Revista Sindipi Nº 27

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março/abril de 2008 - Ano VI - Número 27

Informativo Bimestral do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região - SC 68008235/2005-DR/SC SINDIPI

Entrevista com Dario Vitali Presidente do SINDIPI

Laguna

Cidade marco histórico de Santa Catarina mira o futuro

Nautimodelismo

Regularização da pesca do polvo

Pescado, fonte de proteína

e muito mais

Fechamento autorizado. Pode ser aberto pela ECT

Revista


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Revista SINDIPI


Divulgação

Índice Editorial....................................................................................................................4 Entrevista - Dario Luiz Vitali, presidente do Sindipi.................................................6 Entidade - Voz feminina na pesca..........................................................................10 - Diálogo:setor produtivo em busca de padronização...........................11

Pesquisa - Iscas-vivas Marcello Sokal

- Reunião da Câmara Setorial do arrasto e do camarão sete barbas...12 Embarcações - Serviços e reparos em embarcações de madeira......................14 Pesquisa - Pesquisadores produzem isca-viva em laboratório.....................16 - Concentrar proteinas para aumentar o consumo de pescado...........20 Legislação - Sindipi quer regularizar a pesca do polvo.......................................22 - Setor propõe mudanças no permissionamento de barcos..........24

Legislação - registro de barcos Evaristo Miranda

Meio-Ambiente - ONG inicia avaliação de estoques pesqueiros........................26 Turismo - Laguna: cenário que integra o antigo ao presente..............................28 Exposição - Passeio ecológico e educativo em parque temático.......................32 - O universo marinho em exposição intinerante..................................34 Arte - A arte de Amílca Mênciar...............................................................................36 Livro - Natureza brasileira em detalhes..................................................................38 Gastronomia - Restaurante Cantaloup: foco na cozinha moderna.....................40 - Senac Bistrô: pedagogia x gastronomia......................................42 - Diversidade e sofisticação no restaurante Ecco.....................43 Eventos - Festa Nacional do Pescador.................................................................44 - TJ instala Fórum Universitário em Itajaí....................................................46

Livro - Beleza natural Marcello Sokal

- III Simpósio de Controle do Pescado em São Paulo...............................47 Notas - Conchas marinhas nos selos dos correios...............................................48 Mensagem - O mar................................................................................................50

Turismo - Laguna para sempre

A Revista Sindipi é uma publicação do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região Diretoria do Sindipi: Dario Luiz Vitali (Presidente); Giovani Genázio Monteiro (Vice-Presidente); Márcio Andriani (Tesoureiro)- Departamento Jurídico: Marcus Vinícius Mendes Mugnaini(OAB/SC 15.939)- Sede: Rua Lauro Muller, 386, Centro, Itajaí, Santa Catarina- Cep:88301-400; e mail: sindipi@sindipi.com.br- Fone: (47)3348.1083 site: www.sindipi.com.br. Coordenação Editorial: Dario Luiz Vitali. Jornalista Responsável: Daniela Maia (SC.01259-JP); Reportagens: Luciana Zonta; Colaboração: Marília Massochin; Designer Gráfico: Geraldo Rossi; Direção Comercial: SINDIPI; Fotografia: Marcello Sokal. Impressão: Gráfica Coan - Circulação: setor pesqueiro nacional, profissionais do setor, parlamentares, imprensa. As matérias jornalísticas e artigos assinados na Revista Sindipi somente poderão ser reproduzidos, parcial ou integralmente, mediante autorização da Diretoria. A Revista Sindipi não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Eles não representam, necessariamente, a opinião da revista. Fale conosco: REDAÇÃO: envie cartas para a editora, sugestão de temas e opiniões: redacao@sindipi.com.br PUBLICIDADE: com Antônio Carlos Corrêa, Fone: 47 33431456 / 47 84080721; e-mail: revista@sindipi.com.br

w w w. s i n d i p i . c o m . b r Capa: Farol de Santa Marta, Laguna (SC). foto: Marcello Sokal


Editorial

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primeira edição de 2008! Que expectativa... Iniciamos o ano comemorando a casa nova, a sede própria do Sindipi e as boas vindas ao novo presidente Dario Vitali. Como é bom interagir com o leitor cada momento de conquista da entidade e conseqüentemente do setor pesqueiro local e nacional. E para marcarmos 2008, a equipe da Revista se dedicou na produção de cada reportagem. Confira nesta edição a entrevista com o Presidente do Sindipi, um perfil da armadora Madalena Marques, a 1a mulher a fazer parte da diretoria do Sindicato. Na área da pesquisa a divulgação do trabalho sobre a concentração de proteínas em pescado (FURG) e a reportagem da 2a etapa do Projeto Isca-Viva. Aproveitando o assunto vou compartilhar com o setor a sugestão da pesquisadora Marília

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Oetterer que defende a unificação das pesquisas no Brasil por tema, assim o trabalho dos profissionais rende mais e quem ganha é o setor produtivo.

Marcello Sokal

A regularização da pesca do polvo em SC é um dos temas de destaque nesta edição. Agradeço a participação do armador Hilson Siqueira, autor da mensagem publicada, agradeço também o Deputado Federal Michel Temer pelo telegrama sobre a Revista. E agradeço principalmente a Deus em compartilhar diversas informações do setor pesqueiro, além de arte, cultura, gastronomia através da Revista do Sindipi, distribuída gratuitamente no Brasil. Um abraço e uma excelente leitura,

Daniela Maia Editora Participe com sugestões de matéria para a revista: comunicacao@sindipi.com.br Fone: 47 3348-1083


Revista SINDIPI Rua Antônio Hülse, 1153 - Bairro Humaitá - Tubarão - SC - Fone: (48) 3632-9545 - nuntec@nuntec.com.br

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Entrevista

Marcello Sokal

O País tem que desonerar o setor produtivo para criar competitividade

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empresário e novo presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi), Dario Vitali, costuma brincar que trocou a pena pela escama. Há 15 anos, quando ainda se dedicava aos negócios que a família mantinha com aves, decidiu pular para o ramo da pesca. A mudança surgiu a partir do convite de um amigo. E até hoje ele não se arrepende de ter aceitado. Hoje, Dario é sócio-proprietário da Vitalmar Comércio e Indústria de Pescados Ltda, empresa de beneficiamento de pescados capturados no Sul e Sudeste do País. “Me identifiquei muito com o dinamismo do setor”, explica. Dario se empolga quando fala de pesca. Poderia passar horas divagando sobre o tema. O empresário não só conhece muito bem a atividade, como confia plenamente no potencial de crescimento do Brasil para a pesca oceânica. Defensor da captura sustentável, ele é um dos principais incentivadores de projetos como o IscaViva, que busca alternativas para a captura de sardinha destinada à pesca do atum em alto-mar. Conheça um pouco mais sobre o novo representante do setor produtivo catarinense nesta entrevista exclusiva concedida à Revista do Sindipi.


Revista do Sindipi - Quais as principais metas da nova diretoria? Dario - Uma das metas que já definimos é que vamos focar nossos esforços para ampliar os estudos sobre as reservas pesqueiras. Queremos saber efetivamente o que temos e em que volume nós podemos capturar. O setor quer colaborar neste sentido. O peixe é a matéria-prima que dá sustentabilidade ao setor e nada mais lógico do que nós participarmos do processo de pesquisa e saber até onde podemos ir no tocante aos recursos. Para buscar nossos objetivos sempre focamos no diálogo, como a maior ferramenta de conquista e democracia. Revista do Sindipi - Durante muito tempo a indústria da pesca era despreocupada com a possibilidade de fim dos recursos pesqueiros. O que fez mudar o olhar do setor? Dario - A pesca, como qualquer atividade extrativista onde você não tem a dimensão exata do que pode ou não fazer, acaba indo sempre adiante. A idéia que tínhamos é que o recurso existia em abundância. É lógico que, com o tempo, o volume de captura de algumas espécies começou a declinar. Isso acendeu uma luz vermelha dentro do setor, onde o empresariado acabou percebendo que precisava fazer alguma coisa para que a atividade tivesse longevidade e sustentabilidade. Daí derivou esta consciência que temos que trabalhar de forma ordenada. Revista do Sindipi - O Projeto Isca-Viva é um exemplo disso ? Dario - Sim, o Projeto Isca-Viva está indo muito bem, obrigado, e é um exemplo exato disso. Nós estamos buscando parceria e apoio junto aos órgãos que hoje regem as normativas do setor para que possamos caminhar unidos nestas questões. Revista do Sindipi - Hoje, sabemos que o Brasil não implemen-

ta toda a capacidade de esforço de captura na pesca oceânica. Os barcos estrangeiros estão aí batendo na porta. Qual a solução para o País desenvolver melhor a pesca oceânica e impedir que barcos de fora capturem nosso peixe? Dario - Primeiro de tudo, o que temos que fazer é não nos precipitarmos. Os recursos estão aí e são nossos por direito. É claro que vamos explorá-los em seu devido tempo. Está se criando pânico dentro do setor pesqueiro nacional para que a gente acelere o processo de exploração destes recursos. É óbvio que já deveríamos ter iniciado, mas

por exemplo, estão à nossa frente. Eles têm uma relação de longa data com a atividade pesqueira. Isso vem desde o tempo das grandes navegações, sempre foram muito eficientes na exploração dos recursos do planeta. Foi muito importante o Brasil conquistar a presidência do ICCAT para dar tempo ao País se reorganizar. Revista do Sindipi - O que mudou na pesca desde a criação da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap)? Ela tem atendido as expectativas do setor? Dario - A Seap ainda é um

O peixe é a matéria-prima que dá sustentabilidade ao setor e nada mais lógico do que nós participarmos do processo de pesquisa e saber até onde podemos ir no tocante aos recursos.

estamos num processo de mudanças de comportamento e postura. Já enxergamos onde está o horizonte e o ponto onde queremos chegar. E para que cheguemos lá, precisamos caminhar gradativamente. Um processo que levou décadas para se instalar não pode se reverter da noite para o dia. Se o Brasil ficou um pouco atrasado em relação ao desenvolvimento pesqueiro no tocante à tecnologia, isso não quer dizer que nós tenhamos que abrir mão destes recursos em favor de países que alcançaram isso muito antes. Temos muito potencial, destacando a perseverança dos industriais da pesca e dos armadores brasileiros que acreditam e trabalham de forma comprometida no nosso país. É lógico que países europeus e asiáticos,

órgão novo dentro do governo e, como tal, ela ainda precisa criar uma “musculatura” maior, fortalecer-se como secretaria e depois possivelmente transformar-se em ministério. Inicialmente, eu diria que vem cumprindo o seu papel. Ela também precisa que o setor a respalde para que vá ganhando força e espaço dentro do corpo ministerial. E para que amanhã ela possa ter um orçamento compatível com as necessidades que o setor pesqueiro tem atualmente. Os integrantes da Secretaria não estão medindo esforços no sentido de ampliar estas fronteiras, mas nós entendemos que existem limitações de ordem financeira e estrutural. De uma forma geral, estão indo no caminho certo. O setor Revista Revista SINDIPI SINDIPI 7 7


quer trabalhar justamente nesta condição, para que a pesca tenha seu órgão representativo próprio e que não estejamos vinculados a outros órgãos ou ministérios como era em outras épocas. Às vezes, eu escuto o discurso de “que nas outras épocas era melhor, na época da Sudepe”. Mas os tempos também eram outros, havia mais recursos disponíveis. O Brasil sofreu uma mudança muito grande e nós sabemos que, dentro desta mudança, não dá para contemplar todos ao mesmo tempo. E por ser um órgão novo, a Seap também não tem os mesmos privilégios de um ministério, onde já existe um foco e uma estrutura.

mais a reestruturação da frota pesqueira para que a gente possa, num período mais curto, explorar a pesca oceânica. É preciso tirar alguns entraves dos processos de liberação destes recursos, garantindo uma maior agilidade. Revista do Sindipi - A idéia é discutir a fórmula? Dario - Sim, precisamos discutir a fórmula junto com o governo para sua agilização. Revista do Sindipi - Desde 2002, o setor conseguiu fechar o canal do Rio Itajaí-Açu, em Itajaí (SC), para reivindicar uma série de pedidos ao governo federal e estadual, a

A partir da aprovação da Lei da Pesca, entendemos que as coisas passarão a tomar outro rumo. O País tem que desonerar o setor produtivo e, a partir disso, criar uma maior competitividade .

Revista do Sindipi - Os programas de financiamento hoje existentes para a construção e aperfeiçoamento de barcos são eficientes? Dario - Eles ainda são muito burocráticos. Há muitos pleitos para construção de embarcações oceânicas e o que constatamos é uma morosidade muito grande na liberação destes recursos. Revista do Sindipi - É até um contra-senso o Brasil querer desenvolver este tipo de atividade e impor tantas regras rígidas para construir... Dario - Isso atrasa cada vez 8 8

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exemplo do subsídio ao óleo diesel marítimo. Hoje, as principais reivindicações estão atendidas? Dario - A maioria, ainda é preciso colocar em dia o repasse destes recursos conforme previsto em lei. Cabe sempre salientar que estas manifestações sempre foram feitas de forma organizada e pacífica. Buscou-se tão somente aquilo que o setor necessita para a sua sobrevivência. Todas elas tiveram um único objetivo que é o de buscar dentro do governo as condições ideais para dar sustentabilidade ao setor. Revista do Sindipi - Assim como em outros setores da econo-

mia nacional, a baixa do dólar fez despencar as exportações. Mas as importações aumentaram? Dario - Com toda certeza. Este é um motivo de muita discussão no Sindipi. Em se tratando de Brasil, qualquer um pode importar. Mas quando nos deparamos com uma situação cambial como a que nós vivenciamos, o resultado é um panorama totalmente desfavorável para o setor, prejudicando a produção industrial e conseqüentemente a geração de empregos. No Brasil a facilidade é grande para quem quer importar. É uma concorrência desleal com as indústrias pesqueiras, já que os custos do importador são menores. Revista do Sindipi - Mas as grandes indústrias pesqueiras também estão importando para manter os estoques, não? Dario - Algumas empresas da região importam, mas não todas. A Gomes da Costa, a Femepe e a Pepsico, que são as nossas enlatadoras, estão importando sardinha para suprir as suas necessidades diárias. Hoje, os estoques que eles têm não contemplam isso. Este tipo de importação é considerado necessário e benéfico. O que não é benéfico são as importações de itens que as nossas indústrias produzem e que fazem uma concorrência direta dentro do mercado consumidor através de distribuidoras e terceiros. Enfim, qualquer empresa de outro segmento, como por exemplo no período da Semana Santa importa pescado. E é aí que sofremos concorrência desleal. Revista do Sindipi - Historicamente, o setor sempre se ressentiu da falta de incentivos e programas governamentais específicos para a atividade. Esta realidade mudou? Dario - Mudou um pouco. Ainda não estamos atendidos plenamente neste aspecto. Os governos têm nos contemplado com alguns benefícios,


no âmbito federal, e principalmente no estadual. Revista do Sindipi - E o que ainda falta? Dario - Um dos fatores que temos debatido bastante é a Lei da Pesca, que está tramitando no Congresso Nacional. Esta lei, que prevê a regulamentação da atividade, vai nos colocar numa situação semelhante a que outros segmentos da economia já obtiveram. Isso nos colocaria em pé de igualdade em vários aspectos, a exemplo da questão tributária. O projeto estava há vários anos engavetado e agora foi resgatado para fazer as devidas correções. A partir da aprovação da Lei da Pesca, entendemos que as coisas passarão a tomar outro rumo. O País tem que desonerar o setor produtivo e, a partir disso, criar uma maior competitividade. Um exemplo são os equipamentos importados. O governo precisa reduzir estas alíquotas para determinados equipamentos de tecnologia de captura. São estes entraves que ainda emperram um crescimento mais rápido. Mas penso que esta-

mos no caminho certo, o do reordenamento e da discussão de ordem associativa. Revista do Sindipi - Inicialmente, o setor enxergou com preocupação o projeto de aprofundamento do canal do Rio Itajaí Açu acima do porto para nove metros, onde estão localizadas várias empresas de pesca. Como o setor enxerga este assunto no momento? Dario - Antes de mais nada, quero colocar que somos totalmente favoráveis ao desenvolvimento. Que fique sempre muito claro isso. Mas nós não podemos comprometer o nosso futuro e incorrer em erros que num período muito breve estarão batendo na nossa porta. Nós somos favoráveis a dragagem e a que outros setores da economia local se desenvolvam, mas não criem entraves para o desenvolvimento do setor pesqueiro. Nós temos um ponto em comum que é o rio, onde navegam as embarcações mercantes e as pesqueiras. Temos que ordenar o tráfego marítimo e observar o impacto que esta dragagem vai causar. Eu tenho falado

isso em reuniões e especialmente para os representantes da associação dos terminais privados que desenvolveu o projeto. Num primeiro momento, tudo pode parecer alegria e empolgação, mas nunca fica descartada a possibilidade de qualquer um entrar com uma ação pública de embargo destas obras. Eles precisam se atentar a isso. Quando se faz um projeto desta magnitude, é necessário analisar todos os pontos. O que isso vai causar nas cidades próximas, especialmente em Navegantes? O que isso vai causar de impacto para a pesca artesanal? O que isso vai causar para a navegação? O que vai causar para a própria população? O desenvolvimento por si só não se justifica. Temos que analisar sob todos os aspectos. Como estaremos daqui a 20 anos? Temos que trabalhar estas questões com toda a sociedade organizada. As discussões são válidas e necessárias para que nós possamos chegar a um modelo ideal. Texto: Luciana Zonta

JOGO RÁPIDO Hobby: Futebol. Livro de cabeceira: Cem anos de Solidão. Filosofia de vida: Ajudar a construir um amanhã melhor. Frase: A falta do conhecimento torna-se um campo fértil para a proliferação de vícios. Família: Porto Seguro. Gastronomia: Pratos a base de frutos do mar. Pesca: Uma paixão. Político: Ético e atuante. Empresário: Com responsabilidade social. Viagem dos sonhos: Todo lugar novo. Música: Eclética. Brasil: A Pátria que todos querem ter.

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Entidade

Voz feminina na pesca Madalena Martinez Feller faz história no setor ao ser a primeira mulher a fazer parte da diretoria do Sindipi, como uma das delegadas da nova formação administrativa da entidade.

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onversas sobre embarcações, defeso da sardinha e safras da espécie são assuntos tão comuns quanto a educação dos filhos ou os afazeres da casa. A relação com o mar e com a pesca da sardinha no Litoral Sul e Sudeste do Brasil identifica de imediato Maria Madalena Carbaldo Martinez Feller, 45 anos. Na atividade desde a adolescência, ela acaba de fazer história junto ao setor: é a primeira mulher a fazer parte da diretoria do Sindicato das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi). Madalena – que é uma das delegadas da nova formação administrativa do sindicato – está à frente da empresa José Vasques Martinez, de captura de pescados. Formada em Administração de Empresas pela Univali, a armadora detém com a mãe e mais cinco irmãos as traineiras José Antônio V e José Antônio VII, embarcações que abastecem empresas como a GDC Alimentos e atravessadores que vendem para o mercado público municipal. Na atividade desde os 14 anos - quando foi ajudar o pai pescador José Vasquez Martinez na administração dos barcos de pesca – Madalena sempre foi bem atuante junto ao sindicato. Há 20 anos, quando começou a participar de reuniões do Sindipi, era a única mulher do grupo. “Meu pai, que era muito quieto, me levava junto porque sabia que eu gostava de falar e participar das discussões”, lembra. Na empresa, ela gerencia uma 10

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João Souza

Madalena Feller durante a diplomação da diretoria em janeiro no SINDIPI

estrutura de três funcionários – todos homens – e mais um grupo de 32 pescadores, 16 por embarcação. “A melhor coisa de trabalhar com a pesca é quando a gente consegue contabilizar um bom volume pescado depois do escuro e faz uma boa partilha dos lucros entre todos”, comenta. Em casa e no trabalho, ela tem a ajuda do marido, encarregado dos barcos. A ligação com a pesca chega a ser herança de família. Filho de espanhóis, José Vasques Martinez já era pescador na Espanha. O avô de Madalena também. A inserção na pesca foi um processo natural desde a infância, quando ela e os irmãos já absorviam a atividade como a fonte de renda de toda a família. A empresa, que já teve sete traineiras e 11 cami-

nhões na década de 1980, hoje atua com duas embarcações. “O investimento de manutenção dos barcos tem sido muito grande”, observa. As histórias contadas pelo pai, que saía para pescar em alto mar com seus próprios barcos, ainda mantém José Vasques Martinez vivo na memória da família. Para Madalena, os relatos de golfinhos que acompanhavam a embarcação a caminho do peixe e as temíveis tempestades são algumas das lembranças mais fortes das histórias de pescaria que o pai contava.

Texto: Luciana Zonta


Diálogo: setor produtivo em busca da padronização A iniciativa das indústrias pesqueiras é aprimorar as orientações ao consumidor, inclusive o modo de descongelar o produto, com informações no rótulo do pescado congelado.

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Sindipi através dos representantes das indústrias pesqueiras está realizando uma série de reuniões para discutir o tema: “Padrão de rotulagem em pescado congelado”. A iniciativa do setor busca o aprimoramento nas informações, com orientações ao consumidor. A proposta do setor é apresentar na embalagem do produto o peso líquido (quantidade do peso efetivo do produto dentro da embalagem) e do peso desglaciado (quantidade do peso efetivo do produto sem o líquido de glaciamento). Além de esclarecer ao consumidor termos técnicos, como glaciamento, processo industrial que visa envolver o produto com uma camada de gelo, com o objetivo de evitar a desidratação e a oxidação no decorrer da estocagem congelada. A proposta também inclui a orientação padronizada nas embalagens quanto a forma de descongelamento do produto.

Fotos:divulgação

Em Brasília, associados do Sindipi, engenheiros e autoridades no Ministério da Agricultura

Paulo Mundt, sup. do INMETRO de SC, Dario Vitali, pres. do Sindipi e Luzaldo Pscheidt entre os representantes da indústria pesqueira.

O Presidente do Sindipi, Dario Luiz Vitali, o Deputado Federal Odacir Zonta e o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

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Entidade

Câmara Setorial do Arrasto e Camarão Sete Barbas A primeira reunião na sede própria do Sindipi foi realizada no início do ano com a participação de diversos armadores.A proposta é realizar encontros periódicos com todas as modalidades.

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s Câmaras Setoriais do Sindipi foram criadas para oferecer apoio técnico das atividades desenvolvidas e praticadas no setor de cada categoria econômica representada. Nos encontros, são apresentadas sugestões, propostas e orientação técnica à Diretoria Executiva. O objetivo é tornar mais eficaz as atividades econômicas. Na avaliação do Presidente do Sindipi, Dario Vitali, a iniciativa das câmaras setoriais criadas na gestão passada é sinônimo de democratização e conseqüentemente o crescimento do setor produtivo. 12

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Em cima: reunião das Câmaras Setoriais do Arrasto e Camarão Sete Barbas. Em baixo, registramos a participação das mulheres na pesca, as armadoras Aureci Marques dos Santos, Rosania Cardoso Flores e Benta Noêmia Francisco.

Acordo técnico Sindipi e Univali

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om a visão no futuro da pesca, acreditando na importância da pesquisa, o Sindipi celebra o primeiro convênio em 2008 com a Univali, Universidade do Vale do Itajaí. O termo de cooperação dará respaldo para o convênio assinado no ano passado entre a Seap/ PR e Univali que tem como objetivo monitorar a pesca costeira industrial das frotas de arrasto, emalhe e traineira. Segundo o professor Roberto Wahrlich, da Univali, a parceria com o Sindipi será primordial para gerar dados para pesquisa e avaliação das espécies capturadas(coleta de


Parceria facilitará o intercâmbio técnico e científico, o desenvolvimento de pesquisas, projetos, cursos, levantamentos e consultorias, na área de utilização e conservação de recursos pesqueiros.

Presidente do Sindipi se reúne com prefeito de Itajaí Entidade apresenta proposta de convênio com a Prefeitura com objetivo de colaborar com os serviços de emissão de certificado obrigatórios nas indústrias. João Souza

dados no desembarque e a bordo), a fauna acompanhante, as condições de conservação a bordo do produto e outro ítens. “Vamos trocar experiências, aprender juntos e dividir as informações”, relata o professor Wahrlich. De acordo com o Presidente do Sindipi, Dario Luiz Vitali, a estatística pesqueira é fundamental para o ordenamento do setor, segundo Vitali, o termo de cooperação terá validade por dois anos.

Representantes parlamentar da pesca no Gabineti do Prefeito Volnei Morastoni

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presidente do Sindicato da Indústria da Pesca de Itajaí (Sindipi), Dario Vitali, empresários e o secretário de Pesca Manoel Xavier de Maria, estiveram reunidos com o prefeito Volnei Morastoni, no dia 20 de fevereiro pela manhã. Eles vieram pedir o apoio do prefeito para celebrar um convênio entre Município, Sindicato e Ministério da Agricultura. Através desse convênio seria possível a Prefeitura ou o próprio sindicato contratar agentes fiscais para emissão de certificados.

Já existe um convênio semelhante onde a Prefeitura de Itajaí, disponibiliza para as empresas de pesca, dois médicos veterinários que já auxiliam na emissão de certificados do Minis-

tério da Agricultura. O Ministério não consegue atender a demanda e esses profissionais são necessários para agilizar a liberação do pescado. O peixe só pode ser despachado com o certificado de liberação do Ministério da Agricultura. A proposta do Sindipi é que a Prefeitura firme um convênio com o Ministério e Sindicato para contratar quatro profissionais. “Vale lembrar que estamos falando de empresas que geram mais de quatro mil empregos no município”, destaca Vitali. O prefeito entendeu perfeitamente a importância do pleito e vai se reunir com as equipes do jurídico e de convênios para ver a possibilidade de atender ao pedido do Sindicato. Texto: Valdelice Siqueira Revista SINDIPI

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Embarcações

Serviços e reparos de embarcações de madeiras A manutenção das embarcações de pesca de madeira é necessária para a garantia da produtividade, porém a falta de recursos em caixa dificulta este reparo anualmente.

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e acordo com o Sinconavin, Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes, a pesca costeira industrial em Santa Catarina é feita através de uma frota de embarcações, com comprimentos entre 13 a 37 metros, com tempo de uso médio de 15 anos. A grande maioria das embarcações de madeira medem de 13 a 28 metros. Estas embarcações de madeiras, motivadas pelo seu tempo de uso adicionado com a falta de uma manutenção periódica efetiva, na sua grande

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maioria, não oferecem as condições de garantia, um padrão exigido para manutenção de uma rentabilidade e segurança dos tripulantes no mar. Embora a Marinha de Guerra do Brasil exija periodicamente uma manutenção, esta é feita com tratamentos tipo meia sola, que visualmente atende e a disfarça para a vistoria a ser efetuada pelo pe-

rito solicitado pela Marinha. Esta manutenção (tipo meia sola) ocorre não por falta de orientação dos estaleiros e/ou sensibilização dos armadores e embarcados. Eles estão conscientes dos danos que isto causa à segurança e rentabilidade da embarcação, mas por falta real de recursos e a necessidade que têm de continuar um processo de renda para atender as demandas de sobrevivência. Isto os obriga a postergar para a próxima docagem, a reforma correta e assim se verifica uma prorrogação continua. O aumento constante do percentual dos cus-


tos operacionais das embarcações de madeira; motores com o tempo de manutenção vencidos, gerando pouco desempenho, cascos com infiltrações, equipamentos deteriorados (porões térmicos, guinchos etc.), promovem frustrações de viagens (retornos antecipados, por avarias, para manutenção do pescado) e gastos excessivos de óleos e combustíveis (desperdícios) além das perdas de ranchos e iscas.

Queda da rentabilidade da pesca industrial

A queda sistemática da rentabilidade da pesca industrial originária das embarcações de madeiras em nossa região vem ocorrendo com maior intensidade do que a da queda da piscosidade em nossa costa. Este é o resultado das depredações ocorridas pelas postergações contínuas das manutenções efetivas destas embarcações. Pressionados pela diminuição da piscosidade os levam a promover suas pescas em águas mais profundas, indo até 60 milhas da costa e

isto é altamente conflitante com as condições atuais de suas embarcações, gerando um risco muito alto para tripulação.

Falta de apoio

A rede bancária evita créditos em médio prazo para estes tipos de armadores: na maioria são pessoas físicas; histórico de credibilidade promovido ocorridas no século passado e/ou pela baixa rentabilidade atuais de suas pescarias; a crença da não existência de seguros para este tipo de embarcação (temos conhecimento de indenizações pagas pela seguradora do Bradesco para barcos de madeiras). Se existe um risco de vida de tripulantes, se não for tomadas providências, restam duas opções: acionar um mecanismo político para gerar um financiamento para estas reformas com juros equivalentes aos agrícolas, assistido da criação de um fundo de aval para assegurar à rede bancária sua aplicação ou de seus tripulantes.

Valores médios de manutenção

O Sinconavin solicitou um levantamento de um valor médio de um reparo de uma embarcação de madeira de 24 metros, em boas condições de conservação, necessitando apenas de manutenção anual, seria basicamente a docagem, lixação do casco, calafetação, pintura geral, revisão de hélice e eixo propulsor, revisão mecânica do motor principal e auxiliar e reversor, revisão da linha hidráulica de leme, manutenção de guincho de pesca e acessórios de pesca (roldanas, manilhas, cabo de aço etc.), manutenção elétrica e eletrônica, e mais materiais de pesca e de navegação. Este custo ficaria em torno de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Mas sabemos que a maioria das nossas embarcações está precisando de uma manutenção maior, devido a sua falta de manutenção anual durante vários anos consecutivos. Assim, é necessária a troca de madeiras do costado, convés, borda falsa e outras partes da embarcação, madeiras estas que estão seriamente comprometidas e que coloca em risco a vida dos tripulantes destas embarcações, bem como a troca de guinchos mais modernos e mais seguros, e para fazer isso, seu custo de manutenção é muito elevado, chegando a média de um custo de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais), valores estes que o armador muitas vezes não dispõe, e acabam deixando de fazer a manutenção. Acreditamos que a viabilidade destes, através de créditos, as respostas seriam imediatas, demonstrando em curto prazo, um aumento da rentabilidade das mesmas. Isto que assegurará ao armador de pesca, condições de pagar suas prestações mensais e com uma carência de três meses, após a saída do estaleiro (acerto de contas atrasadas), garantir as manutenções preventivas recomendadas pela Marinha, de uma maneira eficaz ,capaz de promover a segurança e rentabilidade necessária para a remuneração justa de seus tripulantes. Texto: Paulo Dutra Presidente do Sinconavin

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Pesquisa

Pesquisadores produzem isca-viva em laboratório Projeto Isca-Viva, que tem o apoio do Sindipi, prevê o crescimento e reprodução de sardinha em cativeiro. A nova estratégia prevê a adaptação, monitoramento e manejo de indivíduos juvenis e adultos.

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manutenção de um lote de sardinhas juvenis em laboratório e em tanquerede promete dar um novo fôlego ao Projeto Isca-Viva. Coordenado pelo Cepsul e Ibama, através de uma parceria com o Sindipi e uma série de outros apoiadores, o projeto avalia o desenvolvimento tecnológico do cultivo de sardinhas e manjubas para a produção de isca utilizada na captura de atum. A estrutura laboratorial para realização dos experimentos é disponibilizada pelo CEMar/Univali. A obtenção de um novo lote de peixes dá início à terceira etapa do projeto, iniciado em abril de 2005.

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Fotos: divulgação

Estrutura utilizada para produção de alimento vivo.


Segundo o oceanógrafo Gil Reiser, profissional contratado pelo Sindipi, a nova estratégia prevê a adaptação, monitoramento e manejo de indivíduos juvenis, além dos adultos já testados, fazendo com que eles engordem e cresçam em cativeiro. “Aproveitamos a ocorrência de sardinhas verdadeiras jovens na Armação do Itapocoróy, no município de Penha, para capturar e realizar uma série de testes. Antes, capturávamos os adultos para induzílos à reprodução em nossos tanques. Agora, vamos acostumar o peixe desde cedo a viver em cativeiro.”, explica Gil. A lógica do processo é fazer com que os peixes alcancem o tamanho e período reprodutivo, mesmo estando fora de seu habitat natural. O trabalho com sardinhas juvenis permite aprofundar o conhecimento do processo de coleta, transporte, estocagem nas tinas, e manejo (alimentação e limpeza) no cativeiro. O que, segundo o oceanógrafo, aprimora as técnicas de trabalho focado principalmente na redução da mortalidade provocada pelo manuseio. Segundo o oceanógrafo, na natureza os peixes levariam cerca de um ano para atingir a primeira maturação. Em cativeiro, os pesquisadores do Projeto Isca-Viva acreditam que as sardinhas cresçam e se desenvolvam até a próxima temporada reprodutiva de verão. A coordenadora do projeto, Daniela Occhialini, explica que todo o processo de manutenção e manejo da sardinha tem sido um grande aprendizado, já que o método de estudo é inédito. Atualmente, o orçamento anu-

Método para contagem de juvenis nos tanques de cultivo

Estrutura utilizada para produção de alimento vivo.

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al para manutenção do projeto é de R$ 150 mil. Daniela acredita que novos investimentos devem ser obtidos ainda este ano, visando a estruturação de um parque aquícola em ambiente marinho. O acordo firmado entre o Sindipi e o Cepsul, em 2007, previu a contratação de dois oceanógrafos para o Isca-Viva. Além de Gil, que atua no Laboratório de Psicultura Marinha da Univali, em Penha, o sindicato também mantém a consultora técnica Fabíola Schneider, responsável pela logística e estruturação do banco de dados.

Tanques utilizados para manutenção dos peixes vivos no Laboratório de Piscicultura Marinha – LPM do CEMar/UNIVALI

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Projeto pioneiro Inédito em nível internacional, o Projeto Isca-Viva envolve além da produção de sardinhas em laboratório, o desenvolvimento a bordo dos atuneiros do Protocolo da Isca-Viva. A proposta é aumentar a sobrevivência das iscas nas tinas dos barcos, reduzindo o desperdício, custos e o tempo de atividade iscadora. O desenvolvimento do protocolo da isca-viva surgiu durante um embarque de Gil Reiser no atuneiro Viviane F. Nesta primeira experiência,

foram monitorados diversos ítens divididos entre infra-estrutura e métodos de trabalho. Segundo o oceanógrafo, esses procedimentos influenciam direta ou indiretamente na sobrevivência das iscas nas tinas. O desenvolvimento desta ação permitirá esclarecer como estes itens utilizados desde a captura da isca até o momento da pesca dos atuns efetivamente refletem na sobrevivência dos peixes nas tinas. Da mesma forma, o protocolo visa identificar e

Povoamento do laboratório com sardinha-juvenil


Coleta de sardinha juvenil no ambiente natural.

caracterizar os métodos de trabalho que resultam em taxas elevadas de sobrevivência das iscas nas tinas das embarcações. Já a criação e reprodução dos juvenis em cativeiros podem gerar, mais tarde, uma opção de investimento dentro do próprio setor pesqueiro. “Podemos ter, quem sabe, empresários que invistam exclusivamente na produção e engorda de iscas-vivas para a pesca do atum”, exemplifica Gil. A idéia principal é agilizar o acesso dos atuneiros à isca-viva, através da produção em laboratório. Neste caso, ao invés dos barcos capturarem isca nas baias e enseadas para

depois zarparem para alto-mar, o processo ficaria bem mais simples. Reservatórios de iscas-vivas poderiam abastecer atuneiros antes da partida, mais ou menos como se faz com combustível do barco. Além de reduzir o tempo da pescaria de atuns, o desenvolvimento do cultivo de isca-viva poderá fortalecer a cadeia produtiva dos pescados enlatados. Por um lado otimizando a logística da captura de atuns, hoje limitada pela escassez de isca-viva; por outro, favorecendo a recuperação dos estoques naturais de sardinhas através da redução do uso deste recurso.

Parceiros do Projeto Isca-Viva Sindipi Cepsul Ibama Universidade do Vale do Itajaí (Univali) Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Saperj) Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Pesca de SC (Sitrapesca) Sindicato das Indústrias de Pesca de Florianópolis (Sindifloripa) Engepesca Captura e Comércio de Pescados Cabral Ltda Pescados Chico Verde Vale IV Femepe Bernauer Aqüicultura Ltda Revista SINDIPI

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Pesquisa

Concentrar proteínas para aumentar o consumo de pescado Esta técnica origina géis com características diferentes. Segundo o pesquisador Carlos Prentice existem trabalhos fora do Brasil que estudam as possibilidades desta tecnologia a partir de diferentes pescados.

“S

egundo a FAO, o pescado é a fonte protéica de origem animal mais consumida no mundo (entre 15 e 20 Kg per capta), mas o Brasil, avançando na contramão, apresenta um baixo consumo de pescado (6 Kg per capta)”. Esta e outras afirmações são feitas pelo pesquisador Carlos Prentice, coordenador do Programa de Pesquisas em Processamento de Produtos Marinhos e chefe do Laboratório de Tecnologia de Alimentos da FURG, situada na cidade do Rio Grande, um pólo pesqueiro do sul do Brasil. Para tentar reverter este caso, uma das alternativas mostradas pelo

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Revista SINDIPI

grupo, seria a oferta de produtos protéicos à base de pescado de baixo valor comercial, utilizando tecnologias diferenciadas, como a concentração das proteínas para obtenção de isolados protéicos. O pescado é consumido principalmente como fonte de proteína, sendo o músculo composto de proteínas de elevado valor nutritivo por conter alta porção de aminoácidos essenciais, particularmente aqueles que são limitantes em

proteínas de origem vegetal. Segundo William Cortez, aluno do mestrado em


Engenharia e Ciência de Alimentos da FURG, uma saída tecnológica utilizada com relativo sucesso para evitar estes contratempos é a obtenção de concentrados protéicos de pescado como o surimi, mas o rendimento deste processo é baixo devido a que envolve muitas etapas de lavagem. “A obtenção de surimi não tem sido bem sucedida usando matérias-primas não tradicionais, em parte devido à abundância de lipídios oxidativos instáveis e muitos pró-oxidantes o que resulta em problemas de cor e oxidação”, diz William. A equipe liderada por Carlos Prentice e Myriam Salas, conta ainda com Gustavo Fonseca, e um grupo de mais de 20 alunos de doutorado, mestrado e iniciação científica, pesquisando produtos como os isolados protéicos, a partir da solubilização e precipitação da proteína, uma nova alternativa para concentrar proteínas de pescado, diminuindo a quantidade de lipídios e de cinzas. Um atributo indiscutível desses processos é que a fração

das proteínas sarcoplasmáticas da carne é retida junto com a miofibrilar. Antes se acreditava que essas proteínas interferiam com a geleificação da fração miofibrilar dominante, mas vários estudos indicam que elas poderiam melhorar a força do gel produzido. O incremento no rendimento é também uma vantagem muito importante devido a que a matéria-prima pode ser melhorada com responsabilidade. Esta nova forma de concentração das proteínas do pescado origina géis com características diferentes. Segundo Carlos, “existem trabalhos fora do Brasil que estudam as possibilidades desta tecnologia a partir de diferentes pescados, onde se estuda a influência de determinadas substâncias num surimi alternativo, elaborado por precipitação isoelétrica e sua influência sobre a geleificação, e poderia se avaliar sua aptidão tecnológica para

ser empregado como substituto de gordura na elaboração de derivados cárneos hipocalóricos, incorporado em diferentes proporções em produtos cárneos tradicionais como salsicha, mortadela e presunto”. Colaboração: Carlos Prentice Professor de Tecnologia de Carnes e Pescado Lab. de Tecnologia de Alimentos, Dep. Química FURG – Fund. Universidade Federal do Rio Grande http://www.furg.br/projeto/promar Foto: (da esquerda para a direita) professor Carlos Prentice, com William Cortez e Gustavo Fonseca

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Legislação

Sindipi quer regularizar a pesca do polvo A entidade apresenta argumentos aos órgãos competentes para acelerar o processo de permissionamento específico para a pesca de polvo com potes na região sul do Brasil.

A

pós mais de dois anos, constata-se que a legislação existente da pesca do polvo não permitiu estabelecer uma pescaria regulamentada e controlada no sul do Brasil. Diante deste panorama, a entidade sindical teme que esta situação possa trazer prejuí-

de permissionamento específico para a pesca de polvo com potes, permitindo o ingresso de embarcações que operam de forma exclusiva na Região Sul do Brasil. O Sindicato encaminhou um ofício em fevereiro à Seap/PR, Secretaria de Aqüicultura e Pesca sobre o assunto. De acordo com o Presidente do Sindipi, Dario

Marcello Sokal

zos para o desenvolvimento de uma pesca altamente seletiva, de alto valor comercial. Segundo o oceanógrafo Marco Aurélio Bailon, a pesca do polvo é uma das melhores alternativas para se reduzir a pressão sobre outros recursos já sobreexplotados. Como ação imediata, o Sindipi solicitou a abertura de um novo processo 22

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Luiz Vitali, a revisão das normas na fase inicial de uma pescaria, como é o caso da pesca de polvo, deve ser considerada de grande prioridade. “A rápida evolução do mercado e das estratégias de pesca gera distorções na proposta original

destas normas. Estas distorções devem ser corrigidas de forma urgente, evitando assim prejuízos ao desenvolvimento sustentável da atividade pesqueira”, alerta.

A importância da pescaria de polvo

O início da pescaria de polvo com potes ocorreu no ano 2003. Os primeiros desembarques realizados em Itajaí/SC despertaram, no meio empresarial, uma grande expectativa em relação a esta nova forma de capturar polvos, que surgiu como alternativa à pesca tradicional realizada com redes de arrasto em que o polvo era capturado como fauna acompanhante. Esta inovação possibilitou a abertura de novos mercados, sobretudo na Comunidade Européia, em função da alta qualidade do produto oriundo da pesca com potes. Diante deste novo nicho de mercado, diversas embarcações que estavam operando em outras modalidades de pesca foram adaptadas para a pesca com potes. O desenvolvimento de uma nova pescaria desencadeou efeitos ainda em outros segmentos da cadeia produtiva, tais como a confecção de apetrechos de pesca e produção de embalagens adequadas para exportação.


A busca pela regulamentação Em fevereiro de 2004, alguns armadores de Santa Catarina solicitaram ao escritório estadual da SEAP/SC, a inclusão, em suas permissões de pesca, da modalidade de armadilhas para a pesca de polvo. Desta forma, estes armadores buscam regularizar a situação das embarcações que haviam sido direcionadas para a pesca de polvo com potes, sendo pioneiras neste novo tipo de pesca. Em abril de 2005 foi publicada a IN 03/2005, que estabeleceu critérios e procedimentos para o ordenamento da pesca de polvo, com a limitação da frota em 25 barcos. Enquanto que a IN 03/2005 entrava em vigor, os armadores que haviam solicitado a alteração das permissões de pesca continuavam aguardando o atendimento de seus pleitos por parte da SEAP/PR. Para surpresa deste grupo de armadores catarinenses, suas embarcações não estavam na lista de contemplados com permissões para a pesca de polvo com potes. Nesta lista havia 19 embar-

cações do Estado de São Paulo, duas do Rio de Janeiro e apenas uma de Santa Catarina. Dentre as 22 embarcações permissionadas para a pesca de polvo para potes, é bastante conhecido o fato de que quase a metade desta frota não está efetivamente operando na pescaria. Outra questão é que o limite de 25 embarcações não foi atingido no processo de permissionamento, tanto que a própria SEAP disponibilizou três licenças de construção de embarcações para esta pescaria, no âmbito do Profrota. Outro aspecto a ser considerado é que as embarcações com permissão de pesca para polvo, quase todas sediadas no porto de Santos, concentram suas operações ao largo do litoral de São Paulo. Fatores como a autonomia limitada das embarcações, a proximidade do mercado consumidor e a disponibilidade do recurso naquela região, são vantagens suficientes que as embarcações paulistas não tenham interesse em operar na Região Sul. Em

conseqüência de uma sucessão de fatos, foram criados problemas para o monitoramento biológico da pescaria, devido ao vazio de informações dos fundos de pesca do extremo sul da ZEE brasileira. De acordo com Instrução Normativa 03/2005, as permissões de pesca de polvo com potes têm validade de dois anos. Ao se findar este prazo, o setor pesqueiro de SC defende a revisão dos critérios para uma nova concessão das permissões. Na definição destes critérios, o Sindipi solicita que seja priorizada a legalização da frota que opera na costa sul do Brasil, o que não acarretaria qualquer prejuízo aos fundos de pesca no sudeste do Brasil, permitindo o acesso dos armadores aos incentivos do governo para a modernização da frota através do Profrota. Em contrapartida, permitiria melhores condições para o monitoramento das operações de pesca na Região Sul, garantindo assim a exploração sustentável do polvo na região.

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Legislação

Setor propõe mudanças ao permissionamento de barcos Sindicatos do Sul e Sudeste querem fazer contraproposta unificada às novas regras para registro das embarcações. A idéia é debater o assunto em Brasília até o final de março.

R

epresentantes do setor produtivo industrial do Sul e Sudeste pretendem apresentar à Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap) uma contraproposta unificada de permissionamento das embarcações. A estratégia só será possível porque o prazo para consulta pública, que encerraria no dia 29 de fevereiro, foi prorrogado até o 14 de abril. O debate em torno da portaria 255/2007 apresentada pela Seap teve início em dezembro de 2007, durante uma reunião com o setor industrial de Itajaí. O documento prevê novas regras para permissionamento das embarcações para

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os diferentes tipos de pesca ao longo do Litoral brasileiro. Para a Seap, o novo modelo padroniza os processos de concessão das permissões de pesca marinha, com o objetivo de unificar os procedimentos, de acordo com a legislação ambiental e com as características de cada região. Na permissão, devem estar necessariamente discriminados as espécies-alvo, os métodos e petrechos a serem empregados na captura e a área de operação da embarcação. Segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Pesca (Sindipi), Giovani Genásio Monteiro, sindi-

catos do setor produtivo do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro debaterão em conjunto uma proposta única a ser apresentada para a Seap em março. Entre os questionamentos sobre a nova proposta do governo está o limite de profundidade imposto a praticamente todas as espécies capturadas com rede de arrasto no Sul e Sudeste do Brasil. No caso do camarão rosa, por exemplo, a profundidade estabelecida é de entre 40 e 100 metros. “Mas, dependendo da época do ano, a espécie aparece a apenas 30 metros. Queremos os mesmos parâmetros do Norte/Nordeste, que não recebeu limites de pescaria. Afinal, o objetivo é unificar os parâmetros”, aponta Giovani.


Já para a modalidade de cerco, utilizada para a captura de sardinha e sardinha lage, a idéia é propor que as espécies listadas como pesca alternativa (anchova, tainha e bonito) sejam migrados para a categoria de pesca principal. O Sindipi também quer propor uma série de medidas que, segundo o vice-presidente da entidade,

visam a conservação de várias espécies capturadas ao longo do nosso litoral. A primeira das sugestões é impor limite mínimo de 3 milhas para a captura de qualquer espécie de pesca na frota industrial. “Antes disso, temos muita área de procriação que precisa ser preservada”, opina.

Sugestões de dois tipos de defeso deverão ser incluídos na mesma lista. O primeiro deles é para todas as espécies capturadas na pesca de arrasto. Neste caso, o setor sugere paralisação geral entre março e maio. Para o caso da pesca de emalhe, a proposta é de defeso entre dezembro e janeiro.

Debate em Brasília Segundo o sub-secretário de Desenvolvimento de Aqüicultura e Pesca da Seap, Karim Bacha, a prorrogação dos prazos de consulta pública irá facilitar os debates entre as várias regiões do país. “A idéia é justamente harmonizar um sistema de gestão único no país”, enfatiza. Ele explica que o governo está aguardando as propostas para debater tecnicamente cada uma delas. Karim antecipa, no entanto, que a diferenciação entre limites de profundidade entre o Sul/Sudeste e Norte/Nordeste ocorre pelos diferentes tipos de espécie existentes em cada região. “O priramutaba, por exemplo, ocorre próximo a desembocaduras de rios no Norte. Não há como comparar”, diz. Os defesos, segundo ele, também precisam ser instituídos de acordo com cada espécie. “Eles têm período de reprodução em épocas diferentes. Cada caso é um caso”, pontua.

Principais reivindicações do Sindipi Rever limite de profundidade imposto a praticamente todas as espécies capturadas com rede de arrasto no Sul e Sudeste do Brasil. A idéia é se igualar aos parâmetros do Nordeste, que não recebeu limites de pescaria Para a modalidade de cerco, utilizada para a captura de sardinha e sardinha lage, a idéia é propor que as espécies listadas como pesca alternativa (anchova, tainha e bonito) sejam migrados para a categoria de pesca principal Limite mínimo de 3 milhas para a captura de qualquer espécie de pesca na frota industrial Defeso de três meses (março a maio) para todas as espécies capturadas na pesca de arrasto Defeso de dois meses (dezembro e janeiro) para as espécies capturadas pela pesca de emalhe

Entenda mais Toda embarcação pesqueira que captura espécies controladas (como sardinha, corvina, camarão-rosa e camarão sete-barbas) precisa ter uma permissão de pesca que a autoriza a pescar. A permissão de pesca, concedida pela SEAP, define a espécie que poderá ser capturada, a modalidade de pesca empregada (espinhel, emalhe, linha etc.) e a área de operação do barco. Santa Catarina – que é o maior produtor de pescado do país – tem cerca de 700 embarcações pesqueiras industriais e 5 mil artesanais em atuação.

Texto: Luciana Zonta

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Meio Ambiente

Ong inicia avaliação de estoques pesqueiros Confira o ponto de vista do empresário da pesca José Kowalsky sobre o tema estoques pesqueiros. Entrevista realizada por José Henrique Cordeiro ao Projeto Oceanos do Greenpeace.

A

equipe da Revista entrou em contato com o entrevistador José Henrique para saber da pesquisa realizada através de questionários ao setor (como o que segue). Ele declarou que a pesquisa está em andamento e os resultados poderão ser avaliados só a partir do segundo semestre de 2008, onde as ações serão intensificadas. Greenpeace - Qual é a atual situação da pesca em escala global? E no Brasil? Kowalsky - Onde somente se colhe e nada se planta tudo pode acabar. Alguns países preservam suas espécies em épocas de desova, outros não, todavia os peixes migram pelos oceanos e são capturados por aqueles que não preservam. Os oceanos são as latas de lixo dos humanos, que poluem das mais variadas formas.Assim sendo, não há muita esperança a nível global e muito menos para o Brasil. Greenpeace - É possível manter o atual nível de exploração dos estoques pesqueiros ou estamos rumo ao colapso? Kowalsky - Sim é possível, a sardinha é um bom exemplo disto. Os defesos impostos pelo Ibama através dos anos têm mantido os níveis de captura e até em alguns anos aumentado o número de to-

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neladas capturadas, todavia isto não acontece com a maioria das espécies, falta trabalho sério por parte do governo, pescadores, indústrias etc. Greenpeace - Quais as deficiências no Brasil em relação à gestão e

Greenpeace - O governo Lula instituiu em uma Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, com status de Ministério. Como tem sido a atuação desse órgão? Kowalsky - Em minha opinião, bem ou mal, este órgão deve continu-

“Falta principalmente pesquisa, ninguém sabe realmente o que está correto, os defesos para desovas são escolhidos sem critério, em salas de reunião.” manejo da pesca? Quais são os principais atores envolvidos na questão? Kowalsky - Seap e Ibama, estes são os atores, nem eles se entendem. Falta principalmente pesquisa, ninguém sabe realmente o que está correto, os defesos para desovas são escolhidos sem critério, em salas de reunião entre burocratas do setor público e iniciativa privada. Normativas são publicadas todos os dias baseadas em relatos de estudantes de universidade que pouco puderam pesquisar, pois os barcos de pesquisa do Governo estão sempre quebrados nos portos por falta de manutenção e por falta de verbas federais que são escassas e que nunca chegam.

ar existindo, é uma porta para o diálogo com o governo que não havia em administrações anteriores.Atualmente deixa muito a desejar por ser burocrata demais, como tudo no Governo, e desta forma produz pouco. Pouco somos consultados, não há reuniões para discutir os diversos problemas da pesca, a Seap é um amigo distante. Greenpeace - Qual tem sido a postura do governo brasileiro em relação ao manejo da pesca no país? Kowalsky - Normativas, normativas e mais normativas e às vezes portarias e mais portarias. Quase nada é planejado juntamente conosco, firmado em cima de conclusões


de comum acordo e embasado em pesquisas sérias feitas por pesquisadores competentes e modernamente aparelhados. Falta ordenamento pesqueiro sério e comprovado cientificamente.

cies mais comercializadas e as mais ameaçadas? Kowalsky - São as espécies que se usam nas enlatadoras, ou seja, as sardinhas e os atuns e por incrível que pareça as menos ameaçadas. Creio

“A aceitação dos pescadores foi surpreendente, hoje todos têm o entendimento que devemos preservar estas espécies migratórias, no entanto, ainda há muita coisa a ser feita a nível de Brasil.” Greenpeace - Há um intercâmbio satisfatório de ações e troca de idéias entre governo e comunidade pesqueira, empresas de pesca e exportação? Kowalsky - Sem comentários, o que falei até agora já responde esta pergunta. Greenpeace - A legislação brasileira é boa para administrar nosso estoque pesqueiro e regulamentar a atividade? Kowalsky - Há um código de pesca tramitando no Congresso há muito tempo que talvez resolva esta questão. Por enquanto estamos a deriva... Greenpeace - Como outros países lidam com a questão? Poderia citar exemplos de bons projetos realizados lá fora? Kowalsky - Infelizmente não conheço a legislação de outros países, todavia sei que na Espanha, um dos países mais produtores e consumidores de peixes do planeta, a legislação é séria, transparente, rigorosa e respeitada. Mas no entanto, quando seus barcos operam em águas internacionais, também deixam a desejar, já ouvi muitas histórias tristes. Greenpeace - Quais são as espécies e populações brasileiras de peixes mais comercializadas atualmente? Existe relação entre as espé-

que exista neste caso uma atenção em especial por conta de Governo e iniciativa privada. Greenpeace - Quais as espécies acidentalmente capturadas pela pesca comercial (by-catch) – aves, cetáceos e tartarugas – que estão mais ameaçadas? Kowalsky - Capturam-se aves e tartarugas acidentalmente no Brasil, todavia o Tamar e o projeto Albatroz fazem um ótimo trabalho no que diz respeito à implementação de medidas mitigadoras nas frotas nacionais e estrangeiras para minimizar ao máximo

o problema. Diga-se de passagem, nossa empresa colabora com os dois institutos com o uso de Tori-lines, anzóis circulares e embarque de pesquisadores em nossas embarcações. Greenpeace - Como é a aceitação das medidas mitigadoras por parte de pescadores e armadores de pesca? Kowalsky - Em relação aos nossos pescadores, a problemática foi muito bem conduzida, primeiramente houve o contato por parte do Tamar e do Projeto Albatroz, depois palestras e exibição de vídeos e por última a implementação das medidas mitigadoras a bordo.A aceitação dos pescadores foi surpreendente, hoje todos têm o entendimento que devemos preservar estas espécies migratórias, no entanto, ainda há muita coisa a ser feita a nível de Brasil. Greenpeace - De que forma o Greenpeace pode colaborar no que se refere ao manejo pesqueiro? E com a implementação de medidas mitigadora pela indústria pesqueira? Kowalsky - Gostei da palavra colaborar, sempre se houve que o Greenpeace aparece somente para protestar e inibir atividades que supostamente degradam a natureza sem o conhecimento profundo de uma determinada atividade.Assim sendo, é importante que o Greenpeace exija primeiramente que o governo comprove por meio de documentos autênticos que suas normativas e portarias estão realmente corretas e com relação as medidas mitigadoras podem ajudar disseminando o trabalho de conscientização dos pescadores a nível nacional.

José Kowalsky, empresário da pesca

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Turismo

LAGUNA

cenário que integra o antigo ao presente

Localizada há 120 Km da capital, a terceira cidade mais antiga de SC, mistura traços da colonização açoriana, visível nos antigos casarios do centro histórico e o agito de uma das praias mais movimentadas.

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Revista Revista SINDIPI SINDIPI

Marcello Sokal


L

aguna, um verdadeiro museu ao ar livre está disponível aos interessados em história. Entrando na cidade, ao lado da lagoa Santo Antônio dos Anjos, o visitante se depara com o centro histórico, tombado em 1985 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, onde 600 edificações de característica açoriana se espalham entre inúmeros atrativos turísticos. O Memorial Tordesilhas, marco simbólico do Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, que dividiu terras entre Portugal e Espanha. A poucos metros dali está o Museu Anita Garibaldi, onde em 1839 foi proclamada a República Juliana, durante a revolução farroupilha. Em frente, uma

Marco Bocão

estátua de Anita Garibaldi, simboliza a luta pela liberdade defendida pela guerreira, conhecida como a “heroína de dois mundos”. A Casa de Anita também é parada obrigatória, lugar onde a companheira de Guiuseppe Garibaldi, se vestiu para o casamento com o sapateiro Manuel Antônio de Aguiar, em 1821. Seguindo adiante, a Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, que substituiu a capela de pau-a-pique construída pelo fundador Domingos de Brito Peixoto, em 1696, reúne traços barroco e imagens sacras. Na seqüência, a Fonte da Carioca, também chamada de “Fonte dos Namorados”, construída por escravos, em 1863. Ao lado, a Casa Pinto D´Ulyssea, réplica de uma quinta portuguesa, revestida com azulejos importados de Portugal, erguida em 1866. Lugar es-

colhido pelos turistas para tirar fotos e possuir uma imagem inesquecível, as docas da Lagoa Santo Antônio dos Anjos, onde Guiuseppe Garibaldi desembarcou para defender a proclamação da República Juliana, era o ponto de venda de peixes antigamente. Junto às docas está o Mercado Público, construído em 1954, onde são vendidos frutos do mar e artesanatos locais. Chegando às praias que costeiam a cidade, os molhes da barra espantam pela grandeza e ousadia do homem. Invadindo o oceano, uma extensão de pedra e terra prolonga-se por um quilômetro de extensão, formando um canal de entrada das embarcações na lagoa Santo Antônio dos Anjos, principalmente os navios que atracam no porto pesqueiro. Usado, muitas vezes, para pescar e observar a “apresentação” dos botos que se concentram no local. Situado na entrada do canal, os Molhes dividem a praia, de um lado, o Mar

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Docas da Lagoa Santo Antônio dos

Grosso, do outro lado a praia do Tamborete. Durou mais de 50 anos para ficar pronto. Ao entrar na praia do Mar Grosso os inúmeros prédios dão um “ar” moderno à cidade, local onde concentra-se o maior número de veranistas. Na alta temporada, diversas atrações estão disponíveis com o Projeto Verão, que oferece atividades esportivas e recreativas para o público, desde yoga a capoeira. O balneário conta com bares, restaurantes, pizzarias, casas noturnas, lojas, artesanatos locais e toda a badalação que o turista precisa. Laguna tem praia para todos os gostos, ao todo são 20. Tem aquela

Museu Anita Garibaldi

ideal para o surf, outras procuradas por famílias que buscam a tranqüilidade, algumas são costeadas por morros que abrigam vegetações exuberantes, até as mais agitadas, preferência dos jovens. Na região norte da cidade um ponto turístico chama a atenção. A Pedra do Frade, localizada na extremidade da Praia do Gi, desafia a lei da gravidade ao sustentarse sobre u m a s u p e rfície inclinada. Essa formação rochosa de nove metros de altura e cinco metros de diâmetro recebeu o nome pela semelhança com um padre franciscano. Estudiosos relatam duas histórias sobre o monumento: a primeira diz que a Pedra do Frade foi colocada estrategicamente pelos índios préhistóricos que habitavam a região há três mil anos. A outra, mais conhecida, aponta a Pedra do Frade como o marco oficial do Tratado de Tordesilhas, acordo assinado entre Portugal e Espanha, em 1494. Foi considerado o primeiro cartão postal do Brasil. O chafariz e a igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos

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Ao sul, um famoso marco turístico e histórico localizado na região da ilha é parada obrigatória, o Farol de Santa Marta. Considerado o maior das Américas e o terceiro do

mundo em alcance, foi construído por franceses em 1891. Tem 29 metros de altura e alcance de 92 quilômetros geográficos - referência para navios em alto mar. É a maior estrutura do planeta construída com argamassa e óleo de baleias. Fica 17 quilômetros distante do centro da cidade. Para chegar, o visitante precisa atravessar de balsa até a região da ilha.

Texto: Gisele Elis e Taís Sutero


Fotos: Marco Bocão

Carnaval: tradição túristica

Esporte e natureza unidos no mar

Um lugar perfeito para quem busca um passeio repleto de atrações, Laguna, conhecida como um dos berços da cultura catarinense, ainda tem muita história para contar. Mais informações você pode encontrar no site www.laguna.sc.gov.br

Marco de Tordesilhas

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Exposição

Passeio ecológico e educativo em parque temático Em uma área de 56 mil m² às margens de um lago e a poucos metros da BR 101, os irmãos Molon, do grupo Sinuelo inauguraram em 2000 um parque temático, em comemoração aos 500 anos do Brasil.

O

parque temático, conhecido como Memorial do Descobrimento busca contribuir no processo pedagógico de maneira interdisciplinar e diferente, possibilitando lembrar um pouco da história do Brasil, a organização da frota portuguesa e um pouco das belezas naturais do país. No local, uma réplica de uma das treze embarcações portuguesas que chegaram a costa brasileira no ano de 1.500, “A Espera”. Com 30 metros de comprimento, toda em ipê, com mais de 8 metros de boca, 27 metros de lastro, em escala real. Ao visitar a embarcação (NAU) as pessoas conhecem um pouco mais sobre o cotidiano da tripulação durante a viagem “além mar” (alimentação, saúde, higiene, alo-

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Carla Vagas

Na embarcação A Espera pode-se conhecer o cotidiano da tripulação durante a viagem


Fotos: Divulgação

jamento, mentalidades e o avanço tecnológico do período medieval). Quando há grupos de estudantes, as informações são enriquecidas com palestras sobre a construção da NAU, diálogos, leitura de objetos, curiosidades da viagem, os motivos que trouxeram os europeus para a América do Sul, o contato dos europeus com os primeiros habitantes destas terras, os nativos (índios), etc. No local, há uma ilha onde foi reconstruída uma aldeia Guarani, com exemplares da árvore pau-brasil e o monumento à 1º missa rezada no Brasil, em 26 de abril de 1500. O Parque Temático Memorial do Descobrimento também possui outros aspectos históricos relacionados ao Descobrimento do Brasil, como: uma montagem de uma aldeia guarani; exemplares da nossa árvore símbolo o pau-brasil; um monumento a primeira missa rezada no Brasil; uma reserva nativa, com caminhada ecológica por trilhas e pomares de acerolas, cerejas e pitangas e uma diversidade de espécie de aves exóticas. Professores graduados em história monitoram os visitantes durante a “viagem imaginária” ao tempo histórico do “Descobrimento do Brasil”, vivenciando fatos, aprendendo e se divertindo. A proposta é contribuir com a formação educacional do cidadão brasileiro, apresentando os primeiros momentos do Descobrimento do Brasil de maneira interdisciplinar e prática.

Réplica em escala real de uma das treze embarcações portuguesas que chegaram a costa brasileira no ano de 1.500, com 30 metros de comprimento, toda em ipê, com mais de 8 metros de boca, 27 metros de lastro.

Endereço Br-101-Km 71- CEP: 89245-000 Araquari – SC Fone 47 3452-0000 – ramal 21 e-mail sinuelo101@terra.com.br Ingresso R$ 1,00 (por aluno) Observação Todas as visitas deverão ser agendadas com antecedência. Os professores têm ingresso livre.

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Exposição

O universo marinho em exposição itinerante Uma estrutura aquática proporciona ao público conhecer de perto diversas espécies de peixes, como moréias, cavalosmarinhos, peixepedra, peixe palhaço (nemo) e até tubarões vivos.

A

exposição “Viagem Submarina” percorreu diversos Estados brasileiros, inclusive Santa Catarina. Três tubarões vivos, além de 40 espécies de outros peixes exóticos. A exposição atrai a atenção de crianças, jovens e adultos em função dos peixes serem vivos. De origem marinha e também de água doce, os diversos peixes multicores e principal-

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ficam os tubarões. Além das espécies expostas, também é exibido um vídeo informativo que trata das curiosidades, dados técnicos e tudo sobre a vida marinha, como o documentário sobre o tubarão branco e a possibilidade de harmonia com o homem.

Os Tubarões

Os peixes exóticos

São 3 vivos, sendo todos da espécie tubarão lixa (Giglimnosoma Cirratum), medindo respectivamente 1.90m, 1.70m, e um filhote de 70cm, com idade média de 1 a 7 anos. Essa espécie é encontrada no litoral brasileiro, mais especificamente no Espírito Santo, se alimenta de outros peixes e tem um poder de sucção potente.

Somando aproximadamente 50 peixes, de 40 espécies. Estão na exposição as moréias, cavalos-marinhos, peixe-pedra, peixe palhaço (nemo), baiacú, lagostas, peixe-dragão, peixe-morcego, peixe-papagaio, camarões, entre outros, que atraem a atenção pelas cores e formatos.

Fotos: divulgação

mente os tubarões - o peixe mais temido do mar - impressionam a todos. As espécies vieram de Vitória, Espírito Santo. A estrutura do evento é composta de 26 aquários de porte médio de 100 a 400 litros d’água e um aquário principal com 20 mil litros de água onde

Curiosidade Cerca de 80% das mais de 350 espécies conhecidas de tubarões crescem menos de 2 metros, enquanto metade deles mede menos de 1 metro. O “Baleia” é o maior tubarão medindo até 18 metros, em contrapartida o “Pigmeu” é a espécie que possuí o menor comprimento, 25 centímetros. A força da mordida de um tubarão pode chegar a 560 quilos, força suficiente para arrancar um braço

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Arte

A Arte de Amílcar Mência O admirado modelista naval de Santa Catarina mostra seu talento na riqueza dos detalhes. Para o artista, o nautimodelismo além de ser um hobby é uma terapia que contempla os olhares dos apreciadores.

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omo trabalho manual, descanso para o cérebro e relaxamento, o modelismo naval é incomparável. Amílcar Sérgio Mência quem o diga. Almicar conta que há alguns anos, comprou do colega e amigo Luciano da Cunha Silveira um kit para montar um modelo de barco bastante simples (hoje ele considera simples...) e foi dessa maneira que iniciou seu hobby: montar miniaturas de barcos. Com o tempo, as dificuldades e os desafios foram aumentando: depois do primeiro kit, Almicar montou o mesmo barco em outra escala, fabricando então todas as peças. A partir do sucesso dessa experiência, passou a montar os barcos a partir das plantas reais, fabricando as peças sempre que possível e seguindo uma escala pré-definida, para retratar com toda a fidelidade o barco pretendido. São utilizados folhas de madeira, materiais alternativos e maquinário. Ele não utiliza nada pré-fabricado nos seus modelos. Almicar fabrica todas as peças de madeira, sempre em escala, algumas com as plantas, outras apenas copiando “de olho”, ou seja, um dom divino que tem como resultado obras maravilhosas. As peças e detalhes são estudados, pesquisados e executados com o maior cuidado, técnica e paciência, e os materiais selecionados com grande critério e muitas horas dispensadas em pesquisas. As técnicas são aprimoradas a cada trabalho executado. Almicar se considera detalhista, observador, crítico e dedicado ao modelismo naval. Este exemplo de modelista naval em SC relata que esta arte desenvolve as aptidões artísticas, aprimora as técnicas, auxilia o desenvolvimento intelectual. Segundo o artista, a internet é considerada fundamental porque mantém os adeptos sempre atualizados e em contato com quase todos os museus do mundo. Almicar pratica o nautimodelismo com disciplina, utilizando algumas horas diariamente. O amor a esta arte é compartilhado com a família. Almicar ainda confessa em tom de descontração: “a família reclama um pouco do tempo passado em minha oficina, mas ninguém duvida que esse trabalho manual, além de funcionar como excelente exercício para o cérebro, torna a pessoa bem mais calma - é o que diz Carmem, minha esposa... Hoje, não consigo passar sem essa terapia”! 36 Revista SINDIPI


Nautimodelismo Estático

Por definição todo modelo que procure representar um navio, nave ou simplesmente um barco a remo, é considerado um modelo naval (nautimodelo). Por extensão considera-se como modelo naval todo conjunto ou peças que apresente aparência de navio ou uma instalação ou cena de tipo náutico ou marinheiro. O modelismo naval é tão antigo como o espírito criativo da humanidade. Os modelos mais antigos que existem são os do Antigo Egito, confeccionados com o material mais conhecido na época, o barro do Rio Nilo. Reproduziam com perfeição as primitivas embarcações desses remotos tempos, incluindo até suas tripulações. Foram encontrados modelos nas tumbas de quase todas as dinastias, revelando que os povos que habitavam as margens do Rio Nilo dos famosos faraós dominavam com maestria na arte do modelismo naval. Além do barro do Nilo, diversos tipos de materiais foram utilizados para a confecção de modelos, de acordo com as possibilidades dos artistas da época. São célebres os modelos feitos com osso e marfim, dos quais ainda existem algumas peças nos museus. São modelos de grande beleza e finamente trabalhados, pois o marfim é um material de excepcional qualidade para peças delgadas, com detalhes minúsculos e finos. Fotos: Carmem Costa Mência e A madeira, por suas caracLuciana Costa Mência terísticas especiais de textura, cor e outras qualidades sempre foi o material mais utilizado. Existem grandes coleções de modelos guardadas a sete chaves em museus de quase todo planeta. Praticamente não existe cidade marítima ou fluvial que não possua sua coleção. No Brasil há belos modelos no Museu Histórico da Marinha no Rio de Janeiro, que eventualmente ministra cursos sobre a arte do modelismo naval. A Inglaterra possui a coleção mais valiosa do mundo em quantidade de unidades e exatidão de detalhes. Por decreto real, a partir do século XVII, todo navio antes de ser construído deveria ter um modelo em escala, normalmente 1:50, para verificação da sua construção, sendo que os modelos passariam a pertencer ao Almirantado. A construção desses modelos iniciava-se como os barcos reais, ou seja, pela quilha, seguindo pelos costados, formando o casco, ponte, mastros, amarras, vergas, etc. Muitos deles encontram-se atualmente no Science Museum, em South Kensington, sendo seu valor incalculável, tanto pelo seu lado histórico como também pela delicadeza dos detalhes, obras de verdadeiros artífices especializados.

Amílcar Sérgio Mência Contato: carmem_mencia@hotmail.com (48) 8413-2073

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Daniela Maia

Livro

NATUREZA BRASILEIRA EM DETALHE

O quarto livro da Série Olhar Brasil tem uma dupla participação de talentos: o texto do agrônomo e ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda e 140 imagens do fotógrafo Fabio Colombini.

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simplicidade dos detalhes da natureza brasileira nunca foi tão bem exposta como agora, neste quarto livro da Série Olhar Brasil, dedicada à fotografia documental autoral. Une textos sensíveis do cientista, agrônomo e ecólogo Evaristo Eduardo de Miranda, elaborados a partir das espetaculares fotografias de Fabio Colombini, criando uma obra singular e bela. Dividido em doze capítulos, expressa fielmente a biodiversidade da natureza brasileira contida em peque38

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nos detalhes que, em grande parte, passam despercebidos do olhar cotidia-

no. É uma seqüência reveladora de tirar o fôlego, enfim, um convite ao prazer literário e visual sem parâmetros no universo da macrofotografia da natureza brasileira. Realizado com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, inicialmente, foi levado á público numa tiragem de 4.000 exemplares. Atualmente, na segunda edição (mais 4.000 exemplares), está sendo vendido em livrarias de todo o país. São 120 páginas, com a coordenação editorial e gráfica de Ronaldo Graça Couto, direção de arte e projeto gráfico de Dora Levy


Curicurubu (Pionopsitta vulturina), Maués, AM

Tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), SP

Louva-a-deus comendo borboleta (Agraullis vanillae), Valparaíso, SP

Libélulas acasalando (Odonata, Zygoptera), Pedra Azul, ES

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Gastronomia

Restaurante Cantaloup: foco na cozinha moderna

O Chef Renato Carioni mantém a vocação contemporânea, trazendo na bagagem experiência em restaurantes estrelados da Europa, explorando o que existe de mais rico em diferentes culturas gastronômicas.

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m dos ícones da gastronomia contemporânea de São Paulo, o restaurante Cantaloup completa mais de dez anos em excelente fase. Parte dela é a chegada de um novo chef, um talento da gastronomia nacional que o Brasil só agora começa a conhecer. O catarinense Renato Carioni, 31, desembarcou no País depois de construir uma sólida carreira durante nove anos na Europa, onde passou por restaurantes estrelados pelo guia Michelin na Inglaterra, França e Itália. Ainda nos primeiros meses de volta à terra natal, Renato foi indicado aos prêmios Gula e Paladar. No Cantaloup, o novo chef usa bases da clássica cozinha francesa combinadas à pluralidade de técnicas da gastronomia contemporânea para criar pratos cheios de bossa, como a Cavaquinha banhada com verbena. O Restaurante Cantaloup apresenta uma culinária sem fronteiras,

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Divulgação

Projeto arquitetônico elegante e arrojado em um amplo espaço interno

com foco na nova cozinha moderna brasileira. O resultado é um cardápio criativo, aberto a novos sabores e sensações. Essa culinária em constante mutação tem sido marcada por seu caráter ousado, que combina o clássico e o contemporâneo, buscando o que há de melhor nessa alquimia. Tão inovador quanto a proposta culinária, o projeto de arquitetura de interiores do Cantaloup também é um dos pontos altos da casa, desde sua abertura, em 1996. O espaço amplo da antiga fábrica de pães, que funcionava no endere-

ço, foi convertido neste projeto elegante e arrojado, que leva a assinatura do arquiteto Arthur de Mattos Casas. Madeiras nobres, tijolos de demolição, pé direito alto e estruturas de ferro aparente ganham vida integrados aos móveis, luminárias e peças de design exclusivo e de vanguarda. Uma década depois, Casas foi escalado para renovar o projeto de arquitetura do restaurante, incluindo uma nova lareira, novos pisos e matérias e iluminação de Franco e Fortes. Destaca-se também o pátio com teto de vidro e espelho d’água, além do paisagismo exuberante, assinado por Gilberto Elkis. A imponente adega, com os refinados vinhos da casa, completa a decoração.


Melange de friuts de mer Para 4 pessoas

Ingredientes • 400gr de robalo (filé ou salmão) • 400gr de atum • 4 camarões grandes • 12 vieiras • 8 talos de palmito fresco (assados) • 12 shitakes

molho • 1 colher de sopa de manteiga • 1 cebola • 1 folha de louro • 5 grãos de pimenta • 200ml de vinho branco • 300ml de creme de leite fresco • 2 envelopes de açafrão

Modo de preparo Para o molho refogue a cebola na manteiga, acrescente a pimenta, o louro e vinho branco. Deixe reduzir até a metade, depois adicione o açafrão e o creme de leite e deixe ferver até engrossar um pouco, coe e reserve. Grelhe os frutos do mar e os cogumelos respeitando o ponto de cocção individual de cada item. Disponha em um prato de maneira harmoniosa, regue com o molho de açafrão e sirva em seguida.

O Chef catarinense Renato Carioni

Restaurante Cantaloup Rua Manoel Guedes, 474 – Itaim Tel.11- 3078.3445

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Gastronomia

Senac Bistrô: proposta pedagógica em gastronomia Blumenau-SC tem um espaço que nasce com a determinação de tornar-se referência nacional na área de Gastronomia no sul do país.

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Senac Bistrô é uma unidade especializada na área de turismo e hospitalidade, que contempla cursos nas sub-áreas de alimentos e bebidas. Além de promover eventos de elevado nível de sofisticação com serviços inusitados, disponibiliza uma biblioteca especiali-

zada em culinária para seus alunos e freqüentadores. No local há cursos livres (formação inicial e continuada) e workshops com temas específicos. O espaço de aprendizagem prática na escola contempla uma cozinha, uma copa e dois salões. Os cursos longos visam formar pro-

fissionais para atividades em cozinhas comerciais e domésticas. O aluno que conclui os cursos tem base e conhecimento capazes de fazê-lo dominar as técnicas culinárias para a produção em cozinhas internacionais dos mais altos níveis, além de ser credenciado para organizar e operar centros de preparação de alimentos.

Camarão empanado em queijo com purê e chips de banana Ingredientes

• 1kg de camarão grande com cauda • 2 ovos batidos • 1 litro de óleo de algodão • 300 g de queijo parmesão em pedaço • Qb sal e pimenta • 600 g de batata salsa • 50-70ml de suco concentrado de maracujá • 100g de creme de leite fresco • 2 colheres de sopa de manteiga • 2 bananas grandes

Modo de Preparo

Colocar as batatas para cozinhar, quando prontas fazer um purê tradicional com manteiga, creme de leite, sal e pimenta, por ultimo o suco de maracujá. Para o chips de banana fatiar bem fino a mesma e levar ao forno em 80 graus até secar.

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Temperar o camarão com sal e pimenta, passar no ovo e no queijo, fritar em óleo quente. Servir conforme demonstração. SENAC Bistrô Johannastift - Restaurante Escola Al. Rio Branco, 165 – Jardim Blumenau – Blumenau – SC www.sc.senac.br/bistro


Restaurante Ecco: inovação

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m mix de restaurante e pizzaria, Ecco apresenta uma cozinha criativa e diversificada, além do ambiente aconchegante, que o tornam um verdadeiro sucesso

Fotos: José Amaral

Nove anos de sucesso marcam a trajetória e a culinária do Restaurante Ecco. Uma das suas marcas é a presença do chef Francisco das Chagas, com seu estilo único de preparar iguarias.

ao longo de seus nove anos de existência. Seu amplo ambiente conta, também, com um espaço reservado projetado para acomodar confortavelmente até 12 pessoas para ocasiões que reque-

rem privacidade. A sala fechada com painéis em vidro permite a visualização da casa sem comprometer a privacidade do local. O sistema Wi-Fi possibilita, ainda, a realização de reuniões de negócios com o uso de laptops.

Salada Maresias

porção para 4 pessoas

Ingredientes

• 12 camarões cozidos na água, sal e tomilho • 160g de rúcula • 1 pé de alface roxa • 1 pé de alface americana • 1 cenoura crua ralada • 200g de palmito • 100g de queijo coalho

Ingredientes para o molho

• ½ mamão papaia maduro (com algumas sementes) • 50ml de vinagre • 50ml de azeite extra virgem • Sal a gosto

Modo de preparo do molho

Num liquidificador bata o papaia com poucas sementes, acrescente o vinagre e o azeite. Tempere com sal a gosto.

Ecco Rua Amauri, 244 – Jardim Paulistano São Paulo - SP

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Eventos

Festa Nacional da Pesca O evento na cidade de Navegantes - SC terá o apoio da Lei Federal de Incentivo a Cultura - Lei Rouanet

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ara a Festa Nacional da Pesca, prevista para julho deste ano, os organizadores estão preparando uma série de programações. O objetivo principal é resgatar as tradições e a cultura açoriana da região do Vale do Itajaí e valorizar o trabalhador da pesca, destacando sua importância no cenário sócio-econômico da região e do País. Segundo a comissão organizadora, o evento terá ações que estimulam a criatividade, como a oficina para a confecção de bonecos gigantes e o aproveitamento de materiais reciclados. Além disso, a Festa terá outras atrações: feira de artesanato, mostra de cultu-

Leis de InPara realizar a 1ª Festa Nacional da Pesca, a comissão organizadora contará com os benefícios da Lei Federal de Incentivo a Cultura, a Lei Rouanet. Através deste mecanismo de apoio, os colaboradores e patrocinadores do evento poderão abater integralmente do seu imposto de renda o valor investido na Festa. Na prática significa que empresas ou pessoas físicas que auxiliarem neste evento terão a possibilidade de se beneficiar gratuitamente com a publicidade institucional. Qualquer empresa que tenha como opção o pagamento de seu imposto de renda com base no lucro real pode abater até 4% do imposto devido no ano. No caso das pes44

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ra açoriana com apresentações de grupos artísticos e culturais, shows musicais. O evento assemelha-se a Festa do Pescador na cidade de Navegantes/ SC, que teve sua primeira edição realizada em julho de 2003 numa promoção conjunta entre a ONG - Ação Social Machados e a paróquia Santa Luzia. Em sua última realização, em 2005, a Festa reuniu aproximadamente 20 mil pessoas e ga-

nhou o status de Festa Nacional pelas atrações e participação de colaboradores de outras regiões do Brasil. Mais informações: Marcos Montagna Fone: 47 48028085

centivo a Cultura soas físicas, este limite é de 6%, mas somente poderão se beneficiar com a isenção as pessoas físicas que fazem opção de pagamento com base no formulário completo do imposto de renda. A Lei Rouanet, Lei Federal 8.313, é gerenciada e fiscalizada pelo Ministério da Cultura, e apesar das exigências legais para o trato com recursos públicos, o procedimento para participação é bem simples. De acordo com o produtor cultural do evento, Marcos Montagna, o projeto da festa já está aprovado pelo Ministério da Cultura, que irá abrir uma conta bancária exclusiva para este projeto. “Os interessados em apoiarem ou patrocinarem o projeto podem efetuar o depósito do

valor e recebem dos organizadores um recibo padrão. No próximo pagamento do imposto de renda, a empresa apresenta o recibo e obtém o desconto do imposto de renda conforme a legislação”, explica. Montagna esclarece que a empresa pode efetuar o patrocínio ao projeto até um ou dois dias antes de pagar sua parcela do imposto de renda, e, em seguida obter as vantagens da isenção. “A vantagem das empresas que investem em projetos da Lei Rouanet é a publicidade a custo zero, sem mencionarmos ainda os benefícios sociais e outros que os patrocinadores e colaboradores poderão alcançar,”avalia.


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Eventos

TJ instala Fórum Universitário em Itajaí “Ao reinaugurarmos o antigo Fórum, procuramos preservar o local como um instrumento vivo de memória para o Poder Judiciário e para o Município”, declara o presidente do TJ-SC.

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presidente do Tribunal de Justiça de SC, desembargador Pedro Manoel Abreu em janeiro de 2008 inaugurou o Fórum Universitário Genésio Nolli, no antigo pré-

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dio do Fórum da Comarca de Itajaí. O local abrigará o Juizado Especial Cível, o Escritório Modelo de Advocacia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e outros serviços ligados à Justiça. No evento, uma placa em homenagem ao desembargador Genésio Nolli (in memorian) que atuou na magistratura catarinense de 1968 a 2003. O Juizado Especial Cível ganha um amplo espaço em sua nova localização: salas para secretaria, cartório, setores de distribuição e contadoria, além de gabinete de juiz e assessoria. Com quase três mil ações em tramitação, a unidade funciona em parceria com a Univali, onde acadêmicos e bacharéis de Direito atuam como conciliadores. A mudança de local se deu pela

intenção do Judiciário junto ao Poder Público Municipal e à Instituição de Ensino de unir serviços de cidadania num único estabelecimento O Executivo Fiscal Municipal - pertencente à Vara da Fazenda Pública -, Executivos Fiscais, Acidentes do Trabalho e Registros Públicos, e Procuradoria Fiscal do Município, Conselho Tutelar e Procon também funcionarão no novo espaço. O TJ investiu R$ 275 mil na reforma do prédio, com recursos provenientes do Fundo de Reaparelhamento da Justiça. Entre as autoridades que prestigiaram a cerimônia estavam o corregedor-geral da Justiça, desembargador Newton Trisotto; o 3º vice-presidente, Wilson Augusto do Nascimento; os desembargadores Marco Aurélio Gastaldi Buzzi, Torres Marques e Irineu João da Silva, magistrados e servidores da Comarca.


III Simpósio de Controle do Pescado em SP

O Centro de Convenções da Costa da Mata Atlântica de São Vicente (SP) vai sediar o evento que trará como tema central a Segurança alimentar, inovação tecnológica, além das perspectivas para o mercado.

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ntre os dias 4 a 6 de junho de 2008 acontece o SIMCOPE, III Simpósio de Controle do Pescado em São Vicente,SP. Especialistas de diferentes segmentos do ramo estarão presentes para discutir o panorama e as perspectivas para o agronegócio do pescado. De acordo com a pesquisadora Érika Fabiane Furlan, da comissão organizadora, o evento é uma oportunidade para atualização e difusão de conhecimentos técnicos e científicos na área de Ciência e Tecnologia do Pescado. Para este ano, o debate reúne brasileiros e estrangeiros do setor para discutir o tema Segurança Alimentar, Inovação tecnológica e Mercado. Em paralelo ao Simpósio ocorre o II Encontro de Tecnólogos de Pescado. Profissionais, técnicos e especialistas da área vão trocar experiências sobre as pesquisas desenvolvidas para impulsionar o setor pesqueiro nacional. Entre o público alvo estão industriais, pescadores, aqüicultores e demais integrantes da cadeia produtiva do agronegócio do pescado; gerentes, diretores e supervisores de produção, distribuição e controle de qualidade de indústrias alimentícias; profissionais em vigilância sanitária; profissionais que atuam na comercialização em supermercados, comércio atacadista e varejista; professores e universitários das áreas afins.

Programa Preliminar 04/06/2008 - quarta-feira 8:30h Recepção, Inscrições e entrega de material aos participantes. 9:30h Solenidade de abertura 10:30h Coffee break 11:00h Conferência de Abertura: “Política do Alimento Seguro” - Dr. Marcio Portocarrero - SDC -MAPA 12:00h Almoço 13:30h Palestra: Sistema APPCC na América Latina – Dr. Carlos Alberto Lima dos Santos - Red Pana mericana de Inspección, Control de Calidad y Tecnología de Productos Pesqueros - REDPAN 14:15h Panorama Mundial do Controle de Histamina em Pescado 15:00h Coffee break 15:30h A Busca pela Inocuidade: Da Teoria à Prática – Prof.Dr.Bernadete D.G.M Franco – FCF - USP 16:15h Mesa-redonda: Segurança Alimentar em Pescado 05/06/2008 - quinta-feira 8:30h Mini-cursos 12:00h Almoço 13:30h Moisture Control and Glazing Process 14:15h Realidade da Indústria de Pescado: Adequações às Diretivas da UE 15:00h Coffee break 15:30h Perspectivas do Aproveitamento dos Sub-produtos da industrialização do Pescado – Dra Alexandra Oliveira - Fishery Industrial Technology Center - School of Fisheries and Ocean Sciences - University of Alaska 16:15h Mesa Redonda: Inovações Tecnológicas 17:00h I I Encontro de Tecnólogos do Pescado – mediador: Dra. Marília Oetterer - ESALQ - USP Sugestões: atuação na REDPAN – Dr. Carlos Alberto Lima dos Santos; atuação do GI-Pescado 06/06/2008 - sexta-feira 8:30 Mini-cursos (3) 12:00h Almoço 13:30h Mercado interno de Pescado na América Latina: Projeto FAO – Dr.Nelson Avdalov – INFO PESCA – Montevideo - Uruguai 14:15h Mercado Brasileiro de Pescado - Francisco Abraão Oliveira Neto -SEAP 15:00h Coffee break 15:30h Aspectos econômicos do Mercado Brasileiro de Pescado – Dra. Ana Luisa de Souza Soarez – UNIVALI - SC 16:15h Mesa Redonda: Agronegócio do Pescado: Tendências de Mercado (mediador – Dr. Nelson Avdalov)

Data: 4 a 6 de junho de 2008 Local: Centro de Convenções da Costa da Mata Atlântica de São Vicente Rua Capitão Luis Pimenta, 811, Parque Bitaru e mail: simcope@pesca.sp.gov.br site www.pesca.sp.gov.br Tel: 13-3261-2653

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Notas

Conchas Marítimas nos selos dos Correios Beleza, delicadeza e formas misteriosas estão registrados em papel através das imagens de três das belas espécies de conchas marítimas do Brasil.

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o caminhar descalço pelas areias praianas, quem nunca parou para catar conchas e ficou encantado com a sua diversidade de cores e formas? Quem nunca se admirou observando o maravilhoso artesanato manufaturado a partir das conchas encontradas na areia? São colares, pulseiras, brincos, pingentes, bibelôs, espelhos, flores, cinzeiros e tantas outras obras de arte expostas ao longo do litoral brasileiro. Autênticos esqueletos externos que protegem o corpo dos moluscos, as conchas são formações à base de carbonato de cálcio geradas a partir da secreção dos próprios organismos que delas se utilizam. Mas a poluição que vem matando os moluscos torna suas conchas cada vez mais raras em nossas praias, ameaçando a existência de aproximadamente 1.600 espécies marinhas ainda encontradas no Brasil. Os Correios, cientes da importância desse rico patrimônio natural, regis48

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tram três das belas espécies de nossas conchas marítimas: Cochlespira elongata, Charonia variegata e Chicoreus beauii, que encantam os nossos olhos pela beleza, pela delicadeza e pelo mistério de suas formas. Os lo-

cais de lançamento foram: Porto de Pedras/AL, Salvador/BA, Acaraú/CE, Vitória/ES, Tibau/RN, Rio Grande/RS e Ubatuba/SP, com a impressão na Casa da Moeda do Brasil.

Colaboração: Lauro Barcellos Dir. do Museu Oceanográfico Prof.Eliézer Rios Fund. Univ. de R. Grande – FURG

O Bloco de selos

O

bloco com 3 selos apresenta, artisticamente, o habitat natural das conchas, arenoso, com peixes e corais, lodo e pequenas conchas. Na parte arenosa, foram desenvolvidos os três selos, que apresentam a beleza, na sua riqueza de detalhes, de

cada espécie objeto da emissão: Cochlespira elongata, Charonia variegata e Chicoreus beauii. As técnicas utilizadas foram lápis de cor sobre papel canson e computação gráfica. As espécies focalizadas nesta emissão se constituem de importante material, do ponto de vista cultural e científico, para pesquisadores, conquiliologistas (especialistas nos estudos sobre conchas), biólogos e estudantes em geral.


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Mensagem

Foto: Marcello Sokal

o Mar

Te vi calmo com sorrisos ao luar vi também que sonhos não consegui concretizar e por saudades de ti hoje fico a divagar por um tempo fiz parte de ti hoje penso sem parar das grandes saudades que plantei a deriva no teu meio me vejo um marujo ,um filho do mar,tua força é suprema vendo tua fúria destruir com tua força sem igual,mas vejo as energias que me deu,que lindos gingados me proporcionou ando leve, solto num balanço de amor,tenho ordem e respeito por quem me criou,foste a minha casa, meu sustento por longos tempos saudades em terra deixei ,saudades do mar ainda tenho,onde lindas paisagens mostrou ,praias belas contemplei,ilhas quase virgens desembarquei, noites estreladas vi ,relâmpagos a te ferir,onde senti tua dor numa fúria incontrolável me levou,me deixando numa reza com ardor ,me benzi e deixei levar aguardando tua fúria e tempestade passar,mas não consigo controlar o amor de marujo a navegar num mar calmo com pássaros e peixes a nadar

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Poesia do armador Hilson Manoel Siqueira, mais conhecido no setor como Hilson Barão


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Sede do SINFDIPI: Rua Lauro Muller, 386 - Centro - ItajaĂ­ - Santa Catarina - CEP 88301-400