Issuu on Google+

ISSN 2178-5781

Ano XIII | 204 | Junho 2012 9912263550

Cavalos de elite

Mercado milionário de cavalos de raça atrai criadores

Genes do lucro

Novas versões transgênicas de sementes prometem reduzir custos

Código Florestal Após vetos e cortes ao texto, setor produtivo elabora Medida Provisória para sanar prejuízos


PALAVRA DO PRESIDENTE

CAMPO A revista Campo é uma publicação da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR Goiás), produzida pela Gerência de Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR, com distribuição gratuita aos seus associados. Os artigos

Salve o Código Florestal

assinados são de responsabilidade de seus autores.

Conselho editorial Bartolomeu Braz Pereira; Claudinei Rigonatto; Eurípedes Bassamurfo da Costa Editores: Francila Calica (01996/GO) e Rhudy Crysthian (02080/GO) Reportagem: Rhudy Crysthian (02080/GO) e Leydiane Alves Fotografia: Jana Tomazelli Techio, Larissa Melo Revisão: Cleiber Di Ribeiro (2227/GO) Diagramação: Rowan Marketing Impressão: Gráfica Talento Tiragem: 12.500 Comercial: (62) 3096-2200 revistacampo@faeg.com.br

DIRETORIA FAEG Presidente: José Mário Schreiner Vice-presidentes: Mozart Carvalho de Assis; José Manoel Caixeta Haun. Vice-Presidentes Institucionais: Bartolomeu Braz Pereira, Estrogildo Ferreira dos Anjos. Vice-Presidentes Administrativos: Eurípedes Bassamurfo da Costa, Nelcy Palhares Ribeiro. Suplentes: Wanderley Rodrigues de Siqueira, Flávio Faedo, Daniel Klüppel Carrara, Justino Felício Perius, Antônio Anselmo de Freitas, Arthur Barros Filhos, Osvaldo Moreira Guimarães. Conselho Fiscal: Rômulo Pereira da Costa, Vilmar Rodrigues da Rocha, Antônio Roque da Silva Prates Filho, César Savini Neto, Leonardo Ribeiro. Suplentes: Arno Bruno Weis, Pedro da Conceição Gontijo Santos, Margareth Alves Irineu Luciano, Wagner Marchesi, Jânio Erasmo Vicente. Delegados representantes: Alécio Maróstica, Dirceu Cortez. Suplentes: Lauro Sampaio Xavier de Oliveira, Walter Vieira de Rezende.

CONSELHO ADMINISTRATIVO SENAR Presidente: José Mário Schreiner Titulares: Daniel Klüppel Carrara, Elias D’Ângelo Borges, Osvaldo Moreira Guimarães, Tiago Freitas de Mendonça. Suplentes: Bartolomeu Braz Pereira, Silvano José da Silva,

A redução nas taxas de desmatamento no Brasil, conforme divulgado recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente, são as maiores em 23 anos. Os índices mostram que o produtor rural está muito preocupado com a preservação ambiental e engajado nas medidas de recuperação e recomposição de áreas degradadas. Hoje, produzimos 163 milhões de toneladas de grãos em todo o Brasil, em uma área de 236 milhões de hectares. Se reduzirmos muito essa área corremos o risco de inflacionarmos os alimentos, o que não seria humano, pensando nas pessoas em situação de pobreza que não tem condições de se alimentar dignamente. O novo Código Florestal nos dá amparo jurídico para produzirmos com segurança, qualidade e garantirmos o acesso da população aos alimentos. A Medida Provisória que pretende sanar as deficiências deixadas pelos vetos da presidência da república ao novo texto irá colocar um fim aos argumentos de poucos ambientalistas xiitas de que não estamos preocupados com o futuro ambiental do nosso País. A medida irá acabar com a ditadura ambiental pela qual as Organizações Não Governamentais (ONGs) controlavam o meio ambiente e não deixavam o Congresso Nacional discutir o assunto. Mostramos que o horizonte do nosso Brasil é verde e amarelo onde caminham juntas a produção de alimentos e a preservação da natureza.

Alair Luiz dos Santos, Elias Mourão Junior, Joaquim Saêta Filho. Conselho Fiscal: Maria das Graças Borges Silva, Edmar Duarte Vilela, Sandra Pereira Faria do Carmo. Suplentes: Henrique Marques de Almeida, Wanessa Parreira Carvalho Serafim, Antônio Borges Moreira. Conselho Consultivo: Bairon Pereira Araújo, Maria José Del Peloso, Heberson Alcântara, José Manoel Caixeta Haun, Sônia Maria Domingos Fernandes. Suplentes: Theldo Emrich, Carlos Magri Ferreira, Valdivino Vieira da Silva, Antônio Sêneca do Nascimento, Glauce Mônica Vilela Souza. Superintendente: Marcelo Martins FAEG - SENAR Rua 87 nº 662, Setor Sul CEP: 74.093-300 Goiânia - Goiás Fone: (62) 3096-2200 Fax: (62) 3096-2222

José Mário Schreiner Presidente do Sistema FAEG/SENAR

Site: www.sistemafaeg.com.br E-mail: faeg@faeg.com.br

Alexandre Cerqueira

Fone: (62) 3545-2600- Fax: (62) 3545-2601 Site: www.senargo.org.br E-mail: senar@senargo.org.br Para receber a Campo envie o endereço de entrega para o e-mail: revistacampo@faeg.com.br. Para falar com a redação ligue: (62) 3096-2208 - (62) 3096-2248 (62) 3096-2115.

www.senargo.org.br

Maio/2012 CAMPO

|3


Jana Tomazelli

PAINEL CENTRAL

08

Prosa Rural

Garantias para produzir

Jana Tomazelli

Shutterstock

O novo presidente da Agopa, Luiz Renato Zapparoli, afirma que o País avançou na exportação do algodão, tanto no volume como na proporcionalidade.

18

Produtores aguardam apreciação da Medida Provisória (MP) que pretende preencher lacunas deixadas no Código Florestal após as modificações da presidência da república.

Agenda Rural

06

Fique Sabendo

07

Cartão Produtor

14

Campo Responde

32

Delícias do Campo

33

Campo Aberto

38

4 | CAMPO

Maio/2012

Tecnologia para reduzir curtos

25

Novas variedades de sementes de soja e milho transgênicas são aguardadas pelos produtores. Novidades prometem aumentar produtividade na lavoura.

www.sistemafaeg.com.br


Jana Tomazelli

14

Doce renda

Cavalos de luxo

Larissa Melo

Produtora de mel em Jussara, Dirce Fernandes, destaca a importância dos apicultores se aperfeiçoarem para garantir qualidade do produto.

18

ISSN 2178-5781

Mercado voltado para criadores de cavalos de raça cresce e movimenta economia. Preços de animais ultrapassam valores de automóveis importados.

Ano XIII | 203 | Maio 2012 9912263550

Cavalos de elite

Mercado milionário de cavalos de raça atrai criadores

Genes do lucro

Novas versões transgênicas de sementes prometem reduzir custos

Código Florestal Após vetos e cortes ao texto, setor produtivo elabora Medida Provisória para sanar prejuízos

www.senargo.org.br

Novo texto do Código Florestal caminha para um consenso final em Brasília. Arte produzida pela Rowan MKT

Maio/2012 CAMPO

|5


JUNHO/JULHO 25 a 28 de junho Capacitação do Programa Agrinho para professores novatos Local: Centro Pastoral Dom Fernando, Goiânia Informações: (62) 3545-2600

27/06

27/06

28 e 29/07

Reunião do Conselho Fiscal do Senar, em Goiás Local: Sede do Senar, Goiânia Informações: (62) 3545-2600

Assembleia Geral Ordinária da Faeg Local: Sede da Faeg, Goiânia Informações: (62) 3096-2200

Visita técnica aos campos experimentais da Embrapa Gado de Leite Local: Valença (RJ) e Coronel Pacheco (MG) Informações: (32) 3311-7494

29/06

02 a 04 /07

05 a 07/07

Reunião sobre Legislação do Agrotóxico Local: Sede do Senar, Goiânia Informações: (62) 3545-2600

Programa Apoena Local: Augustu’s Hotel, em Goiânia Informações: (62) 3545-2600

Integração 2012: mobilizadores e funcionários dos sindicatos rurais Local: Fazenda Mestre D’armas, Padre Bernardo Informações: (62) 3545-2600

6 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br

RowanMKT

AGENDA RURAL


FIQUE SABENDO REGISTRO

Liderança homenageada Larissa Melo

Divulgação

Armazém

Agronegócios: Gestão e inovação

www.senargo.org.br

O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner recebeu, no início de junho, homenagem da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) pela “firmeza e retidão” frente à presidência do Sistema. O troféu, símbolo da homenagem, foi entregue pelo secretário de agricultura, pecuária e irrigação, Antônio Flávio Camilo de Lima, e pelo presidente da SGPA, Ricardo Yano, que ressaltaram o trabalho conduzido pelo líder dos produtores goianos. José Mário destacou a importância de reconhecimento a quem ajudou a

construir a história da agropecuária de Goiás, se referindo aos demais produtores homenageados na ocasião - pioneiros no setor. Também foram homenageados Geraldo Marques Macedo pelo “pioneirismo na atividade pecuária”; Sebastião Motta pela “visão empreendedora na ação associativista em Goiás”; Fausto Rodrigues da Cunha por ser “símbolo do melhoramento genético da pecuária goiana”, Leandro Canedo pelo “destaque na criação de raças equinas” e João Sérgio Jacinto pela “simplicidade e garra ao exercer a atividade”

pesquisa

Mamão novo Uma pesquisa desenvolvida pela Caliman Agrícola vai trazer oito variedades de semente híbrida de mamão papaia formosa. A empresa espera aumentar a produtividade da fruta e minimizar os custos de produção com a importação de sementes para produtores. O experimento está na última fase do processo de autorização de registro junto Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A previsão é que em seis meses o produto chegue ao mercado. Atualmente, os produtores se valem da única variedade híbrida de semente para o plantio, o tainung, importado de Taiwan. O quilo da semente é comercializado por cerca de US$ 3 mil a US$ 4 mil e poderá ser reduzido para US$ 700 a US$ 2 mil dólares, o quilo. A expectativa da empresa é que as novas cultivares cubram toda a demanda interna e chegue à exportação. Maio/2012 CAMPO

João de Melo/Empaer

O livro Agronegócios Gestão e Inovação aborda alguns dos mais importantes temas da atualidade para o agronegócio nacional e internacional. A obra divide seus capítulos entre a apresentação de conceitos e de métodos de análise que se originam nas áreas da gestão e da economia. Essa abordagem de entendimento e intervenção é muito atual no estudo dos agronegócios. Além de conceitos básicos relacionados com a definição dos sistemas agroindustriais, os autores da obra enfatizam aspectos do agronegócio relacionados à inovação tecnológica, coordenação das cadeias produtivas e outras áreas de gestão. A maioria dos capítulos alia a apresentação da teoria com casos práticos que a ilustram. Esta coletânea de textos pode ser útil a várias disciplinas dos cursos de agronegócios. A obra é organizada pelo pesquisador Timoteo Ramos Queiroz, custa em média R$ 90 e pode ser adquirida pela internet.

|7


PROSA RURAL

Luiz Renato Zapparoli

Larissa Melo

presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa)

Pureza da fibra garante mercados aquecidos Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

8 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


Revista Campo: Em relação

sim. A pesquisa tem trabalhado

ao mercado do algodão, quais

intensamente para nos apoiar

as perspectivas que o senhor vê

com aumento de produtividade

avançado na

para o próximo ano comercial

e buscado também as formas de

exportação

2012/2013?

reduzirmos nossos custos.

“O

Brasil tem

do algodão, tanto no volume como na proporcionalidade. Segundo o presidente da

Luiz Renato: Em vista do grande aumento da produção mundial,

Revista Campo: O algodão brasi-

redução do consumo pelas crises

leiro é valorizado no exterior?

internacionais, enfraquecimento

Luiz Renato: Sim e muito.

da indústria local entre outros

Quando começamos a expor-

Associação Goiana dos

motivos, as previsões não são

tar algodão na safra 1999/2000,

Produtores de Algodão

boas. Deveremos ter uma redução

nosso produto era cotado com

da área plantada. Porém, devemos

1.500 pontos de desconto sobre

aguardar para termos a definição

o preço de Nova Iorque. Atual-

do quanto será esta queda.

mente, muito parecido com o que

(Agopa), Luiz Renato Zapparoli, todos os destinos mundiais têm sido alcançados pelo produto brasileiro que também é exportado tanto de alta grade de HVI como de grades

ocorre na soja, podemos dizer que Revista Campo: Qual o principal

vendemos na maior parte do tem-

entrave para o desenvolvimento

po no mesmo preço da cotação de

da atividade?

Nova Iorque. Isto vale para todo

Luiz Renato: Uma dificuldade

o algodão brasileiro. Para expli-

importante e perigosa tem sido a

car, 1.500 pontos significam U$

inferiores. “Esta qualidade

elevação dos custos para a nossa

0,15 por libra peso ou quase U$ 5

é a garantia do algodão

produção, o que traz preocupação.

por arroba da pluma de desconto

Ontem, tínhamos o algodão mais

sobre o preço de Nova Iorque.

ser livre de contaminação,

barato do mundo, hoje, nosso

isto é, isento de plástico ou

custo está equiparado com quase

outras fibras contaminantes.”

todas as origens, mas temos ainda

Luiz Renato destaca que o mercado internacional é muito atraente, contudo, o

uma pequena vantagem na produtividade. Outro problema é que as outras commodities também estão bem, em destaque a soja e o milho, e não podemos esquecer

consumo doméstico não pode

que o produtor de algodão tam-

ser esquecido. “O produtor

bém produz milho, soja, feijão,

faz parte de uma cadeia muito

entre outras culturas. O que pode ser fator determinante na hora de

importante no Brasil, nosso

ter que investir em uma ou outra

balanço de fornecimento para

cultura. Outro agravante é a vola-

a exportação e para o mercado

tilidade de preços, que tem preocupado o produtor de algodão.

local está numa relação muito satisfatória.”

Revista Campo: Há uma ten-

Vamos aumentar a oferta de algodão que possua selos que garantam que a produção goiana de pluma respeitou todos os quesitos de responsabilidade social e ambiental

dência de aumento por meio das tecnologias?

www.senargo.org.br

Luiz Renato: Se for sobre

Revista Campo: O Brasil avan-

produtividade a resposta seria

çou em exportação? Maio/2012 CAMPO

|9


Luiz Renato: Temos avançado tanto

livre de contaminação. Também te-

Baseados nos últimos levantamentos,

no volume como na proporcionalidade.

mos sido considerados fornecedores

esperamos uma safra de aproximada-

Todos os destinos mundiais têm sido

confiáveis, cumpridores dos contratos

mente 140 mil toneladas, em uma área

alcançados pelo produto brasileiro

e com volume significativo. Quem

de aproximadamente 89 mil hectares.

e também temos exportado tanto

sabe, num futuro breve, teremos

algodão de alta grade de HVI como

condições de oferecer algodão para

Revista Campo: Qual é a impor-

de grade inferiores, sempre garantindo

exportação durante o ano todo.

tância da qualidade da fibra para o avanço do algodão de Goiás no

qualidade do produto brasileiro. Esta

A qualidade da fibra do algodão goiano é fundamental para o avanço do Estado, tanto no cenário nacional como no internacional

qualidade é a garantia do algodão ser livre de contaminação, isto é, isento de plástico, cabelos humanos e outras fibras contaminantes. Atualmente, estamos nos preparando para aumentar a oferta de algodão que possua selos que garantam que a produção goiana de pluma respeitou todos os quesitos de responsabilidade social e ambiental. Revista Campo: Na sua visão, como podemos crescer ainda mais no mercado internacional? Luiz Renato: O mercado internacional é muito interessante, contudo, o merca-

cenário nacional e internacional? Luiz Renato: A qualidade da fibra do algodão goiano é fundamental para o avanço de Goiás, tanto no cenário nacional como no internacional. Desde a última grande crise da safra 1997/1998, ocorreram inúmeras modificações que alteraram o manejo de lavouras, a difusão da informação entre os pesquisadores e os cotonicultores e lançamentos de variedades melhor adaptadas. Poderíamos resumir todo este avanço com o surgimento e o crescimento da Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento Agro-

do doméstico não pode ser esquecido.

Revista Campo: Em relação às

pecuário de Goiás (Fundação Goiás),

O produtor faz parte de uma cadeia

exportações, como o Estado tem se

fortalecida com o apoio da Embrapa

muito importante no Brasil, acredito

posicionado neste cenário?

Algodão e da Agopa.

que nosso balanço de fornecimento

Luiz Renato: O fato de sermos o

para a exportação e para o mercado lo-

terceiro maior estado produtor, em

Revista Campo: Na sua visão, qual

cal está em uma relação muito satisfató-

uma escala muito menor que os dois

é o principal problema da cadeia

ria. Por isso, temos que analisar até que

primeiros, nos fragiliza somente em

produtiva do algodão?

ponto realmente nos interessa aumentar

termos de escala. Quanto à qualidade

Luiz Renato: Sendo o algodão

a participação no mercado internacional

e ao cumprimento de prazos contra-

a última commodity a mudar de

na destinação de nosso algodão.

tuais, nosso conceito é muito bom.

patamar de preço, combinado com o alto investimento para a produção,

Revista Campo: Qual é a princi-

Revista Campo: Qual é a perspec-

a cotonicultura perdeu a competi-

pal importância do crescimento do

tiva para a produção de algodão em

tividade relativa ao milho e à soja.

Brasil como um País exportador de

Goiás?

Como em várias regiões de Goiás são

algodão?

Luiz Renato: A produção desta safra

plantadas safra e safrinha, a com-

Luiz Renato: Diferentemente da

está carregada de grandes dúvidas.

petitividade ficou mais prejudicada.

soja, o Brasil, no mercado interna-

Durante a safra tivemos problemas em

Portanto, a perda de competitividade

cional de algodão, não está entre

várias regiões devido à causas distin-

tem sido o maior entrave nas decisões

os mais importantes fornecedores

tas, como granizo em alguns lugares,

de plantio. Quanto ao segundo elo da

mundiais. Porém, a cotonicultura

veranicos em outros, ataque severo

cadeia, o custo Brasil e as facilidades

brasileira tem ampliado o seu peso.

de pragas e, por fim, um mês de maio

de importação de produtos têxteis

Estamos aumentando a oferta para

com chuva muito acima do normal.

têm contribuído negativamente com a

um mercado que demanda algodão

Por isso, devemos ser cautelosos.

cadeia produtiva do algodão.

10 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


MERCADO E PRODUTO

O novo Código Florestal

T

ivemos a sanção do novo Código Florestal Brasileiro (Lei 12651/12), porém, essa aprovação não põe fim nessa discussão, os vetos apresentados juntamente com a Medida Provisória (MP 571/12), publicada com o objetivo de preencher as lacunas dos vetos, serão os novos alvos de discussão. O texto sancionado traz avanços importantes para os produtores rurais, principalmente, na garantia da consolidação das áreas produtivas, proporcionando a segurança jurídica e respeitando o direito adquirido dos seus proprietários. A nova legislação, da forma em que se encontra, atende parte dos anseios do setor produtivo, principalmente, para aqueles proprietários rurais que estão abaixo de quatro módulos fiscais. Em Goiás, um módulo fiscal varia de sete a 80 hectares, de acordo com cada município. Assim, parte dos ajustes necessários na Medida Provisória concentram em justamente nos que estão acima de quatro módulos fiscais e naqueles que possuem mais de 10 módulos fiscais. Muitos desses produtores terão que abrir mão de parte de sua produção ou até mesmo deixar a atividade. O novo Código Florestal, a recomposição das áreas degradadas, será de acordo com o tamanho da propriedade – quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos -, principalmente, no que tange à recomposição das Áreas de Preservação Permanente (APP) nas margens dos cursos d´água, que será de cinco metros a 100 metros de recuperação. No entanto, essa diferenciação pode ser prejudicial até mesmo no ponto de vista ambiental. Poderemos ter casos de duas propriedades vizinhas, em um mesmo rio, com dimensões diferentes, em que a maior delas trabalhe com atividades agropecuárias menos impactantes que a menor. Dessa forma, por se basear apenas no tamanho da propriedade, e não no impacto da atividade, a menor, mesmo desenvolvendo uma atividade de maior impacto ambiental, terá de recompor menos. O grande equivoco é que não se mede um impacto ambiental pelo tamanho da proprie-

www.senargo.org.br

dade, mas sim pela atividade ali desenvolvida, levando também em consideração a geomorfologia das faixas marginais dos rios, topos de morro, nascentes e encostas. No ponto de vista social, também não implica dizer que o tamanho da propriedade e diretamente proporcional a sua receita. É bem verdade que é impossível inserir em um Código Florestal todas essas minúcias quanto à atividade e quanto às características geomorfológicas das faixas marginais dos rios, por isso é importante inserir na Medida Provisória, a possibilidade de os Estados terem maior autonomia em legislar sobre os pontos em que Código Florestal Brasileiro não consiga fazê-lo. Com o Novo Código Florestal Brasileiro, não implica dizer que teremos reflexos no aumento de novos desmatamos, até porque, no momento e nas condições em que estamos, não há necessidade de incentivar aberturas de novas áreas, desde que sejam consolidadas as áreas produtivas já abertas. A maior parte do passivo ambiental do Estado de Goiás foi gerado ao logo dos anos, pelas modificações do Código Florestal Brasileiro (Lei 4771/65) anterior, pois antes mesmo da existência de determinadas exigências legais, como as áreas de Reserva Legal (RL), a maior parte de áreas produtivas, já estavam abertas, e boa parte com incentivo do Governo por meio de programas como o Goiás Rural. O novo Código, acima de tudo, é um marco no que tange a segurança jurídica às propriedades rurais Brasileiras, além de disponibilizar aos produtores rurais a opção de se regularizar, por meio dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs). Vale lembrar que continuamos com a lei ambiental mais rígida do mundo, onde nenhum país tem condições de adotar regras próximas das quais se foram recentemente sancionadas. Portanto, ao contrário do que é dito pelas ONGs internacionais, de países que já consumiram e degradaram suas florestas, o Brasil sediou a RIO + 20 como País modelo em legislação ambiental e em preservação, pois temos 61% do território Brasileiro preservado.

Jana Tomazelli

Marcelo Lessa | marcelo@faeg.com.br

Marcelo Lessa é biólogo e assessor técnico da Faeg para a área de meio ambiente.

Maio/2012 CAMPO

| 11


AÇÃO SINDICAL MINEIROS

Útero é vida

Dia de Campo

Sindicato Rural de Catalão

CATALÃO

A Associação dos Produtores de Grãos de Mineiros (APGM) vai realizar, no dia 22 de junho, o Dia de Campo dos Ensaios Demonstrativos de Milho e Sorgo. O evento terá início às 8h, na propriedade São Pedro, área experimental da APGM, localizada as margens da estrada do Cedro, em Mineiros. (Colaborou: Leandro Antônio) Programação:

CHAPADÃO DO CÉU

8h

Inscrição

8h30

Palestra sobre Pragas no Sistema de Produção Soja e Milho

9h

Visita nos Campos Demonstrativos

12h

Almoço

CAIAPÔNIA

Eleições no Sindicato Sindicato Rural de Caiapônia

O Sindicato Rural de Catalão levou até a cidade de Davinópolis, no dia 22 de maio, o caminhão Útero é Vida, um programa de responsabilidade social do Sistema Faeg/Senar cujo objetivo é promover a educação, sensibilização, conscientização, prevenção e diagnóstico do câncer do colo do útero nas mulheres do meio rural. Antes, no dia 16 de maio, foi realizada na mesma cidade, uma palestra de conscientização com uma enfermeira padrão, com o objetivo de informar as mulheres daquela cidade da importância de se realizar esta prevenção. (Colaborou: : Rubens Rodrigues)

Divulgação

Expocéu Foi realizada, no dia 21 de maio, a eleição para nova diretoria do Sindicato Rural de Caiapônia. A votação foi iniciada pela manhã, seguindo até às 17h. Apenas a Chapa Evolução concorreu. A chapa recebeu 138 votos, das 139 pessoas que participaram da votação. O novo presidente do Sindicato é Ailton José Vilela, o vice-presidente é Aguinaldo Goulart de Andrade, tesoureiro passa a ser Adenor Machado e a nova diretora é Vanja Eneide da Castro Vilela.

O parque de exposições do Sindicato Rural de Chapadão do Céu, Osvaldo Gorgen, irá realizar em setembro a feira agropecuária local, a qual já se tornou tradição. O Sindicato Rural firmou parceria, com a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal de Chapadão do Céu, para a realização da 3ª Expocéu. O parque de exposições da cidade é considerado o mais moderno da região pavimentado, gramado, iluminado e com banheiros de qualidade para atender seus visitantes e expositores.

12 | CAMPO

Maio/2012

FEICORTE 2012

Goianos participam do evento A Faeg e a Associação dos Produtores do Vale do Araguaia (Aprova) participaram com estande da 18ª edição da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). A feira é considerada o maior evento indoor da cadeia pecuária de corte do mundo. O circuito Feicorte passou inclusive por Goiânia. A Feicorte 2012 foi de 11 a 15 de junho. www.sistemafaeg.com.br


ExpoMorrinhos

Produção de feno Luciane Giacon Gonçalves

RIO VERDE

Sindicato Rural de Morrinhos

MORRINHOS

Cerca de 100 pessoas estiveram reunidas, no dia 6 de junho, na sede administrativa do Sindicato Rural de Morrinhos, para a abertura oficial da 38ª ExpoMorrinhos. Na oportunidade, também foi empossado o novo presidente, Vinícius Cândido. (Colaborou: Vívian Arantes)

Luciane Giacon Gonçalves é produtora rural e associada do Sindicato Rural de Rio Verde. Atualmente, ela está comercializando feno das gramíneas tifton 85 e coast cross. “Disponibilizamos de 11 hectares dessas gramíneas para a produção de feno. Nosso campo é devidamente tratado com adução e uso de herbicidas seletivos impedindo o aparecimento de plantas invasoras que comprometem a qualidade do produto final”.

AGRINHO

Foi realizada, no dia 11 de junho, uma palestra sobre o Programa Agrinho na Escola Municipal Professor Cezario Ferreira da Silva, em Rio Verde. No evento, foi abordada a questão do meio ambiente e a necessidade de reciclagem. Os alunos, em sua maioria, são da zonal rural e estudam em tempo integral. Durante a palestra eles tiveram a oportunidade de interagir com o tema. “Como instrutor foi gratificante. Acredito que vale a pena apostar no País, porque o Brasil vai dar certo”, conclui o palestrante e instrutor, Alexandre Câmara.

www.senargo.org.br

RIO+ 20

Meio Ambiente Sindicato Rural de Rio verde

Sindicato Rural de Rio verde

Palestra para alunos

O Sindicato Rural de Rio Verde organizou um grupo de produtores e autoridades locais para participarem do Rio+ 20. Exatos 20 anos após a Cúpula da Terra, realizada no Rio em 1992, a Rio+ 20 foi promovida com o objetivo de refletir sobre o futuro do mundo nos próximos 20 anos. O evento aconteceu de 20 a 22 de junho. Maio/2012 CAMPO

| 13


Força no trabalho CASA AGROPECUÁRIA End.: Av. Castelo Branco n° 2.711, St. Campinas Goiânia (GO) Fone: (62) 3243-6900 Desconto: 3% prazo de 30 dias, exceto arames.

A Coluna Cartão Produtor deste mês vem com descontos em lojas e casas agropecuárias para facilitar o trabalho do produtor e do pecuarista na dia a dia da propriedade. Aproveite!

BOIFORTE PRODUTOS AGROPECUARIOS LTDA End.: Av. Castelo Branco n° 2180, St. Coimbra Goiânia (GO) Fone: (62) 3233-6345 Desconto: -Medicamentos veterinários em geral de 5 % a 10 % -Produtos agrícolas 5 % -Selaria 10 % -Arames e ferragens 3 % -Sal mineral e rações 5 % -Vacinas 5 % a 10 % exceto vacina contra aftosa CASA DO CRIADOR PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA End.: Av. Castelo Branco n° 2.124, St. Coimbra Goiânia (GO) Fone: (62) 3291-3838 Desconto: 3% prazo de 30 dias AGROVEL CLINICA VETERINÁRIA End.: Rua Valdivino Raimundo de Sousa n° 584, Centro – Arenópolis (GO) Fone: (64) 3667-1234 Dra. Luzelena Vilela, descontos de 10% a vista sobre a rastreabilidade (Unimev) e Serviços Veterinários e 5% a prazo AGROPECUÁRIA CAIAPÔNIA End.: Av. Cel. Lindolfo Alves Dias n° 906, Centro Caiapônia (GO) Fone: (64) 3663-3134 Desconto: 10% CASA DA FAZENDA End.: Av. Engenheiro Roberto Müller n° 872, Centro Corumbá de Goiás (GO) Fone: (62) 3338-1442 Desconto: 10% à vista ou cheque com 30 dias CASA DA LAVOURA End.: Av. Rio do Peixe n° 220, Centro Doverlândia (GO) Fone: (64) 3664 –1253 / 3664 – 1400 Desconto: 10% AGROPECUÁRIA INDIARA End.: Av. Pedro Ludovico Teixeira, Qd. N Lt. 3, Centro Indiara (GO) Fone: (64) 3547- 1215 Descontos: 5% a 10% à vista

14 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


Jana Tomazelli

CAVALOS

Qualidade do plantel garante boa herança genética

Raças milionárias Quarto de Milha e Mangalarga Marchador dividem a paixão dos criadores em Goiás que dão preferências às raças funcionais Tacilda Aquino | revistacampo@faeg.com.br Especial para a Revista Campo 16 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


N

ão existem números oficiais, mas a notícia de crescimento no setor de eqüinos é unânime. Esse aquecimento aconteceu não só no em Goiás, mas em todo o Brasil. Todos os segmentos foram aquecidos. As médias de leilões aumentaram cerca de 30%, em relação a 2010, as escolas de equitação receberam centenas de alunos e o comércio especializado vê um salto no lucro. Houve um aumento no número de lojas que negociam produtos e roupas country no Estado. Empresas que comercializam suplementos para estes animais também registraram aquecimento nas vendas. E com a movimentação do mercado houve até importação de animais. Tudo para garantir a qualidade do plantel. A paixão dos criadores goianos se divide entre as raças Mangalarga

Marchador e Quarto de Milha, com um pequeno espaço para o Appaloosa e Paint Horse. O administrador do Núcleo Goiano do Cavalo Quarto de Milha, Antoniony Samuel Borges Pagotto, afirma que o plantel goiano do Quarto de Milha é o quinto do País, segundo censo da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ABQM). O Estado conta atualmente com 1.227 mil criadores, 2.989 mil proprietários, 737 associados, 6.541 mil animais puros e 9.771 mil animais mestiços. “O Estado vem crescendo a cada ano, seja entre criadores renomados ou em leilões que se tornaram referência”, afirma. Ele lembra que os cavalos Quarto de Milha sempre se destacam nas competições de diferentes categorias, como provas de três tambores, laço de dupla, laço de

bezerro, prova de rédeas, conformação, velocidade, corrida e apartação. O plantel nacional gira em torno de 360 mil animais registrados, e se destaca no mercado eqüino com grandes eventos, negócios milionários e melhoramento significativo do plantel. Antoniony destaca ainda o valor social que se propaga. “A criação do Quarto de Milha, segundo a associação nacional, é responsável por 244,8 mil empregos diretos - média de quatro funcionários por criador ou proprietário -, sem contar veterinário, agrônomos, zootecnista, ferradores, centro de treinamento, centro de reprodução, leiloeiros, carpinteiros, pedreiros, eletricistas, marceneiros, transportadora de cavalos, fabricantes de equipamentos e indústria da ração e produtos veterinários”, explica.

Com forte presença em Goiás, o Mangalarga Marchador passa por um momento de ascensão, “uma fase extraordinária”, como define Ivonildo Rios, presidente do Núcleo de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. O plantel goiano conta com 200 criadores e cerca de 20 mil animais, e segundo ele, é o terceiro segmento agropecuário que mais emprega no Brasil. Com toda a movimentação no mercado de cavalos, os pesquisadores também tiveram mais trabalho. Melhoramento genético, nutricional e da sanidade são assuntos discutidos frequentemente em seminários, palestras e feiras agropecuárias. “Buscamos animais mais fortes e saudáveis. É isso que os esportistas e os criadores querem”, ressalta Ivonildo.

www.senargo.org.br

Larissa Melo

Paixão mangalarguista O criador de Mangalarga Marchadores, Ivonildo Rios, destaca o aumento de leilões de cavalos dessa raça no Estado

Maio/2012 CAMPO

| 17


Larissa Melo

A busca por melhoramento genético é a missão do Luis Flores, criador do Mangalarga Marchador há 22 anos. Proprietário do Haras Mariliza, no município de Vianópolis, Luis tem um plantel de 300 animais e detém o título de Melhor Criador de Cavalos Mangalarga Marchador de Goiás do ano passado, prêmio concebido pela da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga (ABCCMM). “Nossa meta é manter o título que é concedido anualmente”, afirma. A destinação dos cavalos do Haras Mariliza é basicamente sela, afirma Luis Flores. Assim o haras conta com dez empregados, entre tratadores, adestradores e veterinários da área clínica e de reprodução. “Sou o que se chama de selecionador da raça e minha principal atividade é produzir cavalos de sela, muito cômodos para dar conforto, lazer e alegria ao cavaleiro”. Ele explica que a raça ajuda muito porque ela pode ser considerada o lavrador dos cavalos. O cavalo Mangalarga é rústico, dócil, cômodo e acostumado a percorrer distâncias médias e longas. Por tudo isso, podemos dizer que é inegável o fato de que é o animal ideal para a prática de cavalgadas”, afirma o criador.

O criador de Mangalarga Marchador, Luis Flores, exibe a égua Catarina, um dos animais mais premiados da raça no Estado

Sobre o mercado, o criador Luis Flores afirma que comercializa seus cavalos no próprio haras e nos leilões presenciais e virtuais. Ele acha mais interessante os leilões presenciais, que permitem o contado do comprador com o animal. “O cavalo tem todo um diferencial e não é como o boi que é vendido por arroba”, afirma ele. No haras, a movimentação maior de venda é de animais adestrados e prontos para montaria – o que leva cerca de três anos. “Nosso cavalo só é aprovado para venda quando está 18 | CAMPO

Maio/2012

Luis comemora as dezenas de prêmios conquistados pelo seu haras

www.sistemafaeg.com.br

Larissa Melo

Mercado de elite


pronto para montar”, afirma Luis. Os negócios incluem venda para criadores também e, neste caso, o animal pode até ser um recém-nascido. Os preços são variados, mas os cavalos não são vendidos por menos de R$ 3 mil. O criador lembra ainda que um garanhão da raça Mangalarga Marchador teve sua metade vendida por R$ 1,2 milhão. “Este foi o preço mais alto que tenho conhecimento, mas vale lembrar que foi a metade do cavalo. Ou seja, dois proprietários fizeram sociedade na compra do animal”, afirma ele. No caso de uma fêmea, uma égua da raça também teve

sua metade vendida por R$ 850 mil. “O mercado está aquecido. Para se ter uma ideia, os nossos leilões têm grande procura e o índice de liquidez é de 80%”, resume. Segundo o presidente do Núcleo de Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador, Inovildo Rios, a média dos leilões tem crescido sensivelmente. São mais de quatro mil leilões ao ano em todo o País e a raça atrai também criadores dos Estados Unidos e Europa. “As exportações brasileiras chegam a 10 mil animais por ano. Desde a participação da ABCCMM na Equitana, - maior feira equestre do mundo, realizada na Alemanha,

em 2009 -, a entidade possui uma associação européia da raça, a European Association Mangalarga Marchador, com o objetivo de fomentar a raça e reunir os interessados e proprietários do Mangalarga Marchador na Europa. Em 2010 um censo da ABCCMM registrou mais de 100 animais na França, Holanda e Alemanha. De acordo com dados da entidade, no ano passado a raça movimentou cerca de R$ 100 milhões. Atualmente a ABCCMM possui 429 mil animais inscritos no Serviço de Registro Genealógico e seis mil associados. São mais de 27 mil criadores no Brasil.

Os criadores de Quarto de Milha vivenciam bons tempos e bons negócios. Thiago Sampaio, presidente do Núcleo Goiano do Cavalo Quarto de Milha e proprietário do Rancho TS, é criador há dez anos. No rancho, próximo à Nerópolis, ele cuida de 60 animais, 40 de sua propriedade e 20 de outros criadores. Os cavalos passam por treinamento para competição. Segundo Thiago, foi justamente a habilidade do animal que o fez se apaixonar pela raça. “O plantel goiano se destaca a nível nacional nos principais campeonatos de apartação, laço, tambor, baliza e corrida”, afirma. Questionado sobre o mercado de Quarto de Milha, Thiago afirma que está em constante melhora. O número de criadores tem aumentado e mesmo quem não pensa em um plantel, tem um ou dois cavalos. O rancho realiza leilões semanais. “Não tenho nenhum cavalo para vender com mais de um ano de idade”, afirma ele, explicando que a média de preço de uma égua dessa raça é R$ 20 mil e o macho gira em torno de R$ 15 mil. O Núcleo Goiano de Criadores de Quarto de Milha está preparando um grande leilão para o dia 10 de agosto. O Primeiro leilão Pure Horse terá transmissão ao vivo e visa fomentar www.senargo.org.br

O criador de Quarto de Milha, Thiago Sampaio, ressalta a habilidade e velocidade da raça, a fêmea Miss Jazzy é destaque do plantel

a criação dos animais de elite dessa raça. Sobre as características do Quarto de Milha, Thiago afirma que os animais são reconhecidos pela facilidade de domar, docilidade e inteligência. Na avaliação do criador, os animais possuem grande capacidade

Jana Tomazelli

A raça mais veloz do mundo

de mudar de direção, com partidas rápidas e paradas bruscas. “O Quarto de Milha é considerado o cavalo mais veloz do mundo e se destaca principalmente em provas Western, corridas e trabalho no campo por ser muito dócil, robusto e veloz”.

Maio/2012 CAMPO

| 19


CÓDIGO FLORESTAL

Vetos ao texto preocupam produtores A nova legislação atende partes dos anseios do setor produtivo, mas proporciona segurança jurídica aos produtores

Shutterstock

Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

20 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


www.senargo.org.br

topos de morro, nascentes e encostas. Os produtores que acompanham as discussões estão apreensivos com relação aos novos rumos do tema. Para o agricultor da região de Anápolis, Randerson Aguiar, o Código está penalizando a produção rural do Brasil, para pagar um passivo ambiental de 500 anos. Ele destaca que o veto ao artigo que trata da recuperação das matas ciliares em APPs, e a forma como essa recomposição foi divida, em módulos fiscais, são pontos que desagradam. “O produtor rural não pode ser eleito como o vilão do meio ambiente. Somos os mais interessados na sustentabilidade”, reclama. Fruticultor e produtor de grãos em São João D’Aliança, na região de Alto Paraíso, Leonardo Ribeiro, diz que os vetos anunciados até o momento não agradaram o lado ambiental nem o lado da produção. Agricultor em uma propriedade classificada em sete módulos fiscais, ele admite que a interferência do governo federal ficou interessante para os produtores abaixo de quatro módulos. Mas, segundo ele, como a medida varia muito de acordo com cada município, há riscos de injustiças. “Eu posso estar dentro da lei em um município e o meu vizinho, com a mesma quantidade de terras, ter a fazenda embargada por se situar em um local com uma medida diferente para o módulo fiscal”, argumenta. Cadastro O governo federal também cobra a adesão de todas as propriedades brasileiras ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), dentro de cinco anos. As propriedades que estiverem em áreas de preservação degradadas deverão assinar um termo de compromisso para recuperá-las. A partir dessa assinatura, será definido um prazo para

Foto: Jana Tomazelli

A

aprovação do texto substitutivo no Código Florestal, no último dia 25 de maio, pela presidente da república, Dilma Rousseff, não colocou fim na discussão, a polêmica agora gira em torno dos vetos apresentados juntamente com a Medida Provisória (MP), publicada com o objetivo de preencher algumas lacunas. O texto aprovado no Congresso Nacional sofreu 12 cortes e 32 modificações e o governo foi bem taxativo: não haverá anistia e a recomposição das áreas degradadas será de acordo com o tamanho da propriedade, principalmente, no que tange às Áreas de Preservação Permanente (APP). O texto sancionado traz avanços importantes para os produtores rurais, principalmente, na garantia da consolidação das áreas produtivas, proporcionando a segurança jurídica e respeitando o direito adquirido dos seus proprietários. A nova legislação atende parte dos anseios do setor produtivo, principalmente, para aqueles proprietários rurais que estão abaixo de quatro módulos fiscais. Em Goiás, um módulo fiscal varia de sete a 80 hectares, de acordo com cada município. Assim, parte dos ajustes necessários na Medida Provisória, concentra em justamente nos que estão acima de quatro módulos fiscais. O governo alega que 90% da sociedade rural brasileira está entre um e quatro módulos fiscais e, por isso, essa faixa deve ser beneficiada. Mas o biólogo e assessor técnico da Faeg para a área de meio ambiente, Marcelo Lessa, alerta que há um equivoco nessa avaliação. Segundo ele, não se mede um impacto ambiental pelo tamanho da propriedade, mas sim pela atividade ali desenvolvida, levando também em consideração a geomorfologia das faixas marginais dos rios,

Para Randerson Aguiar, de Anápolis, o Código está penalizando a produção rural do Brasil

a recomposição e o produtor terá a multa suspensa. Se cumprir o reflorestamento no período determinado, ficará livre das penalidades. Quem não fizer o cadastro rural, após o fim do prazo de cinco anos não deverá ter acesso a crédito público. O biólogo da Faeg destaca que é impossível inserir em um Código Florestal todas as minúcias quanto à atividade e quanto às características geomorfológicas das faixas marginais dos rios, por isso, é importante inserir na Medida Provisória, a possibilidade de os Estados terem maior autonomia em legislar sobre os pontos em que Código Florestal Brasileiro não consiga fazê-lo. “Vale lembrar que continuamos com a lei ambiental mais rígida do mundo, onde nenhum país tem condições de adotar regras próximas das quais se foram recentemente sancionadas.”, compara.

Maio/2012 CAMPO

| 21


Altitude acima de 1.800 m

Cerrado Amazônia amazônico 80% 35%

Outros Biomas 20%

ROWANMKT

Os vetos ao Código Florestal Exemplo de Uma Margem de Rio em Área de Reserva

Encosta com inclinação

Faixa de proteção

ANISTIA A DESMATADORES

ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP)

RESERVA LEGAL

Area de Preservação Permanente (APP) Cobertura ou não por vegetação nativa, com função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem e a biodiversidade, entre outros

O que é o Código Florestal Lei que regulamenta a exploração de terras e estabelece onde a vegetação nativa tem de ser mantida e onde pode haver diferentes tipos de produção rural. O atual código em vigor é de 1965, com modificações

O que é

1 2 3 4 5

COMPENSAÇÃO DE RESERVA LEGAL

REDUÇÃO DE RESERVA LEGAL

Faixa de proteção

Reserva Legal Localizada no interior de uma propriedade rural. É necessária ao uso sustentável dos recursos naturais e proteção de fauna e flora nativas

Pontos Principais da lei Mudanças propostas pela presidente Dilma Rousseff devem ser apresentadas por meio de Medida Provisória

Aprovado no Congresso

Como ficou após o veto

Reserva Legal

É uma parcela de cada propieO limite da Reserva Legal na Amadade que deve ser preservada. zônia Legal poderia cair para até Atualmente, é de 20%, exeto na 50% em estados que tenham 65% Amazônia Legal (chega em 80%) e de áreas protegidas e/ou terras em zonas de cerrado(35%) indígenas em seu território

O governo não esclareceu se artigo vai sofrer modificações em relação á redução do limite na Amazônia Legal

Multa aos Desmatadores

autoriza a criação de progama que suspende multas aplicadas a quem desmatou sem autorização até 22/07/08, desde que haja reflorestamento

Os estados devem estabelecer as faixas de recomposição para os propietários que degradaram Áreas de Preservação Permanentes (APPs)

Fica mantido que o produtor que recuperar APP terá multa ambiental suspensa. Não foi divulgado se estados podem definir faixas de recomposição

Crédito ambiental

Libereção de linhas de financiamento pelo governo para auxiliar propietários rurais a fomentar a produção agrícola do país

Concede créditos e incentivos a quem desmatou antes de 22 de julho de 2008, após inclusão do imóvel no cadastro Ambiental Rural (CAR)

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, se em cinco anos o proprietário não recuperar APP desmatada, pode ter crédito para produção bloqueado

Agricultura familiar

Regulariza cultivos mantidos por pequenos proprietários em APPs, como, por exenplo, os que estão próximo a rios

Permite que o pequeno produtor Pequenos propietários, antes desmate APPs para atividades isentos de recompor Apps, também precisarão reflorestar áreas de acorde baixo impacto. É preciso autorização de órgão competente e do com tamanho da terra. Governo cadastro no CAR não explico sobre novos desmates

Recomposição de mata ciliar

Recuperação de vegetação em áreas próximas à beira de rios, para preservar o curso d’àgua.

O projeto aprovado pela Câmera previa que imóveis em APPs devem recompor a margem dos rios em 15 metros

A recomposição vai variar de acordo com o tamanho da propiedade, mas pode chegar a 100 metros para imóveis maiores

FONTE: G1

22 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


Produtores propõe mudanças A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a senadora Kátia Abreu, criticou os vetos realizados pela presidente Dilma Rousseff ao projeto do Código Florestal, aprovado no Congresso, e apresentou emendas protocoladas à Medida Provisória que altera a lei ambiental brasileira. Segundo ela, a definição do tamanho de recomposição florestal das margens de rios desmatadas não deveria ter sido definida pela União, e sim pelos estados que conhecem melhor a realidade dos pequenos e médios produtores. A senadora ainda criticou os vetos à realização de reservatórios artificiais para a piscicultura, dizendo que pode prejudicar essa atividade

econômica, e à definição de margem natural de rios. O texto da Câmara passava a considerar margem natural de rios a partir da borda da calha do leito regular e não mais o nível mais alto dos cursos d’água - zonas consideradas úmidas, mas que ficam inundadas nos períodos de cheia. Marco Kátia Abreu destacou também que, se editado de maneira justa, o novo Código Florestal pode representar um marco regulatório na questão ambiental ao trazer segurança aos produtores rurais, que terão orientações mais claras sobre os procedimentos para o cumprimento da legislação e para a regularização ambiental das propriedades.

Segundo ela, o principal aspecto do texto é a segurança jurídica. “O Código anterior era uma bagunça, que gerava uma infinidade de incertezas, uma enorme insegurança jurídica, e o produtor rural não sabia o que fazer. O importante agora é que cada um saberá sua situação e o que fazer”, afirmou. Para o presidente da Faeg e vice-presidente de finanças da CNA, José Mário Schreiner, novas alterações ao texto devem ser demandadas pelas lideranças do setor rural junto aos parlamentares dos seus Estados. “Precisamos discutir os pontos que podem ser melhorados para proporcionar mais avanços”, ressaltou. (com informações de agências)


Larissa Melo

DIA MUNDIAL DO LEITE O governador do Estado, Marconi Perillo, rodeado de produtores e líderes classistas para brindar o Dia Mundial do Leite

Crédito para ampliar produção láctea Governo anuncia proposta para gerar mais investimento para a cadeia leiteira em Goiás Leydiane Alves | leydiane@faeg.com.br

O

governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou no último dia primeiro de junho, durante as comemorações do Dia Mundial do Leite, que o projeto de lei que prevê 7% de crédito outorgado às indústrias leiteiras e 9% de crédito à produção de leite longa vida será enviado à Assembleia Legislativa do Estado. O governo acredita que a ação, aliada aos incentivos fiscais, é uma medida que vai reequilibrar a cadeia produtiva. O governador ressaltou que a intenção é ampliar a produção e gerar mais investimentos para o Estado. O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, conta que a comemoração da data é simbólica e muito importante. Segundo José Mário, por trás da produção de leite existe

24 | CAMPO

Maio/2012

uma cadeia muito forte no Estado com 65 mil produtores envolvidos. “Se observarmos a cadeia toda, são mais de 220 mil pessoas envolvidas diretas e indiretamente. Isso reflete na cadeia mais importante do Estado de Goiás”, conta. José Mário destacou que o anúncio feito pelo governador é muito importante para a cadeia. “Com o anúncio do governador de que concederá incentivo à indústria para que ela se torne mais competitiva, esperamos que esse resultado seja extremamente positivo. Eu não tenho nenhuma dúvida de que essa ação deve ser comemorada por todos”. Doação Produtores rurais e indústrias que compõem a cadeia leiteira em Goiás entregaram 70 mil litros de leite para o

governo do Estado, que os remeterá às entidades filantrópicas e à Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). A doação envolve a contribuição de todo o elo da cadeia láctea goiana. Produtores rurais e a indústria láctea fizeram a doação do alimento por meio da Centroleite/OCB-GO, a Tetra Pak doou as embalagens para o envase do produto. As comemorações do Dia Mundial do Leite também têm a parceria de Sistema Faeg/Senar e da Arranjo Produtivo de Leite (APL), de São Luís de Montes Belos. O Dia Mundial do Leite foi instituído em 2001 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ ONU) com o objetivo de incentivar o consumo de lácteos pela população em todo o mundo. www.sistemafaeg.com.br


Presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu, pretende estreitar os laços do setor produtivo brasileiro com a comunidade

De mãos dadas com a comunidade Em novo formato, evento trás à tona temas debatidos pelo setor e de interesse de toda a sociedade Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

Q

uase três mil pessoas participaram, no dia 31 de maio, do CNA/FAEG/SENAR em Campo e do CNA vai às Universidades, em Goiânia. Os eventos foram promovidos pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) - em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Central), Senar Goiás, Sindicatos Rurais goianos, com o apoio do Sebrae Goiás. Os eventos foram uma mostra do

26 | CAMPO

Maio/2012

trabalho que as entidades realizam em favor da agropecuária e da atividade rural no Brasil. Durante todo o dia, os participantes contaram com sete palestras que trataram de diferentes temas. O presidente do Sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, comentou que esse foi o primeiro evento desse porte realizado no Brasil e Goiás foi o estado escolhido para sediar o encontro que contou também com a presença da presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu. “É importante debatermos

temas de interesse do setor. Temos que alinhar nossos pensamentos com as pessoas e traçar novos desafios que irão desenvolver o setor, pensando em Goiás e no Brasil”, disse José Mário. A superintendente técnica da CNA, Rosimeire dos Santos abordou, entre outros assuntos, o cadastro de produtores rurais para melhor direcionar as políticas públicas federais aos produtores rurais. “A medida servirá para que a subvenção do governo vá diretamente ao produtor. www.sistemafaeg.com.br

Larissa Melo

CNA/FAEG/SENAR em Campo


Isso causa uma melhor concorrência no mercado de insumos agropecuários, por exemplo”, explicou Rosimeire. Ela também afirmou que outro bom motivo do cadastro seria que as informações serviriam para alimentar uma central de riscos e ajudaria a reduzir a grande volatilidade de renda do produtor. O consultor da CNA, Nuno Cunha e Silva, disse que o agronegócio será um dos principais agentes para ajudar o Brasil e reduzir sua emissão de gases causadores do aquecimento global. Nuno afirmou que o produtor pode se beneficiar financeiramente do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) criando projetos sustentáveis para financiamento público. “A ideia é que a produção agrícola e pecuária dos projetos elaborados para o ABC garanta mais renda ao produtor, mais alimentos para a população e aumente a proteção ao meio

ambiente”, disse. Ele afirmou ainda, durante uma palestra, que a capacitação de técnicos e entidades financeiras para levarem essas informações e linhas de crédito para os produtores no campo se tornam indispensáveis no momento. Reflorestamento Os produtores rurais trocaram ainda experiências de sucesso na área de reflorestamento. Uma palestra proferida pelo vice-presidente da Associação de Reflorestadores do Estado do Tocantins (Aretins), o deputado Irajá Abreu mostrou como aquele estado tem estimulado os produtores rurais no cultivo de madeira para reflorestamento, principalmente, com o plantio de espécies como eucalipto, seringueira, pinus e teca. Incentivo fiscal, financiamento, simplificação de licenciamento ambiental, regularização de título das

terras e qualificação da mão de obra rural foram outras medidas implementadas criando uma condição favorável para que a atividade torne-se uma potência no estado. “A intenção não é que o produtor saia da sua atividade principal de agropecuária. É diversificar sua produção com outra atividade de longo prazo, que é o reflorestamento”, explica Irajá. Pensando na tendência de aumento do consumo de pescados no País, o chefe geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Carlos Magno, disse que o fato do Brasil possuir 12% da água doce do mundo, onde 8% estão na Amazônia mostra que a atividade pode ser a grande produtora de proteína naquela região. O especialista apresentou números da atividade, benefícios da produção de peixe frente a outros animais e que a produção de peixe representa, hoje, 16% da produção de proteína mundial.

O Brasil está desenvolvendo um novo modelo de extensão rural baseado na meritocracia, que valoriza o trabalho voltado para a melhoria da qualidade de vida das famílias que vivem no campo. Especialmente para aquelas famílias das classes D e E. O modelo foi apresentado durante o CNA/FAEG/SENAR em Campo, pelo especialista da Fundação Dom Cabral, Gilberto Porto. Segundo ele, a iniciativa irá possibilitar a oportunidade de ampliar as discussões a respeito do modelo de assistência técnica e extensão rural que o setor pretende adotar pela eficiência e meritocracia na zona rural. Ele afirmou que este novo sistema irá possibilitar a adoção de tecnologias e incentivo para adesão a novas práticas direcionadas ao crescimento da produção agropecuária e investimentos em infraestrutura e pesquisa, além de políticas públicas voltadas para a diminuição da pobrewww.senargo.org.br

Larissa Melo

Meritocracia no campo

za no campo. Ele explica que esse aperfeiçoamento dos sistemas de produção é uma organização de todas as 15 entidades de apoio, transferência de tecnologia, assistência técnica e outras atividades ligadas ao agronegócio, para que possam atuar de forma ampla e em conjunto em cada região do País. Com o tema “Democracia e Esta-

Em auditório lotado, universitários assistem palestra sobre democracia durante o CNA vai às Universidades

do de Direito” o filósofo e consultor da CNA, Denis Rosenfield, destacou para universitários que o problema da democracia é que ela tem múltiplos usos. “O tema democracia é um regime que nunca teve algo positivo do ponto de vista histórico.” Segundo Denis, a acepção da democracia vai acompanhar todo desenvolvimento histórico. Maio/2012 CAMPO

| 27


BIOTECNOLOGIA

Ciência a favor da produção Soja e milho geneticamente modificados ganham espaço no campo e predominam entre as novas variedades

Shutterstock

Tacilda Aquino | revistacampo@faeg.com.br Especial para a Revista Campo

28 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


Sergio Zacchi/Monsanto

O engenheiro agrônomo Rafael Carmona afirma que uma das principais vantagens da adoção de sementes transgênicas é a produtividade

A

o longo dos anos, as incertezas quanto o cultivo de grãos transgênicos foram perdendo força e a opção ganhou espaço. Resultado: o Brasil produz transgênico comercialmente há cinco safras e, em cada plantio, o cultivo se expandiu ano após ano. Hoje, dois terços das lavouras de milho e soja, as culturas economicamente mais importantes para o Estado, são plantadas com sementes geneticamente modificadas. No início de fevereiro, a consultoria Céleres divulgou que as sementes transgênicas de milho e soja no Brasil avançaram 21% na temporada 2011/12. São mais de 31 milhões de hectares – perto de 21 milhões de soja e 10 milhões de milho. Os grãos geneticamente modificados representam 85% das lavouras no caso da oleaginosa e cerca de 65% para o cereal, aponta a Céleres. Na comparação com a safra passada, a área da soja transgênica (21,4 milhões de hectares) é 17% maior. A área do milho (9,9 milhões de hectares) avançou 32%, impulsionando o índice médio de crescimento, 21%. O editor-chefe do relatório, Anderson Galvão, acredita que o Brasil tende a atingir índices como os dos Estados Unidos, onde a soja transgênica cobre 92% da área dedicada à cultura. A verdade é que não dá para evitar. Os transgênicos fazem parte da vida e do dia-a-dia do brasileiro. Eles são usados na produção do óleo de cozinha, da margarina, da farinha de milho

www.senargo.org.br

e, por tabela, de uma centena de alimentos que estão na mesa do brasileiro cotidianamente. O frango, o suíno e o boi consomem, sem restrições, ração produzida com grãos transgênicos. E a agrotecnologia não para de crescer. Uma das maiores empresas do ramo de biotecnologia para o campo, a Monsanto, pioneira em transgenia no Brasil, pretende colocar no mercado ainda neste ano uma nova geração de sementes geneticamente modificadas. Em março a empresa anunciou 12 novas linhagens de sementes transgênicas, que alega terem sido testadas em 500 fazendas de todo o País. Em Goiás, os testes foram realizados por 44 produtores em 24 municípios. As novas linhagens foram aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O lançamento comercial da nova variedade deve ocorrer antes do plantio 2012/13, que começa em setembro. Apesar de a tecnologia já ter sido aprovada pela Comissão, a Monsanto estabeleceu o compromisso de aguardar a aprovação dos países importadores. “Esperamos que até o próximo plantio, em setembro e outubro, possamos fazer o lançamento comercial”, afirmou Rafael Carmona, engenheiro agrônomo e gerente comercial de Intacta, nome comercial de uma nova semente da marca. Ele informa também que a multinacional está definindo quais as linhagens são mais produtivas e se tornarão variedades comerciais. Maio/2012 CAMPO

| 29


Paulo Roberto Fiatikoski, ou Paco, como é conhecido na região de Piracanjuba, onde planta soja há 27 anos, na Fazenda São Miguel, é um dos produtores goianos que abriu as portas de sua propriedade para ajudar a empresa no processo de seleção e avaliação de linhagens de soja com a nova tecnologia. Com uma produção de 3,3 mil toneladas de grãos por safra, Paco planta transgênicos desde sua liberação comercial e aprova a iniciativa da multinacional de realizar os testes nas fazendas produtivas, em vez de usar campos de pesquisas. “A empresa precisa da colaboração do produtor e eu saio na frente por conhecer o produto em primeira mão”, avalia. Para evitar que a soja chegue à comercialização, os campos de pesquisa da Fazenda São Miguel foram cercados por fileiras de milho e por um corredor vazio. “Após cada colheita a soja era pesada e destruída para que os grãos transgênicos não fossem misturados a outros grãos”, garante Paulo Roberto, acrescentando que as colheitadeiras também passaram por uma perícia minuciosa para que não ficasse um único grão de soja em suas engrenagens. Todo esse processo foi de responsabilidade de técnicos da empresa de tecnologia. Questionados sobre os motivos que o levaram a participar da pesquisa, Paco afirma que uma de suas preocupações é a quantidade de aplicações de inseticida que tem feito em suas lavouras, o que encarece o custo de produção. Hoje, o agricultor aplica inseticida em cada área plantada de três a quatro vezes por safra de soja, contra nenhuma aplicação na área de teste. “As lagartas estão cada vez mais resistentes aos inseticidas e por isso toda tecnologia é bem-vinda”, afirma no agricultor. No Brasil, segundo Rafael Carmona, da Monsanto, a média é 2,6

30 | CAMPO

Maio/2012

Jana Tomazelli

Produtores aguardam novas variedades

O produtor Paco destaca a economia na aplicação de insumos com o a utilização de grãos transgênicos

aplicações de inseticida contra as três espécies mais comuns de lagarta – a lagarta da soja, a falsa medianeira e o elasmo. Outro fator apontado pelo produtor Paulo Roberto foi a produtividade. “Em uma área de cinco hectares, produzíamos 55,3 sacos de soja por hectare. Com o grão transgênico, a mesma área produziu 65,08 sacas por hectare”, calcula.

Sobre as variedades testadas que devem chegar aos agricultores goianos, o representante da multinacional afirma que serão variedades muito bem adaptadas para cada uma das regiões de cultivo recomendadas. “As características de cada variedade serão apresentadas pelos técnicos de cada região, de maneira a auxiliar os agricultores a fazerem uma escolha adequada.”

www.sistemafaeg.com.br


Nova variedade de milho O Brasil se consolida como o segundo país que mais cultiva grãos transgênicos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, que dedicam 69 milhões de hectares às sementes geneticamente modificadas (GM), conforme o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas (ISAAA, na sigla em inglês). O milho geneticamente modificado começou a ser cultivado comercialmente em larga escala em 2009/10 e, na estreia, teve 50% da área. Em três safras avançou 33 pontos. No mesmo período, a soja GM, que está em sua sexta temporada, ganhou 17 pontos, chegando a 87%. O avanço verificado na safra atual, de dois e seis pontos, respectivamente, foi medido a partir de 270 entrevistas realizadas em campo

com produtores e especialistas das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Centro-Norte (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) de outubro do ano passado a fevereiro deste ano. A empresa Dow AgroSciences ¬– divisão agrícola do grupo americano Dow Chemical - está prestes a colocar no mercado novas variedade de milho resistentes ao ataque de lagartas e que, segundo a empresa, prometem um aumento de produtividade entre 10% e 15% nas lavouras. A Dow mostrou o novo milho em março, em seu campo de testes em Cravinhos (SP). Segundo a empresa, as novas sementes representam a terceira geração de transgênicos. As pesquisas que originaram a nova semente, chamada de PowerCore, permitiram

a introdução no gene do cereal de mais três proteínas da bactéria BT. Com isso, o produto passa a controlar outras duas lagartas: a lagarta da espiga e a da rosca. No Brasil, nove milhões dos 15,3 milhões de hectares cultivados com o cereal na safra 2010/2011 eram transgênicos. A previsão de crescimento do cultivo de milho no País é de 85%, nos próximos dois anos, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas. A redução do uso de inseticidas também vem empurrando os agricultores para o milho geneticamente modificado. Estudos da consultoria Céleres, em Goiás, mostraram que os produtores tiveram uma economia de 28% em relação ao milho convencional.

Royalties garantem avanço das pesquisas A grande expectativa agora é com relação à forma de cobrança pelo uso da tecnologia. “Quando surgiram os transgênicos, o preço alto dos royalties nos assustou e muita gente rejeitou. Mas depois, ficou claro que os benefícios valiam a pena”, relata o produtor Paulo Roberto, afirmando que sempre pagou royalties na aquisição das sementes e que é um investimento indispensável para o avanço das pesquisas. Para Rafael Carmona, engenheiro agrônomo da Monsanto, a nova tecnologia trará grandes benefícios, onde se destaca principalmente a redução do uso de inseticidas e o potencial incremento de produtividade das variedades com esta www.senargo.org.br

tecnologia. Segundo ele, nos últimos três anos, quando foram testadas as variedades em 500 agricultores ao redor do Brasil, verificou-se que a redução do uso de inseticidas e o incremento de produtividade. O agrônomo Alécio Maróstica, representante da Confederação Nacional de Agricultura (CNA) na Câmara Temática de Insumos Agropecuários (CTIA) acredita que a transgenia está provocando uma revolução na sojicultura nacional. E essa revolução beneficia o meio ambiente, já que implica em menos uso de defensivo agrícola. Segundo ele, a variedade geneticamente modificada deixa a lavoura mais resistente às principais pragas da cultura.

Os transgênicos do Brasil 5 tipos de soja transgênica 18 tipos de milho 9 tipos de algodão 1 tipo de feijão 14 vacinas 1 micro-organismo (levedura)

Maio/2012 CAMPO

| 31


CAMPO RESPONDE Para plantar uma área de aproximadamente dez hectares de eucalipto é necessária licença ambiental? E para o corte e transporte do produto até a indústria também é exigido a documentação? Marcelo Alves

Independentemente da área plantada não é necessário nenhum licenciamento, apenas apresentar o projeto de plantio a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh). Para o corte, mesmo caso, basta apresentar um comunicado a Semarh e a entidade providencia a autorização para realização do corte. Já para o transporte e necessário retirar a Nota Fiscal e juntar com o comunicado do corte emitido pela Secretaria. Para o transporte de eucalipto em forma de lenha é necessário o transito com nota fiscal. Esse documento, denominado de Origem Florestal (DOF), deve ser retirado no Ibama. CONSULTOR: MARCELO LESSA, assessor técnico da Faeg para a área de meio ambiente.

Quero saber se a Faeg disponibiliza algum material, curso ou palestra sobre imposto de renda para produtor rural?

Shutterstock

Flávio Ribeiro Correia

Caro Flávio, o Sistema Faeg/Senar disponibiliza um treinamento anual, sempre no início de março, exclusivamente para funcionários dos Sindicatos Rurais filiados. Podemos enviar o material produzido e distribuído no treinamento que já ocorreu que também fica disponível em alguns sites, inclusive tutorial, no site da Receita Federal: http://www.receita.fazenda.gov.br CONSULTOR: ANTELMO TEIXEIRA, gerente sindical da Faeg.

Envie suas dúvidas para revistacampo@faeg.com.br. Não se esqueça de colocar nome completo, a região onde mora e a cultura que produz. Envie-nos também fotos do assunto que pretende obter resposta. 32 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


Cristiano Ferreira

DELÍCIAS DO CAMPO

Pão de queijo com castanha de baru Ingredientes:

Preparo:

3 copos com polvilho 1 copo com leite 1 copo com óleo menos um dedo ½ copo com castanha de baru torrada e triturada 2 copos com queijo minas ralado Ovo até dar o ponto da massa Sal a gosto

Coloque o polvilho e o sal em uma vasilha. Em uma panela escalde o leite e o óleo, quando ferver, misture ao polvilho, quando a massa estiver morna, vá colocando os ovos, o queijo e a castanha até dar o ponto de enrolar. A massa deve ficar mole. Enrole com óleo e asse em forno quente.

Receita elaborada por Cristiano Ferreira da Silveira, tecnólogo em gastronomia e instrutor de processamento caseiro dos frutos do Cerrado do Senar, em Goiás.

Envie sua sugestão de receita para revistacampo@faeg.com.br ou ligue (62) 3096-2200.

www.senargo.org.br

Maio/2012 CAMPO

| 33


Jana Tomazelli

CASO DE SUCESSO

Renda adoçada Produtora de Jussara, Dirce Fernandes, acredita que treinamento e capacitação é a chave para melhorar a renda do pequeno apicultor Rhudy Crysthian | rhudy@faeg.com.br

Dirce mostra as colmeias de onde tira o complemento da renda da família

34 | CAMPO

Maio/2012

www.sistemafaeg.com.br


produtividade. Dirce comercializa cada quilo de mel por R$ 16. Ela participou de um treinamento no Senar, em Goiás, sobre apicultura e afirma que depois do treinamento pode corrigir alguns erros que cometia e conseguiu melhorar seu trabalho. Dirce afirma que a produção de mel depende muito da polinização. A florada na região vai de março a outubro. Dirce comenta que se forem produzidos 90 quilos de mel por colmeia é possível extrair uma boa renda da atividade. Para melhorar essa produtividade ela cobra a presença de técnicos de entidades que apoiam o setor como a Emater, o Sebrae e a Seagro na região para auxiliar os produtores a ampliarem sua produção. Na região, existem 70 produtores

de mel, desses, 50 são filiados à Apijur. A entidade possui uma sede com equipamentos para o processamento e envase do mel extraído das células de produção. “Temos as ferramentas, mas necessitamos de mais auxilio para melhorar nossa produção”, cobra. Ela comenta que em 2008 foi realizado um estudo da cadeia produtora de apicultura com o objetivo de elaborar a modelagem da apicultura. Os trabalhos tiveram início no município de Picos (PI), com a apresentação do modelo de cadeia produtiva e as perspectivas para a estruturação de um modelo para a apicultura dentro da realidade local que é replicado para várias regiões do País. “Em Jussara temos um dos produtor de melhor qualidade do Brasil”, garante. Jana Tomazelli

A

produtora de mel em Jussara, região Norte de Goiás, Dirce Fernandes Rabelo, trabalha com abelhas desde 2005 e garante que sem conhecimento específico o apicultor está fadado ao fracasso. Com essa premícia ela procura participar de todos os treinamentos e ações voltadas para a atividade. Ela está à frente da Associação dos Produtores Jurassenses e Região (Apijur). Dirce produz cerca 40 quilos de mel por ano em 50 colmeias. “A quantidade ainda é pouca, mas pretendo aumentar o número de colmeias e elevar a produção nas melgueiras”, disse. Ela conta que há uma demanda para a região de duas toneladas de mel por mês durante o ano, mas os apicultores de Jussara ainda não alcançam essa

Na sede da Apijur, Dirce mostra os equipamentos utilizados para processamento e envase do mel produzido pelos associados

Os interessados em treinamentos e cursos do Senar , em Goiás, no município de Jussara devem entrar em contato com o Sindicato Rural pelo telefone: (62) 3373 2568.

www.senargo.org.br

Maio/2012 CAMPO

| 35


CURSOS E TREINAMENTOS

Pão é saúde

EM MAIO, O SENAR PROMOVEU

236

CURSOS E TREINAMENTOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL RURAL

40

69

Na área de agricultura

Em atividade de apoio agrossilvipastoril

36 | CAMPO

Maio/2012

9 Na área de silvicultura

2 Na área de agroindústria

6 Na área de aquicultura

84 Na área de pecuária

www.sistemafaeg.com.br


Ângelo Armando de Paula angeloarmando20@hotmail.com Apesar do pão estar na mesa do brasileiro há mais de 400 anos, as pessoas, em geral, sabem muito pouco sobre ele. Com o passar do tempo, o ofício de padeiro tornou-se tão importante que os padeiros diversificaram as variedades de pães e bolos para caracterizarem datas e festas, surgindo aí o verdadeiro nascimento do pão rústico caseiro. O pão tem importância cultural e religiosa na vida do povo brasileiro. Está sempre associado ao ato de compartilhar o ‘Pão nosso de cada dia’, sinônimo de vida e trabalho, alimento do corpo e da alma. A importância do pão na alimentação é mais do que um complemento, o pão é um alimento completo, saboroso, nutritivo e bom para a saúde, rico em cereais integrais, fibras, vitaminas E e B e minerais como cálcio e ferro. Além de fornecer energia para nosso organismo fazendo parte do dia-a-dia, começando pelo café da manhã. Assim, damos mais importância à Panificação Rural. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em Goiás, oferece também esse treinamento para repassar aos alunos técnicas de processamento e fabricação desse alimento. Para mais informações sobre os treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar, em Goiás, o contato é pelo telefone: (62) 3545-2600 ou pelo site: www.senargo.org.br.

Para mais informações sobre os treinamentos e cursos oferecidos pelo Senar, em Goiás, o contato é pelo telefone: (62) 3545-2600 ou pelo site: www.senargo.org.br

74 26 Em atividades relativas à prestação de serviços www.senargo.org.br

CURSOS E TREINAMENTOS NA ÁREA DE PROMOÇÃO SOCIAL

35 Alimentação e nutrição

5 Organização Comunitária

6 Saúde e Alimentação

28 Artesanato

3.667 PRODUTORES E TRABALHADORES RURAIS CAPACITADOS

Maio/2012 CAMPO

| 37


CAMPO ABERTO

Vacas: máquinas produtoras de leite Rogério Viana rogerio@senar-go.com.br

Larissa Melo

A

Rogério Lopes Viana é Coordenador de Ações e Projetos do Senar, em Goiás

38 | CAMPO

alimentação bem sucedida de vacas leiteiras é muito mais uma arte do que uma ciência. Essa reflexão se faz necessária na medida em que começamos a ter a compreensão do que é alimentar corretamente uma vaca leiteira para se tornar uma máquina para a produção de leite. A alimentação do rebanho corresponde a cerca de 50% dos custos de produção do leite. Só esse fato já justifica em muito a necessidade de sabermos alimentar nossos animais de maneira adequada. A alimentação do gado de leite baseia-se no fornecimento de volumosos de boa qualidade e nos alimentos concentrados, como rações comerciais, suplementos protéicos, vitamínicos, caroço de algodão, polpa cítrica, farelos de cereais e água. Os volumosos utilizados na época das chuvas são as pastagens bem manejadas e, no período da seca, a cana-de-açúcar, a silagem e o feno, quando houver. Sempre precisamos lembrar que animal bem nutrido é aquele que não sofre restrição alimentar em nenhum dia do ano, seja em quantidade ou qualidade, tendo sempre uma dieta balanceada. É importante diferenciar um alimento volumoso de um alimento concentrado, ou seja, é preciso identificar o teor de fibra. Os concentrados apresentam um teor de fibra inferior a 17%, enquanto os volumosos superam esse percentual. Esses alimentos concentrados tem sabor agradável para os bovinos, ou seja, são consumidos rapidamente, devido

Maio/2012

ao seu baixo volume por peso. Como é de prática comum aos produtores, normalmente no período da seca, o concentrado é utilizado para complementar um baixo valor nutricional do volumoso. Sendo assim, estaremos aumentando muito os custos e correndo o risco de a produção cair e os animais apresentarem distúrbios metabólicos. Por isso, é muito mais vantajoso e econômico para o produtor, investir na produção de um bom volumoso, do que ter que utilizar muito concentrado. Juntamente com o produtor, um técnico preparado deverá avaliar o rebanho, as condições da propriedade e, principalmente, a verdadeira necessidade de volumoso. É preciso que seja feito um planejamento da quantidade de volumoso necessário em função do número de animais existentes. Desse modo, será produzido um volumoso de alta qualidade, onde a necessidade de concentrado (ração) será menor. Essa quantidade será calculada em cima do que falta para completar a exigência nutritiva daquele animal, de modo que proporcione as condições que ele precisa para mostrar seu verdadeiro potencial genético para produção de leite. Afinal, quantas vezes vendemos uma vaca que produzia no máximo 10 litros/dia na nossa propriedade e, com o novo dono, ela chega a produzir 18 litros ou 20 litros/dia. Precisamos aprender e internalizar um ditado antigo e de conhecimento de todos que atuam na área da

pecuária leiteira que diz que “o leite na vaca entra pela boca”. É complicado quando chegamos a uma propriedade leiteira no estado e não sabemos qual a quantidade de volumoso disponível. Assim fica muito difícil estimar qual seria a produtividade do rebanho, que, normalmente deixa de ser produtivo e vantajoso. Precisamos lembrar que a cana-de-açúcar só dará retorno econômico ou poderá se tornar mais barata do que uma silagem de milho ou sorgo se conseguirmos uma boa produtividade – o que representa valores acima de 100 t/há/ano. Erros de manejo como não desfolhar a cana, só irá fazer com que os animais sejam obrigados a selecionar os alimentos. Ou seja, o gado fica revirando a cana triturada, separando o que querem e devem comer e o solo do canavial perde as folhas secas que lhe serviriam de nutrientes. Quantos de nós não aprendemos ainda qual a diferença entre “resto” e “sobra”, uma questão extremamente importante na nutrição de vacas leiteiras. Resto é o que a vaca não quer comer e sobra é o que, segundo a literatura, deve ficar no cocho no final de cada trato – que deve ser em torno de 5% da alimentação oferecida. Nossas vacas mostram o que elas precisam. Não é difícil colocar à disposição do rebanho os ingredientes necessários para essa importante transformação de produtos grossos e fibrosos, em um alimento tão completo para a alimentação das pessoas. www.sistemafaeg.com.br



2012 06 junho