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FILOSOFIA VOLUME 1

CIรŠNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS PALAVRA DO AUTOR


Ciências humanas e suas tecnologias: Matriz de Referência C3

Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. H14

Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.


C

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O

L TU

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COMPETÊNCIAS:

C3

O conhecimento filosófico HABILIDADES:

H14

APRESENTAÇÃO Os questionamentos e reflexões acerca das questões que envolvem o mundo e a existência humana são milenares. No entanto, no Ocidente, só a partir do século VI a.C. que essas indagações foram formuladas racionalmente pelos gregos. Estudaremos as características da reflexão filosófica e a relação desta com as nossas práticas cotidianas. Não raro, filósofos são encarados como pessoas desligadas do mundo, mas, na verdade, o filósofo é um eterno insatisfeito com as respostas prontas; ele busca aprofundar o seu conhecimento sobre si e sobre a realidade que o cerca, sempre levando em consideração o fato de que todo o conhecimento que ele adquire nunca está pronto e acabado. Descobriremos também que a reflexão filosófica se opõe ao senso comum (conhecimento não aprofundado) e voltaremos no tempo para analisar o nascimento da Filosofia ocidental com os pré-socráticos, bem como os fatores que se conjugaram para o início do desenvolvimento de um pensamento sistemático na história do Ocidente.


Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

TÓPICO 1 • Filosofia e preconceito Shutterstock.com

Pensamento e ação não podem ser desvinculados um do outro, uma vez que o pensamento aperfeiçoa a prática, da mesma forma que a ação prática modifica a forma de conceber as coisas. No mundo contemporâneo, multidisciplinar e holístico, não se admite mais imaginar a prática desvinculada do pensamento, nem a Filosofia como algo exótico, diferente de tudo. Essa separação arbitrária entre pensamento e ação prática só existe por causa da desinformação e do preconceito. Na sociedade do conhecimento, todos os saberes, inclusive o pensar filosófico, são imprescindíveis para qualquer pessoa. A Filosofia não é “uma conversa sobre conversas”, e sim reflexão lógica sobre o mundo real. Uma das funções do pensar filosófico é obter uma visão de conjunto dos objetos com os quais lidamos no dia a dia. Shutterstock.com

Imagem 1.1. O Pensador, escultura de Auguste Rodin

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Reprodução

Muitas pessoas, baseadas no senso comum, encaram a figura do filósofo como alguém completamente desconectado da realidade. Essa visão equivocada encontra ecos, por exemplo, na Grécia Antiga. No livro As nuvens, o dramaturgo e comediógrafo Aristófanes (445-385 a.C.) se dedicou a ridicularizar a figura de Sócrates, que, segundo ele, era um ateu e blasfemo que perdia tempo com assuntos fúteis e induzia os seus alunos ao erro. Para ele, Sócatres representava uma nova filosofia que traria consequências desastrosas para a educação. Na comédia, Aristófanes reproduziu alguns diálogos socráticos em que temáticas supostamente irrelevantes eram discutidas em um tom solene. Além disso, descreveu Sócrates como alguém que “anda pelo ar”, para se referir ao fato de que o mestre de Platão era um ser utópico e desconectado da realidade. A impressão de que o filósofo é alguém “desligado” advém do fato de o pensamento filosófico e, portanto, a Filosofia, não possuir uma função utilitarista. O que as pessoas querem perguntar, de fato, quando indagam sobre a utilidade da Filosofia, é se o conhecimento filosófico tem alguma serventia para obter o que o mundo materialista contemporâneo considera importante, como, por exemplo, ter bastante dinheiro, moImagem 1.2. Aristófanes rar em mansões, dirigir carros luxuosos, comprar roupas de marca etc. Em suma, na ótica de muita gente, pensar racionalmente, refletir criticamente e buscar uma compreensão mais profunda da realidade na qual estamos inseridos — que são os objetivos da Filosofia — se tornou algo secundário em relação aos prêmios e prazeres que a sociedade de consumo nos faz acreditar serem essenciais. O equívoco do senso comum também leva a crer que a Filosofia se contrapõe a tudo o que é prático, útil e concreto. Pensando assim, as pessoas tendem a desvincular o pensamento (Filosofia) da prática. No entanto, essa proposição é falaciosa.

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Imagem 1.3.

EXERCITANDO EM AULA 01. O senso comum trata o filósofo, preconceituosamente, como alguém “desligado” e desconectado da realidade. Essa afirmação tem base histórica e remonta às origens da Filosofia ocidental. Porém, essa noção de filósofo NÃO se justifica, porque: a) o filósofo Sócrates, de fato, “andava pelo ar”, assim como Aristófanes o descreveu em sua obra As nuvens. b) na verdade, os filósofos e a Filosofia pretendem servir para alguma coisa, mas não possuem nenhum valor utilitário relevante. c) a filosofia reflete criticamente a respeito das coisas e busca uma compreensão profunda da realidade; e isso faz do filósofo alguém muito mais “ligado” do que o contrário. d) está demonstrado que pensar racional e filosoficamente é algo secundário diante de outros valores essenciais contemporâneos.


Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

TÓPICO 2 • A insatisfação do filósofo

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Segundo o filósofo Gerd A. Bornheim (1929-2002), o que motivou os estudos filosóficos do pai da Filosofia Moderna, René Descartes (1596-1650), foi um profundo sentimento de insatisfação que se traduziu nas diversas partes da sua dúvida metódica. O filósofo, ou simplesmente qualquer pessoa que tenha atitude filosófica, é, em primeiro lugar, um insatisfeito.

Imagem 1.4.

ESCLARECENDO

sapiens (que constrói conhecimento) do que buscar a razão e a causa mais profunda das coisas. “As aparências enganam”, diz um antigo ditado popular, e talvez seja porque as aparências de fato enganam que o filósofo busca um conhecimento que possa ser fruto da razão e não de uma mera atitude emocional que não consiga ir além da superfície. O mais essencial de tudo aquilo que nos rodeia encontra-se envolto em uma bruma de dissimulações que precisa ser desfeita para que o real apareça. As coisas não são exatamente como nós as concebemos em primeira mão; há, por trás delas, razões que precisam ser conhecidas e esclarecidas por aqueles que não se contentam com a passividade intelectual. “Conhecer é poder”; só quando conhecemos podemos transformar a realidade e torná-la mais humana, e tornar os indivíduos mais autônomos e capazes de se autodefinir. Mas o conhecimento filosófico não se constrói apenas com insatisfação e racionalidade; a admiração é também um dos fatores motivadores do pensar filosófico, desde a Antiguidade. Os primeiros filósofos gregos (século VI a.C.) eram indivíduos admirados com a complexidade do cosmos (universo ordenado) e, por isso, queriam explicá-lo. Para Platão, o pensar filosófico se inicia porque o homem admirado com o universo quer conhecer a causa e o princípio das coisas. Ele deseja saber por que o mundo existe e por que ele é como é, ou seja, de que forma o mundo surgiu e como ele se mantém em ordem, mesmo que as coisas sejam passíveis de mudanças.

A dúvida metódica

Entretanto, essa insatisfação que aflige o filósofo e origina o pensamento filosófico não tem origem em algum tipo de frustração ou na necessidade pessoal de fazer críticas infundadas. O questionamento filosófico é resultado da não acomodação a um sistema político, social e econômico injusto e aos métodos que desestimulam o senso crítico das pessoas. A Filosofia tem na insatisfação o seu combustível, porque todo indivíduo que resolve ter uma atitude filosófica deseja analisar o mundo ao seu redor de forma racional, bem como ir além das explicações superficiais e pouco atentas dos fenômenos e estruturas humanas. Aliás, nada mais normal para o Homo sapiens

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René Descartes, filósofo racionalista francês e autor da obra O discurso do método, desenvolveu a chamada dúvida metódica. Determinado a só dar crédito e considerar verdadeiro aquilo que fosse evidente, desenvolveu um método que o levasse a uma verdade incontestável. Para Descartes, a dúvida seria o próprio método que levaria ao conhecimento verdadeiro. Ele começou duvidando de tudo o que existia. Ele se propôs a deixar de lado as ideias preconcebidas e ir ampliando a dúvida, partindo dos aspectos simples até os mais complexos do objeto estudado. Dessa forma, a dúvida se mostrava não como um meio para a afirmação do ceticismo, mas como um instrumento por meio do qual o conhecimento verdadeiro seria atingido.

ESCLARECENDO Cosmos: era como os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos) chamavam a ordem do universo. Este conceito se opõe à ideia de caos (mundo desorganizado, indiferenciado).

Ainda segundo Platão, “a verdadeira marca de um filósofo é o sentimento de admiração” e a admiração é o elemento fundamental da gênese do filosofar. A partir desse espanto, o filósofo é levado a acreditar que as coisas ao seu redor precisam ser explicadas tendo como ponto de partida e instrumento a razão.

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EXERCITANDO EM AULA 02. A dúvida é uma atitude que contribui para o surgimento do pensamento filosófico moderno. Neste comportamento, a verdade é atingida através da supressão provisória de todo conhecimento, que passa a ser considerado como mera opinião. A dúvida metódica aguça o espírito crítico próprio da Filosofia. (Adaptado de Gerd A. Bornheim, Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Editora Globo, 1970, p. 11.)

A partir do texto, é correto afirmar que: a) A Filosofia estabelece que opinião, conhecimento e verdade são conceitos equivalentes. b) A dúvida é necessária para o pensamento filosófico, por ser espontânea e dispensar o rigor metodológico. c) O espírito crítico é uma característica da Filosofia e surge quando opiniões e verdades são coincidentes. d) A dúvida, o questionamento rigoroso e o espírito crítico são fundamentos do pensamento filosófico moderno.

TÓPICO 3 • Filosofia, senso comum e dogmatismo

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A Filosofia Ocidental é uma forma de conhecer o mundo que conta, em seus registros, com mais de 2.500 anos de existência. Ao longo desse tempo ela mudou muito, porque a forma do pensar filosófico não é estanque, única, ela acompanha as transformações sociais e culturais de cada tempo. Por isso, é muito difícil definir a Filosofia no ocidente sem levar em consideração todas essas transformações. O filósofo e educador brasileiro Dermeval Saviani (1943) afirma que, apesar de todas mudanças que a Filosofia sofreu ao longo do tempo, podemos afirmar que ela é uma forma de conhecimento que possui três características centrais: •

Radicalidade: termo que vem do latim radix e quer dizer raiz. A Filosofia aprofunda suas abordagens saindo do nível da superficialidade e indo até a raiz dos problemas, buscando a essência das coisas e fugindo do meramente aparente. Rigorosidade: a filosofia não é um falar sobre qualquer coisa e de qualquer forma. Ela possui critérios na sua maneira de construir explicações sobre o mundo, usando-se de altíssimo rigor conceitual e metodológico. Globalizante ou de Conjunto: a Filosofia, diferentemente das outras áreas do conhecimento, não faz recortes soltos do real. Ela sempre analisa os fenômenos de forma contextualizada, levando em consideração um conjunto de fatos e fatores.

A filosofia como modo de conhecer racional e crítico opõe-se ao senso comum. Chamamos de senso comum o conjunto de ideias que a maior parte de um grupo de indivíduos ad-

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03. Qual é a relação da atitude filosófica com o antigo ditado popular “as aparências enganam”? a) A Filosofia faz uso dos ditados populares para ser melhor compreendida por todos. b) A Filosofia tenta ver além do aparente e do que é mostrado superficialmente. c) A Filosofia também engana, assim como as aparências das coisas. d) A Filosofia se apega às aparências e reafirma os inevitáveis enganos. e) A Filosofia busca um conhecimento que se resume ao que se vê nas aparências.

mite como verdadeiras antes mesmo de analisar os fundamentos que possam dar validade a elas. Em geral, herdamos as ideias do senso comum do meio cultural no qual estamos inseridos, inclusive do ambiente familiar. As afirmações do senso comum revelam uma observação deficiente dos fatos e fenômenos que se desenrolam à nossa vista, pois se baseia não em uma análise criteriosa, mas em uma afirmação subjetiva e acrítica. A Filosofia se opõe ao senso comum na medida em que questiona o modo de ser das coisas e das pessoas, trazendo à tona as inconsistências de certos costumes, hábitos, normas morais e de procedimento, e valores aceitos sem contestação. Portanto, aquele que assume uma atitude filosófica rompe com o “saber informal e social” do grupo que não mais o satisfaz intelectualmente. O senso comum sempre escolhe a versão mais direta e fácil de entender. Aliás, é bem mais fácil ver o mundo pela ótica de uma perspectiva maniqueísta, que concebe a existência como uma luta entre o bem e o mal, do que explicá-lo criticamente. As explicações simplistas do mundo (senso comum), em geral, deixam de entrever a verdade dos fatos e descambam para o preconceito. O senso comum baseia-se na opinião, na subjetividade e na crença, e não procura se informar acerca dos temas sobre os quais faz alguma afirmação, desejando apenas enunciar algo conclusivo e definitivo. Além disso, o senso comum, em alguns casos, mostra-se resignado diante de uma determinada situação, não acreditando que seja possível transformar o que já existe e caminhar na direção de algo melhor. Por exemplo, quando ao discutir corrupção, alguém diz: “O Brasil não vai mudar nunca!” está fazendo uma afirmação irrefletida e resignada, que tem como fundamento o senso comum.


Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

Afirmar a impossibilidade de o Brasil mudar é negar a história, inclusive de nações hoje desenvolvidas que também já enfrentaram o problema da corrupção e conseguiram superá-lo. Senso comum e preconceito, juntos, geram atitudes dogmáticas. Um dogma é uma crença, convicção ou doutrina que geralmente é imposta, que não admite contestação e pretende ser verdade absoluta. Os dogmas existem na religião, na política e até mesmo no dia a dia.

O dogmatismo é “toda atitude de conhecimento que consiste em acreditar na posse da certeza ou da verdade antes de fazer a crítica da faculdade de conhecer”.

(Immanuel Kant)

Indivíduos que desenvolvem atitudes dogmáticas em geral são incapazes de dialogar e discutir os seus pontos de vista, assumindo uma postura de repúdio às posições alheias e se fechando em seus próprios postulados. Em alguns casos, a pessoa dogmática não sabe que não sabe (ignora que não sabe) e, por isso, se aferra a certas opiniões, defendendo-as mesmo que sejam inconsistentes e incapazes de suportar uma análise mais crítica.

SAIBA MAIS •

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A Filosofia, por ser um saber abrangente, se dedicou e ainda se dedica a discutir os mais variados temas e problemas humanos. Ela sempre foi uma forma de conhecimento provocada ao longo dos séculos a discutir questões relevantes para os homens e as sociedades. Com isso, foram criadas áreas específicas, próprias da Filosofia. São elas: • Metafísica: sua concepção varia ao longo do tempo e de acordo com cada pensador, mas, no geral, é a parte da Filosofia que estuda as causas primeiras de todas as coisas, como a existência de Deus, a origem do mundo físico, a imortalidade da alma etc.

Ontologia: área responsável por pensar o ser enquanto ser (onta = ser), isto é, o ser e seus atributos. O debate entre Parmênides e Heráclito sobre o ser e o não ser é um exemplo de discursão ontológica. Alguns afirmam que a ontologia é uma parte da metafísica. Ética: parte da Filosofia encarregada de pensar o fundamento e a origem dos valores humanos como certo e errado, bem e mal, justiça etc. O filósofo grego Sócrates é considerado o pai da ética, pois foi o primeiro a pensar o valores humanos não como produto da tradição e dos costumes, mas como uma construção racional e conceitual. Política: dedica-se a investigar a natureza da política e qual o seu papel no universo humano. Estuda as formas de governo, relações de poder e dominação, sempre indicando de forma crítica os melhores caminhos para solucionar os problemas que se relacionem com o Estado. Estética: estuda o conceito e a natureza do belo na arte. Quando uma obra pode ser verdadeiramente considerada uma expressão artística? Qual o limite entre o bom gosto e o mau gosto? Para os filósofos, gosto se discute, sim, e eles fazem isso há séculos. Teoria do conhecimento: se dedica a entender o problema do conhecimento, que é uma relação entre um sujeito que conhece e um objeto conhecido. O que não se sabe é como essa relação pode gerar conhecimento verdadeiro e seguro sobre o mundo. Os gregos chamavam este debate de gnosiologia. Epistemologia: às vezes sinônimo de Teoria do Conhecimento, é a parte da Filosofia responsável por investigar o conhecimento científico. O que difere uma teoria científica de qualquer outra forma de conhecimento? Quando uma tese pode ser considerada científica? Lógica: investigação acerca dos princípios da argumentação e do raciocínio humano. Desenvolvido pela primeira vez pelo filósofo grego Aristóteles, teve como objetivo o combate às falsas argumentações (falácias) dos sofistas e encontrou grande desenvolvimento entre os filósofos analíticos contemporâneos, como Frege e Wittgenstein.

EXERCITANDO EM AULA 04. Por que considera-se que o senso comum está afastado de um pensamento criterioso e da reflexão filosófica? a) Porque o senso comum é considerado filosófico por excelência, já que reflete o pensamento da maioria. b) Porque as pessoas comuns não estão aptas para o pleno exercício da Filosofia, que é bastante complexo e difícil.

c) Porque o senso comum é baseado opinião e na crença, não aprofundando ou questionando suas próprias afirmações. d) Porque o senso comum é uma falácia que os filósofos inventaram para ganhar credibilidade em suas teorias.

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TÓPICO 4 • O nascimento da Filosofia Ocidental A Filosofia grega surgiu entre o final do século VII a.C. e o início do século VI a.C. Embora os questionamentos que moveram os primeiros filósofos gregos tenham sido também levantados por outras culturas anteriores, eles foram os primeiros, na cultura ocidental, a buscar uma explicação racional para o mundo e para a existência humana. Vale salientar que os primeiros filósofos gregos não construíram o seu pensamento totalmente desvinculados das antigas formulações míticas e religiosas. Por exemplo, Tales, considerado por muitos o primeiro filósofo da história ocidental, afirmou certa vez que “tudo está cheio de deuses”. Portanto, podemos perceber claramente que a separação entre as concepções míticas do mundo e as explicações filosóficas não ocorreu de imediato. Até que a Filosofia se desvencilhasse totalmente das concepções mais sobrenaturais do mundo, um longo caminho precisou ser percorrido. Pode-se dizer que os primeiros filósofos gregos promoveram gradativamente, com as suas abordagens e teorias sobre o surgimento da natureza (physis), a passagem do mito (explicação religiosa e sobrenatural) ao logos (explicação racional atribuída aos homens). Sendo assim, com o aparecimento dos pré-socráticos, as concepções fundadas na religião deixaram de ser as únicas explicações para a existência do mundo natural.

SAIBA MAIS

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De acordo com Katsuzo Koike, em seu texto Aspectos da Physis grega, a physis, para os gregos, não significa apenas o mundo natural (natureza), mas o todo existente, a totalidade do real, desde as coisas materiais ao mundo dos deuses.

O termo logos foi criado por Heráclito de Éfeso (535 – 475 a.C.) e, ao usá-lo, ele se referia a uma espécie de razão universal que produz as mudanças que ocorrem na natureza. Só algum tempo depois a mesma expressão passou a ser usada para significar a explicação racional do mundo. O termo grego logos também significa enunciado ou palavra, sendo, portanto, a própria base da expressão lógica postulada pelos filósofos da época. Aristóteles via na lógica um instrumento para pensar corretamente e que poderia ser usado por qualquer pensador de qualquer área do conhecimento. A lógica nos permite chegar a conclusões corretas e acertadas. Portanto, para os primeiros filósofos gregos, explicar a na-

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tureza tendo como ponto de partida o logos significava explicar, de forma plausível e racional, a origem e o processo de organização da natureza. As antigas mitologias gregas afirmavam que tudo quanto existia, inclusive os próprios deuses, surgiu do caos (universo desordenado). Paulatinamente, as concepções religiosas foram sendo racionalizadas e, das observações constantes da realidade material, surgiu o pensamento filosófico. O nascimento da filosofia na antiga Grécia também está diretamente ligado ao desenvolvimento das cidades e aos debates políticos que tiveram lugar nos espaços públicos. Foi do choque de muitas ideias opostas no debate político que foi se articulando uma linguagem racional, que tinha como objetivo construir elementos de demonstração e uma base argumentativa próprias de uma análise minuciosa das coisas. É o pensamento filosófico ganhando espaço no cotidiano da pólis grega. O estudioso francês Jean Pierre Vernant, (1914-2007) em seu livro As origens do pensamento grego, descreve assim a relação entre o nascimento da filosofia e a cidade:

“A razão grega não se formou tanto no comércio humano com as coisas quanto nas relações dos homens entre si. Desenvolveu-se menos através das técnicas que operam no mundo que por aquelas que dão meios para domínio de outrem e cujo instrumento comum é a linguagem: a arte do político, do professor. A razão grega é a que de maneira positiva, refletida, metódica, permite agir sobre os homens, não transformar a natureza. Dentro de seus limites como em suas inovações, é filha da cidade.” (p. 95)

É importante lembrar que o pensamento crítico surgido com os primeiros filósofos gregos apresenta uma análise racional das evidências naturais e também mais aprofundada e criteriosa em relação às tradições religiosas (míticas) vigentes. Se constitui, além disso, em uma reflexão e questionamento feitos pelos pensadores às formas tradicionais de se responder as perguntas que eles mesmos formularam, aperfeiçoando-se na construção do pensamento. Em suma: o filósofo busca dar novas respostas a antigas perguntas, fazendo outras perguntas a partir delas. Em um texto intitulado O nascimento da filosofia: a experiência da realidade como interrogação e inquietação, disponível no site da Casa do Saber, o filósofo Franklin Leopoldo e Silva explica que as indagações acerca da origem do mundo e do funcionamento dos fenômenos da natureza são inerentes à natureza humana. Contudo, ainda no texto, afirma que as primeiras respostas dadas pelo homem a essas questões estão no campo da fabulação. As fabulações são respostas baseadas na imaginação que dão origem aos mitos que, por sua vez, evoluem e formam as religiões. Ao contrário daquilo que se imagina, as fabulações continuam existindo no homem mesmo depois que ele passa da condição pré-científica e se racionaliza, pois ela também é inerente ao ser humano.


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Nesse sentido, pode-se dizer que o pensamento filosófico representa a passagem da interrogação religiosa ao pensamento racional como resultado de certa “crise” ao constatar-se a possibilidade de novas explicações para antigos fenômenos. Portanto, o nascimento da filosofia no Ocidente marca também o momento em que o homem foi se tornando mais independente e adquirindo mais autonomia em relação às coisas naturais e também às transcendentes.

CONECTANDO DISCIPLINAS

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O clima e a geografia condicionam o pensamento?

De passagem pela Itália, porém, readquiria a esperança e lançava-se com ousadia em um projeto que o levou a exaltar-se e servir de base autobiográfica para os personagens mais ousados que a sua mente podia conceber. Quanto aos gregos, ao que tudo indica, o clima e a geografia mediterrânea também influenciaram obras artísticas e filosóficas. Alguns importantes historiadores da filosofia e da literatura atribuem ao clima mediterrâneo à luminosidade e à pureza do ar da região a própria clareza do pensamento grego antigo. Também a sensibilidade artística dos gregos, além do filosofar, teria sido fruto do clima ameno. O clima moderado no inverno e os verões quentes teriam inspirado grandes obras que se imortalizaram na história da humanidade. Diz-se até que o pensador francês do século XVII René Descartes escreveu As regras para a direção do espírito (1629) durante os meses de inverno daquele ano, quando se recolhia para isolar-se do mundo e ter mais clareza no pensamento. Entretanto, se o clima inspira os filósofos, ele também pode os destruir. Em 1649, convidado a instruir a rainha Cristina da Suécia, na Filosofia e na Matemática, Descartes viajou a Estocolmo, onde morreu vítima de pneumonia alguns meses depois.

EXERCITANDO EM AULA

Imagem 1.5. Ilustração de Nietzsche em selo alemão

06. O nascimento da reflexão filosófica na antiga Grécia

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O clima e o ambiente no qual se filosofa sem dúvida condicionam o pensamento. O exemplo clássico dessa afirmação é a atividade do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Assolado por uma série de problemas físicos, vivia como nômade buscando os melhores climas e as mais saudáveis paisagens entre a Alemanha, a Itália e a Suíça para conceber os seus mais profundos pensamentos. O lugar onde estava e o clima que o acometia faziam de Nietzsche um escritor melancólico e sombrio ou um exaltado entusiasta inebriado pelas visões que fizeram o seu pensamento conhecido no mundo inteiro. Quando estava na sua terra natal, a Alemanha, esmagado pelas baixas temperaturas e pelo céu cinzento, Nietzsche era frio e iconoclasta, além de destilar uma sombria atitude para com o mundo.

05. Os primeiros filósofos gregos trouxeram, em suas teorias da natureza (physis), uma explicação racional e lógica (relacionadas ao logos) da realidade. O logos, por sua vez, é um termo grego que pode significar: a) retórica socrática b) mundo ordenado c) palavra ou enunciado d) mito ou cosmogonia está associado aos pensadores que antecederam a Sócrates, os chamados pré-socráticos. As questões fundamentais propostas por esses filósofos são de âmbito fundamentalmente: a) Moral. b) Físico. c) Político. d) Religioso.

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Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 1: Filosofia e preconceito

01. (UEMA) Leia o poema do moçambicano Craveirinha, Cantiga do negro do betelão. Se me visses morrer Os milhões de vezes que nasci... Se me visses chorar Os milhões de vezes que te riste... Se me visses gritar Os milhões de vezes que me calei... Se me visses cantar Os milhões de vezes que morri... E sangrei Digo-te, irmão europeu Também tu Havias de nascer Havias de chorar Havias de cantar Havias de gritar Havias de morrer E sangrar... Milhões de vezes como eu Fonte: CRAVEIRINHA. In: Revista do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFCLH da USP. São Paulo: Edusp, 2002, p.100.

O poeta constrói ou reconstrói a realidade em seus versos e o filósofo, ao ser “tocado” pela poesia, é chamado a refletir sobre ela. A primeira condição ou primeira virtude para o filosofar é a) problematizar. b) questionar. c) persuadir. d) teorizar. e) admirar.

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02. (UNICENTRO) A prática filosófica exige do sujeito disposição para o questionamento e a indagação. Desconfiar do óbvio é uma das exigências da reflexão filosófica. Com base nessa afirmativa e em seus conhecimentos filosóficos, é correto afirmar que a prática filosófica a) é necessária, pois promove a abertura mental, possibilitando mudanças na vida do ser humano. b) não enxerga nada da realidade, pois seu objeto é apenas transcendental. c) é igual a qualquer outra prática humana, por ser apenas informação. d) não trabalha com o pensamento racional. e) necessita apenas de bom-senso.

03. Leia o texto a seguir. A maioria das pessoas manifesta certo descrédito em relação à utilidade da filosofia para a sociedade. Geralmente ouve-se dizer: “É algo demasiado abstrato”, “Isso é coisa de doidos”, “Filosofia...o que é isso?”, “Coitadinho...aquele ali diz que a sua paixão é a filosofia”, e por aí em diante. Basicamente, porque acreditam no seguinte: A Filosofia não serve para nada. (Disponível em filosofiabrasil.blogspot.com.br)

Sobre o descrédito da Filosofia no mundo contemporâneo, pode-se dizer que: a) Está relacionado à falsa ideia de que a Filosofia é teórica e desvinculada da realidade. b) Tem como fundamento o fato da filosofia ser mais antiga do que as outras formas de pensamento. c) É explicado pela opinião procedente de que ela não tem utilidade no dia a dia das pessoas. d) Faz sentido quando percebemos que o pensar filosófico não se coaduna com o progresso tecnológico. e) O pensar filosófico não tem mais utilidade, pois não existem mais objetos que precisem ser desvendados pela reflexão filosófica.

TÓPICO 2: A insatisfação do filósofo

04. Leia o texto a seguir da Metafísica de Aristóteles. “O Filósofo quer conhecer independente da utilização ou não da sabedoria; “(...) claro está que procuram a ciência pelo desejo de conhecer, e não em vista de qualquer utilidade.” As palavras acima de Aristóteles são importantes para compreendermos a natureza do pensar filosófico. Nelas, pode-se notar: a) Uma percepção utilitarista do conhecimento filosófico. b) A vinculação entre filosofia e ciência. c) A distinção entre conhecimento filosófico e sabedoria. d) O amor ao conhecimento subentendido na visão não utilitarista. e) A centralidade da abordagem prática do conhecimento filosófico.

05. Leia o texto a seguir. O conhecimento filosófico é um conhecimento que tem a interrogação como base. Esse conhecimento usa o questionamento e o pensamento como base, ele é um conhecimento do dia a dia, mas ao contrário do conhecimento vulgar ou empírico, o conhecimento filosófico se preocupa em questionar o relacionamento do indivíduo com o meio em que está inserido. (disponível em http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos)

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Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

A partir da leitura do texto acima, NÃO podemos dizer que: a) A indagação é a base do conhecimento filosófico. b) O pensamento filosófico está ligado ao dia a dia. c) O conhecimento filosófico é empírico. d) A filosofia procura questionar as relações entre homem e meio. e) O conhecimento filosófico não é vulgar e nem empírico.

06. “A Filosofia é uma reflexão crítica a respeito do conhecimento e da ação, a partir da análise dos pressupostos do pensar e do agir e, portanto, como fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas.” (Fonte: MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio Mais (PCN+EM)).

Sobre a reflexão crítica, assinale a alternativa INCORRETA. a) A Filosofia indaga sobre o significado e realidade das coisas. b) A Filosofia questiona como as coisas e a realidade se estruturam. c) A Filosofia pergunta o que são as coisas, suas origens, causas e efeitos. d) A Filosofia é um processo de reflexão, um “conhece-te a ti mesmo”. e) Para a Filosofia não é necessário compreender nossa capacidade de conhecer.

07. As indagações fundamentais da atitude filosófica e da reflexão filosófica não se realizam ao acaso. A filosofia não é feita de “achismos” nem é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. As indagações filosóficas se realizam de modo sistemático. Sabendo disso, é correto afirmar que o conhecimento filosófico é um trabalho intelectual onde: a) As respostas estejam relacionadas entre si e esclareçam umas às outras. b) Contenta-se exclusivamente em obter respostas para as questões que se apresentam. c) As respostas formem conjuntos coerentes de ideias. d) As respostas sejam provadas e demonstradas racionalmente. e) As respostas formem conjuntos coerentes de significações.

08. Sobre o conhecimento filosófico, atente ao texto que se segue: O conhecimento filosófico é, diversamente do conhecimento científico, um conhecimento crítico, no sentido de que põe sempre em problema o conhecimento obtido pelos processos da Ciência. (MARTINS, José Salgado. Preparação à Filosofia, 1969, p. 9.)

Tomando como base o conhecimento filosófico, coloque V nas afirmativas verdadeiras e F nas falsas. ( ) A Filosofia é um tipo de saber, que não diz tudo o que sabe e uma norma que não enuncia tudo aquilo que postula. O saber filosófico, portanto, é profundo, mesmo quando parece mais claro e transparente.

09. Sobre a reflexão filosófica, coloque V nas afirmativas verdadeiras e F nas falsas. ( ) Na origem, na raiz do perguntar, encontramos, portanto, a ruptura, a cisão, a contradição. Não sei, preciso saber e porque sei que não sei, pergunto, na expectativa de que a resposta possa trazer-me o conhecimento que não tenho e preciso ter. ( ) Essa dialética do perguntar e do responder, na qual o conhecimento consiste, torna-se plenamente consciente no homem, pois o homem, antes de conhecer, não apenas ignora, mas sabe que ignora. ( ) A capacidade de perguntar, o direito de perguntar, quer dizer, de romper o monólogo e instaurar o diálogo, implícito na racionalidade humana, é historicamente uma conquista da própria razão. ( ) A reflexão filosófica propriamente dita tem condições de surgir no momento em que o pensar é posto em causa, tornando-se objeto de reflexão. ( ) A reflexão filosófica é radical, porque é um movimento de volta do pensamento sobre si mesmo, para conhecer-se a si mesmo, para indagar como é possível o próprio pensamento. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. a) V - V - V - F - V. b) F - F - V - V - V. c) V - V - F - F - V. d) V - F - V - F - F. e) V - V - V - V - V.

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TÓPICO 3: Filosofia, senso comum e dogmatismo

A Filosofia deve ser estudada e ensinada com base nos problemas que suscita e não apenas em virtude das respostas que proporciona a esses mesmos problemas. ( ) A Filosofia se faz presente como reflexão crítica a respeito dos fundamentos do conhecimento e da ação, por isso mesmo distinta da ciência pelo modo de abordagem do seu objeto que, no caso desta, é particular e, no caso da Filosofia, é universal. ( ) O percurso da Filosofia é caracterizado pela exigência de clareza e de livre crítica. ( ) O conhecimento filosófico apresenta-se como a ciência dos fundamentos. Sua dimensão de profundidade e radicalidade o distingue do conhecimento científico. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. a) V - F - V - F - V b) F - V - F - V - V c) V - V - F - F - V d) V - V - V - V - V e) F - V - F - V - F ( )

10. A atitude filosófica inicia-se dirigindo indagações ao mundo que nos rodeia e às relações que mantemos com ele. Pouco a pouco, porém, descobre que essas questões se referem, afinal, à nossa capacidade de conhecer, à nossa capacidade de pensar. (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996, p. 14).

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Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

Sobre isso, é CORRETO afirmar que a Filosofia: a) pode ser entendida como aspiração ao conhecimento sensível, lógico e assistemático da realidade natural e humana. b) é tão somente uma forma consciente e acrítica de pensar e de agir. c) é uma forma crítica e incoerente de pensar o mundo, produzindo um entendimento de seu significado e formulando uma concepção específica desse mundo. d) designava, desde a Grécia Antiga, a particularidade do conhecimento sensitivo, desenvolvido pelo homem. e) como forma consciente e crítica de compreender o mundo e a realidade não se confunde, de maneira alguma, com o fato de estar investida inconscientemente de valores adquiridos com base no senso comum.

11. Leia o texto a seguir. O objeto de análise do conhecimento filosófico são as ideias, elas são raciocinadas e dessa maneira os filósofos buscam a verdade. A proposta do conhecimento filosófico é fornecer ideias e conteúdos que transformem a realidade. Esse conhecimento questiona o homem e as coisas da vida. É um conhecimento racional, sistemático, geral e crítico. (Disponível em em http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos)

Afirmar que o conhecimento filosófico é sistemático é afirmar que: a) O pensar filosófico aborda apenas objetos particulares. b) A filosofia é metódica e ordenada nos seus procedimentos. c) O pensar filosófico não busca a coerência entre os termos da sua reflexão. d) A filosofia prescinde do estabelecimento de nexo entre os componentes da reflexão. e) O pensamento filosófico não segue um método.

“Muitas têm sido as explicações das causas históricas para a origem da Filosofia na Jônia. Alguns consideram que as navegações e as transformações técnicas tiveram o poder de desencantar o mundo e forçar o surgimento de explicações racionais sobre a realidade. Outros enfatizam a invenção do calendário (tempo abstrato), da moeda (signo abstrato para a ação de troca) e da escrita alfabética (transcrição abstrata da palavra e do pensamento), que teriam propiciado o desenvolvimento da capacidade de abstração dos gregos, abrindo caminho para a Filosofia. Sem dúvida, esses fatores foram importantes e não podem ser desconsiderados e minimizados, mas não foram os principais” (CHAUÍ, M. Introdução à história da filosofia - dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 1994 - p. 35)

(Gerd Bornheim)

Considerando o texto acima e o início da Filosofia na Grécia, é INCORRETO afirmar que a) a busca pelo significado da existência e do mundo não é algo exclusivo dos gregos antigos.

14. (UEG) A cultura grega marca a origem da civilização ocidental e ainda hoje podemos observar sua influência nas ciências, nas artes, na política e na ética. Dentre os legados da cultura grega para o Ocidente, destaca-se a ideia de que

12. “Se compreendermos a Filosofia em um sentido amplo — como concepção da vida e do mundo —, poderemos dizer que sempre houve Filosofia. De fato, ela responde a uma exigência da própria natureza humana; o homem, imerso no mistério do real, vive a necessidade de encontrar uma razão de ser para o mundo que o cerca e para o enigma da existência. […] Mas se compreendermos a Filosofia em um sentido próprio, isto é, como o resultado de uma atividade da razão humana que se defronta com a totalidade do real, torna-se impossível pretender que a Filosofia tenha estado presente em todo e qualquer tipo de cultura. […] [Nesse caso,] a Filosofia teve seu início nas colônias da Grécia, nos séculos VI e V a.C.”.

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13. Leia o texto e responda à pergunta a seguir.

A principal determinação histórica para o nascimento da Filosofia é: a) política: o nascimento, simultâneo a ela, da Cidade-Estado, isto é, da polis, pois, com esta, desaparece a figura que foi a do antecessor do filósofo, o Mestre da Verdade (o poeta, o adivinho e o rei da justiça). b) ética: na Grécia arcaica a palavra verdadeira ou alétheia nasce simultaneamente à Filosofia, pois é esta palavra eficaz que dá origem ao logos em oposição à doxa. c) mitológica: o nascimento, simultâneo a ela, do oráculo de Delfos, marcando, de forma decisiva, a vinculação entre a filosofia e mitologia. d) épica: o nascimento, simultâneo a ela, de uma nova classe de homens, aqueles que têm direito à palavra, os guerreiros; no entanto, não se trata mais daquela palavra religiosa, solitária e unilateral, própria dos iniciados, mas, sim, da palavra compartilhada, dita em público, de maneira leiga e humana. e) teórica: a Filosofia nasce da contemplação desinteressada, ela é simultânea ao nascimento da ontologia ou metafísica, isto é, à pretensão do logos em atingir o universal (o Ser).

TÓPICO 4: O nascimento da Filosofia Ocidental

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b) só há um modo do homem abordar o enigma da existência: usar o pensamento racional para investigar a totalidade do real. c) a Filosofia, enquanto pensamento racional sobre a totalidade do real, surge nas colônias gregas nos séculos VI e V a.C. d) podemos atribuir à Filosofia um sentido mais geral (concepção de mundo) e um sentido mais próprio (reflexão sobre a totalidade do real). e) a Filosofia, no seu sentido mais próprio, não foi inicialmente bem recebida em Atenas, o que é demonstrado pela condenação de Sócrates à morte.

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Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

a) a natureza opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais que podem ser plenamente conhecidos pelo nosso pensamento. b) nosso pensamento também opera obedecendo a emoções e sentimentos alheios à razão, mas que nos ajudam a distinguir o verdadeiro do falso. c) as práticas humanas, a ação moral, política, as técnicas e as artes dependem do destino, o que negaria a existência de uma vontade livre. d) as ações humanas escapam ao controle da razão, uma vez que agimos obedecendo aos instintos, como mostra hoje a psicanálise.

15. (UEG) O surgimento da filosofia entre os gregos (Séc. VII a.C.) é marcado por um crescente processo de racionalização da vida na cidade, em que o ser humano abandona a verdade

revelada pela codificação mítica e passa a exigir uma explicação racional para a compreensão do mundo humano e do mundo natural. Dentre os legados da filosofia grega para o Ocidente, destaca-se: a) a concepção política expressa em A República, de Platão, segundo a qual os mais fortes devem governar sob um regime político oligárquico. b) a criação de instituições universitárias como a Academia, de Platão, e o Liceu, de Aristóteles. c) a filosofia, tal como surgiu na Grécia, deixou-nos como legado a recusa de uma fé inabalável na razão humana e a crença de que sempre devemos acreditar nos sentimentos. d) a recusa em apresentar explicações preestabelecidas mediante a exigência de que, para cada fato, ação ou discurso, seja encontrado um fundamento racional.

ANOTAÇÕES

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Ciências humanas e suas tecnologias: Matriz de Referência C3

Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. H14

Comparar diferentes pontos de vista, presentes em textos analíticos e interpretativos, sobre situação ou fatos de natureza histórico-geográfica acerca das instituições sociais, políticas e econômicas.


C

2 C3

O

L TU

A

COMPETÊNCIAS:

Períodos da Filosofia HABILIDADES:

H14

APRESENTAÇÃO Neste capítulo, faremos uma abordagem histórica dos mais importantes períodos da Filosofia, desde o pensamento grego antigo até a Filosofia contemporânea. Destacaremos as principais características de cada período, bem como os mais importantes pensadores e as ideias fundamentais dos seus respectivos sistemas filosóficos. O nosso estudo terá início com uma análise etimológica da própria palavra Filosofia e das principais escolas de pensamento filosófico na Grécia Antiga. Começaremos com os filósofos gregos pré-socráticos, também chamados de filósofos da natureza, e depois analisaremos a obra de Sócrates e dos sofistas, passando por Platão e Aristóteles, finalizando com os filósofos do período helenista. No que diz respeito ao pensamento medieval, estudaremos as teorias dos dois maiores representantes do pensamento cristão e suas respectivas escolas de pensamento: a Patrística, de Santo Agostinho de Hipona, e a Escolástica, de São Tomás de Aquino, ambos fazendo uso da filosofia grega para fundamentar suas teses teológicas. Quanto ao pensamento moderno, veremos as duas principais correntes de pensamento desse período: o racionalismo e o empirismo, seus principais representantes e como eles desenvolvem o debate acerca do conhecimento e da ciência. Além disso, procuraremos compreender alguns dos mais importantes filósofos contemporâneos, entre eles Karl Marx e sua crítica política e econômica da sociedade, e o existencialismo de Jean-Paul Sartre.


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

A palavra Filosofia deriva de dois radicais gregos: filo (philia = amizade, amor fraterno) e sofia (sabedoria). O uso da palavra pela primeira vez foi atribuído ao filósofo e matemático Pitágoras de Samos (séc V a.C.), que teria afirmado que o homem pode buscar ou amar a sabedoria, muito embora o verdadeiro saber pertença aos deuses e não aos seres comuns e mortais. Imagem 2.1. Pitágoras

ESCLARECENDO Pitágoras (535-471 a.C.): filósofo oriundo da Ilha de Samos, desenvolveu trabalhos nas áreas de música e medicina, mas imortalizou-se como grande matemático que elaborou o teorema segundo qual o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos.

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O filósofo, portanto, é aquele que busca a sabedoria e torna-se amigo do conhecimento, considerando este a razão última de sua vida e a finalidade de sua existência. Contudo, é bom que se diga que qualquer indivíduo, e não apenas aqueles que possuem formação acadêmica em Filosofia, pode ter atitude filosófica, desde que almeje a sabedoria e a explicação racional das coisas. A Filosofia ocidental nasceu na Grécia, por volta do século VI a.C., quando alguns homens decidiram explicar a origem do mundo e compreender de forma racional como as coisas naturais foram se organizando e originando o cosmos. A palavra cosmos significa ordem e foi usada pelos filósofos gregos para se referir ao mundo estável e ordenado. Os primeiros filósofos ocidentais surgiram na Jônia (costa oeste da Ásia Menor), uma região que fica a meio caminho entre a Ásia e a Europa e que era chamada pelos gregos de Anatólia. A Ásia Menor sempre foi um dos principais caminhos usados por aqueles que viajavam da Europa à Ásia e, por esse motivo, essa península se tornou um local de trânsito e difusão de novas ideias proveImagem 2.2. Tales de Mileto nientes de todos os lugares. A Filosofia grega teria nascido com Tales de Mileto (624–558 a.C.), filósofo e matemático que tentou explicar racionalmente a

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origem do mundo. Tales estudou astronomia e previu eclipses solares, além de ter concluído que a Lua era um astro iluminado; entretanto, ficou conhecido no mundo ocidental pelo seu famoso teorema. Tales, considerado por Aristóteles um dos sete sábios da Grécia, munido de seu poder de observação, teria, mesmo desprovido de qualquer recurso técnico mais aprimorado, verificado a existência da água em três estados físicos na natureza: sólido, líquido e gasoso. Para ele, o princípio de todas as coisas (arché) era a água. Não somente Tales, mas também os outros filósofos pré-socráticos que foram responsáveis pelo surgimento da Filosofia no mundo grego antigo pretendiam entender tudo aquilo que existia na natureza. Os primeiros filósofos foram chamados de físicos, porque se debruçaram sobre o estudo e explicação da physis (=natureza). Entretanto, a palavra physis, entre os gregos, possuía um significado diferente daquele que usamos para definir esse termo nos dias atuais. Para os pré-socráticos, a physis não é uma coisa que pode ser abarcada como objeto fora do homem, mas algo dinâmico (um processo) que engloba o surgimento e o desenvolvimento de todas as coisas que existem no mundo. Outro importante filósofo pré-socrático foi Heráclito de Éfeso (535-475 a.C.), cujo nome faz referência a uma cidade da Jônia. Por causa do estilo hermético e complexo de alguns dos seus escritos e do seu caráter antissocial, ficou conhecido como “o obscuro”. Heráclito foi considerado um filósofo dialético por acreditar que é o choque dos contrários e a oposição entre as forças da natureza que produzem a harmonia. O equilíbrio entre os elementos naturais só foi alcançado porque, no princípio, eles existiam em um estado de indiferenciação no qual se opunham uns aos outros.

SAIBA MAIS Dialética: segundo Aristóteles, a dialética é o movimento racional que permite superar uma contradição, um choque entre contrários. Reprodução

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TÓPICO 1 • Filosofia grega antiga

Heráclito observou que no universo todas as coisas estão em constante mudança, ou seja, nada está em repouso. Partindo dessa observação, afirmou que na natureza “nada é, tudo flui”, isto é, as coisas não são estáticas, paradas, mas estão sempre em movimento, mudando, assumindo novas formas. É atribuída a Heráclito de Éfeso a frase que diz: “não se entra no mesmo rio duas vezes, pois Imagem 2.3. Heráclito na segunda vez que o mesmo homem entra no mesmo rio, nem ele e nem o rio são mais os mes-


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

CONECTANDO DISCIPLINAS A teoria do Big Bang e o colisor de hádrons

1.1 • Sócrates Sócrates não é apenas mais um filósofo do período clássico da Filosofia grega; é também uma espécie de mito, uma figura humana única, dotada de uma aura de herói que lhe foi legada, sobretudo pelos seus discípulos mais apaixonados, entre eles Platão. Filho de um escultor e de uma parteira, nascido em Imagem 2.4. Sócrates aproximadamente 469 a.C., Sócrates foi discípulo de Anaxágoras e Arquelau. Foi Sócrates quem introduziu, no pensamento grego clássico, a preocupação antropológica, uma vez que, para ele, havia dentro do ser humano um universo mais vasto e complexo do que o mundo natural, e que deveria ser explorado pela Filosofia. A expressão “Conhece-te a ti mesmo”, atribuída a Sócrates, expressa com propriedade essa mudança na direção da Filosofia grega antiga, protagonizada por esse gigante do conhecimento. A ética e a política eram assuntos diretamente relacionados com as questões humanas, e Sócrates tentava elucidá-los por meio dos diálogos que travava com os mais diversos interlocutores que encontrava nas ruas de Atenas. Para Sócrates, a Filosofia não é tarefa de um homem só; pelo contrário, é do diálogo que brota a verdade, escondida no interior de cada um. Entretanto, para fazer aflorar essa verdade imersa no interior das pessoas, fazia-se necessário um método eficaz que possibilitasse explorar as profundezas do homem.

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Desde os primeiros filósofos gregos (pré-socráticos) vemos teorias que buscam uma explicação racional para o início do universo. Atualmente, a mais aceita entre os cientistas é o Big Bang. De acordo com essa teoria, o universo surgiu como resultado de uma grande explosão há 20 bilhões de anos, que resultou no aparecimento do espaço e do tempo. O universo, após ter surgido dessa explosão primordial, estaria ainda se expandindo. Isso significa que as galáxias estão se afastando umas das outras. A energia liberada na explosão teria feito com que as partículas se chocassem, produzindo a matéria. Ainda segundo os cientistas, entre as primeiras partículas subatômicas que colidiram após a grande explosão, estavam o chamado Bóson de Higgs, conhecido como a “partícula de Deus”, descoberto em 2012. O Bóson de Higgs só aparece quando há níveis de energia muito altos. Ele tem a característica de promover a inte-

ração entre partículas que se combinam, gerando o átomo, que, por sua vez, gera a matéria. Com o objetivo de reconstituir todo esse processo que originou a matéria, cientistas ligados à Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear construiram o Colisor de Hadrón, uma máquina capaz de simular o Big Bang. O Colisor de Hádrons é um acelerador de partículas e foi construído na fronteira entre França e Suíça a quase 200 metros de profundidade, tendo uma circunferência de 28 quilômetros por 8 quilômetros de diâmetro. Trata-se de um conjunto de tubos instalados embaixo da terra, no qual as partículas se movem em direções contrárias em uma velocidade quase igual à velocidade da luz. A ideia é fazer as partículas colidirem, duplicando a energia liberada. O momento do choque entre as partículas dentro de túneis que se cruzam é detectado por equipamentos de alta tecnologia e depois analisados pelos cientistas. A construção do Colisor de Hádrons custou 9 bilhões de dólares e com ele se pretende elucidar o que aconteceu há 20 bilhões de anos, quando teria ocorrido o Big Bang.

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mos”. Imaginemos literalmente a cena pensada por Heráclito: Você está à margem de um riacho de água corrente e, arregaçando as pernas da calça, resolve entrar nele. Segundos depois, arrepende-se e volta atrás, se posicionando mais uma vez na margem. O pequeno riacho, entretanto, o atrai novamente e você volta a adentrá-lo. Pois é, segundo Heráclito, a essa altura, tudo já mudou. E, de fato, tudo deve ter mudado mesmo. Na segunda vez em que você entrou no riacho, as primeiras águas já haviam passado; talvez até mesmo a temperatura da água tenha mudado. Para falar a verdade, nem você continua a ser a mesma pessoa. Aliviado pelo toque suave do fluxo das águas do pequeno riacho em seu corpo, você prova um momento de grande frescor. Realmente, Heráclito tinha razão, não é mais o mesmo homem da primeira vez, nem o mesmo rio. A esse movimento das coisas o filósofo obscuro chamou de devir, e afirmou, ainda, que “o devir universal é a lei do universo”. O universo, em sua ótica, era como um fogo que acende e apaga, nasce e se extingue, sucessivamente, por toda a eternidade. O fogo é a metáfora perfeita para se referir a algo passageiro e que se extingue. O fogo só queima enquanto há combustível para ser queimado; acabando o combustível, as chamas se extinguem. Foi esse ciclo de nascimento, deterioração, destruição e morte das coisas que Heráclito teve sensibilidade para captar. Para ele, o fogo é o arché, o princípio de tudo que existe, o elemento primordial. Outros importantes pré-socráticos foram Anaximandro, para quem o arché era o ápeiron (indefinido); Anaxímenes dizia que o ar era o princípio de tudo; Empédocles afirmava que tudo se originava nos quatro elementos (ar, terra, fogo, água) e Leucipo e Demócrito consideravam o átomo (elemento indivisível) o fundamento de tudo.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

ESCLARECENDO Cicuta: vegetal do qual se extrai um veneno fortíssimo, usado na execução do filósofo grego Sócrates.

melhores consequências) e foram acusados por Platão de ensinarem às pessoas artimanhas que permitem propagar e defender mentiras como se fossem verdades. Dessa forma, o termo sofista passou a significar erro, engano. Os sofistas mais conhecidos foram Protágoras (490-420 a.C.), Górgias (485-370 a.C.) e Isócrates (436-338 a.C.). É atribuída a Protágoras a seguinte frase: “O homem é a medida de todas as coisas, das que são enquanto são e das que não são enquanto não são”. Essa frase reflete o caráter relativista do ensino de Protágoras, uma vez que o valor das coisas (tradições, leis, costumes) é relativo ao uso que os homens de determinado lugar e época farão dessas mesmas coisas.

1.3 • Platão Platão (427-347 a.C.) é considerado um dos mais importantes filósofos do mundo antigo. Oriundo de uma família nobre e tradicional, foi discípulo do lendário Sócrates e mestre do igualmente brilhante Aristóteles. A sua escola de Filosofia, conhecida como Academia, ficava em Atenas, onde ele viveu e morreu. Imagem 2.6. Platão A escola de Filosofia de Platão ficava provavelmente em um jardim nos arredores de Atenas, que havia sido dedicado ao herói grego Akademos (daí Academia).

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Esse método, criado por Sócrates para extrair a verdade de dentro dos homens, ficou conhecido como maiêutica (parto de ideias). Por meio de um processo dialético, Sócrates dialogava com os seus interlocutores fazendo perguntas retóricas, isto é, que não tinham o objetivo de obter uma resposta, mas apenas de provocar um efeito naqueles a quem desejava demonstrar algo. Depois de desconstruir os argumentos não refletidos daqueles com quem dialogava, conduzia-os à verdade. Sócrates viveu na Atenas do século V a.C. e presenciou o período de desenvolvimento da democracia e da vida intelectual grega. Apesar de cumprir todos os seus compromissos como cidadão ateniense, foi acusado, julgado e condenado por um tribunal especialmente composto para este fim. O seu jeito ousado e a forma como interpelava os homens renderam a ele inúmeros inimigos, que em nada apreciavam a sua sinceridade e a maneira como revelava as suas contradições. Condenado a tomar cicuta, morreu acusado de não ter reverenciado os deuses da cidade e ter corrompido a juventude, acusações infundadas que revelam a indisposição dos homens para com aqueles que anseiam pela verdade.

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1.2 • Os sofistas

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Os sofistas foram filósofos e professores itinerantes, contemporâneos de Sócrates, e a sua atividade como professores de retórica está diretamente relacionada ao desenvolvimento da democracia ateniense e à multiplicação dos espaços públicos de discussão política, como a ágora (praça do mercado, lugar mais público da cidade). Imagem 2.5. Protágoras A palavra sofista deriva de sophia (sabedoria), ou seja, o sofista é um sábio que domina alguma área do conhecimento. Esses filósofos, que foram considerados por Sócrates “mercadores do saber” por cobrarem altas quantias pelas aulas que ministravam, eram especialistas na retórica, arte de persuadir por meio de argumentos bem colocados. O conhecimento da retórica permitia àqueles que o possuíssem o domínio sobre as multidões, objetivo almejado pelos jovens aristocratas atenienses que queriam se dedicar à carreira política. Os sofistas eram considerados relativistas (para quem não há verdade absoluta, pois as coisas variam de acordo com a época e o lugar) e utilitaristas (o correto é definido em função das

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Imagem 2.7. Academia de Platão

Entre os seus mais ilustres discípulos estava Aristóteles Asiotea, sendo que esta última ensina física na Academia, na época em que o local era dirigido pelo sobrinho de Platão, Espeusipo. A filosofia de Platão se funda em uma visão dualista, que tem como base a bastante conhecida Teoria das Ideias. Segundo Platão, as ideias se contrapõem à matéria e existem em uma esfera superior (suprassensível) em que estão organizadas de forma hierárquica (no vértice está a ideia de Bem) como arquétipos (modelos ideais). Segundo Platão, as ideias representadas pelos arquétipos são universais, imutáveis e eternas. Ainda de acordo com esse filósofo, a sede da razão é a alma, responsável por intermediar a relação entre a matéria (inferior) e as ideias (superiores).


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

SAIBA MAIS A Caverna de Platão

1.4 • Aristóteles Aristóteles (384-322 a.C.) foi um dos principais nomes da Filosofia grega antiga e um dos mais fecundos pensadores de todos os tempos. Deve-se a Aristóteles a sistematização do pensamento filosófico no mundo grego antigo e a produção de obras filosóficas nas mais diversas áreas do conhecimento (física, metafísica, poética, zoologia, ética, política, etc.). Imagem 2.8. Aristóteles Nascido em Estagira, localizada na Península Macedônica, Aristóteles, que chegou a ser tutor de Alexandre, o Grande, estudou na escola de Filosofia de Platão (Academia), tendo ingressado nela ainda jovem. Posteriormente, fundou a sua própria escola no Liceu, ginásio a leste de Atenas. A escola de Filosofia de Aristóteles ficou conhecida como Escola Peripatética (daqueles que caminham), provavelmente uma menção ao peripatos (caminho coberto), espécie de corredor por onde o mestre caminhava enquanto expunha os grandes temas do pensamento antigo.

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O mito ou a alegoria da Caverna foi apresentado pelo filósofo grego Platão em uma de suas obras mais importantes, A República. Nessa passagem, Sócrates descreve um grupo de pessoas que tem vivido acorrentadas desde a infância, encarando uma parede vazia, incapazes de verem uns aos outros ou a si mesmos. Essas pessoas assistem sombras projetadas na parede vazia, sombras de coisas passando diante do fogo atrás delas, e começam a dar nomes a estas sombras. Entre as pessoas e o fogo há uma pequena parede, que impede que os acorrentados vejam aqueles que passam em frente ao fogo, carregando objetos, permitindo que vejam apenas os objetos se movendo, como em um teatro de fantoches. Há pessoas carregando objetos por trás de uma parede, em frente ao fogo, mas o que as pessoas acorrentadas veem é algo muito diferente disso; as sombras dos objetos que parecem mover-se são o mais próximo que estas pessoas podem chegar de ver e conhecer a realidade. Uma dessas pessoas, liberta das correntes, poderia ser capaz de começar a perceber a verdadeira forma da realidade, para além de sua representação como sombra projetada na parede. Por vontade própria, procuraria compreender a verdade por trás das aparências imediatas e, ao mesmo tempo, tentaria ajudar os outros humanos a alcançarem a verdade e sabedoria. Sócrates alerta que estas pessoas aprisionadas são muito semelhantes a todos nós humanos. Em nosso mundo, a luz do Sol está relacionada com a luz do fogo na caver-

na, implicando que os fatos do mundo não se apresentam imediatamente como os devemos interpretar e que a realidade propriamente dita pode estar oculta ao olhar menos atento. Além disso, há aqueles que são incapazes ou relutantes de procurar a verdade e sabedoria e preferem continuar presos. Segundo a filósofa Marilena Chauí, a caverna da narrativa de Platão “é o mundo sensível onde vivemos. O fogo que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (do Bem e das ideias) sobre o mundo sensível. Somos os prisioneiros. (...) e o prisioneiro curioso que escapa é o filósofo”.

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Enquanto a esfera sensível (mundo concreto) é o lugar das coisas efêmeras e passageiras, a esfera suprassensível é o lugar das coisas eternas e que não são perecíveis. Embora a alma seja a responsável pela mediação entre o mundo concreto (da matéria) e o mundo das ideias, ela encontra-se presa ao corpo e só pode libertar-se dele por meio da Filosofia ou pela morte. O corpo, para Platão, é algo inerentemente mau e passageiro que aprisiona a alma, isto é, o corpo é o cárcere da alma. No que diz respeito ao homem, Platão considera-o como um ser racional, que somente pode realizar plenamente a sua humanidade por meio da razão. Sendo assim, o comportamento moral adequado seria, em última instância, uma decorrência da própria racionalidade. Age corretamente aquele que age racionalmente, diria Platão. A política foi outra preocupação desse importante filósofo grego. Ele acreditava em um modelo ideal de sociedade, no qual cada grupo exercia a sua função, liderado pelos reis-filósofos (sábios). Essa visão política ficou conhecida como sofocracia (governo dos sábios) e foi defendida em uma das suas principais obras, A República.

Imagem 2.9. Escola Peripatética

Entre as suas principais obras, duas merecem destaque: Organon (fundamentos da lógica) e Ética a Nicômaco (obra sobre ética, dedicada a seu filho). Uma importante teoria aristotélica é a do Ato e Potência. Segundo ele, todas as coisas possuiriam ato e potência. Ato é aquilo

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

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Imagem 2.10.

Em 322 a.C., com a morte de Alexandre, o Grande, o ambiente em Atenas tornou-se hostil a Aristóteles, que foi acusado de não honrar os deuses da cidade e teve que fugir e submeter-se

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a uma espécie de exílio voluntário na Ilha de Eubeia (Mar Egeu), onde morreu pouco tempo depois. O fim dramático de Aristóteles mostra que, mesmo depois de Sócrates, os homens perversos continuam combatendo o conhecimento, uma vez que questionar e refletir criticamente desestabiliza os poderes instituídos. Shutterstock.com

que o objeto é agora; potência é aquilo que o objeto ainda não é mas pode vir a ser. Por exemplo: uma semente é, em ato, semente, mas uma árvore em potência. A árvore, por sua vez, é árvore em ato, e uma mesa de madeira em potência, e assim por diante. A filosofia aristotélica, embora seja conceitual e teórica como a de Platão, tem como ponto de partida a experiência, uma vez que, para esse importante filósofo grego, os sentidos são a primeira forma de conhecimento. Ao contrário do seu mestre Platão, Aristóteles via o homem como uma unidade substancial entre a parte física (natureza) e a parte imaterial (racionalidade). Portanto, enquanto para Platão a realidade essencial das coisas estava na esfera suprassensível (mundo das ideias), em Aristóteles a substância física (única realidade existente no mundo — síntese de forma e matéria) é o ponto de partida de tudo. Essa constatação aparece na sua metafísica (ciência do ser, estudo das causas e princípios do ser). Segundo Aristóteles, os elementos constitutivos da realidade são a matéria e a forma. A matéria seria uma espécie de base (substrato) comum aos seres do mundo físico em que se realizam as mudanças; já a forma é aquilo que se realiza na matéria, é a natureza assumida pela matéria. A matéria corresponde à potência e a forma corresponde à atualidade. Os seres, portanto, se desenvolveriam passando da potência ao ato, isto é, atualizando as formas que nele já existem em potência. Para Aristóteles a forma não está separada da matéria como em Platão; pelo contrário, a forma opera na matéria atualizando-a. Ainda segundo Aristóteles, é a causa eficiente que explica a realidade efetiva das coisas, ou seja, a causa eficiente é aquilo que origina a coisa existente. Já a causa final é o propósito para o qual a coisa existe. Assim, analogicamente, um pintor seria a causa eficiente de um quadro.

Imagem 2.11. Templo de Apolo (Dídima)

1.5 • O período helenístico Não é possível entender o pensamento estoico e epicurista sem localizá-los no devido contexto histórico. Essas correntes de pensamento filosófico surgiram no século III a.C., período de decadência das cidades-estados gregas, que amargaram os resultados catastróficos de uma série de conflitos que minaram o poder e ofuscaram o antigo esplendor dessas cidades, sobretudo de Atenas. É nesse mundo decadente e pessimista que o epicurismo e o estoicismo propagam os seus ensinamentos essencialmente éticos. Tanto os estoicos como os epicuristas queriam fornecer ao homem das cidades gregas (chamadas pólis, plural poleis) um modelo ideal de conduta que permitisse a ele realizar-se, seja por meio do gozo dos prazeres terrenos, seja por intermédio de uma disciplina rígida. Além disso, o fim do período áureo das cidades-estados gregas resultou em uma verdadeira decadência moral, que favoreceu o progresso de tais escolas filosóficas. O estoicismo surgiu com Zenão de Citium (334-262 a.C.), nascido na Ilha de Chipre e estabelecido em Atenas por volta de 300 a.C. O nome estoico deriva de Stoá Poikilé, pórtico de Atenas onde Zenão costumava ensinar. Para Zenão, Filosofia e vida não são mutuamente excludentes; pelo contrário, se completam. O objetivo último da existência deve ser a felicidade e esta só pode ser plenamente alcançada vivendo segundo a natureza. As coisas irracionais conduzem o homem à infelicidade, enquanto as racionais conduzem à virtude. Viver racionalmente significa, entretanto, destruir em si as paixões, tornar-se totalmente insensível aos prazeres e às dores da vida (apatia). Um dos principais objetivos do pensamento estoico era


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

Reprodução

Para Epicuro, o prazer corresponde ao bem, e a dor, ao mal. Entretanto, o sábio e polido filósofo não propõe uma busca desequilibrada e promíscua do prazer, como firmaram alguns dos seus críticos. O prazer que resulta em dor deve ser evitado porque o verdadeiro prazer identifica-se com a ausência de sofrimento e com a paz interior refletida em uma alma não perturbada. Mais preocupado com os reImagem 2.13. Epícuro sultados reais do conhecimento filosófico do que com meras especulações envoltas em prolixidade, Epicuro submetia a teoria à prática e o conhecimento à moral. A filosofia epicurista via no medo dos deuses e da morte duas preocupações que causavam muitos males aos seres humanos. Embora não negasse a existência da divindade (de quem temos uma ideia na mente), afirmava que os deuses não estavam preocupados com as querelas humanas, além de habitarem longe dos mortais e do mundo. Quanto à morte, considerava-a ausência de sensibilidade, portanto, também de sofrimento; por isso fazia-se necessário não temê-la. Embora menos difundido que o estoicismo no mundo antigo, o epicurismo espalhou-se pelo império romano por meio dos escritos do poeta Lucrécio (séc.I), um dos mais importantes divulgadores do seu pensamento. No início da era cristã, o epicurismo se tornou uma espécie de antítese do Cristianismo por causa do que foi dito dele pelos fundados da Igreja. Além de estoicos e epicuristas, duas outras correntes de pensamento existentes no mundo antigo foram o ceticismo, cujo principal representante foi Pirro de Élida (365-270 a.C.), e o cinismo, representado principalmente por Diógenes de Sínope (412-323 a.C.). Os céticos negavam a possibilidade de qualquer certeza, e os cínicos tratavam com desprezo as convenções sociais.

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produzir no homem um comportamento virtuoso em plena sintonia com as leis da natureza. Cultiva-se a Filosofia para atingir-se o comportamento ético adequado. Virtuoso é, porém, o homem que atinge o estado de apatia. A apatia seria, portanto, uma espécie de indiferença universal que conduziria o homem à ataraxia (ausência de perturbação, estado de tranquilidade da alma). O universo, na ótica estoica, é um todo estruturado governado pelo logos (razão universal) e o homem, um microcosmo dentro deste imenso universo no qual os acontecimentos seguem um fluxo, uma direção (destino incondicional). Zenão foi sucedido por Cleantes de Assos (330-225 a.C.) e Crisipo (331-232 a.C.) e a filosofia estoica propagou-se encontrando adeptos no império romano e influenciando até mesmo o nascente Cristianismo. Ao contrário do epicurismo, o estoicismo fez vários adeptos entre ilustres figuras da Antiguidade, entre elas Marco Aurélio (121-180 d.C.), imperador romano, e Cícero (106-43 a.C.), senador republicano de Roma. Quanto ao epicurismo, foi o pensamento de Epicuro de Imagem 2.12. Zenão Samos (341-270 a.C.), um dos mais notáveis e célebres filósofos da Antiguidade, admirado e amado pelos seus discípulos, que o viam como uma espécie de salvador. Nascido na Ilha de Samos, estabeleceu-se em Atenas por volta de 306 a.C. fundando uma comunidade-escola (O jardim), que funcionava nos jardins de uma casa que recebeu como presente de um de seus discípulos. Na comunidade epicurista, o mais importante era construir e fortalecer laços de amizade, uma vez que a Filosofia para Epicuro não é algo meramente abstrato e teórico; pelo contrário, é a arte de viver bem e ser feliz por meio da busca pelo prazer (hedonismo).

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

EXERCITANDO EM AULA 01. O período pré-socrático é o ponto inicial das reflexões filosóficas. Suas discussões se prendem a Cosmologia, sendo a determinação da physis (princípio eterno e imutável que se encontra na origem da natureza e de suas transformações) ponto crucial de toda formulação filosófica. Em tal contexto, Leucipo e Demócrito afirmam ser a realidade percebida pelos sentidos ilusória. Eles defendem que os sentidos apenas capturam uma realidade superficial, mutável e transitória que acreditamos ser verdadeira. Mesmo que os sentidos apreendam “as mutações das coisas, no fundo, os elementos primor-

diais que constituem essa realidade jamais se alteram.” Assim, a realidade é uma coisa e o real outra. Para Leucipo e Demócrito, a physis é composta: a) pelas quatro raízes: o úmido, o seco, o quente e o frio. b) pela água. c) pelo fogo. d) pelo ilimitado. e) pelos átomos.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

02. Observe a figura a seguir.

a) b) c) d) e)

O homem se sente humilhado diante do divino. O conhecimento sensorial é destacado nesse mito. O indivíduo em questão é o filósofo liberto. O sol do lado de fora da caverna representa a ignorância. A saída da caverna não produz qualquer tipo de trauma.

03. Durante a decadência das cidades-estados gregas, uma nova forma de fazer filosofia se propagou, caracterizando a transição do período antigo para o medieval. Assinale, dentre as alternativas abaixo, as três principais escolas do chamado “período helenístico”:

A figura acima faz menção ao mito da caverna de Platão. Sobre a imagem, podemos afirmar que:

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TÓPICO 2 • Filosofia medieval

a) b) c) d) e)

patrística, escolástica e cinismo cinismo, epicurismo e sofismo estoicismo, pirronismo e platonismo estoicismo, epicurismo e cinismo epicurismo, aristotelismo e estoicismo

Em um mundo dominado pela Igreja, o pensamento filosófico foi enquadrado e, em muitos casos, considerado herético.

ESCLARECENDO HERESIA: são chamadas de heresias as afirmações que se distanciam dos ensinamentos tradicionais de uma determinada religião. Por exemplo, afirmar que Jesus Cristo tinha pecados é considerado heresia para o cristianismo, que o vê como um ser divino. Imagem 2.14.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Uma das periodizações mais conhecidas da História remete à Idade Média, ao intervalo de tempo que vai do século V ao século XV da era cristã. No pensamento medieval, os temas religiosos e teológicos predominaram sobretudo por causa da influência da Igreja Católica e do Cristianismo, influenciando todas as áreas da vida e do conhecimento na Europa Ocidental. A investigação acerca das relações existentes entre a fé e a razão, a existência e a natureza de Deus, bem como outros temas ligados à revelação contida nos escritos bíblicos, foram de grande importância no desenvolvimento do pensamento deste período. A razão deveria auxiliar a fé na compreensão das doutrinas cristãs, isto é, deveria auxiliar esta sem se opor a ela nem à autoridade da Igreja. Homens como Agostinho, Tomás de Aquino, Alberto Magno, Anselmo de Cantuária, Duns Scotus e Guilherme de Ockham escreveram importantes obras que revelam a mentalidade do homem medieval e as relações nem sempre amistosas entre cristianismo e filosofia.

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2º ANO - FILOSOFIA | VOLUME 1

A filosofia cristã no mundo medieval é geralmente dividida em Patrística (séc. I a VII) e Escolástica (séc. IX a XV). O período patrístico se iniciou antes da Idade Média e foi marcado pela atividade dos chamados padres da igreja (séc. III e IV), responsáveis por consolidar o cristianismo e difundi-lo junto ao mundo romano. Os pais ou padres da Igreja (Tertuliano, Clemente, Orígenes etc.) procuraram elaborar uma teologia que conciliasse a doutrina cristã e o conhecimento filosófico grego. Para esses importantes teólogos cristãos, era essencial fundamentar a fé em argumentos inteligíveis e racionais. A apologética foi outra atividade ligada aos pais da Igreja. A apologia consistia na defesa do cristianismo em face dos ataques proferidos por pensadores “pagãos” que se opunham à religião cristã e a consideravam supersticiosa e inculta. Os apologistas escreveram obras nas quais respondiam em bases filosóficas aos ataques e argumentos contrários à fé cristã. O apologista, portanto, era um cristão erudito, versado nas doutrinas do cristianismo e, ao mesmo tempo, um conhecedor do pensamento filosófico antigo.


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

Reprodução

Outro importante elemento teológico encontrado na obra de Agostinho é o conceito de predestinação, ou seja, Deus é o único que tem o poder de decidir acerca da salvação ou não do homem pecador, ao qual cabe aceitar a graça de Deus e se desviar do mal. A concepção agostiniana sobre a predestinação influenciou os pensadores da Reforma Protestante. Quanto ao período escolástico (IX a XV), foi marcado pelo pensamento de Tomás de Aquino (1225-1274) e pela sua doutrina tomista-aristotélica. Fazendo uso das traduções das obras de Aristóteles, feitas por filósofos árabes como Averróis, Tomás de Aquino tornou-se o mais importante pensador do século XIII. A sua mais importante obra foi a Suma teológica, espécie de compêndio teológico-filosófico escrito a partir de 1265 e que serviu de referência para a construção da dogmática católica. Dividida em três partes, a suma trata dos temas mais relevantes ligados à doutrina cristã e ficou inacabada por causa da morte de Tomás de Aquino. O aristotelismo foi usado como instrumento para a compreensão das principais doutriImagem 2.16. Zenão nas cristãs e até mesmo para provar a existência de Deus. Em Tomás de Aquino, os argumentos racionais foram amplamente usados para justificar verdades religiosas contidas na revelação bíblica, e com isso o Cristianismo se propagava, “fazendo escola” (escolástica), até a ruptura com a Reforma Protestante, que fragilizou o Catolicismo vigente.

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Um dos principais nomes do pensamento patrístico foi Agostinho de Hipona (354430), clérigo católico conhecido pela sua peregrinação espiritual, até se converter ao cristianismo. Teólogo cristão piedoso, Agostinho foi bastante influenciado pelo pensamento de Platão, de quem herdou uma concepção Imagem 2.15. Agostinho de Hipona dualista do mundo. Agostinho procurou nos seus mais importantes escritos (entre eles A Cidade de Deus) unir a Filosofia (razão) com o cristianismo (fé) a partir de uma síntese que apontava para Deus como aquele de quem emana a verdade. No que diz respeito ao homem, Agostinho o entendia também em termos dualistas. Na obra A Cidade de Deus, Agostinho diz existirem duas cidades: a terrena e a celeste. A cidade terrena é a cidade do pecado, vinculada às coisas materiais e que inevitavelmente perecerá no pecado. Já a cidade celeste representa a graça redentora e salvadora de Deus, que é oferecida ao homem. No homem, dizia Agostinho, o corpo (material/físico) se opõe à alma (imaterial/espiritual). Dessa forma, o homem deve considerar a precedência da alma sobre o corpo, pois aquela conduz o homem a Deus e às coisas espirituais enquanto este leva o homem ao pecado e o afasta do criador. Enfatizando a graça de Deus, Agostinho explica que é ela que conduz o homem à prática do bem, impelindo-o a evitar o mal. Para ele, o mal não tem existência substancial, mas representa uma privação do bem.

EXERCITANDO EM AULA

a) b) c) d) e)

a) b) c) d) e)

Suma Contra os Gentios. Tractatus Lógico-Filosófico. Crítica da Razão Pura Suma Teológica A Cidade de Deus

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

04. (FAAP) A doutrina de Platão influenciou os primeiros filósofos medievais, Santo Agostinho, bispo de Hipona (354 a 430) e Boécio (480 a 524), autores de “Confissões” e “Consolação da Filosofia”, respectivamente. Mas a Filosofia que predominou na Idade Média foi a: Sofística Epicurista Escolástica Existencialista Fenomenológica

05. Dentre as obras do filósofo escolástico São Tomás de Aquino, aquela que se tornou mais famosa, na qual são tratados todos os temas de ordem teológica e filosófica, desde as provas para existência de Deus, a criação do mundo e do homem, até discussões sobre as virtudes, a ética e a política, é:

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

Domínio Publico

Imagem 2.17.

ESCLARECENDO Modernidade: período que se inicia com o Renascimento, consolida-se durante toda a Idade Moderna e alcança o apogeu durante o Iluminismo (século XVIII).

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Com o advento do mundo moderno, antigos paradigmas foram abandonados e novas ideias foram se instalando e ganhando espaço, apesar da resistência dos antigos modelos, crenças e hábitos. No âmbito da astronomia, o geocentrismo de Ptolomeu (90-168 d.C.) deu lugar ao heliocentrismo de Nicolau Copérnico (1473-1543 d.C.). O mundo moderno é marcado pelo binômio ciência-tecnologia e pela introdução de um tipo de saber (saber ativo) que não se contenta com a contemplação de questões metafísicas; pelo contrário, empenha-se em transformar o mundo natural e superar antigas crendices e superstições que estiveram na base do pensamento antigo e medieval. Essa dessacralização das coisas foi chamada por Weber de “desencantamento do mundo”. Na modernidade, o pensamento é essencialmente imanentista, isto é, nega a influência do transcendental no mundo ou, no máximo, consegue vê-lo expresso naquilo que é mundano. Uma coisa imanente tem a sua causa em si mesma; é imanentista a concepção de que o universo tem a sua causa dentro do próprio universo. Uma importante característica do pensamento moderno é o racionalismo. O racionalismo postula que é possível chegar a verdades seguras por intermédio da razão, tornando a racionalidade o fundamento de toda teoria acerca das coisas e dos seres.

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Reprodução

É impossível compreender o pensamento e a Filosofia no mundo moderno sem relacioná-los com as mudanças ocorridas no final do século XV e início do século XVI. Eventos como a Reforma Protestante, o aparecimento da ciência moderna e a transição do sistema feudal para o capitalismo são de suma importância para compreender a modernidade.

No mundo moderno, o homem (um ser racional) e tudo aquilo que lhe diz respeito torna-se o centro dos interesses e atenções do pensamento. O homem e o mundo vão paulatinamente substituindo Deus e o céu, e as explicações religiosas do mundo centradas nos livros sagrados são substituídas por outras mais racionais e criteriosas. O pensamento moderno e o espírito que anima a modernidade se expressam de maneira inequívoca na obra de Francis Bacon (1561-1626), filósofo e político inglês autor do Novum Organum. Bacon defendeu um saber prático e instrumental que resultasse da observação da natureza e não da contemplação religiosa. Ele chamou de ídolos as falsas noções e os preconceitos que impedem ou no mínimo dificultam a Imagem 2.18. Francis Bacon compreensão da realidade. A forma proposta por Bacon para evitar os erros resultantes dos ídolos foi a investigação a partir da indução (método indutivo). O método indutivo de investigação se divide em quatro etapas: observação, organização dos dados, formulação de uma hipótese e comprovação a partir de experimentos. Outro grande expoente do pensamento moderno foi o físico inglês Isaac Newton (1642-1727), o principal nome da revolução científica e também o fundador da Física clássica. Sua principal obra é Princípios matemáticos da filosofia natural, na qual discute o movimento dos corpos em trajetória circular. Newton também descobriu o cálculo infinitesimal e estudou a natureza e propagação da luz. O cálculo infinitesimal ajuda na detecção da variação das grandezas e é considerado uma importante ferramenta matemática em áreas como a Física, Química e Economia. Entre os mais importantes pensadores da modernidade encontra-se o francês René Descartes (1596-1650), um dos pais do racionalismo moderno. Descartes estabeleceu como princípio da sua reflexão a consciência de que, colocando em dúvida todas as coisas (dúvida metódica), avançamos até chegar ao conhecimento verdadeiro. Segundo esse mesmo filósofo, há apenas uma coisa da qual não se pode duvidar: da existência daquele que duvida. Por isso diz: “cogito, Imagem 2.19. Descartes ergo sum” (penso, logo existo/sou). Na concepção cartesiana, o homem é pensamento e, se pensa, é porque tem existência; dessa forma, a existência do ser pensante se configura como uma verdade segura. Para René Descartes, uma coisa só deveria ser aceita como verdadeira se fosse evidente e possuísse as qualidades de clareza e distinção. Ele acreditava na existência de ideias inatas (que são naturais no ser humano, com as quais já nasce) e que não se originam das percepções sensoriais.

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TÓPICO 3 • Filosofia moderna


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

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CONECTANDO DISCIPLINAS

Foi utilizando o método de pesquisa do plano inclinado que chegou à sua “Lei da queda dos corpos”. O plano inclinado era ideal para aferir os fenômenos ligados à velocidade e à queda dos corpos. Rompendo com uma antiga opinião aristotélica, afirmou que dois objetos de pesos diferentes caem com a mesma velocidade, pois a queda é determinada pela gravidade e não pelo peso dos corpos. Depois de ter aperfeiçoado uma espécie de telescópio, observou as manchas solares e as luas de júpiter. Em 1633 foi obrigado pela Igreja Católica a se retratar publicamente por ter reafirmado as ideias de Nicolau Copérnico. Ele defendeu que a Terra se movia e não era fixa, como afirmava a Igreja. E, embora tenha se retratado, continuou acreditando nas suas descobertas e terminou os seus dias observando os astros no céu. Para ele, o Deus que dotou o homem de razão não se opunha à ciência. Reprodução

Opondo-se ao racionalismo cartesiano, filósofos ingleses como John Locke (1632-1704) propuseram o empirismo. Locke negou a existência de ideias inatas e afirmou que o homem é semelhante a uma tábula rasa, ou seja, nasce como uma folha de papel em branco, na qual o conhecimento vai sendo “escrito” a partir das experiências. O empirismo é a doutrina seImagem 2.20. John Locke gundo a qual as ideias surgem das experiências dos sentidos. São as percepções sensoriais que levam ao conhecimento. O conhecimento empírico, portanto, é aquele que é passível de verificação por meio de experiência e observação. A filosofia na modernidade se caracteriza pelas discussões de cunho epistemológico. A epistemologia é a Teoria do Conhecimento. Ela estuda a estrutura, a origem e os métodos do conhecimento. As questões epistemológicas eram comuns na Idade Moderna, uma vez que a realidade do mundo estava sendo questionada pelo indivíduo emancipado pela razão. O fim da modernidade foi determinado pelo descontentamento humano frente aos valores que foram enaltecidos pelos pensadores modernos, como a razão e o liberalismo. A técnica e a ciência produziram novos problemas (embora tenha resolvido outros) e a razão foi sendo paulatinamente destronada pelo ceticismo, à medida que o mundo moderno foi perpetrando atos cada vez mais irracionais.

Imagem 2.21.

Galileu e as suas experiências científicas

EXERCITANDO EM AULA 06. Leia o texto a seguir.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Galileu Galilei (1564-1642), físico, matemático e astrônomo italiano, é considerado um dos principais representantes da ciência moderna. Professor de Matemática aos 24 anos, Galileu tornou-se célebre por utilizar um método de pesquisa baseado em experimentos. Ao basear o conhecimento científico em experiências, acabou por “separar” Filosofia e Ciência. Galileu julgava ser de grande importância a mensuração dos fenômenos naturais estudados. Foi ele quem introduziu a matemática e a geometria como linguagens utilizadas pela ciência. Esse grande pensador afirmava que a ciência não deveria se basear em meras especulações teóricas e, sim, em hipóteses depois comprovadas a partir de experimentos. A exigência de precisão levou Galileu a utilizar a Matemática para decifrar a linguagem do universo. Ele acreditava que existia, entre os corpos em movimento, uma relação quantitativa. As suas experiências tinham como ponto de partida esse postulado.

“Para duvidar, pensar que tudo é falso, é necessário pensar, sendo imprescindível que quem pense seja algo – Penso Logo Existo (primeiro princípio da filosofia), indubitável, claro e distinto, atendendo o critério pelo qual se reconhece uma verdade, a clareza e a distinção”. (disponível em projetophronesis.com)

O texto anterior resume o pensamento de um dos mais importantes filósofos da modernidade, estamosnos referindo à: a) Francis Bacon. b) Galileu Galilei. c) Montaigne. d) René Descartes. e) David Hume.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

TÓPICO 4 • Filosofia contemporânea Shutterstock.com

SAIBA MAIS Escola de Frankfurt: grupo de intelectuais alemães que produziram a teoria crítica inspirados pelas ideias marxistas. A teoria crítica se opõe à ideia cartesiana de sociedade fundamentada na tradição que enaltece a razão como instrumento de domínio.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Domínio Público

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A Filosofia contemporânea tem como dois dos seus principais fundamentos a crítica ao racionalismo e ao capitalismo. A suposta racionalidade do ser humano sofreu uma série de ataques no mundo contemporâneo. O mesmo aconteceu com o capitalismo, consolidado com a ascensão da burguesia, entre os séculos XVI e XVIII. A Escola de Frankfurt criticou duramente aquilo que chamou razão instrumental, afirmando que esta servia como meio para escravizar e dominar o homem. Quanto à razão crítica, serviria de fundamento para a análise da razão instrumental e libertaria o homem por meio da reflexão acerca dos valores humanos e da finalidade das coisas. Fizeram parte da Escola de Frankfurt nomes como Theodor Adorno (1903-1969), crítico ferrenho da cultura de massa, Max Horkheimer (1895-1973), que construiu as bases da razão crítica e Herbert Marcuse (1898-1979), que afirmou que a racionalidade tecnológica suprimiu a razão indiImagem 2.23. Theodor Adorno vidual e alienou o ser humano.

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Imagem 2.22. Karl Marx

A crítica contemporânea do sistema capitalista foi feita principalmente por Karl Marx (1818-1883), filósofo alemão socialista e autor da obra O capital. Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista caracteriza-se pela luta de classes entre a burguesia (donos dos meios de produção) e o proletariado (trabalhadores que vendem sua força de trabalho). Karl Marx afirmava que a classe trabalhadora (operários e trabalhadores rurais) deveriam se organizar contra a burguesia e promover a revolução socialista, que extinguiria a sociedade de classes e abriria o caminho para a ditadura do proletariado. Outra importante obra de Karl Marx é o Manifesto do partido comunista (1848), escrita em parceria com Engels. No mundo contemporâneo se desenvolveu também a corrente filosófica chamada existencialismo, cujo principal ícone foi o pensador francês Jean-Paul Sartre (19051980). O existencialismo tem como principal tema a existência humana, que inclui a liberdade (o ser humano é resImagem 2.24. O capital ponsável por seus atos) e o desespero. De acordo com Jean-Paul Sartre, “a existência precede a essência”, isto é, o homem primeiro existe no mundo real e material para, só então, por meio da sua liberdade, construir aquilo que é. Portanto, para Jean-Paul Sartre, não existe uma essência humana anterior à existência real e concreta.

ESCLARECENDO Cultura de massa: tipo de cultura produzida para ser consumida pelo maior número de pessoas possível, como se fosse uma mercadoria. Imagem 2.25. Jean-Paul Sartre

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

APROFUNDAMENTO O existencialismo ateu de Sartre e a liberdade humana Jean-Paul Sartre publicou em 1946 uma obra cujo título é O existencialismo é um humanismo. A obra é, na verdade, produto de uma série de palestras dadas no ano anterior. Nessas palestras, Sartre tentou se defender de uma série de críticas feitas a ele e à sua filosofia, tanto por socialistas como por cristãos. Os socialistas afirmavam que a perspectiva extremamente negativa e angustiada do existencialismo levava o homem a uma espécie de imobilismo resultante do desespero. Quanto aos cristãos, criticavam Sartre por ter proposto o ateísmo e desprezado a existência de Deus, comprometendo valores importantes para a vivência social e dando carta branca ao indivíduo para fazer o que bem entendesse.

De fato, para Sartre, que nesse momento particular seguia a linha de pensamento de Soren Kierkegaard, “verdade é subjetividade”; isto é, o que existe é a verdade de cada um e não uma verdade única cuja origem era Deus. O homem, dizia ele, não depende de um plano divino preestabelecido. Pelo contrário, é na sua própria existência histórica, pessoal e material que o homem constrói a sua própria essência (o que ele é). Portanto, não existe qualquer espécie de natureza humana predeterminada por nenhuma entidade metafísica, como Deus, por exemplo. Ele propôs a total subjetividade humana, que faz com que o homem escolha o seu próprio caminho. Para ele, é o próprio ser humano que se constrói a partir da sua consciência e liberdade. Aliás, dizia que o homem não apenas exerce a sua liberdade, ele é a própria liberdade (a liberdade é a condição ontológica do homem). “O homem está condenado a ser livre”. Ele é o único responsável por aquilo que se torna. Viver, portanto, é equilibrar-se entre as nossas escolhas e as suas consequências.

EXERCITANDO EM AULA 07. René Descartes, conhecido filósofo moderno, fundamentou em sua filosofia o chamado racionalismo no período iluminista da história. Posteriormente, na filosofia contemporânea, essa linha de pensamento foi criticada pela Escola de Frankfurt, que teve como base de sua produção a: a) teoria das ideias b) teoria indutiva c) teoria crítica d) teoria escolástica e) teoria aristotélica

08. (UFSJ) A partir da análise da seguinte afirmação: “O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo”, é CORRETO afirmar que se trata a) b) c) d)

do primeiro princípio do empirismo humeano. do segundo princípio do niilismo nietzscheano. do primeiro princípio do existencialismo sartreano. do terceiro axioma do empirismo hobbesiano.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 1: Filosofia grega antiga

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01. Observe a figura a seguir.

A imagem acima, importante para o estudo iconográfico da Filosofia grega antiga, mostra um suposto diálogo entre Platão e o seu discípulo Aristóteles, no qual o mestre aponta para cima e o erudito aluno para o meio e para as coisas ao seu redor. Sobre a interpretação correta dessa figura, podemos afirmar que: a) Indica uma total harmonia de pensamento entre Platão e Aristóteles, que concordaram em relação ao lugar onde pode ser encontrada a essência das coisas. b) Exprime uma importante divergência entre Platão e Aristóteles, em que o primeiro afirma que a essência das coi-

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

sas se encontra no mundo das ideias, e o segundo defende que a essência pode ser encontrada nas próprias coisas. c) Segundo Platão, aquilo que faz as coisas serem o que são, isto é, a essência das coisas, pode ser encontrada na esfera sensível, no mundo concreto, cujos objetos são conhecidos através dos sentidos. d) Para Aristóteles, as coisas do mundo concreto são cópias imperfeitas de ideias perfeitas das coisas que podem ser encontradas na esfera suprassensível, ou seja, no mundo das ideias. e) Remete à discussão sobre a arqué, princípio das coisas contidas na natureza, fundamento único de toda a pluralidade natural expressa naquilo que existe no mundo.

02. Sobre a gênese da reflexão filosófica, analise os itens a seguir. I. A Filosofia nasceu na Grécia na passagem do século VII para o VI a.C., com os filósofos posteriormente chamados pré-socráticos, entre os quais estavam Platão e Aristóteles. II. Os primeiros filósofos eram também cosmólogos, uma vez que pretendiam explica a origem e organização do mundo de forma racional. III. Um dos mais importantes pré-socráticos foi Heráclito de Éfeso, filósofo misantropo conhecido como “o obscuro” e que afirmava que o princípio de todas as coisas era o fogo. IV. Um dos temas mais comuns discutidos pelos filósofos pré-socráticos era a natureza humana, a dimensão interior do homem, inexplorada pela reflexão crítica até aquele momento. Existia entre os primeiros filósofos uma incrível unanimidade cuja existência era fruto da rápida superação do mito e da instauração de um pensamento racional em todas as esferas da sociedade grega antiga.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Estão CORRETOS a) I, II e III. b) II e III. c) I, III e IV. d) II, III e IV. e) II, IV e V.

03. De acordo com a Alegoria da Caverna, de Platão, é possível afirmar que: a) O conhecimento filosófico é o único que pressupõe o acesso ao mundo sensível. b) Filosofar é um instrumento de alienação para quem sai da caverna. c) O filósofo, por sua busca, tem uma visão mais abrangente do conhecimento. d) A unidade da verdade não permite divagações metafísicas.

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2º ANO - FILOSOFIA | VOLUME 1

04. Ainda a respeito dos seus conhecimentos da metáfora do Mito da Caverna, assinale a alternativa CORRETA. a) O processo de esclarecimento por meio da filosofia pressupõe a iluminação das coisas sensíveis pelos fabricadores de ilusões. b) A Paideia filosófica é um processo de dissolução de preconceitos e de ideias ligadas ao senso comum. c) A alegoria da caverna não se adapta às realidades contemporâneas. d) Convidar as pessoas para saírem da caverna é um contrassenso, pois somente o filósofo pode sair da caverna. 05. (UPE) Leia o texto a seguir sobre o conhecimento filosófico: No período socrático ou antropológico, no âmbito da filosofia grega, surgem os sofistas. A palavra era antigamente sinônimo de sábio. Porém, no século V a.C., toma um matiz pejorativo e se aplica a um grupo de mestres ambulantes, que recorrem aos cidadãos gregos, ensinando o que eles chamam de sabedoria. (COLOMER, Klimke. Historia de la filosofía. Madrid: Labor, 1961, p.39) Adaptado.

No âmbito do conhecimento filosófico, o texto retrata que, no período socrático ou antropológico, os sofistas representam algo totalmente novo nesse cenário com relação ao estudo do homem. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. a) Os sofistas foram, na verdade, reputados como grandes mestres de cultura; inicia-se a fase antropológica. b) Os sofistas foram sábios nos estudos da natureza cosmológica e deram pouca importância ao problema antropológico. c) Com a sofística, inicia-se uma nova fase no período filosófico, o estudo de Deus. d) Os sofistas não reconheceram o valor formativo do saber e elaboraram o conceito de natureza, excluindo o homem da sua consideração. e) Os sofistas influenciaram parcialmente o curso da investigação filosófica, com seu enfoque teórico frente aos problemas prático-educativos.

TÓPICO 2: Filosofia medieval

06. Depois da queda do Império Romano em 476 d.C., a Igreja Católica passou a exercer um importante papel político e religioso no mundo medieval. No campo material, o domínio da igreja se expressou por um grande acúmulo de riquezas e, no âmbito interno, foi marcada pelas disputas entre clérigos em uma época em que os conflitos entre nobres se multiplicavam e as superstições em muitos casos resultaram em perseguição e morte. Sobre o pensamento no mundo medieval, analise os itens a seguir. I. Uma parte significativa das doutrinas cristãs da igreja medieval incorporou elementos de diversas correntes de pensamento grego. II. Os padres da igreja foram encarregados da construção doutrinária da igreja cristã nascente, bem como da defesa da fé por ocasião dos ataques provenientes do mundo pagão.


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

III. No mundo medieval, a filosofia deveria estar a serviço da teologia e toda investigação filosófica ou científica não deveria contrariar as verdades estabelecidas pela igreja católica. IV. A heresia era qualquer ato, palavra ou doutrina capaz de convencer os indivíduos acerca dos pontos de vista da igreja; em outras palavras, a heresia fortalecia a fé e promovia a ortodoxia. V. Na Idade Média surgiram alguns pensadores cristãos que acreditavam ser possível utilizar a filosofia grega como uma ferramenta de defesa da fé cristã. Estão CORRETOS a) I, II e III. b) I, II, III e IV. c) II, III e V. d) I, II, III e V. e) I, II, III, IV e V.

07. Sobre a vida, obra e pensamento de Santo Agostinho (354-430), marque a alternativa INCORRETA. a) Representante da corrente patrística, tentou munir a fé de argumentações racionais buscando uma conciliação entre o cristianismo e o pensamento pagão; antes de se tornar cristão, foi maniqueísta, cético e neoplatonista. b) Em toda a sua obra nota-se a defesa da superioridade do espírito sobre o corpo, influência marcante do pensamento platônico. c) Ensina que, sem a graça de Deus, o pecador obstinado nada pode conseguir no que tange à salvação da alma; a graça de Deus, no entanto seria concedida apenas aos predestinados. d) A crença na autonomia da vida moral levou Agostinho a concordar com as doutrina do monge Pelágio, aceitas pela igreja católica no Concílio de Cartago, em 417. e) Entre as principais obras de Santo Agostinho pode-se contar A cidade de Deus e As confissões.

I. É uma corrente filosófica nascida na Europa da Idade Média, que dominou o pensamento cristão entre os séculos XI e XIV. II. Teve como principal nome o teólogo italiano São Tomás de Aquino. III. Uma das contribuições mais importantes de São Tomás foi ter realizado uma releitura da obra de Aristóteles. IV. A obra de Tomás de Aquino representa o apogeu do pensamento medieval católico V. A corrente escolástica perderia o papel de destaque na filosofia europeia por volta do século XVII, com o nascimento da filosofia moderna, que traria pensadores e cientistas como Galileu Galilei e René Descartes.

09. (PUCCAMP)

Preparando seu livro sobre o imperador Adriano, Marguerite Yourcenar encontrou numa carta de Flaubert esta frase: “Quando os deuses tinham deixado de existir e o Cristo ainda não viera, houve um momento único na história, entre Cícero e Marco Aurélio, em que o homem ficou sozinho”. Os deuses pagãos nunca deixaram de existir, mesmo com o triunfo cristão, e Roma não era o mundo, mas no breve momento de solidão flagrado por Flaubert o homem ocidental se viu livre da metafísica – e não gostou, claro. Quem quer ficar sozinho num mundo que não domina e mal compreende, sem o apoio e o consolo de uma teologia, qualquer teologia? (Luiz Fernando Veríssimo. Banquete com os deuses)

A compreensão do mundo por meio da religião é uma disposição que traduz o pensamento medieval, cujo pressuposto é a) o antropocentrismo: a valorização do homem como centro do Universo e a crença no caráter divino da natureza humana. b) a escolástica: a busca da salvação através do conhecimento da filosofia clássica e da assimilação do paganismo. c) o panteísmo: a defesa da convivência harmônica de fé e razão, uma vez que o Universo, infinito, é parte da substância divina. d) o positivismo: submissão do homem aos dogmas instituídos pela Igreja e não questionamento das leis divinas. e) o teocentrismo: concepção predominante na produção intelectual e artística medieval, que considera Deus o centro do Universo.

10. (UFU) Na medida em que o Cristianismo se consolidava, a partir do século II, vários pensadores, convertidos à nova fé e, aproveitando-se de elementos da filosofia greco-romana que eles conheciam bem, começaram a elaborar textos sobre a fé e a revelação cristãs, tentando uma síntese com elementos da filosofia grega ou utilizando-se de técnicas e conceitos da filosofia grega para melhor expor as verdades reveladas do Cristianismo. Esses pensadores ficaram conhecidos como os Padres da Igreja, dos quais o mais importante a escrever na língua latina foi santo Agostinho.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

08. Sobre a filosofia escolástica, analise os itens a seguir.

Estão CORRETAS a) I, II e III apenas. b) II, III e IV apenas. c) II, III, IV e V apenas. d) I, III, IV e V apenas. e) I, II, III, IV e V.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia: Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 128. (Adaptado)

Esse primeiro período da filosofia medieval, que durou do século II ao século X, ficou conhecido como a) Escolástica. b) Neoplatonismo. c) Antiguidade tardia. d) Patrística.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

TÓPICO 3: Filosofia moderna

13. Leia o texto a seguir sobre René Descartes.

11. Entre os séculos XV e XVI, o feudalismo foi sendo substituído paulatinamente por um novo modo de produção: o capitalismo. O crescimento das cidades e a ascensão de uma nova classe social, a burguesia, eram ícones de uma nova forma de pensar o mundo e as relações do homem com a natureza.Todos esses foram elementos que fizeram surgir o pensamento moderno. São características do pensamento moderno, EXCETO a) A crença de que a filosofia é independente e não se submete a nenhuma autoridade que não seja a própria razão como faculdade plena de conhecimento. b) A certeza de que a filosofia moderna realiza a primeira descoberta da subjetividade propriamente dita, porque nela o primeiro ato de conhecimento, do qual dependerão todos os outros, é a reflexão ou a consciência de si reflexiva. c) A afirmação de que a filosofia moderna é a primeira a reconhecer que, sendo todos os seres humanos seres conscientes e racionais, todos têm igualmente o direito ao pensamento e à verdade. d) As disputas epistemológicas entre racionalistas e empiristas, cujos primeiros são representados pelo pensamento de René Descartes. e) A confiança em uma revelação compreendida de forma racional e justificada pela infalibilidade do clero em assuntos de cunho religioso.

“A maior parte da obra de Descartes é consagrada às ciências (domínios da matemática e da ótica) mas o que ele mais quer é conseguir um modo de chegar a verdades concretas. Sua filosofia, exposta principalmente em o “Discurso sobre o Método”, o mais amplamente lido de todos os seus trabalhos, é a proposta de meios para tal. Descartes parte da dúvida chamada metódica, porque ela é proposta como uma via para se chegar à certeza e não é dúvida sistemática, sem outro fim que o próprio duvidar, como para os céticos. Argumenta que as ideias em geral são incertas e instáveis, sujeitas à imperfeição dos sentidos. Algumas, porém, se apresentam ao espírito com nitidez e estabilidade, e ocorrem a todas as pessoas da mesma maneira, independentes das experiências dos sentidos, e isto significa que residem na mente de todas as pessoas e são inatas. Descartes vai, por etapas, nomear as ideias que ele inclui nessa categoria de claras, distintas, e inatas e vai demonstrar que essas são ideias verdadeiras, não podem ser ideias falsas”.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

12. Um dos maiores expoentes do pensamento moderno foi Francis Bacon (1561-1626), filósofo inglês que muito contribuiu com os seus estudos e pesquisas para a construção do pensamento moderno. Analise os itens a seguir sobre o pensamento de Francis Bacon. I. É considerado um dos fundadores do método indutivo de investigação científica. II. Bacon mostrou preocupação com a utilização prática dos conhecimentos científicos e pelas conquistas realizadas no âmbito da técnica. III. A pesquisa experimental deveria ser o fundamento da ciência e os cientistas deveriam se libertar do que Bacon chamava de ídolos. IV. Um dos mais importantes passos na utilização do método indutivo era a observação da natureza com a finalidade de coletar informações. V. As hipóteses consistiriam em explicações gerais destinadas a compreender o fenômeno estudado e que poderiam ou não ser comprovadas pelos experimentos. Estão CORRETOS: a) I, II e III apenas. b) I, II, III e IV apenas. c) II, III, IV e V apenas. d) I, III, IV e V apenas. e) I, II, III, IV e V.

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(Rubem Queiroz Cobra)

Sobre o pensamento de René Descartes exposto no texto acima podemos dizer que: a) Afirma que Descartes fez uso da dúvida sistemática da mesma forma que os filósofos céticos. b) Ensinou que as ideias em sua maioria são incertas e estáveis e não sujeitas aos sentidos. c) Explica que certas ideias que aparecem com nitidez e estabilidade na mente independente da experiência dos sentidos são inatas. d) As ideias inatas que se apresentam com clareza a mente humana são ideias falsas. e) No Discuros do método diz ser impossível chegar a qualquer tipo de verdade usando a razão.

14. Leia o texto a seguir. “Ele negava a existência de idéias inatas, tese defendida por alguns pensadores racionalistas. Quando nascemos, dizia esse filósofo, a nossa mente é uma página em branco que a experiência vai preenchendo. O conhecimento produz-se em duas etapas: a da sensação, ligada aos sentidos, e da reflexão, que sistematiza o resultado das sensações”. O texto acima se refere a: a) b) c) d) e)

René Descartes, pensador francês racionalista. John Locke, filósofo inglês empirista. David Hume, filósofo inglês empirista. Karl Marx, filósofo alemão materialista. Thomas Hobbes, filósofo inglês teórico do absolutismo.


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

15. (UPE) Considere o texto a seguir sobre o paradigma da Modernidade. Não nos esqueçamos de outra não menos importante verdade histórica: a Revolução Científica foi profetizada por Bacon, realizada por Galileu, tematizada por Descartes, mas só concluída e sistematizada por Newton. (JAPIASSU, Hilton. Como Nasceu a Ciência Moderna. Rio de Janeiro: Imago, 2007, p. 112. Adaptado.)

O autor acima retrata, com singularidade, alguns dos expoentes do pensamento moderno. Sobre esse assunto, assinale a alternativa CORRETA. a) Com a revolução galileana, a teologia ganha sua autonomia, libertando-se da ciência. b) O pensamento cartesiano adota uma atitude de dúvida metódica para bem conduzir a razão e procurar a verdade nas ciências. c) Galileu Galilei foi o verdadeiro fundador do método indutivo na ciência da matemática. d) A ciência para Francis Bacon é teórica e contemplativa, tendo o filósofo profetizado o papel da religiosidade no marco da cientificidade. e) O pensamento newtoniano, com direcionamento na Física e na Matemática, não foi um marco essencial para a história e para a filosofia da ciência.

16. Observe a imagem a seguir.

17. (IFSP) Ao defender as principais teses do Existencialismo, Jean-Paul Sartre afirma que o ser humano está condenado a ser livre, a fazer escolhas e, portanto, a construir seu próprio destino. O pressuposto básico que sustenta essa argumentação de Sartre é o seguinte: a) A suposição de que o homem possui uma natureza humana, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal. b) A compreensão de que a vida humana é finita e de que o homem é, sobretudo, um ente que está no mundo para a morte. c) A ideia de que a existência precede a essência e, por isso, o ser humano não está predeterminado a nada. d) A convicção de que o homem está desamparado e é impotente para mudar o seu destino individual. e) A ideia de que toda pessoa tem uma potencial a realizar, desde quando nasce, mas é livre para transformar ou não essa possibilidade em realidade.

18. (UNIOESTE) “Só pelo fato de que tenho consciência dos motivos que solicitam minha ação, esses motivos já são objetos transcendentes para minha consciência, estão fora; em vão buscaria agarrar-me a eles, escapo disto por minha existência mesma. Estou condenado a existir para sempre além de minha essência, além dos móveis e dos motivos de meu ato: estou condenado a ser livre. Isto significa que não se poderia encontrar para a minha liberdade outros limites senão ela mesma, ou, se se prefere, não somos livres de cessar de ser livres. (...) O sentido profundo do determinismo é o de estabelecer em nós uma continuidade sem falha da existência em si. (...) Mas em vez de ver transcendências postas e mantidas no seu ser por minha própria transcendência, supor-se-á que as encontro surgindo no mundo: elas vêm de Deus, da natureza, da ‘minha’ natureza, da sociedade. (...) Essas tentativas abortadas para sufocar a liberdade – elas desmoronam quando surge, de repente, a angústia diante da liberdade – mostram bastante que a liberdade coincide no fundo com o nada que está no coração do homem”.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Sobre a figura acima é CORRETO afirmar que: a) Expressa um dos importantes passos do método indutivo preconizado por Bacon e utilizado por Galileu. b) Exalta a observação dos fenômenos da natureza tão comum em pensadores medievais. c) Expõe com clareza a dúvida metódica, método desenvolvido pelo filósofo francês René Descartes com o fim de chegar a verdade sobre os objetos. d) Traz a descrição do procedimento usado por Isaac Newtom para compreender a mecânica celeste. e) Está relacionada com o método dedutivo para o qual apenas a razão seria necessária para chegar ao conhecimento verdadeiro das coisas.

TÓPICO 4: Filosofia contemporânea

Sartre.

Com base no texto, seguem as seguintes afirmativas: I. No homem, a existência precede a essência. II. Em sua essência, o homem é um ser determinado quer seja, ou por Deus, ou pela natureza, ou pela sociedade. III. Os limites da minha liberdade são estabelecidos pelos valores religiosos, estéticos, políticos e sociais. IV. “O homem não está livre de ser livre”, pois não é possível “cessar de ser livre”. V. A liberdade humana, em suas escolhas, se orienta por valores objetivos e pré-determinados.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

Assinale a alternativa correta. a) Apenas II está correta. b) Apenas I e IV estão corretas. c) Apenas II e IV estão corretas. d) Apenas III e V estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas.

19. (UNIMONTES) O trabalho é considerado, em Sociologia, como uma atividade produtiva exercida pelo homem, a partir da transformação da natureza, para assegurar sua sobrevivência e desenvolvimento. Karl Marx (1818-1883) afirma que o trabalho pode emancipar os indivíduos, mas, no capitalismo, de modo geral, resulta em alienação dos trabalhadores. Sobre esse assunto, marque a alternativa INCORRETA. a) O trabalho não deve ser visto exclusivamente como emprego remunerado. b) O trabalho é a produção dos indivíduos vivendo em sociedade. c) No sistema capitalista, a produção coletiva passou a ser organizada e dirigida segundo os interesses de todos os trabalhadores, sem distinção. d) A divisão social do trabalho expressa modos de segmentação e estratificação da sociedade.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

20. (UEG) Para Marx, diante da tentativa humana de explicar a realidade e dar regras de ação, é preciso considerar as formas de conhecimento ilusório que mascaram os conflitos sociais. Nesse sentido, a ideologia adquire um caráter negativo, torna-se um instrumento de dominação na medida em que naturaliza o que deveria ser explicado como resultado da ação histórico-social dos homens, e universaliza os interesses de uma classe como interesse de todos. A partir de tal concepção de ideologia, constata-se que a) a sociedade capitalista transforma todas as formas de consciência em representações ilusórias da realidade conforme os interesses da classe dominante. b) ao mesmo tempo que Marx critica a ideologia ele a considera um elemento fundamental no processo de emancipação da classe trabalhadora. c) a superação da cegueira coletiva imposta pela ideologia é um produto do esforço individual principalmente dos indivíduos da classe dominante. d) a frase “o trabalho dignifica o homem” parte de uma noção genérica e abstrata de trabalho, mascarando as reais condições do trabalho alienado no modo de produção capitalista.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

ANOTAÇÕES

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

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GABARITOS

GABARITOS Capítulo 1

Capítulo 2

EXERCITANDO EM AULA 01. (c) 02. (d) 03. (b) 04. (c) 05. (c) 06. (b)

EXERCITANDO EM AULA 01. (e) 02. (c) 03. (d) 04. (c) 05. (d) 06. (d) 07. (c) 08. (c)

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (e) 02. (a) 03. (a) 04. (d) 05. (c) 06. (e) 07. (a) 08. (d) 09. (e) 10. (e) 11. (b) 12. (b) 13. (e) 14. (a) 15. (d)

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (b) 02. (b) 03. (c) 04. (b) 05. (a) 06. (d) 07. (d) 08. (e) 09. (e) 10. (d) 11. (e) 12. (e) 13. (c) 14. (b) 15. (b) 16. (a) 17. (c) 18. (b) 19. (c) 20. (d)


Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 1 03. Leia o texto a seguir.

TÓPICO 1: Filosofia e preconceito

01. (UNIOESTE) “Nada indigna mais uma cabeça filosófica do que ouvir dizer que, de agora em diante, toda filosofia tem de ficar aprisionada nos grilhões de um único sistema. Nunca esse espírito se sentira maior do que ao ver diante de si a infinidade do saber. Toda a sublimidade de sua ciência consistiria justamente em nunca poder perfazer-se. No instante em que ele próprio acreditasse ter perfeito seu sistema, ele se tornaria insuportável para si mesmo. Nesse mesmo instante, deixaria de ser criador e se reduziria a um instrumento de sua criatura. […] nada pode ser mais pernicioso para a dignidade da filosofia que a tentativa de forçá-la a entrar nos limites de um sistema teórico universalmente válido.” Schelling.

Considerando o texto acima, é INCORRETO afirmar que a) a filosofia tem, além de seu aspecto teórico, um aspecto prático ligado à criação de sistemas. b) a dignidade da filosofia está em colocar-nos diante de um horizonte infinito de conhecimento. c) a filosofia, enquanto atividade criadora humana, tem inúmeras possibilidades de expressão teórica. d) a filosofia é uma atividade que não deve atingir um acabamento definitivo por meio de um sistema teórico. e) a filosofia, para a grandeza do espírito humano, deve realizar um sistema teórico universal, perfeito e definitivo.

Não penso que a filosofia alguma vez tenha tido uma grande audiência, pelo menos uma audiência que estivesse verdadeiramente comprometida a segui-la de uma maneira rigorosa. Os filósofos sempre tiveram um trabalho solitário, sem muito apoio ou participação do público. Não penso que os filósofos devam pensar que são responsáveis por promover ou fazer avançar o progresso social ou ideias morais. Isso tende a levar a conversa de “treta” em vez da aderência estrita aos requisitos da clareza, dos argumentos rigorosos etc. (Harry Frankfurt)

A visão contida no texto acima mostra a figura do filósofo como: a) Homem público e aceito pela multidão. b) Responsável por promover o progresso social. c) Alguém que tem a função de construir ideias morais. d) Intelectuais que executam um trabalho solitário. e) Um indivíduo que não adere aos requisitos da clareza.

TÓPICO 2: A insatisfação do filósofo

04. “Uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objeto da reflexão filosófica. Há alguns anos, foi publicado, no Brasil, um livro chamado Os Simpsons e a Filosofia, que tratava das questões filosóficas implícitas no famoso desenho animado da TV.” (Disponível em educaçãouol.com.br)

02. (UPE) A filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na vida humana e deve ser referida sempre a esta para ser plenamente compreendida, pois somente nela e em função dela adquire seu ser efetivo. VITA, Luís Washington. Introdução à Filosofia, 1964, p. 20.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Sobre esse aspecto do conhecimento filosófico, é CORRETO afirmar que a) a consciência filosófica impossibilita o distanciamento para avaliar os fundamentos dos atos humanos e dos fins aos quais eles se destinam. b) um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe o sentido, o valor e a finalidade. c) a filosofia é o estudo parcial de tudo aquilo que é objeto do conhecimento particular. d) o conhecimento filosófico é trabalho intelectual, de caráter assistemático, pois se contenta com as respostas para as questões colocadas. e) a filosofia é a consciência intuitiva sensível que busca a compreensão da realidade por meio de certos princípios estabelecidos pela razão.

Quando o texto acima afirma que uma história em quadrinhos pode ser um objeto de reflexão filosófica, nele está implícita uma das principais características do pensar filosófico. Marque nas alternativas abaixo aquela que contém essa característica. a) A Filosofia tem uma visão de conjunto. b) Ser radical e rigorosa são características da Filosofia. c) O pensar filosófico não é dogmático. d) A Filosofia pode se voltar para qualquer objeto. e) A Filosofia é um sistema aberto.

05. Observe a imagem a seguir.

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Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

A partir da compreensão do sentido da figura anterior, podemos afirmar que uma das funções da Filosofia é: a) Promover uma valorização de antigos dogmas religiosos. b) Fazer com que o homem pense apenas sobre si mesmo. c) Levar o indivíduo a uma interpretação sensorial do mundo. d) Libertar o indivíduo da ignorância a partir do questionamento. e) Impedir a aceitação de ideias não comprovadas pela ciência.

06. Quanto ao pensamento filosófico ou simplesmente o filosofar, este nasce do desejo de perguntar, de conhecer, de investigar, de encontrar soluções que incentivem o homem a evoluir. Sendo assim, podemos afirmar que a filosofia: a) Interessa-se pela própria inteligência e pela realidade de uma forma geral. b) Não se satisfaz apenas com os resultados apresentados pelas ciências e sempre procura ir além, mas sem discutir com seus propósitos políticos e sociais. c) Usa de argumentos por vezes inválidos para justificar seus conhecimentos. d) Tem como método também utilizado as opiniões pessoais. e) Todas as alternativas anteriores estão incorretas. 07. Leia o texto a seguir. Esse conhecimento é racional e não se baseia em experimentações, que é o caso do conhecimento científico. O conhecimento filosófico não se preocupa em verificar se as conclusões tiradas são válidas cientificamente. Esse conhecimento está em busca de conclusões sobre a vida, o universo ultrapassando o limite imposto pela ciência. (Disponível em http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos)

A partir do texto acima, marque a alternativa INCORRETA. a) A ciência e a filosofia se baseiam em experimentações. b) O conhecimento filosófico é especulativo e não empírico. c) O conhecimento filosófico ultrapassa os limites impostos pela ciência. d) A filosofia e a ciência se baseiam na racionalidade. e) O conhecimento científico é experimental ou empírico.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

TÓPICO 3: Filosofia, senso comum e dogmatismo

08. Enquanto as ciências são particulares porque se ocupam somente com o seu objeto de estudo, a filosofia analisa a questão de forma global, isto é, examina os problemas relacionando os diversos aspectos entre si. A Filosofia visa ao todo, à totalidade. No texto acima, podemos verificar uma das mais importantes características da Filosofia. Trata-se da: a) Rigorosidade. b) Radicalidade. c) Sistematicidade. d) Visão de conjunto. e) Criticidade.

09. “A reflexão filosófica é o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensamento.” (CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005, p. 20).

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A esse respeito, assinale a alternativa INCORRETA. a) A reflexão filosófica é radical, isso significa que ela vai à raiz do problema. b) A base da reflexão filosófica encontra-se exclusivamente no mundo objetivo, na realidade exterior dos homens. c) Podemos dizer que a reflexão filosófica é o pensamento interrogando a si mesmo. d) A reflexão filosófica é questionamento, “por quê?”, “o quê?” e “para quê?”. e) A crítica faz parte do processo de reflexão filosófica.

10. “O conhecimento filosófico não é um sistema acabado”. A frase acima significa que a filosofia: a) está sempre aberta a novos questionamentos. b) é dogmática e possui respostas definitivas. c) é semelhante à ciência, pois ambas são racionais. d) não responde às questões do mundo contemporâneo. e) pode se voltar para qualquer objeto. 11. Leia o texto a seguir. Melhor do que apenas não aceitar doutrinas que neguem a liberdade de outrem, injuriando a dignidade humana e engendrando a barbárie, é, além disso, promover uma reflexão filosófica que afirme a liberdade eticamente exercida de outrem, que suporte conceitualmente o ético exercício da liberdade humana, contribuindo com a afirmação da cidadania. Assim, ao lado da crítica que desvenda mecanismos alienadores e opressivos, afirmam-se elementos filosóficos que permitem considerar a construção de novas relações humanas que ampliem as liberdades de todos. (texto de Euclides André Mance – disponível em www.ifil.org)

De acordo com o texto acima, NÃO é possível afirmar que: a) a reflexão filosófica deve promover a liberdade. b) a Filosofia desvenda mecanismos alienadores e opressivos. c) o pensar filosófico pode ajudar a construir relações que ampliem a liberdade.O pensamento filosófico contribui com a cidadania ao afirmar a liberdade ética. d) a Filosofia injuria a dignidade humana e promove mecanismos opressivos.

TÓPICO 4: O nascimento da Filosofia Ocidental

12. (UEG) O ser humano, desde sua origem, em sua existência cotidiana, faz afirmações, nega, deseja, recusa e aprova coisas e pessoas, elaborando juízos de fato e de valor por meio dos quais procura orientar seu comportamento teórico e prático. Entretanto, houve um momento em sua evolução histórico-social em que o ser humano começa a conferir um caráter filosófico às suas indagações e perplexidades, questionando racionalmente suas crenças, valores e escolhas. Nesse sentido, pode-se afirmar que a filosofia a) é algo inerente ao ser humano desde sua origem e que, por meio da elaboração dos sentimentos, das percepções e dos anseios humanos, procura consolidar nossas crenças e opiniões.


Capítulo 1 | O conhecimento filosófico

b) existe desde que existe o ser humano, não havendo um local ou uma época específica para seu nascimento, o que nos autoriza a afirmar que mesmo a mentalidade mítica é também filosófica e exige o trabalho da razão. c) inicia sua investigação quando aceitamos os dogmas e as certezas cotidianas que nos são impostos pela tradição e pela sociedade, visando educar o ser humano como cidadão. d) surge quando o ser humano começa a exigir provas e justificações racionais que validam ou invalidam suas crenças, seus valores e suas práticas, em detrimento da verdade revelada pela codificação mítica.

13. Leia o texto a seguir, sobre o pensamento filosófico. “É, com efeito, a admiração que leva e levou os primeiros homens à especulação filosófica. No início, sua admiração voltava-se para as primeiras dificuldades que se apresentavam ao espírito; depois, progredindo pouco a pouco, estenderam sua investigação a problemas mais importantes, tais como os fenômenos da natureza. Ora, perceber uma dificuldade e admirar-se é reconhecer a própria ignorância.” (Aristóteles)

Sobre o texto, podemos afirmar que: a) Descreve a Filosofia como posterior ao mito e explica que o conhecimento filosófico se ocupa dos fenômenos da natureza desde o seu aparecimento. b) Entende a admiração como o elemento motivador do pensar filosófico, que, partindo das dificuldades apresentadas ao espírito, debruçou-se sobre os fenômenos naturais. c) Contrapõe o pensamento filosófico, baseado na razão e no espírito crítico, aos mitos que tentavam explicar o mundo e a origem das coisas através da intuição e da imaginação. d) Afirma que as explicações filosóficas do mundo lidam com as dificuldades apresentadas ao espírito e com os fenômenos da natureza encontrados nas narrativas míticas. e) Reconhece na admiração o objeto de estudo do pensamento filosófico que também se ocupou do estudo dos fenômenos da natureza.

16. Leia o texto a seguir. A Filosofia, como conhecemos, teve origem na Grécia Antiga como resultado de uma intensa mudança de pensamento. Desde o seu surgimento, em Mileto no século VI a.C., e do aparecimento da palavra “filosofia”, que Cícero e Diógenes atribuem a Pitágoras, muitos filósofos tentaram responder à pergunta sobre o que é a Filosofia. Além desse trabalho de investigação constante acerca da natureza da Filosofia, há também uma diversidade de temas e de preocupações que os filósofos tentam responder. (Disponível em www.mundoeducação.com.br)

Sobre o nascimento do pensar filosófico, analise os itens a seguir. I. Embora tenha havido expressões de conhecimento no Oriente e na África, a maior parte dos historiadores considera que a Filosofia entendida como um conhecimento racional e sistemático tenha se iniciado na Grécia. II. Um longo processo, determinado por muitos fatores, promoveu uma mudança na mentalidade grega. A religião grega, tanto a pública como aquela referida como “a religião dos mistérios”, era não dogmática e permitia que os filósofos expressassem suas ideias. III. A poesia buscava uma causa nos acontecimentos narrados e isso denota uma preocupação em compreender a realidade. IV. A política, que se desenhava a partir daquilo que viria a se chamar democracia, dependia do discurso e da explicação racional das ideias. V. O comércio, que se desenvolvia, permitiu tanto o contato com outras formas de pensamento como também propiciou a invenção do alfabeto, da escrita alfabética e do calendário, de forma que começou a moldar na mentalidade do homem uma maior capacidade de abstração.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

14. Muito já se disse acerca das relações entre mito e filosofia. Há aqueles, como o inglês Francis Macdonald Cornford, que, ainda que tenham suas diferenças, há vínculos do mito na filosofia. Porém, ao contrário desta teoria da continuidade, estudiosos do assunto, como Jean-Pierre Vernant, defendem a ruptura entre mito e filosofia. Considerada esta última hipótese, pode-se afirmar que a ruptura entre mito e filosofia se dá porque: a) o mito tem caráter cosmológico, enquanto a filosofia explica o universo a partir de bases racionais. b) a inteligibilidade do mito é dada, enquanto a filosofia busca definição rigorosa de conceitos. c) o mito possui uma relação crítica com seu conteúdo, enquanto a filosofia jamais é crítica de si mesma. d) o mito é narrativo, enquanto que a filosofia é descritiva.

15. O momento histórico da passagem do mito ao nascimento da filosofia da Grécia antiga teve como um dos fatores: a) A condição geográfica do território grego proporcionou a expansão em direção ao exterior, favorecendo o comércio marítimo, contribuindo para o processo de desmistificação. b) A reinvenção de uma escrita, estimulando o pensamento crítico, enquanto as leis escritas foram responsáveis pela permanência no poder da classe rica já existente. c) A organização política relacionada aos limites geográficos do território grego permitiu a formação de um grande e único império. d) O ambiente da pólis estimulava o debate em praça pública, fazendo nascer a política e o cidadão, mesmo estando suas decisões ainda sob o poder da vontade dos deuses. e) Todas as alternativas anteriores estão corretas.

Estão CORRETOS: a) apenas I, II e III. b) apenas I, II, III e IV. c) I, II, III, IV e V. d) apenas II, III, IV e V. e) apenas III, IV e V.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 2 TÓPICO 1: Filosofia grega antiga

01. Leia o texto a seguir.

(Pierre Hadot).

“No estudo da história da filosofia, os primeiros filósofos são chamados de pré-socráticos. Apesar de passar a ideia de que existiram antes de Sócrates, o termo pré-socrático indica uma tendência de pensamento, estando relacionado também com filósofos que viveram na mesma época de Sócrates e até mesmo depois dele.” (Disponível em www.mundoeducação.com.br)

Sobre os pré-socráticos, analise os itens a seguir. I. Aquilo que une os filósofos pré-socráticos é a preocupação em perguntar e compreender a natureza do mundo (a physis). II. Os físicos ou pré-socráticos queriam entender a origem, aquilo que originou todas as coisas, o princípio delas. III. Os filósofos pré-socráticos são divididos em escolas do pensamento: Escola Jônica, Escola Itálica, Escola Eleática, Escola Atomística, de acordo com o local e com problemas discutidos por seus pensadores. IV. A Escola Jônica recebe este nome por se desenvolver na colônia grega Jônia, na Ásia Menor, local onde hoje é a Turquia. V. Seus principais filósofos foram: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e Heráclito de Éfeso. Estão CORRETOS: a) I, II e III apenas. b) II, III e IV apenas. c) apenas II, IV e V. d) I, II, III, IV e V. e) apenas I, IV e V.

02. Sobre o princípio básico da filosofia pré-socrática, é CORRETO afirmar que: a) Tales de Mileto, ao buscar um princípio unificador de todos os seres, concluiu que a água era a substância primordial, a origem única de todas as coisas. b) Anaximandro, após observar sistematicamente o mundo natural, propôs que não apenas a água poderia ser considerada arché desse mundo em si e, por isso mesmo, incluiu mais um elemento: o fogo. c) Anaxímenes fez a união entre os pensamentos que o antecederam e concluiu que o princípio de todas as coisas não pode ser afirmado, já que tal princípio não está ao alcance dos sentidos. d) Heráclito de Éfeso afirmou o movimento e negou terminantemente a luta dos contrários como gênese e unidade do mundo, como o quis Catão, o antigo.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

nal do mundo, e isso é uma reviravolta decisiva na história do pensamento.”

03. O que há em comum entre Tales, Anaximandro e Anaxímenes de Mileto, entre Xenófanes de Colofão e Pitágoras de Samos? “Todos esses pensadores propõem uma explicação racio-

Com base no texto e nos conhecimentos sobre as relações entre mito e Filosofia, seguem as proposições: I. Os filósofos pré-socráticos são conhecidos como filósofos da physis porque as explicações racionais do mundo por eles produzidas apresentam não apenas o início, o princípio, mas também o desenvolvimento e o resultado do processo pelo qual uma coisa se constitui. II. Os filósofos pré-socráticos não foram os primeiros a tratarem da origem e do desenvolvimento do universo, antes deles já existiam cosmogonias, mas estas eram de tipo mítico, descreviam a história do mundo como uma luta entre entidades personificadas. III. As explicações racionais do mundo elaboradas pelos pré-socráticos seguem o mesmo esquema ternário que estruturava as cosmogonias míticas na medida em que também propõem uma teoria da origem do mundo, do homem e da cidade. IV. O nascimento das explicações racionais do mundo são também o surgimento de uma nova ordem do pensamento, complementar ao mito; em certos momentos decisivos da história da Filosofia as duas ordens de pensamento chegam a coexistir, exemplo disso pode ser encontrado no diálogo platônico Timeu, quando, na apresentação do “mito mais verossímil”, a figura mítica do Demiurgo é introduzida para explicar a produção do mundo. V. Tales de Mileto, um dos Sete Sábios, além de matemático e físico, é considerado filósofo — o fundador da filosofia, segundo Aristóteles — porque em sua proposição “A água é a origem e a matriz de todas as coisas” está contida a proposição “Tudo é um”, ou seja, a representação de unidade. Assinale a alternativa CORRETA. a) As proposições III e IV estão incorretas. b) Somente as proposições I e II estão corretas. c) Apenas a proposição IV está incorreta. d) Todas as proposições estão incorretas. e) Todas as proposições estão corretas.

04. Leia um trecho da letra da música a seguir. Como uma onda Nada do que foi será/ De novo do jeito que já foi um dia/ Tudo passa/ Tudo sempre passará A vida vem em ondas/ Como um mar/ Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é/ Igual ao que a gente/ Viu há um segundo/ Tudo muda o tempo todo/ No mundo (Lulu Santos e Nelson Motta)

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

A letra dessa canção, de Lulu Santos, lembra ideias do filósofo grego Heráclito, que viveu no século VI a.C. e que usava uma linguagem poética para exprimir seu pensamento. Ele é o autor de uma frase famosa: “Não se entra duas vezes no mesmo rio”. Dentre as sentenças de Heráclito a seguir citadas, marque aquela em que o sentido do trecho da canção de Lulu Santos mais se aproxima: a) Morte é tudo que vemos despertos, e tudo que vemos dormindo é sono. b) O homem tolo gosta de se empolgar a cada palavra. c) Ao se entrar num mesmo rio, as águas que fluem são outras. d) Muita instrução não ensina a ter inteligência. e) O povo deve lutar pela lei como defende as muralhas da sua cidade.

O autor na citação anterior sinaliza a significância do período sistemático da filosofia antiga. No que tange à filosofia de Platão, assinale a alternativa CORRETA. a) Platão propõe a existência das “essências ou formas”, que estão presentes no mundo das ideias e são modelos eternos das coisas sensíveis. b) A filosofia de Platão salienta as essências do mundo sensível que são modelos para o mundo das ideias. c) O pensamento de Platão não teve papel decisivo do desenvolvimento da mística, da teologia e da filosofia cristã. d) As ideias de Platão têm a confiança absoluta no poder dos sentidos e desconfiam do conhecimento racional. e) O pensamento filosófico de Platão tem como finalidade a descoberta do mundo físico, declinando do campo da metafísica.

05. (ENEM) Suponha homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, cuja entrada, aberta à luz, se estende sobre todo o comprimento da fachada; eles estão lá desde a infância, as pernas e o pescoço presos por correntes, de tal sorte que não podem trocar de lugar e só podem olhar para frente, pois os grilhões os impedem de voltar a cabeça; a luz de uma fogueira acesa ao longe, numa elevada do terreno, brilha por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros, há um caminho ascendente; ao longo do caminho, imagine um pequeno muro, semelhante aos tapumes que os manipuladores de marionetes armam entre eles e o público e sobre os quais exibem seus prestígios.

TÓPICO 2: Filosofia medieval

PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.

06. (UPE) Leia o texto a seguir, que trata sobre o tema Filosofia na História: A filosofia antiga grega e greco-romana tem uma história mais que milenar. Partindo do século VI a.C., chega até o ano de 529 d.C., ano em que o imperador Justiniano mandou fechar as escolas pagãs e dispersar os seus seguidores. Nesse arco de tempo, podemos distinguir o momento das grandes sínteses de Platão e Aristóteles. (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 25-26).

Agostinho de Hipona. Confissões, livro VII, cap. 20, citado por: MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000. Tradução do autor.

Nesse trecho, podemos perceber como Agostinho a) se utilizou da Bíblia para conhecer melhor a filosofia platônica. b) utiliza a filosofia platônica para refutar os textos bíblicos. c) separa nitidamente os domínios da filosofia e da religião. d) foi despertado para o conhecimento de Deus a partir da filosofia platônica.

08. (ESPM) Seu principal objetivo era demonstrar, por um raciocínio lógico formal, a autenticidade dos dogmas cristãos. A filosofia devia desempenhar um papel auxiliar na realização deste objetivo. Por isso, a tese de que a filosofia está a serviço da teologia. (Antonio Carlos Wolkmer – Introdução à História do Pensamento Político)

O texto deve ser relacionado com: a) a filosofia epicurista. b) a filosofia escolástica. c) a filosofia iluminista. d) o socialismo. e) o positivismo.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Essa narrativa de Platão é uma importante manifestação cultural do pensamento grego antigo, cuja ideia central, do ponto de vista filosófico, evidencia o(a) a) caráter antropológico, descrevendo as origens do homem primitivo. b) sistema penal da época, criticando o sistema carcerário da sociedade ateniense. c) vida cultural e artística, expressa por dramaturgos trágicos e cômicos gregos. d) sistema político elitista, provindo do surgimento da pólis e da democracia ateniense. e) teoria do conhecimento, expondo a passagem do mundo ilusório para o mundo das ideias.

07. (UFU) Agostinho, em Confissões, diz: “Mas, após a leitura daqueles livros dos platônicos e de ser levado por eles a buscar a verdade incorpórea, percebi que ‘as perfeições invisíveis são visíveis em suas obras’ (Carta de Paulo aos Romanos, 1, 20)”.

09. (UFF) Na Idade Média, se considerava que o ser humano podia alcançar a verdade por meio da fé e também por meio da razão. Ao mesmo tempo, o poder religioso (Igreja) e o poder secular (Estado) mantinham relacionamento político tenso e difícil. O filósofo Tomás de Aquino desenvolveu uma concepção destinada a conciliar FÉ e RAZÃO, bem como IGREJA e ESTADO. De acordo com as ideias desse filósofo, a) o Estado deve subordinar-se à Igreja. b) a Igreja e o Estado são mutuamente incompatíveis. c) a Igreja e o Estado devem fundir-se numa só entidade. d) a Igreja e o Estado são, em certa medida, conciliáveis. e) a Igreja deve subordinar-se ao Estado.

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

10. (UFU) A filosofia de Agostinho (354 – 430) é estreitamente devedora do platonismo cristão milanês: foi nas traduções de Mário Vitorino que leu os textos de Plotino e de Porfírio, cujo espiritualismo devia aproximá-lo do cristianismo. Ouvindo sermões de Ambrósio, influenciados por Plotino, que Agostinho venceu suas últimas resistências (de tornar-se cristão). (PEPIN, Jean. Santo Agostinho e a patrística ocidental. In: CHÂTELET, François (org.) A Filosofia medieval. Rio de Janeiro Zahar Editores: 1983, p.77.)

Apesar de ter sido influenciado pela filosofia de Platão, por meio dos escritos de Plotino, o pensamento de Agostinho apresenta muitas diferenças se comparado ao pensamento de Platão. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma dessas diferenças: a) Para Agostinho, é possível ao ser humano obter o conhecimento verdadeiro, enquanto, para Platão, a verdade a respeito do mundo é inacessível ao ser humano. b) Para Platão, a verdadeira realidade encontra-se no mundo das Ideias, enquanto para Agostinho não existe nenhuma realidade além do mundo natural em que vivemos. c) Para Agostinho, a alma é imortal, enquanto para Platão a alma não é imortal, já que é apenas a forma do corpo. d) Para Platão, o conhecimento é, na verdade, reminiscência, a alma reconhece as Ideias que ela contemplou antes de nascer; Agostinho diz que o conhecimento é resultado da Iluminação divina, a centelha de Deus que existe em cada um.

TÓPICO 3: Filosofia moderna branco na qual a cultura escreve seu texto, e Descartes demonstrava desconfiança em relação aos sentidos como fonte de conhecimento. A respeito desses dois filósofos, verifica-se o seguinte: a) Locke é um representante do racionalismo, e Descartes é um representante do empirismo. b) Locke é um representante do empirismo, e Descartes é um representante do racionalismo. c) Descartes e Locke possuíam a mesma concepção, pois ambos eram críticos do iluminismo. d) Descartes é um representante do teologismo, e Locke é um representante do culturalismo. e) Descartes é um representante do materialismo, e Locke é um representante do idealismo.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

13. (UNESP) Todas as vezes que mantenho minha vontade dentro dos limites do meu conhecimento, de tal maneira que ela não formule juízo algum a não ser a respeito das coisas que lhe são claras e distintamente representadas pelo entendimento, não pode acontecer que eu me equivoque; pois toda concepção clara e distinta é, com certeza, alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não pode se originar do nada, mas deve ter obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus que, sendo perfeito, não pode ser causa de equívoco algum; e, por conseguinte, é necessário concluir que uma tal concepção ou um tal juízo é verdadeiro. (René Descartes. Vida e Obra. Os pensadores, 2000.)

11. (UEG) John Locke afirmou que a mente é como uma folha em

12. (UPE) Sobre a consciência crítica e a filosofia, analise o texto a seguir: “Como relata Descartes no Discurso sobre o método, depois de ter lançado tudo à dúvida, somente depois, tive de constatar que, embora eu quisesse pensar que tudo era falso, era preciso necessariamente que eu, que assim pensava, fosse alguma coisa. E, observando que essa verdade – ‘penso, logo sou’ – era tão firme e sólida que nenhuma das mais extravagantes hipóteses dos céticos seria capaz de abalá-la”. (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Do Humanismo a Kant. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 366).

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O autor do texto retrata alguns apontamentos sobre o pensamento cartesiano. Com relação a esse assunto, assinale a alternativa CORRETA. a) As ideias de Descartes enfatizam que a dúvida tem valor secundário sobre como conduzir bem sua razão. b) O pensamento cartesiano afirma que não devemos rejeitar como falso tudo aquilo do qual não podemos duvidar. c) O cartesianismo é um empirismo, ou seja, prioriza o valor dos sentidos no âmbito do conhecimento. d) O pensamento de Descartes influenciou, efetivamente, o mundo cultural francês e retratou a significância do espírito crítico na investigação do conhecimento. e) O método racionalista prioriza a verdade da fé como critério da cientificidade.

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Sobre o racionalismo cartesiano, é correto afirmar que a) sua concepção sobre a existência de Deus exerceu grande influência na renovação religiosa da época. b) sua valorização da clareza e distinção do conhecimento científico baseou-se no irracionalismo. c) desenvolveu as bases racionais para a crítica do mecanicismo como método de conhecimento. d) formulou conceitos filosóficos fortemente contrários ao heliocentrismo defendido por Galileu. e) se tratou de um pensamento responsável pela fundamentação do método científico moderno.

14. (UNESP) Posto que as qualidades que impressionam nossos sentidos estão nas próprias coisas, é claro que as ideias produzidas na mente entram pelos sentidos. O entendimento não tem o poder de inventar ou formar uma única ideia simples na mente que não tenha sido recebida pelos sentidos. Gostaria que alguém tentasse imaginar um gosto que jamais impressionou seu paladar, ou tentasse formar a ideia de um aroma que nunca cheirou. Quando puder fazer isso, concluirei também que um cego tem ideias das cores, e um surdo, noções reais dos diversos sons. (John Locke. Ensaio acerca do entendimento humano, 1991. Adaptado.)

De acordo com o filósofo, todo conhecimento origina-se a) da reminiscência de ideias originalmente transcendentes. b) da combinação de ideias metafísicas e empíricas. c) de categorias a priori existentes na mente humana.


Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

d) da experiência com os objetos reais e empíricos. e) de uma relação dialética do espírito humano com o mundo.

15. (UFSM) O conhecimento é uma ferramenta essencial para a sobrevivência humana. Os principais filósofos modernos argumentaram que nosso conhecimento do mundo seria muito limitado se não pudéssemos ultrapassar as informações que a percepção sensível oferece. No período moderno, qual processo cognitivo foi ressaltado como fundamental, pois permitia obter conhecimento direto, novo e capaz de antecipar acontecimentos do mundo físico e também do comportamento social? a) Dedução. b) Indução. c) Memorização. d) Testemunho. e) Oratória e retórica.

16. O físico, matemático e astrônomo inglês Isaac Newton (1642-1727) foi um dos grandes pensadores do mundo moderno e com os seus estudos deu origem à física clássica. Sobre a obra de Newton, analise os itens a seguir. I. Sua principal obra foi Princípios matemáticos da filosofia natural, na qual ele lança os fundamentos que permitiram elucidar importantes aspectos das ciências naturais. II. Para esse importante pensador, o mundo deveria ser concebido como uma máquina cujas partes podem ser estudadas através da observação e dos experimentos. III. Newton concebia o seu mundo máquina como fruto do acaso e por isso desprezava as concepções religiosas do mundo. IV. O estudo dos fenômenos óticos que possibilitaram elaborações teóricas sobre a cor dos corpos também deve-se a Newton. V. Embora tenha discutido a questão da gravitação universal, Newton nada disse sobre a lei do movimento dos corpos, que está na base da mecânica.

TÓPICO 4: Filosofia contemporânea

17. (UFSJ) Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta a) desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e por valores inventados pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial. b) mostrar o significado ético do existencialismo. c) criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser inexorável, característica natural dos homens. d) delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do exercício da liberdade.

dade”. Com relação a tal princípio, é CORRETO afirmar que o homem é: a) “a expressão de que tudo é permitido por meio da liberdade e que provém da existência de Deus”. b) “um animal político no sentido aristotélico e por isso necessita viver a liberdade política em comunidade”. c) “um ser que depende da liberdade divina e necessita que o futuro esteja inscrito no céu”. d) “condenado a ser livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo que faz”.

19. (UENP) O existencialismo é uma corrente filosófica que destaca a liberdade individual, a responsabilidade e a subjetividade. Ele acredita que a existência precede a essência, ou melhor, que não existe uma essência do humano préconcebida e eterna, o humano é construído pelas escolhas individuais na história pessoal de cada um. De acordo com o pensamento de Sartre, assinale a alternativa INCORRETA: a) A consciência humana é um nada que se projeta para se tornar algo, de forma que, lançando-se no mundo e sofrendo com ele, se define. O homem será sempre o que fizer de si mesmo. b) De acordo com Sartre, o homem é responsável por suas escolhas e não deve agir com má-fé de consciência, que consistiria na simulação de não ser livre, imputando a responsabilidade da felicidade ou infelicidade a causas externas. c) A existência pessoal de alguém é atestada pelo olhar do outro, e isso confirma a dialeticidade da existência humana, de “ser com o outro”. d) A relação com o outro, no pensamento sartreano, é sempre pacífica, não gera crises ou angústias. e) Os outros são todos aqueles que revelam voluntária ou involuntariamente o homem a ele mesmo. 20. (UNIOESTE) Jean-Paul Sartre é um dos filósofos mais representativos do Existencialismo, com sua defesa incondicional da liberdade e do sentido ético da existência do ser humano. Assinale a alternativa que não corresponde à concepção de liberdade desse filósofo. a) Sartre afirma que há uma esfera objetiva de valores absolutos que determinam a liberdade. b) A existência precede a essência é o princípio fundamental do existencialismo sartreano. c) O ser humano é absolutamente responsável pelas suas escolhas por ser “liberdade enquanto tal”. (Sartre) d) A angústia é o sentimento que surge no ser humano por ter de fazer escolhas e de ser o único responsável pelas escolhas que faz. e) O fundamento de todos os valores humanos é a liberdade, pois o significado das escolhas, em circunstâncias concretas, é a “procura da liberdade enquanto tal”. (Sartre)

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Estão CORRETOS a) I, II e III. b) I, II e IV. c) II, III e IV. d) II, IV e V. e) I, III e V.

18. (UFSJ) Para Sartre, “o Homem é livre, o Homem é liber-

21. (ENEM) TEXTO I A melhor banda de todos os tempos da última semana O melhor disco brasileiro de música americana O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos Não importa contradição O que importa é televisão Dizem que não há nada que você não se acostume Cala a boca e aumenta o volume então. MELLO, B.; BRITTO, S. A melhor banda de todos os tempos da última semana. São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento).

TEXTO II

O fetichismo na música e a regressão da audição

Aldous Huxley levantou em um de seus ensaios a seguinte pergunta: quem ainda se diverte realmente hoje num lugar de diversão? Com o mesmo direito poder-se-ia perguntar: para quem a música de entretenimento serve ainda como entretenimento? Em vez de entreter, parece que tal música contribui ainda mais para o emudecimento dos homens, para a morte da linguagem como expressão, para a incapacidade de comunicação. ADORNO, T. Textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1999.

A aproximação entre a letra da canção e a crítica de Adorno indica o(a) lado efêmero e restritivo da indústria cultural. baixa renovação da indústria de entretenimento. influência da música americana na cultura brasileira. fusão entre elementos da indústria cultural e da cultura popular. declínio da forma musical em prol de outros meios de entretenimento.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

a) b) c) d) e)

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Capítulo 2 | Períodos da Filosofia

ANOTAÇÕES

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

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GABARITOS

GABARITOS Capítulo 1

Capítulo 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

(e) (b) (d) (d) (d) (a) (a) (d) (b) (a) (d) (d) (b) (b) (a) (c)

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01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16.

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01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21.

(d) (a) (e) (c) (e) (a) (d) (b) (d) (d) (b) (d) (e) (d) (b) (b) (b) (d) (d) (a) (a)

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