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sytrance é um estilo de música eletrónica desenvolvida no final dos anos 80 em Israel a partir do Goa Trance (da Índia , Goa). Este gênero tem uma batida rápida, entre 135 e 165 batidas por minuto (bpm), além da batida forte de kick, num compasso 4x4, que algumas vezes difere da batida do techno por ter um alcance de frequência um pouco mais alto além dos sons graves. O Goa Trance era geralmente feito com sintetizadores modulares e samplers de hardware, mas a preferência no Trance Psicadélico direccionou-se para a manipulação de samples e armazenamento em programas de sampleamento VST e AU. O uso de sintetizadores analógicos para a síntese sonora deu lugar aos instrumentos "analógicos virtuais" digitais como o Nord Lead, Access Virus, Korg MS-2000, Roland JP8000 e os plugins de computador VST e AU como o Native Instruments Traktor. Estes geralmente controlados por uma mesa de mis-

ॐ tura MIDI dentro de um programa de Digital Audio Workstation (DAW). O Trance Psicadélico é frequentemente tocado em festivais ao ar livre (longe dos grandes centros urbanos), que podem durar vários dias, com a música a tocar 24 horas por dia. Origens do Psytrance na Europa Pode-se encontrar elementos primitivos da música trance nas raízes religiosas do Shamanismo, Hinduísmo e Budismo. Mas o trance da forma moderna, eletrónica e evoluída em conjunto com outras formas de música eletrónica, surgiu na Alemanha no início da década de 90. Ao longo da década de 70, Klaus Schulze gravou vários álbuns de música eletrónica caracterizados pelo ambiente atmosferico e o uso de sequenciadores. Em alguns dos albuns da década de 80 a palavra trance era incluída nos títulos, 2

como Trancefer (81) e En Trance (87). Elementos que se tornaram característicos da música trance também foram explorados por artistas do gênero industrial da música eletrónica no final da década de 80. O objetivo era produzir sons de efeitos hipnóticos aos fãs, o que também poderia levar a um alto grau de estado de transe ou euforia. Esses artistas do gênero industrial eram dissacioados à cultura rave, embora muitos já mostravam interesse no Goa Trance, no qual o som é mais pesado comparado ao som que agora é conhecido como trance. Muitos dos albuns produzidos por artistas industriais eram na sua grande maioria experimentais, e não tinham o intuito de originar um gênero musical com uma cultura associada — eles permaneceram fieis às suas raízes industriais.

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História

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ॐ Vertentes do estilo É um dos mais populares estilos de música eletrónica nos ultimos anos, e é tocado em raves específicas para este estilo e, até em bares. É bastante psicadélico, tendo como característica principal a ideia de transe em que o receptor entra, embalado pelas linhas de sintetizador repetidas ao longo das batidas da música, que consiste num ritmo 4/4. Desde o seu surgimento, o Psytrance já passou por várias mudanças. Cada vertente tornou-se independente, formando uma escola para os artistas envolvidos. Sendo assim, é possível acompanhar a evolução da cena psicadélica. Na Actualidade, a produção de música eletrónica é abundante e rica em qualidade, dividindo-se nitidamente em três fortes vertentes principais: Full On, Progressive e Dark. Full On Full on é a vertente mais melódica do Psychedelic Trance. O estilo foi originado em Israel evoluido em ibiza no final da década de 90 por GMS pioneiros do Full on. Este

gênero tem varios estilos diferentes, o Full on morning ( mais melódico), Full on Hi-tech ( agressivo, mais agitado), o Full on Groove (agressivo e muitos elementos psicadélicos), entre outros estilos. Progressive Vertente mais calma, lenta e extremamente lisérgica do Psy Trance, construída geralmente (mas nem sempre) entre 130 e 140 bpm. A oscilação é deixada de lado, o som é mais constante, retilíneo e crescente. Os sintetizadores são mais subtis, sendo a batida e a linha de baixo o que mais interessam. É uma música introspectiva, que busca equalizar as ondas do cérebro, e assim, chegar a um estado meditativo de dança. Produtores deste gênero: Beat Bizarre, Zion in Mad, Metapher, Bitmonx, Ace Ventura, Analog Drink, Ticon, Atmos, Zyce, Nerso, etc. O "prog" mescla várias vertentes e sub-vertentes da música eletrónica podendo caminhar entre o prog house, prog psy e prog dark, estando todos englobados no mesmo estilo (não há como classificar ou 4

ter-se-ia nomes enormes do tipo minimal-progressive-electrobreaks). Ele pode ter um bassline com bastante groove, assim como nenhum groove. DarkPsytrance Todas essas vertentes se completam, cada uma com seu momento dentro do ritual. A celebração psicadélica precisa tanto dos momentos de euforia e dança que o Full On proporciona no auge da festa, assim como do som barulhento e sinistro do Dark, além dos insights meditativos do Progressive após a energia ser trabalhada. Tudo no seu tempo e com harmonia. Este gênero musical é bastante pesado e geralmente inspirado em heavy metal eletrónico.

estilo começou em Goa, Índia, no final da década de 1980, quando hippies, viajantes, peregrinos espirituais e um sem-número de pessoas ligadas a manifestações de contra cultura, munidos de conhecimento técnico de produção de música eletrónica e de um puro desejo de curtir e experimentar, desenvolveram, de forma intuitiva, um novo estilo sonoro. Goa Gil é um dos fundadores desse movimento. Foram incorporados à tradicional música eletrónica elementos da sonoridade oriental, bem como ritmos menos industriais do que aqueles tão comuns do techno urbano, que era o estilo regente da época. Informações rítmicas tribais e étnicas foram também incorporadas, resultando assim numa música mais orgânica, mais facilmente assimilável, que estimulava não só estados próximos ao transe místico (associados aos mantras indianos, por exemplo), mas também uma maior harmonia com os ambientes naturais e ao ar livre. Festas espontâneas emergiam no litoral de Goa, quando voluntários se encarregavam de instalar som e decoração precárias, mas suficientes para levar os participantes a experimentar uma atmosfera celebrativa muito especial, não só a partir da música, mas de uma vivência única de liberdade e tolerância, da dança sem regras, das viagens psicadélicas e espirituais. Foi assim que nasceu o Goa Trance. Inicialmente melódico e muito carregado dos elementos orientais, foi levado à Europa, onde aos poucos se

multiplicaram festas inspiradas no estilo de Goa. As festas foram aumentando de tamanho, atraindo mais e mais pessoas, e trazendo á tona um renascimento das velhas aspirações dos movimentos hippie e da contra cultura da década de 1960 e década de 1970. Isso explica o processo de fusão cada vez mais nítida do velho rock'n roll às batidas hipnóticas da música eletrónica e dos elementos orientais. GOA Full Moon é o nome da primeira festa de "psy" no caso de Goa Trance. Uma festa que é feita ao ar livre e sempre em noite de Lua Cheia por isso a origem do nome Full Moon traduzido para o português "Lua Cheia". Depois da sua época dourada nos anos 90, com um surgimento de vários sub-géneros '('Psy-Trance Full-On,Progressive, etc.) no início da década de 2000, o próprio género Goa Trance sofreu uma época decadente com o número de artistas e projectos a produzirem GoaTrance a descer consideravelmente. Muitos consideraram que o género estaria desactualizado e portanto condenado ao esquecimento. Actualmente está-se a assistir a um renascimento do gênero com uma onda de novas caras a trazerem de volta a velha energia do Goa Trance com um som mais limpo fazendo uso de novas técnicas de produção e de hardware/software de ponta. Estão de volta as explosões melódicas típicas do género. Nomes como Artifact303, Afgin, Ketzhal, Antares, Filteria, Amithaba Buddha... que já brilham na cena do género, vem provar que o Goa Trance é um género eterno e intemporal.

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Psy Trance x Goa Trance Há controvérsias acerca da disassociação das vertentes Psytrance e Goa Trance. Alguns caracterizam tanto um como outro um único estilo. Goa trance é considerado um estilo nascido em Goa, Índia que possui características intrínsecas como o constante uso de melodias repetitivas com pequenas variações que se sobrepõe em diferentes elementos, multi-camada, formando um som bastante hipnótico que cumpre a função de levar o transe através da repetição. Além disso, apresenta características com pitch menos elevado, trechos de mantras indianos e efeitos psicadélicos. 6

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O auge do Festival Burning Man é atingido quando toda a comunidade se junta para queimar o Wicker Man

Burning Man

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cada ano artistas e colaboradores do mundo todo acampam sob o forte calor do final de Agosto no interior da Califórnia (EUA). No meio de uma paisagem desertica desafiadora, criam-se ruas, constroem-se estruturas que englobam serviços essenciais como informação, assistência médica, segurança e lavabos, montam instalações e esculturas, bares, restaurantes, pistas de dança e outras diversões da Nova Era. Com a música e a imagem em poderosa interação, concebem o conceito de libertação e transmutação que caracteriza o Festival Burning Man. Em meio ao areial da região desértica do estado de Nevada, durante oito dias mais de 50 mil visitantes passarão por uma experiência única de arte, dança, e especialmente compartilhamento. No festival existe apenas um local em que se vende gelo e café, sendo todas as outras transações monetárias proibidas. Isso mesmo, sem dinheiro. Seguindo uma forma própria de Economia, os ‘Burners’ são pedidos a trazer comida e bebida para si mesmos e também para os outros, política que inspira, por exemplo, distribuições de panquecas 24 horas por dia e festas ‘open bar’. Na Bacia do São Francisco, na Cal-

ifórnia, há um forte histórico de incubação de movimentos que, de uma ou outra forma influenciaram as culturas nacionais e internacionais nas últimas décadas. A Geração Beat, por exemplo, foi um grande fenômeno. Ali também se desenvolveram movimentos como o dos hippies e o ‘Verão do Amor’ (Summer of Love), maior mobilização política dos anos 1960, ambos fortemente constrastados pelo surgimento do Vale do Silício na mesma região e pelo materialismo desenfreado que o acompanhava. É este caminho que segue o Burning Man, deixando para trás o passado obsoleto e criando novas soluções que trazem uma verdadeira comunhão entre os indivíduos. Trabalhando em prol da conscientização sobre a Sustentabilidade como a resposta para a degradação ambiental trazida com as indústrias e o capitalismo descontrolado, o Festival conta com inúmeras atividades e apresentações, desde arte visionária até vivências e palestras holísticas e espirituais, além de música psicodélica ao-vivo e eletrônica também. Na celebração há um momento importante em que é queimado um grande boneco na forma de um ser humano, simbolizando a renovação 8

(Homem de palha).

e o processo de superação que os participantes têm de atravessar no Burning Man. O festival funciona como uma motivação para as pessoas, trazendo chaves que podem abrir a porta para os aprendizados sobre como vivermos melhor, em harmonia uns com os outros e com o Planeta. Os Burners certamente saem dali transformados, formando relações pessoais significativas e criando forças para a realização de projetos maiores, como consequências da experiência.

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Boom Festival O.Z.O.R.@.

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zora é uma vila de Tolna, na Hungria. É nessa vila que se realiza todos os anos, desde 2004, um festival de Psytrance com o nome O.Z.O.R.A. Sul da Hungria Tolna County, Ozora tem uma história incrivelmente antiga, que remonta à Idade da Pedra. Os povos antigos tinham escolhido para reunir e resolver aqui, protegida pelas colinas, a Mãe Natureza presentear-lhes com a pesca abundante e áreas de caça. Ozora foi notavelmente poupada das influências desagradáveis de exageros materialistas, deixandoverde-respiratória em escala humana. No entanto, ele também tem um lugar de glória na história da Hungria. O local da batalha vitoriosa de 1848 - seus heróis inscritos em ouro em todas as crônicas históricas da Hungria, também é o lar de Castelo de Pipo de Ozora, um marco simbólico, entre todos os outros castelos. Num passado mais recente, em 1999, Ozora renasceu como o local de um festival eclipse monumental. Milhares de pessoas se reuniram de

ॐ todo o mundo para ser uma parte desse sentimento edificante e apocalíptica do eclipse total do sol, comemorando com energias positivas, e música. Desde então, nove festivais já aconteceram. À luz do 10 º Festival do ano passado, realizada em Ozora, à luz do misticismo do ano de 2012, à luz de tudo o que nos enriqueceu com uma experiência Ozora, ainda temos apenas um coisa em mente. Respeitar e nutrir as tradições valorizadas, tesouros, para espíritos livres, paraíso na terra, o nosso conto de fadas. Um parque infantil onde se aprende a partilhar e cuidar, para expressar, conectar, unir, embelezar o mundo ao nosso redor, dentro de nós. Um universo de abertura, união, energias cósmicas, à natureza, à plenitude através da dança, trance, criação, invenção, transformação e paz. Um festival onde a cuidar de si, para o nosso mundo é tão importante quanto o nosso amor por todos os seres vivos, Ozora 2013 gostaria nada mais do que crescer mais como uma reunião ecologicamente consciente. O festival esforça-se para trazer os 10

criadores de cada um de vocês, de todos nós. Chegar aos cantos mais recônditos da sua imaginação e mostrar, partilhando aquele glorioso, tesouro incomparável que você encontra é um dos pilares da experiência Ozora. Expressões de criatividade são tão múltiplas e únicas como nós. O festival é o lar de todos os tipos de projetos artístico, criativo e esclarecedor, atividades, oficinas, performances e exposições.

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um acontecimento multidisciplinar pois cruza diversas correntes artísticas, como pintura, escultura, land art, instalações interactivas, música, video arte, galeria de artes plásticas ou graffiti. As propostas artísticas são complementadas por um vasto cartaz de conferências, workshops, tertúlias e apresentações de temas como metodologias de ciência alternativa, exobiologia, cultura visionária, culturas ancestrais, espiritualidade, gnosticismo, antropologia, psicologia da consciência, paganismo ou inteligência emocional. O Boom afirma-se enquanto transgeracional ao ter um público que não se restringe apenas a uma camada etária. Os participantes do Boom não são apenas jovens como é apanágio de qualquer festival de Verão antes existe uma grande

amplitude etária, de crianças, adultos e inclusive uma facção do público com mais de 50 anos. Esta diversidade é conseguida através de propostas artísticas e culturais vanguardistas que enfatizam não apenas o hedonismo como também o conhecimento. Um dos nobres aspectos deste festival é ser intercultural. O Boom dispõe de uma vasta rede mundial de embaixadores e atrai público de todos os continentes. Isto origina um contacto entre pessoas de diversas matrizes culturais, que assim interagem rodeadas de artes e cultura podendo diminuir as diferenças e o desconhecimento de outros grupos étnicos - favorecendo o derrube de estereótipos inter-étnicos. Uma das particularidades do Boom é a sua independência face ao sistema comercial. Com

efeito, ao contrário do que acontece no mundo do entretenimento, o festival não aceita qualquer patrocínio comercial; de forma a manter o seu espaço livre de poluição visual advinda de logótipos, a ética do Boom assenta num clima de contacto com a natureza onde o público está defendido de qualquer estratégia de marketing. Em 2004, o Boom começou a desenvolver projectos para se tornar totalmente auto-sustentável, de forma a não contaminar a natureza e educar para a consciência ecológica. Nestas práticas incluem-se o desenvolvimento de casas de banho que não usam químicos; o tratamento das águas do festival através de biotecnologias; a utilização de energias solar e eólica; a reciclagem; a organização do espaço do Boom 11

segundo os princípios da Permacultura: e o fornecimento gratuito de kits de limpeza ao participantes (cinzeiros de bolso e sacos de lixo). Em 2010 o festival foi convidado pela ONU a fazer parte do projecto United Nations Environmental and Music Stakeholder Initiative, que visa promover a consciência ambiental junto do grande público. Considerado por um júri como o melhor festival da Europa na área de ambiente. O Boom Festival é o único festival português com prémios internacionais, nomeadamente na área ambiental: - European Festival Award 2010 - Green'n'Clean Festival of the Year - Greener Festival Award Outstanding 2008 - Greener Festival Award Outstanding 2010


Soia Resende @ 2013

Projecto Quark XPress - Revista Psytrance  

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