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9 a 15/SET /2018/ nº 1073

Os trabalhadores da empresa Manserv, que presta serviços na área da construção civil na Recap, deram um exemplo de luta, mobilização e resistência, suportando por 40 dias uma greve. Em assembleia na porta da refinaria, os mais de 200 terceirizados aprovaram a nova proposta da empresa, que concede reajuste salarial de 2,5% e vale-alimentação de R$ 485, retroativos a 1º dia maio, data base da categoria. A direção do Unificado apoiou o movimento desde o primeiro dia e organizou coleta de cestas básica para ajudar os companheiros.

Regional Campinas realiza debate sobre AMS e Petros | pág 3 Cerca de 150 aposentados e pensionistas participaram do evento. Nova reunião está agendada para o dia 19

Os perigos da terceirização indiscrimidada | pág 4 Especialistas apontam que a medida deverá levar a contratações sem concurso público, especialmente de profissionais de educação, saúde e cultura

Petrobrás difculta trabalho da comissão que invetiga acidente na Replan | pág 4


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Replan

Trabalhadores denunciam falta de segurança nas vans Trabalhadores do turno da Replan, que utilizam o transporte das vans, voltam a denunciar a falta de segurança e os riscos de acidentes. Há poucos dias, segundo eles, por duas vezes, a porta traseira de um dos veículos abriu durante o trajeto e, em uma das ocasiões, o estepe chegou a cair na rua. A situação é ainda mais alarmante porque vários cintos de segurança dessa mesma van não funcionam corretamente. Os passageiros reclamam que têm dificuldade no travamento e que, em alguns casos, o cinto fica folgado sobre o corpo. Eles relatam que os bancos da última fileira são tão grudados que os usuários não conseguem movimentar de forma adequada o cinto de segurança. No mês passado, alguns petroleiros enviaram e-mails ao setor de transporte da Replan informando sobre os problemas e ficaram indignados com a resposta do representante da Vix, empresa responsável pelo transporte dos turnos. O funcionário afirmou que todos os cintos da determinada van funcionam perfeitamente e que a usuária, petroleira que enviou um dos e-mails, “apenas teve dificuldades no uso correto do cinto de segurança”. “O representante da Vix não teve uma postura profissional. Ficamos ofendidos por ele insinuar que estamos inventando problemas e pela atitude machista, tentando desqualificar a opinião de uma mulher”, declarou um dos trabalhadores que fizeram reclamações. Diante da insatisfação e das críticas, o setor de Transporte da Replan decidiu tirar de circulação o veículo reclamado. Entretanto, de acordo com os passageiros, os problemas persistem na van reserva. Transpetro

Mudança de horário tem de ser consenso A Transpetro anunciou uma proposta de mudança do horário de turno da Operação, que passaria a ser 7h, 15h e 23h, em vez dos atuais 8h, 16h, 24h. "É necessário avaliar os benefícios e prejuízos dessa alteração e ouvir os trabalhadores para saber se a maioria está de acordo, a empresa não pode adotar unilateralmente a mudança de horário sem ouvir os trabalhadores", aponta o diretor do Unificado, Felipe Grubba, que orienta: "Qualquer tentativa de imposição deve ser comunicada ao Sindicato".

Recap

Trabalhadores da Manserv encerram greve após 40 dias

Assembleia encerrou movimento vitorioso

Solidariedade

Resistência sem arrego

Os trabalhadores da Manserv, prestadora de serviços de manutenção na Recap, em Mauá, decidiram encerrar, na manhã do dia 3, a greve que já durava 40 dias. Em assembleia na porta da refinaria, os mais de 200 terceirizados aprovaram a nova proposta da empresa, que concede reajuste salarial de 2,5% e vale-alimentação de R$ 485, retroativos a 1º dia maio, data base da categoria. A Manserv também se comprometeu a abonar 75% dos dias parados, com adicional de periculosidade, e descontar o restante em duas vezes (setembro e outubro). A empresa prometeu ainda estabilidade no emprego de 60 dias e pagar o salário de agosto nesta terça-feira (04), caso os empregados retornassem hoje cedo ao trabalho. Para o coordenador da Regional Mauá do Sindicato, Auzélio Alves, foi uma grande batalha travada pelos trabalhadores terceirizados e que teve empenho importante de diretores de base do Unificado e petroleiros aposentados e da ativa. “Foram dias de luta e resistência por melhores condições de trabalho e salário. Os trabalhadores da Manserv retornam às atividades com o sentimento de que todos esses dias de luta valeram a pena, para a conquista dos avanços no acordo coletivo”, afirmou Auzélio.

Solidariedade: caminhão com cestas básicas

Desde o início da greve, os terceirizados contaram o apoio do Unificado. A direção sindical participou das manifestações, realizadas na porta da Recap, e promoveu uma campanha de arrecadação de cestas básicas, para serem doadas aos trabalhadores, que passaram o mês de agosto sem receber o salário. A campanha foi um sucesso, com a participação de muitos petroleiros e dezenas de cestas arrecadadas, que foram distribuídas na manhã desta segunda-feira (03). “Agradecemos a todos os petroleiros que se solidarizaram com a causa e ajudaram nossos companheiros. A união e a solidariedade fazem parte da história de lutas e conquistas da nossa categoria”, destacou o dirigente.

Mauro Coelho, do Sindicato da Construção Civil

SINDICATO UNIFICADO DOS PETROLEIROS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Redação: Viaduto Nove de Julho, 160 Conj. 2E – Centro – São Paulo–SP – CEP 01050-060 – Tel (11) 3255-0113. www.sindipetrosp.org.br. E-mail: imprensa@sindipetrosp.org.br. / falapetroleiro@sindipetrosp.org.br. Responsabilidade editorial: Diretoria do Unificado. Editor: Norian Segatto – MTb: 21.465. Jornalista: Alessandra Campos. Ilustração: Ubiratan Dantas. Impressão: Gráfica Paineiras. Tiragem: 5 mil exemplares. E-mails: sao.paulo@sindipetrosp. org.br. — campinas@sindipetrosp.org.br. — maua@sindipetrosp.org.br. Celulares da Diretoria: Auzélio Alves (11- 97391-1005) Bob Ragusa (19-99963-9886) Vereníssimo Barçante (11-97221-9349), Cibele Vieira (11-96860-4433), Juliano Deptula (11-96386-8855), Gustavo Marsaioli (19-99631-8463), Felipe Grubba (11-99732-0255), Itamar Sanches (1999601-3194), Luiz Abílio (19-99959-9317) Marcelo Garlipp (19-99694-1987). Jorge Nascimento (19-99888-2407) Tiago Franco (11 9 4384-9657) Mauá: (11) 4514-3721 São Paulo: (11) 3255-0113 REGIONAIS Campinas: (19) 3743-6144


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Regional Campinas

Discussões sobre AMS e Petros reúnem 150 aposentados e pensionistas Propostas para a Petros Os diretores atualizaram sobre os últimos acontecimentos e a situação jurídica do Unificado e dos demais sindicatos da FUP, em relação à liminar que impede a cobrança do equacionamento do PP-1. Osvaldinho informou que o pedido do Unificado para ampliar a abrangência da liminar a toda categoria representada pelo Unificado, de acordo com a assessoria jurídica, deve ser apreciado em outubro. Foi apresentada aos aposentados e pensionistas a proposta consolidada pela FUP, FNP, sindicatos e associações da categoria e que já foi entregue à direção da Petros. Os diretores destacaram que o PED proposto pela Petrobrás e Petros não zera o déficit, enquanto “a estratégia da nova proposta é garantir a manutenção do PP1 com zero de déficit”. Dois temas que interessam a todos

Cerca de 150 aposentados e pensionistas acompanharam, na noite de quarta-feira, 5, as discussões sobre AMS e Petros, realizadas na Regional Campinas do Sindicato. Os diretores Bob Ragusa e Osvaldinho e o petroleiro da Replan e ex-diretor da Petros, Danilo Silva, falaram, entre outros assuntos, sobre a ameaça imposta pela Resolução 23 aos planos de saúde das estatais e a nova proposta da FUP para garantir sustentabilidade e perenidade do Plano Petros-1. Editada pelo governo golpista no mês de janeiro e com prazo de quatro anos para entrar em vigor, a Resolução 23 vai estrangular os planos de saúde das estatais, promovendo mudanças drásticas. A proposta do governo é limitar o gasto das estatais com plano de saúde em 8% da folha de pagamento. Hoje, o investimento da Petrobrás na AMS é equivalente a 18%. Essa é mais uma medida para beneficiar os planos privados de saúde. A resolução também estabelece que a paridade no custo dos planos seja 50/50. Ou seja, o participante paga metade do

valor e a empresa arca com a outra metade. Atualmente, os beneficiados da AMS pagam 30% e a Petrobrás, 70%. A norma institui ainda cobrança de mensalidade por dependente e restringe os tipos de dependentes permitidos. O mais grave é que a resolução acaba com os planos de saúde para aposentados e novos empregados e não permite que sejam inseridos detalhes do plano no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria. Segundo explicou Danilo, a orientação do governo é para aplicação imediata da resolução. “Só não implementaram ainda na Petrobrás por causa do nosso ACT”, alertou. O acordo coletivo dos petroleiros tem um capítulo exclusivo sobre o plano AMS e está garantido até 31 de agosto de 2019. “Até essa data estamos protegidos pelo acordo. Temos um curto tempo para buscar medidas que nos ajudem a barrar a aplicação dessa resolução”, destacou Bob. A pedido dos aposentados, interessados em aprofundar as discussões sobre a Resolução 23, o Sindicato agendou uma nova reunião para o dia 19 de setembro, às 17h, na Regional Campinas.

São seis mudanças sugeridas pela FUP e demais entidades: 1 – Aumento de 30% nos percentuais das contribuições normais. 2 – Introdução de contribuição normal para as pensionistas com as mesmas tabelas utilizadas para ativos e aposentados. 3 – Reajuste anual dos benefícios nos primeiros 5 anos pelo IPCA deduzido de 2,5%; 4 – Benefício Definido Previamente (BDP) e reajuste anual do seu valor nos primeiros 5 anos com base no IPCA deduzido de 2,5%; 5 – Introdução de contribuição adicional de 20%, sobre o valor do Pecúlio por Morte; 6 – Introdução de contribuição adicional provisória, com percentual de 50%, a ser aplicada sobre o valor do abono anual líquido da contribuição normal durante os 10 primeiros anos após a aprovação desta proposta. Como encaminhamento desse tema, foi solicitada uma nova reunião para mais esclarecimentos da nova proposta. O Sindicato se comprometeu a divulgar até o dia 5 de outubro a data do novo encontro.


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Decisão do STF

Terceirização irrestrita coloca em risco concurso público, alertam especialistas Após a aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF), na última semana, da terceirização irrestrita de trabalhadores para atividades-fim nas empresas, como propôs o governo Temer, especialistas apontam que a medida deverá levar a contratações sem concurso público, especialmente de profissionais de educação, saúde e cultura, como alerta Sérgio Antiqueira, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep). "Os professores estão na ponta da lista da ameaça, porque já tem o interesse de empresas entrar nos municípios, trazendo apostilas, então há o interesse em substituir os professores", diz o sindicalista. Segundo o Dieese, os terceirizados ganham menos, se acidentam mais e têm jornadas de trabalho superiores às dos contratados diretos. A rotatividade da mão de obra também é o dobro da registrada em relação ao contratado direto. Por todos esses fatores, a terceirização não significa melhora para os trabalhadores e nem para o serviço público. "Num cenário de redução dos gastos públicos, por conta dos limites orçamentários da Emenda Constitucional (EC) 95, a gente avalia que os estados vão usar esse instrumento de poder ampliar a terceirização do serviço público para reduzir os seus custos. Como as condições dadas aos trabalhadores pioram, influencia no atendimento tam-

bém", explica Adriana Marcolino, socióloga e técnica do Dieese. Especialistas alertam ainda que a terceirização pode acabar com os concursos públicos e a substituição pelos terceirizados vai inviabilizar a aposentadoria dos atuais servidores. "A Previdência do servidor o governo trata como um problema do servidor, não de gestão da prefeitura (e demais instâncias do poder público). Você reduz a contribuição, já que não tem mais o trabalhador direto, que contribui para a Previdência", alerta Sérgio. Para o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ronaldo Fleury, será o fim do concurso público e um incentivo ao nepotismo nos municípios, no Estado e na União. "Não vai ter mais concurso público porque todos esses serviços poderão ser terceirizados", afirmou, em entrevista ao jornal Brasil de Fato. A terceirização também pode trazer problemas para a previdência dos trabalhadores do setor privado. Os salários menores vão fazer a arrecadação cair. Além disso, os trabalhadores que precisarem abrir empresas – tornando-se Pessoas Jurídicas (PJ) para terem seus serviços contratados – podem nem contribuir com a Previdência. Como não há mais recursos judiciais para impedir a terceirização total, os trabalhadores afirmam que a única forma de reverter

esse retrocesso é a revogação da lei, na próxima Legislatura a ser eleita em outubro. "Nós temos que discutir quem são os candidatos que propõem a reversão da reforma trabalhista e a lei de terceirização", completa o presidente do sindicato. Na Petrobrás, 8 em cada 10 acidentes são com terceirizados No Sistema Petrobrás, mais de 80% das vítimas de acidentes são trabalhadores terceirizados. Só nos últimos três anos, 34 petroleiros perderam a vida enquanto executavam tarefas nas unidades da empresa. Destes, 28 eram terceirizados. De 1995 para cá, dos 379 petroleiros mortos em acidentes de trabalho, 308 eram de empresas prestadoras de serviço. Com a reforma trabalhalhista e a liberação da terceirização para as atividades-fim, o trabalho no setor petróleo será ainda mais precarizado. "Isso significa também que não teremos nem mesmo garantias de novos concursos públicos. A Petrobrás, cujo efetivo próprio já está reduzidíssimo, com as unidades operacionais transformadas em bombas-relógio, poderá terceirizar tudo, inclusive as atividades de refino, exploração e produção de petróleo e gás", alerta o coordenador da FUP, Simão Zanardi Filho. Fonte: FUP

Obstáculos

Replan tenta dificultar trabalho de Sindicato em comissão de acidentes O Sindipetro Unificado denuncia que seu diretor Marcelo Garlipp, membro da Comissão de Investigação de Acidentes que apura as causas da explosão e do incêndio ocorridos na madrugada do dia 20 de agosto na Replan, está encontrando dificuldades para exercer seu trabalho. Além de não facilitar a entrada do dirigente às instalações da refinaria, a empresa também tem negado o acesso a computadores. Na manhã do dia 5, como tem sido praxe todos os dias, Garlipp teve que responder na portaria o porquê precisava entrar na empresa e em quais setores ele iria. Depois de alguns minutos, teve a entrada autorizada, mas acabou barrado na segunda portaria, após tentar passar a catraca com seu crachá. Ele foi interceptado por um vigia e solicitado que aguardasse por outro funcionário para sua liberação. Dentro da refinaria, Garlipp teve problemas com o uso de computadores. Por duas vezes, ele teve que sair dos equipamentos que utilizava, por determinação dos gerentes dos setores. No RH, o gerente justificou que o dirigente não poderia ficar na área devido à partida da refinaria. O argumento surpreendeu o membro da comissão, que havia utilizado esse mesmo computador no dia anterior, quando a Replan já estava em

Petrobrás não pode boicotar trabalho da comissão

processo de partida. Para o Sindicato, essa conduta demonstra que a gestão da Replan está mais preocupada com a presença de representantes da entidade dentro da empresa do que, propriamente, com a apuração efetiva e isenta das causas do acidente. Para desenvolver seu trabalho na comissão, o diretor sindical precisa ter acesso às instalações da refinaria e também a compu-

tadores conectados à rede interna. A comissão iniciou a investigação no dia 22 de agosto e tem trabalhado duro para entender a origem da explosão na refinaria que, por sorte, não se transformou em uma tragédia. O grupo é formado por 12 membros, sendo um representante do Sindicato, um da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e 10 especialistas e cargos de chefia, designados pela empresa.

JORNAL PETROLEIR@S n. 1073  

Publicação semanal do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo. Nesta edição destaque para a paralisação da empresa Manserv, cujos t...

JORNAL PETROLEIR@S n. 1073  

Publicação semanal do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo. Nesta edição destaque para a paralisação da empresa Manserv, cujos t...

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