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REVISTASOBED Publicado pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Edição no 12 | Janeiro-Março 2011 ISSN 2179-7285

A polêmica dos

saneantes Novas resoluções podem beneficiar endoscopistas e equipes de enfermagem; se impasses forem resolvidos e se houver investimento em capacitação

DNA

Flávio Ejima analisa normatização, saneantes e resoluções da Anvisa

segurança

Furto de equipamentos endoscópicos em hospitais deixa endoscopistas em alerta

desafio

Revista SOBED inaugura seção ‘Teste seus conhecimentos’


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índice

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Edição 12

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Radar SOBED Programas, ações,eventos realizados pela Sociedade, reportagem especial com a programação 2011 das Oficinas SOBED e o trabalho desenvolvido na Comissão de Honorários Médicos

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dna

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em ação

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você

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ética

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segurança

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crônica

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por dentro

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teste seus conhecimentos

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Entrevista com o especialista e vice-presidente da SOBED, Flávio Ejima

Novas resoluções sobre saneantes, benefícios e polêmicas em debate

Endoscopista fala sobre a história do vinho e as relações com a saúde

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Artigo ressalta importância de se utilizar corretamente o termo ‘erro médico’

Roubos e furtos alertam endoscopistas quanto a segurança dos equipamentos

Experiência divertida com endoscopia é contada pelo escritor Mário Prata

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A qualificação do ambiente de trabalho, por José Luiz Gomes do Amaral

Notícias sobre assuntos do aparelho digestivo e da saúde em destaque, eventos nacionais e internacionais e composição da diretoria nacional, comissões e estaduais da SOBED

Passatempo informativo com questões técnicas e assuntos relacionados à especialidade

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editorial

Palavra do Presidente

Compromisso e responsabilidade Com grande satisfação, venho saudá-lo como presidente da SOBED e fazê-lo ciente dos últimos acontecimentos e principais objetivos de nossa gestão. Representar nossos Associados faz pesar sobre os ombros o dever de cumprir adequadamente este ato. Iniciamos há quatro meses e vínhamos acompanhando a gestão de Carlos Cappellanes, Revista SOBED é uma publicação trimestral da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva distribuída gratuitamente para médicos. O conteúdo dos artigos é de inteira responsabilidade de seus autores e não representa necessariamente a opinião da Sobed.

a quem agradecemos pela brilhante iniciativa de interação. Em 2011, grande desafio se estabelece com a X Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD). No formato atual, é a primeira vez que a SOBED será responsável pela realização do maior evento brasileiro do aparelho digestivo. Estamos ligados às sociedades irmãs como a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), focados

Jornalista responsável Roberto Souza (Mtb 11.408) Editor-chefe Fábio Berklian Editor Faoze Chibli Editores-assistentes Thiago Bento Rodrigo Moraes Reportagem Amanda Campos Marina Panham Projeto Editorial Fábio Berklian Projeto Gráfico Luiz Fernando Almeida Designers Leonardo Fial Luiz Fernando Almeida Felipe Santiago Foto de Capa Dreamstime Tiragem 3.000 exemplares

em apresentar uma excelente programação. Há uma causa, entre as mais importantes para a especialidade, que assumiremos com obstinação: honorários médicos e defesa profissional. Levaremos adiante proposta de implantar unidades estaduais de comissões de honorários médicos e defesa e ética profissional, a exemplo do que acontece no Paraná. Para discutir o assunto, a SOBED realiza em abril o I Fórum Nacional de Honorários Médicos e Cooperativsmo, em Curitiba (PR). Publicaremos reportagem especial sobre o encontro na próxima edição da revista. Em junho, Goiânia (GO) receberá outra grande atividade da SOBED, o 5º Simpósio Internacional de Endoscopia Digestiva. Confira a seguir mais informações sobre eventos em todo o País. Você pode notar que a Revista SOBED está de cara nova. As mudanças não são apenas visuais, mas no projeto editorial, com novas seções para intensificar a prestação de serviços ao Associado. Nesta edição, abordamos a questão dos saneantes, enfoque também da entrevista com Flávio Ejima – vice-presidente da SOBED, profundo conhecedor das resoluções da Anvisa e nosso representante junto à entidade. É o momento também de agradecer à diretoria executiva e a todos que fazem parte das comissões e aceitaram o desafio de conduzir nossa Sociedade por dois anos. Estendo o agradecimento a você, Associado, que depositou sua confiança para representarmos

Rua Cayowaá, 228, Perdizes São Paulo - SP CEP: 05018-000 11 3875-5627 / 3875-6296 rspress@rspress.com.br www.rspress.com.br

os endoscopistas do Brasil. Obrigado e boa leitura! Sérgio Bizinelli Presidente da SOBED Nacional

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RADAR sobed

sobed.org.br

enquete A SOBED está desenvolvendo as “Oficinas SOBED” e para isso gostaria de saber quais dos procedimentos abaixo você gostaria de ver nas próximas “Oficinas SOBED” Ligadura Elástica de Varizes de Esôfago 33% Esclerose de Varizes de Esôfago 11% Dilatação de Estenoses 30% Gastrostomias 26%

SOBED em Casa atualizado

Foto: © Augusto Lisboa / RS Press

Fique atento às atualizações dos módulos do programa SOBED em Casa de 2011. Ao longo deste ano, serão aproximadamente 20 horas de programação, com um novo módulo a cada mês. As principais palestras da IX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo (SBAD) realizada em Florianópolis já estão disponíveis via Internet. Entre os especialistas que compõem as mesas redondas estão os brasileiros Esteban Sadovski, Kleber Bianchetti de Faria, Luis

Fernando Tullio, Walnei Fernandes Barbosa e convidados internacionais como o italiano Alberto Larghi, na imagem, Klaus Monkemuller (Alemanha) e Shinya Kodashima (Japão). O prazo para os associados e não-associados cadastrados assistirem cada módulo é de seis meses a partir da data de publicação. Após esse prazo, expira a senha de acesso. Para mais informações sobre o conteúdo, valores e inscrição, acesse o site da SOBED e selecione a opção “SOBED em Casa 2011”.

Novos cursos no Rede SOBED Os cursos de março da Rede SOBED já estão disponíveis no site. Nas aulas, os especialistas Artur Parada, Luiz Leite Luna e o italiano Alberto Larghi explicam sobre “Obesidade: Retirada de Balão”, “Varizes esofágicas” e “GIST gástrico”. Os procedimentos foram gravados no IV Curso Internacional Interativo Ao Vivo de Endoscopia Digestiva Diagnóstica e Terapêutica, realizado em Florianópolis (SC) durante a IX SBAD. Faça sua inscrição e confira a programação completa no site da SOBED.

Diploma de Especialista

Programa SOBED digital

Selo de Especialista

Como forma de valorizar os endoscopistas associados à entidade, a SOBED elaborou um diploma para seus titulares. Confeccionados em pergaminho, pode ser solicitado diretamente pelo site da SOBED. O custo para aquisição é de R$195,00, via boleto bancário. Peça já o seu.

O programa de atualização médica a distância SOBED Digital oferece as gravações dos principais eventos nacionais em CD e/ou DVD. Confira a programação completa e os valores dos cursos e eventos disponíveis no site da SOBED.

Em reconhecimento ao especialista Associado à SOBED, foram criados um Selo de Especialista e um Selo para Certificação – utilizados para referendar os laudos emitidos pelos especialistas. Ambos são emitidos aos associados da entidade adimplentes com as anuidades. Confira no site como fazer para solicitá-lo.

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Notas

Novo projeto gráfico e editorial da Revista SOBED Estatutárias da SOBED, que desenvolvem um trabalho muito importante para a categoria, também terão um espaço aberto para a publicação de ações, encontros e conquistas. Priorizando a interação com os leitores e a veiculação de informações com o objetivo de atualização, a Revista inaugura a seção ‘Teste seus conhecimentos’. Com uma série de perguntas sobre os mais variados temas da endoscopia digestiva, a editoria é inspirada em um dos grandes sucessos de público dos congressos realizados pela Sociedade - o “Curso Interativo Teste seus conhecimentos baseado em evidências”. Na mesma linha de aproximação com o leitor, a editoria ‘Você’ oferece a oportunidade aos endoscopistas e Associados de encaminhar sugestões de crônicas, artigos e trabalhos paralelos dos

especialistas, que suscitem a produção de reportagens. Integradas à nova estratégia editorial da Revista, as principais características do novo projeto gráfico são a mudança tipográfica e o “arejamento” da publicação. A diagramação segue uma tendência mundial no design editorial, que valoriza os espaços de respiro, tornando as matérias mais atraentes à leitura. E busca equilibrar a disposição dos elementos visuais. O projeto é fluido e contínuo, prima pela modernização da revista e pela valorização dos elementos componentes das páginas.

Abaixo, etapas do processo de criação do novo projeto gráfico da revista

Fotos: © Reprodução / RS Press

© Augusto Lisboa / RS Press

Prestação de serviços e valorização da especialidade com informações sobre o cenário brasileiro e internacional de endoscopia digestiva. Estes são alguns dos preceitos que conduziram a elaboração de um novo projeto gráfico e editorial da Revista SOBED. O conceito tem como um dos propósitos divulgar ações institucionais e eventos da Sociedade, aos leitores e Associados. Sempre com assuntos em pauta na especialidade, como pesquisas, novos procedimentos e técnicas. As entrevistas oferecem conteúdos práticos e técnico-científicos, com intuito de apresentar os principais conceitos em debate na atualidade. Além de revelar as últimas tendências do meio, ou de áreas relacionadas. Comissões Estatutárias e Não

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Endoscopia gaúcha

I Curso de Ecoendoscopia da Bahia A capital baiana recebe no dia 15 de abril de 2011 a primeira edição do Curso de Ecoendoscopia da Bahia. Organizado pela SOBED Estadual - Bahia, o evento contará com a participação de diversos profissionais de referência em ecoendoscopia no cenário nacional. Entre eles, Fauze Maluf Filho, José Celso

Ardengh, Lúcio Rossini, Marcos Aurélio D´Assunção, Vitor Arantes (na imagem) e Walton Albuquerque. O curso está sob coordenação de Igelmar Barreto Paes, Marcos Clarêncio Silva e Luciana Leal Silva. Saiba mais informações sobre o Curso, a programação e inscrições no site www.dimagnavita.com.br

Anuidade 2011 A anuidade da SOBED para o ano de 2011 já está disponível no site da Sociedade. Para geração do boleto é necessário ter login (e-mail) e senha cadastrados. Caso você já tenha efetuado o pagamento de sua anuidade, poderá acessar o sistema para gerar o recibo da mesma. O espaço permite ainda verificar as anuidades anteriores e possíveis pen-

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dências cadastrais. De acordo com o artigo 22 do estatuto, os Associados com mais de 70 anos de idade estão isentos da taxa de anuidade. A SOBED solicita a todos os Associados que mantenham seus dados cadastrais atualizados. Todas as diretrizes, informes e contatos são feitos a partir dessas informações cadastradas.

Além da décima edição da SBAD, que acontece em Porto Alegre (RS) entre os dias 19 e 24 de novembro de 2011, o estado do Rio Grande do Sul promove uma série de eventos organizados pela Estadual SOBED RS, em parceria com a Sociedade Gaúcha de Gastroenterologia (SGG). A SOBED RS também apoia oficialmente o Simpósio Internacional de Câncer do Aparelho Digestivo, que acontece entre os dias 7 e 9 de abril, no Hotel DeVille em Porto Alegre (RS), e a XXIII Jornada de Gastroenterologia e Endoscopia da FUGAST, no dia 30 de abril, no NOVOTEL, também na capital Gaúcha. Confira a seguir alguns itens da programação da Estadual gaúcha: Churrasco e Endoscopia 28/03, 19h30, Porto Alegre: convidado Dr. Everson Artifon (USP-SP); 23/05, 19h30 - Porto Alegre: convidado Dr. Fauze Maluf Filho (USP-SP) com “Highlights do DDW”; 12/08, Rio Grande: Dr. Djalma Coelho (RJ) e Prof. Dr. Antônio Sparvoli (organizador local). Simpósio de Gastroenterologia de Bagé 30/09 e 01/10 Coordenação local: Dr. Carlos Eduardo Oliveira dos Santos

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Notas

SOBED na mídia

Foram definidos os períodos para realização das provas práticas de Título de Especialista em Endoscopia Digestiva (TEE) e certificado de área de atuação. Conforme edital da prova – disponível no site da SOBED –, os candidatos aprovados na parte teórica serão convocados formalmente pela Comissão de TEE da SOBED a participar dessa prova prática. As provas serão conduzidas pela Comissão de Título de Especialista com apoio e suporte dos presidentes das Estaduais da SOBED envolvidas. Confira a seguir as cidades e os períodos em que as provas estão previstas: Rio de Janeiro (RJ) 1ª quinzena de março Belo Horizonte (BH) 2ª quinzena de março São Paulo (SP) 1ª quinzena de abril Curitiba (PR) 1ª quinzena de abril Porto Alegre (RS) 2ª quinzena de abril Goiânia (GO) 1ª quinzena de junho * Recife (PE) 1ª quinzena de julho ** *A prova de Goiânia (GO) abrange as unidades federais do Mato Grosso (MT), Tocantins (TO), Goiás (GO) e Distrito Federal (DF). ** A prova em Recife (PE) abrange Pernambuco (PE), Bahia (BA), Alagoas (AL), Rio Grande do Norte (RN) e Paraíba (PB).

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Cronograma mineiro A programação de reuniões e eventos científico é extensa em Minas Gerais. No primeiro semestre deste ano, aconteceu no dia 14 de março a reunião científica de sedação em endoscopia. Na sequência, em 04 de abril, o objetivo do encontro foi a apresentação de casos clínicos. Os próximos eventos, marcados para 02 de maio e 06 de junho, trazem os temas ‘Tumores Neuroendócrinos’ e ‘Novidades do DDW’. O principal evento científico promovido no estado será o 9º Workshop Internacional de Endoscopia Digestiva, a ser realizado entre os dias 16 e 18 de junho, na cidade de Belo Horizonte (MG). Até o momento, estão confirmadas as presenças de especialistas internacionais dos professores Hironori Yamamoto, do Japão, Michel Kahaleh, dos Estados Unidos, Guido Villa’Gómez, da Bolívia, e do brasileiro Everson Artifon. Confira mais informações e contatos sobre este evento na agenda desta edição da revista.

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Foto: © Augusto Lisboa / RS Press

Provas práticas de TEE

A Sociedade tem sido fonte para os meios de comunicação. A pauta “Câncer de estômago pode ser evitado” repercutiu em veículos como Rádio Globo e o portal Saúde Business Web. Em março, o endoscopista Thiago Festa Secchi concedeu entrevista ao Jornal da Band (série ‘Milagres da Medicina – Cápsula Endoscópica’). No final de 2010, o ex-presidente e diretor da comissão científica Carlos Alberto Capellanes concedeu entrevista sobre “síndrome de intestino irritável”, para a revista Shape.


I Fórum Nacional de Honorários Médicos e Cooperativismo A SOBED realiza, nos dias 8 e 9 de abril de 2011, o I Fórum sobre Honorários Médicos e Cooperativismo. O encontro acontecerá no Hotel Four Points by Sheraton, em Curitiba (PR). Na ocasião, os participantes terão oportunidade de discutir as metas e diretrizes da Sociedade em relação ao encaminhamento das negociações com os prestadores de serviços (convênios) nos estados. Além de outros assuntos gerais referentes à SOBED, serão discutidas no Fórum questões sobre as melhores formas

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de implantação nas Unidades Estaduais que ainda não possuem as comissões de Honorários Médicos (HM), Ética e Defesa Profissional e das Cooperativas. Confira mais sobre o trabalho em desenvolvimento pela Comissão de Honorários Médicos das unidades estaduais da SOBED, em matéria publicada nesta edição da Revista SOBED. De acordo com o presidente da Sociedade, Sérgio Bizinelli, para esse encontro, estão convidados todos os presidentes das Unidades Estaduais, a Diretoria

Executiva da SOBED, os presidentes das comissões estatutárias, as comissões específicas de Honorários Médicos, Ética e Defesa Profissional, e o diretor de sede. A Revista SOBED fará cobertura especial do evento com os principais assuntos abordados e imagens. Acompanhe na próxima edição. Melhores condições de trabalho e remuneração adequada são prioridades para a atual gestão da Sociedade. Acompanhe aqui os desdobramentos desta discussão em defesa da categoria.

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Notas

Exame de Título em Goiânia

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Participe da Revista SOBED As mais importantes ferramentas para se aperfeiçoar uma revista e atender às necessidades do leitor são os comentários, sugestões e críticas. Claro, isto vale também para a Revista SOBED. Esta edição inaugura novo projeto gráfico e editorial, por isso gostaríamos de continuar tendo a participação dos especialistas e Associados. Conhecer nossos acertos é tão importante quanto saber de nossos erros. Nesse sentido, dependemos de você, leitor. Opine sobre a revista. Mande comentários, críticas, elogios, sugestões de temas e reportagens. Todos os e-mails serão lidos e respondidos, afinal, você é o motivo de existência desta publicação (sobed@rspress.com.br).

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© Divulgação

A Sociedade Cearense de Gastroenterologia e a SOBED Estadual Ceará anunciaram recentemente o lançamento do I CONGED - Congresso Cearense de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva. O evento está dividido em dois dias, com aulas, palestras e tem como destaque a oportunidade para discussões e contato com os demais profissionais da área. O I CONGED será realizado nos dias 3 e 4 de junho de 2011, no Seara Praia Hotel, Fortaleza (CE). Entre os principais temas apresentados no Congresso estão câncer gastrointestinal, cirrose hepática, doença do refluxo gastroesofágico, doença inflamatória intestinal, hepatites, obesidade mórbida, pancreatites e patologia pancreática. Saiba mais sobre as inscrições, a programação completa e comissão organizadora no site www.conged2011.com.br/portal/

Fotos: © Divulgação / Banco de imagens do governo do Ceará

Congresso Cearense

Paralelamente ao 5º Simpósio Internacional da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, que será realizado de 10 a 12 de junho de 2011 em Goiânia (GO), acontece a prova para obtenção de Título de Especialista e/ou Certificado de Área de Atuação em Endoscopia Digestiva. As inscrições estão abertas desde 1º de março de 2011 e serão encerradas no dia 1º de maio. A prova será aplicada no Castro’s Park Hotel, Av. República do Líbano, 1520, Setor Oeste – CEP 74115-030, em Goiânia (GO). Consulte os editais, regimentos e regulamentos da Comissão de Título de Especialista no site da SOBED.


5º Simpósio Internacional de Endoscopia Digestiva O evento que acontece na cidade de Goiânia (GO) entre 10 e 11 de junho está em fase final de definição do programa científico. E já tem confirmação de diversos convidados internacionais de renome, além da presença de figuras marcantes da especialidade no País. Os trabalhos estão sendo coordenados pela Comissão Científica da SOBED, com o apoio da Estadual goiana, sob a tutela do presidente Marcos Vinicius da Silva Ney. Durante o Simpósio, a SOBED organiza outro evento tradicional da Sociedade: o

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Curso de Emergências em Endoscopia Digestiva. Não perca esta chance, pois as inscrições são limitadas. Este curso traz um panorama bastante amplo sobre uso de diversas drogas em situações de atendimento de urgência. Aborda também as interações possíveis e a multiplicidade de escolhas para as quais o profissional deve estar preparado em situações desta natureza. Acompanhe as últimas atualizações e novidades sobre o simpósio por meio das newsletters e demais ferramentas de divulgação da Sociedade.

Monumento às Três Raças, localizado na Praça Cívica, em Goiânia (GO)

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Monumento a Juscelino Kubitschek em Brasília (DF). A cidade será a próxima a ter uma Oficina SOBED

In loco

Oficinas itinerantes Após passar pela cidade de São Paulo (SP), as Oficinas SOBED desembarcam em Brasília e depois viajam pelo País em Centros de Treinamento nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, ao longo de 2011 O tema “Balão Intragástrico” inaugurou as Oficinas SOBED 2011 nos dias 25 e 26 de março, no Centro de Treinamento SOBED do Hospital Ipiranga, na capital paulista. Porém, este ano os cursos não serão restritos à cidade. Por meio de oficinas itinerantes, uma equipe composta por três médicos endoscopistas, uma nutricionista, uma fisioterapeuta, uma psicóloga e um anestesista, levará conhecimento teórico-prático sobre técnicas e procedimentos da endoscopia digestiva a Associados de outros estados brasileiros, como

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Pernambuco, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná. Como as oficinas geralmente são realizadas nos Centros de Treinamento da SOBED, a Sociedade entrou em contato com todas as unidades estaduais e negociou a realização dos cursos em cada local. Para se tornarem Centros de Treinamento credenciados pela SOBED, os centros de endoscopia de todo o País devem passar por teste de protocolos realizado por uma comissão da Sociedade. Assim que é feita a solicitação de se tornar um Centro de Treinamento, esta comissão visita o serviço de endoscopia e avalia se o local atende aos critérios obrigatórios para ser reconhecido como um serviço de qualidade. Organizadas pela SOBED e credenciadas pela Certificação Nacional de Acreditação (CNA),

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Foto: © Valter Campanato / ABr

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as oficinas são divididas em quatro períodos e têm dois dias de duração. O treinamento teórico é realizado no primeiro período da oficina e o prático, no segundo, quando os participantes realizam os procedimentos em bonecos (hands on). Também no segundo dia de trabalho, as práticas são realizadas em pacientes, mediante acompanhamento e supervisão de médicos preceptores. Com relação ao ano passado, a oficina foi aprimorada no aspecto de suporte multidisciplinar e vídeos didáticos foram produzidos de modo a servir como fonte permanente de consulta aos alunos. Entre os principais temas a serem abordados na programação das oficinas deste ano estão: dilatação esofágica, gastrostomia, esclerose e varizes, ligaduras de varizes esofágicas, balão intragástrico e vias biliares. Na oficina sobre balão intragástrico, por exemplo, os pacientes – selecionados pelas próprias unidades estaduais – entram em um protocolo de exames de pré-passagem de balão, e realizam consultas com nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta. Após a execução dos procedimentos, os pacientes continuam a ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar. De acordo com o preceptor da Oficina de Balão Intragástrico, Manoel Galvão Neto, as oficinas relativas a este tema foram desenvolvidas de modo colaborativo, com o intuito de mostrar todos os aspectos do tratamento endoscópico da obesidade. Galvão ressalta ainda que os preceptores são, essencialmente, facilitadores. “Eles devem transmitir sua experiência no campo do tratamento endoscópico da obesidade aos alunos e orientar a realização dos procedimentos, atentos à necessidade de intervenção direta, de modo a garantir a segurança dos pacientes”. O coordenador das Oficinas e diretor de Sede da SOBED, Ricardo Anuar Dib, destaca a importância da iniciativa para os especialistas. “Muitas vezes o profissional deixa de atender um paciente por não se sentir preparado. Esse tipo de curso possibilita ao o especialista ter confiança em executar os procedimentos”.

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agende-se Confira a seguir a programação completa de 2011, com datas e cidades onde acontecerão as Oficinas SOBED de Balão Intragástrico. A próxima será em Brasília (DF), de 29 a 30 de abril. Saiba mais sobre esta e as demais Oficinas no site da Sociedade e nas próximas edições da Revista. Link para inscrição Seção “Oficinas 2011” no site da SOBED (www.sobed.org.br) Informações Sede da SOBED: (11) 3148-8200 Valor do investimento R$ 1.500,00 por oficina (as vagas são limitadas)

Brasília (DF) 29 e 30 de abril de 2011 Inscrições online até 15/04 Porto Alegre (RS) 27 e 28 de maio de 2011 Inscrições online até 13/05 Rio de Janeiro (RJ) 3 e 4 de junho de 2011 Inscrições online até 20/05 Recife (PE) 8 e 9 de julho de 2011 Inscrições online até 24/06 Curitiba (PR) 26 e 27 de agosto de 2011 Inscrições online até 12/08 Belo Horizonte (MG) 22 e 23 de setembro de 2011 Inscrições online até 09/09 São Paulo (SP) 28 e 29 de outubro de 2011 Inscrições online até 14/10

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Comissões

Debate comissionado A partir deste ano, composição de honorários médicos, custo e ética de classe serão palavras-chave para a Comissão de Honorários Médicos das unidades estaduais da SOBED

Atingir uniformidade entre as ações das unidades estaduais da SOBED é um dos objetivos da Comissão de Honorários Médicos, coordenada pelo endoscopista Luis Fernando Tullio. Para o início da gestão, a prioridade da bancada será abordar questões que preocupam os especialistas em todo o País, como a com-

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posição dos honorários médicos e o custo operacional dos especialistas. “Apesar de sabermos da imensidão do País, sonhamos com o dia em que todos os endoscopistas digestivos possam realizar os procedimentos em condições dignas e remuneração compatível aos altos padrões éticos e científicos”, declara. Esta ambição não é apenas de Tullio, mas, sim, da atual gestão da SOBED. E há fundamento para isso. Trata-se do exemplo paranaense. Sempre foi possível melhorar as condições da endoscopia no estado, por

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meio de uma postura atuante desta comissão, conforme explicou o presidente da Sociedade, Sérgio Bizinelli, em entrevista na última edição da Revista SOBED (número 11, edição Out/Nov/Dez de 2010, seção DNA, página 18, Em franca expansão). Constituída em assembleia a 16 anos atrás, a Comissão de Honorários Médicos no Paraná tem obtido conquistas junto aos convênios, em relação aos ganhos dos profissionais. Além de outras melhorias pontuais ligadas às condições de trabalho e aos benefícios concedidos a especialistas. Bizinelli foi presidente desta Comissão por 10 anos. Por isso defende a implantação de comissões estaduais em todo o País, com a mesma finalidade. A iniciativa exigirá postura

atuante destes grupos, mas a perspectiva de obter resultados concretos é compensadora para toda a categoria. E não é apenas na SOBED que o assunto está em pauta. Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei (PL) 6964/10 torna obrigatória a confirmação, por meio de contratos escritos, da relação entre operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços. O PL está em tramitação desde março do ano passado e deve receber votação conclusiva pelas comissões de Defesa do Consumidor, Seguridade Social e Família, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O objetivo é evitar descredenciamentos súbitos tanto dos médicos quanto das clínicas, hospitais e laboratórios.

Fotos: © Dreamstime

© Vinicius Marinho / Fiocruz

Discussão sobre honorários médicos está em pauta na Câmara

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Comissões

Comissão mineira Na estadual de Minas Gerais, negociações entre a Comissão de Honorários e Defesa Profissional e a Diretoria da cooperativa médica UNIMED-BH resultaram num reajuste de 60,5% no custo operacional para endoscopia digestiva alta. De acordo com o vice-presidente da SOBED Estadual mineira, Atanagildo Côrtes Júnior, após apresentação de uma planilha de custos, a entidade espera agora o reajuste para os procedimentos de colonoscopia. Com o grupo UNIDAS, a bancada espera repetir o ajuste e estendê-los para os honorários médicos nos procedimentos de colangiopancreatografia (CPRE).

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de, mas não entraram em um acordo sobre o valor ideal. Segundo a Associação Paulista de Medicina (APM), a média nacional por consulta é de R$ 27 reais e o custo operacional, R$ 19 reais. Atualmente, 40 milhões de brasileiros dependem dos serviços prestados pelos planos de saúde. Em comissões desde 2001, quando atuou na Estadual do Paraná, Tullio agora enfrenta outro desafio: administrar seu tempo. Além de prestar atendimento aos pacientes em três clínicas paranaenses, comparecer a cursos de atualização científica e às pautas relacionadas aos honorários médicos, o especialista participa ainda da Comissão de Ética e Defesa Profissional, coordenada pela endoscopista digestiva Vera Helena de Aguiar Freire de Mello. “Trabalho conforme a demanda. Sempre que solicitado, tenho que dispor de tempo para discutir os assuntos relacionados a cada comissão”, explica. Para o médico, sua atuação frente às duas bancadas comissionadas da SOBED está interligada, pois um assunto interfere diretamente no outro. “Sem a ética e boa prática médica, nossa especialidade deixa de ter valor”. De acordo com Tullio, questões como a dos saneantes são exemplo dessa relação. Desde agosto de 2010, a RDC 33 da Anvisa

Foto: © Dreamstime

Entidades médicas se reuniram para discutir valor pago por consultas

No último dia 3 de fevereiro, a valorização do médico foi pauta em Brasília (DF). Representantes da Federação Nacional de Medicina (FENAM), do Conselho Federal de Medicina (CFM), da Associação Médica Brasileira (AMB), da Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Secretaria de Defesa do Direito Econômico (SDE) se reuniram para discutir o valor pago por consultas pelas operadoras de saú-

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proíbe o registro de novos produtos esterilizantes e desinfetantes hospitalares para aplicação em forma de imersão.

Discussão Com o objetivo de estabelecer normas, condutas e estratégias nos níveis nacional e estadual, a Comissão de Honorários Médicos das Unidades Estaduais realizará, em abril, o primeiro fórum da bancada. O encontro, que acontece entre os dias 9 e 10 em Curitiba (PR), debaterá, entre outros assuntos, o custo ideal das consultas. “Ainda estamos em fase de implantação, aguardando contatos de unidades estaduais para definir uma agenda, criar diretrizes e trocar experiências sobre o assunto”, afirma o coordenador do Fórum e presidente da SOBED, Sérgio Bizinelli.

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No dia 7 de abril, médicos que prestam serviços às operadoras de saúde entraram em paralisação. Com o objetivo de melhorar o relacionamento entre os planos de saúde e os profissionais, a decisão, tomada por representantes da Federação Nacional dos Médicos, Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira, aconteceu no último dia 18 de fevereiro, durante encontro na Associação Paulista de Medicina (APM). Na reunião, ficou definido ainda que 18 de outubro deste ano, quando é comemorado o Dia do Médico, será a data base proposta para a elaboração de acordos coletivos de trabalho, intermediados pelos sindicatos médicos, que contemplem reajustes nos valores pagos por operadoras pelos procedimentos médicos. (AC)

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Busca pelo

saber

Vice-presidente da SOBED, o especialista Flávio Ejima analisa a questão dos saneantes e traça metas para viabilizar a RDC da endoscopia digestiva no País Por Amanda Campos

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prendizado. Foi esse o termo que o gastroenterologista e endoscopista digestivo Flávio Hayato Ejima escolheu para definir seu trabalho à frente da vice-presidência da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Com o objetivo de fortalecer politicamente a entidade, Ejima diz que aproveitará sua localização privilegiada em Brasília (DF) para conquistar a normatização das condutas na endoscopia digestiva e as outras metas da gestão. “Não terei um cargo figurativo”, diz. Coordenador de endoscopia digestiva da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, Ejima nasceu em Mogi das Cruzes, região metropolitana de São Paulo (SP), e graduou-se médico pela Universidade de Brasília (UnB). De volta ao estado paulista, o médico especializou-se gastroenterologista na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Ao analisar a atual resolução sobre os saneantes, o repre-

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sentante da SOBED nas reuniões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Federal de Medicina (CFM), explica que, pelo menos no Distrito Federal, a Vigilância Sanitária tem ajudado os especialistas da área a implantar medidas mais seguras para a administração do material. “Há a possibilidade de serem as primeiras a adotar as medidas para os serviços de endoscopia digestiva”, afirma. Sobre o futuro, Ejima é otimista. Por causa do bom trabalho realizado pela gestão anterior da SOBED, presidida pelo endoscopista digestivo Carlos Alberto Cappellanes, Ejima acredita que neste biênio (2010-2012) a diretoria, representada pelo presidente Sérgio Bizinelli, poderá investir em outras iniciativas, como a recuperação dos valores para o especialista e a melhora dos honorários médicos. “Estamos contribuindo para, de alguma maneira, juntar alguns tijolos na construção de uma sociedade mais forte”. Confira a entrevista completa.

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Foto: © Augusto Lisboa / RS Press

Ejima em apresentação na SBAD 2010, em Florianópolis (SC)

De acordo com a RDC MS/da Anvisa nº. 33, de 16 de agosto de 2010, o registro de novos produtos saneantes na categoria “esterilização” está proibido. O País está mais preocupado com a fiscalização desse material? O uso indevido de produtos saneantes em cirurgia laparoscópica e plásticas trouxe o problema do surto de micobacteriose para a saúde pública do Brasil. O problema se refletiu na endoscopia digestiva, pois o principal produto utilizado era o glutaraldeído. Por conta da repercussão extremamente negativa, foi cogitada a proibição do produto no País. À medida que a Anvisa adotou, proibindo a esterilização química de aparelhos e equipamentos, separou os aparelhos de endoscopia digestiva dos materiais laparoscópicos e de cirurgias plásticas, como deveria ter acontecido desde o início do processo. A endoscopia digestiva é uma especialidade altamente relacionada ao desenvolvimento

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tecnológico. A consolidação de uma RDC voltada especialmente aos saneantes hospitalares seria outro tipo avanço desse nível para a especialidade? Por quê? Sim. A desinfecção de equipamentos de endoscopia produzidos com materiais que não podem ser submetidos à esterilização térmica necessita de um sistema de alto nível. A legislação prévia, a RDC 33, era de 1983 (Portaria do Ministério do trabalho e Secretaria de segurança e medicina do trabalho), época em que só se utilizava como saneantes para endoscopia o glutaraldeído e estipulava-se tempo de desinfecção de 30 minutos. Essa lei esteve vigente até 2010. A utilização de alguns produtos durante esse período, como o ácido peracético, pode levar a corrosão e perda precoce dos equipamentos. Nos outros países, a desinfecção eficaz de alto nível com esses produtos é feita em menor tempo. A nova RDC de saneantes utiliza um critério sensato.

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Legislação brasileira é uma das mais avançadas mas a punição é branda

Em comparação a outros países onde as técnicas endoscópicas são avançadas, como o Japão, há diferença na legislação regulamentadora que administra a venda dos saneantes? Se sim, elas são mais eficazes? A legislação brasileira é uma das mais avançadas do mundo. Podemos compará-la a qualquer país desenvolvido como Japão, Estados Unidos (EUA), França. No entanto, o número de fiscais é pequeno, a punição é branda para os profissionais que não seguem a lei de forma correta. Um exemplo disso é ter que proibir a doação de sangue por seis meses a quem é submetido à endoscopia digestiva. Se as medidas de desinfecção fossem executadas, não seriam necessárias essas medidas. A metodologia brasileira nessa área de saneantes segue algum modelo já praticado em outros países? Quais são eles? A utilização de saneantes em diversos países varia muito, levando-se em conta vários fatores econômicos e sociais e com legislações próprias. Nos EUA se utiliza ortoftaldeído, semelhante ao glutaraldeído. Em vários países da Europa é proibida a utilização de aldeídos e se utiliza ácido peracético. No Brasil, o mercado oferece a maioria desses produtos. Quais os perigos que a má utilização dos saneantes pode representar, em longo prazo, à saúde do profissional? A má utilização dos saneantes pode acarretar processos irritativos respiratórios, alérgicos. Mas as normas, tanto da RDC de saneantes quanto da futura RDC de endoscopia, têm cuidados bastante adequados quanto à segurança dos trabalhadores. A sala de lavagem separada do local de exame, com exaustão adequada e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) obrigatórias conferem segurança à saúde do trabalhador.

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Segundo alguns endoscopistas, uma das grandes polêmicas dessa nova resolução da Anvisa é a questão do aumento dos custos e viabilização desses procedimentos. Concorda com essa questão? No fim, quem paga essa conta? Os custos operacionais aumentam em serviços que não realizam as medidas já adotadas pela Anvisa na RDC de saneantes e aperfeiçoada na RDC de endoscopia. Mas essa foi uma reivindicação de todas as diretorias que passaram pela SOBED. O custo de um paciente com hepatite B ou C, um trabalhador com doença ocupacional, é mais elevado. O conceito que o endoscopista é um profissional irresponsável, que ganha muito dinheiro às custas de um serviço sujo e mal feito tem que acabar. A endoscopia digestiva é uma especialidade séria, capitaneada por profissionais éticos que prezam pela boa formação, preparo e qualidade dos materiais.

Foto: © Augusto Lisboa / RS Press

Em sua opinião, a fiscalização da Anvisa em relação aos saneantes é mais rigorosa no serviço privado do que no público? Por quê? A fiscalização da Vigilância Sanitária é variável. Como não existe uma normatização dos serviços de endoscopia, há medidas irresponsáveis pelo País, dependendo do fiscal. No entanto, acho que deve haver mudanças com as novas RDC. A VISA do Distrito Federal (DF) já fechou vários serviços públicos, por absoluta falta de condições, como área inadequada para desinfecção e reuso de materiais descartáveis. As fiscalizações são feitas, em sua maioria, por profissionais capacitados, que conhecem a legislação vigente e atuam de forma semelhante nos serviços públicos e privados. O senhor clinica em Brasília. Como é estar tão próximo às instituições que podem mudar a vigência dos saneantes? O senhor está mais atento a essa movimentação? Com a ação dos membros da Vigilância Sanitária local, há a necessidade de ter um conhecimento ágil sobre o assunto.

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A endoscopia digestiva é uma especialidade séria, capitaneada por profissionais éticos que prezam pela boa formação, preparo e qualidade dos materiais Houve preocupação da maioria dos serviços de endoscopia digestiva do Distrito Federal com as medidas que vêm se sucedendo, como a adequação de espaços físicos, cuidados com o uso de EPIs e uso de saneantes. De forma geral, esse movimento tem tornado a maioria dos grandes serviços de endoscopia bastante adequados. Em relação às instituições públicas, esse processo também vem ocorrendo, com a aquisição de novos equipamentos e acessórios endoscópicos. Qual sua posição sobre o assunto? O senhor luta de alguma forma para que a questão dos saneantes seja alterada? As medidas exigidas atualmente são absolutamente factíveis e são realizadas por vários serviços de endoscopia no País. A qualidade tem que ser melhorada, tanto nos serviços quanto na formação dos colegas endoscopistas. Com isso teremos condições de lutar por melhores remunerações e não diminuir a qualidade e segurança dos serviços em função dos preços exorbitantes oferecidos a todos nós. Na gestão passada, um dos objetivos era estimular a atualização científica, difundindo a especialidade pelo Brasil. Quais as próximas metas para os próximos anos? As últimas diretorias têm conduzido de

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“O cargo que atualmente exerço é de aprendizado e não apenas um cargo figurativo”

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forma harmônica a endoscopia digestiva no Brasil. Hoje há união com poucas arestas entre os associados. A diretoria da atual gestão tem a difícil tarefa de suceder um bom biênio. Os objetivos principais da nossa diretoria é dar continuidade a muitas ações já iniciadas, como a recuperação da especialidade endoscopia digestiva, a normatização das condutas na endoscopia e o fortalecimento do titulo de especialista, que deve ocorrer com a nova RDC de endoscopia. Um dos objetivos da gestão do Dr. Sérgio Bizinelli é a recuperação dos valores e honorários, com a formação de cooperativas de endoscopia. Nós temos várias metas a cumprir, que dependem de muito trabalho e ajuda de todos os SOBEDianos.

O senhor acredita que este novo cargo trará mais força em termos de mobilização pelas causas que já defendia anteriormente na Comissão Científica da SOBED? O cargo que atualmente exerço é de aprendizado e não apenas um cargo figurativo. Espero poder trabalhar para fortalecer a SOBED e para isso atuarei com maior empenho em algumas comissões. Estarei na comissão científica, de título de especialista e nas reuniões que ocorrem com frequência em Brasília, como as da Anvisa e do CFM.

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Foto: © Augusto Lisboa / RS Press

Especialista é o atual vice-presidente da SOBED (2010-2012)

Em sua opinião, assumir a vice-presidência da SOBED representa uma etapa diferente em sua carreira médica? Por quê? A vice-presidência da SOBED é uma etapa muito especial na minha vida. No início, quando fui convidado pelo Dr. Bizinelli, achava que eu não estaria preparado, já que não tinha passado por todas as etapas e comissões da SOBED, extremamente importantes para o aprendizado e posterior gestão na diretoria. Mas tive apoio de vários colegas e incentivo para assumir a candidatura.


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Mesmo com aspectos polêmicos e longe de solução, novas resoluções da Anvisa podem beneficiar dia a dia do endoscopista e do profissional de enfermagem Por Marina Panham

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eivindicar ambiente de trabalho com a menor insalubridade possível é direito e obrigação de todo profissional de saúde, observa a especialista em endoscopia digestiva e presidente da Comissão de Ética e Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Vera Helena de Aguiar Freire de Mello. Diante do debate em torno da saúde ocupacional daqueles que atuam no serviço de endoscopia digestiva, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) instituiu novas resoluções para os saneantes. Por enquanto, apenas a Resolução 33/2010 da Agência influencia diretamente na rotina do endoscopista e da equipe de enfermagem, avalia Vera Mello. Trata-se da proibição de se esterilizar artigos críticos com produtos líquidos por imersão. A enfermeira coordenadora técnica do Serviço de Endoscopia do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), Maria da Graça Silva, concorda com a medida, pois tal procedimento não oferece segurança aos profissionais. “Vários estudos comprovam que há contaminação com esse método [imersão]”, explica a enfermeira, que é também presidente da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia Gastrointestinal (SOBEEG). Já a revogação da Portaria 15/1988, substituída pela Resolução Anvisa 35/2010, está em vigor desde agosto de 2010, mas ainda não apresenta vantagens para a rotina do serviço de endoscopia, segundo Vera Mello. A endoscopista ressalta que essa mudança

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1. Máquinas automatizadas para limpeza de equipamentos endoscópicos em sala do Serviço de Endoscopia do Departamento de Gastroenterologia do HC-FMUSP-FMUSP 2. Limpeza mecânica de materiais endoscópicos em sala do Serviço de Endoscopia do Departamento de Gastroenterologia do HC-FMUSP / Marina Panham 3. Equipamentos de Proteção Individual (EPI) buscam garantir segurança no trabalho

Fotos: 1. e 2. © Marina Panham 3. © Vinicius Marinho / Fiocruz Multimagens

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depende do prazo de adaptação dos fabricantes. Entretanto, este é considerado um avanço importante para a especialidade, pois abriu a perspectiva para que, em um futuro próximo, os profissionais tenham acesso e possibilidade de uso dos desinfetantes futuramente disponíveis no mercado – mediante comprovação da eficácia frente ao quadro de microorganismos listados na resolução. Para o endoscopista e membro titular da SOBED Marcel Langer, quando a Resolução 35/2010 for colocada em prática, trará benefícios práticos ao especialista. “Utilizando um produto com eficácia comprovada para limpeza e desinfecção dos aparelhos, ofereceremos mais segurança ao paciente, além de aumentarmos a vida útil dos equipamentos”. Consequentemente, se o tempo for reduzido, um número maior de exames poderá ser executado de forma segura. Vera Mello ressalta que enquanto a resolução não é colocada em prática, é fundamental que todos tenham ciência de que não há proibição do uso de nenhum dos produtos comercializados hoje no Brasil, como o glutaraldeído a 2%, o ortoftalaldeído e o ácido peracético. E o tempo de exposição dos equipamentos aos desinfetantes continua a ser de 30 minutos, pois assim estão registrados na Anvisa e publicados nos rótulos dos produtos. “Os fabricantes de substâncias desinfetantes terão até agosto de 2011 para testarem seus produtos frente à nova lista de microorganismos discriminados na Resolução 35/2010”. De acordo com Vera, é importante destacar que novos produtos desinfetantes que venham a ser registrados na Anvisa, por si só, não validam sua utilização pelo endoscopista. A compatibilidade do produto precisa ser validada pelo fabricante ou importador de cada equipamento e seu uso autorizado, com ou sem as devidas restrições. Por outro lado, os testes de desinfetantes com o novo quadro microbiológico podem nos reservar surpresas, afirma

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4. Procedimento endoscópico na década de 1980. Desde então, discussão sobre saneantes se intensificou 5. Endoscópios armazenados em sala do Serviço de Endoscopia do Departamento de Gastroenterologia do HC-FMUSP Fotos: 4. © Linda Bartlett / National Cancer Institute 5. © Marina Panham

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O profissional de enfermagem é fundamental à endoscopia digestiva, pois garante a limpeza e desinfecção, além de reconhecer possíveis complicações no atendimento Vera Mello. O tempo para desinfecção pode ser maior ou menor que os atuais 30 minutos. “Torcemos pela segunda hipótese”.

Questão financeira O custo específico dos desinfetantes para artigos semicríticos depende diretamente – e principalmente – do tempo de exposição que os equipamentos necessitam, submersos no produto, e do volume de procedimentos endoscópicos no serviço. Os desinfetantes têm vida útil medida por tempo ou por número de processamentos. Caso o tempo de exposição de qualquer um dos produtos desinfetantes disponíveis no mercado seja mantido em 30 minutos – conforme os custos e rótulos atuais – o valor dos novos produtos será entre 10 e 20 vezes maior comparado ao glutaraldeído a 2%, na dependência do custo do gluraldeído utilizado e do produto em substituição. Além deste custo, é necessário considerar os adicionais de manutenção para os quais ainda não há parâmetros, afirma Vera Mello. Portanto, se o tempo de exposição for menor, de aproximadamente 10 minutos, o custo de manutenção dos equipamentos, por lógica, será menor quando comparado à exposição de 30 minutos para o mesmo produto. “Mas ainda não existem parâmetros comparativos em relação ao glutaraldeído a 2%, e a durabilidade total final de cada endoscópio também é uma incógnita”.

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Segundo o endoscopista Marcel Langer, apesar de eficazes, os saneantes novos são mais caros. “Os acessórios utilizados em exames, considerados materiais críticos, não podem ser esterilizados em meio líquido, precisando ser encaminhados à Central de Material Esterilizado (CME), que envolve custos logísticos e re-esterilização dos acessórios”. Langer observa que isso encarece demais a rotina de qualquer serviço de endoscopia e que dificilmente as fontes pagadoras enxergarão esse aumento de custo. Na opinião do endoscopista, é necessária a revisão dos valores dos exames. Caso contrário, o médico irá pagar sozinho por toda a implementação de segurança e qualidade no serviço de endoscopia. Em outra das frentes que geram ampla discussão sobre o tema dos saneantes, as diferenças no critério de fiscalização entre os sistemas público e privado se sobressaem. “No serviço privado, o rigor das Vigilâncias Sanitárias não é apenas maior em relação aos saneantes. Como regra geral, é maior em absolutamente tudo o que compõe um serviço privado de saúde”, explica Vera. A presidente da Comissão de Ética e Defesa Profissional da SOBED vai além. “Não há razão lógica, moral e ética para tal comportamento. Considerando que a grande finalidade das Vigilâncias Sanitárias deveria ser a segurança e a qualidade nos serviços prestados independentemente das características e subordinações das instituições de saúde”. Segundo a especialista, um fato concreto é que os serviços públi-

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cos são dispensados do alvará das Vigilâncias Sanitárias para seu funcionamento.

Trabalho em conjunto Em prol da melhoria do serviço nacional de endoscopia digestiva, a presidente da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia Gastrointestinal (SOBEEG), Maria da Graça destaca a importância do trabalho ao lado da SOBED, e observa que os endoscopistas devem integrar mais os profissionais de enfermagem aos congressos da especialidade. “Queremos participar das discussões, afinal também participamos dos procedimentos”. Fundamental na rotina da endoscopia digestiva, o profissional de enfermagem garante a qualidade do serviço, desde a limpeza e desinfecção adequada de acessórios e equipamentos, até o reconhecimento de complicações que podem ocorrer durante o atendimento. Prova disso é o fato de Maria da Graça, e representantes de empresas que fabricam equipamentos endoscópicos, terem sido convidados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para participar de uma reunião sobre saneantes, no dia 21 de janeiro de 2011.

O tema principal da discussão foram os produtos químicos utilizados na desinfecção dos aparelhos para endoscopia. Porém, na oportunidade, Maria da Graça expôs sua visão e destacou que não adianta estipular um tempo de desinfecção do equipamento se a limpeza não for realizada de forma correta. De acordo com recomendações de fabricantes e a orientação da SOBED/SOBEEG, endoscópios são artigos semicríticos e devem ser submetidos à desinfecção de alto nível. Entretanto, segundo a enfermeira, essa discussão nem é possível se não for considerada a conscientização de todos os profissionais que atuam nessa área de limpeza – que é a mais importante e sem a qual a desinfecção não tem efeito. “Os produtos químicos não vão fazer milagre”, sentencia Maria da Graça Diante dessa situação, a SOBEEG tem por objetivo atuar em conjunto com a Anvisa na capacitação de profissionais em todo o Brasil. “A maioria não conhece o passo a passo da limpeza e desinfecção dos aparelhos”. A limpeza manual rigorosa ainda é insubstituível em qualquer serviço, observa Vera Mello. “Com profissionais treinados, sendo a desinfecção feita de forma automatizada ou não, estando cumpridas todas as etapas do processamento, estes equipamentos estarão seguros para utilização”.

Integração entre áreas Teoria e prática dos procedimentos endoscópicos para o enfermeiro são abordadas no livro “Enfermagem em Endoscopia Digestiva e Respiratória”, da enfermeira Maria da Graça Silva. Com o objetivo de auxiliar os profissionais da área de endoscopia a realizar um atendimento mais humanizado, Maria da Graça enfatizou em seu livro as técnicas operacionais dos procedimentos e o processo de limpeza e desinfecção de equipamentos endoscópicos. “O que me levou a escrever o livro foi perceber as dificuldades encontradas nos procedimentos, montagem das salas e, principalmente, a técnica incorreta de limpeza e desinfecção dos endoscópios e acessórios”. Enfermagem em Endoscopia Digestiva e Respiratória Maria da Graça Silva Editora Atheneu, 352 páginas Preço sugerido: R$119,00

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6. Endoscópio é manuseado por especialista durante procedimento 7. Colônia de bactérias 8. Imagem de bactéria: limpeza e desinfecção incorreta criam fixação de biofilme, que compromete o equipamento e pode gerar contaminação

Fotos: 6. © Dreamstime 7 e 8. © Vinicius Marinho / Fiocruz Multimagens

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Gastronomia

Vinho e saúde:

um pouco de história “Vinum bonum lætificat cor hominis”, Antiga citação latina, que significa ‘O vinho bom alegra o coração do homem’

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Por Gustavo Andrade de Paulo*

esde a Antiguidade, o vinho apresenta-se intimamente ligado à evolução da medicina, desempenhando sempre um papel principal. Os primeiros praticantes da arte da cura, na maioria das vezes curandeiros ou religiosos, já empregavam o vinho como remédio. Papiros do Egito antigo e tábuas dos antigos sumérios (cerca de 2.200 a.C.) já traziam receitas baseadas em vinho, o que o torna a mais antiga prescrição médica documentada. O grego Hipócrates (cerca de 450 a.C.), tido como o pai da medicina sistematizada, recomendava o vinho como desinfetante, medicamento, um veículo para outras drogas e parte de uma dieta saudável. Para ele, cada tipo de vinho teria uma diferente função medicinal. Galeno (século II d.C.), o mais famoso médico da Roma antiga, empregava o vinho na cura das feridas dos gladiadores, agindo este como um desinfetante. Também os Judeus antigos tinham o vinho como medicamento. Segundo o Talmud, “sempre que o vinho faltar, a medicina tornar-se-á necessária”. Foi na Universidade de Salermo, na Itália, fundada no século VIII, que a importância do vinho sobre a dieta e a saúde foi codificada. Lá, correntes clássicas e árabes se fundiram,

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fornecendo as bases da medicina europeia. O “Regime de Salermo” especificava diferentes tipos de vinho para diversas constituições e humores. Avicena (século XI d.C), talvez o mais famoso médico do mundo árabe antigo, reconhecia a importância do vinho como forma de cura, embora seu emprego fosse limitado por questões religiosas. O uso medicinal do vinho continuou por toda a Idade Média, sendo divulgado principalmente por monastérios, hospitais e universidades. Até o século XVIII, muitos consideravam mais seguro beber vinho do que água, pois esta era, frequentemente, contaminada. Uma antiga lenda de Heidelberg, na Alemanha, conta que o guardião do grande barril (Große Faß) onde o soberano guardava todo o vinho recolhido como imposto, só bebia vinho. Seu nome era “Perkeo” – do italiano “Perche no” – ou, “por que não”. Certa feita, deram um líquido diferente para que ele bebesse e este morreu imediatamente. O tal líquido assassino era nada mais nada menos que água. Entre 1865 e 1866, Louis Pasteur, cientista francês nascido na região do Jura, terra de vinhos famosos como vin jaune e vin de paille, empregou a bebida em diversas experiências,

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declarando o vinho como “a mais higiênica e saudável das bebidas”. Em 1892, durante a grande epidemia de cólera em Hamburgo, Alemanha, o vinho era adicionado à água para esterilizá-la. A partir do final do século XIX, essa visão sobre o vinho como medicamento começou a mudar. O alcoolismo foi definido como doença e malefícios do consumo indiscriminado começaram a ser estudados. Nas décadas de 1970 e 1980, o consumo de álcool em excesso foi fortemente atacado por campanhas de saúde pública. Entretanto, pesquisas científicas bem conduzidas têm demonstrado que, consumido moderadamente, o vinho traz vários benefícios à saúde.

Consumo moderado “Nem muito e nem muito pouco” parece ser o princípio para se realçar os efeitos benéficos do vinho sobre a saúde. Entretanto, autoridades de vários países têm encontra-

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do dificuldade em estipular o que pode ser considerado “consumo sensato”. Na França, a ingestão de até 60 g de álcool por dia é segura para homens. Por outro lado, no Reino Unido, recomenda-se menos de 30 g por dia. Vários são os fatores que influenciam estes limites: gênero, idade, constituição física, patrimônio genético, condições de saúde e uso de outras substâncias. Em linhas gerais, um homem pode consumir até 30 g de álcool por dia. Para as mulheres, por diversas razões (menor tolerância, menor proporção de água no organismo, etc.) recomenda-se até 15 g por dia. A diferença entre consumo moderado e exagerado pode significar a diferença entre prevenir e aumentar a mortalidade. Além da quantidade, a regularidade também é importante para se obter os efeitos benéficos do vinho. Os que exageram nos finais de semana e se poupam nos outros dias podem sofrer todos os malefícios da ingestão exagerada e aguda do vinho sem nenhum ganho para a saúde.

Confira com exclusividade no site da SOBED, mais informações sobre os efeitos comprovados do vinho, como fator de prevenção a diversas doenças – coronárias, do cérebro, respiratórias, do aparelho urinário, diabetes, anemia, dos ossos, da visão, e câncer

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Gastronomia

Paradoxo Francês Uma grande reviravolta na relação entre vinho e saúde ocorreu no início da década de 1990 com a divulgação do Paradoxo Francês. Durante um programa de televisão nos EUA, o cientista francês Serge Renaud mostrou que estudos epidemiológicos em escala mundial evidenciaram que os franceses apresentavam 2,5 vezes menos mortes por doenças coronarianas que os americanos, apesar de fumarem muito e consumirem a mesma quantidade de gorduras. A principal explicação para tal paradoxo estaria no consumo regular e moderado de vinho. Como era de se esperar, após a transmissão do programa, o consumo de vinho tinto nos EUA multiplicou-se por quatro. Tal paradoxo foi, posteriormente, publicado na revista inglesa The Lancet, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo, dando origem a uma enxurrada de artigos sobre os benefícios do vinho sobre a saúde nos tempos modernos.

Álcool, antioxidantes e derivados Há muito sabe-se que o álcool, consumido em pequenas doses regulares, traz benefícios para a saúde. Estudos epidemiológicos mostram que o álcool presente no vinho, cerveja e destilados pode diminuir a mortalidade por infarto do miocárdio, isquemia cerebral etc. Entretanto, o vinho é o que mais desperta interesse dos cientistas por apresentar, além do álcool, diversas substâncias antioxidan-

tes em sua composição. Entre os mais de mil compostos encontrados no vinho, os polifenóis (flavonóides, taninos, catecinas, resveratrol, entre outros) são os mais estudados. Os polifenóis, derivados de várias plantas, são os antioxidantes mais encontrados em nossa dieta. De acordo com sua origem, apresentam diferentes estruturas químicas. Atualmente, vários estudos têm demonstrado que o resveratrol, um antioxidante natural presente em vinhos tintos e brancos, está associado com os efeitos benéficos do vinho na doença coronária. Além disso, em laboratório, o resveratrol tem mostrado efeito protetor contra o câncer, embora estes resultados ainda não tenham sido demonstrados na prática clínica. Também controversa é a hipótese de que os flavonóides parecem mostrar um efeito protetor contra doenças cardiovasculares, atuando sobre o LDL (colesterol ruim). Como foi dito repetidas vezes, o consumo moderado parece ser o caminho para a felicidade. Muito ainda precisa ser entendido sobre os reais efeitos, benéficos e maléficos, do vinho sobre a saúde antes de torná-lo a panacéia universal para as moléstias do mundo moderno. Entretanto, em pouquíssimas situações, um remédio pôde ser tão infinitamente agradável e prazeroso. Gustavo Andrade de Paulo é endoscopista digestivo, gastroenterologista e membro das Comissões da SOBED de sites, revistas e dos programas Rede SOBED e SOBED em Casa. O médico é também diretor executivo da Associação Brasileira de Sommeliers – São Paulo (ABS-SP)

Há vários séculos, São Paulo já recomendava “um pouco de vinho para a saúde do estômago”. Hoje, sabe-se que o consumo moderado de vinho está associado a uma menor incidência de úlcera péptica por uma série de razões: alívio do estresse, inibição da histamina, ação antimicrobiana contra o Helicobacter pylori, bactéria implicada na gênese da úlcera duodenal. Por atuar sobre o colesterol, o vinho parece reduzir as chances de formação de cálculos no interior da vesícula biliar.

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Doenças do aparelho digestivo


ética

Terminologia

“Erro médico” Por desconhecimento ou inescrupulosidade, a mídia usa este termo sem critério, o que pode representar danos graves aos profissionais e à população Por Vera Mello

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odos nós ficamos chocados e consternados pelo dano fatal ocorrido com a adolescente Stephanie Teixeira, que morreu em dezembro de 2010, no Hospital Municipal São Luiz Gonzaga, na Zona Norte de São Paulo, após ter vaselina injetada na veia. Morte injustificada que toda a mídia noticiou das mais diversas formas. Novamente esta tragédia foi prontamente contabilizada para os médicos. É o que todos entendem quando se fala que houve ‘erro médico’. As mídias necessitam urgentemente aprender a usar com precisão algumas terminologias. Necessitam dissecar seus significados para não condenar sem julgamento. O uso equivocado pode implicar em grandes danos de diversas naturezas para os profissionais. . O uso indevido do termo ‘erro médico’ pelas mídias, para o que aconteceu com a adolescente, precisa ser encarado minimamente como falta de conhecimento e de profissionalismo. Afinal, jornalistas são parte da elite cultural do País e a grande penetração, especialmente da mídia televisiva, carrega em si uma enorme responsabilidade, que muitos ainda não perceberam ou estão dispostos ao vale tudo a qualquer preço. É de domínio público que a maioria dos serviços médicos – entre eles os serviços hospitalares – é multidisciplinar. Embora a finalidade dos hospitais seja a pres-

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tação de serviços médicos, cada classe de profissionais necessária ao funcionamento de cada serviço de saúde tem suas responsabilidades específicas expressas em normas legais. É leviano imputar ao médico, a priori, todos os erros e danos ocorridos em pacientes nos serviços de saúde. Para que seja caracterizado como erro médico, esse precisa ser gerado pelo médico em seus atos profissionais e motivado por negligência e/ ou imperícia e/ou imprudência. Da mesma forma ocorre com os demais profissionais da saúde não-médicos. Portanto, a culpabilidade individual precisa ser esclarecida, assim como a da instituição, seja ela pública ou privada. Nós, médicos, estamos cansados de ser “bodes expiatórios” e ansiamos por um pouco de justiça. O silêncio da maioria não é indicativo de aceitação dos fatos publicados, mas apenas falta de tempo para lutar em tantas frentes com as quais nos deparamos diuturnamente.

Vera Mello, coordenadora da Comissão de Ética e Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – SOBED Nacional

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segurança

Furto de Equipamentos

CATEGORIA EM

alerta E

m uma tarde de sábado, por volta das 13h30, três homens e uma mulher gestante – com sotaque hispânico – entraram no centro de endoscopia de um hospital privado da Grande São Paulo e tentaram roubar todos os aparelhos da sala. A ação foi impedida por uma funcionária, que inibiu a ação dos ladrões ao flagrar os mesmos desmontando os equipamentos. “Ela presenciou a situação e achou que os criminosos eram técnicos arrumando os aparelhos”, revela o gastroenterologista e endoscopista Ângelo Locatelli. Ainda de acordo com o especialista, equipamentos como colonoscópios, gastroscópios, duodenoscópios e processadoras, deixados para trás na fuga dos criminosos, estavam desmontados no chão e alguns dentro de grandes mochilas. “O material é todo meu, seria um prejuízo enorme”. Como as câmeras de vigilância não inibiram a ação dos ladrões, Locatelli ressalta que para evitar futuros rou-

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bos é preciso reforçar a segurança dos hospitais e manter as portas das salas fechadas. Felizmente, os equipamentos deste hospital não foram roubados, porém outros centros de endoscopia da grande São Paulo não tiveram a mesma sorte. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), por exemplo, o modus operandi foi semelhante ao utilizado no hospital em que Locatelli atua. Sábado, às 16h00, dois homens – também com sotaque hispânico – roubaram equipamentos de endoscopia digestiva, uma processadora CV-180 e fonte de luz CLV-180, ambos da Olympus, em diferentes setores do hospital. Um dos aparelhos estava no 6º andar do Prédio dos Ambulatórios, e o outro no Pronto Socorro. Para o diretor executivo do Instituto Central do HC, Carlos Alberto Suslik, a ação foi premeditada, pois todos os setores do hospital têm câmeras de vigi-

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Frequentes roubos de equipamentos endoscópicos preocupam especialistas


lância e vigias nas portas de entrada. E os ladrões foram diretamente na sala em que estavam os equipamentos. Segundo o coordenador do Serviço de Endoscopia Digestiva do Hospital das Clínicas e coordenador geral da Comissão de Relações Internacionais da SOBED, Paulo Sakai, a ação durou aproximadamente três minutos. “Entraram com um caixa de pizza dobrada, abriram, colocaram os equipamentos dentro, fecharam e foram embora como se fossem entregadores”.

Medidas Após o ocorrido, o HC adotou uma série de medidas de segurança para impedir futuros roubos: proibiu a entrada de mochilas de alimentos; produziu relatório interno com apuração e divulgação de imagens; colocou mais uma câmera no local do roubo; trocou as fechaduras de um dos setores; realizou treinamento com a equipe de segurança; e registrou boletim de ocorrência. Além de orientar os funcionários do hospital para ficarem em alerta e desconfiarem de algumas situações. Na tentativa de recuperar os equipamentos roubados, Suslik revela ainda que o HC encaminhou a numeração dos mesmos para todas as assistências técnicas. “Quem paga errado, paga duas vezes. Se em algum momento um desses aparelhos quebrar e for encaminhado para alguma assistência técnica, ficaremos sabendo”. Para Locatelli, as ações estão sendo executadas por uma quadrilha organizada que vende os aparelhos roubados para outros endoscopistas. Diante disso, o médico destaca a importância da atenção na hora de comprar aparelhos usados.

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Anvisa De acordo com Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – RDC Nº 25, de 15 de fevereiro de 2001 –, é vedada a importação, comercialização ou recebimento em doação de produto para saúde usado, destinado a uso no sistema de saúde do País, a menos que sejam cumpridas certas exigências. O produto para saúde recondicionado que for importado, comercializado ou recebido em doação, deve atender a requisitos como estar registrado ou declarado isento de registro de acordo com a legislação sanitária; possuir as mesmas características técnicas e operacionais do produto registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo a rotulagem e instruções de uso (manuais) aprovadas em seu registro; estar fixada no equipamento para saúde, de forma indelével, a informação de que o produto é recondicionado, indicando o ano em que o recondicionamento foi feito; e ter assegurada a assistência técnica do equipamento, incluindo o fornecimento de componentes, partes e peças de reposição, durante o período previsto pela legislação aplicável. (MP)

“Na hora de comprar aparelhos usados, é importante ficar atento à procedência dos equipamentos”

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crônica

Mário Prata

Viagem ao redor do meu umbigo Por Mário Prata

Você já fez, alguma vez, uma endoscopia? Nem sabe o que é isso? É o seguinte: eles enfiam um cabo com uma câmera de televisão pela sua boca, garganta adentro, e ficam bisbilhotando o seu esôfago, o seu estômago e vão até o duodeno. Recomendo por dois motivos: primeiro que você fica se conhecendo melhor. Fica íntimo do seu interior, participa de uma intimidade interior que você jamais poderia imaginar, e fica por dentro de você mesmo. E, em segundo lugar porque, para que as suas estranhas entranhas apareçam na TV (a cores), te dão uma injeção na veia que é, no mínimo, interessante. É muito engraçado e rico ficar numa sala de espera onde todos serão esofagogastroduodenoscopizados. A palavra oficial é essa. Tente repetir. Todos entram valentes, garbosos e falantes. Firmes. E saem, quinze minutos depois, totalmente drogados, cambaleantes, com o olho paradão, sem mesmo saber o rumo de casa. Lembra do lança-perfume?

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Mais ou menos aquilo. Só que dura mais. O barato aplicado e um terço de Dolantina, um terço de Diazepan e uma talagada de Buscopan. Na veia. Bate na hora. Dois dias depois você vai buscar o resultado e está lá o cenário da sua novela interna, a vida íntima de personagens com quem lidamos diariamente e pouco sabemos deles. Ficamos sabendo coisas interessantíssimas sobre o lado de dentro da gente. Por exemplo, o meu esôfago tem boa expansibilidade e calibre conservados. Tenho orgulho disso. Calibre conservado a álcool, provavelmente. Fiquei sabendo também, incrédulo, que tenho a mucosa esbranquiçada e espessada, principalmente em um terço distal. E mais: não há erosões ou úlceras, nem

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Ilustração: © Felipe Santiago

hérnia hiatal às manobras de esforço abdominal. Deve ser o seguinte: posso fazer abdominais tranquilamente, que o esôfago garante. Vamos agora para a cena seguinte. O estômago, segundo o relatório, estava em boas condições para o exame, com o lago mucoso claro e sem resíduos alimentares. Não é poético saber que temos, lá dentro, um lago? Mucoso, mas lago. A manobra de retrovisão, o fundo e a cárdia não apresentam alteração. O que a doutora quis dizer com isso é que ela fez uma tomada de câmera complicada. Deve ter dado um zoom nas minhas pregas. Sim, porque, logo a seguir, me informa que o pregueado mucoso de corpo segue sua distribuição regularmente. Felizmente. E fico sabendo, finalmente, que a mucosa de incisura angularis e antro estão íntegros e sem lesões. Ou seja, além do lago, descubro que tenho um antro lá dentro. E conclui que o meu piloro está centrado e facilmente permeável. Não me perguntem o que é o meu piloro. O que importa é que ele está centrado. Já o fato dele estar facilmente permeável não deve ser coisa boa. Preferia ter um piloro mais firme, duro, impermeável. Partimos agora para o duodeno, que, como o próprio nome indica, tem o tamanho de doze dedos. Lá a barra estava pesada: a mucosa adjacente está hiperemiada e edemaciada. Entenderam? Nem eu, mas não deve ser boa coisa. Mas, felizmente, não há qualquer sinal de sangramento ou estenose. E, de repente, uma cena digna de final de

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capítulo. A vilã finalmente mostra a sua cara para os espectadores: em parede posterior próxima à transição para a segunda porção, uma úlcera alongada de 5 a 10 mm de média profundidade e fundo com fibrina. Para minha alegria (e do meu duodeno), a segunda porção não apresenta anormalidades. Conclusão: tenho uma úlcera bulbar ativa. Claro, jamais me sujeitaria a ter uma úlcera bulbar passiva. É a ‘envelhescência’! Crônica publicada originalmente no Jornal ‘O Estado de São Paulo’ em 25/09/1994.

Mário Prata é escritor, dramaturgo e jornalista. Publicou crônicas em revistas e jornais durante mais de 30 anos. Cedeu, gentilmente, este texto a pedido da Revista SOBED

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amb

Associação Médica Brasileira

A qualificação do ambiente de trabalho

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á estimativas de que, no mundo, faltem hoje milhões de profissionais de saúde. Essa é a trágica realidade das populações de países pobres e ricos. Realidade compreensível, mas inaceitável, nos países pobres; igualmente inaceitável, mas incompreensível em países desenvolvidos. Como aceitar que, em um Brasil, proclamado emergente e dito auto-suficiente, deixe centenas de municípios e milhares de brasileiros desassistidos, dispondo de mais de 340 mil médicos em atividade? Coexistem de fato e em muitos países, excesso de profissionais de saúde em algumas áreas – as mais desenvolvidas – e absoluta escassez em outras – as esquecidas por seus governantes. As razões para a distribuição iníqua de profissionais de saúde são muitas, complexas às vezes e interdependentes sempre. Incluem-se aqui riscos ocupacionais, violência física e psicológica, sobrecarga de trabalho, remuneração insuficiente, oportunidades limitadas de desenvolvimento na carreira. Predomina nesse contexto a péssima qualidade do ambiente de trabalho, prejudicando o desempenho e afastando dele os profissionais. Esse é, sem dúvida, um dos mais graves problemas de saúde do mundo de hoje. É

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necessário transformar o ambiente de trabalho de sorte a atrair e fixar aqueles que trabalham com saúde, melhorando a satisfação o resultado da assistência às pessoas. Quais são as intervenções necessárias para qualificar positivamente o ambiente de trabalho? Reconhecimento profissional É essencial reconhecer as competências das diferentes profissões, dar-lhes autonomia e o autocontrole verdadeiros, premiar pelo envolvimento e desempenho, monitorar a satisfação dos trabalhadores. Gerenciamento de Recursos Humanos Tem-se aqui garantir oportunidades iguais e tratamento apropriado, compensação adequada, efetivo gerenciamento do desempenho, benefícios reais e expressivos, envolver os profissionais no planejamento e na tomada de decisões, estimular a comunicação e o trabalho em equipe, incentivar uma cultura de confiança recíproca e respeito entre as pessoas, adotar políticas que estimulem o registro de falhas, definir as responsabilidades de cada um dos envolvidos. Estruturas de apoio Falta investir no ambiente de trabalho, for-

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talecer as relações entre os seus integrantes, fornecer equipamentos e suprimentos adequados, envolver os profissionais em processos de avaliação contínua, promover equilíbrio sadio entre vida e trabalho, assegurar que a prática se faça dentro de um código de ética claro e bem estabelecido, divulgar e estimular padrões de boas práticas, revisar o escopo da prática e as competências de cada um. Em suma, oferecer oportunidades para o desenvolvimento profissional. Surpreende que, apesar do acúmulo de evidências nesse campo, as autoridades encarregadas de geri-lo continuem a ignorar as soluções e insistam em propostas vazias, gastando precioso tempo, energia e dinheiro público tentando legitimá-las. Vêm deles apenas programas desgastados como a importação de profissionais do exterior, serviço social obrigatório, descaracterização do escopo das profissões e

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transferência de responsabilidades sem correspondente qualificação, farta distribuição de diplomas tentando distribuir profissionais por transbordamento, limitando as alternativas sorte a tangê-los ao que julgam ser a prioridade do momento. A lista de despautérios é longa e, infelizmente, não se limita às brevemente citadas acima. Até quando nos deixaremos assim mal conduzir? Até quando nossa sociedade tolerará falta de seriedade e competência no trato de assuntos que lhe dizem tão de perto?

José Luiz Gomes do Amaral, médico, professor titular da disciplina de anestesiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)

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Por dentro

Aparelho digestivo e saúde em destaque

CFM é contra restrição no comércio dos inibidores de apetite Controlar a venda de inibidores de apetite e, não, proibir sua comercialização. Essa foi a posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) durante audiência pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizada em Brasília (DF), no último dia 23 de fevereiro, para discutir a proposta de proibição da venda dos moderadores de apetite que atuam no sistema nervoso central. Em nota publicada no site do CFM, o 1º secretário do Conselho, Desiré Carlos Callegari, argumenta que a proposta fere a autonomia dos médicos no tratamento ao paciente com obesidade. Na opinião do secretário, a Anvisa tem mecanismos para monitorar o excesso de prescrições dos medicamentos e pode ter apoio dos Conselhos de Medicina para colocar em prática a medida.

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EUA comercializam banda gástrica Lap-Band Desde o último dia 16 de fevereiro, a banda gástrica ajustável LapBand é comercializada nos Estados Unidos (EUA). Aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), a venda do produto será feita aos pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 40. De acordo com a empresa Allergan Inc., mais de 26,4 milhões de pessoas utilizarão o dispositivo. Anteriormente,

15 milhões atendiam aos critérios para utilização do material, que requeria IMC igual ou superior a 35. Disponível nos EUA desde 2001, o produto já foi implantado em 600 mil pessoas, segundo levantamento da Allergan. O dispositivo foi desenvolvido como alternativa à cirurgia de bypass gástrico. Em 2010, cerca de 220 mil cirurgias de estômago foram realizadas.

Consumo de álcool e cirurgia bariátrica Estudo publicado no Journal of the American College of Surgeons revela reações de obesos mórbidos ao álcool após a cirurgia bariátrica para redução de peso. No pré-operatório, a sobriedade de obesos que consumiram 148 ml de vinho retornou após 49 minutos. Três meses após a cirurgia, o tempo passou para 61

minutos, e após seis meses, 88 minutos. Ainda de acordo com o estudo, após a intervenção os pacientes apresentaram sudorese discreta, rubor, tontura e calor após o consumo da bebida. Segundo os pesquisadores, o consumo de álcool por pessoas submetidas ao procedimento deve ser evitado.

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Especialistas terão título da década de 1980 regulamentado

Fotos: © Marcello Casal Jr / ABr

© Leonardo Prado / Divulgação Câmara dos Deputados

Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentará títulos de especialista que não foram registrados no período anterior a 15 de abril de 1989. A Resolução do CFM nº 1.960/2010 foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) em 12 de Janeiro de 2011. De acordo com o Conselho, a decisão contribui para o aumento de especialistas com títulos disponíveis, além de ser um direito adquirido pelos profissionais, se conseguirem comprovarem a titulação. Entre os requisitos para realizar o cadastro junto aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) onde estão inscritos, o médico deve ter o certifi-

cado de conclusão de curso de especialização correspondente à especialidade cujo reconhecimento está sendo pleiteado, Título de Especialista conferido por entidade de âmbito nacional acreditada pelo CFM, título de livre-docência ou doutorado na área da especialidade. Deve ainda ocupar cargo na carreira de magistério superior com exercício por mais de dez anos, ou cargo público de caráter profissional na área específica por mais de uma década. Os títulos que não se enquadram nas características acima podem, quando submetidos à consideração do CFM em grau recursal, ser julgados suficientes para o reconhecimento da qualificação pleiteada.

Entre os requisitos para o cadastro junto aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM), o médico deve ter o certificado de conclusão de curso de especialização

Projetos de Lei da área médica voltam a ser pauta na Câmara Até o final de junho deste ano, vários Projetos de Lei relacionados à área médica serão votados pela mesa diretora da Câmara dos Deputados. Entre eles estão o PL 3734/2008, do deputado Ribamar Alves (PSM/MA), que dispõe sobre o salário mínimo profissional para médicos e cirurgiões-dentistas no setor privado, e o PL 6989/2010, do deputado Eleuses Paiva (DEM/SP), com o objetivo de conceder gratificação anual aos médicos que prestam serviços às operadoras de saúde. Outro assunto em pauta é a Proposta de Emenda à Constituição Federal (PEC) 454/2009, do deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO), que estabelece diretrizes para a organização da Carreira Única de Médico de Estado. Todas estas proposições haviam sido arquivadas no fim da legislatura passada, encerrada no dia 22 de dezembro de 2010.

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Por dentro

Aparelho digestivo e saúde em destaque

Dia Mundial da Saúde discutirá superbactérias

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Maior parte dos pacientes espera que os médicos escutem seus argumentos antes de definirem o tratamento e dêem informações sobre a doença. É o que afirma estudo produzido por pesquisadores espanhóis da Escola Andaluza de Saúde Pública, Universidade de Granada e Centro de Saúde Gran Capitán. Para chegar a essa conclusão, os cientistas ouviram 360 pacientes de um grupo formado por pessoas entre 16 e 47 anos, com problemas de saúde diversos, 51% de mulheres e 49% de homens.

Além de ser ouvidos, a pesquisa mostrou que os participantes também quiseram tomar suas próprias decisões quando estivessem lidando com problemas médicos. Após responderem a um questionário sobre o relacionamento entre médico e paciente, 32% das pessoas com dores no coração afirmaram querer participar da escolha do seu tratamento. E, quando esses mesmos pacientes estavam passando por problemas sérios de saúde na família, essa porcentagem aumentou para 49% dos participantes.

“Exergames” auxilia tratamento infantil contra obesidade Com o objetivo de obter aceitação de crianças no tratamento contra a obesidade, cientistas da Universidade de Politécnica de Valencia, na Espanha, utilizam programas interativos, como videogames, para melhorar o desempenho dos pacientes. De acordo

com os pesquisadores, o método deixa os pacientes mais dispostos com o programa físico personalizado. Chamados de “exergames”, os programas permitem que os pequenos realizem exercícios como dançar ou praticar esportes em cenários interativos.

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© Dreamstime

Pacientes esperam serem ouvidos antes de tratamento

Fotos: © Libero Ajello / Centers for Disease Control and Prevention

O combate à resistência antimicrobiana será tema do Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de não serem um problema novo, os microorganismos ameaçam os tratamentos e cirurgias, como de tumores e transplante de órgãos. A organização alerta que o aumento de casos está relacionado ao uso indiscriminado de medicamentos, principalmente antibióticos. Além disso, o abandono de tratamento, as prescrições médicas erradas, insumos de baixa qualidade e a falta de controle dos governos têm aumentado a incidência das bactérias em instituições médicas. Para controlar os microorganismos resistentes, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que a venda de antibióticos nas farmácias será feita apenas a partir da apresentação de duas vias da receita médica. O objetivo é restringir a automedicação.


Compra de medicamentos patenteados aumentou gastos em R$ 123 milhões Com a compra patenteada dos medicamentos olanzapina, utilizado no tratamento da esquizofrenia; imatinibe, indicado para tratar vários tipos de câncer, entre eles, os tumores estromais gastrointestinais (GISTs); atorvastatina, receitada para reduzir as taxas de colesterol; e o lopinavir/ ritonavir, antiaids, o Brasil gastou R$ 123 milhões a mais entre maio de 2009 e dezembro de 2010, de acordo com o Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual (GTPI), coordenado pela Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS, a pedido do jornal O Estado de São Paulo.

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Após o fim do pipeline (determinada fase de estudos em relação a novos medicamentos), foi reconhecida patente a outros países antes da lei brasileira sobre o tema entrar em vigor, em 1996. Naquele ano, a lei previa que até 1997, empresas interessadas poderiam apresentar o pedido de patente por meio do pipeline. Em 2010, o Brasil pagou por um dos medicamentos 142,83 vezes mais caro do que teria aplicado, caso adquirisse uma versão genérica do produto. Proposta pelo então procuradorgeral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, foi incluída

ação direta de inconstitucionalidade sobre o programa, com base na Federação Nacional dos Farmacêuticos. Entre os argumentos está o de que o programa fere o princípio da isonomia, já que as patentes aprovadas por esse sistema não tiveram de ser analisadas, como acontece com os outros medicamentos.

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Aparelho digestivo e saúde em destaque

Estádios podem ter departamento médico Solicitação feita pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ressaltou que departamentos médicos devem fazer parte dos projetos de construção dos estádios que receberão a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil. O objetivo é fazer com que as instalações ofereçam aos visitantes infraestrutura capaz de atender jogadores e o público em casos de urgência. Em nota divulgada no site do CFM no dia 25 de fevereiro, o coordenador da Câmara Técnica de Medicina do Esporte e vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes, advertiu que as ambulâncias oferecidas nos jogos não são capazes de atender os casos mais graves. Em 2010, a Câmara Técnica já havia definido critérios para o bom funcionamento de dois tipos de consultório: os destinados às consultas e os que podem ser usados para pequenas intervenções médicas. No último dia 23 de fevereiro, a Câmara Técnica do CFM se reuniu para discutir o funcionamento de departamentos médicos de práticas esportivas.

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Paralisação médica Atendimentos médicos aos pacientes de operadoras de saúde foram paralisados no dia 7 de abril em todo o País. Em comemoração ao Dia Internacional da Saúde, a classe realizará paralisação com o objetivo de convencer as operadoras a negociar reajustes nos honorários médicos e a adequar os contratos. Os serviços de urgência serão mantidos. Definida em reunião na sede da Associação Paulista de Medicina (APM), a medida visa determinar que os contratos entre médicos e operadoras tenham uma cláusula com os critérios e periodicidade do reajuste de honorários. Por meio de nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) – que representa as operadoras – informou que as associadas buscam aperfeiçoar o relacionamento com os médicos, à medida que apresenta propostas em fóruns e debates.

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Foto: © Marcello Casal Jr. / ABr

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Por dentro

Agenda

Confira na relação abaixo os principais eventos ligados à gastroenterologia e à endoscopia digestiva dos próximos meses abril 6 a 8 de abril IX Congresso Norte-Nordeste de Gastroenterologiar Maceió - AL www.comuniceventos.com.br

prova TEE 2011 10 de Junho de 2011 acesse o regimento pelo link http://sobed.org.br/web/ pdf/regimentotee.pdf

14 a 16 de abril XXI Jornada e IX Simpósio Internacional de Gastroenterologia do RJ Botafogo - RJ www.trasso.com.br

maio 7 a 10 de maio Digestive Disease Week (DDW) Chicado - EUA www.ddw.org

junho 4 de junho V Maratona de Videoendoscopia do Rio de Janeiro Rio de Janeiro - RJ (21) 2562-2326 10 a 12 de junho 5º Simpósio Internacional da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva Goiânia - GO www.sobed.org.br

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16 a 18 de junho 9º Workshop Internacional de Endoscopia Digestiva do Instituto Alfa de Gastroenterologia - HC/UFMG Belo Horizonte - MG endoeco@hc.ufmg.br 20 a 22 de junho 14th International Coeliac Disease Symposium Oslo - Noruega www.icds2011.org

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Diretorias nacionais

diretoria nacional Presidente: Sérgio Luiz Bizinelli (PR) Vice-Presidente: Flávio Hayato Ejima (DF) 1º secretário: Jimi Izaques Bifi Scarparo (SP) 2º sesoureiro: Afonso Celso S. Paredes (RJ) 1º tesoureiro: Thiago Festa Secchi (SP) 2º tesoureiro: Ramiro Robson F. Mascarenhas (BA)

comissões estatutárias Comissões Eleitoral, de Estatutos, Regimentos e Regulamentos Presidente: Carlos Marcelo Dotti (MS) Antonio Gentil Neto (MS) Nilza Maria Lopes Marques Luz (AL) Gerônimo Franco de Almeida (PB) Eli Kahan Foigel (SP) Geraldo Vinicius Ferreira Hemerly Elias (MS) Comissão de Admissão e Sindicância Presidente: Admar B. Costa Junior (PE) Fábio Segal (RS) Aloisio Fernando Soares (DF) Cláudio Lyoiti Hashimoto (SP) Huang Ling Fang (RJ) José Olympio Meirelles dos Santos (SP) Paulo Anselmo Andrade Paternostro (BA) Vitor Nunes Arantes (MG) Comissão Científica e Editorial Presidente: Carlos Alberto Cappellanes (SP) Adriana Vaz Safatle Ribeiro (SP) Flavio Hayato Egima (DF) Huang Ling Fang (RJ) Jairo Silva Alves (MG) José Celso Ardengh (SP) Josemberg Marins Campos (PE) Julio Cesar Pisani (PR) Marcelo Averbach (SP) Marco Aurélio D’Assunção (SP) Marcos Bastos da Silva (ES) Ricardo Anuar Dib (SP) Comissão de Ética e Defesa Profissional Presidente: Vera Helena A. F. de Mello (SP) Luis Fernando Tullio (PR) Francisco José Medina Pereira Caldas (RJ) Wagner Colaiacovo (SP) Ricardo de Sordi Sobreira (SP) José Narciso de Carvalho Neto (RJ) Comissão de Avaliação e Credenciamentos de Centros de Ensino e Treinamento Presidente: Edivaldo Fraga Moreira (MG) Giovani Antonio Bemvenuti (RS) Daniel Moribe (SP) Luiz Cláudio Miranda da Rocha (MG) Erivaldo de Araujo Maués (PA) Edson Ide (SP) Afonso Celso da Silva Paredes (RJ) Flávio Heuta Ivano (PR) Ramiro R. F. Mascarenhas (BA) José Eduardo Brunaldi (SP) Comissão de Título de Especialista e sua Atualização Presidente: Fábio Segal (RS) Secretário/Imagens: Jimi Scarparo (SP) Secretário/Logística: Ricardo Anuar Dib (SP) Secretário/Avaliadores: Flávio H. Ejima (DF) Helenice Breyer (RS) Júlio César Souza Lobo (PR) Dalton Marques Chaves (SP) Marcos Clarêncio Batista Silva (BA) Vitor Nunes Arantes (MG) Antônio Carlos Conrado (PE) Silvana D’Agostin (SC) Afonso Celso da Silva Paredes (RJ)

comissões não-estatutárias Sede SOBED Diretor: Ricardo Anuar Dib (SP) Comissão de Acreditação de Serviços de Endoscopia Presidente: Renato Luz Carvalho (SP) Ricardo Orígenes B. Vandermaás Contão (ES)

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Ricardo Teles Schulz (SC) Lincoln E. Vilela V. de Castro Ferreira (MG) Rodrigo José Felipe (BA) Luis Masuo Maruta (SP) Comissão de Centro de Treinamento em Técnicas Endoscópicas – Centro de treinamento Coordenador: Ricardo Anuar Dib (SP) Lucio Giovanni Battista Rossini (SP) Admar Borges da Costa Jr. (PE) Ciro Garcia Montes (SP) Comissão de Relações Internacionais Coordenação Geral Paulo Sakai (SP) Glaciomar Machado (RJ)

Site

Coordenador: Flávio Braguim (SP) José Luiz Paccos (SP) Gustavo Andrade de Paulo (SP) Ricardo Leite Ganc (SP) Horus Antony Brasil (SP)

Diretrizes e Protocolos Coordenador: Eduardo G. H. de Moura (SP) Fábio Segal (RS) Maria Cristina Sartor (PR) Fernando Herz Wolff (RS) Trabalhos Multicêntricos Paulo Alberto Falco Pires Correa (SP) Walnei Fernandes Barbosa (SP)

Coordenadores América do Sul Paulo Sakai (SP) José Celso Ardengh (SP) Julio Pereira Lima (RS)

Revista SOBED /SOBED em Casa Thiago Festa Secchi (SP) Horus Antony Brasil (SP) Gustavo Andrade de Paulo (SP)

Coordenadores Europa Luiz Felipe Paula Soares (PR) Igelmar Barreto Paes (BA) Márcio Cesar Montes (PR) Rodrigo José Felipe (BA) David Correa Alves de Lima (MG) René Lambert (FRANÇA) Sérgio Luiz Bizinelli (PR)

Representante nas revistas GED e Arquivos Brasileiros de Gastroenterologia Paulo Roberto Arruda Alves (SP)

Coordenadores EUA Glaciomar Machado (RJ) Luiz Leite Luna (RJ) Ângelo Paulo Ferrari (SP) Artur A. Parada (SP) Admar Borges da Costa Jr (PE) Coordenadores Japão Paulo Sakai (SP) Cláudio Rolim Teixeira (RS) Comissão de Resgate da Especialidade de Endoscopia Digestiva Sérgio Bizinelli (PR) Carlos Alberto Cappellanes (SP) Artur Adolfo Parada (SP) Flávio Quilici (SP) João Carlos Andreoli (SP) Paulo R. Alves de Pinho (RJ) Flávio H. Ejima (DF) Comissão para Elaboração do Regimento e Regulamento da SBAD Sérgio L. Bizinelli (PR) Luiz Leite Luna (RJ) Carlos A. Cappellanes (SP) Giovani Bemvenuti (RS) Paulo R. Alves de Pinho (RJ) Artur A. Parada (SP) João Carlos Andreoli (SP) Carlos Marcelo Dotti (MS) Comissão de Implantação de Honorários Médicos das Unidades Estaduais Coordenador: Luiz Fernando Tullio (PR) Vera Helena de Aguiar Freire de Mello (SP) Julio Pereira Lima (RS) Paulo Fernando Souto Bittencourt (MG) Antônio Carlos Coêlho Conrado (PE) Viriato João Leal da Cunha (SC) Sandra Teixeira (PR) José Edmilson Ferreira da Silva (RJ) Comissão para Implantação da Cooperativa dos Endoscopistas das Unidades Estaduais Coordenador: Marcus V. Saboia Rattacaso (CE) Vice-coordenador: Julio César Souza Lobo (PR) Francisco das Chagas Gonçalves de Oliveira (CE) Francisco Paulo Ponte Prado Júnior (CE) Sandra Teixeira (PR) Edson Luiz Doncatto (RS) Julio Pereira Lima (RS) Viriato João Leal da Cunha (SC) José Edmilson Ferreira da Silva (RJ) Antônio Carlos Coelho Conrado (PE) Paulo Fernando Souto Bittencourt (MG)

representantes em instituições Conselho Federal de Medicina e Comissão Nacional de Residência Médica Coordenador: Flávio H. Ejima (DF) Zuleika Barrio Bortoli (DF) Agência Nacional de Vigilância Sanitária Coordenadora: Vera Helena de A. F. de Mello (SP) Flávio H. Ejima (DF) Francisco José Medina Pereira Caldas (RJ) Tadayoshi Akiba (SP) Associação Médica Brasileira Coordenador: Maria das Graças P. Sanna (MG) Carlos Alberto Cappellanes (SP) Rodrigo José Felipe (BA) Wagner Colaiacovo (SP) - Órteses e Próteses Comissão Nacional de Acreditação (CNA) Coordenador: Renato Baracat (SP) Carlos Alberto da Silva Barros (MG) Ricardo Schmitt de Bem (PR)

núcleos Núcleo de Ecoendoscopia Coordenador: Walton Albuquerque (MG) Lucio Giovanni Batista Rossini (SP) José Celso Ardengh (SP) Marco Aurélio D’Assunção (SP) Simone Guaraldi da Silva (RJ) Vitor Nunes Arantes (MG) Fauze Maluf Filho (SP) Núcleo de Pediatria Coordenadora: Cristina Helena T. Ferreira (RS) Coordenadora: Eloá M. Morsoletto Machado (PR) Paulo Fernando Souto Bittencourt (MG) Silvia Regina Cardoso (SP) Paula Bechara Poletti(SP) Núcleo de Desenvolvimento do NOTES Coordenador: Kiyoshi Hashiba (SP) Ângelo Paulo Ferrari Junior (SP) Pablo Rodrigo de Siqueira (SP) Paulo Sakai (SP) Marco Aurélio D’Assunção (SP) Núcleo de Tabagismo Everton Ricardo de Abreu Netto (AM) Marketing João Carlos Andreoli (SP) Conselho Editorial (livros) Artur A. Parada (SP) - fascículos Marcelo Averbach (SP) – livro Sérgio L. Bizinelli (PR)

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Por dentro

Diretorias estaduais

alagoas

mato grosso

rio de janeiro

Presidente: Henrique José Menezes Malta Vice-presidente: Carlos Henrique Barros Amaral 1º Secretário: Hunaldo Lima de Menezes 2º Secretário: José Wenceslau da Costa Neto 1º Tesoureiro: Laercio Tenório Ribeiro 2º Tesoureiro: Herbeth José Toledo Silva

Presidente: Roberto Carlos Fraife Barreto Vice-presidente: Ubirajarbas Miranda Vinagres 1º Secretário: José Geraldo Favalesso 2º Secretário: José Carlos Comar 1º Tesoureiro: Elton Hugo Maia Teixeira 2º Tesoureiro: Carlos Eduardo Miranda de Barros

Presidente: José Edmilson Ferreira da Silva Vice-presidente: Marcius Batista da Silveira 1º Secretário: Vladimir Molina de Oliveira 2º Secretário: José Narciso de Carvalho Netos 1º Tesoureiro: Carlos Eduardo F. de Mesquita 2º Tesoureiro: Luiz Armando Rodrigues Velloso

Av. Silvio Viana, 1751 - Ponta Verde – Maceió CEP: 57035-160 | (82) 3327-4500 / (82) 8846-0006 henriquemalta@uol.com.br

amazonas

R. Rio Jutaí, 15, Quadra 35 - Conj. Vieira Alves – Manaus CEP: 69053-020 | (92) 3584-2495 / 9132-4904 alinne.bessa@uol.com.br

Rua Barão de Melgaço, 2777 – Cuiabá CEP: 78000-000 | (65) 3634-4610 / 9983-1701 ronama@terra.com.br

mato grosso do sul

R. Maracaju, 1148, Jd. dos Estados – Campo Grande CEP: 79002-212 | (67)8136-3363 / 3325-6040 geralu@uol.com.br

Presidente: Alinne Lais Bessa Maia Vice-presidente: Jeanne Monique Guimarães Pimentel 1º Secretário: Deborah Nadir Cruz Ferreira 2º Secretário: Lourenço Candido Neves 1º Tesoureiro: Jorge Luis Bastos Arana

Presidente: Geraldo Vinícius F. Hemerly Elias Vice-presidente: Adriano Fernandes da Silva 1º Secretário: Rogério Nascimento Martins 2º Secretário: Thiago Alonso Domingos 1º Tesoureiro: Eduarda Nassar Tebet Ajeje 2º Tesoureiro: Marcelo de Souza Cury

bahia

minas gerais

Presidente: Alice Mendes de Souza Cairo Vice-presidente: Sylon Ribeiro de Britto Junior 1º Secretário: Luiz Eduardo da Silva Góes 2º Secretário: Sylon Ribeiro de Britto Junior 1º Tesoureiro: Luciana Rodrigues Leal da Silva 2º Tesoureiro: Alcione Prates Leite

Presidente: Paulo Fernando Souto Bittencourt Vice-presidente: Atanagildo Cortes Junior 1º Secretário: Rodrigo Roda Rodrigues da Silva 2º Secretário: Roberta Nogueira de Sá 1º Tesoureiro: José Celso Cunha Guerra Pinto Coelho 2º Tesoureiro: Rodrigo Roda Rodrigues da Silva

R. Baependi, 162, sala 3 - Ondina – Salvador CEP: 40170-070 | (71) 9161-0201 alicecairo@tricenter.com.br

ceará

R. Cel. Alves Teixeira, 1.578 - Joaquim Távora – Fortaleza CEP: 60130-001 | (85) 3261-8085 ricardsopessoa@veloxmail.com.br Presidente: Ricardo Rangel de Paula Pessoa 1º Secretário: Francisco Paulo Ponte Prado Junior 1º Tesoureiro: Adriano Cesar Costa Cunha

distrito federal

SGAS 910 - Cj. B - bloco A - sala 224 CEP: 70390-100 | (61) 3242-9203 / 9216-9055 framachado@gmail.com Presidente: Francisco Machado da Silva Vice-presidente: Zuleica Bario Bortoli 1º Secretário: Cláudia Maria Ferreira de Macedo 2º Secretário: Luciana Machado Nonino 1º Tesoureiro: Columbano Junqueira Neto 2º Tesoureiro: Raimundo Nonato Miranda Lopes

espírito santo

R. Francisco Rubim, 395 – Vitória CEP: 29050-680 | (27) 3324-1333 / 9932-8181 jjoaquim.figueiredo@gmail.com | sobedestadual.es@gmail.com Presidente: José Joaquim de Almeida Figueiredo Vice-presidente: Bruno de Souza Ribeiro 1º Secretário: Roseane Valério Bicalho F. Assis 2º Secretário: Giovana Pereira Nogueira Gama 1º Tesoureiro: Esteban Sadovsky 2º Tesoureiro: Marcio Demoner Brandão

goiás

Av. Mutirão, 2.653, Goiânia CEP: 74115-914 | (62) 3251-7208 / (62) 9977-6126 goyaniagastro@brturbo.com.br | sobedgoias@hotmail.com Presidente: Marcus Vinicius Silva Ney Vice-presidente: Marcelo Barbosa Silva 1º Secretário: Fernando Henrique Porto Barbosa Ramos 2º Secretário: Daniela Medeiros Milhomem Cardoso 1º Tesoureiro: Rennel Pires de Paivas 2º Tesoureiro: Luiz Lázaro Rodrigues Alves

Av. João Pinheiro, 161 – Belo Horizonte CEP: 30130-180 | (31) 3247-1647 / 9974-7714 pauloendoscopia@uol.com.br | selmira@ammgmail.org.br

pará

R. Cônego Jerônimo Pimentel, 900 / 1702 – Belém CEP: 66055-000 | (91)8112-9085 / 3223-8464 marcosmd@uol.com.br Presidente: Marcos Moreno Domingues Vice-presidente: Erivaldo Maués 1º Secretário: Aida Sirotheau 2º Secretário: Cássio Caldato 1º Tesoureiro: Laércio Silveira 2º Tesoureiro: Ermínio Pessoa

paraíba

Av. Epitacio Pessoa, 3360 - Tambauzinho – João Pessoa CEP: 58045-000 | (83) 2106-0900 / 9981-7146 fd.delgado@uol.com.br Presidente: Fábio da Silva Delgado Vice-presidente: Pedro Duques de Amorim 1º Secretário: Jeferson Queiroz Carneiro 2º Secretário: Carlos Sérgio Garcia 1º Tesoureiro: Francisco Sales Pinto 2º Tesoureiro: Daniel Chaves Mendes

paraná

R. Candido Xavier, 575, – Curitiba CEP: 80240-280 | (41) 3342-3282 / 9997-5120 sandragastro@uol.com.br | sobed@onda.com.br Presidente: Sandra Teixeira Vice-presidente: Maria Cristina Sartor 1º Secretário: Flávio Heuta Ivano 2º Secretário: Paula Beatriz Moreira Salles 1º Tesoureiro: Silvia Maria da Rosa 2º Tesoureiro: Wanderlei da Rocha Carneiro Jr.

pernambuco

R. Sen. José Henrique, 141, 1º andar, Ilha do Leite – Recife CEP: 52050-020 | (81) 3221-6959 / 9152-0703 coelhoconrado@terra.com.br Presidente: Antônio Carlos Coêlho Conrado Vice-presidente: Admar Borges da Costa Junior 1º Secretário: Carlos Eugênio Gantois 2º Secretário: Eduardo Carvalho Gonçalves de Azevedo 1º Tesoureiro: Júlia Corrêa de Araújo 2º Tesoureiro: José Julio Viana

R. da Lapa, 120 – sl. 309 – Rio de Janeiro CEP: 20021-180 | (21) 2507-1243 / 3852-7711 jedmilsonsilva@uol.com.br | sobedrj@infolink.com.br

rio grande do norte

R. Maria Auxiliadora, 807, Tirol – Natal CEP: 59014-500 | (84) 3211-1313 / 9982-1859 liciavbmoura@uol.com.br Presidente: Veronica de Souza Vale Vice-presidente: João Batista Caldas 1º Tesoureiro: Licia Villas-Bôas Moura

rio grande do sul

Av. Ipiranga, 5.311, sl. 207 – Porto Alegre CEP: 90610-001 | (51) 3352-4951 / 9994-0641 sobed_rs@terra.com.br | jpereiralima@terra.com.br Presidente: Julio Carlos Pereira Lima Vice-presidente: Carlos Eduardo Oliveira dos Santos 1º Secretário: Everton Hadlich 1º Tesoureiro: Cesar Vivian Lopes

rondônia Rua Campos Salles, 2245 – Porto Velho CEP: 76801-081 | (69)3221-5833 / 9981-2687 igeron1@uol.com.br Presidente: Domingos Montaldi Lopes Vice-presidente: Adriana Silva Assis 1º Secretário: Douglas Alexandre de M Rodrigues 2º Secretário: Victor Hugo Pereira Marques 1º Tesoureiro: Edson Aleotti 2º Tesoureiro: Volmir Dionisio Rodigheri

santa catarina

Rodovia SC 401 - Km 04, 3854 – Florianópolis CEP: 88032-005 | (48) 3231-0324 / 9983-1547 viriato@matrix.com.br | sobedsc@acm.org.br Presidente: Viriato João Leal da Cunha Vice-presidente: Luiz Carlos Bianchi 1º Secretário: Emir Dacoregio 1º Tesoureiro: Eduardo Nobuyuki Usuy Junior 2º Tesoureiro: Manoel Tiago Vidal Ramos Junior

são paulo

R. Itapeva, 202 - sl. 98 – São Paulo CEP: 01332-000 | Fone: (11) 3288-6883 / 9674-4902 adrisafatleribeiro@terra.com.br |sobedsp@uol.com.br Presidente: Adriana Vaz Safatle Ribeiro Vice-presidente: Thiago Festa Secchi 1º Secretário: Dalton Marques Chaves 2º Secretário: Eduardo Curvello Tolentino 1º Tesoureiro: José Olympio M. dos Santos 2º Tesoureiro: Luiza M. F. Romanello

sergipe

R. Guilhermino Rezende, 462, São José – Aracaju CEP: 49020-270 | (79) 3246-2763 / 9987-8081 miranascimento@uol.com.br | sobedse@yahoo.com Presidente: Miraldo Nascimento da Silva Filho Vice-presidente: Patricia Santos Rodrigues Costa 1º Secretário: Simone Déda Lima Barreto 2º Secretário: Jilvan Pinto Monteiro 1º Tesoureiro: Kelly Menezio Jardim Oliveira 2º Tesoureiro: Raul Andrade Mendonça Filho

maranhão

piauí

tocantins

Presidente: Clelma Pires Batista Vice-presidente: Milko A. de Oliveira 1º Secretário: Selma Santos Maluf 2º Secretário: Nailton J. F. Lyra 1º Tesoureiro: Djalma dos Santos 2º Tesoureiro: Elian O. Barros

Presidente: Antonio Moreira Mendes Filho Vice-presidente: Conceição Maria Sá e Rego Vasconcelos 1º Secretário: Carlos Dimas Carvalho Sousa 2º Secretário: Adelmar Neiva de Sousa Sobrinho 1º Tesoureiro: Wilson Ferreira Almino 2º Tesoureiro: Teresinha Quirino Vieira da Assunção

Presidente: José Augusto M. F. Campos Vice-presidente: Zoroastro Henrique Santana 1º Secretário: Mery Tossa Nakamura 2º Secretário: Marcos Rossi Moreira 1º Tesoureiro: Jorge Luiz de Mattos Zeve 2º Tesoureiro: Rone Antonio Alves de Abreu

R. Carutapera 2, Quadra 37b - Jd. Renascença – São Luís CEP: 65075-690 | (98)9971-4689 clelmapires@uol.com.br

janeiro/março 2011

Rua 1º de Maio, 575 – Teresina CEP: 64001-450 | (86) 3221 5968 / 9981-6078 moreira-filho@uol.com.br

306 Sul, Alameda 14, nº 3 e 5 – Palmas CEP: 77021-036 | (63) 3215-5383 / (63) 9978-1046 jmscampos@uol.com.br | jac.to@uol.com.br

REVISTA SOBED

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teste

Quanto você sabe sobre saneantes?

A Revista SOBED inaugura a seção “Teste seus conhecimentos”. Nosso objetivo é oferecer um passatempo informativo e desafiador aos leitores da revista. Boa leitura e boa diversão! por Fabio Segal, Flávio Ejima e Jimi Scarparo

I. Em relação aos Regulamentos Técnicos para Serviços de Endoscopia Digestiva, qual dos itens abaixo é considerado incorreto?

III. O reprocessamento dos endoscópios flexíveis passa por algumas etapas antes e ser armazenado. Podemos afirmar que:

a. Deve ter sala específica para a limpeza, desinfecção e esterilização dos equipamentos, independentemente da sala onde são realizados os procedimentos. b. Todos os profissionais devem usar avental de tecido e luvas nos procedimentos (Equipamento de Proteção Individual - EPI) c. Para o reuso de produtos reprocessados, assim que o acessório for liberado do exame deverá ser imediatamente encaminhado à esterilização. d. A limpeza completa do acessório é a primeira etapa do reprocessamento. e. Os manuais de limpeza e desinfecção devem estar disponíveis e de fácil acesso aos profissionais do serviço.

a. A limpeza é apenas uma das etapas do reprocessamento e deve ser após o processo de desinfecção. b. A limpeza é a etapa mais importante do reprocessamento e deve preceder o processo de desinfecção. c. A limpeza do aparelho deve ser superficial para não danificar o aparelho, mesmo porque não remove agentes infecciosos. d. As etapas do reprocessamento são na seqüência: desinfecção, secagem, limpeza residual e armazenamento horizontal. IV. Quanto ao reprocessamento dos aparelhos endoscópicos e seus acessórios, a alternativa correta é:

II. Qual das afirmativas abaixo está incorreta? a. Os riscos decorrentes do reuso de materiais de uso único envolvem fatores de ordem biológica, endotóxica, fisico-química, funcional e de perda de rastreabilidade. b. O risco biológico decorre da dificuldade de limpeza de certos materiais. c. O risco químico é decorrente de resíduos que podem permanecer no material após o reprocessamento. d. O risco funcional está relacionado aos danos à saúde dos técnicos de enfermagem com o manuseio do acessório. e. A rastreabilidade está relacionada com a capacidade de identificação do acessório reprocessado.

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revista SOBED

a. O glutaraldeído a 2% é atualmente o único desinfetante existente no mercado, que pode ser utilizado para endoscópios. b. As pinças de biópsias endoscópicas são consideradas material crítico e devem ser desinfetadas rapidamente antes de serem reutilizadas c. A reutilização de pinças de biópsias endoscópicas é recomendada após a desinfecção de alto nível, pois assim ocorre eliminação de todos os microorganismos, principalmente os mais elementares, como vírus, micobactérias e prions. d. O uso de máquinas de lavar não diminui o tempo de reprocessamento dos endoscópios

Confira as respostas no site da SOBED

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A Revista SOBED inaugura a seção “Teste seus conhecimentos”. Nosso objetivo é oferecer um passatempo informativo e desafiador aos leitores da revista. Boa leitura e boa diversão! por Fabio Segal, Flávio Ejima e Jimi Scarparo

I. Em relação aos Regulamentos Técnicos para Serviços de Endoscopia Digestiva, qual dos itens abaixo é considerado incorreto?

III. O reprocessamento dos endoscópios flexíveis passa por algumas etapas antes e ser armazenado. Podemos afirmar que:

a. Deve ter sala específica para a limpeza, desinfecção e esterilização dos equipamentos, independentemente da sala onde são realizados os procedimentos. b. Todos os profissionais devem usar avental de tecido e luvas nos procedimentos (Equipamento de Proteção Individual - EPI) c. Para o reuso de produtos reprocessados, assim que o acessório for liberado do exame deverá ser imediatamente encaminhado à esterilização. d. A limpeza completa do acessório é a primeira etapa do reprocessamento. e. Os manuais de limpeza e desinfecção devem estar disponíveis e de fácil acesso aos profissionais do serviço.

a. A limpeza é apenas uma das etapas do reprocessamento e deve ser após o processo de desinfecção. b. A limpeza é a etapa mais importante do reprocessamento e deve preceder o processo de desinfecção. c. A limpeza do aparelho deve ser superficial para não danificar o aparelho, mesmo porque não remove agentes infecciosos. d. As etapas do reprocessamento são na seqüência: desinfecção, secagem, limpeza residual e armazenamento horizontal. IV. Quanto ao reprocessamento dos aparelhos endoscópicos e seus acessórios, a alternativa correta é:

II. Qual das afirmativas abaixo está incorreta? a. Os riscos decorrentes do reuso de materiais de uso único envolvem fatores de ordem biológica, endotóxica, fisico-química, funcional e de perda de rastreabilidade. b. O risco biológico decorre da dificuldade de limpeza de certos materiais. c. O risco químico é decorrente de resíduos que podem permanecer no material após o reprocessamento. d. O risco funcional está relacionado aos danos à saúde dos técnicos de enfermagem com o manuseio do acessório. e. A rastreabilidade está relacionada com a capacidade de identificação do acessório reprocessado.

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a. O glutaraldeído a 2% é atualmente o único desinfetante existente no mercado, que pode ser utilizado para endoscópios. b. As pinças de biópsias endoscópicas são consideradas material crítico e devem ser desinfetadas rapidamente antes de serem reutilizadas c. A reutilização de pinças de biópsias endoscópicas é recomendada após a desinfecção de alto nível, pois assim ocorre eliminação de todos os microorganismos, principalmente os mais elementares, como vírus, micobactérias e prions. d. O uso de máquinas de lavar não diminui o tempo de reprocessamento dos endoscópios

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Revista SOBED 2011 - Edição nº 12