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U S TRAF Ano XVIII - Nº 276 - 16/08/2013

Jornalista Responsável: Francisco Medeiros - MTE/SP 14.904

- EDITORIAL -

A campanha salarial depende de nós No dia 21 deste mês daremos início à nossa campanha salarial, com a montagem da pauta de reivindicações que faremos à empresa. Para as trabalhadoras e os trabalhadores jovens entenderem melhor, é nesta negociação anual que é discutido o valor do nosso trabalho, de forma coletiva, independentemente dos reajustes por promoção ou evolução que algumas pessoas recebem, individualmente, ao longo do ano. É comum algumas pessoas acharem que as negociações salariais devem ficar só por conta do sindicato e às vezes aparecem só para reclamar, quando tudo já está terminado. Ora, este raciocínio é equivocado, porque se você é o responsável pelos resultados do setor em que você trabalha, não seria também responsável pelo resultado da negociação que vai por preço no seu trabalho? O que precisamos entender é que, por ser complicado colocar todos em uma grande sala para fazer uma negociação, é que existe a diretoria do sindicato, com proteção legal (estabilidade no empre-

go) para fazer a negociação em nome de todos. Ao conjunto dos trabalhadores cabe a obrigação de participar de todas as assembléias, para debater seus pontos de vista e depois acatar a decisão da maioria. O sucesso da campanha depende desta participação ativa em defesa dos nossos interesses de classe trabalhadora. É certo que o humor dentro da fábrica não está nada bom, em conseqüência de um monte de insatisfações que, inclusive, levaram o sindicato a procurar a empresa duas vezes nos últimos 60 dias, para pedir providências. São problemas que vêm se acumulando desde o “menos meio” salário do superação, passando pela sobrecarga de serviço e excesso de cobrança, que se chocam com os salários defasados pela ação do mercado e pela inflação. Da nossa parte, o mais importante agora é focar no desafio de fazer o melhor para nós mesmos nesta negociação. Portanto não falte a este compromisso. A Diretoria

ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA Abertura da Campanha Salarial 2013 21 DE AGOSTO - QUARTA-FEIRA 1ª Sessão: 08:30 hs para a 2ª Turma e demais interessados 2ª Sessão: 16:30 hs para a 1ª e 3ª Turmas, Intermediária e demais interessados

- AOS COLEGAS DA SOUZA CRUZ -

Companheiros e companheiras Neste momento em que deixo a fábrica e a diretoria do Sintraf para usufruir da minha tão esperada aposentadoria, gostaria de deixar algumas palavras de despedida. Entrei na Souza Cruz em 1989 e desde 2001 faço parte da diretoria do sindicato. Ao longo desse período, foram muitas as dificuldades que, com a ajuda de Deus, conseguimos superar. Hoje deixo a fábrica com o sentimento de missão cumprida, sabendo que as conquistas que tivemos só foram possíveis graças à confiança que vocês depositaram na gente durante todos esses anos, tanto pessoal quanto coletivamente. Agradeço o carinho, respeito e companheirismo que sempre tive dos meus colegas de trabalho. E mesmo estando aposentada, sempre estarei à disposição para ajudar na luta por um mundo melhor e mais justo. Boa sorte a todos. E nunca desistam de perseguir os seus sonhos. Com persistência e união, alcançaremos os nossos objetivos. Um forte abraço e muito obrigada. Eliane dos Santos Ângelo Diretora do SINTRAF Operadora de Máquina SMD – 2ª Turma Equipe C

PAUTA: A) Autorização para o SINTRAF negociar a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho da categoria e/ou instaurar Dissídio Coletivo na Justiça do Trabalho; B) Elaboração e aprovação da Pauta de Reivindicações para a Campanha Salarial 2013; C) Discussão e aprovação da Taxa Negocial para a Campanha Salarial 2013; D) Outros assuntos de interesse.

LOCAL: Sede do STIAU - Rua Benjamim Constant, 529 ABERTA A TODOS OS TRABALHADORES DA CATEGORIA, SÓCIOS E NÃO SÓCIOS DO SINDICATO Atenção: a ganhadora da TV 42'’ sorteada em maio (Andréia Luiza C. Lopes) tem até o dia 20/08/2013 para retirar seu prêmio na sede do sindicato. Caso não o faça, será sorteado um novo ganhador entre os associados do SINTRAF.

INPC ACUMULADO 2012/2013 MESES SET/12 OUT/12 NOV/12 DEZ/12 JAN/13 FEV/13 MAR/13 ABR/13 MAI/13 JUN/13 JUL/13

INPC-IBGE (%) ACUMUL.(%) 0,63 0,63 0,71 1,34 0,54 1,89 0,74 2,64 0,92 3,59 0,52 4,12 0,60 4,75 0,59 5,37 0,35 5,74 0,28 6,03 - 0,13 5,89


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U TRAF

Informativo nº 276 - CONJUNTURA -

Adeus inflação. E agora? No começo de cada ano, o mercado financeiro aproveita a sazonalidade característica do período, a qual propicia um maior ritmo inflacionário, para iniciar o processo de ameaça com o fantasma da inflação. Nessa época há os reajustes e pagamentos de IPTU, IPVA, despesas escolares e contratos com vencimentos no início de ano, visando recompor a inflação ocorrida no ano anterior. É um período favorável para a aumentar a gritaria contra a inflação e, ato contínuo, pressionar o governo para elevar a Selic. Neste ano, os arautos do fantasma da inflação tiveram uma ajuda extra. Foi o choque climático, que reduziu a oferta de vários alimentos in natura, sendo o tomate tomado como símbolo. Isso tudo convergiu para dar suporte a essa campanha, conduzida com competência pelos representantes do mercado financeiro, que têm nos grandes meios de comunicação seus principais propagadores. Como resultado, o governo foi levado a ceder em sua política de redução das taxas de juros. O Banco Central (BC) se sentiu acuado pelos agentes do ‘‘mercado’’ e resolveu usar mais uma vez a solução milagrosa de elevar a taxa Selic, mesmo sabendo que nenhum banco central no mundo fazia elevações na taxa básica de juros desde setembro de 2012. Mas nosso BC é especial. E lá foi ele, subindo a Selic do seu mínimo histórico de 7,25%, para até agora 8,5% ao ano. E prometendo ir além... O mercado financeiro, que antes criticava o BC, passou a elogiá-lo, argumentando que ele tinha reconquistado a sua liberdade (frente a quem, cara pálida?) e voltado a ancorar (bonita palavra, essa) suas decisões nas ‘‘expectativas dos agentes econômicos’’. O motivo de tantos elogios é simples: quanto mais alta a Selic, maior o lucro do sistema financeiro. O fato, porém, é que o choque agrícola iria naturalmente se dissipar. E isso já podia ser captado pelo IPCA (índice que mede os preços no atacado) dos alimentos e bebidas, em declínio desde o início do ano: janeiro, 1,99%; fevereiro, 1,45%; março, 1,14%; abril, 0,96%; maio, 0,31% e junho 0,04%. É importante observar o peso que têm os alimentos no cálculo da inflação. Na composição do

IPCA, os alimentos e bebidas pesam 25%. Ou seja, caso fossem excluídos do cálculo inflacionário, o acumulado dos últimos doze meses giraria em torno de 3,5%, bem abaixo, portanto, do centro da meta do Banco Central, que é de 4,5%. Essa simples constatação questiona a política de usar a Selic para controlar a inflação. Ninguém em sã consciência advoga que a Selic influencia a inflação de alimentos. Muito menos a de alimentos in natura, que dependem especialmente da oferta de produtos, sujeita a chuvas e trovoadas. Mas, novamente, o que se fez foi uma mistificação: elevar a Selic, como se a inflação fosse realmente ceder por causa disso. A inflação já vinha caindo, independente do Banco Central. E continuará caindo, porque refluíram os preços dos alimentos. O INPC de julho, inclusive, chegou a ficar negativo, acusando deflação. Mas o mercado financeiro vai tentar, mais uma vez, torcer os fatos e atribuir a responsabilidade pela queda da inflação à elevação dos juros. O estrago causado por essa malandragem sai caro ao País. Além de reduzir o ímpeto da economia como um todo, prejudicando empresas e assalariados, cada elevação de um ponto na Selic causa uma despesa adicional ao governo federal de R$ 27 bilhões. E o mercado financeiro, ardilosamente, ainda pressiona o governo, através dos seus porta vozes (em geral ex-presidentes do BC), para reduzir os gastos públicos, de forma a ter mais dinheiro para bancar o aumento das despesas com juros. Com os últimos aumentos da Selic, o rombo já chegou a R$ 34 bilhões, o equivalente a uma vez e meia o Bolsa Família, que deve atingir neste ano R$ 23 bilhões. É um verdadeiro ‘‘bolsa rentista’’, bancado com dinheiro desviado dos investimentos federais. Uma nova política econômica se impõe urgentemente para o Brasil, não mais pilotada de acordo com os interesses do mercado financeiro. Caso contrário, a parte sadia do país continuará remando para frente, mas sem sair do lugar, por causa da âncora pesada dos juros altos e do mito da austeridade fiscal. Matéria elaborada a partir do texto original de Amir Khair (Carta Maior, em 21/07/2013)

- CAMPANHAS SALARIAIS -

Dieese aponta: 95% das negociações salariais de 2012 resultaram em ganhos reais Cerca de 95% das negociações salariais que ocorreram durante o ano passado resultaram em ganhos reais, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Aproximadamente 4% das negociações conquistaram reajustes em percentual igual INPC/IBGE e apenas 1% delas tiveram reajuste inferior. O aumento real médio foi de 1,96%. A análise, feita com 704 unidades de negociação da indústria, comércio e serviços, mostrou que 2012 foi o melhor ano em termos de reajustes acima da inflação desde 1996.

Entre os setores econômicos pesquisados, a indústria foi o que teve melhor desempenho, com aumentos reais em 97,5% dos casos. Esse setor também foi o único a não apresentar reajustes abaixo da inflação. Nos três setores pesquisados, a maior parte dos reajustes se concentrou nas faixas de aumento real de até 3%. Ganhos reais acima de 3% foram observados em 14% das negociações dos serviços, 12% da indústria e 7% do comércio. O balanço das negociações no primeiro semestre de 2013 ainda não foi divulgado. Fonte: Agência Brasil, 20/03/2013

- CAMPANHAS SALARIAIS -

Resistência em conceder aumentos reais pode detonar onda de greves A resistência dos patrões em conceder reajustes acima da inflação pode detonar uma forte onda de greves no Brasil. O segundo semestre tradicionalmente é marcado por pressões conjunturais e por negociações salariais tensas, principalmente no setor industrial. A afirmação é do coordenador de relações sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre, para o qual "o atual cenário econômico dificulta as negociações, sobretudo por causa do aumento da inflação e dos juros no primeiro semestre do ano e da piora na expectativa de crescimento do país". Silvestre, no entanto, não acredita que vá haver queda significativa nos ganhos. "Na média dos resultados dos acordos no ano deverá haver recuo, mas nada muito abaixo do padrão", diz ele. Enquanto a maioria das categorias têm reivindicado ganhos reais mínimos de 5%, além de ampliação de direitos trabalhistas, em grande parte das negociações a oferta máxima dos patrões não tem chegado a 2%. Categorias apostam na mobilização A prova de fogo começa agora em agosto, com as negociações de duas das maiores e mais influentes categorias de trabalhadores: petroleiros e bancários. As duas categorias pedem reposição da inflação pelo Dieese mais ganho real de 5%. Os bancários apostam na força das ruas. "Posso garantir que a mobilização deste ano será maior do que a do ano passado, quando fechamos quase 10.000 agências. Com a sociedade mobilizada e o setor batendo recordes de lucratividade, não há motivo para recuarmos nas reivindicações", afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Carlos Cordeiro. Os petroleiros devem ter mais dificuldades, uma vez que a Petrobras enfrenta redução de caixa e tem revisto projetos para dar conta dos investimentos. "A negociação não será fácil, mas a partir do momento em que várias categorias entram nas mesas juntas, mobilizadas como nos últimos tempos, ganhamos força", diz o presidente do Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos, José Ademir da Silva. Apesar das previsões pessimistas de algumas pessoas, com o recuo consistente da inflação nos últimos quatro meses, pode ser que a situação das negociações volte à normalidade, arrisca dizer o coordenador do DIESSE, José Silvestre.


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