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EM

CENA

Ano XIII - NĂşmero 17 Agosto/Setembro 2010

BATALHA PELA VIDA Eleito pela ONU como o Ano Internacional da Biodiversidade, 2010 levanta o debate sobre o destino dado ao lixo hospitalar


índice

agosto/setembro 2010

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EDITORIAL CARTA DO LEITOR ESPECIAL Ano da Biodiversidade

10

SAÚDE/COMPORTAMENTO Enriquecimento ambiental

12

SAÚDE/BEM-ESTAR Karatê

14

PERSONAGEM DA SAÚDE Viviane Saez Lamego

15

CADERNO VIP Dia do Trabalhador da Saúde Posse da nova diretoria Sinsaúde Festa Junina da Saúde

53

ECONOMIA Investimento em saúde

56

ATUALIDADE Ponto eletrônico

58

NUTRIÇÃO Água com sabor

60

TURISMO Cidades dos vinhos

62

MODA Biotipo

64

BELEZA Transformação

65

DICA CULTURAL Música clássica

66

FATOS E FOTOS Araras

agosto/setembro 2010 - EM CENA - 3


editorial

Sustentabilidade na área da saúde deve incluir respeito aos trabalhadores, à população e ao meio ambiente Não podemos perder a oportunidade de fazer uma boa reflexão sobre o nosso papel neste mundo, seja no trabalho, perante a sociedade e até mesmo diante do Planeta. Esta chance foi criada agora pela Assembleia Geral das Nações Unidas que declarou o ano de 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. O ano está acabando, é verdade, mas temos certeza de que a proposta da Assembleia não é encerrar o debate ao fim do período. Ao contrário, ainda é necessário promover muitos deles para que se possa atingir plenamente a proposta de sustentabilidade contida nesta ação. A ideia mais amplamente divulgada é o de que sustentabilidade é a capacidade de atender às necessidades do presente, sem comprometer as futuras gerações. Este conceito foi definido em 1987, durante a elaboração do Relatório Brundtland pela Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Unced). Desde então, a sustentabilidade se apoia no conceito do Triple Bottom Line: atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da sociedade. São três parâmetros que devem estar equilibrados e integrados nas empresas e demais entidades representativas da sociedade. A imagem do tripé é perfeita para entender à sustentabilidade. Nele estão contidos os aspectos econômicos, ambientais e sociais que devem interagir e se equilibrar para tornar a vida no planeta Terra mais equilibrada do que a fizemos até agora. Nesta edição da Em Cena, focamos a questão da sustentabilidade no setor da saúde, mais especificamente no que diz respeito ao lixo hospitalar. Não pretendemos esgotar o assunto por aqui, pois entendemos que ainda há um longo caminho a ser trilhado até que possamos afirmar que o setor da saúde avançou neste conceito. E as dificuldades são imensas. Pelo parâmetro anterior de sustentabilidade, uma empresa era sustentável se estivesse econo-

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micamente saudável, mesmo com dívidas. Para um país, o conceito incluía um viés social e a repartição da riqueza gerada pelo crescimento econômico, seja por meio de mais empregos criados, seja por mais serviços sociais para a população em geral. A questão ecológica trouxe uma constatação: o aspecto ambiental não era levado em consideração e a sociedade corria o risco de ficar sem matéria-prima para a indústria e teria que conviver com o fantasma de estar contribuindo para a destruição do planeta Terra. Assim, o Triple Bottom Line ficou também conhecido como os 3 Ps (People, Planet and Proift, ou, em português, PPL - Pessoas, Planeta e Lucro). O setor da saúde ainda é carente nos três pontos que formam este tripé. Em relação ao capital humano ainda precisa avançar na questão da valorização salarial e na promoção do bem-estar dos seus funcionários, propiciando, por exemplo, um ambiente de trabalho agradável, pensando na saúde do trabalhador e da sua família. Para começar, deve respeitar a Norma Regulamentadora número 32 (NR-32), um passo importante na promoção da saúde dos trabalhadores, dos pacientes e respeito ao meio ambiente, a perna ambiental do tripé. Um ambiente de trabalho adequado reduz os níveis de poluição gerados pelos estabelecimentos de saúde. Este é o capital natural de uma empresa ou sociedade. Em princípio, sabemos que praticamente toda atividade econômica tem impacto ambiental negativo. Neste aspecto, a empresa ou a sociedade deve pensar nas formas de amenizar estes impactos e compensar o que não é possível amenizar. A área da saúde, por ser essencial à sociedade, precisa ver esta questão com mais profundidade e atenção. Uma responsabilidade que deve ser dividida entre empresários, gestores e autoridades públicas. Se houver avanço nestas duas questões, o lucro é mais do que merecido.

Edison Laércio de Oliveira Presidente


expediente - carta do leitor

“Durante anos tive vários

“Todos nós sabemos que

problemas nos rins e, por

exercícios físicos fazem bem

isso, precisei me submeter a

à saúde. Depois de ler a

algumas cirurgias e frequentes

reportagem da Em Cena sobre

visitas ao hospital para fazer

dança, bateu uma vontade de

hemodiálise ou apenas para

aprender e estou procurando

acompanhamento. Neste

uma academia que promova

período difícil, pude contar com a ajuda da família, mas também com os profissionais do hospital, que me deram todo o apoio emocional, me incentivando e me encorajando para que eu pudesse me recuperar. Portanto, me identifiquei muito com a matéria “Segunda Família” e gostaria de parabenizar a todos pela ideia e pela maneira que foi explorado o tema.” Renata Ferreira - Campinas “Muito interessante a matéria sobre o Blu-ray. Eu não sabia nem que existia uma tecnologia como esta disponível no mercado e, agora, com a publicação desta matéria, o pessoal mais antigo como eu, poderá ter acesso a este conhecimento que é do interesse de todos.”

aulas, já que não gosto de fazer exercícios físicos.” Maria Ap. Zoré - Campinas “Escrevo para ressaltar que gostei muito das matérias. São bastante

“Parabéns à equipe que torna a Em Cena possível. O conteúdo é excelente! Gostei muito da matéria do Dia do Trabalhador da Saúde, acredito que estes profissionais merecem o reconhecimento nacional. Acredito que o presidente Lula deveria repensar sua decisão. A diagramação é muito boa, leve e fornece uma ótima leitura.” Rafael Wendel Pinheiro, professor da Unicerp em Patrocínio/MG

Maria Clara de Jesus Campinas

educativas e meus filhos adoram. Gostei muito do exemplo das mães que educam seus filhos com sabedoria nos dias de hoje. Parabéns!” Fabiana Assis, vendedora Valinhos “Só tenho elogios para a Em Cena, especialmente por prestar um serviço para a população. Achei bem interessante a matéria de economia e a forma clara com que o tema foi abordado.” Carlos Henrique Silveira, contador, Americana Sua opinião ou sugestão é importante! Correspondências para esta seção: Por e-mail: srodrigues@sinsaude.org.br ou domma@domma.com.br Por carta: Duque de Caxias, 378, Centro, CEP 13015-310 – Campinas/SP

EXPEDIENTE Esta é uma publicação do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campinas (Sinsaúde) site: www.sinsaude.org.br e-mail: sinsaude@sinsaude.org.br Presidente: Edison Laércio de Oliveira Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento Redação e Criação: DOMMA Comunicação Integrada site: www.domma.com.br - e-mail: domma@domma.com.br

Editora responsável: Sirlene Nogueira (Mtb 15.114) Redação: Aline Frediani (Mtb 55.951), Andressa Vilela (Mtb 57.810), Daniella Almeida (Mtb 4.352), Mariana Dorigatti, Martha Romano, Sirlene Nogueira e Vera Bison (Mtb 12.391) Projeto gráfico: Javé Capa e Editoração: Felipe Teixeira Fotografia: Ari Ferreira e Gustavo Tílio Arte final: Felipe Teixeira e Caio Capela Tiragem: 22 mil exemplares

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especial - ano da biodiversidade

Ano Internacional da Biodiversidade Com as atenções voltadas para o meio ambiente, a discussão sobre o lixo hospitalar ganha destaque em 2010

A Maria Cecília Wey de Brito Secretária de Biodiversidade e Florestas do Meio Ambiente

quecimento global, sustentabilidade e responsabilidade ambiental são alguns temas que cada vez mais ganham destaque nos noticiários mundiais. Se em 1992, na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ou ECO 92 (ver Box “Do Rio à Nagoya”), o debate em torno do assunto ainda engatinhava, em 2010 esta discussão ganhou ainda mais força. Isto porque a Assembleia Geral das

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Nações Unidas declarou o ano de 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade. “A perda da diversidade biológica envolve questões sociais, econômicas, culturais e científicas”, destaca Maria Cecília Wey de Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. De acordo com ela, tem havido, durante o ano todo, eventos de divulgação, encontros, lançamentos de publicações e ações voltadas à conservação da biodiversidade. A celebração tem como objetivo evidenciar a importância da questão para a qualidade de vida das pessoas, refletir sobre os esforços já empreendidos até o momento e promover e dinamizar todas as iniciativas


de trabalho para reduzir a perda da biodiversidade, como consta no guia elaborado pela Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica para o Ano Internacional da Biodiversidade. “O objetivo maior do Ano Internacional da Biodiversidade é melhorar o entendimento sobre o papel vital da biodiversidade para a manutenção da vida na Terra”, afirma Maria Cecília. A Secretaria da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) foi designada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como coordenadora das ações do Ano Internacional da Biodiversidade - 2010. A CDB foi estabelecida durante a realização da Cúpula da Terra, na ECO/92, e possui 191 países-membros. O meio ambiente e o lixo hospitalar Quando se fala em meio ambiente e saúde, a primeira ideia que vem à cabeça é a questão do lixo hospitalar. De acordo com o diretor do Departamento de Limpeza Urbana (DLU), da Prefeitura Municipal de Campinas, Marcelo Cominatto, este é um tema que precisa de bastante atenção. “A importância do tratamento do lixo hospitalar para o meio ambiente se dá em função da eliminação dos riscos de contaminação do solo, das águas superficiais e águas profundas”, explica Cominatto. Porém, ele ressalta que, se não tratado de forma adequada, este tipo de lixo culminará na ingestão de água e alimento contaminados por parte

da população e animais. Carlos Alfredo Joly, coordenador-geral do Biota-Fapesp e professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também destaca a necessidade do tratamento apropriado desse tipo de lixo. “A questão do lixo hospitalar é bastante complicada, porque tem uma parte que tem que ser incinerada e destruída e estes processos têm impacto na liberação de gases estufas, mas é uma necessidade, porque não há outra forma para fazer”, revela Joly. Entretanto, o professor delata que, no Brasil, há poucos estudos focando o lixo hospitalar e como poderia ser reduzido seu impacto ambiental. Segundo ele, o detrito que vai para lixões ou aterros ainda tem características especiais e que pode contaminar o solo e os lençóis freáticos. Para tentar reverter esta situação, Joly defende a discussão do tema entre profissionais de outros países. Mas a ligação entre meio ambiente e saúde não se restringe ao lixo hospitalar. Outro ponto que merece destaque é como a mudança no uso das terras e transformações climáticas alteram a distribuição geográfica de vetores de doenças. Conforme o coordenador-geral do Biota enfatiza, é papel dos pesquisadores da saúde identificar áreas de possíveis doenças tropicais.

Do Rio à Nagoya Desde a ECO 92, conferência internacional realizada na cidade do Rio de Janeiro, muitas reuniões foram feitas para discutir a importância da preservação do meio ambiente. No evento do Rio de Janeiro, por exemplo, foi estabelecida a Agenda 21, programa de ação que estabeleceu a importância de cada país refletir sobre a questão do desenvolvimento sustentável. Dez anos depois aconteceu a terceira conferência mundial, promovida pela ONU, para discutir os desafios ambientais no Planeta. A reunião ocorreu em Joanesburgo, África do Sul. Para facilitar a obtenção de um consenso, os países se dividiram em blocos, que defendiam os mesmos interesses. Contudo, os objetivos divergentes das nações restringiram o produto final de conferências promovidas pela ONU.

Em dezembro de 2009 foi a vez da cidade de Copenhague, Dinamarca, sediar a 15ª Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática. Apesar de ter gerado grande expectativa, a reunião de líderes terminou sem muitas propostas concretas. Em 2010 ocorre a décima Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP-10/CDB), em Nagoya, Japão, no mês de outubro. Nos moldes da conferência de Copenhague, a COP de Nagoya discute os compromissos assumidos em 2002. O grande receio dos especialistas é que o encontro no Japão seja igualmente frustrante ao da Dinamarca. “As expectativas é que ficaremos com sentimento de fracasso, como ficamos em Copenhague. Porque será difícil comprovar que houve redução da biodiversidade, mas temos que nos focar em implementar metas quantificáveis para um futuro próximo”, afirma o professor Carlos Alfredo Joly.

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foto: divulgação

especial - ano da biodiversidade

“Olhar onde o vetor existe hoje, fazer um mapa de probabilidade de ocorrência e analisar o cenário da mudança do uso da terra e clima serão essenciais para descobrir possíveis regiões onde doenças tropicais podem se manifestar no futuro. Sem dúvida, esta é uma ferramenta que deve ser incorporada nas políticas de saúde pública”, diz Joly. Outro aspecto importante é a postura dos profissionais da saúde. Eles têm o papel muito especial na sociedade, pois são grandes formadores de opinião e comportamento. “Eles têm uma interação com os pacientes que é muito rica e que pode ser explorada para mudança de hábitos benéficos para a saúde e que reduzam o impacto de cada um na sociedade e na natureza, como, por exemplo, o excesso do consumo de carne. É uma coisa que faz bem para a saúde e para o meio ambiente”, afirma. O Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo, denominado Biota-Fapesp, é o resultado da articulação da comunidade científica do Estado de São Paulo em torno das premissas preconizadas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica, assinada durante a ECO-92 e ratificada pelo Congresso Nacional em 1994. O gerenciamento do lixo hospitalar no Brasil O último regulamento técnico para o gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS), popularmente conhecido como lixo hospitalar, é datado em 7 de dezembro de 2004. Emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o documento é uma atualização e complementação dos procedimentos contidos na resolução de 25 de fevereiro de 2003. O objetivo da medida é minimizar a produção de resíduos e proporcionar àqueles gerados um encaminhamento seguro. Na nova regulamentação são disponibilizadas

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informações aos estabelecimentos de saúde e órgãos de vigilância sanitária sobre técnicas adequadas de manejo dos RSSs, seu gerenciamento e sua fiscalização. Vale salientar que as regras são aplicadas a todos os geradores de RSS, que abrangem os serviços relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência domiciliar e de trabalhos de campo, laboratórios de análises, necrotérios, estabelecimentos de ensino e pesquisa na área da saúde, entre outros. Classificação De acordo com o relatório da Anvisa, o lixo hospitalar pode ser dividido em cinco grupos: A, B, C, D e E. - Grupo A: abrange os resíduos com a possível presença de agentes biológicos que podem apresentar risco de infecção. Divide-se em cinco subgrupos: A1, A2, A3, A4 e A5. Exemplo: sobras de amostras de laboratório contendo sangue ou líquidos corpóreos. - Grupo B: resíduos, contendo substâncias químicas, que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplo: resíduos contendo metais pesados. - Grupo C: quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radioatividade superior à do padrão e, para os quais, a reutilização é imprópria ou não prevista. Exemplo: exames radioativos, provenientes de laboratórios de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia. - Grupo D: resíduos que não apresentem riscos biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Exemplo: papel de uso sanitário e fralda. - Grupo E: materiais que podem furar ou cortar. Exemplo: agulhas e lâminas de bisturi. Informações coletadas no site da Anvisa. Para mais detalhes sobre o regulamento, acessar a página da entidade (www.anvisa.gov.br).


Biodiversidade em pauta O Brasil é um dos países com maior diversidade de plantas e espécies animais em todo o mundo. E, com o Ano Internacional da Biodiversidade, é impossível não discutir o papel do País neste contexto. Segundo Maria Cecília Wey de Britto, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, a discussão em torno do tema envolve questões sociais, econômicas, culturais e científicas. Com isso, tanto o governo como os cidadãos têm um papel fundamental na preservação da biodiversidade. “O Ano Internacional da Biodiversidade, portanto, tem o dever de mostrar a sociedade brasileira e mundial a importância da biodiversidade”, afirma Maria Cecília. Confira abaixo a entrevista completa com a secretária de Biodiversidade e Florestas. Em Cena - A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade. Qual a importância deste tipo de iniciativa para aumentar a consciência sobre a questão da preservação da biodiversidade em todo o mundo? Maria Cecília Wey de Britto - Preocupada com a perda crescente de biodiversidade em todo o mundo, a ONU declarou 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade, destacando o trabalho de pessoas do mundo inteiro que lutam para garantir a conservação do patrimônio natural insubstituível e para reduzir a perda de biodiversidade, vital para o bem-estar das gerações presentes e futuras. O objetivo maior do Ano Internacional da Biodiversidade é melhorar o entendimento sobre o papel vital da biodiversidade para a manutenção da vida na Terra. Várias ações de divulgação ocorreram e ainda estão acontecendo neste ano, desde eventos, encontros, lançamentos de publicações, divulgação de resultados de políticas e ações voltadas à conservação deste patrimônio mundial. Em Cena - Qual o papel do Brasil neste contexto? Maria Cecília Wey de Britto - A perda da diversidade biológica envolve questões sociais, econômicas, culturais e científicas. Para evitar consequências ainda maiores da perda da biodiversidade é necessário conhecer melhor os estoques restantes de nossos ecossistemas, espécies e populações naturais, além dos já modificados existentes no Brasil, para que se possa desenvolver uma abordagem equilibrada entre conservação e utilização sustentável, conciliando preservação da natureza e modos de vida das populações locais com o desenvolvimento social e econômico. Além disso, o governo trabalha na elaboração e implementação de políticas públicas que combatam a exploração econômica irracional, substituindo-as por práticas sustentáveis para as comunidades que retiram da biodiversidade o seu sustento. Paralelamente, intensificam-se os estudos científicos, pois a descoberta de espécies novas e de espécies endêmicas, seus hábitos, comportamentos e serviços prestados podem ajudar no apelo à sociedade para a conservação da imensa biodiversidade, que é patrimônio de nosso País. Em Cena - Além das campanhas de conscientização, o que vem sendo feito pela preservação da biodiversidade no País? Maria Cecília Wey de Britto – Entre as várias ações em andamento, podemos destacar os mecanismos de pagamentos por

serviços ambientais e o desenvolvimento de práticas agrícolas ecologicamente favoráveis, caracterizadas pelos sistemas agroecológicos, que estão sendo considerados cada vez mais como soluções inovadoras para a conservação da diversidade biológica. Considerando a situação vulnerável em que se encontram alguns biomas brasileiros, o sistema de pagamentos por serviços ambientais não deve ser um substituto de uma política social ou investimento em serviços públicos básicos, mas sim um instrumento de estímulo à conservação da biodiversidade e de sua restauração, que beneficia o ator social por meio do aumento de sua renda e garante à comunidade a manutenção dos serviços ambientais indispensáveis à sustentabilidade econômica, à qualidade de vida, à segurança alimentar e ao bem-estar social. Já, a conversão de florestas e a expansão da agricultura têm transformado a paisagem em todo o Planeta, resultando na perda de biodiversidade e, consequentemente, causando danos aos serviços do ecossistema. Estudos mostram que tais consequências estão diretamente associadas à extinção local das espécies. O desenvolvimento de práticas agrícolas ecologicamente favoráveis, caracterizadas pelos sistemas agroecológicos, tem promovido uma matriz de alta qualidade para a biodiversidade, que mantém maior semelhança com os habitats naturais, facilitando a dispersão das espécies e a manutenção da biodiversidade. Em Cena - Como os cidadãos podem contribuir? Maria Cecília Wey de Britto - Parafraseando Mike Shanahan, do International Institute for Environment and Development: “ O maior desafio é lembrar as pessoas que elas fazem parte da teia da vida e não estão separadas dela. Sem esta rede, é fácil esquecer que nosso bem-estar - e das gerações futuras - estão conectados ao destinos das outras formas de vida.” O Ano Internacional da Biodiversidade, portanto, teve o grande desafio de mostrar a sociedade brasileira e mundial a importância da biodiversidade, alertando para a degradação oriunda da exploração de recursos naturais e da ocupação do solo feitos de maneira insustentável, agravados pelo crescimento sistemático da população e pela distribuição desigual da riqueza. Ainda há muito o que se fazer para criar a conscientização que leve à ação de fato, mas este ano foi um marco para esta mudança.

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saúde/bem-estar - karate-do

Karate-Do

Fortalecendo o corpo e a mente

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São inúmeros os benefícios para a saúde física e mental proporcionados com o treinamento da arte marcial

Q

uem acha que arte marcial é sinônimo de pancadaria e quebramento de tijolos ainda não conhece o KarateDo tradicional, estilo Shoto Kan Kyo, de Okinawa. Nesse estilo de luta, os praticantes não visam à competição e alcançam melhorias para o corpo e o crescimento mental por meio de treinamentos práticos e teóricos, sem idolatria ou doutrina. São inúmeros os benefícios físicos que essa atividade pode proporcionar, como tonificação motora, fortalecimento das juntas e coluna, contração e descontração da musculatura, melhora na postura, no sincronismo, na flexibilidade, sensibilidade e exatidão no impacto. Contudo, os praticantes também conseguem melhoras na qualidade de vida, que resultam na capacidade de concentração cada vez maior e na persistência e tolerância no convívio social. Isso porque, com os treinos práticos e teóricos, o aluno passa a ter mais disciplina, autocontrole de costumes negativos, ponderação e discerni-

mento, confiando e assumindo a si mesmo diante de qualquer eventualidade. “Com o desenvolvimento da arte marcial haverá melhorias em todos os campos, como na escola, no trabalho e no lar”, explicou o Kyokan Carlos Borges, que desenvolve a arte marcial tradicional transcendental Karate-Do, em Campinas. Kyokan (samurai) é uma graduação usada em aceitação, merecimento e dedicação à arte marcial. Para adquirir conhecimentos e crescer na arte, Kyokan Carlos passou uma temporada no Japão. “Nesta ocasião era necessário mostrar o meu sentimento de humildade e renúncia total, chegando quase à transição física”, conta. Quando retornou ao Brasil, permaneceu durante quase sete anos no sul do País para o aperfeiçoamento da arte por meio de treinamentos práticos, teóricos e meditativos, junto à natureza. Assim, ele passou vários anos se dedicando a treinamentos gradativos, chegando ao absoluto prático, ou seja, ao limite máximo suportado pelo corpo. Por várias vezes chegou à exaustão e até a desmaiar. Constante nos treinamentos de arte marcial desde 1967, Kyokan exteriorizou e solidificou atributos contidos nos seres humanos, que são desenvolvidos somente quando a força de vontade predomina a razão. “Com os fatores predominantemente mentais e absoluto prático adquirido, meu merecimento


se concretizou no mais alto grau da linhagem da arte marcial, nos parâmetros gradativos de conhecimento de estar, fazer e ser do ser humano”, diz ele, referindo-se a sua graduação na arte marcial . Pelo conhecimento na arte, o Kyokan Carlos reafirma que a participação de competições não é aceita entre os praticantes do Karate-Do, visto que não existe sentido em agredir fisicamente o semelhante para obter um troféu. “Devemos competir contra nós mesmos, contra a agressividade, a arrogância, a imposição individual e a fragilidade mental.” Nesse sentido, a grande busca dos praticantes da arte marcial Karate-Do é exteriorizar o guerreiro (benéfico) interior e alcançar a paz de espírito, ou seja, estar em harmonia consigo mesmo, com o seu semelhante, com a natureza e o universo. O fundador da palavra Karate- Do O grande mestre Kyohan Gichin Funakoshi, filósofo, nasceu em Okinawa em 1869 e morreu em 1957, com 88 anos. Ele desenvolveu a arte marcial e o estilo com disciplina, buscando o crescimento do ser humano por intermédio do lema (abaixo), que é uma ideologia de vida. O mestre deu nome à arte marcial tradicional de Karate-Do, que significa mente em evolução e corpo em harmonia.

cido. O hachimaki, que é a faixa amarrada na testa, possui um significado profundo, como explica o Kyokan Carlos. “O hachimaki busca a sensibilidade da razão, ajudando a diminuir os erros a cada dia e buscando também uma abertura da visão mental para ser usada em treinamento.”

Tipos de treinamento As aulas práticas da arte marcial Karate-Do se iniciam sempre com um aquecimento, porém os tipos de treinaO lema do praticante da arte marcial Karate-Do mento são dinâmicos e variados, permitindo que os treinos - Esforçar-se para formação do caráter. sejam diferentes a cada dia. - Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão. Entre eles, podem se destacar movimentos de autodefesa - Criar o intuito de esforço. parados; treinamentos de combate livre, visando a técnica - Respeito acima de tudo. e o espaço do alvo; prática de autodefesa, tendo um adver- Conter o espírito de agressão. sário “imaginário” a sua frente, em movimentos contínuos, que com o tempo serão sedimentados no subconsciente do Roupagem No Karate-Do tradicional se utiliza, além do já conheci- praticante; prática na execução de quebramentos de membros provenientes de um ataque; treinamentos em parceria do kimono branco, o hachimaki e o hakama. O hakama é uma vestimenta que cobre a parte inferior na solidificação do bloqueio para adquirir velocidade nos do corpo e somente os discípulos (kohais) usam na prática movimentos durante o ataque e a defesa, entre outros. Após todas as aulas práticas é feito um relaxamento da arte marcial para a exteriorização do guerreiro interior, para que a adrenalina animal seja abrandada e canalizada que, segundo o Kyokan, todos possuem, mas está adormebeneficamente. A aula teórica também faz parte do treinamento de Karate-Do e possui a mesma importância que os treinos práticos. Nestes encontros, o Kyokan Carlos esclarece dúvidas sobre os movimentos, ensina sobre as leis naturais, assim como a história da arte marcial e compartilha experiências de vida. Fonte: Kyokan Carlos Borges Fone: (19) 8177-6396 agosto/setembro 2010 - EM CENA - 13


saúde/comportamento - enriquecimento ambiental

Enriquecimento ambiental Cada vez mais os parques e zoológicos se preocupam em estimular o instinto dos animais por meio de técnicas que evitam o estresse e aumentam as chances de reprodução em cativeiro

O

leão Lineu e sua companheira Shera ficaram desconfiados quando encontraram pela manhã algo parecido com uma girafa em seu território. Durante todo o dia, ambos não interagiram com o público e ficaram apenas observando as caixas de papelão forradas com pedaços de carne. Porém, no dia seguinte, os técnicos do Bosque dos Jequitibás, em Campinas, encontraram apenas destroços na jaula, o que comprova que no período da noite estes animais, que nunca tiveram

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contato com a vida selvagem, atacaram ferozmente o ser estranho que invadia o seu espaço. Essa atividade, chamada de enriquecimento ambiental, faz parte do tratamento que os biólogos dão aos animais do Bosque dos Jequitibás, que, assim como outros parques da região, se preocupa com a qualidade de vida dos animais cativos. O enriquecimento ambiental é uma área recente de estudo, que consiste na introdução de variedades criativas nos recintos, a fim de contribuir com o bem-


estar dos animais em cativeiro, como explica Eliana Ferraz, bióloga do bosque, que possui projetos de pesquisa sobre enriquecimento ambiental dentro e fora do País. “Com a inserção de práticas que fazem o animal sair da rotina do zoológico, pode ser observado melhoras no bem-estar e na diminuição do estresse, é uma terapia mesmo”, diz Eliana. Segundo o biólogo do Zooparque de Itatiba, Rogério de Andrade Souza, as aplicações destas técnicas evitam vários tipos de problemas, como caminhadas sem objetivo, automutilação, masturbação excessiva, coprofagia (ingestão de fezes), mastigação falsa, mutilação de membros do grupo, inatividade extrema, hiperatividade, agressividade, entre outros problemas. Esses comportamentos ocorrem porque em vida livre os animais passam a maior parte do tempo à procura de seus próprios alimentos, evitando seus predadores, procurando e disputando parceiros para acasalar, defendendo territórios, etc. Já, no cativeiro, segundo Rogério, há uma mudança muito grande. “O ambiente é totalmente previsível, com comida e água de fácil acesso e, sem pressão de predadores, não há disputa por recursos e, muitas vezes, o animal é obrigado a conviver com espécies que não coabitaria na natureza ou ficar sozinho”, explica. No Zoológico de Americana, o enriquecimento ambiental também já faz parte do tratamento dado aos animais. A veterinária do zoológico, Michelle

Tipos de enriquecimento ambiental Físico - Introdução de aparatos que deixem os recintos semelhantes ao habitat de cada uma das espécies. Sensorial - Estimula os cinco sentidos dos animais por meio de sons com vocalizações, ervas aromáticas, urina e fezes de outros animais.

Falcade, conta que para os animais carnívoros eventualmente são oferecidas presas vivas, como ratos, camundongos e frangos, para estimular o instinto de caça e forçar um aumento de atividade física. Já, para os pequenos primatas são colocadas larvas em garrafas ou pedaços de bambus, assim como alimentos diferentes dos quais estão habituados como forma de estímulo físico e mental. Porém, é importante ressaltar que o tipo de enriquecimento utilizado deve ser apropriado à espécie em questão, para garantir não só a segurança dos animais como a Acima, a bióloga do do público. “Com os primatas, Bosque dos Jequitibás, em Campinas, Eliana por exemplo, precisamos ter Ferraz e sua estagiária, cuidado com os objetos que Aline Binatto. serão usados no enriquecimenMichele Falcade, veteto, pois podem virar uma arma rinária do Zoológico de Americana (à esq.) nas mãos destes animais que são mais inteligentes”, explica Eliana Ferraz. Reprodução em cativeiro A reprodução das espécies é um dos maiores interesses dos parques e zoológicos. Neste sentido, o enriquecimento ambiental é uma prática de suma importância para que estes resultados sejam obtidos, como explica o biólogo Rogério Souza. “Os animais que têm enriquecimento no seu dia a dia têm maior probabilidade de sucesso reprodutivo, pois a realização destas atividades abaixa os níveis de cortisol (hormônio do estresse), que provoca baixa na imunidade, e aumento da pressão arterial, entre outros problemas.” Para a bióloga Eliana Ferraz, a reprodução é uma consequência da qualidade de vida que o casal possui. “O animal se sentindo bem, vai conviver com menos estresse com o parceiro e, com o bem-estar entre os dois, pode ocorrer a reprodução”, explica.

Cognitivo - Dispositivos mecânicos (quebra-cabeças) para os animais manipularem e estimularem suas capacidades intelectuais. Social – Os animais têm a oportunidade de interagir com outras espécies que naturalmente conviveriam na natureza ou com indivíduos da mesma espécie. Alimentar – Variações na alimentação e nas técnicas que estimulam a caça aos alimentos. agosto/setembro 2010 - EM CENA - 11


personagem da saúde - viviane saez lamego

Menina prodígio Com uma habilidade surpreendente para a música, esta auxiliar de enfermagem, de Jundiaí, divide a paixão pela profissão com a magia de encantar a todos tocando instrumentos de música clássica

C

om apenas 20 anos, a simpática auxiliar de enfermagem Viviane Saez Lamego já coleciona qualidades incomuns para sua idade. A jovem, que trabalha no Hospital Santa Elisa, de Jundiaí, é realmente um prodígio, pois, sem nunca ter frequentado uma escola de música, toca teclado, flauta, violino e violão desde os 6 anos. O talento incontestável fez com que, em 2001, entrasse para a Orquestra Filarmônica de Sorocaba, cidade na qual residia na época. “Depois disso, várias portas foram se abrindo para mim”, conta. Também participou da Orquestra do Instituto da Fundação de Desenvolvimento Cultural (Fundec), de Sorocaba, e, posteriormente, da Banda Sinfônica Paulo Afonso, como flautista. Após quatro anos tocando nas orquestras, Viviane começou a dar aulas particulares de musicalização infantil para as crianças e de violão e flauta doce para todas as idades. “Já toquei em casamento, em orquestras, dei aulas, mas também gosto de tocar informalmente em uma rodinha de amigos ou apenas pegar o violão para desestressar”, explicou. Além de toda a habilidade com a música, a profissional da saúde também trabalha em uma escola de idiomas, onde leciona francês, língua que começou a aprender há apenas três anos e já adquiriu fluência. “Não passo vergonha com o meu francês”, garantiu. Atualmente, Viviane faz faculdade de Enfermagem no Centro Universitário Padre Anchieta, em Jundiaí, onde conseguiu uma bolsa de estudos pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). A vontade de ingressar na

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área da saúde é antiga e surgiu desde criança, devido à responsabilidade de humanização no atendimento que é atribuída a estes profissionais. Isso por que Viviane foi uma criança muito doente até os 3 anos, tendo que morar no hospital durante um tempo. Na mesma época, em virtude de um desvio na glote, um alimento ingerido foi parar no pulmão, agravando ainda mais sua saúde. “Minha família, que é evangélica, pediu muito a Deus para que eu me curasse e, assim, como um milagre, meu pulmão estava novo e voltei a ter uma vida normal”, conta. Atualmente, Viviane trabalha na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) infantil, onde convive diariamente com as crianças e tenta fazer com que o tempo de internação dos pequenos seja mais tranquilo. “Eu costumo contar a elas que um dia estava com uma ‘corneta’ na boca e bati na parede, engolindo o instrumento, que desde então está alojado em minha garganta. Então, no meio da história, começo a fazer o barulho de trompete com a boca e as crianças ficam impressionadas. É uma forma de distraí-las, pois muitas têm medo de pessoas de branco”, contou a auxiliar de enfermagem. Viviane, que é sindicalizada ao Sinsaúde Campinas e Região desde quando começou na profissão, elogia muito o trabalho da entidade em sua cidade. “Eu sempre me lembro da frase ‘Sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas’. No caso do Sindicato, os diretores estão correndo atrás das melhorias com disciplina e responsabilidade. São os únicos que lutam pela gente e querem tudo de primeira linha para os trabalhadores da saúde”, opina.


economia - investimento em saúde

Hospitais investidos profissionais esquecidos Nos últimos oito anos, só no Estado de São Paulo foram cerca de R$ 330 milhões investidos pelo Governo Federal na construção de hospitais. Destes, R$ 186,6 milhões foram destinados a inaugurações de Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), R$ 3,7 milhões a Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e R$ 140 milhões para postos de saúde e unidades especializadas. Contudo, a realidade é que não existem investimentos em pessoal. Os profissionais da saúde, reunidos no XIII Encontro Paulista da Saúde, reclamaram do esquecimento do governo

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o Brasil, um conceito ampliado de saúde aparece como resultado de amplas discussões em meio ao movimento da reforma sanitária, iniciado entre as décadas de 70 e 80. Este momento surge a partir das organizações sindicais e populares da área da saúde e buscava o reconhecimento da categoria como uma questão de relevância pública e social e assim segue até hoje. Segundo pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada em dezembro de 2009, sobre “Trabalho da Saúde”, nos últimos dez anos, apesar do significativo aumento no número de trabalhadores em serviços de saúde (44,4%), questões importantes para a Edison Laércio de Oliveira Presidente do Sinsaúde garantia da qualidade de atendimento, Campinas e Região

como salários dos profissionais, jornada e condições de trabalho decaíram nas principais capitais brasileiras e regiões metropolitanas. Embora o setor tenha crescido neste período, lideranças do setor reclamam da falta de políticas governamentais que promovam os profissionais da saúde, diretamente responsáveis pela qualidade do atendimento em saúde. De acordo com o presidente do Sinsaúde Campinas e Região e da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, Edison Laércio de Oliveira, “os resultados dessa pesquisa mostram que estão em risco os direitos conquistados nas últimas décadas pelos Carlos Lupi Ministro do Trabalho e Emprego trabalhadores. Ele destaca que agosto/setembro 2010 - EM CENA - 53


economia - investimento em saúde

Carta de São Paulo Nos dias 25, 26, 27 e 28 de agosto de 2010, na Colônia de Férias Firmo de Souza Godinho, em Praia Grande, reuniram-se dirigentes sindicais e trabalhadores da saúde, representantes dos mais de 300 mil profissionais do setor, para a realização do XIII Encontro Paulista da Saúde, o VIII Encontro de Advogados Trabalhistas da Área da Saúde e o I Encontro de Assessores de Comunicação da Área da Saúde, num total de 300 delegados, tendo por tema-base: “Qualidade em saúde, o exemplo deve vir de casa”. Os delegados presentes neste congresso decidem: - Defender a criação de um programa que atenda à premissa básica de

melhoria contínua das condições de trabalho dos profissionais da saúde necessárias para a obtenção de resultados positivos da política nacional de humanização. - Defender a criação, dentro dos órgãos de representação da área da saúde, a exemplo das secretarias e do Ministério da Saúde, de uma secretaria específica direcionada ao estudo e à criação de políticas específicas de saúde e segurança dos trabalhadores do setor. - Defender mais recursos para o setor da saúde e a aplicação da Emenda 29, que garante o financiamento do sistema de saúde pela união, pelos Estados e municípios. - Defender, dentro do programa de

o movimento sindical ainda tem que lutar contra as posições dos órgãos da Justiça do Trabalho, que não têm sido, em nenhum momento, favoráveis aos trabalhadores. “Pelo contrário, os mesmos têm imposto perdas significativas à categoria”, destaca Edison. O financiamento do setor, a valorização da categoria da saúde e a postura da Justiça do Trabalho foram temas de amplos debates, que ocuparam dirigentes sindicais e trabalhadores por quatro dias - 25 a 28 de agosto - na Colônia de Férias Firmo de Souza Godinho, em Praia Grande, quando foi realizado o XIII Encontro Paulista da Saúde. Reconhecendo a necessidade de mais investimentos governamentais voltados aos profissionais da saúde, o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, presente na abertura do Encontro, falou sobre o assunto. “É preciso discutir com profundidade as questões que podem melhorar as condições de trabalho, pois o trabalhador é o alicerce de toda a rede de saúde. É necessário cobrar mais do Poder Público”, disse ele, fazendo o ‘mea culpa’. Cerca de 300 delegados, representantes dos mais de 300 mil trabalhadores existentes no Estado, escreveram a Carta de São Paulo, documento que dá as diretrizes de lutas no setor para 2011. Um dos pontos do documento é a Elisângela Pereira Técnica de enfermagem batalha, junto às três esferas governamentais, pela criação de uma secretaria

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financiamento do Sistema único de saúde, que seja garantido recursos específicos para investimento e criação de políticas que visem à profissionalização, ao aprimoramento profissional, às condições de trabalho para os trabalhadores de saúde e à efetiva implementação da Norma Regulamentadora número 32 (NR-32). Tendo em vista que neste ano ocorrerão eleições para renovação do cargo de presidente, governadores, senadores, deputados estaduais e federais, recomenda: - O voto nos candidatos comprometidos com as reformas tributária, política, trabalhista e sindical, que garantam em seus programas a defesa da unicidade sindical,

direcionada ao estudo e à criação de políticas específicas de saúde e segurança dos trabalhadores do setor. A aprovação da Emenda 29, que obriga o investimento de mais verbas para o setor, tanto em nível municipal, quanto estadual e federal, sem a criação ou o aumento de impostos é outra defesa dos dirigentes da saúde. Os trabalhadores da saúde querem ainda que dentro do programa de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam garantidos recursos específicos para investimento e criação de políticas que visem à profissionalização, ao aprimoramento profissional, às condições de trabalho para os trabalhadores de saúde e à efetiva implementação da Norma Regulamentadora número 32 (NR-32). Humanização começa com valorização profissional A técnica de enfermagem da Santa Casa de Campinas Elizângela Pereira exalta que “mais que equipamentos e máquinas sofisticados são os trabalhadores da saúde, que precisam dos investimentos, afinal, nada funcionaria se não tivesse o profissional por trás de toda essa aparelhagem”. Ela defende a política de humanização no atendimento criado pelo governo, mas ressalta que o processo deve começar com a valorização e o aperfeiçoamento profissional dos que atuam na área. “Diversos estudos já reconheceram que, quando se


da redução da carga tributária e da modernização das relações trabalhistas, sem redução de direitos. - O voto em candidatos que defendam os projetos que beneficiam o sistema de saúde, a profissionalização e a melhoria das condições de trabalho no setor da saúde. Visando a organização e mobilização dos profissionais da saúde em suas lutas e interesses foi realizado, em paralelo ao XIII Encontro Paulista da Saúde e o I Encontro dos Assessores de Comunicação da Área da Saúde e após amplos debates, recomenda: - Que a Federação e os sindicatos filiados mantenham ativos e organizados seus departamentos de Comunicação

e que invistam na publicação de periódicos e na realização de campanhas focadas e institucionais visando à consolidação dos propósitos preconizados em seus estatutos sociais, quais sejam, o de defender e batalhar pela evolução dos direitos da categoria da saúde. Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos relativos às novas legislações e/ou decisões técnicas pertinentes às áreas trabalhista e da saúde foi realizado em paralelo ao XIII Encontro Paulista da Saúde e o VIII Encontro de Advogados Trabalhistas da Área da Saúde, que após amplos debates, recomenda: - Que seja mantida a queixa apresentada junto à Organização

cuida dos trabalhadores da saúde, o serviço prestado melhora significativamente. Por isso é preciso conscientizar os órgãos competentes a garantir boas condições de trabalho nas unidades de saúde”, defende Ada Ávila Assunção, coordenadora e pesquisadora do Núcleo de Educação em Saúde Coletiva

Internacional do Trabalho (OIT) pelas centrais sindicais contra a ingerência do Ministério Público do Trabalho e do Poder Judiciário do Trabalho nas atividades sindicais e em defesa da liberdade e autonomia sindical. - Que as entidades se organizem e exijam das centrais sindicais posicionamento firme junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), visando à colocação em pauta de julgamento da ADIn referente à alteração constitucional imposta pela Emenda 45/04, que impõe a exigência de “comum acordo” para a instauração de dissídios coletivos de natureza econômica; assim como pela revogação da Súmula STF nº 666 e, Precedente Normativo do TST nº 119. Praia Grande, agosto de 2010

abrir mão da característica mais forte do seu trabalho na saúde, que é a interação humana. No Sinsaúde Campinas e Região uma forte atuação em programas educativos por meio do Instituto de Saúde Integrada (ISI) visa ao aperfeiçoamento profissional dos trabalhadores da área,

Mesas de debates e a delegação do Sinsaúde Campinas e Região no XIII Encontro Paulista da Saúde

(Nescon), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No campo da saúde são imprescindíveis ações estratégicas que confiram aos recursos governamentais a valorização necessária a esses profissionais. Pouco investimento para a reflexão sobre o que está acontecendo reforça o descaso com a dor e o sofrimento não apenas do paciente, mas do trabalhador, aumentando o risco de degradação ético-profissional. A insatisfação dos trabalhadores pode estabelecer uma relação impessoal em seu cotidiano, permitindo-lhes

seja em nível técnico, com atividades inerentes aos setores básicos dos estabelecimentos, até a abordagem ética, em que prevalece a relação paciente-profissional da área. Essa política é uma iniciativa da própria entidade que, atualmente, não conta com nenhum subsídio governamental. “Mesmo com os obstáculos, continuaremos na luta pela valorização do profissional, contando sempre com a participação de cada um, que muito pode contribuir para o sucesso das reivindicações rumo a uma nova história para a categoria da saúde”, finaliza o presidente do Sinsaúde e da Federação. agosto/setembro 2010 - EM CENA - 55


foto: divugação

atualidade - ponto eletrônico

Obrigatoriedade do novo ponto eletrônico é adiada pelo Ministério do Trabalho e Emprego A norma que entraria em vigor no dia 26 de agosto deste ano foi prorrogada para o dia 1º de março de 2011

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o dia 18 de agosto foi assinada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, uma portaria alterando a data da vigência referente à utilização do ponto eletrônico nas empresas. O fato se deu porque os fabricantes do equipamento não tinham condições de atender à demanda dentro do limite previsto pelo Ministério. Na prática, este prazo será ainda maior, pois a partir do dia 1º de março a fiscalização terá que cumprir um período de 90 dias para iniciar as autuações. Neste tempo, os fiscais farão visitas técnicas às empresas com o objetivo de orientá-las. A medida pretende prevenir fraudes na marcação dos horários e também nas horas extras. O Registro Eletrônico Carlos Lupi de Ponto (REP) imprimirá um cupom Ministro do Trabalho e Emprego toda vez que o funcionário entrar e 56 - EM CENA - agosto/setembro 2010

sair do trabalho. O comprovante tem durabilidade de cinco anos e os novos aparelhos devem ser invioláveis, além de ter precisão mínima de um minuto e capacidade de bateria para 1.440 horas de funcionamento na falta de energia elétrica. Cada registro deve ter um número sequencial e o aparelho tem que ter uma porta do tipo USB para a atuação dos fiscais do Trabalho. Para o presidente do Sindicato da Saúde Campinas e Região (Sinsaúde), Edison Laércio de Oliveira, o sistema é importante para os trabalhadores da saúde e ajudará principalmente no controle da jornada de trabalho. “Esta é mais uma forma de controle efetivo da jornada de trabalho, principalmente em relação ao banco de horas, que é uma vantagem dada pelo governo às empresas, que deveria ser usada de forma excepcional, mas se tornou rotina em muitos estabelecimentos de saúde; um verdadeiro abuso”, frisa. Para a implantação do novo sistema, o empregador tem que possuir o atestado técnico, o termo de responsabilidade, emitidos pelos fabricantes dos


equipamentos, e programas utilizados. Além disso, deverá se cadastrar no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), via internet, informando seus dados, os equipamentos e softwares utilizados. De acordo com o MTE, os fabricantes informaram ter a capacidade de produzir 553,5 mil equipamentos Edison Laércio de Oliveira até novembro, porém, existe um Presidente do Sinsaúde universo de 800 mil empresas que Campinas e Região terão que implantar o novo relógio de ponto, sendo que algumas delas em mais de uma unidade, por isso, a prorrogação do prazo. Segundo a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), empresas com mais de dez funcionários são obrigadas a fazer a marcação eletrônica. Companhias que utilizam o registro de forma manual ou mecânica não precisam se enquadrar na portaria do MTE, já que a decisão vale apenas para as que utilizam ponto eletrônico.

foto: divulgação

Entendendo a portaria Publicada em 21 de agosto do ano passado, a Portaria nº 1.510/2009, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), disciplina o uso obrigatório do Registrador Eletrônico de Ponto (REP) nas empresas com mais de dez funcionários, para efetuar o registro da jornada de trabalho. Deverá haver no mínimo um REP por local de trabalho. Ele será obrigatório para todas as empresas que optarem pelo registro eletrônico de ponto. A portaria também proíbe o acesso de pessoas estranhas ao ponto do trabalhador, que deverá ter identificação específica e exclusiva. A nova regra deverá ser executada da seguinte forma: - Os aparelhos deverão ter capacidade de realizar controle de natureza fiscal referente a entrada e saída dos empregados nos locais de trabalho. - Não deve ser possível alterar os dados de abertura e fechamento de ponto. - A marcação deve ser feita exclusivamente pelo trabalhador.

- O aparelho deve ter memória para permitir recuperar os registros e evitar alteração de dados. - As impressões de tíquetes a cada entrada e saída do trabalhador deverão ser guardadas por ele pelo menos por cinco anos, como comprovante das horas extras realizadas. Anselmo Bianco Trabalhador terá comprovante Diretor jurídico do Sinsaúde Tendo como principal finalidade Campinas e Região evitar fraudes no controle das jornadas de trabalho, a portaria exige que os relógios de ponto eletrônicos usados nas empresas emitam comprovantes em papel em todas as entradas e saídas dos trabalhadores, como os recibos produzidos pelas máquinas de cartão de crédito, que vão servir como provas para possíveis ações judiciais. “Esta medida ajudará muito a categoria da saúde, que terá em mãos todos os comprovantes de suas horas extras. Com isso, os trabalhadores poderão reivindicar mais por seus direitos quando necessário”, afirma Anselmo Bianco, diretor jurídico do Sinsaúde. Entretanto, isso não eximirá a responsabilidade do trabalhador de comprovar judicialmente o registro da sua jornada. “É preciso que ele também guarde os documentos relativos aos seus contratos de trabalho”, complementa. Para os fabricantes, a expectativa é de que 60% dos equipamentos em uso sejam trocados neste ano e no próximo, por causa da nova legislação. A fabricante de relógios de ponto Diponto, por exemplo, triplicou as vendas desde a aprovação da nova portaria. “O que temos feito é criar uma lista de espera para aquisição dos equipamentos”, afirma Rodrigo Boaro, consultor comercial da empresa. Uma questão bastante criticada com esta mudança é em relação ao impacto ambiental causado com a emissão de papel, mas o Ministério do Trabalho garante que a portaria promove a sustentabilidade, pois o papel empregado é 100% reciclável e tem as fibras retiradas de madeira originada de reflorestamento de eucaliptos. A comprovar.

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nutrição - água com sabor

Água com sabor

a nova onda do momento Gosto de limão, maçã, tangerina, laranja, hortelã, abacaxi, pitanga, entre outros, gaseificada ou não, é a nova onda para matar a sede

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om certeza você já viu e tomou essas litros. Então, realmente acaba sendo uma alternanovas águas com sabor existentes no tiva, mas o conselho da nutricionista Regina Stella mercado. Mas vale destacar que elas Bueno Serrano, do Hospital Vera Cruz, de Camsão ricas em conservantes, geralmente pinas, é que não se deixe de beber água pura. gaseificadas, além de conter sódio e outras subsA água com sabor por ter zero caloria também é tâncias que, ao serem consumidas frequentemente uma alternativa para aqueles que gostam de beber e em excesso, não fazem bem à saúde. refrigerantes, que contêm açúcar em sua comPara os que não têm o hábito de beber água, posição, o que, em excesso, pode elevar o peso, essa pode ser a saída, mas é claro causar vários problemas, entre eles o que nada, nem mesmo a água com dentário, por exemplo. Mesmo nas sabor substitui o bom e saudável versões light e diet, apesar de não concopo de água tradicional. ter açúcar, têm mais aditivos do que As indústrias de bebidas resolveas águas com sabor. “Mas o melhor ram apostar nesta novidade e a cada mesmo é a água pura, o suco de fruta dia surgem novas marcas e novos natural, a água de coco e os chás, que, sabores; no geral, a composição além de hidratar, repõem os nutriendestas bebidas é semelhante: água tes necessários que o organismo perde levemente gaseificada, aroma de diariamente”, alerta a nutricionista fruta e adoçantes artificiais. Regina Stella. Regina Stella Serrano Nutricionista Para quem não gosta de tomar Segundo ela, a maioria das marcas água e se preocupa em controlar de águas com sabor tem aspartame e, as calorias consumidas para perder por ser um adoçante artificial, o expeso, esta é uma ótima opção. Refresca a garganta, cesso é prejudicial à saúde. “Se for possível, prefira mata a sede, engana a fome e não tem calorias. O as que têm sucralose, que é um tipo de adoçante maior benefício da água com sabor é para as pes- melhor para a saúde”, aconselha a nutricionista. soas que não têm o hábito de tomar a quantidade de água que o organismo necessita por dia, que é de cerca de dois

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Receita de água aromatizada Para quem não sente a necessidade de beber água e descobriu a saída na aromatizada, aprenda a fazer a bebida em casa, usando a criatividade. Um simples copo de água pode se transformar em um drinque refrescante, delicioso, saudável e bonito, trazendo um prazer especial no hábito de beber água e é ideal para manter aquela dietinha saudável. Pode ser preparada com diversos ingredientes, como casca de frutas e especiarias, o que vale é usar a criatividade. Ingredientes 1 litro de água 1 casca de lima da pérsia cortada em espiral Modo de fazer Coloque a casca de lima da pérsia na água e mantenha na geladeira por, pelo menos, 1 hora para que a água adquira o gosto refrescante da casca. Retire a casca da água ou não, conforme sua preferência. Dica: no lugar da casca de lima da pérsia pode se usar a de laranja, limão, pétalas de rosas, cravo-da-índia, gengibre, folhas de hortelã, etc. Enfim, tudo o que mais sua imaginação permitir e seu paladar aprovar. Outra dica é adicionar nas fôrmas de gelo casquinhas de limão, amora, morango, ou qualquer fruta que aprecie.

Água com sabor x sucos de frutas Alguns tipos de água indicam a presença de vitaminas, mas não se pode comparar com o teor e a quantidade encontrados em sucos de frutas. Um copo de suco de fruta natural, com certeza, tem calorias e dependendo da fruta, uma quantidade considerável, mas terá nutrientes, como vitaminas, minerais, antioxidantes, enfim, várias substâncias importantes para a saúde e para a pele. “As calorias das frutas são bem-vindas. Ao contrário das calorias ‘vazias’, que não trazem benefício algum para a saúde, só engordam”, destaca Regina Stella. Os sucos também podem ser incrementados com hortaliças, como cenoura e beterraba. Além de fazer bem ao organismo, contribuem para deixar a pele mais bronzeada quando exposta ao sol, em virtude do betacaroteno presente em todos os vegetais de coloração verde, vermelha e amarelo-alaranjada. “As frutas são fontes de fibras, ajudam a regular o trânsito intestinal, além de colaborar com a normalização dos níveis de colesterol e glicemia no

sangue”, pontua a nutricionista. “Mas vale lembrar que por mais incrementados que sejam, os sucos não substituem as refeições. Suas funções são de complementá-las ou serem apreciados em seus intervalos, mas não exceda na dose, mesmo os mais inocentes sucos de frutas podem contribuir com calorias a mais se você exagerar”, alerta a nutricionista. Analise você mesmo os prós e contras da água aromatizada e saboreie esta nova bebida com moderação.

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turismo - cidades dos vinhos

Vinho é tradição nas cidades paulistas Produtores de vinho tornam as cidades mais atrativas para o turismo e se destacam no cenário nacional. Este é o perfil do Sul do País? Sim, mas também de cidades do interior de São Paulo. Valinhos, Vinhedo, Louveira e Jundiaí, aos poucos, ganham fama, turistas e consumidores da bebida produzida em vinícolas das cidades

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principal região produtora de vinho do País, a região sul, não é a única a trabalhar com o vinho e atrair turistas. Cidades do interior de São Paulo, como Valinhos, Vinhedo, Louveira e Jundiaí, também produzem a bebida, em menor escala, por meio do cultivo de diferentes tipos de uva. Classificadas como uvas de mesa, as variedades produzidas pelas cidades paulistas são conhecidas pelo modo artesanal de fabricação e a tradição do cultivo, passada entre famílias, de geração em geração.

familiar. A principal variedade plantada era a isabel, acompanhada pelas catawba, clinton, herbemont e jacques. Tais variedades, porém, logo começaram a ser substituídas pela niágara branca, também trazida dos Estados Unidos, que a partir de 1910 teve intensa disTradição seminação em Jundiaí. Em Jundiaí, a história do vinho começou A partir de 1920, outras em meados de 1880 pelas mãos dos imigran- variedades foram sendo tes italianos. Vindos ao Brasil para trabalhar introduzidas na agriculnas lavouras de café, estes imigrantes passatura e, assim, substituindo ram a cultivar em seus modestos terrenos a outras. Em 1933, por videira e, com ela, produzir vinho para uso mutação natural, apareceu

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Origem do vinho A ciência descobriu que o vinho existe desde a Idade da Pedra, por volta de 8000 a.C. Os paleontólogos (que estudam os fósseis) encontraram sementes de uvas desta data na Turquia, Jordânia e Rússia. Atribuem que a bebida foi criada por acaso. Colhidas, as uvas eram colocadas em recipientes dos quais poderiam colher seu suco. Os egípcios foram os primeiros povos a registrar detalhes da vinificação em suas pinturas, que datam

a niágara rosada, que se transformou na variedadesímbolo da viticultura jundiaiense, condição que perdura até os dias atuais. Nos dias atuais, em solos jundiaienses, acham-se plantadas 10 milhões de videiras, ocupando uma área de 1.900 hectares, com predominância total da variedade niágara rosada. Em pequena escala, são também cultivadas variedades de uvas finas, entre elas: itália, rubi, benitaka, brasil, patrícia e maria. Cidade com pouco mais de 360 mil habitantes, abriga famílias tradicionais na arte de produzir vinhos. Famílias Carbonari, Lourençon, De Marchi e outras iniciaram os vinhedos em Jundiaí na década de 1890. Hoje, mais de mil propriedades cultivam a uva niágara rosada. Os bairros tradicionais de cultivo da uva e que mais produzem são Caxambú, Traviú, Rio Abaixo, Engordadouro, Roseira, Rio Acima, Medeiros, Corrupira e Jundiaí Mirim. Festa da Uva Videiras também são fontes de renda em diversos bairros dos municípios de Louveira e Vinhedo. Elas fomentam o consumo de uvas e derivados da fruta,

de 3000 a.C. Eles perceberam, por acaso, que o suco de uva, depois de um certo tempo parado, tinha um certo teor alcoólico e assim concretizaram o vinho. Depois disso, os romanos introduziram o estudo dos vinhos (enologia) e apresentaram técnicas para ter maior quantidade de açúcar. Cozinhavam o sumo das uvas antes de acabar a fermentação, ou murchavam as uvas nas videiras. Foi na Grécia, entre os séculos VI e II a.C., que surgiu a indústria vinícola. O país levou o vinho para a Itália após 800 a.C.

como sucos e vinhos, e também o turismo local com a Festa da Uva. O evento é realizado todos os anos nestas cidades, assim como em Jundiaí, para celebrar a colheita dos frutos, homenagear os imigrantes que ajudaram a construir o município, além de fomentar o comércio de uvas e vinhos e o turismo. Em Vinhedo, a festa existe desde 1948 e, hoje, é o maior evento turístico da cidade, acontecendo sempre no início do ano, entre janeiro e fevereiro. Em Louveira, existe desde 1967. Ambas têm tudo em comum: na Festa da Uva, os visitantes participam de passeios agroturísticos, venda e leilão de frutas, tirolesa (cabo aéreo), em Louveira; assistem a shows de artistas conhecidos nacionalmente, apresentações de dança, desfile de cavaleiros; podem comprar uvas, vinhos e artesanato, além de terem, como atração, o parque de diversões. Devido aos atrativos e pela entrada ser gratuita, cada uma das festas reúne mais de 300 mil pessoas nos cinco dias do evento. A festa é toda abastecida pelos produtores. Em Louveira, por exemplo, das 365 propriedades rurais do município, 230 trabalham com a uva niágara em uma área de 652 hectares, onde são cultivadas aproximadamente 3,6 milhões plantas que produzem anualmente 10 mil toneladas de uvas, sendo 65% na safra normal, que ocorre de dezembro a fevereiro, e 35% na safra temporã, que ocorre entre abril e junho. Desta maneira, as videiras louveirenses representam 9,6% do total produzido no Estado de São Paulo. Associações organizadas Os produtores de uva não só vivem da venda da fruta e dos sucos e vinhos, como se organizam em associações. Exemplo disso é a Associação dos Vitivinicultores de Valinhos (Aviva), fundada em 2006 para unir os produtores de vinho do município, trocar experiências e compartilhar conhecimento. A associação reúne produtores de 12 cidades (Campinas, Valinhos, Vinhedo, Itupeva, Indaiatuba, Jarinu, Jundiaí, Amparo, Lindóia, Rio Claro, São Miguel Arcanjo e Itapira). agosto/setembro- 2010 - EM CENA - 61


moda - biotipo

A primeira impressão

é a que fica Ter autoconhecimento é o segredo para se vestir bem

S

eu corpo pode ser esbelto, mas se errar na hora de escolher uma roupa pode torná-lo “magro e sem estilo”. Assim como cortes de cabelo, que se encaixam no estilo de cada rosto, as roupas devem se ajustar ao formato do corpo. Elas devem valorizar algumas partes e disfarçar imperfeições, afinal um visual agradável é facilmente bem-visto. Roupas caras e de grife não adiantam nada se o visual como um todo não agradar nem um pouco. Não é preciso gastar rios de dinheiro em maquiagem, roupas e acessórios e sim escolher cada item com atenção, conforme o tipo de corpo. Comprar roupas que ficam apertadas ou largas demais e looks que nunca vai usar é falta de conhecimento de seu biotipo. De acordo com a consultora de Imagem e Ana Tomasetto Estilo, Ana Tomasetto, na hora de Consultora de Imagem e Estilo experimentar a roupa é fundamen62 - EM CENA - agosto/setembro 2010

tal checar o caimento, pois ele é mais importante que o visual. “A roupa não deve ser muito larga, nem apertada. É preciso ver se a cor ilumina você e também verificar o conforto que ela proporciona. Não deve formar pregas, nem dobras e sim valorizar o corpo”, diz Ana. O jeans, por exemplo, é uma peça versátil para muitas ocasiões. “Para ter um jeans perfeito, ele deve ser escuro, isto é, azul ou preto, e cintura intermediária, para segurar a barriga e não marcar. Deve ter bolsos atrás, sem detalhes ou com poucos, além de strech e pernas retas”, diz Ana, que ainda reforça que um jeans, como este, pode ser usado com tudo. “Emagrece e veste bem, combina com todos os biotipos e looks para o dia ou para a noite”, completa. De acordo com Ana, para descobrir qual o biotipo de seu corpo, basta se olhar no espelho e imaginar uma forma geométrica. Se os ombros são mais estreitos que o quadril, o formato do corpo é o chamado pera. No caso dos ombros serem mais largos que o quadril: triângulo. Quando os ombros, a cintura e o


Confira algumas dicas do que vestir, mas se atente que o lema é “autoconhecimento”.

acinturados, calças retas e saias mais justas. Evitar: vestidos de corte reto e roupas que escondam as formas.

Pera - Usar: babados, golas, lenços, colares, saias secas e calças escuras. Evitar: vestido godê, calça saruel, minissaia e calças com pregas.

Triângulo - Usar: saia evasê, calças com a boca larga, twin set, blusas de linha e camisas simples. Evitar: tomara-que-caia, frente única, boca afunilada nas calças, jaquetas curtas.

Ampulheta - Usar: camisas e vestidos

quadril se equivalem: retângulo. Já, se a medida dos ombros e do quadril se equivale e a cintura é definida, o formato é ampulheta. E, por último, se a cintura é maior que as medidas dos ombros e quadril: oval. Poliana Becker Goese, 25 anos, trabalha no Hospital Santa Edwiges, no setor administrativo, e, segundo a consultora Ana, tem o biotipo ampulheta. “Neste caso é preciso sempre valorizar a cintura, utilizar roupas ajustáveis. Um exemplo é o cardigan azul (foto). É leve, pode ser usado em eventos, no trabalho, em casamentos, mas a Poliana precisa usá-lo com um cinto para definir a cintura”, explica Ana. O mesmo look é possível usar durante o dia e à noite, mudando os acessórios. “Bolsas maiores são sempre para o dia. À noite use uma carteira. Outra dica importante são sapatos e bolsa, eles nunca devem combinar, só precisam ter uma ligação”, revela a consultora. Já, Ana Paula Ribeiro, 31 anos, que trabalha na Santa Casa de Misericórdia de Campinas como técnica de enfermagem, possui o tipo físico oval. “A Ana Paula precisa evitar colares muito longos e, para harmonizar, é preciso criar uma linha longa que chame a atenção para rosto e ombros”, diz Ana Tomasetto. Uma blusa com detalhes nos ombros, calça preta reta e acessórios claros, que chamam a atenção, é o ideal de um look dia para quem tem o biotipo oval. A consultora de Imagem e Estilo explica que para disfarçar a barriga

Oval - Usar: roupas do tamanho certo, decote em V ou U, manguinhas, calças retas, camisas, blazer de tricô na altura do quadril, vestir modeladores. Evitar: calças cintura baixa, gola rolê, calças com prega. Retângulo - Usar: decote U ou V, tricôs longos com cintura marcada. Evitar: vestidos de corte reto, camisas largas, camisetas e blusas volumosas de lã.

é preciso usar peças de corte simples e decote em V para alongar; preferir tecidos como crepe, seda e malha. “Caso a Ana Paula tenha um casamento, por exemplo, ela pode optar por um decote em V e uma pashimina (echarpe longa usada no pescoço), nos dias de frio”, revela a consultora. Ana Tomasetto - consultora de Imagem e Estilo Ana Tomasetto é especialista em aparência, comunicação verbal e não-verbal. Assessora seus clientes sobre aparência, comportamento e comunicação auxiliando-os a atingir autenticidade, autoconfiança e credibilidade. Analisa a imagem geral da pessoa, como pele, cabelo, rosto, tipo físico e definição do estilo pessoal. Fone (19) 8118-3122.

Lojas: Gregory do Shopping Iguatemi, em Campinas - (19) 3251-0358 Light Fashion: Av. Dr. Thomaz Alves,145, Campinas - (19) 32335186 Cabelo: Sylvio Hair Stylist - Rua Fernando de Andrade Jr., 271 - (19) 3258-9013 Modelos: Poliana Becker Goese - Recepcionista do Hospital Santa Edwiges - Campinas Ana Paula Ribeiro - Técnica de enfermagem da Santa Casa de Campinas

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beleza - transformação

Moderna

e sofisticada

E

legância e modernidade estão nos detalhes. Isto foi o que comprovou a auxiliar administrativo Gisele da Silva Monteiro, da Clínica Vivência Psiquiatria Dinâmica, em Campinas, ao passar pelas mãos experientes da profissional de beleza Nilse Vilela. Com um corte atual e prático, cores que valorizam seu tom de pele e maquiagem suave e na moda, Nilse mostrou que é possível seguir as tendências e sofisticar o visual. Gisele, que se inscreveu para participar da coluna ‘Transformação’ da revista Em Cena, depois de ter visto o trabalho da cabeleireira, também para a revista, quase não acreditou quando soube que era Nilse quem iria cuidar de sua aparência. Acostumada com a rotina entre trabalho e família, a auxiliar administrativo deixava a beleza para segundo plano. “Ao usar os recursos da própria Gisele, consegui deixá-la mais bonita, valorizando seus pontos fortes. Ela tem um rosto delicado e fino, que estava escondido pelos cabelos sem corte e de cor escura”, explica Nilse. “Optei por fazer um corte com navalha, desfiado nas pontas para dar leveza e volume aos cabelos finos e “Eu amei, ficou incrível. Antes não tinha coragem de deixar o cabelo mais curtinho.”

lisos. Assimétrico e com franja em diagonal, o look despojado e mais claro rejuvenesceu Gisele”, conta. O toque de mestre ficou em fazer com que o moderno ficasse elegante. “Os cabelos curtos ficam bem para quase todo tipo de rosto e valorizam ainda mais a imagem de quem os tem fininhos. O tom mais claro deixou Gisele com ar elegante, enquanto as mechas realçam o movimento do corte”, afirma a cabeleireira. Para a maquiagem, Nilse lançou mão da cor laranja. “Tons alaranjados são tendência para a primavera/verão 2011, tanto na sombra, quanto no batom e blush. A boca agora está natural, portanto não se deve usar brilho”, ressalta. Gisele ficou maravilhada com sua aparência. “Eu amei, ficou incrível. Antes não tinha coragem de deixar o cabelo mais curtinho, mas vejo que valeu a pena. Minhas amigas vão ficar pasmas quando me ver!”, falou entusiasmada. Fonte: Salão Nilse Vilela Cabelo & Corpo Rua Dr. Clemente Ferreira, 93, Botafogo - Campinas/SP Fones (19) 4141-3083 / www.nilsevilela.com.br

PARTICIPE Se você quer participar da coluna Transformação, entre em contato com a Diretoria de Comunicação do Sinsaúde pelo e-mail: srodrigues@sinsaude.org.br ou escreva para Duque de Caxias, 368 - Centro - CEP 13015-310 - Campinas/SP.

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dica cultural - música

Música clássica é apreciada pelo gosto popular O perfil de uma pessoa pode ser traçado por suas preferências e hábitos. Porém, se esta pessoa tivesse a oportunidade de experimentar coisas novas, conhecer outras opções, será que seus gostos e suas atitudes não seriam diferentes? Isto é o que defendem alguns músicos de orquestras, ou seja, que uma grande quantidade de pessoas pode se interessar por música clássica se aprender a ouvi-la

D

esde o início do século 21, o público que assiste a concertos tem se diversificado. Se nos séculos passados, assim como retratam os filmes de época, a plateia era composta somente por famílias com alto poder aquisitivo, hoje, a realidade é bem diferente. Pessoas de diversas classes sociais e idades apreciam, emocionam-se e afirmam gostar verdadeiramente das composições de Mozart, Villa-Lobos e Chopin. Esse é o caso do jovem panamenho Miguel Vasquez. Com 19 anos, o músico integra a Orquestra Jovem das Américas há mais de um ano, composta por músicos de 20 países. Tão jovem, ele explica por que gosta do gênero clássico e não de outros ritmos, como o reggaeton (mistura de reggae jamaicano e hip hop), bastante apreciado pelos jovens de sua idade no Panamá. “Meu avô tocava contrabaixo, minha irmã toca violino e meu pai sempre adorou música, portanto cresci ouvindo e gostando”, lembra o violoncelista. Gosto esse que virou profissão. “Em 2009 assisti a um concerto da Orquestra no Panamá e me interessei bastante em participar. Quando houve teste para a escolha de novos participantes, me inscrevi e fui selecionado”, conta ele. Roberto Ring, maestro e diretor artístico do Concertos de Paulínia, cidade do interior de São Paulo, afirma que o gosto popular pela música clássica se deve ao fato de as pessoas passaram a ter mais acesso aos concertos. “O Poder Público Miguel Vasquez Músico passou a se preocupar mais em levar a orquestra até as pessoas, por exemplo,

proporcionando apresentações gratuitas à população”, avalia ele. O maestro conta que, contrariando à ideia de que a música clássica seja apreciada somente pelo público rico, os concertos feitos em locais carentes concentram o público mais receptivo ao gênero. “Percebo que os lugares em que mais gostam de nos ouvir são aqueles em que a população tem poucos recursos financeiros. Eles apreciam com emoção, vibram. Credito isso ao fato de que em São Paulo, por exemplo, as pessoas são bombardeadas diariamente por uma infinidade de opções de lazer. Em cidades pequenas e mais humildes, o valor que estas pessoas atribuem a um concerto é muito maior”, pondera Roberto. Para ele, as pessoas não gostam de determinados tipos de música por preconceito. “Tanto que existem pessoas que não gostam de música clássica por achar que é frescura, quanto existem aquelas que só gostam de música clássica e discriminam os ritmos populares. Música é sempre maravilhosa e é preciso aprender a ouvi-la, sem rótulos e prejulgamentos. Rótulos são sempre ruins”, afirma ele. Com o intuito de derrubar os estereótipos, existem concertos em que os maestros misturam estilos musicais. “Nestes casos, quando tocamos uma música popular brasileira, como, por exemplo, canções de Gilberto Gil, tocamos com todo respeito e pompa. E quando tocamos Mozart, isto é feito com descontração. Quebrado o Roberto Ring rótulo, você percebe que tudo Maestro e diretor artístico é música”, finaliza. agosto/setembro 2010 - EM CENA - 65


saúde em fatos e fotos - araras

Saúde em fatos e fotos

O

Sinsaúde Campinas e Região homenageia os trabalhadores de sua base de representação que acreditaram na força do Sindicato, empenhando-se em suas lutas e conquistas para que a entidade ultrapassasse as barreiras do tempo, impingindo uma imagem positiva por mais de 71 anos. Os homenageados nesta edição são os profissionais da região de Araras, dos mais variados setores, mas que integram uma só equipe, que pode ser traduzida pela dedicação em salvar a vida do próximo. São profissionais que lutam para ter seu trabalho reconhecido e respeitado pela sociedade. Nas edições anteriores tiveram destaque, nesta coluna, os trabalhadores das cidades que compõem a base de Tupã, Araraquara, Americana, Amparo, Atibaia e Dracena, que, como Araras, são formadas por profissionais que acreditaram no Sinsaúde e apoiam sua luta. Cada profissional, independente do trabalho que exerce, enfrenta desafios diários para salvar vidas e luta diariamente para vencêlos. Entre ganhos e perdas, dores e alegrias, os profissionais da saúde de Araras se mostram capazes de enfrentar os problemas que a vida profissional lhes impõe. Homenageá-los nesta página da revista é uma forma de agradecer a dedicação e o esforço pelo bem-estar das pessoas que necessitam de seus cuidados quando se encontram fragilizadas.

Clínica Sayão

Clínica Sayão

Clínica Sayão

Hospital Pró-Saúde

Hospital Pró-Saúde Hospital Pró-Saúde

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sinsaúde - diretoria

Diretoria Efetiva Presidente: Edison Laércio de Oliveira Vice-presidente: Leide Mengatti Secretário-geral: Pedro Alberto Tolentino Tesoureiro-geral: Carlos Alberto Cairos 1º secretário: Osvaldo Ferreira de Souza 1ª tesoureira: Beatriz Campos de Paula Diretora social: Maria Aparecida dos Santos Diretora de Patrimônio: Vicentina da Silva Melo André Diretor de Esportes e Lazer: Peter Douglas Sawinski da Silva Diretora de Ass. Culturais: Maria de Lourdes Carvalho de Souza Diretora de Orientação Sindical: Débora C. R. Azevedo Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento Diretor de Assuntos Jurídicos: Anselmo Eduardo Bianco

Sede Central Rua Duque de Caxias, 368 - Centro CEP 13.015-310 - Campinas - SP Fone (19) 3739-4277 Site: www.sinsaude.org.br E-mail: sinsaude@sinsaude.org.br Subsedes Americana: Rua Padre Epifânio Estevam, 510 Centro - Fone (19) 3462-1680 e-mail: ssamericana@sinsaude.org.br Presidente: Carlos Roberto Resende Figueiredo Tesoureiro: João Carlos da Silva Secretário: Otoniel Pereira de Matos Suplente: Edézio Millo Amparo: Rua Washington Luís, 165 Fone (19) 3807-5225 E-mail:ssamparo@sinsaude.org.br Presidente: Mateus Antonio de Oliveira Calori Tesoureira: Nilza Maria Contente Secretária: Vanessa Godoy Campos Suplente: Juliana Guilherme Araraquara: Avenida Prudente de Morais, 872 Fone (16) 3335-1218 E-mail:ssararaquara@sinsaude.org.br Presidente: Antônio Ap. dos Santos Tesoureiro: Vladimir Sarandi Neto Secretária: Claudete Ap. Defavere Suplente: Rui Ap. Orrico da Silva Araras: Rua Presidente Roosevelt, 110, Jd. Belvedere - Fone (19) 3541-8032 E-mail: ssararas@sinsaude.org.br Presidente: Tereza Ap. Mendes Secretária: Roberta Pereira Tesoureiro: Manoel Antônio de Campos Suplente: Carlos César Poletti Atibaia: Rua José Bim, 349/1º andar/sala 2 Fone (11) 4412-4428 E-mail: ssatibaia@sinsaude.org.br Diretora responsável: Vicentina da Silva Melo André

Diretoria Suplente: Luciana Cristina Vigilato, João de Fátima, Maria Neves, José Carlos Marciano de Souza, Rosa de Lourdes dos Santos Gonçalves, Ivani da Silva Braga, Edson Eugênio, Luiz Ribeiro da Silva, Márcia Regina Limiro, Paulo Sérgio Pereira da Silva e Gilvan Pereira de Lima. Conselho Fiscal - Efetivos: José Ricardo Doná, Vicentina Natalina Rodrigues, Maria Rosa Carvalho Conselho Fiscal - Suplentes: Márcia Regina Lima Alves, Ana Paula da Silva Augusto, Aparecida Bernadete Soares Sales Delegados representantes na Federação Efetivos: Moacir Pizano e José Augusto de Sousa Suplentes: Olavo Sabino de Carvalho, Antonio Luiz dos Santos

Posto de Atendimento em Bragança Paulista: Rua Cel. Assis Gonçalves, 774 Fone (11) 4033-7028. Diretora responsável: Vicentina da Silva Melo André

Indaiatuba: Rua Adhemar de Barros, 126 Fone (19) 3825-0755 E-mail: ssindaiatuba@sinsaude.org.br Tesoureira: Renata Cristina B. Martins Secretário: Ariston Isidio de Melo Suplente: Adriana Oliveira Souza Fernandes

Dracena: Av. Expedicionários, 1.256 Fone (18) 3821-5392 E-mail: ssdracena@sinsaude.org.br Presidente: José Sérgio de Freitas Tesoureira: Nilza Pereira Gomes Azevedo Secretária: Regina Pereira da Silva Suplente: Jesus Gomes da Silva

Jundiaí: Rua Rangel Pestana, 1.344 Fone (11) 4586-6655 E-mail: ssjundiai@sinsaude.org.br Presidente: Anéres Fernandes de Matos Secretária: Marilza de Fátima G. Servilha Tesoureiro: João Carlos de Lima Suplente: Daniela Aparecida da Silva Calegari

Espírito Santo do Pinhal: Rua Senador Saraiva, 260 Fone (19) 3651-4135 E-mail: sspinhal@sinsaude.org.br Presidente: Paulo Gonçalves Tesoureiro: João Batista Esperança Secretária: Damaris Bertuqui Cavinatti Suplente: Maria Madalena Ribeiro da Cruz

Limeira: Rua Piauí, 957, Vila Cláudia Fone (19) 3441-3473 E-mail: sslimeira@sinsaude.org.br Presidente: Ana Paula Delfino dos Santos Secretária: Neusa Artigozo Tesoureiro: Gilson Aparecido Furlan

Posto de Atendimento em São João da Boa Vista: Rua Oscar Janson, 13 Fone (19) 3623-1834 Diretor responsável: José Ricardo Doná Itapira: Rua da Penha, 318 Fone (19) 3863-0950 E-mail: ssitapira@sinsaude.org.br Presidente: Ademir Aparecido Nani Secretária: Isilda Grassi Cola Choqueta Tesoureira: Roseli Ap. Silva Garcia Suplente: Ed Marcelo Pracchias Posto de Atendimento em Mogi Guaçu: Avenida 9 de Abril, 288, Centro Fone (19) 3818-4442 E-mail: ssmogiguacu@sinsaude.org.br Diretora responsável: Isilda Grassi Cola Choquetta

Marília: Rua: Amazonas, 80, Centro Fone (14) 3413-1147 E-mail: ssmarilia@sinsaude.org.br Presidente: Aristeu Carriel Secretária: Cleuza Teodoro de Paula Tesoureiro: Cláudio de Oliveira Silva Suplente: Roberto Carlos Turola Espaço Sindical em Garça: Rua Padre Paulo de Toledo Leite, 252 Fone (14) 3471-0103 Diretor responsável: Aristeu Carriel Tupã: Rua Cherentes, 1.005 Fone (14) 3496-1936 E-mail: sstupa@sinsaude.org.br Presidente: Orides Sávio Vivi Secretária: Darci Moreira dos Santos Tesoureira: Ivanilde da Silva Suplente: Cosme José de Oliveira

Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Campinas Site: www.sinsaude.org.br E-mail: sinsaude@sinsaude.org.br Presidente: Edison Laércio de Oliveira Diretora de Comunicação: Sofia Rodrigues do Nascimento

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