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ISSN 2178-5781

Ano XIII | 210 | Dezembro 2012

O ano da produção Com safra recorde, produtores fecham 2012 com as contas no azul. Expectativa para 2013 também são positivas.


PALAVRA DO PRESIDENTE

CAMPO A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.

Conselho editorial Bartolomeu Braz Pereira; Claudinei Rigonatto; Eurípedes Bassamurfo da Costa; Marcelo Martins Editores: Francila Calica (01996/GO) e Rhudy Crysthian (02080/GO) Reportagem: Rhudy Crysthian (02080/GO) e Leydiane Alves Fotografia: Jana Tomazelli Techio, Gutiérisson Azidon Revisão: Cleiber Di Ribeiro (2227/GO) Diagramação: Rowan Marketing Impressão: Gráfica Talento Tiragem: 12.500 Comercial: (62) 3096-2200 revistacampo@faeg.com.br

DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis; José Manoel Caixeta Haun. Vice-Presidentes Institucionais: Bartolomeu Braz Pereira, Estrogildo Ferreira dos Anjos. Vice-Presidentes Administrativos: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares Ribeiro. Suplentes: Wanderley Rodrigues de Siqueira, Flávio Faedo, Daniel Klüppel Carrara, Justino Felício Perius, Antônio Anselmo de Freitas, Arthur Barros Filhos, Osvaldo Moreira Guimarães. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Vilmar Rodrigues da Rocha, Antônio Roque da Silva Prates Filho, César Savini Neto, Leonardo Ribeiro. Suplentes: Arno Bruno Weis, Pedro da Conceição Gontijo Santos, Margareth Alves Irineu Luciano, Wagner Marchesi, Jânio Erasmo Vicente. Delegados representantes: Alécio Maróstica, Dirceu Cortez. Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira, Walter Vieira de Rezende.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Elias D’Ângelo Borges, Osvaldo Moreira Guimarães, Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva, Alair Luiz dos Santos, Elias Mourão Junior, Joaquim Saêta Filho. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Edmar Duarte Vilela, Sandra Pereira Faria do Carmo. Suplentes:

Fim do ano com chave de ouro

I

nvestimentos em tecnologia, clima favorável, aumento da produtividade e, novamente, uma safra recorde, fizeram de 2012 um ano bastante positivo para o setor agrícola goiano. O aumento do consumo em países da Ásia, por exemplo, a melhoria da renda e o aquecimento do consumo interno tem contribuído para os produtores manterem as contas no azul. Mas, nem tudo foram flores para o setor, ainda enfrentamos problemas antigos de infraestrutura que travam o desenvolvimento do setor. Estradas sucateadas, portos congestionados, falta de armazéns para secagem e estocagem de grãos e energia elétrica inconstante são apontados como os principais gargalos. Fora os problemas estruturais, alguns segmentos como o de gado de corte não têm muito o que comemorar esse ano. Mas, mesmo assim, a expectativa para o próximo ano é uma ligeira redução no custo de produção. O otimismo também se estende para a produção de leite, isso com base no aumento do consumo de produtos derivados do leite e perspectiva de elevação do preço do litro do produto. Mas é necessário mais investimento em acompanhamento técnico. Na esfera política também podemos destacar algumas conquistas importantes para o setor neste ano. Depois de uma longa batalha, a aprovação do novo Código Florestal, mostra a força que o segmento agropecuário tem hoje. O engajamento e a mobilização realizada em 123 municípios goianos com os debates do projeto “O que esperamos do próximo prefeito” marcou na história política do Estado um novo estilo de realizar campanha eleitoral para prefeito. Para 2013 as expectativas são positivas também, tanto para setores que fecharam 2012 no azul quanto para outros nem tão satisfeitos, mas vale destacar que tudo isso depende muito do comportamento do mercado já nos primeiros meses do ano. Isso porque o mercado irá dar o norte do setor e desencadear maiores investimentos em tecnologia por parte da produção.

Henrique Marques de Almeida, Wanessa Parreira Carvalho Serafim, Antônio Borges Moreira. Conselho Consultivo: Bairon Pereira Araújo, Maria José Del Peloso, Heberson Alcântara, José Manoel Caixeta Haun, Sônia Maria Domingos

Alexandre Cerqueira

Fernandes. Suplentes: Theldo Emrich, Carlos Magri Ferreira, Valdivino Vieira da Silva, Antônio Sêneca do Nascimento, Glauce Mônica Vilela Souza. Superintendente: Marcelo Martins FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222 Site: www.sistemafaeg.com.br E-mail: faeg@faeg.com.br Fone: (62) 3545-2600- Fax: (62) 3545-2601 Site: www.senargo.org.br

José Mário Schreiner Presidente do Sistema FAEG/SENAR

E-mail: senar@senargo.org.br Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2208 - (62) 3096-2248 (62) 3096-2115.

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Jana Tomazelli

Jana Tomazelli

PAINEL CENTRAL

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Debandada para o Norte

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Prosa Rural

O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes, acumula 18 anos de experiência no setor. Em entrevista exclusiva à Revista Campo ele aponta quais são os maiores desafios do setor e o novo perfil de um líder cooperativista.

Gutiérisson Azidon

Produtores goianos das regiões Sul e Sudeste como, Moacir José, protagonizam uma mudança no mapa de investimentos em terra no Estado.

Agenda Rural

06

Fique Sabendo

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Delícias do Campo

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Campo Aberto

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Treinamentos e cursos do Senar

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Desafio para a produção de leite

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11° Congresso Internacional do Leite, realizado em uma parceria do Sistema Faeg/Senar e Embrapa Gado de Leite, debate cooperativismo, desenvolvimento do setor e produção com sustentabilidade.

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Produtores fecham ano com saldo positivo 20

Agrinho premia professores e alunos

Jana Tomazelli

Rowan

Safra recorde, investimentos em tecnologia, clima favorável e outros fatores colocaram 2012 como um dos melhores anos para a produção agrícola goiana. Expectativas para 2013 são ainda melhores.

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90 dos municípios goianos se envolveram no Programa este ano. Premiação acontece em dezembro.

Uma retrospectiva destaca os principais fatos para o setor agrícola em 2012. Arte produzida pela Rowan MKT.

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Jornalistas premiados

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4° Prêmio de Jornalismo do Sistema Faeg/Senar distribui R$ 44 mil para os melhores trabalhos na área de comunicação que divulgaram o setor durante o ano. Saiba qual o tema para o próximo ano.

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AGENDA RURAL

DEZEMBRO 13 de Dezembro Congresso Goiano de Municípios Palestra sobre “Agricultura Familiar nos Municípios” Local: Centro de Convenções - Goiânia Hora: 9h30 Informações: (62) 3096-2200

12/12

13/12

Reunião Ordinária do Conselho Estadual do Trabalho do Estado de Goiás Hora: A partir das 8h Local: Secretaria de Estado de Cidadania e Trabalho Informações: (62) 3201-8683

Entrega do Troféu “O Anhanguera” Local: Auditório da CDL, Goiânia Hora: 20h Informações: (62) 3096-2200

14/12

20/12

Entrega do Troféu Mérito Participativo Local: Sesc Faiçalville, Goiânia Hora: 20h Informações: (62) 3522-6300

Coletiva – Balanço Anual da Faeg Local: Sede da Faeg, Goiânia Hora: 14h30 Informações: (62) 3096-2115

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FIQUE SABENDO REGISTRO

Faeg prestigia posse do novo secretário da Semarh Gutiérisso Azidon

Divulgação

Armazém

Pequenas Construções Rurais Paiol, galinheiro, chiqueiro, gaiolas para coelhos, apiários, piscina, casa de caseiro e outras construções podem ser feitas com poucas ferramentas pelo próprio proprietário de uma chácara ou de um sítio, mesmo que nunca tenha exercido esse ofício. Para isso, basta ter boa vontade e habilidade manual. O autor desta obra já é bastante conhecido na área de literatura agropecuária e fornece, agora, um guia prático ensinando como melhor planejar a construção de telhados, banheiros, fossa, ou preparar o terreno, buscar água potável e até mesmo instalar eletricidade, indicando o material a ser utilizado. Executar estas tarefas, além de ser uma maneira de economizar é, também, um passatempo agradável e uma higiene mental. O livro pode ser encontrado nas melhores livrarias on line. O valor não foi divulgado pela editora.

O presidente do Sistema Faeg/ Senar, José Mário Schreiner, esteve presente na solenidade de posse do novo secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Leonardo Vilela, no dia 30 de setembro. Vilela retorna à Semarh depois de se licenciar, na intenção de ser candidato à prefeitura de Goiânia. Durante a solenidade, realizada no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, Leonardo Vilela, explicou que pretende dar apoio irrestrito às demandas das entidades do Fórum empresarial, do qual a Faeg é membro. O assessor técnico da Faeg para

área de meio ambiente, Marcelo Lessa, assumiu no mês de novembro a Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental da Semarh. Entre os novos desafios de Lessa, está a criação do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Para o presidente da Faeg, José Mário Schreiner, a ida de Marcelo Lessa para a Semarh é motivo de comemoração para a classe produtora. “A Federação se sente honrada em poder ceder um profissional tão capacitado para o governo de Goiás.” José Mário acrescenta que Lessa vai realizar um excelente trabalho à frente da Superintendência de Gestão e Proteção Ambiental.

pesquisa O híbrido de maracujazeiro azedo BRS Rubi do Cerrado foi lançado no mês de outubro, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS), durante o XXII Congresso Brasileiro de Fruticultura. A nova cultivar foi obtida por meio de melhoramento genético. Produz aproximadamente 50% de frutos de casca vermelha ou arroxeada com peso de 120 a 300 gramas (média de 170g) e rendimento de suco em torno de 35%.De www.senargo.org.br

Fábio Faleiro/Embrapa

Embrapa lança nova variedade de maracujá acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Fábio Faleiro, dependendo da forma de manejo da cultura, essa variedade pode atingir produtividades superiores a 50 ton/ha no primeiro ano de produção. A maior resistência ao transporte, coloração de polpa amarelo forte, de bom rendimento e maior tempo de prateleira também merecem destaque. Dezembro / 2012 CAMPO

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PROSA RURAL

Mรกrcio Lopes de Freitas

OCB

Presidente da OCB

Cooperativismo em alta Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br Especial para a Revista Campo 8 | CAMPO

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N

atural de Patrocínio Paulista (SP), o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, herdou a paixão pela agricultura e pelo cooperativismo no berço da família. Graduado

em administração pela Universidade de Brasília (UNB), Márcio acumula 18 anos de experiência direta com o cooperativismo. Em entrevista exclusiva à Revista Campo, o presidente da OCB elogia o profissionalismo e tecnificação dos produtores goianos. Márcio aponta ainda quais são os maiores desafios do setor e o novo perfil de um líder cooperativista.

Revista Campo: Quais os passos ini-

fundamentos que são importantes

através do processo de cooperativa. É

ciais para fundar uma cooperativa?

para nascer uma cooperativa. A

fazer com que um produtor de poucos

Márcio Lopes: Uma cooperativa é

primeira coisa é ela ter seus obje-

litros de leite, um exemplo claro aí de

acima de tudo uma empresa, só que

tivos muito bem definidos porque

Goiás, você dá a ele uma escala de

tem uma forma societária diferen-

eles serão comuns. É diferente de

um grande produtor. Ele terá acesso

te que é a forma cooperativa de se

uma empresa mercantil, que se

aos mesmos meios e recursos que um

organizar. Mas é uma empresa como

baseia no capital financeiro, aonde

grande produtor de leite. Além da es-

outra qualquer e precisa ter todos os

o objetivo é remunerar o capital. Na

cala de compra, ele tem a vantagem de

fundamentos normais, burocráticos,

cooperativa o objetivo é melhorar

estar no coletivo. Ele tem a capacidade

de quando você vai abrir uma empre-

a renda e a qualidade de vida dos

de impacto de influência política. Ele

sa. Então você precisa de todas as cer-

sócios-cooperados. Todos precisam

tem todo um conjunto de ganhos no

tidões e documentos. Você tem que

ter esses fundamentos muito claros,

coletivo. Esse é o grande benefício e o

se registrar na junta comercial e, antes

esses conceitos que chamamos de

objetivo da cooperativa que não pode

de tudo, procurar a organização das

valores e princípios do cooperativis-

perder nunca é de que ela foi criada

cooperativas do Estado. Lá, você já

mo. Segundo, a cooperativa tem de

para dar resultados ao cooperado. A

vai ter toda a orientação técnica para

ter projeto de viabilidade econômica.

criatura é a cooperativa, o criador é

cuidar dessa burocracia de formação e

Cooperativa é um negócio e tem de

o cooperado. A criatura não pode ser

também vai ter os dados que nós con-

ter sustentabilidade econômica. Se

nunca mais importante que o criador.

sideramos fundamentais para iniciar

o negócio é ruim, se não dá certo,

E se isso escorregar, cria distorções e

uma cooperativa que é dar todo o em-

não tem jeito. E terceiro, tem de ter

a cooperativa vira corporativa. Ela não

basamento conceitual para as pessoas

liderança capaz de manter esse equi-

pode viver para sustentar a si e esque-

entenderem realmente o que é uma

líbrio econômico e social.

cer que o grande beneficiário foi quem criou a cooperativa.

sociedade cooperativa e para que as pessoas que estão viabilizando a nova

Revista Campo: Quais são os

cooperativa possam nascer a coope-

maiores benefícios de um pequeno

Revista Campo: Como essas coo-

rativa dentro de um ambiente correto,

produtor rural ao fazer parte de

perativas se sustentam?

de valores e princípios corretos, não

uma cooperativa?

Márcio Lopes: Ela tem de se susten-

só a parte burocrática, técnica.

Márcio Lopes: O produtor que se

tar no seu próprio negócio. O negócio

agrega a uma cooperativa é para ele

tem de gerar resultados suficientes

Revista Campo: Essa é a parte

ganhar no conjunto o que para ele é

para melhorar a qualidade de vida

mais difícil?

difícil conquistar no individual. É es-

e cumprir os objetivos perante seus

Márcio Lopes: Acho que essa é a

cala na produção, é escala na compra

sócios. Ela precisa ter uma margem

parte inicial, que é fundamental para

de insumos, na aquisição das matérias-

suficiente que garanta um progresso

que as pessoas se baseiem em três

-primas. É tornar o pequeno, grande

de seus cooperados e que tenha uma

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taxa administrativa que sustente a

ela precisa garantir espaço nas políticas

a mudança de comportamento das

estrutura da cooperativa. Tem de

públicas. Por isso, a gente sempre con-

pessoas. A cooperativa tem de ser cui-

ter um delta em que a cooperativa

sidera que a cooperativa não pode estar

dadosa quanto a isso. Tem de se dedi-

se sustente no seu próprio negócio.

alheia do ponto de vista de processo

car a educação, informação. Trabalhar

Não dá para ficar esperando ajuda

de participação política. Isso é funda-

realmente a cabeça das pessoas, com

externa para sustentar o negócio.

mental como pano de fundo. Mas não

isso vai mudando o comportamento

Isso do ponto de vista econômico.

pode deixar que a política tenha geren-

e, eu acredito, que a mudança de

Já do ponto de vista de valores, tem

ciamento das atividades da coopera-

comportamento leva a um longo pra-

de ser cultivado permanentemente a

tiva. A política tem de ser uma ferra-

zo, uma mudança cultural de base. As

questão da educação cooperativista.

menta a ser utilizada pela cooperativa.

pessoas vão se tornar mais coopera-

As pessoas têm de estar convictas

Por isso, apoiamos que as cooperativas

tivas. Tanto é que é mais fácil traba-

de que participam de uma socieda-

apoiem, busquem compromisso de

lharmos cooperativismo na região

de diferente. Você tem de garantir a

pessoas, homens ou mulheres, que

Sul do Brasil, que tem uma imigração

sustentabilidade econômica e garantir

tenham compromissos com a ideia da

saxônica mais ampla ou trabalhar na

a sustentabilidade social, trabalhando

cooperativa, sem ter nenhum vínculo

região de São Paulo e Mato Grosso do

os valores da cooperativa.

político-partidário. A cooperativa não

Sul que tem uma influência mais asiá-

pode adotar o partido A ou partido B,

tica, japonesa que também tem mais

Revista Campo: Perfil de um líder

a cooperativa tem de buscar pessoas,

cultural o lado da cooperação. Onde

em uma cooperativa?

candidatos que reflitam as mesmas

prevalece a identidade ibérica, temos

Márcio Lopes: O líder tem de ser

ideias que a cooperativa . E com isso

mais dificuldade. O maior desafio é a

legítimo. O líder moderno tem de nas-

ela (a cooperativa), tem um espaço na

cultura da cooperação.

cer do bojo social da cooperativa. Tem

democracia de fazer chegar a voz dos

de ser um sujeito que tem a ver com o

cooperados através dos políticos –

Revista Campo: Como fazer para

processo da base, que tenha identi-

parlamentos, assembleias legislativas

seguir um momento ou tendência do

dade e reflita realmente as ideias das

e no congresso nacional. A política é

mercado em uma cooperativa. Como

pessoas que compõem a cooperati-

uma ferramenta para a cooperativa se

ela deve se adaptar ao mercado?

va. O líder hoje não é exigido dele

utilizar dela e não ser utilizada por ela.

Márcio Lopes: Temos que trazer um

que tenha expertise administrativa e

Isso é muito sutil, mas faz uma diferen-

cenário para dar um novo modelo de

gerencial porque isso você vai buscar

ça tremenda.

desenvolvimento global. Para mim

no mercado, você vai contratar o

Goiás é uma referência nisso. Vocês

executivo que irá fazer isso. Isso não é

Revista Campo: Quais os maiores

tem uma agricultura de nova geração

fundamental, já foi no passado, onde

desafios do movimento cooperati-

e no Brasil está surgindo uma agricul-

o líder também era o gestor.

vista no País?

tura de nova geração. Primeiro que é

Márcio Lopes: Os grandes desafios

uma agricultura formada por agricul-

Revista Campo: Como superar

do cooperativismo brasileiro é romper

tores de renovação muito grande. A

os desafios para não haver vínculo

uma cultura centenária que nós temos

idade média do agricultor brasileiro é

político-partidário na cooperativa?

que é o individualismo. Nós temos

muito abaixo da do resto do mundo.

Márcio Lopes: Quem atua em ativida-

uma colonização ibérica, principal-

No Brasil é de 46 a 48 anos, enquan-

des econômica e social como é a coo-

mente portuguesa, que passou 500

to que nos Estados Unidos está acima

perativa, ela precisa ter representação

anos nos cultivando para sermos

dos 68 anos. Essa nova geração de

política. Ela precisa manifestar seus

individualista. Os portugueses têm

agricultores, que está fazendo dife-

posicionamentos para ter representação

qualidades extraordinárias, mas não é

rença com uma agricultura moderna,

política. Ela lida com muita gente, lida

uma característica ibérica o processo

tecnificada, profissional, menos

com setor econômico normalmente

de premiar o coletivo. Isso é cultural.

dependente de subsídios de políticas

importante, de impacto em municípios,

Então, para trabalhar o cooperativis-

públicas é mais atuante do ponto de

Estados ou até de um País e para isso

mo neste ambiente, tem de trabalhar

vista tecnológico.

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MERCADO E PRODUTO

Financiamentos para a safra 2012/13

O

Ministério da Agricultura divulgou o volume das contratações do crédito. As contratações somaram R$ 26,5 bilhões nos meses de julho a setembro deste ano. Esses números mostram que os financiamentos do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013 superaram em 14,7% o volume contratado no mesmo período no ano passado. As contratações no âmbito do Programa ABC, que estimulam boas práticas agrícolas, foram destaque no período, com a liberação de R$ 600,6 milhões. O montante representa 17,7% dos R$ 3,4 bilhões autorizados ao programa para 2012/13. Outros destaques entre os financiamentos de investimento foram as contratações registradas através do Moderagro (R$ 111 milhões) e do Moderinfra (R$ 58,8 milhões), ambos com juro de 5,5% ao ano. As medidas aprovadas pelo Governo Federal, sobretudo a ampliação de recursos e a redução dos juros das linhas de crédito disponíveis para financiar a agricultura, além das melhorias nas condições de financiamento ao médio produtor rural, são determinantes para a ampliação da demanda por crédito rural. O maior problema é a burocracia. Por ser destinado à área rural, os financiamentos são considerados um crédito preferencial, mas como eles possuem origem estatal, os trâmites burocráticos são inúmeros, como por exemplo a necessidade de se comprovar renda e regularidade fiscal, que acabam dificultando a liberação efetiva de recursos aos produtores. O financiamento tem chegado aos produtores, mas não da maneira que necessitam. A morosidade do processo como um todo

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prejudica os produtores. O sistema financeiro nacional provavelmente não vai conseguir aplicar todo o recurso anunciado pelo Plano Safra 2012, em função da falta de garantia, uma vez que muitos produtores da nossa região precisaram solicitar o refinanciamento da safra passada e estão fora do sistema. Essa dificuldade tanto pode vir a prejudicar o aumento produtivo do agronegócio brasileiro, como pode encarecer em muito os custos das lavouras no País. Quando o produtor não consegue utilizar o recurso controlado pelo governo, busca formas privadas. E esses contratos têm um custo operacional extremamente alto, de no mínimo 12%, até no máximo 45% ou 48% ao ano. Ou seja, uma variabilidade muito grande. Isso encarece o produto final, dificulta a produção e onera o produtor rural. Mesmo assim, aquele produtor que está em condição de pleitear o financiamento, deve fazer o seu cadastro e aplicar na produção. Acredito que entre 70% a 80% dos pequenos, médios e grandes produtores já financiaram esta safra e estão pleiteando o financiamento para a safrinha. Para a próxima safra, o principal foco é dar fim à burocracia e o primeiro passo será pedir mais agilidade aos agentes financeiros quanto à análise e aos critérios de liberação de crédito. No que se refere ao Programa ABC, que incentiva processos tecnológicos que neutralizam ou minimizam os efeitos dos gases de efeito estufa no campo, posso dizer que é um programa bom, mas que também sofre com a falta de agilidade. O recurso existe, mas a análise dos itens financiados é muito lenta já que está centralizada em Brasília, onde os pedidos de todo o Brasil são estudados.

Carlos Costa

Alexandre Câmara | alexandre@faeg.com.br

Alexandre Câmara é presidente da Comissão de Crédito Rural da Faeg.

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AÇÃO SINDICAL

Fabiana Sommer

Alterações do código florestal

O Sindicato Rural de Rio Verde realizou, no dia 8 de novembro, palestra técnica sobre as alterações do Novo Código Florestal. De acordo com Marcelo Lessa, assessor técnico de Meio Ambiente da Faeg, o assunto é amplo e está trazendo novas orientações e procedimentos com relação ao cumprimento da Legislação Ambiental Brasileira. “Os produtores, a partir de agora, devem ficar atentos à nova regulamentação, para que consigam se adequar no que for necessário o mais rápido possível”, afirma Lessa. (Colaborou: Fabiana Sommer Fontana)

MINEIROS

Nova diretoria A diretoria eleita do Sindicato Rural de Mineiros tomou posse no último dia 1° de dezembro, em solenidade realizada no tatersal de elite do parque agropecuário do município. Fernando Mendonça tomou posso como novo presidente eleito para o triênio 2012/2015. Também estarão à frente da entidade o vice-presidente, Antônio Paulo Carvalho; o tesoureiro, Ionaldo Moraes Vilela e o secretário, Milton Luiz Souza. O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner é suplente da nova diretoria da entidade.

LIDERANÇA

Programa do Empreendedor Sindical Gisele Resende

RIO VERDE

CARTÃO

Gutiérisson Azidon

Lançamento do CNACard

Com o objetivo de dinamizar a divulgação do CNACard a Faeg fez o lançamento do documento nos principais municípios que emitem Guias de Trânsito Animal (GTA), seu principal serviço inicial. Foram os seguintes: Quirinópolis, Rio Verde, Cachoeira Alta, Caçu, Mineiros, Jataí, Caiapônia, Bom Jardim, Piranhas, Iporá, Porangatu, São Miguel do Araguaia, Nova Crixás, Palmeiras de Goiás, Paraúna, Montes Claros de Goiás, Britânia, Jussara, Itapirapuã, Goiás, Bela Vista de Goiás, Orizona, Ipameri, Catalão, Itumbiara, Goiatuba, Morrinhos, Pontalina, Piracanjuba e Formosa. 12 | CAMPO

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Vinte dirigentes sindicais dos Sindicatos Rurais dos municípios de Mozarlândia, Arenópolis, Araguapaz, Jaraguá, Inaciolândia, Ipameri, São Miguel do Araguaia, Quirinópolis, São Domingos, São João da Paraúna e Sanclerlândia, participantes do Programa do Empreendedor Sindical, participaram do Curso de Excelência em Liderança. O evento foi realizado no Hotel Papillon, em Goiânia, nos dias 29 e 30 de novembro e faz parte da 3ª Etapa do Programa. O Projeto faz parte das ferramentas disponibilizadas pelo Sistema Faeg/Senar e parceria com o Sebrae para o fortalecimento da entidade sindical. Tem também o objetivo de dinamizar a gestão e criar alternativas para sustentação financeira. www.sistemafaeg.com.br


Crédito Rural BRB O jeito mais rápido de destacar o seu investimento.

O BRB acredita nas atividades rurais e sempre busca novas formas de incentivo. Agora, o crédito ficou ainda mais rápido e sem burocracia. Encontre o financiamento que você precisa e tenha mais agilidade para que o seu negócio cresça.

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Gutiérisson Azidon

CÓDIGO FLORESTAL

Nesse ano os autores dos melhores projetos das oito macrorregiões do Estado receberão prêmios Leydiane Alves leydiane@faeg.com.br

Agrinho na reta final

A A coordenadora do Programa Agrinho, Maria Luiza, comenta os últimos preparativos antes da grande premiação 14 | CAMPO

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pós o ano todo de capacitação de professores multiplicadores e novatos, o Programa Agrinho parte, agora, para a sua terceira e última fase, que consiste na premiação dos trabalhos desenvolvidos nas escolas, por alunos e comunidade. Segundo a coordenadora do Programa, Maria Luiza Bretas, foram avaliados quase dois mil trabalhos das oito regionais do Estado de Goiás. “Tivemos uma grande participação da sociedade. Praticamente, 90% dos municípios goianos se envolveram no Programa.”

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Com o tema “Empreendedorismo e Meio Ambiente”, Maria Luiza explica que foram avaliadas cinco categorias. “Tivemos a categoria desenho para a educação especial, desenho para a educação infantil, redação, escola Agrinho e experiência pedagógica”, resume. Os vencedores serão conhecidos no dia 6 de dezembro desse ano. Para avaliar e classificar os trabalhos foi formada uma comissão composta de representantes das áreas técnica e pedagógica. Maria Luiza explica que a banca avaliadora foi escolhida de acordo com a especialidade de cada professor. “Por exemplo, para a área de desenhos escolhemos professores de artes. Para a avaliação das redações foram escolhidos professores das redes estadual e municipal, e professores da Universidade Federal de Goiás (UFG) de língua portuguesa e que são habituados a trabalhar com redações”, destaca. A professora, Glaucia Santos do

Carmo, foi a responsável pela a avaliação da categoria desenho infantil para educação especial e infantil. Ela conta que a qualidade dos trabalhos foi observada por região. “Em alguns locais percebe-se uma maior compreensão do tema.” Mas Glaucia acrescenta que, de forma geral, todos os trabalhos foram muito bem elaborados. Glaucia explica que os critérios utilizados para a avaliação foi de fundamental importância. “Nós usamos os critérios de vivacidade, originalidade, impacto visual e apresentação como todo.” Na área da educação há 40 anos, Neuracy Pereira Borges, avaliou os trabalhos de redação. Especialista em língua portuguesa, ela conta que o nível dos trabalhos está bem equilibrado. A maior dificuldade dos estudantes foi a abordagem do tema e a questão gramatical.” Ela salienta que houve ainda redações excelentes. “Alguns alunos escreveram poemas, outros contos,

textos com grande qualidade.” De acordo com a especialista, foram usados quatro critérios básicos para a avaliação das redações. “Nós observamos a pertinência ao tema, originalidade, estrutura do texto e apresentação do texto.” Já a professora, Márcia Aparecida Vieira, especialista em história, avaliou os trabalhos da Escola Agrinho. “Vieram trabalhos ótimos, que se percebe o bom desempenho dos alunos e tivemos também trabalhos considerados médios.” Ela ressalta que, das oitos regiões do Estado, todas tiveram trabalhos inscritos. A professora fala ainda que considera o Programa Agrinho de extrema importância para o bom desenvolvimento dos alunos e professores. “Acredito que esse é um projeto inovador que leva os participantes a pensar a educação ambiental e empreendedora dentro do seu espaço”, diz.

Maria Luiza Bretas, conta que, este ano, o Concurso apresentará algumas mudanças na premiação. Em vez de premiados os cinco primeiros colocados de cada categoria, receberão prêmios os autores dos melhores projetos das oito macrorregiões do Estado. Os oito vencedores nas categorias Escola Agrinho e Experiência Pedagógica ainda concorrem entre si na disputa dos grandes prêmios finais: um kit multimídia completo para a escola e um carro zero km para o professor autor da melhor experiência pedagógica. “Essa regionalização da premiação possibilitará um envolvimento ainda maior dos professores, o que pode estimular a produção de projetos e trabalhos por parte dos alunos também”, espera a coordenadora do Programa. De acordo com ela, a satisfação quanto aos resultados do Agrinho contribuíram para o sucesso do Programa desde sua implantação. “A

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Gutiérisson Azidon

Mudanças na premiação

As professoras Gláucia, Neuracy e Márcia avaliam os últimos trabalhos concorrentes do Programa Agrinho

divulgação ‘boca-a-boca’ do Programa por parte dos professores contribui de forma significativa para alcançarmos resultados satisfatórios”, garante. Para Maria Luiza o grande prêmio é a participação da sociedade no Programa. “O premio maior que o Sistema Faeg/Senar ganha é a mudança desses alunos. Sem dúvidas essa é a questão principal.” Segun-

do Maria Luiza, o Agrinho é um modificador de comportamentos e de atitudes que ultrapassa os muros da escola e envolve toda a comunidade. “Os temas do Agrinho encorajam os participantes a mudarem o comportamento e atuarem com mais responsabilidade socioambiental”. (leia a cobertura da premiação do Agrinho 2012 na próxima edição da Revista Campo.)

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Jana Tomazelli

COMUNICAÇÃO O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário, cercado pelos vencedores do 4° Prêmio Faeg/Senar de Jornalismo

Sistema Faeg/Senar premia jornalistas R$ 44 mil foram distribuídos para jornalistas que produziram as melhores matérias relacionadas ao agronegócio neste ano. Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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Sistema Faeg/Senar premiou, no último dia 30 de novembro, os vencedores do 4º Prêmio Faeg/Senar de Jornalismo (veja lista abaixo). Foram distribuídos R$ 44 mil em premiações nas categorias Impresso, Telejornalismo, Fotojornalismo e Radiojornalismo. Concorreram, nesta edição, 50 trabalhos de profissionais de imprensa da capital e interior – matérias e fotos publicadas em veículos de comunicação do estado no período de 21 de outubro de 2011 a 26 de outubro de 2012. Os trabalhos foram sobre o tema: “Informação e Capacitação Desenvolvendo o Campo”. O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, aproveitou para

anunciar o tema do próximo ano. “Do campo para a cidade: o desenvolvimento que caminha junto”. No próximo prêmio serão distribuídos R$ 54 mil. “Uma novidade é que iremos premiar também a categoria Webjornalismo”, disse o presidente bastante entusiasmado com o tema novo. “Será a oportunidade de explorarmos as riquezas que o campo proporciona à cidade”. Ainda de acordo com o presidente, os critérios de avaliação dos jurados são estritamente técnicos onde apuraram os melhores trabalhos para reconhecer o valor de cada um dos profissionais vencedores. “Reconhecemos o trabalho que a imprensa faz e estimulamos esses profissionais a conhece-

rem ainda mais nosso setor”, disse. Campeões Para o vencedor em primeiro lugar na categoria Radiojornalismo da Rádio Brasil Central, Gil Bonfim, a premiação foi um reconhecimento para o trabalho da imprensa e um estímulo para a produção de material voltado para o setor agropecuário. “A Faeg esta de parabéns premiando os melhores trabalhos na área da comunicação”, resumiu. Segundo o jornalista Fernando Dantas, repórter do jornal Canal Bioenergia, vencedor em primeiro lugar na categoria impresso, a premiação serviu para reconhecer o trabalho dos


Jana Tomazelli

bom participar desse premio. A gente acaba adquirindo mais experiência e sabedoria. Ano que vem tem mais”, comemorou. O fotojornalista Ricardo Rafael, do Jornal O Popular, foi o vencedor da categoria. “Fiquei muito feliz por vencer no primeiro lugar. Ano que vem participarei novamente como todos os anos venho participando”, destacou. O corpo de júri de cada categoria foi formado por três profissionais – um membro da academia, um técnico do Sistema Faeg/Senar e um profissional que está no mercado em veículos de comunicação que não estão concorrendo ao prêmio e que são de outros estados. A cerimônia de premiação foi conduzida pela jornalista da Globo News, Cristiana Lobo.

Jana Tomazelli

Victos Hugo e sua equipe da Serra Dourada levaram o primeiro lugar em Telejornalismo

A produtora Bruna Mastreli, representou o vencedor Gil Bonfim na categoria Radiojornalismo

Os vencedores

Jana Tomazelli

FOTOJORNALISMO Ricardo Rafael – O Popular Jota Eurípedes - O Hoje Wildes Barbosa - O Popular JORNALISMO IMPRESSO Fernando Dantas – Canal Bioenergia Lídia Borges - O Popular Pablo Hernandes - O Popular

Fernando Dantas do Canal Bioenergia faturou o primeiro lugar em Jornalismo Impresso Jana Tomazelli

RADIOJORNALISMO Gil Bonfim - RBC Yara Galvão - RBC Mariane Ribeiro – Rádio CBN TELEJORNALISMO Repórter - Produtor – Cinegrafista Victor Hugo de Araujo, Yndaiá Gomes Pereira, José Carlos Pires TV Serra Dourada

Ricardo Rafael de O Popular ganhou com a fotografia mais bem votada na categoria

profissionais que desenvolveram pautas sobre o tema. “Esse prêmio nos estimula a continuar contando as histórias de personagens que desenvolvem o campo”. Quem levou o primeiro lugar na categoria Telejornalismo foi o repórwww.senargo.org.br

ter da TV Serra Dourada, Victor Hugo de Araújo. Ele e sua equipe fizeram uma reportagem sobre um grupo de mulheres de Bela Vista, interior goiano, que se juntaram para realizar um sonho, o de se tornarem empresárias do ramo de artesanato. “Foi muito

Victor Hugo Andrade Garcia, Rafael L. de Freitas, Roberval Marinho C. Júnior TV Anhanguera Giovana Dourado, Rimenes Prado, Marcos dos Reis TV Anhanguera Dezembro / 2012 CAMPO

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Gutiérisson Azidon

TAXAÇÃO

Parlamentares acompanham o anúncio da retirada do item G do projeto de Lei 188 que aumenta e cria novas taxas da Agrodefesa

Governo cede à pressão de produtores Setor se une para barrar aumento e criação de novas taxas sanitárias da Agrodefesa. Medida elevaria as cobranças atuais em mais de 200% Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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governo do Estado retirou da pauta de votação deste ano, da Assembleia Legislativa de Goiás, o item G do projeto de Lei 188 que previa o aumento das taxas sanitárias dos serviços prestados pela Agrodefesa. O anúncio foi feito no dia 11 de dezembro, na própria Assembleia, poucos dias antes de encerrar o ano legislativo da Casa. A retirada do item

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da pauta de votação veio após forte manifestação do setor agrícola goiano que se mobilizou contra o aumento das taxas que chegariam, em alguns itens, a mais de 200%. A decisão do governo foi anunciada após reunião entre o governador, a Faeg e entidades envolvidas na discussão. Segundo o presidente da Faeg, José Mário Schreiner - quem encabeçou as

discussões em torno do tema -, os produtores reconhecem a importância dos serviços prestados pela Agrodefesa, mas não concordam com o aumento ou a criação de novas taxas, especialmente em áreas onde não há projeto estrutural de defesa agropecuária e desenvolvimento do setor. “Oitenta mil produtores goianos vivem com renda negativa e dependem do Estado. Prewww.sistemafaeg.com.br


cisamos permitir que esses produtores consigam alcançar uma renda melhor e não taxá-los com novos encargos”, argumentou. De acordo com o líder da bancada governista na Assembleia, o deputado estadual Hélio de Sousa (DEM), o item G do projeto poderá voltar a ser discutido em fevereiro, quando a Casa retorna do recesso parlamentar de início de ano. “O governo entendeu que é preciso discutir melhor o tema e resolvemos suprimir este item da matéria. Se houver um entendimento entre os agentes envolvidos retomaremos as discussões logo no início próximo ano legislativo”, argumentou. A propositura já havia entrado na pauta da Assembleia no final do ano passado e retirado de pauta a pedido da Faeg. A discussão retornou à Casa em novembro deste ano. Desde então, os produtores dos diversos setores têm se reunido para discutir os aumentos e chegar a algum consenso sobre a elevação das taxas. Os produtores já conseguiram adiar a votação por duas vezes este ano. Esta é a terceira negociação. “Precisamos chegar a um acordo onde a maioria dos produtores não se sinta penalizada com essas cobranças”, afirmou o representante do setor, José Mário. Ele reforçou que o setor ainda sofre com problemas estruturais sérios nas áreas de infraestrutura, logística e meio ambiente – estradas em más condições, fragilidades no fornecimento de energia ao campo, burocracia e lentidão na emissão de outorgas e licenças ambientais. O presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio na Assembleia, o deputado estadual Valcenor Braz (PTB), destacou o compromisso e a união entre os parlamentares que compõem a Frente na defesa dos interesses do setor agropecuário. Segundo ele, discutir novas taxas sem a criação de um projeto de desenvolvimento para o setor é improdutivo para o crescimento econômico do Estado.

Produtores rurais de Goiás se mobilizam para barrar aumento

O presidente da Faeg, José Mário, durante pronunciamento aos produtores

Cerca de 300 produtores rurais de mais de 60 municípios goianos, mobilizados pela Faeg, se reuniram no último dia 11 na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, para acompanhar o anúncio do deputado estadual, líder da bancada do governo, Hélio de Sousa (DEM), sobre a retirada do item G, do projeto de Lei 188, que prevê o aumento das taxas de serviços prestados pela Agrodefesa. Segundo o produtor rural de Rio Verde, Sadi Secco, a mobilização da classe foi muito importante. “Queremos mostrar que não adianta aumentar as taxas. O governo de Goiás precisa melhorar o serviço que tem prestado com o dinheiro que ele já arrecada dos impostos que pagamos.” Ele acrescentou que, antes de o governo aumentar qualquer taxa, deve discutir com o setor que está onerado em relação à carga tributária. “O governo não tem a necessidade de cobrar esse aumento para o setor rural. Já está em dívida com os produtores em termos de prestação

de serviços, como as estradas, energia elétrica e agilidade em processos ambientais”, disse. O presidente do Sindicato Rural de Jataí, Ricardo Perez, também concorda que o aumento das taxas é incoerente. “É injusto mais custo para o produtor, somos nós que pagamos as despesas do Estado, por meio dos impostos.” Ele salienta que é preciso trabalhar em prol de melhores serviços prestados à classe. Perez destaca que a classe produtora se considera vitoriosa com a decisão do governador, Marconi Perillo. “Saímos felizes, porque a união dos produtores foi o grande diferencial para que fosse retirado esse item.” Rogério de Oliveira, presidente do Sindicato Rural de Itumbiara, defende que a conquista da retirada do item G do projeto 188 é motivo de alegria para a classe. “Os produtores devem se inteirar do assunto e saber o que tange todas as regulamentações que estão no projeto.”


Safra recorde e bons preços marcaram o ano Produtores se despedem do ano embalados pelos bons preços e investimentos na compra de maquinários. Falhas na infraestrutura permanecem Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br Especial para Revista Campo

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oi um ano sem precedentes. Produtores rurais goianos investiram em tecnologia imprimindo maior produtividade no campo e foram ainda beneficiados com os efeitos climáticos que favoreceram as lavouras de milho e soja – principais pilares do agronegócio do Estado. A safra recorde, 18,6 milhões de toneladas de grãos, 2,5 milhões a mais que a anterior, contou com a inesperada seca nas regiões produtoras norte-americana e argentina. O

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resultado foi a elevação do preço das commodities. Mas o setor também sofreu agruras. Profissionais reclamam de problemas infraestruturais como estradas más conservadas e falta de investimentos na distribuição de energia elétrica, além da ausência de políticas públicas eficientes voltadas para o setor do agronegócio. O milho talvez tenha sido a grande surpresa desta safra. Desacreditado no início do ano - a expectativa de uma super safrinha achatou os preços

da saca que rondou a casa dos R$ 15 – muitos produtores chegaram a imaginar a probabilidade de intervenção do governo federal com o intuito de garantir o preço mínimo. “Chegamos muito próximo a isso em maio”, lembra o analista de mercado da Faeg, Pedro Arantes. Mas no apagar das luzes, a seca nos Estados Unidos rompeu com o cenário nacional que vinha sendo construído. A perspectiva da quebra de safra do maior produtor e consuwww.sistemafaeg.com.br


midor mundial de milho refletiu rapidamente em liquidez dos estoques e aumento do valor da saca. As mesmas intempéries climáticas também beneficiaram a soja, que já vinha de um baixo estoque e alcançou preços acima de R$ 70, embora poucos produtores tivessem o produto para vender. Prova disso é que os estoques nacionais do grão chegaram a um limite mínimo, mas o mercado não chegou a ficar desabastecido. O vice-presidente institucional da Faeg, Bartolomeu Braz, lembra que o produtor deve Se ater ao crescimento do consumo asiático e ao aumento da renda da população interna, fatores sustentáveis para o fortalecimento do agronegócio. “A forte seca que ocorreu nos Estados Unidos é um fator natural, que pode ocorrer em qualquer época”, ressalta. Infraestrutura Problemas infraestruturais

an-

tigos emperram o desenvolvimento do setor do agronegócio e tiram a competitividade no campo. Estradas e portos congestionados, falta de armazéns para secagem e estocagem de grãos são apontados como os principais gargalos. Em nota, a Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop) apresentou projeto Rodovida Construção, Rodovida Reconstrução –grupo II e Rodovida Conservação . Nele aponta investimentos na reconstrução de 5.430 quilômetros de estradas em diferentes regiões do Estado. Muitos trechos com prazo de execução até 2014. Celg A bronca é direcionada também para o setor de energia elétrica. Regiões como Montividiu, um dos celeiros do sudoeste goiano, sofre com a carência de energia elétrica para manutenção de armazéns. Em nota, a companhia estima que

serão investidos, em 2013, desembolsos superiores a R$ 60 milhões com limpezas de faixas, podas e melhorias de rede, que devem ajudar a minimizar interrupções do fornecimento causadas de decorrentes descargas atmosféricas até interferências de vegetação. Este ano foram investidos, conforme nota, R$ 200 milhões nas manutenções de redes urbanas e rurais. Para 2013, a Celg prevê a captação da mesma quantia em toda a área de concessão. Segundo Pedro Arantes, a ausência de políticas públicas eficazes para o setor gera intranquilidade ao produtor rural. Ele acredita que o seguro agrícola nacional deveria seguir os moldes das regras vigentes nos Estados Unidos. Lá, conta, o seguro cobre 80% da receita esperada. “O produtor não consegue bancar sozinho. O seguro não tem de cobrir só as perdas físicas. A política de preço mínimo é muito pontual”, critica.

Mesmo com o clima um pouco incerto se comparado ao do ano passado, em função da incidência do fenômeno El Niño – cujas principais características são atrasar as chuvas no início do plantio e interrompê-las um pouco mais cedo - profissionais ligados ao setor de grãos estão otimistas quanto ao desempenho das lavouras em 2013. Além disso, estimativas apontam que 65% da safra de soja já tenham sido comercializadas em função dos bons preços praticados pelo mercado este ano. Inicialmente, segundo Pedro Arantes, a perspectiva era de que a safra de grãos batesse novo recorde, rondando 20 milhões de toneladas. O atraso das chuvas no início do período de plantio e a possibilidade de diminuição da área destinada ao milho safrinha podem comprometer esta meta. Outro ponto é que, em algumas regiões do Estado, a estiagem www.senargo.org.br

Marcus Vinicius

Grãos – instabilidade climática

Produtores de grãos estão otimistas quanto a próxima safra

acometida após o plantio resultou na necessidade de replantio de sementes – atrasando ainda mais o ciclo. “Por isso, acredito que a safra de 2013 deva ser próxima a deste ano”, explica. Neste caso, o vice-presidente institucional da Faeg, Bartolomeu Braz,

explica que alguns deixarão de plantar e outros apostarão no sorgo, considerada uma cultura mais rústica. Ele lembra que a agricultura de precisão é uma estratégia para o produtor tentar reduzir essas perdas. “Ele ganha em produtividade e diminui os custos”, aconselha. Dezembro / 2012 CAMPO

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2012 foi considerado um ano ruim para a bovinocultura de corte

Os mesmos fatores que beneficiaram os produtores de grãos criaram um descompasso para produtores de gado de leite e corte, suínos e aves. A elevação do preço do milho e da soja, principais componentes da ração animal, onerou o custo de produção gerando prejuízos para muitos produtores. A expectativa é que o mercado se adeque e a balança fique equilibrada para a continuidade salutar das atividades. “Foi um ano muito ruim”, desabafa o presidente da Comissão de gado de corte da Faeg, José Manoel Caixeta. Ele explica que o setor amargou prejuízos em função do aumenJana Tomazelli

Gado de leite preço pode melhorar Jana Tomazelli

Fernando Leite

Gado de Corte – ano fraco

to do custo de produção e redução do preço da arroba do boi. O custo de produção, calcula, atingiu R$ 85, enquanto o preço caiu consideravelmente. José Manoel conta que boa parcela de culpa desse desempenho ruim também pode ser ligado à retração dos consumos mundial e interno. Prova disso, diz, é que o ano deve findar com uma redução no número de cabeça de gado abatidos. Ele acredita que irá ocorrer uma redução no custo de produção, em função de uma ligeira queda dos preços das commodities. “Alguns especialistas estão prevendo isso. O que nos acalma um pouco mais”, ressalta.

Algodão – diminuição de área O tom foi de cautela. Embora permaneça como o terceiro Estado produtor da Federação, Goiás diminuiu a área de plantio – caiu de 108,3 mil hectares, em 2011, para 89 mil hectares em 2012. O preço ficou abaixo do esperado pelos produtores de algodão em função dos altos estoques mundiais. “Os

Goiás diminuiu a área plantada de algodão este ano

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preços internacionais estavam baixos por causa da regularização dos estoques”, afirma Bartolomeu Braz. Além disso, dados da Conab apontam desaceleração no consumo do produto. “Hoje o algodão compete com os sintéticos”, lembra Bartolomeu. Para 2013, Pedro Arantes acredita que o preço do algodão deva reagir.

O presidente da Comissão de gado de leite, Antônio da Silva, acredita que 2013 baterá as expectativas

Produtores de gado leiteiro começaram este ano com a expectativa na elevação do preço do litro do leite, o que não ocorreu de forma significativa. A frustração, sentimento que costuma emperrar investimentos em muitos setores, não refletiu em desânimo. A estabilização dos preços, situação rara para a atividade, proporcionou possibilidade de planejamento para o produtor”. Foi um ano muito melhor que 2011 e acreditamos que 2013 será ainda mais vantajoso”, afirma o presidente da comissão de gado de leite da Faeg, Antônio da Silva Pinto. O otimismo está baseado no aumento do consumo de produtos derivados do leite (queijo, iogurte) e perspectiva de elevação do preço do litro do leite. “Mas o produtor tem de fazer investimentos de forma programada e com acompanhamento técnico”, alerta. www.sistemafaeg.com.br


Mesmo tendo sofrido impacto menor que produtores da região Sul do País, os suinocultores goianos talvez sejam os produtores que mais tenham sofrido na cadeia do agronegócio este ano. Com preços de venda baixo e alto custo de produção, suinocultores trabalharam no vermelho praticamente até setembro. Muitos saíram da atividade ou diminuíram o plantel. Para se ter ideia, o custo de produção atingiu R$ 2,80 por quilo do animal, após o aumento dos preços do milho e soja, principais componentes da ração, enquanto o produtor de suínos vendia a R$ 2,30. O presidente da comissão de sui-

nocultura da Faeg, Iuri Pinheiro, lembra que em momentos de crise, os produtores goianos ainda competem com a carne oriunda do Mato Grosso, cujo custo de produção é mais barata. “Sempre que ocorre esse tipo de crise eles entram com os animais aqui. Agora que o preço está melhor, eles buscam o mercado de São Paulo”, afirma. Há dois meses, o setor vive uma melhora no preço de venda. Atualmente, diz, os produtores estão comercializando em torno de R$ 3,45 o quilo. A perspectiva para 2013, diz, é de que os preços continuem estáveis. “Mas acreditamos também que o custo de produção devem continuar alto”, explica.

Jana Tomazelli

Suínos - preços baixos e autos custos

Setor de suinocultura foi um dos mais afetados durante o ano

Cana-de-açúcar - atraso na colheita da foi menor. “Quando as máquinas entraram e viram que a produção era maior, elas demoraram mais para tirar a cana”, explica o presidente da comissão de cana-de-açúcar da Faeg, Ênio Fernandes. Neste caso, a capitalização do produtor foi com um pouco mais de lentidão. Ênio lembra que algumas áreas podem ficar ainda sem colher, embora muitas indústrias estão prevendo colheita até o fim do ano. “A entressafra será mais curta e os estoques estão altos”, diz. A soma desses dois

Aves - instabilidade do preço da ração “A possibilidade de faltar farelo de soja causou intranquilidade no setor”, lembra o presidente da comissão de avicultura da Faeg, Uacir Bernardes. Essa foi a maior preocupação em um ano marcado pelo aumento do custo de produção. Esse incremento afetou diretamente o preço do frango. Uacir explica; a ração representa 70% do valor do custo de produção das aves. Ele conta que os avicultores conseguiram recuperar um pouco o preço, mas o que salvou foi o mercado interno. Embora o País seja o maior exportador de

aves mundial, com a consolidação da crise europeia, houve retração nas vendas para outros países, mas o mercado interno surpreendeu ao absorver este volume. Ele acredita que, apesar dos preços das commodities não retraírem muito em 2013, o produtor de aves terá um cenário mais claro. “Teremos valores mais constantes e acredito que não seremos pegos de surpresa”, afirma. O mercado interno, diz, deve continuar forte. Já com o mercado externo, Uacir é mais modesto. Segundo seus cálculos, as exportações devem aumentar até 2%.

aspectos deve corroborar para que a margem de lucro do produto continue baixa. “Como o governo subsidia o petróleo e não dá sinais positivos para o setor sucroenergético, as margens ficam negativas”, diz. Nem o açúcar, considerado a válvula de escape do setor, escapou de um 2012 tumultuado. Houve boa produtividade nos países produtores. “Além disso, a Rússia, maior comprador do açúcar brasileiro, está caminhando a passos largos para a independência” diz Ênio. Marcus Vinicius

Um erro de cálculo no planejamento da colheita da cana-de-açúcar diminuiu a capacidade de colheita do setor. A previsão de colher propositalmente com 15 dias de atraso tinha o intuito de elevar o Açúcar Total Recuperável (ATR). Entretanto, quando as máquinas entraram na lavoura a chuva incidiu de forma inesperada. Outra surpresa foi constatada na região Sudoeste do Estado – a produtividade estava mais alta que o previsto. Sendo assim, a área colhi-

Preço da ração para aves preocupou setor durante o ano


Gutiérisson Azidon

CADEIA LEITEIRA Presidente do Sistema Faeg/ Senar, José Mário, faz a abertura oficial do evento

Futuro da produção de leite em debate Congresso Internacional do Leite discute alternativas para crescimento sustentável do setor Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

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ooperativismo, desenvolvimento do setor, desafios da cadeia láctea e produção com sustentabilidade deram o Norte dos debates durante o 11° Congresso Internacional do Leite, realizado por uma parceria do Sistema Faeg/Senar e Embrapa Gado de Leite, em Goiânia, nos dias 21 a 23 de novembro. No evento, produtores rurais, estudantes e pesquisadores se reuniram para discutir e atualizar questões relacionadas com a sustentabilidade e competitividade da pecuária leiteira no Brasil, e, também elaborar uma agenda de políticas públicas para o fortalecimento do negócio do leite no país. “Em Goiás 65 mil propriedades produzem leite diariamente. São 246 municípios, que geram 220 mil empregos. Essa é a cadeia mais produtiva do Estado”, destacou o presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner durante a abertura do evento. O presidente lembrou que em 2009, foi feito pelo Sistema Faeg/Senar um diagnóstico da cadeia leiteira. Nos dados colhidos ficou provado que 82% dos produtores de Goiás não tinham assistência técnica na produção. “Observamos ainda que 56% dessas pessoas obtinham informações por meio de vizinhos e 46% dos filhos de produtores não tinham interesse na sucessão familiar”, lembra. Ele acrescenta que a partir dessas informações o Sistema passou a trabalhar mais intensamente para levar conhecimento e assistência a todos os produtores. “Temos no Senar Goiás mais de 1,5 mil cursos de capacitação voltadas para o leite.” José Mário acrescenta que ainda assim não é o suficiente para atingir os 60 mil produtores goianos. “Isso nos estimula a trabalhar ainda mais por essa classe.” José Mário aproveitou o evento e anunciou que será criado no município de Bela Vista o 1º Centro de Excelência em Produção de Leite. “Esse é um projeto da CNA e o Senar Central. Nossa meta é formar alunos e capacitar técnicos de todo o Brasil.”

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Duarte Vilela, chefe geral da Embrapa Gado de Leite, destacou que Goiás é o quarto maior produtor de leite no país e o Brasil ocupa a sexta colocação no ranking mundial. “O Estado tem muito que ensinar para os demais Estados brasileiros.” Ele acrescentou ainda que na década de 1990 o Brasil produzia 22 bilhões de litros de leite. Em 2011 esse número subiu para 32 bilhões. “Nossa expectativa é que esse ano alcancemos a marca de 33,2

bilhões de litros produzidos.” De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Irrigação de Goiás (Seagro), Antônio Flávio Camilo, o Brasil é um ponto de equilíbrio, onde o país tem condições de alimentar o mundo. O secretário disse também que os goianos têm sorte de ter entidades como a Faeg e o Governo Estadual. “Juntos eles trabalham para apoiar e melhorar o setor agropecuário.”

Essa é a terceira vez que o Congresso é realizado na capital de Goiás, que sediou a primeira edição, em 2001. Os participantes do 11º Congresso Internacional do Leite contaram ainda com a apresentação de 134 pôsteres científicos compostos por temas ligados a atualidade do leite. Os trabalhos eram de professores, pesquisadores, extensionistas e estudantes da área de ciência agrária voltada para a cadeia leiteira de todo o Brasil.

O presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas, foi moderador de um painel sobre o assunto. Segundo ele é preciso pensar a cadeia leiteira de maneira mais estratégica. “Temos que ter visão clara de onde o setor lácteo vai estar daqui a 20 anos”, disse. O Ex-ministro da Agricultura e Coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio na Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, falou do Cooperativismo no Mundo. Ele destacou o estudo de uma importante entidade americana que cuida da economia alimentar, onde foi constatado que a oferta mundial de alimentos vai crescer 20% em dez anos. “O Brasil vai ter que crescer 40%. Enquanto o mundo cresce 20%, o nosso país vai ter que aumentar o dobro da sua produtividade alimentar. Isso significa que existe uma demanda sobre nós. É o mundo dizendo que é necessário que o Brasil cresça mais do que o restante”, explicou. Os participantes do Congresso acompanharam também a experiência de sucesso da Cooperativa Fonterra, apresentada pela professora Associada de Gestão do Agronegócio e Co-diretora do Programa de Agricommerce da Massey University, Nicola Shadbit, da Nova Zelândia. Com tradução simultânea, ela iniciou falando que se for olhar para o modelo

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Gutiérisson Azidon

Cooperativismo em destaque Duarte Vilela, chefe geral da Embrapa Gado de Leite, destacou as potencialidades de Goiás para a produção de leite

de cooperativismo, percebe-se que é uma construção social. “Os membros são valorizados.” Nicola explicou que existe diferença entre o cooperativismo e as empresas. “Nas cooperativas é olhado no final do dia uma mutualidade, onde existe a coesão social e

o balanço de interesses.” Ela salienta que cooperativas, como a Fonterra, tem como seu principal ativo os membros que a compõem. “Os funcionários da Fonterra são apaixonados pelo o que fazem. E isso permite gerenciar a cooperativa de um modo melhor.”

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Sucesso Bernardo Macaya, presidente da Fepale, vice-presidente e diretor do Conselho Administrativo da Cooperativa Dos Pinos, da Costa Rica, relatou o sucesso da entidade. Criada em 1947, a cooperativa é considerada uma das mais conceituadas do país. “Ela começou pequena e, hoje, é composta por sócios que buscam vender seu leite e receber o valor necessário.” Segundo Macaya, a Dos Pinos tem todo um processo de produção. “Essa cadeia vai da produção de alimentos concentrados, da equipe para o sistema de ordenha, além dos centros de distribuição até os nossos produtos que são colocados nos pontos de vendas.”

Desenvolvimento do setor Melhorar o sistema de produção, investimentos em capacitação profissional, e planejamento setorial de longo prazo são alguns dos ingredientes que formam a receita para melhorar o desenvolvimento do setor produtivo do leite no Brasil. A grade de indicações é do diretor executivo da consultoria Agripoit e coordenador do portal Milkpoint, Marcelo Pereira de Carvalho. Marcelo fez parte do painel Desafios para a Cadeia Produtiva do Leite Nacional – na visão do setor produtivo. De acordo com o consultor, o aumento do consumo de produtos lácteos no Brasil, que dobrou nos últi-

mos dez anos, foi ocasionado graças à elevação da renda e do poder de compra do consumidor brasileiro. O diretor do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Argileu Martins da Silva, tratou sobre o tema, mas em um viés da assistência técnica. Segundo ele, a produção agrícola atual, seja ela familiar ou empresarial, deve ser embasada não só em altos índices de produtividade, mas também na sustentabilidade, tanto da atividade quanto calcada nas questões ambientais e sociais nas quais o setor produtivo está inserido.

Cadeia internacional Entidades de pesquisas para o setor lácteo de diversas Nações se reuniram durante o Congresso para debater e comparar as características de produção de cada país e as ferramentas disponíveis de pesquisa para o setor. Durante o painel Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação na Pecuária Leiteira, o coordenador do Núcleo de Gestão do Agronegócio da Fundação Dom Cabral, Alberto Duque Portugal, fez a introdução de alguns países, principais produtores de leite da União Europeia, como a França. O delegado internacional do Departamento de Fisiologia Animal e Sistemas de produção Animal do INRA, um instituto de pesquisa e desenvolvimento agropecuário semelhante a Embrapa no Brasil, Jonathan Levin, detalhou as especificidades da produção de leite naquele país e comentou o trabalho do setor em desenvolver ferramentas de pesquisa para melhorar a rentabilidade da atividade. Segundo ele, o setor de pesquisa agropecuária francês utiliza um montante de aproximadamente ¤$ 730 milhões de euros destinados em três macro vertentes de pesquisa: alimen-

tos e segurança alimentar, agricultura e meio ambiente. Ele comentou que a França produz 24 bilhões de litros de leite por ano, atrás apenas da Alemanha. Apenas 30% do rebanho leiteiro é criado em sistema intensivo, o restante em pastagem. Em 2011/2012, as entregas de leite em França superaram os 24 bilhões de litros, o que supõe um aumento de 4% em relação ao período. Este valor é o mais alto alcançado desde 1998. “Estamos trabalhando agora para tentar aumentar os preços do leite e a qualidade do produto”, ressaltou o pesquisador francês. A grande questão é como os franceses pretendem melhorar a produção na mesma proporção que devem elevar a qualidade do produto para atingir preços mais vantajosos. Outros países Para o pesquisador da Nova Zelândia, Kevin Macdonald, a resposta para a equação produtividade-custo-lucro está na genética. Ele explica que 73% do rebanho neozelandês é de vacas inseminadas artificialmente. “A produção de leite no país é bastante desenvolvida, girando em torno

de 16 bilhões de litros ao ano, o que corresponde a 3% da produção mundial”. Nos últimos cinco anos as exportações neozelandesas cresceram 40%, enquanto a produção aumentou 30%. Isso mostra a grande vocação exportadora do país. 30% da riqueza da Nova Zelândia vem do leite. Graham Plastow, CEO da Livestock Gentec Ctr, University of Alberta, um importante instituto de pesquisa em genética animal no Canadá, tratou do tema, mas algumas características importantes diferenciam as práticas do Brasil e do Canadá em relação à produção de leite ou dos demais produtos do setor agropecuário. O clima de lá é uma dessas características: durante alguns meses, as temperaturas em algumas regiões oscilam entre 30ºC e -30ºC, que inviabiliza o uso constante de pastagens e a criação extensiva. O sistema utilizado é o de confinamento, com raras exceções em que as vacas são levadas às pastagens, durante o período de verão. Como o inverno é muito rigoroso e a neve cobre totalmente os campos canadenses, o rebanho permanece confinado em grandes estábulos.


OCUPAÇÃO

O novo El Dourado goiano Em busca de terras mais baratas produtores migram para o Norte do Estado Karina Ribeiro | revistacampo@faeg.com.br Especial para Revista Campo

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Jana Tomazelli

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rodutores da região Sudoeste de Goiás e de outros Estados são os principais responsáveis pela mudança ocorrida, aos poucos, das paisagens de municípios localizados na região Norte. As pastagens, anteriormente tomadas por cabeças de gado, agora cada vez mais dividem espaço com lavouras de grãos. Sufocados pelas baixas perspectivas de crescimento em outras regiões e elevação do preço do arrendamento de terra, principalmente em função da expansão das lavouras de cana-de-açúcar no Sul e Sudoeste do Estado, produtores de grãos estão em busca de terras abertas, mais baratas e com possibilidade de crescimento. Segundo o produtor, Moacir José Rodrigues Júnior, a pressão do crescimento de lavouras de cana-de-açúcar, na região de Santa Helena de Goiás, Sudoeste do Estado, resultou em um encarecimento sem precedentes do arrendamento da terra. Em um curto espaço de tempo, diz, o valor de arrendamento, dependendo da localização, saltou de 10 sacas por hectare para até 15 sacas por hectare, um incremento de 50%. “Eu pagava 12 sacas por hectare. Esse preço estava tornando a atividade insustentável”, afirma. De olho em uma mudança de perspectiva, Moacir conta que começou a visitar municípios localizados em regiões mais ao Norte. Viajou para a Bahia (BA), Mato Grosso (MT), Tocantins (TO) e Maranhão (MA), mas decidiu estabelecer-se em Porangatu Norte goiano ao estudar o clima e acompanhar os resultados de produtores. Ele diz que se surpreendeu com a quantidade de terras degradadas pela pecuária em até 30 anos de atividades,

O produtor Moacir José foi empurrado para o Norte do Estado devido ao crescimento da cana na região de Santa Helena

com a oferta de terras e com sistema pluviométrico e regime de chuvas similares aos de Santa Helena de Goiás. Desde abril, o engenheiro agrônomo realiza visitas quinzenais à região constatando resultados de lavouras em fase finais. Em junho passou a investir em área para plantar. Ele arrendou 1,5 mil hectares de terra. “Sai de uma realidade de 12 sacas por hectare e fui para uma de uma ou duas sacas por hectare”, calcula. Este ano, em função da análise de crédito e por

questões ambientais, vai plantar em apenas 600 hectares. Lavoura-pecuária A ideia do produtor é adotar regime de integração lavoura-pecuária. “Com isso, temos melhor produtividade de grãos e otimizamos a área para a pecuária” , calcula. Moacir deve investir em gramíneas mais exigentes, que resultam em melhor rentabilidade de produção animal. “Tiro a soja e entro com a gramínea”, explica

Terras mais baratas A assessora técnica da Faeg para a área de pecuária de corte, Christiane de Paula Rossi, diz que esse movimento de integração é lento, contínuo, porém, crescente. Com áreas abertas e degradadas pela pecuária, municípios de Niquelândia, Mutunópolis, Poranwww.senargo.org.br

gatu, Novo Planalto, São Miguel do Araguaia e Uruaçu, possuem características semelhantes e que despertam atenção de produtores com sede de crescimento. A região concentra gado de cria, bezerros, mas também confinamento.

Com a descoberta, aos poucos, das vantagens da pecuária sustentável, diversificando opção de investimento de capital, muitos estão recuperando a área com adubação. “A soja fixa nitrogênio, tem a palhada. É interessante a integração de pecuária e lavoura Dezembro / 2012 CAMPO

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na região” diz. Para tanto, o produtor rural e engenheiro agrônomo, Renato Marques Azevedo calcula que terá o custo de produção mais elevado, pelo menos, nas primeiras três safras para o preparo do solo com adubação, gesso e calcário. “Além do óleo diesel que está muito caro”, afirma. Renato diz que, recentemente, estão ocorrendo mudanças significativas na forma de adubar e por isso, não há como mensurar a porcentagem de aumento de custo de produção se comparado a uma área onde a agricultura já está consolidada. Renato também é um desses produtores em busca de expansão de terras. Estabelecido em Rio Verde, Sudoeste do Estado, este ano, resolveu buscar novos horizontes. “A região está praticamente limitada para procura de áreas maiores e o arrendamento está muito alto”, diz. Renato vendeu 125 hectares em Rio Verde. Com o dinheiro adquiriu 411 hectares em Novo Planalto. Desta área, 300 hectares serão plantados soja. Em boa parte do restante, Renato idealiza a entrada de cabeças de gado. Entretanto, arrendou mais outros 500 hectares para plantar soja. Ele conta que nesta área já havia sido implementado lavoura e, por isso, está pagando três sacas por hectare, preço ligeiramente superior ao cobrado na região. Em áreas bem trabalhadas, o produtor e engenheiro agrônomo admi-

Fugindo dos valores altos de arrendamento, o produtor Renato Marques migrou para o Norte goiano

te que a produtividade é igual a do Sudoeste do Estado. A deficiência está na incapacidade de produzir safrinha. Apesar da quantidade pluviométrica ser semelhante a algumas regiões do Sudoeste do Estado, elas começam um pouco mais tarde. Para se ter ideia, Renato planeja iniciar o plantio no dia 10 de novembro. Segundo sua previsão, tempo necessário para que a quantidade de chuva cumpra a missão de germinar a semente. O engenheiro é otimista. Ele acredita que, em breve, a região tem potencial para produzir safrinha. Para tanto, são realizadas pesquisas de variedades de ciclos mais curtos e adaptadas à região. “Com o ciclo mais curto, será possível entrarmos com milho ou soja”, conta. Perspectivas “Precisamos estreitar as relações entre os produtores de grãos e os

pecuaristas. A oportunidade é ímpar”, diz o engenheiro agrônomo, Maurício Velloso. Há 28 anos morando em Porangatu, Maurício explica que está trabalhando há muitos anos com a política de integração lavoura-pecuária. Ele afirma que a região não perde para nenhuma outra em produtividade, desde que seja aplicado manejos criteriosos. Ele conta que o primeiro ano de uma lavoura pode render entre 45 e 53 sacas por hectare. No primeiro ano, em função da aplicação de insumos e regularização do solo, os gastos equivalem aos lucros. “É um zero a zero com louvor”, diz. “Além disso, aqui temos uma logística mais simples. Os insumos chegam e saem mais facilmente”, diz, lembrando da Belém-Brasília e relatando as boas condições de outras estradas da região. Milho, milheto, sorgo e girassol já são culturas comumente plantadas na safrinha.

Região ainda é carente de infraestrutura O produtor rural e vice-presidente Institucional da Faeg, Bartolomeu Braz, compartilha da opinião de outros produtores rurais. Conforme ele, toda a infraestrutura adequada para a produção de grãos instalada nas Regiões Sul e Sudoeste do Estado, como assistência técnica especializada, presença de empresas de maqui30 | CAMPO

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nários, armazéns, entre outros atrativos, estão encarecendo as terras nas proximidades, dificultando a expansão da atividade. A competitividade com o algodão, feijão e cana-de-açúcar também são considerados fatores fundamentais para essa ascensão de valores de mercado. “O custo benefício para algumas culturas tornou

difícil a competição com culturas de maior valor agregado”, diz. Impulsionado pelo aumento da demanda, especialmente asiática, e boas perspectivas de mercado, o produtor foi em busca de novos áreas. A Região Norte de Goiás, embora reconhecidamente cravada em uma localização de solos considerados menos férteis, foi o www.sistemafaeg.com.br


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em cartório que comprove sua legalidade, impedindo a negociação. Em relação à infraestrutura, Bartolomeu vivenciou a falta de armazéns necessários para estocar grãos na última safra. Ele conta que rodou 270 quilômetros para encontrar uma estrutura adequada para fazer secagem e pré-limpeza dos grãos. “Se tiver com alta umidade e demorar a secar pode apodrecer os grãos”, diz. Uma alternativa encontrada por produtores foi estocar os grãos em silobags – uma forma de colher o produto seco com condições para armazenamento de até oito meses. Mas o mesmo sistema não se mostra eficiente em ambientes de alta umidade. Outra constatação é a falta de balanças para pesagem. Com o intuito de minimizar essas agruras, pequenos grupos de produtores estão se organizando, aplicando recursos e imprimindo velocidade na readequação da estrutura local.

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ponto escolhido pelo produtor para plantar, até o fim de novembro, 3 mil hectares de soja. “Como é uma região de clima mais quente, com altitude e latitude mais baixa, o produtor vem pela coragem e espírito de empreendedorismo”, ressalta. A perspectiva é de que sejam colhidos 42 sacas por hectare. O número é reduzido em função de ser a primeira safra. Em outros 500 hectares onde o produtor já está trabalhando pela segunda vez o solo, o número já surpreende. São esperadas 55 sacas por hectare. “Você vai domesticando a terra”, explica. Embora as terras sejam mais baratas há dificultardes intrínsecas à região. A lentidão de órgãos reguladores para licenciar terras, travados pela burocracia principalmente da legislação ambiental, a falta de infraestrutura e logísticas adequadas. Bartolomeu conta que muitas terras não há documento registrado

Bartolomeu reclama da falta de infraestrutura na região Norte

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Andréia Peixoto

DELÍCIAS DO CAMPO

Bolo Rei Brasileiro Ingredientes: 03 ovos inteiros 1 ½ xícara de chá de açúcar 100 gramas de margarina 250 mls de leite 2 ½ xícara de chá de farinha de trigo 01 xícara de chá de uva passas 01 xícara de chá de frutas cristalizadas Raspas de laranja a gosto 01 colher de pó royal

Rende apro ximadam

8 porçõeente s

Receita elaborada pelo técnico em Cozinha Rural do Senar Goiás, Ângelo Armando. Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200.

Modo de preparo: Passe as uvas e as frutas cristalizadas na farinha de trigo e reserve. Em seguida, bata todos os outros ingredientes e coloque as uvas e as frutas cristalizadas com o pó royal. Unte um tabuleiro redondo enfarinhado. Despeje a massa na forma e leve para assar ate dourar. DICA: Decore com frutas cristalizadas ao redor com açúcar refinado por cima. Serve para festas natalinas e ate mesmo para aniversários ou no dia a dia.

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CAMPO RESPONDE Estou com dificuldades para limpar uma espécie de samambaia que cobre a água de alguns açudes em minha propriedade. O que pode ser feito? Edilson Rodrigues Marques Esse tipo de vegetação é muito trabalhoso de controlar. O que acontece é que o pessoal faz os açudes em área com muita matéria orgânica (área de APP), e essa M.O serve de nutrientes para estes vegetais. Pode ser utilizado Carpa Capim para reduzir uma pouco da vegetação. Outra maneira é remover mecanicamente mesmo. CONSULTOR: FABRÍCIO ROMÃO GALDINO, técnico da Aquatropic

Nunca vi raio cair em mangueiras. Gostaria de saber se isso é verdade ou crendice? José Viana Guimarães De Ipameri O raio cai em qualquer árvore, nenhuma estar imune. Existem três tipos de influência quando se relaciona à queda de raio em árvores: 1- A influência da altitude; 2- Da quantidade de seiva ou líquido existente nela; 3- E a profundidade das raízes. CONSULTORA: ROSIDALVA LOPES, superintendente de Políticas e Programas de Pesquisas e Desenvolvimento da

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Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Goiás.

Envie sua pergunta para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200. www.senargo.org.br

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CASO DE SUCESSO Mulheres se unem para se tornarem empreendedoras

Empreendedorismo para elas D Grupo de 12 mulheres se une e, juntas, dão início ao próprio negócio Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

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oze mulheres reunidas e o sonho em comum: abrir o próprio negócio. Foi com esse pensamento que Leide Aparecida de Souza Moraes e mais 11 mulheres do Assentamento Jenipabu, no município de Acreúna, decidiram participar do curso de panificação rural, oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás). “Os homens do assentamento trabalhavam com o leite e as mulheres queriam ajudar seus companheiros, mas não sabiam como. Foi aí que nasceu a ideia de abrir uma panificadora onde todas podiam cooperar e lucrar com a iniciativa.” O ramo escolhido por elas foi influência de outro assentamento. Leide conta que, ela e as companheiras visitaram um assentamento onde www.sistemafaeg.com.br


as mulheres produziam alimentos que eram repassados às instituições. “Achamos inovadora a iniciativa delas e imaginamos que seria interessante fazer o mesmo trabalho no nosso local de moradia”, lembra Leide. E a inspiração obtida do assentamento visitado foi tão grande que até o local de revenda dos alimentos elas decidiram que seria parecido. “Essas mulheres repassavam os alimentos, produzidos na panificadora para as escolas estaduais e municipais da região.” Leide conta que a intenção delas era, assim como as assentadas modelos, entregar as quitandas nas escolas de Acreúna. “Essa era a nossa meta, desde que iniciamos o treinamento.” O empenho e a força de vontade foram fundamentais para que as muwww.senargo.org.br

panificadora e nos doou um veículo que é usado para a distribuição dos alimentos”, lembra. Com os objetivos traçados e parte deles realizados, Leide Aparecida, conta que ela e as outras assentadas só têm motivos para comemorar. “Com os contratos nós já conseguimos quitar praticamente todas as dívidas obtidas com a criação da panificadora.” E ela destaca que o que entrar de verba, a partir de agora, será usado para melhorar as instalações da panificadora. “Nossa intenção é deixar a panificadora cada vez melhor e espaçosa”, conta. Em meio a tantas realizações, Leide, ressalta que o trabalho oferecido pelo Senar Goiás foi fundamental para dar andamento ao projeto. “Sem dúvidas, o treinamento foi de suma importância para chegarmos nesse nível. E nossa intenção e nós aperfeiçoar ainda mais, para melhorar a qualidade dos nossos produtos.” As mulheres do acentamento Jenipabu também participam dos programas Com Licença Vou à Luta e o programa Gestão da Produção Artesanal (Proarte). Jana Tomazelli

lheres do Jenipabu conseguissem a meta. “Procuramos um profissional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Rio Verde, que nos deu as instruções de como produzir o projeto.” Leide lembra que depois do documento montado, elas foram até às escolas e conseguiram fechar parcerias voltadas para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O contrato foi fechado no início de 2011. Os alimentos são distribuídos periodicamente às escolas de rede estadual, municipal e um abrigo. E o contrato com as escolas foi muito rentável às assentadas. “Nós conseguimos firmar uma parceria de R$ 80 mil com as instituições. Dessa maneira pudemos dar início ao nosso sonho.” E elas já conseguiram fechar outro contrato, nesse ano de 2012, de quase R$ 70 mil. Outro fator fundamental para o bom andamento do negócio, segundo Leide, foi a ajuda do prefeito de Acreúna, Vander Carlos de Souza. “Ele nos ajudou com a reforma da Leide Aparecida buscou no Senar Goiás capacitação para abrir empresa

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CURSOS E TREINAMENTOS

Qualificação com Arte Andréia Peixoto Consultora do Proarte | andreiagopeixoto@gmail.com

EM NOVEMBRO, O SENAR PROMOVEU

271 CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL 23

94

12

4

4

82

52

Na área de agricultura

Em atividade de apoio agrossilvipastoril

Na área de silvicultura

Na área de agroindústria

Na área de aquicultura

Na área de pecuária

Em atividades relativas à prestação de serviços

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Senar Goiás, por meio do Programa de Gestão da Produção Artesanal (Proarte), qualificou mais de 200 artesões em 15 municípios Goianos neste ano. Inicialmente, os artesãos participaram de uma entrevista onde conhecemos a realidade e o perfil de cada um, compreendemos o processo comercial dos produtos, além de identificar a tipologia predominante em cada município, bem como as principais dificuldades. O Proarte proporcionou aos artesãos a oportunidade de participar de vários treinamentos, tais como empreendedorismo, onde identificaram e reforçaram as características empreendedoras; como calcular o preço das peças, considerando todos os elementos necessários para realizar o cálculo, além de técnicas de vendas e acesso ao mercado. Durante as viagens percebemos que o artesanato nos municípios contemplados é um campo vasto a ser explorado, a produção artesanal ainda é tímida, a comercialização caminha a passos lentos, mas essa situação pode estar vinculada às grandes dificuldades enfrentadas tais como: indisponibilidade de recursos para adquirir a matéria-prima, distância do mercado consumidor, falta de qualificação e desmotivação.

Esse cenário será modificado, pois os artesãos ao participarem dos treinamentos oferecidos pelo Senar, Goiás, desenvolveram as habilidades necessárias para a mudança, pois aperfeiçoaram as técnicas artesanais, com isso foi provocada uma reflexão crítica do processo artesanal, onde o artesão se identifica como profissional a ser reconhecido. Além disso, percebemos que existe uma preocupação em desenvolver um acabamento perfeito, um designer diferenciado, pois são conscientes de que o mercado é exigente. Outro fator que nos faz otimistas é a existência da diversidade de tipologias de artesanato nos municípios verificados, bem como a existência do mercado consumidor. Que muitas vezes é explorado por artesãos de outros Estados, isso acontece com frequência em algumas cidades turísticas, como é o caso de Pirenópolis. Deparamos com produtos artesanais importados de Minas Gerais e outros Estados. A atividade artesanal não está vinculada simplesmente ao aspecto socioeconômico está intrinsecamente vinculada à qualidade de vida, pois representa muito mais que um complemento de renda familiar, para vários artesãos é um refúgio de uma realidade sufocante.

Para mais informações sobre os treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar, em Goiás, o contato é pelo telefone: (62) 3545-2600 ou pelo site: www.senargo.org.br

90 CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL 38 Alimentação e nutrição

www.senargo.org.br

7 Organização Comunitária

9 Saúde e Alimentação

11 Prevenção de acidentes

5 Educação para consumo

21 Artesanato

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PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

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Sucessão nas propriedades rurais

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Marcelo Martins é Superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás) e membro da Câmara Setorial do Leite do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

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Sistema Faeg/Senar realizou, em 2009, o diagnóstico da cadeia produtiva do leite. Dentre as constatações, identificou-se que 58% dos filhos dos produtores não pretendiam, naquele momento, continuar na atividade. Esta realidade é extremamente preocupante à medida que a saída dos jovens para as cidades pode gerar descontinuidade na produção de leite, com reflexos negativos na renda e na oferta de leite no Estado de Goiás. Segundo o estudo, a idade média dos produtores de leite é superior a 50 anos. Em Goiás, a atividade leiteira tem um importante papel econômico e social. São mais de 60 mil produtores que empregam cerca de 220 mil pessoas. O Valor Bruto da Produção (VBP) é de R$ 2,7 bilhões ano, sendo o quarto maior do agronegócio no Estado, e os 3,4 bilhões de litros produzidos, anualmente, são suficientes para suprir a demanda interna e gerar excedentes exportáveis (80% do leite é comercializado para outras Unidades da Federação). Diante deste cenário, por que os jovens querem sair da atividade? O problema é informação e conhecimento capaz de gerar melhoria de renda. O estudo apontou alguns entraves que ratificam esta conclusão. Dos produtores entrevistados apenas 18% são assistidos regularmente por técnicos e 53% afirmaram que a principal fonte de informação é a televisão e o vizinho. Esta constatação tem gerado baixos índices zootécnicos (alto capital imobilizado em terra, baixo percentual de vacas em lactação e baixa produtividade da área e da mão de obra) e econômicos (receita insuficiente para cobrir

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os custos totais). Com base neste diagnóstico, o Sistema Faeg/Senar vem atuando em várias frentes para reverter esta realidade. Não obstante o zelo nas questões políticas e institucionais, como a vigilância em relação às importações e o acompanhamento de preços recebidos pelos produtores, há um trabalho focado na qualificação da mão de obra, por meio das ações de Formação Profissional Rural, na capacitação técnica e gerencial realizadas nos programas especiais como Gestão da Pecuária Leiteira, Mercado Leite e Empreendedor Rural e, na assistência técnica utilizando a metodologia do programa Balde Cheio. Mais recentemente iniciou-se um trabalho inovador, que acreditamos ser o divisor de águas para permanência de filhos de produtores no campo. Por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) o Senar Goiás qualificará mais de 5.200 jovens no ano de 2012. Este quantitativo corresponde a cerca de 20% do total de jovens, entre 16 e 19 anos, oriundos do meio rural cursando o ensino médio. A proposta é resgatar nesses jovens os valores do meio rural, disponibilizando conhecimento suficiente para auxiliar no processo de tomada de decisão nas propriedades em que vivem, além de gerar oportunidade de emprego em decorrência do conhecimento adquirido. Desta forma, os alunos matriculados no programa, além do conhecimento proveniente das disciplinas regulares, serão qualificados para atuar de forma profissional no campo, diminuindo assim o êxodo rural e proporcionando uma verdadeira revolução na produção leiteira. www.sistemafaeg.com.br


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