Revista Sindipi Nº 25

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Revista

Setembro/Outubro de 2007 - Ano V - Número 25

Informativo Bimestral do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região - SC

Ilha da Magia

Onde todos os caminhos levam ao mar

Entrevista com o Presidente da AMB

Rodrigo Collaço fala sobre valores éticos no Brasil

Projeto Isca-Viva

Promoção em latas de atum

Defesos e captura

Caderno deRevista Gastronomia SINDIPI 1


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Gil Reiser

Índice Editorial....................................................................................................................4 Palavra do Presidente - Contra a internacionalização dos portos.......................6 Entrevista - Presidente da AMB, Rodrigo Collaço..................................................8 Especial - Projeto Isca-Viva...................................................................................12

Especial - Pesca com isca-viva

Segurança sanitária - Controle de resíduos e contaminantes...........................16 Divulgação

Câmara Setorial - Defesos e captura no cerco...................................................18 - Sugestões na pesca de emalhe.............................................19 Marketing - Promoção Surpresas do Mar.............................................................20 Mercado - Método aplicado pela Gomes da Costa..............................................22

Inovação - Mercado de pescado

Legislação - Água de lastro nos navios................................................................24 Geraldo Rossi

Inovação - Novo produto no mercado de alimentos.............................................26 Economia - Financiamento pelo BNDES..............................................................28 Responsabilidade Social - Programa Escola Aberta.......................................30 Turismo - Florianópolis, de todos os sonhos........................................................32 Qualidade de Vida - Saúde, Trabalho e Felicidade.............................................40

Turismo - Florianópolis Divulgação

Arte - Pedro Pires....................................................................................................42 Livro - Obra aborda pesca e turismo.....................................................................44 Gastronomia - Caderno especial de receitas.......................................................46 Mensagem - Atitude é tudo...................................................................................50

Arte - Pedro Pires

A Revista Sindipi é uma publicação do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região Diretoria do Sindipi: Antônio Carlos Momm( Presidente); Dario Luiz Vitali (Vice-Presidente); João Manoel da Silva ( Tesoureiro)Departamento Jurídico: Marcus Vinícius Mendes Mugnaini(OAB/SC 15.939)- Sede: Rua Pedro Ferreira, 102, Centro, Itajaí, Santa Catarina-Cep: 88301-030; e mail: sindipi@sindipi.com.br- Fone: (47)3348.1083 site: www.sindipi.com.br. Coordenação Editorial: Antônio Carlos Momm.Jornalista Responsável: Daniela Maia (SC.01259-JP); Designer Gráfico: Geraldo Rossi; Direção Comercial: Adriana Cardoso; Fotografia: Marcello Sokal. Impressão: Gráfica Coan - Circulação: setor pesqueiro nacional, profissionais do setor, parlamentares, imprensa. As matérias jornalísticas e artigos assinados na Revista Sindipi somente poderão ser reproduzidos, parcial ou integralmente, mediante autorização da Diretoria. A Revista Sindipi não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Eles não representam, necessariamente, a opinião da revista. Fale conosco: REDAÇÃO: envie cartas para a editora, sugestão de temas e opiniões: redacao@sindipi.com.br PUBLICIDADE: para anunciar na Revista, entre em contato: revista@sindipi.com.br ou por telefone: (47)-3348.1083 Foto capa: Ponte Hercílio Luz em Florianópolis - Aureo Berger - www.maximagem.com


Rafael Firpo

Editorial

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postar em mudanças e trazer novidades no visual da Revista e na logomarca do Sindipi. Assim,comemoramos Bodas de Prata da Revista, ou seja,nossa 25ª edição. Apostamos em profissionais de SC. O no projeto gráfico foi desenvolvido pelo designer Geraldo Abud Rossi. A proposta é deixar a publicação mais moderna e “clean”, de acordo com os parâmetros das conceituadas revistas nacionais. A diagramação das matérias foi trabalhada para facilitar a leitura, deixando-a mais atraente. A nova identidade visual do Sindipi, a logomarca, foi desenvolvida pelo designer Márcio Novaes. A função da nova marca é transmitir através de suas cores e formas uma série de informações da atual diretoria do Sindipi aos associados e para o público em geral. As cores vivas, combinadas a uma ilustração com forma limpa e traços arredondados, procuram repassar todas as ações inovadoras do Sindicato. A nova marca procura captar de forma sintetizada um dos momentos mais sublimes para os pescadores. A hora em que a rede é retirada do mar . A ilustração mostra o mar, o peixe e a rede integrados de tal forma, que representam um só elemento. Este foi o maior desafio da marca, transmitir graficamente harmonia, integração e dinamismo. Vale destacar a recém criação do site do sindipi, www.sindipi.com.br, uma aposta em mais uma ferramenta moderna de comunicação. Além das inovações apresentadas, convido você a

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compartilhar esta 25ª edição, que está especial. Elaboramos um caderno de gastronomia de dar água na boca. Confira as matérias sobre os estudos nas pescas de cerco e emalhe; a parceria do Sindipi no Projeto Isca-Viva e o relatório na embarcação Viviane F;participações do professor Alex Augusto e do fiscal federal agropecuário Leandro Feijó e outros destaques. A mensagem publicada no final desta edição mostra o quanto nós somos responsáveis por nossa vida e que tudo depende de escolhas e de nossa atitude. Uma excelente leitura! Daniela Maia, editora comunicacao@sindipi.com.br (47)3348-1083/8836-2325


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Palavra do Presidente

Manifesto contra a internacionalização de Portos Pesqueiros

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Alencar Cabral

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esde junho deste ano a mídia divulga que o estado da Bahia e a região espanhola da Galícia aproximaram posições para a criação de um porto pesqueiro no litoral baiano. Esta informação deixou todos os representantes do setor pesqueiro nacional temerosos e perplexos. Encaminhei uma carta ao Presidente da República, esclarecendo a nossa opinião contrária a internacionalização do Porto e enfocando a importância da pesca oceânica brasileira e como é praticada. Existe em nosso país uma frota que realiza a pesca oceânica com embarcações de pequeno porte (14 metros) e que não é computada pelos órgãos oficiais, a segunda frota apresenta capacidade de navegabilidade e segurança, porém com capacidade de captura e conservação do pescado limitada. A terceira frota é formada por embarcações construídas em nosso país especificamente para a pesca de atuns e afins (long-line), porém sofre restrições comparadas com as frotas estrangeiras. Nossos armadores se alto financiam e ainda pagam alta carga de impostos para importação de equipamentos modernos. A quarta frota é constituída por embarcações para pesca de atum de isca viva, praticamente limitada nas regiões Sul e Sudeste, que basicamente abastecem as enlatadoras na região em franco desenvolvimento. E o Brasil tem um espaço oceânico de aproximadamente 4,3 milhões de km2. A frota estrangeira que vem bater na nossa porta solicitando apoio logístico só o faz porque nosso país é dito como a última fronteira a ser conquistada. Esclarecendo: é uma frota migratória que pescou ao redor do mundo com sua eficiência e tecnologia de ponta, agora vislumbra no Brasil a oportunidade de dizimar os melhores estoques existentes de atuns e afins, onde os peixes são de tamanhos grandes e rentáveis economicamente. Além disso, segundo dados repassados pelo pesquisador Fábio Hazin, anualmente são capturados no Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo, cerca de 600 mil toneladas de atuns e espécies afins equivalendo a um valor de comércio de US$ 4 bilhões e o Brasil participa apenas com cerca de 7%. Um valor pequeno, que se aumentado vai ao desencontro de interesses de países como Espanha, Japão, no qual as quotas sempre foram conquistas de acordo com o histórico das capturas. É uma briga por espaço, por um patrimônio brasileiro e não podemos ceder os nossos portos.

Vale aqui ressaltar que o Conepe, através do seu Presidente Fernando Ferreira acionou todos do setor da pesca, encaminhando um ofício ao Presidente Lula desaconselhando a abertura de um porto pesqueiro nacional para embarcações estrangeiras. Um documento muito bem elaborado pelo Diretor do Departamento de Pesca e Aqüicultura da UFRPE e representante da ICCAT, Fábio Hazin, serviu de base científica para nossas considerações. Vamos defender o direito do País em desenvolver a pesca oceânica. Não podemos voltar à condição de país colônia, se existe por parte do mundo interesse em nossas reservas que estas sejam levadas com todos os valores agregados possíveis, gerando receitas e empregos em um país pobre e necessitado como o nosso. Estamos tratando de nada mais, nada menos que alimento e proteína animal da mais alta qualidade. Antônio Carlos Momm Presidente Sindipi


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Entrevista

A postura independente e insubmissa, somada ao respeito pelos valores éticos do presidente da AMB

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á quase seis décadas atuando na defesa dos magistrados, no fortalecimento do Poder Judiciário e na promoção dos valores do Estado Democrático de Direito, a AMB, Associação dos Magistrados Brasileiros, considerada a maior associação de Magistrados no país e no mundo, destaca-se com ações de interação com a sociedade. Com diálogo e respeito mútuo entre todos os segmentos da justiça brasileira, o atual presidente da AMB, juiz Rodrigo Collaço, natural de Santa Catarina, está à frente da Associação desde dezembro de 2004. Em sua gestão, a iniciativa em fazer diversas campanhas, a aproximação da Associação com a sociedade e a participação em grandes debates foram ações relevantes para nós, da equipe da Revista Sindipi, convidá-lo a participar da nossa entrevista. Afinal, todos do setor pesqueiro, e todos os cidadãos lutam por uma sociedade brasileira em defesa da ética em todas as esferas, principalmente na política pública, a base do desenvolvimento do Brasil. Ser representante de uma associação com cerca de 14 mil associados, sabemos que é difícil, mas não impossível. E aí vai uma das citações de Michael Walzer defendidas pelo presidente da AMB: “a tolerância torna a diferença possível e a diferença torna a tolerância necessária”.

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SINDIPI - Como o senhor avalia o preparo dos magistrados no Brasil, em termos de aperfeiçoamento técnico, científico, cultural e humanístico? Collaço - A capacitação e atualização dos magistrados brasileiros é uma das bandeiras da AMB. Estamos sempre investindo em cursos de formação e aperfeiçoamento, que são promovidos pela Escola Nacional de Magistratura. A ENM trabalha pela conscientização dos magistrados e da sociedade brasileira em relação às importantes questões que envolvem as escolas da magistratura de todo o país, além de oferecer cursos de especialização e aperfeiçoamento cultural, jurídico e humanístico, no Brasil e no exterior. Neste momento, por exemplo, somos parceiros do I Congresso Ibero-americano sobre Cooperação Judicial, que será realizado em novembro na Espanha. SINDIPI - Quais as principais iniciativas adotadas para estimular o debate e a busca de soluções para os problemas da magistratura no Brasil? Collaço - Entendemos que a preocupação maior é com a causa da justiça, desbordando de questões restritas a carreira da magistratura. Com esse enfoque é preciso reafirmar que a nossa maior preocupação diz com o prestígio do judiciário perante a sociedade, porque ele é essencial à democracia. Assim, a busca por um judiciário mais eficiente e efetivo, com a adoção de métodos que reduzam a morosidade é fundamental. No mesmo sentido, reafirmando a credibilida-

HISTÓRIA DA AMB Embora sua certidão de nascimento registre o dia 10 de setembro de 1949 como a data de sua criação, a história da Associação dos Magistrados Brasileiros começou a ser delineada alguns anos antes. Em 1936, o juiz mineiro José Júlio de Freitas Coutinho lançou a se-

de do judiciário, lutamos pelo fim do nepotismo (hoje é o único poder sem nepotismo), fixação de um teto remuneratório transparente, simplificação da linguagem jurídica e a luta implacável contra a corrupção. SINDIPI - De que forma a AMB colabora ou até onde pode contribuir com as questões sociais? Collaço - Vivemos em um país em

“A tributação em nosso país é um aspecto que chama a atenção de todos, empresários e trabalhadores. Há uma unânime percepção de que ela é excessiva.” que pouquíssimas pessoas têm acesso à educação e cultura. Como associação de magistrados, sentimo-nos obrigados a ocupar o espaço público, suscitando o debate em favor daquelas questões que entendemos como base de uma nação social e economicamente desenvolvida. É assim

mente do que, posteriormente, viria a ser a AMB, ao enviar cartas a colegas de todo o País, convocando-os para organizar uma entidade nacional que congregasse todos os juízes brasileiros. Já em 1941 foi a vez do ministro do STF, Edgard Costa, convocar uma nova reunião dos futuros fundadores. O nome Associação dos Magistrados Brasileiros foi dado em 1948, ano em

que a AMB entende as campanhas deflagradas em favor das ELEIÇÕES LIMPAS, CONTRA O FORO PRIVILEGIADO e pelas crianças e adolescentes que vivem em abrigos - MUDE UM DESTINO. O mais importante, porém, é desencadear debates no meio da magistratura para que a realidade de nosso país seja cada vez mais compreendida por nossos juízes. SINDIPI - Segundo dados divulgados pelo IBPT em 2006, 32% de todos os tributos arrecadados no país são desviados pela corrupção e desleixo com a máquina pública. Que país é esse? Collaço - É o país que resultou do domínio das elites sem compromisso com o desenvolvimento. É o país que resultou de uma legislação permissiva com aqueles que possuem poder político e econômico. É o resultado de um país, onde parcela significativa dos cidadãos é jogada na mais absoluta miséria e exclusão. A conseqüência mais devastadora dessa realidade é o crescimento desenfreado da criminalidade. O sentimento gerado pela realidade é gravíssimo - de impunidade e de descrédito nas instituições. SINDIPI - O setor produtivo, exemplifico aqui o setor pesqueiro, é uma atividade que como outras depende de infra-estrutura terrestre, marítima, aérea para operar, uma “guerra” aos tributos para tentar

que 50 magistrados se reuniram para eleger a primeira Diretoria e a Comissão de Propaganda e Cultura. A AMB, na verdade, só foi registrada com um ano e nove meses de vida, época em que começou a emitir os primeiros posicionamentos e discursos. O dia da posse de sua primeira Diretoria passou a ser considerado o seu aniversário.

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sobreviver; competitividade desleal com outros países etc. Em sua opinião quais ações emergenciais poderiam ser tomadas para evitar um colapso? Collaço - A tributação em nosso país é um aspecto que chama a atenção de todos, empresários e trabalhadores. Há uma unânime percepção de que ela é excessiva. A incidência tributária deve ser enfocada em dois aspectos. O primeiro, o da necessidade. Em um país pobre como o nosso, onde as necessidades básicas da população não estão atendidas, seria razoável pagarmos impostos elevados. Em geral, todos os países desenvolvidos enfrentaram isso. Ocorre, entretanto, que paralelamente o país deveria colher os frutos da educação para todos, da saúde para todos, da habitação digna para todos, etc. Esse seria um fator de crescimento, com a qualificação da população e a conseqüente baixa dos impostos. Vivemos um quadro diferente. Os vultuosos recursos arrecadados não são canalizados para o desenvolvimento social e, além de tudo, têm a sua função desviada. Paradoxalmente, significativa parcela da sociedade sonega impostos e direitos, por exemplo, contrata trabalhadores sem a observância da legislação, etc. Tudo para permitir um mínimo de competitividade com os demais países exportadores. Não há, por parte do governo, um mínimo de planejamento estratégico. Há, sim, a crescente precarização da infra-estrutura. Basta ver o que ocorreu recentemente com a aviação. Penso que o mais importante é a pressão política. A unificação de todos os interessados, em uma verdadeira cruzada pelo controle dos orçamentos públicos, na ponta dos gastos. Ainda são parcas as campanhas que visem ao esclarecimento da população acerca dos malefícios dessa realidade. SINDIPI - Uma das bandeiras de luta da Associação é contra o foro

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privilegiado. Qual a perspectiva de mudança e o que efetivamente mudaria em relação ao autor do crime? Collaço - A luta contra o foro privilegiado depende, para o seu sucesso, de mudança da legislação. É necessário que o Congresso altere a Constituição da República, pondo fim a algo que tem beneficiado em muito os políticos. O foro privilegiado deve ser combatido porque remete aos tribunais superiores o conhecimento e julgamento de situações que exigem muita estrutura para que os processos

“Há uma verdadeira epidemia de corrupção e um generalizado sentimento de impunidade. Isso é gravíssimo. Num quadro como o que vivemos é necessário evitar-se, ao máximo, qualquer idéia de privilégio.” sejam rápidos. Os STJ e o STF, têm estrutura para cumprirem a sua função recursal. Há uma verdadeira epidemia de corrupção e um generalizado sentimento de impunidade. Isso é gravíssimo. Num quadro como o que vivemos é necessário evitar-se, ao máximo, qualquer idéia de privilégio. Aqueles que praticam atos de corrupção deveriam ser julgados como todos os cidadãos, pelo primeiro grau de jurisdição.

Já colhemos alguns indícios de que a consciência da punição deve imperar, para tanto basta atentar para o recebimento da denúncia dos implicados no chamado “MENSALÃO”, pelo STF. SINDIPI - Sempre ouvimos que a justiça é lenta no Brasil e que em alguns casos acaba favorecendo os criminosos. Como fazer para que haja mais ação por parte do judiciário e mudanças na legislação? Collaço - Recentemente colhemos o resultado de uma análise do Banco Mundial, que aponta os juízes brasileiros com os mais produtivos do mundo. É preciso sublinhar que os magistrados no Brasil trabalham muito. Ocorre que o volumoso trabalho encontra entrave na legislação processual. Há um culto excessivo ao processo, ao instrumento, em detrimento do direito material. O complexo regramento processual vem favorecendo aqueles que dispõem de melhores condições materiais de enfrentarem o processo. Há recursos e mais recursos, incidentes e mais incidentes que, nestes casos, favorecem o acusado. A AMB, da mesma forma como promoveu com relação ao regramento processual civil, encaminhou ao Congresso uma série de modificações que entendemos urgentes, todas no sentido de tornar o processo mais pragmático. Mais uma vez esbarramos na vontade política do parlamento. Se houvesse vontade política, poderia ser construída uma proposta de alteração legislativa, contando com o concurso de todos aqueles que vivem o problema. SINDIPI - A prática de nepotismo nos poderes Executivo e Legislativo ainda persiste. Qual seu ponto de vista? Collaço - Não há dúvida que persistem. O judiciário deu o exemplo, banindo de seu meio essa prática. O nepotismo coloca em dúvida a credibilidade dos poderes perante a população. Lamentamos que os casos de nepotismo nos demais poderes não tenham um contunde interesse da imprensa. Vejamos, por exemplo, o que


ocorre com os ministros do governo federal. Significativa parcela acumula cargos em conselhos de estatais, empregam parentes, etc. Apenas a pressão e a exposição pública dos casos é capaz de estimular uma reação que ponha fim a essa mazela. SINDIPI - Quais são os principais desafios a serem conquistados pela AMB? Collaço - A AMB tem uma rica e longa história, já caminhamos muito, mas há muito a ser feito. Penso que o maior deles é o de fazer com que a população creia cada vez mais no Judiciário. Que a sociedade brasileira saiba que o Judiciário é a última porta para bater, quando se quer fazer valer direitos sobre violações. SINDIPI - Como está o andamento da proposta sobre a participação de todos os juízes na escolha dos dirigentes dos Tribunais? Collaço - Ganhando espaços. É preciso lembrar que a proposta põe em debate a tradição reinante. Lentamente estamos avançando, apesar da resistência da cúpula dos tribunais. Quem conhece a realidade estrutural dos tribunais, sabe que no judiciário a participação democrática é minúscula. Não há sentido que as direções dos tribunais sejam eleitas sem compromissos públicos, sem o debate e a participação dos juízes, em especial os de primeiro grau. SINDIPI - Comente sobre a Campanha por um Judiciário Mais Forte. Quais as principais ações? Collaço - A AMB tem procurado, ao longo dos anos, representar o pensamento e os anseios da maioria dos juízes brasileiros. A campanha Por um Judiciário mais Forte foi um esforço nesse sentido. Entre outras ações, publicamos uma cartilha com os temas mais importantes para a magistratura em debate no Congresso Nacional e na comunidade jurídica. Entre esses temas, destaco o combate ao nepotismo; o voto aberto e motivado nos

tribunais; a eleição para metade dos membros do órgão especial dos tribunais; e a eleição direta para os membros da administração dos tribunais. SINDIPI - A AMB lançou uma campanha para estimular a adoção de crianças. No entanto, as pessoas reclamam que seguem com dificuldades de adotar, em razão de não haver um banco de dados integrado, e de que muitas Varas exigem documentos excessivos. A AMB tem alguma propos-

“O complexo regramento processual vem favorecendo aqueles que dispõem de melhores condições materiais de enfrentarem o processo. Há recursos e mais recursos, incidentes e mais incidentes que, nestes casos, favorecem o acusado.” ta prática para estimular os tribunais a melhor articular o cadastro? Collaço - Nossa campanha está relacionada com as crianças e adolescentes que vivem em abrigos, onde a adoção se mostra como uma possível solução para alguns casos. E uma das principais dificuldades está relacionada aos critérios que as pessoas colocam quando dizem que tipo

de criança ou adolescente aceitam. Normalmente as famílias não procuram crianças com mais de um ano, negras ou que estejam com irmãos nos abrigos. Esse é o verdadeiro entrave no processo de adoção e não os documentos que, via de regra e salvo alguma exceção, são aqueles que usamos para todos os atos da vida civil. Em relação ao cadastro, não penso que o problema seja a falta dele, já que a partir da implantação teremos sim estatísticas mais confiáveis a respeito do tipo de criança que está abrigada e poderemos mostrar que, só não acontecem mais adoções, porque o brasileiro é extremamente seletivo quando se trata deste assunto. SINDIPI - O que ainda é preciso para acelerar os trâmites da adoção no Brasil? Desde a demora na realização de pesquisas sociais, por falta de assistente social, acúmulo de processos, estrutura etc. A campanha da AMB “Mude um Destino” atende a esses pontos? Collaço - O principal motivo da demora são as escolhas excessivas dos pretendentes. Mas, existe também a necessidade de aprimoramento de uma série de questões entorno do processo de adoção. Nossa campanha, ao chamar a atenção para esta questão, penso, contribuiu para uma maior atenção dos tribunais em relação a estrutura das varas da infância e juventude. SINDIPI - Algumas ações da AMB envolvem crianças na Escola, como o projeto da Cartilha da Justiça em quadrinhos. Acredita que os resultados são imediatos ou em longo prazo? Collaço - Os resultados são a longo prazo, não imediatos, fato que não altera nossa disposição em realizar estas ações. Não precisamos dos dados para mostrar que estamos fazendo algo certo e, com resultados demonstráveis ou não, nossa função deve ser exercida.

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Especial

SINDIPI e CEPSUL/IBAMA fortalecem o Projeto Isca-Viva A utilização de iscas-vivas poderá ser otimizada, diminuindo o consumo de sardinhas e manjubas, com custos menores na captura de atuns e afins, aumentando, conseqüentemente, a produtividade dos atuneiros e traineiras.

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maior produção de atum, atualmente limitada pela disponibilidade de isca, além de reduzir os conflitos entre os setores artesanais e industriais”, analisa. De acordo com o termo de cooperação, o SINDIPI também assume a contratação de dois oceanógrafos: Gil Anderson Reiser, responsável pelo Laboratório de Piscicultura Marinha (LPM/CEMar/UNIVALI) localizado na Armação do Itapocoroy, Penha/SC e Fabíola Schneider, consultora técnica, responsável pelo banco de dados e pela logística.

Daniela Maia

acordo de cooperação assinado no último dia 30 de agosto entre o SINDIPI e o CEPSUL/ IBAMA agrega um importante representante do setor produtivo - o Sindipi ao Projeto Isca-Viva. A iniciativa do Sindicato tem como finalidade garantir o desenvolvimento do setor e o fortalecimento da pesca. Segundo o Presidente do Sindipi, Antônio Carlos Momm, este acordo representa a busca pela sustentabilidade da pesca de atum e sardinha. “Esta pesquisa vai possibilitar a

A Assinatura do termo de cooperação, na foto a coordenadora do Projeto, Daniela Occhialini, o Presidente do Sindipi e como testemunha, Francisco Carlos Gervásio.

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Nova fase do Projeto Isca-Viva O Projeto Isca-Viva, inédito a nível internacional, avalia o desenvolvimento tecnológico do cultivo de sardinhas e manjubas. A coordenadora do Projeto, Daniela Occhialini destaca que esta nova fase envolve, além da produção de isca-viva em laboratório, o desenvolvimento a bordo dos atuneiros e do protocolo da isca-viva que contempla: infra-estrutura e procedimentos de captura, manejo e manutenção das iscas-vivas nas tinas das embarcações. A proposta é aumentar a sobrevivência dos peixes nas tinas, reduzindo os custos e o tempo da pescaria de atuns e afins. O desenvolvimento do protocolo da isca-viva surgiu durante um embarque do Oc. Gil Reiser no atunerio Vivivane F, solicitado pelo grupo de armadores dos atuneiros associados ao SAPERJ, orgão parceiro do Projeto Isca-Viva desde junho de 2006. Neste primeiro embarque foram registrados 93 itens divididos entre infra-estrutura (tamanho da malha e da tina, potência da bomba d’água, etc.) e procedimentos (passa o sarico no embalo, sarrama a isca, etc.) Segundo o oceanógrafo esses procedimentos influenciam direta ou indiretamente na sobrevivência das iscas nas tinas. A identificação da infra-estrutura da embarcação; o acompanhamento e registro dos procedimentos de coleta; manuseio; estocagem e manutenção das iscas-vivas; identificação; medição e quantificação das espécies utilizadas - determinação da densidade de peixes por


Gil Reiser

tina; monitoramento da qualidade da água nas tinas através de leituras da temperatura, salinidade, amônia, pH e oxigênio dissolvido e a quantificação da mortalidade das iscas, são as principais etapas”, enumera Reiser. Para o Presidente do Sindipi, essas etapas mostram a importância de incentivar o embarque na busca por informações e resultados. “A colaboração da frota industrial é imprescindível para a execução do Projeto e coleta de informações. Por isso vamos incentivar os embarques de nossos pesquisadores aos atuneiros, possibilitando a troca de experiências entre os profissionais da pesca (mestre e tripulação) e pesquisadores”, ressalta. Gil Reiser avalia que o desenvolvimento desta ação a bordo permitirá esclarecer de forma participativa como cada um dos 93 itens afetam a sobrevivência das iscas nas tinas das embarcações, tendo como resultado principal o aumento da sobrevivência e do rendimento da isca-viva utilizada para pesca de atuns e afins. “Abrirá caminho para que no momento da coleta de informações, os pescadores possam identificar juntamente com o

A pesca do gaiado na Borracha no atuneiro Viviane F. A embarcação construída em Itajaí pelo estaleiro Santa Luzia dispõe de todos os equipamentos eletrônicos, além de sonar e computador para leitura da temperatura de superfície do mar através de satélite.

oceanógrafo como os materiais e métodos utilizados influenciam na sobrevivência das iscas”, explica. Recém contratado pelo SINDIPI, o oceanógrafo Gil Reiser é um incansável pesquisador da aqüicultura marinha (cultivo de organismos marinhos)

o qual vem desde abril de 2005 se dedicando especialmente às iscas-vivas. Por isso, vamos compartilhar com o leitor o relato do oceonógrafo em viagem no atuneiro Viviane F, de propriedade do nosso associado, o armador Antônio de Pinho Faustino.

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Acompanhe o relato do oceanógrafo Gil Anderson Reiser a bordo do atuneiro Viviane F

Oc. Gil Reiser digitando os dados coletados para o projeto Isca-Viva

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o dia 27 de maio de 2007, o atuneiro Viviane F, comandado pelo Sr. José “Carne Seca” Petito, zarpou do cais da Empresa Brasilmar em Itajaí/SC rumo a Ilha de Santa Catarina, dando início a procura de iscas-vivas para captura de atuns e afins.

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As dificuldades para encontrar as iscas na região de Florianópolis e Gov. Celso Ramos (Ganchos), a preocupação em evitar conflitos com pescadores artesanais de tainha (período de safra), aliado as notícias de ocorrência de isca na Baia de Guanabara/RJ e a intimidade dos pescadores na região resultaram na opção de se deslocar

ao litoral fluminense dando continuidade à procura por isca-viva. Ao amanhecer do dia 1o de junho iniciaram-se os cercos capturando os primeiros saricos de sardinha-verdadeira. Devido a perda de escamas ser um fator determinante da mortalidade, foi dada especial atenção as etapas que provocam este dano. Durante este embarque foi observado que: cerco, transporte das iscas do raso até a embarcação principal, baldeação e soltura nas tinas estão diretamente relacionados à perda de escamas. Na seqüência exemplos de ações que podem elevar a sobrevivência. Com o nascer das anilhas inicia o paneio da rede, momento em que se evita ao máximo o contato das iscas com a rede e com o ar, ainda assim ocorreu perda de escamas das iscas capturadas. Neste sentido é importante tomar o cuidado sempre que panear. O franzimento das paredes do ensacador provoca choques das iscas com a rede; assim como a forma do ensacador permite as iscas “fazerem” e nadarem acompanhando o deslocamento até a embarcação principal. Segundo as observações é conveniente estar atento ao franzimento e a forma do ensacador, assim como a “natação” das iscas. Evitar arrastar o sarico ao pegar as iscas reduz a sarrama, assim como passar o sarico de mão-em-mão no embalo. O uso de baldes ao invés de saricos reduziria ainda mais a perda de escamas.

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1 - A saricada cerco para um novo lance. 3 - Dimencionamento do número de peixes por sarico, resultando na quantidade de peixes por tina.

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Afundar o sarico na tina antes de virar diminuiu o atrito dos peixes com o aro do mesmo, colaborando com a sobrevivência. No final da iscada um sarico com as iscas que morreram durante a captura foi utilizado para avaliar o volume de isca contido no sarico. Na seqüência as iscas que encostavam mortas no ralo das tinas foram utilizadas para estimar a quantidade de peixes por sarico e conseqüentemente o número aproximado de peixes em cada tina. O método de estocagem dos peixes nas tinas é também determinante na sobrevivência da isca. Na madrugada do dia 03/06, após a realização de aproximadamente 12 cercos, foi concluído o processo de captura da isca-viva. Neste momento foi iniciado o monitoramento da qualidade da água nas tinas.

A temperatura é o principal limitante da solubilidade do oxigênio na água, associada à salinidade e à densidade de peixes, reflete na produção de amônia que tem sua toxicidade potencializada pelo pH elevado, o que não é raro de acontecer na água marinha. Conforme relatado a bordo, durante o verão há sérios problemas devido a falta de oxigênio provocada, principalmente pela densidade elevada de peixes e pela alta temperatura. Este cenário é combatido com o aumento do fluxo de água nas tinas. O atuneiro Viviane F não apresentou limitações no suprimento de água do mar. Não observamos problemas com a qualidade da água (salinidade, amônia, pH) nas tinas, primeiramente porque a temperatura se manteve abaixo de 25oC e devido a consciência dos pescadores em estocar quantidade

adequada de iscas nas tinas. A concentração de oxigênio também se manteve em níveis satisfatórios, contudo, na tina com maior densidade de peixes foi registrada a menor concentração, refletindo a relação inversa entre densidade de peixes e a qualidade da água. Cerca de 8 horas depois da conclusão da iscada chegamos em uma plataforma de petróleo onde foram capturados os primeiros gaiados e atuns. Permanecemos neste pesqueiro até o dia 06/06. No final deste dia seguimos rumo a um atrator distante cerca de 4 horas de navegação da plataforma. As últimas iscas foram utilizadas no amanhecer do dia 9/6 concluindo a pescaria dos gaiados e atuns e retornando a Empresa Fridusa, Niterói/RJ, onde foi realizada a descarga. Fotos:Gil Reiser

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4 - Medindo o comprimento das iscas. 5 - Isca-viva. 6 - Pesca de atum com vara e isca-viva. DEPOIMENTO DO OCEANÓGRAFO GIL REISER “Não pretendemos com esta frente de trabalho formar uma equipe de fiscais ou observadores de bordo. Almejamos sim, o desenvolvimento sustentável da atividade através da otimização do uso das iscas-vivas e da redução dos custos da produção, resultando no aumento da produtividade de atuns e sardinhas abrangendo as duas principais cadeias produtivas de pescado do Brasil. Aproveitamos esta oportunidade para registrar sinceros agradecimentos a todos os profissionais do Atuneiro Vivivane F, os quais permitiram iniciar este importante trabalho em sua embarcação, bem como não mediram esforços para fazer deste embarque o mais agradável e produtivo possível. Pioneiro na história da pesca e pesquisa brasileira, o Projeto Isca-Viva já contou com diversos apoios, firmando parcerias com Abrapesca, Bernauer Aqüicultura, Cabral Com. e Transp. de Pescados Ltda, Engepesca, Femepe, Saperj, Sitrapesca, Justiça Federal, IBAMA e com o Centro Experimental de Maricultura da Universidade do Vale do Itajaí (CEMar/UNIVALI) e agora, outra grande e importante parceria: Sindipi, considerado o maior sindicato do setor pesqueiro”. DEPOIMENTO DO MESTRE DO BARCO VIVIANE F, O “CARNE SECA” “A presença do oceanógrafo Gil na embarcação foi muito importante, nós aprendemos algo mais, temos uma noção melhor do que é capturado. Começamos a medir o tamanho da sardinha e seu peso. Tenho a consciência de não colocar a sardinha muito miúda nas tinas e a pesquisa a bordo ajuda a comprovar isso. A presença do oceanógrafo. Gil não atrapalhou em nada. Acredito que de vez em quando é necessário, pois há uma troca de experiência, da pesca na prática e na teoria”.

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Segurança sanitária

Controle de Resíduos e Contaminantes Acompanhe o relatório e ponto de vista do Fiscal Federal Agropecuário Leandro Feijó sobre as exigências da União Européia, um panorama do Brasil sobre a questão e perspectivas futuras.

O

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA possui um programa oficial que tem por objetivo monitorar a presença de resíduos de medicamentos veterinários e contaminantes ambientais em produtos de origem animal: Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes – PNCRC/ MAPA. A coordenação deste programa está sob a responsabilidade da Coordenação de Controle de Resíduos e Contaminantes – CCRC da Secretaria de Defesa Agropecuária – SDA. O escopo analítico do exercício de 2007 foi oficialmente publicado no Diário Oficial da União por meio da Instrução Normativa nº 09 de 30/03/2007. Neste documento a sociedade brasileira pode encontrar todas as informações relativas ao escopo de todos os resíduos de medicamentos veterinários e contaminantes ambientais pesquisados em produtos de origem animal (inclusive peixe e camarão). Os resultados do PNCRC/2006 fo-

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ram oficialmente publicados no Diário Oficial da União por meio da Instrução Normativa nº 08 de 30/03/2007. Seguem os resultados deste programa nos produtos de aqüicultura no ano de 2006. Foram coletadas e analisadas 736 amostras, conforme tabela abaixo: Como o atual escopo oficializado pela IN nº 09/2007 não era suficiente

para fornecer todas as garantias sanitárias exigidas pelos padrões sanitários da União Européia, o Ministério da Agricultura, em conjunto com o setor produtivo pesqueiro nacional, envidaram esforços para elaborar um plano de ação que foi apresentado e aprovado pelas autoridades sanitárias do Food and Veterinary Office – FVO em junho de 2006. Este plano de ação incorpora uma série de novas substâncias a serem monitoradas pelo PNCRC/Pescado. Este Plano de Ação encontra-se em fase adiantada de implantação e foi auditado pelas autoridades competentes do FVO em

RESULTADOS DO PROGRAMA EM 2006 Analito

Número de amostras analisadas

Resultados não conformes

PESCADO DE CULTIVO Metabólitos de Nitrofuranos

126

-

Cloranfenicol

75

-

Metais Pesados

58

3

Metabólitos de Nitrofuranos

152

-

Cloranfenicol

95

-

230

8

CAMARÃO DE CULTIVO

PESCADO DE CAPTURA Metais Pesados


Gabriela d´Araújo

Laboratório (LAB DOP-LABETEC) do Instituto de Química da UFRJ que faz a análise de controle de resíduos em alimentos

auditoria realizada em março de 2007. De acordo com as conclusões do Relatório Final (FINAL REPORT), publicado no site da UE em agosto/2007, as autoridades competentes do MAPA têm trabalhado duramente e estão, portanto, aumentando a confiança da segurança química dos produtos de origem animal do Brasil exportados para a União Européia. Para colocar em prática este Plano de Ação o MAPA dispôs de laboratórios privados credenciados pela Coordenação Geral de Apoio Laboratorial - CGAL/SDA/MAPA que estão validando todos os métodos analíticos para a pesquisa de resíduos em pescado. Atualmente existem 8 laboratórios que

estão localizados principalmente nos estado de São Paulo e Rio de Janeiro. Dentre as novas substâncias incorporadas na rotina de coleta de amostras de pescado, destacam-se: Verde Malaquita, Penicilina, Estreptomicina, Tetraciclina, Sulfonamidas, DES, Zeranol. Outras substâncias estarão sendo incorporadas em breve no PNCRC/Pescado (ex: Dioxinas e PHA´s, etc). A partir do exposto a Secretaria de Defesa Agropecuária, por meio da CCRC/SDA têm realizado ações e demonstrado que não têm desprendido esforços para finalizar a implementação deste Plano de Ação junto ao setor pesqueiro nacional. As autoridades sanitárias da União Européia tiveram a

oportunidade de checar estas ações in loco neste ano e, portanto, oferecer um crédito de confiança para que o corpo técnico da SDA possa definitivamente assegurar a finalização deste processo. A CCRC/SDA pode concluir que a união de esforços entre o MAPA, SEAP e o setor produtivo nacional foi fundamental para que este trabalho fosse realizado de forma técnica e que este “espírito de equipe” deve ser consolidado e carreado doravante. Leandro Diamantino Feijó- Fiscal Federal Agropecuário- Coordenação de Controle de Resíduos e Contaminantes- CCRC/ SDA/MAPA

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Câmara Setorial

Ações que podem regulamentar os defesos e captura

U

m grupo de armadores e industriais representantes da pesca de cerco deu o ponto de partida para uma das iniciativas mais importantes da modalidade: traçar um panorama científico, econômico e social da frota. O debate, coordenado pela Câmara Setorial do Cerco do Sindipi foi realizado no dia 31 de julho, na sede da entidade. Segundo o coordenador da Câmara, o armador Wilson Cabral, a pesca da tainha foi um dos temas motivadores da reunião. Cabral explica que pesquisadores do Cepsul já acenaram para o defeso da tainha, paralisando a captura da espécie entre 45 dias fixos ou 30. Porém, o setor produtivo defende que não há funda-

Alencar Cabral

Tainha, anchova, corvina, sardinha-laje e palombeta são algumas espécies da pesquisa. A intenção é manter a viabilidade econômica, compatibilizando-a com a disponibilidade e manutenção destes recursos pesqueiros mentação técnica para a proposta e que a tainha é um recurso disponível e não há choque de interesses (artesanal e industrial). Por esse motivo, o setor quer contrapor com questionamentos técnicos, de acompanhamento e evidências. Partindo deste ponto, a Câmara acenou aos armadores e industriais a realização de um estudo mais ousado e que pode garantir maiores resultados. “A proposta é apresentar uma radiografia do cerco, desde os investimentos para captura, comercialização e beneficiamento; equipamentos modernos utilizados; o trabalho da tripulação; toda a cadeia produtiva envolvida; levantamento da frota e seu custo operacional”, explica o coordenador da Câmara. Marcello Sokal

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Reunião da Câmara Setorial do Cerco realizada no final de julho no Sindipi.

Além disso, ações que podem ser aplicadas para o crescimento da modalidade, um estudo mais aprofundado das principais espécies capturadas pela frota, com propostas de ordenamento que serão contempladas no trabalho. “A nossa meta é garantir os estoques pesqueiros, apontar os direitos da categoria, trabalhando com organização e fundamentação técnica”, avalia o armador Agnaldo Hilton dos Santos, membro da Câmara Setorial do Cerco. Para a realização do trabalho, a Câmara indicou os serviços da Target Consultoria, do oceanógrafo Marco Aurélio Bailon, também presente na reunião. Segundo Bailon, o prazo sugerido para a elaboração do trabalho é de pelo menos um ano, com acompanhando de uma comissão de representantes da pesca de cerco. “O trabalho também prevê a elaboração de uma avaliação sobre a produtividade, biologia, rentabilidade da pescaria, analisando todas as medidas de ordenamento e restrições existentes. Espera-se, com este trabalho, contribuir com os órgãos de gestão da pesca com informações atualizadas que possam enriquecer o conteúdo das discussões e interagindo com o Governo na tomada de decisões, de acordo com a política de gestão compartilhada”, explica. Traineiras, embarcações de cerco que capturam a tainha, espécie alvo da pesquisa.


Pesca com rede de emalhe em fase de discussão A polêmica Instrução 166 mobilizou todo o segmento pesqueiro do Brasil. O Sindipi contesta alguns artigos e defende a proibição de novas licenças e sugere um defeso da modalidade por 60 dias.

A

do desenvolvimento sustentável, do trabalho ordenado das modalidades de pesca, apenas defendemos o que é de direito, justo e ações que vão ao encontro do desenvolvimento”, destaca. Segundo o Presidente do Sindipi, Divulgação

Instrução Normativa nº 166 de 2007 que trata de normas da pesca de emalhe, desde tamanho de rede, restrições para a pescaria, entre outras, foi o tema da reunião realizada em Brasília, na sede do Ibama, no último dia 23 de agosto. A reunião com o Presidente do Ibama, coordenada pelo Conepe recebeu o apoio de todo o setor pesqueiro do país, assim como de deputados federais e senadores, que compõem a Frente Parlamentar da Pesca no Congresso Nacional. De acordo com o Presidente do Sindipi, Antônio Carlos Momm, o encontro foi produtivo e proporcionou a discussão de diversos pontos ligados a pesca de emalhe. “ Somos a favor

Representantes da pesca e parlamentares reunidos em Brasília com o Pres. do Ibama

uma das propostas apresentadas ao órgão federal foi a suspensão da Instrução. Tanto que, após o encontro, o Presidente do Ibama, Bazileu Neto acordou a suspensão da Instrução por um período de 120 dias. A suspensão só é válida após a publicação da Portaria no Diário Oficial da União. Além da suspensão, Bazileu propôs ao setor que fosse criado um Grupo de Trabalho,GT,formado por representantes das indústrias, dos pescadores artesanais e dos trabalhadores da pesca, de forma palitária entre o setor produtivo e o Governo. A proposta é discutir as medidas que preservem a biodiversidade sem causar impacto na pesca comercial. Segundo o Presidente da Câmara Setorial do Emalhe do Sindipi, Giovani Genázio Monteiro, a Câmara indicou o profissional José Emiliano Rebelo Neto como representante no Grupo de Trabalho. De acordo com dados do Conepe, cerca de 800 mil trabalhadores vivem da pesca com rede de emalhe.

de bordo. Sobre o artigo 7º, Propostas defendidas pelo Sindipi servador restringir a dois anos o prazo de opeBaseado no relatório técnico sobre a pesca de emalhe no litoral brasileiro (Cepsul/Ibama) os barcos estão operando até 25.928 metros de rede na região de SC; portanto é sugerido uma redução progressiva do comprimento máximo da rede, ou seja, limitar nos dois primeiros anos o comprimento total de panagem para a rede de emalhe de deriva de fundo em 20 mil metros. E para a rede de emalhe de superfície, 2.500 metros de comprimento. Sobre a tralha superior da rede de emalhe de superfície, durante a operação de pesca: não há condições tecnológicas para ampliar o limite para dois metros na operação, tendo em vista, os cálculos estruturais para manter o equilíbrio da panagem du-

rante a faina de pesca. Com o limite de um metro é possível adequar a operacionalidade do petrecho e possibilitar o escape seletivo de espécies resultantes da captura incidental. Complemento do artigo 5º da IN 166: o setor já encaminhou ao Ibama em 2006 e reforçou em 2007, a sugestão de defeso por um período de 60 dias, de 01 de dezembro a 31 de janeiro para todas as embarcações da região sul e sudeste que operam na pesca com redes de emalhe de fundo e superfície, toda frota de emalhe artesanal e industrial. A proposta é proteger o estoque desovante (corvina, cações etc). Revogar os artigos 6º e 7º. O setor não concorda com a exigência de ob-

ração das embarcações pode incorrer num déficit de dados ecológicos dependendo das distintas estações do ano que ocorre na região. Ainda não há estudos para que tal medida seja tomada. Na avaliação do setor, em um prazo de cinco anos o Governo deverá apresentar uma alternativa viável direcionando a pesca de emalhe para uma pesca sustentável economicamente e ecologicamente. Sobre o artigo 8º, que limita a concessão de novas permissões para atuação da pesca de emalhe de superfície e de fundo, o Sindipi concorda plenamente com este artigo e gostaria que fossem inibidas as pescas clandestinas através de uma fiscalização mais rígida. Revista SINDIPI

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Marketing

Indústria aposta em estratégia criativa

P

romoção coloca mais de mil latas premiadas com jóias em PDVs (Pontos de Venda). A Bullet é a responsável pela criação da “Promoção Surpresas do Mar” e por todo o material promocional para a linha Coqueiro, da Pepsico, que coloca latas de atum Coqueiro premiadas com jóias em pontos-de-venda de todo o Brasil. A promoção iniciada em agosto é nacional com foco no pequeno e grande varejo. Na compra de uma lata de atum Coqueiro, o consumidor pode encontrar um colar e um dos quatro modelos diferentes de pingentes de ouro amarelo: peixe, cavalo-marinho, concha e golfinho. No total, são mais de mil latas premiadas. Nessas embalagens, não haverá produto. O consumidor que encontrar a jóia deve ligar para o 0800 que está indicado na tampa, do lado de dentro do produto, para receber um kit de produtos Coqueiro, incluindo o Atum. A promoção, com duração de dois meses, encerra no dia 31 de outubro deste ano. Na estratégia criativa da agên-

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cia, uma receita: inovar na mecânica e surpreender o consumidor com um brinde encontrado direto na lata, sem vale-brinde, fácil, rápido e prático como os produtos da marca. A idéia é estimular a surpresa e a curiosidade dos consumidores ao fugir do óbvio e explorar o glamour da jóia no mercado de peixes. Como todo processo criativo, a ação envolve um grupo talentoso. Na equipe da Bullet participaram desta proposta que envolve o consumo de pescado: Atendimento: Fernando Melo e Fernando Figueiredo; Planejamento: Juliana Wallauer e Denise de Cássia; Criação: Rogerio Harsanyi, Jairo

Divulgação

Inovar na mecânica e surpreender o consumidor com um brinde encontrado direto na lata de atum. Esta é a proposta da Bullet que cria “Promoção Surpresas do Mar” para a linha Coqueiro da Pepsico.

Banner de divulgação da Coqueiro e ao lado o prêmio: jóias inspiradas no mar

Gruenberg, Cesar Leite e Mentor Muniz Neto; Operações: André Mencaroni e Caio Carvalho; Produção Gráfica: José “Neno” Formiga.

Produtos que fazem parte do material promocional


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Mercado

Comercialização de pescado de acordo com os padrões A Gomes da Costa apostou no método Allegra por 5 pontos: simplicidade, baixo custo, rapidez, viabilidade e a tomada rápida de decisões.

O

recomendados de quantidade de mercúrio. Para evitar prejuízos tanto para as indústrias de pescado quanto para o consumidor é primordial fazer análises sistemáticas do teor de mercúrio no pescado, o que já é exigido pela União Européia (UE) e recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2006, a UE chegou a suspender as importações de pescado brasileiro em função do Governo Brasileiro ainda não ter implementado

Divulgação

consumo de pescado é recomendado por médicos e nutricionistas para toda a população. É considerada a mais saudável fonte de proteína animal, além de ser de fácil digestão e de conter substâncias benéficas ao organismo como ômega 3, fósforo e vitamina B. Todas essas vantagens do consumo podem perder o valor caso o pescado não esteja de acordo com os padrões

o Plano Nacional de Controle de Resíduos. Através das análises é possível garantir a qualidade do pescado visando o consumo seguro e em caso de evidências de contaminação redirecionálo para outras aplicações. Para o consumidor, a indústria poderá oferecer um produto com diferencial no mercado demonstrando a sua preocupação com a segurança alimentar. Além disso, o Governo também poderá ganhar com esta iniciativa, pois além de garantir as exportações estará contribuindo na prevenção. No país alguns laboratórios oferecem a análise de mercúrio com diferentes custos, mas nem sempre de

Pesquisadores da Gomes da Costa no laboratório da empresa

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Pesquisadora Allegra Yallouz demonstra método


fácil acesso. Pensando nisso, a pesquisadora do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), Allegra Viviane Yallouz, desenvolveu um método de determinação semiquantitativo de mercúrio em pescado e em amostras ambientais, mostrado na edição passada da Revista Sindipi. A pesquisadora trabalha com o tema a mais de dez anos e já apresentou o método em congressos e seminários no Brasil e no exterior e instalou laboratórios no interior do Pará. É importante ressaltar que o método necessita de infra-estrutura simples e tem baixo custo operacional e de manutenção, podendo ser operado por auxiliares de laboratório. A pesquisadora Allegra reforça que o método apresenta custo até dez vezes menor do que os tradicionais e são necessárias no máximo quatro horas para emitir o resultado. A análise é feita em três etapas: pré-tratamento, determinação e comparação visual. Empresas do setor pesqueiro, principalmente de Santa Catarina onde estão concentradas as maiores indústrias pesqueiras do país estão atentas ao problema e buscam cada vez mais agregar segurança alimentar em seus

Classificação das amostras de pescado com o teor de mercúrio e as recomendações da Organização Mundial de Saúde e a Legislação Brasileira. Classificação

Teor em ng/g

Próprio para o consumo freqüente

Menor que 300

Próprio para o consumo eventual

Entre 300 e 600

Impróprio para consumo

Maior que 600

Comercialização permitida

Menor que 1000

produtos. Prova disso é a Gomes da Costa Alimentos, considerada uma das maiores empresas do setor, que apostou no método. De acordo com Emmanuelle Benedet, inspetora de Qualidade da Gomes da Costa, a simplicidade de execução, o baixo custo e a rapidez de resposta do método, viabiliza o monitoramento da presença de mercúrio e permite a tomada rápida de decisões. “Com a implantação deste método, a Gomes da Costa agrega mais um diferencial de segurança e qualidade aos seus produtos”, afirma. O Cetem possui vários equipa-

mentos para a análise quantitativa do mercúrio em pescado e amostras ambientais, que estão alocados no Lema, Laboratório de Especiação de Mercúrio Ambiental. A diferença entre as análises quantitativas e semiquantitativas está na precisão e no custo. Dependendo dos objetivos do estudo, há necessidade de maior ou menor precisão e urgência na resposta.

Texto: Renata Hinge

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Legislação

Plano de Gerenciamento da água de lastro nos navios De acordo com a Portaria da Marinha do Brasil, a não apresentação do Plano de Gerenciamento da Água de Lastro do Navio sem a aprovação da Sociedade Classificadora credenciada ou da Autoridade Marítima, implicará autuação e multa da embarcação.

N

o início de 2004, foi adotada a Convenção Internacional para Controle e Gerenciamento de Água de Lastro e Sedimentos, incluindo diretrizes, recomendações e técnicas a serem adotadas nesse sentido. O Brasil assinou a convenção em 25 de janeiro de 2005. Ainda em 2005, a Diretoria de Portos e Costas publicou a NORMAM-20/DPC que teve como propósito “Estabelecer requisitos referentes à prevenção da poluição por parte das embarcações em Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), no que tange ao Gerenciamento da Água de Lastro”. O sistema proposto tem como base fundamental a troca da água de lastro, conforme preconiza a Convenção da Organização Marítima Internacional (IMO), e será aplicado a todos os navios que possam descarregar

água de lastro nas águas jurisdicionais brasileiras. É importante ressaltar que a Norma prevê que à medida que novos métodos para tratamento da água de lastro e sedimentos forem sendo desenvolvidos, a mesma será adaptada a fim de atender às novas situações. Atualmente, o procedimento que vem sendo adotado no Brasil, no que tange ao gerenciamento de água de lastro, como medida fiscalizadora, é a exigência por parte da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do preenchimento de um Formulário de Informações sobre Água de Lastro, medida sugerida pela IMO. De acordo com a Conferência Internacional para o Controle e Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos de Embarcações, a obrigatoriedade do cumprimento dos padrões aprovados variará entre 2009 e 2016, dependendo do

O QUE É A ÁGUA DE LASTRO?

Nos tempos modernos, as embarcações passaram a usar a água como lastro, o que facilita bastante a tarefa de carregar e descarregar um navio, além de ser mais econômico e eficiente do que o lastro sólido. Quando um navio está descarregado, seus tanques recebem água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Quando o navio é carregado, a água é lançada ao mar.

O lastro consiste em qualquer material usado para dar peso e/ou manter a estabilidade de um objeto. Um exemplo são os sacos de areia carregados nos balões de ar quente tradicionais, que podem ser jogados fora para diminuir o peso do balão, permitindo que o mesmo suba. Os navios carregaram lastro sólido, na forma de pedras, areia ou metais, por séculos.

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ano de construção da embarcação e da capacidade dos seus tanques de lastro. TECNOLOGIAS DE TRATAMENTO O método recomendado atualmente pela Organização Marítima Internacional (IMO) consiste na troca oceânica da água de lastro, o único procedimento atualmente disponível em larga escala para reduzir o risco epidemiológico e ambiental dos deslastramentos. Esse procedimento está baseado em duas premissas: i) a concentração de organismos é, via de regra, muito mais baixa em alto mar do que em águas costerias; ii) a probabilidade de sobrevivência de espécies oceânicas no ambiente de entorno dos portos, tanto na costa quanto em águas interiores, é muito pequena ou virtualmente nula. A troca de água de lastro no mar, conforme recomendado pelas diretrizes da IMO, consiste na melhor medida para reduzir o risco de transferência de espécies aquáticas nocivas disponível no momento. Entretanto, esta técnica pode comprometer os limites de segurança dos navios, e mesmo quando é possível implementá-la por completo, ela não é 100% efetiva na remoção de organismos na água de lastro. Nessas condições, muitas espécies podem permanecer no fundo do tanque de lastro, inclusive associadas aos sedimentos que sobre ele se depositam, sendo eventualmente introduzidas no novo ambiente quando do deslastramento no porto de destino. Algumas entidades sugerem até que a troca da água de lastro no mar pode contribuir por si só para aumentar a dispersão de espécies nocivas, e que ilhas localizadas próximas a áreas onde ocorrem trocas de água de


Marcello Sokal

Prof. Dr. Alex Augusto Gonçalves Departamento de Tecnologia de Alimentos Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Coordenador do GIPescado http://paginas.terra.com.br/educacao/seafoodgroup/

De acordo com a Conferência Internacional para o Controle e Gerenciamento da Água de Lastro e Sedimentos de Embarcações, a obrigatoriedade do cumprimento dos padrões aprovados será entre 2009 e 2016, dependendo do ano de construção da embarcação e da capacidade dos seus tanques de lastro.

lastro, em alto mar, podem estar especialmente em risco com essa prática. Assim, a troca oceânica tem sido considerada uma alternativa transitória, até que novas tecnologias para o tratamento da água de lastro, em fase de avaliação técnica e econômica, sejam implementadas nas embarcações novas e adaptadas para as embarcações em operação. As opções que vêm sendo consideradas compreendem: métodos de tratamento mecânicos como filtragem e separação; métodos de tratamento físicos tais como esterilização por ozônio, luz ultra-violeta, correntes elétricas e tratamento térmico; métodos de tratamento químicos como adição de biocidas na água de lastro para matar os organismos; várias combinações dos métodos acima descritos. Qualquer medida de controle desenvolvida deve ir de encontro a um número de critérios, incluindo: deve ser seguro; deve ser ambientalmente aceitável; deve ser custo-efetivo e deve funcionar.

BASEADO NO QUE FOI EXPOSTO ATÉ O MOMENTO DEVE-SE, PORTANTO, SUGERIR MEDIDAS PARA SUA GESTÃO Explorar métodos de tratamento alternativos de gerenciamento de água e sedimentos de lastro que sejam eficazes, ambientalmente seguros, viáveis e que minimizem custos e atrasos para os navios que por algum motivo não puderam realizar a substituição da água de lastro e fornecer informações sobre sua aplicação; Estudar um projeto de viabilidade técnico-econômica da aplicação do ozônio no tratamento de água de lastro; Disponibilizar instalações para receber, tratar e descartar sedimentos de lastro de forma ambientalmente segura.

ORGANIZAÇÕES ENVOLVIDAS NA GESTÃO DA ÁGUA DE LASTRO: Comando da Marinha Ministério do Meio Ambiente Ministério dos Transportes Ag. Nac. de Vigilância Sanitária

Prof. Dr. Alex Augusto Gonçalves Departamento de Tecnologia de Alimentos Inst. de Ciência e Tecnologia de Alimentos Universidade Fed. do Rio Grande do Sul Coordenador do GI-Pescado

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Inovação

SoleCina : inovação no mercado de alimentos TM

O produto inédito à base de proteína de soja, que possibilita o desenvolvimento de produtos com menos gordura, calorias e colesterol, está pronto para o mercado de pescado.

A

empresa The Solae Company desenvolveu para o mercado de pescado uma nova aplicação da tecnologia SoleCinaTM, lançada em 2006 para a indústria cárnea. A tecnologia combina exclusiva proteína vegetal com carne de pescado de baixo valor comercial, melhorando a textura do produto final. O ingrediente foi desenvolvido para possibilitar à indústria alimentícia a fabricação de produtos prontos ou semi-prontos, com alta qualidade sensorial, mais saudáveis, com qualidade e diversidade em derivados de peixe que traz consigo todos os benefícios da soja.

Segundo a gerente de marketing regional para América Latina e África do Sul, Iara Bastos, a empresa desenvolveu uma tecnologia ao pescado processado que une textura e sabor, disponibilizando mais opções para o mercado pesqueiro e ao consumidor final. Iara cita como exemplo, a polpa do peixe, que pode ser aproveitada com esta nova tecnologia. Assim será possível oferecer ao consumidor final uma variedade de pratos processados a base de peixes, utilizando uma tecnologia versátil que não exige grandes investimentos nas plantas. Fotos: Divulgação

UMA TECNOLOGIA REVOLUCIONÁRIA A SoleCinaTM é uma nova geração de proteínas de soja e carrega todos os já conhecidos benefícios dessa leguminosa. Com isso, possui substâncias que podem colaborar na redução do risco de várias doenças. Existem estudos que relacionam a proteína de soja à redução do chamado “colesterol ruim” (LDL) e atribuem à soja a possibilidade de contribuir para a redução dos sintomas da menopausa e da osteoporose. Além disso, vale lembrar que um grão de soja contém 40% de proteína e zero de colesterol. “Esta tecnologia permite o preparo de um alimento tão saboroso quanto um produto tradicional que não contenha SoleCinaTM e, ao mesmo tempo, altamente nutritivo. Dessa forma, as mães poderão manter as opções preferidas pela criançada, sem perder o sabor e muito mais saudáveis”, lembra o diretor de Marketing para América Latina e África do Sul, Jordan Rizetto. SEGREDOS DOS ALIMENTOS PROCESSADOS O mercado de alimentos processados cresce rapidamente. Para se ter uma idéia, de acordo com o GNPD (Global New Products Database) - do grupo Mintel, só nos últimos 12 meses, foram lançados no mundo 5,4 mil produtos. No mesmo período, na América Latina, 560 novidades preencheram as gôndolas dos supermercados com diferentes posicionamentos, entre eles: controle de peso, conveniência (preparo no forno microondas, porções menores

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ou individuais), indulgentes (pratos especiais) e até éticos, que refletem a preocupação com o desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente. De acordo com Iara Bastos, a preocupação com esses posicionamentos e principalmente com a saúde é incentivo para o desenvolvimento de novas linhas de produtos e aplicações diferenciadas. “Nos últimos anos, nosso crescimento se manteve em torno dos dois dígitos na América Latina e investimos fortemente em pesquisas para entender os benefícios da soja à saúde do consumidor”, relata. Juliana Wruck Pratos preparados com 50% de SoleCinaTM e 50% de carne de pescado. A assinatura é da renomada chef de cozinha Mara Salles, proprietária do restaurante Tordesilhas (SP).

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Economia

Cartão BNDES: financiamento automático ao cliente A empresa pode utilizar de forma automática uma linha de financiamento pré-aprovada de até R$ 250 mil por banco emissor.

L

ançado em setembro de 2003, o Cartão BNDES é um sistema de crédito rotativo e automático, com prazo de até 36 meses. É uma forma de financiamento que abre maiores oportunidades de negócios. De acordo com a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social o limite do financiamento pré-aprovado no Cartão BNDES, é de R$ 250 mil. Mas isso não significa que o empresário esteja limitado a este teto de financiamento, uma vez que é possível solicitar cartões a todos os emissores disponíveis. Com o uso do Cartão, a empresa de até médio porte (faturamento bruto anual inferior a R$ 60 milhões) pode fazer investimentos, comprando produtos de fabricação nacional ou que recebam agregação de valor no País, que estejam disponíveis no catálogo de produ-

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tos do Portal de Operações do Cartão BNDES. O Cartão BNDES vem apresentando um crescimento expressivo e se firmando como importante instrumento de crédito às micro, pequenas e médias empresas. O desafio

agora é levar o produto ao universo dos diversos arranjos produtivos locais (APLs) espalhados pelo País”, disse Rodrigo Bacellar, chefe do Departamento de Operações de Internet.

SAIBA COMO OPERAR ATRAVÉS DO CARTÃO BNDES Todas as operações são realizadas no Portal de Operações do Cartão BNDES (desde a solicitação do cartão e credenciamento de fornecedores, até a aquisição dos produtos a partir dos catálogos exibidos), cujo acesso se dá pelo endereço eletrônico www.cartaobndes. gov.br. Preenchido o cadastro e feita a solicitação do Cartão, o usuário precisa dirigir-se ao banco emissor selecionado com a documentação necessária. cabendo ao banco emissor definir o limite de crédito da empresa e conceder o cartão. Nesta modalidade operacional, o risco de crédito é do emissor do cartão. O Bradesco, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal são, atualmente, os bancos emissores do Cartão BNDES e a VISA e MASTERCARD as bandeiras de cartão de crédito.


Os juros são definidos mensalmente pelo BNDES, e divulgados no Portal. Porém, a partir da transação efetuada, a taxa é fixada até o final do prazo do financiamento, permitindo o pagamento em prestações mensais fixas.. Atualmente, a taxa do Cartão BNDES está fixada em 1,00% ao mês, enquanto os juros cobrados no mercado financeiro para desconto de duplicatas estão custando cerca de 1,90% a.m. e as linhas de capital de giro pré superam 2,10% ao mês. O cartão BNDES não funciona como cartão de crédito comum, usado para compras em lojas. Todas as compras, necessariamente, precisam ser feitas pela internet, a partir dos equipamentos e produtos oferecidos pelos fornecedores cadastrados no site do BNDES. Vantagens – Para os fornecedores, as principais vantagens são a capacidade de realizar transações comerciais com financiamento automático ao cliente no prazo de 12, 18, 24 ou 36 me-

ses, em prestações fixas, com garantia de recebimento do valor da venda em apenas 30 dias. Assim, o fornecedor não precisa comprometer seu capital de giro próprio para oferecer melhores condições de pagamento ao cliente. A maior vantagem desta modalidade de crédito é sua simplicidade. O sistema dispensa análise de crédito do cliente a cada item comercializado (dentro do limite pré-aprovado), agilizando o fechamento do negócio. Além disso, há permanente exposição do catálogo dos produtos no Portal de Operações do Cartão BNDES.

CREDENCIADOS O sucesso do Cartão BNDES é comprovado pelo fato de já existirem mais de 4,7 mil fabricantes credenciados, que oferecem mais de 64 mil produtos, como veículos utilitários, equipamentos de automação comercial, computadores, refrigeradores, máquinas, motores, bombas, equipamentos para postos de combustíveis, kits para gás natural veicular, mobiliário comercial, papel para gráficas, entre outros itens.

MAIS INFORMAÇÕES O BNDES colocou à disposição dois canais de comunicação, por meio dos quais técnicos estarão prontos para prestar os esclarecimentos necessários: os telefones RJ: (21) 2172-6337 e demais regiões: 0800-702-6337 da Central de Atendimento do Cartão BNDES e a função Fale Conosco, no Portal de Operações do Cartão BNDES, além da Ouvidoria do BNDES (ouvidoria@bndes.gov.br)

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Responsabilidade Social

Programa Escola Aberta em Itajaí Com o objetivo de tirar as crianças das ruas, reduzir a violência e proporcionar às classes de baixa renda atividades educativas, o Programa oferece espaços para a prática de diversas atividades

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radores de cada bairro utilizariam e zelariam por suas escolas durante os finais de semana. O programa ainda não alcançou esta maturidade, mas deu o primeiro passo rumo a tal objetivo este ano. Foi assinado um convênio transferindo a gerência do projeto à Associação dos Moradores de Cordeiros, sob a supervisão da Secretaria Municipal de Educação. Pelo fato de ser a mais antiga e possuir todos os documentos em dia, a entidade foi escolhida entre tantos outros grupos competentes para designar a tarefa: mobilizar os moradores de Itajaí. “Aceitamos o desafio porque o programa tem a mesma proposta

Fotos: Camila Kniss

ular os muros da escola aos finais de semana era uma cena comum em Itajaí há cerca de dois anos. Sem espaço em casa ou praças para brincar, a garotada se arriscava para jogar bola. Da aventura, surgiu a idéia: por que não abrir os portões das unidades de ensino? Afinal, a estrutura escolar já é um bem público. O “pedido” infantil foi atendido em 2005, quando o prefeito Volnei Morastoni decidiu implantar o Programa Escola Aberta. A iniciativa surgiu com a meta de que um dia a própria comunidade tomasse conta do programa. Os mo-

Crianças aprendem a escovar os dentes com a ajuda da Secretaria Municipal de Saúde

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da nossa associação: a promoção humana, a justiça e a igualdade, sem quaisquer formas de discriminação, através de atividades de lazer, cultura e saúde”, explica a presidente da Associação Ivani de Souza. Hoje, o programa oferece dentro das escolas públicas espaços alternativos para a prática de atividades culturais, esportivas, artísticas, de informática e outras ações educacionais dirigidas aos alunos e às suas comunidades. As atividades ocorrem todos os sábados, das 9h às 17h, em 10 escolas da rede municipal de ensino. De 17 de fevereiro a 30 de junho de 2007, a Associação dos Moradores de Cordeiros contabilizou por meio de listas de presença as várias oficinas, mais de 49 mil atendimentos prestados no Escola Aberta. O programa realizou aulas de artesanato, como crochê, ponto russo, pintura em tecido, ponto cruz, origami. No esporte, desenvolveu aulas de futebol, basquete, vôlei, bike radical, ginástica olímpica, entre outros. Na arte, propiciou aulas de ballet, hip hop e dança gaúcha. Sem contar as sessões de filmes educativos, teatro, apresentações de dança, de música e festas para celebrar a passagem de algumas datas, como Carnaval, Aniversário do Município, Festa Junina. “O grande objetivo de tudo isso é tirar as crianças das ruas, reduzir a violência e proporcionar às classes de baixa renda atividades educativas. Muitas crianças procuram também carinho e atenção dentro dos portões das escolas”, acrescenta Ivani. De acordo com a articuladora administrativa do Escola Aberta e membro da associação, Cleonice Weth, os recursos financeiros são aplicados na compra de material didático, esportivo e no pagamento dos funcionários. “Todo o trabalho, esforço e dinheiro in-


O que é o Escola Aberta? O Escola Aberta é um programa que utiliza o espaço físico de escolas da rede rede municipal de ensino para a prática de lazer, esporte, cultura, saúde e orientação profissional à comunidade. Público Além dos alunos matriculados nas escolas, podem usufruir das oficinas todos os moradores da comunidade de diferentes faixas etárias. Quando: Aos sábados, das 9h às 17h

Todos os sábados são oferecidas refeições gratuitamente à comunidade

vestido vale a pena. Primeiro, por ser um lugar onde as crianças recebem desde atividades recreativas até refeição, mas principalmente pelo carinho que ganham. Suprimos por algumas horas o que elas, muitas vezes, não têm em casa”, acredita Cleonice. Para atender o público, o Escola Aberta conta ainda com a ajuda de mais de 20 voluntários e doações do comércio e empresas do município. As contribuições vêm em forma de doces, biscoitos e brindes para presentear as crianças, em gincanas, competições esportivas e eventos como Páscoa e Dia das Mães. OUTRAS AÇÕES Criada em 1996, a Associação dos Moradores de Cordeiros desenvolve outras ações comunitárias. Hoje, a entidade também oferece em sua sede cursos gratuitos de violino, yoga, fisioterapia, além de administrar o projeto do Governo Federal Casa Brasil, uma iniciativa voltada à inclusão digital. As atividades são mantidas com recursos provenientes de convênios, acordos, contratos e contribuição dos próprios associados.

Contato: (47) 3344-4762 A presidente da Associação dos Moradores de Cordeiros, Ivani de Souza, ensina a comunidade a fazer sabão com óleo

Texto: Camila Kniss

Além do futebol, do vôlei e de vários jogos, as crianças também têm acesso a capoeira, taekwondo, bike radical, ginástica olímpica e outros diferentes esportes

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Turismo

FLORIANÓPOLIS A ILHA DE TODOS OS SONHOS Quarenta e três praias emolduradas por montanhas cobertas pela Mata Atlântica, conferem à Ilha uma verdadeira visão de paraíso. Uma cidade ao mesmo tempo cosmopolita e provinciana.

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Praia do Santinho no norte da Ilha

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Este local responde carinhosamente pelo apelido de “Floripa”. Florianópolis, a capital dos catarinenses ou a Ilha da Magia, como quer a propaganda oficial, é sinônimo de paraíso. Para se entender melhor Floripa é bom saber que mais da metade da cidade fica numa ilha oceânica, cujo nome oficial é Ilha de Santa Catarina. Está ligada à parte continental por três pontes, sendo uma delas, a Hercílio Luz, verdadeiro patrimônio da humanidade. Partindo do centro da cidade, todos os caminhos levam ao mar. Florianópolis é sem dúvida uma cidade de múltiplas e incomparáveis belezas. Sua face urbana, formada pela área central, pela parte continental e pelos belos balneários, vive plenamente o século 21. Já as comunidades do interior da Ilha e as pacatas povoações de pescadores à beira mar, remanescentes da imigração açoriana do século 18, parecem viver no compasso das quatro estações do ano, no vaivém das marés e das mudanças da Lua. Com pouco mais de 350 mil habitantes, Florianópolis é uma cidade ao mesmo tempo cosmopolita e provinciana. Largas avenidas, prédios arrojados, universidades e shoppings centers dividem espaços com o casa-

rio colonial açoriano, igrejas e fortalezas, cujas paredes foram edificadas com cal de conchas e óleo de baleia, que resistem imponentes ao passar dos séculos. A Catedral de Nossa Senhora do Desterro (antiga denominação de Florianópolis) é um bom exemplo desse ecletismo. Edificada no mesmo local onde existia uma capela, erguida em 1678 pelo fundador da cidade, o Iolita Cunha

Iolita Cunha

uem nunca sonhou passar as férias numa ilha paradisíaca, cercada de praias maravilhosas, vegetação exuberante, dunas que se movem com os ventos, cascatas, lagoas e riachos de águas límpidas? E ainda por cima não precisar abrir mão do conforto e das facilidades da vida moderna?

Calmaria na Praia do Pântano do Sul


Claudio Saldanha

A paradisíaca praia da Lagoinha do Leste, acesso apenas por uma longa trilha através das montanhas e costões

bandeirante Francisco Dias Velho, o prédio sofreu várias reformas ao longo dos anos. A mais significativa foi efetuada em 1922, porém, com o cuidado de preservar a portada original. No seu interior predominam as linhas neoclássicas, com destaque para a escultura “Fuga do Egito” talhada no Tirol, Áustria, pelo artista Demetz.

PROCISSÃO DO S. DOS PASSOS Há 241 anos a Procissão do Senhor Jesus dos Passos mantém-se como uma das maiores festas de fé e de religiosidade popular de Santa

DESTINO IDEAL PARA EVENTOS Florianópolis tem capacidade para realizar grandes eventos nacionais e internacionais e pode destacar estruturas como o Centro de Convenções

de Florianópolis e o Costão do Santinho. O CentroSul, como é conhecido, no centro da cidade, tem capacidade para mais de 22 mil pessoas e permite a realização de várias promoções simultâneas. CULINÁRIA Centenas de restaurantes servem comida deliciosa e farta, cuja variedade vai desde a cozinha internacional, C&VBF

PONTE HERCÍLIO LUZ. O símbolo mais consistente, não só do ilhéu, mas de todos os catarinenses, é a Ponte Hercílio Luz. Sua inauguração, em 13 de maio de 1926, foi um marco decisivo para o desenvolvimento da Capital, diminuindo o seu isolamento do restante do território catarinense. A ponte tem 821 metros de extensão e 339 metros de vão central. Suas duas torres metálicas medem 74 metros de altura, sendo atualmente a única no mundo com sistema pênsil. Na época da construção representava uma obra pioneira e da maior expressão no campo da engenharia, tanto no Brasil como no mundo.

Catarina. Ela está ligada à tradicional Irmandade que lhe dá o nome e ao Hospital de Caridade que se constituiu no braço social e assistencial da bicentenária instituição.

Ponte Hercílio Luz à noite

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com ênfase às receitas da cozinha típica muito peculiares e que deliciam a todos os comensais. De forte influência açoriana, os frutos do mar, - peixes, crustáceos e camarões formam a base de um banquete natural na Ilha de Santa Catarina. Quem nunca se deliciou com uma seqüência de camarões, em um dos restaurantes à beira da Lagoa da Conceição, ainda não conhece boa parte da essência ilhoa. O mesmo pode-se dizer de quem ainda não degustou as saborosas ovas de tainha no Mercado Público. Ou quem ainda cometeu o pecado de não experimentar uma fumegante ostra gratinada, nos restaurantes do Ribeirão da Ilha e Sambaqui.

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Praia de Ingleses

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Praia de Ponta das Canas

Praia da Cachoeira do Bom Jesus

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PRAIAS MAIS BADALADAS Em qualquer direção que o turista tomar vai encontrar praias no seu caminho. Ao Norte, ficam as de maior infra-estrutura turística como Daniela, Jurerê, Praia do Forte, Canasvieiras, Ponta das Canas e Lagoinha. Todas são de águas calmas e mornas, ideais para famílias com crianças e para a prática de esportes náuticos como vela, windsurf, jet-ski, esqui aquático, banana boat e kitesurf. As vizinhas praias Brava , Ingleses e Santinho têm águas mais agitadas, mas atraem grande número de veranistas. Ingleses, praticamente uma cidade. Tem vida noturna própria com bares, restaurantes e danceterias sempre lotados. A praia do Santinho ficou conhecida pelo mega empreendimento Costão do Santinho, um dos maiores resortes do país.Planejada com esmero arquitetônico, a Brava reduto de “vips”, de ministros a artistas de televisão. É ali que o tenista Gustavo (Guga) Küerten costuma passar o verão e surfar. Na Costa Leste encontram-se as praias de Moçambique, Barra da Lagoa, Galheta, Mole e Joaquina. Voltadas para o mar aberto, apresentam as melhores ondas para a prática do surfe. Conhecida internacionalmente por sediar importantes etapas do circuito mundial do surfe, a praia da Joaquina tornou-se um ícone do esporte na Ilha. Enquanto surfistas dominam ondas radicais, os adeptos do “sandboard” (surfe sobre areia), deslizam nas


A badalada praia Mole, cercada pela natureza Iolita Cunha

Vista de parte da Lagoa da Conceição a partir do Mirante da Lagoa Iolita Cunha

MAGIA DO SUL DA ILHA O Sul da Ilha é uma região onde a magia de Florianópolis revela-se com maior intensidade. Quem visita o local certamente sentirá a forte influência da colonização açoriana, manifestada através das festas religiosas, como a Festa do Divino Espírito Santo, do folclore, do artesanato, da gastronomia e da pesca artesanal. O patrimônio natural é formado por morros com encostas revestidas pela Mata Atlântica, restingas, mangues, dunas, lagoas, rios, ilhas, cachoeiras, cascatas, costões, grutas e baias com praias deslumbrantes. Um dos maiores conjuntos de inscrições rupestres e tesouros arqueológicos (inscrições milenares, sambaquis, oficinas líticas) do litoral brasileiro está localizado na ilha do Campeche,

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imensas dunas da Joaquina e Ingleses. O naturismo é praticado na praia da Galheta que tem o seu espaço protegido por lei municipal. Gente bonita e sarada de todas as partes fazem da praia Mole o maior “point” da badalação jovem do sul do país. A apenas 17 quilômetros do centro, está um dos mais belos cartões postais de Floripa: a Lagoa da Conceição. A lagoa tem espelho d´água de 15Km de extensão no sentido Norte-Sul e largura que varia de dezenas de metros a 2,5 Km. Liga-se ao mar por pitoresco canal que desemboca na Barra da Lagoa. Reduto das mais variadas tribos, a Lagoa é ponto de encontro de velejadores e praticantes de asa delta, kitesurfe e paraglides. Em suas águas imperam lanchas, jet-skies, windsurfes e barcos à vela de todos os tipos e tamanhos. No verão torna-se o local de maior agito da Ilha, lotando restaurantes, bares e danceterias até o amanhecer. O local é um rico reduto açoriano, com pescadores, rendeiras, benzedeiras que convivem em meio aos surfistas e a nobre área residencial. Para compras, vale ir aos quiosques de venda da renda de bilro. Uma boa sugestão é conhecer as paisagens bucólicas da Costa da Lagoa. A trilha margeia a Lagoa da Conceição, com belas paisagens do espelho d´água e da Mata Atlântica, passa por uma peculiar vila e termina numa cachoeira.

As antigas inscrições rupestres na Ilha do Campeche

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MUSEUS Florianópolis têm uma série de museus que contam os quase 300 anos da sua história. Além do tradicional Palácio Cruz e Souza (Praça XV de Novembro, 227 - Fone: (48) 3028-

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belos exemplares da arquitetura neoclássica da cidade, como os prédios da Alfândega e do Mercado Público, conjunto arquitetônico conhecido como “Largo da Alfândega” e que já foi referência das atividades portuárias na Ilha. Hoje, o local é palco de encontro de artistas, boêmios e intelectuais.

Tradicional refeição a base de peixe e frutos do mar no Sul da Ilha

MIRANTE DO MORRO DA CRUZ Privilegiado ponto de observação panorâmico da cidade, não pode faltar em qualquer visita que se faça à Floripa. Seu topo está a 450 m acima do nível do mar. A vista é magnífica, proporcionando uma visualização belíssima de Florianópolis e

seus arredores. Do alto do Morro da Cruz é possível vislumbrar-se com as baías recortadas, o paredão de edifícios à beira-mar, a história ponte Hercílio Luz, enfim, ambiente que compõe um incrível cartão postal. É no Morro da Cruz que estão também a maioria das emissoras de televisão.

Epa Machado

LUGARES IMPERDÍVEIS EM FLORIPA: Centro Histórico - Integrado pelos prédios da antiga Alfândega, Mercado Público e casario colonial, é o espaço mais democrático da cidade. Abriga pontos de venda de artesanato, peixarias e pequenas lojas que vendem de tudo. Nos bares e restaurantes dos arredores é possível saborear iguarias da culinária típica açoriana ou então curtir um chope gelado no vão central do prédio.

CORREDOR CENTRAL O calçadão da rua Felipe Schmidt vive em permanente agitação. No “Senadinho”, imperam as conversas sobre política, economia e futebol, por isso conhecida como “Boca Maldita”. Paralela a essa, fica a rua Conselheiro Mafra, que concentra o comércio popular e alguns dos mais

Nicko Del Guercio

em frente à praia do mesmo nome, onde Antoine Saint-Exupéry, autor do livro “ O Pequeno Príncipe”, conviveu com os pescadores, quando era piloto do correio aéreo francês. Para os nativos, o famoso escritor era apenas o “Zé Perri”. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Ilha possui trilhas que conduzem os visitantes até as inscrições rupestres préhistóricas feitas há 5.000 anos. A pesca artesanal, com barcos conhecidos como “baleeiras” é praticada de forma tradicional nas praias da Armação e Pântano do Sul. Maior colônia de pescadores artesanais de Florianópolis, as “freguesias” de Pântano do Sul e Ribeirão da Ilha remetem ao passado com ruas estreitas, casas geminadas e aspecto de vila colonial. A praia de Pântano do Sul referência para gente de todas as tribos. Um dos lugares mais exóticos é o restaurante do Arante. Nas paredes da antiga casa açoriana estão fixadas milhares de mensagens deixadas por visitantes, encantados com a magia do lugar. Do Pântano do Sul parte uma trilha até a praia da Lagoinha do Leste. O trajeto, contato direto com a vegetação nativa, riachos, fauna, flora e a visão deslumbrante da praia selvagem. Na praia da Armação até hoje se encontra o vestígio da caça às baleias que eram abatidas para extração do óleo, utilizado na iluminação pública e nas construções.

Típico artesanato no centro histórico


RIBEIRÃO DA ILHA Primeira povoação açoriana de Florianópolis, distante a 36 Km do centro, o lugar guarda a magia do casario colonial agrupado em volta da pracinha, a igreja centenária (1806) de frente para o mar e as ruas estreitas por onde a vida passa mansamente. Possui um eco museu onde o visitante poderá conhecer a história da imigração açoriana, iniciada a partir de 1748, através de explanação, vídeos e acer-

Palácio Cruz e Souza Iolita Cunha

SANTO ANTÔNIO DE LISBOA Esta pequena comunidade distante apenas 13 Km do centro de Florianópolis foi umas das primeiras comunidades açorianas fundadas por imigrantes que chegaram na metade do século XVIII. Vale a pena conhecer a Casa Açoriana (Rua Cônego Serpa, 30, Fone: (48) 3235-1136, que abriga importante acervo de artistas locais e o “ Mundo Ovo”, onde a artista primitiva Eli Heil expõe sua criatividade onírica em telas, esculturas e cerâmicas.

C&VBF

8092), que abrigou a sede do Poder Executivo Catarinense até 1985, existem outros menos conhecidos mas nem por isso menos importantes. No museu Victor Meirelles (Rua Victor Meirelles, 59 - Fone: (48) 3223-0883), a dois passos da Praça XV de Novembro, além de conhecer a casa onde o autor da famosa tela “A primeira Missa no Brasil” nasceu e morreu, pode-se apreciar algumas das principais obras do pintor.

Casas açorianas no Ribeirão da Ilha

Epa Machado

vo histórico. O Ribeirão possui várias opções em restaurantes, baseados principalmente nas ostras cultivadas no local.

Mercado Público com sua iluminação noturna

CAMINHOS E TRILHAS O Trekking é a atividade mais universal de turismo de aventura - não requer equipamentos especiais e pode ser praticado numa variedade grande de ambientes.Dois parques municipais estão no percurso dos mais famosos trekkings: o da Lagoinha do Leste e o da Lagoa do Peri, ambos no Sul da Ilha. A Lagoinha do Leste é uma praia cercada de morros, selvagem e tranqüila, como uma bela lagoa no seu canto esquerdo, dunas e restingas.

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Marcio David Epa Machado

Forte de Anhatomirim

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Forte de São José

Fortaleza Nossa Senhora de Araçatuba

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FORTIFICAÇÕES NA ILHA DE SANTA CATARINA A Ilha de Santa Catarina foi uma das primeiras localidades do litoral sul do país a ser ocupada. Os portugueses protegeram o nosso litoral construindo fortalezas e depois estimularam a imigração açoriana para garantir o território sob seu domínio.As fortalezas mais antigas do sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina, construídas entre 1738 e 1744, são: Santa Cruz de Anhatomirim, Santo Antônio de Ratones e São José da Ponta Grossa, que formavam um sistema de defesa triangular ao norte. Ao sul, foi construída a fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Ilha de Araçatuba. Nas três décadas seguintes, para dar mais proteção à localidade e controlar o movimento de contrabando, foram construídos os fortes: São Francisco Xavier, Sant´Ana, São Luiz, Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, na Lagoa da Conceição, São João, no continente, e a Bateria de São Caetano, junto a fortaleza de São José. Dentre as onze edificações construídas na ilha de SC, a de Santa Cruz de Anhatomirim é, sem dúvida, a mais importante: construída em 1739, veio a ser a primeira sede do governo da Capitania de Santa Catarina. A Fortaleza Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba fica na Ilha de Araçatuba - Sul da Ilha. Visitação em embarcações em ocasião de mar calmo.Nossa Senhora da Conceição foi a última das quatro fortalezas projetadas pelo Brigadeiro José da Silva Paes para defender a Ilha de Santa Catarina. Complementando as defesas da Barra Sul, entre 1909 e 1913 foi construído o Forte Marechal Moura, equipado com apenas três peças de artilharia. Hoje ainda existem as suas ruínas, e também se avista o Farol da Ponta dos Naufragados. ARMAZÉM VIEIRA No bairro do Saco dos Limões, metade do caminho do aeroporto internacional Hercílio Luz e o centro fica um dos bares mais peculiares da cidade. A casa, prédio açoriano, tombado pelo patrimônio histórico, por si só já é uma atração. O ambiente aconchegante e acolhedor, tornou-se um lugar


agradável para ouvir MPB, degustar os deliciosos petiscos à base de frutos do mar e provar a famosa cachaça da ilha, conservada em enormes barris de madeira, no interior do próprio bar. (Fone: 48 - 33333-8687/ Site: www.armazemvieira.com) BOX 32 Conhecido como “o balcão mais democrático do Brasil”, possui requintadas iguarias internacionais, frutos do mar típicos da ilha e 800 marcas de variedades em bebidas, o Box 32 (Fone: (48) 3224-5588 - Site: www. box32.com.br), no vão do Mercado Público, é parada obrigatória para qualquer pessoa que visita Florianópolis, famosa ou não. Nesse eclético lugar, o atendimento é vip para qualquer cliente, onde todos são tratados pelo nome, sendo senador ou pescador. Destaque para a famosa cachaça Box 32, reserva especial da Casa.

SANTUR Santa Catarina Turismo S.A. INFORMAÇÕES TURÍSTICAS: 0800 644 -6300

Sugestões de passeio na Ilha • Admirar a Ponte Hercílio Luz do Forte Sant´Ana, na Avenida Beira-mar. • Visita às fortalezas históricas. • Passeio de escuna saindo do Centro ou de Canasvieiras, com destino à Ilha de Anhatomirim, Ratones Grande com passagem pela Baía dos Golfinhos. • Passeio no Iate Casablanca. • Caminhadas ecológicas na Lagoinha do Leste, Naufragados, Costa da Lagoa, Lagoa do Peri, Moçambique, Ingleses entre outras. • Passeio de barco com almoço na Costa da Lagoa. • Mergulho, caminhadas e visita às inscrições rupestres na ilha do Campeche. • Visita ao casario colonial das localidades de Ribeirão da Ilha (Sul), Santo Antônio de Lisboa (Norte) e Lagoa da Conceição. • Degustar ostras no Ribeirão da Ilha. • Vôo duplo de parapente sobre a Praia Mole. • Sand board (surf na areia) nas dunas da Joaquina ou Ingleses. • Inscrições rupestres na Praia do Santinho. • Artesanato na Alfândega (Centro), Casa Açoriana (Santo Antônio de Lisboa) ou diretamente com as rendeiras de bilro, na Avenida das Rendeiras, Lagoa da Conceição. • Passeio no Centro Histórico: Praça XV, Palácio Cruz e Sousa, Catedral Metropolitana. • Mercado Público e Prédio da Alfândega. • Museu de Arte de Santa Catarina e outros museus como a casa de Victor Meireles, no Centro. • Vista panorâmica dos muitos mirantes da ilha: Morro da Cruz (Centro), Morro das Pedras (Sul), Ingleses (Norte), Morro das Sete Voltas, Praia Mole e Lagoa da Conceição.

Colaboração: SANTUR - Santa Catarina Turismo S.A. ASCOM - Assessoria de Comunicação Assessoria de Comunicação: Lucimar Gonzatto Franceschini Equipe Técnica: José Castilho, Graciano Piacentini, Inês Bail e Silvia Westphal

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Mesmo as praias muito freqüentadas como Canasvieiras à esquerda e Ingleses possuem recantos de paz e de pura beleza e sonho

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Qualidade de Vida

Saúde, Trabalho e Felicidade As empresas mais produtivas são aquelas que trabalham com funcionários felizes. Muitas buscam tornar o ambiente de trabalho e, conseqüentemente, as relações estabelecidas, mais prazerosas.

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uando me foi requisitado para falar sobre a experiência vivida durante um trabalho de qualidade de vida na empresa, a primeira idéia que me veio à cabeça foi um ditado que diz mais ou menos o seguinte: “quando o trabalho deixa de dar prazer e o prazer passa a dar trabalho é sinal de que estamos velhos”. Há algumas variações desse ditado, mas prefiro ficar com essa, pois ela me fez refletir sobre algumas temáticas, dentre elas, a questão da saúde do trabalhador. Na atualidade temos várias doenças relacionadas ao trabalho: stress, LER, DORT, Bournot, entre outras. Também é comum ouvirmos que segunda-feira é o pior dia da semana, pois é sinal de que teremos uma semana inteira de trabalho, já a sexta-feira é o melhor dia, porque geralmente é o último dia de trabalho. Trabalho tem que ser duro, “tem que suar a camisa”, outro ditado comum. Quando li sobre o ditado que o trabalho deve gerar prazer, sou sincero em afirmar que, primeiramen-

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te, me surpreendi, mas, num segundo momento, fiquei feliz ao refletir sobre a importância de realmente o trabalho gerar prazer. A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO PARA O SER HUMANO Podemos observar o quanto o trabalho nos constitui enquanto sujeitos. Pense a seguinte situação: quando você conhece uma pessoa, você pergunta seu nome, conversam sobre assuntos aleatórios, porém cedo ou tarde virá a pergunta – “O que você faz?”. Outra situação: você em um espaço para palestrar, fala seu nome, formação e sua experiência profissional. Mais uma situação: você vai fazer cadastro em um banco vem a pergunta – “Qual é a sua profissão?”. Não podemos fugir dessa fatídica realidade: boa parte do que somos, ou do que entendemos que somos, vêm das relações que estabelecemos com nossa profissão, com nosso trabalho!!! Então, se o trabalho não for uma atividade prazerosa, mas sim um sofrimento, teremos sujeitos humanos

em constante sofrimento. Assim, poder discutir a relação entre saúde e trabalho necessariamente implicaria nessa prévia argumentação da importância do trabalho no nosso processo de constituição. PROGRAMA “VIVER QUALIDADE” Muitas empresas vêem buscando tornar o ambiente de trabalho e, conseqüentemente, as relações ali estabelecidas, mais prazerosas, buscando melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Dentre as empresas que preocupam-se com a qualidade de vida de seus colaboradores (numa mudança de perspectiva sobre o funcionário) venho relatar aqui a experiência vivida na Unimed Litoral, empresa na qual trabalho e onde conheci a proposta do “Viver Qualidade”, ou como é chamado pelos colaboradores, VQ. O Programa “Viver Qualidade” tem por objetivo promover o desenvolvimento profissional e pessoal dos colaboradores, bem como a saúde integral dos mesmos, além da interação interpessoal entre os vários setores e departamentos da empresa, buscando a qualidade de vida. A programação do VQ modifica-se quinzenalmente, para que todos os profissionais das mais diversas áreas e setores possam participar das atividades do VQ sem


Daniela Maia

interferir em seus afazeres cotidianos, acordando o melhor horário para participação das atividades, respeitando a logística do setor. O planejamento de cada VQ pode incluir atividades para desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional que podem envolver jogos cooperativos, dinâmicas de grupo, debates, vídeos, realização de atividade física, etc. A ARTE DA FELICIDADE Como estagiário e educador físico, fui convidado a estar planejando, organizando e realizando, parte de um dos VQ’s. Escolhi passar o filme da palestra “A arte da felicidade” de Chris Linnares, que pode contribuir muito para o crescimento pessoal e profissional dos colaboradores da empresa. A palestra fala justamente de que para sermos felizes precisamos nos responsabilizar por nossa felicidade, precisamos construí-la cotidianamente nas relações diárias que estabelecemos, e que tudo que nos acontece é nossa responsabilidade. Dessa forma Chris Linnares aponta que tudo que está a nossa volta são ferramentas que podemos tirar proveito e crescer com elas, tanto no que diz respeito às questões profissionais quanto pessoais. Outra opção é não utilizá-las e ficar “parado” reclamando da vida e culpando tudo e todos pelos acontecimentos que nos acometem e pela situação em que se encontra nossa vida. De acordo com a realidade da empresa, podese apontar algumas ferramentas, tais como: momentos com colegas, espaço para atividade física, dinâmicas, conversas, trabalhos interdisciplinares

O educador físico Tiago aponta a importância do Programa “Viver Qualidade”

entre outras; que visam o aperfeiçoamento pessoal e profissional dos funcionários, mas que somente cada um deles vai poder individualmente fazer bom uso dessas ferramentas disponibilizadas. Essa edição do VQ teve grande repercussão e com vários elogios dos colaboradores que participaram, mostrando a relevância de trabalhos que visem a qualidade de vida do colaborador, fazendo com que o trabalho não seja ruim, mas, pelo contrário, que seja uma atividade/ relação prazerosa. Além disso, oferece a possibilidade de reflexão sobre ações e seu “lugar no mundo”, ultrapassando os muros da empresa e proporcionando o colaborador a refletir sobre o trabalho/empresa na

sua vida e sobre a sua vida na empresa/trabalho. Acredito que este relato pode servir de fundamento e motivação para empresários investirem mais em qualidade de vida do trabalhador, em momentos em que este sujeito possa refletir sobre a empresa, sua importância para esta, tendo uma visão do seu papel dentro da empresa e da empresa como um todo, pois, como bem lembra Chris Linnares em sua palestra citando Demasi, as empresas mais produtivas são aquelas que trabalham com funcionários felizes. Tiago Cristiano Régis Barboza Educador Físico – CREF5286-P/SC E-mail: tiagobarboza@ibest.com.br Fone: (47) 91351759

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Arte

A arte de Pedro Pires Obras poéticas, com expressões e que nos remetem a “autonomia do olhar”. São design de objetos e obras de arte em desenho, gravuras, pinturas em aquarelas, telas e murais cerâmicos para edificações.

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m artista autodidata, com uma sensibilidade imensurável, além do senso criativo que ultrapassa barreiras e permite entrar no interior da alma humana. Assim é Pedro Pires, que exerce seu talento em seu atelier no Sul da Ilha de Santa Catarina, em um dos lugares mais tranqüilos e em conexão com a natureza: Pântano do Sul. Os trabalhos são variados: design de objetos e obras de arte em desenho, gravuras, pinturas em aquarelas e telas e murais cerâmicos para edificações. Mesmo utilizando materiais diferentes, persistem nestas obras os mesmos componentes gráficos e a realização gestual e de raiz expressionista. “O resultado são composições dinâmicas, quase musicais, onde a fluidez do traço, Pintura aquarela sobre papel de algodão

transparências e texturas estruturamse em densas tramas compositivas”, opina João Otávio Neves Filho (membro da ABCA). Com uma trajetória artística intensa, Pedro Pires também participou de projetos gráficos, cenários e figurinos para teatro, cinema de animação e ilustrações para literatura. Neste mesmo período, o artista ainda realizou dez exposições individuais e participou de 17 coletivas, garantindo espaço para suas obras em importantes acervos de instituições públicas como MASC, IPHAN, e em coleções particulares no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, EUA, Portugal, França e Japão. Sua arte emerge do cotidiano, como um diário ao qual vão se acrescentando anotações, cicatrizes acidentais, compromissos, memórias e sobretudo o inesperado. “Emoção Obra realizada em 2005. Aquarela sobre papel Fabriano; 100% algodão

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transformada em energia plástica” é a definição de Pires para seu trabalho. Para o artista, as obras de arte são feitas a partir das impressões sobre a realidade que nos cerca. Pedro Pires espera que sua arte cumpra a função atribuída pelo próprio artista ao seu trabalho: “creio que é função da arte iluminar a vida. Espero que estas obras possam deixar algo que amplie nossa visão de mundo, como um depoimento sobre a realidade que nos cerca. Uma marca em uma superfície gera uma tensão no espaço, que pede uma resposta e assim engendra outra marca, como passos vão formando um caminho”. Confira as fotos da mostra “Construção Naval”, composta por pinturas, em linguagem contemporânea, utilizando telas em acrílica sobre tela e aquarelas sobre papel de algodão. A exposição teve o apoio do FIESCultura, projeto que divulga os trabalhos de artistas catarinenses ou que residam no Estado há mais de cinco anos.

Pintura acrílica sobre tela

Pintura aquarela sobre papel de algodão

Pedro Pires Site: www.pedropires.com.br E-mail: contato@pedropires.com

Pintura acrílica sobre tela

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Livro

Obra aborda relações entre pesca e turismo

Divulgação

O livro é resultado de mais de 20 anos de estudos com a participação de 13 pesquisadores de SC e RS.

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livro “pesca e Turismo - Etnografias da globalização no litoral do Atlântico Sul”, reúne textos de pesquisadores que formam o que já se poderia chamar de uma escola de estudos de comunidades pesqueiras na antropologia de Santa Catarina. A obra é organizada por Carmen Rial, professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina e Matías Godio, doutorando

em Antropologia Social. O livro de 240 páginas reúne textos de 13 autores, iniciando com a participação de Anamaria Beck em: “Caracterização cultural, econômica e social das comunidades pesqueiras da Grande Florianópolis”. A maior parte dos textos faz parte de dissertações e 44

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teses desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade. “O presente livro é um convite ao leitor para adentrar nas diversas manifestações sócio-culturais e econômicas, bem como no processo de construção/reconstrução da identidade étnica dos contingentes açorianos que migraram para o Sul do Brasil, em particular para a Ilha de Santa Catarina e vizinhanças”, comenta Sílvio Coelho dos Santos- professor emérito da UFSC e um dos mais importantes e reconhecidos antropólogos do Sul do país. A professora Carmen Rial considera a obra fundamental aos estudos de pesca e turismo no Brasil, além de servir de potencial utilidade a outros segmentos de público que se interessam por pesquisas etnográficas de lugares e grupos de Santa Catarina. “A obra relata e interpreta o que ocorre em locais tão próximos geograficamente, mas nos quais se processam práticas simbólicas muitas vezes distantes ou desconhecidas, como na Barra da Lagoa, em Ganchos, na Costa da Lagoa, na Lagoa da Conceição”, analisa. A publicação “pesca e Turismo - Etnografias da globalização no litoral do Atlântico Sul” foi uma iniciativa do NAVI - Núcleo de Antropologia Audiovisual e Estudos da Imagem, coordenado pela professora Carmen Rial, apoiada pelo NUPPE - Núcleo de Publicações de Periódicos do CFH, pela FAPESC e pelo PPGICH - Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC. De acordo com Matías Godio, ain-

“A obra é fundamental aos estudos de pesca e turismo no Brasil, relata Carmen Rial”.

da não há um projeto sobre a continuidade da obra neste mesmo enfoque, mas ele revela que muitos pesquisadores estão estudando nesta linha. O próprio Godio continua seu trabalho, usando como ferramenta de pesquisa o audiovisual e tendo realizado documentários com pescadores da Barra da Lagoa em Florianópolis. O pesquisador revela que a pesca industrial sempre é um dos temas que aparecem nas conversas dos pescadores, e, principalmente porque a maioria deles foi durante vários anos pescadores industriais em Santos e Rio Grande.

Serviço Ponto de venda: Revistaria do CFH, Campus da UFSC, Trindade, Florianópolis. Fone: (48) 3721-9457 Colaboração Mário Xavier


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Gastronomia

Caderno Especial

Receitas

Paella Marinheira

Gladstone Campos

Rendimento : 8 porções

INGREDIENTES: -300g de robalo, cortado em cubos -12 camarões grandes, com cabeça e casca -12 mexilhões com casca -6 cavaquinhas com casca -12 vieiras com conchas -300g de lulas em anéis -½ k de arroz “bomba “ espanhol (próprio para paella ) ou - arroz agulha parabolizado, tipo 1 -3 litros de caldo de peixe ( receita adicional) -2 g de açafrão diluído em um pouco do caldo quente -200g de cebola picada -10 dentes de alho picados - 200g de vagem, tipo macarrão, cortada em bocados - azeite para untar - sal e pimenta a gosto - p/ finalizar: - 1 ½ pimentão vermelho, em rodelas - 2 colheres (sopa) de salsa picada

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PREPARO Unte a paelleira (panela própria para paella) com azeite. Coloque os camarões , as cavaquinhas e mexa durante uns 5 minutos ou até ficarem dourados . Retire e reserve . Na mesma paelleira, coloque a cebola, o alho, o peixe, as lulas e mexa mais uns 5 minutos, também até dourarem. Acrescente o arroz e misture bem.

Junte a vagem, o caldo de peixe em quantidade suficiente para cobrir todos os ingredientes e deixe cozinhar durante aproximadamente 15 minutos, até o arroz ficar cozido. Acrescente as vieiras ,os mexilhões, e deixe cozinhar, mexendo, mais 5 minutos . Enfeite com salsa picada e as rodelas de pimentão e sirva na própria paelleira .


Gabriel Vargas

Encontro de Amigas Nada melhor que jogar conversa fora, relaxar após o trabalho e ainda saborear com os amigos uma deliciosa sopa de frutos do mar no forno à lenha. Para completar, uma sobremesa especial:mousse de atum. A Revista Sindipi sempre estará oferecendo este espaço, compartilhando com os leitores as festas, encontros, refeições em casa que tenham no cardápio peixes e frutos do mar. Confira o encontro de um grupo de amigas em Itajaí. Inspiradas na arte da culinária a base de pescado, desfrutaram uma sopa; sobremesa de atum e como acompanhamento, um saboroso vinho. Anote as receitas e organize uma noite especial!

Mousse de atum INGREDIENTES: - ½ xícara de água quente - 1 cubo de caldo de galinha - 6 folhas de gelatina branca ou ½ envelope de gelatina em pó - 1 lata de atum (para esta receita foi utilizado o atum Coqueiro) - 1 vidro de 250 gramas de maionese - 1 lata de creme de leite sem soro - 4 colheres de catchup - 1 colher de sopa de molho inglês MODO DE PREPARO: Na água quente desmanchar o caldo de galinha e a gelatina. Bater todos os ingredientes no liquidificador. Colocar em uma forma untada com azeite de oliva. Colocar na geladeira, espera ficar com consistência de gelatina, desenforme e está pronto para servir.

Mara Saturnino, Semida Fortes, Daniela Maia, Célia Rodriguez, Rubia Ballester e Lilian Bini

Sopa de frutos do mar INGREDIENTES (6 PESSOAS): - 1 maço de cheiro verde - 1 cebola média/ 4 dentes de alho/ 2 tomates / 1 pimentão - 1 colher de cominho - 5 folhas picadas de manjericão - 1 lata de massa de tomate - 3 colheres de amido de milho - 1 pitada de leite - 1 colher de margarina - 200g de camarão médio - 200g de lula - 200g de filé de peixe sem espinha - 200g de siri ou marisco - 1 vidro pequeno de leite de coco - 1 lata de creme de leite - 1 xícara pequena de óleo sal a gosto

MODO DE PREPARO Refogue a cebola e alho no óleo e coloque 1 colher de margarina. Acrescentar o pimentão e os tomates (sem pele) cortados, além do manjericão e cominho. Coloque a massa de tomate e um litro de água. Deixe ferver. Acrescente em seguida a lula e deixe por mais 30 minutos. Colocar mais um litro de água e deixe ferver. Acrescente o peixe, camarão, siri e deixe na panela por mais ou menos 40 minutos. Desmanchar 3 colheres de amido de milho com leite e ir acrescentando aos poucos. Em separado, bata no liquidificador o creme de leite e leite de coco até ficar cremoso. Coloca o creme na panela, misture bem, acrescente o cheiro verde e deixa ferver por cerca de 15 minutos, desligue o fogo, tampe a panela e deixa cozinhar no vapor. Acompanhamento: com farinha, torradas. Preparado por Eliane de Amorim

Preparado por Rubia Ballester

Sérgio Vignes

Tainha recheada ao forno - 1 tainha (1kg e meio), - 1 colher de sopa colorífico extra, - 1 perna de ova sem pele, - 100gr de moela de tainha, - 100gr de camarão sem casca, - 1 cebola grande, - 100ml de óleo de soja, - 200ml de azeite extra virgem, - 2 batatas inglesa grande, - 300gr de farinha de mandioca, - palito de dente, limão, 3 dentes de alho, sal a gosto.

PREPARO Tempere a tainha limpa com sal e alho à gosto e deixe descansar. Recheio da Tainha: Em uma panela, coloque 200ml de azeite extra virgem, em seguida o alho e a cebola para dourar. Coloque a ova sem pele, a moela e o camarão para fritar por 5 minutos. Quando estiver pronto, acrescente a farinha de mandioca e mexa até ficar no ponto. Acrescente o sal à gosto, o colorífico e mexa até virar uma farofa amarela. Pegue a tainha e recheie com esta farofa, feche com os palitos, coloque numa forma de alumínio sobre as batatas em rodelas e regue com 100ml de óleo de soja. Corte os limões em rodelas para decorar. Temperatura: 250°. Tempo aproximado: 45 minutos

Restaurante Oliveira Rua Henrique Veras do Nascimento, 57. Lagoa da Conceição Florianópolis / SC (48) 3232-0201

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Porto Rubaiyat abre suas portas no Itaim Bibi Divulgação

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Grupo Rubaiyat - dos restaurantes A Figueira e Baby Beef Rubaiyat - inaugurou seu quarto empreendimento na cidade de São Paulo. É o Porto Rubaiyat, instalado no Itaim Bibi, que apresenta um variado cardápio especializado em pescado e frutos do mar. A casa conta com um conceito gastronômico baseado na cozinha saudável, sem frituras e enriquecida com os melhores ingredientes de cada estação. O novo investimento é a realização de um sonho antigo da família Iglesias, que também comanda restaurantes nas cidades de Buenos Aires (Cabaña Las Lilas) e Madri (Baby Beef e Porto Rubaiyat, casa homônima, que exportou o modelo para o Brasil). A coordenação dos 45 cozinheiros e auxiliares fica a cargo do chef Francisco Gameleira, que já trabalhou em dois estabelecimentos do grupo. Ele é responsável pela distribuição dos trabalhos e pela operação dos fogões, grelhas e fornos a lenha, que são aquecidos a uma temperatura de 600º C. Inicialmente, Gameleira atuará em conjunto com o consultor Benjamín Urdiain, exchef do Zalacaín, em Madri, primeiro restaurante espanhol a receber três estrelas do Guia Michelin.

O restaurante é uma grande caixa azul e toda sua decoração remete ao mar. Na foto abaixo, a entrada da casa, à frente do bar, fica um aquário com ostras e peixes de água doce e salgada.

Peixes vivos em aquário e luz natural - O projeto arquitetônico do Porto Rubaiyat, assinado por Fernando Iglesias, segue o estilo moderno e arrojado das demais casas do grupo, com a presença de toques rústicos, como o piso feito com madeira de demolição e as lajotas de um antigo terreiro de café dispostas nas paredes. O restaurante é uma grande caixa azul e toda sua decoração remete ao mar. Na en-

trada da casa, à frente do bar, fica um aquário com ostras e peixes de água doce e salgada. A intenção dos proprietários é ter sempre uma grande quantidade de pescado vivo para valorizar o frescor dos pratos. Ao lado, fica um balcão com gelo onde estão expostos os frutos do mar já limpos, como centollas chilenas, mexilhões, ostras, lagostas e vieiras. A cozinha e a fachada são envidraçadas e uma clarabóia de 90 m2 permite a incidência de luz natural no salão, que conta com um pé direito de 6m de altura. Em seu centro, ficam dois pandanos, plantas ornamentais semelhantes a palmeiras. Para completar a decoração, uma das paredes exibe trabalhos de fotógrafos, que estarão disponíveis para a venda e serão trocados semestralmente. Paisagens clicadas por Valentino Fialdini e Bianca Cutait dão início ao projeto.

Porto Rubaiyat Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr. 1.142 Itaim Bibi - São Paulo - tel.: 3077-1111

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Gladstone Campos

Salada Porto Rubaiyat INGREDIENTES FRUTOS DO MAR - 05 lulas picadas abertas ao meio - 02 camarões grandes (um inteiro e um picado) - 02 tentáculos de polvo cozido por 45 minutos, depois picados em pedaços - 02 vieiras MODO DE PREPARO Grelhar todos os frutos do mar em uma frigideira com azeite, sal e pimenta do reino a gosto. BASE DA SALADA - 02 tomates picados em cubos sem sementes - 01 tolete de palmito cortado em rodelas - 01 punhado misto de alface

TEMPERO DA SALADA

MONTAGEM TORRE DE SALADA

- 02 colheres de sopa de azeite extra virgem - 02 colheres de sopa de aceto balsâmico - 01 pitada de sal - 01 pitada de pimenta do reino preta

- Colocar o tomate picado na parte de baixo do prato. - Acrescentar a alface e em seguida colocar o palmito cortado em rodelas. - Para decorar, dispôr o camarão inteiro em cima do palmito e o restante dos frutos do mar ao redor da salada.

Gladstone Campos

Polvo a Feira 6 porções

INGREDIENTES - 1,5 k de polvo - 4 folhas de louro - 4 cebolas cortadas em ¼ - Sal PREPARO Cozinhar o polvo em abundante água fervente com as cebolas, sal e louro dentro da panela de cobre por 45 minutos, coar e reservar. No momento de servir, cortar o polvo em pedaços com uma tesoura e colocar uma pitada de pimentão doce espanhol e azeite de oliva.

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Mensagem

A ATITUDE É TUDO Compartilhe esta surpreendente história de vida, que nos faz refletir o quanto nós somos responsáveis por nossa vida e que tudo depende de escolhas.

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erry é o tipo de cara que você adora odiar. Ele estava sempre de bom humor e tinha sempre algo de positivo para dizer. Quando alguém lhe perguntava como ele estava, ouvia a resposta: “melhor, impossível! Ele era um mestre de barco único, porque tinha vários tripulantes que o seguiam de embarcação para embarcação. A razão porque eles o seguiam era devido a sua atitude. Ele era um motivador natural. Se algum pescador estava num mau dia, lá estava Jerry dizendo para ele o lado positivo da situação. Ver este estilo realmente me deixou curioso, então, um dia eu fui até ele e perguntei: “eu não entendo, você não pode ser otimista o tempo todo. Como você consegue? Ele respondeu:” a cada manhã eu acordo e digo para mim mesmo: Jerry, você tem duas escolhas hoje: você pode escolher estar de bom humor ou pode escolher estar de mau humor. Eu escolho estar de bom humor. E cada vez que algo de ruim acontece, eu posso escolher ser uma vítima ou eu posso escolher aprender com a situação. Eu escolho aprender. Todas as vezes que alguém me vem com reclamações, eu posso escolher aceitar as reclamações ou eu posso apontar o lado positivo da vida. Eu

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escolho o lado positivo da vida. “É, tudo bem, mas não é tão fácil assim”, eu protestei. “Sim, é”, disse Jerry. A vida se refere a escolhas. Quando você descarta o superficial toda situação é uma escolha. Você escolhe como reagir à situação. Você escolhe como as pessoas vão afetar o seu humor. Você escolhe estar de bom humor ou mau humor. Em conclusão: é uma escolha sua, como você vive a vida”. Eu refleti sobre o que Jerry me disse. Pouco tempo depois, eu deixei meu ramo de revenda de pescado para começar o meu próprio negócio, o de armador. Nós perdemos contato, mas freqüentemente pensava nele, quando eu fazia uma escolha sobre a vida, ao invés de simplesmente reagir impulsivamente. Muitos anos depois, eu soube que Jerry havia feito algo que você sempre deve ter o cuidado: ele deixou a porta de frente da sua casa aberta. Sorte que sua família estava viajando para a casa dos seus pais. Pela manhã, ele estava cercado por três assaltantes armados e enquanto ele tentava abrir o cofre (todas as suas economias que guardava em seu lar), suas mãos, tremendo pelo nervosismo, erraram a combinação. Os assaltantes ficaram em pânico e atiraram nele. Por sorte, Jerry, foi encontrado logo e levado para o hospital. Após 18 horas de cirurgia e semanas na UTI, Jerry teve alta do hospital, mas com alguns fragmentos de bala em seu corpo. Eu encontrei Jerry após

Francie Schwartz (adaptação Daniela Maia) Centro Universalista Cristão Nossa Casa de Oração de Balneário Camboriú

seis meses do acidente. Quando eu lhe perguntei como ele estava, ouvi a resposta: “melhor impossível, quer ver as cicatrizes?” Não quis ver seus ferimentos, mas perguntei o que havia lhe passado pela cabeça quando os assaltantes apareceram. “A primeira coisa que me veio à cabeça, foi que eu deveria ter trancado a porta de casa”, ele respondeu, “então, quando estava no chão, eu me lembrei que eu tinha duas escolhas: eu poderia viver, ou poderia morrer. Eu escolhi viver”. “Você não ficou com medo? Você perdeu a consciência?”, perguntei. Jerry continuou: “a equipe médica foi ótima. A equipe me dizia que eu ia ficar bem. Mas quando eles me levaram para a sala de emergência e eu vi a expressão dos médicos e enfermeiras, eu fiquei com muito medo. Nos olhos deles eu podia ler esse é um homem morto. Assim, eu soube que precisava reagir”. “O que você fez?”, perguntei. “Bem, havia uma enfermeira grandona, robusta, me fazendo perguntas. Ela me perguntou se eu era alérgico a alguma coisa. Eu disse que sim. Os médicos e enfermeiras pararam tudo e esperaram a minha resposta. Eu respirei fundo e gritei: Balas! Em meio às gargalhadas, eu gritei que estava escolhendo viver e que devia ser tratado como se eu estivesse vivo, não morto”. Jerry viveu graças as habilidades dos médicos, mas também por causa da sua surpreendente atitude. Eu aprendi com ele que todos os dias, nos temos a escolha de viver plenamente. Enfim, a atitude é


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