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ISSN 2178-5781

Ano XIII | 207 | Setembro 2012 9912263550

Hortaliças A logística é um dos grandes desafios para a consolidação do segmento

Vez e voz à democracia

Debates de propostas e ideias mobilizam candidatos e sociedade em Goiás

Morangos Cultura promete bons resultados para produtores

Ração Aumento de grãos afeta alimentação animal


PALAVRA DO PRESIDENTE

CAMPO

O Que Esperamos do

A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.

CONSELHO EDITORIAL Bartolomeu Braz Pereira; Claudinei Rigonatto; Eurípedes Bassamurfo da Costa; Marcelo Martins Editores: Francila Calica (01996/GO) e Rhudy Crysthian (02080/GO) Reportagem: Rhudy Crysthian (02080/GO) e Leydiane Alves Fotografia: Jana Tomazelli Techio, Larissa Melo Revisão: Cleiber Di Ribeiro (2227/GO) Diagramação: Rowan Marketing Impressão: Gráfica Talento Tiragem: 12.500 Comercial: (62) 3096-2200 revistacampo@faeg.com.br

DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis; José Manoel Caixeta Haun. Vice-Presidentes Institucionais: Bartolomeu Braz Pereira, Estrogildo Ferreira dos Anjos. Vice-Presidentes Administrativos: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares Ribeiro. Suplentes: Wanderley Rodrigues de Siqueira, Flávio Faedo, Daniel Klüppel Carrara, Justino Felício Perius, Antônio Anselmo de Freitas, Arthur Barros Filhos, Osvaldo Moreira Guimarães. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Vilmar Rodrigues da Rocha, Antônio Roque da Silva Prates Filho, César Savini Neto, Leonardo Ribeiro. Suplentes: Arno Bruno Weis, Pedro da Conceição Gontijo Santos, Margareth Alves Irineu Luciano, Wagner Marchesi, Jânio Erasmo Vicente. Delegados representantes: Alécio Maróstica, Dirceu Cortez. Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira, Walter Vieira de Rezende.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Elias D’Ângelo Borges, Osvaldo Moreira Guimarães, Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Alair Luiz dos Santos, Elias Mourão Junior, Joaquim Saêta Filho. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Edmar Duarte Vilela, Sandra Pereira Faria do Carmo. Suplentes:

Próximo Prefeito

A

s eleições municipais se aproximam, e pensando em uma administração pública participativa, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e os Sindicatos Rurais filiados à entidade, estão realizando nos municípios goianos debates com os candidatos a prefeitos. A iniciativa é a terceira etapa do Seminário Estadual O Que Esperamos do Próximo Prefeito. O programa entra agora na fase que chamamos de devolutiva, onde compartilhamos com toda sociedade, em especial, com os candidatos a prefeito, vices e vereadores, das expectativas que foram levantadas. Cerca de 70% dos representantes da sociedade de Goiás participará das discussões. De todas as consultas e tabulações de relatos, foram elaboradas as Agendas de Desenvolvimento de cada um dos municípios, contendo todas as expectativas levantadas pelos participantes e que serão apresentadas aos candidatos nos debates municipais. Queremos que a população participe das discussões para conhecerem de perto os planos e metas de seus candidatos. A Faeg espera contribuir com o aprimoramento do debate eleitoral, auxiliar a sociedade a pensar em desenvolvimento de sua comunidade, e até fazer com que pessoas que estão descrentes em relação à classe política possam se inserir em um debate, que de fato, tenha condições de mudar a forma de fazer política.

Henrique Marques de Almeida, Wanessa Parreira Carvalho Serafim, Antônio Borges Moreira. Conselho Consultivo: Bairon Pereira Araújo, Maria José Del Peloso, Heberson Alcântara, José Manoel Caixeta Haun, Sônia Maria Domingos Fernandes. Suplentes: Theldo Emrich, Carlos Magri Ferreira, Valdivino Vieira da Silva, Antônio Sêneca do Nascimento, Glauce Mônica Vilela Souza. Superintendente: Marcelo Martins FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222

José Mário Schreiner Presidente do Sistema FAEG/SENAR

Site: www.sistemafaeg.com.br E-mail: faeg@faeg.com.br

Alexandre Cerqueira

Fone: (62) 3545-2600- Fax: (62) 3545-2601 Site: www.senargo.org.br E-mail: senar@senargo.org.br

Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2208 - (62) 3096-2248 (62) 3096-2115.

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Jana Tomazelli

InsƟtuto Análise

PAINEL CENTRAL

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Prosa Rural Especialista em análise de dados e pesquisas voltadas para o setor público e privado, com foco em temas sociais e políticos, Alberto Carlos Almeida fala com a Revista Campo sobre comportamento social, opinião pública em relação à politica local e principais demandas do setor para melhorar a imagem perante a sociedade.

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Fruticultura

Agenda Rural

06

Fique Sabendo

07

Campo Responde

32

Delícias do Campo

33

Campo Aberto

38

Jana Tomazelli

Cultivar morangos se torna uma novidade rentável no Estado, mas prática exige cuidados já que a cultura é muito sensível a alterações climáticas e características de solo.

Obstáculo na horta

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Estado ainda é grande importador de verduras e legumes. Produtores reclamam de falta de logística para crescerem.

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ShuƩer

O que a sociedade quer de um prefeito

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Na terceira etapa do projeto O Que Esperamos do Próximo Prefeito candidatos se encontram para debater suas propostas.

14

CanaCentro 2012 Evento reúne produtores rurais, entidades organizadas, governo e os maiores usineiros do Centro-Oeste para tratar de questões do setor.

A terceira etapa do projeto O Que Esperamos do Próximo Prefeito já está em andamento no Estado.

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Aumenta ração animal

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Suinocultores reclamam da elevação nos preços da soja e milho. Principais ingredientes para mistura de ração animal, elevam gastos com ração para gado, aves e suínos.

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AGENDA RURAL

SETEMBRO 19 de Setembro Apresentação a Patrocinadores Local: São Paulo Informações: (62) 3096-2200

12/09 Encontro dos Médicos Veterinários do Estado de Goiás (CRMV) Local: Câmpus Samambaia, Goiânia Informações: 3269-6500

13/09

14/09

Solenidade de entrega de 2% da produção Seminário Regional de Legislação Previdendo Programa Lavoura Comunitárias à Orgaciária Rural nização das Voluntárias de Goiás (OVG) Local: No Sindicato Rural de Morrinhos Local: Palácio Pedro Ludovico Teixeira Informações: (64) 3416-2275 Informações: 3096-2200

11 a 16/09

15/09

21/09

Festa do Leite e aniversário de 162 de Orizona Local: Parque de Exposições de Orizona Informações: (64) 3474-1597

Abertura da 3ª Expocéu Local: Parque de Exposições de Chapadão do Céu Informações: (064) 3634-1486

Pós-graduação em Gestão do Agronegócio em parceria com a Rehagro Local: Miniauditório do Senar, Goiânia Informações: 3545-2600

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FIQUE SABENDO ARMAZÉM

REGISTRO GuƟérisson Azidon

GuƟérisson Azidon

Complexos Industriais Integrados

FAEG 60 anos A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) lançou, no mês de julho, o livro FAEG 60 anos, que conta a história da instituição. Com uma árdua investigação nos mais diversos arquivos históricos e inúmeras entrevistas, a FAEG apresenta um trabalho completo que resgata toda a sua evolução. A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás nasceu Federação das Associações Rurais de Goiás (FAREG), em 28/05/1951. Portanto, comemoramos 61 anos de sua fundação. Muitos são os produtores, lideranças e personagens que contribuíram na construção da credibilidade e do respeito da entidade.

Foi lançado, no dia 29 de agosto, pelo governador Marconi Perillo o projeto Complexos Industriais Integrados (CII), que visa fomentar o crescimento da economia goiana. Os primeiros complexos serão construídos em Goiânia e Rio Verde e vão associar infraestrutura e políticas industriais que facilitem a integração entre empresas de ramos semelhantes e o escoamento da produção. Na ocasião, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, juntamente com o governador

Marconi Perillo e entidades do setor industrial, participou da assinatura dos protocolos de lançamento dos CII. Estiveram na solenidade os secretários de Indústria e Comércio, Alexandre Baldy, de Segurança Pública, João Furtado, da Fazenda, Simão Cirineu e de Ciência e Tecnologia, Mauro Faiad, além de representantes do setor industrial. Segundo o secretário de Indústria e Comércio, Alexandre Baldy, a expectativa é que os dois complexos já estejam em funcionamento no ano de 2013 e gerem de 10 a 15 mil empregos.

PESQUISA

Novas variedades de mandioca O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) apresentou duas novas cultivares de mandioca, IPR União e IPR Upira, desenvolvidas em parceria com a Associação Técnica das Industrias de Mandioca do Pará (Atimop) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). A IPR União produz em torno de 20% mais amido que a média das outras variedades,

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o que pode representar ganhos na comercialização de até 30%. A linhagem é considerada tardia, porque o ideal é que seja colhida entre 15 e 24 meses após o plantio. “A União produz praticamente a mesma quantidade que outras variedades. Mas como o mais importante é o teor de amido, ela cumpre bem o seu papel”. Já a IPR Upirá, tem o nome

indígena que significa alimento e leva em torno de 20 minutos para cozinhar, quando a média é de 30. O agricultor poderá colher a mandioca Upirá um ano após o plantio, quando a maioria dos produtores já colheu e vendeu a produção. As duas linhagens ainda estão em fase de registro no Ministério da Agricultura. A expectativa é que até o fim do ano elas sejam lançadas.

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PROSA RURAL InsƟtuto Análise

ALBERTO ALMEIDA Autor do livro recém lançado Quem disse que não tem discussão?

Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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A

lguns grupos sociais

Revista Campo: Recen-

a população desenvol-

temente, você lançou o

ver uma opinião sobre o

organizados não

livro Quem disse que não

assunto. Por exemplo, os

tem discussão, que é um

sindicatos dos trabalhado-

são reconhecidos

convite à reflexão sobre o

res tem uma visibilidade

funcionamento da política

da população por conta de

e das instituições na socie-

greves, manifestações que

dade brasileira. Nos conte

interrompem vias públi-

um pouco sobre a obra.

cas, ocupação de prédios.

Alberto Almeida: Esse

Quando vai além disso,

livro traz os artigos que

nem sempre a população

Doutor em Ciência Política

foram publicados no jornal

tem um visão.

e sócio-diretor do Instituto

Valor Econômico nos últi-

como deveriam na população. Isso acontece devido à falta de visibilidade perante a sociedade. Essa análise é do

mos anos. É um trabalho

Revista Campo: Como

baseado no que a popula-

você acha que essas

Almeida. Autor de diversas

ção pensa sobre o voto, as

entidades poderiam se

obras do cenário político como

eleições, sobre a política

tornar mais visíveis para

no Brasil.

modificar a visão que elas

Análise, Alberto Carlos

A Cabeça do Eleitor e, o mais

passam para a população Revista Campo: Pela sua

em geral?

experiência nos últimos

Alberto Almeida: A

livros publicados, o que a

maneira é fazendo campa-

considera as grandes questões

população pensa sobre os

nhas que dizem respeito à

nacionais e propõe estratégias

grupos organizados, como

população. Mas isso não

a Faeg, Sebrae, Senai,

acontece de uma hora para

entre outros?

outra. Leva anos, acúmulo

Ciência Política, Alberto tem

Alberto Almeida:

de campanhas e uma pre-

experiência em elaboração e

Existem assuntos que a

sença constante. Isso exige

população não tem muita

comunicação permanente

informação. Vários gru-

com a sociedade.

recente, Quem disse que não

tem discussão? Ele discute o que

para solucioná-las. Doutor em

monitoramento de estratégias de comunicação em campanhas eleitorais e na implementação de políticas públicas.

pos organizados que, sem dúvidas, são muito impor-

Revista Campo: Você

tantes, mas não tem uma

acha que essas entidades

visibilidade que permita

contribuem de alguma

Eleitor Brasileiro Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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forma para implementação de polí-

flito permanente entre o interesse

negativos. Ou ele é visto como um

ticas sociais no país, para melhorar

rural e da cidade. Eu acredito que

desinformado, ou como aquele des-

a vida da sociedade de uma forma

a sociedade terá que buscar pontos

matador. Como o homem do campo

geral?

de convergências. Recentemente, eu

poderia ficar mais valorizado peran-

Alberto Almeida: Sim. Essas

estive estudando casos de alguns

te à sociedade?

entidades, de um modo geral, fazem

países, como por exemplo, a Austrá-

Alberto Almeida: São imagens

isso. Algumas mais que as outras.

lia, onde, incentivado pelo governo

que não ajudam. Eu acredito que é

Os interesses organizados são im-

australiano, teve no passado uma

mais fácil, com o passar do tempo

portantes por se tratar de um canal

devastação da vegetação nativa para

e já caminhando para isso, se livrar

de comunicação entre a sociedade e

a formação de fazendas. Com o pas-

dessa imagem de desinformado.

o governo. Isso ajuda a aperfeiçoar

sar do tempo, eles descobriram que

Por conta até da imagem geral da

várias decisões governamentais.

aquilo não tinha uma produtividade

agricultura de produtividade. Agora

esperada. E agora, eles estão fazendo

o outro tipo de produtor rural, que

Revista Campo: Nas pesquisas

um movimento contrário. Eles pen-

é visto como um grande empresário

que realizou em todo país, deve

sam na adequação maior da ativida-

devastador é mais complicado. É

ter constatado uma descrença dos

de rural com a preservação do meio

preciso da ajuda desse segmento

eleitores em relação aos grupos

ambiente. É interessante o exemplo

para trabalhar essa imagem. Para

políticos brasileiros. Você conse-

australiano, ainda que não se adeque

transformar o modo como os pro-

guiu chegar a uma causa que tenha

à realidade do Brasil, por se tratar de

dutores são vistos, eles terão que

motivado essa desmotivação da

um país de primeiro mundo. O ponto

realizar coisas na direção de preser-

sociedade?

de contato é uma discussão que con-

vação. E até mesmo, abrir mão da

Alberto Almeida: Existe um em-

cilie uma coisa com a outra.

lucratividade para mudar essa visão

pate desproporcional de escândalos

que as pessoas da cidade têm.

de corrupção. Como exemplo, alguns Revista Campo: Como o produ-

anos atrás, várias entidades filantrópicas ficaram sob a mira do noticiário, sendo taxadas de “pilantropia” e não filantropia. Isso é muito negativo. Existem os escândalos mais tradicionais de corrupção que atingem os políticos, mas situações dessa natureza são ruins para todos. Aquelas entidades que não têm nenhum tipo de denúncia contra elas, acabam sendo atingidas também. Esse é o principal motivo da descrença, a falta de credibilidade devido a esses escândalos.

É importantíssimo

tor rural pode usar a política a seu

que o produtor

Alberto Almeida: A primeira coisa

seja mais ativo

favor? é conquistar o poder local e utilizá-lo de forma que atenda os interes-

e participe da

ses do município de um modo geral.

política, que

ção urbana é maior que a rural. É ne-

esteja à frente de políticas inovadores

Porque querendo ou não, a populacessário se adequar à realidade. Mas é importantíssimo que o produtor seja mais ativo e participe da política, que esteja à frente da criação de políticas inovadoras.

Revista Campo: Em que pontos

Revista Campo: O produtor rural

você acha que os interesses ou

está bem representado nas esferas

pensamentos do homem do campo

públicas?

diverge e converge com o homem

Revista Campo: Às vezes o pro-

Alberto Almeida: No congres-

urbano?

dutor rural é tido com dois perfis

so nacional eu não tenho a menor

Alberto Almeida: Existe um con-

distintos, que muitas vezes são

dúvida.

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MERCADO E PRODUTO

Crise do Leite

D

epois de um início de ano favorável para a atividade leiteira, com preços mais remuneradores, assegurando margens mais confortáveis aos produtores, a situação, a partir da entressafra, mudou desfavoravelmente, deteriorando a renda do produtor de leite. A atividade leiteira passa, neste momento, por uma situação de dificuldade que se intensificou no início da entressafra com queda nos preços de leite (agora com preços estáveis) e um forte aumento dos custos de produção, principalmente, relacionados à suplementação alimentar do rebanho. Sabemos que o mercado de leite pode sofrer variações durante o ano devido a diversos fatores, tais como: políticas econômicas, sazonalidade da produção leiteira, qualidade do leite, dentre outros. São inúmeros aspectos que fazem da atividade leiteira uma atividade extremamente complexa. Neste momento, em que a região Centro-Sudeste está no período de entressafra, alguns fatores estão tendo um peso maior na situação vivida pelo produtor de leite. A sazonalidade da produção é um fator preponderante nesta equação, nesta época do ano. Comumente, na região Centro-Sudeste, os preços de leite tenderiam a ser maiores, devido à redução das chuvas, o que diminui a abundância de pastagens, encarecendo os custos de produção. Ao contrário da região Sul do País, onde se caracteriza por um período de safra de inverno, onde há uma abundância maior de pastagem e ocorre aumento da produção de leite. Segundo dados do CEPEA/USP, a captação de leite no mês de junho/2012 aumentou 4% nos principais estados produtores, com um acréscimo no acumulado no ano ( janeiro à junho/2012) de 2,4%. Esse impacto se deu em grande parte pela produção que foi maior na região Sul, onde a safra de inverno ganhou força com o clima favorável à produção de forrageiras. No entanto, a produção na região Centro-Sudeste não tem acompanhado o aumento da produção do Sul. Além da variação da produção, há outras duas principais razões que influenciaram para essa situação de dificuldade enfrentada pelo produtor de leite neste momento. Uma delas se refere às importações desenfreadas de lácteos, que apesar da pequena queda ocorrida de junho para julho/2012, ainda permanece em patamares muito elevados prejudicando a produção nacional. Somente no mês de julho/2012 o Brasil importou mais de 6,3

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mil toneladas de leite e derivados, perfazendo cerca de 61 milhões de litros de leite, um déficit de US$ 27,1 milhões na balança comercial de lácteos. Deste volume, 47% e 45% foram provenientes do Uruguai e Argentina, respectivamente. A pequena queda das importações no mês de julho/2012 é uma sinalização importante, no intuito de amenizar a crise porque passa a pecuária leiteira neste momento, mas ainda é insuficiente. É necessária uma ação mais rigorosa do governo brasileiro no sentido de poder controlar o nível dessas importações para que não venham a agravar ainda mais a situação da pecuária nacional. O aumento dos custos de produção ocasionados principalmente pelo aumento dos preços das commodities milho e soja, utilizadas na alimentação animal, só veio a agravar mais ainda a situação. De julho/2011 ao mesmo período deste ano, os custos operacionais de produção de leite aumentaram em torno de 14%, segundo a Embrapa Gado de Leite. Somente a soja, teve seu preço elevado em 63,3% no Estado de Goiás, passando de R$ 40,20/sc 60 kg em julho/2011 para R$ 65,67/sc em julho/2012. O aumento destes custos impactou significativamente na renda do produtor, podendo afetar os níveis de investimentos na atividade. Apesar da realidade atual, espera-se que o mercado possa reagir fazendo com que não se deteriore mais ainda a renda na atividade leiteira. Um fato importante que pode contribuir para essa reação, foram as previsões realizadas pela Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), que anunciou que acredita em um aumento de vendas do leite UHT em 2012 em 3,5% e 4% em relação à 2011, com recuperação no segundo semestre deste ano. É um fato extremamente importante, tendo em vista que este é um produto com peso significativo no consumo de lácteos pelos brasileiros, em torno de seis bilhões de litros/ano. Neste momento de preços estáveis e custos elevados, sugere-se cautela aos produtores de leite que analisem bem os investimentos a serem realizados e avaliem estratégias para que possam amenizar o impacto do aumento atual dos custos de produção na sua atividade, seja na busca de novos alimentos na dieta do rebanho leiteiro; no manejo do rebanho; na estocagem dos alimentos; no balanceamento da dieta para vacas conforme o potencial produtivo, etc. Enfim, faça a gestão da sua atividade levando-se em consideração dos custos e benefícios.

Carlos Costa

Edson Alves | edson@faeg.com.br

Edson Alves Novaes é gerente de Estudos Técnicos e Econômicos da Faeg.

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AÇÃO SINDICAL ALTO PARAÍSO

Festa Junina

Planejamento estratégico

Foi realizada, no dia 16 de junho, a 1ª Festa Junina do Sindicato Rural de Montes Claros. A festa foi no salão de eventos da entidade e contou com os produtores mais atuantes da região, aproximadamente 200 pessoas participaram da festa. O evento ofereceu comidas típicas e um show ao vivo com o cantor Glauber Brito. (Colaborou: Eliane Tavares de Oliveira)

O Sindicato Rural de Alto Paraíso, por meio de uma parceria entre o Sistema Faeg/Senar e o Sebrae, realizou no último dia 26 de julho o Plano Estratégico de Qualificação Profissional Rural. O encontro foi realizado para discutir quais são as principais cadeias produtivas existentes e as reais necessidades de capacitação do setor produtivo em prol do desenvolvimento sustentável da região. Anualmente, são capacitados mais de 250 pessoas e oferecidos 105 treinamentos nas áreas de Formação Profissional Rural (FPR) e Promoção Social (PS), pelo Senar, em Goiás.

ESPECIALIZAÇÃO

Pós-graduação em Gestão do Agronegócio Lea Matswmoto

Sindicato Rural de Montes Claros

MONTES CLAROS

CAPACITAÇÃO

Treinamento ITR Com o objetivo de sempre oferecer oportunidades e alternativas em prestação de serviços aos Sindicatos Rurais, o Sistema Faeg/Senar realizou nos dias 14, 15 e 16 de agosto um treinamento sobre ITR. O objetivo foi capacitar os colaboradores dos Sindicatos para oferecerem este serviço aos filiados e servir como atrativo a outros produtores se filiarem. Também constituiu uma forma de garantir a atualização do cadastro do produtor junto à Receita Federal para evitar que venham a ter futuras cobranças em decorrência de erros. (Colaborou: Antelmo Teixeira – Gerente Sindical)

Começou nos dias 20 e 21 de julho os primeiro e segundo módulos do curso de Pós-graduação em Gestão do Agronegócio oferecido pela instituição de ensino Rehagro em parceria com o Sistema Faeg/ Senar. O curso oferece, por meio de profissionais com conhecimento teórico e ampla experiência prática, uma visão integrada dos vários segmentos da gestão de empresas, sempre com foco em ampliar resultados no agronegócio. Os técnicos responsáveis pela supervisão das ações do Sistema, nas oito macrorregiões do Estado, estão participando do curso.

CÂMARA MUNICIPAL

Vice-presidente da Faeg é homenageado O vice-presidente da Faeg e advogado, José Manoel Caixeta Haun, foi homenageado no último dia 9 de agosto, na Câmara Municipal de Goiânia com uma Comenda pelo exercício e contribuição da advocacia no Estado. Com uma iniciativa do vereador Virmondes Cruvinel Filho (PSD), a Câmara Municipal de Goiânia realizou uma Sessão Especial como uma das ações para comemorar o Dia do Advogado. José Manoel é advogado há 12 anos. Ele também é pecuarista de corte no município de Vianópolis e ocupa, o cargo de presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg. 12 | CAMPO

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Colhedora de café

PM homenageia assessor da Faeg

O Sindicato Rural de Cabeceiras trabalha cada vez mais para trazer ao produtor rural novidades em treinamentos e capacitação profissional. Entre os dias 10 a 14 de julho a entidade promoveu o primeiro treinamento do Estado em operação e manutenção de colhedora de café na Fazenda Salto/Trier, do produtor José Américo Miari, e na Fazenda Agropecuária Lagoa Formosa Bolívia II/Repel, propriedade de Wilson Batista do Couto.

PES

Aperfeiçoamento Em continuidade ao Programa do Empreendedor Sindical (PES) foi oferecido aos colaboradores dos Sindicatos Rurais participantes deste Programa um treinamento com conteúdos de gestão, atendimento ao cliente, comportamental e liderança. A 1ª turma participou nos dias 30, 31 de julho e 1º de agosto no Augustus Hotel e a 2ª turma foi nos dias 29, 30 e 31 de agosto.

CATALÃO Sindicato Rural de Catalão

Missa Sertaneja

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Polícia Militar de Goiás

CATALÃO

Sindicato Rural de Cabeceiras

CABECEIRAS

O assessor jurídico da Faeg, Augusto César de Andrade, recebeu no último dia 3 de agosto a comenda alusiva à Ordem do Mérito Tiradentes, da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO). A solenidade fez parte das comemorações de aniversário dos 154 anos da polícia goiana, e aconteceu na sede da Academia da Polícia Militar, no Setor Leste Universitário. A medalha também agraciou juízes, advogados e demais profissionais do direito e segurança pública que de alguma forma contribuíram com o trabalho da polícia militar goiana. Augustos é advogado há 20 anos e há 15 assessora os produtores rurais por meio da Faeg. A Ordem do Mérito Tiradentes foi criada na Polícia Militar do Estado de Goiás em 2008 com a finalidade de reconhecer e valorizar as autoridades, entidades civis e corporações militares pelas ações e méritos excepcionais em prol da instituição. A Ordem do Mérito nasceu a partir da Medalha Tiradentes, sendo estabelecida uma classificação em três graus: Comendador, Grande Oficial e Grã-Cruz.

Para celebrar o êxito e brilhantismo da 34ª Exposição Agropecuária de Catalão, o Sindicato Rural do município promoveu, no dia 19 de julho, uma missa sertaneja. A missa foi celebrada pelo Padre Elias e animada pela Banda Harmonia Sertaneja, que contagiou os presentes com as músicas religiosas adaptadas ao estilo sertanejo raiz. A decoração também foi especial, com artefatos do campo (pilão, feno, colcha de retalhos, moveis rústicos, ferramentas e utensílios) usados na atividade rural. Segundo o presidente do Sindicato, Sebastião Vilmar da Rocha, a expectativa é que este evento possa se tornar uma tradição nos anos seguintes. (Colaborou: Rubens Rodrigues de Cássia)

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Jana Tomazelli

SISTEMA EM AÇÃO

Presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, modera painel no evento

Setor unido para o crescimento da atividade CanaCentro 2012 reúne produtores e indústria para tratar de temas de interesse para a expansão do setor Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

C

om o auditório lotado de autoridades, produtores, industriais e estudantes foi realizado, nos dias 15 e 16 de agosto, o 1º Congresso do Setor Sucroenergético

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do Brasil Central - CanaCentro 2012. Mais de 450 pessoas acompanharam os três painéis debatidos no evento. Cenário Macroeconômico do Setor Sucroenergético, Desenvolvimento

e Mercado da Cana-de-Açúcar entraram na pauta. O CanaCentro foi uma realização do Sistema Faeg/ Senar, em parceria com o Sindicato das Indústrias Fabricantes de Etanol www.sistemafaeg.com.br


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Diversificação para manter a sustentabilidade Jana Tomazelli

e Açúcar do Estado de Goiás (Sifaeg/ Sifaçúcar). O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, ressaltou que mais de 20% da cana-de-açúcar produzida no país é oriunda do Centro-Oeste. “Sem dúvidas esse é o momento de discutir o setor sucroenergético”. Ele lembrou que o setor necessita de políticas públicas que sejam eficazes. Para o presidente do Sifaeg/Sifaçúcar, André Rocha, a realização do CanaCentro é um grande passo para Goiás. “Temos muito orgulho do Estado e de seu desenvolvimento econômico. Goiás tem se destacado no cenário nacional.” Segundo o governador do Estado, Marconi Perillo, que também participou da abertura do encontro, a realização do CanaCentro 2012, é um verdadeiro marco na trajetória da atividade cada vez mais estratégica para a economia verde no mundo. “Isso vai apontar para uma nova retomada da produção em alta escala em nosso país, uma exigência e uma imposição para a continuidade do crescimento nacional”, disse. Dentro do primeiro painel, o professor da USP, Marcos Fava, fez uma análise do Brasil nos últimos 20 anos. Ele destacou que no ano de 2000 as exportações eram de U$ 20 bilhões. No último ano, esse número passou para quase U$ 100 bilhões. “Para se ter ideia, em 2010 exportamos U$ 76 bilhões. Em 2011, fechamos esse número em U$ 95 bilhões. E esse crescimento se deve ao agronegócio. São as atividades ligadas ao setor que ajudam o país a crescer em ritmos tão acelerados”, explicou. O deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, Homero Pereira, ministrou o segundo tema do dia. Ele lembrou a atual situação do novo Código Florestal brasileiro, e destacou que o Brasil precisa de programas consistentes para recuperar as áreas degradas no país.

Presidente do Sifaeg/ Sifaçúcar, André Rocha, se encontrou com produtores para falar da produção regional de cana, pela ótica da indústria

Apesar do momento de crise que vive o setor sucroenergético no Brasil o segmento ainda é alvissareiro. A defesa foi feita pelo presidente da Consultoria Datagro, especialista em mercado sucroenergético, Plínio Nastari, em palestra durante o segundo painel. Para o especialista, cana, açúcar e etanol são motores econômicos para o país. “A cada real investido no setor são gerados R$ 13 reais nas atividades relacionadas à cadeia”, disse. O setor gerou, na safra 2011/12, 943 mil empregos diretos e 2,1 milhões indiretos, em todo o Brasil. Para permitir que mesmo em momentos de crise o setor seja viável para todos os elos nele envolvidos, o Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar e Etanol (Consecana) estabelece a cada safra os preços médios de nove subprodutos da cana. De acordo com o coordenador da Câmara Técnica e Econômica do Consecana São Paulo, Geraldo Magela, o balizamento dos preços médios é essencial e a maneira mais justa que o setor encontrou para remunerar seus elos. Durante o CanaCentro, Magela explicou que o modelo Consecana tem obtido resultados positivos e vem sendo copiado por outros seg-

mentos como a pecuária de leite e a pecuária de corte. Relação O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA), Antônio de Pádua Rodrigues, utilizou o Consecana como uma referência para negócios e bom relacionamento da cadeia sucroenergética. “O segredo do Consecana é o bom senso, a confiabilidade e a transparência entre as partes”, explicou. Antônio de Pádua apresentou o Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira (Sapcana) que é utilizado para saber o preço de venda do açúcar e do etanol e regula a quantidade de etanol na gasolina. Ele ainda comentou sobre a maior participação de fornecedores na moagem. “O Consecana é responsável pelo aumento de 29% para 41% de fornecedores de cana na moagem total da Região Centro-Sul do país.” Antônio de Pádua apresentou ainda que hoje há falta de combustível no Brasil. “O país está com déficit de 100 mil barris/dia de combustível e em 2020 será de 350 a 400 barris/dia, caso a Petrobras não invista em refinaria ou maior produção de etanol”. Agosto / 2012 CAMPO

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Jana Tomazelli

HORTALIÇAS

Para produtores, o principal desaȴo é reduzir a distância entre a horta e a mesa do consumidor

Logística é obstáculo para produção de verdura e legumes A produção goiana de hortifrutícolas cresce de forma tímida e o Estado ainda importa cerca de 50% das hortaliças que chegam à mesa do consumidor Tacilda Aquino | revistacampo@faeg.com.br

Especial para a Revista Campo

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ara o engenheiro agrônomo e especialista em agricultura orgânica e biodinâmica, Adib Francisco Pereira, da Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica - Goiás (Adao), a produção de hortaliças e frutas está em crescimento, mas de forma ainda tímida. Ele reclama pela falta de políticas públicas mais efetivas, direcionadas para a produção sustentável e por mais investimento em logística. Assim, segundo Lourivan Ferreira, da Associação dos Produtores de Hortaliças do Estado de Goiás, o que se vivencia é os produtores direcionando seu trabalho para o cultivo de cereais, como soja e milho. O último censo realizado em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dá conta de que em 2010 o Brasil apresentou crescimento na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas. Resultado: o Estado importa cerca de 50% das hortaliças que chegam à mesa do consumidor.

Trabalhar com hortifrutícolas não é fácil. Alto custo de produção e a pericibilidade exige uma comercialização rápida. Fatores que quase fizeram Pedro Paulo Ribeiro desistir da produção de tomate. “Mas quando penso em todo o prazer de trabalhar naquilo que é meu, decido continuar. A gente planta, colhe, beneficia e vende. É cansativo, mas vale a pena”, afirma. Pedro não tem uma estimativa de quanto gasta anualmente na sua lavoura de tomate, mas garante que muitas vezes as perdas chegam a 30% da produção ainda no campo. Outro produtor que já pensou em desistir é Neri Ferlin, que cultiva 25 variedades de verduras e tubérculos em um sitio em Teresópolis. Segundo ele, se os produtores convencionais passam por dificuldades, os que cultivam produtos orgânicos têm obstáculos em dobro. “Não existe incentivo. As autoridades do setor lançam programas, mas nunca colocam nada em prática”.

Orgânicos As perdas de Neri no campo chegam a 20%. Na feira, as perdas somam 10%, mas ele garante que usa os produtos para alimentar os animas do sitio e para compostagem. “Fabricamos insumos orgânicos a partir da análise do solo e das folhas. Temos de usar a criatividade, uma vez que não recebemos nenhum incentivo”, resume. Ele garante que para os produtos orgânicos, as feiras continuam sendo o melhor local para se comercializar, devido à venda direta ao consumidor. Com investimentos anuais de R$ 25 mil, ele tem uma renda mensal média de R$ 4 mil a R$ 6 mil e todos os produtos comercializados são certificados pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento. Sobre o crescimento do mercado de orgânico, Neri acredita que a busca por produtos orgânicos segue picos sazonais, muitas vezes decorrentes da divulgação na mídia dos benefícios desses tipos de alimentos.

A logística é um dos grandes desafios para a consolidação da cadeia produtiva do segmento de verdura e legumes. Reduzir a distância entre campo e a mesa do consumidor, é o que pensa Fabrício Cunha, que produz legumes e verduras orgânicas na região de Inhumas. “Procuramos fazer um planejamento de produção, trabalhamos com venda direta para os consumidores em feiras especializadas, fazemos cestas de produtos orgânicos com opção para presentes de aniversários. O negócio é usar a criatividade”. Ele participa das feiras especiais como as organizadas pela Adao em alguns pontos da capital. “Nestas feiras há uma aproximação entre consumidor e produtor e o cliente estabelece um canal de confiança com o produtor porque sabe a origem do produto que ele compra. A maioria se mostra interessado em relação ao sistema de

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Carlos Costa

Logística deficitária

Adib espera alcançar vendas para grandes redes de supermercados

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produção de orgânicos e os recursos naturais”, afirma Cunha. Abid Francisco, da Associação de Produtores Orgânicos, afirma que a entidade também tem apostado na venda de cestas semanais para consumidores. “A venda para grandes supermercados ainda é uma perspectiva para o futuro, pois precisamos aumentar o número de produtores e a diversificação dos produtos e termos uma regularidade de entrega”, afirma ele. Ele conta que a venda é heterogênea, ocorrendo tanto nos supermerca-

dos e estabelecimentos especializados como por meio de negociações entre o produtor e o próprio consumidor. “A preocupação com a saúde aumentou nos últimos anos, e com ela, o número de pessoas que sentem a necessidade de terem mais segurança sobre sua alimentação. Para isso, a busca por qualidade de vida e bem-estar é fator determinante.” A verdade é que o Brasil é um grande produtor de hortifrutícolas, mas nem sempre o consumo de vegetais é suficientemente adequado às ne-

cessidades diárias do brasileiro. São vários os fatores que podem se tornar obstáculos para se ter o consumo de vegetais adequados que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de no mínimo 400 gramas de hortaliças e frutas/dia. Um deles, segundo Adib Francisco, é o orçamento familiar que não coloca a qualidade da alimentação nos planejamentos de consumo. “Atualmente a maioria dos brasileiros coloca o alimento industrializado como indispensável para uma boa nutrição”, critica.

Obstáculos semelhantes

Jana Tomazelli

Produtores convencionais e orgânicos enfrentam problemas semelhantes, necessidade de respeitar a sazonalidade, falta de organização em cooperativas e associações e, principalmente, comercialização. Adib Francisco e Lourivan Ferreira concordam com a necessidade de realizar estudos mercadológicos frequentes para a elaboração de estratégias e ações de melhorias do sistema. Nenhuma associação realiza esse

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tipo de trabalho. Lourivan Ferreira afirma que a associação não tem um profissional para esse fim e que o pedido feito à direção da Central de Abastecimento de Goiás (Ceasa) para a elaboração de um projeto neste sentido ainda não foi atendido. “Os produtores têm de acreditar na sorte do dia. Os preços variam com a mudança do clima e nem sempre o produtor tem lucro com suas mercadorias”, resume.

Adib Francisco informa que os produtores sabem que têm de trabalhar com tecnologias de ponta que sejam sustentáveis e a associação procura buscar estas tecnologias participando de eventos do setor, trocando experiências e realizando cursos de capacitação. “Mas os produtores ainda tem uma grande dificuldade na comercialização, principalmente, pela falta de associativismo e cooperativismo”, avalia. Produtores de hortaliças convencionais e orgânicas apontam os mesmos obstáculos para o crescimento do setor

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Discussões com a sociedade Candidatos a prefeitos têm oportunidade de debater com a população as necessidades dos municípios Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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ensando em uma administração pública participativa, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e os Sindicatos Rurais filiados à entidade, estão realizando nos municípios goianos debates com os candidatos a prefeitos. A iniciativa é a terceira etapa do Seminário Estadual O Que Esperamos do Próximo Prefeito. Na ocasião serão apresentadas aos candidatos e à sociedade as Agendas de Desenvolvimento Municipal, elaboradas na primeira etapa do projeto. “O programa entra agora na fase que chamamos de devolutiva, onde compartilhamos com toda sociedade, em especial, com os candidatos a prefeito, vices e vereadores, das expectativas que foram levantadas”, explica o Superintendente da Faeg e coordenador do projeto, Claudinei Rigonatto. Na segunda etapa do evento, os Sindicatos Rurais receberam instruções de como deverão realizar os debates com os candidatos a prefeito de seus municípios. Já a primeira foi realizada nos meses de abril e maio em 123 municípios goianos, dividido em oito regiões, onde os produtores e membros da comunidade participaram dos seminários locais. Segun-

do Rigonatto, cerca de 70% da população de Goiás pode participar das discussões. De todas as consultas e tabulações de relatos, foram elaboradas as Agendas de cada um dos municípios, contendo todas as expectativas levantadas pelos participantes e que serão apresentadas aos candidatos nos debates municipais. Para Rigonatto, a Faeg, os Sindicatos Rurais, juntamente com todos os parceiros do programa, espera contribuir com o aprimoramento do debate eleitoral, auxiliar a sociedade a pensar em desenvolvimento de sua comunidade, e até fazer com que pessoas que estão descrentes em relação à classe política possam se inserir em um debate, que de fato, tenha condições de mudar a forma de fazer política. “A expectativa nos municípios participantes é muito grande, pois na grande maioria nunca tiveram oportunidade de colocar os candidatos sentados no mesmo ambiente para discutir assuntos de interesse público”, explica. Relação com a sociedade O superintendente relata que se trata de uma grande oportunidade para os eleitores poderem comparar as propostas e quem for melhor,

estiver mais preparado, será o vitorioso. “Após as eleições teremos encontros com os eleitos, e nossas entidades estarão de mãos dadas em busca de construir um futuro melhor para todos”, fala. Rigonatto conta que os debates tiveram início no dia 23 de agosto e vão até 30 de setembro. “Todos os candidatos a prefeito são convidados e acompanharão a apresentação do programa, o resumo das principais expectativas em cada tema discutido e dados dos diagnósticos locais. Em seguida teremos as perguntas que serão sorteadas, baseadas nos indicadores locais e no que foi discutido, além das perguntas da comunidade local”, diz o superintendente. Ele explica que o debate será dividido em cinco blocos. No primeiro ocorrerá a apresentação de cada candidato com um tema livre. No segundo serão apresentadas cinco perguntas e todos os candidatos respondem as mesmas questões. O terceiro bloco terá duas perguntas onde um candidato responde e outro comenta. O quarto terá duas perguntas da sociedade local para serem respondidas por todos os candidatos, e o encerramento com tema livre para cada candidato.

Líderes sindicais aprovam iniciativa O presidente do Sindicato Rural de Trombas, Sinésio Carlos de Oliveira, destaca que o Seminário O Que Esperamos do Próximo Prefeito é um evento muito importante para os municípios. “É uma ação inovadora, que aproxima o eleitor dos candidatos, permitindo que o eleitorado, por meio dos seguimentos representativos do município, venha saber e participar das propostas de governo dos candidatos. Assim, contribui de maneira efetiva com a comunidade, no momento exato, antes das eleições”, relata. www.senargo.org.br

Para o presidente do Sindicato Rural de Ceres, Hamilton Carolina de Oliveira, a realização dos debates com os prefeitáveis e a população é uma nova maneira de fazer política. “Avalio como uma inovação para os moradores de Ceres. Essa é a oportunidade da sociedade participar da administração pública.” Ele acrescenta ainda que os debates oferecem a chance da população cobrar dos candidatos projetos de acordo com a demanda local. Já Eduardo de Souza Iwasse, presidente do Sindicato de Pira-

canjuba, defende que os debates tenham uma grande relevância para os produtores rurais. “Acredito que é necessário estreitar a relação dos produtores com a prefeitura. Quase 100% da renda do munícipio vem da classe rural, que sem dúvidas é essencial para o desenvolvimento de Piracanjuba.” Ele avalia que a iniciativa da Faeg veio em um bom momento. “O agronegócio está em constante crescimento, e poder cobrar junto à prefeitura é uma ação extremamente importante para nós”, diz.

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L Sinésio Carlos de Oliveira – Presidente do Sindicato Rural de Trombas “É uma ação inovadora, que aproxima o eleitor dos candidatos”

Confira a data dos próximos debates para o mês de setembro

Hamilton Carolina de Oliveira – Presidente do Sindicato de Ceres “Essa é a oportunidade da sociedade participar da administração pública”

6/9 – Guaraita 10/9 – Flores de Goiás 11/9 – Vicentinópolis 11/9 – São Miguel do Araguaia 17/9 – Caldas Novas

Eduardo de Souza Iwasse – Presidente do Sindicato Rural de Piracanjuba “É importante para os produtores rurais estreitarem a relação com a prefeitura”

19/9 – Bela Vista de Goiás 19/9 – Leopoldo de Bulhões 24/9 – Cromínia 26/9 – Goiás


LĂ­deres sindicais aprovam iniciativa

PREMIO DE JORNALISTA


Boa fase para morangos Produtores resolvem arriscar em novas culturas como a do morango. Quem investiu espera colher bons resultados Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br

Especial para a Revista Campo

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m grande potencial de mercado, regiões com solos e climas favoráveis, pouca informação e assistência técnica especializada. Esse é o cenário do Estado de Goiás para o cultivo do morango. Embora haja todos esses empecilhos, há quem desbrave em busca de novas fontes de renda e conhecimentos. Em Goianápolis, conhecida como a terra do tomate, localizada entre os municípios de Anápolis e Goiânia, um fruticultor correu atrás de informações em um polo já re-

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conhecido no plantio do morango no Centro-Oeste, Brazlândia, cidade satélite de Brasília, e plantou uma muda de pioneirismo no município. O morango é conhecido por ser uma prática de produção em pequena escala. Como o mercado está pulverizado em diferentes cidades do Estado de Goiás, localizadas em regiões de alta altitude, não há contabilização desta produção. O assessor técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de

Goiás (Faeg) para a área de fruticultura, Alexandro Alves, reconhece que faltam conhecimento e assistência técnica para o cultivo de morangueiros. O morango é considerado uma fruta delicada, que não dispensa dedicação aos tratos culturais e muito cuidado ao ser transportado. Esses pontos, conforme Alexandro, podem ser utilizados a favor dos fruticultores. “Como é uma fruta delicada, ela pode perder qualidade ao ser transportada de locais mais distantes. Os produtores locais podem fornecer www.sistemafaeg.com.br


um produto mais fresco”, resume. Ele explica que o morango é uma fruta que tem demanda durante todo o ano, e as grandes redes de supermercados adquirem a fruta de outros Estados como Minas Gerais e São Paulo. Muito perecível, o transporte pode desqualificar o produto. “É um mercado promissor que tem bastante procura e oportunidade”, diz. Além disso, o morango pode ser cultivado em pequenas áreas, é rentável, baixo custo de produção, mas exige irrigawww.senargo.org.br

Produtor O fruticultor, Sandro Soares de Siqueira passa pela sua primeira colheita. O incentivo, diz, partiu de um colega que o convidou a visitar produtores de Brazlândia. “Como tenho uma área em região alta e já cultivo uva, achei que era uma oportunidade”, conta. Sandro delimitou uma área de três mil metros quadrados, onde plantou dez mil pés de morango. Ele explica que a inexperiência e falta de assistência técnica especializada na região o faz manter contato direto com técnicos da região de Brasília. “Inclusive as mudas eu trouxe de lá”, diz. As maiores dificuldades estão relacionadas à aplicação de defensivos agrícolas. Ele diz que, no início, a delicadeza do fruto o deixava receoso. “Mas qualquer dificuldade na aplicação recorro aos técnicos de Brazilândia”, afirma. Embora reconheça as dificuldades da cultura, ele acredita no sucesso da lavoura. Para se ter ideia, no final de julho, Sandro pretende reaver os R$15 mil empregados no cultivo. “É o período forte da produção”, afirma. Como teste, Sandro plantou três variedades diferentes da fruta: o festival, precoce com ciclo de 50 dias, o camino real, ciclo de 60 a 65 dias e a aromas, de 80 dias. Sem experiência, ele conta que ainda não há estimativa de produtividade. Mas garante que a qualidade e o sabor do fruto não perdem para demais regiões. Comercialização A caixa com uma media de 1,2 quilos de morango é comercializada pelo fruticultor, atualmente, por R$ 5. Ele explica que a ‘cumbuquinha’ chegou a ser vendida a R$ 10, e foi caindo de preço à medida que aumentava a oferta da fruta no mercado. A promessa, diz, é de aumento na produção neste mês e os preços devem ficar mais convidativos para o consumidor.

Jana Tomazelli

Jana Tomazelli

Ainda novo no Estado, o cultivo de morango requer cuidados especíȴcos por ser uma cultura muito delicada, porém, rentável

ção, clima ameno, pelo menos à noite, e não suporta calor excessivo.

O fruticultor, Sandro Soares, se arrisca pela primeira vez na cultura e acredita que a safra será bem sucedida

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Práticas culturais

O manejo adequado da lavoura resulta em frutos robustos

Para uma produção, o produtor poderá plantar primeiro as matrizes que produzirão as mudas. Prepara-se o solo, revolvendo até uma profundidade de 25 centímetros, adicionando adubo animal de curral curtido, cerca de 3 litros por metro quadrado ou a metade desse volume se o adubo for oriundo de cama de galinheiros. Poderá substituir também por composto orgânico completo, feito com resíduos vegetais mais adubo animal curtido e preparado. Acrescentar mais 100 gramas de superfosfato simples de cova, com mistura leve para evitar concentração e realizar o trabalho em dia de temperatura amena. O espaçamento é de um metro por dois metros. Antes do plantio das matrizes, deve-se escolher o local mais apropriado. O solo deve ser corrigido e o plantio deve ser realizado de setembro a novembro, para que as mudas estejam disponíveis de abril a maio, dependendo da região produtora. De preferência, deve-se plantar as matrizes em terrenos que não foram cultivados com morangueiro e solanáceas. O espaçamento mais uti26 | CAMPO

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A cobertura do solo com plástico evita a compactação do solo que ocorre pela ação das gotas d’água de irrigação ou da chuva

lizado para plantio das matrizes é o de dois metros por um metro ou dois metros por dois metros, sendo usadas de 2.500 a 5.000 matrizes por hectare, com potencial de produção de um milhão de mudas. Para cada muda plantada deve-se adicionar cerca de três quilos de esterco bovino curtido e 100 gramas de superfosfato simples, por coveta. O controle de plantas invasoras é fundamental durante a produção de estolhos e multiplicação das mudas. Quando as mudas forem arrancadas, deve ser efetuada uma limpeza (toillete), aparando as folhas e reduzindo um pouco o sistema radicular, se for necessário.

É importante evitar o contato do fruto com o solo de modo a colher um fruto livre de impurezas. Essa prática também mantem a temperatura do solo. A cobertura evita a compactação do solo que ocorre pela ação das gotas d’água de irrigação ou da chuva. Ainda tem ação sobre as plantas invasoras. Material mais utilizado é o plástico preto 30 micras. Época ideal para colocação da cobertura do solo é de 30 a 40 dias após o transplante, quando a muda já esta estabelecida. Com o solo coberto, é colocado o túnel baixo com plástico transparente aditivado para a proteção do morangal. A estrutura usada para proteção do túnel é feita em arcos de arame galvanizado número seis. A altura mínima do túnel, na parte central é de 60 centímetros e o espaçamento entre os arcos é de 1,2 metros a 1,5 metros. A parte superior dos arcos deve ser amparada por uma estaca, para suportar a tensão dos ventos. Sobre essa estrutura, é estendido um filme plástico aditivado com 2,2 metros de largura.

Manejo Após a muda ser arrancada, deve-se ter o cuidado para que ela conserve todas as qualidades agronômicas. Os principais cuidados são usar embalagens novas para evitar possíveis contaminações; evitar o ressecamento da muda, especialmente do sistema radicular e não deixar os fardos de mudas em camadas, de maneira que possam provocar um processo de fermentação na parte interna.

Manejo do túnel Pela manhã, logo depois do orvalho, o túnel deve ser aberto até altura de 40 a 50 centímetros (abertura sempre do lado oposto do vento). No final da tarde, túnel deve ser fechado. Em dias de chuva e neblina, o túnel deve permanecer fechado, sendo aberto somente na presença do sol. Não se deve irrigar em demasia. Na limpeza da lavoura as plantas invasoras inclusive no contorno da lavoura e acesso a ela. Uma forma de manter o controle do acaro-do-morangueiro é uma manutenção de uma faixa de cinco metros de largura, totalmente limpa, em todo o contorno da lavoura.

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Passo a Passo


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MERCADO

O suinocultor Alcides reclama da alta nos preços dos grãos para mistura de farelo para ração, aumento já chega 30%

Aumento nos preços dos grãos eleva custo da carne A elevação dos preços do milho e da soja resultam em problemas sistêmicos para a cadeia de carne Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br Especial para a Revista Campo

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cada dia o cerco fecha um pouco mais para os produtores de carnes de corte, aves e, especialmente, de suínos, em Goiás. Após a consolidação da quebra da safra de milho norte-americana, de 101 milhões de toneladas (27%) e de soja, 14 milhões de toneladas (16%), os produtores encaram uma intensa elevação no preço dos grãos, principais componentes da ração animal. Enquanto alguns setores adequam-se às especulações e a escassez do produto no mercado, outros amargam prejuízos e sentem dificuldade em permanecer na atividade. O suinocultor, Alcides Pereira da Silva Neto, conta que há mais de um ano a atividade amarga prejuízos. Com excesso de oferta de carne no mercado, fruto da paralisação de exportações para a Rússia, os preços

não tem acompanhado os valores do custo de produção. Para se ter ideia, ele adquiriu a tonelada do farelo de ração, em fevereiro, a R$ 550. Há quatro meses, logo quando começou a especulação da quebra da safra norte-americana, a tonelada do produto mais que dobrou e saltou para R$ 1.250. “Trabalhamos todos os dias no vermelho”, conta. Do outro ponto da cadeia, o preço final do produto pouco alterou. O suinocultor explica que há 30 dias estava vendendo a carcaça animal a R$ 2, enquanto o custo de produção atingiu patamares de R$ 3,30. Após uma recente visita de compradores russos na região, o preço da carcaça ganhou fôlego, mas ainda reflete prejuízos – R$ 3. A granja de Alcides, localizada no município de Varjão, possui 5,5 mil ce-

vados e sofre com concorrência de suínos oriundos do Mato Grosso e com o excesso de carne da indústria que, dependendo da demanda, abre mão da industrialização do produto e vende a carcaça para supermercados e açougues, mesmos destinos dos animais dos suinocultores independentes. “Ai acaba de nos arrebentar”, desabafa. A assessora técnica da Faeg para a área de suinocultura, Christiane Rossi, explica que uma saída para os suinocultores seria trabalhar em forma de cooperação, com o intuito de organizar uma maneira de não ficarem tão vulneráveis nesses momentos de crise. “Seria interessante a utilização de instrumentos como o mercado futuro, travando preços do milho, soja, investimentos em armazenagem, venda em conjunto, etc.”, explica.

Outros setores que foram abalados pelo aumento dos componentes da ração é o gado leiteiro e o de corte. A crise no mercado do farelo de milho e soja chegou justamente em um ano cuja a atividade procurava consolidar uma recuperação após a descapitalização do pecuarista, em 2008, desencadeada pelos maus momentos da indústria do frigorífico. O pecuarista e vice-presidente da Faeg, Jose Manoel Caixeta, explica que, em 18 anos de atividade, o cenário nunca foi tão desconfortável. Embora em outros períodos a arroba do boi esteve na casa dos R$ 80, diz, o custo de produção não era tão elevado. “Preocupa em relação à continuidade da atividade que requer sustentabilidade. Um bezerro hoje precisa de dois anos para ser abatido”, lembra. Christiane Rossi lembra que muitos pecuaristas saem da atividade nesses momentos difíceis. “Principalmente aqueles que não têm a pecuária como principal fonte de renda e acabam entrando na atividade em um bom momento do mercado. Este não costuma www.senargo.org.br

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Pecuaristas preocupados

José Manoel lembra que o aumento dos farelos de milho e soja chegou em um ano que a atividade se recuperava da crise de 2008

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aguentar essas situações”, afirma. Mas Jose Manoel conta que o pecuarista conseguiu suspirar este ano em função da extensão do período chuvoso. Com isso, pôde segurar o gado por mais tempo no pasto e diminuiu seu período de confinamento.

Entretanto, não só o custo da ração está mais caro. “Os demais insumos também já aumentaram em torno de 13%”, calcula. Com essa somatória de fatores, o pecuarista esta trabalhando no vermelho. Ele ressalta que o custo de produ-

ção está em R$ 87 a arroba, enquanto a arroba esta sendo comercializada em R$ 83. “Parece que o mercado está começando a reagir, mas quem vai pagar a conta mesmo é o consumidor. Porque a arroba oscila, mas no final da ponta o preço não baixa”, diz.

O farelo de algodão, sorgo moído e polpa cítrica, são alternativas que o pecuarista de gado leiteiro tem para diminuir o custo de produção após o aumento significativo dos farelos de soja e milho, que corresponde a 70% do custo operacional do setor. “Temos alternativas, mas o cenário para 2012 está muito apertado”, diz José Manoel, que também é presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Faeg. O presidente da Comissão de Pecuária de Leite da entidade, Eurípedes Bassamurfo, explica que o setor é complexo, já que precisa de ração balanceada para que não haja quebra de produção. “Se reduzir a ração, reduz também a produção de leite”, diz.

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Aves Para o presidente da Comissão de Avicultura da Faeg, Uacir Bernardes, uma conjuntura de fatores, sem precedentes, gera incerteza no

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Alternativas para baixar custo

Eurípedes explica que o rebanho leiteiro precisa de ração balanceada para não haver queda na produtividade

setor. Para ele, o aumento do preço da saca do milho e soja, elementos que correspondem a 70% da ração, esta longe de ser o único problema. A insegurança gira em torno da possibilidade de faltar farelo de soja no mercado. “Houve incentivo para exportação e pode faltar grão para esmagar. Parece que erraram na mão. Hoje, dobrar o preço não é mais um

Para os criadores de aves, a insegurança não está no aumento do custo da ração, mas sim da possibilidade de faltar produto no mercado

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problema, a preocupação agora é de que não falte produto”, avalia. Uacir acredita que esse problema de oferta de farelo deva ser corrigido já na próxima safra. Ele calcula que 95% dos produtores de aves do Estado trabalham em sistema integrado com a indústria. Por isso, eles não devem sentir o efeito do aumento no custo da ração. Mas adverte, os frigoríficos já estão sentindo o impacto desta elevação e terão que, inevitavelmente, repassa-lo ao consumidor. O que ainda não se chegou a um consenso é quanto a esse percentual. “As noticias mudam com frequência e não dá para saber o valor do aumento”, confessa. Uma forma do produtor integrado de aves ser atingido por essas alterações de valores esta na possibilidade de empresas não conseguirem ultrapassar esse momento de crise. Uacir explica que algumas empresas sulistas dão sinais de enfraquecimento financeiro. “Ai o produtor integrado ira sentir”, sintetiza. www.sistemafaeg.com.br


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CAMPO RESPONDE Estou no município de Trindade (GO) e gostaria de saber sobre o Projeto Balde Cheio. Sou produtor de leite e preciso de ajuda para permanecer na atividade. Júlio Tomaz

O Programa Balde Cheio, é levado aos produtores interessados por meio da parceria com o sindicato rural. Dessa forma, recomendo que entre em contato com o Sindicato Rural de Trindade para obter maiores informações sobre esse Programa e outros relacionados com a atividade leiteira. CONSULTOR: FLÁVIO HENRIQUE, CHEFE DO DEPARTAMENTO TÉCNICO DE SENAR, EM GOIÁS.

A que se refere o cadastro da Seagro? Marlene Assis

Bem, em se tratando de cadastro da propriedade, este é realizada junto à Agrodefesa, subordinada à Seagro e responsável pelos controles principalmente sanitários. Então, toda e qualquer propriedade que desenvolve atividades rurais, produzindo produtos vegetais ou criando animais, deve existir para este órgão, através do seu cadastro. Sendo assim, assume também outras obrigações posteriores, a exemplo o de seguir o calendário de vacinações, para determinadas espécies animais ou realizar o vazio sanitário da soja. CONSULTOR: CHRISTIANE ROSSI, ASSESSORA TÉCNICA DA FAEG PARA ÁREA DE PECUÁRIA DE CORTE.

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Andréia Peixoto

DELÍCIAS DO CAMPO

Carne de lata

(Tipicamente Rural)

Rende apro ximadam

6 porçõeente s

Ingredientes: 1800 kg de carne de porco 1 litro de banha de porco Alho Pimenta Sal e pimenta-do-reino moída a gosto

Receita elaborada peta técnica em Cozinha Rural do Senar, Em Goiás, Andréa Peixoto.

Modo de preparo: 1. Amasse bem os temperos; 2. Corte a carne em três pedaços e faça furos, passe o tempero amassado por toda a superfície da carne e deixe repousar por três horas; 3. Em uma panela grande de fundo grosso, derreta a banha em fogo muito baixo, lentamente, sem deixar fritar ou ferver; 4. Coloque a carne na banha derretida, de maneira que fique totalmente submersa na gordura; 5. Cozinhe em fogo muito brando, por três horas ou até que fique completamente cozida e dourada (esse tempo pode variar de acordo com o fogo, a espessura da panela e tamanho dos pedaços). Apague o fogo e deixe a carne esfriar sem retirar da banha; 6. Coloque em latas ou vidros e guarde na geladeira. 7. No momento de servir aqueça bem na própria banha; Sugestões de acompanhamentos: Arroz branco, farofa, salada de verduras, mandioca cozida e limão. OBS: Esse tipo de carne pode ser conservada por até seis meses, se ficar totalmente coberta pela banha. Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200. www.senargo.org.br

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CASO DE SUCESSO

Por conta da pastagem irrigada, Rogério garante capim verde o ano todo

Lucro o ano todo Rogério optou pela pastagem irrigada para garantir a produção leiteira Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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A

distribuição de água de maneira artificial em pastagens por meio de irrigação é a garantia para se produzir como planejado, sem que a falta de chuvas altere os índices de produtividade e de rentabilidade previamente estabelecidos. Foi pensando nisso, que o produtor de leite, Rogério Chaves Alves, do município de Bela Vista de Goiás, resolveu participar de um dos cursos oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) em Goiás. Segundo ele, a vontade de aumentar seus conhecimentos na área surgiu depois que conheceu o Projeto Balde Cheio. Lançado em agosto de 2010 no seminário “Goiás Mais Leite” do Sistema Faeg/Senar, este programa usa tecnologia do Projeto Balde Cheio desenwww.sistemafaeg.com.br


mente, fez que com aumentasse o lucro obtido com a venda do alimento. “A minha produção cresceu cerca de 20%, e de forma proporcional, o meu lucro aumentou também.” O produtor destaca que já tem planos para o dinheiro a mais que está entrando no negócio da família. “Com esse lucro eu pretendo investir na área da pastagem irrigada. Hoje eu tenho apenas meio hectare de área irrigada. Minha intenção é aumentar 1,5 hectare, somando um total de dois hectares irrigados.” Ele salienta que ao todo são 28 pivôs, que passará para 55. Rogério conta que o treinamento do Senar fez com ele visse a atividade com outros olhos. “Antes, quando se falava em irrigar era só para agricultura, ninguém pensava em irrigar pastagem. Agora, a realidade é outra”, diz. GuƟérisson Azidon

GuƟérisson Azidon

área leiteira porque não tinha o conhecimento necessário para desenvolver a atividade. Então achei melhor obter as informações para começar o trabalho de forma correta”, explica. Antes de o produtor colocar o processo de pastagem irrigada em prática, ele utilizava a pastagem em piquete ou silo para alimentar os gados. Ele conta que depois que passou a usar a pastagem irrigada, a qualidade do alimento dos animais melhorou de forma significativa. “Foi feita uma análise para ver a porcentagem de proteína do capim mombaça. E ficou constatado que houve um aumento de 18% da proteína no pasto.” Não foi só a qualidade do capim mombaça que aumentou. De acordo com Rogério, o gado passou a produzir mais leite, o que, consequente-

O produtor rural mostra a bomba que capta a água para irrigação

volvida na Embrapa Pecuária Sudeste. O principal objetivo do Projeto Balde Cheio é promover o desenvolvimento da pecuária leiteira, utilizando como principal ferramenta a transferência de tecnologia para técnicos de campo dos serviços de extensão rural locais, de entidades públicas e privadas, que servirão como multiplicadores desse conhecimento. No caso de Rogério, o curso oferecido foi o de pastagem irrigada. Ele conta que conheceu, por meio de filmagens e fotos, propriedades da região Sul do Brasil que utilizavam a pastagem irrigada. Segundo ele a irrigação da pastagem pode ser uma alternativa para a produção intensiva de leite. Ele fez o curso no fim do ano de 2011 e colocou em prática no mês de janeiro desse ano. “Eu não atuava na www.senargo.org.br

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ShuƩer

CURSOS E TREINAMENTOS

O mundo dos equinos EM AGOSTO, O SENAR PROMOVEU

432 CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL 55

162

10

6

7

145

47

Na área de agricultura

Em atividade de apoio agrossilvipastoril

Na área de silvicultura

Na área de agroindústria

Na área de aquicultura

Na área de pecuária

Em atividades relativas à prestação de serviços

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www.sistemafaeg.com.br


Eurípedes Gonçalves de Sousa euripedes.sousa@hotmail.com

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mundo dos equinos nos proporciona momentos surpreendentes. Vejam só o que aconteceu comigo em um treinamento de doma racional de equídeos no município de Pontalina GO (novembro de 2011) pelo, Senar em Goiás, um participante me chamou a atenção, percebi que ele não movimentava muito bem, pois tinha dificuldade para caminhar e para movimentar o braço esquerdo, então resolvi me aproximar dele e perguntar o que houve. E ele me contou sua história. Ele olhou para mim e disse foram os equinos através deles recuperei a vontade de viver, e sempre tive vontade de participar de um treinamento daí comprei meu animal e comecei a montar, e hoje aqui realizei meu sonho fazer um treinamento de doma, pois sou apaixonado por este mundo dos equinos. E esta história mexeu muito comigo, pois tenho um filho com a Síndrome de Down que gosta muito de animais e fico pensando nos trabalhos de equoterapia quantas pessoas podem ser ajudadas através dos animais, e ainda tem pessoas que os maltratam. Eu Eurípides agradeço a Deus por me dar este filho de presente e ao Senar por me dar a oportunidade de passar por momentos assim.

Para mais informações sobre os treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar, em Goiás, o contato é pelo telefone: (62) 3545-2600 ou pelo site: www.senargo.org.br

83 CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL 51

5

8

16

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Alimentação e nutrição

Organização Comunitária

Saúde e Alimentação

Prevenção de acidentes

Artesanato

www.senargo.org.br

4.093 PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

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CAMPO ABERTO

Mosca do estábulo: como controlar?

Gabriel Bononi

A

Daniela Miyasaka S. Cassol é médica veterinária da Ourofino Agronegócio Defesa Vegetal (Andef).

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mosca do estábulo tem causado grandes prejuízos econômicos na cadeia produtiva da pecuária bovina em alguns estados brasileiros. O surto ocorrido recentemente no município de Santa Rosa do Viterbo (SP) não é fato isolado e já ocorreu em outros anos e em diversas regiões do Brasil. Dentre os fatores que favorecem a reprodução dessas moscas estão as regiões de produção animal, de produção canavieira com o cultivo de vinhaça e vinhoto, de plantações de laranja ou outras culturas em são usados o resíduo da cana ou esterco de animais principalmente granjas avícolas ou de suínos - e ainda pela falta de orientação aos produtores sobre o ciclo de vida da mosca. O ciclo de vida da mosca dos estábulos varia de 12 a 60 dias, e está diretamente relacionado às características climáticas da região. Uma fêmea adulta pode produzir até 632 ovos, fazendo mais de 20 posturas em toda a vida. Depois de depositados pelas fêmeas em matéria em decomposição, os ovos eclodem de um a quatro dias, podendo se prolongar em ambientes de baixa temperatura ou ser reduzido em locais de temperaturas mais altas. Após a eclosão, as larvas se alimentam de material orgânico vegetal e amadurecem num intervalo de seis a 30 dias. A pupação pode durar até 10 dias, estando diretamente relacionada à temperatura e à umidade as quais as pupas foram expostas. Medidas de higiene

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preventiva compõem 90% do controle dessa mosca. Em casos de problemas com estes insetos ou qualquer outro parasito, deve-se buscar sempre o suporte técnico veterinário atentandose para especialistas na área. O diagnóstico preciso das condições que proporcionam a reprodução das moscas bem como a retirada dessas condições são ações imprescindíveis ao sucesso do controle. O uso inadequado de mosquicidas, de superdoses ou subdosagens e a falta de ação conjunta entre os produtores rurais, acabam por dificultar o controle. A destinação correta dos resíduos da produção agrícola e da pecuária é primordial para se evitar vários problemas ambientais e sanitários. As moscas são apenas um dos problemas da não destinação correta e do manejo incorreto de dejetos. Para o controle da mosca, a redução da fonte onde ela se prolifera é de fundamental importância. Devem ser evitados potenciais criadouros com a remoção regular de camadas úmidas, feno, resíduos alimentares e resíduos dos estábulos. As administrações de inseticidas à base de organofosforados e piretróides, na forma de aerossol/ pulverização dentro e em volta dos estábulos e das instalações rurais proporcionam bom controle local. Pode-se utilizar o cloreto de alquil dimetil benzil amônio (CB-30 T.A., diluindo um litro do produto em 2.000

litros de água) para a limpeza e desinfecção dessas instalações. O controle químico nos animais pode ser feito com a utilização de produtos ectoparasiticidas organofosforados, como clorpirifós, diclorvós, diazinon, entre outros, associados ou não aos piretroides, como cipermetrina, deltametrina, administrados pela via pour on e pulverização. No caso de produtos comerciais, a indicação é de usar o Cypermil Plus, diluindo um litro do produto em 400 litros de água. Após a diluição, é preciso misturar bem até perfeita homogeneização da calda, e, com auxílio de pulverizador manual ou elétrico, banhar toda superfície do animal (principalmente nas partes baixas, patas e abdômen), no sentido contrário aos pelos, utilizando aproximadamente de quatro a cinco litros de calda por bovino adulto. Outro produto que também pode ser utilizado é o Colosso Pulverização. Cada litro do produto deve ser diluído em 800 litros de água limpa. Vale lembrar que os surtos são desequilíbrios ambientais e que causam grandes prejuízos aos produtores rurais. Portanto, seguir à risca as orientações técnicas, associando o controle físico, com limpeza, desinfecção do ambiente e manejo de esterqueiras, ao controle químico no animal e nas instalações rurais constitui um programa integrado eficaz no combate e controle desse parasito. www.sistemafaeg.com.br


SJC

2012 09 setembro  

http://sistemafaeg.com.br/images/revista-campo/pdfs/2012-09-setembro.pdf

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