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DOMINGO, 25 DE FEVEREIRO DE 2007 O ESTADO DE S.PAULO

BASQUETE ED VIGGIANI/AE

Eles vão embora cada vez mais cedo Brasil virou garimpo para olheiros espanhóis atrás de promessas Martín Fernandez

Com9anos,Jordan Bürgerpercebeu que não tinha muito jeito para o tênis. Deixou a raquete de lado e se dedicou a jogar basquete. À altura, somou-se o talento. E aos 15 anos, quando já treinava entre profissionais em Santa Catarina, recebeu um convite para jogar na Espanha. Jordan, de 2,06 metros, defendeoCajaSanFernando,deSevilha, um dos principais clubes do país, desde novembro de 2006. Jordan é um dos vários jogadores que, todos os anos, deixam o Brasil e se lançam para a Europa. Por cerca de € 300 por mês, bolsa de estudos, moradia e alimentação, vão atrás de maiores salários, de melhores condições para treinar e de uma vitrine. Os pais aprovam, os técnicos brasileiros incentivam – e os garotos adoram. Geralmente, são contratados por times da Primeira Divisão, mas não começam a jogar logo na elite. Primeiro, são emprestados a times menores, em queganham experiência. Como ocorreu com Tiago Splitter, de 22 anos, que foi para a Espanha aos15, passou duastemporadas emdivisõesinferioresehojebrilha no Tau Cerámica, de Bilbao, um dos grandes clubes do país. “Estou bem, muito bem”, repeteJordan,portelefone,aoEstado. O sotaque de Manezinho de Florianópolis se confunde comorecém-adquiridoemSevilha. “A Espanha é o melhor país do mundo para jogar basquete. Estou fazendo o que gosto, aprendendoumnovoidioma,está tudo perfeito aqui.” O clube lhe dá hospedagem, alimentação, aulas de espanhol e treinos específicos para melhorar os fundamentos e se adaptar ao basquete jogado na

Garotos de 15 anos ganham € 300, bolsa de estudos, moradia, comida... Europa. “Não preciso me preocupar com nada”, garante. “Os € 300 que recebo de ajuda de custo são para gastar em besteiras mesmo”, diverte-se o adolescente. Nesses treinos específicos, Jordan tem a companhia de outros dois brasileiros e um senegalês. Todos com menos de 20 anos, todos recrutados por Pablo Camacho em suas viagens pelo mundo. Camacho é “diretor de cantera”, algo como um “olheiro profissional” do time de Sevilha. O site do Caja San Fernando descreve assim a viagem em que o olheiro recrutou Jordan Bürger: “Pablo Camacho viajou ao Brasil de 23 a 29 de outubro, onde percorreu grandes distânciasequilômetrosemplena selva para ver partidas e olhar jovens jogadores que, no futuro próximo, possam fazer parte do time sevilhano.” Camachoexplicaquenãobasta o clube se interessar pelo jogador – o contrário também tem de ocorrer: “Sabemos que é difícil atravessar um oceano e deixar toda uma vida para trás. Ainda mais para um adolescente”, diz. “Não basta que o garoto tenhatalentoealtura.Enãobasta que nós queiramos levá-lo. Todos têm de achar que vale a pena.”

DEBANDADA ● Tiago Negrizoli, 19 anos,

2,08 m, ala-pivô, Caja San Fernando ● Vitor Faverani, 18 anos, 2,11 m, pivô, Zaragoza ● Paulo Prestes, 18 anos, 2,10 m, pivô, Axarquia

TCHAU, BRASIL! – Thyago Aleo (esq.) e Tiago Negrizoli, promessas brasileiras, estão de malas prontas para jogar no basquete espanhol GASPAR NOBREGA/DIVULGAÇÃO

WANDER ROBERTO/DIVULGAÇÃO

● Renan Leitchweis, 18 anos,

2,11 m, pivô, Caja San Fernando ● Bruno Macedo Ferreira,

18 anos, 2,00 m ala, Gran Canaria ● Thyago Aleo, 18 anos, 1,85

m, armador, Valencia ● Jordan Burger, 15 anos, 2,06 m, ala, Caja San Fernado ● Artur Bertozo Reis, 15 anos, 2,06 m, pivô, Gran Canaria

Para facilitar a adaptação, o clube leva os pais dos garotos para ficar uma semana em Sevilha. “Aqui eles dormem no mesmo lugar, comem a mesma comida, pegam os mesmos transportes e conhecem a escola onde seusfilhos vão estudar”, conta Camacho, por telefone. “E assim podem voltar para o Brasil mais tranqüilos.” AntesdeJordan,PabloCamacho já havia levado o pivô Renan Leitchweis, de 18 anos e 2,11 m e o ala Tiago Negrizoli, de 19 anos e 2,09 m. Além deles, o senegalês MichelDiouf, 17 anos e 2,11m. “Eles me receberam muito bem, tanto os técnicos quanto os colegas de time”, conta Negrizoli, que na semana passada veio a São Paulo para acertar a documentação. “Tudoémuitomaisorganizado na Europa.” O Caja San Fernando foi um dos primeiros times a viajar pelo mundo atrás de jovenspromessas. Mas já começa a ser imitado por outros, que também passaram a garimpar brasileiros. O armador Thyago Aleo, de 18 anos e 1,85 m, já foi contratado pelo Valencia: treinou lá durante o ano passado, mas voltou ao Brasil para concluir o ensino médio. No fim do ano, se muda de vez para a Espanha. “O treino lá é bem mais intenso”,dizAleo,sobreasdiferenças dentro de quadra entre Brasil e Espanha. “Os jogos também são mais duros. Lá, todo jogador pode decidir um jogo. Aqui, é um ou outro que se destaca. Na Espanha, todo mundo treina forte,todojogadoracabasendo importante para o time.” Alguns vão parar na Europa mesmo sem ter impressionado dentro de quadra. É o caso de Artur Bertozo Reis, de 15 anos. No ano passado, durante um campeonato em Assis, no interior de São Paulo, o adolescente de 2,06 m chamou a atenção do agente Vinicius Fontana, que rapidamente o encaixou no Gran Canária. “Ele viu que eu tinha cara de novo e era grandão. Então, veio perguntar minha idade”, relata Artur. “Foi mais pelo tamanho mesmo, porque ele nunca tinha me visto jogar.” Há um ano na Espanha, o pivô já convenceu os espanhóis de que não tem apenas altura. “Joguei um torneio amistoso, gostaram de mim e fui ficando.” ●

DESTAQUE – Huertas abriu o caminho para brasileiros na Espanha

EXEMPLO – Tiago Splitter, de 22 anos, joga há sete na liga espanhola

Empresário abre portas da Europa

Líbano contrata técnico brasileiro

Assim como no futebol, agentes orientam atletas nas negociações

Adriano Geraldes vai dirigir seleção do país no Mundial sub-20 na Sérvia

Grande parte dos brasileiros que hoje atua na Espanha chegou lá por meio do agente Vinicius Fontana, de 31 anos. De Londrina, onde mora e trabalha, Fontana já mandou 11 jogadores para a Europa, dois para o Oriente Médio (além de um técnico) e mantém vários outros sob contrato no Brasil. O ala Marcus Toledo, hoje com 21 anos, foi o primeiro. Depois foram Marcelinho Huertas,André Bambu – todos da se-

“Ganho 10% sobre o salário, mas é o clube que me paga”, garante um agente leção brasileira – e agora os garotos.MasViniciusFontanagarante que só é remunerado pelos contratos que consegue paraatletasprofissionais.“Oagente ganha o equivalente a 10% do salário anual do atleta. Mas recebe somente do clube. E só quando o profissional já tem um salário de peso.” Fontana é praticamente um novato nesse mercado. Os sócios Luis Martin e Marcelo Maffia mantêm há 16 anos uma empresa de marketing esportivo

que agencia a carreira de mais de 80 atletas brasileiros, entre eles Alex Garcia e Tiago Splitter, titulares da seleção brasileira. “Em várioscentros,ojogadorvaiencontrar melhor estrutura, quesóopodereconômico vai oferecer”, explica Marcelo Maffia. “É muito bom tanto paraos jogadores quantopara o basquete brasileiro.” TÉCNICO APROVA

Otécnico da seleção brasileira juvenil, José Alves Neto, vê vantagens no fato de jovens brasileiros deixarem o País para atuar na Europa. “Se a Espanha, que é a atual campeã mundial, vem buscar os garotos aqui, é porque o basquete brasileiro tem qualidade”, argumenta. “Confirma que nós fazemos um bom trabalho aqui.” O maior problema, na avaliação de Neto, é que a qualidade dos campeonatos no Brasil fica prejudicada. “É claro que os garotos fazem falta. Seria bom vê-los crescendo aqui”, admite. Mas faz a ressalva: “Por outro lado, jogadoresque normalmenteficariam escondidos conseguem uma chance nos clubes daqui.” ● M.F.

O Líbano contratou um técnico brasileiro para dirigir sua seleção sub-20 no Campeonato Mundial da categoria, em julho na Sérvia. Adriano Geraldes, de 40 anos, ex-treinador da Hebraica, em São Paulo, chegou ao país do Oriente Médio há apenas uma semana. E já começou a trabalhar na preparação da equipe. “O Líbano não é o melhor lugar do mundo para trabalhar. Aindafaltaestrutura, organização, o país está em reconstrução”, admite. “Mas há muita vontade e isso importa muito.” O fato de morar num país freqüentementeafetadoporconflitos armados não preocupa o treinador. “Às vezes, a gente vê uns tanques na rua, uns prédios destruídos. Mas não senti a tensão que esperava sentir.” Enquanto falava por telefone com o Estado, a energia elétrica acabou em Beirute. “É a quintavezqueissoacontecehoje. Mas a gente se acostuma.” Geraldes ainda está conhecendo o basquete do país. E diz que o objetivo é ficar entre 10º e 14º no próximo mundial, que terá 16 seleções. Seu maior medo é ter de enfrentar o Brasil. “Deve ser muitoduro olhara camisa do adversário e ver escrito ‘Brasil’. É

uma sensação que eu prefiro evitar.Seissoacontecer,eépossível, sou capaz de ficar no vestiário”, brinca. “Temos três ou quatro jogadores realmente bons, que poderiam estar na seleção brasileira. O resto ainda tem muito a ser trabalhado.” O principal time do Campeonato Libanês, segundo Geraldes, é o Al Riad, de Beirute, que acaba de contratar o pivô brasileiro Adriano Ferraz Machado, de 24 anos. “O que me motivou a

“Tem tanque na rua e apagão todo dia. Mas vale a pena”, diz Geraldes vir para cá foi a situação do basquete no Brasil”, conta o jogador. “Muitos atletas de nível sem ter onde jogar, clubes que fecham, clubes que não pagam... E também para tentar abrir portas para a Europa.” Opivôadmitequenãoconhecia nada sobre o Líbano e realmenteficou preocupado com as notícias que vinham do país. “A gente vê as notícias e se assusta. Mas o país é muito seguro, tudoé controlado. Nãoéperigoso, não.” ● M.F.

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