chocolate

Se preferir, acrescente 4 morangos picados ao recheio.

Meio pote (litro) de sorvete sabor napolitano

Dica: dê preferência à fôrma de bolo inglês para o preparo do rocambole.

1/2 xícara (chá) de chocolate meio amargo picado 1 caixinha de creme de leite Papel alumínio para embrulhar

Fonte: http://receitas.ig.com.br/rocambole-rapido-de-chocolate/4f74bf48d14d951b1200003f.html

Saúde do coração

MODO DE PREPARO Em uma superfície seca, corte o bolo no sentido do comprimento em 4 fatias. Reserve. Em uma superfície seca, coloque as fatias de bolo reservadas e utilize um rolo para afiná-las na espessura e 1 cm. Reserve. Em uma superfície seca, coloque uma folha de papel alumínio e, sobre ela, coloque as fatias reservadas, uma ao lado da outra, formando um retângulo. Com uma espátula, passe o sorvete, formando uma camada. Enrole o rocambole com o auxílio do papel alumínio e leve ao freezer por 1 hora. Reserve. Em uma panela média, derreta o chocolate em banho-maria e misture o creme de leite até obter um creme homogêneo. Reserve. Retire o rocambole do freezer, desembrulhe e

O

chocolate

tem

efeitos

benéficos

para

o coração. Cientistas da Universidade de Linkoping, na Suécia, descobriram que a versão amarga (rica em cacau) inibe uma enzima no organismo conhecida por elevar a pressão arterial. O resultado positivo é atribuído às catequinas e procianidinas, antioxidantes encontrados na iguaria. http://saude.terra.com.br/nutricao/chocolate-fazbem-para-a-saude-confira-10-beneficios,a2f98c3d1 0f27310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html

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R.T.: Tatiana Ferraz Stival, CRF 3437-BA

ZIKA, CHIKUNGUNYA E DENGUE:

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Além da Dengue, que há vários anos assola o país, o Brasil convive agora com dois outros arbovírus: O Zika e o Chikungunya. Ambos têm como vetor o Aedes aegypti, amplamente disseminado em território nacional, o que torna inevitável a proliferação destes agentes. Clinicamente, a doença causada pelo Zika vírus é mais branda, com menos sintomas sistêmicos, enquanto rash e conjuntivite são mais comuns. A febre chikungunya caracteriza-se por apresentar, além de artralgias importantes, possibilidade de manutenção destes sintomas articulares meses após o quadro inicial. Já a dengue, além de sua forma clássica – mialgia, febre, cefaleia –, pode evoluir com quadros mais graves, inclusive óbito, em especial nas reinfecções e extremos de idade. Todos estes vírus podem desencadear sintomas neurológicos como síndrome de Guillain-Barré e encefalite. O Zika, em especial, foi recentemente identificado como agente causador de microcefalia, o que representa risco adicional às gestantes.

O diagnóstico laboratorial difere para cada agente:

Dengue

Chikungunya

Zika

Fase Aguda*

Antígeno NS1 ou PCR*

PCR

PCR

Convalescença

Anticorpos IgM/IgG

Anticorpos IgM/IgG

Anticorpos IgM/IgG

O Laboratório Sabin disponibiliza todas as metodologias disponíveis indicadas para o diagnóstico destas arboviroses.

Novidade: Um teste totalmente desenvolvido pelo Sabin e com metodologia de RT-PCR, é capaz de em uma única amostra distinguir os três vírus de modo confiável e específico.

*A pesquisa de antígeno NS1 ou PCR deve idealmente ser solicitada nos 3 primeiros dias, quando a positividade é maior. A pesquisa de anticorpos também pode ser útil na fase aguda para identificação de infecção prévia, em especial para dengue, em que a presença de anticorpos de sensibilização prévia pode indicar maior risco de complicações.

ISO 9001: 2008

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Salvador: 71 3261-1314

Dr. Alexandre Cunha CRM: 12881-DF Médico Infectologista Assessor do Laboratório Sabin


Notícias da Sogiba

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Sogiba começa 2016 com grandes ações

ano de 2016 já começou com muitas ações da diretoria da Sogiba. O Presidente da Associação, Dr. Carlos Lino, parabenizou os médicos que fizeram parte da Comissão responsável por escrever um relatório sobre as maternidades públicas. Durante cinco meses, os médicos fizeram uma análise nos hospitais públicos de Salvador e Lauro de Freitas e depois produziram um relatório com os problemas e as sugestões de melhorias. No dia 23 de janeiro, a Sogiba realizou um curso sobre a relação entre o Zika vírus e a microcefalia, doenças que têm apavorado à população, principalmente as gestantes. A conferência de abertura apresentou ações que foram e estão sendo feitas pelo Estado da Bahia com o objetivo de combater o mosquito Aedes aegypti.

No início de fevereiro, a Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) contou com o apoio da Sogiba para divulgar uma Sessão Pública sobre a situação da assistência obstétrica e neonatal na Bahia. A Sessão, que aconteceu no Salão Nobre da Reitoria, debateu as soluções imediatas sobre o assunto.

Ainda no primeiro semestre será realizada mais uma sessão. Sob coordenação do presidente Dr. Carlos Lino, a Sessão Científica vai acontecer no Centro Médico Aliança. A programação tem início no dia 7 de março com a palestra sobre Contracepção LARC da Dra. Milena Brito. Dia 4 de abril acontece o Calendário Vacinal Feminino com a Dra. Nilma Neves; dia 2 de maio será realizada a palestra sobre Hemorragia do 3º trimestre com Dr. João Batista e sobre Medina Hemorragia Puerperal com Dr. David Neves Junior. Em 6 de junho, a sessão se encerra com a palestra sobre DST: Condutas com a ginecologista Dra. Ana Travassos e a protologista Dra. Eda Vinhaes. Os interessados em se inscrever devem procurar a Associação no e-mail sogiba@sogiba. com.br ou pelo telefone 71 3351-5907. Já para o segundo semestre, médicos e estudantes de medicina podem se programar para o XXI Congresso Baiano de Ginecologia e Obstetrícia, que será realizado de 13 a 15 de outubro, no Bahia Othon Palace Hotel. Em breve serão divulgadas mais informações sobre o evento.

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Diversos

Atividades Científicas da SOGIBA 1º semestre de 2016 2º semestre de 2016 ABRIL - Dia 04 Calendário Vacinal Feminino Dra. Nilma Antas Neves

MAIO - Dia 02

13 a 15 de Outubro

XXI Congresso Baiano de Ginecologia e Obstetrícia Bahia Othon Palace Hotel Informações 71 21079682

Hemorragia do 3º trimestre Dr. João Alberto Batista Medina Hemorragia Puerperal Dr. David da Costa Nunes Junior

JUNHO - Dia 06 DST: Condutas Ginecologista: Dra. Ana Gabriela Travassos Proctologista: Dra. Eda Vinhaes

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Jornal sogiba 117  
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