Page 45

Entrevista

Sandra Moreira MEGA: Balzaquiana, você é um exemplo de mulher moderna, trabalha, compete no mercado de trabalho, é feminina, nos defina quem realmente é essa mulher? SANDRA: Sou muito simples, simpática, determinada e adoro desafios, desde criança, quando eu ouvia que não teria capacidade para aprender a ler e/ou terminar o ensino médio, a cursar uma graduação e ser exemplo para os amigos e familiares em razão da condição de vida vulnerável sócio-econômico, eu não aceitava, então aprendi a pensar, como eu venceria todos esses obstáculos, aprendi a ter fé e acreditar que eu era capaz como todos que um dia venceram. Todos os não que recebi apenas me deram força para que eu continuasse a buscar o caminho certo para vencer. MEGA: Como surgiu a escolha pela assistência social? SANDRA: Meu pai e minha mãe só tinham condição de nos alimentar e propiciar uma moradia adequada, eu sempre compreendi a dificuldade que eles tinham até para suprir isso. Quando criança trabalhei de babá e recebi 5% de um salario, ou seja, um valor simbólico. Também uma criança cuidando de outra criança, mas esse pouco dinheiro me possibilitou comprar algo que eu gostaria sem precisar incomodar ninguém. Ali eu descobri o valor do trabalho, a importância de ser útil para alguém. Foi no trabalho que aprendi a ter disciplina, responsabilidade, foram desenvolvidas minhas habilidades sociais, aprendi

a planejar e economizar. Inclusive na receita doméstica. Sou apaixonada pelo trabalho, quero trabalhar até os últimos dias de minha vida e todos que estão a minha volta coloco para trabalhar, já vou atribuindo um monte de funções é automático seja em qualquer ambiente.

SANDRA MOREIRA é assistente social coordenadora perita técnica e professora. Atua como coordenadora do Serviço Social da Unicastelo e é a assistente social responsável pelo CRAS Nova Era.

MEGA: Qual foi a maior dificuldade de enfrentou em sua trajetória? SANDRA: Sem sombras de dúvidas foi à morte de meu pai, que me deixou com 19 anos e ele sempre foi meu maior incentivador e comemorava todas minhas conquistas. Eu amo a educação que tive dos meus pais, porque eles nunca nos deu nada nas mãos eles apenas nos mostravam os caminhos e eu os seguia, às vezes nem tinha noção das dificuldades das dores do sofrimento, mas com os incentivos os diálogos o resultado sempre foi positivo. Com a morte do meu pai, tudo na minha vida passou a ficar mais difícil eu precisei trabalhar no posto de gasolina para ajudar nas despesas da casa e o meu sonho de cursar a graduação continuava eminente dentro de mim.

dinheiro planejando a graduação. Escolhi cursar Serviço Social na época não era um curso conhecido, mas conversei com a coordenadora que explanou o trabalho do Assistente Social que fez com que eu me apaixonasse. Pedi demissão do trabalho e fui realizar meu sonho, onde ouvia de muitas pessoas que era bobagem e que eu deveria continuar trabalhando no posto que fosse mais seguro. No segundo ano de minha graduação, comecei a trabalhar no CAEFA – Centro de Apoio a Educação do Adolescente, a instituição estava em processo de mudança e o presidente era o Antônio França onde acreditou nas minhas capacidades me dando liberdade para trabalhar. Ali começou meu trabalho como Assistente Social sendo responsável de inserir no mercado de trabalho mais de 500 adolescentes e fazer o acompanhamento de suas famílias. Eu capacitava os adolescentes sendo orientada pelo SENAC, inseria no mercado de trabalho de acordo com a lei do Jovem Aprendiz, ou seja, com todos os seus direitos garantidos por lei. Eu cheguei ao cargo máximo da instituição.

MEGA: Você se considera uma vencedora? SANDRA: Trabalhei um ano no posto de gasolina que tem uma carga horaria de trabalho intenso e você aprende a relacionar-se com todas as classes sociais e cuidar de carros, uma tarefa masculina que adorei ter aprendido. Hoje não passo apuros com o meu carro. Foi um ano difícil que mesmo assim consegui guardar

MEGA: A coordenação acadêmica foi uma vitória? SANDRA: Sem sombra de dúvidas, não apenas a coordenação que é uma vitória expressiva, mas considero cada avanço uma grande conquista. No início inseri alguns adolescentes na instituição Unicastelo e assim fizemos parceria com o curso de graduação de Administração de Empresas com o Marcos Silvério, Abril 2012

Revista MEGA  

Edição 134 Janeiro 2012

Revista MEGA  

Edição 134 Janeiro 2012

Advertisement