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ÓRGÃO OFICIAL DA

Ano 116 Nº 697/2013 R$ 12,00

Nova tecnologia Consórcio milho + braquiária dá certo

Leite:

a revolução do balde cheio Fruticultura: Morango e maracujá são destaques


Ano 116 . Nº 697/2013

A LAVOURA

• 14

LEITE

Balde mais cheio

26 •

fruticultura Morangos cultivados com amor e qualidade

hortigranjeiros

• 34

Pequena, produtiva e crioula

39 •

Culturas Consorciadas Milho + brachiaria: investimento mínimo, máximo retorno

novidade

• 54

Sabor cativante

32 •

Controle Biológico

36 •

Tecnologia

Manejo aéreo é desafio SNA 116 ANOS Informatização impede a entrada de pragas exóticas

06

PANORAMA 08 informe ocb sescoop-rj

38 45

50 •

Avicultura

Fonte de calor para as aves é decisiva

SRB - Sociedade Rural Brasileira

62 •

Lançamento

SOBRAPA 46

66 •

Pomicultura

Feijão é milésima cultivar do IAC

Pomares de maçã mais sadios

animais de estimação

52

CI ORGANICOS

59

EMPRESAS 64 A Lavoura - Nº 697/2013

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Academia Nacional de Agricultura

Diretoria Executiva Antonio Mello Alvarenga Neto Almirante Ibsen de Gusmão Câmara Osaná Sócrates de Araújo Almeida Joel Naegele Tito Bruno Bandeira Ryff Francisco José Vilela Santos Hélio Meirelles Cardoso José Carlos Azevedo de Menezes Luiz Marcus Suplicy Hafers Ronaldo de Albuquerque Sérgio Gomes Malta

Presidente 1º vice-presidente 2º vice-presidente 3º vice-presidente 4º vice-presidente Diretor Diretor Diretor Diretor Diretor Diretor

comissão fiscal Claudine Bichara de Oliveira Maria Cecília Ladeira de Almeida Plácido Marchon Leão Roberto Paraíso Rocha Rui Otavio Andrade Diretoria Técnica Alberto Werneck de Figueiredo Antonio Freitas Claudio Caiado John Richard Lewis Thompson Fernando Pimentel Jaime Rotstein José Milton Dallari Katia Aguiar Marcio E. Sette Fortes de Almeida Maria Helena Furtado

Mauro Rezende Lopes Paulo M. Protásio Roberto Ferreira S. Pinto Rony Rodrigues Oliveira Ruy Barreto Filho Claudine Bichara de Oliveira Maria Cecília Ladeira de Almeida Plácido Marchon Leão Roberto Paraíso Rocha Rui Otavio Andrade

SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA • Fundada em 16 de Janeiro de 1897 • Reconhecida de Utilidade Pública pela Lei nº 3.459 de 16/10/1918 Av. General Justo, 171 • 7º andar • Tel: (21) 3231-6350 • Fax: (21) 2240-4189 Caixa Postal 1245 • CEP 20021-130 • Rio de Janeiro • Brasil www.sna.agr.br • e-mail: sna@sna.agr.br ESCOLA WENCESLÁO BELLO • Av. Brasil, 9727 • Penha • CEP: 21030-000 Rio de Janeiro • Brasil • Tel: (21) 3977-9979 • e-mail: ewb@sna.agr.br

Fundador e Patrono:

Octavio Mello Alvarenga

CADEIRA 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41

TITULAR Roberto Ferreira da Silva Pinto Jaime Rotstein Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira Francelino Pereira Luiz Marcus Suplicy Hafers Ronaldo de Albuquerque Tito Bruno Bandeira Ryff Lindolpho de Carvalho Dias Flávio Miragaia Perri Joel Naegele Marcus Vinícius Pratini de Moraes Roberto Paulo Cezar de Andrade Rubens Ricúpero Pierre Landolt Antônio Ermírio de Moraes Israel Klabin José Milton Dallari Soares João de Almeida Sampaio Filho Sylvia Wachsner Antônio Delfim Netto Roberto Paraíso Rocha João Carlos Faveret Porto Sérgio Franklin Quintella Senadora Kátia Abreu Antônio Cabrera Mano Filho Jório Dauster Elizabeth Maria Mercier Querido Farina Antonio Melo Alvarenga Neto Ibsen de Gusmão Câmara John Richard Lewis Thompson José Carlos Azevedo de Menezes Afonso Arinos de Mello Franco Roberto Rodrigues João Carlos de Souza Meirelles Fábio de Salles Meirelles Leopoldo Garcia Brandão Alysson Paolinelli Osaná Sócrates de Araújo Almeida Denise Frossard Luís Carlos Guedes Pinto Erling Lorentzen

ISSN 0023-9135 Diretor Responsável Antonio Mello Alvarenga Editora Cristina Baran editoria@sna.agr.br Reportagem e redação Paula Guatimosim redacao.alavoura@sna.agr.br Secretaria Sílvia Marinho de Oliveira alavoura@sna.agr.br Assinaturas assinealavoura@sna.agr.br Capa: Shutterstock É proibida a reprodução parcial ou total de qualquer forma, incluindo os meios eletrônicos sem prévia autorização do editor. Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não traduzindo necessariamente a opinião da revista A Lavoura e/ou da Sociedade Nacional de Agricultura.

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A Lavoura - Nº 697/2013

Publicidade alavoura@sna.agr.br valeria@sna.agr.br Tel: (21) 3231-6369

Editoração e Arte I Graficci igraficci@igraficci.com.br Tel: (21) 2213-0794 Impressão Ediouro Gráfica e Editora Ltda www.ediouro.com.br Circulação DPA Consultores Editoriais Ltda. dpacon@uol.com.br Tel: (11) 3935-5524 Distribuição Nacional FC Comercial Colaboradores desta edição Aildson Pereira Duarte André Luiz Monteiro Novo Arthur Menicucci Breno Lobato Carla Gomes

Cristiane Betemps Gabriel Chiappini Giovani Capra Guilherme Viana Ibsen de Gusmão Câmara Isabella Clerici de Maria Jean Vilas Boas Liliane Castelões Luís Alexandre Louzada Marcia Moreira Marcos Diaz Mônica Simões Nadir Rodrigues Paula Guatimosim Roberto Pedroso de Oliveira Ronaldo Luiz Rosangela Evangelista Rubens Neiva

Endereço: Av. General Justo, 171 • 7º andar • CEP 20021-130 • Rio de Janeiro • RJ • Tel.: (21) 3231-6350 • Fax: (21) 2240-4189 Endereço eletrônico: www.sna.agr.br • e-mail: alavoura@sna.agr.br • redacao.alavoura@sna.agr.br


CARTA DA SNA

“Quem não se comunica, se trumbica” O apresentador de TV Chacrinha, que fez sucesso ao longo de três décadas no Brasil, resumiu nesta frase um importante conceito. Comunicar, difundir conhecimentos e informações tem sido o mais relevante papel desempenhado pela Sociedade Nacional de Agricultura, a mais antiga instituição brasileira voltada para a promoção do agronegócio e da sustentabilidade. Procuramos nos posicionar como um eficiente canal de comunicação voltado para os integrantes da cadeia produtiva do agronegócio e, ao mesmo tempo, um meio de interação do setor com a sociedade urbana. Não basta comunicar. É preciso fazê-lo com qualidade. Qualidade na forma e, principalmente, no conteúdo. Informação de qualidade é um insumo fundamental para o desenvolvimento de ações públicas e privadas. O sucesso de um empreendimento do agronegócio depende, em grande parte, da disponibilidade de boas informações e conhecimentos, utilizados de forma estratégica. Editamos as revistas A Lavoura e Animal Business Brasil, com tiragens crescentes a cada edição. São revistas com qualidade editorial irretocável, consideradas as melhores publicadas do país. Atuamos ativamente na Internet através das redes sociais, onde já superamos 25 mil conexões no Facebook e cinco mil no Twitter nas páginas administradas pela SNA. Nosso site www.sna.agr.br se consolida como um dos mais visitados na web dentre os especializados no setor do agronegócio. Mantemos um campus de 150 mil m2 no Rio de Janeiro, onde desenvolvemos nossa atividade educacional, com cursos de graduação em Medicina Veterinária e Zootecnia, além de cursos técnicos de curta duração voltados para as práticas agrícolas. Promovemos diversos eventos, destacando-se um congresso anual, já em sua 14ª edição, que conta com a participação dos mais relevantes especialistas do setor. As apresentações são editadas sob a forma de Anais – valiosa fonte de consulta de pesquisadores, universitários e estudiosos do setor. Também atuamos como instrumento de pressão e defesa de determinadas questões de interesse do agronegócio, interagindo com diversos órgãos governamentais, do legislativo e judiciário.

O reconhecimento da importância do agronegócio está sendo conquistado, e isso resulta da eficiente comunicação desenvolvida por alguns integrantes do setor. As manifestações populares promovidas em junho e julho deste ano nos grandes centros urbanos mostraram que os brasileiros estão descontentes, de uma forma geral. É curioso observar que tal descontentamento não atinge o agronegócio. Ao contrário, há uma tendência de valorização das atividades agropecuárias por quem vive nas megalópoles. Recente levantamento efetuado junto à população dos grandes centros urbanos verificou que 81% dos entrevistados reconhecem o agronegócio como atividade muito importante para a economia nacional, e 84% consideram o agricultor imprescindível para quem mora nas cidades. Neste caso, o trabalhador do campo se posiciona atrás apenas dos médicos e professores. O povo é sábio. * * * Esta edição de A Lavoura destaca o “Balde Cheio” - programa simples e eficiente, que tem proporcionado resultados excepcionais no aumento da produção e melhoria da produtividade de nossa combalida pecuária leiteira. Este setor, formado por pequenos e médios produtores e de fundamental importância econômica e social, possui um rebanho superior a 23 milhões de vacas ordenhadas, mas apresenta baixa produtividade – 1.400 litros/vaca/ano. Trazemos também boas matérias sobre a consorciação de culturas. O maracujá do cerrado e o morango do Rio de Janeiro são destaques de nossa fruticultura. Além desses, há outros assuntos de interesse específico e outros de interesse geral, como é o caso de nossa tradicional seção sobre meio ambiente, magistralmente elaborada pelo almirante Ibsen Câmara. A Lavoura tem sido considerada a melhor revista do setor. Editada desde 1897, é uma publicação voltada para aqueles que trabalham no campo e para os que vivem nas cidades, mas que costumam acompanhar os avanços do setor. É o mais significativo sucesso de nossa plataforma de comunicação, informação e difusão de conhecimentos. A Lavoura, por si só, justifica o lema da SNA: Inteligência em agronegócio desde 1897. Boa leitura.

Antonio Alvarenga Antonio Mello Alvarenga Neto

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SNA 116 anos

Presidente da SNA recebe prêmio da OCB-RJ

Janeiro e, juntos, vamos desenvolver parceiras em prol da economia fluminense”, declarou Alvarenga.

Richard Hollanda

Outras personalidades e instituições também receberam a premiação, entre elas, a Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa e o superintendente, no Rio de Janeiro, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA/RJ), Bernardo Ariston. Há dez meses na pasta, Ariston ressaltou a atuação do MAPA no fortalecimento das cooperativas agropecuárias do estado. “Precisamos dar mais visibilidade ao cooperativismo no Rio e acredito que iremos conseguir”, afirmou.

Membro da Frente Parlamentar do Cooperativismo no Rio de Janeiro, o deputado estadual Paulo Ramos agradeceu a homenagem que lhe foi prestada, assim como o deputado federal Edson Santos. Já o ator Jayme Matarazzo, da novela “Sangue Bom”, representou a TV Globo, que foi homenageada por divulgar em sua trama do horário das 19h uma cooperativa de jardinagem.

“Vamos desenvolver parcerias em prol da economia fluminense”

A

Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB/ Sescoop-RJ) comemorou o Dia Internacional do Cooperativismo, em 5 de julho, prestando homenagem a cooperativas e personalidades ligadas ao setor. A cerimônia, realizada na churrascaria Fogo de Chão, foi aberta pelo presidente do Sistema OCB/Sescoop-RJ, Marcos Diaz, que abordou a importância do cooperativismo para o desenvolvimento da sociedade. O presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, Antonio Alvarenga, foi um dos ganhadores do prêmio Destaque Cooperativista 2012/2013. “Este prêmio é muito especial para a SNA. A atual direção da OCB-RJ tem dado uma nova dimensão ao cooperativismo no Rio de

Ao lado: Marcos Diaz, Pres. da OCB-RJ, com o Deputado Federal Edson Santos

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Chandra Santos

(Antonio Alvarenga) Iracy Caldas, presidente do Sindicato das Cooperativas Habitacionais do Estado do Rio de Janeiro, entrega a Antonio Alvarenga o prêmio Destaque Cooperativista


Manu Dias/GOVBA

A presidente Dilma Rousseff, ao lado de autoridades, na cerimônia de lançamento do novo plano: medida vai beneficiar 1,5 milhão de agricultores familiares

Plano Safra

para o Semiárido O presidente da SNA, Antonio Alvarenga, acompanhou, em 4 de julho, em Salvador, o lançamento do primeiro Plano Safra destinado ao semiárido brasileiro. O investimento do governo para a safra 2013/2014 é de R$ 7 bilhões em crédito agrícola. Desse total, R$ 4 bilhões serão destinados à agricultura familiar, e R$ 3 bilhões chegarão aos médios e grandes produtores. Os valores foram anunciados pela presidente Dilma Rousseff, durante cerimônia que também contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Pepe Vargas. As medidas vão beneficiar 1,6 milhão de estabelecimentos agropecuários do semiárido e 1,5 milhão de agricultores familiares.

Sociedade Nacional de Agricultura na ExpoSustentat A SNA participou, em 14 de junho, da conferência ExpoSustentat, evento que reuniu grandes experts em sustentabilidade para debater diversos aspectos do setor.

A coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura, Sylvia Wachsner, esteve presente para abordar o tema: “Agronegócio e sustentabilidade caminhando juntos”.

Márcio Shaffer

Durante palestra, a coordenadora do CI Orgânicos destacou, entre outros assuntos, os modos de produção adequados para a redução dos impactos no meio ambien-

te; o uso correto da terra e o desenvolvimento socioeconômico dos produtores sob a ótica da sustentabilidade. A ExpoSustentat foi organizada pela NürnbergMesse Brasil no Centro de Convenções SulAmérica, no centro do Rio de Janeiro.

A Lavoura na BioBrazil

A equipe da revista A Lavoura esteve presente, de 27 a 30 de junho, à Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, para participar da BioBrazil Fair/ Biofach América Latina. Durante o evento, a publicação divulgou, em seu estande, a edição especial sobre produção orgânica. Além disso, o público pôde conhecer a nova edição da revista Animal Business Brasil, também editada pela SNA. A feira de negócios reuniu os principais produtores, fabricantes, distribuidores e importadores do mundo orgânico.

Uma edição da revista A Lavoura dedicada aos produtos orgânicos foi produzida especialmente para o evento A Lavoura - Nº 697/2013

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Abiec

Panorama

“Canal Azul” reduzirá prazo de liberação de cargas Dez empresas brasileiras aderem à tecnologia do lacre eletrônico para exportação de carne bovina As indústrias podem economizar R$ 15 milhões/ano em energia usada na refrigeração de contêineres

D

ez empresas associadas à Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) já estão oficialmente aptas a implementar o lacre eletrônico, tecnologia que possibilita a redução do tempo gasto com trâmites burocráticos na liberação de cargas, em nosso país.

Brevemente, uma unidade fabril de cada associada — BRF, Cooperfrigu, Frialto, Frigol, Frisa, JBS, Marfrig, Mataboi, Minerva e Rodopa — estará habilitada a utilizar o lacre eletrônico para o transporte de cargas de carne bovina com destino ao porto de Santos, em São Paulo. Batizado de Canal Azul, a iniciativa é resultado de uma parceria entre Abiec, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Instituto de Tecnologia de Software, Ceitec e Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Espaço internacional “O mercado brasileiro de exportação de carne tem ganhado espaço internacional ano após ano. Há cerca de 10 anos, a carne brasileira não aparecia na pauta dos assuntos discutidos em fóruns internacionais e, em menos de uma década, o Brasil ampliou em 10 vezes o valor de suas exportações. Para continuarmos crescendo, é imprescindível desenvolvermos formas mais eficientes de exportar e, neste sentido, a criação do Canal Azul é um marco para o país”, afirma Antonio Camardelli, presidente da ABIEC. Anualmente, o Brasil perde aproximadamente R$ 160 bilhões, em razão de problemas de logística, sendo que R$ 13 milhões, só com a falta de estrutura dos portos, segundo números da Fundação Dom Cabral. Testes realizados mostraram que a iniciativa poderá reduzir, em média, 57 horas o tempo entre a chegada dos contêineres no porto e a liberação para embarque. Com o Canal Azul, os contêineres não precisarão de liberação ao chegar ao porto, pois a validação será realizada previamente por um fiscal federal agropecuário no fluxo de saída do frigorífico. 8

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Investimento baixo “O investimento dos frigoríficos nos lacres eletrônicos é baixo, se comparado à economia que será feita com a redução do tempo das cargas nos portos. Projeções apontam que, apenas com a carne bovina, as indústrias deixem de gastar R$ 15 milhões por ano com a energia elétrica usada na refrigeração de contêineres”, explica Camardelli. O próximo passo do projeto prevê a integração das informações armazenadas no chip com os demais órgãos da cadeia produtiva, como a Receita Federal e Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA).

O Canal Azul na prática Passo 1 Passo 2

Passo 3 Passo 4 Passo 5 Passo 6

Passo 7

Passo 8

Sem o Canal Azul Produção do produto Fechamento do contêiner e preparação da documentação do produto

Viagem do frigorífico até o porto Chegada ao terminal do frigorífico Checagem manual da documentação Envio dos papeis para organização dos despachantes Encaminhamento da documentação para a Vigilância Agropecuária Liberação da carga em um prazo superior a dois dias

Com o Canal Azul Produção do produto Lacração do contêiner por um fiscal e cadastramento das informações dos produtos no sistema do Canal Azul, com o encaminhamento automático das informações cadastradas para a Vigilância Agropecuária Viagem do frigorífico até o porto Chegada ao terminal do frigorífico Checagem eletrônica do lacre eletrônico Liberação da carga em pouco mais de uma hora


Conab atualiza produção para 185,05 milhões de t.

O

décimo levantamento da safra de 2012/2013 apontou para um novo recorde, com uma produção nacional de grãos de 185,05 milhões de toneladas. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que atualizou os números em julho. De acordo com o estudo, o aumento foi de 11,4% em relação ao mesmo período no ano anterior, quando chegou a 166,17 milhões de toneladas.

José Schafer – Emater-RS/ASCAR

Mais um recorde

Nesta edição, o destaque foi para o milho 2ª safra, que teve um crescimento de 13,1% e produção estimada em 44,24 milhões de toneladas. A soja também teve aumento expressivo, com incremento de 22,7%, passando de 66,38 para 81,45 milhões de toneladas. A área plantada total chegou a 53,22 milhões de hectares. A cultura da soja continua ocupando o maior espaço, com 27,72 milhões de hectares, 10,7% maior que o ano anterior. O milho 2ª safra acompanhou a ampliação, com 8,95 milhões de hectares e crescimento de 17,5%. Outras culturas também apresentaram leves aumentos em relação à área, como o amendoim, cevada e aveia. Os estudos para este levantamento de safra foram realizados no período de 20 a 24 de junho. Os técnicos da Conab estiveram em campo para atualizar as informações de área,

A produção de soja deve aumentar 22,7%, chegando a 81,45 milhões de t.

produção e comportamento climático em todos os principais estados da região Centro-Sul. Mônica Simões Conab

Agronomia em pauta “Agronomia: Agricultura e Desenvolvimento Rural com Sustentabilidade. Desafios, Perspectivas e Mercado” será o tema do 7º CEA - Congresso Estadual de Agronomia, a ser realizado dias 23 e 24 de outubro na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Evento mais tradicional da categoria no Estado do Rio de Janeiro, o Congresso é uma oportunidade de atualização de agrônomos, estudantes, pesquisadores e gestores públicos sobre temas técnicos e os desafios e dilemas da categoria. É também um importante momento de encontro e congraçamento para unir e ampliar a participação de todos profissionais e estudantes para o fortalecimento profissional. Esta edição comemora os 80 anos do Decreto 23.196 de 12 de outubro de 1933, que regulamenta o exercício da profissão de engenheiro agrônomo no Brasil. Algumas inovações darão a dinâmica a esta edição, como a utilização da Rede Agronomia na divulgação, organização e inscrição do Congresso. Não é necessário ser membro da Rede para se inscrever no Congresso, no entanto, todos os agrônomos conectados na Rede Agronomia poderão ter acesso aos temas debatidos e aos trabalhos científicos publicados, uma sinergia de ações promotoras da Agronomia. Os temas poderão ser acompanhados e debatidos ao longo de todo o tempo aqui na Rede Agronomia de forma interativa e democrática. Inscrições podem ser feitas pelo site: www.agronomos.ning.com

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Panorama

Logística MS tem dois portos aptos para o escoamento de grãos

D

ois portos de Mato Grosso do Sul estão estruturados para o escoamento dos grãos produzidos na região. Um está localizado no município de Ladário e outro em Porto Murtinho. Evidenciando essas informações, empresários e representantes do agronegócio se reuniram na Federação da Agricultura e Pecuária (Sistema Famasul), com o objetivo apresentar soluções para o gargalo logístico nas estradas, incentivando a movimentação das commodities pelas hidrovias.

Famasul

De acordo com o gerente da Granel, Luiz Carlos Dresch, cada viagem de um comboio apto a transportar grãos de Ladário (MS) até a Argentina tem capacidade de carga equivalente a 30 mil toneladas, o que significaria a retirada de mil caminhões das estradas. “A vantagem seria refletida no fluxo dos portos de

Santos e Paranaguá, além dos expressivos benefícios ambientais e econômicos”, enfatiza Dresch.

Potencial dos rios O consultor da BM&F, João Pedro Cuthi Dias, reconhece o potencial de escoamento pelos rios, mas enfatiza a necessidade de uma legislação entre os países do Mercosul. “É necessário diversificar a rota dos produtos agrícolas e uma regulamentação direcionada para a logística nas hidrovias, que faça com que os países tenham regras quando transportarem seus produtos pela água”, afirma Cuthi Dias, ao considerar como “ineficiente” o acordo assinado pelos governos do Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai e do Uruguai, em 1992, referente às regras de navegação. O único produto no Mato Grosso do Sul em que se utiliza exclusivamente das hidrovias para sua exportação é o minério de ferro, que, em 2012, exportou 4,3 milhões de toneladas para os países vizinhos e, neste ano, já somam 473 mil toneladas de minério despachado pelos rios.

O porto de Ladário (MS) ajudará no escoamento de grãos por hidrovias

“Em parceria com outras instituições, planejamos um levantamento sobre as vantagens e possibilidade de escoamento de grãos pelas hidrovias do Estado, abordando, inclusive os custos com a logística. Assim que concluído o estudo, pretendemos apresentar uma nova alternativa viável de escoamento”, afirma o diretor de relações institucionais da Famasul, Rogério Beretta.

Super arroz contra desnutrição

E

m todo o mundo, a desnutrição de micronutrientes, que atinge principalmente países em desenvolvimento, tem efeitos desastrosos para a saúde e, consequentemente, para a economia das nações. A carência de vitaminas e minerais essenciais — a chamada fome oculta — compromete o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, bem como seu sistema imunológico, durante sua formação, nos primeiros anos de vida. O Consenso de Copenhague 2012, painel internacional composto por cinco dos maiores especialistas do mundo em desenvolvimento e bem-estar social, quatro deles ganhadores do Prêmio Nobel, elegeu soluções para a deficiência de micronutrientes como prioridade número um para o desenvolvimento e bem-estar social global.

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Adição de micronutrientes A fortificação de alimentos básicos é considerada uma das estratégias mais baratas e eficazes para o combate à desnutrição de micronutrientes. Os Estados Unidos e a Europa fortificam alimentos básicos desde os anos 1940, a fim de garantir uma boa saúde da população. Comparada aos suplementos vitamínicos em gotas ou comprimidos, a fortificação tem a vantagem de ter custo menor e aceitação mais fácil, já que passa a fazer parte da dieta e não requer mudanças de hábitos da população. Investimentos nessa área possibilitariam a mais de cem de milhões de crianças em todo o mundo começar suas vidas livres de atrofias e subnutrição. E os benefícios se estendem por toda a vida: o corpo e os músculos crescem mais


Embrapa Gado de Leite

Bons Preços Leilão de gado da Embrapa confirma preços em alta (Venda de 59 lotes arrecadou um total de R$ 421.380,00)

O

24º leilão de gado da Embrapa Gado de Leite arrecadou R$ 421.380,00. Foram arrematados 59 lotes de animais das raças Holandesa e Girolando. O preço médio de cada animal foi de R$ 7.142,03, confirmado os bons preços de gado de leite praticados no mercado. O maior valor foi obtido por uma fêmea prenhe holandesa (R$ 12.600,00). A venda de 16 tourinhos holandeses rendeu R$ 122.760,00. Os demais lotes formam compostos de seis vacas holandesas em lactação (R$ 43.080,00) e 36 vacas Girolandas (R$ 242.940,00).

Divulgação

O leilão foi realizado e transmitido pelo Agrocanal, com lances remotos e

O arroz fortificado deve atingir 10 milhões de pessoas até 2014

rápido, as capacidades cognitivas se expandem, e o rendimento e a frequência escolar melhoram.

Tecnologia O Brasil já dispõe do Super Arroz, um dos maiores programas de fortifi-

O preço médio de cada animal foi de R$ 7.142,03

presenciais. Além do leilão, foi realizado um dia de campo com duas estações: Formulação de rações para vaca leiteira e Manejo produtivo em propriedades leiteiras.

Tradição O leilão de gado é um dos eventos mais tradicionais da Embrapa Gado de Leite. Sua primeira edição ocorreu em 1989, com o objetivo de transferir tecnologias para o produtor rural na forma de genética de qualidade. Devido à participação de produtores de todo o Brasil, passou a ser transmitido pela televisão a partir de 2011. O evento também é uma oportunidade para capacitar os produtores em atividades como Dia de Campo. Nas outras 23 edições foi ofertado um total de 901 animais (464 tourinhos e 437 vacas), para produtores de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Bahia, Tocantins, Distrito Federal, Pernambuco, Alagoas e Rondônia. Rubens Neiva Embrapa Gado de Leite

cação de alimentos do mundo, criado pela PATH e pela GAIN, instituições globais sem fins lucrativos. A tecnologia produz grãos feitos de farinha de arroz, vitaminas e minerais que, misturados com o arroz tradicional, fornecem um terço das necessidade diárias de micronutrientes essenciais como o ferro, a vitamina A, o ácido fólico e o zinco. O trabalho de fortificação com o Super Arroz já foi implantado com sucesso na Índia e no Camboja, países que recebem o produto gratuitamente. A PATH transfere a tecnologia e doa arroz para os projetos pilotos, que, no Brasil, foram implantados nas cidades de Sobral (CE), Indaiatuba (SP), Dourados (MS) e Vespasiano (MG). A empresa divulga o projeto e procura parceiros. A Adorella, pastifício de Indaiatuba, faz a extrusão do arroz (molda a pasta com as vitaminas em formato de arroz) e a Urbano, empresa arrozeira de Jaraguá do Sul, vai fazer a mistura na proporção de 1/100 , ensacar e vender o produto em supermercados, ainda este ano. Será a primeira vez que a PATH fará o comércio do arroz. O programa pretende atingir 10 milhões de pessoas, principalmente em situações de risco, até 2014, diz Peiman Milani, um dos responsáveis pelo projeto no Brasil. O arroz é um dos melhores alimentos a serem fortificados porque faz parte da dieta da maioria da população mundial, especialmente da brasileira. Mais de 30 estudos em dez países, incluindo o Brasil, indicam que o consumo do Super Arroz, numa proporção de mistura 1 por 100, ajuda a preencher as lacunas da dieta, melhorar a saúde e prevenir a subnutrição em crianças e mulheres, os mais atingidos com a deficiência de micronutrientes. A Lavoura - Nº 697/2013

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Panorama

Laboratório vai à fazenda São Paulo exporta laboratórios móveis para promover o diagnóstico sanitário animal

L

IB-Apta

aboratórios móveis para promover a sanidade animal em regiões distantes, inacessíveis e/ou com poucos recursos foram desenvolvidos pelo Instituto Biológico (IB -APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e a empresa A.R.G. (www.grupoarg. com.br). O objetivo é difundir o conhecimento, reconhecer enfermidades, e dar suporte para aumentar a oferta de proteína à população.

Os laboratórios móveis são montados em contêineres, facilitando o transporte

Os laboratórios foram montados em contêineres e envolveram as principais áreas da medicina veterinária, como virologia, bacteriologia, parasitologia, hematologia, entre outras, com foco em animais de produção, sendo totalmente móveis e independentes, podendo ser transportados como carga

convencional em navios ou caminhões. Nos laboratórios será possível manipular agentes com potencial zoonótico, detectar as principais enfermidades que comprometem os sistemas de produção, bem como capacitar técnicos locais.

Experiência O projeto uniu a experiência em sanidade animal do Instituto Biológico e o interesse da A.R.G. em promover a pecuária em regiões com alto potencial e baixos recursos. No início do projeto, o médico veterinário Ricardo Spacagna Jordão, do Instituto Biológico, visitou a República da Guiné Equatorial, África, buscando conhecer as condições necessárias para implementar laboratórios de diagnóstico, ou seja, de suporte à pecuária, em regiões sem nenhuma estrutura veterinária. São vários os benefícios da utilização de laboratórios móveis, tanto para suprir a carência de fornecedores da região, visto que o início do projeto contempla a montagem das unidades no Brasil, como pelo custo mais baixo e, talvez o

Banco do Brasil disponibiliza R$ 70 bi para a safra 2013/14

O

Banco do Brasil vai destinar R$ 70 bilhões para operações de crédito rural na safra 2013/14, volume 14% superior ao valor desembolsado e 27% superior ao volume de recursos aplicados na safra passada. Desse total, R$ 13,2 bilhões irão financiar a agricultura familiar e R$ 56,8 bilhões vão atender aos agricultores empresariais e cooperativas rurais. As agências do Banco do Brasil estão contratando operações com as mudanças e inovações implementadas pelo Governo Federal.

Volume de recursos PRONAMP - Destinada aos produtores que possuem renda anual de até R$ 1,6 milhão, receberá recursos de R$ 10,1 bilhões nesta safra. A taxa de juros foi reduzida para 4,5% a.a., tanto para os custeios, quanto para os investimentos. Agricultura familiar – Contará com recursos de R$ 13,2 bilhões. Os volumes para custeio da safra estão projetados em R$ 6,7 bilhões e para investimento em R$ 6,5 bilhões. ABC - Agricultura de Baixa Emissão de Carbono – Serão aplicados R$ 4 bilhões no Programa, o que representa

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A Lavoura - Nº 697/2013

R$ Bilhões

Segmento Agricultura Familiar

Safra Safra 2012/13 2013/14 10,5 13,2

% 26%

Custeio

5,1

6,7

31%

Investimento

5,4

6,5

20%

44,5

56,8

28%

35,8

42,1

18%

8,7

14,7

69%

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70,0

27%

Agricultura Empresarial Custeio e comercialização Investimento Total

incremento de 167% no volume de crédito projetado na safra anterior. Armazenagem - O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) é destinado a apoiar investimentos necessários à ampliação e à construção de novos armazéns através de financiamentos aos produtores rurais e suas coo-


Mão de obra A utilização destes laboratórios depende de qualificação da mão de obra para atuar nos containers, devido às peculiaridades do projeto, em especial as necessárias para garantir a biossegurança e confiabilidade dos resultados. Para tanto, o Instituto Biológico está capacitando funcionários de nível superior e médio.

perativas de produção. A linha de crédito, que financia até 100% do valor do projeto, conta com encargos financeiros de 3,5% a.a. e prazo de pagamento de até 15 anos com até 3 anos de carência. Inovação - O Inovagro possui linha de crédito que financia até R$ 1 milhão por beneficiário (e até R$ 3 milhões em empreendimento coletivo), conta com encargos financeiros de 3,5% a.a. e prazo de pagamento de até 10 anos com até 3 anos de carência. Irrigação - A linha de crédito financia até R$ 1,3 milhão por beneficiário, conta com encargos financeiros de 3,5% a.a. e prazo de pagamento de até 12 anos com até 3 anos de carência.

C

riado em 2005, o programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite em Minas Gerais (Minas Leite) está presente em 1.154 propriedades rurais em 357 municípios mineiros. A meta da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) é chegar a 1.300 propriedades neste ano.

Seapa-MG

principal, a mobilidade, que pode ser explorada de várias formas. Como exemplo, podem-se empregar os laboratórios móveis em situações de surto, permitindo o deslocamento de um dos laboratórios para a fazenda com foco da doença, evitando que a remessa de material a longas distâncias dissemine os patógenos por regiões livres. Desta forma, é possível debelar o foco diretamente da fazenda, com mais agilidade e segurança.

Minas Leite ajuda a reduzir custos nas propriedades rurais

Nessas fazendas são introduzidas práticas gerenciais, técnicas e administrativas, com o objetivo de aumenA administração bem conduzida permite a previsão de investimentos em melhorias tar a produtividade e a qualidade do leite diante dos crescentes custos, principalmente com a alimentação dos animais. Levantamento da Seapa confirmam a importância de ações simples de manejo e reformulação da dieta do rebanho leiteiro, cujos gastos com ração concentrada à base de farelo de soja e milho, e despesas com o volumoso (silagem de milho e cana-de-açúcar), tiveram alta de quase 20% em 12 meses. Por isso, o Minas Leite dá especial atenção a uma boa gestão de manejo nos pastos, que pode ser por meio do pastejo rotacionado, que promova um rodízio dos piquetes utilizados pelos animais, permitindo a recuperação do capim. Durante a seca, os animais recebem reforço alimentar, produzido na própria fazenda, à base de cana-de-açúcar ou silagem de milho, na quantidade adequada para promover a redução do uso de ração que seria adquirida fora da propriedade. Nas propriedades assistidas pelo Minas Leite, os técnicos da Emater também recomendam a integração da lavoura à pecuária, que ainda pode agregar o plantio de florestas, contribuindo para a diversificação da produção e o aumento da renda.

Mulheres à frente Um exemplo do resultado do programa pode ser verificado Fazenda Cabeceira do Mono, no município de Coroaci (Leste de Minas), propriedade de Silvani Correa da Silva. Desde o falecimento do marido, há dois anos, ela assumiu a lida diária com a ajuda das quatro filhas. “Aprendemos a administrar, registrando tudo que se relacione aos animais e outros fatores que possam influir na produção da fazenda, o que permite, inclusive, fazer a previsão de investimentos em melhorias”, explica Suely, uma das filhas. Nos 112 hectares da propriedade eram mantidas mais de 100 cabeças de gado comum e a produção de leite era pequena. O primeiro passo recomendado pelo extensionista Clésio Peixoto de Melo foi providenciar a plantação de um canavial para ajudar na alimentação dos animais. O manejo também foi aperfeiçoado e os animais são mantidos em espaços cercados sobre o pasto, conhecidos na região como mangas. De acordo com Suely, o esforço com apoio do Minas Leite para aumentar a produção das vacas deu bom resultado: as 16 vacas em produção garantem 75 litros de leite ao dia, volume produzido por 20 vacas, antes das mudanças propostas pelo Minas Leite. “O trabalho para manter tudo funcionando compensa e estamos aproveitando a experiência acumulada desde a infância: capinar, roçar, fazer cerca, ordenhar as vacas e realizar outras atividades”, ela comemora. A Lavoura - Nº 697/2013

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leite

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โ€ข

A Lavoura - Nยบ 697/2013


Balde

mais cheio

Paula Guatimosim - especial para A Lavoura

Embrapa Pecuária Sudeste

Desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste para beneficiar, principalmente, a pecuária leiteira familiar, o programa Balde Cheio é fruto de esforço conjunto entre pesquisa e extensão para promover melhorias de manejo e gestão da propriedade

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leite

O

Programa de Desenvolvimento Integrado da Pecuária Leiteira Balde Cheio utiliza tecnologia inédita desenvolvida pela Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos/SP). Iniciado em 1999, já é adotado por todos os Estados da Federação, exceto Roraima e Distrito Federal, beneficiando mais de 13.700 produtores de leite. A meta é aumentar a produtividade e gerar mais lucro por meio da adoção de técnicas de manejo de pastagem, controle zootécnico e, principalmente, gestão da propriedade.

Embrapa Pecuária Sudeste

A união entre pesquisa e extensão rural oferece novos conceitos aos pecuaristas de leite, especialmente aos pe-

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A Lavoura - Nº 697/2013

quenos produtores com pouco acesso à assistência técnica e gerencial. Este objetivo é alcançado por meio da capacitação dos profissionais de extensão rural e produtores, da promoção da troca de informações regionais e monitoramento dos impactos ambientais, econômicos e sociais.

Parcerias O estabelecimento de parcerias é uma das principais estratégias do Programa Balde Cheio. Elas são firmadas com diversos tipos de instituições públicas — como órgãos de assistência técnica e extensão rural vinculados às secretarias


estaduais de Agricultura, prefeituras, instituições de ensino e pesquisa, instituições financeiras, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — e entidades privadas, como cooperativas, laticínios, associações, federações de agricultura, Sebrae, instituições de ensino e pesquisa e profissionais autônomos. A capacitação e a troca de informações acontecem na propriedade rural, que se transforma em “sala de aula” e passa a ser uma unidade demonstrativa (UD). A programação inclui aulas teóricas, tanto para extensionistas quanto para produtores, na Embrapa Pecuária Sudeste e nas propriedades selecionadas. A partir da estruturação da propriedade, com base nas orientações do projeto, a UD passa a ser uma referência na região.

Como participar do Projeto Balde Cheio 1. O produtor ou técnico interessado deve en-

trar em contato com a instituição responsável pela Programa na sua região (em Minas Gerais é a Faemg, por exemplo).

2. A instituição orienta sobre os procedimentos iniciais para adesão ao Programa.

3. A entidade interessada disponibiliza, pelo

menos, um técnico extensionista, que é capacitado na metodologia do Programa.

4. O técnico acompanha o coordenador técnico ou o supervisor regional do Programa em visitas na região, para conhecer suas obrigações.

5. É agendada a primeira visita do coordenador técnico ou supervisor regional ao município, com a presença de produtores, do técnico e de representantes da entidade parceira. Neste momento, são esclarecidas dúvidas e todos firmam o compromisso de trabalhar pelo bom desenvolvimento das atividades. 6. O técnico é encaminhado para “estágio” de uma

semana em um projeto em funcionamento indicado pela instituição e pelo coordenador técnico.

7. Entidade, técnico e produtores escolhem a

Unidade Demonstrativa do município e informam ao coordenador técnico e supervisor regional a propriedade escolhida.

8. São encaminhados ao responsável da enti-

dade parceira no município, para preenchimento e assinatura, o Termo de Compromisso e Adesão ao Programa e o Cadastro do Técnico. Ele é o coordenador local do Balde Cheio e o contato da instituição no município. A ele deve ser relatado qualquer problema com o Programa.

9. O técnico é encaminhado para treinamento de nivelamento, em data previamente informada.

Contato Mais informações podem ser obtidas através do telefone (16) 3411-5626 ou pelo site www.cppse.embrapa.br/sac. A Lavoura - Nº 697/2013

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José Israel Abrantes - Faemg

leite

José Vianei Dornelas, do Rancho Esperança, produzia 70 litros de leite/dia. Dois anos mais tarde, dobrou a produção, e cinco anos depois, com as mesmas 14 vacas, produz 238 litros em área de pastagem menor, graças ao pastejo rotacionado

O papel da extensão rural Em Minas Gerais, o Balde Cheio é realizado pelo Sistema Faemg/Senar. Daniel Fonseca Belo de Araújo, da Conagro Consultoria, firmou convênio com três prefeituras e supervisiona o projeto em 72 propriedades nos municípios de Senhora dos Remédios, Desterro do Melo e Alto Rio Doce, na região dos Campos das Vertentes, próxima de Barbacena; Queluzito, vizinho de Conselheiro Lafayete, e Santana do Garambéu, próximo a Andrelândia, rumo ao Sul de Minas. No município de Senhora dos Remédios são 50 propriedades assistidas pelo programa Balde Cheio. Segundo Daniel de Araújo, é fundamental que o produtor, ao aderir ao programa, siga à risca as recomendações. “Quem não assume o compromisso é cortado”, diz ele, que no primeiro ano do projeto em Senhora dos Remédios precisou subtrair 12 produtores. Por sorte havia 14 na “fila de espera”. O técnico explica que, em geral, tenta-se juntar de quatro a cinco produtores de uma mesma região para ‘ratear’ os custos, já que a visita à propriedade custa um salário mínimo. Ele explica que a adesão ao programa não é tarefa fácil, já que demanda compromisso, disponibilidade de tempo e muito interesse do produtor. “Mas basta um bom pecuarista para estimular o restante do grupo”, alega. 18

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Curiosidade O programa prova que é possível aumentar substancialmente a produção sem expandir o rebanho

Produção mais que triplicada Um dos seus casos de sucesso é o produtor José Vianei Dornelas, do Rancho Esperança, em Senhora dos Remédios, que aderiu ao programa assim que ele foi lançado, em 2008, ano em que produzia 70 litros de leite ao dia,


e vemos um motor velho encostado num canto, sem uso, sugerimos que seja vendido para gerar receita para a compra de insumos”, conta o extensionista. As bezerras são desmamadas precocemente e apenas 35% do total de nascidas serão criadas para futuras matrizes. Os 65% restantes deverão ser vendidas para gerar recursos a serem investidos na criação daquelas 35%. “A maioria dos pecuaristas acha que manter bezerras e novilhas é como fazer uma poupança. E não é. Elas custam muito”, explica Araújo.

Potencial produtivo

José Israel Abrantes - Faemg

Outro caso exemplar pode ser visto no Sítio Mateus, do produtor Romeu da Silva Coelho, no município de Desterro de Melo, onde o grande desafio da equipe era saber o potencial produtivo dos animais. Lá, uma vaca mestiça, quatro meses depois do parto estava produzindo sete litros de leite por dia. Após dois meses no sistema de pastejo rotacionado, a mesma vaca passou a produzir 12kg/leite/dia; e, quatro meses depois, já produzia 17 kg ao dia e entrou no cio.

É preciso calcular o volumoso e o concentrado em função da produção do animal e não o contrário.

com 14 vacas mestiças (3/4). Dois anos mais tarde, dobrou a produção e, hoje, cinco anos depois, sem aumentar sequer uma cabeça no rebanho, produz 238 litros diariamente. E isso reduzindo a área de pastagem de 4,5 hectares para 1,7 ha, graças ao pastejo rotacionado. Daniel Fonseca de Araújo revela que o “pulo do gato” é manter os animais por apenas um dia em cada piquete. “Assim, o gado come apenas as pontas do capim, — de melhor qualidade nutricional — , e não sobrecarrega a área com excesso de fezes”. Ele explica que o número de piquetes varia, principalmente em função do ciclo do capim. “O mais importante é o produtor ficar ‘craque’ no sistema de pastejo rotacionado. Só recomendamos a irrigação das pastagens depois que ele domina a rotação”, alega.

Baixar os custos Tudo é feito para baixar os custos da produção de leite, com base na redução do volumoso e, acima de tudo, do concentrado. “Se chegamos no sítio

“A matriz era uma excelente leiteira e o produtor não imaginava o seu potencial”, observou Daniel. Ele explica que é preciso calcular o volumoso e o concentrado em função da produção do animal, e não o contrário. Em sua opinião, um concentrado de relativo baixo custo é a cana-de-açúcar misturada à ureia. Uma vaca que esteja produzindo 35kg/leite/dia, o equivalente a 22% de proteína, deve consumir de 4 a 5 quilos de ração por dia. Já uma vaca que produz 10kg/dia, pode consumir apenas um quilo de ração ao dia. Outra preocupação fundamental da consultoria é a sanidade do rebanho. Assim que chegam à propriedade, os técnicos fazem exames de brucelose e tuberculose. Depois, elaboram um calendário que, além das vacinas obrigatórias contra aftosa e brucelose, incluem imunização contra raiva, clostridioses (que abrange sete doenças), IBR, BVD, leptospirose A Lavoura - Nº 697/2013

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leite

e campilobacteriose (essas quatro últimas também reunidas numa única vacina). A inseminação artificial também é estimulada, visando aumentar o índice de prenhês e melhorar o potencial produtivo do rebanho.

Mudança de hábito Responsável pelo acompanhamento técnico de 23 propriedades que fazem parte do programa, nos municípios de Carmo do Cajuru e Bom Despacho, desde o final de 2007, Mozar Salviano Barreto diz que a tecnologia do Balde Cheio é simples, mas requer muita disciplina. “Os produtores passaram a vida inteira trabalhando da forma errada, achando que estavam certos”, ressalta ele, lembrando que, por isso, os resultados só aparecem no médio e longo prazos. A Fazenda Mato Dentro, em Carmo do Cajuru, a 15 km de Divinópolis, é um de seus exemplos de sucesso e, por isso, já recebeu mais de mil visitantes interessados nesse modelo de produção. Para viver da pecuária leiteira, o proprietário Roberto Leonardo de Souza precisava arrendar terras vizinhas e já havia decidido vender a propriedade de quatro hectares para quitar suas dívidas.

Hoje, ele e a esposa Ilda cuidam sozinhos do rebanho de 23 vacas, das quais 80% a 85% em lactação, produzindo uma média 17 litros/dia. Parte da produção é usada na fabricação de queijo minas fresco, vendido na cidade por um valor agregado maior, ajudando compor a renda de R$ 4 mil mensais do casal. A irrigação só foi adotada dois anos após o início da adesão ao programa, principalmente para garantir a produção de aveia e azevém, alimentos oferecidos às vacas como suplementação durante o inverno. Assim, o produtor conseguiu reduzir a mão de obra e aumentar a produção leiteira, mesmo em uma área menor. 20

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José Israel Abrantes - Faemg

Resultado exemplar

Roberto Leonardo, da Fazenda Mato Dentro, virou modelo na região. 80 a 85% do rebanho da fazenda está em lactação produzindo 17 litros/dia


leite

Entrevista

Mais produtividade e maiores

lucros aos produtores Qual o universo de produtores que o Programa Balde Cheio beneficia atualmente e em quantos estados brasileiros está implantado? O projeto Balde Cheio encontra-se implantado em todos os Estados da Federação, com exceção de Roraima e do Distrito Federal, beneficiando mais de 3.700 produtores de leite, que são atendidos pelos técnicos em treinamento. O crescimento do programa tem sido o esperado desde que foi lançado? O programa tem tomado uma dimensão bem maior do que a esperada. Quando iniciamos, em 1999, ninguém imaginava que o projeto poderia ter essa abrangência nacional. Isto surpreende ainda mais porque, em sua essência, o projeto não prevê metas numéricas em termos de números de pessoas atendidas. O foco principal está no resgate da autoestima de todos envolvidos, por meio da transferência de tecnologia, independente de quantos técnicos ou produtores estejam sendo atendidos. Quais os principais entraves à sua implantação, à adoção pelos produtores de leite? A questão dos arranjos institucionais que viabilizam o pagamento justo e constante do técnico em treinamento é, sem dúvida, o principal entrave. Todo o resto são questões mais simples de serem solucionadas. Por exemplo: a adoção de tecnologia pelos produtores é feita de acordo com o ritmo e capacidade de investimento de cada um, seguindo um planejamento conjunto sem “receita de bolo”. Este projeto personalizado e flexível garante que a adoção de tecnologia por parte do produtor seja sustentável. Poderia destacar as principais vantagens e se há desvantagem no programa?  As vantagens para os técnicos que estão em treinamento é receber a capacitação prática do

processo de produção intensiva de leite, acompanhando um produtor em unidade demonstrativa. Esta metodologia faz muita diferença na qualidade da capacitação. Para o produtor, receber assistência técnica de qualidade em produção intensiva de leite traz um ganho real na renda da sua família. Existe algum recurso para avaliação dos pecuaristas que fazem parte do programa (índices de eficiência produtiva, renda média etc.? Sim, todos os produtores que entram no Balde Cheio comprometem-se a anotar diversos dados zootécnicos e econômicos, sobre os quais todo o planejamento é feito. Sem as informações anotadas nada pode ser feito com segurança. De modo geral, os produtores atingem índices muito bons de produtividade e lucratividade, tornando-se competitivos com as demais opções do uso da terra. Quais os planos de expansão para os próximos anos?  Como dito anteriormente, a preocupação não é atingir metas em termos de produtores ou técnicos, mas sim de estar preparando da melhor forma possível os técnicos da extensão rural, seja privada ou governamental, que irão atender uma demanda crescente de tecnologia na produção de leite. Certamente a intensificação e a especialização serão tendências na atividade leiteira nos próximos anos.

André Luiz Monteiro Novo analista de transferência de tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, um dos coordenadores do Programa Balde Cheio é agrônomo formado pela Esalq/USP, mestre em engenharia de produção pela UFSCar e doutor pela Universidade de Wageningen (Holanda).

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leite

Menos trabalho

e mais renda I

trizes que produzam 20 litros (cada) ao dia, das quais 80% devem estar em fase de lactação, conforme recomendação dos técnicos. “Assim, teremos menos trabalho e mais renda”, projeta o produtor.

sabel e Romeu da Silva Coelho têm três filhos, dois deles cursando medicina em universidades federais. O único filho homem — o do meio — passou em oitavo lugar em seu segundo vestibular, e a caçula foi a quinta colocada após um ano e meio de tentativas. Foi com a renda da lida na pecuária de leite que o casal deu suporte à educação dos filhos na escola pública de Desterro do Melo, microrregião de Barbacena, no Campo das Vertentes, a 154 km da capital mineira.

Como conseguir isso? Com um bom manejo, responde Romeu Coelho. Manejo que inclui o pastejo rotacionado, à base de capim mombaça. Em apenas um único hectare, ele

Há dois anos, eles ingressaram no Programa Balde Cheio, concentrando as atividades de pecuária de leite no Sítio Mateus, de apenas três hectares. Na época, o rebanho de 26 vacas produzia de 60 a 70 litros de leite por dia (4,5l a 5,0l por vaca/dia). Em novembro de 2012, com 19 cabeças, produz de 145 a 150 litros ao dia (9,5l a 10l/vaca/dia). A jornada do casal continua a mesma: das 5 da manhã às 9 da noite, após a segunda ordenha diária. Mas a renda, que antes “mal dava para pagar as contas”, já é quatro vezes maior, cerca de R$ 2 mil líquidos mensais. O fusquinha de 14 anos, considerado “um membro da família”, agora divide a garagem com um microtrator, a mais nova aquisição. É a família progredindo. “Para quem quiser trabalhar, esse sistema do Balde Cheio é uma ótima opção. Dá para viver com muito mais dignidade”, revela o produtor de 51 anos, que sempre trabalhou na roça.

Para quem tira leite, bezerro macho é prejuízo

Melhores matrizes

José Israel Abrantes - Faemg

No rebanho reduzido, ficaram apenas as melhores matrizes; as vacas mais velhas e menos produtivas foram descartadas. Mas a meta é chegar a 15 ma-

mantém 28 piquetes de 354 metros quadrados, além dos “corredores” entre os piquetes e a área de descanso para as vacas. O importante — ele já aprendeu — é que o rebanho permaneça por apenas um dia em cada piquete. “E as vacas parecem saber para qual devem ir. Quando chega ao final, já no alto do morro — ‘aqui é tudo morro’—, elas não passam para o mais próximo. Sabem que precisam descer para o primeiro”, conta o agricultor. Na seca, quando o pasto não é suficiente, a cana, cultivada em meio hectare, é misturada à ureia e servida O casal Isabel e Romeu Coelho vivem com mais dignidade e os filhos Vitor e Isabel estudam medicina em universidades federais

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Um entusiasta no

à noite, na porção de 30kg a 35kg por cabeça. Mas o produtor já sabe que precisará plantar mais meio hectare de cana para garantir, com mais folga, essa alimentação complementar ao rebanho. “Ainda não consigo cumprir todas as recomendações, mas vou chegar lá”, diz, determinado.

Inseminação no lugar do touro Outra providência tomada desde o início foi substituir o touro pela inseminação artificial. O problema é que seu Romeu não vem dando sorte. Das 18 primeiras matrizes inseminadas com sêmen de touro holandês PO, 15 emprenharam e delas só nasceu uma fêmea. “Para quem tira leite, bezerro é prejuízo”, diz, explicando que a recomendação do programa é para que os bezerros sejam descartados logo após o nascimento. Mas o casal não tem coragem e, “mesmo sabendo que vai ter prejuízo”, os criam até os quatro meses de idade, antes de vendê-los para quem faz a recria. Mas “seu” Romeu tem fé: acredita que, hora dessas, sua sorte vai mudar. É por meio da inseminação que ele conseguirá melhorar o rebanho gastando pouco. Pelos seus cálculos, uma vaca holandesa de 20 litros está custando cerca de R$ 3 mil, enquanto a dose de sêmen sai de graça, é doada pela prefeitura. Outra etapa que Romeu da Silva Coelho vigia é a qualidade do leite, que tem lhe rendido uns centavos a mais por litro de leite entregue ao laticínio. Em novembro, ele recebeu 0,88 por litro, contra a média de R$ 0,83 pagos aos demais produtores. Para ele, não há mistério: qualidade se obtém com higiene rigorosa durante a ordenha, mesmo manual. E o resfriamento rápido do leite, que é possível num tanque adquirido em parceria com mais três sócios, dos quais ele exige também o mesmo rigor.

Vale do Paraíba N

o Rancho Rosa Machado (RRM), localizado em Piraí, região do Vale do Paraíba (RJ), José Mauro Leite Lima destina 9,6 hectares à produção de leite, área suficiente para tornar a atividade lucrativa. “Há 27 anos, ininterruptos, dedico-me à atividade leiteira, e só de uns oito anos para cá aprendi a ganhar dinheiro com o leite”, afirma o produtor. Inspirado no modelo produtivo neozelandês e no “Balde Cheio”, da Embrapa, o produtor elaborou e coordenará o programa “NeoLeite”, em Piraí. Um Termo de Cooperação Técnica foi assinado com a Prefeitura Municipal de Piraí/Secretaria de Agricultura com objetivo de fomentar o aumento da produção e da produtividade de leite de vaca em propriedades rurais de pequeno porte. Alinhado com a tendência das parcerias público-privadas, o projeto funcionará como mecanismo para o desenvolvimento social e econômico. Como incubadora, atuará tanto no plano de ação de acompanhamento direcionado, bem como de transferência de tecnologia da Célula Demonstrativa, em 12 hectares no Rancho Rosa Machado, cujo padrão adquirido, ao longo de vários anos, é o estímulo principal para garantir a capacidade de multiplicação de conhecimento. Inicialmente, serão contempladas 10 propriedades rurais de pequeno porte. Em cada uma delas, a área tratada será de um hectare, para um sistema de 30 piquetes de 334m2 (19m x 19m) cada, para o mínimo de 10 vacas/piquete. A partir do segundo ano, mais 10 propriedades serão beneficiadas como estratégia para estimular o interesse pela multiplicação da tecnologia, e institucionalizar a marca Projeto NeoLeite Piraí-RJ.

400 mil litros/dia Com um parque industrial capaz de processar 400 mil litros de leite por dia, a Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa possuía, em 2005, 1.700 associados, mas, atualmente, são apenas 620 cooperados. Resultado, segundo José Mauro Leite Lima, na grande maioria dos casos, da má gestão da propriedade, pois ele garante que “um hectare de pasto manejado corretamente, pode render até cinco vezes mais que um hectare de milho”. Auxiliado por dois parceiros, o pecuarista produz 400 litros de leite/ dia, com 26 vacas em lactação. Segundo ele, as tecnologias disponíveis agregam todas as ferramentas necessárias para que o produtor possa baixar seus custos de produção. Em sua opinião, a principal lição do programa quanto à redução de gastos é “produzir bem e com fartura o alimento (capim), para o rebanho”. Para isso, mantém piquetes de capins marandu (por sua resistência à cigarrinha-das-pastagens) e mombaça, ambos sob irrigação, para não ficar totalmente à mercê das condições climáticas. “Assim, podemos oferecer capim de qualidade, com teor máximo de proteína e tenro, em qualquer época do ano”, alega.

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José Mauro Leite Lima

leite

José Mauro Leite, com propriedade em Piraí (RJ), diz que a ideia do programa é que nem na seca as vacas passem pelo cocho. Até a suplementação é feita a campo, dividido em piquetes.

Suplementação no pasto A ideia é que nem na seca as vacas passem pelo cocho. Até a suplementação é feita a campo, com o pastejo sobre semeio de aveia-preta. Por garantia, Lima ainda mantém dez piquetes, em área total de 1,3 ha, de capim napier, que são reservados, a partir do final de fevereiro, para uma eventual emergência. No mais, só sal proteinado. Ele garante que, para vacas que produzem até 12 l/leite/dia, um bom pasto e sal proteinado são suficientes. Já os animais de produção superior, logicamente, receberão concentrado (ração formulada na propriedade), de acordo com sua produção diária. O produtor desistiu de cultivar a cana-de-açúcar como complemento depois que as capivaras deram cabo de 1,5 hectare. Foi quando decidiu, também, irrigar os piquetes. “Com o espaço reduzido dos piquetes, as vacas andam menos e gastam menos energia. Ali, elas têm água limpa e farta, áreas de sombra para descanso e pasto da melhor qualidade, com ponta de capim”, dá a receita.

vel uma matriz que se comporta como animal de torneio leiteiro, apresentando picos de produção, se não houver persistência leiteira. “Melhor produzir um pouco menos, mas por mais tempo, com regularidade”, conclui. As vacas devem ter de 450 a 500 quilos, no máximo. Assim, não compactam muito os piquetes e desenvolvem menos doença no casco. “Depois que o problema de comida para os animais estiver resolvido, ou seja, que tivermos oferta de comida farta e de qualidade, então podemos cuidar da genética”.

Persistência leiteira Outro grande aprendizado do programa, conta José Mauro Lima, é observar e reduzir os intervalos entre partos. O ideal é que sejam de 12 a 14 meses, para que a vaca esteja sempre produtiva, observando sempre os 60 dias de descanso pré-parto. “O que interessa ao produtor é a persistência leiteira”. Segundo ele, não é desejá-

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Contato Contatos com o produtor pelo e-mail: ranchorm@ig.com.br


Carlos Mafort

fruticultura

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Morangos

cultivados com amor e qualidade Padrão de qualidade alcançado na região Serrana do Rio de Janeiro proporciona “Marca Coletiva” concedida pelo INPI, para Amorango

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FRUTICULTURA

ova Friburgo é a única região produtora de morango do Estado do Rio de Janeiro. A área cultivada com a fruta está na terceira geração familiar e corresponde hoje a nove hectares, o equivalente a nove campos de futebol.

O padrão de qualidade alcançado permitiu a competitividade com grandes estados produtores no Brasil e, também, que a marca coletiva Amorango (Associação dos Agricultores Familiares Produtores de Morango de Nova Friburgo) ganhasse, em abril deste ano, o registro no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual). A marca coletiva vale por 10 anos e pode ser prorrogada indefinidamente, desde que sejam cumpridas as regras de uso. É diferente da Indicação Geográfica (IG), que possui requisitos específicos e não tem prazo de validade. O slogan da marca — “Cultivados com amor” — resume bem a evolução da Amorango, que reúne hoje 18 famílias de produtores.

conhecer grandes fazendas produtoras a fim de adquirir conhecimento de outras práticas de cultivo e acompanhamento das exigências processuais do INPI.

Colhendo resultados positivos Os esforços dos produtores e entidades, como Sebrae/RJ, Prefeitura de Nova Friburgo, Embrapa e empresas privadas que atuam no segmento de mudas e insumos, geraram resultados significativos. No ano passado, a Amorango produziu 250 toneladas, um aumento de mais de 315% comparado a 2009. O acréscimo da área plantada foi relativamente pequeno — de seis para nove hectares —, mas a produção tornou-se contínua, sem entressafras e nem perdas. Houve um investimento grande em mudas de procedência, tecnologia de irrigação e manejo biológico de pragas. As mudas são fertilizadas na Califórnia e trazidas para viveiros no Chile, sendo, então, distribuídas nos Estados brasileiros por representantes. Por meio de um convênio entre o Sebrae e a Associação Brasileira de Embalagem (Abre), que subsidiou 70% do valor da consultoria, uma empresa de design desenvolveu uma caixa para transporte, com uma ilustração que expõe a delicadeza do morango, proporciona um contraste com a fruta e reforça a Carlos Mafort

N

Em 2007, ao sentir que precisavam melhorar a comercialização e tornar sua produção mais eficiente e com menos impacto para o meio ambiente, buscaram a orientação do Sebrae/RJ.

Marca reconhecida

De lá para cá, muito foi feito por meio de um processo estruturado de reflexão, com a visão de futuro do grupo. O início do processo caracterizou-se por ações de organização, realização de encontros técnicos anuais (com palestras sobre manejo integrado de pragas, nutrição, monitoramento do sistema de irrigação, ambiental e pós-colheita) e, finalmente, pela visita de uma missão técnica ao Paraná para 28

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A Amorango reúne 18 famílias de Nova Friburgo Carlos Mafort

Desenvolver uma marca forte e reconhecida pelo mercado comprador e consumidor já era um objetivo previsto durante o planejamento estratégico da associação, elaborado em 2008 pelo Sebrae/RJ em conjunto com os associados.

O sabor mais doce contribui para obtenção de valores mais altos


Carlos Mafort

As mudas, depois de fertilizadas na Califórnia, passam por viveiros no Chile, até chegarem ao Brasil, onde vão para o cultivo protegido

Carlos Mafort

Em três anos, a produção da Amorango cresceu 315%, alcançando 250t. em 2012

O design das caixas agradou consumidores

mensagem de um produto diferenciado. Foi realizada, inclusive, pesquisa de campo no Ceagesp, em São Paulo, para testar o produto.

Demanda crescente Todas essas ações possibilitaram aumento na demanda local e de outras regiões, que exigem e pagam um valor maior pelo sabor doce da fruta cultivada pela Amorango. A fruticultura in natura é um dos setores que movimentam a economia brasileira e muda a realidade de micro e pequenos produtores. Acompanhar o grupo desde o início das atividades, em 2007, e verificar os excepcionais resultados alcançados re-

força a importância de um planejamento focado em metas e comprometimento com procedência, qualidade e, principalmente, o reconhecimento do consumidor. Toda a cadeia de produção obteve orientações e soluções do Sebrae/RJ e, ao longo desses últimos seis anos, a Amorango prosperou, fidelizou sua comercialização e consolidou sua marca. E o grupo quer mais: o objetivo é obter a certificação PIMo (Produção Integrada do Morango), por meio do Ministério da Agricultura e da Embrapa, para validar a origem de produção. Marcia Moreira Sebrae/RJ

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bb.com.br/agronegocios

Central de Atendimento BB 4004 0001 ou 0800 729 0001 • SAC 0800 729 0722 • Ouvidoria BB 0800 729 5678 • Deficiente Auditivo ou de Fala 0800 729 0088

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Parceria é isso. Onde todos veem números, a gente vê você, produtor rural.

Só quem está por perto pode ver além dos números e oferecer as melhores soluções para você. Banco do Brasil, o maior parceiro do produtor rural.

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CONTROLE BIOLÓGICO

Manejo aéreo é desafio Controle biológico de pragas ganhará aliado na aviação agrícola

A

s crescentes infestações de novas pragas e de espécies já comuns aos agricultores nas lavouras de milho, soja e algodão no Brasil — como a Helicoverpa armigera — têm motivado as empresas de pesquisa a concentrar esforços em alternativas de controle biológico e em mudanças no manejo, como a aplicação dos conceitos do MIP (Manejo Integrado de Pragas) e a utilização da área de refúgio em lavouras transgênicas. No entanto, um dos desafios dos pesquisadores é levar às extensas áreas de plantio um agente de controle biológico que apresenta alta eficiência no con-

trole de diversas espécies de pragas: as vespinhas do grupo Trichogramma, um inseto diminuto, mas com alto índice de parasitismo natural. “Até hoje, a aplicação do Trichogramma em grandes áreas se mostrou inviável pela grande demanda por mão de obra, já que as cartelas com os ovos do parasitoide são colocadas manualmente na lavoura do milho”, explica Antônio Álvaro Corsetti Purcino, chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo. Para tentar mudar essa realidade e levar a tecnologia a plantios de grande extensão, a Embrapa, a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso), a Fundação Mato Grosso, a ABR Controles Biológicos e o Grupo Gianchini, de Cláudia-MT, estão planejando testes de aplicação aérea do Trichogramma em uma área experimental próxima à cidade matogrossense de Cláudia, a cerca de 120 km de Sinop. “Os testes iniciais serão feitos em uma área limpa, sem plantios, para que os pesquisadores verifiquem a distribuição espacial do Trichogramma liberado”, explica Antônio Álvaro.

Guilherme Viana

Embrapa Milho e Sorgo

Diferentes metodologias de liberação serão testadas nas próximas semanas. “Estamos na fase de avaliação de qual forma será mais eficiente, pois já sabemos, teoricamente, a quantidade necessária de Trichogramma por hectare”, explica. Ainda segundo Antônio Álvaro, o grupo responsável pela aplicação aérea deverá calibrar fatores como altura do voo, velocidade do avião e abertura do sistema para liberação do Trichogramma.

A lagarta helicoverpa armigera, a mais nova praga do milho (foto menor) e a lagarta-do-cartucho terão controle biológico incrementado 32

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Embrapa Milho e Sorgo

Embrapa Milho e Sorgo

As cartelas com os ovos do parasitoide (detalhe) são colocadas manualmente na lavoura do milho, demandando muita mão de obra

ABR Controles Biológicos: produção, em escala comercial, das vespinhas do grupo Trichogramma. Grupo Gianchini: grupo produtor de soja e milho com áreas de integração lavoura-pecuária. Será responsável pela liberação aérea do Trichogramma. Parceiros: Aprosoja e Fundação Mato Grosso. O método de aplicação aérea do Trichogramma pode, inclusive, atuar no controle da mais nova praga das lavouras de milho, a Helicoverpa armigera, em que as ocorrências de maior severidade foram registradas no Oeste da Bahia, causando perdas elevadas na produtividade, mesmo com a aplicação de inseticidas químicos. “Geralmente essa praga fica escondida na espiga sob a palha, e os inseticidas não atingem o inseto. Como o Trichogramma é um inimigo natural da lagarta, o método de controle biológico deverá ser bem mais eficaz”, reforça Antônio Álvaro. “Essa técnica pode aprimorar — e muito — o controle de pragas no Brasil”, completa.

Testes Após as fases de acerto dos testes e da melhor metodologia de aplicação, a tecnologia poderá ser levada ao agricultor. As responsabilidades de cada empresa são as seguintes: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária): É detentora da tecnologia sobre a multiplicação e o uso de 17 espécies que controlam diferentes pragas na cultura do milho, sobretudo a lagarta-do-cartucho, a que mais traz prejuízos ao produtor rural brasileiro. Os trabalhos envolvem parasitoides que agem especificamente sobre os causadores de pragas, como as lagartas-do-cartucho e da-espiga e o pulgão-do-milho.

Como é feito hoje Aplicadas manualmente e, na maioria das vezes, em pequenas lavouras de propriedades familiares, as vespinhas do grupo Trichogramma parasitam os ovos da mariposa impedindo o nascimento e a eclosão das lagartas. Com isso, controlam a praga antes que sejam causados danos à cultura. As vespinhas apresentam eficiência tanto no combate da lagarta-do-cartucho como no controle do complexo de Helicoverpa (zea e armigera). “O alto índice de parasitismo natural de ovos da lagarta-da-espiga indica a adaptação da espécie benéfica ao agroecossistema milho e a real possibilidade de uso também para o controle da nova espécie, H. armigera”, relata Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), vinculada ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento): (31) 3027-1905 ou cnpms.nco.geral@embrapa.br. Guilherme Viana Embrapa Milho e Sorgo Rosangela Evangelista da Silva Secretaria de Comunicação da Embrapa

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hortigranjeiros

Pequena,

produtiva e crioula Daniela Priori - Embrapa

Pequena, com 10 a 15 centímetros de diâmetro, a abóbora BRS Tortéi é especial para compor pratos da culinária, como a receita de massa recheada italiana que originou seu nome, além de ser ótima opção para produção agroecológica

C

ada planta de abóbora BRS Tortéi pode produzir até 50 abóboras, de tamanho pequeno — 10 a 15 cm de diâmetro —, de polpa alaranjada, consistência firme e rica em carotenoides. A nova variedade recebeu este nome por ser apropriada ao preparo de tortéi — uma massa tipo ‘ravióli’ recheada com creme de abóbora, típica da culinária italiana.

A durabilidade da BRS Tortéi pode ser de até um ano após a colheita. 34

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Por seu tamanho reduzido, a Tortéi também é excelente opção para ser servida inteira, recheada, em porções individuais, além de ser apropriada também para o preparo de vários pratos salgados. Segundo Rosa Lia Barbieri, responsável pela pesquisa da Embrapa Clima Temperado, a variedade crioula é adequada para cultivo agroecológico e a durabilidade dos frutos pode chegar a até um ano.


Paulo Lanzetta - Embrapa

A coloração da casca da BRS Tortéi varia do verde-acinzentado até o rosado e alaranjado, e a abóbora pode ser usada até para decoração

Longa durabilidade Devido ao tamanho reduzido, a nova cultivar possui um formato achatado com gomos salientes e coloração da casca que varia. “A cor da casca dos frutos vai mudando ao longo do tempo após a colheita, desde o verde-acinzentado até o rosado e alaranjado”, observa a pesquisadora. Segundo ela, os frutos maduros também podem ser utilizados para decorar ambientes, em cestas, recipientes de madeira, vidro ou cerâmica, sobre mesas e aparadores, enfeitando salas, cozinhas e restaurantes. Destacar a cultura da culinária italiana é uma das opções para os produtores que se interessarem pelo cultivo da BRS Tortéi. A Embrapa indica as melhores práticas e o comportamento da abóbora durante o cultivo, e orienta os agricultores sobre como produzirem as sementes. No entanto, para adquirir as primeiras sementes e dar início à produção, a Embrapa firmou uma parceria com a Rede de Sementes Agroecológicas Bionatur/Conaterra e está disponibilizando o material através da Embrapa Produtos e Mercado, Escritório de Capão do Leão. Pedidos podem ser feitos pelo telefone (53) 3275-9291 ou pelo email encpl.snt@ embrapa.br. Cristiane Betemps Embrapa Clima Temperado

Características da BRS Tortéi •

Muito produtiva: 50 frutos por planta

Dura até um ano após a colheita

Plantio entre setembro a novembro

Colheita entre fevereiro a abril

Na culinária: pratos salgados e resgate cultural de descendência de famílias italianas

• Na decoração: coloração variada e tamanho pequeno permitem adequação em recipientes • Mercado: devido ao tamanho, é indicada para porção individual, consumidores que moram sozinhos ou famílias pequenas. A Lavoura - Nº 697/2013

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TECNOLOGIA

Nadir Rodrigues

As informações são organizadas em categorias e podem ser consultadas de diversas formas

Informatização

impede a entrada de pragas exóticas Pesquisadores informatizam análises de risco de pragas associadas às principais culturas de interesse do agronegócio brasileiro

U

m sistema integrado de banco de dados desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária para o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), busca facilitar os processos de análises de risco de pragas que atacam os produtos vegetais. O BD Pragas e o WikiPragas gerenciam os dados levantados, em nível mundial, das pragas associadas às principais culturas de interesse do agronegócio brasileiro.

A importação de produtos vegetais — que são potenciais disseminadores de pragas — é normatizada pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais (CIPV), a qual está vinculada ao Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS, sigla em inglês) da Organização Mundial do Comércio (OMC). As Análises de Risco de Pragas (ARP) são procedimentos legais aprovados por todos os países integrantes da CIPV, e nacionalmente executadas pela Organização Nacional de Proteção Fitossanitária do País.

Pragas exóticas Os objetivos são conhecer o risco de introdução de pragas perigosas associado à importação de produtos vegetais e indicar medidas para baixar o risco a um 36

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patamar aceitável, considerando o nível adequado de segurança adotado pelo País. Essa ação é importante para impedir a entrada de pragas exóticas que podem causar prejuízos econômicos e comprometer a sanidade de algum produto vegetal cultivado em território brasileiro, além de favorecer a conquista de novos mercados. O aumento das transações do comércio exterior provocou grande demanda por essas análises, diz o pesquisador da Embrapa Informática Agropecuária, Carlos Meira, um dos desenvolvedores do sistema. Assim, o gerenciamento informatizado dos dados visa agilizar a elaboração das ARP, além de facilitar a atualização e a consulta das informações. Ele explica que quando se importa um pro-


duto vegetal pela primeira vez, ou de um novo local, é necessário identificar todas as pragas que atacam aquele produto e as que ocorrem no país de origem.

Rápidas decisões De acordo com o chefe da Divisão de Análise de Risco de Pragas do DSV, Jefé Leão Ribeiro, o levantamento das informações sobre as pragas é a etapa mais demorada e representa cerca de 90% do trabalho de um processo de análise de risco de pragas. Por isso, com as informações organizadas, o sistema permitirá que sejam tomadas decisões de forma mais ágil. “Essa base de dados está sendo expandida com o trabalho da equipe do DSV. A nossa expectativa é ter um banco bem robusto que possibilite a rápida tomada de decisão”, complementa. O BD-Pragas gerencia dados de catalogação, tais como nome científico da praga, hospedeiros, países em que ocorre e partes vegetais afetadas. Já o WikiPragas é um módulo que integra o sistema e possui fichas detalhadas das pragas com potencial quarentenário, incluindo aspectos da biologia, inspeção e detecção, impactos e medidas de controle e mitigação. Estão catalogadas cerca de 3.300 pragas e mais de 400 dessas possuem fichas.

Trabalho coletivo O wiki usa uma ferramenta de edição chamada MediaWiki, a mesma da enciclopédia de conteúdo colaborativo Wikipedia, e permite o trabalho coletivo entre os agentes e pesquisadores ligados à área de proteção fitossanitária no País. “Ele possibilita a contribuição de várias pessoas e evita a duplicidade de esforços”, afirma o pesqui-

sador Carlos Meira. As informações são organizadas em categorias e podem ser consultadas de diversas formas, como grupos de pragas que atacam as espécies frutíferas, poáceas, ornamentais, leguminosas e oleaginosas, sinonímias, presença no Brasil, entre outras. O projeto recebeu auxílio financeiro do Fundo Setorial do Agronegócio — CT- Agro, que repassou os recursos por meio do CNPq, o qual também apoiou outras instituições públicas nacionais que integraram uma Rede de Análise de Riscos de Pragas, voltada ao levantamento de informações de pragas por grupo de cultura. A coordenação foi da Embrapa Informática Agropecuária, com apoio a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília-DF), a Universidade de Brasília (UnB), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nadir Rodrigues e Arthur Menicucci Embrapa Informática Agropecuária

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Informe OCB/ SESCOOP-RJ

Plano Agrícola 2013/2014, um alento ao campo

U

ma efetiva política para o campo sempre foi exigência em todos os projetos de desenvolvimento nacional.

O incentivo sempre foi deficitário para o setor, sendo isto devastador, considerando que a questão da terra não pode ser entendida somente como um problema econômico, desvinculado das grandes questões sociais nacionais. É certo que nos últimos anos temos avançado com alguns programas que buscam recuperar o que se perdeu, mas o prejuízo é grande e ainda temos muitas deficiências. Dentre os tantos problemas enfrentados pelo setor agropecuário, alguns sobressaem-se: a falta de infraestrutura de armazenamento, a inexistência de uma logística adequada para o escoamento da produção, aliadas ao difícil acesso ao financiamento, principalmente para pequenos e médios produtores, surgem como os maiores entraves. No dia 4 de junho passado, o Governo Federal lançou o Plano Agrícola 2013/14, alcançando um volume financeiro de 136 bilhões de reais, um aumento de mais de 18% em relação ao plano anterior. Um dos aspectos mais importantes do Plano recém lançado é tratar a agricultura de forma regionalizada, porque temos muitos “brasis” dentro do nosso Brasil. No Nordeste, a presidente Dilma Rousseff mandou que todas as empresas públicas construíssem barragens e cisternas para solucionar a questão da seca. Os R$ 10 bilhões reservados à irrigação ajudarão a resolver o problema do plantio no Nordeste. Consideramos o Plano Agrícola bastante animador. Estão sendo disponibilizados R$ 25 bilhões para a construção de novos armazéns, dando ao produtor a facilidade de poder estocar e vender ao longo dos doze meses, principalmente na entressafra. Embora a capacidade estática de armazenamento tenha sido crescente, ainda existe uma enorme lacuna entre o volume de produção e espaços para a guarda. A meta é alcançar uma capacidade de armazenagem de mais de 70 milhões de toneladas em cinco anos. Para superar este problema, serão feitas PPP — Parceiras -Público-Privadas para a construção de armazéns, sendo que a CONAB atuará em pontos estratégicos, onde o segmento 38

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Marcos Diaz

privado não quiser investir. O Plano aponta para a modernização dos atuais armazéns para os produtos a granel. Outro componente importante para o sucesso no campo é o produtor rural ter acesso a um seguro agrícola que lhe garanta a necessária tranquilidade. Se no Brasil a média do seguro cobria em torno de 10%, o Plano aponta para uma cobertura de quase 20% da área plantada. O Plano Agrícola poderia ter sido mais generoso com o pequeno agricultor. Este precisa receber mais os incentivos para que o projeto de agricultura familiar continue a oferecer ótimos resultados. Ao médio produtor, foi disponibilizado mais de 18 bilhões. A preocupação com a sustentabilidade está na mesa! Atualmente todas as ações precisam ser sustentáveis. Qualquer que seja o aumento de produtividade no campo, nada poderá vir de desmatamentos. Crescer com sustentabilidade pode ser uma boa fórmula para uma nação que almeja um futuro brilhante. Marcos Diaz presidente da OCB/SESCOOP-RJ


culturas consorciadas

Milho + brachiaria:

investimento mínimo, máximo retorno

Aildson Pereira Duarte e Isabella Clerici de Maria Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, dos Programas Milho e SPDireto.

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culturas consorciadas Na nova tecnologia, o milho safrinha e a Brachiaria ruziziensis são semeados simultaneamente na mesma operação. Este manejo pode elevar a produtividade da soja cultivada em sucessão e cultivo do milho safrinha em até 20%. Além disso, melhora a qualidade do solo e também vira forragem para os animais na entressafra

etc.). Na maioria das vezes, o que permitiu esse avanço foi a adoção de procedimentos para a mecanização da implantação e para o retardamento da emergência e/ou desenvolvimento dos capins, evitando-se a matocompetição. Já o consórcio com o milho safrinha é mais recente e tem suas próprias especificidades. O milho safrinha é cultivado em um ambiente peculiar, com menor disponibilidade de água e calor, em comparação ao milho verão. Isto desfavorece o crescimento do capim de origem tropical. Assim, o maior desafio não é suprimir o crescimento inicial do capim, mas proporcionar boas condições para o seu estabelecimento e desenvolvimento. Outra diferença importante é que o objetivo não é formar pasto, embora a forrageira possa ser pastejada em curto espaço de tempo (dois meses, em média), e sim utilizar a planta forrageira como planta de cobertura. Para tanto, a gramínea não pode produzir sementes antes do manejo, precisa cobrir a área uniformemente, ser de fácil dessecação e proporcionar bom desempenho da máquina semeadora de soja. A Brachiaria ruziziensis é a espécie que atende a todos estes requisitos.

A

implantação de capins em consórcio com o milho é uma prática comum desde os tempos de nossos avós, visando ao estabelecimento ou à renovação de pastagens. Com a introdução de novas tecnologias, no final do século passado, essa técnica foi inovada e passou a ser utilizada nas modernas lavouras de milho verão, com características e denominações diversas (Sistema Santa Fé, Sistema Barreirão

Bons resultados O consórcio vem dando bons resultados nas regiões onde se cultiva o milho safrinha, nas quais predomina o sistema plantio direto e a sucessão com a soja, sem rotação de culturas. O solo fica sem uso no período entre a colheita do milho safrinha e a semeadura da soja, favorecendo a decomposição da palha e o desenvolvimento de plantas invasoras.

No milho safrinha, o solo fica sem uso entre a colheita e a semeadura da soja

Devido às poucas opções rentáveis para rotação e ao desestímulo do uso de plantas de cobertura, pela falta de retorno econômico imediato, o consórcio de milho safrinha e plantas forrageiras permite diversificar o cultivo sem alterar a sucessão com a soja. Com um investimento mínimo, é possível aumentar a cobertura do solo com palha, melhorar a produtividade da soja em sucessão e, ainda, ter uma opção de produção de forragens para animais na entressafra.

Principais métodos de implantação do consórcio

Nilton Pires de Araújo

Os métodos de implantação da braquiária que se adequam à maioria dos ambientes de milho safrinha são os simultâneos ou com uma mínima defasagem de tempo em relação à semeadura do milho, seja com distribuição das sementes a lanço ou no sulco de semeadura.

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A distribuição a lanço é utilizada em lavouras com espaçamento reduzido e deve ser feita antes da semeadura do milho, para permitir que os mecanismos das linhas da máquina semeadora-adubadora incorporem parte das sementes do capim. As desvantagens deste método são o maior gasto de sementes (pelo menos o dobro em relação


No Mato Grosso, por exemplo, a semeadura ocorre mais cedo e, nessa época, as chuvas são mais frequentes e o solo se mantém com umidade adequada para germinação do capim, mesmo semeado a lanço. Já no sudoeste do Estado de São Paulo e no norte do Paraná a semeadura é mais tardia, as chuvas mais irregulares e a umidade do solo menos uniforme no momento da implantação do consórcio. Se o capim for semeado a lanço, a emergência fica desuniforme e em reboleiras, comprometendo o estabelecimento da forrageira.

Distribuição simultânea

Gessi Ceccon

ao consórcio intercalar) e a emergência em reboleiras, conforme as condições climáticas na época da semeadura do milho safrinha.

A distribuição simultânea pode ser feita na própria linha de semeadura, utilizando semeadora de milho com caixa para sementes de capins ou fazer a adaptação da terceira caixa em oficina regional.

O desafio no consórcio do milho safrinha é proporcionar boas condições para desenvolvilmento do capim

Consócio com linha intercalar O consócio com linha intercalar é o melhor método quando o milho safrinha é cultivado com espaçamento entrelinhas de 80cm ou 90cm. Desenvolvido inicialmente para as condições de Mato Grosso do Sul, o consórcio foi adaptado às características do Médio Paranapanema, em São Paulo, e também a outras importantes regiões produtoras de milho safrinha.

No caso do milho safrinha, não se deve utilizar a técnica da mistura das sementes com o adubo de semeadura, pois o posicionamento profundo do adubo pode retardar a emergência do capim. Também a mistura da semente com o fertilizante nitrogenado de cobertura não é adequada, pois o adubo é distribuído algum tempo depois da emergência do milho.

Nesta região paulista e em parte do Paraná e Mato Grosso do Sul, predominam pequenas e médias propriedades que adotam, em sua maioria, espaçamentos convencionais, viabilizando a adoção do consórcio intercalar. A máquina que semeia a soja é a mesma que será utilizada no milho safrinha, com o mesmo espaçamento entre carrinhos. Normalmente, o produtor tira uma linha sim outra não após a semeadura da soja, deixando a máquina preparada para o espaçamento de 80cm a 90cm do milho safrinha. No caso da utilização do consórcio, o produtor deve manter as linhas a 45cm e utilizar discos diferentes para o capim: em semeadoras convencionais é utilizado o disco universal de sorgo de 5mm com 50 furos e nas semeadoras pneumáticas, o disco de canola de 1,2 a 1,5mm com 120 furos. Apenas a linha do milho deve ser adubada e, para tanto, deve-se tapar a saída da caixa de adubo na linha onde será semeada a planta forrageira.

Arquivo IAC

Benefícios do consórcio

Ensaios evidenciam condições mais favoráveis à soja implantada sobre a palha do capim

A eficiência do consórcio depende de peculiares de cada ambiente, como o clima, a fertilidade do solo e a época de semeadura. Na região do Médio Paranapanema, os resultados obtidos nos diversos ensaios conduzidos pelo IAC/APTA, indicam uma introdução de 1,5 a 2,5 t/ha de massa seca, promovendo melhoria na cobertura do solo. Como as forrageiras em consórcio com milho safrinha apresentam desenvolvimento inicial lento, o maior acúmulo de massa ocorre após a maturidade do A Lavoura - Nº 697/2013

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culturas consorciadas milho safrinha, até o momento da dessecação para semeadura da soja. Os ensaios evidenciaram, também, uma condição mais favorável à cultura da soja implantada em sistema plantio direto sobre a palha do capim, comparada ao o sistema com milho solteiro (testemunha).

Em um ano com período prolongado de seca, na época da implantação da soja, não ocorreram problemas de germinação e desenvolvimento posterior das plantas de soja em áreas com o consórcio milho safrinha e plantas forrageiras. Na verdade, foi verificado o contrário nas áreas-testemunhas sem o consórcio. Com relação à produtividade da soja, foram observados aumentos de até 23% nas áreas de consórcio, em relação às áreas de milho safrinha solteiro, em decorrência, entre outros fatores, da ciclagem de nutrientes. O consórcio de milho safrinha e plantas forrageiras permite, além de diversificação das espécies cultivadas, a maximização da ciclagem de nutrientes. São acumulados cerca de 25 kg de potássio (K20) por tonelada de massa seca da parte aérea da B. ruziziensis que, após a dessecação com glifosato, são rapidamente mineralizados e contribuem para a nutrição da soja cultivada em sucessão.

Arquivo IAC

Outro aspecto importante do sistema é a melhoria esperada na qualidade do solo. As plantas forrageiras, principalmente as dos gêneros Brachiaria e Panicum, apresentam um sistema radicular bastante longo e vigoroso, com capacidade de promover a reestruturação do solo. Esse efeito se dá em longo prazo e está sendo avaliado nos ensaios mantidos por maior duração. O que se espera é que, com o consórcio, além de maior proteção da superfície do solo contra impacto de gotas de chuva e das altas temperaturas, sejam melhoradas as propriedades físicas do solo, favorecendo a infiltração e a retenção de água e o arejamento das raízes das culturas.

A produtividade da soja aumentou até 25% 42

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Gessi Ceccon

Produtividade

A produção chega a 2,5t./ha de massa seca

Cuidados a serem tomados 1. Qualidade das sementes: O correto estabelecimento do consórcio depende da boa qualidade das sementes do capim. A maioria das sementes de forrageiras visa atender ao mercado pecuarista que, pela necessidade de maior volume para distribuição a lanço e pouco impacto da presença de terra e plantas daninhas na formação das pastagens, adota padrões oficiais relativamente baixos na comercialização das sementes. O valor mínimo do valor cultural (VC) para comercialização é 50. O VC é o produto entre a pureza (%) e a germinação (%, em tetrazólio) das sementes. No caso do consórcio, deve-se utilizar sementes com VC acima de 70 que, por apresentarem altos índices de germinação e pureza, são apropriadas para distribuição nas pequenas quantidades requeridas no cultivo consorciado, e reduzem a chance de contaminar a área com nematoides e plantas daninhas. O gasto de sementes VC 70 no cultivo intercalar é de aproximadamente 3 kg/ha. 2. Acompanhamento do desenvolvimento do capim e supressão com herbicidas: Geralmente, não há diferença significativa na produtividade de grãos de milho comparando-se o milho no consórcio e o milho solteiro, não sendo necessária a aplicação de herbicidas para a supressão parcial do crescimento do capim. Da mesma maneira, não há necessidade de aumentar a adubação nitrogenada de cobertura do milho safrinha para compensar possível absorção pelo capim. Porém, quando se utiliza população elevada da forrageira, híbridos de milho de folhas mais eretas e/ou quando a época de semeadura do milho é antecipada (período mais quente) a produção de massa do capim pode ser favorecida, atingindo 3,0 t/ha ou mais, afetando o de-


Primeira cultivar de milho biofortificado chega ao mercado D senvolvimento e a produtividade do milho. Embora esses casos sejam poucos, deve-se acompanhar o desenvolvimento inicial do capim para verificar a necessidade de supressão com uma subdose de nicussulfuron (até 100 mL/ha do produto comercial para a Brachiaria ruziziensis). 3. Controle de pragas: Atualmente, com o emprego do milho transgênico Bt pode ser necessária a aplicação de inseticidas para controle de lagartas, especificamente no capim. No caso do milho convencional, em algumas lavouras, a aplicação de inseticidas é indicada antes de atingir o nível de dano econômico no milho, pois as braquiárias são preferidas pela maioria das lagartas. 4. Dessecação e semeadora da soja: Para assegurar os benefícios do consórcio na produtividade de soja é necessária uma dessecação apropriada do capim (aproximadamente duas semanas antes) e ajustes na plantadeira da soja (aumento do tamanho e afiação do disco de corte, por exemplo) para a distribuição uniforme e contato direto das sementes com o solo (sem bolsas de ar). 5. Rotação do consórcio: Deve-se evitar o cultivo contínuo do consórcio milho safrinha-braquiária na mesma área. Assim, o sistema deve ser alternado nos diferentes talhões da propriedade para maximizar os benefícios da quebra da monocultura. Questiona-se, por exemplo, o risco da B. ruziziensis aumentar a população de Pratylenchus brachyurus, embora sua população seja elevada apenas em áreas e regiões específicas. Geralmente, quando a braquiária é cultivada por apenas um ciclo, o aumento da matéria orgânica e da porosidade do solo suplantam a possível multiplicação de pragas e nematoides, o que pode se tornar um problema se o capim continuar sendo utilizado na mesma área.

ez anos de pesquisas e um trabalho iniciado na Etiópia, um dos países africanos com mais problemas de desnutrição, culminaram no lançamento da cultivar de milho BRS 4104, com quantidade de pró-vitamina A (carotenoides) cerca de quatro vezes superior à encontrada em cultivares comuns do cereal. Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo responsável pelo desenvolvimento da cultivar, o melhorista Paulo Evaristo de Oliveira Guimarães, uma das grandes dificuldades encontradas durante o processo de melhoramento foi a identificação dos carotenoides precursores da pró-vitamina A. “Ao contrário de outras culturas, como a batatadoce, é mais difícil identificar esses carotenoides no milho. Portanto, a cor amarelada intensa dos grãos não a distingue de outras cultivares simplesmente por possuir mais quantidade de pró-vitamina A”, explica o pesquisador.

Produtividade Paulo Evaristo contabiliza bons resultados de produtividade da cultivar: pouco mais de 5.600 kg/ha nas últimas duas safras, mesma média das variedades já lançadas pela Embrapa. Por ser uma variedade, a cultivar tem menor potencial produtivo que os híbridos. Mas, em contrapartida, suas sementes podem ser plantadas novamente nas safras seguintes. “De 2006 até hoje, identificamos seis linhagens com maiores teores de pró-vitamina A e chegamos ao BRS 4104. A variedade vem sendo melhorada continuamente”, revela Evaristo.

Nova cultivar tem quatro vezes mais carotenoides

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Marina Torres-Embrapa Milho e Sorgo

Produtos feitos com fubá da nova cultivar podem melhorar a dieta das crianças e a renda dos produtores

O pesquisador ensina também os cuidados necessários nos processos de pós-colheita: “há necessidade de orientação durante as etapas de secagem, processamento e armazenagem. Se mal conduzidas, podem reduzir a quantidade de pró-vitamina A”, aponta. Os focos da nova cultivar são comunidades carentes e para uso em programas sociais e de merenda escolar, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). O trabalho de transferência de tecnologia vem sendo feito pela Embrapa por meio da multiplicação de sementes biofortificadas pelas comunidades parceiras, trabalho conduzido em Minas Gerais em parceria com a Emater-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais).

Degustação Durante o lançamento, realizado no final de maio, em Minas Gerais, produtos feitos a partir do fubá da nova cultivar foram degustados pelo público, como broa de milho, bolo e biscoito. De acordo com a pesquisadora Marília Nutti, líder da Rede BioFORT, a BRS 4104, assim como os produtos biofortificados, podem melhorar a dieta das crianças e a renda dos produtores. A nova cultivar é resultado das

ações do projeto BioFORT, nome que vem de biofortificação de alimentos, que trabalha o melhoramento genético convencional de culturas agrícolas que compõem a dieta básica da população brasileira e de outros países onde problemas nutricionais ainda são prevalentes.

Importância A pró-vitamina A se transforma em vitamina A a partir de reações químicas no organismo. Entre suas funções estão a manutenção de uma boa visão, uma pele saudável e um bom funcionamento do sistema imunológico. A falta dela no organismo humano resulta na hipovitaminose A, considerado um dos principais problemas de nutrição no mundo. Essa deficiência está associada à perda de visão em crianças. A cientista de alimentos Maria Cristina Dias Paes, da Embrapa Milho e Sorgo, explica que o milho biofortificado apresenta concentração de carotenoides precursores da vitamina A na faixa de 6 a 8 microgramas por grama de grãos. O milho comum apresenta entre 2,5 e 4 microgramas.

Curiosidade

Mais informações: Núcleo de Comunicação Organizacional (NCO) da Embrapa Milho e Sorgo: (31) 30271905 ou cnpms.nco.geral@embrapa.br.

A pró-vitamina A se transforma em Vitamina A a partir de reações químicas no organismo

Guilherme Viana Embrapa Milho e Sorgo

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Agro é o nosso melhor negócio, diz Aécio Neves na Rural

João Adrien

Encontro com o senador marcou início do ciclo de discussões que a entidade promoverá com futuros presidenciáveis Todavia, Ramalho alertou que “somos competitivos dentro das fazendas, mas fora o produtor sofre as mesmas mazelas de quem mora nas cidades, a começar pelo transporte ruim, desafios na educação, saúde, impostos, entre tantos outros”.

Na Rural, presidente da Embrapa fala sobre o futuro do agro Senador Aécio Neves e o presidente da SRB, Cesario Ramalho

“O agro é o nosso melhor negócio”, disse o senador Aécio Neves (PSDB -MG), na sede da Sociedade Rural Brasileira (SRB), na capital paulista. Com casa cheia, o senador participou de encontro com diretoria, conselho e convidados da Rural, em evento que deu início ao ciclo de discussões que a entidade promoverá com futuros presidenciáveis. Segundo Aécio, o agro não vem tendo a atenção que merece ter. “É o setor, por exemplo, que segura nossa balança comercial.” De acordo com o senador, os problemas do agro começam no Estado. “O setor precisa de interlocução com o núcleo central do governo federal”, acentuou. Aécio criticou o aparelhamento e intervencionismo do governo federal e cobrou mais planejamento e uma gestão pública com foco na eficiência. O senador destacou também os problemas logísticos enfrentados pelos setores produtivos e os cenários de insegurança jurídica, como o imbróglio indígena, que afasta investimentos no País. Na abertura do encontro, o presidente da Rural, Cesario Ramalho da Silva, lembrou que o Brasil desenvolveu o mais bem sucedido modelo de agricultura tropical do mundo, impulsionado por pesquisa, tecnologia, empreendedorismo, condições naturais, entre outros fatores.

Instituição antevê descompasso mundial entre consumo e produção de alimentos Até 2050, ano em que o número de habitantes na Terra deverá chegar a nove bilhões de pessoas — hoje somos em torno de sete — haverá um descompasso entre crescimento populacional e capacidade de produção de alimentos. A população vai crescer em áreas com níveis baixos de produtividade agrícola, o que abre uma janela de oportunidades (e também uma série de desafios) para que o agro brasileiro se consolide realmente como celeiro do mundo. Este foi o principal recado da palestra do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, após a instituição ser homenageada pela Sociedade Rural Brasileira pelo seu 40º aniversário. Segundo Lopes, com base no seu sistema de monitoramento de tendências chamado “Agropensa”, a Embrapa estima que nos próximos 35 anos, a África Subsaariana responderá por 49% do aumento populacional do planeta, seguida pela Ásia com 41%, regiões marcadas por baixa renda e produção agropecuária limitada. Por outro lado, a instituição já constatou que o crescimento da produtividade dos principais cereais (milho, arroz e trigo) está em declínio. “Diante deste quadro, falar mal da biotecnologia (como alavanca para produção de alimentos) é uma afronta ao futuro.” Na avaliação do presidente da Embrapa, como a distribuição da população mundial por região não vai acompanhar a distribuição de terras aráveis e a capacidade de produzir alimentos, o comércio agrícola vai aumentar e, assim, ganharão corpo questões como segurança sanitária, rastreabilidade e certificações. Na visão de Lopes, a automação de processos é uma necessidade do campo, com foco em ganhos de eficiência e produtividade. “E, ao contrário do senso comum, que fala de desemprego, a automação vai, na verdade, reduzir a penosidade do trabalho na agricultura, e funcionar como um imã para atrair mais jovens.” Ronaldo Luiz Núcleo de Comunicação da SRB

Sociedade Rural Brasileira Rua Formosa, 367 - 19º andar - Anhangabaú - Centro CEP: 01409-000 - São Paulo - SP Tel: (11) 3123-0666 . Fax: (11) 3223-1780 . www.srb.org.br Jornalista responsável: Renato Ponzio

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Código florestal, será cumprido?

E

m 25 de maio último completou um ano o novo Código Florestal (Lei no. 12.651, alterada pela Lei no. 12.727, de 17-10-2012), legislação complexa, minuciosa, extensa (84 Artigos, com inúmeros Parágrafos e Incisos) e de difícil execução e fiscalização. Razão de demorados e acirrados debates entre ruralistas e ambientalistas, e considerado ruim por muitos analistas, o texto final do Código parece ter desgostado ambos os lados, fato que de algum modo indica certo grau de equilíbrio nas suas determinações. Passível de críticas sob distintos aspectos, sua mais aparente incongruência aparenta repousar nos Arts. 61-A e 61-B, em que um tratamento diferenciado favorável é dado àqueles que descumpriram o antigo Código de 1965 até 22-07-2008, data do Decreto no. 6.814 (alterado pelo Decreto no. 6.686, de 10-12-2008), que muito tardiamente dispôs sobre as infrações e sanções ao meio ambiente, parte das quais decorrentes do não cumprimento do código então vigente. A esses infratores foram feitas exigências consideravelmente mais suaves do que as contidas no novo código para todos os demais, algumas delas ridículas, como por exemplo a aceitação de que propriedades com até um (1) módulo fiscal devem “reflorestar” as margens dos rios naturais com uma fileira de árvores de apenas cinco metros de largura, obviamente inútil para conter a erosão. Os proprietários que entre 15-09-1965, data do código anterior, e 22-07-2008 destinaram parte de suas terras ao cumprimento exato da legislação então válida ficaram evidentemente lesados. Sob o ponto de vista ambientalista, entretanto, a nova legislação apresenta alguns aspectos dignos de apreciação favorável. Ressaltam dentre eles a reafirmação do conceito de que as florestas e a vegetação nativa são bens de interesse comum exercendo-se sobre eles o direito de propriedade com as restrições dispostas em lei, e o comprometimento com a preservação do patrimônio vegetal e com a biodiversidade (Arts. 1º-A e 2º ).

A conservação do conceito de Áreas de Preservação Permanente – APP (Cap. II) e de Reservas Legais – RL (Cap. IV), criticada por não poucos ruralistas, embora tenham recebido diversas limitações discutíveis constituiu sem dúvida decisão alvissareira. Mas, deve-se lembrar sempre que as áreas a serem reflorestadas para cumprimento destas determinações jamais reconstituirão integralmente o bioma original eliminado, cuja complexidade ecológica não permite completa recomposição. Mesmo assim, elas atendem à restauração dos principais serviços ecológicos das florestas que substituíram, para benefício dos próprios ruralistas. Se o Código de 1965 tivesse sido cumprido quanto às APPs e RLs, a Mata Atlântica, um repositório de imensa riqueza biológica hoje desfalcada, não estaria reduzida a cerca de apenas 8,5%, com incalculável perda de patrimônio natural. A criação do Cadastro Ambiental Rural – CRA, obrigatório para todas as propriedades (Art. 29) é também um preceito básico essencial - infelizmente até agora não aplicado de fato – que permitirá, ou pelo menos facilitará, um fiscalização efetiva do cumprimento das exigências legais, delimitando permanentemente as áreas destinadas às APPs e RLs. No Código é prevista a exigência de que no prazo de cinco (5) anos as instituições financeiras só concederão créditos agrícolas às propriedades cadastradas no CRA (Art. 78-A). Importantíssimo também é ter-se determinado com clareza a total preservação dos manguezais arbóreos em toda a sua extensão (Art. 4º - Inc.VII). O Código de 1965 os definia de forma confusa e imprecisa, suscitando dúvidas sobre a exigência de sua preservação. Os manguezais são ecossistemas importantíssimos como berçário de grande parte da vida marinha, incluindo pescado de elevado valor econômico. Lamentável porém foi haver-se permitido que as atividades de carcinocultura e de pro46

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dução de sal, exercidas até 22-07-2008, pudessem continuar atuando nas áreas de apicuns, posto que na realidade muitas dessas áreas instalaram-se parcialmente em manguezais (Art.11-A). A repetição da proibição do uso do fogo na vegetação, exceto quando autorizado em lei, é também muito louvável (Art.39). Contudo cabe destacar que, na verdade, esta foi uma das determinações menos respeitadas do antigo Código. De muito significativa importância é destacar a exigência de que os Chefes do Poder Executivo da União, dos Estados e do Distrito Federal devem implantar no prazo máximo de dois (2) anos Programas de Regulamentação Ambiental – PRA (Art. 59). Isto alimenta-nos a esperança de que os reflorestamentos ora determinados na nova legislação sejam executados de forma programada e, como tal, fiscalizados. Mas, cabe-nos indagar se, após um ano de vigência do novo Código, algo dessas programações já foi executado. Evidentemente não é exequível neste limitado espaço disponível fazer comentários mais completos sobre o novo Código, mas os pontos acima ressaltados apontam alguns de seus aspectos favoráveis à conservação da natureza e de suas riquezas, tão úteis e tantas vezes não reconhecidas e desprezadas. Como lembrava Einstein, a natureza quando agredida não se defende; apenas se vinga. Aí está a exacerbação das secas, das inundações, da erosão e das extinções de espécies para confirmá-lo. Os Códigos Florestais anteriores, de 1934 e de 1965, legislações mais simples, nunca foram plenamente obedecidos e deles a fiscalização falhou deploravelmente. Resta agora saber se o novo Código, tão prolixo e complexo, objeto de tantas discussões e concessões mútuas, merecerá maiores cuidados daqueles que são responsáveis pelo seu correto cumprimento. Ibsen de Gusmão Câmara Presidente


Citações “A natureza não se vence senão quando se lhe obedece”. É surpreendente que esta frase de grande sabedoria tenha sido citada por Francis Bacon (1561-1626), filosofo, político e ensaísta inglês, em época na qual o pensamento ecológico inexistia, mesmo na mente dos maiores pensadores seus contemporâneos. O famoso filósofo estava correto. Quem pensa vencer a natureza violentando-a apenas consegue uma vitória passageira e o preço a pagar posteriormente cedo ou tarde acaba tornando-se desastroso.

Natureza em perigo Os morcegos são animais extremamente bem sucedidos, havendo mais de 1.100 espécies no mundo e eles existem há dezenas de milhões de anos, com poucas alterações na sua anatomia. Em cada cinco espécies de mamíferos existentes, uma é de morcego. Apesar de terem seus corpos altamente especializados para o vôo, o que lhes limita a variabilidade morfológica de seus organismos, conseguiram adaptar-se a uma grande diversidade de tipos de alimentação, o que lhes exige variações grandes na dentição e nos órgãos dos sentidos; há morcegos que diferentemente se alimentam de frutas, insetos, polem, néctar, peixes e pequenos animais; apenas três espécies são hematófagas, hábito alimentar que empresta a todos esses animais má fama injusta e lhes causa indevida perseguição. Os morcegos se dividem em dois grandes grupos, os macroquirópteros, vulgarmente batizados de raposas-voadores, e os microquirópteros; o primeiro grupo inexiste nas Américas. Em tamanho, variam de pouco mais de 20 cm de envergadura até cerca de dois metros nas raposas-voadoras. Apesar de mal vistos por grande parte das pessoas, os morcegos em geral prestam valiosíssimos serviços ecológicos, como eficientes polinizadores e dispersores de sementes, contribuindo significativamente para o reflorestamento natural, e são imprescindíveis para o controle biológico dos insetos. No Brasil são conhecidas 164 espécies, cerca de 15% do total mundial, das quais apenas cinco constam da última lista de espécies ameaçadas produzida pela Fundação Biodiversitas: morcego-beija-flor (Lonchophylla bokermanni), morceguinho-do-cerrado (Lonchophylla dekeyseri), morcego-vermelho (Myotis ruber) e mais dois, aparentemente sem nomes populares, (Platyrrhinus recifinus e Lasiurus ebenus). Mas, dado o precário conhecimento da biologia e da área de distribuição dos nossos morcegos, é provável que esse número não reflita a situação real.

Enfim, uma boa notícia para a conservação marinha Em 24-06-2013, a Presidente da República sancionou a Lei no. 12.829 que cria o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, no litoral do Paraná, já antes aprovada pelo Senado em 21 de maio. O novo Parque, conforme seu nome indica, protege um conjunto de ilhas rochosas onde se abrigam cerca de 8.000 aves e seus locais de nidificação. A área é um local de pesquisas do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná. O Brasil é notoriamente pobre em áreas protegidas marinhas, que, em conjunto, pouco ultrapassam 1% de suas águas jurisdicionais, apesar de o País haver assumido compromisso internacional de proteger 10% delas e existirem numerosas propostas de novas reservas já estudadas, mas até agora ignoradas. Fonte: E-Informa de 24-06-2013, do MMA

Novas oportunidades para negócios agrícolas Com a aprovação do novo Código Florestal, novas oportunidades de negócios agrícolas serão criadas pela obrigatoriedade de reflorestar em todo o Brasil, na maior parte com espécies nativas, um passivo ambiental calculado em aproximadamente 21 milhões de hectares, área proximamente igual à do Estado de São Paulo e, consequentemente, amplas oportunidades surgirão para produção de sementes e de mudas, em enormes quantidades. O Código também prevê que os excedentes de Reserva Legal pertencentes a um proprietário possam ser negociados para compensar o déficit existente em outra, segundo o mecanismo de Cota de Reserva Legal, criando também novas oportunidades de negócios, inclusive com o aproveitamento de áreas inaproveitáveis para a agricultura já cobertas por florestas nativas ou replantadas para esse fim. Segundo levantamentos feitos, o território nacional tem uma imensa área coberta por vegetação nativa excedendo o máximo determinado pela lei para constituir Reserva Legal em todo o País, a qual poderá ser negociada segundo o mecanismo acima citado. Essas oportunidades de obtenção de um lucro extra também podem beneficiar os proprietários que, por apreciarem a natureza, mantêm áreas de vegetação nativa além do exigido em lei. Deve ainda ser lembrado que grande parte das áreas a reflorestar poderá sê-lo apenas mediante práticas adequa-

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das de incentivo à regeneração natural, reduzindo desta forma grandemente seu custo. Fonte: Baseado em reportagem publicada no Valor Econômico, de 27-05-2013

Agravam-se perigosamente as causas do Efeito Estufa A encarregada das Nações Unidas para o clima advertiu em 13 de maio último que, pela primeira, vez a concentração de CO2 na atmosfera ultrapassara 400 partes por milhão (400 PPM), limite histórico que coloca o planeta na “zona de perigo”. O observatório situado no vulcão Mauna Loa, no Havaí, local onde tradicionalmente vêm sendo feitas as medições da concentração de CO2 ao longo dos anos devido à sua especial adequação para tal fim, mediu em 09-05-2013 uma concentração de 400,03 PPM, segundo informou a NOAA, agência norte-americana para oceanos e atmosfera. As estimativas apontam para ocorrer, em 2013, uma concentração anual média superior a 400 PPM, um valor preocupante para os especialistas. Em 2009, foi estabelecido pela comunidade internacional um limite de máximo de elevação de 2º C em relação aos níveis anteriores à Era Industrial, uma vez que os cientistas estudiosos do clima avaliam que, ultrapassado este limite, o planeta entrará em um regime climático caracterizado por fenômenos extremos. Segundo o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas, estima-se que com 400 PPM a temperatura média aumentará de no mínimo 2,4º C, acima portanto do limite máximo acima citado. Se não houver uma mudança drástica nos padrões de emissão dos gases do efeito estufa a curto prazo, a tendência é de que a concentração de CO2 continuará crescendo e a temperatura poderá aumentar de 3º a 5º C no decorrer deste século, com consequências muito preocupantes, em âmbito mundial e regional. O diretor de comunicações do Instituto de Pesquisas Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente, do Reino Unido, advertiu que a nossa sociedade “terá que enfrentar riscos enormes e potencialmente catastróficos”. Na Conferência Rio+20 foi previsto que no próximo grande encontro internacional marcado para 2015, uma proposta de acordo para redução das emissões deva ser aprovada, para vigorar em 2020. Contudo, como todas as propostas anteriores redundaram em fracasso, resta saber se, naquela data, efetivamente chegar-se-á a um acordo, ou se continuaremos a caminhar irresponsavelmente para o desastre. Fonte: www.noticias.terra.com.br

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Nação sul-americana pretende intensificar a conservação A Colômbia lançou um plano milionário, denominado Naturalmente Colômbia, para aumentar a proteção de suas riquezas naturais. Segundo noticiou-se, ele prevê o gasto de 300 milhões de dólares para impulsionar a conservação e proteger mais de 200 milhões de hectares distribuídos em três diferentes biomas: áreas marinhas, florestas secas e as savanas da região do Orinoco. Dentre seus objetivos, o Plano visa ao cumprimento dos compromissos firmados durante a conferência da Convenção de Diversidade Biológica realizada em Nagoya, Japão, em 2010, indicando a proteção de 17% das áreas terrestres e 10% das marinhas. O país, que é um dos chamados países “megadiversos”, pela quantidade de espécies que possui, presentemente já apresenta 12% de áreas protegidas em terra, mas apenas 2% das marinhas, desproporção que também existe em muitos outros países, inclusive no Brasil. Fonte: Boletim Áreas Naturales Protegidas y Guardaparques, junho 2013

Florestas aumentam as precipitações Embora o conhecimento intuitivo indique que a vegetação densa afeta as chuvas e que a substituição das florestas por pastagens ou cultivos podem levar à redução das precipitações, tem havido poucas observações de natureza científica sobre os efeitos de extensos desmatamentos sobre elas. Recentemente, pesquisas utilizando o sensoriamento remoto por satélites em florestas tropicais, juntamente com simulações matemáticas dos padrões de transporte atmosférico de umidade, indicaram que nas terras situadas entre as latitudes de 30º norte e sul os ventos que passaram sobre vegetação densa produziram três vezes mais chuvas do que os que o fizeram sobre vegetação esparsa. Quando esses resultados foram aplicados aos padrões de desmatamento historicamente verificados na Amazônia, verificou-se que poderá haver uma redução de precipitação de 12% e 21%, respectivamente nas estações úmida e seca, por volta do ano 2050. Fonte: Nature (2012), http://dx.doi.org/10.1038/nature11390


Ameaça aos animais invertebrados

O mais antigo ser vivente

Embora os animais invertebrados muitas vezes sejam negligenciados ou mal vistos, uma vez que alguns deles são considerados seres daninhos, a verdade é que representam na natureza um componente importantíssimo do equilíbrio ecológico e ultrapassam largamente os vertebrados em número de espécies e na biomassa total existente no mundo. Mesmo assim, seu status de conservação é pouco mencionado e muito mal conhecido.

Pesquisas feitas nas colônias de uma planta marinha do Mediterrâneo (Posidonia oceanica), em diversos locais desse mar, localizaram um grande número de clones da espécie. P. oceanica é uma espécie caracterizada por muito lento crescimento e não tem competidores ou predadores nas zonas litorâneas onde ocorre, formando enormes pradarias submarinas.

A revisão mais ampla de sua situação indica que cerca de 20% do total de espécies podem estar ameaçados de extinção. As investigações sobre a situação real estão muito atrasadas em comparação com as realizadas com os vertebrados e, no que pesem as pesquisas mais intensas relacionadas com alguns grupos de especial interesse, como por exemplo os corais, menos de 1% das espécies conhecidas já foram avaliadas quanto a esse aspecto. Um estudo abrangendo um total de 12.631 espécies – uma percentagem ínfima das existentes – indicou algumas similaridades entre vertebrados e invertebrados quanto às ameaças a que estão sujeitos, tal como o risco maior de extinção nas espécies com menor mobilidade e de distribuição geográfica mais restrita. Igualmente, as espécies de água doce também são as que sofrem maiores ameaças, seguidas das espécies terrestres e, depois, das marinhas. As principais ameaças constatadas decorrem principalmente da poluição, construção de represas, desvios de rios e retirada de água para quaisquer fins, expansão da agricultura, espécies invasoras de outros invertebrados, perturbações humanas diversas e mudança de clima, neste último caso particularmente sérias para os invertebrados marinhos.

Os pesquisadores localizaram uma dessas campinas, com pelo menos 15 quilômetros de extensão, ao largo da costa da Ilha de Formentera, a qual parece ser proveniente de um único clone, podendo, assim, ser considerada um só organismo. Tendo em vista o lento crescimento da espécie, esse único indivíduo formando um grande campo submarino pode ter a extraordinária idade de 80.000 a 200.000 anos. Fonte: PLos One (2012) http://dx.doi. org/10.1371/journal.pone.0030454

Fonte: Spineless (2012)

O maior parque marinho do mundo Em setembro de 2112 foi formalmente estabelecido o maior parque marinho do mundo. Localizado nas Ilhas Cook, no Oceano Pacífico, cobre 1,06 milhão de quilômetros quadrados e é três vezes maior do que o enorme Parque Marinho da Grande Barreira de Recifes, situado a nordeste da Austrália. O ambicioso projeto está sendo patrocinado por uma aliança envolvendo agências governamentais, ONGs conservacionistas e a indústria de turismo. Os limites precisos do parque ainda estão sendo definidos e o próximo grande passo será a compilação de uma detalhada base de dados para a delimitação de zonas específicas de utilização. Com o estabelecimento do parque espera-se que ele proverá um desenvolvimento ecologicamente sustentável harmonizando crescimento econômico do turismo com preservação da vida marinha e conservação da biodiversidade oceânica. Enquanto parques marinhos, muitos enormes como esse, estão surgindo seguidamente em diferentes regiões do mundo, o Brasil continua com menos de 2% de suas águas jurisdicionais sob proteção, embora estudos diversos já tenham apontado áreas adequadas para extensão desse mísero percentual. Fonte: Oryx, 01-2013

CONSELHO DIRETOR Presidente Ibsen de Gusmão Câmara Diretores Maria Colares Felipe da Conceição Olympio Faissol Pinto Cecília Beatriz Veiga Soares Malena Barreto Flávio Miragaia Perri Elton Leme Filho Conselho Fiscal Luiz Carlos dos Santos Ricardo Cravo Albin Suplentes Jonathas do Rego Monteiro Luiz Felipe Carvalho Pedro Augusto Graña Drummond A Lavoura - Nº 697/2013

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Embrapa Suínos e Aves

AVICULTURA

Ganho de peso é otimizado com temperaturas ideais 50

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Fonte de calor para as aves é decisiva A Embrapa alerta para alguns cuidados na produção de frangos nesta estação mais fria do ano para evitar perdas na produtividade

A

chegada do inverno traz preocupações extras para os produtores de frangos de corte em regiões mais frias, como o Sul do Brasil. Segundo a Embrapa Suínos e Aves, empresa de pesquisa agropecuária vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é preciso estar atento ao manejo dentro do aviário. “Se ocorrerem erros neste período, o lote certamente terá quebra de produtividade”, alerta o pesquisador Paulo Sérgio Rosa. Nos aviários mais modernos, em que a automação e climatização são priorizadas, o período requer principalmente a oferta de uma fonte suplementar de calor. Para obter o melhor resultado, o produtor deve, primeiramente, concentrar as aves em um espaço em torno de 30% a 40% da área total do aviário, especialmente nos três primeiros dias de alojamento dos pintainhos. Essa concentração pode ser feita por meio de divisórias e o uso de forro de lona plástica.

Sem estresse A redução do espaço vai até os 21 dias de vida da ave. É importante ressaltar que essa área para os pintainhos deve ser ampliada na medida em que eles aumentam de tamanho, de modo a manter o bem-estar e o acesso à alimentação e água sem provocar estresse. Por este espaço confinado, o mais comum é que sejam distribuídas campânulas, alimentadas com gás. Também é preciso oferecer às aves uma ventilação mínima. Para isso, devem ser feitas pequenas aberturas no forro do aviário. Há também aviários com sistema de aquecimento com fornalha central, alimentada com lenha. Essa fornalha, que fica ao lado do aviário, fornece calor distribuído por uma

tubulação metálica e exige um acompanhamento de perto pelo produtor para que todos os frangos realmente tenham acesso ao ar quente. É importante que o avicultor tenha o conhecimento básico de funcionamento, operação e manutenção dessa fornalha, que pode ser obtida com o fabricante. Todos esses procedimentos servem para atender às recomendações mais atualizadas referentes às temperaturas de conforto para as aves.

Dia após dia De acordo com o pesquisador Paulo Sérgio Rosa, o ideal é que o ambiente de criação das aves ofereça 35 graus centígrados no primeiro dia. A partir do segundo dia, a temperatura deve ser reduzida gradativamente até chegar por volta dos 30 graus no sétimo dia. Do sétimo ao 14º dia, a temperatura pode variar até os 28 graus. Do 14º ao 21º dia, a temperatura pode decrescer de 28 para 26 graus. Depois dos 21 dias, a temperatura não pode baixar de 21 graus e não ficar acima dos 26 graus. Garantir as temperaturas ideais de acordo com a idade dos frangos, melhora o conforto, otimizando a conversão alimentar e o ganho de peso. Jean Vilas Boas Embrapa Suínos e Aves

Curiosidade Há também aviários com sistema de aquecimento com fornalha central, alimentada com lenha A Lavoura - Nº 697/2013

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animais de estimação

Cuidados preventivos, como alimentação balanceada e não exposição dos animais a situações de estresse, são a melhor maneira de evitar doenças estomacais

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os humanos, a queimação no estômago, a má digestão, a sensação de estufamento e as dores abdominais são indicativos de que alguma coisa está errada. Nos pets, os sintomas só serão identificados por meio do comportamento dos animais e, por isso, a prevenção é a melhor forma de evitar o risco de doenças.

Algumas causas que resultam no aparecimento de úlceras e gastrites, entretanto, apresentam maior dificuldade de prevenção. Esse é o caso da herança genética e da gastrite provocada pela bactéria Helicobacter pylori. A médica veterinária Isabella Vincoletto explica que o estresse é uma das principais causas de gastrite, especialmente devido à redução da imunidade do animal, o que facilita a ação da bactéria Helicobacter pylori. “Essa bactéria destrói a proteção da mucosa do estômago, predispondo a lesões na parede do órgão.

Os sintomas de gastrite podem ser observados através do comportamento dos animais 52

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A lesão gástrica provoca dores abdominais, vômitos, perda de apetite e emagrecimento Além da alimentação balanceada, é importante não colocar o animal em situações de estresse e só medicá-lo quando estritamente necessário. O uso excessivo de anti-inflamatórios também contribui para o aparecimento da doença”.

Sinais clínicos A lesão gástrica provoca dores abdominais, muitas vezes associadas a vômitos, perda de apetite e emagrecimento. O exame físico é pouco útil para o diagnóstico. É muito importante estar atento ao comportamento do

Silvia Marinho

Estresse e má alimentação podem desencadear úlceras e gastrites em cães e gatos


Divulgação

animal e, no caso de alguma anormalidade, procurar um médico veterinário de sua confiança.

Diagnóstico O diagnóstico de úlceras e gastrites em cães e gatos é feito por meio de endoscopia. Quando necessário, pelo procedimento, também é feita coleta de material para biópsia.

Gel para saúde bucal Periovet Gel atua na manutenção da saúde e da higiene bucal de cães e gatos

Tratamento O tratamento de úlceras e gastrites em cães e gatos consiste no uso de medicamentos que aliviam os sinais clínicos do animal, além da eliminação da causa subjacente.

P Divulgação

ara oferecer ainda mais cuidados e saúde aos pets, a Vetnil, um dos principais laboratórios de produtos veterinários no Brasil, desenvolveu uma solução em prol da saúde e higiene bucal de cães e gatos: o Periovet Gel.

Rações especiais para pets

Já disponível na forma líquida, a novidade agora é o produto no formato de gel. A inovação, considerada um gel dental para pets, é pioneira no Brasil. Trata-se de um gel sabor menta a base de Digluconato de Clorexidina a 0,12%, para auxílio da manutenção da saúde bucal e do controle da halitose.

As rações especiais são elaboradas com ingredientes nobres

É capaz de promover a higienização da cavidade oral através da aplicação sobre as superfícies dentárias e gengivais. Trata-se de um produto determinante para a higienização oral especialmente antes, durante e após avaliações e procedimentos na cavidade.

Evialis aperfeiçoou suas linhas de produtos Premium Especial e Super Premium para cães e gatos. As linhas Must e Ciclos Evolution passaram por inovações para atender aos Pets de alta performance e aos donos mais exigentes.

O Periovet Gel vem em embalagens com 25g. De acordo com a veterinária da Vetnil, Isabella Vincoletto, para manter a higiene bucal dos cães e gatos, o ideal é realizar escovação diária, que deve ser realizada com escova macia e produtos específicos para os pets.

A

A linha Must é um alimento Premium Especial para cães, formulado com ingredientes nobres, de alto valor nutricional e com sabor atrativo para os animais. Foi elaborado para proporcionar aos cães filhotes um desenvolvimento saudável e a os cães adultos uma vida com muita energia. De acordo com a Evialis, a Linha Must leva nutrientes funcionais que intensificam a saúde e equilíbrio da flora intestinal dos cães, proporcionando uma pelagem macia e bonita.

Novo conceito A Linha Ciclos Evolution traz um novo conceito de alimento Super Premium. Elaborada especialmente para

atender as necessidades nutricionais específicas para o ótimo desenvolvimento de cães filhotes de raças gigantes, grandes, pequenas e médias, e também cães adultos. Há ainda a versão exclusiva para gatos. Já a Linha Ciclos Evolution traz em sua fórmula os nutrientes funcionais condroitina e glicosamina, que previnem desgastes nas articulações de cães de grande porte. A fórmula do alimento para cães adultos de pequeno e médio porte traz também hexametafosfato de sódio para ajudar na prevenção de acúmulo de tártaro causadora do mau hálito de cães. A Lavoura - Nº 697/2013

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NOVIDADE

A casca do maracujá BRS Pérola é verde com listras brancas, parecida com a de uma melancia

Sabor

cativante 54

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Da biodiversidade do Cerrado, um maracujá especial: a primeira cultivar de maracujazeiro silvestre registrada e protegida do mundo


Fabiano Bastos

Se o gosto e a aparência — bem diferentes dos maracujás comerciais (Passiflora edulis) — podem surpreender os consumidores, as vantagens para os produtores são inúmeras. Após quase 20 anos de seleções de variedades silvestres de Passiflora setacea (popularmente conhecida como sururuca, maracujá de cobra ou maracujá-do-sono) de diferentes regiões de Cerrado, os pesquisadores obtiveram um material mais produtivo, com maior tamanho de fruto e resistente às principais doenças do maracujazeiro azedo comercial. Por ser silvestre, a planta é polinizada por morcegos e insetos notívagos, dispensando a polinização artificial, facilitando bastante o trabalho do agricultor.

Quádrupla aptidão Como se não bastasse, o maracujá BRS Pérola do Cerrado tem quádrupla aptidão. Além de poder ser consumido in natura, é uma alternativa para o mercado de frutas especiais destinadas a indústrias de sucos, sorvetes e doces. As belas flores brancas e a ramificação densa permitem o uso para o paisagismo de grandes áreas. De quebra, apresenta características funcionais: a casca tem alto teor de fibras, a polpa é rica em antioxidantes e o óleo das sementes contém Ômega 6, importante na prevenção de doenças degenerativas.

Produção A produtividade anual pode variar de 20 a 35 toneladas por hectare, dependendo do sistema de condução das plantas. O índice é muito superior ao da média nacional, cerca de 15 toneladas/hectare/ano. As condições de cultivo e produção são semelhantes às do maracujazeiro azedo. A produção dos frutos começa a partir dos oito meses de vida da planta, que produz , pelo menos, quatro anos, mas pode chegar a 15 com manejo adequado. O fruto pesa entre 50g e 120g, com rendimento de polpa em torno de 35%.

A

casca verde com listras brancas lembra a de uma melancia, mas o tamanho se assemelha ao de um limão. E basta cortar a fruta e provar a polpa amarela, que o sabor adocicado cativa os paladares mais desconfiados. Acredite ou não, trata-se de um maracujá. Mais do que isso: é o fruto da primeira cultivar de maracujazeiro silvestre registrada e protegida no mundo, desenvolvida pela Embrapa e disponibilizada para a sociedade brasileira. A cultivar BRS Pérola do Cerrado foi lançada em maio na Embrapa Cerrados (Planaltina, DF).

“O BRS Pérola do Cerrado produz o ano inteiro sob irrigação, com pico de produção na época das chuvas (dezembro a março) e uma segunda safra entre junho e setembro (período seco). Entre uma safra e outra, a produção diminui, mas não para”, garante a pesquisadora Ana Maria Costa, coordenadora da Rede Passitec — Desenvolvimento Tecnológico para uso funcional das passifloras silvestres, que reúne mais de 100 pesquisadores de 27 instituições e gera informações sobre o uso e o aproveitamento de passifloras silvestres para o fortalecimento da cadeia produtiva. “Esse maracujá não vai competir com o azedo (comercial). É um fruto que veio para agregar valor e diversificar os sistemas de produção dos fruticultures”, explica o pesquisador Fábio Faleiro, responsável pelo programa de melhoramento genético do maracujazeiro silvestre da Embrapa. Isso porque a nova cultivar frutifica nas condições de outono-inverno do Brasil Central, possibilitando a produção na entressafra do maracujá azedo. A Lavoura - Nº 697/2013

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NOVIDADE Sem polinização manual

Nos últimos cinco anos, Geraldo Magela, extensionista da Emater-DF, acompanhou o trabalho de validação a campo junto aos produtores do DF. Ele acredita que o BRS Pérola do Cerrado vai representar um avanço na cultura do maracujá no Brasil. “É um material rústico e que não precisa de polinização manual. Além de tudo, é muito saboroso. Será um sucesso”, aposta. Os produtores que participaram da validação do novo maracujá também estão confiantes. “A produtividade é muito boa. Muita gente está me pedindo e logo vou ter as frutas para vender”, diz Lucília Evangelista, produtora em Planaltina (DF). “Minha expectativa é maravilhosa, e digo que a aceitação é total. Todos que provam, amam”, completa Leda Gama, que está produzindo o maracujá em sistema orgânico na chácara onde mora, em Sobradinho (DF).

Breno Lobato

Para que a nova cultivar de maracujá pudesse ser desenvolvida e entregue aos agricultores, houve a integração de duas grandes redes de pesquisa, coordenadas pela Embrapa: a de melhoramento genético do maracujazeiro e a Rede Passitec. As redes contaram com o apoio das unidades da Embrapa, instituições de ensino, extensão rural e assistência técnica, além de produtores do Distrito Federal e de sete Estados, num esforço nacional para a geração rápida de conhecimento. A equipe tem avaliado desde os aspectos de produção, até possíveis alegações medicinais, ainda em estudo.

A produtividade anual pode variar de 20 a 35 toneladas por hectare

Mercado promissor O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá — foram 920 mil toneladas em 2010. Quase toda a produção é destinada ao mercado interno. Existem cerca de 200 espécies de maracujá no País, sendo 50 com potencial comercial. No entanto, apenas a cadeia produtiva do maracujá azedo comercial está estruturada. A Embrapa disponibiliza para o mercado as cultivares de maracujá azedo BRS Gigante Amarelo, BRS Ouro Vermelho, BRS Sol do Cerrado e BRS Rubi do Cerrado. Com a chegada do BRS Pérola do Cerrado, já em produção em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal, a Empresa aposta na boa aceitação do maracujá silvestre por agricultores e consumidores. “O posicionamento de mercado foi como fruta especial. Ela chega como oportunidade para os produtores”, explica a pesquisadora Keize Junqueira, supervisora de Sementes e Mudas da Embrapa Produtos e Mercado (Brasília, DF). Dois viveiristas foram credenciados para comercializar as mudas. Elas podem ser reservadas nos Viveiros Flora Brasil, pelo telefone (34) 3242-1357, e no Viveiro Tropical, pelo (61) 9997-1401. As sementes não são vendidas, pois precisam de tratamento com fitohormônios para aumentar o percentual de germinação e a uniformidade das mudas.

Allan Ramos

Breno Lobato Embrapa Cerrados

Informações www.cpac.embrapa.br/lancamentoperola/

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Embrapa Cerrados

BRS Rubi do Cerrado se destaca pela maior resistência às principais doenças do maracujazeiro

A superioridade da Rubi do Cerrado Uma variedade de maracujá mais resistente às principais doenças do maracujazeiro, como virose, bacteriose, antracnose e verrugose, foi desenvolvida e lançada no final do ano passado pela Embrapa Cerrados. O híbrido de maracujazeiro-azedo foi batizado de BRS Rubi do Cerrado. A variedade foi obtida com base no melhoramento populacional por seleção recorrente e obtenção e avaliação de híbridos inter e intraespecíficos. Os primeiros cruzamentos foram realizados em 1998, utilizando acessos comerciais e silvestres de maracujá. Nas condições do Distrito Federal e Mato Grosso, dependendo da forma de manejo da cultura, a BRS Rubi do Cerrado pode atingir produtividades superiores a 50 toneladas por hectare, no primeiro ano de produção. Produz aproximadamente 50% de frutos de casca vermelha ou arroxeada com peso de 120 a 300 gramas (média de 170g) e rendimento de suco em torno de 35%. Trata-se de um material de dupla aptidão, tanto para mesa quanto para a indústria, com melhor

Já no primeiro ano de produção, variedade pode produzir 50t./ha, com frutos de até 300g

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Clarissa Lima Paes

NOVIDADE

A variedade BRS Rubi do Cerrado tem rendimento de suco de 35%, em média

resistência ao transporte, maior tempo de prateleira e elevados níveis de resistência às principais doenças do maracujazeiro.

Chegar a esse resultado só foi possível com um árduo trabalho de melhoramento genético, em que os primeiros cruzamentos foram realizados em 1998”, ressaltou.

Não às geadas

Sementes

Com base nas áreas de avaliação, há indicadores da adaptação da cultivar na altitude de 376 m a 1.100 m, latitude de 9° a 23°, plantio em qualquer época do ano (quando irrigado) em diferentes tipos de solo. Em regiões com estações chuvosa e seca bem definidas, recomenda-se o plantio no início da estação seca. Não se adapta a regiões sujeitas a geadas e a solos sujeitos ao encharcamento.

A comercialização das sementes da BRS Rubi do Cerrado é feita pela Embrapa Produtos e Mercado, escritório de Campinas-SP. Os produtores e viveiristas interessados na nova cultivar deverão solicitar a reserva de sementes, que estão sujeitas à disponibilidade de estoque. Após o cadastro de reserva, o cliente deverá aguardar o contato da Embrapa, por email.

O pesquisador da Embrapa Cerrados, Fábio Faleiro, destacou seus maiores níveis de resistência às principais doenças do maracujazeiro (virose, bacteriose, antracnose e verrugose). “O diferencial do BRS Rubi do Cerrado é ter níveis de resistência às doenças superiores às atuais cultivares disponíveis no mercado.

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Informações Acesse: www.campinas.spm.embrapa.br Telefones: (19) 3749-8888 fax (19) 3749-8890 ou email sac@campinas.spm.embrapa.br


Por uma agricultura mais orgânica Controle biológico e insumos orgânicos são cada vez mais utilizados na agricultura convencional. Eficácia e redução de custos são os principais motivos para esse movimento, porém a legislação e a demora nos registros emperram o crescimento do setor.

fitossanitário com uso aprovado para agricultura orgânica.

ensar em sustentabilidade pode ser muito mais do que respeitar o meio ambiente. Redução de custos e maior produtividade são algumas das vantagens em longo prazo para quem utiliza práticas sustentáveis e técnicas alternativas de cultivo, reduzindo danos ambientais.

Atrás desse nicho, outras grandes empresas conhecidas por seus portfólios de agrotóxicos, começaram a migrar seus investimentos para estes produtos. A Bayer CropScience anunciou, no início do ano, a compra da também alemã Prophyta, fornecedora de produtos microbianos para proteção de lavouras.

André Guimarães, da Conservação Internacional, organização que utiliza ferramentas científicas e econômicas na promoção da chamada Economia Verde, aponta um exemplo do controle biológico na agricultura convencional: “No Brasil praticamente todos os produtores de soja, hoje, utilizam o baculovirus para combater a lagarta da soja. Além de preservar o solo e água, devido a não utilização de defensivos tóxicos, o vírus é muito mais econômico”.

Entretanto, o Brasil ainda tem muito que fazer para fomentar o sucesso desse tipo de produto. Quando se fala em registro pelos órgãos responsáveis de insumos ou fitossanitários, o quadro que se vê não é dos melhores.

A Embrapa Soja estima que o baculovirus seja responsável por uma economia de mais de R$ 13 milhões por ano, uma vez que elimina a aplicação de aproximadamente 1,2 milhão de litros de inseticidas nas lavouras brasileiras. “A sustentabilidade é um caminho inevitável quem seguir o caminho contrário estará fora do mercado”, afirma André.

Biológicos em cena Muitos agricultores já perceberam as vantagens de utilizar insumos orgânicos e controle biológico na produção. É o que diz Gustavo Ranzani Herrmann, diretor industrial Koppert Itaforte, líder mundial em proteção biológica de plantas e polinização natural. “O controle biológico vai além do mercado de produtos orgânicos, pois há uma demanda crescente no mercado convencional, por conta de problemas com resíduos químicos, exigências de mercado e resistência de pragas e doenças”. A Koppert, presente nos cinco continentes com 25 subsidiárias, ano passado faturou € 120 milhões e, segundo Herrmann, pretende investir pesado no mercado brasileiro, “cerca de US$ 50 milhões nos próximos cinco anos”. “Além disso, de 10 a 15% do faturamento serão investidos em pesquisa e desenvolvimento”.

“A lentidão dos processos é assustadora e transparência é algo que também não existe!”. A frase é de Ulrike Loewenhaupt, uma das pessoas engajadas na aprovação de insumos orgânicos no país. Ela se refere à falta de informação e de vontade política no diálogo entre o movimento orgânico, o Governo e seus representantes, mais especificamente o MAPA. Em 2009, o então presidente Lula, emitiu o Decreto 6.913/09 que previa registro diferenciado dos Insumos Orgânicos dentro da Lei dos agrotóxicos 7.802/89. Ulrike explica: “Achávamos que a regulamentação deste Decreto iria progredir em tempo hábil, o que não aconteceu, e, no primeiro dia de 2011, entrou em vigor a Lei orgânica 10.831/03, que obrigava a certificação somente de insumos com registro no MAPA”.

Divulgação

Entre os lançamentos deste ano, a Koppert apresenta o “Spical”, um ácaro que se alimenta de outros ácaros nocivos à agricultura, indicado especialmente para o cultivo de morangos. O Neoseiulus californicus, conhecido simplesmente por ácaro predador, é um dos insumos registrados no MAPA como produto

Insumos a espera de aprovação

Laboratório da Koppert: investimentos de US$ 50 milhões no Brasil

Divulgação

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Ácaro Neoseiulus em ação A Lavoura - Nº 697/2013

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Ulrike viu o seu produto, o Rocksil, perder o registro. O defensivo à base de pó de rocha, está há três anos aguardando ser avaliado pelo MAPA. Outros insumos também estão na espera pelo registro, que pode ser feito pela lei de agrotóxicos ou pelo decreto dos fitossanitários. Em ambos, o tempo de registro é demorado.

Dificuldades para o registro Falta de profissionais e de diálogo entre os órgãos responsáveis colaboram para a lentidão nos processos de análise e registro de insumos. “Tanto para o registro de um agrotóxico convencional, como para um produto fitossanitário, não há técnicos suficientes para a demanda existente. E as condições de trabalho também são desfavoráveis”, afirma a engenheira agrônoma do MAPA, Letícia Altafin, responsável pela fiscalização e registro de agrotóxicos e produtos fitossanitários com uso aprovado para agricultura orgânica. “Para os insumos orgânicos, por existir uma lei específica, o tempo para registro é de até 70 dias, para os agrotóxicos convencionais pode levar de 3 a 5 anos”, informa. No caso dos insumos orgânicos, outro problema consiste no fato de a regulamentação ser feita por três órgãos: MAPA, ANVISA e IBAMA. Ulrike aponta que, “quando questionados, cada órgão joga a responsabilidade sobre o outro”. Altafin acredita que “um sistema digital e unificado entre os três órgãos daria mais agilidade ao processo”.

O Brasil, desde 2008, é campeão mundial no uso de agrotóxicos. Segundo dossiê feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), 1/3 dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado. Dados da Fiocruz apontam que em 2010, 5.463 pessoas foram vítimas de intoxicação por agrotóxicos. Os casos mais graves causam transtornos neurológicos, levando à depressão profunda. Dos 195 óbitos causados por intoxicação de agrotóxicos, 175 foram suicídios. Concentrar esforços na aprovação de insumos alternativos e sustentáveis para agricultura significa poupar recursos naturais não renováveis, como o solo e a água e valorizar a saúde dos agricultores e trabalhadores rurais. Gabriel Chiappini

SNA marca presença no maior evento de orgânicos da América Latina

R

O estande do CI Orgânicos, projeto da SNA com o apoio do Sebrae, na BioBrazil Fair | Bio Fach 2013 recebeu a visita da secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônika Bergamaschi, entre outras autoridades do setor e parceiros. Sylvia Wachsner, coordenadora do CI Orgânicos, comemorou o sucesso da abertura do evento: “Estamos conseguindo promover negócios importantes e uma grande troca de experiências. Os parceiros estão muito satisfeitos. A expectativa é que tenhamos muitos visitantes”.

Márcio Shaffer

ealizada de 27 a 30 de junho, na Bienal do Ibirapuera (São Paulo), a Bio Brazil Fair | BioFach América Latina reuniu mais de 200 expositores nacionais e internacionais, atraindo um público de 21.485 pessoas e um número de compradores profissionais 20% superior ao do ano passado. A abertura do evento no fim de semana favoreceu o contato direto do público com os produtores, que promoveram degustação de alimentos e apresentação de cosméticos, confecção e suporte à produção.

Produtos inovadores em exposição Entre as atrações do estande do CI Orgânicos e da Organics Net no evento, produtos e novidades de seus parceiros. A Epicuro promoveu o lançamento de bebidas orgânicas energéticas à base de guaraná, como o A21, que tem o mesmo teor de cafeína dos energéticos convencionais, mas é feito à base de gua60

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Criada para a ocasião, a Árvore da Sustentabilidade atraiu visitantes, que fizeram questão de anexar mensagens com suas opiniões sobre o tema


Cristina Baran

raína, que substitui a taurina. Ainda no setor alimentício, o espaço da SNA contou com a parceria da empresa Amora Verde, que lançou o palmito de palmeira real em conserva. Para alérgicos a produtos de limpeza, a Cassiopeia apresentava a linha Bio Wash Eco, lava-louças que tem composição 97% natural e não possui derivados de petróleo em sua fórmula. Já a Preserva Mundi, outra empresa parceira, divulgava seus produtos à base de Neem, árvore de origem indiana cujo princípio ativo serve tanto como defensivo, antiparasita e repelente naturais, quanto para a fertilização orgânica.

Intercâmbio Além da venda direta ao consumidor final a preços diferenciados, os expositores trocaram experiências e, muitos, deram início a futuras parcerias. Egon Bertolaccini, do Café Terrara, marca que faz parte da Indicação Geográfica “Norte Pioneiro do Paraná”, surpreendeu-se com o “consumidor consciente e informado” presente ao evento e com a quantidade de lojistas interessados em vender seu produto. A Takaoka Orgânicos, de Iaras (SP), aproveitou o evento para ganhar visibilidade junto ao consumidor final das frutas, legumes e, em breve, legumes que fornece para grandes redes de supermercado.

Orgânicos do Sul O Rio Grande do Sul marcou presença com um amplo estande no evento reunindo produtores da agricultura familiar para fortalecer os negócios no mercado orgânico. Participaram 16 expositores, entre eles, Ari Baroto, representante da Coopeg, de Garibaldi.

Alface e tomate Com um investimento de R$ 16 milhões, cifra grandiosa quando se fala em orgânicos, a Fazenda Rio Bonito, de Itatinga (SP) tornou-se uma das principais fornecedoras de mini alfaces (sala novas), verde e roxa, e tomates especiais, como o sweet grape, para as grandes redes de varejo que atuam no país. Alex Lee, diretor da empresa, esteve na Bio Brazil em busca de novos negócios. “Nosso principal objetivo nesta feira é conseguir mais fornecedores, queremos focar na comercialização dos nossos produtos”, afirmou Lee.

Conservas Com inspiração na culinária internacional, o Armazém Sustentável levou para seu estande conservas, molhos e geleias orgânicas. Tudo é produzido no Brejal, região tradicional da Serra Fluminense, hoje referência na produção de orgânicos. De olho em um nicho de mercado, a Blessing, que

O estande da Rio Bonito chamava atenção dos visitantes, pois era um verdadeiro jardim de mini alfaces verde e roxa, distribuídas ao público no fim do evento.

participa pelo terceiro ano da feira, apresentava sua nova linha de geleias sem adição de açúcar, entre elas a de figo, premiada com duas estrelas (o máximo são três) no concurso internacional promovido pelo International Taste & Quality Institute (ITQI).

Fórum Internacional O 9º Fórum Internacional de Agricultura Orgânica e Sustentável reuniu alguns dos mais importantes nomes do mercado mundial de orgânicos, entre eles o diretor da Canada Organic Trade Association (COTA), Mathew Holmes; a gerente Geral da MetaBrand, Janis Grover; a consultora internacional e ex-presidente da IFOAM, Katherine Di Mateo; e o indiano Amarjit Sahota, diretor executivo do instituto de pesquisa Organic Monitor. O Coordenador Executivo do Projeto Organics Brasil, Ming Liu, lembrou que atualmente o mercado de orgânicos no País movimenta R$ 1,5 bilhão, dos quais 30% referentes às exportações de empresas que fazem parte do projeto. Diante do rápido crescimento do mercado, especialmente após a regulamentação de 2011, Liu acredita que nos próximos anos esse número alcance dois dígitos. Já a coordenadora do CI Orgânicos Sylvia Wachsner levantou, entre outros pontos, a necessidade de o governo agilizar a autorização do uso de insumos orgânicos, cujo atraso limita o crescimento do setor. “Estamos cobrando uma resposta do Ministério da Agricultura sobre os insumos orgânicos, o processo está parado há mais de três anos e ainda não se tem a liberação. Enquanto isso, insumos convencionais são liberados frequentemente. Se queremos que a agricultura orgânica cresça, precisamos dessa decisão imediata”, defende ela. Gabriel Chiappini e Paula Guatimosim

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Arquivo IAC

lançamento

A IAC Milênio tem produtividade média de 2.831 kg/ha

Feijão é milésima

cultivar do IAC Instituto Agronômico (IAC) chega a cultivar de número mil com o lançamento do feijão IAC Milênio

O

Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, chegou a cultivar mil no mês de junho com o lançamento da cultivar de feijão carioca IAC Milênio, uma das 90 espécies estudadas no IAC. O resultado marcante na ciência agrícola coincide com os 126 anos do IAC, fundado em 1887. Ainda em 2013, o Instituto lançará cultivares de cana-de-açúcar, amendoim, citros, arroz e quiabo. “De 2013 a 2022, 175 novas cultivares devem ser registradas, uma média de 18 por ano, ou uma nova cultivar a cada 62

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21 dias”, diz Sérgio Augusto Morais Carbonell, diretor-geral do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Carioca Na década de 70, o IAC desenvolveu o tipo de feijão carioca, o mais consumido no Brasil até hoje. De lá para cá, 42 cultivares de feijoeiro foram desenvolvidas e aperfeiçoadas,


Arquivo IAC

pois este é o objetivo do melhoramento genético de plantas, carro-chefe do Instituto Agronômico. “Esta continuidade mostra que o Instituto Agronômico segue produzindo ciência agrícola com elevada competência, com resultados que atravessam décadas e a mesma credibilidade junto aos setores de produção”, avalia Sérgio Augusto Morais Carbonell, diretor-geral do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A permanência da adoção das tecnologias IAC é fruto dos benefícios gerados junto às diversas cadeias do agronegócio. De acordo com Carbonell, a ciência agrícola contribuiu para o feijoeiro se tornar um negócio, deixando de ser cultura de subsistência. “Estamos na nona geração do feijão carioca, já resolvemos problemas fitossanitários e agora focamos na qualidade nutricional do produto”, diz o diretor do IAC.

Diferencial O diferencial da cultivar IAC Milênio não está restrito a uma característica, mas ao pacote tecnológico composto por qualidade de grão de alto padrão no mercado, com caldo espesso e bom rendimento de panela, alta produtividade, porte ereto que viabiliza colheita mecanizada, resistência à antracnose e à murcha de Fusarium. A antracnose é uma doença que danifica folhas e vagens, depreciando o produto. A murcha de Fusarium, principal doença da raiz, leva a planta à morte. “A resistência a essas doenças reduz em cerca de 30% a aplicação de agrotóxicos. Hoje o agricultor tem alto custo para controle da antracnose”, explica o pesquisador Alisson Fernando Chiorato. No Brasil, o melhor trabalho envolvendo esta doença é do IAC. Ele afirma que o custo total de produção do feijoeiro varia de R$ 2 mil a R$ 6 mil, por hectare, sendo que grande parte desse montante envolve produtos químicos de prevenção e controle de pragas e doenças. A qualidade do grão de alto padrão do IAC Milênio é a mesma do IAC Alvorada, lançado em 2008, que apresenta grãos claros e inteiros após o cozimento, com tamanho e formato almejados pela indústria, além de caldo encorpado apreciado pelo consumidor. Entretanto, o IAC Alvorada é suscetível à murcha de Fusarium e, por esta razão, hoje é produzido em áreas novas do feijoeiro, onde não há infestação da doença e em propriedades com alta tecnologia. Chiorato afirma que o IAC Alvorada seria um dos feijões mais plantados no Brasil, não fosse a suscetibilidade à doença.

Aval dos produtores A avaliação do pesquisador é confirmada pela opinião de usuários da tecnologia IAC. “Plantei por dois anos a IAC Alvorada, mas parei porque ela era muito sensível a doenças. O Alvorada é um feijão com grãos de qualidade e produtividade excelentes. Até hoje foi

A IAC Milênio tem alto padrão de qualidade no mercado

o feijão com maior produtividade na minha propriedade. Se não fosse a sensibilidade das raízes à doença, eu continuaria plantando. No ano passado, plantei o IAC Formoso porque ele é mais resistente a doenças”, diz Mariana Figueiredo Bergamo Salvador, que cultiva 443 hectares de feijão irrigado em Avaré, interior paulista. O pesquisador explica que o IAC Milênio vem do melhoramento do IAC Alvorada, com a mesma qualidade do grão e a vantagem de ser resistente à murcha de Fusarium. É exatamente o perfil desejado pela agricultora Mariana Bergamo. “Se tivesse semente de um feijão parecido com o Alvorada, mas resistente a doenças, eu plantaria com certeza”, diz. Esta soma de qualidades atribui ao IAC Milênio potencial para ser uma das cultivares mais plantadas no Brasil. “Atualmente, cerca de 20% do mercado nacional de feijão são ocupados por materiais do Instituto Agronômico. Na região de Goiás, na safra 2012/2013, foram produzidos 530 mil quilos de sementes da cultivar IAC Formoso, lançado em 2010”, afirma o pesquisador. Segundo Chiorato, é uma presença bastante elevada, considerando a alta tecnologia envolvida nas instituições públicas brasileiras dedicadas ao melhoramento do feijoeiro.

Produtividade A cultivar IAC Milênio tem produtividade média de 2.831 kg/hectare, que é semelhante a outros materiais do mercado, e potencial produtivo de 4.625 kg/hectare. “São Paulo tem a maior produtividade média por área no Brasil, em torno de 1.800 quilos por hectare, que ainda é considerado baixo, frente ao potencial produtivo da cultura, que fica acima de 4.000 quilos por hectare”, explica Chiorato. O IAC Milênio é recomendado para a época das águas (colheita feita de novembro até meados de janeiro) e da seca (colheita em março e abril) nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Em 2014, a recomendação será estendida para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro. “Chegar a cultivar mil com um material de feijão, adaptado a várias regiões, é muito significativo para o Instituto por se tratar de um alimento muito presente na dieta do brasileiro, além de ser um grão carioca, o mais consumido no Brasil e que foi gerado pelo Instituto Agronômico de Campinas”, comemora Carbonell. Carla Gomes

Assessora de Imprensa IAC

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Roçadeiras para combater queimadas e incêndios

Husqvarna

EMPRESAS

Equipamentos substituem pás, facões e machados, garantindo eficiência e segurança ao trabalho Em decorrência da falta de chuvas nesta época do ano em diversas regiões do país, os incêndios e as queimadas em pastos e vegetações são frequentes. Sofrem a população que reside próximo a essas áreas, o ecossistema, os animais e também os produtores rurais, com o prejuízo da perda de plantações e pastos. Entre as principais soluções apontadas para conter o problema, está a confecção do aceiro, que é uma faixa ao longo das cercas, na qual a vegetação é retirada por completo do solo. Com este trabalho, evita-se que o fogo se alastre para a área de pasto ou de vegetação, e também para perto dos animais. Como solução em equipamento e maquinário para realizar esse tipo de trabalho, no lugar de pás, facões e machados, a Husqvarna indica sua linha de roçadeiras. Equipamentos de alta tecnologia, muito eficientes e de fácil manuseio, as roçadeiras são ideais para o corte de mato e da vegetação de pequeno e médio porte. Além disso, são máquinas leves, ajustáveis, ergonômicas e que vão garantir o resultado perfeito na retirada da vegetação nos dois lados da cerca para a confecção dos aceiros, explica o fabricante. Outra vantagem é que entre os vários modelos, existem as roçadeiras com tecnologia exclusiva X-TORQ®, que proporciona reduções de até 20% no consumo de combustível e diminui em até 60% a emissão de poluentes, de acordo com as exigentes regulamentações ambientais globais.

Um dos modelos de roçadeiras XTORQ é a Husqvarna 533RS X-TORQ®, desenvolvida especialmente para usuários que necessitam de uma máquina robusta, fácil de manusear e de alta qualidade. Equipada de série com cabeçote com fio de náilon e lâmina de 3 pontas, além de embreagem reforçada, que facilita os trabalhos usando fios longos e lâminas de maior diâmetro. O equipamento ideal para acabamento e corte de grama entre 10 e 15 cm de altura, em serviços de limpeza em áreas verdes, canteiros de avenidas, áreas inclinadas e margens de rodovias. É uma ótima opção para limpeza urbana e de aceiros. www.husqvarna.com

Secadores com alta eficiência A multinacional Bühler, fabricante de equipamentos e fornecedora de processos e serviços para o processamento de cereais, fabricação de alimentos, moagem de pigmentos e produtos químicos, fundição de alumínio e manganês, além de revestimentos em superfícies ópticas, apresenta os Secadores Aeroglide, destinados às indústrias de alimentos, rações, mineração e química

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Segundo a Bühler, eles se destacam por promoverem uma secagem homogênea, por consumirem menos energia e por permitirem uma ampla variação de tamanhos e formas. São aplicados nas indústrias de ração para cachorros, gatos e peixes, além de nozes, castanhas e amendoim, frutas, vegetais, minérios e polímeros.

Vantagens para o mercado Um dos diferenciais dos Secadores Aeroglide é a sua alta capacidade de processamento. Podendo chegar até a 24 metros de comprimento, esses equipamentos podem processar de 1 a 20 toneladas por hora. www.buhlergroup.com


Produtos específicos para gado leiteiro Suplementos minerais prontos para uso, núcleos minerais para adicionar ao volumoso e/ou concentrado, proteicos energéticos e produtos para bezerros lactentes, todos específicos para gado de leite, são os produtos que o Grupo Matsuda já disponibilizou para o mercado agropecuário, resultado de intenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Matsuda

No total, são 25 produtos para rebanhos leiteiros criados em diferentes sistemas produtivos, ou seja, produtos específicos para animais criados a pasto, em sistema de confinamento ou semi-confinamento.

Linha de suplementos minerais da Matsuda

Suco de uva orgânico Já está disponível no mercado o novo suco de uva orgânico da Vinícola Salton. Elaborado a partir da variedade Bordô, o produto é proveniente de vinhedos localizados na Serra Gaúcha e auditados por empresa sob o controle do Ministério da Agricultura. O suco orgânico da Salton encontra-se à disposição dos consumidores na loja oficial da vinícola, localizada em Bento Gonçalves, e também em pontos de venda especializados em produtos naturais. Segundo a Salton, foi realizada, ao longo de três anos, a seleção de produtores e a certificação das uvas e dos processos para garantir um produto final 100% orgânico e de qualidade. Todo o processo de elaboração do novo suco de uva seguiu rigorosos processos. A empresa investiu fortemente em pesquisa e certificação. Desde o monitoramento das culturas, que devem ser livres

De acordo com a Matsuda, a linha completa de suplementos minerais da empresa, destinada especificamente ao gado leiteiro, é resultado de intenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Essa grande quantidade de produtos destinados exclusivamente ao gado leiteiro tem como objetivo disponibilizar produtos de qualidade e específicos para cada categoria animal dentro de uma propriedade produtora de leite. Segundo a empresa, existem muitas diferenças regionais na atividade leiteira, na qual animais de diferentes raças e cruzamentos são criados com diferentes alimentos, manejos e condições climáticas, tornando necessário o uso, também, de suplementos minerais diferentes para cada realidade. Para isso, existem produtos específicos para bezerras (os), novilhas, vacas em lactação, vacas no período seco e vacas de pré-parto. A empresa destaca que a evolução da pecuária leiteira brasileira depende de novos desafios para a atividade. Por isso, é preciso se focar na melhoria da produtividade, no uso de novas tecnologias, de equipamentos modernos, e melhorar a qualidade do leite. O objetivo é alcançar novos mercados e, para isso, é necessário ser cada vez mais eficiente como nosso rebanho leiteiro. www.matsuda.com.br

de herbicidas, até a elaboração diferenciada do produto, que exige tanques de armazenamento e produção isolados, tudo seguiu altos padrões de qualidade.

Compostos bioativos Rico em compostos bioativos, capazes de diminuir o dano causado pelo estresse oxidativo no organismo, o suco da Salton enquadra-se em rigorosos códigos internacionais de produção de orgânicos. Além de saudável, o produto conta com um rótulo que remete ao pensamento sustentável. Desenvolvido pela agência AG 21, o design faz referência ao papel reciclado e mostra um cacho de uva moderno e estilizado. Saboroso, o suco orgânico auxilia na prevenção de doenças e age como estimulante de diversas funções do corpo. Constitui, também, a base de remédios farmacêuticos para o fígado e é um poderoso digestivo, acelerando o metabolismo e proporcionando muita energia. www.salton.com.br/loja

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Pomicultura

mais sadios

No próximo ciclo produtivo da maçã, que se inicia no mês de outubro, a Embrapa e a Proterra planejam iniciar ações que visam racionalizar o uso de fungicidas nos principais polos brasileiros produtores

A

perda de eficácia dos agroquímicos usados no controle de doenças da macieira, devido ao desenvolvimento do mecanismo de resistência pelos fungos que as causam, levou a Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, e a Proterra Engenharia Agronômica, de Vacaria (RS), a adotarem técnicas para identificar os fungicidas que se tornaram ineficientes no manejo. Assim, tais produtos poderão ser substituídos por outros, com princípios ativos diferentes. O processo teve como base as contribuições do pesquisador Kerik Cox, da Universidade de Cornell, nos EUA, que esteve no Brasil participando de um seminário, no qual apresentou os métodos que permitem a detecção do desenvolvimento de resistência aos fungicidas pelos patógenos que causam danos à pomicultura.

Marcador molecular De acordo com as pesquisadoras Patricia Ritschel, da Embrapa Uva e Vinho, e Rosa Maria Valdebenito Sanhueza, da Proterra, as metodologias baseiam-se no uso de ‘marcadores moleculares’ que permitem a identificação de alterações no DNA dos patógenos. A técnica já é usada no Brasil em commodities como a soja, pelas próprias empresas fabricantes de fungicidas, como forma de monitorar a vida útil dos seus produtos. A iniciativa da Embrapa e Proterra será a pioneira no gênero na pomicultura do país. O início da obtenção dos métodos para viabilizar o acompanhamento contou com apoio da Estação Experimental de São Joaquim da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Ganho ambiental As pesquisadoras lembram que, em decorrência do monitoramento, serão beneficiados meio ambiente, consumidor e produtor. O ganho se dará pela interrupção do uso de um fungicida que não funciona e que só está “sujando” o ambiente, sem cumprir seu objetivo, que é controlar a doença. No médio e longo prazos, cogita-se a cooperação com a Universidade de Cornell para o desenvolvimento de métodos que permitam a 66

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Gilmar Ribeiro Nachtigall-Embrapa Uva e Vinho

Pomares de maçã

Maçãs do grupo Gala destaque para a forma e coloração da fruta

identificação de resistência em outros patógenos de interesse em cultivos de clima temperado, informa Patricia Ritschel.

Danos à cultura Nos últimos anos, as substâncias usadas no controle do fungo Venturia inaequalis, causador da sarna da macieira, por exemplo, vêm perdendo efetividade, em decorrência do desenvolvimento de resistência a vários dos princípios ativos dos fungicidas utilizados para o controle do Venturia. Isso porque o uso continuado de um determinado produto para o controle de patógenos, aumenta a porcentagem de indivíduos resistentes, até o ponto em que a aplicação não é mais eficiente. Neste momento, é necessário substituir o princípio ativo pelo qual os patógenos desenvolveram resistência, para manutenção de um nível adequado de controle. “Para controlar o fungo, atualmente o produtor é obrigado a fazer um maior número de aplicações, mas de produtos menos eficazes, justamente por conta do desenvolvimento da resistência”, explica a fitopatologista Rosa Maria Valdebenito Sanhueza, da Proterra. “Quando outro grupo de princípio ativo para controle de Venturia inaequalis estiver disponível, o que deve ocorrer em 2014, temos que ter muito bem definida a estratégia de uso, para não se correr o risco de o fungo novamente vir a apresentar resistência”, acrescenta. Nesse sentido, ressalta Rosa, a responsabilidade e os esforços devem ser compartilhados por toda a cadeia produtiva. “O desenvolvimento de resistência a princípios ativos, como nesse caso, é de responsabilidade de todos — de quem produz, de quem vende, de que recomenda e de quem usa fungicidas”, reforça a pesquisadora. Segundo ela, “se não for controlada, a ‘sarna da macieira’ pode causar perda total da safra e ainda comprometer a produção do ano seguinte”, alerta. Giovani Capra

Embrapa Uva e Vinho


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Leite: A revolução do balde cheio. Nova tecnologia: Consórcio milho + braquiária dá certo. Fruticultura: Morango e maracujá são destaques.

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