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70 anos iluminando lutas e conquistas


70 anos iluminando lutas e conquistas

2015


Sindicato dos eletricitários de são paulo - 70 anos iluminando lutas e conquistas Realização Sindicato dos Eletricitários de São Paulo Direção Eduardo de Vasconcellos Correia Annunciato (Chicão) Coordenação Marcio Rualonga Redação Gabriel Felix de Oliveira Projeto Gráfico e Diagramação Mariana Belmonte Kim

Sindicato dos Eletricitários de São Paulo

www.eletricitarios.org.br

atendimento@eletricitarios.org.br

Revisão Robson Thomaz Pesquisa Alfredo de Souza Moraes Gabriel Felix de Oliveira Marcio Rualonga Mariana Belmonte Kim Colaboração Antônio Rogério Magri Hugo Martinez Perez Acervo Sindicato dos Eletricitários de São Paulo Centro de Memória Sindical

www.facebook.com/eletricitarios


introdução

Iluminando lutas e conquistas O despontar da sociedade contemporânea foi firmado na utilização e no consumo de energia. Com o avanço da segunda revolução industrial, a eletricidade tornou-se um insumo indispensável para o desenvolvimento do planeta, uma onipresente ferramenta desde a invenção da lâmpada, passando pela estruturação urbana, até a globalização na pós-modernidade. Nos infindáveis enredos da linha do tempo, a energia mostra-se inerente ao desenvolvimento, e os Eletricitários são os grandes responsáveis por movimentar o ouro da mina deste tão valioso recurso. Nesta obra, está retratada e transcrita uma pequena parcela da atuação desta fundamental categoria, através da colaboração da gloriosa entidade sindical que defende os Eletricitários. Companheiro (a), o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo é a maior entidade de primeiro grau representativa dos trabalhadores do setor de energia elétrica da América Latina, portanto, ocupa posição de vanguarda na defesa dos interesses da categoria que representa, formada por milhares de Eletricitários, que escrevem a história do país com muito trabalho, força e energia. Nesta obra, o leitor está prestes a conhecer, de uma forma dinâmica e completa, os setenta anos de lutas e vitórias que ultrapassam os limites da categoria. Aqui, através de pesquisas, nós pontuamos, ano a ano, os conjuntos de ações em prol dos Eletricitários: ora entregando benefícios diretos ao trabalhador, ora lutando pela manutenção e pela ampliação das numerosas conquistas que tivemos com o passar do tempo. Este livro, companheiro (a) e leitor (a), é um marco histórico para o movimento sindical. Os registros aqui contidos servem para rememorar a dinâmica e grandiosa história da categoria, mas, acima de tudo, estas páginas compõem um legado que serve de exemplo e esperança para todos os novos Eletricitários e aqueles que estão por vir. Boa leitura.


prefácio

A CONQUISTA DE LUTAR Agradeço a Deus pela valiosa oportunidade de participar, de forma ativa, desta tão rica história, que tem o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. Meus sinceros agradecimentos à atual diretoria e às anteriores, que apoiaram e se envolveram ativamente em toda iniciativa, bem como aos trabalhadores, funcionários do Sindicato, que dedicaram horas de levantamentos, análises e pesquisas para a construção deste livro. Sem este hercúleo esforço, não teríamos concretizado a obra, este inigualável marco da nossa história. Caro leitor, este Sindicato protagonizou lutas nacionais que extrapolaram os limites da nossa categoria, e elevou a luta de classes aos mais superiores patamares. E assim, ao folhear as páginas desta obra, será possível conhecer a trajetória de trabalhadores e trabalhadoras simples, leais e determinados, que, enfrentando toda a sorte de um país pisoteado pela desigualdade, tornaram-se respeitadas autoridades no cenário nacional. Somos soldados de um fenômeno desencadeado, principalmente, pelo apoio e pelo reconhecimento dos Trabalhadores Eletricitários, os principais atores desta história. São estas iluminadas e iluminantes almas a verdadeira razão de cada momento, ação e movimento, enfim, o único e mais legítimo motivo da nossa existência enquanto Sindicato: os trabalhadores. Caro leitor, sindicalistas nada mais são, do que instrumentos impulsionados por um espírito de classe, que leva trabalhadores comuns a se transformarem em fiéis heróis, bravos guerreiros e firmes soldados, que lutam pela construção de uma radiante e enérgica história de lutas e conquistas. JUNTOS NA LUTA, unidos por um futuro cada vez melhor!

Eduardo de Vasconcellos Correia Annunciato Presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da FENATEMA


Presidentes Pรกg. 12

1945 - 1955 Pรกg. 18

1975 - 1985 Pรกg. 71

1985 - 1995 Pรกg. 100


sumรกrio

1955 - 1965 Pรกg. 30

1965 - 1975 Pรกg. 48

1995 - 2005 Pรกg. 130

2005 - 2015 Pรกg. 174


presidentes

josé cABRAL 1945 - 1952 | 1956 - 1971 Firme e visionário foi o grande baluarte do maior Sindicato dos Eletricitários da história. A José Cabral, nossa eterna homenagem e agradecimento, por construir, com suas próprias mãos, os trilhos por onde avança, para além de hoje, a locomotiva da nossa história como Sindicato. Há setenta anos, foi preciso acreditar e resistir. Acreditar num ideal cheio de força, e resistir em meio à escuridão, coberta pelo silêncio e pelo cansaço daqueles bons companheiros que não podiam falar. Só trabalhar. Só apanhar. Foi por todos e para todos que José Cabral acendeu a luz mais forte, fundando, em quatro de setembro de 1945, esta Casa de Trabalhador. Rompeu, entre as estrelas do céu de São Paulo, um clarão que cobriu a vida, a história e o trabalho de todos aqueles que viriam a ser os Eletricitários de São Paulo, termo que batia naquele coração e que foi cunhado para batizar todos os trabalhadores das empresas de energia. Cabral abrigou no Sindicato os pioneiros construtores do parque energético paulista, aqueles que, com muito empenho, suor e sangue, transformaram em força, luz e energia as águas dos rios que cortam São Paulo, ou

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que iluminaram os pontos mais estratégicos da capital paulista, ou ainda os muitos que levaram eletricidade às mais distantes periferias das grandes cidades e ranchos mais longínquos do interior do Estado. Foi Cabral quem ergueu as paredes desta Casa de Trabalhador, quem travou as duras batalhas para conquistar o décimo terceiro salário e quem levou o Sindicato até a beira do mar, nas colônias de Caraguatatuba e Praia Grande. Muito além das conversas jogadas fora, de igual para igual, em cada Barbearia do Eletricitário, o fundador também travou sangrentas testilhas com os donos do poder, para permitir que os trabalhadores tivessem acesso à moradia. Eleito por mais de uma vez como presidente do Sindicato e também nomeado como Juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, em São Paulo, o incansável fundador esteve à frente do Sindicato pela última vez em 1971. Cabral partiu, deixando aos brasileiros, e, sobretudo aos Eletricitários, um legado que atravessou qualquer distância e os planos traçados pela régua e pelo esquadro da vida.


josé Alonso garcia

benedicto guimarães

1952 - 1954

1954 - 1956

Frente ao Sindicato por dois frutuosos anos, José Alonso Garcia conduziu a entidade num glorioso período de profundas transformações. Sempre ávidos por novidades, os Hidroelétricos sentiram ecoar no peito a necessidade de vivenciar um viçoso mandato orientado por novas mãos, que não só aquelas do ilustre fundador. E assim foi eleito José Alonso Garcia, pela grande maioria dos associados, que, juntos, celebraram a sua chegada ao poder numa festiva cerimônia em quinze de novembro de 1952. Mas nem tudo foi só festa. Preparado para lutar pelo bem dos Hidroelétricos, o presidente estendeu um escudo na frente do trabalhador, a fim de protegê-lo contra as manobras da pluralidade sindical. Além disso, José Alonso Garcia afiou a espada para guerrear por igualdade no bairro de Cidade Dutra, sobretudo pelos direitos dos mais pobres e dos mais velhos. Entre os proveitos das batalhas, o Sindicato, conduzido por José Alonso Garcia, garantiu favoráveis aumentos salariais para os trabalhadores e ainda reuniu diversos companheiros no primeiro seminário organizado pelo Sindicato, em 1953, em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI).

Para os calendários, um curto intervalo. Para as páginas da História, um longo e determinante período de lutas foi aquele no qual o presidente Benedicto Guimarães esteve à frente do Sindicato. Num mandato desenrolado com muitos aliados, à luz do Movimento Nacional Popular Trabalhista (MNPT), o Brasil via escurecer as sombras enegrecidas pelos conservadores, que multiplicavam-se exponencialmente após a morte de Getúlio Vargas e desorientavam a bússola da economia do país, ameaçando as empresas de bandeira verde e amarela e os bosques com mais vida da pátria amada. Ainda assim, a Casa do Trabalhador seguia forte. Foi nos remotos dias de Benedicto Guimarães que o Sindicato desempenhou grandes esforços e assentou os primeiros tijolos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o mais importante centro de estudos sobre a classe trabalhadora do país, inaugurado em 1955. Evidenciando o compromisso de conscientizar a real atuação de um sindicato para os seus associados, o presidente criou o primeiro curso da instituição, proporcionando o ensino de oratória aos trabalhadores. Além disso, Benedicto Guimarães fez o escudo do Sindicato brilhar no céu do litoral paulista, inaugurando a primeira subsede, na cidade de Cubatão.

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wilson abílio

sylvio guimarães

1969 - 1971

1971 - 1978

Quando José Cabral solicitou licença do Sindicato, em 1969, o fundador confiou a presidência da Casa a um de seus fiéis escudeiros, Wilson Abílio, que se dedicou ao cargo com muito zelo e competência até abril de 1971, quando as chaves do Sindicato retornaram a Cabral. Em seu tempo de exercício, o nobre amigo apostou na simplicidade e na perseverança para sustentar o Sindicato em caráter interino. Foi preciso conhecimento para impulsionar os Eletricitários em meio à crise hídrica da época, que ameaçava a distribuição de água e a geração de energia em São Paulo. Foi preciso, também, muita resiliência, para situar o Sindicato num lugar seguro – ou menos arriscado – entre os duros disparos das metralhadoras da ditadura, apontadas para o peito dos corajosos que sempre ousaram lutar. Bem mais que o chumbo ou a falta d’água, a esperança de melhores dias era maior no semblante daquele presidente. No mesmo ano em que o país cantava “Pra Frente Brasil” ao ver a seleção levantar a taça, Wilson Abílio entrou em campo com o Festival Esportivo do Sindicato, a primeira iniciativa dos Eletricitários neste sentido. Graças ao nobre presidente, brilharam no futebol grandes jogadores que revezavam suas rotinas esportivas com o dia-a-dia nos locais de trabalho.

Quando Sylvio Guimarães tinha nas mãos as chaves da Casa do Trabalhador, ninguém sabia o que era mais difícil: ser sindicalista ou ser Eletricitário. Na tempestade de um dos mais truculentos períodos da História do Brasil, o presidente do Sindicato manteve-se em pé e de queixo erguido para encarar os generais que invadiram diversos sindicatos, mas que nem tentaram a sorte e o desgaste de incendiar um inferno na Rua Thomaz Gonzaga. E assim, o Sindicato vivenciou um tempo de equilíbrio e significativos avanços em meio aos trancos e barrancos do Brasil nos anos 1970. Sylvio Guimarães fez do Sindicato um bom vizinho dos trabalhadores, incomodando os sisudos patrões com o barulho das subsedes construídas ao lado das empresas de energia. Foi ele quem inaugurou as primeiras subsedes da cidade de São Paulo, no bairro do Cambuci e na Rua Xavier de Toledo, despertando a necessidade de aproximação do movimento sindical em cada trabalhador. Unido em nome da democracia e com um expressivo contingente de trabalhadores, o exército dos Eletricitários, comandado por Guimarães, passou a contar com o próprio serviço de assistência médica. Em 1978, Guimarães deixou a presidência do Sindicato, mas não se afastou da luta, dedicando-se integralmente à Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo (AEASP) por longos e frutuosos anos.

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antônio rogério magri

enir severino da silva

1978 - 1990

1990 - 1998

Bem aventurados os que escrevem a História. Com muito afinco, competência e perseverança, Antônio Rogério Magri deu magnânima contribuição para o Sindicato. Durante todo o tempo em que ocupou o cargo maior da casa, o presidente enfrentou centenas de homens brutos e tiranos para defender os direitos dos Eletricitários, e, com muito esforço, conquistou as maiores glórias da categoria, muitas delas empenhadas por José Cabral desde a fundação do Sindicato. E não há dúvidas que a maior das vitórias foi o Adicional de Periculosidade para os Eletricitários, quando o notável presidente (e professor de judô) nocauteou tantas negativas e garantiu o benefício, capaz de salvar as vidas de milhares de trabalhadores e pais de família. Para o Sindicato, com muito amor. Assim foi assinado o mandato de Antônio Rogério Magri, que, em mais de dez anos, conduziu as mais fantásticas greves da história dos Eletricitários, além de organizar a CONCLAT, um dos mais esplêndidos episódios do movimento sindical brasileiro. Magri soube como lutar ferrenhamente pela democracia, engajando milhares de trabalhadores nas ruas de São Paulo e no Sindicato. O mandato de Antônio Rogério Magri durou até 1990, quando ocupou o cargo de Ministro do Trabalho e da Previdência Social. Mesmo longe do prédio da Rua Thomaz Gonzaga, o ilustre companheiro Magri jamais abandonou os trabalhadores e os aposentados, sendo considerado um dos ídolos da história dos Eletricitários.

O aguerrido companheiro Enir Severino da Silva representou o Sindicato por quase toda a década de 1990, num período marcado por muita militância, lealdade e compromisso, não só com o desenvolvimento dos Eletricitários, mas também do setor elétrico e da classe trabalhadora, de forma ampla e geral. Neste sentido, a efervescente mente criadora de Enir deu origem a notáveis iniciativas de aprimoramento profissional dos Eletricitários, e conduziu uma série de pesquisas sobre o setor energético. À frente do Sindicato, da Federaluz e da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Enir atuou na linha de frente da guerra contra as privatizações, descaradamente incendiadas pelos tucanos durante a década de 1990. Batalhando de maneira incansável, o grande presidente jamais abaixou a cabeça com os duros golpes da economia sofridos pela classe trabalhadora, e, sobretudo, pelos Eletricitários. Assim, Enir acendeu o espírito de união entre os trabalhadores, que se encontraram inúmeras vezes para lutar, dispostos a enfrentar intolerantes autoridades dentro de seus próprios esconderijos. Falecido ao longo de seu mandato, em 1998, Enir deixou um valioso patrimônio, contemplado na modernização da estrutura da sede, na Farmácia do Eletricitário e em outros serviços, que, por anos, foram estendidos a cada trabalhador associado. Além disso, o aguerrido companheiro Enir abriu muitos caminhos para o movimento sindical dos dias atuais.

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antonio carlos dos reis

Carlos alberto dos reis

1998 - 2008

2008 - 2013

Um dos mandatos mais longos do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo pertenceu a Antonio Carlos dos Reis, popularmente conhecido como Salim. O presidente cumpriu a árdua missão de conduzir o Sindicato após o falecimento do prodigioso companheiro Enir, e, ao substituir a vice-presidência pelo cargo maior da entidade, Salim fez os Eletricitários superarem várias adversidades em meio ao conturbado cenário do Brasil, no final dos anos 1990 e nos primeiros anos do novo milênio. Com a força dos trabalhadores engajados e da diretoria de sua época, Salim organizou as reivindicações da categoria num bravio momento em que a privatização obsessiva fez surgir no setor elétrico uma sucessão de diversas novas empresas, onde, até hoje, os Eletricitários desempenham as suas funções. Foi preciso coragem e resiliência para sustentar as estruturas da Casa do Trabalhador, ameaçadas de serem arrasadas pelas tempestades da economia privatista. Caminhando pelas estradas abertas pelo ex-presidente Enir, Salim foi um exímio atuante em nome da classe trabalhadora, também revezando suas atribuições à frente da CGT. Com seu caráter obstinado e grande influência no movimento trabalhista, Salim defendeu não só os Eletricitários, mas também a população, em meio a uma das mais graves crises energéticas da História, preparando a classe trabalhadora para um novo momento, de alinho e renovação para os dias atuais.

Carlão, um combativo companheiro, Eletricitário de Furnas, teve em mãos as chaves da Casa do Trabalhador entre os anos 2008 e 2013. Em seu mandato, o presidente concedeu uma série de transformações e vantagens aos associados, além de aumentar a influência do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo dentro e fora do território nacional. Assim, Carlão esteve à frente das reformas que proporcionaram mais acessibilidade ao edifício-sede, firmou parcerias de estudo e lazer para os associados e conduziu o Sindicato no início de uma crise socioeconômica que se agravou por todo o país nos anos seguintes. Detentor de vastos conhecimentos em política, o presidente conduziu a filiação dos Eletricitários à Força Sindical, central em que também foi nomeado como um dos vice-presidentes. Filiado à Força, o Sindicato nos rumos de Carlão aumentou sua participação nas manifestações pelos direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Carlão também foi o responsável por avançar a influência internacional do Sindicato em seu mandato, estabelecendo intercâmbios com entidades sindicais de outros lugares do planeta, em visitas e eventos. Carlão teve sua vida interrompida em outubro de 2013, quando foi executado a sangue frio.

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celso luis de souza

eduardo annunciato

2013 - 2015

2015

Nomeado como presidente pela diretoria da Casa, o companheiro Celso Luis de Souza regeu o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo entre os anos de 2013 e 2015, após a morte de Carlão. Firme em seus ideais de transparência, companheirismo e humildade, o presidente foi capaz de transmutar o difícil momento de luto, fazendo amanhecer um tempo de união dos trabalhadores que ficou marcado por grandes avanços para o movimento sindical. Conhecido simplesmente como Celsinho, o presidente vivenciou um histórico momento para o movimento sindical, recebendo, em suas mãos, na Assembleia Legislativa, a Medalha Constitucionalista, símbolo da representativa atuação do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo em nome da democracia e da defesa do setor elétrico como patrimônio paulista. Visando importantes trocas de experiência, Celsinho também aproximou o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo a outras entidades sindicais da América Latina. Um dos mais relevantes capítulos de seu mandato foi a realização do Terceiro Encontro Internacional de Trabalhadores do Grupo ISA, que reuniu a diretoria do Sindicato com diversos sindicalistas sul-americanos, no edifício-sede e na Colônia de Praia Grande. Celsinho deixou o poder em 2015, com a unânime eleição do presidente Eduardo Annunciato, o Chicão.

Batizado de Eduardo e conhecido como Chicão, o atual presidente iniciou oficialmente a sua jornada no movimento sindical no ano de 2003, ao ser eleito diretor de base da Eletropaulo. Preocupado com o desenvolvimento e a defesa da classe trabalhadora desde muito cedo, o bravo companheiro sempre atuou e acompanhou o Sindicato desde os anos 1990, ora como apoiador, ora como crítico aos rumos adotados pela direção da entidade. Em 2007, Chicão assumiu o cargo de secretário geral do Sindicato, intensificando a sua atuação à frente da entidade e dando outra dinâmica à função. Com ampla visão de futuro e firme no compromisso de defesa à classe trabalhadora, Chicão foi nomeado, em 2008, como presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente (FENATEMA), encaminhando a categoria, de forma sólida e substancial, nos caminhos políticos, ideológicos e jurídicos. Em 2011, Chicão passou a ocupar o cargo de Diretor Financeiro da Entidade. Ao receber as chaves da Casa do Trabalhador em fevereiro de 2015, Chicão deu início a um frutuoso mandato, marcado pelo comprometimento com a categoria e pelo resgate dos Eletricitários para o movimento sindical. Durante a prestigiada cerimônia de posse, Chicão fez um exultante discurso e orientou a diretoria do Sindicato a seguir sua missão a todo vapor, com muita garra e vontade. “Sindicalismo de verdade não é feito de palavras, e sim, de atitudes. São as nossas ações que demonstrarão se somos dignos de representarmos esta histórica e fundamental categoria, a dos Eletricitários. Sem nós, o Brasil para. Assumo, aqui, o compromisso de colocar o Sindicato na posição de destaque da qual nunca deveria ter saído”, declarou o atual presidente. “É com respeito e transparência, junto à classe trabalhadora, que vamos manter e ampliar esta bela história”, completou Chicão.

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1945

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1945 Nossa história começa a ser escrita em julho de 1945, naquelas ruas que ladeiam o misterioso Vale do Anhangabaú. Ali, reuniam-se os trabalhadores da Light, depois de enfrentarem o cansaço, a pressão e até encarar a morte de frente durante a labuta; a centelha da identidade de classe e o inconformismo com as injustiças já brotavam das entranhas dos Eletricitários. Entre uma conversa e outra após o expediente, agigantouse a mente revolucionária de um grande companheiro inquieto e determinado, a fim de reunir os trabalhadores numa organização sindical. Era José Cabral, o pioneiro que acendeu a mais forte luz para o trabalhador que ilumina a cidade. Inspirado no combativo movimento operário trazido da Itália e observando a atuação da Associação dos Trabalhadores em Escritórios nas Indústrias Urbanas, Cabral foi à luta e uniu aliados e simpatizantes para erguer as primeiras estruturas da forte Casa do Trabalhador. Foi então, ao lado do advogado e amigo Francisco Ribeiro dos Santos, que Cabral estabeleceu o Estatuto que deu origem à Associação Profissional dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo, fundada em dois de agosto de 1945, com dezoito trabalhadores da Light, tendo como sede própria o escritório do advogado. Com um crescente número de trabalhadores reunidos no pequeno espaço daquele escritório, a Associação já travava importantes batalhas

em defesa da categoria. Era preciso alçar voos mais altos. Naquele quatro de setembro de 1945, sob as luzes da cidade, Cabral fundou o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Hidroelétrica de São Paulo, ao lado dos fiéis escudeiros que compuseram a primeira diretoria, a representar pouco mais de uma centena de associados. Juntos, o presidente e os diretores encaminharam ao Ministério do Trabalho o processo de transformação da Associação em Sindicato, um marco histórico conquistado somente em 1946, que pode ser considerado como a primeira luta desta entidade sindical. Este caráter pioneiro, facilmente constatável, se tornará um traço marcante das ações do nosso Sindicato; que será sempre exaltado, pois quem não sabe o que aconteceu – e porque aconteceu – sofre a condenação de não lutar por um mundo novo, mais livre, justo e fraterno.

“A todos, com a esperança de que, onde estivermos, seremos para todo o sempre um Eletricitário de alma e coração, entregamos hoje aquilo que temos de mais caro – a nossa gratidão” JOSÉ CABRAL

Cabral e seus fiéis escudeiros reunidos no Restaurante Ponto Chic, no dia 12 de março de 1945, quando foi marcada a data para a fundação do Sindicato.

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1945

Assinada por José Cabral e reconhecida pelas autoridades da época, a carta restaurada atesta a fundação do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo - eis a primeira conquista da nossa história.

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1945

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1946

Em 1946, o Sindicato garantiu uma de suas primeiras e mais fundamentais conquistas: o tardio reconhecimento da fundação, realizado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Além disso, o Estatuto Social da entidade também foi publicado apenas no dia primeiro de outubro de 1946. Redigido e revisado desde a data de fundação da entidade, o documento que regulamentava a atividade do Sindicato demorou a ser aprovado graças às medidas autoritárias dos governantes à época, que visavam conter não só os comunistas, como também os líderes e integrantes dos movimentos operários no país. Naquele ano, também, foi elaborada a nova Constituição Federal, que trazia importantes avanços sociais e garantias democráticas aos trabalhadores brasileiros. Elaborada em conjunto com intelectuais e com a livre participação dos comunistas, a Constituição foi promulgada em 18 de setembro de 1946, constando entre suas regulamentações a liberdade de associação, a igualdade perante a lei e a ausência de censura.

O Estatuto Social do Sindicato, documento feito por trabalhadores e para trabalhadores, que estabelece as normas do regimento interno e as direções adotadas pela entidade em seus movimentos políticos, ideológicos e sociais

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1947 - 1951

O período de estruturação inicial do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo coincidiu com inúmeros movimentos de repressão do Governo à organização dos movimentos trabalhistas no país, sobretudo, durante o mandato do presidente Eurico Gaspar Dutra, que esteve à frente do país entre 1947 e 1951. Naquele tempo, os Eletricitários e o movimento sindical como um todo, sofreram perseguições do Governo. Sob o comando de Dutra, ficou proibida a existência do Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), foi declarada a ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ficaram suspensas as eleições sindicais, além de o Governo ter realizado intervenções em diversos sindicatos. Na época, um documento intitulado “atestado de ideologia” era exigido para os trabalhadores que desejavam se filiar às entidades sindicais. O movimento sindical organizava suas atividades em diversos congressos, reunindo os trabalhadores em limitados espaços, em meio à repressão política e ideológica da época. Mas os Eletricitários deram força à resistência. Num período em que a indústria se desenvolvia no país, os trabalhadores passavam por terríveis dificuldades, e, então, acenderam a chama das lutas por mais respeito e dignidade.

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1952

Cabral entrega as chaves do Sindicato nas mãos de José Alonso Garcia, segundo presidente da nossa história.

No ano em que os associados elegem José Alonso Garcia como presidente do Sindicato, a primeira edição do jornal O Hidroelétrico é publicada, ainda no mandato do presidente José Cabral. Lançado em fevereiro, o exemplar número um da publicação trazia assuntos direcionados ao trabalhador, à mulher eletricitária e aos aposentados. No mesmo ano, o Sindicato inaugura sua primeira clínica odontológica e expande a sua atuação pelo litoral paulista, ao receber a doação do terreno onde será construída a subsede de Cubatão e ao dar o pontapé inicial na construção da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba.

É impressa a primeira edição do jornal Hidroelétrico, uma publicação feita de trabalhador para trabalhador.

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1952

O presidente do Sindicato assina a escritura do terreno doado, onde seria construĂ­da a subsede de CubatĂŁo.

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1953

Organizado pelo Sindicato, o Seminário teve parceria com o SESI e deu recomendações a trabalhadores de várias áreas.

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O significativo avanço da indústria brasileira chama a atenção dos investidores internacionais, que iniciam um forte processo de montagem de subsidiárias de empresas de bens e consumo duráveis em nosso país. Em pouco tempo, porém, estes recursos também foram utilizados na compra de empresas nacionais concorrentes; o resultado foi a dependência de grande parte da indústria brasileira em relação ao capital estrangeiro. O ano de 1953 é marcado por iniciativas de Getúlio Vargas, voltadas a atender o anseio de grande parte da população, que se opunha ao imperialismo e defendia o nacionalismo. Nasce a Petrobrás e é elaborada a proposta de criação da Eletrobrás. Atuando tanto na frente social, buscando sempre melhorar a qualidade de vida dos Eletricitários o Sindicato realiza uma reforma em sua sede social; na defesa dos interesses da categoria consegue favoráveis aumentos salariais para os trabalhadores da Light e da Companhia Paulista de Força e Luz. Na esfera política em parceria com outras entidades sindicais e com o SESI, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo organiza a primeira edição do Seminário de Orientação Trabalhista, com recomendações para trabalhadores de diversos setores. Em clima de protesto, trabalhadores lotam assembleias contra a pluralidade sindical, que só viria a enfraquecer a unidade do movimento dos trabalhadores. Neste ano, também, o Seguro de Acidente de Trabalho passa a ser obrigatório nas instituições de Previdência Social.


1953 Um dos principais acontecimentos de 1953 foi a criação da Associação dos Aposentados, no dia catorze de maio. Fundada para defender os trabalhadores da categoria que já penduraram suas chuteiras, a Associação existe até hoje, com o nome de AEASP de Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo (AEASP). Oficializada em vinte e sete de novembro de 1953, a Portaria 155 reorganizou as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) e estabeleceu as suas normas de funcionamento, existentes até os dias atuais. Anteriormente às CIPAs, a prevenção dos acidentes nas indústrias era regulamentada pela Lei de Acidentes do Trabalho, decretada em 1944, que dava as providências e detalhava o complexo assunto. A determinação fora incluída na CLT, assegurando a proteção legal ao trabalhador acidentado em atividade na indústria. No entanto, bem antes da criação das CIPAs e ainda anteriormente à fundação do Sindicato e à existência da Lei de Acidentes do Trabalho, os Hidroelétricos já haviam se organizado para adquirir a tão necessária garantia de segurança em sua atividade profissional. Assim, em 1936, fazendo do pioneirismo um indestrutível escudo, os trabalhadores da São Paulo Light iniciaram as atividades da Primeira Comissão Especial de Prevenção de Acidentes (CEPA), o que orientou a regulamentação das CIPAs e norteou todas as medidas de proteção e segurança no trabalho, vigentes no Brasil até os dias atuais.

Os aposentados estavam representados: em 14 de maio, é fundada a Associação.

Os Hidroelétricos tiveram fundamental importância na organização das CIPAs; Ao lado, o símbolo da primeira CEPA da Light, criada em 1936.

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1954 No ano da morte do ex-presidente Getúlio Vargas (25/08/1954) o Brasil passou por uma grande instabilidade política; as forças políticas conservadoras alinhadas aos interesses estrangeiros não aceitavam um modelo de desenvolvimento nacionalista, os avanços da indústria nacional eram conseguidos através da exploração dos trabalhadores, o custo de vida disparou, preocupando os brasileiros. Ao mesmo tempo em que lutava pelo aumento do poder de compra dos trabalhadores, o Sindicato lançava a pedra fundamental da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba. Destaque na imprensa local da época, o evento reuniu trabalhadores, jornalistas e autoridades, como o Ministro da Agricultura da época, que dá nome à colônia. Foi também em 1954 que os associados colocaram à frente da entidade o presidente Benedicto Guimarães, acompanhado da nova diretoria.

O presidente Getúlio Vargas reunido com os Hidroelétricos no Palácio do Catete, no ano de sua morte. O lançamento da pedra fundamental da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba, reuniu líderes sindicalistas, autoridades e a imprensa.

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1954

A diretoria eleita reunida com todos os participantes na cerimônia de posse.

Foi também em 1954 que os associados colocaram à frente da entidade o presidente Benedicto Guimarães, acompanhado da nova diretoria. Numa demonstração de companheirismo, José Alonso Garcia cumprimenta o novo presidente do Sindicato, Benedito Guimarães, com a presença do Ministro Alencastro Guimarães.

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1955

A planta e a fachada da subsede de Cubatão.

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Neste ano o movimento sindical se posicionava contra a possibilidade de golpe militar criando o Movimento Nacional Popular Trabalhista – MNPT, que em São Paulo reuniu em uma convenção nacional aproximadamente 5 mil delegados sindicais, que defendiam “o desenvolvimento independente da economia nacional, a defesa dos recursos naturais contra os monopólios estrangeiros, a necessidade de aumentos nos salários, as melhorias na previdência social e o combate à carestia” dentre outras bandeiras. A história de uma entidade sindical séria e combativa, como o nosso Sindicato, é marcada por posições claras na defesa do interesse coletivo e muita luta. Mesmo nos momentos de grande turbulência vividos pelo nosso país, a categoria Eletricitária sempre soube que encontraria abertas as portas da casa do trabalhador e, que a diretoria do Sindicato investia no aperfeiçoamento do trabalhador. Em parceria com o SESI, o Sindicato passou a oferecer cursos de oratória, formação cívica e legislação social, ampliando o conhecimento dos associados. Neste ano, chegou às mãos do Sindicato a escritura do terreno onde seria erguida a subsede de Cubatão, que se transformou num importante ponto de encontro dos trabalhadores associados. Na gestão Guimarães, também foram iniciadas várias reformas na sede social do Sindicato, visando melhorias nos diversos serviços ofertados para os associados. A visão estratégica também é latente na categoria Eletricitária, prova disso é que o nosso Sindicato em 22 de dezembro de 1955 integrou um grupo de dirigentes sindicais de São Paulo que criou o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – DIEESE. Mantido por entidades sindicais, o DIEESE tem como objetivo “realizar estudos e pesquisas sobre os problemas da classe trabalhadora”.


1956

O dia 21 de abril de 1956 torna-se um marco histórico para o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo. Nesta data, foi inaugurada a subsede de Cubatão, prestando serviços aos associados do litoral, da capital, e de outras regiões do território paulista. De acordo com o jornal O Hidroelétrico, a delegacia sindical contava com instalações confortáveis e uma moderna clínica odontológica, com aparelho de Raio-X e inovadores equipamentos. Em setembro de 1956, a Lei de Acidentes de Trabalho é modificada, favorecendo a assistência aos trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho.

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1957

O presidente Juscelino Kubitschek compareceu à inauguração da Colônia de Caraguatatuba. Em um ano, o local abrigou mais de três mil hóspedes.

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No ano em que Pelé estreava na Seleção Brasileira, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo viveu um intenso período de vitórias e lutas. É neste período que o fundador do Sindicato, José Cabral, volta a assumir a presidência da entidade. No dia 29 de setembro, a Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba, era inaugurada, com a presença do então presidente do país, Juscelino Kubitschek. No primeiro ano, as acomodações receberam mais de três mil hóspedes, que aproveitavam momentos de tranquilidade e lazer no litoral norte. Ao mesmo tempo em que investia para que a categoria Eletricitária sempre estivesse informada, o nosso Sindicato se fazia presente nas lutas da classe operária. Na capital paulista, o Ministério do Trabalho alinhou-se ao Sindicato para disponibilizar um curso de Legislação Trabalhista, direcionado aos associados. Nas ruas de São Paulo, levantava a voz a Juventude Eletricitária, que participou, no dia 15 de outubro, da paralisação que reuniu mais de 400 mil trabalhadores de várias categorias, com objetivo de reivindicar aumentos salariais, num episódio que ficou conhecido como a “quase greve geral de São Paulo”. O espírito do sindicalismo estava firme e aceso pelas mãos dos trabalhadores da Indústria da Energia, que desenharam o primeiro escudo e a bandeira do Sindicato, num concurso de ilustrações realizado entre os sócios da entidade. O desenho escolhido foi preparado pelo trabalhador José Audician, que também viu a sua ilustração ser estampada na bandeira da instituição. Naquele ano, os Trabalhadores na Indústria da Energia Hidroelétrica de São Paulo não pararam de investir em sua estrutura. Tendo em vista o futuro crescimento da categoria, um terreno mais amplo foi comprado, onde seria erguida a nova sede. Em dezembro, a construção que se estendia do número 44 ao número 60 da rua Thomaz Gonzaga, na Liberdade, entrava para a lista das conquistas do Sindicato.


1957 A antiga sede do Sindicato na Rua Thomaz Gonzaga, retratada numa foto de 1957.

Muito parecido com o escudo utilizado atĂŠ hoje, o desenho que representa o Sindicato foi criado pelo associado JosĂŠ Audician.

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1958

J芒nio Quadros enaltece a Col么nia de Caraguatatuba ap贸s passar uma temporada no local.

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1958 Em abril, o Sindicato começa a se apropriar de algumas áreas de sua nova sede, ainda em fase de construção, e também nas imediações da Avenida Liberdade. No prédio da Xavier de Toledo, foram alugadas algumas salas, mas muitos serviços ainda funcionavam no local, como a Barbearia do Hidroelétrico, inaugurada em setembro daquele ano. Só em 1958, as clínicas odontológicas mantidas pelo Sindicato realizaram 17.457 atendimentos, e, no litoral, a colônia de Caraguatatuba se tornava referência em lazer, chegando a acomodar, em suas dependências, o então governador de São Paulo, Jânio Quadros. De dezembro de 1948 até o final do ano de 1958, o Brasil viu surgir 299 novos sindicatos. Se, em 1948, existiam 526 entidades sindicais, nos dez anos que se seguiram, já eram registrados 825 sindicatos espalhados por todo o território nacional. O ano de 1958 teve um significado especial para a classe operária, foram criadas inúmeras entidades intersindicais pelo Brasil; e em março foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Sindicatos que reuniu mais de 1.000 delegados de 600 entidades sindicais de vários Estados. A organização dos trabalhadores se fortalecia cada vez mais e desafiava o decreto presidencial (de Café Filho) datado de 1956 que proibiu a atuação do PUA – Pacto da Unidade de Ação – entidade intersindical formada em São Paulo. Estas organizações intersindicais rompiam com a estrutura imposta pelo Ministério do Trabalho e davam maior combatividade ao movimento operário.

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1959

Mais de 1.500 trabalhadores uniram-se para reivindicar o aumento geral da Light.

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1959

Sem luta, não há vitória A Grande Assembleia de Aumento Geral da Light O último ano da década de 1950 foi marcado por intensas mobilizações da categoria. Em março, os trabalhadores participaram ativamente da Grande Assembleia de Aumento Geral da Light, que reuniu mais de 1.500 laiteanos, num episódio que ficou conhecido como a maior assembleia do Sindicato realizada até então. Os trabalhadores superlotaram o Salão das Classes Laboriosas, e, antes mesmo do horário marcado, a rua Roberto Simonsen estava completamente tomada pelos participantes daquela grande mobilização e demonstração de consciência de classe. Em maio, o Teatro São Paulo foi ocupado pelos trabalhadores da Light, durante um referendo sobre o acordo salarial da empresa. Após as demonstrações de luta da categoria, os representantes da empresa reconhecem, finalmente, a necessidade do aumento dos salários dos laiteanos. Laiteanos lotam o Teatro São Paulo para definir o acordo salarial.

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1959 Nós somos os Eletricitários

Sindicato assume a nomenclatura existente até os dias de hoje.

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Em dez de abril de 1959, a entidade adota o nome de Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Energia Elétrica de São Paulo, criado para defender o Eletricitário. O neologismo passa a designar o trabalhador em serviços de produção de energia de quaisquer que sejam as fontes de geração, sem mais amarras às hidrelétricas. Com a decisão, os trabalhadores da usina termelétrica de Piratininga passam a ser nomeados como Eletricitários e podem fazer parte do quadro associativo do Sindicato. Com o aumento da abrangência de sua atuação, o Sindicato lança a primeira Grande Campanha de Sindicalização, com objetivo de angariar mil associados. Para incentivar os trabalhadores, eram oferecidos prêmios aos proponentes mais influentes e aos novos sócios. Com o objetivo de tornar o convite à vida sindical cada vez mais atrativo, além da intensa participação nas lutas da classe operária, a entidade ampliava seus benefícios: o Eletricitário sindicalizado tinha descontos na assistência médica, nos serviços de óptica, autoescolas e despachantes. Além disso, o sócio poderia se inscrever na carteira de empréstimos do Sindicato, direcionada para os trabalhadores que contribuíam com 20% ou mais do valor de cada aumento salarial.


1959 A Eletricitária Tereza Rodrigues, da CPFL se destacou aspirando beleza e simpatia.

Naquele ano, o projeto de lei do 13º salário a título de gratificação natalina foi redigido. Uma notícia que embelezou as páginas da imprensa da época e a história da categoria foi a eleição da trabalhadora Tereza Rodrigues, da CPFL, que encantou a todos ao ocupar o posto de Miss São Paulo. Ainda com o nome de O Hidroelétrico, a publicação institucional contava com a colaboração dos integrantes do Foto Clube Light, composto por trabalhadores que faziam coberturas fotográficas de assembleias, manifestações e outros eventos. Se, por um lado, o ano foi marcado pelo intenso destaque dos Eletricitários, nos últimos 365 dias da década de 1950, por outro lado, foram registrados quase dois milhões de acidentes de trabalho no Brasil, segundo estatísticas da época No final daquele ano, o Sindicato quitou o valor da nova sede social, e, ainda, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio reconhece a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de São Paulo, que tem à frente o fundador do Sindicato dos Eletricitários, José Cabral. A II Conferência Nacional dos Sindicatos, em novembro de 1959, reuniu 1.500 delgados representantes de 4 confederações, 60 federações e 1.000 sindicatos, discutiu: a revogação da lei 9.070 (antigreve; a criação de um centro sindical unido (Central Sindical Nacional); e a luta em defesa do monopólio estatal dos recursos eletro-energéticos dentre outras bandeiras.

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1960

Com o início dos anos 1960, as notícias passaram a ser veiculadas no jornal O Eletriciário.

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As primeiras notícias do ano em que o Sindicato alcançava seus 15 anos de trajetória foram estampadas na capa do jornal O Eletricitário, que, até 1959, levava o nome de O Hidroelétrico. A partir deste ano, a publicação começou a trazer a coluna Minuto Feminino, escrita especialmente às mulheres trabalhadoras.


1960 A inauguração da usina Piratininga determinou a criação do termo Eletricitário, e o Sindicato mudou seu nome, passando a defender os Eletricitários de São Paulo, e não apenas os Hidroelétricos do Estado.

No dia 13 de maio, o Sindicato atingiu a marca de mil associados. Naquele ano, o presidente novamente eleito, José Cabral, reivindicou, com o peso da Federação, a jornada de seis horas diárias para o trabalhador Eletricitário, durante o 1º Congresso Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas. Ao iniciar a década de 1960, os Eletricitários colocaram em prática um importante projeto de responsabilidade social, envolvendo os trabalhadores da categoria e a sociedade numa campanha em defesa à criança excepcional. O ano de 1960 também ficou marcado pela nacionalização de seis empresas de energia, entre elas, a Light, que, ao comemorar 60 anos de existência, inaugurou a terceira unidade da Usina Termelétrica de Piratininga, numa cerimônia que teve à frente o então presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek. Para os trabalhadores, boas notícias: foi aprovado o regulamento geral da previdência social e estabelecido o Abono de Permanência em Serviço. Durante o ano de 1960 ocorreram várias greves que tinham como reivindicação principal aumentos salariais. Eletricitários, ferroviários, mineiros, aeronautas, operários navais, metalúrgicos, estudantes secundaristas e outras categorias mobilizaram-se na defesa de seus interesses e posicionando-se contrariamente à política econômica incrementada pelo governo. A intensa mobilização operária culminou com o surgimento de novas lideranças conclamadas a substituir dirigentes encastelados nas Confederações. Após 15 anos, Dioclesiano de Holanda Cavalcanti saiu da CNTI com a eleição de Clodsmith Riani para a presidência da entidade.

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1961

Num período marcado por intensas batalhas dos trabalhadores na busca do repouso semanal remunerado, o Sindicato alçou voos mais altos na política brasileira, com a nomeação de José Cabral como chefia de gabinete da Comissão de Abastecimento e Preços (COAP), em tempos de carestia e instabilidade da moeda vigente no país. Naquele ano, o Sindicato reuniu os sócios numa assembleia geral, em que foi aprovada a construção do novo edifício-sede da entidade. Por meio de votação, os trabalhadores também autorizaram a criação de um programa de distribuição de bolsas de estudo e de descontos na compra de material escolar para os sócios e suas famílias. O Sindicato firmou convênios que garantiam descontos em livrarias, lojas de roupas, eletrodomésticos e até instrumentos musicais. Enquanto isso, a Barbearia do Eletricitário atendeu mais de três mil clientes em 1961. No dia 28 de setembro, a cidade de São Paulo ficou sem luz por trinta minutos, devido a uma explosão na subestação Cambuci, da Light. O apagão foi contornado em tempo recorde, graças à heroica e arriscada iniciativa de três trabalhadores da empresa. Eles adentraram o local, ainda em chamas, e conseguiram religar os controles da energia da cidade, antes de o fogo incinerar os equipamentos.

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A trabalhadora Ana Maria Filatro, da Light, foi eleita Miss São Paulo.


1962 Uma safra de vitórias O segundo ano da década de 1960 poderia entrar para a História com registros escritos a ouro. Graças ao tenaz esforço dos Eletricitários, todos os trabalhadores brasileiros conquistaram o expressivo benefício do 13º salário, uma luta iniciada pelo nosso Sindicato nos primeiros dias seguintes à sua fundação. A lei que institui o benefício foi assinada pelo então presidente da República, João Goulart, no dia 13 de julho de 1962. No mesmo ano, o presidente ainda sancionou o projeto de lei que estabeleceu a aposentadoria aos 30 anos de serviço, sem limite de idade. Em 1962, o Sindicato garantiu aos trabalhadores da Light as merecidas férias de 30 dias, cujo cálculo não descontava os domingos como dias trabalhados. A má notícia é que a empresa não se comprometeu a remunerar o tempo de descanso. Mas a luta continuou, sem freios e nem limites. Em dezembro, os trabalhadores da Light se uniram numa assembleia que teve por resultado a aprovação do projeto da semana de cinco dias na empresa. No mesmo mês, foi inaugurada a hidrelétrica Jurumirim, no rio Paranapanema. E as conquistas não pararam por aí. No ano em que são regulamentadas as atividades em Serviços Penosos, Insalubres ou Perigosos, o STF decidiu que o trabalhador eleito como dirigente sindical deveria ter estabilidade no emprego, antes mesmo de completar dez anos de serviço. Publicada no jornal O Eletricitário, a notícia chegou a todos os Eletricitários no ano em que Cabral foi novamente escolhido para ocupar a presidência da entidade.

Extra! O jornal O Eletricitário informa: conquistamos o décimo terceiro salário!

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1963 Um ano de brilhantes construções Os primeiros dias de 1963 entraram para a História do setor elétrico brasileiro. A partir da data de 20 de janeiro, o povo podia acender a luz que começava a ser produzida na fascinante usina de Barra Bonita, instalada no rio Tietê e operada por vários Eletricitários, que viam surgir centenas de novos empregos a partir daquela hidrelétrica. Neste brilhante período para as construções, o projeto arquitetônico do novo edifício-sede do Sindicato foi escolhido por meio de um acirrado concurso de arquitetos, vencido pela dupla Zenon Lotufo e Ubirajara Motta Lima Ribeiro. O desenho do novo prédio foi publicado no jornal O Eletricitário e atraiu não somente a atenção dos sócios, despertando também o interesse da vizinhança do bairro da Liberdade naquela época.

Os arquitetos Zenon Lotufo e Ubirajara Motta Lima Ribeiro apresentaram a Cabral e a diretoria o projeto do edifício-sede.

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1963

Cabral troca experiências de sindicalismo na Alemanha.

Em 1963, São Paulo atravessava uma terrível crise hídrica, na maior seca registrada desde 1891. O Sindicato chegou a publicar um apelo para a população economizar água. No mesmo ano, o presidente José Cabral fez uma visita à Alemanha Ocidental, a fim de aprimorar as noções de sindicalismo e estreitar as relações do Brasil com o país europeu.

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1964

Antes de ser estabelecido o golpe militar no Brasil, o Sindicato inaugurou o novo restaurante da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, aumentando, consideravelmente, a já concorrida frequência dos associados nas acomodações de Caraguatatuba. A estrutura do Sindicato ficava cada vez mais forte, quando começavam a ser erguidos os primeiros tijolos do edifício-sede onde seria a nova casa do trabalhador. Em 1964, os Eletricitários protagonizaram uma importante greve geral, que começou com uma assembleia em caráter permanente entre os trabalhadores da Light. A paralisação envolveu os sindicatos parceiros dos Eletricitários na época, contando com a participação dos telefônicos e dos gasistas, além de trabalhadores do litoral. O entusiasmo e a participação popular nas greves, porém, tornavam-se manifestações democráticas cada vez mais cerceadas. Em primeiro de junho, era aprovada a lei que garantia o direito de greve, que impôs limites às greves políticas e de solidariedade, sendo permitidas apenas as manifestações sindicais ligadas a assuntos salariais. Se, a partir daquele ano, o povo não podia mais eleger os representantes do país, o Sindicato era visto como um efervescente centro para a prática da democracia. Quase 85% dos sócios participaram ativamente das eleições sindicais, mantendo no poder, novamente, o fundador da entidade, José Cabral.

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1964 Nos início da década de 60, sucederam-se mobilizações grevistas que ultrapassaram a esfera econômica e exigiam a participação do operariado na vida política do país. O operariado agia organizadamente, avançando ou recuando em suas reivindicações, preservando com a unidade a sua força enquanto classe. O golpe militar de 31/03/1964 foi o desfecho de uma crise institucional que já havia se manifestado em 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas e em 1961, com a renúncia de Jânio Quadros. As forças populares, políticas e sindicais que assumiram importante papel durante o governo de Jango não conseguiram articular uma reação ao movimento golpista. Grupos conservadores e ligados ao imperialismo uniram-se aos militares descontentes com os rumos tomados pelo governo Goulart e promoveram o golpe de Estado. Os líderes civis e militares justificaram o movimento como necessário para a reorganização da economia e o restabelecimento da estabilidade política, colocando fim nas “agitações” promovidas pelo CGT- Comando Geral dos Trabalhadores e outros órgãos sindicais.

No ano em que os militares deram o golpe na democracia e no povo brasileiro, o Sindicato começa a erguer as primeiras estruturas do edifício-sede, na Rua Thomaz Gonzaga.

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1965 O Sindicato comemorou seus 20 anos e homenageou os primeiros sócios: Mario Grohmann, Levy, José Cabral, Enoch Gressemberg, Ernesto de Albuquerque e Alfio Vanucchi.

Os 20 anos de história do Sindicato foram coroados com o início de uma grande campanha de filiação, que tinha por meta atingir o número de 10 mil associados. Iniciada em setembro e finalizada no ano seguinte, a estratégica campanha distribuía prêmios aos trabalhadores que traziam mais sócios para o Sindicato. Na campanha, quem trouxesse mais propostas de filiações, levaria para casa uma televisão de 23 polegadas. O festivo período do aniversário do Sindicato motivou a realização de diversos eventos voltados à categoria. Na sede do Sindicato, os associados se reuniram não só para a solenidade oficial, mas também participaram de um torneio de boliche e de uma festa informal. As comemorações seguiram com um baile, em que os Eletricitários elegeram a Rainha e a Princesa dos 20 anos do Sindicato, incumbidas por representar a beleza feminina da categoria.

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1965

Foi em 1965, também, que o Sindicato passou a colaborar com a AFRA – Associação Filantrópica Regina Auxiliadora, obra social de caridade idealizada e mantida pelas mulheres trabalhadoras da Light, solicitando doações para a categoria.

Na metade da década de 1960, a atuação do Sindicato em prol dos Eletricitários aumentou significativamente, atendendo às reivindicações salariais dos trabalhadores de sete empresas diferentes. A política salarial, antes aplicada somente aos trabalhadores das empresas públicas, passou a ser adotada também pelas empresas do setor privado. Foi em 1965, também, que o Sindicato passou a colaborar com a AFRA – Associação Filantrópica Regina Auxiliadora, obra social de caridade idealizada e mantida pelas mulheres trabalhadoras da Light. O jornal O Eletricitário publicava fotos da creche mantida pela Associação e solicitava o auxílio dos trabalhadores da categoria na instituição que atendia a crianças e famílias carentes. Já na esfera política o movimento sindical foi alvo de repressão imediata comandada pelos militares promotores do golpe de 1964. A polícia política passou a agir contra os militantes e dirigentes sindicais. O movimento operário e sindical passou a ser considerado questão de “segurança nacional”. No período ocorreram cassações de 63 dirigentes sindicais, a intervenção em 4 Confederações, 45 Federações e 383 Sindicatos. Estas intervenções e a repressão policial alcançaram seus objetivos de esvaziamento dos sindicatos e, a exigência do atestado de ideologia e a necessidade de aprovação pela polícia política e pelo Ministério do Trabalho dos membros da diretoria ou funcionários das entidades sindicais excluíram os sócios mais ativos e experientes. Procurou-se retirar toda a combatividade existente nas organizações operárias transformando-as, fundamentalmente, em organismos assistencialistas.

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1966 O movimento operário sofria os efeitos do autoritarismo cristalizado no ano anterior, com a promulgação da lei 4.330, que “regulamentou o direito de greve” e a política salarial. O processo era tão conturbado, que, as greves, enquanto mecanismos legais de pressão dos trabalhadores, eram inviáveis e irrealizáveis. Pouco a pouco, articularam-se iniciativas de superação do terror implantado e procurouse organizar a resistência nas difíceis condições impostas pelo novo regime. As manifestações de apoio e solidariedade aos perseguidos e presos e suas famílias foram uma das formas de romper o medo. Os trabalhadores que já sofriam os efeitos do arrocho salarial – com seus reajustes fixados pelo governo, foram atingidos neste ano pela criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Esta medida acabou com a estabilidade no emprego e promoveu uma intensa rotatividade de mão de obra que possibilitou aos empregadores baixar ainda mais os já defasados salários. Apesar de todo este contexto contrário à luta operária, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo continuava a se fortalecer. Em março de 1966, a campanha de filiação do aniversário do Sindicato se encerrava com êxito, e, logo após atingir a marca de 10 mil associados, uma campanha extra de filiação foi lançada, aumentando o quadro associativo e distribuindo prêmios entre os sócios. Sempre atuante e combativo, o presidente José Cabral foi novamente eleito ao cargo de presidente do Sindicato, desta vez encabeçando a chapa única. Além de representar os Eletricitários, Cabral deu força a uma nobre missão, lutando pelo direito de moradia do trabalhador. O presidente visitou as obras do Conjunto Habitacional Vila Samuel Gompers, em São Bernardo, e conduziu a diretoria dos Eletricitários rumo a parcerias com outros líderes sindicais que fomentavam programas de moradia. Ao lado dos trabalhadores gasistas, dos telefônicos e dos trabalhadores do papel, os Eletricitários participaram em peso da fundação da Cooperativa Habitacional Bandeirantes, que se tornava uma opção de moradia acessível para os Eletricitários da capital paulista. A luta pela casa própria ganhou ainda mais força quando o Sindicato começou a participar de um programa criado pelo Governo Federal, que tinha por objetivo construir 100 mil casas para os trabalhadores brasileiros. No ano em que a Justiça do Trabalho garantiu a imunidade do dirigente sindical, o setor elétrico sofreu diversas transformações, com a fusão de onze empresas de economia mista e com a criação da CESP, estratégica companhia para o desenvolvimento de São Paulo a partir de dezembro daquele ano.

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1967

Uma tromba d’água de grandes proporções atingiu a cidade de Caraguatatuba em 21 de março daquele ano, deixando várias vítimas e famílias desabrigadas. Uma parte da Colônia de Férias Ministro João Cleófas também foi por água abaixo, levando o Sindicato a fechar temporariamente as acomodações. Frente ao trágico episódio, os Eletricitários se organizaram em campanhas e ações de ajuda humanitária aos habitantes de Caraguatatuba, mobilizando arrecadações e entregas de mantimentos para as vítimas. Quando a água baixou, a Colônia começou a ser reformada com muito empenho, contando com as doações de outras entidades sindicais e das empresas de energia, como a Light e a Companhia Paulista de Força e Luz. O louvável esforço de José Cabral em garantir a moradia do trabalhador também o colocou à frente da gerência da Cooperativa Popular de Habitação do Estado de São Paulo (COOPESP). Naquele ano, 610 associados se inscreveram no programa da casa própria através da Cooperativa Habitacional Bandeirantes e do Conjunto Habitacional Vila Samuel Gompers, ambos construídos com apoio de entidades sindicais parceiras.

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1968

Com a presença do prefeito de São Paulo à época, Brigadeiro Faria Lima, os Eletricitários inauguraram o novo edifício-sede.

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1968 Mais uma vez o nosso Sindicato fazia história, pois a casa do trabalhador é forte. No dia quatro de setembro, ao completar seus 23 anos de existência, o Sindicato inaugurou o novo edifício-sede de treze andares, na Rua Thomaz Gonzaga, 50, mesmo endereço em que se encontra o prédio nos dias atuais. A estrutura já era utilizada anteriormente, mas a inauguração oficial do prédio foi um marco histórico para os Eletricitários. Na grande festa, marcaram presença importantes autoridades, como Faria Lima, prefeito de São Paulo à época, representantes sindicais e um alto número de trabalhadores. Depois de muita batalha, as mulheres brasileiras conquistam o direito da aposentadoria integral ao completarem 30 anos de serviço. Os Eletricitários foram além, reivindicando que as trabalhadoras pudessem usufruir sua aposentadoria após terem completado uma jornada de 25 anos trabalhados. As páginas do jornal O Eletricitário começavam a trazer orientações para os trabalhadores sobre o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Na mesma época, o fundador do Sindicato e presidente em atividade, José Cabral, tomou posse do cargo de Juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, na capital paulista. No dia 13 de dezembro de 1968 o regime militar lança mão do seu mais ardil estratagema, decretando o Ato Institucional de nº 5 – AI – 5, que regulamentou um controle social sem precedentes possibilitando feroz repressão contra qualquer manifestação de discordância contra o regime.

O fundador do Sindicato tomou posse do cargo de juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo.

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1969 O Conjunto Habitacional Vila Samuel Gompers, em São Bernardo do Campo.

Nomeado de forma interina, o presidente Wilson Abilio ocupa o cargo maior do Sindicato.

O Sindicato dos Eletricitários, como inúmeras outras entidades sindicais, buscavam meios para continuar a defesa dos interesses de seus representados convivendo e lutando contra o aparato repressivo imposto pela ditadura. Além da ampliação dos serviços prestados aos associados a informação e a conscientização dos trabalhadores sempre foram priorizadas. Com dezessete ramais de telefone em pleno funcionamento na sede, entrar em contato com o Sindicato era uma tarefa bem mais fácil para os associados dispostos a aproveitar os benefícios oferecidos pela entidade. E as inovações não paravam por aí: em 1969, teve início o primeiro Curso Sindical por Correspondência, em que os associados inscritos de 31 localidades diferentes recebiam as apostilas em suas residências. O curso a distância abordava temas relacionados ao sindicalismo brasileiro,

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à Legislação Trabalhista, à Previdência Social, ao FGTS e outros assuntos. No último ano da década de 1960, foi instituída em todo o Brasil a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e o Sindicato passou por algumas mudanças. Na sede, foram realizadas reformas nos departamentos já existentes e novos ambientes foram criados. O prédio se preparava para receber o auditório, e os trabalhadores já podiam contar com uma barbearia, instalada no andar térreo. No segundo andar do edifício, o espaço era revezado entre o departamento jurídico, a clínica odontológica e outros serviços. Em abril de 1969, José Cabral obteve uma licença para afastar-se temporariamente da presidência, confiando o cargo às mãos de Wilson Abilio, que ficou à frente do Sindicato, em caráter interino, até 1971.


1969

A construção da Usina de Jupiá enalteceu o patrimônio do setor elétrico paulista.

Responsável pela representação dos Eletricitários e de outras entidades sindicais, a Federação dos Trabalhadores das Indústrias Urbanas adquiriu sua nova sede social, na Avenida Nove de Julho. Em São Bernardo, foi concluída a fase final da construção do Conjunto Habitacional Vila Samuel Gompers. No ano em que Emílio Garrastazu Médici deu início ao seu truculento mandato na presidência do país, o nível dos reservatórios no período de estiagem chegou a preocupantes índices, e São Paulo atravessou uma crise hídrica que obrigou a população a adotar racionamentos. Naquele ano, a geração de energia só não foi ameaçada graças à recém-construída usina de Jupiá e das unidades em funcionamento da hidrelétrica de Estreito. No início do ano, a Light teve um histórico desempenho no mercado de ações: de 2 a 31 de janeiro, as ações foram vendidas a 115 mil novos acionistas brasileiros, perfazendo o maior lançamento popular de ações do Brasil até a época.

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1970

Esporte é o dono da bola no Sindicato Brasil tricampeão do mundo, ditadura militar a todo vapor e o Sindicato escrevendo sua história de 25 anos com letras de ouro. O ano de 1970 teve fortes reivindicações, que ecoariam na voz de benefícios nos próximos anos da linha do tempo. Naquele ano, decidiu-se que, para os trabalhadores em jornada de cinco dias, o sábado deixaria de ser considerado como dia útil para efeito de férias. Em dezembro, os administradores da Light realizaram o pagamento do adicional noturno. Em ritmo de Copa do Mundo, os Eletricitários organizaram o Festival Esportivo do Sindicato, de 14 a 21 de março, no campo do C.A.R. Billings. Participaram da competição quinze times formados por trabalhadores sócios, e os campeões foram os jogadores do Grêmio Recreativo Alexandre Mackenzie, que bateram a equipe do DDI da Sete de Abril numa acirrada disputa de pênaltis.

Em ritmo de Copa do Mundo, os Eletricitários organizaram diversas competições esportivas.

A capa da primeira Revista do Eletricitário.

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1970

No Sindicato, o esporte era o dono da bola em 1970. Para comemorar os 25 anos de história, os Eletricitários organizaram torneios de diversas modalidades esportivas, e os associados mostravam suas habilidades em acirradas partidas de dominó, pingue-pongue, xadrez e dama. As comemorações do aniversário da entidade foram laureadas com o lançamento da primeira revista O Eletricitário, que trazia as mesmas informações do jornal, no formato mais completo e dinâmico oferecido pela estética das revistas. Cumprindo o papel de casa de cultura para os Eletricitários, o Sindicato organizou uma apresentação musical colaborativa entre os associados, em que os sócios foram atração principal do evento ao entoar canções e tocar os mais variados instrumentos. Presente até hoje, a preocupação com a formação cultural dos trabalhadores também foi nítida em outros momentos daquele ano.

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1971

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1971

Fundador do Sindicato, Cabral voltou a ocupar o cargo de presidente pela última vez, em primeiro de abril daquele ano. Um dos maiores legados de 1971 é a Colônia de Praia Grande, inaugurada com a presença de mais de três mil Eletricitários, além de autoridades e moradores da região que compareceram ao evento, num dia marcado por fortes chuvas. Localizada a 81 quilômetros de distância da capital paulista e de frente para o mar, a Colônia de Praia Grande foi fundada com 52 apartamentos, restaurante à beira-mar, estacionamento, áreas de convivência e playground para as crianças.

Com a presença de mais de três mil trabalhadores e autoridades, José Cabral inaugura a Colônia de Férias de Praia Grande.

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1971

O prédio da Rua Thomaz Gonzaga era a maior sede sindical da América Latina e abrigava um número cada vez maior de trabalhadores, atingindo mais de 30 mil sócios. Na época, o Sindicato inaugurou o primeiro curso de inglês voltado à categoria, com duas turmas: uma para iniciantes, outra para trabalhadores em nível intermediário. Longe do prédio e mais precisamente dentro de campo, no clube do Flamengo de Vila Maria, os Eletricitários participaram do III Campeonato Estadual Intersindical de Futebol, com brilhante campanha. Uma grande conquista para os trabalhadores foi a aprovação das férias de 30 dias. Criado pelo deputado Walter Silva, o projeto de lei que descrevia o tempo de descanso do trabalhador estabeleceu, também, que as seis faltas dos trabalhadores no período aquisitivo não precisariam ser justificadas. Naquele ano, foi apresentado à Câmara Federal o projeto de lei que definiria as diretrizes do Adicional de Periculosidade. Redigido por José Haddad, o projeto de lei foi largamente apoiado pelos Eletricitários, que enviaram uma carta de agradecimento ao autor do documento.

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Os Eletricitários brilham no campo durante Campeonato Estadual Intersindical de Futebol.


1971

No mesmo ano em que voltou ao mandato, José Cabral concorreu novamente à presidência do Sindicato, mas, durante a eleição, seus 3.476 votos não chegaram perto dos 5.301 votos computados para Sylvio Guimarães, empossado em 12 de novembro como presidente da entidade. Cabral despediu-se da entidade e deu continuidade aos seus trabalhos como Juiz do TRT da 2ª Região. Ao completar 30 anos, a Justiça do Trabalho instala o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília. No mesmo ano, o Ministério do Trabalho e da Previdência Social criou uma inédita série de cursos voltados aos dirigentes sindicais. Intitulados “Cursos de Administradores Sindicais” e “Conselho Consultivo de Educação Sindical”, os módulos abordavam noções de Administração, Economia, Legislação Sindical, Previdência Social e Educação Moral e Cívica.

O fundador José Cabral despede-se da presidência do Sindicato e Sylvio Guimarães dá início ao seu mandato.

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1972

No ano de 1972, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo era uma embarcação pronta para navegar em novos oceanos, estendendo seu rastro de lutas até o alcance do horizonte. Capitaneado pelo presidente Sylvio Guimarães, o Sindicato, em 1972, ampliou sua atuação na capital paulista com a abertura de duas subsedes. A primeira delas foi inaugurada no Cambuci, dia 23 de novembro, na Rua Teixeira Mendes, 73, com expectativa de prestar serviço a dois mil associados. Em oito de dezembro, o Sindicato fundou a subsede da Rua Xavier de Toledo, no sexto andar do número 98, com estrutura para prestar atendimento a 3.500 sócios da categoria. Ambas as subsedes contavam com clínica odontológica, barbearia, atendimento da carteira de empréstimos e secretaria de benefícios. SUBSEDE CAMBUCI Inaugurada a subsede Cambuci, aproximando o Sindicato de dois mil trabalhadores.

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1972 SUBSEDE XAVIER DE TOLEDO A subsede Xavier de Toledo, criada para atender a cerca de três mil e quinhentos trabalhadores.

No ano em que as empresas já podiam conceder empréstimos para os trabalhadores, o edifício-sede do Sindicato passou a abrigar também a Associação dos Aposentados e Pensionistas dos IAPs do Estado de São Paulo. Em 18 de maio, Joaquim Pinto de Carvalho, presidente da Associação, recebeu das mãos de Sylvio Guimarães as chaves do décimo primeiro andar do prédio, onde começaram a ser desenvolvidas as atividades voltadas aos aposentados. Contando com significativa participação da juventude Eletricitária, o Sindicato formou o Grupo Amador de Teatro. A trupe que ensaiava e apresentava peças tornou-se uma das mais importantes manifestações de cultura e resistência nos duros anos em que corria a ditadura militar. Além das colônias de férias anteriormente construídas, o Sindicato firmou parcerias com hotéis, aumentando as opções de lazer dos associados em períodos de descanso. O Hotel Topo Verde, em Campos de Jordão, tornou-se uma instituição amiga da família Eletricitária, acolhendo, com preços acessíveis, os associados que visitavam a cidade turística em seus períodos de férias ou de descanso.

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1972

Os formandos do curso de sindicalismo.

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O setor energético do Brasil passava por momentos de expansão e após décadas de estudos e discussões, finalmente ficou decidido que a usina nuclear projetada para o Brasil seria construída na cidade fluminense de Angra dos Reis. No campo sindical também ocorriam mudanças e com objetivo de regular a atividade sindical, o Senado aprovou, em maio, a obrigatoriedade de voto dos associados nas eleições para presidente das entidades sindicais – os sócios que não votassem, eram obrigados a justificar a ausência no Ministério do Trabalho. Mesmo com o cerco cada vez mais fechado em torno do movimento sindical, as atividades dos representantes do trabalhador seguiam a todo vapor. Em agosto os Eletricitários, dando continuidade sua luta para unir e conscientizar cada vez mais a categoria, inauguraram o curso “Noções de Sindicalismo”, com a supervisão do Instituto Cultural do Trabalho (ICT), atraindo um bom número de trabalhadores da categoria.


1972

O registro do primeiro veículo da Colônia de Férias de Praia Grande – um Chevrolet Marta Rocha, doado pela Light.

O time dos Eletricitários jogou bonito no Campeonato Metropolitano Intersindical de Futebol, garantindo para a equipe o primeiro lugar na fase preliminar, posição conquistada de forma invicta. Enquanto isso, na Praia Grande, a Colônia de Férias recebeu seu primeiro veículo, um Chevrolet Marta Rocha doado pela Light em maio. Ainda no litoral, o presidente e a diretoria se reuniram em Caraguatatuba para discutir temas ligados ao sindicalismo no país e os rumos a seguir.

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1973 SUBSEDE AUGUSTA Sylvio Guimarães e Nelson Bello cortam a fita da subsede Augusta, no evento de inauguração do local.

Com as empresas de energia montando seus escritórios na região da Avenida Paulista, o Sindicato abriu uma nova subsede, na esquina da Rua Augusta com a Rua Luís Coelho. Oficialmente inaugurada por Nelson Bello, Primeiro Secretário da entidade, a subsede Augusta ficou responsável por atender um alto número de trabalhadores que atuavam nas empresas da região: CESP, CPFL, Caiuá, Companhia Nacional de Energia Elétrica, COPEL e alguns setores da Light eram os principais pontos de concentração dos Eletricitários naquela região.

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1973

No dia primeiro de maio, o trabalhador ganhou uma nova casa, erguida com muita força, empenho e energia: a subsede Santo Amaro, construída no número 236 da Rua Belchior Pontes. O local contava com duas clínicas odontológicas, uma barbearia e uma secretaria de benefícios, que prestavam os serviços do Sindicato para um alto número de Eletricitários – tanto os moradores dos bairros da zona sul, como os trabalhadores das usinas Piratininga e Pedreira, além do pessoal da agência Santo Amaro da Light, dos setores Zona Sul e Iluminação Pública da empresa. SUBSEDE SANTO AMARO A subsede Santo Amaro, inaugurada no Dia do Trabalho.

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1973

E as obras não pararam por aí: em 1973, foi reformado o auditório do Sindicato, no primeiro andar do edifício-sede. Com as adequações, o espaço começou a ser alugado para eventos externos, garantindo renda extra e aumentando a repercussão sobre as instalações da entidade sindical. Naquele ano, os Eletricitários também fizeram um especial agradecimento à Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), que inaugurou uma linha de ônibus, responsável por ligar o bairro de Cidade Dutra ao Anhangabaú, facilitando, assim, o deslocamento dos trabalhadores do populoso bairro da zona sul da capital paulista.

O auditório do Sindicato, completamente reformado.

Cercado pela imprensa local, o presidente Sylvio Guimarães recebe a estatueta em homenagem ao seu trabalho, em Guaratinguetá.

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1973

O setor elétrico paulista passou por profundas modificações, com a incorporação da CPFL pelas Centrais Elétricas de São Paulo (CESP). A partir deste momento, a CESP ficou responsável pela distribuição de energia elétrica a 399 municípios de São Paulo. No interior, foi inaugurada a usina hidrelétrica de Ilha Solteira. Em Guaratinguetá, o presidente Sylvio Guimarães foi homenageado com uma estatueta, durante sua visita aos trabalhadores de Guaratinguetá. O ano de 1973 terminou com uma forte demonstração de militância do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, em nome do trabalhador. Em sete de dezembro, o presidente Sylvio Guimarães viajou para Brasília e levou ao Ministro do Trabalho, Júlio Barata, uma reivindicação pelo adicional de periculosidade do trabalhador. Quem também teve destaque naquele ano foi o Eletricitário Carlos Alberto Seno, trabalhador da CESP que participou do Projeto Rondon XI, uma iniciativa de ajuda humanitária a isoladas regiões do Brasil.

O Eletricitário Carlos Alberto Seno, participante do Projeto Rondon XI, levando ajuda humanitária a isoladas localidades.

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1974 Um ano que não foi silencioso, mas quase silenciado pela repressiva política que pesava nas costas do trabalhador e do movimento sindical. O quarto ano da década de 1970 foi marcado pela aprovação do Salário-Maternidade, fundamental conquista para todas as mulheres trabalhadoras do país. Se, na presidência do Brasil, foi indiretamente eleito o militar Ernesto Geisel, no Sindicato, os Eletricitários decidiram pela reeleição do presidente Sylvio Guimarães, que exerceu seu mandato por três anos. Em 1974, os trabalhadores viram acontecer a inauguração do Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), situado no Tatuapé, zona leste da cidade. Ao longo dos anos, o local se tornou um importante ponto de encontro para os trabalhadores e suas famílias, que podiam desfrutar do tempo livre de várias maneiras saudáveis. Em mais uma parceria com o SESI, naquele ano, o Sindicato ofereceu um curso de Comunicação Verbal aos associados, que teve grande procura. Na mesma época, o Brasil começou a desenvolver os primeiros estudos sobre energia fotovoltaica, e o jornal O Eletricitário publicou uma nota especial sobre este tipo de energia renovável, a fim de esclarecer os trabalhadores do setor elétrico sobre o assunto inovador. Aqueles primeiros anos foram marcados por uma forte expansão industrial no país por causa do propalado “milagre econômico”, o que implicou uma escassez de mão de obra e a consequente exigência, por parte dos patrões de realização de grande quantidade de horas extras. A resistência e a reorganização do movimento operário eram claras, inúmeras comissões ou comitês foram criados para encontrar saídas novas e originais de combate à exploração. Nasciam as operações tartaruga e zelo (realização das tarefas com todo o cuidado, o que demandava mais tempo) e as paradas por seções (Pipoca), expedientes que reduziam a produção sem o abandono do local de trabalho.

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1975 Dando andamento às conquistas das trabalhadoras, no importante ano de 1975 foi sancionada a lei que obriga o pagamento durante o período de afastamento em função da maternidade. Naquele ano, mais de 138 mil trabalhadores receberam auxílios em decorrência de acidentes, um decepcionante número que revelava as péssimas condições as quais eram expostos os trabalhadores brasileiros. Com muita disposição e energia, o presidente Sylvio Guimarães foi até Brasília para pressionar o Congresso, reivindicando a aprovação do substitutivo sugerido pelos Eletricitários à Lei de Previdência. Os Eletricitários foram os únicos a acompanhar a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de São Paulo representativa em Brasília, enfrentando um desafio que, se não fosse resolvido, poderia acarretar duras consequências ao trabalhador brasileiro. Ainda junto com a Federação, naquele ano o Sindicato reivindicou junto as empresas do setor privado a licença-prêmio, a complementação da aposentadoria e o salário-família com os mesmos valores recebidos pelos servidores públicos. Nos primeiros três meses do ano, o Sindicato finalizou uma campanha de filiação que trouxe mais 1.513 novos sócios para a casa do trabalhador Eletricitário, chegando a ter quase 40 mil sócios no quadro associativo. No futebol, mais uma vez os Eletricitários brilharam em campo: em 20 de julho, o Sindicato participou da abertura do Torneio Intersindical de Futebol e obteve uma menção honrosa no evento, realizado no Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET).

Eletricitários participam da cerimônia de abertura do Torneio Intersindical e Futebol, celebrada no CERET, em julho.

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1975

O jornal O Eletricitário muda sua identidade visual.

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Em outubro, o presidente Geisel sanciona o decreto que estabelece o “apoio” do Governo ao movimento sindical, uma forma de intervenção sobre o movimento dos trabalhadores. O decreto deixava claro que o Governo tinha poder de executar ações dentro dos sindicatos, visando o bem-estar dos trabalhadores e suas famílias. No mesmo ano, foram determinadas as cores da segurança no trabalho, com objetivo de distinguir os riscos nas indústrias. Na época, o jornal O Eletricitário divulgou a campanha: “A mão que trabalha é a mesma que sustenta a sua família”.


1975

73


1976 A repressão, embora intimidasse parcela significativa da população, não mais servia para calar as manifestações contrárias ao governo. A morte do jornalista Wladimir Herzog e do operário metalúrgico Manuel Fiel Filho nas dependências do II Exército em São Paulo, desencadearam uma onda de missas, atos públicos e protestos que acabaram forçando o governo a “permitir uma abertura política”. No ano em que os jornalistas e metalúrgicos viram de perto os assassinatos de companheiros das categorias nos porões da ditadura militar, lutar em nome do sindicalismo e pela defesa da classe trabalhadora era uma demonstração imensurável de coragem. Se o chumbo vinha do Governo, o Sindicato formava um escudo que procurava blindar a vida de cada trabalhador. Em 31 de maio de 1976, a entidade implantou sua própria assistência médica, responsável por atender, em média diária, 83 pessoas. O ambulatório oferecia aos sócios, atendimentos de especialistas em clínica geral, cardiologia, pediatria, ginecologia, oftalmologia, otorrinolaringologia e pequenas cirurgias. O Eletricitário poderia contar, ainda, com o serviço de remoção de enfermos, feito por duas ambulâncias adquiridas pelo Sindicato, prontas para atender a ocorrências diariamente, das 6h às 22h, inclusive aos domingos e feriados.

O Sindicato criou o seu próprio serviço de assistência médica e colocou na rua duas ambulâncias, que prestavam atendimento nos locais de trabalho.

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1976 SUBSEDE ABC O município de Santo André recebe a subsede ABC.

O jornal O Eletricitário é bombardeado pelos conteúdos direcionados pelos militares.

O Sindicato inaugurou a subsede ABC, situada à Rua Artur de Queiroz, 181, em Santo André; ainda ampliou seus serviços de assistência médica ao inaugurar o laboratório de análises clínicas do edifício-sede, no dia 14 de setembro. Ali, os associados passaram a realizar exames a preços acessíveis e obter seus diagnósticos de forma mais rápida, segura e confortável. O jornal O Eletricitário lançou uma cartilha com orientações para o trabalhador sobre o PIS, no mesmo ano em que a publicação sindical foi bombardeada com os conteúdos direcionados pelos militares, matérias obrigatórias.

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1976

Com a alta frequência dos associados na Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba, o Sindicato deu início à construção de vinte novos apartamentos no local. No mesmo ano, foi estabelecido o termo “menor aprendiz”, na época, usado para designar os jovens estudantes e trabalhadores de 12 a 18 anos.

O canteiro de obras dos vinte novos apartamentos da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, em Caraguatatuba.

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1977 Mantendo o foco na saúde do trabalhador, o Sindicato firmou uma parceria com um convênio de distribuição de medicamentos, o qual permitia que os associados retirassem remédios gratuitamente nos postos franqueados, espalhados por várias regiões da capital paulista. Naquele ano, o CERET reabriu suas portas para os trabalhadores, após passar por um período de reformas. Os Eletricitários começaram a integrar o Conselho Sindical para o Lazer do Trabalhador, muito bem representados por Oswaldo Ramos, trabalhador do Sindicato eleito para ocupar o cargo de Secretário Geral do CERET. Em 1977, o presidente Sylvio Guimarães foi novamente eleito. No segundo semestre do ano, a assembleia de reposição salarial dos Eletricitários reuniu centenas de trabalhadores no Sindicato, abrindo um dissídio coletivo. A legítima manifestação e a união dos trabalhadores chamou a atenção até mesmo de sindicalistas de outras categorias. Impressionado com a assembleia dos Eletricitários, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Energia Elétrica e da Produção de Gás do Rio de Janeiro, Mauricio Rangel, declarou ao Jornal da Manhã a intenção de realizar uma assembleia de iguais proporções envolvendo os trabalhadores de seu Sindicato. Neste ano, o Banco Mundial publicou a denúncia de que, os índices de correção salarial do ano de 1973, haviam sido manipulados pelo governo brasileiro. Os trabalhadores, segundo pesquisa do DIEESE (órgão que havia sido combatido pela ditadura), sofreram perda de 34,1% em seus salários. Nesse período, os Eletricitários tiveram participação direta na denúncia, através de Hugo Martinez Perez, que ocupava o cargo de Secretário Geral no DIEESE. A grave crise mundial, que também se refletia em nosso país, agravou a condição de penúria do operariado, que se mobilizou pela reposição das perdas salariais. Nos encontros promovidos pelas lideranças sindicais, estava clara a desmoralização da política econômica imposta pela ditadura e o resultado do “milagre brasileiro” foi o empobrecimento de milhões de trabalhadores, além da renda e da riqueza se concentrarem nas mãos de uma minoria conservadora e gananciosa. No dia sete de novembro de 1977, o Eletricitário de São Paulo, Hugo Perez, então presidente da Federação dos Urbanitários do Estado de São Paulo, foi eleito

Representando os trabalhadores, o companheiro Hugo Perez enfrenta o presidente Geisel e lança a proposta de criação da CONCLAT.

orador representande de mais de duzentos sindicalistas, em solenidade realizada no Palácio do Planalto, com a presença do então presidente do Brasil, Ernesto Geisel. Aproveitando a ocasião, Hugo Perez lançou a proposta da realização de um congresso de trabalhadores. Esta proposta ficou conhecida como Congresso Nacional da Classe Trabalhadora – CONCLAT. A proposta fora vigorosamente defendida na ocasião por Hugo Perez (Eletricitário e ocupante do cargo de vice-presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado de São Paulo) recebeu apoio de vários parlamentares e de alguns empresários. Durante duas semanas ocupou manchetes dos principais jornais do país com o posicionamento público de vários sindicalistas em sua defesa. As pressões começaram a abrir brechas mais significativas no regime, Geisel se pronunciou favorável, no final de 1977, a substituição das “medidas de exceção” por dispositivos mais amenos – as “salvaguardas constitucionais”.

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1978 Com a chegada do oitavo ano da década de 1970, uma nova era se iniciava no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. Após um mandato de sete anos, marcado por muita resistência e importantes avanços para a categoria, Antônio Rogério Magri assumiu o cargo de presidente da entidade, no dia 28 de julho.

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1978

Os participantes da grande luta pelo aumento de 15% na Light.

Antes de deixar a linha de frente do Sindicato, Sylvio Guimarães exigiu que a Light entregasse uniformes em todos os setores. No final de seu mandato, o presidente garantiu o aumento dos valores pagos no auxílio-refeição e no valelanche dos trabalhadores da Light. A partir de 1978, só poderiam receber o salário-família aqueles trabalhadores que vacinassem seus filhos de até um ano, colaborando com a prevenção de sete doenças – tétano, tuberculose, difteria, sarampo, coqueluche, paralisia e varíola. No segundo semestre de 1978, os Eletricitários de todo o Estado de São Paulo iniciaram o movimento pela recuperação das perdas salariais desde 1973, baseados nos cálculos feitos pelo DIEESE. Foram realizadas dezenas de reuniões e assembleias pelos sindicatos filiados à Federação dos Urbanitários, então presidida pelo Eletricitário de São Paulo, Hugo Perez. Destacaram-se nesta campanha, o presidente do Sindicato recentemente eleito, o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Ipaussu, e o presidente do Sindicato dos Urbanitários de Santos à época. Com os Eletricitários organizados e mobilizados em todo o território paulista, diretores de todas as empresas de energia elétrica sentaram-se à mesa da Federação para negociar, no dia quinze de setembro de 1978. Foi, então, obtido o reajuste de 15%, o primeiro aumento salarial desde 1964, e o primeiro conquistado fora da data-base. Após quatorze anos, sem dúvida, foi esta uma histórica vitória da categoria, que raiou no horizonte de todo o território nacional. Este foi um ano de grandes encontros e debates sobre a estrutura sindical, eram os ecos da arrojada posição defendida pelo companheiro Hugo Perez de reconhecimento do direito de organização da classe operária no ano anterior. Estava em marcha um processo de redemocratização também dentro do movimento operário, que permitiu o surgimento de diferentes posicionamentos a respeito da forma de condução da estrutura sindical.

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1979

Suor, empenho e muita participação popular registraram a atuação dos Eletricitários em 1979, ano que entrou para a História com o ato do Primeiro de Maio Unificado, em São Bernardo do Campo, e numerosas lutas intensas. Foi no evento do Dia do Trabalho, discursando para mais de 150 mil pessoas e ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva e outros influentes nomes do movimento sindical, que o presidente Antônio Rogério Magri enviou uma mensagem para toda a classe trabalhadora, que enfrentava baixos salários, excessivas jornadas e péssimas condições de trabalho. A repressão pesava forte e como um fardo sobre os ombros dos dirigentes sindicais, que viviam o terror da intervenção governamental. Os interventores tomavam o lugar dos legítimos representantes do trabalhador na luta de classes, escolhidos de forma ampla e democrática nos sindicatos, com único objetivo de enfraquecer o movimento sindical e grevista. Os Eletricitários participaram da luta pela suspensão da intervenção, dando força e energia ao movimento de solidariedade que fez vários dirigentes sindicais retornarem aos seus postos, como os companheiros Marcílio, Lins e o próprio ex-presidente Lula. As lutas se estenderam para além da solidariedade, e o Sindicato manteve sua postura combativa e atuante em vários episódios de defesa do Trabalhador Eletricitário.

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1979

No ano em que os trabalhadores da CESP se preparavam para o dissídio coletivo e os trabalhadores da Light reivindicavam um aumento de 30% em seus salários, o Sindicato ficava lotado: prova disso foi a assembleia realizada no Sindicato no dia quatro de maio, trazendo mais de três mil pessoas para a casa do trabalhador. Estava estampado, no semblante de cada Eletricitário, que as conquistas só viriam por meio de união, participação e muita vontade de lutar. O último ano da década de 1970 trouxe importantes conquistas para as trabalhadoras, principalmente na CESP, onde as gestantes passaram a usufruir o direito de garantia de emprego de até 120 dias após o parto. Em 1979, aconteceu o Primeiro Congresso da Mulher Paulista, com a participação de mais de 4.800 trabalhadoras, nas imediações da Rua Augusta. Durante três dias, foram discutidos temas relacionados à equiparação salarial aos homens, à valorização em casa e no ambiente de trabalho, além da estabilidade para as grávidas. Naquele encontro, as trabalhadoras evidenciaram a necessidade de o Governo oferecer creches para as crianças e propuseram a criação de departamentos femininos em vários sindicatos, aumentando a participação efetiva das mulheres no movimento em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

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1979

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1979

O presidente Magri, faixa preta em judô, estava junto com os Eletricitários em qualquer luta, oferecendo, inclusive, aulas de judô e karatê na sede própria.

Vestindo os companheiros com armaduras para qualquer tipo de luta, o Sindicato deu início às aulas de judô e karatê na sede própria. O presidente Magri, faixa preta em judô, ministrava as aulas ao lado do professor Rubens Pereira, o Rubão, em diferentes horários. Inicialmente, o curso oferecia cem vagas, mas recebeu mais de 700 inscrições apenas no primeiro mês. Enquanto Magri ensinava os associados a lutar, também se unia a outros Sindicatos para brigar por mais estabilidade na economia e por abertura política, indo à Brasília ao lado de Lula e outros representantes da classe trabalhadora, a fim de pressionar os parlamentares responsáveis por estes temas. Na capital paulista, Oswaldo Ramos, trabalhador do Sindicato, assumiu o cargo de presidente do CERET (Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador). Foi em agosto do derradeiro ano da década de 1970, que o Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais reuniu mais de 300 representantes da classe trabalhadora no Centro Brasil Democrático, em Niterói (RJ). Ali, ao lado de outros Sindicatos, os Eletricitários estenderam sua bandeira de luta em prol do exercício democrático no país. Um documento foi formulado, no qual os dirigentes sindicais se comprometeram a lutar pela democracia, considerada como condição primeira para a solução dos problemas que afetam a vida sindical. Instituída a carta, os representantes dos trabalhadores firmaram o compromisso da luta pelo direito de greve, pela estabilidade no emprego, e pela anistia ampla, geral e irrestrita. Naquele ano, o Sindicato montou um grupo de fiscalização da alimentação dos trabalhadores da Light. Formada pelos dirigentes da casa, a frente de fiscalização visitava os restaurantes da empresa, reivindicando um cardápio mais variado, com refeições mais nutritivas e de melhor qualidade. O grupo era formado por dirigentes sindicais, chefias da Light e pelos próprios trabalhadores da empresa.

O Sindicato lotado nas assembleias dos Eletricitários.

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1980 O Sindicato chegou à década de 1980 com os motores ligados a todo vapor. Em janeiro, o personagem Zé da Força ganhou as páginas do jornal O Eletricitário, representando o trabalhador do setor elétrico nas ilustrações da publicação. Desenhado pelo ilustrador Laerte, o personagem Faísca entrou em ação na edição de setembro do jornal da categoria. Foi naquele ano em que o presidente Magri evidenciou a necessidade de o Sindicato abandonar a postura puramente assistencialista para investir em recursos capazes de transformar a entidade num órgão técnico e reivindicatório, que os Eletricitários realizaram a maior assembleia da história da categoria até então. Quando, na calada da noite, a CESP comprou a Light Paulista, mais de quatro mil Eletricitários se reuniram no Sindicato, no dia 19 de junho, a fim de conhecer os reais motivos e possíveis consequências da transação econômica, que colocou em risco direto o emprego de 19 mil Eletricitários.

Na foto acima, o personagem Zé da Força, criado pelo ilustrador Laerte, conversa com o presidente Magri. Abaixo, a primeira aparição do Faísca, mascote do Sindicato que ganhou as páginas do jornal O Eletricitário em julho daquele ano.

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1980 Os trabalhadores da Light e da CESP lotaram a sede própria e as imediações do prédio, em busca de respostas sobre as obscuras dúvidas que pairavam no ar quanto ao incerto futuro da categoria a partir daquele momento. Os Eletricitários tomaram conhecimento sobre a compra da empresa dias depois de os papéis já estarem assinados, mas, ainda assim, pouco se sabia. Foi o presidente da Light quem informou ao Sindicato que o então presidente da República, João Batista Figueiredo, ordenou que a transação fosse efetuada: até o momento, os dois eram os únicos a saber sobre a venda da Light, que era um mistério até mesmo para os ministros. Representada pelo presidente Sylvio Guimarães, a Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo (AEASP) completou 27 anos de história em 1980 e inaugurou sua sede própria no terceiro andar do prédio do Sindicato. O espaço tinha uma secretaria de serviços e uma sala de jogos, onde mais de dois mil sócios regularizados poderiam conviver e se entreter em meio à casa do trabalhador. Naquele ano, o AEASP garantiu uma importante conquista: o seguro de vida dos aposentados com valor reajustado em 30%. O ano de 1980 também ficou marcado pela reeleição do presidente Magri numa chapa única, com a presença de 12.677 associados, de um total de 13 mil Eletricitários com direito a voto. Mesmo com o ano em seus últimos meses, a luta não tinha fim: na sede própria do Sindicato, foi colocado um mural com o quadro das visitas agendadas que deveriam ser realizadas pelos dirigentes naquele período.

Eletricitários da Light e da CESP reunidos em grande número na Casa do Trabalhador.

Quando completou 27 anos, a AEASP inaugurou sua sede própria. Acima, o presidente da Associação, Sylvio Guimarães, acompanhado do presidente do Sindicato, Magri, instantes antes de cortarem a fita de inauguração.

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1981 Em 1981, os Eletricitários vivenciaram históricos episódios e conseguiram importantes benefícios. O quinquênio na Eletropaulo, a gratificação de férias equivalente ao 14º salário para 60% da categoria, a indenização de 50 salários em casos de morte ou invalidez, o pagamento da dupla função e o auxílio-doença sem limite de faltas. Além disso, todos os trabalhadores da Light passaram a receber o auxílio-refeição naquele ano. Foi naquele ano também que uma grande mudança se sucedeu no setor elétrico, com a transferência da Light para a Eletropaulo. Na cerimônia de passagem da empresa, que ocorreu na sede central da Xavier de Toledo, Antônio Rogério Magri entregou um enorme alicate ao presidente João Batista Figueiredo. Símbolo do trabalho nas linhas de transmissão, a ferramenta serviu de homenagem ao Eletricitário, ao mesmo tempo em que reivindicou a aprovação do Adicional de Periculosidade. O Sindicato assinou o documento de transferência da Light, e, durante a cerimônia, Magri reivindicou que, com a mudança, também fossem realizadas melhorias para os trabalhadores, esperando mais integração entre os trabalhadores da Light e da CESP. O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo lutava fortemente contra a inflação, sendo o primeiro responsável pela queda do “Pacotão” da Previdência. A entidade também ergueu as bases de fundação da Comissão de Representantes da Luta pelo Adicional de Periculosidade, um grupo que buscava o benefício para os Eletricitários com atividades práticas que colocavam em risco a vida dos trabalhadores. O Sindicato era representado pelos seus dirigentes, médicos e engenheiros contratados, que faziam a inspeção do risco nas bases, ao lado do Governo, da Secretaria de Medicina do Trabalho, da Eletrobras e da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho – Fundacentro.

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1981 Durante a transferência da Light para a Eletropaulo, Magri entregou um enorme alicate ao presidente João Batista Figueiredo, para simbolizar o trabalho do Eletricitário.

Mas a participação do Sindicato em temas de alta relevância para a sociedade não parava por aí. Juntamente aos portuários e ao pessoal da TELESP, os Eletricitários começaram a participar do grupo de trabalho das categorias essenciais, que, com o envolvimento do Governo, avançava nas leis que procuravam dar garantias às categorias que nunca poderiam abandonar totalmente os seus postos. Neste sentido de crescente influência dos Eletricitários, o presidente Magri lidera dois fundamentais movimentos para o sindicalismo brasileiro: o Primeiro Congresso Nacional dos Eletricitários e a 1ª CONCLAT.

Sindicato e AEASP na luta pela queda do “Pacotão” da Previdência.

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1981

O vice-presidente do Brasil à época, Aureliano Chaves, prestigiou o Congresso e ampliou o diálogo com os Eletricitários.

O Primeiro Congresso Nacional dos Eletricitários Com o setor elétrico passando por profundas mudanças e o trabalhador enfrentando inúmeras injustiças, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo coordenou um movimento de integração entre as entidades representativas dos trabalhadores do setor energético de todo o país, numa rede que ganhou o nome de “Linhão”. Para articular as estruturas da rede, Antônio Rogério Magri fez uma expedição por diversos sindicatos representantes de Eletricitários e urbanitários em várias cidades brasileiras em março, convidando as lideranças a participarem do Primeiro Congresso Nacional dos Eletricitários.

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Do dia quatro de maio até o dia dez daquele mês, 36 sindicatos de Eletricitários e de urbanitários vindos de 18 Estados do Brasil, foram representados por 219 congressistas que compareceram à Colônia de Férias de Praia Grande para debater temas relacionados às categorias essenciais, ao direito de greve e à periculosidade. Concomitantemente ao encontro no litoral, a sede do Sindicato recebeu um simpósio em que os trabalhadores e representantes sindicais debateram os mesmos temas com várias autoridades e especialistas: estiveram presentes no simpósio e fizeram palestras, o vice-presidente do Brasil à época,


1981

O presidente do Sindicato cumprimentando o ministro de Minas e Energia, César Cals, durante o simpósio.

Aureliano Chaves, e o então ministro de Minas e Energia, César Cals, além de dirigentes das principais empresas do setor. No evento, Magri considerou os Eletricitários como um Sindicato forte, coeso e com os pés no chão, a fim de dialogar com todos, inclusive com as autoridades. Representação de uma plataforma de luta unitária e realista, o Congresso resultou numa minuta que foi entregue ao Ministério do Trabalho em 20 de maio daquele mês. O documento trazia o anteprojeto que concede o Adicional de Periculosidade e foi aprovado por todos os congressistas, por unanimidade.

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1981 a Primeira Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (1ª CONCLAT) Por Hugo Perez A proposta de criação da CONCLAT foi lançada por Hugo Perez em novembro de 1977, mas, como em São Paulo e em São Bernardo do Campo, o movimento sindical vivenciava intensas lutas pela reposição salarial com negociações diretas, e diversas greves disseminaram-se por todo país, a CONCLAT só foi realizada em 1981. Então presidente do DIEESE, o companheiro Hugo Perez foi eleito pelo movimento sindical como Secretário de Organização. Esta secretaria organizou a CONCLAT para dois mil e quinhentos delegados sindicais – porém, a expectativa foi superada, e muito. Assim, entre os dias 21 e 23 de agosto de 1981, a CONCLAT foi realizada na sede em construção do Sindicato dos Têxteis, no município de Praia Grande. Ali, compareceram 5.036 delegados sindicais de todo o Brasil. Após intensos debates, ao final do terceiro dia do encontro, foi eleita a Comissão Nacional Pró-CUT, evitando-se, temporariamente, um “racha” no movimento sindical. Todos os Estados brasileiros e mais o Distrito Federal estavam representados na Comissão, sendo que São Paulo teve mais participação, com seis integrantes, dentre os quais, o próprio idealizador da CONCLAT, presidente da Federação e Eletricitário Hugo Perez.

Lula fala sobre a força da união dos trabalhadores durante a 1ª CONCLAT, na Colônia de Praia Grande.

Lula, Hugo Perez e Joaquinzão acompanhados pelos trabalhadores que definiriam os rumos do sindicalismo contemporâneo.

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1981 O setor elétrico após a Eletropaulo Em 1981, o Sindicato realizou a primeira assembleia da Eletropaulo, na qual mais de 1.500 trabalhadores da empresa aprovaram a proposta que foi considerada como o melhor acordo salarial do Brasil naquele ano. Nos primeiros meses de existência da Eletropaulo, o Sindicato assumiu um importante papel na integração e na identidade dos trabalhadores da nova empresa. Não eram mais laiteanos e cespianos, mas sim, os profissionais da Eletropaulo. Uma das mais importantes ações em nome da integração destas pessoas foi a luta do Sindicato para que os trabalhadores da CESP pudessem, também, fazer parte da Sociedade Beneficente dos Trabalhadores da Light (SBEL).

O Sindicato serviu de espaço para a integração e identidade dos trabalhadores após a criação da Eletropaulo.

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1982 No ano em que a população já podia eleger os governadores, senadores, deputados, vereadores e prefeitos, o voto poderia ser apenas vinculado a um mesmo partido em todos os cargos elegíveis. Embora o Brasil caminhasse lentamente rumo à abertura política, a ação dos Sindicatos era bem intensa. Enquanto o divisionismo no movimento sindical refletia uma realidade preocupante, a sede da Rua Thomaz Gonzaga recebeu mais de dois mil trabalhadores numa assembleia que aprovou a pauta para ser apresentada à Eletropaulo. Naquele ano várias entidades se uniam na proteção dos direitos dos trabalhadores. Os Eletricitários se juntaram à CNTI, à Pró-CUT, às confederações e federações num movimento contra irregularidades na aposentadoria e na previdência social. Em 1982, os Eletricitários travaram uma forte luta com a Eletropaulo, que enfrentava o grave problema dos trabalhadores fora de função. À época, eram mais de 10 mil pessoas na empresa que tinham mais especialização e trabalhavam mais tempo, no entanto, ganhavam menos do que, de fato, mereciam e tinham direito. Foi aí que o Sindicato deu início a uma campanha que engajou todos os trabalhadores da Eletropaulo, e, posteriormente, fechou o cerco aos patrões da empresa, que se viam obrigados a regularizar os cargos e salários de todas as pessoas consideradas fora de função. Em 1982, o Sindicato continuava recebendo um significativo número de trabalhadores. Além da assistência médica, das aulas de artes marciais e de outros benefícios disponíveis, a casa do trabalhador também oferecia aos associados um serviço de declaração do Imposto de Renda. Foi naquele ano também que o Sindicato desenvolveu uma intransigente ação pelo Adicional de Periculosidade,

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Mais de dois mil trabalhadores da Eletropaulo reunidos no auditório do Sindicato.

A Família Eletricitária presente na confraternização dos alunos de judô.


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envolvendo diretamente todos os trabalhadores. Cada Eletricitário recebia um cartaz e dez panfletos, que traziam a foto de um profissional eletrocutado e os dizeres: “A categoria que mais morre no Brasil. Queremos justiça e reconhecimento”. Com a campanha, mais de 200 mil panfletos foram distribuídos, circulando em estabelecimentos da cidade, nas vias públicas e nas residências dos trabalhadores. Naquele ano, o Sindicato visitou a SBEL para verificar os altos preços que estavam sendo cobrados e também recebeu denúncias sobre a baixa qualidade das refeições servidas nos restaurantes da Eletropaulo, que haviam causado até mesmo problemas de saúde em alguns dos trabalhadores que ali se alimentavam.

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1983 Hugo Perez, Magri e trabalhadores da Eletropaulo, em passeata pelas ruas de São

Se os tempos eram de crise em todo o território nacional, o Sindicato lutava para levar progresso aos Eletricitários. Um período cheio de manifestações, em que 800 sindicalistas foram às ruas contra o desgoverno e o novo arrocho salarial. Em setembro, a Colônia de Férias Ministro João Cleófas já contava com três piscinas, um campo de futebol infantil e uma cancha de bocha. Além disso, o playground da Colônia foi coberto e os vestiários e banheiros foram ampliados. No ano em que a extinta Braslight foi transferida para a Fundação CESP, dando mais comodidade aos aposentados, um grande companheiro Eletricitário deixou a caminhada do sindicalismo. Falecia, naquele ano, Paulo Sardinha, um combativo dirigente que fez crescer vertiginosamente a participação do Sindicato dentro da CESP. Sardinha foi homenageado por Magri e pelas centenas de trabalhadores que lotaram o auditório do Sindicato na assembleia do dia dez de janeiro daquele ano. A presença do Sindicato na Eletropaulo constatou várias irregularidades na empresa: de acordo com o jornal O Eletricitário, a empresa não facilitava a ascensão das mais de duas mil trabalhadoras. Foi verificado, por exemplo, que havia mulheres ocupando o posto de telefonistas há mais de oito anos, sem nenhuma ascensão de cargo ou salário.

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Paulo, contra a mudança da lei salarial.


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Magri dialoga com o presidente da República, João Figueiredo, sobre a desativação de cinco usinas da CESP.

Os Eletricitários marcaram presença no IV Encontro Nacional dos Trabalhadores em Empresas Estatais, realizado entre os dias 11 e 13 de abril daquele ano. O evento reuniu 23 entidades sindicais que representaram um milhão e trezentos mil trabalhadores de estatais, lutando para que as categorias das estatais ficassem menos isoladas do restante do movimento sindical por armadilhas criadas pelo Governo Federal. O encontro fez com que os líderes sindicais voltassem para casa firmes na luta e dedicados a tomarem sérias atitudes para aumentar a representação destes trabalhadores no movimento sindical, e inspirou a implantação do Secretariado Nacional dos Trabalhadores em Estatais, formado por três representantes de cada categoria participante. O IV Encontro Nacional dos Trabalhadores em Empresas Estatais culminou em importantes momentos. Ao longo do evento, Magri cobrou que os trabalhadores da Eletropaulo recebessem da empresa o mesmo tratamento que tinha o pessoal das estatais, e se reuniu com o presidente da República, João Figueiredo, para discutir a desativação das obras de cinco usinas da CESP em São Paulo, em clima de inquietação.

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1983 Conselho Nacional da Classe Trabalhadora (CONCLAT-83) Dois anos após a Primeira Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (1ª CONCLAT), as principais lideranças sindicais viram suas divergências se aprofundarem e foram realizados dois congressos nacionais. A Praia Grande recebeu a CONCLAT-83 entre os dias quatro e seis de novembro daquele ano, quando 4.524 sindicalistas, representando 1.256 entidades sindicais, discutiram a igualdade e a autonomia dos sindicatos e formalizar as principais reivindicações do movimento dos trabalhadores à época. A Praia Grande estava cheia de sindicalistas. Além das dependências da Colônia do Sindicato, quase todas as opções de hospedagem da cidade abrigaram os participantes da CONCLAT-83, distribuídos em seis confederações, doze federações nacionais, sete federações intersindicais, 47 federações estaduais, três sindicatos de base nacional, 43 associações pré-sindicais, 30 entidades estaduais e de funcionalismo público e 11 associações estaduais, além dos profissionais da imprensa que foram escalados para a cobertura do evento. A CONCLAT-83 formou o Conselho Nacional da Classe Trabalhadora, com 94 entidades, e resultou na Carta de Praia Grande, documento elaborado pelos representantes presentes no local e que trazia várias reivindicações, tais como, a garantia de greve, a estabilidade de emprego, a soberania nacional e o investimento das estatais para a geração de novos empregos. Outro grupo de trabalho criado

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Trabalhadores na CONCLAT-83, evento que deu origem à Carta de Praia Grande.

na CONCLAT foi a Coordenação Nacional da Classe Trabalhadora, com mais de 25 entidades sindicais presentes. Terminado o evento, todo o sindicalismo brasileiro percebeu que a CONCLAT seria uma central possível e contrária às ideologias divisionistas outrora pregadas.


1983

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1984 A ditadura estava se dissolvendo no ar, ainda que de forma lenta, quando 300 mil trabalhadores ocuparam a Praça da Sé durante um comício em 25 de janeiro daquele ano. Ali, em um dos mais importantes atos da campanha das Diretas Já, Antônio Rogério Magri discursou em nome do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da CONCLAT, falando sobre a importância do exercício da democracia. Mas os Eletricitários nunca foram de indiretas. Antes do dia do grande comício, duas ações em nome da democracia articularam a categoria: no dia 23 de janeiro, o Sindicato promoveu um plebiscito pelas diretas em 14 locais de grande concentração dos trabalhadores da Eletropaulo e da CESP. Com mínima abstenção, 4.096 pessoas disseram sim às diretas. Na véspera do comício das Diretas, os trabalhadores da CESP ocuparam a Avenida Paulista em manifestação pelo direito de votar, ao lado do pessoal dos escritórios das estatais situados naquela região. A passeata, que terminou no vão livre do MASP, reuniu mais de duas mil pessoas dispostas a lutar pela democracia. Nos dias 28 e 29 de julho de 1984, a sede do Sindicato recebeu o II Encontro Nacional dos Trabalhadores de Furnas. O evento reuniu 13 entidades sindicais e representantes de 12 locais de trabalho, que discutiram os principais problemas da empresa e traçaram as lutas da campanha salarial unificada. Toda a diretoria da casa participou, e, após o Encontro, o Sindicato tomou a frente da primeira assembleia da campanha salarial

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1984 unificada de Furnas. De acordo com o jornal O Eletricitário, um número expressivo de trabalhadores de Furnas em São Paulo compareceram à assembleia na sede do Sindicato, aprovando, por unanimidade, a pauta de reivindicação que foi negociada nacionalmente. Foi um marco histórico, pois havia 27 anos que o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo não participava da assinatura de um acordo com a empresa, e, mesmo assim, 90% dos Eletricitários de Furnas em São Paulo eram sindicalizados. Se, em Furnas, a representação do Sindicato era forte, a situação não era diferente na Eletropaulo. Naquele ano, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo passou a ser considerado como um hábil instrumento de luta contra a recessão, o desemprego e a crescente tensão social. Naquela época, um acordo firmado com a empresa garantiu o benefício do anuênio, em que todos os trabalhadores com mais de dois anos de casa recebeu 1% sobre o salário-base por ano de serviço, e a luta pelo fim dos trabalhadores fora de função só se intensificou, assim como a campanha do café da manhã antes do trabalho. O esporte do Sindicato recebeu medalha de ouro em 1984, graças ao esforço de Waléria Oliveira de Souza, filha do associado Antônio Moreira de Souza. Após seu excelente desempenho nas aulas de judô oferecidas pela entidade, a lutadora conquistou o primeiro lugar em sua categoria no Campeonato Paulista de Judô. E a notoriedade do esporte no Sindicato não parava por aí: no dia sete de agosto daquele ano, a subsede do Cambuci recebeu a nova academia, onde os associados e suas famílias podiam se inscrever nas aulas de artes marciais, disponíveis em vários horários. E também teve bola rolando em campo. No ABC, o dirigente sindical Ibiapina organizou um campeonato de futsal entre os Eletricitários da região. A disputa contou com a participação de 16 equipes, e sagrou-se campeão o time da Agência Santo André.

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1985 Quando ruíram os muros de concreto da ditadura militar e a abertura política era uma luz no fim do túnel do Brasil, o povo lutava e esperava profundas transformações sociais. Era a hora e a vez da democracia, de lutar pela redução da inflação, pelo fim da intervenção sindical promovida pelo Ministério do Trabalho e pelo livre direito de manifestação grevista. Foi neste efervescente cenário político e social que foi deflagrada a Greve do Dia Três de Maio dos Eletricitários e outros planos de luta, que culminaram na aprovação do projeto do Adicional de Periculosidade no Congresso Nacional e em diversos benefícios para os trabalhadores do setor elétrico. Na noite em que completou seus quarenta anos de história, o Sindicato foi presenteado com um telegrama. A mensagem informava a unânime aprovação do projeto do Adicional de Periculosidade pelos Senadores, e, a partir dali, só faltaria o último aval do presidente da República, cargo à época já ocupado por José Sarney. Foi também em 1985 a criação do Pacto Intersindical nos Serviços Essenciais (PISE), um grupo idealizado pelos Eletricitários, com objetivo de demonstrar a força política de 250 mil trabalhadores de categorias essenciais. Fundado em fevereiro, na sede do Sintaema, o PISE se tornava uma grande frente de luta pelo direito dos trabalhadores e pela revogação do decreto 1632, responsável por cercear as manifestações do movimento grevista.

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A identidade visual do jornal O Eletricitário é alterada, com o fim da ditadura militar.

Trabalhadores lotam o Sindicato em aprovação de acordo coletivo e na luta pelo Adicional de Periculosidade.


1985 A greve se agigantou por toda a capital paulista e nos municípios vizinhos, num episódio que teve a participação de mais de 16 mil Eletricitários.

A Greve do Dia Três de Maio “Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos” (Eduardo Galeano)

Representados pelo presidente Antônio Rogério Magri e pelo dirigente sindical Edmundo Benedetti Filho, no início de 1985, os Eletricitários participaram de um encontro de lideranças no Sintaema em São Paulo, que resultou na elaboração de um estratégico plano de lutas para o reajuste trimestral, numa campanha unificada com os Eletricitários do interior, urbanitários, metroviários, telefônicos e gasistas.

A reunião foi o estopim para um intenso período de manifestações conduzidas pelos Eletricitários, que tinham como meta o reajuste trimestral dos trabalhadores em tempos de absurda inflação. Em 30 de abril, ficava decretada, por numerosos trabalhadores em assembleia geral, a Greve do Dia Três de Maio, episódio em que mais de 16 mil Eletricitários de várias regiões de São Paulo cruzaram seus braços em bus-

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1985 ca da trimestralidade. Às vésperas da grande greve, na tarde de dois de maio de 1985, os trabalhadores da CESP participaram de uma assembleia setorial e saíram em passeata pela Avenida Paulista, numa manifestação pacífica e ordeira em reivindicação do reajuste trimestral. Na noite do dia dois de maio, a greve se iniciou, com o desligamento dos computadores na sede da Eletropaulo, à Rua Xavier de Toledo. Com as máquinas sem funcionar às vésperas da paralisação, nenhuma agência ou seção poderia receber as informações da sede ao longo do dia três. Amanheceu. Quando o silêncio e o vazio tomavam conta dos postos de trabalho, os gritos e multidões de Eletricitários ecoavam e se espalhavam pelas ruas de São Paulo, para além do alcance da visão. O levante se agigantou por toda a capital paulista e nos municípios vizinhos. Na zona sul, os trabalhadores da usina Piratininga, o pessoal de Santo Amaro, Campo Limpo e Capela do Socorro, esvaziaram seus locais de trabalho, assim como os trabalhadores das agências de Embu, Itapecerica da Serra e Taboão da Serra. Também ficaram paralisadas as equipes de iluminação pública da Rua Sérvia e Carmo do Rio, que cruzaram seus braços naquela sexta-feira. Ainda na zona sul, mais dois mil trabalhadores suspenderam os serviços nos escritórios da Brigadeiro, abandonando seus postos, andar por andar, na convocação do dirigente Edmundo. Foi no Cambuci e na região central, no entanto, que a greve tomou proporções mais grandiosas. Conduzidos pelo presidente Magri, os trabalhadores retiraram-se da unidade do Cambuci e dirigiram-se em direção ao Sindicato, parando a Rua Thomaz Gonzaga e outras vias públicas da Liberdade. Engrossada pela presença de 135 trabalhadores da Tangerinas, a marcha histórica zarpou do Sindicato com direção à sede da Eletropaulo, na rua Xavier de Toledo. Lá, se encontraram com mais 1.800 trabalhadores com os braços já cruzados, conduzidos pelos dirigentes Paioli,

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Orientados por Magri, os Eletricitários de Cubatão também participaram da Greve do Dia Três de Maio.

Norberto, Takeo e Major. As paralisações no centro da cidade também chegaram na Junqueira Freire e na seção 25 de janeiro, próxima à estação da Luz, onde apenas os serviços vitais não deixaram de funcionar. Os gritos também ecoaram pelo ABC paulista, numa manifestação conduzida pelos dirigentes Ibiapina, Ailton e Felisberto, paralisando 90% do quadro de trabalhadores da região. A Superintendência Jaguaré foi fechada com total paralisação. Na base de Monte Santo e no Trólebus, só deram continuidade aos serviços as turmas dos setores de prontidão, pois os demais trabalhadores cruzaram seus braços. Naquele três de maio, até mesmo os Eletricitários das construções de linhas de transmissão inter-


1985

Trabalhadores de braços cruzados no pátio da empresa, durante a ação do Sindicato.

romperam suas atividades, assim como os trabalhadores dos Centros de Manutenção de Estações (CAMES), DECON e iluminação pública. Encerradas as vinte e quatro horas de greve, as empresas começaram a apresentar suas propostas, consideradas como indecorosas pelo Sindicato e rejeitadas pelos trabalhadores. Num dia de chuva e forte pressão das empresas, os Eletricitários lotaram o Sindicato numa assembleia e aprovaram, por unanimidade, o pagamento de 20% dos dois abonos referentes ao primeiro semestre. Mesmo assim, a luta pela trimestralidade continuou, num esforço contínuo e unificado do movimento sindical.

Os Eletricitários ocuparam o Sindicato e as imediações do prédio no dia da greve.

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1986

Em 1986, o Sindicato vivenciou as eleições da nova diretoria, disponibilizando noventa e uma urnas para a categoria, para exercer sua vontade. Eleita para o exercício sindical nos três anos seguintes, a diretoria era preparada para os grandes desafios enfrentados no país à época, num cenário caracterizado por importantes mudanças socioeconômicas. Entre as principais transformações do período, os representantes sindicais deveriam estar prontos para traçar estratégias de ação com o Plano Cruzado, com a nova moeda que tinha por objetivo o congelamento dos preços no combate à inflação. No dia primeiro de outubro de 1986, os Eletricitários firmaram convênio com o plano de saúde da Fundação CESP, oferecendo uma estrutura mais ampla nos serviços médicos, odontológicos e laboratoriais para os sócios. O convênio com a Fundação CESP não era uma proposta nova do Sindicato, que, desde o início de sua atuação, acreditava que o Governo e as empresas deveriam prestar serviços assistenciais aos trabalhadores e seus familiares. Foi o principal avanço daquele ano para os Eletricitários.

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1987

A nebulosa crise que assombrava o trabalhador brasileiro também colocava o seu emprego em risco. Mas, em meio à recessão, o Sindicato tinha uma boa notícia para os Eletricitários: depois de travar duras batalhas, a entidade foi responsável não só por garantir os postos de trabalho das pessoas dentro das empresas, como também por readmitir cada Eletricitário demitido naqueles tempos de crise. A luta em nome da garantia de emprego não envolveu somente os patrões das empresas. Foi necessário, também, estabelecer diálogos com o poder público, representado pela Secretaria de Estado de Relações do Trabalho e pela Secretaria de Obras de São Paulo, além de convocar reuniões diárias com os trabalhadores demitidos, que não abaixaram a cabeça e nem deixaram de confiar no Sindicato naqueles difíceis momentos. Uma luz se acendeu em meio à escuridão, registrando nas páginas da História o dia 28 de agosto de 1987. Naquela sextafeira, Antônio Rogério Magri encontrou-se com o presidente da República, José Sarney, e entrou no ringue para o último round da luta pelo Adicional de Periculosidade. O presidente do Sindicato apresentou a Sarney a proposta que reivindicava o tão necessário benefício, e, depois de escutar a voz do Eletricitário, o presidente da República declarou, em alto e bom som:

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“Diga aos seus companheiros, que eles podem ficar tranquilos. O Adicional de Periculosidade de 30% é direito adquirido dos Eletricitários”. A partir daquele momento, a categoria que mais morria no país tinha mais motivos para dormir tranquilamente, em vez de temer ter a vida abreviada em serviço e descansar em paz em pleno horário de expediente. O trabalhador era o campeão de uma luta travada pelo Sindicato desde os seus primeiros anos de existência. Mas as mãos que aprovaram o Adicional de Periculosidade foram as mesmas que receberam outras duas propostas do presidente do Sindicato naquela sexta-feira, em Brasília. Durante o encontro com Sarney, Magri defendeu as estatais e tratou sobre as questões relacionadas ao FGTS, num documento que alertava o presidente da República sobre as atuais condições dos trabalhadores. No fim de 1987, um grande clima de otimismo tomou conta do Sindicato. Entrou para a História o primeiro orçamento sem imposto sindical, uma vez que se esperava o fim da tutela do Estado sobre as organizações dos trabalhadores. Isto se traduzia numa conquista que culminaria em mais liberdade e autonomia sindical para as entidades que desempenhavam papéis limpos e honestos na sociedade.


1987

Extra! O jornal O EletricitĂĄrio informa: o Adicional de Periculosidade ĂŠ nosso!

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1988

Foram difíceis os dias corridos no ano de 1988. Por um lado, a Constituição Cidadã era aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, mas, por outro lado, a economia ainda passava por um turbulento período, colocando em risco a tranquilidade dos trabalhadores e suas famílias. Se, no ano anterior, o Sindicato decidiu não mais contar com o imposto sindical em sua receita normal, em março de 1988, a entidade foi surpreendida com o desconto compulsório dos trabalhadores e depósito em conta vinculada da Caixa Econômica Federal e, no mês de julho, a Caixa Econômica creditou o dinheiro do imposto na conta do Sindicato – um valor correspondente a sessenta por cento (60%) do tributo, uma vez que outros percentuais eram direcionados à Federação (15%), à CNTI (5%) e ao Ministério do Trabalho (20%). Naquele ano, o Sindicato fez uma importante reformulação no seu Centro de Comunicações. Tendo Élio Vargas Junior como jornalista responsável, Oswaldo Ramos como editor e Pedro Ortiz como redator, o Centro de Comunicações foi instalado no quarto andar do edifício, e, a partir de março daquele ano, entrou em circulação o Boletim Informativo “O Eletricitário”, que se mantém em circulação nas bases até os dias atuais. Além de ser produzido no Sindicato, o boletim também era impresso na gráfica do prédio, situada no subsolo.

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O Sindicato reformulou o seu Centro de Comunicações, iniciando a produção do Boletim do Eletricitário. Além disso, as publicações começaram a ser impressas na gráfica do Sindicato, no subsolo do prédio.


1989 No último ano da década de 1980, o Sindicato conseguiu garantias que facilitavam a aposentadoria dos trabalhadores da Eletropaulo. Os dirigentes também vivenciavam uma intensa campanha nas empresas, fiscalizando a assiduidade dos pagamentos do adicional de periculosidade para os trabalhadores do setor elétrico. No ano em que o muro de Berlim foi derrubado, unindo novamente as duas Alemanhas, um enorme muro de concreto ainda separava o capital e o trabalho e não era diferente na categoria eletricitária, fragilizando a atividade sindical e a união dos trabalhadores. Eram manobras de outros sindicatos, que confundiam os Eletricitários com inverdades elaboradas para atender a interesses escusos, ligados a partidos ou a opiniões particulares. Diante dos ataques das entidades oposicionistas, o Sindicato se reunia com os trabalhadores e com as lideranças das empresas, a fim de prestar esclarecimentos. Um dos momentos que marcaram o período foi a reunião na Eletropaulo, que uniu dirigentes sindicais e trabalhadores com o presidente e a diretoria da empresa na unidade Brigadeiro. Por lá, os próprios patrões desmentiram os boatos espalhados pela oposição, que divulgava a falsa informação de que o restaurante da empresa seria desativado. Em eleições diretas, o povo decidiu quem seria o presidente da República, colocando o candidato Fernando Collor à frente do país, após um intervalo de vinte e nove anos sem eleições presidenciais diretas no Brasil. Também foi naquele ano que Antônio Rogério Magri se despediu do cargo maior do Sindicato, após um período marcado por grandes avanços para toda a categoria. Vitorioso nas eleições, o candidato Enir Severino da Silva dava início à sua gestão à frente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo.

Antônio Rogério Magri se despediu da presidência do Sindicato, confiando o cargo ao companheiro Enir, que venceu as eleições com os votos da categoria.

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1990 O I Congresso dos Eletricitários aposentados, realizado no Anhembi. Mais de 350 Eletricitários que haviam pendurado as suas chuteiras participaram dos dois dias de evento.

O ex-presidente Magri, sendo nomeado como Ministro do Trabalho e da Previdência Social, durante o mandato de Fernando Collor. Na foto, Itamar Franco, Fernando Collor, Magri e Bernardo Cabral.

O fim da conturbada década de 1980 trazia aos trabalhadores a esperança de tempos melhores. Apesar das inúmeras conquistas da categoria nos anos anteriores, a instabilidade da economia ainda preocupava os Eletricitários. Mas a luz, sempre acesa pelo trabalhador, brilhava forte no fim do túnel. Não mais à frente do Sindicato, Antônio Rogério Magri foi nomeado Ministro do Trabalho e da Previdência Social durante o mandato de Fernando Collor, e, ali, deu atenção especial à categoria e aos aposentados. “Ao colocar um trabalhador à frente da nova pasta, o Presidente Collor também fez um gesto de extraordinário alcance político”, revelou Magri ao jornal O Eletricitário. Lutando por melhores condições para os trabalhadores que já tinham pendurado as suas chuteiras, o ex-presidente do Sindicato instalou o I Congresso dos Eletricitários Aposentados, realizado nos dias 31 de julho e primeiro de agosto de 1990, no Anhembi, em São Paulo. Durante os dois dias, mais de trezentos e cinquenta eletricitários aposentados da categoria debateram im-

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portantes temas e definiram as reivindicações mais relevantes da época, além de participarem de construtivas palestras e contarem com a presença de várias autoridades, dentre elas, o atual presidente do Sindicato, Enir Severino da Silva, o presidente da AEASP à época, Aldo Sotero de Mendonça (Bonzinho), o fundador do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, José Cabral, além de representantes de várias empresas do setor. Mas a safra do ano de 1990 rendeu muitos bons frutos, distribuídos não só para os aposentados, como também para todos os Eletricitários. Seguindo à risca o lema de sua campanha, – Seriedade e Trabalho – o presidente Enir não poupou esforços para lutar pela categoria, garantindo um acordo coletivo para os trabalhadores da CESP e da Eletropaulo, que foi considerado uma soma de conquistas: com aumento real de oito por cento (8%), os Eletricitários passaram a receber o pagamento de dez em dez dias. Em março daquele ano, surgia no cenário nacional a Federaluz (Fe-


1990 SUBSEDE SOROCABA O dia 21 de setembro ficou marcado pela inauguração da subsede de Sorocaba, que prestava os serviços do Sindicato para os companheiros do interior.

deração dos Empregados nas Empresas de Geração, Transmissão e Distribuição de Eletricidade no Estado de São Paulo), fundada pelos trabalhadores do interior, a partir da unidade dos Eletricitários mobilizados no SINDILUZ (Sindicatos dos Empregados na Geração, Transmissão e Distribuição de Eletricidade dos Municípios de Araraquara, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto), que reuniam grande número de trabalhadores da CPFL. Com a união articulada dos sindicatos na Federaluz, ficava mais fácil estabelecer planos de lutas para a categoria e fortalecer as negociações com as empresas do setor. No dia 21 de setembro, a atuação do Sindicato no interior foi ampliada, com a inauguração da subsede de Sorocaba. Com a intenção de colocar freios na locomotiva da desigualdade social, o Sindicato deu início à elaboração do Plano da Casa Própria do Eletricitário. Foi então que o presidente Enir e a diretoria criaram um grupo de trabalho com a Eletropaulo, a CESP e a Fundação CESP, a fim

de viabilizar o financiamento da implantação de conjuntos habitacionais para a categoria, atendendo aos trabalhadores que ainda não possuíam moradia própria. No ano em que completava seus quarenta e cinco anos de fundação, o Sindicato chamou a categoria para comemorar o aniversário no CERET – mas nem tudo era festa. Em 1990, o Sindicato teve suas finanças bloqueadas durante o Plano Collor, porém, após a liberação do bloqueio, os valores deram base para grandes transformações estruturais da entidade. Assim, Enir comandou uma reforma administrativa no Sindicato, com objetivo de aperfeiçoar o atendimento aos associados e dependentes, além de fortalecer as lutas políticas e trabalhistas. Dentro do prédio, os funcionários do Sindicato começaram a contar também com um plano de cargos e salários, e ainda fora implantado um departamento de Recursos Humanos, a fim de analisar o desenvolvimento das carreiras e os salários dos Eletricitários.

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1991 Não há dúvidas de que 1991 foi um ano repleto de lutas e conquistas para a combativa categoria Eletricitária, merecendo um capítulo à parte na história do sindicalismo nacional. Em tempos de arrocho salarial, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo travou duras batalhas em defesa dos trabalhadores, em que podemos destacar dois importantes movimentos grevistas. O primeiro deles foi uma greve relâmpago no dia 28 de maio, realizada contra as perdas salariais. Após estabelecer diálogos com o Governo, com as empresas e com os trabalhadores, teve início uma histórica e dramática mobilização, que garantiu a reposição de trinta e oito por cento e seis décimos (38,6%) dos salários na Eletropaulo e na CESP, um resultado vitorioso, que contou não apenas com a participação do Sindicato e dos trabalhadores, como também com a adesão das associações profissionais da Eletropaulo. O segundo episódio grevista daquele ano foi uma paralisação na manhã do dia doze de dezembro, que ficou conhecida como “Basta”. Naquela quinta-feira, mais de quatro mil trabalhadores reivindicaram o pagamento do décimo terceiro salário, numa manifestação que teve as ruas do bairro da Granja Julieta, zona sul da capital paulista, como ponto principal, além de outras ocupações por toda a cidade de São Paulo. Na Granja Julieta, os trabalhadores mostraram-se insatisfeitos e cruzaram seus braços na porta da empresa, numa manifestação que teve ostensiva ação da Polícia Militar. Mesmo enfrentando a dura repressão, os trabalhadores mantiveram-se paralisados por duas horas e meia, e, ao voltar aos seus postos, foram aplaudidos pelos dirigentes sindicais. Entrava para a História o “Basta”, greve que foi considerada como uma verdadeira injeção de ânimo para toda a categoria.

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1991 Mais de quatro mil trabalhadores participaram do “Basta”, manifestação realizada na manhã do dia doze de dezembro de 1991.

E não se fala de 1991 sem listar as conquistas do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. Não foram poucas. Depois de muitas lutas, os trabalhadores da CESP passaram a receber a cesta base com os mantimentos da SBEL, benefício que o presidente Enir estendeu aos aposentados e aos funcionários do Sindicato. A sede passava por reformas, e, em intenso ritmo de obras, foram instalados o consultório de psicologia e o Departamento da Mulher, além de ter início o processo de informatização dos setores do edifício-sede. E não parava por aí. Os Eletricitários que já haviam pendurado as suas chuteiras não pagavam nada para ajeitar o visual nas barbearias do Eletricitário. Os aposentados passaram a usufruir dos mesmos serviços médicos e odontológicos oferecidos aos ativos, bem como aproveitavam os mesmos descontos nos serviços de hospedagem e também contavam com a assistência jurídica oferecida pelo Sindicato.

Na foto, a diretoria do Sindicato apresenta a cesta base da SBEL, importante benefício para os trabalhadores Eletricitários.

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1991 SUBSEDE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

SUBSEDE MOGI DAS CRUZES

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Os planos de levar o Sindicato aos lugares onde o Eletricitário estivesse também ganharam força e energia, descentralizando o poder do edifício-sede no bairro da Liberdade. Assim, em ritmo constante, o Sindicato inaugurou três subsedes em 1991. Em 27 de março, estava aberta a subsede de Mogi das Cruzes; em São José dos Campos, os Eletricitários inauguraram uma subsede em cinco de setembro. Todas as unidades contavam com secretaria de serviços e atendimento odontológico. No dia nove de julho daquele mesmo ano, os Eletricitários inauguraram a subsede da Granja Julieta, unidade estratégica da zona sul da cidade, que oferecia não só atendimento odontológico, como também colocava à disposição dos associados um departamento jurídico trabalhista, além de atividades culturais e um salão de beleza para homens e mulheres.


1991

SUBSEDE GRANJA JULIETA

O presidente do Sindicato, Enir, deu andamento à intensa luta da entidade pelo sonho da casa própria do trabalhador, garantindo avanços na Cooperativa Habitacional dos Eletricitários, e também estendeu a participação do Sindicato nas questões relacionadas ao Modelo Institucional do Setor Elétrico. O projeto elaborado pelo Governo Federal era composto por medidas técnicas e econômicas, que culminariam na privatização das empresas do setor energético, sem olhar cautelosamente aos impactos esperados na vida do trabalhador Eletricitário e do povo brasileiro.

SUBSEDE GUARATINGUETÁ

O jornal do Sindicato trazia informativos sobre a Cooperativa Habitacional dos Eletricitários.

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1992

O espaço da Rua Thomaz Gonzaga ficou pequeno demais para abrigar os trabalhadores que vieram ao Sindicato em quinze de janeiro.

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Os trezentos e sessenta e seis dias do ano bissexto de 1992 foram poucos para a intensa atuação do Sindicato naquele período. Os Eletricitários tinham à frente um tempo repleto de conquistas, que amanheceu como uma esperada alvorada após longas noites de luta. O Sindicato conquistou muita coisa e o trabalhador não conseguia se distanciar da entidade. Foi neste clima de aproximação do Sindicato, que mais de três mil trabalhadores da Eletropaulo compareceram à sede central, no dia quinze de janeiro, aprovando, no início daquele ano, o acordo coletivo que foi impresso com significativos avanços para uma época em que uma cruel política salarial tirava o sono do povo brasileiro. E não era só isso que causava preocupação: num período em que o país atravessou uma terrível crise política, ética e socioeconômica, as empresas de energia começaram a apostar cada vez mais na terceirização, amedrontando e ameaçando a todos os Eletricitários. 1992 foi um ano de grandes reformas no Sindicato. No dia 18 de maio, os trabalhadores aprovaram, em assembleia, por expressiva maioria, o novo Estatuto do Sindicato, que trazia cento e treze artigos que adaptavam as diretrizes da entidade à realidade da época. O documento, que estabelecia o número de cinquenta e oito diretores à frente do Sindicato, foi impresso e entregue nas residências dos associados. E as reformas não foram apenas estatutárias. Naquele ano, Enir coordenou uma série de melhorias no edifício-sede, instalando o Departamento de Informática, recuperando o mármore da fachada do prédio, trocando as instalações elétricas, telefônicas e hidráulicas, além de outras estruturas. Foi em 1992, também, que o Sindicato deu início à construção da lanchonete e da área de convivência no terceiro andar, além de viabilizar a construção da Biblioteca do Eletricitário e de apartamentos para hospedar as pessoas que chegavam de outras cidades para visitar o Sindicato. E, por falar no alcance da entidade em várias regiões, os Eletricitários encerraram o ano de1992 com uma rede formada por quinze subsedes, todas oferecendo atendimento odontológico e assistência jurídica aos associados. O Sindicato era representado nas subsedes Cambuci, Cubatão, Guaratinguetá, Mogi das Cruzes, Santo Amaro, São José dos Campos, Sorocaba, Xavier de Toledo, Zona Sul, Jundiaí, Itaim Paulista, Penha, Zona Norte, ABC e Osasco.


1992

SUBSEDE ZONA NORTE

SUBSEDE OSASCO

SUBSEDE ITAIM PAULISTA

SUBSEDE JUNDIAÍ

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1992 Com a presença dos trabalhadores, Enir corta a fita de inauguração da Farmácia do Eletricitário.

A nova ambulância da frota do Sindicato.

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Enir também tirou do papel um brilhante projeto para a categoria, inaugurando a Farmácia dos Eletricitários, em julho. Construída na frente da sede central, mais especificamente no número 65 da Rua Thomaz Gonzaga, a Farmácia disponibilizava descontos e remédios gratuitos para os associados do Sindicato, da SBEL e da Fundação CESP. Mais de trezentos e cinquenta associados e aposentados passavam por ali todos os dias, naquela que era a única farmácia do mundo instalada dentro de um sindicato, que oferecia remédios de forma gratuita ou com significativos descontos. Centenas de trabalhadores prestigiaram a inauguração da Farmácia, que, além de contar com uma boa variedade de medicamentos, também tinha profissionais para a aplicação de injeções e manipulação de fórmulas. Visando ampliar a assistência aos associados, também foram adquiridas mais duas ambulâncias na mesma época, deixando a frota de atendimento médico com quatro veículos capacitados a prestar socorro para os Eletricitários.


1992 Foram nos idos de 1992, também, que o Sindicato inaugurou sua gráfica própria. Em 25 de setembro, já se encontrava em pleno funcionamento o local que imprimia os jornais e boletins da entidade. Instalada num galpão de cento e cinquenta metros quadrados vizinho à Farmácia, a Gráfica dos Eletricitários contava com duas impressoras, duas máquinas de mesa para ofício e meio-ofício, uma guilhotina automática e uma dobradeira, além de um laboratório para fotolitos. O primeiro jornal ali impresso foi a edição d’O Eletricitário de outubro de 1992, reduzindo os gastos externos com a produção editorial do Sindicato. Naquele ano, os Eletricitários conseguiram derrubar o Decreto Salarial, após duras lutas na Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho suspendeu a determinação em 17 de agosto, acabando com a limitação do teto salarial imposta pelo Governo do Estado de São Paulo para os trabalhadores. Com esta vitória, ficou possível o cumprimento do acordo coletivo, além de as empresas do setor terem sido obrigadas a efetuar os pagamentos das diferenças salariais aos Eletricitários que eram prejudicados pelo decreto.

Enir inaugura a Gráfica do Eletricitário, instalada num galpão vizinho à Farmácia.

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1992 ELEIÇÕES 92: A CHAPA ESQUENTOU! Marcado por fortes tensões em todo o Brasil, o momento político de 1992 contou com ampla participação democrática do Eletricitário. No Sindicato, aconteceram as eleições para definir quem estaria à frente da presidência, e a oposição deu as caras nas votações, realizadas entre os dias 31 de agosto de onze de setembro. A chapa esquentou, mas os divisionistas foram derrotados na apuração final das oitenta e duas mesas coletoras, garantindo ao presidente Enir uma expressiva vitória, conquistada por oitenta e um pontos percentuais e sete décimos (81,7%) dos votos dos trabalhadores sindicalizados. Muito além do Sindicato, as eleições aconteceram em todo o território nacional. Era a vez de o povo escolher os prefeitos e vereadores de seus municípios, e os Eletricitários não ficaram para trás. Enquanto banqueiros e empresários empurravam seus candidatos goela abaixo, o trabalhador do setor elétrico era representado por dezenas de homens e mulheres dispostos a lutar pelo Eletricitário. Foi então que o Sindicato lançou a campanha “Vote com categoria. Vote em Eletricitários”, que incentivava o voto de trabalhador para trabalhador. E não faltavam opções, como a candidata Neucy, da Eletropaulo, que representava a força da mulher à frente do cargo de vereadora de São Sebastião, e o candidato Roberto Martins, trabalhador da CESP que concorreu à prefeitura de Ilha Solteira. Com expressivo apoio da categoria, Enir vence as eleições de 1992.

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1993 O compromisso do Sindicato com o trabalhador fez de 1993 um ano de lutas incessantes. Na época em que o Congresso aprovou o remendo do Modelo Institucional para o Setor Elétrico Nacional – que visava solucionar apenas questões financistas entre o Governo e as empresas – o presidente Enir orientou o Sindicato nos melhores caminhos para a defesa do setor de eletricidade do país. Assim, em outubro daquele ano, os Eletricitários realizaram o Seminário Internacional “Setor Elétrico: O Futuro em Discussão”, reunindo, na sede central, especialistas brasileiros, da América Latina e da Bélgica, além de pesquisadores, empresários, autoridades e trabalhadores, num evento que chamou a atenção da imprensa. No encontro, ficou clara a preocupação e o repúdio da classe trabalhadora e dos especialistas quanto à privatização do setor elétrico, que fora sugerida pelo Governo Federal. O Seminário Internacional foi um marco para a história do Sindicato, e o encontro rendeu um documento, intitulado “Carta de São Paulo em Defesa do Setor Elétrico Nacional”, a qual trazia contrapropostas para a privatização e que visava o fortalecimento das estatais. Entre as medidas apresentadas, constava a regulamentação do setor (dividindo responsabilidades da classe trabalhadora, das empresas e do governo), além da democratização da gestão das empresas e da participação do capital privado no setor regulamentado. Mas as lutas não paravam por aí. O Sindicato dialogou com o Governo de São Paulo, representado por Luiz Antônio Fleury Filho, com objetivo de regularizar a situação do aproveitamento da mão-de-obra contratada e dos prestadores de serviço das empresas do setor elétrico paulista, buscando melhorar as condições destes trabalhadores.

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1993 Juntos pela Aposentadoria Especial

Enir defende os Eletricitários com a Comissão da Unidade Sindical em Defesa da Aposentadoria Especial, formada por diversas categorias.

Aloysio Nunes e Enir discutem o sistema de governo do Brasil com os trabalhadores, no auditório do Sindicato.

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Em 1993, o Sindicato balançou forte a bandeira da Aposentadoria Especial, participando ativamente na defesa deste direito. Foi então que os Eletricitários deram força na Comissão da Unidade Sindical em Defesa da Aposentadoria Especial, formada por sindicalistas de várias categorias, além de vereadores e deputados, que se reuniam na sede central para articular estratégias e redigir um substitutivo ao projeto 3.201/92, que tramitava na Comissão de Seguridade Social e Família e colocava em sério risco a aposentadoria dos trabalhadores de várias categorias. O Sindicato foi à luta, cedendo o espaço da sede para as reuniões da Comissão da Unidade Sindical em Defesa da Aposentadoria Especial, dispostos a fazer valer o substitutivo em defesa da classe trabalhadora e dos aposentados. A união dos trabalhadores e a qualidade do material elaborado sensibilizou o então deputado Maurici Mariano, que apresentou o substitutivo em forma de quarenta e nove emendas ao projeto, após tomar conhecimento dos anseios dos sindicatos participantes. Os debates sobre o tema em Brasília deram base para a criação de um grupo de trabalho para a discussão do segundo substitutivo ao projeto, organizado pelo Conselho de Previdência Social e pelo ministro Antônio Britto. Com o número vinte (020), uma das emendas do projeto substitutivo garantia a aposentadoria especial para os Eletricitários. Ampliando a participação política e cultural do associado, o Sindicato realizou um ciclo de debates entre os Eletricitários e o vice-governador de São Paulo, Aloysio Nunes, para esclarecer as dúvidas dos trabalhadores sobre o plebiscito de 21 de abril daquele ano, em que o povo decidiria o sistema de governo do Brasil, optando pela continuação da República ou a volta da Monarquia, pelo presidencialismo ou pelo parlamentarismo. No dia oito de junho, o lançamento de dois livros escritos por trabalhadores da Eletropaulo (Uma


1993

Trajetória de Vida. TEIXEIRA, Jorge; e Sóis no Quarto. GUILHERME, Edson), marca a inauguração do Espaço Cultural dos Eletricitários, instalado no primeiro andar do edifício-sede, que tinha por objetivo divulgar a produção cultural e artística dos trabalhadores associados. Os quarenta e oito anos de existência do Sindicato foram coroados com a Semana do Eletricitário, marcada por um ciclo de palestras entre os dias 30 de agosto e dois de setembro. O evento contou com a participação da escritora Marina Colassanti, que apresentou uma palestra sobre a mulher na sociedade. Ao final das suas exposições, todos os palestrantes foram homenageados, e o ministro do Tribunal Superior do Trabalho - TST, Almir Pazzianotto, recebeu o troféu “O Faísca”, grande demonstração de gratidão da categoria que foi entregue por Enir. Em 1993, também foi realizada a III Feira de Segurança, na Universidade de Guarulhos, com a organização da CIPA da Superintendência de Distribuição Leste da Eletropaulo (Mogi das Cruzes). Um time de especialistas participou da feira, além do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, que elucidaram a importância da segurança na rede elétrica. Por lá, passaram os representantes das empresas de energia, o presidente do Sindicato e a diretoria, e mais de sete mil trabalhadores e crianças, que visitaram o evento que aconteceu entre os dias 21 e 25 de junho. As inaugurações de 1993 também formam uma extensa lista de vitórias para a categoria. Entre elas, destacam-se a criação do consultório de psicologia do Sindicato e as melhorias na estrutura da Colônia de Férias Ministro João Cleófas, que recebeu uma quadra poliesportiva, salão de jogos e mesas de cartas, além de um mezanino e uma lanchonete. No segundo semestre, os associados puderam se inscrever em três novos cursos oferecidos pelo Sindicato: informática, inglês e iniciação à matemática financeira.

O ministro do TST, Almir Pazzianoto, recebe o troféu O Faísca das mãos de Enir.

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1993 A luta pelo reajuste mensal O projeto do reajuste mensal dos salários, elaborado pelo deputado federal Paulo Paim, acendeu a união do movimento sindical na política brasileira. Reivindicando a aprovação do projeto, mais de mil sindicalistas foram à Brasília – dentre eles, o presidente Enir e vinte e cinco diretores do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo – no dia 23 de junho daquele ano, com muita força e disposição para lutar na Câmara dos Deputados. Os representantes sindicais ali presentes estabeleceram diálogos com as autoridades, para que os trabalhadores pudessem usufruir do ganho real de três por cento (3%) ao mês no salário mínimo, do reajuste mensal para os benefícios pagos pela Previdência aos aposentados e do reajuste para os servidores públicos. Paralelamente, o presidente Enir e a diretoria do Sindicato articularam negociações com as empresas e com o governador de São Paulo à época, Luiz Antônio Fleury Filho, a fim de acelerar o processo e garantir o reajuste mensal para os Eletricitários de São Paulo. Mesmo com toda a força do movimento sindical e a representativa adesão na Câmara dos Deputados, a luta pelo reajuste mensal encontrava muitos entraves e pedras no caminho, colocadas pelos representantes dos Ministérios da Previdência Social, do Trabalho e da Fazenda, este último que tinha à frente Fernando Henrique Cardoso. Defendendo os interesses do empresariado, os políticos contrários ao reajuste mensal tinham como principais argumentos as consequências da inflação, que enfraqueciam a economia do país naquele momento. Valendo-se destes argumentos, o presidente Itamar Franco vetou o projeto do deputado federal Paulo Paim, e, em vez de garantir aos trabalhadores o reajuste mensal com cem por cento (100%)

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O presidente Enir conversa com o deputado federal Paulo Paim, autor do projeto do reajuste mensal nos salários.

da inflação, fez vigorar a medida provisória 340, uma lei salarial que trazia prejuízo para os trabalhadores, já que o reajuste era aplicado com valores abaixo do índice da inflação medida no mês anterior.


1994 O desenvolvimento do Eletricitário e o conhecimento para a categoria foram as duas grandes bandeiras de atuação estendidas pelo Sindicato em 1994. Foi neste sentido que a sede central transformou-se num efervescente polo de estudos sobre o setor energético, com a inauguração da Biblioteca do Eletricitário e do IEPE (Instituto de Estudos e Pesquisas dos Trabalhadores no Setor Energético). O IEPE era um centro de pesquisas, formação e aperfeiçoamento dos Eletricitários, realizando atividades, cursos, palestras e seminários, por meio de parcerias com especialistas do setor energético do Brasil e do mundo. O Instituto tinha o objetivo de contribuir para o desenvolvimento cultural e socioeconômico, além de ser um ponto de convergência dos intelectuais dispostos a sugerir um novo modelo para o setor elétrico no país, considerando, sempre, a defesa aos direitos do trabalhador.

O IEPE foi criado em meio à Semana do Eletricitário, período festivo que durou entre os dias 30 de agosto e dois de setembro, quando o Sindicato comemorava sua história de quarenta e nove anos. Foi nesta intensa semana, que o auditório da sede recebeu um ciclo de palestras oferecido aos associados, que evidenciou a representatividade do Sindicato para o setor elétrico. Naqueles dias, os associados participaram de importantes palestras e construtivos debates, que envolveram sindicalistas do Reino Unido e da Espanha, além de renomados especialistas, como o brilhante professor Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que recebeu o troféu “O Faísca” das mãos do presidente Enir, como homenagem por sua participação no desenvolvimento do setor elétrico nacional. Entre os temas discutidos, muito se falou sobre a regulamentação do setor, além dos esclarecimentos sobre a privatização e a terceirização, práticas malignas para os Eletricitários.

Na semana de comemorações do aniversário do Sindicato, os trabalhadores participaram de construtivas palestras e debates com especialistas do setor elétrico.

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1994 Em 1994, o alcance do Sindicato se ampliou ainda mais, tendo em funcionamento vinte subsedes. Assim, os Eletricitários podiam contar com o serviço sindical no Cambuci, ABCD, Caraguatatuba, Guaratinguetá, Itaim Paulista, Itapecerica da Serra, Itu, Jundiaí, Mogi das Cruzes, Osasco, São José dos Campos, São Roque, Santo Amaro / Granja Julieta, Sorocaba, Taubaté, Xavier de Toledo, Penha, Zona Norte, Zona Sul e Cubatão. Além disso, o Sindicato não poupou esforços para ampliar os serviços médicos para os associados. Foram adquiridas duas modernas ambulâncias, a subsede inaugurada em Itu recebeu uma unidade da Farmácia do Eletricitário e uma clínica de fisioterapia foi criada no oitavo andar do edifício-sede, atendendo aos associados e seus dependentes. O oitavo andar do prédio também recebeu o Departamento de Prótese Dentária, enquanto o Laboratório de Análises Clínicas funcionava no décimo segundo andar e era muito procurado pelos associados, chegando a realizar mais de cinco mil exames entre janeiro e setembro daquele ano. Os avanços deram continuidade em 1994, quando também foi inaugurado o Núcleo dos Aposentados, pelo Sindicato e pela AEASP. Instalado no número 552 da Rua Acuti, no bairro de Cidade Dutra, o Núcleo oferecia aos aposentados algumas salas de jogos, uma barbearia e um programa de distribuição de cestas básicas e malote para entrega de remédios.

Instalado na Cidade Dutra, o Núcleo dos Aposentados do Sindicato contava com salas de jogos e barbearia.

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A Farmácia do Eletricitário inaugurada em Itu.


1994 Os trezentos e sessenta e cinco dias de 1994 também se sobressaíram pela realização do Encontro Continental de Organizações Sindicais de Luz e Força, evento que aconteceu entre os dias 14 e 16 de junho, no edifíciosede. Reunindo representantes do Sindicato, da Federaluz e do IEPE, o Encontro Continental debateu a globalização, os reflexos do neoliberalismo e a privatização com especialistas de outros países da América Latina, estreitando um laço com a entidade IPCTT (Internacional del Personal de Correos, Telégrafos y Teléfonos) e com a FATLYF (Federación Argentina de Trabajadores de Luz y Fuerza), Com um ano coroado por conquistas, engana-se quem pensa que o Sindicato não travou duras batalhas em 1994. Era tempo de lutar arduamente pela reposição salarial dos trabalhadores, em tempo de crise. Foi assim que os Eletricitários se reuniram no DIEESE com a CGT, a CUT e a Força Sindical, com objetivo de traçar as estratégias do plano de lutas do movimento sindical, frente ao conturbado plano econômico do Governo Federal. Desta reunião, surgiu o Comunicado Conjunto, documento publicado que estabelecia as diretrizes de mobilizações e definia para a data de 23 de março o Dia Nacional de Greves, Passeatas, Atos Públicos e todo tipo de manifestação possível e capaz de pressionar o Congresso Nacional e o Governo para a conquista de verdadeiros avanços na economia. Mas a luta dos Eletricitários se estendeu ainda mais. Em uma reunião realizada no dia 16 de junho de 1994, com os Eletricitários, a Secretaria de Energia, a Eletropaulo, a CESP e a CPFL, o órgão público e as empresas justificaram não ter dinheiro suficiente para repor as perdas salariais da categoria. Tendo em mente que as empresas buscavam resolver seus problemas financeiros oferecendo o arrocho salarial aos trabalhadores, o Sindicato convocou assembleias para os trabalhadores da Eletropaulo e da CESP, que compareceram em peso à sede central e aprovaram, por unanimidade, uma greve para o dia 23 de junho, caso as empresas não mudassem de opinião.

Centenas de Eletricitários reunidos no auditório foram unânimes em aprovar a greve do dia 23 de junho.

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1994 Ao ver as empresas descumprindo algumas cláusulas do acordo coletivo vigente, o Sindicato instaurou um dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, e, no dia 23 de junho, a Justiça determinou o pagamento das perdas salariais, e, mesmo relutando, a Eletropaulo e a CESP viram-se obrigadas a efetuar o pagamento para cada trabalhador prejudicado. Em 1994, o Sindicato garantiu outra importante vitória para os trabalhadores da Eletropaulo e de Furnas. Depois de muita insistência e meses de luta por caminhos administrativos e jurídicos, o Sindicato conseguiu na Justiça uma forma de coibir a terceirização irresponsável, indiscriminada e marginal na Eletropaulo e em Furnas, uma vez que as empresas vinham praticando o método até em suas atividades essenciais, diminuindo a qualidade do serviço, colocando os trabalhadores em risco e desprestigiando a categoria. A vitória chegou nos dias cinco e seis de abril de 1994, quando o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo não considerou a ação de arrependimento das empresas e extinguiu o processo da mão-de-obra contratada, determinando a validade do acordo firmado com o Sindicato. O julgamento foi acompanhado por Enir, Angelo Botaro e Antônio Martins Filho (Toninho), reunindo centenas de Eletricitários em frente ao Tribunal, na Consolação. Mas a batalha não parava por aí. Naquele ano, o Sindicato armou-se para uma verdadeira guerra contra a privatização do setor elétrico. O movimento teve início com a indignação dos Eletricitários com o Programa Estadual de Privatização (PEP), criado pelo governador Fleury por meio do projeto de lei número 568, encami-

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Estava criado o plano de devastação do patrimônio público do setor energético paulista.

nhado à Assembleia Legislativa em novembro de 1994, juntamente ao projeto de lei número 524, que previa a venda de ações ordinárias da Eletropaulo. O governador adotou estas nocivas medidas sem estabelecer qualquer diálogo com os trabalhadores das estatais ou comunicar os sindicatos, e, destilando uma alta dose de tirania, argumentou que, ao entregar a Eletropaulo para a privatização, seria possível cobrir os prejuízos dos cofres públicos.


1994

Enir e os Eletricitários ocupam a frente do Palácio Nove de Julho, em defesa do patrimônio público.

Estavam, então, desenhados os próximos episódios da guerra contra a privatização, quando os Eletricitários novamente fizeram história. Assim, durante quase trinta dias, o Sindicato e os trabalhadores manifestaram-se na Assembleia Legislativa, ocupando a frente do Palácio Nove de Julho e estabelecendo diálogos com todos os deputados estaduais, apresentando a eles argumentos e documentos em cada gabinete. Mesmo assim, as intensas mobilizações não impediram a aprovação do projeto de lei número 524, num processo dramático e cheio de traições, na madrugada de 23 de novembro. Os Eletricitários não estavam mortos, apenas foram feridos na linha de frente do combate. Assim, cheio de força, o Sindicato buscou outros caminhos, fazendo com que o Movimento “Justiça Para Todos” movesse uma ação contra a Fazenda do Estado. Foi então que, no dia nove de dezembro de 1994, foi decretada a suspensão da privatização na Justiça. Já era tarde demais para Fleury decidir sobre a privatização, deixando nas mãos de Mário Covas, o próximo governador de São Paulo, a decisão de tornar privadas as empresas públicas do setor elétrico.

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1995 Se os Eletricitários respiraram luta em 1994, os dias de 1995 foram ainda mais intensos, árduos e cheios de dificuldades. Os trabalhadores tinham a esperança de um novo tempo, com a saída de Fleury do poder, mas se depararam com um mal escalado time de tucanos, que tocavam à frente a bola da privatização, com as forças do novo governador, Mario Covas, com os parlamentares da direita e o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Um time que, apesar do nome, não respeitava nem o social, e muito menos a democracia, sobretudo nas discussões tocantes aos trabalhadores e à categoria Eletricitária. A vida do trabalhador nunca foi fácil, mas, naquele ano, tornou-se mais difícil ainda. As empresas de energia alavancaram o número de demissões, passaram a descumprir os acordos coletivos firmados com o Sindicato e cortaram alguns benefícios, e, descaradamente, apresentavam o descaso e o desrespeito com o trabalhador. Mas, se o Governo e as empresas tinham suas jogadas armadas, do outro lado do campo, o Sindicato contava com tática e habilidade suficientes para lutar pela vitória para o Eletricitário e para o povo. E foi assim que os trezentos e sessenta e cinco dias de 1995 entraram para a história de todo o movimento sindical, um período de incontáveis batalhas na defesa do setor elétrico paulista. Os Eletricitários mostraram sua força na Assembleia Legislativa e exigiram a revogação da lei 8974, que autorizava a venda das ações da Eletropaulo. Ocupando o Palácio Nove de Julho e acompanhando a votação dos deputados, o Sindicato, que já havia conseguido proibir a venda das ações da empresa com a intervenção na Justiça, agora, também, via-se vitorioso com a revogação da lei, no dia sete de março de 1995. Quando terminou a votação, os trabalhadores parabenizaram os deputados que se mostraram contrários às vendas das ações, mas não deixaram de notar o significativo número de parlamentares ausentes – na bancada do PSDB, por exemplo, apenas um deputado estadual estava presente, que ainda votou a favor da venda das ações.

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A Casa do Trabalhador, lotada pelos Eletricitários ameaçados a perderem seus empregos e outros direitos.


1995

Mais de quatro mil Eletricitários aprovaram a greve do dia vinte e cinco de maio, reivindicando o entendimento nas negociações.

Mas o ano de 1995 estava só começando, e a privatização firmava passos cada vez mais fortes no chão. Naquela época, o governador Mario Covas aprovava as duvidosas propostas de David Zylbersztajn, secretário de Energia. Disfarçando a privatização com o termo “reestruturação do setor elétrico”, o secretário de Energia apostava em medidas que enfraqueciam as empresas públicas, escancarando as portas para o capital privado. Enquanto o Governo e os patrões discutiam o crime contra o patrimônio público, o trabalhador sofria todos os tipos de pressões, com os ouvidos abertos a falsas notícias, demissões em massa e o não cumprimento dos acordos coletivos nas empresas. Era a hora certa de dar um basta em tanta injustiça, e o Sindicato estava pronto para lutar. No dia dez de maio, uma assembleia histórica reuniu, na sede do Sindicato, mais de quatro mil trabalhadores, de todas as partes do território paulista. Ali, os Eletricitários definiram, com Enir e a diretoria, um plano de lutas firme, aprovando uma greve de advertência para o dia vinte e cinco de maio, da zero hora ao meio dia, em reivindicação pelo entendimento nas negociações. Catorze dias se passaram até a véspera da greve, quando o Sindicato mobilizou o Dia de Luto, uma manifestação que envolveu cerca de vinte e seis mil trabalhadores em todos os locais de trabalho, que foram convocados a usar roupas pretas ou algum acessório na cor, para marcar o luto pela morte do respeito com o trabalhador na Eletropaulo e na CESP, durante o expediente do dia vinte e quatro de maio.

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1995

Enir apoia o movimento grevista na CESP: todos unidos pelo respeito à dignidade do trabalhador.

A inauguração do Espaço Cultural do Eletricitário, instalado no décimo terceiro andar do edifício-sede.

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A greve foi alertada por meio de um milhão de cartas distribuídas à população, às empresas e à secretaria de Energia. A notícia tremeu os gabinetes dos presidentes das empresas e do secretário de Energia, mas ninguém se levantou das cadeiras de couro para atender às reivindicações do Sindicato antes da data marcada para a greve. Foi então que, no dia vinte e cinco, os trabalhadores cruzaram seus braços numa manifestação pacífica e ordeira, que pleiteava a garantia de emprego, a manutenção das conquistas e o respeito à dignidade do trabalhador, de forma ampla e irrestrita. A luta não foi em vão. Nos últimos dias de maio, as negociações foram levadas ao entendimento final, quando os trabalhadores aprovaram, por esmagadora maioria, as propostas apresentadas pela Eletropaulo e pela CESP, em documentos nos quais as empresas comprometiam-se a não mais desrespeitar os Eletricitários. Se, em São Paulo, os tucanos tinham fome de privatização, em Brasília, alçavam altos voos para derrubar a aposentadoria do trabalhador brasileiro. Pouco se falava dos setenta e um salários mínimos mensais que o presidente Fernando Henrique Cardoso recebia de aposentadoria, ou da precoce experiência de Luiz Eduardo Magalhães, presidente da Câmara dos Deputados, que se aposentou aos trinta e dois anos de idade, e ainda o próprio ministro da Previdência, aposentado aos quarenta e seis. Mas o Sindicato, de forma intransigente, sempre brigou pelo direito à aposentadoria. No dia 26 de junho, foi inaugurado o Espaço Cultural dos Eletricitários. Instalado no salão nobre do décimo terceiro andar do edifício-sede, o Espaço Cultural foi inaugurado com a exposição “Mostra Fotográfica: 50 anos do Sindicato”.


1995

Os companheiros Blota, Salim, Enir e Lara durante o evento que reuniu sindicalistas e especialistas de vários países.

Entre os dias 27 e 28 de junho, a sede recebeu em seu auditório a Conferência Latino-Americana da ICEF sobre Energia Elétrica, no auditório do edifício-sede. Nos dois dias, os participantes discutiram privatização, investimento estrangeiro e atuação sindical nos anos 1990, com a presença de vários especialistas, não só do Brasil, como também de outros países da América Latina e da Europa, que compartilharam suas experiências com a política monetária e a privatização. No evento, os especialistas expuseram fatos e opiniões sobre a desestatização e chegaram à conclusão de que o Estado tem capacidade suficiente para ser um bom administrador, e que a cooperação internacional seria fundamental para a elaboração de uma política de enfrentamento à privatização. Em julho daquele ano, o setor elétrico foi marcado por duas estratégias de desestatização: a primeira delas foi a privatização da empresa Escelsa, no dia 11 de julho. No dia 18 do mesmo mês, a Assembleia Legislativa aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), determinação que definiu a restruturação do setor, regulamentando a criação das subsidiárias das empresas de energia. Com as medidas de restruturação, as contas de luz deixaram de ser atualizadas e a população estava à beira do abismo dos apagões e blecautes. Ao analisar a complicada situação do setor elétrico, o Sindicato solicitou esclarecimentos do poder público sobre a desestatização, e mobilizou uma importante manifestação entre os Eletricitários, que ficou conhecida como “O Grito contra a Privatização”. O movimento despontou no Cambuci, às sete e meia da manhã do dia trinta de agosto, e se espalhou por toda a base territorial do Sindicato, quando milhares de trabalhadores protestaram contra a desestatização em seus locais de trabalho.

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1995 O ano de 1995 também foi intenso nas atividades que o Sindicato oferecia para os seus sócios. Na zona leste da capital paulista, o Sindicato deixou de alugar e adquiriu o imóvel da Penha, onde ficava instalada a subsede da zona leste. O teatro também brilhou nos palcos do Sindicato: produzida pelo diretor Fábio Carvalho, a peça “As Bodas de Fígaro” despertou o interesse e a participação dos Eletricitários nas atividades culturais. Em 1995, o Sindicato deu andamento às premiações. No dia quatro de setembro, ao completar seus cinquenta anos, Enir entregou o troféu Faísca ao doutor Rubens Tavares Aidar, presidente do TRT. O presidente do Sindicato também prestou uma significativa homenagem aos antigos diretores e aos funcionários veteranos da entidade sindical. Quando completou seus cinquenta anos, a luta do Sindicato não era apenas no combate à privatização. Em 1995, a diretoria da entidade se aproximou muito das CIPAs nas empresas de energia elétrica, a fim de reduzir o número de acidentes com os trabalhadores do setor. Assim, naquele ano, o jornal O Eletricitário começou a divulgar informações em suas páginas, além de cartilhas de prevenção de acidentes e importância da utilização dos EPIs e EPCs. E não era para menos. Naquele ano, o Sindicato chegou a tomar conhecimento do caso de um trabalhador que perdeu sua vida com a picada de uma cobra urutu, em Santos. Contratado pela empreiteira Jambeirense e prestador de serviços da CESP, o Eletricitário faleceu por não utilizar os calçados de proteção durante o expediente.

Aplaudido, o presidente do TRT, Dr. Rubens Aidar, recebe o troféu O Faísca das mãos de Enir.

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Cartaz de estreia da peça “As Bodas de Fígaro (um dia muito louco)”, estrelada pelos próprios trabalhadores.


1996 A palavra “persistência” é capaz de definir a firme atuação dos Eletricitários durante o ano de 1996. Às vésperas da privatização das empresas de energia elétrica, os trabalhadores mostraram-se incansáveis, combatendo autoridades e empresários para defender o setor energético do Estado, um verdadeiro patrimônio do povo paulista e da classe trabalhadora. Neste sentido, durante o ano de 1996, diversas ações e tratativas foram articuladas pelo Sindicato. Mantendo intenso ritmo de luta já nos primeiros dias do ano, o Sindicato entregou uma proposta ao projeto de lei que visava à reforma do setor elétrico. As sugestões foram entregues por Enir e por alguns membros da diretoria no dia 30 de janeiro na Assembleia Legislativa, e, depois de ser aceita por boa parte dos deputados, foi incorporada ao projeto. A proposta não podia impedir a privatização, mas sim, sugeria uma adequação do setor elétrico previamente ao processo. Com objetivo de envolver os trabalhadores na discussão sobre o tema, no dia 15 de fevereiro, o Sindicato recebeu o professor Adilson de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no auditório da sede. Ali, os Eletricitários debateram a regulamentação do setor energético e avaliaram as propostas apresentadas pelo Sindicato na Assembleia Legislativa.

Na Assembleia Legislativa, Enir sugeriu uma adequação do setor energético frente ao processo de privatização.

O professor Adilson de Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, veio ao auditório do Sindicato para explicar aos trabalhadores a regulamentação do setor elétrico.

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1996 Dias antes de apresentar a proposta para os deputados, o presidente Enir se reuniu com a diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a fim de discutir os aspectos financeiros da privatização. O encontro teve grande importância, já que o BNDES era o responsável pelo Programa Nacional de Desestatização. O Sindicato aproveitou a oportunidade para reivindicar um programa de treinamento e qualificação do trabalhador do setor elétrico, além de discutir com o BNDES a viabilidade de financiamento para o Eletricitário montar o seu próprio negócio. Foi naquele ano, também, que o Sindicato se uniu às centrais sindicais para participar das negociações do acordo da reforma da Previdência, em Brasília. Em 1996, o movimento sindical passou por importantes mudanças institucionais em sua estrutura. Ampliando expressivamente a influência dos Eletricitários no país, o companheiro Enir, que já estava à frente do Sindicato e da Federaluz, foi eleito por unanimidade como presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). A votação aconteceu entre os dias 18 e 20 de abril, na Praia Grande, com a participação de mais de seiscentas entidades sindicais. O resultado das eleições comprovou a competência do presidente Enir, e, após cinco anos de independência das centrais sindicais, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo filiou-se à CGT.

O 4º Congresso Nacional da Confederação Geral dos Trabalhadores. Reunidos em Praia Grande, os sindicalistas elegeram Enir como presidente da CGT.

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1996 Em 1996, o Sindicato lançou a revista especial “São Paulo não pode apagar”, publicando importantes pesquisas e informações relevantes do setor elétrico. Além disso, o presidente Enir e a diretoria engajaram vários municípios do interior de São Paulo na luta contra a privatização. No dia sete de março, Enir se reuniu com sindicalistas, prefeitos e vereadores de São José do Rio Preto e das cidades vizinhas, esclarecendo a posição contrária ao fraco argumento do Governo, que insistia em dizer que não havia recursos suficientes para investir nas energéticas de São Paulo. Na ocasião, os Eletricitários tiveram declarado apoio da Prefeitura de Votuporanga e Catanduva. Já no dia treze de abril, os diálogos se estenderam entre as lideranças de Bauru e das cidades próximas, durante o Ato em Defesa do Patrimônio Público, realizado na Câmara Municipal de Bauru com a organização da Federaluz e da CGT. Naquele dia, Enir conversou com vereadores, deputados e prefeitos, e também ganhou grandes aliados na defesa do patrimônio público. Num dado momento do encontro, o então prefeito de Bauru, Tidei de Lima, declarou que o Estado seria o responsável por garantir o bem-estar social e acompanhar o desenvolvimento econômico, no qual o setor energético mostra-se fundamental. O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo ganhava cada vez mais força no cenário político, e com a influência de Enir na presidência da Federaluz e na CGT, a luta se expandia. Foi neste contexto que, no dia 14 de maio, o Sindicato realizou um importante ato contra o projeto de lei 71/96, que abria os caminhos para a privatização das empresas energéticas paulistas. A manifestação aconteceu na frente da Assembleia Legislativa, com a participação de mais de duas mil pessoas, unindo os Eletricitários, a CGT, os movimentos de luta por moradia, as associações de bairro e o Movimento Sem-Terra. O ato público realizado naquela terça-feira também contou com a presença de alguns deputados contrários à privatização: membros do PT, do PCdoB, do PTB, do PMDB e do PSB compareceram ao ato, demonstrando apoio aos Eletricitários.

A publicação “São Paulo não pode apagar”, apresentando dados e impactos da privatização do setor elétrico.

No detalhe, a parceria do presidente do Sindicato com o prefeito de Bauru, em rejeição à privatização. Na foto maior, os participantes do Ato de Defesa do Patrimônio Público, unidos na Câmara Municipal de Bauru.

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1996 À medida que o governador Mário Covas apressava a aprovação do projeto da privatização, o clima de insatisfação aumentava entre a classe trabalhadora, e também começavam a se multiplicar os casos de corrupção envolvendo o Governo nas transações de vendas das estatais. Em meio a este cruel cenário, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo organizou uma carreata e um ato público contra a privatização das energéticas, movimentos que aconteceram no dia onze de junho e somaram forças com todos os sindicatos de Eletricitários do Estado. A manifestação contou com apoio da CGT, da Federaluz e da CUT, e teve início ao meio dia, quando cerca de cem automóveis se reuniram na Rodovia dos Bandeirantes, e, de lá, seguiram até a Assembleia Legislativa. O ato público se desenrolou durante a tarde, com a participação de Eletricitários de todas as partes do Estado, de sindicalistas e de representantes das associações profissionais da Eletropaulo, da CESP e da CPFL. Alguns parlamentares discursaram na manifestação, estendendo apoio político aos trabalhadores, como os deputados Jamil Murad (PCdoB), Nivaldo Santana (PCdoB) e Roberto Gouveia, líder da bancada do Partido dos Trabalhadores à época. A estonteante demonstração de união dos Eletricitários acendeu, ainda mais, o espírito combativo, incentivando a permanência de muitos dirigentes sindicais e trabalhadores na Assembleia Legislativa. Por dias, os Eletricitários mantiveram-se mobilizados e as ocupações incomodaram muita gente. A força do Eletricitário tirou do sério alguns parlamentares, como o deputado estadual Milton Flávio, do PSDB. Segundo o Jornal do Eletricitário, Milton Flávio fez uma ofensiva afirmação contra os trabalhadores do setor energético. “Os Eletricitários não trabalham. Cheios de privilégios estão aqui só para defender seus interesses corporativos. Vocês não representam a Sociedade Paulista. É gente que não merece o nosso respeito”, atacou o deputado.

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A carreata ocupando as pistas da Rodovia dos Bandeirantes.


1996 A Greve Geral do Dia 21 As manifestações na Assembleia Legislativa e o engajamento das lideranças sindicais em vários movimentos de defesa ao patrimônio público acenderam a união da classe trabalhadora em 1996. Assim, pela primeira vez na História, a CGT, a CUT e a Força Sindical uniram-se para convocar uma greve geral pela defesa do emprego, salário, reforma agrária, aposentadoria digna e uma série de direitos dos trabalhadores. O estopim para a greve se acendeu no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, durante uma reunião realizada com representantes de diversos sindicatos, exatamente um mês antes da data marcada para a paralisação geral. O lema da greve era “O Brasil vai parar para que todos trabalhem”, e tinha por símbolo uma mão espalmada que representava a hora de parar, além de se referir ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em sua campanha, adotou o gesto da mão espalmada para enumerar os compromissos sociais de sua gestão. Cartazes e manifestações se espalharam pelas ruas de todo o território nacional, convocando a população para a greve. Quando amanheceu o dia 21 de junho, doze milhões de trabalhadores cruzaram seus braços, atestando a maior paralisação realizada no país até então. Os Eletricitários tiveram peso fundamental para a greve geral, com a alta adesão de trabalhadores e com a influência do presidente Enir.

Centrais unidas num só grito: “O Brasil vai parar para que todos trabalhem!”

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1996 Privatização: o golpe final Um dos mais dramáticos capítulos da história dos Eletricitários desenrolou-se entre os dias 25 e 26 de julho de 1996, quando, pressionados por Mário Covas, os deputados estaduais aprovaram o projeto de lei 71/96, entregando o setor elétrico nas mãos da iniciativa privada, analisando somente a conveniência financista, sem levar em consideração o patrimônio público formado pelas energéticas. A aprovação do projeto da privatização contou com quarenta e quatro votos favoráveis ao projeto, trinta e dois contrários, além de oito abstenções. Decepcionados, no dia seguinte, os Eletricitários estavam em seus postos de trabalho, firmes, fortes e dispostos, sem jamais abaixar a cabeça. No entanto, as dúvidas sobre o futuro das empresas faziam pairar no ar o medo e a desconfiança sobre a garantia de emprego, o cumprimento do acordo coletivo e o respeito aos direitos do trabalhador. Na linha da crueldade, os trilhos pareciam não ter fim, e a locomotiva de uma falsa social democracia deslizava sem freios, atropelando os direitos do trabalhador para enriquecer a elite paulista e enfraquecer o patrimônio público. Além da aprovação do projeto da privatização, a classe trabalhadora foi golpeada com o veto à manutenção dos programas de Previdência aos trabalhadores das empresas em processo de desestatização. Com o projeto da privatização aprovado pelas autoridades, restou ao Sindicato esclarecer aos trabalhadores o plano de lutas que viria a seguir e as principais mudanças esperadas após a privatização. Assim, foi convocada uma assembleia na sede central, na qual os trabalhadores tomaram ciência das maldosas estratégias adotadas pelo Governo. Após o diálogo estabelecido com os trabalhadores, o Sindicato pediu explicações para a secretaria de Energia, visando defender a categoria nos caminhos negociáveis e jurídicos.

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Acima, o registro fotográfico do dia da aprovação do projeto da privatização. Na foto abaixo, os Eletricitários reunidos no Sindicato para definir as lutas após a desestatização das empresas do setor elétrico.


1996

Os dirigentes do Sindicato conduzem a greve de Furnas.

Com objetivo de esclarecer a sociedade sobre a privatização, a Eletropaulo, a CESP e a CPFL participaram de uma audiência pública sobre a desestatização, ao lado do governador Mário Covas, do vice-governador Geraldo Alckmin, do secretário de Planejamento, Montoro Filho, e, finalmente, do secretário de Energia, David Zylbersztajn. Os Eletricitários compareceram à audiência, e a diretoria do Sindicato indagou várias perguntas ao secretário de Energia, além de apresentar um documento, que foi ignorado pelos componentes da mesa diretora. As perguntas feitas pelo Sindicato, todas pertinentes aos trabalhadores e à aposentadoria, foram respondidas com morosos e vazios discursos do secretário de Energia, na esquiva de sua responsabilidade. Ao passo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) incentivava a privatização por meio de empréstimos, o Sindicato lutava para que os Eletricitários pudessem participar da comercialização das ações das energéticas do Estado, por meio da criação do Clube de Investimentos. Mas, após a aprovação do projeto da privatização, as demissões transbordavam no setor energético, trazendo o mesmo caos de uma enxurrada que alaga as ruas da cidade no final de uma tarde de verão. Assim, com o chamado Programa de Incentivo da Eletropaulo, mais de quatro mil trabalhadores foram desligados de seus postos em pouco mais de um mês, perfazendo quarenta e cinco por cento do total de trabalhadores da Eletropaulo. Frente ao vertiginoso número, o presidente do Sindicato e da CGT viajou à Brasília para debater o desemprego, diretamente com o presidente da República. Enir também pressionou Fernando Henrique Cardoso, representando o Sindicato e a CGT, ao lado da CUT e da Força Sindical. O ano foi longo, marcado pela atuação do Sindicato até o seu findar. Assim, no dia treze de novembro, os Eletricitários de Furnas aprovaram uma greve para o dia vinte e um daquele mês. A paralisação durou 24h e foi uma greve exemplar, com total adesão dos trabalhadores, num movimento coeso.

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1996 O Sindicato muito cresceu em 1996 e compartilhou sua força com os aposentados da Associação, no importante Encontro Anual dos Aposentados, que abordou a relação dos mais velhos com a privatização, com o Sindicato e a Fundação CESP, num evento que reuniu mais de 700 participantes. Naquele ano, Ciro Gomes fez uma palestra para os trabalhadores no salão nobre da sede, abordando as práticas de neoliberalismo no país, e a Gráfica do Eletricitário mudou-se para o número 71 da Rua Mazzini, um imóvel próprio do Sindicato no Cambuci. Em 1996, os Eletricitários ampliaram sua influência internacional, com a fundação da COSEA (Coordenação do Setor Elétrico Americano). Num estreitamento de laços com os companheiros da América Latina, o vice-presidente Salim tornou-se o único representante brasileiro da COSEA, fundada em Buenos Aires com sindicalistas do setor elétrico da Argentina, Chile, El Salvador e Guatemala.

Em clima de união, mais de 700 aposentados discutiram os impactos da privatização e assistiram a apresentação do Coral CESP durante o evento.

Ciro Gomes conversou com Enir e os Eletricitários, alertando as consequências do neoliberalismo no país.

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1997 Em 1997, o Sindicato implementou ações pioneiras para o desenvolvimento profissional dos Eletricitários, engajando a Eletropaulo nas iniciativas de aprimoramento dos trabalhadores. Neste sentido, já no início do ano, o presidente Enir firmou uma parceria com a Eletropaulo para um programa de formação de mão-de-obra interna, composto por cursos de aperfeiçoamento ministrados por alguns aposentados escalados pelo Sindicato, que já haviam feito monitorias na época em que estavam na ativa. Os cursos foram desenvolvidos para treinar cerca de dois mil cento e quarenta trabalhadores, apenas naquele ano, visando a valorização e a atualização profissional, além do aumento da qualidade dos serviços de distribuição de eletricidade prestados à população. Tendo assinado o documento que criou o convênio para formação de mão-de-obra na Eletropaulo, Enir continuou firme na luta em prol da qualificação dos trabalhadores. Assim, no dia seis de outubro, o incansável presidente assinou o documento de criação do Programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo dos Empregados da Eletropaulo, firmando uma parceria educacional e profissionalizante com a empresa, numa estratégia inédita em todo o movimento sindical brasileiro. Com divulgação em uma edição especial do Jornal do Eletricitário, a iniciativa contava com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e convênio com o ICT (Instituto Cultural do Trabalhador), com a CGT e com o Ministério do Trabalho. O programa de qualificação recebeu quatro mil inscrições na primeira fase e oferecia aos trabalhadores diversos cursos, desde educação básica e supletivo de primeiro grau, até módulos avançados de habilidades específicas, informática, línguas estrangeiras e matemática financeira. Implantado o Programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo dos Empregados da Eletropaulo, a ideia era avançar a iniciativa, levando para os trabalhadores das outras empresas, as parcerias em cursos de desenvolvimento profissional. Os primeiros cursos tiveram suas aulas iniciais no próprio mês de outubro, em doze locais de trabalho diferentes, espalhados na capital e no interior de São Paulo.

Preocupado com a qualificação dos Eletricitários, o presidente do Sindicato reúne-se com o representante da Eletropaulo, a fim de criar o Programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo para os trabalhadores da empresa.

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1997 O ano de 1997 também foi um período marcado pela expressiva participação dos Eletricitários nos meios de resposta à privatização. Assim sendo, o Sindicato desenvolveu estratégias para o fortalecimento dos clubes de investimento da categoria, a fim de facilitar a participação dos trabalhadores nas vendas das ações da Eletropaulo e da CESP. Os dois clubes organizados (INVESTELETRO, reunindo Eletricitários da Eletropaulo, e CESPINVEST, congregando os Eletricitários da CESP), articulavam suas atividades e tinham orientação de especialistas. O presidente da Companhia Paulista de Ativos (CPA) e também membro do Programa Estadual de Desestatização (PED), Adroaldo Moura da Silva, compareceu ao Sindicato para dialogar com os trabalhadores e enfatizar a necessidade da organização dos clubes de investimento, nos quais eram essenciais a adesão e a união dos Eletricitários ao longo do processo de cisão das empresas.

No detalhe, o presidente da CPA, Adroaldo Moura da Silva. Abaixo, Enir e Ayrton Ghiberti debatem o processo de desestatização do setor elétrico.

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Além de se envolver diretamente na economia e de investir na qualificação dos Eletricitários, o Sindicato também desenvolveu importantes ações na garantia dos direitos humanos, do início ao fim do ano. Assim, em março, o Sindicato lançou a Campanha de Prevenção do Uso de Álcool e Outras Drogas, direcionada aos trabalhadores e patrocinada pela Eletropaulo. Com objetivo de reduzir os danos causados pelo alcoolismo e pelo uso de drogas em diversos âmbitos, a campanha se iniciou com a apresentação da peça teatral “O Vento e a Rosa”, no edifício-sede. A preocupação do Sindicato com os direitos humanos estendeu-se por 1997: em 25 de novembro, a entidade promoveu um evento histórico, juntamente com a CGT, era o lançamento da Campanha pela Eliminação do Trabalho Infantil, marcado pelo lançamento de diversas publicações para o fim da exploração infantil, editadas pela Confederação, com parceria do Sindicato. O evento reuniu representantes da Unicef, da OIT, do DIEESE e da Fundação Abrinq, além de membros de ONGs, representantes da Eletropaulo e da CESP, dirigentes sindicais e alunos da Escola Estadual Romeu Montoro, que acompanharam o lançamento da campanha e a apresentação das crianças do Circo Escola Guacuri, mantido pela Eletropaulo.


1997

O presidente do Sindicato apresenta a Campanha de Prevenção do Uso de Álcool e Outras Drogas, direcionada aos trabalhadores e patrocinada pela Eletropaulo.

O lançamento da Campanha pela Eliminação do Trabalho Infantil, idealizado pela CGT e apresentado no auditório do Sindicato.

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1997 Como o trabalhador já estava acostumado, o cenário socioeconômico, nem de longe, era dos melhores nos anos 1990. Mas a situação se agravou em 1997, com os efeitos do “Pacotão” embrulhado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que fechava o tempo e trazia impactos negativos na economia do país. Na época, as medidas adotadas pelo Governo Federal fizeram com que o desemprego disparasse, o Produto Interno Bruto (PIB) perdesse o ritmo, a indústria produzisse menos e o comércio enfrentasse dificuldades, além de descumprir os compromissos da social democracia com o povo brasileiro. Neste contexto, o presidente Enir foi à Brasília para dialogar com o ministro da Previdência Social, Reinhold Stephanes, e obter esclarecimentos sobre a Aposentadoria Especial, que, desde 1995, deixou de ser paga por cargo e assumiu como critério apenas os laudos técnicos. Tal decisão assegurava o direito dos Eletricitários, porém, retirava o benefício de outras categorias, as quais eram representadas pela CGT. No conturbado período desencadeado pelas medidas econômicas e pela privatização, a Eletropaulo abandonou a gestão da SBEL e o Sindicato assumiu a dura responsabilidade de administrar a Cooperativa (assim chamada pelos mais antigos), num momento em que já era esperado o fechamento do local. Se, nos anos anteriores, os Eletricitários marcaram forte presença na Assembleia Legislativa, em 1997, a situação não foi diferente. Assim, um expressivo número de trabalhadores acompanhou os diretores do Sindicato que estavam presentes na votação do projeto de lei número 137, que regulamentava a criação da Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE), órgão que ficaria responsável pela fiscalização da qualidade dos serviços públicos em geração, transmissão e distribuição de energia, inclusive nas questões relacionadas aos preços, tarifas e condições de atendimento à população.

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Reunido com Reinhold Stephanes, ministro da Previdência à época, Enir busca esclarecimentos sobre a aposentadoria especial.

Com o processo de privatização, a Eletropaulo abandonou a gestão da SBEL, deixando para o Sindicato a responsabilidade de administração.


1997 A faixa no prédio da Xavier de Toledo, que anunciava a construção do shopping e atrapalhava a rotina dos trabalhadores.

E as lutas jamais estacionaram no tempo. Então, o Sindicato mostrou-se firme e forte, combativo e atuante, para defender os trabalhadores que desempenhavam suas atividades no prédio da Xavier de Toledo. Isso porque, em 1997, a Eletropaulo fez um arrendamento do histórico prédio da antiga Light, no Anhangabaú, para a instalação do Shopping Center Light. Boa parte do edifício foi desocupada e demolida, porém, no quarto andar, ainda funcionavam dois setores a todo vapor. Só que os trabalhadores destas áreas estavam sendo prejudicados pelas obras e pela enorme faixa na frente do prédio, a qual anunciava a construção do novo shopping. Prometendo a inauguração do estabelecimento para outubro de 1998, a faixa obstruía a circulação de ar e a entrada de luz nas instalações do quarto andar. Ao completar cinquenta e dois anos de história, o Sindicato convidou o sempre sindicalista e ícone da resistência, Clodesmidt Riani, para contar a história do movimento sindical brasileiro no auditório da sede. O bravo companheiro Riani foi homenageado na noite de quatro de setembro de 1997, encerrando um ciclo de palestras que também contou com a participação do juiz Floriano Correia Vaz da Silva, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho à época, que conduziu um diálogo com os trabalhadores sobre a Justiça do Trabalho no país. Em 1997, o Sindicato ganhou uma liminar contra a Receita Federal, a qual concebia o direito de dedução das despesas remuneradas somente aos associados, ativos ou aposentados do Sindicato. O ano também foi seguido por importantes interações com representantes do movimento sindical de outros países, como o III Congresso de Sindicalismo Global, realizado em Lisboa entre os dias 26 e 28 de novembro, e a visita dos argentinos Basílio Sepúlveda e Oscar Reibesteisn, representantes da FATLYF (Federación Argentina de Trabajadores de Luz y Fuerza) e do diretor da IPCTT para o Cone Sul.

Canindé Pegado, Enir e Magri homenageiam o veterano e sempre sindicalista Clodesmidt Riani, na entrega do troféu O Faísca.

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1998 A História e o fruto do trabalho de inumeráveis pessoas, vindas de todas as partes do Brasil e do mundo, fizeram de São Paulo a locomotiva do país. Mas os tucanos, com sua doentia obsessão pela privatização de tudo, detonavam, com bombas atômicas, o patrimônio construído por toda a classe trabalhadora e iluminado pelas mãos dos Eletricitários. Como a categoria mostrava-se sempre disposta a lutar, ecoou, em 1998, um grito de guerra já conhecido, que, desta vez, ensurdeceu a sociedade: em alto e bom som, levantava-se o “SÃO PAULO NÃO PODE APAGAR”. E foi protestando, intransigentemente, que o Sindicato acompanhou os leilões da privatização, verdadeiras ações entre amigos e circos dos horrores que estendiam suas lonas por aí, apresentando espetáculos que tinham o patrimônio público como palhaço, já que as estatais estavam sendo vendidas a tão baixo preço, que faziam os empresários cair na gargalhada, numa doação irresponsável de um dos mais importantes setores da economia vimos as empresas serem entregues a preço vil. No cruel cenário das privatizações alavancadas pelos tucanos, o setor elétrico paulista viu surgir em 1998 novas empresas, como a Elektro e as quatro divisões da Eletropaulo, nomeadas EME (Eletropaulo Metropolitana), EBE (Empresa Bandeirante de Energia), EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) e EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), sendo que, destas, apenas a última permaneceu no controle do Estado, existente até os dias atuais.

As quatro divisões da Eletropaulo: EME (Eletropaulo Metropolitana), EBE (Empresa Bandeirante de Energia), EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) e EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia).

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O cartaz com o grito de guerra contra a privatização das empresas de energia.


1998 Em meio aos leilões das estatais, o Sindicato, capitaneado por Enir, juntou-se à CGT, à Federaluz e ao SINERGIA-SP Pró Trabalhador, a fim de conduzir a tão conhecida campanha SÃO PAULO NÃO PODE APAGAR. Reivindicando o não à privatização da Eletropaulo, da CESP e da COMGÁS, o movimento articulou uma série de protestos, nos leilões, nas ruas, e, principalmente, na mídia. Assim, a campanha não se restringiu apenas aos jornais sindicais, estendendo-se para inserções nas principais rádios de São Paulo e nas maiores emissoras de TV, que transmitiam as mensagens de luta. E o plano não se articulava apenas na imprensa: duzentos outdoors se alastraram pela capital, no interior e no litoral, em estratégicos locais. O grande letreiro da campanha ganhou um espaço na Avenida Paulista, na Nove de Julho, na Avenida do Estado e em diversos outros pontos importantes. Um dos pontos mais altos da campanha se deu em dezoito de fevereiro, durante a audiência pública no BOVESPA. Em frente ao prédio da Bolsa de Valores de São Paulo, o Sindicato e a CGT conduziram uma manifestação fortemente reprimida pela Polícia Militar, na qual também foi distribuída aos transeuntes a carta aberta à população “Privatização do Setor Elétrico – Quem Paga a Conta é a Sociedade”, alertando os riscos da prática econômica. As manifestações da campanha “São Paulo Não Pode Apagar” adiaram e cancelaram alguns leilões, tirando do sério a maioria dos empresários e o próprio governador Mário Covas.

Manifestações em frente à Bolsa de Valores de São Paulo alertaram os riscos da desestatização. No detalhe, a presença dos Eletricitários nas audiências públicas sobre a venda das empresas incomodou os empresários e o governador de São Paulo.

Sindicatos unidos contra a privatização da Eletropaulo e da COMGÁS. Abaixo, um dos outdoors que foram espalhados em regiões estratégicas de São Paulo.

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1998

A Polícia Militar e a forte repressão aos protestos dos Eletricitários, no centro de São Paulo.

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1998

Enir recebe o Prêmio Top de RH 98 em homenagem à criação do Programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo.

Ernesto, Bonzinho, Orlando Rodrigues e Salim inauguram a Área de Convivência da sede, construída no terceiro andar da sede.

Além dos gritos de não às privatizações, o ano de 1998 reservou outras batalhas para os trabalhadores, como os protestos contra a aprovação do projeto de lei que definira o Contrato Temporário de Trabalho. Mas, também, importantes vitórias chegaram às mãos da categoria. Depois de constante atuação do Sindicato, o Plano de Suplementação de Aposentadorias e Pensão da Eletropaulo (PSAP/Eletropaulo) foi aprovado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, concedendo mais benefícios à categoria. A visionária iniciativa do presidente Enir em criar o Programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo (PDPC) recebeu o “Prêmio Top de RH 98”, um dos mais importantes troféus de gestão de recursos humanos do país, entregue ao presidente do Sindicato pela Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB). No restante do ano, o programa seguiu a todo vapor, oferecendo aos trabalhadores mais qualificação em diversos locais, nas cidades do interior e do litoral. Entre os dias sete e oito de maio, Enir, representando o Sindicato e a CGT, foi à Lisboa com os líderes das outras duas maiores centrais do Brasil (Vicente Paulo da Silva, da CUT, e Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical). Reunidos com sindicalistas de Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, GuinéBissau e São Tomé e Príncipe, fundaram ali a Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na qual Enir foi eleito como vice-presidente. A Comunidade tinha por objetivo aproximar o movimento sindical entre os países falantes da língua portuguesa, reforçando a atuação das entidades e possibilitando a intervenção conjunta destes sindicatos em prol da defesa do trabalhador, dos direitos humanos, da educação, saúde e segurança social.

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1998 “Vamos continuar Antes de chegar aos derradeiros dias de dezembro, o ano de 1998 trouxe uma das mais tristes notícias da história do Sindicato. Em 29 de agosto, o companheiro Enir veio a falecer, deixando um admirável legado para os Eletricitários, pessoas a quem dedicou sua vida de forma humilde e intensa. Seguindo as normas estatutárias da entidade, o então vice-presidente Antônio Carlos dos Reis (Salim), deu início ao seu mandato à frente do cargo maior da Casa do Trabalhador, assumindo a presidência logo em seguida. Entre as primeiras providências de sua gestão, Salim organizou o aniversário de 53 anos do Sindicato, que foi marcado pela missa de sétimo dia do falecimento de Enir e por várias homenagens ao ex-presidente. Lotado por centenas de trabalhadores comovidos, o auditório da sede foi batizado com o nome Enir Severino da Silva, numa placa que foi descerrada pelo presidente Salim, na companhia de Rodrigo e Rafael, filhos do ex-presidente. Ainda em clima de luto, no dia nove de setembro, o Sindicato entregou o troféu “O Faísca” aos aposentados, homenageando os companheiros Orlando Rodrigues e Aldo Sotero de Mendonça, o Bonzinho, pelo longo período de dedicação à categoria e aos aposentados. Naquele dia, também foi inaugurada a área de lazer e convivência do Sindicato, no terceiro andar do edifício-sede. Em 17 de setembro, a última empresa de distribuição do parque energético de São Paulo foi vendida. Pelo preço mínimo, a CPFL e a Energias de Portugal (EDP) arremataram a Bandeirante, mesmo com a intensa luta do movimento sindical pelo não à privatização em todas as esferas.

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esta grande obra: o nosso sindicato!” - Enir Severino da Silva 1946-1998

Em clima de luto, os filhos do ex-presidente apresentam a placa do auditório.


1998 Nove de Outubro: O Dia das 1.084 Demissões Em nove de outubro de 1998, a Eletropaulo Metropolitana eliminou mais de mil trabalhadores do quadro da empresa, num ato de covardia e crueldade que entrou para a história, ferindo o acordo coletivo dos Eletricitários, que previa garantia de emprego até o ano seguinte. Em resposta ao ato descarado da empresa, o Sindicato fez uma denúncia no Ministério Público do Trabalho e na Delegacia Regional do Trabalho (DRT-SP), realizando, também, uma manifestação pacífica e ordeira em frente à DRT, na Rua Martins Fontes. Com mais de seiscentos Eletricitários em reunião na sede, nos dias treze e quinze de outubro, o Sindicato mobilizou os trabalhadores em manifestações na Granja Julieta e na Vinte e Cinco de Janeiro, bases estratégicas da Eletropaulo Metropolitana, além de ocupar a frente do TRT-SP, na Rua da Consolação, durante o dia dezesseis de outubro. O Cambuci também tremeu as estruturas com o movimento de centenas de Eletricitários indignados com as repentinas demissões, enquanto, simultaneamente, o Sindicato mobilizava as ações jurídicas e administrativas cabíveis, com objetivo de reverter o sombrio quadro que fora pintado pela Eletropaulo Metropolitana.

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1999 Tempos difíceis foram aqueles que se sucederam após os duros golpes da privatização. Num setor elétrico de empresas confusas, com novos donos e novos nomes, o trabalhador via-se em meio a desagradáveis situações de descaso, combatidas pelo Sindicato com muita gana e furor. Naquele ano, as empresas recém-criadas deixavam de pagar vários benefícios garantidos pelos acordos coletivos, realizavam cortes no pagamento do adicional de periculosidade, alegavam passar por problemas financeiros e precipitavam de negras nuvens enxurradas de demissões. Por meio do programa de privatizações, o Governo do Estado de São Paulo transformou-se no maior fabricante do desemprego dos anos 1990. Alegando necessidade de redução de custos, a recém-criada Elektro mandou embora mais de quinhentos e cinquenta trabalhadores apenas naquele ano, o que perfazia vinte por cento (20%) do efetivo total da empresa. O Sindicato protestou e levou uma denúncia à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), pedindo providências e reintegração dos trabalhadores demitidos. E, por falar em desemprego, a intransigente luta do Sindicato em defesa dos mais de mil Eletricitários demitidos da Eletropaulo Metropolitana em 1998, colocou um ponto final ao pesadelo destes trabalhadores. Assim, em vinte e dois de fevereiro de 1999, a Justiça do Trabalho fez valer o acordo coletivo e determinou a reintegração de todos os 1.084 demitidos da empresa. O Sindicato, então, trilhou os caminhos jurídicos cabíveis, garantindo, no Tribunal Regional do Trabalho, a readmissão de cada companheiro, a partir do mês de março. A cisão da CESP ocorreu em fevereiro de 1999, e, mesmo com o voto contrário do Sindicato e das associações de defesa aos direitos dos trabalhadores, a assembleia dos acionistas decidiu pela cisão da

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CESP em quatro partes: Companhia de Geração de Energia Elétrica do Tietê, responsável pelas hidrelétricas de Barra Bonita, Água Vermelha, entre outras; Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, que veio a se fundir com a EPTE; Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, responsável pela operação das usinas instaladas naquele rio, e CESP-Geração, encarregada pelas imensas usinas de Ilha Solteira e Jupiá, entre outras. Em outubro, a CESP Tietê foi vendida para a AES, com expressivo protesto do Sindicato, apoiado pela CGT e pela Federaluz.


1999

Os trabalhadores de Furnas protagonizaram o maior episódio grevista de 1999, numa paralisação que durou por três dias e que reivindicava a suspensão da cisão da estatal. Atuando em conjunto com outros sindicatos representativos dos trabalhadores da empresa, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo mobilizou as bases de Mogi das Cruzes, Cachoeira Paulista, Tijuco Preto e Ibiúna, interrompendo, temporariamente, a atividade em cada um destes locais. No último dia de paralisação, o Sindicato organizou assembleias nas bases e os Eletricitários decidiram suspender o movimento grevista. Intervindo como um legítimo arauto dos trabalhadores em vários momentos de seu mandato, o presidente Salim denunciou algumas empresas à Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo. Elas se viram obrigadas a dar satisfações sobre o corte do pagamento de diversos benefícios para os Eletricitários e ainda reverter os prejuízos.

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1999 Assim como nos trabalhadores, os efeitos da privatização também surtiram no Sindicato, que precisou encerrar as atividades das subsedes da Xavier de Toledo, da Casa Verde, de Osasco e de Caraguatatuba, a fim de reduzir os gastos no orçamento. Enfrentando a maré, Salim acompanhou o presidente da CGT, Canindé Pegado, numa visita ao Ministério do Trabalho. Reunidos com o ministro Francisco Dornelles, os líderes sindicais apresentaram propostas de combate ao desemprego e alternativas de aumento da produção nas empresas. Em 1999, o presidente do Sindicato também participou do Fórum São Paulo – Século XXI, importante encontro que estabeleceu a geração de empregos como o principal desafio para os anos seguintes. Realizado na Assembleia Legislativa, o evento contou com a participação de diversos especialistas, que apresentaram proveitosas palestras e possíveis soluções para os desafios socioeconômicos enfrentados no Brasil durante aquele momento. Seguindo os passos de Enir, o presidente Salim deu seguimento à vocação do Sindicato com a educação e a qualificação dos trabalhadores, através de estratégias conjuntas com as empresas. Assim, durante o último ano da década de 1990, o Sindicato firmou mais uma parceria com a Eletropaulo, oferecendo um curso de capacitação profissional com duração de três meses, para 160 operadores da empresa, que foram divididos em cinco turmas. O método se repetiu com a EMAE, na realização de um telecurso do primeiro grau aos trabalhadores das usinas Pedreira, Piratininga e Henry Borden, a fim de reduzir a desigualdade social e valorizar os Eletricitários da empresa. Neste ano, o Sindicato alterou o modelo de custeio, permitindo maior participação da categoria no quadro associativo da entidade. Além de fixar o valor da mensalidade numa porcentagem de um por cento e sete décimos (1,7%) sobre o salário do sócio e reduzir à contribuição confederativa para os trabalhadores, o Sindicato também passou a aceitar os trabalhadores das empreiteiras no quadro associativo.

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Os trabalhadores da EMAE que participaram do telecurso do primeiro grau, oferecido pelo Sindicato


2000 Uma das mais conhecidas previsões para o fim do mundo fracassou, mas, se os acidentes com a energia elétrica ocorridos naquela época em São Paulo, tivessem se espalhado pelo globo, milhões de pessoas iriam se ferir gravemente ou perderiam as suas vidas no primeiro ano do novo milênio. A nuvem negra de acidentes encobriu o parque energético de São Paulo por efeito dos ideais de capitalismo selvagem cultivados pelos proprietários das empresas privatizadas, que, mirando apenas o lucro, ignoravam a segurança dos Eletricitários e da sociedade, fazendo vistas grossas para a manutenção dos equipamentos da rede, em todas as etapas da produção de eletricidade alterando os critérios de proteção dos circuitos elétricos. De um lado, os jornais do Sindicato e a grande mídia noticiavam interrupções no fornecimento de energia em diversas regiões de São Paulo, ocasionadas por falhas em equipamentos, quedas de postes e explosões. Estava claro que, onde o lucro falasse mais alto, os Eletricitários e a sociedade ficariam em segundo plano. Com o alto número de acidentes e falhas no sistema de energia, a agência reguladora foi obrigada a rever as concessões do setor. Enquanto as estruturas da rede se incendiavam nas ruas, uma séria crise se instalava dentro das empresas. A instabilidade administrativa refletia-se em pressões no trabalhador, ameaças de demissão, e utilização de materiais precários. Em meio a tantos desaforos, o Sindicato precisou intervir na infraestrutura da Eletropaulo, solicitando reformas nos vestiários e sanitários do prédio da Vinte e Cinco de Janeiro e outras localidades. Seguindo a perversa tendência de demissões da época, a Bandeirante e a CPFL também posicionaram a espada do desemprego no pescoço dos Eletricitários, e o Sindicato buscou todos os caminhos possíveis para impedir os cortes de trabalhadores. Neste sentido, Salim e a diretoria buscaram diálogos nas bases, apoiaram-se em pilares jurídicos e manifestaram-se pelo fim das demissões. A negociação com as empresas também se tornou um melodrama projetado no telão da vida, em que a luta maior era garantir, pura e simplesmente, o cumprimento dos acordos coletivos. O conturbado momento para o setor energético deu fundamento para a realização de importantes reuniões de especialistas e sindicalistas, discutindo assuntos relacionados à economia e à rotina dos trabalhadores. Assim, o Sindicato dos Eletrici-

tários de São Paulo integrou um fórum permanente com representantes de algumas empresas de energia e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O fórum realizava reuniões, sendo o mais significativo destes encontros, o I Seminário sobre Segurança e Saúde no Trabalho do Setor Energético do Estado de São Paulo, que aconteceu na capital paulista, entre os dias oito e nove de novembro, no Hotel Best Western Porto do Sol. Entre os organizadores, destacaram-se o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e o Ministério do Trabalho e Emprego, que viabilizaram discussões fundamentais entre os presentes. O Seminário, que abordou as normas reguladoras, a organização das empresas e as perspectivas do setor, deu origem a um documento final que, dentre outras intenções, propôs a fundação do Grupo de Trabalho Tripartite (GTT), formado pelos integrantes do fórum permanentes (representantes do poder público, entidades sindicais e empresas presentes no Seminário).

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2001 A falta de investimentos no parque energético, a privatização desenfreada das empresas e as terríveis e numerosas demissões de Eletricitários já prenunciavam um colapso no setor elétrico, desde o início da vulgarização do neoliberalismo nos governos tucanos do Brasil. De acordo com a edição de maio do Jornal do Eletricitário, o processo de privatização acabou com 50 mil empregos no setor. Em meio a este quadro, o país viu surgir uma das mais preocupantes crises de energia da História, um episódio marcado pelo racionamento e por constantes ameaças de apagões em diversas regiões do território brasileiro. Assim, as autoridades mostraram, mais uma vez, que a população ficaria responsável pela conta do desgoverno – pagando, inclusive, um preço mais alto nas tarifas de energia. Os Eletricitários foram aqueles que vivenciaram, mais de perto, a crise da energia no país. Sempre revolucionária, a categoria não deixou passar em branco nenhuma das ameaças de apagões, mantendose unida e mobilizada para encarar os negativos efeitos que estavam por vir. Assim, valendo-se de sua influência frente à CGT, o presidente Salim reuniu sindicalistas em ações conjuntas de combate à falta de energia. Em 14 de maio, o edifício da Rua Thomaz Gonzaga recebeu a visita de diversos metalúrgicos, comerciários e aeroviários, de sindicatos filiados à CGT e à Força Sindical, além do presidente desta última central, Paulo Pereira da Silva. Na data, os representantes se reuniram com o presidente do Sindicato e da CGT, para redigir a carta “Os Trabalhadores e a Crise Elétrica”, encaminhada à Câmara de Gestão da Crise de Energia (O “Ministério do Apagão”) e ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

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Lideranças sindicais reunidas redigem o documento “Os Trabalhadores e a Crise Elétrica”, encaminhado ao “Ministério do Apagão”.


2001 No dia seguinte, os integrantes do movimento viajaram à Brasília, acompanhados por representantes da CUT. Em reunião com o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, os trabalhadores levantaram questionamentos e levaram suas sugestões para evitar o desemprego e reduzir os impactos do racionamento na economia e na sociedade, em meio à crise de energia. Por lá, os sindicalistas também alertaram o “Ministério do Apagão” que, se o racionamento prejudicasse ainda mais a população, greves e manifestações se ordenariam em todo o território nacional naquele ano. Para pressionar as autoridades, no dia 29 de junho, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, em parceria com a CGT, fundou o Comitê Popular De Olho Na Energia. Formado por Eletricitários, sindicatos de outras categorias, membros da OAB, representantes do movimento estudantil, da luta contra o racismo e contra a discriminação da mulher, o comitê tinha a missão de analisar os impactos da crise energética sobre a classe trabalhadora e acompanhar o racionamento, propondo

medidas para aliviar as consequências da estratégia adotada. Uma passeata com tochas, saindo da sede do Sindicato rumo à Praça da Sé, seguida por um evento cultural no local, marcou o primeiro ato realizado pelo comitê. Batizado de “Arraial do Apagão”, o evento teve a participação de duas mil pessoas, que protestaram no local e acompanharam as atrações, gratuitamente. Com estas ações, que se espalharam por todo o decorrer de 2001, o Sindicato manteve seu papel de órgão fiscalizador do governo, exercendo forte pressão por melhorias urgentes no setor energético. Além disso, depois de muito lutar, no segundo semestre, os Eletricitários conquistaram o pagamento dos expurgos inflacionários no FGTS de milhões de trabalhadores, referentes aos planos Collor I e Verão. Em 2001, o Sindicato também traçou um eficiente plano de lutas em defesa das fundações CESP e Real Grandeza, protegendo os planos de aposentadoria, de assistência médica e odontológica, entre outros benefícios oferecidos aos trabalhadores.

O Arraial do Apagão contou com expressivo número de manifestantes, que marcharam do Sindicato até a Praça da Sé, onde foram realizados protestos e apresentações musicais gratuitas.

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2002 O Sindicato garantiu significativos avanços no ano de 2002. Na edição de março do Jornal do Eletricitário, um anúncio avisava que a página eletrônica da entidade já estava disponível na internet, no domínio www.stieesp.org.br. Os Eletricitários fizeram bonito nos Primeiros Jogos Sindicais de São Paulo, organizados pela Secretaria de Esportes do Município. O atletismo do Sindicato recebeu a medalha de ouro, assim como as equipes do dominó e do truco também levaram a premiação maior – esta última, tinha a participação dos companheiros Madureira e Brutus. No futebol de salão, os companheiros do time da AES Eletropaulo – Vila Prudente brilharam nas quadras e levaram para casa a medalha de prata da competição. A prata também foi conquistada pelos Eletricitários, que, com deslumbrante habilidade, ficaram com o segundo lugar na competição do tênis de mesa. Com o maior número de medalhistas nas competições, a entidade sagrou-se campeã geral dos Primeiros Jogos Sindicais de São Paulo, e, unidos, os trabalhadores da agremiação dos Eletricitários levantaram a taça no dia primeiro de maio. O evento de encerramento ocorreu na sede do Sindicato, reunindo os medalhistas da categoria. Na ocasião, o ex-jogador e ídolo corinthiano Basílio parabenizou os trabalhadores esportistas e foi homenageado por Salim.

Os Eletricitários conquistaram o ouro em várias competições dos Primeiros Jogos Sindicais de São Paulo. Ao lado, o ídolo corinthiano Basílio recebe a homenagem do presidente Salim.

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2002 Uma das mais duras batalhas travadas pelos Eletricitários em 2002, tinha, de um lado da trincheira, a CTEEP. Do outro lado, estava o Sindicato. A guerra foi ocasionada pela péssima administração da empresa e da Secretaria de Energia naquele momento, que, ao longo do período de negociações, não manteve a garantia de emprego para o total dos trabalhadores, deixando a permanência de 2% do quadro nas mãos da própria CTEEP. Esta indecorosa proposta acendeu nos Eletricitários o espírito de luta por um acordo coletivo justo, com o cumprimento de todas as cláusulas anteriormente firmadas e com a garantia de que nenhum trabalhador corresse risco de ser demitido. Assim, o Sindicato se reuniu com o Tribunal Regional do Trabalho e com a Secretaria de Energia, e, numa assembleia com os trabalhadores, convocou uma greve em setembro, pleiteando um acordo justo. Um marcante protesto desta batalha ocorreu na cerimônia de inauguração da termelétrica Nova Piratininga, quando Salim ergueu um cartaz exigindo respeito à categoria, na presença do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do governador e de outras autoridades. Naquele ano, o governador Geraldo Alckmin prometeu dar trégua às privatizações e manter a CESP como estatal, cancelando os leilões da empresa. Prestes a ser eleito como presidente da República, Lula convidou Salim, representando a CGT e os Eletricitários, para integrar o Conselho Econômico Social, antes mesmo de vencer as eleições. O grupo de trabalho seria formado por Salim, Canindé Pegado e mais 98 participantes, que discutiriam, em conjunto, as principais soluções para erradicar a miséria e os problemas socioeconômicos do país durante a gestão do futuro presidente.

Salim estende faixa em protesto durante a inauguração da termelétrica Nova Piratininga.

Lula, Salim, Hugo Perez e Palocci reunidos com autoridades e líderes sindicais.

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2002 Em setembro, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo marcou presença em Brasília, a fim de suspender o projeto conhecido como “flexibilização da CLT”, indecorosa proposta do ainda presidente Fernando Henrique Cardoso, que retiraria do documento uma série de direitos trabalhistas. Mobilizando os trabalhadores, aliado à influência da CGT e a alguns deputados federais, senadores e movimentos populares, Salim conseguiu que a ameaça fosse postergada, com a retirada do pedido de urgência anteriormente realizado pelo Governo. De volta à Rua Thomaz Gonzaga, em 2002, a direção da entidade elaborou um interessante projeto, que tinha por objetivo ampliar a participação da mulher no Sindicato. A ação foi coordenada pelo presidente e pela diretora Eliana Malfarage, que incentivava as trabalhadoras a conhecerem a sede e a rotina no edifício. No projeto, as Eletricitárias visitavam o edifício e participavam de palestras apresentadas pelos próprios funcionários, assistiam a documentários sobre o movimento sindical, conheciam os setores e ganhavam brindes pelo envolvimento com a ação. Em dezembro de 2002, o movimento sindical se reuniu no edifício da Rua Thomaz Gonzaga para um histórico acontecimento: pela primeira vez, desde os anos 1980, as três maiores centrais se juntaram para discutir temas relacionados aos trabalhadores. Representadas por Salim (CGT), Paulo Pereira da Silva (Força Sindical) e João Felício (CUT), as centrais elaboraram um documento conjunto com as principais reivindicações do movimento sindical, para ser entregue ao presidente Lula em janeiro do ano seguinte. O encontro também deu origem a um seminário de sindicalistas, realizado em 2003.

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A luta pela não flexibilização da CLT, em Brasília.

Salim, Paulo Pereira da Silva e João Felício dialogam na histórica reunião das centrais, realizada no prédio da Rua Thomaz Gonzaga.


2003 Em 2003, o Sindicato travou árduas batalhas para defender os Eletricitários e toda a população. Em meio à crise e à ingerência da AES Eletropaulo, os trabalhadores se embaraçavam com péssimas condições no serviço, e a população vivenciava calamitosas situações, que colocavam em risco o fornecimento de energia para as ruas, estabelecimentos e residências. Neste dificultoso momento, os trabalhadores da empresa se encontravam sobrecarregados e cumprindo suas tarefas com equipamentos de proteção absolutamente precários. Deteriorados também estavam os equipamentos da rede elétrica, tornando-se comuns as quedas de postes e os incêndios em diversas estações transformadoras de distribuição (ETDs). O clima era de tensão em todas as bases da Eletropaulo: na época, o Sindicato apurou que a empresa estava demitindo por justa causa todos os trabalhadores que se acidentavam durante o expediente. E o desgoverno da AES Eletropaulo não parava por aí: considerada pela ANEEL a pior distribuidora do sudeste em 2002, a empresa colocou quatro imóveis à venda na intenção de reduzir os seus custos. Frente ao lamentável episódio, o Jornal do Eletricitário, na capa da edição de número 429, trazia um box com os classificados da “Imobiliária AES”, ironizando a deplorável atitude da empresa ao divulgar os valores de venda dos imóveis. A crise na AES ultrapassou todos os limites esperados, até que uma bombástica notícia atravessou o Oceano Atlântico e veio à tona na primeira página do jornal britânico Financial Times. Elaborada pelo correspondente da publicação em Washington, a reportagem, que foi publicada em 21 de maio, denunciou um esquema ilícito no leilão da Eletropaulo, realizado em 1998. Com o título “A AES conspirou com a ENRON para fraudar leilão de energia na América Latina”, a matéria explicou o suposto acordo feito para enganar os concorrentes do leilão. Do lado da AES, a reportagem acusou a participação de Oscar Prieto, executivo da empresa, e do ex-presidente da Eletropaulo, David Travesso. Do lado da ENRON, foram acusados de participar da negociata os representantes Diomedes Crhistodoulou, Mitch Taylor, entre outros.

O descaramento da “Imobiliária AES”, que colocou os imóveis das unidades da empresa à venda. Deu no Financial Times: jornal britânico denunciou o suposto esquema ilícito no leilão da Eletropaulo.

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2003 Disposto a lutar pelos Eletricitários e pela população, o Sindicato não poderia deixar em silêncio tantos descasos, e, assim, articulou uma verdadeira guerra contra a incompetência que fora instalada na AES. Em fevereiro, o Sindicato enviou uma carta ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), solicitando que o próprio banco assumisse a Eletropaulo, frente às dívidas da compradora AES, que, à época, encontrava sérias dificuldades para quitar seus compromissos financeiros com a Eletropaulo. O “calote” de US$ 1,2 bilhão da AES e o conturbado cenário do setor elétrico deram largada ao movimento “A Eletropaulo é Nossa”, marcado por uma histórica manifestação na Avenida Paulista, realizada no dia sete daquele mês. No vão livre do MASP, os diretores do Sindicato e os Eletricitários reivindicaram a volta do controle da Eletropaulo para o Governo, numa ação bem planejada que ficou marcada pela mobilização dos trabalhadores e da população, além da distribuição de uma carta aberta à população. Com forte adesão dos populares, a manifestação repercutiu na imprensa e chegou à então ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, que fez uma declaração favorável ao setor energético. “Se as companhias quiserem sair do país, que saiam. É insólito este tipo de ameaça”, declarou Dilma. No dia 21 de fevereiro de 2003, o Sindicato realizou o primeiro debate público sobre a Eletropaulo, na Câmara Municipal de São Paulo, reunindo centenas de pessoas. O evento ficou marcado pelo ato simbólico de enterro da AES, quando alguns diretores da entidade carregaram um caixão com o nome da empresa nas dependências do edifício da Câmara. Por todo o mês de fevereiro, as manifestações do Sindicato em prol da reestatização da AES Eletropaulo se disseminaram nas bases da empresa. Dirigentes do Sindicato unidos na histórica manifestação da Avenida Paulista, em meio às chuvas de verão.

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2003

Sindicato e BNDES Buscando a reestatização da AES Eletropaulo por todos os caminhos possíveis, o presidente Salim visitou o BNDES no dia 26 de março daquele ano, quando foi recebido pelo vicepresidente da instituição, Darc Antonio da Luz Costa. A partir dos diálogos ali estabelecidos com o Sindicato, tiveram origem as duas importantes visitas do BNDES ao prédio da Rua Thomaz Gonzaga: a primeira delas, em quinze de abril de 2003, e a segunda, em 23 de setembro do mesmo ano. O BNDES estava junto na luta com o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo pela recuperação da Eletropaulo, participando de debates com os representantes da categoria, ouvindo as reivindicações de empregabilidade do Sindicato e apresentando informações e pesquisas sobre o setor energético. Durante a primeira visita ao Sindicato, o presidente da instituição, Carlos Lessa, foi determinante em declarar: “Ou o pagamento da dívida, ou a Eletropaulo de volta”. Frente à intricada situação instável, o presidente da AES Mundial, Paul Hanrahan, admitiu a possibilidade de o grupo devolver a concessão da Eletropaulo ao Governo paulista.

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2003 Os protestos na Eletropaulo A desordem e o regresso inscritos na bandeira do setor elétrico paulista em 2003, acenderam nos Eletricitários um atuante e permanente espírito de combate, que, por várias vezes, tomou forma em paralisações e protestos nos portões das bases da AES Eletropaulo em ruínas. Após demitir diversos trabalhadores na calada da noite, durante o feriado do primeiro de maio, a AES Eletropaulo precisou enfrentar a paralisação dos Eletricitários na unidade Anhembi. As atividades só foram retomadas quando a empresa acatou as reivindicações dos trabalhadores, contratando novamente aqueles que haviam sido demitidos de forma injusta e desleal. Após este episódio, os diretores do Sindicato conduziram uma série de manifestações na empresa, a fim de alertar os perigos do calote aplicado pela AES. No dia 28 de maio, os militantes compareceram firmes e bravos às unidades de Serra de Japi, Berrini e Monte Santo, onde, nesta última, os trabalhadores deflagraram uma espantosa paralisação pelo pagamento das horas extras e pelo fim da exploração na empresa, coordenada por uma desordenada administração. Embora o movimento tenha sido pacífico, a Eletropaulo acionou a Polícia Militar, dando início a uma operação ostensiva, marcada pela intimidação aos sindicalistas e trabalhadores. Após longas discussões, os representantes da empresa finalmente concordaram em marcar uma reunião com o Sindicato, com objetivo de discutir o pagamento das horas extraordinárias. Além de terem acontecido nestas bases, históricas manifestações dos trabalhadores também ecoaram nas unidades Vinte e Cinco de Janeiro, Jaguaré e Imigrantes, com a mesma atuação repressiva da Polícia Militar.

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O clima ficou tenso nos portões da Eletropaulo. Acima, imagens dos protestos conduzidos pelos diretores do Sindicato.

As intensas batalhas com a Eletropaulo em nome do cumprimento dos direitos dos trabalhadores tiveram seu fim em julho, quando o acordo coletivo foi aprovado em assembleia. Mesmo assim, o Sindicato não parou de lutar contra a ingerência na administração da empresa.


2003 Manifestação contra demissões na Bandeirante teve ostensiva ação da Polícia Militar.

Bandeirante: Em Guaratinguetá, não foi diferente Em dez de abril de 2003, os trabalhadores da Bandeirante incendiaram um dos mais importantes protestos do interior paulista, naquele ano. Durante o movimento deflagrado em Guaratinguetá, os Eletricitários da Bandeirante cruzaram os braços e paralisaram suas atividades, num protesto que tinha por objetivo afrontar a empresa, que, naquele momento, alavancava demissões em massa e ignorava diversos direitos trabalhistas – deixando de pagar as horas extras e explorando os Eletricitários em exaustivas jornadas de que chegavam a 36h sem descanso. A empresa não concordou com a revoltosa postura dos trabalhadores, e, mesmo em meio a uma manifestação sem incidentes, acionou a Polícia Militar para inibir o protesto dos diretores do Sindicato, que obstruíram a entrada na empresa ao estacionar alguns automóveis na frente do portão principal. Mesmo com a assistência jurídica do Sindicato presente no local, a manifestação terminou com um registro de Boletim de Ocorrência na delegacia.

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2003 O Seminário do Sindicato na Câmara Municipal de São Paulo Considerado como o “Vereador Eletricitário”, o companheiro Eliseu Gabriel mobilizou a Câmara Municipal de São Paulo para receber o Seminário “Energia, Crise e Soluções”, idealizado por Salim e pela diretoria da entidade. Realizado em 26 de maio de 2003, o encontro ficou marcado pela participação de centenas de trabalhadores, lideranças políticas e sindicais, que acompanharam os diálogos que se estabeleceram na mesa, tendo como principal assunto a crise da AES Eletropaulo. Decorada com um caixão com a faixa “A AES não vai deixar saudades”, uma vela de sete dias e um lampião, a mesa foi composta por Salim, por Eliseu Gabriel, pelo ex-presidente da Eletropaulo, André Domingos Costabile Ippolito, e pelo presidente do Sindicato dos Engenheiros, Murilo Celso de Campos Pinheiro. Além dos representantes da mesa, foram convidados os 23 prefeitos dos municípios das áreas de concessão da AES Eletropaulo, 37 vereadores destas cidades e 93 deputados estaduais. Da discussão conjunta entre representantes da classe trabalhadora e autoridades, surgiram importantes meios de enfrentamento à crise na distribuição de eletricidade na grande São Paulo.

Caixão, vela e cortejo fúnebre: símbolos da morte da AES.

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2003 O Comitê “São Paulo Não Pode Apagar” Idealizado pelo presidente Salim durante o Seminário “Energia, Crise e Soluções”, o Comitê “São Paulo Não Pode Apagar” era composto por trabalhadores, sindicalistas, entidades representativas, partidos políticos e parlamentares, que se reuniam semanalmente em diversos sindicatos, na Câmara Municipal e em outras entidades, com objetivo de apresentar propostas e encaminhar ideais e projetos em prol da defesa do setor elétrico. Envolvendo toda a sociedade, o comitê aceitava inscrições de novos participantes pela internet interagia com autoridades nacionais para reivindicar a reestatização da Eletropaulo. Com esta missão de defesa ao patrimônio energético de São Paulo, que fora construído pelos próprios trabalhadores, os participantes do Comitê se reuniram com Lula, presidente do Brasil à época; com a ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff; com o presidente do BNDES, Carlos Lessa; com o presidente da Eletrobras e ilustre professor, Luiz Pinguelli Rosa; com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o secretário de Energia, Mauro Arce. Frente a frente com as autoridades, os participantes do Comitê pleitearam que a Eletropaulo voltasse a ser administrada por brasileiros. Uma das mais marcantes atuações do Sindicato junto ao Comitê “São Paulo Não Pode Apagar” desenrolou-se em dezoito de setembro de 2003, quando a diretoria da entidade compareceu à audiência da Comissão de Serviços e Obras Públicas da Assembleia Legislativa. Ali, de uma forma enérgica e combativa, os diretores apresentaram os sérios problemas do setor energético e os processos de investigação da privatização da Eletropaulo aos presentes – dentre eles, o presidente da Eletropaulo, José Bernini; o líder da Comissão de Serviços e Obras Públicas, Zevi Kann, e o deputado estadual Sebastião Arcanjo (PT-SP).

Dirigentes sindicais representam o Comitê “São Paulo Não Pode Apagar”. Abaixo, a audiência na Assembleia Legislativa.

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2004 Ainda sob os efeitos da crise no setor elétrico paulista em 2003, o ano de 2004 foi um período de árduas negociações com as empresas de energia, que desrespeitavam os trabalhadores ao promover repentinas demissões e retirar o pagamento de diversos benefícios. Desta vez, os mais sombrios cenários se desenharam na Bandeirante Energia e na CPFL Piratininga, empresas nas quais o Sindicato sempre atuou combativamente pela preservação dos direitos dos Eletricitários. Enquanto na Bandeirante, muitos trabalhadores não recebiam horas extras, adicional de periculosidade e sobreaviso, na CPFL Piratininga, as demissões eram assombrosas e muitos Eletricitários foram obrigados a trabalhar durante as férias, e, ainda, participar de cursos em seus dias de folga. As ingerências na Bandeirante, porém, não se resumiram à péssima administração e ao descaso com os trabalhadores. Denúncias de todas as bases chegavam ao Sindicato, evidenciando as precárias condições das estruturas nos locais de trabalho da Bandeirante. No enfrentamento a estas situações, o Sindicato convocou a realização de várias mesas redondas com os administradores da empresa, e, em junho, a empresa foi notificada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, após uma denúncia do Sindicato. Naquele mês, um auditor fiscal do órgão público compareceu à base de São Sebastião e verificou as ruinosas instalações do local, que tinha ligações elétricas irregulares, mapa de risco com anomalias e vestiário sem condições de uso. Em 2004, os Eletricitários vivenciaram uma das mais difíceis campanhas salariais de sua trajetória. Durante as reuniões de negociações, por muitas vezes as empresas se mostraram evasivas, e as manifestações do Sindicato durante a campanha salarial daquele ano, sempre serão lembradas pela grande adesão dos trabalhadores e pela ação ostensiva da Polícia Militar, que repreendia os movimentos dos militantes. Em meio à falta de respeito aos direitos da classe trabalhadora, os Eletricitários e a CGT publicaram, no primeiro de maio, o Contrato Social de Compromisso para a Retomada do Crescimento com Geração de Emprego, um manifesto no qual a diretoria do Sindicato e a Confederação cobravam mais respeito das empresas com os trabalhadores, redução das demissões e criação de novos postos de emprego.

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2004

Um grandioso movimento grevista deflagrou-se entre os Eletricitários da CESP e da EMAE a partir de agosto de 2004, reivindicando o pagamento justo e inquestionável da última parcela da PRR – Política de Remuneração por Resultados. A primeira paralisação ocorreu em 25 de agosto, quando os trabalhadores cruzaram os braços, interrompendo, por 24h, as atividades nas usinas Piratininga, Henry Borden, Traição, Rasgão, Porto Góes e Paraibuna. Temendo a adesão à greve, a EMAE e a CESP distribuíram uma carta aos trabalhadores, solicitando que todos comparecessem aos

seus postos no dia em que a paralisação havia sido marcada. No entanto, a estratégia não deu certo. O Sindicato não só coordenou a greve do dia 25 de agosto, como também compareceu à Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo e abriu um dissídio coletivo de greve no TRT, além de mobilizar os Eletricitários numa outra paralisação, ocorrida em primeiro de setembro de 2004, com adesão total e espontânea nas duas empresas de geração. A grande vitória dos trabalhadores amanheceu no dia nove de setembro, quando a Justiça determinou o pagamento do benefício reivindicado.

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2004

A cerimônia de condecoração do presidente do Sindicato. Salim recebeu o título de Cidadão Paulistano na Câmara Municipal de São Paulo, com apoio de trabalhadores e sindicalistas.

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A representatividade do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo só crescia e foi considerável no mês de setembro. No dia seis daquele mês, a entidade e a Federaluz estiveram em um congresso na cidade do México, realizado pela UNI Américas, uma instituição internacional das lideranças sindicais dos trabalhadores de energia e outros segmentos. Com a participação dos companheiros Carlão e Chicão, além dos sindicatos da Venezuela, do Panamá e da Argentina, o encontro discutiu a atuação do grupo AES nas Américas e criou a Aliança Sindical AES Co., que tinha a finalidade de iniciar gestões na multinacional e firmar um acordo global sobre as condições de trabalho nas empresas do grupo. Já no dia quinze, Salim recebeu o título de Cidadão Paulistano, sendo condecorado pelo vereador Eliseu Gabriel graças aos seus “relevantes serviços prestados à categoria Eletricitária e à cidade de São Paulo”.


2004 Nos dias 13 e 15 de dezembro, os dirigentes do Sindicato participaram da Marcha Nacional do Salário Mínimo, num ato organizado pelas centrais sindicais em defesa da remuneração justa dos trabalhadores. Formada por Eletricitários na ativa, diretores da entidade, aposentados e pensionistas, a delegação do Sindicato partiu da Rua Thomaz Gonzaga, de ônibus, em direção à cidade de Valparaíso de Goiás (GO). De lá, seguiram, a pé, até o Palácio do Planalto, numa marcha de quarenta quilômetros sob o escaldante sol de dezembro no cerrado.

Juntos na luta por um salário mínimo digno, Eletricitários e aposentados marcharam por quarenta quilômetros sob o sol do cerrado até chegar a Brasília.

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2005 No início de 2005, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo participou do Fórum Social Mundial, importante encontro celebrado em Porto Alegre, com mais de seis mil ONGs e quinze organizações da sociedade civil. Na capital do Rio Grande do Sul, o presidente Salim representou o Sindicato e a CGT nos diálogos sobre direitos trabalhistas, direitos humanos e sustentabilidade, sempre defendendo a importância do respeito ao trabalhador para o desenvolvimento da economia no Brasil e no mundo. Mais uma vez, os tucanos do Governo do Estado desvelaram-se os maiores inimigos da classe trabalhadora e do patrimônio público. Assim, em 2005, o Sindicato travou duras batalhas pela defesa do setor energético, elevando, em alto e bom som, um grito pelo não à privatização da CTEEP, da CESP e da EMAE. Quando, no início do ano, o governador Geraldo Alckmin entregou o pedido de privatização da CTEEP, os diretores do Sindicato começaram a organizar manifestações em diversas bases, alertando os Eletricitários sobre os perigos da privatização. Na edição de fevereiro de seu jornal institucional, o Sindicato divulgou os e-mails dos deputados estaduais, para que os trabalhadores pudessem estabelecer diálogos com as autoridades e se manifestassem contrariamente à privatização das empresas.

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2005

Na primeira semana de março, os Eletricitários fizeram, na Assembleia Legislativa, o histórico Ato Contra a Privatização da CTEEP, da CESP e da EMAE. Juntos na luta num protesto em defesa do patrimônio público, os diretores do Sindicato tiveram como aliados centenas de trabalhadores, dezenas de deputados, a Federaluz e outros sindicalistas, além de associações parceiras do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, como a AEASP e a AOESP. Durante o ato, os participantes do protesto entoaram o Hino Nacional e gritaram o “não à privatização”, além de vestirem os coletes azuis que traziam mensagens contra a desestatização das referidas empresas. Com a forte pressão do reacionário tucanato paulista, os diretores do Sindicato responsáveis pelo movimento foram presos e os demais obrigados a se retirar da Assembleia Legislativa. Mas, nem mesmo a intensa mobilização do movimento sindical e da sociedade civil, foi capaz de impedir que a CTEEP fosse privatizada: em dezoito de maio de 2005, com 66 votos favoráveis à venda e 23 contrários, a empresa deixou de ser estatal. Segundo a relação de votos da Assembleia Legislativa, o “não” veio somente dos deputados do PT e do PCdoB.

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2005 Para o Sindicato, a maior conquista de 2005 foi, sem dúvidas, a reabertura da Colônia de Férias de Praia Grande, que estava fechada para reformas durante um período de dois anos. Reinaugurada no feriado de nove de julho, a Colônia recebeu a visita de vários trabalhadores e autoridades do movimento sindical, que, juntos, celebraram a conquista da reforma. Na solenidade, o ilustre ex-presidente Wilson Abílio cortou a fita simbólica ao lado de Salim, representando a reinauguração do local. O expresidente também recebeu uma placa de prata das mãos do companheiro veterano Ângelo Bottaro. Na celebração, que também contou com a presença do vereador de Praia Grande, Edson Milan, o advogado do Sindica-

to, Darmy Mendonça, entregou a placa de prata a José Carlos Arouca, Juiz do Trabalho que sempre teve uma atuação intensa e honrosa em defesa dos trabalhadores e do movimento sindical. Em agosto, os Eletricitários deflagraram uma memorável paralisação nos locais de trabalho da CTEEP, da CESP e da EMAE. Indignados com a falta de consideração do Governo de São Paulo e de seus administradores, os trabalhadores, todos motivados pelo Sindicato, protestaram pelo andamento das negociações do acordo coletivo. Neste movimento, os Eletricitários demonstraram sua indignação, cruzando os braços e paralisando as atividades em todas as unidades das empresas.

O ilustre ex-presidente Wilson Abilio prestigia a reinauguração da Colônia de Férias de Praia Grande, após de ficar fechada para reformas por dois anos.

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2006 Nos idos anos de 2006, o setor elétrico passava por profundas transformações. Para nortear as negociações dos acordos coletivos em meio a tantas novidades, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo foi à Ribeirão Preto, ao Seminário de Negociações Coletivas. Organizado pela Federaluz, entre os dias dois e três de fevereiro, o evento reuniu o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e as demais entidades representadas pela Federação – SINDLUZ Araraquara, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Ipaussu, SINDERGEL Itanhaém, Mococa e Sindicato dos Urbanitários de Santos. Durante o seminário, os sindicalistas participaram de palestras e exposições sobre técnicas de negociação coletiva e discutiram a reforma sindical. No encontro, os trabalhadores elaboraram um eixo de pauta, um documento em comum, que orientaria as condutas a serem adotadas pelo movimento sindical durante as campanhas salariais daquele ano. Em fevereiro de 2006, com o corte do pagamento do Adicional de Periculosidade para os trabalhadores da AES Eletropaulo, o Sindicato abriu uma denúncia contra a empresa no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de São Paulo (CREA-SP) e na Câmara Especializada de Energia Elétrica (CEEE), dando início a um processo de fiscalização e investigação na AES Eletropaulo, juntamente ao Sindicato, que instaurou uma comissão técnica para averiguar o caso e tomar as devidas providências contra a empresa. Em 23 de março, o Seminário “NR-10 e sua aplicabilidade” reuniu especialistas em saúde e segurança e sindicalistas para esclarecer os aspectos da nova Norma Regulamentadora aos Eletricitários. A NR-10 passou a vigorar em dezembro de 2005, determinando que os serviços de instalação elétrica pudessem ser realizados apenas por eletricistas, técnicos e engenheiros formados no curso de 80h sobre capacitação e atualização profissional em segurança do trabalho. Uma grande comemoração para a Eletricitária se sucedeu no Dia da Mulher, quando as companheiras e suas famílias participaram do evento de lançamento da campanha “O Sindicato para as Mulheres, as Mulheres para o Sindicato”, organizado pela CGT no auditório do prédio da Rua Thomaz Gonzaga. Além do forte conteúdo político, o evento ficou marcado por sorteios de prêmios, atrações musicais e uma esclarecedora palestra sobre a influência das mulheres e a atuação sindical.

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2006

Salim cumprimenta Carlão, o vice-presidente que entrou em exercício. Abaixo, os representantes da vitoriosa Chapa 1 – União, Seriedade e Trabalho.

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No ano em que o Grupo ISA tornou-se detentor da CTEEP, mesmo após vários protestos da classe trabalhadora, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e a Associação dos Operadores do Estado de São Paulo (AOESP) garantiram uma importante vitória para os operadores da CTEEP. Após uma produtiva reunião na Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo (DRT-SP), ficou decidida a redução do intervalo entre jornadas da escala de revezamento dos operadores da empresa de transmissão. No intervalo de junho a novembro de 2006, o vice-presidente Carlão assumiu, temporariamente, o cargo maior da Casa, enquanto Salim participou das eleições, concorrendo ao cargo de Deputado Federal, para o qual não fora eleito naquele ano. Entre os dias 23 e 25 de outubro, o Sindicato celebrou as eleições, nas quais foram inscritos apenas os membros da Chapa 1 – União, Seriedade e Trabalho. A formação contava com Salim à frente da presidência, Carlão como vice-presidente, Maradona como coordenador de base, e Chicão, responsável pelo cargo de secretário-geral.


2007 O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo deu início ao ano de 2007 com a festiva renovação da diretoria, que tomou posse no dia primeiro de março, com a presença de importantes autoridades. Prestigiaram o evento a presidente do PCdoB à época, Nádia Campeão, Guilherme Afif Domingos, representante da Associação Comercial de São Paulo, e o ilustre companheiro Antonio Rogério Magri, ex-ministro, ex-presidente do Sindicato e da CGT, além de vários trabalhadores que acompanharam a cerimônia de posse. Uma mudança de suma importância para todo o movimento sindical brasileiro ocorreu em julho. No dia dezesseis daquele mês, a Confederação Geral dos Trabalhadores realizou o Segundo Congresso Extraordinário, que oficializou o fim da central sindical. Mas, entre os dias dezenove e vinte e um de julho, aconteceu o congresso de fundação da União Geral dos Trabalhadores (UGT), considerada, desde seus primeiros dias, a terceira maior central sindical do país. A UGT foi formada pela união da CGT com a Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e a Social Democracia Sindical (SDS), além de alguns representantes de entidades sindicais independentes, enquanto o Sindicato passou a ser filiado à UGT. Sob a presidência de Ricardo Patah, a Central recém-criada tinha Salim como coordenador dos vice-presidentes e Canindé Pegado à frente da secretaria geral. Entre as outras 53 secretarias específicas, destacou-se o presidente da AEASP, Edmundo Benedetti Filho, à frente da Secretaria da Previdência e Seguridade Social.

Salim conversa com os trabalhadores durante o Segundo Congresso Extraordinário, que oficializou o fim da CGT. Abaixo, registros do congresso de fundação da UGT.

O presidente do Sindicato faz inflamado discurso durante a cerimônia de posse da diretoria.

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2007 No ano em que os Eletricitários de duas empresas – SELT Engenharia e Construtora REMO – passaram a ser cobertos e defendidos pela bandeira do Sindicato, a AES Eletropaulo consumou um dos mais aterrorizantes atos de sua história. Em agosto, a empresa comunicou o Sindicato, durante uma reunião, que 10% dos trabalhadores seriam desprezados e colocados à rua, num insolente programa de demissões que fora justificado pela necessidade de redução de gastos, readequação da estrutura e utilização de novas tecnologias. O Sindicato, então, estendeu seu apoio aos companheiros da empresa, estabelecendo um louvável e grandioso plano de lutas em defesa dos Eletricitários, com a insuperável parceria da Federaluz. Ardia em chamas a batalha. A agenda sindical em setembro ficou repleta de mobilizações e compromissos de militância, que tiveram ativa participação dos trabalhadores e ocorreram de forma quase simultânea. Tudo começou quando, em catorze de setembro, o Sindicato enviou ao Ministério Público do Trabalho uma denúncia às atrocidades anunciadas pela AES Eletropaulo, e agendou uma audiência para o dia dezenove do mesmo mês, na Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo. O Sindicato também realizou uma reunião de esclarecimento com os trabalhadores na base de Monte Santo, e, de forma concomitante, os diretores da entidade estabeleceram um rígido diálogo com o presidente da empresa, pedindo uma explicação convincente. Não demorou para que o movimento se disseminasse por todas as bases da Eletropaulo, onde os trabalhadores, engajados pelos diretores do Sindicato, deflagraram significativas paralisações, e, de

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Salim, Chicão e Ernesto apresentam ao BNDES o golpe forjado pela AES Eletropaulo, cobrando explicações sobre as arbitrárias demissões na empresa.

braços cruzados, lutaram pelo respeito e pela garantia de emprego. Unidos e dispostos a lutar, os diretores Chicão e Canuto prontamente atenderam à solicitação dos Eletricitários, levando ao conhecimento do Conselho de Administração da Eletropaulo o temível programa de demissões da empresa. Aí, então, os membros do Conselho demonstraram desconhecimento sobre a informação, e, após uma produtiva discussão, os administradores agendaram uma reunião para dar explicações sobre o cruel desmanche da Eletropaulo.


2007 O Plano de Demissão Incentivada (PDI) foi apresentado a todos os trabalhadores pela administração da Eletropaulo em dezessete de setembro, e, trilhando os caminhos políticos e socioeconômicos, o Sindicato, representado por Salim, Ernesto e Chicão, apresentou ao BNDES, no dia seguinte, o golpe que fora forjado pela empresa de distribuição. Após a reunião, o Banco – maior acionista das empresas do Grupo AES Brasil à época – convocou um encontro urgente com a Eletropaulo, a fim de obter mais explicações sobre as demissões em massa. No mesmo período, a empresa amedrontou os eletricistas, com os rumores da proposta de substituição destes companheiros por profissionais de moto-atendimento, que, supostamente, realizariam um maior número de serviços num menor período, reduzindo, assim, os gastos da AES. Frente a esta e outras afrontas, o Sindicato solicitou ao presidente Lula a federalização da Eletropaulo, além de fazer apelos na Câmara Federal, ao deputado Aldo Rebelo, e também reivindicar o apoio dos vereadores na Câmara Municipal de São Paulo. Depois de intrincadas tentativas de entendimentos com a empresa, os dirigentes sindicais deram uma clara demonstração da negligência da AES Eletropaulo na DRT. Comprovando à Delegada do Trabalho Lucíola Rodrigues Jaime a importância do Eletricitário por meio de documentos e fatos históricos, o Sindicato conseguiu abrir possibilidades de reversão das 525 demissões prenunciadas pela empresa. Aí, juntamente ao procurador do Ministério Público do Trabalho, Dr. Fábio de Assis Fernandes, ficou determinado que a AES Eletropaulo deveria apresentar um projeto de reestruturação completo, enumerando quais seriam os impactos para os trabalhadores. Com muito afinco, o Sindicato garantiu que as demissões fossem suspensas no ano seguinte. Naquele ano, também, os diretores Leandro Netto e João Marcos Vidal representaram o Sindicato num grupo de quinze sindicalistas da América Latina, durante um curso de formação sindical em economia, no Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Turim, na Itália.

O diretor Washington dos Santos (Maradona) apresenta à Delegada do Trabalho, Lucíola Rodrigues Jaime, uma série de documentos que comprovam a importância do Eletricitário para a sociedade.

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2008 O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo vivenciou diversas experiências em 2008, que influenciaram as direções adotadas pela entidade nos anos seguintes. Os trezentos e sessenta e cinco dias já se iniciaram com um intenso ritmo de militância, quando, em quinze de janeiro, o Sindicato protestou em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), na mesma data da audiência pública sobre a privatização da CESP. No movimento, os representantes do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo estiveram acompanhados pela UGT, pelo sindicato de Campinas e pelos engenheiros, e, juntos, pressionaram o governador José Serra contra a venda da empresa, que poderia ocorrer ainda em fevereiro. No dia doze de março, mais de 500 pessoas compareceram ao auditório do Sindicato, para a comemoração do Dia da Mulher Eletricitária. Reunidos, os trabalhadores e trabalhadoras acompanharam a palestra “Direitos da Mulher são Direitos Humanos”, apresentada por Claudia Patrícia de Luna, da ONG Elas por Elas, e por Eni Augusta de Paula, assessora da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. Na festa, os Eletricitários renderam homenagem à Vera Lange, ex-integrante e veterana da ONU. O evento também contou com alguns shows e com a apresentação de danças típicas japonesas da Associação Cultural Assistencial da Liberdade, em homenagem ao centenário da imigração japonesa, comemorado em 2008. As trabalhadoras alcançaram uma grande vitória no decorrer daquele ano, quando o presidente Lula aprovou o projeto de ampliação da licença-maternidade, passando de quatro meses para seis meses o período de afastamento das mães.

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Com a presença de mais de 500 pessoas, a comemoração do Dia da Mulher Eletricitária contou com uma palestra e uma apresentação de danças típicas do Japão.


2008 No final de abril, o Sindicato deu início a uma série de visitas às bases da Eletropaulo, identificando os principais problemas e verificando os motivos das denúncias dos trabalhadores. E lá estavam eles: casos de assédio e opressão, falhas no pagamento de horas extras, uniformes em péssimo estado, falta de segurança nas bases, entre outras adversidades. Após os diálogos, o Sindicato convocou todos os coordenadores da AES Eletropaulo para uma reunião de esclarecimentos, na qual foram identificadas mais situações desastrosas, e, depois, notificou os órgãos responsáveis. O Sindicato também acompanhou, de perto, as atitudes ilegais e incorretas que a administração do Grupo ISA CTEEP lançava aos Eletricitários. Atendendo à denúncia dos trabalhadores da empresa, o Sindicato comprovou que nem todos os companheiros tinham equipamentos de segurança adequados, que havia falhas na escala de trabalho e nas normas de saúde e segurança, além de irregularidades no plano de cargos e salários da empresa. Após a pressão exercida pelo Sindicato, a ISA CTEEP foi notificada e autuada pelo Ministério Público. Candidato às eleições daquele ano, o presidente Salim se ausentou em maio, confiando ao vice-presidente, Carlão, o cargo maior do Sindicato, e ao secretário-geral, Chicão, a presidência da Federaluz. Com a vitória, Salim ocupou o cargo de vice-prefeito do município de Carapicuíba, deixando Carlão e Chicão à frente do Sindicato e da Federação, respectivamente, para cumprir o mandato. Naquela época, o número de trabalhadores da categoria aumentou consideravelmente, com a entrada de várias empreiteiras que passaram a ser representadas pelo Sindicato, como a Start, a FM Rodrigues, a Conecta e a Tecnolight.

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2008 Reconhecido por seus esforços contra a venda da Eletropaulo, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo teve o secretário-geral Chicão como representante na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da privatização da Eletropaulo, presidida pelo deputado estadual Antônio Mentor. Integrante da CPI, Chicão colaborou com a fiscalização sobre a venda da empresa de energia e mobilizou dirigentes do Sindicato na apuração do caso. Durante a segunda audiência da CPI, realizada em três de junho, o deputado estadual José Augusto se irritou com os comentários levantados pelos representantes dos trabalhadores, e, numa postura de ataque, dirigiu ofensas aos sindicalistas e agrediu verbalmente o diretor Sampa. O mês de agosto marcou um intenso período de batalhas em defesa à classe trabalhadora. Naquele período, a AES Eletropaulo demitiu oitenta e oito companheiros na calada da noite, inclusive membros da CIPA, trabalhadores com restrições médicas, acidentados no trabalho e pessoas com ações judiciais no Ministério Público. Frente ao lastimável episódio, o Sindicato deu auxílio aos Eletricitários e negociou a readmissão dos trabalhadores, além de firmar com a empresa o acordo de não demitir nenhum outro companheiro em atividade. Com cartazes, exibindo a indecorosa atitude da Eletropaulo, os demitidos protestaram junto ao Sindicato no portão da empresa. Estas demissões inconsequentes, posteriormente, levaram Carlão e Chicão ao BNDES, que reuniram-se com os líderes do Banco para buscar soluções ao caso, além de discutir a terceirização na empresa, o aumento exagerado dos passivos trabalhistas e os problemas com a consultoria BAIN.

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2008 Foi em agosto, também, que um importante movimento grevista despontou na EMAE. Sem avanços no acordo coletivo e em meio à opressão aos trabalhadores, e mesmo após uma ensurdecedora manifestação na Secretaria de Energia, o Sindicato e os trabalhadores realizaram uma paralisação de 24h em todas as usinas e setores da empresa, em onze de agosto. Não bastou. Assim, os trabalhadores deflagraram uma nova paralisação, cruzando os braços por 48h entre os dias dezoito e dezenove daquele mesmo mês. Ainda assim, não adiantou. Após a inflexibilidade apresentada pela EMAE nas tratativas do acordo coletivo, e mesmo depois de uma audiência com o TRT, o Sindicato viu-se obrigado a agendar uma greve por tempo indeterminado a partir de oito de setembro, paralisação que durou por sete dias. O caso foi finalmente julgado no TRT, no dia seguinte ao término da greve, e, numa avaliação política, o Tribunal favoreceu a empresa, indeferindo o pedido de ganho real e garantia de emprego de três anos que ressoou entre os trabalhadores. No segundo semestre de 2008, o Sindicato assinou o regulamento de fundação da Comissão de Conciliação Prévia (CCP), que tinha por fim auxiliar os associados nas negociações dos acordos com a AES Eletropaulo, sem necessidade de intervenção judicial. Em seis de dezembro, despontou no cenário nacional a Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente (FENATEMA), com objetivo de representar e atender os anseios dos trabalhadores dos três segmentos interligados, em todo o território brasileiro. Com a presidência de Eduardo Annunciato, Chicão, a FENATEMA já organizava as suas primeiras lutas, regularizando sua situação junto ao Ministério do Trabalho e angariando a filiação de novos sindicatos.

Chicão e lideranças sindicais, reunidos na fundação da FENATEMA – Federação Nacional dos Trabalhadores em Água, Energia e Meio Ambiente.

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2009 Em 2009, o Sindicato dos Eletricitários passou a ser oficialmente conduzido por Carlos Alberto dos Reis, o Carlão, após a vitória do ex-presidente Salim nas eleições, ocupando o cargo de vice-prefeito do município de Carapicuíba. Carlão assumiu a presidência do Sindicato, não mais a título de vice-presidente em exercício, assim como o companheiro Chicão, à frente da FENATEMA. Entre as primeiras providências da nova gestão do Sindicato, esteve o agendamento de reuniões mensais com a administração da Bandeirante Energia, a fim de resolver assuntos pendentes voltados ao trabalhador. A empresa, então, se comprometeu a dialogar com o Sindicato, mês a mês. No primeiro encontro, realizado em dez de fevereiro, foram debatidos assuntos sobre a carga horária dos funcionários de estações e linhas de transmissão, além de movimentações financeiras e periculosidade dos técnicos, estabelecendo prazos para a solução destas pendências. Além disso, em março, a CCP iniciou suas atividades, instalada no sétimo andar do edifício sede. Em onze de março, as Eletricitárias foram homenageadas pelo Sindicato, numa festa que reuniu mais de 400 pessoas no auditório do prédio da rua Thomaz Gonzaga. Além de uma apresentação musical e um inflamado discurso do presidente Carlão em defesa às trabalhadoras, o evento engrandeceu a notável companheira Davina de Campos Glovaski, à época, única eletricista de linhas de transmissão de energia em alta e extra-alta tensão do Brasil, trabalhadora de Furnas. Também recebeu reverência do Sindicato a veterana Eletricitária Maria Isabel Breveglieri de Almeida.

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A diretoria do Sindicato e os representantes da AES Eletropaulo, presentes na inauguração da CCP, instalada no sétimo andar do edifício-sede.


2009

A diretoria do Sindicato e os representantes do 6º Seminário Nacional de Segurança e Saúde no Setor Elétrico Brasileiro, realizado em Salvador.

Representado pelo diretor Washington dos Santos (Maradona), o Sindicato foi a Salvador entre os dias 26 e 29 de abril, participando do 6º Seminário Nacional de Segurança e Saúde no Setor Elétrico Brasileiro (6º SENSE), realizado pela Fundação COGE. O evento teve por objetivo proporcionar o intercâmbio entre trabalhadores do setor energético e profissionais da área de saúde e segurança. No mês de maio, a entidade foi convidada pela Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), a participar das comemorações do Dia Internacional do Trabalho, em Havana. Além de marcar a festa dos trabalhadores, o evento também comemorou os cinquenta anos da Revolução Cubana e os setenta anos da CTC. Em maio, também, o Sindicato formou um importante grupo de trabalho para discutir e resgatar a aposentadoria especial dos trabalhadores do setor elétrico, benefício que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso retirou dos Eletricitários. O grupo era formado por representantes das três centrais sindicais – UGT, Força Sindical e CUT – além de técnicos e engenheiros de segurança do trabalho. Como primeira ação, o grupo enviou cartas ao Ministério da Previdência e à Comissão de Seguridade Social e Família, solicitando a realização de uma audiência pública para restabelecer aos Eletricitários a garantia de se aposentar de forma especial.

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2009

Sindicalistas participam da III Jornada Nacional de Debates do DIEESE, no mezanino da sede. No detalhe, o presidente Carlão.

Em 2009, o Sindicato deu um grande passo no combate ao desemprego, inaugurando o Banco de Vagas dos Eletricitários, disponível no endereço eletrônico da entidade. Por meio do serviço, os trabalhadores começaram a enviar seus currículos, que eram encaminhados às empresas que procuravam o Sindicato, no momento em que precisavam de novas contratações. O Sindicato também recebeu a III Jornada Nacional de Debates do DIEESE, com o tema “Negociações coletivas em contexto de crise”. O presidente Carlão fez a abertura do evento, no dia dezoito de agosto, coordenado pelo diretor técnico do DIEESE, Clemente Ganz Lúcio. O encontro abordou a situação do Brasil em meio à crise financeira mundial e os reais impactos daquele momento sobre a vida dos trabalhadores. Os Eletricitários de São Paulo marcaram presença em São José do Rio Preto, dando força às lutas dos trabalhadores da CPFL, que, além de enfrentarem uma dura campanha salarial, também sofriam com demissões arbitrárias, péssimas condições de trabalho e o não cumprimento de diversos direitos previamente assegurados. A FENATEMA também apoiou amplamente as reivindicações do SINDLUZ, num ano em que a CPFL retirou diversos direitos dos Eletricitários. Há muito tempo sendo tratados com diferença dos trabalhadores da empresa contratante, os Eletricitários das empreiteiras prestadoras de serviço da AES Eletropaulo foram fielmente defendidos pelo Sindicato em 2009, num plano de lutas pela valorização dos companheiros, não só no aspecto salarial, como também na própria integridade destes trabalhadores. Neste sentido, três greves foram deliberadas, entre os meses de agosto, setembro e outubro.

O presidente do Sindicato, Carlão, e o presidente da FENATEMA, Chicão, estendem apoio à manifestação dos Eletricitários em São José do Rio Preto. Trabalhadores, atentos, leem o Jornal do Eletricitário.

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2009 Firmes e fortes, os Eletricitários das empreiteiras da Eletropaulo cruzaram seus braços, por 24h e 48h, mas, por uma irresponsável ação dos divisionistas, que questionaram a representatividade do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, os trabalhadores foram obrigados a adiar a terceira greve, de 72h, marcada para ter início a partir de primeiro de outubro daquele ano. Os trabalhadores superaram as adversidades e deflagraram uma nova greve, no dia dezessete de outubro – e, desta vez, a paralisação durou por mais tempo e teve maior adesão dos trabalhadores.

Uma reclamação realizada pelo Eletricitário e dirigente da FENATEMA, Jorge Fuzil, deu motivo para a Eletropaulo demitir o companheiro. Após denunciar o uso do uniforme da empresa por policiais na captura de marginais em áreas de risco, o companheiro foi assediado moralmente, e, em seguida, demitido, pagando o preço pela coragem de defender os demais trabalhadores. A covarde demissão revoltou os dirigentes do Sindicato, que realizaram um protesto na base de Monte Santo, em 26 de setembro. Em resposta, a AES Eletropaulo acionou a Polícia Militar, a fim de conter a manifestação dos indignados trabalhadores. No mesmo mês, o Sindicato denunciou a empresa de distribuição no Ministério Público do Trabalho, por ocultar o número de acidentes ocorridos com os Eletricitários. Em novembro, o Sindicato defendeu os trabalhadores frente às inverdades espalhadas pela imprensa sobre o apagão ocorrido no dia dez daquele mês. Em vez de responsabilizar os verdadeiros culpados, a mídia atribuiu a responsabilidade aos trabalhadores. Em catorze de novembro, os funcionários da entidade participaram do Primeiro Seminário “Conhecendo o Sindicato”, que foi organizado pela diretoria e pelos funcionários mais antigos da Casa. Naquele mês, também, a diretora Patrícia Rosa de Oliveira foi convidada pela OIT a participar do Grupo de Especialização em Direito do Trabalho Coletivo, realizado na Universidade de Montevidéu, no Uruguai, e na Universidade de Buenos Aires, na Argentina, destacando-se ao representar os principais anseios e problemas dos Eletricitários.

O Sindicato e a FENATEMA apoiam o companheiro Jorge Fuzil. A manifestação foi fortemente repreendida pela Polícia Militar, acionada pela Eletropaulo.

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2010 Por todo o ano de 2010, o Sindicato travou uma intensa batalha para domar o monstro da terceirização. A luta era pela incorporação destes companheiros às empresas contratantes de seus serviços, ou, ao menos, pela equiparação dos salários. Para o Sindicato, a lógica era uma só: quem mexe com eletricidade, é, genuinamente, um Eletricitário. E naquele ano, foi registrado um alto número de mortes entre estes trabalhadores, além de acidentes ocasionados pela sobrecarga e pela exploração da mão de obra terceirizada. No ano em que o Brasil bateu recorde no consumo de energia, o Sindicato foi surpreendido pelo alto número de demissões na Bandeirante, falsamente justificadas pelo desempenho dos trabalhadores. As demissões arbitrárias foram denunciadas pelo Sindicato, que articulou ações para reverter a situação dos companheiros mandados embora. A onda de maldades parecia inundar a praia de várias empresas: no Grupo CPFL, que, embora tivesse os mais altos lucros do setor, o quadro de funcionários foi reduzido, assim como também foi diminuído o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Na Elektro, o Sindicato observou e denunciou numerosos casos de sobrecarga de trabalho, que atormentavam a vida dos Eletricitários da empresa. O Dia Internacional da Mulher contou com as tradicionais comemorações do Sindicato, mas as Eletricitárias da Eletropaulo ganharam como presente o aumento de sua representatividade dentro e fora da empresa, com a eleição da diretora Patrícia Rosa de Oliveira para o Conselho de Administração da Eletropaulo, ao lado do diretor Sérgio Canuto. Em treze de abril, a FENATEMA realizou um ato na Avenida Paulista, com apoio do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e demais sindicatos filiados, com objetivo de lutar pela redução da jornada de trabalho, de

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Os Eletricitários e a FENATEMA unidos ao movimento sindical reivindicam a redução da jornada de trabalho em protesto na Avenida Paulista.

44h para 40h semanais. O ato foi encorajado por diversos trabalhadores e políticos, e, no dia 21 de maio, o Sindicato recebeu a visita do deputado federal Paulo Pereira, para um bate-papo com os dirigentes sindicais sobre os projetos de redução de jornada de trabalho e sobre a necessidade de união das centrais na luta.


2010 No primeiro dia de junho, o movimento sindical vivenciou um de seus mais importantes momentos da atualidade. Era a Segunda Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (II CONCLAT), realizada no Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, com mais de vinte mil pessoas, entre trabalhadores, sindicalistas e representantes políticos. O encontro reuniu as centrais sindicais criadas por influência da I CONCLAT, idealizada pelo Eletricitário Hugo Perez, que debateram as questões sobre o futuro do país para os trabalhadores, no aspecto sindical, político, econômico e social.

Mais de 20 mil pessoas compareceram à II CONCLAT, realizada em primeiro de junho. Ao lado, o presidente da FENATEMA, Chicão, e do Sindicato, Carlão, celebram o evento com diversos ícones do movimento sindical.

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2010 Durante o inverno, o Sindicato participou da Campanha do Agasalho, instalando no edifício-sede um posto de arrecadação de roupas. Com o engajamento dos Eletricitários na campanha solidária, o Sindicato angariou um significativo número de peças ao longo da ação, que, depois, foram distribuídas às pessoas carentes e em situação de rua. A solidariedade dos Eletricitários também brilhou em campo, com a participação do time da Elektro de Franco da Rocha no Torneio de Futebol Beneficente da ONG A Vida Tem Sabor, no dia dez de julho. Com o apoio do Sindicato e da FENATEMA, o torneio arrecadou alimentos para dezenas de famílias necessitadas. Em 29 de julho, tomou posse a nova diretoria para o exercício entre os anos de 2011 e 2015. A formação foi aprovada por aclamação, numa cerimônia festiva. Outra importante conquista foi celebrada em 29 de outubro, na assembleia de ratificação da FENATEMA. Diversos sindicatos estiveram presentes no evento, reconhecendo a legalidade da Federação, e, na mesma ocasião, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo recebeu uma placa de homenagem de destaque no movimento de defesa ao trabalhador, entregue a Carlão pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Parati e Angra dos Reis (STIEPAR), Dalberto de Andrade. Os Eletricitários na ativa, aposentados e pensionistas realizaram um importante protesto nos portões da Fundação CESP, contra as mudanças e a proposta de um reajuste abusivo nos planos de saúde da Fundação. Ao tomar conhecimento da manifestação, os representantes da Fundação CESP convocaram uma reunião com Carlão, em nome do Sindicato, Chicão, presidente da FENATEMA, e Edmundo Benedetti Filho, defendendo os aposentados, no dia anterior ao protesto. Naquela data, os presidentes das três entidades determinaram o reajuste mais baixo possível, ao consenso de 39,2%. Com a proposta em mãos, o valor foi deliberado na manifestação marcada para o dia seguinte.

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A diretoria reunida na cerimônia de posse, celebrada em 29 de julho.

Abaixo, Magri, Hugo Perez, Carlão, Paulo Pereira, Chicão e Canindé Pegado lutam com sindicalistas e aposentados por um reajuste mais baixo na Fundação CESP.


2010 Um dos episódios mais significativos na defesa pelos direitos dos trabalhadores das empreiteiras foi a greve na SELT, quando, entre os dias 23 e 24 de setembro, os trabalhadores cruzaram seus braços por melhorias das condições de trabalho e pela equiparação salarial com outras empresas do ramo, além de lutarem pelos benefícios da categoria. Em meio à paralisação, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo compareceu à sede da SELT, em Belo Horizonte, para negociar com os patrões as reivindicações dos trabalhadores. Após exaustivos debates, a empresa se comprometeu a regularizar a situação dos trabalhadores, até o início de outubro. O ano também foi de importantes intercâmbios para o Sindicato. Entre os dias sete e doze de setembro, a diretora Regina Strepeckes e o diretor José Carlos Souza participaram da Décima Conferência Regional Interamericana da Internacional de Serviços Públicos (ISP), no município colombiano de Cartagena. A dupla representou os Eletricitários de São Paulo no seminário, que contou com a participação de sindicalistas de todas as nações da América e de alguns países europeus. Em outubro, os representantes do Sindicato, acompanhados do presidente Carlão, fizeram importantes visitas à Europa. Entre os dias 12 e 14 de outubro, o Sindicato esteve em Genebra, na Suíça, participando da Conferência “Ação Agora”. Realizado pela ISP, o evento discutiu a crise econômica em todo o planeta, a pobreza, a desigualdade social e a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade. Ainda no continente europeu, o Sindicato foi à Portugal para apresentar as experiências em qualificação do trabalhador.

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2011

No ano em que o Sindicato comemorou seus sessenta e seis anos de história, as atividades foram intensas e aumentaram significativamente a participação da entidade no cenário político nacional. Assim, em parceria com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente (FENATEMA), os Eletricitários receberam em sua casa o presidente da FIESP, Paulo Skaf, para discutir a campanha “Energia a Preço Justo” e o iminente vencimento das concessões das usinas hidrelétricas. E os diálogos não paravam por aí: em 2011, o Sindicato participou de um importante debate sobre o futuro das hidrelétricas, promovido pela revista Carta Capital no hotel Caesar Business, com a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e José da Costa Carvalho Neto, presidente da Eletrobras. Em fevereiro, a nova diretoria tomou posse com o presidente Carlão, numa cerimônia festiva que reuniu autoridades e representantes de outros sindicatos e associações. Quando os dirigentes tomaram posse de seus cargos, o clima de renovação trouxe ao movimento sindical e aos trabalhadores a esperança de dias melhores.

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Acima, a reunião com Paulo Skaf para debater os temas relacionados à tarifa de energia e ao vencimento das concessões das usinas hidrelétricas. Abaixo, a cerimônia de posse.


2011 Naquele ano, uma grande festividade foi realizada para comemorar o aniversário do Sindicato, com a presença do ex-presidente Magri, lideranças do movimento sindical e representantes das chefias das empresas de energia. Em outubro, o presidente Carlão deu início à reforma no térreo, com objetivo de resolver problemas estruturais e adequar a acessibilidade do edifício. Uma das vitórias da safra de 2011 foi o direito à aposentadoria especial, conquistado pelos Eletricitários após longos anos de batalha. O ano também teve como destaque o lançamento do primeiro número da Revista do Eletricitário, editada pelo Departamento de Comunicação. Em suas páginas, a publicação trazia um breve histórico sobre a trajetória da entidade ao longo dos anos, além das parcerias de benefícios oferecidas para os associados e seus dependentes.

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2012 Com o presidente Carlão exercendo seu mandato a todo vapor, os Eletricitários de São Paulo deixaram de ser filiados à União Geral dos Trabalhadores (UGT) e assinaram a filiação com a Força Sindical, num evento celebrado no auditório do Sindicato em dez de fevereiro daquele ano. Aprovada pelos trabalhadores em assembleia geral, a mudança de central alterara os caminhos da vida sindical dos Eletricitários e aumentara a influência da entidade no cenário nacional. A filiação foi comemorada entre dirigentes, líderes sindicais e políticos, e, paralelamente, Carlão foi nomeado como vice-presidente da Força Sindical por Paulo Pereira. O ano só estava começando quando os Eletricitários de São Paulo somaram forças à luta dos Eletricitários de Ipaussu, numa importante greve na CPFL Santa Cruz. Realizada em seis de fevereiro, a paralisação de 24h engajou um alto número de trabalhadores e sindicalistas, que, juntos, reivindicaram salários equiparados aos que eram pagos aos demais Eletricitários do grupo CPFL Energia. O mês de março também ficou marcado por lutas intensas, com homenagens às companheiras Eletricitárias realizadas na sede e com o movimento “Mulheres Unidas pela Promoção da Igualdade em Todos os Espaços”, organizado pela Força Sindical e marcado por uma passeata no dia oito de março, na qual as dirigentes Eletricitárias acompanharam a Secretária Nacional de Políticas para as Mulheres da Força Sindical, Maria Auxiliadora dos Santos.

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Acompanhado por André Paladino, Paulo Pereira e Chicão, Carlão assina o termo de filiação à Força Sindical.


2012

Paralisação da CPFL Santa Cruz teve amplo apoio do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e da FENATEMA.

Carlão discursa durante o 3º Encontro Nacional dos Trabalhadores de Furnas e da Eletronuclear.

Em 2012, os Eletricitários intensificaram sua atuação nas empreiteiras, reunindo um grande número de trabalhadores durante as visitas às bases espalhadas no Estado. Os dirigentes aumentaram a influência do Sindicato ao se unirem com os Eletricitários do Rio de Janeiro durante o 3º Encontro Nacional dos Trabalhadores de Furnas e da Eletronuclear, realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Parati e Angra dos Reis (STIEPAR), entre os dias seis e oito de março. No evento, os participantes interagiram em palestras apresentadas por especialistas do setor e discutiram assuntos relacionados às políticas trabalhistas e os desafios da produção de energia nuclear em Angra dos Reis. Os Eletricitários de São Paulo tomaram seu espaço no 1º Seminário Nacional dos Trabalhadores do Setor Elétrico, realizado pelo DEPAURB (Departamento Profissional dos Urbanitários), em Ouro Preto, entre os dias 23 e 25 de abril. Organizado pela CNTI e com a participação da FENATEMA e de outros sindicatos, o evento rendeu a Carta de Ouro Preto, documento de proteção aos trabalhadores que foi formulado após discussões, debates e palestras com especialistas da área. Em linhas gerais, o documento visava a implantação de políticas de emprego e assistência social para os trabalhadores.

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2012

Já entre os dias 25 e 27 de abril, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo foi à Brasília para dialogar com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a liberdade sindical no país e os novos rumos do sindicalismo. No dia seguinte ao término do seminário, o TST inaugurou, em Brasília, um memorial em homenagem às duas mil, setecentas e noventa e seis vítimas de acidentes de trabalho de 2011. Representado pelos dirigentes Alexandre Meduneckas e Regina Strepeckes, o Sindicato também intensificou a luta contra a exploração infantil, participando de uma oficina da Força Sindical contra o trabalho das crianças. No ano em que a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) determinou a revisão tarifária das empresas de eletricidade, o Sindicato recebeu uma audiência pública da própria concessionária, no auditório da sede. No encontro, foram discutidas as estratégias de modernização do setor, como a instalação de medidores elétricos e as redes inteligentes (smart grids), técnicas que suscitariam problemas para os Eletricitários, como esperados cortes de empregos. Em setembro de 2012, foi aprovada e divulgada a Norma Reguladora de número 35 (NR 35), que determina medidas de proteção ao trabalho em altura, atingindo diretamente os trabalhadores do setor elétrico.

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Em Brasília, representantes do Sindicato e da FENATEMA participaram do seminário sobre liberdade sindical, e compareceram à inauguração do memorial em homenagem às vítimas de acidentes de trabalho.


2012

O presidente da FENATEMA, Chicão, dialoga com os representantes do setor elétrico da China.

Em 2012, o Sindicato ampliou a experiência internacional e o diálogo com outros países. Em outubro, acompanhados pelo presidente da FENATEMA, Chicão, os dirigentes do Sindicato e o presidente Carlão receberam, na sede, uma comitiva de representantes do setor elétrico chinês, liderada pelo diretor geral de proteção ambiental da região de Fujian. No encontro, os sindicalistas discutiram com os chineses a estruturação do setor elétrico brasileiro e os impactos ambientais deste sistema. Ao final da visita, os chineses levaram, para o outro lado do mundo, a tarefa de reduzir as emissões de carbono e outros impactos ambientais da geração de eletricidade. Mas um dos mais importantes acontecimentos de 2012 ainda estava por vir. Entre os dias 27 e 30 de novembro, o Sindicato participou do 29º Congresso Mundial da Internacional de Serviços Públicos (ISP), em Durban, na África do Sul. Em território sul-africano, os Eletricitários se uniram com mais de mil pessoas para discutir com especialistas a atuação sindical e as lutas em prol das mulheres e pela igualdade étnica a nível mundial, aumentando a representatividade da entidade, até mesmo do outro lado do oceano.

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2013 O último ano de mandato do presidente Carlão ficou registrado pela conclusão das obras estruturais nos departamentos médico e odontológico do Sindicato, modernizando os consultórios utilizados pelos sócios. Em 2013, os Eletricitários tiveram uma marcante atuação sociopolítica no cenário nacional. No âmbito social, a entidade reforçou sua preocupação com as mulheres e com os aposentados: além de o Sindicato ter realizado um evento para homenagear as trabalhadoras, também publicou um artigo que a diretora Regina Strepeckes escreveu sobre a violência contra a mulher. No primeiro de maio da Força Sindical, Carlão entregou as chaves do automóvel sorteado para o trabalhador que ganhou o prêmio.

Os departamentos médico e odontológico do Sindicato, completamente reformados e modernizados.

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O presidente do Sindicato, Carlão, e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira, entregam a chave do automóvel ao trabalhador sorteado na festa do primeiro de maio, juntamente com o dirigente Lara, do Sindicato dos Eletricitários. Ao lado, os representantes do Sindicato e da FENATEMA na festa do trabalhador.


2013 Os Eletricitários ocuparam Brasília ao lado de milhares de trabalhadores durante a 7ª Marcha das Centrais Sindicais, realizada no dia seis de março daquele ano. As bandeiras de lutas do Sindicato, nas cores azul, vermelho e branco, tremularam nas ruas de São Paulo em abril, durante a manifestação contra os altos juros. Posicionado ao lado da Federação e de outras entidades sindicais, o escudo do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo brilhou mais forte em Furnas, com o aumento da fiscalização e da atuação sindical na empresa.

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2013

Um dos mais expressivos momentos para os Eletricitários em 2013 foi o 7º Congresso Nacional da Força Sindical, realizado em Americana, em junho. Os Eletricitários marcaram presença no evento, e os dirigentes Celso Luis de Souza e Geraldo Marzano Filho foram nomeados para ocupar a 1ª Secretaria Estadual da Força Sindical. No Congresso, o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Ipaussu e vice-presidente da FENATEMA, André Paladino, foi eleito para assumir a presidência da nova Secretaria dos Urbanitários da Força Sindical. Além da eleição dos representantes dos Eletricitários, o 7º Congresso Nacional da Força Sindical também determinou importantes planos de lutas para o resto de 2013. Assim, o encontro definiu o calendário das principais manifestações para o restante do ano, que guerrearam contra a política econômica adotada pelo Governo Federal, solicitando, de forma ordeira, o afastamento da presidente Dilma Rousseff do poder.

Da esquerda para a direita: André Paladino, presidente do Sindicato dos Eletricitários de Ipaussu e vice-presidente da FENATEMA, eleito como presidente da nova Secretaria dos Urbanitários da Força Sindical; Geraldo Marzano Filho e Celso Luis de Souza, nomeados para ocupar a 1ª Secretaria Estadual da Força Sindical, durante o Congresso.

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2013 No dia onze de julho, os Eletricitários marcaram presença no Dia Nacional de Greve e Mobilizações, levantando suas bandeiras de luta ao lado das centrais sindicais, num movimento que se espalhou pelas principais cidades brasileiras. Em agosto, o Sindicato participou de dois determinantes protestos para a classe trabalhadora: no dia seis, a manifestação foi contra o projeto de lei da terceirização. Na noite de 29 de agosto, os aposentados deram início a uma vigília em frente à sede do INSS, reunindo mais de duas mil pessoas que ali permaneceram até o dia seguinte, quando raiava a hora certa de lutar intransigentemente pelo fim do fator previdenciário, pela redução da jornada de trabalho e para gritar o “não à terceirização” em alto e bom som. No mesmo mês, o Sindicato prestigiou o lançamento do livro “Transformações Urbanas: São Paulo 1893 a 1940”, produzido pela Fundação Energia e Saneamento, patrocinado pela AES Eletropaulo e lançado no Museu da Energia. Um dos capítulos mais tempestuosos da história do Sindicato desenrolou-se em dezoito de outubro de 2013, quando o presidente Carlão foi brutalmente assassinado a tiros, enquanto dirigia o seu carro pelas ruas da cidade. Investigado pela polícia, o crime ganhou destaque na imprensa à época, e, mais de dois anos depois do ocorrido, o caso ainda não foi solucionado. Após um período de luto, o Sindicato renasceu das cinzas com a eleição do presidente Celso Luis de Souza, colocado à frente da entidade pelos próprios dirigentes. Em seu primeiro editorial, publicado na Revista do Eletricitário, Celso assumiu o compromisso, homenageando o ex-presidente, além de reforçar a necessidade de união dos trabalhadores para fortalecer as reivindicações da categoria. Iniciava-se, então, uma nova era para os Eletricitários de São Paulo.

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2014 O penúltimo ano desta trajetória de setenta anos do Sindicato revelou a seriedade do presidente Celso Luiz de Souza, que, seguindo o compromisso assumido e o amor pelos trabalhadores, desenvolveu diversos planos de luta num difícil momento para o Sindicato e para a economia brasileira. No ano de pleno mandato do presidente Celso, os Eletricitários deram continuidade às suas lutas ao lado da Força Sindical, buscando diminuir as injustiças que acometem o trabalhador. Durante a 8ª Marcha das Centrais, realizada em dez de abril, os Eletricitários bateram o pé com mais de 35 mil trabalhadores, na Avenida Paulista. Ali, somaram sua disposição com outros líderes sindicais, em defesa do adicional de periculosidade, da redução da jornada de trabalho e pelo fim do fator previdenciário. Além disso, os dirigentes do Sindicato também fizeram um protesto com a Força Sindical para impedir o fechamento do Centro de Solidariedade do Trabalhador (CST), importante agência de recolocação profissional ameaçada de ser extinta pelo Governo naquele mês de abril.

Representados pelo presidente Celso Luis de Souza e pela diretoria combativa, os Eletricitários marcaram presença na Oitava Marcha das Centrais, defendendo os direitos dos trabalhadores e mostrando insatisfação com o poder público.

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2014

O auditório do Sindicato recebeu o evento de encerramento do Março Mulher, uma campanha da Força Sindical em defesa das trabalhadoras. Antes do encerramento oficial, que contou com a presença de importantes lideranças do movimento sindical, os Eletricitários homenagearam as trabalhadoras e as aposentadas e pensionistas durante o Dia Internacional da Mulher, no tradicional encontro anualmente realizado na sede.

O presidente Celso Luis de Souza homenageia as trabalhadoras e pensionistas, firmando compromisso de luta no auditório do Sindicato.

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2014 Em 2014, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo firmou uma parceria com o Clube de Campo Mairiporã, disponibilizando descontos e preços especiais para a estadia dos associados e seus familiares. Porém, uma das mais importantes conquistas dos Eletricitários naquele ano foi a entrega da Medalha Constitucionalista, uma homenagem da Assembleia Legislativa de São Paulo que foi recebida pelo presidente Celso, no dia dez de novembro de 2014. A Medalha é um reconhecimento pela participação do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo nas lutas pela democracia ao longo de sua história.

O presidente Celso Luis de Souza ficou emocionado ao receber a Medalha Constitucionalista em homenagem ao Sindicato, na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A Casa de Campo do Eletricitário, convênio firmado com o Clube de Campo de Mairiporã, pelo presidente Celso Luis de Souza.

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2014

O Terceiro Encontro Internacional dos Trabalhadores do Grupo ISA foi um importantíssimo acontecimento de 2014. Realizada na sede do Sindicato e na Colônia de Praia Grande, o encontro foi um intercâmbio entre os Eletricitários de São Paulo, os Urbanitários de Santos e a FENATEMA, com os representantes dos sindicatos colombianos SINTRAISA (Sindicato de Trabajadores de ISA), SINTRAISAGEN (Sindicato de Trabajadores de ISAGEN) e SINTRAE (Sindicato dos Trabalhadores de Energia da Colômbia). Entre os dias 25 e 28 de novembro, os líderes sindicais trocaram suas experiências e estreitaram os laços entre os dois países, destacando a árdua e perseguida atuação do sindicalismo na Colômbia. No final do ano, o exímio desempenho do presidente Celso abriu os caminhos para a gestão de Eduardo Annunciato, Chicão, à frente do Sindicato nos dias atuais.

Os participantes do Terceiro Encontro Internacional de Trabalhadores do Grupo ISA, reunidos no auditório do Sindicato com o presidente Celso Luis de Souza. O evento aconteceu no prédio da Rua Thomaz Gonzaga e na Colônia de Férias de Praia Grande.

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2015 O último ano da linha do tempo deste livro não deve ser encarado como um capítulo final, mas sim como um marco inicial de uma nova era para os Eletricitários de São Paulo e que serve de exemplo para todo o movimento sindical brasileiro. Diversas autoridades compareceram à cerimônia de posse do presidente Eduardo Annunciato, o Chicão, no auditório do Sindicato, em fevereiro. Em frente aos presentes – dentre eles, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o ministro Aldo Rebelo, – o presidente eleito por unanimidade reforçou a importância da

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atuação do Sindicato, não só para os Eletricitários, mas também para o desenvolvimento de um país menos cruel para todos os trabalhadores. Neste primeiro ano de atuação, o presidente Chicão alimentou a chama de seu chamado para a luta, desenvolvendo uma série de ações para acender a união dos trabalhadores. O Sindicato intensificou uma sequência de mobilizações políticas e eventos de incentivo à integração social e à formação cultural do trabalhador, além de resgatar a proposta do Sindicato em realizar competições esportivas entre os Eletricitários. Assim, a atuação do Sindicato se desenrolou nestes âmbitos, envolvendo os associados, suas famílias e os aposentados em diversos eventos.


2015 A fim de aumentar a participação política do trabalhador e a representatividade do Sindicato, o presidente Chicão conduziu assembleias numerosas. A maior delas até então, aconteceu no dia seis de agosto, reunindo milhares de trabalhadores que aprovaram a proposta de negociação com a Eletropaulo, no auditório do Sindicato. Além de realizar a maior assembleia do Sindicato no século vinte e um, o presidente Chicão, à frente da FENATEMA, conduziu os Eletricitários no Dia Nacional de Paralisação e Manifestações, ocupando importantes ruas e avenidas de São Paulo contra a terceirização, a precarização do trabalho e outras injustiças, ao lado das centrais sindicais e do Faísca, mascote do Sindicato presente nas mais importantes celebrações de lutas e glórias dos Eletricitários ao longo da história.

Orientados pelo presidente Chicão, os Eletricitários voltaram à Casa do Trabalhador para aprovar o Acordo Coletivo da AES Eletropaulo e enaltecer o sindicalismo.

Junto com a FENATEMA e milhares de trabalhadores, os Eletricitários pararam a capital paulista contra a precarização do trabalho no Brasil, durante o Dia Nacional de Paralisação e Manifestações.

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2015

Preocupado com a formação cultural e esportiva dos Eletricitários, o Sindicato desenvolveu um ciclo de palestras, trazendo para o auditório, especialistas que debateram saúde e segurança no trabalho, assédio moral, participação da mulher no mercado de trabalho e terceirização, ao longo do mês do trabalhador. Os Eletricitários também entraram em campo durante o torneio de futebol, que se encerrou no dia dezessete de maio, juntamente à Festa do Eletricitário. Tendo como campeão o time dos trabalhadores da Elektro, o torneio foi um sucesso e deu sustentação para a construção do Departamento de Esportes, a ser inaugurado em breve. Um dos mais marcantes momentos do ano foi a Festa do Eletricitário, no dia dezessete de maio. Precedida por sorteios de prêmios para os trabalhadores em suas bases, a festa popular foi realizada no CMTC Clube, local que tornou-se ponto de encontro da categoria. O evento contou com atrações musicais, feira gastronômica e sorteios: um automóvel, uma motocicleta, televisões e outros brindes foram distribuídos entre os Eletricitários e aposentados associados, em clima de alegria e união entre trabalhadores e líderes sindicais.

Os companheiros do time da Elektro foram os grandes campeões do Torneio de Futebol dos Eletricitários. Na mesma data, a Festa do Eletricitário acendeu o espírito da união na categoria, reunindo as famílias dos trabalhadores, com diversas atrações musicais e sorteios de prêmios.

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2015 Diretoria reunida celebra os setenta anos de lutas e conquistas do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo.

Os 70 anos de história de lutas e conquistas iluminadas pelo Sindicato foram laureados numa cerimônia especial, realizada no Clube Esperia, em quatro de setembro de 2015, na capital paulista. Reunindo importantes personagens da história escrita nestas páginas, o evento homenageou os ex-presidentes do Sindicato e companheiros combativos e atuantes, que, com muito amor e dedicação, construíram o patrimônio do Sindicato, que continuará a defender os Eletricitários nas próximas gerações que hão de vir com o passar dos anos.

O vice-presidente, Sérgio Canuto, entrega uma placa de prata em homenagem ao presidente Chicão.

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agradecimento

Agradecemos imensamente a todos os trabalhadores do Sindicato, e aos diretores da Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo, que, ao longo desta história, com suas mãos fortes e empenho, ajudaram a erguer o patrimônio do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo. São muitas as pessoas que estão entre nós, e, diariamente, desempenham com integridade as funções para as quais foram confiadas. Agradecemos, também, a todos que já passaram pelo Sindicato e deixaram sua valorosa contribuição. Desejamos virtuosos resultados aos trabalhadores que virão a sustentar o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo no futuro... Juntos na luta!!!

Adriana Cristina Amaro Moreira Alessandra de Oliveira Alfredo de Souza Moraes Aline Elaine Garcia de Aguiar Aline Fonseca de Paiva Ana Maria Marques Batista André Soares Gonçalves Andrea Duran Peres Camilla Lopes Teixeira Carla Cristina da Silva Carlos Alberto Sorroche Carina de Cassia Afonso Cicero Rodrigues da Silva Darci de Souza David Cruz de Sousa Debora Aparecida Roque Deraldo Silva de Araújo Dilan Europeu Munis Dias Edvaldo de Jesus Elenice Luiza de Oliveira Elisângela Silva de Moura Annunciato Erick Barros Bandeira Fernando Marcio de Castro

Gabriel Felix de Oliveira George Felipe Teixeira de Castro Filho Hermes da Silva Leite Igor Rodrigues Salazar de Moura Jael Moura de Campos Jesus Cristiano Podda Leopoldo José Alberto dos Santos José Luis Ramos José Willames Matos Rego Júlio César Xanthopulo Afonso Katia Maria de Melo Liliana Aparecida Cabral Motta Lourival Alves Lucia de Fátima Gennaro Luciana Fernanda Izabel Nardini Luzia Ceciliato Celeri Marcela Berti de Mendonça Marcio dos Santos Rualonga Marcos Roberto Lima Marcos Paulo Franco Marcos Antonio de Miranda Maria do Socorro Nunes Filha Maria Madalena de Jesus Santos

Mariana Belmonte Kim Marines Santos Marta Gonçalves da Silva Maurício Boccuto Ribeiro Nivia Maria dos Reis Freitas Norma Soeli Carvalho Lima Orlando Rodrigues Oscar Ferreira da Silva Oswaldo Ramos Paulo Henrique Falco Ortiz Rosa Cristiane Florisval dos Santos Rosélia Maria Marques do Nascimento Samira de Oliveira Domingues Simone Gomes Batista Suenny Bromonschenkel dos Santos Tania Aparecida de Oliveira Valéria Estevão da Silva Valter Silva da França Vanessa de Souza Resende do Nascimento Victor Hugo Rodrigues Coutinho Wesley Dalcim Marques Zenildo Santos Alves Zilma Lucia Bezzera


Acima, os funcionários que trabalham na sede do Sindicato. À esquerda, os funcionários da Colônia de Férias de Praia Grande. Á direita, a diretoria da Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo.


diretoria Diretoria executiva Presidente: Eduardo de Vasconcellos Correia Annunciato Vice-Presidente: Sérgio Canuto da Silva Secretário Geral: José Roberto Lara de Moraes Diretor Secretário Adjunto: Alexandre Meduneckas Diretor Financeiro: Celso Luis de Souza Diretor Financeiro Adjunto: José Roberto Blota Diretor de Benefícios: Benedito Tolentino Câmara Diretora Jurídica: Patrícia Rosa de Oliveira Diretor de Comunicação: Leandro da Silva Netto

Diretoria de base Robson Durante Marcio de Oliveira Bernardino Jesus de Brito Renata Aparecida Piovezan Washington Aparecido dos Santos Geraldo Marzano Filho José Bitelli Neto José Mauro dos Santos Castanheiro Pompeu Freire de Mesquita Antônio José Alves Miranda Márcio Roberto de Carvalho Airton de Lima Márcio Antônio da Silva Ronaldo Rodrigues Pereira Dionízio Marcolino da Silva Júnior

Jutelmo Rodrigues da Silva Willians Barbosa Cláudio Eliana Fernandes da Cruz Malfarage Fátima Cristina Faria Palmieri Cristiane Aparecida Fiorini Antônio Luiz Cruz Fábio Alves Carvalho Ivan Gomes Cortez Gabriel Cesar Anselmo Soares Marisa de Oliveira André Donizete Mourão da Conceição Ricardo Vassão dos Santos Genivaldo Saulo da Silva Adalberto Dutra da Silva Trindade Wilson Roberto Pereira

Diretoria fiscal José Luiz Borges Andreolli Marco Antonio Caires Zamparo Regina Lúcia Strepeckes Jorival Dias de Oliveira Sérgio dos Reis João Marcos Pereira Vidal

Diretoria Representante Junto à Federação José Jurandir Alves Lopes Romilson José Rabello Marcos Martins de Lima Maurício Takami


Sindicato dos Trabalhadores de Energia Elétrica de São Paulo Rua Thomaz Gonzaga, 50 01.506-020 - São Paulo - SP www.eletricitarios.org.br


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