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Jornal da

SOGIBA

Impresso Especial Nº 9912260030/DR/BA

SOGIBA

CORREIOS

Associação de Obstetrícia e Ginecologia da Bahia ANO 20 • Nº 115 • agosto DE 2015

Esta edição do Jornal da Sogiba traz uma matéria interessantíssima sobre o câncer do colo de útero. Apresenta ainda artigo científico, ações mais recentes da Sogiba e a agenda repleta de eventos, o que demonstra o dinamismo da entidade. Também tem dicas de passeio cultural. Aproveite a leitura!


Editorial

D

epois que o Ministério da Saúde e a ANS publicaram uma resolução que estabelecia normas para estimular o parto normal e a consequente redução das taxas de cesarianas (o que tirava dos planos de saúde a obrigatoriedade de pagar por cesáreas feitas sem indicação médica), a ANS voltou atrás decidindo que a gestante que quiser marcar data e hora do nascimento de seus filhos continuará sendo coberta por seu plano de saúde desde que assine um termo de consentimento sobre os riscos da cirurgia. Assim, a paciente volta a ter autonomia para decidir sobre seu parto, como já acontece mundialmente. A diferença agora é que ela tem mais informação para tomar essa decisão ciente dos riscos do procedimento, para ela e para o bebê.

elevados. Porém é preciso atentar para o fato de que a resolução desrespeitava a livre autonomia da paciente. O obstetra, ao agendar uma cesariana eletiva, deve seguir as boas práticas obstétricas, objetivando sempre a segurança para a mãe e o feto, portanto, nunca antes da 39ª semana de gestação. A Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia (Sogiba) é a favor do incentivo ao parto normal no Brasil, desde que seja assegurado a saúde da mãe e do bebê. E considera fundamental para garantir boas práticas obstétricas e o parto seguro as seguintes condições: 1 Maternidades com adequado número de leitos para a mãe e o bebê; 2 infraestrutura com número de leitos e uma ambiência adequada nas maternidades; 3 Equipes de assistência obstétrica em plantão 24 horas contemplando médicos obstetras, anestesiologistas, neonatologistas, enfermeira obstétrica, fisioterapeutas; 4 Assistência de pré-natal adequada. Mas isso, infelizmente, não está contemplado em nossa cidade, seja na esfera pública ou privada.

A resolução 368 foi criada para reduzir o número de cesáreas na saúde suplementar considerados

Carlos C. Lino Presidente da Sogiba

Expediente SOGIBA - ASSOCIAÇÃO DE OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA DA BAHIA Av. ACM, 2.487, Edf. Fernandez Plaza, sala 2304, CEP 40280-000 Salvador - Bahia Telefax: (71) 3351-5907 – E-mail: sogiba@sogiba.com.br site: www.sogiba.com.br DIRETORIA DA SOGIBA – Triênio 2015-2017 Presidente: Carlos Augusto Pires Costa Lino Vice-presidente: Clodoaldo Cadete Fernandes Costa Secretário Geral: Tatiana Magalhães Aguiar Primeira Secretária: Mara Valéria Pereira Mendes Tesoureiro: Dina Rita Perez Cervino Diretora Científica: Márcia Sacramento Cunha Machado Diretora Cultural: Márcia Maria Pedreira da Silveira Diretora de Divulgação: Carla Kruschewsky Sarno COMISSÃO CIENTÍFICA - Presidente: Denise dos Santos Barata; Membros: Antonio Carlos Vieira Lopes; Cláudia Margareth Smith; Joaquim Roberto Costa Lopes; Hilton Pina COMISSÃO DE ÉTICA E DEFESA PROFISSIONAL - Presidente: Caio Nogueira Lessa; Membros: José Carlos de Jesus Gaspar; D’Cerqueira Lyrio; Ilmar Cabral de Oliveira; Luiz Carlos Calmon Teixeira Filho COMISSÃO DE ENSINO E RESIDÊNCIA MÉDICA - Presidente: Renata Lopes Brito; Membros: Adenilda Lima Lopes Martins; Amado Nizarala de Ávila; Sylvia Vianna Pereira Aragão; Fábio Agnelo Vieira Miranda Rios COMISSÃO DE EVENTOS - Presidente: Maria José Andrade Carvalho; Membros: Maria das Graças de Mello Cunha; Margarida Silva Nascimento; Valdeci Lima Maldonado; Altacir Rebouças Campos D Oliveira– Comitês: Medicina Fetal: Luiz Eduardo Machado; Mastologia: Augusto Tufi Hassan; Ultra--sonografia: Kleber Chagas

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CONSELHO FISCAL - Maria da Conceição Farani de Santana; Licia de Fatima de Amorim Simões; Karen dos Santos Abbehusen Dorea; Suplente: Ana Maria de Souza Terencio

REGIONAIS DA SOGIBA Regional Sertão – Feira de Santana Presidente: Dr. Francisco Mota Regional Sul – Itabuna/Ilhéus Presidente: DR. Viriato Luiza Corrêa Neto Vice–Presidente: Antonio Augusto Monteiro Primeira Secretária: Dóris Marta Vilas Boas L. Reis Tesoureiro: Jose Slaib Filho COMISSÃO CIENTÍFICA - Karen Freire, Eduardo Leahy e Ernesto Silveira Regional Sudeste – Vitória da Conquista Presidente: Dr. Absolon Duque dos Santos Regional Nordeste – Paulo Afonso Representante: Francisco Pereira de Assis Regional Oeste – Barreiras Representante: Peres Embiruçu Barreto Junior Regional Chapada – Jacobina Representante: Cilmara Melo Nunes de Souza Regional Recôncavo – Santo Antonio de Jesus Representante: Luiz Christian Darwim Ferraz Souto JORNAL DA SOGIBA - Maria del Carmen González Azevêdo DRT-BA 3335 Editoração e Arte - Bárbara Almeida - (71) 9983 1578 Impressão - GENSA Gráfica (71) 3503-3555 vendas@gensagrafica.com.br


Poesia

Castro Alves As Duas Flores “São duas flores unidas São duas rosas nascidas Talvez do mesmo arrebol, Vivendo,no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol. Unidas, bem como as penas das duas asas pequenas De um passarinho do céu... Como um casal de rolinhas, Como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo véu. Unidas, bem como os prantos, Que em parelha descem tantos Das profundezas do olhar... Como o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do mar. Unidas... Ai quem pudera Numa eterna primavera Viver, qual vive esta flor. Juntar as rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do amor!”

Sumário Perfil Epidemiológico de Pacientes com Câncer de Colo Uterino em Hospital na Bahia.............4 Câncer de colo do útero é o primeiro câncer ginecológico em mortalidade................,,,............6 Dicas de passeio cultural e filmes .............................................................................................................8 Notícias da Sogiba.................................................................................................................................11 Agenda científica da Sogiba .......................................................................................................... .......12

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Artigo

Perfil Epidemiológico de Pacientes com Câncer de Colo Uterino em Hospital na Bahia Deraldo Fernando Falcão Filho¹, Paulo Henrique Zanvettor², Guilherme de Sousa Ribeiro³, Rosângela Oliveira dos Anjos4 1. Médico Assistente do serviço de Ginecologia do Hospital Aristides Maltez, 2. Chefe do serviço de Ginecologia do Hospital Aristides Maltez, 3. Professor adjunto do Instituto de Saúde Coletiva/UFBA e Pesquisador do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz/ Fundação Oswaldo Cruz, 4. Graduanda em Enfermagem- Escola de Enfermagem/ Universidade Federal da Bahia

O

Introdução

câncer do colo do útero é a terceira neoplasia maligna mais diagnosticada no mundo e, depois do câncer de mama, é a causa mais comum de câncer nas mulheres. Aproximadamente, meio milhão de casos novos ocorre a cada ano em todo o mundo. De acordo com estimativas do INCA, mais de 15.590 casos novos de câncer do colo do útero devem ter sido diagnosticados no Brasil no ano de 2014, com risco estimado de 15 casos em cada 100.000 mulheres. Cerca de 1.120 de casos de câncer do colo do útero foram estimados para o estado da Bahia em 2014; incidência de 14 casos por 100.000 mulheres. Segundo tais estimativas, duzentos e sessenta casos novos devem ter ocorrido em Salvador no mesmo ano. No Hospital Aristides Maltez, hospital filantrópico especializado no tratamento de câncer que em 2010 respondeu por 84% dos internamentos por câncer do colo do útero na cidade de Salvador, o câncer do colo do útero é responsável por aproximadamente um terço das neoplasias mais frequentes pelo hospital. De acordo com dados do INCA, 61% dos casos de câncer do colo do útero identificados no Brasil apresentam estadiamento avançado (igual ou maior que II) no momento do diagnóstico, limitando as possibilidades de cura. Este trabalho tem o objetivo de descrever o perfil epidemiológico das pacientes com câncer de colo uterino diagnosticadas num hospital especializado na Bahia.

Métodos

4

No período de 01/05/2011 a 30/04/2013 foram identificadas prospectivamente todas as pacientes com diagnóstico histológico ou clínico de câncer do colo do útero atendidas no hospital de referência para doenças neoplásicas do estado da Bahia. As pacientes foram convidadas a participar do estudo

e responderam um questionário padronizado sobre dados sociodemográficos, antecedentes médicos e ginecológicos, e sinais e sintomas da doença. Revisão de prontuário foi realizada para obtenção dos dados histopatológicos da biópsia de colo. As variáveis sociais, clínicas e epidemiológicas foram descritas através de medianas e intervalo interquartil (IIQ) quando contínuas e através de frequências absolutas e relativas quando categóricas. O estadiamento clínico da doença foi definido seguindo a classificação da FIGO.

Resultados Foram recrutadas 897 mulheres com diagnóstico de câncer do colo do útero. A tabela 1 descreve o perfil epidemiológico dessas pacientes. A maioria das mulheres incluídas no estudo veio do interior da Bahia (77%), se auto declarou parda (53,1%) e negra (30,1%) e pertence à classe econômica D e E (61,3%). Trinta e oito por cento tem menos de 45 anos de idade, 83% menos de 9 anos de estudo e aproximadamente 75% possuem renda familiar per capita mensal menor que U$ 180. Tabela 1. Características demográficas e sociais de mulheres com câncer do colo do útero, assistidas em um hospital de referência de Salvador/Ba, 01/05/2011 a 30/04/2013 (N=897). Características sóciodemográficas

Idade

N

n (%)

897

<45

349 (38,9)

45- 59

296 (33,0)

≥60 Procedência

252 (28,1) 897

Salvador

205 (22,9)

Interior Raça/Cor

692 (77,1) 897

Branca

106 (11,8)

Parda

476 (53,1)


Negra

272 (30,3)

Amarela Escolaridade em anos de estudo

43 (4,8) 743 (83,0)

≥ 10

152 (17,0)

mês)*

892

<60

248 (27,8)

60-119

263 (29,5)

120-179

167 (18,7)

≥180

214 (24,0)

Classe econômica

703

A, B e C

270 (38,4)

DeE Família beneficiária do Programa Bolsa Família

433 (61,6) 897

398 (44,4)

Quanto às características ginecológicas e clínicas, expostas na tabela 2, a mediana da coitarca foi 16 anos [15; 18], mediana de 2 parceiros sexuais [1; 4], a proporção de mulheres que nunca realizaram o exame preventivo ou consulta ginecológica foi, respectivamente, 11,4% e 13,6%. Foram sintomáticas 98,4% das mulheres entrevistadas e os sintomas mais frequentes foram corrimento vaginal, sangramento e dor pélvica. A maioria das pacientes apresentaram estadiamento localmente avançado, sendo IIIB o mais frequente com 38%. Tabela 2. Antecedentes ginecológicos e características clínicas de mulheres com câncer do colo do útero, assistidas em um hospital de referência em Salvador/Ba, 01/05/2011 a 30/04/2013 (N=897). N

n (%) ou mediana [IIQ]

Antecedentes ginecológicos* Idade da coitarca

894

16 [15; 18]

Número de parceiros sexuais

865

2 [1; 4]

Exame citopatológico do colo do 897 útero 508 (56,6)

Último exame há mais de 3 anos***

165 (18,4)

Último exame há menos de 3 anos***

224 (25,0)

ça

Nunca realizou antes da doen-

Pelo menos uma vez antes da doença

896

No 1º atendimento no HAM

477 (53,2)

30- 60 dias antes do atendimento no HAM

253 (28,2)

Há mais 60 dias antes do atendimento no HAM

166 (18,6)

Sintomas

882

Dor pélvica

639 (72,4)

Secreção vaginal

641 (72,7)

Sangramento vaginal

714 (81,0)

Sangramento durante relação sexual

401 (45,5)

Sem qualquer sintoma

14 (1,6) 878

IA1

17 (2,0)

IA2

8 (0,9)

IB1

107 (12,2)

IB2

55 (6,3)

IIA1

14 (1,6)

IIA2

30 (3,4)

IIB

248 (28,2)

IIIA

21 (2,4)

IIIB

329 (37,5)

IVA

38 (4,3)

IVB

11 (1,2) Tipo histológico HAM

Carcinoma escamocelular Adenocarcinoma Outros

471

414 (87,8) 48 (10,2) 9 (2,0)

*As variáveis de antecedentes ginecológicos foram auto referidas pelas pacientes. **Nunca fez exame preventivo ou fez após o surgimento dos sintomas *** Último exame citopatológico do colo do útero realizado antes do início dos sintomas clínicos associados ao câncer do colo do útero.

Conclusão

Nunca realizou antes da doença**

Consulta ginecológica

Recebeu o diagnóstico

Estadiamento

* fator de conversão U$ 2,00

Características

Características clínicas

895

<9 Renda domiciliar per capita (US$/

Domicílio assistido pela Estratégia 859 564 (65,6) de Saúde da Família

668

262 (39,2) 406 (60,8)

As pacientes com câncer de colo uterino no estado da Bahia na sua maioria são provenientes do interior do estado e apresentam-se, ao diagnóstico, sintomáticas em situação de vulnerabilidade social e com estadiamento localmente avançado. Os dados sugerem uma necessidade de ampliação da prevenção secundária e melhoria das condições sociais e econômicas para talvez reduzir a morbimortalidade do câncer do colo do útero.

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Reportagem

Câncer de colo do útero é o primeiro câncer ginecológico em mortalidade

N

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úmeros do Inca mostram que o câncer de colo do útero representou em 2014 a terceira neoplasia mais frequente no sexo feminino, ficando atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal. Nesse contexto a Oncoginecologia ainda não foi reconhecida pela AMB como área de atuação da Ginecologia. O câncer de colo do útero é a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil, considerado um importante problema de saúde pública. Foram estimados 15.590 casos novos de câncer do colo do útero no Brasil em 2014, com um risco estimado de 15,33 casos a cada 100 mil mulheres. Na Bahia, foram estimados 1.120 novos casos de câncer de colo do útero em 2014, sendo 260 casos novos em Salvador. Em 2013, ocorreram no Brasil 5.430 óbitos por câncer de colo do útero, que se manteve como o primeiro câncer ginecológico em mortalidade. Dentre todas as malignidades no sexo feminino, o câncer de colo do útero mata menos apenas do que o câncer de mama e brônquios/pulmões. Na Bahia, ocorreram 373 óbitos por câncer de colo do útero em 2013, sendo 94 óbitos em Salvador. Segundo estimativas do INCA para incidência de câncer no Brasil para o ano de 2014, o câncer de colo do útero representou a terceira neoplasia mais frequente no sexo feminino, ficando atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal. O câncer de endométrio foi a sétima neoplasia mais incidente entre as mulheres, seguido do câncer de ovário na oitava posição. Ainda de acordo com o INCA, 61% dos casos de câncer do colo do útero identificados no Brasil apresentam estadiamento avançado (igual ou maior que II) no momento do diagnóstico, limitando as possibilidades de cura. De acordo com o cirurgião oncológico Dr. Guilherme Ritt, responsável pelo Serviço de Oncoginecologia do Hospital Santo Antônio / Obras Sociais Irmã Dulce, as medidas de prevenção do câncer de colo uterino são formas comprovadamente eficazes em reduzir a incidência e mortalidade por essa neoplasia. “Com exceção do câncer de pele, esse tumor é o que apresenta maior potencial de prevenção e cura, quando diagnosticado precocemente. O teste citopatológico convencional (Papanicolaou) é a

principal estratégia de programas de rastreamento do câncer do colo do útero no mundo”, destaca o especialista. Como medida de prevenção secundária, o Ministério da Saúde tem recomendado a realização do exame citopatológico entre 25-64 anos. Sociedades internacionais (U.S. Preventive Services Task Force, American Cancer Society) vêm sugerindo a associação da citologia convencional com a pesquisa do papilomavirus humano (HPV), com a possibilidade de espaçar a periodicidade do rastreamento em mulheres com idade entre 30-65 anos. “A vacina contra o HPV é uma promissora medida de prevenção primária para o câncer de colo uterino”, completa Ritt. Em 2014, o Ministério da Saúde implementou no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacinação gratuita de meninas de 9 a 13 anos, com a vacina tetravalente. Dados do Ministério mostram que, em seis meses, 4,3 milhões de meninas nessa faixa-etária já haviam sido vacinadas, atingindo 87,3% do público-alvo. A meta era de 80%. Dificuldades – Uma questão que preocupa os especialistas é que uma razoável parcela das mulheres não têm acesso ao exame básico de Papanicolaou, ocasionando diagnósticos tardios de câncer de colo uterino potencialmente preveníveis e curáveis. Estatísticas do Serviço de OncoGinecologia do Hospital Santo Antônio / Obras Sociais Irmã Dulce evidenciam que mais de 70% das neoplasias malignas do colo uterino são diagnosticadas em estados avançados, por falha de rastreamento nos serviços de atenção primária à saúde. Já em relação às neoplasias de endométrio e ovário, não existem evidências comprovando o benefício do rastreamento nas populações de médio risco.


Em um estudo realizado no Hospital Aristides Maltez em conjunto com a Fundação Osvaldo Cruz – Salvador, entre 2011 e 2013, com 897 pacientes, foram encontrados, em 84% dos casos, esta condição de estadiamento avançado, o que demonstra menor eficácia no sistema de diagnóstico precoce no Estado em relação ao panorama nacional. Além disso 77% moram no interior do estado e 61% pertencem às classes econômicas C e D; 83% têm menos de nove anos de estudo e possuem renda familiar per capita mensal menor que U$ 180. “Vale ressaltar a importância da adequada avaliação dos sinais e sintomas apresentados pelas pacientes na tentativa de diagnosticar mais precocemente esses tumores. Enquanto a neoplasia maligna do endométrio costuma ser diagnosticada em estados iniciais, a neoplasia maligna do ovário é diagnosticada em estados avançados em cerca de 70% dos casos, requerendo muitas vezes cirurgias complexas, com ressecções multiviscerais”, explica Dr. Guilherme Ritt. “No câncer de ovário, por exemplo, a citorredução completa com ausência de doença residual macroscópica ao término da cirurgia é um dos fatores prognósticos mais importantes na sobrevida dessas pacientes. Daí a importância da cirurgia ser realizada por um cirurgião especializado no tratamento do câncer ginecológico”, completa. É fundamental, segundo os especialistas, que, além de universalizar o acesso ao rastreamento do câncer de colo uterino, o Estado crie redes de referência para o pronto encaminhamento das pacientes com achados anormais nos exame preventivo, assim como das pacientes com suspeita de câncer de ovário, endométrio e vulva, para serviços especializados. Segundo o cirurgião geral Dr. Paulo Henrique Zanvettor, que atua no Hospital Aristides Maltez, o papel do ginecologista é fundamental para o bom resultado na prevenção e no tratamento do câncer ginecológico, já que o diagnóstico precoce é a chave para atingir os melhores índices de cura. Em pacientes com tumores mais avançados, o correto diagnóstico e encaminhamento pode auxiliar no controle da doença. “O papel do ginecologista no acompanhamento de pacientes tratadas, fazendo parte de equipe multidisciplinar, pode melhorar o controle da doença e também minimizar efeitos colaterais de tratamentos e melhorar a qualidade de vida das pacientes”, enfatiza.

Serviços de Referência e Formação dos Médicos residentes Em Salvador, existem serviços de referência em Oncoginecologia, como o Hospital Santo Antônio e Hospital Aristides Maltez (o último recebe cerca de 40% dos casos diagnosticados de câncer de colo do útero em nosso estado). Ambos são serviços filantrópicos conveniados ao SUS, que atuam de forma independente, porém complementar. O Hospital Santo Antônio atende exclusivamente SUS, uma população em sua imensa maioria carente, proveniente da capital e do interior do estado. Recentemente, foi inaugurada a ampliação da Unidade de Alta Complexidade

em Oncologia (Unacon) Nossa Senhora de Fátima das Obras Sociais Irmã Dulce, onde as pacientes poderão realizar todo o tratamento oncológico, incluindo consultas especializadas, cirurgias, quimioterapia e radioterapia em um só lugar. “Iniciativas como esta devem ser ampliadas, principalmente no interior do estado, onde as pacientes estão carentes de serviços de referência em Oncologia e Oncoginecologia, necessitando o deslocamento para a capital por longos períodos durante o tratamento oncológico”, pontua Dr. Paulo Zanvettor. Para ele, os esforços das sociedades de especialidades, centros formadores e de especialização, de gestores de saúde e governos principalmente na área de ginecologia pode melhorar estes dados e os resultados dos tratamentos das pacientes. “A ampliação da cobertura de serviços de saúde, sistemas de referenciamento mais efetivos, construção de novos centros de referência para tratamento oncológico são algumas medidas a serem realizadas”, complementa. A taxa de incidência bruta por 100 mil habitantes de São Paulo é de 8,5 casos e da Bahia de 14,4, o que demonstra os resultados de medidas de longo prazo. Além do papel assistencial, é importante destacar ainda o importante papel na formação dos médicos residentes. O Hospital Aristides Maltez foi pioneiro na Bahia em abrir a primeira turma de residência médica em Cancerologia Cirúrgica em 2011. A residência médica em Cancerologia Cirúrgica tem duração de três anos e pré-requisito de dois anos em Cirurgia Geral. A prova de título é realizada pela Sociedade Brasileira de Cancerologia, filiada à Associação Médica Brasileira (AMB). Após a conclusão da formação, a tendência dos cirurgiões é seguir uma área do conhecimento específica, a exemplo da Oncoginecologia. Nos EUA, a formação do Oncoginecologista é diferente, tendo como área base a residência médica Ginecologia e Obstetrícia com duração de quatro anos, seguida da residência médica em Oncoginecologia com duração de mais três a quatro anos, que inclui pesquisa científica, aprendizado de cirurgias ginecológicas avançadas, colorretais, genitourinárias e em abdome superior, assim como conceitos de oncologia clínica e radioterapia. “Temos que enfatizar o ensino e discussão do diagnóstico precoce do câncer de colo de útero e também de todas as doenças oncológicas ginecológicas. Não temos estatísticas atualizadas sobre as outras doenças ginecológicas oncológicas”, acrescenta Zanvettor. No Brasil, a AMB não reconhece a Oncoginecologia como área de atuação da Ginecologia. As áreas de atuação da Ginecologia e Obstetrícia reconhecidas são Administração em Saúde, Densitometria Óssea, Endoscopia Ginecológica, Mamografia, Medicina Fetal, Reprodução Humana, Sexologia e Ultra-sonografia em ginecologia e obstetrícia. “Existe um esforço para o reconhecimento do ginecologista oncológico como especialidade por profissionais de centros formadores junto a FEBRASGO, mas ainda em fase de discussão e propostas”, finaliza Dr. Paulo Henrique Zanvettor.

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Dica de Passeio Cultural Caixa Cultural Salvador

Sobre a unidade

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naugurada em 1999, a CAIXA Cultural Salvador encontra-se instalada na Antiga Casa de Oração dos Jesuítas, imóvel do séc. XVII tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, restaurado integralmente pela CAIXA, sendo uma atração a mais para o visitante. Aqui o visitante poderá apreciar as escavações do sítio arqueológico e todos os detalhes decorativos desse belo solar setecentista.

de transbordo (Estação da Lapa) e de ônibus que circulam pelas principais vias da cidade. Situada nas imediações do Pelourinho, tem como vizinhos o Museu de Arte Sacra e o Mosteiro de São Bento. Além do público transeunte, é visitada por turistas, estudantes de todas as faixas etárias e instituições que atuam na inclusão sociocultural. Fonte: http://www.programasculturaiscaixa.com.br/Home/ NovosEspacos

A CAIXA Cultural Salvador desenvolve um amplo calendário de eventos que contemplam exposições de diversos portes, performances musicais e teatrais, lançamentos de livros, oficinas e palestras, além de um importante programa educativo voltado para as diversas camadas sociais. De fácil acesso, a CAIXA Cultural Salvador localiza-se no centro da cidade, próximo à maior estação

Para ver o por do sol em Salvador Santo Antonio Além do Carmo

C

om ares de cidade pequena, a Igreja de Santo Antônio tem um largo com um mirante fantástico para a região do Porto de Salvador, na Cidade Baixa. Dali, se tem uma visão bucólica do sol se pondo. O bairro histórico com construções antigas é considerado continuação do Pelourinho. Entre os dois, está a Igreja do Carmo. No caminho até lá, pela rua do Carmo, há um corredor de casinhas coloniais que também têm vistas privilegiadas para a Baía de Todos os Santos. Há restaurantes, lojas, ateliês e cafés instalados nelas. O Cafélier, mistura de café com ateliê, tem uma varanda romântica para assistir ao pôr-do-sol e um cardápio variado de cafés e sanduíches. Fonte: http://viagem.uol.com.br/guia/brasil/salvador/ roteiros/cinco-lugares-para-ver-o-por-do-sol-com-vista-

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para-o-mar-em-salvador/index.htm


DicaPenínsula de deViagem Maraú

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iscinas naturais e praias quase desertas fazem da Península de Maraú (BA) um refúgio imperdível

A Península de Maraú fica na Costa do Dendê, ao sul da Bahia, entre Morro de São Paulo e Itacaré. Só pela referência aos dois paraísos naturais vizinhos já é possível imaginar a riqueza das paisagens e ecossistemas da região. São mais de 40 km de praias praticamente desertas o ano todo. Mesmo no verão, quando as pousadas ficam lotadas, as praias parecem vazias porque os turistas se dispersam pela vasta costa coberta de coqueirais. Na maré baixa formam-se dezenas de piscinas naturais, lotadas de peixes, que surgem entre labirintos de arrecifes. Aliás, é importante consultar diariamente a tábua de marés porque as paisagens são capazes de se transformar completamente com as mudanças da lua e das marés. A praia de Taipu de Fora é considerada uma das mais belas do Brasil porque tem uma piscina natural de um quilômetro de extensão com peixes de todas as cores. No verão, são feitos mergulhos com lanternas para observar a fauna marinha noturna. Já no inverno, as chuvas são mais freqüentes, mas os passeios acontecem normalmente e os períodos de lua nova e lua cheia, quando a maré está seca, são ideais para o mergulho. Barra Grande é a maior vila da península e ainda preserva a simplicidade caiçara, apesar de abrigar as principais pousadas, bares e restaurantes da região. Em quase todas as praias há pousadas com veículos 4x4, lanchas, catamarãs e bom atendimento, que organizam passeios para toda a região. Um dos mais conhecidos é feito de barco pelas ilhas da península. Ao chegar na ilha do Sapinho para o almoço, a melhor pedida é o guaiamum,

um caranguejo azul catado na hora. Outro passeio famoso é para a bela cachoeira do Tremembé, a única no Brasil que deságua no mar. O barco chega tão perto da queda que é possível tocá-la antes de desembarcar. A península pertence à APA (Área de Proteção Ambiental) Maraú, unidade de conservação de uso sustentável da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica no sul da Bahia, que possui uma série de leis de preservação da natureza. A cidade que dá nome à região fica ao sul da península, longe das praias. Foi fundada em 1705 por frades italianos que se instalaram na aldeia indígena de Mayra-hú e preserva a igreja, casas coloniais e as ruínas de uma usina de querosene do século 19. Fonte: http://viagem.uol.com.br/guia/brasil/peninsula-domarau/

ERRATA

Na edição passada do Jornal da Sogiba, publicamos que a Jornada de Reprodução Humana da região Sul, em Ilhéus, seria realizada em setembro, mas na verdade será no mês de agosto.

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DIAGNÓSTICO MOLECULAR DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (C. trachomatis e N. gonorrhoeae)

Vários trabalhos confirmam a baixa sensibilidade do diagnóstico clínico da infecção pela clamídia e pelo gonococo, principalmente no que se refere à clamídia, pois cerca de 70% das mulheres infectadas são assintomáticas. Assim, recomenda-se a triagem diagnóstica da infecção pela clamídia para todas as mulheres sexualmente ativas, menores de 26 anos, e para as populações de risco, buscando-se o tratamento precoce e a prevenção de complicações. As infecções por C. trachomatis e N. gonorrhoeae são melhor diagnosticadas por meio de testes de amplificação de ácidos nucleicos por possuírem maior sensibilidade e especificidade. Considerando a importância do diagnóstico acurado das doenças sexualmente transmissíveis, o Laboratório Sabin disponibiliza o diagnóstico molecular, por meio de técnica PCR, das infecções por C. trachomatis e N. gonorrhoeae. O teste é realizado em equipamento automatizado, tem alta sensibilidade e especificidade e os resultados são liberados individualmente para os dois patógenos. A investigação pode ser realizada em espécimes de urina masculina e feminina, em secreções endocervical, vaginal e uretral masculina.

• Centers for Disease Control and Prevention (CDC). CDC Grand Rounds:chlamydia prevention: challenges and strategies for reducing disease burden and sequelae. http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/mm6012a2. htm?s_cid=mm6012a2 • Piazzetta RCPS et al. Prevalência da infecção por Chlamydia Trachomatis e Neisseria Gonorrhoea em mulheres jovens sexualmente ativas em uma cidade do Sul do Brasil. Rev Bras Ginecol Obstet. 2011; 33(11):328-33. • Redmond SM, Alexander-Kisslig K, Woodhall SC, van den Broek IV, van Bergen J, Ward H, Uusküla A, Herrmann B, Andersen B, Götz HM, Sfetcu O, Low N. Genital Chlamydia Prevalence in Europe and Non-European High Income Countries: Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS One. 2015 Jan 23;10(1):1-19. • U.S. Preventive Services Task Force. Screening for Chlamydia and Gonorrhea: Recommendation Statement. Am Fam Physician. 2015 Apr 1;91(7):486.

ISO 9001: 2008

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Central de Atendimento: 71 3261-1314

Dr. Alexandre Cunha, CRM 12881-DF Médico Infectologista Consultor Médico do Laboratório Sabin.

RT: Dra. Tatiana Ferraz - CRF: 3437 BA

A Chlamydia trachomatis e a Neisseria gonorrhoeae há muito vêm sendo consideradas importantes agentes entre as doenças sexualmente transmissíveis. Essas infecções, quando não tratadas, podem acometer o trato reprodutivo superior e levar à doença inflamatória pélvica e suas complicações, como infertilidade, dor crônica, gravidez ectópica, abortamento, prematuridade e infecções congênitas, perinatais e puerperais.


Notícias da Sogiba

Sogiba faz balanço positivo de ações do primeiro semestre de 2015

O

primeiro semestre de gestão da nova diretoria da Sogiba foi repleto de ações e eventos, com balanço bastante positivo. O Presidente da Associação, Dr. Carlos Lino, destacou, entre as ações do período, as assembleias que discutiram as condições das maternidades públicas e privadas e os debates sobre a formação de uma cooperativa da especialidade. Em 18.05, foi realizada uma destas assembleias, na sede da ABM, em Ondina. Dr. Carlos Lino deu início aos trabalhos e acrescentou a importância de repensar as relações de trabalho nas maternidades. Os participantes discutiram o tema e sugeriram propostas. Foi feita uma reflexão sobre a mudança de modelo de assistência obstétrica e convocados todos a se questionarem sobre qual o melhor modelo, tendo em vista as boas práticas. Falou-se ainda sobre a Resolução Normativa n° 368 da ANS e as diretrizes do CONITEC. Alguns defenderam a mobilização da Sociedade Civil através de uma caminhada. Ao final, foram destacados os seguintes encaminhamentos: 1) Definir sobre a criação de uma entidade de pessoa jurídica ou uma cooperativa, estas com assessorias jurídica e contábil; 2) Fortalecer os laços entre a SOGIBA e a Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM) para esclarecimentos sobre contratos entre clínicas e seguradoras; 3) Elaborar um documento em conjunto com a Sociedade de Pediatria da Bahia a favor das Boas Práticas em Obstetrícia; 4) Realizar uma caminhada juntamente

com a Sociedade Civil; 5) Elaborar um estudo sobre quantitativo de leitos de obstetrícia na Bahia através de Grupo de Trabalho; 6) Solicitar apoio à assessoria Jurídica da ABM e Sindimed. A mesa diretora foi composta pelo presidente da SOGIBA, Dr. Carlos Lino; Dra. Tereza Cristina Maltez, representando o CREMEB; Dr. Ilmar Cabral, representando o Sindimed; e Dra. Tatiana Magalhães, Aguiar representando a ABM. Outra assembleia para discutir o tema já havia sido realizada em abril. Cooperativa médica - A Sogiba também realizou outras duas assembleias para discutir a formação de cooperativa médica. A primeira, realizada no dia 9 de junho último, na sede da ABM, contou com a presença do advogado Dr. Adriano Argones, que esclareceu diversas dúvidas a respeito de formar ou não uma cooperativa na especialidade. No dia 7 de julho, na sede da Sogiba, foi realizada nova reunião para tratar do tema. O objetivo das discussões é formar uma cooperativa como alternativa para que os ginecologistas e obstetras lutem com maior força junto aos planos de saúde. Jornadas – A Sogiba realizou ainda no primeiro semestre, em Vitória da Conquista, a III Jornada de Ginecologia e Obstetrícia do Sudoeste da Bahia, que foi um sucesso! A outra Jornada - de Reprodução Humana do Sul da Bahia (Ilhéus) -, em agosto, inclui no programa científico temas como infertilidade e endometriose.

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Diversos

PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA DA SOGIBA – 2015 Reuniões Científicas OUTUBRO - Dia 05

SETEMBRO - Dia 14 Centro Médico Aliança - 19:30h

Centro Médico Aliança - 19:30h

Coordenador: Dr. Carlos Lino

Coordenadora: Dra. Marcia Sacramento Cunha

Tratamento da incontinência urinária

Conduta no aborto de repetição: Dois pontos de vista!

Palestrante: Dr. Rogerio Matos

Palestrantes: Dra. Olivia Lucia Nunes Costa

SETEMBRO - Dia 18 e 19 XVI SIMPÓSIO NACIONAL DE REPRODUÇÃO HUMANA

e Dra. Karina Adami

NOVEMBRO - Dia 09 Centro Médico Aliança - 19:30h

Promoção: SBRH E SOGIBA

Coordenadora: Dra. Mara Valeria

Informações: 71 2107 9682

“Miomas”: Abordagem terapêutica Palestrante: Dr. Carlos Lino

Cafés da manhã Hotel Fiesta 08 horas

AGOSTO - Dia 22 Uso de Vitaminas, Ácido fólico e Omega 3, na Peri-concepção e na Gestação Coordenadora: Dra. Marcia Machado Palestrante: Dr. Manoel Sarno

NOVEMBRO - Dia 07 Controvérsia em Sexualidade Feminina: Ponto G: Realidade ou Mito? Palestrantes: Dr. Hilton Pina Farmaceutico: Reginaldo Russo

III CIAGO (Circuito Integrado de Atualização em G. O.) 23 de setembro – Residente do IPERBA

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05 de Novembro – Residente do H. S. Antonio

Jornal 115  
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