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Citações “A questão não é se devemos agir. Cientistas já reconheceram que o planeta está aquecendo e que a atividade humana está contribuindo para isto. A questão é se teremos a coragem de agir antes que seja tarde demais”. Presidente Barack Obama, em 25-06-2013 Quando o Presidente da nação mais rica e poderosa da Terra, uma das duas mais responsáveis pelas ações que levam ao aquecimento global, pronuncia esta afirmação contundente, enfrentando e não conseguindo superar as violentas pressões das atividades econômicas de se país, destacadamente as das indústrias carbonífera e petrolífera, podemos avaliar as dificuldades de as lideranças mundiais mais esclarecidas implantarem as duríssimas medidas necessárias para atenuar o aquecimento global e poupar as gerações futuras de graves situações sem retorno. Na verdade, o cérebro humano não foi programado pela evolução para temer grandes ameaças em um futuro remoto, e sim para priorizar aquelas muito menores, porém mais próximas no tempo.

Natureza em perigo Os macacos-prego, gênero (Gêneros Cebus e Sapajus), possuem numerosas espécies e se espalham pelas áreas de clima quente ou temperado nas Américas do Sul e Central. Muitas delas são relativamente comuns e não estão em extinção. Contudo, algumas se encontram com populações reduzidas. Aquela em maior perigo é Sapajus fulvus. A palavra fulvus, em latim, significa dourado ou ruivo, denominação apropriada pois esse macaco-prego é totalmente amarelo. Embora haja relatos antigos, datados de 1774, de um macaco amarelo nas matas do Nordeste, supostamente extinto, em 2006 a Ciência constatou a sua sobrevivência, ainda que em estado muito precário de conservação, justificando que o macaco amarelo seja considerado “Criticamente Ameaçado” pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Ele sobrevive em áreas próximas de regiões densamente populosas do Nordeste do Brasil, onde restam apenas fragmentos ínfimos de florestas que possam abrigá-los, remanescentes da outrora exuberante Mata Atlântica. Levantamento efetuado em 2008 avaliou uma população total de apenas 180 indivíduos, distribuída em cerca de duas dúzias de subpopulações isoladas, nenhuma delas com mais de 15 exemplares. Contudo, pesquisas posteriores identificaram novas subpopulações, algumas ocupando áreas de caatinga, mais para o interior, nos Estados do Rio Grande do Norte e Paraíba, e outras

vivendo em manguezais arbórios, permitindo avaliar que talvez a população total se situe entre 1.000 e 2.000 indivíduos. Quase todas essas subpopulações estão distribuídas em locais desprotegidas, aumentando o risco de eliminação dos últimos hábitats residuais do primata. Contudo, algumas medidas têm sido tomadas para sua proteção e existem grupos de S. fulvus habitando reservas particulares, onde estão relativamente imunes à extinção, pelo menos por algum tempo.

Mais proteção para os cetáceos O Uruguai passou a considerar suas águas jurisdicionais como santuário de baleias e golfinhos, ficando proibidas todas as atividades destinadas a matar ou agredir cetáceos, bem com quaisquer outras ações que afetem as espécies que frequentem suas águas ( Informação de Areas Naturales Protegidas y Guardaparques, Ano XV no. 139). Como o Brasil desde 1987 possui legislação semelhante, os cetáceos agora estão protegidos — pelo menos teoricamente — em uma vasta área marítima da América do Sul. Contudo, devido à fiscalização precária, diversas espécies têm sido motivo de agressões deliberadas ou sofrem com as capturas não intencionais em artefatos de pesca, dentre eles as toninhas (Pontoporia blanvillei), uma das espécies de cetáceos mais ameaçados no mundo.

Animais atropelados Segundo informações divulgadas, cerca de 450 milhões de animais morrem anualmente nas estradas brasileiras, desde roedores a onças-pintadas. Ainda que esse número pareça exagerado, o problema existe e é grave. Basta percorrer estradas que atravessem regiões não urbanizadas para observar-se o número de animais mortos. Há algum tempo atrás, constatou-se o atropelamento e a morte de uma onça-pintada com colar de acompanhamento; no caso, uma pesquisa científica foi interrompida, com a perda de quantia expressiva de dinheiro destinado ao projeto. Esse fato facilmente comprovado evidencia a insensatez de defender-se a passagem de estradas dentro de parques nacionais e outros tipos de áreas protegidas, por vezes sob a denominação enganosa de “estrada-parque”. Um lamentável exemplo desse tipo de procedimento é o projeto de lei para a reabertura da infame Estrada do Colono, que cruzava o magnífico Parque Nacional do Iguaçu, um projeto demagógico voltado apenas para atender a interesses políticos.

A Lavoura - Nº 699/2013

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A Lavoura 699  

Café: mais demanda pela qualidade. Indicação Geográfica: Café da região do Cerrado Mineiro. Óleos essenciais: Mercado em expansão.

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