Jornal do Sindimetrô/RS #158

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SINDIMETRÔ-RS 1986 - 2021

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VITÓRIA! CATEGORIA RENOVA ACORDOS POR DOIS ANOS E MANTÉM CONQUISTAS HISTÓRICAS Os metroviários decidiram por ampla maioria, em assembleia geral, pela aprovação da contraproposta apresentada pela empresa. A última mediação feita pelo TRT com o Sindimetrô RS, a comissão de negociação e a Trensurb ocorreu no dia 13 de setembro, depois de quatro meses de impasse. Após ataques da empresa às conquistas históricas a categoria decidiu por paralisar a operação no dia 09/09. As ações deram resultados e fizeram com que a Trensurb recuasse. A política do governo federal é de retirada de direitos e de extinção dos serviços e servidores públicos. Apesar desse cenário, os metroviários mantiveram suas conquistas e nenhum direito foi retirado. Os direitos trabalhistas estão sob ameaça no Brasil nos últimos anos.

A reforma trabalhista de 2017 prometeu, mas não resolveu a situação do desemprego - que hoje afeta mais de 14 milhões de brasileiros. Em 2019, foi a vez da reforma da previdência, que aumentou os anos de contribuição dos trabalhadores. Agora está em pauta, a reforma administrativa , que visa acabar com os concursos públicos e a estabilidade dos servidores. Agora, todas as forças dos metroviários miram no processo de privatização que segue seus trâmites no BNDES e no Programa de Parceria e Investimentos (PPI) do governo Bolsonaro: “Aprovar nosso acordo faz com que possamos avançar e abrir caminho para a verdadeira luta que é contra a privatização”, afirmou Ronas Filho, diretor jurídico do Sindimetrô RS.


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O CORONAVÍRUS E A PRIVATIZAÇÃO

CONFIRA TODOS OS PASSOS DA NEGOCIAÇÃO As primeiras reuniões de negociação ocorreram em abril com poucas definições. Apenas no terceiro encontro, no início de junho, houve algum avanço significativo com a aprovação de 54 cláusulas do ACT e a renovação do Acordo de Escalas. Em julho, após sucessivas negativas da empresa em reajustar os benefícios, o Sindimetrô RS apresentou a seguinte proposta: 100% do INPC do período em maio de 2022, acordo de dois anos e 2 mil reais de abono. O abono foi reivindicado para compensar as perdas no vale refeição. Depois de mais um mês sem avanços, a Trensurb finalmente mostrou suas garras e atacou os direitos da categoria em reunião presencial no dia 23/08. A empresa voltou atrás e propôs a exclusão de itens já acordados (ver box): ● 8ª cláusula: Adicional Noturno ● 48ª Cláusula: Marcação de Férias; ● 49ª cláusula: Licença Médica/ Melhoria Salarial; ● 58ª cláusula: Garantia dos Direitos Sindicais; ● 61ª cláusula: Desconto Assistencial;

TRT PRECISOU ENTRAR NAS CONVERSAS Este posicionamento levou ao decreto de “estado de greve” dos trabalhadores com previsão de paralisação de 24 horas no dia 9 de setembro. A mobilização surtiu efeito. Diante da situação, o Tribunal Regional do Trabalho entrou nas negociações entre a empresa e os trabalhadores em reuniões mediadas pela desembargadora Carmen Izabel Centena Gonzalez. A primeira mediação ocorreu dia 31 de agosto e a Trensurb se comprometeu a trazer uma contraproposta da Sest. Em nova mediação, no dia 03 de setembro, a empresa recuou em quatro das seis cláusulas que havia proposto extinguir e a comissão percebeu que houve reabertura para o diálogo com a direção. Então, na assembleia seguinte, no dia 8, a categoria decidiu por unanimidade não realizar a paralisação. As negociações seguiram através das mediações com o TRT4. Na terceira rodada com o tribunal, ocorrida na tarde do dia 8, a empresa desistiu da quinta cláusula,

● Acordo de Escalas – 9ª cláusula: exclusão do parágrafo único

Reunião de negociação presencial em 27/07 (Arquivo/Sindimetrô RS)

Mediação online do TRT4 com Sindim negociação e Trensurb em 31/08 (Arq


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que regulava a licença médica para fins de promoção e progressão internas. A nova proposta ainda exigia a exclusão da cláusula que versava sobre marcação de férias. No dia 13, em assembleia geral extraordinária, houve a apreciação e discussão da proposta da Trensurb. Havia apenas uma cláusula em impasse, que é assegurada dentro das leis da CLT. Por ampla maioria, os metroviários decidiram aceitar a proposta da empresa. No final da tarde, uma última mediação no TRT 4 encerrou as negociações entre as partes. A renovação dos acordos por dois anos garante reposição inflacionária de 100% do índice do INPC nos salários em maio de 2022 e um abono de R$1.000,00 em julho de 2022. “Não é o acordo dos sonhos, mas perto do que se vislumbrava, foi um bom acordo. Agora a categoria tem que mostrar união na luta contra a destruição dos serviços públicos e a política econômica de Guedes que quer privatizar a Trensurb”, destacou o presidente do Sindimetrô, Luís Henrique Chagas.

ndimetrô, comissão de 8 (Arquivos/Sindimetrô RS)

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METROVIÁRIOS PRESTAM SOLIDARIEDADE AOS TRABALHADORES DA GERDAU Metroviários prestaram solidariedade aos trabalhadores da Gerdau em Charqueadas. Os metalúrgicos estão enfrentando medidas de austeridade sem diálogo com a empresa. As mudanças são amparadas pela medida provisória 936 do governo Bolsonaro. A MP autoriza os empregadores a reduzirem salários e jornadas e também suspender temporariamente contratos de trabalhos. Em meio à crise causada pela pandemia, o lucro líquido da Gerdau somou R$ 3,4 bilhões no segundo trimestre de 2021, um recorde histórico. A empresa quer implementar uma escala de trabalho sem negociar com os trabalhadores e diminuir os salários em 40%. Desde o dia 13 de setembro, trabalhadores ocupam a fábrica e exigem negociação com a empresa. O Sindimetrô RS foi até Charqueadas e prestou seu apoio à mobilização.

Assembleia geral extraordinária em 13/09 (Arquivos/Sindimetrô RS)


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RODOVIÁRIAS PARTILHAM EXEMPLO DA CARRIS AOS METROVIÁRIOS que se solidarizaram para apoiar o piquete dos rodoviários.

As rodoviárias da Carris Kátia e Isabel na assembleia geral em 13/09 (Arquivos/Sindimetrô RS)

Durante a assembleia geral do dia 13, as colegas rodoviárias da Carris, Isabel e Kátia, trouxeram seus relatos sobre a mobilização contra a privatização da empresa. A extinção gradativa da função de cobradores foi aprovada na noite de primeiro de setembro pela câmara de vereadores de Porto Alegre. A votação do projeto entrou de surpresa na pauta e foi encerrada quase à meia noite, após tumulto e com os rodoviários sendo barrados pela segurança. Junto disso, também foi aprovado o projeto para a desestatização da Carris. A mobilização da categoria rodoviária foi crescendo ao longo dos dias, com a ajuda logística de diversas entidades

Rodoviária da Carris há sete anos, Kátia agradeceu o apoio do Sindimetrô RS à paralisação rodoviária e ressaltou a importância de enfrentamento às políticas de privatização que vem ocorrendo em diversos setores de serviços essenciais. Essa foi a primeira vez em que ela participa do movimento grevista. Kátia alertou a categoria para o impacto dessas ações na vida dos trabalhadores: “quando todos os serviços forem privatizados, seremos privados de tudo”, lembrando dos ataques e desvalorização de setores como a educação e a saúde pública, além dos transportes. “Mesmo se houver 1% de possibilidade de mudar, nós vamos continuar lutando, , porque não é apenas garantir o nosso trabalho, mas é lutar pelo sustento da nossa vida e da vida da nossa família”, ressaltou Isabel, rodoviária da Carris há dez anos.

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