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ISSN 2178-5781

Ano XIII | 208 | Outubro 2012 9912263550

Eleições Debates reforçam gestão participativa na pauta dos prefeitos

Tomates Produtores encontram dificuldades para se manterem na atividade

Safra recorde Chuvas são aguardadas para dar início à maior safra de grãos do Estado


Inovações no processamento e na mecanização do Tomate Industrial Muitas novidades, Temas de grande importância para o setor Nomes qualificados para debater

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PALAVRA DO PRESIDENTE

CAMPO A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.

Conselho editorial Bartolomeu Braz Pereira; Claudinei Rigonatto; Eurípedes Bassamurfo da Costa; Marcelo Martins Editores: Francila Calica (01996/GO) e Rhudy Crysthian (02080/GO) Reportagem: Rhudy Crysthian (02080/GO) e Leydiane Alves Fotografia: Jana Tomazelli Techio, Gutiérisson Azidon Revisão: Cleiber Di Ribeiro (2227/GO) Diagramação: Rowan Marketing Impressão: Gráfica Talento Tiragem: 12.500 Comercial: (62) 3096-2200 revistacampo@faeg.com.br

DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis; José Manoel Caixeta Haun. Vice-Presidentes Institucionais: Bartolomeu Braz Pereira, Estrogildo Ferreira dos Anjos. Vice-Presidentes Administrativos: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares Ribeiro. Suplentes: Wanderley Rodrigues de Siqueira, Flávio Faedo, Daniel Klüppel Carrara, Justino Felício Perius, Antônio Anselmo de Freitas, Arthur Barros Filhos, Osvaldo Moreira Guimarães. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Vilmar Rodrigues da Rocha, Antônio Roque da Silva Prates Filho, César Savini Neto, Leonardo Ribeiro. Suplentes: Arno Bruno Weis, Pedro da Conceição Gontijo Santos, Margareth Alves Irineu Luciano, Wagner Marchesi, Jânio Erasmo Vicente. Delegados representantes: Alécio Maróstica, Dirceu Cortez. Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira, Walter Vieira de Rezende.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Elias D’Ângelo Borges,

Prontos para uma supersafra

M

áquinas a postos só aguardando as primeiras precipitações mais significativas para darmos início a uma safra que promete ser a maior de toda a história do nosso Estado. Os números de produção deste ciclo agrícola apontam para o quinto ano consecutivo de aumento da safra de grãos em Goiás. Neste ano, serão 20 milhões de toneladas de grãos produzidas no Estado. A soja será a mola propulsora que irá puxar esses números e irá abocanhar uma parcela da área anteriormente destinada ao cultivo do milho. Mas na segunda safra, o milho volta a tomar fôlego com o retorno desses produtores que agora dão preferência ao cultivo da soja devido às perspectivas de boa comercialização dessa oleaginosa. Os dados preliminares apontam ainda para um aumento da produtividade, enquanto, a área cultivada não acompanhou o crescimento na mesma proporção. Isso representa uma melhora na capacidade do produtor em utilizar tecnologias para ampliar a produção sem a abertura de novas áreas ou a utilização de áreas degradadas. O que revela também outra realidade em nosso Estado, o destino de grandes produtores de grãos para regiões antes tidas como não tão desejadas para o cultivo de cereais, fibras e oleaginosas como o médio-norte e o Vale do Araguaia. Este assunto será tema de outra reportagem nas próximas edições.

Osvaldo Moreira Guimarães, Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Alair Luiz dos Santos, Elias Mourão Junior, Joaquim Saêta Filho. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Edmar Duarte Vilela, Sandra Pereira Faria do Carmo. Suplentes: Henrique Marques de Almeida, Wanessa Parreira Carvalho Serafim, Antônio Borges Moreira. Conselho Consultivo: Bairon Pereira Araújo, Maria José Del Peloso, Heberson Alcântara, José Manoel Caixeta Haun, Sônia Maria Domingos

Alexandre Cerqueira

Fernandes. Suplentes: Theldo Emrich, Carlos Magri Ferreira, Valdivino Vieira da Silva, Antônio Sêneca do Nascimento, Glauce Mônica Vilela Souza. Superintendente: Marcelo Martins FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222 Site: www.sistemafaeg.com.br

José Mário Schreiner Presidente do Sistema FAEG/SENAR

E-mail: faeg@faeg.com.br Fone: (62) 3545-2600- Fax: (62) 3545-2601 Site: www.senargo.org.br E-mail: senar@senargo.org.br Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2208 - (62) 3096-2248 (62) 3096-2115.

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Gutiérisson Azidon

Jana Tomazelli

PAINEL CENTRAL

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Prosa Rural

Responsável por um dos maiores estudos de macrologísticas já realizado na região Centro-Oeste, Olivier Girard, antecipa com exclusividade à Revista Campo os principais gargalos levantados em seu diagnóstico que travam o crescimento da região e o escoamento da produção.

Tomate nosso de cada dia

30

Agenda Rural

06

Fique Sabendo

07

Delícias do Campo

33

Campo Aberto

38

Treinamentos e cursos do Senar

36

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Lea Matswmoto

Estatísticas apontam para diminuição da área plantada com tomate em Goiás. Produtores como Eduardo Veras contam como se mantêm na cultura.

O prefeito que queremos

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População goiana se mobiliza para discutir com futuros prefeitos propostas de governo. Debates fazem parte de mais uma etapa do Seminário Estadual O Que Esperamos do Próximo Prefeito.

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Jana Tomazelli

Supersafra à espera das chuvas

20

300% melhor de vida

Jana Tomazelli

À espreita de precipitações mais substanciais, produtores como Jair Barrachi, contribuirão para safra recorde para o ciclo 2012/2013.

34

O produtor de Cristalina, Deoclécio Gomes de Lima, turbinou a renda da família após participar de treinamento em Olericultura Orgânica do Senar, Goiás.

Produtor de grãos em Jataí, Jair Barrachi, aumenta área para cultivo da soja nessa safra que promete ser melhor, como nunca antes visto no Estado. Foto produzida por Jana Tomazelli.

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Precisão para melhorar renda 14 As técnicas da agricultura de precisão potencializam resultados como economia e rentabilidade. A produtora Lígia Gonçalves utiliza e recomenda a tecnologia.

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Shuter

AGENDA RURAL

OUTUBRO 20 de outubro Campo Saúde - Assentamento Canudos Local: Campestre Informações: (62) 3545-2638

18/10

19/10

24/10

25/10

Seminário Regional de Legislação Previdenciária Local: Associação Comercial de Ceres e Rialma (Aciccer), Ceres Informações: (62) 3323-1527

XII Festival do Leitão de Rio Verde Local: Auditório do Senac, Rio Verde Informações: (64) 3622-6284

Reunião da nova Governança do APL Lácteo Local: São Luiz dos Montes Belos Informações: (64) 3671-1407

Agrocentaf – 3º Simpósio Educação do Campo para quem acredita no Campo Local: Silvânia Informações: (62) 3096-2200

26/10

29/10

30/10

30/10

Treinamento de preenchimento de declaração de vacinação para funcionários de SR e parceiros Local: Augustu’s Hotel, Goiânia Informações: (62) 3545-2600

Lançamento da Campanha de Vacinação Contra Febre Aftosa Local: Palmeiras de Goiás, Goiás Informações: (64) 3571-2627

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Lançamento do CNA Card Cartão Produtor Local: sede da Faeg, Goiânia Informações: (62) 3096-2200

Programa do Empreendedor Sindical 2ª Etapa: Curso de liderança Local: Augustu’s Hotel, Goiânia Informações: (62) 3096-2246

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Shuter

FIQUE SABENDO Divulgação

Armazém

Agronegócios Qualidade na Gestão A obra engloba noções de aspectos da administração de empresas, leis trabalhistas, recursos humanos, psicologia para lidar com pessoas, acompanhamento do mercado de commodities, obrigações de recolhimento de impostos federais, estaduais e municipais, enfim, todos os aspectos que auxiliam e complementam a capacidade administrativa da propriedade. O objetivo é enfatizar a necessidade de uma empresa rural deter um sistema de gestão que seja de alta qualidade, não só àquela referente à qualidade. A obra está disponível nas melhores livrarias e custa em média R$ 110.

pesquisa

Embrapa comercializa sementes A Embrapa já disponibiliza sementes para o próximo ano agrícola 2012/13. São 41 toneladas de sementes de arroz, 16 toneladas de sementes de feijão e cinco toneladas de sementes de capim para oferecer ao produtor que já programa a sua safra. A semente de arroz tem boa resistência ao acamamento, moderada resistência à mancha parda, escaldadura e mancha de grãos. Seu ciclo de produção é precoce e chegando a, no máximo, 110 dias. A produtividade média é de 3.750 kg/ha. A cultivar de feijão preto BRS Es-

plendor produz em de 85 a 90 dias, com elevado potencial produtivo, podendo ultrapassar quatro toneladas por hectare. É adaptada à colheita mecânica direta, ao mosaico-comum e a nove raças de fungos causadores da antracnose. Também apresentam tolerância à murcha de fusário e ao crestamento bacteriano comum. A semente do Capim Marandu, ou Braquiarão, é resistente às principais espécies de cigarrinhas- das-pastagens, produtividade de 80 kg a 120 kg/ha de sementes com 40% de valor cultural e qualidade de forragem.

REGISTRO

Cooperativismo goiano fortalecido O Conselho Estadual de Cooperativismo (CECOOP-GO), instituído na estrutura organizacional básica da Secretaria de Estado de Cidadania e Trabalho, promoveu no dia 26 de setembro, na OCB-GO, a solenidade de posse de seus 12 membros, que representam a Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado

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de Goiás (OCB-GO). Entre eles está o vice-presidente financeiro Faeg, Eurípedes Bassamurfo. Segundo o secretário-executivo do CECOOP-GO, Osman Wagner de Oliveira, o Conselho deverá ser o eixo de uma nova política de desenvolvimento do cooperativismo em Goiás. E chega em um momento

estratégico, tendo em vista o crescimento dessa atividade no Estado. O CECOOP, agora em fase de instalação, será o executor da política estadual de cooperativismo definida na Lei Estadual 5.109, de 2 de fevereiro de 2005, e agora revitalizada pela Lei Estadual 17.623, deste ano.

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Gutiérisson Azidon

PROSA RURAL

OLIVIER GIRARD

Sócio da Macrologística Consultoria Empresarial

Foco na infraestrutura e logística Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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O

livier Girard, responsável por um dos maiores

estudos de macrologísticas já realizado na região Centro-

Revista Campo: Qual o objetivo deste estudo? Olivier Girard: Realizar o planejamento de infraestrutura de transporte e logística de cargas para toda a região Centro-Oeste.

Oeste é o encarregado de

Revista Campo: Como será a

levantar os principais gargalos

interação dos resultados des-

que travam o crescimento da região e o escoamento da produção. Ele é sócio da

te estudo com os Projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal? Olivier Girard: A relação de

Macrologística Consultoria

projetos que constam do PAC é

Empresarial e conta com mais

um dos subsídios utilizados na

de 15 anos de experiência

elaboração da lista de projetos

O projeto está desde o princípio atrelado à discussão com as entidades de classe, empresários e com os setores públicos estaduais e federais

relevantes para o Centro-Oeste.

em consultoria de gestão

Mas não é a única. Analisamos

com foco nas indústrias de

também outros projetos e os

diferentes responsáveis por 96%

pleiteados pelas secretarias

da produção agropecuária, 95%

estaduais dos três estados e do

da produção extrativista florestal

Distrito Federal. A partir desta

e mineral e 75% da produção

lista, utilizando uma metodo-

industrial da região. Todas as

logia desenvolvida pela Ma-

principais empresas, associações

Produtivo do Centro-Oeste,

crologística, chegamos na lista

produtivas, operadores logísti-

do qual a Faeg participa e

dos projetos prioritários para a

cos, autarquias estaduais e fe-

região. Não obrigatoriamente to-

derais estão sendo entrevistadas

dos os projetos do PAC constarão

pessoalmente para garantir ao

desta lista prioritária.

máximo a exatidão dos dados.

Revista Campo: O estudo será

Revista Campo: Serão estu-

baseado em que nível de infor-

dados tantos os fluxos para os

mações? Dados de fluxos

mercados internos como

dos produtos, entrevistas?

externos, inclusive os gargalos

Olivier Girard: A primeira

portuários?

Grosso e Mato Grosso do

fase do projeto faz um grande

Olivier Girard: Sim, serão es-

Sul. A conclusão do estudo

diagnóstico da situação da oferta

tudados fluxos de produção para

de infraestrutura de transportes

os mercados internos e externos,

na região bem como da demanda

fluxos de consumo provenientes

2013. A empresa já promoveu

por esta infraestrutura gerada

do exterior e de outras regiões

o mesmo levantamento nas

pelos fluxos de matriz origem-

do país e fluxos de passagem

-destino das principais cadeias

representados por cargas prove-

produtivas da região. Ao todo,

nientes de outras regiões e que

serão estudadas 15 cadeias pro-

transitam pela região com desti-

dutivas, totalizando 54 produtos

no ao exterior. Um exemplo é o

infraestrutura e logística. O estudo foi idealizado pelo Fórum de Entidades do Setor

patrocinado Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e associações de produtores de soja e algodão do Mato

está prevista para maio de

regiões Norte, Sul e Nordeste do Brasil. www.senargo.org.br

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caso da carne bovina de Rondônia

entrevistados e serão convidados a

por objetivo final delimitar quais

que para chegar a São Paulo passa

participarem dos fóruns de discussão

são os projetos de infraestrutura de

pelas rodovias da região Centro-Oes-

que acontecerão ao longo do projeto.

transportes prioritários para investi-

te. Com isto, espera-se mapear todos

mento na Região Centro-Oeste. Para

os gargalos por modal bem como os

tanto, estamos muito preocupados

gargalos portuários. Revista Campo: As precariedades das estradas estaduais e municipais também serão levantadas? Olivier Girard: Não, o estudo se aterá às rodovias federais, às ferrovias, às dutovias, às hidrovias, aos portos, aos aeroportos e aos terminais de transbordo. O estudo das estadas estaduais e municipais faz parte de outra fase ainda não contratada. Revista Campo: Armazenagem para grãos e centro de distribuição de produtos industriais também serão levantadas?

Os estudos realizados e já terminados nas regiões Norte, Sul e Nordeste apontaram para reduções significativas nos custos totais de transporte que na média ficaram em 7%”

com os volumes atuais e futuros que transitarão pelas estradas da região. Se esta carga, hoje, é de carne bovina e amanhã será de soja, na realidade, não importa tanto. O que importa é saber se o volume em toneladas e o equivalente em número de caminhões ou vagões será o mesmo ou se aumentará ao longo do tempo. Revista Campo: Em Goiás está em implantação a Ferrovia Norte-Sul com o ramal para o Sudoeste, cortando todo o estado. Este estudo de logística vai buscar uma integração desta com outros modais de escoamento? Olivier Girard: Ao longo do pro-

Olivier Girard: Sim, utilizaremos

jeto, vamos delimitar uma série de

os dados de armazenagem da Conab

eixos integrados de transporte para

bem como os dados das principais

Revista Campo: O projeto visa

estudar quais são prioritários para a

empresas do setor e das associações

médio/logo prazo, como serão

região no sentido de serem respon-

produtivas. No caso de centros de

trabalhados os dados em nível de

sáveis por gerar maior economia nos

distribuição, daremos especial aten-

municípios, se a fronteira agrícola é

custos de transporte com o menor

ção às EADIs, Redex e ZPEs. Centros

dinâmica?

investimento possível. Assim sendo,

de distribuição focados exclusiva-

Olivier Girard: Os levantamentos

se houver a necessidade de uma

mente ao abastecimento de uma

de produção serão feitos em nível

integração do eixo da Norte-Sul com

cidade não serão incluídos no estudo

municipal para cada um dos 54

outros para melhorar o escoamento,

por fazerem parte de uma dinâmica

produtos. No entanto, os fluxos de

estaremos fazendo o estudo.

logística chamada “last mile” que

longa distância que são os grandes

não faz parte do escopo do projeto.

alvos deste estudo serão agrupados

Revista Campo: Em sua visão,

por mesorregiões, um conceito do

este projeto poderá trazer uma

Revista Campo: Haverá discussão

Instituto Brasileiro de Geografia

expressiva redução de custo para

com as entidades de classe e em-

e Estatística (IBGE) que reagrupa

os diversos setores produtivos do

presários para validação do Projeto

municípios com proximidade geográ-

Centro-Oeste?

após a conclusão dos estudos?

fica e perfil similar. Como estaremos

Olivier Girard: O objetivo final é

Olivier Girard: Sim, o projeto está

projetando todas as cargas para

este mesmo. Os estudos realizados e

desde o princípio atrelado à dis-

2020, espera-se conseguir identificar

já terminados nas regiões Norte, Sul

cussão com as entidades de classe,

potenciais mudanças nas fronteiras

e Nordeste apontaram para reduções

empresários e com os setores públi-

agrícolas ao longo do tempo. Mas é

significativas nos custos totais de

cos estaduais e federais. Todos serão

importante notar que o estudo tem

transporte que na média caíram 7%.

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MERCADO E PRODUTO

Fertilizantes: preocupação para o produtor na safra 12/13

O

início do plantio da safra de grãos 2012/13 se aproxima e com ele mais uma grande preocupação para o produtor rural. O problema de infraestrutura e logística é conhecido em todo Brasil, porém, nesse momento tão oportuno para o produtor brasileiro, ele se vê refém mais uma vez dessa situação que se arrasta por anos e que agora se encontra agravada. O Brasil importa cerca de 70% do total da matéria-prima que utiliza para fabricação de fertilizantes. Em 2012, produzimos pouco mais de 28% do total demandado e em 2017, com os novos projetos em execução, são estimados pelo menos 63,5% desse total, reduzindo drasticamente a dependência externa por fertilizantes. Os investimentos somarão um total de US$ 18,9 bilhões. Tudo isso seria extraordinário se não fossem os problemas logístico e tributário brasileiro que diminuiu a competitividade do produtor brasileiro. Seria excelente noticiar somente preços recordes da saca da soja, preços do milho subindo, porém, é bom lembrar que há custos, altos, para se produzir esses alimentos. Em Goiás, os fertilizantes participam, em média, em 25% dos custos totais de produção das principais culturas e são fundamentais para elevação dos índices de produtividade. O momento é muito oportuno para o produtor brasileiro que vê a chance de, pela primeira vez na história, ser o maior produtor mundial de soja, ultrapassando os Estados Unidos que, em função da seca severa, passa por expressiva quebra de safra. Ao mesmo tempo, vislumbramos a ameaça de ter essa oportunidade perdida e, ironicamente, por causa dos fertilizantes. Estima-se que a cultura da soja tenha sido responsável por 34% do consumo de fertilizantes na safra 2011/2012, representando mais de 9,6 milhões de toneladas das 28 milhões de toneladas consumidas em todo país. Sendo assim, com a expectativa de aumento de área da ordem de 8%, espera-se uma demanda maior por fertilizantes, e caso o produtor mantenha o padrão de consumo, para igualar ou mesmo au-

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mentar a produtividade, o setor precisará disponibilizar, somente para os sojicultores, cerca de 10,5 milhões de toneladas. O que se vê no momento é a condição precária nos portos, especialmente o de Paranaguá, no Paraná, por onde entra boa parte dos fertilizantes e por onde são exportados os produtos do agronegócio. E, diga-se de passagem, houve este ano, em função dos bons preços das commodities, um volume bastante expressivo de carregamento de soja e milho para outros países, o que gerou mais congestionamento e evidenciou a precariedade da estrutura portuária. A mudança na lei de transportes rodoviários afetou, em muito, a questão do frete por estradas e há dificuldades enormes para transporte dos insumos, especialmente, para a região Centro-Oeste, grande demandadora por fertilizantes. O line-up médio de descarregamento dos navios no porto está entre 60 e 70 dias, a média em condições normais nessa mesma época do ano é de 23 dias, e isso implica em multas diárias aos importadores de US$ 30 mil a US$ 60 mil diários e que fatalmente serão repassados ao preço do produto final. O setor estima que em 2012 sejam gastos algo em torno de US$ 100 milhões com esses problemas logísticos. O que se vê são alguns produtores preocupados com entregas que já deveriam ter ocorrido. Alguns atrasos já ultrapassam 30 dias e preocupam muito quem já comprou antecipadamente. A preocupação é ainda maior para aqueles que ainda vão adquirir o produto e o fantasma da falta do insumo e dos preços altos já assombra o produtor. O temor é de que falte produto tanto para safra quanto para safrinha. Mais uma vez o que estamos vendo é o produtor rural sendo prejudicado por incompetência governamental, e o que o assusta é a possibilidade de ter sua oportunidade perdida, seus custos elevados, sua produtividade diminuída e sua renda prejudicada, por fatores exógenos que induzem a tudo isso, e mais uma vez quem pagará a conta final é o produtor rural.

Carlos Costa

Alexandro Alves dos Santos | alexandro@faeg.com.br

Alexandro Alves dos Santos é assessor técnico da Faeg para a área de insumos agrícolas.

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AÇÃO SINDICAL MINEIROS Arquivo Pessoal

Homenagem póstuma

O Sistema Faeg/Senar e o Sindicato Rural de Mineiros prestam suas homenagens ao produtor rural, Ivan Pedro Parmeggiani. Ele faleceu no final de setembro. O produtor deixou esposa e dois filhos. Para o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, a perda é irreparável. “Homem forjado na luta, na honradez. Personalidade trabalhadora e de garra. O setor agropecuário de Mineiros sente muito a sua perda”, afirma José Mário.

INACIOLÂNDIA Sindicato Rural de Inaciolândia

Leilão beneficente

RIO VERDE

Foco nas exportações O Sindicato Rural de Rio Verde e a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizaram no dia 5 de setembro, no parque de exposições, a 49ª edição do Seminário do Agronegócio para Exportação (AgroEx). O evento teve como missão disseminar informações estratégicas visando estimular os agentes do agronegócio brasileiro a aumentarem sua participação no mercado internacional.

SÃO JOÃO DA PARAÚNA

Incentivo à avicultura O Sindicato Rural de São João da Paraúna, em parceria com a Okamoto e a Agropecuária São João, realiza, periodicamente, palestras na Câmara Municipal sobre frango caipira. Entre os temas discutidos no encontro estão Programa de Vacinação, Manejo de Chocadeiras, Profilaxia das Doenças em geral, Preparo das Rações, Instalações, entre outros temas. Segundo o presidente do Sindicato, Marcos Guerra, o frango caipira, hoje é uma boa alternativa para os produtores da região. (Colaborou: Marcos Guerra)

ITUMBIARA

Sindicato realiza 44ª Expoagro No dia 5 de agosto de 2012, foi realizado, na Fazenda Campanha, de propriedade De Eurípedes Massão Barroso, em Inaciolândia, o 2º Leilão em prol do Hospital do Câncer de Barretos, com apoio dos Sindicatos Rurais de Inaciolândia e Gouvelândia, da Secretaria de Saúde, Pastoral da Criança e da Comissão Amigos Unidos pela Vida. O resultado do leilão foi a arrecadação de R$ 52 mil e mais de uma tonelada de alimentos.

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O Sindicato Rural de Itumbiara promoveu, em setembro, a 44ª Expoagro. Dentro da programação, foi realizada a 1ª Feira do Agronegócio de Itumbiara (FEAGRI). A Expoagro teve ainda como atrações exposição de animais, torneio leiteiro, leilão de gado, palestras, rodeio profissional em touros e cavalos. A programação da Expoagro, que é a maior festa agropecuária da região. No último dia da festa foi realizado o encerramento do rodeio profissional com a premiação dos peões da montaria em touros e cavalos.

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Posse da diretoria

Missa da semente

O Sindicato Rural de Edéia realizou, no dia 22 de setembro, a solenidade de posse de sua nova diretoria. Segundo o presidente eleito, Valério Teles Pires, (de camisa azul), o objetivo de seu mandato é trabalhar em prol dos produtores rurais de Edéia. “Temos planos de inovar o Sindicato. Tenho a intenção de criar uma assessoria jurídica que dê suporte e apoio aos produtores.” Outra meta de Valério é levar à classe os projetos da Faeg e os cursos de capacitação do Senar. Para a nova diretoria foram eleitos Afonso Cairo Mendes, (de camisa cinza) como vice-presidente, Leonardo Moura para secretário e Vanessa Lobato como tesoureira.

Divulgação

GOIATUBA

Vilma Pontes

edéia

Foi realizada, no dia 21 de outubro, na Igreja Matriz São Sebastião em Goiatuba, a 9ª Missa da Benção das Sementes. O tema desse ano foi Sucessão Familiar e com o lema Produção de Alimentos: da minha família, para a sua família. O Sindicato Rural de Goiatuba, que foi parceiro do evento, ajudou com a confecção dos enfeites e na colheita das sementes que foram abençoadas. De acordo com o presidente, Paulo Henrique Garcia Cardoso, o tema da missa pode explicar bem aos participantes o que é a agricultura familiar. “Essa classe envolve uma série de pequenos produtores, que trabalham para dar continuidade à atividade de geração em geração”, diz.


Jana Tomazelli

TECNOLOGIA NO CAMPO

Precisão na ponta do lápis Agricultura de precisão reduz gastos com insumos e reflete na elevação da renda com aumento de produtividade Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br

Especial para a Revista Campo

A produtora de Orizona, Lígia Gonçalves, começou fazendo análise do solo e hoje é uma grande investidora em agricultura de precisão na região

A

tingir a capacidade máxima produtiva, conhecer o mercado e suas falhas, além da reduzir significativamente o custo de produção é o sonho de qualquer empresário que deseja o sucesso. A princípio, essas metas se assemelham a de uma indústria, porém, essa espécie de gestão também está chegando, aos poucos, às propriedades rurais de Goiás. A agricultura de precisão vem

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conquistando espaço entre os produtores rurais que pretendem otimizar a área plantada. A prática utiliza de tecnologia de informação baseada no princípio da variabilidade do solo e clima. Desconhecida de muitos produtores, a técnica tem custo elevado, mas ainda assim, consegue resultados como economia e rentabilidade. O instrutor do curso de GPS do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Randerson Aguiar,

conta que a técnica consiste em conhecer a realidade fisionômica e fitofisionômica de pequenas partes da propriedade. A técnica pode suprir uma característica típica do solo do Cerrado. Com a prática agrícola de várias culturas desenvolvidas ao longo dos anos, há apresentação de diferenças nutricionais no solo em pequenos pedaços de terra. Uma forma de ilustrar essa condição é comparar o terreno www.sistemafaeg.com.br


isso reduz bastante o gasto”, diz. Do outro lado da ponta, há propriedades que alcançam resultados expressivos de produtividade. Ele explica que depende de fatores como clima e a forma de utilização da técnica. “Mas têm regiões que já registraram até 80 sacas de soja por hectare. Essas razões seduzem o produtor, diz, mas a técnica ainda exige desprendimento de recursos financeiros que a maioria não possui. Uma análise fisionômica e fitofisionômica por amostra, pode custar até R$ 60, dependendo da região. Sendo assim, o produtor pode despender até R$ 30 mil, apenas nessa primeira etapa do processo. O segundo passo da agricultura de precisão, consiste em interpretar os resultados das análises de solo e a transpor para um software de elaboração dos mapas de fertilidade do solo para aplicação de corretivos e fertilizantes. Embora admita que falte mão de obra especializada em várias regiões do Estado, Randerson acredita que a melhor forma de avançar na aplicação da agricultura de precisão é trabalhar empresas terceirizadas especializadas.

a uma colcha de retalhos. “Cada pedaço de chão tem uma realidade”, resume. Por satélite é feita a análise variabilidade existente quanto à fertilidade do solo e produtividade. Depois de verificadas as diferenças dentro dos talhões, elas são corrigidas de forma pontual. Para se ter ideia, enquanto o produtor que utiliza a técnica convencional realiza apenas uma análise de solo por hectare, na agricultura www.senargo.org.br

de precisão, são analisados até 20 amostras por hectare. Essa interferência estabelece condições química, física ou biológica, ideais às espécies cultivadas na agricultura. Redução de custos O técnico calcula que esse cuidado reduza o custo de produção entre 7% e 10%. “Como conhecemos detalhes de cada região, utilizamos somente a quantidade necessária de insumos e

Inovação A produtora Lígia Gonçalves Gomes Mick conta que essa foi a melhor forma encontrada para não só conseguir investir na inovação, mas também para poder acreditar. Há cinco anos, quando ninguém praticava a técnica na região de Orizona, localizada a 120 quilômetros da capital, ela experimentou trabalhar com a análise e correção de solo de forma mais detalhada em 200 hectares, dos 700 hectares de sua propriedade. “Fui em um trabalho de divulgação e apostei na novidade. Alguém na região precisava acreditar na proposta e eu, além dos meus técnicos, gostamos muito de coisas inovadoras”, diz. Na prática, Lígia faz a marcação com o GPS no talhão, manda as amostragens para análise de solo e, Agosto / 2012 CAMPO

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Jana Tomazelli

A produtora Lígia à frente de um dos equipamentos que utiliza para melhorar a produtividade da lavoura

com resultados em mãos, corrige o solo de forma pontual, sem desperdício. “Só jogo na base, aquilo que precisa”, diz. Há cinco anos, quando começou a trabalhar com agricultura de precisão, pagava R$ 38 por análise de solo. Atualmente, paga R$ 32. Ela acredita que com o aumento da demanda, tendem a diminuir os valores da técnica. Lígia explica que o recurso destinado a quitar os custos da agricultura de precisão equivalem à economia da redução de insumos aplicados ao terreno. Sendo assim, seu lucro está estabelecido no aumento da produtividade. “De três a cinco sacas por hectare”, afirma. Com resultados positivos, Lígia já trabalha com a técnica em toda a sua área de 700 hectares, onde estão distribuídos milho, soja e feijão. “Acredito que não tem volta. Sou preocupada com os custos e essa é a melhor forma que encontrei para enxugar os gastos”, diz.

O produtor Marcos Henrique Roma Pereira, há três safras trabalha com a agricultura de precisão. Dos 345 hectares de sua propriedade, também localizada em Orizona, 120 hectares são aplicadas as técnicas da agricultura de precisão. Nestes, são economizados tanto com insumos quanto com custos operacionais. Ele calcula que enquanto outros produtores gastam R$ 1,1 mil por hectare em adubos, ele consegue atingir o mesmo objetivo investindo apenas R$ 450 por hectare. Além disso, diz, acredita que economiza em torno de 15% diminuindo os custos operacionais. “Como economia de máquina, óleo diesel”, afirma. Marcos explica que a produtividade, entretanto, mantém o mesmo padrão do restante da propriedade. Ele explica que uma amostra é composta por dez subamostras retiradas de um grid de dois hectares. Um 16 | CAMPO

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Há três safras o produtor Marcos Henrique trabalha regido pelas orientações da tecnologia aplicada na lavoura

grid é determinado em função dos históricos equivalentes de produtividade e fertilidade próprias do terreno. O valor da amostragem, juntamente com a análise do solo, custa R$ 37.

A ideia do produtor é aumentar aos poucos a implantação da agricultura de precisão na propriedade. Os equipamentos aplicadores de taxas variáveis de calcário, gesso, potássio www.sistemafaeg.com.br

Jana Tomazelli

Economia que gera resultado


são dispendiosos e dificultam investimentos imediatos. Por isso, geralmente, é um serviço terceirizado. “Custa muito dinheiro para investir no início. Mas compensa e trabalho para isso, conseguir o máximo com o mínimo”, afirma.

Perfil Jovens de espírito, olhar empresarial e percepção do avanço da tecnologia, esse é o perfil dos produtores que tendem a aplicar a agricultura de precisão, conforme Randerson Aguiar. Ele afirma que ainda é pequena a

quantidade de produtores que explora a tecnologia, mas acredita que a tendência seja que a demanda aumente a partir do momento que haja queda dos valores de custos da tecnologia. “Ainda temos um desafio enorme, mas o primeiro passo já foi dado”, afirma.

Irrigação complementar Em uma safra onde a incidência do La Niña prevê a interrupção mais rápida das chuvas e presença de veranicos ao longo do ciclo das culturas, a irrigação complementar pode se tornar uma espécie de seguro agrícola para o produtor rural. Os ciclos das culturas anuais, como soja e milho, desenvolvem ao longo do período chuvoso, especialmente na região Centro-Sul. Neste sentido, em geral, não há necessidade de irrigação. Entretanto, em anos atípicos, o sistema de irrigação pode contribuir para um ganho de produ-

tividade, completando a quantidade de milímetros de água necessários para uma boa safra, de acordo com o planejamento do produtor rural. “Depende do planejamento, às vezes o produtor calculou uma safra mais modesta e, por isso, não deve investir no sistema”, diz o professor de irrigação da Universidade Federal de Goiás (UFG), José Alves. Ele conta que a técnica vale a pena para o produtor que já tiver em sua propriedade o sistema de irrigação. O fenômeno La Niña, diz, tem como consequência de déficit

hídrico no fim da cultura. Ele calcula que são necessários irrigar de cinco milímetros a oito milímetros diariamente. “O produtor deve calcular quanto já caiu na propriedade tendo como resultado final um total de 400 milímetros a 500 milímetros durante todo o ciclo”, diz. Por questões fisiológicas da planta, diminuição das correntes de vento que garantem mais uniformidade, menor custo de produção, o período ideal para a irrigação é o noturno. Contudo, diz, a ideia é atingir a maior capacidade de área no menor espaço de tempo.


Gutiérisson Azidon

PRONATEC

Alunos de uma das turmas do Pronatec no campo, no município de Silvânia

Qualificação no Campo Lançado esse ano, Pronatec pretende qualificar 5,1 mil alunos em Goiás Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

C

om o objetivo de ensinar de forma gratuita uma profissão aos estudantes do ensino médio da rede pública estadual de ensino, que moram nas áreas urbanas e rurais de Goiás, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), já deu início aos cursos. As primeiras turmas começaram as aulas no mês de setembro. Já são 114 turmas formadas, totalizando 1.685 mil alunos. Esse número representa 33% das vagas oferecidas. No Estado, o Pronatec está sendo coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Goiás, e tem a expectativa de atender, até mar-

ço de 2013, 5,1 mil alunos, em mais de 180 municípios goianos. “Essa é a maior oferta de vagas para a educação do campo no Brasil. Trata-se de uma verdadeira revolução educacional na zona rural”, analisa a coordenadora do Pronatec, Maria Luiza Bretas. Segundo ela, o objetivo do Programa é manter esses jovens no meio rural. “Nossa preocupação é que esses alunos continuem com o trabalho no campo e possam estar qualificados para a atividade que escolher.” Sem deixar de lado o estudo formal na escola regular, o Pronatec veio para oferecer qualificação profissional para os jovens oriundos do meio

Cursos oferecidos pelo Pronatec no campo Bovinocultor de Leite Operador de Máquinas e Implementos Agrícolas Inseminador Artificial Horticultor Bovinocultor de Leite Picsicultor Equideocultor Fruticultor Apicultor Avicultor de Postura de Corte Suinocultor Cultivador de Mandioca Fonte: Senar, Goiás

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rural e também para aqueles que estão na cidade e vislumbram oportunidades de emprego e ganho real na agricultura e pecuária. Uma das primeiras turmas do Pronatec está no município de Silvânia. O curso escolhido pelos alunos é o de

Inseminador Artificial e está sendo ministrado no Centro de Formação da Agricultura Familiar (Centaf) na sede da União Brasiliense de Educação e Cultura (UBEC). A coordenadora pedagógica do Centaf, Kelen Mesquita, conta que além do curso de Insemi-

nador Artificial, outras duas turmas já foram fechadas. De acordo com Kelen, o interessante do Programa é poder trabalhar com os alunos aulas práticas e teóricas. “Sem dúvidas, isso leva o aluno para o contato direto com atividade.”

Para continuidade à atividade dos pais

Gutiérisson Azidon

Carlos Alberto de Carvalho, de 19 anos, é aluno do Pronatec em Silvânia no curso de Inseminador Artificial. Ele conta que essa é a oportunidade de aprendizado. “Aqui nós podemos somar conhecimento e levar para o campo mais informações sobre a atividade”. Carlos, que é filho de produtores rurais, acrescenta que o Pronatec possibilitou para ele a chance de dar continuidade ao trabalho da família. “Meus pais atuam com a pecuária de corte, e esse curso de i nseminação me dá a chance de continuar com a atividade da família e até mesmo aumentar a nossa

produção de leite.” A coordenadora pedagógica do Centaf, Kelen Mesquita, lembra que a grande procura pelas aulas do Pronatec se deve à parceria formada entre a Ubec e o Sindicato Rural de Silvânia. O presidente do Sindicato, Vonaldo Antônio de Morais, destaca que a entidade é responsável pelo trabalho de mobilização. “É uma parceria que tem dado certo. Nós fazemos a divulgação dos cursos e a Ubec disponibiliza o local para as aulas.” Vonaldo acrescenta que o Pronatec veio para garantir que os filhos de produtores continuem com a ati-

vidade no campo. “Outro objetivo é aumentar a mão de obra específica no Estado, que, nos últimos anos, tem sofrido a falta de profissionais.” Para participar A idade mínima para participar do Programa é de 15 anos e o aluno deve estar matriculado na escola de rede estadual. Somente os cursos de inseminador artificial e operador de máquina exigem idade mínima de 17 e 18 anos, respectivamente. O curso de suinocultor oferece 180 horas/ aula e o equideocultor 360 horas, os demais têm uma carga horária de 160 horas. Os alunos da rede estadual de ensino interessados em participar do Pronatec devem procurar a direção da escola, que irá fazer a pré-inscrição e repassar para subsecretaria regional de educação. A subsecretaria vai cadastrar esse aluno no sistema e o Senar, Goiás, será responsável por confirmar a inscrição. Número de turmas por região: Central - 12 Entorno do DF - 16 Nordeste - 13 Norte - 19

O estudante, Carlos Alberto, em momento prático do curso de inseminador artificial

Oeste - 14 Sudoeste - 16 Sul/Sudeste - 12 Vale do Araguaia - 12 Fonte: Senar, Goiás

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Marcus Vinicius

SAFRA 2012/13

Safra nova se inicia com previs達o recorde

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Máquinas no campo para iniciar o plantio Com boas perspectivas, grãos aumentam seu espaço entre os produtores. Primeiros números estimam safra recorde Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br Especial para a Revista Campo

D

e olho no céu, os agricultores das regiões produtoras de grãos aguardam as primeiras chuvas mais fortes para o início do plantio. As sementes e os insumos adquiridos estão armazenados nas propriedades e as máquinas estão prontas à espera da chuva que deve atrasar um pouco este ano. As precipitações devem chegar com mais veemência por volta da segunda quinzena deste mês (veja clima na pág. 22). A expectativa e de que sejam colhidas 20 milhões de toneladas de grãos na próxima safra – um incremento de 6% se comparada à safra anterior. Embora o cenário este ano seja favorável em relação aos preços praticados pelo mercado futuro, em função da quebra da safra norte-americana e de baixos

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estoques mundiais, especialmente de soja e milho, o preço dos fertilizantes flutuou, juntamente com a margem de ganho do produtor. Quem deixou para última hora pagou o preço do produto até 25% mais caro. Segundo o vice-presidente institucinal e membro da comissão de grãos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Bartolomeu Braz, praticamente todos os produtores já adquiriram os insumos. “Quem comprou mais cedo ainda conseguiu preços melhores”, afirma. Ele lembra que antigos problemas infraestruturais de escoamento da safra contribuem para que o custo operacional do produtor brasileiro aumente e o profissional perca competitividade.

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Jana Tomazelli

Soja - grão puxa aumento da produção O produtor de soja, José Renner utiliza também cama de frango para diminuir os custos com a produção

O produtor rural, José Renner de Souza Rates, deve começar a plantar soja em seus 600 hectares de terra, na segunda quinzena deste mês. Ele explica que com manejo correto consegue diminuir o uso de defensivos, além disso, as sementes transgênicas permitem a redução de aplicação de herbicidas. Mas no caso dos fertilizantes não há como haver redução nos gastos. “Não dá para não utilizar a tecnologia. A planta precisa de tecnologia para ter um bom resultado”, afirma. Ele, que comprou o produto em junho, afirma que pagou cerca de 22 | CAMPO

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R$ 15% a mais que na safra de 2011. Mas Renner utiliza também a cama de frango como forma de diminuir os custos de produção. Além disso, já comercializou 70% da safra, com valores, em média, de R$ 50 a saca. A perspectiva é colher 55 sacas por hectare, considerado uma boa produtividade para a região. As projeções da Faeg provam o emprego da tecnologia no campo. Números apontam que a soja puxará a produção recorde no Estado. A produção deve aumentar 10,5% enquanto a variação da área aumentará 7,8%.

Produtores aguardam chuvas

Ao contrário das ultimas duas safras, a chuva deste ano deve ser um pouco mais espaçada. Veranicos entre o ciclo de uma ou outra cultura podem ocorrer. A culpa desse cenário menos previsível para as regiões produtoras é do fenômeno climático El Niño. O fenômeno costuma atrasar o início das chuvas e interrompe-las mais cedo. “Se cair na primeira quinzena, tudo deve permanecer bem a curto prazo”, afirma o analista de mercado da Faeg, Pedro Arantes. As chuvas tendem a ser em menor quantidade. A longo prazo, alguns produtores já trabalham com uma possibilidade de diminuição de produtividade. No mais, não devem arriscar o plantio da segunda etapa além do fim de fevereiro. Segundo a agrometeorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de Goiás, Elizabete Alves Ferreira, as características do El Nino, que devem incidir no clima no inicio do verão, são muito indefinidas na Região Centro-Oeste. Elizabete afirma que há probabilidade das chuvas iniciarem mais contundentemente em novembro. “As chuvas ainda estão bem irregulares, estamos passando por um processo de regularização”, explica. Ela conta que há possibilidade de veranicos na estação do verão, porem ainda não há nenhum prognostico relacionado ao fim das culturas, conforme esperado por alguns produtores. De forma empírica, muitos acreditam que o ciclo de chuvas possa ser interrompido prematuramente. “Estamos aguardando o próximo prognostico”, explica. Contudo, a profissional revela que o fenômeno climático é conhecido por sua imprevisibilidade. Lembrado sempre pelas irregularidades das chuvas, o El Nino indefine a quantidade pluviométrica. “Mas há pancadas de chuvas e muita incidência solar, o que e bom para o ciclo da soja”, diz.

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Jana Tomazelli

Milho - recuperação de fôlego na 2° safra O produtor de milho em Jataí, Jair Barrachi, aproveitou os bons preços da grão para priorizar o plantio da cultura

Já a produção de milho não deve sofrer muitas alterações. Embora perca terreno para a soja na primeira etapa, o cereal deve se recuperar na segunda etapa (safrinha). Enquanto a área do milho verão, conforme projeções da Faeg, deve reduzir 11,4%, na safrinha, a área plantada

deve aumentar 8%. O produtor Jair Barrachi diz que, ao contrário de outros anos, nesta safra, não vai plantar milho na safra verão. Nos 800 hectares da propriedade, localizada em Jataí, Sudoeste do Estado, a soja predominará. “Geralmente faço rotação mas, este ano,

vou aproveitar o preço da saca de soja”, afirma. Ele conta que, na safrinha, 600 hectares serão destinados para o milho e no restante deve entrar sorgo ou girassol. “É que com o La Niña, as chuvas devem acabar mais cedo, daí entro com uma cultura mais rústica”.

As duas culturas podem surpreender. Embora ambas apresentem, a princípio, números desanimadores, já que a área de algodão reduziu (5,1%) e o trigo (26,2%), a tecnologia deve absorver essa perda e gerar números próximos aos da safra 2011/2012. A primeira cultura deve ter uma ligeira redução de 0,9% e a segunda deve manter o patamar da safra anterior, com 39,9 mil toneladas.

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Algodão e trigo - possibilidade de retomada Tecnologia deve absorver pardas de área plantada com algodão no Estado de Goiás

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Jana Tomazelli

Feijão e Sorgo - perda de área

Cultura reduz prejuízos pela perda de área com aumento da produtividade

Na somatória das três etapas do feijão, os dados mostram que a cultura deve perder espaço de 2,2% para outras culturas, mas consegue quase equalizar a perda aumentando um pouco a produtividade na lavoura. A produção deve cair de 308,2 mil toneladas em 2011/2012 para 303,6 mil em 2012/2013 – redução de 1,5%. O sorgo acompanha as projeções do feijão. A cultura mais rústica deve diminuir sua área em 2,2%, mas reduz ainda mais essa perda por meio da elevação da produção (-1,3%), segundo projeções da Faeg.

Crédito e seguro para a produção Rio e Santa Helena de Goiás. De acordo com o gerente regional de pessoa física do BB, Marcos Donizete Lourenço, serão destinados R$ 2 bilhões para o crédito rural em todo o País. “Temos pacotes de vantagens para os clientes que financiarem o custeio e investimentos como isenção na cesta de serviço, na primeira anuidade do cartão de crédito, além de uma série de benefícios”, diz Marcos. Seguro “Seguro não deixa ninguém rico, mas foi feito para não tirar ninguém do mercado e não ficar no prejuízo de nenhum componente do patrimônio

do produtor”, resume o consultor de seguros do programa Faeg Seguros, Rodrigo de Oliveira. Embora não divulgue valores em função da gama de produtos oferecidos pela prestadora de serviços da Faeg, Rodrigo não tem dúvida quanto à viabilidade do negócio. “Na maioria dos serviços a quitação é de 100%”, atesta. Ele conta que muitos produtores, especialmente os de cana-de-açúcar, estão atentos aos benefícios do seguro em função do risco elevado de incêndio. Produtores de grãos e gado, em menor número, também procuram o serviço em busca de previdência.

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Enquanto o setor ainda comemora a informação da antecipação de crédito para plantio de safrinha feito pelo Banco do Brasil (BB), que pretende liberar R$ 1 bilhão para aquisição antecipada de insumos, graças a uma reivindicação da Faeg, a Caixa Econômica Federal (CEF) também anunciou a integração no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) para financiar custeio das culturas de milho e soja, gado de leite e corte, além de investimentos em geral. Em Goiás, o projeto piloto abrange 11 municípios: Rio Verde, Bom Jesus, Caldas Novas, Catalão, Goiatuba, Ipameri, Itumbiara, Morrinhos, Piracanjuba, Pires do

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Lea Matswmoto

GESTÃO PARTICIPATIVA

A

Presidente da Faeg, José Mário, no lançamento dos debates entre os candidatos a prefeito no interior do Estado

O que esperamos de um prefeito População vai às ruas e participa de debates que pretendem mudar a forma de se fazer política no Estado Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e os Sindicatos Rurais filiados à entidade concluíram, no final de setembro, mais uma etapa do maior projeto de incentivo a uma administração pública participativa já realizado em toda a história dos municípios goianos. Trata-se do Seminário Estadual O Que Esperamos do Próximo Prefeito. Foram sabatinados, postos frente a frente para um debate ou convidados para apresentarem suas propostas de campanha os candidatos de cerca de 130 municípios do Estado. Os eventos foram transmitidos via rádios locais e portais da internet nos municípios onde foram realizados os encontros e debates. Durante os debates e sabatinas foram apresentadas aos candidatos e à sociedade as Agendas de Desenvolvimento Municipal, elaboradas na primeira etapa do projeto, no primeiro semestre, quando 70% da população goiana participou da construção dessas Agendas. O evento foi realizado também com as parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae-GO), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Goiás (Emater), o Fundo de Incentivo à Cultura do Algodão em Goiás (Fialgo), a Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa), o Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado (Fundepec) e a Central de Laticínios de Goiás (Centroleite), além dos parceiros locais. De acordo com o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, os debates irão refletir na consciência do eleitorado goiano nas próximas eleições também. “Houve uma percepção de colaboração no amadurecimento da sociedade e candidatos na construção de planejamentos mais próximo da realidade e que deixou de ser uma entidade preocupada apenas com o segmento rural e passou a protagonizar ações que permeiam todos os temas que identificam demandas nos municípios”, comentou. www.sistemafaeg.com.br


Jana Tomazelli

Segundo o Superintendente da Faeg e coordenador do projeto, Claudinei Rigonatto, os debates e encontros realizados por todo Estado foram inéditos na grande maioria dos municípios, e fundamentais para esclarecer ao eleitor sobre as propostas de cada candidato. “Eles (os candidatos) foram confrontados com temas que dizem respeito ao desenvolvimento de suas comunidades. Pudemos presenciar a expressão maior de cidadania e democracia qualificando o processo eleitoral. Temos certeza de que muitas sementes foram lançadas para que o eleitor seja ouvido e participe diretamente dos avanços que certamente hão de vir”, acredita. Para o consultor da Faeg e um dos idealizadores do projeto, Arthur Toledo, o sentimento é de dever cumprido. “O sindicalismo rural de Goiás, liderado pela Faeg e pelos Sindicatos Rurais, realizaram um papel importantíssimo e histórico em todas as localidades. A liderança do presidente da Faeg, José Mário Schreiner, tem nos motivado a atuar no fortalecimento da representatividade institucional e política do setor agropecuário junto à sociedade e ela tem compreendido e se engajado na proposta de forma muito expressiva”, declarou. Ele ressaltou ainda o alto nível dos candidatos participantes que, de uma forma geral, “foi muito bom”. “Pro-

População de Vianópolis participa atenta aos debates e encontros com candidatos para ouvirem as propostas de campanha

porcionamos aos participantes uma oportunidade de colocarem seus projetos e sentimentos a respeito dos desejos e das necessidades dos cidadãos. Observamos que há uma consciência crítica crescente a respeito do papel dos gestores públicos e do papel da sociedade na gestão e no controle social das políticas públicas”, destacou. Segundo o consultor, os resultados das eleições mostraram que é preciso ter propostas consistentes, exequíveis, com a participação da sociedade, e serem executadas por gestores preparados. “Estamos avançando bastante”. Arthur ressaltou ainda que o voto é somente uma etapa e uma das variáveis para se chegar ao processo pleno de democracia e qualidade de vida

para todos. “O projeto deixou isto bem claro. De que a participação das pessoas no desenvolvimento do município, durante e pós-eleições é fundamental. É preciso debater com os candidatos para que construam boas plataformas de campanha e, na sequência, participar dos planos de governo e, acompanhar e participar da execução dos mesmos”, comentou. Ele destacou ainda que o projeto contribuiu para ampliar a percepção das pessoas de que cidadania vai muito além dos direitos do cidadão, mas fundamentalmente, dependerá dos deveres e responsabilidades que temos sobre nós, nossas famílias, com os segmentos que participamos e com nossas comunidades.

Foram elaboradas Agendas de Desenvolvimento Municipal de todos os municípios que participaram dos eventos, a própria população local foi quem participou da construção do documento. Nas cartilhas, constam as principais demandas da cidade para o próximo pleito. www.senargo.org.br

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Para o gerente sindical da Faeg e um dos moderadores dos debates entre os prefeitáveis, Antelmo Teixeira, essa etapa do projeto foi muito importante para o estabelecimento da Faeg como entidade que contribuiu para o exercício da cidadania com isenção político-partidária, por meio deste conjunto de ações desenvolvidas no projeto O Que Esperamos do Próximo Prefeito. A promotora do Ministério Público de um município da região Oeste do Estado, Vânia Marçal de Medeiros, acompanhou debates nas cidades de Piranhas e Bom Jardim de Goiás. Ela disse que o evento discutiu, em alto nível, a melhoria de vida para as pessoas desses municípios goianos definido por ela como um povo bom, honesto, puro e sempre com a intenção de fazer o bem. Vânia ainda ressaltou que o candidato ganhador nas eleições deve respeitar o grupo perdedor e que o Ministério Público esteve presente para garantir, em pé de igualdade, os esclarecimentos dos candidatos sobre as expectativas locais. O chefe do cartório da 25° zona eleitoral em Piracanjuba, Eduardo Gomes, participou do debate em seu município e se disse impressionado com a isenção e organização do evento. Ele afirmou que foi a primeira vez que participou de um encontro como esse no município e disse que todas

Opinião

O evento discutiu, em alto nível, a melhoria de vida para as pessoas dos municípios. O Ministério Público sempre participará de eventos como esse da Faeg. Vânia Marçal de Medeiros, promotora do Ministério Público de um município da região Oeste do Estado.

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as cidades deveriam ter a oportunidade de sediarem um debate tão importante para a construção de uma consciência política amadurecida e enraizada nos princípios da participação da comunidade na administração pública. “Foi uma ótima oportunidade de confrontarmos todos os candidatos em um único local. Foi um evento muito importante para nossa comunidade, com certeza irei participar dos próximos”, garantiu. Para o telegrafista aposentado, de 68 anos de Bela Vista de Goiás, Sebastião José de Santiago, a oportunidade foi única para confrontar as propostas de cada candidato ao pleito de prefeito no município. Ele disse que já havia participado de outros debates semelhantes no município, mas nada comparado ao organizado pela Faeg. “O aproveitamento desse debate foi muito melhor do que o de qualquer outro que eu já participei. Acho que deveria se repetir a cada eleição”, comentou. Sebastião afirma que a iniciativa do debate é muito importante porque auxilia o eleitor a escolher melhor seu voto. “Isso porque não adianta só votar, o eleitor precisa ter ferramentas para saber fazer a melhor escolha na urna”. Segundo o padre da Paróquia Santa Rita dos Impossíveis, em Santa Rita do Araguaia, Luismar de Freitas Rocha, o debate foi muito bom e

Foi uma ótima oportunidade de confrontarmos todos os candidatos em um único local. Foi um evento muito importante para nossa comunidade.

Eduardo Gomes, chefe do cartório da 25° zona eleitoral em Piracanjuba.

Cleiber Di Ribeiro

Sociedade apoia iniciativa

A promotora, Vânia Marçal, participou de dois debates e destacou a importância dos eventos para a comunidade

de alta qualidade tanto no comportamento dos candidatos quanto na organização e isenção dos organizadores. “Foi uma iniciativa muito boa de uma entidade não política como a Faeg promover esse encontro. Esperamos que os candidatos tenham o compromisso com a sociedade em manter suas propostas debatidas durante o evento”, comentou. A empresária em Jussara, Elizete Vaz da Cruz Leite, comenta que adorou participar do debate no município. Ela comentou da participação e comportamento de cada candidato e disse que nunca havia presenciado um debate tão isento e bem elaborado. “Foi muito bom ouvir as propostas dos candidatos. Sempre tem um que se destaca mais que o outro, mas o que importa é o comprometimento dos candidatos com o evento e com a comunidade”, ressaltou.

Foi uma iniciativa muito boa da Faeg. Esperamos que os candidatos tenham o compromisso com a sociedade em manter suas propostas.

Pe. Luismar de Freitas Rocha, da Paróquia Santa Rita dos Impossíveis, em Santa Rita do Araguaia.

O aproveitamento desse debate foi muito melhor do que o de qualquer outro que eu já participei. Acho que deveria se repetir a cada eleição. Sebastião José de Santiago, aposentado em Bela Vista de Goiás.

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Andréia Peixoto

DELÍCIAS DO CAMPO

Abobrinha ao Molho Branco

Rende apro ximadam

8 porçõeente s Receita elaborada por Andréia Peixoto, técnica em cozinha rural do Senar, Goiás.

Ingredientes:

Modo de fazer:

800 gramas de abobrinha verde cortada à portuguesa (rodelas) 1 fio de óleo Sal 1 dente de alho

Frite a cebola no óleo, quando estiver dourada, acrescente a margarina, em seguida adicione o leite (reserve meio copo para dissolver a farinha de trigo) e quando levantar fervura, despeje a farinha de trigo derretida em meio copo de leite e mexa sempre até engrossar, tempere com sal e noz moscada.

Modo de preparo: Coloque o óleo em uma panela e doure o alho. Refogue a abobrinha e reserve.

Para o molho branco 1 litro de leite 3 colheres de farinha de trigo 1 colher de margarina 1 fio de óleo 1 cebola ralada Sal Noz moscada a gosto

MONTAGEM: Forre uma travessa com a abobrinha refogada, coloque o molho branco e cubra com queijo ralado. Leve ao forno para gratinar por 20 minutos. OBSERVAÇÃO: • A abobrinha pode ser substituída por outros legumes, tais como cenoura, jiló, batata e outros. • O molho branco utilizado neste prato pode ser utilizado em lazanha e outras receitas.

Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200. www.senargo.org.br

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Jana Tomazelli

ALERTA NA LAVOURA Doenças e alto custo de produção fazem tomate começar a perder terreno para outras atividades

Sinal vermelho para o tomate Contínuas quebras de produtividade vêm desestimulando produtores a permanecer no ramo Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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produtividade. As doenças requerem cuidados redobrados e a utilização mais intensiva de uso de defensivos agrícolas. O resultado disso é a diminuição da renda do produtor rural. De acordo com o produtor de tomate industrial, Eduardo Veras, o produtor trabalha com uma média de produtividade entre 90 toneladas e 100 toneladas por hectare, enquanto a indústria calcula números mais modestos, cerca de 80 toneladas. Ele conta que, há anos, mantem a área plantada do fruto em 100 hectares. Entretanto, afirma que ele e produtores da região de Silvânia sofrem por problemas distintos ao longo dos últimos anos. Ele conta que, desde 2009, tem dificuldades em atingir a capacidade máxima de potencial de produtividade. Parte dessa inconsistência é resultado das intempéries climáticas. Doenças da mosca branca e requeima atingem constantemente as lavouras da região, diminuindo os lucros dos produtores. A requeima é a mais importante doença que assola a cultura, altamente destrutiva em regiões onde o clima

é úmido e fresco. O fungo causa danos no tomateiro em qualquer fase do desenvolvimento da planta. Ela pode destruir completamente uma lavoura no período de uma ou duas semanas. Para que o resultado não seja tão devastador, o produtor conta que é necessário ficar atento e fazer aplicação correta de fungicidas. “Em 2009 foi um ano ruim e este ano foi trágico”, resume. Isso, diz, em função da extensão do período chuvoso. Enquanto muitos produtores da região começam a plantar em fevereiro, Eduardo adota outra tática para fugir desses infortúnios e também ter boa produtividade. “Planto sempre em maio, já que estou em uma região mais alta e fria”, explica. Mas daí vem outro empecilho: a mosca branca. Eduardo diz que, não raro, a doença migra de lavouras vizinhas para os tomateiros. O produtor afirma que uma forma de minimizar este problema seria uma fiscalização mais rígida no período destinado ao vazio sanitário do tomate pelos fiscais da Agrodefesa.

Produtor de tomate industrial, Eduardo Veras, afirma que está a cada safra mais difícil manter a área plantada

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limento nutritivo e sempre presente na mesa dos brasileiros, o tomate perde terreno para outras culturas no Estado de Goiás, inclusive em regiões tradicionais de plantio. Neste quesito, as preocupações não distinguem produtores de tomate de mesa daqueles que produzem o fruto estritamente destinado à indústria. Dois fatores deixam a cultura vulnerável em relação a outras atividades: a falta de políticas públicas que garantam renda ao produtor e a constante presença de doenças nas lavouras. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área de tomate tipo industrial vem diminuindo ano após ano. Para se ter ideia, o Instituto estima que este ano serão plantados 7,4 mil hectares, a metade do que foi plantado há apenas três anos. Em 2009, foram 15,7 mil hectares. Embora o tomate industrial apresente maior liquidez e contrato garantido com a indústria, as lavouras sofrem intensamente com doenças que causam constantes quebras de


Preços altos Embora o preço do tomate esteja nas alturas, causado pela quebra de produtividade e também pela redução de áreas em Estados produtores, o produtor Eduardo Veras, não acredita que haja potencial de grande expansão de produtividade em Goiás. Ele explica que as indústrias possuem áreas e trabalham com o plantio de forma a compensar a lei da oferta e procura. Entretanto, explica que os produtores que são fiéis às indústrias e sustentam contrato de exclusividade ainda podem aumentar sua área sem medo da colheita não ser absorvida. “Mas ao mesmo tempo, se tivéssemos tido, este ano, uma supersafra, acredito que a indústria não iria absorver toda a produção”, finaliza.

Como a previsão é contrária, Eduardo explica que muitos produtores da região estão sendo assediados por indústrias paulistanas em busca de toneladas do produto. Embora os valores sejam tentadores, até 30 vezes mais que o valor pré-fixado com as indústrias locais, uma média de R$ 140 a tonelada, o produtor ensina que quebrar cláusulas do contrato não é um negócio inteligente. “Eles te retiram do mercado por muitos anos”, diz. Por ser considerada uma lavoura mais estressante, que exige dedicação integral e, além disso, com uma colheita demorada, tende a desestimular o produtor. “Muitos migram para as culturas de feijão e milho doce que mantêm preços atrativos e

são menos arriscadas”, diz. Para auxiliar os produtores a se manterem na atividade e melhorar o relacionamento campo/indústria, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Associação Brasileira de Horticultura (ABH), Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Embrapa Hortaliças realizam nos próximos dias 28 a 30 de novembro, no Centro de Convenções de Goiânia, o 6º Congresso Brasileiro de Tomate Industrial (6º CBTI). Simultaneamente com o 6º CBTI, será realizada a 6ª Feira de Produtos e Serviços, que é uma grande vitrine tecnológica que tem contribuído para difundir novas tecnologias, insumos, máquinas e serviços em uma demonstração da constante evolução dessa atividade agroindustrial.

Há 18 anos, o produtor Jose Moreira trabalha com o tomate de mesa e tomate cereja. Não dispensar a produção de duas variedades foi uma forma encontrada pelo produtor de não ficar vinculado a uma única lei de mercado. Sem contrato com indústrias e a mercê da lei de oferta e procura travada no Ceasa, José Moreira aprendeu, ao longo do tempo, que essa é uma forma de não arriscar o dinheiro investido em uma cultura de alto custo. Ele calcula que o custo de produção do tomate gira em torno de R$ 4 mil a cada mil pés de tomateiro. “A gente arrisca mais a perder do que a ganhar” resume. José Moreira já começou a colher, a perspectiva é de 350 caixas por milheiro de tomate de mesa. “É uma boa produtividade”, avalia. O preço da caixa comercializada no Ceasa fica em torno de R$ 50 a R$ 90, mas com valores médios em torno de R$ 60, preço que promete dar uma lucratividade extra ao produtor. Na avaliação dele, os preços em Goiás chegaram a esses valores, porque no período de chuva, momento em que diminui a oferta de tomate no mercado 32 | CAMPO

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Diversificar para não perder

O produtor, José Moreira, diversifica as variedades para se manter na atividade

e os preços elevam naturalmente, não ocorreu esse contraponto. “Os preços foram baixos em um momento em que costuma ocorrer o contrário”, explica. Essa inesperada reação do mercado desestimulou o planejamento do plantio de inverno. “Isso é uma caixinha de surpresa, mas por experiência sei que tem alguns anos que isso acontece mesmo”, diz. Mas para fugir desses imprevistos, o pulo do gato do produtor foi

a produção de tomate cereja. Dos 4 mil hectares dedicados aos tomates, 1,2 mil hectares são de tomate cereja. A segurança do produtor é reflexo da estabilidade do preço da variedade. A cumbuquinha é comercializada a R$ 2,50 ou em torno de R$ 7 o quilo. Embora ainda não saiba mensurar, o produtor calcula que a produtividade este ano será satisfatória. “Venho crescendo a cada ano, mas aos poucos para evitar prejuízo”, ensina. www.sistemafaeg.com.br


CAMPO RESPONDE O pé de maracujá doce que tenho em minha propriedade está carregado de frutos, porém, todos ficam infestados de bichos e acabam caindo. O que há de errado e como tratar? Marilza Coutinho O que está acontecendo é o ataque da mosca da fruta, praga muito temida no pomar, principalmente, de maracujá doce. O adulto deposita os ovos nos frutos e as larvas penetram formando galerias que danificam os frutos podendo, posteriormente, ocasionar sua queda. O tratamento mais comum é o enterrio dos frutos contaminados em uma profundidade de 20 cm a 30 cm, este procedimento impedirá o ciclo da mosca. O outro procedimento que deve ser feito para diminuir o ataque é a colocação na planta de recipientes com isca tóxica no pomar. Usam-se garrafas plásticas com orifício para que a mosca possa entrar. Outra alternativa é fazer a pulverização dessa isca tóxica com intervalos de 10 dias a 15 dias em filas alternadas. Receita da isca tóxica: Para 100 litro de água, usar 500 ml de proteína hidrolisada ou 5 litros de açúcar ou 7 litros de melaço. Inseticidas mais usados: diazinon, dimetoato, etion, fenitrotion, fention, malation, mevinfós e triclorfon. Quantidade vide bule de cada inseticida, não precisa misturar mais de um inseticida. Renovar essa isca do recipiente a cada 15 dias. Nunca manusear qualquer inseticida sem o E.P.I completo. Pode-se misturar suco de frutas também na solução A armadilha deve ficar amarrada a uma altura mediana e colocar do lado do sol nascente.

Eu crio galinha caipira. O que faço para salvar as aves que estão morrendo após terem as pernas paralisadas? Elas não conseguem ficar em pé, apresentam fezes brancas e verdes e emagrecem muito. Vânia Rodrigues Bom Vânia, pode ser que esteja iniciando uma infestação de algum tipo de doença bacteriana em sua propriedade, principalmente, pelas características que mencionou como diarreia, prostração das aves com problemas nas juntas e perda excessiva de peso. Dependendo da bactéria que se instalou, a mortalidade é realmente muito alta. Para as aves que já estão doentes, o importante é tentar um tratamento com antibiótico indicado por um médico veterinário, caso a doença já tenha se alastrado em grande parte do plantel, o recomendado é fazer o descarte dessas aves e um vazio sanitário de pelo menos 10 dias com bactericida. Uma dica para quando for comprar novas aves, é ficar atenta ao calendário profilático e também a higienização do local. Consultora: WANESSA NEVES DE FARIA, Zootecnista e coordenadora da área de Pequenos Animais do Senar, Goiás.

Consultor: Fernando Domingues do Carmo, Engenheiro

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Agrônomo e Instrutor do Senar, Goiás, na área de fruticultura.

Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200. www.senargo.org.br

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CASO DE SUCESSO Deoclécio Gomes (Coca), decidiu seguir o sonho de ser o próprio patrão, Senar ajudou a transformar em realidade

Horta saudável e lucrativa Em apenas três meses de atividade, Deoclécio conseguiu aumentar em 300% o lucro da família Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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namento do Senar, a sua atividade cresceu de forma rápida e fácil. Antes, o casal colhia produtos com má qualidade, com aparência de alimentos sujos e mal tratados. “Quando eu chegava com os produtos no comércio não conseguia vender justamente por essa aparência.” Agora, com uma situação completamente diferente, ele conta que fabrica o próprio adubo e está conseguindo produzir e vender uma hortaliça bonita e saudável. Ampliando o Lucro Os produtos de Deoclécio são revendidos para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e na feira de Cristalina, todo domingo. Coca destaca que só na Conab ele vende por mês mais de um salário mínimo em alimentos. Já no fim de semana ele consegue faturar cerca de R$ 300, sendo que no início esse valor não passava de R$ 100. “Foi um crescimento de 300%. E isso me anima a continuar fazendo um trabalho bom e produzindo alimentos de alta qualidade.” Com o lucro obtido com as vendas dos produtos, Coca já fez grandes in-

vestimentos na atividade. “Consegui construir um barracão em Cristalina e, recentemente, comprei um carro que nos ajuda a levar nossos alimentos aos nossos clientes.” Ele relata que quando trabalhava de empregado não tinha condições de ter um automóvel. “Agora minha realidade é outra. Isso me deixa feliz e realizado. É muito gratificante quando nos empenhamos em um trabalho e ele acaba proporcionando boas realizações.” Com apenas dois hectares, em uma propriedade de 45 hectares, a horta de Deoclécio pode ser considerada pequena. Mas a intenção dele é continuar aprimorando a atividade e aumentar o tamanho da produção. “No próximo ano eu quero passar para cinco hectares.” Para o produtor, o treinamento do Senar foi um verdadeiro divisor de águas. “Tudo o que eu sei da atividade, eu aprendi nesse treinamento. Até comercializar o produto eu não sabia. Nunca na minha vida eu participei de uma ação tão recompensadora como esta. Acredito que para o meu crescimento profissional o treinamento do Senar foi fundamental”, relata. Deoclécio mostra, com orgulho, sua horta orgânica

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á quase três meses, a vida de Deoclécio Gomes de Lima, de 37 anos, mudou. Morador do Assentamento Três Barras, no município de Cristalina, ele conta que conseguiu aumentar em 300% a renda da família. E tal objetivo só foi possível após a participação no curso de Olericultura Orgânica, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Goiás, por meio do Síndicato Rural de Cristalina. Apesar de o treinamento ter sido recente, o resultado já altamente visível. Deoclécio, também conhecido na região como Coca, sempre trabalhou como lavrador. Mas o sonho de ter o próprio negócio falou mais alto e ele decidiu correr atrás da realização. “Sentia que era a hora de arriscar e ter um negócio onde eu fosse o meu próprio patrão.” Coca lembra que a primeira opção escolhida por ele e a esposa foi a produção de uma horta. Mas ele não queria uma simples horta, Deoclécio queria fazer algo diferente. E foi pensando na qualidade dos produtos oferecidos que o produtor optou pela horta orgânica. “Até para comercializar é melhor, pois as pessoas, ultimamente, têm se preocupado cada vez mais com a saúde, e acredito que um alimento sem agrotóxico é mais saudável.” Mas antes do conhecimento obtido no treinamento do Senar, produzir a horta orgânica não era tarefa fácil. “No início senti uma grande dificuldade. Quando vamos trabalhar para nós mesmos não têmos a noção do quanto é difícil.” Deoclécio lembra que ele e a esposa tentavam colocar a produção em ordem, mas nunca dava certo. “Têm pessoas que quando começam com um novo negócio, muitas vezes, têm ajuda de um técnico ou uma pessoa especializada. Mas no meu caso não, por isso senti vontade de me inscrever no treinamento de olericultura orgânica.” De fato a melhora veio e em um curto prazo. Ele conta que logo após os ensinamentos adquiridos no trei-


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CURSOS E TREINAMENTOS

Senar lança treinamento de Sangria em Seringueira EM SETEMBRO, O SENAR PROMOVEU

264 CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL 34

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Na área de agricultura

Em atividade de apoio agrossilvipastoril

Na área de silvicultura

Na área de agroindústria

Na área de aquicultura

Na área de pecuária

Em atividades relativas à prestação de serviços

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Leydiane Alves leydiane@faeg.com.br

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estado de Goiás é o sexto maior no ranking nacional de área plantada com seringais. No Estado, são 3.395 hectares (3% da área plantada brasileira) com uma produção, com 9.265 toneladas de látex coagulado (4%). No entanto, Goiás é o que apresenta o melhor rendimento de produção, com mais de 2,8 quilos de látex por hectare, contra, por exemplo, os cerca de 2,7 quilos por hectare de São Paulo - estado que possui maior área plantada no país. Dada a importância da atividade, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Goiás, lançou no dia 28 de setembro o Treinamento em Sangria de Seringueira, durante o 1º Workshop: Cultura da Seringueira, promovido pela Associação dos Produtores de Borracha Natural dos Estados de Goiás e Tocantins (Aprob GO/TO). Pelo fato de a extração do látex ser bastante artesanal, a atividade tem absorvido grande parte da mão de obra que tem saído da cultura de cana-de-açúcar por causa da mecanização. O treinamento terá carga horária de 40 horas. Os participantes – produtores e trabalhadores rurais maiores de 18 anos – receberão informações sobre a importância econômica, social e ambiental da atividade, assim como instruções sobre implantação do seringal, ferramentas e métodos para se realizar sangria mais eficiente e garantir a produtividade das plantas. As inscrições são gratuitas e os interessados devem procurar o Sindicato Rural de seus respectivos municípios para informar do interesse em participar o treinamento.

Para mais informações sobre os treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar, em Goiás, o contato é pelo telefone: (62) 3545-2600 ou pelo site: www.senargo.org.br

74 CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL 36 Alimentação e nutrição

www.senargo.org.br

10 Organização Comunitária

1 Saúde e Alimentação

7 Prevenção de acidentes

1 Educação para consumo

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3.416

Artesanato

PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

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CAMPO ABERTO

Sete hábitos de atuação responsável no campo

Alfapress Comunicações

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Maria de Lourdes Setten Fustaino é diretora de registro da FMC Agricultural Products

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agronegócio brasileiro ganha cada vez mais relevância dentro no cenário econômico mundial. Diante disso, a proteção dos cultivos, da saúde humana e do meio ambiente para produção de alimentos de qualidade é imprescindível para alimentar o mundo de maneira sustentável e responsável. Nesse panorama, profissionais que trabalham diretamente com a agricultura têm o compromisso e dever de desenvolver diversas formas de educar, conscientizar e levar o conceito de boas praticas agrícolas aos campos brasileiros de maneira eficaz e inovadora, rumo a uma agricultura forte e responsável. Com objetivo de atender esse cenário, a FMC Agricultural Products, uma das maiores empresas no segmento de defensivos agrícolas, criou o Programa Atuando com Responsabilidade, que tem como proposta transmitir à comunidade rural de forma simples e didática a mensagem sobre os sete hábitos da atuação responsável. O primeiro hábito é “Aquisição de produto por meio de Receituário Agronômico”. Antes de comprar um produto fitossanitário, é fundamental consultar um Engenheiro Agrônomo para fazer uma avaliação correta dos problemas da lavoura, como o ataque de pragas, doenças e plantas daninhas. O segundo hábito é o “Transporte Seguro”. Transportar produtos fitossanitários é uma tarefa de alta responsabilidade e exige que

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sejam tomadas várias medidas de prevenção para diminuir o risco de acidentes em vias públicas e aumentar as chances de sucesso em atendimentos de emergências. O terceiro hábito é o “Armazenamento”. As normas para armazenar produtos fitossanitários no Brasil foram revistas e tornaram-se mais rigorosas. As implicações legais num caso de acidente podem ser agravadas, se comprovada a não observância das normas vigentes, pois os infratores poderão ser punidos de acordo com a Lei de Crimes Ambientais. O quarto hábito é o “Preparo da Calda” que exige muita atenção, pois é neste momento em que o trabalhador manuseia o produto concentrado. Por isso, a embalagem deve ser aberta com cuidado para evitar o derramamento. A utilização de balanças, copos graduados, baldes e funis específicos tornam-se necessárias. “Utilização Adequada de Equipamentos de Proteção individual (EPI)” é o quinto hábito. Nas lavouras, a função básica do EPI é proteger o organismo de exposições ao produto tóxico, minimizando todo e qualquer risco de intoxicação durante o manuseio ou a aplicação de produtos fitossanitários. Por isso, são responsabilidades do empregador o fornecimento dos EPIs adequados ao trabalho, devidamente higienizados, além da instrução e do treinamento dos trabalhadores quanto à utilização correta.

Já o sexto hábito é a “Tecnologia de Aplicação”. Toda vez que realizar um tratamento fitossanitário com a utilização de produtos químicos, é necessário responder, no mínimo, três perguntas para garantir bons resultados agronômicos: Qual é o alvo biológico que precisa ser controlado? Qual o tratamento mais adequado? Como realizar uma aplicação eficaz? Isso porque a aplicação errada de produtos químicos é sinônimo de prejuízo, pois além de gerar desperdício, aumenta consideravelmente os riscos de contaminação das pessoas e do ambiente. O último hábito é “Destinação e Sobra de Embalagens”. O principal motivo para realizarmos a destinação final correta às embalagens vazias dos agrotóxicos é diminuir o risco para a saúde das pessoas e de contaminação do meio ambiente. Porém, trata-se de um procedimento complexo que requer a participação efetiva de todos os agentes envolvidos na fabricação, comercialização, utilização, armazenamento e no processamento dessas embalagens. Os produtos fitossanitários existem para proteger o campo e aumentar a produtividade e a rentabilidade nas lavouras. Com os sete hábitos de atuação responsável, todos nós podemos alimentar o mundo com mais segurança, qualidade e sustentabilidade. A FMC investe nessas ações e em novas tecnologias, pois acredita no crescimento do País por meio da agricultura sustentável. www.sistemafaeg.com.br


2012 10 outubro  

http://sistemafaeg.com.br/images/revista-campo/pdfs/2012-10-outubro.pdf

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