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ANO

GEOGRAFIA 1 VOLUME 1

CIรŠNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS


Ciências humanas e suas tecnologias: Matriz de Referência C2

Compreender as transformações dos espaços geográficos comoproduto das relações socioeconômicas e culturais de poder. H6

C6

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos. H26

Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

H27

Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.


C

1

O

L TU

A

COMPETÊNCIAS:

C2, C6

Geologia e geomorfologia do Brasil HABILIDADES:

H6, H26, H27

APRESENTAÇÃO A estrutura geológica brasileira é formada por bacias sedimentares (64%) e escudos cristalinos (36%). Por estar inserido no centro da placa tectônica sul-americana, o Brasil não tem cadeias montanhosas ou dobramentos modernos. Os escudos cristalinos sofrem, constantemente, a atuação de processos erosivos que resultaram no rebaixamento do relevo, que apresenta altitudes modestas e formas arredondadas. Nosso país possui grandes jazidas de recursos minerais, principalmente os metálicos. Por outro lado, embora extensas, as bacias sedimentares continentais são pouco exploradas economicamente, apresentando pequena produção de petróleo. As bacias carboníferas encontradas no Sul do país estão em estágios inferiores de transformação geológica, produzem carvão com menor valor energético que as bacias carboníferas do hemisfério Norte. Na plataforma continental brasileira, que tem extensão variável, geralmente, de 70 km a 90 km, explora-se petróleo em quantidades significativas. Destaca-se a Bacia de Campos, no litoral norte do estado do Rio de Janeiro, responsável atualmente por aproximadamente 80% da produção nacional de petróleo. Vale lembrar que o Brasil detém uma das mais avançadas tecnologias de exploração petrolífera em águas marinhas profundas, aprimorada justamente na Bacia de Campos. Tal tecnologia continua sendo aperfeiçoada, principalmente sob impulso da recente descoberta de grandes reservas petrolíferas em camadas ainda mais profundas da plataforma continental. O petróleo explorado nessa região, particularmente na Bacia de Santos, ficou conhecido como pré-sal.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

TÓPICO 1 • O arcabouço geológico do Brasil

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

A crosta terrestre é formada por rochas, que, por sua vez, compõem as placas tectônicas. Essas placas se deslocam sobre o magma, presente no manto terrestre, através de correntes de convecção. A movimentação das placas tectônicas pode levar à formação de vulcões e à ocorrência de terremotos. Sabendo disso, podemos questionar a inexistênca de vulcões ativos ou o fato de não ocorrerem terremotos no Brasil. A resposta está associada à localização e à idade da estrutura geológica brasileira.

As placas tectônicas apresentam áreas de maior estabilidade geológica, situadas em sua porção central, e áreas de elevada instabilidade geológica, localizadas ao longo de suas bordas. As partes de maior estabilidade são constituídas de rochas muito antigas, formadas nos éons Arqueano e Proterozoico, e recebem o nome de plataformas ou escudos cristalinos cujos núcleos estáveis recebem o nome de crátons. Já as bordas das placas, caracterizadas por formações mais recentes, apresentam instabilidade tectônica, decorrente dos movimentos convectivos do magma atuantes no interior da Terra. O território brasileiro está localizado no centro da placa tectônica Sul-Americana (ver mapa abaixo), exatamente em uma área de relativa estabilidade tectônica.

Litosfera continental Litosfera oceânica Dorsal oceânica

Limites de placas não confirmados Zonas de subducção

Placa Pacífica

Placa Pacífica

Placa do Caribe

Placa Africana

de ca Pla cos Co

Placa Arábica

Placa Filipina

Zonas de colisão de continentes

Placa Euroasiática

Placa Norte-Americana

Placa Sul-Americana Placa de Nazca

Placa Indo-Australiana

Direção de deslocamento das placas

Imagem 1.1. Placas tectônicas do globo terrestre Placa Antártica

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Acervo Embrapa Solos

Embora a localização do Brasil explique a ausência de atividades magmáticas e sísmicas intensas na atualidade, no passado nem sempre foi assim. Nas porções do Centro-Sul brasileiro e na costa leste do Nordeste, há indícios de um grande derrame magmático, ou basáltico, originado na era Mesozoica. Dentro dos processos de formação derivados do derrame basáltico brasileiro, uma série de feições e fatos geográficos podem estar associados. O fenômeno mais simbólico desse processo foi o desenvolvimento de solos ricos em minerais de argilas, os chamados argissolos e nitossolos. Bastante propícios ao desenvolvimento da agricultura, tiveram, inclusive, papel de destaque no ciclo econômico do café, no Sudeste brasileiro, onde esses tipos de solo ficaram popularmente conhecidos como terra roxa. De maneira parecida, no Nordeste do Brasil, a presença do basalto, em menor quantidade, associado ao clima tropical úmido próximo ao litoral leste de Pernambuco, proporcionou o desenvolvimento de solos ricos em lateritas (acumulações ferruginosas), os latossolos. Também conhecido como massapê, esse tipo de solo às vezes apresenta coloração amarelada em função da elevada presença de quartzos em sua composição.

Imagem 1.2. Estrutura e aspecto dos latossolos, nitossolos e argissolos

Além dos solos, podem ser encontradas outras formas de relevo decorrentes de formações basálticas. Os exemplos mais recorrentes que podemos aplicar à plataforma continental são as falésias de Torres, no Rio Grande do Sul. No contexto marítimo, o litoral brasileiro possui algumas formações relacionadas com estruturas basálticas, como os


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

arquipélagos Fernando de Noronha e Martin Vaz, ambos associados a processos de vulcanismo, únicos registros evidentes desse fenômeno no país. Além desses, o arquipélago de São Pedro e São Paulo, no Nordeste do Brasil, possui uma formação magmática única no mundo, pois é o único ponto do planeta onde há exposição de rochas derivadas do manto abissal da crosta, acima do nível do mar.

SAIBA MAIS Vulcões brasileiros

Shutterstock.com

Shutterstock.com

Vulcão é uma formação morfológica derivada da atividade dinâmica do magma na crosta terrestre. O termo é comumente utilizado para designar qualquer derrame basáltico, ou atividade magmática. No entanto, essa aplicação não é completamente adequada, pois nesses exemplos não há correlação com a feição derivada de tais processos. Observe o esquema a seguir:

No esquema, é possível conhecer a composição clássica de um vulcão. Esse tipo de processo está associado, no Brasil, a eventos oceânicos. Estruturas semelhantes aos vulcões foram apontadas como derivadas desse tipo de processo. O caso mais conhecido desse equívoco é o “vulcão de Poços de Caldas”, uma cidade mineira estabelecida sobre uma depressão intraplanaltica estruturada em um grande maciço cristalino derivado de uma antiga caldeira magmática, levada à superfície pelo esforço de falhas presentes na região. Apesar das semelhanças, esse processo não foi resultado de atividade vulcânica nem há indícios de que um “supervulcão” tivesse existido na região. Confusão semelhante ocorreu em relação ao inselberg do Bom Jesus, na cidade de Caruaru, em Pernambuco, porém, este último foi rapidamente desmentido pela comunidade acadêmica.

Nuvem de cinzas e gases Cratera Lava

Abertura Abertura secundária

Imagem 1.4. Poços de Caldas, MG

Cinzas

Estoque de magma Chaminé Camadas rochosas da crosta terrestre Câmara magmática

Imagem 1.3. Esquema de estrutura de um vulcão

Atualmente, a atividade sísmica no Brasil é menos intensa do que em outras regiões da América do Sul. Países como o Chile sofrem constantemente com terremotos, devido à proximidade da zona de convergência entre as placas de Nazca e Sul-Americana. Já o Brasil apresenta apenas tremores de pequena magnitude, causados por reacomodações de antigas falhas geológicas, fissuras que se formam em áreas desgastadas da plataforma e que ficam sensíveis aos movimentos tectônicos.

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1.1 • Eras geológicas Eras geológicas

Períodos

Duração

Ocorrências

Cenozoica

Quaternário Terciário

65 milhões de anos até os dias atuais

Dobramentos modernos (Andes, Alpes, Atlas, Himalaia, Montanhas Rochosas). Surgimento da humanidade, glaciações recentes. Os continentes assumiram o atual contorno. Formação das ilhas Trindade, Martim Vaz, arquipélagos Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo. Formação das bacias sedimentares do Pantanal e ao longo do vale amazônico.

Mesozoica

Cretáceo Jurássico Triássico

Cerca de 252 milhões de anos

Fragmentação da Pangeia em Laurásia e Gondwana. Intensa atividade vulcânica. Surgimento dos grandes répteis. Formação das bacias sedimentares Paranaica, Sanfranciscana e do Meio-Norte. Derrames basálticos na região sul e formação do planalto arenito-basáltico. Formação do petróleo.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Paleozoica ou primária

Permiano Carbonífero Devoniano Siluriano Ordoviciano Cambriano

Pré-cambriana ou primitiva

Proterozoico Arqueozoico

540 milhões de anos

Formação das rochas metamórficas. Formação de grandes florestas: origem de bacias carboníferas. Formação da Pangeia. Formação das bacias sedimentares antigas, em Itu (SP), formação das jazidas carboníferas no Sul do Brasil. Início da formação da Bacia Sedimentar Paranaica e Sanfranciscana.

Cerca de 4 bilhões Surgimento da vida unicelular. Primeira glaciação. Formação dos escudos de anos atrás cristalinos e das rochas magmáticas.

Em Geomorfologia, definimos estrutura geológica como sendo o embasamento rochoso sobre o qual está assentado o relevo terrestre. Assim, a estrutura geológica corresponde à base ou alicerce desse relevo, retratando a forma como se dispõem as camadas rochosas na Litosfera, como consequência da atuação de forças internas. O embasamento brasileiro está inserido totalmente na plataforma Sul-Americana e apresenta dois tipos de estruturas geológicas: os escudos cristalinos, formados por rochas antigas, expostas desde o Pré-Cambriano à ação do intemperismo e à erosão; e as bacias sedimentares, áreas mais baixas do relevo, cobertas por sedimentos provenientes de outras rochas. Não há no território brasileiro a presença de grandes dobramentos modernos ou cadeias de montanhas.

1.2.1 • Escudos cristalinos ou maciços antigos

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

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Os escudos cristalinos abrangem 36% da superfície do território brasileiro, apresentando altitudes modestas. Formados entre o fim do Pré-Cambriano e o início da era Paleozoica, os escudos cristalinos foram submetidos à ação de intempéries durante longos períodos geológicos e hoje se encontram bem desgastados. Desse total, 32% são constituídos de terrenos arqueozoicos e apenas 4% de terrenos proterozoicos. Os escudos cristalinos fazem parte de estruturas geológicas mais abrangentes, os crátons, podendo ser considerados como as porções dos crátons que afloram à superfície terrestre. Já as porções dos crátons que estão recobertas por bacias sedimentares são chamadas de plataformas. A figura a seguir apresenta um perfil topográfico que elucida tais distinções. Assim, o Escudo das Guianas e os Escudos Sul-Amazônicos são porções do cráton que afloram à superfície na forma de planaltos, enquanto a plataforma subjaz abaixo da Bacia Sedimentar Intracratônica Amazônica.

Escudo das Guianas Bacia Amazônica

Bacia do Maranhão e Piauí

Escudo Brasileiro

Escudos cristalinos Terrenos arqueanos Terrenos algonqueanos (ricos em jazidas minerais) Bacias sedimentares

Bacia do Pantanal

Es

Bacia Sanfranciscana

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do

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Bacia Litorânea

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Bacia do Paraná

Imagem 1.5. Estrutura geológica do Brasil

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Escudos das Guianas

Bacia sedimentar

N

Escudo (Rochas magmáticas e metamórficas)

Bacia intracratônica Escudos do Amazonas Sul-Amazônicos

N S

Direção da representação

N

Crátons

S

Plataforma coberta ou embasamento cristalino

Shutterstock.com/ Adaptado por Shamuel Fiorentino

1.2 • Estrutura geológica brasileira

Imagem 1.6. Representação do cráton, escudo e plataforma coberta em recorte no território brasileiro

O território brasileiro tem dois grandes escudos cristalinos: o Escudo das Guianas, que compreende áreas localizadas ao norte da Bacia Sedimentar Amazônica; e o Escudo Brasileiro, que se subdivide em dois núcleos, o Central, na porção centro-ocidental do Brasil, e o Atlântico, no leste do país. Nesse contexto há o afloramento de um núcleo estável do Cráton de São Francisco que alcançou a superfície após longo período de denudação – erosão prolongada por milhões de anos. O cráton são franciscano é um prolongamento de um núcleo cratônico existente durante a pangeia, cuja porção mais significativa está na África. Os terrenos proterozoicos possuem grande importância econômica pela presença e extração de minerais metálicos, destacando-se as seguintes áreas: • Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais (extração de minério de ferro e manganês); • Serra dos Carajás, no Sul do Pará (extração de minério de ferro e manganês); • Serra do Oriximiná, no Pará (extração de bauxita, minério de alumínio); • Ariquemes, em Rondônia (extração da cassiterita, minério de estanho). Outra característica importante do território brasileiro é o fato de não apresentar dobramentos modernos (altas cadeias de montanhas), como a Cordilheira dos Andes. Distante dos limites das placas tectônicas, o território brasileiro não apresenta tectonismo orogenético recente, o que explica a inexistência de cordilheiras. Em contrapartida, o território nacional foi palco de intenso tectonismo epirogenético, o qual consiste nos movimentos horizontais das placas tectônicas, provocando suaves levantamentos e rebaixamentos da crosta terrestre, propiciando a formação de grandes bacias sedimentares, tais como a Bacia do Paraná e a Bacia Amazônica. No Brasil existem dobramentos apenas antigos, considerados escudos cristalinos com alto nível de desgaste e feição serrana. Os maiores dobramentos antigos do país são os do Nordeste,


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

do Atlântico e o de Brasília; e os menores são o Sul- Rio-Grandense, o do Paraguai e o Gurupi. Dentre as principais rochas presentes nos escudos cristalinos, algumas são magmáticas, ou ígneas, como o granito e o diorito, e outras são metamórficas, como o gnaisse, o migmatito, o quartzito, a ardósia e o mármore.

1.2.2 • Bacias sedimentares As bacias sedimentares correspondem a 64% do território brasileiro e formaram-se predominantemente nas eras Paleozoica, Mesozoica e Cenozoica. São grandes depósitos de sedimentos e rochas sedimentares, formados sobre os escudos cristalinos, ao longo do tempo geológico, por meio da deposição de materiais orgânicos e inorgânicos. As bacias sedimentares apresentam importantes recursos minerais. Na Bacia do Paraná, por exemplo, temos as maiores reservas de carvão mineral do país. Na Bacia do Amazonas, por sua vez, encontramos importantes jazidas de gás natural. As bacias de Campos e de Santos se destacam, no cenário nacional, pelas reservas petrolíferas, sendo esta última a maior produtora de Gás Natural no Brasil, desde 2018. A pequena extensão da Bacia Costeira no Sul e Sudeste se deve a dobramentos antigos em sua borda oeste, processo que deu origem às serras e aos planaltos do Sul e Sudeste. O soerguimento dessas estruturas fez com que eles se tornassem os principais depositores de sedimentos na Bacia Costeira, soterrando por milhões de anos restos orgânicos que originaram reservas de carvão mineral, petróleo e gás natural.

A Núcleos cratônicos (de maiores dimensões); I - Amazônico II - São Francisco III - Maciço Mediano de Goiás Bacias sedimentares: A - Bacia Amazônica B - Bacia do Parnaíba C - Bacia do Paraná D - Bacias do Recôncavo/ Tucano/ Jatobá E - Bacias Costeiras

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OCEANO ATLÂNTICO

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ESCALA 335

570

km

Parte dos sedimentos que formaram algumas de nossas bacias tiveram sua origem no mar e foram trazidos pelas transgressões marinhas dos antigos oceanos (como o mar Devoniano)

1.2.3 • Faixa móvel ou cinturões móveis (cadeias orogênicas) Constituem grandes curvamentos côncavos (sinclinais) e convexos (anticlinais) formados na superfície da Terra, resultantes da ação de forças internas (tectonismo orogenético), no decorrer do tempo geológico. Dominam áreas continentais extensas e normalmente alongadas, onde se registra uma movimentação tectônica ativa. A movimentação tectônica pode ser temporária, persistente e/ou recorrente. Como resultado desses processos podem se desenvolver mercúrio (Hg), zinco (Zn), chumbo (Pb), ouro (Au), estanho (Sn), ferro (Fe) e manganês (Mn). Quanto ao tempo de formação, classificam-se em: • Antigas – estruturas que datam das eras Pré-Cambriana e Paleozoica. No território brasileiro, podemos citar como exemplos as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço, que constituem o chamado Ciclo Brasiliano, formadas, sobretudo, por rochas magmáticas e metamórficas. As cadeias orogênicas antigas apresentam-se, em geral, bastante desgastadas, devido à ação contínua dos agentes erosivos e à ausência de movimentos tectônicos que possam levar a reativações do relevo. • Recentes – o Brasil não apresenta dobramentos modernos, formados entre as eras Mesozoica e Cenozoica. Como o Brasil não teve ativações orogenéticas recentes, a maior parte dos relevos considerados jovens do território brasileiro possui relação com a erosão e a deposição de sedimentos, ou seja, são formas de relevo dinâmicas, atreladas a processos climáticos. Podem ainda ser caracterizadas como unidades jovens as chapadas e cuestas desenvolvidas no Meso-cenozoico, tais como a Cuesta de São José, na Bacia do Jatobá, em Pernambuco, onde fica o Parque Nacional do Vale do Catimbau.

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Faixas móveis (sem formações orogenéticas): 1 - Paraguai-Araguaia 2 - De Brasília 3 - Nordeste 4 - Sergipana 5 - Araçuaí 6 - Sudeste (Ribeiro)

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Shutterstock.com/ Adaptado por Samuel Florentino

1

Equador

ESCLARECENDO

Imagem 1.7. As grandes unidades estruturais do Brasil

No Sul brasileiro, também encontramos um cinturão carbonífero de baixa qualidade, formado na era Paleozoica. Já na Bacia Costeira do Sul e Sudeste, temos nossas maiores reservas de petróleo, principalmente na Bacia de Campos e na área denominada de Pré-Sal brasileiro, que se localiza no subsolo oceânico entre Espírito Santo e Santa Catarina, na chamada Bacia de Santos. Ressalte-se, ainda, a Bacia do Paraná, onde encontramos o imenso aquífero Guarani, que ultrapassa as fronteiras nacionais, estendendo-se por parte dos territórios da Argentina, do Paraguai e Uruguai. Além desse, a Bacia Amazônica apresenta o Sistema de Aquíferos Grande Amazônia (Saga), considerado a principal reserva de água doce subterrânea do planeta.

Link sugerido • https://goo.gl/lKAXV6

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

EXERCITANDO EM AULA 01. (PUCSP) “O tempo vem desgastando lentamente a paisagem das terras planas do interior de Minas Gerais e São Paulo. O planalto que abriga a bacia do São Francisco, rio que nasce no sudoeste de Minas Gerais e corre em direção ao nordeste até Pernambuco, está paulatinamente encolhendo pelo recuo das escarpas que formam sua borda. No último milhão de anos, esse planalto perdeu área para uma região vizinha situada a altitudes menores, onde se assenta a bacia do rio Doce.” (Salvador Nogueira. A dança das bacias. São Paulo: Pesquisa Fapesp, Janeiro de 2013. p. 51)

A transformação notada pode ser explicada como resultante: a) do movimento de oscilação da placa tectônica sul-americana, que na escala de tempo da natureza sofre eventuais soerguimentos. b) de um processo erosivo acelerado produzido pelo aumento do volume das águas da bacia do Rio S. Francisco, em consequência de mudanças climáticas na região. c) de um processo de erosão ou denudação muito lento ou, melhor dizendo, dentro de uma temporalidade que é a da natureza, cuja escala torna o tempo humano irrisório. d) do desmatamento realizado pelo ser humano nos vales da bacia do Rio S. Francisco que facilitou a aceleração do processo de denudação.

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02. (UEA) Não são raros os relatos de ocorrência de terremotos no território brasileiro. Porém, diferentemente do que acontece no Japão, nos Estados Unidos e no Chile, por exemplo, os terremotos aqui observados normalmente são de baixa magnitude. A explicação para essa diferença deve-se à a) localização do Brasil em área de convergência de placas. b) dominância de clima tropical úmido que, favorecendo o intemperismo químico das rochas, reduz a magnitude dos terremotos. c) estrutura geológica antiga do Quaternário, predominante no território brasileiro. d) predominância de rochas sedimentares, mais suscetíveis a rupturas geológicas. e) localização do território brasileiro em região intraplaca. 03. (PUC-SP) “Em 08 de outubro de 2010 a terra tremeu como jamais se havia visto em Mara Rosa, cidade no norte de Goiás [...] o chão balançou tão intensamente a ponto de se tornar difícil ficar em pé. Árvores chacoalharam, paredes trincaram e telhas despencaram das casas. Menos de um minuto mais tarde, os reflexos desse terremoto de magnitude 5, um dos mais fortes registrados nos últimos 30 anos, haviam percorrido 250 quilômetros e alcançado Brasília, onde alguns prédios chegaram a ser desocupados.” (Pesquisa FAPESP. Por que a terra treme no Brasil. São Paulo: Fapesp, no 207, maio de 2013. p. 45)

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Terremotos no Brasil parecem ser surpreendentes se compararmos nosso território com outras regiões do mundo. Isso ocorre porque a) em regiões como o Extremo Oriente (Japão, China) a crosta terrestre é bem menos espessa, por isso muito suscetível a rupturas bruscas. b) no Brasil têm acontecido eventos sísmicos no interior do continente, ao passo que os terremotos em outras regiões acontecem sempre nas zonas litorâneas. c) o Brasil está sobre um segmento de crosta terrestre menos espesso e mais flexível, logo é pouco sujeito a rupturas bruscas, como é comum em áreas de crosta mais espessa. d) terremotos são eventos típicos de zonas de contato de placas tectônicas e o território brasileiro se estende no meio de uma placa tectônica. e) a despeito de o território brasileiro se situar numa zona de convergência de placas tectônicas, os terremotos por aqui são raros, porque essas placas são bem mais estáveis.

04. (UEG) “Não se pode jamais confundir o que é idade e gênese das formas com idade e gênese das estruturas. Se as estruturas e litologias são predominantemente antigas, o mesmo não se pode dizer das formas de relevo, que são muito mais recentes”. (ROSS, Jurandir, 1990, p. 25).

A partir do comentário e da análise do relevo brasileiro, é CORRETO afirmar: a) As estruturas geológicas que formam o arcabouço natural do território brasileiro pertencem ao período pré-cambriano, sendo exemplos de relevo deste período as serras da Mantiqueira e do Espinhaço. b) A paisagem característica de mares de morros (elevações suavemente arredondadas), comum na Serra da Mantiqueira, testemunha a ausência do intemperismo no processo de formação do relevo. c) O relevo brasileiro atual é fruto de um trabalho de modelagem realizado nos tempos recentes sobre um arcabouço geológico também recente, ambos da Era Cenozóica. d) O caráter residual do modelado é muito marcante nos planaltos e serras de Goiás-Minas. Suas formas foram elaboradas ainda no período pré-cambriano e não sofreram grandes alterações em períodos posteriores.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

TÓPICO 2 • Os recursos minerais

O Brasil se destaca no cenário mundial por apresentar algumas das maiores reservas minerais do mundo, devido à composição geológica do seu terreno, em que cerca de 36% da superfície nacional é ocupado por escudos cristalinos ou crátons. Os recursos naturais e minerais, no Brasil, estão assim distribuídos:

metálicos e não metálicos do Brasil A palavra recurso significa algo a que se possa recorrer para a obtenção de alguma coisa. Assim, o homem obtém dos recursos naturais tudo aquilo que a natureza fornece, para satisfazer suas necessidades. Os recursos naturais utilizados na indústria podem ser classificados em minerais (ferro, ouro, prata) hídricos (rios, mares, lagos) energéticos (gás natural, petróleo, carvão mineral, sol e vento); biológicos (animais e plantas).

2.1 • Os recursos minerais metálicos do Brasil

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

Assim como outros países de grande extensão territorial — a exemplo do Canadá, da China, da Rússia, dos Estados Unidos e da Austrália —, o Brasil possui expressiva riqueza e diversidade de recursos minerais.

RR

• •

Reservas abundantes: ferro, manganês, cassiterita, níquel, bauxita, cristal de rocha, zircônio, berílio, magnesita, calcário, sal-gema e tório. Reservas suficientes: petróleo, ouro, cobre, zinco, potássio, fluorita e xisto. Reservas deficientes: chumbo, prata, platina, antimônio, cromo, tungstênio, enxofre, carvão mineral e gás natural.

Os bens minerais são de grande importância para a sociedade, a tal ponto que dividimos os períodos de evolução da humanidade de acordo com os minerais utilizados: idades da pedra, do bronze, do ferro etc. Veja mais informações sobre o tema no vídeo abaixo.

AP

AM

PA

CE

MA PI

PE

TO RO

RN PB AL SE

BA

MT

Link sugerido • https://bit.ly/2MmLi5o

GO

MG ES

MS

SP

SAIBA MAIS

RJ

PR SC

0

382 km

Minerais Bauxita

Ferro

Chumbo Região aurífera

Carvão*

Ouro

Cobre

Manganês

Estanho

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História de Serra Pelada: da primeira pepita ao fechamento do garimpo Serra Pelada é uma região localizada no estado do Pará que, em 1979, ganhou notoriedade, pois lá foi encontrada uma grande jazida de ouro. A primeira pepita de ouro foi achada por um vaqueiro local. Logo que a notícia se espalhou, essa região foi invadida por milhares de pessoas que buscavam enriquecimento por meio do garimpo.

Região diamantífera

Cromo

Níquel

Urânio

Região de pedras preciosas e semipreciosas

Para mais informações, acesse o link • https://goo.gl/0yBBr7

Petróleo*

*O carvão e o petróleo estão representados no mapa, embora não sejam considerados minerais, pois são orgânicos Imagem 1.8. Brasil - recursos minerais e petróleo (início do século XXI)

Recursos minerais são todos os compostos elaborados na crosta terrestre os quais são aproveitados pela indústria para alguma finalidade econômica, seja como parte componente

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

do processo produtivo, insumo ou como matéria-prima a ser transformada. Eles têm usos e importâncias diversas, sendo essenciais para o fornecimento de matérias-primas para a indústria, construção civil, agropecuária etc. Eles dividem-se em minerais metálicos (ferro, manganês, cobre, estanho etc.) e minerais não metálicos (enxofre, calcário, cloreto de sódio). Os principais setores industriais que utilizam minérios são metalurgia (ferro, alumínio, cobre, chumbo e estanho), química pesada (ácidos sulfúrico, nítrico e clorídrico), siderurgia e petroquímica.

2.2 • Produção mineral brasileira

2.2.1 • Produção mineral do Norte

BELÉM

A Serra dos Carajás foi descoberta acidentalmente por um geólogo que, em meados de 1960, sobrevoava a região, de helicóptero, em busca de jazidas de manganês na região. O helicóptero em que ele estava teve de fazer um pouso forçado em uma clareira. O que ninguém sabia até então é que a falta de vegetação da clareira era resultado da presença de minerais metálicos no solo.

Ponta da Madeira

SÃO LUÍS

Pará

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Cidade Capital Porto

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Área do Projeto Carajás

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Região de mineração

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Imagem 1.10. Estrada de Ferro Carajás-São Luís

Jazidas minerais

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Imagem 1.9. Serra dos Carajás

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Parque Nacional do Cabo Orange

OCEANO ATLÂNTICO

OCEANO ATLÂNTICO

Cabo Orange

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Imagem 1.11. Serra do Navio (Amapá)

Ilha de Marajó

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

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Belém

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Legenda

CARAJÁS

Açailândia

Macapá

Piauí

Maranhão

Açailândia

Açailândia

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CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Reprodução

A produção mineral brasileira corresponde a 5% do PIB (produção in natura) e a 25% do PIB (produção agregada à produção industrial). No que se refere aos minerais, o Brasil apresenta pequena dependência externa. Cobre, enxofre e mercúrio são as maiores exigências das importações brasileiras.

O início das explorações na região de Carajás ocorreu na década de 1960 por uma companhia estadunidense de mineração, a Companhia Meridional de Mineração, porém, em 1977, a Companhia Vale do Rio Doce, então estatal de mineração, recebeu o monopólio das explorações na região. A partir do desenvolvimento do projeto Grande Carajás, um ambicioso esquema de exploração mineral foi elaborado para fomentar essa atividade na região, o que contou com uma grande infraestrutura logística, incluindo a construção de ferrovias, da usina Hidrelétrica do Tucuruí e do porto da Ponta da Madeira, para assegurar a integração da região e facilitar o desenvolvimento socioeconômico. Na área são extraídos Manganês e Minério de Ferro, sendo exportados para países como China e Japão. Além da produção de Carajás, outro destaque desse setor na região Norte do país é a Serra do Navio, no Amapá. Contudo, o esgotamento das jazidas vem levando esta área a um processo de declínio econômico.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Vale do Rio Trombetas

Luiz Fernando

Bauxita - Vale do Rio Trombetas 50°O

OCEANO ATLÂNTICO

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Ilha de Marajó

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AMAZONAS

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245 km

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TOCANTINS

MATO GROSSO

Municípios de exploração: Ouro Preto, Mariana, Santa Bárbara, Belo Horizonte e Congonhas do Campo; Empresa exploradora: Vale; Parte da produção é exportada e outra abastece as usinas siderúrgicas do Sudeste; Produção exportada através da Estrada de Ferro Vitória a Minas até o Porto de Tubarão (Vitória – ES); Principais mercados: EUA e União Europeia; Mercado interno: Estrada de Ferro Vitória a Minas - Porto de Tubarão - Porto de Santos (cabotagem) - Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA) (Cubatão – SP); E.F. Central do Brasil - CSN (Volta Redonda – RJ); Outras produções de destaque do Quadrilátero Ferrífero: bauxita (Ouro Preto); ouro (Nova Lima); manganês (Conselheiro Lafaiete).

2.2.3 • Produção regional do Centro-Oeste e Nordeste

Imagem 1.12. Área produtora de bauxita

Maciço do Urucum Principal área produtora de bauxita no Brasil; Município de exploração: Oriximiná (PA); Empresa exploradora: Companhia de Mineração Rio do Norte −consórcio entre a Vale (40% das ações), Votorantim e Billinton Shell; Maior parte da produção é exportada para Japão, EUA e União Europeia; O restante da produção abastece projetos como Albrás (Belém) e Alumar (São Luís); A geração de alumínio, a partir da bauxita, exige elevada produção e consumo de energia elétrica, daí a necessidade de construir-se a imensa hidrelétrica de Tucuruí.

• • •

MATO GROSSO

MATO GROSSO DO SUL

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shutterstock.com/ Adaptado por Leonardo Carvalho

• • •

BOLÍVIA Corumbá

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Belo Horizonte 0

Nova Lima Santa Bárbara

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Ouro Preto

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Escala 15

Minério de Ferro 30

km

Proterozoico (P) Arqueano (A)

Imagem 1.13. Localização do Quadrilátero Ferrífero (MG)

• Quadrilátero Ferrífero (MG) • • •

486

Maciço do Urucum Imagem 1.14. Localização do Maciço do Urucum (MS)

P

N

243 km

Rio Paraguai

PARAGUAI

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

shutterstock.com/ Adaptado por Leonardo Carvalho

2.2.2 • Produção regional do Sudeste

Maior produção mineral do Brasil; Principais minérios: ferro (75% do total nacional) e manganês;

Município de exploração: Corumbá (limite entre Brasil e Bolívia); Terceira maior jazida de ferro e manganês do Brasil; Produção comprometida: considerável distância dos principais mercados, precariedade na rede de transportes e pequeno mercado consumidor regional; Nordeste: destaca-se a produção salineira do RN, concentrando-se nos municípios de Mossoró, Areia Branca e Macau; Sua extração pode ser feita das águas do mar ou com o sal-gema, extraído do subsolo. No Brasil, a exploração se dá nas águas marinhas. O Rio Grande do Norte é responsável pela produção de cerca de 75% do sal de cozinha (cloreto de sódio − NaCl) consumido no país.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

19


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

São necessários alguns fatores físicos para que haja a extração de sal marinho: clima quente e seco, com ventos fortes e boa variação no nível das marés. Maior parte da produção é consumida internamente.

Luiz Fernando

Aumento da pressão e temperatura ao longo do tempo

2.3 • Os recursos minerais não metálicos no Brasil

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

20

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

1

2

Há muitos milhares de anos, o fitoplâncton e o zooplâncton, após a sua morte, foram a matéria-prima do petróleo.

Os restos de organismos parcialmente decompostos foram enterrados sob camadas de sedimentos.

3

4

Formaram-se O petróleo hidrocarbonetos, e o gás natural que migraram nas acumularam-se rochas até ficarem e ficaram retidos. retidos.

Imagem 1.15. Esquema de formação de petróleo e gás natural

O gás natural tem sua origem associada ao petróleo. Por ser menos denso, tende a ocupar a parte superior dos depósitos petrolíferos. Podem ocorrer casos em que o petróleo migra e o gás natural permanece, originando os chamados “poços secos”, onde se encontram apenas pequenas quantidades de petróleo. É o caso de poços da Bolívia. O petróleo brasileiro encontra-se em bacias marítimas do Sul-Sudeste, mas também é encontrado em áreas continentais, principalmente no Norte e Nordeste. A Bacia de Santos, localizada entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil, é responsável por cerca de 50% do petróleo produzido no país, sendo, atualmente, a maior produtora do combustível no Brasil, operando com dez campos, tendo destaque o Campo Petrolífero de Lula, o qual alcançou a marca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. Petrobras /Reprodução

Chama-se mineral não metálico aquele que não possui ligas metálicas na sua composição atômica, apresentando também baixo potencial de condutividade elétrica e térmica, em sua maioria. Diversos são os minerais não metálicos produzidos no Brasil e alguns desses materiais são desenvolvidos em ambientes cristalinos, a partir de variações de pressão e temperatura ocorridas no interior da crosta ao longo de milhões de anos, como ocorre no caso do diamante, por exemplo. Vale destacar que essa formação não é exclusiva dos ambientes cristalinos, podendo surgir também em terrenos sedimentares, que podem originar minerais não metálicos, como o calcário e a gipsita. Estudamos que as bacias sedimentares podem conter combustíveis fósseis. Esses minerais resultam de processos geológicos associados à deposição de sedimentos e material orgânico, seja este último de origem animal ou vegetal. Os combustíveis fósseis, também conhecidos como hidrocarbonetos, constituem-se de hidrogênio e carbono, caracterizando-se pela capacidade de produzir calor. Por isso, representam importantes fontes de energia. O carvão mineral teve sua origem no soterramento e posterior decomposição de vegetais no fundo das bacias sedimentares que se encontravam em áreas continentais. Esse processo, estimado em 350 milhões de anos, teve início no Paleozoico, e, antes do término dessa era, as primeiras jazidas já estavam formadas. As principais áreas carboníferas brasileiras localizam-se no Sul do país, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. O carvão brasileiro do tipo hulha, é considerado de baixa qualidade, dado que apresenta pequeno teor de carbono e, consequentemente, menor poder calorífico, além de conter algumas impurezas, a exemplo do enxofre, tornando-o extremamente poluente quando em combustão. Em função disso, o Brasil importa carvão mineral de melhor qualidade da África do Sul, da Austrália, do Canadá e dos EUA. O petróleo e o gás natural apresentam um processo de formação semelhante ao do carvão mineral. Contudo, a matéria orgânica que deu origem ao petróleo é proveniente de áreas marinhas, sendo depositada em bacias oceânicas. Com o decorrer do tempo geológico, a localização pode ter mudado devido à movimentação das placas tectônicas (soerguimento e rebaixamento de áreas imensas), o que explica, em tempos atuais, a presença de petróleo tanto no continente quanto no oceano. Além disso, o petróleo pode infiltrar-se através das fissuras das rochas sedimentares até lugares distantes de onde se originou.

Imagem 1.16. Áreas produtoras de petróleo no Brasil


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Reprodução

Imagem 1.17. Costa Branca – área salineira de Mossoró, Macau e Areia Branca – RN

2.3.1 • A camada pré-sal Em geologia, pré-sal é a camada de material que está situada abaixo de uma crosta de sais, frutos da deposição marinha. No caso brasileiro, esta camada é rochosa, com uma estrutura de enclausuramento que permitiu o desenvolvimento de uma complexa cadeia de campos petrolíferos. Os campos nacionais do pré-sal já são explorados há uma década e hoje representam a principal fonte extrativista de petróleo e gás natural do país. As duas principais áreas são a Bacia de Campos (ES/RJ) e a Bacia de Santos (PR/SC/SP/RJ), sendo esta última a que possui a maior produção atual. Na Bacia de santos, o Campo Petrolífero de Lula possui a maior produção individual de petróleo do Brasil (cerca de 1 milhão de barris por dia em 2019), seguido pelo Campo de Sapinhoá, ambos na Bacia de Santos. Aliás, esta bacia concentra, sozinha, nove dos dez poços com maior produtividade do Brasil. A produção dos campos de pré-sal vem crescendo significativamente nos últimos anos; em 2010, a média foi de 45 mil barris de petróleo por dia (BPD); em 2014, foram 500 mil BPD; em 2018, o valor subiu para 1,5 milhão BPD.

APROFUNDAMENTO Entenda o que é a camada pré-sal

A mineração, embora contribua de forma bastante significativa para a economia brasileira, promove grandes problemas ambientais, tais como: desmatamento, revolvimento da topografia, assoreamento de rios, poluição hídrica, contaminação dos solos etc. A mineração ocasiona também graves problemas sociais, como conflitos pelo uso do solo e a invasão de terras indígenas. Os garimpeiros destroem reservas indígenas, criando áreas de garimpo sem a permissão do governo e causam grandes problemas para os povos nativos, como degradação ambiental e transmissão de doenças. A mineração resulta, ainda, no declínio do valor dos imóveis locais em virtude da degradação que causa ao meio ambiente. Além disso, as áreas de garimpo, quando instaladas sem infraestrutura sanitária, expõem os garimpeiros e demais trabalhadores a doenças como febre amarela e malária. A seguir, os principais problemas causados pela extração de minérios no nosso território: • • • • • • • • •

Ferro: poluição de mananciais a partir de antigas barragens; Ouro: contaminação de ecossistemas por mercúrio; Chumbo: alta concentração de arsênio; Prata: alta concentração de arsênio; Agregados utilizados na construção civil: contaminação de lençol freático; Calcário: degradação em áreas de cavernas; Gipsita: devastação florestal na Região do Araripe (PE), com a utilização de madeira para queima; Cassiterita: devastação das florestas e dos leitos de rios; Zinco: alta concentração de arsênio.

CONECTANDO DISCIPLINAS CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Pré-sal é o nome dado às reservas de hidrocarbonetos em rochas calcárias que se localizam abaixo de camadas de sal, que possui, aproximadamente, 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura, indo de Santa Catarina ao litoral do Espírito Santo.

2.4 • Impactos da mineração no Brasil

Ciclo da mineração no Brasil Podemos considerar que a mineração, no Brasil, foi uma das primeiras atividades desenvolvidas, até porque os europeus já dominavam, em parte, essa atividade e, ao chegarem a nosso território, se deslumbraram com a grande quantidade de terras, que poderiam ofertar muitas riquezas.

Para mais informações, acesse o link • https://goo.gl/MkAV5t

Link sugerido • https://goo.gl/V8D79u

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

EXERCITANDO EM AULA 05. (UCS) A atividade extrativa mineral é importante para a economia mundial, pois os minérios são usados como matéria-prima na metalurgia de base. Com relação à extração mineral, pode-se afirmar que a) ocorre, nos escudos cristalinos e nas bacias sedimentares, a produção de carvão mineral e minerais metálicos, respectivamente. b) os minerais não metálicos, como ferro, alumínio, ouro e prata, são encontrados em terrenos de origem Mesozoica. c) encontramos, nas áreas geológicas das bacias sedimentares, os recursos minerais de arenitos, calcário, turfas e outros. d) os núcleos cratônicos, ou escudos, são formações de origem Cenozoica e concentram minerais metálicos, como petróleo, enxofre, fosfatos e nitratos. e) nas faixas móveis ou terrenos de altimetria elevada, datados da era pré-cambriana, encontramos a camada do pré-sal.

06. (ENEM) As plataformas ou crátons correspondem aos terrenos mais antigos e arrasados por muitas fases de erosão. Apresentam uma grande complexidade litológica, prevale-

TÓPICO 3 • Unidades e classificação do relevo do Brasil 3.1 • Unidades de relevo

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 1998.

As regiões cratônicas das Guianas e a Sul-Amazônica têm como arcabouço geológico vastas extensões de escudos cristalinos, ricos em minérios, que atraíram a ação de empresas nacionais e estrangeiras do setor de mineração e destacam-se pela sua história geológica por a) apresentarem áreas de intrusões graníticas, ricas em jazidas minerais (ferro, manganês). b) corresponderem ao principal evento geológico do Cenozoico no território brasileiro. c) apresentarem áreas arrasadas pela erosão, que originaram a maior planície do país. d) possuírem em sua extensão terrenos cristalinos ricos em reservas de petróleo e gás natural. e) o serem esculpidas pela ação do intemperismo físico, decorrente da variação de temperatura.

dos e depositados ao sopé acaba por gerar um ângulo de, aproximadamente, 120° entre a escarpa e a base. Enquanto as chapadas são resultado da ascensão de toda a bacia, as cuestas se formam pela elevação de apenas uma parte da bacia, apresentando topo em cornija e a porção não elevada é chamada de reverso de cuesta. Shutterstock.com / A. Duarte-Divulgação

São diversas as formas de classificação do relevo, normalmente compartimentados em grupos de formas chamadas de “unidades”. Para realizar essa classificação em uma grande escala, como o território brasileiro, normalmente, dividimos o relevo em unidades morfoestruturais, ou seja, aquelas que surgem de acordo com as condições impostas pela estrutura. Nesse caso, temos quatro unidades: Planaltos – São unidades de grande escala, geradas pelo esforço tectônico que promoveu o soerguimento de um bloco rochoso; as principais ondulações se dão pela ação da água, deixando sua superfície pouco acidentada. Destacam-se, no Brasil, o Planalto Central, o Planalto das Guianas e o Planalto da Borborema. Em termos dinâmicos, essas unidades perdem sedimento, portanto, são chamadas de unidades de degradação. Quando possuem estrutura sedimentar, essas unidades apresentam uma forma específica, sendo classificadas em chapada ou cuesta. • Chapadas e cuestas – São resultados da ascensão de bacias sedimentares, soerguidas pelo esforço de movimentos endógenos. Possuem topos chatos, chamados de cornija e vertente reta (escarpa). O acúmulo dos sedimentos erodi-

cendo as rochas metamórficas muito antigas (Pré-Cambriano Médio e Inferior). Também ocorrem rochas intrusivas antigas e resíduos de rochas sedimentares. São três as áreas de plataforma de crátons no Brasil: a das Guianas, a Sul-Amazônica e a do São Francisco.

Imagem 1.18. Chapada Diamantina, na Bahia, e a Cuesta de São José, no Vale do Catimbau, em Pernambuco, são exemplos de planaltos sedimentares


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Inselberg – É uma unidade resquício de antiga estrutura que foi arrasada pela erosão, resistindo apenas os núcleos rochosos mais resistentes. Este termo deriva do alemão e, em tradução livre, significa “ilhas na terra”. A presença de inselbegs é comum em ambientes áridos e semi-áridos, como no Nordeste do Brasil.

Imagem 1.20. Visto de longe o inselberg lembra uma ilha isolada no mar

Duna – Derivadas da deposição de sedimentos na fração areia e transportadas pela força do vento, as dunas são o resultado dos climas quentes e áridos. Se formam a partir da acumulação sedimentar superior a 1 m de altura. Devido ao transporte eólico, seu material componente é extremamente bem selecionado. Shutterstock.com

Imagem 1.21. Os lençóis Maranhenses são exemplos de dunas do Brasil

Vales – Os vales são as regiões mais rebaixadas da superfície, normalmente onde correm drenagens. Na maioria das vezes, são frutos da erosão regressiva provocada pelos rios ou geleiras. Existem, porém os vales estruturais, resultados de movimentações tectônicas. São menos comuns e, nesses casos, os rios podem se encaixar e formar os chamados vales entrincheirados.

Shutterstock.com

Shutterstock.com

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Outra forma de classificação envolve a relação do clima com fenômenos morfológicos: as morfoesculturas. Com formas de menor escala espacial, são resultado de processos ambientais. Nesse grupo, temos os seguintes compartimentos: • Morro testemunho – Marca um testemunho da estrutura original que compunha a paisagem no passado, onde a erosão destruiu o modelado mantendo na paisagem apenas alguns resquícios da composição. Esse tipo de unidade só ocorre em margens de bacias sedimentares soerguidas.

Shutterstock.com

Planície – Ocorre a partir da movimentação horizontal da placa tectônica, chamado de movimento epirogenético, que forma superfícies pouco elevadas. A planície tem suas formas suavizadas pela deposição de sedimentos, sendo classificada como uma unidade de relevo deposicional ou de agradação. Depressões – A movimentação das placas tectônicas, quando desencadeia formas ascendentes, termina por desenvolver, também, formas descendentes, ou negativas. Essas superfícies que ficam rebaixadas em relação às áreas de entorno, chamadas de depressões, podem ocorrer de duas formas: abaixo do nível do mar, quando são chamadas de absolutas; ou acima do nível do mar (relativas). O primeiro tipo não é registrado no Brasil, enquanto o segundo se apresenta mais comumente associado a montanhas e planaltos, sendo, neste caso, chamada de depressão intraplanáltica. Montanhas – No Brasil, as atividades tectônicas verticais – orogenéticas –, foram pouco intensas e os principais eventos ocorreram há muito tempo, o que permitiu a suavização das principais formas montanhosas. Em nosso país, destacam-se as serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço; como conjunto de elevados isolados, destacam-se como os pontos mais altos do Brasil os picos da Neblina e 31 de Março, ambos na Amazônia, e o Pico da Bandeira, em Minas Gerais. O relevo montanhoso pode ser agrupado de acordo com a topografia de suas formas em serra e mar de morro. • Serras e mares de morros – Os blocos do escudo brasileiro que foram dobrados ou fraturados, gerando elevações, sofreram longos processos de erosão (denudação). Essas erosões foram responsáveis por suavizar as formas desses relevos em duas superfícies: o conjunto mais elevado (altura entre 600 m e 3000 m) é chamado serra, enquanto o termo mar de morros é aplicado a superfícies menos elevadas, típicas da região leste do Brasil.

Imagem 1.19. Morro do Camelo, na Chapada Diamantina (Bahia), exemplo de morro testemunho

Imagem 1.22. O vale da Ferradura, no Rio Grande do Sul, exemplifica o relevo esculpido pela ação do rio

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

23


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

3.2 • Classificação do relevo no Brasil Planalto das Guianas

Planalto Atlântico

Planície do Pantanal Planalto Meridional

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Planalto Central

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Shutterstock.com

Planície Amazônica

Shutterstock.com/Adaptado por Mayck Santana

Cânions – São formas do relevo derivadas da ação dos rios sobre estruturas sedimentares. O Grand Canyon, nos Estados Unidos, é o maior e mais conhecido exemplar dessa forma de relevo. No Brasil os cânions do rio São Francisco, do Itaimbezinho e o do rio Poti são alguns dos exemplos dessas unidades.

Planície Gaúcha

Imagem 1.23. O cânion do Itaimbezinho, no Rio Grande do Sul, é um dos mais profundos do Brasil, chegando a 750 m de diferença entre o topo da vertente e o fundo do vale

Imagem 1.24. Mapa com a classificação de relevo de Aroldo de Azevedo

SAIBA MAIS

APROFUNDAMENTO Geossistemas O geossistema é um sistema físico, concebido no âmbito da geografia russa e desenvolvido principalmente pelos teóricos soviéticos, com destaque para Vasily Dokuchaev (1846 – 1903), que criou o conceito de complexo territorial natural. Este conceito, difundido principalmente a partir do século XXI, estabelece uma nova metodologia de análise dos espaços físicos do planeta. Os geossistemas são um tipo de sistema dinâmico, aberto e hierarquicamente organizado, concebido para analisar uma paisagem a partir da interação dos seus componentes físicos. Essa foi uma das metodologias que mais cresceu na pesquisa geográfica nos últimos anos.

Planalto das Guianas

Planalto do MA-PI Planalto Nordestino

Planícies e terras baixas amazônicas

Planície e terras baixas costeiras

Planalto Central

Planície do Pantanal

Planalto Meridional

Serras e planaltos do leste e sudeste

Planalto Uruguaio Rio-Grandense Imagem 1.25. Classificação de Aziz Ab'Saber

24

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Shutterstock.com/ Adaptado por Luiz Fernando

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

A maior parte do território brasileiro é formada por planaltos e depressões, o que resulta no predomínio dos processos erosivos sobre os processos deposicionais (sedimentação, acumulação). Nosso território é predominantemente tropical, com elevadas temperaturas e chuvas normalmente abundantes. Há reduzida atividade geológica interna. Não temos dobramentos modernos (cadeias de montalhas) e nem vulcanismo. Abalos sísmicos são de pequena intensidade, causadas por acomodações internas (blocos litosféricos). O agente mais importante para as transformações atuais das formas de relevo é o clima. As chuvas, a temperatura e os rios são os agentes que causam maiores modificações no relevo, se não considerarmos a ação humana.

Uma das primeiras classificações de relevo feitas no Brasil começou a ser elaborada nos anos 1940 pelo geógrafo e geomorfólogo Aroldo de Azevedo. Professor da USP, Aroldo publicou seu trabalho em 1949. A classificação baseava-se no critério da altimetria, que dividia o Brasil em planícies, áreas de até 200 metros de altitude, e planaltos, áreas superiores a 200 metros de altitude. Aroldo de Azevedo fundamentou seu trabalho nas informações produzidas sobre o território brasileiro até então, mas atualizou-as a partir de trabalhos de campo, durantes os quais realizou a observação direta do relevo. Ele dividiu o Brasil em quatro planaltos e quatro planícies. No final dos anos 1950, surgiu uma nova classificação de relevo para o Brasil, modificando a classificação tradicional de Aroldo de Azevedo. Tratava-se do trabalho do professor Aziz Nacib Ab’Saber, que desconsiderou o nível altimétrico como principal critério e enfatizou os processos geomorfológicos, isto é, os processos de erosão e sedimentação. Assim, para Ab’Saber, planalto é uma superfície na qual predominam os processos de desgaste (relevo de degradação), e planície é uma área de predomínio de processos de sedimentação (relevo de agradação).


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

nova classificação, bastante precisa e mais específica, ressaltando a influência dos tipos climáticos na modelagem da topografia (morfoclima). A nova classificação, com 28 unidades de relevo, considerou, além das características morfoestruturais (estruturas geológicas) e morfoclimáticas, as características morfoesculturais do relevo, ou seja, a ação dos agentes externos. E introduziu o conceito de depressão, inexistente nas classificações anteriores. Esses três conjuntos (planaltos, depressões e planícies) compõem a classificação mais recente adotada no Brasil.

Em 1989, foi divulgada a nova classificação de relevo do Brasil, elaborada pelo professor Jurandyr Ross, do Laboratório de Geomorfologia do Departamento de Geografia da USP. Ele usou no seu trabalho os dados produzidos pelo Projeto Radambrasil. Esse projeto, que, no início, se restringia ao mapeamento por radar da Amazônia, foi ampliado para todo o Brasil em 1975. Partindo da classificação de Ab’Saber, que já levava em consideração a influência da estrutura geológica na formação do relevo (morfoestrutura) e a ação de agentes exógenos na modelagem do relevo (morfoescultura), Ross elaborou uma

Adaptado Lúcia Paloma

Brasil: relevo (classificação de Jurandir L. S. Ross)

A

5 13 1

12 23

28

1 5 14 B

12 25

Equador

23

6

4 17 9 16 E

OCEANO PACÍFICO

5

D

26 18 9

10

19

24 20 15 8

7

3

C

28 F

21 OCEANO ATLÂNTICO

22

11 27

Bacias sedimentares

Estruturas cristalinas e dobracias antigas

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

Planalto da Amazônia Oriental Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba Planalto e Chapadas da Bacia do Paraná Planalto e Chapadas dos Parecis Planaltos Residuais Norte - Amazônicos Planaltos Residuais Sul - Amazônicos Planaltos e Serra do Atlântico - Leste - Sudeste Planaltos e Serras de Goiás - Minas Serras Residuais do Alto Paraguai Planalto de Borborema Planalto Sul - Rio - Grandense

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Planaltos

Depressões 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

23 Depressão da Amazônia Ocidental 24 Depressão Marginal Norte - Amazônica 25 Depressão Marginal Sul -Amazônica 26 Depressão do Araguaia 27 Depressão Cuiabana 28 Depressão do Alto Paraguai - Guaporé Depressão do Miranda Depressão Sertaneja e do São Francisco Depressão do Tocantins Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense

Planície do Rio Amazonas Planície do Rio Araguaia Planície e pantanal do Rio Guaporé Planície e pantanal Mato-Grossense Planície da Lagoa dos Patos e Mirim Planícies e tabuleiros litorâneos

Imagem 1.26.

Conclui-se, então, que as classificações de relevo do Brasil evoluíram nos últimos 60 anos, não só pelo uso de novas

tecnologias, bem como pela incorporação de novos conceitos e metodologias de trabalho.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

ESCLARECENDO Jurandyr Ross, a exemplo de Ab’Saber, também utiliza os processos geomorfológicos para elaborar sua classificação. Destaca três formas principais de relevo: planaltos,

planícies e depressões. Define planalto como sendo uma superfície irregular, com altitude acima de 300 metros e produto de soerguientos e erosão; planície, como uma área plana, formada pelo acúmulo recente de sedimentos; e depressão, como superfície entre 100 e 500 metros de altitude, com inclinação suave, mais plana que o planalto e formada por processo de rebaixamento e erosão.

EXERCITANDO EM AULA 07. (FUVEST) Analise as inform ações geológico-estruturais do quadro.

tante, sobretudo, da ação modeladora da chuva, em terrenos cristalinos. e) presente nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, tendo sua formação associada, principalmente, a processos erosivos em planaltos sedimentares.

09. (PUC-SP) Leia com atenção: “[...] a Amazônia se destaca pela extraordinária continuidade de suas florestas, pela ordem de grandeza de sua principal rede hidrográfica e pelas sutis variações de seus ecossistemas, em nível regional e de altitude. Trata-se de um gigantesco domínio de terras baixas florestadas, disposto em anfiteatro [...]” (Aziz AB’SÁBER In: Os Domínios de Natureza no Brasil, p. 65)

O item III corresponde à gênese a) do Escudo Brasileiro. b) da Depressão Periférica. c) dos Dobramentos Terciários. d) da Bacia do Paraná. e) da Planície Amazônica

08. (FUVEST) Esta foto ilustra uma das formas do relevo bra-

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

sileiro, que são as chapadas.

É correto afirmar que essa forma de relevo está a) distribuída pelas regiões Norte e Centro-Oeste, em terrenos cristalinos, geralmente moldados pela ação do vento. b) localizada no litoral da região Sul e decorre, em geral, da ação destrutiva da água do mar sobre rochas sedimentares. c) concentrada no interior das regiões Sul e Sudeste e formou-se, na maior parte dos casos, a partir do intemperismo de rochas cristalinas. d) restrita a trechos do litoral Norte-Nordeste, sendo resul-

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Esse trecho se refere ao domínio morfoclimático amazônico. Considerando a classificação dominante (e atual) do relevo brasileiro, é correto dizer que a) a Amazônia é um imenso segmento territorial de planícies rebaixadas, produto de deposição de sedimentos. b) embora apresente terras baixas, a Amazônia é constituída de planaltos na sua maior extensão, e apenas alguns pontos são realmente planícies. c) há presença dominante de planícies, com pequenos segmentos de depressões nas margens dos maiores rios. d) planaltos, depressões e planícies, formações de origens diferentes, equivalem-se em extensão, e estão, mais ou menos, na mesma faixa de altitude. e) predominam as depressões, com a presença de planícies descontínuas no sul e ao longo da calha do Rio Amazonas, e uma formação planáltica ao norte.

10. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afirmações abaixo, referentes às formas do relevo brasileiro ( ) Chapadas são superfícies com no máximo 100 metros de altitude, formadas por morros ou cadeias de morros com topos em crista, características das regiões Sudeste e Sul do Brasil. ( ) Planaltos são superfícies planas com altitudes acima de 1.000 metros, formados pela acumulação recente de material de origem marinha e fluvial, ocupando quase um terço do território brasileiro.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

( )

( )

Depressões são superfícies com 100 a 500 metros de altitude, situadas abaixo do nível altimétrico das regiões adjacentes, como as colinas e morros da Depressão Central do Rio Grande do Sul. Tabuleiros são superfícies com 20 a 50 metros de altitude, em contato com o oceano, geralmente com topo plano e limite abrupto em direção ao mar, típicos da região costeira do Nordeste brasileiro.

TÓPICO 4 • O relevo submarino e a

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) F – V – F – V. b) V – F – F – V. c) F – F – V – V. d) F – V – V – F. e) V – V – F – F.

4.1 • As principais formas de relevo litorais Gruta litoral

O relevo submarino é dividido em quatro partes principais, a Plataforma Continental, o Talude Continetal, a Região Pelágica e a Região Abissal. O Brasil apresenta cinco ilhas e arquipélagos principais que se elevam ao assoalho oceânico: arquipélagos de São Pedro e São Paulo, de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, ilhas de Trindade e Martinho Vaz. A maioria das ilhas que encontramos ao longo do litoral brasileiro é de origem magmática, tais como as ilhas de Trindade e Martinho Vaz e o arquipélago de Fernando de Noronha. Temos ainda o Atol das Rocas, formado pelo crescimento de recifes pelo acúmulo de areias biogênicas, ou seja, de origem biológica, e o arquipelágo de São Paulo e São Pedro, o menor do país, situado no Atlântico Norte.

Tômbolo

Foz

Barreira

Restinga

Delta

Laguna

Praia

Enseada Arriba

Plataforma de abrasão

Sepal

Duna Arco

Cabo

Luiz Fernando

morfologia litorânea do Brasil

Deriva litoral

Barra a entrada da baía Talude continental

Farilhão

Ilha barreira

Sopé continental

Plataforma de acumulação

Plataforma continental Imagem 1.28. formações litorânias

Shutterstock.com

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Fonte: ALMEIDA, F. F. M. (2006). Disponível em: http://ppegeo.igc.usp.br

1. Praias e dunas: formas de acumulação de sedimentos (grãos de areia e conchas). 2. Tômbolo: cordão de areia que une uma ilha à costa vizinha (acumulação de materiais). 3. Restinga: forma de acumulação de areias ou calhaus que crescem a partir da costa (cordões arenosos). 4. Laguna: porção de mar que ficou individualizada por uma restinga. 5. Delta: corresponde à deposição de materiais sólidos na desembocadura de um curso de água, levando o rio a desaguar na forma de vários canais. 6. Estuário: corresponde à secção terminal de um rio até onde se fazem sentir as correntes de maré. Rios com foz em estuário desaguam na forma de vários canais. • Formas que resultam da erosão: plataforma de abrasão, arriba, arriba fóssil, falésia, cabo e baías/enseadas. • Formas que resultam da acumulação: praia, dunas, cordão litoral/ restinga, laguna/ria/haff , delta e tômbolo.

Imagem 1.27. Localização das ilhas e arquipélagos oceânicos brasileiros e distâncias das capitais mais próximas

Imagem 1.29. Rio A, com foz em estuário – Rio B, com foz em delta.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

27


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

EXERCITANDO EM AULA 11. (MACKENZIE) Observe o perfil topográfico a seguir.

O perfil acima corresponde ao arquipélago de Fernando de Noronha. A respeito dele e de sua importância para o litoral brasileiro, assinale a alternativa correta. a) Trata-se de um arquipélago situado em uma extensão da plataforma continental brasileira, muito importante para a produção pesqueira e para o turismo. b) O arquipélago de Fernando de Noronha projeta-se a partir do talude continental brasileiro e tem contribuído bastante com a produção petrolífera brasileira atual. c) As características geomorfológicas de Fernando de Noronha assemelham-se às de outras ilhas costeiras, como Ilhabela, Ilha do Governador e Ilha de Santa Catarina. d) Trata-se de um tipo de ilha oceânica, economicamente importante pelo turismo e estrategicamente importante para a delimitação das águas territoriais brasileiras.

12. Observe a imagem:

Considerando os elementos da paisagem litorânea expostos na foto, pode-se afirmar que esta corresponde a uma: a) falésia, constituída pela deposição de areia paralelamente à costa, em decorrência da erosão eólica. b) restinga, formada pela consolidação da areia de antigas praias, em decorrência da erosão marinha. c) falésia, formada a partir de processos de erosão marinha, que originam paredões escarpados. d) restinga, constituída a partir de processos de erosão eólica, que formam costas íngremes.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 1: O arcabouço geológicodo Brasil

01. (ESPCEX (AMAN)) O território brasileiro está contido na Plataforma Americana, que é uma das três grandes unidades geológicas da América do Sul. Essa Plataforma abrange três vastos escudos cristalinos. Assinale a alternativa que apresenta esses três escudos. a) das Guianas, do Parnaíba e do Paraná b) Atlântico, Amazônico e do Parnaíba c) do Paraná, Brasil Central e Amazônico d) Brasil Central, Atlântico e das Guianas e) do Parnaíba, Amazônico e do Paraná

02. (FUVEST) Do ponto de vista tectônico, núcleos rochosos mais antigos, em áreas continentais mais interiorizadas, tendem a ser os mais estáveis, ou seja, menos sujeitos a abalos 28

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

sísmicos e deformações. Em termos geomorfológicos, a maior estabilidade tectônica dessas áreas faz com que elas apresentem uma forte tendência à ocorrência, ao longo do tempo geológico, de um processo de a) aplainamento das formas de relevo, decorrente do intemperismo e da erosão. b) formação de depressões absolutas, gerada por acomodação de blocos rochosos. c) formação de canyons, decorrente de intensa erosão eólica. d) produção de desníveis topográficos acentuados, resultante da contínua sedimentação dos rios. e) geração de relevo serrano, associada a fatores climáticos ligados à glaciação.

03. (UNICAMP) Segundo a base de dados internacional sobre desastres, da Universidade Católica de Louvain, Bélgica, entre


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

2000 e 2007, mais de 1,5 milhão de pessoas foram afetadas por algum tipo de desastre natural no Brasil. Os dados também mostram que, no mesmo período, ocorreram no país cerca de 36 grandes episódios de desastres naturais, com prejuízo econômico estimado em mais de US$ 2,5 bilhões. (Adaptado de C.Q.T. Maffra e M. Mazzola, “Vulnerabilidade Ambiental: Desastres Naturais ou Fenômenos Induzidos?”. In: Vulnerabilidade Ambiental. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2007, p. 10.

a) b) c) d)

É possível considerar que, no território nacional, os desastres naturais estão associados diretamente a episódios de origem tectônica. apenas a ação climática é o fator que justifica a marcante ocorrência dos desastres naturais. a concentração das chuvas e os processos tectônicos associados são responsáveis pelos desastres naturais. os desastres estão associados a fenômenos climáticos potencializados pela ação antrópica.

04. (ENEM)

Os agentes externos que mais participam da formação do relevo são: a) abalos sísmicos e vulcões. b) as erupções vulcânicas do passado e os raios solares. c) a erosão e umidade. d) o clima (temperatura, ventos, chuvas) e os rios. e) as intempéries e a ação antrópica.

06. (UEG) Sobre a estrutura geológica da Terra e sua dinâmica, tem-se o seguinte: a) O conjunto das crostas continental e oceânica, chamado de litosfera, constitui a esfera rígida do planeta Terra. b) Os vulcões são fenômenos geológicos que ocorrem exclusivamente nas áreas de contato das placas tectônicas. c) Estima-se que, da superfície terrestre ao seu centro, a profundidade média seja de, aproximadamente, 15.000 km. d) O núcleo terrestre corresponde à metade da estrutura do planeta e é constituído principalmente por alumínio e sílica. e) As regiões localizadas nas zonas de subducção e/ou afastamento das placas continentais são as mais estáveis do planeta. 07. (UFJF-PISM 1) Observe a figura:

05. (UNEMAT) Segundo Ross (1995), o relevo brasileiro apresenta grande variedade morfológica, decorrente, principalmente, da ação de agentes externos, sobre os agentes internos.

a) b) c) d) e)

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

O esquema mostra depósitos em que aparecem fósseis de animais do Período Jurássico. As rochas em que se encontram esses fósseis são a) magmáticas, pois a ação de vulcões causou as maiores extinções desses animais já conhecidas ao longo da história terrestre. b) sedimentares, pois os restos podem ter sido soterrados e litificados com o restante dos sedimentos. c) magmáticas, pois são as rochas mais facilmente erodidas, possibilitando a formação de tocas que foram posteriormente lacradas. d) sedimentares, já que cada uma das camadas encontradas na figura simboliza um evento de erosão dessa área representada. e) metamórficas, pois os animais representados precisavam estar perto de locais quentes

Todas as figuras estão associadas ao processo de erosão. lixiviação. assoreamento. voçorocamento. laterização.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

29


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

TÓPICO 2: Os recursos minerais metálicos e não metálicos do Brasil

08. (FUVEST) Nas formações proterozoicas, que ocupam cerca de 4% do território nacional, encontramos a maior parte dos minerais metálicos do Brasil. No mapa a seguir, a área assinalada pela letra A exemplifica a importância econômica desses terrenos com a produção mineral de:

a) ferro, no Quadrilátero Central, sob o controle da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) associada a outras empresas. b) ouro, no Vale do Jequitinhonha, sob o comando da Indústria e Comércio de Minérios S.A. (ICOMI). c) manganês, na Serra do Navio, sob o controle do Grupo Antunes com capitais nacionais e estrangeiros. d) ferro e manganês, no Maciço de Urucum, controlada pela Indústria e Comércio de Minérios (ICOMI). e) bauxita, no Distrito de Paragominas, comandada pela Mineração Rio do Norte, associação da CVRD com outras empresas.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

09. (UEA)

Os pontos numerados no mapa indicam importantes áreas de exploração mineral na região Norte do país, com extração de manganês, bauxita, ferro, cobre, ouro e níquel. Os grandes projetos relacionados aos pontos 1, 2 e 3 são, respectivamente, a) Trombetas, Carajás e Quadrilátero Ferrífero. b) Serra do Navio, Trombetas e Carajás.

30

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

c) Serra do Navio, Carajás e Maciço do Urucum. d) Trombetas, Serra do Navio e Paragominas. e) Maciço do Urucum, Alumar e Carajás.

10. (ULBRA) O território brasileiro apresenta uma grande diversidade de minerais e possui algumas das maiores reservas de minerais do mundo. Exemplo disso são as reservas de ferro do mundo que estão no Brasil, sendo esse o principal minério extraído no país. Leia as afirmações abaixo e assinale a(s) alternativa(s) correta(s). I. Apesar de representarem um potencial econômico, são pouco explorados no território brasileiro. II. A região sul, ao longo da história, explora o carvão, que é vastamente utilizado na produção industrial. III. Na região norte do País, o estado do Pará é destaque pela exploração de Ferro, Bauxita, Manganês. a) b) c) d) e)

I e III. II e III. III. II. I, II e III.

11. (UNIOESTE) Sobre os recursos minerais no Brasil e no mundo, assinale a alternativa INCORRETA. a) Em decorrência das diferentes estruturas geológicas da crosta terrestre, os recursos minerais estão desigualmente distribuídos nas diferentes regiões do globo terrestre. b) Nas bacias sedimentares, formadas em diferentes eras geológicas, são encontrados os combustíveis fósseis e o carvão mineral. O Brasil possui poucas jazidas carboníferas e de teor calorífero inferior ao carvão do hemisfério norte. Por isso, e pelo fato do consumo interno ser superior à produção, o Brasil importa o carvão mineral. c) O sal e o calcário são os principais recursos minerais não metálicos do Brasil. d) O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de bauxita, que é o minério do qual se extrai o alumínio. A principal jazida nacional encontra-se no estado do Pará, região Norte do Brasil. e) Dentre os minerais metálicos, o minério de ferro bruto e o minério de manganês possuem grande importância econômica mundial porque constituem a matéria-prima básica utilizada na produção do aço. O alto teor de ferro do minério encontrado no Brasil nos coloca em posição destacada no mercado mundial. Por isso, o minério de ferro está entre os cinco principais produtos minerais importados pelo Brasil. 12. (ENEM PPL) Na Serra do Navio (AP), uma empresa construiu uma usina de beneficiamento, um porto, uma estrada de ferro e vilas. Entretanto, depois que as reservas foram exauridas, a companhia fechou a mina e as vilas se esvaziaram. Sobrou uma pequena comunidade de pescadores. São 1,8 mil


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

moradores que sofrem com graves problemas nos rins, dores no corpo, diarreia, e vômitos decorrentes da contaminação do solo e da água por arsênio. MILANEZ, B. “Impactos da mineração”. Le monde diplomatique. São Paulo, ano 3, n. 36. Adaptado.

A existência de práticas de exploração mineral predatórias no Brasil tem provocado o(a) a) criação de estruturas e práticas geradoras de impactos socioambientais pouco favoráveis à vida das comunidades. b) adequação da infraestrutura local dos municípios e regiões exploráveis à recepção dos grandes empreendimentos de exploração. c) ampliação do número de empresas mineradoras de grande porte que têm sua atuação prejudicada pelo atendimento às normas ambientais brasileiras. d) distanciamento geográfico das áreas exploráveis em reação às demarcações de terras indígenas que são pouco apropriadas à extração dos recursos. e) estabelecimento de projetos e ações por parte das empresas mineradoras em áreas de atuação nas quais as reservas mineralógicas foram exauridas.

13. (UFTM) Uma das maiores transnacionais brasileiras e uma das maiores mineradoras do mundo, o grupo empresarial da Vale é composto por, pelo menos, 27 empresas coligadas, controladas ou joint ventures, distribuídas em mais de 30 países, como Brasil, Angola, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Indonésia, Moçambique, Nova Caledônia e Peru, onde desenvolve atividades de prospecção e pesquisa mineral, mineração, operações industriais e logística.

e) a base principal das operações da Vale é o enriquecimento de urânio, em parceria com o Irã. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: A história geológica, o grande território, a extensa costa marinha e o clima tropical viabilizaram a presença e a concentração de diversas substâncias minerais na atmosfera, hidrosfera, biosfera, crosta continental e oceânica do Brasil. No entanto, mesmo que as características físicas do território sejam importantes, o fator determinante para se conseguir aproveitar os bens minerais é o investimento em pesquisa e inovação tecnológica. Cláudio Scliar. Mineração, base material da aventura humana. Belo Horizonte: Geoartelivros, 2004, p. 67 (com adaptações).

14. (FUVEST) Em se tratando de commodities, o Brasil tem papel relevante no mercado mundial, graças à exportação de minérios. Destacam-se os minérios de ferro e de manganês, bases para a produção de aço, e a bauxita, da qual deriva o alumínio. A relação entre minério e sua localização no território brasileiro está corretamente expressa em: Minério

Localização geográfica

a) ferro

Quadrilátero Ferrífero (Plaalto da Borborema)

b) ferro

Serra dos Carajás (Planalto das Guianas

c) bauxita

Vale do Trombetas (Serra do Espinhaço)

d) manganês

Maciço do Urucum (Pantanal Mato-Grossense)

e) manganês

Vale do Aço (Chapada dos Parecis)

15. (FUVEST) A área destacada pelo traço forte no mapa a seguir refere-se:

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

A partir da observação do mapa, da leitura do texto e de seus conhecimentos geográficos, pode-se afirmar que: a) a Vale atua em todos os continentes, com exceção da Antártida. b) a Vale é uma empresa de capital exclusivamente brasileiro. c) por sua origem brasileira, a Vale evita atuações que superexplorem a mão de obra. d) o continente com o maior número de empreendimentos da empresa é a Oceania.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

31


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

a) ao projeto Jari para a produção de celulose em várias fábricas para, através do Porto de São Luís, alcançar os mercados externos. b) ao projeto hidrelétrico de Tucuruí-Balbina como apoio para a criação de um polo industrial em Marabá. c) ao programa grande Carajás (exploração de minérios, agropecuária e madeiras) com corredor de exportação para o porto de São Luís. d) ao programa agropecuário do Bico do Papagaio, que visa à colonização regional em pequenas propriedades. e) ao programa Araguaia-Tocantins para as áreas indígenas na Amazônia.

TÓPICO 3: Unidades e classificação do relevo do Brasil

16. (UPF) Analise a caracterização da unidade de relevo apresentada a seguir e assinale a alternativa que a identifica. Unidade do relevo brasileiro cujo arcabouço consiste em bacias de sedimentação recente, formada por deposições ocorridas no período Quaternário. Nessa forma, predomina o processo de acumulação de sedimentos sobre o processo de desgaste. Suas superfícies apresentam-se notavelmente aplainadas e, embora predomine em baixas altitudes, é encontrada também em altitudes maiores. a) Planície. b) Planalto. c) Depressão. d) Escarpa. e) Chapada.

A forma de relevo registrada na imagem apresenta como característica natural a a) estrutura geológica cristalina b) prevalência em clima mediterrâneo c) formação estrutural sedimentar d) predominância na faixa litorânea e) recorrência em clima temperado

19. (UFSC - ADAPTADA) Os mapas abaixo apresentam duas formas de divisão do relevo brasileiro, resultado de conceitos geomorfológicos distintos.

17. (CEFET-MG) Leia o trecho abaixo.

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O território brasileiro possui algum grau de suscetibilidade aos processos erosivos devido a uma série de fatores tais como: diferentes classes de solos, com suas respectivas propriedades físico-químicas; tropicalidade dos climas; tipo de cobertura vegetal; forma, declividade e comprimento das encostas e, finalmente, o uso e manejo inadequado dos solos. Fonte: CUNHA, S.B. e GUERRA, A.J.T. Geomorfologia do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.

Nesse contexto, é correto afirmar que a suscetibilidade do território brasileiro aos processos erosivos pode ser acentuada pela presença de a) plantação em degraus. b) relevo movimentado. c) cobertura vegetal. d) solos profundos. e) aridez climática.

18. (FMP) Uma forma do relevo brasileiro é mostrada na imagem a seguir.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

VESENTINI, José W. Geografia: o mundo em transformação - Geografia geral e do Brasil: problemas e alternativas. V. 2. São Paulo: Ática. 2011. [Adaptado]


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Julgue a(s) proposição(ões) CORRETA(S) e ERRADA(S) e assinale a sequência correta: I. O mapa 1 apresenta uma divisão do relevo que leva em consideração os processos erosivos sofridos pelas unidades rochosas, sobretudo pela ação climática. II. No mapa 2, diferentemente do mapa 1, predominam as depressões. Esta classificação leva em consideração os movimentos tectônicos da crosta terrestre. III. A compreensão do relevo é fundamental para que se possa avaliar o potencial energético de um país. IV. No mapa 2, a planície amazônica é representada como uma estreita faixa e deixa de ser, portanto, se comparada ao mapa 1, a maior planície do Brasil. V. A análise mais detalhada das formações de relevo nos dois mapas permite concluir que algumas unidades que não existem no primeiro estão presentes no segundo mapa. a) b) c) d) e)

I, II, III, V. I, III, IV, V. II, III, IV, V. I, II, IV, V. TODAS ESTÃO CORRETAS.

21. (UNESP) O Brasil tem encontro marcado com a tragédia todos os anos na estação chuvosa e não há força terrestre que faça com que as autoridades e as pessoas se preparem para isso. Neste ano, o encontro foi na antes paradisíaca região serrana do Rio de Janeiro. Todos os anos, a natureza demonstra com fúria que as conquistas da civilização em muitas áreas são plantinhas frágeis que podem ser arrancadas pelas enchentes e pelos deslizamentos das encostas. (Veja, 19.01.2011. Adaptado.)

O texto relaciona-se ao problema da destruição da paisagem no Sudeste, frequente em regiões com domínio de a) mar de morros. b) cuestas carbonáticas. c) inselbergs semiáridos. d) chapadas cristalinas. e) coxilhas subtropicais.

22. (UFC) Considere a figura a seguir cujas características geoambientais são similares às que ocorrem em inúmeras regiões brasileiras.

20. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou com F (falso) as afirmações abaixo, referentes às formas do relevo brasileiro. ( )

( )

( )

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) F – V – F – V. b) V – F – F – V. c) F – F – V – V. d) F – V – V – F. e) V – V – F – F.

Com base na interpretação desta figura, analise as afirmativas abaixo: (01) não há modificação de tipos de rochas de leste para oeste; (02) a área deprimida central está disposta entre um planalto cristalino, a leste, e um planalto sedimentar, a oeste; (04) a superfície do planalto cristalino apresenta um conjunto de formas colinosas de topos convexos; (08) o planalto sedimentar é escarpado para leste e decai suavemente para oeste, representando uma “cuesta”; (16) os solos e a cobertura vegetal são semelhantes nos três compartimentos de relevos.

a) b) c) d) e)

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

( )

Chapadas são superfícies com no máximo 100 metros de altitude, formadas por morros ou cadeias de morros com topos em crista, características das regiões Sudeste e Sul do Brasil. Planaltos são superfícies planas com altitudes acima de 1.000 metros, formados pela acumulação recente de material de origem marinha e fluvial, ocupando quase um terço do território brasileiro. Depressões são superfícies com 100 a 500 metros de altitude, situadas abaixo do nível alrjmétrico das regiões adjacentes, como as colinas e morros da Depressão Central do Rio Grande do Sul. Tabuleiros são superfícies com 20 a 50 metros de altitude, em contato com o oceano, geralmente com topo plano e limite abrupto em direção ao mar, típicos da região costeira do Nordeste brasileiro.

Estão corretas: 01, 02, 04. 02, 04, 08. 02, 04, 16. 04, 08, 16. 01, 04, 16.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

TÓPICO 4: O relevo submarino e a morfologia litorânea do Brasil

25. (FUVEST) Examine a imagem e o gráfico.

23. (UDESC) Sobre o litoral brasileiro, pode-se afirmar: I. A Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, é uma lagoa costeira formada por uma restinga. II. Enseada é uma praia com aspecto côncavo. III. A região pelágica é o relevo submarino propriamente dito, onde se encontram depressões e montanhas tectônicas vulcânicas. IV. Recife é uma barreira de origem biológica ou arenosa próxima à praia, diminuindo ou mesmo bloqueando a ação das ondas. V. Barra é uma saída para o mar aberto. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. c) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras. d) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

24. (UNICAMP) As restingas podem ser definidas como depósitos arenosos produzidos por processos de dinâmica costeira atual (fortes correntes de deriva litorânea, podendo interagir com correntes de maré e fluxos fluviais), formando feições alongadas, paralelas ou transversais à linha da costa. Podem apresentar retrabalhamentos locais associados a processos eólicos e fluviais. Quando estáveis, as restingas dão forma às “planícies de restinga”, com desenvolvimento de vegetação herbácea e arbustiva e até arbórea. As restingas são áreas sujeitas a processos erosivos desencadeados, entre outros fatores, pela dinâmica da circulação costeira, pela elevação do nível relativo do mar e pela urbanização.

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Adaptado de Célia Regina G. Souza e outros, Restinga: conceitos e emprego do termo no Brasil e implicações na legislação ambiental. São Paulo: Instituto Geológico, 2008.

É correto afirmar que as restingas existentes ao longo da faixa litorânea brasileira são áreas a) pouco sobrecarregadas dos ecossistemas costeiros, devido ao modo como ocorreu a ocupação humana, com o processo de urbanização. b) onde a cobertura vegetal ocorre em mosaicos, encontrando-se em praias, cordões arenosos, dunas, depressões, serras e planaltos, sem apresentar diferenças fisionômicas importantes. c) suscetíveis à erosão costeira causada, entre outros fatores, por amplas zonas de transporte de sedimentos, elevação do nível relativo do mar e urbanização acelerada. d) onde o solo arenoso não apresenta dificuldade para a retenção de água e o acesso a nutrientes necessários ao desenvolvimento da cobertura vegetal herbácea em praias e dunas.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

A sequência correta dos compartimentos geomorfológicos no traçado A – B apresentados na imagem e no perfil é: 1

2

3

a) Planalto

Escarpa

Planície litorânea

b) Escarpa

Planalto

Depressão periférica

c) Escarpa

Planalto

Planície litorânea

d) Planalto

Escarpa

Depressão periférica

e) Depressão periférica

Escarpa

Planície litorânea

26. (FMTM) No litoral

brasileiro, os costões abruptos rece-

bem o nome de: a) barcanas b) restingas c) tombolis d) falésias e) mamelões

27. (CONCURSO PREFEITURA DE FORTALEZA) Assinale a alternativa que define CORRETAMENTE as características predominantes das dunas móveis presentes no litoral da cidade de Fortaleza. a) São compostas por sedimentos em constante mobilização e não apresentam processos pedogenéticos. b) Trata-se de ambientes com litologia predominantemente sedimentar que proporcionam o desenvolvimento de uma vegetação de porte arbóreo-arbustivo. c) Verifica-se nas dunas móveis, o desenvolvimento dos processos pedogenéticos, o que permite a garantia de certa estabilidade ambiental.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

d) Trata-se de ambientes especiais, sendo submetidos às influências de processos marinhos e com solos profundos e ricos em matéria orgânica em decomposição. e) São formações integradas à desagregação de rochas ígneas e metamórficas, apenas, não comportando sedimentos de rochas sedimentares e solos.

28. (PUCC-ADAPTADO) Sobre as ilhas oceânicas brasileiras, podemos afirmar que: a) São pontos avançados do território brasileiro. b) São ilhas com reservas minerais consideráveis. c) Predominam as rochas vulcânicas pré-cambrianas. d) Predominam as formações coralígenas proterozoicas. e) n.d.a. 29. (IMED) Barreira próxima à praia que diminui ou bloqueia o movimento das ondas. Pode ser de origem biológica, quando constituída por carapaças de animais marinhos, ou arenosa, quando formada por uma restinga que se consolida em rocha sedimentar. O trecho acima conceitua uma morfologia litorânea denominada: a) Recife. b) Península. c) Cabo. d) Golfo. e) Enseada.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Ciências humanas e suas tecnologias: Matriz de Referência C2

Compreender as transformações dos espaços geográficos comoproduto das relações socioeconômicas e culturais de poder. H6

C6

Interpretar diferentes representações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.

Compreender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no espaço em diferentes contextos históricos e geográficos. H26

Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

H27

Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou geográficos.


C

2

O

L TU

A

COMPETÊNCIAS:

C2, C6

Solos do Brasil HABILIDADES:

H6, H26, H27

APRESENTAÇÃO Neste capítulo, abordaremos a estrutura e a compartimentação dos solos, bem como a dinâmica de seu desenvolvimento. Trataremos do processo de formação dos solos, que tem contribuição de diversos fatores, como o clima, a estrutura rochosa, a conformação topográfica e a ação dos organismos. Para melhor compreensão dos solos, destacaremos sua disposição em camadas, conhecidas como horizontes do solo, e os diferentes critérios utilizados para tipificá-los e classificá-los. Discorreremos sobre o potencial de aproveitamento agrícola dos solos, ressaltando-se diversas técnicas que podem ser adotadas para melhor explorar sua fertilidade natural ou para minimizar os impactos ambientais advindos do manejo inadequado. Será dada especial atenção aos solos do Brasil, sua importância econômica e os problemas de ordem ambiental que os cercam.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

TÓPICO 1 • A formação dos solos 1.1 • O que é solo?

composta. Tal material possibilitará ao solo sustentar vida vegetal. O solo é resultado da ação conjunta de diversos elementos, tais como: Material de origem: sedimentos provenientes do desgaste de rochas preexistentes ou de solos já formados.

ESCLARECENDO

Agencia.cnptia.embrapa.br/Reprodução

O solo compreende o resultado da pedrogênese que se desenvolve após o intemperismo (físico e químico) da rocha. É constituído de material sólido (minerais e matéria orgânica), água e ar, sendo responsável por sustentar a vegetação. Trata-se de um recurso natural renovável, apresentando espessura variável, e pode ter centímetros ou metros de profundidade. Suporta a cobertura vegetal (natural ou plantada) e tem um papel muito importante no ciclo hidrológico. Há dois grupos de fatores que atuam na formação do solo no decorrer do tempo geológico: as rochas (grupo endodinâmico); e o clima, o relevo e os organismos (grupo exodinâmico). Esses fatores atuam simultaneamente na composição do solo, por meio de processos físicos, químicos e biológicos. Dependendo da variedade de fatores, haverá diversidade de tipos de solo. Lembrando que o mesmo tipo de rocha pode formar diversos tipos de solos e rochas distintas podem originar solos similares, sendo que em ambos os casos haverá variação de fatores.

Imagem 2.2. Solo proveniente de uma rocha ígnea extrusiva (latossolo vermelho-amarelo)

Relevo: a topografia condiciona a formação de solos, especialmente sua profundidade. Luiz Fernando

A Pedologia é a ciência que estuda o solo; ocupa-se de sua aparência interna e externa, de sua origem, classificação e cartografia. Já a Edafologia estuda o solo tendo em vista suas relações com a produção agrícola.

Matéria orgânica

Fragmentos minerais e matéria orgânica Húmus

Horizonte A Horizonte B

Matéria-prima

Leito rochoso 1

Matéria-prima

Horizonte C

Horizonte C

Leito rochoso 2

O leito rochoso começa a se desintegrar

Matéria-prima

A matéria orgânica facilita a desintegração

Leito rochoso 3

Leito rochoso 4

Formam-se os horizontes

Clima: climas quentes e úmidos dão origem a solos profundos e argilosos. Climas áridos tendem a formar solos rasos, pedregosos ou arenosos. Shutterstock.com

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Horizonte A

Rocha em desintegração

Imagem 2.3. A profundidade dos solos (em vermelho) e a relação com a inclinação das vertentes (relevo)

Matéria orgânica

Shutterstock.com

Shamuel Fiorentino

1.1.1 • A origem do solo

O solo desenvolvido sustenta uma vegetação densa

Imagem 2.1. Etapas de formação do solo

Os solos originam-se da desintegração e decomposição das rochas. O desgaste físico e químico das rochas fornece o material que formará os solos (material mineral não consolidado, fragmentado, sedimentos). Entretanto, tal formação só se dará com a presença de organismos vivos, especialmente as bactérias. As bactérias, bem como outros tipos de microfauna e microflora, vão ser responsáveis pelo fornecimento de matéria orgânica de-

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Imagem 2.4. Clima úmido, chuvas − intempe- Imagem 2.5. Clima árido e semiárido − seco, intemperismo físico rismo químico

Organismos: matéria orgânica decomposta ou semidecomposta, (húmus), produzida pela Ação de bactérias, fungos, insetos, vermes, pequenos mamíferos e roedores, bem como das raízes das plantas.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

Luiz Fernando

Atmosfera

Calor do sol

Biosfera

Hidrosfera Litosfera

Rocha

Solum Regolito

Água da chuva

Saprolito Formatação do solo

Imagem 2.6. A ação do tempo na formação do solo

Já a perda de solos, através da ação de agentes erosivos, pode se dar muito rapidamente (uma chuva torrencial pode carregar alguns centímetros da camada superficial do solo).

1.2 • Horizontes do solo Após a ação dos fatores que atuam na formação do solo, o resultado será um material organizado em camadas, chamadas de horizontes, os quais configuram o perfil do solo. Num solo relativamente bem desenvolvido, podemos distinguir os seguintes horizontes: • •

B: horizonte formado por partes bastante desagregaHorizonte O das da rocha-mãe; essencialmente mineral, com alguns Horizonte A materiais provenientes da decomposição orgânica, Horizonte E cuja coloração varia de acordo com a rocha matriz. O hoHorizonte B rizonte B é muitas vezes inHorizonte C corretamente referido como subsolo. Neste horizonte se acumulam material argiloso e minerais de ferro e alumíHorizonte R nio, sendo propício para a Imagem 2.7. ocorrência de laterização. C: horizonte constituído por material não consolidado (rocha fragmentada), situado abaixo dos horizontes A e B. Pode ser constituído ou não pelos mesmos materiais ou materiais semelhantes aos que formam o solo arável. Este horizonte não abrange as zonas onde ocorre a maioria das atividades biológicas e, em geral, é pouco afetado pelos processos que originam os horizontes situados acima dele. É chamado de regolito. R: rocha-mãe ou matriz; camada mineral de material consolidado que constitui um substrato rochoso contínuo ou praticamente contínuo e que, submetida ao intemperismo, se desagrega e se decompõe, dando origem ao solo.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

O: horizonte fruto da decomposição da matéria orgânica, estando presente em áreas florestais. A: horizonte que corresponde ao solo arável, constituindo um horizonte mineral, rico em matéria orgânica resultante da decomposição dos seres vivos. E: horizonte que apresenta o máximo de lixiviação ou eluviação de argila, ferro, óxidos de alumínio, colocando de lado uma concentração de minerais resistentes, tais como quartzo, areias e vasos. O horizonte E apresenta-se, geralmente, mais claro que o horizonte A.

Shamuel Fiorentino

Tempo cronológico: a formação e o desenvolvimento dos solos, incluindo a diferenciação de seus horizontes, bem como o aprofundamento de suas camadas demandam tempo, contado em dezenas e centenas de anos. Quanto mais velho é o solo, maior é a tendência de ser mais aprofundado, conforme pode ser observado na figura abaixo:

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EXERCITANDO EM AULA 01. Cite e explique quais são os fatores que participam do processo de formação dos solos.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

02. (PUCPR) Ciente de que os solos saudáveis estão na base da agricultura familiar, na produção de alimentos e, ainda, cumprem um papel como reservatórios da biodiversidade, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU – FAO) instituiu 2015 como o Ano Internacional dos Solos (AIS), e celebrará, no dia 05 de dezembro, o primeiro Dia Mundial dos Solos. Para Eve Crowley, representante regional adjunta da FAO, “é essencial manter um equilíbrio cuidadoso entre a necessidade de preservar os nossos recursos naturais e expandir a nossa produção de alimentos. O Ano dos Solos visa gerar esta consciência”. Adaptado de: A América Latina e o Caribe celebram o Ano Internacional dos Solos 2015. Disponível em: <http://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/270863/>. Acesso em: 15 mai. 2015.

Com base no texto e no seu conhecimento sobre a ciência dos solos, assinale a alternativa que justifica CORRETAMENTE a importante iniciativa da ONU – FAO em escolher 2015 como Ano Internacional dos Solos.

TÓPICO 2 • A classificação dos solos Os solos apresentam características físicas e químicas que os distinguem uns dos outros, pois cada reflexo dessas características aponta para um componente ou processo diferente em sua concepção. Assim, são possíveis estabelecer classes de solos, como as expostas a seguir.

2.1 • Quanto à origem Residuais: são solos formados a partir da decomposição e degradação de rocha subjacente. Também chamados de in situ, por terem se originado sobre a rocha que lhes deu origem.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Tipos de solos residuais Solo eluvial: o elúvio é um tipo de sedimento que se desenvolve sem qualquer forma de deslocamento. Assim, o solo de origem eluvial ocorre na superfície, apresentando-se macroscopicamente homogêneo e isotrópico. Também chamado de solo superficial ou solo residual maduro. Como exemplo, temos um solo muito fértil encontrado no Centro-Sul do Brasil e com manchas no Estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, conhecido também como Terra Roxa (nitossolo e argissolo).

ESCLARECENDO Isotrópico é a caracterização de uma substância que possui as mesmas propriedades físicas, independentemente da direção considerada.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

a) Recurso finito resultante do intemperismo das rochas e acúmulo de matéria orgânica, os solos sofrem degradações que comprometem o equilíbrio ambiental e a produção de alimentos. b) Independentemente do clima, os solos das regiões tropicais úmidas formaram-se ao longo de milhares ou milhões de anos pelo processo de intemperismo químico. c) Movimentos de massa, salinização e laterização são exemplos de processos exclusivamente antrópicos que degradam os solos e diminuem as áreas agricultáveis. d) A iniciativa da ONU tem objetivos puramente agrícolas, pois esta atividade é a única prejudicada pelo manejo incorreto dos solos. e) Cada vez mais comum em um mundo ocupado por bilhões de pessoas, a ONU busca diminuir a poluição atmosférica que intensifica a acidez dos solos, como ocorre no cerrado brasileiro.

Transportados: são solos provenientes de erosão, transporte e deposição de solos preexistentes pela ação dos raios ou dos ventos. Tipos de transportados • Aluvial: é elaborado a partir da deposição de sedimentos que foram deslocados pela água das chuvas ou pelos rios. Os depósitos formados por esses deslocamentos têm relação direta com a intensidade do transporte: vazões maiores irão deslocar sedimentos de maior porte, enquanto, no caso de menor intensidade do fluxo da água, os sedimentos deslocados serão menores em termos de granulometria. • Coluvial: é um solo desenvolvido a partir de sedimentos chamados colúvios. Os colúvios são um tipo de sedimento que sofre deslocamento por força gravitacional, estando normalmente associados a fluxos verticais e movimentações de encostas. Os principais depósitos coluviais são encontrados ao longo e em sopés de encostas. Orgânicos: são solos que contêm uma camada superficial rica em matéria orgânica. Esse tipo de solo apresenta grande facilidade para o plantio, devido à presença de húmus, que é um dos principais resíduos da decomposição, contribuindo para a produção de nitrogênio. Um bom exemplo são os ambientes quentes e úmidos de florestas pluviais. Por conta de suas características, esses ambientes facilitam a proliferação de micro-organismos que agem intensamente sobre o solo.

2.2 • Quanto à formação a) Zonais: são caracterizados por serem maduros, bem delineados e profundos, refletindo a influência do clima e dos organismos ativos em sua formação. Desenvolvem-se em terrenos com boa drenagem, declives suaves e sobre rochas matrizes. Apresentam os horizontes A, B e C bem desenvolvidos. Exemplo: latossolo (encontrado em clima quente e úmido, pobre em minerais); podossolo (clima temperado ou frio, fértil e ácido) e chernossolo (clima temperado subúmido, fértil).


Capítulo 2 | Solos do Brasil

ESCLARECENDO Latossolos, em geral, são solos muito profundos (mais de dois metros de profundidade), bastante porosos, com altos teores de óxidos de ferro e de alumínio, fortemente intemperizados, com coloração que varia entre o vermelho e o amarelo, com pouca diferenciação entre seus horizontes. Por causa da intensa pluviosidade, eles são constantemente lixiviados. Os latossolos se desenvolvem, principalmente, sob condições climáticas macrotérmicas, úmidas e chuvosas, a exemplo da maior parte da Zona Intertropical. Os solos amazônicos, por exemplo, são latossolos oriundos de diversos tipos de rochas, muito lixiviados, profundos e ricos em matéria orgânica.

b) Inter ou intrazonais: solos bem desenvolvidos, mais influenciados pelas condições topográficas do que pelo clima e organismos. Exemplo: hidromórfico (alagado e fértil) e halomórfico (possuem altas concentrações de sais típicos de áreas áridas e semiáridas, podendo também estar situados próximos ao mar). c) Azonais: solos pouco desenvolvidos e muito rasos, devido ao pouco tempo de formação ou devido à composição rochosa e do relevo que o influenciam mais do que o clima da região. Solos desprovidos de horizonte B. Exemplo: litossolos (locais de alta declividade; assentados diretamente sobre rocha inalterada); aluvial (principalmente sobre os sedimentos recentes das planícies de inundação; ausência do horizonte B; quando os sedimentos são transportados pelo vento, formam-se os solos Loess); cambissolo (com incipiente desenvolvimento de horizonte B).

Classificação zonal dos solos em três conjuntos Conjuntos

Zonais (maduros, horizontes bem diferenciados e relativamente profundos)

Características

Latossolos

Próprios de climas quantes e úmidos, muito profundos (mais de 2 m);

Espodossolos (antigos Podzóis)

Próprio de climas temperados ou frios; horizonte B enriquecido pela acumulação de óxidos de ferro e húmus; férteis.

Chernossolo

Horizonte A rico em matéria orgânica e cálcio; regiões subúmidas de clima temperado; muito férteis (o que ocorre na Ucrânia, de nome tchernoziom, é considerado um dos mais férteis do mundo).

Desérticos

Bastante raros e poucos férteis.

Solos salinos ou halomórficos

Alta concentração de sais solúveis; regiões áridas e semiáridas e proximidades do mar; baixa fertilidade.

Solos hidromórficos

Locais de grande umidade (próximos de rios, lagos, planícies e inundação); quando drenados, são férteis.

Litossolos

Locais de alta declividade; assentados diretamente sobre a rocha inalterada.

Solos aluviais

Primeiramente sobre sedimentos recentes das planícies de inundação; ausência do horizonte B; quando os sedimentos são transportados pelo vento, formam-se os solos Loess, de coloração amarelada, que ocorrem sobretudo na China, mas também na Europa.

Azonais (pouco desenvolvidos e, portanto, rasos)

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Intrazonais (bem desenvolvidos; refletem a influência de fator local de modo prepoderante)

Algumas categorias

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

2.3 • Quanto à cor • • •

Escuros ou orgânicos: grande presença de material orgânico. Avermelhados ou amarelos: forte presença de óxidos de ferro e alumínio. Claros: fraca presença de material orgânico.

2.4 • Solos férteis do Brasil

Etnopedologia É o ramo da pedologia, a ciência dos solos, que se ocupa em estudar as classificações pedológicas realizadas em função da nomenclatura elaborada por povos de um determinado local. Com a etnopedologia foram difundidas expressões como massapê, palavra trazida com povos africanos escravizados no Brasil e usada para designar um grupo de solos argilosos e ricos em matéria orgânica, podendo ser formado por gleissolos, argissolos ou latossolos, todos típicos de ambientes tropicais úmidos e equatoriais. Esse tipo de solo é conhecido no sudeste brasileiro como solo de terra roxa, grupo que inclui também os nitossolos, com presença de basaltos. O termo terra roxa foi criado pelos grupos de brasileiros que tiveram contato com imigrantes italianos no século XIX. Enquanto os italianos se referiam ao solo vermelho como terra rossa, cujo significado em português é “terra vermelha”, com o passar dos anos a assimilação dos grupos mais populares levou o termo rosso a ser entendido como “roxo”. Museu Boijmans Van Beuningen/Divulgação

As características climáticas e estruturais do Brasil contribuem para o desenvolvimento de solos com bom potencial agrícola. Para haver desenvolvimento pedológico fértil, é necessária a presença de água associada a um clima quente, típico dos ambientes tropicais que predominam no Brasil. Contudo, as regiões com precipitação muito elevada podem desenvolver situações de perda de nutrientes superficiais, processo conhecido por lixiviação. Esse processo é típico de ambientes equatoriais, como na Amazônia. Apesar disso, a presença de minerais de argila em grandes camadas interiores ajuda a manter a fertilidade desses solos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é o órgão responsável por catalogar e classificar os tipos de solos do Brasil. Segundo a classificação atual, publicada em 2006, os principais tipos de solos férteis do país são:

ESCLARECENDO

Argissolos Solos ricos em argilas, desenvolvidos em ambientes quentes e úmidos, propícios para a agricultura; normalmente têm profundidade maior que 1,5 m. Também é conhecido popularmente por outros nomes, como podzólico vermelho e terra roxa estruturada. Ocorre, principalmente, em terrenos mais acidentados. Nitossolos São bastante argilosos, desenvolvidos a partir da decomposição de rochas basálticas, comuns na região sudeste do Brasil onde houve ocasiões de derrames magmáticos abundantes. Ocorrem em ambientes climáticos diversos e estão associadas a áreas de relevo suave ondulado a forte ondulado. Podem ter coloração variando entre vermelha e a brunada.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Imagem 2.8. Encontrado na região litorânea, o solo massapê, era mais fértil e se mostrou propício ao cultivo da cana-de-açúcar no período colonial. No quadro de Frans Post, um típico engenho da época em Pernambuco (1606)

Organossolos São solos típicos de ambientes com estagnação de água, ainda que periódica, casos de pântanos e mangues. Seguindo a definição oficial da Embrapa, “compreende solos pouco evoluídos, com preponderância de características devidas ao material orgânico, de coloração preta, cinzenta muito escura ou brunada”. São resultantes de acumulação de restos vegetais, em graus variáveis de decomposição. •

Latossolos Formam o grupo de solos mais abundante do país, com dezenas de subdivisões, mas, em linhas gerais, são solos ricos em argilominerais. Porém, estando em ambiente muito úmido, podem perder materiais superficiais por lixiviação, pois, em algumas situações, não apresentam boa drenagem, facilitando o escoamento superficial, em virtude do excesso de argila expansivas.

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

EXERCITANDO EM AULA 03. (UDESC) O conceito de fertilidade do solo refere-se à sua importância econômica, isto é, à sua capacidade de permitir um eficaz desenvolvimento da agricultura. Para ser fértil, um solo deve possuir, naturalmente, uma série de condições: boa quantidade dehúmus, um pH neutro, boa quantidade de elementos nutrientes, fácil penetração do ar e da água em seu interior, entre outras. Sobre os solos férteis do Brasil pode-se afirmar. I. Os solos de maior fertilidade natural do Brasil se localizam nas áreas dos planaltos sedimentares basálticos, principalmente, nos estados de São Paulo e do Paraná. Destacase aí a “terra roxa”, como é regionalmente conhecida. II. O “massapé” é outro solo fértil, encontrado na faixa litorânea do Nordeste, na chamada Zona da Mata. O massapê se origina da decomposição do granito, do gnaisse e, às vezes, do calcário. III. Embora existam alguns solos de alta fertilidade natural no Brasil, normalmente, eles, como todos os solos tropicais em geral, são frágeis e requerem cuidados especiais, para não se empobrecerem de forma intensa. IV. Nos solos férteis encontram-se grandes quantidades de minerais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, ferro, manganês, zinco, boro, cobre e outros. V. Os solos férteis naturais são aqueles que nunca perdem suas propriedades, mesmo com intensa atividade da agricultura e o uso de técnicas de manejo atrasadas como a queimada, também conhecida como coivara.

e) Todas as afirmativas são verdadeiras.

04. (UFBA – ADAPTADA) Apesar da mecanização e do avanço tecnológico, as atividades agrícolas estão sujeitas à influência de fatores naturais, tais como: clima, relevo e solo.

A partir dessas considerações, da ilustração e dos conhecimentos sobre a relação meio ambiente e as atividades agrícolas, apresente duas características fundamentais para que os solos sejam considerados de boa potencialidade agrícola, dando dois exemplos brasileiros e localizando-os; ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________

Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras. b) Somente as afirmativas I e V são verdadeiras. c) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.

Existem diversos problemas que afetam os solos brasilei­ros e os mais comuns são: erosão, lixiviação, laterização, queimadas, exploração excessiva e desmatamento. Essas questões provocam graves consequências, agravadas pelas características climáticas (climas quentes e úmidos) e pelas técnicas agrícolas empregadas (rudimentares e/ou inadequadas).

3.1 • Erosão Devido aos altos índices pluviométricos do Brasil, um dos problemas mais recorrentes é o processo de erosão superficial e degradação do solo.

____________________________________________________

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

TÓPICO 3 • Problemas que afetam o solo

____________________________________________________

No território brasileiro, as chuvas se concentram no verão. Nessa estação, a erosão pluvial torna-se expressiva, principalmente nas áreas íngremes e sem cobertura vegetal. O predomínio de técnicas rudimentares de cultivo, tais como o plantio em encostas de morros e a inadequação dos vegetais às condições naturais, acentuam os efeitos de degradação dos solos. Um dos principais problemas derivados desse processo é a formação das badlands. O termo em inglês, que pode ser traduzido como “terras ruins”, se aplica aos locais onde há formação de complexos de voçorocas, ou seja, a ocorrência de muitas voçorocas. Uma voçoroca é uma erosão linear maior que 50 cm de largura e profundidade, que pode chegar a dezenas e centenas de metros. As voçorocas, em ambiente natural, não têm reversão, a menos que o ambiente passe por um processo natural de mudança ambiental. As áreas afetadas tornam-se impróprias

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para o aproveitamento agrícola ou para a ocupação urbana. Esse processo de voçorocamento pode ser evitado e controlado com o plantio de vegetação rasteira, com desvios de drenagem ou com a construção de degraus na encosta dos morros.

plantio. Além de promover a emissão de gás carbônico para a atmosfera, acaba por degradar o solo, pois extingue diversos micro-organismos que são importantes para o seu desenvolvimento.

Shutterstock.com/ Adaptado por Shamuel Fiorentino

Capítulo 2 | Solos do Brasil

3.5 • Exploração excessiva

A

B

Imagem 2.9. A = A remoção de florestas pelo homem em áreas muito declivosas expõe o solo à erosão acelerada, que se não for controlada, abre profundos sulcos ou voçorocas. B = Águas barrentas: durante fortes chuvas os sulcos das erosões aprofundam-se, lançando partículas do solo para os rios.

3.2 • Lixiviação Consiste na varredura dos nutrientes minerais leves, pela enxurrada, diminuindo o poder de reestruturação do solo, favorecendo o processo de seu empobrecimento e acentuando a acidez. É muito comum nas regiões equatoriais, devido ao excesso de chuvas, também pode ser ocasionado pela constante irrigação do solo. Na lixiviação, elementos químicos mais leves, como o cálcio, o potássio e o magnésio, são facilmente carregados pelas águas pluviais, tanto pelo escoamento superficial, quanto pela infiltração, de modo que é dificultada a acumulação de nutrientes no próprio solo, diminuindo seu potencial agrícola.

Processo característico das regiões intertropicais de clima úmido e com alternância de estações chuvosas e secas. Consiste na remoção da sílica e no enriquecimento dos solos em óxidos de ferro e alu­mínio, originando a formação de uma “crosta ferru­ginosa”, chamada de laterita ou canga, capaz de impedir ou dificultar a prática agrícola. A laterização ocorre especialmente em consequência da queimada ou derrubada das florestas (que protegiam os solos das chuvas, além de lhes fornecer matéria orgânica) e do estabelecimento de agropecuária extensiva.

3.4 • Queimada Trata-se de atear fogo à cobertura vegetal, seja nativa ou secundária, a fim de limpar o terreno para a semeadura ou re-

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

3.6 • Salinização Corresponde simplesmente a um acúmulo exagerado de sais minerais no solo. Pode ocorrer por dois caminhos: o primeiro é por meio de uma drástica drenagem de corpos de água, tal como ocorreu no Mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, cujos rios principais, o Amu Darya e o Syr Darya, foram transpostos para favorecer a cultura do algodão, durante o regime soviético. O segundo caminho é pela irrigação realizada de forma descontrolada, em regiões semiáridas e quentes, com alto nível de evaporação das águas. Em ambos os casos, podemos perceber que a água evapora, deixando os sais minerais acumularem-se sobre o solo. Isso torna o ambiente tóxico para o desenvolvimento da vida.

SAIBA MAIS O que é arenização? Relevo

Ação humana

Chuvas de vento

Consequência

deposição de sedimentos

Antes

bancos de areia

Depois

Imagem 2.10.

Shamuel Fiorentino

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

3.3 • Laterização

O solo, quando muito utilizado pela prática da monocultura extensiva, tende a perder seus nutrientes. Os vegetais cultivados consomem os nutrientes do solo de forma seletiva, deixando-o rico em uns e pobre em outros. Além disso, o cultivo de espécies temporárias (espécies vegetais que necessitam de replantio após a colheita) promove contínuo revolvimento do solo, tornando-o mais vulnerável à erosão. Assim, a monocultura de soja (um cultivo temporário) acaba por agredir mais o solo do que a monocultura de coqueiro (um cultivo permanente). A prática do arado, apesar do efeito benéfico de facilitar seu arejamento e a infiltração de água, quando excessiva, especialmente nos solos tropicais, pode facilitar sua descompactação e torná-los mais sensíveis ao desgaste por erosão. A retirada da vegetação natural favorece a quebra do equilíbrio original, favorecendo o desgaste acelerado do solo.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

ecossistemas frágeis, cuja capacidade de resistência é baixa. As causas mais frequentes estão associadas ao inadequado uso do solo e da água no desenvolvimento de atividades como mineração, agropecuária e desmatamento indiscriminado.

Évio Lima

Podemos definir arenização, que também é chamada de formação de bancos de areia, como o processo de retirada de cobretura vegetal em solos arenosos, em regiões de clima úmido, com regime de clima de chuvas constantes, como o sudoeste do Rio Grande do Sul.

Imagem 2.11. Arenização

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3.7 • Desertificação A desertificação consiste no processo de destruição do potencial produtivo da terra. Esse processo acontece principalmente devido à intensa pressão das atividades antrópicas sobre

ACESSE O LINK! Link sugerido • https://goo.gl/D0PrCY

EXERCITANDO EM AULA 05. (UPE) Observa-se, na figura a seguir, um problema ambiental que decorre, indiretamente e sobretudo, das ações antrópicas sobre a natureza. Examine a fotografia e depois assinale a alternativa que apresenta esse problema.

Formação de voçorocas Assoreamento Lixiviação dos latossolos Laterização de leito fluvial Movimentos de massa rápido

06. (IFMT) “A erosão acelerada não é uma coisa nova, ela acompanha a agricultura desde o seu início, há 4.000 ou 5.000 anos a.C., nos vales do Eufrates, Tigre e Nilo, onde, presume-

(CONCIANI, Wilson. Processos erosivos: conceitos e ações de controle. Cuiabá: Editora Cefet-MT, 2008. p. 11.)

Mesmo que a erosão seja um acontecimento antigo, como citado acima, o tema é sempre atual, trazendo muitos transtornos para as zonas rural e urbana. Sobre a erosão, suas causas e consequências, é correto afirmar que: a) é caracterizada pela destruição e transformação de rochas pela ação de agentes que modelam a superfície terrestre, através dos fatores endógenos (clima, rios, correntes marítimas, enxurradas) e de fatores exógenos (animais, homens e vulcanismos). b) nas encostas, as águas superficiais escorrem e formam as ravinas ou voçorocas com sulcos laterais inclinados, entretanto só provocam efeitos na superfície dos solos e são facilmente controladas pela ação antrópica. c) é parte do processo de degradação do solo, provocando o acúmulo de metais pesados, lixiviação e diminuição de nutrientes; só ocorre com a intervenção do homem, tornando-se um dos mais sérios problemas ecológicos do planeta. d) a ação do intemperismo físico e químico e das cheias e inundações compensam o material retirado pela erosão, com formações de cordões arenosos e praias nos rios e no litoral. e) a ação da água como agente de erosão depende da quan-

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CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

a) b) c) d) e)

-se, tenha sido o berço da agricultura.”

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

tidade que cai sobre o solo e da maior ou menor capacidade de infiltração que este solo oferece. A erosão provocada pelo escoamento superficial recebe o nome de erosão laminar ou em lençol.

c) A desertificação tem afetado, indistintamente, todos os grandes domínios naturais do Nordeste brasileiro. d) A desertificação é própria dos climas secos, semiáridos e subúmidos secos.

07. (UECE) Tratando-se das condições geoambientais e da ocupação do semiárido brasileiro, pode-se afirmar que a desertificação é um processo que conduz à degradação irreversível dos solos e dos demais recursos naturais renováveis.

08. No Brasil, em termos de esgotamentos dos solos, podemos

Sobre o processo em pauta, assinale a opção que contém a afirmação FALSA. a) A desertificação tem afetado, principalmente, a área extensivamente recoberta por caatinga em solos rasos de tipos variados. b) Com a expansão do processo de desertificação, tem ocorrido a desorganização dos sistemas produtivos como a agropecuária e o extrativismo vegetal.

TÓPICO 4 • Combate aos problemas

citar as regiões áridas do Nordeste que sofrem com o processo de desertificação. Já no sul, o intensivo uso do solo em terrenos arenosos leva à arenização. Arenização e desertificação são distintos processos de degradação do solo. O principal critério natural utilizado para diferenciar esses dois tipos é: a) a composição dos solos b) o nível de exploração dos recursos c) o regime pluvial d) a suscetibilidade a erosões e) o índice de salinidade

do solo

ESCLARECENDO Qual a diferença entre terraceamento e curvas de nível? A diferença é muito pequena: no sistema de plantio por curva de nível, cada linha de plantio é colocada em uma mesma cota altimétrica (curva de nível); no terraceamento, constroem-se sucessivos terraços, ou seja, superfícies horizontais, cada qual. Em um nível. Em seguida, realiza-se o plantio nesses terraços, sem a preocupação de ordená-lo em uma curva. No terraceamento, temos, portanto, uma alteração da topografia com o objetivo principal de diminuir os efeitos da erosão laminar.

360doc.com

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Existem várias técnicas agrícolas que podem ser utilizadas para amenizar os problemas do solo, tais como: • Rotação de solos e de culturas: consiste na utilização do solo em partes, dividindo o terreno em parcelas e deixando uma parte descansar, sem uso agrícola, por um tempo, ou cultivando espécies diferentes em cada uma das parcelas; • Adubação adequada: enriquece ou complementa o solo com nutrientes, desde que ele esteja empobrecido ou carente de algum elemento químico; • Terraceamento: técnica agrícola de conservação do solo, destinada ao controle de erosão laminar, utilizada em terrenos muito inclinados;

• Imagem 2.12. Agricultura em terraços na China

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Plantio em curvas de nível: trata-se de um sistema de cultivo seguindo as cotas altimétricas da região em questão;

Reflorestamento: refere-se à atividade de replantar florestas, reconstituindo a cobertura vegetal para que sejam diminuídos os efeitos erosivos; Irrigação adequada: consiste em irrigar um terreno sem deixá-lo encharcado, evitando a lixiviação. Quase sempre se trata de associar a irrigação a algum processo complementar de drenagem; Agroecologia: é o processo de elaboração agrícola que preserva os aspectos ecológicos da área produzida. Nesse método de produção, não há preparação da terra,


Capítulo 2 | Solos do Brasil

a produção é feita em associação com outras plantas, inclusive, se aproveitando de propriedades que estas possam oferecer para o desenvolvimento dos produtos. Não garantem alta produtividade, mas são alternativas de produção de baixo impacto.

SAIBA MAIS

4.1 • Adubação orgânica O principal propósito da adubação orgânica é sustentar ou aumentar a fertilidade do solo e da sua atividade biológica, pois adubar não significa apenas fornecer nutrientes para as plantas, e sim melhorar a fertilidade e a saúde do solo. A adição de adubos orgânicos melhora, consideravelmente, as características físicas e biológicas do solo.

A poluição do solo se dá pela contaminação a partir de substâncias como o lixo, agrotóxicos, esgotos, entre outros, capazes de provocar alterações significativas em sua estrutura natural. É bom lembrar que muitos agentes que poluem o solo acabam por migrar para os lençóis de água subterrânea, por conta do efeito da gravidade e da ação das águas de infiltração, poluindo-os também. Para mais informações, acesse o link • https://goo.gl/hJ2VsI Link sugerido • https://goo.gl/dQXUSR

APROFUNDAMENTO Desertificação: causa e consequência do mau uso do solo

ACESSE O LINK! Link sugerido • https://goo.gl/6cY2T9

U.S. Department of Agriculture

Entende-se por desertificação o processo que leva à destruição do potencial produtivo da terra por meio da forte pressão exercida pelas atividades humanas sobre os ecossistemas mais frágeis, pelo fato de sua capacidade de recuperação ser muito baixa.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Imagem 2.13. Áreas com risco de desertificação a nível mundial.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

EXERCITANDO EM AULA 09. (UFRN) Um agricultor adquiriu dez hectares de terra para práticas agrícolas. A propriedade, atravessada por um rio perene, apresenta solos de boa fertilidade. Todavia, predomina um relevo de médias altitudes com declividade acentuada. Preocupado com a conservação do solo, o agricultor consultou um engenheiro agrônomo. Este recomendou arar e semear o solo seguindo as cotas altimétricas do relevo, o que reduz a velocidade do escoamento superficial da água, os processos erosivos e a perda de solo agricultável. A técnica de conservação do solo recomendada pelo engenheiro agrônomo denomina-se: a) curvas de nível. b) terraceamento. c) associação de culturas. d) reflorestamento. e) todas apresentam a mesma eficiência para tal problema.

10. (UECE) Rotação de culturas é uma técnica agrícola de conservação que visa diminuir a exaustão do solo. Isto é feito trocando as culturas a cada novo plantio de forma que as necessidades de adubação sejam diferentes a cada ciclo. Consiste em alternar espécies vegetais, numa mesma área agrícola. A rotação de culturas é vantajosa porque: a) viabiliza a possibilidade de produção de vários produtos na mesma safra. b) diminui a longo e médio prazo os gastos com recuperação de solo. c) garante, ao agricultor, maior lucratividade em curtíssimo prazo. d) aumenta a lucratividade do produtor por conta da qualidade do produto.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 1: A formação dos solos

01. (UECE) Ao processo de formação dos solos na superfície da terra dá-se a denominação de a) intemperismo. b) morfogênese. c) pedogênese. d) tectogênese.

02. (UFMG) Analise o gráfico.

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Solo: composição e volume

b) a matéria mineral abaixo ou acima de determinado limite é prejudicial às plantas. c) a matéria orgânica, apesar do seu pequeno volume, é fundamental à existência do solo. d) o volume de ar e de água do solo, dependendo das condições climáticas, é intercambiável. e) n.d.a

03. (UECE) Atente ao seguinte excerto: “Os solos são corpos naturais da superfície terrestre que ocupam áreas e expressam características (cor, textura, estrutura etc.) da ação combinada dos fatores associados aos mecanismos e processos de formação do solo”. Palmieri, F. e Larach, J. O I. Pedologia e Geomorfologia. Pág. 70. In. Geomorfologia e Meio Ambiente. Guerra, A. J. T. e Cunha, S. B. da. Rio de Janeiro. 1996. Bertrand Brasil.

A partir da análise desse gráfico e de conhecimentos sobre o assunto, é incorreto afirmar que a) a fertilidade dos solos é determinada pelo volume de água neles contido.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

Considerando o excerto acima e os conceitos de formação do solo, é correto afirmar que solo pedológico é formado a) por uma camada de sedimentos silicosos de origem distrófica que recobre a superfície terrestre. b) por sedimentos alíticos distróficos com elevada acidez, fator que favorece a sua fertilidade natural. c) por material mineral pouco espesso, com boa presença se sódio geralmente derivado de rochas do cristalino. d) por um conjunto de fatores, dentre os quais encontra-se a ação integrada do clima e dos organismos sobre o material de origem.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

04. (UEG) Sobre a formação e características das rochas e solos, verifica-se o seguinte: a) os solos resultantes da decomposição das rochas sedimentares ocorrem com maior frequência nas regiões de clima temperado. b) os solos formam-se inicialmente pela desintegração das rochas por ação do intemperismo químico, físico e biológico. c) as rochas metamórficas são formadas originalmente no interior da crosta terrestre e são denominadas de rochas básicas. d) as rochas ricas em sílica são denominadas rochas alcalinas e sua decomposição forma solos ricos para a agricultura. e) o plutonismo é a ação geológica responsável pela formação das rochas extrusivas pelo rápido resfriamento do magma. 05. (PUC-CAMPINAS) Observe os climogramas 1 e 2 de duas localidades brasileiras, para responder à questão. 2

1 Precipitações em mm

Temperatura em °C

Precipitações em mm

Temperatura em °C

30

600

500

25

500

25

400

20

400

20

300

15

300

15

600

30

200

10

200

10

100

5

100

5

0

0

0

J F M A M J J A S O N D

J F M A M J J A S O N D

0

06. (UFRGS) Observe, abaixo, a representação esquemática da formação do solo e de sua relação com o clima e com a vegetação.

I. Os solos dos climas árticos e desérticos apresentam detritos de rochas derivados do intemperismo mecânico. II. Os processos de formação do solo operam mais vigorosamente onde a vazão hídrica é regular, e as temperaturas não ultrapassam 20 ºC. III. Os horizontes de solo mais desenvolvidos estão relacionados às altas temperaturas e às precipitações, assim como à densa cobertura vegetal.

a) b) c) d) e)

Quais estão corretas? Apenas I. Apenas II. Apenas I e III. Apenas II e III. I, II e III.

07. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes à constituição e à formação dos solos. ( ) O horizonte A de um perfil de solo é a camada mineral mais próxima à superfície e caracteriza-se pela concentração de matéria orgânica. ( ) Os solos das regiões áridas e semiáridas, quando comparados aos solos das regiões úmidas, comumente apresentam grandes quantidades de argila e de matéria orgânica. ( ) Nas áreas de declividade acentuada, os solos são mais rasos porque a alta velocidade de escoamento das águas diminui a infiltração e, consequentemente, o intemperismo. ( ) ( ) A acidificação dos solos é um processo que ocorre naturalmente na biosfera, porém os solos das regiões tropicais são submetidos o ano inteiro a altas temperaturas e à ação intensa das chuvas, favorecendo a formação de solos mais ácidos.

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Assinale a alternativa que identifica condições de uso da terra adequadas às áreas que apresentam as características climáticas, descritas, respectivamente, em 1 e 2. a) 1 - Solos profundos, que devem sofrer aragem constante para continuarem férteis. 2 - Solos profundos, que devem receber cultivos permanentes, para não sofrerem erosão. b) 1 - Solos rasos, que necessitam irrigação controlada para evitar laterização. 2 - Solos profundos, que necessitam aragem controlada, para evitar a salinização. c) 1 - Solos profundos e muito férteis, que comportam plantios temporários, sem risco de erosão. 2 - Solos rasos, que necessitam constante adubação, para evitar o intemperismo. d) 1 - Solos rasos, que necessitam constante adubação, para evitar o intemperismo. 2 - Solos rasos, que necessitam aragem profunda, para aumentar a produtividade. e) 1 - Solos profundos e pouco férteis, que necessitam cuidados, para não sofrerem lixiviação. 2 - Solos rasos, que necessitam irrigação controlada, para evitar a salinização.

Com base nas informações contidas nessa representação, considere as seguintes afirmações acerca dos processos de formação do solo.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) F – V – F – V. b) V – F – V – V. c) F – F – V – V.

2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

11. (UECE) Assinale a alternativa que contém a denominação

d) F – V – V – F. e) V – F – F – F.

08. (MACKENZIE) “É a desintegração das rochas da crosta terrestre pela atuação de processos inteiramente mecânicos. É o processo predominante em regiões áridas, de precipitação anual muito baixa, tais como desertos e zonas glaciais. Nestas regiões de condições climáticas extremas a desagregação das rochas é controlada por variações bruscas de temperatura, insolação, alívio de pressão, crescimento de cristais, congelamento, etc.” http://www.ebah.com.br/

A definição acima corresponde a) ao Intemperismo Físico, no Brasil, sua ação é predominante no Sertão Nordestino. b) ao Intemperismo Químico, muito comum na Amazônia. c) ao Intemperismo Físico, típico de ambientes, como os Mares de Morros Florestados. d) à Laterização, processo químico, típico da Região Centro-Oeste do Brasil. e) ao Intemperismo Químico, muito comum no norte do Canadá, norte da Rússia e Centro da África.

09. (UECE) Considerando os solos e seus processos de formação, analise as seguintes afirmações. I. O solo é formado por um conjunto de corpos naturais tridimensionais, resultantes da ação integrada, entre outras coisas, do clima e dos organismos sobre o relevo. II. Os solos alóctones resultam do intemperismo da rocha subjacente. III. A adição pode ocorrer através da lixiviação ou erosão dos solos.

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Está correto o que se afirma somente em a) I. b) I e II. c) III. d) II e III.

TÓPICO 2: A classificação dos solos

10. (UFBA) Com base nos conhecimentos sobre formação e composição dos solos, pode-se afirmar: (01) Os solos azonais têm sua gênese associada ao processo de intemperismo. (02) Os solos podzólicos possuem baixa fertilidade e modificam-se constantemente pela ação das enxurradas. (03) Os solos de terra roxa são desenvolvidos em regiões temperadas, a partir da desagregação de rochas magmáticas. (08) Nas áreas de elevado índice pluviométrico, com chuvas bem distribuídas durante o ano, o processo de lixiviação do solo é intenso. (16) Os solos das regiões tropicais apresentam alto nível de decomposição química, devido ao processo de intemperismo. ( ) Som 50

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dada aos solos que se formam a partir do acúmulo de sedimentos fluviais em áreas de planícies ribeirinhas. a) Aluviais b) Coluviais c) Eluviais d) Zonais e) n.d.a.

12. (UEL) Em relação às características dos solos nas diferentes áreas continentais, é INCORRETO afirmar: a) Solos aluviais são aqueles constituídos a partir de sedimentos fluviais. b) Os solos são resultantes dos processos de desintegração e decomposição das rochas. c) Os solos hidromórficos estão situados em locais de grande umidade. d) Os latossolos são solos rasos e jovens, de elevada fertilidade natural. e) Textura, estrutura e profundidade são características importantes dos solos. 13. (UFC) A formação dos solos é condicionada, essencialmente, pelos climas. Neste contexto, os solos zonais refletem este condicionamento. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta. a) Latossolo, podzólico, desértico e tundra são exemplos de solos Zonais. b) O solo aluvial constitui um dos melhores exemplos de solos Zonais. c) Os latossolos, que ocorrem na maior parte da Zona Temperada, são solos típicos de climas quentes e úmidos ou subúmidos. d) Os latossolos são solos rasos das áreas tropicais, submetidos à alternância entre estações chuvosas e secas, portanto não enfrentam problemas de lixiviação. e) Os podzólicos são constituídos por grãos finíssimos, originários da fragmentação das rochas, durante as glaciações quaternárias. Mantêm-se sem desmoronamentos, em paredões verticais de até 150 metros.

14. (UFSM) Observe a figura:


Capítulo 2 | Solos do Brasil

A imagem parece uma pintura a óleo, mas trata-se de uma imagem de satélite do canal da ilha de Madagascar onde o desmatamento provoca a erosão do solo que é arrastado até o canal da ilha. A deposição e o acúmulo de sedimentos e partículas transportados a grandes distâncias pela força das águas formam solos a) eluviais. b) aluviais. c) zonais. d) desérticos. e) interzonais.

15. (UPF) Os solos, como fonte de vida, exercem papel fundamental para a sobrevivência da sociedade em todas as partes do planeta. Analise as afirmativas sobre o tema e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Os solos aluviais são formados pelo acúmulo de sedimentos e partículas transportados pela força das águas e dos ventos. ( ) O solo do tipo roxo é grande responsável pela cultura do café encontrado, principalmente, nos estados do Paraná e São Paulo; já o solo do tipo massapê favoreceu a cultura da cana-de-açúcar na Zona da Mata Nordestina. ( ) Os solos arenosos possuem alto teor de matéria orgânica e elevada capacidade de retenção de água, o que os torna muito férteis e ideais para a prática agrícola. ( ) A erosão dos solos é um fenômeno tipicamente natural, independe das práticas agrícolas utilizadas e, uma vez instalada, inviabiliza a possibilidade de recuperação. ( ) A desertificação é uma forma de degradação do solo em ecossistemas frágeis, causada pela associação de vários fatores, destacando-se os climáticos e o manejo agrícola inadequado. É uma preocupação em todos os continentes e traz como consequência a redução da área agricultável e da produtividade agrícola.

16. (MACKENZIE) O solo não é apenas um substrato para o desenvolvimento da biosfera, mas também é um dos determinantes das características da biosfera e é modificado por elas, por meio dos processos interativos, que mantém com os seres vivos. ROSS,J. L.S.(Org.) Geografia do Brasil.

Sobre o tema central a que o texto faz referência, é INCORRETO afirmar que

17. Assinale a alternativa que melhor caracteriza os solos brasileiros: a) são, em sua maior parte, de baixa e média fertilidade, empobrecidos por fatores climáticos e pelo uso inadequado de técnicas agrícolas b) são predominantes os terrenos de média e alta fertilidade, constituindo exceção o massapê escuro da zona da mata nordestina c) são, em sua maior parte, muito férteis, principalmente no Brasil Central, onde predomina o cerrado d) a sua grande fertilidade é comprovada pela exuberância e heterogeneidade da mata equatorial da Amazônia e) são, em grande parte, muito férteis devido à predominância de bacias sedimentares em vastas faixas do território

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A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) V – F – F – V – V. b) V – F – V – F – V. c) V – V – F – F – V. d) F – V – V – F – F. e) F – F – V – V – F.

a) os solos, quanto à origem, podem ser eluviais, aluviais e orgânicos, sendo o último diretamente relacionado à ação do clima local sobre o material orgânico de origem animal e vegetal em estado de decomposição. As florestas pluviais oferecem boas condições para esse tipo de solo. b) a fertilidade do solo pode determinar sua vocação agrícola. Em áreas de clima temperado (invernos frios e verões quentes e úmidos) como na Ucrânia e Rússia, o solo Tchernozion surge em decorrência do congelamento de gramíneas que, ao entrarem em estado de decomposição, passam a integrar a sua camada orgânica. Esse processo é mais intensamente ativado durante os verões, permitindo a ocorrência de extensas áreas férteis. c) o solo do tipo Loess (solto), em decorrência da ação eólica, é formado por grânulos finos de argila, quartzo e cálcio. Apresenta uma coloração amarela, é típico de áreas de relevo suave. Demonstra alto grau de fertilidade. É encontrado na Europa e principalmente na China, ao longo do Rio Amarelo. d) os Latossolos, típicos das áreas tropicais, apresentam coloração avermelhada e/ou alaranjada em função da presença em maior ou menor grau de óxidos de ferro. A acidez é uma característica comum a esse tipo de solo. Passou a ser corrigido no Cerrado brasileiro por meio da técnica da calagem. e) o tipo de solo conhecido como Podzol recobre áreas de florestas temperadas caducifólias (sul da Itália e França) com predomínio de clima Mediterrâneo. Esse aspecto oferece maior nível de fertilidade ao seu horizonte “A” mantendo-se arenoso e ácido com grande quantidade de óxidos de ferro e húmus durante todo o ano.

18. (UEL) Os solos amazônicos, nos quais está sustentada a densa floresta equatorial úmida, podem ser caracterizados pela a) grande profundidade, permitindo a sustentação prolongada da vegetação nativa e das culturas que a substituem. b) grande fertilidade, relacionada aos nutrientes originários dos sedimentos trazidos pelos rios. c) grande fragilidade, relacionada a sua pouca espessura e 2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

51


Capítulo 2 | Solos do Brasil

dependência da camada de material orgânico proveniente de plantabaixa acidez, facilitando a adaptação de projetos de reflorestamento à medida que certas áreas vão sendo devastadas. d) baixa produtividade, gerando espécies nativas pouco aproveitáveis comercialmente, bem como a rotatividade de outros cultivos.

TÓPICO 3: Problemas que afetam o solo

19. A laterização é um dos maiores problemas dos solos tropicais, e a sua formação se deve a: a) transformação das rochas em virtude da temperatura e pressão b) fatores que levam à remoção da sílica e à concentração em ferro e alumínio c) desintegração das rochas d) decomposição das rochas e) quantidade de partículas retentoras de umidade 20. (FUVEST) Os desmatamentos, as queimadas, o estabelecimento da agropecuária extensiva ou da agricultura itinerante, seguidos pela lixiviação dos solos, podem acarretar, nas zonas tropicais a) b) c) d) e)

A exposição de lateritas ou crostas ferruginosas. A alteração da fertilidade dos solos podzóis. A concentração excessiva de fosfatos nos tchernozions. O empobrecimento dos solos de pradarias. O aumento do latossolo nas regiões semiáridas.

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21. (UEL) Dentre as causas que tornam os solos degradados no Brasil, é correto afirmar: a) O solo arenoso é mais suscetível à erosão que o solo argiloso, fato comprovado na região Noroeste do estado do Paraná. b) Como a granulometria é o fator determinante em relação à degradação dos solos, a presença ou não da vegetação não é importante para a sua conservação, como demonstram áreas que tinham primitivamente uma cobertura florestal. c) A atuação humana não interfere nos processos de degradação dos solos quando já existe uma condição predisponente como a rocha de origem. d) Por se tratar de um país tropical, o Brasil tem solos pouco degradados. Isso não se verifica, porém, no Rio Grande do Sul, cujos solos estão se transformando em desertos. e) A agricultura comercial, como vem sendo praticada na Amazônia, contribui de maneira significativa para a conservação dos solos e constitui um exemplo para outras regiões brasileiras. 22. (UESPI) A fotografia abaixo mostra um fenômeno que acarreta sérios danos ambientais, sobretudo às atividades agrícolas. Assinale-o.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

a) b) c) d) e)

Erosão areolar. Erosão eólica em áreas de desertificação. Vales eólicos acelerados. Zonas de laterização. Voçorocamento.

23. (UEA) É o processo de ‘lavagem’ dos solos pelas águas pluviais. Típico de áreas equatoriais e tropicais onde a densa vegetação forma uma rica camada de húmus pelos restos vegetais que caem das árvores. Com as chuvas intensas, os nutrientes das camadas superficiais são levados pelas enxurradas ou penetram no subsolo, deixando as camadas superficiais muito pobres. Na região amazônica, o solo é pobre e é fertilizado pelos restos vegetais. O desmatamento impede a formação desta camada de húmus e intensifica o seu processo. (Paulo Roberto Moraes. Geografia geral e do Brasil, 2005.)

O texto refere-se a um processo relativo ao solo, denominado a) erosão. b) lixiviação. c) laterização. d) salinização. e) sedimentação.

24. (UPE) No mundo tropical, os estudos geográficos relacionados aos solos se voltam, em geral, para um tema básico, a “lixiviação”, que a) consiste na retirada dos nutrientes dos solos provocados pelas raízes dos vegetais, sobretudo de florestas ombrófilas e de matas ciliares. b) é um processo pedogenético que se restringe às áreas mais elevadas dos ambientes quentes e secos do mundo tropical e se caracteriza pelo acréscimo de velocidade do desenvolvimento dos solos. c) aumenta consideravelmente o poder de reestruturação dos solos, enriquecendo-os; esse fato é comum nas áreas de matas ciliares que não foram degradadas. d) é um processo pedogenético comum nas áreas equatoriais que favorece o empobrecimento dos solos, à medida que diminui os nutrientes minerais.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

e) é um fator pedogenético típico do trópico semiárido que interfere nos processos erosivos das encostas ocupadas por caatingas hiperxerófilas densas.

25. (UFU) “A erosão do solo é uma das principais causas visíveis de sua degradação, possuindo uma grande distribuição espacial na Terra”. “No Brasil, a erosão do solo é também um fato preocupante. Nos últimos 30 anos, o avanço indiscriminado e irresponsável da fronteira agropecuária e mineral em direção à Amazônia, com a derrubada de vastas porções da floresta e a prática da queimada, comprometeu largamente muitos solos da região”. ADAS, Melhem e ADAS, Sérgio. Panorama Geográfico do Brasil. 3 ed. São Paulo: Moderna, 1988.

O texto acima admite a decisiva participação da ação antrópica como facilitadora do principal processo erosivo na Amazônia, conhecido como a) erosão fluvial. b) erosão eólica. c) erosão pluvial. d) erosão glacial. e) erosão marinha.

26. (UECE) Os solos são o produto da desagregação das rochas pelos processos físicos, químicos e biológicos, sendo constituídos, do ponto de vista pedológico, por matéria mineral, ar, água, matéria orgânica e atividade biológica. Os latossolos são solos a) pouco evoluídos, com ausência de horizonte B. b) altamente evoluídos e ricos em argilominerais. c) essencialmente orgânicos. d) derivados de rochas calcárias.

TÓPICO 4: Combate aos problemas do solo

28. (UNIOESTE) O solo é um recurso natural resultante da ação simultânea e integrada do clima, do material de origem, do relevo, dos organismos e do tempo. É considerado a base de todas as atividades humanas na superfície terrestre e apresenta várias possibilidades de uso e ocupação. Por isso, o conjunto de técnicas

I. As áreas próximas às divisas entre os Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia formam a nova área de avanço da fronteira agrícola conhecida como a região da ‘Mapitoba’, cujo principal produto agrícola é a soja que, com o crescimento vertiginoso de sua produção, com base na concentração fundiária, pode trazer consequências socioambientais negativas difíceis de serem mitigadas. II. A perda anual de milhares de toneladas de solos agricultáveis, sobretudo em consequência da erosão hídrica, constitui um grave problema ambiental brasileiro. III. Toda atividade agrícola pode provocar algum tipo de degradação nos solos, mas a intensidade depende do tipo de cultura, das técnicas de uso e manejo utilizados bem como dos atributos físico-químicos dos mesmos. IV. O terraceamento, as curvas de nível e a associação de culturas são exemplos de práticas conservacionistas que possibilitam a ampliação das áreas cultivadas em regiões com forte declividade, a redução da velocidade do escoamento superficial e o equilíbrio orgânico do solo. V. A necessidade de que haja investimento em práticas alternativas, as quais visam à conservação e à preservação dos solos, em detrimento da degradação, contribuiu para a utilização da hidroponia e da aeroponia que são tecnologias de cultivo de plantas bastante exigentes e economicamente viáveis para inúmeras culturas, inclusive a soja, o milho e o trigo, amplamente cultivados na região Centro-Sul do Brasil. Assim, assinale a alternativa CORRETA. a) Estão corretas apenas as alternativas II, III e IV. b) Estão corretas apenas as alternativas I, II e IV. c) Estão corretas apenas as alternativas I, II, III e IV. d) Estão corretas apenas as alternativas III, IV e V. e) Estão corretas apenas as alternativas I, II, III.

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27. (UECE) Sobre o problema de degradação do meio ambiente, pode-se afirmar corretamente que a) a degradação dos vegetais não tende a interferir no ciclo hidrológico. b) as perdas de matéria orgânica nos solos ocorrem, principalmente, nos horizontes subsuperficiais em contato com a rocha matriz. c) a capacidade de reserva de água no solo, ou disponibilidade hídrica, independe da vegetação. d) com o desmatamento, há aceleração do escoamento superficial e remoção dos horizontes superficiais dos solos.

e procedimentos com vistas ao planejamento do uso e ocupação do solo é indispensável para a manutenção do equilíbrio ambiental dos sistemas agrícolas e urbanos. Sobre os sistemas agrícolas brasileiros e seu planejamento conservacionista, considere as afirmativas abaixo.

29. (UECE) O fator cobertura sobre o solo é de importância fundamental na prevenção e controle da erosão ou da intensificação dos processos erosivos. Com base nisso, é FALSO afirmar que: a) Nas áreas florestais em equilíbrio ecológico os efeitos da erosão pluvial são minimizados e os solos protegidos b) Em áreas desmatadas há intensificação considerável das ações erosivas comandadas por processos pluviais e eólicos c) O impacto das ações erosivas pluviais na biomassa das caatingas é atenuado em face da capacidade protetora da vegetação perenifólia e subperenifólia que justifica a proteção dos solos d) As áreas mais fortemente impactadas pelos sistemas erosivos estão associadas aos climas secos/semiáridos, em decorrência da baixa densidade da cobertura vegetal 2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

e) n.d.a.

30. (PUC-CAMPINAS) A erosão do solo é um problema que afeta em maior ou menor intensidade parte do espaço brasileiro, incluindo áreas de produção agropecuária. Observe a ilustração a seguir.

e) O cultivo em terraços, seguido de curvas de nível, ocasiona maior velocidade de escoamento superficial.

32. (FCMSCSP) “Os solos vêm sendo submetidos ao ataque intensivo da erosão, devido ao hábito generalizado de cultivar a terra segundo as linhas de maior declive e de até mesmo aproveitar as encostas mais íngremes.” Dentre as alternativas a seguir, assinale a que seria a melhor solução para os problemas do solo apresentados no texto acima: a) o emprego de fertilizantes químicos e a prática de sombreamento b) o plantio em curvas de nível e a preservação da mata nas cabeceiras dos rios c) a prática do sombreamento e a preservação da mata nos níveis mais baixos do relevo d) a prática do pousio e da rotação de terras e) o emprego da drenagem e da rotação de terras

Observando a ilustração é correto afirmar que a atividade a) 3 oferece maior possibilidade de erosão, enquanto 1 conserva mais o solo. b) 1 oferece maior possibilidade de erosão, enquanto 3 conserva mais o solo. c) 3 tem maior capacidade de conservação do solo que as atividades 1 e 2. d) 2 é considerada erosiva e as atividades 1 e 3 tendem a conservar mais o solo. e) 2 é menos erosiva quando comparada às atividades 1 e 3.

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31. (UFRGS) A erosão acarreta perda do solo, degrada as paisagens e causa assoreamento dos rios e represas. Assinale a alternativa correta sobre práticas para evitar problemas de erosão. a) O cultivo em áreas mais planas diminui a velocidade de escoamento, o que facilita a ocorrência de processos erosivos. b) As práticas que auxiliam no escoamento super­ficial das águas impedem a ocorrência de ravinas e voçorocas, e, portanto, a erosão dos solos. c) O cultivo em terraços, associado a uma maior velocidade de escoamento superficial, favorece a cobertura dos solos pela vegetação. d) A não exposição dos solos às intempéries e a adoção de medidas que reduzam a velocidade de escoamento superficial das águas diminuem a erosão.

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

33. Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em erosão dos solos é o de procurar resolver os problemas oriundos desse processo, que, em última análise, geram uma série de impactos ambientais. Além disso, para a adoção de técnicas de conservação dos solos, é preciso conhecer como a água executa seu trabalho de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A erosão causa, quase sempre, uma série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em grandes áreas. GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).

A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para evitar catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue no caminho contrário a essa solução é a) a aração. b) o terraceamento. c) o pousio. d) a drenagem. e) o desmatamento.

34. (UECE) Rotação de culturas é uma técnica agrícola de conservação que visa diminuir a exaustão do solo. Isto é feito trocando as culturas a cada novo plantio de forma que as necessidades de adubação sejam diferentes a cada ciclo. Consiste em alternar espécies vegetais, numa mesma área agrícola. A rotação de culturas é vantajosa por que a) viabiliza a possibilidade de produção de vários produtos na mesma safra. b) diminui a longo e médio prazo os gastos com recuperação de solo.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

c) garante, ao agricultor, maior lucratividade em curtíssimo prazo. d) aumenta a lucratividade do produtor por conta da qualidade do produto.

35. (UFF)

c) “Pode ser utilizado, desde que se plante em curvas de nível”. d) “Você perderá sua plantação, quando as chuvas provocarem inundação”. e) “Plante forragem para pasto”.

O trecho acima chama atenção para: a) o erro de se insistir em apoiar a política energética brasileira, exclusivamente, no petróleo; b) o efeito provocado pela alta do preço internacional do petróleo sobre o equilíbrio do real; c) o risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas, assim como, de explosões, em caso de vazamento de combustível em postos com instalações precárias; d) o custo do transporte urbano em consequência do pequeno número de postos de combustíveis em cidades como São Paulo; e) o inconveniente de os combustíveis serem distribuídos por meio de redes de postos dentro das cidades.

36. (ENEM) Um agricultor adquiriu alguns alqueires de terra para cultivar e residir no local. O desenho abaixo representa parte de suas terras.

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Pensando em construir sua moradia no lado I do rio e plantar no lado II, o agricultor consultou seus vizinhos e escutou as frases abaixo. Assinale a frase do vizinho que deu a sugestão mais correta. a) “O terreno só se presta ao plantio, revolvendo o solo com arado”. b) “Não plante neste local, porque é impossível evitar a erosão”.

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GABARITOS Capítulo 2 | Solos do Brasil

GABARITOS Capítulo 1 EXERCITANDO EM AULA 01. (c) 02. (e) 03. (d) 04. (a) 05. (c) 06. (a) 07. (a) 08. (e) 09. (e) 10. (c) 11. (d) 12. (c) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (d) 02. (a) 03. (d) 04. (b) 05. (d) 06. (a) 07. (a) 08. (a) 09. (b) 10. (b) 11. (e) 12. (a) 13. (a) 14. (d) 15. (c)

16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29.

(a) (b) (c) (b) (c) (a) (b) (e) (c) (a) (d) (a) (a) (a)

CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E APLICADAS

Capítulo 2 EXERCITANDO EM AULA 01. O solo é o resultado do processo de desintegração e decomposição das rochas devido ao intemperismo. As transformações nas rochas continuam até hoje, mas são muito lentas, sendo necessários séculos para que se forme um único centímetro de solo. Entre os fatores responsáveis pela formação do solo incluem-se o clima, a rocha matriz e os elementos orgânicos, além da topografia, ou seja, a inclinação do terreno. Conforme o local, alguns desses fatores podem exercer maior ou menor influência na formação dos solos, e é justamente essa variação que ocasiona a diversidade dos tipos de solo

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2º ANO - GEOGRAFIA 1 | VOLUME 1

02. (a) 03. (a) 04. Os solos considerados de boa potencialidade agrícola são aqueles mais profundos, bem drenados, com horizontes bem definidos, localizados em locais de topografia plana ou levemente ondulada. A associação da qualidade do solo com a topografia plana favorece a mecanização. Exemplos: - solos de massapê encontrados na Zona da Mata do Nordeste brasileiro. - solos aluviais – são marginais aos rios e excelentes para as culturas irrigadas. - solos de terra roxa, extremamente férteis, predominantes nos estados de São Paulo e Paraná. 05. (b) 08. (c) 06. (e) 09. (a) 07. (c) 10. (b) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 30. 01. (c) 31. 02. (a) 32. 03. (d) 33. 04. (b) 34. 05. (e) 35. 06. (c) 36. 07. (b) 08. (a) 09. (a) 10. 26 11. (d) 12. (d) 13. (a) 14. (b) 15. (c) 16. (e) 17. (a) 18. (c) 19. (d) 20. (a) 21. (a) 22. (e) 23. (b) 24. (d) 25. (c) 26. (b) 27. (d) 28. (c) 29. (c)

(a) (d) (b) (e) (b) (c) (c)


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 1 TÓPICO 1: O arcabouço geológico do Brasil

01. (UECE) Leia atentamente o seguinte enunciado: “Ocupando grande parte da estável Plataforma Sul-Americana, o Brasil era considerado, até pouco tempo, como assísmico, por não se conhecer a ocorrência de sismos destrutivos. Estudos sismológicos desde a década de 1970 mostraram que a atividade sísmica no Brasil, apesar de baixa, não pode ser negligenciada. [...] Pequenos sismos intraplaca podem ocorrer em qualquer local”. Assumpção, M. e Dias Neto, C. N. Sismicidade e estrutura interna da Terra. In: Decifrando a Terra. Teixeira, W. et al. São Paulo. Oficina de textos. 2001. p. 56.

Mesmo apresentando uma certa estabilidade sísmica, no Brasil ocorrem pequenos sismos. Algumas das áreas mais ativas são os estados do a) Rio Grande do Norte e Ceará. b) Rio de Janeiro e Paraná. c) Pará e Amapá. d) Acre e Piauí.

03. (UEM - ADAPTADA) De acordo com a teoria das placas tectônicas, a litosfera terrestre é formada por placas rígidas que deslizam, uma em relação às outras, sobre uma camada parcialmente fundida denominada astenosfera, localizada na parte superior do manto. Com base nessa teoria e na estrutura da litosfera, julgue s afirmativas abaixo e assinale a sequência CORRETA. I. A Serra do Mar compreende importante conjunto montanhoso, com escarpas voltadas para leste. Essa serra é formada sobre rochas pertencentes ao Dobramento Atlântico. II. A posição do território brasileiro no interior da placa Sul-Americana permitiu a manutenção da estabilidade tectônica sobre as províncias geológicas representadas por escudos, dobramentos antigos e bacias sedimentares.

a) b) c) d) e)

I, II, III. II, III, IV. I, IV, V. III, IV, V. Todas estão corretas.

04. (UEPG-ADAPTADA) Com relação aos fundamentos geológicos e geomorfológicos do Brasil, julgue as afirmativas abaixo e assinale a sequência com as CORRETAS: I. Geomorfologicamente, a maior parte do território brasileiro apresenta-se com altitudes abaixo dos 200 metros e se constitui de planícies, a exemplo da Amazônica, do Pantanal e Costeira. II. Os “mares de morros” têm seu domínio na região amazônica. III. As manifestações tectônicas são muito ativas sob o território brasileiro. IV. O território brasileiro apresenta-se geologicamente dividido entre escudos cristalinos (36% do território) e bacias sedimentares (64% do território). V. Os escudos cristalinos brasileiros são constituídos por rochas magmáticas e metamórficas. a) I, II. b) III, V. c) III, IV. d) IV, V. e) II, V.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

02. (UPF) Analise as afirmações sobre origem e tipos de rochas e marque a afirmativa incorreta. a) O processo de solidificação das rochas magmáticas intrusivas é lento e ocorre no interior da crosta terrestre. O granito é um exemplo. b) As rochas magmáticas extrusivas têm origem vulcânica e resultam de um rápido processo de resfriamento e solidificação do magma na superfície terrestre. O basalto é um exemplo. c) Rochas metamórficas resultam do acúmulo de partículas de matéria orgânica, que se solidificam em elevadas temperaturas, como o gás natural. d) Os afloramentos basálticos do arquipélago de Fernando de Noronha são exemplos de rochas magmáticas extrusivas. e) As rochas sedimentares, como arenito, carvão mineral e calcário, são originadas de acúmulos de sedimentos. O carvão mineral é uma das fontes de energia no mundo atual.

III. Os processos orogênicos são aqueles responsáveis pela formação das cadeias montanhosas próximas às bordas das placas tectônicas. IV. A expansão do assoalho marinho está associada à formação de rifts e a fossas submarinas. Nos rifts ocorrem as injeções de material metamórfico fundido pelo calor produzido no manto terrestre. V. As ondas denominadas tsunamis são produzidas por tremores de terra no fundo do oceano. Essas ondas apresentam velocidades e alturas menores nas áreas mais profundas do oceano, e velocidades e alturas maiores nas áreas mais rasas do litoral.

05. (ACAFE)

As estruturas geológicas e as formas de relevo influenciam as atividades humanas, sejam nas áreas rurais como nas urbanas. Sobre esse tema, analise as afirmações a seguir. I. O conhecimento das características do relevo é fundamental para o planejamento das atividades humanas, com destaque para os locais adequados à construção de moradias, formas de uso e ocupação do solo, traçado de rodovias, dentre outras. II. O relevo é resultante da ação conjunta de agentes internos, ou endógenos, impulsionados por forças tectônicas e agentes externos, ou exógenos, também chamados de modeladores do relevo.

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

III. O intemperismo é uma fase dos agentes externos que provoca a desagregação (intemperismo químico) e a decomposição (intemperismo físico), sendo que na segunda o fator principal é a variação da temperatura. IV. Em relação à estrutura geológica, o Brasil não dispõe dos dobramentos modernos, mas apresenta as bacias sedimentares, que cobrem a maior parte da superfície do país, e os escudos, ou maciços antigos.

a) b) c) d)

Todas as alternativas corretas estão em: I – II – IV I – II – III II – IV III – IV

06.

(ACAFE) A dinâmica terrestre mostra o planeta em constante transformação tanto em seu interior quanto na sua porção externa. Analise as afirmações a seguir quanto à geografia física geral e do Brasil. I. O relevo e o modelado da superfície da Terra são decorrentes da atuação dos agentes endógenos, como é o caso das forças tectônicas e dos agentes exógenos, que modelam e atuam de forma contínua no tempo geológico. II. A erosão e o intemperismo são dois processos que agem no relevo, sendo que as rochas sofrem, em relação ao segundo, dependendo do ambiente, a desagregação física e a decomposição química. III. A estrutura geológica do território brasileiro é constituída pelos escudos, ou maciços antigos, por dobramentos modernos, os mais recentes, e pelas bacias sedimentares, as quais predominam em 64% do território nacional. IV. A compreensão do clima de um lugar ocorre com o conhecimento da sucessão dos diferentes tipos de tempo – estado momentâneo da atmosfera - que atuam nesse lugar durante um período suficientemente longo.

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a) b) c) d)

Todas as afirmações corretas estão em: I – IV II – III I – II – III I – II – IV

07. (UEPG) Com relação aos fundamentos geológicos e morfológicos do território brasileiro, analise as afirmativas abaixo: I. O território brasileiro está localizado na placa tectônica Sul-Americana. Portanto, suas características físicas decorrem das estruturas geológicas e morfológicas dessa placa tectônica. II. As estruturas originais do embasamento geológico brasileiro formaram-se na era Arqueozoica há aproximadamente 3 milhões de anos. III. A plataforma Sul-Americana é composta de conjuntos de escudos cristalinos, rodeados por bacias sedimentares. IV. Por mais que o território brasileiro esteja localizado na plataforma Sul-Americana, ele não possui estabilidade geológica, estabilidade esta existente nas zonas de contato entre placas tectônicas. O território brasileiro é muito afetado por terremotos, como 2

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os que aconteceram no Brasil nos anos de 2010 e 2011.

a) b) c) d) e)

Estão corretos: I, II. II, III. I, III. II, IV I, IV.

08. (UFRN) Leia os fragmentos textuais a seguir: Entre os dias 12 e 24 de outubro de 2011, foram registrados nove abalos com mais de dois pontos na escala Richter, em João Câmara-RN. O maior deles ocorreu na terça-feira (24) e atingiu magnitude 2,8 na escala Richter, a qual vai até nove. A sequência foi suficiente para deixar população e autoridades em alerta. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/10/30/>. Acesso em: 10 jul. 2012. [Adaptado].

O governo do Chile pediu calma à população na madrugada desta terça-feira, 17 de abril de 2012, após um terremoto de magnitude 6,7 na escala Richter atingir o país. O tremor, ocorrido na região da cidade costeira de Valparaíso, foi seguido por um abalo secundário. Disponível em: <http://g1.globo.com/mundo/noticia /2012/04/>. Acesso em: 10 jul. 2012. [Adaptado]

Em relação à ocorrência de terremotos e considerando os dois casos referidos nos fragmentos textuais, é correto afirmar: a) Há uma reduzida predisposição à ocorrência desse fenômeno no Brasil devido à sua localização em uma área de encontro de placas tectônicas. b) Há uma elevada predisposição para a ocorrência desse fenômeno no Chile devido à sua localização próxima a uma área de encontro de placas tectônicas. c) No Brasil, esse fenômeno apresenta baixas magnitudes em decorrência da predominância do relevo de planalto. d) No Chile, esse fenômeno apresenta elevadas magnitudes em decorrência da predominância do relevo de planície.

09. (UEM) Analise as alternativas sobre o modelado da crosta terrestre. I. Os movimentos das placas tectônicas são responsáveis pelos agentes modificadores do relevo originados no interior da Terra. II. Os escudos cristalinos estão presentes em várias partes do modelado da Terra e são resultantes de dobramentos modernos como a Cordilheira dos Andes, na América do Sul. III. Nos diversos tipos de paisagens no Brasil, encontram-se escarpas conhecidas por sua beleza natural devido às rochas expostas conhecidas como “paredões”. IV. Existem várias classificações do relevo brasileiro, mas atualmente as três grandes unidades reconhecidas são os planaltos, as planícies e as depressões. V. A última década do planeta Terra foi considerada como um registro no modelo padrão de mudança do relevo terrestre, devido à homogeneidade de formas no relevo, resultantes das ações humanas.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

a) b) c) d) e)

Estão corretos: I, II, IV. II, III, V. III, IV, V. II, III, V. I, II, V.

d) A área 5 refere-se ao Vale do Aço, no Planalto das Guianas, principal área produtora de manganês no País. Utilize o mapa para responder à(s) questão(ões) a seguir.

TÓPICO 2: Os recursos minerais metálicos e não metálicos do Brasil

10. (ACAFE) A litosfera é a camada superficial de nosso planeta. Ela é importante para a vida. Sobre esse tema, é correto afirmar, exceto: a) A litosfera apresenta jazidas minerais de grande interesse econômico que foram formadas por ação de agentes endógenos, como é o caso do ferro, da bauxita e do carvão, encontrados nos escudos, ou maciços antigos. b) As relações entre a litosfera, a atmosfera e a hidrosfera envolvem importantes processos, como é o caso da erosão modeladora do relevo terrestre. c) A parte mais externa da Terra, também chamada de crosta, é formada por minerais, os quais apresentam elementos químicos na sua composição. d) A camada mais superficial da litosfera – o solo – é o produto final da ação do intemperismo, cuja dinâmica depende dos chamados agentes externos, como é o caso do clima, do relevo e dos seres vivos.

11. (ESPCEX-(AMAN)) O Brasil possui destaque mundial na exportação de minérios. Os minérios de ferro, manganês e a bauxita, importantes matérias-primas para as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, estão entre as principais commodities do País. A seguir estão numeradas no mapa algumas das mais importantes áreas de extração mineral no Brasil. Assinale a alternativa que expressa a correta relação entre o minério e a sua localização no território brasileiro.

12. (ESPM) É sabido que o Brasil não prima por grande quantidade nem qualidade de jazidas carboníferas. A pouca ocorrência que o país possui está concentrada na região identificada com o número: a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5 13. (ULBRA) A exploração dos recursos minerais no território

( )

( ) ( )

A área 1 refere-se à extração de ferro no Quadrilátero Ferrífero. a) Na área 2 situa-se uma das maiores reservas de manganês do mundo, no Maciço de Urucum. b) Na área 3 destacam-se as imensas reservas de bauxita. c) Na área 4 situam-se as maiores jazidas de ferro do mundo, na Serra de Carajás.

a) b) c) d) e)

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brasileiro tem papel fundamental na economia do país e no mercado de commodity. Associe adequadamente o produto primário à informação relacionada. 1. Minério de ferro 2. Ouro 3. Alumínio Também conhecida como bauxita, o Brasil possui grande reserva mundial e sua principal jazida está localizada no estado do Pará. Tem a sua exploração no chamado quadrilátero central, sendo que a sua produção destina-se ao abastecimento da siderurgia. A lavra gera impacto ambiental pelo uso do mercúrio na sua exploração. A sequência correta é 1; 2; 3. 3; 2; 1. 2; 1; 3. 3; 1; 2. 2; 3; 1.

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

14. (MACKENZIE) Observe a tabela. Minério

I.

II.

III.

Usos mais comuns Ligas para alguns tipos de aço e alumínio; pilhas comuns e alcalinas Ligas para bronze e para o revestimento de latarias de automóveis; solda para equipamentos elétricos e eletrônicos Fios e cabos elétricos; motores elétricos

Principais áreas de ocorrência no mundo China, África do Sul, Gabão, Austrália, Cazaquistão, Ucrânia, Índia.

Principais áreas de ocorrência no Brasil Serra dos Carajás, PA; Maciço do Urucum, MS; Quadrilátero Ferrífero, MG.

China, MaláVale do rio Masia, Peru, Indodeira entre AM nésia, Bolívia e e RO. Rússia. Chile, EUA, Peru, China, Austrália, Indonésia e Rússia.

Serra dos Carajás, PA; Jaguarari, BA; Alto Horizonte e Niquelândia, GO

Assinale a alternativa que contenha, apenas, os recursos minerais que preencham corretamente a tabela. a) I – Nióbio / II – Manganês / III – Bauxita b) I – Manganês /II – Estanho /III – Cobre c) I – Tântalo / II – Manganês / III – Níquel d) I – Nióbio /II – Tântalo /III – Manganês e) I – Níquel / II – Nióbio /III – Manganês Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões) a seguir.

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“Em janeiro deste ano, ao sobrevoarem o litoral do Estado do Espírito Santo e do sul da Bahia, biólogos, oceanógrafos e técnicos de órgãos ambientais do governo federal reconheceram os borrões escuros na superfície do mar formados pelo acúmulo de resíduos metálicos que vazaram do reservatório da mineradora Samarco em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. A mancha de resíduos, também chamada de pluma, aproximava-se do arquipélago de Abrolhos, uma das principais reservas de vida silvestre marinha da costa brasileira.”

V. No Quadrilátero Ferrífero, os combustíveis fósseis são encontrados em abundância em função das características geológicas da região.

a) b) c) d) e)

Estão corretas apenas as afirmativas: I e II. I e IV. II e V. III e IV. III e V.

16. (UFU) No Brasil encontramos grandes depósitos importantes de minérios. Parte desses minerais encontrados são metálicos e estão presentes em 4% do território brasileiro. O que poucos sabem é que os minerais metálicos não são renováveis, ou seja, a natureza não os repõe. Disponível em: <http://www.citra.com.br/minerais-metalicos-no-brasil/> Acesso em: 14 de fev. 2015

A ocorrência, no território brasileiro, do recurso natural apresentado está relacionada a) à antiguidade de sua estrutura geológica associada a afloramentos cristalinos. b) à formação de bacias sedimentares acompanhada de processos erosivos. c) à geração de dobramentos modernos seguida de intemperismo físico. d) aos processos tectônicos da era cenozoica coligada à formação de rochas metamórficas.

17. (ESPCEX) A partir do conhecimento das diferentes formações geológicas do território brasileiro, é possível deduzir a ocorrência de determinadas riquezas minerais. Na área I, hachurada no mapa esquemático das formações geológicas brasileiras a seguir, verifica-se a presença de jazidas de Formações geológicas do Brasil

(Carlos Fioravanti. Impactos Visíveis no Mar. In: Pesquisa FAPESP, abril/2016, p. 43)

15. (CEFET-MG) Analise as afirmativas sobre os recursos minerais do Brasil: I. Os minerais metálicos estão localizados em áreas de escudos cristalinos, onde há predominância de rochas magmáticas e metamórficas. II. Nas bacias sedimentares são encontrados combustíveis fósseis derivados de restos de animais e plantas que foram soterrados junto aos sedimentos que originaram as rochas sedimentares. III. Em função da formação mais recente e do menor custo de exploração, os combustíveis fósseis tornam-se mais atrativos que os minerais metálicos. IV. O Brasil apresenta problemas associados à geração de energia em virtude da ausência de dobramentos modernos. 4

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a) estanho e diamante. b) petróleo e carvão mineral. c) ferro e xisto.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

d) petróleo e cobre. e) ouro e calcário.

TÓPICO 3: Unidades e classificação do relevo do Brasil

minada Sertão. e) Área deprimida, vastas planuras, clima semiárido, presença de “brejos”, vegetação de caatinga, criação de gado em grandes propriedades, denominada Sertão.

18. (FUVEST) No Brasil, as formas de relevo representadas nos

20. (FUVEST) A propósito das grandes planícies e terras baixas bra-

blocos-diagrama a seguir incluem os tipos “mar de morros” e “cuestas”. Eles correspondem, respectivamente, aos números

sileiras e de sua distribuição geográfica, pode-se afirmar que elas a) predominam em área com relação aos planaltos, e a mais contínua é a planície litorânea. b) ocupam extensões menores do que os planaltos, apesar de sua grande expressão na Amazônia. c) equivalem em área aos planaltos, com a planície amazônica representando a metade de sua extensão. d) integram um sistema único e contínuo de depósitos sedimentares quaternários. e) correspondem geologicamente a bacias sedimentares antigas.

21. (FUVEST) No perfil esquemático a seguir, as grandes unidades de relevo representadas pelas letras A, B e C são respectivamente:

a) b) c) d) e)

1 e 2. 1 e 3. 3 e 4. 2 e 4. 4 e 1.

19. (UNESP) A figura adiante representa um perfil esquemático do Planalto Nordestino Brasileiro.

Fonte: Christofolctti A., Geografia para o mundo atual - 2º grau, C.E.N.

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a) Planalto Central, Depressão Periférica, Planalto Atlântico. b) Planalto da Bacia do Parnaíba, Depressão Sertaneja, Planalto da Borborema. c) Planalto Ocidental, Depressão Periférica, Primeiro Planalto. d) Primeiro Planalto, Segundo Planalto, Terceiro Planalto. e) Chapadão Central, Depressão do São Francisco, Serra do Espinhaço.

22. (UPE-SSA 2) Observe a figura a seguir:

Assinale a alternativa que expressa as características e o nome da unidade geográfica indicada com o número 3. a) Superfícies pouco elevadas, clima semiárido, vegetação de caatinga, cultivo do cacau e da cana-de-açúcar em grandes propriedades, denominada Agreste. b) Planície litorânea, presença de mangues, clima tropical úmido, resquícios de mata tropical, cultivo de cana-de-açúcar e cacau em grandes propriedades, denominada Zona da Mata. c) Área de transição, relevo de chapadas relativamente elevadas, presença de inúmeros rios, cultivo de produtos alimentares e criação de gado leiteiro em pequenas propriedades, denominada Agreste. d) Superfícies elevadas, densa hidrografia, clima tropical, resquícios de mata tropical, intensa atividade agrícola, deno-

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Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

Essa paisagem esboçada na figura mostra uma compartimentação do relevo de um trecho da Região Sudeste do Brasil, que foi influenciada pela conjugação da estrutura geológica com as ações erosivas, decorrentes das ações climáticas pretéritas. Na área, situa-se o município de Botucatu. O relevo observado é do tipo a) cristas residuais. b) pediplanos mesozoicos. c) domos cristalinos. d) cuestas. e) planaltos cristalinos.

23. (ACAFE) Sobre as unidades do relevo brasileiro, marque V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas, e assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) O Planalto Brasileiro é formado pelos planaltos Atlântico, Central e Meridional, que possuem formações rochosas distintas. ( ) O Planalto Meridional domina a Região Sul do Brasil e foi onde, na Era Mesozoica, ocorreram os derrames de lavas vulcânicas, origem da terra roxa. ( ) O Planalto das Guianas, que domina na Região Norte do Brasil, é composto de rochas sedimentares. ( ) A grande Planície Amazônica é formada por rochas da Era Mesozoica, ou seja, do período mais recente. ( ) No relevo brasileiro, destacamos três grandes planícies: Amazônica, Litorânea, ou Costeira, e Pantanal. a) b) c) d)

d) As planícies das lagoas dos Patos e Mundaú e Mirim localizam-se na porção oriental dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, não ultrapassando as fronteiras do Brasil com o Uruguai. e) A depressão da borda oeste da bacia do Paraná está esculpida totalmente nos sedimentos quaternários.

25. (UFG) Segundo os geógrafos Aroldo de Azevedo (1948) e Aziz Ab’Saber (1956), no Planalto Meridional do Brasil destaca-se a ocorrência de solos de terra roxa, caracterizados por elevada fertilidade natural e por isso muito utilizados nas atividades agrícolas. O tipo de rocha, a estrutura geológica que dá origem ao solo de terra roxa e a atividade agrícola historicamente nele desenvolvida são, respectivamente: a) o basalto, que é uma rocha ígnea extrusiva da Bacia Sedimentar do Paraná, onde se desenvolveu o cultivo de café. b) o arenito, que é uma rocha sedimentar marinha da Bacia Sedimentar do Maranhão, onde se desenvolveu a plantação de arroz. c) o granito, que é uma rocha ígnea intrusiva do Escudo Cristalino do Brasil Central, onde se desenvolveu o cultivo de feijão. d) o gnaisse, que é uma rocha metamórfica bandeada do Escudo Cristalino Atlântico, onde se desenvolveu o plantio de laranja. e) o diabásio, que é uma rocha ígnea extrusiva da Bacia Sedimentar da Amazônia, onde se desenvolveu o cultivo de pimenta-do-reino. 26. (UFG) Analise os mapas a seguir.

V-F-V-F-F V-V-F-F-V F-F-F-V-V F-V-V-F–F

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24. (UEFS) Para a atual proposta de identificação das macrounidades do relevo brasileiro, elaborada por Ross (1989), foram fundamentais os trabalhos de Ab’Saber e os relatórios e mapas produzidos pelo Projeto Radambrasil, na série Levantamento dos Recursos Naturais. O relevo brasileiro apresenta três tipos de unidades geomorfológicas, que refletem suas gêneses: os planaltos, as depressões e as planícies. ROSS, Jurandyr L. Sanches (org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000, p. 52.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a organização espacial do relevo brasileiro, é correto afirmar: a) A maior parte do território brasileiro é ocupado por terras baixas, as planícies. b) A presença de grandes montanhas no território brasileiro deve-se à sua localização, no centro da Placa Tectônica Sul-Americana, marcada, no passado, por grandes choques com outras placas. c) O planalto Atlântico, também conhecido como domínio dos Mares de Morros, é formado por morros em forma de topos convexos, com grande densidade de canais de drenagem e por vales profundos.

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2º ANO - Geografia 1 | VOLUME 1

Os mapas apresentados destacam as unidades de relevo e as bacias hidrográficas do território brasileiro. A comparação entre a localização geográfica dessas unidades e a rede hidrográfica revela que a bacia hidrográfica do Paraguai, no Brasil, possui a maior parte de sua área associada ao relevo de a) planície, com rios navegáveis de lento escoamento e pequeno potencial hidrelétrico, com ocorrência de enchentes frequentes no verão.


Capítulo 1 | Geologia e geomorfologia do Brasil

b) depressão, com rios intermitentes e perenes, em parte navegáveis, com nível muito baixo na estação seca. c) planície, com rios perenes, navegáveis em grande parte, com elevado potencial hidrelétrico e desembocadura em região litorânea. d) planalto, com rios em parte navegáveis, com grandes desníveis de altitude e elevado aproveitamento hidrelétrico. e) depressão, com rios parcialmente navegáveis e de elevado potencial hidrelétrico, com desembocadura em região litorânea.

TÓPICO 4: O relevo submarino e a morfologia litorânea do Brasil

27. (FUVEST) Estuários são ambientes aquáticos em que há a transição entre rio (água doce, com salinidade menor que 0,5 g de NaCl por kg de água) e mar (água salgada, com salinidade maior que 30 g de NaCl por kg de água). Existem diferentes tipos de estuários, dos quais três deles são: 1. Estuário bem misturado: ocorre quando há grandes variações de maré e fortes correntes, causando rápida mistura entre as águas. 2. Estuário parcialmente misturado: ocorre quando o mar tem variações moderadas de maré e há mistura entre as águas, porém com diferenças entre a região superficial e a profunda. 3. Estuário do tipo cunha salina: ocorre quando o rio desemboca no mar, em que este tem pouca variação de maré, gerando grande estratificação. Medidas de salinidade da água em função da profundidade foram realizadas em um ponto equivalente para esses três tipos de estuários, conforme mostrado no esquema a seguir, gerando os gráficos I, II e III.

b) Os ecossistemas costeiros são limitados por um espaço físico onde interagem fatores abióticos e bióticos, caracterizando determinadas estruturas e funções. c) Lagunas, estuários, planícies fluviomarinhas e baías são sistemas costeiros por excelência, têm estabilidade ambiental antiga, do ponto de vista de tempo geológico, e baixa vulnerabilidade à ocupação. d) As baías e os estuários são importantes vias de transporte, têm águas abrigadas e são, também, importantes fontes de nutrientes.

29. (UNITAU) Quando o mar, no seu trabalho de sedimentação, une uma ilha ao continente, formando um pequeno istmo, passa a chamar-se de: a) cordão litorâneo. b) plataforma de acumulação. c) dunas. d) penedia. e) tômbolos.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

A alternativa que relaciona corretamente o gráfico com a respectiva descrição do tipo de estuário é: a) 1-I; 2-II; 3-III b) 1-II; 2-I; 3-III c) 1-II; 2-III; 3-I d) 1-III; 2-I; 3-II e) 1-III; 2-II; 3-I

28. (UECE) Em se tratando dos sistemas ambientais ou ecossistemas costeiros, assinale a afirmação FALSA. a) A zona costeira corresponde ao espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos ambientais. 2º ANO - Geografia 1 | VOLUME 1

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 2 TÓPICO 1: A formação dos solos

03. (ENEM-(LIBRAS))

01. (G1 - COL. NAVAL) Chamamos de solo a camada superficial que recobre a litosfera. Essa camada é formada de materiais decompostos de rochas sob a ação combinada das outras três esferas da Terra: atmosfera, hidrosfera e biosfera. Com relação à realidade que envolve a formação e os tipos de solos existentes, assinale a opção correta. a) À transformação que a porção superficial da crosta terrestre sofre, resultante da interação com elementos climáticos – água e seres vivos, tanto física (desagregação) como química (decomposição) -, damos o nome de intemperismo. b) As formações dos solos resultam de combinações independentes das condições geológicas, geomorfológicas, climáticas e biológicas. Tais fatores implicam o predomínio de solos arenosos no país. c) A decomposição química exerce pouca influência na formação dos solos ricos em material orgânico, por isso se observa no Sertão nordestino o domínio de solos ricos em materiais dessa natureza, onde a ação das elevadas temperaturas comprovam essa realidade. d) O solo descende diretamente da “rocha-mãe”, o que implica dizer que o mesmo tipo de rocha dá origem sempre ao mesmo tipo de solo, pois as condições físicas, químicas e biológicas, apesar de serem importantes, são secundárias nessa formação. e) O conjunto de sedimentos que surge de uma rocha decomposta torna-se solo mesmo antes da ação dos ditos agentes externo (ar, vento e água), pois o solo, para se formalizar, depende somente da junção de vida microbiana em sua composição.

02. (UFES) Leia com atenção.

BRADY, N. L; WEIL, R. R. Elementos da natureza e propriedades do solo. São Paulo: Bookman, 2013.

Com base no perfil do solo apresentado, o horizonte que sofreu menor ação dos agentes externos do intemperismo é caracterizado pelo(a) a) acumulação de argila. b) contato com a atmosfera. c) proximidade com a rocha-matriz. d) predominância de cores escuras. e) decomposição de matérias orgânicas.

04. (UFJF-PISM 1) Observe o diagrama abaixo. Esse diagrama representa a relação entre o intemperismo físico e químico e o clima.

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I. O solo é constituído por rocha intemperizada, ar e matéria orgânica, formando um manto de intemperismo que recobre as rochas da crosta terrestre. II. O solo é resultado da ação conjugada de fatores físicos, químicos e biológicos, em função dos quais se apresenta sob diversos aspectos. III. A camada superior do solo, também chamada de horizonte A, é a mais importante para a agricultura, dada sua fertilidade. IV. Os solos podem ser eluviais, quando constituídos por sedimentos oriundos da rocha matriz, e aluviais, quando formados por agentes de transporte, tais como água e vento. Considerando as informações apresentadas sobre os solos, pode-se afirmar que estão CORRETAS a) apenas I e II. b) apenas II e III. c) apenas I e IV. d) apenas I, II e III. e) todas as afirmações. Fonte: PETERSEN, J. S. et al. Fundamentos de Geografia Física. São Paulo: Cengage Learning, 2014, p. 296.

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

Sobre o intemperismo físico e químico, podemos afirmar: a) as regiões localizadas em baixa latitude e que possuem climas úmidos possuem intemperismo químico menos intenso. b) nas florestas tropicais úmidas e nos climas de monções, o intemperismo químico é mais significativo do que o intemperismo físico. c) nas regiões áridas e frias, onde o intemperismo químico predomina, as rochas tendem a ser mais pontudas, angulares e recortadas. d) o intemperismo físico é elevado nos climas úmidos de latitudes medianas, sendo evidenciado pela profundidade dos solos e formas arredondadas. e) o intemperismo químico é considerado mais intenso em regiões de baixa temperatura e média precipitação.

05. (UFRGS)

Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo, referentes à constituição e à formação dos solos. ( ) O horizonte A de um perfil de solo é a camada mineral mais próxima à superfície e caracteriza-se pela concentração de matéria orgânica. ( ) Os solos das regiões áridas e semiáridas, quando comparados aos solos das regiões úmidas, comumente apresentam grandes quantidades de argila e de matéria orgânica. ( ) Nas áreas de declividade acentuada, os solos são mais rasos porque a alta velocidade de escoamento das águas diminui a infiltração e, consequentemente, o intemperismo. ( ) A acidificação dos solos é um processo que ocorre naturalmente na biosfera, porém os solos das regiões tropicais são submetidos o ano inteiro a altas temperaturas e à ação intensa das chuvas, favorecendo a formação de solos mais ácidos. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) F – V – F – V. b) V – F – V – V. c) F – F – V – V. d) F – V – V – F. e) V – F – F – F.

analise as seguintes afirmações. I. O solo é formado por um conjunto de corpos naturais tridimensionais, resultantes da ação integrada, entre outras coisas, do clima e dos organismos sobre o relevo. II. Os solos alóctones resultam do intemperismo da rocha subjacente. III. A adição pode ocorrer através da lixiviação ou erosão dos solos.

a) b) c) d)

Está correto o que se afirma somente em I. I e II. III. II e III.

07. (UECE) Atente ao seguinte excerto: “Os solos são corpos natu-

Palmieri, F. e Larach, J. O. I. Pedologia e Geomorfologia. Pág. 70. In. Geomorfologia e Meio Ambiente. Guerra, A. J. T. e Cunha, S. B. da. Rio de Janeiro. 1996. Bertrand Brasil.

Considerando o excerto acima e os conceitos de formação do solo, é correto afirmar que solo pedológico é formado a) por uma camada de sedimentos silicosos de origem distrófica que recobre a superfície terrestre. b) por sedimentos alíticos distróficos com elevada acidez, fator que favorece a sua fertilidade natural. c) por material mineral pouco espesso, com boa presença de sódio geralmente derivado de rochas do cristalino. d) por um conjunto de fatores, dentre os quais encontra-se a ação integrada do clima e dos organismos sobre o material de origem.

08. (UPE) Examine a sequência de figuras a seguir.

rocha

a) b) c) d) e)

Ela corresponde CORRETAMENTE à gênese dos solos. formação e evolução das rochas metamórficas. evolução das florestas de coníferas. erosão de rochas cristalinas. origem de neossolos hidromórficos.

O geógrafo Emmanuel de Martonne ressaltou a importância dos climas e dos solos na biodiversidade, quando escreveu:

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

06. (UECE) Considerando os solos e seus processos de formação,

rísticas (cor, textura, estrutura etc.) da ação combinada dos fatores associados aos mecanismos e processos de formação do solo”.

“A grande umidade do ar, geralmente vinculada a chuvas abundantes, favorece a decomposição química, mediante a água que se infiltra na superfície. Nos climas úmidos, os solos são geralmente profundos e as arestas de rochas são raras [...]. Os produtos da decomposição formam um manto mais ou menos contínuo que mascara as irregularidades do subsolo e suaviza todas as formas. Nos climas secos, a decomposição mecânica, devido, sobretudo, às varições de temperatura, se faz sentir muito mais. Os detritos são mais grosseiros e [...] desabam, deixando à mostra as escarpas rochosas [...]”. MARTONNE, Emmanuel de. O clima, fator do relevo. São Paulo: Alfa-Ômega, 1974. p.6.

09. (UFSM) Com base no texto, é correto afirmar que climas úmidos favorecem

rais da superfície terrestre que ocupam áreas e expressam caracte-

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

o desenvolvimento de solos com perfil raso. a configuração de escarpas rochosas íngremes. a intemperização química e a suavização das formas de relevo. a desagregação mecânica, formando um manto de detritos mais grosseiros. e) a erosão diferencial e o alto nível de decomposição física das rochas. a) b) c) d)

TÓPICO 2: A classificação dos solos

10. (UECE) Os processos pedogenéticos são mecanismos e/ou reações físicas, químicas e biológicas que produzem, no solo, características relacionadas com os fatores de formação. Atente ao que se diz sobre a formação de alguns tipos de solo. I. Os chernossolos são derivados de material argiloso ou muito argiloso e com alta saturação por bases e, ao mesmo tempo, sob vegetação com alta biomassa no horizonte A. II. Os neossolos quatzarênicos podem-se formar sobre depósitos arenosos, da mesma forma, local e processo como se formam os neossolos flúvicos. III. A origem dos organossolos está relacionada ao excesso de água e à alta taxa de adição de restos orgânicos. a) b) c) d)

Está correto o que se afirma em I e III apenas. I, II e III. III apenas. I e II apenas.

11. (UPE) Observe a paisagem a seguir, típica de um ambiente tro-

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pical quente e úmido, atravessada por uma corrente fluvial que, em determinados meses do ano, extrapola o seu leito menor e se expande pelo seu leito maior, gerando uma morfoescultura de planície. Na área indicada na paisagem pela seta, o solo é do tipo

deve possuir, naturalmente, uma série de condições: boa quantidade de húmus, um pH neutro, boa quantidade de elementos nutrientes, fácil penetração do ar e da água em seu interior, entre outras. Sobre os solos férteis do Brasil, pode-se afirmar. I. Os solos de maior fertilidade natural do Brasil se localizam nas áreas dos planaltos sedimentares basálticos, principalmente nos estados de São Paulo e do Paraná. Destaca-se aí a terra roxa, como é regionalmente conhecida. II. O massapé é outro solo fértil, encontrado na faixa litorânea do Nordeste, na chamada Zona da Mata. O massapé se origina da decomposição do granito, do gnaisse e, às vezes, do calcário. III. Embora existam alguns solos de alta fertilidade natural no Brasil, normalmente, eles, como todos os solos tropicais em geral, são frágeis e requerem cuidados especiais, para não se empobrecerem de forma intensa. IV. Nos solos férteis, encontram-se grandes quantidades de minerais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, ferro, manganês, zinco, boro, cobre e outros. V. Os solos férteis naturais são aqueles que nunca perdem suas propriedades, mesmo com intensa atividade da agricultura e o uso de técnicas de manejo atrasadas como a queimada, também conhecida como coivara.

a) b) c) d) e)

Assinale a alternativa correta. Somente as afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras. Somente as afirmativas I e V são verdadeiras. Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras. Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras. Todas as afirmativas são verdadeiras.

13. (UNIMONTES)

Sobre os tipos de solos e suas características, assinale a alternativa incorreta. a) Os solos aluviais formam-se por acúmulo de sedimentos e partículas, transportados a grandes distâncias pela força das águas e dos ventos. b) O solo muito arenoso apresenta alto teor de matéria orgânica e grande capacidade de retenção de água, sendo, assim, muito fértil. c) Os solos mais escuros são os de mais alto valor para a agricultura, pois apresentam grande quantidade de matéria orgânica. d) O processo de formação do solo, a partir de uma rocha-matriz, é um processo lento e depende da ação de elementos naturais como o clima.

14. (UEFS) a) b) c) d) e)

aluvial. coluvial. latossolo. neossolo litólico. podzólico.

12. (UDESC) O conceito de fertilidade do solo refere-se à sua importância econômica, isto é, à sua capacidade de permitir um eficaz desenvolvimento da agricultura. Para ser fértil, um solo 10

2º ANO - Geografia 1 | VOLUME 1

I. É um solo quimicamente fértil e com elevada quantidade de matéria orgânica, tem alta produtividade agrícola, sendo muito utilizado para o plantio de trigo. II. Solo formado pela deposição de sedimentos carregados pelo vento, sendo que, na China, é intensivamente utilizado para produção de arroz. III. Solo argiloso e de elevada fertilidade química natural, sendo a presença da argila importante para regular a drenagem e, consequentemente, evitar a perda de nutrientes.


Capítulo 2 | Solos do Brasil

A alternativa que corresponde ao nome dos solos caracterizados em I, II e III, respectivamente, é a a) Latossolo vermelho / eluvial / terra roxa. b) Humífero / podzol / salino. c) Tchernozion / loess / massapê. d) Aluvial / arenoso / litossolo. e) Zonal / hidromórfico / latossolo preto.

15. (ENEM) A presunção de que a superfície das chapadas e chapadões representa uma velha peneplanície é a corroborada pelo fato de que ela é coberta por acumulações superficiais, tais como massas de areia, camadas de cascalhos e seixos e pela ocorrência generalizada de concreções ferruginosas que formam uma crosta laterítica, denominada “canga”. WEIBEL, L. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 8 jul. 2015 (adaptado).

Qual tipo climático favorece o processo de alteração do solo descrito no texto? a) Árido, com déficit hídrico. b) Subtropical, com baixas temperaturas. c) Temperado, com invernos frios e secos. d) Tropical, com sazonalidade das chuvas. e) Equatorial, com pluviosidade abundante.

16. (UECE) Os solos não hidromórficos que têm limitações para a agricultura e que ainda apresentam horizonte A diretamente sobre a rocha original, podendo ser eutróficos ou distróficos, e que recobrem aproximadamente 19% do semiárido nordestino são conhecido como a) litossolos. b) gleissolos. c) cambissolos. d) argissolos.

a) b) c) d) e)

Assinale a alternativa correta. Somente a afirmativa I é verdadeira. Somente a afirmativa II é verdadeira. Somente as afirmativas I e II são verdadeiras. Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. Todas as afirmativas são verdadeiras.

18. (UEPB) Nas regiões mais pobres do planeta, existe uma grande lacuna a ser preenchida quanto ao desenvolvimento econômico e social nas áreas suscetíveis ou em processo de desertificação. No Brasil, entre as áreas mais afetadas estão os pampas gaúchos, o cerrado do Tocantins, o norte de Mato Grosso e o Polígono das Secas no Nordeste, onde 10% das terras na área sofrem processo de desertificação grave. Com base nas informações do texto e em seus conhecimentos, escreva F ou V, conforme sejam falsas ou verdadeiras para as proposições que tratam da temática mencionada acima. ( ) O processo de desertificação no sertão nordestino é resultante das características edafoclimáticas da região. ( ) A desertificação é resultante da inadequação dos sistemas produtivos, do manejo da terra de forma desordenada que provoca a degradação dos solos, da vegetação e da biodiversidade. ( ) As queimadas são práticas que aceleram o processo de desertificação. ( ) A desertificação é um problema social e ambiental que torna a terra improdutiva, afetando a produção agrícola, a pobreza no campo e o processo de emigração para os centros urbanos da população que não consegue mais sobreviver na área. ( ) A desertificação também é acelerada por ações humanas, como a criação extensiva de gado e o desmatamento.

a) b) c) d) e)

Assinale a sequência correta das assertivas. F–F–V–V–V F–V–F–V–V V–V–F–F–V F–V–V–V–V V–F–F–F–V

19. (ENEM-PPL) Estima-se que cerca de 80% da área cultivada do estado de São Paulo esteja sofrendo processo erosivo, causando uma perda de mais de 200 milhões de toneladas de solo por ano. 70% desse solo chegam aos mananciais, causando assoreamento e poluição.

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17. (UDESC) Os solos podem ser classificados, de forma simplificada, em três tipos. Analise as proposições sobre os tipos de solo. I. Solos arenosos: muito porosos e permeáveis, permitem o escoamento da água com rapidez, por isso eles secam logo. Geralmente são pobres em nutrientes, fruto da lixiviação. II. Solos argilosos: os grãos, por estarem bem próximos uns aos outros, retêm água e sais minerais necessários à fertilização das plantas. Quando em excesso, a água pode dificultar a circulação de ar, prejudicando o desenvolvimento das plantas. III. Solos humíferos: férteis, pois, embora porosos, facilitam a circulação do ar, retendo boa quantidade de água no solo.

TÓPICO 3: Problemas que afetam o solo

ZOCCAL, J. C. “Adequação de erosões: causas, consequências e controle de erosão rural”. Soluções cadernos de estudos em conservação do solo e da água. Presidente Prudente: Codasp, v. 1, n. 1, maio 2007. Adaptado.

Como São Paulo, todo o Brasil sofre com o problema da deflagração e aceleração da erosão hídrica em áreas cultivadas, sendo que a perda de solos por esse tipo de erosão caracteriza-se por ser a) mais intensa em solos onde se utiliza a técnica de associação de culturas, em comparação com cultivos que deixam a maior parte do solo exposto às intempéries. b) menos intensa em solos que, revolvidos, ficam expostos às chuvas, em comparação àqueles onde são aplicadas técnicas de plantio direto. c) mais intensa nos solos onde são realizados cultivos temporários, em comparação àqueles sobre os quais as coberturas de mata são preservadas.

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

d) mais intensa em solos expostos a chuvas bem distribuídas, em comparação àqueles sobre os quais a quantidade de chuvas é concentrada ao longo do ano. e) menos intensa nos solos cujos alinhamentos dos cultivos seguem as linhas de maior inclinação, em comparação àqueles onde são aplicadas técnicas de terraceamento.

20. (UECE) Tratando-se do processo de desertificação, as afirmações a seguir são verdadeiras, EXCETO. a) Segundo a Convenção das Nações Unidas, a desertificação é a degradação da terra nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultante de fatores diversos, tais como a variação climática e as atividades humanas. b) Para o Brasil, as áreas enquadradas no conceito de desertificação, consensualmente aceito, são aquelas abrangidas pelo semiárido do bioma das caatingas. c) A degradação das terras supõe, essencialmente, a degradação dos solos, dos recursos hídricos e da biodiversidade e não implica perda de qualidade de vida da população afetada. d) O semiárido brasileiro apresenta diversidades geoambientais, e as deficiências hídricas afetam diretamente as atividades ligadas ao setor primário da economia.

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21. (UFPR) No dia 11 de março de 2011, ocorreu na região central da Serra do Mar paranaense um conjunto de escorregamentos, desencadeados em virtude de elevados índices pluviométricos concentrados nesse dia, associados à umidade acumulada dos dias antecedentes. Os escorregamentos, predominantemente, situaram-se nas posições superiores e íngremes das encostas. O volume de material desprendido nesse episódio, por meio dos escorregamentos, consistiu em blocos rochosos, solo e troncos de árvores, que foram transportados e seguiram caminho de fluxo em direção às áreas de planície, resultando em mortes e grandes danos por destruição total ou parcial de casas, ruas, estradas, pontes e lavouras. Sobre esse evento ocorrido na Serra do Mar do estado do Paraná, identifique as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F): ( ) Os solos nas posições superiores das encostas da Serra do Mar paranaense apresentam-se pouco espessos, característica que contribuiu para os escorregamentos, levando a uma rápida saturação hídrica pelo evento de chuva, o que promoveu o desencadeamento dos processos. ( ) Um dos fatores que agravou a ocorrência dos escorregamentos nesse evento na Serra do Mar paranaense foi a ocupação urbana nas áreas mais elevadas, pois exercem grande peso nas encostas. ( ) A declividade da encosta afeta diretamente a sua estabilidade frente aos processos de escorregamento, motivo pelo qual a maior parte deles ocorreu nas áreas mais declivosas. ( ) Consensualmente, sabe-se, no meio científico, que, devido ao aquecimento global promovido pela ação do homem, os valores de precipitação aumentarão na Serra do Mar, ampliando cada vez mais a ocorrência desses processos e a sua área de influência.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. a) V – F – V – V. b) F – V – V – V. c) V – F – V – F. d) F – F – F – V. e) V – V – F – F.

22. (UECE) Erosão é um processo natural presente nos mais diversos ambientes do planeta. Relacione corretamente os tipos de erosão com os respectivos locais de ocorrência, numerando a Coluna II de acordo com a Coluna I. 1. 2. 3. 4. ( ) ( ) ( ) ( )

a) b) c) d)

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A sequência correta, de cima para baixo, é: 3, 1, 2, 4. 3, 2, 4, 1. 1, 2, 3, 4. 2, 1, 4, 3.

23. (UPE-SSA 1) Um dos temas que vêm sendo muito debatidos na comunidade geográfica brasileira diz respeito ao que se conhece como Desertificação, que, segundo a UNCED - United Nations Conference on Environment and Development, corresponde à degradação ambiental de terras em áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, resultantes de vários fatores, incluindo variações climáticas e atividades humanas. 1.

2.

3.

4.

12

Coluna I Erosão fluvial Voçorocas Erosão em splash Erosão laminar Coluna II Processo decorrente do efeito gerado pela queda das gotas de chuva sobre o solo ou estruturas de relevo. Processo que ocorre pela ação dos rios quando estes se excedem e avançam sobre as margens. Formação de grandes crateras que ocasionalmente atingem o lençol freático ou estruturas internas dos solos. Ocorre quando o escoamento superficial da precipitação carreia o solo, retirando a sua cobertura superficial.

Sobre esse tema, analise as afirmativas a seguir: A desertificação aumentará a perda de biomassa e de produtividade do planeta, contribuindo para o esgotamento das reservas de húmus, perturbando, assim, as transformações biogeoquímicas nas áreas afetadas por esse processo. A desertificação é um processo de degradação ecológica, no qual o solo fértil e produtivo perde, total ou parcialmente, o potencial de produção. A desertificação contribui para a mudança climática global, aumentando o albedo da superfície terrestre e diminuindo a taxa de evapotranspiração, modificando, portanto, o equilíbrio energético da superfície e a temperatura do ar. A desertificação converte pessoas que vivem nas áreas atin-


Capítulo 2 | Solos do Brasil

gidas pelo processo em refugiados ambientais, buscando melhores terras para realizar atividades agrícolas. 5. A desertificação no Brasil intensificou-se nas últimas décadas e vem atingindo, indistintamente, espaços geográficos situados em faixas semiáridas, tropicais subúmidas e, até, em áreas úmidas, submetidas ao proceso de arenização.

a) b) c) d) e)

por lâmina de ferro. A calha, por sua vez, é conectada a tambores por saídas laterais. O trabalho do pesquisador é coletar, a cada chuva, o volume de água e sedimentos armazenados na calha e nos tambores, medindo-os, secando-os e pesando-os em balança de precisão.

Estão CORRETAS apenas 1 e 4. apenas 2 e 3. apenas 1, 2 e 4. apenas 2, 4 e 5. 1, 2, 3, 4 e 5.

24. (FUVEST) O conceito de erosão apresenta definições mais amplas ou mais restritas. A mais abrangente envolve os processos de denudação da superfície terrestre de forma geral, incluindo desde os processos de intemperismo de todos os tipos até os de transporte e deposição de material. Outro conceito, mais restrito, envolve apenas o deslocamento do material intemperizado, seja solo ou rocha, por agentes de transporte como a água corrente, o vento, o gelo ou a gravidade, produzindo formas erosivas características. R. Fairbridge. The Encyclopedia of Geomorphology, 1968. Adaptado.

Exemplo de processo ao qual se aplica o conceito mais restrito de erosão é a) a formação de rochas. b) a oxidação de rochas. c) a formação de sulcos no solo. d) a formação de concreções no solo. e) o vulcanismo da crosta.

TÓPICO 4: Combate aos problemasdo solo

26. (FGV) Leia o excerto e analise a imagem.

27. (ENEM)

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25. (G1 - CPS) Segundo o geógrafo Paulo Roberto Moraes, entende-se por degradação dos solos a redução da qualidade desse recurso natural devido às ações naturais e/ou humanas. Existem medidas que podem prevenir ou reverter a degradação dos solos, entre elas, podemos citar corretamente: a) cultivar sempre o mesmo tipo de espécie vegetal para acostumar o solo com as demandas de nutrientes exigidas. b) alargar o tamanho das voçorocas para aumentar a área de plantio, ampliando, assim, a produção agrícola. c) intensificar o processo de lixiviação, que permite o acúmulo de nutrientes no solo, deixando-o mais fértil. d) plantar em curvas de nível, técnica que consiste em cultivar seguindo cotas altimétricas do relevo. e) incentivar a salinização dos solos, uma vez que o sal facilita o manuseio da terra.

A partir de conhecimentos sobre técnicas de conservação dos solos, é correto afirmar que no experimento a) o escoamento superficial será menor no solo sem vegetação. b) o tambor do solo sem vegetação apresentará maior quantidade de sedimentos. c) o processo erosivo será interrompido no solo com vegetação. d) o escoamento superficial será maior no solo com vegetação. e) o tambor do solo com vegetação apresentará maior quantidade de sedimentos.

Na imagem, visualiza-se um método de cultivo e as transformações provocadas no espaço geográfico. O objetivo imediato da técnica agrícola utilizada é

O experimento constitui-se por lâminas ou placas de metal galvanizado que fecham três lados de um retângulo com um quarto lado posicionado na parte mais baixa da área de amostragem, na qual se instala uma calha coletora, também construída

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

a) b) c) d) e)

controlar a erosão laminar. preservar as nascentes fluviais. diminuir a contaminação química. incentivar a produção transgênica. implantar a mecanização intensiva.

28. (MACKENZIE) A figura abaixo retrata um tipo de agricultura muito comum em determinada região do mundo.

Analise-a e assinale a alternativa que indique corretamente a região mais provável a que ela se relaciona. a) Planícies Centrais do EUA com cultivos de trigo. b) Prairie no Centro-sul canadense, ao longo da fronteira com os EUA. c) Oeste da Rússia, nos solos negros e muito férteis conhecidos como Tchernozion. d) Na região agrícola entre a Argentina e o Uruguai, conhecida como Pampa. e) No sul e sudeste da Ásia com o máximo de aproveitamento possível dos solos.

29. (UFRGS) A erosão acarreta perda do solo, degrada as paisa-

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

gens e causa assoreamento dos rios e represas. Assinale a alternativa correta sobre práticas para evitar problemas de erosão. a) O cultivo em áreas mais planas diminui a velocidade de escoamento, o que facilita a ocorrência de processos erosivos. b) As práticas que auxiliam no escoamento superficial das águas impedem a ocorrência de ravinas e voçorocas, e, portanto, a erosão dos solos. c) O cultivo em terraços, associado a uma maior velocidade de escoamento superficial, favorece a cobertura dos solos pela vegetação. d) A não exposição dos solos às intempéries e a adoção de medidas que reduzam a velocidade de escoamento superficial das águas diminuem a erosão. e) O cultivo em terraços, seguido de curvas de nível, ocasiona maior velocidade de escoamento superficial.

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Capítulo 2 | Solos do Brasil

ANOTAÇÕES

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GABARITOS

GABARITOS Capítulo 1

Capítulo 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

(a) (c) (a) (d) (a) (d) (c) (a) (a) (a) (b) (e) (d) (b) (a) (a) (a) (c) (e) (b) (b) (d) (c) (c) (a) (a) (e) (c) (e)

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01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29.

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2º ANO - Geografia 1 | VOLUME 1

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