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“Às vezes, eu saía de casa de madrugada chorando, ia para FERMASA, olhava a foto do meu pai e pedia conselhos”

“Sigo sempre os conselhos, primeiro de meu pai, segundo minha mãe que é meu porto seguro, e terceiro tenho Walter Faria e Fernando Jacob Filho, a esses devo muito” sistemamega.com

MEGA: Carlinhos, a vida nos mostra altos e baixos. A sua, foi diferente? CARLINHOS: Não. Eu costumo dizer que minha vida em seis meses e sete dias foi do céu ao inferno. Em 14 de julho de 1995 eu me casei. No dia 29 de dezembro do mesmo ano, me separei e no dia 21 de janeiro de 1996, meu pai faleceu. Eu casei por amor, amava minha ex-mulher e de repente eu vi que meu casamento não iria dar certo, me separei e semanas depois, meu pai faleceu. Fiquei com 56 funcionários em Fernandópolis com a Ford Fermasa para tocar e mais 17 funcionários em Mato Grosso. Do dia para a noite eu desfiz minha família que estava iniciando e ganhei 74 outras famílias prontinhas, ja vivendo e cada funcionário dependendo de você. Após a missa de sétimo dia de meu pai, segui para o MT, eu tinha ido para lá apenas duas vezes, olhei aquilo tudo, eu disse: pára tudo agora. Meu pai estava formando pasto, sentei com os funcionários e eles me pediram um ano de prazo, pois iriam me ajudar, aquele momento senti algo que me dizia para aceitar a proposta, eles me falavam certas coisas que eu não fazia nem idéia do que se tratava. Gado, fazenda, eu sabia por que desde criança meu pai me levava com ele para Minas, lá estava tudo pronto. Me lembro de uma vez quando fui levar um maquinário para consertar, eu não sabia do que se tratava, os caras até tiraram onda comigo, quando perceberam que eu não sabia sobre o assunto, me disseram “você não está entendendo nada né?” Eu disse: “não sei do que você está falando, mas me dê 15 dias que eu vou ficar sabendo. MEGA: Quando você começou a acompanhar mais seu pai? CARLINHOS: Quando o Junior, meu irmão, desencarnou em 1985 eu comecei a ir para fazenda de Minas Gerais pois meu pai ficou muito triste, ele não aceitava ter perdido um filho, e eu com 15 anos o acompanhava. Em 1986, minha mãe me colocou para fazer um curso. Em 1989, fui fazer tiro de guerra em São Carlos, que foi quando meu pai começou a lidar com arrendamentos em MT, Paranaíba. Em 1990; comecei a faculdade ainda em São Carlos, morava sozinho em um apartamento, vivia uma vida super confortável. Ao terminar, quando ele me deu

a FERMASA, porque eu tinha pedido para ele uma garagem de carro, voltei para Fernandópolis, três vezes por semana para São Carlos para fazer faculdade e cuidando da FERMASA . MEGA: Via de regra, os filhos que assumem os negócios da família, acabam perdendo boa parte do patrimônio conquistado pelo pai. Qual foi a receita que você fez o patrimônio aumentar? CARLINHOS: Sempre tive muito orgulho do meu pai, sempre achei ele um exímio comerciante, toda semana a gente sentava e conversava sobre tudo, ele não deixou dívida, sabíamos o que tínhamos, o que compramos ou o que vendemos. Procurei fazer e agir da maneira que ele agia em algumas

circunstâncias, quando ele pegava um dinheiro vindo da cana-de-açúcar originado da fazenda de Minas ele não deixava dinheiro no banco, ele logo queria comprar gado para pôr em Mato Grosso. Assim, o conselho que eu dou aos filhos, se seus pais se deram bem por siga e faça igual, mas claro que você pode se adequar às modernidades. Eu por exemplo, faço inseminação artificial no gado para melhorar a genética, meu pai nunca fez isso, mas também na época dele acho que nem existia essa facilidade. Faço vários cursos, me especializo sem parar. Sem os conselhos de minha mãe, eu não teria chegado a lugar nenhum, ela me deu o meu norte, ela viveu 33 anos com meu pai, ela sabia como agir mesmo não sendo comerciante. Muitas vezes, eu saía de madrugada chorando ia para FERMASA, olhava a foto do meu pai e pedia conselhos. Outra pessoa que sempre me ajuda é o Walter Faria, eu

Revista MEGA  

Edição 134 Janeiro 2012

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