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ISSN 2178-5781

Ano XIII | 224 | Fevereiro 2014

Integração Lavoura-pecuária Satisfeitos, produtores goianos apostam na associação de plantio e criação de animais

Equoterapia Projeto do Senar Goiás começa a ser nacionalizado

Seca histórica

Prejuízos em Goiás chegam a 100% em algumas lavouras e ultrapassa 2 bilhões de reais


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Resultados


PALAVRA DO PRESIDENTE

CAMPO A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. CONSELHO EDITORIAL Bartolomeu Braz Pereira, Claudinei Rigonatto e Eurípedes Bassamurfo. Editora: Catherine Moraes (0002885/GO) Reportagem: Catherine Moraes, Gilmara Roberto e Michelle Rabelo Fotografia: Larissa Melo, Mendel Cortizo e Fredox Carvalho Revisão: Catherine Moraes Diagramação: Rowan Marketing Impressão: Gráfica Amazonas Tiragem: 12.500 Comercial: (62) 3096-2123 revistacampo@faeg.com.br DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Leonardo Ribeiro, Antônio Flávio Camilo de Lima. Vice-presidentes Institucionais: Bartolomeu Braz Pereira, Wanderley Rodrigues de Siqueira. Vice-presidentes Administrativos: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares Ribeiro de Góis. Suplentes: Flávio Augusto Negrão de Moraes, Flávio Faedo, Vanderlan Moura, Ricardo Assis Peres, Adelcir Ferreira da Silva, José Vitor Caixeta Ramo, Wagner Marchesi. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Estrogildo Ferreira dos Anjos, Eduardo de Souza Iwasse, Hélio dos Remédios dos Santos, José Carlos de Oliveira. Suplentes: Joaquim Vilela de Moraes, Dermison Ferreira da Silva, Oswaldo Augusto Curado Fleury Filho, Joaquim Saeta Filho, Henrique Marques de Almeida. Delegados Representantes: Walter Vieira de Rezende, Alécio Maróstica. Suplentes: Antônio Roque da Silva Prates Filho, Vilmar Rodrigues da Rocha. CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Alair Luiz dos Santos, Osvaldo Moreira Guimarães e Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Eleandro Borges da Silva, Bruno Heuser Higino da Costa e Tiago

Avanços tecnológicos não suprem apagão

O

início do ano de 2014 foi marcado por grandes preocupações que assolaram os produtores do Estado de Goiás. Os índices de chuva, que se mantiveram abaixo das médias esperadas para o período, ocasionaram perdas significativas na produção. Nossas estimativas indicam que os prejuízos reduzirão o total da produção em cerca de 25%, o que resulta em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de soja a menos. Os prejuízos financeiros estimados são de cerca de R$ 2 bilhões. E se os impactos são extravagantes para a economia do Estado, da porteira para dentro os problemas são ainda mais desoladores. Produtores em todo o Estado estão amargando enormes prejuízos e, em muitos casos, tendo que recorrer à renegociação de contratos e dívidas. Os que contrataram o seguro rural, sofrem com problemas nos serviços prestados pelas seguradoras, com atrasos nas vistorias de técnicos e as modalidades que só cobrem os prejuízos sobre o dinheiro investido, e não sobre a renda esperada. O modelo de seguro rural brasileiro precisa evoluir de modo a atender o produtor que, obviamente, tem um custo pelo seu trabalho e espera poder trabalhar com mais segurança financeira. Enquanto esperamos os resultados consolidados da maior seca entre os meses de dezembro e fevereiro dos últimos dez anos, colocamos nossas esperanças na safrinha. Nossa perspectiva é que, mesmo atrasada por causa da seca e o excesso de chuva nos últimas dias, a segunda safra renda mais de 5 milhões de toneladas de grãos e colabore na consolidação de nosso estado com um gigante na produção brasileira.

de Castro Raynaud de Faria. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Elson Freitas e Sandra Maria Pereira do Carmo. Suplentes: Rômulo Divino Gonzaga de Menezes, Marco Antônio do Nascimento Guerra e Sandra Alves Lemes. Conselho Consultivo: Arno Bruno Weis, Alcido Elenor Wander, Arquivaldo Bites Leão Leite, Juarez Patrício de Oliveira Júnior, José Manoel Caixeta Haun e Glauce Mônica Vilela Souza. Suplentes: Cacildo Alves da Silva, Michela Okada Chaves, Luzia Carolina de Souza, Robson Maia Geraldin, Antônio Sêneca do Nascimento e Marcelo Borges Amorim. Superintendente: Eurípedes Bassamurfo Costa FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222 Site: www.sistemafaeg.com.br E-mail: faeg@faeg.com.br Fone: (62) 3412-2700 e Fax: (62) 3412-2702 Site: www.senargo.org.br E-mail: senar@senargo.org.br Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2114 – (62) 3096-2115 – (62) 3096-2226.

José Mário Schreiner Presidente do Sistema FAEG/SENAR


Contra a Mosca Branca

18 Larissa Melo

Datas do vazio sanitário do feijão são definidas em Goiás e municípios terão que ficar sem plantar o grão durante 30 dias

Cristiano Borges

Sebastião Araújo (Embrapa Arroz e Feijão)

PAINEL CENTRAL

Prosa

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O que muda quando o produtor rural busca orientação jurídica O advogado Leandro Marmo comenta a importância da legislação no âmbito do agronegócio e de um produtor cada vez mais inteirado

Balde Cheio de bons resultados Caso de Sucesso

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Depois que mãe realizou um curso de Produção Caseira de Alimentos, Alex Praxedes sustenta a família vendendo lácteos

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Dia de Campo em Piranhas apresenta fazenda do produtor José Moreira, que conseguiu aperfeiçoar a produção do leite

Projeto otimiza resultados e reduz impactos no solo

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Capture Studios

Integração Lavoura-pecuária 14

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Larissa Melo

Falta de chuva

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Agenda Rural

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Fique Sabendo

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Delícias do Campo

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Treinamentos e cursos do Senar

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Campo Aberto

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Todo o Estado foi impactado pela falta de chuva que comprometeu 100% de algumas lavouras Foto: Larissa Melo

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Mendel Cortizo

Soja, milho e sorgo: mesmo com a volta das chuvas, produtores sofrem consequências da seca e prejuízo estimado está na casa dos 2 bilhões

Projeto nacionalizado

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Técnicos do Senar Minas conhecem Centros de Equoterapia em Goiás

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AGENDA RURAL

Data: 24 de fevereiro Hora: 8h Local: Bruxelas, Bélgica Informações: (61) 2109-1400 - CNA

18/02 a 28/03 Capacitação Agrinho 2014 Local: Vivence Hotel - Goiânia Informações: (62) 3412-2733 – Senar Goiás

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22/02 Dia de Campo – Fazenda de Precisão Hora: 8h30 Local: Fazenda Maringá – Cristalina Informações: (61) 3612- 3477 – Brava Produtos Agrícolas

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FIQUE SABENDO ARMAZÉM

REGISTRO

Mendel Cortizo

Larissa Melo

Presidente da Faeg é patrono de turma de Medicina Veterinária

Algodão em números A Associação Brasileira de Produtores de Algodão lançou o livro “A Cadeia do Algodão Brasileiro: Safra 2012/2013 – Desafios e Estratégias” com o objetivo de apresentar os números da produção da cotonicultura nos últimos dois anos. A publicação apresenta um mapeamento e quantificação da cadeia produtiva, além das perspectivas para a produção de algodão no país. O livro traz ainda inúmeros gráficos, tabelas e imagens para ilustrar os resultados da cotonicultura brasileira.

José Mario Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), participou, como patrono, da formatura da turma 2013/2 de Medicina Veterinária da Faculdade Anhanguera, em Anápolis. A graduação foi oficializada no dia 11 de fevereiro para cerca de 150 novos profissionais. José Mário parabenizou os formandos e reiterou a importância da capacitação profissional para os jovens. “Fiquei muito honrado em receber o convite e espero que cada

um destes formandos se torne um grande profissional, com força para atuar na profissão e alçar voos ainda maiores. Meus agradecimentos também à Faculdade Anhanguera. Saibam que este é apenas o início de um novo ciclo”, incentivou o presidente. O evento foi realizado no Stillus Hall, em Anápolis, e contou ainda com a presença do presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás, Benedito Dias de Oliveira Filho.

PESQUISA

Contaminação de peixes por herbicidas

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-zebra. Os resultados apontam que, juntos, os herbicidas chegam a ser quatro vezes mais tóxicos para os peixes do que quando expostos aos componentes de forma isolada. A avaliação de toxidade foi observada a partir dos níveis de mortalidade, mas também dificuldade de natação, alimentação, reprodução e fuga à predação, que podem comprometer a sobrevivência das espécies. Para evitar prejuízos ambientais, os pesquisadores alertam aos produtores a seguir as especificações

de aplicação dos produtores, incluindo dosagem e mistura, e as orientações de especialistas da área. A próxima etapa da pesquisa será verificar se os herbicidas são absorvidos pela musculatura do peixe e, consequentemente, se a ingestão da carne representa risco à saúde humana.

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Shutter

O Instituto Biológico da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (IB/APTA) realiza pesquisas para investigar os impactos da aplicação dos herbicidas ametrina e diuron em peixes. A mistura dos herbicidas é largamente utilizada para eliminar plantas daninhas de culturas como a cana-de-açucar, mesmo sendo proibida por lei. Pulverizados juntos, os herbicidas podem atingir os cursos d’água e penetrar o solo até os lençóis freáticos e, por consequência, contaminar peixes. O estudo avaliou os efeitos da mistura nos peixes tilápia e paulistinha, também conhecido como peixe-

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A

falta de chuva

Cristiano Borges

PROSA RURAL pegou muitos produtores de

surpresa e deixou outros em situação financeira delicada. A conjuntura trouxe à tona uma questão muito discutida entre juristas: a importância de um produtor – independente do porte – ser inteirado das leis que têm relação com o agronegócio e estar disposto a fazer valer seus direitos com a ajuda de um especialista na área. Para o

advogado Leandro Marmo Carneiro, uma orientação jurídica adequada faz toda a diferença na hora de colher os frutos e resolver impasses rurais. Em entrevista à Revista Campo, Marmo ratificou o valor da participação ativa por parte do produtor

Revista Campo: Você acredita que o número de produtores que está por dentro dos projetos, políticas públicas e legislação rural ainda é pequeno? Leandro Marmo Carneiro : Sim. Temos atualmente excelentes projetos e leis que visam beneficiar e fortalecer os produtores rurais, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Programa Nacional de Crédito Fundiário e resoluções do Conselho Monetário Nacional. Contudo, quanto menor a capacidade econômica do produtor, menor é seu nível de conhecimento em relação aos programas existentes e aos seus direitos.

dutor que contratou o seguro agrícola, antes do plantio, deve avisar a seguradora até 15 dias antes do início da colheita para que ela possa enviar um técnico à lavoura e elaborar um laudo dizendo se está havendo prejuízo, mensurá-lo e dizer o que está causando-o. Se o produtor não informar a seguradora antes da colheita, ela não poderá fazer a análise e poderá se negar a indenizar o produtor. Atualmente, devido a grande quantidade de pedidos em Goiás, as seguradoras não estão conseguindo atender a todos antes da colheita, portanto, o ideal é que o produtor realize o aviso por escrito.

Revista Campo: Um dos principais problemas enfrentados atualmente foi a seca, que atingiu Goiás desde o dia 15 de dezembro e prejudicou plantações e criações, devastou muitas lavouras. O que o produtor segurado precisa fazer para ser ressarcido e diminuir a perda? Leandro Marmo Carneiro : O pro-

Revista Campo: A estiagem serviu de lição para produtores goianos que optaram por não fazer o seguro rural. Quais medidas devem ser toma-

e falou sobre questões como o seguro e o crédito rural, a relação patrão/ empregado no campo e as constantes quedas de energia que prejudicam o setor agropecuário. 8 | CAMPO

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das na hora de contratar um seguro? O seguro no país é eficiente? Leandro Marmo Carneiro : O ideal é que o produtor consulte seu advogado e agrônomo. O primeiro para www.sistemafaeg.com.br


LEANDRO MARMO CARNEIRO é advogado

O valor da orientação jurídica para quem investe no agronegócio Michelle Rabelo | michelle.rabelo@faeg.com.br lhe esclarecer de forma clara quais são os direitos e obrigações em relação ao seguro e o segundo para lhe auxiliar a identificar o seguro que melhor se adeque a sua realidade. O seguro rural no Brasil necessita evoluir muito, eis que se encontra ainda em fase embrionária quando comparado, por exemplo, aos Estados Unidos, onde quase 100% das lavouras são seguradas. Revista Campo: Outro ponto que causa sempre prejuízo grande a produtores goianos são as constantes quedas de energia, cada vez mais comum não só na cidade, mas também na zona rural. Quais são os direitos dos produtores prejudicados pelos chamados apagões e como solicitar indenização? Leandro Marmo Carneiro : Nestes casos, os produtores rurais têm direito a serem indenizados pelos prejuízos decorrentes da queda de energia, que podem provocar a perda de produtos armazenados em resfriadores, morte de animais, queima de aparelhos, entre www.senargo.org.br

outros. Deve ser feito um pedido administrativo à CELG e, a partir desta data, ela tem 10 dias para realizar a vistoria e mais 15 dias para informar o resultado ao produtor. Caso a solicitação seja aprovada, a CELG tem o prazo de 20 dias para ressarcir o prejuízo ou providenciar o conserto, ou ainda substituir o aparelho danificado caso necessário. Revista Campo: Diante dos prejuízos – causados ainda por pragas e doenças - alguns produtores não conseguiram pagar os empréstimos feitos para impulsionar os negócios. As instituições financeiras podem prorrogar os prazos dos pagamentos? Como o produtor deve proceder? Leandro Marmo Carneiro : Segundo o Manual do Crédito Rural, editado pelo Conselho Monetário Nacional, todas as instituições financeiras que liberam financiamentos para operações de crédito rural são obrigadas a prorrogar as datas de pagamentos desses empréstimos se o

produtor realizar pedido administrativo ao Banco, através da sua agência, e comprovar que teve perdas expressivas em sua produtividade. Sendo autorizada a prorrogação, deverão ser mantidos os mesmos encargos financeiros, como as taxas de juros. Revista Campo: Como funciona a liberação de garantias reais, quando excessivas, nas operações de crédito rural? Leandro Marmo Carneiro : É direito dos produtores rurais com empréstimos em instituições financeiras pedir a revisão de garantias e a redução quando excessivas. O caso mais comum que temos é de produtores rurais com dívidas alongadas pelo PESA e securitizadas, em que grande parte da dívida já foi paga, o imóvel dado em hipoteca valorizou e possui valor muito maior que a dívida, mas o produtor não consegue o cancelamento ou redução da hipoteca porque existem inúmeras parcelas da dívida a serem pagas, que levaram ainda anos para serem quitadas. Fevereiro / 2014 CAMPO

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MERCADO E PRODUTO

Estabilidade dos preços do milho estimula plantio da segunda safra Pedro Arantes | pedro@faeg.com.br

Larissa Melo

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Pedro Arantes é consultor técnico do Senar Goiás

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o longo de 2013, o mercado interno do milho apresentou uma grande instabilidade de preços. Fatores como o baixo nível inicial dos estoques pressionaram os preços para cima, que voltaram a cair expressivamente com o início da colheita da grande safra do segundo plantio. Já no segundo semestre, os preços voltam a subir diante dos riscos de perda da safra nos Estados Unidos. No Brasil e em Goiás, o início da colheita da segunda safra de milho apresentou uma produção aproximadamente 21% maior que a primeira. Isso provocou um recuo nos preços a níveis abaixo do mínimo de garantia do Governo, que é de R$ 17,43 o saco de 60 kg, no final de junho e início de julho. Nesse momento, por solicitação da Faeg, tiveram início leilões de bonificação de preço pelo Governo. Foram realizados três leilões, sendo que os dois primeiros apresentaram baixo nível de interesse. A partir daí, os preços foram recuperados impulsionados por três fatores: as perdas na safra de milho dos Estados Unidos, que não foram muito acentuadas, mas influíram nos preços externos; o nível de capitalização do produtor rural brasileiro, que não pressionou o mercado com muita oferta; e o volume de exportação do país. O mercado contabilizava uma exportação em torno de 17 milhões de toneladas, o que resultaria num estoque de passagem de aproximadamente 16 milhões de toneladas no final da safra e pressão baixista de preços. Porém, o milho alcançou a sétima posição no valor total das exportações brasileiras graças às mudanças no câmbio, ao apoio do

governo com os leilões de bônus, à melhora na demanda externa (tanto que, só no mês de novembro, foram embarcadas 3,9 milhões de toneladas de milho), e ao acumulado no ano, que chegou a 26,6 milhões de toneladas, batendo um novo recorde de exportação. Apesar de um pequeno acréscimo no valor final da safra, que atingiu 81 milhões de toneladas, a expressiva exportação levou o estoque final a cair para 9,2 milhões de toneladas, que representa cerca de 16% do consumo, volume baste equilibrado para não pressionar os preços para abaixo da média histórica. Embora Goiás tenha diminuído o volume exportado em comparação ao ano anterior, o Estado não vem sofrendo pressão de oferta de MT, que foi o campeão de exportação, tanto pelo apoio do Governo Federal, com os leilões de bônus, como por compra direta das trades. Diante destas condições, desde o mês de agosto, o mercado de milho em Goiás apresentou condições positivas de preços – embora não muito acentuados –, saindo do mínimo de garantia do Governo, como na primeira quinzena de julho, para uma média, no mês de janeiro, de R$21,00 o saco de 60kg. A partir de então, os preços apresentaram uma tendência de estabilidade, mesmo considerando que o primeiro mês do ano é o de menor nível de consumo interno. Este nível de preço é estimulador para o plantio da segunda safra, que já se tornou a principal safra de milho do país. Vale observar que neste inicio de fevereiro as condições climáticas não estão favorecendo o plantio da segunda safra. www.sistemafaeg.com.br


AÇÃO SINDICAL CABECEIRAS

CRISTALINA

Sindicato Rural de Cristalina

Sindicato Rural de Cabeceiras

Nova sede dos Correios

Leite: produção caseira de alimentos

O presidente do Sindicato Rural de Cabeceiras, Arno Weis, e o diretor tesoureiro da entidade, Joaquim Cardoso, participaram da inauguração da nova sede da agência dos Correios do município no dia 11 de fevereiro. O evento também contou com a presença do diretor regional dos Correios, Antônio Tomas, o gerente do Banco do Brasil de Formosa, José de Oliveira Beltrão, e o vice-prefeito de Cabeceiras, Joaquim Machado, entre outras autoridades municipais.

Entre os dias 5 e 7 de fevereiro, o Sindicato Rural de Cristalina realizou o Treinamento de Produção Caseira de Alimentos/Leite no Assentamento Buriti das Gamelas, em parceira com o Senar Goiás. O curso foi realizado com número máximo de participantes e já há pré-inscritos em fila de espera para uma próxima turma. O diretor do sindicato, Daniel Sabino, compareceu ao encerramento da ação e destacou a importância da qualificação profissional para o produtor rural.

ITUMBIARA

LUZIÂNIA Sindicato Rural de Luziânia

Sindicato Rural de Itumbiara

Café com o Presidente

Certificação

No dia 17 de janeiro, o Sindicato Rural de Luziânia realizou a entrega de certificados de cursos do Senar Goiás realizado em Cidade Ocidental. Na ocasião, Jorge Meireles, vice-presidente da Central de Associações de Pequenos Produtores Rurais de Luziânia, foi homenageado pelo sindicato. Participaram da cerimônia a prefeita de Cidade Ocidental, Gisele Araújo e outras autoridades municipais. Foram realizados os Cursos de Administração Rural, Artesanato/Tramas, Trançados, Olericultura Básica e Orgânica, Manejo Racional de Bovinos de Corte para cerca de 100 participantes. 12 | CAMPO

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A cada 15 dias, o Sindicato Rural de Itumbiara realiza o “Café com o Presidente”. O projeto foi implantado pela nova diretoria, empossada em 5 de novembro e presidida por Rogério Santana de Araújo. O objetivo dos encontros é aproximar o produtor rural do sindicato. “Queremos que o sindicato seja a extensão da casa do produtor, um local em que ele se sinta à vontade para discutir suas necessidades, trocar experiências e opinar sobre as futuras ações da diretoria”. O encontro conta com o apoio de empresas parceiras do sindicato.

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Sindicato Rural de Aporé

APORÉ

Nova diretoria Desde o início de janeiro, o Sindicato Rural de Aporé conta com nova diretoria presidida por Edil Yuiti Morissugui. A cerimônia de posse reuniu cerca de 60 pessoas no Auditório da Câmara Municipal de Vereadores do município. O gerente sindical da Faeg, Antelmo Teixeira Alves, compareceu ao evento representando o presidente da federação, José Mário Schreiner. Na ocasião, Morissugui, que foi reeleito, apresentou o relatório de atividades da última gestão. Entre os projetos desenvolvidos estão 90 cursos em parceria com o Senar Goiás e uma ação do Programa Campo Saúde, onde foram realizados cerca de 5.500 mil atendimentos de saúde e cidadania.

ANÁPOLIS

Equoterapia

SERRANÓPOLIS

Sindicato Rural de Serranópolis

Sindicato Rural de Anápolis

Posse

Sindicato Rural de Anápolis

No dia 11 de fevereiro, o Sindicato Rural de Anápolis realizou um café da manhã para parceiros e praticantes do Programa Equoterapia Carolina Ribeiro. O evento, realizado no parque de exposições da cidade, marcou o início dos trabalhos do programa no ano de 2014. Na ocasião, foram realizadas demonstrações práticas da equoterapia a autoridades do sindicato e do município.

NOTA DE FALECIMENTO A Federação de Agricultura e Pecuária (Faeg) comunica com pesar o falecimento do diretor financeiro do Sindicato Rural de Piranhas, Wilmar Justino Duarte. Ele faleceu, aos 60 anos, na tarde do último dia 27 de fevereiro. Muito estimado pelos que o conheciam, Wilmar foi velado em casa e enterrado no cemitério da cidade. Antes, comunidades sindical, agropecuária e comerciária, além de amigos e familiares, participaram de uma missa na Matriz Santo Antônio.

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Em janeiro, José Alves de Carvalho Neto (Netinho) tomou posse da presidência do Sindicato Rural de Serranópolis ao lado na nova diretoria, que ficará à frente da entidade até janeiro de 2017. Antelmo Teixeira Alves representou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, na cerimônia que reuniu ainda o prefeito da cidade, Sidney Pinheiro, o presidente dos sindicatos rurais de Caçu, Elson Feitas, entre outras autoridades. Entre os projetos da nova diretoria para esta administração estão a conclusão das obras do Parque de Exposições Agropecuárias e a realização de programas especiais da Faeg e do Senar Goiás.

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Divulgação/Irriplan

INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA Integração regenera o solo, reduz a pressão pelo desmatamento e os riscos de contaminação da água.

Mais para o produtor, mais para o Meio Ambiente Produtores associam produção de grãos à produção de carne e leite, otimizam resultados e reduzem impactos no solo Gilmara Roberto | gilmara.moreira@faeg.com.br

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nicialmente utilizada como alternativa para a rotação de culturas, a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem figurado como importante técnica de produção sustentável do campo. No Centro-Oeste, o sistema substitui o cultivo de espécies como milho, soja, milheto e sorgo, pelas pastagens para criação de gado para recuperar áreas de produção de grãos. A integração tem se apresentado como um sistema que não só otimiza a produção, como melhora as condições do solo, reduz a pressão pelo desmatamento e os riscos de contaminação da água. O modelo é utilizado por produ-

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tores individuais ou em associação entre pecuaristas e agricultores. A utilização do sistema ILP começou a ser implantada no Centro-Oeste na década de 1990, quando produtores buscaram no manejo de gado uma opção rentável e segura para a rotação de culturas. No sistema ILP, se a produção de grãos sofresse algum tipo de baixa, a produção do gado poder garantir uma condição mais confortável ao produtor, e vice-versa. Para o caso de, por exemplo, um produtor de soja optar por inserir o gado em área recém utilizada pela cultura, ela aproveita os resíduos de

adubações da lavoura no plantio da braquiária. Além disso, a forragem abundante melhora a qualidade da pastagem, o que acarreta na aceleração do ganho de peso do gado – que é bom mesmo em época de seca. Essas técnicas reduzem os custos da implantação da nova pastagem e aumentam a lucratividade da carne. Enquanto ocupa a área no período da entressafra, o gado elimina ervas daninhas do solo e deposita matéria orgânica na terra. Isso gera benefícios químicos e físicos para fertilidade e estrutura do solo e reduz a necessidade da aplicação de insumos ou agrowww.sistemafaeg.com.br


mos a 2,4 animais no mesmo espaço. Além disso, o gado apresentou ganho médio de 600 gramas por cabeça ao dia”, explica ao diretor comercial e técnico da Irriplan, Marcelo Braoios.

do uso de agrotóxicos. Num contexto socioambiental, a integração reduz a pressão pelo desmatamento na medida em que aumenta a produtividade agrícola e pecuária por território.

Ganhos ambientais O plantio direto de grãos na palha é uma das técnicas mais indicadas para implantação de lavoura após a retirada do gado ou da colheita da primeira safra, que ocupou o solo na entressafra no sistema de Integração Lavoura-Pecuária. Após a secagem do capim, tem início o plantio do grão. O método controla a erosão, uma vez que diminui os impactos do escorrimento superficial de água e favorece a infiltração. Isso, por sua vez, reduz o assoreamento de córregos e rios e aumenta o volume de água dos lençóis freáticos. Entre outros benefícios causados ao meio ambiente pela ILP, está ainda a diminuição dos risco de contaminação das águas por causa da redução

Tecnologias Especialistas alertam que é imprescindível orientação técnica e uso da tecnologia adequada para implantação do sistema. “Não há restrição de tamanho de propriedade para implantação da IPL, mas é preciso que os produtores busquem orientações, especialmente se não possuir experiência numa das atividades”, alerta Jordana Sara, consultora técnica do Senar Goiás para a área de Meio Ambiente. Sara esclarece que, por ser um sistema novo, é preciso ser implantado com o acompanhamento de um profissional que irá orientar o produtor quanto ao preparo do solo e à época do manejo do gado e do plantio da cultura, por exemplo.

Antes

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Depois Divulgação/Irriplan

tóxicos o que, consequentemente, reduz custos. Além disso, as pastagens reciclam os nutrientes e produzem palhas que podem ser utilizadas no plantio direto de grãos. Em São Miguel do Araguaia, a Irriplan Comércio de Produtos Agropecuários realiza o segundo ciclo da integração da soja com o gado de corte em unidade demonstrativa do sistema. Na Fazenda São Dimas, onde a área estava degradada pela pastagem e uma cabeça de gado necessitava de dois hectares para criação, a produção triplicou. “Do equivalente a meia cabeça de gado por hectare, passa-

Unidade demonstrativa usou a soja para recuperar área degradada por pastagem e triplicou capacidade de produção

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Esquema de representação do Sistema de Integração Lavoura e Pecuária que utiliza o plantio da safra de soja e safrinha de milho

3 2. Colheita de soja e Plantio de milho

3. Colheita de milho e Plantio de braquiária

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PLANTIO

DIRETO

4. Pastagem do gado

1. Plantio da soja na palha da pastagem

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Vantagens da Integração Lavoura-Pecuária Benefícios para a produção: • Aumento do ganho de peso do gado, mesmo em época de seca • Eliminação de plantas daninhas para a lavoura, pelo gado • Deposição de matéria orgânica no solo • Aumento da oferta de grãos, carne e leite a custos menores Benefícios Ambientais: • Redução da incidência de erosões • Melhora da permeabilidade do solo, o que reduz o assoreamento de cursos d’água • Diminuição da pressão pelo desmatamento • Redução da aplicação de defensivos, o que diminui os riscos de contaminação de águas e solo • Aproveitamento do solo o ano todo, sem riscos de degradação Benefícios para o produtor: • Diminuição dos custos de implantação da pastagem • Redução dos gastos com insumos • Estabilidade da renda

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Integração Lavoura-Pecuária-Floresta aumenta ganhos em até 10x sistema em sua propriedade no município de Cachoeira Dourada. Ele explica que plantou soja e eucalipto simultaneamente numa área degradada. No ano seguinte, colheu os grãos e plantou milho e capim, para posterior pastagem de gado de corte. “A lavoura custeou quase integralmente os gastos com a implantação do sistema. Agora, já consigo produzir mais arrobas por hectare”, comemora. Além de oferecer vantagens à criação de gado, os sistema ILPF tem atendido à crescente demanda por energia sustentável por meio do plantio e comercialização de madeira para fins de carvão e lenha. “A madeira é o que tem viabilizado a pecuária de corte, porque há muito mercado para o eucalipto”, ilustra Abílio Pacheco.

Plano ABC

Larissa Melo

Além de integrar a produção da lavoura com a pecuária, alguns produtores têm associado a produção florestal às outras duas atividades. Na Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), é possível associar sistemas produtivos de grãos, fibras, leite, carne a agroenergia. De acordo com estudo da Fundação Banco do Brasil e Fundação Casa do Cerrado, enquanto é possível manter, no máximo, uma cabeça de gado por hectare na criação extensiva, é possível manter de duas a três cabeças de gado por hectare no sistema ILPF. Enquanto o produtor ganha de R$ 150 a R$ 250 por hectare ao ano na criação do gado solto, no sistema de integração, o ganho pode ser de R$ 1.500 a R$ 2.500 por hectare ao ano. Abílio Pacheco implantou o

A sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta é um dos componentes do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) desenvolvido pelo Governo Federal para reduzir os índices de emissão de gases de efeito estufa (GEE). O projeto é uma política pública que detalha as ações do setor agropecuário em resposta às mudanças no clima mundial. O Plano ABC indica ainda como o país pretende cumprir o compromisso de redução da emissão de GEE assumidos na 15ª Conferência das Partes, realizada em Copenhague, na Dinamarca, no ano de 2009. O plano foi estruturado em sete programas: Recuperação de Pastagens Degradadas; Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs); Sistema Plantio Direto (SPD); Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN); Florestas Plantadas; Tratamento de Dejetos Animais; e Adaptação às Mudanças Climáticas. O projeto foi criado em 2011 e estima a redução entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases projetadas para 2020, o que representa o equivalente a 1 bilhão de toneladas de gás carbônico a menos na atmosfera.


Sebastião Araújo/Embrapa Arroz e Feijão

FITOSSANIDADE

Produtores definem proposta de datas para o vazio sanitário do feijão em Goiás Proposta deve ser regulamentada já para próxima safra de verão Michelle Rabelo | michelle.rabelo@faeg.com.br

Lavouras de feijão foram prejudicadas com a praga Mosca Branca (Bemisia tabaci), vetor do vírus do Mosaico Dourado

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Vazio sanitário A necessidade da instituição do

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nalmente ficará sem plantar o grão entre 20 de setembro a 20 de outubro – não haverá grande impacto, já que os produtores não costumam ter feijão no campo nesta época. Dentro desse cenário, ele destaca que o mais importante é que reuniões entre produtores, Sindicatos Rurais, Faeg, Embrapa e outros órgãos responsáveis, sejam realizadas após o Vazio para que se mensure o impacto e se aponte os ajustes necessários.

Mendel Cortizo

Vazio Sanitário em Goiás – ele já existe em Minas Gerais e no Distrito Federal – surgiu depois que muitos produtores, mesmo fazendo uso de defensivos agrícolas, tiveram problemas com o Vírus do Mosaico Dourado. Segundo o consultor técnico do Senar Goiás para área de cereais, fibras e oleaginosas, Cristiano Palavro, o cenário tem se agravado muito nas últimas safras, sendo que os métodos de controle do vetor não têm conseguido segurar o problema. “Como temos três safras de feijão em todo o estado, a safra de verão, a safrinha e a safra irrigada, não temos um intervalo nos cultivos, o que garante inóculo da doença durante todo o ano, o que aumenta a incidência dos problemas com o vírus”, explica Palavro.

Flavio teve sua plantação de feijão 100% comprometida

Prejuízos A praga vem inviabilizando muitas lavouras de feijão no estado. Em uma plantação infestada pelo inseto contaminado pelo vírus, as perdas podem chegar a 100%, evidenciando o alto potencial de dano que a praga pode causar. O produtor de Paraúna, Flávio Augusto, confirma este quadro. No ano passado a sua lavoura de feijão plantada entre junho e outubro – uma área de 100 hectares – foi 100% comprometida e este ano o produtor decidiu não plantar o grão. Para ele, a instituição do Vazio é necessária já que trabalhar com a cultura de feijão estava inviável. A propriedade de Flávio tem 260 hectares de área irrigada, espaço que agora será totalmente destinado para o cultivo de soja, milho e sorgo. Flávio conta que os grandes embates foram entre os produtores de feijão irrigado e sequeiro, e todos precisaram ceder um pouco. Para a região de Paraúna – que excepcio-

Mendel Cortizo

E

ntre 5 e 20 de outubro, produtores de feijão terão que se intercalar na plantação do grão em Goiás. A decisão, que ainda precisa de uma martelada final, foi tomada, em conjunto, por agricultores e técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e diz respeito ao chamado Vazio Sanitário da variedade no estado, necessário diante dos prejuízos causados pela praga Mosca Branca (Bemisia tabaci), transmissora do Vírus do Mosaico Dourado na cultura do feijão. O período do Vazio foi definido depois de muitos encontros, durante os quais produtores tentaram entrar em acordo quanto ao melhor intervalo, no qual nenhuma planta viva de feijão pode ser localizada na propriedade. Foram ouvidos agricultores, técnicos, pesquisadores da Embrapa e representantes das principais regiões produtoras do grão em Goiás. O próximo passo é enviar as datas, juntamente com um laudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para os órgãos responsáveis, para que as datas sejam instituídas por uma Instrução Normativa. Pensando nas diferentes realidades de produção dentro do estado e para que o cultivo não fosse completamente paralisado por 30 dias – o que comprometeria a saúde financeira estatal - Goiás foi regionalizado, sendo que os produtores do Norte e Nordeste, além daqueles cujas propriedades ficam nos municípios da Estrada de Ferro, Entorno do Distrito Federal e Vale do Araguaia, terão que respeitar o vazio de 20 de setembro a 20 de outubro. Já os produtores do Sudoeste, Sul e Sudeste de Goiás não poderão plantar feijão entre 5 de setembro e 5 de outubro.

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AVANÇO COM QUALIFICAÇÃO

Dia de Campo visita fazenda leiteira em Piranhas Produtor, José Moreira, integra Programa Balde Cheio desde 2012 Michelle Rabelo | michelle.rabelo@faeg.com.br

Larissa Melo

O

destino do 4º Dia de Campo – Goiás Mais Leite, que acontece no próximo dia 22 de março, será a cidade de Piranhas. A equipe de técnicos e instrutores do Senar Goiás chega ao município goiano, a partir das 8 horas, para apresentar o trabalho do produtor José Moreira, integrante do Programa Balde Cheio desde 2012. Ele é proprietário de uma unidade demonstrativa do programa e conta que hoje produz 30 litros a mais em dez hectares a menos.

Segundo ele, a principal estratégia apresentada pelos instrutores e colocada em prática por ele foi modificar a alimentação dos animais. Antes, as vacas do produtor comiam apenas ração, que foi substituída por pasto e resultou em economia para José. Ele responsabiliza o Balde Cheio pelo crescimento de seu negócio e explica que a capacitação oferecida pelo programa fez com que ele otimizasse a produção do leite, além de ganhar ânimo para planejar novos voos.

Programação A 4ª edição do Dia de Campo – Goiás Mais Leite será dividida entre a visita a propriedade de José e palestras, abertas para todos os produtores presentes. Durante as apresentações será exibido um balanço com o antes e o depois do programa, os índices zootécnicos, econômicos e financeiros da unidade demonstrativa e a estratégia de alimentação utilizada na propriedade de José Moreira. Atualmente o programa Balde Cheio tem 40 grupos em andamento, sendo 500 produtores assistidos por 40 técnicos. Para participar, o produtor deve procurar o Sindicato Rural do seu município.

José Moreira, integrante do Programa Balde Cheio, comemora bons resultados

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PROGRAMA SÓLIDOS NO LEITE Minerais orgânicos Tortuga + serviços = melhor qualidade do leite, portanto, maior lucro!

Qualidade do leite O uso de minerais orgânicos é uma ferramenta para controle da contagem de células somáticas. A literatura científica relata efeito de minerais como o selênio na redução da contagem de células somáticas. Nesse sentido, foi realizado na USP – Pirassununga um trabalho para demonstrar os benefícios dos minerais orgânicos.

Efeito do zinco, cobre e selênio na contagem de células somáticas Parâmetros de saúde da glândula mamária

Fontes de zinco, cobre e selênio Inorgânico Orgânico

P**

Novos casos de infecção - Mastite subclínica

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Vacas com mais de 200.000 células/ml

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CCS* média (x1000)/ml

CCS* - Contagem de Células Somáticas ** Análise estatística realizada pelo teste do qui-quadrado. Fonte: Cortinhas (2009).

Serviços Além da tecnologia Tortuga, a empresa conta com corpo técnico de profissionais altamente qualificados e treinados, equipados com instrumentos de apoio para avaliação do teor de fibra da dieta, avaliação de matéria seca, avaliação de subprodutos e formulação de dietas a partir da composição dos alimentos. Além do monitoramento da qualidade do leite e contagem de células somáticas. Os profissionais da Tortuga estão capacitados para treinamento técnico da equipe da fazenda e de prestadores de serviço.

E o resultado é o maior lucro para a sua produção.

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FALTA DE CHUVA Produtor Ricardo possui área segurada, mas afirma que perda chega a 25% da área

Seca histórica causa perda bilionária Com menor índice pluviométrico dos últimos 13 anos, mês de janeiro deixou prejuízo estimado em 2 bilhões Karina Ribeiro Especial para Revista campo | revistacampo@faeg.com.br

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imprensa do Banco do Brasil e até o prazo máximo para fechamento da revista, não obteve resposta. “Os produtores estão sofrendo por diversos motivos: seguradoras não conseguem atender nossas chamadas por telefone, faltam peritos para avaliar os danos e, em Goiás apenas 27% da soja é segurada. A renegociação de dívidas junto ao banco, por exemplo, impacta diretamente no limite de crédito e os produtores não podem ter esse limite agravado. Precisamos analisar caso a caso e a Faeg fará isso junto ao Banco do Brasil. Nossa sugestão é que os municípios que tenham maior perda como Quirinópolis decretem estado de emergência”, pontuou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner. A orientação do vice-presidente institucional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Bartolomeu Braz é para que produtores busquem apoio nos sindicatos que atendem cada região já que a quantidade de pedidos de sinistro é considerada histórica. Isso porque afirma que os técnicos das seguradoras estão demorando a comparecer ao local do sinistro, Mendel Cortizo

Larissa Melo

H

á exatamente uma década, São Pedro não pregava uma peça tão desastrosa aos produtores rurais do Estado de Goiás. O veranico que assolou algumas áreas produtoras em dezembro e janeiro, somado ao longo período de seca que atingiu praticamente todo o Estado em fevereiro, promete ficar marcado na memória. Há quem afirma não se lembrar de tamanho prejuízo causado, exclusivamente, pelo fenômeno climático. Os números demonstram que a quebra da safra pode atingir 25%, o que corresponde a R$ 2 bilhões. Destes, estima-se que somente R$ 400 mil estejam segurado. Como se não bastassem esses tormentos pontuais, os produtores estão precisando articular para que as seguradoras realizem atendimentos dentro de um prazo considerado ideal, para que os danos não aumentem ainda mais. Embora somente 27% da área de soja seja segurada, produtores reclamam que as seguradoras não conseguem atender as chamadas ao telefone (especialmente do Banco do Brasil) e ainda faltam peritos para avaliar os danos no Estado de Goiás. A reportagem da Revista Campo entrou em contato com a assessoria de

Presidente José Mário Schreiner afirma que Faeg irá auxiliar produtores em negociações

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o que pode prejudicar ainda mais a situação. “Tem áreas que estão sendo deixadas de lado, porque o técnico demora a ir. Estamos observando ineficiência e despreparo das seguradoras”, afirma. Ele orienta aos produtores fazerem contato com as seguradoras por meio de mensagens e e-mails com o intuito de deixar tudo documentado e, assim, o produtor possa se resguardar juridicamente. Bartolomeu explica anda que, caso o técnico não visite a propriedade dentro do prazo de 15 dias, o ideal é que o produtor contrate três consultorias que façam uma avaliação técnica do local. Fotos e filmagens também podem ser utilizadas como ferramentas de precaução. “Ele deve fazer tudo o que possa resguardá-lo futuramente”, diz Bartolomeu.

Seguro necessário O produtor de soja de Quirinópolis, Ricardo Valdivino Azevedo, conhecido como Guaiaca, calcula que perdeu aproximadamente 25% da produção em função da falta de chuvas. Entretanto, acredita que terá a conta fechada somente quando acabar de colher os 270 hectares destinados à oleaginosa. Ele afirma que a área é segurada e explica que a metodologia empregada daqui para frente será sempre essa. “O tempo está muito complicado. Não tem como mais o produtor não ter mais essa medida preventiva”, explica. Prova disso, diz, é que nunca tinha assistido parte da lavoura de cana-de-açúcar perder em função de altas temperaturas e sol escaldante. Quirinópolis, um dos principais produtores de cana de Goiás, foi uma das regiões mais atingidas com a seca deste ano e solicitou,

inclusive, Estado de Emergência. Ricardo conta que, em função das altas temperaturas, a pouca chuva que caia não fixava no solo. Como a área foi utilizada pela primeira vez para a produção de soja, conta que a estimativa inicial de colheita era de 45 sacas por hectare. “Tudo indica que vamos colher 10 sacas a menos que o esperado”, ressalta. Ele afirma que havia vendido muito pouco da produção e que toda a sua área está segurada. “Alivia um pouco, porque se não fosse o seguro ficaria inadimplente, venderia algum patrimônio ou teria que buscar recursos na instituição bancária”, completa. Em fevereiro, participou de uma espécie de treinamento na região para aprender lidar com futuras renegociações de dívidas, seguro de lavoura e acionamento do sinistro.

O vice-presidente da Faeg explica que é essencial contratar seguro agrícola, mas critica o modelo atual disponível no mercado. “Hoje precisamos de um seguro da produção”, afirma. Ele explica que o seguro atende 80% do custeio, sem falar em investimentos e adversidades, por exemplo. “Desse percentual só pode ser financiado de 50% a 70%, isso é menos de 40% do total do custeio. É lógico que o produtor é obrigado a fazer, mas é insuficiente, só vai amenizar o problema da seca”, explica. Embora o Governo Federal faça a subvenção de 50% do seguro agrícola, ele lembra que governos dos Estados do Paraná e de São Paulo entenderam a necessidade de segurar o produtor e estão subsidiando outros 25% do seguro. “Isso é um investimento do próprio Estado e é um exemplo a ser seguido. Vamos trabalhar para isso”, diz. Outro problema observado diz respeito à possível limitação do crédito ao produtor rural. Com perdas consideráveis, a tendência é de que muitos produtores rurais busquem renegociação das dívidas junto às instituições financeiras. Na prática, isso resulta em diminuição de limite de crédito.

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Seguro de produção seria o ideal

Fredox Carvalho

Seguro de produção seria o ideal

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doeste do Estado, maior produtora A quebra da safra de grãos no Quebra de safra não foi uniforme

de Goiás. “Existe produtor que vai colher 60 sacas enquanto outros, na mesma região, vão colher 40 sacas”, exemplifica. Neste primeiro veranico, a estimativa inicial era de que a produção iria cair até 10%. Depois dessa crise, o clima deu uma guinada, com chuvas caindo de forma satisfatória durante a segunda quinzena de janeiro. Mas fevereiro demonstrou que o fenômeno poderia ser ainda pior. Algumas regiões ficaram até 25 dias sem que uma

Fredox Carvalho

Estado de Goiás está longe de ser uniforme. Enquanto existem regiões em que a perda foi de apenas 5%, há produtores que sofrem com a perda de quase totalidade da lavoura. Para entender, basta imaginar as regiões produtoras como uma colcha de retalhos – considerando cada pedaço de tecido da colcha uma gleba de terra, atingida mais ou menos pelo fenômeno climático. Segundo o analista de mercado da Faeg, Pedro Arantes, isso ocorreu porque existiram dois períodos críticos. A primeira foi um veranico que começou no fim de dezembro, alongando até a primeira quinzena de janeiro. Fenômeno natural nessa época do ano, ele possui características melindrosas: chove em alguns pontos de uma região, enquanto outras, muito próximas, não são agraciadas com as precipitações. Isso foi confeccionando espécies de ‘manchas’ nos solos, especialmente na Região Su-

única gota de chuva caísse sobre o solo. Há produtores que afirmam que nunca tinham visto nada parecido, já que, em fevereiro, tradicionalmente, é um dos meses que mais chove no Centro-Oeste. Arantes argumenta que as regiões que foram atingidas tanto pelo primeiro veranico quanto pelo segundo veranico, foram as que apresentaram maior perda. “Produtor que estava esperando colher 50 sacas por hectare, está colhendo apenas 30%”, diz. O produtor Thyago Henrique Neves da Silva, explica que, em 18 anos de atividade, nunca viu tanta seca. Ele diz que a previsão inicial era fechar a produtividade em 55 sacas em cada um dos 2,3 mil hectares. “Agora estamos torcendo para fechar em 42 hectares”, diz. Particularmente, diz, não terá que renegociar dívidas em função de uma outra renda extraída da propriedade. Mas sabe que essa não é a realidade da maioria dos produtores.

Thyago Neves afirma que, em 18 anos de atividade, nunca viu tanta seca

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O presidente do Sindicato Rural de Quirinópolis, Cacildo Alves, afirma que a situação das lavouras do município é degradante. A seca que assolou a região foi responsável pela perda de 30% da produção de cana-de-açúcar, 50% de soja e a mesma quantidade da produção de milho. Em função disso, o município decretou situação de emergência. Itumbiara a perda foi da produção de soja foi de até 40% e 30% cana-de-açúcar. Em Santa Helena de Goiás, Sudoeste do Estado, a perda gira em torno de 25%. Cacildo explica que a seca atingiu também o gado de corte. “Não engordou com a falta de chuva. O capim madurou”, afirma. Em sua propriedade, diz, foi obrigado a tomar uma medida emergencial. Ele ‘abriu’ os pastos e misturou os animais. “Fêmea, macho, bezerro, ficou tudo junto. Eu não tinha condições de puxar água”, afirma. Ele afirma que essa medida é uma alternativa para gastar menos e que só vai conseguir equilibrar o manejo em torno de 90 dias. Janeiro atípico Uma sucessão de imprevisibilidaPARAÚNA

Perda de 25% da produção de grãos

Presidente do Sindicato de Quirinópolis mostra relatório de índice pluviométrico, bem abaixo da média

de explica tamanho prejuízo. Em reunião ocorrida em fevereiro na Faeg, a superintendente de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Sectec), Rosidalva Lopes, explicou que em 13 anos de monitoramento do clima em Goiás, nunca houve um mês de janeiro tão atípico. As precipitações ficaram 50% abaixo da previsão. A preocupação se estendeu para fevereiro. No segundo mês do ano a previsão é de chover 250 mm, mas a previsão foi de variação de 10mm a 70mm. “A situação em março não deve melhorar muito”, disse, na ocasião, Rosidalva Lopes.

Larissa Melo

Situação é degradante inclusive para gado de corte

Safrinha Ela é a esperança de muitos produtores rurais. Mesmo com a janela um pouco mais curta, em função da seca, a segunda safra, onde predomina o milho nas lavouras, pode levantar recursos para os produtores que sofreram perdas significativas. A expectativa é de que sejam plantadas 820 mil hectares este ano, o que equivale a 5,2 milhões de toneladas de grãos. Mas, para isso, é necessário que chova regularmente nos meses de março e abril, embora a previsão é de que as chuvas continuem abaixo da média. BELA VISTA

Prejuízo de 25% na produção de grãos

CRISTALINA VALE DO ARAGUAIA

Prejuízo de 10% na produção de grãos

CAIAPÔNIA

Prejuízo de 10% na safra de grãos

JATAÍ

Perda de 20% na safra de grãos

RIO VERDE

Média de 30% de prejuízo, acentuado por conta das pragas como a lagarta, a acnose e a ferrugem asiática

QUIRINÓPOLIS

Perda de 50% da safra de grãos. O município decretou Estado de Emergência

Plantio antecipado diminuiu a gravidade da situação. Quem deixou para plantar mais tarde, as perdas chegaram a 10% e 15%

PIRACANJUBA

Média de perda de 20%, principalmente de pasto para criação da pecuária leiteira

MORRINHOS

Prejuízo de 15% na safra de grãos

GOIATUBA

A perda variou de 30 a 40% dos 55 mil hectares plantados

ITUMBIARA

Perda de 40% da safra de soja, 30% da cana de açucar, 50% da pastagem

EDÉIA

Prejuízo de 30% na produção de grãos

SANTA HELENA

Perda de 25% na safra de grãos

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EQUOTERAPIA

Os passos da reabilitação Instituído há três anos, o Programa Equoterapia do Senar Goiás inicia 2014 como modelo para outros estados brasileiros Gilmara Roberto | gilmara.moreira@faeg.com.br

Mendel Cortizo

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uando a altura do cavalo já não provoca o medo da queda, é porque o cuidado do bicho já levou o cavaleiro ou cavaleira a galopes não imaginados. Pelas pistas dos primeiros passos e movimentos livres, a equoterapia conduz crianças e adultos ao pódio da autonomia e da inclusão. De tempo em tempo, o passo e trote do cavalo ensinam pessoas com necessidades especiais ou com deficiência a recuperar movimentos e a descobrir, de forma interdisciplinar, um novo modo de se relacionar com o mundo. O medo de altura da jovem Geovana de Meira, de 5 anos, foi o cavalo Pão de Queijo que espantou. A menina sofreu problemas no parto, que levaram à falta de oxigenação no cérebro. Com encefalopatia crônica, grupo de sintomas que

refletem danos em áreas do cérebros responsáveis pelo controle motor, Geovana parou de cair desde que começou a praticar equoterapia. A menina, que hoje caminha e se comunica com mais acerto graças ao tratamento, se sustenta melhor ao trocar as passadas. “Antes ela caia muito e era mais calada. Hoje já tem o corpo mais firme para caminhar e a fala também melhorou”, ilustra a mãe de Geovana, Suzana Natal de Meira. Geovana realiza o tratamento com cavalos por meio do Programa Equotetaria, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Goiás, desenvolvido em parceria com o Sindicato Rural (SR) de Rio Verde. Na unidade, a menina e outras 120 pessoas recebem o atendimento fruto do trabalho de dez cavalos e dez profissionais, entre fisioterapeutas, fonoaudiólogas, psicóloga e educadores físicos, além de equitadores e montadores. Associados a esses especialistas, 36 equipes profissionais

espalhadas em 34 municípios goianos, tornaram o Programa Equoterapia do Senar Goiás exemplo a ser levados para outros estados do país. Em 2014, o programa passou a integrar a cartilha de programas da Administração Central do Senar e, desde então, o Senar Goiás vem transferido a técnicos de todo o país as experiências com o Programa. Para o presidente do Conselho Administrativo do Senar Goiás, José Mário Schreiner, o reconhecimento do Senar Central e a visita de técnicos de outros estados é resultado dos esforços das equipes que se empenham pela melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. “Firmamos parcerias em todo o estado para oferecer inclusão e reabilitação para quem já enfrenta muitas dificuldades na vida. Também é nosso papel, como representantes dos produtores rurais, fazer com que as atividades do campo promovam saúde e bem estar”, declara.

Geovana Meira pratica a equoterapia desde os três anos 28 | CAMPO

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Pancoti, viu na prática uma forma de melhorar a socialização do filho, além de suas habilidades motoras e suas técnicas de equitação. Um centro de equoterapia foi montado na área onde já funcionava um viveiro da família para atender ao jovem. Depois do aprendizado, Igor se tornou instrutor do centro e auxilia na reabilitação de outros jovens e crianças. “Montei pela primeira vez aos cinco anos”, comenta Igor. A Vila Ipê conta com três fisioterapeutas, além de tratadores e equitadores. Em fevereiro, o Senar Goiás capacitou 13 novos profissionais, que devem ampliar a capacidade de atendimento do centro para cerca de 50 pessoas. “É encorajador ver a união de pessoas que viveram em casa as dificuldades da inclusão das pessoas com Síndrome de Down e que realizam esse trabalho com tanta alegria”, declarou Elaine Martins, presidente da associação mineira e mãe do jovem Arthur Gabriel Martins, de 14 anos, também portador da síndrome.

Igor Pancoti foi praticante de equoterapia e hoje trabalha como monitor do programa

Programa Equoterapia do Senar Goiás

Mendel Cortizo

Hidrolândia Além de Luiz Romilson, a comitiva de técnicos mineiros contou ainda com a participação do coordenador de promoção social do Senar Minas, José Belas, da presidente da Associação Despertar Vidas, de Betim/MG, Elaine Martins, e das fisioterapeutas da associação Karla Azevedo Costa e Engridy Lemos, profissionais que buscam parcerias para executar o projeto de equoterapia em Minas. O grupo visitou também a Vila Igor Pancoti Equoterapia (Ipê), em Hidrolândia, onde os esforços de uma família pela inclusão do filho portador de Síndrome de Down rendem, atualmente, atendimentos em equoterapia para outros 15 praticantes. Ao conhecer a equoterapia, a mãe de Igor Pancoti, Mara Sueli

Equipe técnica do Senar Minas Gerais visitou centros de equoterapia nos municípios de Rio Verde, Piracanjuba, Hidrolândia, Bela Vista e Anápolis

Rio Verde A equipe do SR de Rio Verde, que já atendeu mais de 800 pessoas na equoterapia, foi a primeira a receber, em 2014, uma comitiva de outro estado para apresentar os resultados do Programa Equoterapia. Em fevereiro, técnicos e parceiros do Senar Minas Gerais estiveram na unidade e puderam aprender desde trâmites burocráticos até práticas sobre o cavalo realizadas em Rio Verde. “Em Minas, esse trabalho é realizado apenas em clínicas particulares. Pretendemos aprender com a experiência de Goiás e capacitar profissionais para atuar em pelo menos 10% dos municípios do estado, o que representa 85 cidades”, informou o coordenador de formação profissional rural do Senar Minas, Luiz Ronilson Araújo Paiva. O grupo visitou ainda os municípios Hidrolândia, Piracanjuba, Anápolis e Bela Vista.

O Senar Goiás desenvolve, desde 2011, o Programa Equoterapia, que já levou atendimento gratuito a 400 praticantes em 34 municípios do estado. Em 2014, o programa passou a integrar a cartilha de projetos da Administração Central do Senar e, a partir daí, serve de modelo de implantação para outros estados brasileiros. O Programa Equoterapia é realizado em parceria com os sindicatos rurais e outros parceiros municipais. Podem participar deficientes físicos, pessoas com necessidades especiais, além de vítimas de traumas físicos e de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) indicados por um médico.


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Piracanjuba Para a realização de trabalhos que envolvem atividades pedagógicas e exercícios motores para o desenvolvimento biopsicossocial da pessoa com deficiência, a equoterapia precisa de profissionais preparados e em constante atualização sobre as técnicas dessa prática relativamente nova. Além da dedicação dos especialistas, o Senar Goiás conta com inúmeros parceiros espalhados pelo o estado que tornam possível levar o Programa Equoterapia a mais de 400 praticantes. No SR de Piracanjuba, onde é realizado o Projeto Cavalo do Bem, a comitiva mineira pode observar como a entidade, que fundou a Associação de Equoterapia para executar o programa, conseguiu seus maiores parceiros. “A associação surgiu para facilitar a doação de verbas de comerciantes e cooperativas ao programa. Além disso, solicitamos à câmara de vereadores a criação de um projeto de lei que permitiu ao município ceder uma psicóloga e um fisioterapeuta para as atividades”, explicou o presidente do SR de Piracanjuba, Eduardo de Sousa Iwasse. A coordenadora do Programa de Equoterapia do Senar Goiás, Fátima Araújo, que acompanhou todas as visitas da comitiva mineira, destacou ainda a importância do cuidado postural dos profissionais que trabalham com o tratamento. “A montaria compartilhada pode ser melhor para o profissional e também para o praticante, mas muitas vezes não é adequada ao animal, já que o peso fica mal distribuído”, alerta. Rotinas de atendimento adequadas às capacidades físicas dos equitadores, psicólogos e fisioterapeutas, que realizam atividades do programa durante até mais de quatro horas, foram outras orientações discutidas pela coordenadora no SR de Piracanjuba.

Anápolis O envolvimento de uma família em busca de transformar a realidade de uma criança também foi determinante para a implantação do Programa Equoterapia pelo Sindicato Rural de Anápolis. Em 2012, a mobilizadora do sindicato, Nerci Ribeiro, recebeu na família a sobrinha Caroline Ribeiro, portadora de Síndrome de Down. Por conhecer a equoterapia, ela acreditou que a prática ajudaria a criança no desenvolvimento das habilidades de coordenação motora, fala e socialização, e iniciou a mobilização pelo projeto no sindicato. Dois anos depois de o bebê, que sofreu complicações cardíacas, deixar a família, o Programa Equoterapia do SR de Anápolis já transforma a vida de outros pais e crianças no município. Ana Laura Chagas, de 9 anos, iniciou os atendimentos em dezembro de 2013. A mãe da menina, Soraya Andrade Chagas, contou que ela já mostra afetividade pelo cavalo, o que é um grande ganho para o autista. “Ela não apresentou nenhuma resistência ao animal. O tratamento ainda é recente, mas já observamos que ela tem vontade de tocar o cavalo e até o abraça”, comentou.

Soraya e Ana Laura Chagas: “Ela já mostra afetividade pelo animal, o que é um grande ganho para o autista”, comenta a mãe.

Principais benefícios da Equoterapia Trabalha a coordenação motora

3

Exercita o equilíbrio

1 Corrige a postura

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Além disso, a equoterapia: • Estimula a fala • Trabalha a autoconfiança e a autoestima • Proporciona a desenvolvimento de novas formas de socialização

2 Exercita a musculatura

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O que é a Equoterapia?

É um tipo de terapia onde o cavalo promove ganhos físicos e psíquicos de pessoas com deficiência ou com necessidades especiais. Por meio de uma abordagem interdisciplinar em saúde, educação e equitação, as atividades promovem o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, consciência corporal e aperfeiçoamento do equilíbrio e da coordenação motora. A equoterapia é desenvolvida por equipe profissional qualificada composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e equitadores. As sessões duram, em média, 30 minutos e são realizadas individualmente. O tempo de tratamento varia de acordo com as necessidades de cada paciente.

Bela Vista Durante a visita a Goiás, os técnicos de Minas Gerais puderam observar ainda a importância do planejamento para que o Programa Equoterapia se instituia de maneira estruturada. Em Bela Vista de Goiás, onde o programa ainda está em fase de implantação, a equipe multidisciplinar de técnicos do Sindicato Rural e outras instituições parceiras apresentou o planejamento orçamentário e de recursos humanos e materiais para a execução do projeto nas fases iniciais. “Ao oferecer a equoterapia,

muitas vezes oferecemos um sonho às pessoas. Para não destruir esse sonho posteriormente, precisamos estruturar bem o programa, que depende de pessoas e não só de recursos financeiros”, declarou Reinaldo Gomes de Araújo, idealizador e coordenador do Programa de Equoterapia em Bela Vista e presidente da Associação Pestalozzi do município. O coordenador de promoção social do Senar Minas, José Belas, avaliou positivamente a dedicação da equipe de Bela Vista à estruturação

do projeto de equoterapia, antes de ser iniciado. “A forma como eles se dedicaram ao planejamento é muito interessante. O modelo de Bela Vista serve de exemplo para que possamos enxergar a importância de planejar bem as ações para evitar problemas e correções”, destacou o coordenador, que elogiou ainda: “Nossa avaliação da experiência de Goiás é extremamente positiva. Levaremos muito do que vimos aqui para avaliar a implantação do projeto em Minas”.

Fredox Carvalho

Parceria com Casa de Eurípedes promove inclusão O Senar Goiás estuda firmar parceria com a Casa de Eurípedes, instituição hospitalar e educacional filantrópica, para a realização do Programa Equoterapia no tratamento de pacientes com transtornos mentais e na inclusão de dependentes químicos em tratamento. Na instituição, a terapia atende 45 pessoas e é desenvolvida com dois objetivos: profissionalizar dependentes químicos em reabilitação e promover a qualidade de vida de pessoas com deficiência. Pacientes da instituição com transtornos mentais participam da equoterapia como praticantes. Já os pacientes em tratamento contra o consumo de drogas contribuem com a prática como equitadores ou guia de cavalos. Com a parceria com o Senar Goiás, o objetivo é aumentar o número de profissionais capacitado e, consequentemente, o número de atendimentos, que deve ser estendido à comunidade. www.senargo.org.br

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Larissa Melo

DELÍCIAS DO CAMPO

Conserva de pimenta INGREDIENTES: 500 gramas de pimenta malagueta, cumari ou da preferência 1 litro de água 350 gramas de sal CONSERVA: 750 ml de vinagre de álcool (com grau de acidez de, no mínimo, 4%) 200 ml de água fervida 2 colheres de sopa de sal MODO DE PREPARO: 1. Prepare uma salmoura misturando 1 litro de água a 350 gramas de sal. 2. Deposite as pimentas numa tigela grande juntamente com a salmoura. Coloque um prato dentro da tigela, sobre os frutos, para evitar que flutuem e deixe as pimentas de molho na salmoura por oito horas.

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Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200.

3. Retire as pimentas da salmoura e enxague-as em água corrente. Seque-as levemente e retire o excesso de água em torno dos frutos com um pano de algodão bem limpo. 4. Com o auxílio de um palito ou um garfo, faça pequenas perfurações ou fendas em torno das pimentas. Se preferir, é possível fatiá-las ou cortá-las ao meio. 5. Prepare a conserva: Misture os 200 ml de água quente às 2 colheres de sopa de sal. Acrescente o vinagre quando a mistura esfriar para evitar que o calor remova ou reduza a acidez do produto. Podem sem adicionados temperos da preferência, como folhas de louro, sementes de mostarda, etc. 6. Distribua as pimentas em um ou mais frascos de vidro esterilizados. Coloque as pimentas até que fiquem a aproximadamente 2 centímetros do topo do frasco.

Receita elaborada pelo tecnólogo em gastronomia e instrutor do Senar, Cristiano Ferreira da Silveira.

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7. Preencha os frasco com a mistura de vinagre, enchendo até a 1 centímetro do topo do frasco. Aguarde por alguns minutos para que as bolhas de ar, que normalmente se formam no interior do recipiente, vazem. Feche o recipiente muito bem e conserve em local fresco e protegido da luz. Fevereiro / 2014 CAMPO

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CASO DE SUCESSO

Vivendo dos lácteos, pequeno produtor desenha novos caminhos

Larissa Melo

Gercídia fez um curso no Senar Goiás e passou o aprendizado ao filho, que hoje sustenta a família com o negócio Michelle Rabelo | michelle.rabelo@faeg.com.br

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ada de vender o leite, direto do campo, por um baixo valor e comprar seus derivados na cidade gastando muito. Depois de participar de um curso promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Goiás (Senar Goiás), Gercídia Gomes dos Santos Alex Praxedes apostou nos lácteos e mudouaprendeu como e o que fazer para ter a de vida depois que a mãe fez o curso de mesa repleta de lácteos caseiros e ainda Produção Caseira de Alimentos/Leite complementar a renda familiar. Atualmente é ainda mais que isso, deixou de ser complemento e se tornou sustento da família do filho de Gercídia, Alex Praxedes dos Santos.

Para ter acesso ao treinamento no município de Inhumas, procure o Sindicato Rural pelo número: (62) 3511-1143. 34 | CAMPO

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Mãe e filho são mais um caso de sucesso do Senar Goiás. Primeiro Gercídia fez o curso de Produção Caseira de Alimentos/Leite, promovido em parceria com o Sindicato Rural de Inhumas. A intenção era produzir em casa o que ela comprava na cidade. Mas da conclusão do curso à mudança de vida foi um passo. A dona de casa começou a utilizar a sobra do leite que o marido retirava da criação de gado leiteiro para produzir e vender queijo tipo mussarela. Em seguida foi a vez de o filho Alex ajudar a mãe. Recém-casado na época, Alex diz ter entrado de cabeça no negócio e conta, emocionado, que tudo o que possui hoje é fruto da iniciativa da mãe. O que era uma ideia para economizar nas compras do mês se transformou em um negócio e mãe e filho montaram a empresa IDL Alimentos.

de leite por dia para produzir os lácteos. Tudo graças ao curso do Senar Goiás. Curso Segundo a zootecnista e instrutora do Senar Goiás no curso de Produção Caseira de Alimentos/Leite, Fernanda Paula Parreira, o curso tem duração de três dias durante os quais são ensinadas aos participantes 16 receitas que incluem as tradicionais e algumas alternativas como o reaproveitamento do soro do leite, por exemplo. “Os cursos geralmente acontecem nas próprias fazendas que já possuem um local específico para a produção dos lácteos”, pontua Fernanda. Ela acrescente ainda que cada turma é composta por cerca de 14 pessoas. Para participar, a pessoa tem que ter algum vínculo com um produtor rural, mais de 18 anos e ser alfabetizado. A procura é grande e só em 2013 foram ministrados cerca de 37 cursos em Inhumas e região. Larissa Melo

Caminhada longa Alex conta que no princípio ele e a

mãe fabricavam o queijo, embalavam o produto de maneira improvisada e vendiam na cidade de Inhumas. Como a procura cresceu, eles se especializaram. Segundo ele, a mãe não conseguiu se adaptar às normas da Vigilância Sanitária, que passou a fiscalizar os produtos de maneira cada vez mais rígida. Hoje em dia o negócio é tocado apenas pelo filho, que explica que o curso do Senar Goiás foi uma espécie de semente que Gercídia plantou e que hoje colhe os frutos. “O produtor que quiser evoluir tem que buscar aprendizado. Isso vale para qualquer ramo de atividade. Eu falo em especial sobre o mercado dos lácteos que têm altos e baixos. A gente tem que estar preparado para enfrentar o que vier, porém com muito conhecimento”, pontua. Atualmente a empresa fabrica queijos tipo mussarela – em pedaço e ralado - e minas, além de iogurte, bebida láctea e o próprio leite. Alex utiliza 13 mil litros

Alex e Gercídia são mais um dos casos de sucesso do Senar Goiás

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CURSOS E TREINAMENTOS

Bordando a vida e cultura goiana Fátima Araújo | fatima@senar-go.com.br

EM NOVEMBRO, O SENAR PROMOVEU

95 CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL* 11 Na área de agricultura

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Em atividade Na área de Na área de de apoio silvicultura agroindústria agrossilvipastoril

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Na área de aquicultura

Na área de pecuária

Na área de extrativismo

Em atividades relativas à prestação de serviços

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Fátima Araújo | fatima@senar-go.com.br

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ordado. Da pré-história aos tempos atuais, esta arte está presente na vida das sociedades do planeta Terra. Nas cavernas, ao emendar cada pedaço de pele de animais para confecção de suas roupas, o homem primitivo já ensaiava os pontos que muito mais tarde seriam chamados de bordados. De lá para cá, alguns pontos foram alterados e outros foram criados, mas a ideia inicial permanece: compor vestimentas, indumentárias, ornamentos, adereços e peças de cama, mesa e banho, dentre outras tantas possibilidades. Entre seus 140 cursos, o Senar Goiás disponibiliza também os da área de bordados. São eles Bordados e Flores de Tecido, Bordado Aplicação de Tecido, Falso Crivo e Ponto Reto, Bordado de Fita e Bordado Ponto Cruz e Vagonite. Em 2014, o Senar inova ao desenvolver

um curso de bordados com pedrarias nas capas e vestimentas de cavalos e cavaleiros das cavalhadas goianas. O curso piloto será realizado em Corumbá de Goiás, município referência na manifestação folclórica no Estado. O treinamento busca proporcionar uma nova experiência a partir do conhecimento da cultura local. Com isto, efetiva-se a contribuição do Senar Goiás em manter viva a tradição milenar das cavalhadas e dos bordados.

Fátima Araújo é pedagoga, artista plástica e coordenadores de ações e projetos do Senar Goiás

Para mais informações sobre treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar Goiás entre em contato pelo telefone (62) 3412-2700 ou pelo site www.senargo.org.br *Cursos promovidos entre os dias 26 de dezembro a 25 de janeiro

18 CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL* 6 Alimentação e nutrição

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1 Organização comunitária

0 Saúde e alimentação

2 Prevenção de acidentes

9 Artesanato

0 Educação para consumo

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PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

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CAMPO ABERTO

Cadastro Ambiental Rural: segurança jurídica aos produtores Jordana Sara | jordana.sara@faeg

Mendel Cortizo

C

Jordana Sara é engenheira agrônoma e consultora técnica do Senar Goiás para a área

riado como instrumento no Novo Código Florestal Federal e Estadual, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) já está em funcionamento. Ainda em modo off-line, o cadastro já está disponibilizado ao produtor rural e garante benefícios como segurança jurídica, suspensão de sanções e multas (conforme época que as mesmas foram aplicadas) e apoio técnico. Tendo em vista a grande importância do cadastramento como um primeiro passo para as regularizações ambientais das propriedades com passivos, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) estão alertando e cobrando que o governo implemente, de forma ágil o CAR em modo on-line. Obrigatório para todos os 5,2 milhões de imóveis rurais existentes hoje no Brasil, o CAR é um documento declaratório sobre a situação ambiental da área, semelhante à declaração de imposto de renda. As informações prestadas são de responsabilidade do declarante. O registro eletrônico é de abrangência nacional e obrigatório para todas as propriedades rurais. O objetivo é formar um banco de dados para controlar, monitorar, auxiliar no planejamento ambiental e econômico e principalmente combater o desmatamento ilegal. Todas as áreas de preservação permanente (APP) e re-

serva legal (RL) deverão ser registradas e uma vez feita a inscrição da reserva legal no CAR, o proprietário ou possuidor rural fica desobrigado de qualquer averbação no Cartório de Registro de Imóveis. A partir de 2017, por exemplo, o instrumento irá garantir acesso ao crédito. Isto porque, será cobrado o cadastro para que a verba seja liberada. O principal benefício, entretanto, não só aos produtores, mas ao país, é a regularização ambiental. As propriedades rurais que apresentam passivo ambiental poderão aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA), assim que inscritos. Com o módulo “off-line”, é possível cadastrar os dados, mas não é permitido imprimir o recibo de entrega, documento que comprova a adesão. Apesar disso, esse procedimento inicial gera um arquivo que depois pode ser migrado para o módulo “on-line”. Não existindo passivo ambiental o produtor já imprime a certidão. Caso exista passivo, as propriedades rurais dependerão da posterior avaliação por parte da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). É importante ressaltar que a omissão, a apresentação de informações total ou parcialmente falsas, enganosas ou incompletas sujeitam o declarante às sanções penais e administrativas, sem prejuízo de outras previstas na legislação.

de Meio Ambiente

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Sistema Certificado


Instituiçþes financeiras

Emissora Oficial


2014 02 fevereiro