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VIGIL ÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo Coordenadoria de Controle de Doenças Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar

NOTA TÉCNICA SURTO DE FARINGITE ESTREPTOCÓCICA E SÍNDROME NEFRÍTICA EM MONTE SANTO DE MINAS, MG, DE PROVÁVEL CAUSA ALIMENTAR – RECOMENDAÇÕES E CUIDADOS DE PREVENÇÃO

No final de dezembro de 2012 e janeiro de 2013, foram registrados casos de faringite seguida de síndrome nefrítica, em Monte Santo de Minas, MG, amplamente divulgados pela mídia, associados provavelmente ao consumo de leite e derivados não pasteurizados de produção caseira ou artesanal e à carne crua ou mal cozida, configurando-se um surto inicialmente restrito àquela cidade. Em 01 de fevereiro de 2013, o CVE recebeu a notificação da existência de casos em residentes em municípios do Estado de São Paulo, vizinhos a Monte Santo e ou que tinham visitado o referido município e consumido alimentos suspeitos produzidos em sua área rural. Até o presente momento foram notificados cinco (05) casos de pessoas residentes em municípios do Estado de São Paulo, com doença semelhante à ocorrida em Monte Santo de Minas, sendo que em dois deles foi isolado o Streptococcus do sorogrupo C. Todos os casos consumiram dos alimentos suspeitos produzidos em Monte Santo. As análises laboratoriais realizadas em alimentos pelo Laboratório em Minas Gerais mostraram a presença de vários tipos de Streptococcus e outros patógenos indicando práticas inadequadas de preparação dos mesmos. Entre os alimentos analisados estão: leite in natura, sorvete, queijo e milkshake. Várias ações estão sendo realizadas pelas equipes de vigilância do município e do Estado de Minas Gerais, pelo Ministério da Saúde e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com vistas a concluir a investigação, controlar o surto e prevenir novos casos. As primeiras informações mostram que estes alimentos estão restritos ao município de Monte Santo, produzidos provavelmente em um único local e não seriam distribuídos comercialmente para outros locais. Não seriam produtos com SIF (certificação do Ministério da Agricultura). Dessa forma, o consumo deles estaria restrito aos moradores locais e a eventuais visitantes que os consumiram e ou entraram em contato com pessoas com sintomas respiratórios decorrentes dessa contaminação.

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Cabe destacar que streptococcus são transmitidos por via respiratória por secreções em contato de pessoa para pessoa ou por alimentos contaminados com saliva e espirros, isto é, contaminados com secreções humanas ou por bactéria de origem animal ou mesmo por meio de feridas na pele. Por isso, o consumo de alimentos crus, carnes cruas ou mal cozidas, leites e derivados não pasteurizados são uma via importante para a transmissão dessas bactérias.

Recomendações para prevenção da doença em cidades paulistas vizinhas e para turistas que se dirigem a Monte Santo de Minas: - Não consumir produtos de origem animal crus, como carnes cruas ou mal cozidas, leite e derivados não pasteurizados, e especial cuidado com os alimentos não industrializados procedentes de Monte Santo de Minas tendo em vista a ocorrência de surto e investigação ainda em andamento; - Atenção aos primeiros sintomas respiratórios frente ao consumo de alimento produzido em Monte Santo de Minas ou contato com pessoas com estes sintomas que lá estiveram; ao aparecimento dos primeiros sintomas respiratórios como dor de garganta, aumento dos gânglios cervicais e ou outros sintomas, procurar um serviço de saúde. O médico poderá fazer um teste rápido (swab de orofaringe) e frente aos resultados, prescrever a medicação que irá prevenir a evolução para a síndrome nefrítica ou outras complicações. - Hospitais e unidades de saúde devem notificar os casos suspeitos à vigilância epidemiológica local e esta aos demais níveis de vigilância. - À vigilância sanitária local, recomendam-se inspeções sanitárias e verificação de possível existência de comercialização de alimentos caseiros ou artesanais procedentes de Monte Santo de Minas, com orientações e medidas cabíveis. Outras informações técnicas sobre streptococcus e sua transmissão por alimentos podem ser obtidas no site do CVE, nos links: http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/Ifn_quadro.htm ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/hidrica/doc/17Strepto_rev2011.pdf São Paulo, 05 de fevereiro de 2013 Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar Centro de Vigilância Epidemiológica/CCD/SES-SP

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Surto de Faringite em Monte Santo - MG