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editorial Iniciamos 2010 dizendo que era um

sumário

ano promissor, mas recomendávamos cautela. Chegamos no 2° trimestre dizendo que a entressafra não se comportava como tal, e os melhores preços característicos desta época não se confirmavam. Agora, pró-

Eleições

04

ximos à primavera, podemos dizer que o mercado não realizou o prometido para o período e deixou preocupações para o ano,

Conseleite

27

nunca antes anunciadas tão cedo. O Setor estava acostumado a um primeiro semestre melhor remunerado. Esse resultado era repassado ao produtor, que compensava com os maiores custos de produção enfrentados nessa época.

Avisulat

28

Logo em seguida, a safra trazia uma produção maior, é óbvio, e preços menores. Nos últimos anos, esses preços despencavam de maneira injustificada, apresentando valores bastante inferiores ao custo de produ-

Mercado

30

ção. A Indústria se via obrigada a dividir parte desse prejuízo com os produtores. A média do ano deixava margens mínimas (2 a 3%), obrigando produtores e Indústrias a trabalhar com escala. Como fica agora? Produtor e Indústria não “fizeram gordura”.

Qualidade

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Resta-nos acreditar que o período de crise ou mesmo guerra, foram períodos que antecederam grandes realizações, seja pelos ensinamentos que geram maturidade, seja pela necessidade de sobrevivência. É , o termo

Queijos

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é esse, sobrevivência. Se as Empresas individualmente, mas em cumplicidade com os produtores não tiverem juízo, as fusões e consolidações que nos anos de 2007 e 2008 ensaiaram passos, acontecerão sem comemora-

Destaque

38

ções, via falências e incorporações. O Mercado Interno deve colaborar, não exigindo prática de preços suicidas que, em seguida, por escassez, reage e cobra a conta. Falamos em Mercado Interno, porque quanto ao Mercado Externo a história é outra. Precisamos ter competitividade tanto em preços quanto em qualidade. Devemos refletir e unidos em cadeia, Produção, Indústria e Varejo, cada um fazer sua lição. Identificando o competidor que está fora de nossas fronteiras. É com ele que devemos disputar espaços. Somos um Estado com aptidão para a atividade, mas devemos traduzir este sentimento em ações. Devemos reavaliar nossa matriz de produção, buscar a qualidade máxima, não nos atendo apenas à exigida pelos Órgãos de controle. Organizamos, faremos frente às dificuldades que se apresentarem. Elas sempre se apresentarão, mas saudáveis, nós sobreviveremos e seremos felizes. Temos condições para isso ! Carlos Marcílio Arjonas Feijó Presidente do Sindilat RS

3


Eleições

Em defesa do Rio Grande do Sul

Candidatos ao governo apresentam suas propostas para a cadeia leiteira “O setor agropecuário vem diversificando a matriz produtiva, com o propósito de viabilizar as propriedades rurais e fomentar a atividade econômica no âmbito municipal e/ou regional.”

4

Yeda Crusius - Candidata a Governadora

Quais são os principais pontos do seu programa de governo?

realizando R$ 3,5 bilhões em investimentos na infraestrutura, na saúde, na educação, na

Com a obtenção do Déficit Zero nas

segurança, na promoção da nossa economia e

contas públicas do Rio Grande do Sul, passa-

nas prioridades escolhidas pelo nosso povo na

mos a ter mais autonomia e assim podemos

consulta popular.

planejar o futuro. Antes o planejamento que

O Plano de Governo para o nosso se-

se tinha no Estado não passava da análise de

gundo mandato já parte, assim, de uma nova

pagamento da folha dos servidores para o pró-

situação fiscal que nos permite dizer a todos

ximo mês. Basta dizer que neste ano de 2010

que o nosso Estado encontrou o seu caminho

a atual administração pública estadual está

certo para o desenvolvimento, que é o do in-


Eleições

vestimento crescente em bens públicos para

vegetal da agropecuária gaúcha e apoiando

os nossos cidadãos, tendo em perspectiva tra-

com crédito e com incentivos a expansão da

zer o povo gaúcho de volta para os primeiros

nossa capacidade de oferta agropecuária e

patamares nacionais quanto aos indicadores

agroindustrial, o próximo mandato será pau-

de qualidade de vida e de crescimento eco-

tado pela recondução do Rio Grande do Sul

nômico. Portanto, os principais pontos que já

ao seu papel de celeiro do Brasil e de um dos

fazem parte do nosso Plano de Governo são

grandes produtores e exportadores agrope-

investimentos ainda maiores naquelas áreas

cuários do planeta.

antes já citadas, em especial. O que pretende fazer para tornar reaComo a candidata vê o agronegócio no Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele?

lidade a exportação de leite gaúcho ao exterior? A exportação é uma atividade especia-

Uma das grandes vocações do Brasil

lizada e que exige, em geral, escalas de produ-

e, principalmente, do nosso Estado é agregar

ção elevadas e, portanto, investimentos altos.

valor às suas áreas de agricultura, florestas,

No caso do leite, o produto central de expor-

campos e de pecuária. O setor agropecuário,

tação é o leite em pó. Enquanto os pequenos e

em determinadas regiões, vem diversificando a matriz produtiva, com o propósito de viabilizar as propriedades rurais e fomentar

Sacos de Papel para Leite em Pó

a atividade econômica no âmbito municipal e/ou regional. As atividades agropecuárias no RS têm gerado excedentes de produção. Em 2009, foram responsáveis por 20% das

Cola pré-aplicada hot melt ou Boca aberta.

exportações brasileiras da carne de frango e por 40% de carne suína. A participação do Estado na produção brasileira é de aproximadamente 65% do arroz, 15% da soja e 10% do leite. Neste último produto, o crescimento anual é em

Invólucro de PEBD / Poliamidas / EVOH. Shelf-Life de 6 meses até 2 anos.

torno de 15%, enquanto que, no Brasil, a atividade avança em média 5% ao ano. Portanto, o agronegócio, assim como a agricultura familiar, deve ser visto como uma fonte de riqueza e de geração de renda ao longo da sua cadeia produtiva, da mesma forma que seus produtos são cada vez mais demanda-

1893

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Esta embalagem é sócio-ambientalmente correta porque foi produzida com papel Kraft 100% fibra longa virgem, fabricado a partir de celulose extraída de florestas renováveis, certificadas, plantadas pela mão do Homem para tal finalidade. Foi impressa e colada com cola e tintas atóxicas à base dágua, e finalizada sem utilização de mão de obra infantil.

dos em escala local, nacional e internacional. Assim como temos feito neste primeiro mandato, dando prioridade à sanidade animal e

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Eleições

médios produtores de leite deverão continuar

remos mais arrecadação, mas não à custa de

focados nos mercados local, regional e nacio-

mais impostos, e sim ao lado da continuidade

nal, as grandes unidades de produção de leite

das medidas de gestão, tendo como fonte o

em pó estarão com o seu foco de mercado nas

crescimento da economia gaúcha e, portan-

exportações.

to, a expansão da sua capacidade de produzir,

Acredito ser esta uma avaliação correta

acumular riqueza e gerar renda e empregos.

de cenário, e o Rio Grande do Sul tem todas as condições para também se destacar na atividade de exportação de leite. Novos investi-

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Tributária?

mentos em fábricas de leite em pó já foram

A principal reivindicação gaúcha na

realizados com o apoio do Governo do Estado

reforma tributária deveria ser por uma com-

recentemente, citando-se a Nestlé, a Italac,

“A principal reivindicação gaúcha na reforma tributária deveria ser por uma compensação maior da perda de receita vinda das desonerações das exportações.”

O que fazer para acontecer a Reforma

a Bom Gosto, a Parmalat, por exemplo. Estes investimentos estão aumentando a produção de leite no Rio Grande do Sul em taxas acumuladas que chegam a 40% nos últimos quatro anos. Assim, cada vez mais o Rio Grande irá se destacar como produtor e exportador de leite nos cenários nacional e internacional. Um outro exemplo, além do crédito, de apoio recente do Governo do Estado ao setor foi a concessão do benefício fiscal de 4% na compra de leite de produtores gaúchos para a produção de derivados e de 5% para produção de queijo até 1,2 milhão litros/mês. Como encontrar o equilíbrio: a sociedade busca pagar menos imposto, enquanto o governo quer mais arrecadação.

pensação maior da perda de receita vinda das desonerações das exportações. Para fundamentar esse pleito é importante entender a magnitude das renúncias fiscais no RS, a diminuição da carga do ICMS gaúcho e a queda dos ressarcimentos da Lei Kandir. Para tanto, basta afirmar-lhes que as renúncias vêm aumentando no Rio Grande do Sul, passando de 36,20% do ICMS potencial (em 2005) para 39,48% no ano de 2008. Assim, a reforma tributária tem sido postergada pelo receio dos estados, em especial aqueles que já vêm perdendo receitas tributárias potenciais no modelo atual, de ficarem ainda mais dependentes do Governo Federal e perderem mais autonomia quanto a suas decisões tributárias. Considerações finais

Desde o início de nosso governo atu-

Os gaúchos e gaúchas me honraram

amos no sentido de manter o equilíbrio das

com seu voto há quatro anos atrás e tenho ple-

contas públicas e de fato conseguimos. Por in-

na consciência de que, ao custo de muito es-

crível que pareça aumentamos nossas receitas

forço, que em alguns momentos veio acompa-

diminuindo tributos, pois, ao longo de nossa

nhado por lágrimas, eu e meus companheiros

gestão, foram mais de 60 ações de incentivo

e companheiras de governo soubemos tam-

aos setores produtivos. Logo, a resposta para

bém honrar a escolha eleitoral da nossa gente.

essa questão é a boa gestão de um governo

Estamos agora chegando a um novo momen-

que privilegia a eficiência, a eficácia e a efeti-

to de escolha democrática dos nossos gover-

vidade na prestação de serviços públicos para

nantes e estou pronta para defender perante

os gaúchos e gaúchas das nossas regiões. Que-

os rio-grandenses a nossa proposta de conti-


Eleições

nuarmos a percorrer juntos o caminho certo do

vação do seu voto em nosso compromisso

crescimento econômico e do desenvolvimento

de reconduzirmos todos nós a patamares de

social deste Estado que tanto amamos. Digo a

saúde, ensino público, segurança e infraes-

vocês que fizemos muito, mas não fizemos tudo.

trutura que voltem a encher-nos de orgulho

Por isto estou pedindo ao povo gaúcho a reno-

de nossas façanhas.

“O Rio Grande do Sul precisa recuperar o protagonismo nas questões nacionais.”

Tarso Genro - Candidato a Governador

Quais são os principais pontos do seu programa de governo?

não pode nem buscar recursos no exterior, porque não quer repassar o governo para o

Ele está baseado em um tripé. Primeiro: o

seu vice. É um Estado que está despersona-

ponto de partida para o desenvolvimento do Es-

lizado politicamente, embora tenha uma his-

tado é a base produtiva local, que tem lugar para

tória de personalidade política muito forte e

todos, desde os assentamentos, passando pelo

o seu povo tenha personalidade política. En-

agronegócio até as cadeias produtivas tradicio-

tão nós vamos fazer jus a esta tradição. Nós

nais gaúchas. Segundo: nós queremos, através

vamos governar o Estado negociando com a

do Conselho de Desenvolvimento Econômico e

União, apresentando uma agenda forte e exi-

Social do Estado, criar um grande acordo de de-

gindo cada vez mais recursos. E ainda inserir

senvolvimento econômico no Rio Grande do Sul.

o Estado na globalização, de maneira que

Queremos unir contrários, inclusive em

possamos encontrar nichos, lá fora, para dis-

torno de diretrizes que podem ser acolhidas por

putar grandes mercados. Vou dar um exem-

uma ampla maioria e deixando o contencioso

plo concreto. O Rio Grande pode produzir a

político para a vida política comum, como ocorre

melhor carne do mundo. Em certas regiões já

nas democracias. E terceiro: fazer com que o Rio

produz. Por que nós não podemos fazer uma

Grande do Sul se encontre com a União Federal

campanha da nossa marca, da carne gaúcha

e com o mundo. Somos hoje um Estado paro-

no exterior, para sedimentar as nossas ex-

quializado, fechado, escondido. A governadora

portações? Para isso nós temos que tomar

7


Eleições

atitudes seríssimas em termos de sanidade,

sigualdades regionais. Para isto é fundamental

de fiscalização, de qualificação do aparato do

recuperar as estruturas de Estado para que ele

Estado para poder cumprir as normas interna-

seja eficiente na execução de suas atribuições,

cionais. E isso nós faremos também.

como os serviços de assistência técnica, pesquisa, defesa agropecuária, abastecimento lo-

“A Retomada do Desenvolvimento Econômico e Social do meio rural gaúcho pressupõe um programa de governo que seja capaz de conduzir a construção de um novo modelo de desenvolvimento rural.”

8

Como o candidato vê o agronegócio no

cal e regional, armazenagem. É urgente uma

Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para

profunda readequação do ensino para as

ele?

regiões e municípios rurais, bem como, um auO setor primário gaúcho tem uma base

dacioso programa de profissionalização para

produtiva predominante de pequenos e mé-

os homens e as mulheres dirigido às suas dife-

dios produtores, diversificada e regionaliza-

rentes necessidades e realidades.

da. As cadeias agroindustriais respondendo

O nosso governo terá políticas para to-

por cerca de 50% da economia gaúcha, e dos

dos os segmentos do meio rural, implementan-

496 municípios, mais de 90% têm a sua base

do um modelo econômico, de inclusão social e

econômica lastreada no setor primário. As po-

digital, que atenue os efeitos do êxodo rural,

líticas locais, abandonadas pelos dois últimos

priorizando os médios produtores, a agricul-

governos, precisam ser retomadas e fazer a sua

tura familiar, os camponeses, assentados, pes-

parte para acompanhar o ritmo desse Brasil

cadores artesanais, comunidades indígenas e

que cresce. A Retomada do Desenvolvimento

quilombolas, os quais representam a ampla

Econômico e Social do meio rural gaúcho, co-

maioria da população rural e têm nesse espa-

locando-o no ritmo acelerado do Brasil, pressu-

ço suas formas de produção, cultura, estilos de

põe um programa de governo, onde o Estado,

vida e reprodução social. Principais Propostas:

com diálogo e em parceria com as entidades

Retomar o Programa Sabor Gaúcho adesão SU-

organizadas da sociedade civil e movimentos

ASA; Criação da secretaria de Desenvolvimen-

sociais, seja capaz de conduzir a construção de

to Rural e Cooperativismo; Criação do Progra-

um novo modelo de desenvolvimento rural,

ma Estadual de Produção Agroecológica.

que leve em consideração as desigualdades regionais e microrregionais, mas que ao mesmo

O que pretende fazer para tornar reali-

tempo seja capaz de fortalecer as potencialida-

dade a exportação de leite gaúcho ao exterior?

des locais, incluindo pessoas e regiões na dinâ-

A cadeia agroindustrial do leite, no Bra-

mica econômica e social do país. A construção

sil e no RS, é uma das mais importantes, em

deste novo modelo de desenvolvimento deve

face de sua abrangência social e econômica.

resgatar as experiências do Governo Olívio e

É a quarta força no setor primário brasileiro,

Lula, qualificando as diferentes iniciativas dos

ocupando mão de obra no campo e gerando

nossos governos. Entende-se que o mercado é

empregos diretos e indiretos que somam 733

incapaz de responder às necessidades do con-

mil pessoas no Estado do RS. São 80 mil produ-

junto dos setores mais frágeis da sociedade, o

tores de leite no RS. Sendo um dos setores que

que exige uma presença forte do Estado como

mais geram trabalho para cada unidade de va-

regulador, indutor do desenvolvimento e pro-

lor investido na cadeia, são aproximadamente

motor da inclusão social e do combate às de-

197 postos de trabalho para cada R$ 1 milhão


Eleições

nas vendas de produtos de leite e derivados,

defesa agropecuária, serviço público e oficial

superando diversos setores da economia.

assume importância decisiva no meu governo.

O RS produz diariamente entre 9 e 9,5

Prospecção de novos mercados, no âmbito in-

milhões de litros de leite, na média anual, en-

ternacional para os lácteos, por meio de pre-

tretanto, a capacidade industrial instalada de

sença em feiras e eventos internacionais e cria-

processamento no Estado já gira entre 14 e 15

ção de um ambiente de empreendedorismo,

milhões de litros dia. Quando os projetos em

com desburocratização, agilidade e eficiência

execução das novas indústrias estiverem con-

do Estado na prestação de serviços públicos.

cluídos até 2012, a capacidade industrial instalada chegará a 18 milhões de litros/dia. Um

Como encontrar o equilíbrio: a socieda-

dos principais desafios é a implementação de

de busca pagar menos imposto, enquanto o

um potente programa de fomento a produção,

governo quer mais arrecadação?

a produtividade e a qualidade da matéria pri-

O nosso programa de governo é bem

ma leite. O tema da qualidade do leite é um

claro sobre a questão dos impostos. Não

dos principais desafios para ganhar mercado

existe possibilidade de aumentarmos a carga

externo, o que pressupõe programas específi-

tributária do Estado. Pelo contrário! Vamos

cos de sanidade animal para o combate a do-

trabalhar com desonerações e incentivos fis-

enças, qualificação profissional dos produtores

cais para fortalecer a nossa base produtiva já

para evoluir nos investimentos de infraestrutu-

instalada, nem que para isso seja necessária a

ra produtiva e manejo animal. Desta forma, a

criação um novo Fundopem. Também iremos

09 9


Eleições

retomar o Simples Gaúcho aos moldes do Go-

co e Social vamos discutir qual será a nossa

verno Olívio, beneficiando um número maior

proposta. É impossível haver unanimidade

de empreendedores. O Governo do presidente

nesta questão. Porém, é preciso buscar um

Lula já comprovou que a diminuição de impos-

consenso mínimo para acabar com a guerra

tas aquece a economia e aumenta a arrecada-

fiscal entre os Estados.

ção. Outra medida que vamos adotar é o fortalecimento dos mecanismos de arrecadação,

Considerações finais

atacando com firmeza a sonegação fiscal.

Chegou a hora de fazer o Rio Grande crescer no ritmo do Brasil. E isso só se constrói

O que fazer para acontecer a Reforma Tributária?

“Nosso governo propõe mudanças, mas queremos manter ‘o patrimônio de esforços acumulados’ para dar um salto de qualidade para o Estado.”

10

com a contribuição de todos. Ao longo dos últimos meses, reunimos no site sugestões e

Em primeiro lugar, o Rio Grande do Sul

experiências de todas as regiões e setores de

precisa recuperar o protagonismo nas ques-

nosso Estado, em caravanas, encontros, plená-

tões nacionais. Dentro do Conselho Econômi-

rias e ideias para o RS crescer.

José Fogaça - Candidato a Governador

Quais são os principais pontos do seu programa de governo?

seadas na produção e circulação de informações e na interação e colaboração dos seres

Para tornar-se mais eficiente e se de-

humanos e instituições públicas e privadas –

senvolver econômica e socialmente, o Rio

não existe mais espaço para a administração

Grande precisa trocar o conflito pelo diálogo

autocrática e personalista ou para a gestão

e substituir a disputa pela cooperação. Nas

refém preconceitos ou radicalismos ideológi-

sociedades contemporâneas avançadas – ba-

cos. O indispensável debate democrático deve


Eleições

reconhecer e respeitar o limite que separa as

prospecção inteligente de novas oportunida-

legítimas divergências sobre opções de polí-

des.

tica pública do necessário consenso sobre os interesses permanentes do Estado e da socie-

Como o candidato vê o agronegócio

dade. Outro ponto importante a ser ressaltado

no Rio Grande do Sul? Quais seus projetos

é o empreendedorismo econômico e social. O

para ele?

Rio Grande quer, pode e deve aproveitar as no-

A agricultura constitui a essência da

vas oportunidades abertas pelo grande ciclo

nossa cultura, da nossa economia. É impor-

de desenvolvimento em curso no Brasil. Não

tante por isso entender o papel que os muni-

apenas disputar e realizar investimentos que

cípios exercem. Eles têm a condição de liderar,

ampliem nossa base produtiva, mas também

projetar e desenvolver as políticas públicas

aumentar significativamente a produtividade

que o Estado deve implementar e que devam

de nossas atividades e cadeias produtivas tra-

ser objeto de investimentos nas regiões. É

dicionais, além de investir esforços e recursos

necessário haver mais investimentos em pes-

nas possibilidades abertas pela nova econo-

quisa, comercialização e infraestrutura para

mia – nos setores de bioenergia, infraestrutura,

fortalecer a cadeia produtiva. Por ser a base

tecnologia da informação, cultura e criativida-

do nosso desenvolvimento, o setor merece

de, e serviços de alta complexidade.

um olhar especial, sobretudo, com zelo. Se

Para atingir tais fins, o Governo do Esta-

não valorizarmos esta vocação, não haverá

do precisa assumir maior protagonismo, esti-

agroindústria e nenhum outro tipo de desdo-

mulando e apoiando as iniciativas privadas na

bramento econômico. Quando o setor primá-

produtor ao consumidor,

a Santa

NÚCLEO

Do

Clara est‡ presente, unindo

pessoas com trabalho e alimento di‡rios,

fam’lia Puro Leite da Serra. nutrindo essa grande

com o

11


Eleições

rio para, todos os outros cessam também. Por

de busca pagar menos imposto, enquanto o

isso, a nossa disposição, o nosso compromisso

governo quer mais arrecadação?

é de uma ampla e qualificada parceria com os

Na prefeitura de Porto Alegre imple-

municípios. Para que os municípios possa ser o

mentamos uma gestão eficiente no controle

grande instrumento. Mas uma parceria respei-

das contas públicas. A Capital obteve superávit

tosa que não só divida encargos, mas também

pelo sexto ano consecutivo. Uma das ações foi

os ganhos.

a redução de impostos, de forma gradativa, em áreas como call centers, pneus e agências de

O que pretende fazer para tornar realidade a exportação do leite gaúcho ao exterior?

publicidade, o que resultou em aumento de arrecadação.

De um modo geral são baixos os coeficientes de exportação para o mercado internacional das diferentes regiões agrícolas do Rio

“A agricultura constitui a essência da nossa cultura, da nossa economia. É importante por isso entender o papel que os municípios exercem”

O que fazer para acontecer a Reforma Tributária?

Grande do Sul – com exceção do Vale do Rio

No início do Governo Lula houve uma

Pardo com o fumo. Isto constitui um constran-

proposta de Reforma Tributária em nível fe-

gimento que precisa ser superado, pois quanto

deral e estadual, criando o Imposto de Valor

mais especializada for a estrutura produtiva de

Agregado (IVA), a ser cobrado pelo governo fe-

uma região – para um dado grau de diversifi-

deral, unificando no país e pretendendo, com

cação da demanda local – maior será a neces-

isso, evitar a chamada guerra fiscal. A grande

sidade de exportar. De outra parte, as possi-

Reforma Tributária que poderá vir no futuro é

bilidades de o RS elevar significativamente as

essa. Padronizar o imposto, o ICMS de forma a

suas exportações de produtos primários para

evitar e combater a guerra fiscal que hoje de-

o Brasil são limitadas não só pelo lado da de-

paupera principalmente os estados que estão

manda, mas também pela forte concorrência

longe dos centros industriais do país, como é

das regiões de fronteira agrícola. A China é um

o caso do RS.

exemplo eloquente, pois quadruplicou o seu tamanho de economia e aumentou em torno

Considerações finais

de nove vezes o seu tamanho de comércio. A

Nosso governo propõe mudanças, mas

participação no PIB mundial passou de 3,4%

queremos manter “o patrimônio de esforços

para 15,4% e no comércio de 0,79% para 6,9%.

acumulados para dar um salto de qualidade

O governo da aliança se propõe é a promover

para o Estado”. O equilíbrio das contas irá pro-

a articulação interna da administração pública

piciar a recomposição dos serviços públicos.

com vistas a ter um instrumento de ação eficaz.

E nosso governo será firmado em três eixos:

A isso deverá juntar-se a ação do já referido

compromisso com a estabilidade política e das

Núcleo de Inteligência Competitiva, que deve-

contas públicas e investimento no desenvol-

rá auxiliar na prospecção de oportunidades de

vimento regional. Iremos apoiar o desenvolvi-

negócios também no setor agropecuário.

mento o desenvolvimento regional, capaz de garantir que o governo chegue mais perto da

Como encontrar o equilíbrio: a socieda-

12

população e das prefeituras.


responsabilidade social

15


Eleições

Candidatos ao Senado apresentam seu perfil de trabalho

“Sou um defensor do agronegócio porque acredito na vocação brasileira, especialmente gaúcha, para o desenvolvimento das atividades no campo, pela geração de emprego e renda.”

14

Paulo Paim - Candidato ao Senado

Quais são os principais pontos que pretende trabalhar em seu mandato?

Pacto Federativo com responsabilidade social e ambiental. Tratei com respeito e dedicação os setores que promovem o desenvolvimento

Meus mandatos sempre foram focados

econômico do Rio grande, como por exemplo:

nas políticas sociais. Meu mandato como se-

coureiro-calçadista, metal-mecânico, movelei-

nador deu um salto de qualidade. Defendo o

ro, agropecuário, vitivinicultor, orizícola, têxtil,

desenvolvimento do Rio Grande com o olhar

naval, de pedras preciosas, carvoeiro, turístico,

voltado para as pessoas. Trabalho pelo idoso,

do comércio, entre outros. Na área orçamen-

pelos jovens, pelas mulheres, pela educação,

tária fui o único parlamentar a indicar recursos

pela saúde, pelo trabalhador do campo e da

do Orçamento da União para todos os 496 mu-

cidade, pelo empresário, enfim, pelo desen-

nicípios gaúchos, fato inédito, e vou dar con-

volvimento de uma sociedade mais justa e

tinuidade a essa forma de atuação. Desejo in-

solidária. Apresentei mais de mil propostas,

tensificar ainda mais os canais de comunicação

contemplando todos os setores, e vou dar

com todos os setores. Trata-se de um mandato

continuidade a este trabalho. Defendo um

participativo. Costumo dizer que o mandato


Eleições

não é meu, é do povo gaúcho.

Grande do Sul, Francisco Signor. Em 2009, dos

Como o candidato vê o agronegócio no

349 projetos analisados pela SFA/RS para o Pro-

Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele?

grama de Apoio ao Desenvolvimento do Setor

Sou um defensor do agronegócio por-

Agropecuário (Prodesa), 56 foram de autoria

que acredito na vocação brasileira, especial-

do nosso Gabinete. Apenas nos anos de 2008

mente gaúcha, para o desenvolvimento das

e 2009, possibilitamos mais de R$ 10 milhões

atividades no campo, pela geração de empre-

de investimentos em projetos de aquisição de

go e renda, pela diversidade de características

patrulhas agrícolas, eletrificação e construções

positivas como clima adequado, solos férteis,

rurais, abrangendo 83 municípios e benefi-

grandes extensões de áreas disponíveis e água

ciando diretamente mais de 14,3 mil famílias.

abundante. O aumento da população mundial

Os recursos alocados por nós representam

nos leva a crer que a demanda por alimentos

investimentos diretos do governo federal nos

e commodities ligadas ao agronegócio solidi-

municípios, através do Ministério da Agricul-

ficarão o desenvolvimento econômico do Bra-

tura, que totalizam R$ 5,6 milhões e, somados

sil. É um setor eficiente, moderno e cada vez

às contrapartidas das prefeituras, alcançaram a

mais competitivo, salvo questões pontuais. O

expressiva soma de R$ 7 milhões.

investimento em pesquisas tem trazido cada vez mais resultados positivos para a agricul-

O que pretende fazer para tornar reali-

tura e para a pecuária fortalecendo a comer-

dade a exportação de leite gaúcho ao exterior?

cialização tanto no mercado nacional quanto

O Estado do Rio Grande do Sul tem uma

internacional. Em 2009, as exportações do

bacia leiteira importante, entre as maiores do

agronegócio brasileiro representaram U$ 64,8

país, e a cadeia produtiva tem se desenvolvido

bilhões. O Rio Grande do Sul ficou em segun-

de forma positiva, com instalação de diversas

do lugar no ranking dos estados exportadores,

plantas industriais. Em relação às importações

com volume de exportações de U$ 9 bilhões,

de leite e derivados, o Governo Federal está

abaixo apenas de São Paulo, que exportou U$

atento, tanto que aprovou (até dezembro de

15 bilhões.

2011) a elevação temporária da Tarifa Externa

Esses dados demonstram que o agrone-

Comum - TEC junto ao Mercosul dos produtos

gócio gaúcho está indo bem, mas temos ainda

lácteos, como forma de ampliar a proteção do

alguns gargalos, como o câmbio desfavorável,

setor frente ao mercado internacional, acabou

a dificuldade da logística de transportes e as

com a licença automática de importação do

distorções do mercado internacional como

leite do Uruguai, tem apoiado a indústria com

as barreiras às importações e os subsídios. O

Empréstimo do Governo Federal - EGF, e estuda

agronegócio tem prioridade em meu manda-

um Plano de Escoamento da Produção - PEP.

to e sempre terá. E isso não sou eu que digo.

O aumento das exportações do leite

A afirmação de que: “Sem dúvida, o senador

depende de diversos fatores, especialmente

Paim é o parlamentar que mais tem contribu-

de medidas macroeconômicas desenvolvidas

ído com a designação de recursos para o se-

com foco no mercado externo. Segundo da-

tor agropecuário do Rio Grande do Sul ” foi do

dos do IBGE, a balança comercial de lácteos

superintendente federal de Agricultura no Rio

fechou o primeiro semestre deste ano com

“Acredito que a exportação gaúcha de produtos lácteos poderá crescer e atingir grandes mercados e o Governo Federal está trabalhando nesse sentido.”

15


Eleições

“O Estado do Rio Grande do Sul tem uma bacia leiteira importante, entre as maiores do país.”

déficit de US$ 70,5 milhões, com importações

quantidade de impostos. O sistema brasileiro

no montante de 54,5 mil toneladas de lácteos,

é complexo e por isso dá margens à sonega-

e somente 28,4 mil toneladas exportadas, com

ção, dificultando as medidas fiscalizatórias do

destaque para a importação do leite em pó.

governo.

Tanto que o Governo já trabalha para a viabi-

O equilíbrio somente será possível se

lização da compra de leite em pó, via Conab,

conseguirmos aprovar uma verdadeira refor-

conforme já comentamos. A baixa competitivi-

ma dentro dos princípios de igualdade e jus-

dade do leite brasileiro deve-se especialmente

tiça. O Estado tem a obrigação de intervir na

ao nosso custo de produção, aos baixos preços

ordem social para remover essas injustiças. Te-

internacionais e ao dólar desvalorizado frente

mos hoje alguns problemas graves em termos

ao real. Acredito que a exportação gaúcha de

de política fiscal como a tributação excessiva

produtos lácteos poderá crescer e atingir gran-

da folha de salários, a complexidade da estru-

des mercados e o Governo Federal está traba-

tura, a cumulatividade, o aumento elevado do

lhando nesse sentido, o que depender de nos-

custo dos investimentos devido ao longo pra-

so apoio no Congresso Nacional estamos com

zo de recuperação dos créditos dos impostos

o Gabinete de portas abertas para defender os

pagos sobre os bens de capital, a guerra fiscal

interesses tanto dos produtores quanto dos in-

entre estados... Por fim, acredito que cada cida-

dustriais que compõe a cadeia produtiva.

dão deve, sim, contribuir com as despesas do Estado, porém na medida da sua situação jurí-

Como encontrar o equilíbrio: a socieda-

dica, tornando a lei tributária igual para todos.

de busca pagar menos imposto, enquanto o

Defendo uma Reforma Tributária que seja con-

governo quer mais arrecadação.

dizente com as necessidades do Brasil, de em-

O principal problema brasileiro é que a

pregados e empregadores. Uma Reforma que

tributação de bens e serviços, segundo dados

busque distribuição de renda entre a popula-

do Ipea, representa 48,44% do total da carga,

ção, fortalecendo os Estados e os Municípios.

enquanto os impostos sobre a renda e o patrimônio correspondem a somente 23,63%. A exagerada carga tributária sobre os impostos

16

O que fazer para acontecer a Reforma Tributária ?

indiretos faz com que o nosso sistema atinja,

Primeiramente deve haver vontade po-

proporcionalmente, os mais pobres, ao con-

lítica e social, e ainda convergência de interes-

trário do que acontece em outros países. Por

ses. Esta é uma questão espinhosa, pois não há

isso a necessidade de uma verdadeira reforma

pacificação em relação à matéria. O Governo

tributária. O topo da pirâmide paga menos im-

Federal encaminhou ao Congresso Nacional

postos que os cidadãos das classes mais bai-

uma proposta interessante, com pontos positi-

xas, e isso é uma grande injustiça. Defendo a

vos, mas alguns gargalos. O papel do Congres-

ideia de que uma reforma tributária justa e pe-

so é justamente este, debater o assunto com

rene pressupõe, acima de tudo, um novo pacto

a sociedade e chegar a um texto que, ao ser

federativo. Precisamos tornar o nosso sistema

aprovado, contemple todos os setores. Acredi-

tributário mais simples, transparente e, ainda,

to ser possível aprovar uma reforma tributária

conferir segurança jurídica com diminuição na

condizente com as necessidades do Governo


Eleições

e da sociedade, mas para isso é preciso ouvir

queda de preços nas commodities no plano in-

todos os segmentos.

ternacional e a cotação do dólar frente ao real. O Governo Federal precisa continuar investin-

Considerações finais

do em políticas públicas e adotando medidas macroeconômicas capazes de tornar o “agro-

“Não podemos perder essa vocação do setor primário gaúcho, que produz com cada vez mais tecnologia e resultados.”

Sei que o Estado do Rio Grande do Sul

bussines” cada vez mais eficiente e viável. Um

é um dos gigantes do agronegócio brasileiro

dos grandes trunfos que o Brasil tem é o seu

pela sua importância econômica e social. A

mercado interno. Temos um grande potencial

produção gaúcha gera empregos, renda e di-

de desenvolvimento devido ao nosso enorme

visas que movimentam a economia local e na-

mercado consumidor. E o consumo é estímulo

cional. O campo já enfrentou inúmeras dificul-

para o investimento, para o crescimento e esta-

dades e soube superá-las buscando apoio nas

bilização da economia. Por fim, quero registrar

instâncias governamentais. E este é o caminho.

que nossa obrigação enquanto parlamentar é

Hoje a grande barreira a ser suplantada, tanto

viabilizar caminhos, mas sempre com o olhar

para o leite como para as carnes e grãos, é a

na responsabilidade social.

Germano Rigotto - Candidato a Senador

Quais são os principais pontos que pretende trabalhar em seu mandato?

18

reformas estruturais necessárias, e que estão trancadas no Congresso, como a Tributária, a

Quero ser senador do Rio Grande do

Política, e a revisão do Pacto Federativo. Além

Sul para poder melhor representar o Estado

do mais, vou atuar para resgatar a identidade

dentro da Federação, elaborando projetos que

do Senado, abalada por sucessivas crises e de-

venham a atender aos interesses do Estado.

núncias. Além disso, quero poder ajudar o meu

Quero poder trabalhar para desemperrar as

partido a ter uma postura mais firme na defesa


de suas antigas bandeiras, formando um novo projeto nacional para o futuro do país. Como o candidato vê o agronegócio no Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele? O Rio Grande do Sul avançou muito na sua concepção industrial, mas é sobre o nosso agronegócio que se sustenta boa parte dessa produção. Não podemos perder essa vocação do setor primário gaúcho, que produz com cada vez mais tecnologia e resultados. Por isso, como senador vou trabalhar para que exista uma política agrícola consistente e que atinja, principalmente, os pequenos e médios produtores rurais, que são a base para atividades como a própria produção leiteira e, por consequência, para a indústria de laticínios. O que pretende fazer para tornar realidade a exportação de leite gaúcho ao exterior? No nosso governo, trabalhei muito para trazer grandes plantas do segmento leiteiro para o Estado, como a Nestlé e investimentos da Italac, por exemplo. Também atuamos para garantir os investimentos daquelas empresas que já estavam instaladas no Estado. Mas o principal para que possamos ganhar mercados, inclusive internacionais, é reduzir a carga tributária sobre o leite. Como produto essencial, não deveria ser tributado, o que permitiria uma redução nos custos de produção, incentivaria o setor a melhorar ainda mais as suas unidades produtoras e daria novas perspectivas para que possamos exportar com qualidade e bom preço. Como encontrar o equilíbrio: a sociedade busca pagar menos imposto, enquanto o governo quer mais arrecadação. O que mais dificulta a situação tributária para os brasileiros e os gaúchos é que a fórmula errada do nosso sistema tributário penaliza mais aqueles que ganham menos. É impossível mantermos cargas setoriais tão grandes, como é o caso do assalariado, que chega a pagar 54% de imposto sobre os produtos essenciais que compra. Temos que mudar essa lógica, alargando a base de contribuintes, reduzindo a sonegação, a informalidade e as brechas judiciais para que muitos paguem menos. É preciso ter um sistema mais justo e eficiente, que também desonere a produção, com menor carga trabalhista também.


Eleições

O que fazer para acontecer a Reforma Tributária ?

“Muitos recursos se perdem nos labirintos da burocracia. Rigor na fiscalização desses gastos é o caminho que pretendo tomar.”

Considerações finais

O passo principal é pressionar para que

Gostaria de aproveitar para lembrar

os candidatos, dos quais um será presidente

que, neste ano, teremos uma eleição em que

do Brasil, encampem a defesa e a necessida-

dois candidatos serão escolhidos para o Se-

de de uma reforma tributária no país. Isso tem

nado Federal. Acredito que é hora de o eleitor

que ser um compromisso, pois é preciso que

analisar aqueles que têm experiência e dedica-

o Executivo federal entenda que é preciso fa-

ção à atuação política pelos interesses do RS.

zer essa mudança em um sistema tão caótico,

Já fui vereador, deputado estadual e federal e,

com excesso de tributos, 27 legislações dife-

por uma graça de Deus, tive a oportunidade de

rentes nos Estados, e uma confusão que acaba

governar o nosso Rio Grande. Portanto, espero

tornando cada vez mais caro produzir no país.

que as pessoas lembrem da importância de ter

E isso precisa ser um compromisso para o pri-

uma articulação nacional e um amplo conheci-

meiro ano do novo presidente da República,

mento do Estado, das suas necessidades e de

porque, senão, mais uma vez podemos perder

suas potencialidades.

Ana Amélia Lemos - Candidata ao Senado

Quais são os principais pontos que pretende trabalhar em seu mandato?

20

o bonde da história.

vação de empréstimos internos e externos, aprovação de nomes para o Banco Central,

Senador não tem plano de governo,

agências reguladoras, ministros do Supremo e

mas agenda legislativa. Entre as competências

embaixadores. O senador é o representante do

do mandato se inclui a fiscalização dos atos do

Estado no parlamento. Por isso, dessa forma,

Presidente da República, análise do orçamento

cada Estado, independentemente do tamanho

da União (apresentação de emendas), apro-

ou importância, tem três senadores.


Eleições

Como a candidata vê o agronegócio no

Como encontrar o equilíbrio: a socie-

Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele?

dade busca pagar menos imposto, enquanto

O agronegócio é a base da economia

o governo quer mais arrecadação.

gaúcha. Com vocação exportadora, iniciou

A discussão sobre tamanho de Estado

processo de consolidação da soja como prin-

é inócua. Quem paga imposto quer um Esta-

cipal produto da pauta de exportação. Arroz,

do eficiente e, lamentavelmente, não é isso

carne, fumo e trigo também estão nesse rol.

que temos. Faltam estradas, escolas, hospitais

Nos últimos anos, uma vigorosa produção de

e segurança, porque o gestor público nem

leite estimulou grandes investimentos na in-

sempre se preocupa com a qualidade do gas-

dústria de lácteos em várias regiões do Estado.

to. Muitos recursos se perdem nos labirintos

Ouvi recentemente de um executivo da multi-

da burocracia. Rigor na fiscalização desses

nacional Nestlé, Francisco Marino, a afirmação

gastos é o caminho que pretendo tomar.

de que o Rio Grande do Sul, pela qualidade das pastagens e pelo apuro da genética do gado leiteiro, pode se transformar no maior

O que fazer para acontecer a Reforma Tributária ?

centro produtor de leite do país. Com a Ex-

Reforma como foi proposta é inviá-

pointer, a Expodireto, a Fenasoja, a Expoagro/

vel porque retira autonomia dos estados e

Afubra e a Agroshow, são alguns dos impor-

municípios. É preciso encontrar uma forma

tantes eventos que revelam o protagonismo

equilibrada e justa na repartição da recei-

do agronegócio na economia gaúcha. No Se-

ta dos impostos entre os entes federativos.

nado, irei dar atenção a essa área. Vale lembrar

Hoje, a União abocanha 52% da receita, os

que está na mão dos senadores a definição

Estados, 27%, e os municípios apenas 21%.

das alterações no Código Florestal e também

Essa distorção, a meu ver, compromete a

da lei de cultivares, só para citar alguns dos te-

própria democracia.

“Rio Grande do Sul, pela qualidade das pastagens e pelo apuro da genética do gado leiteiro, pode se transformar no maior centro produtor de leite do país.”

mas que impactam diretamente na atividade agropecuária.

Considerações finais A população precisa entender que no

O que pretende fazer para tornar reali-

regime democrático, senadores e deputados

dade a exportação de leite gaúcho ao exterior?

têm relevante papel na tomada de decisões

Penso que precisamos discutir questões

legislativas que impactam no seu cotidiano.

sanitárias e barreiras comerciais. Será necessá-

É por isso que tenho defendido o voto cons-

rio um grande esforço para que os acordos in-

ciente para que o eleitor possa cobrar mais

ternacionais favoreçam a exportação do leite e

tarde resultados do trabalho dos deputados

seus derivados. É preciso também reavaliar os

e senadores que elegeu. Na política não exis-

termos dos acordos no âmbito do Mercosul. O

te espaço vazio. Se um político sério, hones-

Uruguai exporta grandes quantidades de car-

to e bem intencionado não chega lá, outro

ne ovina para o Brasil, mas não compra sequer

sem essas qualidades, o fará. Os destinos do

um quilo de frango brasileiro. Isso não é justo.

país estão nas mãos dos eleitores.

21


Eleições

Para os presidenciáveis, as prioridades do país

“O Brasil rural de hoje é muito diferente de alguns anos atrás. Hoje, o campo cresce e se desenvolve com renda e cidadania. O PIB da agropecuária cresceu 32% entre 2002 e 2009, saltando de 124 bilhões para 164 bilhões de reais.”

Dilma Rousseff - Candidata à Presidência

Quais são os principais pontos do seu programa de governo?

te de alguns anos atrás. E a primeira grande diferença é que, hoje, o campo cresce e se

“Para o Brasil seguir mudando” é o nome

desenvolve com renda e cidadania. O PIB da

da nossa coligação e diz exatamente qual é a

agropecuária cresceu 32% entre 2002 e 2009,

nossa proposta: dar prosseguimento, avançan-

saltando de 124 bilhões para 164 bilhões de

do sempre, em todas as mudanças econômi-

reais. A produção passou de 96 milhões de to-

cas e sociais realizadas pelo Presidente Lula em

neladas de grãos para 146 milhões. E o melhor,

oito anos de governo. Prosseguir governando

isso foi obtido com aumento da produtividade,

para todos os 190 milhões de brasileiros. Se-

que também ocorreu em outras áreas. E o Rio

guir o caminho dessa era de prosperidade que

Grande do Sul teve grande contribuição nes-

se abre para o país. Realizar um governo que

ses resultados. Eu acredito que o campo bra-

leve o Brasil a ser um país de classe média, sem

sileiro responde e pode ser resposta efetiva a

pobreza.

três das grandes agendas estratégicas para o mundo: a segurança energética; a segurança

22

Como a candidata vê o agronegócio no

alimentar; e o clima. E, sem dúvida alguma, o

Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele?

planejamento para o futuro deve buscar apro-

O Brasil rural de hoje é muito diferen-

veitar este cenário como oportunidade para


Eleições

23


Eleições

“Nosso governo tentou fazer a reforma tributária. Infelizmente, houve resistências dos Estados e de alguns parlamentares.”

o agronegócio nacional. No que depender de

que a reforma é absolutamente fundamental

meu governo, se for eleita, vamos avançar para

para que o Brasil prossiga no caminho do de-

termos uma produção mais sustentável, para

senvolvimento econômico com distribuição

continuar implantando melhores práticas no

de renda, num cenário de maior competitivi-

campo, para usar a ciência e a tecnologia, para

dade; outra, de que as mudanças serão feitas

ampliar a produção e poupar terra. E também

com muita negociação com os Estados e os

avançaremos na construção e melhoria das

municípios.

políticas públicas para o setor. Considerações finais: Como encontrar o equilíbrio: a socieda-

O governo do Presidente Lula criou

de busca pagar menos imposto, enquanto o

efetivas parcerias com os setores produtivos.

governo quer mais arrecadação. O que fazer

Vou continuar seguindo este caminho, pois

para acontecer a Reforma Tributária?

tenho a mais absoluta convicção de que um

Nosso governo tentou fazer a reforma

país mais forte se faz com a união de todos.

tributária. Infelizmente, houve resistências dos

O agronegócio, em especial, é um setor fun-

Estados e de alguns parlamentares. A proposta

damental para conquistarmos duas grandes

era ampla, era correta, mas prevaleceu, naque-

metas nos próximos anos: erradicar a miséria

le momento, a mobilização contrária de vários

e transformar o Brasil na quinta maior econo-

setores. Mas temos duas convicções: uma, de

mia do mundo.

Marina Silva - Candidata à Presidência

Quais são os principais pontos do seu programa de governo?

24

de novas maneiras de resolver problemas solidariamente, defendendo direitos, agindo em rede,

Educação, saúde e segurança. Precisa-

expandindo e agregando conhecimento sobre

mos colocar em prática tudo aquilo que a socie-

novas formas de fazer, produzir, gerar riquezas

dade aprendeu nas últimas décadas, experimen-

sem privilégios e sem destruição do incompa-

tando a convivência na diversidade, a invenção

rável patrimônio natural brasileiro.


Eleições

Como a candidata vê o agronegócio no

Como encontrar o equilíbrio: a socieda-

Rio Grande do Sul? Quais seus projetos para ele?

de busca pagar menos imposto, enquanto o governo quer mais arrecadação. O que fazer

A agricultura é importante para o nosso

para acontecer a Reforma Tributária?

país. É responsável por mais de 30% da nossa balança comercial. Agora, nós não podemos

Nosso sistema tributário penaliza as

achar que vamos continuar sendo grandes pro-

camadas mais pobres e beneficia os setores

dutores de grãos e grandes produtores de carne

mais ricos da população. Nossa tributação

sem investir pesado em tecnologia, sem termos

é regressiva quando deveria ser progressiva.

uma visão de que precisaremos reproduzir cada

Propomos que os que podem pagar mais de-

vez mais utilizando menos recursos. No Brasil,

vem pagar proporcionalmente mais. Impos-

ainda se faz pecuária extensiva, ainda se faz uma

tos indiretos devem ser reduzidos e a receita

agricultura extensiva. Nós temos que agregar o

compensada pelo aumento dos impostos

conhecimento e a base tecnológica, ampliando

diretos. O compromisso é promover uma re-

cada vez mais para ter uma produtividade que

forma tributária que busque a simplificação

crie uma nova narrativa para os nossos produ-

e a transparência do sistema, o aumento da

tos. Na Presidência, em lugar de discutir como

progressividade tributária através da redução

destruir mais florestas, vamos discutir como ter

da participação de impostos indiretos e dos

os incentivos para recuperar reserva legal, como

impostos que incidem sobre a folha de paga-

fazer para que possamos usar as tecnologias

mento, maior transparência para a sociedade e

disponíveis na Embrapa.

a redução da carga tributária.

“Nossa tributação é regressiva quando deveria ser progressiva. Propomos que os que podem pagar mais devem pagar proporcionalmente mais. Impostos indiretos devem ser reduzidos.”

23 25


Eleições

José Serra - Candidato à Presidência

Como pontos fortes do seu programa de governo, José Serra defende o seguinte:

“Reforma Tributária deve ser executada por partes e não de forma integral, de uma só vez.”

ma que quer ampliar e melhorar o Bolsa-Famí-

Na área de educação, são três os prin-

lia, que atenderia a 27 milhões de brasileiros

cipais projetos. O primeiro é colocar dois pro-

na base da pirâmide social. Para os deficientes

fessores por sala da primeira série do ensino

físicos, o candidato defende mais acessibili-

fundamental; o segundo, a criação de mais de

dade, educação, reabilitação e oportunidades

1 milhão de novas vagas em escolas técnicas

profissionais.

de nível médio; e o terceiro, a criação de mais

Para o setor de infraestrutura, o candi-

cursos de qualificação de curta duração para

dato prevê melhoria das estradas, dos portos e

trabalhadores desempregados. Na Saúde, ele

aeroportos, metrôs e ferrovias. O investimento

defende que o Brasil tenha 150 ambulatórios

em infraestrutura é apontado como uma das

médicos de especialidades espalhados em

soluções para geração de mais empregos, as-

todos os estados, com capacidade de realizar

sim como a expansão da indústria doméstica

27 milhões de consultas e fazer 63 milhões de

e da agricultura. Serra também defende a pre-

exames por ano.

servação do meio ambiente com desenvolvi-

O combate ao crime organizado e ao

26

Na Assistência social, o candidato afir-

mento sustentável.

tráfico de armas e de drogas são os princi-

No capítulo sobre desenvolvimento, o

pais objetivos para a área de segurança, jun-

texto destaca que o País não cresce mais por

tamente com a aplicação de medidas que im-

deficiências na infraestrutura. O programa

peçam a impunidade dos criminosos. A ideia

apresenta políticas destinadas a mudar esse

é que o governo federal assuma, na prática, a

cenário e a criar empregos, apresentando o tu-

coordenação de ações que resultem em mais

cano como o “presidente da produção”.

segurança. Ele também pretende investir no

O candidato cita ainda como possível

treinamento e em equipamento para as For-

estímulo à economia nacional a redução dos

ças Armadas.

juros e da carga tributária.


Conseleite

Valor de referência do leite para julho e valor projetado para agosto Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto

Acima do Padrão 0,6232 0,6432 0,6998 0,7531 0,7279 0,6671 0,6589 * 0,6360

Padrão 0,5419 0,5593 0,6085 0,6548 0,633 0,5801 0,573 * 0,5531

Abaixo do Padrão 0,4877 0,5034 0,5477 0,5894 0,5697 0,5221 0,5157 * 0,4977

* Valor projetado

Resumo Preços de Referência em 2010

As indústrias e os produtores de leite, reunidos no Conseleite RS, anunciaram o valor de R$ 0,5730 para o mês de Julho, como indexador para os negócios do leite. O valor foi obtido, após estudos confeccionados pela UPF - Universidade de Passo Fundo, tendo como referência o leite padrão (Base Instrução Normativa 51 do Ministério da Agricultura). Este valor foi homologado em 16 de agosto, em Porto Alegre, pelo Conselho Estadual do Leite – CONSELEITE – que é um órgão paritário formado pelas indústrias através do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul - SINDILAT/RS, e pelos produtores de leite, representados pela Farsul, Fetag, Gadolando, Associação dos Criadores de Jersey e Fecoagro. O Conseleite divulgou ainda a tendência do valor de referência para o mês de Agosto, que é de R$ 0,5531.

27


AVISULAT 2010 Programação oficial do avisulat 2010. Confira:

Avisulat

Dia 18 Quinta-feira Auditório Painel: Custos e Qualidade - Fator de Competitividade para a Cadeia Láctea Mediadora: Carolina Jardine - Editora de Rural - Correio do Povo

SINDILAT

18/11/2010

Horário

• Palestrante: Dr. Carlos Bondan - Coordenador - Sarle/Universidade de Passo Fundo

10h

• Palestrante: Dr. Christiano Nascif - Universidade Federal de Viçosa/MG

10h40

Dia 18 Quinta-feira PAINEL 1 - PERSPECTIVAS PARA O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO Mediadora: Dr.ª Ana Amélia Lemos - Jornalista

Auditório PRINCIPAL

18/11/2010

Horário

• Visão Empresarial - Painelista: Dr. José Antônio do Prado Fay - Presidente Executivo BRF - Brasil Foods

14h

• BNDES - Aspectos Relevantes para Concessão de Apoio Financeiro - Painelista: Dr. Jaldir Lima - Diretor Chefe do Depto. Agroindústrias do BNDES

14h45

Dia

19

Sexta-feira

Auditório SINDILAT

19/11/2010

Painel: Orientação do MAPA/DF e da ANVISA/DF sobre Rotulagem de Produtos Lácteos Mediador: Guilherme Portella - BRF Brasil Foods S/A

Horário

• Palestrante: Dr. Francisco Sergio Ferreira Jardim - Secretário de Defesa Agropecuária do MAPA/DF

9h

• Palestrante: Dra. Elisabete Gonçalves Dutra - ANVISA

9h40

Dia

19

Sexta-feira

Auditório PRINCIPAL

19/11/2010

PAINEL 1 - CENÁRIOS E RUMOS DAS EXPORTAÇÕES DO AGRONEGÓCIO Mediador: Dr. Paulo Tigre - Presidente da FIERGS

Horário

• Visão do Governo Federal - Painelista: Dr. Eduardo Sampaio Marques - Diretor do Depto. de Promoção Internacional do Agronegócio - SRI-MAPA/DF

11h

• Posição do Setor de Laticínios: Painelista: Dr. René Machado - Gerente Executivo Supply Chain - DPAM - Néstle

11h30

• Posição do Setor Avicultura: Painelista: Dr. Francisco Sérgio Turra - Presidente UBABEF

11h40

• Posição do Setor de Suinocultura: Painelista: Dr. Pedro de Camargo Neto - Presidente ABIPECS

11h50

• Posição do Setor Pecuária de Corte Painelista: Dr. Péricles Salazar – Presidente da ABRAFRIGO

12h

PAINEL 2 - O AGRONEGÓCIO E O MEIO AMBIENTE - AVALIAÇÃO DO IMPACTO AMBIENTAL Mediador: Irineu Guarnier - Jornalista do Campo e Lavoura • A influência da Produção no Meio Ambiente: Painelista: Dra. Kátia Regina Abreu - Presidente da CNA

13h45

• Enfoque Técnico: Painelista: Dr. Alexandre Scheifler - Gestor Ambiental FETAG-RS

14h20

• Enfoque Social: Painelista: Dr. Luis Carlos Heinze - Deputado Federal

14h40

28


29


Mercado

Produtos comercializados lá fora são boas opções para o Brasil como iogurtes e bebidas lácteas para serem comercializados em lojas de conveniências, ou seja, em pontos de venda onde o adolescente costuma frequentar. “Tem que ser saboroso e fazer bem”, frisa Carvalho. Outra série de produtos que trazem

“Afinal, de certa maneira você é aquilo que consome: seus hábitos, seus valores, suas tribos, são expressos no seu padrão de consumo.”

30

inúmeros benefícios à saúde, que auxiliam na lactação, sistema imunológico e controle da pressão sanguínea é fabricada em países da Europa, América do Norte, Japão e Rússia. Uma outra vertente de produtos que se expande no exterior e está começando a crescer no Brasil são produtos de sabores exóticos, de regiões específicas do país, como, por exemplo, frutas do Nordeste e do Norte brasileiro. Além Marcelo Pereira de Carvalho - Dir. Executivo da AgriPoint

da proliferação de produtos na questão da estética, saúde e nutrição, e de alimentos com propriedade funcional, a exemplo de iogurtes

Um segmento de produtos lácteos, lan-

e bebidas com lactobacilos vivos, que ajudam

çado por multinacionais, para o público ado-

no funcionamento do intestino, são muito co-

lescente e adulto jovem, pode ser um nicho

mercializados no Brasil.

de mercado promissor para muitas empresas

No exterior, há cada vez mais opções de

brasileiras, alerta Marcelo Pereira de Carvalho,

produtos relacionando nutrição, saúde e es-

diretor-executivo da AgriPoint, ao apontar que

tética e também para ajudar na memória, no

com a chegada da adolescência tende-se a

sono, no controle de peso, na diminuição de

consumir menos leite. Por isso é necessário de-

apetite e até na beleza. Segundo Carvalho, o

senvolver produtos saborosos, que tenham be-

que cresce bastante também são os produtos

nefícios nutricionais para este público jovem,

de região específica, como os queijos, leites e


Mercado

iogurtes, com denominação de origem. “Na Inglaterra, por exemplo, são fortes os produtos selecionados, que informam a origem do leite e quem são os produtores. Já na Holanda, os produtores de leite ganham um prêmio no preço quando as vacas vão para o pasto; e na Irlanda, há uma linha de produtos lácteos somente produzidas com vaca a pasto.” Carvalho pontua a necessidade da informação, em que cada vez mais o consumidor deseja saber o que consome. “Afinal, de certa maneira você é aquilo que consome: seus hábitos, seus valores, suas tribos, são expressos no seu padrão de consumo.” Portanto, ele acredita que, atrelada à disponibilidade de informação e com um consumidor cada vez mais exigente, a empresa deve investir em pesquisas que a longo prazo tornarão o mercado mais sofisticado. “O consumidor anseia pelo novo, espera que a indústria traga novidades constantemente.” De acordo com o executivo, a maior acessibilidade, graças ao aumento do poder de consumo da população, ao lado da multiplicidade de opções oferecidas pela indústria, tornou o consumidor – no passado recente – um experimentador ávido de novidades. O executivo avalia que nesse processo de consumo constante de novidades, a indústria de bebidas lançou, nos últimos dez anos, uma série de produtos como sucos prontos para beber, chás, bebidas de soja e águas flavorizadas, entre outros, em que cada lançamento é acompanhado de informações visando seu posicionamento em um dos seguintes pilares (ou mais de um): saúde, prazer, estética e naturalidade. “De forma geral, o consumidor não abre mão da conveniência e da praticidade, ainda que estas definições variem de pessoa para pessoa.”

31


Qualidade

Sindilat sedia workshop da DPA Programa difunde as vantagens em elevar o padrão na produção de leite O Sindilat-RS abrigou em sua sede no dia 30 de julho o workshop Competitividade

melhor se preparar para expandir o mercado doméstico e mundial.

da Indústria Láctea, promovido pela DPA. Entre

Andela apontou a importância da qua-

os temas abordados esteve “Qualidade – fator

lidade do leite na Cadeia de Laticínios, fator de

de competitividade”, apresentado pelo ge-

melhoria do acesso ao mercado comprador e

rente Internacional de Qualidade de Leite da

da aceitabilidade de produtos lácteos no mer-

Fonterra (uma das subsidiárias da DPA), Roger

cado pelos consumidores. “Ajuda a indústria a

Andela. A ideia do evento é promover a quali-

diversificar-se para novos mercados de maior

ficação de toda a cadeia láctea como forma de

valor. Ao mesmo tempo, quando os produto-

Carlos Feijó, presidente do Sindilat/RS e Mário Rezende, Chefe da Região Leiteira - Regional Sul - DPAM

32


Qualidade

René Machado, gerente executivo Supply Chain - DPAM

res atendem e entendem as rigorosas especi-

Por outro lado, as vantagens de pro-

ficações para obter qualidade do produto, eles

duzir com padrões de qualidade do leite cru

conseguem elevar padrões de qualidade do

mais elevados leva a menor custo de produção

leite cru e conseguir preços mais elevados.”

porque há menos retrabalho, pode precisar

Por consequência, produtos lácteos melhores têm acesso a mercados mais lucra-

de menos testes e o processamento pode ser

“As vantagens de produzir com padrões de qualidade mais elevados o leite cru é a redução do custo de produção da indústria e preços mais elevados para o produtor.”

maior.

tivos, ocorre uma diferenciação dos produtos por terem maior valor agregado, aguçando a

Qualidade do leite na Nova Zelândia

procura e gerando uma lealdade à marca. Por fim, ocorre uma melhoria das relações comerciais com os clientes.

A produção leiteira da Nova Zelândia tem uma longa história, começando no início

Assuntos abordados no Workshop DPA Competitividades da

national Milk Quality Manager - Fonterra (NZ)

indústria Láctea “Qualidades e sólidos do leite como fatores

• “Sólidos - pagamento por qualidade como fator de competi-

determinantes” no dia 30 de julho.

tividade”, José Rinaldi de Brito, pesquisador da Embrapa Gado de Leite e Membro do Polo de Excelência de Leite (MG)

Abertura - Mario Rezende - Chefe de Região Leiteira - Regional

• “Ações pré-competitivas para melhoria da qualidade do leite

Sul - DPAM

e teor de sólidos”, Luiz Guedes, especialista de Qualidade de Palestras:

Leite Brasil - DPAM

• “Qualidade e sólidos - fator de competitividade para a indús-

• “Os desafios e oportunidades para melhoria da qualidade do

tria láctea brasileira”, René Machado, gerente executivo Sup-

leite”, moderador Athaíde Silva (DPA), Roger Andela, Luiz Gue-

ply Chain - DPAM

des, Rogério Wolf (coordenador de comercialização do Leite

• “Qualidade - fator de competitividade”, Roger Andela - Inter-

- Castrolândia), Wilson Zanatta (vice-presidente Sindilat/RS)

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Qualidade

Luiz Guedes - especialista de Qualidade de Leite Brasil - DPAM; Roger Andela - International Milk Quality Manager - Fonterra (NZ); Athaíde Silva (DPA); Wilson Zanatta - vice-presidente Sindilat/RS; Rogério Wolf - coordenador de comercialização do Leite - Castrolândia.

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do século 19, como explicou Roger Andela.

Zelândia. Em 1970-1990, ocorreram fusões de

Em 1882, o navio SS Dunedin navega para

empresas de laticínios. Em 2000, destacavam-

Londres com carregamento de manteiga, a

se duas grandes cooperativas: Novo Zealand

primeira transferência mundial refrigerada

Dairy Group e Kiwi Cooperativa Dairies. Em

– um dos marcos importantes do segmento

2001, a Dairy Board é abolida e a Fonterra é

de lácteo naquele país. Em 1927, juntam-se

formada. Hoje, a produção de lácteos é feita

empresas de laticínios (manteiga e queijo)

em 11.618 propriedades (dimensão média de

com sede em Londres para o mercado da

131 hectares, com média de 366 vacas por

Nova Zelândia. Em 1930, instalaram-se fábri-

propriedade), e o rebanho nacional é de 4.250

cas de leite em muitas cidades daquele país.

milhões vacas. A produção média anual por

Em 1963, a Dairy Board se estabelece na Nova

vaca é de 3.710 litros.


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Queijos

Mercado é promissor para o queijo brasileiro “A produção e consumo de queijos vêm crescendo sensivelmente, nos últimos anos, e por conta do aumento da oferta de queijo nacional, a produção está bem mais robusta.”

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Com um equilíbrio na balança econô-

tias. O ingresso dessa variedade de produtos

mica depois de um ano de turbulências e ins-

é resultado da diminuição do valor do dólar

tabilidades devido à crise financeira mundial,

– que passou de uma média de R$ 2,60, em

hoje o país respira mais aliviado. Fatores como

2008, para R$1,60, em 2009 –, período que a

o fim do déficit público, o aumento considerá-

economia brasileira começou a se estabilizar

vel do Produto Interno Bruto (PIB) e a geração

após a crise financeira. “Com a queda da moe-

de empregos formais foram uma das razões

da norte-americana houve uma maior entrada

que fizeram com que o brasileiro, com mais di-

de queijo importado. Esse movimento foi bom,

nheiro no bolso, consumisse mais. Esse quadro

porque possibilitou ao consumidor provar ou-

de estabilidade favoreceu um bom momento

tros tipos de queijo.” Além de um aumento da

para o crescimento e expansão da produção

produção de queijo de carne de búfalo e de

de queijos no Brasil. A consultora de Marke-

alguns tipos de queijo de ovelha e de cabra. “A

ting da Associação Brasileira das Indústrias de

produção e consumo de queijos vêm crescen-

Queijo (ABIQ), Silmara de Andrade Figueiredo,

do sensivelmente, nos últimos anos, e por con-

afirma que por conta de um aumento da renda

ta do aumento da oferta de queijo nacional, a

do brasileiro, os fabricantes passaram a ofere-

produção está bem mais robusta. O consumi-

cer uma maior variedade de produtos, além

dor consome mais, o fabricante oferece mais”,

dos tradicionais e mais consumidos, como o

frisou Silmara, que informou que com a econo-

queijo mussarela – que lidera a preferência

mia crescendo para o consumidor, este ano, o

nacional –, o queijo prato e o requeijão culiná-

consumo total de queijo deve ser acima de 7%.

rio; houve um aumento da produção e consu-

De acordo com estimativas da ABIQ,

mo de queijos oriundos das culturas italianas,

em 1995, a produção do mercado brasileiro de

francesas, dinamarquesas, holandesas e suíças,

queijo era cerca de 320 mil toneladas; e para

que são os tipos de queijos Gorgonzola, Pro-

2010, deve superar 700 mil toneladas de quei-

volone, Parmesão, Camembert, Gouda, Edam,

jo, fabricados em estabelecimentos que têm

Reino, Gruyère, Emental; e mais recente da

o SIF (Serviço de Inspeção Federal) do Minis-

cultura americana, como os queijos Cream

tério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Cheese, Cottage e os queijos fundidos em fa-

(MAPA). A média de consumo anual é cerca de


Queijos

quatro quilos de queijo por habitante no Bra-

sumo individual, queijos com menor teor de

sil. “Ainda é um consumo relativamente baixo,

sal, menor teor de gordura, tipo light, para

perto de países como Argentina, que consome

empresas de fast-food e para varejo, aponta

11 quilos de queijo por habitante; e a França,

a representante da ABIQ, Silmara de Andra-

22 quilos por habitante.” Por isso, Silmara de-

de Figueiredo. Ela defende a importância de

fende que o aumento do consumo de queijo

mostrar à população os benefícios nutricio-

é uma questão de hábito, em que as empresas

nais do queijo, que além de ser uma proteína

devem investir em inovações, incentivar a po-

de alta digestibilidade é fonte alimentar de

pulação em experimentar os novos sabores e

cálcio, de CLA (Ácido Linoleico conjugado,

divulgar os valores nutricionais do produto.

presente na gordura do leite), de vitaminas A e D, de zinco, iodo, selênio e potássio, além de

Conheça o seu valor - O mercado de

vitaminas B2, B9 e B12. De acordo com Silma-

queijos deve continuar crescendo e as indús-

ra, a própria Organização Mundial da Saúde

trias têm preparado a sua própria estratégia

(OMS) reconhece a importância do consumo

para atender às novas demandas, como, por

de queijo após as refeições como forma de

exemplo, em produtos embalados para con-

prevenir cáries.

Queijeiros reunidos em Carlos Barbosa Para divulgar informações e reforçar laços com as áreas produtoras de queijos no Brasil, a ABIQ (Asso-

Sul como também de Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo.

ciação Brasileira das Indústrias de Queijo) realizou em

As empresas associadas afins: Christian Han-

22 e 23 de junho, em Carlos Barbosa, na Serra gaúcha,

sen, Cap Lab, Doce Aroma, Fermentech, Danisco, Ger-

o Seminário ABIQ 2010 Sul, reunindo queijeiros, em

minal/ISP, Globalfood, Globo Inox, Prozyn e Tetra Pak

especial da região Sul do Brasil.

mobilizaram suas equipes técnicas para apresentar as

Foi o primeiro evento da entidade fora do eixo

mais atualizadas tecnologias na produção de queijos,

S.Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, reconhecendo

enquanto a ABIQ, através das suas consultorias técni-

a expansão das bacias leiteiras produtoras de queijo.

ca e de marketing, apresentou as evoluções recentes

Ele foi realizado no mesmo período da 21ª FestQueijo

na legislação nacional e internacional para queijos e

– tradicional festa regional que reúne empresas pro-

as tendências em alimentos e suas perspectivas para

dutoras locais de queijos e vinhos. O encontro ocor-

o mercado de queijos. O painel das entidades, ABIQ,

reu na sede da Cooperativa Santa Clara, que gentil-

Sindilat/RS, AGL, APIL/RS, representadas respectiva-

mente cedeu suas modernas instalações para receber

mente por seus presidentes, Luiz Fernando Esteves

a centena de produtores que se inscreveram.

Martins, Carlos Feijó, Ernesto Krug e Clóvis Marcelo

As entidades locais, o Sindilat/RS, a AGL e a

Roesler e Alexandre Guerra, diretor Administrativo e

APIL/RS envidaram seus esforços para convidar seus

Financeiro da Santa Clara, agregou as principais vi-

Associados, dando uma dimensão expressiva ao en-

sões sobre a importância do trabalho conjunto das

contro que reuniu queijeiros não só do Rio Grande do

entidades de classe para cada produtor.

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destaque

Akso apresenta analisador

Master Mini na versão automática O analisador Master Mini conquistou o

padas no próprio painel frontal de policarbonato,

mercado com sua excelente relação custo x be-

reduzindo assim os riscos de entrada de umidade

nefício. Além de portátil, próprio para análises

no analisador.

em campo, destaca-se pela ótima exatidão e fa-

A Akso estará presente na Agrotecno

cilidade no manuseio. A nova versão do produto

Leite, maior feira técnica e dinâmica da cadeia

dispensa o uso da botoeira rotativa para sucção e

produtiva do Leite da Região Sul, em Passo Fun-

retorno do leite da amostra analisada. Agora o lei-

do, de 28 a 30 de setembro, expondo toda sua

te é sugado após o comando de inicialização atra-

linha de instrumentos. O evento acontece no

vés da tecla “Enter”, e após o término das análises o

Centro de Eventos

mesmo retorna automaticamente para a cubeta.

e nos Campos de

Essa inovação exigiu uma alteração tanto

Pesquisa da Faculda-

no hardware quanto no software do equipamen-

de de Agronomia e

to e trouxe como resultado uma maior agilidade

Medicina Veterinária

no procedimento de análise do leite, e também

da Universidade de

garantiu maior durabilidade ao instrumento, que

Passo Fundo (FAMV/

agora conta com todas as teclas em relevo estam-

UPF), das 8h às 18h.

SINDILAT/RS - Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul Av. Mauá - n° 2011 - Sala 505 - Centro - Porto Alegre / RS CEP 90030-080 - Fone:(51)3211-1111 - Fax:(51)3028-1529 www.sindilat.com.br - sindilat@sindilat.com.br EDIÇÃO Francke | Comunicação Integrada

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EQUIPE SINDILAT

Capa: Alex Mello

Secretário Executivo: Darlan Palharini

Comercial: Raquel Diniz

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Revista Sindilat 09