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PRÉ-ENEM Filosofia VOLUME 1

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS PALAVRA DO AUTOR


Ciências humanas e sociais aplicadas: Matriz de Referência C1

C3

Compreender os elementos culturais que constituem as identidades. H2

Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.

H4

Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. H11

Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.


C

1

O

L TU

A

COMPETÊNCIAS:

C1, C3

A condição humana HABILIDADES:

H2, H4, H11

APRESENTAÇÃO O que é o homem e qual o lugar dele no mundo? Existe algo no homem que o torna diferente dos outros animais? São perguntas como essas que vamos responder neste capítulo ao analisar a obra de importantes pensadores do passado e do presente. Tais indagações sempre ocuparam a mente dos mais célebres filósofos, desde a Antiguidade, quando a filosofia ocidental surgiu, na Grécia Antiga, até os dias de hoje. No capítulo a seguir, analisaremos aquilo que pensadores como Platão, Aristóteles e René Descartes afirmaram sobre a natureza humana. Procuraremos elucidar as principais características do homem, bem como estudá-lo à luz dos pensamentos antigo, moderno e contemporâneo.


Capítulo 1 | A condição humana

TÓPICO 1 • As primeiras concepções de homem No decorrer da história do pensamento ocidental; os filósofos basicamente se posicionaram entre duas vertentes sobre a questão da natureza humana: os essencialistas, que acreditavam haver uma natureza humana universal e imutável; e os não essencialistas, que, ao contrário dos filósofos anteriores, entendem que o homem não possui uma natureza predeterminada e imutável, sendo a essência humana variável com a cultura, tempo histórico e sociedade.

Entre os essencialistas, a maioria dos pensadores encontra-se na Antiguidade clássica, como Sócrates, Platão e Aristóteles. Entre os medievais, podemos citar Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. E, entre os modernos, Descartes e Immanuel Kant. A partir do século XIX, como resultado de transformações sociais, econômicas e políticas, as concepções não essencialistas começam a aparecer na Filosofia contemporânea, principalmente com Karl Marx, e o principal representante do existencialismo francês, Jean-Paul Sartre. A seguir, veremos um pouco mais sobre o pensamento de cada um desses filósofos.

EXERCITANDO EM AULA

TÓPICO 2 • A tradição essencialista 2.1 • A filosofia grega

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Imagem 1.1. Sócrates

Sócrates entende que a nossa racionalidade (aquilo que mais nos caracteriza) deve ser usada em prol de uma constante e incessante busca pelas virtudes humanas. Essa procura estaria

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associada a uma reflexão filosófica responsável por nos proporcionar uma boa vida, no sentido ético e moral, pois para Sócrates “Só se erra por ignorância”. Isto é, só levamos uma vida ruim quando não estamos bem orientados naquilo que realmente importa para alcançarmos a felicidade. Nessa lógica, não podemos ser plenamente felizes em um relacionamento se não sabemos o que é o amor. Não podemos afirmar que temos muitos amigos se não sabemos o que é amizade verdadeira. Dessa forma, deveríamos pautar a nossa existência em uma constante busca pela compreensão racional dessas virtudes (o amor, a amizade, a coragem, etc.) e pelo autoaperfeiçoamento daquilo que somos, através da reflexão filosófica. Platão, discípulo de Sócrates, dá continuidade à visão de seu mestre trazendo novas abordagens à temática sobre a natureza humana. Para ele, tudo que existe é apenas um reflexo imperfeito de outro Imagem 1.2. Platão plano, o Mundo das Ideias (ou Mundo Inteligível). Este mundo em que vivemos, o Mundo Sensível material, e tudo que há nele, não passaria de uma cópia imperfeita das

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Entre os pensadores gregos, o primeiro a abordar as questões relacionadas ao homem foi o filósofo ateniense Sócrates. Antes dele, a Filosofia tinha como principal preocupação o debate sobre o princípio (arché) da natureza (physis) protagonizado pelos pré-socráticos. Mas, com Sócrates, as questões antropológicas, ou seja, relacionadas ao homem, passam a ser centrais para a filosofia.

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01. Os filósofos essencialistas, em sua maioria, são pensadores da época da Filosofia: a) Moderna b) Contemporânea c) Antiga d) Pós-moderna e) Pré-histórica

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Capítulo 1 | A condição humana

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Entre os séculos II e III da era cristã, a Igreja Católica, em seus momentos iniciais, precisou do auxílio da Filosofia para consolidar as suas doutrinas teológicas. Para isso, ela fez extenso uso do pensamento grego, mais especificamente das teorias de Platão e Aristóteles. Porém, as ideias desses pensadores foram adaptadas Imagem 1.4. Santo Agostinho de Hipona às concepções cristãs por Santo Agostinho de Hipona e São Tomás de Aquino. Na visão medieval (e portanto cristã) da essência humana, o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Mas por ser imperfeito, o homem tenderia ao erro e ao comportamento pecaminoso, encontrando no próprio Criador um guia para suas ações e a posterior salvação da alma, que viria através do autossacrifício. Caberia ao homem abdicar racionalmenImagem 1.5. São Tomás de Aquino te desse mundo pecaminoso e, a partir das suas escolhas pessoais, buscar por conta própria a redenção pela cruz.

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Aristóteles, discípulo de Platão, diferentemente de seu antecessor, não concordava com a existência de um plano inteligível. Segundo ele, a essência das coisas estaria nas próprias coisas e não seria necessária a divisão platônica entre mundo sensível e inteligível para determinar a natureza dos seres. Os objetos seriam uma composição entre matéria e forma e, o resultado disso seria a substância, aquilo que o objeto é, a sua essência. Ele afirmava que todas as coisas possuem ato e potência. Ato é aquilo que o objeto é agora, isto é, atualmente. Potência seria a capacidade dos objetos de se transformarem em outra coisa, por exemplo: a semente em planta, a planta em madeira, a madeira em mesa, etc. Todas as coisas estariam em eterna atualização (ato) das suas potencialidades (potência) e a natureza humana não fugiria a esta condição.

2.2 • A filosofia medieval

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Imagem 1.3. Aristóteles

Uma criança é, em ato, criança, mas é um adulto em potência, que, por sua vez, pode se atualizar em um adulto médico, professor, engenheiro, etc. Há ainda em Aristóteles a noção de que, além de ser um animal racional por natureza, o homem possuiria a sociabilidade e a habilidade política como uma condição natural do seu ser. Ideia expressa em sua famosa frase: “O homem é um animal político” (do grego = Anthropos physei politikon zoon).

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essências eternas, universais e imutáveis que estariam no plano inteligível, inclusive a própria natureza humana. Portanto, aquilo que somos é produto de uma essência que se encontra em outra realidade, e que só pode ser alcançada parcialmente através da reflexão filosófica. Platão afirmava ainda que o ser humano seria uma composição de corpo e alma, sendo esta dividida em três partes: a racional, responsável pelos pensamentos; a irascível, responsável pelos sentimentos de raiva e coragem; e a concupiscível, responsável pelos desejos das coisas materiais. Neste sentido, o homem seria um ser ligado ao mundo sensível, mas com alguma conexão com o inteligível. No Mito da Parelha Alada, o filósofo da Academia chega a comparar a alma humana com uma carruagem puxada por dois cavalos de natureza muito distinta e conduzida por um cocheiro. Um dos cavalos, belo e de boa origem, puxaria a parelha em uma direção; o outro, de raça ruim e natureza vil, tentaria levar o carro para a direção oposta. O cocheiro seria o responsável por conduzi-los para o melhor caminho. Este mito mostra como Platão percebia o interior da alma humana, naturalmente conflituosa, mas capaz de obter um elevado controle através da racionalização dos sentimentos e desejos.

2.3 • A filosofia moderna Com o declínio da sociedade feudal, ressurgimento do comércio e surgimento das novas concepções estéticas e intelectuais trazidas pelo Renascimento e pela Revolução Científica, vemos também aparecerem novas formas de compreender o homem. As temáticas religiosas e catastróficas do Juízo Final presentes no pensamento medieval a respeito da condição humana dão lugar a análises mais otimistas e esperançosas sobre a capacidade do homem de alcançar o domínio sobre a verdade dos fatos. Um dos principais representantes desse período foi o filósofo francês René Descartes.

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Capítulo 1 | A condição humana

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Alguns pensadores, como o francês René Descartes (15961650), defenderam uma concepção racionalista do homem, chegando a afirmar que a existência do indivíduo pensante é comprovada pelo fato de ele pensar e ser Imagem 1.6. René Descartes capaz de colocar em dúvida tudo aquilo que existe objetivamente fora dele. Outro importante pensador do mundo moderno foi Francis Bacon (1561-1626), filósofo inglês que propôs o método indutivo. Ele afirmou que o homem, através da razão e deixando para trás os preconceitos e as visões religiosas do mundo, seria capaz Imagem 1.7. Francis Bacon de dominar a natureza e inverter o quadro anterior no qual o homem era totalmente dependente dela.

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Considerado o maior expoente do Racionalismo moderno, Descartes desenvolve uma filosofia que entende o homem como ser pensante. Essa ideia parte da certeza de que, mesmo que se duvide da possibilidade de alcançarmos uma “verdade absoluta” acerca do mundo, não podemos duvidar do próprio pensamento e da capacidade de pensar e de duvidar. Portanto, “Penso, logo existo”. Aquilo que o homem é, na sua essência, é pensamento. E à medida que ele pensa, está afirmando a sua própria existência. Nesse sentido, a natureza humana se distingue de tudo que existe por ser uma coisa pensante (res cogitans). Com essa afirmativa, Descartes alcança uma certeza inabalável e indestrutível que vai fundamentar toda a ciência racionalista moderna. Ao final da modernidade, outro grande pensador se destaca na tentativa de compreender o homem é o alemão Immanuel Kant. Segundo ele, o que nos conectaria enquanto humanos seria o uso que fazemos da nossa racionalidade nos mais variados aspectos da vida. Ciência, Moral, Filosofia, Arte e Religião seriam possíveis a partir do uso teórico e prático da nossa racionalidade. Sendo assim, o homem seria o único animal da natureza que viveria entre dois reinos: o da natureza, e nesse caso ele seria em parte guiado pelos instintos e pelas paixões, que representa também o reino da necessidade; e o reino da cultura, no qual impera a racionalidade e o pensamento, que é o reino da liberdade.

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02. (UPE) Leia o texto a seguir sobre o tema Filosofia na História:

A filosofia antiga grega e greco-romana tem uma história mais que milenar. Partindo do século VI a.C., chega até o ano de 529 d.C., ano em que o imperador Justiniano mandou fechar as escolas pagãs e dispersar os seus seguidores. Nesse arco de tempo, podemos distinguir o momento das grandes sínteses de Platão e Aristóteles. (REALE, Giovanni. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São Paulo: Paulinas, 1990, p. 25-26).

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O autor na citação acima sinaliza a significância do período sistemático da filosofia antiga. No que tange à filosofia de Platão, assinale a alternativa CORRETA. a) Platão propõe a existência das ‘essências ou formas’, que estão presentes no mundo das ideias e são modelos eternos das coisas sensíveis. b) A filosofia de Platão salienta as essências do mundo sensível que são modelos para o mundo das ideias. c) O pensamento de Platão não teve papel decisivo do desenvolvimento da mística, da teologia e da filosofia cristã. d) As ideias de Platão têm a confiança absoluta no poder dos sentidos e desconfiam do conhecimento racional. e) O pensamento filosófico de Platão tem como finalidade a descoberta do mundo físico, declinando do campo da metafísica.


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TÓPICO 3 • Os filósofos

SAIBA MAIS

não essencialistas

Karl Marx (1818-1883) acreditava que as relações sociais, bem como aquilo em que o homem crê (religião), as leis (direito), o que o homem escreve (literatura) e o próprio pensamento humano, derivam, em última análise, do modo de produção e da forma como os homens se relacionam enImagem 1.8. Karl Marx quanto produzem. Essa visão sobre a sociedade e o homem nutrida por Karl Marx, e que explica o fenômeno humano e social pela ótica da produção material de riquezas, ficou conhecida como materialismo histórico. A sociedade, nessa perspectiva, se organizaria em torno da produção dos bens materiais necessários à sobrevivência dos Imagem 1.9. Jean-Paul Sartre homens. Outro importante filósofo contemporâneo, que discutiu a questão acerca da natureza humana foi o francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), importante representante do pensamento existencialista. Sartre era ateu e não acreditava que o homem tivesse sido concebido por Deus a partir de algum modelo preexistente. Para ele o homem primeiro existe como ser concreto histórico-cultural e, somente depois de vir à existência, pode ser definido por um conceito, seja ele qual for. Portanto, na visão existencialista de Sartre, é aquilo que o homem faz enquanto ser existente na realidade histórica, objetiva e material que o define como homem. É por meio da consciência e dos atos e pensamentos que dela resultam que o homem vai se construindo, produzindo aquilo que haverá de ser, transformando-se no que é. Reprodução

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Entre os essencialistas é possível perceber que boa parte de suas concepções se concentra na ideia de que a racionalidade, ou o pensamento, é o que mais define algo em relação à essência humana. Com o surgimento da filosofia contemporânea, outros aspectos do ser humano começam a ser ressaltados e as ideias essencialistas passam a ser deixadas de lado. O alemão Karl Marx, ao realizar um estudo histórico da luta de classes, percebe que boa parte do que o homem é depende de condicionantes econômicos. Na visão dele, o homem se autorrealiza a partir de sua ação consciente e guiada por finalidades no mundo, o que ele chama de trabalho. É por meio do trabalho que o homem se define e encontra a sua natureza. Como as relações de trabalho passam por mudanças históricas, dependendo do modelo econômico de cada sociedade, a natureza humana também passaria por transformações. Portanto, não haveria uma natureza humana eterna e universal. Em cada momento histórico e em cada sociedade o homem seria diferente, pois as condições de trabalho também seriam diferentes. Já o filósofo francês Jean-Paul Sartre é um dos maiores representantes do existencialismo. Em um de seus textos mais conhecidos, O existencialismo é um humanismo, Sartre desenvolve uma noção não essencialista do homem. Segundo ele, há uma máxima que predomina em toda tradição essencialista: “A essência precede a existência”. Isso quer dizer que, para os filósofos anteriores, haveria uma essência humana predeterminada, como em Platão e nos medievais, e só a partir dela os indivíduos poderiam existir. Nessa visão, os homens já nasceriam prontos a realizarem aquilo que eles são. Sartre inverte a antiga máxima: para ele, “A existência precede a essência”. O homem não nasce pronto, ele primeiro existe e depois se define a partir das suas escolhas. E essas escolhas são livres, pois não há uma natureza predeterminada que o influencie. É o que ele expressa com a famosa frase: “O homem está condenado a ser livre”. Portanto, para Sartre, nós escolhemos a nossa própria essência, não dependemos de uma vontade divina ou de um plano metafísico para definirmos quem somos. Nós construímos nossa própria natureza e com isso damos sentido à nossa existência.

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3.1 • A filosofia contemporânea

EXERCITANDO EM AULA 03. Associe a segunda coluna de acordo com a primeira e marque a alternativa CORRETA.

(3) Immanuel Kant

( )

O homem é um animal razoável.

(1) Jean-Paul Sartre

( )

O homem é um ser que trabalha.

(4) Filósofos estoicos

( )

O homem é um ser que julga.

(2) Karl Marx

( )

O homem é um ser que pensa.

(5) René Descartes

( )

O homem é um ser condenado à liberdade.

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Capítulo 1 | A condição humana

a) b) c) d) e)

2,4,3,1,5. 2,4,4,3,1. 2,5,4,3,1. 2,4,5,3,2. 2,5,3,4,1.

TÓPICO 4 • Principais características do ser humano a) O homem é um ser que utiliza a cultura: Enquanto nos outros animais o comportamento é determinado por reflexos e instintos vinculados às estruturas biológico-hereditárias, o homem é capaz de agir baseado na reflexão e, ao fazê-lo, pode romper com o passado, questionar o presente e criar o futuro.

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Entretanto, embora o comportamento do homem não esteja totalmente vinculado aos instintos, como nos outros animais, o ser humano é biológico e cultural ao mesmo tempo. Biológico porque a hereditariedade também tem um importante papel na sua formação, e cultural por ser capaz de promover transformações no meio em que vive a fim de melhor adaptar-se (síntese natureza-cultura). Em certo sentido, é correto afirmar que o ser humano é tanto criatura como criador. Na biosfera, o homem é apenas mais um componente do meio ambiente (criatura), mas, ao promover mudanças no espaço natural, transformando-o a fim de adaptá-lo às suas necessidades, ele cria a antroposfera e, nesse sentido, passa a ser criador. A produção cultural permite ao homem superar as suas limitações biológicas, a fim de adaptar-se ao meio em que vive. O homem não pode correr atrás de um antílope, mas pode fabricar um arco e flecha e atingir aquele animal à distância. Assim, podemos afirmar que a capacidade de produzir utensílios e modificar o meio garantiu ao homem a sobrevivência ao longo da história. Essa transformação da natureza se dá por meio do trabalho. Trabalho é a ação dirigida por finalidades conscientes pela qual transformamos a realidade em que vivemos e a nós mesmos. Aliás, o homem é o único ser que se realiza por meio do trabalho.

Imagem 1.10.

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CONECTANDO DISCIPLINAS A relação conturbada entre evolucionismo e criacionismo Em 30 de junho de 1860, na Associação Britânica da Universidade de Oxford, um debate assistido por um grande público colocou frente a frente o bispo Wilberforce, conhecido pelos seus dotes de orador, e o biólogo Thomas Huxley, chamado por alguns de o “buldogue de Darwin”. Em certo momento do debate, o bispo Wilberforce virou-se para Huxley e perguntou se Darwin havia descendido de um macaco pela parte do avô ou da avó. Huxley, agnóstico frio e calculista, disse ao bispo que vergonhoso não era ter um macaco como ascendente, mas usar os talentos para obscurecer a verdade. O debate acima foi somente um dos muitos capítulos de uma história de relações conturbadas entre evolucionistas e criacionistas. Quando, em 1859, Darwin publicou A origem das espécies, os cristãos ressentiram-se do fato de que esse famoso naturalista inglês estaria se voltando contra o governo divino do mundo. De fato, até o início do século XIX, a ideia de que o mundo foi criado por Deus e as espécies permaneciam exatamente da mesma forma como teriam sido criadas (fixismo) era opinião corrente e comum. A publicação das pesquisas de Darwin foi de encontro às ideias cristãs comumente aceitas. A autoridade das escrituras e da igreja foi questionada e a Bíblia desacreditada em matéria de ciência. A partir de então, a Bíblia foi colocada por alguns na categoria de mito pré- científico. Depois de fazer uma viagem ao redor do mundo em um navio da coroa britânica entre 1831 e 1836, e de ter coletado fósseis de plantas e animais em vários lugares, inclusive nas Ilhas Galápagos, Darwin chegou à conclusão de que as espécies evoluem e se transformam ao longo do tempo. O evolucionismo passava a ver os seres vivos, inclusive os homens, não mais como criaturas divinas, mas como resultado da evolução de forças naturais ao longo de milhões de anos. O próprio homem teria tido como ascendente um primata. Darwin observou nas suas viagens e pesquisas que de-


Capítulo 1 | A condição humana

terminadas espécies que possuíam relação de parentesco entre si desenvolviam características diferentes dependendo da região na qual viviam. Concluiu que a natureza selecionava os indivíduos que possuíam características especiais apropriadas para uma melhor adaptação ao meio onde se encontravam (seleção natural). Em outras palavras, a natureza se encarrega de escolher os indivíduos mais adaptados e aptos a sobreviverem em determinada condição ecológica. A seleção natural, portanto, seria o principal mecanismo da evolução. As espécies que passavam por mudanças transmitiam as mudanças sofridas às gerações posteriores. Ainda que o darwinismo seja uma teoria, isto é, um tipo de conhecimento especulativo e hipotético, as ideias de Darwin gozam do status de ciência, muito embora haja uma série de objeções a seu respeito. Entre as objeções mais comuns ao darwinismo, há uma que afirma que a evolução exige uma mudança gradual de uma forma se transformando em outra, contudo, as novas formas de vida aparecem sem uma longa sucessão de ancestrais óbvios. Ou seja, faltam os “elos”, dizem os críticos do darwinismo. Outra objeção muito comum feita às ideias de Darwin é aquela que afirma que o surgimento das formas mais complexas de vida ocorreu há mais ou menos 525 milhões de anos e desde então não surgiram outros grupos principais de animais. Outros críticos asseveram ainda que a seleção natural serve para explicar a sobrevivência dos mais aptos, mas não a origem desses indivíduos mais aptos. Enfim, mais de um século se passou desde o debate entre Wilberforce e Thomas Huxley, e as controvérsias e desentendimentos entre criacionistas e evolucionistas continuam a acontecer. Enquanto isso, a física quântica, com os seus postulados e paradoxos, parece ter reaproximado de novo ciência e religião.

SAIBA MAIS Alguns estudiosos afirmam que, à medida que o homem foi desenvolvendo o seu raciocínio e capacidade mental, perdeu, gradativamente, o respeito pela natureza, não mais a considerando como sagrada e promovendo paulatinamente “o desencanto do mundo”. No mundo contemporâneo, a crítica à dominação irracional da natureza por parte do homem levou às questões ecológicas, que vêm sendo amplamente discutidas na atualidade.

b) O homem é um ser que usa a linguagem: O homem é um ser social, afirmou Aristóteles. Mas o que faz do homem um ser social? Uma boa parte dos estudiosos do comportamento humano em sociedade afirma que é a linguagem. O ser humano, explicam os adeptos dessa linha de pensamento, é fundamentalmente linguístico. A linguagem permitiu a transição da esfera natural para a cultural. A linguagem permitiu também ao homem suplantar a ordem natural, intercambiar experiências e adquirir cultura. O homem só se tornou, de fato, homem, ao usar a linguagem. A linguagem permite, ainda, ao homem, identificar, classificar e entender as suas experiências, expressar estas mesmas experiências, estabelecer vínculos e acordos sociais, promover transformações na sociedade e conferir sentido à nossa existência. Um dos mais ardorosos defensores de que o homem é um ser essencialmente linguístico foi o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009), que trabalhou no Brasil na década de 1930 e tornou-se um importante pesquisador ligado à antropologia brasileira, depois de escrever a obra Tristes Trópicos.

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c) O homem é um ser finito que anseia pelo infinito: Mesmo depois de ter todas as suas necessidades essenciais atendidas, o homem continua desejando ir além de si mesmo. Essa qualidade de desejar ir além de si mesmo existente no ser humano é definida pelos filósofos e teólogos como autotranscendência.

APROFUNDAMENTO

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O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) explica que o homem é essencialmente aberto ao porvir, às coisas que lhe acontecem. Entretanto, diz o mesmo filósofo, a última possibilidade do ser humano é a morte (“O homem é um ser para a morte”).Já Blaise Pascal (16231662) dizia que buscar o sentido da vida era uma tendência natural do ser humano. A maioria das pessoas não

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Capítulo 1 | A condição humana

consegue viver sem algum tipo de ideal ou sem buscar um sentido para a vida. As religiões procuram exatamente explicar que sentido é esse.

SAIBA MAIS Depois das duas catástrofes produzidas pelas grandes guerras no início do século XX, os grandes ideais, a busca por um sentido da vida e as utopias foram abandonadas. Cresceu sensivelmente o número de pessoas que não acreditavam em Deus, e aumentou o índice de depressão e angústia. Motivados pela cultura norte-americana do início do século XX, os homens passaram a buscar o sentido da vida no consumo. “Por incrível que pareça, o sentido da humanidade passou a ser o dinheiro e o consumo! Para preencher o vazio existencial, consome-se em excesso. Graças à tecnologia, uma quantidade imensa de bens materiais está à nossa disposição. Entretanto, comprar e consumir não satisfaz a busca do ser humano por um sentido.” (INCONTRI E BIGHETO. Todos os jeitos de crer. p.52).

d) O homem é um ser em construção: O homem não é um ser acabado. Está sendo construído a cada momento, a cada novo contato. É, sobretudo, a partir do contato com os outros, que nós somos construídos. O homem também influencia na formação do meio e é influenciado por ele. Só o ser humano tem a capacidade de alterar a natureza por meio da ação consciente tornando a condição humana especial, marcada pela ambiguidade e pela instabilidade, fato que faz do homem alguém sempre insatisfeito com o que já conquistou, e querendo alterar o que já existe.

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e) O homem é um ser que usa símbolos: De acordo com Ernst Cassirer (1874-1945), o uso de símbolos é a chave para a compreensão do ser humano. A linguagem simbólica faz uso dos signos, que são “invenções por meio das quais lidamos abstratamente com o mundo que nos rodeia”.

ESCLARECENDO O símbolo permite o distanciamento do mundo concreto e a elaboração de ideias abstratas. É o símbolo que representa o mundo, ou seja, torna presente o que está ausente. Além de tornar presente o que está ausente, o símbolo dá coesão aos grupos sociais, na medida em que é um elemento essencial para a comunicação humana.

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APROFUNDAMENTO Os animais possuem cultura? Até bem pouco tempo atrás, cientistas e pesquisadores afirmavam que a produção cultural é uma característica exclusivamente humana. Desde o século XVIII, pensadores como Rousseau afirmaram que, enquanto o comportamento dos animais é determinado biologicamente, o agir humano é livre e condicionado pelo ambiente cultural. A capacidade de aprendizado dos animais foi vista até bem pouco tempo atrás apenas como imitação ou instinto. Contudo, essa concepção tem sido bastante abalada por um série de pesquisas que estão colocando à prova este antigo “dogma” da antropologia. Uma matéria da revista Superinteressante de 31 de julho de 2002 menciona uma série de novas descobertas que estão quebrando muitos paradigmas. Segundo alguns pesquisadores, a capacidade de um animal de transmitir uma nova técnica a outros animais é uma prova de que alguns animais também têm cultura. A cultura nesse caso seria definida como o comportamento transmitido socialmente e que não foi adquirido geneticamente. De acordo com alguns estudiosos, estas novas pesquisas fizeram cair por terra uma das últimas barreiras que nos separam das outras espécies. Uma dessas experiências que constatam o que foi dito acima e que constam na reportagem da Superinteressante de 2002 é a de Imo, um macaco da Ilha de Koshima, no Japão, que aprendeu a lavar as batatas antes de comê-las e transmitiu o hábito a três quartos da população de macacos da ilha. Nesse caso, ocorreu o surgimento de um comportamento aprendido e não geneticamente determinado. Alguns especialistas no assunto afirmam que, desde o mundo antigo até a modernidade, os seres humanos assumiram uma postura de autodistinção em relação aos outros animais que foi reforçada por ideias religiosas. Além do exemplo do macaco Imo, outros exemplos são lembrados pela mesma matéria citada acima. Fala-se também do trabalho da inglesa Jane Goodall, que fez uma série de pesquisas com chimpanzés na Tanzânia na década de 1960, e descobriu que estes animais possuem uma grande diversidade cultural. A pesquisadora explica que os chimpanzés têm vida social, uma linguagem com uma grande variedade de sons, utilizam ferramentas e possuem até mesmo um sistema de organização política que inclui alianças, conflitos e reconciliações. Outro caso interessante é o dos golfinhos de um aquário em Nova York, que são capazes de se reconhecerem diante de um espelho, o que indicaria uma “consciência de si”. O que os estudiosos não sabem ainda, porém, é por-


Capítulo 1 | A condição humana

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que algumas espécies são capazes de desenvolver a inteligência e certas habilidades culturais e outras não. E quanto à diferença da produção cultural entre homens e animais? Você afirmaria que um produz cultura e o outro não, ou acredita que em ambos os casos a cultura está presente? Por quê? Imagem 1.11.

EXERCITANDO EM AULA 04. Sobre a condição humana, analise o texto a seguir. O homem não é um ser natural, mas cultural. Isso significa que, no momento do nascimento, a natureza lhe dá apenas o necessário, o essencial para ser homem e confiar a ele mesmo a tarefa de fazer-se, de formar-se, de realizar plenamente o próprio ser mediante a cultura. (MONDIN, Batista. Introdução à filosofia. São Paulo, 1981, p.180.)

É CORRETO afirmar que: a) O homem nasce homem e não precisa de educação para se humanizar. b) A dimensão cultural caracteriza o homem e não o distingue dos animais. c) O ser humano criou um “mundo novo” mediante a cultura, diferente do cenário natural originalmente encontrado. d) O homem se satisfaz em meramente viver, restringindo-se às necessidades primárias, sem ter anseio profundo para viver bem.

e) Há evidências de a cultura humana ser uma criação individual sem história.

05. Um

dos livros mais famosos da filósofa alemã Hannah Arendt é “A condição humana”, livro erudito e de difícil compreensão, publicado em 1958 e alvo de inúmeros debates e discussões acadêmicas, que discute a evolução do contexto à ação e do discurso como forma de revelar a essência humana. Embora a discussão acerca da essência humana seja longa e exaustiva, tendo começado pelos filósofos gregos da antiguidade até chegar aos nossos dias, é possível dizer que são traços peculiares e característicos do ser humano: a) a vida em sociedade e uso de utensílios. b) a herança biológica e a vida em sociedade. c) o uso da inteligência e as formas de comunicação. d) a produção cultural e criação de símbolos. e) a comunicação e a vida em sociedade.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO

01. Os filósofos não-essencialistas são: a) b) c) d) e)

São Tomás de Aquino e Jean-Paul Sartre Aristóteles e Jean-Paul Sartre Platão e Karl Marx Karl Marx e Jean-Paul Sartre Aristóteles e Karl Marx

TÓPICO 2: A tradição essencialista

02. A questão sobre o que é o ser humano tem preocupado os filósofos desde tempos remotos. Uma das correntes de pensamento que se debruçou sobre isso foi a corrente essencialista, sobre a qual, é CORRETO afirmar:

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

TÓPICO 1: As primeiras concepções de homem

a) Afirmava não existir uma natureza humana propriamente dita. Os homens mudam de acordo com as suas necessidades e com as situações históricas nas quais se encontram envolvidos. b) Karl Marx, Nietzsche e Sartre fizeram parte do grupo de pensadores que defenderam esta concepção do ser humano. c) Admitia a existência de uma natureza humana universal, idêntica em todas as épocas e lugares. d) Nos dias atuais, não existem mais concepções essencialistas acerca do homem. e) Platão e Aristóteles foram críticos da concepção essencialista do ser humano.

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Capítulo 1 | A condição humana

03. As concepções acerca do homem e da natureza humana variaram de acordo com o contexto histórico e cultural no qual surgiram. Das alternativas abaixo, marque a que corresponde à ideia de ser humano vigente entre os séculos V e XV da era cristã. a) A plenitude humana coincide com o aperfeiçoamento da razão. b) A revelação auxiliada pela razão mostra o caminho que o homem deve seguir para alcançar a felicidade. c) O ser humano é um “ser para si”, ou seja, é um ser aberto à possibilidade de construir ele próprio sua existência. d) O homem é determinado pela forma como produz a riqueza material de que necessita. e) O homem é o ser humano real que existe em determinado contexto histórico-social sendo determinado por ele. 04. (UFU)

Em primeiro lugar, é claro que, com a expressão “ser segundo a potência e o ato”, indicam-se dois modos de ser muito diferentes e, em certo sentido, opostos. Aristóteles, de fato, chama o ser da potência até mesmo de não-ser, no sentido de que, com relação ao ser-em-ato, o ser-em-potência é não-ser-em-ato.

REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. Vol. II. Trad. de Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994, p. 349.

táveis e eternas razões de todas as coisas, antes de serem criadas [...]. Sobre o Gênese, V

Considerando as informações acima, é correto afirmar que se pode perceber: a) que Agostinho modifica certas ideias do cristianismo a fim de que este seja concordante com a filosofia de Platão, que ele considerava a verdadeira. b) uma crítica radical à filosofia platônica, pois esta é contraditória com a fé cristã. c) a influência da filosofia platônica sobre Agostinho, mas esta é modificada a fim de concordar com a doutrina cristã. d) uma crítica violenta de Agostinho contra a filosofia em geral.

06. (ENEM) Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

A partir da leitura do trecho acima e em conformidade com a Teoria do Ato e Potência de Aristóteles, assinale a alternativa correta. a) Para Aristóteles, ser-em-ato é o ser em sua capacidade de se transformar em algo diferente dele mesmo, como, por exemplo, o mármore (ser-em-ato) em relação à estátua (ser-em-potência). b) Segundo Aristóteles, a teoria do ato e potência explica o movimento percebido no mundo sensível. Tudo o que possui matéria possui potencialidade (capacidade de assumir ou receber uma forma diferente de si), que tende a se atualizar (assumindo ou recebendo aquela forma). c) Para Aristóteles, a bem da verdade, existe apenas o ser-em-ato. Isto ocorre porque o movimento verificado no mundo material é apenas ilusório, e o que existe é sempre imutável e imóvel. d) Segundo Aristóteles, o ato é próprio do mundo sensível (das coisas materiais) e a potência se encontra tão-somente no mundo inteligível, apreendido apenas com o intelecto.

05. (UFU) Segundo o texto abaixo, de Agostinho de Hipona (354-430 d. C.), Deus cria todas as coisas a partir de modelos imutáveis e eternos, que são as ideias divinas. Essas ideias ou razões seminais, como também são chamadas, não existem em um mundo à parte, independentes de Deus, mas residem na própria mente do Criador, [...] a mesma sabedoria divina, por quem foram criadas todas as coisas, conhecia aquelas primeiras, divinas, imu270

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).

Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos.

TÓPICO 3: Os filósofos não essencialistas

07. No século XX, o filósofo francês Jean-Paul Sartre, um dos principais nomes do existencialismo, rompeu com a tradição metafísica acerca do homem e afirmou que: a) O indivíduo formado fora da sociedade, abstrato e universal, não existe; são as condições materiais que determinam o ser humano. b) O homem é composto de dois princípios inseparáveis: matéria e forma.


Capítulo 1 | A condição humana

c) O homem é composto por corpo e alma, duas dimensões radicalmente distintas e separadas. d) O homem é alma preexistente e imortal limitada pelo corpo. e) O homem é um nada quando nasce; só depois vai se definindo como algo.

08. (UFPA) “Pode-se referir à consciência, à religião e tudo o que se quiser como distinção entre os homens e os animais; porém, esta distinção só começa quando os homens iniciam a produção dos seus meios de vida [...]. A forma como os indivíduos manifestam a sua vida reflete muito exatamente o que são. O que são coincide portanto com a sua produção, isto é, com aquilo que produzem como com a forma como produzem.” Marx, K. Ideologia Alemã, Lisboa: Editora Presença, 1980, p. 19.

Considerando que, segundo Marx, a maneira de ser do homem depende de alguns fatores, identifique, no conjunto de fatores listados abaixo, os que, na visão do citado filósofo, distinguem o ser humano: I. os respectivos modos de produção. II. a própria produção de sua vida material. III. a forma de utilidade dos objetos produzidos em sociedade. IV. o estado de desenvolvimento de sua consciência depende de sua história de vida. V. a produção dos meios de subsistência tendo em vista o bem comum da sociedade. Os fatores estão corretamente identificados em: a) I e II b) II e IV c) III e IV d) II e V e) I, III e V

Considerando a concepção existencialista de Sartre e o texto acima, é incorreto afirmar que a) o homem é um projeto que se vive subjetivamente. b) o homem é um ser totalmente responsável por sua existência. c) por haver uma natureza humana determinada, no homem a essência precede a existência. d) o homem é o que se lança para o futuro e que é consciente deste projetar-se no futuro. e) em suas escolhas, o homem é responsável por si próprio e por todos os homens, porque, em seus atos, cria uma imagem do homem como julgamos que deve ser.

10. (UFSJ) Sobre a interferência de Jean-Paul Sartre na filosofia do século XX, é CORRETO afirmar que ele a) reconhece a importância de Diderot, Voltaire e Kant e repercute a interferência positiva destes na noção de que cada homem é um exemplo particular no universo. b) faz a inversão da noção essencialista ao apregoar que o Homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo e só após isso se define. Assim, não há natureza humana, pois não há Deus para concebê-la. c) inaugura uma nova ordem político-social, segundo a qual o Homem nada mais é do que um projeto que se lança numa natureza essencialmente humana. d) diz que ser ateu é mais coerente apesar de reconhecer no Homem uma virtu que o filia, definitivamente, a uma consciência a priori infinita. TÓPICO 4: Principais características do ser humano

11. Atente ao texto a seguir sobre a linguagem humana.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

09. (UNIOESTE) “O que significa aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. (...) O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. (...) Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de por todo o homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade de sua existência. (...) Quando dizemos que o homem se escolhe a si, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser”.

Se a linguagem, por meio da representação simbólica e abstrata, permite o distanciamento do homem em relação ao mundo, também é o que possibilitará seu retorno ao mundo transformá-lo. Portanto, se não tem oportunidade de desenvolver e enriquecer a linguagem, o homem torna-se incapaz de compreender e agir sobre o mundo que o cerca. (ARANHA, Arruda. Filosofando – Introdução à filosofia, 1993, p.5)

Com base no texto de Aranha, analise as afirmações a seguir sobre a linguagem. I. A linguagem apresenta-se como a mais original e singular das técnicas. II. A linguagem faz do homem o ser vivente que é enquanto homem na sua trajetória existencial. III. A linguagem tem a singularidade de ser o instrumento ideal da intencionalidade essencial do homem. IV. A linguagem se dimensiona e se destina à comunicação como sistema de signos artificiais e convencionais que é. V. A linguagem humana visa à acomodação à situação concreta, não intentando a representação simbólica.

Sartre.

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

271


Capítulo 1 | A condição humana

a) b) c) d) e)

Estão CORRETAS: I, II, III e IV. II, III, IV e V. I, II, III e IV. III, IV e V. I, II, III, IV e V.

12. Sobre a ‘condição humana’, atente ao texto a seguir: Há grande abismo entre o comportamento dos animais e o dos seres humanos. Mesmo o chimpanzé mais evoluído apresenta, apenas, rudimentos do raciocínio, que permitiriam a construção da linguagem simbólica e de tudo o que dela resulta. COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia, 2002, p. 12. cultura.culturamix.com

Com base no texto de Cotrim, analise as afirmativas a seguir: I. O ser humano já nasce pronto, de acordo com a natureza. A linguagem simbólica é secundária na sua evolução. II. A dimensão subjetiva é significativa na ação do homem sobre a natureza. III. A linguagem é característica básica dos seres humanos com uma função específica na comunicação, embora não exprima pensamentos e raciocínios evidentes. IV. À condição humana é dada uma abertura para criar novas ferramentas e objetos com o intuito de satisfazer as necessidades existenciais do homem.

a) b) c) d) e)

Estão CORRETAS, apenas: I, III e IV. II e IV. I, II e IV. I e III. III e IV.

13. O vínculo do homem com a cultura deixa claro que esta última realiza o que de mais nobre o homem possui, portanto a cultura é guardiã da liberdade. A cultura nasce do homem, logo é histórica como ele próprio o é.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

CARVALHO, J. Maurício. O Homem e a Filosofia. Porto Alegre: Edipucrs, 1998. (Adaptado)

No contexto da reflexão acima sobre o homem e sua dimensão cultural, fica evidente que: a) a cultura será compreendida, se for separada do modo humano de ser na sua existência. b) é um desvalor pensar a cultura nos diferentes aspectos da criação humana. c) a primazia do homem como ser cultural declina do seu valor histórico. d) a cultura se insere na singularidade das matrizes históricas da constituição do humano. e) a cultura promove a significância da liberdade em detrimento da vinculação com a história.

14. Leia o texto a seguir sobre as diferenças existentes entre os seres humanos e os animais. 272

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

“Os Institutos Nacionais de Saúde (NHI) dos Estados Unidos resolveram suspender pesquisas científicas com cerca de 300 chimpanzés que eram mantidos cativos em um laboratório. A resolução foi fruto das pressões recebidas pelo governo norte-americano por grupos preocupados com o tratamento ético dos animais não humanos. O uso de chimpanzés em pesquisas é relativamente comum já que esses animais aprendem com certa facilidade, e é possível detectar ações mais elaboradas em animais que ocupam níveis superiores da escala zoológica”. (texto adaptado de ultimasomline 2012. Blogspot.com.br)

Sobre esse assunto, analise os itens a seguir. I. O comportamento instintivo permite prever as reações típicas das espécies de animais não humanos. II. Nos animais não humanos, com algumas exceções, as ações são determinadas por padrões biológicos rígidos de comportamento. III. A inteligência dos animais não humanos é abstrata, isto é, depende da experiência vivida naquele momento e se limita à satisfação das necessidades materiais. IV. Nenhum animal é capaz de produzir utensílios e criar organizações sociais baseadas em formas mais elaboradas de comunicação, exclusividade apenas do ser humano. V. Alguns animais, sobretudo aqueles que se encontram nos níveis superiores da escala zoológica, ultrapassam o mundo concreto e se projetam na esfera abstrata.

a) b) c) d) e)

Estão CORRETOS: I e II. I, II e III. III e IV. IV e V. I, II, III. IV e V.

15. Leia o texto a seguir sobre a linguagem simbólica utilizada pelos seres humanos. “Para o estudioso Leslie White, o símbolo é a unidade básica do comportamento humano. A civilização só existe em razão do comportamento simbólico, característico do homem. A partir da Teoria da Evolução de Darwin, muito se questionou sobre o que é o homem e qual a sua diferença em relação aos demais animais (mamíferos superiores). Diante de dados anatômicos, percebeu-se que a caixa craniana do homem era maior e que, por essa razão, seu cérebro também o era. Dessa forma, o pensamento, o raciocínio, a compreensão etc. estavam vinculados a um maior poder de associação de ideias derivado das faculdades mentais humanas”. (disponível em www.brasilescola.com)

Sobre esse assunto, é INCORRETO dizer que: a) A produção cultural seria impossível sem a linguagem simbólica uma vez que os símbolos permitem lidar de forma abstrata com o mundo a nossa volta e com os nossos semelhantes.


Capítulo 1 | A condição humana

b) Através dos símbolos, distanciamos-nos do mundo concreto e elaboramos ideias abstratas que nos permitem designar genericamente as coisas. c) Por intermédio dos símbolos, representamos o mundo e, também, somos introduzidos na história e no tempo. d) Os símbolos nos permitem relembrar o passado e antecipar o futuro através do pensamento. e) As abstrações são possíveis porque os homens dispõem da inteligência concreta.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

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Ciências humanas e sociais aplicadas: Matriz de Referência C1

C3

Compreender os elementos culturais que constituem as identidades. H2

Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas.

H4

Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

Compreender a produção e o papel histórico das instituições sociais, políticas e econômicas, associando-as aos diferentes grupos, conflitos e movimentos sociais. H11

Identificar registros de práticas de grupos sociais no tempo e no espaço.


C

2

O

L TU

A

COMPETÊNCIAS:

C1, C3

A consciência crítica e a Filosofia HABILIDADES:

H2, H4, H11

APRESENTAÇÃO Ao contrário daquilo que se imagina, ser crítico não significa ser “chato” ou não concordar com nada do que os outros dizem. Ser crítico é buscar o conhecimento racional das coisas, é investigar de forma lógica e sistemática as questões que pretendemos elucidar. Tem atitude filosófica qualquer um que busca o conhecimento das coisas, que tem interesse pelo saber e se aprofunda nas questões aparentemente superficiais. Neste capítulo, estudaremos as características da reflexão filosófica e também o que se espera de quem pretende pensar o mundo filosoficamente. Procuraremos esclarecer as relações existentes entre a consciência crítica e a filosofia e mostrar que o conhecimento surge quando somos capazes de estabelecer nexo entre os termos da nossa reflexão. Faremos, também, uma introdução ao raciocínio lógico, partindo da lógica aristotélica e avançando por meio do estudo dos princípios da racionalidade e dos tipos de argumentação. Fecharemos o capítulo discutindo as falácias; erros de raciocínio que podem ser intencionais ou não.


Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

TÓPICO 1 • Introdução O filósofo alemão Hegel (1770-1831), ao tentar explicar o significado e o fazer filosófico, comparou a Filosofia com a coruja de Minerva. Também conhecida como Atena na mitologia greco-romana, a deusa andava acompanhada pelo seu animal de estimação sempre que interferia no mundo dos homens para promover a Justiça. Sempre calada, a coruja a tudo observava, sem interferir e, por essa razão, sempre foi um animal subestimado. Mas muitos esquecem que ela é uma ave de rapina e, como tal, uma exímia caçadora. Parece meio sonolenta durante o dia, mas à noite, quando a agitação termina e quando tudo está mais calmo, ela levanta voo em busca de uma presa. Enquanto todos estão cegos e assustados pela escuridão, ela enxerga a sua caça como ninguém e, quando ataca, o seu bote é certeiro.

Assim como a coruja de Minerva, a Filosofia parece inerte enquanto os fatos acontecem e quando todos parecem perdidos e sem explicação para as coisas, a Filosofia alça voo. Do alto do seu poder de reflexão, ela consegue ser tão certeira quanto uma ave de rapina e seu bote é quase sempre muito preciso. Nesse sentido, a Filosofia busca um fundamento (base sólida) para o conhecimento e para as práticas que norteiam o pensamento e a atividade humana. O homem que desenvolve uma atitude filosófica, constrói um pensamento aprofundado e embasado. Uma vez que possuir atitude filosófica não é um atributo apenas daqueles que estudaram filosofia, ousamos dizer que, em certo sentido, todo homem é um filósofo enquanto se debruça sobre a realidade a fim de questioná-la e compreendê-la.

EXERCITANDO EM AULA 01. Leia o texto a seguir. O pensar filosófico não é um campo de pensamento estranho ou misterioso. Não é verdade que apenas algumas pessoas possam pensar filosoficamente. Toda e qualquer pessoa já pensou e pode pensar filosoficamente, desde que já tenha procurado justificar ou se esforçado mentalmente para encontrar uma resposta para um determinado problema filosófico. Sobre o pensar filosófico, NÃO podemos afirmar que: a) Emerge, naturalmente, das circunstâncias humanas. b) Existe pensar filosófico desde que existe a humanidade. c) O homem, pela sua natural predisposição para o saber,

sempre se questionou acerca de si próprio, dos outros e de tudo aquilo que o rodeia. d) A maior parte das pessoas já pensou sobre alguma das questões filosóficas. Ao pensar num problema filosófico, já procurou obter uma resposta para ele e, neste sentido, todos nós podemos, de certa maneira, ser considerados “filósofos”. e) O pensar filosófico surge a partir do momento em que se começa a questionar as coisas que nas rodeiam e cuja solução ou resposta pode ser encontrada na experimentação, na compreensão dos sentidos.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

TÓPICO 2 • A atitude filosófica Ter uma atitude filosófica requer de qualquer pessoa três requisitos básicos: • Ser crítico: crítica é o mesmo que exame racional de todas as coisas. O ser humano crítico é aquele que examina a realidade minuciosa e cautelosamente, como faz um médico com os seus pacientes. Portanto, apesar da palavra “crítica” ter acumulado sobre si um sentido negativo com o passar do tempo, a pessoa crítica não é, ao contrário daquilo que se pensa, um chato, e sim alguém que examina as coisas cuidadosamente. • Indagar: o homem que adota uma atitude filosófica, antes de tudo, deve estar pronto para indagar, perguntar. “A dúvida é o começo do conhecimento”, dizia o filósofo Khalil Gibran (1883-1931). Devemos indagar, sobretudo, acerca de três coisas: o mundo, nossas relações com o mundo e

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PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

o próprio pensamento. Pensar sobre o pensamento chama-se refletir. A reflexão é o pensamento sobre o próprio pensamento. Pensamento sistemático: a atitude filosófica exige um pensamento sistemático, que estabelece uma concordância interna entre os termos de sua reflexão. Aquele que pensa sistematicamente encadeia as ideias de forma lógica e coerente. É quando, com uma teoria, o filósofo consegue dar conta da realidade tanto humana quanto natural. O primeiro filósofo sistemático da história foi Platão, pois, com sua Teoria das Ideias, ele conseguiu trazer explicações sobre Política, Ética, Conhecimento, Arte etc.

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

ESCLARECENDO

filósofo. Portanto, ter atitude filosófica não é uma prerrogativa apenas daqueles que possuem formação acadêmica nessa área.

A filosofia é um modo de pensar e, como tal, nos ajuda a nos posicionarmos diante do mundo, questionando o modo de pensar das pessoas e de nós mesmo, das culturas e as estruturas estabelecidas por aqueles que estão no poder. Ela nos permite, também, ir além da aparência das coisas e buscar as suas verdadeiras raízes. Em certo sentido, todo aquele que pensa, questiona, indaga e busca o conhecimento profundo das coisas é um

De forma geral, podemos afirmar que a filosofia se opõe às explicações do senso comum. Por senso comum entende-se um tipo de conhecimento que não passou por uma análise crítica, aprendido na convivência diária com parentes, amigos, colegas e familiares, e que corresponde a uma visão de mundo compartilhada pelo grupo no qual se está inserido. Nem sempre tal conhecimento é rigoroso, preciso e exato.

EXERCITANDO EM AULA 02. (UNCISAL) Segundo Marilena Chauí, a resposta à pergunta “O que é filosofia?” poderia ser: “a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido”.

03. (UNICAMP) A dúvida é uma atitude que contribui para o surgimento do pensamento filosófico moderno. Neste comportamento, a verdade é atingida através da supressão provisória de todo conhecimento, que passa a ser considerado como mera opinião. A dúvida metódica aguça o espírito crítico próprio da Filosofia.

(Convite à filosofia)

(Adaptado de Gerd A. Bornheim, Introdução ao filosofar. Porto Alegre: Editora Globo, 1970, p. 11.)

Após ler com atenção essa definição, assinale a alternativa correta. a) A filosofia identifica-se inteiramente com o senso comum. b) As reflexões filosóficas apresentam o mesmo nível qualitativo das reflexões cotidianas. c) Filosofar significa apresentar um ponto de vista crítico sobre a realidade. d) A filosofia deve, necessariamente, apresentar um ponto de vista místico ou religioso sobre a realidade. e) Todo filósofo é necessariamente ateu.

filosófica A reflexão filosófica tem certas características que lhe são peculiares. Entre elas, podemos citar as seguintes: a) Não é superficial: a reflexão filosófica não se contenta com explicações superficiais que não revelam os fundamentos e a origem daquilo que pretende elucidar. Assim como a raiz de uma árvore que, apesar da sua importância, está abaixo da superfície e por isso não é vista, no mundo ao nosso redor o essencial das coisas não pode ser visto apenas com um olhar superficial. A filosofia evita essas apreciações não críticas da realidade, que em geral são produto do senso comum.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

TÓPICO 3 • Características da reflexão

A partir do texto, é correto afirmar que: a) A Filosofia estabelece que opinião, conhecimento e verdade são conceitos equivalentes. b) A dúvida é necessária para o pensamento filosófico, por ser espontânea e dispensar o rigor metodológico. c) O espírito crítico é uma característica da Filosofia e surge quando opiniões e verdades são coincidentes. d) A dúvida, o questionamento rigoroso e o espírito crítico são fundamentos do pensamento filosófico moderno.

b) É rigorosa com o seu objeto de estudo: o filósofo não deve pensar desordenadamente, e sim adotar um método que seja adequado ao seu objeto e que proporcione ideias seguras e confiáveis. Em outras palavras, o filósofo deve adotar um procedimento lógico e sistêmico nas suas pesquisas. c) Totalidade ou visão de conjunto: a filosofia compreende sempre os problemas como partes de um todo. Ela procura compreendê-los depois de inseri-los em seus respectivos contextos. Portanto, a filósofa ou o filósofo busca entender todas as variáveis que exercem influência sobre aquilo que ele pretende explicar.

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

Imagem 2.1. A reflexão é uma das condições de humanização do ser

ESCLARECENDO O conhecimento humano decorre de um impulso espontâneo e natural no qual se tenta explicar os vários aspectos da realidade enfrentada por todos e do esforço do espírito humano para compreender a realidade, dando-lhe um sentido, uma significação, mediante o estabelecimento de nexos aptos a satisfazerem as exigências intrínsecas de si mesmo. Esse é o objetivo do conhecimento filosófico: a compreensão da realidade.

SAIBA MAIS A metafísica de Aristóteles

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Aristóteles foi um dos principais pensadores gregos do mundo antigo. Ele viveu no século IV a.C. e foi aluno de Platão, de quem mais tarde discordou em muitos pontos, sobretudo no que diz respeito à teoria do conhecimento. Ele escreveu uma série de tratados sobre a investigação

filosófica, que depois da sua morte foram reunidos em uma obra contendo 14 livros conhecida como A metafísica. A palavra metafísica significa “além das coisas físicas”. Nessa obra, Aristóteles sistematizou o pensamento filosófico grego antigo e explicou que a tarefa da metafísica é compreender o sentido primordial do ser. Trata-se de uma obra de cunho ontológico, que pretende estudar os atributos que pertencem essencialmente ao ser. Em outras palavras, procura entender o que as coisas são. Essa extensa obra trata das causas e princípios dos seres, tanto do ser em si como do ser na relação com o que lhe é externo. Ele também explica que, ao contrário das ciências (física, química, biologia...), a metafísica quer compreender o que as coisas são em geral. Ou seja, enquanto a ciência se ocupa de uma parte das coisas, e por isso são chamadas de ciências particulares, a metafísica busca uma visão mais geral e ampla dos objetos que estuda. Aliás, na busca por uma melhor compreensão dos princípios que subjazem a todas as coisas, Aristóteles explicou que tudo o que é real e concreto parte de quatro causas: causa material, causa formal, causa eficiente e causa final. Em outras palavras, aquilo que existe é material, tem forma, foi efeito de algo que lhe antecedeu e tem uma finalidade. Na obra, ele também trata do próprio ato de filosofar. Explica que a filosofia nasce do sentimento de admiração do homem diante do mundo. É por ficar perplexo com a complexidade da realidade que o homem busca explicações mais profundas e criteriosas para aquilo que o cerca. Dessa forma, é a admiração que leva o homem a filosofar, enquanto a indiferença vai produzir no ser humano a ignorância. Aquele que admira as coisas busca conhecer, já o indiferente está condenado à ignorância. Ainda segundo Aristóteles, uma vez que o homem buscou o conhecimento depois de ter se conscientizado da sua própria ignorância, a Filosofia não possui finalidade utilitária, não serve para nenhum objetivo específico. Em suma, quem filosofa faz isso simplesmente porque ama o conhecimento e busca se libertar da ignorância.

EXERCITANDO EM AULA 04. Leia o texto a seguir.

Foi dito que, em geral, a ciência, a filosofia − conforme Aristóteles, bem como segundo Platão − tem como objeto o universal e o necessário; pois não pode haver ciência em torno do individual e do contingente, conhecidos sensivelmente. Sob o ponto de vista metafísico, o objeto da ciência aristotélica é a forma, como ideia era o objeto da ciência platônica. (disponível em www.pucsp.br)

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PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

Aristóteles foi o primeiro filósofo a pensar a filosofia. Sobre a opinião de Aristóteles sobre a filosofia, com base no pensamento aristotélico sobre o filosofar, podemos dizer que: a) A filosofia aborda, sobretudo, as questões concernentes à natureza. b) A filosofia pensa as causas primeiras das coisas e surge do sentimento de admiração.


Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

c) O filosofar tem, na rigorosidade, uma das suas principais características. d) O pensar filosófico é radical, pois questiona as instituições sociais. e) Filosofar é abordar de forma empírica os fenômenos naturais.

TÓPICO 4 • O raciocínio lógico Shutterstock.com

aquele que pode ser considerado verdadeiro ou falso. Portanto, são excluídos da lógica as orações, ordens, etc., que estariam no âmbito da retórica e da poética. O termo apofântico etimologicamente significa “o que ilumina aquilo que está oculto”.

• •

• Imagem 2.2. Cubo de Rubik: a brincadeira utiliza o raciocínio lógico e desenvolve a coordenação motora

APROFUNDAMENTO A lógica, segundo Aristóteles, se volta apenas para os enunciados apofânticos. Um enunciado apofântico é

ESCLARECENDO A proposição é um enunciado no qual afirmamos ou negamos um termo (= conceito), e a seguir veremos exemplos de proposições ou frases para explicar o silogismo aristotélico.

Aristóteles chamou de silogismo um tipo de argumentação na qual existem três proposições e a última delas, a conclusão, deriva (é inferida) logicamente das duas anteriores, chamadas premissas. Exemplo: “Todo brasileiro é sul-americano. Ora, todo paulista é brasileiro. Logo, todo paulista é sul-americano”. Inferir é concluir a partir de proposições. Quando uma proposição leva à outra, a argumentação é válida, e uma argumentação é inválida quando a conclusão não é uma consequência necessária das premissas. Exemplo: Todos os homens são mortais premissa 1 Sócrates é homem premissa 2 Logo, Sócrates é imortal. conclusão

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

O estudo da lógica serve para organizar as ideias de modo mais rigoroso, a fim de que não haja engano em nossas conclusões. Ela foi desenvolvida por Aristóteles, na Antiguidade, com o objetivo de nos preparar melhor para combater as falsas argumentações de pensadores como os sofistas, preocupados muito mais com a capacidade de persuadir do que com a verdade do que estava sendo dito. A palavra lógica advém do grego logos tem vários significados, como “palavra”, “conceito”, “discurso” e “razão”, entre outros. Os escritos aristotélicos sobre lógica foram reunidos em uma obra chamada “Organon” (do grego “instrumento” ou “ferramenta). Portanto, a lógica é o estudo dos métodos e princípios da argumentação; investigação das condições em que a conclusão de um argumento se segue necessariamente de suas premissas. Aristóteles dividiu a lógica em lógica formal (menor ou simbólica) e lógica material (maior). A lógica formal estabelece a forma correta das operações do pensamento e nos ajuda a identificar os argumentos válidos. A lógica material investiga a adequação do pensamento à realidade. É chamada de metodologia e estuda o método usado por cada ciência.

Como instrumento do pensar, a lógica se baseia em três coisas: Estudo dos métodos e princípios da argumentação; Investigação das condições em que a conclusão de um argumento se segue, necessariamente, aos enunciados iniciais (= premissas); Estudo que estabelece as regras da forma correta de pensar e identifica as argumentações não válidas; Estudo baseado no argumento lógico, que se constitui de três elementos: o termo, ou conceito; a proposição, ou juízo; e a argumentação, ou um discurso em que encadeamos as proposições para chegar a uma conclusão.

Percebemos no exemplo acima que a conclusão não decorre das premissas. A conclusão correta deveria ser “Logo, Sócrates é mortal”, deixando, assim, o argumento válido.

PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

SAIBA MAIS As proposições podem ser verdadeiras ou falsas. Uma proposição é verdadeira quando corresponde ao fato que expressa. Os argumentos são válidos ou inválidos. Um argumento é válido quando sua conclusão é consequência lógica de suas premissas. Existem três grandes princípios lógicos anteriores a qualquer raciocínio e que servem de base a todos os argumentos. São eles: a) Princípio da identidade: Se um enunciado é verdadeiro, então ele é verdadeiro. b) Princípio da não contradição: Nenhum enunciado pode ser verdadeiro e falso, não sendo possível afirmar e negar simultaneamente a mesma coisa. c) Princípio do terceiro excluído: Um enunciado ou é verdadeiro ou é falso, não havendo um terceiro valor. Não há proposições “meio” certas.

Os principais tipos de argumentação são: a dedução, a indução e a analogia. a) Dedução: Na dedução, o enunciado da conclusão não excede o conteúdo das premissas. Em outras palavras, não se diz mais do que aquilo que já havia sido dito nas premissas (do geral para o particular). b) Indução: Na indução, chega-se à conclusão a partir de evidências parciais (do particular para o geral). c) Analogia: (raciocínio por semelhança): É uma indução parcial ou imperfeita, na qual passamos de um ou de alguns fatos singulares à outra enunciação singular ou particular (do particular para o particular).

acadêmico e científico. A lógica pode ser aplicada a muitas situações do nosso cotidiano. De um ponto de vista mais pragmático, podemos definir a lógica como um conjunto de leis, princípios e métodos que levam a uma forma coerente de raciocinar, e que nos auxilia a resolver os mais diversos tipos de problema. Em seu sentido mais prático, a lógica nos ajuda a organizar aquilo que pensamos para obter bons resultados. Assim, qualquer empresa, organização ou indivíduo deve organizar as suas atividades de forma lógica. São muitos os casos nos quais empresas gastam mais desperdiçando tempo e dinheiro porque não pensam as suas ações de forma lógica e racional. Aliás, em todo empreendimento, o pensamento lógico exige naturalmente planejamento. Todas as etapas de qualquer empreendimento devem ser pensadas previamente de um ponto de vista racional e lógico. No âmbito mais pessoal, a lógica nos ajuda em quatro coisas, principalmente: a) expor o que pensamos de forma clara; b) sermos convincentes em nossos argumentos; c) nos libertar de hábitos e crenças não racionais; d) evitar que caiamos em contradição. No mundo contemporâneo, a lógica também tem sido bastante usada na informática. Por exemplo, na lógica de programação de computadores. A lógica de programação usa algoritmos para representar um raciocínio de forma fiel ao que se pretende comunicar. Ela permite o estabelecimento de um conjunto de passos necessários para alcançar determinado objetivo. Portanto, a lógica deve ser usada em tudo o que fazemos, desde uma conversa com um amigo até a programação de computadores para as tarefas mais difíceis e complexas no mundo da alta tecnologia.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

Chamamos de falácia, paralogismo ou sofisma um tipo de raciocínio incorreto, apesar de ter a aparência de correção. Alguns estudiosos fazem distinção entre falácia (um engano involuntário) e o sofisma (com intenção de enganar o interlocutor). Exemplo: “Todos os homens são loiros. Ora, eu sou homem. Logo, eu sou loiro”.

SAIBA MAIS Por que a lógica é importante no dia a dia? Ao contrário daquilo que se pensa, a lógica não é apenas um instrumento para pensar melhor que se restringe ao uso

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

EXERCITANDO EM AULA 05. Leia as argumentações abaixo. I. Olhando bem para sua pele, uma mulher de 70 anos percebeu muitas rugas e concluiu, para seu conforto, que todo homem e toda mulher, nesta faixa etária, têm muitas rugas. II. Após uma extensa pesquisa sobre gansos, um cientista constatou numa população de 10 milhões de gansos, que todos eles eram brancos. Desta constatação, ele fez a seguinte proposição: ‘Todos os gansos são brancos. Sobre as argumentações anteriores, podemos afirmar que são respectivamente: a) Indutivo e dedutivo. b) Dedutivo e indutivo.

c) Analógico e dedutivo. d) Indutivo e indutivo. e) Indutivo e analógico.

06. Leia o texto que se segue. Relativamente à afirmação “Sócrates é alto”, só há estas duas alternativas: “Sócrates é alto” ou “Sócrates não é alto”.

a) b) c) d) e)

O princípio enunciado acima é conhecido como Princípio da causalidade. Princípio do terceiro excluído. Princípio da não contradição. Sofisma. Paralogismo.

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TÓPICO 1: Introdução

02. Considere o texto a seguir.

01. A palavra filosofia é de origem grega. É composta por duas

A Filosofia, retomando as questões postas pelo mito, é uma explicação racional da origem da ordem do mundo. A origem e a ordem do mundo são, doravante, naturais.

a) b) c) d) e)

A sequência CORRETA é: V - V - V - V - F. V - F - F - V - V. F - V - V - V - V. V - V - V - V - V. V - V - F - V - V.

CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia, 1994, p.32.

No tocante a esse assunto, é CORRETO afirmar que: a) Os primeiros filósofos pretenderam explicar apenas a origem das coisas e da ordem do mundo, sem valorizar as causas das mudanças e repetições. b) O nascimento da filosofia aparece solidário ao pensamento sobrenatural, com a tendência para as limitações da experiência imediata no âmbito da fantasia mítica. c) A gênese do pensar filosófico se preocupa com as explicações preestabelecidas, ou seja, a ausência de investigar e responder aos problemas da natureza. d) A dimensão racional é tomada como critério da verdade, sobrepondo-se às limitações da experiência imediata e da imaginação mítica. e) A gênese do pensamento filosófico quer ser explicação puramente sentimental da particularidade que é seu objeto, ou seja, o que vale na filosofia é o argumento baseado nos sentidos.

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

outras: philo e sophia. Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais. Sophia quer dizer sabedoria, e dela vem à palavra sophos, sábio. Sobre o pensamento filosófico, analise os itens a seguir. ( ) Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. ( ) A filosofia indica um estado de espírito da pessoa que ama, isto é, daquela que deseja o conhecimento, estima-o, procura-o e o respeita. ( ) O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, qualquer que seja ela, descobrindo seus significados. ( ) A filosofia não considera os problemas isoladamente, mas dentro de um conjunto de fatos, fatores e valores que estão relacionados entre si. ( ) O conhecimento filosófico é, sob seus diferentes avatares, a interpretação da experiência de uma época, de um homem ou de um grupo, pois, como toda obra humana, ele é historicamente marcado.

03. Leia o texto a seguir. É próprio da Filosofia, precisamente, investigar aquilo que se supõe conhecido, quer dizer, o que cada um pensa que já sabe o bastante. HEGEL, Introdução à história da Filosofia, 1976, p. 32. Adaptado

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

a) b) c) d) e)

Estão CORRETOS: I, III, IV e V apenas. I, II, IV e V apenas. II, III, IV e V apenas. I, II, III, IV e V. II, III e IV apenas.

TÓPICO 2: A atitude filosófica

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04. (UEMA) Leia o poema do moçambicano Craveirinha, Cantiga do negro do betelão. Se me visses morrer Os milhões de vezes que nasci... Se me visses chorar Os milhões de vezes que te riste... Se me visses gritar Os milhões de vezes que me calei... Se me visses cantar Os milhões de vezes que morri... E sangrei Digo-te, irmão europeu Também tu Havias de nascer Havias de chorar Havias de cantar Havias de gritar Havias de morrer E sangrar... Milhões de vezes como eu Fonte: CRAVEIRINHA. In: Revista do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFCLH da USP. São Paulo: Edusp, 2002, p.100.

O poeta constrói ou reconstrói a realidade em seus versos e o filósofo, ao ser “tocado” pela poesia, é chamado a refletir sobre ela. A primeira condição ou primeira virtude para o filosofar é a) problematizar. b) questionar. c) persuadir. d) teorizar. e) admirar.

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05. Sobre o saber filosófico e a reflexão, leia o texto a seguir. O homem é o ser que tem consciência de si mesmo; o ser que se põe a si mesmo como objeto. Possuindo a faculdade de debruçar-se sobre si mesmo, de introverter-se, assistindo como expectador às suas próprias vivências interiores, o homem é naturalmente levado a meditar sobre a natureza do seu ser, sobre a sua origem, sobre o seu destino, sobre o seu valor entre as coisas do universo. MARTINS, José Salgado. Preparação à filosofia, 1969, p.5.

Com relação a esse assunto, analise as afirmativas abaixo. I. A reflexão filosófica é uma atitude crítica no enfrentamento da realidade; esse saber é o desejo de conhecer as raízes dessa realidade. II. A atitude filosófica é de ordem reflexiva e assimila a realidade como óbvia e evidente. III. O saber filosófico é uma atitude crítica e racional, tendo como característica básica a busca parcial do sentido único das coisas. IV. O conhecimento filosófico tem como princípio a dimensão meditativa sobre a natureza, sendo assim minimamente reflexivo. V. A reflexão filosófica é a razão, que se expressa numa dimensão crítica, carregada de historicidade.

a) b) c) d) e)

Estão CORRETAS apenas: I, II, III e IV. I e V. II e IV. II, III e V. III, IV e V.

06. (UPE) Sobre a consciência crítica e a filosofia, atente ao texto a seguir: E o que é filosofia? É a tentativa, penso, de enxergar um palmo diante do nariz – o que não é tão fácil nem tão inútil quanto muitos pensam. Afinal, o peixe é quem menos sabe da água. GOMES, Roberto. Crítica da razão tupiniquim, São Paulo, 1990, p. 15.

Com relação a esse assunto, é CORRETO afirmar que Shutterstock.com

Com relação a esse assunto, analise os itens a seguir. I. O saber filosófico pensa a realidade presente. A realidade estimula o pensamento a investigar e fazer filosofia. II. O amor à sabedoria é próprio da filosofia. O saber filosófico tende a conhecer a realidade na sua inteireza, no seu significado universal e indispensável. III. É próprio da filosofia o procurar, e não a posse definitiva do conhecimento. A investigação filosófica é de ordem reflexiva. IV. O saber filosófico é uma atividade constante, que desperta o interesse do pensamento a pensar o já conhecido. V. O conhecimento filosófico investiga o sentido, valor e a finalidade do conhecido, ou seja, a filosofia se põe a si mesma como o primeiro e fundamental problema.


Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

a) a consciência filosófica consiste no ato de perguntar sobre o sentido da experiência. b) a reflexão filosófica é acrítica, por fazer uso da evidência no âmbito da experiência imediata. c) a consciência crítica tem o primado da irreflexão na condução da vida. d) a filosofia possibilita o estreitamento da razão e enxerga um palmo diante do nariz. e) a consciência crítica busca reconhecer-se no mundo, na tentativa de alcançar resultados imediatos do conhecimento. Ela é útil, como muitos pensam, nesse agir imediato, na busca de ordem prática do essencial das coisas.

07. O pensamento crítico envolve um juízo intencional, no

Considerando o texto acima, é INCORRETO afirmar que a) a filosofia tem, além de seu aspecto teórico, um aspecto prático ligado à criação de sistemas. b) a dignidade da filosofia está em colocar-nos diante de um horizonte infinito de conhecimento. c) a filosofia, enquanto atividade criadora humana, tem inúmeras possibilidades de expressão teórica. d) a filosofia é uma atividade que não deve atingir um acabamento definitivo por meio de um sistema teórico. e) a filosofia, para a grandeza do espírito humano, deve realizar um sistema teórico universal, perfeito e definitivo.

09. (UEL) Leia o texto a seguir.

sentido de refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a um exame minucioso, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual e, até mesmo, a proposições alheias. Ele também está ligado à definição do conteúdo e do valor do objeto da observação. Sobre a consciência crítica e a filosofia, podemos afirmar EXCETO: a) O pensamento crítico avalia se há uma razão apropriada para acatar a tese apresentada como algo autêntico. b) Esta forma de pensar não é construída sobre métodos intransigentes e velozes, e sim em concepções e preceitos. c) O pensamento crítico baseia-se no estudo pormenorizado e na estimativa substanciosa dos argumentos, particularmente aqueles que o grupo social acredita serem autênticos no cenário do dia-a-dia. d) Por meio da prática do pensamento crítico, o sujeito invoca os elementos cognitivos e o intelecto para atingir uma postura aceitável e compreensível acerca de uma dada proposição. e) A consciência crítica está ancorada na abordagem assistemática e particular dos fatos, o que lhe dá profundidade e radicalidade.

É pois manifesto que a ciência a adquirir é a das causas primeiras (pois dizemos que conhecemos cada coisa somente quando julgamos conhecer a sua primeira causa); ora, causa diz-se em quatro sentidos: no primeiro, entendemos por causa a substância e a essência (o “porquê” reconduz-se pois à noção última, e o primeiro “porquê” é causa e princípio); a segunda causa é a matéria e o sujeito; a terceira é a de onde vem o início do movimento; a quarta causa, que se opõe à precedente, é o “fim para que” e o bem (porque este é, com efeito, o fim de toda a geração e movimento).

TÓPICO 3: Características da reflexão filosófica

10. A respeito das características da reflexão filosófica, assinale a alternativa CORRETA: a) É estritamente rigorosa com seu objeto de estudo, porém trabalha com explicações superficiais, fazendo análises pouco críticas da realidade. b) Para garantir a abertura do pensamento, evita entender todas as variáveis que exerce influência sobre quilo que pretende explicar, trazendo assim pouca visão de conjunto. c) Não se contenta com explicações que não revelam os fundamentos e a origem daquilo que pretende elucidar, aprofundando a visão para além da superfície. d) Justamente por ser filosófica não possui nenhuma característica peculiar ou específica, podendo demonstrar-se através de qualquer pensamento acrítico e pouco sistemático do senso comum. e) Prefere não adotar nenhum método e tem desinteresse por ideias seguras e ordenadas, preferindo a elaboração fora da lógica e livre.

que ouvir dizer que, de agora em diante, toda filosofia tem de ficar aprisionada nos grilhões de um único sistema. Nunca esse espírito se sentira maior do que ao ver diante de si a infinidade do saber. Toda a sublimidade de sua ciência consistiria justamente em nunca poder perfazer-se. No instante em que ele próprio acreditasse ter perfeito seu sistema, ele se tornaria insuportável para si mesmo. Nesse mesmo instante, deixaria de ser criador e se reduziria a um instrumento de sua criatura. […] nada pode ser mais pernicioso para a dignidade da filosofia que a tentativa de forçá-la a entrar nos limites de um sistema teórico universalmente válido” Schelling.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa que indica, corretamente, a ordem em que Aristóteles apresentou as causas primeiras. a) Causa final, causa eficiente, causa material e causa formal. b) Causa formal, causa material, causa final e causa eficiente. c) Causa formal, causa material, causa eficiente e causa final. d) Causa material, causa formal, causa eficiente e causa final. e) Causa material, causa formal, causa final e causa eficiente.

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08. (UNIOESTE) “Nada indigna mais uma cabeça filosófica do

Adaptado de: ARISTÓTELES. Metafísica. Trad. De Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril S. A. Cultural, 1984. p.16. (Coleção Os Pensadores.)

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

TÓPICO 4: O raciocínio lógico

11. Aristóteles diz que nem todo discurso é uma proposição; só o é o tipo de discurso no qual reside o verdadeiro e o falso. Por isso, o tipo de enunciado em questão é uma declaração e não, por exemplo, uma petição, uma exclamação ou uma súplica. a) b) c) d) e)

O texto acima se refere aos: Enunciados apofânticos. Conteúdos exclusivamente dedutivos. Princípios da racionalidade. Silogismos. Raciocínios exclusivamente indutivos.

12. (UFSM) Há diversos indícios empíricos da evolução das espécies. Alguns desses indícios são conhecidos desde Darwin, tais como o registro fóssil, as variações entre indivíduos de uma mesma espécie e a distribuição geográfica das espécies. Outros indícios provêm de estudos mais recentes, notadamente em genética. O conjunto desses indícios torna a teoria da evolução mais provavelmente verdadeira que qualquer outra hipótese alternativa. Essa inferência, em que se parte de indícios empíricos e se conclui com teorias ou enunciados gerais, é comumente chamada de inferência a) lógica. b) dedutiva. c) analógica. d) indutiva. e) biológica.

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13. UFSM) O conhecimento é uma ferramenta essencial para a sobrevivência humana. Os principais filósofos modernos argumentaram que nosso conhecimento do mundo seria muito limitado se não pudéssemos ultrapassar as informações que a percepção sensível oferece. No período moderno, qual processo cognitivo foi ressaltado como fundamental, pois permitia obter conhecimento direto, novo e capaz de antecipar acontecimentos do mundo físico e também do comportamento social? a) Dedução. b) Indução. c) Memorização. d) Testemunho. e) Oratória e retórica. 14. (UPE) A validade de nossos conhecimentos é garantida pela correção do raciocínio. São dois os modos de raciocínio: o indutivo e o dedutivo. Sobre isso, assinale a alternativa CORRETA. a) O raciocínio indutivo é amplamente utilizado pelas ciências experimentais. b) O raciocínio indutivo parte de uma lei universal, conside-

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rada válida para um determinado conjunto, aplicando-a aos casos particulares desse conjunto. c) O raciocínio dedutivo parte de uma lei particular, considerada válida para um determinado conjunto, aplicando-a aos casos universais desse conjunto. d) O raciocínio dedutivo é uma argumentação na qual, a partir de dados singulares suficientemente enumerados, inferimos uma verdade universal. e) O raciocínio indutivo é o argumento cuja conclusão é inferida necessariamente de duas premissas.


Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

ANOTAÇÕES

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GABARITOS

GABARITOS Capítulo 1

Capítulo 2

EXERCITANDO EM AULA 01. (c) 02. (a) 03. (c) 04. (c) 05. (d)

EXERCITANDO EM AULA 01. (e) 02. (c) 03. (d) 04. (b) 05. (d) 06. (b)

CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS APLICADAS

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (d) 02. (c) 03. (b) 04. (b) 05. (c) 06. (c) 07. (e) 08. (a) 09. (c) 10. (b) 11. (c) 12. (b) 13. (d) 14. (a) 15. (e)

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EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 01. (d) 02. (d) 03. (d) 04. (e) 05. (b) 06. (a) 07. (e) 08. (e) 09. (c) 10. (c) 11. (a) 12. (d) 13. (b) 14. (a)


Capítulo 1 | A condição humana

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 1 TÓPICO 1: As primeiras concepções de homem

01. Leia o texto a seguir sobre o conceito de essência. A essência de uma coisa é a natureza de cada coisa. É aquilo que faz cada coisa ser ela mesma e não outra; o que a distingue das demais coisas, colocando à parte características acidentais e secundárias, tais como forma, tamanho, cor etc. e enfatizando as características gerais ou universais. Sobre aquilo que faz o homem ser homem (essência humana), marque a alternativa INCORRETA. a) O homem é livre; é capaz de elaborar valores e atuar de acordo com eles; vive em sociedade e tem uma história. b) Os seres humanos possuem uma linguagem convencional humana e são capazes de produzir cultura. c) Os homens estão inteiramente vinculados às condições imediatas impostas pela natureza, não podendo superá-las. d) O homem está sujeito às mesmas leis que governam todas as matérias. e) Os seres humanos têm mobilidade e instinto de autopreservação para sua sobrevivência.

TÓPICO 2: A tradição essencialista

02. Leia o texto a seguir. O filósofo em questão ficou admirado com a semelhança entre todos os fenômenos da natureza e chegou, portanto, à conclusão de que, “por cima” ou “por trás” de tudo o que vemos à nossa volta, há um número limitado de formas. A estas formas deu o nome de ideias. Por trás de todos os cavalos, porcos e homens existe a “ideia cavalo”, a “ideia porco” e a “ideia homem”.

d) a substância é princípio metafísico, tal como exposto por Platão em sua doutrina.

04. (UFF) A grande contribuição de Tomás de Aquino para a vida intelectual foi a de valorizar a inteligência humana e sua capacidade de alcançar a verdade por meio da razão natural, inclusive a respeito de certas questões da religião. Discorrendo sobre a “possibilidade de descobrir a verdade divina”, ele diz que há duas modalidades de verdade acerca de Deus. A primeira refere-se a verdades da revelação que a razão humana não consegue alcançar, por exemplo, entender como é possível Deus ser uno e trino. A segunda modalidade é composta de verdades que a razão pode atingir, por exemplo, que Deus existe. A partir dessa citação, indique a afirmativa que melhor expressa o pensamento de Tomás de Aquino. a) A fé é o único meio do ser humano chegar à verdade. b) O ser humano só alcança o conhecimento graças à revelação da verdade que Deus lhe concede. c) Mesmo limitada, a razão humana é capaz de alcançar certas verdades por seus meios naturais. d) A Filosofia é capaz de alcançar todas as verdades acerca de Deus. e) Deus é um ser absolutamente misterioso e o ser humano nada pode conhecer d’Ele.

05. (ENEM) Texto I Considero apropriado deter-me algum tempo na contemplação deste Deus todo perfeito, ponderar totalmente à vontade seus maravilhosos atributos, considerar, admirar e adorar a incomparável beleza dessa imensa luz. DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1980.

03. (UFU)

[...] após ter distinguido em quantos sentidos se diz cada um [destes objetos], deve-se mostrar, em relação ao primeiro, como em cada predicação [o objeto] se diz em relação àquele. Aristóteles. Metafísica. Tradução de Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

De acordo com a ontologia aristotélica, a) a metafísica é “filosofia primeira” porque é ciência do particular, do que não é nem princípio, nem causa de nada. b) o primeiro entre os modos de ser, ontologicamente, é o “por acidente”, isto é, diz respeito ao que não é essencial. c) a substância é princípio e causa de todas as categorias, ou seja, do ser enquanto ser.

Texto II Qual será a forma mais razoável de entender como é o mundo? Existirá alguma boa razão para acreditar que o mundo foi criado por uma divindade todo-poderosa? Não podemos dizer que a crença em Deus é “apenas” uma questão de fé.

Ciências humanas e sociais aplicadas

O texto acima representa a visão de: a) René Descartes. b) Tomás de Aquino. c) Platão. d) Nietzsche. e) Kant.

RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.

Os textos abordam um questionamento da construção da modernidade que defende um modelo a) centrado na razão humana. b) baseado na explicação mitológica. c) fundamentado na ordenação imanentista. d) focado na legitimação contratualista. e) configurado na percepção etnocêntrica.

06. (UFSJ) Ao analisar o cogito ergo sum — penso, logo existo — de René Descartes, conclui-se que a) o pensamento é algo mais certo que a própria matéria corporal. PRÉ-ENEM - Filosofia | VOLUME 1

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Capítulo 1 | A condição humana

b) a subjetividade científica só pode ser pensada a partir da aceitação de uma relação empírica fundada em valores concretos. c) o eu cartesiano é uma ideia emblemática e representativa da ética que insurgia já no século XVI. d) Descartes consegue infirmar todos os sistemas científicos e filosóficos ao lançar a dúvida sistemático-indutiva respaldada pelas ideias iluministas e métodos incipientes da revolução científica.

TÓPICO 3: Os filósofos não essencialistas

07. (UFU) Considere o seguinte trecho, extraído da obra A náusea, do escritor e filósofo francês Jean Paul Sartre (1889-1980). “O essencial é a contingência. O que quero dizer é que, por definição, a existência não é a necessidade. Existir é simplesmente estar presente; os entes aparecem, deixam que os encontremos, mas nunca podemos deduzi-los. Creio que há pessoas que compreenderam isso. Só que tentaram superar essa contingência inventando um ser necessário e causa de si próprio. Ora, nenhum ser necessário pode explicar a existência: a contingência não é uma ilusão, uma aparência que se pode dissipar; é o absoluto, por conseguinte, a gratuidade perfeita.” SARTRE, Jean Paul. A Náusea. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1986. Tradução de Rita Braga, citado por: MARCONDES, Danilo Marcondes. Textos Básicos de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2000.

Nesse trecho, vemos uma exemplificação ou uma referência ao existencialismo sartriano que se apresenta como a) recusa da noção de que tudo é contingente. b) fundamentado no conceito de angústia, que deriva da consciência de que tudo é contingente. c) denúncia da noção de má fé, que nos leva a admitir a existência de um ser necessário para aplacar o sentimento de angústia. d) crítica à metafísica essencialista.

Ciências humanas e sociais aplicadas

08. (UNIOESTE) “Só pelo fato de que tenho consciência dos motivos que solicitam minha ação, esses motivos já são objetos transcendentes para minha consciência, estão fora; em vão buscaria agarrar-me a eles, escapo disto por minha existência mesma. Estou condenado a existir para sempre além de minha essência, além dos móveis e dos motivos de meu ato: estou condenado a ser livre. Isto significa que não se poderia encontrar para a minha liberdade outros limites senão ela mesma, ou, se se prefere, não somos livres de cessar de ser livres. (...) O sentido profundo do determinismo é o de estabelecer em nós uma continuidade sem falha da existência em si. (...) Mas em vez de ver transcendências postas e mantidas no seu ser por minha própria transcendência, supor-se-á que as encontro surgindo no mundo: elas vêm de Deus, da natureza, da ‘minha’ natureza, da sociedade. (...) Essas tentativas abortadas para sufocar a liberdade – elas desmoronam quando surge, de repente, a angústia diante da liberdade – mostram bastante que a liberdade coincide no fundo com o nada que está no coração do homem”. Sartre.

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Com base no texto, seguem as seguintes afirmativas: I. No homem, a existência precede a essência. II. Em sua essência, o homem é um ser determinado quer seja, ou por Deus, ou pela natureza, ou pela sociedade. III. Os limites da minha liberdade são estabelecidos pelos valores religiosos, estéticos, políticos e sociais. IV. “O homem não está livre de ser livre”, pois não é possível “cessar de ser livre”. V. A liberdade humana, em suas escolhas, se orienta por valores objetivos e pré-determinados.

a) b) c) d) e)

Assinale a alternativa correta. Apenas II está correta. Apenas I e IV estão corretas. Apenas II e IV estão corretas. Apenas III e V estão corretas. Todas as afirmativas estão corretas.

09. A perspectiva de Karl Marx a respeito do ser humano é considerada não essencialista porque: a) defende critérios metafísicos e platônicos em sua teoria b) considera que o homem passa por transformações, tais como suas condições de trabalho c) postula que toda existência precede a essência d) afirma, junto a Jean-Paul Sartre, que o homem está condenado a ser livre e) desenvolve uma noção de princípios e causas, aprofundando a teoria aristotélica TÓPICO 4: Principais características do ser humano

10. A Sociologia não vê o homem sozinho como homem, por definir este como um ser estritamente social. A psicologia vê o homem como um ser autoconsciente, enquanto a Filosofia o define como um ser moral e racional, como defendia Hegel. Para a teologia, o fato de ser espiritual o distingue de toda a criação. Sobre o ser humano e a produção cultural, analise os itens a seguir. I. Não seria, portanto, o meio geográfico que determinaria a cultura, porém a dinâmica da cultura influenciaria o ser humano, que estaria dentro dela. II. O homem é um agente transformador da cultura. Assim, o segredo para entendermos a dinâmica cultural seria entendermos o homem, o indivíduo. III. O homem está inserido na mecânica da natureza de forma igual, pois, organicamente, possui necessidades igualitárias a serem satisfeitas, tais como o sono, alimentação, proteção, sexualidade etc. IV. A forma de suprir as necessidades humanas difere, de agrupamento para agrupamento, de segmento social para segmento social. Isto é determinado pela cultura. V. As antigas abordagens definidoras da natureza humana, tanto feitas pelo Iluminismo quanto pela antropologia clássica, são basicamente tipológicas e tornavam secundárias as diferenças entre indivíduos e grupos.


CAPÍTULO 1|CAPÍTULO 2

Estão CORRETOS: a) I, II e III apenas. b) Apenas II, III e IV. c) I, II, III e V apenas. d) I, II, III, IV e V. e) I, III, IV e V apenas.

11. (UPE) A Condição Humana e a Cultura A Cultura é tudo aquilo, que o homem adquire, ou mesmo, produz, com o uso de suas faculdades: todo o conjunto do saber e do fazer, ou seja, da ciência e da técnica, e tudo aquilo que, com o seu saber e com o seu fazer, extrai da natureza. MONDIN, Batista. O homem, quem é ele?. São Paulo, 1980, p. 172.

Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que a) a condição humana é singularmente relacional. b) a esfera do trabalho não se constitui em um componente essencial da cultura e do fazer humano. c) na faculdade da linguagem, não há distinção de modo nítido no homem e animais, ambos tendo a mesma natureza. d) a cultura é um fenômeno simples; faz parte da natureza, independe de esforço e realização particular. e) a condição humana não é capaz de criar normas, regras e valores. O homem já nasce homem.

A natureza é muda. Embora pareça estar expressando algo através de suas formas, suas paisagens, suas tempestades tumultuosas, suas erupções vulcânicas, sua brisa ligeira e seu silêncio – a natureza não responde. Os animais reagem de maneira que têm sentido, mas não falam. Só o homem fala. Só entre os homens, existe essa alternância de discurso e resposta continuamente compreendidos. Só o homem, pelo pensamento, tem consciência de si. JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico, 1999, p. 46. Disponível em: www. permacultura.org.mx

No contexto da reflexão sobre a Condição Humana, fica evidente que a) a dimensão da linguagem simbólica é condição preponderante no homem. b) a singularidade da cultura é secundária à condição humana. c) a evolução do homem prescinde da educação para se humanizar. d) pelo pensamento, a condição humana é essencialmente dissociável. e) no ato de pensar e na consciência de si, a condição do homem é idêntica à condição animal.

12. (UPE) Sobre a Condição Humana, analise o texto a seguir:

Ciências humanas e sociais aplicadas

EXERCÍCIOS PROPOSTOS - CAPÍTULO 2 TÓPICO 1: Introdução

01. (UNIMONTES) Deleuze e Guattari entendem a filosofia como possibilidade de instauração do caos. Nesse sentido, a filosofia é capaz de criticar a si mesma e também às outras formas de pensar e agir. Com relação à filosofia, podemos afirmar: a) A filosofia não é um conhecimento absoluto e não permite uma atitude crítica sobre todos os saberes. A filosofia impõe verdades e não permite que se recriem os espaços de discussões. b) A filosofia não é um conhecimento exato, uma atitude

desprovida de crítica sobre todos os saberes. A filosofia não impõe verdades, mas cria e recria constantemente espaços de discussões. c) A filosofia não é um conhecimento acabado, mas uma atitude crítica sobre todos os saberes. A filosofia não impõe verdades, mas cria e recria constantemente espaços de discussões. d) A filosofia não é um conhecimento, mas uma atitude dogmática sobre todos os saberes. A filosofia impõe verdades e exclui as pessoas dos espaços de discussões.

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02. (UPE) A filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na vida humana e deve ser referida sempre a esta para ser plenamente compreendida, pois somente nela e em função dela adquire seu ser efetivo.

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

VITA, Luís Washington. Introdução à Filosofia, 1964, p. 20.

Sobre esse aspecto do conhecimento filosófico, é CORRETO afirmar que a) a consciência filosófica impossibilita o distanciamento para avaliar os fundamentos dos atos humanos e dos fins aos quais eles se destinam. b) um dos pontos fundamentais da filosofia é o desejo de conhecer as raízes da realidade, investigando-lhe o sentido, o valor e a finalidade. c) a filosofia é o estudo parcial de tudo aquilo que é objeto do conhecimento particular. d) o conhecimento filosófico é trabalho intelectual, de caráter assistemático, pois se contenta com as respostas para as questões colocadas. e) a filosofia é a consciência intuitiva sensível que busca a compreensão da realidade por meio de certos princípios estabelecidos pela razão.

03. (UNICENTRO) A prática filosófica exige do sujeito disposição para o questionamento e a indagação. Desconfiar do óbvio é uma das exigências da reflexão filosófica. Com base nessa afirmativa e em seus conhecimentos filosóficos, é correto afirmar que a prática filosófica a) é necessária, pois promove a abertura mental, possibilitando mudanças na vida do ser humano. b) não enxerga nada da realidade, pois seu objeto é apenas transcendental. c) é igual a qualquer outra prática humana, por ser apenas informação. d) não trabalha com o pensamento racional. e) necessita apenas de bom-senso.

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TÓPICO 2: A atitude filosófica

04. (UPE) Sobre a reflexão filosófica e a condição humana, leia o texto a seguir: Nenhuma época acumulou sobre o homem conhecimentos tão numerosos e diversos quanto a nossa. Nenhuma época apresentou, tão bem e sob forma mais tocante, seu saber sobre o homem. Nenhuma época conseguiu tornar este saber tão pronto e facilmente acessível. Mas nenhuma época também soube menos o que é o homem. Em nenhuma outra, o homem apareceu tão misterioso. JOLIF, J. Y. Compreender o Homem, São Paulo, 1970, p. 15.

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Com relação a esse assunto, analise os itens a seguir: I. A reflexão filosófica tem papel preponderante sobre o problema da técnica na automação do homem. II. O conhecimento filosófico proporciona um olhar crítico sobre a realidade da condição humana, dando sentido à experiência. III. Os juízos de valor têm significância para o homem na forma de conceber os numerosos conhecimentos. IV. Os conhecimentos diversos das ciências enfatizam, de modo parcial, o estudo sobre o homem com a primazia dos juízos de realidade. V. O conhecimento científico tem o saber absoluto sobre a condição humana, caracterizando, assim, a certeza dada ao homem de uma vida sem mistérios. Estão CORRETOS: a) apenas I, II e V. b) apenas I, III, IV e V. c) eapenas I, II, III e IV. d) apenas II, IV e V. e) I, II, III, IV e V.

05. (UPE) Sobre o conhecimento filosófico, considere o texto a seguir: O saber é infinito e difuso; dele se valendo, procura a filosofia aquele centro a que fazíamos referência. O simples saber é uma acumulação; a filosofia é uma unidade. O saber é racional e igualmente acessível a qualquer inteligência. A filosofia é o modo de pensamento, que termina por constituir a essência mesma de um ser humano. (JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultrix, 1999, p. 13)

O autor enfatiza a singularidade do conhecimento filosófico. No alinhamento dessa reflexão, tem-se como CORRETO que a) o conhecimento filosófico se adquire sem ser procurado, surge espontânea e naturalmente, no âmbito da razão. b) a filosofia é um saber de acumulação, bastando tão somente adquiri-lo. c) o conhecimento filosófico é a posse do saber racional no âmbito existencial. d) o saber filosófico é infinito e difuso, valendo-se da sensação para se constituir em essência do ser humano. e) o conhecimento filosófico caracteriza-se pela sua dimensão crítica e sonda a essência mesma das coisas.


Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

06. (UNICENTRO) “Primeiro foi o espanto, depois o desper-

08. (UPE) Sobre o conhecimento filosófico, atente ao texto

tar crítico e a decepção. O ser humano queria uma explicação para o mundo, uma ordem para o caos. Ele queria, enfim, a verdade. Essa busca da verdade tornou-se cada vez mais exigente com o conhecimento que adquiria e transmitia. Ambicioso, o homem sentia uma necessidade crescente de entender e explicar de maneira clara, coerente e precisa. Essa busca do saber fez nascer a filosofia.”

que se segue:

(COTRIM. Fundamentos da filosofia: história e grandes temas. 16ª Ed., São Paulo: Saraiva, 2006 - pp.49-50.).

Assinale a alternativa que caracteriza corretamente a atitude filosófica. a) O conhecimento filosófico é uma conquista recente da humanidade: no pensamento grego antigo, filosofia e mitologia encontravam-se unidas e só vieram a se separar no século XVII, com a ciência galileana. b) A atitude filosófica caracteriza-se pela passagem do senso comum para o bom senso: enquanto o senso comum é conhecimento acrítico e fragmentário da realidade, o bom senso trata de organizá-lo criticamente em um todo coerente, o qual podemos chamar de filosofia de vida. c) A dúvida e a incerteza do pensamento caracterizam exemplarmente a atitude filosófica: “Só sei que nada sei” é, desde Sócrates, a proposição que expressa o método, por excelência, da filosofia. d) As indagações filosóficas se realizam de modo não sistemático, são perguntas sobre a capacidade e a finalidade humanas para conhecer e agir. e) A exigência de rigor, clareza e crítica é própria da atitude filosófica. Em seu exercício ordinário, a filosofia é essencialmente teórica, mas isso não significa que ela esteja à margem do real (do mundo). TÓPICO 3: Características da reflexão filosófica

MARTINS, José Salgado. Preparação à Filosofia, 1969, p. 9.

Tomando como base o conhecimento filosófico, coloque V nas afirmativas verdadeiras e F nas falsas. ( )

( )

( )

( ) ( )

A filosofia é um tipo de saber, que não diz tudo o que sabe e uma norma que não enuncia tudo aquilo que postula. O saber filosófico, portanto, é profundo, mesmo quando parece mais claro e transparente. A filosofia deve ser estudada e ensinada com base nos problemas que suscita e não apenas em virtude das respostas que proporciona a esses mesmos problemas. A filosofia se faz presente como reflexão crítica a respeito dos fundamentos do conhecimento e da ação, por isso mesmo distinta da ciência pelo modo de abordagem do seu objeto que, no caso desta, é particular e, no caso da filosofia, é universal. O percurso da filosofia é caracterizado pela exigência de clareza e de livre crítica. O conhecimento filosófico apresenta-se como a ciência dos fundamentos. Sua dimensão de profundidade e radicalidade o distingue do conhecimento científico.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. a) V - F - V - F - V b) F - V - F - V - V c) V - V - F - F - V d) V - V - V - V - V e) F - V - F - V - F TÓPICO 4: O raciocínio lógico

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07. (UPE) Que representa a Filosofia? É uma das raras possibilidades de existência criadora. Seu dever inicial é tornar as coisas mais refletidas, mais profundas (Heidegger, Martin). Nessa perspectiva, é correto afirmar que a Filosofia a) é uma atividade de crítica e de análise dos valores de uma dada sociedade, na perspectiva de reorientação dos sentidos/significados da vida e do mundo. b) começa dizendo sim às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que sabemos o que imaginávamos saber. c) não se distingue da ciência pelo modo como aborda seu objeto em todos os setores do conhecimento e da ação. d) é a impossibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o homem tem de superar a situação dada e não escolhida. e) sempre se confronta com o poder, e sua investigação fica alheia à ética e à política.

O conhecimento filosófico é, diversamente do conhecimento científico, um conhecimento crítico, no sentido de que põe sempre em problema o conhecimento obtido pelos processos da Ciência.

09. (UPE) Sempre que desenvolvemos um raciocínio, demonstrando nosso ponto de vista ou argumentamos em favor de uma causa, estamos usando a lógica. Usamos a lógica o tempo todo, mesmo sem perceber. Onde usamos nossa capacidade de pensar, usamos a lógica. (DIMENSTEIN, Gilberto. Dez lições de filosofia para um Brasil cidadão, São Paulo, 2008, p. 36.)

Sobre esse assunto, analise os itens a seguir: I. O raciocínio hipotético enuncia uma relação de implicação entre duas proposições. Ou seja, entre um antecedente e um consequente, por exemplo: Se é primavera, então há flores. II. Um raciocínio causal tem a categoria singular de exprimir a causa do acontecimento, como: “Visto que está chovendo, portanto, é chuva”.

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Capítulo 2 | A Consciência crítica e a filosofia

III. O raciocínio por analogia é aquele que conclui em virtude de uma semelhança entre os objetos sobre os quais se raciocina, por exemplo: “A estrela é um astro como o sol. O sol é luminoso. Logo, a estrela é também luminosa. IV. O paradoxo é um tipo de raciocínio que não contém uma contradição. V. A falácia é um argumento verdadeiro, com aparência de falsidade. Consiste em concluir do universal o particular.

cedente, que une dois termos a um terceiro, tira-se um consequente que une esses dois termos entre si.

12. (UECE) “Chamo de princípio de demonstração às convicções comuns das quais todos partem para demonstrar: por exemplo, que todas as coisas devem ser afirmadas ou negadas e que é impossível ser e não ser ao mesmo tempo.”

(JOLIVET, R. Curso de Filosofia, Rio de Janeiro, 1990, p. 47.)

ARISTÓTELES. Metafísica, 996b27-30.

10. (UPE) O silogismo é um argumento, pelo qual de um ante-

Observe o seguinte silogismo: Todos os gatos são vertebrados. Os siameses são gatos. Logo, os siameses são vertebrados. Ele expressa o Raciocínio a) Falacioso. b) Dedutivo. c) Comparativo. d) Indutivo. e) Impreciso.

11. (UPE) Ao usarmos as palavras lógica e lógico, estamos participando de uma tradição de pensamento, que se origina da Filosofia grega, quando a palavra logos — significando linguagem — discurso e pensamento-conhecimento — conduziu os filósofos a indagar se o logos obedecia ou não a regras, possuía ou não normas, princípios e critérios para seu uso e funcionamento.

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Todos os homens são mortais. Antonino é homem. Logo, Antonino é mortal... Está CORRETO o que se afirma em: a) I e V. b) I. c) II, III e IV. d) IV e V. e) V.

Estão CORRETOS a) I, II e V. b) II, III e IV. c) I, II e III. d) III, IV e V. e) I, IV e V.

(CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, 1996, p. 180.)

Sobre esse assunto, analise os itens a seguir: I. O evoluir da lógica, desde os gregos até aos nossos dias, obedece a uma linha ascendente, de contínuo progresso. Ou seja, no evoluir da lógica, não se percebem períodos de retrocesso e desenvolvimento. II. A lógica não examina se a estrutura das inferências é correta ou não. Ela se precupa com o conteúdo e não com a estrutura do pensamento. III. A lógica é uma disciplina filosófica, de ordem informal que faz uso exclusivamente do método indutivo. IV. A falácia é um tipo de raciocínio correto, embora tenha aparência de incorreção.

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V. O raciocínio dedutivo ou argumento dedutivo é aquele que parte de premissas gerais para uma conclusão particular. A título de exemplo, eis o silogismo:

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Em sua Metafísica, Aristóteles apresenta um conjunto de princípios lógico-metafísicos que ordenam a realidade e nosso conhecimento acerca dela. Dentre eles está o princípio de não contradição, o qual a) indica que afirmações contraditórias são lógica e metafisicamente aceitáveis, pois a contradição faz parte da realidade. b) estabelece que é possível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias. c) afirma que é impossível que as coisas que tenham tais e tais características não as tenham ao mesmo tempo sob as mesmas circunstâncias. d) é normativo, ou moral; portanto, deve ser rejeitado como antimetafísico, ou seja, não caracteriza a realidade.


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ANOTAÇÕES

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GABARITOS

GABARITOS Capítulo 1

Capítulo 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

(c) (c) (c) (c) (a) (a) (d) (b) (b) (d) (a) (a)

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01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12.

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01. 02. 03. 04. 05. 06. 07. 08. 09. 10. 11. 12.

(c) (b) (a) (c) (e) (e) (a) (d) (c) (b) (a) (c)

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