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o c i r Ăş l te


Agradecemos imensamente aos modelos convidados e aos queridíssimos Luciano Santos e Zanza Sandes por terem o carinho e a paciêcia de nos ajudar, também a Leonardo Bião e Carina Silveira por ter nos orientado, Obrigado.


C

telúrico

omo as raízes de uma árvore centenária, Telúrico possui uma série de desdobramentos a serem explorados nessa edição. Relativo à terra ou solo esse termo vem do latim tellus que significa terra.

A carta de tarot Le Monde marca o fim de uma jornada, a grinalda viva que envolve a dançarina cria um têmeo sagrado. É a culminação do conciente e inconciente, para formar um todo contínuo e integrado. Como na música de Baby Consuelo (Telúrica), a carta Le Monde separa o Eu psíquico da reles existência.

É no Melancolia que encerramos a jornada iniciada no fim. Já que concluimos que telúrico é energia e não há nada mais enérgico que o amor, nessa quadrologia mostramos “Aquilo” onde os seres humanos se igualam. É no amor que a “selvageria telúNectar dos Deuses. O barro rica” fica incontrolável, ao ganha vida e um monumen- ponto de não conseguirmos to horroroso/maravilhoso nos explicar sentimentos antagôensina o “milagre” do nectar. nicos a nossa existência. CiúEm verdade, uma divindade mes, raiva, ódio... vinda de longe, muito antiga, inspirada nas tribos do Vale do Rio Omo. Jardim Lispectoriano. Ninguém melhor que Clarice Lispector para explicar o segredo e o mistério das flores. Basta ler para descobrir. Cosmos não dá para explicar. Podemos sentir as vibrações que o cristal emana. Podemos ver a raia espectral no espaço. Mas quem quer ver? Saber da sua existência deveria satisfazer os mais curiosos, já que o mistério faz parte do encanto.

diga aiíí

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Também se refere a uma raia espectral que é observada nos astros do ponto de vista do planeta Terra, a emanação dessa energia se incorpora em um caminho perpendicular conforme os tipos de solo, variando entre metais e minerais. É nesse aspecto que escolhemos tangenciar o catálogo, pois concluímos que telúrico é energia.

Tellus é literal. Não existe manifestação terreal maior que a colheita, é dela que vêm o nosso alimento e a nossa sobrevivência. Devemos observar a Mãe Terra porque ela tem a generosidade de nos ensinar tudo.


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Chegamos à culminação da longa jornada. Nesta gravura final vemos uma dançarina nua emoldurada por uma grinalda viva de ramos entrelaçados. Nos cantos estão pintados um leão, um boi, uma águia e uma figura angélica com um halo. A carta se chama O Mundo. A dançarina tem rosto, cabelos e seios de mulher, mas as ancas finas e as pernas fortes dão a entender que se trata de um ser andrógino, que combina e integra, dentro do corpo, os elementos masculino e feminino. Os opostos, cujo desenvolvimento vimos trançado aqui, se combinam numa entidade só. O sexo neutro afasta-a do mundo do pessoal para o reino do transcendental, mas a cor da pele marca-a como humana. A dançarina move-se numa área de percepção descrita como “Tu és aquilo”. E “Eu sou aquilo que sou”.

A chapa que flutua sugere a presença do espirito sempre móvel. A dançarina segura dois bastões, um em cada mão, representando os pólos

positivo e negativo de energia. Quando ela se move, os dois se movimentam em

relação recíproca de modo compensatório, a simbolizar a interação dinâmica e constante de todos os opostos.A grinalda natural que emoldura a dançarina indica um entrelaçamento harmonioso de todos os aspectos da natureza, consciente e inconsciente, para formar um todo contínuo e integrado. A grinalda cria um têmeno sagrado, dentro do qual a dançarina está protetoramente encerrada. No sol, os gêmeos se encontram parcialmente fechados por um muro semicircular de tijolos de ouro; aqui o têmeno é vivo, natural e completo. Separa a dançarina de tudo o que não é significativo e essencial –de tudo o que não lhe pertence. Sem embargo disso, ela tem espaço para mover-se – o seu próprio espaço – dentro do qual está livre para expressar-se sem esforço. Em termos junguianos, ela simboliza o eu, centro da totalidade psíquica.


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Néctar dos Deuses

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A cor delas é o roxo e o seu superpoder é quase milagroso. As frutas que possuem essa coloração são estudadas no mundo inteiro, devido aos benefícios à saude humana que a cor da casca oferece. Ameixa, amora, mirtilo, uva, podem ajudar no combade a doenças graves, como problemas cardíacos, Alzheimer, Parkinson e até câncer. Só mesmo a Mãe-Terra poderia proporcionar esse Néctar dos Deuses. O fruto que nasce da união de dois elementos “masculino/feminino” nada mais é (ou seria tudo?) que a manifestação telúrica do solo fértil, que permite da fecundação das flores “acontecer” o milagre do fruto precioso, do alimento sagrado, do Néctar dos Deuses.


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Rosa é flor feminina que se dá toda e tanto que para ela só resta alegria de se ter dado. Seu perfume é mistério doido. Quando profundamente aspirada toca no fundo íntimo do coração e deixa o interior do corpo inteiro perfumado. O modo de ela se abrir em mulher é belíssimo. As pétalas tem gosto bom na boca - é só experimentar. Mas a rosa não é it. É ela.


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A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda. Dizem que se esconde por modéstia. Não é. Esconde-se para poder captar o próprio segredo. Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque. Não grita nunca seu perume. Violeta diz levezas que não se podem dizer.


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A formosa orquídea é exquise e antipática.Não é expontânea.Requer redoma. Mas é mulher esplendorosa e isto não se pode negar. Também não se pode negar que é nobre porque é epífita. Epífitas nascem sobre outras plantas sem contudo tirar delas a nutrição. Estava mentindo quando disse que era antipática. Adoro orquídeas. Já nascem artificiais, já nascem arte.


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O crisântemo é de alegria profunda. Fala através da cor e do despenteado. É flor que descabeladamente controla a própria selvageria.


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Depois de inúmeros anos de reequilíbrio, e reencontro psíquico, finalmente avistou o Sahasrara. As 972 pétalas violetas da flor de lótus se abrem e a verdade veio à tona. - Deus existe porque eu existo, portanto eu sou deus. Somos todos deuses de nossos próprios mundos. A energia vital que move uma folha, move um homem, move um vulcão, move um planeta. O refletir das ametistas entorpece de consciência o Eu interior. E, finalmente, em não mais que um instante, de volta ao plano terrestre, continua se sentindo parte do Brahman. A sabedoria do universo permanece, mas por quê ela explicaria a sensação, se os outros não vivenciaram? É preciso ver para crer, não basta simplesmente ouvir falar. Tudo o que se ouve é apenas:

Om


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“Não sei se sou eu que estou de cabeça para baixo diante do mundo ou se o mundo que está de cabeça para baixo diante de mim”.


Ficha técnica Design e Diagramação: Pedro Abreu Fotografia e Tratamento de imagem: Pedro Luiz Produção e Edição: João Pedro Cardoso Revisão: João Pedro Cardoso e Vivian Alecy Assistência: Vivian Alecy Planejamento: Franciele Sena

Referências:

Jung e o Tarô. Uma Jornada Arquetípica (1988) Água viva, Clarice Lispector

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Trabalho realizado para as disciplinas Fotografia Publicitária, Produção Gráfica e Planejamento de Produção Gráfica para o terceiro semestre do curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda.


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Como as raízes de uma árvore centenária, Telúrico possui uma série de desdobramentos a serem explorados nessa edição. Relativo à terra ou so...

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Como as raízes de uma árvore centenária, Telúrico possui uma série de desdobramentos a serem explorados nessa edição. Relativo à terra ou so...

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