Page 1

A COOPERATIVA SÍTIO

é um colectivo formado em Fevereiro de 2011 com o objectivo de produzir, investigar, documentar e disseminar soluções que permitam ampliar o entendimento e o controlo dos indivíduos sobre as actividades productivas e a realidade material. Acreditamos que aumentar a autonomia, por via de um maior envolvimento na produção dos bens necessários para vivermos, abre um caminho para uma existência mais feliz, confortável e criativa e, sobretudo, não destruidora da biosfera. A nossa actuação está dividida em quatro vectores principais: Serviços, Formação, Investigação e Documentação.

Este documento é uma amostra do trabalho levado a cabo pela cooperativa Sítio até ao final de 2012. Incluí também projectos e objectivos para o futuro. É um documento em constante desenvolvimento.


A cooperativa Sítio é uma organização que funciona como uma rede dinâmica e mutável sendo constituída por elementos com diferentes graus de envolvimento.

Equipa – pessoas dedicadas à organização estratégica: * Ana Ruivo (PT) Arquitecta; * Inês Monteiro (PT) Nutricionista; * José Ruivo (PT) Gestor; * Pedro Monteiro (BR) Arquitecto; * Samuel Rodrigues (PT) Arquitecto.

Colaboradores – pessoas e entidades que participam nos vários projectos e com uma relação recorrente: * Ágata Terrão (PT) Arquitecta; * Casa de Darei (PT) Infraestrutura para workshops e apoio logístico; * Cristina Manene (ES) Arquitecta; * Dário Cannatà (PT) Designer de Comunicação; * Giovanni Palmaccio (IT) Arquitecto; * Humberto Varum (PT) Engenheiro civil. Construção com terra e resistência sísmica; * Jacinto Rodrigues (PT) Filósofo e historiador. Ecologia urbana; * Manuel Semedo (PT) Estudante de engenharia mecânica; * Rafael Loschiavo (BR) Arquitecto. Bioclimática; * Tomás Valle (PT) Designer e film maker.

Parceiros – pessoas ou entidades que participam em projectos ou eventos específicos: * Cannatà e Fernandes (PT) Arquitectura; * Ernst Gotsch (CH) Agricultor e Investigador. Agrofloresta; * Fernando Cartaxo (PT) Engenheiro e Investigador. Cal aérea; * Gernot Minke (DE) Arquitecto, Engenheiro e Investigador; Arquitectura com terra, palha, coberturas verdes e outros materiais naturais; * Hugh Piggott (UK) Investigador, Turbinas eólicas; * Jimmiy Dowds (IE) Energias alternativas; * Miriam Sheerin (IE) Energias alternativas; * Tibá (BR) Formação em arquitectura ecológica.


4


5

Modelo actual de crescimento económico Com o desenvolvimento de um capitalismo selvagem dominado pela finança, cresce o número daqueles que são atingidos pela insegurança social, transformados pelo desemprego em mão-de-obra inútil, sem qualquer lugar na vida social, enquanto outros só contam por serem consumidores indispensáveis para a realização do lucro. Neste contexto de acentuadas desigualdades, tanto no seio de cada sociedade, como à escala mundial, a subordinação da política aos interesses de grandes grupos financeiros e económicos compromete o desenvolvimento da democracia, ao mesmo tempo que abala profundamente a crença no seu valor. A imposição do pensamento único e o enfraquecimento do debate ideológico acabam por fazer com que os cidadãos duvidem da possibilidade de terem alguma influência na vida colectiva e na sua própria. A todos estes problemas acresce ainda o profundo antagonismo entre a bioesfera e um sistema económico “predador”, baseado na exploração das energias fósseis e de bens naturais esgotáveis. A capacidade de reciclagem da natureza não se coaduna com a velocidade de destruição do actual modelo de desenvolvimento. Tanto no plano dos recursos materiais como das mudanças climáticas, estamos em presença de uma crise material da qual somos amplamente responsáveis.


No contexto que acabamos de sucintamente evocar, procuramos construir a intervenção do Sítio, destacando três categorias do problema:

Esgotamento Grande parte das matérias-primas que utilizamos desde os combustíveis aos materiais para a construção de tudo o que nos rodeia é de origem fóssil ou implica a exploração de bens que não existem, na natureza, em quantidades ilimitadas. Muitos deles estão a tornar-se cada vez mais escassos exponencialmente mais caros, o que não somente provoca distúrbios nos eco-sistemas, mas também agrava os fenómenos de dominação e as desigualdades sociais. Contaminação Grande parte dos produtos e dos processos de fabricação que utilizamos hoje são poluentes. O ar, a água e os solos estão cada vez mais contaminados por substâncias que causam mudanças adversas e que, ao afectarem o funcionamento dos ecossistemas, prejudicam inevitavelmente a saúde humana. Exclusão Social O capitalismo globalizado promove uma crescente concentração dos meios de produção e da riqueza colectivamente produzida - entre as mãos de minorias. O acesso a condições de existência compatíveis com a dignidade humana está longe de ser generalizado e, além disto, a pobreza volta a crescer nas sociedades consideradas mais desenvolvidas a par com preocupantes fenómenos de desligação social.


Alguns contributos para um modelo de desenvolvimento ecologicamente sustentável

Materiais Renováveis A utilização de materiais renováveis e abundantes, quer nos locais onde são necessários (o que evite despesas de transportes e fontes de poluição), quer no planeta em geral, é uma via para promover uma distribuição mais justa dos recursos. É ainda um modo de garantir maior respeito pelos ecossistemas em que participamos. Reciclagem Organizar a vida dos materiais, dos objectos e dos sistemas tecnológicos numa perspectiva de ciclo (produção, utilização, reciclagem, nova produção e utilização), à semelhança dos sistemas naturais, é uma condição para vir a promover uma vida mais abundante e não destrutiva. Organizar a produção, passando da noção de lixo, cuja eliminação é problemática, para o conceito ecológico de nutriente (biológico ou tecnológico), susceptível de alimentar futuras actividades, é a via para diminuir o impacto da actividade productiva na bioesfera e ampliar recursos. Cooperação A criação de comunidades que conjuguem de modo equilibrado a autonomia produtiva e a cooperação (no seu seio e com outras), implementando estruturas de poder participadas e controladas pelos seus membros é um caminho para ampliar as oportunidades de promover o desenvolvimento cultural e a cidadania. Trata-se de intensificar as trocas intra e intercomunidades territoriais e, em simultâneo, de ampliar as possibilidades de entendimento e controlo dos seus membros sobre as actividades produtivas.


O contributo do Sítio para tornar realidade este novo modelo é a dedicação ao desenvolvimento de Economias Locais.

Procurar responder ao máximo de necessidades através de processos produtivos de base local amplia as possibilidades de promover a “arte ecológica”. Tal como R. Sennett a define, esta arte consiste em alterar radicalmente os procedimentos de produção e os rituais de emprego dos bens de forma a promover modos de utilizar os recursos que traduzam a busca contínua do respeito pela realidade material. Investir em economias com uma escala humana é, ainda, um caminho para incentivar o diálogo entre práticas concretas e reflexão, reestabelecer, sem renunciar ao uso de tecnologias avançadas, o diálogo entre a cabeça e a mão, típico dos ofícios, bem como um ritmo entre a solução e a identificação de um problema. Investir em economias locais é uma via a explorar para reabilitar o artesanato, não no sentido de trabalho realizado com ferramentas rudimentares, mas no de desejo humano duradouro para bem realizar o seu trabalho, para pôr o melhor de si próprio nas suas realizações.


Concretamente, trabalhamos em dois campos de acção:

As Tecnologias Apropriáveis que aplicam a ciência e a arte na conquista de uma crescente autonomia em relação à lógica consumista do mercado. O objectivo principal é o de aumentar a capacidade das pessoas e comunidades para satisfazer muitas das suas necessidades, melhorando as suas condições de vida através de actividades modernizadas, mesmo que por vezes baseadas em conhecimentos ancestrais, cujo produto permanece fora da esfera formalmente económica. Promovem nos indivíduos, simultaneamente, o aumento da criatividade e da liberdade e a diminuição da distância em relação à forma como o mundo é construído. São tecnologias que não dependem de mão-de-obra muito especializada e que em geral podem ser realizadas com ferramentas e materiais simples e acessíveis. O resultado são objectos “transparentes” com o potencial de serem não só funcionais mas elementos pedagógicos em si. Pela sua importância na criação do ambiente que habitamos, as técnicas de construção e de arquitectura serão um dos nossos focos principais. A Agroecologia que prevê uma apropriação do território em que se procura a integração entre os sistemas de produção agrícola (para proveito do Homem) e os sistemas naturais, de forma a promover, mais do que uma sustentabilidade, um aumento da vitalidade local. Está subjacente a eliminação de todos os produtos químicos e maquinaria pesada da actividade produtiva. Esta investigação procura soluções para a criação do que se podem chamar paisagens ecológicas integrais em que os indivíduos e comunidades são participantes de um ecossistema em constante crescimento e complexificação. A agrofloresta será, pela sua abordagem abrangente, o método a explorar com maior profundidade.


11

SERVIÇOS

13

FORMAÇÃO

55

INVESTIGAÇÃO

81

DOCUMENTAÇÃO

99


SERVIÇOS


SERVIÇOS

A cooperativa Sítio é uma equipa multidisciplinar com vontade de se envolver com empenho e qualidade na prestação de vários serviços. Entre outros prestamos serviços de:

* Concepção de projectos de arquitectura ecológica; * Consultorias sobre eco-tecnologias; * Construção de edifícios com materiais ecológicos; *Fabricação e comercialização de vários produtos. Prestamos serviços que estejam alinhados com o objectivo principal da cooperativa: o de desenvolver e difundir soluções que permitam (re)conciliar o pensar e o fazer e criar oportunidades para que todos possam compreender e participar activamente na fabricação de tudo o que nos rodeia. A criação de espaços (para a habitação, o lazer, a cultura, a aprendizagem, etc.) e de todos os elementos que são necessários para que estes funcionem de forma eficiente, económica, ecológica e rica (como energia, saneamento, alimentos, etc.) é o nosso foco principal. Disponíveis para actuar em vários pontos do globo, com condições materiais e sociais distintas, procuramos estabelecer com os clientes e/ou parceiros relações significativas não só para que o resultado seja de qualidade mas também para que o próprio processo seja enriquecedor para todos.

15


Projectos Trabalhamos para desenvolver projectos ecológicos, económicos, com qualidade espacial e com impacto social positivo. Procuramos maximizar a utilização de materiais naturais, amplamente disponíveis e que, para além de confortáveis, sejam compatíveis com a saúde humana; aplicar os princípios da bio-climatização; recorrer a energias renováveis e a técnicas apropriáveis. Tudo isto com o objectivo de tornar a construção e a manutenção dos edifícios económicas e passíveis de serem participadas pelos clientes (ou formandos de cursos ou workshops). Consultoria Oferecemos serviços de consultoria tanto a profissionais de construção e/ou projecto, como a auto-construtores que procuram apoio para as suas práticas. As áreas em que trabalhamos são:

* Construção com Terra Crua (adobes, taipa pilão, pau a pique, tabique, rebocos interiores e exteriores, etc.); * Construção de coberturas verdes; * Saneamento ecológico (sanitas secas, filtros de águas cinzas, fossas bio-sépticas, recolha de águas pluviais, etc.). Asseguramos igualmente a formação de mão-de-obra nas áreas anteriormente referidas.


SERVIÇOS

Construção A construção de edifícios em materiais locais e ecológicos é outro dos serviços que prestamos, tirando partido da diversidade de realizações em que já participamos. A construção com terra (adobe, taipa de pilão, pau a pique, estuques, rebocos, etc.) é a que privilegiamos, ainda que trabalhemos com outros materiais como a madeira, pedra, fardos de palha, entre outros. Produtos Como resultado das nossas investigações e aprendizagens fabricamos e comercializamos vários tipos de produtos. Até ao momento actuamos em três áreas:

* Materiais de construção ecológicos; * Sistemas de autonomia energética; * Elementos de saneamento ecológico.

17


18


SERVIÇOS Produtos

19

Materiais de Construção Ecológicos Por todas as vantagens técnicas, económicas, estéticas e sociais que apresenta, a terra crua é a base para todos os materiais de construção que produzimos e comercializamos. Produzimos adobes (blocos moldados de terra crua), BTC’s (blocos de terra compactada), painéis prefabricados para paredes internas de terra e fibras naturais, rebocos de terra crua, entre outros.

Sistemas de Autonomia Energética Depois de termos promovido um workshop de construção com uma turbina eólica, juntamente com o esforço de tradução do livro de Hugh Piggott “A Wind Turbine Recipe Book” temos a capcidade de construir eólicas de várias dimensões. Este é, agora, mais um produto que estamos aptos a fabricar.

Elementos de Saneamento Ecológico A aplicação de sistemas de saneamento com produção zero de efluentes é algo de urgente para parar a contaminação dos solos, cursos de água e lençóis freáticos. Ao longo do nosso percurso, recolhemos conhecimento que nos capacitam para a construção de: sanitas secas (Baseadas no modelo Clivus Multrum desenvolvido pelo sueco Rikard Lindström e simplificado por Johan van Lengen), com um excelente desempenho e integração no edifício; fossas biológicas capazes de lidarem de forma ecológica e simples com águas negras; Filtros biológicos de águas cinzas. Todas estes sistemas permitem que as águas, cinzas e negras (ou matéria orgânica no caso da sanita seca) sejam reintroduzidas no ecossistema sem o poluir ou contaminar.


20

Embora trabalhemos com uma vasta gama de materiais e soluções técnicas, a construção com terra crua assume uma importância fundamental na nossa actuação. São vários os motivos que nos levam a desenvolver uma abordagem centrada neste material:


SERVIÇOS Construção com Terra

21

Mesmo sendo um dos mais velhos materiais, a terra continua a ser objecto de estudo e inovação técnica. Rigorosos testes realizados em laboratório fornecem-nos, actualmente, um entendimento extenso e profundo deste material. Assim sabe-se que a terra tem grandes benefícios para o conforto ambiental dos edifícios:

* Regula a humidade interior

As paredes de terra promovem níveis constantes de humidade ideais para a saúde humana, prevenindo e reduzindo a incidência de doenças respiratórias e a formação de fungos;

* Elevada massa térmica

Capacidade de armazenar e de libertar lentamente o calor do sol, mantendo uma temperatura interior constante e confortável. Ideal para climas com grande amplitude térmica do dia para a noite;

* Filtra a radiação electromagnética

Dentro de um edifício de terra os valores de radiações produzidas por antenas e cabos de alta tensão são praticamente nulos.

* Resistente à compressão Um edifício terra, está No entanto, construídos

de 5 pisos na Alemanha, de construção em em concordância com todas as normas actuais. existem edifícios de 12 pisos no Yemen, há mais de 500 anos.


22

Mas o que torna a terra realmente excepcional, até de um ponto de vista filosófico, é o facto de materializar valores que a tornam apropriável e democrática.

* A terra é um material local

Quase todos os solos são passíveis de se tornarem num material de construção, evitando transportes com custos e elevados gastos energéticos;

* Baixa energia incorporada

Ao ser usada crua, a terra evita a utilização de tecnologias pesadas consumidoras de energia e recursos;

* 100% reciclável e biodegradável

Em todas as suas técnicas, a terra crua pode ser reutilizada sem qualquer limitação e, na medida em que não produz resíduos nem contaminantes, é um material realmente ecológico;

* Baixo custo

Ao ser adquirida virtualmente sem custos, a terra tem a vantagem de ser um material de construção extremamente barato, sobretudo quando utilizada na autoconstrução;

* Mão-de-obra intensiva

Esta técnica requer mais mão-de-obra do que a construção com cimento ou tijolo queimado mas, quando analisada em conjunto com o baixo custo, esta característica acaba por representar uma oportunidade de distribuição mais equitativa da riqueza, em benefício da população local;

* Apropriável

A terra permite que qualquer pessoa ou comunidade realize trabalhos de construção, mesmo sem conhecimentos técnicos aprofundados. Os métodos são facilmente transmissíveis e apropriados, podendo constituir eficazes ferramentas de auto-construção, ao serviço de indivíduos, grupos e comunidades.


SERVIÇOS Construção com Terra

Os espaços construídos são uma parte crucial da nossa vida. Tal como está organizada hoje, a construção de edifícios exige a acumulação de riqueza material para ser levada a cabo – para a aquisição dos materiais de construção e para assegurar mão-deobra qualificada. A construção com terra inscreve-se noutra ordem de prioridades. Porque pode ser realizada por grupos de pessoas não especialistas com ferramentas simples e em momentos de partilha, a construção de casas ou qualquer outro edifício em terra potencia desenvolvimento de laços com outros e a transmissão dos saberes. Como material de construção, a terra é compatível com valores de solidariedade e partilha tão importantes para contrariar a lógica individualista e competitiva que domina a sociedade contemporânea e fragiliza tanto os grupos como os indivíduos.

23


SERVIÇOS Portfolio


26

Os adobes utilizados são "acústicos". As curvas, orientadas para o interior, evitam a reverberação tão perturbante dentro das cúpulas.


SERVIÇOS Construção Dome de Adobe, Rio de Janeiro – Brasil, 2009 Com Gernot Minke e Tibá Um dos temas que nos uniu enquanto grupo de trabalho foi a construção com terra. Este pequeno edifício foi uma oportunidade de aprendizagem há muito esperada. Foi construído durante um workshop de Construção com Terra com o Professor Gernot Minke, uma autoridade em matéria de construção com terra de renome mundial. Neste caso, tratamos de todos os preparativos para o workshop como moldes, guias de assentamento, fundação e a produção dos mais de 3000 adobes que constituem o edifício. Os seis dias de construção desta cúpula de adobe com 4,5m de diâmetro, com cerca de 25 pessoas mais o Professor Minke, foram muito intensos e capacitantes. Proporcionou o entendimento das idiossincrasias do trabalho de construção com terra – desde os detalhes para evitar o efeito de capilaridade até à coordenação de grandes equipas de trabalho.

27


28

Os fardos são um material que mesmo sendo simples de trabalhar e produzir têm características de isolamento térmico impressionantes.


SERVIÇOS Construção Dome de Palha, Hrubí Sur – Eslováquia, 2010 Com Gernot Minke A construção deste edifício foi realizada no quadro de um workshop organizado e orientado pelo Professor Gernot Minke. Desempenhamos a função de coordenadores de equipas de trabalho compostas por pessoas vindas de toda a Europa. O edifício que realizamos ao longo de 5 semanas, onde funciona agora um escritório de arquitectura, é uma cúpula construída em fardos de palha estruturais (projectada por Gernot Minke, é a única no mundo com estas características). Este material, a palha, tem uma capacidade de isolamento térmico notável, comparável à dos materiais químicos convencionalmente utilizados na construção (poliestireno extrudido por exemplo). Tem portanto sido alvo de investigação, em especial nos países nórdicos (pelas baixas temperaturas registadas), como um material de construção. Pode ser utilizado como enchimento, em edifícios com estruturas noutros materiais ou como elementos estruturais. Sendo uma técnica com alguma complexidade, especialmente quando a palha é utilizada enquanto estrutura, esta obra foi uma oportunidade para adquirirmos experiência e estarmos envolvidos numa realização complexa e exigente, levada a cabo com grande rigor e qualidade. O edifício é um campo de teste (monitorizado por vários sensores) e simultaneamente um espaço funcional.

29


30


31


32

EdifĂ­cio comunitĂĄrio local

Casa tradicional local


SERVIÇOS Projecto / Consultoria Complexo de Águas Termais, Nhafuba – Moçambique, 2010 Com Tibá

33

Mais uma vez em parceria com o TIBÁ, fomos convidados a projectar e orientar o arranque da construção e fazer consultoria para um pequeno complexo de apoio a uma nascente de águas termais. Este edifício situa-se em Nhafuba, uma pequena aldeia a cerca de 5 horas de viagem de Quelimane em que não há electricidade, água canalizada ou qualquer tipo de telecomunicação. A comunidade local mantém um estilo de vida praticamente intocado pela nossa cultura ocidental. O cliente foi a ONG ZBL que tem como objectivo o desenvolvimento do turismo justo, conciliado com a dinamização das comunidades locais. A experiência foi realmente interessante pois mais do que um projecto ou a condução de uma obra, este trabalho transformou-se numa verdadeira partilha de saberes. A primeira fase do trabalho foi o de levantamento das soluções construtivas tradicionais e a compreensão dos vários detalhes utilizados. O projecto para o complexo foi realizado, tendo sempre este levantamento como referência, respeitando também o tipo de espaço e linguagem dos edifícios, para que a integração visual e social fosse bem sucedida. Para além disso, os meios disponíveis eram muito escassos e só esta atitude permitiu a construção de espaços interessantes e confortáveis, em perfeita harmonia com a cultura e ambiente em que se inserem. A fase de construção foi também embebida deste espírito de troca e aprendizagem. Os adobes e os revestimentos, por exemplo, foram feitos segundo as receitas locais, o que consistiu para nós mais uma experiência enriquecedora. Foram introduzidas as várias soluções de saneamento ecológico e algumas técnicas de condução das várias fases de obra. Esta construção funcionou como um edifício escola, tanto para nós como para os vários habitantes locais que participaram na obra, materializando uma troca de ideias, saberes e cultura. O projecto encontra-se agora na fase final da sua construção.


34

Sanita seca construĂ­da na obra


35


36


SERVIÇOS Projecto / Construção Banco de Sementes, Mangualde – Portugal, 2011

37

Este pequeno projecto é o primeiro elaborado e construído em Portugal pela cooperativa Sítio (depois de ter sido criada). O programa, um pequeno armazém de apoio a actividades agrícolas – ferramentaria, oficina de trabalho com plantas e banco de sementes -, implcava um espaço extremamente simples. Houve assim oportunidade para projectar um protótipo de estrutura em terra crua. Este pequeno edifício foi pensado como um modulo que, individualmente ou multiplicado, pode acolher outros programas (var cap. INVESTIGAÇÃO). A forma de abóbada foi escolhida pela sua simplicidade. Trata-se de uma estrutura laminar em que um único elemento cria o espaço: a parede torna-se tecto e volta a ser parede. Um único material, o adobe, é suficiente para a estrutura de todo o edifício. Os custos, o tempo e os meios necessários à sua construção podem assim ser reduzidos. Para além disto, o espaço criado é confortável e aconchegante. A secção desta abóbada é uma catenária. Esta é a forma criada por uma corrente quando suspensa pelos dois extremos. Quando espelhada, esta forma pode ser usada para criar os arcos e abóbadas mais eficientes na medida em que transportam todas as forças enquanto compressão (as forças sob as quais os adobes funcionam melhor) ao longo de toda a estrutura. Quanto aos materiais e pormenores decidimos utilizar também uma estratégia de simplicidade.


38


39


40


41


42


SERVIÇOS Construção 6 Unidades Habitacionais, Wangelin - Alemanha, 2011 Com Gernot Minke Esta é mais uma obra na construção da qual participamos a convite do Professor Gernot Minke e construída em forma de workshop. A particularidade deste edifício é que é o primeiro edifício de palha estrutural a ser construído na Alemanha que cumpre plenamente os códigos legais de construção. Este é portanto um importante exemplo da potencialidade deste material, especificamente no que toca ao desempenho de isolamento térmico (cuja exigência é muito elevada neste país) mas também no que toca ao desempenho estrutural, de segurança entre outros. É uma demonstração prática de que edifícios construídos com materiais naturais como a terra e a palha podem cumprir padrões de exigências mesmo em ambientes climáticos e legais rigorosos. Para que o edifício fosse bem sucedido e uma vez que grande parte do trabalho foi levado a cabo por formandos (não necessariamente especializados) foram necessários grande rigor e muita atenção aos pormenores construtivos. Embora tenhamos estado envolvidos apenas na fase estrutural da obra foi mais um importante momento de aprendizagem no que toca à qualidade do trabalho e à organização das equipas de obra.

43


44

Sess達o de capacita巽達o de M達o-de-obra local.


SERVIÇOS Consultoria Ecobairro Muquinquim, Guadalupe - São Tomé e Príncipe Para Baixo Impacto Arquitetura. O Sítio foi a São Tomé e Príncipe para fazer consultoria para a construção de um “ecobairro” de 10 casas promovido pelo PNUD e pelo Governo São Tomense e projectado pelo escritório Baixo Impacto Arquitectura (BR). Um dos objectivos subjacentes a este projecto é a introdução da construção com terra na ilha, uma vez que o material mais amplamente utilizado é a madeira que tem promovido um rápido desflorestamento do território. Os edifícios foram projectados com estrutura em adobe e revestimentos de terra crua. Uma vez que nesta ilha uma grande parte dos solos é muito arenosa, dois trabalhos principais foramnos atribuídos: fazer uma análise (empírica) das possibilidades locais e acertar as misturas de terra e fibras para as diferentes funções; treinar mão-de-obra local para o trabalho com este material e organizar / optimizar o processo de produção. Os resultados foram muito positivos não só nos resultados objectivos da obra, assim como foi possível observar que, após duas semanas de transmissão de conhecimentos, os trabalhadores da obra da ilha (em que a construção em terra era virtualmente inexistente) estavam já a utilizar adobes para melhorarem as suas próprias condições de habitação. Outro factor que nos indica o sucesso deste trabalho em São Tomé, foi a subsequente criação de duas unidades de produção de adobes, instaladas em antigas roças de cacau, que se encontram actualmente em pleno funcionamento.

45


46


47


48

P

P

P

P


SERVIÇOS Projecto Concurso Umbria Gallery, Avigliano Umbro – Itália Com Cannatà & Fernandes. (Menção Honrosa)

49

O programa, uma galeria de arte, definia um espaço multiusos, a renovação parcial de um edifício préexistente (o resto continuaria a ser uma habitação privada) em Bed&Breakfast e uma galeria de exposição “Open Air”. Esta galeria foi o nosso ponto de partida. Para assegurar alguma segurança numa galeria constantemente aberta, e evitar que se tornasse num obstáculo visual à paisagem, propusemos que fosse como que uma grande trincheira na qual pudessem ser organizados vários tipos de percursos, exposições ou espectáculos (recorrendo a paredes e coberturas removíveis) e simultaneamente de onde saísse toda a terra para a produção de adobes necessária à construção dos restantes edifícios. A textura dos adobes seria o elemento unificador de todo o projecto. Este material permitiria que escolas, associações e a comunidade em geral fossem integradas na construção do próprio edifício, sendo, desde o seu início, um espaço de dinamização social, encontro e aprendizagem. Na zona de tensão entre o edifício multiusos e o Bed&Breakfast propusemos uma pala criada com elementos prefabricados mas reciclados (madeira e lonas plásticas) que serve de momento de chegada em que se revela a paisagem e onde se faria a distribuição para os vários espaços do conjunto. Um aglomerado de árvores protegeria a habitação privada do espaço público de exposição. A estrutura dos edifícios seria feita exclusivamente em blocos de terra crua (com a adição ou revestimento de cal nas zonas mais sensíveis a águas) e seria utilizada para as lajes a solução de abóbada catalã (abobadas extremamente baixas mas capazes de cobrir vãos de vários metros). Revestimentos de cal seriam utilizados no interior de todos os espaços, tornando-os mais apropriáveis pelos artistas e as suas exposições.


50

1

1

2

4

1

Serviços, cozinha e espaços técnicos

2

Bed & Breakfast

3

Áreas polivvalentes

4

Habitação privada pré-existente


51

3

3


52


53


FORMAÇÃO

55


56


FORMAÇÃO

A formação é outra das actividades da cooperativa. Tem duas grandes vantagens: permite-nos estabelecer parcerias com profissionais competentes em várias áreas de actividade ligadas às tecnologias alternativas e à agroecologia que desempenham o papel de formadores; permite-nos difundir, de forma muito eficiente e a um grande número de pessoas, o conhecimento necessário para que possam gerir o meio que habitam. “A história criou fracturas entre a teoria e a prática, a tecnologia e a expressão, o artesão e o artista, o fabricante e o utilizador; a sociedade moderna sofre desta herança histórica. Mas a vida passada dos ofícios e dos artesãos sugere modos de utilizar as ferramentas, de organizar os movimentos do corpo e de encarar os materiais que permanecem propostas alternativas e viáveis acerca do modo de conduzir a vida com competência.” * Richard Sennett, in The Craftsman Yale University Press 2008.

Assim, organizamos workshops nas áreas da agroecologia e das tecnologias apropriáveis. São momentos intensivos de troca e aprendizagem, fundamentalmente baseados sobretudo na transmissão de saberes práticos. São também momentos de criação de redes ou grupos de trabalho e de troca de experiências. Organizamos até agora workshops de: * Construção com Terra; * Agrofloresta; * Revestimentos de Cal Aérea; * Construção de uma Abóbada Núbia; * Construção de uma Eólica. Estamos já a preparar para os futuros workshops de: * Saneamento Ecológico; * Coberturas Verdes; * Construção de uma fresadora CNC.

57


58


FORMAÇÃO Workshop de Construção com Terra Formadores: Cooperativa Sítio

Este foi o primeiro workshop que organizamos. Fomos também os formadores do evento. Enquanto colectivo, temos dedicado muito do nosso esforço na pesquisa do material terra crua uma vez que materializa muitos dos nossos valores. Em colaboração com o Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro obtivemos medições objectivas da resistência dos adobes, o que nos permitiu ser bastante ambiciosos no objecto de trabalho para o curso. Foi integrado no trabalho de construção de um pequeno edifício em forma de abóbada que tínhamos projectado (Banco de Sementes em Mangualde – ver cap. SERVIÇOS) O workshop foi dividido em duas partes independentes: introdução à construção com terra que incluiu a realização de paredes protótipo nas várias técnicas existentes; Construção da fase estrutural em adobe da abóbada, incluindo todos os pormenores de articulação com a fundação. Foi mais uma demonstração de que se pode facilmente conciliar momentos de aprendizagem com a construção efectiva de espaços.

59


60


61


62


FORMAÇÃO Workshop de Agrofloresta Formador: Ernst Gotsch

63

Este workshop foi ministrado por Ernst Gotsch, um agricultor/pesquisador Suiço que vive actualmente no Brasil e que dedicou os últimos 30 anos da sua vida ao desenvolvimento do modelo de agricultura conhecido como Agrofloresta. A agrofloresta (ou floresta de alimentos) é um método de produção que propõe, não a criação de um novo ambiente produtivo, mas que o homem, e a produção agrícola da qual tira proveito, integrem um ambiente florestal. A agricultura deixa de ser uma agro-mineração que suga recursos, promove a degradação dos solos e torna-se dependente da aplicação de químicos poluentes. Torna-se num processo regenerativo com uma grande capacidade produtiva de uma vasta gama de produtos alimentares e florestais, ao mesmo tempo que promove ecossistemas cada vez mais férteis e abundantes capazes de recuperar solos degradados em curtos espaços de tempo. É uma prática agrícola de carácter micro regional, e por isso capaz de dinamizar economias locais e de vizinhança. Uma vez que se evitam todo o tipo de fertilizantes, pesticidas, herbicidas e maquinaria pesada ,esta prática é orientada para pequenos produtores e é ideal numa lógica de auto-sustentabilidade. O método é, na sua essência, uma tentativa de imitar a natureza, na qual a maioria das plantas vive em associação com outras espécies, das quais necessita para um crescimento pleno. Estas associações, ou consórcios, sucedem-se de forma dinâmica e contínua, processo a que se chama Sucessão Natural. Estas são as forças motrizes que asseguram a saúde das plantas e dos solos. A agricultura realizada por Ernst Gotsch, mais do que uma crítica aos modelos hegemónicos de produção agrícola, é uma proposta que se tem construído através da observação e respeito profundos pela Natureza. Este processo é a prova que é possível desenvolver uma agricultura que harmoniza o trabalho do homem com os processos da Natureza, conseguindo dela o que é necessário para viver bem.


64


65


66


67


68


FORMAÇÃO Workshop de Revestimentos de Cal Aérea Formador: Eng. Fernando Cartaxo

Utilizar a Cal Aérea como revestimento, recorrendo a receitas tradicionais e desenvolvendo novas investigações, torna possível a obtenção de resultados que superam largamente o desempenho do cimento. Promovem, ainda, um grande conforto ambiental e qualidade estética, o que evitam a utilização de qualquer outro tipo de acabamento. O Eng. Fernando Cartaxo (Fundador da Fradical) tem feito exactamente este trabalho. Este workshop teve como objectivo a transmissão dos conhecimentos acerca da cal aérea e de todas as suas possibilidades. Foi dada especial atenção às suas espantosas possibilidades que incluem a de servir como revestimento totalmente hidrófugo (conseguido através da adição de um subproduto da produção do azeite) que constitui um perfeito aliado para a construção com terra. O workshop permitiu aos alunos desenvolver a capacidade de entender e aplicar este material. Para além da transmissão de conhecimentos teóricos e da realização de amostras com vários tipos de revestimentos, foi rebocado o edifício que construímos como Banco de Sementes em Mangualde – ver cap. SERVIÇOS.

69


70


71


72


FORMAÇÃO Workshop de Construção de uma Abóbada Núbia Formadores: Cooperativa Sítio

A convite da Associação Centro da Terra a Cooperativa Sítio esteve num workshop de construção com adobe na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova (Almada). Este workshop (módulo numa série de 3 - Módulo teórico e Palestras, Módulo Taipa e Módulo Adobe) tinha como objectivo não só a transmissão de conhecimentos sobre a fabricação de adobes mas, principalmente, a construção de uma abobada núbia em catenária, permitindo uma melhor compreensão das possibilidades deste material. Existem várias técnicas para a construção de abóbadas normalmente com o recurso a moldes ou cimbres. Neste caso a abóbada foi construída utilizando o método conhecido como Nubiano (por ter sido criado na Núbia, região localizada ao longo do rio Nilo no Sul do Egipto e no Norte do Sudão). Esta técnica ancestral foi retomada e refinada pelo arquitecto Egípcio Hassan Fathy nos anos 40. A sua grande vantagem é que torna desnecessários todo o tipo de apoios e moldes na construção da abóbada, eliminando o recurso a estruturas de madeira ou metal, o que torna a construção menos custosa e com menos impacto ambiental. O método consiste basicamente no assentamento dos adobes num determinado ângulo para que estabilidade estrutural seja atingida antes mesmo da secagem das massas de assentamento. Mesmo que a construção tenha sido apenas um pequeno protótipo, a experiência foi muito interessante pois foi também um momento de aprendizagem para o Sítio. Pudemos confirmar e entender alguns princípios da construção de abóbadas núbias.

73


74


75


76


FORMAÇÃO Workshop de Construção de uma Eólica Formadores: Jimmy Dowds e Miriam Sheerin

Este workshop, ministrado pelos formadores da Eirbyte (Irlanda), consistiu na construção de uma eólica de 2.4m. O modelo foi desenvolvido por Hugh Piggot, escocês, que dedicou grande parte da sua vida ao desenvolvimento destas turbinas tendo atingido resultados surpreendentes. Esta turbina eólica tem múltiplas vantagens compatíveis com os nossos ideais e objectivos: * Sendo dependente da energia do vento, pode ser instalado em virtualmente todos os territórios com acesso a este, evitando a necessidade de condições especiais (como cursos ou reservatórios de água) para produzir energia. * Foi desenvolvida para ser auto construída, recorrendo sempre a tecnologias simples e acessíveis sem necessidade de especialização por parte de quem a constrói. * Utiliza materiais comuns, sendo que alguns são naturais e outros podem ser reciclados, o que torna esta solução barata e acessível. * É uma solução local, contribuindo para que indivíduos e comunidades aumentem o controlo sobre a suas próprias condições de vida. * Pode constituir-se como uma actividade colectiva criadora de laços entre os indivíduos. Este foi o primeiro workshop cujo resultado foi um objecto funcional para produção de energia. Foi interessante articular o trabalho da madeira, o do metal e dos componentes eléctricos e assim apropriar-se de várias técnicas de forma simples e apropriável.

77


78


79


INVESTIGAÇÃO


INVESTIGAÇÃO

Entendemos o Sítio como uma plataforma para o desenvolvimento colaborativo de soluções que se enquadrem em tecnologias apropriáveis e/ou em agroecologia. O objectivo será sempre o de chegar a objectos ou formas de agir (especialmente meios de produção) que possam ser apropriados, optimizados e desenvolvidos de forma durável, ecológica e económica a nível local. Este esforço de contribuir para a já longa lista deste tipo de solução não é possível sem que se criem parcerias com outras entidades, grupos de trabalho ou redes de voluntários. Trabalharemos em todas estas soluções para criar os procedimentos (projecto, prototipagem, versões beta e soluções finais) necessários a criar opções funcionais e que participem na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Estamos abertos à participação de todos os interessados. Todas as investigações que estivermos a desenvolver serão publicadas no site. Estando abertos a outras propostas, temos, neste momento, três focos principais: * Desenvolvimento de técnicas necessárias à criação de Unidades de habitação ecológicas, apropriáveis e autónomas; * Desenvolvimento de máquinas para a criação de um kit para a produção optimizada e semi-mecanizada de adobes no local de construção; * Produção de Ferramentas de produção automatizada local.

83


84


INVESTIGAÇÃO Unidades de Habitação Ecológicas, Apropriáveis e Autónomas

Queremos que o Sítio seja capaz de conceber e construir edifícios que incorporem a capacidade de dar respostas economicamente eficientes, ecologicamente correctas e socialmente justas. Neste sentido é uma necessidade e um objectivo investigar e desenvolver soluções adaptadas às realidades em que intervimos. Neste momento estamos a trabalhar em Unidades modulares e adaptáveis de Habitação ecológicas, apropriáveis e autónomas.

85


86

Elemento

Descrição

Fase

Rebocos de Terra Crua ou de Cal

V

Rebocos de Terra Estabilizada

*

Espaço 1

Acabamentos interiores

2

"

3

Estrutura

Abobada Catenária de Adobes

V

4

Isolamento térmico

Placas de Fibras Naturais com Argila ou Cal

**

5

Acabameto exterior

Paredes e Cobertura Verdes

*

6

Pavimento

Terra Compactada

**

Tadellakt

*

Cobertura Ajardinada

***

7 8

"

"

humidos

humido

Cobertua plana Saneamento

9

Águas Negras

Bason desenvolvido no Tibá

***

10

Águas Negras

Fossa Bio-Septica

V

11

Aguas Cinzas

Filtro Biológico de Águas Cinzas com Lagonagem

**

12

Recolha de água

Filtro de Recolha e Mineralização

V

de Águas Pluviais Energia 13

Produção de electricidade

Eólica Hugh Piggott

V

14

Aquecimento de águas

Painel Solar

*

15

"

interior

Massonery Stove

*

16

"

"

Pavimento Radiante

*

Climatização 17

Energia geotérmica

Poço Canadiano

V

18

Ventilação

Ventilação Cruzada

V

19

Energia solar

Jardim de Inverno

*

20

"

"

Parede de Trombe

*

21

"

"

Orientação Solar

V

22

"

"

Cálculo e Gestão de Ensombreamentos

V

V *** ** *

Solução comprovada na prática por repetição Prototipo Funcional Testes Iniciados Informação Recolhida e Projecto Idealizado


87

13 14 8 17

19

11

21

1 5

3

4


88


89


1

2

3

4


INVESTIGAÇÃO Produção de Adodes Semi-mecanizada

91

O adobe é uma das mais interessantes técnicas de construção com terra pela sua simplicidade. Fazendo a mistura de terra crua com os pés e utilizando um molde feito de quatro pequenas tábuas pode conseguir-se o material base para a construção de um edifício. É ideal para a autoconstrução e para situações de trabalho intensivo. No entanto em situações específicas é necessária uma produção em ritmo acelerado e com pouca mão-de-obra. Assim, estamos a trabalhar num kit que possa ser facilmente transportado para o local de obra e que permita que uma equipa de duas pessoas consiga uma produção de cerca de 2500 adobes num dia (por oposição aos cerca de 250 que 3 pessoas podem atingir numa produção totalmente manual). O conjunto consiste num crivo (versão 1.0) numa misturadora (comercial) e num sistema de bomba peristáltica (em fase de projecto), específica para fluidos de grande viscosidade, que permita projectar a mistura em moldes de várias dezenas de adobes. 6

5

1 Crivo (estado de protótipo 1.0) 2 Misturadora (comercial) 3 Depósito (projecto) 4 Bomba peristáltica (projecto) 5 Mangueira de distribuição 6 Molde para adobes múltiplo (proj)


92


93 4

3

1 2

Crivo 1 Sistema de tracção 2 Cilindro de rede (variável) 3 Estrutura de madeira 4 Motor

4

1 3

Bomba peristáltica 1 Contraplacado marítimo 2 Motor 2

3 Rolos compressores 4 Mangueira flexível


94


INVESTIGAÇÃO Feramentas de Produção Automatizada Local

De uma forma geral, um dos principais objectivos dos projectos de investigação da Cooperativa Sítio serão ligados a meios de produção locais. A construção é neste momento um dos principais temas abordados mas interessa-nos a produção alimentar, produção de energia, produção e processamento de madeira e outros materiais e ferramentas de transformação. Assim um dos projectos em curso é o de fabricação de um protótipo de uma Ferramenta CNC (Computer Numerical Control), cuja construção e modo de operar são técnica e económicamente acessiveis. Uma Ferramenta CNC é uma máquina que envolve uma relativa complexidade mecânica, electrónica e de programação mas que, como uma impressora em 3 dimensões, permite (por subtracção) criar, a partir de blocos de vários materiais, peças funcionais desenhadas num computador. Permite criar peças complexas de madeira, moldes em gesso para peças metálicas, cortar e/ou furar metal e “esculpir” outros tipos de materiais. Embora seja um objecto high-tech, acreditamos que esta ferramenta pode exponenciar a capacidade produtiva de uma comunidade.

95


96

1

2

2

4

5

6 2

3

1


97

7

8

3

1

1 Motor passo-a-passo 2 Sistema de rolamentos lineares 3 Var達o roscado de transmiss達o 4 Ferramenta fresadora 5 Material a esculpir 6 Base de suporte 7 Rolamentos com prefil V 8 Perfil T


DOCUMENTAÇÃO


DOCUMENTAÇÃO

Todas as actividades da cooperativa Sítio (Serviços, Formação, Investigação) para além da tradução ou compilação de materiais externos, serão (dentro das possibilidades) publicadas na secção de documentação no site da Cooperativa Sítio. Temos o objectivo que todas as nossas intervenções, projectos e produtos, possam ser replicáveis abertamente (e também adaptadas a situações concretas locais) para que possam ser testados, melhorados e usufruídos por todos. Esta transformação de uma lógica de competição, típica de uma lógica de mercado especuladora, numa lógica de cooperação permite um constante aperfeiçoamento colectivo dos objectos, técnicas e tecnologias e formas de actuar, sendo que o resultado é a melhoria das condições de vida de todos os intervenientes. Abraçamos a filosofia “open-source” que deu já provas da sua eficácia e consistência. Pequenos artigos, vídeos e álbuns fotográficos estão, desde já, disponíveis no site. Estamos a preparar a tradução e a produção de manuais práticos sobre várias matérias.

101


102

A produção de vídeos que documentem algumas das nossas actividades (ou vídeos instrucionais) é um dos trabalhos que já iniciamos e que pretendemos continuar a desenvolver.


DOCUMENTAÇÃO Videos

103

Documentação do workshop sobre a Éolica em 5 episódios. 1 2 3 4 5

Lâminas: vimeo.com/50145242 Alternador I: vimeo.com/50346520 Alternador II: vimeo.com/51625009 Estrutura: vimeo.com/51618634 Energia: vimeo.com/53216471

Documentação do workshop de Agrofloresta. "Abundância": vimeo.com/48481368


104

Para o tipo de distribuição da informação que pretendemos realizar - profunda, detalhada, transparente e de utilidade prática - os manuais são de grande utilidade.

Coordenação editorial de um manual de construção com adobes.


DOCUMENTAÇÃO Manuais

105

Estamos a trabalhar na criação de material próprio e na tradução e adaptação de material já existente.

Tradução do manual "Wind Turbine Book" de Hugh Piggot.


106

Artigo sobre a evolução da obra Banco de Sementes em Mangualde.


DOCUMENTAÇÃO Artigos

Artigo sobre a construção de abobadas núbias em adobes.

Os artigos on-line, mais simples de produzir e de aceder, são um meio privilegiado de compilação de informação. Nestes, a descrição técnica do desenrolar de obras, workshop's e outros pequenos projectos, visa a replicabilidade das soluções.

107


Coordenação Científica: Cooperativa Sítio Design e Produção Gráfica com: Dário Cannatà

Porto 2012


www.sitiocoop.com sitiocoop@gmail.com +351 91 198 92 93 facebook.com/sitiocooperativaecologica

Cooperativa Sítio 2012 (PT)  

Este documento é uma amostra do trabalho levado a cabo pela cooperativa Sítio até ao final de 2012. Incluí também projectos e objectivos par...

Cooperativa Sítio 2012 (PT)  

Este documento é uma amostra do trabalho levado a cabo pela cooperativa Sítio até ao final de 2012. Incluí também projectos e objectivos par...

Advertisement