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ANO XVII - Nº 167 - Dezembro de 2011

Revista do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal

Feliz

REESTRUTURAÇÃO O jogo continua

Sinpol prestigia sessão solene em homenagem aos peritos criminais Página 6

Sinpol e entidades se reúnem com o Governador Página 9

II Encontro Nacional das Entidades Representativas da Polícia Civil Página 12


Revista do Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal

EDITORIAL Entramos em um novo ano, mas com reivindicações antigas. O Governo se esquiva em assumir que a Segurança Pública precisa de atenção especial e se aproveita de uma fama antiga de que a segurança da capital é a melhor do pais. Há muito deixamos de ter segurança de qualidade no DF, muito pelo contrário, o que vemos é uma Polícia Civil sem pessoal suficiente, o que vemos são policiais se obrigando a resolver os problemas de toda

SEDE: Plano Piloto: SCLRN 716, Bl. F, Lj. 59, Ed. do Policial Civil - CEP: 70.770-536 - Brasília-DF Fone: (61) 3701-1300 / Fax: (61) 3701-1334 E-mail: secpre@sinpoldf.com.br FILIAL: Taguatinga Norte: QNA 29 - Casa 06 Fone: (61) 3352-6923 / 3352-6429 Horário de Funcionamento: Segunda a sexta-feira das 8h às 12h e 14h às 18h

a sociedade, se submetendo a atribuições quem não são suas, não amparadas pela legislação. E quem vai resolver os problemas dos

DIRETORIA EXECUTIVA: CIRO JOSÉ DE FREITAS Presidente

REGINALDO CRUZ EVANGELISTA Diretor de cultura e esportes

LUCIANO MARINHO DE MORAIS 1º Vice-Presidente

GILMAR DE OLIVEIRA ALVES Diretor de Cultura e Esportes Adjunto

ANDRÉ LUIZ NEIVA RIZZO 2º Vice-Presidente

ANTONIO DIAS DE ARAÚJO Diretor de formação sindical

DIVINATO DA CONSOLAÇÃO FERREIRA Secretário Geral

RODRIGO QUEIROZ DA SILVA Diretor de Formação Sindical Adjunto

ERNANI BATISTA DE LUCENA 1º Secretário

SANDRA LÔBO DE AQUINO MOURA E SILVA Dir. de Ass. de Aposentados e Pensionistas

das Entidades Representativas da Polícia Civil, com o objetivo de

ARISTEU PEREIRA DA SILVA Tesoureiro

JOÃO FERREIRA PIMENTA Dir. de Ass. de Aposentados e Pens. Adjunto

discutir o Projeto de Lei que trata da Lei Geral das Polícias Civis e

ROBERTO CLAUDIO COSTA 1º Tesoureiro

MARCOS SILVA LIMA Diretor de Políticas Sociais

o I Seminário das Carreiras Típicas de Estado, realizado em parceria

SÉRGIO LUIZ BARBOSA SILVA Diretor Jurídico

SÍLVIO JOSÉ DA ROCHA Diretor de Políticas Sociais Adjunto

ANTÔNIO CARLOS DE SOUSA Diretor Jurídico Adjunto

JORGE CARLOS DE OLIVEIRA Diretor de Informática

CHARLES ALBERT ANDRADE Diretor de Comunicação Social

CARLOS ALBERTO ELIAS DE SOUZA Diretor de Informática Adjunto

ADRIANO MACEDO Diretor de Comunicação Adjunto

PAULO CÉSAR GOMES DA SILVA Diretor Médico

ção de policiais em ações sociais, além de cursos e competições

FRANSBERT RODRIGUES BIJOS Diretor de Relações Sindicais

CARLOS JOSÉ VIEIRA DE ARRUDA Diretor Médico Adjunto

nacionais que contam com a presença de policiais civis, também

AURO AMARAL GUIMARÃES Diretor de Relações Sindicais Adjunto

CONSELHO FISCAL:

fazem parte desta revista. A todos um ano novo de realizações e

AGNALDO SOARES RODRIGUES Diretor de Planejamento e Administração

com muita saúde.

MÁRIO MARCOS PERES GRAMACHO Diretor de Planejamento e Adm. Adjunto

policiais? É chegada a hora do governo e sociedade reconhecerem o valor dos policiais através da edição de legislações que lhes deem atribuições mais compatíveis com as atividades desempenhadas. Outras matérias importantes são o II Encontro Nacional

com as entidades que

participam do Fórum Nacional das

Carreiras Típicas de Estado (Fonacate). Matérias relativas a atua-

RENATO NEVES PEREIRA FILHO ÉRIKA CRISTINA CUSTÓDIO VIANA FRANCINALDO FREIRE DE MENDONÇA WARNER BRITO LIMA MARCO ANTONIO BRITO MEIRELES

Direção Geral: Adriano Macedo / Luciano Marinho Jornalistas Responsáveis: Taise Côrte - DRT/DF 9498 / Tatiana Drumond - DRT/DF 6170 Fotos: Hélio Pereira Diagramação: Célio Martins

A Tribuna Policial não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados.

O Sinpol está mais moderno Acesse o novo site

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ARTIGO

Dever de esclarecer

N

osso patrão é quem nos paga. Mas também não podemos descuidar que fazemos parte de uma população que também recolhe impostos. Ao atender qualquer pessoa durante uma diligência, ocorrência, oitiva, recolhimento de material ou mesmo perícia, o policial deve anteceder sua atividade descrevendo qual sua função e objetivos no ato em curso. Se houver demora na conclusão, não se apresse para que não ocorra prejuízo no encaminhamento e explique as razões do retardo ou da impossibilidade no pronto atendimento. Deve deixar claro também quais os possíveis fatores que fizeram a vítima/testemunha/autor do evento sofrer as consequências de um atendimento que não condiz com o que merece todo cidadão que se dirige aos balcões de delegacias. Explicar sobre fatores externos, de má gestão ou descaso político com a instituição e seus serviDezembro de 2011

dores, e que estes são os únicos responsáveis pela demora ou ineficiência pontual do serviço prestado. O efetivo da PCDF é o mesmo de 1993, enquanto a população do Distrito Federal dobrou no mesmo período, na mesma proporção que os crimes continuam aumentando na medida que não há como investigar todos os delitos por absoluta falta de meios logísticos e de pessoal. Diga ainda quais são as deficiências institucionais e porque o atendimento não ocorreu como o cidadão merece. Explique que, a vontade de todo policial é prestar o melhor serviço no menor tempo possível. O cidadão que recolhe impostos tem o direito do bom atendimento mas, acima de tudo, o dever também de cobrar do governo que seus impostos sejam revertidos em investimento no setor público ao qual recorre quando necessário. Ser atendido com urbanidade e res-

peito é dever do policial. Todavia, o sucateamento da segurança pública é culpa do governo.

Deixe isso bem esclarecido ao cidadão. Ao contrário, continuará dizendo que tudo é culpa da Polícia.

LUCIANO MARINHO Agente de Polícia e Vice-Presidente do Sinpol-DF

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2 de dezembro

em

Sinpol

Confraternização da ABRML

O presidente do Sinpol Ciro de Freitas participou da confraternização de fim de ano, promovida pela Associação Brasiliense de Medicina Legal (ABrML), na pessoa de seu presidente Samuel Ferreira. O evento aconteceu no Clube do Médico.

2 de dezembro

Reunião com as entidades de classe

O Sinpol realizou na sede da entidade, reunião com representantes de outras carreiras do serviço público para tratar do plano de saúde dos servidores do GDF. O objetivo do encontro foi mobilizar as categorias para se unirem a fim de exigir a devida publicidade e transparência do modelo do plano de saúde que está com apresentação prevista para o início de 2012. Participaram da reunião o presidente do Sinpol Ciro de Freitas, o vice-presidente André Rizzo; o deputado distrital Wellington Luiz; os presidentes da Adepol José Werick; do Sindepo Benito Tiezzi; da Agepen Marcele Alcântara e Milena Santos; da Asbrapp Nilton Pfeifer; da Camb Marcos Alberto e Gildésio Silva; da ASPGDF, Francisco Neto; e a diretora do Sinpro-DF Rosilene Correa.

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Reclassificação dos cargos de chefia

Caracterização das viaturas

O reconhecimento das chefias de plantão foi um dos grandes saltos este ano para os policiais que exercem uma pesada carga de trabalho e não recebiam qualquer contrapartida do Estado.

Uma polícia judiciária não pode ter como marca a sua caracterização. A essência da investigação é o serviço velado. Prioridade é aparecer para a população e transmitir uma falsa sensação de segurança.

Pagamento dos Passivos Financeiros Apesar do não atendimento de todos os pleitos, este item do acordo proposto pelo GDF em abril deste ano foi cumprido. No total foram R$ 38 milhões pagos aos policias em passivos devidos.

Decreto de progressão funcional

GDF não cumpriu todos os itens do acordo com a categoria

Foi publicado no Diário Oficial da União o decreto que altera os critérios de progressão funcional, que deixa de ocorrer nos meses de maio e novembro e passa a valer a partir da data em que o policial tomou posse e houver cumprido todos os critérios exigidos para a progressão. O decreto prevê ainda que o policial permaneça apenas três anos na 3ª Classe e não mais cinco anos.

Dos seis itens propostos pelo GDF, apenas dois foram cumpridos. O governo está lento e o Sinpol continua cobrando. A reestruturação de carreira continuará sendo o foco da categoria.

POLICIA CIVIL CONQUISTA O PAN-AMERICANO DE JIU-JITSU EM BRASÍLIA Por Taise Côrte

O policial Civil Francisco Lanna, lotado na Divisão de Operações Especiais, é medalhista em várias competições de Jiu-Jitsu. No último campeonato em que participou, o atleta levou para casa o troféu de Campeão, conquistado em disputa da categoria Sênior Marrom Absoluto (open class) no PanAmericano, em Brasília. O evento, organizado pela Federação Brasiliense de Jiu-Jitsu (FBJJ) em parceria com a Confederação Brasileira de Jiu-jitsu Esportivo (CBJJE) e Governo do Distrito Federal (GDF) através da Secretaria de Esportes, aconteceu nos dias 28, 29 e 30 de outubro de 2011 no Ginásio Nilson Nelson e contou com a participação de dois mil e duzentos atletas de diversos países. Francisco Lanna fez quatro lutas no mesmo dia inclusive com atletas mais pesados. O policial avalia a vitória como consequência de muito esforço, dedicação e incentivo do Sinpol e demais colegas da Dezembro de 2011

O atleta e policial civil Francisco Lanna no topo do pódio

Polícia Civil . “Para alcançar bons resultados é necessário treinar bastante e, equivalente a isso, o apoio da família, dos amigos, do chefe e da direção da D.O.E. faz diferença”, afirma. O presidente do Sinpol Ciro de Freitas parabeniza o policial pela conquista e destaca a importância da

Polícia Civil do DF possuir atletas que merecem ser reconhecidos. “Temos na PCDF profissionais de várias modalidades de esporte, que desenvolvem o condicionamento físico e permitem a utilização de técnicas úteis para a imobilização, então esses atletas merecem o nosso prestígio”, ressalta Ciro de Freitas. TRIBUNA POLICIAL

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SESSÃO SOLENE

Sinpol prestigia sessão solene em homenagem aos peritos criminais da PCDF Os peritos criminais da PCDF foram homenageados no dia 2 de dezembro com sessão solene proposta pelos deputados distritais Wellington Luiz, Cláudio Abrantes e Dr. Michel, em comemoração ao dia desses profissionais, celebrado anualmente no dia 4 de dezembro. A solenidade aconteceu no auditório do Departamento de Polícia Especializada (DPE) e contou com a presença de aproximadamente 250 pessoas. O presidente do Sinpol, Ciro de Freitas que prestigiou a sessão, inicialmente parabenizou o deputado Wellington Luiz pelo resultado obtido na noite desta quinta-feira (1º) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando aquela Corte reverteu a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que cassou o mandato do deputado em agosto deste ano. “A condenação do parlamentar pelo TRE ocorreu por um

mero erro formal e sabíamos que a cassação era injusta, mas a decisão foi corrigida pelo TSE de forma justa, fortalecendo ainda mais a PCDF que conta com este forte aliado”. Em relação à perícia criminal Ciro de Freitas disse que é reconhecida mundialmente, prova disso é que diante de catástrofes é sempre convocada a colaborar. “Quando estamos em outros estados, a Polícia Técnica do DF é sempre muito elogiada, porém mesmo sendo amplamente reconhecida, isso não se converte em melhores condições de trabalho evidenciadas pelo acúmulo de serviço e número reduzido de servidores”.

Nova diretoria da ABPC é empossada após sessão solene

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Ciro acrescenta: “É inadmissível que desde 1993 a PCDF conte com o mesmo quadro e nesse mesmo período a população do DF aumentou muito, bem como a criminalidade. O Governo precisa tomar providências imediatas para corrigir este problema, que não é apenas da perícia, mas de todas as carreiras que compõe a Polícia Civil”. O presidente conclui sua fala conclamando todos a permanecerem


firmes na cobrança dos pleitos e na participação da Operação Legalidade. Já o deputado Wellington Luiz manifestou sua satisfação em ser um dos autores da iniciativa no intuito de homenagear esses profissionais que, segundo ele, estão entre os melhores do país: “Falta apenas investimento por parte do Estado para que os peritos tenham plena capacidade de produção e também é necessário aumentar o efetivo, que encontra-se completamente defasado”. Cláudio Abrantes que também esteve presente na solenidade ressaltou que sente-se em casa em eventos como este, pois está ao lado de amigos: “Aqui aprendemos muito e agradeço a todos pelo conhecimento que adquiri ao longo dos anos. Contem comigo para defende-los. Tenho extremo orgulho da perícia do DF, que é autônoma e extremamente profissional”. O parlamentar disse ainda que, tanto ele quanto o deputado Wellington Luiz, destinaram recursos por meio de emendas para construção do novo prédio do IC, bem como para estrutura adequada. O orgulho estava estampado também, no rosto do presidente da Associação Brasiliense de Peritos Criminais, Gustavo Dal-

Quando estamos em outros estados, a Polícia Técnica do DF é sempre muito elogiada, porém mesmo sendo amplamente reconhecida, isso não se converte em melhores condições de trabalho evidenciadas pelo acúmulo de serviço e número reduzido de servidores” Presidente do Sinpol Ciro de Freitas

ton. Ele agradeceu aos deputados pela iniciativa e disse que o trabalho dos servidores do Instituto de Criminalística (IC) não é fácil, mas que todos se dedicam incansavelmente para prestar um serviço de qualidade à população do DF. Também estiveram presentes o diretor da PCDF Onofre de Moraes; o diretor do Departamento de Polícia Técnica (DPT) Elmo Resende; o diretor do Departamento de Polícia Especializada, Mauro César Lima; o diretor do IC Guilherme

Abreu; o assessor especial da Secretaria de Segurança, Cláudio Tusco (representando o Secretário de Segurança, Sandro Avelar); o vice-presidente do Sinpol, Luciano Marinho, o presidente do Sindepo, Benito Tiezzi; o presidente da Adepol, José Werick; da Agepen Marcele Alcântara e da ABrML, Samuel Ferreira. O Sinpol reitera os parabéns aos peritos criminais. O profissionalismo destes servidores faz da PCDF uma das melhores do país

Galeria de Fotos

Perito Dércio Denis e o Dep. Wellington Luiz Perito Gilberto Shimokomak e o presidente da ABPC Gustavo Dalton

Perito Jabes de Lima e o assessor da SSP Cláudio Tusco

Dezembro de 2011

Perita Fabíola Valle e o Diretor do DPE Mauro César

Perito Almiro de Amorim e o diretor da PCDF Onofre de Morais

Perito Antônio Afonso e o presidente da ABPC Gustavo Dalton

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TOAP

Curso ministrado para policiais de vários estados brasileiros Por Taise Côrte

Compete aos policiais civis: planejar, coordenar, dirigir e executar as ações de polícia judiciária; apurar as infrações penais, mediante atos de pesquisa, descobrimento e acompanhamento da prática de infração penal, exceto as militares; organizar, executar e manter os serviços de registro, cadastro, controle e fiscalização de armas, munições e explosivos e várias outras atribuições, que necessitam de conhecimentos específicos para a realização de um bom trabalho. Pensando nisso, a Academia de Polícia Civil (APC) do DF promoveu nos dias 3 a 11 de outubro deste ano, o curso de Técnicas Operacionais da Ação Policial (Toap), com 76 horas/aula. Desta vez com maior número de vagas para policiais de outros estados brasileiros. O curso foi ministrado no Estande da Divisão de Operações Especiais, na Chapada Imperial e na própria APC. Durante o curso, os policiais aprenderam novas técnicas de armamento e tiro; abordagem; entrada em locais de risco; imobilização e progressão em terreno hostil. De acordo com o instrutor Antônio da Silva, conhecido como Toninho, o curso é muito eficaz, pois ensina outras formas dos

Participaram do TOAP, policiais dos

policiais preservarem tanto a sua vida quanto a de terceiros. “O treinamento proporciona melhor desempenho nas atividades e capacita o policial para lidar com situações de risco, garantindo mais segurança na execução do trabalho”, destaca Toninho. Além das técnicas citadas, foram ensinadas também como agir em combate em área rural, pista de maneabilidade, primeiros socorros, shoot off (disparo) e low light (tiro com baixa luminosidade), que são utilizadas durante as operações desencadeadas pelas polícias civis. “Nem sempre os policiais necessitam aplicar todas as técnicas durante as atividades,

estados do Mato Grosso do Sul, Alagoas, Rio de Janeiro, Maranhão, Bahia, Goiás e do Distrito Federal, com aulas ministradas pelos instrutores Toninho, Genildo, Humberto, Abrão, Menezes, Ribeiro, Rafael Xavier, Israel Luna e Zedemar Sena.

então muitas delas por não serem praticadas frequentemente acabam sendo esquecidas, portanto, é fundamental uma reciclagem do curso para que possam ser relembradas”, afirma o instrutor Toninho.

Instrutores do TOAP Policiais aprenderam novas técnicas importantes para as atividades que realizam

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Policiais do Exército também participaram do curso


PLEITOS

Sinpol e entidades se reúnem com o Governador Por Taise Côrte

Na manhã do dia 16 de dezembro, o Sinpol, demais entidades da PCDF, o Secretário de Administração Wilmar Lacerda, o Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, e os deputados Wellington Luiz e Claudio Abrantes se reuniram pela primeira vez com o governador Agnelo Queiroz, na residência oficial do GDF. O encontro atendeu a um convite do governador e foi antecedido por um café da manhã. Na oportunidade, o governador reconheceu que a efetivação dos pleitos está em atraso, devido às políticas governamentais, contudo, o GDF tem interesse em implementá-los, tanto que encaminhou à Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ofício de nº 533/11 que solicita atenção especial no sentido de publicar o decreto que altera a progressão funcional e foi enviado também ofício de nº 532/11 à Ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, onde o governador sugere a criação de um grupo de trabalho formado entre GDF, representantes do MPOG e das entidades representativas da categoria para a implementação dos pleitos, bem como a reestruturação das carreiras da Polícia Civil e o reconhecimento de todos os segmentos policiais como de nível superior.

Pela primeira vez o governador Agnelo Queiroz recebeu as entidades de classe da PCDF

Além das ações citadas, o governador se comprometeu a agilizar o aumento do quadro, pois com a aproximação da Copa do Mundo, a Segurança Pública necessitará de maior efetivo. O presidente do Sinpol Ciro de Freitas foi enfático ao afirmar que “os Policiais Civis precisam de atenção do governo local e federal, pois são profissionais que prestam serviço de extrema importância para a sociedade”, disse. Ciro ponderou ainda sobre os pleitos da categoria: “A categoria policial civil é a única do GDF que em três anos não teve qualquer atualização salarial e há 18 anos o efetivo é o mesmo, então é necessário o aumento imediato do quadro, quanto aos agentes penitenciários, os mesmos não são reconhecidos como deveriam, pois estão submetidos a um ambiente que não compete às suas funções de polícia e o decreto de progressão funcional, é uma questão de justiça”, explicou. Em relação ao reconhecimento da carreira policial civil como de nível superior, o vice presidente do Presidente do Sindepo Benito Tiezzi, governador Agnelo Queiroz e o presidente do Sinpol Ciro de Freitas Sinpol Luciano Mari-

Dezembro de 2011

nho destaca que o “encaminhamento do ofício 532/2011 à Casa Civil, é um grande salto para os policiais, uma vez que a efetivação levará a categoria para o reconhecimento na mesma proporção de outras carreiras da União”. Quanto à questão do plano de saúde o governador Agnelo Queiroz afirmou que no início do próximo ano o GDF apresentará o modelo para que os servidores tenham conhecimento antes da implementação. Já o segundo vice-presidente do Sinpol André Rizzo destacou que a reunião demonstra o empenho por parte do governo em se aproximar da categoria, “além disso, ressalta o interesse em garantir qualidade ao serviço público e a valorização dos servidores para cada segmento”. Os representantes do Sinpol e demais entidades parabenizaram a publicação do decreto que reclassifica os cargos de chefias, haja vista que é um marco na Polícia Civil e deve ser lembrado como um ato importante do governo e mais uma vitória alcançada, em razão do esforço das entidades e da categoria. Para o deputado distrital Wellington Luiz, outros encontros devem ser marcados, uma vez que a Copa do Mundo de 2014 se aproxima e é necessário que o governo entenda como a polícia vai trabalhar e o que pode ser feito para garantir melhores condições de trabalho. TRIBUNA POLICIAL

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PLEITOS

Sinpol trabalha para implementação dos pleitos Desde a transformação do movimento de greve em Operação Legalidade, o Sinpol e as entidades de classe da PCDF como Sindepo, Agepen, Adepol e ABPC têm buscado apoio de representantes do Governo Federal e GDF para dar encaminhamento aos pleitos da categoria. Para isso, várias reuniões aconteceram com secretários ligados à base governamental 6 de dezembro

Reunião com Secretário de Segurança Pública Na reunião foi informado ao Secretário de Segurança Público, Sandro Avelar, sobre a decisão da categoria em transformar o movimento grevista em Operação

Legalidade e o Sinpol retomou as discussões da reestruturação da carreira como ponto primordial das reivindicações, bem como o reconhecimento das atividades dos Policias Civis como de nível superior. “Explicamos que a instituição precisa ser valorizada e o servidor não pode se tornar escravo de um abandono por parte do governo, no que tange a alguns pleitos de extrema importância para a funcionalidade da PCDF”, explanou o presidente do Sinpol Ciro de Freitas. O secretário afirmou que levará os

itens ao governador, solicitando reuniões com a União a fim de cumprir o que pode ser estabelecido de imediato, uma vez que a categoria retornou ao trabalho.

Lacerda afirmou que, uma vez que a categoria não está mais em greve e sim obedecendo ao que preceitua a Operação Legalidade, é importante que o diálogo seja restabelecido e que “o GDF tem interesse em honrar os compromissos com os policias”.

O Secretário mencionou tam-bém o interesse do Governo em implementar o plano de saúde voltado para os servidores do GDF, mas que ainda não está formatado. A indefinição está no sentido de se aplicar através das operadoras de saúde estabelecidas no mercado ou por meio de subsídio, neste tema, o Sinpol se manifestou favorável ao modelo aplicado aos servidores públicos federais, que é por meio do subsídio, já que implementando, não haverá a necessidade dos servidores mudarem de plano e, com isto, ocorrerá menos transtornos aos usuários.

funcional e aumento do efetivo. De acordo com o presidente do Sinpol, o Senador Rodrigo Rollemberg solicitou das entidades presentes na reunião, subsídio de informações, no intuito de fazer pronunciamento no Senado favorável aos pleitos. Quanto à situação dos agentes penitenciários, o Senador avaliou como uma reivindicação justa e disse que é necessário tomar providências em relação ao sistema penitenciário para que se resolva, em definitivo, a questão funcional. O segundo vice-presidente do Sinpol André Rizzo destacou que o Sindicato, na luta pelos anseios da categoria, tem busca-

do todo o apoio necessário para a efetivação dos pleitos, “no entanto, é imprescindível que os policiais permaneçam firmes na cobrança e na adesão à Operação Legalidade, que foi deliberada em assembleia”.

7 de dezembro

Reunião com Secretário de Administração Nesta reunião além dos principais pleitos dos Policiais Civis foram tratados também o tema da reclassificação dos cargos de chefias e assessoramento e a criação da gratificação dos chefes dos plantões. O Secretário de Administração Wilmar

12 de dezembro

Reunião com o Senador Rodrigo Rollemberg Durante a reunião no dia 12 de dezembro com o Senador Rodrigo Rollemberg foram tratados os pleitos da categoria que são de competência da União: a Reestruturação de carreira, a transformação do cargo de agente penitenciário, a publicação do decreto que altera os critérios da progressão

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15 de dezembro

Publicado decreto que reclassifica os cargos de chefias Como resultado das negociações entre Sinpol, entidades de classe da PCDF e o governo local, foi publicado no dia 15 de dezembro, no Diário Oficial do DF, o decreto de nº 33415, que reclassifica os cargos de chefias e cria os cargos de chefe de plantão e coordenador de plantão. Segundo o presidente do Sinpol Ciro de Freitas, a reclassificação e a criação das chefias de plantão são antigas reivindicações da categoria e foram acrescentadas como pauta alternativa aos pleitos acordados entre o GDF e a categoria. “O Sindicato estava na defesa dessa demanda e, graças ao empenho das entidades e mobilização

da categoria, alcançamos mais esta vitória”, destacou o presidente do Sinpol. Os vice-presidentes Luciano Marinho e André Rizzo avaliam que, “embora a categoria tenha pleitos que ainda não foram atendidos de modo imediato, é necessário avaliar avanços desta natureza como positivos”, pondera Marinho. “Esta vitória é o reconhecimento da luta de profissionais que merecem ser valorizados”, completa André Rizzo.

O presidente do Sinpol Ciro de Freitas afirma que a implementação deste item faz justiça ao chefe de plantão, uma vez que há muito tempo esses profissionais estavam desmotivados. “Com o reconhecimento do trabalho desses policiais que ocupam cargos de tamanha responsabilidade, eles têm mais estímulos para realizar suas atividades”, conclui.

13 de dezembro

Reunião no MPOG com os Secretários de Recursos Humanos e de Administração Na reunião, após a apresentação dos pleitos, o secretário Duvanier Paiva afirmou que irá publicar uma portaria anunciando um grupo de trabalho com representantes das entidades, do governo e da instituição para que, juntos, possam construir o entendimento necessário à implementação dos pleitos que já se encontram naquele ministério, em especial o aumento de quadro, a transformação do cargo de agente penitenciário e ainda a reestruturação da carreira policial. No tocante ao decreto de progressão, afirmou que a minuta referente ao pleito, já Dezembro de 2011

foi encaminhada à Casa Civil e se encontra pronta para ser publicada, conforme lhe notificou a Ministra Gleisi Hoffmann. Duvanier Paiva afirmou também que a Polícia Civil está parametrizada com a Polícia Federal, e tratará dos pleitos de ambas as instituições, devido o vínculo histórico. Oportunamente, o presidente do Sinpol Ciro de Freitas ponderou que, “sem

descuidar daquelas demandas que já foram negociadas com o Governo do Distrito Federal, a meta dos servidores é a reestruturação da carreira policial, onde deverá estar embutida a reposição das perdas inflacionárias acumuladas no período e ainda o reconhecimento das atividades como sendo de nível superior”, ressaltou Ciro de Freitas. TRIBUNA POLICIAL

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SEMINÁRIO

II Encontro Nacional das Entidades Representativas da Polícia Civil O presidente do Sinpol Ciro de Freitas, os vice-presidentes Luciano Marinho e André Rizzo, diretores e representantes de entidades classistas da Polícia Civil, de vários estados brasileiros, participaram do Encontro Por Taise Côrte

Nos dias 8 e 9 de dezembro de 2011, foi realizado no Hotel Airam, em Brasília, o II Encontro Nacional das Entidades Representativas da Polícia Civil, com o objetivo de discutir o Projeto de Lei 1949/2007, que atualmente aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados e trata da Lei Geral das Polícias Civis. O evento também promoveu a Campanha de Valorização dos Policiais Civis na Copa do Mundo e foi marcado pela presença de autoridades como o deputado federal João Campos, relator do PL 1949/2007 e o deputado distrital Wellington Luiz, além de representantes das entidades da Polícia Civil de todo o Brasil. No primeiro dia do Encontro, os policiais discutiram o Projeto da Lei Geral, que dispõe sobre princípios e normas gerais de organização, funcionamento e competências de atribuições e prerrogativas dos cargos de Policiais civis, nos termos do inciso XVI do art. 24 e do § 7o do art. 144 da Constituição. O presidente do Sinpol Ciro de Freitas, que compôs a mesa, destacou que a categoria policial civil deve estar cada vez mais unida e organizada para alcançar os objetivos. “A Polícia Civil, em vários estados,

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A Polícia Civil, em vários estados, está sendo esmagada pelos governantes, que insistem em não reconhecer o direito de greve” Presidente do Sinpol Ciro de Freitas

está sendo esmagada pelos governantes, que insistem em não reconhecer o direito de greve”, disse Ciro de Freitas, relatando a situação do processo de greve que a PCDF passou até chegar à Operação Legalidade. “Durante o período das paralisações, acatamos todas as decisões judiciais e agimos dentro de total legalidade, mesmo assim, a justiça insistiu em considerar a greve ilegal, por último, o STF ordenou o fim do movimento e a categoria deliberou pela transformação em Operação Legalidade, que é quando o policial realiza somente as atividades que são de sua competência,”, explicou o presidente do Sinpol.

O diretor da Nova Central Sindical dos Trabalhadores Valério Valente, o presidente da Feipol Centro-Oeste e Norte Divinato da Consolação e o presidente do Sinpol Ciro de Freitas

Na oportunidade, o diretor do Sinpol e presidente da Feipol Divinato da Consolação cumprimentou a todos os presentes e ressaltou que “a discussão dos temas é fundamental para mostrar a luta da categoria em todo o país e a importância do reconhecimento do árduo trabalho dos policiais, que diariamente assumem riscos para contribuir com a segurança da sociedade”. Ainda no primeiro dia do Encontro, o deputado distrital Wellington Luiz parabenizou a Feipol pela organização do evento e reafirmou seu compromisso com as causas dos Policiais Civis: “Antes de ser um parlamentar, sou policial e reitero meu apoio à categoria”, disse Wellington. Ele acrescentou que, quanto à greve da PCDF, o Sinpol foi o único representante de carreira que lutou até o fim: “Muitas carreiras paralisaram suas atividades, mas somente os


Policiais Civis seguiram firmes e não recuaram, isso reforça a perseverança com que levamos nossos pleitos”. Já o consultor da Feipol e escrivão de polícia aposentado do Rio Grande do Sul, Jorge Quadros, fez uma breve explanação relembrando a origem do Projeto da Lei Geral e ressaltou a importância da sua aprovação para que haja padronização nas polícias de todo o país: “O Projeto da Lei Geral iniciou em 2005, sabemos que os policiais atuam muito bem em seus estados, contudo, precisa haver um reconhecimento das carreiras com a modernização adequada”, argumentou. O deputado federal João Campos explicou o processo de aprovação de Leis na Câmara dos deputados e lembrou a criação do PL 1949/2007 pelo Ministério da Justiça, depois de um acordo com a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara. Ele ressaltou ainda que o tema da Lei Geral tem um trâmite a ser seguido, mas havendo consenso entre parlamentares e governo, acreditase que o PL pode ser aprovado. No segundo dia do Encontro, que teve como tema a Campanha de

Valorização dos Policiais Civis na Copa do Mundo, o vice-presidente do Sinpol e diretor da Feipol, Luciano Marinho apresentou dados com fonte do Ministério da Justiça que demonstra uma força de operadores de segurança pública na ordem de mais de 115 mil profissionais. Contudo, Marinho explanou que o número pouco exprime realidades pontuais, se considerar fatores como história, geografia urbana, formação, logística, inclusão e exclusão no processo de estratificação social dos operadores de Segurança Pública. “Os dados coletados formam apenas uma barreira que arranha a realidade do sistema de Segurança Pública brasileiro, produzindo dados poucos relevantes do ponto de vista do enfrentamento da violência e

O deputado federal João Campos, o presidente da Feipol Divinato da Consolação e o vice Ernani Lucena Dezembro de 2011

Galeria de Fotos

menos ainda quando o assunto é fortalecimento dos organismos de combate aos vetores de desordem social”. O II Encontro Nacional das Entidades Representativas da Polícia Civil também foi marcado pela apresentação de um vídeo que demonstra a realidade brasileira da insegurança da população, em razão do descaso dos governantes com o trabalho dos policiais e o baixo efetivo que sobrecarrega os profissionais. Para o segundo vice-presidente do Sinpol André Rizzo, o evento é de suma importância, visto que os policiais podem trocar experiências de trabalho e, além disso, “ficou claro o desejo de todos em ter uma Polícia Civil unida e fortalecida em todo o território nacional”, destacou. Ao final, os presentes marcaram o III Encontro para março de 2012, em Natal-RN. Participaram do Encontro, policiais dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins, Mato Grosso, Sergipe, Bahia e do Distrito Federal.

Consultor da Feipol e representante do Ministério da Justiça Jorge Quadros, o vice-presidente do Sinpol Luciano Marinho, o presidente da Feipol Divinato da Consolação e o presidente do Sinpol Sergipe Antonio Moraes

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FONACATE

Sinpol participa do I Seminário das Carreiras Típicas de Estado e Combate à Corrupção O presidente do Sinpol-DF, Ciro de Freitas e o vice-presidente Luciano Marinho e diretores da entidade participaram no dia 7 de dezembro, no Auditório Centro Cultural Evandro Lins e Silva (OAB Brasil) do I Seminário das Carreiras Típicas de Estado, que abordou o seguinte tema: “Serviço Público de Qualidade: O desafio do combate à corrupção”. Também estiveram presentes representantes do Sindepo, Adepol e ABPC. O evento foi realizado em parceria com as demais entidades que participam

Vice-presidente do Sinpol Luciano Marinho,

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do Fórum Nacional das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate). Além do Sinpol participam do Fórum sindicatos e associações que representam Advogados da União, Fiscais do Trabalho, Fiscais Tributários, Peritos Criminais e Delegados da Polícia Federal, Peritos Criminais e Delegados da PCDF, entre outras, que possuem similaridades entre si. O presidente do Sinpol, Ciro de Freitas afirma que “o encontro surgiu da necessidade de divulgar e valorizar as atividades das carreiras que são essenciais,

pois possuem um papel importantíssimo no controle da corrupção. As atribuições de cada uma são indelegáveis e auxiliam na manutenção da ética no serviço público, mas que, no entanto, não estão sendo valorizadas como deveriam pelo Governo e, muitas vezes trabalhando no limite de sua capacidade”. O seminário teve como objetivo dar continuidade à discussão proposta e buscar um norte comum a todas as carreiras, no sentido de defender o profissional no contexto do serviço público. Durante o encontro ocorreu um ciclo de palestras ministradas por integrantes de diversas carreiras: O encontro surgiu da Eurico Montenegro palestrou sobre o “Caso Banestado”; Ronecessidade de divulgar e sângela Rassy falou sobre “A invalorizar as atividades das terferência Externa nas atividades da Fiscalização do trabacarreiras que são essenciais, lho”; Jerri Coelho falou sobre o pois possuem um papel “Perfil Constitucional do Controle Interno e a Atuação da Conimportantíssimo no controle troladoria-Geral da União”; da corrupção” Luis Carlos Palácios falou sobre “A advocacia Pública Federal e Presidente do Sinpol Ciro de Freitas seu papel na prevenção e compresidente Ciro de Freitas e o diretor Adriano Macedo bate à corrupção”; Gelson


O encontro buscou também fortalecer as carreiras para que, juntas, possam reivindicar tratamento justo, para não serem abandonadas nas discussões que tratam da valorização do servidor público” Vice-presidente do Sinpol Luciano Marinho

Presidentes da Adepol José Werick, da ABPC Gustavo Dalton, do Sindepo Benito Tiezzi

Myskovsky Santo falou sobre “O papel do Auditor-Fiscal no combate à sonegação”; e o delegado Rodrigo Pereira Larizzatte falou sobre “A importância de uma Polícia de Estado”. “Cada palestrante discursou sobre o tema em destaque e mencionou a importância de sermos carreiras típicas do Estado e ainda as dificuldades que encontram na execução de suas atividades quando ocorrem ingerências de forças políticas, seja nas atividades de fiscalização ou investigação”, destacou o vicepresidente do Sinpol, Luciano Marinho. Ele acrescenta ainda que “o encontro buscou também fortalecer as carreiras para que, juntas, possam reivindicar tratamento justo, para não serem abandonadas nas discussões que tratam da valorização do servidor público”. Segundo Ciro de Freitas o resultado do ciclo de palestras foi bastante proveitoso, uma vez que todos os representantes de carreiras interagiram, trocaram experiências e ficou claro que por vezes o Estado tem interesses diferentes do Governo: “Os componentes das carreiras têm de estar imbuídos da responsabilidaDezembro de 2011

de de não deixar que suas atividades sofram pressão de governo. São essenciais ao estado e como tais, dão sustentação para que o Estado se estabeleça como democrático e livre de corrupção”. Na palestra “A importância de uma Polícia de Estado” a PCDF foi contemplada, uma vez que o tema buscou enaltecer a atividade policial em todos os seus setores, como a investigação, a condução do inquérito e ainda a autonomia da polícia judiciária no contexto das carreiras típicas de Estado. As carreiras voltarão a se encontrar no Fórum (Fonacate) para deliberar sobre futuros movimentos

Os componentes das carreiras têm de estar imbuídos da responsabilidade de não deixar que suas atividades sofram pressão de governo. São essenciais ao estado e como tais, dão sustentação para que o Estado se estabeleça como democrático e livre de corrupção Presidente do Sinpol Ciro de Freitas

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SOLIDARIEDADE

Policiais Civis desenvolvem importantes projetos sociais Rede Solidária Juntos Faremos Mais No Recanto das Emas, cidade que conta com 165 mil habitantes, está um setor com 2.227 casas onde residem famílias com baixo poder aquisitivo, compostas por crianças que fazem parte de um ciclo preocupante: pais viciados, desempregados e sem instrução. Essa população infantil chamou a atenção do Policial Civil José Adilson Ferreira Brandão que, cansado de ver a violência aumentando diariamente e a inoperância do Estado, implantou nesse complexo de lotes um projeto que está revolucionando a vida dos moradores: A Rede Solidária Juntos Faremos Mais. Diversas famílias em situação de pobreza extrema participam do programa, porém, por falta de recursos, as atividades são desenvolvidas somente com aquelas cadastradas em janeiro de 2011. Várias outras aguardam em uma longa lista de espera. “A vida é feita de escolhas: Poderia continuar em minha zona de conforto, reclamando do governo e observando a violência aumentar dia-a-dia ou ajudar as vítimas de um Estado que me causa vergonha. Escolhi a segunda opção e agora não tem volta, abandonar esse projeto por

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causa dos obstáculos seria frustrar centenas de crianças e suas famílias que descobriram uma luz no fim do túnel”. Depois de 11 meses de atividades constantes o projeto conquistou os moradores e fincou bandeira na região: Sempre que possível são realizadas reuniões para promover a integração, além de arrecadar e distribuir, mensalmente, alimentos, roupas, fraldas, calçados, móveis, eletrodomésticos, entre outros. Além disso, famíli-

O Sinpol apoia e parabeniza policiais que realizam trabalhos como o de Adílson, Madeira e Góes, e que com certeza, muito ajudam aqueles mais necessitados.

as são encaminhadas para consultas médicas e diversas palestras sobre prevenção às drogas, saúde da mulher e empreendedorismo estão programadas para o 1º semestre de 2012. Diversos profissionais participarão ainda ministrando cursos de artesanato e aulas de reforço escolar. Para aqueles que quiserem colaborar com A Rede Solidária Juntos Faremos Mais: juntosfaremosmais@gmail.com ou jafbra@yahoo.com.br. Telefone: 8411-8316.


Amor sem Fronteiras

O agente de Polícia Madeira Filho, que se aposentou há cinco anos, agora se dedica ao trabalho social na Oscip Amor sem Fronteiras, que fica na quadra 406 do Recanto das Emas. Ele conta que o incentivo para atuar nessa área surgiu antes de se aposentar, quando formou-se em teologia e conheceu muitas pessoas, entres pastores, missionários e outras que lidavam com causas sociais. Além disso, para concluir a graduação, ele conta que foi preciso participar de estágio em uma entidade e que isso também despertou o lado solidário. Logo depois, o policial Madeira, como é conhecido, tomou conhecimento do trabalho da Oscip Amor sem Fronteiras e conta que se envolveu com a causa, que é voltada prioritariamente para crianças, que são em média 100, de 0 a 15 anos. “A área é muito carente e arrecadamos roupas e alimentos para distribuir à comunidade. Além disso, também tentamos conseguir serviços de odontologia, cursos, lazer, corte de cabelo, entre outros”. Madeira diz ainda que como são uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), recebem também contribuições do Governo como, por exemplo, cestas básicas de apenados. Ele conta que é muito gratificante o trabalho: “Para nós que trabalhamos a vida toda na repressão ao crime, agora podemos evitar que essas crianças se percam no mundo das drogas e da violência”. Madeira acrescenta que como não tem condições de dar assistência permanente, tudo que é arrecado é doado de imediato e de forma racional para que os pais não troquem os alimentos por drogas. Para aqueles que quiserem colaborar com Oscip Amor sem Fronteiras: www.amorsemfronteira.com.br Telefone: 3334-3763 Dezembro de 2011

100% Cidadania O futebol incentivou o policial aposentando Joaquim Goes Carvalho, que deixou a ativa há cinco meses, a desenvolver um trabalho com jovens e adolescentes de 7 a 20 anos, moradores da Ceilândia, para evitar que sejam seduzidos pelas drogas. Na organização 100% Cidadania, que fica na QNO 8 A/E 27, cerca de 200 jovens treinam futebol três vezes por semana e participam de campeonatos aos fins de semana. Goes já atua nessa área há 12 anos e o time chama-se Associação Esporte Clube “O” Norte (ECON). O policial, que também faz parte da prefeitura comunitária da região, diz que sempre gostou de futebol e que em 1994, quando foi lotado na Delegacia de Polícia da localidade, participou de um time de futebol amador e observou que não havia um trabalho social para afastar os jovens das drogas: “Então, decidi ajudá-los por meio do esporte. Minha filosofia é não deixar que eles entrem nas drogas, pois depois fica muito difícil fazer com que saiam desse mundo. Além disso, incentivamos sempre o estudo. Mostramos que por meio da educação tudo pode ser conquistado”. Goes afirma que os pais das crianças e jovens acreditam no trabalho e que isso é muito importante, pois demonstra reconhecimento e a confiança que depositam e nós.

A escolinha funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h e trabalham com as seguintes categorias: mirim, infantil, escolinha, juvenil e sub-20, adulto, todas a nível amador. Goes conta que para participar, todos têm de estar matriculados na escola e com frequência comprovada. Ele destaca com orgulho que muitos jogadores que hoje são profissionais já passaram por lá e vários outros ganham bolsas universitárias para atletas. O policial diz que com a perda de parcerias, a partir do ano que vem terá de cobrar uma taxa mínima de R$ 20 para manter a organização, que sempre precisa repor material, pois há o desgaste do dia-a-dia. “Como nosso campo é de terra, as bolas duram no máximo dois meses”. Para aqueles que quiserem colaborar com a organização 100% Cidadania: goes.econ@gmail.com. Telefone: 9286-5967 TRIBUNA POLICIAL

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Adriano Macedo O diretor do Sinpol e agente de polícia, Adriano Macedo é natural de João Pessoa (PB) mas foi criado em Natal (RN). Chegou a Brasília em 1999 para tomar posse na Polícia Civil do DF, tendo sua primeira lotação na 27ª DP (Recanto das Emas). Antes de ser policial, foi engenheiro de alimentos em Natal (RN), onde morou muitos anos de sua vida. Quanto a ideia de ser policial civil ele diz que surgiu quando quiz prestar concurso para a Polícia Federal e perdeu a inscrição: “Logo em seguida lançaram o concurso para a Polícia Civil do DF, que era em nível nacional, e me inscrevi, devido a similaridade das duas instituições”. Após alguns anos, foi transferido para o Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) a pedido do diretor à época, Dr. Nivaldo, que solicitou a cessão ao delegado chefe da 27ª DP, Dr. Admar Brandão, que o atendeu de pronto. “Tenho muito orgulho da equipe e de ter pertencido ao IPDNA, pois lá trabalhamos em casos que ajudaram a fazer com que a Polícia Civil do DF fosse reconhecida no país e no exterior”, destaca Adriano Macedo. Entre os casos de maior repercurssão que contaram com a participação do instituto na solução do crime, cita o do incêndio no Supermercado Ycuá Bolaños no Paraguai, ocasião em que os portões foram fechados para evitar que as pessoas saíssem sem pagar, deixando um saldo de 374 mortes; o caso da cantora mexicana Glória Trevi, que durante a prisão na Superintendência da Polícia Federal acusou os policiais de terem estuprado-a. Foram feitos exames de DNA em mais de 70 suspeitos, e constatou-se que o pai de seu filho não era policial; o sequestro do bebê Pedrinho, ocasião em que o instituto emitiu o laudo conclusivo, solucionando o crime; e o caso do voo da Gol 1907,

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O Sinpol precisa da força de todos os seus sindicalizados, sem medir esforços, para que possamos chegar ao único objetivo que nos interessa: o crescimento da Instituição e de todos como profissionais respeitados

quando o IPDNA esteve presente no local do acidente e posteriormente emitiu vários laudos de identificação. Adriano Macedo destaca ainda o orgulho de ser Policial Civil e diz o que mais lhe agrada na profissão é a união dos policiais: “Lembro que quando estava na rua

e precisava de apoio, apareciam várias viaturas para dar suporte. É preciso incentivar os policiais a continuarem agindo dessa forma, não só com a população, mas também, entre nós”, afirma. Antes de ser diretor do Sinpol, Adriano Macedo era representante sindical e sempre esteve atento às reivindicações da categoria. “Devido à atuação na base, fui convidado para compor a chapa da atual diretoria da entidade. Aceitei por entender que o Sindicato é muito importante pois contribui na defesa da Instituição”. No Sindicato, exerce a função de diretor de Comunicação Adjunto. O diretor conclui conclamando os colegas: “O Sinpol precisa da força de todos os seus sindicalizados, sem medir esforços, para que possamos chegar ao único objetivo que nos interessa: o crescimento da Instituição e de todos como profissionais respeitados”, finaliza.


A carreira policial civil em uma mesma família é motivo de orgulho para o policial aposentado Paulo Martins da Silva Mattos, tio do papiloscopista, também aposentado, Jairo de Azevedo Mattos, que por sua vez é tio do agente de polícia, Davi Matos Pinheiro. Conheça um pouco da história dos três.

Paulo Martins da Silva Mattos inicialmente entrou para a Guarda Especial de Brasília (GEB), como tenente, em 1960 vindo a aposentar-se em 1992. Na época, foi chefe do Serviço de Repressão ao Contrabando e organizava diversas operações na Belém-Brasília. Porém, quando da divisão da GEB, Paulo Mattos diz que optou pela Polícia Civil do DF, pois na Polícia Federal teria de viajar muito e queria ficar próximo da família. Paulo conta que o tempo da ativa era muito bom e considera-se um homem de bastidores: “Sempre fui muito comedido. Trabalhei no Detran, com o então Secretário de Segurança, Aimé Alcibíades Silveira Lamaison que foi depois governador de Brasília e também diretor substituto da Papuda”, conta o policial. Paulo é viúvo e foi casado com a senhora Ami por 40 anos. Tem cinco filhos (três mulheres e dois homens). Jairo de Azevedo Mattos veio do Rio de Janeiro para Brasília em 1968. Tomou posse na PCDF como perito papiloscopista em 1973 e aposentou-se há 8 anos. Sua primeira lotação foi no Instituto de Identificação, depois passou pela antiga Delegacia de Homicídios, 2ª DP e Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos. Também trabalhou na Câmara Legislativa e se aposentou quando estava lotado no Posto de Identificação da PCDF, na 112 Sul. Jairo trabalhou muito tempo como agente de polícia ad hoc e ajudou a desbaratar quadrilhas como a do “Geraldo Pescador” e outros casos de grande repercussão. Um dos que mais lhe marcou foi a de um juiz aposentado de Luziânia, Adonides Mendes, que foi esfaqueado e teve o corpo incinerado. “No local onde ocorreu o homiDezembro de 2011

Aposentado Paulo Martins (sentado), aposentado Jairo de Azevedo (direita), agente Davi Matos (esquerda)

cídio, achei um garrafão que continha impressões digitais de um compadre do juiz, que morava a 100 quilômetros de distância. Achamos muito estranho e ao investigar descobrimos que ele era o autor”. Jairo diz que o crime ocorreu devido a uma máquina de falsificar dinheiro. Outro caso importante desvendado pelo policial e sua equipe culminou na prisão da Quadrilha do Sabonete composta por quatro integrantes, liderados por Gildo Nepomuceno de Siqueira: “Eles barbarizaram Brasília cometendo uma série de latrocínios, estupros. Mas prendemos todos, conta o policial, satisfeito com a carreira que escolheu.

Davi Matos Pinheiro lotado na Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), está na PCDF desde 2006. A primeira lotação de Davi foi na 12ª DP. “Sempre ouvi histórias dos meus tios e me interessava pela profissão. Então decidi prestar concurso público. Gosto muito do trabalho investigativo, o que exige muita dedicação”. Davi diz que em comparação à época dos tios, hoje há mais recursos e que a tecnologia ajuda bastante: “Em compensação, a criminalidade aumentou assustadoramente”. O policial afirma ainda que a falta de efetivo é um dos grandes problemas da PCDF, o que gera sobrecarga de trabalho, prejudicando a atividade fim da polícia. TRIBUNA POLICIAL

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Edição nº 167 dezembro 2011