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DIVULGA ESCRITOR

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Réveillon Mais um ano que se finda. Olhos acesos a espera do próximo, que já está à porta. Incógnita dos dias. A indefinição ronda o mundo num desafio imenso e os homens parecem estar partidos entre o bem e o mal. O que nos trará o próximo ano? Que estará acontecendo com o mundo? A esperança também será coisa escassa? Tomara que não. Guardo em mim os desejos de um tempo feliz para o mundo inteiro. É preciso ainda sonhar sonhos de amor, daqueles bem sonhados, que transformam radicalmente a tudo. Escrevo em silêncio com o coração sussurrando as minhas angústias dos dias atuais, para não perturbar o imensurável mundo incompreensível que se descortina diante de mim. Esse verdadeiro desconhecido, que teima em manter-se cada vez mais vivo, apesar da fome que impera e das guerras (in) convenientes em busca de um poderio quase absurdo, donde resulta um mundo maculado e encarnado do sangue de inocentes criaturas, que

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nada tem a não ser a si mesmo. Desigualdade desumana a perder-se de vista criando cemitérios de mortos-vivos. O capitalismo agarra as criaturas com mãos sedutoras e elas se deixam enganar por um mundo colorido de luzes e brilho. Vitrines chamativas e coloridas chamam a atenção de todos. Quase tudo é banalizado. A vulgaridade célere avança despudorada acentuando a penúria moral e a ganância dos homens, representados por lobos vorazes do poder, nos fazendo desacreditar dos valores éticos e da integridade das criaturas, que manipulam descaradamente os mais puros. Trago dentro de mim uma revolução incendiária adormecida pelo medo da luta frontal, como a maioria dos humanos da minha época. Por vezes é preciso cuspir fogo, para secar as fontes de dor estagnadas dentro de nós. É tão difícil nos descobrirmos quando vivemos sob uma carapaça, nos submetendo ao poderio dos senhores

www.divulgaescritor.com | dez.2016/jan.2017

da verdade e da razão. Mundo conturbado face às incertezas que plantam e deixam crescer, feito árvores perenes, mas que só dão sombra a eles próprios e aos seus interesses particulares. Felizmente há exceções por todo o mundo. Esperemos que os bons e que têm discernimento façam a diferença. Os princípios estão distorcidos e os parâmetros perderam-se nos delimites dos acasos. O materialismo se apossa das pessoas e o “ter” é mais importante do que o “ser”. A juventude entorpecida de vazios segue por uma estrada desconhecida, que vai dar em lugar algum. Salvam-se os que são “quadrados” e “bitolados” vivendo na hierarquia de uma sociedade conservadora e respeitosa da família e de deveres morais para com a sua Pátria e com o mundo circundante. Estes são apontados como tolos, porque se abastecem de pensar e agir no bem, quando o normal dos dias é a vulgaridade usurpar o espaço da reflexão. A mediocridade e a soberba são pa-

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24 ª Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia  

Divulga Escritor, unindo Você ao Mundo através da Literatura. Participe da próxima edição. Contato editorial smccomunicacao@hotmail.com Boa...

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