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MANHANELLI MEGA: Como o mercado eleitoral evolui a cada eleição, os candidatos a prefeitos investem mais nesta área? MANHANELLI: O Marketing evolui conforme os meios de comunicação evoluem também. Quando surgiu o rádio, as campanhas foram ao ar e ganharam nobre espaço das emissoras. Quando surgiu a televisão, a mesma coisa, o impacto foi maior ainda. E agora vem a internet e faz a promoção pela rede mundial. Através disso ele implementa novas ferramentas que se tornam vitais em uma eleição, pois o avanço da tecnologia é também o avanço do Marketing Político. MEGA: Quando a cidade é pequena há necessidade de Marketing Político, ou a eleição se polariza em dois grupo e vai cada um por si? MANHANELLI: Quanto menor a cidade, mais se faz necessário. Como as cidades pequenas normalmente não possuem veículos de comunicação ostensivos para levar a mensagem, o marketing político cria novas formas de se dar uma mensagem ao eleitor. E esses veículos não são de massa, são segmentados. MEGA: Os prefeitos ganham a eleição, assumem por intermédio do marketing e depois abandonam essa ferramenta. O que custa isso para um executivo? MANHANELLI: Pode até custar o mandato. É muito comum a gente receber, agora, contatos de prefeitos que dizem que a imprensa está contra ele, que fez, fez, e o povo não reconhece, isso é falta de ter tido um trabalho de manutenção da comunicação, e agora terá de compensar o tempo. Maquiavel dizia que o poder se divide em três partes: a conquista, a manutenção e a ampliação. Você apenas conquistar o poder não significa que você vai se manter nele na próxima eleição.

faz leis para que, de uma forma, ou outra, as oportunidades sejam cada vez menores aos que querem entrar no poder. Se deixa um vácuo muito grande. Não é o TRE que cerceia, ele só obedece às leis, é quem faz a lei que cerceia o nascimento de novas lideranças. MEGA: Qual o peso da internet nesta eleição? MANHANELLI: Não passará de 9% na interferência de uma campanha eleitoral, que pode ser acima ou abaixo dos pontos que a pessoa tem. Note bem na interferência direta da construção do voto. Do direcionamento e de uma campanha propriamente dita. Não passa de 9% na construção do voto, não dá formação de opinião. MEGA: Em outras palavras, a internet não dá voto, mas pode tirar os votos que o candidato tem? MANHANELLI: Ela até dá votos, numa formação de opinião. Não existe apenas um elemento só que é responsável por gerar votos numa campanha. O voto é construído por vários fatores que vão se formando na cabeça do eleitor para ele finalizar a concepção do voto. O candidato é bonito, o candidato está falando o que eu quero ouvir, o candidato é simpático, meu vizinho falou bem do candidato, meu primo disse que ele é legal, eu vi na internet que ele é bom de voto, então tudo isso vai se formando na cabeça do eleitor de forma positiva ou negativa, para ele então decidir votar ou não. Então

a internet não é responsável em dar ou não dar votos, são vários fatores que influenciam e não um meio segmentado. MEGA: O eleitor está se qualificando a cada eleição para escolher seu representante? MANHANELLI: O grande problema no Brasil é que o direito de ser candidato é direito hereditário. Você não tem muitas opções, hoje você está votando no menos pior e não no melhor. Porque não existem novas opções de lide-ranças. Os candidatos são sempre os mesmos. A população hoje gostaria de votar em outras pessoas que tivessem uma índole melhor, uma história de vida melhor, mas não dá porque o candidato ou é da família, ou é parente, ou aderente. Alguém que veio da executiva e decidiu que aquele será o candidato. Democracia é um caminho longo, nossa democracia é muito nova. A primeira eleição direta para a Presidência da Republica foi em 1990. Faz 22 anos, é muito pouco tempo. MEGA: Como escolher em quem votar? MANHANELLI: O eleitor tem que escolher pela história de vida do candidato. Quem é esse cara, de onde veio, o que já fez, o que faz, é formado em que, quem são seus amigos, vive quanto tempo aqui, qual o histórico de vida, é um cara brigão, quais os sucessos que já obteveram ele e sua família. Essa é a melhor forma de você escolher seu representante e o representante de sua cidade.

MEGA: O TRE cerceia de várias formas a divulgação e propaganda. Vem-se dando mais vantagem a quem está eleito. O que sobra aos que não estão eleitos? MANHANELLI: Quase nada. Quem legisla já está eleito. Quem está eleito Abril 2012

Revista MEGA  

Edição 134 Janeiro 2012

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