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Linha Direta | Agosto 2007

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Linha Direta | Agosto 2007


NEST NESTAA EDIÇÃO

SÃO PAULO ::: AGOSTO 2007 ::: ANO I ::: 2ª EDIÇÃO

Potencial

Mulher

05 TELEATENDIMENTO

25 NOVOS RUMOS

Fuso horário privilegiado, boa localização geográfica e mão-de-obra barata fazem do Brasil um forte concorrente no setor de serviços

Conheça as novas coordenadoras da Secretaria da Mulher e suas principais propostas

Polêmica

26 ABORTO

Entrevista

Tema de muita discussão no Brasil, o assunto divide opiniões de especialistas

06 CARLOS LUPPI O ministro conta quais são suas expectativas para o mercado de trabalho no Brasil

27 ECONOMIA

Subsede

Especial

10 Conheça um pouco mais

08 SINTETEL 65 ANOS

sobre seu sindicato. Por ordem de sorteio, a região de Campinas larga na frente

Com o tempo, o salário mínimo perdeu seu poder de garantir o sustento da família

São mais de seis décadas em defesa do trabalhador. Conheça um pouco da história do seu sindicato

Literatura

Para ouvir

Aconteceu

12 Trabalhadores das

14 1º DE MAIO Este ano a festa reuniu lideranças políticas e artistas em prol da preservação do meio ambiente

Capa

16 GLOBALIZAÇÃO Linha Direta em Revista acompanhou o dia-a-dia de um IRLA na aldeia Krukutu

Linha Direta | Agosto 2007

O assessor sindical João Guilherme fala sobre o movimento sindical no Brasil

29 PAN RIO 2007

prestadoras aprovam acordo coletivo após longa negociação entre sindicato e empresas

Comemoração

28 OPINIÃO

O Pai Goriot é um clássico da literatura, indispensável para a formação intelectual. Confira a resenha na PG 32

Emmerson Nogueira é um brasileiro com repertório seleto que tem se destacado na interpretação de músicas internacionais. PG 32

22 APOSENTADOS

24 FIQUE POR DENTRO

As estatísticas mostram que a expectativa de vida do brasileiro cresce a cada ano. Conscientização e cuidados com alimentação são cruciais para este aumento

Telefônica entra na briga pela TV por assinatura enquanto operadoras de canais pagos ampliam sua participação no segmento de banda larga

Personalidades do esporte debatem sobre o que fica para o país depois dos jogos

SAÚDE

30 Teleatendimento: um setor em franca expansão que esconde grandes problemas

Olho da rua

34 O escritor Paulo Rodrigues conta mais uma história do amigo Zanganor

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PALA VRA DO SINDICA ALAVRA SINDICATTO

UM PROJETO QUE SE

CONCRETIZA N

ossa revista já é uma realidade. Superamos as dificuldades e vencemos mais um desafio. Caro leitor, você acaba de receber a segunda edição do Linha Direta em Revista. Graças ao incentivo da diretoria do Sindicato, a dedicação de toda a equipe de comunicação e a aposta de nossos parceiros, conseguimos transpor mais este obstáculo. Com muito otimismo, já pensamos em promover este veículo para uma periodicidade trimestral, tamanha a aceitação e aprovação de nossos sócios. Buscaremos ampliar as parcerias para viabilizar esta nova idéia. Como disse um dia o cantor e poeta Raul Seixas "sonho que se sonha junto é realidade". Nesta segunda edição procuramos, como sempre, valorizar o trabalhador. Para isso, publicamos uma entrevista com o atual ministro do Trabalho, Carlos Luppi, e matéria retratando o dia-a-dia de um típico trabalhador de rede, profissional fundamental em nossa categoria. Quero destacar também o aniversário do Sintetel, que completou 65 anos de história no mês de abril. Você terá a oportunidade de conhecer um pouco da história deste que é o maior sindicato em telecomunicações da América Latina. Além disso, esta revista traz muito conteúdo para sua informação e entretenimento. Tenho a ousadia de afirmar que o Sintetel oferece mais um canal alternativo de comunicação, que terá mais valor com a sua contribuição e par ticipação. Se tiver alguma sugestão, crítica ou comentário, fale conosco. Envie-nos e-mail ou car ta. E não deixe de acessar www.sintetel.org Boa leitura!

DIRETORIA DO SINTETEL Presidente: Almir Munhoz Vice-Presidente: José Carlos Guicho Diretoria Executiva: Gilber to Rodrigues Dourado, Alcides Marin Salles, Elísio Rodrigues de Sousa, Mauro Cava de Britto e Joseval Barbosa da Silva Diretores Secretários: Cenise Monteiro de Moraes, Reynaldo Cardarelli Filho, José Clarismunde de Oliveira Aguiar, Eudes José Marques, Amândio Bispo Cruz, Bráulio Moura da Silva e Germar Pereira da Silva Diretores Regionais: Jorge Luiz Xavier, Welton José de Araújo, José Rober to da Silva, Ismar José Antonio e Genivaldo Aparecido Barrichello Administração: Sérgio Marfil sergio@sintetel.org.br Jurídico: Humber to Viviani juridico@sintetel.org.br OSLT: Paulo Rodrigues oslt@sintetel.org.br Recursos Humanos: Sergio Roberto rh@sintetel.org.br COORDENAÇÃO EDITORIAL Diretor Responsável: Almir Munhoz Jornalista Responsável: Marco Tirelli MTb 23.187 Reportagem e Revisão: Amanda Santoro, Danielle Borges e Marco Tirelli Estagiária: Renata Nogueira Diagramação: Danielle Borges MTb 46.993 e Ronaldo Soares Fotos: J. Amaro e Rafael Rezende Colaboradores: João Guilherme Vargas Netto, Tatiana Carlotti, Paulo Rodrigues e Theodora Venckus Impressão: Unisind Graf. Ltda. Distribuição: Sintetel Tiragem: 50.000 exemplares Periodicidade: Semestral Linha Direta em Revista é uma publicação do Sindicado dos Trabalhadores em Telecomunicações no estado de São Paulo | Rua Bento Freitas, 64 | Vila Buarque | 01220-000 | São Paulo SP | 11 3351-8899 www.sintetel.org | sintetel@sintetel.org.br SUBSEDES ABC: 11 4123-8975 sintetel_abc@uol.com.br Bauru: 14 3231-1616 sintetel_bru@uol.com.br Campinas: 19 3236-1080 sintetel.cas@terra.com.br R.Preto: 16 3610-3015 subribeirao@sintetel.com.br Santos: 13 3225-2422 subsede_santos@uol.com.br S.J.Rio Preto: 17 3232-5560 sindsrr@terra.com.br V. Paraíba: 12 3939-1620 sintetel_sjc@uol.com.br O Sintetel é filiado à Fenattel (Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações), à UNI (Rede Sindical Internacional) e à Força Sindical. Os artigos publicados nesta revista expressam exclusivamente a opinião de seus autores.

ALMIR MUNHOZ é presidente do Sintetel

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BRASIL

NA MIRA DO MUNDO Mão-de-obra barata, rede de telecomunicações de qualidade, localização estratégica e fuso horário privilegiado. Essas e outras características colocam o Brasil, segundo consultorias estrangeiras, na mira de empresas internacionais que querem importar serviços de outros países. DANIELLE BORGES

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sso faz com que o Brasil se torne tados Unidos, Inglaterra, Japão, Alemauma forte alternativa para o que os esnha e Espanha, onde a mão-de-obra é pecialistas chamam, em inglês, de mais cara quando comparada a alguns “outsourcing” ou “offshoring”. Prinpaíses da América Central e Caribe, além cipalmente quando a Índia começa de repúblicas do leste europeu como dar sinais de esgoHungria e Bulgária. tamento de sua Entenda o que significa: capacidade de O principal motivo Outsourcing: Terceirização de atiatendimento à deque leva uma empremanda global e a vidades ou processos de uma sa a buscar serviços China, apesar de empresa. fora de seu país de sua alta capacida- Offshoring: Realização de ativi- origem é a redução de de crescimento, dades ou processos de uma em- de custos. As iniciatiter problemas com presa em outras localidades vas das companhias o fuso horário. brasileiras na busca

tes aqui no país. Atualmente, 90% das posições de atendimento são para suprir a demanda doméstica”, afirma José Eduardo Lima, coordenador de negócios internacionais da ACS. Segundo ele, é importante que as companhias brasileiras estejam disponíveis para este mercado, pois clientes globais instalados aqui podem querer também expandir seu negócio para outros países, prejudicando as empresas que ainda não estiverem preparadas. O ponto negativo da expansão desta atividade é a desaceleração do dólar em

O Br asil é o ter ceir anking com 350 mil posições de aatendimento tendimento Brasil terceir ceiroo no rranking tendimento.. O potencial par fshor xiste paraa of offshor fshoree eexiste xiste,, no entanto entanto,, algumas vulner vulneraabilidades de devvem ser consider adas iciência no domínio da língua ing lesa contin ua sendo consideradas adas.. A def deficiência inglesa continua uma das principais bar as par xpor tação de mais ser viços barrreir eiras paraa a eexpor xportação serviços viços.. É uma prática que teve início quando os Estados Unidos começaram a buscar parceiros nos países vizinhos como México e Canadá. Num segundo momento, entraram neste mercado a Irlanda e a Índia, que dispõem de língua inglesa nativa e mão-de-obra barata. Atualmente, a Índia é a maior fornecedora de mão-de-obra neste segmento com 70% do mercado mundial.

por contratos internacionais ainda são isoladas, mas algumas entidades já encaram como oportunidade de negócio latente. A ACS foi uma das primeiras do setor a fechar negócios internacionais na área de teleatendimento. No final de 2003, conquistou seu primeiro cliente.

Os principais clientes desse segmento estão localizados principalmente nos Es-

“O Brasil acordou tarde para essa possibilidade, já que temos muitos clien-

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relação ao real. “Com a taxa de câmbio caindo bastante, apesar de a mão-de-obra brasileira ser barata para os Estados Unidos, ela se torna mais cara do que a de outros países nos quais o dólar vale mais”, esclarece José Eduardo. Além disso, a rigidez nas leis trabalhistas e a alta carga tributária também atrapalham a expansão do serviço.

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MERCADO DE TRABALHO

OFFSHORING


ENTREVIST ENTREVISTAA

TRABALHO E EMPREGO

O ministro Carlos Luppi iniciou sua carreira política ao aproximar-se do exgovernador Leonel Brizola. O contato casual virou amizade e o grande respeito pelo líder fez com que Luppi se engajasse na fundação do PDT, seu único partido até hoje. Foi o grande responsável pelo considerável desempenho do partido nas eleições de 2006. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu ao Linha Direta em Revista.

Victor Soares

" VAMOS FAZER O MAIOR PROGRAMA DE

QUALIFICAÇÃO DO TRABALHADOR" * Ex-deputado federal nota 10 pelo DIAP, Carlos Luppi é natural de Campinas, mas vive desde os três anos de idade no Rio de Janeiro. O atual ministro do Trabalho e Emprego é formado em Administração de Empresas.

MARCO TIRELLI

Linha Direta em Revista: Qual a avaliação do emprego no Brasil? Ministro Carlos Luppi: Há um aumento na geração de empregos. O acumulado no ano até agora foi de 922 mil com car teira assinada. Nossa expectativa é superar 1,5 milhão de empregos formais até o final de 2007. Em contrapar tida, há um percentual muito grande de brasileiros para entrar no mercado de trabalho. Apesar do crescimento atingido até o momento, o índice ainda não é suficiente para cobrir a demanda existente. O Brasil vive um bom momento. Temos um recorde de tra-

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“O que não pode acontecer é discutir a redução de direitos do tr traa balhador balhador.. Se for par etirá-los paraa rretirá-los etirá-los,, não contem com o ministro do Tr a balho balho.. ” balhadores com carteira de trabalho assinada. Com o crescimento econômico, estabilidade financeira, inflação controlada, reservas cam-

biais muito altas, risco país em baixa, moeda forte e crescimento acima do previsto por todos os economistas, certamente atingiremos um índice de 5% de crescimento neste ano e com isso geraremos mais empregos. LDR: Com o crescimento da economia, o Brasil carece de mão-deobra especializada. Há alguma preocupação do governo quanto a isso? Luppi: Nossa preocupação é com a qualificação do trabalhador. Estamos preparando um programa que multiplicaremos por dez os valores de investimentos do FAT (FunLinha Direta | Agosto 2007


Queremos encontrar uma outra fórmula para que o trabalhador tenha menores gastos em comparação aos que ele tem hoje. Enfim, o acordo é para encontrar uma fórmula que diminua o ônus do trabalhador. As centrais passarão a ter os direitos e os deveres de todos os órgãos legais. Elas poderão ter todas as prerrogativas de central sindical reconhecidas oficialmente. Agora falta só a formatação da medida provisória. A Advocacia Ge-

LDR: Embora o presidente Lula tenha vetado a Emenda 3, o veto ainda pode ser derrubado pelo Congresso. O governo já tem uma estratégia para tentar reverter a situação caso isso ocorra? Luppi: Isso não ocorrerá. O governo tem uma maioria muito consistente tanto no Senado quanto na Câmara. A Emenda 3 fere o preceito constitucional, pois tira, por exemplo, o poder do Ministério do Trabalho de fiscalizar e passa todo esse processo para a Justiça do Trabalho que já acumula muito serviço. Eu acredito que o veto do presidente da República será mantido. Depois nós abriremos negociações para casos específicos.

“Nossa expectativa é super ar superar 1,5 milhão de empr or mais empree gos ffor ormais até o final de 2007. Em contr contraa par tida, há um percentual muito ggrr ande de br asileir os par brasileir asileiros paraa entr ar no mer cado entrar mercado de tr traa balho balho.. ”

LDR: Como está a situação da Medida Provisória que legaliza as centrais sindicais? E o que melhora para as centrais? Luppi: Ela já está acordada nos seus principais itens. Fizemos um acordo com todas as centrais no qual elas terão 10% dos recursos dos impostos sindicais. Antes ficava 20% para o governo. Nós abrimos mão de 10% para manutenção necessária das centrais sindicais. Logo depois da sua legalização, discutiremos a questão do desconto de um dia de trabalho do trabalhador. Linha Direta | Agosto 2007

Victor Soares

do de Amparo ao Trabalhador) na qualificação. Vamos fazer o maior programa de qualificação da história. O grande salto da modernidade é qualificar o trabalhador para que ele tenha o melhor emprego e a melhor remuneração. A média salarial aumentou, o emprego aumentou, o índice de desemprego tem diminuído e eu acredito que vamos viver um ano muito importante. Será um marco do Brasil no caminho do crescimento econômico e da geração de emprego formal.

ral da União está analisando a sua constitucionalidade, e depois vamos marcar a data para o presidente assinar. LDR: A modernização da CLT pode gerar mais empregos? Luppi: Não sei o que chamam de modernização. Se modernização significa perda de direitos do trabalhador, eu não discuto. Eu discuto atualização de algumas leis. Por exemplo, a questão do trabalho aos domingos foi fruto de negociação que os comerciários e os patrões se sentiram contemplados. Outro exemplo: o trabalho das empregadas domésticas foi uma legislação específica. O que não pode acontecer é discutir a redução de direitos do trabalhador. Se for para retirálos, não contem com o ministro do Trabalho. LDR: Como vai ser implementada a Embaixada dos Trabalhadores? Luppi: Foi uma idéia que surgiu na última reunião do Conselho de Imigração. Há muitos brasileiros residentes no exterior que são submetidos a situações constrangedoras e humilhantes. Nós queremos focar esse problema. O Ministério do Trabalho tem que proteger os trabalhadores brasileiros em qualquer par te do mundo. Nossa idéia é criar um escritório de representação. Vamos começar em Nova Iorque, pois lá temos grande número de brasileiros. Esse escritório terá a par ticipação dos empregadores e dos trabalhadores. Ele irá funcionar como um escritório de representação que se chamará Embaixada dos Trabalhadores para aquele que se sentir agredido ou humilhado em seus direitos tenha um amparo legal, jurídico, estrutural e até financeiro.

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ENTREVIST ENTREVISTAA

TRABALHO E EMPREGO


ESPECIAL

HISTÓRIA

O Sindicato completou seis décadas e meia de história construída em conjunto com a categoria de telecomunicações. Sempre autêntico em suas atuações, o Sintetel permanece com seu compromisso de defender a dignidade e o direito do trabalhador. Conheça um pouco da nossa trajetória ao longo dos anos.

65 ANOS EM DEFESA DO MARCO TIRELLI

TRABALHADOR

A

Associação Profissional dos Trabalhadores em Empresas Telefônicas do Estado de São Paulo foi elevada à categoria de Sindicato na assembléia geral realizada em 19 de março de 1941. No entanto, o reconhecimento veio somente em 15 de abril de 1942. O processo foi demorado, pois existia outro sindicato reconhecido no estado, o Sindicato das Comunicações de São Paulo, que representava a categoria dos trabalhadores em empresas telefônicas, mais tarde desmembrado em vários outros sindicatos. Em 65 anos de história, o Sintetel acumulou vitórias e conquistas importantes. Foi pioneiro em muitas, como o abono de natal quando não existia 13º salário, trinta dias de férias quando todos os trabalhadores tinham apeFotos: ARQUIVO SINTETEL

nas vinte, e a redução da jornada das telefonistas para seis horas diárias. Ainda hoje outras categorias lutam para alcançar os avanços que o Sintetel já conquistou como a jornada de 40 horas semanais, vale-refeição e cesta básica.

UM PATRIMÔNIO A SERVIÇO DOS TRABALHADORES O Sintetel é um sindicato for te, atuante e respeitado graças ao empenho de gerações que dedicaram suas vidas à construção desta história. Hoje, o associado conta com muitos benefícios: quatro colônias de férias, depar tamento jurídico, assistência médica aos aposentados, sete subsedes instaladas nas principais cidades de São Paulo, imprensa sindical e seguro de vida.

1960

Assembléia de 1960, em São Paulo. Na foto, telefonistas da antiga CTB (Companhia Telefônica Brasileira). O Sintetel conquista a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias

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A base ter ritorial do territorial Sintetel aabr br ang brang angee todo o estado de São Paulo esentando aulo,, rree pr presentando quase 130 mil es do tr balhadores traa balhador setor de telecomunicações. Recentemente foi inaugurado o Centro de Formação Profissionalizante Sintetel, situado ao lado da sede em um antigo casarão totalmente restaurado. Enfim, o nosso sindicato se preocupa com o social, valoriza o esporte e a cultura do nosso povo, além de lutar incansavelmente para melhorar a qualidade de vida de seus representados.

1985

Assembléia da greve de 1985 na Rua Sete de Abril, em São Paulo. Milhares de trabalhadores concentram-se para deliberar a adesão ao movimento

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GERALDO DE VILHENA CARDOSO, Presidente de 1981 a 1987

OSVALDO ROSSATO, Presidente de 1987 a 1997

ALMIR MUNHOZ, atual presidente do Sintetel

"Era o final da ditadura e a atuação dos sindicatos se restringia ao assistencialismo. Vivíamos a transição para a democracia e a demanda do trabalhador estava reprimida desde 1968. Começavam as manifestações dos trabalhadores no ABC. Quando assumi a presidência do Sintetel, renovamos 60% da diretoria, o que facilitou a transição", conta.

Foi em sua gestão que a categoria conquistou a jornada de 40 horas semanais. "O Brasil saia da ditadura e entrava para a democracia. Os diretores e trabalhadores assumiram a luta junto comigo", lembra. Duas questões importantes na sua gestão foram: melhorias nas condições de trabalho e salário. "As reposições dos planos econômicos Bresser, Verão e Collor foram efetuadas naquele período, mas a maior conquista foi mobilizar a categoria", completa. Também neste mandato o Sindicato foi informatizado e descentralizado, com a criação de novas subsedes regionais.

Entre outras conquistas, foi durante sua gestão que o Sintetel assinou a 1ª Convenção Coletiva no setor de telecomunicações e a implementação do Plano de Classificação de Salários na Telefônica. "A história mostra que durante 65 anos temos realizado um trabalho sério de conscientização que nos leva à mobilização espontânea e permanente. Antes representávamos 30 mil trabalhadores e hoje são quase 130 mil. Temos muito a comemorar. Os resultados positivos estão aí registrados ao longo da história. Fomos o único sindicato do setor a crescer após a privatização", avalia Almir Munhoz.

“Em 1985 organizamos a primeira greve geral dos telefônicos no Brasil. Foi um período de resistência, pois o regime ainda vigorava. Dentre as principais conquistas está o aumento da gratificação de férias, elevação dos benefícios e adicional de periculosidade para cabistas e auxiliares de rede". Nesta gestão foi criado o embrião das subsedes.

Segundo ele, o movimento sindical no Brasil e no mundo não se preparou para a globalização. "Se pudesse voltar no tempo, investiria mais em capacitação de quadros sindicais", completa.

1990

Passeata durante a greve por reposição salarial na Telesp, em 1990. Telefônicos fecham a Rua Sete de Abril no centro de São Paulo. População recebe comunicado esclarecendo sobre a paralisação

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Hoje o Sintetel é o maior sindicato em telecomunicações da América Latina. "Nosso trabalho é reconhecido mundialmente", completa.

1996

Ato pela Qualidade Real dos Salários em frente à sede da Telesp, em 1996. Mais de 5 mil trabalhadores exibiram seus holerites na Rua Martiniano de Carvalho em forma de protesto contra os baixos salários

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ESPECIAL

HISTÓRIA


SUBSEDES

CIDADE DAS ANDORINHAS

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações de Campinas (CPqD) é o maior pólo de pesquisa da América Latina e um dos maiores do mundo.

A FORÇA DE CAMPINAS Universidades, indústrias, tecnologia e comércio intenso. Inserida nesse panorama, a subsede de Campinas atende cerca de 20 mil trabalhadores e abrange municípios importantes do estado como Jundiaí, Piracicaba e Sorocaba. AMANDA SANTORO

E

sta é a por quinze anos. primeira de uma Em outubro de série de reporta2001, a regional gens sobre as do Sindicato musubsedes do dou de casa: foi Sintetel e as respara a Rua Antôpectivas cidades nio Álvares Lobo, onde estão instaonde se encontra ladas. Por ordem até hoje. de sorteio, CamA região metropolitana de Campinas apresenta pinas larga na 3,2 milhões de habitantes, ou seja, 6,75% da A filial do Sindicafrente. Conheça to atende cerca de população do estado de São Paulo. as demais regio70 municípios, innais nas edições seguintes. cluindo as cidades que integram a região metropolitana de Campinas. A reA primeira subsede de Campinas foi gional também abrange Piracicaba, inaugurada em 1986. Instalada no Rio Claro, Jundiaí, São João da Boa centro da cidade, funcionou no local Vista, Bragança, Atibaia e Sorocaba.

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Quem é o responsável pela subsede? Welton José de Araújo é diretor regional de Campinas desde 2001. De 84 a 92 foi ativista e delegado sindical. Nos dois anos seguintes foi suplente do Conselho Fiscal. No ano de 94, assumiu a posição de diretor regional adjunto e instrutor de formação do Sintetel. De 97 a 2001 foi secretário de formação do Sindicato e, no mesmo ano, foi eleito diretor da regional. Linha Direta | Agosto 2007


Localizada a noroeste de São Paulo, Campinas está a apenas 90 quilômetros da capital. Possui cerca de 800 km² e pouco mais de um milhão de habitantes. Atualmente, abriga um terço da produção industrial do estado. Juntamente com São Paulo, Jundiaí e Sorocaba, a cidade integra a maior economia da América Latina. Ela produz, inclusive, cerca de 10% do PIB brasileiro, igualando-se ao percentual do Chile. Na área, destacam-se empresas de alta tecnologia como a Dell e IBM, além do comércio variado.

“Campinas, assim como o ABC paulista, é um pólo industrial. É por isso que a atuação política e sindical na rreegião é bastante ffor or te”, orte”, af ma Welton JJosé osé de Ar aújo etor rreegional afiririrm Araújo aújo,, dir diretor do Sindica to Sindicato to.. sem fins lucrativos - desenvolve pesquisas que dão suporte a diversos setores da sociedade.

A Unicamp é uma das principais universidades do Brasil. A instituição concentra 15% de toda produção científica brasileira e cerca de 10% da pós-graduação nacional.

A Atento é uma das empresas mais representativas da região. Ela emprega cerca de 2.000 trabalhadores.

O número de empresas de telecomunicações instaladas na área, especialmente telecentros, é expressivo. Atento, ACS, Claro e Dedic/Mobitel são alguns exemplos. "Há cerca de três anos os telecentros procuram a região. Isso porque - com a presença das faculdades - existem muitos estudantes dispostos a trabalhar e integrar a mão-de-obra da categoria. São jovens que se sustentam para estudar ou complementam a renda familiar", completa o diretor regional Welton. Campinas ainda abriga o maior centro de pesquisa da América Latina. O CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento) é um dos maiores pólos de telecomunicações e tecnologia da informação do mundo. A fundação Linha Direta | Agosto 2007

A educação também é um dos pontos fortes da região. Diversas universidades e escolas técnicas encontram-se na cidade. Unicamp, PUC-Campinas e IBTA (Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada) são alguns exemplos. O Centro de Educação Profissional de Campinas "Prefeito Antonio da Costa Santos" (Ceprocamp) é a primeira escola pública da cidade a oferecer gratuitamente educação profissional, visando diminuir as desigualdades sociais. Segundo o censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 95% dos campineiros são alfabetizados. O índice brasileiro fica na casa dos 70%. Campinas também será uma das primeiras cidades a se favorecer com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Recentemente, no final de junho, 14 municípios da região foram autorizados a receber investimentos diretos. Para Campinas serão destinados R$ 147 milhões. "O PAC dinamizará a infra-estrutura da região, diminuindo o abismo entre grandes estruturas de desenvolvi-

mento cercadas por bolsões de miséria", afirmou Sérgio Benassi, vereador da cidade e líder do governo na câmara de vereadores. Quem visitar a cidade não pode deixar de conhecer o Parque Portugal Lagoa do Taquaral, um ambiente agradável que proporciona um estreito contato com a natureza, e o Shopping Parque Dom Pedro, maior instalação coberta do segmento na América Latina.

O Parque Portugal Lagoa do Taquaral possui diversos atrativos, além de abrigar a Caravela Anunciação, réplica exata daquela que trouxe Pedro Álvares Cabral ao Brasil.

Subsede Campinas Atendimento: das 8h30 às 17h30 Endereço: Rua Dr. Álvares Lobo, 172 Botafogo - Telefone: (19) 3236-1080 Email: sintetel.cas@terra.com.br A regional abrange: • 74 municípios • 43 empresas • 20 mil trabalhadores

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SUBSEDES

CIDADE DAS ANDORINHAS


NO TÍCIAS NOTÍCIAS

ACONTECEU Sindicato e Telefônica Em fevereiro, após assumir a presidência da Telefônica no Brasil, Antônio Carlos Valente, que até então comandava a companhia no Peru, visitou a sede do Sindicato em São Paulo. Foi a primeira vez que um presidente da empresa visitou o Sintetel, o que demonstra respeito pela entidade. Na foto, Valente da Telefônica e Almir Munhoz, presidente do Sintetel.

Man ual par os Manual paraa telecentr telecentros

Acordo Coletivo nas pr estador as prestador estadoras No mês de maio o acordo coletivo 2007/2008 foi aprovado pelos trabalhadores em todo o estado de São Paulo. Vale lembrar que os trabalhadores recusaram duas propostas anteriores e decidiram pela greve, mas as empresas apresentaram a proposta final antes da paralisação. O grupo das prestadoras da Telefônica é formado por onze empresas. São 28 mil trabalhadores com data-base em 1º de abril. ○

Se hoje falamos de deficiência, amanhã abordaremos afro-descendentes, questões de idade ou de gênero. O cerne da discussão é a inclusão

SUMIKO OKI SHIMONO Consultora da Divisão de Responsabilidade Social Gelre

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Já está em vigor o Anexo II da Norma Regulamentadora 17. O Sintetel saiu na frente e lançou o Manual do Trabalhador em Teleatendimento/Telemarketing, que tem como objetivo informar e conscientizar os trabalhadores a respeito de vários itens do Anexo II, como o estabelecimento de pausas durante a jornada diária. O Anexo II da NR 17 é uma lei que estabelece parâmetros mínimos para o trabalho em atividades de teleatendimento. O documento regulamenta as pausas, as condições ambientais de trabalho, os equipamentos, a capacitação dos trabalhadores, as condições sanitárias, o mobiliário do posto de trabalho, entre outros. ○

VII Encontro dos aposentados Seguindo a tradição, o Sintetel promoveu no final de 2006 o VII Encontro dos Aposentados em Caraguatatuba. A programação, voltada para o entretenimento da 3ª idade, incluiu passeios, campeonatos, palestra sobre auto-estima e um animado baile de encer ramento. O Encontro contou com a par ticipação de cerca de 200 pessoas.

RAPPIN HOOD Cantor de rap durante a Virada Cultural

É importante representar o hip hop, tocar pro povo de graça. É um projeto que deve ter vida longa.

Linha Direta | Agosto 2007


ACONTECEU

O dia do trabalhador é todo dia. No Brasil, trabalhar e vencer na vida é matar um leão a cada dia.

RENNER - Cantor da dupla sertaneja Rick e Renner

Festa da telef onista telefonista

No começo de julho foi comemorado, no salão do Sindicato, o Dia da Telefonista. Ao som de música ao vivo, os participantes se divertiram na festa junina. Durante o evento houve sorteio de diversos prêmios, entre eles estadia na colônia de férias do Sintetel. Os aposentados acreditam que essa é uma oportunidade para rever as antigas amizades e relembrar os velhos tempos.

ANTÔNIO CARLOS VALENTE Presidente da Telefônica

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CARLOS LUPPI - Ministro do Trabalho e Emprego no 1º de Maio da Força Sindical

Temos níveis de educação e problemas de segurança que infelizmente não são observados no primeiro mundo. No entanto, temos redes de telecomunicações com características muitos similares.

Uma comissão de dirigentes do Sintetel par ticipou da cerimônia de posse do deputado federal Paulinho da Força, em Brasília, no dia 1º de fevereiro. O presidente da Força Sindical foi o sexto candidato mais votado em São Paulo com a soma de 287.443 votos.

Que reivindicação, que nada! Ministro não faz reivindicação. Ministro quer mobilização.

Paulinho toma posse

O preconceito está relacionado com a nossa cultura. A gente ainda vive de alguma forma na Casa Grande e Senzala.

Os empresários têm que abrir mais a cabeça. Ao invés de ficar num discurso progressista, fazer com que de fato o progresso exista.

MARGARIDA BARRETO - Médica do trabalho e pesquisadora do Núcleo de Estudos Psicossociais de Exclusão e Inclusão Social (Nexin-PUC/São Paulo)

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NO TÍCIAS NOTÍCIAS


COMEMORAÇÃO

1º DE MAIO

1 MILHÃO EM DEFESA DO

PLANETA

Gente famosa, muita música, sorteios e reivindicações marcaram o 1º de maio da Força Sindical. Até o final da festa, passou pela Praça Campo de Bagatelle, zona norte de São Paulo, cerca de 1,3 milhão de pessoas. DANIELLE BORGES E AMANDA SANTORO

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a comemoração do Dia Mundial do Trabalho deste ano, a preocupação foi com a preservação do meio ambiente. Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e deputado federal (PDT), justificou a escolha do tema Os trabalhadores em defesa do planeta. Segundo ele, “não adianta as pessoas cobrarem somente do governo, é preciso que cada cidadão dê sua contribuição”. Paulinho garantiu ainda que não basta aumentar o salário, estabilizar o emprego e, em contrapartida, deixar o planeta morrer. “A escolha deste tema foi exa-

de cem ou duzentas pessoas que ficava trancada numa sala falando

levem a sério seu compromisso com o trabalhador”, concluiu.

Não ffor or am computadas ocor rências de violência, um ffaato memoráv el oram ocorrências memorável par gnitude paraa um acontecimento desta ma magnitude gnitude.. tamente para fazer as pessoas pensarem”, afirmou. Na ocasião, foram distribuídas cerca de 20 mil mudas de árvores. Perguntado se o caráter político do evento mudou com o tempo e hoje não passa de uma festa com shows e sor teios para atrair pessoas, Paulinho argumentou que “antigamente juntava-se uma militância

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mal do governo e empresários”. Segundo ele, há nove anos esta é a fórmula que deu certo em todo o Brasil e chama a atenção, inclusive, de delegações internacionais. Disse ainda que os shows e sorteios são apenas uma maneira de atrair as pessoas para aquilo que é necessário. “A gente faz festa, mas também cobra que os governantes

Dep. Frank Aguiar recebe muda de árvore do Dep. Paulinho

Linha Direta | Agosto 2007


Prefeito Gilberto Kassab, ministro Carlos Luppi e presidente do Sintetel, Almir Munhoz, no telão

Também participou do evento o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Luppi, que disse apoiar a organização do trabalhador em sindicatos. “Eu quero mobilização, pois entendo que a sociedade moderna exige que os trabalhadores se organizem e se filiem a sindicatos para garantir seus direitos”, completou. Também marcaram presença na festa o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o presidente da Câmara dos

Além de discursos e reivindicações, o dia também foi de festa. Desde cedo, vários cantores e grupos de pagode passaram pelo palco da Força Sindical. Foram cerca de 40 shows programados. Entre eles, Harmonia do Samba, Frank Aguiar, Daniel, Exaltasamba, Guilherme e Santiago, Tânia Mara, Fabio Jr., Rionegro e Solimões e Zezé Di Camargo e Luciano. “Estou trabalhando com vontade neste 1º de maio, pois estou

A Força Sindical distribuiu cerca de 6 milhões de cupons, sor teados por membros de sindicatos representativos, como o Sintetel. Genivaldo Barrichello, diretor responsável pela subsede de Santos, sor teou um apartamento no valor de R$ 50 mil. Enquanto isso, no telão foi exibida uma mensagem de Almir Munhoz, presidente do Sindi-

Além das aatr tr ações m usicais trações musicais usicais,, os prêmios sor teados também a tr aír am o púb lico público lico.. Este ano f or am cinco a par tamentos e dez automóveis. Deputados, Arlindo Chinaglia (PT), e o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B). Durante seu discurso, o senador Cristovam Buarque (PDT) sugeriu um momento de reflexão para a sociedade. “Hoje, aqui, vou propor uma greve geral de uma hora para que os trabalhadores possam pensar: o que eu posso fazer para melhorar meu país?”, indagou.

brigando pela conser vação dos direitos adquiridos e causas justas do tr abalhador br asileiro. Também estamos lutando por aquilo que achamos necessário para o País, como reforma trabalhista e tributária”, afir mou Frank Aguiar, cantor que se elegeu deputado federal (PTB) na última eleição.

cato: “É nossa responsabilidade fazer com que os dirigentes de todo o mundo cumpram seu papel de proporcionar um futuro mais justo e com mais condições para vivermos em paz com nossas famílias”, afirmou ao se referir ao tema principal da festa.

Cantor Daniel, o povo e o senador Cristovam Buarque

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COMEMORAÇÃO

1º DE MAIO


CAP CAPAA

GLOBALIZAÇÃO

TELEFONIA PARA OS

ÍNDIOS Ao final de duas horas e meia, Gilson adentra a aldeia indígena Krukutu para fazer reparos na rede telefônica. Situada em Parelheiros, extremo sul do município de São Paulo, a comunidade guarani possui dois telefones públicos e três linhas privativas para acesso à internet banda larga. AMANDA SANTORO E DANIELLE BORGES

A

pós duas horas de trajeto, passando pelo caótico trânsito da cidade de São Paulo no horário de pico, Gilson chega a uma esburacada estradinha de terra que parece ligar nada a lugar nenhum. Gilson Carvalho Silva (39) trabalha há oito anos no setor de telecomunicações e nos últimos dezoito meses é IRLA (Instalador Reparador de Linhas e Aparelhos) da

Relacom, empresa prestadora de serviços à Telefônica.

rante a comunicação num raio de oito quilômetros, onde está a divisa da capital com Itanhaém.

Mais meia hora e ele chega ao destino. A estrada, deserta e sem asfalto, tem sua paisagem estática perturbada somente pelo carro do IRLA. Para atender a região toda, apenas um técnico: Gilson. É também um único armário de recepção de linhas telefônicas que ga-

Gilson Carvalho da Silva zela pela comunicação na aldeia indígena Krukutu

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Linha Direta | Agosto 2007


Como sempre trabalhou nas imediações, o IRLA é reconhecido nas ruas e quando o assunto é telefonia, desde pedidos de novas linhas a conser tos na rede e aparelhagem, os moradores o procuram.

A pesar de pr eser v ar tr adições ancestr ais preser tradições ancestrais como a língua, dança e culto rreligioso eligioso eligioso,, os guar anis da aldeia Kr ukutu mostr am sinais guaranis Krukutu mostram ine vitáv eis da gglobalização lobalização inevitáv vitáveis lobalização..

A COMUNIDADE INDÍGENA Cerca de 210 índios guaranis – o equivalente a 42 famílias – vivem na aldeia Krukutu de Barragem. Na comunidade, a maioria da população é formada por crianças. Com uma área de 25,8 hectares, que incluem terras banhadas pela represa Billings e lago para criação de peixes, a terra não é fértil para o plantio. “Aqui só dá banana”, afirmou o tesoureiro da Associação Guarani José Karai, 33 anos, que também é membro da comunidade indígena. Indígenas moram em casas de madeira, mas prefeitura pretende construir moradias de alvenaria devido ao alto índice de pneumonia.

No centro educacional as crianças aprendem a cultura indígena, mas também têm acesso à tecnologia.

José Karai, membro da comunidade indígena e tesoureiro da Associação Guarani

Os Krukutus contam ainda com duas escolas (uma estadual e outra municipal) e posto de saúde próprio, que é mantido pelo Hospital Geral de Pedreira e recebe voluntários responsáveis pela saúde da comunidade. É lá, inclusive, que está instalado um dos dois orelhões da aldeia. Edna Ferreira, coordenadora geral do Ceci (Centro de Educação e Cultura Indígena), reivindica outro telefone na escola. Ela também reclama que, devido à má qualidaLinha Direta | Agosto 2007

O Ceci, obra concluída pela prefeitura em 2004, é responsável pela educação de crianças de 0 a 6 anos.

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CAP CAPAA

GLOBALIZAÇÃO


CAP CAPAA

GLOBALIZAÇÃO A rede telefônica é crítica, apresenta cabos com defeito e descarga elétrica na ffiação iação iação.. Não há investimento na telefonia social como havia antes da privatização do setor setor.. de da instalação, a conexão de internet é extremamente instável. A comunidade sustenta-se com verbas da prefeitura, venda de artesanato e realização de excursões pela aldeia. Para investir na auto-suficiência, uma pequena casa de alvenaria, que funcionará como loja de exibição e venda de artesanato, está em construção. Já as excursões, voltadas ao público estudantil, são pré-agendadas e chegam a até três vezes por semana. Indígenas utilizam celulares e e-mails, como também possuem objetos típicos do mundo moderno (uma televisão 29 polegadas de tela plana, por

exemplo). O próximo passo é migrar das casas de madeira – onde vivem atualmente – para residências de alvenaria. Um dos principais motivos para a transição é o alto índice de pneumonia que preocupa a comunidade.

A TECNOLOGIA

VOCÊ SABIA? * A região de Parelheiros originariamente foi habitada por índios tupis e mais tarde recepcionou a primeira imigração alemã no Brasil no início do século XIX. * A região é praticamente desconexa do centro da cidade, devido à escassez de vias e transporte público. * O nome da aldeia Krukutu é de origem tupi-guarani, onomatopéico, que reproduz o canto da coruja, habitante natural da região.

Dois orelhões, internet banda larga e sistema multimídia. Mesmo com a evidente chegada das telecomunicações na aldeia, um problema é enfrentado diariamente: a falta de recursos. “A maior dificuldade é a precariedade das instalações. Além disso, enfrentamos o obstáculo da distância. Aqui é muito longe”, ressaltou o IRLA Gilson Carvalho. Para chegar ao ponto de ônibus mais próximo é preciso andar 45 minutos.

PARELHEIROS: VOCÊ CONHECE? Localizado no extremo sul de São Paulo, Parelheiros é um distrito rural extenso e pouco povoado. São 353 km² que representam 24% do território paulistano. A região parece um mundo particular dentro da maior cidade brasileira.

Além disso, o fato de apenas um armário de recepção de linhas telefônicas ser o responsável pela comunicação da aldeia complica a situação. Isso porque já foi constatado que o sistema não é eficiente no Brasil como no Oriente Médio, onde acontece um bom desempenho graças às condições climáticas e circunstanciais. No Brasil, o uso do armário aumenta o IFI (Índice de Falha de Instalação) e IRR (Índice de Reparo Repetitivo). “As falhas do equipamento aumentam a incidência de problemas na rede. Isto prejudica qualquer prestadora que forneça serviço à Telefônica [como a Relacom], pois o serviço fica debilitado”, completou Gilson.

É também na região que vivem duas aldeias guaranis: Krukutu e Morro da Saudade. Além dos indígenas, a população local é composta por pessoas que possuem o menor poder aquisitivo do município. A área – protegida por leis ambientais – abriga uma reserva de proteção aos mananciais e espécies da Mata Atlântica. Parte das represas Guarapiranga e Billings também participam da bacia hidrográfica de Parelheiros. Apesar disso, a região configura uma urbanização desordenada e intensa que tende a crescer se o Rodoanel for efetivamente implantado na área.

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Gilson Carvalho explica como funciona o armário de recepção de linhas telefônicas

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AVIDEZ EM

PARCERIAS

A Estação Engenharia alinha ações transformadoras, de caráter transparente e sustentável, para assim atender diversos setores da sociedade. Com intuito de melhorar a qualidade de vida em locais onde a empresa está presente, a Estação apóia projetos como a capacitação de jovens. DANIELE RIGHI

A

través de investimentos que visam grandes objetivos de médio e longo prazo, a empresa busca parcerias voltadas especialmente para atender seu corpo de colaboradores. Uma delas foi com o Sintetel e o Instituto Monitor, na qual funcionários da empresa poderão realizar cursos técnicos em eletrônica, reconhecidos por respeitáveis entidades. “Temos um compromisso sério, intrínseco na ética profissional da empresa, que possui uma postura responsável em suas atuações”, declara o diretor superintendente da Estação Engenharia Mamede Z. Suleiman.

tural Exército Brasileiro) e o IPPP (Instituto de Professores Públicos e Privados), tornam-se importantes parceiros na inserção de militares temporários ou que não possuem estabilidade no mercado de trabalho. Foi aplicado aos participantes deste projeto um curso profissionalizante para a formação de instaladores. O treinamento teve total apoio da Estação Engenharia, que contribuiu com materiais e ferramentas necessárias. Em breve estes alunos se tornarão instaladores da empresa.

Cláudio Corcelli

Projeto como Soldado Cidadão, desenvolvido pelo FunCEB (Fundação Cul-

“T emos um compr omisso sério “Temos compromisso sério,, intrínseco na ética profissional da empresa, que possui uma postur esponsáv el em suas posturaa rresponsáv esponsável atuações”, diz o diretor superintendente da Estação Engenharia Mamede Z. Suleiman.

Soldados que participaram do curso de formação para instalador, reparador de linhas e aparelhos (IRLA).

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Outra parceria foi com o JEPOM (Jovens em Exercício do Programa de Orientação Municipal), projeto que possui o objetivo de capacitar e promover a inclusão de jovens na sociedade. Criado através da Prefeitura Municipal de São Vicente, inse-

riu mais de 5 mil jovens vicentinos na faixa de 18 anos de ambos os sexos no mercado de trabalho. Os jovens realizam cursos de informática, excelência em atendimento e recebem bolsa-auxílio. A empresa contratou em 2006 cerca de 40 destes jovens.

Um pouco de sua história A Estação Engenharia é formada por um grupo de empresas coligadas com mais de 30 anos de experiência na área de telecomunicações. Suas atividades iniciaram em 1º de setembro de 2003. Hoje é responsável pelo atendimento de 144 municípios, 2.418.188 telefones e conta com 3.492 colaboradores. Atua em importantes áreas do estado de São Paulo. Entre elas, está a cidade de Campinas, uma destacável região econômica que possui uma renda per capita de U$ 6.200/ano, maior do que a de São Paulo (U$ 5.100) e a da média nacional (U$ 2.570).

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EMPRESA

INFORME


APOSENT ADOS APOSENTADOS

MINHA HISTÓRIA Fui bem rrece ece bida – minhas cole ecebida coleggas demonstr demonstraav am amizade e respeito – até que venci as dificuldades e aprendi minhas tarefas. Aproveitei tudo que a Telesp of er ecia: cor te e costur a, desf ile de modas ofer erecia: costura, desfile modas,, al, entr confr nizações paraa o litor litoral, entree confraater ternizações nizações,, via viaggens par am anos mar outr as coisas or vilhosos.. outras coisas.. FFor oram maraavilhosos

Em visita ao Sintetel, a ex-telefonista relembra os velhos tempos.

VIDA DE TELEFONISTA Em 29 de junho foi comemorado o Dia da Telefonista. O Sindicato orgulha-se por representar essas profissionais tão importantes e é com igual satisfação que ainda hoje somos chamados de “Sindicato dos Telefônicos”. Para homenagear essas trabalhadoras contamos a história de Minerva Piovesan Munarolo, telefonista aposentada. AMANDA SANTORO

E

“ m 14 de janeiro de 1957 comecei a trabalhar na Estação 31 da CTB (Companhia Telefônica do Brasil). Foi meu primeiro emprego com carteira assinada. Não tinha boa caligrafia, por isso fui para lá, pois o serviço não fazia essa exigência. Casei-me em janeiro de 1962. Naquela época, diziam que as telefonistas nunca se casariam, pois trabalhávamos em regime de rodízio (manhã, tarde e noite), além dos sábados, domingos e feriados. Graças ao Sindicato tive minha lua-demel, pois não tinha lugar para ir. A colônia de Caraguatatuba estava lotada. Chorando, pedi uma vaga, pois não havia tempo e dinheiro para procurar outro lugar. Um dos diretores do Sintetel escreveu um bilhete para o coordenador da Colônia e consegui um quarto. Foi o lugar mais lindo que fui até hoje.

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Formatura do 1º curso de corte e costura destinado às telefonistas. No destaque, Minerva Piovesan Munarolo.

Não tive filhos. Fiz tratamento, mas não deu resultado. Certo dia, no ano de 1965, a encarregada da minha seção disse: 'Você gostaria de um bebê que a mãe não pode criar?'. Disse 'não'. Passaram-se 15 meses e ela fez novamente a pergunta. Dessa vez respondi 'sim'. Fui buscar a criança dias depois e minhas colegas da Telesp vibraram. Minha chefe ajudou com os papéis da adoção, pois conhecia o juiz de menores - que era nosso assinante. Em nove meses, consegui a guarda do menino.

Concurso para Rainha Serrano de 1957. O vestido foi confeccionado pelas companheiras de trabalho.

Em 1970, fui transferida para a Rua Sete de Abril. O serviço era totalmente diferente e o local muito grande. Não havia amizade e tínhamos muito trabalho. O bom é que fiquei perto do Sintetel e sempre participava das reuniões. Agradeço a Geraldo Vilhena, [presidente do Sindicato na época] que tanto fez pelas telefonistas. Saí da Telesp em março de 1985 e meu filho começou lá em fevereiro do mesmo ano. Até hoje, ele diz que foi o melhor lugar no qual trabalhou. Agradeço a Deus ter sido telefonista e ao Sintetel que até hoje me ajuda". Linha Direta | Agosto 2007


APOSENT ADOS APOSENTADOS

LONGEVIDADE

VIDA LONGA PARA O BRASIL Desde os anos 60, a maioria dos idosos vive em países subdesenvolvidos. Projeções mostram que a faixa etária crescerá mais em países do terceiro mundo que nos demais. MARCO TIRELLI

A

catástrofe ocorrida na Clínica Santa Genoveva em 1996, no Rio de Janeiro – quando 102 idosos morreram vítimas de más condições de higiene e erros médicos – despertou o país para o descaso com a terceira idade. Desde lá, um aspecto tem sido fortemente destacado: o Brasil está envelhecendo e não está preparado para isso. Entre os países que terão as maiores populações idosas em 30 anos, oito se enquadram na categoria de países em desenvolvimento. Desde o final do século passado, o número de brasileiros com idade igual ou superior a 60 anos tem aumentado gradativamente. A faixa etária em questão é a que mais cresce em termos proporcionais. Segundo as projeções estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025 a população idosa brasileira crescerá 16 vezes. Esse fator fará com que o país Linha Direta | Agosto 2007

No ano de 2025, os países do terceiro mundo terão 16 milhões de idosos a mais que 1950. apresente a sexta maior população de idosos do mundo. Ou seja, 32 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais. O crescimento populacional brasileiro é o mais acelerado no mundo e só comparável a México e Nigéria. As projeções estatísticas do Ministério da Saúde demonstram que a proporção de idosos no país passará de 8,6% em 2000 para 15% em 2025, que é o atual índice apresentado nos países europeus. Se houver uma melhoria nas zonas miseráveis do país, como o Nordeste, o envelhecimento da população será ainda maior. No início do século passado (1900) a expectativa de vida era 33,7 anos. Um brasileiro nascido durante a Segunda Guerra Mundial vivia em média 39 anos.

Em 1950, o índice passou para 43,2. Em 1960, a expectativa de vida era 55,9 anos, ou seja, um aumento de 12 anos em uma década. De 1960 até 1980 cresceu para 63,4 anos. De 1980 para 2000 houve um acréscimo em torno de 5 anos, atingindo 68,5 anos. De 2000 para 2025 deve haver um salto de 3,5 anos. “Atribuo o aumento da longevidade a fatores como a conscientização das pessoas que buscam uma maneira melhor de viver, cuidados com alimentação, avanço da medicina e a grande divulgação dos males que certos vícios causam. A situação é positiva. Aplico em minha vida e oriento as pessoas com os canais de comunicação disponíveis aqui no Sindicato”, comenta Germar Pereira da Silva, diretor de Aposentados do Sintetel.

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FIQUE POR DENTRO

TV POR ASSINATURA

TELEFÔNICA

CONTRA-ATACA

Companhia entra na briga por novo mercado e está prestes a relançar sua TV por assinatura via satélite. A empresa já oferecia o serviço em parceria com a DTHi. MARCO TIRELLI

C

onhecido pela sigla DTH (do inglês Direct to Home) trata-se de uma modalidade de ser viço por assinatura que utiliza satélites para a distribuição direta dos sinais de televisão e áudio para assinantes. O novo produto terá o nome de Telefônica TV Digital e deverá cobrir o estado de São Paulo. O anúncio foi feito durante coletiva sobre o processo de conversão da telefonia fixa de pulso para minuto iniciado no dia 2 de julho. Depois de conseguir a própria licença de operação de TV por assinatura via satélite, a companhia lança seu produto. A partir daí, ela deixa de operar a Você TV, fruto da parceria com a DTHi com quem fez acordo em 2006 enquanto não obtinha a autorização da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). Um dos motivos desta empreitada é responder ao avanço das empresas de TV por assinatura no mercado de banda larga. Um exemplo é a fusão das duas operadoras com ações listadas em bolsa - Net/Vivax - que abocanharam uma fatia significativa das vendas de banda larga nos primeiros meses de 2007 (apresentando um crescimento de 24,4% comparado ao total comercializado no último trimestre de 2006). Este cenário impôs desafios às empresas de telefonia fixa, que têm nessa atividade uma das maiores fontes de crescimento de sua receita. Só nos primeiros três meses deste ano, a Net/Vivax comercializou 157,6 mil conexões de internet rápida e já soma cerca de 984 mil assinantes. De acordo com a assessoria de comunicação da Telefônica, a entrada da empresa no seg-

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mento de TV por assinatura é importante não apenas para os negócios no Brasil, mas também para a sociedade. O desenvolvimento tecnológico e o avanço das telecomunicações nos últimos anos criaram uma nova realidade, exigindo que as empresas se adaptem rapidamente para atender às novas demandas dos clientes e, assim, manterem-se competitivas. O resultado disto é um novo ciclo de modernização, com investimentos no País, criação de novos postos de trabalho, geração de impostos e incremento à concorrência. A disputa promete esquentar. Segundo o Portal Imprensa, a rede Record fechou um acordo com a Telefônica que promete viabilizar o projeto "RecordNews" nas redes de TV por assinatura. A Rede Record já assumiu que vai tocar o projeto e tem pretensões de ser maior que os concorrentes BandNews e GloboNews. Para ampliar o leque de opções, a Telefônica negocia com outras três emissoras, inclusive com a Rede Globo, para veicular seus canais abertos. Atualmente, o usuário encontra canais como Discovery, Warner, Foxlife, BandNews, Fox, TNT, Sony e National Geografic. Sobre o assunto, o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, disse em entrevista ao jornal Gazeta Mercantil que a companhia está em negociação com os principais provedores de conteúdo e finalizando alguns "ajustes técnicos" para o lançamento do serviço de TV por assinatura. No último encontro com a imprensa, a Telefônica prometeu o lançamento para o segundo semestre de 2007. Até o fechamento desta edição ainda não havia concretizado sua promessa. Linha Direta | Agosto 2007


MULHERES UNIDAS DANIELLE BORGES

A

Secretaria da Mulher e o Departamento da Juventude agora têm nova coordenação. No final de 2006, a diretora Cenise Monteiro embarcou para o Panamá e desde então se encontra a serviço da UNI Américas. Conheça agora um pouco sobre as duas novas coordenadoras que assumiram as atividades: Maria Edna Medeiros começou como atendente na Atento Barra Funda há 5 anos e desde 2004 participa das atividades do Sintetel. Em pouco tempo ganhou espaço na empresa e no Sindicato. Hoje se destaca na coordenação da Secretaria da Mulher e do Departamento da Juventude em conjunto com Almir Soares. “É preciso reconhecer os pontos de vista dos trabalhadores e identificar as diferenças na categoria. Surge a necessidade de realizar trabalhos de sindicalização e conscientização, pois só sindicalizar não significa que trouxemos os trabalhadores

para o nosso lado”, declara. Rosilene Dias Brandão há 8 anos trabalha em telecomunicações e desde então é sindicalizada. Hoje é supervisora da Atento ao Cliente Telefônica e acumula as funções de diretora da subsede ABC, além de participar da coordenação da Secretaria da Mulher. “Gosto de atuar diretamente nas bases. Meu objetivo é aumentar a participação feminina no movimento sindical. A estratégia é organizar palestras de conscientização sobre sexualidade, violência, dupla jornada de trabalho, discriminação, entre outras. Espero assim, honrar a confiança em mim depositada”, completa.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER REPETE SUCESSO AMANDA SANTORO

E

m 10 de março, o Sintetel comemorou o Dia Internacional da Mulher. O evento, realizado no Palácio do Trabalhador da Força Sindical, contou com cerca de 700 pessoas. O presidente do Sindicato, Almir Munhoz, ressaltou o valor das mulheres. “Este evento é motivo de orgulho para o Sintetel. Quero reforçar a importância das mulheres e parabenizá-las pelo seu dia”, afirmou. As palestras A ginecologista Albertina Duarte entusiasmou a platéia e falou sobre saúde da mulher. “O medo de não agradar faz com que muitas mulheres façam plástica, lipoaspiração e coloquem silicone. Tudo para seguir um Linha Direta | Agosto 2007

padrão estético que nem é do Brasil. É preciso ter coragem para se assumir”, ressaltou. Já a Dra. Margarida Barreto trouxe informações sobre assédio moral e desigualdades entre os sexos. “As mulheres ganham menos que os homens no Brasil. Ainda temos uma cultura de que as ‘profissões femininas’ podem ser mal pagas”, afirmou. O sor teio Cerca de 150 prêmios foram sorteados, dentre eles uma viagem com acompanhante para Florianópolis e uma TV 29’’. Também estiveram presentes Neide Fonseca, presidenta da UNI Américas Mulheres, e Maria Sallas Dib, diretora do Sindicato dos Metalúrgicos e Sindicato Nacional dos Aposentados.

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MULHER

NOVOS RUMOS


POLÊMICA

ABORTO

DE QUEM É A

DECISÃO? Com a visita do papa Bento XVI ao Brasil e a legalização do aborto em Portugal, o tema voltou com tudo em 2007. Ânimos foram inflamados e a questão polêmica ainda parece longe de um desfecho. AMANDA SANTORO E DANIELLE BORGES

F

reqüentemente a sociedade abre fóruns para o debate de temas polêmicos. A bola da vez é o aborto, que envolve questões religiosas, éticas e legislativas. Quando alguma disfunção ou anomalia indesejada culmina na perda do feto, o aborto é classificado como espontâneo. No entanto não é esse tipo de interrupção da gestação que causa furor na opinião pública. O problema está no aborto provocado, também denominado interrupção voluntária da gravidez, que ocorre pela ingestão de medicamentos ou por métodos mecânicos. A polêmica implica na definição do momento em que o feto ou embrião se torna uma vida e se a mulher grávida tem o direito de decidir se deve ou não levar a gestação adiante. Para quem é a favor da legalização, a justificativa é que vidas seriam poupadas. Hoje, muitas mulheres comprometem sua integridade física ao recorrer a clínicas clandestinas. Na maioria dos casos, os estabelecimentos não têm condições mínimas de saúde e higiene.

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CONTRA PASTOR IRAMAR PIMENTEL Ministério Evangélico Deus Conosco "Deus dá a vida e só ele pode tirar. O aborto fere princípios bíblicos. Além disso, se for legalizado, contribuirá para o aumento da prostituição e grupos de risco. O que hoje já é difícil de controlar ficará ainda pior". PADRE MAURO FERREIRA Igreja Católica Nossa Sra. Aparecida "Aprovar o aborto significa concordar com ele. É matar um ser humano sem saber se ele quer viver ou não." De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a América Latina tem a maior taxa de abortos em condições inadequadas do mundo: cerca de 4,6 milhões. É estimado que um quarto do total de mor tes maternas nesses países aconteça por causa disto. Na segunda metade do século XX, a maioria dos países desenvolvidos legalizou a prática e a mortalidade materna praticamente desapareceu. Já aqueles que são contra a legalização alegam que pouco importa o es-

À FAVOR CARMEM BARROSO Diretora da Federação Internacional de Planejamento Familiar "O aborto no Brasil é um problema de saúde pública. A legalização possibilitaria a interrupção da gravidez em condições seguras, diminuindo drasticamente os riscos. É impor tante respeitar as opiniões contrárias ao abor to, mas não podemos permitir que sejam impostas por meio de leis que não reconhecem as dificuldades das mulheres." tágio em que a gravidez se encontre, será sempre a interrupção de uma vida. Para eles, a palavra que melhor define o aborto é infanticídio. Seus representantes são principalmente adeptos de crenças religiosas. No Brasil, o aborto é crime exceto nos casos de estupro, anomalia irreversível do feto e gravidez de risco. Recentemente, projetos de lei foram propostos ao Congresso Nacional com a intenção de legalizar a prática. Hoje, nove documentos tramitam na Câmara de Deputados. Linha Direta | Agosto 2007


O PODER DO

SALÁRIOMÍNIMO O salário mínimo foi fixado em 1º de maio de 1940. Naquela época, ele possuía um total de 14 valores distintos para todo o país. Vale destacar que seu valor foi unificado para todo o Brasil em 1984 e hoje equivale a R$ 380,00. MARCO TIRELLI

Segundo o Dieese, 45% das categorias profissionais no Br asil têm piso entr Brasil entree 1 e 1,5 salário mínimo mínimo..

D

esde o golpe de 1964, as políticas salariais foram tratadas como subordinadas às políticas antiinflacionárias - de ajuste econômico ou de controle da demanda agregada. Desse modo, abandonouse o objetivo de garantir uma remuneração mínima condizente com as condições econômicas do país. O salário mínimo é um direito constitucional e, desde a criação, teve seu poder aquisitivo sistematicamente reduzido.

A BASE É O MÍNIMO O salário mínimo é o índice que baliza os pisos de importantes categorias profissionais. "Se o mínimo tivesse mantido o poder de compra em relação a julho de 1940, corresponderia a R$ 960,49. Se considerarmos seu maior valor histórico, ocorrido em janeiro de 1959, chegaria a R$ 1.383,89", explica Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Depar tamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese). O salário mínimo é um importante instrumento de distribuição de renda. Sua elevação significa crescimento nos rendimentos das famílias de baiLinha Direta | Agosto 2007

xo poder aquisitivo, com aumento do consumo e impacto direto sobre a economia. É quase impossível reduzir as desigualdades sem utilizar o salário mínimo como ferramenta. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2005, são 87 milhões de trabalhadores ocupados no Brasil. Desse total, 30,5% recebe até um salário mínimo. Nas principais capitais do país, onde é realizada a PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego), 16,2% dos trabalhadores ocupados de Recife e Salvador ganham 1SM. Belo Horizonte (12,3%) e Distrito Federal (9,0%) vêm na seqüência e, por último, Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese: “a recuperação do poder de compra do salário mínimo aumenta a renda das famílias, além de aquecer o mercado interno, viabilizando o crescimento sustentado da economia”.

estão Porto Alegre e São Paulo, com percentuais em torno de 5%. De 1940 até 2004, o PIB per capita cresceu cinco vezes, enquanto o salário mínimo decresceu a menos de um terço do valor inicial. Também as condições do mercado de trabalho no Brasil não favorecem o crescimento dos salários mais baixos. "Muitos não possuem vínculo formal de emprego e vivem na pobreza absoluta. Por isso, tornam-se fundamentais políticas econômicas e sociais comprometidas com a incorporação de milhões de excluídos", concluiu o diretor técnico do Dieese. Recentemente, a Assembléia Legislativa aprovou um novo salário mínimo estadual para São Paulo com três pisos: R$ 410, R$ 450 e R$ 490. Os valores variam de acordo com a profissão e beneficiarão cerca de um milhão de trabalhadores. Com isso, São Paulo será o 4º estado a instituir o piso regional - RJ, PR e RS já têm leis semelhantes.

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ECONOMIA

RENDA


OPINIÃO

EM PAUTA

TRÊS CONDIÇÕES

POSITIVAS Ganhos reais de salário, unidade de ação e mobilização caracterizam o movimento sindical no Brasil no primeiro semestre do ano JOÃO GUILHERME*

O

movimento sindical dos trabalhadores atravessa uma conjuntura positiva, favorável às lutas e ao atendimento das reivindicações desde que as direções sindicais permaneçam unidas e reforcem todas as iniciativas que garantem a mobilização dos trabalhadores. O primeiro aspecto positivo da conjuntura é a situação econômica, com estabilidade dos preços, desenvolvimento e criação de empregos formais. Todos os indicadores apontam nesta direção apesar das enormes dificuldades estruturais que continuam existindo (o desemprego continua alto e inferniza os mais jovens, os salários médios permanecem baixos e caem e a informalidade e as precárias condições de trabalho não aliviam a vida do trabalhador). O resultado disto tudo é a obtenção pelos trabalhadores de ganhos reais de salários e outras vantagens. O consumo das famílias dos trabalhadores, por exemplo, tem impulsionado o PIB brasileiro - Produto Interno Bruto. Pelo lado institucional, apesar dos ataques continuados aos direitos trabalhistas no Congresso Nacional,

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A s direções conse guir am que os guiram conseguir tr es traa balhador balhadores ente ndessem o entendessem alcance nefasto da Emenda 3 e se mobilizassem com greves, manifestações, passeatas, protestos em ggrrandes jor jornnadas nacionais o movimento, com o apoio dos nossos deputados como o Paulinho da Força, tem conseguido barrar os mais insensatos e até mesmo derrotar os mais insidiosos. Outro elemento positivo é a unidade de ação entre os dirigentes e entidades que vem se afirmando como um dos métodos prioritários de encaminhamento das reivindicações e das lutas. As grandes vitórias conseguidas pelos trabalhadores com a conquista de uma política permanente de reajuste do salário mínimo e a correção da tabela do imposto de renda só foram possí-

veis porque, em última instância, predominou nossa unidade. Sem ela as dificuldades seriam maiores e nossos adversários provavelmente jogariam com nossas divisões contra nós para nos derrotar. Mas a conjuntura positiva na economia e a unidade de ação por si só não garantiriam vitórias se não houvesse mobilização. E, neste quesito, o balanço da luta sindical contra a Emenda 3 é revelador: as direções conseguiram que os trabalhadores entendessem o alcance nefasto da Emenda 3 (uma reforma trabalhista pela porta dos fundos) e se mobilizassem com greves, manifestações, passeatas, protestos em grandes jornadas nacionais nos meses de abril e maio. As mobilizações não arrefeceram e inúmeros setores aproveitaram o clima para realizar suas campanhas, congressos, reuniões e seminários. Eis aí descrito o tripé no qual se sustenta o caráter positivo da conjuntura: ganhos reais de salário, unidade de ação e mobilização.

* JOÃO GUILHERME VARGAS NETTO é assessor sindical do Sintetel e de outras entidades de trabalhadores.

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O CAUÊ FOI EMBORA.

E AGORA?

Após a passagem de 5 mil atletas de 42 países na 15ª edição dos Jogos Pan-Americanos, sendo 1,7 mil brasileiros, uma pergunta fica no ar: o que ficará para o Rio de Janeiro e para o Brasil após terminada a competição? MARCO TIRELLI

O

governo, em conjunto com diversas ONGs, fez um levantamento de 50 favelas nas áreas próximas ao eixo das competições. Uma delas é a Cidade de Deus, famosa pelo filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund. O objetivo da pesquisa foi detectar as principais necessidades dessas áreas.

O atleta Zequinha Barbosa, que correu em quatro Olimpíadas, acredita que o Rio de Janeiro se tornará referência no espor- Vila Olímpica, local onde os atletas se hospedaram durante o Pan te mundial após o Pan. “A infraterá funcionalidade se complexos esestrutura criada será capaz de traportivos como Engenhão, Maracanãzinho zer campeonatos mundiais. Esse lee o Complexo Esportivo de Jacarepaguá gado também deve ser aproveitado tiverem função de incluir no esporte as como fator de inclusão social para re-

Os investimentos no Pan somam R$ 2,5 bilhões. Se gundo o ggoover no ffeder eder al, a intenção é Segundo erno ederal, destinar 10% ao social, sendo que boa par te parte desse vvolume olume terá como ffinalidade inalidade melhor ar as melhorar condições de vida nas favelas cariocas.

No entanto, as 50 favelas citadas não chegam a 10% do total, mas concentram cerca de 50% da população favelada do Rio. Segundo dados da organização não-governamental Observatório de Favelas, o número gira em torno de 600 mil. Em recente entrevista à revista Fórum, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., explicou que a herança do Pan ficará para o Brasil. “Do ponto de vista esportivo, os Jogos dotaram o país de uma infra-estrutura esportiva capaz de receber qualquer campeonato internacional. O investimento gerou milhares de empregos no Rio”, concluiu.

velar novos talentos. No atletismo, por exemplo, 95% dos esportistas saíram das classes pobres”, completa.

Estádio João Havelange, onde ocorreram as provas de futebol e atletismo

Estádio Mario Filho, mais conhecido como Maracanã.

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O ex-judoca e vereador de São Paulo Aurélio Miguel diz que os recursos após os jogos seriam mais bem aproveitados se aplicados em questões fundamentais como o transporte e proteção ambiental. “Saberemos se este legado

milhares de crianças carentes do Rio de Janeiro”, destaca. Com o término da competição, espera-se que haja um salto de qualidade na região. Com tanto investimento, os votos são para que a vinda do Cauê ao Rio de Janeiro incentive a prática do esporte e promova a inclusão social. Aurélio Miguel, entre outras conquistas, foi medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul e bronze em Atlanta: “é inegável que o conjunto de obras construído no Rio de Janeiro colocará o país como um possível candidato a sediar eventos de maior porte como Olimpíadas e Mundiais nas mais diversas modalidades”.

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ESPORTES

PAN RIO


SAÚDE

TELECENTRO

DO OUTRO LADO DA LINHA Em geral, eles desempenham suas atividades dentro de salas com ar-condicionado e cadeiras estofadas, possuem contrato de trabalho e, nem de longe, a função compara-se à atividade braçal do chão de fábrica ou da lavoura. O fato não isenta da exploração no ambiente de trabalho e faz com que, muitas vezes, a somatização dos problemas deixe seqüelas irreversíveis. DANIELLE BORGES

R

ecentemente, a socióloga Selma Venco, pesquisadora do IFCH/Unicamp constatou que a profissão de teleoperador enfrenta muitas vezes condições inadequadas de trabalho. A maioria tem jornada de seis horas com pausa de quinze minutos e precisa cumprir metas excessivas de produtividade num determinado tempo.

ambiente de trabalho é agente causador de doenças graves. “Fazemos o possível para conscientizar por meio de boletins e informativos, porém há uma certa indiferença quanto a questão de adoecer no trabalho”, afirma.

O serviço de teleatendimento hoje é um mercado em franca expansão. São empresas dos mais variados segmentos que optam por terceirizar o serviço e, com isso, minimizar os custos com encargos trabalhistas. “Infelizmente, os problemas da profissão se acumulam na mesma velocidade de crescimento do campo profissional”, afirma Selma Venco. Segundo Reynaldo Cardarelli, secretário de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho do Sintetel, o trabalhador ainda não se conscientizou de que o

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A socióloga Selma Venco defendeu tese de doutorado na Faculdade de Educação da Unicamp sobre os problemas da profissão: “ofensas, jornadas exaustivas e pressão psicológica”

Em caso de baixa produtividade, por e x emplo emplo,, utiliza-se uma inter pr etação interpr pretação duvidosa da lei par orçar o paraa fforçar profissional a pedir demissão e, assim, perder seus benefícios. A estrutura do setor não engloba um plano de carreira, ou seja, os funcionários não têm perspectiva de crescimento dentro da empresa. Segundo a pesquisadora, “além disso, a maioria dos funcionários é jovem e por não ter vivência de mercado e desconhecer as leis trabalhistas, se torna presa fácil para pressões psicológicas”, explica. Linha Direta | Agosto 2007


LER: (Lesões por Esforços Repetitivos) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), que abrangem diversas patologias, entre elas a tenossinovite, a tendinite e a bursite, difíceis de serem identificadas no estágio inicial. Audição: preocupante porque “eles vão perdendo a audição e não percebem”, afirma Selma. O que muitos não sabem é que a audição perdida não será re-

Além das pressões por metas de produtividade, do outro lado da linha a realidade também se mostra cruel. "Os trabalhadores são constantemente ofendidos pelos clientes e confidenciam que o banheiro é o lugar do choro", diz a socióloga. Existe dificuldade em compreender que a ofensa do cliente não é pessoal.

cuperada. Uma dica é alternar o lado de usar o headset.

das alcoólicas, pois ressecam as cordas vocais.

Voz: o mau uso provoca calos nas cordas vocais, o que prejudica o aparelho vocal. A preocupação só aparece quando a rouquidão começa a incomodar e aí pode ser tarde demais. Beba muita água e evite bebi-

Nos três casos, é importante ter consciência do problema e, acima de tudo, prevenir. Procure um especialista e faça um acompanhamento regular. Além das doenças físicas, também existe o alto índice de teleoperadores com síndrome do pânico e depressão. Cerca de 70% sofre desse mal.

"O resultado é insatisfação e alta rotatividade nas empresas, já que existe negligência dos patrões com os problemas e as necessidades dos funcionários", completa. O diretor do Sindicato Reynaldo diz que os patrões podem e devem proteger a saúde de seus trabalhadores. Isto é possível "fazendo um estudo em todos os setores da empresa

A fala deve ser objetiva e a pr esentada no limite de tempo presentada tempo,, sem dar cchances hances de inter r upção por par te do ccliente liente esultado de liente.. O rresultado tanta pressão pode ser visto nos índices de doenças ocupacionais e rotatividade. Geralmente, os clientes alegam que não dispõem de tempo ou dispensam o teleoperador sem antes saber do que se trata. "É um exército de jovens com problemas de saúde, físicos e mentais. Os casos de assédio moral levam a depressão, síndrome do pânico e outros males correlatos", relata Selma Venco. Linha Direta | Agosto 2007

A rotina obriga-os a acumular múltiplas funções como digitar, ouvir o cliente, argumentar e ainda atingir metas insuperáveis. Além disso, a relação com os superiores quase sempre é conturbada. Selma Venco diz que a raiz do problema está na estrutura, ou seja, a pressão por metas e produtividade vem de cima.

para reconhecimento dos riscos à saúde, como ruído, temperatura alta ou baixa demais, radiações, bactérias, fungos, vírus e postura, entre outros". O ideal é adequar os ambientes e efetuar campanhas permanentes de prevenção. Elaborar ações sobre alcoolismo, tabagismo, hipertensão e diabetes também contribui para o bem estar dos funcionários.

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SAÚDE

TELECENTRO PRINCIPAIS PROBLEMAS ENCONTRADOS


CUL TURA CULTURA

LAZER

OITO DÉCADAS DE TOM Se vi obim completaria 80 vivvo, JJobim anos. Ele deixa saudade e um extenso legado musical AMANDA SANTORO

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oze anos e oito meses de nostalgia. Este é o tempo exato desde a morte de Tom Jobim. No dia 25 de janeiro, o músico completaria 80 anos. Para celebrar a data, eventos têm se realizado durante 2007. Muito mais que saudade, Tom desfalca o time da bossa nova, da harmonia entre letra e melodia e da sofisticação musical. Mas você sabe quem foi Tom Jobim?

NA TIJUCA:: 25 de janeiro de 1927. Terça-feira chuvosa. Nasce com quatro quilos e sessenta centímetros um talentoso aquariano: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Ou simplesmente Tom Jobim. PRIMEIRO AMOR:: Aos 14 anos, Tom se depara com um piano na garagem de casa. O instrumento, alugado para a irmã ter aulas, se transformaria em fiel escudeiro nas décadas subseqüentes. PARCERIA:: Em 1967, Tom foi surpreendido com um telefonema de Frank Sinatra. Surgia Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim, eleito álbum do ano pela crítica. Segundo lugar nas vendagens, perdeu somente para os Beatles [Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band]. SUCESSO:: Em 1989, as rádios e TVs haviam executado mais de 3 milhões de vezes Garota de Ipanema. Tom transformou-se no segundo cantor estrangeiro mais escutado nos EUA. A canção recebeu tantas versões que fez páreo a Yesterday, dos Beatles. O FIM?:: 8 de dezembro de 1994. Um tumor na bexiga tira a vida do Maestro. O Rio ainda teve tempo de prestar as últimas homenagens. Mas aquele não era o fim. Tom ainda está vivo. Não porque faz parte da História, mas porque é a própria História da Música Popular Brasileira.

FILME Escrito em 1939, Johnny Vai à Guerra foi dirigido por Dalton Trumbo, roteirista perseguido e taxado comunista pelo governo nor te-americano. O filme é sobre um soldado gravemente ferido na Primeira Guerra Mundial que aos poucos toma consciência do que restou do próprio corpo. Trumbo nos lança nas memórias e sonhos do jovem, produzindo um contraste impressionante entre o movimento de outrora e a paralisia do presente. Testemunho sobre a violência humana, o clássico, contemporâneo à Guerra do Vietña, é absurdamente atual. Consulte sua locadora.

LITERATURA Balzac tinha a ambição de expressar ao máximo o real em suas histórias. O Pai Goriot não foge à regra. Este volume da Comédia Humana – conjunto das obras do escritor francês – retrata as amarguras de um pai disposto a tudo pelas filhas. O enredo se passa numa pensão em Paris, onde a busca pela ascensão social, pelo dinheiro ou até mesmo os sentimentos mais nobres, revelam-se obsessivos a ponto de conduzir o ser humano à miséria material e psíquica. O resultado é um diálogo profundo entre os valores éticos e o desejo, numa trama deliciosa e coesa.

MÚSICA Canções conhecidas, violão acentuado e voz predominantemente rouca. Emmerson Nogueira é um dos cantores que mais tem se destacado no Brasil. Com um repertório escolhido a dedo, ele canta clássicos da música internacional como Wish you were here (Pink Floyd) e Ticket to ride (Beatles). Na bagagem do cantor estão seis álbuns. Os três primeiros trabalhos fazem parte do projeto Versão Acústica. Inclusive, o primeiro álbum da série vendeu mais de 1 milhão de cópias. Vale a pena conferir.

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Por que as pessoas se cumprimentam com aperto de mãos?

Esta antiga tradição começou no tempo das grandes batalhas. Os adversários davam as mãos para mostrar que não escondiam nenhuma arma. Era um sinal de confiança entre as duas partes. Por que os queijos suíços têm buracos? Os buracos são formados com a expansão de gases emitidos por uma bactéria. Ela é colocada durante os primeiros estágios da produção do queijo e ajuda a amadurecê-lo e a dar-lhe o sabor característico. Por que o livro de mapas é chamado de Atlas? O termo vem do nome de uma personagem da mitologia grega. Como punição por lutar contra os deuses, Atlas foi forçado a carregar o globo terrestre nos ombros. Esta cena passou a ilustrar vários livros de mapas da antiguidade. Com o tempo, esses livros ficaram popularmente conhecidos como Atlas.

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PASSA TEMPO ASSATEMPO

DIVERSÃO


OLHO DDAA RRUUA

POLUIÇÃO VISUAL

MESTRE-SALA DAS RUAS PAULO RODRIGUES*

gora eu já não preciso mais contar com o acaso para encontrar o meu amigo Zanganor, ele comprou um celular. Não por sofisticação – faz questão de explicar – mas por necessidade. “Vivendo de bico como eu vivo, me ocupando daquilo que aparecer, preciso ser facilmente localizado, do contrário chego sempre atrasado e acabo perdendo a vaga”.

A

lindo, parceirinho?! – Lembra da visita do Papa? Os mendigos sumiram da praça como num passe de mágica. Ou seria mais oportuno dizer como num milagre?

A vida do Zanga não é nada fácil. Por medida de economia, seu celular não faz chamadas, só recebe. Entretanto, toda vez que preciso recarregar a bateria, ligo para ele, e se por ventura dá caixa postal, não me constranjo em deixar-lhe recado para me retornar a ligação. Gosto de ouvir sua voz melodiosa repetir bem humorada a pilhéria costumeira:

Pergunto se ele tem conhecimento do aumento de 28,5% nos salários dos parlamentares, aprovado na calada da noite de veneração religiosa.

- E aí, parceirinho, quando é que você pretende se dar a honra de me pagar um almoço? Enquanto esperamos pela comida, entre uma bicada e outra na Ypióca, ele me põe a par de suas batalhas cotidianas: - Esses políticos não dão trégua, sobretudo a nós, cidadãos de 3ª categoria. Tanta coisa séria para consertar nesta terra desamparada e o homem só se preocupa com o glacê. A onda agora é despoluir visualmente a cidade. Veja você. E como é que ele pretende esconder as pessoas, aquelas que não são sequer cidadãs? Gosto de ouvi-lo falar, por isso não interrompo; apenas concordo com um gesto, enquanto reparto a comida nos pratos. De repente ele levanta o tom: - Que os rios se agigantem e que a terra trema soterrando novos heróis anônimos! Se a cidade estiver visualmente limpa, tudo estará perfeito! Isso não é

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Os outros fregueses se voltam intrigados, mas Zanga sequer os vê. Então, fixando o olhar no infinito, resmunga para si mesmo: - Que venham as águas! Eu sigo sempre remando. Peço o café e a nota. Dando-se conta de que o tempo escoa, ele me explica debochado a razão de sua preocupação: - Arranjei um bico para o mês que vem: homem-placa na 24 de maio. É mole? Agora imagina você se o manda-chuva resolver implicar com o tamanho das nossas tabuletas. Vai ser o caos. Por mim, decreto desde já o estado de alerta. Saímos. Zanganor me aperta calorosamente a mão e desce a rua quase sambando, com a alegria de um mestre-sala. Fico olhando até ele dobrar a esquina, orgulhoso de ser seu amigo. Não sei por que me lembro do belíssimo conto do mestre Machado, “O empréstimo”, e aproveito para deixálo como sugestão de leitura.

*Paulo Rodrigues é escritor e assessor da OSLT (Organização Sindical no Local do Trabalho) do Sintetel

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2 - Telefonia para os índios