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CAMPO

ISSN 2178-5481

Ano XII, nº 187, Goiás, janeiro/2011

9912263550 - DR/GO

futuro

Diretoria eleita do Sistema Faeg/Senar assume a Casa com o compromisso de fortalecer a união do setor rural e torná-lo mais participativo nas decisões políticas do Estado

Gripe bovina

Desafios de governar

Incidência aumenta com as chuvas. Produtores apostam na prevenção contra prejuízos

Série de matérias apresenta desafios que nossos novos governantes precisam enfrentar. Na primeira reportagem, os temas que devem CAMPO | 1 | AGOSTO/2010 entrar na pauta do governador eleito

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Gestão para o

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A revista Campo é editada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás e Senar Goiás


Durante todo o ano de 2010, o Sistema FAEG/SENAR esteve ao seu lado trabalhando pelo fomento da agropecuária em Goiás. Nossas conquistas durante esse período foram importantes, mas sabemos que podemos conquistar muito mais. Por isso, em 2011, nosso compromisso é o de reforçar os programas e ações para o desenvolvimento sustentável da agropecuária goiana. É tempo de plantar nossas boas sementes para vermos germinar novas e importantes conquistas.

Em 2011, plante boas sementes para obter grandes resultados

Contato Comercial: (62) 3096-2200 | (62) 3096-2226 | (62) 3096-2220 | comercial@faeg.com.br


PALAVRA DO PRESIDENTE

Orgulho e sonhos A missão de dirigir a Faeg e o Senar Goiás é uma das mais nobres de toda a minha vida, bem como, da vida dos companheiros que me acompanham nesta diretoria. É um momento com grande significado para cada um de nós e representa nosso orgulho e nossos sonhos. Sou agropecuarista de berço e de vocação e tenho imenso orgulho de ser produtor rural. Os produtores rurais de nosso Estado, e porque não dizer de todo Brasil, ajudaram a construir a história de nosso País. Fomos fundamentais para a urbanização, industrialização e para a estabilidade econômica do Brasil. Posso afirmar que tenho o sonho de ver o setor agropecuário forte, mobilizado, respeitado, bem representado perante as instâncias públicas e privadas, sustentável social e economicamente. Sonho com uma política agrícola justa que motive os produtores a buscarem a eficiência. Porém, para transformar os sonhos em realidade, é preciso remover alguns obstáculos que prejudicam o desenvolvimento, como as deficiências em infraestrutura e logísticas. O setor precisa de um seguro de renda adequado, de pesquisa agropecuária estruturada, de uma rede de assessoramento técnico capaz de auxiliar na exploração do potencial que o setor apresenta. É preciso eliminar a pobreza e os vazios sociais no campo, com educação, saúde, saneamento e a capacitação profissional. Somos conscientes de que precisamos avançar mais e mais. Só com união e muito trabalho esse sonho será realizado.

ALEXANDRE CERQUEIRA

José Mário Schreiner | Presidente do sistema Faeg/senar

CAMPO Conselho editorial: Bartolomeu Braz Pereira; Claudinei Rigonatto; Eurípedes Bassamurfo e Francila Calica Editor: Francila Calica (01996/GO) Reportagem:Alessandra Goiaz (GO 01772 JP); Karine Rodrigues (01585/GO) Fotografia: Carlos Costa (GO 00014 RF); João Faria (157 V) e André Costa Revisão: Cleiber Di Ribeiro (2227/GO) Diagramação: Fábio Salazar (722/04/GO) Impressão: Gráfica Talento Tiragem: 12.500 Comercial: Sandro Cardeal; Meire Almeida (62) 3096-2200 | (62) 3096-2226 | (62) 30962220 | comercial@faeg.com.br

A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados.Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores. DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis; José Manoel Caixeta Haun. Diretores-Secretários: Bartolomeu Braz Pereira, Estrogildo Ferreira dos Anjos. Diretores-Tesoureiros: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares. Suplentes:Wanderley Rodrigues de Siqueira, Flávio Faedo, Daniel Klüppel Carrara, Justino Felício Perius, Antônio Anselmo de Freitas, Arthur Barros Filhos, Osvaldo Moreira Guimarães. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Vilmar Rodrigues da Rocha, Antônio Roque da Silva Prates Filho, César Savini Neto, Leonardo Ribeiro. Suplentes: Arno Bruno Weis, Pedro da Conceição Gontijo Santos, Margareth Alves Irineu Luciano, Wagner Marchesi, Jânio Erasmo Vicente. Delegados representantes: Alécio Maróstica, Dirceu Cortez. Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira, Walter Vieira de Rezende.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Elias D’Ângelo Borges, Osvaldo Moreira Guimarães, Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Alair Luiz dos Santos, Elias Mourão Junior, Joaquim Saêta Filho. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Edmar Duarte Vilela, Sandra Pereira Faria do Carmo. Suplentes: Henrique Marques de Almeida, Wanessa Parreira Carvalho Serafim, Antônio Borges Moreira. Conselho Consultivo: Bairon Pereira Araújo, Maria José Del Peloso, Welton José Luiz de Oliveira, Luiz Becker Karst, Sônia Maria Domingos Fernandes. Suplentes: Theldo Emrich, Carlos Magri Ferreira, Valdivino Vieira da Silva, Carlos Eduardo da Silva Lima, Glauce Mônica Vilela Souza. Superintendente: Antônio Flávio Camilo de Lima

Você pode acessar a revista CAMPO pela internet. Basta clicar no site www.faeg.com.br. As edições anteriores também estão disponíveis no site

FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222 Site: www.faeg.com.br E-mail: faeg@faeg.com.br Fone: (62) 3545-2600- Fax: (62) 3545-2601 Site: www.senargo.org.br E-mail: senar@senargo.org.br Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2208 - (62) 3096-2248.


PAINEL CENTRAL

AGENDA RURAL

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FIQUE SABENDO

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CARTÃO PRODUTOR

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CURSOS E TREINAMENTOS .40

JOÃO FARIA

PROSA

Alysson Paolinelli fala sobre inovação e apoia iniciativa de criação do Instituto Inovar PÁGINA 8

MERCADO E PRODUTO

Commodities em alta especulativa criam cenário histórico PÁGINA 10

Agrinho 2010 Programa encerra o ano com mais de 250 mil alunos envolvidos. Grande ganhadora da edição 2010 do concurso é de Piracanjuba PÁGINA 12

Nova gestão Fachada da sede administativa do Sistema Faeg/Senar, em Goiânia. Foto produzida por Fábio Salazar.

Diretoria eleita do Sistema Faeg/Senar apresenta desafios e expectativas para o próximo triênio PÁGINA 22

DESAFIOS DE Na primeira matéria da série, os desafios do próximo governador para o setor rural GOVERNAR

PÁGINA 28


CRISTIANO FERREIRA

DELÍCIAS DO CAMPO

Salada com toque Português agrega Bacalhau e castanhas ao molho pesto PÁGINA 37

GRIPE NO REBANHO

Período chuvoso aumenta incidência de doenças respiratórias em bovinos PÁGINA 32

Treinamento do Senar traz mais eficiência, economia e agilidade à construção de cercas PÁGINA 20

FERNANDO LEITE

Cerca econômica e segura

Arte da

DOMA Produtor muda forma de lidar com animais após treinamento de doma racional de equinos ANDRÉ COSTA

PÁGINA 38

CAMPO ABERTO O ano da recuperação e o ano das expectativas

PÁGINA 42


AGENDA RURAL

MARCUS VINICIUS

Eventos agendados no ano de 2011 MARÇO 21 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Rubiataba, às 9 horas.

ABRIL 05 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Orizona, às 9 horas.

22 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Itaberaí, às 9 horas.

06 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Bela Vista, às 9 horas.

23 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Piranhas, às 9 horas.

07 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Morrinhos, às 9 horas.

25 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Cabeceiras, às 9 horas.

08 Seminário Regional de Pecuária de Leite. Quirinópolis, às 9 horas.

24 e 25 Congresso Sindical. Goiânia, Oliveira’s Place, às 8 horas.

AGOSTO 10 e 11 Bienal do Agronegócio. Goiânia, Centro de

Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufaiçal, da Universidade Federal de Goiás (UFG), 8 horas. OUTUBRO 06 XIV Seminário de Pecuária de Leite de Goiás. Goiânia, Oliveira’s Place, às 8 horas. 31 Final das inscrições do 3º Prêmio Faeg/Senar de Jornalismo. Goiânia, sede do Sistema Faeg/Senar.

> COMO PARTICIPAR:

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Aos interessados em participar dos eventos, recomendamos confirmar as informações com os organizadores.


FIQUE SABENDO

PESQUISA

REPRODUÇÃO

Projeto e Manejo de Irrigação de Pastagens Edição: Embrapa Pecuária Sudeste

Aprovadas variedades de milho e algodão transgênicos A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou em dezembro, a liberação do plantio comercial de duas variedades de milho transgênico, além de ter dado autorização para cultivo comercial de um algodão geneticamente modificado. A CTNBio deu aval para um milho transgênico desenvolvido pela Monsanto em parceria com a Dow AgroSciences que combina a resistência de vários genes,

incluindo o da tolerância a insetos e aos herbicidas glifosato e glufosinato. A comissão liberou também o plantio do milho desenvolvido pela Monsanto (MON 88017) resistente a larvas de raiz e tolerante ao herbicida glifosato. Um algodão desenvolvido pela Bayer, tolerante ao glifosato, também foi aprovado na mesma ocasião. O GlyTol permite o uso seletivo de herbicida à base de glifosato para o controle das plantas invasoras, que comprometem a qualidade de pluma e produtividade da lavoura. A estimativa é de que o algodão seja lançado no mercado na safra 2012/2013.

REGISTRO

CARLOS COSTA

O livro Projeto e Manejo de Irrigação de Pastagens, lançado pela Embrapa Pecuária Sudeste, abrange todas as etapas da irrigação de pastagens. Além do manejo, o livro apresenta análises e recomendações sobre relações água – solo – planta – atmosfera, princípios básicos de hidráulica aplicada à irrigação, elaboração de projetos de irrigação por aspersão e análise econômica do custo total de irrigação. O trabalho é dirigido a produtores e, especialmente, aos profissionais de extensão rural, empenhados em orientar pecuaristas no manejo de irrigação. Com 104 páginas com fotos e ilustrações demonstrativas, o lançamento do livro faz parte das comemorações dos 35 anos da Embrapa Pecuária Sudeste e pode ser adquirido por meio do site www.cppse.embrapa.br; sac@cppse.embrapa.br ou pelo telefone (16) 3411-5600.

ARQUIVO AGOPA

ARMAZÉM

O Conselho Estadual de Meio Ambiente de Goiás (Cemam) aprovou uma resolução que incentiva, simplifica e desonera a exploração comercial de florestas exóticas como eucaliptos. O projeto é de autoria da Faeg, que há anos solicita aos órgãos competentes mudanças na legislação da silvicultura. A partir da publicação, não será necessário licenciamento ambiental, autorização e registro para corte, transporte e comercialização de espécies exóticas, como eucaliptos, pinus, teca, em todo o Estado de Goiás. Serão dispensadas a CAMPO |

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retirada de Documento de Origem Florestal (DOF) junto ao Ibama, a apresentação do mapa digital, mapa impresso da propriedade dentre outros documentos antes exigidos. Após a publicação da resolução, para cortar o eucalipto, o produtor terá que preencher apenas um comunicado no órgão ambiental competente e retirar a nota fiscal na Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). Embora os produtores estejam liberados dessas obrigações, a Semarh poderá em qualquer momento realizar vistorias técnicas nas áreas de plantio.


PROSA RURAL

Alysson Paolinelli Consultor e Ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento CARLOS COSTA

É preciso inovar

ALESSANDRA GOIAZ alessandra@faeg.com.br

Em um período cujo desenvolvimento do setor agropecuário é constante, a inovação na pesquisa e na extensão rural é imprescindível. Em entrevista exclusiva à Campo, o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, comenta a importância de o Brasil deter o maior conhecimento em agricultura tropical do mundo e como o Instituto Inovar, lançado em novembro pelo Sistema Faeg/Senar e parceiros, pode contribuir para a difusão da informação. Paolinelli explica também como o Instituto pode contribuir para o crescimento do setor rural e quais os desafios que encontrará. O senhor foi um dos responsáveis pela criação e fundação da Embrapa. Como vê a transição da pesquisa daquela época para agora? Hoje, nós temos um potencial muito maior. Para se ter uma ideia, na época da fundação da Embrapa, na década de 1970, eram 12 escolas de Agronomia e

nove de Veterinária. Hoje, há mais de 350 escolas de Agronomia e mais de 500 de Veterinária. Nós detemos o maior conhecimento em agricultura tropical. Um potencial fabuloso que não pode ser jogado fora. Enquanto o mundo inteiro está atrás de tecnologia tropical, nós somos detentores desta CAMPO |

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tecnologia. Porém, o homem não a está utilizando. Acho isto um crime. Então, como fazer para aumentar este potencial? Criando inovações como estão fazendo em Goiás com o Instituto Inovar. É uma iniciativa que deve ser apoiada, pois servirá de exemplo para outros Estados brasileiros.


Quais os caminhos que o Instituto deve percorrer? Mobilização. Mobilizar todas as capacidades, as forças políticas, econômicas e institucionais. A universidade deve estar nisso, a Embrapa também. Na minha opinião, a chance de dar certo é muito grande. Em que ponto o senhor acha que a pesquisa e a extensão rural devem melhorar? O Brasil pecou negando recursos para o setor de ciências e tecnologia. Temos a Embrapa e um potencial que o mundo inteiro quer ter, mas deve haver racionalidade em seu uso e na forma de como tirar dele o melhor proveito. A mobilização das instituições também é fundamental, ninguém pode ficar de fora, todos têm que participar, inclusive os produtores, que são os maiores interessados. Se o produtor nos diz: “Olha, vocês estão criando coisas que eu não serei capaz de usar”. Paramos para pensar: “Faltou extensão?” Então, vamos investir em extensão. Hoje, a empresa rural lança mão de extensão promovida

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O Brasil pecou negando recursos para o setor de ciências e tecnologia. Temos um potencial que o mundo inteiro quer ter, mas deve haver racionalidade em seu uso

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O Instituto Inovar pretende oferecer o ideal de inovação ao setor agropecuário. Como o senhor vê esta iniciativa? Acho fundamental, porque se não tiver inovação você perde a competitividade. A ciência hoje está montada em um jato. Quando começamos a ciência estava montada em um burrinho. O País tem que usar a capacidade geradora de conhecimento e fomentá-la para que seja utilizada da melhor forma. Isto é a inovação. A iniciativa privada já faz isto, mas o pequeno produtor não tem condição de acessá-la. Por isso a importância da extensão rural. É precisorecompor o sistema nacional de pesquisas por objetivos, por projetos, por produtos. Por exemplo, se em Jataí há muita chuva, vamos colocar todo o mundo para buscar soluções. Se no município há duas safras, deve haver uma variedade de soja mais precoce, com mais produtividade, um milho mais resistente. Se você cria estas inovações, o produtor não vai deixar de usá-las.

pela iniciativa privada, mas o pequeno produtor não tem essa mesma condição. Se não levar o bolo pronto, ele vai demorar demais para desenvolver a receita. E os desafios que a pesquisa e a extensão rural enfrentam? Isto é permanente. O mundo está dentro de um carrossel com uma velocidade muito maior. Quando nós começamos a pesquisar a soja no Brasil, a produção era de 200 mil toneladas, um terço do que é produzido hoje em Jataí, por exemplo. A soja que existia naquela época era da China e precisava de sol 16 horas por dia, pois caso contrário não produzia. Então eles começaram as CAMPO |

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pesquisas lentamente. Hoje, com a engenharia genética, a evolução é muito maior. É outra ciência. Precisamos acompanhar esta evolução. Devemos ter gente para dar continuidade, pois se pararmos vamos perder a capacidade competitiva; e a nossa é tão grande que o mundo lá fora está assustado. Os países estão aumentando subsídios, porque sabem que se não subsidiar irão perder mercado. Como o Instituto Inovar pode impactar no setor rural do Estado? Ele tem uma enorme vantagem: é um grande agente mobilizador. E se não assumir esta função, vai falir. Deve discernir o que é bom e o que é ruim e mobilizar seu principal cliente, o produtor. Se o produtor não se sentir confortável com as inovações oferecidas, o Instituto vai se desgastar. Em Goiás, por ser um Estado de forte economia agropecuária, o Instituto Inovar terá mais facilidade? Sim. Goiás possui um privilégio que para mim é fundamental. Tem uma agricultura de alta tecnologia, mas com uma capacidade muito grande de evolução. É primordial uma instituição que crie oportunidades para a inovação e que gere novos conhecimentos que melhorarem a condição dos produtores. O agricultor goiano é um produtor que está com uma capacidade produtora muito boa, uma gestão muito racional. O agricultor brasileiro, mesmo com todos os obstáculos como os juros mais caros do mundo e os maiores custos de serviços - ainda obriga os nossos concorrentes a colocar mais subsídios para se manterem no mercado. Agora, se nós não criarmos coisa nova e permitirmos que o produtor dê aproveitamento máximo à inovação, corremos o risco de não conseguirmos manter nossa capacidade competitiva por muito tempo. Acho isso perigosíssimo e acredito que uma instituição como o Inovar, se bem utilizada, será uma fonte permanente de geração de conhecimento e inovação.


MERCADO E PRODUTO

LEONARDO MACHADO leomachado@faeg.com.br

Commodities: Alta especulativa

ALÉCIO MARÓSTICA

O mercado de commodities agrícolas passa por um momento pouco visto em sua história, tanto no que diz respeito às comercializações físicas nos países exportadores, como nas negociações de contratos futuros nas principais bolsas internacionais. As altas cotações impressionam e trazem grande apreensão aos agentes econômicos envolvidos na comercialização de soja, milho, trigo e algodão. Fatores que envolvem a relação de oferta e demanda são determinantes nestes mercados, assim como as análises dos fundamentos que apontam as tendências de alta ou baixa nos preços das commodities agrícolas. No entanto, a macroeconomia tem se tornado um fator presente na precificação dos produtos agrícolas, favorecendo a manutenção de seus elevados preços. Ela tem causado impacto nos mercados, principalmente, no que se refere às negociações em bolsas de valores, que são referência para o preço no mercado físico. Um exemplo claro desta influência da macroeconomia no mercado de commodities foi um dos picos de preço da soja na Bolsa de Chicago. Este pico, quando grande parte dos vencimentos da soja alcançou o valor de US$ 13/bushel, se deu principalmente pela manutenção da taxa de juros na China, principal país importador de soja. Outro exemplo é quando se faz um cálculo de correlação das variações nas cotações do milho na mesma bolsa, com a

As altas cotações impressionam e trazem grande apreensão aos agentes econômicos envolvidos na comercialização de soja, milho, trigo e algodão

variação do dólar no mercado mundial. Observa-se que em mais de 70% das vezes o dólar perde valor e o preço do milho se eleva. Este cenário, verificado sobretudo após a crise econômica de 2008, se deve pelo forte capital especulativo presente nas Bolsas de Chicago e Mercantil de Nova York. Este capital é formado por fundos de investimentos e agentes individuais que encontram no mercado de commodities proteção contra quedas do mercado acionário, proteção cambial e maiores ganhos. A grande volatilidade e a potencialização das variações de alta e de baixa estão entre as principais modificações causadas pela forte influência de capital especulativo. Estas características são resultado do grande volume de contratos futuros na mão de especuladores. Diferentemente dos hedges, os especuladores compram e vendem contratos com muita rapidez e em um volume bastante elevado. Com isso, é importante ficarmos atentos aos fundamentos de oferta e demanda, que dão a tendência de alta e de baixa no mercado de commodities, e à situação econômico-financeira do mercado mundial. Acompanhar e analisar estas tendências é essencial para ter sucesso na comercialização da produção e, consequentemente, na obtenção de renda. *Leonardo Machado é engenheiro agrônomo e assessor técnico da Faeg para a área de cereais, fibras e oleaginosas.

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Stock.xchng

Mais saúde com o Cartão Produtor A preocupação com a saúde é fundamental. Por esta razão o Cartão Produtor deste mês de janeiro oferece aos beneficiados um especial sobre farmácias. Confira as vantagens de se ter o Cartão Produtor. DROGARIA SÃO JOSÉ Os beneficiados do Cartão Produtor têm 10% nas compras feitas na Drogaria São José. O estabelecimento fica na Rua Gercino R. da Silva nº 334, Centro do município de Posse. Telefone: (62) 3481-1300. FARMÁCIA SÃO LUCAS A Farmácia São Lucas oferece 10% de desconto aos produtores com o Cartão. O estabelecimento fica na Avenida Ramiro Teixeira nº 14, Centro de Serranópolis. Mais informações pelo telefone: (64) 3668-1230. FARMÁCIA AMAZONAS Em Piranhas, a Farmácia Amazonas oferece 10% de desconto aos beneficiários do Cartão Produtor. A farmácia fica na Avenida Central nº 1.116, Centro. Telefone: (64) 3665-1531. DROGARIA LIDER Em Jataí, a Drogaria Líder oferece 12% de desconto. O estabelecimento fica na Avenida Goiás nº 684. Entrar em contato pelo telefone: (64) 3631-8585.

DROGARIA NATURALLE A Drogaria Naturalle, de Caiapônia, oferece desconto de 6% aos beneficiados do Cartão Produtor. O estabelecimento fica na Avenida Araguaia nº 01, Centro. (64) 3663-1754.

FAMÁRCIA AVICENA A Farmácia Avicena concede12% aos produtores com Cartão. Ela fica na Rua Capitão Machado, esquina com Dr. José Mendonça, no Centro de Palmeiras de Goiás. Contato: (64) 3571-1548.

DROGARIA SHALON Em Indiara, a Drogaria Shalon oferece aos beneficiados do Cartão Produtor desconto de 10% nos pagamentos à vista ou 30 dias no cheque. A drogaria fica na Avenida Pedro Ludovico Teixeira nº 375, Centro. Telefone: (64) 3547-1252.

PHARMA & CIA Drogaria e manipulação A Pharma&Cia – Drogaria e Manipulação oferece aos beneficiários do Cartão Produtor 20% para compras à vista e 15% para compras com 30 dias. O estabelecimento fica na Avenida Brasil nº 293, Centro de Quirinópolis. Mais informações pelo telefone: (64) 3651-1631. Stock.xchng

DROGARIA SÃO PEDRO A Drogaria São Pedro oferece 15% de desconto nos produtos estéticos, 30% nos genéricos e similares e 5% na perfumaria. Estes descontos são válidos para produtos que não estão em promoção e na compra a prazo. O estabelecimento fica na Praça da Liberdade nº 11, Centro de Ipameri. Telefone para informação: (64) 3491-1840. CAMPO |

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DROGARIA DIAS FERNANDES VITÓRIA Em Silvânia, a Drogaria Dias Fernandes Vitória oferece 10% de desconto no pagamento à vista. A drogaria fica na Avenida Dom Bosco nº 85, sala 01, Centro. Mais informações pelo telefone: (62) 3332-1117.

> COMO PARTICIPAR: Informações sobre como ser um beneficiário do Cartão Produtor podem ser obtidas no site: www.cartaoprodutor.com.br, na sede do Sindicato Rural mais próximo ou pelo telefone: (62) 3096-2200.

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Educação que rende prêmios

250 mil

Programa Agrinho se consolida como maior programa de responsabilidade social do Sistema Faeg/Senar e de mais alta abrangência educacional no Estado KARINE RODRIGUES

ALUNOS PARTICIPANTES

karine@faeg.com.br

A terceira edição do Programa Agrinho foi encerrada com uma grande carreata no município de Piracanjuba, cidade da professora campeã na categoria Projeto Pedagógico do Concurso Agrinho 2010, Rachel de Melo e Silva. O veículo zero quilômetro entregue à professora pelo Sistema Faeg/Senar estava na fila de veículos que formou a carreata da vitória. A entrega do prêmio máximo fechou um trabalho iniciado em março passado, com a capacitação de professores da rede pública de ensino, e finalizado no dia 3 de dezembro com uma grande festa de premiação dos 111 vencedores do concurso.

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A premiação realizada em 2010 consolida o Programa Agrinho como o maior programa de responsabilidade social do Sistema Faeg/Senar e o maior realizado na área de educação em Goiás. O programa é dedicado desenvolver trabalhos que envolvam temas como ética, cidadania, meio ambiente, biodiversidade, uso do solo e da água, agricultura, resíduos sólidos e mudanças climáticas, junto às crianças do meio rural e urbano. O Agrinho é uma iniciativa implementada apenas em escolas da rede pública e atende alunos do 1º ao 9º do ensino fundamental e educação especial. No dia 3 de dezembro, centenas de alunos e professores de todo o Estado estiveram presentes na cerimônia de entrega dos prêmios aos vencedores das categorias Desenho, Redação, Projeto Pedagógico e Escola Agrinho. Autoridades, parceiros e patrocinadores do programa também prestigiaram o evento, que teve apresentações do cantor goiano Marcelo Barra e do coral de crianças do Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França/Veiga Valle.

Temática Em 2010, o tema trabalhado pelos professores e alunos foi “Ética, cidadania e meio ambiente”. O projeto da professora Rachel, “Saber e atuar para melhorar o mundo – Esse é o caminho”, transcendeu os muros da escola e ganhou parceiros. Junto a seus alunos, ela conseguiu mudas de plantas nativas do Cerrado, que foram distribuídas na cidade. Outra realização da

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ESCOLAS ATUANTES professora foi conseguir a aprovação do Projeto de Lei nº 1480/2010 que institui a Semana do Meio Ambiente em Piracanjuba. Ao final dos trabalhos, os alunos da professora plantaram 520 mudas e fixaram uma placa no local sinalizando que o Programa Agrinho chegou ao município para ficar. O segundo lugar foi da professora Vânia Lousa Pereira Oliveira, da Escola Municipal Santa Luzia, de Uruaçu, que ganhou uma moto Honda Biz. O projeto “Conhecendo valores para exercer cidadania” envolveu os pais de alunos e os moradores do Povoado do Funil. Segundo a professora, a experiência teve por objetivo despertar nos alunos e na comunidade local a consciência de valorização ao lugar onde vivem, além de incentivar a busca de oportunidades de trabalho voltadas ao aproveitamento das potencialidades do campo. Muito emocionada, Vânia disse que a moto veio na hora certa e que no próximo ano vai trabalhar para tirar o primeiro lugar. JOÃO FARIA

Palhaços e personagens do Programa animam crianças e adultos na entrega dos prêmios do Concurso Agrinho

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Participação e parcerias Somente nesta edição, participaram 250 mil alunos de 137 municípios goianos. Foram capacitados aproximadamente 10 mil professores. A cada ano, há recorde no número de participantes no Concurso Agrinho. Em 2010, foram inscritos 1.309 trabalhos, sendo 278 desenhos, 600 redações, 327 experiências pedagógicas e 104 Escolas Agrinho. Foram premiados 111 trabalhos. Segundo o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, o Programa Agrinho reafirma a importância da conscientização de crianças e jovens, para que cresçam sabendo da necessidade de preservar o meio ambiente e garantindo a produção sustentável dos bens de consumo. A secretária estadual de Educação, Milca Severino, que durante as três primeiras edições participou e apoiou o evento, disse que cada vez o programa se aprimora e contribui mais para o desenvolvimento intelectual e sociocultural dos alunos que participam. “É gratificante ver os trabalhos, o empenho de alunos e professores e ver que a cada ano a qualidade melhora e o número de participantes aumenta. A Secretaria de Educação ficou feliz por colaborar e por fazer parte de um projeto tão bonito”, ressalta.

O secretário da Agricultura do Estado de Goiás, Leonardo Veloso, disse que o tema trabalhado em 2010 foi extremamente propício para o período. “Espero que esse aprendizado, repassado tão sabiamente pelos professores, tenha como reflexos boas atitudes”, ressalta. O secretário afirmou ainda que as crianças de hoje serão responsáveis por produzir com consciência e preservando o meio ambiente. “Nossa origem está esquecida e o Agrinho tem esse valor de inserir nos jovens os conceitos de nossa raiz”, lembra. O arcebispo de Goiânia, Dom Washington Cruz, comentou que o Programa Agrinho é importante para a educação da criança, pois dá oportunidade de ela crescer sadia moralmente e religiosamente. A secretária municipal de Educação de Goiânia, Márcia Carvalho, explicou que 2010 foi o primeiro ano que as escolas da rede municipal de Goiânia participaram do Programa Agrinho. “Acredito que começamos bem. Vejo que o Agrinho é um programa que estimula o debate e incentiva os alunos a desenvolverem posturas diferentes das que possuem os adultos de hoje. Fatores que vão contribuir para a criação de um mundo melhor e menos violento”, relata.

JOÃO FARIA

Premiados esperam o momento de serem chamados ao palco

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JOÃO FARIA

Alunos e professores assistem à cerimônia de premiação do Concurso Agrinho, realizada em Goiânia

Escolas Agrinho

Desenhos

As escolas que desenvolveram projetos também foram premiadas no Concurso Agrinho. O primeiro lugar ficou com a Escola de Ensino Especial Dr. João Bosco Renno Salomon/APAE, situada no município de Cristalina. A escola ganhou um microcomputador e um aparelho datashow. A relatora do projeto, o “Almocrafe pede socorro”, foi a professora-coordenadora Maria Cristina Jorge Maróstica. Ela contou que fez a capacitação em Goiânia, acreditou no projeto e foi à luta. A professora resume que o resultado mais positivo do trabalho foi a agregação dos parceiros ao projeto, que além de ajudarem a escola, contrataram três alunos especiais para trabalhar na Cooperativa Cocari. O projeto partiu da necessidade da comunidade escolar e local de modificar a realidade do bairro, pois o Córrego Almocrafe, se encontra poluído, causando doenças, proliferação de insetos e poluição visual. Ela agradeceu aos parceiros, que doaram três mil mudas de plantas nativas, e serão utilizadas para revitalizar o córrego.

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“Já tenho aulas de informática e vou usar meu computador para brincar e estudar.” LUIZ HENRIQUE VIEIRA DOS SANTOS 1º ano, 7 anos Trabalho inscrito: Paz sim, violência não

“Este ano ganhei com um desenho, mas no próximo vou concorrer com uma redação.” LEONARDO CASTANHEIRA ROCHA 2º ano, 8 anos Trabalho inscrito: Nunca polua os rios e nem o ar

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Redação

“Estou muito feliz, fiz uma redação sobre o perigo das queimadas.”

“Minha professora acreditou em mim e me explicou tudo direitinho, mas não esperava ganhar o primeiro lugar”

“Fiquei feliz só de estar entre os cinco. Mas ganhar foi ótimo, eu não esperava.”

REGINALDO VICTOR TEIXEIRA SILVA 3º ano, 9 anos Trabalho inscrito: Minhas preocupações com a natureza

VANESSA OLIVEIRA DUARTE 5º ano, 10 anos Trabalho inscrito: A decisão é nossa

GÉSSICA NAIARA MENDONÇA LIMA 8º ano, 13 anos Trabalho inscrito: O casal de sapos e João e Maria

FRANCIELE RIBEIRO DA SILVA 6º ano, 11 anos Trabalho inscrito: Bullying: jogos Mortais

CLAUDILENE OLIVEIRA DE SOUZA 7º ano, 12 anos Trabalho inscrito: A oportunidade de vivermos mais e melhor

Aprender para lecionar Rachel de Melo e Silva é professora há 17 anos e leciona as disciplinas Português, Artes e Multiculturalismo para as turmas do 6º ao 9º ano e ensino médio. Ela é professora em três escolas do município de Piracanjuba e todas ajudaram no projeto pedagógico vencedor. Natural do município, Rachel é graduada em Letras pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e conta que desde a capacitação que recebeu da coordenadora da Escola Municipal de Educação Básica de Serra Negra imaginou o projeto que faria. “Era um tema muito bom de trabalhar e no momento do treinamento imaginei como iria desenvolvê-lo.” A professora conta que ficou muito emocionada ao receber o carro e chorou em vários momentos durante a entrega do veículo. Ela relata que vai ficar com o veículo. “Minha filha dirige, eu vou aprender a dirigir e o carro será muito útil nos dia de chuva”, argumenta. Rachel diz que o prêmio serviu de incentivo para os professores da cidade que estão animados a desenvolverem projetos para 2011. A entrega do carro zero quilômetro ocorrida, dia 10 de dezembro, em Piracanjuba contou com a participação de alunos, professores, moradores do município, autoridades locais, do presidente do Sindicato Rural, Eduardo Iwasse, do diretor secretário da Faeg, Bartolomeu Braz Pereira, e do presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner.

JOÃO FARIA

Sto ck.x chn g

“Estou muito feliz e o computador vai ser muito útil para fazer os trabalhos escolares. Eu senti que ia ganhar”

“Minha vitória devo em parte ao trabalho que a escola realizou sobre o tema proposto para o Agrinho”

10 mil

Professora Rachel emocionada ao dar partida em seu carro zero quilômetro

PROFESSORES ENVOLVIDOS

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AÇÃO SINDICAL CARLOS COSTA

GOIÂNIA

Carbono Zero FORMOSA

Leilão de Nelore No dia 25 de novembro, foi realizado em Formosa o 1º Leilão de Gado de Corte da nova safra. O evento foi promovido pelo Sindicato Rural de Formosa em parceria com o leiloeiro Anderson Lima. Os 665 animais nelore e anelorados levados à pista foram vendidos na batida do martelo. Também foram ofertados nelore PO e animais de corte filmados em fazendas da região. O último leilão ocorrido em Formosa (GO) foi realizado no dia 16 de dezembro. Um novo leilão será promovido em janeiro, mas a data ainda não foi definida. Informações pelos telefones: (61) 9978 4866; (62) 9982 2679 ou (62) 3642 2215. (Colaborou: Cida Spolti) CAIAPÔNIA

RIO VERDE

Homenagem Comenda Caiapó

Festa de fim de ano

O Sindicato Rural de Caiapônia homenageou personalidades do segmento agropecuário municipal, estadual e federal com a Comenda Ordem Caiapó. A solenidade de entrega ocorreu no dia 27 de novembro no Tatersal do Parque de Exposições Agropecuária José Francisco de Abreu. Entre os homenageados com a comenda estavam o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu e autoridades municipais.

O Sindicato Rural de Rio Verde reuniu mais de duas mil pessoas no parque agropecuário da cidade para a confraternização de fim de ano. Um almoço com churrasco foi servido aos associados, funcionários e familiares. A confraternização foi realizada no dia 12 de dezembro e contou a apresentação de duplas sertanejas locais. (Colaborou:Alexandre Câmara)

(Colaborou: Rosângela Domingues)

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O Sistema Faeg/Senar promoveu no dia 10 de dezembro a segunda edição da campanha Carbono Zero. Os 120 colaboradores da Faeg e do Senar plantaram 521 mudas de árvores nativas do Cerrado, no Centro Pastoral Dom Fernando, em Goiânia. Uma ação cujo objetivo é a neutralização dos Gases de Efeito Estufa (GEEs) emitidos ao longo do ano, durante as atividades diárias executadas na sede do Sistema, na Capital. O plantio das mudas deixará o balanço entre emissões e absorções de gases de efeito estufa igual a zero.


AMAZONAS

Faea lança Cartão do Produtor Seguindo o exemplo da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), a Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea) lançou, no dia 12 de dezembro, o Cartão Produtor. O benefício foi criado pela Faeg há três anos para que os produtores associados ao Sistema Faeg/Senar tenham descontos e benefícios em serviços e produtos em uma rede de mais de 300 empresas e entidades de vários setores. No Amazonas, o Cartão Produtor foi lançado dentro das ações do Programa Sindicato Forte, iniciativa de fortelecimento das unidades sindicais do Sistema Patronal Rural no Brasil.

GOIÂNIA

Feira do Per Sindical

DIVULGAÇÃO/SINDICATO RURAL DE CRISTALINA

As turmas do Programa Empreendedor Rural (PER) e alunos do PET Saúde da UFG se uniram e promoveram, no dia 15 de dezembro, uma feira para divulgar os produtos fabricados pelos participantes da feira. Na oportunidade, os estudantes puderam exercitar os conhecimentos obtidos no curso, nos módulos de Estratégias de Comercialização e Administração da Empresa. A feira ocorreu durante todo o dia na Unidade de Apoio Básico à Saúde da Família, no Setor Leste Universitário, em Goiânia. (Colaborou: Hélio Antonio Silva)

CRISTALINA

Apresentação natalina O coral de alunos da Apae de Cristalina fez uma apresentação na confraternização dos funcionários do Sindicato Rural do município. Após a apresentação, realizada no dia 2 de dezembro, foi oferecido um lanche aos convidados. Os diretores e funcionários da entidade agradeceram a participação de todos os presentes e ressaltaram a importância de todos no trabalho desenvolvido pelo Sindicato. (Colaborou: Malva Lúcia Caixeta)


POSSES E ELEIÇÕES DIVULGAÇÃO/JORNAL INTERIOR

JATAÍ Com 193 dos 380 votos válidos, a chapa Sindicato para Todos, presidida pelo produtor rural Ricardo Peres, venceu a eleição realizada no Sindicato Rural de Jataí. Apesar da disputa voto a voto, o pleito ocorreu em clima de tranquilidade e com grande participação dos associados. Entre eles estava o prefeito de Aparecida de Goiânia e filiado ao Sindicato, Maguito Vilela. A nova diretoria eleita vai liderar a entidade no triênio 2011/2013 e a posse está agendada para o dia 26 de fevereiro. BRITÂNIA E ARUANÃ O presidente do Sindicato Rural de Britânia e Aruanã,Wagner Marchesi e a diretoria eleita foi empossada no dia 18 dezembro, em cerimônia solene e festiva. O evento foi realizado no clube Recanto das Águas, em Britânia. Participaram cerca 100 pessoas. O diretor-tesoureiro eleito, Juarez Cândido Gaia foi homenageado na ocasião, ao completar 88 anos de idade e vários deles dedicado ao trabalho no Sindicato Rural. Marchesi vai comandar o Sindicato pelo triênio 2010/2013, também em parceria com o vice-presidente Marcelo Marcondes e o diretorsecretário João Edgar Marcelino Ferreira.

PIRACANJUBA Os associados do Sindicato Rural de Piracanjuba elegeram, dia 17 de dezembro, os membros da diretoria da entidade para o triênio 2011/2014. Permanece no cargo de presidente o produtor rural Eduardo Iwasse. A chapa foi de consenso e a eleição ocorreu em clima de tranquilidade, com o comparecimento e votação de 53% dos associados. A posse está agendada para o final de janeiro de 2011. (Colaborou: Claudia Raquel)

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GOIATUBA O produtor rural, Paulo Henrique Garcia (camisa de listras) assumiu, dia 16 de dezembro, a presidência do Sindicato Rural de Goiatuba. A posse ocorreu na presença de mais de 350 pessoas entre autoridades locais e produtores. Paulo Henrique Garcia ficará no cargo até dezembro de 2011, quando serão realizadas eleição. O então presidente Bartolomeu Braz Pereira se ausentou para assumir o posto de diretorsecretário da Faeg pelo triênio 2010/2013.


Cerca Segura

ANDRÉ COSTA

Treinamento do Senar aprimora técnica oferecendo maior agilidade e menor custo ao produtor

Emerson Santos diz que aprimorou os conhecimentos e o resultado foi uma cerca mais resistente e bonita

KARINE RODRIGUES karine@faeg.com.br

O treinamento de Construção de Cercas esteve entre os mais procurados do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Goiás, durante o ano de 2010. Um desses treinamentos foi realizado em Santo Antônio de Goiás, na unidade da Embrapa Arroz e Feijão, que iniciou uma parceria com o Sistema Faeg/Senar para capacitar os trabalhadores que atuam nas proprie-

dades da entidade. Devido a alta demanda, de setembro até dezembro, o treinamento foi ministrado em 20 cidades goianas. Segundo o instrutor do Senar, Luciano da Silva, durante as 20 horas/aula, o aluno aprende a fazer cercas rapidamente e com o custo até 44,2% menor. A madeira usada nas cercas é eucalipto tratado com uma solução de cresoto. Os postes ficam durante sete dias mergulhados na solução, após esse período já estão prontos para o uso. A madeira verde é a melhor para a

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construção da cercas. O espaço entre os postes deve ser de 10 metros, não há uso do esticador de arame e sim o próprio poste. A profundidade de afundamento de cada poste é de 70 cm e cerca de 1,50 m deve ficar para fora da terra. Segundo o instrutor, a cerca segura qualquer tipo de animal. Como a madeira é tratada, a garantia é de 15 anos, mas se houver queimadas, o arame não resiste ao calor do fogo e a cerca pode se desfazer.


Veja as diferenças entre as duas formas de fazer mil metros de cerca de madeira (eucalipto tratado)

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

CERCA COMUM: 1

Mão de obra (por buraco)

2

CERCA SENAR: 2

1

Arame

Mão de obra (por balancim)

2

Arame

R$ 6,00

R$ 280,00

R$ 0,50

R$ 280,00

Valor unitário

Valor unitário

Valor unitário

Valor unitário

R$ 1.500,00

R$ 1.400,00

R$ 200,00

R$ 1.400,00

Valor Total

Valor Total

Valor Total

Valor Total

Postes de 2,20 de comprimento

3

3

Esticador de 3,20 de comprimento

R$ 12,00

Postes de 2,20 de comprimento

R$ 3.000,00 Valor Total

Mão de obra (por buraco)

R$ 12,00

R$ 6,00

Valor unitário

Valor unitário

Valor unitário

R$ 300,00

R$ 660,00

R$ 600,00

Valor Total

Valor Total

Valor Total

R$ 100,00

Valor unitário

4

5

Esticador de 3,20 de comprimento

Valor total da cerca comum

6

Balancim

R$ 1,50 Valor unitário

não usa

R$ 6.200,00

R$ 600,00 Valor Total

Observação: No modelo de cerca ensinado pelo Senar, o esticador é substituído pelo palanque (lascas de 2,20 m), que está incluído no valor dos postes.

Valor total da cerca do Senar

R$ 3.660,00

Fonte: Treinamento de Construção de Cercas do Senar

Para maior garantia, também é recomendável que se faça o aterramento da cerca contra raios, pois a durabilidade dela será maior. Esse procedimento diminui o risco de estragos ou até mesmo de perda total. Se atingida por um raio, a cerca com aterramento direciona a carga elétrica para o chão impedindo que o arame e a madeira sejam danificados.

Técnica inovadora Um dos participantes do treinamento na Embrapa foi o assistente - operário rural,

Emerson Santos, que trabalha há apenas nove meses na empresa. Ele explicou que dentre todas as boas práticas aprendidas no treinamento, a utilização eficiente da madeira é a principal – gera menor prejuízo ao meio ambiente, reduz custos e ganha-se em agilidade no trabalho. Emerson contou que o curso foi uma excelente oportunidade para otimizar ainda mais o trabalho que realiza na Embrapa Arroz e Feijão. Ele já construía cercas, mas o treinamento aprimorou a técnica, a execução do trabalho está mais rápida e o

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resultado final é muito melhor. O treinamento e a técnica utilizada chamam a atenção até de quem vem de fora. A comitiva de técnicos africanos que visitou Goiás no mês de novembro acompanhou um dia do treinamento de Construção de Cercas, no município de Itapuranga (não perca a matéria completa sobre a visita na próxima edição da Campo). Os africanos ficaram entusiasmados o com resultado da cerca, quiseram saber de tudo para se possível aprender um pouco mais e levar a técnica aos seus países.


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CARLOS COSTA

Tribuna de autoridades. José Mário Schreiner (gravata vinho ao centro) é reconduzido à presidência da Faeg com expressiva aprovação dos Sindicatos Rurais

Metas e

desafios

Diretoria eleita do Sistema Faeg/Senar toma posse e apresenta planos e estratégias para alavancar o setor rural goiano CAMPO |

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CARLOS COSTA

ALESSANDRA GOIAZ alessandra@faeg.com.br

passada, iniciada em 2007 pelo então presidente da Casa, Macel Félix Caixeta, falecido em maio de 2008. Entre eles, o presidente citou o progresso dos programas promovidos pelo Sistema Faeg/Senar e enfocou, principalmente, as ações de responsabilidade social. “O Agrinho, por exemplo, capacitou 10 mil professores e atingiu 250 mil alunos. Com o Campo Saúde, mais de 100 mil pessoas, entre produtores, trabalhadores rurais e familiares, de mais de 50 municípios já foram beneficiadas.” José Mário lembrou também o trabalho realizado pela Faeg, durante o período eleitoral, para conscientizar os produtores sobre a importância de criar uma bancada rural forte na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa. Para isto, diagnosticou junto aos produtores quais eram as maiores demandas e gargalos do setor. Com as informações, publicou o Documento Goiás – Expectativas do Setor Produtivo para o Próximo Governador, apresentado aos candidatos ao governo do Estado, à Assembleia Legislativa e ao Congresso Nacional. Os governadoriáveis goianos foram sabatinados a respeito dos temas contidos no documento. “Colocamos o bloco na rua e fomos à luta. Nós conseguimos eleger 14 deputados estaduais e 10 deputados federais, que reconhecem, respeitam e se compromissaram com o setor rural”, comentou. “Este trabalho não foi o presidente que realizou sozinho, realizamos com o empenho e dedicação de todos”, acrescentou.

A diretoria eleita da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e o Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) apresentaram as metas e desafios para o triênio – 2010/2013. Entre eles estão qualificar o homem do campo, garantir renda, desenvolver novos trabalhos de responsabilidade socioambiental, fortalecer o setor rural, incentivar a criação de uma política agrícola eficiente e ações que visem o crescimento e desenvolvimento da cadeia agropecuária. Durante a solenidade de posse realizada dia 13 de dezembro, em Goiânia, o presidente eleito do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner enfatizou que é de fundamental importância que nesta nova gestão ocorra a continuação dos trabalhos referentes às questões ambientais. Segundo ele, o primeiro passo foi dado quando a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou o novo Código Florestal, ficando a decisão nas mãos do plenário da Câmara e depois do Senado. Ele citou ainda, como um grande desafio do setor rural, a falta de uma política agrícola eficiente. “Creio que esse é um dos nossos maiores desafios e, por isso, precisamos trabalhar as questões que atrasam o progresso a agropecuária.”

Balanço

CARLOS COSTA

Além de apresentar os desafios que serão enfrentados no próximo triênio, José Mário Schreiner faz um balanço da gestão

Setor mobilizado Foi sob planejamentos e metas traçadas que a nova diretoria do Sistema Faeg/Senar tomou posse no dia 13 de dezembro. A diplomação ocorreu na presença de presidentes e representantes de 90 Sindicatos Rurais, durante a Assembleia Geral realizada na sede da entidade, em Goiânia. A solenidade festiva ocorreu no mesmo dia no Oliveira’s Place e contou com a presença dos presidentes dos Sindicatos Rurais e Federações de Agricultura e Pecuária do País, dos produtores, de autoridades políticas, classistas e empresariais, de familiares e amigos dos empossados. Entre os assuntos bastante lembrados pelos convidados, estava o desenvolvimento da agropecuária em Goiás e como o setor é importante para a economia do Estado. Para a senadora e presidente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu, o Brasil hoje é um país rico porque tem uma agropecuária eficiente. “Com o investimento em pesquisas, tecnologias e com a luta dos produtores rurais, o Centro-Oeste contribuiu para que o País deixasse de ser um grande importador e o tornou um grande exportador de alimento”, contou. CAMPO |

São ações como esta (mobilização política do setor rural) que a Faeg ganha mais peso e mais respeitabilidade no Estado”. MARCONI PERILLO GOVERNADOR DE GOIÁS

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Nós conseguimos eleger 14 deputados estaduais e 10 deputados federais, que reconhecem, respeitam e se compromissaram com o setor rural”.

CARLOS COSTA

JOSÉ MÁRIO SCHREINER PRESIDENTE DO SISTEMA FAEG/SENAR

Segundo ela, o momento de é trabalhar por uma política de crédito compatível com a importância que o setor agropecuário exerce no Brasil. “Nós queremos que o agropecuarista dê o seu suor, mas não o seu sangue. Queremos renda, pois já chegamos ao nosso limite de doação”, acrescentou.

Participação política O governador do Estado, Marconi Perillo, também presente no evento, ressaltou a importância do setor para o Estado e lembrou o trabalho realizado durante o período eleitoral com a publicação do Documento Goiás – Expectativas do Setor Produtivo para o Próximo Governador, com a realização dos seminários O Que Esperamos do Próximo Governador e com a organização do Encontro com Governadoriáveis - Eleições 2010. “São ações como esta que a Faeg ganha mais peso e mais respeitabilidade no Estado.” O governador lembrou ainda a importância do setor para a economia brasileira e de Goiás, sendo a agropecuária responsável por 33% da geração de empregos e mais de 50% das exportações. Ainda ressaltando a importância do setor, Perillo comentou sobre a forma que irá governar o Estado nos próximos quatro anos, enfocando na parceria entre o governo estadual e as entidades representativas. CAMPO |

Nós queremos que o agropecuarista dê o seu suor, mas não o seu sangue. Queremos renda, pois já chegamos ao nosso limite de doação”. KÁTIA ABREU SENADOR E PRESIDENTE DA CNA

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Conheça a diretoria do Sistema Faeg/Senar ALEXANDRE CERQUEIRA

CARLOS COSTA

n Pecuarista de corte e agricultor em Jataí e Itarumã. Foi secretário de Agricultura de Jataí, entre 2000 e 2004, e presidente do Sindicato Rural do município, de 2005 a 2010. É formado em Engenharia Agronômica e, atualmente, ocupa o cargo de 1º vice-presidente pelo segundo mandato.

DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner

n Produtor de cereais, algodão e pecuarista de corte em Mineiros, Portelândia e Perolândia. Técnico agrícola. Foi secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás, presidente da Agênciarural e vice-presidente da Faeg nos triênios 2001/04, 2004/07 e 2007/10. Em 2008, assumiu o cargo de presidente após o falecimento de Macel Caixeta. Atualmente, presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, vicepresidente da CNA e diretor da Agopa.

MARCUS VINICIUS

n Pecuarista de corte no município de Inaciolândia. Fundadora do Sindicato Rural do município está em seu segundo mandato à frente da entidade. Foi conselheira fiscal titular da Faeg e, atualmente, é membro da Comissão das Mulheres da Federação.

MARCUS VINICIUS

Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis (1º Vice-presidente) José Manoel Caixeta Haun (2º Vice-presidente) Diretores-secretários: Bartolomeu Braz Pereira (1º Diretor Secretário) Estrogildo Ferreira dos Anjos (2º Diretor Secretário)

n Pecuarista de corte em Vianópolis, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg e membro do Comitê Técnico Consultivo do MAPA. Vicepresidente do Sindicato Rural de Vianópolis, graduado em Direito e especializado em Direito de Constitucional e Administrativo. Vice-Presidente do Fundo Nacional de Defesa da Pecuária de Corte e membro da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA. Exerce a atividade rural há 18 anos.

CARLOS COSTA

n Produtor de grãos, pecuarista de leite em Goiatuba e presidente da Comissão de Cana-de-Açúcar e Bioenergia da Faeg. É tecnólogo em Negócios pela Ulbra, foi presidente do Sindicato Rural de Goiatuba por dois mandatos e atuou como 2º vicepresidente da Faeg no triênio 2007/10.

Diretores-tesoureiros: Eurípedes Bassamurfo da Costa (1º Diretor Tesoureiro) Nelcy Palhares (2º Diretor Tesoureiro)

MARCUS VINICIUS

n Produtor de grãos e pecuarista de leite em Niquelândia. É graduado em Gestão Pública e presidente do Sindicato Rural do município desde março de 2008. Exerce há 25 anos a atividade rural.

Suplentes: Wanderley Rodrigues de Siqueira Flávio Faedo Daniel Klüppel Carrara Justino Felício Perius Antônio Anselmo de Freitas Arthur Barros Filhos Osvaldo Moreira Guimarães Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa Vilmar Rodrigues da Rocha Antonio Roque da Silva Prates Filho César Savini Neto Leonardo Ribeiro Suplentes: Arno Bruno Weis Pedro da Conceição Gontijo Santos Margareth Alves Irineu Luciano Wagner Marchesi Jânio Erasmo Vicente Delegados representantes: Alécio Maróstica Dirceu Cortez Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira Walter Vieira de Rezende

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MARCUS VINICIUS

n Pecuarista de leite em Itaberaí, técnico em Contabilidade e graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Anhanguera. Foi fundador e diretor-presidente da Produleite e secretário de Agricultura e Pecuária de Itaberaí. Atualmente, é secretário do Sindicato Rural do município.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara Elias D’Ângelo Borges Osvaldo Moreira Guimarães Tiago Freitas de Mendonça Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira Silvano José da Silva Alair Luiz dos Santos Elias Mourão Junior Joaquim Saêta Filho Conselho Fiscal Regional Titulares: Maria das Graças Borges Silva Edmar Duarte Vilela Sandra Pereira Faria do Carmo 26

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Suplentes: Henrique Marques de Almeida Wanessa Parreira Carvalho Serafim Antônio Borges Moreira Conselho Consultivo Titulares: Bairon Pereira Araújo Maria José Del Peloso Welton José Luiz de Oliveira Luiz Becker Karst Sônia Maria Domingos Fernandes Suplentes: Theldo Emrich Carlos Magri Ferreira Valdivino Vieira da Silva Carlos Eduardo da Silva Lima Glauce Mônica Vilela Souza Superintendente: Antônio Flávio Camilo de Lima


Planejamento estratégico Goiás passou, nos últimos 10 anos, por grandes transformações de ordem econômica, social e política. Neste mesmo período, o setor contribuiu com o aumento da produção, garantiu o abastecimento de alimentos o que serviu de âncora para segurar a inflação. Para os próximos anos, o Sistema Faeg/Senar criou um planejamento estratégico que visa o fortalecimento financeiro do produtor rural, a ampliação do uso de tecnologias e a competitividade do setor. O potencial de crescimento da agropecuária de Goiás pode trazer para a economia goiana e nacional impactos altamente significativos. A estimativa é que nos próximos cinco anos a produção de grãos aumente de 13 milhões para 18 milhões de toneladas, sem incorporar novas áreas ao processo produtivo. Será trabalhada apenas a recuperação das pastagens degradadas. Há também condições de aumentar as produção de leite, carnes, frutas, florestas, ampliando assim as exportações. Segundo o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, temas como as relações de trabalho no campo e dos índices de produtividade também estarão em pauta. “Os produtores deverão discutir a fundo estes temas, pois os consumidores desejam uma posição sobre estes fatores”, acrescenta.

Schreiner recebe o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen e o deputado federal Índio da Costa (ao fundo)

O fortalecimento dos Sindicatos Rurais também será uma das ações a serem desenvolvidas, com a intensificação das ações de organização e de mobilização da base, com a qualificação continuada dos dirigentes, associados e colaboradores e com o desenvolvimento do processo de inclusão digital nos sindicatos.


CARLOS COSTA

Nos próximos quatro anos, o governador de Goiás, Marconi Perillo terá pela frente o desafio de manter um ritmo forte de desenvolvimento econômico, avançando ainda mais nas questões sociais

Crescer e incluir HELOÍSA LIMA especial para a revista Campo / revistacampo@faeg.com.br

Fazer crescer o bolo partilhando-o com um número cada vez maior de pessoas. Numa paráfrase à famosa frase do ex-ministro da Fazenda, Delfim Neto, é esse o grande desafio que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), tem pela frente nos próximos quatro anos. A receita não é nada simples, mas precisa ser seguida à risca. Para não ter perder o posto de 9ª maior economia do País (dados de 2008 do IBGE), Goiás tem de manter um forte ritmo de crescimento econômico, já que Pernambuco e Espírito Santo, que estão logo abaixo do ranking dos maiores PIBs do Brasil, também têm crescido muito e rápido, destaca o economista Mauro Faiad. De acordo com ele, os três grandes setores da economia goiana foram decisivos para que o Estado registrasse taxa de crescimento de 8% em 2008, com destaque absoluto para a agropecuária (incremento de 19,12%), seguida por serviços (6,47%) e indústria (5,71%).

Marconi Perillo no Encontro com Governadoriáveis promovido em agosto pela Faeg

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DESAFIOS DE GOVERNAR

Ritmo de crescimento A recuperação de preços agrícolas e expansão do cultivo de cana-de-açúcar estão por trás do crescimento substancial da agropecuária. Mauro Faiad, alerta, no entanto, que é improvável que esse ritmo se sustente sem que a economia goiana experimente um processo de modernização e sofisticação de sua estrutura produtiva. A economia de Goiás precisa de estímulos para fazer os ajustes necessários para continuar como uma das maiores do País, frisa o economista. Caberá ao governador recém empossado assumir o papel de protagonista nesse processo. “Três objetivos devem ser perseguidos: expansão dos setores econômicos tradicionais, consolidação e expansão dos setores econômicos dinâmicos já existentes e atração de novos setores dinâmicos com maior densidade tecnológica e agregação de valor”, afirma o secretário. Ao mesmo tempo, é fundamental reduzir um expressivo passivo social – segundo o IBGE entre 2004 e 2009, aumentou de 34,6% para 37,8% o porcentual de domicílios goianos vulneráveis à fome o que representa cerca de 2,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. A oferta de água encanada está universalizada, mas somente 36,3% dos domicílios, de acordo com o instituto, têm acesso à rede coletora de esgoto. Na saúde, são muitos os problemas. Na capital, longas filas nos serviços de emergência, superlotação de unidades de saúde e longa espera para realização de exames e acesso a atendimento especializado fazem parte da rotina. No interior, faltam médicos e centros de saúde equipados para procedimentos de média e alta complexidade.

Investimentos Os desafios são grandes nas áreas de educação. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 9,1% dos goianos com 10 anos de idade ou mais, não estudaram ou estudaram por apenas um ano. Nada menos do que 50,8% dessa fatia da população não concluiu o ensino médio. A baixa qualificação é um gargalo importante para o crescimento da economia. A falta de mão de obra especializada é sentida com mais força em setores econômicos em expansão como construção civil e agroindústria. Resolver essa equação, como não poderia deixar de ser, vai demandar vultosos investimentos em infraestrutura, que darão suporte ao desenvolvimento e mais qualidade de vida à população. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), menos de 30% das vias pavimentadas do Estado (cerca de 10 mil quilômetros de estradas

No campo, problemas das cidades se aprofundam O agronegócio responde por quase 70% de toda a riqueza gerada no Estado do Goiás – mais de 20% somente pela agropecuária. Os problemas enfrentados pelos empreendedores rurais, não diferem muito dos empresários que atuam na cidade: a logística deficiente é um dos pontos mais importantes. Contudo, os produtores rurais têm suas dificuldades aumentadas pelo alto

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estaduais e dois mil quilômetros de federais) estão em boas condições de tráfego. Nada menos que 72% dessas rodovias são classificadas como regulares, ruins ou péssimas, com reflexos diretos nos custos do transporte no Estado. Reportagem publicada recentemente pelo jornal O Popular revelou que o problema não se limita à conservação. Goiás tem ainda 8.563 quilômetros de estradas de terra, e entre 2006 e 2010 apenas 626,76 quilômetros foram pavimentados. Goiás também precisa de energia para continuar crescendo. Em situação financeira mais do que delicada, a Celg perdeu capacidade de investimentos, emperrando a ampliação dos empreendimentos já existentes ou implantação de novas empresas. A empresa precisa voltar a operar no azul para que esse impasse seja, finalmente, resolvido.

risco inerente à atividade, falta de uma política agrícola adequada que reduza o impacto das extremas oscilações de preço e que possibilite maior equilíbrio na renda e, ainda, a competição com os produtos de outros países onde a atividade é altamente subsidiada. Os problemas sociais no campo também são semelhantes aos do meio urbano, com um agravante. Como os moradores da zona rural correspondem a aproximadamente 10% da população de Goiás, nas últimas décadas as atenções dos governantes se concentraram nas maiores cidades, tornando ainda mais difícil a vida dos mais carentes.


DESAFIOS DE GOVERNAR

Demandas sociais Observa-se um verdadeiro vazio social no campo. A intensa urbanização verificada a partir da segunda metade do século passado promoveu a concentração das ações sociais nas cidades e ajuda a explicar as diferenças entre os indicadores sociais do campo e da cidade. Enquanto no meio urbano o porcentual de pessoas não alfabetizadas no Estado, com 15 anos ou mais, é de 7,66%, no meio rural essa proporção chega a 18,71%. O transporte escolar é um problema sério e também é preciso repensar o modelo de educação rural. Esse tema surgiu como um dos pontos de destaque entre os produtores e lideranças que ajudaram a construir do Documento Goiás durante os encontros regionais em 2010. Garantir saúde para os moradores da zona rural é outro desafio para o governo de Goiás. O homem do campo tem de buscar atendimento nas cidades, onde,

muitas vezes, não consegue atendimento especializado. “Dos 246 municípios goianos, somente 16 tem oftalmologistas. A Faeg criou o programa Campo Saúde para atender parte dessa demanda e ficamos surpresos com a carência em algumas áreas”, frisa o consultor. A pobreza, e a insegurança também são problemas que afetam o homem do campo e que precisam ser enfrentados com coragem. O Sistema Faeg/Senar, em parceria com os sindicatos rurais, tem se mobilizado para mitigar esses problemas. Além de fazer gestões junto ao governo estadual, Arthur diz que os empreendedores rurais se mostram dispostos a ampliar as parcerias com o governo estadual em várias áreas, incluindo assistência técnica, para superar as dificuldades. “O homem do campo está disposto a pagar parte dos custos da assistência”, frisa.

Segurança para produzir Consultor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás, Arthur Toledo destaca que nos encontros regionais realizados para a construção do Documento Goiás – Expectativas do Setor Produtivo Rural ao Próximo Governador, três instrumentos fundamentais da política agrícola brasileira foram amplamente debatidos, ou seja, crédito, seguro rural e instrumentos de comercialização. Cabe ao governo federal a responsabilidade de adequar estas políticas que atendam aos produtores nesses três pontos. Nos últimos anos, houve aumento do volume de crédito disponível no mercado, mas a falta de uma política de garantia de preços e também de mecanismos eficazes de seguro, relativizaram essas conquistas. “Hoje, há muitos produtores

Estrutura e apoio Infraestrutura, assistência técnica e extensão rural são temas igualmente vitais para manutenção da competitividade do setor, e que dependem da atuação harmônica e complementar dos governos federal e estadual. Em Goiás, a nova gestão terá pela frente o desafio de investir na recuperação e ampliação das vias pavimentadas, e também de dar suporte à manutenção das estradas vicinais, uma atribuição dos municípios. A

em condição de endividamento, o que dificulta o acesso ao crédito”, explica Arthur. Mesmo sendo assuntos que dizem respeito prioritariamente à União, os governos estaduais podem colaborar e já há sinalização do governador Marconi Perillo nesse sentido. No Encontro Com Governadoriáveis, que ocorreu na Faeg, em agosto de 2010, Perillo manifestou o compromisso em criar um programa regional de seguro rural, complementar ao que já oferecido pelo governo federal; política esta, já adotada em outros Estados da Federação. Se o governo de Goiás arcar com parte do prêmio, como o governador já sinalizou, certamente mais produtores terão acesso ao produto, garantindo a produção e evitando aumento do endividamento.

colheita terá início em aproximadamente 90 dias e será preciso um esforço emergencial do atual governo para dar condições de escoamento da produção. Reestruturar e ampliar o serviço de assistência técnica e extensão rural é outro grande desafio do governo que se inicia. Em Goiás, o serviço que já apresentava deficiências sofreu um golpe com a incorporação da Agenciarural à Secretaria de Agricultura. Oficialmente, a extinta Emater foi

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recriada no início de 2010, mas ainda falta estrutura, investimento em pesquisa e contratação de técnicos por meio de concurso público, assim como, por parcerias com instituições privadas e do terceiro setor. “Assistência técnica e extensão rural são fundamentais para um modelo de produção sustentável. O produtor precisa ter acesso a conhecimentos sobre gerenciamento da propriedade, novas tecnologias e proteção do meio ambiente”, explica Arthur.


CARLOS COSTA

Avanços precisam ocorrer também no plano federal Ainda que o governo estadual atenda 100% das expectativas do homem do campo, se o dever de casa não for feito pela presidente eleita, Dilma Roussef (PT), o produtor vai continuar enfrentando dificuldades. O ideal é que haja harmonia e complementaridade nas ações das diversas instâncias do poder público. Caberá à presidente eleita equacionar um importante tripé para o setor produtivo rural crédito, seguro e instrumentos ágeis e eficientes na política de preços. De

pouco adianta ampliar o crédito se não houver políticas adequadas de garantias de preços mínimos e mecanismos de seguro que garantam a produção. Caberá também ao governo federal concluir grandes obras de infraestrutura, eliminando o gargalo logístico. Em Goiás, a conclusão da Ferrovia Norte Sul e a duplicação da BR-060 entre Goiânia e Jataí. Mudanças no Código Florestal, no sentido de estimular a produção sustentável também são pontos importantes.

Desafios para o próximo governador Campo Seguro

Infraestrutura e logística n Melhorar as condições de escoamento da produção agropecuária, investindo na integração de modais de transporte rodoviário, ferroviário, hidroviário e aéreo; ampliando as redes de telecomunicações e de energia elétrica e também ampliando a capacidade de armazenamento. Política Agrícola n Redução de impostos para aquisição de insumos, máquinas e implementos, simplificação da cobrança de tributos, programa local e complementar de seguro rural.

nPatrulhamento rural presente e eficiente, com efetivo valorizado e estrutura de apoio. Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural n Fomento e desenvolvimento da pesquisa agropecuária, da assistência técnica e extensão rural. Meio Ambiente n Revisão da Legislação Ambiental do Estado considerando os critérios técnicos e científicos, e a desburocratização do licenciamento ambiental.

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Schreiner entrega a Perillo o Documento Goiás. Publicação traz os desafios que o governador precisa enfrentar para desenvolvimento da agropecuária

VEJA NA PRÓXIMA EDIÇÃO Na segunda matéria da série Desafios de Governar, conheça quais os desafios que o Legislativo deverá enfrentar em nível estadual e nacional.

Segurança alimentar n Fortalecimento da defesa agropecuária, criação de programa de certificação e desenvolvimento de ações de educação sanitária. Responsabilidade social nInvestir na formação educação e profissional do homem do campo, ampliar o acesso a serviço básicos de saúde e erradicar a pobreza rural por meio de ações de geração de renda e oportunidades para as famílias. Fonte: Documento Goiás – Expectativas do Setor Produtivo Rural ao Próximo Governador


Gripe

bovina CAMPO |

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FERNANDO LEITE

Animais em confinamento são mais susceptíveis a adquirir doenças respiratórias

Com a elevação do volume de chuvas, aumenta também a incidência de doenças respiratórias no rebanho. Saiba quais os principais males e como proteger o gado CAMPO CAMPO ||

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Gripe

bovina RHUDY CRYSTHIAN revistacampo@faeg.com.br

O período chuvoso e as mudanças drásticas de temperaturas servem como um sinal de alerta para os produtores e criadores de gado. Aliado a estes fatores, o animal criado em confinamento fica mais propício à incidência de doenças respiratórias. Altamente contagiosas, que exigem tratamentos feitos de maneira rápida e com produtos específicos, o surgimento dessas doenças geram um custo adicional elevado ao criador. Os principais males são pneumonia, broncopneumonia dos bezerros, rinotraqueíte infecciosa bovina e tuberculose. A prevenção destas patologias é fundamental para o produtor. As ações preventivas representam a melhor forma de evitar impactos negativos para a rentabilidade da criação. São problemas que acometem, principalmente, os animais jovens em confinamento e podem causar sérios prejuízos caso o rebanho não tenha um bom manejo sanitário. Os animais que chegam para o confinamento, muitas vezes são transportados por longas distâncias, podem ficar enfraquecidos e estressados. Esta condição associada ao manejo e o clima de inverno, dias quentes e noites frias, contribuem para a ocorrência de pneumonia nos confinamentos. As doenças respiratórias aparecem em um rebanho em decorrência de práticas de manejo inadequadas associadas às más instalações, dentre outros fatores. O uso correto de medidas de manejo como a separação dos animais doentes, ambientes limpos e higiênicos são importantes para a prevenção. De acordo com o médico veterinário, Mário Silvio, as doenças respiratórias dos bovinos têm especial importância por serem as principais causas de prejuízos no rebanho. Na faixa etária de 45 dias, o bezerro está mais susceptível à doença pulmonar, devido à queda da resistência do animal. “Esta idade é crítica para bezerros, por causa de alguns fatores causadores de estresse, como a desmama”, explica. CAMPO |

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JOÃO FARIA

Ambiente propício

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Homilton Narciso, usa a prevenção como forma mais barata e eficiente de combate às doenças respiratórias do gado

Prevenção contra prejuízos A detecção precoce da doença é importante para a chance de sobrevivência do animal. O tratamento pode ser feito com antibióticos específicos. Outros medicamentos podem ser usados como coadjuvantes, tais como os mucolíticos e os expectorantes. Entretanto, o veterinário Mário Silvio afirma que é fundamental determinar quais as condições ambientais que estão colaborando para o aparecimento da doença. O tratamento de animais mantidos em ambientes úmidos e sujos certamente não terá sucesso. O criador de gado jersey no município de Pontalina, Homilton Narciso, usa a prevenção como forma mais barata e eficiente de combate às doenças respiratórias do gado. Ele realiza exames anuais para detectar a incidência de tuberculose e demais patologias ligadas aos problemas respiratórios. Homilton acredita ser muito importante a prevenção, principalmente, por questões econômicas. “Se 5% do rebanho estiver contaminado, eu gastaria dez vezes mais para tratá-los se comparados os gastos com exames preventivos”, calcula. O criador realiza análises constantes da qualidade e sanidade do leite também.

Triagem do gado Fora esses cuidados, todo o gado que chega à fazenda também é examinado antes de passar porteira para dentro. Ele conta que em sua região poucos criadores adotam essa medida preventiva. “Atualmente os bancos passaram a exigir laudos de exames para a liberação de financiamentos para a compra de gado. Por isso acredito que este cenário irá mudar”, espera. Homilton afirma que somente uma vez detectou a incidência de tuberculose em um animal e teve que sacrificá-lo. O fazendeiro conta ainda que começou a adotar medidas preventivas na fazenda devido a orientação profissional. Ele administra um rebanho de cerca de 160 animais na propriedade.

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ALERTA NO CAMPO BRONCOPNEUMONIA Afeta os pulmões dos animais. É causada, principalmente, por vírus, bactérias e helmintos pulmonares, mas há uma série de fatores predisponentes que causam queda da resistência, tornando o animal mais suscetível à doença pulmonar. É de ocorrência bastante comum, sobretudo em animais de criações leiteiras. É o segundo problema de saúde mais comum de bezerros jovens, com alta ocorrência de diarreia. As causas podem ser várias, mas em geral um conjunto de bactérias e vírus provoca a série de sintomas que caracterizam a doença. A broncopneumonia acontece como consequência da interação de três fatores: agentes causadores, condição geral do animal (nutrição) e condições ambientais (estresse, ventilação).

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PNEUMONIA Frequentemente acompanha outras doenças infecciosas. A doença é transmitida diretamente de um animal para outro. Infectado, o bezerro pode permanecer com o microorganismo incubado esperando um momento de queda na imunidade para desencadear o processo infeccioso. Sinais clínicos são muito variáveis e podem ser observados em combinação. No início do processo, o que se percebe são animais febris, com perda de apetite, tosse e bem apáticos. Com a evolução do quadro, esses sinais podem se tornar mais brandos, dando a falsa impressão de uma melhora. No entanto, a tosse continua e começa a haver a eliminação de uma secreção purulenta pelas narinas. Pode ocorrer diarreia. Animais gravemente afetados têm dificuldade para respirar e podem morrer.

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TUBÉRCULOSE BOVINA É uma zoonose, doença transmitida de animais ao homem e vice-versa. A transmissão ocorre, principalmente, pelo ar. Mas animais jovens também podem se infectar quando se alimentam com leite de vacas com tuberculose na glândula mamária. Os animais podem apresentar perda de peso, debilidade, febre, falta de apetite, dificuldade respiratória, tosse, corrimento nasal seroso ou purulento, linfonodos periféricos aumentados de tamanho. É necessário realizar periodicamente exames e sacrificar os animais positivos. No Brasil, os índices oficiais estão em 1,3% do rebanho nacional infectado, que representaria um número elevado, na ordem de 2,5 milhões de animais.

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RINOTRAQUEÍTE INFECCIOSA Doença causada por vírus. A taxa de animais positivos varia muito de uma região para outra, dependendo também do tipo de exploração pecuária realizado na propriedade. Quanto maior o contato entre os animais, maior é o contágio. A principal fonte de infecção são gotículas expelidas pela tosse, secreções nasais, oculares, vaginais, sêmen e líquidos e tecidos fetais. Pode ser transmitida por aerosol, monta natural, inseminação artificial e contato vulva-focinho. Este virus permanece latente nos animais que se recuperam da doença.

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PNEUMOENTERITE Conhecida também como inflamação dos pulmões e intestinos, a doença possui vários tipos. A pneumonia verminótica quase sempre está acompanhada por diarreia. Os sinais comuns são febre, falta de apetite, secreção nasal, ruídos pulmonares e diarreia. A utilização de antibióticos de amplo espectro é muito importante para atingir os microorganismos presentes no trato respiratório e nos intestinos.

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Tratamentos adequados Para obter sucesso na pecuária faz-se necessário elaborar um calendário profilático, esquematizando as épocas de vacinações. Atualmente, com a facilidade de transporte, tornou-se muito intensa a movimentação de animais de uma região para a outra. Com isto, houve grande disseminação de doenças entre os bovinos, principalmente, as doenças viróticas. Para controle, são utilizadas as vacinações como forma preventiva. Há vacinas que são aplicadas no

rebanho todo, outras somente em certas categorias de animais. Uma das práticas para bom manejo sanitário na pecuária de corte é a implantação de uma estação de monta, para concentrar os nascimentos dos bezerros na mesma época do ano. A vacinação é no momento a melhor opção para reverter os prejuízos.

Cuidados O tratamento vai depender da causa e etiologia da doença. Para as pneumonias de origem viral é utilizada

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a vacinação do rebanho como medida preventiva. Nas bacterianas, o uso de antimicrobianos é de extrema importância, sendo os mais eficazes as penicilinas, sulfas e quinolonas. Na parasitária, o uso de sulfóxido de albendazol tem mostrado excelentes resultados, podendo também ser usadas as ivermectinas. “Em casos mais graves e com comprometimento do estado geral do animal, devemos fazer um tratamento auxiliar com a utilização de soros, antipiréticos e anti-inflamatórios”, afirma Mário.


DELÍCIAS DO CAMPO

Salada de bacalhau ao molho pesto INGREDIENTES:

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porções

MODO DE PREPARO:

Desalgue o bacalhau na água e dentro da geladeira por 6 horas (trocar a água de 2 em 2 horas). Higienize a batata e corte quadrados médios com a casca. Pique o pimentão vermelho em cubos sem a parte branca e sem a semente. Tempere a batata e o pimentão com 5 dentes de alho picados, a cebola picada, sal a gosto, regue com azeite e leve ao forno aquecido a 150ºC por 30 minutos ou até a batata amolecer. Escorra a água do bacalhau. Em uma frigideira, doure o restante do alho picado no azeite e refogue rapidamente o bacalhau desfiado. Para o molho pesto, bata no liquidificador somente as folhas do manjericão (da salsa ou do coentro), o azeite, a castanha, o queijo e o alho. Em uma vasilha, misture a batata e o pimentão assados, o bacalhau e jogue por cima as castanhas de caju. Regue a salada com o molho e sirva.

CRISTIANO FERREIRA

500 gr de bacalhau em lascas 4 batatas médias 1 pimentão vermelho grande 10 dentes de alho picado 1 cebola grande picada 100 gr de castanha de caju Azeite 1 maço de manjericão ou 1 maço de salsa ou 1 maço de coentro 50 gr de castanha de baru sem a casca 100 gr de queijo parmesão ou minas ralado 2 dentes de alho Sal à gosto

Rendimento:

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RECEITA ELABORADA POR : CRISTIANO FERREIRA DA SILVEIRA, TECNÓLOGO EM GASTRONOMIA E INSTRUTOR DE COZINHA RURAL DO SENAR, EM GOIÁS.

> COMO PARTICIPAR: Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue: (62) 3096-2200.


CASOS DE SUCESSO

Gosto por aprender Após participar de treinamentos do Senar, produtor descobre as próprias aptidões e economiza com doma, casqueamento e cercas KARINE RODRIGUES karine@faeg.com.br

Quem visita pela primeira vez uma propriedade rural não imagina o trabalho que dá fazer um metro de cerca, tornar manso um animal bravo e, muito menos, fazer o casqueamento. O produtor rural Sebastião Cardoso, de Vianópolis, depois de participar de treinamentos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), domina todas essas artes. Antes dessas experiências de aprendizado, o produtor rural sofria com dois cavalos: o Dourado, de 2 anos, e o Merrinho, 2 anos e meio, que eram extremamente ariscos e descontrolados. Sebastião explica que conseguiu domá-los depois que fez o treinamento de Doma Racional em Equinos. O produtor rural relata que aprendeu a fazer doma de animais quando era criança com o pai. Porém, fazia de maneira errada, se feria e machucava os animais. “Depois do curso, a gente passa a tratar o animal melhor, sem estressá-lo. Consigo o que quero sem fazer mal ao bicho. Já me sinto seguro para domar qualquer animal”, diz. O cavalo Dourado é da sobrinha de Sebastião e ainda está em processo de doma. Já está mais calmo, obedece ao comando humano e pode ser montado de qualquer lado. O cavalo Merrinho é de Sebastião. “Ele foi mais fácil de domar e ficou manso mais cedo que Dourado”, conta. O produtor diz que antes tentava montar o animal bravo de qualquer jeito, agora, primeiro faz a rédea para depois tentar montálo. “A maneira de lidar com o animal mudou muito depois do curso”, destaca. CAMPO |

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O produtor soube dos treinamentos pelo Sindicato Rural de Vianópolis. Depois do aprendizado, ele mesmo faz o casqueamento dos animais da fazenda e doma os cavalos para a lida com o gado e para participar de cavalgadas, um hobby de Sebastião. Além dos treinamentos de doma, casqueamento e de cerca, Sebastião também se profissionalizou como tratorista, tratamento de madeira e reforma de pastagem. “Todo curso que eu puder fazer é muito proveitoso, mesmo que não for exercer o ofício, poderei acompanhar o trabalho do meu funcionário e orientá-lo”, enfatiza. Economia Esse ano, Sebastião fez o treinamento de cerca e sozinho já construiu 2.200 metros. “Não é fácil fazer cerca é um trabalho pesado, mas gosto de eu mesmo fazer, porque fica mais barato e faço com interesse. No máximo pago um ajudante de vez em quando”, diz satisfeito com a economia que realizou. O produtor decidiu estender a capacitação ao corpo funcional. O funcionário de Sebastião, Roni de Castro, já participou de treinamentos para operação de tratores e aplicação defensivos. Mas, o gosto pelo aprendizado também foi difundido na família. O filho de Sebastião, que é engenheiro agrônomo, se tornou, em setembro, instrutor em administração rural do Senar. | JANEIRO/2011


FERNANDO LEITE

Sebasti達o acaricia Dourado. Animal era arisco e n達o deixava ser montado

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CURSOS E TREINAMENTOS > COMO PARTICIPAR: Procure o Sindicato Rural, Associação de Produtores e Prefeitura de sua cidade e saiba quais cursos e treinamentos serão ministrados em sua região. (62) 3545-2600

Animais peçonhentos KÁTIA MACEDO macedoagronegocios@hotmail.com

Animal peçonhento é aquele capaz de injetar o veneno em sua vítima, seja para se defender ou para paralisar a presa. Entre os mais conhecidos e encontrados em Goiás estão as serpentes. Elas aparecem com mais frequência no verão, ocasião que saem para se acasalar. De acordo com o Centro de Informação Toxicológico de Goiânia, no primeiro semestre de 2010 foram notificados em

Goiás 1.231 casos de acidentes com animais peçonhentos. Destes, 589 foram atacados por serpentes, que resultaram em 2 óbitos. Devido à grande variedade de espécies, hospitais e postos de saúde têm dificuldades em reconhecer os sintomas e administrar o soro antiofídico da forma correta. Por esta razão, é recomendado que a vítima, se for possível, leve o animal consigo ou descreva as características para o médico. No local onde ocorrer o acidente, antes de procurar socorro médico, algumas ações simples podem salvar vidas. O local ferido deve ser lavado com água e sabão, manter o acidentado em repouso e levar a pessoa imediatamente a um profissional da saúde. Por outro lado, é imprescindível que se evite fazer torniquetes; cortar e chupar o local ferido; ingerir gasolina, querosene, leite ou bebida alcoólica; e colocar pó de café ou algum tipo de raiz no machucado.

3.766 508 1.116 151 39 108 1.346 498

CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL

DE JANEIRO A DEZEMBRO, O SENAR PROMOVEU

Na área de agricultura

Em atividade de apoio agrossilvipastoril

Na área de silvicultura

Em agroindústria

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Na área de aquicultura

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Na área de pecuária

Em atividades relativas à prestação de serviços


Contra ataques A família rural precisa ter cuidado, pois está sempre em contato direto com animais peçonhentos. Por esta razão é importante que medidas simples sejam tomadas para evitar ataques. Entre eles está a necessidade de manter o lixo sempre afastado, pois ele atrai ratos e insetos, que são alimentos das cobras. Já escorpiões, se alojam dentro de tijolos e outros tipos de entulhos. Não espante os animais considerados inimigos naturais das serpentes, como as emas, seriemas, gaviões e gambás, assim como é sempre bom ter galinhas ou gansos, que afastam as cobras e comem os escorpiões. Olhe bem por onde anda, observe dentro dos sapatos antes de calçá-los, sempre ir ao campo de botas ou botinas, pois 80% dos

acidentes com serpentes são nos membros inferiores. Quando for vestir alguma peça de roupa, balance-a antes e evite encostar camas e berços nas paredes da casa. Trabalhe com luvas e nunca coloque a mão nem os pés dentro de cupinzeiros. A atenção e a educação fazem a diferença. As serpentes fazem parte de um meio ambiente equilibrado e não se pode matá-las desordenadamente. O ataque é motivado pela invasão do território delas e pela destruição de sua cadeia alimentar. Por isso, saem do habitat e vão se alimentar em locais que ofereçam comida. *Kátia Macedo é zootecnista, pedagoga e instrutora do Senar, em Goiás. Foi gerente técnica do setor de animais peçonhentos da Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins.

1.290 49.784 546 105 85 164 390 CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL

PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

Alimentação e nutrição

Organização comunitária

Saúde e alimentação

Prevenção de acidentes CAMPO |

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Artesanato

> Para saber mais consulte nosso site: www.senargo.org.br


ALEXANDRE CERQUEIRA

CAMPO ABERTO

Recuperação e expectativas JOSÉ MÁRIO SCHREINER* presidencia@faeg.com.br

Recuperação. Esse foi o sentimento que marcou 2010 em relação à crise econômica que se alastrou pelo mundo. Desde 2008, a recessão colocou em queda praticamente todos os indicadores macroeconômicos mundiais. Porém, os números registrados neste ano que termina, demonstram que a economia e o setor agropecuário tiveram melhor desempenho que em 2009. Para se ter uma ideia desta retomada, a expectativa do mercado para a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano é de mais 8% em relação ao ano anterior. No setor agropecuário, o recorde de produção registrado na safra 2009/2010 rendeu um crescimento de quase 8%. Goiás caminhou na mesma direção. Foram mais de R$ 18 bilhões vindos da produção agropecuária. Ganhos revertidos na geração de postos de trabalho e saldos positivos na balança comercial goiana. Cerca de 65 mil pessoas foram empregadas no campo e as exportações goianas do agronegócio fecham o ano próximo aos US$ 3 bilhões. O potencial de crescimento do setor agropecuário de Goiás e seu impacto sobre a economia goiana e nacional é altamente significativo. Nos próximos cinco anos temos condições de aumentar a produção de grãos de 13 para 18 milhões de toneladas, sem incorporar novas áreas ao processo produtivo trabalhando, sobretudo, com a recuperação das pastagens degradadas. Também temos a capacidade de ampliar a produção de leite, carnes, frutas, florestas promovendo ganhos positivos às exportações do Estado. O ano de 2010 terminou com um convite ao progresso. A sociedade teve o privilégio de decidir sobre seus governantes e, com eles, os rumos que o País seguirá. Não diferentemente, 2011

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começa com muitas expectativas e desafios na mesma medida. As projeções dos principais indicadores da economia seguem a tônica da política econômica atual. O governo prospecta crescimento do PIB, mas mantém a meta de inflação. O novo governo já deu sinais de que não alterará a condução da política econômica e que atuará num controle maior dos gastos para reduzir a taxa de juros. O que traz certa tranquilidade ao mercado. Porém, o desafio continua sendo a valorização do real que tem tirado a competitividade de nossos produtos. De olho no mercado e no clima, os produtores começam a acompanhar um aquecimento dos preços de insumos essenciais à produção e das commodities no mercado internacional (soja, milho, trigo e fertilizantes). A consequência poderá ser aumento dos custos de produção. Em 2011, também estarão em pauta alguns temas conjunturais recorrentes, mas que deles depende o desenvolvimento equilibrado do setor agropecuário. Falar em ampliação da produção de alimentos significa, obrigatoriamente, tratar de investimentos em infraestrutura, assistência técnica e extensão rural, pesquisa agropecuária e seguro de renda a quem produz. Passa pelas discussões sobre os desafios ambientais, os acessos aos mercados, as Parcerias Público-Privadas rurais e pela formação e capacitação de mão de obra para o campo, em um esforço contínuo contra o “apagão de mão de obra”. Não é possível caminhar rumo à evolução sem políticas públicas rurais que apoiem os passos dados. Esses temas deverão ser discutidos a fundo, pois os clientes da agropecuária, desejam posições ponderadas sobre esses fatores. *José Mário Schreiner é presidente do Sistema FAEG/SENAR e presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA.

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2011 01 janeiro