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Greve rompeu a intransigência do Governo e garantiu correção do Piso Salarial 2018 com retroativo para todos

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Movimento também expôs a calamidade na Educação da rede estadual

greve da educação conseguiu arrancar do governo a correção do Piso Salarial 2018, com retroativo para todos. O movimento grevista também expôs para a sociedade a situação de calamidade em que se encontram as escolas estaduais. Foram 29 dias

de luta intensa. Do nosso lado, adesão em massa, atos de rua, assembleias lotadas, denúncia social e ações envolvendo pais e alunos. Do lado do governo, pressão sobre os profissionais da educação, judicialização da greve e intransigência nas audiências de negociação. Mas o resultado, apesar de não ser nem

de longe o que merecemos, foi positivo. Principalmente quando analisamos a conjuntura de retirada de direitos pela qual vem passando a classe trabalhadora em todo o Brasil a partir da política de desmonte do País do governo Michel Temer.

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Veja nesta edição: Sem a greve nosso reajuste seria de 0,0%

Governo foi derrotado ao pedir a ilegalidade da greve

Aposentados ficariam de fora da correção do Piso Salarial se não fosse a greve

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EDITORIAL

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Somos fortes!

jornalista perguntou para o coordenador geral do Sinte-RN, Rômulo Arnauld: “Por que os governos temem tanto uma greve da educação?” O fato é que os trabalhadores em educação têm força para abalar governos! Antes da greve, a Secretária Santa Rosa moveu céus e terra para convencer os dirigentes do Sinte-RN a aceitar uma proposta que representava graves retrocessos para os direitos dos trabalhadores. Não colou. Fomos à luta! As demais categorias também entraram em confronto para se defender das maldades do governo Robinson. Todas receberam a solidariedade e o apoio do Sinte-RN. Mas, ao contrário da educação, suas greves foram derrotadas pela insensibilidade de um governo voltado apenas para ser sustentáculo dos ricos do Rio Grande do Norte. A força das paralisações organizadas pelo Sinte-

RN vem de duas fontes poderosas: a primeira é a união de uma categoria que tem uma histórica tradição de luta. A segunda é a experiência de um Sindicato que conquistou credibilidade social por saber usar as estratégias e táticas de luta no momento certo. Não há como um governo sair vitorioso de uma luta contra os trabalhadores em educação. Mesmo quando as greves não rendem tudo o que se merece e espera para a educação, o desgaste da imagem do governante diante da opinião pública é devastador. Não tem segredo, junte uma categoria aguerrida e disposta a lutar, uma diretoria comprometida com a luta e um corpo de funcionários e assessores sempre prontos a dar o suporte necessário, que temos a resposta clara à pergunta feita pelo jornalista no início do texto.


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Sem a greve nosso reajuste seria de 0,0% governo não queria pagar a correção de 6,81% do Piso Salarial 2018. Na verdade, Robinson Faria queria mesmo era implantar um pacote de maldades que retirava uma série de direitos. Impedir isso foi a primeira vitória dessa luta. A derrota na Assembleia Legislativa fez o governo se abrir para as negociações. Mas a primeira informação era de que o Estado não tinha dinheiro para pagar o Piso. A pressão da categoria organizada pelo Sindicato fez o governo ceder mais um pouco. Agora a proposta era pagar o Piso tão somente aos profissionais do nível médio. Obviamente a proposta foi rechaçada pelo Sindicato. Mais pressão, mais luta, e o Executivo aceita pagar a correção de julho a novembro deste ano, mas sem o retroativo. A luta se intensifica. A categoria atende os chamados do Sindicato. Os Comandos de Greve funcionam com eficácia, e o Governo propõe antecipar a correção

Robinson Faria queria mesmo era implantar um pacote de maldades que retirava uma série de direitos. Impedir isso foi a primeira vitória dessa luta.

para setembro, ainda sem falar em retroativo. Com a recusa da categoria o governo sugeriu pagar em junho, sempre esquecendo os meses anteriores não pagos. Resistência da categoria levou governo a ceder A greve continua. A quinta e última proposta nasceu na audiência de conciliação mediada pela Justiça. A ideia era o Piso ser pago no salário de abril para os ativos no mês de maio e parcelar, de abril a setembro, para os aposentados. Os juros acumulados no parcelamento dos aposentados, conforme pediu o SINTE/ RN, serão devidamente pago. O retroativo seria pagos de outubro a março de 2019. Essa proposta foi ampliada pelo desembargador do Tribunal de Justiça, Glauber Rêgo, que sugeriu ao governo pagar o retroativo conforme exigia o Sindicato. O fato é que, enquanto

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Nós temos o que comemorar, o Governo Robinson não.

para nós, trabalhadores em educação, trata-se de uma conquista, para o Governo Robinson o acordo é vergonhoso. Um governo que se iniciou

jurando que seria o melhor de todos os tempos e que daria prioridade para a educação pública precisa ser encurralado por pais, alunos e professores para ceder o mínimo. Nós temos o que comemorar, o Governo Robinson não.

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Ações

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o longo dos 29 dias de greve, o SINTE/RN organizou diversos atos, manifestações e assembleias. As atividades tiveram adesão massiva da categoria e contaram com as importantes participações de alunos e pais. As ações começaram logo após a greve ter o seu início, no dia 22 de março. De acordo com os números colhidos pela

direção do Sindicato, o movimento grevista já iniciou forte e chegou a 90% de participação. A adesão no Interior do Estado também surpreendeu o Governo. Algumas atividades marcaram. No dia 28 de março, sob uma forte chuva, os trabalhadores em educação, unificados aos educadores de Natal, também em greve, promoveram um ato nas ruas da Zona Norte da capital. A marcha aconteceu na Avenida Itapetinga. No dia 02 de abril, foi realizada uma assembleia em frente à Secretaria Estadual de Educação, que ficou abarrotada de gente. Os estudantes de escolas de Natal e do


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de greve aconteceram em vários recantos do Estado As atividades contaram com as importantes participações de alunos e pais

interior participaram e deram o recado, exigindo melhores condições de aprendizagem e denunciando a falta de infraestrutura nas unidades de ensino. Os alunos ocuparam a recepção da SEEC e gritaram palavras de protesto contra o caos na educação. O ato resultou em uma audiência-relâmpago com o Subsecretário de Educação, Marino Azevedo, e a Secretária Adjunta de Educação, Mônica Guimarães. Em 03 de abril, os professores e estudantes da Escola Estadual Dr. Graciliano Lordão, nas Quintas, protestaram sob sol intenso. Eles denunciaram as condições da escola, que já tem 30 anos de existência

e nunca passou por uma reforma. A assessoria de comunicação foi até a escola e constatou o estado em que se encontra o prédio. A visita resultou em uma matéria veiculada pelo Sindicato no dia 12 de abril. O movimento grevista resistiu bravamente Uma assembleia unificada das redes estadual e municipal de Natal, no dia 04 de abril, deliberou pela continuidade das greves. Não havia como voltar ao trabalho sem o governo e prefeitura atenderem as pautas de reivindicações. E um dos pontos de pauta da greve da Rede Estadual era a situação dos aposentados, que há mais de 20 meses enfrentam os atrasos de salários. Os aposentados foram convocados pelo SINTE para uma reunião que acon-

teceu no dia 05 de abril. No mesmo dia, mais um ato aconteceu na Zona Norte de Natal, desta vez no Conjunto Parque dos Coqueiros. A atividade teve uma maciça participação da categoria. Já no dia 06 de abril, o SINTE realizou um ato na Zona Sul, nas ruas de Ponta Negra. Dia 10 foi a vez da Zona Oeste realizar sua atividade nas ruas do bairro Felipe Camarão. No mesmo dia um terceiro ato aconteceu na Zona Norte da capital. A marcha percorreu o conjunto Parque das Dunas. Em meio às atividades de greve, o SINTE ainda participou da etapa estadual da CONAPE (Conferência Nacional Popular de Educação), no dia 12 de abril, na UFRN. A conferência discutiu a construção de um projeto inclusivo e democrático para a educação local e nacional. O evento contou com a participação de diversas entidades e a presença do presidente da CNTE

(Conferência Nacional dos Trabalhadores em Educação), professor Heleno Araújo. O SINTE aproveitou a marcha unificada da educação, realizada em 18 de abril, para dialogar com a sociedade sobre os porquês da greve da Rede Estadual de ensino. A marcha contou com grande participação de estudantes e movimentos e percorreu as ruas da Zona Sul de Natal, direcionandose ao Centro Administrativo. Os manifestantes ocuparam as rampas da Secretaria Estadual de Educação e da Governadoria. O ato foi uma demonstração de muita força da educação. O último dia do movimento grevista foi de debate. A discussão aconteceu em assembleia da categoria, que após muita análise votou pela suspensão da greve. Chegava ao fim uma das maiores greves da história da educação do Estado do Rio Grande do Norte. Mas a luta continua nas escolas e ruas. A luta é diária e não acaba quando uma greve termina.

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Governo foi derrotado ao pedir a ilegalidade da greve

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A greve teve motivos justos para acontecer e sempre foi legal

governo Robinson Faria até que tentou, mas foi derrotado ao pedir à Justiça a decretação da ilegalidade da greve da Rede Estadual. O desembargador Glauber Rêgo negou a liminar impetrada pelo governo e agendou uma audiência de conciliação entre o SINTE/RN e o Governo, para discutir sobre a greve. A audiência aconteceu no dia 11 de abril e resultou na 5ª e última proposta

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para pagar a correção do Piso Salarial 2018. O SINTE/RN, através da sua assessoria jurídica, contestou junto à Justiça o pedido de ilegalidade da greve que foi feito pelo governo. Na contestação, o SINTE apontou os motivos da greve da categoria, bem como explicou que o governo descumpriu a Lei do Piso Salarial ao não fazer a devida correção em janeiro

deste ano. A greve, que teve motivos justos para acontecer, sempre foi legal

e respeitou as regras determinadas pelas leis e a Constituição Federal.

Aposentados ficariam de fora da correção do Piso Salarial se não fosse a greve Luta garantiu a manutenção da paridade entre ativos e aposentados

e não fosse a greve, os trabalhadores em educação aposentados estariam de fora do pagamento do Piso Salarial 2018. Desde o início das negociações, o governo Robinson Faria insistia em deixar os aposentados de fora.

A paridade estava sob risco, a exemplo do que aconteceu em janeiro deste ano, quando um projeto do pacote de maldades do governo propunha acabar com o tratamento igual entre os dois segmentos. Na época, o governo foi derrotado pela luta dos

servidores estaduais, inclusive os da educação. E foi também através da luta, na greve da Rede Estadual, que os direitos dos educadores aposentados não foram perdidos. O SINTE/RN não aceitou a proposta do governo de deixar os aposentados sem o pagamento do Piso. Lembrou que os aposentados vêm amargando há 27 meses os atrasos de salários e ainda não receberam totalmente o 13° salário de 2017. O Sindicato rechaçou a proposta e exigiu que o pagamento fosse estendido a todos os trabalhadores, sem distinção, conforme

determinado nas assembleias da categoria, que mostravam total solidariedade aos aposentados. A pressão garantiu o pagamento do Piso aos aposentados, inclusive com o retroativo acumulado entre janeiro e junho deste ano. A luta também garantiu o pagamento do resíduo gerado pelo parcelamento em 6 vezes. Em meio à conjuntura de sucessivos e graves ataques aos direitos dos trabalhadores, manter a paridade entre ativos e aposentados é uma conquista a ser comemorada.


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ARTIGO

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Temos que exigir a retirada do projeto de lei “Escola Sem Partido”

ão existe neutralidade. Não existe ninguém ideologicamente neutro. Essa é a verdade. Porém, atualmente há uma campanha doutrinária e ilegal que fere o direito constitucional da pluralidade de ideias, concepções, da liberdade democrática, da liberdade de expressão. Liberdade esta

que foi durante a ditadura militar proibida e silenciou não somente os que foram mortos e torturados, mas também aqueles que tiveram de calar-se e viver na clandestinidade e manter viva em si mesmos a ideologia e não poder expressa-la. Um dos aspectos da atual campanha doutrinária está no projeto de lei “Escola Sem

Partido”, de autoria do deputado do Rio Grande do Norte Jacó Jácome. Tal projeto impõe medidas restritivas às práticas pedagógicas, ao processo de construção da consciência do/a aluno/a e sua crença de forma neutra. Esse fundamentalismo religioso pode ser considerado a forma mais hipócrita de se professar conceitos, valores

e da falsa moral escondida na doutrinação ideológica feita para dominar as pessoas. Por essas e muitas outras razões, devemos solicitar ao proponente do projeto de lei a sua retirada imediata de tramitação, considerando a interferência na formação e vida dos/as cidadãs. Vamos à luta!

FUNDEB está sob risco e pode ser extinto em 2020

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m 2020, o FUNDEB será extinto. Por isso não há outro caminho para nós senão a luta pelo FUNDEB permanente. Atualmente, com o FUNDEB e a Lei do Piso Salarial, temos muitos prefeitos e governadores dizendo que os recursos são insuficientes para pagar a folha de pessoal. Muitos estados e municípios não têm cumprido a lei. Diante disso, vale uma indagação: e quando o FUNDEB acabar? Nossos

salários serão corrigidos atualmente? Um exemplo para ilustrar essa luta é que, dos 654 municípios de São Paulo, 202 têm plano de carreira, que corresponde a 31,3%. Apenas 185 municípios cumprem o valor do piso salarial, ou seja, 28,7%. 178 municípios cumprem a jornada de trabalho, que corresponde a 27,6%. Um estado rico como São Paulo já aplica uma política de desvalorização, imagine sem recursos os carimbados

oriundos do FUNDEB. Aqui no RN, dos 167 municípios, 105 têm plano de carreira, o que corresponde a 62,9%. Apenas 84 cumprem a Lei do Piso, o que corresponde a 50,3%. 77 cumprem com a jornada da lei do piso, ou seja, 46,1%. Já no Rio de Janeiro, de 92 municípios, 55 têm plano de carreira, o que corresponde a 59,8%. 43 cumprem com o valor do piso, o que corresponde a 46,7%. 22 municípios cumprem a jornada de trabalho do piso, dado que

corresponde a 23,9%. Esses dados, que foram coletados pela CNTE em 2016, servem para alertar a todos/ as sobre a necessidade de uma permanente mobilização para garantir o FUNDEB como uma política permanente de Estado. Como podemos ver, estamos superiores a São Paulo e Rio de Janeiro na luta pela valorização da categoria. O que significa dizer que, apesar dos dados serem bem melhores, temos muito a fazer.

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Mais uma vez a comunicação social foi um instrumento de luta

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O SINTE/RN usou seus meios de comunicação para difundir a greve da Rede Estadual

exemplo de outros movimentos, mais uma vez a comunicação foi um dos principais instrumentos utilizados pelo SINTE/RN

ao longo da greve dos trabalhadores em educação da Rede Estadual. A edição do jornal “Para Casa”, lançada no início de março, trouxe a situação da educação, a falta de diálogo do governo e a iminente greve. Mais de 50 mil impressos foram feitos e distribuídos para a categoria. E não

parou por aí. A greve foi o principal assunto veiculado no site, fanpage no Facebook, Twitter, Instagram, programa ao vivo e de TV e no canal no You Tube. As redes sociais, que têm um caráter de extrema velocidade, foram monitoradas 24 horas por dia, nos sete dias por semana. As atividades eram anunciadas inúmeras vezes, publicadas em tempo real e contavam com a cobertura de uma equipe com um câmera, fotógrafo e repórter, atentos para divulgar para a categoria e sociedade o andamento da greve. Depoimentos de professores e estudantes, cada um contando o que sentia diante do caos da educação, foram colhidos e veiculados nas redes do SINTE.

Vídeo denunciou a situação da educação estadual O Sindicato também usou mídias externas para difundir o movimento grevista. Um vídeo, conforme deliberado pela categoria em assembleia, foi veiculado nas principais televisões do RN, denunciando a atual situação de falta de estrutura da educação da Rede Estadual e desvalorização profissional. O diretor de comunicação do SINTE/RN, professor Miguel Salustiano, destaca a importância da comunicação para uma greve: “Nós vivemos hoje a era da informação, do imediatismo, das informações rápidas. Por isso os nossos meios de comunicação tiveram uma grande importância para a adesão e sucesso dessa greve. Mostramos a nossa força, através dos nossos canais, para toda a sociedade”.


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FUNCIONÁRIOS

Greve arranca compromisso da SEEC de discutir a carreira dos/as funcionários/as

A greve rendeu um importante fruto para os funcionários: o compromisso, por parte da Secretaria Estadual de Educação, de discutir a carreira do segmento.

a mais importante mudança da referida lei. A luta em prol da criação da data base para os funcionários já acontece no âmbito do Fórum dos Servidores, entidade da qual o SINTE/ RN faz parte. Contudo, o governo não vem dando

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greve dos trabalhadores em educação rendeu um importante fruto para os funcionários: o compromisso, por parte da Secretaria Estadual de Educação, de discutir a carreira do segmento. A Lei 432/2010, que rege o Plano de Carreira dos funcionários da educação, traz várias demandas. Dentre elas está a data, que é o fator de correção dos salários anualmente. Esse dispositivo não consta no texto do Plano de Carreira, apesar de ser hoje

respostas. Na lei maior da educação, que é o PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, tem uma conquista significativa que são as metas 17 e 18, onde diz que os profissionais com a mesma formação e

jornada de trabalho devem ganhar o mesmo salário, e nós estamos com uma defasagem de 54% em relação às Universidades e IFS. As metas 17 e 18 procuram corrigir essas distorções entre os/as servidores federais, estaduais e municipais. Os/as professores/as, desde 2010, têm seus salários corrigidos. Um/a professor/a de nível médio em início de carreira, com 30 horas, ganha 1.841,62; com 10 anos de serviço 2.238,50; e com 25 anos de serviço ganha 2.856, 96.

Greve garante reabertura do enquadramento à Lei 432/2010

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urante o processo de negociação com o governo, ao longo da greve da Rede Estadual, a direção do SINTE

insistiu em incluir pontos importantes para os/as funcionários/as. Um deles foi a reabertura do enquadramento para os funcionários que ainda não

aderiram ao plano de carreira. Ficou acertado que será feita esta janela na Lei 432/2010, que disciplina a carreira dos funcionários.

Tribunal de Contas do Estado quer reduzir salário dos funcionários

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Tribunal de contas do Estado (TCE) informou que os funcionários da educação que ganham um salário estão irregulares. Trata-se de uma

negligência do governo Robinson Faria, que deixou de enviar à Assembleia Legislativa um projeto de Lei para aumentar o valor da correção do salário mínimo de 2018. Neste caso, o Tribunal de

Contas informou que vai retirar dos quinquênios o valor correspondente para completar o salário mínimo. O SINTE/RN já tomou as providências, e na audiência de conciliação com o Desembargador

Glauber Rêgo, mesmo com restrições para acrescentar qualquer ponto à pauta da audiência, esse assunto foi discutido com o Secretário Cristiano Feitosa.

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CAMPANHA SALARIAL

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Motivos para dizer: a luta sempre vale a pena!


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tendência mercantilista na educação gerou, na década de 90 uma antipráxis, dando lugar à disseminação da exploração do trabalho, descuido com a saúde do trabalhador em educação, a crescente terceirização dos serviços apoiados pela lógica do Estado neoliberal, processo de reestruturação produtiva, globalização, Estado mínimo e flexibilização do trabalho. Essas políticas foram apoiadas em bases no desenvolvimento do capitalismo como estratégia social, dentro de um Estado que reduziu direitos sociais, tendo o capitalismo como ideologia dominante, apresentando um projeto homogeneizador de educação mercantil, negação das

Por Fátima Cardoso

Defendemos que as bases ao direito à educação estejam alicerçadas pelo direito humano fundamental. Direitos básicos como a educação, o que não significa apenas o direito do aluno a vaga na escola, mas a qualidade social referenciada.

identidades socioculturais e a desterritorialização dos sujeitos, entre outros. Na luta por uma concepção de educação social referenciada, defendemos que as bases ao direito à educação estejam alicerçadas pelo direito humano fundamental. Direitos básicos como a educação, o que não significa apenas o direito do aluno a vaga na escola, mas a qualidade social referenciada, onde crianças, jovens e adultos desenvolvam ao máximo suas potencialidades, talentos, habilidades, criticidade,

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Durante a greve, reafirmamos a concepção de educação que defendemos

dialogicidade e se posicionem como sujeitos sociais. Uma educação que promova o respeito à identidade cultural, diversidade e valores de cada sujeito histórico. Estamos vendo, no RN, as ONGS, bancos privados e OS fazendo consultorias, impondo, através de convênios, a privatização da educação. Existe um ocultismo de investimentos nesses setores em detrimento da capacidade que tem a escola pública em responder a determinadas demandas se tivessem o investimento que é feito a esses usurpadores.

A nossa luta continuará pelo fortalecimento da escola pública, das relações sociais democráticas, dos fundamentos sociológicos, culturais e políticos. A “Escola Sem Partido”, que a direita e os conservadores querem implantar, contrapõe-se ao ensino de qualidade voltado às oportunidades educacionais, à vida social dos sujeitos e às condições para o desenvolvimento de processos pedagógicos e mediações no campo da aprendizagem. Va m o s i m p e d i r que prosperem essas barbaridades e vamos reafirmar a prática educativa que desenvolva o saber, resgate a cultura da humanidade e a reconstituição do saber historicamente produzido para os sujeitos sociais. Para que essa práxis se sustente, necessitamos da participação popular, superação da estrutura centralizada e fragmentada do sistema estadual de educação, educação fundada em valores humanistas, a escola pública compreendida como patrimônio, a valorização da vida com qualidade social e digna de existência para todos/as, a escola como espaço de reflexão e construção das lutas e movimentos sociais. Esses são alguns dos prérequisitos à educação de qualidade, que interessa aos estudantes, profissionais e à sociedade enquanto classe.


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iferentes teorias trazem contribuições significativas para diferentes dimensões do processo de aprendizagem e seus agentes. O pedagogo atua nesse contexto para compreender o pensar, o agir, requerendo a organização teórica que é desenvolvida e associada à dialética, estabelece as condições como forma de produção dos conhecimentos, sendo o fomento da prática do pedagogo, que se desafia na mediação com outros sujeitos na escola, para materializar o processo de aprendizagem. Esse horizonte nos possibilita a buscar outros profissionais no

O papel político do pedagogo na escola mundo real, no mundo fragmentado, seja pelas áreas do conhecimento, seja pela perspectiva dialógica, plural, seja pelos diversos saberes e distintos significados. Este profissional é chamado a compreender o movimento histórico-social, dentro da escola, as ciências transversais, que organizam o pensamento pedagógico, que contribuam com a reformulação dos projetos de ensino, com a formulação do conhecimento e com o desenvolvimento da inteligência e da aprendizagem. Os pedagogos são os profissionais que organizam na escola o preparo do profissional do ensino,

para teorizar e praticizar os processos e práticas educativas, as mudanças conceituais, a efetivação do trabalho coletivo, integração dos saberes e o fortalecimento da interação humana com a sociedade. O objeto de ação desse profissional é a relação teórico - metodológica com os processos de ensino docente, as competências básicas do(a) professor(a) na escola é a operacionalização do projeto político-pedagógico. É preciso resgatar a identidade desse profissional, devolver seu papel e funções, recompor a base profissional, pela natureza de sua formação, e por buscar a geração de teses

e circunstâncias de novas teorias no campo da educação. Este Sindicato, preocupado com este segmento de educadores, sabendo que é indispensável sua ação nos campos da política humana, de preparar as condições para o processo de ensino-aprendizagem, por meio de ações do planejamento, viabilização de ações coordenadas na articulação administrativa, na fundamentação teóricometodológica de práticas educativas e de ações afirmativas no processo ensino aprendizagem, quer discutir com a SEEC a conceituação, identidade e prática.


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“... não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo.” (Paulo Freire)

É preciso continuar lutando em busca de uma escola pública com qualidade social

Integral mesmo somente as salas quentes, os transtornos funcionais dos profissionais e ausência de bibliotecas, laboratórios e espaço para atividades lúdicas, esportivas e culturais.

Nas Escolas Estaduais, já são presentes os convênios e “parcerias’ com fundações e instituições financeiras e empresariais, provocando ingerências nas ações pedagógicas e na gestão escolar a partir da imposição de um referencial para a organização do trabalho docente que responsabiliza a(o) professora(a) pelo insucesso do aluno e impõe uma gestão empresarial, mercantilista e meritocrática que esvazia a possibilidade de fortalecer a gestão democrática. Na tentativa de apresentar algo palatável à população, o governo estadual impõe o Ensino Médio Integral e semiintegral, sem que as escolas “contempladas’ ofereçam as mínimas condições de permanência dos estu-

Os Planos de Educação (PNE, PEE e PME) já se encontram inviabilizados, pondo em risco todas as conquistas alcançadas durante os governos Lula e Dilma.

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efender a escola pública e lutar por sua melhoria é uma tarefa que passa pela luta sindical, social e política. O desmonte imposto à Educação Brasileira já se reflete no Rio Grande do Norte. A Emenda Constitucional nº 95, que congela os recursos da educação por 20 anos, combinada com a reforma trabalhista que criou a jornada intermitente; a terceirização irrestrita; o notório saber; o fim da obrigatoriedade de vários componentes curriculares pela nova BNCC; e a escola sem partido pintam um cenário de criminalização, desprofissionalização e perda de identidade da profissão docente no médio prazo que precisa ser encarado com muita atenção. Por essas medidas, os Planos de Educação (PNE, PEE e PME) já se encontram inviabilizados, pondo em risco todas as conquistas alcançadas durante os governos Lula e Dilma.

Miguel Salusto Lula da Silva Diretor de Comunicação do SINTE

dantes. Integral mesmo somente as salas quentes, os transtornos funcionais dos profissionais e ausência de bibliotecas, laboratórios e espaço para atividades lúdicas, esportivas e culturais. As metas do PEE e PMEs que tratam da carreira profissional e do trabalho docente não fazem parte da lista de prioridade do Governo Estadual, o que se comprova pela total falta de disposição em atender à

pauta da categoria, cumprir o Plano de Carreira dos Funcionários e pagar em dia às(aos) aposentadas(os). A atual greve na rede estadual e várias redes municipais, inclusive em Natal, cumpriram até o momento o importante papel de denunciar à sociedade todo esse desmonte, escancarando o desrespeito aos direitos e as péssimas condições de trabalho que afetam docentes e discentes. Por isso é preciso continuar lutando antes, durante e após às greves, com a comunidade escolar e os estudantes, em busca de uma escola pública com qualidade social. Que venham os próximos desafios.

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PARA REFLETIR

A diferença entre o céu e no inferno Ele esteve lá. Conta-se que um poeta estava um dia passeando ao crepúsculo em uma floresta, quando de repente surgiu diante dele uma aparição do maior dos poetas, Virgílio. Virgílio disse ao apavorado poeta que o destino estava sorrindo para ele, e que ele tinha sido escolhido para conhecer os segredos do Céu e do Inferno. Por mágica, Virgílio transportou-se, e o poeta, ainda apavorado com experiência tão súbita, ao velho e mítico rio que circundava o submundo. Entraram em uma canoa e Virgílio instruiu o poeta para remar até o Inferno. Quando chegaram, o poeta estava algo surpreso por encontrar um lugar semelhante à floresta onde estavam, e não feito de fogo e enxofre, nem infestado de demônios alados e criaturas nojentas exalando fogo, como ele esperava. Virgílio pegou o poeta pela mão e levou-o por uma trilha. Logo o poeta sentiu, à medida que se aproximavam de uma barreira de rochas e arbustos, o cheiro de um delicioso ensopado. Junto com o cheiro, entretanto, vinham misteriosos sons de lamentações e ranger de dentes. Ao contornar as rochas, depararam-se com uma cena incomum. Havia uma grande clareira com muitas mesas grandes e redondas. No meio de cada mesa, havia uma enorme panela contendo o ensopado cujo cheiro o poeta havia sentido, e cada mesa estava cercada de pessoas definhadas e obviamente famintas. Cada pessoa segurava uma colher com a qual tentava comer o ensopado. Devido ao tamanho da mesa, entretanto, e por serem as colheres compridas de forma a alcançar a panela no centro, o cabo das colheres era duas vezes mais compridos do que os braços das pessoas que as usavam. Isso tornava impossível para qualquer uma daquelas pessoas famintas colocar a comida na boca. Havia muita luta e imprecações, enquanto cada pessoa tentava desesperadamente pegar pelo menos uma gota do ensopado.

O poeta ficou muito abalado com a terrível cena, até que tampou os olhos e suplicou a Virgílio que o tirasse dali. Em um momento, eles estavam de volta à canoa e Virgílio mostrou ao poeta como chegar até o Céu. Quando chegaram, o poeta surpreendeu-se novamente ao ver uma cena que não correspondia às suas expectativas. Aquele lugar era quase exatamente igual ao que eles tinham acabado de sair. Não havia grandes portões de pérolas nem bandos de anjos a cantar. Novamente Virgílio conduziu-o por uma trilha onde um cheiro de comida vinha de trás de uma barreira de rochas e arbustos. Dessa vez, entretanto, eles ouviram cantos e risadas quando se aproximaram. Ao contornarem a barreira, o poeta ficou muito surpreso de encontrar um quadro idêntico ao que eles tinham acabado de deixar; grandes mesas cercadas por pessoas com colheres de cabos desproporcionais e uma grande panela de ensopado no centro de cada mesa. A única e essencial diferença entre aquele grupo de pessoas e o que eles tinham acabado de deixar, era que as pessoas neste grupo estavam usando suas colheres para alimentar uns aos outros. Robert B. Dilts

Jornal Extra Classe - Especial Greve da Rede Estadual  
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