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QUEM FOI ZUMBI DOS PALMARES Conhecido como Zumbi dos Palmares, ele foi o último dos líderes do Quilombo dos Palmares durante o período colonial. Filho de escravos e nascido nesse quilombo, atual Alagoas, Zumbi lutou pela libertação dos negros até sua morte. Em 1695, com 40 anos, Zumbi foi assassinado pelo capitão Furtado de Mendonça e seus restos

mortais foram expostos em praça pública.

Batuque Batuque, tuque tuque todo o muque no tambor. Puxaram o corpo cá prá longe mas a alma espichou e as raízes crisparam-se lá e o caule é este tambor, e a seiva, este som de cratera que a gente vai fundo buscar. Batuque, tuque, tuque! todo o muque no tambor. Esses negros loucos batendo já com a cor de Exú-Bará nos dedos couro contra couro, mas o couro da Iyà é mais forte, lá vai o seu ronco de trovoada e a terra vai rachar em fendas – toque de Xangô. Batuque, tuque, tuque! todo o muque no tambor. Batuque, tuque tuque todo o muque no tambor.

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O NEGRO NA REVOLUÇÃO FARROUPILHA

SINDIMETRÔ/RS

A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta republicana contra o Império escravocrata e centralizador brasileiro. Grandes proprietários de terras do Rio Grande do Sul, sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais, principalmente pelos impostos considerados excessivos, no dia 20 de setembro de 1835, declaram guerra ao Império.

PORTO ALEGRE, 20 DE NOVEMBRO DE 2018

ESPECIAL MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Fotos: Pâmela Sinhorelli/Camila Debesaitys

EXPEDIENTE

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Vinícius Vieira

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Pelópidas Thebano e Vinícius Vieira

4 Leandro Machado, Pelópidas Thebano, Leonardo Posenato, Vilmar Santos e Vinicius Vieira. Idealização: Mãe Norinha de Oxalá

Jornal do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e Conexas do Rio Grande do Sul Rua Monsenhor Felipe Diehl, 48, Humaitá, Porto Alegre/RS – Fone: 51-33744200 Presidente: Luís Henrique Chagas Secretária de Comunicação: Ayllu Acosta Jornalista Responsável: João dos Santos e Silva (MTb/RS 7924) E-mail: imprensa@sindimetrors.org e falecom@sindimetrors.org

/sindimetro

FILIADO À CSP CONLUTAS E À FENAMETRO

Os principais protagonistas dessa luta foram os negros. Nesse cenário foi criada a unidade militar conhecida como Lanceiros Negros. Depois de lutarem durante dez anos, não contra os impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”. Até hoje, a maioria branca nega a importância dos Lanceiros Negros na revolução e essa covarde traição.

ARTISTAS QUE CRIARAM OU EXECUTARAM AS OBRAS DO PERCURSO DO NEGRO

Acompanhe o Sindimetrô/RS:

Fundado em 09 de abril de 1986

OS NEGROS E AS NEGRAS FAZEM A TRENSURB

Oliveira Silveira

1 Gutê, Leandro Machado, Elaine Rodrigues, Mattos, Pelópidas Thebano e Adriana Xaplin

Nº 138

sindimetrors.org

@SindimetroRS

NOVEMBRO: MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

O mês de novembro é consagrado como o Mês da Consciência Negra. E o dia 20 escolhido pelo seu simbolismo, data da morte de Zumbi dos Palmares, que morreu combatendo o sistema escravista. Nas Américas, a luta pela liberdade e valorização da cultura africana vem de longa data. São mais de 500 anos de combate ao racismo e qualquer tipo de discriminação ao povo negro. No Brasil, a população negra é maioria. Soma 54% do total de habitantes. Porém, são

ampla maioria entre os pobres. Em 2014, 76% dos mais pobres eram negros. Três em cada quatro pessoas que estão entre os 10% mais pobres são negros. Na Trensurb, o contingente de colegas negros(as) é fundamental para o trabalho cotidiano de bem atender o universo de aproximadamente 200 mil usuários(as) que utilizam diariamente o trem metropolitano para trabalhar, estudar ou para outros compromissos ao longo dos municípios, direta ou indiretamente, atendidos pela linha.


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NÚMEROS MOSTRAM A DESIGUALDADE

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Fonte: Carta Capital

A população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência no Brasil. É o que alerta a Organização das Nações Unidas (ONU).

No mercado de trabalho, pretos e pardos enfrentam mais dificuldades na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral, afirma o Ministério Público do Trabalho.

A população negra também corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, destaca o Atlas da Violência 2017.

Apenas em 2089 brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pesquisa “A distância que nos une - Um retrato das desigualdades brasileiras” da ONG britânica Oxfam.

O feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres por sua condição de gênero, também tem cor no Brasil: atinge principalmente as mulheres negras. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%. Os dados são do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade LatinoAmericana de Estudos Sociais.

As mulheres negras também são mais vitimadas pela violência doméstica: 58,68%, de acordo com informações do Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher, de 2015. Elas também são mais atingidas pela violência obstétrica (65,4%) e pela mortalidade materna (53,6%), de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Fiocruz.

Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças.

O Brasil abriga a quarta maior população prisional do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Tratam-se de 622 mil brasileiros privados de liberdade. Mais da metade (61,6%) são pretos e pardos, revela o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).

Só 10% dos livros brasileiros publicados entre 1965 e 2014 foram escritos por autores negros, afirma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que também analisou os personagens retratados pela literatura nacional: 60% dos protagonistas são homens e 80% deles, brancos.

A crise e a onda de desemprego também atingiu com mais força a população negra brasileira: eles são 63,7% dos desocupados, o que corresponde a 8,3 milhões de pessoas. Com isso, a taxa de desocupação de pretos e pardos ficou em 14,6% - entre os trabalhadores brancos, o índice é menor: 9,9%.

PERCURSO NEGRO EM PORTO ALEGRE

O percurso visual do negro em Porto Alegre evoca a presença, a memória, o protagonismo social e cultural dos africanos e descendentes no Centro Histórico da capital gaúcha, com destaque para os lugares vivenciados pelos negros, como o Cais

do Porto e antigos Ancoradouros, Mercado Público e entorno, Largo das Quitandeiras (Praça da Alfândega), Pelourinho (Igreja das Dores), Largo da Forca (Praça Brigadeiro Sampaio) e Esquina do Zaire (Avenida Borges de Medeiros com Rua da Praia).

TAMBOR

PEGADA AFRICANA

PAINEL AFROBRASILEIRO

BARÁ DO MERCADO

Localizado na Praça Brigadeiro Sampaio, o Tambor é a primeira escultura do Museu de Percurso Negro em Porto Alegre. Ele homenageia os ancestrais africanos e os negros gaúchos que com sua história, trabalho, resistência cultural, arte, religiosidade e saberes imemoriais, contribuíram para consolidar a cultura afrobrasileira. O Tambor foi inaugurado em 09 de abril de 2010.

A manifestação da Pegada Africana afirma a Praça da Alfândega como um dos lugares da existência do Museu de Percurso Negro. Na praça, antigo Largo das Quitandeiras, raízes históricas adquiriram nova visibilidade na forma do continente africano, concebida a partir de uma linha formada por sinuosos movimentos de matriz orgânica. A Pegada Africana foi inaugurada em 14 de novembro de 2011.

O Painel Afrobrasileiro é uma obra de arte pública que integra o Museu de Percurso Negro em Porto Alegre. Localizado no Largo Glênio Peres, próximo ao acesso ao Chalé da Praça XV, consiste num painel com dimensões de 95cm x 600cm. Para sua criação foi usada como técnica o mosaico cerâmico. O Painel Afrobrasileiro foi inaugurado em 20 de novembro de 2014.

O Mercado Público faz parte dos “caminhos invisíveis dos negros em Porto Alegre”, e sua importância deve-se a preservação e culto ao Orixá Bará Ajelu Oladiá, assentado no centro do prédio histórico. O Bará é, dentro do panteão africano, a entidade que abre os bons caminhos, o guardião das casas e da cidade, e representa o trabalho e a fartura. O Bará foi inaugurado em 07 de fevereiro de 2013.

Guaíba

Rua Gen. Câm

Av. Mauá

Rua Siqueira Campos

4

ara

Rua dos Andradas

Rua Caldas Junior

Portinho

Rua Sete de Setembro

Rua J. Manoel

Rua Gen.

1

Rua Gen. Bento Martins

Praça Brig. Sampaio Sampaio Tambor), (Praça do Tambor), antiga Praça antigo Largo da da Forca Forca

2

Mercado Público

Praça da Alfândega (antigo Largo das Quitandeiras)

Praça 15 de Novembro

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Jornal do SindimetrôRS - Edição 138 - Novembro/2018  

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