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Formas e sons a serviço do conteúdo na poesia Poema tem ritmo e brincadeiras com as palavras. São muitas as possibilidades de organizar um texto desse gênero. É possível interromper uma frase no meio do verso para causar uma pausa na leitura ou posicionar os termos na ordem inversa para gerar algum efeito de sentido, por exemplo. Outra característica importante desse gênero são as rimas, repetição de sons iguais ou similares dentro de um mesmo verso ou entre eles, muitas vezes recorrente em intervalos regulares. E não são sons quaisquer:

a

musicalidade

é

o

princípio

essencial

da

mecânica

poética.

Para fazer um bom trabalho nessa área, é preciso agir como um leitor experiente e orientar os alunos de modo a torná-los capazes de fazer leituras progressivamente mais complexas. Um dos primeiros passos é possibilitar o contato deles com diversas produções para que, com referências, possam habituar-se ao texto. Também vale lançar mão de procedimentos que colaboram para uma aproximação com o poema: olhar o texto para notar como ele foi distribuído na página, ver onde estão as sílabas tônicas e as rimas, como é seu encadeamento, sinais de pontuação que são usados e identificar as que contêm brincadeiras sonoras. Toda intermediação feita é uma possível interpretação do texto, mas não a única. "O importante é o educador explicar que fez uma leitura e propor que o aluno faça a sua própria", explica Ana Elvira Gebara, professora de Estilística da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), em São Paulo, e consultora de poemas da Olimpíada da Língua Portuguesa. Afinal, as sensações de cada leitor são únicas e devem ser valorizadas e respeitadas, já que não existe uma maneira certa ou errada de compreender poesia.

Formas e sons a serviço do conteúdo na poesia