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TERÇA-FEIRA, 24 DE JULHO DE 2007 O ESTADO DE S. PAULO

ESPECIAL PAN 2007 E3 ●

Folgas e premiações levaram ao corte de Ricardinho da seleção Jogador revela estar chateado com Bernardinho e toda a comissão técnica. ‘Armaram para mim’, diz o atleta ANDRZEJ GRYGIEL/AE – 15/7/2007

Presidente da CBV define dispensa como normal RIO

PROBLEMAS – Os problemas que levaram ao corte de Ricardinho começaram na Liga Mundial; o prêmio de € 1 milhão foi dividido, mas houve discussão sobre a premiação do Pan

Martín Fernandez

Folgas e premiações. Foram esses os motivos que levaram ao corte do levantador Ricardinho da seleção masculina de vôlei, que estreou ontem à noite no Pan com vitória por 3 a 0 sobre o Canadá. O jogador afirma estar chateado não apenas com Bernardinho, mas com toda a comissão técnica. “Armaram para mim. Alista comoBruno(filhode Bernardinho, chamado para o lugar do levantador cortado) já estava pronta muito antes”, desabafou

o jogador a amigos. Osproblemascomeçaramdepois que a seleção havia vencido o Canadá em dois jogos realizados em Toronto, nos dias 22 e 23 de junho. O Brasil já estava classificado para as finais da Liga, que começariam no dia 11 de julho, na Polônia. Ricardinho, em nome dos atletas, pediu a Bernardinho uns dias de folga. A intenção era visitar familiaresnoBrasil.Nesseperíodo, porém, a seleção faria dois jogos contra a Finlândia, em Helsinque (nos dias 29 e 30 de junho). Bernardinho negou o pedido dos jogadores e foi com o time

completo para Helsinque. Lá, o Brasil venceu a Finlândia e ficou se preparando para as finais da Liga. A permanência no paísescandinavoirritouosjogadores – sobretudo Ricardinho. O outro grande problema foi a premiação. Ainda segundo o relato do jogador a amigos, a situação ficou tensa quando Ricardinho foi chamado pela comissão técnica para discutir a premiação referente aos Jogos Pan-Americanos, que ainda estavam longe de começar. “Eles (a comissão técnica) queriam aumentar a parte deles e reduzir a nossaparte (dos jogadores)”,de-

Torcida cobra técnico, mas aplaude os 3 a 0 Seleção não brilha na fácil vitória sobre o Canadá

sabafou o jogador. O cheque de € 1 milhão, prêmiopelaconquistadaLigaMundial, foi dividido entre partes iguais entre jogadores e comissãotécnica. O problema foia sugestão de divisão da eventual premiação do Pan. Ricardinho não aceitou a proposta e houve discussão áspera. O atleta acredita que naquele momento, ainda na Polônia, seu futuro no Pan tenha sido definido. “Estou tranqüilo, porque estava representando o interesse dosjogadores”, declarouojogador. Fabiana, mulher de Ricardinho, disse ao Estado que o jo-

gador não demonstrou nenhum arrependimento. TRISTEZA

O pai de Ricardinho, Luis Garcia, lamentou a ausência do filho no Pan-Americano. Ele disse que já tinha tudo planejado para ver a seleção brasileira no Rio de Janeiro, mas desistiu de viajar: vai ver pela televisão, em São Paulo mesmo, onde mora. “Eu fiquei muito chateado, claro”, declarou. “Nunca achei que existisse qualquer problema entre o Bernardinho e o Ricardo.” ●

Giba vê levantador na Olimpíada Novo capitão da seleção espera ter Ricardinho na equipe em Pequim

EDUARDO NICOLAU/AE

Erica Akie Hideshima

RIO

RIO

Duas horas antes da estréia da seleção brasileira masculina de vôleinoPan,diantedoscanadenses, o ginásio do Maracanãzinho já estava cheio. Alguns torcedores levaram seu protesto contra o corte de Ricardinho, espalhadoem faixas ecartazes na arquibancada: “Bernardinho, você é ouro, mas o Ricardinho é ‘o cara’”, ou “Ricardinho, número 17, o melhor jogador do mundo”, “Volta, Ricardinho!”, “Queremos Ricardinho!” e “Ricardinho, amamos você”. Na apresentação da equipe, uma minoria vaiou o anúncio do nome de Bernardinho – as vaias foram logo abafadas por palmas.Bastou o iníciodo jogopara quemais de8 milpessoasgritassem o nome do levantador, enquanto Marcelinho se preparava para o primeiro saque. Quando o Brasil vencia por 24 a 18, Bernardinho tirou André Nascimento e Marcelinho para colocar Anderson e Bruno, seu filho. Surpreendentemente, Bruno foi vaiado. Mas, na seqüência, todo o ginásio gritou o nome do levantador. No segundo set, quando o Brasil dominava por 24 a 17, o técnico preferiu não repetir a substituição. Até o fim do jogo, Bruno e Anderson

PROTESTO – Corte de Ricardinho chama mais atenção que a estréia

não entraram mais em quadra. A vitória, por 25/19, 25/18 e 25/17, não conseguiu esconder que o clima não anda dos melhores. Em quase todas as paradas técnicas, os jogadores mal olhavam Bernardinho, que tinha de se aproximar de cada um para dar instruções. “As vaias são naturais,noscolocamnumadimensão mais humana, acabando com a história de que a unanimidade é burra. Quantas vezes fui

vaiado porque não queriam me ver jogar?”, disse Bernardinho, no fim da partida. Para o líbero Escadinha, as vaias“pegaramotimede surpresa”. “Esse é o time do momento, perdemos o Ricardo e ele é importante. Não esperava isso da torcida, mas todo mundo tem de entender essa situação.” Giba disse não ter ouvidovaias:“Sóouviincentivos ao Bruno.” ●

mais caro e melhor jogador de vôlei do mundo estava calado desde que chegou ao Rio. Mas, após o treino de ontem, Giba resolveu falar. Opinou sobre a ausência do amigo Ricardinho na seleção, as expectativas para o Pan e a infância complicada no Paraná. Principal estrela da equipe de Bernardinho, o atacante estava visivelmente magoado pelo corte do melhor amigo. Ontem, ao falar do caso, cobrou, em tom de brincadeira: “Eu espero que o Ricardo não quebre o nosso pacto. Em 2004, após a Olimpíada de Atenas, eu disse que queria parar de jogar para curtir a minha família. Ele me convenceu e disse que iríamos juntos até a Olimpíada de Pequim. Espero que ele já esteja de volta no Sul-Americano (em setembro), já que não jogaremosnaCopaAmérica(emagosto).”Ressaltandoa“famíliaBernardinho”, Giba fez questão de dizerque Ricardoainda pertence ao grupo: “Já falei com ele. Ele nunca deixou de fazer parte da família. O Bernardo fez o que achou justo. Toda família tem um pai. Ele é o pai dessa família e a gente tem de aceitar.” Em relação a receber a braçadeira de volta, comentou:

O corte de Ricardinho da seleção masculina de vôlei não surpreendeu Ary da Graça, presidentedaConfederaçãoBrasileira de Vôlei. O dirigente disse que conversou com Bernardinho e apoiou a decisão de dispensar o levantador. “Não foi surpresa porque eu sabia que havia um desgaste.’’ Ontem, Graça afirmou que nunca disse que havia um acordoentreRicardinhoeBernardinho. “De jeito nenhum. Eu disse que ele havia sido dispensado normalmente porque havia um desgaste.” No sábado à noite, quando corte se tornou público, o cartola, que estava na arena do vôlei de praia, deu declarações dizendo que técnico e jogador haviam conversado e que o levantador estaria “cansado’’, “exausto’’ e “estressado’’. O presidente da CBV ainda não conseguiu falar com Ricardinho. Na manhã de ontem, ligou para ele, mas não conseguiu encontrá-lo. Contou que Ricardinho tentou um primeiro contato.“Maseu nãopudeatender na hora. Liguei de volta e não consegui falar.’’ ● E.A.H.

“Foi uma situação chata porqueeu não gostariaque fosse assim. Temos 12 capitães no time, não muda nada. Quem tem de dar bronca, dá.” Giba também sabe que carrega o status de melhor e maiscaro jogador do mundo, oque faz aumentar a pressão sobre seu desempenho. “A cada campeonato a responsabilidade aumenta e carrego isso muito antes de ganharqualquerprêmio individual. Já tomamos muita porradaparanãocairmosemnenhuma armadilha.” Desde cedo, Giba precisou batalhar muito pela vida: aos seis anos, teve leucemia. Cinco anos depois, caiu de uma árvore e tomou 150 pontos. Ele garante que esses dramas só o fortaleceu. “Lembro de tudo um pouco. Não só essas coisas que me aconteceram na infância, mas de quando fui pego no doping (por uso de maconha, em 2003). Foi um divisor na minha carreira. Tento tirar força das dificuldades.’’ Depois do Sul-Americano do Chile, o ponta se apresenta ao seu novo time, o Iskra Odintsovo, da Rússia. “Fechei um contrato de três anos e depois quero voltar ao Brasil.” ● E.A.H.

‘Os treinos estão mais silenciosos’, diz Gustavo RIO

O clima no treino da manhã ontem, antes da estréia contra o Canadá, não era dos melhores entre os jogadores da seleção. Enquanto alguns admitem, outros negam que a ausência de Ricardinhoaindaabale ogrupo. O meio-de-rede Gustavo, um dosmais experientes da equipe, admite que os atletas precisam de tempo para se acostumar com a idéia. “Ainda estamos absorvendo essa situação. Os treinos estão mais silenciosos”, fala.“Pareceque falta algumacoisa, estamos ainda meio tímidos com isso.” Gustavoacreditaque osjogadores precisam agora passar confiança ao substituto de Ricardinho. “Precisamos dar tranqüilidade para o Marcelinho trabalhar. Claro que ele não vai conseguir fazer o que o Ricardo faz, mas ele é um cara experiente e que tem seu próprio tipo de jogo, ao qual estamos nos adaptando.” Marcelinhoagradece oapoio.“Vou procurar fazer só um pouquinho do que ele (Ricardinho) faz em quadra. Já o observei muito e vou tentar fazer o melhor possível”, conta o levantador. Alguns jogadores preferem não falar muito sobre os últimos acontecimentos. É o caso de Rodrigão. “Foi uma decisão do Bernardo e a gente respeita. Abalado todo mundo fica. Tem de levantar a cabeça e jogar, não tem como ficar pensando noquepassou.Temos delevar a vida.”OpontaDantese solidarizou com o colega, mas, ao contrário de alguns atletas, não foi atrás de Ricardinho para confortá-loapós ocorte.“Não podemos lamentar tanto e esquecermos do objetivo maior, que é o Pan. Estamos unidos, botamos um ponto final nisso. Não fui atrás dele porque, quanto mais se toca na ferida, pior fica. Nessa hora ele precisa do apoio da família, e sei que isso ele tem de sobra.” ● E.A.H.

folgas  
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