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A REALIDADE QUE O GOVERNO ROBERTO CLÁUDIO (PDT) NÃO MOSTRA


Sumário Apresentação ............................................................................... IJF ..................................................................................................... Frotinha de Antônio Bezerra ................................................... Frotinha de Messejana .............................................................. Frotinha de Parangaba .............................................................. Gonzaguinha de Messejana ................................................... Gonzaguinha da Barra .............................................................. Gonzaguinha do José Walter ................................................. Hospital da Mulher ..................................................................... Hospital Nossa Senhora da Conceição .............................. CAC ................................................................................................. CEMJA ............................................................................................ SAMU .............................................................................................. CAPS ............................................................................................... Posto de Saúde Carlos Ribeiro .............................................. Posto de Saúde Pio XII ............................................................. Posto de Saúde César Cals .................................................... Posto de Saúde Dom Aloísio Lorscheider .......................... Posto de Saúde Dom Lustosa ................................................ Posto de Saúde de Messejana .............................................. UPA do Bom Jardim ................................................................... Zoonoses ....................................................................................... Instituto de Previdência do Município - IPM .......................

03 04 06 08 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 31 32 33 34 35 36 38 40

Expediente Jornalista - Gabriela Ramos - MTB 2903/CE Designer Gráfico - Jônatas Gadelha Impressão - Tiprogresso Tiragem - 5 mil exemplares Contatos: (85) 3455.6600 DIRETORIA EXECUTIVA: Plácido Sobreira Filho - Presidente, Raimunda Chaves Barroso - Vice-Presidente, Francisco Sebastião de Sá (2º Vice-Presidente), Manoel Lopes da Silva Filho (Secretário-Geral), Maraia do Socorro Brandão (Secretária Adjunta), Godofredo Holanda de Sousa (Tesoureiro Geral), Francisco Otávio da Silva(Tesoureiro Adjunto), Maria de Fátima Clementino dos Santos (Diretora de Comunicação), Elizandra Mota dos Santos (Diretora de Patrimônio), Vilaucia Borges de Menezes (Diretora de Assuntos Jurídicos), José Rodrigues Teixeira (Diretor Administrativo), Heloiza Victor da Silva (Diretora de Formação Sindical), Carlinda Ferreira Bezerra (Diretora de Segurança e Saúde), Elenilde de Sousa Silva ( Diretora de Cultura, Esporte e Lazer), Maria doCarmo Ferreira Chaves (Suplente da Diretoria Executiva), Maria Rocilda de LIma (Suplente da Diretoria Executiva), Terezinha da Silva Rodrigues (Suplente da Diretoria Executiva), Natanael Charles Monte da Cruz (Conselheiro Fiscal), João Ananias Vasconcelos (Conselheiro Fiscal), Maria Iolanda Alves Coelho (Conselheira Fiscal), Hortense Maria Pinheiro Ventura LIma(Suplente do Conselho Fiscal), Suzana Clara Furlani Cabral (Suplente do Conselho Fiscal) e Luiz Lopes Lima (Suplente do Conselho Fiscal).


Apresentação A REALIDADE DA SAÚDE EM FORTALEZA ESCONDIDA PELO PODER PÚBLICO

A

s adversidades diárias enfrentadas pelos servidores municipais da saúde atingem diretamente a população fortalezense. Com o objetivo de promover o debate acerca da situação da saúde pública na Capital, como presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza – SINTSAF, visitei postos, frotinhas, gonzaguinhas, zoonoses, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o Instituto de Previdência do Município (IPM), dentre outras unidades. O resultado encontra-se neste dossiê. Durante todo o ano passado, verificamos os problemas mais críticos. Neste ano, retomamos as visitas nos meses de fevereiro e março, constatando novos problemas e a falta de solução dos antigos. Nas unidades, foram encontradas estruturas físicas comprometidas, reformas inacabadas e equipamentos em péssimo estado de funcionamento ou quebrados. Macas danificadas, ambulâncias abandonadas e material hospitalar jogado de maneira incorreta também compõem o cenário de muitas unidades de saúde de Fortaleza. A superlotação, a ausência de espaço e de condições materiais viáveis para possibilitar atendimento e tratamento adequados são a prova do descaso com a população. Em todas as unidades identificamos a falta de remédios, o racionamento ou a falta de materiais básicos para atendimento, como Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e a sobrecarga dos trabalhadores. Também encontramos, na maioria das unidades, autoclaves quebradas, que são equipamentos utilizados na esterilização de material. Este dossiê, portanto, é um meio de evidenciar as reais condições oferecidas aos trabalhadores municipais da saúde e, também, uma forma de questionar o direcionamento dado ao dinheiro público municipal da atual gestão. Lançamos algumas questões: O que falta para a Prefeitura escutar o trabalhador em suas demandas diárias? Até quando a população será submetida ao descaso com a saúde pública? O objetivo deste documento não é o de denegrir a administração pública, mas de identificar as deficiências e buscar soluções. Portanto, como presidente do SINTSAF, partirei na luta por medidas cabíveis, acionando o Ministério Público para uma real intervenção nesta drástica situação da nossa cidade. Esse será um meio de possibilitar que a Constituição Federal da República, que determina o direto à saúde, seja de fato cumprida em Fortaleza.

Plácido Sobreira Filho Presidente do SINTSAF


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Unidade

Instituto Dr. José Frota - IJF

O

Instituto Doutor José Frota (IJF) é o maior hospital de urgência e emergência do Ceará, sendo um centro de referência nas mais diversas especialidades. Porém, a cena mais comum no hospital são macas espalhadas pelos corredores, enfermarias sem ventilação e acomodações inadequadas. Além da falta de material e dos equipamentos quebrados, a sobrecarga de trabalho, por falta de pessoal, foi um dos problemas mais relatados, com profissionais alocados em cerca de cinco escalas. Um dos casos mais graves que a diretoria do SINTSAF encontrou foi no Centro Cirúrgico do segundo andar, em que identificamos 12 auxiliares de enfermagem com nódulos na tireóide. Os trabalhadores também informaram que outros três colegas, todos com mais de 20 anos de atuação no setor, estão com câncer na tireóide. Conforme relataram, são feitos inúmeros raios-X durante os procedimentos cirúrgicos e, de acordo com eles, as salas não são baritadas, além de não haver equipamentos de proteção suficientes: o protetor radiológico de tireóide e o avental de chumbo. Durante a visita, contabilizamos 12 protetores de tireóide e 21 aventais de chumbo, sendo 11 novos e dez velhos. No segundo andar, são 11 salas de cirurgia, demandando uma equipe de, pelo menos, seis profissionais para cada procedimento: um cirurgião, dois instrumentistas,

dois auxiliares de enfermagem e um circulante. Portanto, fica evidente a ausência de protetores suficientes.

Consultórios No consultório odontológico, o fibroscópio para anestesia não fica à disposição em feriados e finais de semana, além disso, foi encontrada uma máquina de raio-X inutilizada há anos. Já no setor de endoscopia, falta material para retirar corpo estranho, impossibilitando o atendimento de muitos casos. O setor também costuma dividir o otoscópio com o otorrino por falta de equipamento suficiente. Também encontramos diversos aparelhos no consultório de otorrinolaringologia quebrados. Na oftalmologia, além da falta de equipamentos adequados, identificamos que o espaço voltado para as pequenas cirurgias foi fechado para ser instalada a sala da diretoria da enfermagem. O Centro de Material também apresenta uma situação extremamente precária, uma vez que diversos aparelhos estão quebrados, como as máquinas de lavar, de secar e a lavadora ultrassônica, causando risco de infecção para os trabalhadores que tem de lavar os materiais à mão. Além disso, também há uma autoclave quebrada, que serve para esterilizar material. O IJF, porém, tem recebido com frequência materiais para esterilizar de outros hospitais que também estão com autoclaves quebradas.

Superlotação é uma constante no hospital, com pacientes alocados indevidamente nos corredores

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Enfermaria com janelas quebradas e sem ventilação adequada

Problemas identificados -Superlotação; macas pelos corredores; risco de infecção pósoperatório por falta de alocação adequada -Enfermarias com janelas quebradas e sem ventilação apropriada -Raio-X quebrado na odontologia -Otoscópios manual e elétrico insuficientes nas salas de otorrinolaringologia e endoscopia; pinças quebradas -Sala para pequenas cirurgias oftalmológicas fechada -Elevadores quebrados e inutilizados -Racionamento de gaze, curativos, máscaras e outros materiais -Falta de segurança para pacientes e trabalhadores: casos de violência e assassinato dentro do hospital.

Vazamento do esgoto do Centro de Material, em agosto de 2015

Armários inapropriados

Equipamentos da UTI do quinto andar parados

Autoclave quebrada

Cadeira dos pacientes da oftalmologia causa dores no pescoço

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Unidade

Frotinha de Antônio Bezerra

Pacientes com fraturas passam dias e até semanas nos corredores do hospital a espera de atendimento

S

e para os profissionais do Hospital Distrital Evandro Ayres de Moura, o Frotinha de Antônio Bezerra, as condições de trabalho são insalubres, para os pacientes a situação é ainda mais grave. Durante a visita do SINTSAF, em maio de 2015 e em fevereiro deste ano, os principais problemas persistiram: alocação de pacientes nos corredores do hospital, enfermarias sem infraestrutura e péssimas condições de higiene. Na parte externa da unidade, há lixo, aparelhos hospitalares e material de escritório entulhados, formando focos de proliferação das mais diversas doenças. Na parte interna, pacientes em recuperação convivem com baratas e demais insetos, além de ficarem acomoda-

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dos em salas com infiltrações, mofo e paredes rachadas.

Aparelhos quebrados O funcionamento precário dos aparelhos, relatado por médicos e demais trabalhadores, foi constatado em diferentes setores. Durante a visita, o raio-X e uma autoclave, usada para esterilizar material, estavam quebrados. Na Unidade de Tratamento de Urgência (UTU), o equipamento que monitora os pacientes está com as funções limitadas. No setor de traumatologia, encontramos salas subutilizadas, ataduras e demais materiais guardados de forma inadequada. No setor de expurgo – responsável pela limpeza, desinfecção e guarda dos materiais e roupas utilizadas no hos-

pital – não há Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados. Na cozinha, os profissionais relataram serem frequentes as baratas, sobretudo nos dias de chuva. Já na rouparia, além de acomodações de repouso insalubres, não há ventilação. Em toda a unidade, faltam copos e papel toalha.

Problemas identificados -Traumatologia com apenas um médico; salas subutilizadas -Raio-X e autoclave quebrados -Falta de infraestrutura e higiene; ambientes com mofos e infiltrações; lixo entulhado na parte externa


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Raio-x quebrado no setor de traumatologia

Pacientes convivem com as baratas, devido à falta de higiene

Equipamentos descartados incorretamente

Autoclave quebrada no Centro Cirúrgico

Enfermarias sem ventilação e com péssima infraestrutura

Material da traumatologia guardado de maneira inadequada

Falta de EPIs próprias para as atividades

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Unidade

Frotinha de Messejana

Equipamentos da unidade são amotoados na parte externa do hospital

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acientes nos corredores, estrutura precária, falta de medicamentos e descarte inadequado de lixo e de outros materiais foram os principais problemas identificados no Hospital Distrital Emilson Barros de Oliveira, o Frotinha de Messejana. A começar pela parte externa, a diretoria do SINTSAF encontrou lixo descartado incorretamente, assim como material de escritório e equipamentos hospitalares entulhados. Próximo à casa de força, há uma fossa aberta cheia de dejetos, ambiente propício para a proliferação de doenças. Na sala de repouso dos trabalhadores, além do mau

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cheiro, a falta de infraestrutura do ambiente é inadequada pala alocar os profissionais, com colchões rasgados, paredes mofadas e armários enferrujados. Em toda a unidade, faltam copos descartáveis para os trabalhadores, dentre outros produtos.

Faltam equipamentos Na Unidade de Tratamento de Urgência (UTU), o aparelho de eletrocardiograma não funciona. Além disso, os monitores multiparâmetros, que apresentam os sinais vitais dos pacientes, desafiam os profissionais uma vez que todos encontrados estão com algumas funções limitadas.

Problemas identificados -Eletrocardiograma da UTU quebrado -Monitores cardiológicos sem algumas funcionalidades -Lixo entulhado na parte externa -Falta de antibióticos na farmácia -Sala de repouso dos trabalhadores sem infraestrutura e com intenso mau cheiro


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Monitores cardíacos não apresentam todas as funções

Alojamento dos funcionários tem intenso mau cheiro

Infiltrações e mofos nas paredes

Pacientes ficam nos corredores

Fossa aberta na unidade

Aparelho parado na UTU

Materiais ficam entulhados

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Unidade

Frotinha de Parangaba

Enfermarias quentes e superlotadas dificultam a recuperação dos pacientes

A

superlotação das enfermarias e a falta de ventilação adequada é um dos problemas sofridos pelos pacientes do Hospital Distrital Maria José Barroso de Oliveira, o Frotinha de Parangaba. Na primeira semana de fevereiro deste ano, em uma enfermaria com capacidade para 14 pessoas, 45 estavam alocadas, conforme informaram os trabalhadores. Devido à falta de estrutura, os servidores afirmam ser comum a proliferação de baratas nas dependências da unidade. Além disso, o risco de contaminação de bactérias multirresistentes é iminente, devido às precárias condições. Além da carência de remédios, os servidores relataram a falta de álcool em gel, papel

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toalha, desinfetante e copos descartáveis. Dos medicamentos que estavam em falta durante a visita da diretoria do SINTSAF, não havia antibióticos e dipirona. Os trabalhadores nos relataram que em 2015 o soro fisiológico ficou em falta duas vezes. No laboratório em que é feita a análise de sangue e outras substâncias, não há um esgoto apropriado para o descarte de material contaminado. Da máquina que faz a análise do material colhido, os resíduos são descartados dentro de vasilhas improvisadas. De acordo com os servidores, o conteúdo é desprezado junto com objetos cortantes. Outro problema relatado foi a falta de segurança. Segundo uma trabalhadora que


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Obra paralisada tem vários espaços prontos

Equipamentos são descartados nas dependências da obra

Improvisação de esgoto para material contaminado

Repouso no laboratório é em local improvisado

Prazo de conclusão para obra era novembro de 2008

Matagal se formou em torno da obra parada

preferiu não se identificar, ela e outros colegas já tiveram pertences furtados.

Obra parada Nas dependências da unidade, há uma grande obra parada, em que também é evidente o desperdício do dinheiro público. Apesar de boa parte da construção estar concluída, a área está isolada e sem utilização. No local, são descartados equipamentos hospitalares e material de escritório. O valor total gasto na obra, conforme a placa informativa, teria sido de mais de R$ 3 milhões, sendo mais de R$ 2,6 milhões de recursos federais repassados para o município de Fortaleza.

Problemas identificados -Obra orçada em mais de R$ 3 milhões parada -Superlotação -Falta de segurança -Descarte inadequado de substâncias contaminadas no laboratório -Enfermarias sem ventilação adequada

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Sala interditada no Centro Cirúrgico devido à chuva forte, que danificou equipamentos pela falta de estrutura do prédio

Unidade

Gonzaguinha de Messejana

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urante a visita ao Hospital Distrital Gonzaga Mota, o Gonzaguinha de Messejana, realizada na primeira semana de fevereiro deste ano, encontramos a emergência obstetrícia vazia por falta de material estrerelizado para a realização dos procedimentos. Segundo os servidores, não há kits para o atendimento de emergência, que inclui materiais como pinças e tesouras. Em casos muito graves, em que não há tempo hábil para o encaminhamento a outras unidades, a equipe de atendimento tem de utilizar materiais alternativos e inadequados, voltados para outros procedimentos. A emergência obstétrica do Gonzaguinha de Messejana tem espaço para comportar 12 mulheres, mas estava, durante a

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visita da diretoria do SINTSAF, com vagas ociosas por falta de condições de atendimento. A ausência de material ocorre devido à quebra da autoclave do hospital, que é um aparelho utilizado para esterilização. Na unidade, há duas autoclaves, ambas quebradas. Uma delas já estava parada há bastante tempo, enquanto a última quebrou efetivamente em fevereiro. Foi relatado ao SINTSAF que a autoclave já apresentava problemas constantes, deixando, corriqueiramente, a unidade sem meios de esterilizar o material. Também verificamos a falta de materiais diversos nos mais variados setores, como luvas, papel toalha e sabão líquido. Outro problema da emergência obstetrícia são os berços de calor radiante, que devem manter


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Dos quatro berços de calor, três estão quebrados

Equipamento hospitalar e de escritório entulhados

Internação pediátrica

Aparelhos desinstalados

Enfermaria desativada

os recém-nascidos na temperatura adequada. Dos quatro da unidade, um está quebrado e outros dois desregulados, provocando nos bebês calor excessivo. Por conta do risco de desidratação e febre hipotérmica, a equipe do hospital opta por não utilizá-los. No Centro Cirúrgico, toda uma sala está interditada. A última chuva, anterior a visita, alagou o ambiente e comprometeu o funcionamento da aparelhagem. Também encontramos aparelhos novos que há meses esperam instalação, máquina de anestesias com problemas e sem funcionamento. Já o estacionamento do hospital é porta de entrada para a proliferação de variadas doenças, uma vez que equipamentos hospitalares e de escritório estão descartados de forma inadequada, acumulados juntamente com entulho. Além disso, a cisterna que recebe os dejetos da unidade transborda e vaza nos dias mais chuvosos.

Autoclave quebrada

Problemas identificados -Dois aparelhos de autoclave quebrados no Centro Cirúrgico; autoclave parada há mais de dois anos no setor de bioquímica -Falta de kits de atendimento na emergência obstétrica -Dos 4 berços de calor, 3 estão com problemas -Infraestrutura danificada: infiltrações, alagamentos com chuvas, paredes rachadas e ambientes mofados -Entulhos, equipamentos hospitalares e de escritórios descartados incorretamente -Colchões rasgados na sala de internação pediátrica -Falta de materiais diversos: papel toalha, sabonete líquido, luvas, dentre outros -Enfermaria desativada -Servidores sem local adequado para descanso e com banheiros em péssimas condições de uso -Todas as máquinas de anestesia desreguladas e uma sem funcionamento

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Sala com incumadoras e berços de luz quebrados

Unidade

Gonzaguinha da Barra

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desperdício de dinheiro público pode ser verificado em todas as unidades de saúde visitadas pela diretoria do SINTSAF, mas no Hospital Distrital Gonzaga Mota da Barra do Ceará, o Gonzaguinha, esse problema é muito mais intenso. Há duas grandes obras paradas que estão sendo corroídas por infiltrações, pela invasão de plantas e pela sujeira. A primeira obra, construída durante a gestão do prefeito Juraci Magalhães, ao fundo da unidade em funcionamento, está incompleta e abandonada. No local, foi despejado lixo e entulho de construção. Na segunda obra, da gestão da prefeita Luizianne Lins, localizada na área da frente da unidade, infiltrações têm destruído parte da construção, com o desabamento do teto de algumas salas e o crescimento de plantas. Em ambas as obras é possível verificar alguns espaços que estariam prontos para receber enfermarias, consultórios, recepção e demais áreas. O que a diretoria do SINTSAF encontrou, no entanto, foi o resultado do abandono.

Maternidade Na parte interna do hospital, encontramos uma sala cheia de incubadoras e de berços de calor (biliberços) quebrados. Os trabalhadores reclamaram da falta de produtos fundamentais para os pacientes, como fraudas e absorventes.

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Além disso, conforme os servidores, não há berços de banho de luz suficientes para os recém-nascidos. O caso é preocupante, uma vez que vários berços estão quebrados há meses e sem perspectiva de conserto. O SINTSAF apurou que há berços quebrados desde os meses de agosto e de novembro de 2015. Na sala que acomoda mães e bebês, foram encontrados vários colchões rasgados, que aumentam o risco de contraírem doenças.

Problemas identificados

-Duas obras paradas de duas gestões anteriores -Lixo entulhado, ocasionando a proliferação de doenças -Incubadoras e berços de calor sem funcionamento -Falta de absorventes e fraudas -Colchões rasgados na enfermaria


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Obra na parte posterior do hospital, da gestão de Juraci Magalhães, tem vários espaços prontos, mas corroídos pelo abandono

O entulho e o lixo ficam acumulados atrás da unidade, ao lado da obra adandonada

Colchões rasgados na enfermaria da maternidade põe pacientes em risco de contraírem doenças

Obra na parte da frente do hospital, da gestão de Luizianne Lins, está abandonada, apresentando perda da estrutura pronta

Vestiário dos trabalhadores, além do mau cheiro, tem estrutura precária

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Unidade

Gonzaguinha do José Walter

Pacientes são atendidos nos corredores por falta de salas suficientes

C

orredores lotados, falta de equipamentos e infraestrutura precária formam o cenário do Hospital Distrital Gonzaga Mota do José Walter, o Gonzaguinha. Para toda a unidade, há apenas um respirador, colocando em risco os pacientes em casos de urgência e emergência. “Até agora não tivemos um problema mais sério, que resultou na morte de um paciente. Mas já aconteceu de chegarem dois pacientes e termos que nos virar, por conta de o hospital possuir apenas um respirador”, afirmou um servidor que preferiu não se identificar. Além disso, falta fio de sutura, pote de urina, álcool em gel e materiais de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) como luvas, máscara e gorro. Durante a visita da diretoria do SINTSAF no mês de fevereiro, a autoclave, utilizada para esterilizar material, estava quebrada. Além disso, o raio-X está quebrado há cerca de dois anos, fazendo com que os pacientes tenham de ser encaminhados para o Hospital da Mulher. Por conta da falta do equipamento, cabe ao técnico de raio-X da unidade apenas acompanhar os pacientes. Único hospital da Prefeitura com atendimento fisio-

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terápico, o ambulatório destinado para as consultas apresenta equipamentos velhos e rasgados, além da equipe não ser suficiente para a demanda. No setor, os aparelhos analgésicos e de ultrassom estão há mais de seis meses no conserto. Conforme o fisioterapeuta da unidade, há uma constante ameaça de o setor ser fechado. Ele ressalta que uma média de 40 pacientes são atendidos por dia.

Problemas identificados -Apenas um respirador para todo hospital -Raio-X quebrado há dois anos -Fisioterapia com equipamentos quebrados e falta de pessoal -Falta de diversos materiais: luvas, álcool em gel, máscara, gorro, fio de sutura, pote de urina -Lixo e entulho na parte externa do hospital


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Falta suporte para soro no hospital

Apenas um respirador para todo a unidade

Aparelho de raio-X está quebrado há dois anos

Fisioterapia tem equipamentos velhos e quebrados

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Unidade

Hospital da Mulher

Materiais sem utilização são empilhados de forma inadequada nas dependências do hospital

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o início da construção até a finalização do Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns, o Hospital da Mulher, no bairro Jóquei Clube, a Prefeitura de Fortaleza levou quatro anos e meio, com inauguração em julho de 2012. Porém, com apenas três anos e meio de atividades, a falta de manutenção da parte externa já é uma realidade visível. Logo na entrada, o mato tem dominado parte da calçada e do estacionamento, formando um matagal

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mais volumoso em várias áreas da unidade. Além disso, também no estacionamento há buracos, lixo e poços de água, ambiente ideal para a proliferação de insetos. Ainda na parte externa, foram encontrados materiais diversos descartados incorretamente.

Histórico Em 2013, ao completar um ano de inauguração, o hospital estava com 50% da sua capacidade total de atendimento. Dos 165 leitos de internação, apenas 75 estavam cadastrados no

Sistema Único de Saúde (SUS), além de estar com duas enfermarias sem funcionar. A subutilização da unidade era ocasionada, principalmente, pela falta de profissionais e de recursos financeiros. Já em maio do ano passado, o hospital ainda continuava operando abaixo da capacidade, conforme foi denunciado na Câmara de Vereadores de Fortaleza. À época, dentre as denúncias estava a subutilização de leitos. Também foi denunciado, na ocasião, o fechamento da Unidade de


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O matagal domina toda a parte externa do hospital

Poços de água no estacionamento são focos de mosquitos

Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal por falta de profissionais e de materiais. Ainda em 2015, profissionais paralisaram suas atividades em protestos por falta de pagamento.

Problemas identificados -Falta de manutenção da infraestrutura -Matagal na parte externa -Focos de mosquito

Estacas tapam um imenso buraco na entrada do estacionamento

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Unidade

Hospital Nossa Senhora da Conceição

A entrada do hospital é espaço propício para a proliferação de bichos e insetos, colocando em risco os pacientes

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Hospital Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conjunto Ceará, apresenta uma série de problemas de infraestrutura que põem em risco o funcionamento da unidade. Ano passado, o hospital sofreu uma pane elétrica em agosto, tendo de suspender o atendimento na sede por dois meses. Após a reabertura, houve uma grande infiltração na enfermaria da obstetrícia que prejudicou parte do atendimento. Neste ano, novamente, as atividades foram prejudicadas pelas chuvas, que acarretaram em novas infiltrações nas salas de diversos setores. No laboratório de bioquímica, por exemplo, em dias de chuva é comum vazar água pelas lâmpadas. “Aqui temos equipamentos novos e o risco é de que sejam danificados”, disse um servidor que preferiu não se identificar. Há mais de 20 anos trabalhando na unidade, outra servidora – que também não quis se identificar – relatou que o hospital está em seu período mais crítico. “Eu estou aqui por

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amor ao meu trabalho e pelo carinho aos pacientes. Mas me sinto mal porque aqui falta de tudo”, afirma. Segundo os trabalhadores, até o soro fisiológico de 100 ml tem faltado na unidade. Além disso, o SINTSAF identificou que muitos equipamentos hospitalares, como o aparelho de raio-X e os aspiradores de secreção, ficam nos corredores por falta de um local adequado para guardá-los. Na parte externa da unidade, o lixo e o entulho ficam acumulados, contribuindo com a proliferação de doenças.

Problemas identificados -Falta de infraestrutura: paredes rachadas e mofadas -Infiltrações e vazamentos nos dias de chuva -Lixo e entulho na parte externa, ocasionando a proliferação de doenças


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Em dias de chuva, as infiltrações alagam as salas

Sujeira contribui com a proliferação de insetos

Entulho de material de construção sem descarte

Ar-condicionados velhos jogados nos corredores

Marquise do prédio põe em risco pacientes e trabalhadores

Equipamento de raio-X fica no corredor do hospital

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Unidade

CAC V

oltado para a emergência pediátrica, o Centro de Assistência à Criança (CAC) Lúcia de Fátima Rodrigues Guimarães Sá, localizado no bairro Parangaba, tem como principal problema a pequena equipe de atendimento destinada à alta demanda. A unidade, que também é conhecida como CROA, apresenta uma estrutura física bastante precária, visível em diversos setores, inclusive nas enfermarias. Foi relatado à diretoria do SINTSAF ser comum a falta de medicamentos, além da ausência do raio-X, que quebra com bastante frequência, tendo de ser enviado para a manutenção. Para os funcionários, faltam máscaras suficientes, além de copos descartáveis e outros materiais. Na lavanderia, há anos estão paradas as máquinas de lavar, de espremer e de secar. Na parte externa da unidade, foi encontrado lixo e material de escritório

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A superlotação da unidade complica ainda mais o trabalho dos profissionais

descartado de maneira incorreta, colaborando com a proliferação de insetos e de ratos e, consequentemente, pondo em risco a saúde das crianças atendidas no Centro.

Acidente

Uma auxiliar de enfermagem, que preferiu não se identificar, relatou ao SINTSAF que, devido aos grandes buracos do chão da emergência da unidade, sofreu um acidente durante um atendimento. Por conta do infortúnio, ela passou meses sem trabalhar. Porém, mesmo com o problema, nenhuma medida foi tomada pela direção.


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Máquina de lavar sem funcionamento

Materiais acumulados sem o descarte correto

o dos profissionais, devido à carência de servidores

Problemas identificados

-Equipe reduzida -Estrutura física precária -Falta de remédios, máscaras e outros materiais -Lixo descartado incorretamente -Máquinas paradas na lavanderia Máquina de espremer parada na lavanderia há anos

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Unidade

CEMJA

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Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (CEMJA) está desativado há mais de dois anos, sem perspcetiva de retorno. O prédio, que funcionava na rua General Sampaio, em frente à Praça José de Alencar, no Centro de Fortaleza, foi fechado após o terceiro princípio de incêndio. Servidores, sindicalistas e a população já realizaram inúmeras manifestações em prol da reabertura da unidade, mas até o momento não há previsão para o retorno das atividades. O equipamento de Saúde era um dos únicos a concentrar várias especialidades médicas e um laboratório em um só lugar, facilitando a vida dos pacientes pela localização central. Após o fechamento parcial do prédio, os atendimentos foram transferidos para outras unidades de Saúde de diferentes bairros de Fortaleza, como o Posto de Saúde Carlos Ribeiro, no Jacarecanga, o Posto Floresta, no Álvaro Weyne e o Posto Paulo Marcelo, no Centro. Porém, essa ramificação dificultou o acesso para os pacientes e trabalhadores, trazendo transtornos para a população.

Prédio vazio A rampa que dá acesso a parte superior do prédio está interditada há anos, assim como os banheiros do térreo. Segundo os servidores que trabalhavam no CEMJA, as unidades para onde eles foram transferidos não dispõem de boa estrutura física para atender a contento a demanda, como também estão localizadas em bairros de difícil acesso. Ainda de acordo com uma servidora que não quis se identificar, cerca de 300 profissionais trabalhavam na undidade, dentre eles, servidores da Prefeitura, do Governo do Estado, do Ministério da Saúde e terceirizados. Dentre os profissionais que atuavam no Centro, estão atendentes, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos de diversas especialidades, pessoal do setor administrativo, farmacêuticos, bioquímicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outros. Conforme os servidores, além do laboratório, a unidade ainda contemplava um centro de imagem e uma farmácia, que fornecia medicamentos de alto custo, como os remédios controlados.

Com o fechamento da unidadeo, o acesso dos servidores foi impedido. Desde en

Problemas identificados -Indefinição da data de abertura da sede -Má distribuição do centro em diferentes unidades de saúde -Degradação da sede antiga

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Banheiros interditados no prédio


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mpedido. Desde então, o prédio e os equipamentos do Centro estão sendo corroídos devido ao descaso da Prefeitura

Bebedouro é utilizado para segurar porta

Bancos da recepção amotoados

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Unidade

Samu

Ambulâncias que ficam no Corpo de Bombeiros passam longos períodos debaixo do sol forte, com todos os materiais e equipamentos em altas te

Dormitórios têm pouco espaço e péssimas condições

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Frigobar e televisão foram adquiridos pelos servidores


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Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde de Fortaleza

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Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é de fundamental importância para a população fortalezense, mas tem sofrido com o descaso do poder municipal. Os 15 pontos de apoio foram redistribuídos e, desde janeiro, ficam concentrados em seis locais, aumentando consideravelmente o tempo de resposta de atendimento, conforme informaram servidores ao SINTSAF. Atualmente, as sedes que ficavam no SESI da Barra do Ceará, na Etufor e no Antônio Bezerra estão concentradas no Núcleo de Busca e Salvamento (NBS) do Corpo de Bombeiros da avenida Leste-Oeste, visitada pela diretoria do SINTSAF no final de março. Além de dificultar o atendimento das equipes que ficavam melhor distribuídas, a nova localização tem péssimas condições para os servidores. O dormitório feminino, por exemplo, é dividido com uma oficial do Corpo de Bombeiros, que estabelece as regras de funcionamento. Segundo servidoras que preferiram não se identificar, as regras dificultam o trabalho, uma vez que elas não podem passar para a área próxima ao dormitório masculino. “Teve uma ocasião que meus créditos do celular acabaram e eu não tinha como chamar os colegas para uma ocorrência, pois somos proibidas de passar para o outro lado”, afirmou uma servidora. Ambos os dormitórios são quentes, devido à baixa potência do ar-condicionado. Além disso, os trabalhadores não têm espaço para realizar as refeições. No dormitório masculino, o espaço é bastante reduzido. Os colchões estão em condições precárias e todos os demais móveis foram comprados pelos servidores, como o armário com cadeados, o gelágua, o frigobar e a televisão. As ambulâncias também ficam em locais inadequados, debaixo de sol forte e recebendo intensa maresia, à beira mar. O sol prejudica equipamentos e materiais que ficam guardados dentro do automóvel, além de ser prejudicial para os servidores, que tem de entrar nos carros quentes para atenderem as ocorrências imediatamente.

Problemas identificados -Dormitórios em péssimas condições -Ambulâncias estacionadas em local inapropriado -Tempo de resposta às ocorrências mais demorado devido à redução dos pontos de apoio

mentos em altas temperaturas

Armário também foi comprado pelos trabalhadores

Ar-condicionado do dormitório não tem potência adequada

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Unidade

CAPS

Na sede alugada, há uma piscina com vários focos de mosquito

O

Centro de Apoio Psicossocial (Caps) do bairro Messejana atualmente fica em um espaço alugado, que apresenta uma série de problemas estruturais. A promessa da Prefeitura de Fortaleza era de que a sede própria fosse reformada, por meio de um recurso federal recebido em junho de 2013. Até o momento, porém, não há previsão sobre o início dos trabalhos. Segundo informações passadas pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) ao SINTSAF, o convênio realizado com a Universidade de Fortaleza (Unifor) para a realização do projeto foi cancelado pela instituição. A reforma espera licitação da Prefeitura de Fortaleza e, segundo informou a SMS, será elaborado pela arquiteta da secretaria. Porém, devido a alta demanda da SMS, e da equipe reduzida, ainda não há previsão para os trabalhos. Enquanto isso, na sede atual, servidores e pacientes correm risco de contrair doenças devido à falta de limpeza e manutenção do prédio. Na entrada do Caps, locali-

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zado na rua Castelo Branco, 700, uma piscina está cheia de focos do mosquito Aedes Aegypti, contribuindo com a proliferação da dengue, da zika e da chicungunha. Além do acúmulo de água e de detritos na piscina, o entorno do prédio também tem lixo espalhado. Segundo denúncia feita ao SINTSAF, que verificou a situação do Caps neste mês de março, essa piscina já acumula sujeira há anos e, até o momento, nenhuma medida efetiva foi tomada pela Prefeitura. Nos demais espaços do prédio, encontramos salas com infiltrações, mesmo após reforma realizada no local.

Reforma sem previsão

Já a sede própria, que deveria ser reformada, está completamente abandonada. O espaço já foi, inclusive, alvo de invasões. A população, porém, perde com o descaso da Prefeitura, que, mesmo com uma verba direcionada para o Caps, age morosamente.


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Parte do muro da sede alugada está quebrado

Salas estão mofadas e com infiltrações

Problemas identificados -Prédio próprio abandonado -Salas mofadas -Focos de proliferação de doenças

Sujeira se acumula nas dependências da sede própria

Sede própria é foco de proliferação de doenças

Fiação elétrica da sede própria está desprotegida

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Regional I

Posto de Saúde Carlos Ribeiro

Parte externa com lixo acumulado atrai insetos e ratos

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posto de Saúde Carlos Ribeiro, do bairro Jacarecanga, apresenta uma série de problemas de infraestrutura, além de ter uma equipe de trabalhadores abaixo da demanda. Conforme constatado durante a visita do SINTSAF na primeira semana de fevereiro, das sete equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) para atender as áreas da região, três estavam sem dentistas. Por conta da carência de trabalhadores, muitos estão sobrecarregados. Segundo os servidores, a demanda deveria ser suprida por 14 equipes, o dobro do que existe atualmente. No consultório, a área destinada para duas cadeiras odontológicas tem abrigado três. Por conta do espaço apertado, o terceiro dentista fica impossibilitado de trabalhar. Na mesma sala, também foram identificadas outras irregularidades, como: vedação inadequada dos espaços para janelas, com papelões e sacos plásticos; ralo do esgoto fechado com um pedaço de tijolo; falta de material e de infraestrutura. Os profissionais relataram ser comum a entrada de baratas e escorpiões. No

Dentistas não têm espaço suficiente

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prédio do Posto, foram encontrados lixo hospitalar descartado de forma incorreta. Também foi localizada uma cisterna aberta com dejetos e locais com água parada, propícios para a proliferação do Aedes aegypti.

Falta tudo Dos 168 remédios voltados para a atenção básica, apenas 40 são distribuídos pelo Posto. O SINTSAF constatou a ausência de remédios destinados para o tratamento de hipertensão e diabetes. Além disso, não havia material para o atendimento ginecológico. “Quando realizamos prevenção, não tem lençol, tolha e bata. Temos que cortar pedaços das poucas que têm. Somos verdadeiros guerreiros”, afirma uma enfermeira. Segundo ela, duas microáreas cobertas pelo posto estão sem atendimento, por falta de pessoal. No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), o material de escritório é comprado pela equipe de trabalhadores, que divide a despesa mensalmente. Nas salas, também falta infraestrutura adequada. Nos dias de chuva, é comum infiltração pelas paredes e lâmpadas.

Falta manutenção da estrutura física

Ausência de acessibilidade na entrada


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Regional II

Posto de Saúde Pio XII

Trabalhadores não têm sala para descanso

Coleta de sangue fica na masma sala do expurgo

Lixo é descartado de forma inadequada na entrada do posto

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eformado há cerca de um mês, o Posto de Saúde Pio XII já apresenta vários problemas, como mofo nas paredes. Após a reforma, uma série de medidas foram tomadas de modo a dificultar a vida dos trabalhadores e por em risco a saúde dos pacientes. Segundo servidores que preferiram não se identificar, após a reforma, a copa dos funcionários virou sala de coleta de sangue. Porém, nessa mesma sala fica a autoclave, responsável pela esterilização de material, gerando risco de contaminação. Já aos servidores que ficaram sem sala para as refeições, cabe tirar as horas de almoço embaixo das árvores, localizadas na entrada do posto. Durante a visita da diretoria do SINTSAF, realizada na segunda semana de março, os trabalhadores relataram que faltam materiais variados, como luvas cirúrgicas. Por falta de material, não estão sendo realizados no posto procedimentos de exodontia, por exemplo. Outro problema verificado é o matagal localizado na parte externa do posto, ambiente propício para a proliferação de mosquitos e doenças. Também na entrada da unidade, verificou-se o descarte inadequado de lixo.

Paredes estão danificadas após um mês de reforma

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Regional III

Posto de Saúde César Cals

Sala da odontologia está inutilizada devido ao mofo

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Posto César Cals, do bairro Planalto Pici, está com várias salas interditadas por conta das chuvas do início deste ano. Uma delas é a sala da farmácia, desativada depois de ter sido tomada pela água. Devido ao mofo e ao mau cheiro, toda uma sala voltada para o atendimento odontológico também está fechada. Por conta disso, oito trabalhadores tiveram problemas de saúde por terem ficado horas no local. Além de não ter um espaço adequado para as atividades, o posto tem sofrido com a carência de uma série de remédios. Conforme apurou a diretoria do SINTSAF, durante visita em fevereiro, faltavam 20 dos 71 medicamentos oferecidos na unidade. Uma dentista, que preferiu não se identificar, afirmou que também falta material para fazer restauração e outros procedimentos. “Nos dias que faltam materiais, trabalhamos de forma manual. Quando passo

Equipamentos precários na fisioterapia

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Farmácia ficou alagada por conta das últimas chuvas

horas fazendo raspagem manualmente, tomo remédios todos os dias, devido às dores causadas pela repetição do movimento”, diz a servidora, que também afirmou ser comum a falta de papel toalha, jaleco descartável, dentre outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Na fisioterapia, o cenário também é de descaso, uma vez que, além dos equipamentos velhos e quebrados, a equipe foi reduzida desde a gestão do prefeito Roberto Cláudio. O setor, que contava com quatro pessoas – dois fisioterapeutas e dois atendentes – agora tem apenas um fisioterapeuta que se divide entre todas as tarefas. A perspectiva da prefeitura era de fechar esse tipo de atendimento no posto. Porém, após reivindicação da população do bairro, por meio de um abaixo assinado, as atividades permaneceram, mas, conforme constatado pelo SINTSAF, de forma cada vez mais precária.

Sala sem uso devido às infiltrações

Espaço ginecológico tem outra função


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Regional IV

Posto de Saúde Dom Aloísio Lorscheider

Autoclave para esterelização está quebrada

Matagal acumulado na entrada do posto

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o Posto Dom Aloísio Lorsheider, no bairro Itaperi, o problema mais grave tem sido a falta de remédios suficientes para atender as demandas da comunidade. Durante a visita do SINTSAF, na segunda semana de março, várias prateleiras da farmácia estavam vazias. Além disso, não há trabalhadores suficientes para suprir o elevado número de pacientes. Conforme denunciaram servidores que preferiram não se identificar, há cerca de cinco meses, antes da entrada dos novos trabalhadores concursados, foram demitidos sete profissionais. Para cobrir as vagas, porém, apenas três pessoas foram contratadas. “Estou quase desistindo desse emprego. É muito trabalho para uma equipe pequena, por isso sempre nos pressionam. Hoje já chorei duas vezes”, afirmou uma servidora. Os novos contratados, além de tudo, não estão recebendo as gratificações as quais têm direito.

Prateleiras da farmácia evidenciam a falta de remédios

Autoclave quebrada Também durante a visita do SINTSAF, os servidores aguardavam o conserto da autoclave, quebrada há cerca de uma semana. Na quebra da autoclave maior, um equipamento menor era utilizado. Porém, segundo informaram os trabalhadores, o equipamento estava dando choque e, por esse motivo, também está parado. Outro problema relatado pelos servidores foi a falta de um compressor potente, responsável por fazer com que as cadeiras odontológicas funcionem adequadamente. Em toda a unidade, falta papel higiênico, copos descartáveis, água mineral para os trabalhadores, dentre outros itens. Também não há sala de repouso.

Sacos de lixo cobrem algumas janelas da unidade

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Regional V

Posto de Saúde Dom Lustosa

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despejo inadequado dos dejetos do Posto de Saúde Dom Lustosa, no bairro Granja Lisboa, recepciona trabalhadores e pacientes com um mau cheiro desagradável logo na entrada. Na parte externa da unidade, há uma área em que tanto o esgoto da unidade de saúde como de uma escola ao lado são despejados, formando um espaço propício para a proliferação de inúmeras doenças. Na parte externa do posto, é encontrado entulho, lixo hospitalar e lixo comum descartados de forma incorreta. Durante a visita do SINTSAF, também foi constatada falta de infraestrutura em diversos setores da unidade. No consultório odontológico, por exemplo, jorra água na sala, provocando um pequeno alagamento. Isso ocorre devido à má instalação da cadeira odontológica, que necessita de água para a realização dos procedimentos. Diante da situação, os trabalhadores têm suas atividades prejudicadas, além de trabalharem em um ambiente insalubre.

Sala odontológica tem vazamentos

Entulho compõe o cenário do posto

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Fossa estourada na parte externa

Falta de infraestrutura e infiltração nas salas


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Regional VI

Posto de Saúde de Messejana

Copa está em péssimas condições

Fachada enferrujada do prédio é evidência da falta de manutenção na unidade

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Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) de Messejana, apesar de estar em uma situação melhor do que muitos dos postos de saúde visitados pela diretoria do SINTSAF, também apresenta uma série de problemas de infraestrutura. Além disso, faltam remédios para pressão e diabetes, assim como materiais variados, a exemplo dos utilizados em atendimento médico e de escritório. Por conta da falta do material de escritório, os trabalhadores da unidade têm dividido as despesas para compra do que é fundamental para a continuação das atividades. Na falta de material utilizado em atendimento médico, por outro lado, a opção dos servidores é parar o atendimento até a reposição. Um exemplo é o caso do lençol para prevenção ginecológica, que falta com bastante frequência na unidade. Conforme foi informado por trabalhadores que preferiram não se identificar, são enviados, todos os meses, apenas cinco rolos de lençol – que é uma es-

pécie de papel usado em cima da cama onde é realizada a prevenção. Porém, como a demanda do bairro é grande, uma vez que atende mulheres de variadas faixas etárias, incluindo gestantes, os cinco rolos duram cerca de 15 dias. Duas autoclaves estão quebradas Ainda durante a visita da diretoria, realizada na primeira semana de março, havia duas autoclaves com problemas: uma vazando e a outra completamente inutilizada. Para realizar a esterilização, o material estava sendo encaminhando para outra unidade.

Infraestrutura Na copa dos funcionários, a infraestrutura é bastante precária. O piso e parte dos azulejos das paredes estão quebrados, além das cadeiras. A situação não é diferente em outros espaços do posto. Os banheiros, além do mau cheiro, também estão sem conservação, com paredes mofadas e azulejos quebrados. O mofo também domina a sala de preparação, causado por conta Várias paredes apresentam mofo de uma infiltração na parede.

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Unidade

UPA do Bom Jardim

O prédio da unidade hospitalar, apesar de pronto, não tem previsão para o início das atividades

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om obras previstas para conclusão em maio de 2014, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Prefeitura Municipal de Fortaleza, no bairro Bom Jardim, até agora não foi inaugurada. Orçada em mais de R$ 4 milhões, sendo R$ 2,6 milhões de recursos federais e o valor restante do Tesouro Municipal, a obra já está com mais de dois anos de atraso. A diretoria do SINTSAF realizou duas visitas ao local, em setembro de 2014, quando a obra já estava com seu primeiro atraso, e em setembro do ano passado. Mesmo com a estrutura aparentemente pronta, a unidade está com as portas fechadas para a população. A UPA, que está localizada na regional V, teria

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capacidade para atender 450 pacientes por dia, com funcionamento 24h.

Sem previsão O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, assinou a ordem de serviço da obra em fevereiro de 2014, mas até o momento não deu posicionamento de quando de fato será entregue. Em setembro de 2015, ele realizou uma visita ao local, mas também não sinalizou uma data efetiva para o início das atividades. Cabe à população esperar sem saber quando terá atendimento na região. O mesmo problema ocorre com a UPA do bairro Vila Velha, que também está pronta, mas sem prazo para inauguração.


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Obra estava prevista para maio de 2014

Em setembro de 2014, o SINTSAF encontrou obras paradas

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Unidade

ZOONOSES

Lixo contribui com a proliferação de doenças

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diretoria do SINTSAF visitou a sede do Centro de Controle de Zoonoses, no bairro Maraponga, em março último e verificou falta de infraestrutura adequada para a realização dos trabalhos. Conforme foi informado ao sindicato, a promessa da Prefeitura de Fortaleza é de que seja realizada uma reforma da estrutura física. Porém, ainda não foi definido um prazo para início e conclusão das obras. Na sala de atendimento veterinário, a situação é extremamente precária. O ambiente é quente, por falta de ventilação apropriada, dificultando o atendimento no local. O espaço também é bastante sujo e tem vários equipamentos velhos e danificados. Os armários estão enferrujados e as cadeiras quebradas, assim como outros itens da sala. Na parte externa, a diretoria do SINTSAF encontrou

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lixo acumulado e um matagal que cobria boa parte dos espaços por falta de limpeza e manutenção. Além disso, muitas áreas estão inutilizadas. No prédio da administração, infiltrações e rachaduras também compõem o cenário. Além disso, foram encontrados alguns gatos abandonados rondando os espaços do prédio. No canil, espaço que a diretoria do SINTSAF não teve acesso, servidores, que preferiram não se identificar, informaram que o local funciona também de forma precária, fazendo-se necessário uma reforma urgente. Em relação à equipe da limpeza, os servidores relataram ao SINTSAF que faltam vassouras e rodos grandes apropriados para o trabalho em espaços amplos. Devido ao esforço repetitivo com equipamentos inadequados, os trabalhadores ficam com dores nas costas e no corpo.


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Vários setores do prédio estão deteriorados

Estrutura das salas está em péssimas condições

Matagal acumulado na parte externa

Problemas identificados -Lixo acumulado inadequadamente -Matagal na parte externa -Prédio com infraestrutura precária -Consultório em péssimas condições Consultório veterinário tem equipamentos velhos

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Unidade

Instituto de Previdência do Município

Equipamentos quebrados ficam nos corredores da unidade

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servidor que depende do Programa de Assistência à Saúde do Instituto de Previdência do Município (IPM) tem sofrido para receber atendimento, já que as consultas são limitadas a duas por mês, mesmo para servidores que possuem um número maior de dependentes. Além disso, os trabalhadores relataram que a rede credenciada não atende as demandas. Um exemplo é o descredenciamento do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), diminuindo a cobertura de atendimento e dificultando, ainda mais, o tratamento dos servidores e dependentes em situação mais grave.

Aparelhos sem manutenção adequada

Infraestrutura Durante visita do SINTSAF à sede do IPM Saúde, localizada no Centro, encontramos vários equipamentos parados nos corredores. A informação obtida com funcionários que preferiram não se identificar foi de que os equipamentos estão quebrados. Além disso, com a quebra da autoclave do Centro de Material, a esterilização está sendo realizada fora da unidade.

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Lixo descartado de maneira incorreta


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Dossiê da Saúde 2016  

Este documento foi produzido a partir da visita da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço de Saúde (SINTSAF) às unidades de saú...

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