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Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo

www.sintetel.org sintetel@sintetel.org.br

EM REVISTA ABRIL 2010 - 8ª edição - ANO IV - TRIMESTRAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA - VENDA PROIBIDA

O Sonho virou realidade

Centrais Sindicais resgatam o princípio fundamental da 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras: a unidade. Linha Direta em Revista explica o que foi a CONCLAT

ENTREVISTA Vice-presidente do Sintetel, Gilberto Dourado, defende a ampliação da bancada sindical na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa


Siga o perfil oficial do Sintetel no

Alinhado com as novas tecnologias e aderindo de vez às mídias sociais, o Sintetel inaugurou em dezembro de 2009 o seu Twitter oficial. O mecanismo, que funciona como uma espécie de microblog da entidade, é a nova sensação da web e tem sido amplamente adotado por usuários e empresas. O maior sindicato de telecomunicações da América Latina não podia ficar de fora dessa novidade! O Twitter é mais um canal importante para a divulgação dos nossos conteúdos. Quem acessar a nossa conta irá se deparar com informações diárias sobre a instituição, além de obter dados essenciais sobre os campos da economia, política e telecomunicações no Brasil e no mundo. A ferramenta ainda permite um contato mais estreito entre a entidade e seus trabalhadores, facilitando a comunicação e a acessibilidade. Para interagir com a gente, basta seguir o nosso perfil (http://twitter.com/Sintetel). Acesse agora mesmo!

Acesse: http://twitter.com/Sintetel


ÍNDICE

EM REVISTA

Entrevista -

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“Em ano de eleição a Câmara evita votar

temas polêmicos” .....................................................................

5

Gilberto Dourado afirma que o trabalhador em telecomunicações precisa de representantes que venham do meio sindical.

Mulher - Vilão domesticado ..................................................... 8 Cuidados básicos com o corpo são importantes aliados das mulheres na luta contra o câncer de mama.

20

Balanço do mandato - Medeiros revolucionou a Secretaria do Trabalho ...................................................................................

14

Conheça o trabalho de Luiz Antônio de Medeiros, reconhecido como um dos mais eficientes Secretários de Relações do Trabalho do Ministério.

Saúde - O medo que paralisa ................................................ 16 Sentir pavor demasiado em determinadas situações pode sinalizar que temos uma doença mais comum do que imaginamos.

24

Capa - Quando os trabalhadores retomaram sua história ....... 20 Movimento sindical lembra os 30 anos da realização da 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (CONCLAT)

Fique por dentro - O novo desejo de consumo ............... 24 O iPad, lançado recentemente nos Estados Unidos, promete revolucionar o mundo da tecnologia.

Reforma -

Trabalhador com casa nova ............................

26

26

Sintetel moderniza a sede da entidade para melhor atender à categoria

Artigos

Editorias 4 Editorial

28 Notícias

10 Subsedes

30 Cultura

18 Aposentados

33 Passatempo

13 Mídias Sociais - Coluna da imprensa 32 A teoria da redução da jornada João Guilherme Vargas Netto 34 Anjo torto - Paulo Rodrigues LINHA DIRETA em revista  3


Editorial

Um marco no sindicalismo Você acaba de receber a 8ª edição de Linha Direta em Revista, ou seja, a primeira com a tiragem trimestral. Em 2010, editaremos quatro revistas com o objetivo de aprofundar informações e trazer novos temas. No dia 15 de abril deste ano o Sintetel completou 68 anos de lutas. Orgulho-me de estar à frente Almir Munhoz * deste tradicional sindicato às vésperas de seu septuagésimo aniversário. Na próxima edição, contaremos com detalhes como foi a grande festa que fizemos em comemoração ao aniversário de nossa entidade, ocorrida no dia 24 de abril. Quero chamar a atenção para a nossa matéria de capa. Vamos tratar de um assunto importantíssimo que marcou a trajetória do movimento sindical: a realização da 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras – a CONCLAT. Realizada em agosto de 1981, a Conferência foi um divisor de águas no movimento sindical que até então estava sob o jugo da ditadura militar. Vale destacar que foi por meio da primeira conferência que nasceu o embrião das centrais sindicais.

DIRETORIA DO SINTETEL Presidente: Almir Munhoz Vice-Presidente: Gilberto Rodrigues Dourado Diretoria Executiva: Cristiane do Nascimento, Fábio Oliveira da Silva, José Carlos Guicho, Joseval Barbosa da Silva e Marcos Milanez Rodrigues. Diretores Secretários: Alcides Marin Salles, Ana Maria da Silva, Aurea Meire Barrence, Germar Pereira da Silva, José Clarismunde de Oliveira Aguiar, Kátia Silvana Vasconcelos de Barros, Maria Edna Medeiros e Welton José de Araújo. Diretores Regionais: Elísio Rodrigues de Sousa, Eudes José Marques, Jorge Luiz Xavier, José Roberto da Silva, Ismar José Antonio, Genivaldo Aparecido Barrichello e Mauro Cava de Britto. Jurídico: Humberto Viviani juridico@sintetel.org.br OSLT: Paulo Rodrigues oslt@sintetel.org.br Recursos Humanos: Sergio Roberto rh@sintetel.org.br COORDENAÇÃO EDITORIAL Diretor Responsável: Almir Munhoz Jornalista Responsável: Marco Tirelli MTb 23.187 Revisão Geral: Amanda Santoro MTb 53.062

Nossa equipe de jornalistas foi ouvir companheiros que se destacaram na construção e organização daquele evento como Hugo Perez, Antonio Rogério Magri e João Guilherme Vargas Netto.

Redação: Amanda Santoro, Emilio Franco Jr. e Marco Tirelli

Às vésperas de completar 30 anos da realização da 1ª CONCLAT, o movimento sindical organiza para o próximo mês de junho uma grande conferência nacional para traçar uma plataforma unitária. Boa leitura.

Colaboradores: Antenor Braido, João Guilherme Vargas Netto, Paulo Rodrigues, Renata Sueiro e Theodora Venckus

* Almir Munhoz é presidente do Sintetel.

Diagramação: Agência Uni (www.agenciauni.com) Fotos: J. Amaro (www.jotamaro.com.br)

Impressão: Gráfica Unisind Ltda. (www.unisind.com.br) Distribuição: Sintetel Tiragem: 25.000 exemplares Periodicidade: Trimestral

Cartas Colabore com a revista. A sua opinião é muito importante para o Sintetel.

Você pode enviar as suas sugestões, opiniões e comentários para a redação de Linha Direta em Revista. Basta encaminhar um e-mail para sintetel@sintetel.org.br, ligar para (11) 3351-8892 ou mandar uma carta para o seguinte endereço: Rua Bento Freitas, 64 – Vila Buarque CEP: 01220-000 - São Paulo- SP A/C do Depto. de Comunicação

4  LINHA DIRETA em revista

Linha Direta em Revista é uma publicação do Sindicado dos Trabalhadores em Telecomunicações no Estado de São Paulo | Rua Bento Freitas, 64 Vila Buarque | 01220-000 | São Paulo SP | 11 3351-8899 www.sintetel.org | sintetel@sintetel.org.br SUBSEDES ABC: (11) 4123-8975 sintetel_abc@uol.com.br Bauru: (14) 3231-1616 sintetel_bru@uol.com.br Campinas: (19) 3236-1080 subtel.cas@terra.com.br R.Preto: (16) 3610-3015 subribeirao@sintetel.org.br Santos: (13) 3225-2422 subsede.santos@terra.com.br S.J.Rio Preto: (17) 3232-5560 sindicato.sp@terra.com.br V. Paraíba: (12) 3939-1620 sintetel_sjc@uol.com.br O Sintetel é filiado à Fenattel (Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações), à UNI (Rede Sindical Internacional) e à Força Sindical. Os artigos publicados nesta revista expressam exclusivamente a opinião de seus autores.


ENTREVISTA

“Em ano de eleição a Câmara evita votar temas polêmicos” Com base neste pensamento, Gilberto Dourado defende a eleição de representantes sindicais na Câmara para lutar pelos interesses da classe trabalhadora Amanda Santoro Gilberto Rodrigues Dourado já é figurinha carimbada no setor brasileiro de telecomunicações. Natural de Restinga, município de São Paulo, o sindicalista ganhou destaque no movimento aos 27 anos de idade, quando tornou-se delegado sindical do Sintetel. A partir daí, o dirigente não parou mais e passou a assumir importantes colocações na entidade: diretor adjunto (1987 a 1990), diretor regional de Campinas (1990 a 1993), diretor de relações sindicais (1993 a 1997), diretor financeiro (1997 a 2009) e vice-presidente (de 2009 até os dias de hoje). Mas não é apenas por sua história no Sintetel que Gilberto Dourado é reconhecido e respeitado entre as autoridades do meio. O dirigente também esteve à frente da Fenattel (Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações) e ocupa o cargo de diretor financeiro da CONTCOP (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comunicação e Publicidade). De origem simples e alinhado com as lutas trabalhistas, Gilberto Dourado conversou com Linha Direta em Revista e falou sobre a necessidade da classe trabalhadora unir-se em torno de representantes que briguem com unhas e dentes pelos seus direitos no Congresso. Confira abaixo os principais trechos da entrevista: Linha Direta em Revista: Que balanço você faz sobre a sua gestão na diretoria de finanças do Sintetel? Gilberto Dourado: Tive a oportunidade de coordenar, ao lado do presidente Almir Munhoz, a direção financeira do Sintetel pelos últimos 12 anos. Atravessamos o desafio da privatização, ampliamos nosso patrimônio e modernizamos a máquina sindical para dar conta dos enormes desafios. Capacitamos a entidade para expandir e aumentar os serviços aos associados, equipamos as subsedes em todas as regiões do Estado, intensificamos o atendimento aos aposentados e aperfeiçoamos a

LINHA DIRETA em revista  5


ENTREVISTA forma com que lidamos com a imprensa. Juntos, e com apoio de toda a diretoria, construímos o quarto maior sindicato do Estado, o maior do País no setor. LDR: No cargo de presidente da Fenattel, quais foram as suas principais realizações? GD: A minha ida à Fenattel foi mais uma tarefa traçada em conjunto com o companheiro Almir [presidente do Sintetel]. Foi na nossa gestão que a Federação se consolidou como referência na luta dos trabalhadores em todo País, realizando inclusive dois congressos históricos, quando traçamos a meta de reunificar a categoria no Brasil. Cumprimos isso. A Fenattel hoje é referência no movimento sindical pois une sindicatos filiados as três maiores centrais. Estamos na

“Construímos o quarto maior sindicato do Estado, o maior do país no setor”

GD: Não gosto de falar de mim mesmo. Posso resumir pelo que as pessoas falam a meu respeito: sou companheiro dos companheiros, amigo dedicado e solidário aos problemas de todos que mais necessitam, não como uma conduta falsa, mas pela educação que recebi dos meus pais de ser honesto, solidário e dedicado às pessoas. Na luta sindical e política há uns 25 anos, não tenho inimigos e até adversários me respeitam. Isso me levou a ser indicado a concorrer a uma cadeira na Câmara dos Vereadores de São João da Boa Vista, onde ocupo o cargo de 1º suplente. Essa participação justifica-se porque os trabalhadores têm que ocupar espaços onde as

Gilberto Dourado marcou presença na greve dos trabalhadores da Tivit

mesma luta com sindicatos da Força Sindical, da CUT e da UGT. Buscamos a unificação das datas-base, os acordos dos setores das operadoras fixas, móveis e prestadoras (pessoal da rede externa e interna), além dos call centers que caminham rumo a Convenções Coletivas que acabem com as diferenças de salário para pessoas que trabalham para os mesmos patrões. Nessa mesma linha, a nossa categoria ocupa seu espaço nacional na CONTCOP (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Comunicação e Publicidade), entidade em que assumi a direção financeira. Quero destacar que nestes doze anos, dirigindo a área financeira das maiores entidades sindicais do País, todas as contas de todos os exercícios sempre foram aprovadas sem qualquer restrição. LDR: Além da sua atuação sindi6  LINHA DIRETA em revista

cal, qual outro tipo de trabalho você realiza em São João da Boa Vista, cidade em que reside?

leis e as regras do jogo são feitas, e é lá que também temos de lutar por mais distribuição de renda e ajuda do Estado aos que mais precisam de apoio. LDR: Qual a importância de inserção do movimento sindical na vida política? GD: É como disse antes. Veja que o movimento sindical amadureceu, tornou-se responsável pela melhoria da vida do povo brasileiro, primeiro com greves e lutas, depois com negociações e acordos, e quando o presidente Lula assumiu a presidência, colocou em prática tudo aquilo pelo que o movimento sindical sempre lutou. E para isso teve de usar sua experiência de negociador sindical para ter maioria no Congresso, para ter apoio dos empresários, para defender o emprego e o mercado interno. O movi-

mento sindical sempre defendeu que a distribuição mais justa da riqueza iria ajudar as empresas a vender mais, para isso, teria de contratar mais, produzir mais, e o ciclo de prosperidade e crescimento seria inevitável. O Brasil melhorou com um companheiro sindicalista na presidência. Sempre disseram que se o salário mínimo superasse os 100 dólares, as prefeituras iriam quebrar, as empresas iriam falir, que iria faltar feijão e arroz, e lutamos décadas para mostrar que isso tudo não era verdade. Chegamos hoje a um salário mínimo de mais de 230 dólares e o que aconteceu? O Brasil melhorou, saiu da crise mundial mais forte, e é por isso que os trabalhadores têm de ocupar cargos na política. LDR: Quais são os desafios de uma campanha política? GD: Fazer valer a autoconfiança e a autoestima do trabalhador para que ele acredite em sua força, em sua capacidade de mudar as situações que o incomodam no dia a dia. Trabalhador unido deve assumir como sua a tarefa de ter seu representante direto nas Assembleias Legislativas, na Câmara Federal, no Senado e no Governo, apoiando a continuidade de todos avanços que tivemos nesses sete anos. LDR: Que conquistas os trabalhadores podem ter com a formação de uma bancada sindical forte tanto no Congresso como na Assembleia paulista? GD: No Congresso, a bancada sindical hoje é de 10% do plenário. A sustentação política de um Governo progressista passa pela eleição de parlamentares comprometidos com a continuidade deste programa para o Brasil. Um deputado federal sindicalista tem grandes tarefas como a revogação do fator previdenciário, a legislação de fortalecimento dos sindicatos e também o apoio às políticas sociais de distribuição de renda, de geração de emprego e de qualificação profissional. Já na Assembleia Legislativa do Estado temos que batalhar por políticas de saúde do trabalhador, reestruturar a Secretaria do Trabalho e


ENTREVISTA Emprego, fazer projetos que protejam a saúde da mulher, além de sermos um canal de representação direta junto ao governador. Nestes últimos 12 anos, a política do governo estadual praticamente diluiu a representação sindical em suas decisões tributárias, na política de emprego e renda. A Assembleia Legislativa praticamente não conta hoje com deputados dos trabalhadores. LDR: Como o setor das telecomunicações pode colaborar para o aumento de conquistas do movimento sindical? GD: Com as tecnologias de comunicação que operamos e que podem ajudar na organização de todos os trabalhadores, fazendo valer uma política de internet de banda larga para todos. A meta é expandir o serviço a todas as categorias, inclusive as do funcionalismo público, dos servidores das universidades, da Educação e dos policiais militares. LDR: O que o movimento sindical pode esperar para este ano de eleições? GD: A nossa luta central hoje é pela aprovação da jornada de 40 horas sem redução salarial e pela reforma da previdência. Estas foram as razões das recentes marchas unitárias das centrais sindicais à Brasília, mas sabemos que em ano de eleição a Câmara evita votar temas polêmicos. O que necessitamos é um programa permanente para eleger políticos comprometidos com as questões éticas e sociais. LDR: Em sua opinião, quais são as medidas mais urgentes que a nossa classe política deveria adotar para melhorar a vida do trabalhador brasileiro? GD: Como já disse, muita coisa tem sido feita e quero destacar a valorização do sal��rio mínimo, que deverá continuar nos próximos anos repondo a inflação e acrescendo 80% do crescimento do PIB nacional. Essa política salarial do Mínimo, na minha opinião, deve balizar acordos e negociações. Mas temos que reduzir a jornada para 40 horas sem reduzir salários, temos

que garantir aumento das aposentadorias e pensões pelo mesmo critério dos ativos – não dá para castigar quem já se aposentou, e com a economia crescendo, junto com o combate à sonegação, o INSS recupera seu caixa. Para cada real recolhido aos caixas, mais de dois são sonegados, e aí tem de se reduzir a informalidade. No Estado, o governo estadual tem de reativar e recuperar a Secretaria do Trabalho, dando a ela participação na formulação de políticas de emprego. São Paulo tem perdido empresas para outros estados e os empregos saem daqui para aparecer em outros locais.

“Trabalhador unido deve assumir como sua a tarefa de ter seu representante direto nas Assembleias Legislativas, na Câmara Federal, no Senado e no Governo” Há necessidade ainda de continuar as políticas de renda mínima, devem ser adotadas medidas como fez o Governo Federal para que pessoas com menos renda possam participar de programas de financiamento de habitação. Uma das áreas onde hoje o movimento sindical pouco influenciou é onde se acumulam problemas para a vida do trabalhador, que é a saúde pública e o saneamento básico. LDR: Conte como foi realizar, em 1997, o trabalho de gabinete em gabinete em Brasília para defender o Sistema Telebrás da privatização.

GD: Acumulamos muita experiência de como as coisas do nosso interesse tramitam por lá. Na época, quando a privatização ficou inevitável, pois era uma onda do fim dos anos 80 na Europa, nosso sindicato propôs, em vez de apenas ser contra, uma política de concessões para as operadoras sem precisar vender nosso patrimônio, o que manteria um controle do Estado. Fizemos esse trabalho de gabinete em gabinete e recolhemos 173 assinaturas de deputados a favor de uma alternativa de LGT (Lei Geral das Telecomunicações). Esse crescimento surpreendeu e fez com que o então Ministro das Comunicações, Sergio Motta, procurasse-nos para afirmar que “filosoficamente até concordava com a concessão, mas haveria a venda” e foi aí que ele cunhou a expressão: “vamos passar o trator”. Isso nos aproximou da nova realidade de mercado que iria surgir e que foi dolorosa para os trabalhadores, principalmente da rede externa, porque de um dia para outro todas as conquistas de décadas anteriores foram zeradas e eles perderam tudo. Dezenas de milhares de novos empregos surgiram, é verdade, mas uma espécie de subemprego. Nossa luta no Sindicato fez com que ano a ano recuperássemos parte do que foi perdido e hoje nós temos uma Convenção Coletiva que devolveu questões e direitos básicos, mas falta recuperar os salários. LDR: Em 2010 chegam ao fim os mandatos de deputados e alguns senadores. Qual a sua avaliação sobre a atuação dos parlamentares em relação às questões que dizem respeito à classe trabalhadora? GD: As boas iniciativas em prol dos trabalhadores partiram do Executivo ou de ações políticas de fora para dentro do Congresso, como foi a política de enfrentamento da crise mundial arquitetada pelas centrais sindicais e que, pela mão de deputados ligados ao movimento sindical, repercutiu dentro do Congresso. Outras iniciativas (como o projeto de deputados do Rio e da Bahia de regulamentação da atividade do teleatendimento) avançaram nas comissões, mas ainda não chegaram ao Plenário. LINHA DIRETA em revista  7


MULHER

Vilão Domesticado Exames periódicos e cuidados básicos com o corpo são importantes aliados das mulheres na luta contra o câncer de mama Emilio Franco Jr. O corpo humano é formado por milhões de células que, no decorrer da vida, reproduzem-se em um processo chamado divisão celular. Normalmente, isso ocorre de forma ordenada para fazer com que os tecidos saudáveis do corpo sigam seu ciclo natural de formação, crescimento e regeneração. É dessa maneira que o organismo costuma trabalhar, entretanto, existem situações nas quais esse processo sofre uma alteração, chamada metamorfose das células, e a reprodução ocorre de maneira desordenada. Quando isso acontece, as células deixam de conter seu próprio crescimento e multiplicam-se muito rapidamente sem nenhum tipo de controle, o que gera a produção excessiva dos tecidos do corpo, resultando assim na formação de tumores, que podem ser benignos ou malignos. O primeiro tipo é o menos agressivo e ocorre quando as células crescem lentamente e de forma diferenciada, mas semelhantes às do tecido normal. Mesmo assim, por se tratar de uma anomalia, deve ser encarado com seriedade, já que, com o tempo, pode se tornar do tipo maligno e, por consequência, ser mais agressivo ao corpo. Na maioria dos casos benignos, o tumor pode ser removido totalmente por meio de cirurgia. Por sua vez, os tumores malignos são aqueles conhecidos como câncer, que é quando as células se reproduzem rapidamente, com aspectos diferenciados e com capacidade de invadir estruturas próximas e se espalhar por diversas regiões do organismo. Por se expandir além do tamanho natural, as células cancerosas ocupam os espaços das saudáveis, sufocando-as e destruindo-as. Foi isso que aconteceu com Ana Maria Teixeira, de 46 anos. A brasileira que há mais de 17 anos reside na cidade norte-americana de Austin, capital do Texas, descobriu uma anomalia em seu seio direito ao realizar o autoconhecimento da mama, antigamente conhecido como autoexame. Ana Maria conta que sentiu um caroço bem pequeno em seu seio, mas ficou tranquila por acreditar que se tratava de uma simples displasia decorrente do ciclo menstrual. “Na época, nem imaginei que poderia ser algo mais sério”, confidencia. Ana só percebeu a gravidade da situação três meses depois, quando sentiu dores ao fazer novamente o autoconhecimento e notou que aquele pequeno caroço tinha se tornado uma placa dura, de aproximadamente 2 cm de diâmetro. Assustada, ela resolveu procurar um médico e rapidamente fez exames de mamografia e ultrassonografia, que acabaram por confirmar que a placa identificada anteriormente era um tumor 8  LINHA DIRETA em revista

maligno, ou seja, câncer de mama. “Nesse momento minha vida mudou por completo”, conta. Após a realização de novos exames, o médico optou pela cirurgia e definiu o tratamento a base de quimioterapia. São vários os tipos de câncer de mama. No caso de Ana Maria, a notícia não foi boa. Seu tumor era o mais agressivo da doença, reproduzindose, assim, muito mais rápido. Entretanto, existe uma medicação específica para esse tumor que aliado à quimioterapia aumenta a eficácia do tratamento. Apesar do baque oriundo desse diagnóstico, a primeira boa notícia logo apareceu: os testes apontaram que o câncer não havia invadido o sistema linfático, logo, não havia a chamada metástase, que é a ramificação do tumor original para outras partes do organismo. O câncer é uma doença que além de trazer consequências físicas decorrentes da quimioterapia como perda capilar e enjoos cons-


MULHER tantes, também afeta o psicológico. “Você acorda e ao se olhar no espelho, vê uma pessoa completamente diferente”, conta Ana. “Tudo vira de cabeça para baixo ao lidar com a questão da vida ou da morte”, afirma. Para ela, um dos momentos mais difíceis era quando batia a preocupação com a família, já que o marido e o filho de apenas nove anos inevitavelmente se envolveram no processo. “Eu me sentia com a responsabilidade de não deixá-los tristes”, conta. “Mesmo assim, eles estiveram comigo em todos os instantes”. Luciana Holtz, do Instituto Oncoguia, organização não-governamental de auxílio a pacientes com câncer, conta que o autoconhecimento das mamas nunca deve ser deixado de lado e explica a importância deste processo. “A mulher deve fazer o autoconhecimento todos os meses, não com o objetivo de diagnosticar alterações na mama, mas com o intuito de conhecer o seu corpo”, explica. Essa é uma forma de perceber o estado de normalidade dos seios, o que pode acender o sinal de alerta em casos de alterações. Se perceber algo anormal, a procura por um médico deve ser rápida. “O câncer, se for diagnosticado cedo, possui 95% de chances de cura”, conta Luciana. Após os 40 anos de idade, a preocupação deve ser ainda maior. Além do recomendado autoconhecimento, os exames ginecológicos e o exame pélvico devem ser feitos anualmente, assim como a mamografia. Estudos apontam que o autoconhecimento não é eficiente como ação isolada para o diagnóstico, devendo sempre ser acompanhado por exames realizados por médicos especialistas. Pesquisas científicas recentes comprovaram que, aproximadamente, um terço das mortes causadas pela doença está relacionado a hábitos de vida não-saudáveis, como o consumo de tabaco, álcool em excesso e dietas ricas em gorduras. Luciana Holtz ainda alerta que a prática de atividades físicas é um poderoso aliado contra o câncer e que para manter a mama saudável é necessário conhecer o histórico da doença na família, ir ao ginecologista anualmente e fazer o autoconhecimento todos os meses. Esses cuidados são formas de tentar mudar a dura realidade, já que atualmente o câncer de mama é a doença que mais afeta as mulheres. No Brasil, só para 2010 são esperados 50 mil novos casos. Entretanto, o câncer já é considerado, em termos estatísticos, a doença crônica mais curável. Em países desenvolvidos, cerca de 50% dos casos são curados. Por aqui, este número só é menor porque muitas vezes o diagnóstico acontece tardiamente. O exame de mamografia é responsável pela diminuição de 30% dos casos de morte em mulheres acima dos 50 anos. Para Ana Maria o autoconhecimento foi fundamental para perceber diferenças em seu corpo e, consequentemente, realizar os exames necessários. Ela afirma que o tratamento é agressivo e que ainda fará parte de sua vida por mais um tempo. Um dos remédios, por exemplo, deve ser ingerido pelos próximos cinco anos, mas isso não tira o seu ânimo. “Passou rápido o tratamento de seis meses, tive médicos e enfermeiras atenciosos e apoio de familiares e amigos”, conta. “Quando me pediram para escrever

Ana Maria Teixeira desconfiou da doença após realizar o autoconhecimento de seu corpo

sobre minha experiência com a doença fiquei feliz, coincidiu com minha última sessão de quimioterapia. Hoje estou feliz, muito feliz”, conclui.

Com o intuito de ampliar a conscientização sobre essa doença, a comemoração do Sintetel ao Dia Internacional da Mulher adotou a enfermidade como tema principal. Realizado em março, tanto na capital paulista quanto no interior, o evento de 2010 trouxe como foco a saúde da mulher, enfatizando hábitos que podem auxiliar na manutenção de uma vida saudável. Além disso, especialistas em câncer de mama participaram de um debate conscientizador, no qual conversaram abertamente sobre a doença, além de sanarem as dúvidas vindas da plateia. LINHA DIRETA em revista  9


SUBSEDES

Call centers descem a serra Saiba um pouco mais sobre a região litorânea que abriga a segunda regional mais antiga do Sintetel Amanda Santoro

O município de Santos fecha com chave de ouro o ciclo de apresentações das subsedes do Sintetel. Localizada a 72 quilômetros da capital e ocupando 749 km² de área, a maior cidade do litoral paulista é conhecida por abrigar o mais expressivo complexo portuário da América Latina. Com um PIB invejável de R$ 19.705 bilhões, o que garante à cidade um dos maiores índices do País, o município centrou as suas atividades econômicas na venda do café durante um período considerável da sua existência. Como resultado direto das atividades cafeeiras, o centro da cidade abriga desde 1922 a Bolsa Oficial do Café, que foi transformada em museu como forma de preservar a história da região. Com sete quilômetros de praias, Santos ainda detém o recorde de maior extensão mundial de jardim frontal de orla – cartão postal da cidade que tanto orgulha os seus 420 mil habitantes. Possuidor de uma população majoritariamente idosa, o município é um dos destinos prediletos para quem procura paz e sossego na terceira idade, aparecendo no sexto lugar da lista de municípios brasileiros com melhor pontuação de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). 10  LINHA DIRETA em revista

Nos últimos anos, Santos tem se destacado também como importante ponto de apoio a grandes cruzeiros, fato que contribui com o turismo local. Os cargueiros de mercadorias revezam espaço com os luxuosos navios de passeio, evidenciando a dicotomia do cais que atrai os olhares perdidos daqueles que passeiam pela orla da cidade.

História O surgimento do município de Santos está diretamente relacionado à chegada dos primeiros fidalgos portugueses em nosso País liderados pelo expedicionário Martim Afonso de Souza (fundador da Vila de São Vicente, que anos depois seria apontada como a primeira cidade brasileira). Já em nosso solo, o colonizador resolveu repartir entre os seus compatriotas as terras das redondezas. Brás Cubas foi um dos fidalgos agraciados com porções do nosso território, tornando-se um bem sucedido cultivador de cana-de-açúcar graças às favoráveis condições físicas e climáticas apresentadas pelo seu “regalo”. Com os negócios a todo vapor, Brás Cubas fixou-se na região


SUBSEDES com a família e agregados. Em 1535, as suas terras destacavam-se como um núcleo particular da Ilha de São Vicente. O povoamento da região – uma das mais antigas de todo o País – começou por volta de 1540, mas foi só três anos depois, em 1543, com a criação da Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, que o povoado ganhou a sua fundação oficial. Naquela época, a região era conhecida apenas por “Porto” e, em 1545, Brás Cubas transformou-se em seu Capitão-Mor. A nomenclatura definitiva só foi conseguida em 1546, quando a região foi elevada à categoria de vila por decreto da Carta Régia. O porto de Santos sempre atuou como uma porta de entrada e saída dos produtos comercializados entre a metrópole e a colônia. Naquela época, apesar de apresentar atividades bastante reduzidas, o porto transformou-se no coração do vilarejo que o cercava, adquirindo características opostas às de São Vicente, que começava a declinar economicamente. Dentre os produtos que mais impulsionaram as atividades portuárias, o café aparece como o seu principal expoente. A partir deste momento, Santos – assim como o seu município vizinho – passou por um período de estagnação que só foi superado cerca de 200 anos depois com a construção de canais sanitários e de uma estrada de ferro que ligava o porto ao continente. Em 26 de janeiro de 1839, Santos é elevada à categoria de cidade. A autonomia política do município foi cassada em 1969, sendo recuperada em 2 de agosto de 1983.

Telecomunicações na Baixada Santista e mudança de cenário A área de telecomunicações na região está estruturada em cinco segmentos/empresas, abrangendo cerca de três mil trabalhadores: Estação Engenharia, Telefônica, Icatel, Atento Brasil (Sera) e telefonistas espalhadas por diversas companhias. “Um call center da Atento está vindo para cá e temos a perspectiva de gerar 2.500 ocupações. É um novo fôlego para a economia local, permitindo que fixemos a mão de obra na cidade”, afirmou Genivaldo Barrichello, diretor regional da subsede de Santos. “A expectativa é que outras empresas também instalem seus call centers na região como forma de aplacar essa mão de obra jovem e mal aproveitada”, acrescenta. Se, conforme as perspectivas, a vinda de um call center realmente vingar no município, novas oportunidades empregatícias serão abertas, pois a atividade acontece de forma bastante tímida no litoral paulista. “Existem pequenos PAs dentro de algumas empresas, mas o número de trabalhadores se limita a meia dúzia. Esses funcionários, inclusive, acabam sendo representados por outros sindicatos que não são responsáveis pela área”, completa Barrichello. A preocupação do diretor regional vai ao encontro dos dados levantados nas últimas pesquisas estatísticas, que mostram o

Diretor regional Genivaldo Barrichello entrega jornais e faz trabalho de base no canteiro da Estação Engenharia

maior crescimento da população idosa quando comparado a outras faixas etárias. Com bons índices de qualidade de vida, Santos tornou-se refúgio para muitos aposentados que querem levar uma vida saudável após anos de trabalho. Os jovens, em contrapartida, acabam deixando a região em busca de melhores condições de mercado e emprego. São Paulo e Grande ABC são alguns dos destinos mais procurados. “O nosso maior empregador era o porto, mas, com a privatização, somente a mão de obra técnica tem sido procurada para a manipulação do maquinário. O que nos resta é viver do comércio e do turismo, sendo este último bem mal utilizado nos últimos tempos”, pontuou Barrichello. Para o diretor regional, o município ainda não sabe aproveitar o enorme número de turistas oriundos dos cruzeiros que chegam periodicamente ao porto da cidade, usufruindo muito pouco desta estrutura com potencial de gerar riqueza.

Rotina da subsede Com expediente que começa às 8h30 e só se encerra às 17h30, a subsede desempenha uma série de tarefas esquematizadas: entrega de jornais e de boletins específicos durante a semana, além dos trabalhos voltados para o treinamento da mão de obra (destacando-se nesta área a parceria de longa data com o Instituto Monitor). Ainda sobre a qualificação profissional, a equipe da subsede buscou uma parceria inédita com a prefeitura para a realização de um curso de instrução à atividade de teleatendimento. “A nossa maior preocupação é não perder essas vagas que se abrem [da Atento] para pessoas de outras regiões”, afirmou Genivaldo Barrichello. “Precisamos qualificar os jovens da Baixada Santista para que eles tenham condições de desempenhar as atividades dos call centers, contribuindo com a amenização do êxodo da mão de obra. Não basta criar empregos, temos que ocupá-los”, pontuou o diretor regional. LINHA DIRETA em revista  11


SUBSEDES

Barraca do Sintetel na praia Desde janeiro de 2008, os associados do Sintetel têm um motivo adicional para frequentar o Canal 1 de Santos. Tentando promover momentos de lazer, a barraca do Sintetel está à disposição de sócios, familiares e amigos que desejam bater um papo, comer ótimas porções e beber algo gelado. A estrutura, que também é aberta ao público, traz algumas facilidades para os sócios: quem mostrar a carteirinha de filiação ao Sintetel ganha 30% de desconto na consumação de comidas e bebidas, além de garantir preferência para o uso de cadeiras e guarda-sóis. A subsede de Santos também promove campeonatos de futebol, vôlei e tamboréu para entreter aqueles que procurarem a estrutura do local. A barraca do Sintetel fica aberta aos sábados, domingos e feriados, e aceita agendamento para confraternizações, aniversários e eventos diversos.

Equipe Sintetel: Dona Tereza (responsável pela limpeza), Fernanda Lorenço (secretária), Sidney Ornellas (aposentado em atividade), André Luiz (auxiliar da diretoria) e Genivaldo Barrichello (diretor regional)

Quem é o responsável pela subsede? O palmeirense convicto Genivaldo Aparecido Barrichello nasceu em 27 de fevereiro de 1959, na cidade de São Paulo (SP). Ingressou na Telesp de São Vicente aos 19 anos como Coletor de TP. É filiado ao Sintetel desde março de 1981. Sua primeira atuação sindical ocorreu em 1989, quando foi delegado do Sindicato. Com uma formação embasada no socialismo, Barrichello foi eleito em 1995 para a diretoria da entidade. Foi reeleito nas três últimas gestões, antes como diretor regional do litoral paulista e Vale do Ribeira, e agora como diretor regional de Santos. Em 2009, junto com a companheira Maria Edna Medeiros, foi eleito diretor nacional da Força Sindical. Também atua no Conselho Sindical Regional da Baixada Santista e Vale do Ribeira.

Subsede da Baixada Santista Atendimento das 8h30 às 17h30, de segunda à sexta-feira

Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 530 – Vila Belmiro – Santos – SP – Cep: 11070-102 Telefones: (13) 3225-2422 (13) 3225-2556 Email: sintetel.santos@terra.com.br A regional abrange 17 cidades (de Bertioga até Cajati, no Vale do Ribeira), 4 empresas e 3 mil trabalhadores

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IMPRENSA

Mídias sociais: vovozinha, Chapeuzinho ou lobo mau? Amanda Santoro

Pode parecer recente aos olhos da grande maioria, mas as mídias sociais sempre estiveram aí. A grande diferença é que elas nunca foram tão interessantes como agora aos propósitos das corporações, fato que se relaciona diretamente à visibilidade adquirida nos últimos tempos. A “novidade” também chegou com certo atraso ao Brasil – e as estratégias de como utilizá-las demoraram mais ainda a aparecer –, fazendo com que a sua explosão tardia convergisse para um mesmo ponto de encontro. Para entendermos as implicações deste “monstro”, precisamos compreender o conceito embutido na sua nomenclatura – uma tradução literal de “social media”, termo originalmente utilizado na língua inglesa. Aqui, pelo menos, não existe bicho de sete cabeças: trata-se apenas de aplicações de internet voltadas para a disseminação de conteúdo, produzidas POR um grande número de pessoas e PARA um grande número de pessoas. Texto, áudio, imagem e vídeo distribuído tudo junto, com uma rapidez nunca vista antes graças à falta de coordenação editorial. É a etapa mais recente da interação entre os campos da tecnologia e da informação. Simples assim. É interessante vermos como de tempos em tempos as pessoas teimam em achar que uma ciência veio para suplantar outra, como se não existisse um período de transição e, tampouco, uma fase de adaptação para todos os envolvidos – inclusive para as já “ultrapassadas” ferramentas. Diziam que a televisão acabaria com o rádio, que a internet marcaria o fim dos impressos e, agora, é comum escutarmos que as mídias sociais aniquilarão o jornalismo. O que a história nos ensinou até o presente momento? Como bem sabemos, o rádio tornou-se o principal meio de propagação nos carros – e lá ele é imbatível –, despontando também no gosto das donas de casa durante os seus afazeres rotineiros. A tiragem dos jornais e revistas caiu, fato incontestável, mas o crescimento da sua credibilidade parece ser inversamente proporcional à diminuição do número de exemplares distribuídos. O jornalismo não acabará e as mídias sociais não representam o lobo mau à espreita da Chapeuzinho Vermelho. Assim como a história vem nos ensinando, nós nos adaptaremos. Orkut, Twitter, Facebook, MySpace, Flickr, Youtube, Sonico, Wikipedia, blogs... quantas dessas mídias sociais você acessa diariamente? Somos seres humanos, seres sociais, e esse novo conceito converge com o que há de mais intrínseco na nossa natureza. Nós, jornalistas e entusiastas da comunicação, temos o dever de acompanhar de perto essas mudanças que acontecem bem debaixo do nosso nariz. Sabe o que reparei nos últimos tempos? A explosão de uma profissão que há pouco não existia: o analista de mídias sociais. E tem faculdade para quem quer seguir na carreira? Não. O profissional a que me refiro nada mais é do que o antigo “fuçador”, um cara antenado com as novas tecnologias e viciado em leitura. É o famoso nerd tecnológico, o geek, que na maioria das vezes está ligado ao mundo da comunicação, mas que adquiriu a sua especialização com a prática cotidiana. Isso tudo são conjecturas, não regras fixas, mas involuntariamente apontam para uma direção única: as mídias sociais (e seus analistas), assim como o jornalismo (e seus jornalistas), caminham para uma realidade de comunicação ampliada feita por especialistas e pessoas comuns. Este novo contexto abre espaço para uma benéfica integração generalizada, que pode parecer ameaçadora em um primeiro momento – e, de fato, é. Analisando sob esse prisma, admitamos, um diploma não é o mais importante – por mais que o departamento de comunicação defenda fervorosamente o certificado para o cumprimento da nossa profissão. O medo das mídias sociais – e a disseminação desse medo – vem dos próprios jornalistas, e isso fica bastante evidente quando lemos um texto que parece não bater com a realidade assimilada pela população. LINHA DIRETA em revista  13


BALANÇO DO MANDATO

Medeiros revolucionou a Secretaria do Trabalho Em quase quatro anos ocupando o cargo, Medeiros já é conhecido como um dos mais eficientes Secretários de Relações do Trabalho do Ministério Antenor Braido A convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luiz Antônio de Medeiros assumiu a Secretaria Nacional de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego em fevereiro de 2007, mesmo ano em que Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, tornou-se o ministro da pasta. Medeiros já havia se destacado anteriormente em seus dois mandatos como deputado federal, cargo que proporcionou a ele presidir a bem-sucedida CPI da Pirataria. Com a confiança do novo ministro, Medeiros participou diretamente de diversas iniciativas que acabaram por ampliar os direitos dos trabalhadores, como o fortalecimento dos sindicatos nas negociações coletivas, aumento da transparência para as entidades sindicais e aprimoramento dos dados referentes ao universo sindical. Essas medidas deram maior visibilidade à Secretaria. Em quase quatro anos como Secretário do Trabalho, Medeiros instituiu a política de “portas abertas”, que proporcionou atendimento rápido, desburocratizado e eficiente aos sindicatos e outras entidades de todo o País. Com mais de quatro mil atendimentos,

a Secretaria se transformou em um canal direto de comunicação, facilitando a resolução de pendências e a aprovação de novas entidades no âmbito do Executivo federal. Atualmente, Medeiros é amplamente reconhecido pelas entidades representativas dos trabalhadores, profissionais liberais e empregadores como um dos mais eficientes Secretários de Relações do Trabalho. Esse reconhecimento surgiu após a adoção de medidas coordenadas por Medeiros frente à Secretaria, como é o caso da regulamentação do trabalho aos domingos no comércio, do reconhecimento das centrais sindicais e das entidades sindicais dos aposentados e pensionistas, da representação dos trabalhadores em todos os conselhos, do sistema mediador, projeto Homolognet e Portaria 186. Conheça a seguir cada uma dessas ações coordenadas por Medeiros na Secretaria: Regulamentação do trabalho aos domingos no comércio: Acordo entre comerciários e empregadores - coordenado pelo Ministério do Trabalho - deu ao trabalhador do setor uma folga a cada dois domingos trabalhados. Isto quer dizer que dos 56 domingos do ano, os comerciários ganharam o direito de folgar em 18, pelo menos. Antes, tinham que trabalhar três domingos seguidos para ganhar uma folga. Com a regulamentação, que começou a vigorar em 2000, bonificações, horas-extras, vale-refeição, valetransporte e outros benefícios passaram a ser definidos nas convenções coletivas de trabalho entre sindicatos e comerciantes. Vale lembrar que o acordo beneficia mais de 10 milhões de comerciários do País, além de abrir a possibilidade de mais oportunidades de emprego no setor. Reconhecimento das centrais sindicais: A Secretaria de Relações do Trabalho teve atuação decisiva na montagem da Lei 11.648, de 31 de março, sancionada pelo presidente Lula. Antes dela, as centrais sindicais não eram reconhecidas legalmente, já que o modelo constitucional brasileiro não previa sua atuação como parte da estrutura sindical. Assim sendo, não podiam representar os trabalhadores na Justiça e nem entrar no Supremo Tribunal Federal com ADINS – Ações Diretas de Inconstitucionalidade – e ficavam formalmente de fora dos fóruns de discussão, entre outros impedimentos. A lei reconheceu a importância das centrais sindicais na defesa dos diretos dos trabalhadores, na formulação de políticas

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BALANÇO DO MANDATO

públicas e na participação de diferentes fóruns nacionais e internacionais. Reconhecimento das entidades sindicais dos aposentados e pensionistas: Foi também de Medeiros o ato que possibilitou o reconhecimento formal dos sindicatos representativos dos aposentados e pensionistas, importante instrumento de organização e luta de milhões de pessoas, no campo e nas cidades, por uma vida mais digna e decente.

material para pesquisas acadêmicas. Além de unificar o registro das convenções e dos acordos depositados em todas as Delegacias Regionais do Trabalho – processo que levava de dois a três meses, agora dura de um a dez dias. O Sistema Mediador também reduz a burocracia e gastos com papel.

Representação dos trabalhadores em todos os conselhos: Hoje os trabalhadores estão representados nos conselhos mais importantes, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), Previdência Social, e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Projeto Homolognet: Outra ação do Ministério conduzida por Medeiros é a implantação do Homolognet, sistema eletrônico que permite calcular as rescisões de contrato de trabalho realizadas em todo o País, com o objetivo de resguardar os direitos dos trabalhadores, frequentemente violados no ato da dispensa. Com isso, foi criado um padrão de cálculo da rescisão, desafogando a Justiça do Trabalho, reduzindo as fraudes no seguro-desemprego e FGTS, além de diminuir o custo Brasil.

Sistema Mediador: O Ministério do Trabalho lançou, em agosto de 2007, o Projeto Mediador, programa inédito que concentra todas as convenções e acordos coletivos de trabalho em um único sistema eletrônico. Esse mecanismo permite acesso via Internet aos acordos firmados pelas entidades sindicais de todo o País, garantindo a transparência, além de democratizar as informações. Numa simples clicada, o trabalhador pode saber qual o piso salarial de determinada categoria, todos os direitos e todos os benefícios acordados nas negociações. O sistema também oferece informações para órgãos como a Justiça do Trabalho e rico

Portaria 186: Publicada pelo Ministério do Trabalho em 10 de abril de 2008, a portaria fixa as normas sobre o registro sindical e as alterações estatuárias das entidades. Permite ainda a organização de um cadastro sindical eficiente, possibilitando a qualquer cidadão consultar informações sobre os sindicatos, sua base territorial, diretoria e outros dados. Por fim, a portaria é mais um instrumento para fortalecer os sindicatos e a representatividade deles, coibindo a criação de entidades sem representatividade legal, os chamados “sindicatos de gaveta”. Privilegia a liberdade sindical sem violar a unidade garantida pela Constituição. LINHA DIRETA em revista  15


SAÚDE

O medo que paralisa Sentir pavor demasiado em determinadas situações pode sinalizar uma doença mais comum do que se imagina Emilio Franco Jr. Sentir medo excessivo, persistente e sem sentido real em relação a situações, pessoas, objetos e animais, além de não ser comum, pode ser sinal de um conhecido tipo de distúrbio de ansiedade, a fobia. Pessoas acometidas por esse sentimento evitam fazer atividades comuns do cotidiano por receio anormal de que algo muito ruim aconteça ou, em alguns casos, enfrentam o sentimento fóbico com dose desproporcional de ansiedade e angústia. A grande questão no tratamento dessa doença é que as fobias são específicas e limitadas, o que leva a um maior ou menor grau de sofrimento. Por exemplo, alguém que sofre de aracnofobia – medo de aranhas – não enfrenta problemas em sua rotina, já que esse pavor exagerado só aparece diante da situação na qual a pessoa se vê em risco, nesse caso, quando tiver algum tipo de contato com aranhas. Assim, basta a pessoa evitar seu objeto de temor que nada sentirá. Contudo, nem sempre as fobias são simples e alguns tipos causam dificuldades no dia a dia. Para uma pessoa com claustrofobia – medo de lugares fechados –, por exemplo, pode ser inevitável sentimentos como falta de ar e ataques de tensão quando há a necessidade de usar o elevador ou um banheiro público pequeno. Casos como esse exigem alterações no cotidiano, exatamente o que ocorreu com Carlos José Coltri, de 36 anos, que sofreu bastante por conta de fobias generalizadas. Seu caso foi grave, e o distúrbio de ansiedade causador da fobia evoluiu para o quadro de síndrome do pânico. “Tinha receio da violência, o que fez desenvolver em mim uma fobia social”, explica. “Tinha medo das pessoas, parecia que todas iriam me roubar ou assassinar”, conta. “Demorei oito meses para sair de casa sozinho”, confessa. Em casos assim, a fobia pode afetar profissionalmente a pessoa ao causar desgastes em seu local de trabalho. Carlos conta que enfrentou problemas no emprego e também perdeu amigos. “O pior de tudo é o isolamento. Fui prejudicado por não querer manter nenhum tipo de relação pessoal ou profissional com outras pessoas”. E é esse tipo de comportamento que o psicanalista e psiquiatra Durval Mazzei Nogueira Filho, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, aponta como inadequado. Ele explica que alguém com fobia tem de enfrentar ao máximo seus medos, evitando fazer, justamente, o que fez Carlos, que usou o isolamento como refúgio. “As fobias devem ser enfrentadas. Em circunstâncias muito particulares, o sujeito 16  LINHA DIRETA em revista


SAÚDE afirma não poder sair de casa nem para o trabalho, nem para o lazer”, explica. “Por isso, a pessoa deve ser estimulada a não se deixar vencer pelo mal-estar”, orienta. O Dr. Durval Mazzei conta que não existe motivo para o desenvolvimento de fobias, classificadas como um estado que torna a pessoa refém de um sentimento incontrolável. Sendo assim, como enfrentar essa doença, já que não há como previni-la? A resposta é simples: acompanhamento médico. O paciente deve procurar a ajuda de um psicanalista para ver a gravidade da situação. Em alguns casos será recomendado o uso de remédios como antidepressivos e benzodiazepínicos. As fobias acontecem na vida pessoal de cada um, e estão presentes a todo instante, inclusive no trabalho. Entretanto, não existem, de acordo com o Dr. Durval, fobias específicas relacionadas aos ambientes profissionais. Ou seja, ninguém desenvolve um medo ou uma ansiedade em função de sua atividade profissional, esse sentimento pode apenas restringir a pessoa de atuar em determinadas áreas em função de medos exacerbados. “As fobias, para quem sofre delas, estão presentes na vida pessoal a todo instante”, conta. A grande maioria das fobias começa depois de adulto, geralmente após os vinte anos de idade. A tendência é que esses distúrbios durem muitos anos. Sem tratamento específico, as fobias dificilmente se curam sozinhas, além de aumentar o risco de outros tipos de doenças psiquiátricas. “O sujeito deve enfrentar a fobia para auxiliar no processo de recuperação, mas precisa também de tratamento especializado”, conclui o psiquiatra. As chances de cura são altas para quem sofre de fobia específica ou fobia social (confira ao lado as diferenças entre os três tipos de fobia existentes). Aproximadamente 75% dos pacientes com fobias específicas superam a doença por meio de terapias, enquanto 80% diminuem os efeitos da fobia social com uso de medicamentos, terapia ou com a combinação dos dois. Já a agorafobia tem índices menores de cura, mas a porcentagem de reabilitação também é considerada boa. Com o tratamento, aproximadamente 40% dos pacientes se veem livres dos sintomas fóbicos por um período prolongado, enquanto outros 50% sofrem apenas com sintomas moderados. Apenas cerca de 10% dos pacientes não melhoram. Carlos José resume o que sentia no auge de suas fobias, hoje superadas quase por completo. “É como se estivéssemos sozinhos no mundo. Um vazio que nada, nem ninguém, preenche”, confessa.

Tipos de fobia • Fobia Específica ou fobia simples é a mais comum. Neste caso, as pessoas podem temer animais, pessoas, ambientes - como lugares escuros, altos ou fechados - e, ainda, situações como viajar de avião. Embora a causa das fobias específicas permaneça um mistério, essas condições são pelo menos em parte genéticas, portanto, herdadas de outro membro da família. • Fobia Social ou desordem de ansiedade social. Neste caso, existe o medo de situações nas quais a pessoa possa se sentir humilhada, envergonhada ou julgada pelos outros. Isso causa muita ansiedade e o medo pode limitar o desempenho da pessoa em palestras, apresentações ou outras situações de maior exposição. Existe caso mais grave, quando a fobia pode ser generalizada, fazendo com que a pessoa fóbica evite situações sociais simples, como comer em público. Esse tipo é mais comum para os que são, ou foram, tímidos e solitários, ou ainda que tiveram experiências sociais negativas ou traumatizantes. • Agorafobia é o medo de estar em lugares nos quais poderá ser difícil ou embaraçoso sair subitamente. Uma pessoa com esse caso específico evita ir ao cinema e viajar de ônibus, por exemplo. Muitas vezes, isso causa constantes ataques de pânico (uma variedade de sintomas físicos atípicos como tremedeira e palpitações).

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APOSENTADOS

A difícil tarefa de ser mãe trabalhadora Conheça a história de Judith de Oliveira. Ela trabalhou por longos anos no setor de telecomunicações e com muita dificuldade criou o seu filho. Hoje ela dedica sua vida à educação como professora do ensino fundamental no litoral paulista e prova que a vida não termina com a aposentadoria Marco Tirelli Nascida na cidade de Juquiá, no Vale do Ribeira, Judith veio para São Paulo com 16 anos de idade e, aos 21, foi admitida pela Telesp para trabalhar na Rua Sete de Abril. Seu primeiro cargo foi o de atendente de serviço. “Trabalhei naquele local até 1982. A partir daí fui transferida para o escritório da Vila Mariana”, conta. Judith lembra que trabalhava oito horas por dia e pouco tempo depois, por volta de 1986, a carga horária foi reduzida para 7h12, graças à luta do Sindicato. “Foi uma grande conquista do Sintetel para que pudéssemos trabalhar menos e ficar mais tempo com a família. Embora não fôssemos telefonistas, éramos atendentes e dávamos informações para o público em geral, como mudança de endereço, colocação de extensão, entre outros serviços”, relembra.

Como tudo começou Pertencente a uma família de dez irmãos, Judith conta que em São Paulo morava no bairro das Perdizes e trabalhava na empresa General Eletric, em Santo André. “Pensando em melhorar profissionalmente, eu havia preenchido uma ficha de admissão na Telesp, em seguida fiz os testes necessários e a empresa me chamou para trabalhar”, conta. A admissão na antiga empresa estatal se deu em 20 de novembro de 1978. Segundo Judith, naquele tempo a Telesp remunerava muito bem seus funcionários. “Tudo que eu tenho hoje eu devo à empresa”, conta. Ela ainda acrescenta que os empregados contavam com diversos benefícios. “Eu criei meu filho com o auxílio creche que recebíamos, pois a empresa pagava 80% do valor da mensalidade e eu pagava apenas 20%”, recorda.

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Mudança para Santos Após trabalhar dez anos no escritório da Vila Mariana, Judith teve que se mudar para a cidade de Santos, pois o clima era mais ameno e, segundo os médicos, benéfico para a saúde do seu filho. “Eu morava sozinha em São Paulo e o Alfredo contraiu três pneumonias, ele sofria de problemas respiratórios. Em 1990 mudamos para a Baixada Santista acreditando que seria melhor para todos”, relata. Judith casou-se em 1987 e seu filho nasceu em 1988. “Não tive sorte no casamento, me separei e criei meu filho praticamente sozinha”, lamenta. De acordo com Judith, a vida não era fácil. “Com oito anos de idade, Alfredo ficava sozinho em casa para eu

ir trabalhar. Uma alternativa que eu tinha para cuidar dele era a cada uma hora e meia ligar em casa e perguntar se estava tudo bem, pois eu ficava preocupada pelo fato de morar no terceiro andar de um prédio”, lembra. O ambiente de trabalho não era tão bom quanto em São Paulo. A chefia de Santos era muito mais ameaçadora. “Certa vez, uma superiora do controle de prazo disseme que eu tinha que escolher entre trabalhar e cuidar do meu filho. Eu cheguei a chorar”, conta. Judith precisava trabalhar porque seu exmarido nunca pagou pensão, era ela quem sustentava a casa e cuidava do tratamento de saúde do filho. “Na época eu morava em


APOSENTADOS Cubatão. Saía do serviço, buscava meu filho no Canal 1, pegava a balsa até o Guarujá, passava pela consulta e retornava de ônibus. Chegava em casa às 21h. Assim foi durante todo o tratamento”, recorda. Judith afirma que ficava dividida e quando chegava à noite chorava muito, pois sabia da importância de ter que trabalhar, mas também sabia que tinha que cuidar da criança. Daí em diante, Judith trabalhou mais dez anos no escritório de serviço de Santos. Recorda, com certa mágoa, que durante sua trajetória na empresa prestou um concurso interno para ser supervisora de treinamento. “Infelizmente não fui escolhida, pois a candidata vencedora era irmã de uma supervisora”, ironiza. Foi em Santos que surgiu outra oportunidade e, desta vez, Judith foi promovida para a área de Facilidades. Trabalhou no setor por mais oito anos. “No total, eu trabalhei 23 anos na Telesp. Comecei como atendente, passei para o controle de prazo e depois para designação de facilidades”, comenta. Com relação ao filho, Judith comemora a recuperação da saúde de Alfredo e seu sucesso profissional. “Hoje Alfredo Felício tem 21 anos, está no terceiro ano do curso de Petróleo e Gás na PUC de Santos e trabalha em uma empresa de containers. Ele pratica natação e musculação. Hoje ele é um rapaz saudável”, conclui.

Momento triste Um dos períodos mais difíceis vividos por Judith na Telesp foi na época em que o Governo FHC privatizou o setor de telecomunicações. “Em 1998 veio a privatização. Foi um período muito duro e repleto de incertezas”, relembra. Os escritórios de Santos e de Praia Grande se fundiram tornando-se apenas um. “Tínhamos que trabalhar por produção, não era mais possível tratar o cliente com aquela atenção costumeira”,

acrescenta. Judith destaca que naquele momento de incertezas os trabalhadores sempre recorriam ao Sindicato para receber instrução e para saber as formas de agir com a delicada situação. Judith relata que teve a oportunidade de presenciar dois ex-colegas telespianos vendendo água na porta do shopping Praia Mar, em Santos, para sobreviver. “Um deles era instalador com muita experiência. Por falta de opção, tornou-se vendedor ambulante. Pouco tempo depois, ele faleceu por problemas cardíacos. Acredito que a demissão foi um dos fatores que somou para o seu falecimento”, conta. A privatização trouxe muito prejuízo aos trabalhadores. Muitos colegas capacitados ficaram desempregados. “Eu mesma fui convidada a me retirar da empresa, mas graças a Deus pude me aposentar no mesmo dia em que fui comunicada da minha demissão”, destaca. Judith acrescenta que não tinha a intenção de se aposentar. Devido ao grau de insalubridade, os atendentes tiveram direito a um benefício no momento de dar entrada na aposentadoria. “A cada cinco anos trabalhados ganhei um ano, motivo pelo qual consegui me aposentar com 28 anos e quatro meses de carteira assinada”, comemora. Depois da privatização a situação piorou para os funcionários. As demissões vieram acompanhadas de problemas para acomodar os setores que foram fundidos como, por exemplo, a junção dos escritórios de Santos e Praia Grande. “Tive a felicidade de me aposentar, sou sócia remida do sindicato e continuo participando de tudo que o Sintetel organiza aqui na região. Sinto-me muito feliz de ter participado de uma categoria tão maravilhosa”. Com esta frase Judith, apressada, encerra a entrevista e corre para iniciar mais um dia de trabalho na escola onde leciona.

Exemplo na família Juraci de Oliveira Bastos, irmã de Judith, também trabalhou na Telesp como telefonista de 1973 a 1978. “Eu fui a primeira na família a trabalhar na empresa”, conta. Juraci acrescenta que quando se mudou com os irmãos para São Paulo era, com apenas 17 anos, a responsável pelas irmãs Judith e Julia, pois a mãe havia falecido. “Eu sou oito anos mais velha que a Judith e talvez tenha influenciado sua entrada na categoria porque eu era telefonista e dava o exemplo que trabalhava numa boa empresa”, relembra. Quando Judith e Julia se formaram na oitava série, equivalente ao ensino fundamental, Juraci decidiu que as oportunidades estavam na capital paulista. “Viemos para São Paulo, nós três e mais um irmão, o Joel”, conta. Juraci destaca que antes de entrar na Telesp tentou ser vendedora de livros. “Mas eu conversava mais do que vendia. Daí meu supervisor disse que eu deveria ser assistente social e não vendedora”, relembra. Após cinco anos, Juraci teve que sair da Telesp porque seu marido foi trabalhar nas obras da Hidrelétrica de Itaipu. Com relação ao Sintetel, Juraci tem boas lembranças daquela época. “Embora não tivesse tempo para participar das reuniões, lembro do sindicato pelos benefícios que nos oferecia. No meu conceito, o Sindicato sempre lutou pela classe.Tudo que eu tive de bom eu atribuo à entidade que lutava por mim e tínhamos este respaldo, pois sozinho o trabalhador não consegue nada”, completa. LINHA DIRETA em revista  19


CAPA

Fotografia: Fundo O Trabalho / Acervo CSBH-FPA.

Quando os trabalhadores retomaram sua história

No ano em que o movimento sindical lembrará os 30 anos da realização da 1ª CONCLAT (Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras), Linha Direta em Revista conta um pouco desta história

Emilio Franco Jr. e Marco Tirelli

O golpe militar jogou a democracia do Brasil na escuridão. O Ato Institucional nº 5 (AI-5) foi o quinto de uma série de decretos emitidos pelo regime militar brasileiro nos anos seguintes ao Golpe de 1964. O AI-5, sobrepondo-se à Constituição de 24 de janeiro de 1967, bem como às constituições estaduais, dava poderes extraordinários ao presidente da República e suspendia várias garantias civis. Este foi o instrumento que deu ao regime poderes absolutos e cuja primeira consequência foi o fechamento 20  LINHA DIRETA em revista

do Congresso Nacional por quase um ano. Para o movimento sindical a situação não foi diferente. Diversos sindicatos sofreram intervenções e, no lugar do presidente da entidade, o governo nomeava um interventor. Mesmo com a proibição de encontros interssindicais, em junho de 1977 começou a luta pela negociação salarial direta, já que os reajustes aconteciam por meio de decreto presidencial. Neste ano, o DIEESE (Departamento In-


CAPA tersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos) descobriu um documento do Banco Mundial apontando que os aumentos governamentais estavam bem abaixo da inflação. O movimento sindical começou, então, a articulação de um encontro com o presidente da República, o general Ernesto Geisel. Para a difícil tarefa de negociar com o governo militar foi escalado Hugo Perez, na época presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo e do DIEESE, que relatou a Geisel os focos de descontentamento que ocorriam em São Paulo em função dos índices de reajuste concedidos. O sindicalista ainda argumentou a respeito do direito dos trabalhadores se reunirem já que, anualmente, os empresários realizavam a CONCLAP (Conferência Nacional das Classes Produtoras). Só que a lei vigente proibia as reuniões de trabalhadores. “Telefônico não podia conversar com eletricitário, que não podia dialogar com bancário, que por sua vez não falava com metalúrgico e assim por diante”, explica o próprio Hugo Perez. No dia seguinte ao encontro de Perez com o presidente, os jornais relataram o fato, que teve sua repercussão ampliada após os ve��culos de comunicação tratarem sobre o tema em seus editoriais apoiando a causa trabalhista. Nesse momento a imprensa estava cobrindo atentanente o movimento sindical e cobrando a realização da CONCLAT. Foi quando o Ministro do Trabalho resolveu conversar com Hugo Perez. “O que ele queria na verdade era que eu parasse com essas reuniões interssindicais”,

conta. “Fui a Brasília encontrar o ministro. Cheguei lá, ele olhou para mim e disse que eu estava fazendo coisa proibida e que deveria parar”, acrescenta. “Expliquei a ele que não tinha mais como voltar atrás e foi aí que ele ameaçou intervir na minha Federação. Eu respondi dizendo que então era melhor ele cassar meu cargo, mas sabia que ele não faria isso por conta da repercussão”. Sem resposta dos militares, a proposta recebeu o apoio de vários deputados e de alguns empresários. Nenhuma medida contrária ao encontro sindical foi tomada e as reuniões interssindicais continuaram acontecendo. E em maio de 1978 realizou-se a primeira greve na Scania, sucedida por uma série de paralisações em diversas categorias. A ideia esfriou por certo período, mas o objetivo de organizar a Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras nunca foi abandonado. Pelo contrário, continuou a ser defendido e divulgado pelos sindicalistas mais comprometidos com a sua realização. A intenção foi retomada de forma mais ampla pelos encontros interssindicais de 1979. A CONCLAT virou, assim, bandeira de luta de oposições sindicais e sindicatos. Em 1981, muitos dirigentes se reuniram em São Bernado do Campo. “Lá o Lula me chamou e disse que ou fazíamos a Conferência ou parávamos de falar dela”, conta Perez, que acabou integrando a Comissão de Organização da CONCLAT. A Comissão Executiva Nacional era formada por sete membros: Arnaldo Gonçalves, Crispim da Cruz, Edson B. dos Santos, Hugo Perez, Joaquim dos Santos Andrade, Luiz Inácio da Silva (presidente Lula) e Raimundo Rosas de Lima. Antes de a Conferência sair do papel foram realizados encontros regionais, denominadas ENCLATE. O diretor de aposentados do Sintetel, Germar Pereira da Silva, conta que havia feito um curso de sindicalismo quando ainda era delegado sindical e acabou sendo chamado para participar do encontro, no qual acabou representando o Sindicato. “Eu trouxe as informações para o Sintetel e, depois disso, os diretores se engajaram nessa causa”.

O encontro

Hugo Perez foi protagonista na organização da CONCLAT

A 1ª CONCLAT aconteceu de 21 a 23 de agosto de 1981, e reuniu cerca de 1.200 entidades e pouco mais de 5 mil delegados sindicais na Praia Grande, litoral de São Paulo, para discutir a organização nacional dos trabalhadores. A participação maciça surpreendeu os organizadores, que LINHA DIRETA em revista  21


CAPA tinham acomodações para apenas 2.500 pessoas. “Grande parte do pessoal dormiu na praia”, conta Perez. “Foi emocionante ver a participação de companheiros que viajaram em lombo de burro até a capital para depois pegar um ônibus até o litoral”. A Conferência aconteceu mesmo sem o aval dos militares. “Não teve briga nenhuma. Isso aconteceu apenas nos discursos, nas divergências do pessoal”, conta. Já perto do encerramento, duas chapas foram montadas. “Chamei o Lula e falei pra gente ir resolver isso no banheiro em particular”, explica Perez. “Nos reunimos e conseguimos eleger uma Comissão Nacional Pró-CUT”. A principal bandeira da CONCLAT era a criação de uma Central Única dos Trabalhadores, meta que ficou comprometida com o racha. “Com o regime militar, o movimento sindical estava emparedado, e a CONCLAT passou a ser importante por reunir todas as matrizes ideológicas que apareciam pelo País”, conta Antônio Magri, ex-presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e ex-ministro do Trabalho. “A Conferência foi o que o movimento sindical precisava”, completa. A primeira CONCLAT demonstrava que, apesar de coesos em torno da ideia de uma Central Única dos Trabalhadores e da defesa da unidade do movimento sindical, existiam propostas diferentes entre os dirigentes sindicais. Essas diferenças já tomavam a forma de tendências sindicais e, às vezes, representavam grupos políticos. Para tentar manter a unidade do movimento, foi criada a Comissão Nacional Pró-CUT para iniciar a coordenação nacional das lutas dos trabalhadores e conduzir o processo de criação da Central Sindical. A criação foi marcada para agosto de 1982. No entanto, a data marcada para a criação da CUT foi adiada para o ano seguinte. E, consequentemente, a data da 2ª CONCLAT seguiu o mesmo rumo. A razão foi mais uma vez a divergência entre os dirigentes sindicais. Há duas grandes diferenças que minaram a unidade do movimento e inviabilizaram a 2ª CONCLAT. Segundo o assessor sindical João Guilherme Vargas Netto “há dois fatos cruciais que se destacaram: um do ponto de vista burocrático e o outro político”. Do ponto de vista político, João Guilherme conta que uma corrente defendia o adia22 LINHA DIRETA em revista

mento da realização da 2ª CONCLAT porque acreditava que os esforços dos trabalhadores deveriam concentrarse nas lutas eleitorais de 1982, a primeira eleição direta para governador desde 1964. “Outra corrente defendia a realização da CONCLAT e talvez a criação da CUT para aquele ano”, destaca. Do ponto de vista burocrático, o entrave se deu devido ao famoso artigo 8º do regimento da CONCLAT. “Este artigo dizia que se o sindicato não quisesse participar da Conferência, as oposições sindicais seriam legítimas para participar”, conta. Fato este que somou na divisão do movimento. Em 1983, quando iria acontecer a segunda edição da CONCLAT, a divisão do movimento criou pequenos atritos que atrapalharam a realização do Congresso. “Os ânimos estavam acirrados e não houve a CONCLAT como programada”, explica Hugo Perez. “Então o pessoal mais à esquerda se uniu e resolveu fazer o Congresso deles e foi aí que fundaram a CUT”, conta. A outra corrente ideológica realizou, no fim do mesmo ano, a 2ª CONCLAT e em 1986 aconteceu a 3ª Conferência, quando foi


Fotografia: Fundo O Trabalho / Acervo CSBH-FPA.

CAPA

fundada a CGT (Central Geral dos Trabalhadores). Na época do racha, as divergências ideológicas ficaram claras. Hugo Perez explica que uma corrente, por exemplo, era a favor da luta por meio de greves, enquanto a outra preferia o caminho da justiça. “A acusação era de que uns eram autênticos e outros eram pelegos. O tempo mostrou que nem um lado era tão autêntico e nem o outro era tão pelego”, afirma.

deste ano”, afirma Perez. “Mas hoje não é um espaço para o trabalhador discutir seus problemas, hoje isso é feito no sindicato”, explica. “O paralelo é que naquela época foi um movimento que auxiliou na redemocratização do Brasil e agora a discussão é a apresentação de uma plataforma única para os candidatos à presidente da República”, completa. Antônio Magri não enxerga uma ligação clara entre a CONCLAT e a Conferência deste ano porque acredita que são momentos bem distintos. “As centrais hoje são unificadas e agora vão buscar a união de ideias para fazer um documento único contemplando a luta de todas”, explica. “A intenção é unir as centrais, em plena democracia, com o objetivo de que o futuro presidente possa se comprometer com a agenda dos trabalhadores, enquanto no passado lutava-se contra a ditadura”, completa. O que se concluiu é que este evento poderá consolidar a retomada da unidade do movimento sindical. João Guilherme Vargas Netto destaca que duas grandes diferenças que dividiam o movimento no passado não existem mais. “Trata-se do artigo 8º do regimento da CONCLAT (explicado anteriormente) e que hoje não faz o menor sentido”, ressalta. Hoje as centrais sindicais estão unidas em várias frentes. “Antigamente as disputas político-partidárias influenciavam o movimento sindical e agora o vetor mudou de lado, ou seja, a unidade de ação sindical das centrais pode influenciar na disputa político-partidária”, explica. “O que se busca hoje é um compromisso do novo presidente com os trabalhadores”, completa Hugo Perez.

Anos mais tarde, o movimento cresceu também com a criação da Força Sindical. Tantas correntes ideológicas foram amadurecendo o sindicalismo até o início da nova fase atual, a de lutas unitárias. “Estamos vivendo um novo aprendizado e conseguindo vitórias com essa luta unificada”, completa Hugo Perez.

Conferência Nacional de 2010 No mês de junho, o movimento sindical organizará uma grande conferência nacional a ser realizada no estádio do Pacaembu, em São Paulo, com o objetivo de estabelecer uma plataforma unitária de lutas e reivindicações. “Podemos traçar um paralelo entre a CONCLAT e o evento

Antônio Magri ex-presidente da CGT (Central Geral dos Trabalhadores) e ex-ministro do Trabalho

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FIQUE POR DENTRO

O novo desejo de consumo O iPad, lançado recentemente nos Estados Unidos, promete revolucionar o mundo da tecnologia Emilio Franco Jr. Gigante no mercado da tecnologia e informática, a Apple evidencia mais uma vez a sua capacidade de encurralar as empresas concorrentes. Responsável por produtos que caíram no gosto popular, como o iPod (aparelho portátil de execução e armazenamento de músicas e vídeos) e o iPhone (celular multifuncional), a empresa cujo símbolo máximo é uma maçã resolveu atacar novamente. O empresário Steve Jobs apresentou recentemente ao mundo a bola da vez da tecnologia: o iPad. Na cerimônia de lançamento do novo produto, Jobs classificou o aparelho como “mágico e revolucionário”. A nova invenção da empresa é, na realidade, um computador retangular, de 9,7 polegadas de dimensão, espessura de 0,5 polegadas, 700 gramas de peso e capacidade de armazenamento de 16, 32 ou 64 Gigabytes. Simplificando os números, a nova tecnologia é relativamente pequena e fácil de carregar, além de ser leve e possuir condições de guardar muitas informações em sua memória digital. O iPad é um mix de várias tecnologias lançadas anteriormente, com alterações que devem proporcionar melhorias aos usuários. Ele une funcionalidades de computador, videogame, tocador de música e leitor de livro digital, incorporando ao seu sistema o iBooks (concorrente do Kindle, tecnologia explicada na edição de nº 7 de Linha Direta em Revista). A exceção fica por conta da câmera digital, ainda disponibilizada apenas no iPhone. O que já surge como um dos principais diferenciais é o poder de duração da bateria do iPad, com capacidade para aguentar dez horas, um considerável avanço em relação ao tempo que os notebooks conseguem ficar fora da tomada. “Isso me despertou 24  LINHA DIRETA em revista

grande interesse, já que nenhum outro aparelho tem essa autonomia”, conta José Antonio de Camargo Junior, de 17 anos. “Eu poderia ir para o colégio, usá-lo em todas as aulas e ainda chegaria em casa com bateria sobrando”, afirma o estudante com empolgação. O aparelho, por enquanto, só está disponível nos Estados Unidos, com custo de US$ 500, ou, aproximadamente, R$ 900. Esse preço é para o aparelho sem acesso à internet, o primeiro modelo a ser comercializado; a versão completa, com velocidade de conexão máxima, custa cerca de US$ 829, pouco mais de R$ 1500. Os demais países do globo terão de esperar por acordos de distribuição que serão fechados somente a partir de junho. No Brasil, o produto depende ainda da aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Mas, afinal, como funciona o iPad? O aplicativo tem como foco principal o acesso aos serviços de internet, com capacidade para rodar vídeos e jogos em alta resolução, assim como fotos em páginas de relacionamento. Um dos defeitos ainda apresentados pelos dispositivos da Apple é a falta de compatibilidade com o sistema Adobe, o que ocasiona erro de leitura em algumas páginas da web.


FIQUE POR DENTRO Fora a conexão à rede mundial de computadores, o novo lançamento da empresa de Steve Jobs conta com uma série de outros aplicativos como programas de pintura, nos quais o dedo do usuário substitui o pincel, editores de texto, planilha eletrônica e editor de apresentações – programas semelhantes aos populares Word, Excel e PowerPoint, todos da concorrente Microsoft. Jogar no iPad também promete ser uma experiência recompensadora, graças à alta definição de gráficos, à velocidade do processador e à interatividade proporcionada. Na ocasião da apresentação, o jogo “Need for speed shift” foi usado para demonstrar como a tela sensível ao toque será utilizada para comandos de movimento. Além disso, todos os aplicativos feitos para o iPhone terão compatibilidade com o iPad, com a diferença adicional de que a resolução padrão do celular pode ser alterada para que o conteúdo seja exibido no iPad em tela cheia, ou seja, com definição de imagem superior e em tamanho maior do que no visor de um aparelho móvel. Celia Regina Schipani Rodrigues, analista de TI e especialista em desenvolvimento e suporte Mac Os (Apple), acredita que o principal diferencial do iPad é o leitor de livros digitais que proporciona carregar vários exemplares, aproximadamente 1500, em um único aparelho leve. “Em uma viagem, em vez de levarmos aquele livro de mil páginas grande e pesado, escolhemos algumas obras, baixamos e temos diversas opções”, empolga-se. “Porém sua tela é de LCD, na qual a emissão de luz cansa a vista durante a leitura de uma obra mais extensa”, ressalta. Interado às novas tecnologias e acostumado a fazer uso delas em seu dia a dia, José Antonio acredita que o iPad não traz muitas inovações no sistema operacional, mas considera interessante a falta de necessidade de instalação de um mecanismo completo, como o Windows. “O iPad é um novo segmento de produto, ele é maior, e de certa forma

melhor, do que o iPhone e é mais portátil que um notebook ou netbook”, explica o estudante. Ele conta que se sentiu atraído pelo tamanho da tela, pela sensibilidade ao toque e pela opção de uso do navegador Safari. Mesmo sabendo da espera necessária para poder ter em mãos o novo aparelho, ele conta que pretende usá-lo na escola. “O uso da lousa pode ser substituído pelo envio da matéria em tempo real por iPad, o que garantiria mais 15 ou 20 minutos de explicação do assunto”, calcula. E José ainda explica o porquê do Ipad ser, em sua visão, mais vantajoso que outros aparelhos semelhantes. “O problema do notebook é o tamanho e a falta de portabilidade real dele, sem mencionar o peso. Eu uso um note na minha escola, e não é nada vantajoso”, conta. “Já o netbook pode até ser portátil, mas o problema dele é a tela pequena, o teclado com teclas excessivamente juntas, entre outras coisas que deixam a desejar”, completa. Entre esses defeitos, consertados com a chegada do iPad, está a conexão à internet, considerada lenta por seus usuários. E foi em cima dessa brecha de mercado que Steve Jobs justificou o lançamento do aparelho durante sua apresentação para a imprensa, afirmando que existe espaço para algo entre os celulares e o notebook e que, ao mesmo tempo, seja melhor que um netbook. “O iPad é um sonho de consumo para os amantes de tecnologia e leitura” afirma a analista Celia Regina. “O problema é que o produto tem um preço elevado para a maioria da população brasileira”, lamenta. Nos Estados Unidos, desde que o iPad começou a ser disponibilizado para pré-venda, a Apple já vendeu milhares de aparelhos.

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REFORMA

Trabalhador com casa nova Sintetel moderniza a sede da entidade para melhor atender à categoria Amanda Santoro Pensando no bem-estar de todas as pessoas envolvidas no dia a dia da instituição, o Sintetel apresenta aos leitores de Linha Direta em Revista uma sede mais confortável e capaz de atender às novas necessidades da categoria. Alinhado com a estrutura que o maior sindicato de telecomunicações da América Latina deve apresentar, o prédio renovou a sua arquitetura e decoração, aumentando a acessibilidade daqueles que visitarem os nossos estabelecimentos. “A modernização da sede era um sonho antigo da diretoria”,

confidenciou Almir Munhoz, presidente do Sintetel. “Quando a nova chapa foi eleita sabíamos da urgência do projeto, e por isso não hesitamos em começar o quanto antes”, concluiu. Todos os setores passaram por mudanças substanciais, ajustando a luminosidade, ventilação e ergonomia das suas acomodações. “Pedi aos responsáveis pela obra que seguissem os critérios da NR17 [norma regulamentadora que consta na legislação e é aplicada nos

call centers], com readequação das escadas e da iluminação, que passou a ser regulada por aparelhos”, afirmou Cássia Turquetto, técnica de segurança do trabalho do Sintetel. “Agora estamos implantando uma segunda etapa que visa a segurança de todos que utilizam as acomodações, e as escadas de emergência já foram enquadradas nos padrões requisitados”, finalizou. Por acontecer de forma generalizada, envolvendo todos aqueles que trabalham

“Tá tudo novinho, claro, com um aspecto mais agradável. Só temos recebido elogios dos associados”

Diretoria totalmente remodelada

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REFORMA

“Todo mundo elogia a reforma pela sua beleza e modernidade. Gostaram muito dos novos telões do salão, da rampa na entrada e do banheiro para deficientes” Auditório Helcio Maghenzani ficou confortável e com grande luminosidade

nas dependências, a reforma implicou em alguns inconvenientes, como a descentralização dos departamentos em prédios das redondezas. “Fomos provisoriamente alocados no Centro de Formação Profissionalizante Sintetel, ficando um pouco distantes do restante da diretoria”, afirmou

Rosa Sayols, então secretária da presidência. “Como trabalhamos em conjunto com os diretores, foi meio complicado no início, mas fomos nos adaptando. O prédio do Centro de Formação é bastante agradável, então encaramos a mudança da melhor forma possível”, completou Rosa.

No período das férias coletivas dos funcionários, que aconteceu entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, a customização da sede foi finalizada. Se você ainda não conferiu como ficaram as novas acomodações do Sintetel, venha conhecê-las!

Veja abaixo como os funcionários da entidade encararam a reforma:

Priscila

Priscila Mazoni, coordenadora da Secretaria: “O ambiente ficou mais claro e limpo. Ficou também mais funcional e higiênico, auxiliando no profissionalismo que a nossa área exige”

Benedito Santiago Andrade e Arnaldo Pereira da Silva, operadores de offset: “Colocaram ar-condicionado na gráfica e a iluminação também foi melhorada. Ficou mais confortável”.

Hellen Paula Ferreira de Souza, secretária da diretoria: “Antes trabalhávamos em um ambiente escuro, que acabava influenciando na nossa rotina e no nosso humor. Não só o prédio sofreu uma reforma, as pessoas também mudaram a partir desta mudança estrutural”.

Hellen

Benedito e Arnaldo

Edna Squassoni, assistente jurídica: “Tá tudo novinho, claro, com um aspecto mais agradável. Só temos recebido elogios dos associados”

Caroline Fernandes, recepcionista: “Todo mundo elogia a reforma pela sua beleza e modernidade. Gostaram muito dos novos telões do salão, da rampa na entrada e do banheiro para deficientes”. Caroline

Edna

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NOTÍCIAS

Dia Internacional da Mulher Este ano, tanto a capital quanto o interior abrigaram eventos do Sintetel em homenagem à data. Somados os públicos dos dois locais, mais de 1.500 pessoas prestigiaram as celebrações que, além do tradicional sorteio de brindes, contaram com uma bem-sucedida atividade didática para esclarecer os riscos, mitos e verdades sobre o câncer de mama.

Sintetel amplia patrimônio do trabalhador A subsede de Bauru já tem um lugar para chamar de seu. O local, onde há anos funciona a sede regional, foi comprado recentemente pelo Sindicato e passa a pertencer oficialmente ao trabalhador de telecomunicações. O amplo espaço agora poderá ser alterado, aumentando o conforto e a qualidade do atendimento prestado pela subsede. A regional de Bauru fica na Rua Rio Grande do Sul, 4-60, no bairro Vila Coralina.

“As pessoas com as quais conversei disseram que este foi o melhor evento do Dia Internacional da Mulher já feito. Isso é maravilhoso, pois consegui o que estávamos buscando, o melhor. O consenso nunca existirá, mas só por saber que a grande maioria aprovou o novo perfil dinâmico do evento já fico feliz”. Maria Edna Medeiros, Secretária da Mulher do Sintetel, sobre o Dia Internacional da Mulher.

Nova sede da Força Sindical No dia 7 de março, a Força Sindical inaugurou sua nova sede. Estiveram presentes na solenidade de inauguração o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e os diretores do Sintetel Marcos Milanez, Cristiane do Nascimento, Maria Edna Medeiros e Germar Pereira da Silva. Na ocasião, foram reafirmados os compromissos de lutar pela manutenção do imposto sindical e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. 28  LINHA DIRETA em revista


NOTÍCIAS

Transição na Telemax O contrato de prestação de serviços entre a Telefônica e a Telemax foi rescindido no começo do ano. Diante disso, a Telefônica abriu leilão para a área do ABC e Alto Tietê. A Icomon foi a vencedora da concorrência e assumiu a região. O Sintetel, após muita negociação, conseguiu garantir todos os direitos legais e obrigações trabalhistas para os trabalhadores e ainda conquistou a garantia de que a maioria deles fosse realocada pela Icomon.

Reunião da diretoria No final de fevereiro, a diretoria do Sintetel se reuniu para realizar o planejamento de diretrizes para o quadriênio 2009/2013. O evento teve por objetivo alinhar as propostas da nova diretoria para as diversas pastas de atividades existentes na chapa encabeçada pelo presidente Almir Munhoz. Os dirigentes e assessores da entidade tiveram a oportunidade de apresentar os seus respectivos projetos para melhorar ainda mais a eficácia do trabalho realizado.

“Foi um momento muito bom, pois senti a seriedade destes novos e antigos companheiros na conquista de objetivos comuns em torno do crescimento do Sintetel”. Gilberto Dourado, vice-presidente da entidade, sobre reunião de planejamento da diretoria.

Sintetel comemora 68 anos de luta O Sindicato comemorou em grande estilo seu aniversário de 68 anos. O evento ocorreu em São Paulo, no dia 24 de abril, no Ginásio da Portuguesa, e contou com a participação da categoria. Na próxima edição, Linha Direta em Revista trará como matéria principal a cobertura completa da festa em celebração ao aniversário da entidade. A comemoração teve início às 14h e contou com diversos shows de artistas populares como Lucas e Luan, Banda Água na Boca, grupo Nuwance, além dos novos talentos da categoria. LINHA DIRETA em revista  29


CULTURA

Dica de música

Não só na terra da garoa Programas como a Virada Cultural firmam o estado de São Paulo como o centro artístico do País Emilio Franco Jr. com colaboração de Amanda Santoro

Tiago Iorc Quem escuta a batida pop de Tiago Iorc aliada com suas melodias em inglês, não imagina de pronto que o cantor brasileiro ainda seja relativamente desconhecido pela grande maioria do público. Natural de Brasília, o músico de 24 anos faz um som semelhante ao do conceituado cantor norteamericano John Mayer e tem emplacado single após single nas novelas da Rede Globo. Aos 17 anos, Iorc ganhou notoriedade com “Nothing But a Song”, que foi tema da novela adolescente “Malhação”. Em 2008 emplacou “Scared” na trilha internacional de “Duas Caras”, mas foi somente com a canção “Blame” – tema dos personagens de Deborah Secco (Céu) e Iran Malfitano (Orlandinho) em “A Favorita” – que o cantor sedimentou o seu status de queridinho dos produtores globais. Tiago também pode ser ouvido diariamente em “Viver a Vida”, que utiliza a sua versão de “My Girl”, da banda “The Temptations”, nos momentos carinhosos entre Luciana (Alinne Moraes) e Miguel (Mateus Solano). O primeiro álbum de Iorc saiu no segundo semestre de 2008 e chama-se “Let Yourself in”. Fique de olho e confira o som do cantor em www.myspace.com/tiagoiorc 30  LINHA DIRETA em revista

A cidade de São Paulo apresenta uma vasta oferta de programas culturais, de exposições a grandes musicais da Broadway. Um lugar que rotineiramente respira cultura não pode deixar de promover ações que incentivem a população a consumir shows, espetáculos, apresentações e filmes. Por isso, a Prefeitura de São Paulo organiza desde 2005 a “Virada Cultural”, evento que reúne durante 24 horas, em um único final de semana, diversas apresentações de cunho artístico espalhadas pela cidade, em grande parte delas sem nenhuma cobrança. A sexta edição da Virada, que acontece este ano, já tem data marcada. A partir das 18 horas do dia 15 de maio até as 18 horas do dia 16, diversas atrações se revezarão pelos quatro cantos da cidade de São Paulo, fazendo com que as pessoas se divirtam com a mistura de cultura, arte e lazer proporcionada pela programação. No ano passado, de acordo com estimativas do governo, aproximadamente quatro milhões de pessoas acompanharam as atrações, que terminaram com a apresentação da cantora Maria Rita. Devido ao sucesso da empreitada, o evento foi estendido há três anos para o interior do Estado. Em 2010, será realizado uma semana após as festividades da capital. Com isso, nos dias 22 e 23 de maio, várias localidades do estado receberão atrações, incluindo grandes nomes internacionais. Entre os destaques estão os cantores Manu Chao e Cat Power, além do famoso compositor de trilhas sonoras Yann Tiersen, responsável pelas faixas do consagrado filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. O geofísico Frederico Rodrigues Sosnowski, de 29 anos, pretende viajar ao interior para acompanhar as apresentações. Para ele, o desmembramento da Virada é uma ótima oportunidade de atrair pessoas para nichos culturais não tão populares, além de divulgar novos estilos. “Essa é a chance de diversificar o circuito de shows, além de dar oportunidade para outros públicos conhecerem esses artistas de perto”, afirma.


CULTURA Mariana Gandolfi, 25 anos, é uma dessas pessoas que poderá ver sem muito esforço os artistas que admira. Moradora de Piracicaba, cidade que receberá shows importantes, a jornalista pretende assistir, por exemplo, às apresentações de Yann Tiersen e Toquinho. “É uma ótima oportunidade para quem mora fora da capital e não tem acesso regular a shows e outras atrações culturais”, pontua. “São 24 horas em que podemos ter um contato maior com músicos, atores e artistas”, comemora. Entretanto, não é necessário ir ao interior para encontrar grandes atrações. Pedro Gouveia, publicitário de 22 anos, compareceu pela primeira vez à Virada da capital em 2007. Gostou tanto da experiência que no ano seguinte foi acompanhar um grupo de reggae e, em 2009, assistiu ao show do cantor Marcelo Camelo. Com clara preferência pela oferta musical, Pedro acredita que um dos grandes diferenciais da programação é permitir que outros tipos de arte sejam vistos antes, durante ou depois das apresentações selecionadas por ele. “A minha ideia sempre foi aproveitar para ver shows, mas como as atrações são espalhadas em diversos locais, normalmente acabo assistindo a algum espetáculo que estava fora do plano”, conta. Para ele, a Virada é uma iniciativa muito interessante, pois além de oferecer espetáculos gratuitos, ainda traz milhões de pessoas para o centro decadente da cidade. “Assim as pessoas conhecem mais o lugar em que vivem e saem daquela rotina bairrista a que estão acostumadas”, afirma. A Virada Cultural foi inspirada em projetos semelhantes que ocorrem anualmente em determinados países da Europa, como é o caso da França. Em 2005, a prefeitura resolveu testar a fórmula em São Paulo e, em função do sucesso, hoje já é um programa consolidado entre os moradores de todo o Estado.

Atrações imperdíveis e locais Cat Power - Dia 22, às 22h30 em Jundiaí e dia 23, às 17h, em São José dos Campos. Manu Chao - Dia 22, à meia-noite, no centro histórico de Santos e dia 23, às 17h, em Araraquara. Yann Tiersen - Dia 22, às 22h30, em Piracicaba e dia 23, às 16h30, em São João da Boa Vista. Locais de atrações no interior: Araçatuba, Araraquara, Assis, Bauru, Caraguatatuba, Franca, Indaiatuba, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santa Bárbara d’Oeste, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba, Santos, Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e São Vicente. A programação completa pode ser conferida no site www.viradacultural.org

Cultura no Sintetel Antenado com os anseios da categoria, o Departamento de Cultura e Lazer do Sindicato programou para 2010 uma série de atividades culturais como aulas de dança de salão, festivais de música e curso de teatro. A intenção é proporcionar lazer e entretenimento de qualidade para os trabalhadores que, em meio a rotinas estressantes, não conseguem se dedicar a atividades do gênero ou, muitas vezes, não podem destinar parte de seu salário para esse fim. O Sintetel divulgará mensalmente no jornal Linha Direta Telecomunicações as novidades preparadas para os associados, além de constantemente veicular novas informações no site e Twitter da entidade.

Dica de teatro

Musicais da Broadway em São Paulo Os musicais da Broadway nunca estiveram tão acessíveis para os paulistanos como nas últimas temporadas. O primeiro semestre de 2010 está repleto de montagens aclamadas pela crítica internacional especializada no tema. Quem é fã de teatro não pode perder a chance de conferir de perto as adaptações de algumas das peças mais renomadas pelo mundo, como “Cats” que fica em cartaz no Teatro Abril até o dia 30 de maio (ingressos a partir de R$ 50). Com um elenco cheio de figurinhas carimbadas da televisão brasileira, como Edson Celulari, Danielle Winits e Jonatas Faro, “Hairspray” estará disponível no Teatro Bradesco até o dia 13 de junho (ingressos a partir de R$ 40). A peça “O rei e eu”, que tem duas versões cinematográficas, também aportou por aqui e ficará no Teatro Alfa até o dia 30 de maio (ingressos a partir de R$ 60). Outra montagem que está dando o que falar é “O despertar da primavera”, que pela primeira vez foi reproduzida em um país estrangeiro após a sua estreia na Broadway. A adaptação, que já passou também pelo Rio de Janeiro, fica no Teatro Sérgio Cardoso até o dia 2 de maio (ingressos a partir de R$ 50). LINHA DIRETA em revista  31


EM PAUTA

A teoria da redução da jornada Durante a vigência do capitalismo, que nos primórdios exigia dos trabalhadores jornadas mais ou menos infinitas, a história do movimento sindical pode ser periodizada pelas etapas da luta pela redução e seus resultados. A diminuição da jornada é o próprio principio envolvido. As peripécias da luta ou as efetivas reduções realizadas dependem, em ordem geral, de três fatores: o suporte técnico e material da produção (a produtividade e mão de obra), a exigência social (a luta dos trabalhadores e do movimento sindical e as reduções por empresas, categorias, setores e ramos) e a regulamentação política (resultado da combinação dos outros dois fatores sintetizado em legislações e Constituições). O permanente é a luta pela redução; as reduções efetivas acontecem ocasionalmente. O gráfico das reduções é sempre um gráfico que imita uma escada: de um determinado nível cai-se abruptamente para um nível mais baixo e este degrau se mantém até que se produza nova redução. Por isso é que a história das reduções é bem determinada em etapas e épocas: início do século XX e consolidação do movimento sindical, Revolução Soviética em 1917, Tratado de Versalhes de 1919

(e criação da OIT com a exigência de redução da jornada), recomendação da OIT em 1935 para as 40 horas, Frente Popular na França em 1936, segundo governo Roosevelt nos Estados Unidos em 1938 e assim por diante. Aqui no Brasil, as duas grandes reduções aconteceram na esteira da Revolução de 30 e na Constituição de 1988.

João Guilherme *

Atualmente no Brasil existe a possibilidade concreta de avanço na luta pela redução porque se articulam a possibilidade decorrente do suporte técnico (alta produtividade e grande oferta de mão de obra), o anseio social (resistências às horas-extras e aos bancos de hora e as reduções localizadas e negociadas) e a vontade política (luta pela aprovação no Congresso de uma redução constitucional). Além disto, a redução, como se coloca para nós, tem um caráter pró-cíclico evidente na fase de desenvolvimento da economia brasileira. Conforme nos ensina Leon Sartre em seu ensaio de 1937 sobre a teoria marxista das crises capitalistas a redução da jornada tem sempre um papel positivo na busca do equilíbrio econômico, seja na fase de depressão (como a que o mundo capitalista enfrentou no ano passado) seja em período de prosperidade (como o que estamos atravessando no Brasil). “Mas a semana de 40 horas não tem apenas uma ação benéfica sobre o desemprego. Se sua aplicação não comporta nem diminuição do salário nominal nem alta exagerada dos preços, ela deve levar à baixa da taxa de mais-valia. O operário, recebendo por um trabalho menor o mesmo salário real, recebe uma fração maior da produção e o capitalista uma fração menor; a relação entre o trabalho não-pago e o trabalho pago, ou entre o lucro e o salário, diminui e sabe-se que a queda da taxa de mais-valia aproxima a produção do equilíbrio. Assim, em um período de depressão, a diminuição do número de horas de trabalho por semana favorece o retorno ao equilíbrio. Acrescentemos que em período de prosperidade ela retarda o movimento de desequilíbrio crescente que caracteriza este período”. * João Guilherme Vargas Netto é assessor sindical do Sintetel e de outras entidades.

32  LINHA DIRETA em revista


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ILUSTRAĂ‡ĂƒO: CANDI

Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto.

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... uma mĂşsica blues deu origem ao termo “rock´n´rollâ€?? O ritmo musical hoje conhecido por “rock-nrollâ€? foi instituĂ­do pelo DJ norte-americano Alan Freed, que se inspirou em um blues de 1922. A letra da canção dizia: “my baby she rocks me with steady rollâ€? (minha gata me embala com um ritmo constante), fazendo uma clara analogia ao ato sexual.

... o deserto do Saara Ê o mais extenso do planeta? Ele cobre uma årea de 7 milhþes e 780 mil km², indo do Mar Vermelho ao Mediterrâneo. Outra curiosidade do Saara refere-se aos seus desníveis: alguns trechos situam-se 134 metros abaixo do nível do mar, outros marcam uma altura de atÊ 3.300 metros.

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“Terra totalâ€?, em grego, a palavra “pangeiaâ€? denomina o que teria sido o Ăşnico CONTINENTE constituinte do nosso PLANETA, hĂĄ aproximadaNFOUFNJMIĂ?FTEFBOPT´PRVF atestam EVIDĂŠNCIAS cientĂ­ficas.

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Segundo estudos, a PANGEIA começou a dividir-se, hĂĄ menos de 180 milhĂľes de anos, em cinco blocos que, aos poucos, foram se afastando atĂŠ assumir FORMA e LOCALIZAĂ‡ĂƒO atuais. O FENĂ”MENO teria decorrido da MOVIMENTAĂ‡ĂƒO tĂ­pica das placas TECTĂ”NICAS que compĂľem a CROSTA terrestre.

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Um dos Ă­ndices que comprovam a TESE da Pangeia ĂŠ o fato de o DESENHO das costas da Ă frica e da AmĂŠrica do Sul se encaixar como duas peças de uma mesma ENGRENAGEM. Outro diz respeito Ă  SEMELHANÇA entre as formaçþes GEOLĂ“GICAS e PALEONTOLĂ“GICAS dos dois locais. Que tal nos valermos dessa noção para enxergarmos a HUMANIDADE como composta de IRMĂƒOS?

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Fonte: Terra Curiosidades

S EME L H A N Ç A D E S E NH O

Em “O Parque dos Dinossaurosâ€? o Tiranossauro Rex atingia uma velocidade de 80km/h, mas isso nĂŁo passa de ficção. Segundo o biĂłlogo John Hutchinson, da Universidade de Stanford, e o engenheiro Mariano Garcia, de Cornell, o extinto dinossauro apresentava velocidade mĂ­nima de 16 km/h e mĂĄxima de 40 km/h, sendo esta Ăşltima igual a do cachorro.

O Ăƒ Ç A Z I L A C O L F E NOME NO

... o Tiranossauro Rex apresentava velocidade igual a do cachorro?

LINHA DIRETA em revista  33


OLHO DA RUA

Anjo torto Paulo Rodrigues *

Dia destes, quando fazia minha caminhada pelo centro, um tipo bastante estranho me chamou a atenção. Calça de flanela vermelha, camiseta do Flamengo, “bombeta” cobrindo uma das orelhas, ele distribuía panfletos de pré-candidato que tirava de um saco a tiracolo. Antes de ele me estender um santinho, eu já tinha visto a cara do Zanganor estampada na sacola. Pergunto quase sem pensar: - Você conhece o candidato? - Claro. É o Zanganor, meu chegado lá da ZL. O senhor tá perguntando por quê? – devolveu desconfiado. Explico que o Zanga é meu amigo de longa data e que da última vez que falamos ele havia prometido nunca mais entrar nessa roubada. - Mas desta vez ele ganha. É barbada! – se apressou em afirmar o Chiclete (era esse o seu codinome). Ganha porque recebeu um aviso. Acordou de madrugada e viu um anjo descendo num guarda-sol todo branco com uma dezena escrita em negrito. Chateado com o meu indisfarçável riso de ironia, o Chiclete fez questão de explicar os detalhes: - Primeiro ele pensou que fosse uma dica para o bicho. Mas como, se a dezena só paga uma merreca? Porém, anjo nenhum iria pregar num cristão uma falseta. Percebeu então que o número era o mesmo de um partido que o tinha convidado meses atrás. Bingo! Daí foi só ligar os pontos: guarda-sol branco igual a lugar ao sol; número de legenda igual a eleição garantida. Nós, seus colegas mais chegados, também 34  LINHA DIRETA em revista

queremos uma vaguinha na areia e botamos o bloco na rua. Vamos lutar pela total adesão da comunidade. A união faz a força! - Usou orgulhoso o chavão. O Chiclete partiu com sua esteira imaginária e eu fiquei refletindo. O Zanganor começou mal, fazendo o que sempre condenou nos políticos: promessas. Ainda assim, desejo que ele não tenha errado na interpretação do sonho e que este não se transforme em pesadelo. Vai que o guardasol seja na verdade um guarda-chuva prenunciando tempestade; ou que a dezena seja a quantidade de votos que ele vai receber do eleitorado. Como fez o Chiclete, me escoro também num chavão: “Pobre não vota em pobre”. Embora discorde do Zanga, não quero de forma alguma agourá-lo. Temo apenas que o tal anjo, mesmo não sendo torto, tenha sido mal compreendido. E se o pobre mensageiro, em vez de lhe passar uma dica, tentasse apenas botá-lo em estado de alerta?

* Paulo Rodrigues é assessor do Sintetel e autor de três livros: À Margem da Linha (Prêmio APCA), editado em Portugal, Espanha e França, Redemoinho (Contos) e As Vozes do Sótão (Romance).


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8 - O sonho virou realidade